Sailor Moon Portugal, A Navegante da Lua

Peep-Toe & All-Star

#21
Não tens que agradecer, eu simplesmente disse a verdade.Brincalhao
Para disser a verdade ja tinha lido este capitulo um dia depois de o postares, so que nao tinha tido tempo de o vir comentar. esta super expressivo e adorei, fiquei com muita pena que a Margarett tivesse ido para paris e tivesse deixado o David "sozinho", pobre do rapazinho tanto tentou conter as lágrimas e na hora da despedida entrou em pranto.Chorar
Fiquei com tanta pena dos miúdos, viveram toda a sua vida em conjunto e agora vêem uma continuidade dessa desfeita.Lagrimas
Continua a escrever e eu ca estarei para comentar. MatreiroSuper contente Super contente Super contente Super contenteEsperancoso Esperancoso Esperancoso
a minha primeira fic "AS FILHAS DA LUA"passem na minha fic e comentem XD

Traços do destino

visitem o meu forum http://eterna-sailor-moon4.forumeiros.com/forum.htm
#22
Então... Ahm, eu tenho andado com preguiçite aguda (Doença mais grave! O_O) e por isso mesmo já tendo 24 capitulos escritos, não me apeteceu postar o miseravel 3º capitulo. Matreiro Hoje, lá me deu a vontade e apareci aqui. Que posso dizer? O costume, obrigada pelos vossos comentários, são muito lindos e emocionantes (Matreiro) e por isso trago o novo capitulo com uma capa bué de parola! Embaracoso'

Cá vai:
Spoiler
Peep-Toe & All-Star 16jo7pw
Capitulo III – Cartas
Trading yesterday - One Day

"A distância pode causar saudades, mas nunca o esquecimento."
Autor desconhecido

“Carolina do Norte, 21 de Setembro de 1952

Querida Margarett,

Estas semanas têm sido uma porcaria. A minha mãe passou o inicio do mês a comprar material escolar e roupas para o inverno. Estou aborrecido. As férias estão a acabar e vou ter de aturar Mr. Smith durante horas, quase todos os dias! Ainda por cima ela é assustadora, e aquela vara que ela tem sempre na mão dá-me vontade de fugir… Eu não tenho paciência para aturar o William e os amigos a armarem-se em bons alunos, riquinhos dos papás! São tão estúpidos! No outro dia tentaram meter-se com o Philip, da casa azul. Eu e os outros demos-lhes uma lição! Ninguém se mete connosco, sabes como é!
Agora, um assunto á parte, abriu um novo café aqui perto! Fazem bolos óptimos e Waffles ainda melhores, com cobertura de chocolate ou morango. Quando a mãe me vai buscar á escola dá-me um, depois das aulas.
O meu pai fez umas melhorias na oficina dele. Agora tem mais clientes e, Ewuh, aquele tipo que beijou a minha irmã na minha sala vem mais vezes cá a casa! Eu tento fugir! Que nojento, fogo! É que ainda por cima ele agora beija a Vicky em qualquer sítio, menos no meu quarto porque eu não deixo!
Ainda bem que não tens de ver isto!
Como vão as coisas por aí? Também vais para a escola?
Fico á espera de notícias!
Até breve, David”

David era travesso, enérgico e gostava de sair para estar com os amigos. Mas de cada vez que chegava o correio com uma carta vinda de França, ele pura e simplesmente parava o tempo para a ler. Podia deixar os amigos meia hora à espera, mas fazia-o sem hesitar. Cada vez que a mãe anunciava que Margarett tinha mandado outra carta, ele roubava-lhe o envelope e fechava-se no quarto. Sentava-se no chão, a um canto, e rasgava o papel para saber notícias da amiga. Não havia uma única vez em que não respondesse. Tinha chegado á conclusão que se não lhe contasse tudo o que se passava, tudo o que pensava e tudo o que fazia, acabariam por ficar sem assunto e como consequência deixarem de escrever um ao outro. Na verdade, o que ambos queriam, era manter a relação, na esperança de um regresso longínquo, e David tinha de admitir que no fundo, naquelas cartas era mais sincero do que em frente aos amigos na rua. Havia uma parte de si que tinha menos medo de dizer o que queria pois sabia que não teria ninguém a olhar para ele enquanto falava e não precisava de ter medo de reprimendas. Havia dias em que estava triste e dizia-o a Margarett. Havia outros em que estava eufórico e deixava isso notar-se na sua escrita. Afinal as cartas não eram tão más como julgava. Eram até aliviantes. Podia desabafar sem que se rissem, pois sabia que Margarett o compreenderia, e não tinha vergonha de ser mais poético e revelar o seu lado mais calmo e reflectivo nas cartas. Era simplesmente bom falar com ela.

“França, 14 de Janeiro de 1953”

David, mon ami,
Gosto muito da minha nova escola. Sou a melhor aluna de artes e o meu professor já me pediu para pintar uma tela para a escola, em conjunto com a turma, é claro.
Adeline e Oliver são os meus melhores amigos aqui e graças a eles o meu sotaque melhorou imenso. Aprendi francês muito depressa e agora estou a tentar falar com uma pronúncia melhor. O papá e a mamã levaram-me á Notre Dame de Paris. Acho que nunca vi nada tão grande, mas eles dizem que a Notre Dame d’Amiens é ainda maior, dá para imaginar? Monsieur Dior prometeu-me que me ia mostrar mais lugares importantes de França, incluindo o palácio de Versalhes. Como sabes, ele é um artista e sabe muito de história. Contou-me que o rei Luís XIV ditava a moda no seu reinado! Tinhas de ver as roupas que ele faz, os vestidos são mesmo espantosos! Até tu ias gostar! Quem me dera que um dia ele me fizesse um assim, mas os materiais são tão caros que ele não pode desperdiça-los comigo. Mas, enfim, eu não me importo!
Como vão as coisas por aí? Tenho saudades do bolo de chocolate da tua mãe, hum. Os que a minha mãe faz também são bons, mas o da tua mãe é imbatível. Um dia tens de me mandar um bolo com as tuas cartas!
Não te esqueças de me responder!
Abraços, Margarett.”

Em França tudo era diferente da Carolina do Norte. Os cheiros, as pessoas, as roupas, os hábitos e o ambiente. Margarett descobrira algo sobre si que nunca havia imaginado, algo que, mesmo tendo estado presente em toda a sua vida graças á profissão da mãe, só agora a cativara graças a Dior. A moda. A moda era um lugar estranho. Não era o simples trabalho de costurar uma peça, era o prazer de criar, de tornar uma ilusão real e tornar a vida mais colorida e glamourosa. As tardes livres de Margarett depois da escola eram passadas na confecção de Monsieur Christian. Ela dava-lhe as opiniões sobre os seus desenhos e ousava mesmo rabiscar um pormenor ou outro nas suas peças. Se ele gostasse, óptimo, senão, não havia problema, era divertido á mesma. Nos momentos de tédio, Margarett ia brincar com os novos amigos. Adeline, a filha da pasteleira, trazia sempre croissants quentinhos e Oliver tratava do entretenimento fazendo as suas exibições teatrais. Ele adorava representar. Margarett e Adeline apoiavam, afinal de contas o garoto tinha talento.
Mas Margarett sentia-se apática, por vezes. Tinha saudades de David e dos companheiros do bairro. Imaginava o que eles achariam do seu novo lar. Cada vez que sujava as mãos, relembrava as promessas de David e sorria, enquanto esperava respostas que chegavam de mês a mês nas mãos de Monsieur Sebastian, o carteiro.
O contacto com o amigo faziam-na recordar os velhos tempos e ter esperança por um reencontro. Responder ás suas cartas era um momento de intimidade que ninguém ousava quebrar.

“Carolina do Norte, 30 de Junho de 1953”

Margarett pernas de palito,
Hoje estou muito animado! A escola já acabou e eu não tenho mais de ver a verruga no queixo de Mr. Smith. Eu passei de ano, portanto no próximo não terei de o aturar! Sabes que por mim saía imediatamente da escola, mas os meus pais obrigam-me, portanto, bah, eu suporto. Além disso lá conhece-se montes de gente e faz-se novos amigos. O William é que me dá cabo da cabeça. Andamos á luta no outro dia. Ele desafiou-me e eu não me contive! Odeio-o tanto. Às vezes não entendo porque é que ele pega tanto comigo. Sinceramente, acho que até me ia dar bem com os amigos dele, mas os idiotas parecem paus mandados daquele parvo. Fico triste por não estares aqui, estou com imensas saudades tuas e das nossas fugas a meio da tarde. Vai fazer um ano que te foste embora e sinceramente parece que passaram séculos. Os verões eram tão animados. Agora com quem é que eu vou fugir para o rio? Eu sei que tenho os outros, mas não é a mesma coisa. Sabes que gosto de fazer competições de natação e ver quem consegues suster a respiração durante mais tempo, e se for sempre eu a ganhar não tem piada, por isso é que não é o mesmo sem ti.
Quero notícias tuas.
Beijos, David.”

William era o menino rico da cidade. O seu pai era o banqueiro e a mãe passava os dias na cabeleireira a armar-se em coquete. Margarett já o conhecia, e sabia que ele conseguia ser irritante, mas que depositava especial atenção em David por ele ser baixinho. Claro que David não se deixava ficar e acabava sempre por juntar um olho negro ao cabelo empastado com gel de William. Ele era um rapaz forte e determinado. Os comentários e provocações não o afectavam ao ponto de deprimir, mas davam-lhe força o rebaixar sem dó.

“França, 7 de Fevereiro de 1954

David,
Ultimamente não tenho andado muito bem. Na verdade é um motivo embaraçoso, mas eu vou-te contar porque és meu amigo. O Oliver inscreveu-se há uns tempos numa escola de teatro e por isso não passava tanto tempo comigo e com Adeline. Bom, eu andava mais irritadiça com ela e achei que fosse por causa disso. Depois sentia-me estranha. Tinha vontade de bater em alguém e noutros momentos só me apetecia chorar, como aconteceu quando li a tua ultima carta… Achei que estava assim porque tenho muitas saudades tuas, mas afinal descobri que isso eram apenas sintomas. Não te preocupes, eu não estou doente, pelo menos segundo a mamã. O que aconteceu foi que Oliver, no sábado passado, apresentou uma peça para a qual fomos convidados. Eu vesti o meu melhor vestido, que eu própria escolhi, e arranjei o meu cabelo. Sentia-me bonita e queria aparentar ser tão formosa como as senhoras cá de França. Bem, o teatro foi hilariante no final de contas, era uma comédia e Oliver arrasou como protagonista. O problema foi que eu, um pouco antes de a peça acabar, senti-me um pouco desconfortável na cadeira e a minha barriga começou a doer um pouco. A mamã disse para eu ir á casa de banho se quisesse e eu assim fiz. Só que quando lá cheguei entrei em pânico. Tinha uma pequena nódoa de sangue na minha roupa interior. Pensei que me tinha magoado e desatei a chorar. Quando a mãe veio ter comigo ela riu-se de mim e deixou-me com uma cara de idiota que só visto. Explicou-me que estava tudo bem, que eu estava com a menstruação. Eu não percebi nada mas ela explicou-me em casa. Pelos vistos isto vai-me acontecer todos os meses e é um presente de Deus. Sim, ela disse que era um presente. Sangrar agora é um presente, sabias? Pelos vistos só assim posso ter filhos se um dia quiser, e, sinceramente, depois disto, preferia não os ter! Ela disse para eu não falar destas coisas com ninguém porque não é próprio de uma senhora, mas eu tinha de desabafar com alguém e sabes que só contigo é que eu me sinto á vontade.
Agora peço-te que guardes segredo e por favor, conta-me coisas agradáveis. Estou farta destas noticias e destes presentes de Deus.
Beijos, Margarett ”

As revelações de Margarett acabavam sempre por deixar David em surpresa. Com aquela carta ele descobrira que todas as mulheres tem sintomas estranhos todos os meses, mas como prometera a Margarett, não contaria nada aos amigos. Eles que descobrissem por si só. Noutras cartas ela já havia referido que o seu corpo estava a mudar e ele dizia o mesmo sobre si. Olhava para as raparigas da sua escola e via-as mais elegantes e bonitas, com pernas mais longas e os seios a surgiram debaixo das blusas. Todavia, não conseguia imaginar Margarett como elas. Imaginava-a como sempre a vira, como um rapaz. Mais alta e mais quadrada. Claro que sabia que ela era uma rapariga portanto a sua imagem surgia-lhe desfocada. Para simplificar as coisas, ele guardava a ultima imagem que tinha dela na sua mente e mesmo que o tempo passasse, ela seria sempre a rapariga magra de pernas tísicas e cabelo louro desengonçado preso num rabo-de-cavalo. Porem, ele próprio estava diferente fisicamente. Tinha crescido uns bons centímetros e estava mais alto do que alguns rapazes que há alguns anos troçavam dele pela sua altura. Agora o seu corpo começava a ganhar forma e firmeza, e isso fazia-o atrair as atenções femininas, que começavam já a seduzi-lo também.

