Peep-Toe & All-Star
Bun, mais uma vez agradeço-te imenso que tenhas lido angelical e que tenhas gostado!
Muito obrigada por teres dado a tua opinião. Se não gostas do David acho que só tende a piorar, ma spara compensar vai entrar uma nova personagem na fic e vamos lá ver no que dá! 
Então, hoje não vou pôr capa de novo nem. tenho vergonha na cara pela mixórdia que fiz
Para compensar vou colocar imagens d epersonagens que vocês podem ver porque não são assim muito importantes, logo não têm de pensar muito neles!
Cá vai:
Flashes da noite anterior ilustravam a sua mente. Os olhos cansados, adornados com olheiras negras e profundas, evidenciavam os cantos vermelhos que acompanhavam a íris azul celeste.
Desilusão.
Isso tirara-lhe o sono durante a restante noite.
Margarett revirava-se na cama. Já não chorava. Já tinha chorado na cara de David e o imbecil não mostrara qualquer compaixão por ela. Fora fraca por não ter escondido tantas lágrimas e odiava-se por isso. O relógio da sala soava as sete da manhã. Não tardava e Mrs. Wilson iria acordá-la para ir á missa. A jovem, de rastos, lá se levantou, querendo anteceder-se á mãe e esconder vestígios do seu choro. Sentou-se na consola e arranjou os cabelos, com uma pequena dose de laca para cabelo e um laçarote azul. Depois disfarçou as olheiras e usou o pó de arroz para lhe dar um visual mais natural.
Escutou baterem á porta. A cabeça da sua mãe surgiu, e os olhos arregalaram-se ao ver a filha já a arranjar-se. Foi ter com ela e deu-lhe um beijo na face, depois saiu e foi-se preparar.
Margarett suspirou e levantou-se. Vestiu um vestido com flores estampadas, em tons de azul claro, branco e vermelho e foi tomar um pequeno-almoço silencioso na companhia dos progenitores. Estes não notaram a sua apatia e depressa se conduziram á igreja, onde o reverendo deu um aviso que chamou a atenção da jovem. Uma lápide do cemitério apareceu partida naquela manhã e cria-se que se tratavam de vândalos. A rapariga empalideceu ainda mais, mas tentou não se importar. Não era problema dela.
-Margarett! – Exclamou, Mr. Adolfe ao dirigiram-se para o carro. Estavam lá os pais de David e os seus. Faltava ele como na semana passada. – Vamos almoçar á casa dos Paisen.
Ela sorriu por cortesia perante o convite dos vizinhos e logo a seguir passou-lhes á frente, sisuda. Com a pressa e o olhar fixo no chão, não deu pelo grupo de rapazes que ia á sua frente, e torceu o pé ao tentar travar-se para não chocar contra eles. Gemeu com a dor e, por azar, deu com a mão nas costas de um jovem alto e elegante. Ele olhou para trás sobressaltado e ficou preso nela, que ajeitava o sapato, envergonhada. Quando o olhou, sentiu-se corar ao reconhecê-lo e ele atirou-lhe um sorriso largo:
-estás bem?
-Ahm… Desculpa! – Ela contornou-o envergonhada e desta vez olhou para a frente para se certificar que não voltava a chocar contra ninguém. O carro do seu pai estava cada vez mais perto, que ela não ousou olhar para trás e manteve o andar firme de uma verdadeira senhora.
Sentou-se no banco traseiro e já em casa sentou-se no sofá, reflectindo sobre como iria encarar David.
À hora de almoço, lá se mudou para a casa vizinha. Todos receberam a família Wilson com grande alegria. Estavam lá também Vicky e o marido, que ela já não via havia tanto tempo. Saudou todos com simpatia, mas deu pela falta de David, o que não era uma coisa má.
-Parabéns, Vicky! – Exclamou, acariciando-lhe o ventre pouco desenvolvido – de quanto tempo estás?
-cinco meses! Como reparaste?
-O David já me tinha dito! – E dito isto, o seu olhar perdeu o brilho.
-Já devia ter imaginado, ele conta-te tudo! Por este andar ainda vos casais!
Dorianne Wilson tossiu atrapalhada e a sua filha aproveitou a situação para esconder a face angustiada ao acudir a mãe. Não que ela quisesse casar com David, longe disso, ela apenas se sentia remoída ao recordar que ele se afastara de si.
O seu pai, ignorando a esposa, dirigiu-se a Mr. Paisen e os dois foram fumar um cigarro, na companhia do marido de Vicky.
Não foi preciso perguntar nada. O almoço foi servido e David não se juntou a eles. Mrs. Wilson foi quem notou mais rapidamente a ausência do rapaz, e tal facto agradou-lhe. O seu esposo, por outro lado, quis saber dele e aí lhe disseram que ele havia saído com os amigos.
O Domingo passou e depois dele chegou a Segunda-feira.
Margarett decidiu dar uma caminhada e ir até ao Lili’s Diner comer um Waffle.
Quando lá entrou, a campainha avisou a sua chegada e a atenção de três jovens serventes foi captada.
Janice, a mais nova, sorriu com descrição, antes que a outra se aproximasse dela:
-Bom dia. – Disse, sem qualquer emoção na voz – Queria um Waffle com molho de chocolate, por favor.
-É para já! – Respondeu a morena.
Ela anotou o pedido e foi entrega-lo á cozinheira. Enquanto esperava, Ally e Daisy aproximaram-se dela, sorridentes:
-Hoje veio sozinha. – Murmurou Ally, a mais velha.
-E mesmo assim parece que vai a uma festa. – Respondeu-lhe, analisando a jovem.
Daisy mostrou-se pensativa:
-Não sei porquê, mas a cara dela é-me familiar. – Murmurou.
Janice encarou-a surpresa:
-A mim também!
As três olharam a moça que se encontrava a mexer na carteira e depois cada uma reflectiu para si mesma. Nenhuma chegou a uma conclusão.
-será que está a passar férias cá na cidade ou será que se mudou para cá? – Inquiriu-se Daisy.
-Hum… Talvez ela seja prima do David, afinal eles estavam juntos no outro dia.
-Não me parece – negou Ally – Eles são muito diferentes.
Daisy olhou para Janice e mordeu o lábio com um olhar insinuante:
-Janice, porque não lhe perguntas? Tu consegues fazer conversa com qualquer pessoa, não é verdade?
O cozinheiro tocou a sineta para avisar que o pedido estava pronto. Janice pegou no prato e nos talheres e piscou o olho às amigas ao dirigir-se a Margarett:
-Aqui tem o pedido.
Margarett sorriu:
-obrigada.
A servente pegou em guardanapos e entregou á loira, com um sorriso simpático na face:
-é melhor colocar um lenço para não sujar a roupa!
Margarett recebeu-os de bom grado e colocou-os sobre a saia do vertido:
-Oh, agradeço a atenção.
-se me permite a pergunta, posso saber quem fez esse vestido? Estou simplesmente apaixonada pelo modelo!
Margarett sorriu orgulhosa e olhou para a sua própria vestimenta:
-Fui eu mesma!
-Você? É costureira?
-Não, não. E por favor, não me trate por “Você”, só tenho 17 anos!
-Oh, eu também! – respondeu a empregada com simpatia – Janice Maison, prazer!
-Margarett Wilson! – Apresentou-se a outra antes de provar o seu pedido.
Na sua cabeça, Janice repetiu o nome da rapariga com uma espécie de formigueiro a aviar-lhe as memórias. Depois, como um salto, abriu a boca e sem conseguir falar mais baixo, esbugalhou os olhos e exclamou:
-Margarett Wilson?!
As outras duas funcionárias olharam na direcção delas, chocadas. Voltaram a analisar a rapariga com dúvidas. Esta olhava Janice assustada, com o guardanapo á frente dos lábios cheios:
-O...? o que se passa?
-Tu és a Margarett Wilson, filha da costureira Mrs. Dorianne Wilson e de Mr. Adolfe Wilson?
-sim…? - Respondeu, receosa.
-Oh meu Deus, estás tão diferente! Tu andaste na minha classe, lembras-te?! Tu eras uma Maria-rapaz e só andavas com os meninos!
Margarett tentou vasculhar nas lembranças da escola e tentou associar Janice a alguma das meninas dada escola. Não pode deixar de rir ao recordar quando, juntamente com David, atirou um balão de água ao seu grupo de amigas:
-Janice, já me lembro, claro! Estás diferente.
-Eu?! – Janice já não conseguiu disfarçar o histerismo causado pelo choque - Então e tu?! Quase nem te reconhecia! Tu andavas sempre toda suja e agora apareces vestida como uma dama!? Estou chocada!
Margarett riu-se, levando a afirmação como um elogio. As outras duas serventes aproximaram-se, curiosas com a descoberta. Daisy sorriu e emancipou-se:
- Margarett, lembras-te de mim? Sou a Daisy Montero, conhecemo-nos quando tínhamos nove anos!
-Claro que lembro, vieste de Espanha, e naquela altura nem sequer sabias falar inglês!
Daisy fez um ar de nojo:
-E tu meteste-me larvas na lancheira.
Margarett parou de sorrir e corou envergonhada com a sua infantilidade:
-Desculpa, eu não me dava bem com raparigas naquela altura…
As outras três riram em uníssono, concordando com ela:
-Então, onde estiveste todos estes anos? – Perguntou Ally, curiosa.
Margarett reconheceu-a por aparentar ser mais velha. Ally tinha reprovado de ano duas vezes porque os pais não tinham dinheiro para ela ir para a escola e a obrigavam a ficar em casa a trabalhar com eles. Depois a economia da família estabilizou e as quatro tornaram-se da mesma classe, apesar de não se darem muito bem.
-Paris! – Exclamou com um sotaque francês perfeito – Regressei há duas semanas!
-Não posso acreditar! Eu adorava ir a Paris! É a capital da moda, não é mesmo?
-É por isso que te vestes tão bem. – Deduziu Janice.
-Oh, obrigada! A minha mãe contribui. Eu desenho os vestidos e ela costura-os.
Ally bateu palmas de alegria:
-Vais ter de desenhar o fato que eu vou levar ao casamento da minha prima!
Margarett riu-se pelo entusiasmo da rapariga e entrou no jogo:
-Claro, eu tenho a certeza que a minha mãe te faz um preço especial! Vai ser uma honra desenhar um vestido para cada uma de vocês, para compensar as maldades que vos fiz no passado! – Exclamou entre risos, ao recordar cada partida que tinha pregado às antigas colegas.
-estou mesmo a precisar de um vestido novo!
Atrás das três raparigas surgiu um vulto zangado, com as mãos á cintura:
-E eu de novas empregadas! Como é? Não vêm clientes para serem atendidos nas mesas?! Deixem-se de mexeriquices e toca a ir servir as pessoas!
Todas as quatro coraram violentamente e as duas serventes livres pegaram nas bandejas de cabeça baixa, dirigindo-se para as mesas lotadas.
Margarett deu a ultima dentada no seu Waffle e dirigiu-se a Janice antes que ela se fosse embora:
-Podes trazer-me um sumo de laranja? Estou cheia de sede!
-Claro!
A loira pegou na sua carteira e retirou o dinheiro para pagar, quando a outra lhe trouxe um copo com a bebida que pedira.
Margarett entregou o dinheiro e tomou um gole, enquanto Janice foi buscar o seu troco. Olhou para os lados analisando quem estava presente no café, e qual não foi o seu espanto ao deparar-se com David sentado numa mesa, juntamente com cinco dos amigos da outra noite, a fita-la com um certo ódio no olhar. Ela voltou-se novamente para a frente e tentou terminar o sumo rapidamente para se ir embora dali. Fez uma pausa para receber as moedas que Janice lhe trouxera e depois rodou o banco giratório alto em que estava sentada pronta para se levantar e ir embora, sem se aperceber que atrás dela aproximara-se um rapaz para alcançar o balcão. Sem tempo de se encolher ou afastar, os seus pés chutaram as coxas do rapaz que se desequilibrou para cima de si e a fez entornar o restante sumo por cima do decote.
Todos no estabelecimento olharam para a cena e algumas pessoas riram do incidente. Margarett pode ver David pelo canto do olho a rir também, juntamente com os amigos.
Tentou pôr a fúria de lado e levantou-se, com cuidado:
-Peço imensa desculpa! – Exclamou o rapaz, atrapalhado.
Ela olhou-o e reconheceu-o. Era a terceira vez que um acidente acontecia entre eles.
Ela sorriu pela coincidência e abanou a cabeça:
-Desculpa eu! Sou muito desastrada. Magoei-te?
-Não. – Ele respondeu com o olhar fixado no dela, de uma forma intensa e calma.
Margarett sentiu um formigueiro no rosto e sorriu-lhe.
Ele pegou nos guardanapos de papel que estavam ao seu alcance e ajudou Margarett a limpar-se, com cuidado:
-espero não te ter estragado o vestido!
-Não te preocupes, isto sai! – Respondeu embaraçada, sem o olhar nos olhos.
-Posso pagar-te outro sumo?
A rapariga fitou-o por fim, sem saber o que responder. Sentiu uns bichinhos esvoaçantes dentro de si e humedeceu os lábios á procura de saliva para falar, sem saber ao certo como tratar aquele rapaz tão formoso e educado.
-Não é preciso, já estava no fim mesmo!
Ela pegou na sua carteira pousada no balcão e acenou a Janice e às outras. De seguida voltou a encarar o sujeito:
-Eu tenho que ir embora agora. Adeus e… desculpa! – Ela desenhou uma feição bela no seu rosto que o deixou perdido naquela cara. Ele sorriu-lhe com um brilho imenso nos olhos e viu-a contornar o seu corpo para se afastar na direcção da porta.
Por momentos ele sentiu-se desorientado mas depressa os seus instintos despertaram e, como um raio, ele voltou-se na direcção dela e segurou-lhe o pulso, para que ela não se fosse. Margarett não soube o que fazer naquele momento. Sentiu as pernas trémulas e o rosto quente, enquanto esperava por alguma afirmação da parte dele.
O jovem, atrapalhado pelo que fizera, soltou-lhe o braço ao de leve:
-Posso…? Posso saber ao menos o teu nome?
Ela sorriu com timidez e deu um passo de recua antes de lhe virar costas para ir embora:
-Margarett.
Ele não se moveu nem um milímetro, e ficou a olha-la, vendo-a sair pela porta de vidro.
-Margarett… - murmurou para si mesmo, notando logo depois a forma como aquele nome lhe causava calafrios por todo o corpo.
Com um sorriso pateta, voltou-se para o balcão e sentou-se na cadeira onde ela estivera, sem se aperceber que, numa mesa atrás de si, David o encarava com uma face serena e no entanto com o interior revoltado e a arder de raiva.
Ao seu lado, Scott Leith e Bruce Sanders, riam em conjunto ao admirar o rapaz do balcão. As três raparigas á sua frente apenas guardavam na memoria o sumo entornado na Coquete que estivera no cemitério com elas havia duas noites.
-Repara na cara daquele idiota! – Troçou Bruce. Os seus braços largos gesticulavam, apontando para o rival sozinho.
-Hei David! – Chamou Scott, passando a mão sobre o cabelo negro – Parece que as almas gémeas se encontraram!
Aquilo captou a atenção do rapaz:
-Como assim?! – Inquiriu, secretamente nervoso.
-William – Começou a loira Mary, esticando os braços em cima da mesa, de modo a espreguiçar-se – somado com a coquete, é igual a…!
-Casal de idiotas irritantes e convencidos!
-O par perfeito! – Concluiu a morena, Kate.
David olhou para os quatro comentadores em silêncio, analisando as suas expressões para ter a certeza que nenhum deles estava a gozar.
Acabou por sorrir no canto dos lábios, sem qualquer vontade, porém carregado de cinismo:
-Por favor, acham mesmo?! – Ele deu uma risada forçada e mirou William ao longe, com o cabelo besuntado com laca espessa, a beber um refrigerante enquanto lia o jornal do dia com o mesmo interesse de um político. Não pode deixar de desenhar um esgar perante tal pessoa – ele não tem nada a ver com a Margarett!
Os seus amigos olharam-no, cépticos. Depois cortaram o espanto com pequenos risos de troça:
-Pois sim, David, acreditas mesmo nisso?! Até parece que não te lembras da cena que a tua amiguinha te fez na outra noite!
-Hei, calma! – Interrompeu ofendido. Depois engoliu o seu desagrado e justificou-se - Pessoal, eu conheço a Margarett. Ela agora pode vestir-se como uma perua, mas eu sei que ela não é assim. É só a aparência! – Ele analisou todos os companheiros em busca de credencia pelas suas palavras, sem sucesso, obviamente – Ela só se irritou porque…!
Ele não soube o que dizer. Por momentos a sua mente vagueou até ao momento em que a vira a sorrir para William, e em alguns segundos quase acreditou no que os amigos disseram.
Engasgou-se com a própria saliva e atentou em Eric, o único que não comentara nada em particular sobre o assunto, buscando apoio do melhor amigo. Este deu de ombros desinteressado, levando de seguida uma cutucada de Kate no braço, o que o fez rir para dar razão aos parceiros de aventuras:
-Desculpa David, mas factos são factos!
-Nem sei como te dás bem com aquela miúda. – Resmungou Bruce - Ela não faz o teu estilo.
-Vocês não a conhecem! – Respondeu irritado.
-David, David… - Mary abanou a cabeça em tom repreensivo e depois entrelaçou os dedos uns nos outros – Raparigas como ela descobrem-se a léguas! Porque te preocupas?! Aparentemente tem um pretendente, e daí?
-Olha que a Brittany é ciumenta! – Alertou Kate mordendo a palhinha de plástico - Não vai gostar de saber que andas a preocupar-te outra rapariga! Já para não falar que ela ficou furiosa por teres ido atrás dela na outra noite.
David revirou os olhos:
-Ok, esqueçam. – Rendeu-se com calma - Eu não acredito nisso, de qualquer forma. O William até pode estar a babar-se pela Mag, mas eu sei que ela não lhe vai arrastar asa.
Os companheiros cerraram os lábios contendo risos de troça e nada mais disseram. David, contudo, espreitou William por cima do ombro e viu-o sair o café. Algo dentro de si disse-lhe que tudo ia mudar.
Ally:
Mary(a loira) e Kate:
Os restantes ficam ao vosso critério! 
bjokas
Muito obrigada por teres dado a tua opinião. Se não gostas do David acho que só tende a piorar, ma spara compensar vai entrar uma nova personagem na fic e vamos lá ver no que dá! 
Então, hoje não vou pôr capa de novo nem. tenho vergonha na cara pela mixórdia que fiz

Para compensar vou colocar imagens d epersonagens que vocês podem ver porque não são assim muito importantes, logo não têm de pensar muito neles!

Cá vai:
Capitulo VII –Memórias
"Nós não conhecemos o verdadeiro valor dos nossos momentos até que eles se submetam ao teste da memória."
( Georges Duhamel )
( Georges Duhamel )
Flashes da noite anterior ilustravam a sua mente. Os olhos cansados, adornados com olheiras negras e profundas, evidenciavam os cantos vermelhos que acompanhavam a íris azul celeste.
Desilusão.
Isso tirara-lhe o sono durante a restante noite.
Margarett revirava-se na cama. Já não chorava. Já tinha chorado na cara de David e o imbecil não mostrara qualquer compaixão por ela. Fora fraca por não ter escondido tantas lágrimas e odiava-se por isso. O relógio da sala soava as sete da manhã. Não tardava e Mrs. Wilson iria acordá-la para ir á missa. A jovem, de rastos, lá se levantou, querendo anteceder-se á mãe e esconder vestígios do seu choro. Sentou-se na consola e arranjou os cabelos, com uma pequena dose de laca para cabelo e um laçarote azul. Depois disfarçou as olheiras e usou o pó de arroz para lhe dar um visual mais natural.
Escutou baterem á porta. A cabeça da sua mãe surgiu, e os olhos arregalaram-se ao ver a filha já a arranjar-se. Foi ter com ela e deu-lhe um beijo na face, depois saiu e foi-se preparar.
Margarett suspirou e levantou-se. Vestiu um vestido com flores estampadas, em tons de azul claro, branco e vermelho e foi tomar um pequeno-almoço silencioso na companhia dos progenitores. Estes não notaram a sua apatia e depressa se conduziram á igreja, onde o reverendo deu um aviso que chamou a atenção da jovem. Uma lápide do cemitério apareceu partida naquela manhã e cria-se que se tratavam de vândalos. A rapariga empalideceu ainda mais, mas tentou não se importar. Não era problema dela.
-Margarett! – Exclamou, Mr. Adolfe ao dirigiram-se para o carro. Estavam lá os pais de David e os seus. Faltava ele como na semana passada. – Vamos almoçar á casa dos Paisen.
Ela sorriu por cortesia perante o convite dos vizinhos e logo a seguir passou-lhes á frente, sisuda. Com a pressa e o olhar fixo no chão, não deu pelo grupo de rapazes que ia á sua frente, e torceu o pé ao tentar travar-se para não chocar contra eles. Gemeu com a dor e, por azar, deu com a mão nas costas de um jovem alto e elegante. Ele olhou para trás sobressaltado e ficou preso nela, que ajeitava o sapato, envergonhada. Quando o olhou, sentiu-se corar ao reconhecê-lo e ele atirou-lhe um sorriso largo:
-estás bem?
-Ahm… Desculpa! – Ela contornou-o envergonhada e desta vez olhou para a frente para se certificar que não voltava a chocar contra ninguém. O carro do seu pai estava cada vez mais perto, que ela não ousou olhar para trás e manteve o andar firme de uma verdadeira senhora.
Sentou-se no banco traseiro e já em casa sentou-se no sofá, reflectindo sobre como iria encarar David.
À hora de almoço, lá se mudou para a casa vizinha. Todos receberam a família Wilson com grande alegria. Estavam lá também Vicky e o marido, que ela já não via havia tanto tempo. Saudou todos com simpatia, mas deu pela falta de David, o que não era uma coisa má.
-Parabéns, Vicky! – Exclamou, acariciando-lhe o ventre pouco desenvolvido – de quanto tempo estás?
-cinco meses! Como reparaste?
-O David já me tinha dito! – E dito isto, o seu olhar perdeu o brilho.
-Já devia ter imaginado, ele conta-te tudo! Por este andar ainda vos casais!
Dorianne Wilson tossiu atrapalhada e a sua filha aproveitou a situação para esconder a face angustiada ao acudir a mãe. Não que ela quisesse casar com David, longe disso, ela apenas se sentia remoída ao recordar que ele se afastara de si.
O seu pai, ignorando a esposa, dirigiu-se a Mr. Paisen e os dois foram fumar um cigarro, na companhia do marido de Vicky.
Não foi preciso perguntar nada. O almoço foi servido e David não se juntou a eles. Mrs. Wilson foi quem notou mais rapidamente a ausência do rapaz, e tal facto agradou-lhe. O seu esposo, por outro lado, quis saber dele e aí lhe disseram que ele havia saído com os amigos.
O Domingo passou e depois dele chegou a Segunda-feira.
Margarett decidiu dar uma caminhada e ir até ao Lili’s Diner comer um Waffle.
Quando lá entrou, a campainha avisou a sua chegada e a atenção de três jovens serventes foi captada.
Janice, a mais nova, sorriu com descrição, antes que a outra se aproximasse dela:
-Bom dia. – Disse, sem qualquer emoção na voz – Queria um Waffle com molho de chocolate, por favor.
-É para já! – Respondeu a morena.
Ela anotou o pedido e foi entrega-lo á cozinheira. Enquanto esperava, Ally e Daisy aproximaram-se dela, sorridentes:
-Hoje veio sozinha. – Murmurou Ally, a mais velha.
-E mesmo assim parece que vai a uma festa. – Respondeu-lhe, analisando a jovem.
Daisy mostrou-se pensativa:
-Não sei porquê, mas a cara dela é-me familiar. – Murmurou.
Janice encarou-a surpresa:
-A mim também!
As três olharam a moça que se encontrava a mexer na carteira e depois cada uma reflectiu para si mesma. Nenhuma chegou a uma conclusão.
-será que está a passar férias cá na cidade ou será que se mudou para cá? – Inquiriu-se Daisy.
-Hum… Talvez ela seja prima do David, afinal eles estavam juntos no outro dia.
-Não me parece – negou Ally – Eles são muito diferentes.
Daisy olhou para Janice e mordeu o lábio com um olhar insinuante:
-Janice, porque não lhe perguntas? Tu consegues fazer conversa com qualquer pessoa, não é verdade?
O cozinheiro tocou a sineta para avisar que o pedido estava pronto. Janice pegou no prato e nos talheres e piscou o olho às amigas ao dirigir-se a Margarett:
-Aqui tem o pedido.
Margarett sorriu:
-obrigada.
A servente pegou em guardanapos e entregou á loira, com um sorriso simpático na face:
-é melhor colocar um lenço para não sujar a roupa!
Margarett recebeu-os de bom grado e colocou-os sobre a saia do vertido:
-Oh, agradeço a atenção.
-se me permite a pergunta, posso saber quem fez esse vestido? Estou simplesmente apaixonada pelo modelo!
Margarett sorriu orgulhosa e olhou para a sua própria vestimenta:
-Fui eu mesma!
-Você? É costureira?
-Não, não. E por favor, não me trate por “Você”, só tenho 17 anos!
-Oh, eu também! – respondeu a empregada com simpatia – Janice Maison, prazer!
-Margarett Wilson! – Apresentou-se a outra antes de provar o seu pedido.
Na sua cabeça, Janice repetiu o nome da rapariga com uma espécie de formigueiro a aviar-lhe as memórias. Depois, como um salto, abriu a boca e sem conseguir falar mais baixo, esbugalhou os olhos e exclamou:
-Margarett Wilson?!
As outras duas funcionárias olharam na direcção delas, chocadas. Voltaram a analisar a rapariga com dúvidas. Esta olhava Janice assustada, com o guardanapo á frente dos lábios cheios:
-O...? o que se passa?
-Tu és a Margarett Wilson, filha da costureira Mrs. Dorianne Wilson e de Mr. Adolfe Wilson?
-sim…? - Respondeu, receosa.
-Oh meu Deus, estás tão diferente! Tu andaste na minha classe, lembras-te?! Tu eras uma Maria-rapaz e só andavas com os meninos!
Margarett tentou vasculhar nas lembranças da escola e tentou associar Janice a alguma das meninas dada escola. Não pode deixar de rir ao recordar quando, juntamente com David, atirou um balão de água ao seu grupo de amigas:
-Janice, já me lembro, claro! Estás diferente.
-Eu?! – Janice já não conseguiu disfarçar o histerismo causado pelo choque - Então e tu?! Quase nem te reconhecia! Tu andavas sempre toda suja e agora apareces vestida como uma dama!? Estou chocada!
Margarett riu-se, levando a afirmação como um elogio. As outras duas serventes aproximaram-se, curiosas com a descoberta. Daisy sorriu e emancipou-se:
- Margarett, lembras-te de mim? Sou a Daisy Montero, conhecemo-nos quando tínhamos nove anos!
-Claro que lembro, vieste de Espanha, e naquela altura nem sequer sabias falar inglês!
Daisy fez um ar de nojo:
-E tu meteste-me larvas na lancheira.
Margarett parou de sorrir e corou envergonhada com a sua infantilidade:
-Desculpa, eu não me dava bem com raparigas naquela altura…
As outras três riram em uníssono, concordando com ela:
-Então, onde estiveste todos estes anos? – Perguntou Ally, curiosa.
Margarett reconheceu-a por aparentar ser mais velha. Ally tinha reprovado de ano duas vezes porque os pais não tinham dinheiro para ela ir para a escola e a obrigavam a ficar em casa a trabalhar com eles. Depois a economia da família estabilizou e as quatro tornaram-se da mesma classe, apesar de não se darem muito bem.
-Paris! – Exclamou com um sotaque francês perfeito – Regressei há duas semanas!
-Não posso acreditar! Eu adorava ir a Paris! É a capital da moda, não é mesmo?
-É por isso que te vestes tão bem. – Deduziu Janice.
-Oh, obrigada! A minha mãe contribui. Eu desenho os vestidos e ela costura-os.
Ally bateu palmas de alegria:
-Vais ter de desenhar o fato que eu vou levar ao casamento da minha prima!
Margarett riu-se pelo entusiasmo da rapariga e entrou no jogo:
-Claro, eu tenho a certeza que a minha mãe te faz um preço especial! Vai ser uma honra desenhar um vestido para cada uma de vocês, para compensar as maldades que vos fiz no passado! – Exclamou entre risos, ao recordar cada partida que tinha pregado às antigas colegas.
-estou mesmo a precisar de um vestido novo!
Atrás das três raparigas surgiu um vulto zangado, com as mãos á cintura:
-E eu de novas empregadas! Como é? Não vêm clientes para serem atendidos nas mesas?! Deixem-se de mexeriquices e toca a ir servir as pessoas!
Todas as quatro coraram violentamente e as duas serventes livres pegaram nas bandejas de cabeça baixa, dirigindo-se para as mesas lotadas.
Margarett deu a ultima dentada no seu Waffle e dirigiu-se a Janice antes que ela se fosse embora:
-Podes trazer-me um sumo de laranja? Estou cheia de sede!
-Claro!
A loira pegou na sua carteira e retirou o dinheiro para pagar, quando a outra lhe trouxe um copo com a bebida que pedira.
Margarett entregou o dinheiro e tomou um gole, enquanto Janice foi buscar o seu troco. Olhou para os lados analisando quem estava presente no café, e qual não foi o seu espanto ao deparar-se com David sentado numa mesa, juntamente com cinco dos amigos da outra noite, a fita-la com um certo ódio no olhar. Ela voltou-se novamente para a frente e tentou terminar o sumo rapidamente para se ir embora dali. Fez uma pausa para receber as moedas que Janice lhe trouxera e depois rodou o banco giratório alto em que estava sentada pronta para se levantar e ir embora, sem se aperceber que atrás dela aproximara-se um rapaz para alcançar o balcão. Sem tempo de se encolher ou afastar, os seus pés chutaram as coxas do rapaz que se desequilibrou para cima de si e a fez entornar o restante sumo por cima do decote.
Todos no estabelecimento olharam para a cena e algumas pessoas riram do incidente. Margarett pode ver David pelo canto do olho a rir também, juntamente com os amigos.
Tentou pôr a fúria de lado e levantou-se, com cuidado:
-Peço imensa desculpa! – Exclamou o rapaz, atrapalhado.
Ela olhou-o e reconheceu-o. Era a terceira vez que um acidente acontecia entre eles.
Ela sorriu pela coincidência e abanou a cabeça:
-Desculpa eu! Sou muito desastrada. Magoei-te?
-Não. – Ele respondeu com o olhar fixado no dela, de uma forma intensa e calma.
Margarett sentiu um formigueiro no rosto e sorriu-lhe.
Ele pegou nos guardanapos de papel que estavam ao seu alcance e ajudou Margarett a limpar-se, com cuidado:
-espero não te ter estragado o vestido!
-Não te preocupes, isto sai! – Respondeu embaraçada, sem o olhar nos olhos.
-Posso pagar-te outro sumo?
A rapariga fitou-o por fim, sem saber o que responder. Sentiu uns bichinhos esvoaçantes dentro de si e humedeceu os lábios á procura de saliva para falar, sem saber ao certo como tratar aquele rapaz tão formoso e educado.
-Não é preciso, já estava no fim mesmo!
Ela pegou na sua carteira pousada no balcão e acenou a Janice e às outras. De seguida voltou a encarar o sujeito:
-Eu tenho que ir embora agora. Adeus e… desculpa! – Ela desenhou uma feição bela no seu rosto que o deixou perdido naquela cara. Ele sorriu-lhe com um brilho imenso nos olhos e viu-a contornar o seu corpo para se afastar na direcção da porta.
Por momentos ele sentiu-se desorientado mas depressa os seus instintos despertaram e, como um raio, ele voltou-se na direcção dela e segurou-lhe o pulso, para que ela não se fosse. Margarett não soube o que fazer naquele momento. Sentiu as pernas trémulas e o rosto quente, enquanto esperava por alguma afirmação da parte dele.
O jovem, atrapalhado pelo que fizera, soltou-lhe o braço ao de leve:
-Posso…? Posso saber ao menos o teu nome?
Ela sorriu com timidez e deu um passo de recua antes de lhe virar costas para ir embora:
-Margarett.
Ele não se moveu nem um milímetro, e ficou a olha-la, vendo-a sair pela porta de vidro.
-Margarett… - murmurou para si mesmo, notando logo depois a forma como aquele nome lhe causava calafrios por todo o corpo.
Com um sorriso pateta, voltou-se para o balcão e sentou-se na cadeira onde ela estivera, sem se aperceber que, numa mesa atrás de si, David o encarava com uma face serena e no entanto com o interior revoltado e a arder de raiva.
Ao seu lado, Scott Leith e Bruce Sanders, riam em conjunto ao admirar o rapaz do balcão. As três raparigas á sua frente apenas guardavam na memoria o sumo entornado na Coquete que estivera no cemitério com elas havia duas noites.
-Repara na cara daquele idiota! – Troçou Bruce. Os seus braços largos gesticulavam, apontando para o rival sozinho.
-Hei David! – Chamou Scott, passando a mão sobre o cabelo negro – Parece que as almas gémeas se encontraram!
Aquilo captou a atenção do rapaz:
-Como assim?! – Inquiriu, secretamente nervoso.
-William – Começou a loira Mary, esticando os braços em cima da mesa, de modo a espreguiçar-se – somado com a coquete, é igual a…!
-Casal de idiotas irritantes e convencidos!
-O par perfeito! – Concluiu a morena, Kate.
David olhou para os quatro comentadores em silêncio, analisando as suas expressões para ter a certeza que nenhum deles estava a gozar.
Acabou por sorrir no canto dos lábios, sem qualquer vontade, porém carregado de cinismo:
-Por favor, acham mesmo?! – Ele deu uma risada forçada e mirou William ao longe, com o cabelo besuntado com laca espessa, a beber um refrigerante enquanto lia o jornal do dia com o mesmo interesse de um político. Não pode deixar de desenhar um esgar perante tal pessoa – ele não tem nada a ver com a Margarett!
Os seus amigos olharam-no, cépticos. Depois cortaram o espanto com pequenos risos de troça:
-Pois sim, David, acreditas mesmo nisso?! Até parece que não te lembras da cena que a tua amiguinha te fez na outra noite!
-Hei, calma! – Interrompeu ofendido. Depois engoliu o seu desagrado e justificou-se - Pessoal, eu conheço a Margarett. Ela agora pode vestir-se como uma perua, mas eu sei que ela não é assim. É só a aparência! – Ele analisou todos os companheiros em busca de credencia pelas suas palavras, sem sucesso, obviamente – Ela só se irritou porque…!
Ele não soube o que dizer. Por momentos a sua mente vagueou até ao momento em que a vira a sorrir para William, e em alguns segundos quase acreditou no que os amigos disseram.
Engasgou-se com a própria saliva e atentou em Eric, o único que não comentara nada em particular sobre o assunto, buscando apoio do melhor amigo. Este deu de ombros desinteressado, levando de seguida uma cutucada de Kate no braço, o que o fez rir para dar razão aos parceiros de aventuras:
-Desculpa David, mas factos são factos!
-Nem sei como te dás bem com aquela miúda. – Resmungou Bruce - Ela não faz o teu estilo.
-Vocês não a conhecem! – Respondeu irritado.
-David, David… - Mary abanou a cabeça em tom repreensivo e depois entrelaçou os dedos uns nos outros – Raparigas como ela descobrem-se a léguas! Porque te preocupas?! Aparentemente tem um pretendente, e daí?
-Olha que a Brittany é ciumenta! – Alertou Kate mordendo a palhinha de plástico - Não vai gostar de saber que andas a preocupar-te outra rapariga! Já para não falar que ela ficou furiosa por teres ido atrás dela na outra noite.
David revirou os olhos:
-Ok, esqueçam. – Rendeu-se com calma - Eu não acredito nisso, de qualquer forma. O William até pode estar a babar-se pela Mag, mas eu sei que ela não lhe vai arrastar asa.
Os companheiros cerraram os lábios contendo risos de troça e nada mais disseram. David, contudo, espreitou William por cima do ombro e viu-o sair o café. Algo dentro de si disse-lhe que tudo ia mudar.
Ally:
Spoiler

Spoiler


bjokas
as minhas fic's:
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
-Angelical
Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
-Angelical
Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^
Ahahaha, apeteceu-me rir o capítulo todo. Primeiro com o reencontro da maria-rapaz com as meninas. Depois com a reacção do David. Toma lá, que o verde te fica bem, palhaço! 
Gostei do capítulo, como sempre. A história do capítulo em si não é nada de mais, mas ainda assim consegui sentir prazer em ler. Mas bem, isso acontece em todos os capítulos desta fic, por isso não posso comentar muito x)
Mas tenho que dizer uma coisa. Que empregadas mais cuscuvilheiras. Quem sabe, talvez veiam aí uns momentos comicos com aquelas três. São logo tres personagens que humorizam a situação facilmente
Espero pelo próximo. Como estou farta de dizer, gostei, adorei, amei, quero mais... e cedinho. Não me faças implorar, sff! *mim faz beiçinho* *-*

Gostei do capítulo, como sempre. A história do capítulo em si não é nada de mais, mas ainda assim consegui sentir prazer em ler. Mas bem, isso acontece em todos os capítulos desta fic, por isso não posso comentar muito x)
Mas tenho que dizer uma coisa. Que empregadas mais cuscuvilheiras. Quem sabe, talvez veiam aí uns momentos comicos com aquelas três. São logo tres personagens que humorizam a situação facilmente

Espero pelo próximo. Como estou farta de dizer, gostei, adorei, amei, quero mais... e cedinho. Não me faças implorar, sff! *mim faz beiçinho* *-*
Espero por ti em cada segundo , porque tu és o meu mundo!

Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
Visitem a minha 1ª Fic ----->The Four elements

Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
Visitem a minha 1ª Fic ----->The Four elements
hello! 
Gostei do capítulo!
Foi bastante engraçada a reacção das raparigas do café,lol, afinal a Rett está mesmo diferente.
Realmente as raparigas foram mesmo cuscas.
A Rett passa a vida a chocar com o William! Começo a achar que faz de propósito,lool.
Espero mesmo que haja algo entre eles. É tão giro ver o David cheio de ciúmes, hehe! Bem feito!
Espero o próximo.
Bjo*

Gostei do capítulo!
Foi bastante engraçada a reacção das raparigas do café,lol, afinal a Rett está mesmo diferente.
Realmente as raparigas foram mesmo cuscas.

A Rett passa a vida a chocar com o William! Começo a achar que faz de propósito,lool.

Espero mesmo que haja algo entre eles. É tão giro ver o David cheio de ciúmes, hehe! Bem feito!
Espero o próximo.
Bjo*
Haha, agora fiquei chocada. Eu realmente quando escrevi este capitulo não tive intenção de criar uma cena cómica, aliás, acho este capitulo muito aborrecido. Não se passa nada! Mas fiquei muito feliz por saber que vocês acharam piada!
O próximo capitulo vai-se centrar noutra personagem. Em breve posto! 
O próximo capitulo vai-se centrar noutra personagem. Em breve posto! 
as minhas fic's:
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
-Angelical
Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
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Novo Capitulo!!!
Hoje não há musica nem capa mas trouxe umas imagenzinhas para mostrar!
Desfrutem do capitulo!
William Finkie encostou-se á vedação, em frente á sua casa. Esperava pelo seu amigo Rick, com uma palha de trigo presa entre os dentes.
Suspirou.
Havia dois dias que não conseguia tirá-la da cabeça. Apesar de já ter reparado nela noutras ocasiões - todas por culpa de acidentes - nunca se sentira tão deslocado. Era o destino? Ele acreditava que sim.
Margarett…
O seu nome soava na sua cabeça como um som inspirador e vibrante, o seu olhar contemplava o céu vezes sem conta a fim de descobrir nele a mesma tonalidade daqueles olhos meigos. Não podia esquecer aquele cabelo dourado como o sol, o sorriso de anjo, a silhueta perfeita. A voz… Tão doce e sensível, sem qualquer malícia feminina, como se acostumara.
Ele sorriu para si mesmo enquanto fitava o chão.
Poderia ser? Estava ele…? Custava-lhe a crer, no entanto ela não lhe saia da mente.
Ele soltou outro suspiro pesado, sem forças para continuar com aquela angústia e saudade de uma perfeita desconhecida. Só quando duas sombras pararam por cima da sua é que ele se livrou daqueles pensamentos.
Rick Quink e Tom Parker vinham ter com ele para irem pintar a casa da idosa Mr. Proof, que lhes tinha pedido gentilmente. Todos vestidos com macacões velhos, caminharam em conjunto para a casa da senhora que já os esperava á porta. Durante a pintura, William era o único que não falava, absorto em pensamentos.
Rick e Tom aperceberam-se da apatia do companheiro e assobiaram, captando as atenções do rapaz. Ambos troçaram dele:
-O que se passa, Will?! Desde que nos encontramos que ainda não disseste nada de jeito!
William molhou o pincel na tinta azul e passou-o pela parece sem cor:
-Nada…
Os seus amigos entreolharam-se, desconfiados:
-Vá lá! – Disse Tom, pousando o pincel no balde e descendo o escadote em que estava montado.
Rick e William fizeram o mesmo e os três encostaram-se á cerca de madeira apanhando sol, numa pausa para descanso.
Apesar de tudo os três eram bons amigos, e quando algo estava errado com um deles, não tinham vergonha de desabafar. Naquele dia não era dúvida nenhuma se William estava bem ou não, portanto, estavam dispostos a saber o que se passava.
-Aconteceu alguma coisa?
Ele suspirou e escondeu um sorriso. Fitou os compinchas e deu de ombros, sorrindo pelo canto da boca:
-Bem… Há uma rapariga…
Os outros dois chocaram. Nunca, desde que se conheciam, William se tinha apaixonado ao ponto de ficar naquele estado. Apesar de já ter estado com raparigas, esse não era um tema que o cativasse.
William, sem se aperceber da surpresa dos colegas, prosseguiu:
-Ela chama-se Margarett… - Ele sorriu, a olhar para o céu – Ela é linda!
-Espera aí! – Interrompeu Tom – De onde é que a conheces? É da cidade?
-Eu não sei! – Respondeu confuso – Eu já a vi algumas vezes, por isso acho que sim… Conhecia na segunda-feira no Lili’s Diner e desde aí que ela não me sai da cabeça.
Os outros dois não souberam o que dizer, nem precisaram. Foram salvos por Mrs. Proof que surgiu pela porta das traseiras com uma bandeja de limonada para os três.
-Ah, meninos, isto está lindo! – Exclamou, admirando a sua casa quase totalmente pintada – Muito obrigada!
-Não tem de quê, Mrs Proof! – Exclamou Rick, passando os dedos pelos cabelos curtos.
Os quatro sentaram-se na mesa de jardim com a senhora e beberam as limonadas em silencio, até esta intervir:
-Não pude deixar de ouvir, William.
Este corou violentamente e desviou o olhar, desinteressado.
Mrs. Proof sorriu amavelmente:
-Sabes, querido, não deves ficar assim, tão tristonho! – Os outros dois nada disseram, ficando apenas constrangidos pela situação – É muito bom ver um jovem belo e simpático como tu assim!
-Assim como? – Inquiriu o rapaz.
-Apaixonado.
Tom quase se engasgou com a bebida.
-Eu não estou apaixonado. – Negou ele, tentando controlar a vermelhidão.
Mrs. Proof, fingindo que não o escutou, levantou-se e arrumou os copos vazios na bandeja novamente:
-Se queres acabar com essa angústia tens de ir á luta, conquistar a moça! Tenho a certeza que saberás o que fazer, mas não podes ficar parado. As mulheres devem ser tratadas como flores, nunca te esqueças.
Mrs. Proof entrou em casa e os três jovens entreolharam-se embasbacados. Sem nenhum dizer nada e guardados nos seus devaneios, terminaram de pintar a casa e regressaram cada qual para sua.
Na sexta-feira seguinte, Margarett acordou com as galinhas. Nunca mais tinha saído de casa desde que tinha ido ao Lili’s Diner, pelo simples facto de não ter tempo.
Os dias estavam atarefados pois aproximava-se um casamento na cidade e, por isso, Mrs. Wilson tinha cada vez mais encomendas de vestidos. Margarett era a sua arma secreta para satisfazer as clientes exuberantes que exigiam vestidos únicos, originais e lindos, adequados aos seus estatutos. Quando alguma não se sentia agradada com os modelos simples que Mrs Wilson costurava habitualmente, Margarett tinha o encantador dom de transforma-los nos vestidos ideais para cada senhora, com um simples ajuste de pano ou acrescento de estampado. A realidade é que não havia cliente que não gostasse dos modelos preparados por mãe e filha em conjunto. Naquela cidade, sim, podia-se afirmar que cada mulher seria a mais bela da festa, mas cada uma á sua maneira.
Na casa ao lado, David mantinha-se á janela, numa espera incessante para ver Margarett no quarto que parecia ter sumido do mapa. Ele tinha chegado à conclusão que precisava de lhe pedir perdão. Não suportava nem mais um dia sem falar para ela, a sua melhor amiga para todos os efeitos. Deu por si a ler algumas das cartas que ela lhe escrevera, e soltou suspiros de arrependimento, encostando-se novamente á janela com esperança de a ver. Todavia, a única coisa que ele conseguia enxergar eram mulheres a entrar e a sair da sua casa durante aqueles dias lentos, umas com vestidos nas mãos e outras de mãos livres, mas entusiasmo patente nas expressões. Não podia deixar de revirar os olhos de cada vez que via a cena, e a impaciência tomava cada vez mais conta de si. Naquela semana só saiu duas vezes durante a noite, tudo porque dera por si sem energias para mais. Além disso, não fazia sentido não falar com Margarett, quer fosse por carta ou pessoalmente. Sentia-se estranhamente incompleto e desamparado sem ela. Isso não era agradável. Adormecer a pensar no seu reencontro.
Domingo chegou por fim, o dia de folga de Mrs. Wilson e a filha. Depois da missa, a família demorou algum tempo no átrio da igreja pois algumas das Clientes de Mrs. Wilson foram cumprimenta-la e conversar. Aquelas eram as típicas beatas da igreja, que conversavam há saída da missa. Mr. Adolfe Wilson já se tinha afastado para fumar um charuto com os maridos das senhoras e Margarett ficara, para seu desagrado, a escutar as mexeriquices entre a mãe e as clientes. Não podia ir ter com o pai para juntos dos homens que fumavam, pois ficava mal numa rapariga. Concluindo, não tinha salvação possível.
Foi aí que o seu olhar encontrou-se com uns olhos azul-esverdeados, estranhamente centrados nela.
Um sorriso esboçou-se na sua direcção e ela não pode deixar de retribuir, envergonhada.
Lentamente, foi-se afastando daquele aglomerado de mulheres e deu por si num pequeno espaço vazio no meio da multidão. Olhou em redor, buscando alguém conhecido, mas apenas o via a ele. Tentou não o encarar, não por falta de vontade, mas sim por uma questão de respeito.
O jovem, por outro lado, não deixou nem por um minuto de contemplá-la, examinar toda a sua personalidade, e foi fraco para se impedir de ir ter com ela, em passos vagarosos e carregados de receio. No entanto, chegou a um ponto que não tinha volta a dar. Estava tão perto de chegar-lhe, que não podia simplesmente desistir de lhe falar, de lhe tocar.
Encostou a sua mão ao de leve no ombro dela, fazendo-a olha-lo, e sorriu-lhe, tomando a mão delicada da rapariga:
-Margarett, não é? – Perguntou, fingindo que não se lembrava do nome que o consumiu durante toda a semana.
Ela acenou com a cabeça, sem saber o que dizer ao sentir o rapaz a beijar a sua mão após ergue-la até á altura da boca. Podia jurar que o coração lhe ia sair pela boca, que parecia um tomate maduro, que as pernas iam derreter e que mais tarde ou mais cedo o estômago ficaria tão enrolado que ela não iria conseguir ingerir nada.
-Não me cheguei a apresentar – Relembrou o rapaz, controlando-se para não ser indelicado – O meu nome é William…
Ela não esperou que ele dissesse o apelido e tentou falar, atrapalhada:
-Prazer! – Disse, pondo o cabelo atrás da orelha, numa tentativa de disfarçar a sua timidez.
Ele sorriu-lhe:
-Desculpa aquilo da semana passada. Ainda te devo um lanche!
Ela abriu a boca, confusa:
-Oh, não, não! Não é preciso, eu já estava a terminar de qualquer das formas e o vestido está como novo! Não quero dar-te prejuízo, alem disso, não nos conhecemos bem…
William interrompeu, sem se aperceber que um sorriso dominava o seu rosto simplesmente por tê-la escutado a falar:
-Mas seria um prazer conhecer-te!
Ela olhou-o, assustada, sem saber como reagir, e ele depressa se torturou por ter dito aquilo. Tinha de remediar-se:
-Tu és amiga das serventes do Lili’s Diner. Elas são minhas amigas também e tenho a certeza que iriam gostar muito que o nosso grupo se alargasse. Alem disso, não pareces conhecer muita gente por aqui, não é verdade?
-Bom, sim… - Ela olhou o chão e mordeu o lábio.
-Gostarias de me acompanhar num almoço, um dia destes?
Ela sorriu de modo cortês e afirmou:
-Seria um prazer, William. – Ele estremeceu ao escutar o seu nome vindo daqueles lábios grossos e sorriu, perdido nos gestos incertos da rapariga – No entanto, creio que não poderá ser hoje nem esta semana. A minha mãe está muito atarefada e eu tenho que ajudá-la, portanto, talvez seja melhor encontrarmo-nos no próximo fim-de-semana, se não te importares, claro…
-Não, claro que não! – Negou, atrapalhado – Mal posso esperar! De hoje a oito dias, depois da missa, vamos juntos almoçar fora.
Ela sorriu, dando a conversa como terminada, mas ele não. Ele precisava de mais, de ouvi-la, de vê-la, para guardar aquelas memórias até á semana seguinte, a longa semana que o separaria novamente da sua amada.
-O teu vestido é muito bonito! – Declarou, desviando-lhe uma madeixa de cabelo para trás da orelha.
Ela corou e humedeceu os lábios, sentindo que a saliva da sua boca desaparecera.
-Obrigada, o teu fato também! – Exclamou analisando o seu terno azul-marinho, que o tornava mais elegante do que já era.
Ele riu, sem jeito e coçou a cabeça:
-Se não fosse a minha mãe…!
Ela riu-se do modo como o rapaz falou, sentindo-se ainda como manteiga a derreter em chamas.
Sem nenhum dos dois dizer mais nada, escutaram alguém chamar pela jovem. Ela olhou por cima do ombro e viu que o pai e a mãe se dirigiam para o carro e esperavam-na.
William e ela olharam-se pela última vez e sorriram um para o outro:
-Vemo-nos para a semana! – Disse ele.
-Adeus!
Ela caminhou com pressa na direcção dos pais e entrou na viatura, sob o olhar atento de William.
O seu pai olhou-a pelo espelho retrovisor e reparou no nervosismo da jovem:
-Mag, está tudo bem? – Perguntou, colocando o carro em andamento.
Mrs. Wilson olhou por cima do banco, preocupada, recebendo um sorriso de reconforto por parte da filha, que logo após suspirou, não demonstrando o mínimo interesse:
-Eu tenho um encontro.
-Tu o quê?! – Mr. Wilson perdeu o controlo do carro por segundos, deixando as duas mulheres assustadas.
-Pai, calma, o William parece ser boa pessoa!
O pai, sisudo, pôs os olhos na estrada, pouco convencido:
-De quem é ele?!
Margarett deu de ombros:
-Não sei, não perguntei…
-Como não perguntaste?! Isso é primeira coisa que devias ter tido em conta! – Ralhou a sua mãe irritada - E se ele é um marginal, um caçador de fortunas?!
-Mãe! Por favor! Não estamos no século XIX!
-Mesmo assim, filha, eu tenho de conhecer o rapaz, antes que…!
-Paizinho, vai ser um encontro de amigos, apenas! Confiem em mim, eu vou apenas conhecê-lo porque ele é amigo de umas amigas minhas!
-E desde quando tu tens amigas aqui?
-Desde a semana passada!
Todos caíram num silêncio profundo. Margarett fechou os olhos e inspirou, tentando não perder o controlo com os pais. Estes, por sua vez, deram crédito á filha, que nunca lhes tinha causado problemas.
Quando chegaram a casa ela foi a ultima a sair do carro. Os seus progenitores já estavam a entrar em casa quando ela deu por si a olhar para o pequeno espaço entre a sua casa e a casa dos Paisen. Os seus olhos passearam pela parede onde se encontrava embutida a janela do seu quarto, e com um simples movimento de orbitas encarou a janela do quarto de David. Uma angústia profunda invadiu-a e fê-la virar o rosto para o chão de modo a caminhar para dentro de casa, sem notar que, na mesma janela que olhara, surgiu um vulto masculino que ansiava vê-la.
David encostou-se ao peitoril da janela e suspirou. Arrependeu-se de não ter ido á missa para falar com Margarett. Certamente ela não o envergonharia, já que nunca fora uma rapariga escandalosa. Deu por si e olhar o céu sem qualquer excitação, quando ouviu uma persiana a bater muito perto. Sobressaltou-se ao ver a janela anteriormente aberta da casa ao lado, trancada como se fosse noite. Não foi necessário ser muito imaginativo para saber que Margarett se tinha fechado para não o ver, e o desespero trespassou-lhe a alma com violência. Sentia-se um grande idiota por não ter agido antes, até porque Margarett é que tinha razão, e isso destruía-o.
-Mag! – Chamou, com uma réstia de esperança – Mag, precisamos de falar, por favor abre a janela!
Ele mordeu o lábio e fez fisgas. Todavia, foi em vão. Nem sinal da companheira na casa ao lado e a única coisa que ele pode fazer foi encostar as costas á parede e bufar, sem saber o que fazer. Desceu as escadas e só parou quando se sentou no sofá da sala para encarar a televisão sem cores, enquanto um cheiro a frango invadia as suas narinas.
Mrs. Paisen entrou na sala para ir buscar o serviço de mesa, quando reparou no rosto desagradado do filho. Olhou para a cozinha e franziu o cenho, enquanto pousava os pratos novamente.
Aproximou-se do rapaz sisudo e sentou-se ao seu lado:
-David, aconteceu alguma coisa?
Ele olhou-a pelo canto do olho e deu de ombros, sério:
-Não.
-Estás com uma cara de poucos amigos! Está tudo bem, de certeza?
-Está, mãe! Não me chateies!
Mrs. Paisen revirou os olhos e voltou a levantar-se para pegar nos pratos limpos. Havia muito tempo que não conseguia entender o filho e o contacto entre os dois já não era o que havia sido. Isso entristecia-a, mas um lado de si dizia-lhe que era apenas a forma de David abandonar o ninho e conduzir a sua própria vida. Quando entrou na cozinha, parou e olhou-o, sentado no sofá. Fez um pequeno bico com os lábios e depois fitou a janela do exterior onde viu o carro dos vizinhos estacionado. Isso deu-lhe uma ideia que talvez ajudasse o jovem. Deu um passo de recua e fez a voz mais simpática e animadora que conseguiu:
-David, porque não vais ter com a Margarett? Já não estais juntos há muito tempo.
David abanou a cabeça enervado e correu escadas acima, ignorando a mãe que o encarou com preocupação. A sua mente inteligente deduziu logo que algo se havia passado entre os melhores amigos, contudo não tinha ideia do que poderia fazer por eles. Restou-lhe terminar o almoço e esperar pelo entendimento dos dois.
Na casa ao lado, Mrs. Wilson tinha uma opinião contrária á da vizinha. Sentia-se satisfeita por a filha não correr atrás do marginal, já para não falar no jeito que a garota lhe dava no trabalho. Sentia a economia da família a crescer a pique graças a ela, e não podia deixar que nada distraísse Margarett. Ainda lhe custava a crer que ela ia ter um encontro com um desconhecido, mas não podia controlar a vida dela ao ponto de a fechar a trabalhar ou ainda corria o risco de a rapariga fugir de casa. E, Deus, ela sabia bem que Margarett era capaz disso. O espírito rebelde anda permanecia dentro da jovem, adormecido, mas presente. Com a distância de David ela tornara-se mais civilizada e obediente, mas era questão de uma injecção de adrenalina para a rapariga despertar todos os seus instintos e correr nua pelo campo se fosse necessário. Ela deu graças pelos dois estarem mais afastados. Não que estivesse extremamente feliz com isso, mas que era melhor para a sua filha, era um facto.
No dia seguinte, as duas levantaram-se cedo para trabalhar no vestido de Mrs. Finkie, que iria busca-lo dali a dois dias. Todas as outras encomendas eram secundárias, já que Kelly Finkie era das mulheres mais ricas da cidade, esposa do banqueiro, com um único filho e um guarda-roupa vastíssimo. O seu pedido era mais requintado do que os das outras senhoras, já que esta tinha uma visão muito mais exuberante para a moda do que as demais mulheres da cidade. Criar um modelo tão complexo fora um verdadeiro desafio para Margarett, não pelo desenho, mas pela complexidade dos materiais e dos adornos da roupa. Quase que poderia ser considerado um vestido de alta-costura pela extravagancia do mesmo. A meio da tarde, após a parte mais simples do vestido estar feita, Margarett entregou um modelo mais simples de outra cliente á sua mãe e tratou ela própria de costurar todos os adereços da forma pretendida. Não parou para jantar e ficou sozinha no quarto de costura até á noite pura. Quando viu que a primeira parte do vestido estava quase completa escutou as badaladas a soarem um novo dia e subiu para os seus aposentos. Sabendo que não encontraria David àquela hora, abriu a janela e desviou a cortina. Lá fora apenas se podiam escutar os cães e os gatos vadios a fazer banzé, enquanto a brisa quente de verão intoxicava qualquer um. Ela vestiu a camisa de dormir e deixou a janela assim mesmo, aberta, para não suar durante a noite seca. O seu íntimo inquiriu-se se David saíra naquela noite, mas ela depressa se desapegou dessas ideias e tentou esquecer o amigo de infância.
Na casa ao lado, ele dormia. Já há alguns dias que não saia á noite. Tinha inclusive avisado Eric que enquanto não resolvesse “uns problemas” não iria a mais nenhuma fuga nocturna. Além disso, agora, para além de estar a perder a melhor amiga, sentia ainda que se iam separar para sempre por causa daquele seu novo pretendente. David, por duas vezes, já tinha reparado que William olhava para Margarett de um modo intenso, mas o que mais o inquietava nisso tudo era que Margarett não ignorava o galã. Roía as unhas todas só de pensar que ela o estava a trocar pelo rival de longa data, a deixar-se cair no jogo em vez de lhe cacetear as zonas íntimas como fazia quando eram mais novos. Era preciso muito azar para aquilo lhe estar a acontecer.
Por outro lado, William Finkie estava nas nuvens com aquele anjo que lhe surgira de repente na vida. Mal podia esperar por Domingo para estar com ela novamente. Se soubesse ao menos onde ela morava, podia ir vê-la todos os dias, todavia, nem o apelido dela se dera ao trabalho de perguntar. Ficava frustrado só de pensar nisso, mas ele sabia que valia a pena esperar e lutar.
Uma imagem duma pin-up (façam ligação com a o trabalho da Margarett)
E nesta imaginem que são esboços da Margarett xb
Adoraria ter um William para mostrar, mas não tenho. Imaginem voces! 
Bjokas
Hoje não há musica nem capa mas trouxe umas imagenzinhas para mostrar!
Desfrutem do capitulo!

