Peep-Toe & All-Star
Obrigada pelo apoio Monica!
Tenho andado muito desligada da fanfic que nem me apetece escrever ou postar. Ainda assim, hoje vim trazer a actualização e digo já que é neste capitulo que eu perco o fio à meada!
Bem, vou tentar arranjar vontade e tempo para seguir com a fic, mas francamente estou farta dela (curiosamente em todas as historias que escrevo chega a um ponto - tipo 5 ou 6 capítulos antes de ela chegar ao fim - que eu perco o interesse e começo sempre outra historia, por exemplo, antes de terminar a "unidos pelos destino, unidos por todos", comecei "angelical" e antes de acabar "angelical" comecei esta! Vamos lá ver qual será a próxima!
)
enfim, novo capitulo, sem titulo, sme frase, sem musica (sim, eu estou mesmo sem inspiração)
'
David olhava o tecto do quarto, entediado. Meia volta tossia ou espirrava para depois assoar o nariz. O seu rosto estava marcado por profundas olheiras e uma palidez pouco saudável.
É bem feito, estúpido! Acusou revoltado quando voltou a sentir o nariz a pingar.
Não via Margarett desde aquele dia. Na verdade estava doente desde a mesma data. A sua mágoa para com ela fora tão profunda que ele nem sequer voltou mais para casa. Passou a tarde a vaguear por recantos que nem conhecia e à noite ficou perto do rio. Sem noção do que fazia, apenas sabendo que precisava de se distrair e esquecer o sucedido, mergulhou e ficou dentro de água durante horas e quando saiu deixou-se ficar deitado na erva com a roupa encharcada a manter-lhe o corpo gelado. As brisas frescas da noite que se alteraram com pequenos suores quentes foram a receita para a bruta constipação que o tinha deixado de cama a semana toda.
Vicky e a sua mãe eram as únicas que entravam no seu quarto. Quando a mãe abria as persianas ele cerrava os olhos por causa da luz e pedia-lhe que as fechasse novamente. Não queria ouvir o movimento exterior. Não fosse ver ou escutar Margarett.
Nunca se tinha conhecido tão covarde e odiava-se por isso. Tinha passado todos os dias a rebaixar-se em pensamento, a culpar-se pela constipação. Estava zangado.
-David? – Chamou Mrs. Grace Paisen à porta.
Ele tossiu como resposta, recebendo um sorriso maternal logo depois:
-Tens uma visita.
David franziu as sobrancelhas pelo sorriso largo da mãe e não conseguiu fazer boa cara. Imaginou quem seria. Eric, Brittany ou pior, Margarett.
Voltou a tossir e cobriu a cabeça com o lençol:
-Não quero receber ninguém… - Resmungou com uma voz estranha por causa do nariz entupido.
Mrs. Paisen revirou os olhos e puxou a rapariga que esperava à porta, com um sorriso amável.
David ouviu os passos com atenção. Pela leveza e pelo som, era sem dúvida uma miúda. Naquele momento, porém, preferia ver Brittany a Margarett.
-Fiquem à vontade. – Escutou a mãe dizer à visita.
-Obrigada, Mrs. Paisen.
A voz que se fez ouvir fez David franzir as sobrancelhas ao estranhar o timbre da jovem e bruscamente desviou o lençol da cara para ver de quem se tratava:
-Daisy?!
Ela riu-se pelo ar estremunhado dele:
-David, o que te aconteceu?
Ele só conseguiu tossir.
-Tu estás péssimo.
-Desculpa… - ele sentou-se na cama - O que fazes aqui?
Ela deu de ombros e sentou-se na orla da cama, ao lado dele:
-Nunca mais te vi desde a praia. Fiquei com medo que te tivesse assustado!
Ele riu-se:
-Acho que não sou assim tão medroso.
Ela sorriu amavelmente e atreveu-se a passar-lhe a mão no rosto para lhe sentir a temperatura. David corou um pouco ao sentir a suavidade das mãos femininas.
-O que te aconteceu? – Perguntou ela.
-Sou louco. É a resposta que te posso dar sobre todos os problemas da minha vida.
Daisy não concordou e abanou a cabeça, olhando o rapaz doente fixamente:
-Sabes, a mim pareces-me mais como uma criança grande. Ages aparentemente por loucura, mas certamente que tens um propósito para isso.
David encolheu-se ao de leve. No fundo ela até tinha razão.
Reparou como Daisy estava bonita naquela manhã e como o sorriso continuava puro e gentil. Ela era uma pessoa fácil de se gostar apesar da timidez.
-É bom ouvir algo diferente de vez em quando. Obrigado.
Ela sentiu-se feliz quando viu a leve covinha dele a surgir na bochecha:
-Como te sentes?
-Doente.
-Não me refiro a isso, David. – Respondeu – Acho que há algo mais para te deixar tão abatido. Conheço-te há anos suficientes para saber que não é uma doença que te pára. Lembro-me de te ver a correr na rua pior do que um doente terminal e mesmo assim continuares.
David assoou o nariz e riu-se:
-Lamento nunca ter sido tão atento em relação a ti.
-Eu perdoo-te. Não és o primeiro nem o último que não repara em mim.
David sentiu-se mal com aquela resposta:
-Quem disse que as pessoas não reparam em ti? Aliás, deixa-me que te diga, gosto do teu vestido novo. Essa cor realça o teu tom de pele.
Ela corou e sorriu timidamente. Pelo menos ele sabia que o vestido era novo. Era um sinal que ele já reparara na indumentária dela e por conseguinte, tinha notado o que lhe ficava bem.
-Estás muito bonita, Daisy. É bom ver-te assim.
-És sempre assim tão cavalheiro quando estás doente?
-Sou sempre. As raparigas como tu apenas têm medo de ouvir elogios meus.
-Ora, David, não digas isso. Que eu me lembre sempre trataste algumas raparigas com desdém.
-Não tratei nada. Eu nunca fui mau contigo, por exemplo!
Ela calou-se. Era verdade. Antes de começarem a ganhar confiança um com o outro, David nunca a maltratara. Era apenas indiferente. A fama dele é que dizia tudo. Daisy sentiu-se mal por tê-lo julgado sem o conhecer. Via agora a pessoa que David realmente era.
-Já reparaste que fugimos à minha questão? – Indagou ela, surpreendida – Não me contaste o que aconteceu!
David voltou a esconder a cabeça nos lençóis:
-Não aconteceu nada, Sy.
-Sy?
Ela sorriu pela alcunha e depois deu um apertão em David:
-Bolas, tu tens jeito! – Ralhou, referindo-se às distracções que ele arranjava para ela – Mas vá, sê honesto! O que te abateu tanto?
David viu-se obrigado a mentir. Por muita confiança que Daisy lhe transmitisse ele não ia cair no erro de lhe contar do beijo entre ele e Mag. Isso era o assunto dos dois, apenas, e se chegasse aos ouvidos errados ia trazer bastantes problemas:
-Daisy, não aconteceu nada. Eu apenas andava com as vitaminas em baixo e apanhei uma constipação que me valeu para a vida!
Ela torceu o beiço e levantou-se da cama:
-Bem, se não queres contar, não te obrigo! – Desistiu aproximando-se da janela fechada – Devias ter a janela aberta. Estás um dia lindo lá fora, fazia-te bem apanhar ar puro!
David espirrou antes de conseguir impedi-la de abrir a janela. Talvez esse tenha sido o motivo pelo qual arranjou forças para se levantar da cama.
-Não abras, Daisy!
Mas ela já tinha aberto. Teve de rir pela aflição do rapaz e nem se apercebeu que a janela da casa ao lado estava aberta também.
Margarett tinha acabado de entrar no seu quarto no preciso momento em que Daisy abrira a janela e mal os seus olhos a focaram ela deixou cair o seu caderno de esquiços no chão. Todavia o som foi abafado pela gargalhada da latina o que deixou Margarett ainda mais incomodada e confusa. Perguntou-se o que ela estava a fazer no quarto de David e porque se estava a rir. Apercebeu-se do vulto de David a surgir mas antes de o ver voltou costas e saiu do quarto apressada. Não o via há dias, mas depois de ver Daisy no quarto dele a vontade que tinha de o reencontrar desaparecera e dera lugar a um aperto na garganta que não tinha explicação lógica.
-Hey, aquele é o quarto da Margarett? – Questionou a latina, ao aperceber-se do quarto feminino na casa ao lado.
David assentiu e fechou a janela de rompante:
-Era por isso que não queria que a abrisses… Não estou pronto para ver a Margarett.
Daisy estreitou as sobrancelhas:
-“Pronto”?
Ele corou e começou a empurrá-la descaradamente para fora do seu quarto:
-Sabes que mais, acho que está na hora de te ires embora. Os teus pais podem ficar preocupados.
-Estás a expulsar-me?! – Gargalhou ela, travando David – Que injustiça, David!
Ele riu-se também:
-Não te quero apegar a constipação!
-Aqui há gato, David, e tu ainda me vais dizer de que cor é o pêlo dele!
-É por isso que te tenho de expulsar. Queres roubar-me o animal e não posso permitir isso!
Daisy deu um beijo na cara de David, entre risos:
-Amanhã aparece no Lili’s Diner se estiveres melhor! Precisas de um Waffle de chocolate e chantilly para recuperar forças!
-Eu passo lá, prometo! – Respondeu o rapaz dando um beijo de despedida à rapariga.
Ela saiu do quarto com um aceno e um piscar de olho e ele voltou a encontrar-se sozinho no próprio aposento.
Certificou-se que Margarett não estava no quarto e sentou-se de novo na cama. Vicky entrou nesse momento com um prato de canja de galinha sobre um tabuleiro de madeira. Ela sorriu maliciosamente para o irmão e entregou-lhe a comida.
-Então…? – Sorriu a irmã mais velha, sentando-se na cama – Quem é ela?
-É a Daisy – respondeu o rapaz distraidamente.
Vicky desenhou um sorriso enviesado:
-É gira! – Declarou, piscando-lhe o olho.
David corou e apressou-se a desfazer o mal-entendido:
-Wou! Não ganhes ideias, Vicky. É só uma nova amiga!
Vicky riu-se e rebolou na cama com um ar trocista, sempre a amparar o seu ventre com as mãos:
-Só uma nova amiga que te veio visitar?
David atirou a sua almofada à cara da irmã:
-Pára com isso! Ela trabalha no Lili’s Diner, conhecemo-nos desde pequenos mas só agora começamos a dar-nos bem. Aliás, espanta-me que ela tenha vindo cá, ela é muito tímida!
Vicky suspirou e aproximou-se mais de David, olhando-o nos olhos:
-Bem, seja lá o que ela for, pelo menos deixou-te mais animado! Ontem parecia que ias morrer!
David suspirou e não foi capaz de fazer um ar simpático para a irmã. Começou a comer a canja, sisudo, sem dizer nada. Vicky apercebeu-se que tinha tocado na misteriosa ferida de David e viu ali a oportunidade de entender o que se estava a passar na família Paisen.
-David… - Chamou com calma até ele a olhar – O que se passa contigo ultimamente?
-O que queres dizer?
-Sabes, a mãe está preocupada contigo. – Admitiu, tendo logo as atenções de David sobre ela - Ela acha que estás a afastar-te muito de nós, que já não falas tanto com o pai nem partilhas com ela. Quando passaste a noite fora no outro dia, nem sabes como ela ficou abatida. – O rapaz sentiu-se mal com ele próprio mas nada disse – Ela até chorou, David... Acho que o mínimo que podias fazer era contar-me, a mim que sou tua irmã, o que se passa contigo.
David desviou o tabuleiro, pois o seu apetite havia sumido com o que Vicky dissera sobre a mãe. Sentiu-se culpado por tudo isso e finalmente entendeu o porquê da irmã estar de volta à casa onde cresceu. Era pela sua mãe, mas sobretudo pela união da família.
-Eu peço desculpa a todos vocês. – Murmurou ele, olhando a nódoa que acabara de fazer no lençol com a canja – eu não tenho andado… - Não conseguiu encontrar a palavra certa.
-Então conta-me, David. O que te aconteceu? Tu não eras assim. Sabes qual é o nosso lema. “A família acima de tudo”.
-Foi uma fase, Vicky. E ela já terminou.
-Terminou? A mim parece-me que cada vez estás a afundar-te mais.
David suspirou pesadamente e fitou Vicky:
-Queres saber como tudo começou? Eu digo-te. Tudo começou porque eu fiz novos amigos e comecei a fazer idiotices. Sabes o que eu fazia todas as noites antes dos últimos dois meses? – Vicky quis ouvir – Eu fugia pela janela do quarto, quando todos dormiam e ia ter com os meus amigos ao cemitério. – a irmã do jovem empalideceu, mas ele não parou mesmo assim - Lá tocávamos violão, comíamos amendoins ou batatas fritas ou outra porcaria qualquer, bebíamos álcool, estávamos com raparigas e dávamos uns amassos. Nada de mal, eu achava.
-David, isso foi erra…!
-Ainda não terminei, Vicky. – Ela calou-se para David prosseguir – Essas fugas eram liberdade, ou era isso que o Jack nos fazia pensar. Depois eu dormia a manhã toda e à tarde também se fosse preciso. Realmente comecei a falar menos com o pai e a mãe e arrependo-me disso. - Admitiu em tom baixo e arrependido – Mas depois ela voltou…
David calou-se pela mágoa que pensar em Margarett lhe causava, porem Vicky não identificara de quem se tratava:
-Quem? Quem voltou?
-A Margarett. – Murmurou.
Vicky aí entendeu que ela estava ligada a tudo o que se tinha vindo a passar com David.
-Um dia tratei-a mal sem querer. Eu não queria, mas… Eu não consegui pedir-lhe desculpa em frente ao grupo. Eu tive vergonha dela, por ela ser tão… tão educada e coquete.
Vicky protestou:
-A Margarett não é assim, David.
-Eu sei. Mas ela estava diferente e eu nem me apercebi que o idiota nisto tudo era eu! Zangamo-nos, Vicky, e garanto-te que foi a pior coisa que já me aconteceu. E então eu deixei de sair à noite, deixei de estar com o meu grupo. E para quê? – Murmurou.
-Eu não entendo onde queres chegar, David. – Respondeu a mulher – Isso não é explicação para o estado em que estás agora.
-É. É sim.
E a conversa ficou por ali. David não disse mais nada, por isso Vicky beijou a testa do irmão e levou o tabuleiro de novo para baixo, sem nada dizer.
-Pede desculpa por mim. – Disse David, antes de ela fechar a porta do quarto.
Vicky assentiu com a cabeça. Desceu as escadas e foi pousar tudo na cozinha. Mrs. Paisen estava no exterior a lavar a roupa no tanque. A grávida encostou-se ao balcão e suspirou. Pensou em tudo que David lhe tinha contado e depois lembrou-se das coisas que a própria mãe lhe tinha dito sobre o filho e foi só somar as coisas. Aí ela entendeu.
David estava apaixonado.
Mrs. Wilson estava a acabar de costurar uma blusa de musseline quando viu a filha de braços cruzados encostada à porta do quarto de costura. Ela olhava a mãe séria e esperou que a progenitora parasse de carregar no pedal para poder falar sem o som da máquina de costura.
Dorianne olhou a filha:
-O que foi, Margarett?
A rapariga desde há algum tempo que tratava a mãe como uma estranha e só lhe falava quando estritamente necessário:
-O William telefonou. Mrs. Finkie convidou-nos para irmos jantar a casa dela amanhã à noite.
Mrs. Wilson levantou-se animadíssima do banco e agarrou as mãos da filha:
-Isso é óptimo, Margarett! As coisas estão a ficar sérias entre ti e o William!
Margarett soltou-se da mãe e voltou-lhe costas para sair do quarto de costura.
-Apenas avise o pai e prepare as vossas melhores roupas.
Mrs. Wilson concordou e voltou ao trabalho, animada.
Margarett caminhou até sair da casa. Sentou-se nas escadas da fachada e observou o anoitecer, com os olhos aquosos. Se alguém perguntasse ela iria responder que isso se devia ao facto de estar a olhar o sol alaranjado de frente, mas não era verdade. Estava assim porque a mãe tinha acabado de dizer que as coisas entre ela e William estavam a ficar sérias e ela era a única que não conseguia aceitar isso. Porque ela não estava pronta para se entregar a William plenamente e porque o seu coração, mais do que nunca, batia por outro, por muito que não conseguisse admitir. Sentia-se quase doente com tudo o que estava a acontecer. Ver Daisy no quarto de David fora a gota de água. Podia gritar de raiva, saltar de um quarto para o outro só para a separar dele.
Mas ela sabia que não podia. Tinha de se controlar e concentrar-se naquilo que tinha mesmo de fazer. Agora que já sabia qual era a sensação de um beijo mais profundo, tinha de ceder passagem a William e ia fazê-lo no jantar da noite seguinte. Só assim seria capaz de definir o que realmente queria.
Levantou-se das escadas e voltou para dentro de casa.
David, no dia seguinte, caminhou lentamente pela cidade, tentando respirar o ar sem tossir. Dirigia-se para o Lili’s Diner como tinha prometido a Daisy.
A meio do caminho, escutou o seu nome e procurou quem o chamara. Ao virar-se de costas, viu Brittany a correr na sua direcção. Não soube se devia rir ou fugir. Esperou que ela o alcançasse para saber o que ela queria.
-David – Saudou, ofegante – Vais para o Lili’s Diner?
-Olá, Britt. Sim, eu vou.
-Posso fazer-te companhia? A Mary e a Kate combinaram encontrar-se comigo lá.
David hesitou e por isso Brittany interveio:
-Não te preocupes… - murmurou ela.
Ele inspirou ar e fez um gesto para que ela o seguisse. Ela parecia mais calma do que na última vez que estivera com ela e isso só podia ser um bom sinal:
-Como estás? – Perguntou ele, atencioso.
-Bem, tenho aproveitado as férias. Mas e tu? Não estás com a tua melhor cara. – reparou ela, contendo-se para não dizer nenhuma asneira que o afastasse.
-Ah… Apanhei uma constipação e ainda não recuperei totalmente.
Brittany riu-se:
-As melhoras.
-Obrigado…
A partir dali os dois falaram muito pouco. Nenhum deles tinha confiança para isso. David não queria dar falsas esperanças à ex-parceira e ela simplesmente não o queria afugentar. Brittany era louca por David, não o podia negar, mas por conselhos das amigas, estava a tentar mostrar-se mais paciente e deste modo tentaria encantá-lo por ela. Perguntou-se se ele já tinha outra, mas não correria o risco de o interrogar.
David cedeu-lhe a passagem. Quando chegaram ao café ela foi a primeira que a sineta da porta anunciou, seguida por ele. David olhou logo à procura de Daisy e para seu enorme desgosto, viu-a inserida no grupo do costume. Ficou pior do que estragado ao ver Margarett e William a tomar um refresco com todos.
Por momentos ficou aborrecido e quis sair dali. Não tinha a mínima vontade de estar com William no mesmo lugar de Mag. Ainda assim, controlou-se e mostrou a postura do costume. Para seu azar, ela foi a primeira que o viu. Ficaram fixados durante alguns segundos até ele virar o rosto na direcção de Brittany. Despediu-se dela com um beijo na face, depois de anunciar que as amigas estavam na mesa à espera dela.
Brittany sorriu de felicidade e foi ter com as amigas que logo cochicharam o beijo de David com ela. Ele voltou a olhar Margarett e ela ainda o olhava. Conseguiu decifrar que o que lhe ia nos pensamentos, e por isso ignorou-a com descaramento e procurou Daisy. Ela só o viu quando teve de levar um batido a uma mesa e se cruzou com ele a caminho.
-David, vieste! – Exclamou, abraçando-o como cumprimento. Depois arrastou-o a reboque para junto dos outros – Como te sentes? – Perguntou, quando chegaram ao pé dos outros. Ele saudou todos em conjunto e evitou o olhar de Margarett.
-Estou melhor. – Respondeu - Não completamente curado, mas melhor.
Daisy passou para o lado de dentro do balcão.
-Estás doente, David? – Questionou Ally, admirada.
Ele assentiu:
-Já estou quase recuperado.
Margarett franziu o sobrolho, incomodada. Sentiu-se mal por não ter sabido disso antes. Tentou convencer-se que era por isso que ele e Daisy estavam tão próximos, mas não conseguiu. As suas atenções colaram-se nele, ignorando o facto de William ter percebido o olhar dela para o rival dele. O rapaz dos Finkie soube que algo se passava, porém, quando observou David, reparou que ele nem a olhava e em vez disso estava a depositar todas as suas atenções em todos os outros, como se Margarett nem sequer ali estivesse.
-Daisy, deves-me um Waffle de chocolate e chantilly! – advertiu David.
A servente abriu a boca, chocada:
-O quê? - Riu-se - Que atrevido, eu não te devo nada!
William reparou no sorriso divertido de Daisy e corou de novo, intimidado por ele. Ficou revoltado por ter sido David a roubar aquele som.
Margarett afastou o olhar do amigo e chupou o refresco pela palhinha. Ao observar em redor, viu Brittany a encarar Daisy e David de uma maneira incrédula e por um lado, compreendeu-a. Voltou a olhá-los também e uma vez mais aquela sensação de doença apoderou-se dela. Procurou algo, uma distracção.
William.
Tentou pensar no que outra rapariga qualquer teria feito se quisesse chamar as atenções do namorado.
Discretamente, começou a dar pequenas marteladas leves nas pernas dele, com as pontas dos dedos. Ele olhou-a inevitavelmente e depois de sorrir deu-lhe um leve beijo nos lábios. Ela sorriu de volta e aproximou-se mais dele:
-Logo à noite…! – Ela travou-se. Não lhe ia dizer os seus planos. Preferia apanhá-lo de surpresa e para fugir à curiosidade dele, beijou-o de novo, com algum medo, deixando palpites dele no ar.
-Logo à noite vamos aturar os nossos pais e depois, sem que se apercebam, escapamos juntos para estarmos sozinhos. - Ela sorriu e assentiu falsamente à palavras de William.
Fitou David e Daisy de soslaio novamente e quando se apercebeu que David ia olhá-la puxou a cara de William e beijou-o de novo. O seu amigo corou violentamente atentou de novo em Daisy, também ela incomodada.
A tarde correu daquele jeito. Margarett e William entre pequenos beijos e olhares de relance para Daisy e David que tentavam ignorar o casal.
Se David se sentia amuado com a situação, Daisy ficava quase num estado depressivo, sem no entanto o demonstrar.
Chegada a hora de cada um retomar a casa, William ofereceu-se para acompanhar Margarett até metade do caminho. Ela dispensou a companhia com cortesia e ele não protestou porque a mãe o queria cedo em casa. Foi, por isso, o primeiro a ir embora.
Margarett olhou David com intensidade e ele tentou ignorar mas não conseguiu. Quando deu por si, os dois iam-se embora juntos e sozinhos pelas estradas desertas. Só conseguiu perguntar-se como tinha caído naquela asneira.
-Pensei que tinhas dito que entre ti e a Daisy não havia nada… - começou a loira.
-Pensei que tinhas dito que ainda não te sentias bem para beijar o William!
Ela corou e empinou o nariz:
-Ele é meu namorado!
Não fora a desculpa perfeita, mas pelo menos servia para omitir que todo o esforço que tinha feito para se libertar um pouco mais com William se devia ao facto de querer distrair-se de David e, simultaneamente, fazer-lhe ciúmes.
-Não entendo qual é o teu problema. Ficaste a tarde toda a derreter-te para cima dele e mesmo assim preocupas-te com a minha relação com a Daisy?
Ela fingiu um riso, cinicamente:
-Ah! Então há uma relação!?
-Somos amigos. – Respondeu ele, frio.
Ela não conteve a sua irritação:
-Vi-a no teu quarto, ontem!
-E então? – Bufou David – Tu também já foste o meu quarto.
Eles entraram no beco deserto e atalho para a rua deles.
-Mas tu mal a conheces! Devias ter mais respeito por ela, não é nenhuma galdéria para a deixares ir ao teu quarto e…!
-Eu estava doente! – Exclamou David em tom de voz alto - Ela veio visitar-me!
-E tu aproveitaste-te da situação para ficar todo íntimo com ela?!
David ficou revoltado com a atitude de Margarett e empurrou-a bruscamente contra a parede retirando-lhe qualquer hipótese de protestar quando tomou os lábios dela naquele mesmo lugar. A parte racional de Margarett quis afastar-se, mas nem por sombras se livrou voluntariamente da boca de David. Pelo contrário, Agarrou-o com todas a suas forças para ele não poder fugir. Ela queria-o mais do que nunca, e aquela raiva contida nas suas veias era como um aperitivo para essa vontade desmedida. David arrastou a boca para o pescoço dela e beijou-o com a mesma luxúria com que lhe domava a boca. Margarett arrepiou-se com isso e parou-o, com um impulso nos ombros para ele se afastar. Olhou em redor e percebeu-se que estava num local demasiado público. Sem dizer mais nada, correu. Tirou os sapatos e descalça tentou chegar a casa o mais rápido possível, deixando David ainda mais irritado do que já estava.
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Sugestões aceitam-se!
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Tenho andado muito desligada da fanfic que nem me apetece escrever ou postar. Ainda assim, hoje vim trazer a actualização e digo já que é neste capitulo que eu perco o fio à meada!
Bem, vou tentar arranjar vontade e tempo para seguir com a fic, mas francamente estou farta dela (curiosamente em todas as historias que escrevo chega a um ponto - tipo 5 ou 6 capítulos antes de ela chegar ao fim - que eu perco o interesse e começo sempre outra historia, por exemplo, antes de terminar a "unidos pelos destino, unidos por todos", comecei "angelical" e antes de acabar "angelical" comecei esta! Vamos lá ver qual será a próxima!
)enfim, novo capitulo, sem titulo, sme frase, sem musica (sim, eu estou mesmo sem inspiração)
' Capitulo 23
David olhava o tecto do quarto, entediado. Meia volta tossia ou espirrava para depois assoar o nariz. O seu rosto estava marcado por profundas olheiras e uma palidez pouco saudável.
É bem feito, estúpido! Acusou revoltado quando voltou a sentir o nariz a pingar.
Não via Margarett desde aquele dia. Na verdade estava doente desde a mesma data. A sua mágoa para com ela fora tão profunda que ele nem sequer voltou mais para casa. Passou a tarde a vaguear por recantos que nem conhecia e à noite ficou perto do rio. Sem noção do que fazia, apenas sabendo que precisava de se distrair e esquecer o sucedido, mergulhou e ficou dentro de água durante horas e quando saiu deixou-se ficar deitado na erva com a roupa encharcada a manter-lhe o corpo gelado. As brisas frescas da noite que se alteraram com pequenos suores quentes foram a receita para a bruta constipação que o tinha deixado de cama a semana toda.
Vicky e a sua mãe eram as únicas que entravam no seu quarto. Quando a mãe abria as persianas ele cerrava os olhos por causa da luz e pedia-lhe que as fechasse novamente. Não queria ouvir o movimento exterior. Não fosse ver ou escutar Margarett.
Nunca se tinha conhecido tão covarde e odiava-se por isso. Tinha passado todos os dias a rebaixar-se em pensamento, a culpar-se pela constipação. Estava zangado.
-David? – Chamou Mrs. Grace Paisen à porta.
Ele tossiu como resposta, recebendo um sorriso maternal logo depois:
-Tens uma visita.
David franziu as sobrancelhas pelo sorriso largo da mãe e não conseguiu fazer boa cara. Imaginou quem seria. Eric, Brittany ou pior, Margarett.
Voltou a tossir e cobriu a cabeça com o lençol:
-Não quero receber ninguém… - Resmungou com uma voz estranha por causa do nariz entupido.
Mrs. Paisen revirou os olhos e puxou a rapariga que esperava à porta, com um sorriso amável.
David ouviu os passos com atenção. Pela leveza e pelo som, era sem dúvida uma miúda. Naquele momento, porém, preferia ver Brittany a Margarett.
-Fiquem à vontade. – Escutou a mãe dizer à visita.
-Obrigada, Mrs. Paisen.
A voz que se fez ouvir fez David franzir as sobrancelhas ao estranhar o timbre da jovem e bruscamente desviou o lençol da cara para ver de quem se tratava:
-Daisy?!
Ela riu-se pelo ar estremunhado dele:
-David, o que te aconteceu?
Ele só conseguiu tossir.
-Tu estás péssimo.
-Desculpa… - ele sentou-se na cama - O que fazes aqui?
Ela deu de ombros e sentou-se na orla da cama, ao lado dele:
-Nunca mais te vi desde a praia. Fiquei com medo que te tivesse assustado!
Ele riu-se:
-Acho que não sou assim tão medroso.
Ela sorriu amavelmente e atreveu-se a passar-lhe a mão no rosto para lhe sentir a temperatura. David corou um pouco ao sentir a suavidade das mãos femininas.
-O que te aconteceu? – Perguntou ela.
-Sou louco. É a resposta que te posso dar sobre todos os problemas da minha vida.
Daisy não concordou e abanou a cabeça, olhando o rapaz doente fixamente:
-Sabes, a mim pareces-me mais como uma criança grande. Ages aparentemente por loucura, mas certamente que tens um propósito para isso.
David encolheu-se ao de leve. No fundo ela até tinha razão.
Reparou como Daisy estava bonita naquela manhã e como o sorriso continuava puro e gentil. Ela era uma pessoa fácil de se gostar apesar da timidez.
-É bom ouvir algo diferente de vez em quando. Obrigado.
Ela sentiu-se feliz quando viu a leve covinha dele a surgir na bochecha:
-Como te sentes?
-Doente.
-Não me refiro a isso, David. – Respondeu – Acho que há algo mais para te deixar tão abatido. Conheço-te há anos suficientes para saber que não é uma doença que te pára. Lembro-me de te ver a correr na rua pior do que um doente terminal e mesmo assim continuares.
David assoou o nariz e riu-se:
-Lamento nunca ter sido tão atento em relação a ti.
-Eu perdoo-te. Não és o primeiro nem o último que não repara em mim.
David sentiu-se mal com aquela resposta:
-Quem disse que as pessoas não reparam em ti? Aliás, deixa-me que te diga, gosto do teu vestido novo. Essa cor realça o teu tom de pele.
Ela corou e sorriu timidamente. Pelo menos ele sabia que o vestido era novo. Era um sinal que ele já reparara na indumentária dela e por conseguinte, tinha notado o que lhe ficava bem.
-Estás muito bonita, Daisy. É bom ver-te assim.
-És sempre assim tão cavalheiro quando estás doente?
-Sou sempre. As raparigas como tu apenas têm medo de ouvir elogios meus.
-Ora, David, não digas isso. Que eu me lembre sempre trataste algumas raparigas com desdém.
-Não tratei nada. Eu nunca fui mau contigo, por exemplo!
Ela calou-se. Era verdade. Antes de começarem a ganhar confiança um com o outro, David nunca a maltratara. Era apenas indiferente. A fama dele é que dizia tudo. Daisy sentiu-se mal por tê-lo julgado sem o conhecer. Via agora a pessoa que David realmente era.
-Já reparaste que fugimos à minha questão? – Indagou ela, surpreendida – Não me contaste o que aconteceu!
David voltou a esconder a cabeça nos lençóis:
-Não aconteceu nada, Sy.
-Sy?
Ela sorriu pela alcunha e depois deu um apertão em David:
-Bolas, tu tens jeito! – Ralhou, referindo-se às distracções que ele arranjava para ela – Mas vá, sê honesto! O que te abateu tanto?
David viu-se obrigado a mentir. Por muita confiança que Daisy lhe transmitisse ele não ia cair no erro de lhe contar do beijo entre ele e Mag. Isso era o assunto dos dois, apenas, e se chegasse aos ouvidos errados ia trazer bastantes problemas:
-Daisy, não aconteceu nada. Eu apenas andava com as vitaminas em baixo e apanhei uma constipação que me valeu para a vida!
Ela torceu o beiço e levantou-se da cama:
-Bem, se não queres contar, não te obrigo! – Desistiu aproximando-se da janela fechada – Devias ter a janela aberta. Estás um dia lindo lá fora, fazia-te bem apanhar ar puro!
David espirrou antes de conseguir impedi-la de abrir a janela. Talvez esse tenha sido o motivo pelo qual arranjou forças para se levantar da cama.
-Não abras, Daisy!
Mas ela já tinha aberto. Teve de rir pela aflição do rapaz e nem se apercebeu que a janela da casa ao lado estava aberta também.
Margarett tinha acabado de entrar no seu quarto no preciso momento em que Daisy abrira a janela e mal os seus olhos a focaram ela deixou cair o seu caderno de esquiços no chão. Todavia o som foi abafado pela gargalhada da latina o que deixou Margarett ainda mais incomodada e confusa. Perguntou-se o que ela estava a fazer no quarto de David e porque se estava a rir. Apercebeu-se do vulto de David a surgir mas antes de o ver voltou costas e saiu do quarto apressada. Não o via há dias, mas depois de ver Daisy no quarto dele a vontade que tinha de o reencontrar desaparecera e dera lugar a um aperto na garganta que não tinha explicação lógica.
-Hey, aquele é o quarto da Margarett? – Questionou a latina, ao aperceber-se do quarto feminino na casa ao lado.
David assentiu e fechou a janela de rompante:
-Era por isso que não queria que a abrisses… Não estou pronto para ver a Margarett.
Daisy estreitou as sobrancelhas:
-“Pronto”?
Ele corou e começou a empurrá-la descaradamente para fora do seu quarto:
-Sabes que mais, acho que está na hora de te ires embora. Os teus pais podem ficar preocupados.
-Estás a expulsar-me?! – Gargalhou ela, travando David – Que injustiça, David!
Ele riu-se também:
-Não te quero apegar a constipação!
-Aqui há gato, David, e tu ainda me vais dizer de que cor é o pêlo dele!
-É por isso que te tenho de expulsar. Queres roubar-me o animal e não posso permitir isso!
Daisy deu um beijo na cara de David, entre risos:
-Amanhã aparece no Lili’s Diner se estiveres melhor! Precisas de um Waffle de chocolate e chantilly para recuperar forças!
-Eu passo lá, prometo! – Respondeu o rapaz dando um beijo de despedida à rapariga.
Ela saiu do quarto com um aceno e um piscar de olho e ele voltou a encontrar-se sozinho no próprio aposento.
Certificou-se que Margarett não estava no quarto e sentou-se de novo na cama. Vicky entrou nesse momento com um prato de canja de galinha sobre um tabuleiro de madeira. Ela sorriu maliciosamente para o irmão e entregou-lhe a comida.
-Então…? – Sorriu a irmã mais velha, sentando-se na cama – Quem é ela?
-É a Daisy – respondeu o rapaz distraidamente.
Vicky desenhou um sorriso enviesado:
-É gira! – Declarou, piscando-lhe o olho.
David corou e apressou-se a desfazer o mal-entendido:
-Wou! Não ganhes ideias, Vicky. É só uma nova amiga!
Vicky riu-se e rebolou na cama com um ar trocista, sempre a amparar o seu ventre com as mãos:
-Só uma nova amiga que te veio visitar?
David atirou a sua almofada à cara da irmã:
-Pára com isso! Ela trabalha no Lili’s Diner, conhecemo-nos desde pequenos mas só agora começamos a dar-nos bem. Aliás, espanta-me que ela tenha vindo cá, ela é muito tímida!
Vicky suspirou e aproximou-se mais de David, olhando-o nos olhos:
-Bem, seja lá o que ela for, pelo menos deixou-te mais animado! Ontem parecia que ias morrer!
David suspirou e não foi capaz de fazer um ar simpático para a irmã. Começou a comer a canja, sisudo, sem dizer nada. Vicky apercebeu-se que tinha tocado na misteriosa ferida de David e viu ali a oportunidade de entender o que se estava a passar na família Paisen.
-David… - Chamou com calma até ele a olhar – O que se passa contigo ultimamente?
-O que queres dizer?
-Sabes, a mãe está preocupada contigo. – Admitiu, tendo logo as atenções de David sobre ela - Ela acha que estás a afastar-te muito de nós, que já não falas tanto com o pai nem partilhas com ela. Quando passaste a noite fora no outro dia, nem sabes como ela ficou abatida. – O rapaz sentiu-se mal com ele próprio mas nada disse – Ela até chorou, David... Acho que o mínimo que podias fazer era contar-me, a mim que sou tua irmã, o que se passa contigo.
David desviou o tabuleiro, pois o seu apetite havia sumido com o que Vicky dissera sobre a mãe. Sentiu-se culpado por tudo isso e finalmente entendeu o porquê da irmã estar de volta à casa onde cresceu. Era pela sua mãe, mas sobretudo pela união da família.
-Eu peço desculpa a todos vocês. – Murmurou ele, olhando a nódoa que acabara de fazer no lençol com a canja – eu não tenho andado… - Não conseguiu encontrar a palavra certa.
-Então conta-me, David. O que te aconteceu? Tu não eras assim. Sabes qual é o nosso lema. “A família acima de tudo”.
-Foi uma fase, Vicky. E ela já terminou.
-Terminou? A mim parece-me que cada vez estás a afundar-te mais.
David suspirou pesadamente e fitou Vicky:
-Queres saber como tudo começou? Eu digo-te. Tudo começou porque eu fiz novos amigos e comecei a fazer idiotices. Sabes o que eu fazia todas as noites antes dos últimos dois meses? – Vicky quis ouvir – Eu fugia pela janela do quarto, quando todos dormiam e ia ter com os meus amigos ao cemitério. – a irmã do jovem empalideceu, mas ele não parou mesmo assim - Lá tocávamos violão, comíamos amendoins ou batatas fritas ou outra porcaria qualquer, bebíamos álcool, estávamos com raparigas e dávamos uns amassos. Nada de mal, eu achava.
-David, isso foi erra…!
-Ainda não terminei, Vicky. – Ela calou-se para David prosseguir – Essas fugas eram liberdade, ou era isso que o Jack nos fazia pensar. Depois eu dormia a manhã toda e à tarde também se fosse preciso. Realmente comecei a falar menos com o pai e a mãe e arrependo-me disso. - Admitiu em tom baixo e arrependido – Mas depois ela voltou…
David calou-se pela mágoa que pensar em Margarett lhe causava, porem Vicky não identificara de quem se tratava:
-Quem? Quem voltou?
-A Margarett. – Murmurou.
Vicky aí entendeu que ela estava ligada a tudo o que se tinha vindo a passar com David.
-Um dia tratei-a mal sem querer. Eu não queria, mas… Eu não consegui pedir-lhe desculpa em frente ao grupo. Eu tive vergonha dela, por ela ser tão… tão educada e coquete.
Vicky protestou:
-A Margarett não é assim, David.
-Eu sei. Mas ela estava diferente e eu nem me apercebi que o idiota nisto tudo era eu! Zangamo-nos, Vicky, e garanto-te que foi a pior coisa que já me aconteceu. E então eu deixei de sair à noite, deixei de estar com o meu grupo. E para quê? – Murmurou.
-Eu não entendo onde queres chegar, David. – Respondeu a mulher – Isso não é explicação para o estado em que estás agora.
-É. É sim.
E a conversa ficou por ali. David não disse mais nada, por isso Vicky beijou a testa do irmão e levou o tabuleiro de novo para baixo, sem nada dizer.
-Pede desculpa por mim. – Disse David, antes de ela fechar a porta do quarto.
Vicky assentiu com a cabeça. Desceu as escadas e foi pousar tudo na cozinha. Mrs. Paisen estava no exterior a lavar a roupa no tanque. A grávida encostou-se ao balcão e suspirou. Pensou em tudo que David lhe tinha contado e depois lembrou-se das coisas que a própria mãe lhe tinha dito sobre o filho e foi só somar as coisas. Aí ela entendeu.
David estava apaixonado.
Mrs. Wilson estava a acabar de costurar uma blusa de musseline quando viu a filha de braços cruzados encostada à porta do quarto de costura. Ela olhava a mãe séria e esperou que a progenitora parasse de carregar no pedal para poder falar sem o som da máquina de costura.
Dorianne olhou a filha:
-O que foi, Margarett?
A rapariga desde há algum tempo que tratava a mãe como uma estranha e só lhe falava quando estritamente necessário:
-O William telefonou. Mrs. Finkie convidou-nos para irmos jantar a casa dela amanhã à noite.
Mrs. Wilson levantou-se animadíssima do banco e agarrou as mãos da filha:
-Isso é óptimo, Margarett! As coisas estão a ficar sérias entre ti e o William!
Margarett soltou-se da mãe e voltou-lhe costas para sair do quarto de costura.
-Apenas avise o pai e prepare as vossas melhores roupas.
Mrs. Wilson concordou e voltou ao trabalho, animada.
Margarett caminhou até sair da casa. Sentou-se nas escadas da fachada e observou o anoitecer, com os olhos aquosos. Se alguém perguntasse ela iria responder que isso se devia ao facto de estar a olhar o sol alaranjado de frente, mas não era verdade. Estava assim porque a mãe tinha acabado de dizer que as coisas entre ela e William estavam a ficar sérias e ela era a única que não conseguia aceitar isso. Porque ela não estava pronta para se entregar a William plenamente e porque o seu coração, mais do que nunca, batia por outro, por muito que não conseguisse admitir. Sentia-se quase doente com tudo o que estava a acontecer. Ver Daisy no quarto de David fora a gota de água. Podia gritar de raiva, saltar de um quarto para o outro só para a separar dele.
Mas ela sabia que não podia. Tinha de se controlar e concentrar-se naquilo que tinha mesmo de fazer. Agora que já sabia qual era a sensação de um beijo mais profundo, tinha de ceder passagem a William e ia fazê-lo no jantar da noite seguinte. Só assim seria capaz de definir o que realmente queria.
Levantou-se das escadas e voltou para dentro de casa.
David, no dia seguinte, caminhou lentamente pela cidade, tentando respirar o ar sem tossir. Dirigia-se para o Lili’s Diner como tinha prometido a Daisy.
A meio do caminho, escutou o seu nome e procurou quem o chamara. Ao virar-se de costas, viu Brittany a correr na sua direcção. Não soube se devia rir ou fugir. Esperou que ela o alcançasse para saber o que ela queria.
-David – Saudou, ofegante – Vais para o Lili’s Diner?
-Olá, Britt. Sim, eu vou.
-Posso fazer-te companhia? A Mary e a Kate combinaram encontrar-se comigo lá.
David hesitou e por isso Brittany interveio:
-Não te preocupes… - murmurou ela.
Ele inspirou ar e fez um gesto para que ela o seguisse. Ela parecia mais calma do que na última vez que estivera com ela e isso só podia ser um bom sinal:
-Como estás? – Perguntou ele, atencioso.
-Bem, tenho aproveitado as férias. Mas e tu? Não estás com a tua melhor cara. – reparou ela, contendo-se para não dizer nenhuma asneira que o afastasse.
-Ah… Apanhei uma constipação e ainda não recuperei totalmente.
Brittany riu-se:
-As melhoras.
-Obrigado…
A partir dali os dois falaram muito pouco. Nenhum deles tinha confiança para isso. David não queria dar falsas esperanças à ex-parceira e ela simplesmente não o queria afugentar. Brittany era louca por David, não o podia negar, mas por conselhos das amigas, estava a tentar mostrar-se mais paciente e deste modo tentaria encantá-lo por ela. Perguntou-se se ele já tinha outra, mas não correria o risco de o interrogar.
David cedeu-lhe a passagem. Quando chegaram ao café ela foi a primeira que a sineta da porta anunciou, seguida por ele. David olhou logo à procura de Daisy e para seu enorme desgosto, viu-a inserida no grupo do costume. Ficou pior do que estragado ao ver Margarett e William a tomar um refresco com todos.
Por momentos ficou aborrecido e quis sair dali. Não tinha a mínima vontade de estar com William no mesmo lugar de Mag. Ainda assim, controlou-se e mostrou a postura do costume. Para seu azar, ela foi a primeira que o viu. Ficaram fixados durante alguns segundos até ele virar o rosto na direcção de Brittany. Despediu-se dela com um beijo na face, depois de anunciar que as amigas estavam na mesa à espera dela.
Brittany sorriu de felicidade e foi ter com as amigas que logo cochicharam o beijo de David com ela. Ele voltou a olhar Margarett e ela ainda o olhava. Conseguiu decifrar que o que lhe ia nos pensamentos, e por isso ignorou-a com descaramento e procurou Daisy. Ela só o viu quando teve de levar um batido a uma mesa e se cruzou com ele a caminho.
-David, vieste! – Exclamou, abraçando-o como cumprimento. Depois arrastou-o a reboque para junto dos outros – Como te sentes? – Perguntou, quando chegaram ao pé dos outros. Ele saudou todos em conjunto e evitou o olhar de Margarett.
-Estou melhor. – Respondeu - Não completamente curado, mas melhor.
Daisy passou para o lado de dentro do balcão.
-Estás doente, David? – Questionou Ally, admirada.
Ele assentiu:
-Já estou quase recuperado.
Margarett franziu o sobrolho, incomodada. Sentiu-se mal por não ter sabido disso antes. Tentou convencer-se que era por isso que ele e Daisy estavam tão próximos, mas não conseguiu. As suas atenções colaram-se nele, ignorando o facto de William ter percebido o olhar dela para o rival dele. O rapaz dos Finkie soube que algo se passava, porém, quando observou David, reparou que ele nem a olhava e em vez disso estava a depositar todas as suas atenções em todos os outros, como se Margarett nem sequer ali estivesse.
-Daisy, deves-me um Waffle de chocolate e chantilly! – advertiu David.
A servente abriu a boca, chocada:
-O quê? - Riu-se - Que atrevido, eu não te devo nada!
William reparou no sorriso divertido de Daisy e corou de novo, intimidado por ele. Ficou revoltado por ter sido David a roubar aquele som.
Margarett afastou o olhar do amigo e chupou o refresco pela palhinha. Ao observar em redor, viu Brittany a encarar Daisy e David de uma maneira incrédula e por um lado, compreendeu-a. Voltou a olhá-los também e uma vez mais aquela sensação de doença apoderou-se dela. Procurou algo, uma distracção.
William.
Tentou pensar no que outra rapariga qualquer teria feito se quisesse chamar as atenções do namorado.
Discretamente, começou a dar pequenas marteladas leves nas pernas dele, com as pontas dos dedos. Ele olhou-a inevitavelmente e depois de sorrir deu-lhe um leve beijo nos lábios. Ela sorriu de volta e aproximou-se mais dele:
-Logo à noite…! – Ela travou-se. Não lhe ia dizer os seus planos. Preferia apanhá-lo de surpresa e para fugir à curiosidade dele, beijou-o de novo, com algum medo, deixando palpites dele no ar.
-Logo à noite vamos aturar os nossos pais e depois, sem que se apercebam, escapamos juntos para estarmos sozinhos. - Ela sorriu e assentiu falsamente à palavras de William.
Fitou David e Daisy de soslaio novamente e quando se apercebeu que David ia olhá-la puxou a cara de William e beijou-o de novo. O seu amigo corou violentamente atentou de novo em Daisy, também ela incomodada.
A tarde correu daquele jeito. Margarett e William entre pequenos beijos e olhares de relance para Daisy e David que tentavam ignorar o casal.
Se David se sentia amuado com a situação, Daisy ficava quase num estado depressivo, sem no entanto o demonstrar.
Chegada a hora de cada um retomar a casa, William ofereceu-se para acompanhar Margarett até metade do caminho. Ela dispensou a companhia com cortesia e ele não protestou porque a mãe o queria cedo em casa. Foi, por isso, o primeiro a ir embora.
Margarett olhou David com intensidade e ele tentou ignorar mas não conseguiu. Quando deu por si, os dois iam-se embora juntos e sozinhos pelas estradas desertas. Só conseguiu perguntar-se como tinha caído naquela asneira.
-Pensei que tinhas dito que entre ti e a Daisy não havia nada… - começou a loira.
-Pensei que tinhas dito que ainda não te sentias bem para beijar o William!
Ela corou e empinou o nariz:
-Ele é meu namorado!
Não fora a desculpa perfeita, mas pelo menos servia para omitir que todo o esforço que tinha feito para se libertar um pouco mais com William se devia ao facto de querer distrair-se de David e, simultaneamente, fazer-lhe ciúmes.
-Não entendo qual é o teu problema. Ficaste a tarde toda a derreter-te para cima dele e mesmo assim preocupas-te com a minha relação com a Daisy?
Ela fingiu um riso, cinicamente:
-Ah! Então há uma relação!?
-Somos amigos. – Respondeu ele, frio.
Ela não conteve a sua irritação:
-Vi-a no teu quarto, ontem!
-E então? – Bufou David – Tu também já foste o meu quarto.
Eles entraram no beco deserto e atalho para a rua deles.
-Mas tu mal a conheces! Devias ter mais respeito por ela, não é nenhuma galdéria para a deixares ir ao teu quarto e…!
-Eu estava doente! – Exclamou David em tom de voz alto - Ela veio visitar-me!
-E tu aproveitaste-te da situação para ficar todo íntimo com ela?!
David ficou revoltado com a atitude de Margarett e empurrou-a bruscamente contra a parede retirando-lhe qualquer hipótese de protestar quando tomou os lábios dela naquele mesmo lugar. A parte racional de Margarett quis afastar-se, mas nem por sombras se livrou voluntariamente da boca de David. Pelo contrário, Agarrou-o com todas a suas forças para ele não poder fugir. Ela queria-o mais do que nunca, e aquela raiva contida nas suas veias era como um aperitivo para essa vontade desmedida. David arrastou a boca para o pescoço dela e beijou-o com a mesma luxúria com que lhe domava a boca. Margarett arrepiou-se com isso e parou-o, com um impulso nos ombros para ele se afastar. Olhou em redor e percebeu-se que estava num local demasiado público. Sem dizer mais nada, correu. Tirou os sapatos e descalça tentou chegar a casa o mais rápido possível, deixando David ainda mais irritado do que já estava.
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Sugestões aceitam-se!
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as minhas fic's:
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
-Angelical
Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
-Angelical
Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^
Olá! Aqui está a leitora número 1 de Peep-Toe & All-Star, pronta a lançar um dos seus chatos, gigantes e entusiásticos comentários (acho que me contrariei aí pelo meio, mas pronto...).
Era quem matasse o David. Poça, eu apanho gripe por causa do baptismo (Deram-me um banho no pescoço, demorei uma hora a chegar a casa para tomar banho e puxei pela voz a tarde toda. Ah e dois dias depois apanhava uma molha porque saia de casa sem guarda-chuva. Resultado: Fiquei com expectoração, tosse e – pior que tudo – sem voz. Yup, não consegui piar por dois dias! Sacrilégio!
) e ele põe-se a nadar nas águas frias e depois a secar as roupas na relva? Louco! É bem-feita que ficasse doente. Devias pô-lo cheio de febre e a sonhar com a Maggie a dar-lhe sopinha à boca. Depois ele acordava e batia com a cabeça na parede, porque não passava tudo de um sonho
E estou a gostar da evolução da relação entre o David e a Daisy. A tua história narra vidas de adolescentes e, nestes casos, é urgente explorares outros prismas com os protagonistas ou então uma pessoa farta-se. Ver o David a falar com a Daisy até é engraçado. Aqueles dois vão ser bons amigos (e uma determinada loira vai ficar a ver navios pelo caminho... ou talvez não.)
Mais beijos daqueles vão acontecer. Não é uma pergunta é uma afirmação. Os dois gostam um do outro e até já admitiram para si próprios. Quando se beijaram, acabaram por soltar pequenos animais selvagens das suas jaulas. Acredito que, em mais cenas destas, eles percam o controlo e dêem por si a beijarem-se a torto e direito. Seria engraçado uma cena destas no Lill’s Dinner. Estão todos a beber batidos. O David vai à casa de banho. A Maggie vai, discretamente, atrás dele. Discutem. Perdem o controlo. E o Will-tonhó(ou Will-cornó) bate à porta, perguntando se a Maggie ainda se demora 
Mas a minha sugestão é mesmo esta. A vida da Maggie e do David não se resolve ao romance entre os dois (e, no caso da Maggie, ao Will). Podias colocar certos obstáculos que ninguém está a contar. Britt e Jack são óbvios. Para eles terem algo na trama, tem que ser mesmo inesperado, do tipo, nem sabes o que eles estão a pensar porque não mostras o seu ponto de vista. Aquilo acontece porque é a altura certa para um plano imprevisível. Mas acidentes acontecem. Algo mesmo inesperado e, imagina, a Daisy é a única que está lá caso seja o David. Ou o Eric, no caso da Maggie. Podias explorar outras vertentes, explorar as tuas personagens secundárias. As vantagens são tu poderes sair um pouco do caminho da fic (e, consequentemente, ganhar mais vontade e inspiração para escrever) e poderes amadurecer as tuas personagens progressivamente de modo a que um leitor possa chegar a um capítulo e algo inesperado entre os dois acontecer (e não, não é necessariamente um beijo ou uma declaração de amor. Há muito por onde escolher…) e ninguém estar a contar com isso. Ou então estar a contar, mas ficar a roer as unhas de tanto nervosismo que a história possa causar. Confusa? Espero que não.
Aliás… proponho-te um desafio. Um capítulo sem Maggie e o David na mesma divisão. O capítulo que seja apenas acerca do David ou apenas acerca da Maggie. O outro é apenas mencionado em pensamentos e/ou conversas. E esse capítulo tem que ser um pouco da Aventura que categorizaste a história. Pode também ter humor, mas isso já é opcional. Aceitas o desafio? Podia até complicar-te mais, mas penso que isto já é difícil que chegue, considerando que já nem pegas na fic há muito tempo. Ah, o capítulo pode ser quando quiseres (até nunca, como é obvio
).
Para complementar (ou até mesmo dar-te inspiração), vou colocar aqui uma listinha de músicas que acho que até podem ter algo a ver com a história. Só mesmo porque sou uma metediça e gosto de me meter no trabalho dos outros
:
Athlete - Rubik's cube - https://www.youtube.com/watch?v=j0purOJqui4
Lifehouse - You and Me - https://www.youtube.com/watch?v=jF329avkP2c
Não ligues muito a esta, que és capaz de nem gostar. Estava a ouvi-la nos CDS do meu pai (ya, eu gosto de Rock Clássico) e deparei-me com esta. E vi que era dos anos 50, como a tua história. É bem fácil imaginar esta música como pano de fundo, não? x)
The Platters - Only you - https://www.youtube.com/watch?v=KIBpZz0fk_g&feature=related
E com isto termino o meu comentário, não tão entusiástico assim como devia ser, mas é o que se tem
Oxalá haja novo capítulo antes do Natal, se faz favor, porque aí é que não conseguirei comentar com tanta coisa para fazer.
Era quem matasse o David. Poça, eu apanho gripe por causa do baptismo (Deram-me um banho no pescoço, demorei uma hora a chegar a casa para tomar banho e puxei pela voz a tarde toda. Ah e dois dias depois apanhava uma molha porque saia de casa sem guarda-chuva. Resultado: Fiquei com expectoração, tosse e – pior que tudo – sem voz. Yup, não consegui piar por dois dias! Sacrilégio!
) e ele põe-se a nadar nas águas frias e depois a secar as roupas na relva? Louco! É bem-feita que ficasse doente. Devias pô-lo cheio de febre e a sonhar com a Maggie a dar-lhe sopinha à boca. Depois ele acordava e batia com a cabeça na parede, porque não passava tudo de um sonho
E estou a gostar da evolução da relação entre o David e a Daisy. A tua história narra vidas de adolescentes e, nestes casos, é urgente explorares outros prismas com os protagonistas ou então uma pessoa farta-se. Ver o David a falar com a Daisy até é engraçado. Aqueles dois vão ser bons amigos (e uma determinada loira vai ficar a ver navios pelo caminho... ou talvez não.)
Mais beijos daqueles vão acontecer. Não é uma pergunta é uma afirmação. Os dois gostam um do outro e até já admitiram para si próprios. Quando se beijaram, acabaram por soltar pequenos animais selvagens das suas jaulas. Acredito que, em mais cenas destas, eles percam o controlo e dêem por si a beijarem-se a torto e direito. Seria engraçado uma cena destas no Lill’s Dinner. Estão todos a beber batidos. O David vai à casa de banho. A Maggie vai, discretamente, atrás dele. Discutem. Perdem o controlo. E o Will-tonhó