“França, 17 de Novembro de 1954

Parabéns David!!!
Nem acredito que já temos 14 anos, e pensar que passaram dois anos sem nos vermos! Nem consigo imaginar como estarás diferente. Espero que recebas muitos presentes e saboreies bem o bolo de chocolate da tua mãe! Que inveja! Adorava estar aí para festejar convosco. Lembro-me, há quatro anos, quando eu e tu, logo depois da tua festa, roubamos o que restava do bolo e fechamo-nos no teu quarto a comê-lo. Acho que nunca tive tantas dores de barriga como naquele dia, mas mesmo assim valeu a pena. Nunca me ri tanto como naquela noite. Espero que um dia possamos repetir a situação!
Hoje não tenho muito a dizer. A mamã e o papá estão a trabalhar, o Oliver está na escola de teatro e a Adeline está a ajudar os pais na pastelaria. Eu tenho estado em casa sozinha depois das aulas. A propósito, um dia destes ainda te mando um trabalho meu. Adoro as aulas de artes!
Manda novidades!

Abraços, Margarett”

“Carolina do Norte, 20 de Março, de 1955

Olá Margarett,

Temos andado muito atarefados cá em casa, tudo por culpa da Vicky. E porquê?! Porque aquela chata vai casar e finalmente vai sair de casa e deixar de me chatear. E adivinha quem é o noivo? Aquele tipo que ela beijou há uns anos. Pelos vistos o namoro foi sério! Francamente, não sei o que é que ele viu nela, é uma aborrecida e sem humor! Enfim, vá-se lá entender! Se ele fosse casar com uma mulher linda como aquelas que aparecem nas revistas da minha mãe, eu até entendia, mas francamente, a Vicky?!
Eu acho que a geração anterior não regulava bem, mas isso é o que eu acho!
Sem muito mais a dizer, espero notícias!
Um abraço, David”

Vicky casou-se em Junho daquele ano com Richard, o seu namorado da adolescência. Passados aqueles anos, David conseguia entender melhor o porquê de eles se beijarem naquele dia, mas continuava a questionar-se porquê de ser com Vicky! Com quase quinze anos, David já sabia o efeito que as mulheres causavam sobre os homens. Já tinha experienciado e para sua surpresa beijar não era tão nojento como julgava. Não havia contado a Margarett que o havia feito, mas voltaria a fazê-lo sem pensar duas vezes, até porque um dos seus passatempos favoritos já não era jogar á bola com os amigos do bairro, e sim, ir com eles ao Lili’s Diner e conversar com as miúdas que lá passavam. De vez em quando algumas eram bem bonitas e simpáticas, e isso tornava-se mais interessante quando conseguiam estar a sós com elas.
David, porem, não queria contar essas coisas a Margarett. Ela iria repreendê-lo, sem dúvida.

“França, 23 de Dezembro, de 1956

David,
Espero que tenhas tudo de bom neste Natal. Hum, adoro o cheiro dos doces e os pinheiros iluminados nas ruas. Paris está lindíssima com a torre Eiffel cheia de luzes, com o ambiente invernoso e aconchegante. Depois de chegar do meu novo emprego na loja de Madame Risqué adoro sentar-me no sofá lá de casa, em frente á lareira enfeitada, a ler um livro ou a desenhar, embrulhada numa manta. Infelizmente, este ano será mais triste para mim. Já lá vai mais de um ano da morte de Monsieur Dior, e apesar de a dor estar a desaparecer, foi uma grande perda para a minha mãe. Espero que em breve ela consiga voltar a trabalhar como dantes.
Envio-te um presente. Espero que gostes!
Beijos, Margarett.”

Após a morte de Christian Dior, para quem Mrs. Dorianne Wilson trabalhava, os problemas económicos da família começaram a surgir. Mr. Adolfe Wilson tinha um problema de saúde que o impossibilitava de manter o seu cargo no antigo emprego, daí o seu salário ter baixado, e Mrs. Dorianne agora costurava apenas quando conseguia solicitações. Por causa disso, Margarett tomou a corajosa decisão de arranjar um emprego numa boutique. Apesar de não receber muito, era o suficiente para ajudar a família, que nunca se vira em tal situação.

“Carolina do Norte, 4 de Fevereiro de 1957

Margarett,
Tenho novidades!
Chegaram á cidade uns tipos novos. Foi a confusão total. Tem um estilo muito porreiro, parecem cantores de rock. Tem tatuagens e piercings, e isso fica mesmo fixe. Claro que tive de os conhecer. Adorei os ideais deles, são todos liberais e porreiros e vêm da Califórnia. Ultimamente têm-me convidado para sair com eles á noite. Costumam ficar na floresta e cantar canções á volta da fogueira, é bem divertido! À beira deles, o pessoal do bairro mete dó, por isso prefiro ir com eles. Gostava que os conhecesses!
A propósito, vou ser tio! A minha irmã está grávida.
E não me posso esquecer, é claro que estás quase a fazer anos! Se eu não conseguir mandar outra carta antes, fica já com os meus parabéns!
Tenho saudades tuas, Mag.
Beijos e abraços, David”

Margarett releu aquela carta quando a recebeu. Sentia-se feliz por David se mostrar tão animado, e sentia uma certa nostalgia causada pelas saudades. Para dizer a verdade, já vivera melhores fases da sua vida em França.
Ela respondeu á carta de David, sem sequer imaginar que era a ultima que lhe enviaria.


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É pequeninho? Paciencia! Matreiro
Ahm, peço desculpa se tiver muitos erros, mas não me apetece rever o capitulo. XD
Já, sabem, comentem! Não dói! Embaracoso

as minhas fic's:
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
-Angelical
Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^
#23
Lol, eu sou mesmo parva, actualizei o capitulo, mas não alterei no nome do tópico! Embaracoso' Ou seja, ninguém sabia que eu já tinha actualizado. Desculpem, agora é oficial, o capitulo já foi postado! Matreiro
as minhas fic's:
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
-Angelical
Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^
#24
Lulumoon!

Como foste capaz de parar ali?

Queres matar-me de curiosidade? Isso não se faz! Martelar

Adorei o capítulo como de costume. Smile

A cumplicidade entre eles continua bem patente nas cartas que trocam um com um outro. Trocam confidências que só mesmo com o melhor amigo.

E é uma boa maneira de acompanhar o crescimento deles. Aquele David..pois é, lá se foi a promessa de não beijar raparigas! Razz

Acho que vão ter ambos uma grande surpresa quando se voltarem a encontrar, mudaram tanto fisicamente.

Aquela foi a última carta, porquê? Que triste. Eles são tão próximos. Sad

Ah, também gostei da música e da capa!

Compreendo a preguicite aguda. Eu própria também fui atacada por ela. Matreiro

Espero pelo próximo!

Beijinho*
#25
Olá.. voltei! Semaninha fora e chego aqui e vejo novo capitulo? Excelente! Smile

Bem, já sabes o que vou dizer. Já começo a ficar previsivel. Adorei este capítulo, quero mais, escreves muito bem, adoro biscoitos de chocolate, bla bla bla...

Usaste uma musiquinha dos Trading! Esperancoso E ainda por cima das mais bonitas. Excelente escolha. Às tantas podias usar também a "May I", mais bonita e romantica não encontras x)

Gostei do qu aconteceu. As mudanças na adolescencia dos dois putos, o David a ganhar interesse nas miudas, a Maggie a crescer... Só gostava de saber porque é a ultima carta. O que raios vai acontecer? A carta vai-se perder? Alguem tem um acidente? O David ou a Maggie morre? (cruzes, que pensamentos >.<), o David arranja namorada e a Maggie para de lhe escrever? QUERO SABER!!



Não demores a postar novo capítulo. Sei que tens montes de capítulos escondidos algures no hardware do teu computador e eu, na minha qualidade de leitora assidua, exigo vê-los. Terei eu, a Bun, a Monica e os outros que fazer petição? Ou um subornozinho chega? A minha irmã faz excelentes bolos de chocolate Matreiro
Espero por ti em cada segundo , porque tu és o meu mundo!




Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
Visitem a minha 1ª Fic ----->The Four elements
#26
Bun escreveu:

Compreendo a preguicite aguda. Eu própria também fui atacada por ela.

lol igualmente!! Matreiro eu tenho muita, sabes? knd o comando da minha televisao nao tem pilhas eu nem sequer me levanto pra mudar de canal! Super contente mesmo k o programa seja uma seca... Embaracoso
#27
Ok. matem-me, espanquem-me, estrangulem-me, o que vocês quiserem....! Mas a culpa é do meu computador pré-histórico! O_O Juro! ;_; O bicho avariou-se e eu não tive oportunidade de satisfazer a curiosidade dos meus queridos (poucos Mal disposto') leitores! Tinha alguma fé de ver mais comentários depois de tanto tempo, mas como costumo dizer "Só faz falta quem cá está!" Smile
E vá, obrigada pelo apoio mais uma vez, blá, blá, blá e eu também adoro bolo de chocolate, mas pior que eu só mesmo o meu irmão (inspiração para o David pequeno) que se me apanha a fazer um bolo lambe a bacia toda antes de ele ir ao forno! Matreiro Depois de feito já nem quer saber! Mal disposto' Enfim
Trago o novo capitulo, mas antes vou só dizer uma coisinha referente À ultima carta. è que eu quando escrevi este capitulo tinha duas opções:
1º O David deixava de lhe escrever por culpa de assuntos que voces vão entender nuns capítulos mais à frente e por conseguinte a margarett deixava de ter a quem responder.
2º O capitulo por si só diz tudo!

Desfrutem! :

Peep-Toe & All-Star 11cchw7

Capitulo IV - Reencontro
Jump Then Fall – Taylor swift

“As pessoas realmente ligadas não precisam de ligação física. Quando se reencontram, mesmo depois de muitos anos afastadas, a sua amizade é tão forte quanto sempre .”
Deng Ming-Dao

