Peep-Toe & All-Star
Eu por acaso já tinha tido aquela ideia quando escrevi o capitulo, mas depois tirei. Passaram meses e agora na hora de postar, voltei a colocar! 
Hahaha, eu tambem sou das que trocam as pessoas por bolos! Eu sou tão timida, mas tão timida com membros do sexo oposto que só digo disparates. No baile andava eu a fugir do sujeito com uma maquina fotográfica na mão a tirar fotos a toda a gente! 
felizmente a criatura agora namora e já não tenho de me preocupar com fugir-lhe! hahah! aliás, Sábado se calhar vou vê-lo a ele e à namorada nas Feiras novas (festança em Ponte de Lima) mas já estou mais descansada!
Ai como eu te entendo! Chega a um ponto que uma pessoa já só quer cancelar as fic's! tédio!!!!! -_-' eu às vezes tenho cada fase! >.<
E depois ninguém liga para sair ou fazer qualquer coisa!
' E sem carta então não saio do sitio (por falar nisso, comecei hoje o codigo!
)
Ahhh adiciona-me no face!!! (mando-te o link por MP!)
Acho que ainda vamos ser banidas do forum por estarmos aqui no muteto! hahaha!

Spoiler
Spoiler
Não digas isso rapariga, que sempre foste melhor que eu. Nunca me apaixonei. Atracções já tive, mas nunca amor. Temos só 18, ainda há tempo para muita coisa. Alías, na faculdade, tudo pode acontecer
Pobre de ti, que nunca mais te livras do tipo. Parece que te quer sempre lembrar das coisas que lhe disseste.
Não pode ser pior do que eu, isso te garanto. Ele convidou-me para dançar tres vezes. À primeira fui, à segunda troquei-o pela minha máquina fotografica. À terceira por uma fatia de bolo (tinha que tar na mesa para ser servida... e demorava para caraças )

felizmente a criatura agora namora e já não tenho de me preocupar com fugir-lhe! hahah! aliás, Sábado se calhar vou vê-lo a ele e à namorada nas Feiras novas (festança em Ponte de Lima) mas já estou mais descansada!

AnA_Sant0s escreveu:
e agora um offoffoff-topic. Estou mesmo aborrecida. Tenho passado so dias a escrever a minha fic, a jogar, a tar no face... enfim tou presa em casa e acho que não vou continuar a escrever. É um bocado chato escrever quando tamos sempre no mesmo sitioE, ainda por cima, estou a tentar realizar a proeza de escrever três fanfic aos mesmo tempo... bem, a culpa é mina por me armar em super-mulher. Que não vos espante que me dê a louca num destes dias...
Ai como eu te entendo! Chega a um ponto que uma pessoa já só quer cancelar as fic's! tédio!!!!! -_-' eu às vezes tenho cada fase! >.<
E depois ninguém liga para sair ou fazer qualquer coisa!
' E sem carta então não saio do sitio (por falar nisso, comecei hoje o codigo!
)Ahhh adiciona-me no face!!! (mando-te o link por MP!)
Acho que ainda vamos ser banidas do forum por estarmos aqui no muteto! hahaha!

as minhas fic's:
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
-Angelical
Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
-Angelical
Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^
Olha a Bun está de Férias! 
Novo Capitulo! (recomendem uma musica!)
Naquela manhã os sapatos faziam mais barulho do que o habitual. A roda da saia, estranhamente amassada, estava acompanhada por um casaco de malha vestido desajeitadamente, já para não falar no cabelo, desalinhado. A cara ainda permanecia perfeita, no entanto, a expressão era nervosa. Caminhando escadas abaixo na direcção da rua e escadas acima para entrar na casa do lado, a única coisa que se mantinha em bom estado era um papel perfeitamente dobrado que, apesar dos vincos leves e quase invisíveis que preenchiam toda a fina película, continuava a ter um bom aspecto em relação ao corpo trémulo que o guardava entre dedos finos sem cor.
Ouviram-se três pancadas naquela porta em quase toda a rua. Mas ninguém pareceu importar-se.
Num movimento de puro stress, as mãos voltaram a fechar-se em punhos para bater novamente, provocando um som desesperante.
Ouviu-se um “já vou” da parte de dentro da casa, abafado pelo som de um descer de escadas rápido.
A porta então abriu-se, por fim, exibindo um David ensonado vestido com uma T-shirt enrodilhada e uns calções desalinhados. Ele coçou os olhos e só teve tempo de se sentir esmagado com demasiada força por dois braços.
-Mag?
Só se apercebeu de a porta bater com força por causa do vento, enquanto a sua visão ainda ofuscada o deixava ainda mais confuso:
-O que se passa? – Perguntou, atrapalhado, com ela pendurada no pescoço dele.
-Oh, David, desculpa, desculpa! – Ela apertou-o ainda mais, pressionando o papel nas costas dele.
O rapaz, baralhado, afastou o corpo da rapariga do seu, e segurou-a pelos braços, olhando-a, aparvalhado:
-Porquê? Aconteceu alguma coisa? – Ele semicerrou os olhos – Pensei que já estava tudo bem connosco e…
-E está! Quero dizer… Eu fui tão egoísta! – Ela mordeu o lábio para ele que a olhava desentendido – Tu pediste-me desculpa e eu aceitei, mas… Eu também tenho de te pedir desculpa…
-Pelo quê?
Ela voltou a abraça-lo, desta vez com mais leveza. Afundou a seu rosto no ombro dele e suspirou, inquieta:
-Fui demasiado dura contigo.
Ela afastou-se dele e desdobrou o papel á frente dele, que logo sentiu um frio no estômago:
-Rett, o que é isso?
-A tua carta. - Respondeu naturalmente, enquanto alisava o papel contra o seu peito – Só a vi hoje de manhã ao descer as escadas para tomar o pequeno-almoço.
David corou e roubou-lhe a folha da mão para ter a certeza que aquele papel não era o que julgava.
Leu simplesmente a primeira linha e logo de seguida já sabia do que se tratava, em pânico. Amarrotou a folha e atirou-a para trás das costas, vermelho como um camarão:
-Isto é lixo!
Margarett franziu as sobrancelhas e pegou no papel novamente, desdobrando-o outra vez:
-Não é nada! – Contrapôs – David… eu lamento imenso se tu te sentiste assim por minha causa, mas eu não quero que…
-Não fui eu que escrevi! – Mentiu ele, envergonhado.
-Claro que foste! – Margarett refutou, admirada com a reacção do amigo - Está assinado e além disso eu conheço muito bem a tua letra!
Ele virou o rosto para o chão envergonhado, e abanou a cabeça nervoso, roubando um sorriso da amiga:
-Parece que alguém está com vergonha dos seus sentimentos! – Cantarolou a jovem costureira, sorrindo em tom de troça.
-Não era suposto leres isso. Eu tinha metido no lixo. Foi só…
-Um desabafo. – Completou ela, para surpresa dele.
David olhou-a por fim e assumiu aquele pequeno sorriso simpático que ela lhe deitou, surpreendido.
-Eu entendo-te. – Ela disse – E fico feliz por ter lido isto, porque senão nunca suspeitaria que tu te sentias tão mal por eu ser amiga do William.
Ele mordeu o lábio:
-Fui eu que provoquei isso e acho que aprendi a lição. Agora, por favor, esqueces isso? É embaraçoso! – Admitiu.
Margarett sorriu e deu de ombros:
-estou perdoada por ser tão torturante?
Ele abriu os braços para a receber:
-Eu nunca estive zangado contigo!
Ela abraçou-o, aliviada, e ele apertou-a contra o seu peito, beijando-lhe a testa:
-já disse que não me vou intrometer mais entre ti e o William se é isso que queres…!
Ela pareceu ceder, no entanto, sem David estar minimamente á espera ela deu-lhe um smurro forte no ombro. David gemeu chocado:
-Hei! Para que foi isso?!
Margarett afastou-se dele e cruzou os braços, batendo com o peep-toe no chão:
-Qual foi a tua ideia ao me deixares ontem á noite jantar na casa dos Finkie?!
David franziu o sobrolho, baralhado:
-Pensei que querias…?
-Estás louco?! Eu estava ansiosa por chegar a casa e tu atiraste-me para a boca do lobo! Pensei que ia morrer ontem á noite!
David riu-se divertido:
-porquê?!
-Foi constrangedor! Mrs. Finkie só falava de vestidos e Mr. Finkie queria saber do estado económico da minha família e se eu ganhava dinheiro como costureira!
-E o William?
Ela gesticulou com os braços, sem saber o que dizer e deu pequenos passos na sala:
-sei lá! Tentava ser amável como sempre, mas isso não ajudou. Ainda me senti mais envergonhada!
David deu uma gargalhada mínima e virou costas á rapariga para subir as escadas de acesso ao primeiro piso.
Ela, perplexa, seguiu-o escadas acima até entrarem os dois no seu quarto desarrumado:
-Hei, não me vires costas! Podias-me ter poupado disto se tivesses mantido o bom ambiente e caminhado mais rápido comigo para casa!
David jogou-se na cama rindo da situação e fechou os olhos, ignorando a zanga fingida da moça.
Esta por sua vez olhou em redor admirada com o quarto. As paredes brancas eram as mesmas, mas agora nuas, sendo apenas adornadas pela cómoda encostada na parede contrária á janela que dava vista para a casa ao lado. A cama, antigamente encostada á janela, estava agora mais centrada, encostada á parede do meio, que fazia frente ao guarda-fatos simples e sem decoração. No canto, perto da janela, havia uma secretaria com algumas lapiseiras e um bloco de folhas como aquela em que a carta fora escrita.
-Ainda não tinha vindo ao teu quarto desde que voltei. – Reflectiu ela, aproximando-se da escrivaninha.
David olhou-a, com a cabeça pousada no travesseiro mole:
-Eu também só entrei uma vez no teu quarto. – Referiu ele, colocando-se de barriga para baixo.
Margarett sorriu, por achar o assunto idiota, até que a sua atenção se focou num instrumento musical escondido contra a cómoda:
-Oh, não acredito, David! – Ela correu até ao instrumento e pegou-o, animada - Tocas viola?
Ele olhou-, e deu de ombros, sorrindo:
-Nem por isso… Tenho-a há alguns anos mas nunca aprendi a tocar bem…
Margarett sentou-se ao lado dele, na cama e pousou a viola ao lado do corpo de David:
-Toca! – Pediu.
David, preguiçoso, nem sequer se levantou para pegar no instrumento de cordas. Ainda deitado, simplesmente passou os dedos nas cordas, produzindo um som agradável. Margarett encostou a cabeça às costas dele e esperou que ele produzisse alguma música. David todavia não tinha intenções de tocar fosse o que fosse, apenas mexia nos fios para se entreter:
-a tua mãe? – Perguntou Margarett.
-saiu cedo. Acho que foi á vila fazer as coisas dela, sabes como é. E tu? – Ele puxou um fio com mais força, provocando um som mais grave – Não devias estar a trabalhar?
-A minha mãe está a começar os vestidos que eu lhe mandei fazer ontem á noite. Para já a minha ajuda é desnecessária, além disso, estou cansada. Cheguei tarde ontem.
-Eu sei. – Disse-lhe o rapaz, atrapalhando-se ao puxar nas cordas. A recordação da noite anterior fê-lo achar que a sua cara ia ficar em carne viva da maneira que ficou quente de repente, tal como o resto seu corpo.
Margarett, alheia aos pensamentos dele, clareou a garganta incomodada:
-Saíste, ontem á noite?
Ele olhou-a, admirado com a questão, fazendo uma pausa na melodia.
-Por favor continua. – Pediu ela, sem desviar o olhar do tecto.
David ficou um instante a olhar o perfil da cara da compaheira e passou os dedos pelos acordes agudos, encontrando uma forma de arrefecer o rosto com a questão dela.
Ele retomou o som descompassado e deu de ombros:
-Não… - respondeu, surpreendendo-a – quando tu foste comigo foi a antepenúltima noite que eu fui.
Margarett olhou-o espantada e, ainda assim, com um pingo de orgulho dentro de si:
-a sério?
Ele assentiu com a cabeça:
-peso na consciência. És bastante manipuladora, mesmo sem saberes!
Ela sorriu:
-Obrigada… Eu acho.
Ele sorriu e continuou com a melodia. Os olhares da loira percorreram todo o quarto e pararam por cima do guarda-fatos, onde repousava uma caixa quadrada, grande, fechada com uma tampa.
Num pulo, Margarett levantou-se da cama e tentou alcança-la com um salto. David estranhou e ao mesmo tempo sorriu:
-O que estás a fazer, Rett?
-A tentar chegar a esta caixa!
-Porquê?!
-Porque quero saber que segredos escondes! – Ela riu-se, tentando alcançar o topo do armário mas quando deu por si, a caixa já tinha sido pegada pelas mãos masculinas atrás dela.
-Minorca! – Troçou David, piscando-lhe o olho.
Ela empurrou-o pelo peito bruscamente, fazendo-o cair de costas sobre o leito, outra vez, no entanto ele puxou-a consigo e até a caixa sofreu as consequências daquela provocação ao perder a tampa e espalhar dezenas de envelopes sobre o colchão.
Os dois riram e Margarett apanhou um envelope, ainda com metade do corpo em cima de David:
-Paris? – Ela viu o selo admirada, e depois pegou nas outras cartas para ver se eram do mesmo remetente – Não acredito, David, guardaste as minhas cartas todas?
Ele olhou-a, com uma intensidade diferente:
-Tu não guardaste as minhas?
Ela sorriu de boca fechada e afirmou:
-Julguei que as tivesses votado fora!
-Isso seria ignorar-te. – Respondeu.
Ela sorriu timidamente mas concordou para seu agrado.
Abriu um dos envelopes e leu a carta que tinha escrito há cerca de quatro anos. Riu-se no final, pelas notícias ridículas:
-“Eu fiz limonada, mas esqueci-me de pôr açúcar! Consegui fazer uns bons tostões, mas todos os clientes faziam caretas azedas e viravam-me costas sem educação. Só no final, quando me deu a sede e resolvi provar o refresco é que percebi o meu erro e quase vomitei.”
Margarett gargalhou e depois pegou noutra carta, recebida há cerca de dois anos:
-“Deixei cair o garfo e quando fui apanha-lo, vi Mademoiselle Corine a passar a mão na perna de Monsieur Louis, que tremia que nem um vara verde.”
Nesta, David riu-se também. Não só por ter piada, como também por só naquele momento entender o que se tinha passado realmente.
Ele alcançou uma carta com a mão e abriu-a, lendo-a de voz alta:
-“Hoje choveu e eu esqueci-me do guarda-chuva na boutique. Madame Risqué, sem saber que ele me pertencia, vendeu-o por um preço absurdo tudo porque eu lhe tinha entalhado uns adereços pirosos! Para dizer a verdade nem gostava dele mas, enfim, molhei-me toda até chegar a casa. E era uma vez um guarda-chuva!”
Ambos riram da conversa idiota. Margarett rebolou mais para cima de David, encostando a cabeça no peito dele:
-“Adeline comprou uma saia tão curta que lhe chegava acima do joelho. As beatas da igreja obrigaram-na a dar uma volta de joelhos á volta da igreja e ela esfolou as pernas todas!” – Citou, rindo - Como é que me respondias a isto?
David moveu-se ligeiramente e aproximou a sua cara do rosto de Mag. A poucos centímetros do nariz dela, olhou-a nos olhos com um trejeito franco a adornar a sua face:
-Fizeste-me prometer, não fizeste?
Ela riu-se:
-Sim, pois. As nossas promessas de lama!
-Cumpri-as todas! – Gabou-se ele.
Margarett reflectiu:
-Eu também. – advertiu, e distraidamente passou os dedos por entre o cabelo de David, que estava particularmente desalinhado, repousando a mão no maxilar dele - Vês, afinal, não é preciso envolvermos sangue para as promessas serem verdadeiras!
David concordou e fez um esgar de dor. Pegou na mão dela e desencostou-a do seu rosto para lhe examinar a palma:
-Confesso que essa deve ter sido a tua melhor ideia!
A jovem exibiu uma profunda cicatriz que seguia paralela à linha do amor e David mostrou também a sua mão, evidenciando também o seu golpe:
-Nós fomos mesmo loucos. – Admitiram, e depois entrelaçaram os dedos como fizeram em criança após se cortarem com um canivete e misturarem o liquido escarlate para prometer algo eterno.
Margarett humedeceu os lábios:
-Qual foi a primeira promessa?
-Fazer qualquer coisa um pelo outro! – Prontificou o rapaz.
-hum…
Margarett olhou-o de soslaio, imaginando se ele cumprira de facto tal coisa. Chegou á conclusão que sim, ele foi sempre amigo dela, mesmo quando estavam zangados.
-Houve uma que quebramos. – Relembrou ela.
David olhou para a jovem, perplexo:
-Qual?
-A que fizemos depois de ver a Vicky e o marido a beijarem-se cá em casa. – Explicou e depois passou a citar – “Nunca vais beijar alguém enquanto formos amigos!”
David afastou um pouco o rosto do dela, estranhamente incomodado:
-Tu beijaste?
-Não.
Ele inclinou a cabeça, baralhado:
-Então porque dizes que foi quebrada?
-Tu tens namorada! E eu já vos vi aos beijos, portanto…
David interrompeu-a, levantando o seu tronco que arrastou o corpo de Margarett junto:
-Não, Mag, não foi essa a promessa.
Ela soltou um riso abafado:
-Vais arranjar uma desculpa, Paisen?
-Não. – Respondeu divertido – Eu simplesmente nunca prometi que não beijaria alguém.
Margarett franziu o cenho:
-Prometemos os dois.
-Não, Mag. Tu prometeste que nunca irias beijar um rapaz, enquanto fossemos amigos. Eu não prometi nada.
A rapariga abriu a boca:
-Isso é batota!
Ele riu-se:
-Nunca pensei que levasses as nossas promessas de lama tão a peito.
-Mas levei!
Ela levantou-se da cama, aparvalhada:
-Isto quer dizer que tu andaste a lambuzar raparigas durante todo este tempo enquanto eu me mantive na abstinência?!
David gargalhou, divertido:
-Tu mantiveste-te na abstinência?!
Ela corou violentamente e acenou com a cabeça. David abraçou-a com o intuito de troçar dela:
-Oh Rett, minha ingénua Rett…
-Não gozes comigo! – Ordenou ela, levantando-se.
-Eu não vou gozar contigo. Só acho um desperdício teres mantido a boca fechada! - Ela cruzou os braços arrepiada com o termo e o á vontade que ele utilizou, mas David não se importou nem um pouco com o que dissera. Desviou-lhe uma madeixa de cabelo que estava fora do lugar e sorriu-lhe - Eu beijava-te.
Essa declaração fez Margarett corar. Não esperava, nunca, que David dissesse aquilo, mas também não o levou a sério.
-Perdi grande coisa? É que até agora só vejo gente a cuspir na boca dos outros!
David fez uma careta de nojo e abanou a cabeça para tirar a imagem da cabeça:
-Tu não tens noção.
Ela voltou a sentar-se ao lado dele, incomodada:
-Não faz mal! Eu tenho tempo.
David riu-s, na brincadeira para chatear a amiga:
-Mag, Mag – Murmurou abanando a cabeça -, estás só a dizer isso para e sentires melhor contigo mesma! Cada vez me sinto maior que tu!
-Ah, sua cabeça de alho chocho! Tiveste sorte por eu parar de crescer!
-E tu também, senão ias parecer uma girafa!
Margarett deu um pequeno encontrão no ombro de David e ele fez-lhe o mesmo, caindo os dois nas gargalhadas:
-Parvo! – Proferiu ela, rindo.
Nenhum dos dois se apercebeu, porem, que a porta do quarto se abriu.
Mrs. Paisen havia chegado naquele instante e ao ouvir vozes a curiosidade falou mais alto. Aos ver os dois jovens entretidos, a rirem juntos como antigamente, sentiu um calor saboroso dentro de si e amou naquele instante os olhares intensos que os dois amigos trocavam sem se aperceberem. Viu-se, infelizmente, obrigada a interromper os dois:
-Errr! Margarett, querida!
Os dois interromperam-se para olhar a mulher á porta.
-Mãe? - Perguntou David, admirado.
-Bom dia, queridos, desculpem interromper, mas Mrs. Dorianne Wilson precisa de ti, Margarett. Ela pediu para te chamar!
Margarett levantou-se num flash, aflita:
-oh não, nem dei pelo tempo passar! Obrigada por me avisar, Mrs. Paisen.
-Não te preocupes querida, lamento que não possas ficar mais um pouco. Talvez mais logo possas passar cá, se quiseres!
-adorava, Mrs. Paisen, mas é impossível. Estamos cheias de trabalho!
David levantou-se e juntamente com as mulheres dirigiu-se para a saída do quarto e desceu as escadas aborrecido por Margarett ter de se despedir.
-Porque é que trabalhas tanto, Rett?! Estamos de férias.
Mrs. Paisen repreendeu o filho:
-David, és muito imaturo! Ninguém trabalha tanto porque quer! – Mrs. Paisen deu um beijo na testa de Margarett, já á saída da casa, e sorriu-lhe – Espero que voltes, querida!
-Obrigada pela hospitalidade, Mrs Paisen. Vou tentar!
A dona de casa acenou e dirigiu-se á cozinha para preparar o almoço, e deixou David e Margarett sozinhos.
-Vemo-nos depois? – Ele quis saber, encostando-se á soleira da porta.
-Claro! - Respondeu ela.
E sem ele estar minimamente á espera ela deu-lhe um beijo na cara e saiu para fora do lar do rapaz, com pressa para chegar á sua casa.
A partir do momento em que ela calcou o quarto de costura, o trabalho pareceu triplicar. O primeiro vestido já estava costurado, agora era a vez de Margarett começar e pregar a sua magia para os embelezar, enquanto a mãe tratava de outros vestidos.
As duas fizeram uma pausa para comer uma sanduíche rápida e depois continuaram a queimar as pestanas. A meio da tarde, bateram á porta. Como se já adivinhasse, Margarett estendeu o vestido azul-turquesa sobre a tábua de engomar e recebeu Mrs. Peps com um sorriso. A mulher larga atropelou todos os retalhos de pano, ansiosa:
-Oh, Dorianne! A Kelly Finkie está a organizar um baile de mascaras para daqui a três semanas! Estou excitadíssima! – Cantarolou – Quero algo único, algo extravagante e…
Mrs. Peps interrompeu-se, de repente. Margarett sorriu, com o vestido que acabara de engomar á sua frente, para o exibir a Mrs. Peps.
-lindo! – Exclamou a mulher, roubando a vestimenta das mãos da jovem - Adoro o estampado!
Margarett susteve um riso ao recordar a repulsa que David mostrara pelo tecido, e pela incredulidade de alguém o usar.
-Feito especialmente para si! – Exclamou Mrs. Wilson – por favor, prove-o para fazer os ajustes!
Mrs. Peps quase chorou de emoção, exagerada como era:
-Oh céus! Oh céus! – Berrava enquanto despia a sua roupa para experimentar o vestido - Vocês costuraram um vestido especialmente para mim, sem eu sequer pedir?!
-A Margarett desenhou-o. – Explicou Mrs. Wilson, ajudando a mulher a fechar o zipper de trás, que para seu alívio não prendeu por entre tanta gordura.
Mrs. Peps olhou a rapariga e sem lhe dar tempo de fuga apertou-lhe as bochechas com tanta força que até lhe podia roubar um naco de carne se não tivesse cuidado.
Margarett avermelhou mas sorriu cordialmente:
-Espero que esteja do seu agrado. Estive a ver e – A moça pegou no seu caderno de esboços e mostrou-a á cliente – Eu optaria por uns sapatos e uma bolsa prateados. Acho que é a sua cara, não concorda?
Mrs Peps deu um pulo que estremeceu toda a casa:
-Tu és um anjo! – Ela olhou-se ao espelho – É perfeito e exclusivo, certo?
-Até o tecido é só para si!
-Ah! Adoro-te Margarett!
Se o vestido não tivesse como destino o baile de mascaras, é bem certo que Mrs. Peps o levaria já vestido. Mrs. Dorianne Wilson benzeu-se com a quantia que recebera pela vestimenta, e isso deu-lhe mais incentivo para continuar a produzir os vestidos que a filha destinara a cada cliente.
Sexta-feira foi igualmente trabalhosa, no sábado novamente e no Domingo, a única pausa que mãe e filha fizeram foi para irem á missa.
Ninguém naquela cidade via adulta e jovem mais do que cinco minutos.
A semana seguinte foi igual. Conseguiram completar seis vestidos, dois dos quais tiveram de retocar ligeiramente. Eram rápidas para duas costureiras, no entanto era de salientar que estavam um passo á frente das clientes e era difícil enganarem-se nos modelos que assentariam em cada uma. Todos os dias eram semelhantes, acordavam cedo e deitavam-se de madrugada. Margarett já não se lembrava de vestir uma roupa decente, delinear os olhos azuis e arranjar os cachos loiros. Em vez disso as suas olheiras ficavam mais profundas de dia para dia. Até se sentia suada pela falta de tempo para dar um banho de duas horas. Geralmente, Mrs. Wilson acabava de costurar e ia-se deitar deixando Margarett a pregar as pérolas, as pedras falsas, as rendas, as flores e os laços de cetim, até acabar o último vestido da noite. Depois disso, ou se deixava dormir sobre a maquina de costura, ou deitava-se no sofá da sala, ou, se tivesse força, subia as escadas e deixava-se cair sobre a sua cama, sem sequer tirar a roupa suja, para dali a poucas horas retomar ao trabalho árduo.
Domingo chegou novamente. Margarett, adormecida com a cabeça sobre a tábua de engomar foi acordada bruscamente pela sua mãe, já arranjada para ir á cerimónia religiosa.
-Margarett, Querida, estamos atrasadas!
Ela fitou a mãe, estremunhada, com meias luas destacadas a negro por debaixo dos olhos baços. As mãos geladas e o rosto seco tocaram-se para afastar o cabelo deslavado da testa e com esforço ela lá se levantou e andou pelo corredor com os pés descalços frios a doerem de cada vez que tocavam o soalho escuro. A jovem deu um banho rápido, para tentar recuperar o seu aroma natural e disfarçar o suor do trabalho e passou um leve toque cosmético no rosto que infelizmente pouco adiantou para esconder o seu estado lastimável. Depois vestiu algo á sorte e calçou uns sapatos rasos, algo raro nela, porem, os seus alicerces não suportariam um Peep toe de nem sequer três centímetros.
Acompanhou os pais pelo recinto da igreja de cabeça baixa, concentrada para não se deixar adormecer durante a missa:
-Margarett, conseguiste terminar o vestido de Mrs. Trans? – Inquiriu a progenitora, inquieta.
-Sim, mamã. Está terminado. E já comecei a retocar o vestido de Mrs. Ferry, não se preocupe.
-Pois ainda bem! Ultimamente tens andado muito lenta no teu serviço!
Margarett suspirou e baixou o rosto. A sua mãe era tão injusta. Ela passava horas de volta do trabalho e, ainda assim, a mãe criticava-a, apenas porque depois de uma noite com menos sono do que ela própria tinha, não conseguia ser tão ágil com as agulhas quanto a mãe.
Mr. Wilson nada dizia. Não gostava de se intrometer entre Margarett e a sua esposa Dorianne, mas era de se verificar que ele próprio não gostava das atitudes da mulher perante o trabalho da sua menina. Ele bem sabia que Margarett ia para a cama pelo menos duas horas depois de a mãe recolher, já para não falar que esta tinha pausas em que ia cozinhar e comer, enquanto que a filha apenas comia um pão seco enquanto carregava no pedal da máquina.
Sem se proclamar, entrou na igreja antes das duas mulheres e escolheu um local para os três, onde assistiram a uma longa cerimónia.
Mal voltaram para casa o ritual repetiu-se. Margarett foi obrigada a ir para a volta dos tecidos enquanto a mãe preparava o almoço. Pela primeira vez em muitos dias Margarett tivera a oportunidade de se sentar á mesa calmamente.
-Mag, querida – Chamou Mr. Wilson – E que tal se hoje tirares a tarde livre para descansar?
Margarett admirou-se com tal convite, mas antes de poder dizer algo a respeito, Mrs. Wilson interveio:
-Nem, pensar, Adolfe! Temos ainda muito trabalho por fazer!
-Dorianne, a Margarett é uma jovem! Não a massacres com o teu emprego!
-Adolfe, não! Ela terá muito tempo para descansar depois do baile! Por agora, ajuda-me!
-Até lá ainda matas a rapariga com tanto esforço!
Dorianne preparou-se para refutar, furiosa, mas Margarett interrompeu-a:
-Paizinho, a mamã tem razão. Eu não posso passar uma tarde inteira sem trabalhar, é demasiado tempo. Eu não me importo de ficar a trabalhar.
Mr. Wilson deixou cair o rosto, desanimado com a filha. Tudo o que menos queria era que ela se tornasse uma pessoa gananciosa e obcecada pelo trabalho com a sua mulher.
-Margarett, pelo menos vai ter com os teus amigos àquele café de que falas, o Lili’s Diner.
-Só se for durante uma hora! – Protestou Mrs. Wilson.
-Seja! – Concordou o marido – Mas desfruta, querida! Fala com o teu amigo Finkie, ou melhor, vai com o David. Ele é uma boa companhia, já que sois tão amigos.
-Eu não concordo, Adolfe!
Desta vez foi Margarett quem se sentiu admirada:
-O quê, mamã?
-Não gosto que passes tanto tempo com o David! Os rapazes e as raparigas devem manter-se afastados.
-Mas mãe, somos amigos!
-Um homem e uma mulher nunca podem ser amigos! – Respondeu friamente.
-Dorianne! – Repreendeu Mr. Wilson zangado – Não sejas barbara! O David é um bom rapaz e é um grande amigo da nossa filha!
Mrs. Wilson levantou-se da cadeira e deu um murro na mesa:
-Isso foram noutros tempos, Adolfe! Eles cresceram e não me digas que não reparaste no jeito delinquente do rapaz!
-Dorianne! Até parece que não conheces os nossos vizinhos! Nem admito que fales assim de um membro da família Paisen!
Margarett encolheu-se ao ver os pais tão zangados. Levantou-se da cadeira e abanou a cabeça:
-por favor, não se zanguem. Se causa tanta discussão, então eu prefiro nem sair de casa hoje!
-Não Margarett, exijo que saias, ou não sou eu o homem da família! E Dorianne, nem mais um pio!
Mrs. Wilson ergueu o queixo ofendidíssima e levou a sua louça para a cozinha, deixando somente Margarett e Mr. Adolfe na sala de jantar.
-Papá… Não gosto que discuta com a mãe.
Mr. Adolfe Wilson abraçou a filha e beijou-lhe a testa:
-eu só quero que sejas feliz minha querida, que estejas com os teus velhos amigos e ajas como uma pessoa normal da tua idade. – Disse, acariciando o rosto da filha - Passei muito tempo sem te ver verdadeiramente feliz e notei que naquele dia em que regressamos, quando tu e o David surgiram lado a lado a sorrir, que tu estavas verdadeiramente feliz, como já não estavas desde que nos tínhamos ido embora. O David faz-te bem e não quero que ouças os comentários da tua mãe. Passa tempo com ele e sê uma jovem. Sê feliz, minha princesa.
-Obrigada, paizinho.
Pai e filha sorriram um para o outro.
Depois daquilo, Margarett esperou apenas quinze minutos e saiu de casa rumo ao Lili’s Diner. Mal entrou fez-se notar e foi cumprimentar as amigas serventes:
-Margarett! – Exclamou Daisy – Que bom ver-te, tens andado desaparecida!
-Trabalho! – Sorriu a jovem.
Janice passou por ela:
-Mag, há quanto tempo! – Exclamou encostando-se ao balcão com a bandeja no colo – Estás com um ar horrível, o que te aconteceu?
-Estás doente? – Inquiriu Ally, preocupada, do outro lado do balcão.
Margarett estreitou as sobrancelhas, surpreendida e apalpou as bochechas:
-Não… Pareço assim tão mal?
Ninguém respondeu concretamente, mas era óbvio:
-Bem, não se preocupem, estou óptima!
Foi surpreendida por um beijo na bochecha:
-Onde andas, Gata borralheira!? – Perguntou David, sentando-se ao lado dela como uma flecha, sem dar tempo de as outras raparigas se mexerem – Não te vejo desde… - Ele contou pelos dedos e depois esqueceu a conta – Desde há muito tempo! Somos vizinhos, Rett!
Ela sorriu:
-Ah, David… Tenho estado ocupa…!
-Estás horrível! – Exclamou ele, alto demais.
As serventes perto deles coraram pela indelicadeza do rapaz.
-Obrigadinha, David! – Ironizou, Margarett – É bom saber!
Nesse preciso momento, William entrou no estabelecimento, acompanhado pelos dois amigos. Ao ver Margarett e David a conversar tão distraidamente corou de inveja.
-A tua mãe é um dragão! – Disse David, com ar zangado.
As funcionárias do local engasgaram-se com o comentário e fizeram de conta que não escutaram.
-David! – Repreendeu a jovem – Não fales assim.
Ele segurou-lhe as faces para examina-la.
-Mas é verdade Margarett! Olha para ti! Estás um caco!
William analisou a rapariga pelo canto do olho ao escutar aquelas palavras e apercebeu-se que o brilho de Margarett estava, deveras, desaparecido. Ela parecia fraca, mas ainda assim os seus olhos brilhavam quando ela sorria para David.
David suspirou antes de ver William a sentar-se no banco próximo do dela:
-Quando é que vou poder resgatar-te da torre, Rapunzel?
Margarett sorriu, cansada:
-Estou á espera que o faças há muito tempo…
Ele sorriu-lhe e encostou os seus lábios á testa dela:
-Um dia destes eu apareço! – Ele entornou um pouco de sumo na sua mão, e sem Margarett esperar ele entrelaçou os dedos de ambos, apertando as delicadas mãos da moça nas suas palmas rudes – Eu prometo. Eu adoro-te, miúda.
Daisy entreolhou as amigas e Ally, boquiaberta, encarou William perplexo, que não desviava o olhar dos dois amigos:
-Eu também te adoro muito, David.
-Eu sei.
Margarett riu e abraçou-o, e só aí ele se apercebeu da presença de William. Uma voz na sua cabeça riu-se alto, todavia ele sentiu um aperto no peito, culpado pela situação.
Corando levemente, ele separou-se da amiga com descrição:
-Bem, estão á minha espera, portanto… Vemo-nos logo á noite.
Ela sorriu e ergueu o dedo mindinho, recordando o gesto que em criança os dois faziam para se verem á noite:
-À janela?
Ele avistou a mesa onde os seus amigos estavam e depois atentou novamente na loira, divertido, levantando-se do banco para logo lhe dar um beijo na bochecha e concluir com o dedo também erguido:
-À janela!
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Quem tem saudades do tempo em que eu dividia capitulos em 2 partes?!
ok, ok, eu nao vou dividir, mas hoje acho que este capitulo está dividido em parte boa e parte má!
logo, nem parece todo um só! Complicada esta minha cabeça! 
Já agora escreve-se "á janela" ou "à janela"?!
Enfim, espero que tenham gostado!