Mas a minha sugestão é mesmo esta. A vida da Maggie e do David não se resolve ao romance entre os dois (e, no caso da Maggie, ao Will). Podias colocar certos obstáculos que ninguém está a contar. Britt e Jack são óbvios. Para eles terem algo na trama, tem que ser mesmo inesperado, do tipo, nem sabes o que eles estão a pensar porque não mostras o seu ponto de vista. Aquilo acontece porque é a altura certa para um plano imprevisível. Mas acidentes acontecem. Algo mesmo inesperado e, imagina, a Daisy é a única que está lá caso seja o David. Ou o Eric, no caso da Maggie. Podias explorar outras vertentes, explorar as tuas personagens secundárias. As vantagens são tu poderes sair um pouco do caminho da fic (e, consequentemente, ganhar mais vontade e inspiração para escrever) e poderes amadurecer as tuas personagens progressivamente de modo a que um leitor possa chegar a um capítulo e algo inesperado entre os dois acontecer (e não, não é necessariamente um beijo ou uma declaração de amor. Há muito por onde escolher…) e ninguém estar a contar com isso. Ou então estar a contar, mas ficar a roer as unhas de tanto nervosismo que a história possa causar. Confusa? Espero que não.
Aliás… proponho-te um desafio. Um capítulo sem Maggie e o David na mesma divisão. O capítulo que seja apenas acerca do David ou apenas acerca da Maggie. O outro é apenas mencionado em pensamentos e/ou conversas. E esse capítulo tem que ser um pouco da Aventura que categorizaste a história. Pode também ter humor, mas isso já é opcional. Aceitas o desafio? Podia até complicar-te mais, mas penso que isto já é difícil que chegue, considerando que já nem pegas na fic há muito tempo. Ah, o capítulo pode ser quando quiseres (até nunca, como é obvio
). Para complementar (ou até mesmo dar-te inspiração), vou colocar aqui uma listinha de músicas que acho que até podem ter algo a ver com a história. Só mesmo porque sou uma metediça e gosto de me meter no trabalho dos outros
:Athlete - Rubik's cube - https://www.youtube.com/watch?v=j0purOJqui4
Lifehouse - You and Me - https://www.youtube.com/watch?v=jF329avkP2c
Não ligues muito a esta, que és capaz de nem gostar. Estava a ouvi-la nos CDS do meu pai (ya, eu gosto de Rock Clássico) e deparei-me com esta. E vi que era dos anos 50, como a tua história. É bem fácil imaginar esta música como pano de fundo, não? x)
The Platters - Only you - https://www.youtube.com/watch?v=KIBpZz0fk_g&feature=related
E com isto termino o meu comentário, não tão entusiástico assim como devia ser, mas é o que se tem

Oxalá haja novo capítulo antes do Natal, se faz favor, porque aí é que não conseguirei comentar com tanta coisa para fazer.
Espero por ti em cada segundo , porque tu és o meu mundo!

Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
Visitem a minha 1ª Fic ----->The Four elements

Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
Visitem a minha 1ª Fic ----->The Four elements
jeeezzz.... Tanto pó! Coff, coff! >.< Sorry, não tenho mesmo andado com vontade nem tempo para escrever nesta fic!
' Mas, eis que ontem à noite pego nela e... Tcharan, tenho dois capitulos já escritos e não me lembrava (Mata-te Catarina!
), ou seja eu ja podia ter postado há bastante tempo, mas não sabia que já tinha aqueles capitulos adiantados! Lolada! 
Por isso é que a minha incrivel pessoa veio cá postar um capitulozito para acabar o ano em beleza e o proximo só vem no proximo ano!
Agora, respondendo à Ana <3
Oh pá, sei lá!... Tipo, o teu conselho foi uma coisa em que eu já pensei muitas vezes. Escrever algo que não tivesse nada a ver com o David e com a Mag e ver a perspectiva do Jack e da Brittany, mas como a falta de tempo é tanta, e eu já tenho há muito tempo planeada o fim da fic, penso que não vou conseguir enquandrar agora esse tal capitulo.
Ainda assim obrigada pelo conselho, e não o vou descartar, porque nunca se sabe a minha inspiração amanhã! Ah, outra coisa, obrigada pelas musicas! 
Enfim, agora, novo capitulo!
Margarett encarou a mãe e o pai e os dois sorriram, excepto ela.
-Acho que não devia… - Murmurou.
Mr. Adolfe colocou as mãos nos ombros da filha:
-estás linda!
Eu sei. Concordou ela em pensamento, amuada.
A sua mãe revirou os olhos e ajudou-a a colocar o pendente que William lhe tinha oferecido no baile e resmungou com a insegurança da rapariga:
-É o mínimo que podes fazer depois de eu ser obrigada a devolver o dinheiro do vestido. Foi um luxo para ti, minha menina!
Margarett baixou o olhar. Toda aquela tarde tinha sido chocante para ela. Primeiro viu Daisy e David próximos, depois deixou-se beijar de novo por David e, como se não bastasse, quando chegou a casa foi surpreendida pela visita de Loretta Wells e a filha Brittany. No inicio pensou que quisessem outro vestido, mas não. Era exactamente o contrário. Vinham devolver o vestido de Margarett. O vestido que lhe tinha sido “roubado” e que lhe causara tanto transtorno no dia do baile. Por um lado, Margarett não o queria aceitar, mas por outro era o mínimo, visto que o pano do traje tinha sido um presente caro para ela.
-Não terei mais oportunidades para o vestir mesmo… - Comentou Brittany. Antes, porém, tinha falado com a rapariga sobre a sua súbita decisão de devolver o vestido. Ele não era dela e só lhe tinha trazido azar, então preferiu devolvê-lo se as costureiras estivessem dispostas a recebê-lo de volta. Mas Margarett soube que ela o fizera por David. Dorianne obviamente foi contra, mas a filha, depois do estaticismo, aceitou a devolução. Aquele vestido pertencia-lhe.
Aproveitando o facto, Mrs. Wilson obrigou a filha a usar o vestido no jantar daquela noite, pois pelo menos assim compensava pelo prejuízo.
Margarett vestiu-o. Calçou os sapatos perfeitos para a indumentária e colocou os acessórios mais indicados. No entanto, quando se viu ao espelho não quis usar aquilo.
Desceu as escadas e comentou com os pais, mas nenhum dos dois percebeu o seu motivo.
Na realidade, ela não queria usar aquele vestido por um motivo emocional. O tecido que trajava fora escolhido e oferecido por David, por isso era um pedaço dele que levava para um encontro com William. Isso não lhe pareceu certo pois o que menos queria era recordar a traição que tinha feito naquela tarde, não só física como psicológica. Afinal de contas ela tinha querido beijar o melhor amigo.
Não podia desabafar isso com os pais. Eles deserdavam-na no preciso momento.
Por esse motivo ela arranjou forças para não despir aquela roupa.
Ajudou o pai a atar a gravata e ajustou a blusa da progenitora a pedido da mesma. Ao final de contas, estavam todos elegantes e pareciam ter saído de um casino. Estavam, portanto, nas melhores condições para jantar na casa dos Finkie.
Mrs. Adolfe Wilson conduziu até à casa do banqueiro. Toda ela iluminava a rua pela luz imensa que rompia pelas janelas e era, sem sombra de dúvidas, a mais requintada.
Mrs. Wilson foi a primeira a sair do carro excitadíssima, seguida pelo marido. Margarett ficou alguns segundos dentro do automóvel a pensar no que ia fazer e só quando o pai bateu na janela do vidro é que ela teve coragem de sair do veículo.
Os três seguiram até à porta de madeira esculpida e tocaram à campainha moderna. Depressa um homem de terno surgiu e conduziu-os até aos Finkie. Depois de o mordomo sair as formalidades quase desapareceram. Os homens apertaram as mãos e as mulheres mais velhas abraçaram-se e comentaram os trajes uma da outra, com uma hipocrisia que só as fêmeas conseguiam alcançar.
Margarett observou a cena e foi ter com William assim que o seu pai deixou de o olhar com aquele ar paternal intimidante. Ele deu-lhe as mãos e ela nem teve tempo de ter vergonha porque ele depressa a puxou e lhe deu um leve beijo na boca de cumprimento e a arrastou com ele para a sala de estar, sem sequer a deixar cumprimentar os pais dele.
Margarett sentiu-se ainda mais culpada quando isso sucedeu. Afinal estava a ser mal-educada com os pais do namorado que traíra naquela mesma tarde. O primeiro beijo com David ela não considerava tão traiçoeiro como o segundo, porque no fundo, o primeiro tinha sido um apoio do amigo. Mas o segundo fora grave porque ela o desejou com todas as suas forças e crucificava-se por isso.
-Margarett, nunca te vi tão linda como esta noite.
Ela corou e tentou sorrir e esquecer toda a história em redor daquele maldito vestido. Alisou as mãos no smoking do namorado, admirando a classe do pano e sorriu-lhe amavelmente:
-Tu também estás muito elegante, Will.
Ele acariciou-lhe a maçã do rosto e depositou-lhe um beijo leve nos lábios. Ela quis puxa-lo com força e envolve-lo naquele preciso momento num beijo mais intenso para acabar com aquela complexidade no seu interior, mas não o fez por falta de coragem.
Só conseguiu escutar um “Errr” e depois o rosto de William adquiriu uma cor mais rosada que a fez corar também e olhar para os pais de ambos com algum receio.
-São jovens! – Defendeu Dorianne, rindo com Kelly Finkie.
Margarett cerrou os dentes. Só quis chamar a mãe de mentirosa. Sabia bem como ela era e só fora simpática por se tratar de William.
A parte boa daquilo foi que os pais fingiram ignorar o momento e guiaram-se para a sala de jantar, comentando o estado da bolsa e as finanças do país em geral.
William entrelaçou os dedos com os de Margarett e levou-a para a sala de jantar luxuosa. Sentaram-se todos estrategicamente para conseguirem conversar com quem lhes convinha e depois duas empregadas vestidas de uniformes iguais vieram servir o cabrito assado caseiro.
Com os copos de vinho tinto a esvaziarem rapidamente a conversa ficou animada e já ninguém tinha papas na língua para dizer fosse o que fosse.
Depois chegou a sobremesa. Todos riam e falavam alto, inclusive o mordomo pôs uma música animada a tocar no gira-discos para criar ambiente.
Margarett fingiu. Fingiu tudo o que podia fingir numa noite. O seu interior berrava e chorava com vontade de acabar com toda aquela farsa e sair daquela casa. Pensou algo que nunca imaginou pensar. Voltar a França. Mas desta vez, sem a mãe nem o pai. Voltaria para desanuviar a cabeça cheia e relaxar numa esplanada francesa a comer um crepe ou a tomar um café enquanto escutava o acordeão tocado na praça. Matava saudades de Adeline e Oliver e dava longos passeios refrescantes. Seria esplêndido. Em França, apesar de tudo, não se sentia tão mal consigo mesma. Era diferente. Não tinha o peso do namoro, nem a complicada amizade com David, que sem dúvida era a coisa mais turbulenta que encontrara na cidade Natal.
Olhou a mãe. Nunca a vira tão extrovertida, mas isso era influência do álcool que Mrs. Kelly Finkie partilhava com ela. O pai era sempre mais calmo, mesmo quando animado porque apesar de tudo era difícil superar o histerismo da esposa. Mr. Finkie entregara um charuto gordo ao outro homem e com as suas tonturas, lá conseguiu acendê-lo com o isqueiro reluzente. Ela e William ainda eram os mais lúcidos.
-William…! – Murmurou ela ao ouvido dele, tentando parecer o mais atraente possível.
Ele levantou-se da cadeira sem esperar uma única palavra e arrastou-a consigo para fora do compartimento. Ele também estava animado.
Puxou-a pelas escadarias com pressa, parando somente no topo para beijar a amada. Ela pensou avançar aí, mas não queria ser apanhada no corredor por alguém:
-William… Um lugar privado…!
O rapaz beijou-a risonho e depois puxou-a. Ela apenas viu as portas requintadas a passar por si, até entrar num quarto que era o dobro do dela, com móveis em madeira esculpida e cores sóbrias.
-Acho que os nossos pais não vão dar pela nossa falta tão cedo! – Troçou William, agarrando-lhe a cintura com mais firmeza do que era habitual.
Ela teve de o fixar com os olhos antes de tomar coragem. Sentiu novamente aquele pânico por beijá-lo, ainda mais intensificado do que era costume. Respirou fundo e segurou a cara de William. Logo nessa acção apercebeu-se que a intensidade com que o fazia não era a mesma com que agarrara David.
Abanou a cabeça para esquecer esse pensamento e fechou os olhos. Puxou William para mais perto dela e ele prendeu-a sem limites. Ela esperou que William aproximasse as bocas e quando ele o fez, surpreendeu-o ao mudar o nível do beijo.
Se William fosse uma bomba, aquele sem dúvida seria o fim do rastilho, pois a explosão dentro dele foi tal que ele podia deitar a casa abaixo com as suas próprias mãos.
Quis apoderar-se de Margarett de todas as formas que lhe fossem permitidas no momento e aproveitou o aparente entusiasmo dela para derrubá-la na sua cama e percorrer as suas mãos por ela abaixo.
Ela travou-o bruscamente por isso:
-Desculpa. – Murmurou ele, voltando a entrelaçar as bocas e as línguas dos dois.
Ela franziu o sobrolho com esforço. Sentiu-se como uma árvore a murchar. Quis chorar.
Porquê?
Porque apercebeu-se ali e naquele acto que ela realmente não queria os beijos de William. Por mais delicado que ele fosse, por mais compreensivo, por mais sedutor, bonito, rico e simpático que fosse, ela não o queria. A angústia dentro de si aumentou quando o comparou a David. O toque deles era igual e ao mesmo tempo tão diferente. Desejou ter David por cima dela em vez de William. Desejou correr para encontrá-lo e fugir com ele para longe de tudo e todos, pedir-lhe de volta a maneira de viver que ele lhe mostrara na infância, mas que ela tinha perdido na sua ausência. O que faltava a William era sobretudo a intensidade com que David lhe mostrava o mundo, a paixão com que ele a fazia arriscar e cometer as loucuras mais insanas e ainda assim deleitantes. A coisa mais próxima que William tinha de David era o facto de ser bom amigo, no entanto, no que dizia respeito a acções eram opostos. Enquanto William acariciava a face, David beijava sem medições; enquanto William calculava os seus passos, David agia sem pensar. Talvez até se tornasse mais bruto por isso, mas isso não incomodava Margarett. Pelo contrário, fazia-lhe falta para completar a sua própria personalidade que se caracterizava pela racionalidade e receio.
Sentiu uma aflição enorme por querer parar aquele beijo um nó na garganta. Teve até medo que lhe desse um vomito nervoso. O seu estômago até roncou de medo por ela e os dedos tremeram juntos aos ombros de William.
Ela fez pressão sobre eles o mais rápido que conseguiu e desviou a cara para o lado, fazendo com que os lábios de William lhe caíssem sobre o pescoço:
-Will… - ofegou – Eu… Eu…!
Ele parou e observou-a, apercebido do tremor do corpo dela.
-Eu não consigo…!
Ele ficou por um momento sem saber o que dizer e levantou as mãos em redenção:
-Desculpa.
-Desculpa eu! – Lamentou ela honestamente e levantou-se da cama, ajeitando-se – Eu realmente nunca me senti tão confusa como neste momento.
William corou:
-Eu não te vou obrigar a fazer nada que te incomode.
Ela quase chorou nesse momento:
-Eu sei!
-Então qual é o teu problema?
-Eu não posso, William…
O filho do banqueiro não compreendeu aquela mudança súbita de atitude. Manteve-se calado, sem imaginação para dizer fosse o que fosse e apenas observou a namorada. Era suficientemente esperto para notar como Margarett estava abalada. Ela voltou-lhe costas e tapou o rosto com respiração ofegante. Esfregou as têmporas e suspirou colocando as mãos cintura enquanto reflectia no que tinha feito, no que ia dizer a William, e sobretudo no que sentia.
-Will… - Começou, mas não teve coragem para acabar ou sequer olhá-lo.
-Foi demasiado rápido…?
-Não… - respondeu ela e pensou que até tinha sido lento demais.
Talvez se William não tivesse esperado tanto ela estivesse já tão entranhada nele que nem houvesse tempo de olhar ou pensar noutro.
-então o que foi? Porque estás tão abalada?
-Eu só… preciso de pensar.
Ela não disse mais nada e ainda sem lhe dirigir a visão preparou-se para sair do quarto, submersa em remorsos, mas ele interrompeu-a, segurando-lhe o braço com força. Pela primeira vez Margarett sentiu uma energia diferente vinda dele. Não viu aquela compreensão comum e em vez disso notou que William estava mais determinado.
-Tu não precisas de pensar.
Ela não entendeu o porquê de William ter dito aquilo e logo depois voltar a beijá-la sem os limites. Na verdade ele foi ainda mais intenso, retirando-lhe toda e qualquer hipótese de pará-lo. Voltou a sentir aquele nó na garganta e a aflição dentro de si por causa de ânsia de acabar com aquilo, mas foi em vão. William só a largou quando quis.
Olhou-a nos olhos banhados de desespero e mostrou a sua faceta mais séria:
-Eu e tu vamos sair da cidade. Vamos para longe de tudo e todos, vamos passar o dia a sós. Vamos agir como o casal que somos e exijo que durante esse dia te centres apenas em mim. Não quero que penses em ninguém para além de nós os dois. Não quero que penses nos teus pais, nem no teu trabalho, nem sequer na Ally e na Janice, nem na Daisy… muito menos no David.
Margarett roborizou e nada disse. O seu lado medroso avisou-a que William já tinha percebido o que se passava mas a verdade não era total.
Ela abanou a cabeça em confirmação e sem um único sorriso saiu do quarto para voltar à luxuosa sala de jantar.
Os pais do casal já dançavam ao som da grafonola de Mr.Finkie e Mr. Adolfe Wilson era quem conseguia aparentar um melhor estado de sobriedade.
Ao ver a sua menina à entrada da sala de braços cruzados e com o olhar perdido soube que algo a martirizava. Desconfiou que o culpado fosse William e por isso deduziu que era hora de regressarem a casa. Começou por avisar a esposa nunca antes tão alegre e depois de uns abanões bem dados ela lá aceitou e tentou guiar-se sem ajuda para junto da filha. Mr. Wilson avisou os anfitriões que se mostraram insatisfeitos, de um modo pouco sóbrio, por a noite terminar ali, mas aceitaram. O pai de Margarett começou por despedir-se da dona de casa, agradecendo o jantar, que mesmo não tendo sido confeccionado por ela merecia ser elogiado. Depois despediu-se do banqueiro e por fim de William que reaparecera pouco depois de Margarett.
Mrs. Dorianne deu um abraço apertado em Kelly Finkie e outro ainda mais apertado no “futuro genro” que logo a alertou do passeio de Margarett e dele no dia seguinte. Ela aceitou de bom grado e felicidade e depois tentou ser menos histérica com o marido da anfitriã. Por fim Margarett despediu-se rapidamente de cada um.
William olhou-a com confidência e ela fechou o cenho.
Continuou calada a partir daí, mesmo durante toda a viagem de regresso a casa.
Quando chegou ao seu lar limitou-se a dizer “Boa noite” aos pais para se trancar no quarto.
-O que é que eu hei-de fazer? – Murmurou encarando o vazio.
Nesse momento dirigiu-se à janela e abriu-a. Reparou que no quarto de David não havia luz e a cortina era a única coisa que impedia o contacto com exterior já que a janela estava entreaberta. Ela estranhou, pois se David estava doente, não era bom deixar que a brisa da noite o arrefecesse. Esperançou que talvez ele ainda estivesse acordado e chamou-o:
-David?
Esperou por resposta.
-David?
Calou-se de novo mas ninguém respondeu.
Concluiu que o rapaz estava a dormir, todavia estava errada. David ficara acordado até àquela hora. Depois de saber que ela ia jantar a casa dos Finkie não conseguiu descansar e andou de um lado para o outro durante horas à espera de ver luz no quarto do lado. Quando ouviu a voz de Margarett encostou-se à parede ao lado da janela e tentou escutar algo pertinente sem se mostrar.
-David, estás acordado?
Ele cerrou os olhos e suspirou. Não ia ceder ao capricho de Margarett e aparecer apenas quando ela o quisesse ver, mesmo que a vontade fosse recíproca.
Deixou-se estar sem nada proclamar. Era melhor para ambos se começassem a controlar o contacto, de modo a evitarem dramas e mal entendidos amorosos. O que David menos queria era ser acusado de ter roubado a namorada de alguém sem justa causa. Adorava Margarett, concordou, mas queria-a só para ele e não estava disposto a ser “o outro”.
Com os lábios a tremerem, a rapariga tentou chamar por David de novo, só que ele não apareceu. Chamou mais uma e outra vez e quando perdeu a esperança que ele a ouvisse, todas as emoções reprimidas naquele jantar foram expulsas nas suas lágrimas grossas e abundantes. Margarett chorou, primeiro em silêncio e depois começou a levantar o pranto agarrada à almofada.
David sobressaltou-se ao escutar aqueles gemidos e espreitou pela frincha da cortina. Viu a doce amiga de costas, com aquele que parecia ser o “tal” vestido. Não conseguiu deixar de pensar como ela estava bela, mas depois concentrou-se no choro dela. Pensou em chama-la para saber o que se passava e acalma-la, mas não o fez e em vez disso voltou a encostar-se à parede:
Lamento Margarett… Mas é para teu bem…, pensou, com culpa.
Cerrou os olhos com um peso na alma e tentou ultrapassa-lo enquanto escutava o derrame de fios de água de Margarett. Deu por si com um aperto tão grande no peito que até criou um rio salgado no rosto vindo directamente da sua alma. Apressou-se a limpar aquela lágrima teimosa e perguntou-se o porquê dela. Afinal de contas, “os homens não choravam”.
Cambaleou até ao leito da sua cama e deixou-se cair no colchão mole para abafar o rosto no travesseiro. Voltou a escutar aqueles gemidos chorosos e mordeu o lábio de olhos fechados.
Naquele momento o sentimento dos dois vizinhos era o mesmo.
Estavam ambos sem forças para entender o que ia nas suas cabeças e principalmente nos seus corações.
E pronto é isto!
bom ano novo!
' Mas, eis que ontem à noite pego nela e... Tcharan, tenho dois capitulos já escritos e não me lembrava (Mata-te Catarina!
), ou seja eu ja podia ter postado há bastante tempo, mas não sabia que já tinha aqueles capitulos adiantados! Lolada! 
Por isso é que a minha incrivel pessoa veio cá postar um capitulozito para acabar o ano em beleza e o proximo só vem no proximo ano!
Agora, respondendo à Ana <3
Oh pá, sei lá!... Tipo, o teu conselho foi uma coisa em que eu já pensei muitas vezes. Escrever algo que não tivesse nada a ver com o David e com a Mag e ver a perspectiva do Jack e da Brittany, mas como a falta de tempo é tanta, e eu já tenho há muito tempo planeada o fim da fic, penso que não vou conseguir enquandrar agora esse tal capitulo.
Ainda assim obrigada pelo conselho, e não o vou descartar, porque nunca se sabe a minha inspiração amanhã! Ah, outra coisa, obrigada pelas musicas! 
Enfim, agora, novo capitulo!
Capitulo 24 - Remorsos
"Nada é tão flexível como a língua da mulher, nada é tão pérfido como os seus remorsos, nada é mais terrível do que a sua maldade, e nada é mais sensível do que as suas lágrimas."
Plutarco
Plutarco
Margarett encarou a mãe e o pai e os dois sorriram, excepto ela.
-Acho que não devia… - Murmurou.
Mr. Adolfe colocou as mãos nos ombros da filha:
-estás linda!
Eu sei. Concordou ela em pensamento, amuada.
A sua mãe revirou os olhos e ajudou-a a colocar o pendente que William lhe tinha oferecido no baile e resmungou com a insegurança da rapariga:
-É o mínimo que podes fazer depois de eu ser obrigada a devolver o dinheiro do vestido. Foi um luxo para ti, minha menina!
Margarett baixou o olhar. Toda aquela tarde tinha sido chocante para ela. Primeiro viu Daisy e David próximos, depois deixou-se beijar de novo por David e, como se não bastasse, quando chegou a casa foi surpreendida pela visita de Loretta Wells e a filha Brittany. No inicio pensou que quisessem outro vestido, mas não. Era exactamente o contrário. Vinham devolver o vestido de Margarett. O vestido que lhe tinha sido “roubado” e que lhe causara tanto transtorno no dia do baile. Por um lado, Margarett não o queria aceitar, mas por outro era o mínimo, visto que o pano do traje tinha sido um presente caro para ela.
-Não terei mais oportunidades para o vestir mesmo… - Comentou Brittany. Antes, porém, tinha falado com a rapariga sobre a sua súbita decisão de devolver o vestido. Ele não era dela e só lhe tinha trazido azar, então preferiu devolvê-lo se as costureiras estivessem dispostas a recebê-lo de volta. Mas Margarett soube que ela o fizera por David. Dorianne obviamente foi contra, mas a filha, depois do estaticismo, aceitou a devolução. Aquele vestido pertencia-lhe.
Aproveitando o facto, Mrs. Wilson obrigou a filha a usar o vestido no jantar daquela noite, pois pelo menos assim compensava pelo prejuízo.
Margarett vestiu-o. Calçou os sapatos perfeitos para a indumentária e colocou os acessórios mais indicados. No entanto, quando se viu ao espelho não quis usar aquilo.
Desceu as escadas e comentou com os pais, mas nenhum dos dois percebeu o seu motivo.
Na realidade, ela não queria usar aquele vestido por um motivo emocional. O tecido que trajava fora escolhido e oferecido por David, por isso era um pedaço dele que levava para um encontro com William. Isso não lhe pareceu certo pois o que menos queria era recordar a traição que tinha feito naquela tarde, não só física como psicológica. Afinal de contas ela tinha querido beijar o melhor amigo.
Não podia desabafar isso com os pais. Eles deserdavam-na no preciso momento.
Por esse motivo ela arranjou forças para não despir aquela roupa.
Ajudou o pai a atar a gravata e ajustou a blusa da progenitora a pedido da mesma. Ao final de contas, estavam todos elegantes e pareciam ter saído de um casino. Estavam, portanto, nas melhores condições para jantar na casa dos Finkie.
Mrs. Adolfe Wilson conduziu até à casa do banqueiro. Toda ela iluminava a rua pela luz imensa que rompia pelas janelas e era, sem sombra de dúvidas, a mais requintada.
Mrs. Wilson foi a primeira a sair do carro excitadíssima, seguida pelo marido. Margarett ficou alguns segundos dentro do automóvel a pensar no que ia fazer e só quando o pai bateu na janela do vidro é que ela teve coragem de sair do veículo.
Os três seguiram até à porta de madeira esculpida e tocaram à campainha moderna. Depressa um homem de terno surgiu e conduziu-os até aos Finkie. Depois de o mordomo sair as formalidades quase desapareceram. Os homens apertaram as mãos e as mulheres mais velhas abraçaram-se e comentaram os trajes uma da outra, com uma hipocrisia que só as fêmeas conseguiam alcançar.
Margarett observou a cena e foi ter com William assim que o seu pai deixou de o olhar com aquele ar paternal intimidante. Ele deu-lhe as mãos e ela nem teve tempo de ter vergonha porque ele depressa a puxou e lhe deu um leve beijo na boca de cumprimento e a arrastou com ele para a sala de estar, sem sequer a deixar cumprimentar os pais dele.
Margarett sentiu-se ainda mais culpada quando isso sucedeu. Afinal estava a ser mal-educada com os pais do namorado que traíra naquela mesma tarde. O primeiro beijo com David ela não considerava tão traiçoeiro como o segundo, porque no fundo, o primeiro tinha sido um apoio do amigo. Mas o segundo fora grave porque ela o desejou com todas as suas forças e crucificava-se por isso.
-Margarett, nunca te vi tão linda como esta noite.
Ela corou e tentou sorrir e esquecer toda a história em redor daquele maldito vestido. Alisou as mãos no smoking do namorado, admirando a classe do pano e sorriu-lhe amavelmente:
-Tu também estás muito elegante, Will.
Ele acariciou-lhe a maçã do rosto e depositou-lhe um beijo leve nos lábios. Ela quis puxa-lo com força e envolve-lo naquele preciso momento num beijo mais intenso para acabar com aquela complexidade no seu interior, mas não o fez por falta de coragem.
Só conseguiu escutar um “Errr” e depois o rosto de William adquiriu uma cor mais rosada que a fez corar também e olhar para os pais de ambos com algum receio.
-São jovens! – Defendeu Dorianne, rindo com Kelly Finkie.
Margarett cerrou os dentes. Só quis chamar a mãe de mentirosa. Sabia bem como ela era e só fora simpática por se tratar de William.
A parte boa daquilo foi que os pais fingiram ignorar o momento e guiaram-se para a sala de jantar, comentando o estado da bolsa e as finanças do país em geral.
William entrelaçou os dedos com os de Margarett e levou-a para a sala de jantar luxuosa. Sentaram-se todos estrategicamente para conseguirem conversar com quem lhes convinha e depois duas empregadas vestidas de uniformes iguais vieram servir o cabrito assado caseiro.
Com os copos de vinho tinto a esvaziarem rapidamente a conversa ficou animada e já ninguém tinha papas na língua para dizer fosse o que fosse.
Depois chegou a sobremesa. Todos riam e falavam alto, inclusive o mordomo pôs uma música animada a tocar no gira-discos para criar ambiente.
Margarett fingiu. Fingiu tudo o que podia fingir numa noite. O seu interior berrava e chorava com vontade de acabar com toda aquela farsa e sair daquela casa. Pensou algo que nunca imaginou pensar. Voltar a França. Mas desta vez, sem a mãe nem o pai. Voltaria para desanuviar a cabeça cheia e relaxar numa esplanada francesa a comer um crepe ou a tomar um café enquanto escutava o acordeão tocado na praça. Matava saudades de Adeline e Oliver e dava longos passeios refrescantes. Seria esplêndido. Em França, apesar de tudo, não se sentia tão mal consigo mesma. Era diferente. Não tinha o peso do namoro, nem a complicada amizade com David, que sem dúvida era a coisa mais turbulenta que encontrara na cidade Natal.
Olhou a mãe. Nunca a vira tão extrovertida, mas isso era influência do álcool que Mrs. Kelly Finkie partilhava com ela. O pai era sempre mais calmo, mesmo quando animado porque apesar de tudo era difícil superar o histerismo da esposa. Mr. Finkie entregara um charuto gordo ao outro homem e com as suas tonturas, lá conseguiu acendê-lo com o isqueiro reluzente. Ela e William ainda eram os mais lúcidos.
-William…! – Murmurou ela ao ouvido dele, tentando parecer o mais atraente possível.
Ele levantou-se da cadeira sem esperar uma única palavra e arrastou-a consigo para fora do compartimento. Ele também estava animado.
Puxou-a pelas escadarias com pressa, parando somente no topo para beijar a amada. Ela pensou avançar aí, mas não queria ser apanhada no corredor por alguém:
-William… Um lugar privado…!
O rapaz beijou-a risonho e depois puxou-a. Ela apenas viu as portas requintadas a passar por si, até entrar num quarto que era o dobro do dela, com móveis em madeira esculpida e cores sóbrias.
-Acho que os nossos pais não vão dar pela nossa falta tão cedo! – Troçou William, agarrando-lhe a cintura com mais firmeza do que era habitual.
Ela teve de o fixar com os olhos antes de tomar coragem. Sentiu novamente aquele pânico por beijá-lo, ainda mais intensificado do que era costume. Respirou fundo e segurou a cara de William. Logo nessa acção apercebeu-se que a intensidade com que o fazia não era a mesma com que agarrara David.
Abanou a cabeça para esquecer esse pensamento e fechou os olhos. Puxou William para mais perto dela e ele prendeu-a sem limites. Ela esperou que William aproximasse as bocas e quando ele o fez, surpreendeu-o ao mudar o nível do beijo.
Se William fosse uma bomba, aquele sem dúvida seria o fim do rastilho, pois a explosão dentro dele foi tal que ele podia deitar a casa abaixo com as suas próprias mãos.
Quis apoderar-se de Margarett de todas as formas que lhe fossem permitidas no momento e aproveitou o aparente entusiasmo dela para derrubá-la na sua cama e percorrer as suas mãos por ela abaixo.
Ela travou-o bruscamente por isso:
-Desculpa. – Murmurou ele, voltando a entrelaçar as bocas e as línguas dos dois.
Ela franziu o sobrolho com esforço. Sentiu-se como uma árvore a murchar. Quis chorar.
Porquê?
Porque apercebeu-se ali e naquele acto que ela realmente não queria os beijos de William. Por mais delicado que ele fosse, por mais compreensivo, por mais sedutor, bonito, rico e simpático que fosse, ela não o queria. A angústia dentro de si aumentou quando o comparou a David. O toque deles era igual e ao mesmo tempo tão diferente. Desejou ter David por cima dela em vez de William. Desejou correr para encontrá-lo e fugir com ele para longe de tudo e todos, pedir-lhe de volta a maneira de viver que ele lhe mostrara na infância, mas que ela tinha perdido na sua ausência. O que faltava a William era sobretudo a intensidade com que David lhe mostrava o mundo, a paixão com que ele a fazia arriscar e cometer as loucuras mais insanas e ainda assim deleitantes. A coisa mais próxima que William tinha de David era o facto de ser bom amigo, no entanto, no que dizia respeito a acções eram opostos. Enquanto William acariciava a face, David beijava sem medições; enquanto William calculava os seus passos, David agia sem pensar. Talvez até se tornasse mais bruto por isso, mas isso não incomodava Margarett. Pelo contrário, fazia-lhe falta para completar a sua própria personalidade que se caracterizava pela racionalidade e receio.
Sentiu uma aflição enorme por querer parar aquele beijo um nó na garganta. Teve até medo que lhe desse um vomito nervoso. O seu estômago até roncou de medo por ela e os dedos tremeram juntos aos ombros de William.
Ela fez pressão sobre eles o mais rápido que conseguiu e desviou a cara para o lado, fazendo com que os lábios de William lhe caíssem sobre o pescoço:
-Will… - ofegou – Eu… Eu…!
Ele parou e observou-a, apercebido do tremor do corpo dela.
-Eu não consigo…!
Ele ficou por um momento sem saber o que dizer e levantou as mãos em redenção:
-Desculpa.
-Desculpa eu! – Lamentou ela honestamente e levantou-se da cama, ajeitando-se – Eu realmente nunca me senti tão confusa como neste momento.
William corou:
-Eu não te vou obrigar a fazer nada que te incomode.
Ela quase chorou nesse momento:
-Eu sei!
-Então qual é o teu problema?
-Eu não posso, William…
O filho do banqueiro não compreendeu aquela mudança súbita de atitude. Manteve-se calado, sem imaginação para dizer fosse o que fosse e apenas observou a namorada. Era suficientemente esperto para notar como Margarett estava abalada. Ela voltou-lhe costas e tapou o rosto com respiração ofegante. Esfregou as têmporas e suspirou colocando as mãos cintura enquanto reflectia no que tinha feito, no que ia dizer a William, e sobretudo no que sentia.
-Will… - Começou, mas não teve coragem para acabar ou sequer olhá-lo.
-Foi demasiado rápido…?
-Não… - respondeu ela e pensou que até tinha sido lento demais.
Talvez se William não tivesse esperado tanto ela estivesse já tão entranhada nele que nem houvesse tempo de olhar ou pensar noutro.
-então o que foi? Porque estás tão abalada?
-Eu só… preciso de pensar.
Ela não disse mais nada e ainda sem lhe dirigir a visão preparou-se para sair do quarto, submersa em remorsos, mas ele interrompeu-a, segurando-lhe o braço com força. Pela primeira vez Margarett sentiu uma energia diferente vinda dele. Não viu aquela compreensão comum e em vez disso notou que William estava mais determinado.
-Tu não precisas de pensar.
Ela não entendeu o porquê de William ter dito aquilo e logo depois voltar a beijá-la sem os limites. Na verdade ele foi ainda mais intenso, retirando-lhe toda e qualquer hipótese de pará-lo. Voltou a sentir aquele nó na garganta e a aflição dentro de si por causa de ânsia de acabar com aquilo, mas foi em vão. William só a largou quando quis.
Olhou-a nos olhos banhados de desespero e mostrou a sua faceta mais séria:
-Eu e tu vamos sair da cidade. Vamos para longe de tudo e todos, vamos passar o dia a sós. Vamos agir como o casal que somos e exijo que durante esse dia te centres apenas em mim. Não quero que penses em ninguém para além de nós os dois. Não quero que penses nos teus pais, nem no teu trabalho, nem sequer na Ally e na Janice, nem na Daisy… muito menos no David.
Margarett roborizou e nada disse. O seu lado medroso avisou-a que William já tinha percebido o que se passava mas a verdade não era total.
Ela abanou a cabeça em confirmação e sem um único sorriso saiu do quarto para voltar à luxuosa sala de jantar.
Os pais do casal já dançavam ao som da grafonola de Mr.Finkie e Mr. Adolfe Wilson era quem conseguia aparentar um melhor estado de sobriedade.
Ao ver a sua menina à entrada da sala de braços cruzados e com o olhar perdido soube que algo a martirizava. Desconfiou que o culpado fosse William e por isso deduziu que era hora de regressarem a casa. Começou por avisar a esposa nunca antes tão alegre e depois de uns abanões bem dados ela lá aceitou e tentou guiar-se sem ajuda para junto da filha. Mr. Wilson avisou os anfitriões que se mostraram insatisfeitos, de um modo pouco sóbrio, por a noite terminar ali, mas aceitaram. O pai de Margarett começou por despedir-se da dona de casa, agradecendo o jantar, que mesmo não tendo sido confeccionado por ela merecia ser elogiado. Depois despediu-se do banqueiro e por fim de William que reaparecera pouco depois de Margarett.
Mrs. Dorianne deu um abraço apertado em Kelly Finkie e outro ainda mais apertado no “futuro genro” que logo a alertou do passeio de Margarett e dele no dia seguinte. Ela aceitou de bom grado e felicidade e depois tentou ser menos histérica com o marido da anfitriã. Por fim Margarett despediu-se rapidamente de cada um.
William olhou-a com confidência e ela fechou o cenho.
Continuou calada a partir daí, mesmo durante toda a viagem de regresso a casa.
Quando chegou ao seu lar limitou-se a dizer “Boa noite” aos pais para se trancar no quarto.
-O que é que eu hei-de fazer? – Murmurou encarando o vazio.
Nesse momento dirigiu-se à janela e abriu-a. Reparou que no quarto de David não havia luz e a cortina era a única coisa que impedia o contacto com exterior já que a janela estava entreaberta. Ela estranhou, pois se David estava doente, não era bom deixar que a brisa da noite o arrefecesse. Esperançou que talvez ele ainda estivesse acordado e chamou-o:
-David?
Esperou por resposta.
-David?
Calou-se de novo mas ninguém respondeu.
Concluiu que o rapaz estava a dormir, todavia estava errada. David ficara acordado até àquela hora. Depois de saber que ela ia jantar a casa dos Finkie não conseguiu descansar e andou de um lado para o outro durante horas à espera de ver luz no quarto do lado. Quando ouviu a voz de Margarett encostou-se à parede ao lado da janela e tentou escutar algo pertinente sem se mostrar.
-David, estás acordado?
Ele cerrou os olhos e suspirou. Não ia ceder ao capricho de Margarett e aparecer apenas quando ela o quisesse ver, mesmo que a vontade fosse recíproca.
Deixou-se estar sem nada proclamar. Era melhor para ambos se começassem a controlar o contacto, de modo a evitarem dramas e mal entendidos amorosos. O que David menos queria era ser acusado de ter roubado a namorada de alguém sem justa causa. Adorava Margarett, concordou, mas queria-a só para ele e não estava disposto a ser “o outro”.
Com os lábios a tremerem, a rapariga tentou chamar por David de novo, só que ele não apareceu. Chamou mais uma e outra vez e quando perdeu a esperança que ele a ouvisse, todas as emoções reprimidas naquele jantar foram expulsas nas suas lágrimas grossas e abundantes. Margarett chorou, primeiro em silêncio e depois começou a levantar o pranto agarrada à almofada.
David sobressaltou-se ao escutar aqueles gemidos e espreitou pela frincha da cortina. Viu a doce amiga de costas, com aquele que parecia ser o “tal” vestido. Não conseguiu deixar de pensar como ela estava bela, mas depois concentrou-se no choro dela. Pensou em chama-la para saber o que se passava e acalma-la, mas não o fez e em vez disso voltou a encostar-se à parede:
Lamento Margarett… Mas é para teu bem…, pensou, com culpa.
Cerrou os olhos com um peso na alma e tentou ultrapassa-lo enquanto escutava o derrame de fios de água de Margarett. Deu por si com um aperto tão grande no peito que até criou um rio salgado no rosto vindo directamente da sua alma. Apressou-se a limpar aquela lágrima teimosa e perguntou-se o porquê dela. Afinal de contas, “os homens não choravam”.
Cambaleou até ao leito da sua cama e deixou-se cair no colchão mole para abafar o rosto no travesseiro. Voltou a escutar aqueles gemidos chorosos e mordeu o lábio de olhos fechados.
Naquele momento o sentimento dos dois vizinhos era o mesmo.
Estavam ambos sem forças para entender o que ia nas suas cabeças e principalmente nos seus corações.
E pronto é isto!

