Peep-Toe & All-Star
Lulu (opa as vezes escrevo o teu nome verdadeiro... e tenho medo de m enganar
), "Fiquei admirada por seres a segunda (a 1ª sou eu!) a não detestar a Margarett.", a sério... eu adoro-a. Acho-m tao parecida a ela... namoro com o meu melhor amigo, sim porque ele era meu melhor amigo antes de ser namorado, e à imensas coisas q ela faz com o David, q são as mesmas q eu faço com o meu "menino" 
A unica diferença entre mim e ela, é q ela é demasiado ingénua e boa, e eu, como sabes sou sincera e as vezes magoou as pessoas, mas digo a verdade as pessoas mesmo q magoe!
Quanto à musica, é a patiente dos Take that!
Opa eu so imagino na mae da Magarett a bater-lhe de raiva, e nela a engravidar...
S ela era tão ingénua quanto as "Relações sexuais", provavelmente nao tomava a pílula... nem sei q isso existia na altura
Nem sei s já havia preservativos... sinceramente nem sei como é q faziam o quer q sejam e nao engravidavam!
Opa sou uma inculta... XD
Enfim tenho muito q ler!
), "Fiquei admirada por seres a segunda (a 1ª sou eu!) a não detestar a Margarett.", a sério... eu adoro-a. Acho-m tao parecida a ela... namoro com o meu melhor amigo, sim porque ele era meu melhor amigo antes de ser namorado, e à imensas coisas q ela faz com o David, q são as mesmas q eu faço com o meu "menino" 
A unica diferença entre mim e ela, é q ela é demasiado ingénua e boa, e eu, como sabes sou sincera e as vezes magoou as pessoas, mas digo a verdade as pessoas mesmo q magoe!

Quanto à musica, é a patiente dos Take that!

Opa eu so imagino na mae da Magarett a bater-lhe de raiva, e nela a engravidar...
S ela era tão ingénua quanto as "Relações sexuais", provavelmente nao tomava a pílula... nem sei q isso existia na altura

Nem sei s já havia preservativos... sinceramente nem sei como é q faziam o quer q sejam e nao engravidavam!
Opa sou uma inculta... XD
Enfim tenho muito q ler!

Já está... acabei! 
aqui vai os comentários aos capítulos
Capitulo 32 – Oficial
Quanto mais
quero odiar o William, a cada capitulo q o leio, ADORO-O mais!
Não sei
porque, mas parace-m a a Mrs.Frinkie , vai ser muito boa mãe, e aceitar
bastante bem o rompimento da relação do filho com a costureira.
Quanto à mãe
da Mag, já não m parece q vai ser coisa boa!
Capitulo 33 – Calor de Verão
Adorei este
capitulo, e adorei o facto do campismo… Vou revelar q não sabia q naquela
altura, s podia acampar, e q as mães deixavam, mas s tu escreves-te na historia
é porque tiveste uma busca intensiva destes pormenores J
Ri-me imenso
nesta parte “Margarett riu-se, divertida, sem duvidar
que o próximo seria David. No entanto, não podia contar que ele, mal
mergulhasse, sairia logo da água.
Todas gritaram em pânico:
-Não me toque David, estás todo molhado! – Berrou Ally.
Ela desobedeceu e rebolou por cima das raparigas, uma a uma, sem as deixar
fugir a tempo. Quando alcançou Margarett cobriu-a com o seu corpo sobre o dela,
fazendo-a espernear ao sentir toda a sua pele molhada:
-David sai de cima de mim, estás gelado! – Ordenou, tentando separar-se dele.”,
pois neste campismo, foi o primeiro q fui com o meu namorado e amigos, e eu é q
fazia sempre o papel do David, salpicava toda a gente, molhava o meu namorado
com o cabelo, e respetivos amigos. Digo-te q é bastante engraçado! XD
Começo a irritar-me com o Jack e a Dorianne!
VOU PR O MEU CAPITULO!
Agora compreendo a imagem q retiras-t do meu facebook. J
Continuaaaaaaaaaaaa
Capitulo 34 –
A verdade
Obrigado por
m dedicares um capitulo tão bonito!
A imagem fica super bem com a descrição do sitio onde Mag e David estavam a
durmir.
Adoro a
maneira como metes-te o William e a Daisy a acordar os dois pombinhos
Ainda não consegui
perceber se vais meter a Daisy e o William juntos ou só amigos, mas acho q até
ficam fofinhos! J
ODEIO AINDA
MAIS O JACK…
O q será q a
Dorianne vai fazer com a Mag?!
“Não perca
pelo próximo episodio” (Dragonball)
Capitulo 35 –
Ser alguém
“As pessoas são diferentes.
Alguns gostam de ter tudo no sítio certo, de se guiarem por regras e manter a
ordem na vida. Outros, pelo contrário, não conseguem estar em conformidade com
parâmetros. Têm de ter algo fora do lugar. Algo que surpreenda diariamente e dê
um pouco de perigo à vida. Depois, há os politicamente corretos e os
desordeiros. Há os que gostam de preencher a mente com cultura e ainda os que
preferem exercitar o corpo. Há também os bons e os maus. E mais que isso, há os
maus que aparentam ser bons e os aparentemente maus que no fundo têm bom
coração.”
Q belo começo pr um capitulo, está incrivelmente vem
refletido este paragrafo, e muito bem descrito… parece mesmo um paragrafo de um
escritor filosofo
OH MY GOOD… DORIANNE SUA Senhora Bééé, BRUXA, Senhora Bééé, BRUXA, Senhora Bééé,
BRUXA…
Porque é q o Mr.Adolfe não faz nada… eu s fosse ele, tinha-a
parado e enfrenta-la, q ela não era a q mandava na família, e ele é q é o HOMEM
DA CASA, e s ela desobedece-se dava-lhe uma estalada (sou contra a violência, mas
esta mulher irrita-me, e acho q só assim é q ia ao lugar)
Bem agora acho q vou saber o q é q as tuas leitoras antigas
sofrem em esperar por novos capítulos… Não demores muito sim?!
ADORO-T LULU

aqui vai os comentários aos capítulos

Capitulo 32 – Oficial
Quanto mais
quero odiar o William, a cada capitulo q o leio, ADORO-O mais!

Não sei
porque, mas parace-m a a Mrs.Frinkie , vai ser muito boa mãe, e aceitar
bastante bem o rompimento da relação do filho com a costureira.
Quanto à mãe
da Mag, já não m parece q vai ser coisa boa!
Capitulo 33 – Calor de Verão
Adorei este
capitulo, e adorei o facto do campismo… Vou revelar q não sabia q naquela
altura, s podia acampar, e q as mães deixavam, mas s tu escreves-te na historia
é porque tiveste uma busca intensiva destes pormenores J
Ri-me imenso
nesta parte “Margarett riu-se, divertida, sem duvidar
que o próximo seria David. No entanto, não podia contar que ele, mal
mergulhasse, sairia logo da água.
Todas gritaram em pânico:
-Não me toque David, estás todo molhado! – Berrou Ally.
Ela desobedeceu e rebolou por cima das raparigas, uma a uma, sem as deixar
fugir a tempo. Quando alcançou Margarett cobriu-a com o seu corpo sobre o dela,
fazendo-a espernear ao sentir toda a sua pele molhada:
-David sai de cima de mim, estás gelado! – Ordenou, tentando separar-se dele.”,
pois neste campismo, foi o primeiro q fui com o meu namorado e amigos, e eu é q
fazia sempre o papel do David, salpicava toda a gente, molhava o meu namorado
com o cabelo, e respetivos amigos. Digo-te q é bastante engraçado! XD
Começo a irritar-me com o Jack e a Dorianne!
VOU PR O MEU CAPITULO!
Agora compreendo a imagem q retiras-t do meu facebook. J
Continuaaaaaaaaaaaa
Capitulo 34 –
A verdade
Obrigado por
m dedicares um capitulo tão bonito!

A imagem fica super bem com a descrição do sitio onde Mag e David estavam a
durmir.
Adoro a
maneira como metes-te o William e a Daisy a acordar os dois pombinhos

Ainda não consegui
perceber se vais meter a Daisy e o William juntos ou só amigos, mas acho q até
ficam fofinhos! J
ODEIO AINDA
MAIS O JACK…
O q será q a
Dorianne vai fazer com a Mag?!

“Não perca
pelo próximo episodio” (Dragonball)
Capitulo 35 –
Ser alguém
“As pessoas são diferentes.
Alguns gostam de ter tudo no sítio certo, de se guiarem por regras e manter a
ordem na vida. Outros, pelo contrário, não conseguem estar em conformidade com
parâmetros. Têm de ter algo fora do lugar. Algo que surpreenda diariamente e dê
um pouco de perigo à vida. Depois, há os politicamente corretos e os
desordeiros. Há os que gostam de preencher a mente com cultura e ainda os que
preferem exercitar o corpo. Há também os bons e os maus. E mais que isso, há os
maus que aparentam ser bons e os aparentemente maus que no fundo têm bom
coração.”
Q belo começo pr um capitulo, está incrivelmente vem
refletido este paragrafo, e muito bem descrito… parece mesmo um paragrafo de um
escritor filosofo

OH MY GOOD… DORIANNE SUA Senhora Bééé, BRUXA, Senhora Bééé, BRUXA, Senhora Bééé,
BRUXA…
Porque é q o Mr.Adolfe não faz nada… eu s fosse ele, tinha-a
parado e enfrenta-la, q ela não era a q mandava na família, e ele é q é o HOMEM
DA CASA, e s ela desobedece-se dava-lhe uma estalada (sou contra a violência, mas
esta mulher irrita-me, e acho q só assim é q ia ao lugar)
Bem agora acho q vou saber o q é q as tuas leitoras antigas
sofrem em esperar por novos capítulos… Não demores muito sim?!

ADORO-T LULU

Oi gentji! Bem, eu já ando à voilta deste capitulo há algum tempo, mas tinha sempre coisas mais importantes para fazer e desleixei-me. Com tudo isso, ele acabou por me desinteressar e por isso estava-me a custar acabá-lo. Não é o mais interessante, mas fez-me falta para poder escrever o que se segue. Sei que não é muito grande mas, enfim, espero que gostem!
Talvez tivesse sido do café. Talvez fosse apenas o sistema acelerado. Ou talvez fosse ansiedade a causa do tremelicar constante debaixo da mesa… Definitivamente, ansiedade.
Mr. Paisen apercebeu-se da atitude inquieta do filho.
A sua esposa havia-lhe contado o que tinha ocorrido e, na sua honestidade, ainda não sabia qual era o seu ponto de vista em relação ao sucedido. Apenas tinha a certeza que as relações com Dorianne Wilson estavam cortadas. Para com o filho, a situação já não era tão clara pelo que ele já não sabia como proceder. David agira mal e era difícil voltar a confiar nele depois daquilo, mas ainda assim não sabia o nível de importância de tais erros. A sua esposa tinha defendido o rapaz. Declarou que ele era apenas um jovem impulsivo, mas que a educação lhe estava bem marcada. E o pai teve de concordar. Por muito parvo que o seu miúdo tivesse sido, não podia julga-lo. Era a inconsciência da juventude.
David pousou os talheres, terminado o jantar. Grace e o marido podiam senti-lo a bater o pé debaixo da mesa, o que cada vez se tornava mais irritante.
Ele suspirou e olhou o relógio de pulso. Ainda nem eram 10 horas da noite. Ele voltou a bufar martirizado.
-Como foi o teu dia, querido? – Inquiriu a Grace ao marido para quebrar o silêncio.
-Normal… O Hammilson continua com as suas gracinhas habituais. Diz que quer ir para o Canadá, vê lá tu!
-Ele não é muito estável. Certamente nem davam pela falta dele de tão depressa que regressaria!
Mr. Paisen sorriu forçadamente e o silêncio voltou a reinar.
David olhou para o relogio pela terceira vez consecutiva e rangeu os dentos ao perceber que só tinha passado um minuto desde que tinha olhado pela última vez. Frustrado, levantou-se de rompante da cadeira e pôs a sua louça na banca, ficando com as mãos apoiadas nela enquanto observava a escuridão do exterior pela janela.
-Eu não aguento mais isto… - Disse por entre os dentes.
Grace baixou a cabeça, com a perfeita noção da agonia que ia dentro do filho, e sentiu o marido a dar-lhe a mão debaixo da mesa.
-David! – Chamou o homem – Pára quieto, por favor!
O Rapaz abanou a cabeça:
-Eu não posso! – Murmurou, frustrado. Ninguem respondeu àquele desabafo e David saiu da cozinha com pressa - Não esperem por mim!
Mrs. Paisen levantou-se assustada e seguiu-o:
-Aonde vais, filho?
-Esperar pela Mag!
A porta de entrada bateu com força. Mrs. Paisen encarou o esposo e nada mais conseguiu fazer.
***
Já era a quarta noite que ela não dava sinais de vida. David não sabia o porquê de Margarett ainda não tinha ido ter com ele à velha mansão, mas desconfiava que Mrs. Wilson a tivesse presa em casa, num quarto qualquer que não o dela, já que esse estava vazio desde a fatídica tarde.
Esteve para ir à casa dela, mas a mãe impediu-o, inventando desculpa atrás de desculpa para ele se acalmar. Às custas disso, estava preso naquela necessidade constante de ir ter ao casarão, na espectativa de Mag estar lá à sua espera. Até ao momento, nada! Ela ainda não tinha aparecido e ele acabava sempre por adormecer à espera dela. Felizmente para si, a mãe sabia que ele estava apenas à espera de Mag num sítio secreto qualquer e que para já ainda não tinha feito nada de mal, para além de que a moça ainda não tinha ido ter com ele. Fosse como fosse, tanto a senhora como ele, tinham esperado ver Adolfe Wilson, para esclarecerem a confusão. No entanto, ele também estava desaparecido.
David subiu as escadas quebradas da casa e foi ter ao quarto. Deitou-se no leito em que ele e Margarett costumavam dormir juntos, do qual usufruíam para se entregarem um ao outro de corpo e alma. David suspirou, agoniado, e esperou mais uma vez que Margarett viesse ter com ele.
***
-William, vou a casa de Mrs. Wilson provar um vestido, queres vir?
O jovem olhou a mãe por cima do jornal e arqueou a sobrancelha castanha:
-Porquê? – Perguntou, dado o pequeno-almoço como terminado.
O mordomo aproximou-se da mesa e recolheu a louça suja, em silêncio. Mrs. Finkie só continuou quando ele saiu da sala de jantar fresca.
-Ora, filho, podias dar-me o prazer da tua companhia. Além disso podes ver a Margarett!
-Ah! – Compreendeu o rapaz, quase a rir da cara da mãe – então é isso! Acho que não tenho assim tanta urgência em ver a Mag. Sabado com certeza encontro-a no Lili’s Diner! – Informou, relaxado.
-Ai, William, seu tonto! Vens comigo de qualquer forma!
O rapaz não conseguiu acompanhar aquela ideia da mãe, todavia fez-lhe a vontade. Não tinha nada para fazer naquele dia e não havia qualquer problema em ver Margarett. Ainda por cima, segundo o que sabia, Mrs Wilson ainda achava que eles namoravam. Podia ser a oportunidade perfeita para Margarett e ele lhe dizerem o estado actual da relação.
Assim, mãe e filho dirijiram-se de carro à casa da costureira logo pela manhã. A rua ainda estava pouco movimentada, porém para Mrs. Kelly Finkie isso não era algo mau. Gostava de ser a primeira do dia, para que as atenções ainda estivessem frescas para ela. Chegou à Residencia dos Wilson e bateu à porta, entusiasmada. William cruzou os braços, não tão radiante quanto a progenitora, e esperou no alpendre.
Reparou, por acaso, que a janela do quarto de David estava trancada, facto invulgar já que sabia, graças a Margarett, que tanto ele como ela deixavam sempre as persianas abertas para conversarem à noite. Antes de espreitar para ver se Margarett também tinha a persiana fechada, Mrs. Wilson abriu a porta, apanhando-o de surpresa.
-Mrs. Wilson! – Exclamou Kelly, entusiasmada.
Mrs. Wilson sorriu para a cliente:
-Bom dia, Mrs Finkie! Entre, por favor!
-Espero que não se importe, trouxe o meu filho comigo!
Dorianne olhou William, que lhe sorriu cordialmente, com um tom acusatório que o moço não foi capaz de decifrar.
A anfitriã cedeu passagem aos dois e conduziu-os para o quarto de costura.
-Ainda bem que chegou cedo, Mrs. Finkie. Estava agora mesmo a dar uns retoques no seu vestido.
Kelly bateu palmas, eufórica. Analisou a peça e admirou os pequenos apontamentos. Satisfeita com o modelo, estava pronta para experimentá-lo, contudo, deu pela falta da mais nova:
-E onde está a Margarett? – Perguntou, curiosa.
Mrs. Wilson não demonstrou qualquer emoção:
-No quarto, ainda. – Respondeu, seca.
Talvez tivesse sido apenas impressão de William, no entanto, algo na expressão de Mrs. Wilson não o convenceu. Olhou em redor e depois pôs os ouvidos alerta. Algo não lhe parecia bem.
-Então chame-a, por favor, Mrs. Wilson! – Pediu o rapaz, intrigado, fingindo inocencia no pedido.
Dorianne olhou-o com cepticidade e mordeu o interior da bochecha:
-A Margarett tem andado cansada. Não sei se será boa ideia…
William aceitou a resposta. Cruzou os braços e encostou-se a uma máquina de costura à espera que a mãe se arranjasse.
-Ora, é uma pena. O William veio de propósito para vê-la! – Explicou Mrs. Finkie, oportunamente.
O jovem corou. A informação que a mãe dera não era totalmente verdadeira, apesar de em parte só ter aceitado vir com ela por causa de Mag.
-Tenho a certeza que a Margarett não tem assim tanto interesse… - Declarou Dorianne, fingindo indiferença enquanto erguia o vestido à cliente.
Com aquilo William sentiu-se como se a ponta de uma agulha lhe estivesse a tocar a pele. Ele ficou desconfiado.
-Ora, a Margarett não negaria descer para cumprimentar o William. – Deduziu Kelly, um pouco ofendida.
-Ela deve estar a dormir! – Contradisse Dorianne, nervosa.
Kelly Finkie percebeu que a mulher estava irritada, por isso calou-se. O seu primogénio, por outro lado, desencostou-se da máquina e franziu o cenho:
-Onde está a Margarett, afinal, Mrs. Wilson?
Dorianne pousou a tesoura, irritada:
-Já disse que está a descansar, rapaz!
O tom mais possesso despertou William.
Ele abanou a cabeça na negativa, percebendo que algo estava errado:
-Onde está ela?!
Mrs. Wilson não voltou a responder. Foi ajudar Mrs. Finkie a provar o vestido por trás do biombo e ignorou o moço.
A desconfiança de William foi mais forte do que as negações da costureira.
Aproveitando a distração, Will aproximou-e da porta do quarto de costura e saiu, silenciosamente. Já fora das quatro paredes, ele apressou-se a procurar Margarett em todos os compartimentos do piso inferior. Tanto o quarto como a cozinha estavam vazios e arrumados. No quarto-de-banho ele viu, após bater, que também não estava ninguém. Não vendo nem sinais da ex-namorada, dirigiu-se às escadas para o andar seguinte e subiu-as a correr. Foi ao quarto dela e bateu à porta. Ao não receber resposta, abriu-a. Mas o quarto estava vazio.
-Margarett! – Chamou, baixinho, agora tendo a certeza que a rapariga não estava a descansar como Mrs. Wilson dissera.
Começou a abrir as portas que se seguiam, uma a uma. Um quarto de casal, um quarto de banho. Ambos sem ninguém dentro.
-Mag! – Chamou, um pouco mais alto.
Não ouviu nada. Nenhuma resposta, mas algo lhe dizia para não parar a busca. Reparou que uma das portas que lhe faltavam estava trancada com a chave ainda de fora.
Aproximou-se, com o pressentimento que Mag se escondia naquele pequeno espaço. Ele girou a chave da fechadura, receoso, e abriu-a.
Era um quarto que estava iluminado mas cheirava a mofo e tinha uma mobília muito antiga. Parecia-se mais com um quarto de arrumos. Não tinha janelas, apenas uma espécie de claraboia que deixava entrar luz. No chão, um prato de comida rodeado de moscas estava intacto. E na cama estava Margarett. Deitada de barriga para cima, numa posição estática, de olhos abertos, todavia sem qualquer vida. William teve de se aproximar para conseguir notar o movimento da respiração, caso contrário atrever-se-ia a julgar a rapariga morta.
-Margarett…! – Murmurou, estupefacto.
A rapariga olhou-o, de surpresa. Quando pestanejou, um fio de água escorregou-lhe pelo canto do olho. Não parecia ter força para falar. Os lábios estavam gratados e secos e, de repente, ela parecia mais magra e mais pálida do que William se lembrava.
-O que te aconteceu, Margarett?
Ela usou todas as suas forças para lhe agarrar o punho da camisa:
-Will… - Sorriu, estranha – Tira-me daqui…!
Ele empalideceu com o pedido. Ou pela voz fraca de Margarett.
-Quem te fez isto?
Ela abanou a cabeça.
-Sitio Secreto… - Vociferou.
Ele não compreendeu. Mas reparou nas mãos dela a tremerem e soube que tinha mesmo de levá-la dali. Com um pouco de esforço, pegou-a ao colo. Sentiu a roupa dela húmida e suada.
-Sentes-te bem? – Perguntou, preocupado com as condições dela.
-Não faças barulho! – Pediu a jovem.
Ele assentiu, temendo que o tempo o denunciasse. Saiu do quarto e fechou a porta, trancando-a como estava para não deixar desconfiança a Dorianne. Pé ante pé, desceu as escadas com cuidado, levando Margarett ao seu colo. Já perto do hall de entrada, despachou-se antes que Mrs. Wilson desse pela sua falta.
Saiu para o exterior e levou Margarett para o seu carro. Colocou-a no banco de trás e entrou no veículo.
Mrs. Wilson deixou a tesoura cair ao chão quando espreitou pelo biombo e se apercebeu que o rapaz tinha saído do quarto de costura. Secretamente desesperada, deixou Mrs. Finkie de lado e saiu do seu meio de trabalho para ir atrás do jovem. Viu a porta de entrada aberta e alarmou-se. Antes, porém, subiu as escadas e dirigiu-se ao quarto dos fundos. Abriu-o, com um mau presságio e quando o viu vazio não pode deixar de soltar um grito de raiva. Desceu as escadas com pressa e dirigiu-se à rua. Nada.
Ela deu um pontapé na porta, furiosa.
William tinha levado Margarett.
***
William parou o carro uns quarteirões à frente. Não sabia o que estava a fazer. Inseguro, olhou para o banco de trás e encarou Mag, deitada.
-O que te aconteceu, Margarett?
Ela engoliu em seco, com a garganta nitidamente áspera. Acomodou-se melhor no banco, sem erguer o tronco, caso contrário teria uma tontura:
-O meu pai saiu na segunda-feira de manhã para ir trabalhar. – Explicou, num nível de esforço superior ao que Will esperava - Ligou-nos ao meio-dia. O patrão mandou-o ir com dois colegas à Carolina do Sul para entregar uma encomenda de Tabaco. A Viagem dura quase dois dias.
-O que tem isso a ver com o teu estado? – Indagou o rapaz, sem conseguir acompanhar o raciocínio, devido à situação.
-A mamã descobriu que eu e o David… - Margarett não acabou a frase. Não pode evitar de acumular lágrimas nas orbitas ao reflectir sobre o que a progenitora fizera – Bem… Houve uma grande discussão entre os meus pais… A minha mãe não quer que eu veja o David… Ela não quer que eu fique com ele, Will… Ela não me queria deixar sair de casa, mas o papá não a deixou controlar-me a esse ponto. Só que quando ele foi trabalhar… - Ele gemeu com receio de dizer aquelas palavras, mas teve de ser honesta com o amigo - Ela prendeu-me naquele quarto, Will.
O filho do banqueiro sentiu-se inconformado com a situação. Não podia acreditar que Mrs. Wilson pudesse ter feito tal coisa à própria filha. Voltou-se para a frente tornou a ligar o carro, com os nervos a controlarem-lhe os movimentos, e guiou rumo a algum lugar que Margarett não sabia.
-Para onde me levas? – Pergutnou ela, num abafo.
-Algum lugar onde te possas cuidar.
Ela sorriu sem força e fechou os olhos, agradecida. Sentiu o carro a tremer, os paralelos do chão a lutar contra os pneus do carro, balançando-o. Depois Will ora abrandava, ora acelerava. A sensação de tontura na sua cabeça forçava-lhe as pálpebras para baixo. Ela não conseguia sequer espreitar por entre os cilios. Só foi capaz de abrir os olhos quando sentiu que o carro parou. Viu que William saiu do veículo, mas não teve forças para se levantar e tentar saber onde ele tinha ido. Voltou a cerrar as pálpebras.
William estava desnorteado. Na verdade nem sabia se tinha ido ter ao sítio certo. Não sabia sequer se aquela seria a pessoa certa. Mas teve de arriscar.
Teve sorte por ser quem ele queria a recebê-lo. Não soube como explicar o sucedido. Mas no final, sentiu que tinha alcançado o local certo.
Margarett sentiu a porta traseira do carro a ser aberta e umas mãos finas tocaram-lhe a testa.
-Está com febre, William…
A francesa conheceu a voz, mas não foi capaz de dizer quem era. A sua cabeça latejava demasiado para deixá-la reflectir. Nem os lábios eram já capazes de se mover.
-Podes ajudá-la?
A reacção foi contida:
-Trá-la para dentro…
Margarett voltou a sentir os braços de William pressionarem-lhe o corpo para cima e a ser conduzida ao colo para dentro de uma casa. Sentiu um cheiro familiar, apesar de continuar sem identificar a quem pertencia. Ao sentir-se pousada num colchão mole, porem, adormeceu instantaneamente.
***
-O David tinha-me comentado, uma vez… Não acreditei que fosse verdade…
As pequenas mãos espremeram um pano molhado e colocaram-no sobre a testa de Margarett. Depois a pessoa sentou-se ao lado de Will.
-É tão triste, William… Provavelmente se não fosses tu, ela morreria de febre.
Algum incómodo mostrou-se no rosto de William. Ele fitou a jovem que o recebera a ele e a Margarett em segredo, apreensivo:
-Obrigado por me receberes, Daisy.
A latina corou. Era demasiado sensível para ser capaz de deixar Margarett à sua sorte. Ela sentiu o nariz a picar e esfregou o olho para não chorar:
-Temos de avisar o David… - Recordou.
William não deixou de olhá-la e torceu os lábios, concordando com ela.
Notou que ela se esforçava para não mostrar a sua fragilidade com a situação. Ora esfregava o nariz, ora limpava o canto do olho com o seu lencinho de mão.
Analisou Margarett, logo a seguir, deitada sobre a cama da moça, e suspirou, incomodado com a situação. Tentou arranjar algo que o distraísse daquilo, algo que o entretivesse enquanto não se fosse embora. Olhou de novo Daisy. Ela humedeceu os lábios com a língua, de olhos postos em Mag. Will compreendeu que ela nem sequer o olhara de frente.
-Nunca tinha reparado no teu sinal no queixo. – Murmurou ele, em busca de assunto.
Ela sorriu sem humor e voltou a limpar o canto do olho:
-Esteve sempre aqui… É um sinal de nascença. – Sorriu, logo após uma fungadela.
O jovem nunca tinha dado o mínimo de atenção a Daisy. Sentiu-se mal por ter ignorado uma pessoa tão doce e amável como ela por tanto tempo. Julgou-se no dever de observá-la para perceber o que mais nunca tinha reparado nela. Sorriu ao perceber que ela tinha as sobrancelhas num angulo perfeito e admirou-se por ela ter um nariz tão perfeitamente recto. Os cílios longos eram tão escuros quanto o cabelo grosso e encaracolado. Will atentou nas mãos dela. Finas e arranjadas. Reparou que ela parecia ser uma pessoa extremamente apromada no que tocava à higiene e hidratação. Tanto que tinha um cheiro a sabão azul misturado com a sua fragância natural. Ele sorriu quando ela suspirou e humedeceu de novo os lábios. Finos e discretos, mas ainda assim aveludados, presumiu.
-És muito bonita, Daisy… - Disse-lhe, francamente.
Ela olhou-o, surpreendida com o comentário. Ao perceber que ele a contemplava fixamente, voltou a virar a cara para outro lado, sentindo a pele a ganhar um tom rosado.
-Vou telefonar ao David. – Avisou, levantando-se.
William achou engraçada a reacção tão envergonhada da rapariga. Por outro lado, ponderou se não tinha sido ousado ao elogiá-la naquele cenário.
-Daisy… - Chamou e esperou que ela o encarasse de volta – Espera que ela melhore. Acho que o David não vai reagir bem se encontrar a Margarett neste estado.
A latina parou por uns segundos e depois concordou com o moço. Encolheu os ombros e voltou a atentar em Margarett, esperando vê-la melhorar.
Ela acordou passado algum tempo. William já tinha ido embora para que não vissem o seu carro em frente àquela casa e desconfiassem da presença de Margarett lá.
Quando a loira abriu os olhos, estava sozinha no quarto acolhedor. Olhou em redor tentando perceber onde estava. Um pouco atordoada ainda, percebeu que não vestia mais as suas roupas e em vez disso uma camisa de dormir perfumada. Levantou-se devagar, um pouco mais leve do que se lembrava.
Escutou três batidas na porta e alarmou-se:
-Sim?
Admirou-se quando Daisy emergiu com uma bandeja com um prato de comida:
-Ainda bem que acordaste. Estava a ficar nervosa. – Afirmou, com o rosto pintado de preocupação.
-Daisy, o que estou a fazer aqui? – Inquiriu a loira, confusa.
-Tu não te lembras?
Margarett negou com a cabeça, esperando esclarecimentos.
-O William trouxe-te. Encontrou-te cheia de febre num quarto fechado em tua casa… - A reacção de Mag fê-la abrandar o relato. Margarett corou violentamente. - Ele trouxe-te para cá para que eu cuidasse de ti sem que a tua mãe soubesse de ti. Disseste-lhe que ela não te queria ver com o David.
Margarett afirmou com um balanço de cabeça e depois desviou o cabelo para trás da orelha. Não sabia o que Daisy estava a pensar dela naquele momento, nem tampouco o que lhe dizer. Encolheu-se ao de leve contra a cabeceira da cama:
-Estou tão envergonhada… - Gemeu - Não sei como vos agradecer pela vossa ajuda.
Daisy sentou-se na cama ao lado dela:
-Apenas melhora. Preparei-te algo para comeres. A minha mãe não sabe que estás cá, portanto vamos tentar fazer pouco barulho. – Alertou, olhando discretamente para a porta com receio que alguém a abrisse - Assim que te vir com melhor cara, vou telefonar ao David. Mas primeiro come!
Margarett sorriu agradecida e provou a refeição que Daisy lhe preparou. Tinha fome, de facto. E para ver David comia até um boi inteiro, desde que ficasse apta para estar com ele. Daisy riu-se pelo apetite dela e deixou-se estar com a loira. Apesar de não ter a relação mais intima com ela, tentou meter conversa para relaxá-la. Falaram de David, de França, de William, das suas saídas e outros temas que se arrastaram até ao anoitecer.
***
William soltou uma lufada de ar, impaciente. Acabava o dia sentado no sofá da sala de estar com três pessoas à sua frente, em posições autoritárias e zangadas. Era fácil prever que aquilo ia acontecer. Tinha-se metido num assunto que não lhe dizia respeito mas, ainda assim, não estava arrependido.
-Pela ultima vez, filho, onde está a tua namorada? – Questionou o seu pai impacientemente enquando via as horas no relógio de bolso.
Mrs. Wilson bateu o pé no chão:
-Ela já não é namorada dele! – Prontificou com desdém.
-Exacto. – Confirmou Will, aliviado - Não tenho o dever de saber dela agora!
-Arre! – Protestou a rabugenta mãe de Maragrett - Sei bem que levaste a minha filha esta manhã! Onde está ela?!
Mrs. Finkie mostrou-se preocupada com a situação:
-Filhote, querido! Por favor, diz à Mrs. Wilson onde está a Margarett! Ela está transtornada! Não és capaz de compreender a dor de uma mãe?! – Inquirou Kelly, nervosa.
William levantou-se revoltado:
-Mãe que é mãe não prende a filha!
-O que estás a dizer, miúdo?! – Questionou Dorianne, num misto de irritação e receio.
-A senhora compreendeu! Disse que a Margarett estava a descansar, quando na realidade estava cheia de febre, sem quaisquer condições!
-Que sabes tu, jovem impulsivo? A minha filha estava, sim, a descansar. Tentava curar aquela febre!
-Pois bem, Mrs. Wilson. Saiu-se muito mal no que toca a cuidados médicos!
-William, modos por favor! – Advertiu o banqueiro, zangado.
Kelly abanou a mão em frente à cara como um leque para se refrescar:
-Diz de uma vez por todas, Willy! Sabes aonde está a Margarett?!
William riu, com toda a certeza do mundo que nada o faria falar mais do que pretendia.
-Sei! – Declarou.
Todos esperaram que ele continuasse, no entanto as intensões dele não eram essas. William não disse mais nada e não houve ameaça que o fizesse falar.
Mrs Wilson, irritada, explodiu com a atitude dele e saiu porta fora sem mais nada proclamar.
No final de contas, já sabia que quem a ia ajudar era Jack.
Jack Dawnson.
---
Desculpem a demora, sim?
'
Até ao próximo!
Bjokas
Capitulo 36 – Bons Amigos
“Para conhecermos os amigos é necessário passar pelo sucesso e pela desgraça. No sucesso, verificamos a quantidade e, na desgraça, a qualidade.”
Confúcio
Confúcio
Talvez tivesse sido do café. Talvez fosse apenas o sistema acelerado. Ou talvez fosse ansiedade a causa do tremelicar constante debaixo da mesa… Definitivamente, ansiedade.
Mr. Paisen apercebeu-se da atitude inquieta do filho.
A sua esposa havia-lhe contado o que tinha ocorrido e, na sua honestidade, ainda não sabia qual era o seu ponto de vista em relação ao sucedido. Apenas tinha a certeza que as relações com Dorianne Wilson estavam cortadas. Para com o filho, a situação já não era tão clara pelo que ele já não sabia como proceder. David agira mal e era difícil voltar a confiar nele depois daquilo, mas ainda assim não sabia o nível de importância de tais erros. A sua esposa tinha defendido o rapaz. Declarou que ele era apenas um jovem impulsivo, mas que a educação lhe estava bem marcada. E o pai teve de concordar. Por muito parvo que o seu miúdo tivesse sido, não podia julga-lo. Era a inconsciência da juventude.
David pousou os talheres, terminado o jantar. Grace e o marido podiam senti-lo a bater o pé debaixo da mesa, o que cada vez se tornava mais irritante.
Ele suspirou e olhou o relógio de pulso. Ainda nem eram 10 horas da noite. Ele voltou a bufar martirizado.
-Como foi o teu dia, querido? – Inquiriu a Grace ao marido para quebrar o silêncio.
-Normal… O Hammilson continua com as suas gracinhas habituais. Diz que quer ir para o Canadá, vê lá tu!
-Ele não é muito estável. Certamente nem davam pela falta dele de tão depressa que regressaria!
Mr. Paisen sorriu forçadamente e o silêncio voltou a reinar.
David olhou para o relogio pela terceira vez consecutiva e rangeu os dentos ao perceber que só tinha passado um minuto desde que tinha olhado pela última vez. Frustrado, levantou-se de rompante da cadeira e pôs a sua louça na banca, ficando com as mãos apoiadas nela enquanto observava a escuridão do exterior pela janela.
-Eu não aguento mais isto… - Disse por entre os dentes.
Grace baixou a cabeça, com a perfeita noção da agonia que ia dentro do filho, e sentiu o marido a dar-lhe a mão debaixo da mesa.
-David! – Chamou o homem – Pára quieto, por favor!
O Rapaz abanou a cabeça:
-Eu não posso! – Murmurou, frustrado. Ninguem respondeu àquele desabafo e David saiu da cozinha com pressa - Não esperem por mim!
Mrs. Paisen levantou-se assustada e seguiu-o:
-Aonde vais, filho?
-Esperar pela Mag!
A porta de entrada bateu com força. Mrs. Paisen encarou o esposo e nada mais conseguiu fazer.
***
Já era a quarta noite que ela não dava sinais de vida. David não sabia o porquê de Margarett ainda não tinha ido ter com ele à velha mansão, mas desconfiava que Mrs. Wilson a tivesse presa em casa, num quarto qualquer que não o dela, já que esse estava vazio desde a fatídica tarde.
Esteve para ir à casa dela, mas a mãe impediu-o, inventando desculpa atrás de desculpa para ele se acalmar. Às custas disso, estava preso naquela necessidade constante de ir ter ao casarão, na espectativa de Mag estar lá à sua espera. Até ao momento, nada! Ela ainda não tinha aparecido e ele acabava sempre por adormecer à espera dela. Felizmente para si, a mãe sabia que ele estava apenas à espera de Mag num sítio secreto qualquer e que para já ainda não tinha feito nada de mal, para além de que a moça ainda não tinha ido ter com ele. Fosse como fosse, tanto a senhora como ele, tinham esperado ver Adolfe Wilson, para esclarecerem a confusão. No entanto, ele também estava desaparecido.
David subiu as escadas quebradas da casa e foi ter ao quarto. Deitou-se no leito em que ele e Margarett costumavam dormir juntos, do qual usufruíam para se entregarem um ao outro de corpo e alma. David suspirou, agoniado, e esperou mais uma vez que Margarett viesse ter com ele.
***
-William, vou a casa de Mrs. Wilson provar um vestido, queres vir?
O jovem olhou a mãe por cima do jornal e arqueou a sobrancelha castanha:
-Porquê? – Perguntou, dado o pequeno-almoço como terminado.
O mordomo aproximou-se da mesa e recolheu a louça suja, em silêncio. Mrs. Finkie só continuou quando ele saiu da sala de jantar fresca.
-Ora, filho, podias dar-me o prazer da tua companhia. Além disso podes ver a Margarett!
-Ah! – Compreendeu o rapaz, quase a rir da cara da mãe – então é isso! Acho que não tenho assim tanta urgência em ver a Mag. Sabado com certeza encontro-a no Lili’s Diner! – Informou, relaxado.
-Ai, William, seu tonto! Vens comigo de qualquer forma!
O rapaz não conseguiu acompanhar aquela ideia da mãe, todavia fez-lhe a vontade. Não tinha nada para fazer naquele dia e não havia qualquer problema em ver Margarett. Ainda por cima, segundo o que sabia, Mrs Wilson ainda achava que eles namoravam. Podia ser a oportunidade perfeita para Margarett e ele lhe dizerem o estado actual da relação.
Assim, mãe e filho dirijiram-se de carro à casa da costureira logo pela manhã. A rua ainda estava pouco movimentada, porém para Mrs. Kelly Finkie isso não era algo mau. Gostava de ser a primeira do dia, para que as atenções ainda estivessem frescas para ela. Chegou à Residencia dos Wilson e bateu à porta, entusiasmada. William cruzou os braços, não tão radiante quanto a progenitora, e esperou no alpendre.
Reparou, por acaso, que a janela do quarto de David estava trancada, facto invulgar já que sabia, graças a Margarett, que tanto ele como ela deixavam sempre as persianas abertas para conversarem à noite. Antes de espreitar para ver se Margarett também tinha a persiana fechada, Mrs. Wilson abriu a porta, apanhando-o de surpresa.
-Mrs. Wilson! – Exclamou Kelly, entusiasmada.
Mrs. Wilson sorriu para a cliente:
-Bom dia, Mrs Finkie! Entre, por favor!
-Espero que não se importe, trouxe o meu filho comigo!
Dorianne olhou William, que lhe sorriu cordialmente, com um tom acusatório que o moço não foi capaz de decifrar.
A anfitriã cedeu passagem aos dois e conduziu-os para o quarto de costura.
-Ainda bem que chegou cedo, Mrs. Finkie. Estava agora mesmo a dar uns retoques no seu vestido.
Kelly bateu palmas, eufórica. Analisou a peça e admirou os pequenos apontamentos. Satisfeita com o modelo, estava pronta para experimentá-lo, contudo, deu pela falta da mais nova:
-E onde está a Margarett? – Perguntou, curiosa.
Mrs. Wilson não demonstrou qualquer emoção:
-No quarto, ainda. – Respondeu, seca.
Talvez tivesse sido apenas impressão de William, no entanto, algo na expressão de Mrs. Wilson não o convenceu. Olhou em redor e depois pôs os ouvidos alerta. Algo não lhe parecia bem.
-Então chame-a, por favor, Mrs. Wilson! – Pediu o rapaz, intrigado, fingindo inocencia no pedido.
Dorianne olhou-o com cepticidade e mordeu o interior da bochecha:
-A Margarett tem andado cansada. Não sei se será boa ideia…
William aceitou a resposta. Cruzou os braços e encostou-se a uma máquina de costura à espera que a mãe se arranjasse.
-Ora, é uma pena. O William veio de propósito para vê-la! – Explicou Mrs. Finkie, oportunamente.
O jovem corou. A informação que a mãe dera não era totalmente verdadeira, apesar de em parte só ter aceitado vir com ela por causa de Mag.
-Tenho a certeza que a Margarett não tem assim tanto interesse… - Declarou Dorianne, fingindo indiferença enquanto erguia o vestido à cliente.
Com aquilo William sentiu-se como se a ponta de uma agulha lhe estivesse a tocar a pele. Ele ficou desconfiado.
-Ora, a Margarett não negaria descer para cumprimentar o William. – Deduziu Kelly, um pouco ofendida.
-Ela deve estar a dormir! – Contradisse Dorianne, nervosa.
Kelly Finkie percebeu que a mulher estava irritada, por isso calou-se. O seu primogénio, por outro lado, desencostou-se da máquina e franziu o cenho:
-Onde está a Margarett, afinal, Mrs. Wilson?
Dorianne pousou a tesoura, irritada:
-Já disse que está a descansar, rapaz!
O tom mais possesso despertou William.
Ele abanou a cabeça na negativa, percebendo que algo estava errado:
-Onde está ela?!
Mrs. Wilson não voltou a responder. Foi ajudar Mrs. Finkie a provar o vestido por trás do biombo e ignorou o moço.
A desconfiança de William foi mais forte do que as negações da costureira.
Aproveitando a distração, Will aproximou-e da porta do quarto de costura e saiu, silenciosamente. Já fora das quatro paredes, ele apressou-se a procurar Margarett em todos os compartimentos do piso inferior. Tanto o quarto como a cozinha estavam vazios e arrumados. No quarto-de-banho ele viu, após bater, que também não estava ninguém. Não vendo nem sinais da ex-namorada, dirigiu-se às escadas para o andar seguinte e subiu-as a correr. Foi ao quarto dela e bateu à porta. Ao não receber resposta, abriu-a. Mas o quarto estava vazio.
-Margarett! – Chamou, baixinho, agora tendo a certeza que a rapariga não estava a descansar como Mrs. Wilson dissera.
Começou a abrir as portas que se seguiam, uma a uma. Um quarto de casal, um quarto de banho. Ambos sem ninguém dentro.
-Mag! – Chamou, um pouco mais alto.
Não ouviu nada. Nenhuma resposta, mas algo lhe dizia para não parar a busca. Reparou que uma das portas que lhe faltavam estava trancada com a chave ainda de fora.
Aproximou-se, com o pressentimento que Mag se escondia naquele pequeno espaço. Ele girou a chave da fechadura, receoso, e abriu-a.
Era um quarto que estava iluminado mas cheirava a mofo e tinha uma mobília muito antiga. Parecia-se mais com um quarto de arrumos. Não tinha janelas, apenas uma espécie de claraboia que deixava entrar luz. No chão, um prato de comida rodeado de moscas estava intacto. E na cama estava Margarett. Deitada de barriga para cima, numa posição estática, de olhos abertos, todavia sem qualquer vida. William teve de se aproximar para conseguir notar o movimento da respiração, caso contrário atrever-se-ia a julgar a rapariga morta.
-Margarett…! – Murmurou, estupefacto.
A rapariga olhou-o, de surpresa. Quando pestanejou, um fio de água escorregou-lhe pelo canto do olho. Não parecia ter força para falar. Os lábios estavam gratados e secos e, de repente, ela parecia mais magra e mais pálida do que William se lembrava.
-O que te aconteceu, Margarett?
Ela usou todas as suas forças para lhe agarrar o punho da camisa:
-Will… - Sorriu, estranha – Tira-me daqui…!
Ele empalideceu com o pedido. Ou pela voz fraca de Margarett.
-Quem te fez isto?
Ela abanou a cabeça.
-Sitio Secreto… - Vociferou.
Ele não compreendeu. Mas reparou nas mãos dela a tremerem e soube que tinha mesmo de levá-la dali. Com um pouco de esforço, pegou-a ao colo. Sentiu a roupa dela húmida e suada.
-Sentes-te bem? – Perguntou, preocupado com as condições dela.
-Não faças barulho! – Pediu a jovem.
Ele assentiu, temendo que o tempo o denunciasse. Saiu do quarto e fechou a porta, trancando-a como estava para não deixar desconfiança a Dorianne. Pé ante pé, desceu as escadas com cuidado, levando Margarett ao seu colo. Já perto do hall de entrada, despachou-se antes que Mrs. Wilson desse pela sua falta.
Saiu para o exterior e levou Margarett para o seu carro. Colocou-a no banco de trás e entrou no veículo.
Mrs. Wilson deixou a tesoura cair ao chão quando espreitou pelo biombo e se apercebeu que o rapaz tinha saído do quarto de costura. Secretamente desesperada, deixou Mrs. Finkie de lado e saiu do seu meio de trabalho para ir atrás do jovem. Viu a porta de entrada aberta e alarmou-se. Antes, porém, subiu as escadas e dirigiu-se ao quarto dos fundos. Abriu-o, com um mau presságio e quando o viu vazio não pode deixar de soltar um grito de raiva. Desceu as escadas com pressa e dirigiu-se à rua. Nada.
Ela deu um pontapé na porta, furiosa.
William tinha levado Margarett.
***
William parou o carro uns quarteirões à frente. Não sabia o que estava a fazer. Inseguro, olhou para o banco de trás e encarou Mag, deitada.
-O que te aconteceu, Margarett?
Ela engoliu em seco, com a garganta nitidamente áspera. Acomodou-se melhor no banco, sem erguer o tronco, caso contrário teria uma tontura:
-O meu pai saiu na segunda-feira de manhã para ir trabalhar. – Explicou, num nível de esforço superior ao que Will esperava - Ligou-nos ao meio-dia. O patrão mandou-o ir com dois colegas à Carolina do Sul para entregar uma encomenda de Tabaco. A Viagem dura quase dois dias.
-O que tem isso a ver com o teu estado? – Indagou o rapaz, sem conseguir acompanhar o raciocínio, devido à situação.
-A mamã descobriu que eu e o David… - Margarett não acabou a frase. Não pode evitar de acumular lágrimas nas orbitas ao reflectir sobre o que a progenitora fizera – Bem… Houve uma grande discussão entre os meus pais… A minha mãe não quer que eu veja o David… Ela não quer que eu fique com ele, Will… Ela não me queria deixar sair de casa, mas o papá não a deixou controlar-me a esse ponto. Só que quando ele foi trabalhar… - Ele gemeu com receio de dizer aquelas palavras, mas teve de ser honesta com o amigo - Ela prendeu-me naquele quarto, Will.
O filho do banqueiro sentiu-se inconformado com a situação. Não podia acreditar que Mrs. Wilson pudesse ter feito tal coisa à própria filha. Voltou-se para a frente tornou a ligar o carro, com os nervos a controlarem-lhe os movimentos, e guiou rumo a algum lugar que Margarett não sabia.
-Para onde me levas? – Pergutnou ela, num abafo.
-Algum lugar onde te possas cuidar.
Ela sorriu sem força e fechou os olhos, agradecida. Sentiu o carro a tremer, os paralelos do chão a lutar contra os pneus do carro, balançando-o. Depois Will ora abrandava, ora acelerava. A sensação de tontura na sua cabeça forçava-lhe as pálpebras para baixo. Ela não conseguia sequer espreitar por entre os cilios. Só foi capaz de abrir os olhos quando sentiu que o carro parou. Viu que William saiu do veículo, mas não teve forças para se levantar e tentar saber onde ele tinha ido. Voltou a cerrar as pálpebras.
William estava desnorteado. Na verdade nem sabia se tinha ido ter ao sítio certo. Não sabia sequer se aquela seria a pessoa certa. Mas teve de arriscar.
Teve sorte por ser quem ele queria a recebê-lo. Não soube como explicar o sucedido. Mas no final, sentiu que tinha alcançado o local certo.
Margarett sentiu a porta traseira do carro a ser aberta e umas mãos finas tocaram-lhe a testa.
-Está com febre, William…
A francesa conheceu a voz, mas não foi capaz de dizer quem era. A sua cabeça latejava demasiado para deixá-la reflectir. Nem os lábios eram já capazes de se mover.
-Podes ajudá-la?
A reacção foi contida:
-Trá-la para dentro…
Margarett voltou a sentir os braços de William pressionarem-lhe o corpo para cima e a ser conduzida ao colo para dentro de uma casa. Sentiu um cheiro familiar, apesar de continuar sem identificar a quem pertencia. Ao sentir-se pousada num colchão mole, porem, adormeceu instantaneamente.
***
-O David tinha-me comentado, uma vez… Não acreditei que fosse verdade…
As pequenas mãos espremeram um pano molhado e colocaram-no sobre a testa de Margarett. Depois a pessoa sentou-se ao lado de Will.
-É tão triste, William… Provavelmente se não fosses tu, ela morreria de febre.
Algum incómodo mostrou-se no rosto de William. Ele fitou a jovem que o recebera a ele e a Margarett em segredo, apreensivo:
-Obrigado por me receberes, Daisy.
A latina corou. Era demasiado sensível para ser capaz de deixar Margarett à sua sorte. Ela sentiu o nariz a picar e esfregou o olho para não chorar:
-Temos de avisar o David… - Recordou.
William não deixou de olhá-la e torceu os lábios, concordando com ela.
Notou que ela se esforçava para não mostrar a sua fragilidade com a situação. Ora esfregava o nariz, ora limpava o canto do olho com o seu lencinho de mão.
Analisou Margarett, logo a seguir, deitada sobre a cama da moça, e suspirou, incomodado com a situação. Tentou arranjar algo que o distraísse daquilo, algo que o entretivesse enquanto não se fosse embora. Olhou de novo Daisy. Ela humedeceu os lábios com a língua, de olhos postos em Mag. Will compreendeu que ela nem sequer o olhara de frente.
-Nunca tinha reparado no teu sinal no queixo. – Murmurou ele, em busca de assunto.
Ela sorriu sem humor e voltou a limpar o canto do olho:
-Esteve sempre aqui… É um sinal de nascença. – Sorriu, logo após uma fungadela.
O jovem nunca tinha dado o mínimo de atenção a Daisy. Sentiu-se mal por ter ignorado uma pessoa tão doce e amável como ela por tanto tempo. Julgou-se no dever de observá-la para perceber o que mais nunca tinha reparado nela. Sorriu ao perceber que ela tinha as sobrancelhas num angulo perfeito e admirou-se por ela ter um nariz tão perfeitamente recto. Os cílios longos eram tão escuros quanto o cabelo grosso e encaracolado. Will atentou nas mãos dela. Finas e arranjadas. Reparou que ela parecia ser uma pessoa extremamente apromada no que tocava à higiene e hidratação. Tanto que tinha um cheiro a sabão azul misturado com a sua fragância natural. Ele sorriu quando ela suspirou e humedeceu de novo os lábios. Finos e discretos, mas ainda assim aveludados, presumiu.
-És muito bonita, Daisy… - Disse-lhe, francamente.
Ela olhou-o, surpreendida com o comentário. Ao perceber que ele a contemplava fixamente, voltou a virar a cara para outro lado, sentindo a pele a ganhar um tom rosado.
-Vou telefonar ao David. – Avisou, levantando-se.
William achou engraçada a reacção tão envergonhada da rapariga. Por outro lado, ponderou se não tinha sido ousado ao elogiá-la naquele cenário.
-Daisy… - Chamou e esperou que ela o encarasse de volta – Espera que ela melhore. Acho que o David não vai reagir bem se encontrar a Margarett neste estado.
A latina parou por uns segundos e depois concordou com o moço. Encolheu os ombros e voltou a atentar em Margarett, esperando vê-la melhorar.
Ela acordou passado algum tempo. William já tinha ido embora para que não vissem o seu carro em frente àquela casa e desconfiassem da presença de Margarett lá.
Quando a loira abriu os olhos, estava sozinha no quarto acolhedor. Olhou em redor tentando perceber onde estava. Um pouco atordoada ainda, percebeu que não vestia mais as suas roupas e em vez disso uma camisa de dormir perfumada. Levantou-se devagar, um pouco mais leve do que se lembrava.
Escutou três batidas na porta e alarmou-se:
-Sim?
Admirou-se quando Daisy emergiu com uma bandeja com um prato de comida:
-Ainda bem que acordaste. Estava a ficar nervosa. – Afirmou, com o rosto pintado de preocupação.
-Daisy, o que estou a fazer aqui? – Inquiriu a loira, confusa.
-Tu não te lembras?
Margarett negou com a cabeça, esperando esclarecimentos.
-O William trouxe-te. Encontrou-te cheia de febre num quarto fechado em tua casa… - A reacção de Mag fê-la abrandar o relato. Margarett corou violentamente. - Ele trouxe-te para cá para que eu cuidasse de ti sem que a tua mãe soubesse de ti. Disseste-lhe que ela não te queria ver com o David.
Margarett afirmou com um balanço de cabeça e depois desviou o cabelo para trás da orelha. Não sabia o que Daisy estava a pensar dela naquele momento, nem tampouco o que lhe dizer. Encolheu-se ao de leve contra a cabeceira da cama:
-Estou tão envergonhada… - Gemeu - Não sei como vos agradecer pela vossa ajuda.
Daisy sentou-se na cama ao lado dela:
-Apenas melhora. Preparei-te algo para comeres. A minha mãe não sabe que estás cá, portanto vamos tentar fazer pouco barulho. – Alertou, olhando discretamente para a porta com receio que alguém a abrisse - Assim que te vir com melhor cara, vou telefonar ao David. Mas primeiro come!
Margarett sorriu agradecida e provou a refeição que Daisy lhe preparou. Tinha fome, de facto. E para ver David comia até um boi inteiro, desde que ficasse apta para estar com ele. Daisy riu-se pelo apetite dela e deixou-se estar com a loira. Apesar de não ter a relação mais intima com ela, tentou meter conversa para relaxá-la. Falaram de David, de França, de William, das suas saídas e outros temas que se arrastaram até ao anoitecer.
***
William soltou uma lufada de ar, impaciente. Acabava o dia sentado no sofá da sala de estar com três pessoas à sua frente, em posições autoritárias e zangadas. Era fácil prever que aquilo ia acontecer. Tinha-se metido num assunto que não lhe dizia respeito mas, ainda assim, não estava arrependido.
-Pela ultima vez, filho, onde está a tua namorada? – Questionou o seu pai impacientemente enquando via as horas no relógio de bolso.
Mrs. Wilson bateu o pé no chão:
-Ela já não é namorada dele! – Prontificou com desdém.
-Exacto. – Confirmou Will, aliviado - Não tenho o dever de saber dela agora!
-Arre! – Protestou a rabugenta mãe de Maragrett - Sei bem que levaste a minha filha esta manhã! Onde está ela?!
Mrs. Finkie mostrou-se preocupada com a situação:
-Filhote, querido! Por favor, diz à Mrs. Wilson onde está a Margarett! Ela está transtornada! Não és capaz de compreender a dor de uma mãe?! – Inquirou Kelly, nervosa.
William levantou-se revoltado:
-Mãe que é mãe não prende a filha!
-O que estás a dizer, miúdo?! – Questionou Dorianne, num misto de irritação e receio.
-A senhora compreendeu! Disse que a Margarett estava a descansar, quando na realidade estava cheia de febre, sem quaisquer condições!
-Que sabes tu, jovem impulsivo? A minha filha estava, sim, a descansar. Tentava curar aquela febre!
-Pois bem, Mrs. Wilson. Saiu-se muito mal no que toca a cuidados médicos!
-William, modos por favor! – Advertiu o banqueiro, zangado.
Kelly abanou a mão em frente à cara como um leque para se refrescar:
-Diz de uma vez por todas, Willy! Sabes aonde está a Margarett?!
William riu, com toda a certeza do mundo que nada o faria falar mais do que pretendia.
-Sei! – Declarou.
Todos esperaram que ele continuasse, no entanto as intensões dele não eram essas. William não disse mais nada e não houve ameaça que o fizesse falar.
Mrs Wilson, irritada, explodiu com a atitude dele e saiu porta fora sem mais nada proclamar.
No final de contas, já sabia que quem a ia ajudar era Jack.
Jack Dawnson.
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Desculpem a demora, sim?
'Até ao próximo!