Junho de 1957, Carolina do Norte

Era de manhã. O sol ainda estava a nascer quando David se remexeu na cama por culpa dos sons irritantes de pessoas a rir e a conversar no exterior. A sua mãe não sabia, mas ele só tinha chegado a casa por volta das três da manhã. Tinha sido uma noite curta em relação às anteriores, mas isso deveu-se ao facto de ele estar cansado e precisar de descansar. Ao ouvir tantas pessoas a conversar animadamente, tapou a cabeça com o travesseiro, revoltado. Ele tinha de dormir no mínimo até às onze horas, já que era sábado e a próxima noite seria ainda mais longa. Mas aqueles barulhos não queriam deixar. Já tinha inclusive tapado todas as entradas de luz para que o sol não o incomodasse, e mesmo assim ia acordar cedo. Abafou um grito de frustração na almofada e levantou-se da cama aos tropeços, vestido apenas com a roupa interior. Pegou no relógio despertador e viu as horas. Dez e meia, menos mal. Conseguiu aceitar as horas e arrastou-se até à casa de banho para exercer a sua higiene matinal e depois de tomar um banho refrescante e vestir as suas roupas, olhou-se ao espelho e ajeitou o cabelo desengonçado. Faltavam poucos meses para completar 17 anos, mas já aparentava ter uns 19. Ninguém podia dizer que ele outrora fora um miúdo baixo para a idade, já que era bem constituído e tinha um corpo digno de ser desejado pelas raparigas.
Retomou ao seu quarto e arrumou os vestígios da noite anterior, antes de sair do quarto. Quando chegou ao piso inferior as exclamações de folia aumentaram de volume mas ele ignorou, rancoroso por ter sido acordado.
Passou na cozinha, estranhando ela estar deserta, e pegou numa chávena que encheu de leite frio, para logo a beber em poucos goles. Pousou-a na pia da louça e depois procurou o calçado. Converse All-star preta, a sua preferida. Depois disso saiu de casa, pronto para ir até ao Lili’s Diner, porem, qual não foi a sua surpresa quando se deparou com um grupo de pessoas familiar á porta de casa.
-Lá está ele! – Exclamou Mrs. Grace Paisen.
Ele olhou a mãe com cara de dúvida e de susto em simultâneo.
-é o teu filho? – Indagou uma voz feminina, carregada de incredulidade.
David revirou os olhos ainda sem ver quem dissera tal coisa. As amigas da mãe diziam sempre que ele estava a perder os modos e aos poucos a roupa começava a parecer a de um marginal. Isso irritava-o profundamente.
-Mas quem diria! O pequeno David está um homem! – Pronunciou-se a voz rouca de homem.
David desceu o degrau da escada com o olhar no horizonte, com esperança de avistar algum amigo. Não estava com paciência para encarar familiares que ele nem sequer conhecia e que, ainda por cima, o tinham acordado meia hora mais cedo do horário mínimo.
-David, cumprimenta Mr. e Mrs. Wilson.
O Scott ainda deve estar a dormir e o Eric… Espera, Wilson?! O quê?!
Ele levou o olhar aos seres que o encaravam, em total surpresa. Sentiu os seus lábios descolarem sem saberem o que expressar e teve de olhar para o lado e retomar a ver o casal para ter a certeza. Surpreendeu-se ao esboçar um sorriso largo no rosto:
-Não acredito! – Exclamou.
Ele desceu as escadas da fachada da casa e cumprimentou-os com pressa, movendo a direcção do olhar á procura de uma miúda magricela, de pele branca, cabelo desengonçado e cara suja, com roupas a esconderem o seu corpo sem formas. Mas eram só cinco ali, e sem saber porquê sentiu um estranho vazio dentro de si:
-a Margarett? – Perguntou.
-está a arrumar umas coisas no seu quarto, já que tu ainda estavas a dormir.
O rapaz sorriu estupefacto e deu passos de recua na direcção da casa vizinha que se encontrava com a porta aberta:
-Posso…? – Perguntou, fazendo um gesto que apontava para o interior da casa.
Porém, David não deixara de ser um rapaz enérgico, e imaginando uma suposta resposta, entrou de rompante na casa, sem notar a cara de desagrado que Mrs. Dorianne Wilson esboçou no seu rosto seco. Todos acharam piada á pressa de David, excepto ela. Ele já era um homem, não era certo ir ao quarto de uma senhora, ainda por cima vestindo-se como um qualquer. Ela ficou chocada com o estilo marginal do rapaz. Roupa escura, All-star preta gasta, calças com um rasgão na perna. Isso não era muito civilizado na sua mente conservadora. Mas ninguém notou o seu constrangimento, muito menos o rapaz.
Ele subiu as escadas, em direcção ao quarto que já não entrava há anos, extasiado, e viu a porta aberta. Abrandou, e espreitou para o interior do quarto, na esperança de surpreender a amiga, no entanto foi ele quem ficou surpreendido com a sua visão. Dentro do quarto, uma jovem estava de costas para ele, sentada na secretaria a arrumar umas folhas numa capa de cartão. Todo o espaço imanava uma fragrância leve e delicada, que acrescentada aos cabelos dourados, com ondas largas e perfeitas a caírem sobre a seda rosa salmão do vestido da moça, tornavam tudo estranho para ele. Perguntou-se se era aquele o quarto, mas sabia que era, portanto entrou com passos mudos:
-Rett…?
A jovem levantou a cabeça e olhou para trás, com o sorriso a formar-se no rosto harmonioso.
Só uma pessoa lhe chamava “Rett”:
-David! – Exclamou, levantando-se da cadeira para ir abraçar o miúdo baixote.
Sem pensar no seu acto, atirou-se para os braços do velho amigo, que rodopiou ao sentir o perfume delicado controlar-lhe os sentidos.
-Não acredito! – Voltou a exclamar. Ele cravou-lhe um beijo apertado na bochecha e depois repousou a cabeça no ombro dela e apertou-a mais contra ele, apercebendo-se que a silhueta dela estava diferente: - Cheiras bem. – Comentou admirado, depois de o seu nariz tocar a pele dela.
Logo após, no entanto, eles travaram-se para ter a certeza que eram eles mesmos.
Apercebendo-se do óbvio, ambos tomaram uma postura desconfortável e desajeitada, enquanto pensavam se deviam soltar-se ou não:
-Estás mais alto! – Ela pronunciou-se quando ele retirou a cara do seu pescoço e ela teve de levantar o queixo para o olhar directamente nos olhos. Por momentos ela ficou constrangida e deixou de envolver o pescoço de David num abraço para pousar as suas mãos delicadamente nos ombros dele, agora largos.
David ao aperceber-se do atrapalhamento dela fez menos pressão com as mãos na sua cintura. Apesar de tudo, ainda sabia que era indecente agarrar uma rapariga assim, mesmo que fosse a melhor amiga.
-E tu… estás diferente. – Disse sem jeito, com um sorriso torto no rosto que foi suficiente para exibir uma pequena covinha na bochecha direita.
Coçou a cabeça, confuso, e olhou Margarett com mais atenção.
Ele não a conhecia. Ela parecia uma… Uma rapariga!
Ela por outro lado ficara envergonhada. Não poderia imaginar que David se tornara um homem tão… Homem.
-Não pareces o mesmo! – Disse ela sem imaginação para mais.
Ele olhou-a nos olhos, depois analisou o cabelo loiro e depois observou a clareza do seu corpo definido. Algo nela o prendeu com intensidade, fazendo-o sorrir pela fraqueza:
-Tu estás… - Ele voltou a olhar os olhos claros, que mostravam interesse no que ele ia dizer – Estás muito…
-Muito o quê, David? – Ela riu-se da falta de jeito do amigo. Parecia desligado dos pensamentos e só olhava para ela, o que a fez sentir-se desconfortável, e como tal teve de dizer algo – Sabes, estava tão habituada a seres baixo que pensei que ia ter me curvar para te abraçar.
Ele riu-se, divertido:
-Eu cresci.
-sim, eu sei… - Ela sentiu um formigueiro no estômago e soltou-se dos seus braços, incomodada, caminhando na direcção oposta á que ele estava.
Aproximou-se da janela que tinha vista para o quarto dele e sorriu:
-Conta-me como vão as coisas por aqui! – Pediu – Como estão os miúdos… Quer dizer, os nossos amigos! Aposto que já nem se lembram de mim!
-Por acaso eu não tenho estado com eles ultimamente. – Admitiu.
-Porquê?
-Novos amigos. Vais gostar de os conhecer, são muito porreiros. Ah, e tenho de te levar ao Lili’s Diner! Vais adorar os waffles!
Em questão de segundos, David passara do estado desconfortável para o estado de entusiasmo que Margarett recordava.
-Oh, eu trouxe-te croissants! – Recordou a loira, dando um salto – A Adeline deu-mos mal saíram do forno, para não perderem o sabor durante a viagem.
Margarett agarrou a mão grande de David e puxou-o atrás de si, conduzindo-o até á cozinha. Lá, buscou uma cesta, onde havia alguma comida. Pegou num embrulho e desatou os nós do pano, exibindo os bolos que queria dar a David. Pegou num de aspecto saboroso e levantou-o até á boca de David:
-Prova! Vais adorar!
David mordeu o bolo fofo que ela lhe exibira e mastigou com vontade:
-Hum, isto é bom!
Ela riu da cara que ele fez, e depois ele roubou-lhe o croissant das mãos, provocando um som de indignação vindo da moça.
Ele mostrou a língua e deu passos fugidos na direcção da entrada da casa, fazendo-a segui-lo, e entre risadinhas divertidas desceram as escadas da rua, chamando as atenções dos pais:
-És um guloso! – Acusou Margarett, caceteando os seus ombros, entre sorrisos.
Ele mostrou a língua e agarrou-lhe o pulso para que ela o seguisse:
-Vamos ao Lili’s Diner! Tens de provar os waffles!
Os adultos riram da relação amistosas que os dois garotos, nitidamente, mantinham.
Mrs. Wilson, por outro lado, reprimiu uma careta azeda e interrompeu a conversa dos dois:
-Lamento, David. A Margarett tem de nos ajudar a desfazer as malas!
Margarett baixou o olhar, desiludida com tal facto, mas assentiu. Obedecia sempre á sua mãe.
Mas David era diferente:
-Por favor, Mrs. Wilson, a Margarett acabou de chegar, quero mostrar-lhe a cidade, apresenta-la aos meus ami…
-Não, David! – A sua palavra foi firme e fria – Isso pode esperar! A Margarett sabe bem os seus deveres, não interfiras, por favor.
David franziu o cenho, desagradado com a ordem. Ele odiava ordens.
Pensou em refuta-la novamente mas Margarett interrompeu-o ao ficar do lado da mãe:
-David, podemos ir amanha?
-Logo á tarde. – Ripostou. E não aceitaria um “não” como resposta, ou não se chamava David Paisen.
-Porquê toda essa pressa?! – Inquiriu Mrs. Wilson, irritada.
-Porque desfazer as malas não demora assim tanto tempo.
A mulher ficou sem resposta, e logo depois, os restantes adultos interferiram na conversa, apoiando o rapaz. Margarett sentiu o peito inchar quando a mãe cedera. Já não sabia o que isso era havia muitos anos. Ela tinha sempre a palavra final, mas ao que parecia, David era a excepção.
Naquele dia o almoço foi servido na casa dos Paisen, e durante a tarde, David teve a boa vontade de ajudar a família vizinha a desfazer os caixotes das mudanças e arrumar as trouxas de roupa. Fora um bom pretexto para falar com Margarett sobre o que se tinha passado ultimamente e que não tinha contado nas cartas. Foi também oportunidade para fazer algumas palhaçadas com a amiga, provocando risos por parte dos dois. Por dentro, ambos ainda eram verdadeiras crianças, e isso intensificava-se quando estavam juntos.
Quem não gostava disso era a rigorosa mãe da adolescente que observava de modo meticuloso a relação deles. Mal sabiam os jovens que ela lutaria contra toda aquela proximidade, afinal de contas, David estava diferente. Era homem, tinha instintos masculinos, desejos e ainda por cima um novo estilo inadequado. Margarett ainda era demasiado jovem para se meter em maus lençóis por culpa de um rapazito mal feitor.
Mrs. Wilson arrumava a sala enquanto pensava no que fazer para que os dois se mantivessem menos próximos, mas nenhuma ideia lhe ocorria. Levantou-se e viu o seu reflexo num vidro do armário da sala. As rugas tomavam conta do seu rosto. Por momentos sentiu uma certa nostalgia ao recordar quando tinha a idade das duas “crianças”. A ingenuidade fora-lhe roubada pelos pais que a obrigaram desde cedo a trabalhar no campo, e como tal a sua educação era mais rigorosa. Não permitiria que Margarett se tornasse uma rapariga sem escrúpulos e vadia como aquelas que se viam por aí. Naquela tarde, cederia, mas da próxima vez não lhe facilitaria a vida.

David olhou para o relógio depois de todos os pertences de Margarett estarem devidamente arrumados. Estavam os dois deitados sobre a cama, com os pés em direcções diferentes, mas com os rostos paralelos, a olhar o tecto. Tanto um como outro estavam cansados daquela monotonia, mas não tinham vontade de sair dali, da beira um do outro. David fechou os olhos e sentiu o aroma que percorria o ar. Algo suave que se intensificava quando ele se aproximava de Margarett. Nunca havia imaginado que ela cheirasse tão bem. Abriu os olhos e observou aquele rosto delicado, de pernas para o ar em relação ao corpo dele. Os seus olhos incidiram contra os lábios carnudos e rosados da adolescente, provocando um arrepio estranho por todo o seu corpo, o que o obrigou a voltar o rosto para o outro lado, envergonhado.
Margarett levantou o tronco, sem reparar na face corada de David e saiu de cima da cama:
-Tenho fome! – Exclamou.
David ainda deitado reparou noutra diferença causada pelo tempo. As pernas dela. Já não eram secas. Na verdade, a única parte que não estava escondida pela roda do vestido era bem formosa. Perdido naqueles pensamentos não escutara o que ela dizia.
-David, vamos agora?
-Aonde? – Perguntou.
-Ao tal Lili’s Diner. Lanchar.
-Ah, claro!
Ele levantou o busto e sentou-se na orla da cama, ainda com os olhos pregados na amiga, com pensamentos acerca do físico da companheira a sujarem a sua mente.
-Então vou buscar a minha carteira e calçar o meu peep toe!
-O teu quê?
-Os meus sapatos! – Riu-se ela, numa graciosidade sem fim.
David viu-a aproximar-se do guarda-vestidos e retirou um casaco branco, bordado, para vestir sobre o vestido rosa salmão. Só nesse momento David tomou consciência dos novos trajes de Margarett e franziu as sobrancelhas, admirado. O vestido, perfeitamente cintado, destacava as suas curvas, e tinha um decote generoso na parte da frente. O tecido era de crepe seda e envolvia todo o corpo numa harmonia delicada.
Margarett sorriu-lhe e fez um sinal com a cabeça para que ele a seguisse. Desceram as escadas e Margarett calçou uns sapatos de salto alto, do mesmo tom do casaco e da bolsinha que ela levava no pulso, com um pequeno buraquinho que lhe mostrava dois dedos do pé.
A rapariga espreitou a cozinha, onde o pai se encontrava:
-Papá, vou com o David passear, está bem?
-Já arrumaste tudo? Sabes como é a tua mãe.
-Sim, pai, está tudo em ordem. Posso ir?
-Tem juízo!
Ela sorriu e acenou. O seu pai era um homem bastante calmo em relação á mãe. Apesar de a maioria dos senhores da família ter um zelo exagerado pelas filhas, Mr. Adolfe sabia dar-lhe espaço e confiar nela. Isso era um ponto a seu favor.
Margarett e David saíram de casa, sorridentes e mal pisaram a calçada, a rapariga engatou o braço de David, caminhando a seu lado. Este estranhou a proximidade, mas não contestou, em vez disso olhou-a com atenção. Ela sorria, feliz. Os olhos azuis brilhavam enquanto ela encarava o horizonte que se aproximava deles e dava passos leves, mas cheios de determinação, enquanto os seus lábios carnudos gemiam uma melodia irreconhecível para David. Ela olhou-o de soslaio de repente, causando em ambos um impacto arrepiante que os fez corar. Mordendo o lábio, a rapariga calou-se e desapegou-se ligeiramente de David, sentindo-se minimamente incomodada ao aperceber-se que não havia espaço entre as laterais dos seus corpos.
-Estou contente… - Murmurou a jovem dama, vislumbrando o tom púrpura que se esbatia contra o céu azul do céu, dando inicio ao crepúsculo mais feliz que ela via desde há muitos anos – Tinha saudades tuas, David. Nunca deixaste de ser o meu melhor amigo…
Ele corou e olhou o chão, vendo os pés suaves a caminhar escondidos por uns sapatos excessivamente femininos para Rett, que contrastavam com os seus ténis esfarrapados.
-Eu também estou feliz pelo nosso reencontro… - Admitiu com serenidade, desenhando um largo sorriso branco para a companheira.
Sentiu um florear agradável no estômago e abrandou o passo para desfrutar do tempo a sós com Margarett antes de chegarem ao Lili’s Diner, á medida que o sol baixava devagar e outras cores coloriam o céu, tornando o momento saboroso para os dois.