bom ano novo!

as minhas fic's:
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
-Angelical
Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
-Angelical
Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^
Dois capítulos feitos e nenhum postado!? Shame on you >.<
E as atitudes do casalinho estão a incomodar-me. Oxalá o David passe esta fase de mártir e que finja estar alegre ou algo do género porque vê-lo depressivo é mau,muito mau. Já a Maggie é que não percebo mesmo. As atitudes dela para com o Will-tonhó são como montanha russa. Estão sempre a mudar. Ela que se decida não? Por um lado riu-me com a "determinação" dela em fazer aquela relação resultar. Mas depois ela falha e tudo o que consigo fazer é abanar a cabeça.
Bem, ao menos o Will-tonhó não é estúpido de todo. Já percebeu que algo se passa com a Maggie. Agora, para ele adivinhar que é por causa do David, ele também já devia saber que perdeu a miúda. Se ela tem tantos problemas em avançar por causa do amigo é porque gosta dele e não do Will-tonhó.
Aí... as frustrações dos adolescentes. Como eles dramatizam tudo quando a solução é tão simples.
Em suma, foi um bom capítulo. Estranho (no bom sentido claro, não interpretes mal as minhas palavras. Hei-de gostar sempre do que escreves
), mas muito bom. O cinismo das senhoras é de partir a moca a rir de tão real que a situação era. Pergunto-me o que tens planeado para o final. Porque por este andar, ou dá-se um grande acontecimento, ou não estou a ver a Maggie a terminar a relação com o Will-tonhó tão cedo. E gostava tanto de ver algum atrito entre a Srª. Wilson e o David 
Acerca da minha vontade para escrever (resposta ao comentário da minha fic). Sim, vontade não falta mas eu não escrevo todos os dias. Só mesmo quando me dá na gana/tenho tempo. Além disso, não penso alterar a fic toda, apenas corrigi-la e isso faz-se numa noite. Apenas não acabei a revisão ainda porque estou numa altura em que ficaria melhor eu adicionar uma cena e mais alguma coisa antes de me deixar ficar por aquilo que escrevi (melhor dizendo, ainda estou nos capítulos menores e dá-me impressão as coisas que estão lá escritas). Enfim, a fic tem neste momento novas cenas e mais algumas poderão vir. E estou muito inclinada a mudar os nomes das três princesas do Milénio Prateado, agora que tenho uma ferramenta soberba para me ajudar a encontrar nomes mais enquadrados.
Espero por um novo capítulo (e espero que não demore, entendido?) e desejo-te um bom ano, que nós - meninas da faculdade, bem que precisamos. =)
E as atitudes do casalinho estão a incomodar-me. Oxalá o David passe esta fase de mártir e que finja estar alegre ou algo do género porque vê-lo depressivo é mau,
Bem, ao menos o Will-tonhó não é estúpido de todo. Já percebeu que algo se passa com a Maggie. Agora, para ele adivinhar que é por causa do David, ele também já devia saber que perdeu a miúda. Se ela tem tantos problemas em avançar por causa do amigo é porque gosta dele e não do Will-tonhó.
Aí... as frustrações dos adolescentes. Como eles dramatizam tudo quando a solução é tão simples.
Em suma, foi um bom capítulo. Estranho (no bom sentido claro, não interpretes mal as minhas palavras. Hei-de gostar sempre do que escreves
), mas muito bom. O cinismo das senhoras é de partir a moca a rir de tão real que a situação era. Pergunto-me o que tens planeado para o final. Porque por este andar, ou dá-se um grande acontecimento, ou não estou a ver a Maggie a terminar a relação com o Will-tonhó tão cedo. E gostava tanto de ver algum atrito entre a Srª. Wilson e o David 
Acerca da minha vontade para escrever (resposta ao comentário da minha fic). Sim, vontade não falta mas eu não escrevo todos os dias. Só mesmo quando me dá na gana/tenho tempo. Além disso, não penso alterar a fic toda, apenas corrigi-la e isso faz-se numa noite. Apenas não acabei a revisão ainda porque estou numa altura em que ficaria melhor eu adicionar uma cena e mais alguma coisa antes de me deixar ficar por aquilo que escrevi (melhor dizendo, ainda estou nos capítulos menores e dá-me impressão as coisas que estão lá escritas). Enfim, a fic tem neste momento novas cenas e mais algumas poderão vir. E estou muito inclinada a mudar os nomes das três princesas do Milénio Prateado, agora que tenho uma ferramenta soberba para me ajudar a encontrar nomes mais enquadrados.
Espero por um novo capítulo (e espero que não demore, entendido?) e desejo-te um bom ano, que nós - meninas da faculdade, bem que precisamos. =)
Espero por ti em cada segundo , porque tu és o meu mundo!

Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
Visitem a minha 1ª Fic ----->The Four elements

Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
Visitem a minha 1ª Fic ----->The Four elements
ola
são suporto esse Will-tonhó, esta a se muito inconveniente e muito atrevido, porque nao da mais algum espaço a Margarett e quer levar as coisas mais "asseio". coitada da miúda gosta do David e tem de levar com esse em cima. xd
espero que muito pronto ela e o David perseveram que estão apaixonados um pelo outro.
cada vês que leio um capitulo teu adoro mais a historia. continua assim. kiss
são suporto esse Will-tonhó, esta a se muito inconveniente e muito atrevido, porque nao da mais algum espaço a Margarett e quer levar as coisas mais "asseio". coitada da miúda gosta do David e tem de levar com esse em cima. xd
espero que muito pronto ela e o David perseveram que estão apaixonados um pelo outro.
cada vês que leio um capitulo teu adoro mais a historia. continua assim. kiss
a minha primeira fic "AS FILHAS DA LUA"passem na minha fic e comentem XD

Traços do destino
visitem o meu forum http://eterna-sailor-moon4.forumeiros.com/forum.htm

Traços do destino
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*cof, cof*
pronto, pronto, não me matem. Eu sei que tinha dito que tinha dois capitulos escritos e desde a minha ultima atctualização só publiquei 1... Culpa minha. Não vou dizer que foi por falta de tempo, porque não foi. Foi por falta de vontade. Não gostei deste capitulo nem do caminho que ele dava à fic, então eu queria fazer outro. Entretanto ontem começei a escrever um seguimento para ele, e vá, já estou mais à vontade para publicar este. O que dizer? este é o tal capitulo que me roubou o fio à meada e sinceramente não gosto dele. O resto é convosco.
Boa leitura!
Capitulo 24 – “Nunca aconteceu”
David…
Suspirou, sorrindo de contentamento.
Passou as pontas dos dedos na cara dele e deu uma gargalhada quando o rapaz lhe colocou a mão na barriga e fez uma aranha que lhe provocou cócegas e a fez empurra-lo para longe do seu abdómen.
-Pára com isso! – Avisou ela, escondendo-se dele atrás da árvore.
David seguiu-a:
-Queres que pare com o quê, ao certo? – Quis saber, entrelaçando os seus dedos com os dela – Queres que páre de ser a criança com quem brincas? Ou queres que pare de ser o homem que desejas?
Ela não soube responder. Voltou o rosto para o horizonte e ao longe viu William.
Acordou.
O rosto suado e os lábios húmidos não deixavam dúvidas para o seu estado. Levou a mão ao peito e sentiu a potência do seu órgão, limpando a cara de seguida, incomodada. O encontro com William quatro dias antes tinha sido uma das coisas mais dolorosas que já tinha feito na sua vida. Os beijos dele sufocaram-na e nunca tinha visto o namorado tão impaciente. Mesmo assim, não se atrevia a dizer que ele era bruto ou sequer intolerante. Era apenas apaixonado, lamentou. Mas nem milhares de beijos foram capazes de disfarçar a tristeza da rapariga naquela tarde. William apercebeu-se e no final do dia regressaram à cidade acompanhados por uma briga. Lentamente, William já se estava a aperceber que algo de errado se passava com os sentimentos da companheira e apesar de tudo não parecia ser complacente ao ponto de continuar com uma farsa.
Margarett levantou-se da cama, deu um banho refrescante e vestiu-se. Foi logo de manhã dar um passeio sozinha. Durante esse tempo, apercebeu-se como precisava urgentemente de uma amiga do sexo feminino. Num momento tão complicado como aquele era extremamente necessário um apoio extra e o facto de o seu melhor amigo ser a causa dos seus conflitos emocionais, não era nada bom. Ao caminhar pela calçada do centro da cidade, Margarett encarou o maco vermelho do correio, quase da sua altura. Ficou um momento parada a analisá-lo. Antes que mudasse de ideias correu até à papelaria mais próxima e comprou uma folha e um envelope. Depois pegou na lapiseira que a acompanhava sempre e encostou-se a um muro a escrever uma carta a uma velha amiga. Poucos seriam os que conseguiriam ler aquele pequeno papel, visto estar escrito em francês. No entanto, a amiga mais confidente que tinha era Adeline e no meio de tanta confusão nunca lhe tinha escrito desde que regressara à terra natal. Era o momento perfeito para lhe contar tudo e pedir ajuda. Acabou por lamber o envelope e escreveu o endereço. Comprou um selo e depois abandonou a carta no maco com esperança de uma resposta breve.
Margarett sentiu-se como se lhe tivessem retirado cinco quilos dos cem que levava aos ombros e talvez tenha sido por isso que ao escutar o sino da igreja tenha abrandado ainda mais o passo. A última coisa que queria naquele momento era estar em casa. Mesmo assim também não lhe apetecia estar fora dela, tudo porque de uma maneira ou de outra, havia sempre alguém que a podia incomodar.
Revirou os olhos ao constatar tal coisa, pelo simples facto de um rapaz de cabelos pelos ombros e blusão de couro se aproximar dela.
-Sozinha, caniche?
-Por favor, hoje não! – Resmungou, contornando Jack e seguindo caminho.
Ele quis começar ali mesmo uma briga mas não o fez. Sorriu ao aperceber-se da confusão que pintavam aqueles olhos azuis e por isso tornou os seus passos mudos e lentos para, assim, seguir a jovem.
Margarett permaneceu alheia a esse facto e continuou a reflectir no que ia na sua cabeça. Precisava de fazer algo, precisava de pensar. Precisava de um tempo a sós consigo mesma.
No horizonte, viu as grades ferrugentas, envoltas em heras e silvas, que lhe traziam tantas recordações. Todavia, essa não foi pretexto para ela se impedir de lá ir.
Sitio Secreto, Relembrou.
Ali ninguém a encontraria, excepto David, se bem que as hipóteses de ele ir àquela mansão no mesmo dia que ela, eram duvidosas e carregadas de azar. Margarett não se lembrava de ter pouca sorte a esse ponto.
Acelerou o andamento e depois olhou em redor para se certificar que ninguém a via. Para sua desgraça desconheceu que Jack estava mascarado por uma parede a observá-la e por isso ela entrou no recinto da mansão sem medo.
Jack seguiu-a para ver que raio estava aquela lady a fazer num local tão sujo. Bastou-lhe espreitar pelos arbustos que um sorriso malandro se rasgou no seu rosto seco.
Agora ele sabia um “segredo”.
William bufava pela terceira vez. Estava no salão de jogos da cidade com os amigos Rick e Tom e esperava que o último atirasse os dardos para lhe dar a vez.
-Estou farto de te ouvir a bufar, William! Pára com isso! – Irritou-se Rick.
Will voltou a bufar, desta vez sem querer. Recebeu os dardos de Tom e com toda a sua raiva apontou para o alvo encarnado. Conseguiu acertar duas setas nas pontuações mais altas e a ultima bem no centro, captando o interesse dos amigos subitamente.
-Onde arranjaste tanta fúria?
Ele não os encarou de frente e manteve-se quieto com a mesma expressão zangada, respondendo simplesmente:
-David.
Os outros dois nem questionaram mais nada. Fosse o que fosse não tinha tanta importância como William achava. Passaram a tarde no salão e quando anoiteceu foram embora cada um para o seu lar.
William saudou os pais e sentou-se à mesa a jantar com eles. Foi um jantar silencioso da sua parte. Quando a empregada veio levantar os pratos ele ausentou-se da sala de jantar. Tinha um caroço a remoer-lhe o cérebro e não descansaria enquanto não se livrasse dele fosse a forma mais pratica ou mais dolorosa.
Pegou no telefone e fez a chamada para a casa dos Wilson. Esperou os sinais sonoros e finalmente alguém atendeu. Reconheceu a voz feminina mas demasiado adulta para ser quem ele queria:
-Mrs. Wilson! Boa noite, daqui é o William!
Do outro lado, Dorianne não escondeu a sua alegria:
-William, querido!
-Será que eu poderia falar com a sua filha, por favor?
-Ora essa, nem precisas de perguntar! Vou chamá-la!
William esperou mais tempo do que estava à espera até que escutou a voz da namorada, pouco emocionada por falar com ele:
-Olá, William. – Disse.
-Margarett, precisamos de falar.
Margarett estreitou as sobrancelhas e perguntou:
-O que se passa? Aconteceu alguma coisa?
-Tu e eu temos de esclarecer umas coisas.
Durante algum tempo não obteve resposta. Margarett engoliu em seco e conformou-se que no dia seguinte tinha de tomar “a decisão”.
Aprovou e desligou.
Dirigiu-se para o seu quarto e trancou a porta. Primeiro sentou-se na cama e depois olhou pela janela sem se pôr a pé. Ao morder fortemente o lábio inferior soube que tinha de sair daquele bairro e fazer alguma coisa para desanuviar a cabeça. Dirigiu-se ao seu armário e pegou nalguns jogos de cama. Começou a atar os lençóis uns aos outros e quando ouviu a mãe a chamar para jantar escondeu tudo debaixo da cama. Jantou e fingiu que nada se passava. Depois ajudou a limpar a cozinha e quando todos foram para os seus quartos ela trancou-se de novo e esperou uma hora até ter a certeza que todos dormiam.
Vestiu umas calças velhas para não lhe atrapalhar a movimentação e um casaco grande e largo com capuz que estava arrumado num baú há anos, para logo prender a corda de lençóis à cama e atirá-la pela janela. Quando sentada no peitoril da janela, espreitou a rua e depois olhou em frente para o quarto de David. Foi preciso apenas isso para se decidir a descer pelos lençóis.
O estrondo que os seus pés provocaram ao tocar no chão foi leve, e ela agradeceu por isso. Tapou a cabeça com o capucho do casaco e caminhou apressadamente de cabeça baixa para que ninguém que passasse reconhecesse o seu rosto. Sabia bem para onde se dirigia. Na verdade, já tinha estado lá naquele dia mas não se importou de voltar. Pelo menos estaria sozinha. As perseguições dos cães e dos gatos na rua assustaram-na ligeiramente mas ela ignorou e seguiu em frente.
Já avistava a mansão quando ponderou se devia voltar para a sua casa por ser noite.
Mas era tarde demais para desistir e engoliu a seco para atravessar as grades ferrugentas.
Dentro do recinto do palacete já andou com mais calma. Desviou o capuz da cabeça e retirou as mãos dos bolsos para abrir a porta da entrada que chiou irritantemente ao deslizar no chão de madeira podre.
Margarett viu uma sombra. Assustou-se porque podia estar alguém ali ou algum animal, até que reparou numa claridade absurda para aquela hora. Aproximou-se e espreitou pela sala. Viu dois castiçais com velas e um vulto de costas no sofá. Estranhou aquilo e aproximou-se mais para ver quem era, mas como casas antigas nunca eram locais silenciosos a madeira rangeu quando ela a calcou. O vulto virou-se na direcção do som e Margarett corou ao reconhecer a face iluminada pela luz do fogo:
-David…
Ele olhou-a de cima abaixo e a questão dos dois foi a mesma:
-O que fazes aqui?
Margarett foi a primeira a responder:
-Pensei que não estivesse cá ninguém.
David não considerou aquilo uma resposta mas não quis saber os reais motivos da rapariga. Sentou-se de novo no sofá de costas para ela.
Margarett esfregou os olhos com os dedos por ver o seu plano falhado. O feitiço tinha-se virado contra o feiticeiro. Se ela fosse embora talvez fosse pior. Acreditou que tinha de enfrentar David se queria ver tudo resolvido, por isso aproximou-se do sofá virado na direcção oposta a ela. Pousou as mãos no encosto, ainda de pé. A cabeça de David ficou entre os seus braços e era só mexer os dedos para tocar-lhe:
-Não me respondeste porque estás aqui.
David respondeu sem nenhuma pausa para pensar no que dizer:
-Porque este é o nosso lugar secreto.
Margarett sentiu um leve arrepio. Na verdade o motivo dela estar ali talvez fosse o mesmo, apesar de não querer admiti-lo. No seu interior tinha esperança de que ao ir ali poderia encontrar David e ser quem ela quisesse sem as restrições da sociedade. Alem disso era esse o motivo porque eles tinham apelidado aquela mansão de “sitio secreto”.
Deslizou as suas mãos pelo encosto do sofá até alcançar os ombros de David e acariciou-os:
-Estás zangado comigo, David? – Perguntou em voz baixa e receosa.
-Tenho motivos para estar? – Aquela questão surgiu como uma afirmação aos ouvidos da jovem moça.
-Desculpa. – Margarett afastou de novo as mãos, agora trémulas e humedeceu os lábios rosados com um nó na garganta.
David levantou-se e virou-se na direcção dela:
-O que fazes aqui a esta hora da noite?
Margarett abanou a cabeça e olhou David nos olhos. Há muito que não o fazia e ficou breves momentos a engolir as sensações que aquela simples contemplação lhe suscitava. Sentiu as vistas a arder e encarou o chão:
-Precisava de pensar… Eu não tenho andado bem.
David acreditou nela. Notava-se na expressão de Margarett toda aquela frustração que ela devia estar a sentir. Por momentos David teve pena dela:
-O que se passa?
Margarett soltou uma lágrima, presa há muito tempo:
-Eu preciso de um amigo…
David inspirou algum ar e deu um passo inquieto na direcção da eterna compincha:
-Eu estou aqui!
Margarett abanou a cabeça. David não a entendera. Ainda assim, Margarett não recusou o abraço dele apesar de isso só a obrigar a soltar outra lágrima.
-Estou tão confusa… - Desabafou a rapariga com a voz abafada no ombro de David.
Ele nada disse. Tinha a certeza que sabia qual o motivo da confusão dela. Apertou-a mais contra si e depositou um beijo na bochecha de veludo dela:
-Esquece isso por uma noite… - Sussurrou-lhe ao ouvido – Eu vou estar aqui para o que precisares.
Com aquilo Margarett chorou mais e abafou completamente o rosto molhado na camisola de David. Ele sentiu um aperto no peito ao segurar as mãos finas que tremiam como searas de trigo. Nunca tinha visto Margarett tão insegura e sentiu-se culpado por isso. Sabia que, em parte, a culpa era sua. Ele segurou nela e desviou-a de si, para lhe encarar a cara. A princípio Margarett não se quis mostrar, mas as mãos de David sobre a sua pele molhada foram o suficiente para ela deixar que o seu rosto avermelhado fosse iluminado pela luz quente das velas. David limpou as lágrimas que pôde com os polegares e fez um trejeito:
-Sou eu quem te deve desculpas, então… Desculpa minha Rett. Não te atormentes mais, por favor.
Ela não respondeu nada e afastou-se dele. Foi até um dos castiçais e soprou quase todas as velas:
-Não quero que me vejas neste estado… - Murmurou quando a luz diminuiu, mas a sua voz acusou-a.
David não a deixou apagar as restantes fontes de luz. Segurou-lhe os pulsos quando ela se preparava para segurar no outro castiçal e puxou-a para longe dele:
-Eu fecho os meus olhos se quiseres. Não farei mais nada que te incomode.
Margarett teve medo de falar, mas arranjou coragem para trazer o assunto concreto à tona:
-O que pensas que me incomodou? Tu teres-me beijado?
David ficou sem reacção. Não sabia o que responder à questão da sua idolatrada Rett.
-Não o devia ter feito. O remorso agora está a dar contigo em doida, não é verdade?
Margarett negou com a cabeça e o gaiato percebeu que as lágrimas jorraram com mais força das orbitas de Margarett.
-Não é culpa tua…!
Apreensivo, David voltou a limpar as lágrimas de Margarett, desta vez com as mãos mais firmes sobre o seu rosto. Começava a ficar nervoso com o estado dela:
-Então o que foi, Margarett?! Foi o William? Forçou-te a fazer algo que tu não querias? Ou a tua mãe? Ela…?
-Não, David! Sou apenas eu.
Não havia nada que David conseguisse dizer para aliviar o momento. A luz fraca tirava-lhe toda a claridade tanto física como psicológica. Margarett baixou a cabeça até os olhos só conseguirem enxergar o chão.
Por instantes, houve silêncio. David suspirou:
-Eu amo-te, Margarett.
A loira sentiu a caixa torácica mais inchada e olhou David em sobressalto. Ele não a encarava directamente. Tinha-se focado nas velas atrás dela mas sabia que o que acabara de admitir tinha um preço alto, por isso continuou:
-Farei o que tu quiseres para te sentires melhor, desde estar contigo, a afastar-me drasticamente de ti.
-Não! – Margarett segurou-lhe os braços – Tudo menos deixares-me.
O rapaz ficou atrapalhado e nada proclamou.
Por outro lado, Mag olhou o chão e falou, timidamente:
-O que acontece aqui, fica aqui, certo? – Questionou ela.
Ele assentiu.
-Então eu quero que me… Apenas gostava que me…!
Ela desistiu de dizer aquilo. Apenas um beijo teu para saciar a minha sede, queria ela ter dito, mas não conseguiu. Desviou-se de David hesitante, mas ele não a deixou afastar-se muito.
Limpou-lhe a cara com o seu lenço de bolso e depois fitou-a longamente, pensativo. Parecia, pelo seu olhar, que ele tinha a mesma vontade. Apenas um beijo leve lhe bastaria, no entanto sabia que isso teria um preço duro. A não ser que ninguém chegasse a saber:
-O que acontece aqui… - murmurou - fica mesmo aqui?
Margarett abanou a cabeça em confirmação. De repente as lágrimas já não queriam sair e o inchaço no peito aumentou:
-Sim, David… – Declarou, simultaneamente assustada e esperançosa - Será como se nunca tivesse acontecido no mundo real.
Ele mordeu o seu próprio lábio e depois entrelaçou os seus dedos com os da mão da amada:
-Mesmo as coisas mais improváveis?
-As mais impossíveis… Proibidas. – Completou com um tom de expectação na voz e, acima disso, insinuação.
David quis ter a certeza que ela escutava as entrelinhas daquela conversa:
-E quais serão as consequências?
-Nenhumas.
Isso bastou.
David aproximou o seu corpo até Mag e acariciou-lhe as bochechas para não afugenta-la. Olhou-a nos olhos e depois admirou-lhe os lábios cheios. Arrastou as mãos até ao cabelo dela e entrelaçou os dedos por entre os fios loiros para logo puxar-lhe a cabeça na direcção da sua cara. Deixou as respirações tocarem-se durante dois segundos e depois beijou Margarett com cautela. Esperou levar alguma bofetada mas ao invés disso, Margarett agarrou o colarinho da sua camisola com força e entregou-se o quanto podia a ele. Viu estrelas. A última vez que tinha sido beijada por David, ainda não tinha beijado William e aquela acção foi o suficiente para entender que não havia qualquer prazer dela nos beijos com o próprio namorado. Essa palavra fê-la hesitar, e por essa razão desviou a boca do alcance de David que sentiu os seus lábios a roçarem na pele da amante.
-Tu não…? – Perguntou sem desviar a boca daquela pele suave.
Margarett abanou a cabeça. A consciência recordava-a que aquilo não era certo.
-O que é que eu faço?
David rasteou a cara dela com pequenos beijos. As suas mãos não a deixaram fugir e ela arrepiou-se quando os lábios dele alcançaram o ponto em que o maxilar, o lóbulo da orelha e o pescoço se juntavam:
- Isto nunca aconteceu…
O ambiente gerado pela luz das velas tornou tudo mais intenso e aí, Margarett convenceu-se: Aquilo seria como um sonho.
“Nunca aconteceu”.
---
pronto é isto... Eu sei, vocês por esta altura detestam a Margarett. Pode ser que consigam voltar a gostar dela quando ela estiver menos confusa, porque sim, é esse o principal problema dela. Não sabe o que quer!
Para mais informações comentem. Próximo capitulo sábado ou domingo em principio, eu juro!
bjokas
PS: só de salientar que nesta fic existem muitas frases em italico. por alguma razão desaparecem quando eu publico e honestamente não me apetece rever tudo isto. é a bidinha!
pronto, pronto, não me matem. Eu sei que tinha dito que tinha dois capitulos escritos e desde a minha ultima atctualização só publiquei 1... Culpa minha. Não vou dizer que foi por falta de tempo, porque não foi. Foi por falta de vontade. Não gostei deste capitulo nem do caminho que ele dava à fic, então eu queria fazer outro. Entretanto ontem começei a escrever um seguimento para ele, e vá, já estou mais à vontade para publicar este. O que dizer? este é o tal capitulo que me roubou o fio à meada e sinceramente não gosto dele. O resto é convosco.
Boa leitura!
Capitulo 24 – “Nunca aconteceu”
"A primeira traição enfraque o amor, a segunda derruba."
Felipe Cordeiro
Margarett foi encostada a uma árvore e os seus lábios foram selados por outra boca.Felipe Cordeiro
David…
Suspirou, sorrindo de contentamento.
Passou as pontas dos dedos na cara dele e deu uma gargalhada quando o rapaz lhe colocou a mão na barriga e fez uma aranha que lhe provocou cócegas e a fez empurra-lo para longe do seu abdómen.
-Pára com isso! – Avisou ela, escondendo-se dele atrás da árvore.
David seguiu-a:
-Queres que pare com o quê, ao certo? – Quis saber, entrelaçando os seus dedos com os dela – Queres que páre de ser a criança com quem brincas? Ou queres que pare de ser o homem que desejas?
Ela não soube responder. Voltou o rosto para o horizonte e ao longe viu William.
Acordou.
O rosto suado e os lábios húmidos não deixavam dúvidas para o seu estado. Levou a mão ao peito e sentiu a potência do seu órgão, limpando a cara de seguida, incomodada. O encontro com William quatro dias antes tinha sido uma das coisas mais dolorosas que já tinha feito na sua vida. Os beijos dele sufocaram-na e nunca tinha visto o namorado tão impaciente. Mesmo assim, não se atrevia a dizer que ele era bruto ou sequer intolerante. Era apenas apaixonado, lamentou. Mas nem milhares de beijos foram capazes de disfarçar a tristeza da rapariga naquela tarde. William apercebeu-se e no final do dia regressaram à cidade acompanhados por uma briga. Lentamente, William já se estava a aperceber que algo de errado se passava com os sentimentos da companheira e apesar de tudo não parecia ser complacente ao ponto de continuar com uma farsa.
Margarett levantou-se da cama, deu um banho refrescante e vestiu-se. Foi logo de manhã dar um passeio sozinha. Durante esse tempo, apercebeu-se como precisava urgentemente de uma amiga do sexo feminino. Num momento tão complicado como aquele era extremamente necessário um apoio extra e o facto de o seu melhor amigo ser a causa dos seus conflitos emocionais, não era nada bom. Ao caminhar pela calçada do centro da cidade, Margarett encarou o maco vermelho do correio, quase da sua altura. Ficou um momento parada a analisá-lo. Antes que mudasse de ideias correu até à papelaria mais próxima e comprou uma folha e um envelope. Depois pegou na lapiseira que a acompanhava sempre e encostou-se a um muro a escrever uma carta a uma velha amiga. Poucos seriam os que conseguiriam ler aquele pequeno papel, visto estar escrito em francês. No entanto, a amiga mais confidente que tinha era Adeline e no meio de tanta confusão nunca lhe tinha escrito desde que regressara à terra natal. Era o momento perfeito para lhe contar tudo e pedir ajuda. Acabou por lamber o envelope e escreveu o endereço. Comprou um selo e depois abandonou a carta no maco com esperança de uma resposta breve.
Margarett sentiu-se como se lhe tivessem retirado cinco quilos dos cem que levava aos ombros e talvez tenha sido por isso que ao escutar o sino da igreja tenha abrandado ainda mais o passo. A última coisa que queria naquele momento era estar em casa. Mesmo assim também não lhe apetecia estar fora dela, tudo porque de uma maneira ou de outra, havia sempre alguém que a podia incomodar.
Revirou os olhos ao constatar tal coisa, pelo simples facto de um rapaz de cabelos pelos ombros e blusão de couro se aproximar dela.
-Sozinha, caniche?
-Por favor, hoje não! – Resmungou, contornando Jack e seguindo caminho.
Ele quis começar ali mesmo uma briga mas não o fez. Sorriu ao aperceber-se da confusão que pintavam aqueles olhos azuis e por isso tornou os seus passos mudos e lentos para, assim, seguir a jovem.
Margarett permaneceu alheia a esse facto e continuou a reflectir no que ia na sua cabeça. Precisava de fazer algo, precisava de pensar. Precisava de um tempo a sós consigo mesma.
No horizonte, viu as grades ferrugentas, envoltas em heras e silvas, que lhe traziam tantas recordações. Todavia, essa não foi pretexto para ela se impedir de lá ir.
Sitio Secreto, Relembrou.
Ali ninguém a encontraria, excepto David, se bem que as hipóteses de ele ir àquela mansão no mesmo dia que ela, eram duvidosas e carregadas de azar. Margarett não se lembrava de ter pouca sorte a esse ponto.
Acelerou o andamento e depois olhou em redor para se certificar que ninguém a via. Para sua desgraça desconheceu que Jack estava mascarado por uma parede a observá-la e por isso ela entrou no recinto da mansão sem medo.
Jack seguiu-a para ver que raio estava aquela lady a fazer num local tão sujo. Bastou-lhe espreitar pelos arbustos que um sorriso malandro se rasgou no seu rosto seco.
Agora ele sabia um “segredo”.
William bufava pela terceira vez. Estava no salão de jogos da cidade com os amigos Rick e Tom e esperava que o último atirasse os dardos para lhe dar a vez.
-Estou farto de te ouvir a bufar, William! Pára com isso! – Irritou-se Rick.
Will voltou a bufar, desta vez sem querer. Recebeu os dardos de Tom e com toda a sua raiva apontou para o alvo encarnado. Conseguiu acertar duas setas nas pontuações mais altas e a ultima bem no centro, captando o interesse dos amigos subitamente.
-Onde arranjaste tanta fúria?
Ele não os encarou de frente e manteve-se quieto com a mesma expressão zangada, respondendo simplesmente:
-David.
Os outros dois nem questionaram mais nada. Fosse o que fosse não tinha tanta importância como William achava. Passaram a tarde no salão e quando anoiteceu foram embora cada um para o seu lar.
William saudou os pais e sentou-se à mesa a jantar com eles. Foi um jantar silencioso da sua parte. Quando a empregada veio levantar os pratos ele ausentou-se da sala de jantar. Tinha um caroço a remoer-lhe o cérebro e não descansaria enquanto não se livrasse dele fosse a forma mais pratica ou mais dolorosa.
Pegou no telefone e fez a chamada para a casa dos Wilson. Esperou os sinais sonoros e finalmente alguém atendeu. Reconheceu a voz feminina mas demasiado adulta para ser quem ele queria:
-Mrs. Wilson! Boa noite, daqui é o William!
Do outro lado, Dorianne não escondeu a sua alegria:
-William, querido!
-Será que eu poderia falar com a sua filha, por favor?
-Ora essa, nem precisas de perguntar! Vou chamá-la!
William esperou mais tempo do que estava à espera até que escutou a voz da namorada, pouco emocionada por falar com ele:
-Olá, William. – Disse.
-Margarett, precisamos de falar.
Margarett estreitou as sobrancelhas e perguntou:
-O que se passa? Aconteceu alguma coisa?
-Tu e eu temos de esclarecer umas coisas.
Durante algum tempo não obteve resposta. Margarett engoliu em seco e conformou-se que no dia seguinte tinha de tomar “a decisão”.
Aprovou e desligou.
Dirigiu-se para o seu quarto e trancou a porta. Primeiro sentou-se na cama e depois olhou pela janela sem se pôr a pé. Ao morder fortemente o lábio inferior soube que tinha de sair daquele bairro e fazer alguma coisa para desanuviar a cabeça. Dirigiu-se ao seu armário e pegou nalguns jogos de cama. Começou a atar os lençóis uns aos outros e quando ouviu a mãe a chamar para jantar escondeu tudo debaixo da cama. Jantou e fingiu que nada se passava. Depois ajudou a limpar a cozinha e quando todos foram para os seus quartos ela trancou-se de novo e esperou uma hora até ter a certeza que todos dormiam.
Vestiu umas calças velhas para não lhe atrapalhar a movimentação e um casaco grande e largo com capuz que estava arrumado num baú há anos, para logo prender a corda de lençóis à cama e atirá-la pela janela. Quando sentada no peitoril da janela, espreitou a rua e depois olhou em frente para o quarto de David. Foi preciso apenas isso para se decidir a descer pelos lençóis.
O estrondo que os seus pés provocaram ao tocar no chão foi leve, e ela agradeceu por isso. Tapou a cabeça com o capucho do casaco e caminhou apressadamente de cabeça baixa para que ninguém que passasse reconhecesse o seu rosto. Sabia bem para onde se dirigia. Na verdade, já tinha estado lá naquele dia mas não se importou de voltar. Pelo menos estaria sozinha. As perseguições dos cães e dos gatos na rua assustaram-na ligeiramente mas ela ignorou e seguiu em frente.
Já avistava a mansão quando ponderou se devia voltar para a sua casa por ser noite.
Mas era tarde demais para desistir e engoliu a seco para atravessar as grades ferrugentas.
Dentro do recinto do palacete já andou com mais calma. Desviou o capuz da cabeça e retirou as mãos dos bolsos para abrir a porta da entrada que chiou irritantemente ao deslizar no chão de madeira podre.
Margarett viu uma sombra. Assustou-se porque podia estar alguém ali ou algum animal, até que reparou numa claridade absurda para aquela hora. Aproximou-se e espreitou pela sala. Viu dois castiçais com velas e um vulto de costas no sofá. Estranhou aquilo e aproximou-se mais para ver quem era, mas como casas antigas nunca eram locais silenciosos a madeira rangeu quando ela a calcou. O vulto virou-se na direcção do som e Margarett corou ao reconhecer a face iluminada pela luz do fogo:
-David…
Ele olhou-a de cima abaixo e a questão dos dois foi a mesma:
-O que fazes aqui?
Margarett foi a primeira a responder:
-Pensei que não estivesse cá ninguém.
David não considerou aquilo uma resposta mas não quis saber os reais motivos da rapariga. Sentou-se de novo no sofá de costas para ela.
Margarett esfregou os olhos com os dedos por ver o seu plano falhado. O feitiço tinha-se virado contra o feiticeiro. Se ela fosse embora talvez fosse pior. Acreditou que tinha de enfrentar David se queria ver tudo resolvido, por isso aproximou-se do sofá virado na direcção oposta a ela. Pousou as mãos no encosto, ainda de pé. A cabeça de David ficou entre os seus braços e era só mexer os dedos para tocar-lhe:
-Não me respondeste porque estás aqui.
David respondeu sem nenhuma pausa para pensar no que dizer:
-Porque este é o nosso lugar secreto.
Margarett sentiu um leve arrepio. Na verdade o motivo dela estar ali talvez fosse o mesmo, apesar de não querer admiti-lo. No seu interior tinha esperança de que ao ir ali poderia encontrar David e ser quem ela quisesse sem as restrições da sociedade. Alem disso era esse o motivo porque eles tinham apelidado aquela mansão de “sitio secreto”.
Deslizou as suas mãos pelo encosto do sofá até alcançar os ombros de David e acariciou-os:
-Estás zangado comigo, David? – Perguntou em voz baixa e receosa.
-Tenho motivos para estar? – Aquela questão surgiu como uma afirmação aos ouvidos da jovem moça.
-Desculpa. – Margarett afastou de novo as mãos, agora trémulas e humedeceu os lábios rosados com um nó na garganta.
David levantou-se e virou-se na direcção dela:
-O que fazes aqui a esta hora da noite?
Margarett abanou a cabeça e olhou David nos olhos. Há muito que não o fazia e ficou breves momentos a engolir as sensações que aquela simples contemplação lhe suscitava. Sentiu as vistas a arder e encarou o chão:
-Precisava de pensar… Eu não tenho andado bem.
David acreditou nela. Notava-se na expressão de Margarett toda aquela frustração que ela devia estar a sentir. Por momentos David teve pena dela:
-O que se passa?
Margarett soltou uma lágrima, presa há muito tempo:
-Eu preciso de um amigo…
David inspirou algum ar e deu um passo inquieto na direcção da eterna compincha:
-Eu estou aqui!
Margarett abanou a cabeça. David não a entendera. Ainda assim, Margarett não recusou o abraço dele apesar de isso só a obrigar a soltar outra lágrima.
-Estou tão confusa… - Desabafou a rapariga com a voz abafada no ombro de David.
Ele nada disse. Tinha a certeza que sabia qual o motivo da confusão dela. Apertou-a mais contra si e depositou um beijo na bochecha de veludo dela:
-Esquece isso por uma noite… - Sussurrou-lhe ao ouvido – Eu vou estar aqui para o que precisares.
Com aquilo Margarett chorou mais e abafou completamente o rosto molhado na camisola de David. Ele sentiu um aperto no peito ao segurar as mãos finas que tremiam como searas de trigo. Nunca tinha visto Margarett tão insegura e sentiu-se culpado por isso. Sabia que, em parte, a culpa era sua. Ele segurou nela e desviou-a de si, para lhe encarar a cara. A princípio Margarett não se quis mostrar, mas as mãos de David sobre a sua pele molhada foram o suficiente para ela deixar que o seu rosto avermelhado fosse iluminado pela luz quente das velas. David limpou as lágrimas que pôde com os polegares e fez um trejeito:
-Sou eu quem te deve desculpas, então… Desculpa minha Rett. Não te atormentes mais, por favor.
Ela não respondeu nada e afastou-se dele. Foi até um dos castiçais e soprou quase todas as velas:
-Não quero que me vejas neste estado… - Murmurou quando a luz diminuiu, mas a sua voz acusou-a.
David não a deixou apagar as restantes fontes de luz. Segurou-lhe os pulsos quando ela se preparava para segurar no outro castiçal e puxou-a para longe dele:
-Eu fecho os meus olhos se quiseres. Não farei mais nada que te incomode.
Margarett teve medo de falar, mas arranjou coragem para trazer o assunto concreto à tona:
-O que pensas que me incomodou? Tu teres-me beijado?
David ficou sem reacção. Não sabia o que responder à questão da sua idolatrada Rett.
-Não o devia ter feito. O remorso agora está a dar contigo em doida, não é verdade?
Margarett negou com a cabeça e o gaiato percebeu que as lágrimas jorraram com mais força das orbitas de Margarett.
-Não é culpa tua…!
Apreensivo, David voltou a limpar as lágrimas de Margarett, desta vez com as mãos mais firmes sobre o seu rosto. Começava a ficar nervoso com o estado dela:
-Então o que foi, Margarett?! Foi o William? Forçou-te a fazer algo que tu não querias? Ou a tua mãe? Ela…?
-Não, David! Sou apenas eu.
Não havia nada que David conseguisse dizer para aliviar o momento. A luz fraca tirava-lhe toda a claridade tanto física como psicológica. Margarett baixou a cabeça até os olhos só conseguirem enxergar o chão.
Por instantes, houve silêncio. David suspirou:
-Eu amo-te, Margarett.
A loira sentiu a caixa torácica mais inchada e olhou David em sobressalto. Ele não a encarava directamente. Tinha-se focado nas velas atrás dela mas sabia que o que acabara de admitir tinha um preço alto, por isso continuou:
-Farei o que tu quiseres para te sentires melhor, desde estar contigo, a afastar-me drasticamente de ti.
-Não! – Margarett segurou-lhe os braços – Tudo menos deixares-me.
O rapaz ficou atrapalhado e nada proclamou.
Por outro lado, Mag olhou o chão e falou, timidamente:
-O que acontece aqui, fica aqui, certo? – Questionou ela.
Ele assentiu.
-Então eu quero que me… Apenas gostava que me…!
Ela desistiu de dizer aquilo. Apenas um beijo teu para saciar a minha sede, queria ela ter dito, mas não conseguiu. Desviou-se de David hesitante, mas ele não a deixou afastar-se muito.
Limpou-lhe a cara com o seu lenço de bolso e depois fitou-a longamente, pensativo. Parecia, pelo seu olhar, que ele tinha a mesma vontade. Apenas um beijo leve lhe bastaria, no entanto sabia que isso teria um preço duro. A não ser que ninguém chegasse a saber:
-O que acontece aqui… - murmurou - fica mesmo aqui?
Margarett abanou a cabeça em confirmação. De repente as lágrimas já não queriam sair e o inchaço no peito aumentou:
-Sim, David… – Declarou, simultaneamente assustada e esperançosa - Será como se nunca tivesse acontecido no mundo real.
Ele mordeu o seu próprio lábio e depois entrelaçou os seus dedos com os da mão da amada:
-Mesmo as coisas mais improváveis?
-As mais impossíveis… Proibidas. – Completou com um tom de expectação na voz e, acima disso, insinuação.
David quis ter a certeza que ela escutava as entrelinhas daquela conversa:
-E quais serão as consequências?
-Nenhumas.
Isso bastou.
David aproximou o seu corpo até Mag e acariciou-lhe as bochechas para não afugenta-la. Olhou-a nos olhos e depois admirou-lhe os lábios cheios. Arrastou as mãos até ao cabelo dela e entrelaçou os dedos por entre os fios loiros para logo puxar-lhe a cabeça na direcção da sua cara. Deixou as respirações tocarem-se durante dois segundos e depois beijou Margarett com cautela. Esperou levar alguma bofetada mas ao invés disso, Margarett agarrou o colarinho da sua camisola com força e entregou-se o quanto podia a ele. Viu estrelas. A última vez que tinha sido beijada por David, ainda não tinha beijado William e aquela acção foi o suficiente para entender que não havia qualquer prazer dela nos beijos com o próprio namorado. Essa palavra fê-la hesitar, e por essa razão desviou a boca do alcance de David que sentiu os seus lábios a roçarem na pele da amante.
-Tu não…? – Perguntou sem desviar a boca daquela pele suave.
Margarett abanou a cabeça. A consciência recordava-a que aquilo não era certo.
-O que é que eu faço?
David rasteou a cara dela com pequenos beijos. As suas mãos não a deixaram fugir e ela arrepiou-se quando os lábios dele alcançaram o ponto em que o maxilar, o lóbulo da orelha e o pescoço se juntavam:
- Isto nunca aconteceu…
O ambiente gerado pela luz das velas tornou tudo mais intenso e aí, Margarett convenceu-se: Aquilo seria como um sonho.
“Nunca aconteceu”.
---
pronto é isto... Eu sei, vocês por esta altura detestam a Margarett. Pode ser que consigam voltar a gostar dela quando ela estiver menos confusa, porque sim, é esse o principal problema dela. Não sabe o que quer!
Para mais informações comentem. Próximo capitulo sábado ou domingo em principio, eu juro!