Novo Capitulo! (recomendem uma musica!)
Capitulo XIII – Velhos amigos.
“Só existe uma coisa melhor do que fazer novos amigos: conservar os velhos.”
(Elmer G. Letterman)
(Elmer G. Letterman)
Naquela manhã os sapatos faziam mais barulho do que o habitual. A roda da saia, estranhamente amassada, estava acompanhada por um casaco de malha vestido desajeitadamente, já para não falar no cabelo, desalinhado. A cara ainda permanecia perfeita, no entanto, a expressão era nervosa. Caminhando escadas abaixo na direcção da rua e escadas acima para entrar na casa do lado, a única coisa que se mantinha em bom estado era um papel perfeitamente dobrado que, apesar dos vincos leves e quase invisíveis que preenchiam toda a fina película, continuava a ter um bom aspecto em relação ao corpo trémulo que o guardava entre dedos finos sem cor.
Ouviram-se três pancadas naquela porta em quase toda a rua. Mas ninguém pareceu importar-se.
Num movimento de puro stress, as mãos voltaram a fechar-se em punhos para bater novamente, provocando um som desesperante.
Ouviu-se um “já vou” da parte de dentro da casa, abafado pelo som de um descer de escadas rápido.
A porta então abriu-se, por fim, exibindo um David ensonado vestido com uma T-shirt enrodilhada e uns calções desalinhados. Ele coçou os olhos e só teve tempo de se sentir esmagado com demasiada força por dois braços.
-Mag?
Só se apercebeu de a porta bater com força por causa do vento, enquanto a sua visão ainda ofuscada o deixava ainda mais confuso:
-O que se passa? – Perguntou, atrapalhado, com ela pendurada no pescoço dele.
-Oh, David, desculpa, desculpa! – Ela apertou-o ainda mais, pressionando o papel nas costas dele.
O rapaz, baralhado, afastou o corpo da rapariga do seu, e segurou-a pelos braços, olhando-a, aparvalhado:
-Porquê? Aconteceu alguma coisa? – Ele semicerrou os olhos – Pensei que já estava tudo bem connosco e…
-E está! Quero dizer… Eu fui tão egoísta! – Ela mordeu o lábio para ele que a olhava desentendido – Tu pediste-me desculpa e eu aceitei, mas… Eu também tenho de te pedir desculpa…
-Pelo quê?
Ela voltou a abraça-lo, desta vez com mais leveza. Afundou a seu rosto no ombro dele e suspirou, inquieta:
-Fui demasiado dura contigo.
Ela afastou-se dele e desdobrou o papel á frente dele, que logo sentiu um frio no estômago:
-Rett, o que é isso?
-A tua carta. - Respondeu naturalmente, enquanto alisava o papel contra o seu peito – Só a vi hoje de manhã ao descer as escadas para tomar o pequeno-almoço.
David corou e roubou-lhe a folha da mão para ter a certeza que aquele papel não era o que julgava.
Leu simplesmente a primeira linha e logo de seguida já sabia do que se tratava, em pânico. Amarrotou a folha e atirou-a para trás das costas, vermelho como um camarão:
-Isto é lixo!
Margarett franziu as sobrancelhas e pegou no papel novamente, desdobrando-o outra vez:
-Não é nada! – Contrapôs – David… eu lamento imenso se tu te sentiste assim por minha causa, mas eu não quero que…
-Não fui eu que escrevi! – Mentiu ele, envergonhado.
-Claro que foste! – Margarett refutou, admirada com a reacção do amigo - Está assinado e além disso eu conheço muito bem a tua letra!
Ele virou o rosto para o chão envergonhado, e abanou a cabeça nervoso, roubando um sorriso da amiga:
-Parece que alguém está com vergonha dos seus sentimentos! – Cantarolou a jovem costureira, sorrindo em tom de troça.
-Não era suposto leres isso. Eu tinha metido no lixo. Foi só…
-Um desabafo. – Completou ela, para surpresa dele.
David olhou-a por fim e assumiu aquele pequeno sorriso simpático que ela lhe deitou, surpreendido.
-Eu entendo-te. – Ela disse – E fico feliz por ter lido isto, porque senão nunca suspeitaria que tu te sentias tão mal por eu ser amiga do William.
Ele mordeu o lábio:
-Fui eu que provoquei isso e acho que aprendi a lição. Agora, por favor, esqueces isso? É embaraçoso! – Admitiu.
Margarett sorriu e deu de ombros:
-estou perdoada por ser tão torturante?
Ele abriu os braços para a receber:
-Eu nunca estive zangado contigo!
Ela abraçou-o, aliviada, e ele apertou-a contra o seu peito, beijando-lhe a testa:
-já disse que não me vou intrometer mais entre ti e o William se é isso que queres…!
Ela pareceu ceder, no entanto, sem David estar minimamente á espera ela deu-lhe um smurro forte no ombro. David gemeu chocado:
-Hei! Para que foi isso?!
Margarett afastou-se dele e cruzou os braços, batendo com o peep-toe no chão:
-Qual foi a tua ideia ao me deixares ontem á noite jantar na casa dos Finkie?!
David franziu o sobrolho, baralhado:
-Pensei que querias…?
-Estás louco?! Eu estava ansiosa por chegar a casa e tu atiraste-me para a boca do lobo! Pensei que ia morrer ontem á noite!
David riu-se divertido:
-porquê?!
-Foi constrangedor! Mrs. Finkie só falava de vestidos e Mr. Finkie queria saber do estado económico da minha família e se eu ganhava dinheiro como costureira!
-E o William?
Ela gesticulou com os braços, sem saber o que dizer e deu pequenos passos na sala:
-sei lá! Tentava ser amável como sempre, mas isso não ajudou. Ainda me senti mais envergonhada!
David deu uma gargalhada mínima e virou costas á rapariga para subir as escadas de acesso ao primeiro piso.
Ela, perplexa, seguiu-o escadas acima até entrarem os dois no seu quarto desarrumado:
-Hei, não me vires costas! Podias-me ter poupado disto se tivesses mantido o bom ambiente e caminhado mais rápido comigo para casa!
David jogou-se na cama rindo da situação e fechou os olhos, ignorando a zanga fingida da moça.
Esta por sua vez olhou em redor admirada com o quarto. As paredes brancas eram as mesmas, mas agora nuas, sendo apenas adornadas pela cómoda encostada na parede contrária á janela que dava vista para a casa ao lado. A cama, antigamente encostada á janela, estava agora mais centrada, encostada á parede do meio, que fazia frente ao guarda-fatos simples e sem decoração. No canto, perto da janela, havia uma secretaria com algumas lapiseiras e um bloco de folhas como aquela em que a carta fora escrita.
-Ainda não tinha vindo ao teu quarto desde que voltei. – Reflectiu ela, aproximando-se da escrivaninha.
David olhou-a, com a cabeça pousada no travesseiro mole:
-Eu também só entrei uma vez no teu quarto. – Referiu ele, colocando-se de barriga para baixo.
Margarett sorriu, por achar o assunto idiota, até que a sua atenção se focou num instrumento musical escondido contra a cómoda:
-Oh, não acredito, David! – Ela correu até ao instrumento e pegou-o, animada - Tocas viola?
Ele olhou-, e deu de ombros, sorrindo:
-Nem por isso… Tenho-a há alguns anos mas nunca aprendi a tocar bem…
Margarett sentou-se ao lado dele, na cama e pousou a viola ao lado do corpo de David:
-Toca! – Pediu.
David, preguiçoso, nem sequer se levantou para pegar no instrumento de cordas. Ainda deitado, simplesmente passou os dedos nas cordas, produzindo um som agradável. Margarett encostou a cabeça às costas dele e esperou que ele produzisse alguma música. David todavia não tinha intenções de tocar fosse o que fosse, apenas mexia nos fios para se entreter:
-a tua mãe? – Perguntou Margarett.
-saiu cedo. Acho que foi á vila fazer as coisas dela, sabes como é. E tu? – Ele puxou um fio com mais força, provocando um som mais grave – Não devias estar a trabalhar?
-A minha mãe está a começar os vestidos que eu lhe mandei fazer ontem á noite. Para já a minha ajuda é desnecessária, além disso, estou cansada. Cheguei tarde ontem.
-Eu sei. – Disse-lhe o rapaz, atrapalhando-se ao puxar nas cordas. A recordação da noite anterior fê-lo achar que a sua cara ia ficar em carne viva da maneira que ficou quente de repente, tal como o resto seu corpo.
Margarett, alheia aos pensamentos dele, clareou a garganta incomodada:
-Saíste, ontem á noite?
Ele olhou-a, admirado com a questão, fazendo uma pausa na melodia.
-Por favor continua. – Pediu ela, sem desviar o olhar do tecto.
David ficou um instante a olhar o perfil da cara da compaheira e passou os dedos pelos acordes agudos, encontrando uma forma de arrefecer o rosto com a questão dela.
Ele retomou o som descompassado e deu de ombros:
-Não… - respondeu, surpreendendo-a – quando tu foste comigo foi a antepenúltima noite que eu fui.
Margarett olhou-o espantada e, ainda assim, com um pingo de orgulho dentro de si:
-a sério?
Ele assentiu com a cabeça:
-peso na consciência. És bastante manipuladora, mesmo sem saberes!
Ela sorriu:
-Obrigada… Eu acho.
Ele sorriu e continuou com a melodia. Os olhares da loira percorreram todo o quarto e pararam por cima do guarda-fatos, onde repousava uma caixa quadrada, grande, fechada com uma tampa.
Num pulo, Margarett levantou-se da cama e tentou alcança-la com um salto. David estranhou e ao mesmo tempo sorriu:
-O que estás a fazer, Rett?
-A tentar chegar a esta caixa!
-Porquê?!
-Porque quero saber que segredos escondes! – Ela riu-se, tentando alcançar o topo do armário mas quando deu por si, a caixa já tinha sido pegada pelas mãos masculinas atrás dela.
-Minorca! – Troçou David, piscando-lhe o olho.
Ela empurrou-o pelo peito bruscamente, fazendo-o cair de costas sobre o leito, outra vez, no entanto ele puxou-a consigo e até a caixa sofreu as consequências daquela provocação ao perder a tampa e espalhar dezenas de envelopes sobre o colchão.
Os dois riram e Margarett apanhou um envelope, ainda com metade do corpo em cima de David:
-Paris? – Ela viu o selo admirada, e depois pegou nas outras cartas para ver se eram do mesmo remetente – Não acredito, David, guardaste as minhas cartas todas?
Ele olhou-a, com uma intensidade diferente:
-Tu não guardaste as minhas?
Ela sorriu de boca fechada e afirmou:
-Julguei que as tivesses votado fora!
-Isso seria ignorar-te. – Respondeu.
Ela sorriu timidamente mas concordou para seu agrado.
Abriu um dos envelopes e leu a carta que tinha escrito há cerca de quatro anos. Riu-se no final, pelas notícias ridículas:
-“Eu fiz limonada, mas esqueci-me de pôr açúcar! Consegui fazer uns bons tostões, mas todos os clientes faziam caretas azedas e viravam-me costas sem educação. Só no final, quando me deu a sede e resolvi provar o refresco é que percebi o meu erro e quase vomitei.”
Margarett gargalhou e depois pegou noutra carta, recebida há cerca de dois anos:
-“Deixei cair o garfo e quando fui apanha-lo, vi Mademoiselle Corine a passar a mão na perna de Monsieur Louis, que tremia que nem um vara verde.”
Nesta, David riu-se também. Não só por ter piada, como também por só naquele momento entender o que se tinha passado realmente.
Ele alcançou uma carta com a mão e abriu-a, lendo-a de voz alta:
-“Hoje choveu e eu esqueci-me do guarda-chuva na boutique. Madame Risqué, sem saber que ele me pertencia, vendeu-o por um preço absurdo tudo porque eu lhe tinha entalhado uns adereços pirosos! Para dizer a verdade nem gostava dele mas, enfim, molhei-me toda até chegar a casa. E era uma vez um guarda-chuva!”
Ambos riram da conversa idiota. Margarett rebolou mais para cima de David, encostando a cabeça no peito dele:
-“Adeline comprou uma saia tão curta que lhe chegava acima do joelho. As beatas da igreja obrigaram-na a dar uma volta de joelhos á volta da igreja e ela esfolou as pernas todas!” – Citou, rindo - Como é que me respondias a isto?
David moveu-se ligeiramente e aproximou a sua cara do rosto de Mag. A poucos centímetros do nariz dela, olhou-a nos olhos com um trejeito franco a adornar a sua face:
-Fizeste-me prometer, não fizeste?
Ela riu-se:
-Sim, pois. As nossas promessas de lama!
-Cumpri-as todas! – Gabou-se ele.
Margarett reflectiu:
-Eu também. – advertiu, e distraidamente passou os dedos por entre o cabelo de David, que estava particularmente desalinhado, repousando a mão no maxilar dele - Vês, afinal, não é preciso envolvermos sangue para as promessas serem verdadeiras!
David concordou e fez um esgar de dor. Pegou na mão dela e desencostou-a do seu rosto para lhe examinar a palma:
-Confesso que essa deve ter sido a tua melhor ideia!
A jovem exibiu uma profunda cicatriz que seguia paralela à linha do amor e David mostrou também a sua mão, evidenciando também o seu golpe:
-Nós fomos mesmo loucos. – Admitiram, e depois entrelaçaram os dedos como fizeram em criança após se cortarem com um canivete e misturarem o liquido escarlate para prometer algo eterno.
Margarett humedeceu os lábios:
-Qual foi a primeira promessa?
-Fazer qualquer coisa um pelo outro! – Prontificou o rapaz.
-hum…
Margarett olhou-o de soslaio, imaginando se ele cumprira de facto tal coisa. Chegou á conclusão que sim, ele foi sempre amigo dela, mesmo quando estavam zangados.
-Houve uma que quebramos. – Relembrou ela.
David olhou para a jovem, perplexo:
-Qual?
-A que fizemos depois de ver a Vicky e o marido a beijarem-se cá em casa. – Explicou e depois passou a citar – “Nunca vais beijar alguém enquanto formos amigos!”
David afastou um pouco o rosto do dela, estranhamente incomodado:
-Tu beijaste?
-Não.
Ele inclinou a cabeça, baralhado:
-Então porque dizes que foi quebrada?
-Tu tens namorada! E eu já vos vi aos beijos, portanto…
David interrompeu-a, levantando o seu tronco que arrastou o corpo de Margarett junto:
-Não, Mag, não foi essa a promessa.
Ela soltou um riso abafado:
-Vais arranjar uma desculpa, Paisen?
-Não. – Respondeu divertido – Eu simplesmente nunca prometi que não beijaria alguém.
Margarett franziu o cenho:
-Prometemos os dois.
-Não, Mag. Tu prometeste que nunca irias beijar um rapaz, enquanto fossemos amigos. Eu não prometi nada.
A rapariga abriu a boca:
-Isso é batota!
Ele riu-se:
-Nunca pensei que levasses as nossas promessas de lama tão a peito.
-Mas levei!
Ela levantou-se da cama, aparvalhada:
-Isto quer dizer que tu andaste a lambuzar raparigas durante todo este tempo enquanto eu me mantive na abstinência?!
David gargalhou, divertido:
-Tu mantiveste-te na abstinência?!
Ela corou violentamente e acenou com a cabeça. David abraçou-a com o intuito de troçar dela:
-Oh Rett, minha ingénua Rett…
-Não gozes comigo! – Ordenou ela, levantando-se.
-Eu não vou gozar contigo. Só acho um desperdício teres mantido a boca fechada! - Ela cruzou os braços arrepiada com o termo e o á vontade que ele utilizou, mas David não se importou nem um pouco com o que dissera. Desviou-lhe uma madeixa de cabelo que estava fora do lugar e sorriu-lhe - Eu beijava-te.
Essa declaração fez Margarett corar. Não esperava, nunca, que David dissesse aquilo, mas também não o levou a sério.
-Perdi grande coisa? É que até agora só vejo gente a cuspir na boca dos outros!
David fez uma careta de nojo e abanou a cabeça para tirar a imagem da cabeça:
-Tu não tens noção.
Ela voltou a sentar-se ao lado dele, incomodada:
-Não faz mal! Eu tenho tempo.
David riu-s, na brincadeira para chatear a amiga:
-Mag, Mag – Murmurou abanando a cabeça -, estás só a dizer isso para e sentires melhor contigo mesma! Cada vez me sinto maior que tu!
-Ah, sua cabeça de alho chocho! Tiveste sorte por eu parar de crescer!
-E tu também, senão ias parecer uma girafa!
Margarett deu um pequeno encontrão no ombro de David e ele fez-lhe o mesmo, caindo os dois nas gargalhadas:
-Parvo! – Proferiu ela, rindo.
Nenhum dos dois se apercebeu, porem, que a porta do quarto se abriu.
Mrs. Paisen havia chegado naquele instante e ao ouvir vozes a curiosidade falou mais alto. Aos ver os dois jovens entretidos, a rirem juntos como antigamente, sentiu um calor saboroso dentro de si e amou naquele instante os olhares intensos que os dois amigos trocavam sem se aperceberem. Viu-se, infelizmente, obrigada a interromper os dois:
-Errr! Margarett, querida!
Os dois interromperam-se para olhar a mulher á porta.
-Mãe? - Perguntou David, admirado.
-Bom dia, queridos, desculpem interromper, mas Mrs. Dorianne Wilson precisa de ti, Margarett. Ela pediu para te chamar!
Margarett levantou-se num flash, aflita:
-oh não, nem dei pelo tempo passar! Obrigada por me avisar, Mrs. Paisen.
-Não te preocupes querida, lamento que não possas ficar mais um pouco. Talvez mais logo possas passar cá, se quiseres!
-adorava, Mrs. Paisen, mas é impossível. Estamos cheias de trabalho!
David levantou-se e juntamente com as mulheres dirigiu-se para a saída do quarto e desceu as escadas aborrecido por Margarett ter de se despedir.
-Porque é que trabalhas tanto, Rett?! Estamos de férias.
Mrs. Paisen repreendeu o filho:
-David, és muito imaturo! Ninguém trabalha tanto porque quer! – Mrs. Paisen deu um beijo na testa de Margarett, já á saída da casa, e sorriu-lhe – Espero que voltes, querida!
-Obrigada pela hospitalidade, Mrs Paisen. Vou tentar!
A dona de casa acenou e dirigiu-se á cozinha para preparar o almoço, e deixou David e Margarett sozinhos.
-Vemo-nos depois? – Ele quis saber, encostando-se á soleira da porta.
-Claro! - Respondeu ela.
E sem ele estar minimamente á espera ela deu-lhe um beijo na cara e saiu para fora do lar do rapaz, com pressa para chegar á sua casa.
A partir do momento em que ela calcou o quarto de costura, o trabalho pareceu triplicar. O primeiro vestido já estava costurado, agora era a vez de Margarett começar e pregar a sua magia para os embelezar, enquanto a mãe tratava de outros vestidos.
As duas fizeram uma pausa para comer uma sanduíche rápida e depois continuaram a queimar as pestanas. A meio da tarde, bateram á porta. Como se já adivinhasse, Margarett estendeu o vestido azul-turquesa sobre a tábua de engomar e recebeu Mrs. Peps com um sorriso. A mulher larga atropelou todos os retalhos de pano, ansiosa:
-Oh, Dorianne! A Kelly Finkie está a organizar um baile de mascaras para daqui a três semanas! Estou excitadíssima! – Cantarolou – Quero algo único, algo extravagante e…
Mrs. Peps interrompeu-se, de repente. Margarett sorriu, com o vestido que acabara de engomar á sua frente, para o exibir a Mrs. Peps.
-lindo! – Exclamou a mulher, roubando a vestimenta das mãos da jovem - Adoro o estampado!
Margarett susteve um riso ao recordar a repulsa que David mostrara pelo tecido, e pela incredulidade de alguém o usar.
-Feito especialmente para si! – Exclamou Mrs. Wilson – por favor, prove-o para fazer os ajustes!
Mrs. Peps quase chorou de emoção, exagerada como era:
-Oh céus! Oh céus! – Berrava enquanto despia a sua roupa para experimentar o vestido - Vocês costuraram um vestido especialmente para mim, sem eu sequer pedir?!
-A Margarett desenhou-o. – Explicou Mrs. Wilson, ajudando a mulher a fechar o zipper de trás, que para seu alívio não prendeu por entre tanta gordura.
Mrs. Peps olhou a rapariga e sem lhe dar tempo de fuga apertou-lhe as bochechas com tanta força que até lhe podia roubar um naco de carne se não tivesse cuidado.
Margarett avermelhou mas sorriu cordialmente:
-Espero que esteja do seu agrado. Estive a ver e – A moça pegou no seu caderno de esboços e mostrou-a á cliente – Eu optaria por uns sapatos e uma bolsa prateados. Acho que é a sua cara, não concorda?
Mrs Peps deu um pulo que estremeceu toda a casa:
-Tu és um anjo! – Ela olhou-se ao espelho – É perfeito e exclusivo, certo?
-Até o tecido é só para si!
-Ah! Adoro-te Margarett!
Se o vestido não tivesse como destino o baile de mascaras, é bem certo que Mrs. Peps o levaria já vestido. Mrs. Dorianne Wilson benzeu-se com a quantia que recebera pela vestimenta, e isso deu-lhe mais incentivo para continuar a produzir os vestidos que a filha destinara a cada cliente.
Sexta-feira foi igualmente trabalhosa, no sábado novamente e no Domingo, a única pausa que mãe e filha fizeram foi para irem á missa.
Ninguém naquela cidade via adulta e jovem mais do que cinco minutos.
A semana seguinte foi igual. Conseguiram completar seis vestidos, dois dos quais tiveram de retocar ligeiramente. Eram rápidas para duas costureiras, no entanto era de salientar que estavam um passo á frente das clientes e era difícil enganarem-se nos modelos que assentariam em cada uma. Todos os dias eram semelhantes, acordavam cedo e deitavam-se de madrugada. Margarett já não se lembrava de vestir uma roupa decente, delinear os olhos azuis e arranjar os cachos loiros. Em vez disso as suas olheiras ficavam mais profundas de dia para dia. Até se sentia suada pela falta de tempo para dar um banho de duas horas. Geralmente, Mrs. Wilson acabava de costurar e ia-se deitar deixando Margarett a pregar as pérolas, as pedras falsas, as rendas, as flores e os laços de cetim, até acabar o último vestido da noite. Depois disso, ou se deixava dormir sobre a maquina de costura, ou deitava-se no sofá da sala, ou, se tivesse força, subia as escadas e deixava-se cair sobre a sua cama, sem sequer tirar a roupa suja, para dali a poucas horas retomar ao trabalho árduo.
Domingo chegou novamente. Margarett, adormecida com a cabeça sobre a tábua de engomar foi acordada bruscamente pela sua mãe, já arranjada para ir á cerimónia religiosa.
-Margarett, Querida, estamos atrasadas!
Ela fitou a mãe, estremunhada, com meias luas destacadas a negro por debaixo dos olhos baços. As mãos geladas e o rosto seco tocaram-se para afastar o cabelo deslavado da testa e com esforço ela lá se levantou e andou pelo corredor com os pés descalços frios a doerem de cada vez que tocavam o soalho escuro. A jovem deu um banho rápido, para tentar recuperar o seu aroma natural e disfarçar o suor do trabalho e passou um leve toque cosmético no rosto que infelizmente pouco adiantou para esconder o seu estado lastimável. Depois vestiu algo á sorte e calçou uns sapatos rasos, algo raro nela, porem, os seus alicerces não suportariam um Peep toe de nem sequer três centímetros.
Acompanhou os pais pelo recinto da igreja de cabeça baixa, concentrada para não se deixar adormecer durante a missa:
-Margarett, conseguiste terminar o vestido de Mrs. Trans? – Inquiriu a progenitora, inquieta.
-Sim, mamã. Está terminado. E já comecei a retocar o vestido de Mrs. Ferry, não se preocupe.
-Pois ainda bem! Ultimamente tens andado muito lenta no teu serviço!
Margarett suspirou e baixou o rosto. A sua mãe era tão injusta. Ela passava horas de volta do trabalho e, ainda assim, a mãe criticava-a, apenas porque depois de uma noite com menos sono do que ela própria tinha, não conseguia ser tão ágil com as agulhas quanto a mãe.
Mr. Wilson nada dizia. Não gostava de se intrometer entre Margarett e a sua esposa Dorianne, mas era de se verificar que ele próprio não gostava das atitudes da mulher perante o trabalho da sua menina. Ele bem sabia que Margarett ia para a cama pelo menos duas horas depois de a mãe recolher, já para não falar que esta tinha pausas em que ia cozinhar e comer, enquanto que a filha apenas comia um pão seco enquanto carregava no pedal da máquina.
Sem se proclamar, entrou na igreja antes das duas mulheres e escolheu um local para os três, onde assistiram a uma longa cerimónia.
Mal voltaram para casa o ritual repetiu-se. Margarett foi obrigada a ir para a volta dos tecidos enquanto a mãe preparava o almoço. Pela primeira vez em muitos dias Margarett tivera a oportunidade de se sentar á mesa calmamente.
-Mag, querida – Chamou Mr. Wilson – E que tal se hoje tirares a tarde livre para descansar?
Margarett admirou-se com tal convite, mas antes de poder dizer algo a respeito, Mrs. Wilson interveio:
-Nem, pensar, Adolfe! Temos ainda muito trabalho por fazer!
-Dorianne, a Margarett é uma jovem! Não a massacres com o teu emprego!
-Adolfe, não! Ela terá muito tempo para descansar depois do baile! Por agora, ajuda-me!
-Até lá ainda matas a rapariga com tanto esforço!
Dorianne preparou-se para refutar, furiosa, mas Margarett interrompeu-a:
-Paizinho, a mamã tem razão. Eu não posso passar uma tarde inteira sem trabalhar, é demasiado tempo. Eu não me importo de ficar a trabalhar.
Mr. Wilson deixou cair o rosto, desanimado com a filha. Tudo o que menos queria era que ela se tornasse uma pessoa gananciosa e obcecada pelo trabalho com a sua mulher.
-Margarett, pelo menos vai ter com os teus amigos àquele café de que falas, o Lili’s Diner.
-Só se for durante uma hora! – Protestou Mrs. Wilson.
-Seja! – Concordou o marido – Mas desfruta, querida! Fala com o teu amigo Finkie, ou melhor, vai com o David. Ele é uma boa companhia, já que sois tão amigos.
-Eu não concordo, Adolfe!
Desta vez foi Margarett quem se sentiu admirada:
-O quê, mamã?
-Não gosto que passes tanto tempo com o David! Os rapazes e as raparigas devem manter-se afastados.
-Mas mãe, somos amigos!
-Um homem e uma mulher nunca podem ser amigos! – Respondeu friamente.
-Dorianne! – Repreendeu Mr. Wilson zangado – Não sejas barbara! O David é um bom rapaz e é um grande amigo da nossa filha!
Mrs. Wilson levantou-se da cadeira e deu um murro na mesa:
-Isso foram noutros tempos, Adolfe! Eles cresceram e não me digas que não reparaste no jeito delinquente do rapaz!
-Dorianne! Até parece que não conheces os nossos vizinhos! Nem admito que fales assim de um membro da família Paisen!
Margarett encolheu-se ao ver os pais tão zangados. Levantou-se da cadeira e abanou a cabeça:
-por favor, não se zanguem. Se causa tanta discussão, então eu prefiro nem sair de casa hoje!
-Não Margarett, exijo que saias, ou não sou eu o homem da família! E Dorianne, nem mais um pio!
Mrs. Wilson ergueu o queixo ofendidíssima e levou a sua louça para a cozinha, deixando somente Margarett e Mr. Adolfe na sala de jantar.
-Papá… Não gosto que discuta com a mãe.
Mr. Adolfe Wilson abraçou a filha e beijou-lhe a testa:
-eu só quero que sejas feliz minha querida, que estejas com os teus velhos amigos e ajas como uma pessoa normal da tua idade. – Disse, acariciando o rosto da filha - Passei muito tempo sem te ver verdadeiramente feliz e notei que naquele dia em que regressamos, quando tu e o David surgiram lado a lado a sorrir, que tu estavas verdadeiramente feliz, como já não estavas desde que nos tínhamos ido embora. O David faz-te bem e não quero que ouças os comentários da tua mãe. Passa tempo com ele e sê uma jovem. Sê feliz, minha princesa.
-Obrigada, paizinho.
Pai e filha sorriram um para o outro.
Depois daquilo, Margarett esperou apenas quinze minutos e saiu de casa rumo ao Lili’s Diner. Mal entrou fez-se notar e foi cumprimentar as amigas serventes:
-Margarett! – Exclamou Daisy – Que bom ver-te, tens andado desaparecida!
-Trabalho! – Sorriu a jovem.
Janice passou por ela:
-Mag, há quanto tempo! – Exclamou encostando-se ao balcão com a bandeja no colo – Estás com um ar horrível, o que te aconteceu?
-Estás doente? – Inquiriu Ally, preocupada, do outro lado do balcão.
Margarett estreitou as sobrancelhas, surpreendida e apalpou as bochechas:
-Não… Pareço assim tão mal?
Ninguém respondeu concretamente, mas era óbvio:
-Bem, não se preocupem, estou óptima!
Foi surpreendida por um beijo na bochecha:
-Onde andas, Gata borralheira!? – Perguntou David, sentando-se ao lado dela como uma flecha, sem dar tempo de as outras raparigas se mexerem – Não te vejo desde… - Ele contou pelos dedos e depois esqueceu a conta – Desde há muito tempo! Somos vizinhos, Rett!
Ela sorriu:
-Ah, David… Tenho estado ocupa…!
-Estás horrível! – Exclamou ele, alto demais.
As serventes perto deles coraram pela indelicadeza do rapaz.
-Obrigadinha, David! – Ironizou, Margarett – É bom saber!
Nesse preciso momento, William entrou no estabelecimento, acompanhado pelos dois amigos. Ao ver Margarett e David a conversar tão distraidamente corou de inveja.
-A tua mãe é um dragão! – Disse David, com ar zangado.
As funcionárias do local engasgaram-se com o comentário e fizeram de conta que não escutaram.
-David! – Repreendeu a jovem – Não fales assim.
Ele segurou-lhe as faces para examina-la.
-Mas é verdade Margarett! Olha para ti! Estás um caco!
William analisou a rapariga pelo canto do olho ao escutar aquelas palavras e apercebeu-se que o brilho de Margarett estava, deveras, desaparecido. Ela parecia fraca, mas ainda assim os seus olhos brilhavam quando ela sorria para David.
David suspirou antes de ver William a sentar-se no banco próximo do dela:
-Quando é que vou poder resgatar-te da torre, Rapunzel?
Margarett sorriu, cansada:
-Estou á espera que o faças há muito tempo…
Ele sorriu-lhe e encostou os seus lábios á testa dela:
-Um dia destes eu apareço! – Ele entornou um pouco de sumo na sua mão, e sem Margarett esperar ele entrelaçou os dedos de ambos, apertando as delicadas mãos da moça nas suas palmas rudes – Eu prometo. Eu adoro-te, miúda.
Daisy entreolhou as amigas e Ally, boquiaberta, encarou William perplexo, que não desviava o olhar dos dois amigos:
-Eu também te adoro muito, David.
-Eu sei.
Margarett riu e abraçou-o, e só aí ele se apercebeu da presença de William. Uma voz na sua cabeça riu-se alto, todavia ele sentiu um aperto no peito, culpado pela situação.
Corando levemente, ele separou-se da amiga com descrição:
-Bem, estão á minha espera, portanto… Vemo-nos logo á noite.
Ela sorriu e ergueu o dedo mindinho, recordando o gesto que em criança os dois faziam para se verem á noite:
-À janela?
Ele avistou a mesa onde os seus amigos estavam e depois atentou novamente na loira, divertido, levantando-se do banco para logo lhe dar um beijo na bochecha e concluir com o dedo também erguido:
-À janela!
---------
Quem tem saudades do tempo em que eu dividia capitulos em 2 partes?!
ok, ok, eu nao vou dividir, mas hoje acho que este capitulo está dividido em parte boa e parte má!
logo, nem parece todo um só! Complicada esta minha cabeça! 
Já agora escreve-se "á janela" ou "à janela"?!
Enfim, espero que tenham gostado!

as minhas fic's:
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
-Angelical
Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
-Angelical
Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^
Oh, capítulo mais lindo
Ainda bem que eu e a Bun fomos provadas estar erradas e a Maggie leu a carta 
A sério, fiquei babada com a cena no quarto do David. Tão simples e bonita, mas sempre com o seu toque de romantismo.
Tal como previ, já todos começam a se aperceber da situação David-Maggie. Daqui a pouco, toda a cidade saberá que aqueles dois se amam menos os proprios.
Ah.. essa Srª. Wilson metem-me nojo. Ok, eu sei que existem muitas mães assim, que não entendem o que é ser jovem, mas mete-me raiva à mesma. Era quem a estrangulasse com um cinto ou então costurasse os seus dedos
Não te consigo recomendar nenhuma musica. Infelizmente, não conheço nenhuma perfeita para este capítulo. Talvez outros, mas para este não. É muito baseado na amizade e no quanto o tempo é fundamental para definir a sua importancia.
Mas, Raise me up dos Westlife foi a mais próxima que encontrei...
p.s Penso que é com o acento grave "à"
Espero pelo próximo
Ainda bem que eu e a Bun fomos provadas estar erradas e a Maggie leu a carta 
A sério, fiquei babada com a cena no quarto do David. Tão simples e bonita, mas sempre com o seu toque de romantismo.
Tal como previ, já todos começam a se aperceber da situação David-Maggie. Daqui a pouco, toda a cidade saberá que aqueles dois se amam menos os proprios.
Ah.. essa Srª. Wilson metem-me nojo. Ok, eu sei que existem muitas mães assim, que não entendem o que é ser jovem, mas mete-me raiva à mesma. Era quem a estrangulasse com um cinto ou então costurasse os seus dedos
Não te consigo recomendar nenhuma musica. Infelizmente, não conheço nenhuma perfeita para este capítulo. Talvez outros, mas para este não. É muito baseado na amizade e no quanto o tempo é fundamental para definir a sua importancia.
Mas, Raise me up dos Westlife foi a mais próxima que encontrei...
p.s Penso que é com o acento grave "à"
Espero pelo próximo

Espero por ti em cada segundo , porque tu és o meu mundo!

Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
Visitem a minha 1ª Fic ----->The Four elements

Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
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Eu gosto deste capitulo q.b. Antes de postar também tive a fazer mais uns floreados e tal, tipo aquela ceninha de eles darem as mãos e não sei quê. Que se há-de fazer? Eu gosto de lamechisses! 
Ai essa de costurar os dedos! Creedddooo!!! >.< Mas ela merecia. Se não gostas dela agora, vais ver daqui para a frente! Até choras! Muahahaha! Só piora!

Ai essa de costurar os dedos! Creedddooo!!! >.< Mas ela merecia. Se não gostas dela agora, vais ver daqui para a frente! Até choras! Muahahaha! Só piora!
as minhas fic's:
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
-Angelical
Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
-Angelical
Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^
Oh não! Já tou com medo por aqueles dois O_O
O que é que a velhota vai armar! Ai, mas que raiva. Detesto mães que se metem onde não são chamadas. Aliás, neste capítulo adorei a interveniencia do Sr. Adolfo (tinhas logo que lhe dar o nome de um ditador quando a mulher dele é que age como tal?
) para a filha.
Disseste que estava dividido em parte boa e parte má. Ou seja, a Sª. Dorianne vai descobrir o "encontro à janela" dos dois amigos... Oh... que eu não vou gostar do que vem ai...
O que é que a velhota vai armar! Ai, mas que raiva. Detesto mães que se metem onde não são chamadas. Aliás, neste capítulo adorei a interveniencia do Sr. Adolfo (tinhas logo que lhe dar o nome de um ditador quando a mulher dele é que age como tal?
) para a filha.Disseste que estava dividido em parte boa e parte má. Ou seja, a Sª. Dorianne vai descobrir o "encontro à janela" dos dois amigos... Oh... que eu não vou gostar do que vem ai...

Espero por ti em cada segundo , porque tu és o meu mundo!

Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
Visitem a minha 1ª Fic ----->The Four elements

Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
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Loooool
Hello!
Bem Ana desculpa-me mas vou cometer plágio. Tudo o que disseste acho que está perfeito e não tenho nada a acrescentar, em relação ao primeiro capítulo.
De salientar que adorei a cena da toalha! Ainda bem que a puseste! A ver se o David abre os olhos!
"Aii, que o David é um tarado xDD
Mas, BOAS NOTICIAS, acabou de dar um passo em frente para a sua confissão de: Eu amo a Maggie Wilson!
Coisas boas nestes capítulo: Os amigos fizeram as pazes (yupii!), o David mostrou-se mais maduro e aconteceu o que escrevi acima. Daqui a pouco, ele admitirá que a ama. Quero é ver quando a Maggie fará o mesmo.
Coisas más: A mãe do Will. Ganda chata, mesmo! Era quem lhe enfiasse uma peuga na boca
Então a rapariga não pode andar na rua a aquela hora sozinha mas e depois como iria para casa? Mais valia ir com o David, mas esse tá tão preocupado com a amizade que nem vê a imagem maior."
Sobre o segundo capítulo (chegar mais tarde tens as suas vantagens ,hehe, não tive de esperar) adorei!
Foi tão querido toda a cena dele ficar todo embaraçado por ela ter lido a carta, e depois no quarto estavam tão intimos e no café a promessa que ele fez, amei! Eu também gosto de lamechice Lulu, lool, põe à vontade!
A mãe da Mag vai ficar pior. Ela precisa é que o pai da Mag lhe diga mais vezes para calar o pio!
Penso que se escreve "à janela".
Lamento mas não tenho nenhuma sugestão para uma música.
Gostei muito dos capítulos.
Espero pelos próximos.
Beijinhos*
Hello!

Bem Ana desculpa-me mas vou cometer plágio. Tudo o que disseste acho que está perfeito e não tenho nada a acrescentar, em relação ao primeiro capítulo.
De salientar que adorei a cena da toalha! Ainda bem que a puseste! A ver se o David abre os olhos!
"Aii, que o David é um tarado xDD
Mas, BOAS NOTICIAS, acabou de dar um passo em frente para a sua confissão de: Eu amo a Maggie Wilson!
Coisas boas nestes capítulo: Os amigos fizeram as pazes (yupii!), o David mostrou-se mais maduro e aconteceu o que escrevi acima. Daqui a pouco, ele admitirá que a ama. Quero é ver quando a Maggie fará o mesmo.
Coisas más: A mãe do Will. Ganda chata, mesmo! Era quem lhe enfiasse uma peuga na boca
Então a rapariga não pode andar na rua a aquela hora sozinha mas e depois como iria para casa? Mais valia ir com o David, mas esse tá tão preocupado com a amizade que nem vê a imagem maior."Sobre o segundo capítulo (chegar mais tarde tens as suas vantagens ,hehe, não tive de esperar) adorei!
Foi tão querido toda a cena dele ficar todo embaraçado por ela ter lido a carta, e depois no quarto estavam tão intimos e no café a promessa que ele fez, amei! Eu também gosto de lamechice Lulu, lool, põe à vontade!
A mãe da Mag vai ficar pior. Ela precisa é que o pai da Mag lhe diga mais vezes para calar o pio!
Penso que se escreve "à janela".
Lamento mas não tenho nenhuma sugestão para uma música.
Gostei muito dos capítulos.
Espero pelos próximos.
Beijinhos*
Olá meninas! Bem, eu hoje estou um bocado sem paciencia para escrever, mas como sabem, fico muito feliz pelos vossos comentários (ainda por cima ando sem vontade de escrever nesta fic).
Tambem por causa dessa minha preguiça, não me apeteceu reler o capitulo, por isso, se nao se importarem e virem coisas muito mal escritas, alertem-me!
Bem, este capitulo não é dos que mais gosto. é aborrecido e não se passa nada de especial!
Mas enfim, desfrutem!
-Acho que podes aumentar um pouco o decote. – Sugeriu Ally, puxando o tecido que lhe cobria o peito um pouco para baixo.
-Ok, eu arranjo isso.
Margarett pegou em alfinetes e com cuidado prendeu-os na seda delicada que cobria o corpo de Ally. Apesar de cansada sentia-se empolgada, afinal de contas, tinha visitas, mesmo que fossem de trabalho. Em cima da mesa tinha três pares de sapatos. Um vermelho, Um azul e um verde. Ao lado de cada par havia uma respectiva saqueta de plástico com botões, pérolas, fitas de cetim e adornos que iriam servir para criar modelos exclusivos e novos, para cada uma das raparigas. Margarett fizera questão de caprichar com elas.
Dorianne Wilson, na mesma sala, por sua vez mantinha-se curvada na máquina de costura com os óculos pendentes no seu nariz, enquanto tentava enfiar uma linha pelo buraco da agulha. Quando conseguiu carregou no pedal com força e o resultado foi positivo. Ainda assim, a produção de um novo vestido não lhe tirava a concentração da conversa entre a filha e as três jovens:
-Eu acho que esse decote chega. – Acautelou a mulher, tentando não ser rezingona.
Margarett revirou os olhos.
-Mãe, é um vestido de gala, porque não exagerar?
Mrs. Wilson espreitou-a pelo canto do olho, de cara feia. As outras três raparigas ignoraram a opinião da mais velha.
-Não queremos atiçar homens. – Murmurou a mais velha, provocante.
-Desculpe, Mrs. Wilson – Interveio Janice – mas não creio que tentarmos ser mais bonitas irá fazer-nos pecar. Quem peca, é quem olha!
As jovens abafaram um sorriso pelo comentário da morena, tentando controlar-se pelo facto de a dona da casa não ter gostado do comentário. Para alívio de todas, ela fez de conta que não ouviu e voltou a dar pedaladas na máquina, á medida que o tafetá castanho deslizava para trás.
Margarett prendeu o cabelo com uma tira de tecido apanhada do chão e com a tesoura, cortou um pedaço de renda para acrescentar ao vestido de Ally:
-Que achas, Ally? Penso que um pouco de renda vai desviar as atenções da cor do vestido e torna-lo mais jovem.
Ally olhou para si mesma. Ela havia dito a Margarett que a sua cor de eleição era o azul, no entanto estava apaixonada pelo vestido negro que ela lhe havia feito. Para compensar o tom, Margarett arranjou forma de conjuga-lo com o azul dos sapatos e da bolsa.
-Acho óptimo. Achas que amanhã está pronto?
-Hum… - A Loira entortou os lábios – Talvez á noite. Mas é melhor vires cá apenas depois. Alem disso, as pedras não se pregam sozinhas.
Ally sorriu:
-Ok, então. – Ela deu uma voltinha, entusiasmada – Mal posso esperar pelo baile!
Janice imitou o gesto:
-Já fizeste o teu vestido, Mag? Tenho a certeza que vai ser o mais bonito!
Margarett abriu a boca espantada consigo mesma e olhou em redor, para o resto de pano que sobrara, levando a mão á testa:
-Ora… Que distraída, eu nunca mais me lembrei do meu vestido.
Janice arregalou os olhos cor de avelã:
-Ora, Margarett. O David tinha razão, andas a trabalhar tanto que nem te lembras de ti!
Mrs Wilson olhou as quatro, como se a palavra “David” tivesse carregado um botão em si que lhe causou desconforto e antipatia:
-O David é um tolo. – Disse, para grande desagrado da filha, que a olhou furiosa – Tudo o que ele diz não passa de um exagero.
Daisy inclinou a cabeça:
-Nós sabemos que o David tem opiniões… - ela fez uma pausa para pensar – Peculiares! Mas ainda assim, concordo com ele no aspecto de a Margarett trabalhar demais. Passamos duas semanas sem a ver por culpa do trabalho. Acho que realmente é hora de ela libertar-se um pouco do emprego.
Emprego.
Margarett cerrou os dentes e os braços, frustrada. Aquilo não era um emprego. Afinal de contas ela nem sequer recebia salário pelo seu esforço. Isso revoltava-a. Saber que todos já se tinham apercebido do óbvio e de ela se fingir de idiota e continuar a trabalhar para a mãe.
-Ora, a Margarett conhece os seus deveres, e ela sabe que faltam poucos dias para o baile portanto não lhe custará nada ajudar-me em mais três vestidos… Para além dos vossos. Não é assim, querida?
Dorianne sorriu com cinismo e a filha acenou com a cabeça, como que obrigada.
Depois de as três saírem, ela ficou novamente fechada naquele quarto a fazer acabamentos perfeitos em vestidos igualmente perfeitos. Naquelas ultimas noites, para variar, Margarett finalmente começou a ceder aos caprichos do seu corpo e não se deixou ficar em frente aos carrinhos de linhas por mais horas do que a sua progenitora.
Subia as escadas, dava um banho, e colocava uma camisa de dormir leve e arejada, com o perfume a sabão. Depois, escovava os longos cabelos loiros e sentava-se á janela com os braços a servirem de almofada para o queixo.
Naquela noite, como nas últimas, ela olhou o céu, e depois respirou fundo:
-David…! – Chamou baixinho, para não acordar toda a rua.
Ele surgiu á janela tão rápido como se a sua vida dependesse disso:
-Hei! – Cumprimentou com cara de sono. Margarett deduziu que já devia estar prestes a adormecer, e sentiu-se mal com isso. – Terminaste cedo, hoje.
Ela sorriu e esfregou os olhos encovados:
-estou cansada. Além disso se a minha mãe já foi dormir, eu também devo ir dormir.
David confirmou com a cabeça e depois esfregou algo na t-shirt velha que envergava. Fez um sinal a Margarett e atirou-lhe algo da sua janela para o quarto dela.
Num impulso instintivo, ela levantou as mãos e segurou a peça de fruta vermelha e redonda, lustrosa e suculenta:
-Estás com cara de quem não jantou!
Margarett trincou a maçã e suspirou:
-Conheces-me tão bem. – Admitiu, humilhada – Não sei como o fazes. Gostava de fazer o mesmo contigo.
Ele deu de ombros:
-Mantém-te fiel ao que és. Nada mais me importa.
A loira abanou a cabeça, mas pouco soube dizer. Examinou aquela maçã encarnada e sorriu, recordando uma velha bola vermelha que acompanhara os dois nas brincadeiras de criança:
-sabes uma coisa? – Questionou retoricamente - Não perdi o jeito para jogar á bola. Tenho pena de já não jogar há anos!
David passou os dedos pelo cabelo desalinhado e depois riu-se em tom de graça:
-Não achas que jogar á bola é coisa de rapaz?
Ela abriu a boca, chocada com a posição machista do amigo. Atirou a maçã ao ar e no movimento seguinte lançou-a com força na direcção da cara de David. Ele desviou-se sem pensar e só teve tempo de ver a maçã mordida a rebolar no soalho do seu quarto.
-Nem penses! – Disse Margarett – Continuo a ser melhor atiradora do que tu!
David fez ar de desencanto:
-Não acredito que foste pisar a maçã apenas para te emancipar enquanto mulher forte!
A loira inclinou-se sobre a janela, com um trejeito provocador na cara:
-Isso é cobardia, David? Ainda te custa a admitir que eu te venço?
-Acho, sinceramente, que estás velha para estas brincadeiras, Rett!
-Se pensasse como tu, estaria caduca!
Ele riu-se, mafioso:
-Eu? Eu sou a juventude em pessoa! Um dia destes vamos ver quem se aguenta melhor das pernas!
-Pago para ver, David.
Ela sorriu e fechou a cortina do quarto. Deixou-se cair na cama, cansada, escutando um vago “Boa noite” vindo da casa ao lado.
David fechou a sua própria janela e sentou-se no seu leito comodamente. A sua atenção centrou-se na maçã lustrosa que continuava solitária no chão e uma recordação veio-lhe á memória. Sorriu para consigo e deitou-se para dormir.
Na manhã seguinte Eric apareceu na casa dos Paisen. Esticado no sofá da sala, ele esperava que David voltasse da cozinha.
Este apareceu em trajes menores e carregava um copo de leite na mão e uma t-shirt para vestir ao ombro:
-Acordaste cedo. – Comentou.
-Eh, não saí ontem á noite, portanto o meu sono está regulado. – Explicou o amigo.
David sentou-se ao lado dele no sofá:
-e então? O que fez o Jack desta vez?
Eric franziu o nariz, aborrecido:
-Bateu na Corine.
David abriu a boca, estupefacto. Corine era uma das parceiras de fugas nocturnas. Era uma rapariga enérgica e rebelde, mas no fundo era boa pessoa. Não costumava ter problemas com ninguém, apesar das suas manias. Namorava com Scott.
-O quê?! Porquê?!
Eric deu de ombros:
-A noite estava quente. Tem estado sempre. Fomos para perto do rio, e então o Jack desafiou-nos para dar um mergulho. Nus – completou - A maioria de nós recusou expor-se, e claro, ganhamos. Mas aí, o Jack estava a falar com a Corine. O Scott tinha ido buscar umas cervejas… - Eric olhou David nos olhos – Não sei se foi impressão minha, porque olhei de relance, mas pareceu-me ver que o Jack se meteu com ela… Tentou levantar-lhe a saia. E os botões da blusa dela estavam abertos. Ninguém se tinha apercebido, eles estavam atrás de umas árvores, mas quando eu fui buscar amendoins vi.
-O que fizeste?! – Interrompeu David.
-fiz de conta que não me apercebi de nada. Podia ser apenas a minha imaginação. Mas aí a Corine deu-lhe um encontrão e disse-lhe para ele se afastar dela. Ele ficou irritado e deu-lhe uma estalada na cara, com tanta força que todos nos apercebemos. O Scott apareceu nesse momento e quando dei por mim já estava envolvido na luta.
David arqueou a sobrancelha, espantado:
-Estás óptimo! – Disse, tentando achar algum arranhão.
Eric não achou piada ao comentário:
-Ainda bem que aquilo se passou. É o meu pretexto para não voltar a dar-me com o grupo. Aquilo já não tem piada. Ninguém deve ser obrigado a fazer o que não quer. Eu, o Scott e a Corine não fazemos mais parte do grupo. Eles decidiram sair da cidade por uns tempos, por isso o grupo está menor. Aliás, desde que deixaste de aparecer ele tem vindo a reduzir.
-Hum? Por minha culpa?
Eric assentiu:
-Como tu não vais, a Brittany também deixa de ir, e a Mary e a Kate também ficam mais vezes por casa. Como não vai a Kate, o John também não vai… E agora com o que aconteceu restam poucos lacaios ao Jack.
David sorriu e deu um gole no leite:
-É bem feito. É para provar que ele está a perder valor.
Eric calou-se. Tinha algo a dizer a respeito desse assunto, mas não sabia se era correcto afirma-lo. Levantou-se do sofá e olhou pela janela da sala, pensativo. Depois encarou David, alheio a problemas:
-Acho que ele te culpa por isso.
O moreno levantou os olhos até ao companheiro:
-A mim?
-Começaste isto tudo quando a Margarett chegou. No fundo acho que tinhas mais controlo no grupo do que o próprio “líder”. Bastou não ires que ficaram todos desregulados e como agora te dás com alguém como a Margarett, eles andam a olhar de outra maneira para as pessoas. Até eu.
David franziu o cenho:
-A Margarett não é diferente de nós. Ninguém é. Todos queremos liberdade. Quando conhecemos o Jack achávamos que ele era um sujeito liberal que não queria controlo. Mas ele fez o oposto. Ele tirou-nos a liberdade de conhecer pessoas normais como nós. Foi preciso ela vir de França para eu perceber que nada do que vivíamos com ele até hoje teve sentido. Era tudo fachada. – David pousou o copo vazio na mesa da sala.
Eric cruzou os braços e encostou-se á parede:
-Somos uns idiotas.
-Não mais. - David sorriu. - E isso lembra-me que tenho de preparar uma coisa para amanhã.
Eric viu o brilho dos olhos do dono da casa:
-O quê?
-Anda que já vês!
Enquanto isso, William saia da ourivesaria. Devia ter sido o primeiro a entrar nela logo que abriu. Levava uma caixa em forma de paralelepípedo num embrulho elaborado. Fora a sua mãe quem dera a sugestão.
Ele tinha estado poucas vezes com Margarett naquelas ultimsa semanas, mas das vezes que a vira, podia jurar que estava cada vez mais apaixonado por ela. O seu último encontro, porem, tinha sido menos agradável. Não esperava ouvir nem David nem ela a falarem coisas tão comprometedoras no Lili’s Diner. Mas aí ele tomou a decisão que era tempo de avançar. Se queria que Margarett se rendesse a ele, teria de ir directo ao assunto, e estava a preparar-se para isso. No baile de mascaras que se aproximava ele tencionava declarar-se. Já tinha idealizado tudo, e as hipóteses de ele falhar eram escassas.
Entrou em casa apressado e dirigiu-se logo para o seu quarto.
Lá, guardou o embrulho do ourives junto á mascara do baile.
Depois voltou a sair de casa e foi ter ao salão de bailes da cidade, onde Rick, Tom e mais alguns amigos se preparavam para decorar o espaço ás ordens de Mrs. Finkie.
Ali perto, na boutique de vestidos, eram Kate, Mary e Brittany que faziam a festa. Experimentavam vestidos e acessórios para o baile, o que gerava uma grande dor de cabeça á dona da loja.
-Não sei. – Disse Brittany, ensaiando um vestido púrpura – Parece-me simples demais!
Kate, por sua vez, não parava de alisar com as mãos o vestido que lhe escondia o corpo, animada com a escolha:
-Eu cá estou satisfeita. Acho que este é a minha cara.
Brittany analisou a amiga e concordou. Mas era preciso ver que Kate e Mary contentavam-se com pouco. Brittany por outro lado queria ser a rainha da festa. A mais bonita e brilhante. Para quê vestir-se como habitualmente se podia abusar?! Afinal era uma festa. Ela merecia pormenores e caprichos para estar bonita.
-desculpe – Chamou pela funcionária – Não tem algo mais ousado?!
A mulher semicerrou os olhos, irritada:
-A menina desculpe, mas já experimentou mais de dez vestidos e ainda não está satisfeita?! Minha cara, se quer algo mais elaborado, terá de mandar fazer!
Mary revirou os olhos e despiu o vestido amarelo:
-Nesta altura já não arranjamos costureira que nos faça um vestido bom! É muito em cima da hora!
Kate retirou o vestido também. Brittany então fez o mesmo. Já recompostas, as raparigas pegaram nos vestidos que lhe cabiam e colocaram sobre o balcão para que fossem embrulhados. Só Brittany não levou nada.
No entanto, mal pisaram a rua, Mary disse aquilo que quis dizer perante a provocação da mulher da boutique:
-Britt, ouvi falar de uma costureira muito ousada cá na zona! Talvez ela te faça um vestido!
Brittany olhou a outra loira:
-Quem?
-Mrs. Dorianne Wilson. – Britt semicerrou os olhos perante o nome. Mas na ocasião não conseguiu saber de onde lhe vinha a sensação de familiaridade – Acho que ela mora no bairro do David!
Kate sorriu:
-Ora aí tens um pretexto para o ver!
Brittany assentiu, animada:
-Tenho de ir lá o quanto antes!
Tal como disse, naquela mesma noite, Brittany, acompanhada pela sua mãe, Mrs. Wells, foram de carro para a casa da famosa costureira da cidade. Brittany surpreendeu-se quando a sua mãe estacionou o carro mesmo á frente da casa de David.
-É aqui?! – Questionou, chocada.
-Na casa ao lado! – Respondeu Mrs. Wells, apontando para a casa simétrica ao lar dos Paisen.
Brittany ajeitou o cabelo e humedeceu os lábios, e depois saiu do carro. Não fosse David aparecer á porta. A sua mãe fechou o automóvel e caminhou até á fachada da casa da costureira, seguida pela filha que estreitou os olhos ao reflectir sobre a família que avizinhava David. Abanou a cabeça, crendo que estava errada. Subiram as escadinhas que davam para a entrada, a mais velha encarregou-se de bater á porta. Esta abriu-se de rompante, como se os donos da casa esperassem alguém. No entanto, o motivo que levara a que a porta se abrisse tão rapidamente fora o facto de Margarett Wilson estar a despedir-se de Ally e outra cliente que tinham ido buscar os seus vestidos já prontos:
-Margarett, mal posso esperar para que chegue o baile! Até acho que vou guardar este vestido num cofre, é uma preciosidade! - Lisonjeou a mulher que saia porta fora com um grande embrulho nas mãos.
-Estará linda, Mrs. Snip! Vemo-nos lá!
-Adeus queridas!
Mal a figura se afastou, Margarett e Ally olharam para Brittany, em surpresa.
Mrs. Wells, sem se aperceber na troca fuzileira de olhares entre as três raparigas, deu um passo á frente, com um sorriso simpático no rosto:
-Boa Noite, querida, é aqui que trabalha a Mrs. Dorianne Wilson, costureira?
Margarett gaguejou:
-s-sim…!
-Podemos falar com ela?
Margarett engoliu a seco mas sorriu cordialmente e levantou um braço para mostrar a passagem às duas visitantes:
-Com certeza!
Ally, por sua vez, lançou um olhar a Margarett e desejou-lhe boa sorte para logo se despedirem e ela fechar a porta. Reparou que Brittany olhava em redor, curiosa, mascando uma chiclete de um modo irritante com um ar de desdém. A sua mãe, por outro lado, parecia mais calma e esperou que Margarett as guiasse para o ateliê de costura.
-Mãe, tem visitas!
Mrs. Wilson, que cosia uma manga cor-de-laranja num vestido florido, parou o que fazia para encarar as duas mulheres que entraram no seu lar.
-Boa noite. - Cumprimentou, levantando-se da cadeira da máquina de costura.
-Boa noite, Mrs Wilson. Sou a Loretta Wells. Eu e a minha filha ouvimos falar muito bem do seu trabalho.
Dorianne sorriu envergonhada:
-Oh, obrigada. Em que posso ser útil?
Margarett teve uma vaga ideia do porquê da visita por isso fez figas atrás das costas, desesperada.
-Bom, vim cá para saber se a senhora tem disponibilidade para fazer um vestido de gala para a minha filha Brittany.
Margarett sentiu-se desvanecer com a questão, e deixou-se sentar no banco onde anteriormente pregada pérolas na finalização de um vestido. Brittany encarou-a e fez uma bola com a chiclete, para logo depois voltar a mascar como um ser ruminante. Deu pequenos passos pela salinha e analisou os vestidos que assentavam nos manequins. Admitiu que eram lindíssimos, sobretudo os seus pormenores.
-Para quando? – Perguntou Mrs. Wilson, agarrando na sua agenda.
-Bom, para o baile de Mrs. Finkie, no próximo fim-de-semana!
Margarett levantou-se, sobressaltada:
-Mas isso é daqui a quatro dias!
-Eu sei. – Lamentou Mrs. Wells. Margarett considerou-a uma boa pessoa apesar de tudo - Peço imensas desculpas por vir tão tarde, mas a principio íamos comprar um vestido numa boutique, só que a minha querida filhota é tão esquisita que tivemos mesmo de arriscar vir á costureira mais popular da cidade.
Mrs. Wilson sorriu outra vez perante o elogio:
-Certamente conseguimos fazer algo, não é, Margarett?
A respiração da jovem acelerou, em tamanho desespero. Não poderia concordar, estava prestes a ter um esgotamento nervoso com tanto trabalho:
-Mas mãe, eu não consigo mais…
Brittany franziu o cenho. Não gostava de Margarett, nunca gostara, portanto qualquer afronta, por mais pequena que fosse, era motivo para meter-se com a caniche francesa. Abriu a boca, em tamanho espalhafato e levou as mãos ao peito, armada em vítima:
-Tu não queres fazer um vestido por ser para mim, é isso?!
Margarett descolou os beiços e esfregou as têmporas com as pontas dos dedos finos:
-Claro que não é isso. – Esclareceu, cansada. Sentiu uma pontada de ódio violento dentro de si. Se não fosse uma rapariga educada arrancava os cabelos de Brittany ali mesmo – Mas ainda temos de terminar três vestidos e iniciar outro!
-Ora Margarett – Mrs. Wilson abanou a cabeça -, os três vestidos estão terminados hoje sem falta. Já só falta mesmo colocar o tule e as mangas. E amanha temos o dia todo para começar a fazer o último vestido!
Mrs. Wells esboçou um trejeito simpático e a filha sorriu-lhe de volta, animada.
-Então pode fazer?
-Será um prazer! Amanhã mesmo começamos a fazê-lo também!
Margarett choramingou baixinho, frustrada. Apetecia-lhe gritar e chorar, mas conteve-se e foi buscar o seu caderno de esboços a mando da “patroa”. Pegou nos lápis de cor e sentou-se na cadeira. Se não tivesse sido tão caro, rasgava o caderno todo para não ter de desenhar aquele vestido.
-Muito bem, tens alguma ideia de como queres o teu vestido, querida? – Inquiriu a sua mãe.
-Hum… Quero muitos folhos e muito volume!
Margarett revirou os olhos e interrompeu-a:
-Que tons queres?
-Tons pastel! Rosas, Salmões, beges…!
-Muito bem! – Interrompeu, saturada – Queres aplicações?
-Que tipo de aplicações?
Margarett suspirou e olhou-a sem entusiasmos:
-Pedras brilhantes, pérolas, bainhas rendadas, mangas de…
-Sim, sim! – Apressou-se a exclamar a outra batendo palmas – Algo bastante pormenorizado!
As adultas sorriram pelo entusiasmo da bela jovem. Parecia que apenas Margarett não estava a gostar da situação. De facto, ela estava mortinha para se fechar no seu quarto e não fazer mais vestido nenhum, mas seria impossível. Ela terminou o esboço de um vestido e mostrou-o a Brittany, para que o aprovasse.
Esta estava desejosa de encontrar um defeito para provocar o “bicho-da-seda”, mas ficou boquiaberta ao ver que ela desenhara exactamente aquilo que ela tinha imaginado. Suspirou derrotada e sorriu, forçada:
-Está óptimo!
-é realmente muito bonito! – Concordou Mrs. Wells – Podias ser estilista, doçura!
-E tenciono sê-lo, Mrs. Wells. – Margarett levantou-se do banco e sem sorrir uma única vez, foi ao cabide e pegou num casaco fino, o qual vestiu. - Continuarei os meus estudos e vou formar-se em moda.
-Mas que bem! Tens um bom futuro pela frente.
-Obrigada pela opinião, minha senhora.
Dirigiu-se á gaveta onde a mãe guardava o dinheiro dos vestidos e pegou numa boa quantia que passou para o seu porta-moedas.
Mrs. Wilson aproveitou o momento para apontar na sua agenda o prazo da encomenda:
-Ora, podem vir prová-lo amanha á noite. Em princípio no sábado de manha já estará pronto.
-E o tecido?
Margarett rangeu os dentes com um ódio tremendo do trabalho que Brittany lhe vinha dar. Parecia que ela tinha feito de propósito para fazer com que a sua vida fosse uma real escravidão.
-Vou comprá-lo agora mesmo.
A sua mãe cruzou os braços:
-Agora? É um pouco tarde e o teu pai ainda não chegou para te acompanhar.
-Não há problema. – Ela abriu um sorriso cínico. Viu ali a sua oportunidade de aborrecer Brittany – O David vem comigo!
A loira raivosa cerrou os punhos enquanto corava de ciúmes.
-Não quero que vás com o David para a rua a esta hora! – Protestou a progenitora.
-Prefere que eu vá sozinha? É perigoso, alem disso – Ela ergueu o queixo e sorriu discretamente -, o David e eu somos unha com carne!
Mrs. Wilson bateu o pé, mas não viu forma de refutar:
-Muito bem. Mas espero bem que se portem com juízo e voltem depressa.
-Como queira, mãe! Vou andando!
Margarett dirigiu-se para a saída de casa e bateu a porta mal saiu.
Mrs. Wells sorriu para Mrs. Wilson:
-Óptimo! Vemo-nos amanhã, então!
Brittany conteve o impulso de seguir Margarett e lutar contra ela, porem não o pôde fazer. A sua mãe despediu-se muito lentamente da costureira e quando deu por si as duas tinham prolongado a conversa e estavam entretidas nos mexericos. O seu sangue ferveu a partir daquele momento.
Na casa ao lado, David, já estava pronto para acompanhar Margarett. Ela esperava por ele no interior da casa, com as vistas cansadas e uma feição de desagrado. Tinha-lhe custado ir pedir a David para a acompanhar ao centro da cidade quase na hora de jantar, mas felizmente ele não hesitara nem um segundo. Pelo contrário, ficou animado. Tinha passado o dia todo a “trabalhar” para algo importante e a melhor forma de acabar o dia era com a sua melhor amiga.
-Vamos lá? – Perguntou, aparecendo da cozinha com duas sanduíches enormes nas mãos.
-O que é isso?
-Para o caso de não chegarmos a tempo do jantar!
Ela mordeu o lábio constrangida:
-Oh, David, a sério, não quero que percas o jantar por minha culpa. Se quiseres, eu vou sozinha…
-Nem pensar! – Ele passou o braço por cima dos ombros dela e acompanharam-se mutuamente até à porta de casa – Alem disso, hoje o jantar é peixe! – Ele fez uma careta azeda - Obrigada pela escapatória!
Ela sorriu, e quando viu o anoitecer, reparou que o carro das novas clientes ainda estava á porta da casa de David. Aproveitou o momento para explicar isso ao parceiro.
-Sabes, hoje a tua namorada veio á minha casa.
-Qual namorada?! – Inquiriu ele distraído.
Margarett mirou-o, pasmada.
-A Brittany!
-Ah! – Ele encarou-a e depois riu-se atrapalhado – Certo. O que é que ela queria?
-Um vestido. Aliás, é por isso que vamos a esta hora comprar panos. – Ela esfregou os olhos, por sinal de fraqueza – Parece que adivinhou. – Comentou, balançando as mãos enquanto ia pela rua deserta. - Eu a pensar que ia conseguir ter pelo menos dois dias para descansar e afinal se tiver um já vai ser muito…
David baixou o olhar com pena dela, e também porque se sentiu culpado com a situação. Ele sabia bem que Margarett estava esgotada, e que Brittany não era pêra doce, e decerto ia dar-lhe mais trabalho do que devia.
-Rett… - Chamou, captando a atenção dela – Não te preocupes. Amanhã tenho uma surpresa para ti.
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O próximo capitulo é melhor, eu acho, portanto... Não deixem de seguir!
bjokas!
Tambem por causa dessa minha preguiça, não me apeteceu reler o capitulo, por isso, se nao se importarem e virem coisas muito mal escritas, alertem-me!
Bem, este capitulo não é dos que mais gosto. é aborrecido e não se passa nada de especial!