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Umas curiosidades que relembrei quando revia o capitulo:
1º O primeiro nome desta fic era "Peep-toe & All-star"! Quando escrevi este capitulo ainda estava com essa ideia fresquinha e por isso faz referencia ao calçados dos dois!
2º (Esta é para seguidores da minha outra fic) Já repararam que em Angelical existe um café que apelidam de "café da Lili" e nesta fic o raio do café(que é onde vão acontecer algumas cenas importantes) se chama "Lili's Diner"? Por incrível que pareça eu só reparei nisso há pouco! Embaracoso' É quem nem existe Lili Nenhuma! Isto deve ser uma tara minha! Toma toma
3º A capa desta fic foi feita no Polyvore (e agora vocês perguntam "Poly quantos?". Não me apetece esclarecer-vos. Usem o Google! x) )
4º Como imagino(nao exactamente) o Deivid (À labrego!)
Ah! Só vê quem não se importar de destruir a sua veia imaginativa! x)
Spoiler
Peep-Toe & All-Star 212i992
E pronto é isto, comentem! Very Happy
Bjokas
as minhas fic's:
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
-Angelical
Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^
#28
"Peep-toe & All-star" que nome lindo Esperancoso Acho que ficava melhor como titulo da fanfic que este. Promessas do Para Sempre soa a titulo de novelas da TVI Matreiro

Gostei imenso do reencontro dos dois amigos. O desconforto, a sensação que tudo mudara e a verdadeira noção de que muito mudara está muito bem descrito. Já se está a ver problemas no futuro dos dois amigos e não falo apenas da mãe da Maggie. Ela está uma rapariga fina e ele um rebelde. De certeza que as amizades de David serão um dilema a resolver. Tou curiosa para ver como vais desenrolar o resto. Apesar de tudo, David ainda não desistiu da ideia que Maggie não mudara muito nesses anos e ainda não vi os pensamentos dela ao vestuário do amigos e aos motivos que pararam de escrever...



Quero mais... e depressa! Já estou a ser consumida pelo bichinho viciante que é ler uma fanfic nova e a tua tem todos os requisitos *-*
Espero por ti em cada segundo , porque tu és o meu mundo!




Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
Visitem a minha 1ª Fic ----->The Four elements
#29
Olá Lulu! Smile

Tenho de concordar com a Ana. Gosto mais do título "Peep-toe & All-star".
Bem o problema de comentar mais tarde é que os outros já disseram tudo. Matreiro
A Ana disse realmente tudo o que penso.
Gostei muito do reencontro deles. Da surpresa e algum desconforto que se apoderou deles, devido ao facto de estarem tão diferentes.
Realmente parece que a mãe da Rett não vai dar tréguas, mas gostei bastante do David a enfrentar. Já está na altura da Rett fazer o mesmo!
Lulu a maneira como tu imaginas o David, OMG, a Rett decididamente é uma rapariga de sorte! Ele é lindo! loool
Esperando ansiosamente por mais um capítulo da nossa escritora! Razz
Bjo*
#30
AnA_SaNt0s - Ai nem me digas nada. Eu também sempre preferi "Peep-toe e All-Sta" mas comecei a cismar que era estúpido e comecei à procura de outros. Como queria muito postar a fic, fiz um "sorteio" e o 1º titulo que calhou, ficou! Matreiro
Pessoalmente este capitulo não está tal e qual como eu queria. Antes de o postar ponderei em mudar muitas coisas, pelos simples facto de eu ter medo de não estar a descrever o que queria com nitidez. Ainda bem que gostaste! Smile

Bun - Jesus Christ! Ai vou mesmo mudar o nome da fic. Só gostava que os outros leitores comentassem antes que eu alterasse porque senão a maioria vai perder o rasto à meada! Desiludido
A mãe da Margarett no passado já era um pouco fria, mas agora eu vou apostar mais nessa faceta. Toma toma e não entro em pormenores senão perde a piada! Very Happy
Olha esse David só é bonito nessa foto (HahAHA Matreiro) Em todas as outras que eu já vi desse actor não gosto nada mesmo nada. Mas pronto! agora é só imaginar com roupas À anos 50! Matreiro


BEm, como agora sei que preferem o outro titulo, vou deixar aqui outros nomes que pensie, só pela curiosidade! Toma toma

"Peep-Toe & All-star"
"Seda & Cabedal" (tambem adoro este, aliás é o titulo do ficheiro word! Embaracoso')
"Vinculos do para sempre"
"Entrelinhas" (Uns capitulos mais à frente entendem melhor o sentido deste titulo)
"Corta e cose"
"Promessas do Para Sempre"

e pronto é isto!
No promixo post já venho com o nome alterado! Smile
as minhas fic's:
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
-Angelical
Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^
#31
Eu tenho sempre a vaga esperança que surjam mais comentários! Embaracoso' É por isso que demoro tanto a postar. Alem disso tenho andado com preguiçite aguda, por isso ainda não vai ser desta que vou mudar o titulo da fic. Mas já agora, dos títulos que referi na mensagem acima qual gostaram mais?

Bem, aviso já que este não é um dos meus melhores capítulos Desiludido Não gosto dele, é... Estranho. O nome ficou bem atribuído. Talvez mudem de opinião em relação à minha evolução escrita :s

Ainda assim, desfrutem Wink
Spoiler
Peep-Toe & All-Star 3097m6g
Capitulo V – Estranhezas

“Embora muita coisa seja estranha demais para se acreditar, nada é estranho demais que não possa ter acontecido. ”
(Thomas Hardy)

Mesas rectangulares com bancos forrados em cabedal vermelho, todas estendidas ao longo do espaço, coladas á grande faixa de janelas que mostravam a cidade do lado de fora. Era assim o Lili’s Diner. Havia um balcão onde jovens raparigas de vestidos pelo joelho pegavam nos pedidos e os levavam para os locais correctos, enquanto as músicas mais tocadas do momento soavam no fundo vindas da juke box, dando um ambiente animado ao local.
Margarett abriu a boca e depressa saboreou um waffle dourado coberto de chocolate. Os seus olhos brilharam e David gargalhou, enquanto bebia uma gasosa.
-Isto é simplesmente calórico e delicioso! Podia viver disto e de croissants!
-Rett, acredita em mim, daqui a pouco enjoas! Quando chegares ao limite pára de comer, senão vira o barco!
Ela franziu o cenho, confusa:
-O quê?!
-Vomitas. – O rapaz riu-se divertido e ela acompanhou-lhe a risada, limpando o chocolate que lhe desenhara um bigode na cara com a ajuda de um guardanapo.
Sem se perceberem, duas serventes olhavam-nos de lado. Algo não batia certo com aquilo que viam e não conseguiam evitar de cochichar:
-Quem será a loira? – Questionou-se a mais velha, talvez na casa dos 20 anos.
-E desde quando é que o David é tão divertido? – Interrogou uma morena, perplexa – Ele é sempre tão convencido e mal-educado! Ainda gostava de saber onde andam os outros idiotas com quem ele anda metido!
Uma outra jovem empregada de 17 anos passou pelas duas carregando um tabuleiro com louça suja, e não conseguiu impedir-se de comentar:
-Já viram a roupa dela em comparação com a dele?! Aquele vestido é seda pura, deve ter custado um balúrdio!
As outras duas acenaram, abismadas. A moça tinha razão. As roupas de Margarett eram caras, e era muito invulgar ver alguém assim vestido a falar para um delinquente como David. Sim, porque na mentalidade da maior parte das raparigas, David era um “menino mau”, apesar de arrancar suspiros da maior parte delas.
-não, nem penses! – Exclamou Margarett longe delas.
David tapou a boca com a mão, entre gargalhadas. Tinha acabado de desenhar um grande risco de chocolate na bochecha de Margarett, e o resultado fora hilariante. A rapariga não conseguiu evitar de rir junto, mas não se deixou ficar e besuntou o nariz do parceiro com aquela calda escura. Ele tentou chegar com a ponta da língua á ponta do nariz, sem sucesso, o que roubou uma risada divertida dos lábios de Margarett. David lançou-lhe um ar de irritação fingida e encarou os seus olhos á espera que ela parasse de se rir, todavia foi em vão.
-Escusas de fazer esse ar, David Paisen. – Disse ela em tom de deboche – Não me assusta!
Ele susteve um sorriso e revirou os olhos colocando os braços dobrados em cima da mesa e chegando-se para a frente dela:
-Como sabes que não estou mesmo furioso contigo por me humilhares em frente a tantas raparigas jeitosas?
Com aquilo ela riu mais:
-Ora, David, eu conheço-te! Se tu estivesses zangado não tinhas tempo de fazer ar de mau porque começavas a chorar!
Ele parou por momentos, chocado:
-Chorar? Eu?!
Ela deu de ombros:
-Se bem me lembro, cada vez que te enervavas, ficavas vermelho e soltavas algumas lágrimas cheias de ódio! Não estou a dizer que chorasses mesmo, mas que algumas gotas salgadas deslizavam por essa carinha laroca, lá isso deslizavam!
David manteve-se parado. Os seus olhos estavam sérios, a prender Margarett a falar. Quando ela direccionou a sua visão para ele, ambos se encararam durante dois longos segundos.
-Eu já não sou assim. – Disse firmemente, por fim.
Ela ergueu os cantos da boca para cima, num sorriso forçado:
-Mas é assim que eu te lembro…
-E tu? – Questionou ele, com um sorriso cínico na face – Continuas a ser orgulhosa quando te chateias? Ainda cruzas os braços e ficas sem falar uma semana, numa greve vocal?
-Não sei, David… - Ela ficou com o olhar colado ao dele – Nunca mais me enervei a esse ponto!
-É, eu sempre tive um efeito especial em ti! Nenhum francês me conseguiu superar!
-Ah, ah! Engraçadinho!
Ela levantou-se do banco em que estava sentada:
-Vamos embora?
-Claro, já está escuro. – Concordou ele, analisando o exterior.
Margarett preparou-se para se dirigir ao balcão, mas David tentou detê-la ao aperceber-se que ela não limpara o chocolate da bochecha:
-Rett…!
Mas já era tarde para avisos. As serventes disfarçavam sorrisos de troça, o que irritou o rapaz.
Ele alcançou a amiga, com um guardanapo na mão, e fê-la virar-se de frente para ele, deixando-a meio zonza com o rodopio que o seu corpo deu.
-Hei, Wilson… - Ele esfregou o guardanapo contra aquela pele suave, sorrindo – Isso já é maquilhagem a mais, e não combina com o teu tom de pele!
Ela apenas esboçou um sorriso envergonhado, já que em parte se sentia sufocada por ele estar tão perto de si. Sacudiu as suas pestanas longas num movimento de pálpebras e olhou para o rosto de David, seduzida pela íris castanha esverdeada:
-Tu continuas a parecer um palhaço. – Murmurou apontando para o nariz dele.
Ambos deram um risinho leve, e David limpou a ponta do nariz, assim que largou os braços de Margarett. Esta virou-se novamente na direcção do balcão e assustou-se ao ver tantas raparigas a encará-la. O constrangimento passou pelo seu olhar e ela deu um passo de recua, atrapalhada, batendo com as costas no peito de David.
Ele olhou as empregadas com desdém e empurrou a amiga na direcção do exterior, dando um sinal arrogante de “Adeus” para os funcionários do local, que logo se ajeitaram nos seus postos, envergonhados por serem apanhados a coscuvilhar vidas alheias.
Lá fora estava fresco. David passou os braços em torno dos ombros de Margarett e acompanhou-a assim até casa. Despediram-se rapidamente e cada um entrou no seu lar.
Na casa dos Wilson, a dona do lar esperava a filha sentada á mesa de jantar com o seu marido. Os seus olhares pareciam fulmina-la até às tripas.
-Voltei…! – Anunciou a jovem.
-Onde estiveram a tarde toda? – Inquiriu Mrs. Wilson.
-Fomos ao Lili’s Diner. – Respondeu a rapariga, amedrontada - É um restaurante aqui perto…
-Só isso?
-sim, mamã. Estivemos a conversar e nem demos pelo tempo passar…
A adulta alçou a perna e cruzou os braços da forma intimidadora que Margarett jáconhecia há anos:
-Atrasaste-te!
O seu pai, Mr. Wilson, estava mais calmo, mas apoiava a esposa no seu “ataque”:
-Senta-te e come connosco. – Convidou.
-Hum… Importam-se que eu não jante?! Lanchei muito e estou sem fome.
Mrs. Wilson bufou, zangada:
-Que isto não se repita, Mag!
-Claro que não, mãe. – Assentiu de cabeça baixa.
A rapariga subiu as escadas a correr e fechou a porta do quarto devagar, para os pais não escutarem. Encostou-se á porta e suspirou. A última coisa que queria era problemas com os progenitores, apesar de ter adorado o tempo passado com David.
Retirou o casaco e pendurou-o no armário. Aproximou-se da janela do seu quarto e apoiou as mãos no peitoril. Sem estar á espera, viu David no seu quarto, a andar de um lado para o outro á procura de alguma coisa. Quando ele se apercebeu que a amiga fora á janela, sorriu-lhe e acenou. Ela acenou também e depois fechou-a e tapou o seu quarto com a cortina.
Quando se sentiu demasiado cansada para continuar a vaguear pelo quarto de camisa de dormir, deitou-se na cama e fechou os olhos, recordando bons momentos.