Bjokas
as minhas fic's:
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
-Angelical
Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
-Angelical
Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^
Ai, esta Dorianne. Está dito. EXIGO A MORTE DELA!!!!
Ou então, para não irmos por maus caminhos, um internamento no sanatório... da prisão estatual!
A sério, mas esta mulher foi mãe porquê? Não era mais fácil ter-se pisgado e deixado a Maggie com o pai? Muito mais simples na minha opinião e poupava estes problemas. Aposto que a Maggie seria bem educada apenas pelo Adolfe. Vá lá, este tentou fazer alguma coisa. Mas espero que, quando ele voltar, coisas sejam feitas e que ele ponha a mulher no seu devido lugar.
Adorei a atitude do Will
Só fico impressionada é de, com uma amiga em situação pior que cão, ele consegue ainda admirar a beleza de outra rapariga.
Enfim, ele não é nenhum David por isso não me preocupo.
Pergunto-me o que é que ele irá fazer quando descobrir a Maggie. Ficará com ela até Adolfe chegar? Ou tentará "ajudar" Will contra Dorianne?
Opah e agora falta o Jack. Bem, este sabe da mansão, mas desconhece a casa da Daisy. Isto penso eu..
Vamos a ver como as coisas irão correr.
Minha cara Lulu, deixaste a história num estado terrível.
Agora roo as unhas por mais! Que fazer?...
Espero pelo próximo capítulo... que espero que seja cedo
Ou então, para não irmos por maus caminhos, um internamento no sanatório... da prisão estatual!
A sério, mas esta mulher foi mãe porquê? Não era mais fácil ter-se pisgado e deixado a Maggie com o pai? Muito mais simples na minha opinião e poupava estes problemas. Aposto que a Maggie seria bem educada apenas pelo Adolfe. Vá lá, este tentou fazer alguma coisa. Mas espero que, quando ele voltar, coisas sejam feitas e que ele ponha a mulher no seu devido lugar.
Adorei a atitude do Will
Só fico impressionada é de, com uma amiga em situação pior que cão, ele consegue ainda admirar a beleza de outra rapariga.
Enfim, ele não é nenhum David por isso não me preocupo. Pergunto-me o que é que ele irá fazer quando descobrir a Maggie. Ficará com ela até Adolfe chegar? Ou tentará "ajudar" Will contra Dorianne?
Opah e agora falta o Jack. Bem, este sabe da mansão, mas desconhece a casa da Daisy. Isto penso eu..
Vamos a ver como as coisas irão correr. Minha cara Lulu, deixaste a história num estado terrível.
Agora roo as unhas por mais! Que fazer?...
Espero pelo próximo capítulo... que espero que seja cedo

Espero por ti em cada segundo , porque tu és o meu mundo!

Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
Visitem a minha 1ª Fic ----->The Four elements

Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
Visitem a minha 1ª Fic ----->The Four elements
Olá Lulu!
Fiquei com pena do David, ele está claramente a sofrer com falta da Mag, imagino que tenha de ter uma enorme força de vontade, para não arrombar a porta da casa dela e ir buscá-la.
Felizmente que o William lá foi e a encontrou. Não acho que ela deixasse a filha morrer, mas aquilo era cativeiro, não há outra palavra possível. Penso que em casa da Daisy estará segura e claro que o Will não vai abrir a boca. A cada capítulo gosto cada vez mais deste rapaz. Se antes não hesitaria entre ele e o David, agora, quero os dois! kekeke
Finalmente ele notou a Daisy, agora vamos ver no que isto dá.
O Jack, bem é uma boa hipótese para encontrar a Mag, afinal ele conhece os amigos dela. Mas algo me diz que a D. Dorianne não irá vencer esta batalha.
O pai da Mag....está na altura de se separar dela. Ela agiu de uma forma que não tem perdão possível, praticamente deixou a Mag para morrer.
E tenho a certeza que desta vez ele irá agir, caso não o faça, não será a pessoa que julguei.
"Ai, esta Dorianne. Está dito. EXIGO A MORTE DELA!!!! Ou então, para não irmos por maus caminhos, um internamento no sanatório... da prisão estatual! "
Realmente já houve alturas em que pensei assim. Mas honestamente neste momento, aquela mulher dá-me mais pena do que raiva.
A pessoa que o Adolfe descreveu na juventude, há muito que morreu, e esta é só uma mulher amargurada e gananciosa. Não deve existir um pingo de felicidade naquela pessoa. Como alguém consegue viver assim, eu não sei...
Espero pelo próximo.
Bjo*
Fiquei com pena do David, ele está claramente a sofrer com falta da Mag, imagino que tenha de ter uma enorme força de vontade, para não arrombar a porta da casa dela e ir buscá-la.
Felizmente que o William lá foi e a encontrou. Não acho que ela deixasse a filha morrer, mas aquilo era cativeiro, não há outra palavra possível. Penso que em casa da Daisy estará segura e claro que o Will não vai abrir a boca. A cada capítulo gosto cada vez mais deste rapaz. Se antes não hesitaria entre ele e o David, agora, quero os dois! kekeke
Finalmente ele notou a Daisy, agora vamos ver no que isto dá.
O Jack, bem é uma boa hipótese para encontrar a Mag, afinal ele conhece os amigos dela. Mas algo me diz que a D. Dorianne não irá vencer esta batalha.
O pai da Mag....está na altura de se separar dela. Ela agiu de uma forma que não tem perdão possível, praticamente deixou a Mag para morrer.
E tenho a certeza que desta vez ele irá agir, caso não o faça, não será a pessoa que julguei.
"Ai, esta Dorianne. Está dito. EXIGO A MORTE DELA!!!! Ou então, para não irmos por maus caminhos, um internamento no sanatório... da prisão estatual! "
Realmente já houve alturas em que pensei assim. Mas honestamente neste momento, aquela mulher dá-me mais pena do que raiva.
A pessoa que o Adolfe descreveu na juventude, há muito que morreu, e esta é só uma mulher amargurada e gananciosa. Não deve existir um pingo de felicidade naquela pessoa. Como alguém consegue viver assim, eu não sei...
Espero pelo próximo.
Bjo*
"Ai, esta Dorianne. Está dito. EXIGO A MORTE DELA!!!!
Ou então, para não irmos por maus caminhos, um internamento no sanatório... da prisão estatual!
A sério, mas esta mulher foi mãe porquê? Não era mais fácil ter-se pisgado e deixado a Maggie com o pai?"
Concordo plenamente com a Ana Santos... eu ODEIO A DORIANNE, e o simples facto, Catarina, de ires meter o Jack na confução... Vai sair me__a de certeza!
Gostei do capitulo, não é dos meus favoritos, mas é algo q dá continuação à historia.
Estou desejosa pelo proximo capitulo.
NÃO DEMORES, S NÃO BATO-T! XD
Ou então, para não irmos por maus caminhos, um internamento no sanatório... da prisão estatual!
A sério, mas esta mulher foi mãe porquê? Não era mais fácil ter-se pisgado e deixado a Maggie com o pai?"
Concordo plenamente com a Ana Santos... eu ODEIO A DORIANNE, e o simples facto, Catarina, de ires meter o Jack na confução... Vai sair me__a de certeza!
Gostei do capitulo, não é dos meus favoritos, mas é algo q dá continuação à historia.
Estou desejosa pelo proximo capitulo.
NÃO DEMORES, S NÃO BATO-T! XD
*Cof, Cof*
Ora, eu não tenho muito orgulho em dizer que vim actualizar a fic. Isto, porque, depois deste tempo sem postar, escrevi, reescrevi, li, reli, apaguei, editei, voltei a escrever e... Nada. Não gosto! Estou muito frustrada com este capitulo. Devia ser um capitulo importante para o futuro desenlace da história e eu sinto que não consegui passar a ideia. Ainda quis fazê-lo maior, para ver se dava a volta, mas nem isso consegui. Estou bastante revoltada. Por isso, minhas caras leitoras, vou postá-lo assim, como está, com esperança de num futuro próximo conseguir melhorá-lo. Acho que neste momento já o reli tantas vezes que já nem consegui prestar atenção ao que escrevi, portanto nem sequer sei até que ponto tenho erros. Enfim, de qualquer modo espero que gostem!
-Não quero que te sobressaltes e, acima de tudo, mantem a postura. Não se pode levantar suspeitas, por agora.
-Não compreendo. O que se passa, Daisy?
David olhou por cima do ombro para se certificar que não estava ninguém por perto. Mas algo no tom de voz de Daisy lhe dava um bom presságio. Enrolou o fio do telefone na mão, ansioso.
-A Margarett está comigo, aqui, em minha casa!
Os olhos dele arregalaram-se de admiração:
-Estás a falar a sério?! Como?! – Gaguejou, eufórico - Eu tenho de vê-la!
Daisy afligiu-se com a histeria do amigo.Tentou calá-lo antes que ele falasse demais, esbracejando para o ar, atrapalhada:
-Xiu, David! Ninguém pode saber! Sê discreto!
-Porquê?!
Daisy engoliu em seco e olhou também para trás de si. Os pais não estavam em casa. A avó estava no quarto a descansar e os três irmãos mais novos tinham ido brincar para a rua com os amigos. Só estavam ela e Margarett, que permanecera no seu quarto.
-O William trouxe-a para eu cuidar dela... – Explicou cautelosamente e, como prevía, a reação do amigo não foi a melhor - David…? – Chamou, ao perceber que ele se calou – Não te exaltes. – Pediu – O Will encontrou-a a arder em febre, fechada num quarto. Aparentemente, foi Mrs. Wilson quem lhe fez isso, para que ela não te pudesse ver.
Ela escutou um abafo do outro lado da linha. Percebeu que David não gostou da notícia.
-Como é que ela está? – Perguntou o rapaz com voz irritada.
Daisy não sabia o que responder. Gaguejou ao de leve.
-Melhor… Um pouco débil, ainda, mas melhor, sem dúvida!
-Quero falar com ela!
Um receio leve fê-la tremer por dentro. Soube que David, em parte, estava a ser guiado pelo transtorno.
-David, tem calma. Não faças nenhuma idiotice, está bem? Ela já recuperou e está pronta para te ver. Mas não quero que venhas cá! Mrs. Wilson pode estar a seguir os teus passos para encontrá-la e, por muito que me custe dizer isto, não quero que ela a encontre. Não depois do que ela lhe fez!
O rapaz suspirou, abalado. Daisy tinha razão. Ele já tinha pegado na chave de casa para ir a correr ter com Margarett, mas não podia. Mrs. Wilson descera mais baixo do que um buraco até ao centro da terra. Ele já não sabia o que pensar. Deu por si apático com a situação. Não era capaz de compreender tamanha obcessão. Colocar Margarett em mau estado de saúde tinha sido a gota de água.
-Isto é tão… Desumano. – Desabafou.
Daisy mordeu o lábio e olhou o tecto, compreensiva perante David:
-Eu sei e quero ajudar-te. Mas sê forte, David… Eu…!
Uma estranha falta de palavras deixou David expectante. Algo ou alguém interrompeu Daisy. A frase dela pareceu desaparecer no ar. David não percebeu o que se passou e espreitou o auscultador do telefone rapidamente, para ver se tinha algum defeito. Tentou ouvir de novo a amiga:
-Daisy, estás aí?
-David?!
Uma voz suave arrepiou-o.
-Rett?
A rapariga sorriu, de alívio. Encostou-se à parede e soltou um suspiro audível. Daisy percebeu que não ia conseguir manter aqueles dois afastados por muito tempo. Bastou-lhe observar o brilho intenso no olhar da hóspede clandestina quando lhe roubou o telefone.
Conformada, sentou-se no sofá, à espera de novidades.
-Como estás, minha Rett? - David engoliu em seco. Um ardor na garganta fê-lo conter-se para não falar demais.
-Eu estou bem, David! Desculpa não ter dado notícias mais cedo.
Por instantes, David encontrou semelhanças naquele tom de voz com o timbre de Margarett quando era criança. Recordou aquele dia. Aquele ultimo dia em que estivera com ela antes dela partir para França, quando, durante todo o passeio a sós, ela tentou manter-se firme sem chorar.
Ele encostou-se também à parede, sentindo um ácido a corroer-lhe o interior. Era um absurdo Margarett lamentar algo do qual não teve culpa, muito menos hipótese.
-Eu continuo a esperar-te, sabes disso… - A voz dele falhou. Estava incompreensivelmente fraca. Margarett prendeu a boca, fragilizada pelo tom dele. Sabia que lhe custava tanto a ele como a ela. - Todas as noites, na mansão. – Concluiu o apaixonado.
Margarett descompôs o cabelo, sem saber o que lhe responder. Sentiu as lágrimas nos olhos, contudo não verteu nem uma. Prendeu-as com todas as suas forças:
-E podes continuar a esperar-me. – Murmurou - Vou ter contigo o mais rapidamente possível, eu prometo.
David apercebeu-se de um gemido proferido ao telefone. Depois escutou uma fungadela silênciosa. Soube de imediato que Margarett não tinha conseguido manter a firmeza e o choro acabou por acontecer, por mais silencioso que ela tentasse mantê-lo.
-Desculpa, David. A minha mãe… Ela…!
-Shhh! – David obrigou-a a parar. Não queria ouvi-la tão triste. – Esquece isso! – Ordenou, contendo-se para não desfalecer. Sorriu, procurando algo de bom para dizer a Mag. - Sabes o que estive a pensar? – Perguntou de forma rectórica - Aquela mansão… Devia ser a nossa casa. Podiamos restaurá-la juntos, um dia.
Margarett sorriu, no meio da sua debilidade, sem parar de prestar atenção.
-Ficavamos com o quarto principal. Mas mantínhamos a cama de dossel.
-Eu gosto da cama de dossel… - Murmurou ela com a voz rouca.
-Então ela vai-se manter! – Garantiu David, falseando firmeza - E vamos manter também a lareira da sala. No Inverno podemos aconchegar-nos no sofá, enrolados numa manta a olhar o fogo. E vamos ter crianças a brincar no tapete.
-Crianças?
-Três ou quatro filhos. Cada um com o seu próprio quarto!
Margarett prendeu os lábios com força, sentindo o choro ainda mais pesado. Tentou não fazer barulho. Daisy aproximou-se dela, apercebendo-se do desespero que ia dentro da amiga, e abraçou-a, sem nada dizer, ou sequer perceber o que se estava a passar em concreto.
-Prometes? – Soluçou.
Do outro lado da linha, David não respondeu. Olhou para o chão, fazendo a mesma pergunta a si mesmo. Na verdade nao sabia se era capaz. Deixou que uma lágrima lhe fugisse, desiludido por, pela primeira vez na vida, não conseguir prometer algo a Margarett.
Andou de um lado para o outro até onde lhe era possível agarrado ao telefone. Mordeu o punho para se controlar.
-Sinto a tua falta… – Vozeou, fraco.
Margarett abafou-se ligeiramente:
-Esta noite! Esta noite, David! Juro que desta noite não passa! - Garantiu, aflita –Vou ter contigo, nem que seja a ultima coisa que eu faça! Espera por mim, está bem?
David pensou algo que nunca pensou sequer ponderar: Negar vê-la. Não sabia de onde tinha vindo aquela ideia mas, por alguma razão do universo, não se sentiu disposto para tal.
-Eu não sei. – Ele respondeu.
Margarett abriu a boca, em choque. Não podia acreditar que ele respondera aquilo. O abalo dentro dela transformou-se em fúria:
-Esta noite, David! Não desistas agora!
David humedeceu os lábios:
-Eu ainda não desisti! – Garantiu.
-Então não me faltes agora! – Implorou a jovem. Depois, tentando manter-se calma, limpou o nariz com um lenço de mão e fez força para que o lábio trémulo a deixasse falar – David…
-Sim, Margarett?
Ela tentou engolir os soluços e esforçou-se para sorrir:
-Eu amo-te.
Ele esfregou o canto interno dos olhos e abanou a cabeça, frustrado:
-Nem preciso de dizê-lo. – Falou - Tu sabes! Apenas tenta pôr-te melhor, por favor!
-Vemo-nos logo à noite?
David acenou afirmativamente:
-Sim. Até logo, meu amor…
Margarett sorriu, aida que desalmadamente:
-Até logo.
Bastou desligar o aparelho de comunicação para David deixar de se conter. Sentiu a dor mais pontiaguda do mundo a atravessar-lhe o corpo. Subiu para o quarto devagar e em silêncio. Não estava ninguém em casa, apesar de isso não lhe importar. Degrau a degrau, uma nova imagem de tragédia lhe surgia perante os olhos. Os fios de água caiam-lhe dos olhos como a água caía das torneiras mal fechadas. Gota a gota. E a cada suspiro, mais se convencia que Deus não o queria com Margarett. Chegou ao quarto e trancou a porta. Sentou-se. Não tinha mais o que fazer. Tinha o corpo mal sentado. A sua reação a informações tão miseráveis foi má. Não gritou, nem se exasperou. Pior que isso. Sentiu-se cada vez mais fraco e oprimido. Margarett prometeu-lhe que ia ter com ele à casa, no entanto, ele já não sabia se isso valeria a pena.
***
Mrs. Wilson olhou para o relógio de pulso. Estava impaciente. Jack tinha-se atrasado, mas não era algo que a surpreendesse. Era um vandâlo. Não tinha preocupação com horários. Ainda assim, só uma pessoa como ele, que não se importava de passar os limites, a poderia ajudar.
Soltou uma lufada de ar e cruzou os braços, com o olhar pousado distraidamente nas flores de um canteiro colorido ali perto. Deu por si a pensar o que diria Jack para fazer. Queria encontrar Margarett, era uma constatação. Mas porquê essa urgência? A resposta era pouco lucida até para ela. Sempre fora uma pessoa ambiciosa e possessiva. Talvez por isso. Margarett era sua filha, logo, devia manter-se ao seu lado e obdecer-lhe. Não que tivesse vocação para ser mãe. Pelo contrário. A tarefa nunca a atraira em nada. Mas tinha que admitir que durante a infância da menina, especialmente quando estavam em França, ela foi o seu maior regalo. Tinha gosto na inteligência dela, na forma de ser astuta e na elegância. A personalidade dela tinha-se tornado o seu maior orgulho. Sentia que Margarett tinha sido talhada para vencer. Porém, o regresso à terra natal tinha posto a sua filha num ângulo menos bom. Pensou que ela seria a futura Mrs. Finkie e isso deixava-a em grande excitação, no entanto, uma nova caracteristica de Margarett revelou-se. A rebeldia. E isso tinha descontrolado Dorianne. Queria uma filha exemplar. Queria-a no topo e com uma vida de luxo. A vida que não teve, mas que podia ter graças a ela. A simples ideia de vê-la numa vida sem riqueza deixava-a louca. Não podia permitir que ela desperdiçasse tudo num romance, como ela própria outrora fizera. Dorianne voltou a bufar. De facto, ela havia amado Adolfe. Perdeu-se de amores por ele quando era jovem, mas os sentimentos perderam-se quando a filha nasceu. Tanto o marido como ela passaram a importar-se mais com a criança do que com eles próprios. E de um momento para o outro nem tinham uma boa vida, nem nutriam qualquer sentimento um pelo outro. E esta era a sua principal fonte de raiva. A raiva de ver um ousado como David Paisen a tirar as chances de Mag triunfar na vida. Não podia. Margarett era sua filha e havia de guiá-la. Iria colocá-la em mau estado de saúde, iria dar-lhe uns bons açoites, iria levá-la para longe, desde que pudesse controlá-la.
-Madame…!
Os pensamentos de Dorianne interromperam-se com a chegada de Jack que lhe recebeu a mão e beijou-lha. Dorianne revirou os olhos e soltou-se, irritada.
-Demoraste!
Jack sorriu com sarcasmo.
-Não compreendi o quão urgente era a situação!
Dorianne virou a cara ao lado e começou a caminhar. O rapaz seguiu-a, entusiasmado.
-A minha filha desapareceu.
-Outra vez? – Jack riu-se de propósito para incomodar a mulher – Acho que devia colocar-lhe uma coleira, Mrs. Wilson. Nunca tem olho no que a sua filha anda a fazer!
Dorianne fuzilou o rapaz com o olhar e se não estivesse num lugar tão público já o teria esbofeteado.
-William Finkie levou-a. – Esclareceu - Ela estava a arder em febre, no entanto o rapaz não me diz onde ela está! – Aborrecida, a sujeita bateu o pé – Mas tenho a certeza que o David está envolvido.
-Sem duvida! – Concordou Jack, menos risonho.
-E como já deves ter percebido, quero que a encontres e a tragas de volta. Não posso tolerar mais que aquele infeliz a manipule!
Jack franziu o sobrolho, pensativo. Nunca tinha dito a Mrs. Wilson, mas Margarett só podia estar naquela velha mansão nos arredores da cidade. Era o único sítio em que ninguém entrava e também o sítio onde, ele sabia, David ia ter com a francesa.
-Eu encontro-a, Mrs. Wilson. Mas apesar de tudo, acho que esta situação vai continuar a repetir-se…
-O que queres dizer? – A mulher parou, indignada.
-Isto vai voltar a acontecer. Por muitas vezes que lhe devolva a Margarett, ela vai sempre acabar por desaparecer de novo. O David encarrega-se de levá-la uma e outra vez. Conheço-o. Sei que não desiste facilmente.
Dorianne rangeu os dentes, zangada:
-E o que pretendes que eu faça?! Não sou Deus!
-Acho que eles precisam de uma lição! – Murmurou entre dentes.
-Uma lição?!
Jack sorriu:
-Parvoice minha. – Desculpou-se, arrependido por ter dito aquilo – Não desespere, senhora. A sua filha estará em casa até amanha de manhã, eu juro!
-Conto com isso! Não falhes!
Jack acenou com a cabeça obedientemente e despediu-se de Mrs. Wilson. Sentiu um brilho a reluzir nos seus próprios olhos. Esperou que a mulher estivesse longe, para se preparar para encontrar Margarett Wilson.
Antes, porém, procurou Carter e Clide.
Precisava deles.
***
Daisy espreitou a cozinha e depois a sala de estar. Em bicos de pé, rondou a casa toda à procura de segurança.
-Posso sair? – Margarett perguntou, baixinho.
Daisy chamou-a com a mão e esperou-a junto à entrada:
-Vem! Os meus pais ainda não chegaram.
Mag apertou o casaco fino e depois ajeitou a saia rodada:
-Como estou? – Perguntou, nervosa.
Daisy sorriu amigavelmente:
-Estás muito bonita! – Declarou, ajeitando-lhe uma madeixa de cabelo fora do sítio.
Margarett olhou de novo para a roupa que Daisy lhe tinha emprestado para ir ter com David. Uma saia branca rodada com pintas pretas, uma blusa lisa e um casaquinho de malha vermelho. Queria parecer bem quando visse David, daí que as duas tinham passado algum tempo a arranjarem-se uma à outra, também por divertimento.
Daisy suspirou, nervosa, e retirou do bolso uma medalhinha de prata:
-Tem cuidado, Margarett! Não me perdoarei se algo correr mal! – Comentou, acelerada - Toma! – Disse, colocando a medalha na mão da loira – Para te dar sorte.
Mag encarou a medalhinha e exprimiu um trejeito:
-Não posso aceitar. É prata, é demasiado valiosa!
-Esta medalha foi-me oferecida pelo meu avô. – Clarificou a outra - Sempre me deu sorte. Quero que a leves contigo! Devolves quando puderes!
Margarett sorriu, agradecida do fundo da sua alma:
-Muito obrigada, Daisy! Prometo que ta devolvo. – Garantiu, enquanto a colocava no bolso da saia com cuidado. Depois deu as mãos à parceira - Não te preocupes. Eu sei para onde vou, Daisy. Ninguem nos encontra lá, tenho a certeza.
A latina torceu os lábios, inquieta, mas não prendeu Margarett. Sabia que mais tarde ou mais cedo tinha de deixá-la ir.
-Boa sorte!
Margarett abraçou a amiga com força:
-Obrigada pela ajuda, Daisy!
A morena suspirou e abriu a porta de saída. Espreitou a vizinhança e, ao perceber que era seguro, despediu-se de Margarett, acenando até ela desaparecer no fim da rua.
Margarett caminhou em passos vagarosos, para não chamar as atenções. Sabia bem o seu trajeto e a sua vontade de correr era enorme. Não tinha ainda noção se David já estaria à espera dela ou se só iria mais tarde ter à casa, mas em todo o caso, sentiu-se confiante que estaria segura lá. A noite já estava escura, apesar de ainda ser cedo. Um aperto dentro de Margarett estava a fazê-la abrandar o ritmo. Algo lhe dizia que aquele encontro não seria como ela ansiava. A conversa com David ao telefone deixara-a um pouco amedrontada.
Margarett foi capaz de avistar a casa a poucos metros de si. Parou e, depois de engolir em seco, verificou se ninguém a seguia. A rua vazia e negra provou-lhe um arrepio.
Ela, então, atravessou as grades banhadas com ferrugem e correu para a entrada da mansão. Não havia luz lá dentro também. Ela teve de ser cautelosa para não ir contra algo.
-David? – Chamou, após entrar.
Um barulho baixo fê-la assustar-se. Espreitou, para ver se tinha sido algum gato vádio. Pelo contrário. Tinha sido David.
Ele estava a brincar com uma bolinha pinchona na sala, atirando-a contra a parede repetidamente. Parecia alheio à presença dela.
-David!
Apanhado de surpresa, ele deixou cair a bola no chão e virou-se para ela:
-Mag… - Gemeu, numa expressão que não escondia a sua nostalgia.
A jovem correu-lhe para os braços, ansiosa:
-Desculpa o atraso, meu amor! – Lamentou, buscando de alguma forma prendê-lo a si.
David não respondeu de imediato. Deixou que ela enterrasse a cara no ombro dele e o apertasse com força.
-Como estás? – Questionou ele - Ainda tens febre?
Margarett negou de olhos fechados. A sua maior preocupação naquele momento era abraçar David com toda a sua energia:
-Estou melhor. A Daisy cuidou de mim. – Explicou, inalando o perfume dele com saudade.
O gaiato não lhe respondeu de retorno. Encostou o nariz na cabeça dela e ficou a olhar o nada à espera que ela dissesse algo que o animasse. Mas seria difícil. David sentia-se estranho, como se no fundo do poço. Torceu para que Margarett o fizesse relaxar um pouco.
-Finalmente estamos juntos… - Murmurou ela, aliviada - Por momentos tive medo que não viesses. Receei nunca mais te ver…
Margarett esperou uma resposta doce contudo não recebeu nem um suspiro de resposta. Incomodada, abriu os olhos e fitou o namorado:
-A tua voz ao telefone deixou-me insegura. Parecia que nem me querias ver. – Averiguou, triste. Uma vez mais, a menina de França esperou uma resposta em vão. Por muito ansiosa que estivesse, era impossível não reparar na falta de palavras do companheiro. Tal situação incomodou-a a um nível demasiado alto - David? Porque não reages? – Indagou, desencostando-se dele, assustada com a falta de afeto.
O amado nem sequer a olhou de frente. A sua atenção estava séria, mas perdida nos copos de cristal rachados dentro do armário.
As mãos de Margarett sentiram as tremuras dos seus pensamentos. Ela afastou-se de David para tentar ler-lhe o rosto:
-Estás zangado comigo? – Palpitou, receosa - Por causa do que a minha mãe te disse?
David abanou a cabeça na negativa:
-Não, eu não estou zangado contigo! – Ele mirou-a, perturbado, mas rapidamente baixou o olhar de novo – Eu só… Sinto que isto foi longe demais.
-Isto o quê? – Margarett quis saber, temendo que ele se referisse à relação.
-Isto! – Bramou ele, encarando-a por fim, com as orbitas esverdeadas menos cintilantes do que Mag estava habituada - Colocar a tua saúde em risco! Não percebes, Mag? Não está certo!
-Mas eu já estou melhor. – Assegurou ela, agitada - Nao te preocupes!
David calou-se e virou a cara ao lado, apoquentado com a situação. Margarett não queria ver o que estava mesmo à sua frente. Aquilo não terminaria por aí. Haveria sempre algo novo para eles enfrentarem.
-A tua mãe não vai desistir… - Constatou – E mesmo que desista… Pergunto-me qual será o nosso próximo obstáculo…?
Margarett sentiu-se indignada com aquela falta de fé de David:
-Porque estás a dizer essas coisas? – Perguntou, sensível – E o que queres insinuar com “próximo obstáculo”?!
David voltou-lhe costas e caminhou até à janela. Encarou o exterior com desprezo, ignorando que a amante se esforçasse para não lhe dar um murro e fazê-lo acordar para a vida. Ele arfou, desgostoso:
-Parece que há uma força sobrenatural que não nos quer juntos de forma nenhuma e arranja mil e uma maneiras de nos separar… - Averiguou, o mais calmamente que conseguiu e depois atentou na parceira - Olha para ti, Margarett… Estás desfeita que nem uma boneca de trapos. E tudo porque não te querem comigo…
-Isso não é verdade! – Contradisse ela, inquieta.
-É, é sim e tu sabes disso! – Comprovou - Eu só me pergunto… Valerá a pena? Vale a pena quase morreres por mim?
Margarett levantou os braços e deixou-os cair de novo, amargurada:
-Não sejas tolo! – Rogou - Eu estou bem… Foi só uma gripe, por isso não dramatizes. – Tentou explicar, sem se conseguir impedir de gaguejar, devido ao receio - Não compreendo porque estás tão indolente! Parece que estás a renunciar a tudo o que vivemos juntos.
Ele abanou a cabeça, discordando, desanimado:
-Eu só… Sinto-me desmotivado… - Desafogou, melancólico - A tua mãe conseguiu mesmo destruir-me. Ela abalou-me, Mag… fez-me pensar que, se calhar, tu realmente mereces melhor. Eu sei que um dia serei alguém, prometi isso. Mas não sei se tens que sofrer tanto assim.
Margarett não aguentou aquele ponto de vista. Nérvea, deu-lhe um estalo na cara. David nem soube o que pensar.
-Estás a ouvir o que estás a dizer, David?! Sempre lutamos para estar juntos e sempre conseguimos! – Declarou, com um lago de água salgada pendente nas órbitas.
Ele esfregou a face e mostrou-se revoltado:
-Mas porquê tantas pedras no caminho?! Porque não podemos ser como o Eric e a Janice e simplesmente ficar juntos? – Perguntou-se – Algum ser superior trata sempre de nos afastar! Uma força mais poderosa do que nós…
-Então rejeita! – Gritou ela, frustrada - Rejeita essa força! A nossa vontade é muito mais forte que isso! Tu não esperaste 5 anos por mim, sem nunca deixar de me escrever cartas?! Tu não enfrentaste as nossas diferenças para ficares comigo? Não rejeitaste os teus companheiros por mim? - Urrou, empurrando-o pelo peito com raiva - Eu traí o William porque soube que aquela relação não era o certo. O certo somos eu e tu, David! E por muito que nos queiram separados, não vão conseguir! A minha mãe é só mais um obstáculo que temos de pisar! Porque eu sei que vamos ficar juntos. - Mag agarrou-lhe a cara e deixou-se chorar levemente - Eu sei, David! Acredita em mim! - Implorou, desgostosa.
David mordeu o interior da bochecha e encostou a sua testa à de Margarett, combalido:
-Eu acredito em ti.
-Entao acredita também em nós! – Suplicou-lhe a melhor amiga.
David deixou que ela o beijasse ternamente e retribuiu-lhe o gosto. Sem querer, uma lágrima teimosa escorreu-lhe pela pele. Margarett limpou-lha e abraçou-o com todo o corpo a tremelicar:
-Eu amo-te, David… - Declarou ela, chorosa - E nós vamos ficar juntos, eu sei que sim. Nem que tenhamos de fugir os dois! – Ela desencostou-se dele de repente - Vamos fugir, David!
Ele riu-se da ideia, ainda que lhe doesse.
-Oh Margarett… - Sussurrou, consumido. Aquilo era uma ideia louca. Não passariam sequer da fronteira da cidade. Mas, ainda assim, David não podia negar que ela era a sua prioridade no momento e talvez fosse capaz de uma loucura do género. Ele beijou-lhe a testa, ternamente – Eu amo-te…
(musica q me inspirou para esta parte, ainda q a letra não tenha muito a ver aqui(sei q muita gente detesta, mas pronto!
') )
Margarett encostou a cara à dele. Roçou o nariz no dele e passou os lábios pela boca dele:
-Eu também, seu tonto… - Disse, limpando o rosto - E não consigo suportar-te assim, tão em baixo. És o meu alicerce, David. Se tu cais, eu caio.
-Desculpa. – Lamentou ele, arrependido – Tu tens razão. Não posso desanimar. – Ele sorriu com easforço, tentando enxotar aquela apatia entre os dois, e entrelaçou os dedos com o cabelo loiro dela– Tive saudades tuas. – Suspirou.
Ela sorriu também e acariciou-lhe o rosto, emocionada:
- Eu também… Mas estou aqui, agora. E sou tua, David… Toda tua. – Garantiu - E ninguém há-de conseguir manter-nos afastados…
David acariciou-a, sem se impedir de desenhar um sorriso leve e apaixonado, ainda que inseguro. Beijou-a ao de leve e logo após correu-lhe os lábios com o seu polegar:
-Eu acredito, minha Rett…
Ela introduziu as mãos por dentro da camisola dele e acariciou-o:
-Então lutas por mim? Lutamos juntos, David?
David acenou com a cabeça, convicto:
-Por ti, até morrer, se for preciso!
Margarett fechou os olhos, com o corpo quente. Aproximou a boca da cara de David e ele beijou-a com maciez. Algo lento e suave.
A jovem libertou-se dele e beijou-lhe o pescoço, percorrendo-o até à orelha com o nariz:
-Faz-me tua esta noite… - Segredou e, antes que David pudesse responder, ela mordeu-lhe o lóbulo lentamente.
Ele gemeu, extasiado com os toques dela. Devagar, tirou-lhe o casaco e atirou-o para cima do sofá empoeirado. Uma sombra no chão, todavia, fê-lo olhar pela janela, suspeito.
-o que foi? – Mag perguntou, olhando na mesma direção que ele.
Reconhecendo que não passara de um fruto da sua imaginação, David desatentou no exterior. Voltou a encarar Mag e largou um beijo na bochecha dela.
-Vamos para o nosso quarto… - Sussurrou o rapaz.
Margarett sorriu perante a denominação dada ao compartimento. Puxou a cara de David para si e beijou-o. Ele correspondeu-lhe, introduzindo a língua no beijo, enquanto lhe desapertava, um a um, os botões da blusa.
Lentamente, arrastaram-se os dois até às escadas e Margarett soltou-o. Deu-lhe a mão, entrelaçando os dedos com os dele, e subiu o lance sem pressa até chegarem ao quarto principal. Ela entrou primeiro e David, a seguir, fechou a porta.
-David… - proclamou Margarett, aconchegando-se nos braços dele – Não me deixes mais…Faz amor comigo… - Pediu, ternamente.
O jovem amante não respondeu verbalmente. Apertou-lhe a cintura com mais pressão e beijou Margarett de uma forma mais fugaz do que as vezes anteriores.
Margarett sentiu um formigueiro no estomâgo. Seria impossível não sentir. O acto de David roubara-lhe o fôlego e o seu coração tinha ficado descontrolado. Ela deixou-se arrastar até ao tocador do quarto, entre beijos longos e intensos. David fê-la sentar-se no pequeno móvel e retirou-lhe a blusa já solta, aproveitando para lhe beijar a pele quente e delicada. Mag estremeceu, sentindo-se sensível aos toques do amado. Arqueou as costas em incitação e puxou-lhe a camisola para lha tirar:
-Porque é que não fizeste logo isto quando me trouxeste cá, antes do baile?
David sorriu e beijou-lhe a testa com doçura.
-Acho que não consigo ser pontual…
Mag passou as mãos pela cara dele e manteve-o quieto para o olhar nos olhos.Contemplou-lhe o tom meio castanho, meio verde com que a iris estava pintada e depois desenhou um sorriso pequeno. Passou o dedo indicador desde o meio das sobrancelhas até à ponta do nariz, sentindo a linha recta perfeita que contornava o perfil do rapaz. David depositou-lhe um beijo rápido na boca e encostou o nariz ao dela, de olhos fechados. Mag manteve-se fixa nele, sentindo-lhe as mãos à procura do fecho do sutiã pálido. Correu as pontas dos dedos pelo peito dele e soltou o hálito à entrada da boca dele, como que um pedido para o receber. Ela sentiu o colchete nas costas desapertado e pressionou-se mais contra o jovem. David massajou-lhe as costas com firmeza, circulando as mãos depois pela cintura dela. Mag entregou-se num pequeno beijo húmido e aproveitou a proximidade de David para cruzar as pernas à volta da anca dele. O rapaz, compreendendo o desejo dela, pegou-a ao colo e, sem desgrudá-la, levou-a para a cama mole, deitando-a com cuidado.
-Adoro a cama de Dossel… - Referiu ela, anestesiada pela massagem dele.
David beijou-lhe os cantos dos ombros, os seios e depois o umbigo. Ela tremeu de ânsia e gemeu, calmamente. David arrastou os lábios até à boca dela de novo e olhou-a nos olhos, deslumbrado.
-Então ela fica…
***
Carter fez um sinal a Jack. A costa estava livre.
No meio da escuridão, Jack e Clide agarraram em garrafões de plástico e avançaram após o consentimento de Carter. Tentando fazer o mínimo barulho possível, despacharam-se na direcção do jardim amplo. Jack pousou os seus pesos no chão, perto da entrada, e pediu aos parceiros que o aguardassem. Silenciosamente, adentrou na casa velha e insegura para confirmar as suas suspeitas.Na sala, viu vestígios de movimento. Um casaco vermelho abandonado no sofá gasto. Ainda pouco convencido aproximou-se da escadaria. Saltou o degrau partido e depois esforçou-se para que a madeira podre não rangesse. O principal objectivo era passar despercebido. Carter e Clide não sabiam ainda o que estavam ali a fazer, já que o líder não os tinha elucidado. Afinal de contas, quantos menos soubessem, melhor para si. Ele alcançou o topo das escadas e olhou em redor. A única porta fechada chamou-lhe a atenção. Tinha de ser ali. Aproximou-se pela calada e, a uns centímetros da porta, pôs os ouvidos alerta. Um murmúrio foi o suficiente. Jack sorriu, ao mesmo tempo que mordia o beiço, e encostou a orelha mais à porta, para se ver livre de qualquer hesitação. Outro bulício se fez ouvir e então ele soube que era a hora “H”. Desceu as escadas o mais rápido que pôde sem fazer barulho e saiu da entrada.
Clide já tinha acendido um cigarro, impaciente pela espera de algo que nem sabia o que era. Talvez se soubesse qual era o plano de Jack nem sequer estivesse ali. Todavia, era Jack a mandar e ele respeitava, tal como Carter.
-Rapazes – Exclamou Jack – Despejem os garrafões!
Clide apagou o cigarro e pegou num dos tais vidões, pronto para os despejar. Carter, por outro lado, cruzou os braços e atentou no parceiro:
-Para que é isto, Jack?
-Não te devo conssentimentos, Carter! Faz o que te digo!
O rapaz não se sentiu convencido:
-Não me quero meter em problemas sérios. Antes de fazer seja o que for, quero saber o porquê de estarmos aqui a esta hora, com vidões cheios de gasolina.
Jack roncou, irritado com a implicância do companheiro. Aproximou-se dele e rangeu os dentes:
-O dono desta casa contactou-me. Quer o terreno limpo! – Explicou, pegando de seguida noutro vidão branco - E mais não digo!
Carter franziu as sobrancelhas. Algo não o convencia. No entanto, Clide já tinha começado a molhar o terreno em volta da casa com o produto inflamável, sendo que já não podia impedir fosse o que fosse. Rendido, pegou noutro garrafão e começou a despeja-lo à entrada do casarão. Jack, mais determinado do que os dois, voltou a entrar na casa e deitou a gasolina no chão de madeira, por todas as divisões do rés-do-chão.
Regressou para o exterior e vendo que os aliados já tinham desvasiado tudo, sorriu e mandou-os afastar-se com um gesto:
-Podemos ir, rapazes. As chamas tratam do resto…
E, dito aquilo, Jack acendeu um fosforo e viu o fogo a acontecer.
***
(musiquinha <3)
Margarett arfou, cansada. O seu corpo deixou-se tombar sobre o de David. O amado, suado e satisfeito, abraçou a jovem por cima de si e beijou-lhe as pontas dos dedos:
-O que vais fazer, quando voltares? – Perguntou, preocupado.
Margarett levantou o tronco e encarou-o:
-Não quero voltar. – Disse, sentindo uma temperatura estranha no oxigénio que respirava.
David sentou-se, com ela no seu colo. Fez-lhe uma caricia no cabelo, sem impedir de desenhar um trejeito.
-Não podemos fugir para sempre, Rett…
Lúcida da constatação de David, Mag pousou a cabeça no ombro dele, rendida. Beijou-lho, paciente:
-Eu não vou fugir. Eu vou enfrentar a minha mãe e o meu pai decerto que ficará do meu lado quando regressar.
-E se ela te tentar fazer mal?
-Não vai! – Negou a jovem, com certeza – Sou mais forte do que ela. E se algo correr mal, tu interferes! – Garantiu, voltando a mirá-lo – E não hesites, ouviste bem, David? Eu conto contigo.
David acenou em afirmação. Estava preparado para o que desse e viesse. Reuniria a cidade inteira para ajudá-lo se preciso fosse. Esticou os lábios em busca de um beijo ao mesmo tempo que apertava a carne de Margarett com as mãos. Ela fez pressão sobre o peito dele para que se deitassem de novo e beijou-o com carinho, certa de que o amava mais do que nunca. Sentiu uma gota de suor a deslizar pelas suas costas esbeltas e isso incomodou-a ao ponto de interromper o beijo.
-Acho que a febre está de volta… - murmurou, aborrecida – Estou cheia de calor.
David franziu as sobrancelhas e tossiu ao de leve. A sua pele estava também a sentir as consequências de uma temperatura que não lhe parecia normal:
-Não… - Respondeu, afastando Mag de si para sentir a verdadeira temperatura do ar – Ou me apegaste essa febre ou de facto algo está errado. Este ar está irrespirável.
Ele levantou-se desconfiado e deu por si a tossir sem se conseguir conter. Algo tinha despertado os seus pulmões de forma negativa. Ele ignorou o calor e vestiu a parte inferior da sua indumentária para ver se algo se passava. Mag enrolou-se nos lençois em seu redor e aproximou-se da janela para abri-la, do mesmo modo que David abriu a porta do quarto e desceu alguns degraus das escadas. Não foi possível saber qual dos dois se apercebeu primeiro das chamas a consumirem tudo em seu redor, porém, o fogo estava com pressa de alcança-los. Margarett deu um grito de pânico e agarrou-se a David, com medo.
-Margarett, está tudo a arder! – Gritou ele.
O rapaz tapou a boca e o nariz com o braço e agarrou a namorada:
-Veste-te! – Imperou, nervoso.
Margarett vestiu a saia atrapalhada e depois colocou a camisa sem sequer a fechar. David nem se deu a esse trabalho. Pegou na sua camisola e usou-a para tapar as vias respiratórias de Margarett daquele fumo negro, empurrando-a à sua frente. A rapariga hesitou, ao ver uma onda de labaredas a atirar-se na sua direcção. David engasgou-se com o fumo e empurrou-a para que não ficassem ali presos. Pegou nela ao colo e passou as chamas que lhes impediam já a passagem. Margarett soltou-se para correrem os dois, porem, ao alcançarem o hall da entrada, ela travou-se, em relutância. Apalpou todos os bolsos da saia emprestada em busca de algo. David não compreendeu porque motivo ela tinha parado antes de escapar do fogo.
-Mag, anda! – Berrou o rapaz, puxando-a pelo pulso.
-Eu não posso! A medalhinha!
Estavam quase a passar da porta para fora quando ela se soltou, determinada a voltar para trás:
-Eu tenho que a devolver à Daisy!
-Não! – David agarrou-a antes que ela tentasse subir as escadas – O fogo está a alastrar-se!
Mag negou com a cabeça e voltou a soltar-se:
-Eu sou rápida, juro!
David prendeu os lábios, nervoso, e impediu-a de subir:
-Vai para fora, eu vou buscá-la!
Margarett quis negar, quis que ele saísse da casa primeiro, mas David foi mais rápido do que ela e saltou os degraus decomposto para subir até ao quarto. Margarett tapou o nariz, tossindo desalmadamente e por muito que não quisesse, teve de sair para o exterior da mansão.
Tossiu todo o fumo que conseguiu e tentou inalar algum ar puro no meio daquela intoxicação. Quando finalmente conseguiu controlar-se, contemplou o casarão em chamas e o pânico sobrepôs-se a todo o controlo que ela tinha conseguido manter até ali. Pensar que David ainda estava lá dentro deu-lhe uma assombração.
-David! – Gritou, desesperada.
Num rasgo de coragem, ela tentou entrar de novo na casa para ir ter com ele, no entanto, a entrada estava consumida pelas flamas. Ela sentiu as lágrimas a pingarem pelo medo:
-David!
O rapaz tinha acabado de entrar no quarto. O seu oxgénio já estava nas últimas porções e os olhos ardiam-lhe por causa do fumo. Ele baixou-se no chão, à procura da tal medalha. Felizmente, deu com ela num abrir e fechar de olhos. Estava debaixo do tocador. Apanhou-a e tossiu, tonto, determinado a sair dali o quanto antes. Levantou-se, cambaleando o quanto pôde por entre o lume, arfando já sem controlo nas vias respiratórias. A sua visão desfocada encontrou as longas escadas velhas e ele pôde perceber que, se não se despachasse, não ia conseguir descê-las. Cauteloso, pisou os primeiros degraus, ofegante. Voltou a tossir sem ar e agarrou a garganta latejante. Esse desespero fê-lo acelerar a fuga, todavia, uma viga de madeira a arder caiu uns degrau à sua frente impedindo-lhe a passagem. David teve um vislumbre do rosto de Margarett na sua mente e a sensação de sufoco fê-lo desequilibrar-se quando a madeira podre do degrau que pisou se quebrou. Ele tentou erguer-se, sem grande sucesso. Escutou uma sirene dos bombeiros mas, já sem controlo, desmaiou.
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Bom, Ainda nem começei a escrever o proximo
Vamos ver como corre! até à próxima!
bjokas
Ora, eu não tenho muito orgulho em dizer que vim actualizar a fic. Isto, porque, depois deste tempo sem postar, escrevi, reescrevi, li, reli, apaguei, editei, voltei a escrever e... Nada. Não gosto! Estou muito frustrada com este capitulo. Devia ser um capitulo importante para o futuro desenlace da história e eu sinto que não consegui passar a ideia. Ainda quis fazê-lo maior, para ver se dava a volta, mas nem isso consegui. Estou bastante revoltada. Por isso, minhas caras leitoras, vou postá-lo assim, como está, com esperança de num futuro próximo conseguir melhorá-lo. Acho que neste momento já o reli tantas vezes que já nem consegui prestar atenção ao que escrevi, portanto nem sequer sei até que ponto tenho erros. Enfim, de qualquer modo espero que gostem!Capitulo 37 – Fogo
"Amor é quando se tem todos os motivos para desistir de alguém, e não se desiste."
William Shakespeare
William Shakespeare
-Não quero que te sobressaltes e, acima de tudo, mantem a postura. Não se pode levantar suspeitas, por agora.
-Não compreendo. O que se passa, Daisy?
David olhou por cima do ombro para se certificar que não estava ninguém por perto. Mas algo no tom de voz de Daisy lhe dava um bom presságio. Enrolou o fio do telefone na mão, ansioso.
-A Margarett está comigo, aqui, em minha casa!
Os olhos dele arregalaram-se de admiração:
-Estás a falar a sério?! Como?! – Gaguejou, eufórico - Eu tenho de vê-la!
Daisy afligiu-se com a histeria do amigo.Tentou calá-lo antes que ele falasse demais, esbracejando para o ar, atrapalhada:
-Xiu, David! Ninguém pode saber! Sê discreto!
-Porquê?!
Daisy engoliu em seco e olhou também para trás de si. Os pais não estavam em casa. A avó estava no quarto a descansar e os três irmãos mais novos tinham ido brincar para a rua com os amigos. Só estavam ela e Margarett, que permanecera no seu quarto.
-O William trouxe-a para eu cuidar dela... – Explicou cautelosamente e, como prevía, a reação do amigo não foi a melhor - David…? – Chamou, ao perceber que ele se calou – Não te exaltes. – Pediu – O Will encontrou-a a arder em febre, fechada num quarto. Aparentemente, foi Mrs. Wilson quem lhe fez isso, para que ela não te pudesse ver.
Ela escutou um abafo do outro lado da linha. Percebeu que David não gostou da notícia.
-Como é que ela está? – Perguntou o rapaz com voz irritada.
Daisy não sabia o que responder. Gaguejou ao de leve.
-Melhor… Um pouco débil, ainda, mas melhor, sem dúvida!
-Quero falar com ela!
Um receio leve fê-la tremer por dentro. Soube que David, em parte, estava a ser guiado pelo transtorno.
-David, tem calma. Não faças nenhuma idiotice, está bem? Ela já recuperou e está pronta para te ver. Mas não quero que venhas cá! Mrs. Wilson pode estar a seguir os teus passos para encontrá-la e, por muito que me custe dizer isto, não quero que ela a encontre. Não depois do que ela lhe fez!
O rapaz suspirou, abalado. Daisy tinha razão. Ele já tinha pegado na chave de casa para ir a correr ter com Margarett, mas não podia. Mrs. Wilson descera mais baixo do que um buraco até ao centro da terra. Ele já não sabia o que pensar. Deu por si apático com a situação. Não era capaz de compreender tamanha obcessão. Colocar Margarett em mau estado de saúde tinha sido a gota de água.
-Isto é tão… Desumano. – Desabafou.
Daisy mordeu o lábio e olhou o tecto, compreensiva perante David:
-Eu sei e quero ajudar-te. Mas sê forte, David… Eu…!
Uma estranha falta de palavras deixou David expectante. Algo ou alguém interrompeu Daisy. A frase dela pareceu desaparecer no ar. David não percebeu o que se passou e espreitou o auscultador do telefone rapidamente, para ver se tinha algum defeito. Tentou ouvir de novo a amiga:
-Daisy, estás aí?
-David?!
Uma voz suave arrepiou-o.
-Rett?
A rapariga sorriu, de alívio. Encostou-se à parede e soltou um suspiro audível. Daisy percebeu que não ia conseguir manter aqueles dois afastados por muito tempo. Bastou-lhe observar o brilho intenso no olhar da hóspede clandestina quando lhe roubou o telefone.
Conformada, sentou-se no sofá, à espera de novidades.
-Como estás, minha Rett? - David engoliu em seco. Um ardor na garganta fê-lo conter-se para não falar demais.
-Eu estou bem, David! Desculpa não ter dado notícias mais cedo.
Por instantes, David encontrou semelhanças naquele tom de voz com o timbre de Margarett quando era criança. Recordou aquele dia. Aquele ultimo dia em que estivera com ela antes dela partir para França, quando, durante todo o passeio a sós, ela tentou manter-se firme sem chorar.
Ele encostou-se também à parede, sentindo um ácido a corroer-lhe o interior. Era um absurdo Margarett lamentar algo do qual não teve culpa, muito menos hipótese.
-Eu continuo a esperar-te, sabes disso… - A voz dele falhou. Estava incompreensivelmente fraca. Margarett prendeu a boca, fragilizada pelo tom dele. Sabia que lhe custava tanto a ele como a ela. - Todas as noites, na mansão. – Concluiu o apaixonado.
Margarett descompôs o cabelo, sem saber o que lhe responder. Sentiu as lágrimas nos olhos, contudo não verteu nem uma. Prendeu-as com todas as suas forças:
-E podes continuar a esperar-me. – Murmurou - Vou ter contigo o mais rapidamente possível, eu prometo.
David apercebeu-se de um gemido proferido ao telefone. Depois escutou uma fungadela silênciosa. Soube de imediato que Margarett não tinha conseguido manter a firmeza e o choro acabou por acontecer, por mais silencioso que ela tentasse mantê-lo.
-Desculpa, David. A minha mãe… Ela…!
-Shhh! – David obrigou-a a parar. Não queria ouvi-la tão triste. – Esquece isso! – Ordenou, contendo-se para não desfalecer. Sorriu, procurando algo de bom para dizer a Mag. - Sabes o que estive a pensar? – Perguntou de forma rectórica - Aquela mansão… Devia ser a nossa casa. Podiamos restaurá-la juntos, um dia.
Margarett sorriu, no meio da sua debilidade, sem parar de prestar atenção.
-Ficavamos com o quarto principal. Mas mantínhamos a cama de dossel.
-Eu gosto da cama de dossel… - Murmurou ela com a voz rouca.
-Então ela vai-se manter! – Garantiu David, falseando firmeza - E vamos manter também a lareira da sala. No Inverno podemos aconchegar-nos no sofá, enrolados numa manta a olhar o fogo. E vamos ter crianças a brincar no tapete.
-Crianças?
-Três ou quatro filhos. Cada um com o seu próprio quarto!
Margarett prendeu os lábios com força, sentindo o choro ainda mais pesado. Tentou não fazer barulho. Daisy aproximou-se dela, apercebendo-se do desespero que ia dentro da amiga, e abraçou-a, sem nada dizer, ou sequer perceber o que se estava a passar em concreto.
-Prometes? – Soluçou.
Do outro lado da linha, David não respondeu. Olhou para o chão, fazendo a mesma pergunta a si mesmo. Na verdade nao sabia se era capaz. Deixou que uma lágrima lhe fugisse, desiludido por, pela primeira vez na vida, não conseguir prometer algo a Margarett.
Andou de um lado para o outro até onde lhe era possível agarrado ao telefone. Mordeu o punho para se controlar.
-Sinto a tua falta… – Vozeou, fraco.
Margarett abafou-se ligeiramente:
-Esta noite! Esta noite, David! Juro que desta noite não passa! - Garantiu, aflita –Vou ter contigo, nem que seja a ultima coisa que eu faça! Espera por mim, está bem?
David pensou algo que nunca pensou sequer ponderar: Negar vê-la. Não sabia de onde tinha vindo aquela ideia mas, por alguma razão do universo, não se sentiu disposto para tal.
-Eu não sei. – Ele respondeu.
Margarett abriu a boca, em choque. Não podia acreditar que ele respondera aquilo. O abalo dentro dela transformou-se em fúria:
-Esta noite, David! Não desistas agora!
David humedeceu os lábios:
-Eu ainda não desisti! – Garantiu.
-Então não me faltes agora! – Implorou a jovem. Depois, tentando manter-se calma, limpou o nariz com um lenço de mão e fez força para que o lábio trémulo a deixasse falar – David…
-Sim, Margarett?
Ela tentou engolir os soluços e esforçou-se para sorrir:
-Eu amo-te.
Ele esfregou o canto interno dos olhos e abanou a cabeça, frustrado:
-Nem preciso de dizê-lo. – Falou - Tu sabes! Apenas tenta pôr-te melhor, por favor!
-Vemo-nos logo à noite?
David acenou afirmativamente:
-Sim. Até logo, meu amor…
Margarett sorriu, aida que desalmadamente:
-Até logo.
Bastou desligar o aparelho de comunicação para David deixar de se conter. Sentiu a dor mais pontiaguda do mundo a atravessar-lhe o corpo. Subiu para o quarto devagar e em silêncio. Não estava ninguém em casa, apesar de isso não lhe importar. Degrau a degrau, uma nova imagem de tragédia lhe surgia perante os olhos. Os fios de água caiam-lhe dos olhos como a água caía das torneiras mal fechadas. Gota a gota. E a cada suspiro, mais se convencia que Deus não o queria com Margarett. Chegou ao quarto e trancou a porta. Sentou-se. Não tinha mais o que fazer. Tinha o corpo mal sentado. A sua reação a informações tão miseráveis foi má. Não gritou, nem se exasperou. Pior que isso. Sentiu-se cada vez mais fraco e oprimido. Margarett prometeu-lhe que ia ter com ele à casa, no entanto, ele já não sabia se isso valeria a pena.
***
Mrs. Wilson olhou para o relógio de pulso. Estava impaciente. Jack tinha-se atrasado, mas não era algo que a surpreendesse. Era um vandâlo. Não tinha preocupação com horários. Ainda assim, só uma pessoa como ele, que não se importava de passar os limites, a poderia ajudar.
Soltou uma lufada de ar e cruzou os braços, com o olhar pousado distraidamente nas flores de um canteiro colorido ali perto. Deu por si a pensar o que diria Jack para fazer. Queria encontrar Margarett, era uma constatação. Mas porquê essa urgência? A resposta era pouco lucida até para ela. Sempre fora uma pessoa ambiciosa e possessiva. Talvez por isso. Margarett era sua filha, logo, devia manter-se ao seu lado e obdecer-lhe. Não que tivesse vocação para ser mãe. Pelo contrário. A tarefa nunca a atraira em nada. Mas tinha que admitir que durante a infância da menina, especialmente quando estavam em França, ela foi o seu maior regalo. Tinha gosto na inteligência dela, na forma de ser astuta e na elegância. A personalidade dela tinha-se tornado o seu maior orgulho. Sentia que Margarett tinha sido talhada para vencer. Porém, o regresso à terra natal tinha posto a sua filha num ângulo menos bom. Pensou que ela seria a futura Mrs. Finkie e isso deixava-a em grande excitação, no entanto, uma nova caracteristica de Margarett revelou-se. A rebeldia. E isso tinha descontrolado Dorianne. Queria uma filha exemplar. Queria-a no topo e com uma vida de luxo. A vida que não teve, mas que podia ter graças a ela. A simples ideia de vê-la numa vida sem riqueza deixava-a louca. Não podia permitir que ela desperdiçasse tudo num romance, como ela própria outrora fizera. Dorianne voltou a bufar. De facto, ela havia amado Adolfe. Perdeu-se de amores por ele quando era jovem, mas os sentimentos perderam-se quando a filha nasceu. Tanto o marido como ela passaram a importar-se mais com a criança do que com eles próprios. E de um momento para o outro nem tinham uma boa vida, nem nutriam qualquer sentimento um pelo outro. E esta era a sua principal fonte de raiva. A raiva de ver um ousado como David Paisen a tirar as chances de Mag triunfar na vida. Não podia. Margarett era sua filha e havia de guiá-la. Iria colocá-la em mau estado de saúde, iria dar-lhe uns bons açoites, iria levá-la para longe, desde que pudesse controlá-la.
-Madame…!
Os pensamentos de Dorianne interromperam-se com a chegada de Jack que lhe recebeu a mão e beijou-lha. Dorianne revirou os olhos e soltou-se, irritada.
-Demoraste!
Jack sorriu com sarcasmo.
-Não compreendi o quão urgente era a situação!
Dorianne virou a cara ao lado e começou a caminhar. O rapaz seguiu-a, entusiasmado.
-A minha filha desapareceu.
-Outra vez? – Jack riu-se de propósito para incomodar a mulher – Acho que devia colocar-lhe uma coleira, Mrs. Wilson. Nunca tem olho no que a sua filha anda a fazer!
Dorianne fuzilou o rapaz com o olhar e se não estivesse num lugar tão público já o teria esbofeteado.
-William Finkie levou-a. – Esclareceu - Ela estava a arder em febre, no entanto o rapaz não me diz onde ela está! – Aborrecida, a sujeita bateu o pé – Mas tenho a certeza que o David está envolvido.
-Sem duvida! – Concordou Jack, menos risonho.
-E como já deves ter percebido, quero que a encontres e a tragas de volta. Não posso tolerar mais que aquele infeliz a manipule!
Jack franziu o sobrolho, pensativo. Nunca tinha dito a Mrs. Wilson, mas Margarett só podia estar naquela velha mansão nos arredores da cidade. Era o único sítio em que ninguém entrava e também o sítio onde, ele sabia, David ia ter com a francesa.
-Eu encontro-a, Mrs. Wilson. Mas apesar de tudo, acho que esta situação vai continuar a repetir-se…
-O que queres dizer? – A mulher parou, indignada.
-Isto vai voltar a acontecer. Por muitas vezes que lhe devolva a Margarett, ela vai sempre acabar por desaparecer de novo. O David encarrega-se de levá-la uma e outra vez. Conheço-o. Sei que não desiste facilmente.
Dorianne rangeu os dentes, zangada:
-E o que pretendes que eu faça?! Não sou Deus!
-Acho que eles precisam de uma lição! – Murmurou entre dentes.
-Uma lição?!
Jack sorriu:
-Parvoice minha. – Desculpou-se, arrependido por ter dito aquilo – Não desespere, senhora. A sua filha estará em casa até amanha de manhã, eu juro!
-Conto com isso! Não falhes!
Jack acenou com a cabeça obedientemente e despediu-se de Mrs. Wilson. Sentiu um brilho a reluzir nos seus próprios olhos. Esperou que a mulher estivesse longe, para se preparar para encontrar Margarett Wilson.
Antes, porém, procurou Carter e Clide.
Precisava deles.
***
Daisy espreitou a cozinha e depois a sala de estar. Em bicos de pé, rondou a casa toda à procura de segurança.
-Posso sair? – Margarett perguntou, baixinho.
Daisy chamou-a com a mão e esperou-a junto à entrada:
-Vem! Os meus pais ainda não chegaram.
Mag apertou o casaco fino e depois ajeitou a saia rodada:
-Como estou? – Perguntou, nervosa.
Daisy sorriu amigavelmente:
-Estás muito bonita! – Declarou, ajeitando-lhe uma madeixa de cabelo fora do sítio.
Margarett olhou de novo para a roupa que Daisy lhe tinha emprestado para ir ter com David. Uma saia branca rodada com pintas pretas, uma blusa lisa e um casaquinho de malha vermelho. Queria parecer bem quando visse David, daí que as duas tinham passado algum tempo a arranjarem-se uma à outra, também por divertimento.
Daisy suspirou, nervosa, e retirou do bolso uma medalhinha de prata:
-Tem cuidado, Margarett! Não me perdoarei se algo correr mal! – Comentou, acelerada - Toma! – Disse, colocando a medalha na mão da loira – Para te dar sorte.
Mag encarou a medalhinha e exprimiu um trejeito:
-Não posso aceitar. É prata, é demasiado valiosa!
-Esta medalha foi-me oferecida pelo meu avô. – Clarificou a outra - Sempre me deu sorte. Quero que a leves contigo! Devolves quando puderes!
Margarett sorriu, agradecida do fundo da sua alma:
-Muito obrigada, Daisy! Prometo que ta devolvo. – Garantiu, enquanto a colocava no bolso da saia com cuidado. Depois deu as mãos à parceira - Não te preocupes. Eu sei para onde vou, Daisy. Ninguem nos encontra lá, tenho a certeza.
A latina torceu os lábios, inquieta, mas não prendeu Margarett. Sabia que mais tarde ou mais cedo tinha de deixá-la ir.
-Boa sorte!
Margarett abraçou a amiga com força:
-Obrigada pela ajuda, Daisy!
A morena suspirou e abriu a porta de saída. Espreitou a vizinhança e, ao perceber que era seguro, despediu-se de Margarett, acenando até ela desaparecer no fim da rua.
Margarett caminhou em passos vagarosos, para não chamar as atenções. Sabia bem o seu trajeto e a sua vontade de correr era enorme. Não tinha ainda noção se David já estaria à espera dela ou se só iria mais tarde ter à casa, mas em todo o caso, sentiu-se confiante que estaria segura lá. A noite já estava escura, apesar de ainda ser cedo. Um aperto dentro de Margarett estava a fazê-la abrandar o ritmo. Algo lhe dizia que aquele encontro não seria como ela ansiava. A conversa com David ao telefone deixara-a um pouco amedrontada.
Margarett foi capaz de avistar a casa a poucos metros de si. Parou e, depois de engolir em seco, verificou se ninguém a seguia. A rua vazia e negra provou-lhe um arrepio.
Ela, então, atravessou as grades banhadas com ferrugem e correu para a entrada da mansão. Não havia luz lá dentro também. Ela teve de ser cautelosa para não ir contra algo.
-David? – Chamou, após entrar.
Um barulho baixo fê-la assustar-se. Espreitou, para ver se tinha sido algum gato vádio. Pelo contrário. Tinha sido David.
Ele estava a brincar com uma bolinha pinchona na sala, atirando-a contra a parede repetidamente. Parecia alheio à presença dela.
-David!
Apanhado de surpresa, ele deixou cair a bola no chão e virou-se para ela:
-Mag… - Gemeu, numa expressão que não escondia a sua nostalgia.
A jovem correu-lhe para os braços, ansiosa:
-Desculpa o atraso, meu amor! – Lamentou, buscando de alguma forma prendê-lo a si.
David não respondeu de imediato. Deixou que ela enterrasse a cara no ombro dele e o apertasse com força.
-Como estás? – Questionou ele - Ainda tens febre?
Margarett negou de olhos fechados. A sua maior preocupação naquele momento era abraçar David com toda a sua energia:
-Estou melhor. A Daisy cuidou de mim. – Explicou, inalando o perfume dele com saudade.
O gaiato não lhe respondeu de retorno. Encostou o nariz na cabeça dela e ficou a olhar o nada à espera que ela dissesse algo que o animasse. Mas seria difícil. David sentia-se estranho, como se no fundo do poço. Torceu para que Margarett o fizesse relaxar um pouco.
-Finalmente estamos juntos… - Murmurou ela, aliviada - Por momentos tive medo que não viesses. Receei nunca mais te ver…
Margarett esperou uma resposta doce contudo não recebeu nem um suspiro de resposta. Incomodada, abriu os olhos e fitou o namorado:
-A tua voz ao telefone deixou-me insegura. Parecia que nem me querias ver. – Averiguou, triste. Uma vez mais, a menina de França esperou uma resposta em vão. Por muito ansiosa que estivesse, era impossível não reparar na falta de palavras do companheiro. Tal situação incomodou-a a um nível demasiado alto - David? Porque não reages? – Indagou, desencostando-se dele, assustada com a falta de afeto.
O amado nem sequer a olhou de frente. A sua atenção estava séria, mas perdida nos copos de cristal rachados dentro do armário.
As mãos de Margarett sentiram as tremuras dos seus pensamentos. Ela afastou-se de David para tentar ler-lhe o rosto:
-Estás zangado comigo? – Palpitou, receosa - Por causa do que a minha mãe te disse?
David abanou a cabeça na negativa:
-Não, eu não estou zangado contigo! – Ele mirou-a, perturbado, mas rapidamente baixou o olhar de novo – Eu só… Sinto que isto foi longe demais.
-Isto o quê? – Margarett quis saber, temendo que ele se referisse à relação.
-Isto! – Bramou ele, encarando-a por fim, com as orbitas esverdeadas menos cintilantes do que Mag estava habituada - Colocar a tua saúde em risco! Não percebes, Mag? Não está certo!
-Mas eu já estou melhor. – Assegurou ela, agitada - Nao te preocupes!
David calou-se e virou a cara ao lado, apoquentado com a situação. Margarett não queria ver o que estava mesmo à sua frente. Aquilo não terminaria por aí. Haveria sempre algo novo para eles enfrentarem.
-A tua mãe não vai desistir… - Constatou – E mesmo que desista… Pergunto-me qual será o nosso próximo obstáculo…?
Margarett sentiu-se indignada com aquela falta de fé de David:
-Porque estás a dizer essas coisas? – Perguntou, sensível – E o que queres insinuar com “próximo obstáculo”?!
David voltou-lhe costas e caminhou até à janela. Encarou o exterior com desprezo, ignorando que a amante se esforçasse para não lhe dar um murro e fazê-lo acordar para a vida. Ele arfou, desgostoso:
-Parece que há uma força sobrenatural que não nos quer juntos de forma nenhuma e arranja mil e uma maneiras de nos separar… - Averiguou, o mais calmamente que conseguiu e depois atentou na parceira - Olha para ti, Margarett… Estás desfeita que nem uma boneca de trapos. E tudo porque não te querem comigo…
-Isso não é verdade! – Contradisse ela, inquieta.
-É, é sim e tu sabes disso! – Comprovou - Eu só me pergunto… Valerá a pena? Vale a pena quase morreres por mim?
Margarett levantou os braços e deixou-os cair de novo, amargurada:
-Não sejas tolo! – Rogou - Eu estou bem… Foi só uma gripe, por isso não dramatizes. – Tentou explicar, sem se conseguir impedir de gaguejar, devido ao receio - Não compreendo porque estás tão indolente! Parece que estás a renunciar a tudo o que vivemos juntos.
Ele abanou a cabeça, discordando, desanimado:
-Eu só… Sinto-me desmotivado… - Desafogou, melancólico - A tua mãe conseguiu mesmo destruir-me. Ela abalou-me, Mag… fez-me pensar que, se calhar, tu realmente mereces melhor. Eu sei que um dia serei alguém, prometi isso. Mas não sei se tens que sofrer tanto assim.
Margarett não aguentou aquele ponto de vista. Nérvea, deu-lhe um estalo na cara. David nem soube o que pensar.
-Estás a ouvir o que estás a dizer, David?! Sempre lutamos para estar juntos e sempre conseguimos! – Declarou, com um lago de água salgada pendente nas órbitas.
Ele esfregou a face e mostrou-se revoltado:
-Mas porquê tantas pedras no caminho?! Porque não podemos ser como o Eric e a Janice e simplesmente ficar juntos? – Perguntou-se – Algum ser superior trata sempre de nos afastar! Uma força mais poderosa do que nós…
-Então rejeita! – Gritou ela, frustrada - Rejeita essa força! A nossa vontade é muito mais forte que isso! Tu não esperaste 5 anos por mim, sem nunca deixar de me escrever cartas?! Tu não enfrentaste as nossas diferenças para ficares comigo? Não rejeitaste os teus companheiros por mim? - Urrou, empurrando-o pelo peito com raiva - Eu traí o William porque soube que aquela relação não era o certo. O certo somos eu e tu, David! E por muito que nos queiram separados, não vão conseguir! A minha mãe é só mais um obstáculo que temos de pisar! Porque eu sei que vamos ficar juntos. - Mag agarrou-lhe a cara e deixou-se chorar levemente - Eu sei, David! Acredita em mim! - Implorou, desgostosa.
David mordeu o interior da bochecha e encostou a sua testa à de Margarett, combalido:
-Eu acredito em ti.
-Entao acredita também em nós! – Suplicou-lhe a melhor amiga.
David deixou que ela o beijasse ternamente e retribuiu-lhe o gosto. Sem querer, uma lágrima teimosa escorreu-lhe pela pele. Margarett limpou-lha e abraçou-o com todo o corpo a tremelicar:
-Eu amo-te, David… - Declarou ela, chorosa - E nós vamos ficar juntos, eu sei que sim. Nem que tenhamos de fugir os dois! – Ela desencostou-se dele de repente - Vamos fugir, David!
Ele riu-se da ideia, ainda que lhe doesse.
-Oh Margarett… - Sussurrou, consumido. Aquilo era uma ideia louca. Não passariam sequer da fronteira da cidade. Mas, ainda assim, David não podia negar que ela era a sua prioridade no momento e talvez fosse capaz de uma loucura do género. Ele beijou-lhe a testa, ternamente – Eu amo-te…
(musica q me inspirou para esta parte, ainda q a letra não tenha muito a ver aqui(sei q muita gente detesta, mas pronto!
') )Margarett encostou a cara à dele. Roçou o nariz no dele e passou os lábios pela boca dele:
-Eu também, seu tonto… - Disse, limpando o rosto - E não consigo suportar-te assim, tão em baixo. És o meu alicerce, David. Se tu cais, eu caio.
-Desculpa. – Lamentou ele, arrependido – Tu tens razão. Não posso desanimar. – Ele sorriu com easforço, tentando enxotar aquela apatia entre os dois, e entrelaçou os dedos com o cabelo loiro dela– Tive saudades tuas. – Suspirou.
Ela sorriu também e acariciou-lhe o rosto, emocionada:
- Eu também… Mas estou aqui, agora. E sou tua, David… Toda tua. – Garantiu - E ninguém há-de conseguir manter-nos afastados…
David acariciou-a, sem se impedir de desenhar um sorriso leve e apaixonado, ainda que inseguro. Beijou-a ao de leve e logo após correu-lhe os lábios com o seu polegar:
-Eu acredito, minha Rett…
Ela introduziu as mãos por dentro da camisola dele e acariciou-o:
-Então lutas por mim? Lutamos juntos, David?
David acenou com a cabeça, convicto:
-Por ti, até morrer, se for preciso!
Margarett fechou os olhos, com o corpo quente. Aproximou a boca da cara de David e ele beijou-a com maciez. Algo lento e suave.
A jovem libertou-se dele e beijou-lhe o pescoço, percorrendo-o até à orelha com o nariz:
-Faz-me tua esta noite… - Segredou e, antes que David pudesse responder, ela mordeu-lhe o lóbulo lentamente.
Ele gemeu, extasiado com os toques dela. Devagar, tirou-lhe o casaco e atirou-o para cima do sofá empoeirado. Uma sombra no chão, todavia, fê-lo olhar pela janela, suspeito.
-o que foi? – Mag perguntou, olhando na mesma direção que ele.
Reconhecendo que não passara de um fruto da sua imaginação, David desatentou no exterior. Voltou a encarar Mag e largou um beijo na bochecha dela.
-Vamos para o nosso quarto… - Sussurrou o rapaz.
Margarett sorriu perante a denominação dada ao compartimento. Puxou a cara de David para si e beijou-o. Ele correspondeu-lhe, introduzindo a língua no beijo, enquanto lhe desapertava, um a um, os botões da blusa.
Lentamente, arrastaram-se os dois até às escadas e Margarett soltou-o. Deu-lhe a mão, entrelaçando os dedos com os dele, e subiu o lance sem pressa até chegarem ao quarto principal. Ela entrou primeiro e David, a seguir, fechou a porta.
-David… - proclamou Margarett, aconchegando-se nos braços dele – Não me deixes mais…Faz amor comigo… - Pediu, ternamente.
O jovem amante não respondeu verbalmente. Apertou-lhe a cintura com mais pressão e beijou Margarett de uma forma mais fugaz do que as vezes anteriores.
Margarett sentiu um formigueiro no estomâgo. Seria impossível não sentir. O acto de David roubara-lhe o fôlego e o seu coração tinha ficado descontrolado. Ela deixou-se arrastar até ao tocador do quarto, entre beijos longos e intensos. David fê-la sentar-se no pequeno móvel e retirou-lhe a blusa já solta, aproveitando para lhe beijar a pele quente e delicada. Mag estremeceu, sentindo-se sensível aos toques do amado. Arqueou as costas em incitação e puxou-lhe a camisola para lha tirar:
-Porque é que não fizeste logo isto quando me trouxeste cá, antes do baile?
David sorriu e beijou-lhe a testa com doçura.
-Acho que não consigo ser pontual…
Mag passou as mãos pela cara dele e manteve-o quieto para o olhar nos olhos.Contemplou-lhe o tom meio castanho, meio verde com que a iris estava pintada e depois desenhou um sorriso pequeno. Passou o dedo indicador desde o meio das sobrancelhas até à ponta do nariz, sentindo a linha recta perfeita que contornava o perfil do rapaz. David depositou-lhe um beijo rápido na boca e encostou o nariz ao dela, de olhos fechados. Mag manteve-se fixa nele, sentindo-lhe as mãos à procura do fecho do sutiã pálido. Correu as pontas dos dedos pelo peito dele e soltou o hálito à entrada da boca dele, como que um pedido para o receber. Ela sentiu o colchete nas costas desapertado e pressionou-se mais contra o jovem. David massajou-lhe as costas com firmeza, circulando as mãos depois pela cintura dela. Mag entregou-se num pequeno beijo húmido e aproveitou a proximidade de David para cruzar as pernas à volta da anca dele. O rapaz, compreendendo o desejo dela, pegou-a ao colo e, sem desgrudá-la, levou-a para a cama mole, deitando-a com cuidado.
-Adoro a cama de Dossel… - Referiu ela, anestesiada pela massagem dele.
David beijou-lhe os cantos dos ombros, os seios e depois o umbigo. Ela tremeu de ânsia e gemeu, calmamente. David arrastou os lábios até à boca dela de novo e olhou-a nos olhos, deslumbrado.
-Então ela fica…
***
Carter fez um sinal a Jack. A costa estava livre.
No meio da escuridão, Jack e Clide agarraram em garrafões de plástico e avançaram após o consentimento de Carter. Tentando fazer o mínimo barulho possível, despacharam-se na direcção do jardim amplo. Jack pousou os seus pesos no chão, perto da entrada, e pediu aos parceiros que o aguardassem. Silenciosamente, adentrou na casa velha e insegura para confirmar as suas suspeitas.Na sala, viu vestígios de movimento. Um casaco vermelho abandonado no sofá gasto. Ainda pouco convencido aproximou-se da escadaria. Saltou o degrau partido e depois esforçou-se para que a madeira podre não rangesse. O principal objectivo era passar despercebido. Carter e Clide não sabiam ainda o que estavam ali a fazer, já que o líder não os tinha elucidado. Afinal de contas, quantos menos soubessem, melhor para si. Ele alcançou o topo das escadas e olhou em redor. A única porta fechada chamou-lhe a atenção. Tinha de ser ali. Aproximou-se pela calada e, a uns centímetros da porta, pôs os ouvidos alerta. Um murmúrio foi o suficiente. Jack sorriu, ao mesmo tempo que mordia o beiço, e encostou a orelha mais à porta, para se ver livre de qualquer hesitação. Outro bulício se fez ouvir e então ele soube que era a hora “H”. Desceu as escadas o mais rápido que pôde sem fazer barulho e saiu da entrada.
Clide já tinha acendido um cigarro, impaciente pela espera de algo que nem sabia o que era. Talvez se soubesse qual era o plano de Jack nem sequer estivesse ali. Todavia, era Jack a mandar e ele respeitava, tal como Carter.
-Rapazes – Exclamou Jack – Despejem os garrafões!
Clide apagou o cigarro e pegou num dos tais vidões, pronto para os despejar. Carter, por outro lado, cruzou os braços e atentou no parceiro:
-Para que é isto, Jack?
-Não te devo conssentimentos, Carter! Faz o que te digo!
O rapaz não se sentiu convencido:
-Não me quero meter em problemas sérios. Antes de fazer seja o que for, quero saber o porquê de estarmos aqui a esta hora, com vidões cheios de gasolina.
Jack roncou, irritado com a implicância do companheiro. Aproximou-se dele e rangeu os dentes:
-O dono desta casa contactou-me. Quer o terreno limpo! – Explicou, pegando de seguida noutro vidão branco - E mais não digo!
Carter franziu as sobrancelhas. Algo não o convencia. No entanto, Clide já tinha começado a molhar o terreno em volta da casa com o produto inflamável, sendo que já não podia impedir fosse o que fosse. Rendido, pegou noutro garrafão e começou a despeja-lo à entrada do casarão. Jack, mais determinado do que os dois, voltou a entrar na casa e deitou a gasolina no chão de madeira, por todas as divisões do rés-do-chão.
Regressou para o exterior e vendo que os aliados já tinham desvasiado tudo, sorriu e mandou-os afastar-se com um gesto:
-Podemos ir, rapazes. As chamas tratam do resto…
E, dito aquilo, Jack acendeu um fosforo e viu o fogo a acontecer.
***
(musiquinha <3)
Margarett arfou, cansada. O seu corpo deixou-se tombar sobre o de David. O amado, suado e satisfeito, abraçou a jovem por cima de si e beijou-lhe as pontas dos dedos:
-O que vais fazer, quando voltares? – Perguntou, preocupado.
Margarett levantou o tronco e encarou-o:
-Não quero voltar. – Disse, sentindo uma temperatura estranha no oxigénio que respirava.
David sentou-se, com ela no seu colo. Fez-lhe uma caricia no cabelo, sem impedir de desenhar um trejeito.
-Não podemos fugir para sempre, Rett…
Lúcida da constatação de David, Mag pousou a cabeça no ombro dele, rendida. Beijou-lho, paciente:
-Eu não vou fugir. Eu vou enfrentar a minha mãe e o meu pai decerto que ficará do meu lado quando regressar.
-E se ela te tentar fazer mal?
-Não vai! – Negou a jovem, com certeza – Sou mais forte do que ela. E se algo correr mal, tu interferes! – Garantiu, voltando a mirá-lo – E não hesites, ouviste bem, David? Eu conto contigo.
David acenou em afirmação. Estava preparado para o que desse e viesse. Reuniria a cidade inteira para ajudá-lo se preciso fosse. Esticou os lábios em busca de um beijo ao mesmo tempo que apertava a carne de Margarett com as mãos. Ela fez pressão sobre o peito dele para que se deitassem de novo e beijou-o com carinho, certa de que o amava mais do que nunca. Sentiu uma gota de suor a deslizar pelas suas costas esbeltas e isso incomodou-a ao ponto de interromper o beijo.
-Acho que a febre está de volta… - murmurou, aborrecida – Estou cheia de calor.
David franziu as sobrancelhas e tossiu ao de leve. A sua pele estava também a sentir as consequências de uma temperatura que não lhe parecia normal:
-Não… - Respondeu, afastando Mag de si para sentir a verdadeira temperatura do ar – Ou me apegaste essa febre ou de facto algo está errado. Este ar está irrespirável.
Ele levantou-se desconfiado e deu por si a tossir sem se conseguir conter. Algo tinha despertado os seus pulmões de forma negativa. Ele ignorou o calor e vestiu a parte inferior da sua indumentária para ver se algo se passava. Mag enrolou-se nos lençois em seu redor e aproximou-se da janela para abri-la, do mesmo modo que David abriu a porta do quarto e desceu alguns degraus das escadas. Não foi possível saber qual dos dois se apercebeu primeiro das chamas a consumirem tudo em seu redor, porém, o fogo estava com pressa de alcança-los. Margarett deu um grito de pânico e agarrou-se a David, com medo.
-Margarett, está tudo a arder! – Gritou ele.
O rapaz tapou a boca e o nariz com o braço e agarrou a namorada:
-Veste-te! – Imperou, nervoso.
Margarett vestiu a saia atrapalhada e depois colocou a camisa sem sequer a fechar. David nem se deu a esse trabalho. Pegou na sua camisola e usou-a para tapar as vias respiratórias de Margarett daquele fumo negro, empurrando-a à sua frente. A rapariga hesitou, ao ver uma onda de labaredas a atirar-se na sua direcção. David engasgou-se com o fumo e empurrou-a para que não ficassem ali presos. Pegou nela ao colo e passou as chamas que lhes impediam já a passagem. Margarett soltou-se para correrem os dois, porem, ao alcançarem o hall da entrada, ela travou-se, em relutância. Apalpou todos os bolsos da saia emprestada em busca de algo. David não compreendeu porque motivo ela tinha parado antes de escapar do fogo.
-Mag, anda! – Berrou o rapaz, puxando-a pelo pulso.
-Eu não posso! A medalhinha!
Estavam quase a passar da porta para fora quando ela se soltou, determinada a voltar para trás:
-Eu tenho que a devolver à Daisy!
-Não! – David agarrou-a antes que ela tentasse subir as escadas – O fogo está a alastrar-se!
Mag negou com a cabeça e voltou a soltar-se:
-Eu sou rápida, juro!
David prendeu os lábios, nervoso, e impediu-a de subir:
-Vai para fora, eu vou buscá-la!
Margarett quis negar, quis que ele saísse da casa primeiro, mas David foi mais rápido do que ela e saltou os degraus decomposto para subir até ao quarto. Margarett tapou o nariz, tossindo desalmadamente e por muito que não quisesse, teve de sair para o exterior da mansão.
Tossiu todo o fumo que conseguiu e tentou inalar algum ar puro no meio daquela intoxicação. Quando finalmente conseguiu controlar-se, contemplou o casarão em chamas e o pânico sobrepôs-se a todo o controlo que ela tinha conseguido manter até ali. Pensar que David ainda estava lá dentro deu-lhe uma assombração.
-David! – Gritou, desesperada.
Num rasgo de coragem, ela tentou entrar de novo na casa para ir ter com ele, no entanto, a entrada estava consumida pelas flamas. Ela sentiu as lágrimas a pingarem pelo medo:
-David!
O rapaz tinha acabado de entrar no quarto. O seu oxgénio já estava nas últimas porções e os olhos ardiam-lhe por causa do fumo. Ele baixou-se no chão, à procura da tal medalha. Felizmente, deu com ela num abrir e fechar de olhos. Estava debaixo do tocador. Apanhou-a e tossiu, tonto, determinado a sair dali o quanto antes. Levantou-se, cambaleando o quanto pôde por entre o lume, arfando já sem controlo nas vias respiratórias. A sua visão desfocada encontrou as longas escadas velhas e ele pôde perceber que, se não se despachasse, não ia conseguir descê-las. Cauteloso, pisou os primeiros degraus, ofegante. Voltou a tossir sem ar e agarrou a garganta latejante. Esse desespero fê-lo acelerar a fuga, todavia, uma viga de madeira a arder caiu uns degrau à sua frente impedindo-lhe a passagem. David teve um vislumbre do rosto de Margarett na sua mente e a sensação de sufoco fê-lo desequilibrar-se quando a madeira podre do degrau que pisou se quebrou. Ele tentou erguer-se, sem grande sucesso. Escutou uma sirene dos bombeiros mas, já sem controlo, desmaiou.
---
Bom, Ainda nem começei a escrever o proximo
Vamos ver como corre! até à próxima!bjokas
as minhas fic's:
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
-Angelical
Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
-Angelical
Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^
Ah Lulu, agora entendes a minha frustração quando escrevo 
E agora também sinto a vossa exasperação sempre que vemos um autor a postar um capitulo muito bom, mas sem a aprovação total deste.
Ok, eu entendo o que esperavas do capítulo mas, para ser honesta, nem eu conseguia melhor. Demonstraste bem os pensamentos da Dorianne, a saudade da Maggie e a impotência de David no meio desta mixórdia toda que acontece à volta dele e da Maggie. Realmente, depois de tanta coisa uma pessoa fica desanimada. Até fiquei a pensar que eles podiam não ficarem juntos, contanto que ficassem "felizes", se é que me entendes. Seria trágico, mas um bom final à mesma.
Acredita, quando o Jack disse que precisava de ajuda julguei que eles fossem espancar o David.
Mas enganei-me (nem me lembrei do titulo do capítulo. Achava que isso era outro tipo de chama entre a Maggie e o David
). E tudo por causa de um medalha que não vale nada em comparação a uma vida. Acho que, naquela confusão, a Maggie nem teria reparado na medalha. Mas penso que precisavas mesmo de um motivo para o David ficar atrás... afim de o poderes matar...
Agora quero ver como isto acaba. O que vai acontecer? Será que a Dorianne, no meio daquela confusão, apanha a Maggie a arrasta-a para casa pelos cabelos? Será que o David morre? Ou será que ele fica que nem o Harvey Dent? E já agora, será que a Dorianne vai ganhar miolo na cabeça gananciosa e mandar prender o Jack (acabando por se lixar, mas deixemo-la ignorar esse promenor
) por quase lhe ter morto a filha. Tenho que dizer, se a forma de ele assustar o casal era queimar a casa onde os jovens.... copulavam, por isso dizer
, havendo o risco de um deles sufocar com os fumos ou até mesmo morrer esmagados, então esse rapaz devia ser internado num hospício. Porque uma mansão velha daquelas tem a madeira toda podre, que arde mais facilmente e a estrutura destrói-se como um castelo de cartas. Já foi uma sorte eles terem conseguido sair (se ignorarmos a medalha, bem que podemos dizer que o David saiu da casa a tempo com a Maggie).
Enfim, adorei este capítulo
. Gostei da música do Pedro Abrunhosa e a dos Sum 41 eu já conhecia. É das minhas favoritas
Espero pelo próximo capítulo. Oxalá seja postado antes do fim das férias.... (que para mim começaram a 27 de Julho e acabam a 1 de Setembro
)