Mas enfim, desfrutem!
Capitulo XIV - Escravidão
Drive – te levar
(Não sei porque é que na altura meti esta musica no capitulo, mas não perdem nada em ouvi-la porque até é gira!)
Drive – te levar
(Não sei porque é que na altura meti esta musica no capitulo, mas não perdem nada em ouvi-la porque até é gira!)
"Quando o trabalho é um prazer a vida é bela. Porém, quando é imposto a vida é uma escravidão."
(Máximo Gorki)
Daisy encolheu a barriga e esticou o peito para a frente. Sorriu perante o que viu. Depois, Ally e Janice imitaram-na em frente ao mesmo espelho:(Máximo Gorki)
-Acho que podes aumentar um pouco o decote. – Sugeriu Ally, puxando o tecido que lhe cobria o peito um pouco para baixo.
-Ok, eu arranjo isso.
Margarett pegou em alfinetes e com cuidado prendeu-os na seda delicada que cobria o corpo de Ally. Apesar de cansada sentia-se empolgada, afinal de contas, tinha visitas, mesmo que fossem de trabalho. Em cima da mesa tinha três pares de sapatos. Um vermelho, Um azul e um verde. Ao lado de cada par havia uma respectiva saqueta de plástico com botões, pérolas, fitas de cetim e adornos que iriam servir para criar modelos exclusivos e novos, para cada uma das raparigas. Margarett fizera questão de caprichar com elas.
Dorianne Wilson, na mesma sala, por sua vez mantinha-se curvada na máquina de costura com os óculos pendentes no seu nariz, enquanto tentava enfiar uma linha pelo buraco da agulha. Quando conseguiu carregou no pedal com força e o resultado foi positivo. Ainda assim, a produção de um novo vestido não lhe tirava a concentração da conversa entre a filha e as três jovens:
-Eu acho que esse decote chega. – Acautelou a mulher, tentando não ser rezingona.
Margarett revirou os olhos.
-Mãe, é um vestido de gala, porque não exagerar?
Mrs. Wilson espreitou-a pelo canto do olho, de cara feia. As outras três raparigas ignoraram a opinião da mais velha.
-Não queremos atiçar homens. – Murmurou a mais velha, provocante.
-Desculpe, Mrs. Wilson – Interveio Janice – mas não creio que tentarmos ser mais bonitas irá fazer-nos pecar. Quem peca, é quem olha!
As jovens abafaram um sorriso pelo comentário da morena, tentando controlar-se pelo facto de a dona da casa não ter gostado do comentário. Para alívio de todas, ela fez de conta que não ouviu e voltou a dar pedaladas na máquina, á medida que o tafetá castanho deslizava para trás.
Margarett prendeu o cabelo com uma tira de tecido apanhada do chão e com a tesoura, cortou um pedaço de renda para acrescentar ao vestido de Ally:
-Que achas, Ally? Penso que um pouco de renda vai desviar as atenções da cor do vestido e torna-lo mais jovem.
Ally olhou para si mesma. Ela havia dito a Margarett que a sua cor de eleição era o azul, no entanto estava apaixonada pelo vestido negro que ela lhe havia feito. Para compensar o tom, Margarett arranjou forma de conjuga-lo com o azul dos sapatos e da bolsa.
-Acho óptimo. Achas que amanhã está pronto?
-Hum… - A Loira entortou os lábios – Talvez á noite. Mas é melhor vires cá apenas depois. Alem disso, as pedras não se pregam sozinhas.
Ally sorriu:
-Ok, então. – Ela deu uma voltinha, entusiasmada – Mal posso esperar pelo baile!
Janice imitou o gesto:
-Já fizeste o teu vestido, Mag? Tenho a certeza que vai ser o mais bonito!
Margarett abriu a boca espantada consigo mesma e olhou em redor, para o resto de pano que sobrara, levando a mão á testa:
-Ora… Que distraída, eu nunca mais me lembrei do meu vestido.
Janice arregalou os olhos cor de avelã:
-Ora, Margarett. O David tinha razão, andas a trabalhar tanto que nem te lembras de ti!
Mrs Wilson olhou as quatro, como se a palavra “David” tivesse carregado um botão em si que lhe causou desconforto e antipatia:
-O David é um tolo. – Disse, para grande desagrado da filha, que a olhou furiosa – Tudo o que ele diz não passa de um exagero.
Daisy inclinou a cabeça:
-Nós sabemos que o David tem opiniões… - ela fez uma pausa para pensar – Peculiares! Mas ainda assim, concordo com ele no aspecto de a Margarett trabalhar demais. Passamos duas semanas sem a ver por culpa do trabalho. Acho que realmente é hora de ela libertar-se um pouco do emprego.
Emprego.
Margarett cerrou os dentes e os braços, frustrada. Aquilo não era um emprego. Afinal de contas ela nem sequer recebia salário pelo seu esforço. Isso revoltava-a. Saber que todos já se tinham apercebido do óbvio e de ela se fingir de idiota e continuar a trabalhar para a mãe.
-Ora, a Margarett conhece os seus deveres, e ela sabe que faltam poucos dias para o baile portanto não lhe custará nada ajudar-me em mais três vestidos… Para além dos vossos. Não é assim, querida?
Dorianne sorriu com cinismo e a filha acenou com a cabeça, como que obrigada.
Depois de as três saírem, ela ficou novamente fechada naquele quarto a fazer acabamentos perfeitos em vestidos igualmente perfeitos. Naquelas ultimas noites, para variar, Margarett finalmente começou a ceder aos caprichos do seu corpo e não se deixou ficar em frente aos carrinhos de linhas por mais horas do que a sua progenitora.
Subia as escadas, dava um banho, e colocava uma camisa de dormir leve e arejada, com o perfume a sabão. Depois, escovava os longos cabelos loiros e sentava-se á janela com os braços a servirem de almofada para o queixo.
Naquela noite, como nas últimas, ela olhou o céu, e depois respirou fundo:
-David…! – Chamou baixinho, para não acordar toda a rua.
Ele surgiu á janela tão rápido como se a sua vida dependesse disso:
-Hei! – Cumprimentou com cara de sono. Margarett deduziu que já devia estar prestes a adormecer, e sentiu-se mal com isso. – Terminaste cedo, hoje.
Ela sorriu e esfregou os olhos encovados:
-estou cansada. Além disso se a minha mãe já foi dormir, eu também devo ir dormir.
David confirmou com a cabeça e depois esfregou algo na t-shirt velha que envergava. Fez um sinal a Margarett e atirou-lhe algo da sua janela para o quarto dela.
Num impulso instintivo, ela levantou as mãos e segurou a peça de fruta vermelha e redonda, lustrosa e suculenta:
-Estás com cara de quem não jantou!
Margarett trincou a maçã e suspirou:
-Conheces-me tão bem. – Admitiu, humilhada – Não sei como o fazes. Gostava de fazer o mesmo contigo.
Ele deu de ombros:
-Mantém-te fiel ao que és. Nada mais me importa.
A loira abanou a cabeça, mas pouco soube dizer. Examinou aquela maçã encarnada e sorriu, recordando uma velha bola vermelha que acompanhara os dois nas brincadeiras de criança:
-sabes uma coisa? – Questionou retoricamente - Não perdi o jeito para jogar á bola. Tenho pena de já não jogar há anos!
David passou os dedos pelo cabelo desalinhado e depois riu-se em tom de graça:
-Não achas que jogar á bola é coisa de rapaz?
Ela abriu a boca, chocada com a posição machista do amigo. Atirou a maçã ao ar e no movimento seguinte lançou-a com força na direcção da cara de David. Ele desviou-se sem pensar e só teve tempo de ver a maçã mordida a rebolar no soalho do seu quarto.
-Nem penses! – Disse Margarett – Continuo a ser melhor atiradora do que tu!
David fez ar de desencanto:
-Não acredito que foste pisar a maçã apenas para te emancipar enquanto mulher forte!
A loira inclinou-se sobre a janela, com um trejeito provocador na cara:
-Isso é cobardia, David? Ainda te custa a admitir que eu te venço?
-Acho, sinceramente, que estás velha para estas brincadeiras, Rett!
-Se pensasse como tu, estaria caduca!
Ele riu-se, mafioso:
-Eu? Eu sou a juventude em pessoa! Um dia destes vamos ver quem se aguenta melhor das pernas!
-Pago para ver, David.
Ela sorriu e fechou a cortina do quarto. Deixou-se cair na cama, cansada, escutando um vago “Boa noite” vindo da casa ao lado.
David fechou a sua própria janela e sentou-se no seu leito comodamente. A sua atenção centrou-se na maçã lustrosa que continuava solitária no chão e uma recordação veio-lhe á memória. Sorriu para consigo e deitou-se para dormir.
Na manhã seguinte Eric apareceu na casa dos Paisen. Esticado no sofá da sala, ele esperava que David voltasse da cozinha.
Este apareceu em trajes menores e carregava um copo de leite na mão e uma t-shirt para vestir ao ombro:
-Acordaste cedo. – Comentou.
-Eh, não saí ontem á noite, portanto o meu sono está regulado. – Explicou o amigo.
David sentou-se ao lado dele no sofá:
-e então? O que fez o Jack desta vez?
Eric franziu o nariz, aborrecido:
-Bateu na Corine.
David abriu a boca, estupefacto. Corine era uma das parceiras de fugas nocturnas. Era uma rapariga enérgica e rebelde, mas no fundo era boa pessoa. Não costumava ter problemas com ninguém, apesar das suas manias. Namorava com Scott.
-O quê?! Porquê?!
Eric deu de ombros:
-A noite estava quente. Tem estado sempre. Fomos para perto do rio, e então o Jack desafiou-nos para dar um mergulho. Nus – completou - A maioria de nós recusou expor-se, e claro, ganhamos. Mas aí, o Jack estava a falar com a Corine. O Scott tinha ido buscar umas cervejas… - Eric olhou David nos olhos – Não sei se foi impressão minha, porque olhei de relance, mas pareceu-me ver que o Jack se meteu com ela… Tentou levantar-lhe a saia. E os botões da blusa dela estavam abertos. Ninguém se tinha apercebido, eles estavam atrás de umas árvores, mas quando eu fui buscar amendoins vi.
-O que fizeste?! – Interrompeu David.
-fiz de conta que não me apercebi de nada. Podia ser apenas a minha imaginação. Mas aí a Corine deu-lhe um encontrão e disse-lhe para ele se afastar dela. Ele ficou irritado e deu-lhe uma estalada na cara, com tanta força que todos nos apercebemos. O Scott apareceu nesse momento e quando dei por mim já estava envolvido na luta.
David arqueou a sobrancelha, espantado:
-Estás óptimo! – Disse, tentando achar algum arranhão.
Eric não achou piada ao comentário:
-Ainda bem que aquilo se passou. É o meu pretexto para não voltar a dar-me com o grupo. Aquilo já não tem piada. Ninguém deve ser obrigado a fazer o que não quer. Eu, o Scott e a Corine não fazemos mais parte do grupo. Eles decidiram sair da cidade por uns tempos, por isso o grupo está menor. Aliás, desde que deixaste de aparecer ele tem vindo a reduzir.
-Hum? Por minha culpa?
Eric assentiu:
-Como tu não vais, a Brittany também deixa de ir, e a Mary e a Kate também ficam mais vezes por casa. Como não vai a Kate, o John também não vai… E agora com o que aconteceu restam poucos lacaios ao Jack.
David sorriu e deu um gole no leite:
-É bem feito. É para provar que ele está a perder valor.
Eric calou-se. Tinha algo a dizer a respeito desse assunto, mas não sabia se era correcto afirma-lo. Levantou-se do sofá e olhou pela janela da sala, pensativo. Depois encarou David, alheio a problemas:
-Acho que ele te culpa por isso.
O moreno levantou os olhos até ao companheiro:
-A mim?
-Começaste isto tudo quando a Margarett chegou. No fundo acho que tinhas mais controlo no grupo do que o próprio “líder”. Bastou não ires que ficaram todos desregulados e como agora te dás com alguém como a Margarett, eles andam a olhar de outra maneira para as pessoas. Até eu.
David franziu o cenho:
-A Margarett não é diferente de nós. Ninguém é. Todos queremos liberdade. Quando conhecemos o Jack achávamos que ele era um sujeito liberal que não queria controlo. Mas ele fez o oposto. Ele tirou-nos a liberdade de conhecer pessoas normais como nós. Foi preciso ela vir de França para eu perceber que nada do que vivíamos com ele até hoje teve sentido. Era tudo fachada. – David pousou o copo vazio na mesa da sala.
Eric cruzou os braços e encostou-se á parede:
-Somos uns idiotas.
-Não mais. - David sorriu. - E isso lembra-me que tenho de preparar uma coisa para amanhã.
Eric viu o brilho dos olhos do dono da casa:
-O quê?
-Anda que já vês!
Enquanto isso, William saia da ourivesaria. Devia ter sido o primeiro a entrar nela logo que abriu. Levava uma caixa em forma de paralelepípedo num embrulho elaborado. Fora a sua mãe quem dera a sugestão.
Ele tinha estado poucas vezes com Margarett naquelas ultimsa semanas, mas das vezes que a vira, podia jurar que estava cada vez mais apaixonado por ela. O seu último encontro, porem, tinha sido menos agradável. Não esperava ouvir nem David nem ela a falarem coisas tão comprometedoras no Lili’s Diner. Mas aí ele tomou a decisão que era tempo de avançar. Se queria que Margarett se rendesse a ele, teria de ir directo ao assunto, e estava a preparar-se para isso. No baile de mascaras que se aproximava ele tencionava declarar-se. Já tinha idealizado tudo, e as hipóteses de ele falhar eram escassas.
Entrou em casa apressado e dirigiu-se logo para o seu quarto.
Lá, guardou o embrulho do ourives junto á mascara do baile.
Depois voltou a sair de casa e foi ter ao salão de bailes da cidade, onde Rick, Tom e mais alguns amigos se preparavam para decorar o espaço ás ordens de Mrs. Finkie.
Ali perto, na boutique de vestidos, eram Kate, Mary e Brittany que faziam a festa. Experimentavam vestidos e acessórios para o baile, o que gerava uma grande dor de cabeça á dona da loja.
-Não sei. – Disse Brittany, ensaiando um vestido púrpura – Parece-me simples demais!
Kate, por sua vez, não parava de alisar com as mãos o vestido que lhe escondia o corpo, animada com a escolha:
-Eu cá estou satisfeita. Acho que este é a minha cara.
Brittany analisou a amiga e concordou. Mas era preciso ver que Kate e Mary contentavam-se com pouco. Brittany por outro lado queria ser a rainha da festa. A mais bonita e brilhante. Para quê vestir-se como habitualmente se podia abusar?! Afinal era uma festa. Ela merecia pormenores e caprichos para estar bonita.
-desculpe – Chamou pela funcionária – Não tem algo mais ousado?!
A mulher semicerrou os olhos, irritada:
-A menina desculpe, mas já experimentou mais de dez vestidos e ainda não está satisfeita?! Minha cara, se quer algo mais elaborado, terá de mandar fazer!
Mary revirou os olhos e despiu o vestido amarelo:
-Nesta altura já não arranjamos costureira que nos faça um vestido bom! É muito em cima da hora!
Kate retirou o vestido também. Brittany então fez o mesmo. Já recompostas, as raparigas pegaram nos vestidos que lhe cabiam e colocaram sobre o balcão para que fossem embrulhados. Só Brittany não levou nada.
No entanto, mal pisaram a rua, Mary disse aquilo que quis dizer perante a provocação da mulher da boutique:
-Britt, ouvi falar de uma costureira muito ousada cá na zona! Talvez ela te faça um vestido!
Brittany olhou a outra loira:
-Quem?
-Mrs. Dorianne Wilson. – Britt semicerrou os olhos perante o nome. Mas na ocasião não conseguiu saber de onde lhe vinha a sensação de familiaridade – Acho que ela mora no bairro do David!
Kate sorriu:
-Ora aí tens um pretexto para o ver!
Brittany assentiu, animada:
-Tenho de ir lá o quanto antes!
Tal como disse, naquela mesma noite, Brittany, acompanhada pela sua mãe, Mrs. Wells, foram de carro para a casa da famosa costureira da cidade. Brittany surpreendeu-se quando a sua mãe estacionou o carro mesmo á frente da casa de David.
-É aqui?! – Questionou, chocada.
-Na casa ao lado! – Respondeu Mrs. Wells, apontando para a casa simétrica ao lar dos Paisen.
Brittany ajeitou o cabelo e humedeceu os lábios, e depois saiu do carro. Não fosse David aparecer á porta. A sua mãe fechou o automóvel e caminhou até á fachada da casa da costureira, seguida pela filha que estreitou os olhos ao reflectir sobre a família que avizinhava David. Abanou a cabeça, crendo que estava errada. Subiram as escadinhas que davam para a entrada, a mais velha encarregou-se de bater á porta. Esta abriu-se de rompante, como se os donos da casa esperassem alguém. No entanto, o motivo que levara a que a porta se abrisse tão rapidamente fora o facto de Margarett Wilson estar a despedir-se de Ally e outra cliente que tinham ido buscar os seus vestidos já prontos:
-Margarett, mal posso esperar para que chegue o baile! Até acho que vou guardar este vestido num cofre, é uma preciosidade! - Lisonjeou a mulher que saia porta fora com um grande embrulho nas mãos.
-Estará linda, Mrs. Snip! Vemo-nos lá!
-Adeus queridas!
Mal a figura se afastou, Margarett e Ally olharam para Brittany, em surpresa.
Mrs. Wells, sem se aperceber na troca fuzileira de olhares entre as três raparigas, deu um passo á frente, com um sorriso simpático no rosto:
-Boa Noite, querida, é aqui que trabalha a Mrs. Dorianne Wilson, costureira?
Margarett gaguejou:
-s-sim…!
-Podemos falar com ela?
Margarett engoliu a seco mas sorriu cordialmente e levantou um braço para mostrar a passagem às duas visitantes:
-Com certeza!
Ally, por sua vez, lançou um olhar a Margarett e desejou-lhe boa sorte para logo se despedirem e ela fechar a porta. Reparou que Brittany olhava em redor, curiosa, mascando uma chiclete de um modo irritante com um ar de desdém. A sua mãe, por outro lado, parecia mais calma e esperou que Margarett as guiasse para o ateliê de costura.
-Mãe, tem visitas!
Mrs. Wilson, que cosia uma manga cor-de-laranja num vestido florido, parou o que fazia para encarar as duas mulheres que entraram no seu lar.
-Boa noite. - Cumprimentou, levantando-se da cadeira da máquina de costura.
-Boa noite, Mrs Wilson. Sou a Loretta Wells. Eu e a minha filha ouvimos falar muito bem do seu trabalho.
Dorianne sorriu envergonhada:
-Oh, obrigada. Em que posso ser útil?
Margarett teve uma vaga ideia do porquê da visita por isso fez figas atrás das costas, desesperada.
-Bom, vim cá para saber se a senhora tem disponibilidade para fazer um vestido de gala para a minha filha Brittany.
Margarett sentiu-se desvanecer com a questão, e deixou-se sentar no banco onde anteriormente pregada pérolas na finalização de um vestido. Brittany encarou-a e fez uma bola com a chiclete, para logo depois voltar a mascar como um ser ruminante. Deu pequenos passos pela salinha e analisou os vestidos que assentavam nos manequins. Admitiu que eram lindíssimos, sobretudo os seus pormenores.
-Para quando? – Perguntou Mrs. Wilson, agarrando na sua agenda.
-Bom, para o baile de Mrs. Finkie, no próximo fim-de-semana!
Margarett levantou-se, sobressaltada:
-Mas isso é daqui a quatro dias!
-Eu sei. – Lamentou Mrs. Wells. Margarett considerou-a uma boa pessoa apesar de tudo - Peço imensas desculpas por vir tão tarde, mas a principio íamos comprar um vestido numa boutique, só que a minha querida filhota é tão esquisita que tivemos mesmo de arriscar vir á costureira mais popular da cidade.
Mrs. Wilson sorriu outra vez perante o elogio:
-Certamente conseguimos fazer algo, não é, Margarett?
A respiração da jovem acelerou, em tamanho desespero. Não poderia concordar, estava prestes a ter um esgotamento nervoso com tanto trabalho:
-Mas mãe, eu não consigo mais…
Brittany franziu o cenho. Não gostava de Margarett, nunca gostara, portanto qualquer afronta, por mais pequena que fosse, era motivo para meter-se com a caniche francesa. Abriu a boca, em tamanho espalhafato e levou as mãos ao peito, armada em vítima:
-Tu não queres fazer um vestido por ser para mim, é isso?!
Margarett descolou os beiços e esfregou as têmporas com as pontas dos dedos finos:
-Claro que não é isso. – Esclareceu, cansada. Sentiu uma pontada de ódio violento dentro de si. Se não fosse uma rapariga educada arrancava os cabelos de Brittany ali mesmo – Mas ainda temos de terminar três vestidos e iniciar outro!
-Ora Margarett – Mrs. Wilson abanou a cabeça -, os três vestidos estão terminados hoje sem falta. Já só falta mesmo colocar o tule e as mangas. E amanha temos o dia todo para começar a fazer o último vestido!
Mrs. Wells esboçou um trejeito simpático e a filha sorriu-lhe de volta, animada.
-Então pode fazer?
-Será um prazer! Amanhã mesmo começamos a fazê-lo também!
Margarett choramingou baixinho, frustrada. Apetecia-lhe gritar e chorar, mas conteve-se e foi buscar o seu caderno de esboços a mando da “patroa”. Pegou nos lápis de cor e sentou-se na cadeira. Se não tivesse sido tão caro, rasgava o caderno todo para não ter de desenhar aquele vestido.
-Muito bem, tens alguma ideia de como queres o teu vestido, querida? – Inquiriu a sua mãe.
-Hum… Quero muitos folhos e muito volume!
Margarett revirou os olhos e interrompeu-a:
-Que tons queres?
-Tons pastel! Rosas, Salmões, beges…!
-Muito bem! – Interrompeu, saturada – Queres aplicações?
-Que tipo de aplicações?
Margarett suspirou e olhou-a sem entusiasmos:
-Pedras brilhantes, pérolas, bainhas rendadas, mangas de…
-Sim, sim! – Apressou-se a exclamar a outra batendo palmas – Algo bastante pormenorizado!
As adultas sorriram pelo entusiasmo da bela jovem. Parecia que apenas Margarett não estava a gostar da situação. De facto, ela estava mortinha para se fechar no seu quarto e não fazer mais vestido nenhum, mas seria impossível. Ela terminou o esboço de um vestido e mostrou-o a Brittany, para que o aprovasse.
Esta estava desejosa de encontrar um defeito para provocar o “bicho-da-seda”, mas ficou boquiaberta ao ver que ela desenhara exactamente aquilo que ela tinha imaginado. Suspirou derrotada e sorriu, forçada:
-Está óptimo!
-é realmente muito bonito! – Concordou Mrs. Wells – Podias ser estilista, doçura!
-E tenciono sê-lo, Mrs. Wells. – Margarett levantou-se do banco e sem sorrir uma única vez, foi ao cabide e pegou num casaco fino, o qual vestiu. - Continuarei os meus estudos e vou formar-se em moda.
-Mas que bem! Tens um bom futuro pela frente.
-Obrigada pela opinião, minha senhora.
Dirigiu-se á gaveta onde a mãe guardava o dinheiro dos vestidos e pegou numa boa quantia que passou para o seu porta-moedas.
Mrs. Wilson aproveitou o momento para apontar na sua agenda o prazo da encomenda:
-Ora, podem vir prová-lo amanha á noite. Em princípio no sábado de manha já estará pronto.
-E o tecido?
Margarett rangeu os dentes com um ódio tremendo do trabalho que Brittany lhe vinha dar. Parecia que ela tinha feito de propósito para fazer com que a sua vida fosse uma real escravidão.
-Vou comprá-lo agora mesmo.
A sua mãe cruzou os braços:
-Agora? É um pouco tarde e o teu pai ainda não chegou para te acompanhar.
-Não há problema. – Ela abriu um sorriso cínico. Viu ali a sua oportunidade de aborrecer Brittany – O David vem comigo!
A loira raivosa cerrou os punhos enquanto corava de ciúmes.
-Não quero que vás com o David para a rua a esta hora! – Protestou a progenitora.
-Prefere que eu vá sozinha? É perigoso, alem disso – Ela ergueu o queixo e sorriu discretamente -, o David e eu somos unha com carne!
Mrs. Wilson bateu o pé, mas não viu forma de refutar:
-Muito bem. Mas espero bem que se portem com juízo e voltem depressa.
-Como queira, mãe! Vou andando!
Margarett dirigiu-se para a saída de casa e bateu a porta mal saiu.
Mrs. Wells sorriu para Mrs. Wilson:
-Óptimo! Vemo-nos amanhã, então!
Brittany conteve o impulso de seguir Margarett e lutar contra ela, porem não o pôde fazer. A sua mãe despediu-se muito lentamente da costureira e quando deu por si as duas tinham prolongado a conversa e estavam entretidas nos mexericos. O seu sangue ferveu a partir daquele momento.
Na casa ao lado, David, já estava pronto para acompanhar Margarett. Ela esperava por ele no interior da casa, com as vistas cansadas e uma feição de desagrado. Tinha-lhe custado ir pedir a David para a acompanhar ao centro da cidade quase na hora de jantar, mas felizmente ele não hesitara nem um segundo. Pelo contrário, ficou animado. Tinha passado o dia todo a “trabalhar” para algo importante e a melhor forma de acabar o dia era com a sua melhor amiga.
-Vamos lá? – Perguntou, aparecendo da cozinha com duas sanduíches enormes nas mãos.
-O que é isso?
-Para o caso de não chegarmos a tempo do jantar!
Ela mordeu o lábio constrangida:
-Oh, David, a sério, não quero que percas o jantar por minha culpa. Se quiseres, eu vou sozinha…
-Nem pensar! – Ele passou o braço por cima dos ombros dela e acompanharam-se mutuamente até à porta de casa – Alem disso, hoje o jantar é peixe! – Ele fez uma careta azeda - Obrigada pela escapatória!
Ela sorriu, e quando viu o anoitecer, reparou que o carro das novas clientes ainda estava á porta da casa de David. Aproveitou o momento para explicar isso ao parceiro.
-Sabes, hoje a tua namorada veio á minha casa.
-Qual namorada?! – Inquiriu ele distraído.
Margarett mirou-o, pasmada.
-A Brittany!
-Ah! – Ele encarou-a e depois riu-se atrapalhado – Certo. O que é que ela queria?
-Um vestido. Aliás, é por isso que vamos a esta hora comprar panos. – Ela esfregou os olhos, por sinal de fraqueza – Parece que adivinhou. – Comentou, balançando as mãos enquanto ia pela rua deserta. - Eu a pensar que ia conseguir ter pelo menos dois dias para descansar e afinal se tiver um já vai ser muito…
David baixou o olhar com pena dela, e também porque se sentiu culpado com a situação. Ele sabia bem que Margarett estava esgotada, e que Brittany não era pêra doce, e decerto ia dar-lhe mais trabalho do que devia.
-Rett… - Chamou, captando a atenção dela – Não te preocupes. Amanhã tenho uma surpresa para ti.
-----
O próximo capitulo é melhor, eu acho, portanto... Não deixem de seguir!

bjokas!
as minhas fic's:
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
-Angelical
Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
-Angelical
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Ai, que grande raiva que tenho daquelas duas. A Britt para mim faz-me lembrar um caniche emproado com nariz empinado e ar de quem é uma total bitch! MORTE!!! Queimemo-la na fogueira por ser tão caprichosa e cabritinha 
Já a mãe... a sério, aquela mulher já me irrita. Ajudar a mãe é uma coisa. Outra é escravizar a própria filha. Sorte a da Rett que o David não a deixa inanimada. Aliás, o que será que ele planeia? Esta surpresa parece interessante
As noticias que o Eric deu não me agradaram. Espero que o Jack não seja um problema. É que, se assim for, serão 4 antagonistas, caraças! Tu queres matar a Maggie e o David? É que pareces tentada com tanta coisa a acontecer.
Quero o próximo capítulo bem cedo (possivelmente sabado). Fiquei super empolgada pela surpresa que o David tem para a Maggie e quero vê-la cedo.
Diz-me o preço e eu pago-te (nem que tenha que postar dois capítulos seguidos no sabado)

Já a mãe... a sério, aquela mulher já me irrita. Ajudar a mãe é uma coisa. Outra é escravizar a própria filha. Sorte a da Rett que o David não a deixa inanimada. Aliás, o que será que ele planeia? Esta surpresa parece interessante

As noticias que o Eric deu não me agradaram. Espero que o Jack não seja um problema. É que, se assim for, serão 4 antagonistas, caraças! Tu queres matar a Maggie e o David? É que pareces tentada com tanta coisa a acontecer.
Quero o próximo capítulo bem cedo (possivelmente sabado). Fiquei super empolgada pela surpresa que o David tem para a Maggie e quero vê-la cedo.
Diz-me o preço e eu pago-te (nem que tenha que postar dois capítulos seguidos no sabado)

Espero por ti em cada segundo , porque tu és o meu mundo!

Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
Visitem a minha 1ª Fic ----->The Four elements

Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
Visitem a minha 1ª Fic ----->The Four elements
Humm, proposta aliciante! Muhahahaha!
4 antagonistas? Espera quem é o quarto? (a fic é minh, mas eu realmente estou a contar e só me lembro de 3 o.O)
Eu gosto do próximo capitulo!
espero que vocês tambem gostem, mas até lá não revelo nada! Podem é palpitar!
Ou não! Vamos que ainda acertam! Perde a piada toda! 
4 antagonistas? Espera quem é o quarto? (a fic é minh, mas eu realmente estou a contar e só me lembro de 3 o.O)
Eu gosto do próximo capitulo!
espero que vocês tambem gostem, mas até lá não revelo nada! Podem é palpitar!
Ou não! Vamos que ainda acertam! Perde a piada toda! 
as minhas fic's:
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
-Angelical
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Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^
Há 3, sim. Mas eu queria dizer para não pores o Jack como 4, que isso era gente a mais a chatear o casalinho 
E quando vem esse novo capítulo, hum? Pores-te ai a comentar que gostas do capitulo e bla bla bla, é apenas para torturares a tuas fieis leitoras (sacana
). Isso não se faz. Eu pelo menos não faço isso (ai que mentirosa, bora fingir que eu não disse isto
)

E quando vem esse novo capítulo, hum? Pores-te ai a comentar que gostas do capitulo e bla bla bla, é apenas para torturares a tuas fieis leitoras (sacana
). Isso não se faz. Eu pelo menos não faço isso (ai que mentirosa, bora fingir que eu não disse isto
)
Espero por ti em cada segundo , porque tu és o meu mundo!

Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
Visitem a minha 1ª Fic ----->The Four elements

Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
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lulumoon!
Tenho vindo a acompanhar as tuas fics desde o início da semana. Estive a seleccionar uma lista de fics para ler, e por acaso, as tuas calharam lá, e lias pela ordem que as escreves-te.
Adoro bastante a tua maneira de escrever. (acho que ganhas-te uma fã) .
Espero ansiosa pelo próximo capítulo! Quero mesmo saber qual é a surpresa que o David tem.
Tenho vindo a acompanhar as tuas fics desde o início da semana. Estive a seleccionar uma lista de fics para ler, e por acaso, as tuas calharam lá, e lias pela ordem que as escreves-te.

Adoro bastante a tua maneira de escrever. (acho que ganhas-te uma fã) .
Espero ansiosa pelo próximo capítulo! Quero mesmo saber qual é a surpresa que o David tem.

Obrigada pelo comentário Titinha.
Novo capitulo. Não tenho muito a dizer porque fui colocada na Covilhã e nem sei se rio ou se choro pela noticia.
' Ainda estou a tentar processar a informação.
Enfim, gosto da musica do capitulo.
'
Margarett encarava o espelho; admirava a pessoa que se reflectia nele.
Faltava cerca de meia hora para o sol nascer, mas ela já se encontrava completamente vestida e pronta para sair de casa, ainda que não se encontrasse com as roupas que geralmente envergava. Naquela madrugada não havia nenhuma saia de seda, nenhuma blusa de cetim, nem nenhum vestido de renda. Era estranho. Como se em vez de uma jovem, o espelho reflectisse uma criança grande. O cabelo abandonara os caracóis perfeitos e tinha uma trança lateral. E tudo que lhe cobria o corpo era uma T-shirt larga e deslavada, castanha, presa por dentro de uns calções cor-de-laranja que lhe chegavam até meio da coxa nua. Ela não sabia ao certo o que estava a fazer. Esperava um sinal, apenas.
Parou de olhar para o espelho e vagueou pelo quarto, balançando os braços caídos, impaciente como uma criança. Na verdade ela sentia-se mais infantil naquela manhã, quer física, quer psicologicamente.
Deu por si a saltar quando escutou um assobio vindo do exterior. Rapidamente, pegou num bilhete que escrevera durante a espera e colou-o no seu espelho, para logo a seguir sair do quarto. Com descrição e cautela, desceu as escadas lentamente, tentando que elas não rangessem, até chegar ao hall de entrada descalça. Calçou umas sapatilhas velhas e rotas, que não utilizava há anos, mas que David insistira. Pegou nas chaves de casa e saiu para o exterior ainda escuro, batendo a porta com o máximo de leveza que conseguiu.
Quando se voltou para o passeio de sua casa sorriu incrédula. David, com o queixo apoiado no corrimão de pedra das pequenas escadas da fachada da casa dos Wilson, olhava-a fixamente com um sorriso enviesado na cara. Margarett interpretou-o com um sinal de troça, todavia era tudo menos isso. Era encanto, acima de tudo, por ver a melhor amiga a assemelhar-se à criança que outrora fora, criança essa que ele amou e amava acima de tudo.
-Bela T-shirt! – Disse ela, olhando para a camisola azul suja com nódoas que David envergava.
-Obrigado! – Ele desencostou-se do corrimão e colocou um boné vermelho na cabeça, com a pala virada para trás, tal como fazia quando tinha 12 anos – Belas pernas, já agora!
Margarett corou e virou a cara para a rua, fingindo-se indiferente ao assunto:
-Foste tu quem pediu para eu vestir calções! Se as pernas de palito te incomodam, então não olhes!
-Mas eu tenho de olhar. – Discodou ele – Não há vestígios de palitos agora.
Mag corou. De facto as suas pernas tinham evoluído. Até eram bonitas agora, mais carnudas e lisas.
David oanalisou-as e corou, mas não de vergonha:
-Espero, sinceramente, que ninguém te veja!
Margarett estreitou as sobrancelhas aparvalhadamente:
-Ora essa, porquê?!
-Tens umas pernas jeitosas, não vá algum idiota atirar-se a ti!
Margarett riu-se, sem entender que aquilo não fora uma piada. David estava sério, afinal de contas, o que disse era verdade e não suportaria ver ninguém a arrastar asa para cima da sua Rett.
-Agora explica-me – Pediu ela, caminhando ao lado dele á medida que o céu ficava claro – Porque tivemos de acordar tão cedo?
-Para relaxares! – Respondeu ele, sorridente.
Ele abafou um riso sarcástico:
-Acordar-me mais cedo depois de semanas de trabalho árduo realmente é uma grande ajuda, David. Obrigadinha!
-Podes dormir o dia inteiro se quiseres, mas eu vou estar ao teu lado, para me garantir que descansas.
Eles olharam-se num minuto intenso. Margarett admirada com o que ele dissera e ele simplesmente com um olhar sincero.
-Por outro lado – continuou -, podes divertir-te em nome dos bons velhos tempos!
A loira segurou a trança e sorriu, desentendida, encarando-o curiosa:
-Como assim?
-Jogar á bola, jogar á apanhada, nadar, trepar as árvores…, - Ele deu de ombros, sem continuar – Faremos o que tu quiseres!
Margarett olhou o chão, sorrindo sem levar as palavras de David a sério. Apesar de ser uma proposta interessante, sabia que ele não faria isso. Levava-a a algum lugar, era a única coisa que ela tinha como certo:
-David, onde me levas?
Ele deu-lhe a mão e puxou-a, transformando leves passos numa corrida divertida pelas ruas mais breves da cidade. Passaram por becos e congostas e pelas ruas que despertavam entretanto para um novo dia, á medida que o sol começava a surgir vindo de Este. Quando David começou a abrandar, Margarett analisou o local onde se encontravam. Uma fonte pequena jorrava água potável onde certa vez Margarett havia limpado a ferida de David. Ambos beberam um pouco dela, saciando a sede que a corrida lhes causara.
-Chegamos, Mag. – Declarou David, chapinhando-a com água propositadamente.
Ela pestanejou, rindo, e limpou a pele alva para depois olhar em redor:
-Chegamos? – Questionou, desiludida, não vendo nada mais do que uma rua com casas e uma fonte.
-Segue-me!
O jovem caminhou até um portão de grade ferrugenta, coberto de heras e silvas, e empurrou-o com força apenas conseguindo afasta-lo um pouco, porem o suficiente para que tanto ele como a parceira conseguissem passar:
-Isto tem estado intacto há anos. De vez em quando vinha cá, mas perdi o hábito entretanto. Tenho a certeza que ainda te lembras do nosso lugar secreto.
Margarett abriu a boca assim que observou o jardim coberto de folhas velhas, com um chafariz seco no centro. Mal percorreu o local com o olhar, deparou-se com a majestosa casa que ela e David fizeram questão de explorar quando eram jovens:
-Não acredito David. Está exactamente igual! Já não me lembrava deste sítio.
Ele deixou-se ficar para trás com um pequeno sorriso no rosto, vendo-a a caminhar encantada para perto do recinto deserto. Pequenas borboletas voaram dentro de si, fazendo o seu rosto firme ganhar um tom mais rosado do que o habitual.
David abanou a cabeça incomodado e caminhou atrás de Margarett, até alcança-la:
-Sabia que ias gostar.
Ela sorriu e correu para a fachada do casarão. Subiu as escadas de calcário sujas até alcançar a porta de entrada. Empurrou-a para testar se ainda se abria, e sorriu ao ver o interior escuro da mansão.
-É seguro?
Ele aprovou, dando-lhe um empurrão pelas costas de modo a que Margarett entrasse na casa.
Já lá dentro ele penetrou na sala à direita e dirigiu-se á janela para afastar os longos cortinados de veludo e deixar que a aurora tomasse conta do espaço interior. Iluminou uma lareira rodeada por sofás, com tapeçarias poeirentas mas bonitas no chão. Havia uma mesa comprida e armários de loiças, e as paredes enfeitadas com pinturas de paisagens e um candelabro pesado pendurado no tecto.
Margarett avançou, braços rentes ao corpo, e o seu olhar incidiu nas pedras brilhantes que pendiam no candelabro e reluziam todas as sete cores do arco-íris nas paredes com a ajuda do sol do amanhecer. Aproximou-se de David, que se mantinha virado de costas para ela atento em pormenores básicos de um armário, e sem ele estar é espera encostou a sua cabeça às costas dele, com as mãos apoiadas nas seus ombros largos:
-Obrigada David…
Ele voltou a sentir-se quente com o toque dela, todavia superou-se e voltou-se na direcção da amiga, para lhe beijar a testa com ternura:
-Vamos lá acima!
David deu a mão a Margarett e puxou-a consigo até ao hall, onde começavam as escadarias. O segundo e o quarto degrau estavam podres e quebrados, pelo que os dois tiveram de ser rápidos e cautelosos ao subir as escadas.
No topo, um corredor perpendicular ao último lance de escadas mostrava portas iguais que paralelamente iam dar até uma grande janela com vista para a lateral direita do exterior da casa.
David tencionava entrar no primeiro quarto, mas foi surpreendido quando Margarett percorreu o corredor até à grande janela e abriu as portadas de madeira, deixando o ar fresco da manhã entrar. Só aí ambos se aperceberam que havia uma varanda ali, pelo que, David colocou um pé para ver se era segura. Margarett não esperou e avançou para o exterior. Pousou as suas mãos sobre o mármore pálido, enegrecido pelo tempo, e observou o grande jardim:
-Nossa, David! Não sabia da existência daquele lago. – Disse, apontando para além.
David chegou-se mais a ela e depois levou a sua visão ao horizonte. Procurou o que ela lhe mostrava e depressa se deparou com águas esverdeadas numa área do outro lado de um muro antigo que cercava a propriedade da mansão. Tudo o resto daquele lado era floresta, com excepção do enorme espelho de água deserto.
-Tem graça. Também não conhecia aquele sítio.
Margarett vincou o sobrolho, sorrindo para David:
-Podemos ir lá, David?
-Agora?
Ela afirmou com a cabeça e voltou a entrar no interior da casa em passos acelerados. Aproveitou a viagem e foi abrindo todas as portas que se seguiam, deixando-as abertas á medida que avançava. David encarregou-se de espreitar o interior de cada compartimento, mas sem parar de seguir a amiga. Os dois desceram as escadarias e saíram para o exterior.
-David! Apanha-me! – Gritou-lhe Margarett, atiçando-o para um jogo da apanhada.
David desenhou um trejeito maroto e correu atrás dela. Voltas e mais voltas, apanhou-a e voltou a apanha-la. Mas não se sabia ao certo se o mérito era só dele, ou se o interior mais profundo de Margarett a fazia deixar-se apanhar pelos braços do amigo. Sentia o coração rápido de cada vez que ele a envolvia, roubando qualquer folga entre os dois corpos mas, estranhamente, mesmo depois de se conseguir libertar, sentia a necessidade inquietante de voltar a ficar presa contra o peito rijo a inalar somente o odor que aquele corpo másculo emancipava.
David, a dada altura entrelaçou as suas mãos com as dela e sorriu-lhe ao fitar os olhos azuis como o céu. Ela corou, e por momentos não o quis encarar, mas o seu inconsciente levou a que o olhasse profundamente e que entendesse o quão bonitos uns olhos castanhos podiam ser. Mal ouviu o que ele disse, porém quando ele correu para as traseiras da casa puxando-a a reboque, ela entendeu que iam ter ao local que ela lhe pedira para ver há minutos atrás.
A única coisa que separava o terreno da casa com a mata por trás dela era um muro com cerca de dois metros. Felizmente, não era difícil atravessá-lo. Havia pedras que estavam mais salientes e heras para se agarrarem. David cedeu passagem a Margarett e ajudou-a a subir o muro. Depois subiu ele e sentou-se ao lado da jovem que se mantivera imóvel quando chegou ao topo da barreira de pedra.
-O que foi Mag?
Ela olhou-o calmamente, sorriu-lhe e depois voltou a admirar a paisagem:
-É lindo.
Ele admirou o lago que parecia ter triplicado de tamanho. As árvores verdes estavam reflectidas nele, assim como o céu e as nuvens. Tudo parecia simples e belo sob aquele ponto de vista, e mais que isso, era calmo e não havia agitação humana que vencesse a beleza da natureza. Num suspiro breve rodou os olhos na direcção de Margarett e admiravelmente os pensamentos foram os mesmos. Voltou a ousar segurar-lhe a mão delicada, apenas picada por agulhas finas, e esperou que ela o encarasse de volta. Demorou mais tempo do que ele esperava, como se ela tivesse achado o acto digno de ser absorvido, e só depois ela o visionou com um brilho leve no olhar:
-Vamos? – Perguntou ele vendo o seu reflexo no outro lago que existia na cara dela.
-Não sei. Será perigoso?
Ele deu de ombros sem saber a resposta, mas Margarett confiou nele e esperou que saltasse para depois se lançar também.
Os dois aproximaram-se do lago e, com um pau, David mediu a profundidade da margem. Descalçou-se e entrou com os pés para dentro do lago, continuando a medi-lo a cada passo que dava. Deduziu que não era suficientemente perigoso para que não se pudesse nadar nele e repentinamnete mergulhou de cabeça, com a roupa vestida.
Margarett deu um gritinho mudo com o susto, mas quando David voltou à tona ela aliviou-se e sorriu:
-Rett, vem!
-Vou ficar encharcada! – Combateu.
-Não importa! Onde está a tua coragem?
Ele chapinhou a água do lado, salpicando a roupa dela.
-Pensei que fosses mais destemida, Wilson!
Margarett olhou-o zangada com o desafio e procurou uma boa árvore:
-Não perdes pela demora, Paisen!
David deu umas braçadas de costas e gargalhou alto:
-Então porque ainda estás aí?
Margarett trepou uma árvore de ramos baixos que ficavam suspensos bem em cima da água. Esperou que David nadasse até àquele ponto para o surpreender:
-Gosto de fazer entradas em grande! – Exclamou – Aqui vou eu!
O grito só foi abafado quando o corpo perfurou a água e criou uma avalanche cristalina.
David riu-se surpreendido com a vivacidade da parceira e esperou que ela viesse à superfície. Procurou em redor por ela e por momentos o seu coração falhou por não vê-la. Sentiu o desespero a entranhar-se em si e chamou-a, procurando na água:
-Rett! Rett, onde estás?! Não brinques comigo!
Outra vez sentiu a pontada no peito e por momentos podia jurar que ia ficar sem ar, se não tivesse sentido a sua cabeça a afundar na água sob a pressão de duas mãos. O alívio fez o seu corpo relaxar e em vingança agarrou a perna de Margarett e fê-la afundar também no lago. Começou ali uma luta de gotas transparentes e sem darem por isso o tempo começou a voar para os dois. Deviam ser quase 11horas da manhã quando fizeram uma corrida para ver quem saia primeiro do lago. Margarett ganhou. O corpo esbelto ajudava a mover-se na água, e depois disso, agarraram no calçado e treparam o muro para voltar á área da casa.
Correram os dois para o interior, chapinhando tudo o que era solo, e subiram as escadas com alguma cautela. David conduziu Margarett ao primeiro quarto da casa, abrindo a porta para que ambos entrassem. Ela petrificou nesse momento.
Olhou as quatro paredes, a cama de dossel e o tocador de madeira com caixinhas de jóias em cima.
-David, este quarto…!?
Ele sorriu-lhe, e molhou a porta ao encostar-se a ela:
-Ainda te lembras, hã?
-Ainda tenho a escova dourada que levei daqui! – Confirmou ela, agarrando nos pertences que estavam sobre a cómoda – O nosso sítio secreto, certo?
David acenou e aproximou-se atrás dela, para lhe completar o raciocínio:
-Onde podemos ser nós mesmos e não ter regras. Ninguém para nos julgar.
Ele sorriu quando Margarett se virou na direcção dele, mordendo os lábios perante aquelas palavras. Subitamente, ela abraçou-se a David. Fez força quanto podia para mantê-lo colado a ela. Não sabia porquê, mas ela queria isso e tal como ele acabara de lhe dizer, não havia ninguém para impedi-la de fazer fosse o que fosse. Não se apercebeu, todavia, do tom escarlate que o rosto dele adquiriu.
David não pode controlar esse facto. Sentir o corpo dela contra o dele, sem espaço algum, de roupa molhada e sem ninguém por perto. Sentiu o seu corpo a querer reagir mas conteve-se por respeito a ela. Não queria ser louco com Margarett.
Mas era difícil.
O cheiro dela invadia-lhe as narinas, um cheiro doce e aliciante. Sentia as coxas dela contra os contornos mais sensíveis do seu corpo e a água fria tinha deixado os seus seios mais rijos por baixo da T-shirt molhada, e nem o soutien era capaz de criar barreira entre os dois corpos. Ele sentiu-se a enlouquecer por dentro e talvez também por fora, deduziu. Uma súbita vontade de possuí-la. Agarrou-a pela cintura com força e, num acto quase louco, empurrou-a contra o tocador, derrubando velhos objectos. Ela ficou sentada no tampo daquele móvel, com David ainda unido a si. Margarett afastou o rosto do seu ombro e olhou-o com veemência, substituindo logo esse fervor por desconforto. Não soube o que dizer. David também não, mas agiu com o máximo de esforço dada a circunstancia e afastou-se dela, cedendo espaço entre os dois:
-Tira a roupa!
Margarett franziu as sobrancelhas ao que David reagiu atrapalhado:
-Quero dizer, há roupas naquele armário, para te trocares. – Explicou com vergonha – Podes ficar constipada.
Ela acenou e passou a visão desde ele até ao chão:
-Está bem... E tu?
David virou-lhe costas corado e mordeu a mão antes de encará-la por cima do ombro:
-Acho que há um quarto ao lado com um armário de roupa que talvez me sirva. Eu vou procurar. Encontramo-nos lá em baixo quando estiveres pronta.
Ela apenas confirmou num abanar de crânio e ele saiu do quarto, batendo a porta.
Margarett levou a mão ao peito e suspirou com dificuldade. Sentiu o seu coração a bater a um ritmo que parecia perigoso. Deu por si ainda em cima do tocador e um leve arrepio atacou o seu corpo desde a ponta do pé, até ao fio de cabelo mais longo.
Colocou os pés no chão e esfregou os braços. Era a roupa molhada. Tinha que ser o frio por estar molhada, tentou convencer-se.
Era inútil ainda assim. Ainda conseguia sentir as mãos de David a empurrá-la contra o espelho do tocador e aquela sensação era tudo menos frio.
Ela puxou o seu próprio cabelo e abanou a cabeça, para se esquecer disso. Foi em direcção ao velho armário e abriu-o. Recordava-se de todos aqueles vestidos e dos sapatos que outrora experimentara sem sucesso. Na altura não lhe serviam por ser criança.
Ela pegou num par, o mais baixo que havia. Depois procurou um vestido que servisse para se aguentar enquanto a sua roupa não secasse. Retirou a roupa com vontade e jogou-a no chão. Estava quente, mas não se deixou ficar nua por muito tempo. Vestiu o vestido lilás à moda dos anos 20 e depois de calçar os sapatos, desfez a trança mais desfeita do que feita e penteou o cabelo com os dedos para ir ter ao piso inferior, onde David já a esperava vestido com um fato que lhe ficava, no mínimo, interessante.
Ele esforçou-se por sorrir-lhe ao vê-la a saltar pares de escadas partidas:
-Vamos comer qualquer coisa? – Perguntou-lhe, fingindo estar tudo bem.
Ela primeiro engoliu a seco, mas logo concordou.
-O que vamos comer?
-Sanduíches?
Ela acentiu e saltou o último degrau para o acompanhar para o exterior da casa.
Sentaram-se junto ao chafariz seco, como na última vez que haviam estado ali.
David ofereceu-lhe uma sanduíche e ela aproveitou o momento para examinar a roupa dele:
-Estás ridículo! Pareces o meu avô quando era mais novo!
David deu-lhe uma cotovelada:
-Tu pareces uma dançarina de Charleston.
Ela riu-se:
-Isso não é tão ofensivo quanto julgas.
-Eu sei… - Murmurou ele entre dentes, voltando a corar.
Nenhum disse mais nada. Comeram em silêncio, debaixo de uma sinfonia natural criada pelos pássaros.
Depois ficaram ali encostados, alheios nos seus pensamentos mais íntimos.
David não soube ao certo quanto tempo ficaram calados, mas devia ter sido bastante tempo porque quando finalmente olhou Margarett, ela tinha adormecido com a cabeça apoiada na pedra do chafariz. Por outro lado lembrou-se que ela andava cansada há bastantes dias e talvez as forças tivessem chegado ao fim depois de passarem a manhã em cansativas braçadas aquáticas.
Manteve-se a olha-la algum tempo, serena como o próprio ar. Reflectiu sobre o que ia fazendo naquele quarto e trincou a própria bochecha com força como castigo. Nesse momento a sua vida toda passou-lhe á frente dos olhos. Recordou a melhor amiga que conheceu em criança e comparou-a à pessoa que estava ao seu lado, com quem estivera de relacionamento cortado durante algumas semanas por culpa das diferenças que agora eram nítidas entre os dois. Ainda assim, apercebeu-se que não conseguia estar afastado dela e que não era capaz de odiar aquilo que ele achava serem os defeitos dela.
Suspirou.
Viu-a a contorcer ligeiramente o pescoço, desconfortável, e decidiu que devia ajuda-la.
Com cuidado para não a acordar, pegou-a ao colo e com menos esforço do que estava à espera, levou-a para o interior da casa, para o mesmo quarto onde tinham estado. Ao abrir a porta as roupas dela sobressaiam-se no chão. Ele deitou-a no colchão mole e depois apanhou-as, arrepiando-se quando lhe apanhou o soutien. Pousou tudo numa poltrona e cobriu-a com um lençol velho que já tinha sacudido á janela. Depois hesitou. Não sabia se deveria sair dali ou se ficava.
Acabou por sentar-se na cama ao lado dela e sem estar à espera adormeceu também.
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E é isto....
'
Novo capitulo. Não tenho muito a dizer porque fui colocada na Covilhã e nem sei se rio ou se choro pela noticia.
' Ainda estou a tentar processar a informação.Enfim, gosto da musica do capitulo.
'"O tempo não espera por ninguém. O ontem é história, o amanhã é um mistério, e o hoje é uma dádiva, por isso é chamado de Presente."
(Adalberto Godoy)
(Adalberto Godoy)
Margarett encarava o espelho; admirava a pessoa que se reflectia nele.
Faltava cerca de meia hora para o sol nascer, mas ela já se encontrava completamente vestida e pronta para sair de casa, ainda que não se encontrasse com as roupas que geralmente envergava. Naquela madrugada não havia nenhuma saia de seda, nenhuma blusa de cetim, nem nenhum vestido de renda. Era estranho. Como se em vez de uma jovem, o espelho reflectisse uma criança grande. O cabelo abandonara os caracóis perfeitos e tinha uma trança lateral. E tudo que lhe cobria o corpo era uma T-shirt larga e deslavada, castanha, presa por dentro de uns calções cor-de-laranja que lhe chegavam até meio da coxa nua. Ela não sabia ao certo o que estava a fazer. Esperava um sinal, apenas.
Parou de olhar para o espelho e vagueou pelo quarto, balançando os braços caídos, impaciente como uma criança. Na verdade ela sentia-se mais infantil naquela manhã, quer física, quer psicologicamente.
Deu por si a saltar quando escutou um assobio vindo do exterior. Rapidamente, pegou num bilhete que escrevera durante a espera e colou-o no seu espelho, para logo a seguir sair do quarto. Com descrição e cautela, desceu as escadas lentamente, tentando que elas não rangessem, até chegar ao hall de entrada descalça. Calçou umas sapatilhas velhas e rotas, que não utilizava há anos, mas que David insistira. Pegou nas chaves de casa e saiu para o exterior ainda escuro, batendo a porta com o máximo de leveza que conseguiu.
Quando se voltou para o passeio de sua casa sorriu incrédula. David, com o queixo apoiado no corrimão de pedra das pequenas escadas da fachada da casa dos Wilson, olhava-a fixamente com um sorriso enviesado na cara. Margarett interpretou-o com um sinal de troça, todavia era tudo menos isso. Era encanto, acima de tudo, por ver a melhor amiga a assemelhar-se à criança que outrora fora, criança essa que ele amou e amava acima de tudo.
-Bela T-shirt! – Disse ela, olhando para a camisola azul suja com nódoas que David envergava.
-Obrigado! – Ele desencostou-se do corrimão e colocou um boné vermelho na cabeça, com a pala virada para trás, tal como fazia quando tinha 12 anos – Belas pernas, já agora!
Margarett corou e virou a cara para a rua, fingindo-se indiferente ao assunto:
-Foste tu quem pediu para eu vestir calções! Se as pernas de palito te incomodam, então não olhes!
-Mas eu tenho de olhar. – Discodou ele – Não há vestígios de palitos agora.
Mag corou. De facto as suas pernas tinham evoluído. Até eram bonitas agora, mais carnudas e lisas.
David oanalisou-as e corou, mas não de vergonha:
-Espero, sinceramente, que ninguém te veja!
Margarett estreitou as sobrancelhas aparvalhadamente:
-Ora essa, porquê?!
-Tens umas pernas jeitosas, não vá algum idiota atirar-se a ti!
Margarett riu-se, sem entender que aquilo não fora uma piada. David estava sério, afinal de contas, o que disse era verdade e não suportaria ver ninguém a arrastar asa para cima da sua Rett.
-Agora explica-me – Pediu ela, caminhando ao lado dele á medida que o céu ficava claro – Porque tivemos de acordar tão cedo?
-Para relaxares! – Respondeu ele, sorridente.
Ele abafou um riso sarcástico:
-Acordar-me mais cedo depois de semanas de trabalho árduo realmente é uma grande ajuda, David. Obrigadinha!
-Podes dormir o dia inteiro se quiseres, mas eu vou estar ao teu lado, para me garantir que descansas.
Eles olharam-se num minuto intenso. Margarett admirada com o que ele dissera e ele simplesmente com um olhar sincero.
-Por outro lado – continuou -, podes divertir-te em nome dos bons velhos tempos!
A loira segurou a trança e sorriu, desentendida, encarando-o curiosa:
-Como assim?
-Jogar á bola, jogar á apanhada, nadar, trepar as árvores…, - Ele deu de ombros, sem continuar – Faremos o que tu quiseres!
Margarett olhou o chão, sorrindo sem levar as palavras de David a sério. Apesar de ser uma proposta interessante, sabia que ele não faria isso. Levava-a a algum lugar, era a única coisa que ela tinha como certo:
-David, onde me levas?
Ele deu-lhe a mão e puxou-a, transformando leves passos numa corrida divertida pelas ruas mais breves da cidade. Passaram por becos e congostas e pelas ruas que despertavam entretanto para um novo dia, á medida que o sol começava a surgir vindo de Este. Quando David começou a abrandar, Margarett analisou o local onde se encontravam. Uma fonte pequena jorrava água potável onde certa vez Margarett havia limpado a ferida de David. Ambos beberam um pouco dela, saciando a sede que a corrida lhes causara.
-Chegamos, Mag. – Declarou David, chapinhando-a com água propositadamente.
Ela pestanejou, rindo, e limpou a pele alva para depois olhar em redor:
-Chegamos? – Questionou, desiludida, não vendo nada mais do que uma rua com casas e uma fonte.
-Segue-me!
O jovem caminhou até um portão de grade ferrugenta, coberto de heras e silvas, e empurrou-o com força apenas conseguindo afasta-lo um pouco, porem o suficiente para que tanto ele como a parceira conseguissem passar:
-Isto tem estado intacto há anos. De vez em quando vinha cá, mas perdi o hábito entretanto. Tenho a certeza que ainda te lembras do nosso lugar secreto.
Margarett abriu a boca assim que observou o jardim coberto de folhas velhas, com um chafariz seco no centro. Mal percorreu o local com o olhar, deparou-se com a majestosa casa que ela e David fizeram questão de explorar quando eram jovens:
-Não acredito David. Está exactamente igual! Já não me lembrava deste sítio.
Ele deixou-se ficar para trás com um pequeno sorriso no rosto, vendo-a a caminhar encantada para perto do recinto deserto. Pequenas borboletas voaram dentro de si, fazendo o seu rosto firme ganhar um tom mais rosado do que o habitual.
David abanou a cabeça incomodado e caminhou atrás de Margarett, até alcança-la:
-Sabia que ias gostar.
Ela sorriu e correu para a fachada do casarão. Subiu as escadas de calcário sujas até alcançar a porta de entrada. Empurrou-a para testar se ainda se abria, e sorriu ao ver o interior escuro da mansão.
-É seguro?
Ele aprovou, dando-lhe um empurrão pelas costas de modo a que Margarett entrasse na casa.
Já lá dentro ele penetrou na sala à direita e dirigiu-se á janela para afastar os longos cortinados de veludo e deixar que a aurora tomasse conta do espaço interior. Iluminou uma lareira rodeada por sofás, com tapeçarias poeirentas mas bonitas no chão. Havia uma mesa comprida e armários de loiças, e as paredes enfeitadas com pinturas de paisagens e um candelabro pesado pendurado no tecto.
Margarett avançou, braços rentes ao corpo, e o seu olhar incidiu nas pedras brilhantes que pendiam no candelabro e reluziam todas as sete cores do arco-íris nas paredes com a ajuda do sol do amanhecer. Aproximou-se de David, que se mantinha virado de costas para ela atento em pormenores básicos de um armário, e sem ele estar é espera encostou a sua cabeça às costas dele, com as mãos apoiadas nas seus ombros largos:
-Obrigada David…
Ele voltou a sentir-se quente com o toque dela, todavia superou-se e voltou-se na direcção da amiga, para lhe beijar a testa com ternura:
-Vamos lá acima!
David deu a mão a Margarett e puxou-a consigo até ao hall, onde começavam as escadarias. O segundo e o quarto degrau estavam podres e quebrados, pelo que os dois tiveram de ser rápidos e cautelosos ao subir as escadas.
No topo, um corredor perpendicular ao último lance de escadas mostrava portas iguais que paralelamente iam dar até uma grande janela com vista para a lateral direita do exterior da casa.
David tencionava entrar no primeiro quarto, mas foi surpreendido quando Margarett percorreu o corredor até à grande janela e abriu as portadas de madeira, deixando o ar fresco da manhã entrar. Só aí ambos se aperceberam que havia uma varanda ali, pelo que, David colocou um pé para ver se era segura. Margarett não esperou e avançou para o exterior. Pousou as suas mãos sobre o mármore pálido, enegrecido pelo tempo, e observou o grande jardim:
-Nossa, David! Não sabia da existência daquele lago. – Disse, apontando para além.
David chegou-se mais a ela e depois levou a sua visão ao horizonte. Procurou o que ela lhe mostrava e depressa se deparou com águas esverdeadas numa área do outro lado de um muro antigo que cercava a propriedade da mansão. Tudo o resto daquele lado era floresta, com excepção do enorme espelho de água deserto.
-Tem graça. Também não conhecia aquele sítio.
Margarett vincou o sobrolho, sorrindo para David:
-Podemos ir lá, David?
-Agora?
Ela afirmou com a cabeça e voltou a entrar no interior da casa em passos acelerados. Aproveitou a viagem e foi abrindo todas as portas que se seguiam, deixando-as abertas á medida que avançava. David encarregou-se de espreitar o interior de cada compartimento, mas sem parar de seguir a amiga. Os dois desceram as escadarias e saíram para o exterior.
-David! Apanha-me! – Gritou-lhe Margarett, atiçando-o para um jogo da apanhada.
David desenhou um trejeito maroto e correu atrás dela. Voltas e mais voltas, apanhou-a e voltou a apanha-la. Mas não se sabia ao certo se o mérito era só dele, ou se o interior mais profundo de Margarett a fazia deixar-se apanhar pelos braços do amigo. Sentia o coração rápido de cada vez que ele a envolvia, roubando qualquer folga entre os dois corpos mas, estranhamente, mesmo depois de se conseguir libertar, sentia a necessidade inquietante de voltar a ficar presa contra o peito rijo a inalar somente o odor que aquele corpo másculo emancipava.
David, a dada altura entrelaçou as suas mãos com as dela e sorriu-lhe ao fitar os olhos azuis como o céu. Ela corou, e por momentos não o quis encarar, mas o seu inconsciente levou a que o olhasse profundamente e que entendesse o quão bonitos uns olhos castanhos podiam ser. Mal ouviu o que ele disse, porém quando ele correu para as traseiras da casa puxando-a a reboque, ela entendeu que iam ter ao local que ela lhe pedira para ver há minutos atrás.
A única coisa que separava o terreno da casa com a mata por trás dela era um muro com cerca de dois metros. Felizmente, não era difícil atravessá-lo. Havia pedras que estavam mais salientes e heras para se agarrarem. David cedeu passagem a Margarett e ajudou-a a subir o muro. Depois subiu ele e sentou-se ao lado da jovem que se mantivera imóvel quando chegou ao topo da barreira de pedra.
-O que foi Mag?
Ela olhou-o calmamente, sorriu-lhe e depois voltou a admirar a paisagem:
-É lindo.
Ele admirou o lago que parecia ter triplicado de tamanho. As árvores verdes estavam reflectidas nele, assim como o céu e as nuvens. Tudo parecia simples e belo sob aquele ponto de vista, e mais que isso, era calmo e não havia agitação humana que vencesse a beleza da natureza. Num suspiro breve rodou os olhos na direcção de Margarett e admiravelmente os pensamentos foram os mesmos. Voltou a ousar segurar-lhe a mão delicada, apenas picada por agulhas finas, e esperou que ela o encarasse de volta. Demorou mais tempo do que ele esperava, como se ela tivesse achado o acto digno de ser absorvido, e só depois ela o visionou com um brilho leve no olhar:
-Vamos? – Perguntou ele vendo o seu reflexo no outro lago que existia na cara dela.
-Não sei. Será perigoso?
Ele deu de ombros sem saber a resposta, mas Margarett confiou nele e esperou que saltasse para depois se lançar também.
Os dois aproximaram-se do lago e, com um pau, David mediu a profundidade da margem. Descalçou-se e entrou com os pés para dentro do lago, continuando a medi-lo a cada passo que dava. Deduziu que não era suficientemente perigoso para que não se pudesse nadar nele e repentinamnete mergulhou de cabeça, com a roupa vestida.
Margarett deu um gritinho mudo com o susto, mas quando David voltou à tona ela aliviou-se e sorriu:
-Rett, vem!
-Vou ficar encharcada! – Combateu.
-Não importa! Onde está a tua coragem?
Ele chapinhou a água do lado, salpicando a roupa dela.
-Pensei que fosses mais destemida, Wilson!
Margarett olhou-o zangada com o desafio e procurou uma boa árvore:
-Não perdes pela demora, Paisen!
David deu umas braçadas de costas e gargalhou alto:
-Então porque ainda estás aí?
Margarett trepou uma árvore de ramos baixos que ficavam suspensos bem em cima da água. Esperou que David nadasse até àquele ponto para o surpreender:
-Gosto de fazer entradas em grande! – Exclamou – Aqui vou eu!
O grito só foi abafado quando o corpo perfurou a água e criou uma avalanche cristalina.
David riu-se surpreendido com a vivacidade da parceira e esperou que ela viesse à superfície. Procurou em redor por ela e por momentos o seu coração falhou por não vê-la. Sentiu o desespero a entranhar-se em si e chamou-a, procurando na água:
-Rett! Rett, onde estás?! Não brinques comigo!
Outra vez sentiu a pontada no peito e por momentos podia jurar que ia ficar sem ar, se não tivesse sentido a sua cabeça a afundar na água sob a pressão de duas mãos. O alívio fez o seu corpo relaxar e em vingança agarrou a perna de Margarett e fê-la afundar também no lago. Começou ali uma luta de gotas transparentes e sem darem por isso o tempo começou a voar para os dois. Deviam ser quase 11horas da manhã quando fizeram uma corrida para ver quem saia primeiro do lago. Margarett ganhou. O corpo esbelto ajudava a mover-se na água, e depois disso, agarraram no calçado e treparam o muro para voltar á área da casa.
Correram os dois para o interior, chapinhando tudo o que era solo, e subiram as escadas com alguma cautela. David conduziu Margarett ao primeiro quarto da casa, abrindo a porta para que ambos entrassem. Ela petrificou nesse momento.
Olhou as quatro paredes, a cama de dossel e o tocador de madeira com caixinhas de jóias em cima.
-David, este quarto…!?
Ele sorriu-lhe, e molhou a porta ao encostar-se a ela:
-Ainda te lembras, hã?
-Ainda tenho a escova dourada que levei daqui! – Confirmou ela, agarrando nos pertences que estavam sobre a cómoda – O nosso sítio secreto, certo?
David acenou e aproximou-se atrás dela, para lhe completar o raciocínio:
-Onde podemos ser nós mesmos e não ter regras. Ninguém para nos julgar.
Ele sorriu quando Margarett se virou na direcção dele, mordendo os lábios perante aquelas palavras. Subitamente, ela abraçou-se a David. Fez força quanto podia para mantê-lo colado a ela. Não sabia porquê, mas ela queria isso e tal como ele acabara de lhe dizer, não havia ninguém para impedi-la de fazer fosse o que fosse. Não se apercebeu, todavia, do tom escarlate que o rosto dele adquiriu.
David não pode controlar esse facto. Sentir o corpo dela contra o dele, sem espaço algum, de roupa molhada e sem ninguém por perto. Sentiu o seu corpo a querer reagir mas conteve-se por respeito a ela. Não queria ser louco com Margarett.
Mas era difícil.
O cheiro dela invadia-lhe as narinas, um cheiro doce e aliciante. Sentia as coxas dela contra os contornos mais sensíveis do seu corpo e a água fria tinha deixado os seus seios mais rijos por baixo da T-shirt molhada, e nem o soutien era capaz de criar barreira entre os dois corpos. Ele sentiu-se a enlouquecer por dentro e talvez também por fora, deduziu. Uma súbita vontade de possuí-la. Agarrou-a pela cintura com força e, num acto quase louco, empurrou-a contra o tocador, derrubando velhos objectos. Ela ficou sentada no tampo daquele móvel, com David ainda unido a si. Margarett afastou o rosto do seu ombro e olhou-o com veemência, substituindo logo esse fervor por desconforto. Não soube o que dizer. David também não, mas agiu com o máximo de esforço dada a circunstancia e afastou-se dela, cedendo espaço entre os dois:
-Tira a roupa!
Margarett franziu as sobrancelhas ao que David reagiu atrapalhado:
-Quero dizer, há roupas naquele armário, para te trocares. – Explicou com vergonha – Podes ficar constipada.
Ela acenou e passou a visão desde ele até ao chão:
-Está bem... E tu?
David virou-lhe costas corado e mordeu a mão antes de encará-la por cima do ombro:
-Acho que há um quarto ao lado com um armário de roupa que talvez me sirva. Eu vou procurar. Encontramo-nos lá em baixo quando estiveres pronta.
Ela apenas confirmou num abanar de crânio e ele saiu do quarto, batendo a porta.
Margarett levou a mão ao peito e suspirou com dificuldade. Sentiu o seu coração a bater a um ritmo que parecia perigoso. Deu por si ainda em cima do tocador e um leve arrepio atacou o seu corpo desde a ponta do pé, até ao fio de cabelo mais longo.
Colocou os pés no chão e esfregou os braços. Era a roupa molhada. Tinha que ser o frio por estar molhada, tentou convencer-se.
Era inútil ainda assim. Ainda conseguia sentir as mãos de David a empurrá-la contra o espelho do tocador e aquela sensação era tudo menos frio.
Ela puxou o seu próprio cabelo e abanou a cabeça, para se esquecer disso. Foi em direcção ao velho armário e abriu-o. Recordava-se de todos aqueles vestidos e dos sapatos que outrora experimentara sem sucesso. Na altura não lhe serviam por ser criança.
Ela pegou num par, o mais baixo que havia. Depois procurou um vestido que servisse para se aguentar enquanto a sua roupa não secasse. Retirou a roupa com vontade e jogou-a no chão. Estava quente, mas não se deixou ficar nua por muito tempo. Vestiu o vestido lilás à moda dos anos 20 e depois de calçar os sapatos, desfez a trança mais desfeita do que feita e penteou o cabelo com os dedos para ir ter ao piso inferior, onde David já a esperava vestido com um fato que lhe ficava, no mínimo, interessante.
Ele esforçou-se por sorrir-lhe ao vê-la a saltar pares de escadas partidas:
-Vamos comer qualquer coisa? – Perguntou-lhe, fingindo estar tudo bem.
Ela primeiro engoliu a seco, mas logo concordou.
-O que vamos comer?
-Sanduíches?
Ela acentiu e saltou o último degrau para o acompanhar para o exterior da casa.
Sentaram-se junto ao chafariz seco, como na última vez que haviam estado ali.
David ofereceu-lhe uma sanduíche e ela aproveitou o momento para examinar a roupa dele:
-Estás ridículo! Pareces o meu avô quando era mais novo!
David deu-lhe uma cotovelada:
-Tu pareces uma dançarina de Charleston.
Ela riu-se:
-Isso não é tão ofensivo quanto julgas.
-Eu sei… - Murmurou ele entre dentes, voltando a corar.
Nenhum disse mais nada. Comeram em silêncio, debaixo de uma sinfonia natural criada pelos pássaros.
Depois ficaram ali encostados, alheios nos seus pensamentos mais íntimos.
David não soube ao certo quanto tempo ficaram calados, mas devia ter sido bastante tempo porque quando finalmente olhou Margarett, ela tinha adormecido com a cabeça apoiada na pedra do chafariz. Por outro lado lembrou-se que ela andava cansada há bastantes dias e talvez as forças tivessem chegado ao fim depois de passarem a manhã em cansativas braçadas aquáticas.
Manteve-se a olha-la algum tempo, serena como o próprio ar. Reflectiu sobre o que ia fazendo naquele quarto e trincou a própria bochecha com força como castigo. Nesse momento a sua vida toda passou-lhe á frente dos olhos. Recordou a melhor amiga que conheceu em criança e comparou-a à pessoa que estava ao seu lado, com quem estivera de relacionamento cortado durante algumas semanas por culpa das diferenças que agora eram nítidas entre os dois. Ainda assim, apercebeu-se que não conseguia estar afastado dela e que não era capaz de odiar aquilo que ele achava serem os defeitos dela.
Suspirou.
Viu-a a contorcer ligeiramente o pescoço, desconfortável, e decidiu que devia ajuda-la.
Com cuidado para não a acordar, pegou-a ao colo e com menos esforço do que estava à espera, levou-a para o interior da casa, para o mesmo quarto onde tinham estado. Ao abrir a porta as roupas dela sobressaiam-se no chão. Ele deitou-a no colchão mole e depois apanhou-as, arrepiando-se quando lhe apanhou o soutien. Pousou tudo numa poltrona e cobriu-a com um lençol velho que já tinha sacudido á janela. Depois hesitou. Não sabia se deveria sair dali ou se ficava.
Acabou por sentar-se na cama ao lado dela e sem estar à espera adormeceu também.
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E é isto....
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as minhas fic's:
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
-Angelical
Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
-Angelical
Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^
Se eu estivesse no teu lugar, encolhia os ombros. O curso era o mesmo, certo? Logo, o que muda é apenas a faculdade, a localização. Ainda vais realizar o teu sonho de designer de moda. Sempre é melhor ir para a 2ª opção do que não ir para nenhuma. Já eu... não tive a mesma sorte
. Mas, em todo o caso, PARABENS!!! e deixemos de conversas deprmentes
Capítulo L-I-N-D-O. Adorei estes jovenzinhos com as hormonas aos saltos a darem braçadas na água (e já agora, já paraste para pensar se a água tinha sapos ou alfaiates ou qualquer coisa verde nojenta que os biologos chamam algas?! O_o) e a correrem pelas ruas. Senti-me como se estivesse a rever o 2º capítulo, quando eles encontraram a casa. Claro que, desta vez, houve diferenças
Não lamentei a ausencia de beijo. Quando mais esperamos, melhor fica a cena. Assim seria muito facil. Mas já dá para ver como a relação deles está a evoluir e depressa. Os dois completam-se de uma maneira que nunca tiveram com outras pessoas. Ah, eu cheguei mesmo a rir-me quando imaginei o David a empurrar a Maggie contra o toucador naquela de "Tou com um acesso de loucura e hormonas aos saltos, fica quieta de modo a que eu te beije" mas caba por mandá-la tirar a roupa
A cara da Mag 
Mas a sério, é dos capítulos mais bonitos que já li da fanfic. E espero o mesmo do próximo ;D
. Mas, em todo o caso, PARABENS!!! e deixemos de conversas deprmentesCapítulo L-I-N-D-O. Adorei estes jovenzinhos com as hormonas aos saltos a darem braçadas na água (e já agora, já paraste para pensar se a água tinha sapos ou alfaiates ou qualquer coisa verde nojenta que os biologos chamam algas?! O_o) e a correrem pelas ruas. Senti-me como se estivesse a rever o 2º capítulo, quando eles encontraram a casa. Claro que, desta vez, houve diferenças