Capitulo VIII – O pretendente
“É triste falhar na vida, porem mais triste ainda é não tentar vencer ”
Franklin Delano Roosevelt
Franklin Delano Roosevelt
William Finkie encostou-se á vedação, em frente á sua casa. Esperava pelo seu amigo Rick, com uma palha de trigo presa entre os dentes.
Suspirou.
Havia dois dias que não conseguia tirá-la da cabeça. Apesar de já ter reparado nela noutras ocasiões - todas por culpa de acidentes - nunca se sentira tão deslocado. Era o destino? Ele acreditava que sim.
Margarett…
O seu nome soava na sua cabeça como um som inspirador e vibrante, o seu olhar contemplava o céu vezes sem conta a fim de descobrir nele a mesma tonalidade daqueles olhos meigos. Não podia esquecer aquele cabelo dourado como o sol, o sorriso de anjo, a silhueta perfeita. A voz… Tão doce e sensível, sem qualquer malícia feminina, como se acostumara.
Ele sorriu para si mesmo enquanto fitava o chão.
Poderia ser? Estava ele…? Custava-lhe a crer, no entanto ela não lhe saia da mente.
Ele soltou outro suspiro pesado, sem forças para continuar com aquela angústia e saudade de uma perfeita desconhecida. Só quando duas sombras pararam por cima da sua é que ele se livrou daqueles pensamentos.
Rick Quink e Tom Parker vinham ter com ele para irem pintar a casa da idosa Mr. Proof, que lhes tinha pedido gentilmente. Todos vestidos com macacões velhos, caminharam em conjunto para a casa da senhora que já os esperava á porta. Durante a pintura, William era o único que não falava, absorto em pensamentos.
Rick e Tom aperceberam-se da apatia do companheiro e assobiaram, captando as atenções do rapaz. Ambos troçaram dele:
-O que se passa, Will?! Desde que nos encontramos que ainda não disseste nada de jeito!
William molhou o pincel na tinta azul e passou-o pela parece sem cor:
-Nada…
Os seus amigos entreolharam-se, desconfiados:
-Vá lá! – Disse Tom, pousando o pincel no balde e descendo o escadote em que estava montado.
Rick e William fizeram o mesmo e os três encostaram-se á cerca de madeira apanhando sol, numa pausa para descanso.
Apesar de tudo os três eram bons amigos, e quando algo estava errado com um deles, não tinham vergonha de desabafar. Naquele dia não era dúvida nenhuma se William estava bem ou não, portanto, estavam dispostos a saber o que se passava.
-Aconteceu alguma coisa?
Ele suspirou e escondeu um sorriso. Fitou os compinchas e deu de ombros, sorrindo pelo canto da boca:
-Bem… Há uma rapariga…
Os outros dois chocaram. Nunca, desde que se conheciam, William se tinha apaixonado ao ponto de ficar naquele estado. Apesar de já ter estado com raparigas, esse não era um tema que o cativasse.
William, sem se aperceber da surpresa dos colegas, prosseguiu:
-Ela chama-se Margarett… - Ele sorriu, a olhar para o céu – Ela é linda!
-Espera aí! – Interrompeu Tom – De onde é que a conheces? É da cidade?
-Eu não sei! – Respondeu confuso – Eu já a vi algumas vezes, por isso acho que sim… Conhecia na segunda-feira no Lili’s Diner e desde aí que ela não me sai da cabeça.
Os outros dois não souberam o que dizer, nem precisaram. Foram salvos por Mrs. Proof que surgiu pela porta das traseiras com uma bandeja de limonada para os três.
-Ah, meninos, isto está lindo! – Exclamou, admirando a sua casa quase totalmente pintada – Muito obrigada!
-Não tem de quê, Mrs Proof! – Exclamou Rick, passando os dedos pelos cabelos curtos.
Os quatro sentaram-se na mesa de jardim com a senhora e beberam as limonadas em silencio, até esta intervir:
-Não pude deixar de ouvir, William.
Este corou violentamente e desviou o olhar, desinteressado.
Mrs. Proof sorriu amavelmente:
-Sabes, querido, não deves ficar assim, tão tristonho! – Os outros dois nada disseram, ficando apenas constrangidos pela situação – É muito bom ver um jovem belo e simpático como tu assim!
-Assim como? – Inquiriu o rapaz.
-Apaixonado.
Tom quase se engasgou com a bebida.
-Eu não estou apaixonado. – Negou ele, tentando controlar a vermelhidão.
Mrs. Proof, fingindo que não o escutou, levantou-se e arrumou os copos vazios na bandeja novamente:
-Se queres acabar com essa angústia tens de ir á luta, conquistar a moça! Tenho a certeza que saberás o que fazer, mas não podes ficar parado. As mulheres devem ser tratadas como flores, nunca te esqueças.
Mrs. Proof entrou em casa e os três jovens entreolharam-se embasbacados. Sem nenhum dizer nada e guardados nos seus devaneios, terminaram de pintar a casa e regressaram cada qual para sua.
Na sexta-feira seguinte, Margarett acordou com as galinhas. Nunca mais tinha saído de casa desde que tinha ido ao Lili’s Diner, pelo simples facto de não ter tempo.
Os dias estavam atarefados pois aproximava-se um casamento na cidade e, por isso, Mrs. Wilson tinha cada vez mais encomendas de vestidos. Margarett era a sua arma secreta para satisfazer as clientes exuberantes que exigiam vestidos únicos, originais e lindos, adequados aos seus estatutos. Quando alguma não se sentia agradada com os modelos simples que Mrs Wilson costurava habitualmente, Margarett tinha o encantador dom de transforma-los nos vestidos ideais para cada senhora, com um simples ajuste de pano ou acrescento de estampado. A realidade é que não havia cliente que não gostasse dos modelos preparados por mãe e filha em conjunto. Naquela cidade, sim, podia-se afirmar que cada mulher seria a mais bela da festa, mas cada uma á sua maneira.
Na casa ao lado, David mantinha-se á janela, numa espera incessante para ver Margarett no quarto que parecia ter sumido do mapa. Ele tinha chegado à conclusão que precisava de lhe pedir perdão. Não suportava nem mais um dia sem falar para ela, a sua melhor amiga para todos os efeitos. Deu por si a ler algumas das cartas que ela lhe escrevera, e soltou suspiros de arrependimento, encostando-se novamente á janela com esperança de a ver. Todavia, a única coisa que ele conseguia enxergar eram mulheres a entrar e a sair da sua casa durante aqueles dias lentos, umas com vestidos nas mãos e outras de mãos livres, mas entusiasmo patente nas expressões. Não podia deixar de revirar os olhos de cada vez que via a cena, e a impaciência tomava cada vez mais conta de si. Naquela semana só saiu duas vezes durante a noite, tudo porque dera por si sem energias para mais. Além disso, não fazia sentido não falar com Margarett, quer fosse por carta ou pessoalmente. Sentia-se estranhamente incompleto e desamparado sem ela. Isso não era agradável. Adormecer a pensar no seu reencontro.
Domingo chegou por fim, o dia de folga de Mrs. Wilson e a filha. Depois da missa, a família demorou algum tempo no átrio da igreja pois algumas das Clientes de Mrs. Wilson foram cumprimenta-la e conversar. Aquelas eram as típicas beatas da igreja, que conversavam há saída da missa. Mr. Adolfe Wilson já se tinha afastado para fumar um charuto com os maridos das senhoras e Margarett ficara, para seu desagrado, a escutar as mexeriquices entre a mãe e as clientes. Não podia ir ter com o pai para juntos dos homens que fumavam, pois ficava mal numa rapariga. Concluindo, não tinha salvação possível.
Foi aí que o seu olhar encontrou-se com uns olhos azul-esverdeados, estranhamente centrados nela.
Um sorriso esboçou-se na sua direcção e ela não pode deixar de retribuir, envergonhada.
Lentamente, foi-se afastando daquele aglomerado de mulheres e deu por si num pequeno espaço vazio no meio da multidão. Olhou em redor, buscando alguém conhecido, mas apenas o via a ele. Tentou não o encarar, não por falta de vontade, mas sim por uma questão de respeito.
O jovem, por outro lado, não deixou nem por um minuto de contemplá-la, examinar toda a sua personalidade, e foi fraco para se impedir de ir ter com ela, em passos vagarosos e carregados de receio. No entanto, chegou a um ponto que não tinha volta a dar. Estava tão perto de chegar-lhe, que não podia simplesmente desistir de lhe falar, de lhe tocar.
Encostou a sua mão ao de leve no ombro dela, fazendo-a olha-lo, e sorriu-lhe, tomando a mão delicada da rapariga:
-Margarett, não é? – Perguntou, fingindo que não se lembrava do nome que o consumiu durante toda a semana.
Ela acenou com a cabeça, sem saber o que dizer ao sentir o rapaz a beijar a sua mão após ergue-la até á altura da boca. Podia jurar que o coração lhe ia sair pela boca, que parecia um tomate maduro, que as pernas iam derreter e que mais tarde ou mais cedo o estômago ficaria tão enrolado que ela não iria conseguir ingerir nada.
-Não me cheguei a apresentar – Relembrou o rapaz, controlando-se para não ser indelicado – O meu nome é William…
Ela não esperou que ele dissesse o apelido e tentou falar, atrapalhada:
-Prazer! – Disse, pondo o cabelo atrás da orelha, numa tentativa de disfarçar a sua timidez.
Ele sorriu-lhe:
-Desculpa aquilo da semana passada. Ainda te devo um lanche!
Ela abriu a boca, confusa:
-Oh, não, não! Não é preciso, eu já estava a terminar de qualquer das formas e o vestido está como novo! Não quero dar-te prejuízo, alem disso, não nos conhecemos bem…
William interrompeu, sem se aperceber que um sorriso dominava o seu rosto simplesmente por tê-la escutado a falar:
-Mas seria um prazer conhecer-te!
Ela olhou-o, assustada, sem saber como reagir, e ele depressa se torturou por ter dito aquilo. Tinha de remediar-se:
-Tu és amiga das serventes do Lili’s Diner. Elas são minhas amigas também e tenho a certeza que iriam gostar muito que o nosso grupo se alargasse. Alem disso, não pareces conhecer muita gente por aqui, não é verdade?
-Bom, sim… - Ela olhou o chão e mordeu o lábio.
-Gostarias de me acompanhar num almoço, um dia destes?
Ela sorriu de modo cortês e afirmou:
-Seria um prazer, William. – Ele estremeceu ao escutar o seu nome vindo daqueles lábios grossos e sorriu, perdido nos gestos incertos da rapariga – No entanto, creio que não poderá ser hoje nem esta semana. A minha mãe está muito atarefada e eu tenho que ajudá-la, portanto, talvez seja melhor encontrarmo-nos no próximo fim-de-semana, se não te importares, claro…
-Não, claro que não! – Negou, atrapalhado – Mal posso esperar! De hoje a oito dias, depois da missa, vamos juntos almoçar fora.
Ela sorriu, dando a conversa como terminada, mas ele não. Ele precisava de mais, de ouvi-la, de vê-la, para guardar aquelas memórias até á semana seguinte, a longa semana que o separaria novamente da sua amada.
-O teu vestido é muito bonito! – Declarou, desviando-lhe uma madeixa de cabelo para trás da orelha.
Ela corou e humedeceu os lábios, sentindo que a saliva da sua boca desaparecera.
-Obrigada, o teu fato também! – Exclamou analisando o seu terno azul-marinho, que o tornava mais elegante do que já era.
Ele riu, sem jeito e coçou a cabeça:
-Se não fosse a minha mãe…!
Ela riu-se do modo como o rapaz falou, sentindo-se ainda como manteiga a derreter em chamas.
Sem nenhum dos dois dizer mais nada, escutaram alguém chamar pela jovem. Ela olhou por cima do ombro e viu que o pai e a mãe se dirigiam para o carro e esperavam-na.
William e ela olharam-se pela última vez e sorriram um para o outro:
-Vemo-nos para a semana! – Disse ele.
-Adeus!
Ela caminhou com pressa na direcção dos pais e entrou na viatura, sob o olhar atento de William.
O seu pai olhou-a pelo espelho retrovisor e reparou no nervosismo da jovem:
-Mag, está tudo bem? – Perguntou, colocando o carro em andamento.
Mrs. Wilson olhou por cima do banco, preocupada, recebendo um sorriso de reconforto por parte da filha, que logo após suspirou, não demonstrando o mínimo interesse:
-Eu tenho um encontro.
-Tu o quê?! – Mr. Wilson perdeu o controlo do carro por segundos, deixando as duas mulheres assustadas.
-Pai, calma, o William parece ser boa pessoa!
O pai, sisudo, pôs os olhos na estrada, pouco convencido:
-De quem é ele?!
Margarett deu de ombros:
-Não sei, não perguntei…
-Como não perguntaste?! Isso é primeira coisa que devias ter tido em conta! – Ralhou a sua mãe irritada - E se ele é um marginal, um caçador de fortunas?!
-Mãe! Por favor! Não estamos no século XIX!
-Mesmo assim, filha, eu tenho de conhecer o rapaz, antes que…!
-Paizinho, vai ser um encontro de amigos, apenas! Confiem em mim, eu vou apenas conhecê-lo porque ele é amigo de umas amigas minhas!
-E desde quando tu tens amigas aqui?
-Desde a semana passada!
Todos caíram num silêncio profundo. Margarett fechou os olhos e inspirou, tentando não perder o controlo com os pais. Estes, por sua vez, deram crédito á filha, que nunca lhes tinha causado problemas.
Quando chegaram a casa ela foi a ultima a sair do carro. Os seus progenitores já estavam a entrar em casa quando ela deu por si a olhar para o pequeno espaço entre a sua casa e a casa dos Paisen. Os seus olhos passearam pela parede onde se encontrava embutida a janela do seu quarto, e com um simples movimento de orbitas encarou a janela do quarto de David. Uma angústia profunda invadiu-a e fê-la virar o rosto para o chão de modo a caminhar para dentro de casa, sem notar que, na mesma janela que olhara, surgiu um vulto masculino que ansiava vê-la.
David encostou-se ao peitoril da janela e suspirou. Arrependeu-se de não ter ido á missa para falar com Margarett. Certamente ela não o envergonharia, já que nunca fora uma rapariga escandalosa. Deu por si e olhar o céu sem qualquer excitação, quando ouviu uma persiana a bater muito perto. Sobressaltou-se ao ver a janela anteriormente aberta da casa ao lado, trancada como se fosse noite. Não foi necessário ser muito imaginativo para saber que Margarett se tinha fechado para não o ver, e o desespero trespassou-lhe a alma com violência. Sentia-se um grande idiota por não ter agido antes, até porque Margarett é que tinha razão, e isso destruía-o.
-Mag! – Chamou, com uma réstia de esperança – Mag, precisamos de falar, por favor abre a janela!
Ele mordeu o lábio e fez fisgas. Todavia, foi em vão. Nem sinal da companheira na casa ao lado e a única coisa que ele pode fazer foi encostar as costas á parede e bufar, sem saber o que fazer. Desceu as escadas e só parou quando se sentou no sofá da sala para encarar a televisão sem cores, enquanto um cheiro a frango invadia as suas narinas.
Mrs. Paisen entrou na sala para ir buscar o serviço de mesa, quando reparou no rosto desagradado do filho. Olhou para a cozinha e franziu o cenho, enquanto pousava os pratos novamente.
Aproximou-se do rapaz sisudo e sentou-se ao seu lado:
-David, aconteceu alguma coisa?
Ele olhou-a pelo canto do olho e deu de ombros, sério:
-Não.
-Estás com uma cara de poucos amigos! Está tudo bem, de certeza?
-Está, mãe! Não me chateies!
Mrs. Paisen revirou os olhos e voltou a levantar-se para pegar nos pratos limpos. Havia muito tempo que não conseguia entender o filho e o contacto entre os dois já não era o que havia sido. Isso entristecia-a, mas um lado de si dizia-lhe que era apenas a forma de David abandonar o ninho e conduzir a sua própria vida. Quando entrou na cozinha, parou e olhou-o, sentado no sofá. Fez um pequeno bico com os lábios e depois fitou a janela do exterior onde viu o carro dos vizinhos estacionado. Isso deu-lhe uma ideia que talvez ajudasse o jovem. Deu um passo de recua e fez a voz mais simpática e animadora que conseguiu:
-David, porque não vais ter com a Margarett? Já não estais juntos há muito tempo.
David abanou a cabeça enervado e correu escadas acima, ignorando a mãe que o encarou com preocupação. A sua mente inteligente deduziu logo que algo se havia passado entre os melhores amigos, contudo não tinha ideia do que poderia fazer por eles. Restou-lhe terminar o almoço e esperar pelo entendimento dos dois.
Na casa ao lado, Mrs. Wilson tinha uma opinião contrária á da vizinha. Sentia-se satisfeita por a filha não correr atrás do marginal, já para não falar no jeito que a garota lhe dava no trabalho. Sentia a economia da família a crescer a pique graças a ela, e não podia deixar que nada distraísse Margarett. Ainda lhe custava a crer que ela ia ter um encontro com um desconhecido, mas não podia controlar a vida dela ao ponto de a fechar a trabalhar ou ainda corria o risco de a rapariga fugir de casa. E, Deus, ela sabia bem que Margarett era capaz disso. O espírito rebelde anda permanecia dentro da jovem, adormecido, mas presente. Com a distância de David ela tornara-se mais civilizada e obediente, mas era questão de uma injecção de adrenalina para a rapariga despertar todos os seus instintos e correr nua pelo campo se fosse necessário. Ela deu graças pelos dois estarem mais afastados. Não que estivesse extremamente feliz com isso, mas que era melhor para a sua filha, era um facto.
No dia seguinte, as duas levantaram-se cedo para trabalhar no vestido de Mrs. Finkie, que iria busca-lo dali a dois dias. Todas as outras encomendas eram secundárias, já que Kelly Finkie era das mulheres mais ricas da cidade, esposa do banqueiro, com um único filho e um guarda-roupa vastíssimo. O seu pedido era mais requintado do que os das outras senhoras, já que esta tinha uma visão muito mais exuberante para a moda do que as demais mulheres da cidade. Criar um modelo tão complexo fora um verdadeiro desafio para Margarett, não pelo desenho, mas pela complexidade dos materiais e dos adornos da roupa. Quase que poderia ser considerado um vestido de alta-costura pela extravagancia do mesmo. A meio da tarde, após a parte mais simples do vestido estar feita, Margarett entregou um modelo mais simples de outra cliente á sua mãe e tratou ela própria de costurar todos os adereços da forma pretendida. Não parou para jantar e ficou sozinha no quarto de costura até á noite pura. Quando viu que a primeira parte do vestido estava quase completa escutou as badaladas a soarem um novo dia e subiu para os seus aposentos. Sabendo que não encontraria David àquela hora, abriu a janela e desviou a cortina. Lá fora apenas se podiam escutar os cães e os gatos vadios a fazer banzé, enquanto a brisa quente de verão intoxicava qualquer um. Ela vestiu a camisa de dormir e deixou a janela assim mesmo, aberta, para não suar durante a noite seca. O seu íntimo inquiriu-se se David saíra naquela noite, mas ela depressa se desapegou dessas ideias e tentou esquecer o amigo de infância.
Na casa ao lado, ele dormia. Já há alguns dias que não saia á noite. Tinha inclusive avisado Eric que enquanto não resolvesse “uns problemas” não iria a mais nenhuma fuga nocturna. Além disso, agora, para além de estar a perder a melhor amiga, sentia ainda que se iam separar para sempre por causa daquele seu novo pretendente. David, por duas vezes, já tinha reparado que William olhava para Margarett de um modo intenso, mas o que mais o inquietava nisso tudo era que Margarett não ignorava o galã. Roía as unhas todas só de pensar que ela o estava a trocar pelo rival de longa data, a deixar-se cair no jogo em vez de lhe cacetear as zonas íntimas como fazia quando eram mais novos. Era preciso muito azar para aquilo lhe estar a acontecer.
Por outro lado, William Finkie estava nas nuvens com aquele anjo que lhe surgira de repente na vida. Mal podia esperar por Domingo para estar com ela novamente. Se soubesse ao menos onde ela morava, podia ir vê-la todos os dias, todavia, nem o apelido dela se dera ao trabalho de perguntar. Ficava frustrado só de pensar nisso, mas ele sabia que valia a pena esperar e lutar.
Uma imagem duma pin-up (façam ligação com a o trabalho da Margarett)
Spoiler

Spoiler


Bjokas
as minhas fic's:
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
-Angelical
Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
-Angelical
Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^
Wass Up!!
Uau, como sempre não desapontaste. Adorei este capítulo. Pergunto-me o que tens planeado para o Sr. William. Pela forma como o retrataste, parece um verdadeiro "principe" encantado, perfeito para a Maggie. Aposto que a mãe dela não vai desdenhar o rapaz assim que souber o seu apelido.
Agora, o Sr. David vai continuar a querer subir paredes nos proximos capitulos. Por de certeza que vai haver alguma coisa com a Maggie e com o Will (deixa-me armar em vidente, que eu sei que posso tar errada. Mas no caso de estar errada, fico feliz, se não, dá-me gosto em escrever "eu sei tudo acerca de tudo" nos comentários
). Quero é ver o que o David vai fazer em relação a isso. Uma coisa é armar fita, outra é agir mesmo. E o David tem mesmo ar de quem pode armar banzé com o Will.
Outra coisa que não posso deixar de pensar... como agirá o Will ao saber o apelido da Maggie? Imitará um peixinho dourado? Erguerá o sobrolho de tal maneira, que desaparecerá no meio do cabelo pastoso de brilhantina? Os seus olhos aumentarão de tamanho de tal forma que até explodem? (ouve uma musica sinistra como pano de fundo e uma figura encapuzada atrás de Maggie) e manda ganda Scream?
Respostas para estas perguntas estúpidas, só a Lulu nos pode dar. Não percam o próximo capítulo, porque EU também não!
p.s Hoje deu-me a louca. Apetece-me dizer disparates e até mesmo partilhar este tesourinho hilariante com a alma depenada e aborrecida que estiver a ler as tretas que estou a escrever.
https://www.youtube.com/watch?v=41RFw9aqIxM&feature=related
ahahaha
Uau, como sempre não desapontaste. Adorei este capítulo. Pergunto-me o que tens planeado para o Sr. William. Pela forma como o retrataste, parece um verdadeiro "principe" encantado, perfeito para a Maggie. Aposto que a mãe dela não vai desdenhar o rapaz assim que souber o seu apelido.
Agora, o Sr. David vai continuar a querer subir paredes nos proximos capitulos. Por de certeza que vai haver alguma coisa com a Maggie e com o Will (deixa-me armar em vidente, que eu sei que posso tar errada. Mas no caso de estar errada, fico feliz, se não, dá-me gosto em escrever "eu sei tudo acerca de tudo" nos comentários
). Quero é ver o que o David vai fazer em relação a isso. Uma coisa é armar fita, outra é agir mesmo. E o David tem mesmo ar de quem pode armar banzé com o Will. Outra coisa que não posso deixar de pensar... como agirá o Will ao saber o apelido da Maggie? Imitará um peixinho dourado? Erguerá o sobrolho de tal maneira, que desaparecerá no meio do cabelo pastoso de brilhantina? Os seus olhos aumentarão de tamanho de tal forma que até explodem? (ouve uma musica sinistra como pano de fundo e uma figura encapuzada atrás de Maggie) e manda ganda Scream?
Respostas para estas perguntas estúpidas, só a Lulu nos pode dar. Não percam o próximo capítulo, porque EU também não!

p.s Hoje deu-me a louca. Apetece-me dizer disparates e até mesmo partilhar este tesourinho hilariante com a alma depenada e aborrecida que estiver a ler as tretas que estou a escrever.
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ahahaha

Espero por ti em cada segundo , porque tu és o meu mundo!

Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
Visitem a minha 1ª Fic ----->The Four elements

Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
Visitem a minha 1ª Fic ----->The Four elements
loool
Eu também adoro o Scarie movie, é muito engraçado.
Realmente o Will parece um principe, e está mesmo apaixonado. A Mag ficava bem com ele, pelo menos a parte bem comportada dela.
A verdadeira tem muito mais a ver com o David, sem dúvida, a própria mãe admite isso. E pelo que parece o rapaz começa a ganhar algum juízo...talvez.....
Acho que está na altura do David se mexer e perceber que os ciúmes não são só por perder a melhor amiga. Os rapazes às vezes são tão tapados...
Veremos como isto se vai desenrolar.
Subscrevo a Ana: Não percam o próximo capítulo, porque EU também não!
***
Eu também adoro o Scarie movie, é muito engraçado.
Realmente o Will parece um principe, e está mesmo apaixonado. A Mag ficava bem com ele, pelo menos a parte bem comportada dela.

A verdadeira tem muito mais a ver com o David, sem dúvida, a própria mãe admite isso. E pelo que parece o rapaz começa a ganhar algum juízo...talvez.....
Acho que está na altura do David se mexer e perceber que os ciúmes não são só por perder a melhor amiga. Os rapazes às vezes são tão tapados...

Veremos como isto se vai desenrolar.
Subscrevo a Ana: Não percam o próximo capítulo, porque EU também não!
***
Wass up!!!!! 
Meninas, só por ser para vocês já trago o novo capitulo! É sempre inspirador ler os vossos comentários!

Agora vem aí a familia do ano!!! Apresento-vos os Finkie!
Capitulo IX – Os Finkie
“O homem enamorado sabe o que deseja, mas não vê o que precisa saber.”
Sêneca
Era Sábado. William já tinha ido ao melhor restaurante da cidade reservar uma mesa para o encontro com Margarett. Mal podia esperar pela hora em que a visse, deslumbrante. Estava ele em sua casa, a experimentar as colónias do pai, quando a sua mãe entrou de rompante, super agitada, carregando uma espécie de embrulho da lavandaria.Sêneca
-Mãe? – Ele chamou – O que é isso?
Mrs. Finkie, excitadíssima, abriu o embrulho e retirou para fora o seu novo vestido negro carregado de tule, tal como ela gostava, e com pormenores lindíssimos a dar-lhe, ao mesmo tempo, um toque chiquíssimo e um toque de elegância. William sorriu pela alegria da mãe e, apesar de saber pouco sobre moda, não pode deixar de admitir eu o vestido era realmente uma obra de arte:
-É muito bonito mãe! Com esse vestido todas as mulheres da cidade vão invejar-te! – Ele deu-lhe um beijo na bochecha, pronto para sair dali – Dá os parabéns á costureira!
A sua mãe concordou, eufórica:
-Oh, William, tu tens razão, ela merece os parabéns! Os anjos existem mesmo, querido! Como se não bastasse este vestido lindo, olha só o que a Margarett me fez!
Ele parou de repente ao escutar aquele nome. Julgando ter ouvido mal, olhou a mãe com dúvida, mas esta apenas sorria enquanto pegava numa bolsa e nuns sapatos trabalhados com peças de joalharia falsa embutida. Ele olhou para a exuberância dos acessórios, sem pensar neles. A dúvida tocara-lhe.
-Como, mãe?
-Oh, não é uma artista?! Repara só nesta flor feita de tecido! Aquela rapariga não existe! Pergunto-me como vivi tantos anos sem uma artista deste calibre!
William franziu as sobrancelhas, desconfiado, e deu um abanão á progenitora para receber atenção:
-A tua costureira chama-se Margarett? – Ele inquiriu.
-Sim, filho, conhece-la?
Ele deu de ombros com o coração a descompassar aos poucos:
-Talvez. Como é ela?
Mrs. Finkie guardou a nova vestimenta com cuidado, sem parar com a euforia e hiperactividade. Olhou para cima com um brilho radiante e sorriu, como se estivesse a sonhar:
-Oh, é belíssima! Uma verdadeira senhora, muito educada e, querido – Ela olhou-o pelo canto do olho como se fosse mexericar algo – Veste-se sempre com tanta classe que eu atrever-me-ia a dizer que vai todos os dias a uma gala! Ela não é uma qualquer, não senhor! – Prosseguiu, andando pela sala até chegar ao corredor principal da casa, pronta para subir as escadas – Hás-de reparar no sotaque francês perfeito, na facilidade em domar um Peep toe, até sob o piso mais medíocre! Quantas raparigas de 17 anos é que usam salto alto com mais de 5 cm?! – Ela olhou William, que a seguia interessado - Nenhuma, ora pois! Não têm paciência para aguentar as dores nos pés! Pois olha para o que te digo, filho, uma mulher aguentar um dia inteiro em cima de nove centímetros diz muito da sua personalidade! Só mulheres fortes e determinadas é que têm tanta capacidade para suportar a dor mais miserável que existe e continuarem a serem lindas e ousadas!
William sorriu.
Mrs. Finkie era uma verdadeira fala-barato, não fosse o seu espaço preferido o salão de beleza, todavia era uma senhora divertidíssima e não havia dia em que não o fizesse sorrir pelas novidades que lhe dava. Deu por si a sentir-se ainda mais apaixonado por Margarett. Saber que a própria mãe gostava dela era um sinal bastante positivo para ele avançar. Por momentos ficou em dúvida se contaria á mãe sobre o encontro dos dois ou não, mas o ritmo acelerado a que a mulher contava as coisas retirava-lhe toda a oportunidade de comentar algo. Sorrindo, chegou á conclusão que era melhor esperar e, quem sabe, Mrs. Kelly Finkie não descobriria por si mesma a paixoneta que ele sentia pela sua costureira.
William deu um beijo á mãe e afastou-se novamente. Tinha de planear tudo ao pormenor, agora que sabia mais sobre Margarett.
A rapariga, na sua casa, planeava o mesmo. Apesar de não ter em mente um encontro amoroso, sentia-se nervosa por ir sair com um rapaz aparentemente tão bem parecido e cavalheiro. Olhara para todos os seus vestidos e não sabia, de todo, o que vestir no dia seguinte. Achou que estava na altura de ir dar um passeio.
Pegou na bolsinha e avisou a mãe da sua ausência. Mal pôs o pé na rua, foi abordada por David, com tanta brusquidão que ela podia ter caído para o lado no preciso momento:
-Rett! – Disse ele, ofegante – Precisamos de falar!
Ela arqueou a sobrancelha, num tom orgulhoso decifrável, e contornou-o para prosseguir o seu passeio. Todavia ele não desistiu:
-Mag, escuta-me, eu quero pedir-te desculpa! Eu tenho andado para te dizer isto há séculos, mas nunca te encontrava!
-Estive sempre na casa ao lado, David! – Disse ela, seca.
-Fechaste-me a janela e todos os dias entram e saem mulheres na tua casa. Deduzi que estivesses a trabalhar!
Ela respirou fundo e abanou a cabeça, prosseguindo os seus passos.
-Por favor…! Não te dignaste a aparecer antes porque sabias que não valia a pena. Se sentisses mesmo a necessidade de falar comigo terias trepados paredes que nem uma centopeia! Não é isso que fazes todas as noites?! Andar pela parede para sair do teu quarto?! – Ela sorriu pelo canto do lábio com frieza.
-Mag, eu sei que estás zangada comigo e tens razão, obviamente! Ouve…! – Ele agarrou-lhe o pulso, para ela parar de andar – Eu não queria ter dito aquilo, não queria ter sido um idiota contigo e devia ter-te defendido, mas… Sei lá! … Há momentos em que eu não sei o que faço…!
Se David achava que o olhar piedoso de Margarett veio em seu favor, enganou-se:
-Deixa o álcool! – Ripostou ela.
Ele embasbacou-se coma resposta dela, mas depressa se recompôs, assumindo uma expressão dura:
-Não há nada em que eu te possa compensar?
Margarett abanou a cabeça, em modo negativo, não em sinal de resposta, mas em sinal de desilusão. O vinco que surgiu na sua testa explicitou a completa angustia que lhe passou pelo olhar:
-tu disseste para eu voltar para França, David…
Ele olhou-a, com as bochechas arrepiadas e um nó na garganta saliente e incómodo. Se ela soubesse que ele disse aquilo apenas porque precisava de fugir dela para poder Chorar, talvez entendesse, mas David não sabia explicar isso, faltava-lhe a vontade de se humilhar dessa forma.
Margarett franziu os lábios e prosseguiu o caminho á sua frente. Já tinham falado mais do que era permitido, e talvez fosse a hora de realmente crescerem.
-Mag… - David, não desistiu, mesmo não sabendo o que dizer – Desculpa. Eu apenas… Apenas quero a minha melhor amiga de volta.
Ela fechou os olhos e lambeu os lábios para conseguir falar. Uma dor pontiaguda acertou-lhe no peito e ela não soube o que dizer. Apenas voltou-se para ele, que esperava uma resposta atrás dela e negou com a cabeça.
-Perdoas-me? – Ele tentou, outra vez.
Ela inspirou fundo e olhou o chão:
-Talvez… Talvez tu tivesses razão… se calhar o melhor para nós é que não nos metamos mais na vida um do outro…!
-Ora, Margarett, isso foi um impulso idiota da minha parte!
-Eu não estou a brincar, David. – Esclareceu sem lhe dar tempo de falar - O ideal é… É nós crescermos. Deixarmos para trás a nossa infância, tal como todas as outras pessoas fazem, e criarmos uma nova vida.
-Porque é que eu haveria de fazer isso?
-Porque pediste! E eu agora também não quero que te metas na minha vida. Eu percebi, David, que nós somos mais diferentes do que pensávamos. Tu não és aquilo que eu esperava e, francamente, tu também te iludiste comigo! Aposto que estavas á espera de uma rapariga toda esfarrapada, de cabelo desengonçado que jogasse á bola e… e que andasse á bulha com quem se metesse com ela.
David franziu o cenho, quando entendeu ao que ela queria chegar, e falou, calmamente:
-Tu tens razão, eu iludi-me.
Ela fingiu um sorriso e voltou costas ao vizinho, mas foi surpreendida ao perceber que ele ainda tinha algo a dizer:
-Mas, Rett… - Ele esperou que ela o fitasse – Eu sei que a miúda com quem cresci está algures por aí. É uma questão de tempo.
Ela riu-se incrédula e irritada, e seguiu pelo caminho planeado sem sequer o encarar decentemente, apenas exclamando:
-Esquece, David! Vive a tua vida, que eu vivo a minha!
Ele cerrou os dentes e pontapeou uma árvore, furioso com a teimosia dela. A mania de complicar as coisas, tão característica de Margarett! Só lhe apetecia atirar-lhe uma pedra á cabeça para ver se ela acordava, mas isso ia magoá-la, o que era a ultima coisa que ele queria fazer.
Viu-a a dirigir-se ao Lili’s Diner, mas não se atreveu a segui-la.
Margarett ia ver as novas amigas. Quando entrou no estabelecimento, Ally acenou logo e ela sorriu. Antes de mais olhou em redor, encarando quem estava no local. Não pode evitar de esboçar um esgar ao reconhecer três raparigas vestidas como vagabundas. Uma delas, a do meio, falava alto com as outras duas. Pareciam não ter qualquer respeito pelos outros, considerando-se superiores a todos, mesmo sendo as que aparentavam ser inferiores.
Margarett aproximou-se do balcão e deu um olá a Ally:
-Hei, Margarett! – Exclamou, Ally – Vais querer alguma coisa?
-Hum, sim, um refresco, apenas!
Ally foi buscar o sumo natural e Margarett acenou a Daisy e a Janice.
A última correu até ela:
-Adoro verde! – Exclamou, agarrando o tecido da roda de Margarett.
-Pois bem, já sei de que cor vai ser o teu vestido!
Janice deu pulinhos no ar:
-Não te esqueceste?
-Claro que não!
Ally entregou o copo de refresco a Margarett, e atentou na conversa das duas.
-Tenho andado a fazer esboços, mas gostava de saber mais sobre vocês para fazer algo mais pessoal.
Ally apoiou os cotovelos no balcão entusiasmada e apontou para Daisy, que servia uma mesa:
-Ora, para a Daisy, usa vermelho, um grande decote, mas algo simples. Para mim, azul, algo que me faça parecer uma verdadeira mulher, que deixe qualquer homem de beicinho e…!
-E para mim verde, claro está, com uma roda que exiba bem as minhas pernas!
Margarett riu-se do entusiasmo daquelas raparigas, mas assentiu. Passou a tarde ali, a descobrir mais sobre cada uma, e aos poucos, começou a entender que uma forte amizade surgia.
Á noite, David voltou a não sair. Tinha planeado que iria á missa, para voltar a falar com Margarett. Todos os pretextos eram poucos para estar com ela e tentar recuperar a ligação que ambos mantinham.
Mrs. Paisen estranhou quando viu o filho a pé na hora de sair de casa. Apesar de David não ter um sentido estético cavalheiresco, teve a decência de pelo menos no Domingo não vestir uma t-shirt esfarrapada e umas calças rotas nos joelhos. Claro que não vestiu um terno e se engravatou, mas colocou uma camisa clara, e umas calças mais compostas. Quando se olhou ao espelho não gostou do que viu. Retirou a blusa de dentro das calças e deixou-se estar assim. Não estava para se arreliar.
Quando chegaram á igreja, o sino deu o sinal de inicio da cerimónia e já sentado, a olhar para a decoração sóbria e nua, e para o bizarro Cristo morto, David, arrependeu-se de não ter esperado no exterior. Passou o tempo todo a tentar não adormecer e para isso espreitava para ver se via Margarett, em vão, infelizmente.
Quando escutou “Que o senhor vos acompanhe”, foi provavelmente o primeiro a levantar-se e sair para o exterior, fugindo daquela monotonia como quem fugia da chuva fria. Encostou-se a um muro de pedra e ficou a olhar a entrada da igreja à espera de Margarett. Quando a viu a ser iluminada pelos raios de sol o seu coração disparou.
Andou depressa até àquela rapariga vestida com algo tão simples e no entanto tão elegante em comparação com todas as outras. Quando a alcançou deu-lhe um puxão que a fez desviar-se do grupo de pessoas que seguia.
-Rett!
-David?! – Ela pareceu chocada por vê-lo ali – Não é demasiado cedo para estares acordado?
-ah, ah, engraçadinha! – Ele revirou os olhos – Vim para te ver!
Ela ficou quieta, olhando-o com dúvidas, até que revirou os olhos e suspirou:
-Por favor, que ridículo.
-É verdade! – Garantiu ele - Decidi que vou fazer de tudo para voltarmos a ser amigos!
Ela sorriu, como quem não acreditava:
-Para quê?
-Para voltares a ser o que eras!
Ela ficou a olha-lo, perplexa e incomodada. Foi aí que percebeu que ele não estava a brincar, mesmo que o assunto fosse uma idiotice. Não era nada de David persegui-la assim. Todavia, também não era nada de Margarett fugir-lhe por tanto tempo. Estavam empatados.
-Estás a ser egoísta! – Exclamou ela, séria – Queres tanto que eu seja como tu que te esqueces que talvez eu não queira. Se fosses mesmo meu amigo aceitavas quem eu sou, e assim prevenias muitas humilhações por parte dos teus outros amigos.
David ficou sério, furioso, mas não ia perder outra batalha para ela.
Aproximou a sua boca da face dela e deu-lhe um beijo suave, que surpreendeu a rapariga ao fazer todo o seu corpo ir-se abaixo ao parar de funcionar. Pensava que ele se ia afastar logo, mas enganou-se redondamente. Em vez disso ele aproximou-se do ouvido dela:
-Escuta bem, Wilson… - Avisou, num tom grave - a partir de hoje, todos os dias eu vou-te relembrar quem foste. Todos os dias eu vou lutar pela nossa amizade e acredita que vai chegar a um ponto em que tu não vais aguentar mais a minha insistência e vais cair nos meus braços. Vais ter pesadelos comigo todas as noites, mas no fim… - Ele cheirou o cabelo dela, antes de terminar – Vais voltar a saber o que é viver…!
Ele voltou a selar um beijo naquela pele branca.
Margarett cerrou os dentes, odiando aquela provocação com todas as suas forças. David teve ainda o descaramento de lhe piscar o olho:
-Não vais conseguir e sabes porquê?! Porque já não me conheces e não sabes como me atingir!
A expressão de David em nada se alterou, no entanto, uma luz de desilusão e desprezo invadiu os seus olhos castanhos. Ele sorriu, cínico, e fê-la engatar o braço dela no dele, arrastando-a consigo:
-Vamos começar hoje, Mag…! – Ele olhou para o céu numa medida reflectiva para a manter por perto – podemos ir passear esta tarde! Sabes que a minha mãe convidou a tua família para ir almoçar lá a casa hoje? Claro que ninguém recusou!
Margarett preparou-se para protestar, mas não teve tempo. Ele interrompeu-a:
-É um bom começo. Passar o almoço e a tarde juntos. Onde queres ir?!
Ela soltou o braço com força e sorriu-lhe com frieza e sarcasmo:
-Lamento David, vamos ter que adiar. Não vou almoçar contigo hoje!
-E porque não?!
-Tenho um encontro!
O rapaz quase se engasgou com a própria saliva:
-Desculpa, tu o quê?!
-Eu tenho um encontro com uma pessoa.
Com aquilo David ficou pior do que estragado:
-Com quem?
-Não te interessa! – Respondeu a jovem, caminhando para longe dele.
Claro que David a seguiu, insistente como era.
-Estás a dizer-me a verdade?
-Obviamente.
Ele engoliu a seco, e guardou as mãos nos bolsos das calças, para não exibir os nervos e o desapontamento evidentes nas suas veias:
-Então diz-me com quem!
Margarett ergueu o queixo, orgulhosa:
-Chama-se William e é um perfeito cavalheiro ao contrário de ti!
A rapariga abrandou os passos de repente ao aperceber-se que David tinha parado de andar por completo. Embora a teimosia fosse grande, ela não pode evitar de espreitar o que tinha acontecido ao perseguidor. Reparou que David estava imóvel a um metro de si, com um olhar estranho. Não era furioso, mas também não era triste. Era o meio-termo entre os dois estados de espírito.
-Estás a brincar comigo!
Aquilo não era uma questão. Ela abriu a boca e soltou uma espécie de riso seco, chocada com a dúvida:
-Achas impossível que alguém me convide para sair?!
-Não, não acho impossível, só acho que me estás a tentar enganar! Disseste esse nome só para me enfurecer!
-Olha lá, David! – Exclamou ela, irritada, dando um passo na direcção dele – Tu achas que eu me ia dar ao trabalho de inventar algo apenas para te enervar?! Cresce!
Ela voltou-lhe costas, ofendida e afastou-se. Ele voltou a apanhá-la:
-Mas tu estás bem da cabeça?! É para me fazer sentir mal?
Ela olhou-o, baralhada com as suas palavras:
-De que é que tu estás a falar?
-Por favor, Mag, isso é um golpe baixo! Aposto que aceitaste sair com esse tipo apenas para me fazer sentir mal comigo mesmo...!
A moça não compreendeu aquela atitude:
-Mas o…!?
-É para eu pensar que já perdi a minha melhor amiga para um idiota?!
Margarett franziu o sobrolho. David estava a delirar, só podia ser isso.
Ele baixou o olhar, desta vez desapontado de verdade:
-agora sim, dou-me quase por vencido. Quase. Mas sinceramente, não esperava uma traição dessas da tua parte.
Aquelas foram as suas últimas palavras. Logo após, ele já ia longe. Margarett ficou sem entender o que diabo se tinha passado. Traição?! Que ideia louca era aquela? Ela tentou esquecer a conversa estranha e foi-se despedir dos pais, quando William lhe acenou ao longe, vestido elegantemente com um fato cinzento claro e o cabelo arranjado com gel. Bastante gel, tinha que reconhecer.
Ela aproximou-se, sorridente, e ele cumprimentou-a novamente com aquele beijo na mão que derretia qualquer mulher.
-Estás lindíssima, Margarett.
-Muito obrigada. – Agradeceu, corada.
Ele estendeu-lhe o braço, para que ela engatasse o seu nele, e olhou-a completamente seduzido pela criatura maravilhosa:
-Estava ansioso por hoje! Espero que gostes do almoço!
Ela sorriu timidamente sob o olhar atento dos seus pais que fitavam os dois dentro do carro.
-Ah, eu sou muito gulosa, acredita! Acho que te vais assustar comigo.
-Hum, és rara. São poucas as mulheres gulosas por aqui.
Ela soltou um risinho leve e harmonioso. Aquela era a sua forma de dizer que não sabia o que dizer.
Foi aí que Mrs. Finkie lhe passou diante dos olhos a uns 10 metros. Pareceu nem notar nela, mas Margarett não pode deixar de reparar que a mulher usava um dos seus modelos. Isso dava-lhe tanto orgulho, que teve mesmo de comentar. Largou o acompanhante e acenou à mulher:
-Mrs. Finkie! – Chamou, para surpresa de William.
A mulher olhou-a, surpreendida, e mais ficou ao reparar na companhia do seu filho.
-Margarett, nem te vi, querida! – As duas saudaram-se com dois beijos, e depois a mais velha encarou o rapaz, duvidosa.
Ele comprimiu um sorriso pateta, mas não foi o suficiente para a mãe não se aperceber que algo se passava entre os dois.
-Assentou-lhe muito bem esse modelo! – Comentou Margarett, satisfeita - Gostou dos apliques que eu fiz nos sapatos?
-oh, Margarett, tu deves ter sido feita por fadas, porque o teu trabalho não tem explicação a não ser magia! Quem se lembraria de criar uns sapatos a condizer com uma bolsa de uma maneira tão original? Estou muitíssimo satisfeita e a propósito, a tua roupa inspirou-me!
-Ah sim? – Perguntou, orgulhosa.
-Oh e de que maneira! – Mrs. Finkie agarrou-lhe a mão – como sabes eu possuo um salão de festas no centro da cidade e eu achei que não haveria melhor situação para estrear o novo vestido do que num baile! De preferência de Mascaras! - Completou, entusiasmada - Já estou a planear tudo, vou convidar todos os jovens e por isso adoraria que estivesses presente e sei que o meu filho vai adorar!
Margarett semicerrou os olhos, confusa, mas sorriu por elegância:
-O seu filho?
Começou a rebuscar as suas memórias passadas. Conhecia Mrs. Finkie há muitos anos, mas não recordara o filho dela. Como que um choque ela recordou a peste com quem tantas vezes brigara juntamente com David. Era o inimigo dos dois! Claro que não diria isso àquela senhora tão jovial e simpática.
-Não te faças de desentendida, querida! – Exclamou a mulher, rindo – William, podias-me ter dito que ias sair com esta bela jovem.
Margarett sentiu-se tonta:
-O quê?! – Sobressaltou-se.
William corou pela indiscrição damulher que o dera à luz:
-Mãe, nós temos que ir! Depois falamos em casa, ok?
-Claro, filhote! Não te atrases para o jantar!
E dito isto a mulher beijou a bochecha do rapaz e despediu-se dos dois.
Margarett estava em choque. De um momento para o outro começou a somar dois mais dois, enquanto era levada para um restaurante fino no centro da cidade.
Não conseguiu dizer nada todo o caminho, até chegarem ao detsino.
Lá, todas as mesas eram cobertas por toalhas de cetim e adornadas com flores e velas. Os candelabros davam uma iluminação baixa mas agradável enquanto um som de violino soava no fundo.
Sentaram-se os dois numa mesa pequena, á luz das velas e William entregou-lhe o cardápio que ela recebeu com um sorriso pois foi o seu truque para esconder o rosto.
Nunca pensara dizer aquilo, mas apetecia-lhe ir embora dali, naquele preciso momento!
William Finkie. Era evidente! Agora entendia porquê o choque de David. Todos aqueles anos, em inúmeras cartas, ela lera que eles se odiavam, que William era o único capaz de deitar a auto-estima de David abaixo, e ela própria, quando criança, odiava-o por ser tão convencido. Como não o reconhecera? O cabelo empastado era o mesmo, os olhos verdes também. Que idiota! Mas ela tinha que admitir. Espreitando-o por cima do menu, via que aquele não era o mesmo rapaz que conhecera em miúda. Parecia que todos tinham mudado drasticamente na sua ausência. David era um idiota, as raparigas que ela achava irritantes eram agora as suas melhores amigas e o rapaz que mais odiava era o seu pretendente?!
O mundo estava ao contrário!
O servente aproximou-se dos dois e William pediu pelos dois. Enquanto isso, nenhum sabia ao certo que dizer. O prato chegou, e a necessidade de dizer algo apoderou-se de William, que viu a amada a comer calmamente á sua frente, aparentemente confortável com o silêncio:
-Então, queres ser costureira? – Quis saber. Não sabia se aquela era uma boa pergunta para começar um diálogo agradável, mas teve de tentar.
Margarett negou com a cabeça, de boca cheia, e depois de engolir, explicou:
-Quero ser estilista. Para costureira basta a minha mãe!
O rapaz sorriu por cada palavra que ela disse, sem se aperceber que a cada momento ela se sentia mais constrangida.
-Hum, isso deve ser um sonho de criança, não? A tua mãe deve-te ter implantado esse gosto pela moda.
-Ah, não! Nada disso! – Respondeu, nervosa - Eu não ligava a mínima á costura até me mudar para França. Eu queria ser mecânica!
William teve de rir:
-Mecânica?! Uma rapariga como tu?
-Como eu porquê? – Interrogou ela, ofendida.
William deu de ombros, apercebendo-se da sua falta de educação:
-Desculpa, mas tu pareces ser tão delicada e estás sempre impecável! Não te imagino suja de óleo e a lidar com homens brutamontes.
Margarett limpou os cantos da boca com um guardanapo branco e bebeu um gole de água. Logo após, não conseguiu evitar de rir da imagem que William tinha dela. Via-se bem que ele não se lembrava quem ela fora no passado, e muito menos tinha lidado com ela. Apesar disso, não se sentia á vontade para lhe dizer o seu apelido e assim despertar-lhe a memória em relação a si.
-De onde é que tiveste essa ideia? – Ele continuou.
-Bem, eu sempre fui muito maria-rapaz. – William franziu as sobrancelhas, incrédulo – mas como disse, em França mudei. Tive de estar mais presente no trabalho da minha mãe, e quando via Monsieur Dior a criar as suas peças, a escolher os tecidos, e a organizar os manequins com as suas criações, apaixonei-me completamente por este mundo. Espero um dia ser recordada, como ele ainda é e há-de ser.
William sorriu-lhe:
-Certamente que serás! A minha mãe já te ama!
Os dois riram em conjunto e trocaram um olhar cúmplice. Margarett ajeitou-se na cadeira e colocou outra garfada na boca, assim como o jovem acompanhante.
-Bem, e tu? Fazes alguma coisa?
William pensou na resposta por dez segundos, enquanto acabava de mastigar e engolir:
-Bem, não tenho emprego, mas tenho trabalho.
Ela inclinou a cabeça, desentendida:
-Como assim?
Ele voltou a colocar alimento na boca e depois falou
-Digamos que eu e alguns amigos meus, fazemos algumas tarefas que nos pedem. Ainda no outro dia pintamos a casa de Mrs. Proof, mas não posso chamar isto de emprego porque não tenho salário! – Ele riu-se – É uma espécie de caridade para passar os dias secantes de verão.
Margarett ficou a olha-lo por momentos, observando o modo como o rapaz falava. De facto, aquele não era o William que ela conhecera e as suas palavras cativaram-na:
-Isso é muito bonito, William. A sério.
Ele corou e deu de ombros:
-Não é nada de mais. É só uma forma de passar o tempo ajudando os outros.
-Mesmo assim, são poucas as pessoas que fazem isso de boa vontade. Percebo agora que és boa pessoa! – Declarou sorrindo.
William sorriu também. Ficava feliz por saber que ela pensava coisas boas de si. Talvez assim conseguisse conquista-la e acabar com aquela sensação angustiante de não poder tocá-la e senti-la todos os dias junto a si. Uma nova esperança cresceu dentro dele ao ver um sorriso criado por si naquele rosto.
-Também quero salvar pessoas.
Ela sorriu:
-Medicina?
William assentiu.
-Impressionante. É preciso ser muito inteligente.
-Eu tento. – Respondeu, sorrindo.
Naquele momento, Margarett suspirou para si mesma. Entendia agora que sempre estivera enganada em relação às pessoas, e no fundo sentiu-se desiludida por estar a saber a verdade. Porque agora custava-lhe a crer que David sempre a comandara para pensar coisas erradas e que tinha perdido a oportunidade de conhecer uma pessoa como William.
Mais vale tarde do que nunca pensou.
Aquilo que é o verdadeiro casal Finkie:

AZEITE!!!
O Hobbie de Mrs. Kelly finkie:

E a personalidade de Mrs. Kelly Finkie!


E agpora eu tenho mesmo que fazer a pergunta do Ano:
De que team são Voces?!

Team David ou team William? Yeih!!!
Bjokas
as minhas fic's:
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
-Angelical
Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
-Angelical
Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^
hello 
Devo dizer que adorei este parágrafo :
-Escuta bem, Wilson… - Avisou, num tom grave - a partir de hoje, todos os dias eu vou-te relembrar quem foste. Todos os dias eu vou lutar pela nossa amizade e acredita que vai chegar a um ponto em que tu não vais aguentar mais a minha insistência e vais cair nos meus braços. Vais ter pesadelos comigo todas as noites, mas no fim… - Ele cheirou o cabelo dela, antes de terminar – Vais voltar a saber o que é viver…!
Com este parágrafo o David voltou a ganhar alguma simpatia minha...
Apesar do Will ser aparentemente perfeito,lol, acho que não é a pessoa certa para a Mag. É bom que ele exista para fazer o David acordar um pouco e ver a realidade. O Will tem mais maturidade, e é só isso que falta no David, quando ele finalmente crescer vai ser a pessoa certa para ficar do lado da Mag. Ou seja sou da team do baka do David.
Beijinho*

Devo dizer que adorei este parágrafo :
-Escuta bem, Wilson… - Avisou, num tom grave - a partir de hoje, todos os dias eu vou-te relembrar quem foste. Todos os dias eu vou lutar pela nossa amizade e acredita que vai chegar a um ponto em que tu não vais aguentar mais a minha insistência e vais cair nos meus braços. Vais ter pesadelos comigo todas as noites, mas no fim… - Ele cheirou o cabelo dela, antes de terminar – Vais voltar a saber o que é viver…!
Com este parágrafo o David voltou a ganhar alguma simpatia minha...
Apesar do Will ser aparentemente perfeito,lol, acho que não é a pessoa certa para a Mag. É bom que ele exista para fazer o David acordar um pouco e ver a realidade. O Will tem mais maturidade, e é só isso que falta no David, quando ele finalmente crescer vai ser a pessoa certa para ficar do lado da Mag. Ou seja sou da team do baka do David.
Beijinho*
(hum... comentários cativantes fazem com que a Lulu poste mais depressa? Interessante...)
TEAM DAVID!! Eu tenho um ódio a rapazes como o Will ok, eu sei que estou a ser hipocrita, porque criei o Eiji com essa personalidade mas também... a Linda não acabou com ele pois não?
. Prefiro rapazes espontaneos e com temperamento, como o David. Se bem que esse é muito orgulhoso. Faz-me lembrar o meu pai... e eu...
Gostei da mamã do Will. Ai que este senhora é daquelas excentricas que eu me vou rir para caraças nesta fic, não? Bem, espero que sim. Ela é daquelas mulheres em que adolescentes rabugentes sorriem muito cordiais, pois têm medo de abrir a boca e dizer asneira da grossa. Acreditem, sei qual é a sensação xS
O nosso David foi à igreja? E como conseguiu entrar? Julguei que diabinhos não consguissem entrar na casa do Senhor. Ok, esta foi valentemente seca, mas tinha que a mandar. Olho para o David e para o Will e vê-me imagens de anjos e demónios à cabeça. É que...a sério. O Will parece ser demasiado perfeito. Muito perfeito. Sê honesta, qual é o problema dele? Tem que ter um defeito.
É narcisista? Tem aletrorofobia (medo de galinhas não digas nada... são criaturas mesmo assustadoras. São aves, não voam e nem têm dentes. que medo O_o - que se entenda o sarcasmo- )? Tem uma verruga no seu dito-cujo?
Ou seja, eu junto-me à Bun no clube de fãs do David e, juntas, esperemos que mais gente de junte a nós para organizarmos uma caça e sucessiva fogueira às fãs do clube Will. No final, daremos os restos aos gatos pretos da cidade e espalharemos as cinzas pelos esgotos. Ideia estusiástica, não?
E com este gigante comentário, volto a dizer: excelente trabalho. Adorei o capítulo e a história em si. Espero pelo próximo porque quero mesmo ver a reacção do Will às revelações da Maggie. E, pelo caminho, quero saber como está o David (sabes como é, as fãs têm sempre aquele interesse no seu artista. Não te preocupes que nós não exageramos. Nunca te mandaremos mensagens do género:
nemteatrevasatirarprotagonismoaoDavidparadáloaoWillporquesenãomandoteumabombapelocorreio:x )
Espero pelo próximo sentada na minha gigante cadeira preta junto ao pc, roendo as unhas que, estupidamente, vou-me esquecendo que as já cortei
P.S No último comentário, eu disse que me tinha dado a louca. Pois.... na verdade eu menti. Eu sou sempre louca, maluquinha, pirada dos neuronios... Apenas consigo ser mais discreta quando tou online
TEAM DAVID!! Eu tenho um ódio a rapazes como o Will ok, eu sei que estou a ser hipocrita, porque criei o Eiji com essa personalidade mas também... a Linda não acabou com ele pois não?
. Prefiro rapazes espontaneos e com temperamento, como o David. Se bem que esse é muito orgulhoso. Faz-me lembrar o meu pai... e eu...Gostei da mamã do Will. Ai que este senhora é daquelas excentricas que eu me vou rir para caraças nesta fic, não? Bem, espero que sim. Ela é daquelas mulheres em que adolescentes rabugentes sorriem muito cordiais, pois têm medo de abrir a boca e dizer asneira da grossa. Acreditem, sei qual é a sensação xS
O nosso David foi à igreja? E como conseguiu entrar? Julguei que diabinhos não consguissem entrar na casa do Senhor. Ok, esta foi valentemente seca, mas tinha que a mandar. Olho para o David e para o Will e vê-me imagens de anjos e demónios à cabeça. É que...a sério. O Will parece ser demasiado perfeito. Muito perfeito. Sê honesta, qual é o problema dele? Tem que ter um defeito.
É narcisista? Tem aletrorofobia (medo de galinhas não digas nada... são criaturas mesmo assustadoras. São aves, não voam e nem têm dentes. que medo O_o - que se entenda o sarcasmo- )? Tem uma verruga no seu dito-cujo?
Ou seja, eu junto-me à Bun no clube de fãs do David e, juntas, esperemos que mais gente de junte a nós para organizarmos uma caça e sucessiva fogueira às fãs do clube Will. No final, daremos os restos aos gatos pretos da cidade e espalharemos as cinzas pelos esgotos. Ideia estusiástica, não?

E com este gigante comentário, volto a dizer: excelente trabalho. Adorei o capítulo e a história em si. Espero pelo próximo porque quero mesmo ver a reacção do Will às revelações da Maggie. E, pelo caminho, quero saber como está o David (sabes como é, as fãs têm sempre aquele interesse no seu artista. Não te preocupes que nós não exageramos. Nunca te mandaremos mensagens do género:
nemteatrevasatirarprotagonismoaoDavidparadáloaoWillporquesenãomandoteumabombapelocorreio:x )
Espero pelo próximo sentada na minha gigante cadeira preta junto ao pc, roendo as unhas que, estupidamente, vou-me esquecendo que as já cortei

P.S No último comentário, eu disse que me tinha dado a louca. Pois.... na verdade eu menti. Eu sou sempre louca, maluquinha, pirada dos neuronios... Apenas consigo ser mais discreta quando tou online

Espero por ti em cada segundo , porque tu és o meu mundo!

Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
Visitem a minha 1ª Fic ----->The Four elements

Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
Visitem a minha 1ª Fic ----->The Four elements
Bun - Eu estou como tu! Adoro essa parte do capitulo e tenho pena de não ter conseguido explorar essa "ameaça". Infelizmente comecei a perder-me um pouco na personalidade do David, eu acho, apesar de ele continuar a ser como é!
Também sou do Team dele, mas isso sou eu que já sei a historia toda! Muhahahaha! 
AnA_SaNt0s - Jeezzz! Hahaha, não conhecia essa tua faceta tão divertida e crazy! Hahaha, mas dá gosto em ler!
aletrorofobia?! God, eu odeio galinhas com todas as minhas forças! tenho tantas no galinheiro e não as posso ver à frente. Animal mais estúpido! >.Bom eu sofro de filematofobia (Tenho vergonha de dizer o que é
') 
Agora, aguentem-se com o William! Ele é uma grande peça neste puzzle!
E como eu já não conto com mais comentários para alem dos vossos, cá vai o proximo capitulo! x)
Ela só chegou a casa na hora do jantar. William levara-a a passear pelo rio depois do almoço e passaram um bom serão juntos, conversando sobre temas diversificados, de modo a conhecerem-se melhor. À medida que o tempo passou, William viu-se cada vez mais apaixonado por Margarett, sem sequer desconfiar da presença dela no seu passado. A jovem, por outro lado, nutriu um grande carinho pelo rapaz, mas não se apercebeu do fascínio que ele mantinha por ela. Acabaram por combinar encontrarem-se durante a semana no Lili’s Diner.
-Como correu? – Inquiriu Mr. Wilson.
-Muito bem, papá! – Respondeu ela, sem dar grande importância á pergunta.
-onde foram?
-almoçar a um restaurante do centro, muito chique! – Comentou - Depois nós fomos passear a pé pela margem do rio.
Mr. Wilson suspirou. A sua menina estava a crescer e a afastar-se dele, para seu desgosto. Margarett, ao aperceber-se do silêncio do pai, sorriu-lhe em tom de brincadeira e deu-lhe um beijo forte na bochecha, abraçando-o de seguida:
-O que o preocupa, papá?
Mr. Wilson apenas deu de ombros, sem tirar a filha dos braços:
-não estava á espera de te ver a sair com um rapaz tão cedo.
-Tenho 17 anos, pai. Já não sou nenhuma criança.
-não, claro que não, mas continuas a ser a minha menina!
-claro que sim, paizinho.
Ela sorriu-lhe e depois desprendeu-se daqueles braços fortes:
-A mãe?
-Está no quarto de costura, á tua espera.
-Então eu vou lá ter com ela!
Margarett andou rapidamente até ao local onde a sua mãe se encontrava. Lá, Mrs. Dorianne Wilson costurava um vestido lilás:
-Mãe, está a trabalhar ao Domingo?
Mrs. Wilson levantou o queixo e sorriu para a filha, nitidamente feliz.
Margarett estranhou a atitude da mãe. Acostumara-se a uma mulher séria e calculista e era raro ver um sorrido daqueles. Isso divertia-a, de verdade.
-Mrs. Finkie passou cá esta tarde – Margarett sentiu-se constrangida, mas nada disse -, entusiasmadíssima, por sinal! – Admitiu a mulher.
-Hum, que bom. – Deixou escapar Margarett, sem saber ao certo se a notícia era agradável ou não.
-Porque não disseste que ias sair com o filho dela? – Perguntou, sorridente.
-Ora, mãe… Eu não sabia o apelido dele.
Mrs. Wilson pousou o tecido violeta na máquina de costura e aproximou-se da filha, feliz.
-eu sempre disse que tu merecias muito! O William é um óptimo partido para ti, filha, pode vir a dar-te um grande futuro! Nem sequer precisarás de trabalhar e vais viver como uma rainha!
Margarett deu um passo de recua, assustada com a atitude da mulher mais velha.
-Mãe, fala como se nos fossemos casar!
-Filha, vocês tiveram um encontro, não foi?
-Bem… - a rapariga estreitou as sobrancelhas, incomodada - sim.
-Então é porque ele está interessado!
Mrs Wilson deu uma palmadinha no ombro de Margarett e deu-lhe a mão:
-É uma bela noticia! Daqui a nada ainda namoras para o filho do banqueiro!
-Ah, mamã! Que horror, não me diga essas coisas, está a deixar-me assustada!
-Assustada porquê?
-Eu só saí com o William para o conhecer, para sermos amigos! Não estou pronta para ter namorado! Ainda sou a menina do pai!
Subitamente Margarett viu-se refugiada na conversa que tivera com o pai momentos antes. Era irónico que de repente ela realmente se sentisse uma criança, especialmente depois de ter relembrado ao pai que havia crescido. Como diz o ditado, “filho de peixe sabe nadar”, e como tal, Margarett viu a resposta que deu ao pai a surgir pelos lábios da progenitora:
-Ora, tens 17 anos, Margarett! Está na altura de começares a fazer a tua vida!
Margarett abanou a cabeça, desagradada com a resposta. Esperava um sentido protector vindo de Dorianne, esperava que ela a impedisse de namorar, para assim não ter de se preocupar com o assunto, todavia, perante os planos da mãe, afastou-se:
-Não, mãe! Eu ainda não decidi a minha vida, não quero que ninguém decida por mim! Pare com essas ideias!
Ela saiu de rompante daquela divisão da casa e correu para o seu quarto. Mal pôs um pé dentro daquele espaço, bateu a porta com força, furiosa, e atirou a sua bolsa contra a parede, sem se aperceber que tinha a janela aberta e que na casa ao lado podia muito bem ser vista.
-Que estupidez! – Exclamou, desarrumando o seu próprio cabelo, até o deixar sem caracóis.
-Rett! - Ouviu chamar.
Ela revirou os olhos sem paciência e aproximou-se da janela:
-o que foi?! – Perguntou, impaciente.
David inclinou a cabeça com ar de preocupado. Mas era tudo um disfarce. Interiormente sorria:
-Aconteceu alguma coisa?!
-Não! – Respondeu a rapariga, bruscamente.
Ele demonstrou que não acreditara nas palavras:
-Ok, que se passa?! – Perguntou, num tom calmo, cruzando os braços encostado á ombreira da janela.
-Estou irritada, só isso! – Ela exclamou, cruzando os braços.
O vizinho tentou não sorrir, mas naquele momento, ao ver a amiga assim, nasceu-lhe uma gota de esperança em relação a um mau encontro entre ela e o rival. Era uma sorte que ela tivesse odiado a companhia de William.
-Foi aquele idiota, não foi? O que é que ele fez, Mag? - David sorriu em tom de gozo - Sabes bem que eu te avisei…!
-Não, não foi ele! – Ela berrou, furiosa, andando de uma lado para o outro em frente á janela - A culpa é da minha mãe! Tem o mau hábito de se meter na minha vida!
David fez uma careta azeda, desiludido:
-Ah… Então?… Como correu o encontro? – Quis saber.
Ela olhou-o pelo canto do olho, desconfiada, mas sorriu, cinicamente:
-Foi perfeito!
Ele deixou cair os cantos dos lábios, zangado com a descoberta, mas tentou dizer algo, transparecendo uma voz incrédula:
-Gostaste?!
-Adorei, David! O William é muito melhor do que eu pensava, um verdadeiro cavalheiro, simpático e bondoso! - Ela aproximou-se da janela e segurou a cortina desviada, sorrindo falsamente, e criando um brilho alegre nos olhos - Mal posso esperar para vê-lo outra vez na quarta-feira á tarde!
E dito aquilo fechou-lhe a cortina na cara, atirando-se de seguida para a sua cama, aborrecida.
David abanou a cabeça, sem saber o que fazer ou dizer. Afastou-se da janela e sentou-se também na sua cama, sem saber o que pensar. Um nó apertado no seu estômago fazia-o querer adormecer, todavia ele não conseguiria, não com Margarett na sua cabeça. Sentia-se realmente a perder a melhor amiga para William e talvez essa fosse a razão do seu “eu” interior aos poucos se destruir.
No dia seguinte, ele acordou a meio da manhã. Ensonado e sem forças, como se estivesse a arder em febre. Com algum custo lá se vestiu, e após tomar o pequeno-almoço deu um beijo á mãe, e saiu para o exterior solarengo. Não lhe apetecia fazer nada, e ao ver que nada se passava na rua, sentou-se nas escadas frontais da casa e encostou-se ao sol.
Esteve ali pelo menos quinze minutos, até sentir uma sombra sobre si. Olhando para cima vislumbrou Brittany, que o encarava com um ar trocista:
-A dormir em pé?
-Sentado – Corrigiu ele, rindo com algum esforço.
A rapariga sentou-se ao seu lado, de perna alçada por baixo da saia simples rodada, com os óculos de sol fixos na densa camada de cabelo louro, e olhou-o:
-O que fizeste esta noite? Sabes bem que não tenho saído porque tu também não sais!
-Eu não sou nenhum impedimento para te ires divertir com o pessoal, Brittany!
-Claro que não, mas és uma razão para eu ir! Se tu não vais o que vou eu lá fazer? Ver os outros a comerem-se uns aos outros, e beber cerveja até cair para o lado? – Ela revirou os olhos, impaciente – Não tenho paciência para isso, e tu sabes bem que me aborreço com facilidade! Agora, vá, diz-me porque não tens ido!
-Ando sem vontade.
As respostas de David eram curtas e ele dava-as com desinteresse. Isso irritava a companheira:
-Aposto que andas a fazer algo que não queres que eu saiba! Andas a sair com alguém, é?
David tendia sempre a ser bruto quando a conversa não lhe agradava. Aquela não foi excepção:
-Não Brittany, não ando! E não tenho de te dar satisfações sobre o que faço ou deixo de fazer! Eu não ando com vontade para sair, é só isso!
Ela levantou-se furiosa, e bateu o pé, de braços cruzados:
-Tem alguma coisa a ver com aquela caniche francesa?!
David levantou-se, revoltado, e agarrou o antebraço de Brittany com uma força exasperada, encostando-a contra o muro, sem qualquer delicadeza:
-Primeiro: Não tens nada a ver com isso! Segundo: Não tenho paciência para os teus ciúmes! E terceiro – Ela rangeu os dentes, zangada, e esperou a última resposta - Pára de lhe chamar isso! Tu nem sequer a conheces!
A jovem deu-lhe um encontrão para ele se afastar. Brittany podia ser uma rapariga como as outras mas recusava-se a ser ameaçada ou humilhada. Exigia respeito, fosse de quem fosse, mesmo que não o merecesse:
-Então tenho razão! É por causa dela!
-E se for?!
Ela semicerrou os olhos, desconfiada:
-Tu gostas dela, David?
Ele hesitou por um segundo:
-Não!
Ficou um silêncio desconfortável entre os dois e a loira bufou, aproximando-se dele. Rodeou o seu pescoço com os braços e fez o ar mais calmo que conseguiu:
-Não fiques chateado, fofinho, é só que… sinto a tua falta. E ultimamente andas muito estranho.
Ele olhou para o chão, buscando um motivo para se justificar:
-Desculpa… Eu não tenho dormido muito bem ultimamente, e isso deixa-me assim… Não sei como mudar isso.
-Temos de estar mais vezes juntos. Sabes bem que estou farta de andar sempre com a Kate e com a Mary. Elas são divertidas, certo, mas eu também quero estar com um macho de vez em quando!
David fingiu um sorriso perante aquelas palavras e abanou a cabeça:
-tu não tens emenda.
Ela segurou-lhe as faces e sorriu, orgulhosa:
-Eu sei.
E naquele momento ele já sabia o que se seguia. Ela puxou a cara dele, e ele apertou-lhe a anca como ela adorava. Foi uma questão de milésimos de segundos para as duas bocas se encontrarem e perderem-se uma na outra.
Uma porta bateu a alguns metros dali. David sobressaltou-se ao escutar o som de tacões a baterem no chão e tentou soltar-se, interromper o beijo, todavia, Brittany foi mais persistente e não o deixou parar. Sem saber o que fazer ele abriu os olhos e espreitou para ver quem era, apesar de no fundo já saber de quem se tratava.
Margarett passou á frente de sua casa, sem sequer parar. Ela já os tinha visto, ele sabia, mas a sua expressão mostrava que ela queria sair dali o mais depressa possível. Pelo canto do olho ele viu-a espreitar e quando os dois se olharam ela abanou a cabeça desapontada e ele corou, fechando os olhos enquanto ela desaparecia. Só nesse momento Brittany parou, alheia ao que se passava. David encarou-a, pensativo:
-Britt… Eu…
-O que se passa? – Interrompeu ela – Estás pálido de repente.
Ele humedeceu os lábios e olhou na direcção que Margarett seguia. Brittany olhou também e corou enfurecida:
-O que tem?! Estás a ficar maluco por causa dela, já te apercebeste?
-Não é isso! – Cortou o rapaz – É só que, vocês não gostam dela, mas eu tenho de estar com ela.
Brittany arqueou a sobrancelha e deu um passo de recua:
-Como assim “Tens de estar”?
Ele inventou a resposta no preciso momento:
-Bem, eu conheço a Mag… Quero dizer, a Margarett, desde criança, e nós dantes éramos amigos. Então, os nossos pais também são, e como ela é minha vizinha, fica mal eu não falar com ela, até porque as nossas famílias estão sempre a almoçar juntas. Alem disso, a minha mãe é muito sentimentalista – Ele bufou em sinal de troça -, e odeia estar de relacionamentos cortados com quem quer que seja. Se ela sabe que eu e a Margarett já não nos damos bem, vai ficar muito desiludida comigo, e de certeza que por minha causa vai tentar conviver menos com os Wilson. – Brittany franziu as sobrancelhas – Eu gosto demasiado da minha mãe para obriga-la a isso, entendes?
-E então, aonde queres chegar com isso?
-Eu só quero a vossa tolerância. – aquilo soou mais como uma ordem do que um pedido - Que evitem os risinhos quando a virem, especialmente se eu estiver convosco. Assim, espero que vocês entendam se eu a cumprimentar. É só por cortesia, Britt.
A rapariga reflectiu sobre o pedido do parceiro e não pode deixar de entender a sua posição. Ela conhecia Mrs. Paisen, e sabia que era uma senhora muito dócil e sociável, que era bem capaz de fazer o que David dissera.
-está bem, David. Eu posso falar com os outros, se preferires!
-obrigado, Britt.
-Mas atenção, não amoleças por causa daquela miúda! Não quero que uma coquete qualquer, que se arma em boa com os seus vestidos de seda te dê a volta á cabeça.
-Claro que não! – Garantiu ele.
Deu-lhe um beijo leve nos lábios e ela sorriu. Ficaram cerca de uma hora a conversar, até que chegou a altura de ela ir embora, já que a hora de almoço se aproximava.
David entrou dentro de casa e ligou a televisão, onde dava um show qualquer bem à moda da época, com música agitada e divertida e apresentadores vestidos a primor.
Brittany por seu lado, apenas almoçou e logo voltou a sair de casa. Desta vez não para ir ter com ele, mas para ir falar com as amigas. Foi a Casa de Mary e logo Kate apareceu também.
A anfitriã, deitada no sofá da sala, com a cabeça nas coxas de Kate, arranjava as longas unhas, enquanto a outra mirava Brittany a andar de um lado para o outro frenética:
-É que é de loucos! – Disse com os braços no ar – Ultimamente parece que ele anda a leste!
Mary examinou as cutículas:
-Eu ainda não entendi porque é que o David agora nunca aparece!
-Ele disse que andava sem vontade, mas sabem o que me parece?
As duas olharam-na, expectantes:
-É por causa daquela loira de Seda! Ele pediu-me para nós termos mais respeito por ela usando a desculpa que as famílias se davam bem e blá, blá, blá! Eu bem vi como ele olhou para ela quando ela passou por nós!
-Espera! – Interrompeu Kate – Tu achas que o David sente alguma coisa por ela?
-Não, não, não! – Berrou ela, saltitando no chão – Ele disse que nem sequer gostava dela, que era só por cortesia, mas fico louca só de pensar que ele está preocupado com ela!
Mary pousou o verniz e olhou Brittany, reflectiva:
-No outro dia, quando o filho do banqueiro entornou a bebida por cima do vestido dela, o David realmente ficou muito perturbado quando nós comentamos que eles faziam um verdadeiro casal de idiotas!
-Espera, o “Moedinhas” entornou uma bebida no “Bicho-da-seda”?
As duas riram pelos apelidos usados e confirmaram a questão, recordando o acidente entre gargalhadas. Brittany riu também, ao imaginar a cena, mas depressa se consciencializou do que a amiga tinha dito e interrompeu, em pânico:
-O David ficou incomodado?! Como?
-Bem, ele não quis sequer pôr a hipótese de os dois serem um casal, parecia furioso com isso se queres mesmo saber! – Explicou Kate.
Brittany guinchou irritada, com os olhos a transparecer desespero. Baixou-se até às amigas sentadas e segurou os braços das duas:
-Vocês acham que aquela caniche pode ser um risco para mim?
As outras duas entreolharam-se, pensativas:
-Talvez.
Brittany deu com a cabeça nas pernas de Mary e deu um gritinho de ódio:
-Eu não posso deixar! Há séculos que tento ser a única na vida do David, mas parece que ele só me quer ás vezes! Agora que já ganhei a confiança dele, não posso perdê-lo para uma flor de estufa qualquer!
-Hum, miúda, se eu fosse a ti tomava bem conta do teu homem! – Comentou Kate, passando os dedos na cabeleira castanha.
-O que é que eu faço?
Mary deu de ombros:
-Acho que vocês estão a dramatizar demasiado! Britt, tu estás a ir tão bem sendo amiga dele. Eu já vi o David mais afastado de ti do que agora. Acho que ele já está demasiado afeiçoado a ti para te trocar. Alem disso, ontem eu vi a loira com o William e acho que eles foram sair juntos! E, agora a sério, acham mesmo que o David te trocava por ela? O David?!
Brittany sorriu, aliviada:
-Não troca, pois não? – Os seus olhos brilharam e ela levantou-se como uma flecha, batendo palmas de alegria – Mas mesmo assim não vou deixar que aquela perua se meta entre nós os dois!
Mas quando Brittany prometia, não era certo que as suas promessas se concretizassem.
Era apenas uma questão de ocasião.
Ok, este capitulo não é lá grande coisa, mas enfim! amanha trago outro para compensar! x)
bjokas
Também sou do Team dele, mas isso sou eu que já sei a historia toda! Muhahahaha! 
AnA_SaNt0s - Jeezzz! Hahaha, não conhecia essa tua faceta tão divertida e crazy! Hahaha, mas dá gosto em ler!
aletrorofobia?! God, eu odeio galinhas com todas as minhas forças! tenho tantas no galinheiro e não as posso ver à frente. Animal mais estúpido! >.Bom eu sofro de filematofobia (Tenho vergonha de dizer o que é
') 
Agora, aguentem-se com o William! Ele é uma grande peça neste puzzle!