E agora também sinto a vossa exasperação sempre que vemos um autor a postar um capitulo muito bom, mas sem a aprovação total deste.
Ok, eu entendo o que esperavas do capítulo mas, para ser honesta, nem eu conseguia melhor. Demonstraste bem os pensamentos da Dorianne, a saudade da Maggie e a impotência de David no meio desta mixórdia toda que acontece à volta dele e da Maggie. Realmente, depois de tanta coisa uma pessoa fica desanimada. Até fiquei a pensar que eles podiam não ficarem juntos, contanto que ficassem "felizes", se é que me entendes. Seria trágico, mas um bom final à mesma.
Acredita, quando o Jack disse que precisava de ajuda julguei que eles fossem espancar o David.
Mas enganei-me (nem me lembrei do titulo do capítulo. Achava que isso era outro tipo de chama entre a Maggie e o David
). E tudo por causa de um medalha que não vale nada em comparação a uma vida. Acho que, naquela confusão, a Maggie nem teria reparado na medalha. Mas penso que precisavas mesmo de um motivo para o David ficar atrás... afim de o poderes matar...
Agora quero ver como isto acaba. O que vai acontecer? Será que a Dorianne, no meio daquela confusão, apanha a Maggie a arrasta-a para casa pelos cabelos? Será que o David morre? Ou será que ele fica que nem o Harvey Dent? E já agora, será que a Dorianne vai ganhar miolo na cabeça gananciosa e mandar prender o Jack (acabando por se lixar, mas deixemo-la ignorar esse promenor
) por quase lhe ter morto a filha. Tenho que dizer, se a forma de ele assustar o casal era queimar a casa onde os jovens.... copulavam, por isso dizer
, havendo o risco de um deles sufocar com os fumos ou até mesmo morrer esmagados, então esse rapaz devia ser internado num hospício. Porque uma mansão velha daquelas tem a madeira toda podre, que arde mais facilmente e a estrutura destrói-se como um castelo de cartas. Já foi uma sorte eles terem conseguido sair (se ignorarmos a medalha, bem que podemos dizer que o David saiu da casa a tempo com a Maggie).Enfim, adorei este capítulo
. Gostei da música do Pedro Abrunhosa e a dos Sum 41 eu já conhecia. É das minhas favoritas
Espero pelo próximo capítulo. Oxalá seja postado antes do fim das férias.... (que para mim começaram a 27 de Julho e acabam a 1 de Setembro
)
Espero por ti em cada segundo , porque tu és o meu mundo!

Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
Visitem a minha 1ª Fic ----->The Four elements

Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
Visitem a minha 1ª Fic ----->The Four elements
Oh Catarina... estava a ver q nunca mais postavas... Até já nem m lembrava como tinha acabado o ultimo capitulo 
Gostei imenso deste capitulo. Continuo a odiar a Dorianne, e mais ainda o Jack por ter deitado fogo à futura casa da Mag e do David.
Acho q fizes-t um bom final, e conseguiste ter um bom motivo pr separares os namorados, e acontecer algo tragico
Tenho pena q a casa s queime toda, e lá s vai a cama de dossel!
Já agora, não mates o David... Desconheço o q vais escrever no próximo capitulo, as vezes ponho-me a imaginar, mas agora não consigo, só peso pr não matares o David!
Não demores muito a postar o ultimo capitulo... POR FAVOR
P.S- Não sei porque q não consegui ver quais eram as tuas musica!

Gostei imenso deste capitulo. Continuo a odiar a Dorianne, e mais ainda o Jack por ter deitado fogo à futura casa da Mag e do David.
Acho q fizes-t um bom final, e conseguiste ter um bom motivo pr separares os namorados, e acontecer algo tragico

Tenho pena q a casa s queime toda, e lá s vai a cama de dossel!
Já agora, não mates o David... Desconheço o q vais escrever no próximo capitulo, as vezes ponho-me a imaginar, mas agora não consigo, só peso pr não matares o David!

Não demores muito a postar o ultimo capitulo... POR FAVOR

P.S- Não sei porque q não consegui ver quais eram as tuas musica!

Hello! 
Bem, acho que os comentários anteriores ao meu já disseram tudo.
Acabei por me surpreender um pouco com a Dorianne, pensei que ela só se importasse com dinheiro, mas aparentemente amava o marido. Já que grande parte da amargura que sente vem daí, eles deviam tentar resolver as coisas. No fundo a culpa foi de ambos, não é suposto uma criança destruir um casamento.
Se o Jack só pretendia assustá-los, realmente há algo de muito errado com aquele rapaz...., devia saber perfeitamente que aquilo podia acabar com a morte de alguém.
Não me parece que o David morra, mas nunca se sabe...
Por momentos lembrei-me do conde de Monte Cristo, lol, mas acho que a história não irá por aí.
Espero pelo próximo.
Beijinho*