Já caída no sono profundo, Margarett deu um salto na cama e abriu os olhos. Ouviu um som que a sobressaltou, vindo do exterior. Levantou-se assustada e em passos lentos aproximou-se da janela.
Será um ladrão?!, perguntou-se.
Conseguiu escutar o relógio da sala a dar uma badalada.
Sem desviar a fina cortina, espreitou pela janela e viu um vulto a passar pelo quintal da casa vizinha. Moveu o pano branco com cuidado e tentou decifrar quem se encontrava no exterior. Qual não foi a sua surpresa quando descobriu que era David que corria lá fora. Da janela do seu quarto caia uma corda feita de lençóis, abandonada.
Margarett sentiu-se inquieta por vê-lo na rua àquelas horas, mas foi aí que alguém se aproximou dele e se cumprimentaram. Um rapaz, da mesma altura mas mais musculado. Partiram para uma direcção qualquer.
Quando ambos saíram do seu alcance de visão, a Francesa regressou á cama com o coração aos pulos.
Cobriu-se e encarou o tecto, preocupada. Esperaria pela manhã para saber o que se passava. Talvez estivesse a sonhar.

Mas a manhã chegou, e ela não tinha dormido nada de jeito. Era domingo, dia de ir á missa. Ela levantou-se e vestiu um belo vestido com flores grandes e suaves. Calçou umas luvas brancas e uns sapatos de salto da mesma cor e arranjou o cabelo.
Saiu com os pais na direcção da igreja, e lá assistiu á cerimonia que o reverendo preparara, sem a atenção adequada, pois os seus pensamentos estavam longe dali. Olhou em redor, á procura de David, mas apenas encontrou os seus pais, a sua irmã e o marido dela. Nem sinal dele. Teria acontecido algo?
Por fim, todos se benzeram e saíram para o exterior da igreja. As duas famílias aproximaram-se como sempre, para conversarem. Margarett não perdeu tempo:
-Onde está o David?
Mrs. Wilson arqueou a sobrancelha, enquanto que por outro lado os Paisen sorriram:
-Está a dormir. Ultimamente o David anda tão cansado… Deve ser dos dias longos do Verão. Nós preferimos deixa-lo a descansar!
-Não o habituem mal… - retorquiu Dorianne Wilson de modo azedo – Sabem que o Domingo é dia do Senhor.
-Oh, ele já é quase adulto. Confiamos nele para tomar as próprias decisões! – Prontificou o pai do rapaz, despreocupado.
Margarett suspirou de alívio e olhou em redor. As conversas adultas foram tomando outros rumos e ela dispersou-se por completo. À ida para casa, cruzou-se com duas das serventes do Lili’s Diner e sorriu-lhes em cumprimento. As duas coraram, mas acenaram de volta.
Então Margarett esperou que David acordasse, mas isso não aconteceu tão cedo. Estava a anoitecer quando viu os primeiros sinais de vida dele. Ao contrário do que julgara ele não fora ter com ela e apenas a cumprimentou pela janela.
Á noite voltou a ouvir o som dele a sair de casa, e aconchegou-se mais nos lençóis, preocupada.
Depois veio a segunda, a terça, a quarta, a quinta e a sexta-feira e Margarett percebeu que aquilo era um ritual de David. Um ritual estranho.
Ele falara com ela na terça-feira e na quarta-feira, mas não tivera coragem de lhe perguntar onde ele havia ido. Em vez disso ajudou a mãe na nova costuraria e confraternizou com os outros velhos amigos de infância. Falava com David com sorrisos e ele mantinha o olhar amistoso, todavia, aparecia sempre cansado e á tarde.
No sábado ela não esperou que ele acordasse e decidiu ir tomar o pequeno-almoço ao Lili’s Diner. Quem sabe não encontraria algum velho amigo por lá.
Levava um dos vestidos que a mãe lhe fizera, em tons de azul, de motivos florais geométricos que fazia a sua pele alva reluzir. O longo cabelo loiro tinha os caracóis largos destacados por uma bandolete que condizia com os sapatos altos.
Ela caminhou pela sua rua devagar, desfrutando do tempo de Verão, enquanto pensava naquilo que mais lhe remoía o espírito desde que regressara. Estava preocupada com David. De facto, o seu coração pulava mais forte cada vez que escutava o som dos seus pés a embaterem na terra, de madrugada. Sentia um vazio no estômago, e revirava-se na cama até conseguir pregar olho, acabando por sonhar com ele. Com as possíveis coisas que ele estaria a fazer. Engoliu a seco e ergueu o queixo, dando passos firmes e poderosos, como aprendera em França. Quando avistou o Restaurante, rodeado por carros, e ao canto algumas motas, abrandou o ritmo e ajustou a sua bolsinha de pulso.
Quando abriu a porta, soou uma leve campainha que anunciou a sua chegada. A servente que estava ao balcão dirigiu-lhe um olhar e pareceu suspirar enquanto a olhava de cima a baixo.
Todas as mesas estavam repletas de gente, a tomar os pequenos-almoços, e no fundo de todo, havia um grupo de jovens que se sobressaiam pelas conversas proferidas em tom demasiado alto e ruidoso. Notou que alguns dos clientes mais próximos daquele grupo fazia esgares de impaciência e depressa liberaram as mesas.
Ela observou atentamente aquele grupo. Duas raparigas e três rapazes. Elas, de lábios e olhos pintados em cores fortes, vestiam roupas reduzidas, mostrando mais carne do que aquilo que era aceitável para a época em questão. Usavam peças escuras, e os vestidos chegavam apenas aos joelhos, sem corte feminino, apenas com decotes generosos, disfarçados por casacas escuras de cabedal, e pendentes nos pescoços brancos. Pareciam aquelas marginais dos bairros, que vendiam o corpo. Margarett desviou as atenções delas, incomodada pela comparação, mas não pode evitar de fitar novamente o grupo para analisar os três rapazes, dois dos quais estavam de costas para ela. Aquele que ela conseguia encarar, tinha cabelo pelos ombros, castanho, e os seus olhos negros condiziam com as t-shirt deslavada com mensagens impróprias. Os outros dois tinham cabelos curtos. Um num tom castanho muito claro, quase loiro, de t-shirt e colete de cabedal preto, e o outro de casaca castanha e cabelo mais escuro. Algo naquele sujeito chamou a sua atenção. Uma marca no pescoço, meia escondida pelo cabelo esgadelhado e pelo colarinho da casaca de cabedal, que insistia em surgir como sempre surgiu.
Por momentos Margarett teve a sensação de o coração parar de bater e olhou para o balcão, zonza, onde duas raparigas de idade semelhante á sua a encaravam curiosas.
Ela suspirou fundo e caminhou na direcção da mesa do fundo. As raparigas sentadas naquela mesa pararam com os sorrisos histéricos e comentaram algo que gerou risinhos no grupo. Margarett estreitou as sobrancelhas e ergueu o queixo. Não se deixaria afectar. O seu tacão bateu no azulejo junto àquela mesa e ela encarou melhor o grupo:
-David? – O chamamento saiu-lhe como uma reprimenda mal dada.
O movimento do jovem foi lento, acompanhado por um dar de ombros despreocupado, enquanto sorria para os companheiros e revirava os olhos em tom impaciente. Mesmo antes de ele saber quem o importunara, soltou uma risada irónica para os amigos:
-Quem é a galdéria que me chama?! – Interrogou em tom de deboche.
Os outros riram com ele.
Margarett sentiu uma pontada no peito, e os seus lábios grossos descolaram, com o choque da indelicadeza.
Os seus olhares por fim tocaram-se. Pelos olhos de David passou um fio de surpresa e receio que ele logo tentou apagar. Margarett cerrou os dentes por detrás do beiço, ao aperceber-se das olheiras do amigo de infância.
-Galdéria?!
David ficou sem fala por dois segundos e depois sorriu com sarcasmo, voltando-lhe costas.
-Quem é a coquete, David? - Inquiriu o rapaz sentado ao seu lado, também ele de olhos encovados. Na verdade todos ali estavam.
A rapariga de cabelo preto, preso num rabicho desengonçado no cimo da cabeça olhou-a com especulação, e a outra, de cabelo pelos ombros, soltou uma gargalhada irritante:
-Não sabia que te davas com caniches!
Ele riu sem jeito, e deu de ombros, de costas para Margarett.
-De onde é que se conhecem? – Perguntou aquele que parecia ser o mais velho.
A loira esperançou que David fizesse um comentário amigável, como de costume, mas uma vozinha no fundo da sua cabeça dizia-lhe que tal não aconteceria.
Estava certa.
-Sei lá… - Murmurou o rapaz, mordendo uma palheta, com olhar sério na direcção da janela. Nem se dignou a encarar a companheira de infância.
Margarett abriu a boca chocada e virou costas ofendida. Por pouco não tropeçou nos saltos com tanto atrapalhamento.
David voltou a cabeça para trás por fim, e viu-a dirigir-se para a saída do estabelecimento sob os olhares mexeriqueiros das funcionárias do restaurante. Mordeu o lábio discretamente, confuso com o que tinha acabado de fazer. A sua mente vagueou enquanto os amigos voltaram a fazer comentários.
Viu Margarett dirigir-se á porta com rapidez, de cabeça baixa e no preciso momento em que ia abrir a porta para o exterior, ela abriu-se e quase lhe acertou na cara. A moça abanou o crânio, tonta e chocou contra um rapaz de terno preto, cheio de gel no cabelo, rapaz esse que ele conhecia melhor do que gostava. William Finkie. Ele equilibrou Margarett pelos pulsos, ao ver que ela ia cair, e nesse momento ela olhou-o atarantada. Ele sorriu e disse-lhe algo que David não escutou. Ela sorriu-lhe por cortesia e contornou-o para se ir embora, passando pelos amigos deste. William deixou os seguidores passarem-lhe á frente e olhou por cima dos ombros, para a rapariga que caminhava lá fora de vestido chique. Sorriu, como um verdadeiro palerma, e colocou as mãos nos bolsos das calças, com um brilho estranho no olhar.
David sentiu um ataque de pânico nesse momento. Aquele olhar tinha um sentido íntimo, sentimental e talvez físico. Sabia o que ia na cabeça do rival, e não ia deixar que ele se aproximasse de Margarett, custasse o que custasse.


Comentem, sim? Smile

as minhas fic's:
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
-Angelical
Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^
#32
Olá Lulu! Smile

Pois realmente a fic merece mais comentários. Enfim, talvez seja das férias. Muita gente ausente...

Não percebo o queres dizer com o comentário sobre a evolução da tua escrita....continuas a escrever bem...

Também não acho o capítulo estranho.

Até achei muito querida a parte em que eles estão a lanchar e se sujam com o chocolate, lol. Ficou mesmo fofo.

Claro que depois o David me surpreendeu... Só tenho uma coisa a dizer: O David é um IDIOTA!
Que raio de rapaz! Pensava que tinha mais personalidade que aquilo! Só para não ficar mal em frente aos amigos, faz uma coisa daquelas!
É bem feito que a Rett lhe vire costas. Afinal ele agiu como uma criança! Que palerma!