E como eu já não conto com mais comentários para alem dos vossos, cá vai o proximo capitulo! x)
Capitulo 10 - Amados
“A maior covardia do ser humano é despertar o sentimento de outro sem ter a intenção de amá-lo.”
Autor desconhecido
Autor desconhecido
Ela só chegou a casa na hora do jantar. William levara-a a passear pelo rio depois do almoço e passaram um bom serão juntos, conversando sobre temas diversificados, de modo a conhecerem-se melhor. À medida que o tempo passou, William viu-se cada vez mais apaixonado por Margarett, sem sequer desconfiar da presença dela no seu passado. A jovem, por outro lado, nutriu um grande carinho pelo rapaz, mas não se apercebeu do fascínio que ele mantinha por ela. Acabaram por combinar encontrarem-se durante a semana no Lili’s Diner.
-Como correu? – Inquiriu Mr. Wilson.
-Muito bem, papá! – Respondeu ela, sem dar grande importância á pergunta.
-onde foram?
-almoçar a um restaurante do centro, muito chique! – Comentou - Depois nós fomos passear a pé pela margem do rio.
Mr. Wilson suspirou. A sua menina estava a crescer e a afastar-se dele, para seu desgosto. Margarett, ao aperceber-se do silêncio do pai, sorriu-lhe em tom de brincadeira e deu-lhe um beijo forte na bochecha, abraçando-o de seguida:
-O que o preocupa, papá?
Mr. Wilson apenas deu de ombros, sem tirar a filha dos braços:
-não estava á espera de te ver a sair com um rapaz tão cedo.
-Tenho 17 anos, pai. Já não sou nenhuma criança.
-não, claro que não, mas continuas a ser a minha menina!
-claro que sim, paizinho.
Ela sorriu-lhe e depois desprendeu-se daqueles braços fortes:
-A mãe?
-Está no quarto de costura, á tua espera.
-Então eu vou lá ter com ela!
Margarett andou rapidamente até ao local onde a sua mãe se encontrava. Lá, Mrs. Dorianne Wilson costurava um vestido lilás:
-Mãe, está a trabalhar ao Domingo?
Mrs. Wilson levantou o queixo e sorriu para a filha, nitidamente feliz.
Margarett estranhou a atitude da mãe. Acostumara-se a uma mulher séria e calculista e era raro ver um sorrido daqueles. Isso divertia-a, de verdade.
-Mrs. Finkie passou cá esta tarde – Margarett sentiu-se constrangida, mas nada disse -, entusiasmadíssima, por sinal! – Admitiu a mulher.
-Hum, que bom. – Deixou escapar Margarett, sem saber ao certo se a notícia era agradável ou não.
-Porque não disseste que ias sair com o filho dela? – Perguntou, sorridente.
-Ora, mãe… Eu não sabia o apelido dele.
Mrs. Wilson pousou o tecido violeta na máquina de costura e aproximou-se da filha, feliz.
-eu sempre disse que tu merecias muito! O William é um óptimo partido para ti, filha, pode vir a dar-te um grande futuro! Nem sequer precisarás de trabalhar e vais viver como uma rainha!
Margarett deu um passo de recua, assustada com a atitude da mulher mais velha.
-Mãe, fala como se nos fossemos casar!
-Filha, vocês tiveram um encontro, não foi?
-Bem… - a rapariga estreitou as sobrancelhas, incomodada - sim.
-Então é porque ele está interessado!
Mrs Wilson deu uma palmadinha no ombro de Margarett e deu-lhe a mão:
-É uma bela noticia! Daqui a nada ainda namoras para o filho do banqueiro!
-Ah, mamã! Que horror, não me diga essas coisas, está a deixar-me assustada!
-Assustada porquê?
-Eu só saí com o William para o conhecer, para sermos amigos! Não estou pronta para ter namorado! Ainda sou a menina do pai!
Subitamente Margarett viu-se refugiada na conversa que tivera com o pai momentos antes. Era irónico que de repente ela realmente se sentisse uma criança, especialmente depois de ter relembrado ao pai que havia crescido. Como diz o ditado, “filho de peixe sabe nadar”, e como tal, Margarett viu a resposta que deu ao pai a surgir pelos lábios da progenitora:
-Ora, tens 17 anos, Margarett! Está na altura de começares a fazer a tua vida!
Margarett abanou a cabeça, desagradada com a resposta. Esperava um sentido protector vindo de Dorianne, esperava que ela a impedisse de namorar, para assim não ter de se preocupar com o assunto, todavia, perante os planos da mãe, afastou-se:
-Não, mãe! Eu ainda não decidi a minha vida, não quero que ninguém decida por mim! Pare com essas ideias!
Ela saiu de rompante daquela divisão da casa e correu para o seu quarto. Mal pôs um pé dentro daquele espaço, bateu a porta com força, furiosa, e atirou a sua bolsa contra a parede, sem se aperceber que tinha a janela aberta e que na casa ao lado podia muito bem ser vista.
-Que estupidez! – Exclamou, desarrumando o seu próprio cabelo, até o deixar sem caracóis.
-Rett! - Ouviu chamar.
Ela revirou os olhos sem paciência e aproximou-se da janela:
-o que foi?! – Perguntou, impaciente.
David inclinou a cabeça com ar de preocupado. Mas era tudo um disfarce. Interiormente sorria:
-Aconteceu alguma coisa?!
-Não! – Respondeu a rapariga, bruscamente.
Ele demonstrou que não acreditara nas palavras:
-Ok, que se passa?! – Perguntou, num tom calmo, cruzando os braços encostado á ombreira da janela.
-Estou irritada, só isso! – Ela exclamou, cruzando os braços.
O vizinho tentou não sorrir, mas naquele momento, ao ver a amiga assim, nasceu-lhe uma gota de esperança em relação a um mau encontro entre ela e o rival. Era uma sorte que ela tivesse odiado a companhia de William.
-Foi aquele idiota, não foi? O que é que ele fez, Mag? - David sorriu em tom de gozo - Sabes bem que eu te avisei…!
-Não, não foi ele! – Ela berrou, furiosa, andando de uma lado para o outro em frente á janela - A culpa é da minha mãe! Tem o mau hábito de se meter na minha vida!
David fez uma careta azeda, desiludido:
-Ah… Então?… Como correu o encontro? – Quis saber.
Ela olhou-o pelo canto do olho, desconfiada, mas sorriu, cinicamente:
-Foi perfeito!
Ele deixou cair os cantos dos lábios, zangado com a descoberta, mas tentou dizer algo, transparecendo uma voz incrédula:
-Gostaste?!
-Adorei, David! O William é muito melhor do que eu pensava, um verdadeiro cavalheiro, simpático e bondoso! - Ela aproximou-se da janela e segurou a cortina desviada, sorrindo falsamente, e criando um brilho alegre nos olhos - Mal posso esperar para vê-lo outra vez na quarta-feira á tarde!
E dito aquilo fechou-lhe a cortina na cara, atirando-se de seguida para a sua cama, aborrecida.
David abanou a cabeça, sem saber o que fazer ou dizer. Afastou-se da janela e sentou-se também na sua cama, sem saber o que pensar. Um nó apertado no seu estômago fazia-o querer adormecer, todavia ele não conseguiria, não com Margarett na sua cabeça. Sentia-se realmente a perder a melhor amiga para William e talvez essa fosse a razão do seu “eu” interior aos poucos se destruir.
No dia seguinte, ele acordou a meio da manhã. Ensonado e sem forças, como se estivesse a arder em febre. Com algum custo lá se vestiu, e após tomar o pequeno-almoço deu um beijo á mãe, e saiu para o exterior solarengo. Não lhe apetecia fazer nada, e ao ver que nada se passava na rua, sentou-se nas escadas frontais da casa e encostou-se ao sol.
Esteve ali pelo menos quinze minutos, até sentir uma sombra sobre si. Olhando para cima vislumbrou Brittany, que o encarava com um ar trocista:
-A dormir em pé?
-Sentado – Corrigiu ele, rindo com algum esforço.
A rapariga sentou-se ao seu lado, de perna alçada por baixo da saia simples rodada, com os óculos de sol fixos na densa camada de cabelo louro, e olhou-o:
-O que fizeste esta noite? Sabes bem que não tenho saído porque tu também não sais!
-Eu não sou nenhum impedimento para te ires divertir com o pessoal, Brittany!
-Claro que não, mas és uma razão para eu ir! Se tu não vais o que vou eu lá fazer? Ver os outros a comerem-se uns aos outros, e beber cerveja até cair para o lado? – Ela revirou os olhos, impaciente – Não tenho paciência para isso, e tu sabes bem que me aborreço com facilidade! Agora, vá, diz-me porque não tens ido!
-Ando sem vontade.
As respostas de David eram curtas e ele dava-as com desinteresse. Isso irritava a companheira:
-Aposto que andas a fazer algo que não queres que eu saiba! Andas a sair com alguém, é?
David tendia sempre a ser bruto quando a conversa não lhe agradava. Aquela não foi excepção:
-Não Brittany, não ando! E não tenho de te dar satisfações sobre o que faço ou deixo de fazer! Eu não ando com vontade para sair, é só isso!
Ela levantou-se furiosa, e bateu o pé, de braços cruzados:
-Tem alguma coisa a ver com aquela caniche francesa?!
David levantou-se, revoltado, e agarrou o antebraço de Brittany com uma força exasperada, encostando-a contra o muro, sem qualquer delicadeza:
-Primeiro: Não tens nada a ver com isso! Segundo: Não tenho paciência para os teus ciúmes! E terceiro – Ela rangeu os dentes, zangada, e esperou a última resposta - Pára de lhe chamar isso! Tu nem sequer a conheces!
A jovem deu-lhe um encontrão para ele se afastar. Brittany podia ser uma rapariga como as outras mas recusava-se a ser ameaçada ou humilhada. Exigia respeito, fosse de quem fosse, mesmo que não o merecesse:
-Então tenho razão! É por causa dela!
-E se for?!
Ela semicerrou os olhos, desconfiada:
-Tu gostas dela, David?
Ele hesitou por um segundo:
-Não!
Ficou um silêncio desconfortável entre os dois e a loira bufou, aproximando-se dele. Rodeou o seu pescoço com os braços e fez o ar mais calmo que conseguiu:
-Não fiques chateado, fofinho, é só que… sinto a tua falta. E ultimamente andas muito estranho.
Ele olhou para o chão, buscando um motivo para se justificar:
-Desculpa… Eu não tenho dormido muito bem ultimamente, e isso deixa-me assim… Não sei como mudar isso.
-Temos de estar mais vezes juntos. Sabes bem que estou farta de andar sempre com a Kate e com a Mary. Elas são divertidas, certo, mas eu também quero estar com um macho de vez em quando!
David fingiu um sorriso perante aquelas palavras e abanou a cabeça:
-tu não tens emenda.
Ela segurou-lhe as faces e sorriu, orgulhosa:
-Eu sei.
E naquele momento ele já sabia o que se seguia. Ela puxou a cara dele, e ele apertou-lhe a anca como ela adorava. Foi uma questão de milésimos de segundos para as duas bocas se encontrarem e perderem-se uma na outra.
Uma porta bateu a alguns metros dali. David sobressaltou-se ao escutar o som de tacões a baterem no chão e tentou soltar-se, interromper o beijo, todavia, Brittany foi mais persistente e não o deixou parar. Sem saber o que fazer ele abriu os olhos e espreitou para ver quem era, apesar de no fundo já saber de quem se tratava.
Margarett passou á frente de sua casa, sem sequer parar. Ela já os tinha visto, ele sabia, mas a sua expressão mostrava que ela queria sair dali o mais depressa possível. Pelo canto do olho ele viu-a espreitar e quando os dois se olharam ela abanou a cabeça desapontada e ele corou, fechando os olhos enquanto ela desaparecia. Só nesse momento Brittany parou, alheia ao que se passava. David encarou-a, pensativo:
-Britt… Eu…
-O que se passa? – Interrompeu ela – Estás pálido de repente.
Ele humedeceu os lábios e olhou na direcção que Margarett seguia. Brittany olhou também e corou enfurecida:
-O que tem?! Estás a ficar maluco por causa dela, já te apercebeste?
-Não é isso! – Cortou o rapaz – É só que, vocês não gostam dela, mas eu tenho de estar com ela.
Brittany arqueou a sobrancelha e deu um passo de recua:
-Como assim “Tens de estar”?
Ele inventou a resposta no preciso momento:
-Bem, eu conheço a Mag… Quero dizer, a Margarett, desde criança, e nós dantes éramos amigos. Então, os nossos pais também são, e como ela é minha vizinha, fica mal eu não falar com ela, até porque as nossas famílias estão sempre a almoçar juntas. Alem disso, a minha mãe é muito sentimentalista – Ele bufou em sinal de troça -, e odeia estar de relacionamentos cortados com quem quer que seja. Se ela sabe que eu e a Margarett já não nos damos bem, vai ficar muito desiludida comigo, e de certeza que por minha causa vai tentar conviver menos com os Wilson. – Brittany franziu as sobrancelhas – Eu gosto demasiado da minha mãe para obriga-la a isso, entendes?
-E então, aonde queres chegar com isso?
-Eu só quero a vossa tolerância. – aquilo soou mais como uma ordem do que um pedido - Que evitem os risinhos quando a virem, especialmente se eu estiver convosco. Assim, espero que vocês entendam se eu a cumprimentar. É só por cortesia, Britt.
A rapariga reflectiu sobre o pedido do parceiro e não pode deixar de entender a sua posição. Ela conhecia Mrs. Paisen, e sabia que era uma senhora muito dócil e sociável, que era bem capaz de fazer o que David dissera.
-está bem, David. Eu posso falar com os outros, se preferires!
-obrigado, Britt.
-Mas atenção, não amoleças por causa daquela miúda! Não quero que uma coquete qualquer, que se arma em boa com os seus vestidos de seda te dê a volta á cabeça.
-Claro que não! – Garantiu ele.
Deu-lhe um beijo leve nos lábios e ela sorriu. Ficaram cerca de uma hora a conversar, até que chegou a altura de ela ir embora, já que a hora de almoço se aproximava.
David entrou dentro de casa e ligou a televisão, onde dava um show qualquer bem à moda da época, com música agitada e divertida e apresentadores vestidos a primor.
Brittany por seu lado, apenas almoçou e logo voltou a sair de casa. Desta vez não para ir ter com ele, mas para ir falar com as amigas. Foi a Casa de Mary e logo Kate apareceu também.
A anfitriã, deitada no sofá da sala, com a cabeça nas coxas de Kate, arranjava as longas unhas, enquanto a outra mirava Brittany a andar de um lado para o outro frenética:
-É que é de loucos! – Disse com os braços no ar – Ultimamente parece que ele anda a leste!
Mary examinou as cutículas:
-Eu ainda não entendi porque é que o David agora nunca aparece!
-Ele disse que andava sem vontade, mas sabem o que me parece?
As duas olharam-na, expectantes:
-É por causa daquela loira de Seda! Ele pediu-me para nós termos mais respeito por ela usando a desculpa que as famílias se davam bem e blá, blá, blá! Eu bem vi como ele olhou para ela quando ela passou por nós!
-Espera! – Interrompeu Kate – Tu achas que o David sente alguma coisa por ela?
-Não, não, não! – Berrou ela, saltitando no chão – Ele disse que nem sequer gostava dela, que era só por cortesia, mas fico louca só de pensar que ele está preocupado com ela!
Mary pousou o verniz e olhou Brittany, reflectiva:
-No outro dia, quando o filho do banqueiro entornou a bebida por cima do vestido dela, o David realmente ficou muito perturbado quando nós comentamos que eles faziam um verdadeiro casal de idiotas!
-Espera, o “Moedinhas” entornou uma bebida no “Bicho-da-seda”?
As duas riram pelos apelidos usados e confirmaram a questão, recordando o acidente entre gargalhadas. Brittany riu também, ao imaginar a cena, mas depressa se consciencializou do que a amiga tinha dito e interrompeu, em pânico:
-O David ficou incomodado?! Como?
-Bem, ele não quis sequer pôr a hipótese de os dois serem um casal, parecia furioso com isso se queres mesmo saber! – Explicou Kate.
Brittany guinchou irritada, com os olhos a transparecer desespero. Baixou-se até às amigas sentadas e segurou os braços das duas:
-Vocês acham que aquela caniche pode ser um risco para mim?
As outras duas entreolharam-se, pensativas:
-Talvez.
Brittany deu com a cabeça nas pernas de Mary e deu um gritinho de ódio:
-Eu não posso deixar! Há séculos que tento ser a única na vida do David, mas parece que ele só me quer ás vezes! Agora que já ganhei a confiança dele, não posso perdê-lo para uma flor de estufa qualquer!
-Hum, miúda, se eu fosse a ti tomava bem conta do teu homem! – Comentou Kate, passando os dedos na cabeleira castanha.
-O que é que eu faço?
Mary deu de ombros:
-Acho que vocês estão a dramatizar demasiado! Britt, tu estás a ir tão bem sendo amiga dele. Eu já vi o David mais afastado de ti do que agora. Acho que ele já está demasiado afeiçoado a ti para te trocar. Alem disso, ontem eu vi a loira com o William e acho que eles foram sair juntos! E, agora a sério, acham mesmo que o David te trocava por ela? O David?!
Brittany sorriu, aliviada:
-Não troca, pois não? – Os seus olhos brilharam e ela levantou-se como uma flecha, batendo palmas de alegria – Mas mesmo assim não vou deixar que aquela perua se meta entre nós os dois!
Mas quando Brittany prometia, não era certo que as suas promessas se concretizassem.
Era apenas uma questão de ocasião.
Ok, este capitulo não é lá grande coisa, mas enfim! amanha trago outro para compensar! x)
bjokas
as minhas fic's:
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
-Angelical
Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
-Angelical
Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^
Não é grande coisa... ganda mentirosa
Tá tão bom quanto os outros. E o melhor é que amanhã vem outro
(ou melhor.... não vais deixar de postar porque eu disse que era bom, pois não? Lembra-te da bomba por correio, pode começar a fazer sentido
)
Ahaha, a Britt vai andar atrás do David, mas este sem lhe ligar nenhuma. O Will atrás da Maggie, mas esta sem lhe ligar nenhuma. Isto vai ser demais. Se houver relação entre os dois pares, é por interesse e nada mais. O verdadeiro amor está na janela ao lado x)
Já dá para ver que o David nutre sentimentos mais complexos com a Maggie. E ela também não é assim tão indiferente. Afinal, qual é a rapariga que se dá ao trabalho de provocar ciumes no rapaz pela saida com o seu inimigo e de ficar incomodada com os beijos dele com outra, se não gostasse dele. Tenho pena é que criaste personagens TAO teimosas que vamos chegar ao capítulo 20 e a Maggie estará a dizer: sim... talvez gosto do David. E o David a dizer: Eu... gostar da Maggie.. não digas disparates *e cora*
EU SABIA! A Srª. Wilson é uma interesseira. Boas maneiras o caraças
O que ela quer é um genro rico para a filha, já que o marido dela não tem tido muita sorte no emprego. Opah, espero que em capítulos proximos, haja mais David a enfrentar a Srª. Wilson e a mostrar à Maggie o quanto a vida é boa com rapazes dificeis e não com meninos do coro 
Espero pelo próximo amanha (não me falhes!)
p.s: Sofres de filematofobia? Como? Bem, sei que não tenho nada a ver com isso, apenas nunca ouvi falar desse tipo de fobia (e acredita que já ouvi muitas estrnhas... sabias que há gente com Ambulofobia (medo de andar)? Isso não é fobia, é preguiça
)
Tá tão bom quanto os outros. E o melhor é que amanhã vem outro
(ou melhor.... não vais deixar de postar porque eu disse que era bom, pois não? Lembra-te da bomba por correio, pode começar a fazer sentido
)Ahaha, a Britt vai andar atrás do David, mas este sem lhe ligar nenhuma. O Will atrás da Maggie, mas esta sem lhe ligar nenhuma. Isto vai ser demais. Se houver relação entre os dois pares, é por interesse e nada mais. O verdadeiro amor está na janela ao lado x)
Já dá para ver que o David nutre sentimentos mais complexos com a Maggie. E ela também não é assim tão indiferente. Afinal, qual é a rapariga que se dá ao trabalho de provocar ciumes no rapaz pela saida com o seu inimigo e de ficar incomodada com os beijos dele com outra, se não gostasse dele. Tenho pena é que criaste personagens TAO teimosas que vamos chegar ao capítulo 20 e a Maggie estará a dizer: sim... talvez gosto do David. E o David a dizer: Eu... gostar da Maggie.. não digas disparates *e cora*
EU SABIA! A Srª. Wilson é uma interesseira. Boas maneiras o caraças
O que ela quer é um genro rico para a filha, já que o marido dela não tem tido muita sorte no emprego. Opah, espero que em capítulos proximos, haja mais David a enfrentar a Srª. Wilson e a mostrar à Maggie o quanto a vida é boa com rapazes dificeis e não com meninos do coro 
Espero pelo próximo amanha (não me falhes!)
p.s: Sofres de filematofobia? Como? Bem, sei que não tenho nada a ver com isso, apenas nunca ouvi falar desse tipo de fobia (e acredita que já ouvi muitas estrnhas... sabias que há gente com Ambulofobia (medo de andar)? Isso não é fobia, é preguiça
)
Espero por ti em cada segundo , porque tu és o meu mundo!

Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
Visitem a minha 1ª Fic ----->The Four elements

Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
Visitem a minha 1ª Fic ----->The Four elements
Oi
Não sei como o pai da Mag se apaixonou por uma mulher daquelas, francamente...tenho imensa pena dele.
Mas enfim eu nunca gostei dela, e não me surpreende o facto de ser uma interesseira.
A Britt, irra que miúda irritante! E as amigas não são melhores.
Por momentos interroguei-me se alguma delas era realmente detentora de um cérebro....
Anseio pelo dia em que a Rett lhe der uma valente lição!
Realmente Ana tens razão, só quando já tiverem idade para os netos é que provavelmente vão achar que talvez, quem sabe, possa ser algo mais que amizade....céus há gente que não vê o que tá na frente...
Ah Ana, tal como a Lulu também não me tinha apercebido dessa tão faceta tão divertida.
Tenho rido bastante com os teus comentários! lool
Beijinho*
Não sei como o pai da Mag se apaixonou por uma mulher daquelas, francamente...tenho imensa pena dele.
Mas enfim eu nunca gostei dela, e não me surpreende o facto de ser uma interesseira.
A Britt, irra que miúda irritante! E as amigas não são melhores.
Por momentos interroguei-me se alguma delas era realmente detentora de um cérebro....
Anseio pelo dia em que a Rett lhe der uma valente lição!
Realmente Ana tens razão, só quando já tiverem idade para os netos é que provavelmente vão achar que talvez, quem sabe, possa ser algo mais que amizade....céus há gente que não vê o que tá na frente...
Ah Ana, tal como a Lulu também não me tinha apercebido dessa tão faceta tão divertida.
Tenho rido bastante com os teus comentários! lool

Beijinho*
Bun escreveu:
Ah Ana, tal como a Lulu também não me tinha apercebido dessa tão faceta tão divertida.![]()
Tenho rido bastante com os teus comentários! lool
Beijinho*
Subscrevo! Ana os teus comentários ultimamente têm sido de rir. Este não foi excepção. Estou a ver que anda aí algum Gato!

Essa da preguiça, matou-me! tambem sofro disso! hahaha!
Bun, a Britt é só uma cabritinha que se faz de rebelde mas é uma grande mimada. No final não tem nem metade da pedalada da Mag!
Ah, não sejam injustas com o David e com a Margarett. Quando eles admitirem que estão apaixonados já vais er um bocadinho tarde. Depois vocês entendem! ;D
An, perguntaste como é possivel sofrer de filematofobia (Vou continuar a não dizer o que é aqui!
)?! Xiii, coisa mais simples!
Apenas medo! E agora tu dizes, "mentira! escreves romances, logo, não faz sentido teres essa fobia!!" Pois, bem, não sei se é fobia ou não, mas que eu tenho medo e fico muito nervosa, lá isso é verdade! 
Agora, como o prometido é devido, cá está o novo capitulo! Podia ter vindo antes mas estava a dar um filme muito giro no Disney Channel (Ever After) e eu distraí-me a vê-lo!
Agora, vamos ver um bocadinho da faísca David vs.William!