Bem, acho que os comentários anteriores ao meu já disseram tudo.
Acabei por me surpreender um pouco com a Dorianne, pensei que ela só se importasse com dinheiro, mas aparentemente amava o marido. Já que grande parte da amargura que sente vem daí, eles deviam tentar resolver as coisas. No fundo a culpa foi de ambos, não é suposto uma criança destruir um casamento.
Se o Jack só pretendia assustá-los, realmente há algo de muito errado com aquele rapaz...., devia saber perfeitamente que aquilo podia acabar com a morte de alguém.
Não me parece que o David morra, mas nunca se sabe...
Por momentos lembrei-me do conde de Monte Cristo, lol, mas acho que a história não irá por aí.
Espero pelo próximo.
Beijinho*
Voltei! 
Demorou, mas finalmente consegui terminar o capitulo. Agradeço-vos do fundo do coração a vossa disponibilidade para comentar e como paga, este capitulo é maior do que o costume.
Deixo também umas imagenzinhas da época no final para recordar alguns pormenores dos anos 50!
Enfim, espero que gostem!
Há momentos na vida em que os acontecimentos ocorrem num flash. Num segundo, tudo está bem, talvez até perfeito. Perfeito demais. E, de repente, uma bomba explode á frente dos próprios olhos. Os sentidos deixam de funcionar. Não se ouve, não se vê, não se cheira, não se respira. Mas, pior que isso, não se tem noção da gravidade do acto mais inofensivo. Pode-se gritar, mas é impossível pedir a uma pedra atirada que volte atrás.
Loretta Wells entrou em casa esbaforida. Pendurou o casaco azul celeste no bengaleiro, descalçou-se e largou a bolsa de verniz na mesa de entrada. Não sabia ainda o que pensar no entanto era seu dever, enquanto mãe, informar a filha das novas da cidade. A notícia não era boa para a jovem que nos últimos tempos andava mais sossegada do que era de esperar. Loretta tinha receio da reação da jovem.
-Brittany! – Chamou, rezando para que a jovem tivesse ido a casa de alguma amiga.
-Estou na sala! – Respondeu a rapariga, para desagrado da mãe.
Loretta amaldiçoou-se por tal azar. Teria de ser ela a dar a notícia.
Caminhou até à sala, sem sossego e sentou-se no sofá em frente à filha, que lia uma revista juvenil, alheia à presença da mãe.
-Querida… - murmurou.
Brittany levantou o olhar, desconfiada. O tom da mãe sugeria algo pouco bom.
-O que se passa?
A mais velha tossiu em seco e juntou as mãos à frente dos joelhos, nervosa:
-Sabes aquela casa… aquela mansão, na zona sul, que estava abandonada?
Brittany assentiu com a cabeça:
-O que tem?
-Ela foi incendiada. – Anunciou a mais madura - Fogo posto, ao que parece. Se já restava pouco da mansão, depois desta noite, muito menos resta. As chamas consumiram tudo…
O abalo retratado nos olhos de Mrs.Wells continuava confuso para Brittany. Ela pousou a resvista ao seu lado e franziu as sobrancelhas:
-E o que é que isso nos interessa?
Loretta levou os dedos ao cano do nariz e apertou-o:
-Ao que parece não estava vazia.
Brittany arregalou os olhos, assustada e, simultaneamente, curiosa:
-Quem estava lá?
-O teu amigo, David Paisen…
Os bombeiros tinham sido alertados pelos vizinhos mais próximos. Chegaram lá em pouco tempo, todavia atrasados na perspectiva de Margarett Wilson.
Ela não se lembrava do porquê de ter feito aquilo. Querer voltar para trás por causa de um estupido objecto. Ao perceber o que tinha feito, tinha tentado entrar de novo, porém os seus sentidos traíram-na e ela nem conseguiu passar a porta de entrada. A única coisa que se sentiu capaz de fazer foi gritar com todas as suas forças para chamar David. Mas a única resposta que recebia era o som das flamas. O seu coração começou a palpitar num tom que a levava a crer que ia ter um ataque cardíaco. Começou a tremer em pânico, a chorar sem sequer conseguir ver um palmo à frente dos olhos. Caiu no chão, atarantada e, sem saber o que fazer, fletiu os joelhos em frente ao peito e enterrou a cabeça nos braços, balançando horripilada. Nem a sirene dos bombeiros foi capaz de escutar. Só se apercebeu da presença deles quando jatos de água lutaram contra as chamas e um voluntário aproximou-se dela tentanto perceber o que tinha acontecido. Ela só conseguiu dizer que havia uma pessoa lá dentro.
-Ah!
Uma mão firme e dura acertou-lhe na face com força, fazendo-a virar a cara para o lado sem querer. Cerrou os punhos, exasperada. Afastou o cabelo da frente dos olhos aquosos e fitou a mãe com raiva, deixando-se chorar:
-Bata-me de novo! – Gritou, irritada.
Dorianne não percebeu se o tom de Margarett era de ameaça ou se ela de facto queria levar uns bons açoites pelo que fez.
Virou-lhe costas, então. Estranhamente, não queria castiga-la. O estado da filha não era merecido por ninguém. Mrs. Wilson apenas lhe deu um estalo para que a rapariga abrisse os olhos e não voltasse a pôr-se numa situação assim. Só Deus sabia o alívio que sentiu por saber que a filha não tinha sido vitimada pelo fogo.
-Vê bem no que a tua rebeldia deu. Já pensaste que se te tivesses mantido em casa, nada disto teria acontecido?
Margarett chorou por concordar. A mãe tinha razão, mas isso não lhe dava menos raiva em relação à progenitora.
-Se não tivesse saído de casa quem estaria… - Ela não acabou a frase e soluçou, furiosa – A culpa foi sua! – Acusou - Por me impedir de viver a única coisa em que acredito nesta vida!
Dorianne negou com a cabeça, considerando a filha mais estúpida do que qualquer outro ser:
-Idiota… Dás tudo por um rapaz que …
-Que deu a vida por mim! – Interrompeu a jovem com um berro, num lacrimejar histérico – Mãe, ele salvou-me a vida! Eu é que ia voltar para trás! – Constatou, destroçada - Eu!
A mulher nem sequer sabia o que lhe responder. Como havia de desdenhar tal coisa? Calou-se, simplesmente, escutando apenas o choro incessante da mais nova.
-Diga-me… – Bramiu a jovem – Teve alguma coisa a ver com isto?!
Dorianne olhou-a, chocada:
-Nunca! Nunca colocaria a tua vida em risco desta forma!
Margarett abanou a cabeça na negativa. Olhou as mãos sujas pela terra e pelas cinzas e fungou.
-Mentirosa… - soluçou – isto tem a sua marca. Esta maldade, esta obcessão!
-Eu não fiz nada!
Dorianne calou-se. Viu a filha a sentar-se no chão, incontrolada. Só era possível perceber-lhe o pranto. No meio desse vislumbre, Dorianne, porem, esbugalhou os olhos, com uma reflexão em mente.
Jack.
Atarantada, levou a mão à testa e sem dizer uma palavra à filha saiu de casa.
Dirigiu-se em passos rápidos à taberna em que costumava encontrar Jack. Não era um local bem frequentado. Todos os velhos bêbados da cidade e os jovens marginais se encontravam lá. Ver uma mulher de classe um pouco mais elevada já era motivo para vaiar, mas naquele momento isso não afligia a mente suja de Dorianne.
Ela entrou na taberna como um furacão. Nenhum dos presentes teve uma reacção imediata àquela entrada estrondosa. O olhar de Dorianne era tão mortal quando as chamas do incêndio e talvez por isso ninguém tenha ousado assobiar à mulher. Ela percorreu o olhar por todo o estabelecimento e não vendo rastos do jovem que buscava, aproximou-se do balcão para falar ao proprietário:
-Jack Dawnson! Viu-o?
O homem fedia a catinga. Envergava uma camisola sem mangas que permitia ver com nitidez todos os pormenores dos seus sovacos peludos e húmidos. Ele sorriu, libertando um bafo alcoólico eminente:
-E quem deseja saber?
Dorianne bateu no balcão, irritada:
-Não brinque comigo, meu caro. Em dois tempos acabo-lhe com o negócio e ponho metade dos seus clientes e você na cadeia! Portanto, diga-me onde encontro o Jack, ou teremos sérios problemas!
O dono soltou uma gargalhada trocista, enquanto limpava as mãos negras a um pano roto.
-Calma, Madame! O Jack saiu daqui há menos de meia hora. Pelo que percebi foi ter com o amigo, aquele outro, o tal Carter.
Dorianne pegou num pequeno rolo de notas e entregou-o discretamente ao homem:
-Onde os encontro?
O homem sorriu, satisfeito pela oferenda. Num guardanapo, escreveu uma direcção e entregou-a a Dorianne. A senhora abandonou a taberna e seguiu as indicações.
Foi dar com Jack num bairro nos subúrbios da cidade. Encostado a uma vedação de arame farpado, discutia com outros dois que pareciam impacientes com ele.
-Estou-te a dizer, isto vai dar errado! – Advertiu o mais alto, nervoso.
Jack trincou uma palhinha sem grande preocupação e virou a cara para observar o horizonte, mais calmo do que qualquer pessoa, ainda que impaciente. Foi quando reparou em Dorianne. Intrigado, desencostou-se da vedação e deixou de prestar atenção aos parceiros, caminhando na direcção da mulher:
-Mrs. Wilson! – Cumprimentou, com o mesmo sorriso irónico de sempre.
Dorianne apressou o passo até alcança-lo:
-Diz-me que não tiveste nada a ver com o incêndio!
Jack, pela primeira vez, viu-se sem resposta. A forma directa de Dorianne o encarar era desconcertante.
Um pouco atrás dele, Carter bateu o pé no chão, furioso:
-Seu cretino! Eu avisei-te!
Jack olhou-o por cima do ombro e, com um só gesto, ordenou-lhe que se calasse.
Sabendo que não tinha como enganar Mrs. Wilson, cruzou os braços:
-Devia estar feliz. Dei uma lição aos pombinhos.
Dorianne cerrou os dentes e, tal como faria se o rapaz fosse filho dela, deu-lhe uma valente bofetada na cara. Jack sentiu-se uma criança novamente, como quando os pais rigorosos o castigavam. Levou a mão à vermelhidão do rosto e fitou a mulher.
-Puseste a vida da minha filha em risco. E isso, rapaz, eu não te permiti! Nem sequer ao miúdo. Passaste os limites.
Jack não respondeu. Ficou a olhar a mulher, tentando lançar-lhe um olhar tão mortífero quanto o dela. Mas nesse aspecto, sentiu-se bem mais fraco que Dorianne. Ela possuía uma força descomunal na maneira de o fixar.
-Nem tudo teve a ver consigo. – Informou, raivoso - Foi pessoal!
-Foi estupido! – Gritou Dorianne, consumida – Destruiste uma casa e puseste em jogo duas vidas!
Jack agarrou a coxa do braço de Dorianne e apertou-a com brusquidão, possesso com o autoritarismo dela:
-Devia estar-me grata, mulher do Diabo!
-Grata?! – Indagou, soltando-se da mão de Jack - Grato devias estar tu por eu não te acusar, a ti e a esses teus parceiros! – Exclamou, olhando Carter e Clide acusatoriamente – Façam um favor a vocês mesmos e abandonem a cidade o quanto antes. Esta história terminará por aqui.
Clide olhou o companheiro, rendido. Era uma oportunidade que estavam a receber. Sair da cidade em liberdade e nunca mais pensar no que fizeram. Jack, porém, não parecia convencido:
-Quem me garante que se eu abandonar a cidade ou até mesmo o Estado, a policia internacional não irá atrás de mim?
-Eu! – Dorianne respondeu. Abriu a carteira e de lá retirou um maço de dinheiro. Sabia o risco que corria por ter aquela pequena fortuna na bolsa, mas decidiu corrê-lo. Contou uma boa quantia e entregou a Jack:
-Quero que te vás embora. Para teu bem e também para o meu. Sei, neste momento, que se o teu nome vier à baila por conta deste crime, eu serei também julgada. Parte daqui e nunca mais recordes o que aconteceu e que me conheceste. Dou-te bastante dinheiro para que te vás. Tu e os teus amigos.
Jack ficou um minuto a reflectir, enquanto observava a mulher. Dorianne era uma caixa de surpresas.
-Pois bem, nós partiremos. – Rendeu-se - Mas antes disso, Mrs. Wilson, não julgue que o que eu fiz foi mau. A sua filha não é nenhuma santa.
Dorianne Wilson estreitou as sobrancelhas, zangada. Jack, prossegiu:
-Não se questionou porque motivo estava ela naquela casa com David? – O delinquente sorriu pela falta de reflexão da mulher – Parece-me que a sua menina já provou o fruto proibido…
Por detrás do silêncio de Dorianne, Jack sentiu um grito estridente dentro dela. A mulher virou costas, sem se despedir, e afastou-se.
***
-Esta noite recebi dois telefonemas... – Murmurou uma voz apática - Ambos por causa de saúde… O primeiro foi do hospital. Disseram-me que David tinha sofrido um grande acidente, devido a um incêndio. No início julguei que fosse brincadeira, mas assuntos assim não são de se brincar. O meu choro foi imparável. Não compreendia o que tinha acontecido. Vesti-me, limpei a cara e, com o meu marido, preparei-me para sair de casa. Mas, no preciso momento em que abria a porta, recebi o segundo telefonema. Desta vez era de mais longe. Era a mimha filha, Vicky. Estava tão radiante e ao mesmo tempo assustada. Tinham-lhe rebentado as águas e ela estava prestes a entrar em trabalho de parto. Escutei-lhe as lágrimas de alegria e medo pelo telefone e não fui capaz de travar o meu próprio choro que se misturava entre o horror pelo meu filho e a felicidade pela minha filha. A Vicky queria que eu fosse ter com ela. Queria que eu estivesse lá quando o bebé viesse ao mundo. Então eu chorei ainda mais. Porque eu não soube para que lado me virar. Quis-me dividir em duas, mas não sou capaz desse feito. Então tive de escolher.
Grace Paisen levou o lenço bordado aos olhos e limpou as lágrimas grossas, desconsolada. Ainda não sabia se tinha feito a coisa certa. Vicky ficara muito magoada quando a mãe se negou ajudá-la no parto, dando-lhe apenas dicas para aguentar as contrações, sem se justificar pela sua falta de disponibilidade.
-Pergunto-me se este é o modo de Deus manter o equilíbrio. Fazer uma nova vida nascer, e tentar levar outra embora.
Uma senhora já de idade escutara o desabafo de Grace. Sentadas na sala de espera do hospital, as duas desconhecidas lacrimejavam por causa da má sorte da mãe de David.
Um médico surgiu perto das duas e leu uma ficha, com um ar nitidamente cansado:
-Mr. e Mrs. Paisen?
Grace levantou-se e o marido, que se tentara acalmar a fumar no exterior, aproximou-se. Os dois atentaram no médico, expectantes:
-Por favor, queiram seguir-me.
Grace limpou o rosto no lencinho e seguiu o médico pelo corredor:
-Como está ele, doutor? – Inquiriu Mr. Paisen.
O médico suspirou e depois começou a folhear as suas notas:
-O seu filho sofreu queimaduras de 1º e 2º grau. As chamas não o atingiram de um modo tão directo como era de se esperar, graças ao resgaste rápido dos bombeiros, sendo que os piores danos foram causados pelo calor e não pelo fogo em si. As zonas mais atingidas foram as costas, pois estavam mais expostas, no entanto, o David apresentou-se com uma fractura na perna direita. – Explicou - Ainda assim, ele foi claramente mais afectado pelos gases tóxicos. Está, por conseguinte, a receber oxigénio a 100%. Entretanto, iremos manter a observação.
O médico parou em frente a um quarto isolado. Os restantes pacientes ficavam num salão, onde as camas eram divididas apenas por cortinas, mas por algum motivo, David ficara à parte.
Grace sentiu-se tonta como se fosse desmaiar. Não tinha força suficiente par ver o estado do filho. Uma enfermeira mandou-a desinfetar-se e colocar uma mascara de protecção, devido aos micróbios que podiam infetar as queimaduras do filho. O seu conjuge fez o mesmo.
-Ele está com imensas dores. – Murmurou a enfermeira, abrindo a porta do quarto – Demos-lhe um analgésico.
O pai do rapaz assentiu, agradecido. Grace adentrou no pequeno quarto isolado e a sua primeira reacção foi tapar a boca com as mãos, num pranto comovido:
-Oh, o meu menino! – Chorou, trémula da cabeça aos pés.
Mr. Paisen mordeu o punho, triste. Para piorar, o carpido da esposa era de tal dor que ele nem sabia como a socorrer. Grace correu para a beira da cama de ferro branca, soluçando destroçada.
David estava num estado que metia dó até a um gato atropelado. A perna, engessada, estava suspensa no ar, presa por uma simples fivela de pele. O tronco parecia o de uma mumia, enrolado em ligas de gaze.O rosto estava tingido de vermelho e roxo, devido às queimaduras, e um curativo pequeno a testa fazia-se notar acima dos seus olhos fechados. Para finalizar, uma máscara de oxigénio estava agarrada à cara dele.
-Oh, meu filho! – Grace tentou pegar-lhe a mão mas percebeu que, se o fizesse, o rapaz sentiria a dor da queimadura na pele. Por essa razão, limpou as lágrimas destroçadas, sem saber o que fazer, e passou a mão pelo cabelo chamuscado do rapaz – Como é que isto aconteceu?
Mr. Paisen aproximou-se do filho e encarou-o, com o sofrimento estampado no rosto.
Talvez tivesse sido o choro alto de Grace, ou talvez David estivesse acordado desde sempre. O facto foi que o jovem pestanejou devagar, logo após um gemido. Grace travou o choro para escutá-lo.
-David? – Falou a mulher, consumida.
O seu rapaz tentou abrir os olhos, mas parecia estar com dificuldade. Quando levantou suficientemente as palpebras fitou a mãe e logo após virou as orbitas na direção do progenitor, sem se mover um milímetro que fosse. Quis falar, no entanto a máscara de oxigénio abafava-lhe a voz rouca e fraca.
-Não te canses, filho. - Disse Mr. Paisen - Dorme e descansa. Estás muito fraco ainda…
No entanto, David parecia ter uma enorme ânsia para dizer algo. Ao perceber que o simples movimento de lábios era doloroso, porém, ele inspirou com algum custo e voltou a fechar os olhos, sentindo-os ardentes. Grace deu um beijo na testa do filho e fez-lhe caricias no cabelo, esperando que ele adormecesse. Depois olhou o marido e esforçou-se para não chorar mais.
-Temos que ver a Vicky… - Relembrou ela.
-O David ficará bem sem ti durante umas horas, minha querida. Além disso, o médico não quer que estejamos muito tempo por aqui. O David precisa de reestablecer forças.
Um pouco contrariada, Grace assentiu. Mirou o filho e deu-lhe um beijo de despedida na testa. Mr. Paisen fez o mesmo e depois levou a mulher pelo cotovelo para fora do quarto:
-Sorri um pouco, querida. Agora vamos conhecer o nosso netinho…
***
No Lili’s Diner, o ambiente estava parado naquela tarde. Talvez porque as serventes que interessavam estavam de férias e daí que se juntasse menos gente no estabelecimento. Ainda assim, Tom e Rick tinham marcado de se encontrar lá com William. Todavia, os sussurros entre eles eram inevitaveis devido ao escândalo que assombrava a cidade.
Tom, impaciente, esguelhou por cima do ombro, verificando se William já tinha chegado.
-Será que ele já soube? – Questionou-se Rick, batendo com os dedos no tampo da mesa.
Tom encolheu os ombros. A sineta da porta tocou. Era ele. William parecia indiferente, talvez até bem-disposto naquela tarde. Foi fácil deduzir que ele ainda não estava a par das novas da cidade. Rick pegou no jornal do dia e pousou-o ao seu lado, no banco, para que William não reparasse de imediato na notícia da primeira página.
-Desculpem o atraso, rapazes! – Exclamou, sentando-se rapidamente ao lado de Tom – já pediram?
Rick coçou o nariz:
-Sim, já.
William acenou à servente:
-Um batido de morango, por favor!
A mulher acenou afirmativamente e ele encarou as caras de caso dos amigos. O aspecto dos amigos era um tanto anormal. Will franziu o sobrolho:
-O que se passa?
-Pensavamos que já soubesses… - Referiu Rick, colocando o jornal de novo em cima da mesa.
William puxou-o para si e leu a notícia de abertura. No início não compreendeu o que a foto daquela velha casa lhe podia interessar, mas bastou-lhe começar a ler o texto para se dar conta da gravidade da situação.
-O que raio aconteceu?! – Indagou, perplexo -Isto é verdade?!
-O David está no hospital, gravemente ferido… - Anunciou Tom.
-Já a Margarett saiu ilesa. Está por casa, a receber cuidados da mãe.
-Cuidados da mãe?! – William alarmou-se com o relato de Rick – Isso é uma estupidez. Ela devia estar com a… - Ele calou-se. Daisy havia referido que Margarett queria ver David o quanto antes. Provavelmente na noite anterior ela tinha-a deixado ir encontrá-lo.
Por alguma razão, o rapaz sentiu remorsos pelo sucedido e aquelas dúvidas incessantes inquietaram-no. Ele levantou-se da mesa tão depressa como se sentou e fez um sinal à servente para cancelar o batido:
-Decsulpem, rapazes. Eu tenho que saber o que aconteceu!
Os outros dois tentaram responder, supresos com o interesse do Finkie, todavia, não foram capazes. Ele já tinha ido.
William saiu do Lili’s Diner com pressa, com três destinos em mente: O hospital, a casa de Margarett e a casa de Daisy. Não sabia qual seria o primeiro, todavia, com certeza que no momento o mais importante seria ver David. Correu para o hospital, então.
Não pode deixar de reflectir naquilo. Há pouco mais de dois meses rir-se-ia se lhe dissessem que no futuro iria visitar David ao hospital, com medo que algo lhe acontecesse. Provavelmente teria troçado e dado graças a Deus por o rival aprender uma lição, mas agora não era assim. Sabia quais as consequências disso e David não merecia. Muito menos Margarett.
Ele entrou no centro hospitalar, agitado, e dirigiu-se à recepcionista:
-Paisen, David! – Exclamou arfante – Como está ele?
-Calma, senhor. – Pediu a idosa que checava os pacientes – Não vou poder deixá-lo entrar agora. O horário de visitas é curto!
William resmungou para si mesmo e afastou-se irritado. Espreitou pelo corredor de acesso ao pacientes, tentado a avançar. Olhou de um lado para o outro até verificar se alguém estava a tomar conta dos seus gestos. Vendo o caminho livre, então, deu uma pequena corrida, derrapando a meio do caminho, quando se cruzou com Daisy.
-Daisy! – Exclamou, desajeitado.
A rapariga virou-lhe a cara ao lado, lavada em lágrimas. William percebeu que ela já tinha visto David e provavelmente a situação dele não era bonita.
-Como está ele? – Perguntou, sem saber se devia dar prioridade ao estado de Daisy ou se devia preocupar-se primeiro com o rapaz.
A jovem encostou-se à parede, com a cara tapada pelas mãos. O choro dela era silencioso, no entanto, os soluços e a respiração abafada eram difíceis de esconder.
-Daisy?
William sentiu-se um idiota. Ver Daisy naquele estado era quase tão mau como ver todas as margaridas de um jardim a serem arrancadas. Ele ruboresceu, sem saber o que lhe dizer. Num acto de ousadia, agarrou-lhe os pulsos, tentando que ela destapasse a face para que ele a pudesse olhar e entender o que se passava. Ela abanou a cara e encolheu-se.
Will franziu os lábios, incomodado e, baixinho, tentou compreendê-la:
-O que aconteceu, Daisy? – Perguntou e ergueu-lhe a face com as mãos, até ela o olhar - Sentes-te…?
-A culpa foi minha! – Os soluços escaparam-lhe por entre o choro e William não teve tempo de se inquirir pois a arapariga, livre de constrangimentos, abraçou-se a ele, com a cara enterrada no seu peito.
William sentiu-se estranhamente imobilizado com aquele abraço. Não soube o que dizer à amiga. Sem jeito, envolveu-a nos seus braços, sem a apertar.
-Perdoa-me, William! – Chorou a latina – Eu não devia ter deixado a Margarett sair de casa… - Constatou, ainda mais trémula – Eu… Eu sou a culpada.
-Daisy, tu não tiveste culpa. – Tranquilizou William, inseguro das suas palavras - Eles iam acabar por se encontrar a qualquer momento.
Daisy agarrou-lhe os braços e afastou o restanto corpo dele para encará-lo:
-O David voltou para trás por minha culpa! – Lacrimejou, desconsolada – Quando o fui ver, ele ainda tinha na mão a minha medalha. A medalha de prata que dei à Margarett para lhe dar sorte. – William franziu o sobrolho, pouco esclarecido - Foi por causa disto que o David voltou para trás, na casa em chamas!
Se até ali, William se sentia idiota, depois daquilo sentiu-se um completo retardado. Ele não pestanejou. Ficou a olhar Daisy como se não tivesse entendido nada do que ela disse, apesar de, obviamente, ele ter ficado esclarecido. Fazia sentido. David era o tipo de pessoa impulsiva que mergulharia de novo num mar repleto de tubarões caso fosse necessário para manter a honra de alguém. Will deixou um suspiro mudo cair e olhou para os lados. Só se deu conta que pesar de Daisy continuou porque ela se manifestou:
-Desculpa, William…
Ele mordeu o lábio e encolheu os ombros:
-Porque é que me estás a pedir de desculpa a mim?
-Porque contaste comigo e eu apenas estraguei tudo.
O filho de Mr. Finkie humedeceu os lábios e segurou a cabeça de Daisy, nervoso:
-Tu não tiveste culpa…! – Daisy engoliu o pranto, admirada com gesto de Will - E não quero que fiques com essa ideia errada, Daisy. Foste uma grande amiga, tanto para a Margarett e o David, como para mim. És incansável e quero que te convenças disso, está bem?
O jovem deu-lhe um beijo na testa. Daisy não respondeu. Sentia as pernas bambas pelo modo como William a fitava. Ele nunca o tinha feito. Não que ela se lembrasse. Em todas as suas memórias, provavelmente era a primeira vez que William a punha em primeiro plano… E isso agradava-lhe de uma forma que ela sabia que lhe ia doer mais tarde.
-Como está ele?
Daisy despertou dos seus pensamentos mais intimos.
-Horrivel. Tem o corpo quase todo queimado, a perna partida e tem a respiração fraca. Francamente, nem sei como sobreviveu… - Assumiu, triste.
-E a Margarett?
Ela cruzou os braços como se tivesse frio e suspirou:
-Eu não sei… Mas dadas as circunstancias, temo o pior. Deve estar presa em casa.
Will mordeu o lábio, inquieto:
-Então precisamos de ajudá-la.
-Não… - Daisy afastou-se de William – Da ultima vez que tentei, deu para o errado. Não vou voltar a intrometer-me para que a vida de alguém fique em risco!
-Daisy…!
-Não, William. Eu lamento, mas… - Ela fez um pausa para reflectir . Limpou o rosto e impediu-se de voltar a mostrar parte fraca – Eu tenho que ir para casa.
A latina virou costas. William viu-a a dasaparecer do corredor, em silencio, ainda de braços cruzados. Percebeu o receio dela, ainda que a sua consciência não lhe permitisse ficar parado.
Por causa disso, ele seguiu-a e pegoua pela mão:
-Tu tens que vir comigo. Eu preciso de ti…!
Daisy corou e William, apercebendo-se do sentido da sua frase, corrigiu-se:
-Ah…O que eu quero dizer, é que juntos somos mais… - Ela franziu as sobrancelhas, ao aperceber-se que ia dizer algo tonto de novo – Bom, a Margarett precisa também de uma amiga. Sózinho eu não sou capaz!
Daisy limpou o rosto e ponderou.
-Por favor, Daisy. Vem comigo!
A jovem engoliu em seco e, vencida, ficou com ele.
***
Margarett ainda não se tinha levantado do chão. Ficara deitada no tapete, lavada em lágrimas, desde que a mãe saíra de casa. Precisava do pai. Sabia que ele ainda demoraria dois dias a chegar e isso matava-a. Queria também ver David. Tinha tentado mais cedo sair de casa, mas o medo impediu-a.
Em silêncio, escutou a porta de casa abrir-se. Era Dorianne.
Margarett pode sentir os passos pesados da mãe, mas nem se moveu.
-Margarett! – Gritou a mulher, num estado de zanga que Margarett não decifrou.
A rapariga franziu as sobrancelhas, irritada:
-O que foi agora?!
Dorianne entrou na sala e contemplou a filha no mesmo sítio em que a deixara:
-Sua imprestável! Ficaste aí a tarde toda! Levanta-te!
A capacidade de Mrs. Wilson ser tão bruta ofereceu mais raiva a Margarett que lançou um olhar mortífero à progenitora:
-Não me chateie!
Mrs. Wilson agarrou-lhe o braço e puxou-a:
-Como ousas?!
Margarett pôs-se a pé com o puxão da mãe e gemeu:
-Lague-me! Está-me a magoar!
-Estás a pisar demasiadas linhas, minha menina! Sou tua mãe, deves-me respeito!
A mais nova impediu-se de chorar:
-Você não é minha mãe! É um monstro!
Dorianne esbofeteou a filha e logo a seguir sentou-a bruscamente no sofá grande:
-Só te vou perguntar isto uma vez, Margarett! Pensa bem no que me vais responder… - Dorianne olhou os olhos confusos da filha – O que estavas a fazer naquela casa com o David?
Mag corou de nervosismo. Ainda assim, não era capaz de mentir por mais tempo:
-Fui vê-lo para estarmos juntos, sem que nenhuma louca nos impedisse!
Dorianne bateu o pé no chão, com as mãos na cintura:
-Margarett… - Bufou – O que estavam lá a fazer?
A adolescente percebeu, pelo tom da mãe, que ela queria os pormenores. Queria saber aquilo que Margarett não podia dizer em voz alta. Sentiu as orbitas a arderem e calou-se.
A atitude de Dorianne foi óbvia como um anoitecer. Ela deu um estalo na cara da filha e logo a seguir tapou a boca com a mão, completamente transtornada.
-Tu…? – Dorianne esfregou o canto interno dos olhos. Não havia forma decente de perguntar aquilo à filha – Tu entregaste a tua pureza àquele rapaz?
Margarett encolheu-se, envergonhada. Limpou uma lágrima mal a sentiu a escorrer, de modo a que a mãe não visse.
-Margarett…! – Dorianne caminhou de um lado para o outro e deixou que o seu desdém se evidenciasse, ao soltar uma lufada de ar pesada – Tu perdeste a tua inocencia? – Perguntou baixinho. Margarett virou a cara ao lado, sem nada dizer – Responde! – Gritou a mais velha, frustrada.
Margarett soltou o choro e levantou-se do sofá:
-Sim! – Berrou, chorosa – Eu entreguei-me ao David! Eu perdi a minha virgindade com ele e se pudesse voltar atrás faria tudo de novo! Porque eu o adoro e confio nele! Eu amo-o e não posso imaginar uma vida sem ele!
Dorianne tapou o rosto, num queixume profundo:
-Que vergonha, meu Deus! – Praguejou – Como foste tão tonta?! Como pudeste cair no erro de abandonar a tua castidade antes do casamento, com um rapaz qualquer?!
Margarett teve vontade de bater na mãe. Cerrou os punhos com raiva e sobrepôs a sua voz à dela, num tom provocante:
-Foi a coisa mais prazerosa que eu fiz em toda a minha vida! – Exclamou, rindo desprezante por entre o choro – E se o David não estivesse no estado em que está, já estaria enrolada com ele numa cama qualquer, a fazer amor até amanha de manhã, se fosse preciso!
A mão de Dorianne Wilson acertou-lhe na cara com força. Margarett tinha pedido aquilo, pelo tom com que falava aquelas indecências. Todavia, ao invés de chorar e calar-se, ela riu-se mais, com desdém:
-Vê-se mesmo que não sabe o que é deitar-se completamente nua e satisfeita numa cama ao lado da pessoa que a fez…!
Dorianne gritou, enraivecida, interrompendo o descaramento da filha.
Agarrou o cabelo de Margarett e deu-lhe um estalo bruto. A rapariga tentou-se soltar, todavia Dorianne não poupou em açoites.
-Sua tola! Como és capaz de te rebaixar a esse ponto?!
-Eu já não sou uma miudinha! Já não sou a sua escrava!
Dorianne soltou Margarett e empurrou-a violentamente contra a parede:
-Pelo menos tomaste cuidade? – Indagou, horripilada.
-Cuidado?! - Margarett não compreendeu ao que a mãe se referia. Mas sentiu tremores por todo o corpo que a fizeram cair num carpido – Eu estou farta disto!
Mrs. Wilson afastou-se dela, desalmada:
-Estupida, estupida, estupida! Há quanto tempo é que não menstruas?!
-O quê?! – Margarett fitou a mãe, confusa. Sentia tanto ódio por ela, que nem conseguia pensar direito.
-Responde, Mag! Quando foi a ultima vez?!
Margarett atirou tudo ao ar, revoltada:
-Eu sei lá! – Respondeu, sem pensar.
A sua progenitora olhou-a com vergonha:
-Igualaste-te a uma galdéria!
-Eu não admito que…!
Mrs. Wilson não a deixou terminar. Margarett tinha tropeçado na pedra mais perigosa. A ira da sua mãe era desmedida ao ponto de as suas simples ameaças serem capazes de deixar Margarett com a mesma expressão do quadro “o grito”, de Edvard Munch. Dorianne agarrou o braço da filha e puxou-a, sendo a jovem Mag capaz de escutar um estalido na articulação do membro. Ela esperneou, então, tentando libertar-se da psicótica mulher que a dera à luz, não obstante, a cólera desta deixara-a completamente cega. Dorianne Wilson agrediu a própria filha como se ela tivesse menos valor do que um rato do esgoto. Margarett sentiu a visão desfocada quando uma bofetada bem assente lhe fez sentir na boca o gosto a sangue. Devido a esse grau de violência, ela gritou, histericamente, com esperança que alguém a ouvisse ou, na pior das hipóteses, que os seus berros furassem os tímpanos da sua agressora.
-Seu monstro! – Margarett urrou, quando deu por si sem alguns fios de cabelo.
Dorianne ignorou as acusações da filha e fê-la entrar no seu próprio quarto. Num gesto rápido, atirou a filha para cima da cama que partilhava com o marido e dirigiu-se ao guarda-fatos, em busca de algo. Margarett tentou-se levantar, mas antes que pudesse por-se a pé, Dorianne agarrou-a e começou a retirar-lhe a blusa:
-Não aprendeste nada com a tua própria existência, pois não? Não bastou desflorares o teu corpo com um ladino qualquer, ainda foste dar-lhe a hipótese de te emprenhar, sua desenvergonhada!
Margarett ganiu, em pânico. Ao tentar soltar-se da mão da mãe, reparou no cinto do pai, enrolado à volta da mesma. Desesperada, carpiu por misericordia, mas a mulher não a escutou. Voltou a empurrá-la para a cama, de barriga para baixo, e, antes que a rapariga se conseguisse mover, deu-lhe uma chicotada que a fez suster a respiração de dor. O lamurio da moça tornou-se mudo a cada nova lategada, ao contrário do som do couro a acertar-lhe no corpo. Talvez tivesse sido uma má escolha de distração, todavia, Margarett teve de arranjar uma forma de não pensar na dor. Assim, contou as chicotadas que a mãe lhe deu. Cada uma a fazia saltar um pouco, só que o ritmo foi abrandando, talvez por cansaso de Dorianne.
Quando a ultima aconteceu, Margarett deixou uma lágrima rolar-lhe pela face, sentindo aquele liquido salgado a secar-lhe a pele, ao mesmo tempo que lhe fazia arder as feridas. Dorianne sentou-se no chão, encostada ao guarda-fatos e atirou o cinto de Adolfe para o chão. Margarett reparou em marcas escarlates das entranhas do couro negro.
Sangue, deduziu. E tudo por insanidade.
Ela fitou a mãe e admirou-se. A mais velha estava lastimada. O seu cabelo grisalho, normalmente preso no alto da cabeça, estava solto e embaraçado. Era isso que lhe tapava o rosto. Isso e as mãos que, sujas de vergonha, lhe escondiam a expressão de desonra. Estava, do mesmo modo, descalça e sem collants, sendo possível ver-lhe as varizes e os derrames roxos, causados pelo tempo e pelo trabalho. Os pés tinham joanetes acentuados e as mãos estavam picadas e com calos. Margarett, pela primeira vez desde que se conhecia, achou a mãe dotada de uma feiura nojenta, como um sapo. Tentou compará-la a Mrs. Finkie ou a Mrs. Paisen. Tinha a certeza que ambas as mulheres teriam também os mesmos defeitos. Mas porque não as considerava feias? Margarett não precisou de pensar muito. Era o sorriso e a alegria delas. Por muitos pormenores feios que lhes enfeitassem o corpo, elas emancipavam beleza por todos os poros. Os sorrisos radiantes, os olhares animados… Mrs. Wilson não tinha nada disso. Apenas um coração amargurado. No meio de toda a sua desgraça, Margarett sentiu pena da mãe. Mas uma pena que não lhe daria o perdão, com certeza.
-Eu não estou grávida… - Margarett murmurou.
Dorianne não se moveu:
-Eu também achava que não estava…
-Eu não estou! – Lacrimejou a miúda, desfeita.
Dorianne espreitou-a. O seu rosto estava coberto de poças de água salgada.
Ela levantou-se e pôs o cabelo atrás da orelha. Olhou Margarett uma última vez e saiu do quarto. A adolescente julgou que ficara finalmente sozinha, mas enganou-se.
Dorianne voltou a entrar no quarto com um alguidar cheio de água quente e um paninho. Sentou-se na cama, ao lado da filha e molhou o pano, espremendo-o de seguida. Mag não disse nada. Mas gemeu, quando sentiu a mãe a tentar limpar-lhe o sangue das feridas abertas.
-Porque me obrigas a fazer estas coisas, Maggie? Achas que eu gosto? – A jovem não foi capaz de responder. Mantinha o dedo polegar perto dos lábios e roia-lhe a unha, fragilizada – Achas que sinto prazer em bater-te?
Na mente da sua filha a resposta era positiva. Porém, Margarett não respondeu. Deixou-se estar, enquanto a mãe lhe limpava as feridas.
-Quero que compreendas porque o faço. És minha filha e não quero que tenhas um futuro arruinado. Daria a vida por ti.
Margarett deplorou, incrédula:
-Por favor! Chega de mentiras! – Exclamou.
Dorianne calou-se, revoltada. Levantou-se da cama e largou o pano dentro da bacia. Aproximou-se da janela e espreitou a vista que dava para a rua.
-Vamo-nos embora daqui.
-O quê? – Mag esperou uma resposta. Aquela afirmação não fazia sentido.
-Nós vamos embora daqui. – Repetiu a esposa de Adolfe Wilson - Desde que chegamos que perdeste todos os teus modos. E eu os meus. Vamos sair da cidade por uns tempos.
-Não! – O pranto de Margarett regressou, mais agressivo e desequilibrado do que anteriormente - Eu não me vou embora!
-Não regateies! – Exclamou Dorianne.
Margarett sentiu as forças a sumirem. Tentou levantar-se da cama, para se opor àquela ideia insana:
-Não, por favor, mamã!
A imploração de Margarett não foi capaz de convencer a sua progenitora. Em vez disso, ela virou-lhe costas e pegou na mala de viagem que tinha em cima do armário.
-Chega, Margarett! Tu, deveras, ainda não aprendeste a lição?!
Margarett tapou a boca com a mão, lacrimosa. Não sabia o que fazer. Apenas a imagem de David lhe vinha à cabeça. Faria o que a mãe quisesse, desde que pudesse vê-lo. Transtornada, ela tapou os seios descobertos e soluçou:
-Pelo menos deixe-me vê-lo…
Dorianne encarou o seu fruto, estagnada. Ponderou sobre o pedido dela, apesar de saber que nem por sombras permitiria a filha de sair de debaixo da sua vista.
-Não, Margarett. Queres-te despedir? Escreve-lhe uma carta, como fazias antigamente. Pelo menos dessa forma não me causas nenhum percalço!
-Mas, mamã…!
-Chega! – O brado de Dorianne calou Mag. O seu olhar mortífero não lhe deixou dúvidas. Ela não tinha escapatória para aquilo.
Então, Margarett fez o que a mais velha lhe sugeriu. Acompanhada por ela, sentou-se na escrivaninha do seu quarto e pegou numa das suas folhas perfumadas, que utilizava exclusivamente para escrever a David. Com a mãe atrás de si, a guardar poucas das suas roupas na mala, ela escreveu a carta com pesar, chorando a cada palavra que desenhada. Quando terminou o texto, levou a mão às costas, até tocar numa das feridas doloridas. Ao sentir os dedos molhados de sangue, encarou-os e sem que a mãe se apercebesse, marcou-os na carta. Dobrou o papel em três partes e logo colocou num envelope. Depois pensou no pai que, alheio ao que se estava a passar, devia chegar em dois dias. Não podia imaginar como reagiria ele ao ver que ela e a mãe tinham ido embora. Frustrada, olhou a mãe:
-E o papá?
Dorianne mirou Mag, sem responder. O pânico atolou-se nela como um zombido ensurdecedor. Ela pegou noutro papel e escreveu um recado rápido ao mais velho, com medo que não tivesse outra oportunidade para o fazer.
Terminando de preparar a mala, Dorianne fechou-a e levantou-se. Retirou a roupa que restava a Margarett e ajudou-a a trajar um vestido azul-marinho, escuro o suficiente para que, caso o sangue atravessasse o tecido, as pessoas não pudessem notar. Margarett manteve-se imóvel enquanto a mãe a preparava. Tinha reflectido sobre isso. Fingia que se tinha rendido e quando pusesse o pé na rua, fugia. Só precisava de sorte.
A sua mãe agarrou-a e desceu as escadas sem a largar. A rapariga manteve o silêncio, sem nunca soltar as duas cartas que escrevera. Qunado alcançaram o hall de entrada, as duas pararam. Dorianne dirigiu-se ao telefone, sem deixar que Margarett lhe escapasse.
-Central de Taxis?
A mais velha tinha feito a chamada sem tirar a vista de cima da filha. Indicou o endereço e depois, quando a chamada terminou, esperaram as duas em silêncio. Margarett aproveitou o momento e pousou a carta para o pai no móvel de entrada. Margarett sabia que não tinha escapatória. Só se moveu quando escutou uma buzinadela no exterior e a mãe a segurou pelo pulso e a arrastou consigo. Ao sentir a luz do sol bater-lhe na pele, a jovem esperou que a mãe a largasse por apenas dois segundos para que pudesse fugir, todavia ela não o fez. O pânico começou então a acumular-se nas suas entranhas e o desespero fê-la olhar em redor, em busca de alguém que a pudesse ajudar. Para seu azar, a vizinhança estava calma e gritar era demasiado perigoso naquelas circunstâncias.
O taxista, então, pegou na mala que Dorianne lhe entregou e Margarett encarou-a, piedosa:
-Mãe, a carta… Por favor – Pediu.
Dorianne olhou em redor, para se assegurar que não havia por ali nenhum obstáculo. Suspirou e, com cautela, largou a filha. Mag, vendo aí a sua oportunidade, deu um salto e decidiu tentar a sua sorte. Correu, desta maneira, para tentar escapulir-se.
Porém, uma parte de Dorianne já previa aquilo. Calmamente, a mulher ordenou ao taxista que seguisse a adolescente e o homem, ingenuo e obediente, seguiu a rapariga mostrando-se mais veloz do que ela. Alcançou-a e arrastou-a para levá-la de volta para o carro.
Margarett esperneou em pânico. Não podia acreditar que aquele homem, que até parecia ser uma pessoa humilde, estava do lado da sua progenitora.
-Solte-me, por favor!
O homem ignorou-lhe as implorações e levou-a de volta para junto da mãe. Apesar de confuso, o taxista havia arranjado uma teoria para a situação: A jovem, indomável, recusava-se a deixar a cidade. E, como era menor de idade, não podia separar-se da mãe. Isso parecia-lhe ser a situação ocorrente, todavia, o homem ignorava outros factos. Factos como os maus tratos de Dorianne e o facto de o Pai de família estar ausente e alheio à situação.
-Não voltes a fazer uma esperteza destas, minha menina. – Ameaçou Dorianne, agarrando-a com força.
Margarett tentou libertar-se sem sucesso. Estava a ver a sua vida toda a andar para trás. Sentia que estava a reviver novamente a sua partida para França, entrando no carro forçadamente. Claro que, desta vez, ela não ia para França. Pelo menos, ela acreditava que não.
A sua mãe empurrou-a para o banco de trás do táxi, sem a deixar escapar.
Num pranto indisciplinavel e incosolavel, a jovem entrou no carro e voltou-se para trás, com fé que conseguiria ver alguém que a ajudasse através vidro traseiro. Para sua surpresa, viu ao longe um carro familiar a aproximar-se. Era William, acompanhado por Daisy. Numa explosão de energia, Margarett arranhou a cara da mãe com força e abriu a porta do táxi para ter mais tempo de os alcançar. Dorianne deu um berro furiosa quando Margarett correu na direcção do outro veiculo que ainda estava um pouco longe. Seguiu-a, portanto, sabendo que não podia fazer nenhuma cena que a denunciasse:
-Margarett! – Gritou.
Daisy estava um pouco envergonhada por estar sentada no banco de passageiro ao lado de William. Apesar de o rapaz ter-lhe implorado para que ela o acompanhasse, ela não podia deixar de pensar no que as pessoas que viam de fora iam deduzir. Não era a coisa mais decente de se fazer. Ela suspirou, ignorando essas ideias, e focou a sua visão na paisagem. A jovem latina deu um salto ao reparar em Margarett ao longe a acenar e mandou William parar o seu automóvel. Ela abriu a porta e saltou para fora do carro, correndo ao encontro da loira.
-Margarett! – Chamou.
Margarett sorriu de alívio e quando se alcançaram ela abraçou-a, trémula:
-Oh, Daisy! Ajuda-me, por favor! – Implorou, chorosa.
A loira voltou a sua iris azul na direção mãe, que tinha ficado muito para trás.
-Margarett Wilson! Volta imediatamente! – Gritou Mrs. Wilson ainda perto do Taxi.
Daisy segurou a mão de Margarett, deduzindo que a mulher não podia querer nada de bom:
-Não vás! Eu e o William protegemos-te!
Margarett não conteve as suas lamúrias e agarrou Daisy com a mesma força que Daisy a segurava:
-Não…Eu não posso fugir. Não agora! – Soluçou, apressada – Eu só preciso que me faças um grande favor!
-O que tu precisares! – Assegurou a latina, insegura.
O Pranto de Margarett intensificou-se, adequirindo um tom mais imponderado que tocou Daisy.
-Preciso que entregues esta carta ao David! – Rogou a lacrimosa e, de seguida, entregou-se o envelope já amarrotado – Como está ele? – Inquiriu, desolada.
Daisy não soube o que lhe responder. Mexeu nos braços, desajeitada:
-Desculpa, Margarett… A culpa é minha!
Mag abanou a cabeça na negativa, no entanto, não desmentiu que a amiga tinha um pouco a ver com o sucedido. Abraçou-a, portanto. As emoções de Daisy foram impossíveis de se guardar. A rapariga caiu num choro quase tão sofrido quando o de Mag.
-Por favor… - Margarett afastou-se dela e amarrou as mãos aos ombros da morena – Diz-lhe que o amo! E… E que vou voltar, assim que conseguir… E… - Margarett bramou, pesarosa – Diz-lhe que resista!
Daisy tapou a boca para abafar o choro, mas acenou afirmativamente.
-Margarett! – Dorianne chamou, impaciente, aproximando-se cada vez mais rápido.
Margarett limpou o choro, quando viu William a correr na sua direção após estacionar o carro.
-O que aconteceu? – Perguntou, ofegante, quando chegou ao pé das duas.
Margarett não foi capaz de lhe dizer nada. O lábio inferior tremia sem controlo e ela já sentia o nariz a pingar:
-Digam ao meu pai que…
Ela chorou mais. Não sabia o que dizer ao pai. Era triste, mas era verdade. Ia-lhe explicar o quê? Que a mãe e ela sumiram? Não havia forma de o fazer.
Daisy, como que lendo os seus pensamentos, abraçou-a:
-Eu explico-lhe!
Mag agradeceu e depois dirigiu-se a William, ainda mais acelerada:
-Will… És um amigo incansável! Nunca me hei-de perdoar por não ser capaz de fazer por ti o que fizeste por mim, sem que eu merecesse… - Disse, limpando as olheiras encharcadas – Por favor, perdoa-me!
William sentiu-se estranho com aquilo. Humedeceu os lábios e moveu no cabelo, desajeitado:
-Isso já passou… Eu já…!
-Não! – Margarett negou – Tu merecias melhor…
Ela abraçou-se a William e depois abraçou Daisy em conjunto. Escutou de novo a voz de Dorianne, cada vez mais perto e separou-se dos amigos:
-Entreguem-lhe a carta em mãos, por favor!
Daisy acenou afirmativamente.
-Onde é que tu vais? – Indagou William, um pouco emocionado.
-Eu não sei… Mas eu vou voltar! Podem esperar… E façam o David perceber isso!
Will deu-lhe força:
-Estamos do teu lado.
Margarett carpiu sem medida e virou costas, correndo de novo para junto da mãe. Quando a mais velha a apanhou, arrastou-a para o Taxi e então, ele partiu, sendo ainda possível ver as lágrimas de Margarett Wilson através do vidro traseiro do automóvel.
Daisy encarou o envelope e depois olhou William.
-Will… - Gaguejou, num lacrimejar quase cantado – Por favor, ajuda-me…! Eu não posso fazer isto sozinha… Por amor de Deus!
William abraçou Daisy com todas as suas forças ali mesmo, no meio da rua, debilitado com o ocorrido.
Não podia explicar o que tinha acabado de acontecer. Como tinham deixado Margarett ir a lugar algum com Mrs. Wilson e não tinham sequer tentado impedir. Não sabia o que estava ali a fazer, não sabia se mais tarde de ia arrepender ao ponto de nunca se perdoar na vida, no entanto, tinha a certeza que faria o que Margarett lhes pedira.
-Eu não consigo… - Daisy murmurou, rouca.
Ela enterrou a cabeça no ombro dele e esperou que ele dissesse alguma coisa. Não era capaz de acreditar que tinha ficado parada.
-Vamos sair daqui! – Pediu William.
-Temos que ir lá agora? – Inquiriu a moça.
William negou. Era demasiada pressão. Seria melhor no dia seguinte, quando ambos já estivessem que cabeça fria e quando David já estivesse um pouco mais disperto.
-Não… Vamos apenas dar uma volta…
Daisy agradeceu. Afastou-se de William e baixou o olhar, envergonhada por se ter exposto tanto a ele. O rapaz, agradecido por se poder abrir com Daisy, acompanhou-a para o carro e abriu-lhe a porta como um verdadeiro cavalheiro. Entrou no carro e olhou para o volante, perdido.
-Para onde vamos? – Daisy quis saber.
William bufou e agitou o crânio em sinal de falta de ideias:
-Vamos sem destino.
Daisy tentou sorrir e assentiu. Encostou a cabeça à porta e esperou para ver onde os dois iam parar.
***
Margarett não tinha falado a viagem toda. Esforçara-se para suster o carpido, de modo a não importunar o silêncio que ia dentro do táxi. Tentou decorar a paisagem para depois conseguir voltar, mal pudesse. Não tinha conhecimento do lugar para onde se dirigiam, mas pelo que percebeu era longe. Deviam estar quase a chegar a Charlotte. Margarett perguntou-se o porquê daquele destino, sem pensar no mais óbvio.
Só quando viu um avião a passar no céu é que teve um flash:
-Aeroporto? – Questionou, assustada.
Mrs. Wilson manteve o nariz para o ar e a perna alçada, sem dar qualquer esclarecimento à filha.
À medida que se aproximavam do aeroporto internacional de Charlotte/Douglas, os receios de Margarett sofreram uma metamorfose que os ampliou. Não podia ser. A sua mãe não faria algo assim:
-Mãe? Onde vamos?
Dorianne bufou e quando o táxi estacionou, agarrou de novo o pulso da filha e arrastou-a consigo:
-Não te afastes e comporta-te! – Ordenou.
O taxista retirou a mala para fora e Dorianne pagou-lhe. Margarett tentou olhar para todos os lados em busca de resposta. As pessoas iam passando por ela, chegando e partindo. Mas ela não compreendia o que estavam ali a fazer.
Quando a mãe alcançou o balcão do Check-in , travou-a bruscamente:
-Onde vamos?! – Exigiu saber, fora de si.
-Sair daqui. Já te disse filha!
-Não! Eu pensei que íamos apenas para outra cidade, passar uma semana ou duas. Um mês no máximo! Não apanhar um avião!
Dorianne bateu beliscou-a com força:
-Não faças cenas loucas! És menor de idade e se tentares fugir tem polícias suficientes para te perseguirem e te trazerem até mim, que sou tua mãe, portanto, para teu próprio bem, obedece-me!
-Não pode fazer isto!
Mrs. Wilson ignorou-a. Pegou nos documentos e entregou a uma mulher que lhe entregou dois bilhetes.
Depois, arrastou a filha na direção das portas de embarque. Margarett tentou parar e soltar-se, mas sem sucesso. A sua cabeça começou a andar à roda e as pessoas passavam por ela rapidamente. A sua visão tornou-se desfocada e uma sensação de náusea fê-la travar a respiração.
Dorianne, irritada com a moleza da jovem, deu-lhe um puxão.
Só não contava que a filha desmaiasse no preciso momento.
Crash - Sum41
Meu querido e amado David,
É com muito pesar que te escrevo esta carta, mesmo não sabendo se a conseguirás ler, devido à fatalidade da nossa última noite. Fui tola em negar os teus agoiros em relação aos nossos obstáculos. Inacreditava eu que Deus colocaria uma pedra tão grande no nosso caminho. Ainda assim, sinto-me incapaz de renunciar a este amor por ti e tenho fé que, mais tarde ou mais cedo, os planetas se alinhem e nos coloquem de novo no caminho da felicidade.
As minhas palavras não são, de todo, as mais bem escritas, nem tampouco as mais felizes, todavia este foi o único jeito de chegar até ti, meu amor. Não imaginei sequer que teria que te escrever outra carta, convencida que o nosso futuro juntos já estava traçado. Deves estar a perguntar-te o porquê de eu o fazer e qual a razão de palavras tão tristes. No entanto, a única coisa que te posso adiantar é que se estás a ler esta carta, é porque não fui capaz de subsistir à força maledicente da minha mãe. Ela castigou-me da forma mais mordaz que conseguiu, tentando fazer-me arrepender dos meus actos para contigo. Num segundo, limpava-me feridas que ela própria provocou e no momento seguinte guardava as nossas coisas numa mala. Disse que tínhamos de ir embora e isso é tudo o que sei. As minhas lágrimas são mais pesadas do que alguma vez foram, todavia, peço-te a ti, meu amado e meu melhor amigo, que tenhas força para suportara minha ausência, do mesmo modo eu que tentarei ter. Para onde quer que eu vá, levo-te comigo em pensamento e deixo-te metade da minha alma para te ajudar a recuperar desses males causados pelo fogo que nos separou.
Infelizmente, o meu tempo para te escrever escasseia, portanto, termino esta carta da mesma forma que todas as outras começaram: com uma promessa. Quero que saibas, meu David, que farei o possível e o impossível para voltar para os teus braços. Peço-te que me aguardes, mantendo o teu amor por mim vivo e eu prometo-te, com o meu sangue manchado nesta folha, que hei-de voltar para ti, mais tarde ou mais cedo.
Com dor e angústia, despeço-me então de ti, crente que, o mais brevemente possível, estaremos juntos de novo.
Com todo o meu amor, Até breve, David.
Margarett
Tudo foi ao ar. As enfermeiras entraram apressadas e agarraram o rapaz que, mesmo com o corpo no pior estado e a perna partida, se agitou de uma maneira assustadora, tentando, a todo o custo, sair daquela cama de hospital. A sua agressividade custou-lhe um ataque de tosse compulsiva e uma crise de asfixia, devido à dificuldade em inalar oxigénio, porem, o rapaz estaria disposto a morrer, se fosse capaz de trazê-la de volta.
-Margarett! – Berrou, fora de si.
As enfermeiras agarraram-lhe os membros com força e uma delas, com uma seringa, sedou-o. Lentamente, o jovem começou a perder as forças e, como uma única ideia em mente, apagou.
Hospitais dos anos 50:
Taxi
:
Taberna:
E só para que não hajam duvidas a respeito, nos anos 50 já haviam viagens de avião entre a america e a europa. Aliás, vê-se isso tambem pela série "Pan Am". O Aeroporto Internacional de Charlotte/Douglas, existe desde os anos 30. Infelizmente, não arranjei nenhuma imagem da época! 


E pronto, gente, é isto.
Este capitulo podia muito bem ser um fim para a história, mas não, este não será o ultimo capitulo. Ainda haverão mais alguns para finalizar a fic.
Enquanto isso, espero que tenham gostado deste!
Bjokas

Demorou, mas finalmente consegui terminar o capitulo. Agradeço-vos do fundo do coração a vossa disponibilidade para comentar e como paga, este capitulo é maior do que o costume.
Deixo também umas imagenzinhas da época no final para recordar alguns pormenores dos anos 50!