Não lamentei a ausencia de beijo. Quando mais esperamos, melhor fica a cena. Assim seria muito facil. Mas já dá para ver como a relação deles está a evoluir e depressa. Os dois completam-se de uma maneira que nunca tiveram com outras pessoas. Ah, eu cheguei mesmo a rir-me quando imaginei o David a empurrar a Maggie contra o toucador naquela de "Tou com um acesso de loucura e hormonas aos saltos, fica quieta de modo a que eu te beije" mas caba por mandá-la tirar a roupa
A cara da Mag 
Mas a sério, é dos capítulos mais bonitos que já li da fanfic. E espero o mesmo do próximo ;D
Espero por ti em cada segundo , porque tu és o meu mundo!

Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
Visitem a minha 1ª Fic ----->The Four elements

Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
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Titinha - Brigada pelo Comentário
Pode ser que ainda leias alguns beijos nos próximos capítulos (só não garanto que seja entre estes dois). É só ter paciência para a minha disposição ao escrever a fic! 
Ana - Não te preocupes. Terás sempre a 2ª e 3ª fase! E se não for no curso que idealizas, certamente que te sai algo que com o tempo até gostas. Só tens de abrir mais opções!
Eu disse que este capitulo era o que eu mais gostava!
Esta surpresa do David foi mesmo para relembrar à Margarett daquilo que eles tinham vivido na infância e reacender a amizade(e algo mais! xb)! Mas esta surpresa terá consequências! Esperem pelo próximo capitulo! 
Pode ser que ainda leias alguns beijos nos próximos capítulos (só não garanto que seja entre estes dois). É só ter paciência para a minha disposição ao escrever a fic! 
Ana - Não te preocupes. Terás sempre a 2ª e 3ª fase! E se não for no curso que idealizas, certamente que te sai algo que com o tempo até gostas. Só tens de abrir mais opções!
Eu disse que este capitulo era o que eu mais gostava!
Esta surpresa do David foi mesmo para relembrar à Margarett daquilo que eles tinham vivido na infância e reacender a amizade(e algo mais! xb)! Mas esta surpresa terá consequências! Esperem pelo próximo capitulo! 
as minhas fic's:
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
-Angelical
Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^
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-Angelical
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lulumoon escreveu:
Ana - Não te preocupes. Terás sempre a 2ª e 3ª fase! E se não for no curso que idealizas, certamente que te sai algo que com o tempo até gostas. Só tens de abrir mais opções!
Eu disse que este capitulo era o que eu mais gostava!Esta surpresa do David foi mesmo para relembrar à Margarett daquilo que eles tinham vivido na infância e reacender a amizade(e algo mais! xb)! Mas esta surpresa terá consequências! Esperem pelo próximo capitulo!
espero bem
sinto-me à beira de um abismo. Ontem, quando soube, começei a chorar em pleno continente. A minha amiga obrigou-me a sair nessa mesma noite e passar a noite na casa dela só para conversarmos longe dos meus pais. Já tenho alternativas, caso não entre nas outras 2as fases, mas espero que não aconteça. Não quero nada perder um ano x(Que consequencias? Não me digas que a mãe da Maggie descobre e proibe a rapariga de sair de casa? Ou pior... ai, não me faças isto. Já não basta ter que esperar ansiosamente pelo proximo capítulo (roendo as unhas entretanto) como tbm tens que me torturar? Aí, és mazinha!

Espero por ti em cada segundo , porque tu és o meu mundo!

Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
Visitem a minha 1ª Fic ----->The Four elements

Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
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De certeza que não. Provavelmente não colocaste muitas alternativas e foi isso que te tramou. NA 2ª fase metes lá 6 faculdades e alguma te há-de sair! Tem fé! 
Consequências, sim, mas logo verão!

Consequências, sim, mas logo verão!

as minhas fic's:
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Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^
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Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^
Hello! 
Bem começando por comentar o capítulo Escravidão.
Andas sem vontade de escrever, bem isso é sempre chato, escrever contrariado é sempre mau, e eu até ficava solidária contigo, mas em vez disso vou ameaçar-te com uma bomba pelo correio caso te atrevas!!! Eu estou viciada na fic, principalmente depois do último capítulo! Olha que eu e a Ana juntamo-nos e tu não tens onde te esconder!
Continuando, achas que o capítulo é aborrecido? Eu gostei tanto de ler! Vocês escritores são muito autocriticos...*suspiro
O leitor tem sempre razão, e eu digo que gosto, por isso eu é que tenho razão!
O David anda tão querido com a Rett.
E gostei dela ter feito frente à Britt, hehe, ficou a roer-se de inveja. Mas eu até tenho pena dela, ela gosta mesmo do David e nunca vai ter hipóteses...ele nunca vai gostar dela.
A mãe da Mag, nem comento...aquela mãe nem é digna desse nome, é uma exploradora, só se quer aproveitar do trabalho da filha! Aquela mulher merece que toda a gente a abandone, para começar a dar valor às pessoas.
Estou mesmo a ver que o Jack ainda vai dar problemas....
O capítulo Sítio secreto: LINDO!!!!!!
Fiquei apaixonada! Estou cada vez mais caidinha pelo David....ele ainda tão cute....vá lá que já lhe passou a parvoíce, tudo graças à Rett!
Eu nem tenho por onde pegar, é o que a Ana disse, foi o capítulo mais bonito! Quero mais capítulos assim vá!
Adorei as músicas, e também as frases que colocaste.
Bem, não sei se te dou os parabéns ou não. Mesmo tendo ficado colocada, não era o que querias certo? Bem de qualquer maneira muitos parabéns!!! Se não é realmente o que queres, espero tudo corra bem e alcances o teu objectivo.
Beijinhos*

Bem começando por comentar o capítulo Escravidão.
Andas sem vontade de escrever, bem isso é sempre chato, escrever contrariado é sempre mau, e eu até ficava solidária contigo, mas em vez disso vou ameaçar-te com uma bomba pelo correio caso te atrevas!!! Eu estou viciada na fic, principalmente depois do último capítulo! Olha que eu e a Ana juntamo-nos e tu não tens onde te esconder!
Continuando, achas que o capítulo é aborrecido? Eu gostei tanto de ler! Vocês escritores são muito autocriticos...*suspiro
O leitor tem sempre razão, e eu digo que gosto, por isso eu é que tenho razão!
O David anda tão querido com a Rett.