Dos títulos que puseste gostei do que já te tinha dito "Peep-Toe & All-star" e "Seda & Cabedal", mas prefiro o primeiro.

Beijinho*


#33
Para poupar o meu teclado (porque se o fizer, nunca mais paro de escrever Matreiro), subscrevo tudo o que a senhorita Bun disse.

David = idiota



Já esperava algo do genero. Ele sempre pareceu um daqueles miudos que ficaria rebelde ao crescer. Uma coisa é certa. Ele merecia ficar a ver a Rett com o Will. Primeiro age como se não a conhecesse e depois já quer controlar a vida dela? Ai, mas que nervos!!!! >.<



Para mim, "Peep-Toe & All-star" é o eterno vencedor, apesar de tbm ter gostado do "Seda & Cabedal".



Ai.. e para que não leias mais palavras frustradas minhas, termino com a frase lendária das leitoras de fanfic: Espero ansiosamente pelo próximo capítulo! Smile
Espero por ti em cada segundo , porque tu és o meu mundo!




Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
Visitem a minha 1ª Fic ----->The Four elements
#34
O que dizer? O David é um idiota, mas um idiota daqueles que por algum motivo conseguem ser gostados! Matreiro
Nunca cheguei a referir mas a partir do capitulo 4 começou a segunda parte desta fic. A primeira era só uma espécie de prologo que retratava a infância. Esta segunda parte é a verdadeira historia (Aqui já não há referencias ao meu irmão e à amiga dele - e já agora, se tudo o que escrevi sobre a infância deles batesses 99% com a realidade provavelmente eu era sem duvida a Vicky. A irmãzinha adolescente irritante atormentada por dois miúdos (Céus, isto é tão verdade o.O) -)
Enfim, para quem leu angelical, talvez se lembrem de um capitulo em que a mãe do Gustavo conta à Lana como se apaixonou pelo pai dele. Cá vai uma curiosidade: Aquela revelação foi a inspiração para escrever esta fic. Claro que há muito mais floreado aqui, mas enfim, aquilo é um breve resumo de uma parte importante desta fic! xb

agora, NOVO CAPITULO, com o nome da fanfic já alterado para PEEP-TOE E ALL-STAR

Desfrutem meninas Smile


(Hoje não tenho capa, mas tenho alguns bónus - Descobrem ao longo do capitulo Smile)

Capitulo VI – Mudança
You’re not Sorry – Taylor Swift
“Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança
Todo o mundo é composto por mudança,
Tomando sempre novas qualidades”
(Luís Vaz de Camões)

Margarett atirou-se para a sua cama e abafou o rosto na almofada. Deu um grito estridente carregado de raiva, mas que ninguém conseguiu ouvir, e esperneou as pernas com força. Nem acreditava que David tinha feito aquilo. Era impossível! David Paisen a relacionar-se com marginais?! David Paisen a chamar galdéria a qualquer rapariga?! David Paisen a ser mal-educado num local público?! David Paisen, o seu melhor amigo de infância, a dizer que não a conhecia?! Que diabos se tinha passado?! Que segredos escondeu o rapaz simpático e amistoso das suas cartas? Aquele não era o amigo de Margarett.
Ela revirou-se no colchão, com o rosto vermelho e suado, e rangeu os dentes. O seu coração palpitava agitado, acompanhado por uma dor aguda que lhe causava azia no estômago e humedecia os seus olhos.
Levantou-se da cama e andou descalça até ao guarda-fatos. Pegou numa caixa rectangular, florida, e levou-a para cima da cama. Olhou a janela de soslaio. David ainda não estava no quarto e ainda bem. Ela fechou a cortina e voltou a sentar-se sobre a colcha. Tirou a tampa da caixa, exibindo dezenas de cartas amareladas pelas traças. Começou a tira-las, uma a uma, e a relê-las, procurando vestígios de mudança. Leu palavras tristes, leu palavras eufóricas, mas nenhumas eram minimamente ofensivas para serem associadas ao comportamento de David naquela manhã. Foi então que surgiu, no meio de todos aqueles envelopes velhos, uma carta datada de Abril daquele ano. Ela leu-a com atenção, com a mão esquerda sobre o peito. Lá, David fazia referência a um novo grupo de jovens na cidade com quem se estava a dar bem por serem tão livres. A jovem jogou a carta na caixa, e fechou-a, guardando-a novamente no armário. Andou de um lado para o outro no quarto, furiosa, e para se acalmar sentou-se em frente á sua escrivaninha e pegou num bloco de desenho, oferecido por Monsieur Dior há três anos atrás. O papel era algo caro naquela altura, pelo que ela estimava aquelas folhas como se de crianças recém-nascidas se tratassem. Com uma grafite mole esboçou um corpo que em algum tempo começou a ser revestido por uma roupa totalmente nova e sua. Passou o dia fechada no seu quarto a desenhar, a planear tecidos, estampados, linhas, botões e fechos, fazendo a sua única pausa na hora de almoço.
Eram quase sete horas da noite quando ela esticou as pernas e se deslocou até á sala. Sua mãe estava no quarto de costura a preparar roupas que antigas clientes lhe encomendaram mal ela chegou á cidade.
A rapariga sentou-se no sofá da sala e ficou a olhar o vazio sem intenção de fazer fosse o que fosse. Depois levantou-se e pegou num livro que folheou e voltou a pousar.
Escutou um bater à porta e caminhou até ela, avisando a mãe. Quando a abriu, o seu ar permaneceu sem emoção, apenas moveu os lábios num esgar maldisposto.
-Margarett, precisamos de falar! – Disse David, nervoso.
Ela fingiu um sorriso e antes de dizer algo, fechou-lhe a porta na cara sem estrondo.
David ficou a olhar as ranhuras na madeira escura, sem saber o que dizer. Pacientemente voltou a bater á porta.
-Mag, vá lá! Dá-me um a oportunidade! Eu estava com muito sono, eu…!
A porta abriu-se com brusquidão:
-Não passasses a noite fora!
David engoliu a seco, constrangido por a amiga saber que ele não dormira em casa.
-Margarett, eu… Eu não sabia o que estava a dizer esta manhã… Estava enleado e constrangido por me apanhares naquele estado…!
-David, tu magoaste-me! – Acusou ela - Disseste que não me conhecias, e nem sequer me apresentaste àquelas pessoas!
-Eu sei e lamento, a sério! – Ele parecia sincero – Eu dormi o dia todo e agora que acordei e estou mais lúcido vim pedir-te desculpas!
A rapariga encarou-o com um ar fulminante. Por muito que quisesse, não, ela não cederia apenas com um olhar bonito. Cruzou os braços e fez um biquinho com os lábios.
David reconheceu aquele gesto e temeu por si. Baixou a cabeça, arrependido, e esperou pelo que viria.
Apenas sentiu a porta bater de novo, escondendo a amiga.
Suspirou e sacudiu os braços, irritado. Tinha a certeza que ela ia para o seu quarto, portanto foi rápido.
Entrou na sua própria casa e subiu para os seus aposentos, pondo-se logo á janela. Na casa ao lado, a janela do quarto de Margarett estava aberta, porém, havia uma leve cortina transparente que fazia uma barreira poderosa.
Ele mordeu o lábio e bateu o pé, tentando reconhecer a silhueta feminina dela. Tudo estava parado na casa ao lado, e isso era frustrante.
Inclinando-se para a frente, ele clareou a voz:
-Margarett! – Chamou.
Ninguém respondeu.
-Mag! Responde!
O silêncio permaneceu. David suspirou, furioso:
-Margarett Wilson, vem imediatamente á janela, eu sei que estás aí!
Com impaciência, ele viu dedos delicados afastarem o pano fino e a exibirem o corpo esbelto de Margarett deixando-o ligeiramente aparvalhado.
Ela manteve-se séria á espera de algum comentário.
-Margarett… Minha Rett – Corrigiu sentindo-se a sua voz estranhamente ofegante -, por favor, perdoa-me, eu juro que não quis dizer nada daquilo!
Ela revirou os olhos e voltou-lhe costas, desaparecendo do quarto.
David cerrou os dentes, irritado, furioso! Cerrou os punhos com força e gemeu com raiva. Só mesmo Margarett para o enervar àquele ponto.
Desceu as escadas e voltou a sair para a rua.
Subiu as escadas da fachada dos Wilson e bateu á porta com brutalidade.
Ninguém abriu.
Ele voltou a dar murros brutos na porta, á espera de resposta, e ainda deu um chuto na entrada da casa.
Do lado de dentro, Margarett nem saia do sítio. Sentada no sofá da sala, tentava concentrar-se no livro que pegou para se distrair. Mas a sua cabeça só tinha noção das pancadas violentas na porta.
Mrs. Dorianne Wilson apareceu na sala, incomodada pelo ruído:
-Margarett, que barulho é este?! Porque não foste abrir a porta?!
-Não quero, mãe, nem sequer é preciso! Deve ser algum vendedor de bugigangas!
Mrs. Dorianne encarou a face orgulhosa da filha e franziu as sobrancelhas, sem saber que medida tomar.
-Margarett, abre essa porta imediatamente ou eu arrombo-a! – Berrou David, da rua.
A ameaça chocou a mãe da jovem que, no momento, se mostrara atenta à voz do exterior.
-Tu tens de me ouvir! Deixa de ser casmurra, teimosa e orgulhosa, eu já pedi desculpa!
Margarett virou o rosto, e mordeu o interior da bochecha, zangada, de braços cruzados.
Mrs. Wilson ficou surpreendida pela zanga, e apesar da zaragata que David estava a provocar, uma parte de si ficou agradada pela discussão.
Ela caminhou até à entrada, disposta a despachar o rapaz, enquanto os berros dele ecoavam do lado de fora.
-Vá lá, Mag!
A adulta abriu a porta com brusquidão e colocou as mãos na anca, enquanto batia o pé. David teve um primeiro impacto que o calou, mas a imagem da mulher em nada o assustava.
-Posso ajudar-te David?! – Inquiriu num tom autoritário.
-Tenho de falar com a Margarett!
-E posso saber porquê?!
-Para esclarecer um mal entendido!
-Suponho que tenha sido grave, para a minha filha não te falar.
David cerrou os dentes, impaciente, e expirou carrancudo:
-São coisas nossas! Se der licença, Mrs. Wilson, nós temos mesmo de falar!
David não esperou por uma resposta e entrou na casa sem qualquer autorização. A mulher chocou com tamanha falta de educação, mas se havia coisa que não interessava a David era o que pensavam dele.
Ele andou com pressa até achar Margarett, que franziu as sobrancelhas verdadeiramente surpreendida por ele ter conseguido passar pela sua rigorosa mãe:
-Mag, tu tens de me ouvir!
Ele segurou-lhe a cara com as duas mãos obrigando-a a encará-lo:
-Eu fui um idiota, mas não te zangues por isso! Continuas a ser a minha melhor amiga!
Margarett sentiu um formigueiro nas bochechas, e nada respondeu, o que fez David morder o lábio.
-tu mudaste… - Ela murmurou, desiludida.
-Tu também! – Contradisse David num timbre que demonstrava alguma mágoa - Já não és uma Maria-rapaz, mas e daí? Continuas a ser minha amiga!
Margarett olhou para o lado e depois encarou-o outra vez:
-E tu David? Continuas a ser meu amigo?
Ele mostrou-se surpreendido com a questão, vinda acompanhada por um olhar tão sério e nostálgico. Só tinha olhos para a cara dela, pouco afastada da dele, e a resposta demorou a sair pela sua previsibilidade.
Ele sorriu:
-Nós prometemos, não foi?
Ela tentou não sorrir, mas não conseguiu evitar ao recordar os juramentos de lama.
Sentiu o seu corpo ser envolto pelos braços longos e fortes de David e abraçou-o em resposta:
-Porque os deixaste falar mal de mim? – Questionou a moça, amuada, enterrando o nariz na camisola dele.
-Vou compensar-te.
Ele aproximou a sua boca do ouvido dela, roubando-lhe um calafrio na espinha, e sussurrou-lhe um segredo:
-Esta noite, tu vens comigo…!
-O quê?!
Ela espreitou a sua mãe, por cima do ombro de David e engoliu a seco, nervosa.
-Depois da meia-noite, eu vou saltar pela janela, como faço sempre. – Prosseguiu ele, num tom quase inaudível - Depois eu apanho-te…
-Queres que eu me atire do primeiro andar?! – Cochichou ela, espantada.
-Eu apanho-te, confia em mim! Tu não te vais arrepender, apenas lembra-te que não te podes vestir bem!
Ela franziu o cenho:
-Como assim?!
-Pega na roupa mais rota que tiveres! Algo esfarrapado, sapatilhas, e prende o cabelo. É melhor, a sério!
Margarett não disfarçou a desconfiança que aquele pedido lhe suscitou:
-Isso é seguro? – Indagou.
-Eu juro, tu não te vais arrepender!
David inalou uma ultima vez o aroma de Margarett antes de se afastar. Mrs. Wilson olhava-o com ar de poucos amigos, mas ele continuou sem se assustar. Em vez disso levantou o braço em tom de cumprimento:
-Peço desculpa pela invasão, Mrs. Wilson! Felizmente o assunto já está resolvido.
-Sim, felizmente… - Concordou a mulher, mas apenas verbalmente.
-A minha mãe perguntou por si, talvez venha cá visita-la, quando chegar da mercearia!
-Com certeza, David.
A mulher acompanhou-o até á saída. Se ele não fosse filho de quem era, ela nem sequer lhe dirigia a palavra. Mas, o mais incrível, era a forma como ele manipulava as pessoas com pequenos comentários. Talvez essa fosse outra das coisas que Margarett apreciasse nele. O facto de controlar a sua severa mãe.
A mulher atravessou o corredor depois de fechar a porta a David, e voltou ao trabalho, sem ideia de como repreender a filha.
Esta, por sua vez, subiu para o seu quarto. Andou de um lado para o outro, nervosa, até a mãe a chamar para jantar. À noite, quando todos se foram deitar ela despiu-se e vestiu a camisa de dormir. Deitou-se com uma estranha sensação no estômago e fitou o tecto, enquanto ansiava pelas badaladas do relógio da sala.
Deram as onze e ela bufou. Mordia o lábio e olhava para o armário. Depois fitava a janela.
Finalmente, quando soou a meia-noite ela levantou-se num pulo, ansiosa pelo que descobriria naquela noite. Procurou algo desengonçado no seu guarda-roupa.
Pegou numa camisola sem formas, e numa saia velha, preta. Apesar de não saber onde ia escolheu o calçado mais confortável que tinha, que consistia numas bailarinas douradas. De facto odiava a sua escolha, mas fora David quem exigira trajes assim. Ela prendeu o cabelo, deixando duas mexas á frente da cara, e vestiu uma casaca de ganga esfarrapada.