Enfim, espero que gostem!
Capitulo 38 – Vida por Vida
“Nunca conhecerás a verdadeira felicidade até que tenhas conhecido o amor. E nunca compreenderás a verdadeira dor, até que o tenhas perdido”
Eliezer Alves da Costa
Eliezer Alves da Costa
Há momentos na vida em que os acontecimentos ocorrem num flash. Num segundo, tudo está bem, talvez até perfeito. Perfeito demais. E, de repente, uma bomba explode á frente dos próprios olhos. Os sentidos deixam de funcionar. Não se ouve, não se vê, não se cheira, não se respira. Mas, pior que isso, não se tem noção da gravidade do acto mais inofensivo. Pode-se gritar, mas é impossível pedir a uma pedra atirada que volte atrás.
Loretta Wells entrou em casa esbaforida. Pendurou o casaco azul celeste no bengaleiro, descalçou-se e largou a bolsa de verniz na mesa de entrada. Não sabia ainda o que pensar no entanto era seu dever, enquanto mãe, informar a filha das novas da cidade. A notícia não era boa para a jovem que nos últimos tempos andava mais sossegada do que era de esperar. Loretta tinha receio da reação da jovem.
-Brittany! – Chamou, rezando para que a jovem tivesse ido a casa de alguma amiga.
-Estou na sala! – Respondeu a rapariga, para desagrado da mãe.
Loretta amaldiçoou-se por tal azar. Teria de ser ela a dar a notícia.
Caminhou até à sala, sem sossego e sentou-se no sofá em frente à filha, que lia uma revista juvenil, alheia à presença da mãe.
-Querida… - murmurou.
Brittany levantou o olhar, desconfiada. O tom da mãe sugeria algo pouco bom.
-O que se passa?
A mais velha tossiu em seco e juntou as mãos à frente dos joelhos, nervosa:
-Sabes aquela casa… aquela mansão, na zona sul, que estava abandonada?
Brittany assentiu com a cabeça:
-O que tem?
-Ela foi incendiada. – Anunciou a mais madura - Fogo posto, ao que parece. Se já restava pouco da mansão, depois desta noite, muito menos resta. As chamas consumiram tudo…
O abalo retratado nos olhos de Mrs.Wells continuava confuso para Brittany. Ela pousou a resvista ao seu lado e franziu as sobrancelhas:
-E o que é que isso nos interessa?
Loretta levou os dedos ao cano do nariz e apertou-o:
-Ao que parece não estava vazia.
Brittany arregalou os olhos, assustada e, simultaneamente, curiosa:
-Quem estava lá?
-O teu amigo, David Paisen…
Os bombeiros tinham sido alertados pelos vizinhos mais próximos. Chegaram lá em pouco tempo, todavia atrasados na perspectiva de Margarett Wilson.
Ela não se lembrava do porquê de ter feito aquilo. Querer voltar para trás por causa de um estupido objecto. Ao perceber o que tinha feito, tinha tentado entrar de novo, porém os seus sentidos traíram-na e ela nem conseguiu passar a porta de entrada. A única coisa que se sentiu capaz de fazer foi gritar com todas as suas forças para chamar David. Mas a única resposta que recebia era o som das flamas. O seu coração começou a palpitar num tom que a levava a crer que ia ter um ataque cardíaco. Começou a tremer em pânico, a chorar sem sequer conseguir ver um palmo à frente dos olhos. Caiu no chão, atarantada e, sem saber o que fazer, fletiu os joelhos em frente ao peito e enterrou a cabeça nos braços, balançando horripilada. Nem a sirene dos bombeiros foi capaz de escutar. Só se apercebeu da presença deles quando jatos de água lutaram contra as chamas e um voluntário aproximou-se dela tentanto perceber o que tinha acontecido. Ela só conseguiu dizer que havia uma pessoa lá dentro.
-Ah!
Uma mão firme e dura acertou-lhe na face com força, fazendo-a virar a cara para o lado sem querer. Cerrou os punhos, exasperada. Afastou o cabelo da frente dos olhos aquosos e fitou a mãe com raiva, deixando-se chorar:
-Bata-me de novo! – Gritou, irritada.
Dorianne não percebeu se o tom de Margarett era de ameaça ou se ela de facto queria levar uns bons açoites pelo que fez.
Virou-lhe costas, então. Estranhamente, não queria castiga-la. O estado da filha não era merecido por ninguém. Mrs. Wilson apenas lhe deu um estalo para que a rapariga abrisse os olhos e não voltasse a pôr-se numa situação assim. Só Deus sabia o alívio que sentiu por saber que a filha não tinha sido vitimada pelo fogo.
-Vê bem no que a tua rebeldia deu. Já pensaste que se te tivesses mantido em casa, nada disto teria acontecido?
Margarett chorou por concordar. A mãe tinha razão, mas isso não lhe dava menos raiva em relação à progenitora.
-Se não tivesse saído de casa quem estaria… - Ela não acabou a frase e soluçou, furiosa – A culpa foi sua! – Acusou - Por me impedir de viver a única coisa em que acredito nesta vida!
Dorianne negou com a cabeça, considerando a filha mais estúpida do que qualquer outro ser:
-Idiota… Dás tudo por um rapaz que …
-Que deu a vida por mim! – Interrompeu a jovem com um berro, num lacrimejar histérico – Mãe, ele salvou-me a vida! Eu é que ia voltar para trás! – Constatou, destroçada - Eu!
A mulher nem sequer sabia o que lhe responder. Como havia de desdenhar tal coisa? Calou-se, simplesmente, escutando apenas o choro incessante da mais nova.
-Diga-me… – Bramiu a jovem – Teve alguma coisa a ver com isto?!
Dorianne olhou-a, chocada:
-Nunca! Nunca colocaria a tua vida em risco desta forma!
Margarett abanou a cabeça na negativa. Olhou as mãos sujas pela terra e pelas cinzas e fungou.
-Mentirosa… - soluçou – isto tem a sua marca. Esta maldade, esta obcessão!
-Eu não fiz nada!
Dorianne calou-se. Viu a filha a sentar-se no chão, incontrolada. Só era possível perceber-lhe o pranto. No meio desse vislumbre, Dorianne, porem, esbugalhou os olhos, com uma reflexão em mente.
Jack.
Atarantada, levou a mão à testa e sem dizer uma palavra à filha saiu de casa.
Dirigiu-se em passos rápidos à taberna em que costumava encontrar Jack. Não era um local bem frequentado. Todos os velhos bêbados da cidade e os jovens marginais se encontravam lá. Ver uma mulher de classe um pouco mais elevada já era motivo para vaiar, mas naquele momento isso não afligia a mente suja de Dorianne.
Ela entrou na taberna como um furacão. Nenhum dos presentes teve uma reacção imediata àquela entrada estrondosa. O olhar de Dorianne era tão mortal quando as chamas do incêndio e talvez por isso ninguém tenha ousado assobiar à mulher. Ela percorreu o olhar por todo o estabelecimento e não vendo rastos do jovem que buscava, aproximou-se do balcão para falar ao proprietário:
-Jack Dawnson! Viu-o?
O homem fedia a catinga. Envergava uma camisola sem mangas que permitia ver com nitidez todos os pormenores dos seus sovacos peludos e húmidos. Ele sorriu, libertando um bafo alcoólico eminente:
-E quem deseja saber?
Dorianne bateu no balcão, irritada:
-Não brinque comigo, meu caro. Em dois tempos acabo-lhe com o negócio e ponho metade dos seus clientes e você na cadeia! Portanto, diga-me onde encontro o Jack, ou teremos sérios problemas!
O dono soltou uma gargalhada trocista, enquanto limpava as mãos negras a um pano roto.
-Calma, Madame! O Jack saiu daqui há menos de meia hora. Pelo que percebi foi ter com o amigo, aquele outro, o tal Carter.
Dorianne pegou num pequeno rolo de notas e entregou-o discretamente ao homem:
-Onde os encontro?
O homem sorriu, satisfeito pela oferenda. Num guardanapo, escreveu uma direcção e entregou-a a Dorianne. A senhora abandonou a taberna e seguiu as indicações.
Foi dar com Jack num bairro nos subúrbios da cidade. Encostado a uma vedação de arame farpado, discutia com outros dois que pareciam impacientes com ele.
-Estou-te a dizer, isto vai dar errado! – Advertiu o mais alto, nervoso.
Jack trincou uma palhinha sem grande preocupação e virou a cara para observar o horizonte, mais calmo do que qualquer pessoa, ainda que impaciente. Foi quando reparou em Dorianne. Intrigado, desencostou-se da vedação e deixou de prestar atenção aos parceiros, caminhando na direcção da mulher:
-Mrs. Wilson! – Cumprimentou, com o mesmo sorriso irónico de sempre.
Dorianne apressou o passo até alcança-lo:
-Diz-me que não tiveste nada a ver com o incêndio!
Jack, pela primeira vez, viu-se sem resposta. A forma directa de Dorianne o encarar era desconcertante.
Um pouco atrás dele, Carter bateu o pé no chão, furioso:
-Seu cretino! Eu avisei-te!
Jack olhou-o por cima do ombro e, com um só gesto, ordenou-lhe que se calasse.
Sabendo que não tinha como enganar Mrs. Wilson, cruzou os braços:
-Devia estar feliz. Dei uma lição aos pombinhos.
Dorianne cerrou os dentes e, tal como faria se o rapaz fosse filho dela, deu-lhe uma valente bofetada na cara. Jack sentiu-se uma criança novamente, como quando os pais rigorosos o castigavam. Levou a mão à vermelhidão do rosto e fitou a mulher.
-Puseste a vida da minha filha em risco. E isso, rapaz, eu não te permiti! Nem sequer ao miúdo. Passaste os limites.
Jack não respondeu. Ficou a olhar a mulher, tentando lançar-lhe um olhar tão mortífero quanto o dela. Mas nesse aspecto, sentiu-se bem mais fraco que Dorianne. Ela possuía uma força descomunal na maneira de o fixar.
-Nem tudo teve a ver consigo. – Informou, raivoso - Foi pessoal!
-Foi estupido! – Gritou Dorianne, consumida – Destruiste uma casa e puseste em jogo duas vidas!
Jack agarrou a coxa do braço de Dorianne e apertou-a com brusquidão, possesso com o autoritarismo dela:
-Devia estar-me grata, mulher do Diabo!
-Grata?! – Indagou, soltando-se da mão de Jack - Grato devias estar tu por eu não te acusar, a ti e a esses teus parceiros! – Exclamou, olhando Carter e Clide acusatoriamente – Façam um favor a vocês mesmos e abandonem a cidade o quanto antes. Esta história terminará por aqui.
Clide olhou o companheiro, rendido. Era uma oportunidade que estavam a receber. Sair da cidade em liberdade e nunca mais pensar no que fizeram. Jack, porém, não parecia convencido:
-Quem me garante que se eu abandonar a cidade ou até mesmo o Estado, a policia internacional não irá atrás de mim?
-Eu! – Dorianne respondeu. Abriu a carteira e de lá retirou um maço de dinheiro. Sabia o risco que corria por ter aquela pequena fortuna na bolsa, mas decidiu corrê-lo. Contou uma boa quantia e entregou a Jack:
-Quero que te vás embora. Para teu bem e também para o meu. Sei, neste momento, que se o teu nome vier à baila por conta deste crime, eu serei também julgada. Parte daqui e nunca mais recordes o que aconteceu e que me conheceste. Dou-te bastante dinheiro para que te vás. Tu e os teus amigos.
Jack ficou um minuto a reflectir, enquanto observava a mulher. Dorianne era uma caixa de surpresas.
-Pois bem, nós partiremos. – Rendeu-se - Mas antes disso, Mrs. Wilson, não julgue que o que eu fiz foi mau. A sua filha não é nenhuma santa.
Dorianne Wilson estreitou as sobrancelhas, zangada. Jack, prossegiu:
-Não se questionou porque motivo estava ela naquela casa com David? – O delinquente sorriu pela falta de reflexão da mulher – Parece-me que a sua menina já provou o fruto proibido…
Por detrás do silêncio de Dorianne, Jack sentiu um grito estridente dentro dela. A mulher virou costas, sem se despedir, e afastou-se.
***
-Esta noite recebi dois telefonemas... – Murmurou uma voz apática - Ambos por causa de saúde… O primeiro foi do hospital. Disseram-me que David tinha sofrido um grande acidente, devido a um incêndio. No início julguei que fosse brincadeira, mas assuntos assim não são de se brincar. O meu choro foi imparável. Não compreendia o que tinha acontecido. Vesti-me, limpei a cara e, com o meu marido, preparei-me para sair de casa. Mas, no preciso momento em que abria a porta, recebi o segundo telefonema. Desta vez era de mais longe. Era a mimha filha, Vicky. Estava tão radiante e ao mesmo tempo assustada. Tinham-lhe rebentado as águas e ela estava prestes a entrar em trabalho de parto. Escutei-lhe as lágrimas de alegria e medo pelo telefone e não fui capaz de travar o meu próprio choro que se misturava entre o horror pelo meu filho e a felicidade pela minha filha. A Vicky queria que eu fosse ter com ela. Queria que eu estivesse lá quando o bebé viesse ao mundo. Então eu chorei ainda mais. Porque eu não soube para que lado me virar. Quis-me dividir em duas, mas não sou capaz desse feito. Então tive de escolher.
Grace Paisen levou o lenço bordado aos olhos e limpou as lágrimas grossas, desconsolada. Ainda não sabia se tinha feito a coisa certa. Vicky ficara muito magoada quando a mãe se negou ajudá-la no parto, dando-lhe apenas dicas para aguentar as contrações, sem se justificar pela sua falta de disponibilidade.
-Pergunto-me se este é o modo de Deus manter o equilíbrio. Fazer uma nova vida nascer, e tentar levar outra embora.
Uma senhora já de idade escutara o desabafo de Grace. Sentadas na sala de espera do hospital, as duas desconhecidas lacrimejavam por causa da má sorte da mãe de David.
Um médico surgiu perto das duas e leu uma ficha, com um ar nitidamente cansado:
-Mr. e Mrs. Paisen?
Grace levantou-se e o marido, que se tentara acalmar a fumar no exterior, aproximou-se. Os dois atentaram no médico, expectantes:
-Por favor, queiram seguir-me.
Grace limpou o rosto no lencinho e seguiu o médico pelo corredor:
-Como está ele, doutor? – Inquiriu Mr. Paisen.
O médico suspirou e depois começou a folhear as suas notas:
-O seu filho sofreu queimaduras de 1º e 2º grau. As chamas não o atingiram de um modo tão directo como era de se esperar, graças ao resgaste rápido dos bombeiros, sendo que os piores danos foram causados pelo calor e não pelo fogo em si. As zonas mais atingidas foram as costas, pois estavam mais expostas, no entanto, o David apresentou-se com uma fractura na perna direita. – Explicou - Ainda assim, ele foi claramente mais afectado pelos gases tóxicos. Está, por conseguinte, a receber oxigénio a 100%. Entretanto, iremos manter a observação.
O médico parou em frente a um quarto isolado. Os restantes pacientes ficavam num salão, onde as camas eram divididas apenas por cortinas, mas por algum motivo, David ficara à parte.
Grace sentiu-se tonta como se fosse desmaiar. Não tinha força suficiente par ver o estado do filho. Uma enfermeira mandou-a desinfetar-se e colocar uma mascara de protecção, devido aos micróbios que podiam infetar as queimaduras do filho. O seu conjuge fez o mesmo.
-Ele está com imensas dores. – Murmurou a enfermeira, abrindo a porta do quarto – Demos-lhe um analgésico.
O pai do rapaz assentiu, agradecido. Grace adentrou no pequeno quarto isolado e a sua primeira reacção foi tapar a boca com as mãos, num pranto comovido:
-Oh, o meu menino! – Chorou, trémula da cabeça aos pés.
Mr. Paisen mordeu o punho, triste. Para piorar, o carpido da esposa era de tal dor que ele nem sabia como a socorrer. Grace correu para a beira da cama de ferro branca, soluçando destroçada.
David estava num estado que metia dó até a um gato atropelado. A perna, engessada, estava suspensa no ar, presa por uma simples fivela de pele. O tronco parecia o de uma mumia, enrolado em ligas de gaze.O rosto estava tingido de vermelho e roxo, devido às queimaduras, e um curativo pequeno a testa fazia-se notar acima dos seus olhos fechados. Para finalizar, uma máscara de oxigénio estava agarrada à cara dele.
-Oh, meu filho! – Grace tentou pegar-lhe a mão mas percebeu que, se o fizesse, o rapaz sentiria a dor da queimadura na pele. Por essa razão, limpou as lágrimas destroçadas, sem saber o que fazer, e passou a mão pelo cabelo chamuscado do rapaz – Como é que isto aconteceu?
Mr. Paisen aproximou-se do filho e encarou-o, com o sofrimento estampado no rosto.
Talvez tivesse sido o choro alto de Grace, ou talvez David estivesse acordado desde sempre. O facto foi que o jovem pestanejou devagar, logo após um gemido. Grace travou o choro para escutá-lo.
-David? – Falou a mulher, consumida.
O seu rapaz tentou abrir os olhos, mas parecia estar com dificuldade. Quando levantou suficientemente as palpebras fitou a mãe e logo após virou as orbitas na direção do progenitor, sem se mover um milímetro que fosse. Quis falar, no entanto a máscara de oxigénio abafava-lhe a voz rouca e fraca.
-Não te canses, filho. - Disse Mr. Paisen - Dorme e descansa. Estás muito fraco ainda…
No entanto, David parecia ter uma enorme ânsia para dizer algo. Ao perceber que o simples movimento de lábios era doloroso, porém, ele inspirou com algum custo e voltou a fechar os olhos, sentindo-os ardentes. Grace deu um beijo na testa do filho e fez-lhe caricias no cabelo, esperando que ele adormecesse. Depois olhou o marido e esforçou-se para não chorar mais.
-Temos que ver a Vicky… - Relembrou ela.
-O David ficará bem sem ti durante umas horas, minha querida. Além disso, o médico não quer que estejamos muito tempo por aqui. O David precisa de reestablecer forças.
Um pouco contrariada, Grace assentiu. Mirou o filho e deu-lhe um beijo de despedida na testa. Mr. Paisen fez o mesmo e depois levou a mulher pelo cotovelo para fora do quarto:
-Sorri um pouco, querida. Agora vamos conhecer o nosso netinho…
***
No Lili’s Diner, o ambiente estava parado naquela tarde. Talvez porque as serventes que interessavam estavam de férias e daí que se juntasse menos gente no estabelecimento. Ainda assim, Tom e Rick tinham marcado de se encontrar lá com William. Todavia, os sussurros entre eles eram inevitaveis devido ao escândalo que assombrava a cidade.
Tom, impaciente, esguelhou por cima do ombro, verificando se William já tinha chegado.
-Será que ele já soube? – Questionou-se Rick, batendo com os dedos no tampo da mesa.
Tom encolheu os ombros. A sineta da porta tocou. Era ele. William parecia indiferente, talvez até bem-disposto naquela tarde. Foi fácil deduzir que ele ainda não estava a par das novas da cidade. Rick pegou no jornal do dia e pousou-o ao seu lado, no banco, para que William não reparasse de imediato na notícia da primeira página.
-Desculpem o atraso, rapazes! – Exclamou, sentando-se rapidamente ao lado de Tom – já pediram?
Rick coçou o nariz:
-Sim, já.
William acenou à servente:
-Um batido de morango, por favor!
A mulher acenou afirmativamente e ele encarou as caras de caso dos amigos. O aspecto dos amigos era um tanto anormal. Will franziu o sobrolho:
-O que se passa?
-Pensavamos que já soubesses… - Referiu Rick, colocando o jornal de novo em cima da mesa.
William puxou-o para si e leu a notícia de abertura. No início não compreendeu o que a foto daquela velha casa lhe podia interessar, mas bastou-lhe começar a ler o texto para se dar conta da gravidade da situação.
-O que raio aconteceu?! – Indagou, perplexo -Isto é verdade?!
-O David está no hospital, gravemente ferido… - Anunciou Tom.
-Já a Margarett saiu ilesa. Está por casa, a receber cuidados da mãe.
-Cuidados da mãe?! – William alarmou-se com o relato de Rick – Isso é uma estupidez. Ela devia estar com a… - Ele calou-se. Daisy havia referido que Margarett queria ver David o quanto antes. Provavelmente na noite anterior ela tinha-a deixado ir encontrá-lo.
Por alguma razão, o rapaz sentiu remorsos pelo sucedido e aquelas dúvidas incessantes inquietaram-no. Ele levantou-se da mesa tão depressa como se sentou e fez um sinal à servente para cancelar o batido:
-Decsulpem, rapazes. Eu tenho que saber o que aconteceu!
Os outros dois tentaram responder, supresos com o interesse do Finkie, todavia, não foram capazes. Ele já tinha ido.
William saiu do Lili’s Diner com pressa, com três destinos em mente: O hospital, a casa de Margarett e a casa de Daisy. Não sabia qual seria o primeiro, todavia, com certeza que no momento o mais importante seria ver David. Correu para o hospital, então.
Não pode deixar de reflectir naquilo. Há pouco mais de dois meses rir-se-ia se lhe dissessem que no futuro iria visitar David ao hospital, com medo que algo lhe acontecesse. Provavelmente teria troçado e dado graças a Deus por o rival aprender uma lição, mas agora não era assim. Sabia quais as consequências disso e David não merecia. Muito menos Margarett.
Ele entrou no centro hospitalar, agitado, e dirigiu-se à recepcionista:
-Paisen, David! – Exclamou arfante – Como está ele?
-Calma, senhor. – Pediu a idosa que checava os pacientes – Não vou poder deixá-lo entrar agora. O horário de visitas é curto!
William resmungou para si mesmo e afastou-se irritado. Espreitou pelo corredor de acesso ao pacientes, tentado a avançar. Olhou de um lado para o outro até verificar se alguém estava a tomar conta dos seus gestos. Vendo o caminho livre, então, deu uma pequena corrida, derrapando a meio do caminho, quando se cruzou com Daisy.
-Daisy! – Exclamou, desajeitado.
A rapariga virou-lhe a cara ao lado, lavada em lágrimas. William percebeu que ela já tinha visto David e provavelmente a situação dele não era bonita.
-Como está ele? – Perguntou, sem saber se devia dar prioridade ao estado de Daisy ou se devia preocupar-se primeiro com o rapaz.
A jovem encostou-se à parede, com a cara tapada pelas mãos. O choro dela era silencioso, no entanto, os soluços e a respiração abafada eram difíceis de esconder.
-Daisy?
William sentiu-se um idiota. Ver Daisy naquele estado era quase tão mau como ver todas as margaridas de um jardim a serem arrancadas. Ele ruboresceu, sem saber o que lhe dizer. Num acto de ousadia, agarrou-lhe os pulsos, tentando que ela destapasse a face para que ele a pudesse olhar e entender o que se passava. Ela abanou a cara e encolheu-se.
Will franziu os lábios, incomodado e, baixinho, tentou compreendê-la:
-O que aconteceu, Daisy? – Perguntou e ergueu-lhe a face com as mãos, até ela o olhar - Sentes-te…?
-A culpa foi minha! – Os soluços escaparam-lhe por entre o choro e William não teve tempo de se inquirir pois a arapariga, livre de constrangimentos, abraçou-se a ele, com a cara enterrada no seu peito.
William sentiu-se estranhamente imobilizado com aquele abraço. Não soube o que dizer à amiga. Sem jeito, envolveu-a nos seus braços, sem a apertar.
-Perdoa-me, William! – Chorou a latina – Eu não devia ter deixado a Margarett sair de casa… - Constatou, ainda mais trémula – Eu… Eu sou a culpada.
-Daisy, tu não tiveste culpa. – Tranquilizou William, inseguro das suas palavras - Eles iam acabar por se encontrar a qualquer momento.
Daisy agarrou-lhe os braços e afastou o restanto corpo dele para encará-lo:
-O David voltou para trás por minha culpa! – Lacrimejou, desconsolada – Quando o fui ver, ele ainda tinha na mão a minha medalha. A medalha de prata que dei à Margarett para lhe dar sorte. – William franziu o sobrolho, pouco esclarecido - Foi por causa disto que o David voltou para trás, na casa em chamas!
Se até ali, William se sentia idiota, depois daquilo sentiu-se um completo retardado. Ele não pestanejou. Ficou a olhar Daisy como se não tivesse entendido nada do que ela disse, apesar de, obviamente, ele ter ficado esclarecido. Fazia sentido. David era o tipo de pessoa impulsiva que mergulharia de novo num mar repleto de tubarões caso fosse necessário para manter a honra de alguém. Will deixou um suspiro mudo cair e olhou para os lados. Só se deu conta que pesar de Daisy continuou porque ela se manifestou:
-Desculpa, William…
Ele mordeu o lábio e encolheu os ombros:
-Porque é que me estás a pedir de desculpa a mim?
-Porque contaste comigo e eu apenas estraguei tudo.
O filho de Mr. Finkie humedeceu os lábios e segurou a cabeça de Daisy, nervoso:
-Tu não tiveste culpa…! – Daisy engoliu o pranto, admirada com gesto de Will - E não quero que fiques com essa ideia errada, Daisy. Foste uma grande amiga, tanto para a Margarett e o David, como para mim. És incansável e quero que te convenças disso, está bem?
O jovem deu-lhe um beijo na testa. Daisy não respondeu. Sentia as pernas bambas pelo modo como William a fitava. Ele nunca o tinha feito. Não que ela se lembrasse. Em todas as suas memórias, provavelmente era a primeira vez que William a punha em primeiro plano… E isso agradava-lhe de uma forma que ela sabia que lhe ia doer mais tarde.
-Como está ele?
Daisy despertou dos seus pensamentos mais intimos.
-Horrivel. Tem o corpo quase todo queimado, a perna partida e tem a respiração fraca. Francamente, nem sei como sobreviveu… - Assumiu, triste.
-E a Margarett?
Ela cruzou os braços como se tivesse frio e suspirou:
-Eu não sei… Mas dadas as circunstancias, temo o pior. Deve estar presa em casa.
Will mordeu o lábio, inquieto:
-Então precisamos de ajudá-la.
-Não… - Daisy afastou-se de William – Da ultima vez que tentei, deu para o errado. Não vou voltar a intrometer-me para que a vida de alguém fique em risco!
-Daisy…!
-Não, William. Eu lamento, mas… - Ela fez um pausa para reflectir . Limpou o rosto e impediu-se de voltar a mostrar parte fraca – Eu tenho que ir para casa.
A latina virou costas. William viu-a a dasaparecer do corredor, em silencio, ainda de braços cruzados. Percebeu o receio dela, ainda que a sua consciência não lhe permitisse ficar parado.
Por causa disso, ele seguiu-a e pegoua pela mão:
-Tu tens que vir comigo. Eu preciso de ti…!
Daisy corou e William, apercebendo-se do sentido da sua frase, corrigiu-se:
-Ah…O que eu quero dizer, é que juntos somos mais… - Ela franziu as sobrancelhas, ao aperceber-se que ia dizer algo tonto de novo – Bom, a Margarett precisa também de uma amiga. Sózinho eu não sou capaz!
Daisy limpou o rosto e ponderou.
-Por favor, Daisy. Vem comigo!
A jovem engoliu em seco e, vencida, ficou com ele.
***
Margarett ainda não se tinha levantado do chão. Ficara deitada no tapete, lavada em lágrimas, desde que a mãe saíra de casa. Precisava do pai. Sabia que ele ainda demoraria dois dias a chegar e isso matava-a. Queria também ver David. Tinha tentado mais cedo sair de casa, mas o medo impediu-a.
Em silêncio, escutou a porta de casa abrir-se. Era Dorianne.
Margarett pode sentir os passos pesados da mãe, mas nem se moveu.
-Margarett! – Gritou a mulher, num estado de zanga que Margarett não decifrou.
A rapariga franziu as sobrancelhas, irritada:
-O que foi agora?!
Dorianne entrou na sala e contemplou a filha no mesmo sítio em que a deixara:
-Sua imprestável! Ficaste aí a tarde toda! Levanta-te!
A capacidade de Mrs. Wilson ser tão bruta ofereceu mais raiva a Margarett que lançou um olhar mortífero à progenitora:
-Não me chateie!
Mrs. Wilson agarrou-lhe o braço e puxou-a:
-Como ousas?!
Margarett pôs-se a pé com o puxão da mãe e gemeu:
-Lague-me! Está-me a magoar!
-Estás a pisar demasiadas linhas, minha menina! Sou tua mãe, deves-me respeito!
A mais nova impediu-se de chorar:
-Você não é minha mãe! É um monstro!
Dorianne esbofeteou a filha e logo a seguir sentou-a bruscamente no sofá grande:
-Só te vou perguntar isto uma vez, Margarett! Pensa bem no que me vais responder… - Dorianne olhou os olhos confusos da filha – O que estavas a fazer naquela casa com o David?
Mag corou de nervosismo. Ainda assim, não era capaz de mentir por mais tempo:
-Fui vê-lo para estarmos juntos, sem que nenhuma louca nos impedisse!
Dorianne bateu o pé no chão, com as mãos na cintura:
-Margarett… - Bufou – O que estavam lá a fazer?
A adolescente percebeu, pelo tom da mãe, que ela queria os pormenores. Queria saber aquilo que Margarett não podia dizer em voz alta. Sentiu as orbitas a arderem e calou-se.
A atitude de Dorianne foi óbvia como um anoitecer. Ela deu um estalo na cara da filha e logo a seguir tapou a boca com a mão, completamente transtornada.
-Tu…? – Dorianne esfregou o canto interno dos olhos. Não havia forma decente de perguntar aquilo à filha – Tu entregaste a tua pureza àquele rapaz?
Margarett encolheu-se, envergonhada. Limpou uma lágrima mal a sentiu a escorrer, de modo a que a mãe não visse.
-Margarett…! – Dorianne caminhou de um lado para o outro e deixou que o seu desdém se evidenciasse, ao soltar uma lufada de ar pesada – Tu perdeste a tua inocencia? – Perguntou baixinho. Margarett virou a cara ao lado, sem nada dizer – Responde! – Gritou a mais velha, frustrada.
Margarett soltou o choro e levantou-se do sofá:
-Sim! – Berrou, chorosa – Eu entreguei-me ao David! Eu perdi a minha virgindade com ele e se pudesse voltar atrás faria tudo de novo! Porque eu o adoro e confio nele! Eu amo-o e não posso imaginar uma vida sem ele!
Dorianne tapou o rosto, num queixume profundo:
-Que vergonha, meu Deus! – Praguejou – Como foste tão tonta?! Como pudeste cair no erro de abandonar a tua castidade antes do casamento, com um rapaz qualquer?!
Margarett teve vontade de bater na mãe. Cerrou os punhos com raiva e sobrepôs a sua voz à dela, num tom provocante:
-Foi a coisa mais prazerosa que eu fiz em toda a minha vida! – Exclamou, rindo desprezante por entre o choro – E se o David não estivesse no estado em que está, já estaria enrolada com ele numa cama qualquer, a fazer amor até amanha de manhã, se fosse preciso!
A mão de Dorianne Wilson acertou-lhe na cara com força. Margarett tinha pedido aquilo, pelo tom com que falava aquelas indecências. Todavia, ao invés de chorar e calar-se, ela riu-se mais, com desdém:
-Vê-se mesmo que não sabe o que é deitar-se completamente nua e satisfeita numa cama ao lado da pessoa que a fez…!
Dorianne gritou, enraivecida, interrompendo o descaramento da filha.
Agarrou o cabelo de Margarett e deu-lhe um estalo bruto. A rapariga tentou-se soltar, todavia Dorianne não poupou em açoites.
-Sua tola! Como és capaz de te rebaixar a esse ponto?!
-Eu já não sou uma miudinha! Já não sou a sua escrava!
Dorianne soltou Margarett e empurrou-a violentamente contra a parede:
-Pelo menos tomaste cuidade? – Indagou, horripilada.
-Cuidado?! - Margarett não compreendeu ao que a mãe se referia. Mas sentiu tremores por todo o corpo que a fizeram cair num carpido – Eu estou farta disto!
Mrs. Wilson afastou-se dela, desalmada:
-Estupida, estupida, estupida! Há quanto tempo é que não menstruas?!
-O quê?! – Margarett fitou a mãe, confusa. Sentia tanto ódio por ela, que nem conseguia pensar direito.
-Responde, Mag! Quando foi a ultima vez?!
Margarett atirou tudo ao ar, revoltada:
-Eu sei lá! – Respondeu, sem pensar.
A sua progenitora olhou-a com vergonha:
-Igualaste-te a uma galdéria!
-Eu não admito que…!
Mrs. Wilson não a deixou terminar. Margarett tinha tropeçado na pedra mais perigosa. A ira da sua mãe era desmedida ao ponto de as suas simples ameaças serem capazes de deixar Margarett com a mesma expressão do quadro “o grito”, de Edvard Munch. Dorianne agarrou o braço da filha e puxou-a, sendo a jovem Mag capaz de escutar um estalido na articulação do membro. Ela esperneou, então, tentando libertar-se da psicótica mulher que a dera à luz, não obstante, a cólera desta deixara-a completamente cega. Dorianne Wilson agrediu a própria filha como se ela tivesse menos valor do que um rato do esgoto. Margarett sentiu a visão desfocada quando uma bofetada bem assente lhe fez sentir na boca o gosto a sangue. Devido a esse grau de violência, ela gritou, histericamente, com esperança que alguém a ouvisse ou, na pior das hipóteses, que os seus berros furassem os tímpanos da sua agressora.
-Seu monstro! – Margarett urrou, quando deu por si sem alguns fios de cabelo.
Dorianne ignorou as acusações da filha e fê-la entrar no seu próprio quarto. Num gesto rápido, atirou a filha para cima da cama que partilhava com o marido e dirigiu-se ao guarda-fatos, em busca de algo. Margarett tentou-se levantar, mas antes que pudesse por-se a pé, Dorianne agarrou-a e começou a retirar-lhe a blusa:
-Não aprendeste nada com a tua própria existência, pois não? Não bastou desflorares o teu corpo com um ladino qualquer, ainda foste dar-lhe a hipótese de te emprenhar, sua desenvergonhada!
Margarett ganiu, em pânico. Ao tentar soltar-se da mão da mãe, reparou no cinto do pai, enrolado à volta da mesma. Desesperada, carpiu por misericordia, mas a mulher não a escutou. Voltou a empurrá-la para a cama, de barriga para baixo, e, antes que a rapariga se conseguisse mover, deu-lhe uma chicotada que a fez suster a respiração de dor. O lamurio da moça tornou-se mudo a cada nova lategada, ao contrário do som do couro a acertar-lhe no corpo. Talvez tivesse sido uma má escolha de distração, todavia, Margarett teve de arranjar uma forma de não pensar na dor. Assim, contou as chicotadas que a mãe lhe deu. Cada uma a fazia saltar um pouco, só que o ritmo foi abrandando, talvez por cansaso de Dorianne.
Quando a ultima aconteceu, Margarett deixou uma lágrima rolar-lhe pela face, sentindo aquele liquido salgado a secar-lhe a pele, ao mesmo tempo que lhe fazia arder as feridas. Dorianne sentou-se no chão, encostada ao guarda-fatos e atirou o cinto de Adolfe para o chão. Margarett reparou em marcas escarlates das entranhas do couro negro.
Sangue, deduziu. E tudo por insanidade.
Ela fitou a mãe e admirou-se. A mais velha estava lastimada. O seu cabelo grisalho, normalmente preso no alto da cabeça, estava solto e embaraçado. Era isso que lhe tapava o rosto. Isso e as mãos que, sujas de vergonha, lhe escondiam a expressão de desonra. Estava, do mesmo modo, descalça e sem collants, sendo possível ver-lhe as varizes e os derrames roxos, causados pelo tempo e pelo trabalho. Os pés tinham joanetes acentuados e as mãos estavam picadas e com calos. Margarett, pela primeira vez desde que se conhecia, achou a mãe dotada de uma feiura nojenta, como um sapo. Tentou compará-la a Mrs. Finkie ou a Mrs. Paisen. Tinha a certeza que ambas as mulheres teriam também os mesmos defeitos. Mas porque não as considerava feias? Margarett não precisou de pensar muito. Era o sorriso e a alegria delas. Por muitos pormenores feios que lhes enfeitassem o corpo, elas emancipavam beleza por todos os poros. Os sorrisos radiantes, os olhares animados… Mrs. Wilson não tinha nada disso. Apenas um coração amargurado. No meio de toda a sua desgraça, Margarett sentiu pena da mãe. Mas uma pena que não lhe daria o perdão, com certeza.
-Eu não estou grávida… - Margarett murmurou.
Dorianne não se moveu:
-Eu também achava que não estava…
-Eu não estou! – Lacrimejou a miúda, desfeita.
Dorianne espreitou-a. O seu rosto estava coberto de poças de água salgada.
Ela levantou-se e pôs o cabelo atrás da orelha. Olhou Margarett uma última vez e saiu do quarto. A adolescente julgou que ficara finalmente sozinha, mas enganou-se.
Dorianne voltou a entrar no quarto com um alguidar cheio de água quente e um paninho. Sentou-se na cama, ao lado da filha e molhou o pano, espremendo-o de seguida. Mag não disse nada. Mas gemeu, quando sentiu a mãe a tentar limpar-lhe o sangue das feridas abertas.
-Porque me obrigas a fazer estas coisas, Maggie? Achas que eu gosto? – A jovem não foi capaz de responder. Mantinha o dedo polegar perto dos lábios e roia-lhe a unha, fragilizada – Achas que sinto prazer em bater-te?
Na mente da sua filha a resposta era positiva. Porém, Margarett não respondeu. Deixou-se estar, enquanto a mãe lhe limpava as feridas.
-Quero que compreendas porque o faço. És minha filha e não quero que tenhas um futuro arruinado. Daria a vida por ti.
Margarett deplorou, incrédula:
-Por favor! Chega de mentiras! – Exclamou.
Dorianne calou-se, revoltada. Levantou-se da cama e largou o pano dentro da bacia. Aproximou-se da janela e espreitou a vista que dava para a rua.
-Vamo-nos embora daqui.
-O quê? – Mag esperou uma resposta. Aquela afirmação não fazia sentido.
-Nós vamos embora daqui. – Repetiu a esposa de Adolfe Wilson - Desde que chegamos que perdeste todos os teus modos. E eu os meus. Vamos sair da cidade por uns tempos.
-Não! – O pranto de Margarett regressou, mais agressivo e desequilibrado do que anteriormente - Eu não me vou embora!
-Não regateies! – Exclamou Dorianne.
Margarett sentiu as forças a sumirem. Tentou levantar-se da cama, para se opor àquela ideia insana:
-Não, por favor, mamã!
A imploração de Margarett não foi capaz de convencer a sua progenitora. Em vez disso, ela virou-lhe costas e pegou na mala de viagem que tinha em cima do armário.
-Chega, Margarett! Tu, deveras, ainda não aprendeste a lição?!
Margarett tapou a boca com a mão, lacrimosa. Não sabia o que fazer. Apenas a imagem de David lhe vinha à cabeça. Faria o que a mãe quisesse, desde que pudesse vê-lo. Transtornada, ela tapou os seios descobertos e soluçou:
-Pelo menos deixe-me vê-lo…
Dorianne encarou o seu fruto, estagnada. Ponderou sobre o pedido dela, apesar de saber que nem por sombras permitiria a filha de sair de debaixo da sua vista.
-Não, Margarett. Queres-te despedir? Escreve-lhe uma carta, como fazias antigamente. Pelo menos dessa forma não me causas nenhum percalço!
-Mas, mamã…!
-Chega! – O brado de Dorianne calou Mag. O seu olhar mortífero não lhe deixou dúvidas. Ela não tinha escapatória para aquilo.
Então, Margarett fez o que a mais velha lhe sugeriu. Acompanhada por ela, sentou-se na escrivaninha do seu quarto e pegou numa das suas folhas perfumadas, que utilizava exclusivamente para escrever a David. Com a mãe atrás de si, a guardar poucas das suas roupas na mala, ela escreveu a carta com pesar, chorando a cada palavra que desenhada. Quando terminou o texto, levou a mão às costas, até tocar numa das feridas doloridas. Ao sentir os dedos molhados de sangue, encarou-os e sem que a mãe se apercebesse, marcou-os na carta. Dobrou o papel em três partes e logo colocou num envelope. Depois pensou no pai que, alheio ao que se estava a passar, devia chegar em dois dias. Não podia imaginar como reagiria ele ao ver que ela e a mãe tinham ido embora. Frustrada, olhou a mãe:
-E o papá?
Dorianne mirou Mag, sem responder. O pânico atolou-se nela como um zombido ensurdecedor. Ela pegou noutro papel e escreveu um recado rápido ao mais velho, com medo que não tivesse outra oportunidade para o fazer.
Terminando de preparar a mala, Dorianne fechou-a e levantou-se. Retirou a roupa que restava a Margarett e ajudou-a a trajar um vestido azul-marinho, escuro o suficiente para que, caso o sangue atravessasse o tecido, as pessoas não pudessem notar. Margarett manteve-se imóvel enquanto a mãe a preparava. Tinha reflectido sobre isso. Fingia que se tinha rendido e quando pusesse o pé na rua, fugia. Só precisava de sorte.
A sua mãe agarrou-a e desceu as escadas sem a largar. A rapariga manteve o silêncio, sem nunca soltar as duas cartas que escrevera. Qunado alcançaram o hall de entrada, as duas pararam. Dorianne dirigiu-se ao telefone, sem deixar que Margarett lhe escapasse.
-Central de Taxis?
A mais velha tinha feito a chamada sem tirar a vista de cima da filha. Indicou o endereço e depois, quando a chamada terminou, esperaram as duas em silêncio. Margarett aproveitou o momento e pousou a carta para o pai no móvel de entrada. Margarett sabia que não tinha escapatória. Só se moveu quando escutou uma buzinadela no exterior e a mãe a segurou pelo pulso e a arrastou consigo. Ao sentir a luz do sol bater-lhe na pele, a jovem esperou que a mãe a largasse por apenas dois segundos para que pudesse fugir, todavia ela não o fez. O pânico começou então a acumular-se nas suas entranhas e o desespero fê-la olhar em redor, em busca de alguém que a pudesse ajudar. Para seu azar, a vizinhança estava calma e gritar era demasiado perigoso naquelas circunstâncias.
O taxista, então, pegou na mala que Dorianne lhe entregou e Margarett encarou-a, piedosa:
-Mãe, a carta… Por favor – Pediu.
Dorianne olhou em redor, para se assegurar que não havia por ali nenhum obstáculo. Suspirou e, com cautela, largou a filha. Mag, vendo aí a sua oportunidade, deu um salto e decidiu tentar a sua sorte. Correu, desta maneira, para tentar escapulir-se.
Porém, uma parte de Dorianne já previa aquilo. Calmamente, a mulher ordenou ao taxista que seguisse a adolescente e o homem, ingenuo e obediente, seguiu a rapariga mostrando-se mais veloz do que ela. Alcançou-a e arrastou-a para levá-la de volta para o carro.
Margarett esperneou em pânico. Não podia acreditar que aquele homem, que até parecia ser uma pessoa humilde, estava do lado da sua progenitora.
-Solte-me, por favor!
O homem ignorou-lhe as implorações e levou-a de volta para junto da mãe. Apesar de confuso, o taxista havia arranjado uma teoria para a situação: A jovem, indomável, recusava-se a deixar a cidade. E, como era menor de idade, não podia separar-se da mãe. Isso parecia-lhe ser a situação ocorrente, todavia, o homem ignorava outros factos. Factos como os maus tratos de Dorianne e o facto de o Pai de família estar ausente e alheio à situação.
-Não voltes a fazer uma esperteza destas, minha menina. – Ameaçou Dorianne, agarrando-a com força.
Margarett tentou libertar-se sem sucesso. Estava a ver a sua vida toda a andar para trás. Sentia que estava a reviver novamente a sua partida para França, entrando no carro forçadamente. Claro que, desta vez, ela não ia para França. Pelo menos, ela acreditava que não.
A sua mãe empurrou-a para o banco de trás do táxi, sem a deixar escapar.
Num pranto indisciplinavel e incosolavel, a jovem entrou no carro e voltou-se para trás, com fé que conseguiria ver alguém que a ajudasse através vidro traseiro. Para sua surpresa, viu ao longe um carro familiar a aproximar-se. Era William, acompanhado por Daisy. Numa explosão de energia, Margarett arranhou a cara da mãe com força e abriu a porta do táxi para ter mais tempo de os alcançar. Dorianne deu um berro furiosa quando Margarett correu na direcção do outro veiculo que ainda estava um pouco longe. Seguiu-a, portanto, sabendo que não podia fazer nenhuma cena que a denunciasse:
-Margarett! – Gritou.
Daisy estava um pouco envergonhada por estar sentada no banco de passageiro ao lado de William. Apesar de o rapaz ter-lhe implorado para que ela o acompanhasse, ela não podia deixar de pensar no que as pessoas que viam de fora iam deduzir. Não era a coisa mais decente de se fazer. Ela suspirou, ignorando essas ideias, e focou a sua visão na paisagem. A jovem latina deu um salto ao reparar em Margarett ao longe a acenar e mandou William parar o seu automóvel. Ela abriu a porta e saltou para fora do carro, correndo ao encontro da loira.
-Margarett! – Chamou.
Margarett sorriu de alívio e quando se alcançaram ela abraçou-a, trémula:
-Oh, Daisy! Ajuda-me, por favor! – Implorou, chorosa.
A loira voltou a sua iris azul na direção mãe, que tinha ficado muito para trás.
-Margarett Wilson! Volta imediatamente! – Gritou Mrs. Wilson ainda perto do Taxi.
Daisy segurou a mão de Margarett, deduzindo que a mulher não podia querer nada de bom:
-Não vás! Eu e o William protegemos-te!
Margarett não conteve as suas lamúrias e agarrou Daisy com a mesma força que Daisy a segurava:
-Não…Eu não posso fugir. Não agora! – Soluçou, apressada – Eu só preciso que me faças um grande favor!
-O que tu precisares! – Assegurou a latina, insegura.
O Pranto de Margarett intensificou-se, adequirindo um tom mais imponderado que tocou Daisy.
-Preciso que entregues esta carta ao David! – Rogou a lacrimosa e, de seguida, entregou-se o envelope já amarrotado – Como está ele? – Inquiriu, desolada.
Daisy não soube o que lhe responder. Mexeu nos braços, desajeitada:
-Desculpa, Margarett… A culpa é minha!
Mag abanou a cabeça na negativa, no entanto, não desmentiu que a amiga tinha um pouco a ver com o sucedido. Abraçou-a, portanto. As emoções de Daisy foram impossíveis de se guardar. A rapariga caiu num choro quase tão sofrido quando o de Mag.
-Por favor… - Margarett afastou-se dela e amarrou as mãos aos ombros da morena – Diz-lhe que o amo! E… E que vou voltar, assim que conseguir… E… - Margarett bramou, pesarosa – Diz-lhe que resista!
Daisy tapou a boca para abafar o choro, mas acenou afirmativamente.
-Margarett! – Dorianne chamou, impaciente, aproximando-se cada vez mais rápido.
Margarett limpou o choro, quando viu William a correr na sua direção após estacionar o carro.
-O que aconteceu? – Perguntou, ofegante, quando chegou ao pé das duas.
Margarett não foi capaz de lhe dizer nada. O lábio inferior tremia sem controlo e ela já sentia o nariz a pingar:
-Digam ao meu pai que…
Ela chorou mais. Não sabia o que dizer ao pai. Era triste, mas era verdade. Ia-lhe explicar o quê? Que a mãe e ela sumiram? Não havia forma de o fazer.
Daisy, como que lendo os seus pensamentos, abraçou-a:
-Eu explico-lhe!
Mag agradeceu e depois dirigiu-se a William, ainda mais acelerada:
-Will… És um amigo incansável! Nunca me hei-de perdoar por não ser capaz de fazer por ti o que fizeste por mim, sem que eu merecesse… - Disse, limpando as olheiras encharcadas – Por favor, perdoa-me!
William sentiu-se estranho com aquilo. Humedeceu os lábios e moveu no cabelo, desajeitado:
-Isso já passou… Eu já…!
-Não! – Margarett negou – Tu merecias melhor…
Ela abraçou-se a William e depois abraçou Daisy em conjunto. Escutou de novo a voz de Dorianne, cada vez mais perto e separou-se dos amigos:
-Entreguem-lhe a carta em mãos, por favor!
Daisy acenou afirmativamente.
-Onde é que tu vais? – Indagou William, um pouco emocionado.
-Eu não sei… Mas eu vou voltar! Podem esperar… E façam o David perceber isso!
Will deu-lhe força:
-Estamos do teu lado.
Margarett carpiu sem medida e virou costas, correndo de novo para junto da mãe. Quando a mais velha a apanhou, arrastou-a para o Taxi e então, ele partiu, sendo ainda possível ver as lágrimas de Margarett Wilson através do vidro traseiro do automóvel.
Daisy encarou o envelope e depois olhou William.
-Will… - Gaguejou, num lacrimejar quase cantado – Por favor, ajuda-me…! Eu não posso fazer isto sozinha… Por amor de Deus!
William abraçou Daisy com todas as suas forças ali mesmo, no meio da rua, debilitado com o ocorrido.
Não podia explicar o que tinha acabado de acontecer. Como tinham deixado Margarett ir a lugar algum com Mrs. Wilson e não tinham sequer tentado impedir. Não sabia o que estava ali a fazer, não sabia se mais tarde de ia arrepender ao ponto de nunca se perdoar na vida, no entanto, tinha a certeza que faria o que Margarett lhes pedira.
-Eu não consigo… - Daisy murmurou, rouca.
Ela enterrou a cabeça no ombro dele e esperou que ele dissesse alguma coisa. Não era capaz de acreditar que tinha ficado parada.
-Vamos sair daqui! – Pediu William.
-Temos que ir lá agora? – Inquiriu a moça.
William negou. Era demasiada pressão. Seria melhor no dia seguinte, quando ambos já estivessem que cabeça fria e quando David já estivesse um pouco mais disperto.
-Não… Vamos apenas dar uma volta…
Daisy agradeceu. Afastou-se de William e baixou o olhar, envergonhada por se ter exposto tanto a ele. O rapaz, agradecido por se poder abrir com Daisy, acompanhou-a para o carro e abriu-lhe a porta como um verdadeiro cavalheiro. Entrou no carro e olhou para o volante, perdido.
-Para onde vamos? – Daisy quis saber.
William bufou e agitou o crânio em sinal de falta de ideias:
-Vamos sem destino.
Daisy tentou sorrir e assentiu. Encostou a cabeça à porta e esperou para ver onde os dois iam parar.
***
Margarett não tinha falado a viagem toda. Esforçara-se para suster o carpido, de modo a não importunar o silêncio que ia dentro do táxi. Tentou decorar a paisagem para depois conseguir voltar, mal pudesse. Não tinha conhecimento do lugar para onde se dirigiam, mas pelo que percebeu era longe. Deviam estar quase a chegar a Charlotte. Margarett perguntou-se o porquê daquele destino, sem pensar no mais óbvio.
Só quando viu um avião a passar no céu é que teve um flash:
-Aeroporto? – Questionou, assustada.
Mrs. Wilson manteve o nariz para o ar e a perna alçada, sem dar qualquer esclarecimento à filha.
À medida que se aproximavam do aeroporto internacional de Charlotte/Douglas, os receios de Margarett sofreram uma metamorfose que os ampliou. Não podia ser. A sua mãe não faria algo assim:
-Mãe? Onde vamos?
Dorianne bufou e quando o táxi estacionou, agarrou de novo o pulso da filha e arrastou-a consigo:
-Não te afastes e comporta-te! – Ordenou.
O taxista retirou a mala para fora e Dorianne pagou-lhe. Margarett tentou olhar para todos os lados em busca de resposta. As pessoas iam passando por ela, chegando e partindo. Mas ela não compreendia o que estavam ali a fazer.
Quando a mãe alcançou o balcão do Check-in , travou-a bruscamente:
-Onde vamos?! – Exigiu saber, fora de si.
-Sair daqui. Já te disse filha!
-Não! Eu pensei que íamos apenas para outra cidade, passar uma semana ou duas. Um mês no máximo! Não apanhar um avião!
Dorianne bateu beliscou-a com força:
-Não faças cenas loucas! És menor de idade e se tentares fugir tem polícias suficientes para te perseguirem e te trazerem até mim, que sou tua mãe, portanto, para teu próprio bem, obedece-me!
-Não pode fazer isto!
Mrs. Wilson ignorou-a. Pegou nos documentos e entregou a uma mulher que lhe entregou dois bilhetes.
Depois, arrastou a filha na direção das portas de embarque. Margarett tentou parar e soltar-se, mas sem sucesso. A sua cabeça começou a andar à roda e as pessoas passavam por ela rapidamente. A sua visão tornou-se desfocada e uma sensação de náusea fê-la travar a respiração.
Dorianne, irritada com a moleza da jovem, deu-lhe um puxão.
Só não contava que a filha desmaiasse no preciso momento.
Crash - Sum41
Meu querido e amado David,
É com muito pesar que te escrevo esta carta, mesmo não sabendo se a conseguirás ler, devido à fatalidade da nossa última noite. Fui tola em negar os teus agoiros em relação aos nossos obstáculos. Inacreditava eu que Deus colocaria uma pedra tão grande no nosso caminho. Ainda assim, sinto-me incapaz de renunciar a este amor por ti e tenho fé que, mais tarde ou mais cedo, os planetas se alinhem e nos coloquem de novo no caminho da felicidade.
As minhas palavras não são, de todo, as mais bem escritas, nem tampouco as mais felizes, todavia este foi o único jeito de chegar até ti, meu amor. Não imaginei sequer que teria que te escrever outra carta, convencida que o nosso futuro juntos já estava traçado. Deves estar a perguntar-te o porquê de eu o fazer e qual a razão de palavras tão tristes. No entanto, a única coisa que te posso adiantar é que se estás a ler esta carta, é porque não fui capaz de subsistir à força maledicente da minha mãe. Ela castigou-me da forma mais mordaz que conseguiu, tentando fazer-me arrepender dos meus actos para contigo. Num segundo, limpava-me feridas que ela própria provocou e no momento seguinte guardava as nossas coisas numa mala. Disse que tínhamos de ir embora e isso é tudo o que sei. As minhas lágrimas são mais pesadas do que alguma vez foram, todavia, peço-te a ti, meu amado e meu melhor amigo, que tenhas força para suportara minha ausência, do mesmo modo eu que tentarei ter. Para onde quer que eu vá, levo-te comigo em pensamento e deixo-te metade da minha alma para te ajudar a recuperar desses males causados pelo fogo que nos separou.
Infelizmente, o meu tempo para te escrever escasseia, portanto, termino esta carta da mesma forma que todas as outras começaram: com uma promessa. Quero que saibas, meu David, que farei o possível e o impossível para voltar para os teus braços. Peço-te que me aguardes, mantendo o teu amor por mim vivo e eu prometo-te, com o meu sangue manchado nesta folha, que hei-de voltar para ti, mais tarde ou mais cedo.
Com dor e angústia, despeço-me então de ti, crente que, o mais brevemente possível, estaremos juntos de novo.
Com todo o meu amor, Até breve, David.
Margarett
Tudo foi ao ar. As enfermeiras entraram apressadas e agarraram o rapaz que, mesmo com o corpo no pior estado e a perna partida, se agitou de uma maneira assustadora, tentando, a todo o custo, sair daquela cama de hospital. A sua agressividade custou-lhe um ataque de tosse compulsiva e uma crise de asfixia, devido à dificuldade em inalar oxigénio, porem, o rapaz estaria disposto a morrer, se fosse capaz de trazê-la de volta.
-Margarett! – Berrou, fora de si.
As enfermeiras agarraram-lhe os membros com força e uma delas, com uma seringa, sedou-o. Lentamente, o jovem começou a perder as forças e, como uma única ideia em mente, apagou.
Hospitais dos anos 50:
Spoiler

:Spoiler

Spoiler


Spoiler


Este capitulo podia muito bem ser um fim para a história, mas não, este não será o ultimo capitulo. Ainda haverão mais alguns para finalizar a fic.
Enquanto isso, espero que tenham gostado deste!