Desfrutem!
“Recomeçar é dar uma nova oportunidade a ti mesmo, é renovar as esperanças na vida e, o mais importante, acreditar em ti de novo.”
Carlos Drummond de Andrade.
Carlos Drummond de Andrade.
“7 de Julho de 1957
Querida Margarett,
Tenho saudades tuas…
Nunca pensei dizer isto num momento destes.
Durante anos disse-to, ansiando ver-te aqui, querendo voltar a ser criança só para poder estar contigo e no entanto, é agora que voltaste que sinto mais a tua falta. Talvez a nossa melhor fase tenha sido aquela em que trocamos cartas, sem que os demais soubessem, sem que ninguém nos impedisse de sermos amigos e de ser verdadeiros um com o outro.
Tu mudaste. Eu mudei. Mas no fundo ambos sabemos que dentro de nós está quem procuramos, e ao fim e ao cabo, vemos que mesmo sendo tão diferentes agora, temos uma semelhança enterrada que nos une. Não sei que semelhança é essa, apenas sei que tem a ver com o nosso passado e com a nossa verdadeira essência.
Eu sinto (e sei) que a culpa é e sempre será minha. Fui eu quem te distanciou, por preconceito ou vergonha. Porque tu és diferente de mim agora, e não te adequaste àquilo que eu julgava ser eu mesmo. Talvez no fundo eu não te tenha chutado naquela noite porque tive vergonha da forma como agiste á frente daquela gente, mas sim porque eu não quis que tu te misturasses. Porque eu sei que tu continuas mais igual ao que eras do que eu, que me deixei influenciar brutalmente por um grupo divertido e despreocupado, que na realidade é mais complexo e preconceituoso do que eu julgava. Às vezes é preciso perder alguém para lhe darmos importância. É o que se passa connosco. Já devia saber disso quando partiste há 5 anos atrás, mas voltei a cair no mesmo erro quando te atirei para o lixo por causa de uma birra. Se soubesses como cada lágrima tua me fez sentir, talvez aceitasses mais rapidamente o meu perdão, todavia a explicação é impossível.
Nestes últimos dias vejo-me com insónias a pensar numa forma de atravessar a barreira que criei entre nós, mas parece que cada passo que dou me faz andar de recua. Sinto que te estou a perder. Como se não bastasse ver-te tão longe, mesmo estando a alguns metros de ti, parece que o meu mundo está a revoltar-se contra mim, a unir-se àquilo que não quero.
Eu tinha esperança. Achava mesmo que era apenas um briga idiota de dois amigos que em três dias (ou talvez quatro, visto que tu és teimosa e orgulhosa) se resolveria da melhor maneira como nos velhos tempos, mas aí senti-me imóvel em areias movediças que me sugavam para baixo ao ver-te tão próxima da última pessoa com quem eu poderia tolerar ver-te. Foi um choque perceber que a minha melhor amiga podia, eventualmente, trocar-me pelo meu maior inimigo. Isso faz uma pessoa sentir-se fraca e sem valor. É como se eu realmente não prestasse, como se fosse uma televisão a preto e branco cujo dono insatisfeito trocou por uma daquelas televisões a cores que existem hoje em dia.
Eu não sei se estas palavras chegariam para descrever o que tenho sentido nestes últimos momentos. Perder alguém como tu é como perder um braço. Todo o restante corpo fica sem sentido e tem de se habituar a outra forma de vida. Não é isso que eu quero para nós. Eu quero voltar a fugir contigo para a mata, nadar no rio e quebrar as regras da tua mãe para estarmos juntos. Quero viver, simplesmente. E não posso viver sem ti.
Adoro-te minha Mag.
Espero que me perdoes.
David”
David bufou e esfregou os olhos. O seu olhar incidiu na janela da casa ao lado, que nada mostrava para além de um quarto vazio. Ela já devia ter saído. Tinha-lhe dito que William tinha combinado vê-la no Lili’s Diner e o dia havia chegado.
De qualquer modo seria incapaz de lhe enviar isto pensou, enquanto amarrotava o papel amarelado e o jogava sobre a secretaria. Parecendo que não, um peso tinha-lhe saído dos ombros ao escrever tudo o que sentia num simples papel sem remetente. Talvez conseguisse lidar melhor com a situação se imaginasse que Margarett tinha realmente recebido as suas palavras.
Ignorando tudo o resto, deitou-se na cama com os braços cruzados atrás da cabeça, a olhar o tecto.
Mrs. Grace Paisen bateu-lhe á porta do quarto e ele disse-lhe para entrar:
-David, querido, o Eric está lá em baixo a perguntar por ti. Ele disse que ia ao Lili’s Diner e queria saber se tu vais com ele!
David deu de ombros, mas logo levantou-se num salto ao recordar que Margarett estava naquele mesmo local. Deu um beijo á mãe e ultrapassou-a a sair do quarto para acompanhar o amigo. Mrs. Paisen deu de ombros, mas ao ver o quarto do filho tão desarrumado viu-se obrigada a limpa-lo, como boa dona de casa que era. Pegou num cesto para colocar a roupa suja que o rapaz deixara espalhada na noite anterior e foi recolhendo peça a peça, até encontrar um papel caído da secretária no chão. Pousou o cesto de roupa no tampo da escrivaninha e desdobrou o papel com cuidado para ver de que se tratava. A data chamou logo a atenção, todavia fora o remetente que a chocara. A senhora sentou-se na orla da cama e leu a carta lentamente, com a voz do filho a ecoar aquelas palavras na sua mente. Depois de um minuto, encostou o papel contra o peito e olhou para os lados sem saber o que fazer. Certo que já se tinha apercebido que os dois jovens não se davam como antigamente, no entanto, não podia adivinhar que fora David a fazer asneira. Agora entendia o porquê do rapaz andar tão calado e sair tão pouco com os amigos. Apesar de não decifrar o real motivo da briga, sabia que fosse o que fosse estava a deixar os dois afastados e deprimidos. Ao reparar em todos os vincos da carta, soube de imediato que David não tinha intenções de envia-la, no entanto, sabia que talvez aquela simples folha resolvesse tudo. Mãe que é mãe faz tudo por um filho e mãe galinha como Mrs. Paisen era, teve de intervir. Dobrou o papel em três e no caminho de levar a roupa suja para o tanque, pegou num envelope e escreveu “Margarett” nas suas costas, para logo a seguir meter lá a carta do filho. Foi num pulo á casa vizinha e em vez de colocar o envelope na caixa do correio, passou-o por baixo da porta. Depois disso retomou ao trabalho, satisfeita com a sua acção.
David, sem desconfiar do sucedido acompanhava Eric naquela tarde de Verão. Pelo menos um melhor amigo restava-lhe e agradecia aos céus por isso. Eric podia fazer parte do mesmo grupo de David mas tinha a particularidade de ser mais calmo do que todos os outros e, por conseguinte, não ter tantos problemas em socializar com pessoas de diferentes valores dos seus. Talvez fosse o único que não repudiava a estranha amiga de David. Apenas lhe era indiferente, todavia, seria incapaz de impedir David de estar com ela.
Os dois entraram no Lili’s Diner, fazendo soar a sineta da porta.
Logo ambos viram a rapariga encostada ao balcão, vestida com uma saia cinzenta e uma blusa cor-de-rosa que lhe deixava escapar um pouco da barriga á mostra. Algo mínimo que só David reparou. Ao lado dela, William e os amigos Tom e Rick, falavam com as serventes amigas de Margarett, todos divertidos.
David sentiu as bochechas quentes. Sentiu que realmente já não fazia falta á amiga, e por isso virou o rosto e sentou-se numa mesa com Eric.
Janice, no entanto, reparara na chegada do rapaz, e foi-lhe impossível não se aperceber do olhar dele ao encarar Margarett. Naquele momento, ela soube que algo se passava com David Paisen e a vontade de comentar foi imensa, mas ela conteve-se.
-Tu é que geraste isso, Margarett! – Riu-se William, após escutar a queixa de Margarett.
Ele tinha chegado com panfletos a anunciar o baile de Máscaras que Mrs. Finkie planeava fazer dali a três semanas. As raparigas estavam entusiasmadas e os rapazes também tinham interesse pelo baile, todavia, Margarett já só pensava nas encomendas que lhe iam chover durante aquele tempo. Era óbvio que toda a gente quereria um vestido novo para ir a uma festa daquelas e quase de certeza que mal lhe ia sobrar tempo para respirar.
-Eu, então porquê? – Inquiriu, surpresa.
-A minha mãe só se lembrou de organizar um baile de Mascaras por causa do conjunto que lhe fizeste! Ela está mortinha por usa-lo num cenário de brilho, portanto não podia esperar por um casamento. Teve mesmo de inventar qualquer coisa num prazo curto.
-A tua mãe tem uma paixão platónica por mim!
-É, deve ser genético! – Exclamou Rick, sem tento na língua.
William corou, porem ninguém entendeu aquele comentário para além daqueles dois.
Ally apoiou os ombros no balcão em frente a Margarett e agarrou-lhe as mãos:
-Mag, Mag, já sabes que vais ter de guardar um tempinho para fazer o meu vestido, sim?
-Eu prometi que faria um vestido para cada uma de vocês, não foi? Então, vocês já são as clientes de honra!
- E que fazes se te aparecerem clientes melhores? – Perguntou Tom.
Margarett deu de ombros:
-Quero lá saber. A minha mãe que trate delas! - Margarett sacudiu o longo cabelo loiro e desencostou-se do balcão – Bem, eu volto já! – Exclamou, pronta para ir aos lavabos.
Nisto foi interrompida por um alto raspanete que a fez saltar de susto:
-Meninas!!! – Gritou o cozinheiro, furioso. Todos se encolheram ao ouvir o homem – Para que é que eu vos pago?! Toca a atender os clientes!
Margarett deu um passo de recua, para fugir á bronca, mas foi tarde:
-E vocês?! Estão aqui no paleio e não consomem?! Se não vieram cá comer nada, então podem ir embora! Isso não é nenhum salão de convívio!
Todos se sentiram constrangidos e logo pegaram nas ementas para pedir algo. Daisy e Ally foram buscar os pedidos já preparados enquanto Janice esperou que os do balcão se decidissem.
Margarett andou de recua, na direcção do WC:
-Janice, quero um batido!
E dito isto entrou no espaço destinado às mulheres.
-Quero um Waffle simples! – Disse Tom.
-Uma Coca-Cola! – Pediu Rick
-Eu também! – Completou William.
Janice foi buscar os pedidos, mas de repente lembrou-se do batido de Margarett, que não tinha sabor definido.
Enquanto entregava as duas Coca-Cola, questionou se alguém sabia o tipo de batido que a loira queria:
-Talvez morango. Toda a gente gosta de morango! – Exclamou William – Bem, trás e mete na minha conta!
Janice sorriu:
-Ena, que generoso!
Ele piscou-lhe o olho e ela riu-se, indo buscar a bebida.
Numa das mesas, David batia a perna impaciente enquanto explicava a Eric o porquê de não ir aos encontros nocturnos. O seu amigo, desinteressado, apoiou o jovem:
-De qualquer modo não aconteceu nada de novo. Até eu já começo a ficar farto dos jogos do Jack.
-O que é que ele fez? – Quis saber David, questionando-se sobre o que o líder pudesse ter feito para Eric perder a cabeça com ele.
Eric rodou a cabeça, olhou para as serventes, e voltou a encostar-se ao banco com os braços atrás da cabeça:
-Oh pá… - Ele franziu o nariz – Não gosto que mandem em mim! Quando alinhei nestas noitadas julgava que era para fugir á rotina e ser livre de classes e de problemas idiotas relacionados com a economia, mas olha no que me meti – Ele apontou para todo o lado – Agora somos todos servos dele. Já te apercebeste que fazemos tudo o que ele manda? Tu, por exemplo! Eu não tenho nada a ver com essa miúda que te está a deixar louco, mas se tu és amigo dela, então eu não me meto. Mas o Jack quase que obrigou todos a escorraça-la e humilha-la, só porque ela aparentava ser mais controlada e filha dos papás do que todos nós. Isso já não é ser livre e eu só quero paz.
David ficou um instante parado a olhar o amigo, surpreso com aquela opinião tão franca. Por um lado sentiu um grande alívio dentro de si, mas por outro sentiu que realmente já não tinha poder sobre a sua própria vida, daí ela estar do avesso.
-Porque continuas a ir, se já não gostas do ambiente?
-É como te disse. O Jack está-nos a controlar sem que saibamos, e ninguém que se tenha apercebido tem coragem para o enfrentar pois sabe que não vai ter apoio. Já vou mais pela rotina, mas se queres um conselho de amigo… - Eric cruzou os dedos em cima da mesa e abanou a cabeça, sério – Aproveita a tua ausência para recomeçares tudo de novo. Vai fazer as pazes com a tua amiga e toma as tuas próprias escolhas. Ninguém pode escolher por ti com quem queres lidar e o que queres fazer.
David bufou e olhou por cima do ombro, á procura de Margarett. Viu-a a caminhar desde o banheiro feminino até ao balcão junto de William.
Voltou a encarar Eric e mordeu o interior da bochecha:
-Como é que nos controlamos agora?
-Ignoramos as opiniões deles.
Eric levantou-se do banco, deixando David admirado. Por momentos pensou que ele iria embora:
-Eric, onde…?
-Estou morto de fome!
David só aí se apercebeu que ninguém os atendera. Quando viu Eric aproximar-se do balcão, a cerca de um metro de Margarett, sentiu um tremor quente no estômago que o imobilizou por segundos, todavia viu ali a sua oportunidade de se aproximar dela. Talvez aquilo até fosse um empurrão de Eric para ele dar o passo e reconquistar a amizade que tanta falta lhe fazia.
Em passos ora lentos, ora acelerados, ele aproximou-se do balcão entre o amigo e o banco bago que o separava de Margarett. Esta olhou-o pela primeira vez naquele dia e a surpresa da sua presença fê-la corar e deixar uma madeixa de cabelo servir de cortina para lhe esconder o rosto.
David reparou naquele acto incomodado e baixou o olhar, constrangido, pensando em mil e uma coisas para meter conversa, mas o mais incrível era não encontrar assunto algum.
-Desculpa! – Exclamou Eric, tentando captar a atenção de Janice. Esta fitou-o e sorriu, aproximando-se – Ninguém nos foi servir, portanto... – Janice cerrou os dentes irritada pela falta de atenção das companheiras e dela mesma, mas sorriu cordialmente - Quero um refrigerante de laranja!
-Eu trago-to já! – Exclamou num tom de voz simpático, obrigatório para os funcionários do estabelecimento excepto, é claro, para o cozinheiro – E tu? – Perguntou a David, que olhava uma caixa de guardanapos completamente alheio á sua pergunta.
-Eu o quê?
Ela sorriu, divertida:
-Queres alguma coisa?
-Ah… Hum… - Ele semicerrou os olhos, confuso – um batido de… chocolate. Não, de morango! – Ele voltou a abanar a cabeça – Não, chocolate!
Janice riu-se levemente:
-Então, em que ficamos?
-chocolate, definitivamente!
-Ok!
Ela voltou costas, para ir buscar os pedidos.
David esfregou as bochechas, atarantado pela sua falta de jeito. Até Eric, pegou com ele:
-Onde estavas com a cabeça?
O moreno respirou fundo e deu de ombros:
-Em lado nenhum.
Mas era mentira. A sua mente divagava por memórias antigas e por reflexões sobre as palavras do companheiro.
Espreitando Mag pelo canto do olho, viu um pequeno sorriso de divertimento perante o seu incidente perder forma nos lábios dela, de uma forma quase forçada. Ele sorriu. Talvez a tivesse divertido sem querer, e isso era bom, sem dúvida.
Num pequeno instante, Janice apanhou-o entretido com os seus botões, e pousou o copo do batido de chocolate mesmo á frente dos seus olhos. Ele sorriu-lhe por agradecimento e entregou-lhe uma nota para pagar.
William apreciou o rival com desprezo. Fora ridícula a sua falta de atenção e ainda mais aqueles devaneios em que estava envolvido.
Janice entregou o batido de Margarett, que mal olhou para a cor da bebida, sentiu um enjoo no estômago. Preparou-se para trocar o pedido, todavia, William interrompeu-a no preciso momento em que Janice lhes virara costas para ir atender uma cliente:
-Não te preocupes, está pago! – Exclamou o rapaz, iludido quanto á razão que levava a amada a querer chamar a servente.
Margarett corou e olhou o batido em pânico. Era demasiado bem-educada para fazer a desfeita a William. Não podia simplesmente dizer-lhe que repudiava morango com todas as suas forças e que bastava cheira-lo para vomitar, mas também não podia sorrir e beber aquilo como se nada fosse. Deu por si a olhar na direcção de David, como que um pedido inconsciente de ajuda, mas não recebeu um olhar de volta. Com tantos momentos a tomar conta dos seus gestos, ele tinha de ter escolhido logo aquele para ignora-la. Ela analisou o batido dele, apaixonada pelo creme castanho coberto de chantilly branco e depois olhou William que falava com Tom e Rick, sem por isso deixar de lhe ter atenção.
-Não bebes? – Estranhou o filho do banqueiro.
A atenção de David foi captada nesse momento e ele olhou para o copo cheio de algo rosado, curioso. Depois olhou para Margarett, em dúvida, querendo saber se ela realmente ia beber aquilo.
Ela sorriu para William, forçada, e enrolou uma madeixa de cabelo á volta do dedo, tique nervoso que aprendera com Adeline em França.
David reconheceu, porem, o sorriso obrigado e rodou os olhos questionando-se sobre o paradeiro da coragem da amiga. Sabendo as consequências de morango sobre a loira, ele interveio, tendo a lata que a rapariga não teve.
-Rett… - Chamou.
Ela olhou-o, esperançosa, chocando William e os amigos pelo conforto do rapaz em trata-la por um diminutivo.
David, puxou o copo dela na sua direcção sobre a atenção dos rapazes que os rodeavam:
-Não te preocupes. Não é hoje que morres! – Exclamou, empurrando agora o seu batido de chocolate na direcção dela.
A moça manteve-se séria, mas o seu olhar mostrava claramente que agradecia aquele acto.
William sentiu o rosto fervilhar, sem entender o que se passava:
-o que julgas que estás a fazer, Paisen? – Inquiriu, revoltado, ficando sob o olhar atento de Eric.
-A poupar-te de vomitado e de uma rapariga doente durante dois dias! – Ele sorriu sarcásticamnente – Que mau, Finkie. Logo no segundo encontro já queres envenenar a miúda?
William levantou-se de rompante, fuzilando David com o seu olhar, o que surpreendeu Margarett. Esta, ao ver o novo amigo tão irritado, pôs-se á frente dele para o acalmar:
-Calma, William! – Pediu, nervosa – por favor não briguem!
-Desculpa, Margarett, mas quem é que ele pensa que é para dizer idiotices a nosso respeito?!
David levantou-se também do seu banco, ligeiramente mais calmo:
-Sou mais do que tu, Finkie! – Respondeu, entre dentes, e deu um passo para se aproximar – ouve bem, “Moedinhas”, se eu sei que tu tocas num fio de cabelo que seja da Margarett vais sofrer as consequências! Acho bem que, já que andas a dar em cima dela, saibas com que carga te estás a meter! Eu não vou tolerar qualquer deslize com ela!
Margarett corou. Naquele momento parecia que todas as atenções do restaurante estavam centradas nos três.
William afastou Margarett da sua frente e aproximou-se de David, contendo-se para não o esmurrar naquele preciso momento:
-E por alma de quem é que tu me dás avisos sobre a Margarett?
-Porque ela não é nenhum brinquedo teu!
-Quem costuma brincar com as pessoas não sou eu, Paisen! Geralmente tu é que causas estragos!
David perdeu a paciência e preparou-se para saltar em cima do tipo que lhe retirava o juízo naquele momento. Podia tê-lo feito em milésimos de segundo, se não tivesse sentido o seu peito a seu travado por umas mãos finas e delicadas.
Sentindo-se empurrado para trás, deu três passos de recua e encarou Margarett de mãos trémulas a fazer pressão contra a sua T-shirt:
-David, por favor não me arranjes problemas! – Ela já implorava em tom quase inaudível, corada de vergonha e com os olhos confusos e aquosos – Porque é que o desafiaste?!
-Foi ele quem começou, Mag!
-Foram os dois! Podias ter ignorado, simplesmente! - Ela humedeceu os lábios secos, com os olhos avermelhados - Não percebes que me estás a dificultar a vida?
-Eu só não quero que ele se aproveite de ti! – Justificou-se o rapaz, irritado.
-mas ele não vai! – Murmurou como uma súplica penosa – Por favor, não te metas mais na minha vida! Eu já sei tomar conta de mim, melhor do que tu!
-Porque é que recusas tudo o que vem de mim? Nem defender-te posso mais? – Indagou ofendido. Depois olhou para um ponto indefinido do café com o intuito de não olhar para os olhos lacrimejantes de Margarett - Eu só quero recomeçar de novo… - Murmurou.
-Mas tu não me estás a ajudar! – Ela tapou os olhos e esfregou-os, escondendo as lágrimas que tentavam escapar-lhe pelas orbitas – Por favor, deixa de ser infantil.
David olhou para William, segurado pelas mãos de Rick e Tom, e abanou a cabeça:
-Tu tens a certeza que é isso que queres de mim? Que eu deixe de ser infantil?
Ela não respondeu. Também não sabia. O que queria ela, um David maduro, ou o amigo impulsivo e infantil que ela adorava? A resposta não chegou a tempo. Só deu por si a correr para sair porta fora, antes que não conseguisse controlar a sensibilidade a que a sujeitaram. David preparou-se para segui-la, mas Eric travou-o, mesmo ao lado de William que o olhou com todo o desdém do universo:
-Como eu disse, estragas sempre tudo, Paisen! - Bufou, saindo atrás de Margarett logo a seguir.
David abanou a cabeça furioso e deu uma palmada no ombro de Eric para os dois saírem dali antes que fossem expulsos de vez do estabelecimento.
Margarett correu alguns metros para longe do café, e só parou quando os braços de William a travaram bruscamente:
-Margarett, desculpa, o David é um idiota e eu perdi o contr…
Ele parou de repente, ao ver a rapariga com os lindos olhos azuis cobertos de água, que ainda não tinha tido a sorte de deslizar pelo belo rosto. Atrapalhado, olhou para os lados e nem soube o que fazer com as próprias mãos:
-Tu…? Tu estás bem?
Ela esfregou os olhos e afirmou com a cabeça:
-Desculpa, mas isto irrita-me. Odeio discussões!
-Lamento… Aquele idiota disse-te alguma coisa?!
-Não lhe chames isso! - Ordenou ela, possessa.
Ele encolheu-se, envergonhado:
-Desculpa… Mas ele fez de propósito para me irritar.
-Não fez nada! – Negou ela, frustrada, num bramido – Ele apenas estava a tentar ser meu amigo! Ele sabe que sou alérgica a morango, por isso é que trocou os copos.
-Como é que ele sabia?
-Porque há coisas que nunca se esquecem! Eu conheço o David, William. E apesar de ultimamente negar a presença dele… - Ela travou-se nervosa – eu não consigo estar separada dele por tanto tempo. Nós sabemos tudo um sobre o outro e ele é o meu melhor amigo. Ele é demasiado importante para mim para eu tolerar que vocês os dois se odeiem. Eu não posso negar mais que sinto a falta dele. Cansei-me da distância, eu quero voltar a confiar nele. Quero começar tudo de novo.
William petrificou com a confissão da amada. Por momentos julgou que ela podia estar apaixonada pelo seu rival. O coração ia-lhe saltar pela boca, se não dissesse algo:
-Desde quando é que vocês são amigos? Quero dizer… - ele não disfarçou o repudio -O David?!
-Tu realmente não te lembras de mim, pois não?
William estranhou a pergunta:
-Como assim?
-A tua mãe nunca te disse quem são os meus pais?! Não sabes o meu apelido?
Ele franziu o cenho e abanou a cabeça negativamente, baralhado com as interrogações sem nexo da jovem.
-Vou aliviar-te a memória. Quando tinhas 12 anos uma rapariga atirou-te um balão te água contra os calções e deixou-te todo ensopado. Disseste que a odiavas com todas as tuas forças, a ela e ao seu parceiro. Lembras-te?
William ficou a olha-la sem entender, tentando recordar a rapariga que ela falava. Depois a imagem de uma miudinha com roupas de rapaz, alta e tísica veio-lhe á memoria.
-A amiga do David…? - Recordou.
-Como é que ela se chamava?
Ele olhou o céu pensativo e depois voltou a mirá-la, com uma vaga ideia:
-Wilson. – Respondeu.
-Margarett Wilson. – Completou ela – não me reconheces?
----
Bonus! (Dá fome!)
Batido do David (qualquer coisa assim
)[Esta imagem já não existe]
O batido da Margarett:


E por fim a adorável Mrs. Paisen!


Ok minha gente!
Agora um Aviso. Eu ia publicar já o proximo capitulo mas como não sei em que condições aquilo está, prefiro aguardar e dar um revisadela. Tudo isto para dizer que só volto a postar na quarta ou na quinta porque vou estar ausente por uns dias! Se tiverem saudades, já sabem, releiam uma das minhas outras fics! (hahaha, oportunista!
)
as minhas fic's:
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
-Angelical
Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
-Angelical
Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^
Ahhhh, sacana! Vou ter que esperar até a próxima semana por novos capítulos? Pois bem, dá-me a birra e não posto nada de novo da minha fic até lá (eu avisei!)
ahahha, sou tão má!
https://www.youtube.com/watch?v=fRamB30E9mU
Mas agora, falando de coisas mais sérias. Gostei imenso da carta do David. Emotiva, delicada e sincera. Espero que a Maggie receba-a mas, sabendo como o Destino tem um sentido de humor terrivel (quase como o meu, mas prontoss), julgo que a senhora Wilson vá encontrar a carta e por-lhe fogo!
Esses batidos são deliciosos. Fiquei com água na boca
Julguei que uma pessoa lia apenas para sair da realidade, encontrar novas emoções, viver aventuras e encontrar respostas para as suas perguntas... não ficar com uma estranha vontade de engolir bebidas com muito açucar quando acabou de almoçar há menos de uma hora. Devia processar-te por isto! (não ligues, é uma "piada" na minha familia - criada por mim, é obvio -
)
Ah... tenho mesmo pena que o David não pudesse bater no Will. Seria lindo ver o coquete com um olho negro. Quem sabe, até podia condizer com o seu tom de pele
Mas ás tantas foi melhor, assim o David não fez tão má figura à frente da Maggie. E adorei a cena em que o David "socorreu" a Maggie. Imagino a cena com o David a lançar um olhar maroto e sarcastico à Maggie e um olhar de "tomaláquejáalmoçasteeuseimaissobreamiudaquetusóeuapossosalvarEntendeadicaeBAZADAQUI!" ao Will.
Gostei do Eric. É sem duvida uma personagem independente e com os olhos abertos. Espero ver mais dele nesta fic (tbm, é o BFF do David, ele tem que aparecer)
só uma pequena nota. É tao estranho dizer BFF para os rapazes... para as raparigas soa foleiro, mas aos rapazes... nem consigo dizer, mas fica uma coisa muito... maricas à falta de palavra melhor O_o
E mais uma vez, entram as fala-baratas das meninas do Lili's Dinner. Parecem cotovias sempre a palrarem. Azar o nosso que personagens destas existem na vida real. Nas histórias, simpatizamos com elas, na vida real só as queremos mandar a um sitio que todos nós sabemos, mas que por sorte nunca lá estivemos
E por ultimo (mas nada menos importante) a reacção do Will. Quero-a bem descrita no próximo capítulo. Se não estivesse já escrito, até sugeri pegares numa das minhas ideias que postei no ultimo comentário. Até daria um cenário engraçado. Mas pronto... bah
, aposto que ele vai no maximo se engasgar nas palavras, mal acreditando no que ouviu.
E, para terminar, digo que esta fase maluca minha só se mostrou agora, porque estou aborrecida! Não tenho carro, nem tenho saído muitas vezes. Imaginem o que é ficar tres dias seguidos encerrada em casa. Depois, a tua maezinha diz que iremos sair num dia... para limpar a casa de um amigo. Horas depois, acabadas as limpezas, venho para a net para ligar o msn e uma amiga de mandar um video comico. Dá-me a louca... é como alguem mandar um fosforo para cima de um mar de gasolina. Uma pessoa "explode", só que desta vez, descarreguei no forum de uma forma pouco ortodoxa.
Hum... então já somos duas. Bem, comigo não é fobia (posso imaginar, escrever, até ver), mas fico com medo de o fazer. Mas considera-te sortuda de não ser mesmo fobia. Se fosse, não serias capaz de ler romances, nem de ver o acto em si. Já vi um documentario sobre fobias. Uma mulher tinha fobia a crocodilos. Nem conseguia pegar numa carteira com pele de crocodilo. Só a ideia de imaginar o animal aterrava-a.
ahahha, sou tão má!
https://www.youtube.com/watch?v=fRamB30E9mU
Mas agora, falando de coisas mais sérias. Gostei imenso da carta do David. Emotiva, delicada e sincera. Espero que a Maggie receba-a mas, sabendo como o Destino tem um sentido de humor terrivel (quase como o meu, mas prontoss), julgo que a senhora Wilson vá encontrar a carta e por-lhe fogo!
Esses batidos são deliciosos. Fiquei com água na boca
Julguei que uma pessoa lia apenas para sair da realidade, encontrar novas emoções, viver aventuras e encontrar respostas para as suas perguntas... não ficar com uma estranha vontade de engolir bebidas com muito açucar quando acabou de almoçar há menos de uma hora. Devia processar-te por isto! (não ligues, é uma "piada" na minha familia - criada por mim, é obvio -
)Ah... tenho mesmo pena que o David não pudesse bater no Will. Seria lindo ver o coquete com um olho negro. Quem sabe, até podia condizer com o seu tom de pele
Mas ás tantas foi melhor, assim o David não fez tão má figura à frente da Maggie. E adorei a cena em que o David "socorreu" a Maggie. Imagino a cena com o David a lançar um olhar maroto e sarcastico à Maggie e um olhar de "tomaláquejáalmoçasteeuseimaissobreamiudaquetusóeuapossosalvarEntendeadicaeBAZADAQUI!" ao Will. Gostei do Eric. É sem duvida uma personagem independente e com os olhos abertos. Espero ver mais dele nesta fic (tbm, é o BFF do David, ele tem que aparecer)
só uma pequena nota. É tao estranho dizer BFF para os rapazes... para as raparigas soa foleiro, mas aos rapazes... nem consigo dizer, mas fica uma coisa muito... maricas à falta de palavra melhor O_o
E mais uma vez, entram as fala-baratas das meninas do Lili's Dinner. Parecem cotovias sempre a palrarem. Azar o nosso que personagens destas existem na vida real. Nas histórias, simpatizamos com elas, na vida real só as queremos mandar a um sitio que todos nós sabemos, mas que por sorte nunca lá estivemos

E por ultimo (mas nada menos importante) a reacção do Will. Quero-a bem descrita no próximo capítulo. Se não estivesse já escrito, até sugeri pegares numa das minhas ideias que postei no ultimo comentário. Até daria um cenário engraçado. Mas pronto... bah
, aposto que ele vai no maximo se engasgar nas palavras, mal acreditando no que ouviu.E, para terminar, digo que esta fase maluca minha só se mostrou agora, porque estou aborrecida! Não tenho carro, nem tenho saído muitas vezes. Imaginem o que é ficar tres dias seguidos encerrada em casa. Depois, a tua maezinha diz que iremos sair num dia... para limpar a casa de um amigo. Horas depois, acabadas as limpezas, venho para a net para ligar o msn e uma amiga de mandar um video comico. Dá-me a louca... é como alguem mandar um fosforo para cima de um mar de gasolina. Uma pessoa "explode", só que desta vez, descarreguei no forum de uma forma pouco ortodoxa.

Hum... então já somos duas. Bem, comigo não é fobia (posso imaginar, escrever, até ver), mas fico com medo de o fazer. Mas considera-te sortuda de não ser mesmo fobia. Se fosse, não serias capaz de ler romances, nem de ver o acto em si. Já vi um documentario sobre fobias. Uma mulher tinha fobia a crocodilos. Nem conseguia pegar numa carteira com pele de crocodilo. Só a ideia de imaginar o animal aterrava-a.
Espero por ti em cada segundo , porque tu és o meu mundo!

Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
Visitem a minha 1ª Fic ----->The Four elements

Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
Visitem a minha 1ª Fic ----->The Four elements
Lulumoon como é que podes fazer uma coisa destas?!!! Eu amo chocolate e tu pões uma imagem destas! Tens noção como eu queria que o batido saltasse do ecrã!! Isto não se faz....
Bem voltando à história.....
A carta do David foi tão querida e podia ser o ponto de partida para uma reconciliação, se bem que acho que não vai chegar às mãos do remetente, digo eu....pelo menos para já...
De qualquer forma ambos querem fazer as pazes e isso já é bom. Agora só precisam de conversar um com o outro.
Adorei o Eric, excelente amigo, e claramente a voz da razão. O David devia seguir-lhe o exemplo.
Aquele Will só atrapalha, até pode ser boa pessoa, mas por mais parvo que seja, estou com o David. E desta vez ele portou-se muito bem. Francamente a Rett é que foi uma idiota! Ele defendeu-a e ela ainda se volta contra ele, grande, mas grande idiota!
"Ah... tenho mesmo pena que o David não pudesse bater no Will. Seria lindo ver o coquete com um olho negro"
Subscrevo. Desta vez o Will irritou-me.
Beijinho*
Bem voltando à história.....
A carta do David foi tão querida e podia ser o ponto de partida para uma reconciliação, se bem que acho que não vai chegar às mãos do remetente, digo eu....pelo menos para já...
De qualquer forma ambos querem fazer as pazes e isso já é bom. Agora só precisam de conversar um com o outro.
Adorei o Eric, excelente amigo, e claramente a voz da razão. O David devia seguir-lhe o exemplo.
Aquele Will só atrapalha, até pode ser boa pessoa, mas por mais parvo que seja, estou com o David. E desta vez ele portou-se muito bem. Francamente a Rett é que foi uma idiota! Ele defendeu-a e ela ainda se volta contra ele, grande, mas grande idiota!
"Ah... tenho mesmo pena que o David não pudesse bater no Will. Seria lindo ver o coquete com um olho negro"
Subscrevo. Desta vez o Will irritou-me.
Beijinho*
Sorry, sorry, demorei, eu sei!
Foram férias meus amores! Muhahahaha! Maravilha!
E maravilha também são os batidos que vos ofereci no ultimo capitulo! Nhami! Yeih!
Ana, eu realmente não sei se tenho fobia, mas quando dei o primeiro (foi aproximadamente em Janeiro, ou seja, é recente ) fiquei tão abananada que quando dava alguma cena dessas na televisão eu virava a cara!
Uma amiga minha apercebeu-se e até gozava comigo, mas a minha felicidade foi que nunca mais vi o sujeito (
) Até ao baile de finalistas (armaram-se cilada!
'). É por estas e por outras que eu acho que tenho fobia! até corro para fugir e eu odeio correr! >.< Mas sei lá, pode se rum medo pro falta de pratica e de sentimento! Vá se lá entender a minha mona! 
Bun - O Will irritou-te?
Francamente não sei se vai melhorar ou piorar. Depende do ponto de vista! A Carta do David é mais um desabafo e uma forma de mostrar mehor o seu verdadeiro "eu" e neste capitulo vocês vão ver que não é necessário a Carta ser entregue para as coisas melhorarem!
Ah e já agora, adoro a frase deste capitulo. Acho que se adequa bem ao david e à Margarett!
Desfrutem!
(A capa de hoje está mal porque não arranjei uma imagem decente para representar o David, logo, vocês devem conhecer este actor
)
Margarett entrou em casa e encostou-se á porta. William reagira muito bem á notícia. Isto se “bem” quisesse dizer que o rapaz ficou sem reacção alguma. Por um lado pode-se ter sentido incomodado e desagradado com a verdadeira identidade Margarett, mas por outro, considerou aquilo um triunfo da sua parte. Afinal, quem diria que ele algum dia ia estar apaixonado e próximo da melhor amiga do seu maior inimigo? No fundo, o que mas lhe custou foi saber que teria de dividi-la com David, porem, ele próprio não conseguiria negar isso á rapariga, desde que a pudesse deixar feliz.
Ela caminhou pelo hall e subiu as escadas, tendo chutado um envelope sem sequer reparar. No seu quarto, guardou a bolsa de mão, retirou os sapatos e prendeu o cabelo com o elástico. Logo de seguida foi ter com a mãe ao quarto de costura. Geralmente, seria impossível a mãe deixa-la sair de casa num dia de trabalho, mas bastou Mrs. Wilson saber que ela ia ter com William para a empurrar porta fora. Mesmo estando a entardecer, Margarett sabia qual era o seu dever e partiu logo para o seu trabalho pendente durante a tarde.
Carregava consigo o seu velho livro de esboços e um lápis e, mal entrou no quarto de costura, a mãe sorriu-lhe:
-Como foi o encontro?
Margarett sabia o que a mãe queria saber, mas por muito respeito que tivesse á progenitora, não iria ceder-se com tanta facilidade. Pousou o caderno em cima da máquina de costura e folheou-o:
-Mrs. Finkie está a organizar um baile de mascaras na cidade, para todas as idades – Disse, mostrando um panfleto que William lhe dera – Temos três semanas para fazer fatos para todas as clientes vaidosas que cá vêm.
Mrs. Wilson empalideceu:
-Três semanas? – Ela levantou-se do banco, interrompendo o vestido que costurava e olhou a filha – Mas isso é muito pouco tempo. As mulheres ainda nem devem saber do baile, de certo que só virão fazer as encomendas á ultima da hora!
Margarett abanou a cabeça, na negativa:
-Não, mamã. Eu já me antecipei. Apenas preciso da lista que tem, com os nomes das suas clientes e das medidas de cada uma.
-Vais fazer coisas sem que elas decidam?
-Desde que chegamos á cidade que elas vêm cá todas as semanas. Já sei suficientemente o gosto de cada uma para lhes adequar um vestido que as satisfará para a data.
Mrs. Wilson temeu pelas duas. Por um lado confiava no bom gosto da filha, por outro receava uma negação que a levasse á falência.
-Maggie, não te precipites. Podemos ficar com um grande prejuízo por comprar os tecidos e fazer fatos que podem não ser vendidos.
-Confie em mim, mãe. Eu responsabilizo-me pelos danos. - Margarett foi á gaveta das linhas e das agulhas, e procurou a lista das suas clientes mais frequentes, cujas tinha a certeza que seriam incapazes de faltar a um baile organizado por Mrs. Finkie – Pode continuar a fazer esse vestido. Eu vou alterar esboços básicos para cada senhora. O William disse que o tema do baile será “Diamonds are a girl’s best friends” – Ela revirou os olhos – tudo por causa da roupa que eu fiz para a mãe dele.
Mrs. Wilson sorriu. Sentia imenso orgulho quando Margarett era tão profissional e organizada no que respeitava aos negócios da mãe, chegando mesmo a ignorar aspectos sentimentais para se dedicar ao trabalho. Se não fosse ela, não passava de uma costureira vulgar, com poucas clientes. Mas eram pormenores como o gosto por criar coisas novas para as senhoras mais ricas que a tornavam tão perfeccionista.
Sem mais praguejar, Mrs. Wilson voltou a sentar-se na máquina de costura a terminar o vestido azul que começara, enquanto Margarett, atenta á lista da mãe, ia esboçando novos pormenores nos vestidos de baile, apontando debaixo de cada um a quem se destinavam. Quando terminou de desenhar os modelos e feitios, começou por decidir as cores e logo após levantou-se num pulo da cadeira:
-Mamã, posso ir á loja dos tecidos?
-Mas, já, Margarett? – A mulher não escondeu o seu receio.
-Quanto mais depressa começarmos, melhor!
-Bom… está bem, filha. – Rendeu-se Dorianne, levantando-se da cadeira – Mas volta antes do anoitecer! Eu vou começar a preparar o jantar.
Mrs. Wilson pegou no seu porta-moedas e retirou de lá umas boas quantias para a filha levar. Entregou o dinheiro á moça e saiu com ela do quarto de costura:
-Leva um casaco, Mag, está a arrefecer.
-Está bem mãe. Eu volto rapidamente.
Ela foi buscar a sua bolsa e os sapatos, e depois cobriu os braços com um casaco fino.
Bateu a porta da entrada e ao ver o sol já baixo, decidiu que precisaria de andar muito depressa para não se atrasar para a ceia, já que a loja de tecidos ficava do outro lado da cidade. Quando desceu o pequeno lance de escadas, cruzou-se com Mrs. Paisen que a cumprimentou com um grande sorriso:
-Margarett, querida! Como estás?
Mrs. Paisen esperava que a rapariga tivesse lido a carta do filho. Se o tivesse feito, certamente que não mentiria ao dizer que nada se passava. Mas a rapariga surpreendeu-a:
-Muito bem, Mrs. Paisen! Ia agora á loja de tecidos do outro lado da cidade!
A senhora ficou sem reacção por uns segundos, mas logo se recompôs:
-A pé?! – Surpreendeu-se – É perigoso uma jovem como tu andar só na rua a uma hora destas!
Margarett sorriu:
-ah, não se preocupe, não tenho medo nenhum!
-Mesmo assim, não vás encontrar um delinquente ou um bêbado na rua! – Mrs. Paisen benzeu-se e depois sorriu amavelmente, com uma ideia em mente - Porque não esperas que o David chegue a casa? Certamente ele não se importará de te acompanhar!
Margarett descolou os lábios desajeitadamente. Se havia coisa para a qual não se sentia preparada naquele momento, era para estar a sós com David, especialmente depois daquela tarde:
-Não, não é preciso… - Como dizer aquilo sem ser mal-educada? – Eu tenho de ser rápida e na volta ainda me distraio com o David.
Mrs. Paisen percebeu a desculpa esfarrapada, mas não desistiu. Mal viu o filho a aproximar-se ao longe, abriu um largo sorriso e segurou as mãos de Margarett para que esta não se fosse embora:
-olha, lá vem ele! – Exclamou – De certeza que não se importa! David! – Chamou, acenando ao rapaz, que caminhava cabisbaixo.
Margarett corou e mordeu o lábio inferior, esperando alguma sorte.
David, quando viu a loira de costas para ele a falar com a mãe, foi invadido por uma antítese de emoções que o levavam desde a ideia de voltar para trás e fugir, até á necessidade de se aproximar para estar com Margarett. Sem grande escolha, acelerou o passo com descrição e aproximou-se da mãe:
-O que foi?
-Querido, não te importas de acompanhar a Margarett até á loja de tecidos, pois não?
David olhou Mag de lado, franzindo o sobrolho. Questionou-se se teria sido a rapariga a pedir o favor á sua mãe.
-Tecidos? – Repetiu ele com pouco entusiasmo.
-Fica no centro da cidade! Está a anoitecer, é muito perigoso a Margarett ir sozinha!
-Ora, Mrs. Paisen, eu agradeço imenso a sua atenção, mas decerto que o David prefere ficar em casa. Alem disso, qual é o homem que tem paciência para esperar por uma mulher a escolher tecidos para roupas femininas?
David deu de ombros, estrategicamente:
-eu não me importo. Não tenho nada para fazer, alem disso.
Margarett cerrou os dentes por detrás dos lábios carnudos, mas fingiu um sorriso cortês.
-Não quero dar trabalho.
Mrs. Paisen sorriu ironicamente:
-Ora, querida, até parece que não queres a companhia do meu filho!
Os dois empalideceram ao mesmo tempo, mas foi Margarett quem se viu mais constrangida:
-Claro que não, Mrs. Paisen. Será um prazer que o David me acompanhe. – Mentiu.
-Nesse caso, não se demorem. – Disse, subindo as escadas da fachada - Já se faz tarde.
A mulher entrou na sua casa, deixando os dois estáticos a olhar para a porta que ela fechou. Depois olharam um para o outro, timidamente:
-não precisas de vir! – Admoestou Mag parada ao lado de David, sem olhar decentemente o moço.
Começou a caminhar, em passos rápidos.
David acompanhou-a:
-Só se tu não quiseres.
Ela calou-se e ele nada disse.
A viagem foi desconfortável. Nenhum dos dois abriu a boca para dizer fosse o que fosse. Margarett ainda estava zangada com ele e David sabia-o, logo, não estava disposto a irritar novamente a velha amiga. Em vez disso calou-se, só falaria se ela iniciasse uma conversação, e acompanhou-a, enterrado na melancolia que aquele silêncio provocava. Atravessaram alguns caminhos mais escuros que serviam de atalhos até chegarem á avenida principal, repleta de lojas, salões de beleza, oficinas, padarias, floristas entre outros.
Margarett dirigiu-se rapidamente á loja de tecidos, ao aperceber-se que dentro de minutos fecharia.
David seguiu-a, até ela se travar á entrada:
-se não quiseres, não precisas de vir!
Como resposta, David revirou os olhos e bufou
-Não há problema.
Ela suspirou e abriu a porta de vidro que fez soar uma sineta.
Toda a loja era rodeada por prateleiras com rolos dos mais variados tecidos, e do lado direito havia um balcão firme de madeira, onde atrás estava um homem de alguma idade, de óculos e um bigode peculiar a segurar um metro sobre tafetá negro. Assim que viu os dois jovens, tão distintos na aparência e gostos, largou o instrumento de medir e levantou os braços com simpatia:
-Em que posso ajudar o jovem casal?
Margarett corou e David, ainda a olhar para os tecidos que escondiam todas as paredes, olhou-o de repente de sobrancelha franzida.
-Nós não somos um casal. – Disse, sem qualquer sentimento na voz.
Margarett descolou a boca, envergonhada pela resposta do rapaz e sorriu para o senhor:
-Boa Tarde, precisava que me mostrasse algumas sedas, cetins e rendas.
-Tem preferência pela cor, menina? – Questionou o homem, saindo de detrás do balcão para se dirigir ao fundo da loja, onde estavam reservados os seus melhores produtos.
David aproveitou o momento e sentou-se no primeiro banco que viu, encostado á prateleira dura.
-Bom… - Margarett pegou na lista da sua mãe, em que ela própria enumerou o grau de importância de cada cliente de modo a saber qual seria aquela que certamente não faltaria ao baile. Mrs. Peps era a primeira da lista, logo a seguir a Mrs. Finkie, já excluída. Era uma mulher forte, com medidas largas e formas arredondadas, mas que, nem por não ter o corpo mais vistoso sequer da rua, perdia a oportunidade de ser extravagante – Mostre-me os padrões que têm em Azul Céu.
David fez caretas as todos os feitios daquela cor, e ficou em choque ao ver Margarett a pedir metros e metros do mais estranho que lá tinha. Depois o esgar repetiu-se noutras cores. Poucas, mas horrendas. Ponderou sobre que tipo de roupa iria Mrs. Wilson costurar, incrédulo perante tamanhas “piroseiras”! Para seu alívio, Margarett começou a deixar de lado os estampados extravagantes á medida que passava cada nome da lista á frente, e os padrões deram lugar a rendas suaves e tecidos lisos acetinados.
-Algo simples, em lilás! – Pediu por fim a loira.
Em cima do balcão da loja haviam já 13 tecidos diferentes, sem nenhum tom exactamente igual. No exterior anoitecera entretanto. Nem David nem Margarett chegariam a tempo do jantar, no entanto, nenhum mostrava pressas. O rapaz, de braços cruzados, olhava para tudo que passava pela visão da doce rapariga, tão educada e gentil com o senhor cansado. No fundo sentia alguma admiração pelo trabalho dela. Notava que mesmo os tecidos mais feios eram escolhidos a pormenor, seguindo fielmente o papel que ela se recusava a pousar. O dono da loja mostrou-lhe dois tecidos de características opostas, todavia, com a cor em comum. Eram bonitos, David não conseguiu negar. A rapariga entre os dois mordia o lábio indecisa quanto á escolha:
-É para uma senhora simples… de pele alva e cabelos compridos. O que acha?
-Os dois tecidos são lindos, menina. Que tal uma terceira opinião?
Margarett e o homem olharam David, instalado perfeitamente como se estivesse numa taberna, a olhar o que se passava entre os outros dois.
-O que acha, cavalheiro? – Questionou o homem - Que tecido acha mais bonito?
David corou e adequou o seu corpo a uma postura mais respeitável, esticando-se para a frente. Por momentos, viu os diferentes tecidos drapejarem em redor de Margarett, numa sintonia leve e perfeita causada pelo agitar dos panos que o senhor provocou para exibir melhor as peças. Deu por si a olhar mais para a moça do que para os tecidos em si, perdido na combinação tão simples e melodiosa que era a rapariga envolta por tecidos transparecidos, no entanto, ao ver a sua resposta demorar olhou melhor para os panos, sendo logo a sua atenção captada:
-o que está atrás de ti.
Margarett abriu a boca, confusa, mas depressa entendeu a que tecido David se referira. Voltando costas, deu de caras com um rolo de um tecido leve e translúcido, rosa bebé, com pequenos detalhes empregues. Margarett apaixonou-se de imediato, mas estranhou a escolha do companheiro:
-É um belo retalho! Chegou na semana passada, mas é mais caro!
Margarett desenrolou um pouco do tecido e analisou-o, maravilhada:
-É lindíssimo! – Exclamou, colocando a sua ponta sobre o pulso nu, para ver como ficava - Ena David, como viste isto?
O rapaz deu de ombros e, sorrindo, levantou-se do banco, para logo se aproximar dela:
-Acho que condiz contigo! – Ele esticou o pano á frente da rapariga e viu-a adornada com a cor suave do tecido que o deixava ver através de si – É o teu ideal, acho.
O homem tossiu discretamente, ao ver os dois jovens perdidos, ora no pano, ora um no outro. Margarett baixou o olhar e enrolou novamente o pano no rolo, voltando a atentar nos tecidos lilases:
-Bem, isto não é para mim, portanto… - Ela respirou fundo, constrangida – Levo o floral! – Disse ao homem.
Por segundos, David sentiu que ela ignorou a sua opinião e isso deixou-o desapontado. Porem, não foi idiota e percebeu que aquela visita á loja era apenas trabalho para Margarett. Lentamente começava a entender que todos os seus vestidos de seda eram fruto de tempos livres e tecidos extra que a rapariga conseguia para criar as suas próprias roupas, e não de futilidades e caprichos como todos os seus amigos acreditavam.
Já do outro lado do balcão, o proprietário da loja, com o metro na mão ia medindo os retalhos de panos diversos, apontando num caderno á parte o valor de cada um. Finalmente, com todos os panos dobrados, ensacou-os e entregou o papel a Margarett. David viu por acaso o preço por que tudo aquilo ficava e quase se engasgou, mas nada disse. Viu a Jovem abrir a sua bolsa de mão e a retirar uma grande quantia de notas enroladas que logo entregou ao homem.
Ele verificou se eram verdadeiras e só depois contou a quantia. Sobraram uns míseros tostões, simplesmente.
David ajudou a rapariga a carregar as sacas de tecidos, que por sinal não eram tão leves como julgava, e os dois abandonaram a loja e acenaram ao dono, que sorria feliz da vida pela cliente que lhe valeu pela semana toda, enquanto colocava um papel na porta a dizer “fechado” e apagava as luzes.
O resto das lojas já haviam encerrado e as luzes que dominavam a zona eram as das casas e dos candeeiros de rua. Estava frio agora e não se via triste alma por ali, a não ser os homens á porta dos salões de jogos e das tabernas.
-Ainda bem que vim contigo. Seria perigoso nesta escuridão caminhares sozinha pelas ruas.
Margarett deu de ombros:
-Eu sei me defender. Não te preocupes.
David sorriu, por simpatia:
-Eu sei, lembras-te?
Ela corou, mas nada disse e apenas soltou uma lufada de ar.
O rapaz, por sua vez, teve de arranjar assunto:
-tens clientes muito esquisitas, não?
-Porque dizes isso? – Inquiriu ela, com vontade de rir da questão.
Ele teve medo de a ofender, mas disse-o á mesma:
-O tecido azul é simplesmente assustador! A sério, quem é que usa isso? – Ele olhou-a perplexo – Quero dizer, eu posso ser um mal vestido e não reparar nos vestidos das mulheres da alta sociedade, mas não posso evitar de dizer isto. É feio como os diabos!
A rapariga teve de rir pelo descaramento de David que disse algo tão acertado até para ela. Ele surpreendeu-se ao vê-la rir-se, tão divertida, e um calor preencheu-o por dentro.
-Então concordas?!
Ela acenou com a cabeça, ainda a sorrir:
-absolutamente! Mas podes ter a certeza que este vai ser o tecido que vais ver em maior destaque! Há mulheres que não têm olhos na cara, mas eu tenho de satisfazer os gostos.
-Eu não acredito que alguém use algo tão espampanante em público. A não ser que faças algum truque mágico e com outro tecido disfarces isso.
Margarett retomou o riso:
-aposto contigo que o vestido que vou fazer com este pano vai ser o mais rapidamente comprado!
David franziu o sobrolho:
-Nã… Não acredito!
-Juro!
David olhou-a, chocado:
-Meu deus…!
Os dois riram sem sintonia e abanaram as cabeças com a mesma incredulidade.
Depois, ao ver o silêncio a retomar, David encostou-se mais a Margarett quando passaram pelo beco escuro, e retomou a conversa:
-Tu vais ser costureira, Margarett? – Perguntou ele.
-Não! – Negou – Eu vou ter quem costure para mim!
Ele franziu as sobrancelhas:
-Então?
-Estilista!
O rapaz fez um ar de espanto. Apesar de não ser tão culto como William, por exemplo, sabia que as diferenças entre as duas profissões eram poucas, mas fortes. Margarett explicara-lhe isso em muitas cartas que lhe escrevera e no fundo, ele sabia que era essa a vocação dela.
-Foi Monneceeour Daiour que te…?
A rapariga caiu na gargalhada antes de ele terminar a pergunta e até teve de pousar as sacas para segurar a barriga. Ele não soube se havia de ficar alegre ou deprimido com tanta risada:
-o que foi?
-O que tu disseste! Monneceeour Daiour! – Ela riu-se á cara podre do rapaz, que não entendeu o problema da sua questão, mas riu, divertido com aquelas gargalhadas soltas.
-Está mal? Não foi isso que escreveste sempre?
Ela tentou conter o riso:
-Ok, ok, como se chamava a minha melhor amiga lá?
David fez ar de mau:
-Não digo! Vai gozar comigo!
Ela segurou os ombros do rapaz, dando pulinhos no chão á sua frente:
-Oh, por favor, por favor, David! Vá lá! Diz os nomes deles!
-prometes que não te ris?
-Sim! – Exclamou, cruzando os dedos atrás das costas.
Ingenuamente, David cedeu:
-Eidelaine e Oulaiveir?
Margarett desmanchou-se a rir, até verter lágrimas. David cerrou os dentes, zangado com aquela troça toda e cruzou os braços de costas para ela:
-Não tem piada!
-tem sim! – Contrariou a rapariga.
Ele virou-se de novo para ela, irritado:
-ah, sim, então como se diz? Acho que tens de aprender a escrever melhor!
Ela ergueu o queixo, orgulhosa, e pegou nas sacas pousadas no chão para retomar o caminho:
-Monsieur Dior, Adeline et Olivier!
David deixou cair o queixo, abismado com a diferença de pronúncias e deu passadas rápidas para alcançar a amiga:
-Tu queres dizer que eu estive cinco anos com pensamentos errados?
-Precisamente!
-Ora, mas isso nem é nome de gente!
-É sim! - Disse ela mostrando-lhe a língua, divertida
David abriu a boca fingindo ofensa, mas riu-se, encostando a sua testa á nuca dela, para selar um pequeno beijo:
-Minha Rett! – Murmurou, passando o braço em torno dos ombros da amiga, para a aconchegar mais contra si.
Ela aceitou o seu reconfortante braço e sorriu, caminhando devagar pela rua deserta.
-Desculpa, Mag…
Ela encarou-o, fazendo com que ele a soltasse, mas nem por isso se afastasse e foi capaz de ver sinceridade nos seus olhos. Era obvio que ele estava perdoado.
-claro… - sussurrou ela, calmamente.
Ele segurou a saca que ela levava na mão ao reparar, mesmo na noite, numas marcas vermelhas nos seus braços causadas pelas asas da saca pesada que ela transportava. Ela agradeceu o acto do amigo e seguiu com ele calada, até ele fazer uma careta que não lhe escapou:
-o que foi?
-Eu estrago sempre tudo, não estrago?
Ela ficou a olha-lo, sem saber o que responder àquela questão todavia ele, precipitado, não quis saber da resposta e sorriu, forçado.
Ela viu-se na obrigação de dizer algo, sem mentir, mas uma luz intensificou-se numa mansão perto deles. Um vulto surgiu pela porta aberta da casa e os dois olharam na direcção que, para espanto do par, exibiu uma personagem conhecida. David empalideceu e voltou o rosto na direcção contrária. Margarett corou e sorriu.
-Mag?
-Olá William! - Exclamou ela, acenando para o rapaz.
Ele olhou-a sorrindo, mas ao notar a presença de David ao seu lado, fez um ar mais sério:
-o que estás aqui a fazer?
-A caminho de casa! Fui ao centro buscar umas coisas!
Com o som, uma outra figura apareceu atrás de William. Mrs. Finkie, cheia de brilho como sempre, apercebeu-se da presença de Margarett e deu um gritinho para captar a atenção da jovem, entusiasmada:
-Uhuh, Margarett, querida!
Margarett corou e sorriu de retorno à adulta:
-Querida, que fazes na rua a estas horas?
-Trabalho! – Exclamou ela, sacudindo os ombros.
David revirou os olhos ao aperceber-se que a mulher tão cedo não se calaria e deu um passo para se aproximar de Margarett.
-É melhor eu ir-me embora, certo? – Sussurrou ele, discretamente.
-Não! – Respondeu ela, nervosa, tentando prender-lhe algum membro, sem conseguir.
-Já jantaste, querida? – Inquiriu a mulher, alheia ao nervosismo da rapariga.
Margarett quis uma saída, queria ir-se embora com David, mas ele parecia água a escorrer-lhe por entre os dedos:
-Não, mas a minha mãe deve estar já á minha espera!
-Deixa lá isso, Rett. – Disse David, agora num tom mais alto, que chegou aos ouvidos atentos de William - Eu não te quero atrapalhar!
-Tenho de levar as coisas para a minha mãe!
-ora, já está tarde. A Dorianne já não está a trabalhar a esta hora.
David sorriu ironicamente. Percebeu logo que mulheres ricas como Mrs. Finkie não entendiam que quem trabalhava honestamente tinha deveres, tais como realizar roupas para dezenas de mulheres em prazos curtos. Ele sabia muito bem que as vizinhas passavam horas na máquina de costura a acabar vestidos de mulheres pomposas como ela, e isso irritava-o.
-Mag, se quiseres eu levo os tecidos e aviso a tua mãe.
Naquele momento, ela quis esganar o amigo, mas nada pôde fazer.
Só William estranhou a simpatia de David, com uma careta azeda, não obstante, viu ali um grande triunfo quando Margarett finalmente aceitou o convite da sua mãe.
-Não te importas mesmo? – Perguntou a David, mesmo com o seu maior pensamento gritando Por favor importa-te, por favor importa-te!
-Não… Não vou estragar tudo… - murmurou.
Ela sentiu um aperto no peito, desgostosa com aquela resposta, mas voltou-se para mãe e filho com um sorriso forçado na cara. Não conseguiu despedir-se de David, na esperança que ele a interrompesse e a obrigasse a ir para casa, mas não aconteceu nada. Mal ela entrou porta dentro, e viu-se fechada, sentiu-se presa em quatro paredes sem saber o que fazer ou como reagir numa casa tão chique, forrada com papel de parede, com sofás de pele e tapeçarias pesadas de cores modernas. A sala de jantar estava elegantemente iluminada por dois castiçais de velas á mesa e os talheres estavam dispostos como num restaurante. William convidou a rapariga a sentar-se, arrastando-lhe a cadeira, e alapou-se ao seu lado, enquanto a mãe se sentava numa das pontas, em frente ao prato de Mr. Finkie que surgiu a seguir e cumprimentou a rapariga com educação. Ela viu-se sem saliva, sem força, nem voz. Era demasiado constrangedor e sério conhecer os pais de um amigo, cuja própria mãe insistia ser um bom partido para ela.
Mrs. Kelly Finkie tocou uma sineta e surgiu uma criada, vestida de cinzento, que colocou uma travessa de frango na mesa e serviu as bebidas em silêncio. Todos começaram a comer calados, mas aos poucos começaram a falar ao mesmo tempo com ela, entusiasmados.
Margarett nunca se sentiu tão envergonhada na vida e rogava pragas a David, com a cara adornada com sorriso dirigido aos anfitriães do jantar.
David, por sua vez, não saíra logo dali quando viu Margarett entrar naquela casa. Ficou sufocado com a ideia de já estar praticamente inserida naquela família, visto que Mrs. Finkie a adorava tanto quanto o filho. Só ele sabia o quanto lhe tinha custado deixa-la ir tão facilmente, no entanto ele teve de o fazer pela amizade dela.
Partiu quando sentiu o vento a bater-lhe contra a cara e caminhou mais depressa para casa.
Quando chegou ao bairro, dirigiu-se primeiramente á vizinha e bateu á porta.
Mrs. Wilson abriu, admirada:
-David?
-Boa noite, Mrs. Wilson. A Margarett pediu-me que deixasse aqui os tecidos que comprou.
Mrs. Wilson ficou sem cor, imaginando que o rapaz tinha feito algum mal á filha:
-E onde está ela?
-Bem, encontramos Mrs. Finkie pelo caminho e ela convidou - ou quase exigiu - que a Margarett jantasse em casa deles. Ela não conseguiu recusar!
-Mrs. Finkie?!
David viu os olhos da mãe da amiga brilharem intensamente e uma onda de desgosto afundou-o dentro de si próprio.
-Ena, ainda bem que ela aceitou, deve ser muito chique!
David torceu o nariz, irritado, e entregou as sacas á mulher:
-Sim, imagino que sim! Se me dá licença, Mrs. Wilson, tenho de ir para casa! Boa noite e passe bem!
Ele virou costas aborrecido com a conversa e entrou na sua casa apressado, batendo a porta com força.
Mrs. Paisen ao escutar alguém na entrada foi espreitar o filho, esperançosa:
-David, como correu?
Ele sentiu um leve incómodo e surpresa com a questão da mãe, mas deu de ombros sem a olhar nos olhos:
-Normal… Fomos comprar tecidos. – Respondeu, seco, enquanto descalçava as all-stars gastas.
Mrs. Paisen fez uma cara de desagrado:
-Bem, o jantar já foi servido. Vem comer!
Ele abanou a cabeça negativamente e subiu os primeiros três degraus das escadas:
-Não tenho fome!
E dito aquilo foi para o seu quarto sem mais olhar para a mãe.
Esta, por sua vez, benzeu-se angustiada. Esperava mesmo que os dois se entendessem, mas pela reacção do filho, as coisas ainda estavam piores e sentia-se culpada por isso. Só lhe restava esperar que Margarett lesse a carta.
David deitou-se no leito, e afundou o rosto na almofada mole, frustrado. Um dos pesos já tinha saído de cima dele mal Margarett se riu com ele. Mas o outro estava lá ainda, a fazer pressão para o deitar abaixo. Talvez ele conseguisse livrar-se dele, mas não queria. Queria levanta-lo para cima e suporta-lo, habituar-se a ele. Esse peso, claro está, era William e a relação que mantinha com Margarett. Por muito que odiasse aquilo, David tentava agora mais do que nunca viver com a situação apenas em nome da felicidade da amiga. Ela era demasiado importante para que ele a deixasse simplesmente irritada por causa do filho do banqueiro.
Irrequieto tirou a T-shirt e atirou-a para o chão, ficando de tronco nu, sentado na beira da cama.
Foi o inicio de uma noite longa. Talvez tivessem apenas passado três horas e ele ainda rebolava no meio dos lençóis finos em busca de sossego para a sua alma e corpo. Sabia que ainda nem era meia-noite, mas num dia normal, bastava deitar-se no colchão para a sua mente apagar. Naquela noite não. Ele não conseguia parar de pensar em Margarett, questionar-se se ela já teria chegado a casa, se tinha corrido bem a noite, ou simplesmente se estava tudo bem com ela. Acabou por render-se á falta de sono. Sabia que todos já dormiam em casa, portanto saltou da cama e ainda às escuras procurou a camisola mais próxima, apalpando tudo á sua volta. Quando finalmente achou uma, cheirou-a para ter a certeza que estava lavada e pronto para sair de casa e retomar o ritual que deixara de fazer havia algumas noites, foi surpreendido por um clarão de luz vinda do exterior.
Apressado, aproximou-se da janela e desviou a cortina, que num instinto rápido voltou a ser fechada.
Na casa ao lado, nomeadamente no quarto de janela aberta, Margarett, com o corpo enrolado numa toalha de banho penteava com uma escova que parecia ser feita de prata os longos fios de ouro que lhe cresciam na cabeça e que atingiam o fundo das suas costas, coisa invulgar no que tocava á moda da época. Quase todas as raparigas da sua idade tinham um cabelo pelos ombros ou pouco mais comprido, encaracolado e com franjinha curta, algo que não se adequava nada a ela. Margarett sacudiu-o e depois foi buscar algo.
David espreitou a amiga pela fresta da cortina do seu quarto. Quando a viu, apenas com roupa íntima da mão, questionou-se se o que estava a fazer era errado, mas o seu inconsciente impediu-o de se afastar da janela.
A rapariga, de costas, deixou a toalha tombar no chão exibindo um corpo escultural de tom alvo e delicado. David deu um passo de recua e ruborizou, atrapalhado. Só conseguiu deduzir como Margarett era linda.
Depois disso é que, obviamente, ele não conseguiu dormir mais.
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E pronto, é isto! espero que tenham gostado!
Bjokas
Foram férias meus amores! Muhahahaha! Maravilha!
E maravilha também são os batidos que vos ofereci no ultimo capitulo! Nhami! Yeih!
Ana, eu realmente não sei se tenho fobia, mas quando dei o primeiro (foi aproximadamente em Janeiro, ou seja, é recente ) fiquei tão abananada que quando dava alguma cena dessas na televisão eu virava a cara!
Uma amiga minha apercebeu-se e até gozava comigo, mas a minha felicidade foi que nunca mais vi o sujeito (
) Até ao baile de finalistas (armaram-se cilada!
'). É por estas e por outras que eu acho que tenho fobia! até corro para fugir e eu odeio correr! >.< Mas sei lá, pode se rum medo pro falta de pratica e de sentimento! Vá se lá entender a minha mona! 
Bun - O Will irritou-te?
Francamente não sei se vai melhorar ou piorar. Depende do ponto de vista! A Carta do David é mais um desabafo e uma forma de mostrar mehor o seu verdadeiro "eu" e neste capitulo vocês vão ver que não é necessário a Carta ser entregue para as coisas melhorarem!Ah e já agora, adoro a frase deste capitulo. Acho que se adequa bem ao david e à Margarett!

Desfrutem!

(A capa de hoje está mal porque não arranjei uma imagem decente para representar o David, logo, vocês devem conhecer este actor
)Spoiler