E gostei dela ter feito frente à Britt, hehe, ficou a roer-se de inveja. Mas eu até tenho pena dela, ela gosta mesmo do David e nunca vai ter hipóteses...ele nunca vai gostar dela.
A mãe da Mag, nem comento...aquela mãe nem é digna desse nome, é uma exploradora, só se quer aproveitar do trabalho da filha! Aquela mulher merece que toda a gente a abandone, para começar a dar valor às pessoas.
Estou mesmo a ver que o Jack ainda vai dar problemas....
O capítulo Sítio secreto: LINDO!!!!!!
Fiquei apaixonada! Estou cada vez mais caidinha pelo David....ele ainda tão cute....vá lá que já lhe passou a parvoíce, tudo graças à Rett!
Eu nem tenho por onde pegar, é o que a Ana disse, foi o capítulo mais bonito! Quero mais capítulos assim vá!
Adorei as músicas, e também as frases que colocaste.
Spoiler
Bem, não sei se te dou os parabéns ou não. Mesmo tendo ficado colocada, não era o que querias certo? Bem de qualquer maneira muitos parabéns!!! Se não é realmente o que queres, espero tudo corra bem e alcances o teu objectivo.
Olá meninas!
como hoje é o meu aniversário venho actualizar a fic e deixar-vos o "presente".
Peço desculpa por não ter relido o capitulo e se encontrarem muitos erros já sabem a razão. Infelizmente ando mais para lá do que para cá, por isso é que não tenho sido tão assidua aqui nem na escrita da historia. Não sei quando e se melhorará, mas enfim, desfrutem!
-Muito obrigada, David!
Margarett deu um beijo rápido a David e depois subiu os degraus da fachada da sua casa, com uma saca na mão.
Com cuidado, abriu a porta e entrou, batendo-a devagar.
Ao levantar o olhar, o seu pai, Adolfe Wilson, esperava-a no hall, de braços cruzados e tom sério. Deu um passo para se aproximar ao ver a filha estática em frente da porta:
-A tua mãe espera-te na sala de estar.
Margarett revirou os olhos e suspirou, pressentindo uma longa noite de sermões, mas assentiu, seguindo o progenitor para a porta do lado direito. Antes de a atravessar, porem, olhou o pai:
-Papa, eu não fiz nada de mal.
Mr. Wilson encarou-a e sorriu pacientemente:
-Eu sei que não querida, mas a tua mãe está zangada. Tentemos ser rápidos.
Ele voltou a fazer cara feia, porem Margarett sorriu, pois sabia que aquilo era apenas o papel que ele ia representar para a sua mãe.
Entraram os dois na sala. Mrs. Wilson estava sentada no sofá individual, de perna alçada e braços cruzados. Ela sim estava verdadeiramente zangada. Margarett baixou a cabeça, como se o simples olhar da mãe já fosse um castigo.
-Onde estiveste?
Margarett não soube o que dizer.
O resto da tarde, depois de acordar, tinha sido passado a jogar á bola no recinto exterior da mansão. Ela e David brincaram com uma bola vermelha, exactamente igual àquela que ele lhe mostrara no dia em que ela lhe noticiara a sua partida para França. Foi um jogo divertido. Ela venceu, mas sabia que, em parte, David a tinha deixado ganhar. Depois da correria ele levou-a pelas ruas movimentadas da vila até chegarem ao Lili’s Diner. Janice e Daisy estavam a sair dos seus postos para se irem embora quando encararam o par de compinchas a entrar no restaurante. Pareciam novamente os miúdos de 12 anos a que toda a gente já se tinha desabituado, mas por outro lado, elas notaram a química entre os dois. Era nítida a cumplicidade e foi divertido vê-los juntos daquela forma, como nos velhos tempos. A diferença, passados os cinco anos, foi que elas se sentaram com eles os dois, que se besuntaram com uma hambúrguer gigante, cheio de bacon e cebola grelhada, e conversaram como se conhecem-se há anos. Algo estranho, visto que em criança eles mal se falavam e David era alguém com quem não costumavam interagir. Miraculosamente, naquela tarde todos se viram envolvidos no mesmo grupo. Até Eric se juntou a eles, quando passou pelo Lili’s Diner para comprar tabaco e quem olhasse de fora diria sem pensar que eram todos muito chegados. Era uma ideia errada, mas os risos entre todos confundiam os demais. Ao final da noite, quando David e Margarett regressaram para casa ele deu-lhe algo, que tinha escondido num canteiro de flores. Era uma saca com um tecido cor-de-rosa translúcido. Margarett abriu a boca em choque ao reconhecer aquele tecido que David e ela tinham admirado da primeira vez que tinham ido comprar panos juntos. Ela não o tinha comprado por não ter dinheiro, mas David tinha garantido que era ideal para ela. Foi por isso que ele, ao fim daquela tarde maravilhosa, lhe ofereceu os metros do pano. Sabia que ela ainda não tinha vestido para o baile, e fora o presente perfeito, sem dúvida.
Ela sorriu discretamente ao lembrar-se da saca que tinha na mão, mas concentrou-se na questão da mãe:
-Fui passear e tentar divertir-me.
-Com quem? – Indagou a mulher, atentando na filha com um olhar mais doloroso do que o anterior.
Margarett sentiu-se a gaguejar.
-Com o David…
Dorianne Wilson levantou-se lentamente e aproximou-se da moça devagar.
O conjugue arqueou a sobrancelha perante a aproximação da esposa.
Sem estar á espera, só conseguiu ver a mão dela esticada como uma tábua a acertar com bastante força no rosto de Margarett deixando a cabeça da rapariga voltada para o lado pela força exercida naquela bofetada ensurdecedora.
-Dorianne! – Grunhiu o homem, irritado.
Margarett deixou a saca cair ao chão e levou as mãos à cara, com o seu diafragma aos solavancos, causando soluços lacrimosos e lentos
-Foste brincar!? – Berrou a adulta – Não achas que já és crescida que chegue para saberes qual é o teu dever?! Causaste um grande susto a mim e ao teu pai, não fizeste o teu trabalho, mesmo sabendo que temos prazos para concluir os vestidos. E agora vens-me dizer que estiveste com o David?! O David?! O que te disse eu sobre a companhia desse rapaz?
-Dorianne, basta! – Gritou Mr. Wilson transtornado, abraçando a filha chorosa contra o seu peito.
-Não a mimes, Adolfe! Ela tem que saber que o que fez está errado! Tens trabalho a fazer Margarett, não quero que percas tempo com um desnaturado como o David! Ouviste bem, minha menina?!
Margarett limpou as lágrimas e ainda a soluçar afastou-se do pai e olhou a mãe com raiva:
-Eu não sou sua escrava! Você não me paga pelo meu cansaço! O emprego é seu, não é meu e eu só quis relaxar um pouco, e o David…!
Ela foi interrompida por outra bofetada. E depois outra, ainda mais forte.
Mr. Wilson agarrou a mulher com força e empurrou-a para longe da filha:
-Controla-te mulher! Como ousas tocar assim na nossa filha?!
-Cala-te Adolfe! – Bramou irritada - Cala-te! E tu pára de chorar imediatamente! Não tens razão alguma para isso!
Margarett soluçou e tentou escapar-se daquele lugar. Correu na direcção da porta de saída, para sair de casa, mas a mais velha segurou-a pela coxa do braço com rudeza e torceu-lho para a manter quieta:
-Mãe, largue-me! Está a magoar-me! – Chorou Margarett, vendo o seu braço a ficar roxo rapidamente.
-Já saíste que chegue por hoje!
-Dorianne, solta-a! – Ordenou Mr. Wilson – Estás louca!
A sua mulher não respondeu. Arrastou a filha pelo corredor violentamente e chegando á ultima porta empurrou-a para dentro daquele quarto escuro e trancou-a lá dentro com a chave. A luz ligou-se de seguida e ela escutou os pais a discutirem sobre a chave do lado de fora. A progenitora ganhou a batalha com facilidade depois de muito insultar o homem com quem havia casado.
-Tens a noite toda para recuperar o dia de hoje! – Advertiu a genetriz do lado de fora – Terminei o vestido de Mrs. Framy e os vestidos de Mrs. Terne e Mrs. McDrew já estão adiantados, só tens de fazer os acabamentos – Margarett olhou os bustos calçados com os vestidos e tentou limpar as lágrimas – Mas ainda te falta o vestido para a filha de Mrs. Wells. Tens a noite toda para ter pelo menos dois deles terminados.
Margarett deu um pontapé nos carrinhos de linhas. A mãe afastou-se depois disso, deixando-a sozinha entre lágrimas. Margarett reflectiu sobre como o dia tinha ficava arruinado em questão de segundos. Aquele devia ter sido o seu melhor dia em anos e a mãe conseguira arruinar tudo.
Olhou o tecido já cortado para a Brittany e viu tudo preparado para terminar os outros dois vestidos. Pensou em não fazer nada e dormir sobre os farrapos cortados, mas deduziu que isso só lhe traria problemas, portanto, sentou-se na máquina de costura depois de pegar no primeiro vestido e começou a fazer a sua magia, ainda que revoltada.
David estava no quarto, relaxado. Esperava a luz do outro lado da janela mas ela estava a demorar. Pensou no que estaria Margarett a fazer, todavia, depois de perder a paciência a esperar por ela desceu as escadas animado e foi para a sala ver TV antes que a emissão terminasse. Estava a dar um filme com a Grace kelly, que ele já tinha visto antes, mas deixou-se ali a visiona-lo até lhe dar o sono e adormecer despreocupado.
Foi uma noite rápida para ele.
Para Margarett não foi igual.
As olheiras do choro ficaram ainda mais pretas por causa do sono. Ela tentou manter-se acordada enquanto adicionava folhos a um vestido amarelo quase pronto. Depois coseu-lhe uma fita de cetim branca nas costas, para criar a ilusão de corpete e adicionou uma bainha também branca na gola. Observou o relógio de parede. Três da manhã. Suspirou e mudou de peça. O vestido seguinte pareceu-lhe mais simples. Só teve que lhe fazer três pregas e pôr uma fila de pequeníssimos botões na parte ftraseira da peça e fazer as respectivas casinhas. 30 Botões do tamanho de ervilhas e 30 casinhas para cada um. Depois aumentou o volume das mangas. No final chegou á conclusão que afinal aquele vestido não era mais simples. Culpa sua por fazer coisas tão elaboradas.
Voltou a olhar para o relógio. Cinco e tal da manha. Pelo menos dois vestidos estavam concluídos, como fora exigido. Engomou-os aos dois e colocou-os nos respectivos modelos.
Nesse momento a porta abriu-se. Ela deu um salto com o susto, até ver o seu pai com a chave prateada na mão:
-Desculpa, minha querida!
Margarett abraçou-o com força.
-Não queria que isto acontecesse. Só agora consegui encontrar a chave daqui. A tua mãe escondeu-a bem.
-Obrigada papá. E não tem culpa pelo que a mãe fez. - Margarett esfregou os olhos -Pelo menos terminei os vestidos que ela exigiu.
-Vem dormir agora. Precisas de descansar.
Margarett negou com a cabeça.
-Papa, alguém pegou naquela saca que eu deixei na sala?
O homem deu de ombros:
-Não vi nada.
A adolescente saiu do quarto de costura e dirigiu-se á sala, com o pai a servir de guarda-costas. Viu depressa a saca esquecida no chão e pegou-a. Depois voltaram os dois para o atelier.
Ela retirou o tecido para cima da mesa de cortar e encarou o pai:
-Paizinho, vamos fazer assim. Volte a trancar-me aqui dentro e coloque a chave onde a encontrou, para a mãe não saber que eu saí do quarto.
-Mas querida, vais ficar aqui a trabalhar?
-Desta vez não. Vou fazer o meu vestido, antes que chegue o dia do baile e eu não tenha nada para levar. A mãe não vai saber.
O homem suspirou e aproximou-se da filha. Admirou o tecido e sorriu:
-É mesmo a tua cara.
Ela sorriu também. Um sorriso que, segundo o velho pai, apagava aquele ar de cansaço.
-O David disse o mesmo.
-Foi ele quem to deu? – Perguntou.
Ela apenas balançou a cabeça para confirmar. O homem sentou-se na cadeira e encarou a filha, reflectivo:
-Vós dais-vos muito bem, não é?
-Sim… Ele é o meu melhor amigo. Sempre foi.
-Hum… - Mrs Wilson esfregou as têmporas e depois encarou a sua menina – Sabes que a tua mãe não gosta que te dês com ele…
Margarett suspirou e deixou os braços cair:
-O David é boa pessoa, eu juro! Não entendo este problema dela com ele!
-Ela é complexa.
-Eu sei, mas nem eu nem o David temos culpa disso. – Margarett encostou-se á mesa, amuada e depois espreitou o homem sentado á sua frente - Ele é meu amigo, pai…
Mr. Wilson levantou-se da cadeira e beijou a testa da filha:
-Então aproveita isso. Se vós vos dais bem, ignora tudo o resto e desfruta dessa amizade. É o meu único conselho.
Margarett sorriu para o pai e deixou-o sair para regressar para o quarto dele. Voltou a ser trancada e depois o mundo tornou-se só dela.
David estava a dormir profundamente quando escutou umas marteladas irritantes do lado de fora. Tinha adormecido na sala e estava com o corpo todo torto. Levantou-se para ir para o seu quarto e fugir ao barulho, mas tal não aconteceu. Pelo contrário o som ficou mais alto. Ele jogou-se na cama e cobriu o rosto com a almofada para tentar ignorar os ruídos. Contou cerca de dez carneiros e adormeceu num instante.
Mais três horas a dormir. Depois acordou naturalmente. Olhou o relógio despertador. Eram quase 11horas da manhã.
Levantou-se, foi tomar um duche, vestiu qualquer coisa e abriu a janela do quarto para entrar algum ar fresco naquele quarto abafado. Ao empurrar as empanadas um choque atravessou-se no seu cérebro.
-Mas que…?!
Ele abanou a cabeça, confuso. Deu uma volta dentro do quarto e regressou á janela, completamente á nora.
Entendeu o motivo daquele martelar há algumas horas e um tsunami de fúria invadiu toda a sua alma de forma grotesca.
Desceu as escadas a correr e quase tropeçou ao sair para o exterior. Bateu a porta com violência e antes de subir as escadas da casa vizinha, voltou a verificar a janela do quarto de Margarett. Era inacreditável.
Ele martelou a porta com bastante força. Queria explicações, e depressa.
Do lado de dentro da casa, Margarett sobressaltou-se com aquele som. Sabia que era ele, todavia não foi a única. Mrs. Wilson levantou-se da máquina de costura e não deu oportunidade á filha de proclamar fosse o que fosse, nem sequer de se mexer. Obrigou-a a continuar o vestido de Brittany que estava apenas no inicio.
Mrs. Wilson trancou a porta discretamente e caminhou até ao hall de entrada. Abriu a porta, como se as pancadas fossem leves e casuais e saiu:
-Sim?
David pestanejou perante a atitude hipócrita da vizinha:
-Porque é que tem tábuas pregadas á janela do quarto da Margarett?
-Entrava demasiado sol. Ela preferiu assim.
-Não acredito! Onde está ela?
Ele preparou-se para invadir a casa, mas o braço de Dorianne impediu-o:
-Está a trabalhar! Não a incomodes, já a entretiveste que chegasse ontem!
David cerrou os dentes e olhou para os lados, nervoso:
-Você prendeu-a?!
-Que idiotice, rapaz! Vai-te embora que eu tenho trabalho a fazer!
David rangeu os dentes e ao ver Mrs. Wilson a fechar-lhe a porta na cara empurrou-a para entrar lá dentro.
Mrs. Wilson tentou impedi-lo, mas num instante ele alcançou a porta do ateliê. Rodou a maçaneta e empurrou, mas não aconteceu nada. Voltou a mover a borla e começou a abana-la numa tentativa frustrada de abrir a entrada.
Mrs. Wilson sobressaltou-se pela invasão e agarrou os braços de David para que ele se afastasse da porta do quarto de costura.
-Que pensas que estás a fazer, miúdo?! Sai da minha casa!
Infelizmente para si, os anos tinham sido generosos com David e ele tinha muito mais força do que ela.
Começou a bater na porta:
-Margarett, estás aí!? – Chamou - Abre a porta!
Mrs. Wilson cruzou os braços, conformada de que a porta não seria aberta para o garoto:
-É inútil, ela não quer ver-te!
Margarett escutou aquilo. O pânico tomou conta de si por alguns segundos, segundos esses em que a sua voz sumiu. Ela levantou-se do seu banquinho e foi para junto da porta. Tentou abri-la assustada, mas entendeu que estava trancada.
-Margarett, responde-me! – David encostou-se á porta. Tentou ouvir algum som do interior, porem nada escutou - O que aconteceu Mag?! Abre a porta, por favor!
-Ela está ocupada! – Urrou a mais velha já a ferver.
David teve vontade de bater nela. Dar-lhe uma tareia pelas mentiras que estava a dizer. Sabia que Margarett não ia deixar de falar com ela da noite para o dia.
-Mag, estás a ouvir-me? Diz algo!
Margarett agarrou o puxador. Mexeu-o também e num momento o seu coração chegou-lhe á boca. Ela estava presa outra vez. Mas desta vez era pior porque David estava do lado de fora. Ainda assim, o pior era a falta de palavra que a afundaram de repente.
Ela começou a bater na porta, como sinal de resposta, mas logo parou ao pensar na maldosa mãe.
-David… -murmurou.
Ele ouviu-a O seu coração ficou agitado.
-Rett…
-Tenho muito trabalho a fazer… - murmurou ela. Um fio de agua escorreu desde o seu olho até ao fim da bochecha. – Assim que puder vou falar contigo, mas por agora é melhor… é melhor eu ficar por casa a trabalhar.
David olhou a porta estaticamente e depois encarou Mrs. Wilson. Percebeu pelo tom de voz de Margarett que ela não estava bem. Ele lançou um olhar mortífero á mulher que o encarava triunfante:
-Você é malvada. – Acusou.
-Atento na língua, rapazinho! Vou falar com a tua mãe sobre o teu comportamento inapropriado!
David elevou o seu tom de voz com esperança que as suas palavras fossem escutadas no exterior da casa:
-E eu vou dizer-lhe que você trancou a sua própria filha para trabalhar para si!
Margarett cerrou as pálpebras ao escutar aquele clamor. Dorianne não se ia deixar vencer, obviamente. Já conhecia a mãe e sabia que ela tinha de ganhar sempre.
-De certo que ela entenderá que eu não queira ver a minha filha nas garras de um delinquente como o mal-educado do seu filho!
David rosnou internamente e aproximou-se da vizinha, olhando-a em tom ameaçante:
-Você acabou de iniciar uma guerra comigo, Mrs, Wilson. A partir de agora pode contar com tudo.
A fêmea estreitou as sobrancelhas e cerrou os dentes à medida que dava passos para empurrar David na direcção da saída da casa:
-Sai já da minha casa ou chamo a policia! – Bramou em êxtase pela ameaça.
David deixou-se empurrar para o exterior e mal pôs o pé nas escadas de acesso à rua, fez questão de dar um ultima resposta em alto e bom som para que os vizinhos o escutassem:
-Então chame! Chame a polícia e mande-me prender! Não me importo, porque no final a má da fita será a senhora por manter a sua filha presa num quarto sem janelas, a morrer de fome, prestes a ter um esgotamento por ser sua escrava!
A mãe de Margarett abriu a boca, pronta para protestar, mas ao notar alguns jovens do bairro a olharem para os dois um pingo de vergonha afundou as suas palavras.
David por outro lado conseguiu finalizar:
-Eu vou tira-la daqui, pode contar com isso!
Ele voltou costas e seguiu caminho, furioso. Xingou tudo e todos durante o curto trajecto para o Lili’s Diner. As suas mãos trémulas não fizeram jus ao olhar irritado. Quando ele se sentou ao balcão, nem se apercebeu de quem estava em redor, nem quis saber. Bufou e retirou um guardanapo que logo começou a rasgar. Uma sombra surgiu á sua frente:
-Olá David, tudo bem?
Ele nem se apercebeu quem falara. Estava nervoso, muito nervoso:
-Não. Estou furioso. Dá-me algo forte!
Janice semicerrou os olhos, estupefacta com a forma de ele estar naquele momento. No dia anterior estava tão bem.
-Aconteceu alguma coisa? Se eu puder ajudar…!
David olhou-a com rispidez e depois respirou fundo, enquanto batia o pé de maneira irritante no chão:
-Desculpa Janice. Estou irritado.
Ela sorriu:
-Já me apercebi. Ontem estavas bem. O que se passou numa noite?
Ele deu de ombros e deixou cair as mãos sobre o balcão. Janice reparou nesse momento no grande golpe que lhe atravessava a palma. Nunca havia reparado, mas pelo aspecto, aquela cicatriz estava ali há muito tempo.
-Foi a Margarett.
Margarett.
O nome captou a atenção de alguém ali perto.
William parou de escutar Daisy, que lhe falava com uma timidez típica no timbre vocal.
Olhou Janice e David. Ela atenta a ele. Ele nervoso a bater o pé e destruindo o papel nas suas mãos. Por muito que o desprezasse precisava de saber algo sobre Margarett. Não a via há tempo suficiente para a sua alma entrar em decadência. Levantou-se do seu banco.
Daisy sentiu-se idiota por ter estado a falar sem obter resposta. Era sempre assim. William tinha a estranha capacidade de a ignorar quando ela tinha mais coragem para falar. Baixou o olhar desgostoso e voltou para o seu posto, sem ter coragem sequer para o encarar.
William aproximou-se de David e Janice e antes que ele respondesse à questão que Janice lhe colocou, ele interveio:
-O que tem a Margarett.
David nem o mirou. O seu olhar revirou instantaneamente mal o cérebro descodificou o portador daquela voz. Depois suspirou tentando ganhar força - e sobretudo vontade – para lhe responder. Basculhou no interior algum incentivo, e lá no fundo muito fundo, achou que seria desagradável ficar sem lhe falar, por Margarett:
-Está presa… - Murmurou por fim, sem o encarar – A trabalhar em casa. A mãe dela não a deixa sair até os vestidos estarem todos perfeitos. – Ele sorriu ironicamente, desanimado – Mas é claro que tu não tens noção do que isso é. Trabalhar até alcançar a perfeição. Demora muito, sabes William? Às vezes uma vida inteira… Apesar de pensares que é uma questão de tocares a sineta.
William cerrou os dentes, irritado:
-Qual é o teu problema, Paisen?! Eu apenas perguntei pela Margarett. Não pedi para comentares a tua visão da minha vida.
Janice mordeu o lábio. Já conseguia ver os trovões sobre a cabeça dos rivais.
Eles por fim encararam-se. Fulminantes, sem dúvida.
-Por favor, não discutam. – Pediu com cuidado para não os irritar mais.
David tornou a pôr-se de frente para Janice. Pousou os braços no balcão e encostou-lhes o queixo, derrotado:
-Desculpa.
William preparou-se para atacar, todavia ficou chocado com as palavras de David, tal como Janice que deu um passo de recua por cautela. William arqueou a sobrancelha desconfiado e esperou para ter a certeza que não tinha ouvido mal.
-Desculpa, mas eu estou nervoso. – David assumiu de olhar perdido - Não sabes o que é ver a Margarett cada vez mais fraca, sempre trancada em casa a trabalhar… e quando lhe dás um pouco de ar puro, dura uns miseráveis segundos.
William, pela primeira vez, entendeu David. Não soube o que responder a princípio, afinal de contas com David sempre tivera de medir as palavras para que ele não iniciasse logo uma discussão. Naquele momento, no entanto, ele não teve coragem para atiça-lo para uma briga. Porque David tinha razão.
-Mas… Quando ela chegou á cidade, ela… Ela vinha mais vezes aqui e eu via-a mais vezes na rua. O trabalho não era impedimento para ela.
David voltou a levantar o tronco:
-Tu não entendes? É por causa do Baile de mascaras da tua mãe. As mulheres andam loucas por conseguir vestidos exclusivos e a Margarett tem talento. Até demais. Depois destas semanas todas até duvido que consiga mesmo ir ao baile.
William sobressaltou-se nesse momento. Não podia ser! Ela tinha que ir ao baile. Era a sua oportunidade! Se ela não fosse, então tudo aquilo seria em vão! Tinha de fazer alguma coisa para ajuda-la:
-espera aí! Ela tem que ir ao baile. A minha mãe faz questão e… - Ele corou levemente - Ela disse-me que vinha.
David teve vontade de estripa-lo, mas aí sorriu e levantou-se da cadeira:
-É isso! Tu!
Janice, calada até ao momento, aproximou-se para saber o que David pensava.
-Eu o quê? – Indagou o Finkie.
-Tu és a solução. Mrs. Wilson não vai conseguir dizer-te que não se convidares a Margarett para sair.
Janice sorriu, entendendo a ideia.
-Deixa ver se entendi, Paisen: Tu, que me odeias tanto como eu te odeio a ti, queres que leve a Margarett a sair?
David estendeu-lhe a mão para selarem o acordo, mas antes teve de se explicar:
-Pela Margarett sou capaz de espetar farpas a cada milímetro do meu corpo. Não me importo de ser o mau da fita, não me importo de vê-la contigo. Ela é tão importante para mim que eu vendia a minha alma ao diabo para vê-la bem. Tu não me conheces, Finkie. Mas se há coisa que eu sou é Louco o suficiente para fazer as coisas mais improváveis, desde que no final eu veja o fim que eu pretendia. Neste caso, só vou pensar nas consequências dos meus actos depois de saber que ela estará bem. – Janice levou a mão ao peito, num suspiro causado pelo discurso de David – Conto contigo para isso.
William admirou David naquele momento. O seu desdém continuava lá, sem dúvida, mas agora ele tinha o mínimo de respeito pelo adversário.
Estendeu a sua mão para ele e o pacto foi selado no preciso momento em que Jack e o seu bando entraram no estabelecimento.
O líder olhou David com repulsa e o sentimento aumentou quando encarou o aperto de mão e o sorriso vitorioso que ele trocou com o “Moedinhas”. Chamou Clide e Carter para que o acompanhassem até ao novo inimigo desprevenido.
-Paisen…! – “Cumprimentou”.
David olhou-o sem medo, com descaramento até. Antes de responder fosse o que fosse deu uma última espreitadela a William e murmurou-lhe entre dentes um “Vai!” para que o plano se iniciasse. Este por sua vez não perdeu tempo e saiu do estabelecimento.
Janice receosa tomou conta dos gestos de David ao encarar Jack e os acompanhantes:
-O que queres, Jack?
-Nada, Paisen. Apenas queria entender essa tua repentina amizade com o banqueiro.
David revirou os olhos:
-Acredito que estejas com ciúmes, mas infelizmente para ti a minhas relações pessoais não te diz respeito.
Jack precipitou-se para cima de David, sendo impedido por Carter. David não se mexeu um milímetro, para admiração de Janice.
Jack cuspiu, irritado:
-Por falar em relações, onde anda a tua princesa de França? Aparentemente, deixar de falar connosco não deu em nada. Ela continua a ignorar-te.
David cerrou os punhos com raiva, mas manteve a postura calma:
-Não tanto como os teus amigos do bando te estão a ignorar. È triste Jack, mas algum dia eles abririam os olhos. Fico feliz por saber que fui eu quem desencadeou isso.
Jack desta fez não foi impedido e atirou-se para cima de David, que se desviou e fez Jack embater no balcão. Ally, acabada de chegar ao local empurrou Jack para sair do local:
-Não quero confusões! – Exclamou enquanto o encaminhava na direcção do exterior, juntamente com Carter e Clide – Se não sabem vir cá sem ser para brigarem, então não venham!
As pessoas em redor cochichavam desconfortáveis com o incidente, porem admiradas pelos três vândalos respeitarem a ordem da servente.
David viu Jack do outro lado da porta de vidro a fazer-lhe um sinal de cuidado. Superior ao gesto deu de ombros e manteve-se serio e calmo. Ele não tinha medo.
William chegou a casa dos Wilson. Bateu á porta ansiosamente e enquanto não escutou os passos no interior lambeu a mão e passou-a pelo cabelo de modo a arranja-lo.
Mrs. Wilson entreabriu a porta para inicialmente espreitar quem era. Ao encarar o rapaz dos Finkie sorriu exageradamente e abriu totalmente a entrada, hipocritamente educada:
-William, que surpresa ter-te por cá! Entra, por favor!
William sorriu, primeiro por cortesia mas depois por aperceber-se que David tivera razão no que dissera:
-Boa tarde, Mrs. Wilson. Espero não vir atrapalhar.
-Ora essa! – Disse ela, fechando a porta de entrada sem quebrar o contacto visual com o rapaz formoso e arranjado – O que te trás por cá?
-Bom, vinha ver a Margarett. Já não a encontro há dias, portanto resolvi procura-la na sua adorável casa.
Dorianne riu-se em tom de orgulho e acenou com a cabeça. A sua casa era igual a todas as outras, mas era sempre bom escutar comentários elogiosos ao seu lar. Matreira como era, logo teve de arranjar maneira de fazer a vontade ao rapaz e junta-lo a Margarett:
-Claro, querido! – A mulher olhou até ao fundo do corredor como se espreitasse algo e sem se mover fez um ar simpático e amoroso - Margarett, querida, vêm cá, a mamã tem uma surpresa para ti!
William corou levemente mas sorriu. Olhou também para o corredor á espera que a sua amada surgisse, bela como sempre. Nada aconteceu, afinal. A porta continuava fechada.
Mrs. Wilson deu um saltinho, recordando que trancara Margarett para vir abrir a porta e tentou disfarçar:
-Oh, desculpa, ela não deve ter escutado por causa do barulho da máquina de costura.
William acenou com a cabeça, mas não pode acreditar na desculpa. Ele não ouvia máquinas nenhumas.
-Espera um segundinho, eu vou chama-la pessoalmente. Ela vai adorar ver-te!
Dorianne dirigiu-se ao quarto de costura e discretamente colocou a chave e abriu a porta. Entrou no ateliê e arrancou o vestido que Margarett cosia nas suas mãos dormentes com brusquidão. Obrigou a rapariga levantar-se e ajeitou-lhe a roupa do dia anterior, suada e suja. Deu-lhe umas palmadinhas na face para ela ganhar alguma cor e ajudou a prender o cabelo loiro num puxo alto:
-Põe-te bonita, rapariga, tens visitas!
Margarett olhava a mãe confusa e deixou-se guiar para o hall de entrada com força.
Quase tropeçou ao chegar ao pé de William, mas sorriu feliz ao vê-o à sua frente:
-William!
Ele desenhou um forte trejeito de felicidade na cara, extasiado por vê-la. Notou que David não mentira ao dizer que ela estava mal. O seu aspecto desgastado via-se a léguas, mas a sua verdadeira essência estava lá.
-Olá Margarett! – Cumprimentou com um beijo na mão que fez Mrs. Wilson dar pulos no seu interior – Vinha convidar-te para vires dar um passeio. Já não nos víamos há bastante tempo, não é verdade?
Margarett sentiu uma dormência nas bochechas:
-è verdade William. Eu adoraria, juro que sim, mas ainda estou a terminar o ultimo vestido. Terei de recusar o convite, infelizmente. – Admitiu com sinceridade.
Mrs. Dorianne Wilson quase teve um ataque cardíaco perante a resposta da filha pelo que teve de intervir:
-Ai credo, Margarett! És tão exigente contigo mesma, filhinha! – Margarett teve vontade de vomitar contra aquele comentário hipócrita - É o último vestido, portanto eu termino-o num abrir e piscar de olhos. Vai arranjar-te e não hesites em ir divertir-te com o teu amigo!
-De certeza? – Quis confirmar, desconfiada.
-Absoluta! Agora vai-te preparar! William posso servir-te um chazinho?
-Com todo o gosto, Mrs. Wilson.
Margarett tomou um duche rápido e vestiu algo simples e delicado. Pôs um chapéu sobre o cabelo e calçou uns sapatos bonitos, colocou um pouco de perfume, disfarçou as olheiras e foi ter com William que já a esperava á entrada. Este pegou-lhe a mão delicadamente quando ela desceu o último degrau e sobre a supervisão da mãe da amada levou-a para fora de casa.
Margarett suspirou mal se viu no exterior solarengo, livre do trabalho e da mãe. Deu graças a Deus por William a ter salvado daquele castigo.
Ele puxou-a para a caminhada, porem ela travou-os entre a sua casa e a de David. Espreitou para a janela do seu próprio quarto e abriu a boca ao perceber o que tinha causado o conflito de David naquela manhã. Nem quis acreditar ao ver a janela do seu quarto selada com madeira. Era doentio. Depois encarou a janela da casa ao lado. Aberta totalmente para que o ar circulasse. Era nítida a diferença de ambientes das duas casas semelhantes. Numa havia vida e jovialidade. Na outra escravidão e infelicidade.
Margarett deixou de olhar para lá e seguiu de braço dado a William que a encarava preocupado. Por momentos ele quis perguntar-lhe se ela queria ir ter com David, mas optou por aproveitar aquele escasso momento para estar a sós com a dona do seu coração.
Levou-a a passear pelos parques de árvores e perto das margens do rio.
Ao inicio debateu-se sobre o tema de conversa que deveria inserir e por isso mantiveram-se os dois calados, levemente envergonhados.
Tomando coragem, William levou-a a sentar-se perto da margem do rio num lugar deserto onde abundavam árvores altas e verdes. Ela tirou o chapéu e descalçou-se. Os seus pés ainda não tinham recuperado de todo o esforço a que estivera sujeita durante aquelas dolorosas semanas de trabalho. William sorriu-lhe com cordialidade. Reparou nos pés bonitos e delicados, e nas pernas formosas e bonitas que estavam descobertas até aos joelhos, onde pousava a saia do vestido. Ele corou, mas atreveu-se a pegar no pé dela e passar o seu dedo ao de leve no calcanhar. Margarett tossiu, corada pelo gesto do rapaz.
-Desculpa. – Disse ele, soltando-a.
Ela abanou a cabeça sem jeito:
-Não…! Quer dizer, estou com os pés doridos, peço desculpa por me ter descalçado á tua frente. Fui indelicada…
Ela pegou no sapato para se calçar. Não sabia ao certo o que dizer. Estava envergonhada com o seu gesto. Todavia foi surpreendida quando William lhe roubou o calçado das mãos com suavidade e a olhou directamente nas safiras azuis.
-Não te preocupes, eu não fiquei incomodado… Aliás prefiro que te sintas à vontade ao meu lado.
Ela apertou um sorriso e olhou para as mãos do rapaz que seguravam o sapato com delicadeza. William soltou uma das suas mãos e arrastou o seu corpo para mais perto de Margarett. Levou os seus dedos á face dela e acariciou a bochecha rosada com os olhos fitos na pele alva e suave:
-É nítido que estás cansada. Notei isso mal te vi, no entanto não posso deixar de admirar como continuas linda mesmo assim.
Ela afastou a cara da mão dele sentindo o rosto a arder. As borboletas no seu estômago morderam-na com força e ela viu-se obrigada a humedecer os lábios:
-William… - O murmúrio dela fez o corpo do rapaz tremer – Assim deixas-me tímida e desajeitada.
Ele sorriu e deslizou a mão pelo braço de Margarett abaixo, até alcançar a sua mão fina. Depois voltou a manter contacto visual com a íris da jovem costureira:
-Amanha vens ao baile, não vens?
Margarett acenou levemente o crânio afirmativamente, dando permissão a William de continuar:
-Bem… Se não tiveres nenhum par… - Ele olhou as mãos dos dois que se mantinham uma sobre a outra e tentou acumular confiança a partir dali - Será que… Sei lá… Eu gostava que… - William mordeu o lábio, acanhado pela sua falta de jeito.
Margarett soltou um riso ao ver o atrapalhamento do rapaz. Ele riu-se também ao escutar aqueles sinos gloriosos a tocar. Sabia que não precisava de ter tanta vergonha, mas não podia evitar. Ele estava apaixonado.
-Eu adoraria ir ao baile contigo, William. – Respondeu Margarett sem esperar pela pergunta concreta – Na verdade tenho um certo receio ainda…
-Porquê? – Inquiriu ele, nervoso.
Ela colocou uma madeixa de cabelo que lhe caia à frente dos olhos atrás da orelha e respondeu com tristeza:
-Tenho medo de amanhã ainda estar com este aspecto morto. Vai estar toda a gente bonita e não quero ir ter contigo cansada…
William soltou a mão dela por instantes e mostrou-lhe o sapato, fazendo-a calar-se:
-Não conheces a história da “Cinderela”?
Margarett não lhe respondeu. Manteve-se fixa no sapato lustroso que se estendia para si. Pegou-o com cuidado absorvendo toda aquela simbologia.
William aproveitou as duas mãos livres e agarrou o rosto de Margarett com uma brandura forçada. Ela viu-se obrigada a encara-lo:
-Tenho a certeza que amanha serás a mais bela, como és sempre. Não vão restar vestígios das cinzas que te consomem a alma há séculos e serás uma verdadeira Cinderela que vai brilhar sobre o mais podre dos cenários. No final, tenho a certeza que o sapato só te servirá a ti. Isso será a prova da tua essência. A essência mais perfeita que eu já senti…
Margarett tocou os pulsos dele com o coração aos pulos, para ter mais sensibilidade ao toque das mãos dele sobre a sua pele. Sentiu-o a aproximar as cabeças e quase sem noção inclinou a sua para que os narizes não se tocassem, mas se encaixassem. A respiração dos dois embateu uma na outra e no preciso momento em que ia acontecer uma luz na mente de Margarett fê-la desviar o rosto atrapalhada. Os lábios de William caíram sobre a sua pele, ao contrário do que desejavam.
Margarett voltou a admirar o olhar confuso de William. Respirações ofegantes a rasgarem o seu interior. Ela não conseguiu dizer nada sobre o que ia acontecendo, por isso levantou-se e olhou em redor. Viu reflexos do sol nas águas do rio e viu ali o seu pretexto:
-William… - Chamou com doçura – Eu acho melhor ir para casa. Amanha será um dia cansativo portanto deve ser melhor relaxar para o baile.
Ele não disse nada. Estava um pouco desiludido por aquele “quase”, mas aquilo não o fez em nada sentir-se mal. Pelo contrário, soube naquele momento que a distância entre os dois estava a desaparecer porque Margarett não se sentia indiferente em relação a ele.
Pegou no sapato, ainda sentado no chão e estendeu-o para o pé da sua idolatrada Margarett. Ela calçou os sapatos sem hesitar e William levantou-se com a ajuda da mão dela ficando com o corpo rente ao dela. Contemplaram-se directamente uma última vez.
Depois, foram para casa.
Margarett dirigiu-se ao ateliê de costura depois de se despedir educadamente de William. Quando lá entrou viu tudo terminado. O local limpo, a máquinas paradas e os manequins nus. Excepto um.
Margarett estreitou as sobrancelhas ao reconhecer a peça que não era a devida. Soube que algo se tinha passado na sua ausência. Aquele não era o vestido que anteriormente ocupava o modelo, o vestido que fizera com o tecido que David lhe oferecera.
Aquele era outro, era o último vestido.
O vestido de Brittany.
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Pronto, como vêem agora há concorrência forte para o David. Vejam lá se não mudam de Team!
Bjokas!
como hoje é o meu aniversário venho actualizar a fic e deixar-vos o "presente".
Peço desculpa por não ter relido o capitulo e se encontrarem muitos erros já sabem a razão. Infelizmente ando mais para lá do que para cá, por isso é que não tenho sido tão assidua aqui nem na escrita da historia. Não sei quando e se melhorará, mas enfim, desfrutem!