Bjokas
as minhas fic's:
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
-Angelical
Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
-Angelical
Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^
Por algum motivo, não consigo ver a tua imagem dos hospitais dos anos 50, mas consegui ver todas as outras.
Vi a série Pan Am, e quando começas-t a escrever no capitulo q ela iria de avião, imaginei logo a série, e as hospedeiras todas bem vestidas
Adorei o facto de acabares o capitulo com a carta, tornou muito bonito:) e sim parecia o final da fic, mas era bem trágico XD
Acho q é mesmo necessário q apareça o Mr.Wilson, pr salvar a pobre Margarret, s não ninguém mais as encontra...
Agora despacha-te a publicar o próximo capitulo, e já sei q quando o fizeres já estamos juntas na nossa Serrinha, e assim já vou poder comentar contigo pessoalmente, e puxar cordelinhos, pr saber como acaba a historia! XD
Beijinhos e abracinhos Macedo
Vi a série Pan Am, e quando começas-t a escrever no capitulo q ela iria de avião, imaginei logo a série, e as hospedeiras todas bem vestidas

Adorei o facto de acabares o capitulo com a carta, tornou muito bonito:) e sim parecia o final da fic, mas era bem trágico XD
Acho q é mesmo necessário q apareça o Mr.Wilson, pr salvar a pobre Margarret, s não ninguém mais as encontra...
Agora despacha-te a publicar o próximo capitulo, e já sei q quando o fizeres já estamos juntas na nossa Serrinha, e assim já vou poder comentar contigo pessoalmente, e puxar cordelinhos, pr saber como acaba a historia! XD
Beijinhos e abracinhos Macedo
Olá Lulu!
A música que escolheste caiu na perfeição. Pude sentir toda a tristeza traduzida por aquela carta.
Para mim este foi o capítulo mais triste de toda a fic.
Senti raiva, imensa raiva da Dorianne. O facto de ela lhe bater foi imperdoável, mas o facto de ela querer limpar as feridas que tinham sido por sua própria culpa, eu sou totalmente pacifista e acredito que lutar não leva a anda, mas honestamente naquele momento quis verdadeiramente espancar aquela mulher.
Não sei qual o destino que lhe reservas, mas seja o que for espero que faça justiça a tudo o que fez, que prove de cada um dos seus venenos. Só assim saberá como a outra pessoa se sentiu.
Espero mesmo que o pai da Mag apareça....
Enfim, espero pelo próximo.
"Agora despacha-te a publicar o próximo capitulo, e já sei q quando o fizeres já estamos juntas na nossa Serrinha, e assim já vou poder comentar contigo pessoalmente, e puxar cordelinhos, pr saber como acaba a historia! XD"
Oh, isso é batota!
Também quero!
Beijinhos*
A música que escolheste caiu na perfeição. Pude sentir toda a tristeza traduzida por aquela carta.
Para mim este foi o capítulo mais triste de toda a fic.
Senti raiva, imensa raiva da Dorianne. O facto de ela lhe bater foi imperdoável, mas o facto de ela querer limpar as feridas que tinham sido por sua própria culpa, eu sou totalmente pacifista e acredito que lutar não leva a anda, mas honestamente naquele momento quis verdadeiramente espancar aquela mulher.
Não sei qual o destino que lhe reservas, mas seja o que for espero que faça justiça a tudo o que fez, que prove de cada um dos seus venenos. Só assim saberá como a outra pessoa se sentiu.
Espero mesmo que o pai da Mag apareça....
Enfim, espero pelo próximo.
"Agora despacha-te a publicar o próximo capitulo, e já sei q quando o fizeres já estamos juntas na nossa Serrinha, e assim já vou poder comentar contigo pessoalmente, e puxar cordelinhos, pr saber como acaba a historia! XD"
Oh, isso é batota!
Também quero!Beijinhos*
Oh raios, amaldiçoo os exames e a caça ao caloiro. Não me dá tempo para nada!!
Desculpa o atraso a comentar, Lulu. Como especifiquei acima, tive muito que fazer e, no tempo livre que tinha, nem me passou pela cabeça comentar o capitulo (que li no dia em que foi postado
). Mas hoje é diferente.
Começaremos com a Dorianne... Gente como ela faz-me acreditar na Pena de Morte, mas depois uso o meu bom senso e admito que a morte é um castigo demasiado leviano para gente que a mereça, como ela. Querer limpar as feridas que provoca na filha mostra algo mais para além da insanidade, um comportamento sociopata.
Espero que a Maggie não esteja grávida. E digo-te porquê: Porque a Dorianne será capaz de a matar só para lhe tirar a criança de dentro dela
Estou a gostar do modo como a história se está a desenvolver. Dá-me a sensação que agora as coisas ficarão difíceis até atingirmos o climax total e termos o fim. Nunca imaginaria que Dorianne seria o maior problema dos jovens. Achava sempre que seria o Jack ou até mesmo a Britt. Enganei-me pelos vistos.
Entendo porque colocaste a relação Will/Daisy ali no meio para a adocicar as coisas, mas eu sou da opinião que quando as coisas estão mal para os protagonistas, mostrar o bem das outras personagens não funciona. Nunca consigo me deixar levar. Fico sempre à espera que a cena acabe para passarmos à parte importante. Mas não te culpo. Esta altura é a melhor para aproximar aqueles dois. Ai, ai, ai, que este Will finalmente começa a perceber as coisas
A tristeza da Srª. Paisen revirou-me o estomago. Realmente, imagino como tenha sido dificil escrever no ponto de vista dela, perder o nascimento do neto e correr o risco de perder o filho. Gostei de teres posto a mulher a falar com um outro paciente ao acaso, ao invés dos lermos os seus pensamentos. Uma forma diferente de expressares as agonias, mas sem estas ficarem acumuladas dentro de uma pessoa.
A Maggie não tem sentido de sobrevivência nenhum! Acho estúpido ela acreditar que ninguém a ajudaria a fugir da mãe quando ela tinha as costas cheias de cicatrizes. Há provas físicas de que a mãe a maltrata, porque dariam a custódia à Dorianne com todas as marcas que a Maggie tem nas costas? Para não falar que casos destes chamam obrigatoriamente a intervenção do pai. E o Will e a Daisy ali especados, sem fazer nada... Ai, mas que idiotas!
(não é a sério, mas fiquei mesmo com raiva nessa cena).
O Adolfe tem que voltar. Dorianne levou as coisas longe de mais. Raptou e maltratou a filha e acho que ainda vai fazer pior. Ele tem que aparecer e tirar a Maggie das mãos da mãe antes que seja tarde demais. E já incluo o David no "tarde demais". Ele vai cometer uma loucura, sem duvida alguma. Aquela carta foi tão triste!
Raios Lulu, acabaste numa parte em que eu fico a roer as unhas por mais. Não demores muito a postar um novo capítulo, por favor! Eu porto-me bem e como todos os meus vegetais, prometo
Desculpa o atraso a comentar, Lulu. Como especifiquei acima, tive muito que fazer e, no tempo livre que tinha, nem me passou pela cabeça comentar o capitulo (que li no dia em que foi postado
). Mas hoje é diferente. Começaremos com a Dorianne... Gente como ela faz-me acreditar na Pena de Morte, mas depois uso o meu bom senso e admito que a morte é um castigo demasiado leviano para gente que a mereça, como ela. Querer limpar as feridas que provoca na filha mostra algo mais para além da insanidade, um comportamento sociopata.
Espero que a Maggie não esteja grávida. E digo-te porquê: Porque a Dorianne será capaz de a matar só para lhe tirar a criança de dentro dela

Estou a gostar do modo como a história se está a desenvolver. Dá-me a sensação que agora as coisas ficarão difíceis até atingirmos o climax total e termos o fim. Nunca imaginaria que Dorianne seria o maior problema dos jovens. Achava sempre que seria o Jack ou até mesmo a Britt. Enganei-me pelos vistos.
Entendo porque colocaste a relação Will/Daisy ali no meio para a adocicar as coisas, mas eu sou da opinião que quando as coisas estão mal para os protagonistas, mostrar o bem das outras personagens não funciona. Nunca consigo me deixar levar. Fico sempre à espera que a cena acabe para passarmos à parte importante. Mas não te culpo. Esta altura é a melhor para aproximar aqueles dois. Ai, ai, ai, que este Will finalmente começa a perceber as coisas

A tristeza da Srª. Paisen revirou-me o estomago. Realmente, imagino como tenha sido dificil escrever no ponto de vista dela, perder o nascimento do neto e correr o risco de perder o filho. Gostei de teres posto a mulher a falar com um outro paciente ao acaso, ao invés dos lermos os seus pensamentos. Uma forma diferente de expressares as agonias, mas sem estas ficarem acumuladas dentro de uma pessoa.
A Maggie não tem sentido de sobrevivência nenhum! Acho estúpido ela acreditar que ninguém a ajudaria a fugir da mãe quando ela tinha as costas cheias de cicatrizes. Há provas físicas de que a mãe a maltrata, porque dariam a custódia à Dorianne com todas as marcas que a Maggie tem nas costas? Para não falar que casos destes chamam obrigatoriamente a intervenção do pai. E o Will e a Daisy ali especados, sem fazer nada... Ai, mas que idiotas!
(não é a sério, mas fiquei mesmo com raiva nessa cena). O Adolfe tem que voltar. Dorianne levou as coisas longe de mais. Raptou e maltratou a filha e acho que ainda vai fazer pior. Ele tem que aparecer e tirar a Maggie das mãos da mãe antes que seja tarde demais. E já incluo o David no "tarde demais". Ele vai cometer uma loucura, sem duvida alguma. Aquela carta foi tão triste!
Raios Lulu, acabaste numa parte em que eu fico a roer as unhas por mais. Não demores muito a postar um novo capítulo, por favor! Eu porto-me bem e como todos os meus vegetais, prometo
Espero por ti em cada segundo , porque tu és o meu mundo!

Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
Visitem a minha 1ª Fic ----->The Four elements

Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
Visitem a minha 1ª Fic ----->The Four elements
"entro devagarinho e em pezinhos de lã"
>F
Ola. Desculpa por não ter vindo comentar mais sedo e isto não que disser que não esteja a acompanhar a finc soque me da uma preguiça enorme de me por on e acabo por não comentar xd
E como já não é novidade nenhuma cada vez adoro o que escreves e não consigo de deixar de ler as tuas fincs, cada vês parecem mais empolgantes e fascinantes.
Ai essa Dorianne é mesmo uma bruxa já não posso com ela como é que pode tratar assim a sua própria filha só da vontade de lhe partir a cara toda e ainda para mais aliar-se ao traste do Jack. Essa mulher não devia de ser mãe é pior que um mostro sem escrúpulos. Pobre do David que teve de ir parar ao hospital naquele estado lastimável e a Maggie coitadinha o que terá de sofrer mais nas mãos daquela psicopata da mãe e não me admirou nada ela ter desmaiado depois da sova que a mãe lhe tinha dado. Espero que não demores muito tempo a postar um novo capitulo se não vai me dar uma coisinha ma pela ansiedade.
kiss
>F
Ola. Desculpa por não ter vindo comentar mais sedo e isto não que disser que não esteja a acompanhar a finc soque me da uma preguiça enorme de me por on e acabo por não comentar xd
E como já não é novidade nenhuma cada vez adoro o que escreves e não consigo de deixar de ler as tuas fincs, cada vês parecem mais empolgantes e fascinantes.
Ai essa Dorianne é mesmo uma bruxa já não posso com ela como é que pode tratar assim a sua própria filha só da vontade de lhe partir a cara toda e ainda para mais aliar-se ao traste do Jack. Essa mulher não devia de ser mãe é pior que um mostro sem escrúpulos. Pobre do David que teve de ir parar ao hospital naquele estado lastimável e a Maggie coitadinha o que terá de sofrer mais nas mãos daquela psicopata da mãe e não me admirou nada ela ter desmaiado depois da sova que a mãe lhe tinha dado. Espero que não demores muito tempo a postar um novo capitulo se não vai me dar uma coisinha ma pela ansiedade.
kiss
a minha primeira fic "AS FILHAS DA LUA"passem na minha fic e comentem XD

Traços do destino
visitem o meu forum http://eterna-sailor-moon4.forumeiros.com/forum.htm

Traços do destino
visitem o meu forum http://eterna-sailor-moon4.forumeiros.com/forum.htm
Meu Deus... Até tenho vergonha de aparecer aqui passado tanto tempo e com um capitulo tão... Pouco especial!
Enfim, hoje não me vou prolongar muito. Espero que gostem do capitulo! E já agora, fiz uma pequena montagem no Polyvore.com inspirada no capitulo que vou partilhar convosco.
Mas, quando os rebentos se atrasavam demasiado, a janela era o local onde se instalavam, sempre à espera de os avistar.
Mrs. Paisen não era exceção à regra. Na cozinha, desviou a cortina da janela e espreitou o exterior.
Mesmo com a barreira de vidro, era capaz de escutar uma tosse seca vinda das escadas da fachada. Agitada com isso, a mulher dirigiu-se ao bengaleiro e vestiu o seu casaco para ir até ao exterior.
Abriu a porta de entrada e cruzou os braços para se aquecer, atenta á imobilidade do filho:
-David, querido… Vem para dentro que está frio…
A tosse foi a primeira resposta que ouviu. O rapaz tentou limpar a garganta para falar:
-Só mais cinco minutos.
Grace prendeu os lábios e assentiu. Voltou para dentro.
O rapaz tapou a boca para que o seu tossir não fosse tão audível para a mãe. Depois, cruzou os braços por cima dos joelhos e pousou a cabeça neles.
David Paisen esperava um sinal. Qualquer coisa era válida: um telefonema, um recado ou uma carta. Todas as noites àquela mesma hora, Mr. Wilson espreitava à janela para ver se o gaiato lhe mostrava uma face de boas novas, contudo ambos se desiludiam todas as vezes. Os dois partilhavam de uma mesma dor e, apesar de não falarem muito, eram o apoio um do outro. No entanto, dia após dia, o estado do mais jovem piorava e com ele a sua esperança.
Ele tinha feito um acordo com os pais. Esperariam um mês, antes de partirem.
O gaiato inspirou fundo, tentando inalar oxigénio da forma mais correcta, todavia os seus pulmões traíram-no e ele tossiu compulsivamente mais uma vez.
Ele reflectiu sobre o que acontecera.
Tinha acordado tarde naquele dia. A sua mãe estava lá, sentada na cadeira junto à janela. Ele julgou que não conseguiria falar mas enganou-se. As cordas vocais deram sinais de vida e ainda que rouco, ele chamou pela mãe. Grace dera um salto na cadeira e correra para junto do filho. David lembrava-se de a mãe lhe beijar a testa, sem lhe tocar diretamente o resto da pele. O seu corpo latejava por causa das queimaduras, mas ele não quis saber. Perguntou por Margarett. Se ela estava bem. Mas a mãe interrompeu-o com uma notícia explendida. Vicky dera à luz um menino saudável. Ele ficara feliz pela irmã e tinha a certeza que ia adorar conhecer o sobrinho. Todavia, a sua questão ficara no ar “Onde está a Margarett?”. Uma enfermeira entrou no quarto e anunciou duas visitas. Então, Grace saiu, para lhes dar a vez. Por momentos, David esperançou que fosse Mag. Mas surpreendeu-se ao ver William e Daisy entrarem no quarto, próximos um do outro. Por momentos ia jurar que Daisy tinha a mão dada a Will, só que o rosto deles não aprovava essa visão. David sorriu ao vê-los, feliz por ver alguém da sua idade. William perguntou-lhe como ele se sentia e David havia gracejado por Will no seu interior estar radiante com aquilo. Mas estava enganado. Daisy nem sequer o olhara diretamente nos olhos, corada. Então ele percebeu que algo de grave se passava. Perguntou o que era, mas tudo o que Daisy lhe respondera fora um “Eu lamento” e entregou-lhe um envelope. David reconheceu a caligrafia do verso e pediu a William que a abrisse para ele ler.
O Finkie e Daisy encostaram-se a um canto enquanto David lia para si a carta.
Depois disso, ele só se lembrava de as lágrimas lhe encherem os olhos de forma violenta e de ele tentar sair daquela cama. Ergueu o tronco, gritando de dores e tentou soltar a perna quebrada, enquanto gritava por Margarett loucamente. Porém, ao soltar assim a sua voz, sentiu uma falha na respiração. Tentou inalar oxigénio, mas não conseguiu. Sentiu-se sufocado e sem controlo. Começou a tossir sem parar, sem deixar de tentar libertar-se. Pelo canto do olho, viu Daisy chorar compulsivamente.O som dos gritos, no entanto, alertou as enfermeiras, que entraram no quarto e agarraram os membros de David com força, tentanto acalmá-lo. O rapaz sentiu a cara presa com a máscara de oxigénio e depois só foi capaz de sentir uma seringa a injetá-lo pelo braço. Após isso, ele perdeu as forças e adormeceu.
Passara um mês depois disso. David sabia o que aquilo lhe tinha custado. O médico dissera aos seus pais que os seus pulmões estavam frágeis a um nível grave. Então, ou ele passava a andar agarrado a uma botija de oxigénio, ou procurariam novos ares. Mais puros e saudáveis. A decisão de Mr. e Mrs. Paisen foi tomada dois dias depois. Eles iam deixar a cidade por melhores condições de saúde. Só até ele melhorar, haviam prometido. Mas David não quis. Relera a carta de Margarett e estava disposto e morrer asfixiado, desde que pudesse esperar por alguma nova noticia dela, como ela prometera. Os pais desacordaram com ele, zangados, mas tiveram de chegar a um acordo. Um mês. Esperariam um mês por notícias de Margarett. Depois disso, partiriam. E o tempo já estava no seu limite.
***
-Desculpe, senhorita? Está a tapar-me a entrada!
Margarett abriu os olhos. A luz do sol embateu-lhe na cara de tal forma que ela teve de cerrar as pálpebras rapidamente, confusa.
-O quê?
-Tenho que ir para o trabalho. Por favor, saia daqui!
Margarett percebeu que a mulher estava a falar em Francês. Era óbvio, tendo em conta que estava em Paris.
Envergonhada, levantou-se do chão e sacudiu o vestido:
-Peço imensa desculpa, minha senhora. – Respondeu no mesmo idioma.
A mulher passou por ela com pressa, sem lhe responder. Margarett não a censurou, sabendo que era uma vergonha ter adormecido à porta de uma casa Parisiense qualquer.
Aclareou a voz com algum custo e passou as mãos pelo cabelo, tentando recompo-lo. A chuva da noite anterior tinha-lhe encharcado os sapatos e às custas disso engolir a própria saliva fazia-lhe arranhar a garganta.
Escutou o sino da igreja a dar as nove horas; estava atrasada para o trabalho.
Apressada, calçou os sapatos molhados e correu.
Dorianne tinha jogado baixo. Fazer a filha embarcar depois de desmaiar era algo inacreditável. Só uma pessoa suficientemente manipuladora era capaz de convencer os seguranças que a rapariga tinha pânico a voar e por isso os ataques de pânico acabavam frequentemente em desmaios. Sem que ninguém duvidasse de tal informação, ajudaram a mulher a levar a filha contrariada consigo e, para complementar a situação, uma hospedeira de bordo ainda deu um calmante à jovem para que esta dormisse.
Margarett acordara umas horas mais tarde. Ainda estava zonza com tudo o que estava a acontecer e uma parte da sua mente acreditava que tudo não tinha passado de um sonho. A sua mãe falara-lhe calmamente como se nada tivesse acontecido e fossem uma pequena família feliz. Porém, Margarett não lhe falou mais. Prosseguiu o resto da viagem em silêncio absoluto, arquitetando o que faria para regressar a casa.
Dorianne, inocente em relação às ideias da filha, nunca esperaria aquilo.
Quando o avião desembarcou no aeroporto de Paris, as duas mulheres foram buscar as malas e Margarett, pela primeira vez em horas, falou à mãe.
Despediu-se.
“Nunca hei de perdoa-la…” Dissera a mais nova. Dorianne fingira que não queria saber daquilo, apesar de ser algo que a incomodava. “Doravante, será cada uma por si, Dorianne.”
Mrs. Wilson havia olhado a filha, admirada por ela a tratar pelo primeiro nome, no entanto não percebeu que quando a filha lhe disse que aquilo tinha sido a gota de água e que a partir dali não passariam de desconhecidas, falava a sério. Riu-se, na altura, e virou costas para pegar na mala. E foi esse o momento.
O momento em que Margarett a deixou para sempre.
Sair do aeroporto tinha sido fácil em comparação com tudo o resto. Sem dinheiro, sem roupa, sem casa ou comida, Margarett parecia caminhar no nada. Nem documentos a desgraçada tinha. Apenas um vestido azul-marinho, secretamente sujo com sangue, e uns sapatos que lhe causavam bolhas nos pés.
A primeira noite fora a pior. Margarett caminhou tanto que já nem sabia onde se encontrava. Estava a ficar frio e por causa disso precisava de abrigo. Só que ele não existia. Cansada, tinha acabado por se sentar num banco de jardim e por ali ficou. Chorou até adormecer, preocupada com David, com o pai e com o que faria da sua vida.
Os dias seguintes foram semelhantes. Margarett começara uma busca incessante por algum trabalho.
Pastelarias francesas, restaurantes, costureiras… E nada. Ao fim da primeira semana o seu cheiro já era incómodo e por isso mais difícil se tinha tornado encontrar quem a acolhesse. Margarett já nem pedia por muito dinheiro. Trabalharia por pouco, desde que pudesse pelo menos tomar um banho e comer um pão.
Por conseguinte, dirigiu-se às boutiques e às lojas. O seu vestido estava sujo, os sapatos esfarrapados e o cabelo oleoso. Nenhuma Madame a aceitava por causa do aspecto.
Então, se assim era, procurou algum lugar onde não se importassem tanto com o cheiro. O mercado de peixe fora o único lugar que lhe ocorrera, todavia nem aí se desenrascou. As peixeiras trabalhavam por conta própria e não havia nenhuma que não tivesse no mínimo 2 filhas que dessem ajuda.
Margarett rondou o local, sempre esperançosa que alguém lhe desse trabalho ou pelo menos um peixe para comer.
Desistiu quando percebeu que ninguém a ia ajudar ali. Então voltou a vaguear pela cidade, morta de fome e frio. A chuva chegou entretanto e o vestido que envergava já não a protegia o suficiente.
Mas foi quando desistiu que um pouco de sorte a alcançou.
Sentada num banco de jardim, à chuva, ela tremia de frio. As pessoas passavam por ela com pressa, com os seus guarda-chuvas abertos. Ninguem parecia nota-la e por isso o choro de Margarett foi inevitável. Daria a vida para poder dar notícias a David.
Gostava de saber como estava o pai e até mesmo o que andariam William e os outros a fazer.
A sua agonia era tal que um homem parou a sua corrida contra a chuva para compreender aquele pranto lacrimoso.
Margarett não se havia apercebido daquela presença até que os seus olhos baixos fitaram uns sapatos bem engraxados à sua frente. Levantara a face, interrompendo o choro, para ver quem era o homem que a encarava.
O senhor já devia ter os seus sessenta anos. A mão que segurava o guarda-chuva era seca, com as veias salientes e uma pele fina que quase permitia ver-lhe os ossos. Ainda assim estava bem vestido. As calças eram de pano fino, cinzentas, e o casaco fazia o conjunto, com um colete cor de violino por baixo, a tapar uma gravata negra, de seda. Margarett buscou-lhe o rosto, curiosa. O homem tinha um rosto sério, mas não aparentava qualquer tipo de antipatia. Era até afável. As bochechas eram salientes e os olhos, cor de azeitona, transmitiam serenidade por detrás de uns óculos de armação fina e discreta. O mais marcante no seu rosto ainda era o bigode cinzento enrolado para fora e a barbicha no queixo.
Margarett engolira a seco, sem saber o que pensar por estar a ser observada.
O homem olhou para os dois lados e depois atentou nela.
“De l’accord, ma fille?”
A solitária traduziu o homem na hora. Não sabia o que lhe dizer. Negou com a cabeça, fungosa. Ao ver que o senhor não se afastava, disse-lhe que precisava de emprego.
O destino fora generoso com Mag. Aquele mesmo homem abrigou-a da chuva com o seu guarda-chuva e levou-a com ele para a sua casa, escutando o que lhe tinha acontecido durante o trajeto. Pagaria a Margarett para que ela fizesse limpezas na loja na qual trabalhava e lhe preparasse as refeições, já que era viúvo e não tinha quem lhe tratasse das coisas. Margarett aceitou de imediato, porem esqueceu-se de mencionar que também precisava de abrigo. Receosa que já estivesse a abusar, deixou-se ficar com o trabalho sem mencionar que não tinha onde ficar a dormir.
A sua sorte melhorou quando Margarett conheceu a loja. Uma retrosaria no centro da cidade, onde havia de tudo, desde tecidos aos mais detalhados botões. Infelizmente, Margarett não podia dar-se ao prazer de usufruir daqueles materiais. A sua única função era limpar. Pelo menos, o homem que a empregara tinha-lhe arranjado uma farda que ela vestia todos os dias. O seu maior alívio era sentido quando despia o vestido azul e trajava a camisola de algodão verde velho e a saia cinza quase até aos pés, cujos calçavam com umas socas secas e mais confortáveis. O seu corpo agradecia sentir algum calor e algum conforto e depois disso, limpar e cozinhar era a parte mais interessante do seu dia.
-Bom dia, Monsieor Tissou! Peço imensa desculpa pelo atraso!
O homem não respondeu, atento ao metro. Era uma pessoa calada e calma, mas muito minuciosa.
Margarett pegou no seu traje de trabalho e vestiu-o apressada dentro da casa de banho. Depois pendurou o vestido na janela traseira para ele secar, juntamente com os sapatos.
-Diz-me, Margarett… - A jovem pegou na vassoura e olhou o homem, atenta à sua chamada de atenção – Onde passas as tuas noites? Reparei que chegas sempre de rastos, por vezes encharcada, como é o caso de hoje…
A jovem corou e começou a varrer as linhas e os pequenos pedaços de tecido, sem querer dar uma resposta.
O homem, astuto, compreendeu que a rapariga ficava por aí, nas ruas. Sabia que era uma pessoa de bem, mas temia que algo lhe acontecesse ou que influencias menos puras a contagiassem.
-Doravante, passas as noites na loja. – Declarou, guardando um rolo de linho na prateleira.
Margarett parou o que estava a fazer, sensibilizada:
-Eu não posso aceitar.
-Não era um convite. É uma ordem. – Interrompeu o senhor - Sou o teu patrão e exijo que durmas na loja. Deste modo estás aqui a horas e se alguém tentar assaltar a loja tenho a certeza que te livrarás dos ladrões com perspicácia!
Margarett sorriu, obediente. Sabia que aquilo era o que mais precisava no momento:
-Já lhe disse que sou uma optima lutadora? – Brincou.
Monsieur Tissou sorriu amavelmente.
Margarett voltou a varrer. Ela sabia que aquilo era uma desculpa de Monsieur Tissou e que o homem estava a fazer tudo por piedade, todavia, agradecia-lhe mentalmente pela sua compaixão.
Geralmente, às nove e meia, era a hora de Patrick chegar com os novos rolos de tecidos e naquela manhã não fora excepção. A sineta da porta tocou quando esta se abriu e o rapaz lá entrou, carregando ao ombro maços pesados com as encomendas de Monsieurs Tissou.
-Bom Dia! – Exclamou, sorridente como de costume.
Margarett acenou e prosseguiu com o seu trabalho.
Pactrick Martin era um moço jovem e bem feito. O seu cabelo castanho claro contrastava com os olhos verdes rodeados por sardas castanhas e o sorriso era inconfundivel. Devia ter só mais 3 anos do que Margarett. Trabalhava na empresa de materiais têxteis do pai, sendo o seu serviço mais usual as entregas. Todas as manhãs, Patrick chegava, irradiando alegria. Era uma pessoa bem-disposta e faladora. Adorava fazer as entregas e ficar meia hora ou mais a falar para os negociantes sobre temas gerais. Por vezes M. Tissou até se zangava por ele ficar tanto tempo na conversa, pior do que algumas das suas clientes. Mas tanto ele como Margarett gostavam das visitas do rapaz. Era uma boa forma de começar o dia.
-15 metros de chiffon cor de rosa, 12 de Seda vermelha e 10 de musseline azul! – Contabilizou num papel, após pousar a encomenda no balcão – Está tudo certo, Monsieur Tissou?
O homem rasgou o papel que embrulhava os lotes e verificou os tecidos para confirmar:
-Está sim, Patrick. Obrigado!
O jovem limpou as mãos e encostou-se ao balcão, descontraidamente:
-Margarett! – A jovem sorriu pela forma carregada como Patrick dizia o seu nome. “Marrgarrette” – Olha para essa mancha no chão!
Margarett olhou e não viu nada. Patrick riu-se.
-Adoras picar-me, seu tonto!
-É porque cada vez que cá venho está sempre a limpar. Não sei onde vês tanto lixo!
A rapariga corou. Era verdade. Ela limpava o que já estava limpo. Mas era para isso que Monsieur Tissou a queria na loja. Não havia mais nenhuma função que pudesse ter ali dentro.
-Ah, Patrick, tu cada vez que cá vens também só trazes rolos de tecidos. O restante tempo ficas na conversa como uma beata! – Resmungou M. Tissou.
O rapaz esticou os suspensórios, arrebitando o nariz:
-Eu estou a fazer tempo!
-Tempo para quê?
O gaiato não respondeu e uma tonalidade rosa pintou-lhe as maçãs do rosto.
Margarett sorriu de lado. Ela sabia a resposta.
Patrick tinha qualquer hora do dia para trazer as encomendas de M. Tissou, porém, a hora em que ele aparecia era sempre a mesma. A princípio Margarett julgava que aquele era o horário establecido pelo patrão ou então era uma questão de trajecto. Todavia, apercebera-se que nenhuma dessas justificações era a verdadeira, tendo em conta a forma como ele esperava sempre impacientemente por algo.
Margarett só compreendera uma vez, em que ela o chamara e ele simplesmente não a tinha ouvido, porque as suas atenções estavam noutra pessoa.
Chegava sempre às 10 horas da manhã, meia hora depois de Patrick. Pele alva, olhos verdes e cabelo castanho com cachos perfeitos, pelos ombros, apanhados de lado com ganchos discretos. Geralmente usava uma maquilhagem suave, mas em certos dias surgia com os lábios pintados de vermelho sangue, destacando assim o seu tom claro. Os vestidos eram sempre diferentes. Rodados, estampados ou lisos. E os sapatos eram com tacão, a maioria com uma fivela a prender no tornozelo. E depois, a carteira ou o malote não podiam faltar, carregando o que parecia ser trabalho.
Duas ou três vezes por semana lá ia ela, comprar sempre algo a Monsieur Tissou.
E era essa jovem dama que Patrick esperava todos os dias. Umas vezes desapontava-se, outras ficava feliz durante o resto do dia por ela entrar na loja nem que fosse por cinco minutos. E o encanto de Margarett naquilo era a expectativa que ela própria criava para saber se Patrick ia ver a amada.
-Monsieur Tissou, sou um rapaz preguiçoso! – Disfarçou Patrick, apesar de não ser uma afirmação verdadeira - Quanto mais rapidamente sair da sua loja, mais rapidamente terei de voltar ao trabalho! – Assumiu.
Margarett sorriu, assim como o patrão. A porta abriu-se, revelando a chuva do exterior e Margarett olhou o rapaz, captando a ansiedade dele ao espreitar quem tinha entrado. Infelizmente, a expressão esperançosa do moço rapidamente se transformou em desilusão, quando ele encarou a velha costureira da rua principal.
-Não sei se ela vem hoje. Esteve cá ainda ontem.
O rapaz corou, atrapalhado com o comentário de Margarett. De seguida olhou o relógio. O tempo não esperava por ninguém.
-Bom… Eu acho que M. Tissou tem outra encomenda para amanhã…
Margarett sorriu pelo optimismo do rapaz:
-Certamente!
Patrick pegou no seu livro de recibos e acenou a M. Tissou e a Margarett:
-Até amanhã!
Margaret acenou de volta. O seu sorriso perdeu forma por sentir-se igual a Patrick naquele aspeco. Tal como ele, Margarett estava sempre à espera do dia seguinte para poder receber notícias boas. Só ela sabia a ansiedade que sentia cada vez que a porta se abria e no interior do seu ser fantasiava que era David a entrar, à sua procura.
Olhando o chão, Margarett tentou controlar-se para não desfalecer. Voltou a varrer.
A manhã passou rapidamente e a tarde seguiu-lhe o exemplo.
Monsieur Tissou começou a arrumar os metros e as tesouras quando o anoitecer começou a levar as pessoas para as casas quentes. Olhou o seu relógio de bolso e, após saber que era a hora de fechar a loja, pegou na chave para ir trancar a porta da retrosaria. Depois, como era costume, sentou-se na sua escrivaninha a contar os lucros do dia e a fazer contas à vida, com os óculos pendurados na ponta do nariz.
Margarett espirrou enquanto limpava o pó das prateleiras altas, distraindo-o minimamente. O homem atentou na rapariga, alheia a tudo o que a rodeava, excepto ao seu serviço, e depois olhou o calendário para confirmar a data.
Para com os seus botões, sorriu. Alcançou um envelope branco e no seu verso escreveu o nome da empregada. Depois, contou os dias desde que ela chegara. Apontou-os por baixo do nome dela e, por fim, somou a quantia adequada.
-Margarett! – Chamou.
A jovem abstraiu-se do que estava a fazer e olhou o patrão:
-Sim?
-Vem cá!
Margarett pousou o pano empoeirado sobre o móvel e desceu da cadeira que a ajudava a alcançar a prateleira mais alta. Limpou as mãos na saia e aproximou-se de M. Tissou:
-Aconteceu alguma coisa, monsieur Tissou?
-Sabes que dia é hoje?
Margarett negou com a cabeça, incomodada. Tinha até medo de saber.
M. Tissou sorriu perante a inocência da garota. Mostrou-lhe um leque de notas verdes e colocou-as dentro do envelope:
-Final do mês. – Informou, estendendo-lhe o envelope - Parabens, aqui tens o teu primeiro pagamento.
A reacção de Margarett não foi imediata. Talvez porque não contasse com o pagamento, ou talvez porque não sabia como agradecer. Porem, esses foram os seus últimos pensamentos. Antes de reflectir sobre isso, as emoções banharam-lhes as órbitras.
-Final do mês? Já?
M. Tissou não foi capaz de perceber a tristeza da jovem. Levantou-se da escrivaninha e fez com que Margarett pegasse no pagamento:
-Vá, sorri. Sei que arranjar algum dinheiro era a tua maior urgência!
A loira coçou a testa e acenou com a cabeça, agradecida. Ainda assim, não podia deixar de pensar que um mês havia passado e ela ainda não sabia nada sobre David. Por vezes inquiria-se se ele estaria pelo menos vivo, tendo em conta o estado em que ficara após o incendio. E o seu pai… Pobre homem, que tanto se esforçou por manter a família unida e de um momento para o outro nem sequer devia saber de si mesmo.
Margarett sentou-se num banquinho, respirando fundo. Olhou para o envelope e suspirou, dirigindo a visão de novo para o senhor que a acolhera:
-Obrigada… - Murmurou.
O homem deu-lhe uma palmadinha nas costas e sentou-se em frente a ela:
-Então diz-me, Margarett… Qual vai ser a tua primeira compra com esse dinheiro? Um vestido novo? Uns sapatos?
Mag negou. Encarou de novo o dinheiro e antes que deixasse de se conseguir controlar, esfregou os olhos aquosos e respondeu:
-Um envelope, uma folha de papel em branco, uma caneta e um selo.
O mais velho parou por momentos para encarar a rapariga fixamente e ponderar a sua escolha. Prendeu, portanto, os lábios numa linha firme e assentiu perante a nostalgia da jovem.
-Sabes, acho que a papelaria da esquina só fecha daqui a 15 minutos. Se correres ainda podes comprar o que precisas hoje e amanha de manhã eu dispenso-te para ires aos correios deixar a tua carta.
Margarett agarrou as mãos quentes do patrão e levantou-se, emocionada:
-Obrigada, muito obrigada!
E correu para sair da loja e chegar a tempo de comprar o que precisava na papelaria.
Mag escreveu a carta naquela noite, envolta nas cobertas quentes que o chefe lhe tinha arranjado para ela se cobrir na cama improvisada. Todas as suas lágrimas caíram naquelas duas cartas ansiosas que ela manteve junto ao peito durante toda a noite, ansiosa por enviá-las.
***
-Então é isto? Tantas brigas, tantos problemas para acabar desta forma!? Tu a ires embora sem sequer tentares? Seu cobarde!
David não tirara o olhar do chão. De todas as afrontas que recebera daquela pessoa, sem dúvida que aquela era a pior. Em parte nem sabia o que responder. Noutra situação teria cerrado o punho e acertado na cara do provocador. Mas não podia. Não desta vez, nem naquele contexto.
-Eu não tenho escolha.
-Não tens escolha?! Isso nem parece teu, Paisen!
David tossiu para o lado, sem poder evitar. Os pulmões doiam-lhe de tanto os esforçar.
-Porque me estás a afrontar?
A resposta foi rápida e carregada de revolta:
-Porque isso não és tu! Este não é o meu rival impetuoso! Quero que reajas! Faz alguma coisa!
David não fez o que ele pediu. Pacientemente, humedeceu os lábios e tentou prender uma tosse sufocante, sorrindo:
-Tambem vou sentir a tua falta, William…
-Finkie! – Corrigiu o filho do banqueiro, recordando o tom arrogante com que o inimigo costumava pronunciar o seu nome.
-William, pára! - A voz de Daisy atrás de Will fê-lo calar-se. Ela passou-o à frente e apertou David num abraço apertado -Volta depressa, David! E escreve-nos.
O gaiato tentou travar as suas convulsões, deixando-se apertar pela latina. O seu olhar focou um ponto indefinido que o fez vasculhar no fundo das suas memórias.
-Eu não escrevo cartas. Isso é coisa de meninas… – David sorriu, nostálgico. Havia dito o mesmo a Mag quando ela partira pela primeira vez da sua vida. Mas depressa se deixou envolver pela sensação prazerosa do contacto através do papel e nunca deixara de responder. Pelo contrário. Isso havia-se tornado o seu ritual mais sagrado.
Daisy deu-lhe um empurrão, ignorando que os pensamentos de David iam muito além:
-Parvo! Eu quero notícias tuas! Boas notícias!
-Vou tentar, Sy!
William corou pela alcunha que David deu à morena. Sentiu ciúme pois viu o quão chegados os dois se tinham tornado num único Verão. E o que o deixava assim era o facto de lidar com Daisy há muito mais tempo e nunca ter ganho nenhuma proximidade com ela semelhante àquela.
Um pouco injuriado por sentir-se assim num momento como aquele, William afastou-se um pouco para trás e cruzou os braços. Por causa disso, foi o primeiro a reparar que um táxi alcançou a casa dos Paisen. Viu Mrs. Paisen a abrir a porta de casa, transportando um saco de viagem para o exterior, cujo taxista ajudou a colocar no porta-bagagem do carro. De seguida, Mr. Paisen arrastou tambem uma mala, ainda maior do que a outra, e retomou à casa, provavelmente para ir buscar algo mais.
-David! – Chamou Mrs.Grace Paisen, com traços faciais que não escondiam a sua tristeza – Está na hora, querido!
-Vou já!
David soltou-se de Daisy e olhou uma última vez para os amigos:
-Ultima oportunidade, Finkie!
William franziu as sobrancelhas, relutante:
-Seu idiota!
David achou uma certa graça à reacção dele e riu-se. Apesar de o filho do banqueiro não querer admitir, ele ia sentir saudades:
-Vou interpretar isso como um “Adoro-te e não posso viver sem ti!”.
William ia abrir a boca para protestar. Não o fez por respeito a si mesmo. Apesar de David ter dito aquilo num tom provocador e trocista, uma parte de si não podia negar que nada ia ser o mesmo dali para a frente.
-Parem com isso…! – A voz de Daisy falhou. O seu lábio inferior, trémulo, impediu-a de prolongar a sua reclamação.
A moça, transtoranada, tapou a boca e o nariz com as mãos e David adivinhou que a qualquer momento ela iria desatar a chorar.
-Daisy… - William aproximou-se dela, em compaixão pelo sentimento da jovem.
A rapariga tapou a cara por completo:
-Eu não consigo imaginar uma tarde de trabalho no lili’s diner sem uma discussão vossa! – Soluçou, emocionada – Eu não quero sequer pensar no que farei quando voltar ao trabalho!
O choro foi impossível de travar. Daisy abraçou-se, dramaticamente:
-Vai-te embora, David! Vai-te embora já, antes que eu te impeça!
David bateu no peito, para se ajudar a tossir uma outra vez. Logo após, apertou os lábios numa linha firme e recta e encarou a jovem, pressentindo a saudade que ele próprio sentiria de um waffle quentinho coberto de chocolate, seguido de uma discussão com o “moedinhas”. Tentando ser optimista, encarou o outro rapaz e ponderou o melhor a dizer num momento daqueles.
-Não te preocupes, Sy. – Sorriu - O William ainda continua aqui e, se tudo der certo, junto a ti!
Ela corou e no meio do choro, riu-se:
-Parvo! – Protestou, envergonhada.
O único que não percebeu aquele comentário foi o próprio William. Talvez porque nem sequer lhe passasse pela cabeça dar importância a comentários como aquele, ignorando as entrelinhas daquelas palavras de consolação. E, se dependesse de Daisy, nunca havia de perceber a importância de tais insinuações.
Então David reflectiu um pouco sobre isso, ignorando o segundo chamamento da mãe.
Deixando Daisy de lado, aproximou-se de William e dirigiu-se a ele em particular:
-Mesmo que não te queiras despedir, há uma última coisa que te tenho de dizer. Não posso partir em paz enquanto não te ilucidar em relação a isto.
David deu duas palmadinhas no ombro do rival e discretamente disse-lhe algo perto do ouvido que o deixou estupefacto. Após limpar a garganta de outra convulsão, o caçula dos Paisen sorriu, sabendo que dali para a frente alguma coisa havia de mudar para melhor.
-O que disseste? – Will pareceu não acreditar no que David lhe havia dito.
-Eu tenho que ir! – Relembrou o velho inimigo, alcançando as muletas encostadas ao muro.
-Ah?! – William protestou, aflito - Espera lá…!
David fez um movimento brusco com uma das muletas, quase o acertando com ela na cara:
-Abre os olhos, seu idiota! – Praguejou o rapaz, virando costas – Adeus Daisy! – Despediu-se, depositando-lhe um beijo na testa - Cuida de ti!
A rapariga acenou afirmativamente com a cabeça e limpou as pestanas num lenço pálido, vendo o recente amigo a coxear de muletas até ao táxi.
Com toda aquela tristeza nem se deu ao trabalho de pensar no que David teria dito a Will. O facto é que depois daquilo, William Finkie nunca mais olharia da mesma forma para Daisy.
***
Meu querido e idolatrado pai,
Pesa-me escrever-lhe tão tardiamente, porem só agora tive possibilidades de o fazer. Espero que esteja bem de saúde e que esteja bem amparado das perdas que a sua esposa lhe causou.
Do mesmo modo que lhe escrevo esta carta, redigi também uma para o meu amado David, com esperança que o seu estado tenha melhorado. Peço-lhe que o avise que eu lhe escrevi e que garanta que ele receba a minha carta, da mesma forma que lhe peço a ele o mesmo em relação a si, de maneira a que ambos saibam que estou bem.
Antes de prolongar os meus sentimentos, quero que saiba o que se sucedeu e onde estou.
Minha progenitora trouxe-me de volta para França, à força, após saber que o meu amor com David foi consumado. Digo-lho sem vergonha, meu pai, pois em momento algum me arrependi de me entregar ao meu amado. Infelizmente, quis a fatalidade do destino que eu recebesse um castigo por derespeitar a minha virtude antes do casamento e foi letal com o meu companheiro ao deixar-lhe a vida em risco por me salvar. Em todo o caso, a sua esposa (que agora me recuso a chamar de “mãe) quis dar-me uma penitência ainda maior ao maltratar-me e obrigar-me a abandonar o país com ela. Para que saiba, separei-me daquela mulher assim que pude. Abandonei-a no aeroporto de Paris mal ela me virou costas e desejo nunca mais dar de caras com ela. Passei semanas ao relento sem saber o que fazer. Não comi durante dias e arranjar trabalho nunca pareceu tão difícil. Felizmente, boas pessoas ainda existem neste mundo e tenho grado em dizer-lhe que fui acolhida por um bom senhor francês que me deu trabalho, abrigo e comida. Esta carta que finalmente lhe escrevo é fruto do meu primeiro ordenado e é a partir dele que começarei a minha jornada para voltar a casa.
Meu pai adorado, dê-me boas notícias para que em breve eu também lhe possa dar. Peço-lhe que não se prenda demasiado à minha ausência e tente levar a vida de uma forma natural. Esteja com velhos amigos e saia de casa para passear e apreciar as belas cores de Outono, de modo a manter-se feliz e sã como sempre foi. E lembre-se, papá, que uma manhã qualquer eu posso estar de volta.
Aguarde-me com fé.
Com amor da sua filha,
Margarett.
Mr. Wilson levou a mão à testa, vergado sobre a secretária. A sua angústia foi tal que os seus soluços roucos terminaram em lágrimas grossas carregadas de revolta.
Dorianne definitivamente tinha atingido a loucura, mas isso não era algo com que Adolfe se ia preocupar a partir dali. Margarett estava bem e isso era o mais importante. E Adolfe acreditava na palavra dela quando disse que voltaria. Porem, era exasperante a crueldade do destino para com o jovem casal.
Mr. Wilson bateu na mesa com força, indignado. Foi ao exterior, convencer-se que aquilo tinha mesmo acontecido e depois voltou para dentro, para a casa escura e fria.
Furioso, atirou um livro contra a parede e gritou, frustrado.
Um dia, Matutou, perplexo.
David só precisava de ter aguardado mais um dia por um sinal de Mag.
Porem, um dia já tinha passado.
E há um dia que David já havia partido.
Bom, não posso dizer quando vem o proximo. Mas rezem para não demorar tanto!
Enfim, hoje não me vou prolongar muito. Espero que gostem do capitulo! E já agora, fiz uma pequena montagem no Polyvore.com inspirada no capitulo que vou partilhar convosco.
Capitulo 39 - Fatalidade do Destino
“Amar não é olhar um para o outro, é olhar juntos na mesma direção.”
As ruas estavam desertas ao anoitecer. Corria um vento frio que anunciava já o clima de Outono e, sobrepostas aos tons alaranjados do céu, já se viam as chaminés a fumegar, aquecendo os lares. Os cães ladravam e os gatos fugiam, procurando um refúgio acolhedor o suficiente. Normalmente eram as crianças que recolhiam tais animais, levando-os consigo e escondendo-os dentro de algum caixote no quintal. Costumavam chegar a casa atrasadas, por vezes com alguma ferida no joelho ou então com a mochila arrasto pelo chão, devido à pressa. As mães, essas, não se ralavam demasiado com isso. Eram mais preocupadas em trocar os agasalhos dos filhos e dar-lhes um bom lanchinho à lareira, para depois ajudar com os deveres da escola. Mas, quando os rebentos se atrasavam demasiado, a janela era o local onde se instalavam, sempre à espera de os avistar.
Mrs. Paisen não era exceção à regra. Na cozinha, desviou a cortina da janela e espreitou o exterior.
Mesmo com a barreira de vidro, era capaz de escutar uma tosse seca vinda das escadas da fachada. Agitada com isso, a mulher dirigiu-se ao bengaleiro e vestiu o seu casaco para ir até ao exterior.
Abriu a porta de entrada e cruzou os braços para se aquecer, atenta á imobilidade do filho:
-David, querido… Vem para dentro que está frio…
A tosse foi a primeira resposta que ouviu. O rapaz tentou limpar a garganta para falar:
-Só mais cinco minutos.
Grace prendeu os lábios e assentiu. Voltou para dentro.
O rapaz tapou a boca para que o seu tossir não fosse tão audível para a mãe. Depois, cruzou os braços por cima dos joelhos e pousou a cabeça neles.
David Paisen esperava um sinal. Qualquer coisa era válida: um telefonema, um recado ou uma carta. Todas as noites àquela mesma hora, Mr. Wilson espreitava à janela para ver se o gaiato lhe mostrava uma face de boas novas, contudo ambos se desiludiam todas as vezes. Os dois partilhavam de uma mesma dor e, apesar de não falarem muito, eram o apoio um do outro. No entanto, dia após dia, o estado do mais jovem piorava e com ele a sua esperança.
Ele tinha feito um acordo com os pais. Esperariam um mês, antes de partirem.
O gaiato inspirou fundo, tentando inalar oxigénio da forma mais correcta, todavia os seus pulmões traíram-no e ele tossiu compulsivamente mais uma vez.
Ele reflectiu sobre o que acontecera.
Tinha acordado tarde naquele dia. A sua mãe estava lá, sentada na cadeira junto à janela. Ele julgou que não conseguiria falar mas enganou-se. As cordas vocais deram sinais de vida e ainda que rouco, ele chamou pela mãe. Grace dera um salto na cadeira e correra para junto do filho. David lembrava-se de a mãe lhe beijar a testa, sem lhe tocar diretamente o resto da pele. O seu corpo latejava por causa das queimaduras, mas ele não quis saber. Perguntou por Margarett. Se ela estava bem. Mas a mãe interrompeu-o com uma notícia explendida. Vicky dera à luz um menino saudável. Ele ficara feliz pela irmã e tinha a certeza que ia adorar conhecer o sobrinho. Todavia, a sua questão ficara no ar “Onde está a Margarett?”. Uma enfermeira entrou no quarto e anunciou duas visitas. Então, Grace saiu, para lhes dar a vez. Por momentos, David esperançou que fosse Mag. Mas surpreendeu-se ao ver William e Daisy entrarem no quarto, próximos um do outro. Por momentos ia jurar que Daisy tinha a mão dada a Will, só que o rosto deles não aprovava essa visão. David sorriu ao vê-los, feliz por ver alguém da sua idade. William perguntou-lhe como ele se sentia e David havia gracejado por Will no seu interior estar radiante com aquilo. Mas estava enganado. Daisy nem sequer o olhara diretamente nos olhos, corada. Então ele percebeu que algo de grave se passava. Perguntou o que era, mas tudo o que Daisy lhe respondera fora um “Eu lamento” e entregou-lhe um envelope. David reconheceu a caligrafia do verso e pediu a William que a abrisse para ele ler.
O Finkie e Daisy encostaram-se a um canto enquanto David lia para si a carta.
Depois disso, ele só se lembrava de as lágrimas lhe encherem os olhos de forma violenta e de ele tentar sair daquela cama. Ergueu o tronco, gritando de dores e tentou soltar a perna quebrada, enquanto gritava por Margarett loucamente. Porém, ao soltar assim a sua voz, sentiu uma falha na respiração. Tentou inalar oxigénio, mas não conseguiu. Sentiu-se sufocado e sem controlo. Começou a tossir sem parar, sem deixar de tentar libertar-se. Pelo canto do olho, viu Daisy chorar compulsivamente.O som dos gritos, no entanto, alertou as enfermeiras, que entraram no quarto e agarraram os membros de David com força, tentanto acalmá-lo. O rapaz sentiu a cara presa com a máscara de oxigénio e depois só foi capaz de sentir uma seringa a injetá-lo pelo braço. Após isso, ele perdeu as forças e adormeceu.
Passara um mês depois disso. David sabia o que aquilo lhe tinha custado. O médico dissera aos seus pais que os seus pulmões estavam frágeis a um nível grave. Então, ou ele passava a andar agarrado a uma botija de oxigénio, ou procurariam novos ares. Mais puros e saudáveis. A decisão de Mr. e Mrs. Paisen foi tomada dois dias depois. Eles iam deixar a cidade por melhores condições de saúde. Só até ele melhorar, haviam prometido. Mas David não quis. Relera a carta de Margarett e estava disposto e morrer asfixiado, desde que pudesse esperar por alguma nova noticia dela, como ela prometera. Os pais desacordaram com ele, zangados, mas tiveram de chegar a um acordo. Um mês. Esperariam um mês por notícias de Margarett. Depois disso, partiriam. E o tempo já estava no seu limite.
***
-Desculpe, senhorita? Está a tapar-me a entrada!
Margarett abriu os olhos. A luz do sol embateu-lhe na cara de tal forma que ela teve de cerrar as pálpebras rapidamente, confusa.
-O quê?
-Tenho que ir para o trabalho. Por favor, saia daqui!
Margarett percebeu que a mulher estava a falar em Francês. Era óbvio, tendo em conta que estava em Paris.
Envergonhada, levantou-se do chão e sacudiu o vestido:
-Peço imensa desculpa, minha senhora. – Respondeu no mesmo idioma.
A mulher passou por ela com pressa, sem lhe responder. Margarett não a censurou, sabendo que era uma vergonha ter adormecido à porta de uma casa Parisiense qualquer.
Aclareou a voz com algum custo e passou as mãos pelo cabelo, tentando recompo-lo. A chuva da noite anterior tinha-lhe encharcado os sapatos e às custas disso engolir a própria saliva fazia-lhe arranhar a garganta.
Escutou o sino da igreja a dar as nove horas; estava atrasada para o trabalho.
Apressada, calçou os sapatos molhados e correu.
Dorianne tinha jogado baixo. Fazer a filha embarcar depois de desmaiar era algo inacreditável. Só uma pessoa suficientemente manipuladora era capaz de convencer os seguranças que a rapariga tinha pânico a voar e por isso os ataques de pânico acabavam frequentemente em desmaios. Sem que ninguém duvidasse de tal informação, ajudaram a mulher a levar a filha contrariada consigo e, para complementar a situação, uma hospedeira de bordo ainda deu um calmante à jovem para que esta dormisse.
Margarett acordara umas horas mais tarde. Ainda estava zonza com tudo o que estava a acontecer e uma parte da sua mente acreditava que tudo não tinha passado de um sonho. A sua mãe falara-lhe calmamente como se nada tivesse acontecido e fossem uma pequena família feliz. Porém, Margarett não lhe falou mais. Prosseguiu o resto da viagem em silêncio absoluto, arquitetando o que faria para regressar a casa.
Dorianne, inocente em relação às ideias da filha, nunca esperaria aquilo.
Quando o avião desembarcou no aeroporto de Paris, as duas mulheres foram buscar as malas e Margarett, pela primeira vez em horas, falou à mãe.
Despediu-se.
“Nunca hei de perdoa-la…” Dissera a mais nova. Dorianne fingira que não queria saber daquilo, apesar de ser algo que a incomodava. “Doravante, será cada uma por si, Dorianne.”
Mrs. Wilson havia olhado a filha, admirada por ela a tratar pelo primeiro nome, no entanto não percebeu que quando a filha lhe disse que aquilo tinha sido a gota de água e que a partir dali não passariam de desconhecidas, falava a sério. Riu-se, na altura, e virou costas para pegar na mala. E foi esse o momento.
O momento em que Margarett a deixou para sempre.
Sair do aeroporto tinha sido fácil em comparação com tudo o resto. Sem dinheiro, sem roupa, sem casa ou comida, Margarett parecia caminhar no nada. Nem documentos a desgraçada tinha. Apenas um vestido azul-marinho, secretamente sujo com sangue, e uns sapatos que lhe causavam bolhas nos pés.
A primeira noite fora a pior. Margarett caminhou tanto que já nem sabia onde se encontrava. Estava a ficar frio e por causa disso precisava de abrigo. Só que ele não existia. Cansada, tinha acabado por se sentar num banco de jardim e por ali ficou. Chorou até adormecer, preocupada com David, com o pai e com o que faria da sua vida.
Os dias seguintes foram semelhantes. Margarett começara uma busca incessante por algum trabalho.
Pastelarias francesas, restaurantes, costureiras… E nada. Ao fim da primeira semana o seu cheiro já era incómodo e por isso mais difícil se tinha tornado encontrar quem a acolhesse. Margarett já nem pedia por muito dinheiro. Trabalharia por pouco, desde que pudesse pelo menos tomar um banho e comer um pão.
Por conseguinte, dirigiu-se às boutiques e às lojas. O seu vestido estava sujo, os sapatos esfarrapados e o cabelo oleoso. Nenhuma Madame a aceitava por causa do aspecto.
Então, se assim era, procurou algum lugar onde não se importassem tanto com o cheiro. O mercado de peixe fora o único lugar que lhe ocorrera, todavia nem aí se desenrascou. As peixeiras trabalhavam por conta própria e não havia nenhuma que não tivesse no mínimo 2 filhas que dessem ajuda.
Margarett rondou o local, sempre esperançosa que alguém lhe desse trabalho ou pelo menos um peixe para comer.
Desistiu quando percebeu que ninguém a ia ajudar ali. Então voltou a vaguear pela cidade, morta de fome e frio. A chuva chegou entretanto e o vestido que envergava já não a protegia o suficiente.
Mas foi quando desistiu que um pouco de sorte a alcançou.
Sentada num banco de jardim, à chuva, ela tremia de frio. As pessoas passavam por ela com pressa, com os seus guarda-chuvas abertos. Ninguem parecia nota-la e por isso o choro de Margarett foi inevitável. Daria a vida para poder dar notícias a David.
Gostava de saber como estava o pai e até mesmo o que andariam William e os outros a fazer.
A sua agonia era tal que um homem parou a sua corrida contra a chuva para compreender aquele pranto lacrimoso.
Margarett não se havia apercebido daquela presença até que os seus olhos baixos fitaram uns sapatos bem engraxados à sua frente. Levantara a face, interrompendo o choro, para ver quem era o homem que a encarava.
O senhor já devia ter os seus sessenta anos. A mão que segurava o guarda-chuva era seca, com as veias salientes e uma pele fina que quase permitia ver-lhe os ossos. Ainda assim estava bem vestido. As calças eram de pano fino, cinzentas, e o casaco fazia o conjunto, com um colete cor de violino por baixo, a tapar uma gravata negra, de seda. Margarett buscou-lhe o rosto, curiosa. O homem tinha um rosto sério, mas não aparentava qualquer tipo de antipatia. Era até afável. As bochechas eram salientes e os olhos, cor de azeitona, transmitiam serenidade por detrás de uns óculos de armação fina e discreta. O mais marcante no seu rosto ainda era o bigode cinzento enrolado para fora e a barbicha no queixo.
Margarett engolira a seco, sem saber o que pensar por estar a ser observada.
O homem olhou para os dois lados e depois atentou nela.
“De l’accord, ma fille?”
A solitária traduziu o homem na hora. Não sabia o que lhe dizer. Negou com a cabeça, fungosa. Ao ver que o senhor não se afastava, disse-lhe que precisava de emprego.
O destino fora generoso com Mag. Aquele mesmo homem abrigou-a da chuva com o seu guarda-chuva e levou-a com ele para a sua casa, escutando o que lhe tinha acontecido durante o trajeto. Pagaria a Margarett para que ela fizesse limpezas na loja na qual trabalhava e lhe preparasse as refeições, já que era viúvo e não tinha quem lhe tratasse das coisas. Margarett aceitou de imediato, porem esqueceu-se de mencionar que também precisava de abrigo. Receosa que já estivesse a abusar, deixou-se ficar com o trabalho sem mencionar que não tinha onde ficar a dormir.
A sua sorte melhorou quando Margarett conheceu a loja. Uma retrosaria no centro da cidade, onde havia de tudo, desde tecidos aos mais detalhados botões. Infelizmente, Margarett não podia dar-se ao prazer de usufruir daqueles materiais. A sua única função era limpar. Pelo menos, o homem que a empregara tinha-lhe arranjado uma farda que ela vestia todos os dias. O seu maior alívio era sentido quando despia o vestido azul e trajava a camisola de algodão verde velho e a saia cinza quase até aos pés, cujos calçavam com umas socas secas e mais confortáveis. O seu corpo agradecia sentir algum calor e algum conforto e depois disso, limpar e cozinhar era a parte mais interessante do seu dia.
-Bom dia, Monsieor Tissou! Peço imensa desculpa pelo atraso!
O homem não respondeu, atento ao metro. Era uma pessoa calada e calma, mas muito minuciosa.
Margarett pegou no seu traje de trabalho e vestiu-o apressada dentro da casa de banho. Depois pendurou o vestido na janela traseira para ele secar, juntamente com os sapatos.
-Diz-me, Margarett… - A jovem pegou na vassoura e olhou o homem, atenta à sua chamada de atenção – Onde passas as tuas noites? Reparei que chegas sempre de rastos, por vezes encharcada, como é o caso de hoje…
A jovem corou e começou a varrer as linhas e os pequenos pedaços de tecido, sem querer dar uma resposta.
O homem, astuto, compreendeu que a rapariga ficava por aí, nas ruas. Sabia que era uma pessoa de bem, mas temia que algo lhe acontecesse ou que influencias menos puras a contagiassem.
-Doravante, passas as noites na loja. – Declarou, guardando um rolo de linho na prateleira.
Margarett parou o que estava a fazer, sensibilizada:
-Eu não posso aceitar.
-Não era um convite. É uma ordem. – Interrompeu o senhor - Sou o teu patrão e exijo que durmas na loja. Deste modo estás aqui a horas e se alguém tentar assaltar a loja tenho a certeza que te livrarás dos ladrões com perspicácia!
Margarett sorriu, obediente. Sabia que aquilo era o que mais precisava no momento:
-Já lhe disse que sou uma optima lutadora? – Brincou.
Monsieur Tissou sorriu amavelmente.
Margarett voltou a varrer. Ela sabia que aquilo era uma desculpa de Monsieur Tissou e que o homem estava a fazer tudo por piedade, todavia, agradecia-lhe mentalmente pela sua compaixão.
Geralmente, às nove e meia, era a hora de Patrick chegar com os novos rolos de tecidos e naquela manhã não fora excepção. A sineta da porta tocou quando esta se abriu e o rapaz lá entrou, carregando ao ombro maços pesados com as encomendas de Monsieurs Tissou.
-Bom Dia! – Exclamou, sorridente como de costume.
Margarett acenou e prosseguiu com o seu trabalho.
Pactrick Martin era um moço jovem e bem feito. O seu cabelo castanho claro contrastava com os olhos verdes rodeados por sardas castanhas e o sorriso era inconfundivel. Devia ter só mais 3 anos do que Margarett. Trabalhava na empresa de materiais têxteis do pai, sendo o seu serviço mais usual as entregas. Todas as manhãs, Patrick chegava, irradiando alegria. Era uma pessoa bem-disposta e faladora. Adorava fazer as entregas e ficar meia hora ou mais a falar para os negociantes sobre temas gerais. Por vezes M. Tissou até se zangava por ele ficar tanto tempo na conversa, pior do que algumas das suas clientes. Mas tanto ele como Margarett gostavam das visitas do rapaz. Era uma boa forma de começar o dia.
-15 metros de chiffon cor de rosa, 12 de Seda vermelha e 10 de musseline azul! – Contabilizou num papel, após pousar a encomenda no balcão – Está tudo certo, Monsieur Tissou?
O homem rasgou o papel que embrulhava os lotes e verificou os tecidos para confirmar:
-Está sim, Patrick. Obrigado!
O jovem limpou as mãos e encostou-se ao balcão, descontraidamente:
-Margarett! – A jovem sorriu pela forma carregada como Patrick dizia o seu nome. “Marrgarrette” – Olha para essa mancha no chão!
Margarett olhou e não viu nada. Patrick riu-se.
-Adoras picar-me, seu tonto!
-É porque cada vez que cá venho está sempre a limpar. Não sei onde vês tanto lixo!
A rapariga corou. Era verdade. Ela limpava o que já estava limpo. Mas era para isso que Monsieur Tissou a queria na loja. Não havia mais nenhuma função que pudesse ter ali dentro.
-Ah, Patrick, tu cada vez que cá vens também só trazes rolos de tecidos. O restante tempo ficas na conversa como uma beata! – Resmungou M. Tissou.
O rapaz esticou os suspensórios, arrebitando o nariz:
-Eu estou a fazer tempo!
-Tempo para quê?
O gaiato não respondeu e uma tonalidade rosa pintou-lhe as maçãs do rosto.
Margarett sorriu de lado. Ela sabia a resposta.
Patrick tinha qualquer hora do dia para trazer as encomendas de M. Tissou, porém, a hora em que ele aparecia era sempre a mesma. A princípio Margarett julgava que aquele era o horário establecido pelo patrão ou então era uma questão de trajecto. Todavia, apercebera-se que nenhuma dessas justificações era a verdadeira, tendo em conta a forma como ele esperava sempre impacientemente por algo.
Margarett só compreendera uma vez, em que ela o chamara e ele simplesmente não a tinha ouvido, porque as suas atenções estavam noutra pessoa.
Chegava sempre às 10 horas da manhã, meia hora depois de Patrick. Pele alva, olhos verdes e cabelo castanho com cachos perfeitos, pelos ombros, apanhados de lado com ganchos discretos. Geralmente usava uma maquilhagem suave, mas em certos dias surgia com os lábios pintados de vermelho sangue, destacando assim o seu tom claro. Os vestidos eram sempre diferentes. Rodados, estampados ou lisos. E os sapatos eram com tacão, a maioria com uma fivela a prender no tornozelo. E depois, a carteira ou o malote não podiam faltar, carregando o que parecia ser trabalho.
Duas ou três vezes por semana lá ia ela, comprar sempre algo a Monsieur Tissou.
E era essa jovem dama que Patrick esperava todos os dias. Umas vezes desapontava-se, outras ficava feliz durante o resto do dia por ela entrar na loja nem que fosse por cinco minutos. E o encanto de Margarett naquilo era a expectativa que ela própria criava para saber se Patrick ia ver a amada.
-Monsieur Tissou, sou um rapaz preguiçoso! – Disfarçou Patrick, apesar de não ser uma afirmação verdadeira - Quanto mais rapidamente sair da sua loja, mais rapidamente terei de voltar ao trabalho! – Assumiu.
Margarett sorriu, assim como o patrão. A porta abriu-se, revelando a chuva do exterior e Margarett olhou o rapaz, captando a ansiedade dele ao espreitar quem tinha entrado. Infelizmente, a expressão esperançosa do moço rapidamente se transformou em desilusão, quando ele encarou a velha costureira da rua principal.
-Não sei se ela vem hoje. Esteve cá ainda ontem.
O rapaz corou, atrapalhado com o comentário de Margarett. De seguida olhou o relógio. O tempo não esperava por ninguém.
-Bom… Eu acho que M. Tissou tem outra encomenda para amanhã…
Margarett sorriu pelo optimismo do rapaz:
-Certamente!
Patrick pegou no seu livro de recibos e acenou a M. Tissou e a Margarett:
-Até amanhã!
Margaret acenou de volta. O seu sorriso perdeu forma por sentir-se igual a Patrick naquele aspeco. Tal como ele, Margarett estava sempre à espera do dia seguinte para poder receber notícias boas. Só ela sabia a ansiedade que sentia cada vez que a porta se abria e no interior do seu ser fantasiava que era David a entrar, à sua procura.
Olhando o chão, Margarett tentou controlar-se para não desfalecer. Voltou a varrer.
A manhã passou rapidamente e a tarde seguiu-lhe o exemplo.
Monsieur Tissou começou a arrumar os metros e as tesouras quando o anoitecer começou a levar as pessoas para as casas quentes. Olhou o seu relógio de bolso e, após saber que era a hora de fechar a loja, pegou na chave para ir trancar a porta da retrosaria. Depois, como era costume, sentou-se na sua escrivaninha a contar os lucros do dia e a fazer contas à vida, com os óculos pendurados na ponta do nariz.
Margarett espirrou enquanto limpava o pó das prateleiras altas, distraindo-o minimamente. O homem atentou na rapariga, alheia a tudo o que a rodeava, excepto ao seu serviço, e depois olhou o calendário para confirmar a data.
Para com os seus botões, sorriu. Alcançou um envelope branco e no seu verso escreveu o nome da empregada. Depois, contou os dias desde que ela chegara. Apontou-os por baixo do nome dela e, por fim, somou a quantia adequada.
-Margarett! – Chamou.
A jovem abstraiu-se do que estava a fazer e olhou o patrão:
-Sim?
-Vem cá!
Margarett pousou o pano empoeirado sobre o móvel e desceu da cadeira que a ajudava a alcançar a prateleira mais alta. Limpou as mãos na saia e aproximou-se de M. Tissou:
-Aconteceu alguma coisa, monsieur Tissou?
-Sabes que dia é hoje?
Margarett negou com a cabeça, incomodada. Tinha até medo de saber.
M. Tissou sorriu perante a inocência da garota. Mostrou-lhe um leque de notas verdes e colocou-as dentro do envelope:
-Final do mês. – Informou, estendendo-lhe o envelope - Parabens, aqui tens o teu primeiro pagamento.
A reacção de Margarett não foi imediata. Talvez porque não contasse com o pagamento, ou talvez porque não sabia como agradecer. Porem, esses foram os seus últimos pensamentos. Antes de reflectir sobre isso, as emoções banharam-lhes as órbitras.
-Final do mês? Já?
M. Tissou não foi capaz de perceber a tristeza da jovem. Levantou-se da escrivaninha e fez com que Margarett pegasse no pagamento:
-Vá, sorri. Sei que arranjar algum dinheiro era a tua maior urgência!
A loira coçou a testa e acenou com a cabeça, agradecida. Ainda assim, não podia deixar de pensar que um mês havia passado e ela ainda não sabia nada sobre David. Por vezes inquiria-se se ele estaria pelo menos vivo, tendo em conta o estado em que ficara após o incendio. E o seu pai… Pobre homem, que tanto se esforçou por manter a família unida e de um momento para o outro nem sequer devia saber de si mesmo.
Margarett sentou-se num banquinho, respirando fundo. Olhou para o envelope e suspirou, dirigindo a visão de novo para o senhor que a acolhera:
-Obrigada… - Murmurou.
O homem deu-lhe uma palmadinha nas costas e sentou-se em frente a ela:
-Então diz-me, Margarett… Qual vai ser a tua primeira compra com esse dinheiro? Um vestido novo? Uns sapatos?
Mag negou. Encarou de novo o dinheiro e antes que deixasse de se conseguir controlar, esfregou os olhos aquosos e respondeu:
-Um envelope, uma folha de papel em branco, uma caneta e um selo.
O mais velho parou por momentos para encarar a rapariga fixamente e ponderar a sua escolha. Prendeu, portanto, os lábios numa linha firme e assentiu perante a nostalgia da jovem.
-Sabes, acho que a papelaria da esquina só fecha daqui a 15 minutos. Se correres ainda podes comprar o que precisas hoje e amanha de manhã eu dispenso-te para ires aos correios deixar a tua carta.
Margarett agarrou as mãos quentes do patrão e levantou-se, emocionada:
-Obrigada, muito obrigada!
E correu para sair da loja e chegar a tempo de comprar o que precisava na papelaria.
Mag escreveu a carta naquela noite, envolta nas cobertas quentes que o chefe lhe tinha arranjado para ela se cobrir na cama improvisada. Todas as suas lágrimas caíram naquelas duas cartas ansiosas que ela manteve junto ao peito durante toda a noite, ansiosa por enviá-las.
***
-Então é isto? Tantas brigas, tantos problemas para acabar desta forma!? Tu a ires embora sem sequer tentares? Seu cobarde!
David não tirara o olhar do chão. De todas as afrontas que recebera daquela pessoa, sem dúvida que aquela era a pior. Em parte nem sabia o que responder. Noutra situação teria cerrado o punho e acertado na cara do provocador. Mas não podia. Não desta vez, nem naquele contexto.
-Eu não tenho escolha.
-Não tens escolha?! Isso nem parece teu, Paisen!
David tossiu para o lado, sem poder evitar. Os pulmões doiam-lhe de tanto os esforçar.
-Porque me estás a afrontar?
A resposta foi rápida e carregada de revolta:
-Porque isso não és tu! Este não é o meu rival impetuoso! Quero que reajas! Faz alguma coisa!
David não fez o que ele pediu. Pacientemente, humedeceu os lábios e tentou prender uma tosse sufocante, sorrindo:
-Tambem vou sentir a tua falta, William…
-Finkie! – Corrigiu o filho do banqueiro, recordando o tom arrogante com que o inimigo costumava pronunciar o seu nome.
-William, pára! - A voz de Daisy atrás de Will fê-lo calar-se. Ela passou-o à frente e apertou David num abraço apertado -Volta depressa, David! E escreve-nos.
O gaiato tentou travar as suas convulsões, deixando-se apertar pela latina. O seu olhar focou um ponto indefinido que o fez vasculhar no fundo das suas memórias.
-Eu não escrevo cartas. Isso é coisa de meninas… – David sorriu, nostálgico. Havia dito o mesmo a Mag quando ela partira pela primeira vez da sua vida. Mas depressa se deixou envolver pela sensação prazerosa do contacto através do papel e nunca deixara de responder. Pelo contrário. Isso havia-se tornado o seu ritual mais sagrado.
Daisy deu-lhe um empurrão, ignorando que os pensamentos de David iam muito além:
-Parvo! Eu quero notícias tuas! Boas notícias!
-Vou tentar, Sy!
William corou pela alcunha que David deu à morena. Sentiu ciúme pois viu o quão chegados os dois se tinham tornado num único Verão. E o que o deixava assim era o facto de lidar com Daisy há muito mais tempo e nunca ter ganho nenhuma proximidade com ela semelhante àquela.
Um pouco injuriado por sentir-se assim num momento como aquele, William afastou-se um pouco para trás e cruzou os braços. Por causa disso, foi o primeiro a reparar que um táxi alcançou a casa dos Paisen. Viu Mrs. Paisen a abrir a porta de casa, transportando um saco de viagem para o exterior, cujo taxista ajudou a colocar no porta-bagagem do carro. De seguida, Mr. Paisen arrastou tambem uma mala, ainda maior do que a outra, e retomou à casa, provavelmente para ir buscar algo mais.
-David! – Chamou Mrs.Grace Paisen, com traços faciais que não escondiam a sua tristeza – Está na hora, querido!
-Vou já!
David soltou-se de Daisy e olhou uma última vez para os amigos:
-Ultima oportunidade, Finkie!
William franziu as sobrancelhas, relutante:
-Seu idiota!
David achou uma certa graça à reacção dele e riu-se. Apesar de o filho do banqueiro não querer admitir, ele ia sentir saudades:
-Vou interpretar isso como um “Adoro-te e não posso viver sem ti!”.
William ia abrir a boca para protestar. Não o fez por respeito a si mesmo. Apesar de David ter dito aquilo num tom provocador e trocista, uma parte de si não podia negar que nada ia ser o mesmo dali para a frente.
-Parem com isso…! – A voz de Daisy falhou. O seu lábio inferior, trémulo, impediu-a de prolongar a sua reclamação.
A moça, transtoranada, tapou a boca e o nariz com as mãos e David adivinhou que a qualquer momento ela iria desatar a chorar.
-Daisy… - William aproximou-se dela, em compaixão pelo sentimento da jovem.
A rapariga tapou a cara por completo:
-Eu não consigo imaginar uma tarde de trabalho no lili’s diner sem uma discussão vossa! – Soluçou, emocionada – Eu não quero sequer pensar no que farei quando voltar ao trabalho!
O choro foi impossível de travar. Daisy abraçou-se, dramaticamente:
-Vai-te embora, David! Vai-te embora já, antes que eu te impeça!
David bateu no peito, para se ajudar a tossir uma outra vez. Logo após, apertou os lábios numa linha firme e recta e encarou a jovem, pressentindo a saudade que ele próprio sentiria de um waffle quentinho coberto de chocolate, seguido de uma discussão com o “moedinhas”. Tentando ser optimista, encarou o outro rapaz e ponderou o melhor a dizer num momento daqueles.
-Não te preocupes, Sy. – Sorriu - O William ainda continua aqui e, se tudo der certo, junto a ti!
Ela corou e no meio do choro, riu-se:
-Parvo! – Protestou, envergonhada.
O único que não percebeu aquele comentário foi o próprio William. Talvez porque nem sequer lhe passasse pela cabeça dar importância a comentários como aquele, ignorando as entrelinhas daquelas palavras de consolação. E, se dependesse de Daisy, nunca havia de perceber a importância de tais insinuações.
Então David reflectiu um pouco sobre isso, ignorando o segundo chamamento da mãe.
Deixando Daisy de lado, aproximou-se de William e dirigiu-se a ele em particular:
-Mesmo que não te queiras despedir, há uma última coisa que te tenho de dizer. Não posso partir em paz enquanto não te ilucidar em relação a isto.
David deu duas palmadinhas no ombro do rival e discretamente disse-lhe algo perto do ouvido que o deixou estupefacto. Após limpar a garganta de outra convulsão, o caçula dos Paisen sorriu, sabendo que dali para a frente alguma coisa havia de mudar para melhor.
-O que disseste? – Will pareceu não acreditar no que David lhe havia dito.
-Eu tenho que ir! – Relembrou o velho inimigo, alcançando as muletas encostadas ao muro.
-Ah?! – William protestou, aflito - Espera lá…!
David fez um movimento brusco com uma das muletas, quase o acertando com ela na cara:
-Abre os olhos, seu idiota! – Praguejou o rapaz, virando costas – Adeus Daisy! – Despediu-se, depositando-lhe um beijo na testa - Cuida de ti!
A rapariga acenou afirmativamente com a cabeça e limpou as pestanas num lenço pálido, vendo o recente amigo a coxear de muletas até ao táxi.
Com toda aquela tristeza nem se deu ao trabalho de pensar no que David teria dito a Will. O facto é que depois daquilo, William Finkie nunca mais olharia da mesma forma para Daisy.
***
Paris, 7 de Novembro, de 1957
Meu querido e idolatrado pai,
Pesa-me escrever-lhe tão tardiamente, porem só agora tive possibilidades de o fazer. Espero que esteja bem de saúde e que esteja bem amparado das perdas que a sua esposa lhe causou.
Do mesmo modo que lhe escrevo esta carta, redigi também uma para o meu amado David, com esperança que o seu estado tenha melhorado. Peço-lhe que o avise que eu lhe escrevi e que garanta que ele receba a minha carta, da mesma forma que lhe peço a ele o mesmo em relação a si, de maneira a que ambos saibam que estou bem.
Antes de prolongar os meus sentimentos, quero que saiba o que se sucedeu e onde estou.
Minha progenitora trouxe-me de volta para França, à força, após saber que o meu amor com David foi consumado. Digo-lho sem vergonha, meu pai, pois em momento algum me arrependi de me entregar ao meu amado. Infelizmente, quis a fatalidade do destino que eu recebesse um castigo por derespeitar a minha virtude antes do casamento e foi letal com o meu companheiro ao deixar-lhe a vida em risco por me salvar. Em todo o caso, a sua esposa (que agora me recuso a chamar de “mãe) quis dar-me uma penitência ainda maior ao maltratar-me e obrigar-me a abandonar o país com ela. Para que saiba, separei-me daquela mulher assim que pude. Abandonei-a no aeroporto de Paris mal ela me virou costas e desejo nunca mais dar de caras com ela. Passei semanas ao relento sem saber o que fazer. Não comi durante dias e arranjar trabalho nunca pareceu tão difícil. Felizmente, boas pessoas ainda existem neste mundo e tenho grado em dizer-lhe que fui acolhida por um bom senhor francês que me deu trabalho, abrigo e comida. Esta carta que finalmente lhe escrevo é fruto do meu primeiro ordenado e é a partir dele que começarei a minha jornada para voltar a casa.
Meu pai adorado, dê-me boas notícias para que em breve eu também lhe possa dar. Peço-lhe que não se prenda demasiado à minha ausência e tente levar a vida de uma forma natural. Esteja com velhos amigos e saia de casa para passear e apreciar as belas cores de Outono, de modo a manter-se feliz e sã como sempre foi. E lembre-se, papá, que uma manhã qualquer eu posso estar de volta.
Aguarde-me com fé.
Com amor da sua filha,
Margarett.
Mr. Wilson levou a mão à testa, vergado sobre a secretária. A sua angústia foi tal que os seus soluços roucos terminaram em lágrimas grossas carregadas de revolta.
Dorianne definitivamente tinha atingido a loucura, mas isso não era algo com que Adolfe se ia preocupar a partir dali. Margarett estava bem e isso era o mais importante. E Adolfe acreditava na palavra dela quando disse que voltaria. Porem, era exasperante a crueldade do destino para com o jovem casal.
Mr. Wilson bateu na mesa com força, indignado. Foi ao exterior, convencer-se que aquilo tinha mesmo acontecido e depois voltou para dentro, para a casa escura e fria.
Furioso, atirou um livro contra a parede e gritou, frustrado.
Um dia, Matutou, perplexo.
David só precisava de ter aguardado mais um dia por um sinal de Mag.
Porem, um dia já tinha passado.
E há um dia que David já havia partido.
Bom, não posso dizer quando vem o proximo. Mas rezem para não demorar tanto!