(A roupa da Mag - podem ver que não tem imagens dos personagens)
Spoiler
Peep-Toe & All-Star Jjxwf4
-Mag! – Escutou um som rouco chamar.
Ela aproximou-se da Janela. David já estava em terra firme e olhava na direcção dela:
-Estás pronta?
-Acho que sim! – Murmurou-lhe, hesitante.
-Então vem, salta para os meus braços!
A rapariga tentou medir mentalmente a altura da queda e engoliu a seco.
-Vá lá, eu seguro-te! Confia em mim!
-Por favor não me deixes cair!
Ela sentou-se no peitoril da janela, com as pernas no exterior. Cerrou os olhos com força, com medo de aquela queda ser fatal, e com um impulso de braço atirou-se subitamente do primeiro andar. Teria gritado, se a sua consciência não fizesse questão de lembra-la que os pais poderiam escuta-la.
Quando deu por si tudo estava parado. Não sentiu dor, nem nenhum estrondo, apenas uma espécie de impulso como se ela tivesse caído num trampolim que desceu e subiu quase sem lhe dar hipótese de se aperceber. Depois sentiu o calor. Ela abriu os olhos com receio e a sua visão interceptou a face de David, sorridente, que a segurava nos seus braços, sem grande dificuldade:
-És muito leve! – Admirou ele, pousando-a no chão sem parar de a encarar.
-E tu és forte…! – Sentiu-se uma idiota pelo comentário e ter-se-ia notado uma cor rosada no seu rosto, se não estivesse escuro.
David, por sua vez, pareceu sorrir pelo comentário, cheio de orgulho. Ele analisou a roupa da amiga e não pode evitar de fazer um leve esgar:
-Não tinhas nada mais esfarrapado?
Ela olhou para si mesma, desapontada:
-Como assim?! Esta é a roupa mais feia que tenho!
Ele revirou os olhos e deu de ombros:
-Não tens calças? Ou Calções?! Camisolas largas?! Sapatilhas… Pretas?! – Completou ao ver os pés dourados da rapariga.
-Não…
David não pode deixar de rir da cara entristecida que Margarett fez e passou o seu braço em torno dos ombros dela, para a reconfortar:
-Deixa para lá, ninguém vai notar!
Ela corou mais quando ele lhe deu um beijo na bochecha e a apertou contra si. No fundo ela até estimava aquele carinho. David sem dúvida que gostava e ele tinha noção disso. Ele adorava Margarett. Ela era especial de alguma forma.
O rapaz deu-lhe a mão e arrastou-a a reboque para a rua. Lá, um tipo esperava-os, de mãos nos bolsos. Ele estreitou as sobrancelhas ao ver a jovem, mas David fez um sinal de ausência de problemas:
-Eric, esta é a Margarett… Não te preocupes, ela é porreira.
O rapaz fitou Margarett com desconfiança e deu de ombros, dando passos largos á frente deles os dois, para que o seguissem.
Margarett não o associou a nenhum dos rapazes que estiveram com David no Lili’s Diner, porém o ar de delinquente e de troça era igualmente evidente. Deu por si a apertar a mão de David com mais força, no entanto, não se apercebeu que o amigo a olhou com espanto, numa tentativa de se certificar que estava tudo bem.
O caminho que anteriormente ela julgaria ser longo, transformou-se num curto percurso até um lugar que ela conhecia. Quando se sentiu a ser arrastada para dentro de uma mata densa julgou que ia vomitar de tanto nervosismo, mas não tinha forças para tal. Por entre as árvores, podia ver que se aproximavam de grades ferrugentas e altas com vista para o cemitério da cidade. Quando lá chegaram não havia mais caminhos. David cochichou algo com o outro rapaz e este, desviou uns arbustos, exibindo um grande buraco nas grades, por onde passou com facilidade.
-Cemitério…? – Não pôde evitar que a sua voz tremesse.
-Não te preocupes, não vamos fazer nada de errado. E não existem fantasmas! – Ele riu-se com gosto e fê-la passar-lhe á frente para entrar na casa dos mortos.
Mal ele se viu do mesmo lado que ela andou despreocupado, com as mãos dentro do blusão castanho de couro, e dirigiu-se ao local onde as campas estavam dispostas em circulo, com um sorriso divertido:
-Hei pessoal! – Acenou, e um grande grupo cumprimentou-o em grande azáfama.
Margarett caminhou até eles, recatada. Quando lá chegou percebeu que não havia escuridão. Uma fogueira iluminava-os a todos. Uns encostados às árvores, outros ás campas. Todos riam e falavam ao mesmo tempo, nem pareciam dar por ela.
David, por outro lado, olhou por cima do ombro e chamou-a com um gesto. Ela respirou fundo e obedeceu. Quando chegou perto das campas onde se encostavam alguns casais, ele passou-a para a sua frente e assobiou, para que parassem o barulho. As atenções centraram-se neles os dois:
-Pessoal, esta é a Margarett, espero que não se importem que eu a tenha trazido!
Especialmente as raparigas olharam Margarett com desdém. Analisavam as suas roupas e pequenos risos de gozo surgiam no canto dos lábios vermelhos.
-Pensei que não a conhecias, David! – Exclamou uma moça que estivera com ele no Lili’s Diner.
David apenas fingiu uma gargalhada fugindo á questão e depressa se juntou ao grupo, caminhando até um rapaz encostado debaixo da árvore, com uma beata no canto da boca.
Margarett encolheu-se contra o seu próprio corpo e olhou em redor. Agora, as atenções femininas tinham sido substituídas pelas do sexo oposto, que sem qualquer receio analisavam Margarett dos pés á cabeça. Ela corou nervosa e sorriu sem jeito. Tinha algum medo:
-Hei, boneca, onde roubaste os sapatinhos? – Inquiriu um tipo, com a boca encostada ao gargalo da garrafa de cerveja.
-Ah… a ninguém, são meus.
Ele riu-se, quase caindo para trás e olhou para David:
-Quem diria que também seduzias riquinhas!
-Está calado, idiota! – Respondeu o rapaz, dando um gole numa garrafa de cerveja reservada só para si. Aproximou-se de Margarett e passou o seu braço por cima dos ombros dela:
-Não lhe ligues, está bêbado!
-Já reparei… - Murmurou.
-Hei, Margarett coquete! – Chamou um tipo encostado a uma campa, com uma rapariga encostada a ele e enrolada nas suas pernas, ambos a comerem amendoins – Apanha! – E nisto, uma garrafa de vidro, cheia, acertou-lhe no peito, caindo-lhe nas mãos de seguida.
-Não sejas bruto, Scott! – Brincou David.
Margarett olhou a bebida nas suas mãos e olhou para David, que fez uma cara de reconforto.
Ela, contudo, não pode fingir:
-Desculpa, eu… eu não bebo!
Todos gargalharam e apontaram, fizeram vozes finas e imitaram:
-“Não bebo”!
Margarett sentiu-se humilhada mas nada disse. Esperou que David o fizesse, já com o receio que tal não acontecesse. Felizmente, ele reagiu:
-Malta, não sejam cruéis! A Margarett não é daqui, veio de uma cidade cheia de gente com a mania que é boa! – Ele riu-se, divertido, e roubou-lhe a garrafa da mão, bebendo-a de um só lance, sem sequer se aperceber da ofensa que inscrevera na rapariga – Vá lá, Mag, vem sentar-te, podes comer amendoins!
Ela seguiu-o e sentaram-se os dois encostados á mesma campa. Margarett nem quis ler a sepultura, arrepiada, e mastigou os aperitivos salgados, enquanto todos falavam animados. Um deles tocava viola para criar um bom ambiente e, a coisa mais chocante para a loira, o facto de alguns casais devorarem-se de forma asquerosa e nojenta. Sentiu-se feliz por David não ser um desses casais. Ele tinha juízo, felizmente, e tinha a boa qualidade de falar com Margarett sobre coisas dela, para a fazer sentir-se melhor. Os outros mal ouviam a conversa, já que os dois estavam tão próximos. Apenas notavam que de vez em quando os dois gargalhavam em conjunto, o que começou a criar uma certa desconfiança.
De repente, o tocador de guitarra parou, ao sinal do rapaz que estava com David no Lili’s Diner, de cabelo comprido e casaco preto, com correntes. Ele aproximou-se da fogueira, iluminando o seu rosto de maneira sinistra:
-Sabem que dia é hoje? – Perguntou. Ninguém respondeu – 17 de Junho.
-E o que é que isso tem? – Inquiriu alguém.
-Faz hoje precisamente 50 anos que neste mesmo local aconteceu uma coisa muito estranha… - Ele olhou para Margarett, pálida – Bebé, podes desviar-te dessa campa e ler a sepultura?
Ela estremeceu mas arrastou-se um pouco para o lado. Na sepultura estava inscrita “Aqui jaz John Danon, filho e amigo querido. 17 – 06 – 1907 ”.
-Foi nesta mesma campa que aconteceu – prosseguiu o rapaz – Em 1907, um grupo de amigos, tal como nós, fez uma aposta… - todos se entreolharam – Entrar dentro de uma cova numa noite de lua cheia. Nenhum recusou, garantindo que nada poderia acontecer…
Margarett encolheu-se, com o coração aos pulos.
-Eles entraram todos na cova, e nada aconteceu. Mas – Ele entoou a contradição - Quando estavam a subir para regressar aos seus lares, o John, o ultima a subir, sentiu as pernas presas por algo duro, frio e enrugado. Ele gritou e tentou soltar-se, mas isso só fez com que os amigos fugissem. Na manha seguinte foi encontrado morto dentro da cova, e na garganta tinha cravado uma chave de ouro. A chave do cemitério! Foi o sacristão, enraivecido por ele incomodar a casa dos mortos, que o matou com a pá e deixou a chave, para que para a próxima vez ele tivesse permissão de entrar ali. O seu corpo foi enrolado em panos pretos e a única coisa visível era a sua cara branca. Desde aí diz-se que ele toma conta deste cemitério e que amaldiçoou jovens como nós ao mesmo destino que ele…
Todos ficaram calados e olharam-se com faces de terror. Margarett gemeu, aterrorizada, tentando ser discreta, mas olhasse para onde olhasse, tinha medo de ver alguém que a pudesse assassinar com uma pá.
David levantou-se de rompante, e retirou o blusão, exibindo uma t-shirt branca, lisa:
-Pois eu era capaz de me enfiar numa cova! – Exclamou. Margarett quase caiu para o lado sem ar. Ele não podia ser tão tolo.
-Pois bem, caro amigo, vais sozinho.
Uma das raparigas tirou uma pá enorme da parte de trás da sepultura onde se encontrava. Ela levantou-se e entregou-lhe o objecto, mas de repente, o seu olhar desviou-se para trás dos ombros de David e a sua expressão petrificou.
Um grito soou por entre as arvores, estridente, agudo e horrorizado, expulsando morcegos das árvores, enquanto o seu dedo apontava para as costas de Margarett. Todos os outros gritaram também, fazendo a rapariga saltar com o susto, e da sua boca saiu o grito mais fino e histérico. Ela correu para abraçar David, entre gritos, á medida que a sua visão desfocada encarava um vulto negro de face pálida a aproximar-se do grupo, quando se apercebeu que David se ria às gargalhadas e todos os outros se tinham calado.
-Credo, vocês são loucos?! – Soou uma voz feminina atrás de si.
As suas pernas ficaram moles de repente. Não podia acreditar que estavam a gozar com ela, incluindo David. Ela olhou-o com raiva, mas ele nem se apercebeu, rindo com tamanha vontade, o que a fez afastar-se.
Os passos femininos atrás de si aproximaram-se e Margarett viu surgir uma rapariga alta, com uma saia curta e justa, com um decote generoso e o cabelo loiro enrolado, radiante e sexy.
Ela caminhou até David e enrolou os braços á volta do pescoço másculo dele, colando os dois corpos com brusquidão:
-Desculpa a demora, fofo… Tive a servir de ama-seca e os pais do miúdo devem ter brincado muito durante a noite! – Ela riu-se maliciosamente, enquanto mascava uma chiclete que lhe ocupava a boca toda.
-Não te preocupes, a noite ainda é uma criança!
E nisto ele apertou-lhe a cintura com força envolvendo as suas bocas com ferocidade e raiva, numa dança louca com os lábios e a língua de ambos. Os seus corpos cambalearam, para trás, fazendo David cair sobre aquela rapariga, provocando risos entre os dois.
-Trapalhões! – Troçou alguém, rindo também.
-Cala-te! – Disse a rapariga desconhecida.
Margarett encarou aquela cena, em completo estaticismo. Sentiu a visão desfocada, a cabeça a andar á roda, o frio a massacra-la. Ela tropeçou numa pedra e ia caindo para trás, mas os seus braços foram segurados por alguém ou algo. Ela ia para agradecer, mas ouviu uma sonoro “Buh” Que a fez gritar por reflexo. Todos a olharam no meio de gargalhadas, incluindo David e a sua parceira, enrolados no chão:
-Não acredito que caíste outra vez!
-Quem é esta? – Perguntou a jovem por baixo de David.
-Esta é Margarett, uma conhecida minha! – Apresentou David – Margarett esta é a Brittany!
A última ignorou completamente a outra, agarrando a cara de David e puxando-o para um beijo e virando os dois corpos, de modo a ficar por cima dele.
-A tua mãe sabe disto?! – Interrogou Margarett, perplexa.
A risada foi geral. Alguns acharam tanta piada que até prenderam as barrigas com as mãos. Até David riu sem controlo. E claro, ela sabia a resposta á sua questão. Sentia-se idiota por ter inquirido, sequer.
-Espera até ela saber! – Ela berrou, com raiva, pronta para sair dali.
David, num reflexo rápido soltou a companheira e levantou-se:
-O quê?!
-Tu ouviste! – Berrou Margarett, com raiva.
Nisto ela virou costas e correu para lhe fugir. Ele, furioso, seguiu-a, sob comentários insolentes e desdenhosos vindos dos amigos. Perto da passagem para o exterior do cemitério, alcançou-a e agarrou-lhe o antebraço com violência, encostando-a às grades ferrugentas:
-Tu não vais dizer nada, Margarett! Promete!
-Eu não te prometo mais nada! – Dos seus olhos azuis brotaram lágrimas grossas - Tu mudaste, David! Tu já não és quem eu pensava e eu não gosto da mudança! Tenho de contar aos teus pais, eles merecem saber o filho que têm!
-Está calada! – Gritou ele, com raiva – Se tu não gostas de como eu sou agora, problema teu! Não tens nada de envolver os meus pais nisto! E sabes porquê?! Porque a tua querida mãezinha também vai adorar saber que saíste de madrugada para o cemitério com vândalos!
-Isso é uma ameaça?! – Ela soluçou, desolada e com ódio patente na voz.
-É um problema teu, não meu! Se contas alguma coisa aos meus pais, podes querer que perdes um amigo! O teu melhor amigo!
-Pois eu acho que já o perdi! - O seu rosto de repente estava completamente lavado em lágrimas mas ela não as quis parar. Quis mostra-las a David para ele se sentir mal com elas, apesar de não ver qualquer arrependimento no rapaz.
Ele, por sua vez, não conseguiu controlar o seu ódio. Não o ódio em relação a ela, mas o ódio em relação a si mesmo. Só Deus sabia o quanto lhe custava ver aquelas lágrimas, mas ele não conseguia ceder. Ele era o vencedor em todas as suas batalhas desde que perdera a maior adversária, e já não sabia como lidar com a derrota. Voltou a sentir o rosto quente como há muitos anos não sentia, a respiração acelerada e o coração descompassado. Ele sabia o que se seguia, e não ia deixar que Margarett vencesse. O ultimo ataque foi dado, bruto e sem compaixão, num murmúrio lento e enraivecido:
-Então volta para França e não te metas mais na minha vida…!
Ela não reagiu a tamanho choque. Sentiu-se feita de água, com rios a escorrerem pela sua face em silêncio, com o olhar fixo no desapontamento. Ela abanou a cabeça desiludida, e passou as grades quebradas do cemitério, correndo pela mata até chegar á estrada firme, entre soluços lacrimosos, deixando David para trás, da mesma forma que um amigo abandona outro. O rapaz sabia que aquilo ia acontecer mal sentiu o rosto quente, só não sabia que se ia sentir mais enterrado do que os cadáveres daquele cemitério. Viu-se obrigado a atravessar também as grades para que os amigos não o apanhassem com a face lavada em lágrimas de fúria própria. Voltaria mais tarde para junto deles.
Margarett caminhou devagar para casa mal viu uma estrada rodeada de casas. Ela fez um esgar de repulsa e olhou em redor, novamente com a sensação de tontura, e encarou uma poça de lama a alguns metros, sentindo o seu coração a murchar, quando recordou uma das mais importantes promessas que fizera a David: Nunca, enquanto a sua amizade durasse, beijaria um rapaz.
Apercebeu-se que promessa já não tinha valor. E que a amizade também não.