bjokas
PS: só de salientar que nesta fic existem muitas frases em italico. por alguma razão desaparecem quando eu publico e honestamente não me apetece rever tudo isto. é a bidinha!

as minhas fic's:
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
-Angelical
Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
-Angelical
Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^
Olá!
Depois de ler todos os capítulos em atraso, (shame on me,
), devo dizer que gostei muito de tudo o que li. E também tenho de dizer que quero o David para mim! loool
Ele está diferente, é bom ver que o verdadeiro David tinha muito mais para mostrar do que aquele miúdo palerma que era no início. Também gosto do William, sorry Ana_Sant0s, sei que o odeias, e também concordo com o disseste dele ser mais genuíno, e creio que isso nos capítulos mais recentes já se está a ver mais. Ele até é boa pessoa, tendo em conta os pais que tem, podia ser um convencido, mas pelo contrário até é uma pessoa simples, e lidou bastante bem com o facto da donzela delicada por quem se apaixonou, andar no meio da rua a jogar futebol com rapazes ou a dar uma bela tareia num homem (adorei a Maggie nesta parte!). Mas ele vai ficar bem melhor com a Daisy.
Então para compensar a minha ausência vou comentar cada um dos capítulos individualmente (adoras comentários gigantes não é?
).
O último vestido
Depois do passeio fantástico que a Maggie teve com o David foi uma pena o que a mãe lhe fez. Eu realmente não compreendo a mãe dela, atualmente é evidente que a única coisa que lhe interessa na vida é dinheiro, mas será que quando casou ela era assim? Quer dizer o amor é cego mas nem tanto, se ela já fosse assim, alguém como o pai da Maggie, provavelmente nunca teria olhado para ela, ele não tem nada em comum com ela neste momento.
Colocar tábuas nas persianas do quarto e obrigá-la a trabalhar como uma escrava, ela não sabe o que significa ser mãe, ou claramente foi muito mal educada quando criança. E vivas ao David que teve a coragem de enfrentar a Dorianne Wilson!
Ter a coragem de pedir ajuda a um rival para proteger alguém que ama foi algo lindo, ele foi magnânimo. Foi das frases mais bonitas que ele disse.
"Pela Margarett sou capaz de espetar farpas a cada milímetro do meu corpo. Não me importo de ser o mau da fita, não me importo de vê-la contigo. Ela é tão importante para mim que eu vendia a minha alma ao diabo para vê-la bem. Tu não me conheces, Finkie. Mas se há coisa que eu sou é Louco o suficiente para fazer as coisas mais improváveis, desde que no final eu veja o fim que eu pretendia. Neste caso, só vou pensar nas consequências dos meus actos depois de saber que ela estará bem"
David deixa a Mag e fica comigo!
Pena que a Maggie não ficou a saber que foi graças ao David que o Will foi lá salvá-la.
Cena do sapatinho da Cinderela foi muito gira, mas devia ser outro princípe, kekeke.
Mais uma vez se confirma que a mãe da Mag só vê dinheiro na frente, vende o vestido da filha porque lhe oferecem mais dinheiro....
Mascarados
Lulu, tu que pões sempre uns extras no final do capítulo, podias ter posto uma do David com o terno vestido, devia estar lindo!
Adorei o Eric! Foi tão giro ele ter sido, aparentemente tão desembaraçado a convidar a Janice, mas depois a ficar todo corado.
Bem feito para a Brit, pode ter levado o vestido da Mag, mas para o David ela continuava a ser a mais bela da festa.
E foi hilariante quando o David disse à Britt que ela ficava melhor com o vestido que a Maggie tinha, looooool.
E a Mrs Paisen a dar uma valente resposta às mães da Mag e do Will! Aquelas mulheres não passam de coscuvilheiras, tss tss.
Finalmente o David deixou a Britt, já era tempo!
Margarett baka, como é que aceitas namorar o Will, se estás apaixonada pelo David?!!!
Bem em questão de pretendentes a Maggie não se pode queixar da sorte que lhe calha, ficaria bem com qualquer um deles.
Fiquei com tanta pena do David no fim...
Namoro
"A janela á sua frente abriu-se e David emergiu em tronco nu, também ele estremunhado.
Margarett com a surpresa tapou os olhos, envergonhada pela falta de roupa dele"
tss tss, Mag acho que percebeste tudo mal, não se tapa os olhos, mantem-se bem abertos para ver melhor, loool. >F
"Ela estava Sexy. "
Eu desatei a rir com este pensamento!
O pai da Mag conhece-a melhor do que ela a si própria e já detectou a léguas de quem ela gosta de verdade.
Adorei a Rett a jogar futebol, parecia que tinham voltado a ser crianças, e quando o David a abraçou, lindo!!!
A parte do romance com o Will, bem ele é muito cavalheiro, um ponto a favor, mas não acho muita piada porque preferia que ela estivesse com o David. Além disso ela nem gosta dele, não está a fazer de propósito mas vai acabar por magoá-lo.
Amizade limitada
A Mrs Paisen é mesmo muito querida, preocupada com o David, a Maggie precisava de uma mãe assim...
A Mag gosta de torturar o David...
, a beijá-lo nos cantos da boca, e ainda tem o descaramento de pedir conselhos sobre beijos com o Will, se fosse ela na situação dele...
Porque é que ela não vê o que está na frente, não é por causa da promessa, ou se gosta ou não, e é claro como água que não gosta do Will.
Conflitos
Gostei muito do William a defender a Daisy. O Will realmente fica muito cómico quando a Mag decide avançar e ele não está à espera, lol.
O David foi tão fofinho com a irmã, preocupado por o pai estar a fumar e depois a acariciar a barriga da mana. Claro que preferia uma menina, como a Maggie!
Desatei a rir quando li que a Mag quase levantou voo para ir ter com a Vicky, não fazia ideia que gostava tanto dela, tendo em conta que na infância andou a espiá-la com o namorado.
"Acho que vou adorar quando for a minha vez!
Se William ficou com as bochechas quentes pelo comentário, David pura e simplesmente derreteu."
Ai estes rapazes, que estaria a passar por aquelas cabecinhas...
A Maggie ainda tem menos juízo que o David, a dar-lhe um beijo em frente a toda a gente. >F
"-Deixa-te de disparates, cretino!
Jack só conseguiu identificar a voz do seu atacante, pois foi acertado com um outro murro nos olhos antes de responder à agressão.
Margarett empurrou-o pelos ombros, até ele embater contra uma mesa e cair com ela por cima:
Ela deu dois passos sonoros, em direcção a Jack. Ele foi capaz de ver o salto agulha à frente da cara, e isso deixou-o estático.
-Nunca te metas com uma rapariga que luta desde os seis anos e que ainda por cima o faz de saltos altos!
O silêncio reinou no local. Todos atrás de Margarett tinham as bocas entreabertas pelo choque e os olhos não se deixavam fechar. Quando ela voltou a virar-se para eles, tinha um aspecto tão sombrio como a própria morte.
Ninguém soube o que dizer, e então a mudez foi quebrada por uma gargalhada espontânea.
David pegou Margarett ao colo, num misto de surpresa e divertimento. Há séculos que esperava ver um reacção daquelas vinda da velha melhor amiga. Aquilo sim era genuino da arte dela:
-Esta é a minha Rett! – Declarou orgulhoso."
Oh my God!
Adorei, adorei, adorei!!! Desde a tareia que a Mag deu, até ao facto do David lhe pegar ao colo! Fantástico!
O que realmente se quer
E a Maggie continua a não perceber nada.....sempre colada ao David, por este andar o namorado ainda percebe primeiro que ela gosta do David antes da própria, se é que já não percebeu.
Vá lá que o Eric estava lá para salvar o dia, ele anda tão querido com a Janice.
Gostei muito desta nova amizade entre o David e a Daisy, pelo menos vai servir para abrir os olhos à Mag e também ao Will.
"Não pode! Está com o período.
Daisy perdeu o tom moreno que a caracterizava e deu lugar ao cinzento e rosa. Ficou tão envergonhada com isso, que nem sequer conseguiu responder. Margarett olhou David acusatoriamente.
-O que é isso? * – Perguntou William, desentendido."
LOOOOOOL Tadinho do Will.....
O Erro Perfeito
"Ela estava Sexy."
E continuo a rir sempre que leio isto. lol
"-Podem passar mil anos, mas serás sempre o meu reflexo."
"-Quer dizer que na minha alma estarás sempre, seja em grande plano ou não. Por muito diferente de mim que sejas, serás sempre tu quem eu vou encontrar quando me olhar ao espelho… Porque fazes parte de mim…"
Maggie sua baka! Estás à espera de quê para ficar com ele só para ti?!!
Coitado do David, continua a ser o alvo da Mag para falar dos beijos com o rival, não há paciência...
Desde a parte em que o David explica como teria sido o pedido de namoro até ao fim, amei tudo, lindo! Finalmente beijaram-se!
Capítulo 23
Tadinho do David, todo constipado, mas também depois do que ele fez é normal, este rapaz...
Foi bom a Vicky estar lá por casa, o David precisava de alguém para desabafar.
E mais uns ciúmes da Mag ao ver a Daisy no quarto do David, vamos ver se é desta que a rapariga acorda para a vida.
E o William finalmente reparou na Daisy!
A Maggie usar o Will para fazer ciúmes ao David, isso não se faz, ela também não gostaria de ser usada dessa maneira.
Grande David que agarrou a Maggie e beijou-a, devia fazê-lo mais vezes, podia ser que a rapariga somasse dois mais dois...
Remorsos
Realmente ironia, usar o vestido feito com o pano que o David lhe ofereceu, num encontro com o namorado.
"Afinal de contas ela tinha querido beijar o melhor amigo."
Aleluia ela admitiu!
Bem parece que o William é paciente, mas não parvo, e já entendeu muito bem o que passa! Lá está toda a gente percebe menos a pessoa em questão, desde quando é a Maggie tão cobarde para admitir algo?
Que triste o fim do capítulo com ambos a sofrer.
Nunca aconteceu
Aquele sonho da Maggie disse tudo, no fundo ela sabe perfeitamente de quem gosta.
Não me agradou nada o facto do Jack ter descoberto o sítio secreto deles. Isto ainda vai trazer problemas.
Espero mesmo que tudo termine entre o Will e a Mag, aquela relação não tem futuro.
Excelente ideia da Maggie ir para o sítio secreto deles, kekeke.
Foi lindo aquele momento entre eles.
E agora eu fiquei curiosa para saber afinal o que "nunca aconteceu" naquela noite....kekeke
Gostei das sugestões musicais tanto tuas, como da Ana, estou agora a ouvir "You and Me" do Lifehouse que passei para o pc.
Sabes que nunca vi swan princess, eu sei não dá para acreditar, guardei o link.
Também gostei dos extras com os vestidos do baile.
Bem acho que é tudo. Quando postares outro cá estarei para ler.
Beijinhos*
Depois de ler todos os capítulos em atraso, (shame on me,
), devo dizer que gostei muito de tudo o que li. E também tenho de dizer que quero o David para mim! looolEle está diferente, é bom ver que o verdadeiro David tinha muito mais para mostrar do que aquele miúdo palerma que era no início. Também gosto do William, sorry Ana_Sant0s, sei que o odeias, e também concordo com o disseste dele ser mais genuíno, e creio que isso nos capítulos mais recentes já se está a ver mais. Ele até é boa pessoa, tendo em conta os pais que tem, podia ser um convencido, mas pelo contrário até é uma pessoa simples, e lidou bastante bem com o facto da donzela delicada por quem se apaixonou, andar no meio da rua a jogar futebol com rapazes ou a dar uma bela tareia num homem (adorei a Maggie nesta parte!). Mas ele vai ficar bem melhor com a Daisy.
Então para compensar a minha ausência vou comentar cada um dos capítulos individualmente (adoras comentários gigantes não é?
).O último vestido
Depois do passeio fantástico que a Maggie teve com o David foi uma pena o que a mãe lhe fez. Eu realmente não compreendo a mãe dela, atualmente é evidente que a única coisa que lhe interessa na vida é dinheiro, mas será que quando casou ela era assim? Quer dizer o amor é cego mas nem tanto, se ela já fosse assim, alguém como o pai da Maggie, provavelmente nunca teria olhado para ela, ele não tem nada em comum com ela neste momento.
Colocar tábuas nas persianas do quarto e obrigá-la a trabalhar como uma escrava, ela não sabe o que significa ser mãe, ou claramente foi muito mal educada quando criança. E vivas ao David que teve a coragem de enfrentar a Dorianne Wilson!
Ter a coragem de pedir ajuda a um rival para proteger alguém que ama foi algo lindo, ele foi magnânimo. Foi das frases mais bonitas que ele disse.
"Pela Margarett sou capaz de espetar farpas a cada milímetro do meu corpo. Não me importo de ser o mau da fita, não me importo de vê-la contigo. Ela é tão importante para mim que eu vendia a minha alma ao diabo para vê-la bem. Tu não me conheces, Finkie. Mas se há coisa que eu sou é Louco o suficiente para fazer as coisas mais improváveis, desde que no final eu veja o fim que eu pretendia. Neste caso, só vou pensar nas consequências dos meus actos depois de saber que ela estará bem"
David deixa a Mag e fica comigo!
Pena que a Maggie não ficou a saber que foi graças ao David que o Will foi lá salvá-la.
Cena do sapatinho da Cinderela foi muito gira, mas devia ser outro princípe, kekeke.
Mais uma vez se confirma que a mãe da Mag só vê dinheiro na frente, vende o vestido da filha porque lhe oferecem mais dinheiro....
Mascarados
Lulu, tu que pões sempre uns extras no final do capítulo, podias ter posto uma do David com o terno vestido, devia estar lindo!
Adorei o Eric! Foi tão giro ele ter sido, aparentemente tão desembaraçado a convidar a Janice, mas depois a ficar todo corado.
Bem feito para a Brit, pode ter levado o vestido da Mag, mas para o David ela continuava a ser a mais bela da festa.
E foi hilariante quando o David disse à Britt que ela ficava melhor com o vestido que a Maggie tinha, looooool.
E a Mrs Paisen a dar uma valente resposta às mães da Mag e do Will! Aquelas mulheres não passam de coscuvilheiras, tss tss.
Finalmente o David deixou a Britt, já era tempo!
Margarett baka, como é que aceitas namorar o Will, se estás apaixonada pelo David?!!!
Bem em questão de pretendentes a Maggie não se pode queixar da sorte que lhe calha, ficaria bem com qualquer um deles.
Fiquei com tanta pena do David no fim...
Namoro
"A janela á sua frente abriu-se e David emergiu em tronco nu, também ele estremunhado.
Margarett com a surpresa tapou os olhos, envergonhada pela falta de roupa dele"
tss tss, Mag acho que percebeste tudo mal, não se tapa os olhos, mantem-se bem abertos para ver melhor, loool. >F
"Ela estava Sexy. "
Eu desatei a rir com este pensamento!
O pai da Mag conhece-a melhor do que ela a si própria e já detectou a léguas de quem ela gosta de verdade.
Adorei a Rett a jogar futebol, parecia que tinham voltado a ser crianças, e quando o David a abraçou, lindo!!!
A parte do romance com o Will, bem ele é muito cavalheiro, um ponto a favor, mas não acho muita piada porque preferia que ela estivesse com o David. Além disso ela nem gosta dele, não está a fazer de propósito mas vai acabar por magoá-lo.
Amizade limitada
A Mrs Paisen é mesmo muito querida, preocupada com o David, a Maggie precisava de uma mãe assim...
A Mag gosta de torturar o David...
, a beijá-lo nos cantos da boca, e ainda tem o descaramento de pedir conselhos sobre beijos com o Will, se fosse ela na situação dele...Porque é que ela não vê o que está na frente, não é por causa da promessa, ou se gosta ou não, e é claro como água que não gosta do Will.
Conflitos
Gostei muito do William a defender a Daisy. O Will realmente fica muito cómico quando a Mag decide avançar e ele não está à espera, lol.
O David foi tão fofinho com a irmã, preocupado por o pai estar a fumar e depois a acariciar a barriga da mana. Claro que preferia uma menina, como a Maggie!
Desatei a rir quando li que a Mag quase levantou voo para ir ter com a Vicky, não fazia ideia que gostava tanto dela, tendo em conta que na infância andou a espiá-la com o namorado.
"Acho que vou adorar quando for a minha vez!
Se William ficou com as bochechas quentes pelo comentário, David pura e simplesmente derreteu."
Ai estes rapazes, que estaria a passar por aquelas cabecinhas...
A Maggie ainda tem menos juízo que o David, a dar-lhe um beijo em frente a toda a gente. >F
"-Deixa-te de disparates, cretino!
Jack só conseguiu identificar a voz do seu atacante, pois foi acertado com um outro murro nos olhos antes de responder à agressão.
Margarett empurrou-o pelos ombros, até ele embater contra uma mesa e cair com ela por cima:
Ela deu dois passos sonoros, em direcção a Jack. Ele foi capaz de ver o salto agulha à frente da cara, e isso deixou-o estático.
-Nunca te metas com uma rapariga que luta desde os seis anos e que ainda por cima o faz de saltos altos!
O silêncio reinou no local. Todos atrás de Margarett tinham as bocas entreabertas pelo choque e os olhos não se deixavam fechar. Quando ela voltou a virar-se para eles, tinha um aspecto tão sombrio como a própria morte.
Ninguém soube o que dizer, e então a mudez foi quebrada por uma gargalhada espontânea.
David pegou Margarett ao colo, num misto de surpresa e divertimento. Há séculos que esperava ver um reacção daquelas vinda da velha melhor amiga. Aquilo sim era genuino da arte dela:
-Esta é a minha Rett! – Declarou orgulhoso."
Oh my God!
Adorei, adorei, adorei!!! Desde a tareia que a Mag deu, até ao facto do David lhe pegar ao colo! Fantástico!O que realmente se quer
E a Maggie continua a não perceber nada.....sempre colada ao David, por este andar o namorado ainda percebe primeiro que ela gosta do David antes da própria, se é que já não percebeu.
Vá lá que o Eric estava lá para salvar o dia, ele anda tão querido com a Janice.
Gostei muito desta nova amizade entre o David e a Daisy, pelo menos vai servir para abrir os olhos à Mag e também ao Will.
"Não pode! Está com o período.
Daisy perdeu o tom moreno que a caracterizava e deu lugar ao cinzento e rosa. Ficou tão envergonhada com isso, que nem sequer conseguiu responder. Margarett olhou David acusatoriamente.
-O que é isso? * – Perguntou William, desentendido."
LOOOOOOL Tadinho do Will.....
O Erro Perfeito
"Ela estava Sexy."
E continuo a rir sempre que leio isto. lol
"-Podem passar mil anos, mas serás sempre o meu reflexo."
"-Quer dizer que na minha alma estarás sempre, seja em grande plano ou não. Por muito diferente de mim que sejas, serás sempre tu quem eu vou encontrar quando me olhar ao espelho… Porque fazes parte de mim…"
Maggie sua baka! Estás à espera de quê para ficar com ele só para ti?!!
Coitado do David, continua a ser o alvo da Mag para falar dos beijos com o rival, não há paciência...
Desde a parte em que o David explica como teria sido o pedido de namoro até ao fim, amei tudo, lindo! Finalmente beijaram-se!
Capítulo 23
Tadinho do David, todo constipado, mas também depois do que ele fez é normal, este rapaz...
Foi bom a Vicky estar lá por casa, o David precisava de alguém para desabafar.
E mais uns ciúmes da Mag ao ver a Daisy no quarto do David, vamos ver se é desta que a rapariga acorda para a vida.
E o William finalmente reparou na Daisy!
A Maggie usar o Will para fazer ciúmes ao David, isso não se faz, ela também não gostaria de ser usada dessa maneira.
Grande David que agarrou a Maggie e beijou-a, devia fazê-lo mais vezes, podia ser que a rapariga somasse dois mais dois...
Remorsos
Realmente ironia, usar o vestido feito com o pano que o David lhe ofereceu, num encontro com o namorado.
"Afinal de contas ela tinha querido beijar o melhor amigo."
Aleluia ela admitiu!
Bem parece que o William é paciente, mas não parvo, e já entendeu muito bem o que passa! Lá está toda a gente percebe menos a pessoa em questão, desde quando é a Maggie tão cobarde para admitir algo?
Que triste o fim do capítulo com ambos a sofrer.
Nunca aconteceu
Aquele sonho da Maggie disse tudo, no fundo ela sabe perfeitamente de quem gosta.
Não me agradou nada o facto do Jack ter descoberto o sítio secreto deles. Isto ainda vai trazer problemas.
Espero mesmo que tudo termine entre o Will e a Mag, aquela relação não tem futuro.
Excelente ideia da Maggie ir para o sítio secreto deles, kekeke.
Foi lindo aquele momento entre eles.
E agora eu fiquei curiosa para saber afinal o que "nunca aconteceu" naquela noite....kekeke
Gostei das sugestões musicais tanto tuas, como da Ana, estou agora a ouvir "You and Me" do Lifehouse que passei para o pc.