as minhas fic's:
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
-Angelical
Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
-Angelical
Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^
Adorooooooo....
Apesar de já saber metade desta historia, lê-la foi bem melhor
"Pele alva, olhos verdes e cabelo castanho com cachos
perfeitos, pelos ombros, apanhados de lado com ganchos discretos.
Geralmente usava uma maquilhagem suave, mas em certos dias surgia com os
lábios pintados de vermelho sangue, destacando assim o seu tom claro.
Os vestidos eram sempre diferentes. Rodados, estampados ou lisos. E os
sapatos eram com tacão, a maioria com uma fivela a prender no tornozelo.
E depois, a carteira ou o malote não podiam faltar, carregando o que
parecia ser trabalho."
Porque é q eu desconfio quem seja esta personagem nova
Nunca pensei q o tal Patrik fosse gostar dela, a principio quando li a parte dele, pensei q s pudesse estar a apaixonar pela Margarret. XD
Estou ansiosa pela próxima Fic... eu sei q andamos com IMENSOS trabalhos, mas espero q a publiques logo logo
Apesar de já saber metade desta historia, lê-la foi bem melhor

"Pele alva, olhos verdes e cabelo castanho com cachos
perfeitos, pelos ombros, apanhados de lado com ganchos discretos.
Geralmente usava uma maquilhagem suave, mas em certos dias surgia com os
lábios pintados de vermelho sangue, destacando assim o seu tom claro.
Os vestidos eram sempre diferentes. Rodados, estampados ou lisos. E os
sapatos eram com tacão, a maioria com uma fivela a prender no tornozelo.
E depois, a carteira ou o malote não podiam faltar, carregando o que
parecia ser trabalho."
Porque é q eu desconfio quem seja esta personagem nova

Nunca pensei q o tal Patrik fosse gostar dela, a principio quando li a parte dele, pensei q s pudesse estar a apaixonar pela Margarret. XD
Estou ansiosa pela próxima Fic... eu sei q andamos com IMENSOS trabalhos, mas espero q a publiques logo logo

Olá!
Welcome back!
Não tens de ter vergonha alguma, leitoras fiéis esperam sempre!
Tenho passado por aqui sempre, para ver se há novidades.
Pouco especial, ah não digas isso, tenho a certeza que te deu muito trabalho a escrever e a imaginar, nem que seja só por isso, já é especial, por quanto te dedicas para que nós possamos desfrutar de uns bons momentos a ler uma boa história.
Agora, passando ao capítulo, eu gostei muito dele!
Eu AMEI o facto de a Maggie ter chamado à mãe Dorianne, lindo, aquela mulher nunca mais vai ter o respeito da filha na vida. É um castigo bem merecido.
Oh tadinho do David,
, pobrezinho. Ele tem de ficar bem de saúde, já basta o coração partido.
O que me impressionou bastante foi o que a Mag passou em Paris. Sabem, por vezes vou no metro ou no comboio, que apanho para ir à faculdade, e aparecem pessoas a pedir. Às vezes nem é preciso ir nos transportes, é só ir na rua. E eu dou por mim a pensar, que em algum lugar no tempo aquelas pessoas já tiveram quem cuidasse delas, que porventura já tiveram uma melhor vida. E isso lembra-me que nunca sabemos o nosso futuro, que nunca sabemos o que pode acontecer, então agora com a crise, enfim, e nesses momentos fico realmente agradecida e percebo a sorte que tenho. A Mag fez-me pensar nisso. Nunca sabemos o que nos espera, pode acontecer a qualquer um de nós.
Ela teve mesmo sorte, ainda há pessoas com humanidade.
Agora o Patrick, hum, eu apaixonei-me por ele à primeira vista! haha
Por momentos pensei que estivesse interessado na Maggie, qual a minha surpresa quando percebi que afinal não era ela. Será que algum dia verá o seu amor correspondido? Torço para que sim.
Realmente é uma cruel partida, quando finalmente a carta da Mag chega o David já havia partido. Enfim tenho a certeza que estes dois terão um final feliz, tarde ou cedo, chegará.
E gostei da montagem que fizeste.
Bem , leva o tempo que precisares, sei como é a fac, a falta de tempo é mal comum a todos os universitários.
Este cap já deu para matar saudades.
Hum...
próxima fic? Já estás a escrever outra? Cool. 
Até à próxima.
Beijinhos grandes

Welcome back!
Não tens de ter vergonha alguma, leitoras fiéis esperam sempre!

Tenho passado por aqui sempre, para ver se há novidades.
Pouco especial, ah não digas isso, tenho a certeza que te deu muito trabalho a escrever e a imaginar, nem que seja só por isso, já é especial, por quanto te dedicas para que nós possamos desfrutar de uns bons momentos a ler uma boa história.

Agora, passando ao capítulo, eu gostei muito dele!
Eu AMEI o facto de a Maggie ter chamado à mãe Dorianne, lindo, aquela mulher nunca mais vai ter o respeito da filha na vida. É um castigo bem merecido.
Oh tadinho do David,
, pobrezinho. Ele tem de ficar bem de saúde, já basta o coração partido. O que me impressionou bastante foi o que a Mag passou em Paris. Sabem, por vezes vou no metro ou no comboio, que apanho para ir à faculdade, e aparecem pessoas a pedir. Às vezes nem é preciso ir nos transportes, é só ir na rua. E eu dou por mim a pensar, que em algum lugar no tempo aquelas pessoas já tiveram quem cuidasse delas, que porventura já tiveram uma melhor vida. E isso lembra-me que nunca sabemos o nosso futuro, que nunca sabemos o que pode acontecer, então agora com a crise, enfim, e nesses momentos fico realmente agradecida e percebo a sorte que tenho. A Mag fez-me pensar nisso. Nunca sabemos o que nos espera, pode acontecer a qualquer um de nós.
Ela teve mesmo sorte, ainda há pessoas com humanidade.
Agora o Patrick, hum, eu apaixonei-me por ele à primeira vista! haha
Por momentos pensei que estivesse interessado na Maggie, qual a minha surpresa quando percebi que afinal não era ela. Será que algum dia verá o seu amor correspondido? Torço para que sim.
Realmente é uma cruel partida, quando finalmente a carta da Mag chega o David já havia partido. Enfim tenho a certeza que estes dois terão um final feliz, tarde ou cedo, chegará.
E gostei da montagem que fizeste.
Bem , leva o tempo que precisares, sei como é a fac, a falta de tempo é mal comum a todos os universitários.
Este cap já deu para matar saudades.
Hum...
próxima fic? Já estás a escrever outra? Cool. 
Até à próxima.
Beijinhos grandes
Oh Lulu perdoa o meu grande atraso a comentar o capítulo novo. Como disse no facebook, a semana anterior foi horrível emocionalmente por causa dos testes e quando chegou o fim-de-semana não tive cabeça para vir ler e comentar. Bem, já dizia o ditado: 'Mais vale tarde do que nunca'. E aqui estou eu! 
A Maggie teve muita sorte. Ainda há boas pessoas no mundo. Esse Sr. Tissou é mesmo boa pessoa em ajudar Maggie e confiar nela para ficar a dormir na loja. Gostei do Patrick e da sua paixoneta. Oxalá ele tenha sorte mais para a frente!
Finalmente algumas acções ocorreram. Finalmente o nosso "moedinhas" sabe da verdade e finalmente a cobra da Dorianne saí de cena. Tenho pena que ela não tenha recebido nenhum castigo e a filha acabe nas ruas por culpa dela, mas ao menos ela não irá magoar mais a Maggie. E o David... Raios partam o destino que os quer sempre separar!
Gostei imenso da interacção entre o David, o Will e a Daisy ainda que o Will-tonhó não se tenha inteirado da realidade. Enfim, para muitas coisas os rapazes são estúpidos. Muito estúpidos...
Não sei mesmo o que dizer mais. Só a parte de o destino querer lixar a vida dos apaixonados, entregando a carta do David um dia depois de este se ter ido embora já me deixa a suspirar. O que irá acontecer depois? Irão andar sempre desencontrados?
Oxalá fique tudo bem. Estou a precisar de uma injecção de finais felizes, já que estou cercada de negativismo.
E com isto findo este pobre comentário que apenas não é maior porque tenho falta de ideias e também porque (felizmente) não fiquei com os nervos à flor da pele com este capítulo (acredita rapariga, tu bates recordes com esta história. Vai ver os meus comentários anteriores e conta as vezes que eu me passei com alguma coisa. Vais ter que pedir uma mão emprestada para findar os cálculos
)
Espero que o próximo capítulo não demore muito!
P.S IMPORTANTE: Nova fanfic? Que história é essa?

A Maggie teve muita sorte. Ainda há boas pessoas no mundo. Esse Sr. Tissou é mesmo boa pessoa em ajudar Maggie e confiar nela para ficar a dormir na loja. Gostei do Patrick e da sua paixoneta. Oxalá ele tenha sorte mais para a frente!

Finalmente algumas acções ocorreram. Finalmente o nosso "moedinhas" sabe da verdade e finalmente a cobra da Dorianne saí de cena. Tenho pena que ela não tenha recebido nenhum castigo e a filha acabe nas ruas por culpa dela, mas ao menos ela não irá magoar mais a Maggie. E o David... Raios partam o destino que os quer sempre separar!
Gostei imenso da interacção entre o David, o Will e a Daisy ainda que o Will-tonhó não se tenha inteirado da realidade. Enfim, para muitas coisas os rapazes são estúpidos. Muito estúpidos...
Não sei mesmo o que dizer mais. Só a parte de o destino querer lixar a vida dos apaixonados, entregando a carta do David um dia depois de este se ter ido embora já me deixa a suspirar. O que irá acontecer depois? Irão andar sempre desencontrados?
Oxalá fique tudo bem. Estou a precisar de uma injecção de finais felizes, já que estou cercada de negativismo.
E com isto findo este pobre comentário que apenas não é maior porque tenho falta de ideias e também porque (felizmente) não fiquei com os nervos à flor da pele com este capítulo (acredita rapariga, tu bates recordes com esta história. Vai ver os meus comentários anteriores e conta as vezes que eu me passei com alguma coisa. Vais ter que pedir uma mão emprestada para findar os cálculos
) Espero que o próximo capítulo não demore muito!

P.S IMPORTANTE: Nova fanfic? Que história é essa?
Espero por ti em cada segundo , porque tu és o meu mundo!

Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
Visitem a minha 1ª Fic ----->The Four elements

Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
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Uau, já vai um bom bocado desde que postaste um novo capítulo. Para quando vem o próximo? Assim... um bom capítulo para fechar o ano ;D
Espero por ti em cada segundo , porque tu és o meu mundo!

Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
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