Bem, Eu gosto deste capitulo Smile Ainda assim ao relê-lo, não consigo deixar de pensar "Angelical, será sempre Angelical" Rolling Eyes pelo menos para mim. Desiludido

enfim, Alguns personagens referenciados no capitulo:

Jack (Mas imagino com cabelo pelos ombros, liso)
Spoiler
Peep-Toe & All-Star Ne9jte
Eric
Spoiler
Peep-Toe & All-Star 2rzs4lz
Mrs. Dorianne Wilson
Spoiler
Uma mistura entre isto
Peep-Toe & All-Star 2ut719l

E isto
Peep-Toe & All-Star 2rgketj
Por hoje é tudo! ;D
Bjokas!

as minhas fic's:
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
-Angelical
Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^
#35
Nunca li uma fic tão bonita como esta, senti as lágrimas a virem-me aos olhos mas comecei a ler (acredita emociono-me muito facilmente)

Mais (?) Pleaaaseeee, fiquei viciada desde que a li Surprised
Acredita, não é fácil impressionar-me com fic's e tal,
Também já tinha lido a Angelical mesmo antes de ler esta e por incrível que pareça eu li tudo num só dia Surprised

Mete mais sinhe?
Eu amo
sim com letras grandes para veres bem Matreiro
#36
(sou louca por estar aqui a esta hora...)



Uau... este capítulo... uau. O.O

Foi mesmo auntêntico. Tive uma extrema facilidade em imaginar cada cena. Adorei a menina coquete no meio dos vandalos, as histórias de terror e a "separação" dos dois amigos. Quero dizer, adorar não adorei, mas adorei a escrita.

Por acaso já me tinha vindo à cabeça a história da mãe do Gustavo. Acendia algumas luzinhas. Bem, só espero que acabe quase do mesmo modo que os pais do Gustavo (quase, do género, acho que eles tiveram demasiados filhos para meu gosto >.<)



Agora a Maggie vai "ignorar" as promessas feitas. ahah, que o David vai ter que enfiar uma meia na boca para se controlar Matreiro

Só uma duvida, a promessa do beijo também não era para ele? É que, se for, ele já a quebrou.





Frase do dia/ madrugada: QUERO MAIS!!
Espero por ti em cada segundo , porque tu és o meu mundo!




Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
Visitem a minha 1ª Fic ----->The Four elements
#37
Jooh fico muito feliz por ter uma nova seguidora e ainda mais por estares a gostar.
Fiquei muito contente por saber que também leste angelical. Provavelmente encontraste alguns erros, mas se quiseres também podes deixar lá um comentário (eu sou tão pedinchona). Espero que continues a seguir esta fic e lembra-te que de vez em quando dizer qualquer coisa para incentivar a escrever (isto já só vai com implorações, Sorry! Matreiro)
Enfim, acima de tudo desfruta da fic! Smile

Ana - Credo, nunca pensei que ainda ias aparecer mais tarde do que eu no forum. Matreiro e eu a achar que era muito tarde para verem a fic! Matreiro Mais uma vez agradeço o teu apoio. Este é um dos capitulos que mais gosto nesta fic, senão o meu preferido.
Haha achas que a mãe do Gustavo teve muitos filhos? Matreiro foram só 4! Nesta fic não sei se vão haver bebés, nem de quem! Matreiro

bjokas
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-Angelical
Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^
#38
4 é muita criançada. Credo, era eu ter paciencia para muito puto atrás de mim O_o

No máximo dois. É o suficiente para ser uma familia "grande", mas sem exageros (parte-me o coração ao pensar na Molly Weasley de Harry Potter, que pariu SETE filhos! ;_; Pó raio o número da sorte, eu mandava castrar o meu marido se me visse numa situação destas!)

Je cê une fille de la noche (traduzindo a salgalhada que escrevi: sou uma menina da noite). Em tempos de férias vou muito tarde para a cama. Lixado é nos meses de Julho para sair. Ainda tenho o sono descarrilado e ás 23h já tenho vontade de dormir.



Ah e só mais uma coisinha que me esqueci de comentar. Disseste que, comparando a história à realidade, eras a Vicky... opah, fiquei a pensar.. (sou muito cusca sabes?)... a cena do primeiro capítulo não foi baseada em algo que te aconteceu? se foi, tenho Muita pena tua! Se me acontecesse... ai que eu ficava filha única!
Espero por ti em cada segundo , porque tu és o meu mundo!




Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
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#39
Ah e só mais uma coisinha que me esqueci de comentar. Disseste que, comparando a história à realidade, eras a Vicky... opah, fiquei a pensar.. (sou muito cusca sabes?)... a cena do primeiro capítulo não foi baseada em algo que te aconteceu? se foi, tenho Muita pena tua! Se me acontecesse... ai que eu ficava filha única!

Ai não, credo, nunca me aconteceu nada disto! Eu associo-me à Vicky porque é uma irmã atormentada. Cá eu casa se for preciso eu tenho 4 miúdos a chatearem-me a cabeça! Dois primos meus, o meu irmão e a Carla, a amiga dele! Depois se for preciso ainda vem a amiga da Carla. Ou seja eu dou cada berro com eles! Estão sempre a fazer asneiras. E quando estão o meu irmão e a Carla a pinchar em cima da minha cama, às escuras?! Só os ouço a rir irritantemente e isso deixa-me louca porque sei que estão a fazer asneiras! Eu entro no quarto e os lençóis já estão todos no chão. Dou um tabefe em cada um, pá, que ódio!
Mas no que diz respeito aos filhos, eu também só gostava de ter no máximo dois ou três. fico triste é se não tiver nenhum, porque quero mesmo. Já disse às minhas amigas que se não arranjar namorado, marido, parceiro ou seja lá o que for, faço inseminação artificial. toda a gente me manda ir a um psicólogo quando digo isto, mas oh pá, eu quero ter pelo menos um filho! Fizeste-me rir com essa da Molly. Realmente aquilo era muito ruivo! Matreiro
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#40
Olá Lulu!

Desculpa lá o atraso no comentário.

Já tinha visto o novo capítulo mas fui primeiro ler Angelical, para perceber melhor o que referiste sobre os pais do Gustavo.

Realmente quando li a história que a mãe dele contou lembrei-me imediatamente da história destes dois.

Claro que o senhor David nada tem a ver com o querido do Gustavo....

O que dizer? O David é um idiota, mas um idiota daqueles que por algum motivo conseguem ser gostados! Matreiro

Discordo totalmente Lulu! O David merece ser espezinhado e feito em pedacinhos! Céus ele dá-me nos nervos! É um idiota chapado! Detesto-o!

Gostei do capítulo Lulu!

Era bom se a história acabasse como a que foi contada em Angelical.

Mas é preciso que o David cresça e muito! Ele ainda é um bébé grande, céus que baka!

Espero pelo próximo!

Beijinho*

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