Sabes que nunca vi swan princess, eu sei não dá para acreditar, guardei o link.

Também gostei dos extras com os vestidos do baile.
Bem acho que é tudo. Quando postares outro cá estarei para ler.
Beijinhos*
ai Bun! que comentário tão grande e gostoso! Gostei muito! Adorei tudo e não te preocupes. Sei que a Mag está a dar cabo do juízo a toda a gente porque não se decide ao que realmente quer, mas no próximo capitulo as coisas começam a mudar. Ah e não te quer dar falsas ideias. O que "nunca aconteceu" foi a traição. Ainda não ouve cenas mais profundas, se é que me entendes. Essas partes prefiro escrever especificamente! Muhahahaha!
Bem, muito obrigada pelo comentário! hoje à noite ou amanha actualizo!
Bem, muito obrigada pelo comentário! hoje à noite ou amanha actualizo!

as minhas fic's:
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
-Angelical
Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
-Angelical
Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^
Olá! A leitora desaparecida chegou (e Bun estás de volta, mesmo fixe!!!
)
Raios, que não tenho muitas ideias para comentários divertidos, por isso seja a primeira coisa que os meus dedos digitem. Entendi o que aconteceu e, mais uma vez, fiquei frustrada com as atitudes da Maggie. E o David, tão querido e ousado, admitiu-lhe finalmente os seus verdadeiros sentimentos
Mas o facto de ela querer esquecer tudo aquilo.... Pergunto-me se no próximo capítulo vais postar o que aconteceu ou se nos vais deixar a adivinhar. Porque, se for a primeira hipótese, cheira-me que um deles vai quebrar a promessa no final da noite.
O que raios anda o Jack a planear? Com aquela informaçãozinha, ele bem que pode lixar o David. E não falo de cenas leves como avisar o Will que a namorada dele o trai com o David (Até imagino a cena: Will fica todo DaFuq!
, o David fica tipo BUSTED!!!
e a Maggie diz "Will, isto não é o que parece!"
) mas algo da pesada, como ele incriminar o David por algo grave (veio-me logo a ideia de um assalto e coiso
). O David até ia para a prisão e tudo. Ai, céus que fiquei com medo! Vamos a ver o que virá aí...
Tenho que ser honesta. Por muito tonhó que o Will seja, não merece traição. Nenhum homem nem nenhuma mulher merece ser traído por alguém que goste. Daí que, neste momento, não vejo a Maggie com bons olhos(a culpa não é do David, nem nunca será!). Ai, as hormonas dos adolescentes, que os fazem fazer besteiras de terceiro grau (acredita que o sei, também sou uma
)
Bem, foi um bom capítulo, já me estava a esquecer da história e foi bom recordar (já agora, eu sou exactamente ao contrário que o Will. Se tiver bem, faço a pontuação máxima, se tiver chateada encho a parede de buracos
). Mas houve uma coisa que detestei. Sabes aquele bichinho que se podera dos corpos dos leitores? Aqueles bichos que se acomodam nas nossas entranhas e aumentam a nossa sede por uma história do qual somos fãs? Pois, o bicho voltou a despertar
. E não gostei porque sou realista e sei que vai demorar o próxmo capítulo. Mas... ainda assim, vou ver se distraio do bicho com outras histórias quaisquer. Mas ficas já a saber que espero um novo capítulo o mais rápido possível, entendido? 
P.S Uau, até eu adorei a ler o comentário da Bun!
E ainda bem que o li primeiro, pois assim acabei por ter uma espécie de resumo da história que ficara por trás.
)Raios, que não tenho muitas ideias para comentários divertidos, por isso seja a primeira coisa que os meus dedos digitem. Entendi o que aconteceu e, mais uma vez, fiquei frustrada com as atitudes da Maggie. E o David, tão querido e ousado, admitiu-lhe finalmente os seus verdadeiros sentimentos
Mas o facto de ela querer esquecer tudo aquilo.... Pergunto-me se no próximo capítulo vais postar o que aconteceu ou se nos vais deixar a adivinhar. Porque, se for a primeira hipótese, cheira-me que um deles vai quebrar a promessa no final da noite.
O que raios anda o Jack a planear? Com aquela informaçãozinha, ele bem que pode lixar o David. E não falo de cenas leves como avisar o Will que a namorada dele o trai com o David (Até imagino a cena: Will fica todo DaFuq!
, o David fica tipo BUSTED!!!
e a Maggie diz "Will, isto não é o que parece!"
) mas algo da pesada, como ele incriminar o David por algo grave (veio-me logo a ideia de um assalto e coiso
). O David até ia para a prisão e tudo. Ai, céus que fiquei com medo! Vamos a ver o que virá aí...
Tenho que ser honesta. Por muito tonhó que o Will seja, não merece traição. Nenhum homem nem nenhuma mulher merece ser traído por alguém que goste. Daí que, neste momento, não vejo a Maggie com bons olhos
) Bem, foi um bom capítulo, já me estava a esquecer da história e foi bom recordar (já agora, eu sou exactamente ao contrário que o Will. Se tiver bem, faço a pontuação máxima, se tiver chateada encho a parede de buracos
). Mas houve uma coisa que detestei. Sabes aquele bichinho que se podera dos corpos dos leitores? Aqueles bichos que se acomodam nas nossas entranhas e aumentam a nossa sede por uma história do qual somos fãs? Pois, o bicho voltou a despertar
. E não gostei porque sou realista e sei que vai demorar o próxmo capítulo. Mas... ainda assim, vou ver se distraio do bicho com outras histórias quaisquer. Mas ficas já a saber que espero um novo capítulo o mais rápido possível, entendido? 
P.S Uau, até eu adorei a ler o comentário da Bun!
E ainda bem que o li primeiro, pois assim acabei por ter uma espécie de resumo da história que ficara por trás.
Espero por ti em cada segundo , porque tu és o meu mundo!

Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
Visitem a minha 1ª Fic ----->The Four elements

Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
Visitem a minha 1ª Fic ----->The Four elements
Ai Ana! Que pouco crente em mim que tu és! ó.ò Eu disse que actualizava ontem ou hoje e tu duvidaste! Sua má! Só por isso já vou demorar mais a postar o próximo! Pronto, ok, a culpa não é propriamente tua! 
Mas enfim, respondendo ao teu comentário. realmente tenho um planozito especial para o Jack, ideia essa que já tenho desde que comecei a fic, mas não é nada do que estás a pensar. Daqui a 2 capitulos ou 3 já devo escrever isso. E pronto, eu sei, tu destestas a Mag, mas pronto, tal como dizes, é só mais um adolescente estupida, mas herrar é umano, portanto, há que saber perdoar!
E por falar em perdoar... Drama... Just Drama!
Boa leitura!
Às vezes os sonhos são tão intensos que uma pessoa nem sabe se aconteceram mesmo ou foram frutos da imaginação. Seja como for, se são sonhos absurdos, cuja experiencia nunca será vivida no mundo real, então para quê contar aos demais que nos rodeiam no nosso dia-a-dia aquilo com que sonhamos na noite anterior? Exacto, não é preciso contar. Nunca aconteceu, logo não tem relevância.
Margarett tinha escondido os lençóis de novo dentro do guarda-fatos, vestido a sua camisa de dormir e se deitado na cama, coberta com os lençóis. Esperou cinco minutos ou nem isso e escutou a mãe a bater à porta. Fechou os olhos e a progenitora entrou nos aposentos da filha julgando que ela dormia:
-Margarett, acorda!
A rapariga não respondeu logo, como se estivesse presa no sono. Esperou que Dorianne a sacudisse para logo se espreguiçar, fingindo ter dificuldade em abrir os olhos para encarar a mãe.
-Vá lá. – Resmungou Mrs. Wilson - Quero que venhas às compras comigo!
Margarett piscou os olhos e levantou-se. Fingiu arrastar-se pelo quarto e saiu dele rumo à casa de banho para se lavar. Quando dentro das quatro paredes apertadas, ela abandonou a faceta de ensonada e substitui-a inicialmente por receio. Receio daquilo em que se estava a meter. Ainda assim, se dependesse de si, aquela situação ia ter um fim rapidamente. Suspirou pesadamente e encarou o espelho, sem ter força suficiente para não sorrir de felicidade antes de entrar na banheira, mesmo sendo uma felicidade suja.
Depois do banho escolheu um dos seus vestidos preferidos e arranjou-se como há muito tempo não fazia. Tudo isso porque estava incompreensivelmente feliz.
Vestiu um vestido branco, deu volume aos fios dourados que lhe cobriam o crânio, calçou uns sapatos clarinhos e pegou na clutch da mesma cor. Podia não parecer ir a uma festa, mas o brilho que o seu rosto emitia fazia-a parecer mais bela do que nunca, ou pelo menos era isso que ela sentia.
Despachou-se para não aborrecer a mãe e as duas saíram de casa em passos firmes.
Mrs. Wilson engatou o seu braço no de Margarett quando reparou na figura de David encostado à casa dos Paisen, com uma das pernas flectidas e o pé apoiado na parede, de braços cruzados. Ele evitou sorrir ao ver Margarett e, em vez disso, ao reparar na fronha de Dorianne, ergueu o seu sorriso mais sarcástico quando a mulher passou mesmo em frente a ele:
-Bom dia, Mrs. Wilson! – Exclamou – Espero que tenha passado uma boa noite!
A mulher nem respondeu. Não gostava do rapaz e não queria contacto com ele desde que ele a desafiara.
-Rapaz indecente, parece que nem mudou de roupa desde ontem… - Segredou à filha com desdém no tom.
Margarett por outro lado apertou os lábios na tentativa de não se rir e olhou para David por cima do ombro, repreendendo-o com o olhar.
Ele deu de ombros e sorriu-lhe. Com os lábios gesticulou um “Estás linda” e piscou-lhe o olho castanho esverdeado, fazendo-a dar uma risada leve sem querer que chamou a atenção da mãe.
Ela recompôs-se e olhou para o caminho, fingindo que nada se passara.
David seguiu-a com o olhar e, ainda a sorrir, suspirou e encarou o céu azul. Estava completamente apaixonado por Margarett. Concordou que nunca diria que um dia se ia apaixonar pela sua melhor amiga, alguém tão igual, mas tão diferente dele. Era quase improvável imaginar, mas ele já não podia mentir mais. A única coisa que lhe doía era o facto de estar a fazer algo que os seus escrúpulos não permitiam. Fosse como fosse, ia pelo menos tentar imaginar que nada havia acontecido, por enquanto.
***
William saiu de casa com um buquê de flores na mão. Estava tão nervoso como se fosse para o seu primeiro encontro.
Ou talvez o último… reflectiu, dadas as circunstâncias.
As coisas não andavam bem, ele sabia disso. Apesar de adorar Margarett tinha chegado à conclusão que precisava marcar as suas prioridades e pensar bem no que realmente queria. Talvez fosse só a sua raiva a falar, ou então era o capricho que estava a desaparecer, mas a verdade é que o incómodo dele relativamente à distância da namorada não era tão grande como devia. Durante aquela manhã tinha reflectido bastante se realmente o que sentia por ela era o que pensava e tinha chegado à conclusão, ou suposição, que todo o fascínio por Mag tinha sido causado pela adrenalina de conhecer alguém diferente e novo, e que era um sentimento mais efémero do que julgava. Apesar de ambos partilharem os gostos e as opiniões, de terem educações semelhantes e serem perfeitos um para o outro no que tocava ao estilo… Faltava algo. Uma coisa maior. Uma Química… Apercebera-se disso quando observara Rick e Ally. A forma como eles se idolatravam era diferente da forma como ele e Margarett se davam. Depois analisou Eric e Janice. Esses eram muito mais fogosos. Claro que Eric era mais “rebelde” nessas coisas, mas a paixão com que Janice se entregava a ele, não enganava. Depois pensou em Daisy e David. Eles não eram um casal, de facto, mas nos últimos encontros William tinha encontrado na relação deles, uma semelhança com a sua relação com a filha da costureira. Que semelhança era essa?! Ele ainda estava a descobrir, mas antes disso ia tentar reatar algum do sentimento que nutria por Margarett naquela tarde.
A cerca de dois quarteirões da casa dos Wilson, um vulto travou-o.
-Hei Moedinhas! Aonde vais?
Jack acendeu o cigarro e sorriu com desdém.
-Não te diz respeito, idiota!
Jack fez-se de entendido:
-Das duas uma: ou vais dar cabo do David, ou vais arrastar asa para cima de uma miúda que não te quer. Tendo em conta as flores, aposto na segunda opção!
O filho do Banqueiro revirou os olhos:
-Não tens mais nenhum entretenimento, para alem de aborrecer quem não gosta de ti?
Jack riu-se como se William tivesse dito uma piada irónica e fez questão de o acompanhar:
-Também gosto de perseguir pessoas e descobrir segredos! Ah, isso lembra-me da tua “querida” namorada!
William parou de andar e olhou Jack com raiva:
-O que é que tu queres?!
-Nada de mais! Estou só a fazer conversa, mas se fosse a ti não baixava a guarda. As santinhas são as piores!
William agarrou a gola de Jack e empurrou-o contra o muro, deixando o ramo de gerbérias cair ao chão. Jack era a pessoa mais odiosa e manipuladora que conhecia e não queria ser controlado por ele:
-Não quero que fales da Margarett sem a conheceres!
-E tu? Conheces?!
A questão irónica de Jack deixou William estático e sem nada a responder.
Irritado, largou-o e olhou de cima abaixo de jeito intimidante para logo seguir caminho.
Jack pegou na beata que tombou no chão e voltou a pô-la na boca. Com um sorriso observou o filho de Mrs. Finkie a dirigir-se à casa dos Wilson e depois virou costas.
Enquanto isso, Margarett tacteava os próprios dedos, nervosa, com a mesma frase a fazer-lhe eco na consciência.
“Quando sonhamos algo que não devemos, cometemos um pecado mesmo assim, e só vamos descansar quando fizermos a escolha certa”, repetia vezes sem conta a si mesma. Os remorsos estavam a afundá-la aos poucos.
Não aconteceu nada! Não aconteceu nada! Tentou convencer-se. Mas por mais que se quisesse enganar, ela ia ter sempre a culpa a corroê-la. Os seus pensamentos matinais sobre o poder do “sonho” tinham-se alterado drasticamente durante o passeio com a mãe. Depois disso não conseguiu pensar em mais nada até à hora daquele maldito encontro.
Escutou William a bater à porta e a pupila dos olhos dilatou. Ela tinha de acabar com aquilo de uma vez por todas!
Avisou a mãe da sua saída e abriu a porta. Foi logo surpreendida pelo ramo de flores que o namorado trazia com ele, porém, ao contrário do que julgava não encontrou um sorriso terno na face de William. Em vez disso, havia um olhar penetrante e diferente. Ela não soube se devia sorrir ou chorar, apenas teve a certeza que aquele encontro ia dar um novo rumo às suas vidas.
-São lindas, obrigada… - Disse enquanto colocava as flores numa jarra com água.
Saiu depois para fora da casa. Nunca tinha visto William tão calado como naquele dia.
-Aonde vamos, Will? – Inquiriu numa tentativa de quebrar o gelo e disfarçar a ansiedade traiçoeira.
Ele suspirou e parou de andar quando já não havia ninguém por perto:
-Margarett, passa-se alguma coisa contigo?
Mag corou. Será que era óbvio na sua cara que ela o tinha… Traído?
-Eu sinto-me… bem.
William acenou a cabeça e Margarett amaldiçoou-se pela resposta com duplo sentido. Não podia ser tão cruel com William. Ele era uma óptima pessoa acima de tudo, e merecia o melhor.
Mas eu não sou o melhor… ,julgou.
William fez-lhe uma caricia no cabelo e olhou-a nos olhos. Margarett sentiu-se transparente nesse instante, mas quis escutar Will.
-O nosso último encontro foi… atribulado. Acho que realmente alguma coisa aconteceu, só não sei se foi contigo ou se foi comigo.
Com o dedo indicador, William ergueu o queixo de Margarett e aproximou os rostos. Ia beijá-la se a rapariga não tivesse tossido forçadamente antes de ele lhe encostar a boca. Aí ele entendeu que ela não queria que ele a beijasse, só que em vez de a respeitar, sentiu-se mais na obrigação de realmente o fazer. Segurou-a pela cabeça e beijou-a, sem a deixar fugir daquele “nível” a que ela não queria mesmo chegar.
Margarett tentou desviar a cara com algum custo e mal sentiu a boca livre falou:
-William, pára! – A jovem costureira mostrou-se incomodada.
William não escondeu o seu desagrado:
-Vês? É a isto que me refiro! Porque não te posso beijar quando quero nem como eu quero?!
Margarett abriu a boca, no entanto nenhum som saiu. Ela tentou arranjar a desculpa perfeita:
-Eu não me sinto pronta nem confortável.
-Mentes! – Acusou ele - Tu não queres que eu te beije porque não sentes o suficiente por mim para isso.
-William…!
O lábio dela tremeu.
-Sabes que mais?! – Ele recordou as palavras de Jack e desarrumou o cabelo penteado, zangado - Volta para casa. Ainda nem saímos do bairro e já estamos a iniciar outra discussão. – Ele deslizou a mão pela testa e depois olhou de novo a parceira.
-William, espera! – Margarett engoliu em seco – Tu… Tu tens razão. Perdoa-me.
-Então concordas, Margarett? Admites? – Ele falou mais alto sem querer – Admites que me foges e que me ignoras enquanto teu namorado?
Ela limpou os olhos húmidos:
-Sim, William… Nunca quis que te sentisses mal.
Ela agarrou-lhe a mão e começou a caminhar:
-vamos sair daqui, deste bairro. Precisamos de espairecer e conversar.
Não houve contestações por parte de nada nem ninguém. Parecia que a natureza e o próprio Deus queriam que aquele assunto se resolvesse de uma vez por todas. Margarett levou William para uma zona privada perto do rio. Todo o caminho para lá foi acompanhado por lagrimas silenciosas a escorrer-lhe pela face, no entanto, William não se apercebera delas por segui-la pelas costas e estar demasiado afundado dos seus pensamentos para sequer ouvir algum som que Margarett se esforçava por não fazer.
Quando finalmente pararam, William sentou-se na erva sem fitar a namorada, de joelhos flectidos e braços cruzados apoiados neles.
-Estamos sozinhos, Margarett. – Constatou, encarando o rio a correr – então, eu peço-te - será a ultima vez que o faço, e espero que sejas honesta comigo – diz-me… O que se passa contigo? O que te aconteceu? ... Onde está a Margarett que eu conheci e que tentei conquistar?
O silêncio pairou no ar.
-Diz-me!!! - William deu um berro, impaciente pela falta de resposta
Todavia, tudo o que ouviu foi um gemido abafado. Percebeu que Mag chorava, mas nem sequer quis olhá-la.
-É isto que tu queres, Margarett? Passar o resto da tua vida a chorar em silêncio porque não tens coragem de admitir para ti mesma o que te vai na cabeça? Ou melhor… O que vai no teu coração.
Margarett limpou as bochechas e tentou falar:
-A minha vida será passada com a tua dor na minha consciência. – Fungou - As minhas memórias nunca me deixarão esquecer todo o mal que te estou a fazer. Sinceramente, preferia que nunca me tivesses conhecido, para te poupar a toda esta situação. De facto, a culpa é toda minha e morro aos poucos por isso. E eu vou-te responder a todas as questões que me colocaresc com franqueza.
O rapaz agarrou uma pedra do chão e atirou-a à água, com raiva:
-Então diz, Mag! Qual é a causa dessa culpa que te atormenta e me faz sofrer por ti?
Margarett tapou o choro com as mãos. Soluçou cada vez com menos ar e tentou, acima de tudo, dizer a verdade da maneira mais sincera e menos cruel que conseguisse.
-Eu tentei, Will… Juro que tentei. – Soluçou - Logo que percebi que gostavas tanto de mim, tentei com todas as minhas forças corresponder-te. Pensei que seria fácil, que com o tempo me entregaria a ti de corpo e alma. Mas então as coisas andaram e eu senti-me a pisar sempre a mesma pedra, sem avançar um centímetro que fosse. – Margarett abraçou os próprios braços e olhou o céu, agora sem conter o seu martírio – Cada toque teu assustava-me… Os nossos beijos… foram a coisa mais dolorosa que eu fiz. – Murmurou - Cada beijo teu foi um martírio insuportável para mim…
William encarou-a por fim. Duas lagrimas grossas tinham deixado um rasto desde as orbitas avermelhadas:
-Era assim tão mau? – Inquiriu desgostoso.
Margarett deixou-se cair de joelhos no chão e apoiou as mãos nos ombros de William, cara a cara.
-Tive de fingir os meus sorrisos. Nunca o tinha feito, mas sentia-me tão culpada, que não podia evitar. – Admitiu, chorosa - Tu não tens nada de mal, eu apenas não me sentia bem… Desculpei-me com o medo, mas para além dele eu não queria beijar-te, simplesmente… Porque… - ela soluçou mais – Eu juro que tentei… Mas eu não fui capaz de te amar…!
Ela não conseguiu proclamar mais nada. Tentou limpar as lagrimas do namorado destroçado com os seus polegares, ignorando o verdadeiro mar de lagrimas que habitava no seu próprio rosto:
-Perdoa-me…! – Implorou trémula - Eu juro que tentei, mas eu não consegui…!
William fechou os olhos e humedeceu os lábios, olhando-a novamente de seguida:
-O que me faltava, Margarett?
Ela não soube responder. Enterrou a cabeça no ombro dele e chorou tanto quanto pode:
-Desculpa, desculpa-me, William…! Eu sinto-me tão falsa! Eu tornei-me uma pessoa de duas caras. – Urrou - Eu não sabia o que queria. A minha consciência apelava-me para ti, mas uma força maior… seduzia-me. Cometi idiotices. Num momento era simpática e noutro arranjava problemas onde eles não existiam. Tentei fugir de algo para o qual, inconscientemente, me atirava de cabeça. Tenho várias cordas a puxar-me numa direcção que eu julgava ser correcta, mas uma muito mais forte a puxar-me para o local que não devia. Não sei como fui tão longe. – um arrepio mortífero fê-la estremecer de novo entre as lagrimas, agora mais lentas e silenciosas -Não sei como disse “sim” quando a resposta era não. Contradisse-me em tudo o que fiz desde que regressei a esta maldita cidade e agora dou por mim a odiar a pessoa em que me transformei.
William deixou que o súbito silêncio dela se juntasse ao silêncio dele. Mas percebeu, pela tremura e pelos soluços de Margarett que havia mais alguma coisa que ela tinha de confessar:
-Não guardes mais nada para ti. – Murmurou com dificuldade - Confessa o que mais te está a atormentar e só depois farei o meu juízo final.
Margarett abanou a cabeça.
-Tu nunca me vais perdoar! – Deduziu, chorosa.
-Tentarei arranjar forças para o fazer, mas quero ficar com a minha mente limpa e não morrer na ignorância.
Margarett fixou os olhos de William e demonstrou culpa nos seus.
-Eu traí-te!
William não pestanejou.
Supostamente não o fizera pelo choque de saber que a namorada tinha estado com outro, mas não foi por isso. Foi por ter aceitado tão bem aquele facto.
Sentia-se envergonhado, humilhado, zangado e tudo o mais que devia sentir perante aquela declaração, não obstante, não conseguiu ficar raivoso pela confissão. Notou uma estranha indiferença em relação a isso. Porquê? Talvez porque ele já esperasse isso há bastante tempo.
-David? – Questionou.
Margarett não conseguiu responder, mas William sabia que sim.
-Há quanto tempo? – Inquiriu rouco - Desde sempre?
-Não, eu juro! – Apressou-se ela a declarar, ligeiramente mais calma por ver que William não tinha explodido - Uma vez beijei-o. Sem qualquer malicia, apenas porque queria saber como era… mas quando falo de traição não me refiro a isso.
-Quando, Margarett?- tornou a perguntar - Preciso de saber há quanto tempo a minha namorada se entrega a outro!
Margarett cerrou os olhos com força:
-Ontem… – Admitiu ela, constrangida – Eu queria fingir que nada aconteceu. Ele também. Sabíamos o quão errado era, mas… Foi impossível! A culpa é toda minha. Não dele. Minha apenas! Eu não soube controlar os meus sentimentos desde inicio e por isso arrastei-o comigo sem querer… - William reparou que Margarett não queria pronunciar a palavra “David”. Continuou a escutá-la, tentando procurar uma forma de aceitar o seu perdão. Mas era difícil - Um pedaço de mim – prosseguiu ela - , quer queiramos quer não, sempre foi dele. Só me falta entregar-lhe o resto que tentei resguardar, mas não pude fazê-lo por ti. – a face dele foi coberta pelas mãos frias e bambas da francesa - Perdoa-me, William! Nunca te quis magoar e por muito que não acredites, ele também não.
Fez-se um minuto de silêncio.
William olhou-a nos olhos e depois fê-la soltá-lo.
-Vou estar ocupado esta semana. Pode ser que nos encontremos no Lili’s Diner ou assim.
Margarett não percebeu de onde tinha surgido aquele assunto. As suas lagrimas abrandaram.
-Eu ligo-te! – Apressou-se a dizer, sem saber ao certo ao que aquela conversa ia dar.
William sorriu sem humor:
-Não, tu não ligas… Mas acho que uma semana de folga nos vai fazer bem. Mrs. Hessies pediu para eu e os rapazes irmos arranjar a vedação da casa dela e tu terás liberdade para sair com quem tu quiseres sem mim a prender-te.
A loira ficou calada por momentos. Absorveu tudo o que ele dissera até arranjar algo minimamente decente para perguntar:
-Isto é o fim, William?
Ele abanou a cabeça.
-Ainda não consegui entender a gravidade de tudo isto. Mas sim… - assentiu - Nunca mais será o mesmo.
William levantou-se e sacudiu a erva agarrada à sua roupa. Limpou a cara com o seu lenço de mão, ajeitou o cabelo e ajudou Margarett a levantar-se e ainda lhe limpou a face corada.
-Vai para casa, Mag. – Aconselhou, abalado - Vemo-nos depois e vamos conversar mais calmamente.
-Não oficializes já.. – Sussurrou ela, rouca. Outro fio de água morna fugiu-lhe das orbitas – Não contes a ninguém que nós não somos mais namorados. A minha mãe tranca-me em casa se sabe disso. És a única coisa a que ela me permite aceder, e se sabe que acabamos vai-me acusar de desperdiçar uma pessoa como tu. Não estou pronta para voltar àquele inferno! -Ela arrependeu-se logo de dizer aquilo - Desculpa… desculpa outra vez! Não estou, de todo, em posição de te fazer pedidos…
William bufou e esfregou os olhos:
-Também não estou pronto para dizer nada… ainda.
Mag olhou-o surpreendida:
-Não te cales por mim… não mereço.
-Não é por ti, é por mim. – Respondeu.
Mag sorriu com muito esforço:
-És uma excelente pessoa, William. Mereces o melhor.
Ele não pronunciou uma única letra. Deu de ombros desanimado, simplesmente.
Um aperto no peito fez Margarett pedir perdão novamente:
-Só espero que um dia me desculpes.
-Talvez um dia… - assentiu ele sem credência nas próprias palavras.
Mag concordou com dor, e ao vê-lo virar-lhe costas para se ir embora, viu-se na obrigação de interrompê-lo:
-William? – Ele olhou-a sem qualquer alegria na alma. Isso deixou-a ainda mais triste e com novas lagrimas a crescerem dentro de si - Não somos todas iguais... Há alguém no mundo que vai-te querer tanto como tu a quererás a ela. Não me faças de exemplo para todas as mulheres!
William acenou com a cabeça.
-Obrigado por toda a verdade.
Mag sorriu e chorou ao mesmo tempo. Limpou a ultima lágrima e despediu-se:
-Desculpa, William…
---
Pobre, pobre Mag...! "Ou não", diz a Ana! Muhahaha!
Vou tentar actualizar em breve, mas deta vez não tenho data. Espera-se mais 2 meses, nada de mais! (Estou brincando, vou tentar despachar-me)