Capitulo 16 – O último vestido
“Solidários, seremos união. Separados uns dos outros seremos pontos de vista. Juntos, alcançaremos a realização de nossos propósitos.”
(Bezerra de Menezes)
(Bezerra de Menezes)
-Muito obrigada, David!
Margarett deu um beijo rápido a David e depois subiu os degraus da fachada da sua casa, com uma saca na mão.
Com cuidado, abriu a porta e entrou, batendo-a devagar.
Ao levantar o olhar, o seu pai, Adolfe Wilson, esperava-a no hall, de braços cruzados e tom sério. Deu um passo para se aproximar ao ver a filha estática em frente da porta:
-A tua mãe espera-te na sala de estar.
Margarett revirou os olhos e suspirou, pressentindo uma longa noite de sermões, mas assentiu, seguindo o progenitor para a porta do lado direito. Antes de a atravessar, porem, olhou o pai:
-Papa, eu não fiz nada de mal.
Mr. Wilson encarou-a e sorriu pacientemente:
-Eu sei que não querida, mas a tua mãe está zangada. Tentemos ser rápidos.
Ele voltou a fazer cara feia, porem Margarett sorriu, pois sabia que aquilo era apenas o papel que ele ia representar para a sua mãe.
Entraram os dois na sala. Mrs. Wilson estava sentada no sofá individual, de perna alçada e braços cruzados. Ela sim estava verdadeiramente zangada. Margarett baixou a cabeça, como se o simples olhar da mãe já fosse um castigo.
-Onde estiveste?
Margarett não soube o que dizer.
O resto da tarde, depois de acordar, tinha sido passado a jogar á bola no recinto exterior da mansão. Ela e David brincaram com uma bola vermelha, exactamente igual àquela que ele lhe mostrara no dia em que ela lhe noticiara a sua partida para França. Foi um jogo divertido. Ela venceu, mas sabia que, em parte, David a tinha deixado ganhar. Depois da correria ele levou-a pelas ruas movimentadas da vila até chegarem ao Lili’s Diner. Janice e Daisy estavam a sair dos seus postos para se irem embora quando encararam o par de compinchas a entrar no restaurante. Pareciam novamente os miúdos de 12 anos a que toda a gente já se tinha desabituado, mas por outro lado, elas notaram a química entre os dois. Era nítida a cumplicidade e foi divertido vê-los juntos daquela forma, como nos velhos tempos. A diferença, passados os cinco anos, foi que elas se sentaram com eles os dois, que se besuntaram com uma hambúrguer gigante, cheio de bacon e cebola grelhada, e conversaram como se conhecem-se há anos. Algo estranho, visto que em criança eles mal se falavam e David era alguém com quem não costumavam interagir. Miraculosamente, naquela tarde todos se viram envolvidos no mesmo grupo. Até Eric se juntou a eles, quando passou pelo Lili’s Diner para comprar tabaco e quem olhasse de fora diria sem pensar que eram todos muito chegados. Era uma ideia errada, mas os risos entre todos confundiam os demais. Ao final da noite, quando David e Margarett regressaram para casa ele deu-lhe algo, que tinha escondido num canteiro de flores. Era uma saca com um tecido cor-de-rosa translúcido. Margarett abriu a boca em choque ao reconhecer aquele tecido que David e ela tinham admirado da primeira vez que tinham ido comprar panos juntos. Ela não o tinha comprado por não ter dinheiro, mas David tinha garantido que era ideal para ela. Foi por isso que ele, ao fim daquela tarde maravilhosa, lhe ofereceu os metros do pano. Sabia que ela ainda não tinha vestido para o baile, e fora o presente perfeito, sem dúvida.
Ela sorriu discretamente ao lembrar-se da saca que tinha na mão, mas concentrou-se na questão da mãe:
-Fui passear e tentar divertir-me.
-Com quem? – Indagou a mulher, atentando na filha com um olhar mais doloroso do que o anterior.
Margarett sentiu-se a gaguejar.
-Com o David…
Dorianne Wilson levantou-se lentamente e aproximou-se da moça devagar.
O conjugue arqueou a sobrancelha perante a aproximação da esposa.
Sem estar á espera, só conseguiu ver a mão dela esticada como uma tábua a acertar com bastante força no rosto de Margarett deixando a cabeça da rapariga voltada para o lado pela força exercida naquela bofetada ensurdecedora.
-Dorianne! – Grunhiu o homem, irritado.
Margarett deixou a saca cair ao chão e levou as mãos à cara, com o seu diafragma aos solavancos, causando soluços lacrimosos e lentos
-Foste brincar!? – Berrou a adulta – Não achas que já és crescida que chegue para saberes qual é o teu dever?! Causaste um grande susto a mim e ao teu pai, não fizeste o teu trabalho, mesmo sabendo que temos prazos para concluir os vestidos. E agora vens-me dizer que estiveste com o David?! O David?! O que te disse eu sobre a companhia desse rapaz?
-Dorianne, basta! – Gritou Mr. Wilson transtornado, abraçando a filha chorosa contra o seu peito.
-Não a mimes, Adolfe! Ela tem que saber que o que fez está errado! Tens trabalho a fazer Margarett, não quero que percas tempo com um desnaturado como o David! Ouviste bem, minha menina?!
Margarett limpou as lágrimas e ainda a soluçar afastou-se do pai e olhou a mãe com raiva:
-Eu não sou sua escrava! Você não me paga pelo meu cansaço! O emprego é seu, não é meu e eu só quis relaxar um pouco, e o David…!
Ela foi interrompida por outra bofetada. E depois outra, ainda mais forte.
Mr. Wilson agarrou a mulher com força e empurrou-a para longe da filha:
-Controla-te mulher! Como ousas tocar assim na nossa filha?!
-Cala-te Adolfe! – Bramou irritada - Cala-te! E tu pára de chorar imediatamente! Não tens razão alguma para isso!
Margarett soluçou e tentou escapar-se daquele lugar. Correu na direcção da porta de saída, para sair de casa, mas a mais velha segurou-a pela coxa do braço com rudeza e torceu-lho para a manter quieta:
-Mãe, largue-me! Está a magoar-me! – Chorou Margarett, vendo o seu braço a ficar roxo rapidamente.
-Já saíste que chegue por hoje!
-Dorianne, solta-a! – Ordenou Mr. Wilson – Estás louca!
A sua mulher não respondeu. Arrastou a filha pelo corredor violentamente e chegando á ultima porta empurrou-a para dentro daquele quarto escuro e trancou-a lá dentro com a chave. A luz ligou-se de seguida e ela escutou os pais a discutirem sobre a chave do lado de fora. A progenitora ganhou a batalha com facilidade depois de muito insultar o homem com quem havia casado.
-Tens a noite toda para recuperar o dia de hoje! – Advertiu a genetriz do lado de fora – Terminei o vestido de Mrs. Framy e os vestidos de Mrs. Terne e Mrs. McDrew já estão adiantados, só tens de fazer os acabamentos – Margarett olhou os bustos calçados com os vestidos e tentou limpar as lágrimas – Mas ainda te falta o vestido para a filha de Mrs. Wells. Tens a noite toda para ter pelo menos dois deles terminados.
Margarett deu um pontapé nos carrinhos de linhas. A mãe afastou-se depois disso, deixando-a sozinha entre lágrimas. Margarett reflectiu sobre como o dia tinha ficava arruinado em questão de segundos. Aquele devia ter sido o seu melhor dia em anos e a mãe conseguira arruinar tudo.
Olhou o tecido já cortado para a Brittany e viu tudo preparado para terminar os outros dois vestidos. Pensou em não fazer nada e dormir sobre os farrapos cortados, mas deduziu que isso só lhe traria problemas, portanto, sentou-se na máquina de costura depois de pegar no primeiro vestido e começou a fazer a sua magia, ainda que revoltada.
David estava no quarto, relaxado. Esperava a luz do outro lado da janela mas ela estava a demorar. Pensou no que estaria Margarett a fazer, todavia, depois de perder a paciência a esperar por ela desceu as escadas animado e foi para a sala ver TV antes que a emissão terminasse. Estava a dar um filme com a Grace kelly, que ele já tinha visto antes, mas deixou-se ali a visiona-lo até lhe dar o sono e adormecer despreocupado.
Foi uma noite rápida para ele.
Para Margarett não foi igual.
As olheiras do choro ficaram ainda mais pretas por causa do sono. Ela tentou manter-se acordada enquanto adicionava folhos a um vestido amarelo quase pronto. Depois coseu-lhe uma fita de cetim branca nas costas, para criar a ilusão de corpete e adicionou uma bainha também branca na gola. Observou o relógio de parede. Três da manhã. Suspirou e mudou de peça. O vestido seguinte pareceu-lhe mais simples. Só teve que lhe fazer três pregas e pôr uma fila de pequeníssimos botões na parte ftraseira da peça e fazer as respectivas casinhas. 30 Botões do tamanho de ervilhas e 30 casinhas para cada um. Depois aumentou o volume das mangas. No final chegou á conclusão que afinal aquele vestido não era mais simples. Culpa sua por fazer coisas tão elaboradas.
Voltou a olhar para o relógio. Cinco e tal da manha. Pelo menos dois vestidos estavam concluídos, como fora exigido. Engomou-os aos dois e colocou-os nos respectivos modelos.
Nesse momento a porta abriu-se. Ela deu um salto com o susto, até ver o seu pai com a chave prateada na mão:
-Desculpa, minha querida!
Margarett abraçou-o com força.
-Não queria que isto acontecesse. Só agora consegui encontrar a chave daqui. A tua mãe escondeu-a bem.
-Obrigada papá. E não tem culpa pelo que a mãe fez. - Margarett esfregou os olhos -Pelo menos terminei os vestidos que ela exigiu.
-Vem dormir agora. Precisas de descansar.
Margarett negou com a cabeça.
-Papa, alguém pegou naquela saca que eu deixei na sala?
O homem deu de ombros:
-Não vi nada.
A adolescente saiu do quarto de costura e dirigiu-se á sala, com o pai a servir de guarda-costas. Viu depressa a saca esquecida no chão e pegou-a. Depois voltaram os dois para o atelier.
Ela retirou o tecido para cima da mesa de cortar e encarou o pai:
-Paizinho, vamos fazer assim. Volte a trancar-me aqui dentro e coloque a chave onde a encontrou, para a mãe não saber que eu saí do quarto.
-Mas querida, vais ficar aqui a trabalhar?
-Desta vez não. Vou fazer o meu vestido, antes que chegue o dia do baile e eu não tenha nada para levar. A mãe não vai saber.
O homem suspirou e aproximou-se da filha. Admirou o tecido e sorriu:
-É mesmo a tua cara.
Ela sorriu também. Um sorriso que, segundo o velho pai, apagava aquele ar de cansaço.
-O David disse o mesmo.
-Foi ele quem to deu? – Perguntou.
Ela apenas balançou a cabeça para confirmar. O homem sentou-se na cadeira e encarou a filha, reflectivo:
-Vós dais-vos muito bem, não é?
-Sim… Ele é o meu melhor amigo. Sempre foi.
-Hum… - Mrs Wilson esfregou as têmporas e depois encarou a sua menina – Sabes que a tua mãe não gosta que te dês com ele…
Margarett suspirou e deixou os braços cair:
-O David é boa pessoa, eu juro! Não entendo este problema dela com ele!
-Ela é complexa.
-Eu sei, mas nem eu nem o David temos culpa disso. – Margarett encostou-se á mesa, amuada e depois espreitou o homem sentado á sua frente - Ele é meu amigo, pai…
Mr. Wilson levantou-se da cadeira e beijou a testa da filha:
-Então aproveita isso. Se vós vos dais bem, ignora tudo o resto e desfruta dessa amizade. É o meu único conselho.
Margarett sorriu para o pai e deixou-o sair para regressar para o quarto dele. Voltou a ser trancada e depois o mundo tornou-se só dela.
David estava a dormir profundamente quando escutou umas marteladas irritantes do lado de fora. Tinha adormecido na sala e estava com o corpo todo torto. Levantou-se para ir para o seu quarto e fugir ao barulho, mas tal não aconteceu. Pelo contrário o som ficou mais alto. Ele jogou-se na cama e cobriu o rosto com a almofada para tentar ignorar os ruídos. Contou cerca de dez carneiros e adormeceu num instante.
Mais três horas a dormir. Depois acordou naturalmente. Olhou o relógio despertador. Eram quase 11horas da manhã.
Levantou-se, foi tomar um duche, vestiu qualquer coisa e abriu a janela do quarto para entrar algum ar fresco naquele quarto abafado. Ao empurrar as empanadas um choque atravessou-se no seu cérebro.
-Mas que…?!
Ele abanou a cabeça, confuso. Deu uma volta dentro do quarto e regressou á janela, completamente á nora.
Entendeu o motivo daquele martelar há algumas horas e um tsunami de fúria invadiu toda a sua alma de forma grotesca.
Desceu as escadas a correr e quase tropeçou ao sair para o exterior. Bateu a porta com violência e antes de subir as escadas da casa vizinha, voltou a verificar a janela do quarto de Margarett. Era inacreditável.
Ele martelou a porta com bastante força. Queria explicações, e depressa.
Do lado de dentro da casa, Margarett sobressaltou-se com aquele som. Sabia que era ele, todavia não foi a única. Mrs. Wilson levantou-se da máquina de costura e não deu oportunidade á filha de proclamar fosse o que fosse, nem sequer de se mexer. Obrigou-a a continuar o vestido de Brittany que estava apenas no inicio.
Mrs. Wilson trancou a porta discretamente e caminhou até ao hall de entrada. Abriu a porta, como se as pancadas fossem leves e casuais e saiu:
-Sim?
David pestanejou perante a atitude hipócrita da vizinha:
-Porque é que tem tábuas pregadas á janela do quarto da Margarett?
-Entrava demasiado sol. Ela preferiu assim.
-Não acredito! Onde está ela?
Ele preparou-se para invadir a casa, mas o braço de Dorianne impediu-o:
-Está a trabalhar! Não a incomodes, já a entretiveste que chegasse ontem!
David cerrou os dentes e olhou para os lados, nervoso:
-Você prendeu-a?!
-Que idiotice, rapaz! Vai-te embora que eu tenho trabalho a fazer!
David rangeu os dentes e ao ver Mrs. Wilson a fechar-lhe a porta na cara empurrou-a para entrar lá dentro.
Mrs. Wilson tentou impedi-lo, mas num instante ele alcançou a porta do ateliê. Rodou a maçaneta e empurrou, mas não aconteceu nada. Voltou a mover a borla e começou a abana-la numa tentativa frustrada de abrir a entrada.
Mrs. Wilson sobressaltou-se pela invasão e agarrou os braços de David para que ele se afastasse da porta do quarto de costura.
-Que pensas que estás a fazer, miúdo?! Sai da minha casa!
Infelizmente para si, os anos tinham sido generosos com David e ele tinha muito mais força do que ela.
Começou a bater na porta:
-Margarett, estás aí!? – Chamou - Abre a porta!
Mrs. Wilson cruzou os braços, conformada de que a porta não seria aberta para o garoto:
-É inútil, ela não quer ver-te!
Margarett escutou aquilo. O pânico tomou conta de si por alguns segundos, segundos esses em que a sua voz sumiu. Ela levantou-se do seu banquinho e foi para junto da porta. Tentou abri-la assustada, mas entendeu que estava trancada.
-Margarett, responde-me! – David encostou-se á porta. Tentou ouvir algum som do interior, porem nada escutou - O que aconteceu Mag?! Abre a porta, por favor!
-Ela está ocupada! – Urrou a mais velha já a ferver.
David teve vontade de bater nela. Dar-lhe uma tareia pelas mentiras que estava a dizer. Sabia que Margarett não ia deixar de falar com ela da noite para o dia.
-Mag, estás a ouvir-me? Diz algo!
Margarett agarrou o puxador. Mexeu-o também e num momento o seu coração chegou-lhe á boca. Ela estava presa outra vez. Mas desta vez era pior porque David estava do lado de fora. Ainda assim, o pior era a falta de palavra que a afundaram de repente.
Ela começou a bater na porta, como sinal de resposta, mas logo parou ao pensar na maldosa mãe.
-David… -murmurou.
Ele ouviu-a O seu coração ficou agitado.
-Rett…
-Tenho muito trabalho a fazer… - murmurou ela. Um fio de agua escorreu desde o seu olho até ao fim da bochecha. – Assim que puder vou falar contigo, mas por agora é melhor… é melhor eu ficar por casa a trabalhar.
David olhou a porta estaticamente e depois encarou Mrs. Wilson. Percebeu pelo tom de voz de Margarett que ela não estava bem. Ele lançou um olhar mortífero á mulher que o encarava triunfante:
-Você é malvada. – Acusou.
-Atento na língua, rapazinho! Vou falar com a tua mãe sobre o teu comportamento inapropriado!
David elevou o seu tom de voz com esperança que as suas palavras fossem escutadas no exterior da casa:
-E eu vou dizer-lhe que você trancou a sua própria filha para trabalhar para si!
Margarett cerrou as pálpebras ao escutar aquele clamor. Dorianne não se ia deixar vencer, obviamente. Já conhecia a mãe e sabia que ela tinha de ganhar sempre.
-De certo que ela entenderá que eu não queira ver a minha filha nas garras de um delinquente como o mal-educado do seu filho!
David rosnou internamente e aproximou-se da vizinha, olhando-a em tom ameaçante:
-Você acabou de iniciar uma guerra comigo, Mrs, Wilson. A partir de agora pode contar com tudo.
A fêmea estreitou as sobrancelhas e cerrou os dentes à medida que dava passos para empurrar David na direcção da saída da casa:
-Sai já da minha casa ou chamo a policia! – Bramou em êxtase pela ameaça.
David deixou-se empurrar para o exterior e mal pôs o pé nas escadas de acesso à rua, fez questão de dar um ultima resposta em alto e bom som para que os vizinhos o escutassem:
-Então chame! Chame a polícia e mande-me prender! Não me importo, porque no final a má da fita será a senhora por manter a sua filha presa num quarto sem janelas, a morrer de fome, prestes a ter um esgotamento por ser sua escrava!
A mãe de Margarett abriu a boca, pronta para protestar, mas ao notar alguns jovens do bairro a olharem para os dois um pingo de vergonha afundou as suas palavras.
David por outro lado conseguiu finalizar:
-Eu vou tira-la daqui, pode contar com isso!
Ele voltou costas e seguiu caminho, furioso. Xingou tudo e todos durante o curto trajecto para o Lili’s Diner. As suas mãos trémulas não fizeram jus ao olhar irritado. Quando ele se sentou ao balcão, nem se apercebeu de quem estava em redor, nem quis saber. Bufou e retirou um guardanapo que logo começou a rasgar. Uma sombra surgiu á sua frente:
-Olá David, tudo bem?
Ele nem se apercebeu quem falara. Estava nervoso, muito nervoso:
-Não. Estou furioso. Dá-me algo forte!
Janice semicerrou os olhos, estupefacta com a forma de ele estar naquele momento. No dia anterior estava tão bem.
-Aconteceu alguma coisa? Se eu puder ajudar…!
David olhou-a com rispidez e depois respirou fundo, enquanto batia o pé de maneira irritante no chão:
-Desculpa Janice. Estou irritado.
Ela sorriu:
-Já me apercebi. Ontem estavas bem. O que se passou numa noite?
Ele deu de ombros e deixou cair as mãos sobre o balcão. Janice reparou nesse momento no grande golpe que lhe atravessava a palma. Nunca havia reparado, mas pelo aspecto, aquela cicatriz estava ali há muito tempo.
-Foi a Margarett.
Margarett.
O nome captou a atenção de alguém ali perto.
William parou de escutar Daisy, que lhe falava com uma timidez típica no timbre vocal.
Olhou Janice e David. Ela atenta a ele. Ele nervoso a bater o pé e destruindo o papel nas suas mãos. Por muito que o desprezasse precisava de saber algo sobre Margarett. Não a via há tempo suficiente para a sua alma entrar em decadência. Levantou-se do seu banco.
Daisy sentiu-se idiota por ter estado a falar sem obter resposta. Era sempre assim. William tinha a estranha capacidade de a ignorar quando ela tinha mais coragem para falar. Baixou o olhar desgostoso e voltou para o seu posto, sem ter coragem sequer para o encarar.
William aproximou-se de David e Janice e antes que ele respondesse à questão que Janice lhe colocou, ele interveio:
-O que tem a Margarett.
David nem o mirou. O seu olhar revirou instantaneamente mal o cérebro descodificou o portador daquela voz. Depois suspirou tentando ganhar força - e sobretudo vontade – para lhe responder. Basculhou no interior algum incentivo, e lá no fundo muito fundo, achou que seria desagradável ficar sem lhe falar, por Margarett:
-Está presa… - Murmurou por fim, sem o encarar – A trabalhar em casa. A mãe dela não a deixa sair até os vestidos estarem todos perfeitos. – Ele sorriu ironicamente, desanimado – Mas é claro que tu não tens noção do que isso é. Trabalhar até alcançar a perfeição. Demora muito, sabes William? Às vezes uma vida inteira… Apesar de pensares que é uma questão de tocares a sineta.
William cerrou os dentes, irritado:
-Qual é o teu problema, Paisen?! Eu apenas perguntei pela Margarett. Não pedi para comentares a tua visão da minha vida.
Janice mordeu o lábio. Já conseguia ver os trovões sobre a cabeça dos rivais.
Eles por fim encararam-se. Fulminantes, sem dúvida.
-Por favor, não discutam. – Pediu com cuidado para não os irritar mais.
David tornou a pôr-se de frente para Janice. Pousou os braços no balcão e encostou-lhes o queixo, derrotado:
-Desculpa.
William preparou-se para atacar, todavia ficou chocado com as palavras de David, tal como Janice que deu um passo de recua por cautela. William arqueou a sobrancelha desconfiado e esperou para ter a certeza que não tinha ouvido mal.
-Desculpa, mas eu estou nervoso. – David assumiu de olhar perdido - Não sabes o que é ver a Margarett cada vez mais fraca, sempre trancada em casa a trabalhar… e quando lhe dás um pouco de ar puro, dura uns miseráveis segundos.
William, pela primeira vez, entendeu David. Não soube o que responder a princípio, afinal de contas com David sempre tivera de medir as palavras para que ele não iniciasse logo uma discussão. Naquele momento, no entanto, ele não teve coragem para atiça-lo para uma briga. Porque David tinha razão.
-Mas… Quando ela chegou á cidade, ela… Ela vinha mais vezes aqui e eu via-a mais vezes na rua. O trabalho não era impedimento para ela.
David voltou a levantar o tronco:
-Tu não entendes? É por causa do Baile de mascaras da tua mãe. As mulheres andam loucas por conseguir vestidos exclusivos e a Margarett tem talento. Até demais. Depois destas semanas todas até duvido que consiga mesmo ir ao baile.
William sobressaltou-se nesse momento. Não podia ser! Ela tinha que ir ao baile. Era a sua oportunidade! Se ela não fosse, então tudo aquilo seria em vão! Tinha de fazer alguma coisa para ajuda-la:
-espera aí! Ela tem que ir ao baile. A minha mãe faz questão e… - Ele corou levemente - Ela disse-me que vinha.
David teve vontade de estripa-lo, mas aí sorriu e levantou-se da cadeira:
-É isso! Tu!
Janice, calada até ao momento, aproximou-se para saber o que David pensava.
-Eu o quê? – Indagou o Finkie.
-Tu és a solução. Mrs. Wilson não vai conseguir dizer-te que não se convidares a Margarett para sair.
Janice sorriu, entendendo a ideia.
-Deixa ver se entendi, Paisen: Tu, que me odeias tanto como eu te odeio a ti, queres que leve a Margarett a sair?
David estendeu-lhe a mão para selarem o acordo, mas antes teve de se explicar:
-Pela Margarett sou capaz de espetar farpas a cada milímetro do meu corpo. Não me importo de ser o mau da fita, não me importo de vê-la contigo. Ela é tão importante para mim que eu vendia a minha alma ao diabo para vê-la bem. Tu não me conheces, Finkie. Mas se há coisa que eu sou é Louco o suficiente para fazer as coisas mais improváveis, desde que no final eu veja o fim que eu pretendia. Neste caso, só vou pensar nas consequências dos meus actos depois de saber que ela estará bem. – Janice levou a mão ao peito, num suspiro causado pelo discurso de David – Conto contigo para isso.
William admirou David naquele momento. O seu desdém continuava lá, sem dúvida, mas agora ele tinha o mínimo de respeito pelo adversário.
Estendeu a sua mão para ele e o pacto foi selado no preciso momento em que Jack e o seu bando entraram no estabelecimento.
O líder olhou David com repulsa e o sentimento aumentou quando encarou o aperto de mão e o sorriso vitorioso que ele trocou com o “Moedinhas”. Chamou Clide e Carter para que o acompanhassem até ao novo inimigo desprevenido.
-Paisen…! – “Cumprimentou”.
David olhou-o sem medo, com descaramento até. Antes de responder fosse o que fosse deu uma última espreitadela a William e murmurou-lhe entre dentes um “Vai!” para que o plano se iniciasse. Este por sua vez não perdeu tempo e saiu do estabelecimento.
Janice receosa tomou conta dos gestos de David ao encarar Jack e os acompanhantes:
-O que queres, Jack?
-Nada, Paisen. Apenas queria entender essa tua repentina amizade com o banqueiro.
David revirou os olhos:
-Acredito que estejas com ciúmes, mas infelizmente para ti a minhas relações pessoais não te diz respeito.
Jack precipitou-se para cima de David, sendo impedido por Carter. David não se mexeu um milímetro, para admiração de Janice.
Jack cuspiu, irritado:
-Por falar em relações, onde anda a tua princesa de França? Aparentemente, deixar de falar connosco não deu em nada. Ela continua a ignorar-te.
David cerrou os punhos com raiva, mas manteve a postura calma:
-Não tanto como os teus amigos do bando te estão a ignorar. È triste Jack, mas algum dia eles abririam os olhos. Fico feliz por saber que fui eu quem desencadeou isso.
Jack desta fez não foi impedido e atirou-se para cima de David, que se desviou e fez Jack embater no balcão. Ally, acabada de chegar ao local empurrou Jack para sair do local:
-Não quero confusões! – Exclamou enquanto o encaminhava na direcção do exterior, juntamente com Carter e Clide – Se não sabem vir cá sem ser para brigarem, então não venham!
As pessoas em redor cochichavam desconfortáveis com o incidente, porem admiradas pelos três vândalos respeitarem a ordem da servente.
David viu Jack do outro lado da porta de vidro a fazer-lhe um sinal de cuidado. Superior ao gesto deu de ombros e manteve-se serio e calmo. Ele não tinha medo.
William chegou a casa dos Wilson. Bateu á porta ansiosamente e enquanto não escutou os passos no interior lambeu a mão e passou-a pelo cabelo de modo a arranja-lo.
Mrs. Wilson entreabriu a porta para inicialmente espreitar quem era. Ao encarar o rapaz dos Finkie sorriu exageradamente e abriu totalmente a entrada, hipocritamente educada:
-William, que surpresa ter-te por cá! Entra, por favor!
William sorriu, primeiro por cortesia mas depois por aperceber-se que David tivera razão no que dissera:
-Boa tarde, Mrs. Wilson. Espero não vir atrapalhar.
-Ora essa! – Disse ela, fechando a porta de entrada sem quebrar o contacto visual com o rapaz formoso e arranjado – O que te trás por cá?
-Bom, vinha ver a Margarett. Já não a encontro há dias, portanto resolvi procura-la na sua adorável casa.
Dorianne riu-se em tom de orgulho e acenou com a cabeça. A sua casa era igual a todas as outras, mas era sempre bom escutar comentários elogiosos ao seu lar. Matreira como era, logo teve de arranjar maneira de fazer a vontade ao rapaz e junta-lo a Margarett:
-Claro, querido! – A mulher olhou até ao fundo do corredor como se espreitasse algo e sem se mover fez um ar simpático e amoroso - Margarett, querida, vêm cá, a mamã tem uma surpresa para ti!
William corou levemente mas sorriu. Olhou também para o corredor á espera que a sua amada surgisse, bela como sempre. Nada aconteceu, afinal. A porta continuava fechada.
Mrs. Wilson deu um saltinho, recordando que trancara Margarett para vir abrir a porta e tentou disfarçar:
-Oh, desculpa, ela não deve ter escutado por causa do barulho da máquina de costura.
William acenou com a cabeça, mas não pode acreditar na desculpa. Ele não ouvia máquinas nenhumas.
-Espera um segundinho, eu vou chama-la pessoalmente. Ela vai adorar ver-te!
Dorianne dirigiu-se ao quarto de costura e discretamente colocou a chave e abriu a porta. Entrou no ateliê e arrancou o vestido que Margarett cosia nas suas mãos dormentes com brusquidão. Obrigou a rapariga levantar-se e ajeitou-lhe a roupa do dia anterior, suada e suja. Deu-lhe umas palmadinhas na face para ela ganhar alguma cor e ajudou a prender o cabelo loiro num puxo alto:
-Põe-te bonita, rapariga, tens visitas!
Margarett olhava a mãe confusa e deixou-se guiar para o hall de entrada com força.
Quase tropeçou ao chegar ao pé de William, mas sorriu feliz ao vê-o à sua frente:
-William!
Ele desenhou um forte trejeito de felicidade na cara, extasiado por vê-la. Notou que David não mentira ao dizer que ela estava mal. O seu aspecto desgastado via-se a léguas, mas a sua verdadeira essência estava lá.
-Olá Margarett! – Cumprimentou com um beijo na mão que fez Mrs. Wilson dar pulos no seu interior – Vinha convidar-te para vires dar um passeio. Já não nos víamos há bastante tempo, não é verdade?
Margarett sentiu uma dormência nas bochechas:
-è verdade William. Eu adoraria, juro que sim, mas ainda estou a terminar o ultimo vestido. Terei de recusar o convite, infelizmente. – Admitiu com sinceridade.
Mrs. Dorianne Wilson quase teve um ataque cardíaco perante a resposta da filha pelo que teve de intervir:
-Ai credo, Margarett! És tão exigente contigo mesma, filhinha! – Margarett teve vontade de vomitar contra aquele comentário hipócrita - É o último vestido, portanto eu termino-o num abrir e piscar de olhos. Vai arranjar-te e não hesites em ir divertir-te com o teu amigo!
-De certeza? – Quis confirmar, desconfiada.
-Absoluta! Agora vai-te preparar! William posso servir-te um chazinho?
-Com todo o gosto, Mrs. Wilson.
Margarett tomou um duche rápido e vestiu algo simples e delicado. Pôs um chapéu sobre o cabelo e calçou uns sapatos bonitos, colocou um pouco de perfume, disfarçou as olheiras e foi ter com William que já a esperava á entrada. Este pegou-lhe a mão delicadamente quando ela desceu o último degrau e sobre a supervisão da mãe da amada levou-a para fora de casa.
Margarett suspirou mal se viu no exterior solarengo, livre do trabalho e da mãe. Deu graças a Deus por William a ter salvado daquele castigo.
Ele puxou-a para a caminhada, porem ela travou-os entre a sua casa e a de David. Espreitou para a janela do seu próprio quarto e abriu a boca ao perceber o que tinha causado o conflito de David naquela manhã. Nem quis acreditar ao ver a janela do seu quarto selada com madeira. Era doentio. Depois encarou a janela da casa ao lado. Aberta totalmente para que o ar circulasse. Era nítida a diferença de ambientes das duas casas semelhantes. Numa havia vida e jovialidade. Na outra escravidão e infelicidade.
Margarett deixou de olhar para lá e seguiu de braço dado a William que a encarava preocupado. Por momentos ele quis perguntar-lhe se ela queria ir ter com David, mas optou por aproveitar aquele escasso momento para estar a sós com a dona do seu coração.
Levou-a a passear pelos parques de árvores e perto das margens do rio.
Ao inicio debateu-se sobre o tema de conversa que deveria inserir e por isso mantiveram-se os dois calados, levemente envergonhados.
Tomando coragem, William levou-a a sentar-se perto da margem do rio num lugar deserto onde abundavam árvores altas e verdes. Ela tirou o chapéu e descalçou-se. Os seus pés ainda não tinham recuperado de todo o esforço a que estivera sujeita durante aquelas dolorosas semanas de trabalho. William sorriu-lhe com cordialidade. Reparou nos pés bonitos e delicados, e nas pernas formosas e bonitas que estavam descobertas até aos joelhos, onde pousava a saia do vestido. Ele corou, mas atreveu-se a pegar no pé dela e passar o seu dedo ao de leve no calcanhar. Margarett tossiu, corada pelo gesto do rapaz.
-Desculpa. – Disse ele, soltando-a.
Ela abanou a cabeça sem jeito:
-Não…! Quer dizer, estou com os pés doridos, peço desculpa por me ter descalçado á tua frente. Fui indelicada…
Ela pegou no sapato para se calçar. Não sabia ao certo o que dizer. Estava envergonhada com o seu gesto. Todavia foi surpreendida quando William lhe roubou o calçado das mãos com suavidade e a olhou directamente nas safiras azuis.
-Não te preocupes, eu não fiquei incomodado… Aliás prefiro que te sintas à vontade ao meu lado.
Ela apertou um sorriso e olhou para as mãos do rapaz que seguravam o sapato com delicadeza. William soltou uma das suas mãos e arrastou o seu corpo para mais perto de Margarett. Levou os seus dedos á face dela e acariciou a bochecha rosada com os olhos fitos na pele alva e suave:
-É nítido que estás cansada. Notei isso mal te vi, no entanto não posso deixar de admirar como continuas linda mesmo assim.
Ela afastou a cara da mão dele sentindo o rosto a arder. As borboletas no seu estômago morderam-na com força e ela viu-se obrigada a humedecer os lábios:
-William… - O murmúrio dela fez o corpo do rapaz tremer – Assim deixas-me tímida e desajeitada.
Ele sorriu e deslizou a mão pelo braço de Margarett abaixo, até alcançar a sua mão fina. Depois voltou a manter contacto visual com a íris da jovem costureira:
-Amanha vens ao baile, não vens?
Margarett acenou levemente o crânio afirmativamente, dando permissão a William de continuar:
-Bem… Se não tiveres nenhum par… - Ele olhou as mãos dos dois que se mantinham uma sobre a outra e tentou acumular confiança a partir dali - Será que… Sei lá… Eu gostava que… - William mordeu o lábio, acanhado pela sua falta de jeito.
Margarett soltou um riso ao ver o atrapalhamento do rapaz. Ele riu-se também ao escutar aqueles sinos gloriosos a tocar. Sabia que não precisava de ter tanta vergonha, mas não podia evitar. Ele estava apaixonado.
-Eu adoraria ir ao baile contigo, William. – Respondeu Margarett sem esperar pela pergunta concreta – Na verdade tenho um certo receio ainda…
-Porquê? – Inquiriu ele, nervoso.
Ela colocou uma madeixa de cabelo que lhe caia à frente dos olhos atrás da orelha e respondeu com tristeza:
-Tenho medo de amanhã ainda estar com este aspecto morto. Vai estar toda a gente bonita e não quero ir ter contigo cansada…
William soltou a mão dela por instantes e mostrou-lhe o sapato, fazendo-a calar-se:
-Não conheces a história da “Cinderela”?
Margarett não lhe respondeu. Manteve-se fixa no sapato lustroso que se estendia para si. Pegou-o com cuidado absorvendo toda aquela simbologia.
William aproveitou as duas mãos livres e agarrou o rosto de Margarett com uma brandura forçada. Ela viu-se obrigada a encara-lo:
-Tenho a certeza que amanha serás a mais bela, como és sempre. Não vão restar vestígios das cinzas que te consomem a alma há séculos e serás uma verdadeira Cinderela que vai brilhar sobre o mais podre dos cenários. No final, tenho a certeza que o sapato só te servirá a ti. Isso será a prova da tua essência. A essência mais perfeita que eu já senti…
Margarett tocou os pulsos dele com o coração aos pulos, para ter mais sensibilidade ao toque das mãos dele sobre a sua pele. Sentiu-o a aproximar as cabeças e quase sem noção inclinou a sua para que os narizes não se tocassem, mas se encaixassem. A respiração dos dois embateu uma na outra e no preciso momento em que ia acontecer uma luz na mente de Margarett fê-la desviar o rosto atrapalhada. Os lábios de William caíram sobre a sua pele, ao contrário do que desejavam.
Margarett voltou a admirar o olhar confuso de William. Respirações ofegantes a rasgarem o seu interior. Ela não conseguiu dizer nada sobre o que ia acontecendo, por isso levantou-se e olhou em redor. Viu reflexos do sol nas águas do rio e viu ali o seu pretexto:
-William… - Chamou com doçura – Eu acho melhor ir para casa. Amanha será um dia cansativo portanto deve ser melhor relaxar para o baile.
Ele não disse nada. Estava um pouco desiludido por aquele “quase”, mas aquilo não o fez em nada sentir-se mal. Pelo contrário, soube naquele momento que a distância entre os dois estava a desaparecer porque Margarett não se sentia indiferente em relação a ele.
Pegou no sapato, ainda sentado no chão e estendeu-o para o pé da sua idolatrada Margarett. Ela calçou os sapatos sem hesitar e William levantou-se com a ajuda da mão dela ficando com o corpo rente ao dela. Contemplaram-se directamente uma última vez.
Depois, foram para casa.
Margarett dirigiu-se ao ateliê de costura depois de se despedir educadamente de William. Quando lá entrou viu tudo terminado. O local limpo, a máquinas paradas e os manequins nus. Excepto um.
Margarett estreitou as sobrancelhas ao reconhecer a peça que não era a devida. Soube que algo se tinha passado na sua ausência. Aquele não era o vestido que anteriormente ocupava o modelo, o vestido que fizera com o tecido que David lhe oferecera.
Aquele era outro, era o último vestido.
O vestido de Brittany.
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Pronto, como vêem agora há concorrência forte para o David. Vejam lá se não mudam de Team!

Bjokas!

as minhas fic's:
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
-Angelical
Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
-Angelical
Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^
Essa mãe da Mag está a dar comigo em doida! Isso alguma vez se faz a um filho? -__-
E o presente do David!
Não estava mesmo à espera. Só espero é que o William não se aproveite de mais daquilo que o David disse!!
Adorei o capítulo! Tirando a parte do que a mãe da Mag fez! Mas isso são outras coisas
E o presente do David!
Não estava mesmo à espera. Só espero é que o William não se aproveite de mais daquilo que o David disse!!Adorei o capítulo! Tirando a parte do que a mãe da Mag fez! Mas isso são outras coisas


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