Capitulo XII – Reconciliação
“Um verdadeiro amigo é alguém que te conhece tal como és, compreende onde tens estado, acompanha-te nos teus lucros e nos teus fracassos, celebra as tuas alegrias, compartilha a tua dor e jamais te julga pelos teus erros.”
Margarett entrou em casa e encostou-se á porta. William reagira muito bem á notícia. Isto se “bem” quisesse dizer que o rapaz ficou sem reacção alguma. Por um lado pode-se ter sentido incomodado e desagradado com a verdadeira identidade Margarett, mas por outro, considerou aquilo um triunfo da sua parte. Afinal, quem diria que ele algum dia ia estar apaixonado e próximo da melhor amiga do seu maior inimigo? No fundo, o que mas lhe custou foi saber que teria de dividi-la com David, porem, ele próprio não conseguiria negar isso á rapariga, desde que a pudesse deixar feliz.
Ela caminhou pelo hall e subiu as escadas, tendo chutado um envelope sem sequer reparar. No seu quarto, guardou a bolsa de mão, retirou os sapatos e prendeu o cabelo com o elástico. Logo de seguida foi ter com a mãe ao quarto de costura. Geralmente, seria impossível a mãe deixa-la sair de casa num dia de trabalho, mas bastou Mrs. Wilson saber que ela ia ter com William para a empurrar porta fora. Mesmo estando a entardecer, Margarett sabia qual era o seu dever e partiu logo para o seu trabalho pendente durante a tarde.
Carregava consigo o seu velho livro de esboços e um lápis e, mal entrou no quarto de costura, a mãe sorriu-lhe:
-Como foi o encontro?
Margarett sabia o que a mãe queria saber, mas por muito respeito que tivesse á progenitora, não iria ceder-se com tanta facilidade. Pousou o caderno em cima da máquina de costura e folheou-o:
-Mrs. Finkie está a organizar um baile de mascaras na cidade, para todas as idades – Disse, mostrando um panfleto que William lhe dera – Temos três semanas para fazer fatos para todas as clientes vaidosas que cá vêm.
Mrs. Wilson empalideceu:
-Três semanas? – Ela levantou-se do banco, interrompendo o vestido que costurava e olhou a filha – Mas isso é muito pouco tempo. As mulheres ainda nem devem saber do baile, de certo que só virão fazer as encomendas á ultima da hora!
Margarett abanou a cabeça, na negativa:
-Não, mamã. Eu já me antecipei. Apenas preciso da lista que tem, com os nomes das suas clientes e das medidas de cada uma.
-Vais fazer coisas sem que elas decidam?
-Desde que chegamos á cidade que elas vêm cá todas as semanas. Já sei suficientemente o gosto de cada uma para lhes adequar um vestido que as satisfará para a data.
Mrs. Wilson temeu pelas duas. Por um lado confiava no bom gosto da filha, por outro receava uma negação que a levasse á falência.
-Maggie, não te precipites. Podemos ficar com um grande prejuízo por comprar os tecidos e fazer fatos que podem não ser vendidos.
-Confie em mim, mãe. Eu responsabilizo-me pelos danos. - Margarett foi á gaveta das linhas e das agulhas, e procurou a lista das suas clientes mais frequentes, cujas tinha a certeza que seriam incapazes de faltar a um baile organizado por Mrs. Finkie – Pode continuar a fazer esse vestido. Eu vou alterar esboços básicos para cada senhora. O William disse que o tema do baile será “Diamonds are a girl’s best friends” – Ela revirou os olhos – tudo por causa da roupa que eu fiz para a mãe dele.
Mrs. Wilson sorriu. Sentia imenso orgulho quando Margarett era tão profissional e organizada no que respeitava aos negócios da mãe, chegando mesmo a ignorar aspectos sentimentais para se dedicar ao trabalho. Se não fosse ela, não passava de uma costureira vulgar, com poucas clientes. Mas eram pormenores como o gosto por criar coisas novas para as senhoras mais ricas que a tornavam tão perfeccionista.
Sem mais praguejar, Mrs. Wilson voltou a sentar-se na máquina de costura a terminar o vestido azul que começara, enquanto Margarett, atenta á lista da mãe, ia esboçando novos pormenores nos vestidos de baile, apontando debaixo de cada um a quem se destinavam. Quando terminou de desenhar os modelos e feitios, começou por decidir as cores e logo após levantou-se num pulo da cadeira:
-Mamã, posso ir á loja dos tecidos?
-Mas, já, Margarett? – A mulher não escondeu o seu receio.
-Quanto mais depressa começarmos, melhor!
-Bom… está bem, filha. – Rendeu-se Dorianne, levantando-se da cadeira – Mas volta antes do anoitecer! Eu vou começar a preparar o jantar.
Mrs. Wilson pegou no seu porta-moedas e retirou de lá umas boas quantias para a filha levar. Entregou o dinheiro á moça e saiu com ela do quarto de costura:
-Leva um casaco, Mag, está a arrefecer.
-Está bem mãe. Eu volto rapidamente.
Ela foi buscar a sua bolsa e os sapatos, e depois cobriu os braços com um casaco fino.
Bateu a porta da entrada e ao ver o sol já baixo, decidiu que precisaria de andar muito depressa para não se atrasar para a ceia, já que a loja de tecidos ficava do outro lado da cidade. Quando desceu o pequeno lance de escadas, cruzou-se com Mrs. Paisen que a cumprimentou com um grande sorriso:
-Margarett, querida! Como estás?
Mrs. Paisen esperava que a rapariga tivesse lido a carta do filho. Se o tivesse feito, certamente que não mentiria ao dizer que nada se passava. Mas a rapariga surpreendeu-a:
-Muito bem, Mrs. Paisen! Ia agora á loja de tecidos do outro lado da cidade!
A senhora ficou sem reacção por uns segundos, mas logo se recompôs:
-A pé?! – Surpreendeu-se – É perigoso uma jovem como tu andar só na rua a uma hora destas!
Margarett sorriu:
-ah, não se preocupe, não tenho medo nenhum!
-Mesmo assim, não vás encontrar um delinquente ou um bêbado na rua! – Mrs. Paisen benzeu-se e depois sorriu amavelmente, com uma ideia em mente - Porque não esperas que o David chegue a casa? Certamente ele não se importará de te acompanhar!
Margarett descolou os lábios desajeitadamente. Se havia coisa para a qual não se sentia preparada naquele momento, era para estar a sós com David, especialmente depois daquela tarde:
-Não, não é preciso… - Como dizer aquilo sem ser mal-educada? – Eu tenho de ser rápida e na volta ainda me distraio com o David.
Mrs. Paisen percebeu a desculpa esfarrapada, mas não desistiu. Mal viu o filho a aproximar-se ao longe, abriu um largo sorriso e segurou as mãos de Margarett para que esta não se fosse embora:
-olha, lá vem ele! – Exclamou – De certeza que não se importa! David! – Chamou, acenando ao rapaz, que caminhava cabisbaixo.
Margarett corou e mordeu o lábio inferior, esperando alguma sorte.
David, quando viu a loira de costas para ele a falar com a mãe, foi invadido por uma antítese de emoções que o levavam desde a ideia de voltar para trás e fugir, até á necessidade de se aproximar para estar com Margarett. Sem grande escolha, acelerou o passo com descrição e aproximou-se da mãe:
-O que foi?
-Querido, não te importas de acompanhar a Margarett até á loja de tecidos, pois não?
David olhou Mag de lado, franzindo o sobrolho. Questionou-se se teria sido a rapariga a pedir o favor á sua mãe.
-Tecidos? – Repetiu ele com pouco entusiasmo.
-Fica no centro da cidade! Está a anoitecer, é muito perigoso a Margarett ir sozinha!
-Ora, Mrs. Paisen, eu agradeço imenso a sua atenção, mas decerto que o David prefere ficar em casa. Alem disso, qual é o homem que tem paciência para esperar por uma mulher a escolher tecidos para roupas femininas?
David deu de ombros, estrategicamente:
-eu não me importo. Não tenho nada para fazer, alem disso.
Margarett cerrou os dentes por detrás dos lábios carnudos, mas fingiu um sorriso cortês.
-Não quero dar trabalho.
Mrs. Paisen sorriu ironicamente:
-Ora, querida, até parece que não queres a companhia do meu filho!
Os dois empalideceram ao mesmo tempo, mas foi Margarett quem se viu mais constrangida:
-Claro que não, Mrs. Paisen. Será um prazer que o David me acompanhe. – Mentiu.
-Nesse caso, não se demorem. – Disse, subindo as escadas da fachada - Já se faz tarde.
A mulher entrou na sua casa, deixando os dois estáticos a olhar para a porta que ela fechou. Depois olharam um para o outro, timidamente:
-não precisas de vir! – Admoestou Mag parada ao lado de David, sem olhar decentemente o moço.
Começou a caminhar, em passos rápidos.
David acompanhou-a:
-Só se tu não quiseres.
Ela calou-se e ele nada disse.
A viagem foi desconfortável. Nenhum dos dois abriu a boca para dizer fosse o que fosse. Margarett ainda estava zangada com ele e David sabia-o, logo, não estava disposto a irritar novamente a velha amiga. Em vez disso calou-se, só falaria se ela iniciasse uma conversação, e acompanhou-a, enterrado na melancolia que aquele silêncio provocava. Atravessaram alguns caminhos mais escuros que serviam de atalhos até chegarem á avenida principal, repleta de lojas, salões de beleza, oficinas, padarias, floristas entre outros.
Margarett dirigiu-se rapidamente á loja de tecidos, ao aperceber-se que dentro de minutos fecharia.
David seguiu-a, até ela se travar á entrada:
-se não quiseres, não precisas de vir!
Como resposta, David revirou os olhos e bufou
-Não há problema.
Ela suspirou e abriu a porta de vidro que fez soar uma sineta.
Toda a loja era rodeada por prateleiras com rolos dos mais variados tecidos, e do lado direito havia um balcão firme de madeira, onde atrás estava um homem de alguma idade, de óculos e um bigode peculiar a segurar um metro sobre tafetá negro. Assim que viu os dois jovens, tão distintos na aparência e gostos, largou o instrumento de medir e levantou os braços com simpatia:
-Em que posso ajudar o jovem casal?
Margarett corou e David, ainda a olhar para os tecidos que escondiam todas as paredes, olhou-o de repente de sobrancelha franzida.
-Nós não somos um casal. – Disse, sem qualquer sentimento na voz.
Margarett descolou a boca, envergonhada pela resposta do rapaz e sorriu para o senhor:
-Boa Tarde, precisava que me mostrasse algumas sedas, cetins e rendas.
-Tem preferência pela cor, menina? – Questionou o homem, saindo de detrás do balcão para se dirigir ao fundo da loja, onde estavam reservados os seus melhores produtos.
David aproveitou o momento e sentou-se no primeiro banco que viu, encostado á prateleira dura.
-Bom… - Margarett pegou na lista da sua mãe, em que ela própria enumerou o grau de importância de cada cliente de modo a saber qual seria aquela que certamente não faltaria ao baile. Mrs. Peps era a primeira da lista, logo a seguir a Mrs. Finkie, já excluída. Era uma mulher forte, com medidas largas e formas arredondadas, mas que, nem por não ter o corpo mais vistoso sequer da rua, perdia a oportunidade de ser extravagante – Mostre-me os padrões que têm em Azul Céu.
David fez caretas as todos os feitios daquela cor, e ficou em choque ao ver Margarett a pedir metros e metros do mais estranho que lá tinha. Depois o esgar repetiu-se noutras cores. Poucas, mas horrendas. Ponderou sobre que tipo de roupa iria Mrs. Wilson costurar, incrédulo perante tamanhas “piroseiras”! Para seu alívio, Margarett começou a deixar de lado os estampados extravagantes á medida que passava cada nome da lista á frente, e os padrões deram lugar a rendas suaves e tecidos lisos acetinados.
-Algo simples, em lilás! – Pediu por fim a loira.
Em cima do balcão da loja haviam já 13 tecidos diferentes, sem nenhum tom exactamente igual. No exterior anoitecera entretanto. Nem David nem Margarett chegariam a tempo do jantar, no entanto, nenhum mostrava pressas. O rapaz, de braços cruzados, olhava para tudo que passava pela visão da doce rapariga, tão educada e gentil com o senhor cansado. No fundo sentia alguma admiração pelo trabalho dela. Notava que mesmo os tecidos mais feios eram escolhidos a pormenor, seguindo fielmente o papel que ela se recusava a pousar. O dono da loja mostrou-lhe dois tecidos de características opostas, todavia, com a cor em comum. Eram bonitos, David não conseguiu negar. A rapariga entre os dois mordia o lábio indecisa quanto á escolha:
-É para uma senhora simples… de pele alva e cabelos compridos. O que acha?
-Os dois tecidos são lindos, menina. Que tal uma terceira opinião?
Margarett e o homem olharam David, instalado perfeitamente como se estivesse numa taberna, a olhar o que se passava entre os outros dois.
-O que acha, cavalheiro? – Questionou o homem - Que tecido acha mais bonito?
David corou e adequou o seu corpo a uma postura mais respeitável, esticando-se para a frente. Por momentos, viu os diferentes tecidos drapejarem em redor de Margarett, numa sintonia leve e perfeita causada pelo agitar dos panos que o senhor provocou para exibir melhor as peças. Deu por si a olhar mais para a moça do que para os tecidos em si, perdido na combinação tão simples e melodiosa que era a rapariga envolta por tecidos transparecidos, no entanto, ao ver a sua resposta demorar olhou melhor para os panos, sendo logo a sua atenção captada:
-o que está atrás de ti.
Margarett abriu a boca, confusa, mas depressa entendeu a que tecido David se referira. Voltando costas, deu de caras com um rolo de um tecido leve e translúcido, rosa bebé, com pequenos detalhes empregues. Margarett apaixonou-se de imediato, mas estranhou a escolha do companheiro:
-É um belo retalho! Chegou na semana passada, mas é mais caro!
Margarett desenrolou um pouco do tecido e analisou-o, maravilhada:
-É lindíssimo! – Exclamou, colocando a sua ponta sobre o pulso nu, para ver como ficava - Ena David, como viste isto?
O rapaz deu de ombros e, sorrindo, levantou-se do banco, para logo se aproximar dela:
-Acho que condiz contigo! – Ele esticou o pano á frente da rapariga e viu-a adornada com a cor suave do tecido que o deixava ver através de si – É o teu ideal, acho.
O homem tossiu discretamente, ao ver os dois jovens perdidos, ora no pano, ora um no outro. Margarett baixou o olhar e enrolou novamente o pano no rolo, voltando a atentar nos tecidos lilases:
-Bem, isto não é para mim, portanto… - Ela respirou fundo, constrangida – Levo o floral! – Disse ao homem.
Por segundos, David sentiu que ela ignorou a sua opinião e isso deixou-o desapontado. Porem, não foi idiota e percebeu que aquela visita á loja era apenas trabalho para Margarett. Lentamente começava a entender que todos os seus vestidos de seda eram fruto de tempos livres e tecidos extra que a rapariga conseguia para criar as suas próprias roupas, e não de futilidades e caprichos como todos os seus amigos acreditavam.
Já do outro lado do balcão, o proprietário da loja, com o metro na mão ia medindo os retalhos de panos diversos, apontando num caderno á parte o valor de cada um. Finalmente, com todos os panos dobrados, ensacou-os e entregou o papel a Margarett. David viu por acaso o preço por que tudo aquilo ficava e quase se engasgou, mas nada disse. Viu a Jovem abrir a sua bolsa de mão e a retirar uma grande quantia de notas enroladas que logo entregou ao homem.
Ele verificou se eram verdadeiras e só depois contou a quantia. Sobraram uns míseros tostões, simplesmente.
David ajudou a rapariga a carregar as sacas de tecidos, que por sinal não eram tão leves como julgava, e os dois abandonaram a loja e acenaram ao dono, que sorria feliz da vida pela cliente que lhe valeu pela semana toda, enquanto colocava um papel na porta a dizer “fechado” e apagava as luzes.
O resto das lojas já haviam encerrado e as luzes que dominavam a zona eram as das casas e dos candeeiros de rua. Estava frio agora e não se via triste alma por ali, a não ser os homens á porta dos salões de jogos e das tabernas.
-Ainda bem que vim contigo. Seria perigoso nesta escuridão caminhares sozinha pelas ruas.
Margarett deu de ombros:
-Eu sei me defender. Não te preocupes.
David sorriu, por simpatia:
-Eu sei, lembras-te?
Ela corou, mas nada disse e apenas soltou uma lufada de ar.
O rapaz, por sua vez, teve de arranjar assunto:
-tens clientes muito esquisitas, não?
-Porque dizes isso? – Inquiriu ela, com vontade de rir da questão.
Ele teve medo de a ofender, mas disse-o á mesma:
-O tecido azul é simplesmente assustador! A sério, quem é que usa isso? – Ele olhou-a perplexo – Quero dizer, eu posso ser um mal vestido e não reparar nos vestidos das mulheres da alta sociedade, mas não posso evitar de dizer isto. É feio como os diabos!
A rapariga teve de rir pelo descaramento de David que disse algo tão acertado até para ela. Ele surpreendeu-se ao vê-la rir-se, tão divertida, e um calor preencheu-o por dentro.
-Então concordas?!
Ela acenou com a cabeça, ainda a sorrir:
-absolutamente! Mas podes ter a certeza que este vai ser o tecido que vais ver em maior destaque! Há mulheres que não têm olhos na cara, mas eu tenho de satisfazer os gostos.
-Eu não acredito que alguém use algo tão espampanante em público. A não ser que faças algum truque mágico e com outro tecido disfarces isso.
Margarett retomou o riso:
-aposto contigo que o vestido que vou fazer com este pano vai ser o mais rapidamente comprado!
David franziu o sobrolho:
-Nã… Não acredito!
-Juro!
David olhou-a, chocado:
-Meu deus…!
Os dois riram sem sintonia e abanaram as cabeças com a mesma incredulidade.
Depois, ao ver o silêncio a retomar, David encostou-se mais a Margarett quando passaram pelo beco escuro, e retomou a conversa:
-Tu vais ser costureira, Margarett? – Perguntou ele.
-Não! – Negou – Eu vou ter quem costure para mim!
Ele franziu as sobrancelhas:
-Então?
-Estilista!
O rapaz fez um ar de espanto. Apesar de não ser tão culto como William, por exemplo, sabia que as diferenças entre as duas profissões eram poucas, mas fortes. Margarett explicara-lhe isso em muitas cartas que lhe escrevera e no fundo, ele sabia que era essa a vocação dela.
-Foi Monneceeour Daiour que te…?
A rapariga caiu na gargalhada antes de ele terminar a pergunta e até teve de pousar as sacas para segurar a barriga. Ele não soube se havia de ficar alegre ou deprimido com tanta risada:
-o que foi?
-O que tu disseste! Monneceeour Daiour! – Ela riu-se á cara podre do rapaz, que não entendeu o problema da sua questão, mas riu, divertido com aquelas gargalhadas soltas.
-Está mal? Não foi isso que escreveste sempre?
Ela tentou conter o riso:
-Ok, ok, como se chamava a minha melhor amiga lá?
David fez ar de mau:
-Não digo! Vai gozar comigo!
Ela segurou os ombros do rapaz, dando pulinhos no chão á sua frente:
-Oh, por favor, por favor, David! Vá lá! Diz os nomes deles!
-prometes que não te ris?
-Sim! – Exclamou, cruzando os dedos atrás das costas.
Ingenuamente, David cedeu:
-Eidelaine e Oulaiveir?
Margarett desmanchou-se a rir, até verter lágrimas. David cerrou os dentes, zangado com aquela troça toda e cruzou os braços de costas para ela:
-Não tem piada!
-tem sim! – Contrariou a rapariga.
Ele virou-se de novo para ela, irritado:
-ah, sim, então como se diz? Acho que tens de aprender a escrever melhor!
Ela ergueu o queixo, orgulhosa, e pegou nas sacas pousadas no chão para retomar o caminho:
-Monsieur Dior, Adeline et Olivier!
David deixou cair o queixo, abismado com a diferença de pronúncias e deu passadas rápidas para alcançar a amiga:
-Tu queres dizer que eu estive cinco anos com pensamentos errados?
-Precisamente!
-Ora, mas isso nem é nome de gente!
-É sim! - Disse ela mostrando-lhe a língua, divertida
David abriu a boca fingindo ofensa, mas riu-se, encostando a sua testa á nuca dela, para selar um pequeno beijo:
-Minha Rett! – Murmurou, passando o braço em torno dos ombros da amiga, para a aconchegar mais contra si.
Ela aceitou o seu reconfortante braço e sorriu, caminhando devagar pela rua deserta.
-Desculpa, Mag…
Ela encarou-o, fazendo com que ele a soltasse, mas nem por isso se afastasse e foi capaz de ver sinceridade nos seus olhos. Era obvio que ele estava perdoado.
-claro… - sussurrou ela, calmamente.
Ele segurou a saca que ela levava na mão ao reparar, mesmo na noite, numas marcas vermelhas nos seus braços causadas pelas asas da saca pesada que ela transportava. Ela agradeceu o acto do amigo e seguiu com ele calada, até ele fazer uma careta que não lhe escapou:
-o que foi?
-Eu estrago sempre tudo, não estrago?
Ela ficou a olha-lo, sem saber o que responder àquela questão todavia ele, precipitado, não quis saber da resposta e sorriu, forçado.
Ela viu-se na obrigação de dizer algo, sem mentir, mas uma luz intensificou-se numa mansão perto deles. Um vulto surgiu pela porta aberta da casa e os dois olharam na direcção que, para espanto do par, exibiu uma personagem conhecida. David empalideceu e voltou o rosto na direcção contrária. Margarett corou e sorriu.
-Mag?
-Olá William! - Exclamou ela, acenando para o rapaz.
Ele olhou-a sorrindo, mas ao notar a presença de David ao seu lado, fez um ar mais sério:
-o que estás aqui a fazer?
-A caminho de casa! Fui ao centro buscar umas coisas!
Com o som, uma outra figura apareceu atrás de William. Mrs. Finkie, cheia de brilho como sempre, apercebeu-se da presença de Margarett e deu um gritinho para captar a atenção da jovem, entusiasmada:
-Uhuh, Margarett, querida!
Margarett corou e sorriu de retorno à adulta:
-Querida, que fazes na rua a estas horas?
-Trabalho! – Exclamou ela, sacudindo os ombros.
David revirou os olhos ao aperceber-se que a mulher tão cedo não se calaria e deu um passo para se aproximar de Margarett.
-É melhor eu ir-me embora, certo? – Sussurrou ele, discretamente.
-Não! – Respondeu ela, nervosa, tentando prender-lhe algum membro, sem conseguir.
-Já jantaste, querida? – Inquiriu a mulher, alheia ao nervosismo da rapariga.
Margarett quis uma saída, queria ir-se embora com David, mas ele parecia água a escorrer-lhe por entre os dedos:
-Não, mas a minha mãe deve estar já á minha espera!
-Deixa lá isso, Rett. – Disse David, agora num tom mais alto, que chegou aos ouvidos atentos de William - Eu não te quero atrapalhar!
-Tenho de levar as coisas para a minha mãe!
-ora, já está tarde. A Dorianne já não está a trabalhar a esta hora.
David sorriu ironicamente. Percebeu logo que mulheres ricas como Mrs. Finkie não entendiam que quem trabalhava honestamente tinha deveres, tais como realizar roupas para dezenas de mulheres em prazos curtos. Ele sabia muito bem que as vizinhas passavam horas na máquina de costura a acabar vestidos de mulheres pomposas como ela, e isso irritava-o.
-Mag, se quiseres eu levo os tecidos e aviso a tua mãe.
Naquele momento, ela quis esganar o amigo, mas nada pôde fazer.
Só William estranhou a simpatia de David, com uma careta azeda, não obstante, viu ali um grande triunfo quando Margarett finalmente aceitou o convite da sua mãe.
-Não te importas mesmo? – Perguntou a David, mesmo com o seu maior pensamento gritando Por favor importa-te, por favor importa-te!
-Não… Não vou estragar tudo… - murmurou.
Ela sentiu um aperto no peito, desgostosa com aquela resposta, mas voltou-se para mãe e filho com um sorriso forçado na cara. Não conseguiu despedir-se de David, na esperança que ele a interrompesse e a obrigasse a ir para casa, mas não aconteceu nada. Mal ela entrou porta dentro, e viu-se fechada, sentiu-se presa em quatro paredes sem saber o que fazer ou como reagir numa casa tão chique, forrada com papel de parede, com sofás de pele e tapeçarias pesadas de cores modernas. A sala de jantar estava elegantemente iluminada por dois castiçais de velas á mesa e os talheres estavam dispostos como num restaurante. William convidou a rapariga a sentar-se, arrastando-lhe a cadeira, e alapou-se ao seu lado, enquanto a mãe se sentava numa das pontas, em frente ao prato de Mr. Finkie que surgiu a seguir e cumprimentou a rapariga com educação. Ela viu-se sem saliva, sem força, nem voz. Era demasiado constrangedor e sério conhecer os pais de um amigo, cuja própria mãe insistia ser um bom partido para ela.
Mrs. Kelly Finkie tocou uma sineta e surgiu uma criada, vestida de cinzento, que colocou uma travessa de frango na mesa e serviu as bebidas em silêncio. Todos começaram a comer calados, mas aos poucos começaram a falar ao mesmo tempo com ela, entusiasmados.
Margarett nunca se sentiu tão envergonhada na vida e rogava pragas a David, com a cara adornada com sorriso dirigido aos anfitriães do jantar.
David, por sua vez, não saíra logo dali quando viu Margarett entrar naquela casa. Ficou sufocado com a ideia de já estar praticamente inserida naquela família, visto que Mrs. Finkie a adorava tanto quanto o filho. Só ele sabia o quanto lhe tinha custado deixa-la ir tão facilmente, no entanto ele teve de o fazer pela amizade dela.
Partiu quando sentiu o vento a bater-lhe contra a cara e caminhou mais depressa para casa.
Quando chegou ao bairro, dirigiu-se primeiramente á vizinha e bateu á porta.
Mrs. Wilson abriu, admirada:
-David?
-Boa noite, Mrs. Wilson. A Margarett pediu-me que deixasse aqui os tecidos que comprou.
Mrs. Wilson ficou sem cor, imaginando que o rapaz tinha feito algum mal á filha:
-E onde está ela?
-Bem, encontramos Mrs. Finkie pelo caminho e ela convidou - ou quase exigiu - que a Margarett jantasse em casa deles. Ela não conseguiu recusar!
-Mrs. Finkie?!
David viu os olhos da mãe da amiga brilharem intensamente e uma onda de desgosto afundou-o dentro de si próprio.
-Ena, ainda bem que ela aceitou, deve ser muito chique!
David torceu o nariz, irritado, e entregou as sacas á mulher:
-Sim, imagino que sim! Se me dá licença, Mrs. Wilson, tenho de ir para casa! Boa noite e passe bem!
Ele virou costas aborrecido com a conversa e entrou na sua casa apressado, batendo a porta com força.
Mrs. Paisen ao escutar alguém na entrada foi espreitar o filho, esperançosa:
-David, como correu?
Ele sentiu um leve incómodo e surpresa com a questão da mãe, mas deu de ombros sem a olhar nos olhos:
-Normal… Fomos comprar tecidos. – Respondeu, seco, enquanto descalçava as all-stars gastas.
Mrs. Paisen fez uma cara de desagrado:
-Bem, o jantar já foi servido. Vem comer!
Ele abanou a cabeça negativamente e subiu os primeiros três degraus das escadas:
-Não tenho fome!
E dito aquilo foi para o seu quarto sem mais olhar para a mãe.
Esta, por sua vez, benzeu-se angustiada. Esperava mesmo que os dois se entendessem, mas pela reacção do filho, as coisas ainda estavam piores e sentia-se culpada por isso. Só lhe restava esperar que Margarett lesse a carta.
David deitou-se no leito, e afundou o rosto na almofada mole, frustrado. Um dos pesos já tinha saído de cima dele mal Margarett se riu com ele. Mas o outro estava lá ainda, a fazer pressão para o deitar abaixo. Talvez ele conseguisse livrar-se dele, mas não queria. Queria levanta-lo para cima e suporta-lo, habituar-se a ele. Esse peso, claro está, era William e a relação que mantinha com Margarett. Por muito que odiasse aquilo, David tentava agora mais do que nunca viver com a situação apenas em nome da felicidade da amiga. Ela era demasiado importante para que ele a deixasse simplesmente irritada por causa do filho do banqueiro.
Irrequieto tirou a T-shirt e atirou-a para o chão, ficando de tronco nu, sentado na beira da cama.
Foi o inicio de uma noite longa. Talvez tivessem apenas passado três horas e ele ainda rebolava no meio dos lençóis finos em busca de sossego para a sua alma e corpo. Sabia que ainda nem era meia-noite, mas num dia normal, bastava deitar-se no colchão para a sua mente apagar. Naquela noite não. Ele não conseguia parar de pensar em Margarett, questionar-se se ela já teria chegado a casa, se tinha corrido bem a noite, ou simplesmente se estava tudo bem com ela. Acabou por render-se á falta de sono. Sabia que todos já dormiam em casa, portanto saltou da cama e ainda às escuras procurou a camisola mais próxima, apalpando tudo á sua volta. Quando finalmente achou uma, cheirou-a para ter a certeza que estava lavada e pronto para sair de casa e retomar o ritual que deixara de fazer havia algumas noites, foi surpreendido por um clarão de luz vinda do exterior.
Apressado, aproximou-se da janela e desviou a cortina, que num instinto rápido voltou a ser fechada.
Na casa ao lado, nomeadamente no quarto de janela aberta, Margarett, com o corpo enrolado numa toalha de banho penteava com uma escova que parecia ser feita de prata os longos fios de ouro que lhe cresciam na cabeça e que atingiam o fundo das suas costas, coisa invulgar no que tocava á moda da época. Quase todas as raparigas da sua idade tinham um cabelo pelos ombros ou pouco mais comprido, encaracolado e com franjinha curta, algo que não se adequava nada a ela. Margarett sacudiu-o e depois foi buscar algo.
David espreitou a amiga pela fresta da cortina do seu quarto. Quando a viu, apenas com roupa íntima da mão, questionou-se se o que estava a fazer era errado, mas o seu inconsciente impediu-o de se afastar da janela.
A rapariga, de costas, deixou a toalha tombar no chão exibindo um corpo escultural de tom alvo e delicado. David deu um passo de recua e ruborizou, atrapalhado. Só conseguiu deduzir como Margarett era linda.
Depois disso é que, obviamente, ele não conseguiu dormir mais.
-----
E pronto, é isto! espero que tenham gostado!

Bjokas
as minhas fic's:
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
-Angelical
Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
-Angelical
Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^
Aii, que o David é um tarado xDD
Mas, BOAS NOTICIAS, acabou de dar um passo em frente para a sua confissão de: Eu amo a Maggie Wilson!
Coisas boas nestes capítulo: Os amigos fizeram as pazes (yupii!), o David mostrou-se mais maduro e aconteceu o que escrevi acima. Daqui a pouco, ele admitirá que a ama. Quero é ver quando a Maggie fará o mesmo.
Coisas más: A mãe do Will. Ganda chata, mesmo! Era quem lhe enfiasse uma peuga na boca
Então a rapariga não pode andar na rua a aquela hora sozinha mas e depois como iria para casa? Mais valia ir com o David, mas esse tá tão preocupado com a amizade que nem vê a imagem maior.
Outra coisa má. Demorou muito (mas eu entendo... não ligues que isto é apenas birra xDD)
Gostei imenso da frase. Quem a escreveu?
Mas a sério...

porque isto já é considerado off-topic:
Pois... também sei o que isso é. A mim também foi recente. E também estive com ele no Baile de Finalistas (e, pelo caminho, dei-lhe dois foras sem querer
).
No S.João, voltamos a encontrarmo-nos (temos o mesmo grupo de amigos) e opah... exagerei na bebida, senti-me demasiado alegre e os meus amigos mandar-me acalmar e tomar um café. E, como eu sou uma criatura estranha, sempre que falavam para mim eu ria-me feita louca ou começava a chorar (como eu disse, louca
). Mas, quando fui à casa de banho, fiquei sozinha e calada na fila durante uns dez minutos. Quando vim para cima, a "alegria" já tinha passado. E ele depois foi um querido, apoiou-me e até me comprou farturas. 
Mas sei muito bem o que é o desconforto. A TV faz aquilo parecer tão.. fácil >.<
Enfim, ao menos ainda hoje nos damos bem. Foi só uma aventura de S.João (muito boa devo dizer.. nunca esquecerei aquele dia
) Alias, na proxima semana vou aos anos dele e tudo...
Mas, BOAS NOTICIAS, acabou de dar um passo em frente para a sua confissão de: Eu amo a Maggie Wilson!
Coisas boas nestes capítulo: Os amigos fizeram as pazes (yupii!), o David mostrou-se mais maduro e aconteceu o que escrevi acima. Daqui a pouco, ele admitirá que a ama. Quero é ver quando a Maggie fará o mesmo.
Coisas más: A mãe do Will. Ganda chata, mesmo! Era quem lhe enfiasse uma peuga na boca
Então a rapariga não pode andar na rua a aquela hora sozinha mas e depois como iria para casa? Mais valia ir com o David, mas esse tá tão preocupado com a amizade que nem vê a imagem maior. Outra coisa má. Demorou muito (mas eu entendo... não ligues que isto é apenas birra xDD)
Gostei imenso da frase. Quem a escreveu?
Mas a sério...
lulumoon escreveu: Na casa ao lado, nomeadamente no quarto de janela aberta, Margarett, com o corpo enrolado numa toalha de banho penteava com uma escova que parecia ser feita de prata os longos fios de ouro que lhe cresciam na cabeça e que atingiam o fundo das suas costas, coisa invulgar no que tocava á moda da época. Quase todas as raparigas da sua idade tinham um cabelo pelos ombros ou pouco mais comprido, encaracolado e com franjinha curta, algo que não se adequava nada a ela. Margarett sacudiu-o e depois foi buscar algo.Esta foi talvez das cenas mais bonitas que já vi na fic. Não me perguntes porque, mas adorei mesmo. Era obvio o que iria acontecer, mas opah, é daquelas coisas que uma pessoa adora ver repetido
David espreitou a amiga pela fresta da cortina do seu quarto. Quando a viu, apenas com roupa íntima da mão, questionou-se se o que estava a fazer era errado, mas o seu inconsciente impediu-o de se afastar da janela.
A rapariga, de costas, deixou a toalha tombar no chão exibindo um corpo escultural de tom alvo e delicado. David deu um passo de recua e ruborizou, atrapalhado. Só conseguiu deduzir como Margarett era linda.
Depois disso é que, obviamente, ele não conseguiu dormir mais.

porque isto já é considerado off-topic:
Spoiler
lulumoon escreveu:
Ana, eu realmente não sei se tenho fobia, mas quando dei o primeiro (foi aproximadamente em Janeiro, ou seja, é recente ) fiquei tão abananada que quando dava alguma cena dessas na televisão eu virava a cara!Uma amiga minha apercebeu-se e até gozava comigo, mas a minha felicidade foi que nunca mais vi o sujeito (
) Até ao baile de finalistas (armaram-se cilada!
'). É por estas e por outras que eu acho que tenho fobia! até corro para fugir e eu odeio correr! >.< Mas sei lá, pode se rum medo pro falta de pratica e de sentimento! Vá se lá entender a minha mona!
![]()
Pois... também sei o que isso é. A mim também foi recente. E também estive com ele no Baile de Finalistas (e, pelo caminho, dei-lhe dois foras sem querer
). No S.João, voltamos a encontrarmo-nos (temos o mesmo grupo de amigos) e opah... exagerei na bebida, senti-me demasiado alegre e os meus amigos mandar-me acalmar e tomar um café. E, como eu sou uma criatura estranha, sempre que falavam para mim eu ria-me feita louca ou começava a chorar (como eu disse, louca
). Mas, quando fui à casa de banho, fiquei sozinha e calada na fila durante uns dez minutos. Quando vim para cima, a "alegria" já tinha passado. E ele depois foi um querido, apoiou-me e até me comprou farturas. 
Mas sei muito bem o que é o desconforto. A TV faz aquilo parecer tão.. fácil >.<
Enfim, ao menos ainda hoje nos damos bem. Foi só uma aventura de S.João (muito boa devo dizer.. nunca esquecerei aquele dia
) Alias, na proxima semana vou aos anos dele e tudo...
Espero por ti em cada segundo , porque tu és o meu mundo!

Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
Visitem a minha 1ª Fic ----->The Four elements

Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
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Ah! Oh Ana acreditas que esta ultima parte foi colocada no capitulo mesmo antes de postar?! Supostamente não existia cena nenhuma de toalha e em vez disso havia um clarão de luz que indicava a chegada da Mag a casa e o David adormecia descansado!
ainda bem que coloquei! 
Mrs. Finkie é uma sem-noção! Mas sempre é melhor do que Mrs. Wilson (Aquela velha ranhosa! >.<)
Quando à Margarett saber o que realmente quer... Vai demorar um pouquinho mais. Ela é mais lenta e ingénua e antes disso vai-se meter noutra!
Pois, a mim foi tudo arranjado! Foi numa visita de estudo à noite. Uma amiga minha que é toda virada para a frente apresentou-nos já com ideias. O sujeito era um autentico "casa blanca" e pronto lá teve o descaramento de me beijar. Eu como tinha de vencer o medo lá deixei, mas chegou a um ponto que lhe dei uma tampa daquelas! A minha amiga e o namorado dela até ficaram embasbacados com o que eu lhe disse e eu até me senti mal. Fiquei feliz porque pensie que nunca mais o ia ver, mas ela levou-o ao baile, só que aí ele embebedou-se e eu fiquei feliz da vida porque o sujeitinho só me conseguiu arrancar dois e eu mandeio-o passear. Infelizmente não estou minimamente apaixonada nem por ele nem por ninguém (Há 4 anos que não me apaixono, começo a achar que vou acabar sozinha!
)
ainda bem que coloquei! 
Mrs. Finkie é uma sem-noção! Mas sempre é melhor do que Mrs. Wilson (Aquela velha ranhosa! >.<)
Quando à Margarett saber o que realmente quer... Vai demorar um pouquinho mais. Ela é mais lenta e ingénua e antes disso vai-se meter noutra!

Spoiler
AnA_Sant0s escreveu:
porque isto já é considerado off-topic:Spoiler
lulumoon escreveu:
Ana, eu realmente não sei se tenho fobia, mas quando dei o primeiro (foi aproximadamente em Janeiro, ou seja, é recente ) fiquei tão abananada que quando dava alguma cena dessas na televisão eu virava a cara!Uma amiga minha apercebeu-se e até gozava comigo, mas a minha felicidade foi que nunca mais vi o sujeito (
) Até ao baile de finalistas (armaram-se cilada!
'). É por estas e por outras que eu acho que tenho fobia! até corro para fugir e eu odeio correr! >.< Mas sei lá, pode se rum medo pro falta de pratica e de sentimento! Vá se lá entender a minha mona!
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Pois... também sei o que isso é. A mim também foi recente. E também estive com ele no Baile de Finalistas (e, pelo caminho, dei-lhe dois foras sem querer).
No S.João, voltamos a encontrarmo-nos (temos o mesmo grupo de amigos) e opah... exagerei na bebida, senti-me demasiado alegre e os meus amigos mandar-me acalmar e tomar um café. E, como eu sou uma criatura estranha, sempre que falavam para mim eu ria-me feita louca ou começava a chorar (como eu disse, louca). Mas, quando fui à casa de banho, fiquei sozinha e calada na fila durante uns dez minutos. Quando vim para cima, a "alegria" já tinha passado. E ele depois foi um querido, apoiou-me e até me comprou farturas.
Mas sei muito bem o que é o desconforto. A TV faz aquilo parecer tão.. fácil >.<
Enfim, ao menos ainda hoje nos damos bem. Foi só uma aventura de S.João (muito boa devo dizer.. nunca esquecerei aquele dia) Alias, na proxima semana vou aos anos dele e tudo...
Pois, a mim foi tudo arranjado! Foi numa visita de estudo à noite. Uma amiga minha que é toda virada para a frente apresentou-nos já com ideias. O sujeito era um autentico "casa blanca" e pronto lá teve o descaramento de me beijar. Eu como tinha de vencer o medo lá deixei, mas chegou a um ponto que lhe dei uma tampa daquelas! A minha amiga e o namorado dela até ficaram embasbacados com o que eu lhe disse e eu até me senti mal. Fiquei feliz porque pensie que nunca mais o ia ver, mas ela levou-o ao baile, só que aí ele embebedou-se e eu fiquei feliz da vida porque o sujeitinho só me conseguiu arrancar dois e eu mandeio-o passear. Infelizmente não estou minimamente apaixonada nem por ele nem por ninguém (Há 4 anos que não me apaixono, começo a achar que vou acabar sozinha!
)
as minhas fic's:
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
-Angelical
Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
-Angelical
Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^
lulumoon escreveu:Ah! Oh Ana acreditas que esta ultima parte foi colocada no capitulo mesmo antes de postar?! Supostamente não existia cena nenhuma de toalha e em vez disso havia um clarão de luz que indicava a chegada da Mag a casa e o David adormecia descansado!ainda bem que coloquei!
![]()
A cena foi inventada à última da hora? O_o Pois bem, tens que fazer isso mais vezes! A Maggie pode ser ingénua, mas isso não quer dizer que não possam haver cenas onde ela podia aperceber-se de algo, mas não aconteceu (do género, virar-se e vir o David sem camisa
)Spoiler
lulumoon escreveu:AnA_Sant0s escreveu:
porque isto já é considerado off-topic:Spoiler
lulumoon escreveu:
Ana, eu realmente não sei se tenho fobia, mas quando dei o primeiro (foi aproximadamente em Janeiro, ou seja, é recente ) fiquei tão abananada que quando dava alguma cena dessas na televisão eu virava a cara!Uma amiga minha apercebeu-se e até gozava comigo, mas a minha felicidade foi que nunca mais vi o sujeito (
) Até ao baile de finalistas (armaram-se cilada!
'). É por estas e por outras que eu acho que tenho fobia! até corro para fugir e eu odeio correr! >.< Mas sei lá, pode se rum medo pro falta de pratica e de sentimento! Vá se lá entender a minha mona!
![]()
Pois... também sei o que isso é. A mim também foi recente. E também estive com ele no Baile de Finalistas (e, pelo caminho, dei-lhe dois foras sem querer).
No S.João, voltamos a encontrarmo-nos (temos o mesmo grupo de amigos) e opah... exagerei na bebida, senti-me demasiado alegre e os meus amigos mandar-me acalmar e tomar um café. E, como eu sou uma criatura estranha, sempre que falavam para mim eu ria-me feita louca ou começava a chorar (como eu disse, louca). Mas, quando fui à casa de banho, fiquei sozinha e calada na fila durante uns dez minutos. Quando vim para cima, a "alegria" já tinha passado. E ele depois foi um querido, apoiou-me e até me comprou farturas.
Mas sei muito bem o que é o desconforto. A TV faz aquilo parecer tão.. fácil >.<
Enfim, ao menos ainda hoje nos damos bem. Foi só uma aventura de S.João (muito boa devo dizer.. nunca esquecerei aquele dia) Alias, na proxima semana vou aos anos dele e tudo...
Pois, a mim foi tudo arranjado! Foi numa visita de estudo à noite. Uma amiga minha que é toda virada para a frente apresentou-nos já com ideias. O sujeito era um autentico "casa blanca" e pronto lá teve o descaramento de me beijar. Eu como tinha de vencer o medo lá deixei, mas chegou a um ponto que lhe dei uma tampa daquelas! A minha amiga e o namorado dela até ficaram embasbacados com o que eu lhe disse e eu até me senti mal. Fiquei feliz porque pensie que nunca mais o ia ver, mas ela levou-o ao baile, só que aí ele embebedou-se e eu fiquei feliz da vida porque o sujeitinho só me conseguiu arrancar dois e eu mandeio-o passear. Infelizmente não estou minimamente apaixonada nem por ele nem por ninguém (Há 4 anos que não me apaixono, começo a achar que vou acabar sozinha!)

Pobre de ti, que nunca mais te livras do tipo.
Parece que te quer sempre lembrar das coisas que lhe disseste. Não pode ser pior do que eu, isso te garanto. Ele convidou-me para dançar tres vezes. À primeira fui, à segunda troquei-o pela minha máquina fotografica. À terceira por uma fatia de bolo (tinha que tar na mesa para ser servida... e demorava para caraças
) 
e agora um offoffoff-topic. Estou mesmo aborrecida. Tenho passado so dias a escrever a minha fic, a jogar, a tar no face... enfim tou presa em casa e acho que não vou continuar a escrever. É um bocado chato escrever quando tamos sempre no mesmo sitio
E, ainda por cima, estou a tentar realizar a proeza de escrever três fanfic aos mesmo tempo... bem, a culpa é mina por me armar em super-mulher. Que não vos espante que me dê a louca num destes dias... 
Espero por ti em cada segundo , porque tu és o meu mundo!

Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
Visitem a minha 1ª Fic ----->The Four elements

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