E por falar em perdoar... Drama... Just Drama!

Boa leitura!

Capitulo 25 – A culpa do fim
“A principal e mais grave punição para quem cometeu uma culpa está em sentir-se culpado.”
Sêneca
Sêneca
Às vezes os sonhos são tão intensos que uma pessoa nem sabe se aconteceram mesmo ou foram frutos da imaginação. Seja como for, se são sonhos absurdos, cuja experiencia nunca será vivida no mundo real, então para quê contar aos demais que nos rodeiam no nosso dia-a-dia aquilo com que sonhamos na noite anterior? Exacto, não é preciso contar. Nunca aconteceu, logo não tem relevância.
Margarett tinha escondido os lençóis de novo dentro do guarda-fatos, vestido a sua camisa de dormir e se deitado na cama, coberta com os lençóis. Esperou cinco minutos ou nem isso e escutou a mãe a bater à porta. Fechou os olhos e a progenitora entrou nos aposentos da filha julgando que ela dormia:
-Margarett, acorda!
A rapariga não respondeu logo, como se estivesse presa no sono. Esperou que Dorianne a sacudisse para logo se espreguiçar, fingindo ter dificuldade em abrir os olhos para encarar a mãe.
-Vá lá. – Resmungou Mrs. Wilson - Quero que venhas às compras comigo!
Margarett piscou os olhos e levantou-se. Fingiu arrastar-se pelo quarto e saiu dele rumo à casa de banho para se lavar. Quando dentro das quatro paredes apertadas, ela abandonou a faceta de ensonada e substitui-a inicialmente por receio. Receio daquilo em que se estava a meter. Ainda assim, se dependesse de si, aquela situação ia ter um fim rapidamente. Suspirou pesadamente e encarou o espelho, sem ter força suficiente para não sorrir de felicidade antes de entrar na banheira, mesmo sendo uma felicidade suja.
Depois do banho escolheu um dos seus vestidos preferidos e arranjou-se como há muito tempo não fazia. Tudo isso porque estava incompreensivelmente feliz.
Vestiu um vestido branco, deu volume aos fios dourados que lhe cobriam o crânio, calçou uns sapatos clarinhos e pegou na clutch da mesma cor. Podia não parecer ir a uma festa, mas o brilho que o seu rosto emitia fazia-a parecer mais bela do que nunca, ou pelo menos era isso que ela sentia.
Despachou-se para não aborrecer a mãe e as duas saíram de casa em passos firmes.
Mrs. Wilson engatou o seu braço no de Margarett quando reparou na figura de David encostado à casa dos Paisen, com uma das pernas flectidas e o pé apoiado na parede, de braços cruzados. Ele evitou sorrir ao ver Margarett e, em vez disso, ao reparar na fronha de Dorianne, ergueu o seu sorriso mais sarcástico quando a mulher passou mesmo em frente a ele:
-Bom dia, Mrs. Wilson! – Exclamou – Espero que tenha passado uma boa noite!
A mulher nem respondeu. Não gostava do rapaz e não queria contacto com ele desde que ele a desafiara.
-Rapaz indecente, parece que nem mudou de roupa desde ontem… - Segredou à filha com desdém no tom.
Margarett por outro lado apertou os lábios na tentativa de não se rir e olhou para David por cima do ombro, repreendendo-o com o olhar.
Ele deu de ombros e sorriu-lhe. Com os lábios gesticulou um “Estás linda” e piscou-lhe o olho castanho esverdeado, fazendo-a dar uma risada leve sem querer que chamou a atenção da mãe.
Ela recompôs-se e olhou para o caminho, fingindo que nada se passara.
David seguiu-a com o olhar e, ainda a sorrir, suspirou e encarou o céu azul. Estava completamente apaixonado por Margarett. Concordou que nunca diria que um dia se ia apaixonar pela sua melhor amiga, alguém tão igual, mas tão diferente dele. Era quase improvável imaginar, mas ele já não podia mentir mais. A única coisa que lhe doía era o facto de estar a fazer algo que os seus escrúpulos não permitiam. Fosse como fosse, ia pelo menos tentar imaginar que nada havia acontecido, por enquanto.
***
William saiu de casa com um buquê de flores na mão. Estava tão nervoso como se fosse para o seu primeiro encontro.
Ou talvez o último… reflectiu, dadas as circunstâncias.
As coisas não andavam bem, ele sabia disso. Apesar de adorar Margarett tinha chegado à conclusão que precisava marcar as suas prioridades e pensar bem no que realmente queria. Talvez fosse só a sua raiva a falar, ou então era o capricho que estava a desaparecer, mas a verdade é que o incómodo dele relativamente à distância da namorada não era tão grande como devia. Durante aquela manhã tinha reflectido bastante se realmente o que sentia por ela era o que pensava e tinha chegado à conclusão, ou suposição, que todo o fascínio por Mag tinha sido causado pela adrenalina de conhecer alguém diferente e novo, e que era um sentimento mais efémero do que julgava. Apesar de ambos partilharem os gostos e as opiniões, de terem educações semelhantes e serem perfeitos um para o outro no que tocava ao estilo… Faltava algo. Uma coisa maior. Uma Química… Apercebera-se disso quando observara Rick e Ally. A forma como eles se idolatravam era diferente da forma como ele e Margarett se davam. Depois analisou Eric e Janice. Esses eram muito mais fogosos. Claro que Eric era mais “rebelde” nessas coisas, mas a paixão com que Janice se entregava a ele, não enganava. Depois pensou em Daisy e David. Eles não eram um casal, de facto, mas nos últimos encontros William tinha encontrado na relação deles, uma semelhança com a sua relação com a filha da costureira. Que semelhança era essa?! Ele ainda estava a descobrir, mas antes disso ia tentar reatar algum do sentimento que nutria por Margarett naquela tarde.
A cerca de dois quarteirões da casa dos Wilson, um vulto travou-o.
-Hei Moedinhas! Aonde vais?
Jack acendeu o cigarro e sorriu com desdém.
-Não te diz respeito, idiota!
Jack fez-se de entendido:
-Das duas uma: ou vais dar cabo do David, ou vais arrastar asa para cima de uma miúda que não te quer. Tendo em conta as flores, aposto na segunda opção!
O filho do Banqueiro revirou os olhos:
-Não tens mais nenhum entretenimento, para alem de aborrecer quem não gosta de ti?
Jack riu-se como se William tivesse dito uma piada irónica e fez questão de o acompanhar:
-Também gosto de perseguir pessoas e descobrir segredos! Ah, isso lembra-me da tua “querida” namorada!
William parou de andar e olhou Jack com raiva:
-O que é que tu queres?!
-Nada de mais! Estou só a fazer conversa, mas se fosse a ti não baixava a guarda. As santinhas são as piores!
William agarrou a gola de Jack e empurrou-o contra o muro, deixando o ramo de gerbérias cair ao chão. Jack era a pessoa mais odiosa e manipuladora que conhecia e não queria ser controlado por ele:
-Não quero que fales da Margarett sem a conheceres!
-E tu? Conheces?!
A questão irónica de Jack deixou William estático e sem nada a responder.
Irritado, largou-o e olhou de cima abaixo de jeito intimidante para logo seguir caminho.
Jack pegou na beata que tombou no chão e voltou a pô-la na boca. Com um sorriso observou o filho de Mrs. Finkie a dirigir-se à casa dos Wilson e depois virou costas.
Enquanto isso, Margarett tacteava os próprios dedos, nervosa, com a mesma frase a fazer-lhe eco na consciência.
“Quando sonhamos algo que não devemos, cometemos um pecado mesmo assim, e só vamos descansar quando fizermos a escolha certa”, repetia vezes sem conta a si mesma. Os remorsos estavam a afundá-la aos poucos.
Não aconteceu nada! Não aconteceu nada! Tentou convencer-se. Mas por mais que se quisesse enganar, ela ia ter sempre a culpa a corroê-la. Os seus pensamentos matinais sobre o poder do “sonho” tinham-se alterado drasticamente durante o passeio com a mãe. Depois disso não conseguiu pensar em mais nada até à hora daquele maldito encontro.
Escutou William a bater à porta e a pupila dos olhos dilatou. Ela tinha de acabar com aquilo de uma vez por todas!
Avisou a mãe da sua saída e abriu a porta. Foi logo surpreendida pelo ramo de flores que o namorado trazia com ele, porém, ao contrário do que julgava não encontrou um sorriso terno na face de William. Em vez disso, havia um olhar penetrante e diferente. Ela não soube se devia sorrir ou chorar, apenas teve a certeza que aquele encontro ia dar um novo rumo às suas vidas.
-São lindas, obrigada… - Disse enquanto colocava as flores numa jarra com água.
Saiu depois para fora da casa. Nunca tinha visto William tão calado como naquele dia.
-Aonde vamos, Will? – Inquiriu numa tentativa de quebrar o gelo e disfarçar a ansiedade traiçoeira.
Ele suspirou e parou de andar quando já não havia ninguém por perto:
-Margarett, passa-se alguma coisa contigo?
Mag corou. Será que era óbvio na sua cara que ela o tinha… Traído?
-Eu sinto-me… bem.
William acenou a cabeça e Margarett amaldiçoou-se pela resposta com duplo sentido. Não podia ser tão cruel com William. Ele era uma óptima pessoa acima de tudo, e merecia o melhor.
Mas eu não sou o melhor… ,julgou.
William fez-lhe uma caricia no cabelo e olhou-a nos olhos. Margarett sentiu-se transparente nesse instante, mas quis escutar Will.
-O nosso último encontro foi… atribulado. Acho que realmente alguma coisa aconteceu, só não sei se foi contigo ou se foi comigo.
Com o dedo indicador, William ergueu o queixo de Margarett e aproximou os rostos. Ia beijá-la se a rapariga não tivesse tossido forçadamente antes de ele lhe encostar a boca. Aí ele entendeu que ela não queria que ele a beijasse, só que em vez de a respeitar, sentiu-se mais na obrigação de realmente o fazer. Segurou-a pela cabeça e beijou-a, sem a deixar fugir daquele “nível” a que ela não queria mesmo chegar.
Margarett tentou desviar a cara com algum custo e mal sentiu a boca livre falou:
-William, pára! – A jovem costureira mostrou-se incomodada.
William não escondeu o seu desagrado:
-Vês? É a isto que me refiro! Porque não te posso beijar quando quero nem como eu quero?!
Margarett abriu a boca, no entanto nenhum som saiu. Ela tentou arranjar a desculpa perfeita:
-Eu não me sinto pronta nem confortável.
-Mentes! – Acusou ele - Tu não queres que eu te beije porque não sentes o suficiente por mim para isso.
-William…!
O lábio dela tremeu.
-Sabes que mais?! – Ele recordou as palavras de Jack e desarrumou o cabelo penteado, zangado - Volta para casa. Ainda nem saímos do bairro e já estamos a iniciar outra discussão. – Ele deslizou a mão pela testa e depois olhou de novo a parceira.
-William, espera! – Margarett engoliu em seco – Tu… Tu tens razão. Perdoa-me.
-Então concordas, Margarett? Admites? – Ele falou mais alto sem querer – Admites que me foges e que me ignoras enquanto teu namorado?
Ela limpou os olhos húmidos:
-Sim, William… Nunca quis que te sentisses mal.
Ela agarrou-lhe a mão e começou a caminhar:
-vamos sair daqui, deste bairro. Precisamos de espairecer e conversar.
Não houve contestações por parte de nada nem ninguém. Parecia que a natureza e o próprio Deus queriam que aquele assunto se resolvesse de uma vez por todas. Margarett levou William para uma zona privada perto do rio. Todo o caminho para lá foi acompanhado por lagrimas silenciosas a escorrer-lhe pela face, no entanto, William não se apercebera delas por segui-la pelas costas e estar demasiado afundado dos seus pensamentos para sequer ouvir algum som que Margarett se esforçava por não fazer.
Quando finalmente pararam, William sentou-se na erva sem fitar a namorada, de joelhos flectidos e braços cruzados apoiados neles.
-Estamos sozinhos, Margarett. – Constatou, encarando o rio a correr – então, eu peço-te - será a ultima vez que o faço, e espero que sejas honesta comigo – diz-me… O que se passa contigo? O que te aconteceu? ... Onde está a Margarett que eu conheci e que tentei conquistar?
O silêncio pairou no ar.
-Diz-me!!! - William deu um berro, impaciente pela falta de resposta
Todavia, tudo o que ouviu foi um gemido abafado. Percebeu que Mag chorava, mas nem sequer quis olhá-la.
-É isto que tu queres, Margarett? Passar o resto da tua vida a chorar em silêncio porque não tens coragem de admitir para ti mesma o que te vai na cabeça? Ou melhor… O que vai no teu coração.
Margarett limpou as bochechas e tentou falar:
-A minha vida será passada com a tua dor na minha consciência. – Fungou - As minhas memórias nunca me deixarão esquecer todo o mal que te estou a fazer. Sinceramente, preferia que nunca me tivesses conhecido, para te poupar a toda esta situação. De facto, a culpa é toda minha e morro aos poucos por isso. E eu vou-te responder a todas as questões que me colocaresc com franqueza.
O rapaz agarrou uma pedra do chão e atirou-a à água, com raiva:
-Então diz, Mag! Qual é a causa dessa culpa que te atormenta e me faz sofrer por ti?
Margarett tapou o choro com as mãos. Soluçou cada vez com menos ar e tentou, acima de tudo, dizer a verdade da maneira mais sincera e menos cruel que conseguisse.
-Eu tentei, Will… Juro que tentei. – Soluçou - Logo que percebi que gostavas tanto de mim, tentei com todas as minhas forças corresponder-te. Pensei que seria fácil, que com o tempo me entregaria a ti de corpo e alma. Mas então as coisas andaram e eu senti-me a pisar sempre a mesma pedra, sem avançar um centímetro que fosse. – Margarett abraçou os próprios braços e olhou o céu, agora sem conter o seu martírio – Cada toque teu assustava-me… Os nossos beijos… foram a coisa mais dolorosa que eu fiz. – Murmurou - Cada beijo teu foi um martírio insuportável para mim…
William encarou-a por fim. Duas lagrimas grossas tinham deixado um rasto desde as orbitas avermelhadas:
-Era assim tão mau? – Inquiriu desgostoso.
Margarett deixou-se cair de joelhos no chão e apoiou as mãos nos ombros de William, cara a cara.
-Tive de fingir os meus sorrisos. Nunca o tinha feito, mas sentia-me tão culpada, que não podia evitar. – Admitiu, chorosa - Tu não tens nada de mal, eu apenas não me sentia bem… Desculpei-me com o medo, mas para além dele eu não queria beijar-te, simplesmente… Porque… - ela soluçou mais – Eu juro que tentei… Mas eu não fui capaz de te amar…!
Ela não conseguiu proclamar mais nada. Tentou limpar as lagrimas do namorado destroçado com os seus polegares, ignorando o verdadeiro mar de lagrimas que habitava no seu próprio rosto:
-Perdoa-me…! – Implorou trémula - Eu juro que tentei, mas eu não consegui…!
William fechou os olhos e humedeceu os lábios, olhando-a novamente de seguida:
-O que me faltava, Margarett?
Ela não soube responder. Enterrou a cabeça no ombro dele e chorou tanto quanto pode:
-Desculpa, desculpa-me, William…! Eu sinto-me tão falsa! Eu tornei-me uma pessoa de duas caras. – Urrou - Eu não sabia o que queria. A minha consciência apelava-me para ti, mas uma força maior… seduzia-me. Cometi idiotices. Num momento era simpática e noutro arranjava problemas onde eles não existiam. Tentei fugir de algo para o qual, inconscientemente, me atirava de cabeça. Tenho várias cordas a puxar-me numa direcção que eu julgava ser correcta, mas uma muito mais forte a puxar-me para o local que não devia. Não sei como fui tão longe. – um arrepio mortífero fê-la estremecer de novo entre as lagrimas, agora mais lentas e silenciosas -Não sei como disse “sim” quando a resposta era não. Contradisse-me em tudo o que fiz desde que regressei a esta maldita cidade e agora dou por mim a odiar a pessoa em que me transformei.
William deixou que o súbito silêncio dela se juntasse ao silêncio dele. Mas percebeu, pela tremura e pelos soluços de Margarett que havia mais alguma coisa que ela tinha de confessar:
-Não guardes mais nada para ti. – Murmurou com dificuldade - Confessa o que mais te está a atormentar e só depois farei o meu juízo final.
Margarett abanou a cabeça.
-Tu nunca me vais perdoar! – Deduziu, chorosa.
-Tentarei arranjar forças para o fazer, mas quero ficar com a minha mente limpa e não morrer na ignorância.
Margarett fixou os olhos de William e demonstrou culpa nos seus.
-Eu traí-te!
William não pestanejou.
Supostamente não o fizera pelo choque de saber que a namorada tinha estado com outro, mas não foi por isso. Foi por ter aceitado tão bem aquele facto.
Sentia-se envergonhado, humilhado, zangado e tudo o mais que devia sentir perante aquela declaração, não obstante, não conseguiu ficar raivoso pela confissão. Notou uma estranha indiferença em relação a isso. Porquê? Talvez porque ele já esperasse isso há bastante tempo.
-David? – Questionou.
Margarett não conseguiu responder, mas William sabia que sim.
-Há quanto tempo? – Inquiriu rouco - Desde sempre?
-Não, eu juro! – Apressou-se ela a declarar, ligeiramente mais calma por ver que William não tinha explodido - Uma vez beijei-o. Sem qualquer malicia, apenas porque queria saber como era… mas quando falo de traição não me refiro a isso.
-Quando, Margarett?- tornou a perguntar - Preciso de saber há quanto tempo a minha namorada se entrega a outro!
Margarett cerrou os olhos com força:
-Ontem… – Admitiu ela, constrangida – Eu queria fingir que nada aconteceu. Ele também. Sabíamos o quão errado era, mas… Foi impossível! A culpa é toda minha. Não dele. Minha apenas! Eu não soube controlar os meus sentimentos desde inicio e por isso arrastei-o comigo sem querer… - William reparou que Margarett não queria pronunciar a palavra “David”. Continuou a escutá-la, tentando procurar uma forma de aceitar o seu perdão. Mas era difícil - Um pedaço de mim – prosseguiu ela - , quer queiramos quer não, sempre foi dele. Só me falta entregar-lhe o resto que tentei resguardar, mas não pude fazê-lo por ti. – a face dele foi coberta pelas mãos frias e bambas da francesa - Perdoa-me, William! Nunca te quis magoar e por muito que não acredites, ele também não.
Fez-se um minuto de silêncio.
William olhou-a nos olhos e depois fê-la soltá-lo.
-Vou estar ocupado esta semana. Pode ser que nos encontremos no Lili’s Diner ou assim.
Margarett não percebeu de onde tinha surgido aquele assunto. As suas lagrimas abrandaram.
-Eu ligo-te! – Apressou-se a dizer, sem saber ao certo ao que aquela conversa ia dar.
William sorriu sem humor:
-Não, tu não ligas… Mas acho que uma semana de folga nos vai fazer bem. Mrs. Hessies pediu para eu e os rapazes irmos arranjar a vedação da casa dela e tu terás liberdade para sair com quem tu quiseres sem mim a prender-te.
A loira ficou calada por momentos. Absorveu tudo o que ele dissera até arranjar algo minimamente decente para perguntar:
-Isto é o fim, William?
Ele abanou a cabeça.
-Ainda não consegui entender a gravidade de tudo isto. Mas sim… - assentiu - Nunca mais será o mesmo.
William levantou-se e sacudiu a erva agarrada à sua roupa. Limpou a cara com o seu lenço de mão, ajeitou o cabelo e ajudou Margarett a levantar-se e ainda lhe limpou a face corada.
-Vai para casa, Mag. – Aconselhou, abalado - Vemo-nos depois e vamos conversar mais calmamente.
-Não oficializes já.. – Sussurrou ela, rouca. Outro fio de água morna fugiu-lhe das orbitas – Não contes a ninguém que nós não somos mais namorados. A minha mãe tranca-me em casa se sabe disso. És a única coisa a que ela me permite aceder, e se sabe que acabamos vai-me acusar de desperdiçar uma pessoa como tu. Não estou pronta para voltar àquele inferno! -Ela arrependeu-se logo de dizer aquilo - Desculpa… desculpa outra vez! Não estou, de todo, em posição de te fazer pedidos…
William bufou e esfregou os olhos:
-Também não estou pronto para dizer nada… ainda.
Mag olhou-o surpreendida:
-Não te cales por mim… não mereço.
-Não é por ti, é por mim. – Respondeu.
Mag sorriu com muito esforço:
-És uma excelente pessoa, William. Mereces o melhor.
Ele não pronunciou uma única letra. Deu de ombros desanimado, simplesmente.
Um aperto no peito fez Margarett pedir perdão novamente:
-Só espero que um dia me desculpes.
-Talvez um dia… - assentiu ele sem credência nas próprias palavras.
Mag concordou com dor, e ao vê-lo virar-lhe costas para se ir embora, viu-se na obrigação de interrompê-lo:
-William? – Ele olhou-a sem qualquer alegria na alma. Isso deixou-a ainda mais triste e com novas lagrimas a crescerem dentro de si - Não somos todas iguais... Há alguém no mundo que vai-te querer tanto como tu a quererás a ela. Não me faças de exemplo para todas as mulheres!
William acenou com a cabeça.
-Obrigado por toda a verdade.
Mag sorriu e chorou ao mesmo tempo. Limpou a ultima lágrima e despediu-se:
-Desculpa, William…
---
Pobre, pobre Mag...! "Ou não", diz a Ana! Muhahaha!
Vou tentar actualizar em breve, mas deta vez não tenho data. Espera-se mais 2 meses, nada de mais! (Estou brincando, vou tentar despachar-me)
as minhas fic's:
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
-Angelical
Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
-Angelical
Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^
Olá!
Pobre Mag, nop, não acho! Ela podia ter tido mais em consideração o lado do William e pensar no que ele sentia, mas no fim das contas só se importou com ela mesma. Acabou por meter o David na confusão sem este querer. Não tenho pena da Mag, ela não pode simplesmente fazer asneira e achar que com umas lágrimas resolve tudo! Tem de assumir os erros dela. Sempre pensei que ela fosse mais forte do que demonstrou, fiquei decepcionada com ela.
Realmente muito feliz estava a Maggie pela manhã, se tivesse percebido mais cedo......
Aquele Jack sempre a meter-se onde não deve, prevejo um futuro não muito risonho para o rapaz...
Admiro o Will, lidou muito bem com o idiota do Jack. Além disso teve mais coragem para enfrentar a verdade do que a Maggie. Pelo rumo que as coisas íam tive sérias dúvidas se ela teria coragem de ser honesta.
Eu fiquei incrédula com o que ela disse: "Cada toque teu assustava-me… Os nossos beijos… foram a coisa mais dolorosa que eu fiz. – Murmurou - Cada beijo teu foi um martírio insuportável para mim…"
Quer dizer, honestidade tem limites, ela foi egoísta, não se importou se o magoava ou não, podia dizer que não o amava mas não era preciso tanto, coitado do Will. Imagina se fosse ela a ouvir aquilo...
Mais uma vez egoísmo: "Não oficializes já.. – Sussurrou ela, rouca. Outro fio de água morna fugiu-lhe das orbitas – Não contes a ninguém que nós não somos mais namorados. A minha mãe tranca-me em casa se sabe disso. És a única coisa a que ela me permite aceder, e se sabe que acabamos vai-me acusar de desperdiçar uma pessoa como tu. Não estou pronta para voltar àquele inferno!"
Como é que ela tem coragem, depois de tudo o que fez...
Está na altura da Maggie Wilson ir à luta e parar de agir como uma miúda mimada. Tem 17 anos, enfrente a mãe de uma vez! Foi ela que disse que nem que fugisse para Paris não voltaria a fazer o que a mãe queria. Afinal onde está a Mag que o David conhece, esta não passa de uma francesinha mimada....está na altura da Mag crescer!
Beijinhos*
Pobre Mag, nop, não acho! Ela podia ter tido mais em consideração o lado do William e pensar no que ele sentia, mas no fim das contas só se importou com ela mesma. Acabou por meter o David na confusão sem este querer. Não tenho pena da Mag, ela não pode simplesmente fazer asneira e achar que com umas lágrimas resolve tudo! Tem de assumir os erros dela. Sempre pensei que ela fosse mais forte do que demonstrou, fiquei decepcionada com ela.
Realmente muito feliz estava a Maggie pela manhã, se tivesse percebido mais cedo......
Aquele Jack sempre a meter-se onde não deve, prevejo um futuro não muito risonho para o rapaz...
Admiro o Will, lidou muito bem com o idiota do Jack. Além disso teve mais coragem para enfrentar a verdade do que a Maggie. Pelo rumo que as coisas íam tive sérias dúvidas se ela teria coragem de ser honesta.
Eu fiquei incrédula com o que ela disse: "Cada toque teu assustava-me… Os nossos beijos… foram a coisa mais dolorosa que eu fiz. – Murmurou - Cada beijo teu foi um martírio insuportável para mim…"
Quer dizer, honestidade tem limites, ela foi egoísta, não se importou se o magoava ou não, podia dizer que não o amava mas não era preciso tanto, coitado do Will. Imagina se fosse ela a ouvir aquilo...
Mais uma vez egoísmo: "Não oficializes já.. – Sussurrou ela, rouca. Outro fio de água morna fugiu-lhe das orbitas – Não contes a ninguém que nós não somos mais namorados. A minha mãe tranca-me em casa se sabe disso. És a única coisa a que ela me permite aceder, e se sabe que acabamos vai-me acusar de desperdiçar uma pessoa como tu. Não estou pronta para voltar àquele inferno!"
Como é que ela tem coragem, depois de tudo o que fez...
Está na altura da Maggie Wilson ir à luta e parar de agir como uma miúda mimada. Tem 17 anos, enfrente a mãe de uma vez! Foi ela que disse que nem que fugisse para Paris não voltaria a fazer o que a mãe queria. Afinal onde está a Mag que o David conhece, esta não passa de uma francesinha mimada....está na altura da Mag crescer!
Beijinhos*
Ou não - digo eu.
Não tenho peninha nenhuma dela. Aliás, a Maggie conseguiu fazer-me sentir compaixão pelo William. Isso é possível? Ai que esta rapariga!!! Gostei do capítulo, principalmente da cena inicial com o David e a Srª. Wilson. Foi muito engraçada
Como estava a dizer, este capítulo ganhei compaixão pelo William. Raios, Lulu, já não o posso odiar por existir quando o pões como o bom da fita! É que já nem faz sentido chamá-lo tonhó. Tonhó passa a ser a Margaret que atrai rapazes "decentes" só para os pôr a sofrer. Opah, França enfraqueceu a rapariga. Comeu muitas omelette du formage e ficou assim... pobres meninos
Até gostaria de ver a resposta da Adeline aka Amiga Francesa em Serviço. Quero mesmo ver como a rapariga é, através das linhas que irá escrever à Margaret. É que já notei que ela, ou é durona e rebelde como o David, ou é muito finória e frágil como uma chávena de porcelana. Gostava de saber se a amiga dela a influenciou.
E faço as palavras da Bun as minhas! A menina tem que crescer!!! Esta personalidade de coitadinha não funciona no mundo real!! (E Bun, digo já que este comentário só não é mais comprido porque disseste mesmo tudo e mais alguma coisa
)
Bem, esperarei pelo próximo capítulo, como deve ser
Espero que tudo esteja a correr bem com as meninas na fac e que a Sodona Lulu ponha esta rapariguinha francesa no seu devido lugar. É o que dá escrever acerca de uma Americana que vai para França. Volta toda abananada. Devias ter escrito a história na China. De certeza que não teríamos problemas destes 
Au Revoir, mes ami!!
Não tenho peninha nenhuma dela. Aliás, a Maggie conseguiu fazer-me sentir compaixão pelo William. Isso é possível? Ai que esta rapariga!!! Gostei do capítulo, principalmente da cena inicial com o David e a Srª. Wilson. Foi muito engraçada

Como estava a dizer, este capítulo ganhei compaixão pelo William. Raios, Lulu, já não o posso odiar por existir quando o pões como o bom da fita! É que já nem faz sentido chamá-lo tonhó. Tonhó passa a ser a Margaret que atrai rapazes "decentes" só para os pôr a sofrer. Opah, França enfraqueceu a rapariga. Comeu muitas omelette du formage e ficou assim... pobres meninos

Até gostaria de ver a resposta da Adeline aka Amiga Francesa em Serviço. Quero mesmo ver como a rapariga é, através das linhas que irá escrever à Margaret. É que já notei que ela, ou é durona e rebelde como o David, ou é muito finória e frágil como uma chávena de porcelana. Gostava de saber se a amiga dela a influenciou.
E faço as palavras da Bun as minhas! A menina tem que crescer!!! Esta personalidade de coitadinha não funciona no mundo real!! (E Bun, digo já que este comentário só não é mais comprido porque disseste mesmo tudo e mais alguma coisa
) Bem, esperarei pelo próximo capítulo, como deve ser
Espero que tudo esteja a correr bem com as meninas na fac e que a Sodona Lulu ponha esta rapariguinha francesa no seu devido lugar. É o que dá escrever acerca de uma Americana que vai para França. Volta toda abananada. Devias ter escrito a história na China. De certeza que não teríamos problemas destes 
Au Revoir, mes ami!!
Espero por ti em cada segundo , porque tu és o meu mundo!

Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
Visitem a minha 1ª Fic ----->The Four elements

Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
Visitem a minha 1ª Fic ----->The Four elements
Ouch! O meu coração partidinho por causa do dia do forever Alone e depois vejo que tanta gente detesta a Mag. Hahaha coitadinha! Vá, agora a sério, acho que me precipitei a postar o capitulo anterior, tanto, que estive a ler as parte que a Bun falou e de facto detestei o que fiz a Mag fazer (a culpa é minha, não é dela!
) e bem, acho que sem querer dei uma imagem um pouco pior do que na realidade ela é. Portanto vou ver se ainda altero o discurso dela para uma coisa mais meiga a ver se ela não passa por ser tão c*bra com o William!
Ah e Ana, eu sabia que mais tarde ou mais cedo ias desgostar menos do William. Ele nunca fez nada de mal, apenas estava apaixonado. Agora que reflicto, quando te referias a esta fic ter 4 antagonistas, referias-te ao William? É que eu nunca entendia quem era o quarto, mas agora que penso, referias-te a ele, certo? Bom, de qualquer forma, ele é só um "adereço". Não faz nada, tadinho, é uma mosquinha ali no meio (que só por acaso a Mag esborrachou)
Este capitulo que venho postar não estava previsto. Supostamente fazia parte de outro, mas tanto mexi que acabei por torna-lo um só capitulo.
Indo ao que importa... Feliz dia dos namorados! <<(
Se a vida fosse um vestido, provavelmente aquela era a fase em que o molde estava pronto a ser cortado e resultar na peça.
Tudo surgiu a partir de um esboço sem consistência vindo de um local da mente, que se julga controlar, mas que na verdade é quem nos controla. Tenta-se fazer algo perfeito, mas quando finalmente se percebe, aquele esboço está cheio de erros técnicos. Não tem medidas. Não tem textura. Tudo não passa de uma imagem desfocada daquilo que se pretende como resultado final. Mas aí, os erros são corrigidos. Volta-se atrás num pormenor ou outro e das duas, uma: ou se descarta o desenho e se recomeça um novo, ou, o que inicialmente parecia não ter solução se torna “o perfeito”.
Margarett ainda não sabia se tinha descartado um desenho para começar outro, ou se, graças à grande correcção que fez no original tinha finalmente alcançado as medidas certas para o molde da vida que a iria vestir dali para a frente. O vestido parecia agora traçado correctamente, no entanto, faltava-lhe a coragem para cortar o molde e começar a coser.
Precisava de saber se realmente aquilo era o certo.
-Margarett!
Mrs. Wilson bufou pela terceira vez:
-Deixa isso. Eu termino! – Exclamou, roubando a faca à filha para finalmente cortar a cenoura às rodelas – andas muito distraída ultimamente!
-Peço Desculpa, mãe.
Mrs. Dorianne deu de ombros:
-Hoje é sexta-feira. Porque não telefonas ao William para irem passear?
Margarett empalideceu e coçou a cabeça como se estivesse cansada:
-Ele… teve uma coisa para fazer esta semana. Está ocupado e como tal um pouco ausente para mim. – Ela suspirou esperando que a mãe acreditasse no que, por acaso, até era verdade – E também… Estou um pouco cansada.
Dorianne nada fez. Apenas olhou a filha e acreditou nas palavras dela ingenuamente:
-Vai descansar se quiseres. Não tenho muito trabalho hoje.
A filha assentiu e fugiu para o seu quarto. Há muito que não o fazia. Desde que revelara tudo a William, ao contrário do que sempre tinha acontecido, queria passar o máximo de tempo possível fora do quarto, mas dentro de casa para não ter de ver ninguém. No seu quarto corria o risco de ver David. Não que isso fosse mau, simplesmente não estava pronta para toda a mudança que estava a ocorrer na sua vida em tao pouco tempo. Ainda assim o cansaço fê-la fugir para o quarto e deitou-se na cama para dormir um pouco. Dormiu cerca de duas horas. Acordou quando o céu começava a ganhar tonalidades alaranjadas. Dirigiu-se à janela e abriu as persianas que se mantiveram trancadas durante toda a semana. Ficou momentos parada a olhar em frente, apanhada desprevenida pela visão que lhe surgira.
Não, não era David.
Apenas uma janela encostada com uma grande folha colada nela e uma mensagem inscrita.
-“Vem lá ter. Os meus sonhos esperam-te”… – Leu baixinho.
Há quanto tempo aquilo estava ali não era fácil de saber, mas Mag não conseguiu não sorrir. O seu coração começou a bater a um ritmo feliz e ela teve vontade de sair imediatamente de casa para ir ter com David. Não o fez por falta de coragem, e por esse motivo arranjou uma folha de papel também e com um marcador escreveu a resposta a David. Colou-a no vidro e deitou-se de novo na cama.
No dia seguinte acordou cedo. Tinha dormido tanto que já não tinha mais sono para continuar na cama. Resolveu ir dar um passeio sozinha, porem, mesmo antes de sair de casa, reparou numa carta com um postal francês pousada sobre o móvel de entrada. Soube logo que era para si e agarrou-a nervosa. Quis lê-la no preciso momento, mas achou que o local não era muito indicado e, em vez de ir para o seu quarto, decidiu fazê-lo em outro lugar qualquer. Todavia, mal pisou a rua impulsionou a direcção das órbitas para a casa ao lado. Sem querer sorriu, mas depressa esse trejeito foi cerrado pela sensação asfixiante da culpa.
Derrotada, sentou-se nas escadas e ficou a encarar a rua. De vez em quando olhava para as duas casas e pensava se devia entrar em alguma delas. Pensou até em ir ao Lili’s Diner, mas não tinha vontade alguma.
Lentamente, rasgou o envelope e retirou uma folha que cheirava a laranja.
O perfume da Adeline, recordou.
Encarou as palavras francesas e tentou ler devagar.
“Querida Margarett.
Pergunto-me que raio te aconteceu quando voltaste a esse país. Não fui capaz de reconhecer a pessoa que me escreveu apenas pelas palavras. Se não fosse o teu remetente, jamais diria que a pessoa confusa e desesperada que me contactara eras tu. A pessoa mais sólida e determinada que alguma vez conheci.
Honestamente? Fiquei desapontada contigo. Parece que esqueceste toda a boa educação que tiveste durante cinco anos. Quando cá chegaste eras uma maria-rapaz trapalhona, que não sabia o que era uma festa de chã sequer, mas lentamente começaste a aprender como ser uma pessoa fina, como era suposto. Aprendeste o que era certo e errado, a melhor forma de tratar as pessoas e sobretudo a escutar os teus sentimentos sem causar estragos. É principalmente por este terceiro motivo que não compreendo o que fizeste. Aceitar o namoro de um homem pelo qual não tens qualquer afecto é a coisa mais desonrável que podias fazer a ti mesma e, sobretudo, a ele. O pior, querida Margarett, foi teres levado esse erro em frente com outro na tua cabeça. Juro que não me surpreendi quando o nome do David veio à baila. Só fiquei chocada por ele estar destacado de forma tão negra.
Queres a verdade?
Quando me noticiaste que ias voltar para esse continente, a primeira coisa que me passou pela cabeça foi tu de mãos dadas com David. Só nunca pensei que demorasses tanto tempo a entender o que realmente querias. Era tão óbvio Margarett. E se ainda não compreendeste eu digo-te: Sim, minha amiga, tu estás completamente apaixonada por David Paisen!
O meu conselho para ti é exactamente aquele que tu me darias a mim.
Desfaz esse nó. Traça a tua prioridade, que penso que já saibas qual é, e depois parte à acção. Mas tudo com requinte e educação. Ès uma mulher Margarett Wilson. Tens a perfeita capacidade de fazer o correcto sem magoar as pessoas. E de salto alto!
A única coisa em que te recomendo calma, é com a tua mãe. Conhecia, logo, sei como ela é. Mantem a calma e pensa bem antes de agir com ela.
Finalmente, deixo-te um abraço com saudade.
Boa sorte minha amiga,
Adeline”
Talvez Margarett tenha ficado uma hora ali especada. Ela não sabia.
Tens a perfeita capacidade de fazer o correcto sem magoar as pessoas. E de salto alto!
Numa coisa Margarett concordou. Ela realmente tinha capacidade de fazer o certo. Porem não conseguiu não magoar alguém. Quem lhe dera ter recebido aquela carta uns dias antes, mas agora não tinha como voltar atrás.
Levantou-se por fim. Não podia ficar sentada nas escadas do alpendre a manhã toda. Aproximou-se da casa de David e encostou-se à porta reflectindo. Acabou por bater duas vezes.
Vicky recebeu-a com um sorriso surpreendido:
-Margarett! Que gosto em ver-te!
-Olá Vicky! – Saudou a mais nova num misto de alegria e nervosismo – Vim ver o David. Ele está?
Vicky não conseguiu esconder a sua felicidade perante a notícia de Margarett. Sempre gostara da rapariga e desde nova que jurava que ela e o irmão mais novo iam acabar juntos de alguma maneira. Depois de descobrir que o jovem David estava apaixonado pela melhor amiga, ficou ainda mais feliz por ver a vizinha. Afinal de contas, podia ser ela o elo de ligação entre ele e a família.
-Está lá em cima no quarto dele! Vem! Vamos surpreendê-lo!
Margarett corou e engoliu em seco. Queria ver David, obviamente, mas continuava insegura e culpada em relação a William.
Seguiu Vicky até ao quarto do seu deleite e esperou que Vicky a anunciasse. Reparou num som familiar a soar lá dentro. A irmã dele abriu a porta lentamente e colocou a cabeça pela fresta:
-David, tenho uma visita para ti.
A loira apercebeu-se que a música parou de repente:
-Quem? – O tom esperançoso na voz de David não deixou ninguém indiferente.
Vicky abriu mais a porta e Margarett deixou-se mostrar.
O rapaz não disfarçou minimamente a sua felicidade e abriu o sorriso mais largo que Margarett alguma vez tinha recebido. Talvez por isso ela tenha sorrido também e logo depois ter baixado o rosto com timidez.
Vicky reparou no brilho que o olhar do irmão adquiriu e preparou-.se para deixar os dois sozinhos:
-Querem comer alguma coisa?
Margarett negou:
-Não, obrigada…
David também negou com a cabeça sem desviar as atenções de Rett, o que fez Vicky entender que estava ali a mais:
-Muito bem, qualquer coisa estou lá em baixo a bordar!
Margarett deu-lhe espaço para fechar a porta e mal o trinco se encaixou, reparou que a janela estava aberta e dava para ler perfeitamente o recado que ela deixara na noite anterior colado ao vidro.
-“Esse lugar a que chamas sonhos ainda não está pronto para me receber. Aguarda”? - Perguntou David intrigado – O que quer dizer?
Margarett corou e sentou-se na orla da cama:
-basicamente o que escrevi… - murmurou.
David continuou sem entender, mas se bem conhecia Margarett, a resposta chegaria em breve, fosse de que forma fosse.
Ele aproximou-se dela lentamente, não querendo arriscar assustá-la ao precipitar-se. Não obstante, deixou bem claro pelo seu gesto e pela inclinação da sua cabeça que queria beijá-la.
Ela, ao contrário do que imaginou, não conseguiu sorrir, mesmo correspondendo àquele desejo. David parou, num misto de desilusão e compreensão simultaneamente.
Margarett rodeou o pescoço do companheiro com os braços e enterrou a cabeça no ombro dele. Apertou-o nos seus braços com necessidade.
David sentiu-se relutante quanto ao que devia dizer e para simplificar depositou-lhe um leve beijo na bochecha.
Ela corou e trocou o seu sorriso por uma cara de remorso.
Após um suspiro, decidiu falar:
-Lembras-te quando tínhamos dez anos e fomos fazer um piquenique com todos os nossos amigos, e o Henry, aquele miúdo que dizia que gostava de mim, fez um queque para me oferecer?
David tentou recordar, mas apenas vagas lembranças lhe vieram á memória. Optou por escutar Mag em silêncio:
-Recebi aquele queque de bom grado, julgando que provavelmente era saboroso. Mas quando provei, percebi que sabia a morango. Temi que a minha cabeça inchasse, mas sorri para o rapaz com medo de magoá-lo e com esperança que ele não notasse o meu desagrado. Mas comecei a sentir comichão nas mãos à segunda dentada e o meu estômago roncou. - O tom de jovem era sério e frio - Procurei-te, para te dar o queque discretamente e ele achar que eu o tinha comido. Mas tu estavas demasiado longe. Então, em vez de lhe dizer a verdade, acabei por lhe vomitar no colo. – David ia-se rir, mas não o fez, ao entender ao que Mag queria chegar – Ele ficou bastante magoado. – Concluiu - Lembrei-me disso esta noite, enquanto dormia, e deduzi que mesmo tendo passado 7 anos, acho que ainda não aprendi a enfrentar os meus problemas de frente. Faça o que fizer, acabo sempre por magoar as pessoas de uma forma ou de outra. Não o faço por querer, mas provavelmente porque sou egoísta ao não querer enfrentar a resposta a uma negação minha… Evito a verdade para não magoar, no entanto a verdade chega de maneira ainda mais drástica.
A respiração de David manteve-se calma. Em silêncio tentava descodificar todas as palavras de Margarett e infelizmente concordou com ela:
-Realmente, tropeças várias vezes na mesma pedra … - concluiu.
-Sou cobarde… – Declarou a loira, sem emoção na voz - Sempre me julguei uma mulher decente, com ideias fixas, boa educação e, sobretudo, maturidade. Mas encontrei-me com dez anos novamente. Nestes últimos dias só me passa pela cabeça voltar a fugir. Ir para outro Estado ou até outro continente, mas aí lembro-me que estou a voltar ao mesmo problema: a cobardia. E mais uma vez, se fizer isso, vou magoar quem gosta de mim… Acho que já não tenho remédio e estou a destruir-me a mim própria e aos inocentes que levo arrasto.
Margarett engoliu em seco. Esperava apenas perguntas de David, mas ele não fez nenhuma.
-Só fazes asneiras, Rett. – Acusou o gaiato. Ela sentiu-se envergonhada – mas quem sou eu para te julgar? – Margarett encarou David com dúvida e surpresa - Sou pior que tu. Fingi que não te conhecia, mesmo adorando-te, só porque tive vergonha. Ao contrário de ti não foi sem querer, nem por um motivo de bondade. Foi propositado e por um motivo idiota. Fiz asneira, mas isso não quer dizer que não goste de ti. Senti-me lixo durante algum tempo por te ter feito isso e pior ainda, por saber que me passaste a odiar. Mas o ódio é efémero, Margarett. Façamos o que fizermos, acabamos por magoar sempre as pessoas. Provavelmente as melhores pessoas são as que mais sofrem. E vão-nos odiar. Há sempre alguém que nos odeia pelas nossas acções, tanto quando são boas como quando são más. Se tivesses dito ao Henry que não podias comer aquele queque ele ia pensar que era uma desculpa e teria ficado triste contigo. Mas poupaste-o a isso e acabaste por te enterrar mais. Ele passou a odiar-te porque lhe sujaste os calções e também porque vomitaste o presente dele. Em suma, Rett, és má porque tentas ser boa…
Margarett contemplou David, calada, e apertou-o com mais força nos seus braços:
-Obrigada… - Murmurou emocionada - Foste o único capaz de me mostrar outra perspectiva dos meus erros, apesar de ambos sabermos que eu não tenho justificação para eles…
David beijou-lhe a testa:
-Tu és boa pessoa, Mag. Não é à toa que te adoro. Por isso não te martirizes, tudo se vai resolver.
Margarett pensou até que ia chorar perante as palavras de David. Ele tinha-lhe dado esperança.
-Só mesmo tu para me fazeres sentir melhor quando não tenho razões para isso. Independentemente dos teus sentimentos, consegues sempre ser o meu melhor amigo…
David inalou a fragância dela no ar.
-Mas sabes que já não sou o teu melhor amigo, não sabes? – Perguntou, acariciando os caracóis longos, enquanto se mantinha fito num ponto indefinido da parede que ela também olhava- Nós quebramos uma promessa…
O peito de Margarett inchou. O seu coração acelerou subitamente. David olhou-a, sem sombra de dúvida com amor a pintar-lhe o olhar. Margarett pressentiu borboletas no estomago e por momentos ela quase esqueceu William. Na verdade era uma demência voltar traí-lo, mesmo estando já livre, coisa que David não sabia.
-Dá-me um pouco de tempo. – Pediu ela, interrompendo qualquer acção romântica de David - Por agora, sê o meu amigo de sempre. Mais depressa do que imaginas tudo será mais simples.
David cruzou os braços, um pouco relutante, mas conformado.
-Eu preciso de ir… - Margarett avisou.
David mordeu o lábio e compreendeu de imediato a situação da amiga.
Viu-a a pegar numa pomada pousada em cima da secretaria e despejou um pouco na palma da mão. De início, David não percebeu o porquê daquilo, mas quando Mag lhe agarrou a mão e entrelaçou os seus dedos com os dele, ele entendeu e apenas esperou uma justificação:
-Eu prometo-te, David. Que não terás de continuar nesta situação horrenda em que eu te coloquei. Prometo-te que mais depressa do que pensas estará tudo resolvido. Está mais próximo do que possas crer, acredita em mim.
David não respondeu verbalmente. Esperou o beijo na bochecha que Margarett lhe deu antes de abandonar o quarto, para olhar a mão suja com pomada, e compreender que, para Margarett recorrer àquele método, é porque de facto ela estava determinada
Não sei o que pensam da Margarett, mas quanto ao David, acho que ele não desilude ninguém!
bjokas
) e bem, acho que sem querer dei uma imagem um pouco pior do que na realidade ela é. Portanto vou ver se ainda altero o discurso dela para uma coisa mais meiga a ver se ela não passa por ser tão c*bra com o William!Ah e Ana, eu sabia que mais tarde ou mais cedo ias desgostar menos do William. Ele nunca fez nada de mal, apenas estava apaixonado. Agora que reflicto, quando te referias a esta fic ter 4 antagonistas, referias-te ao William? É que eu nunca entendia quem era o quarto, mas agora que penso, referias-te a ele, certo? Bom, de qualquer forma, ele é só um "adereço". Não faz nada, tadinho, é uma mosquinha ali no meio (que só por acaso a Mag esborrachou)
Este capitulo que venho postar não estava previsto. Supostamente fazia parte de outro, mas tanto mexi que acabei por torna-lo um só capitulo.
Indo ao que importa... Feliz dia dos namorados! <<(
Capitulo 26 – Erros
Take that - Patience
Take that - Patience
“Todas as paixões nos levam a cometer erros, mas o amor faz-nos cometer os mais ridículos."
François La Rochefoucauld
François La Rochefoucauld
Se a vida fosse um vestido, provavelmente aquela era a fase em que o molde estava pronto a ser cortado e resultar na peça.
Tudo surgiu a partir de um esboço sem consistência vindo de um local da mente, que se julga controlar, mas que na verdade é quem nos controla. Tenta-se fazer algo perfeito, mas quando finalmente se percebe, aquele esboço está cheio de erros técnicos. Não tem medidas. Não tem textura. Tudo não passa de uma imagem desfocada daquilo que se pretende como resultado final. Mas aí, os erros são corrigidos. Volta-se atrás num pormenor ou outro e das duas, uma: ou se descarta o desenho e se recomeça um novo, ou, o que inicialmente parecia não ter solução se torna “o perfeito”.
Margarett ainda não sabia se tinha descartado um desenho para começar outro, ou se, graças à grande correcção que fez no original tinha finalmente alcançado as medidas certas para o molde da vida que a iria vestir dali para a frente. O vestido parecia agora traçado correctamente, no entanto, faltava-lhe a coragem para cortar o molde e começar a coser.
Precisava de saber se realmente aquilo era o certo.
-Margarett!
Mrs. Wilson bufou pela terceira vez:
-Deixa isso. Eu termino! – Exclamou, roubando a faca à filha para finalmente cortar a cenoura às rodelas – andas muito distraída ultimamente!
-Peço Desculpa, mãe.
Mrs. Dorianne deu de ombros:
-Hoje é sexta-feira. Porque não telefonas ao William para irem passear?
Margarett empalideceu e coçou a cabeça como se estivesse cansada:
-Ele… teve uma coisa para fazer esta semana. Está ocupado e como tal um pouco ausente para mim. – Ela suspirou esperando que a mãe acreditasse no que, por acaso, até era verdade – E também… Estou um pouco cansada.
Dorianne nada fez. Apenas olhou a filha e acreditou nas palavras dela ingenuamente:
-Vai descansar se quiseres. Não tenho muito trabalho hoje.
A filha assentiu e fugiu para o seu quarto. Há muito que não o fazia. Desde que revelara tudo a William, ao contrário do que sempre tinha acontecido, queria passar o máximo de tempo possível fora do quarto, mas dentro de casa para não ter de ver ninguém. No seu quarto corria o risco de ver David. Não que isso fosse mau, simplesmente não estava pronta para toda a mudança que estava a ocorrer na sua vida em tao pouco tempo. Ainda assim o cansaço fê-la fugir para o quarto e deitou-se na cama para dormir um pouco. Dormiu cerca de duas horas. Acordou quando o céu começava a ganhar tonalidades alaranjadas. Dirigiu-se à janela e abriu as persianas que se mantiveram trancadas durante toda a semana. Ficou momentos parada a olhar em frente, apanhada desprevenida pela visão que lhe surgira.
Não, não era David.
Apenas uma janela encostada com uma grande folha colada nela e uma mensagem inscrita.
-“Vem lá ter. Os meus sonhos esperam-te”… – Leu baixinho.
Há quanto tempo aquilo estava ali não era fácil de saber, mas Mag não conseguiu não sorrir. O seu coração começou a bater a um ritmo feliz e ela teve vontade de sair imediatamente de casa para ir ter com David. Não o fez por falta de coragem, e por esse motivo arranjou uma folha de papel também e com um marcador escreveu a resposta a David. Colou-a no vidro e deitou-se de novo na cama.
No dia seguinte acordou cedo. Tinha dormido tanto que já não tinha mais sono para continuar na cama. Resolveu ir dar um passeio sozinha, porem, mesmo antes de sair de casa, reparou numa carta com um postal francês pousada sobre o móvel de entrada. Soube logo que era para si e agarrou-a nervosa. Quis lê-la no preciso momento, mas achou que o local não era muito indicado e, em vez de ir para o seu quarto, decidiu fazê-lo em outro lugar qualquer. Todavia, mal pisou a rua impulsionou a direcção das órbitas para a casa ao lado. Sem querer sorriu, mas depressa esse trejeito foi cerrado pela sensação asfixiante da culpa.
Derrotada, sentou-se nas escadas e ficou a encarar a rua. De vez em quando olhava para as duas casas e pensava se devia entrar em alguma delas. Pensou até em ir ao Lili’s Diner, mas não tinha vontade alguma.
Lentamente, rasgou o envelope e retirou uma folha que cheirava a laranja.
O perfume da Adeline, recordou.
Encarou as palavras francesas e tentou ler devagar.
“Querida Margarett.
Pergunto-me que raio te aconteceu quando voltaste a esse país. Não fui capaz de reconhecer a pessoa que me escreveu apenas pelas palavras. Se não fosse o teu remetente, jamais diria que a pessoa confusa e desesperada que me contactara eras tu. A pessoa mais sólida e determinada que alguma vez conheci.
Honestamente? Fiquei desapontada contigo. Parece que esqueceste toda a boa educação que tiveste durante cinco anos. Quando cá chegaste eras uma maria-rapaz trapalhona, que não sabia o que era uma festa de chã sequer, mas lentamente começaste a aprender como ser uma pessoa fina, como era suposto. Aprendeste o que era certo e errado, a melhor forma de tratar as pessoas e sobretudo a escutar os teus sentimentos sem causar estragos. É principalmente por este terceiro motivo que não compreendo o que fizeste. Aceitar o namoro de um homem pelo qual não tens qualquer afecto é a coisa mais desonrável que podias fazer a ti mesma e, sobretudo, a ele. O pior, querida Margarett, foi teres levado esse erro em frente com outro na tua cabeça. Juro que não me surpreendi quando o nome do David veio à baila. Só fiquei chocada por ele estar destacado de forma tão negra.
Queres a verdade?
Quando me noticiaste que ias voltar para esse continente, a primeira coisa que me passou pela cabeça foi tu de mãos dadas com David. Só nunca pensei que demorasses tanto tempo a entender o que realmente querias. Era tão óbvio Margarett. E se ainda não compreendeste eu digo-te: Sim, minha amiga, tu estás completamente apaixonada por David Paisen!
O meu conselho para ti é exactamente aquele que tu me darias a mim.
Desfaz esse nó. Traça a tua prioridade, que penso que já saibas qual é, e depois parte à acção. Mas tudo com requinte e educação. Ès uma mulher Margarett Wilson. Tens a perfeita capacidade de fazer o correcto sem magoar as pessoas. E de salto alto!
A única coisa em que te recomendo calma, é com a tua mãe. Conhecia, logo, sei como ela é. Mantem a calma e pensa bem antes de agir com ela.
Finalmente, deixo-te um abraço com saudade.
Boa sorte minha amiga,
Adeline”
Talvez Margarett tenha ficado uma hora ali especada. Ela não sabia.
Tens a perfeita capacidade de fazer o correcto sem magoar as pessoas. E de salto alto!
Numa coisa Margarett concordou. Ela realmente tinha capacidade de fazer o certo. Porem não conseguiu não magoar alguém. Quem lhe dera ter recebido aquela carta uns dias antes, mas agora não tinha como voltar atrás.
Levantou-se por fim. Não podia ficar sentada nas escadas do alpendre a manhã toda. Aproximou-se da casa de David e encostou-se à porta reflectindo. Acabou por bater duas vezes.
Vicky recebeu-a com um sorriso surpreendido:
-Margarett! Que gosto em ver-te!
-Olá Vicky! – Saudou a mais nova num misto de alegria e nervosismo – Vim ver o David. Ele está?
Vicky não conseguiu esconder a sua felicidade perante a notícia de Margarett. Sempre gostara da rapariga e desde nova que jurava que ela e o irmão mais novo iam acabar juntos de alguma maneira. Depois de descobrir que o jovem David estava apaixonado pela melhor amiga, ficou ainda mais feliz por ver a vizinha. Afinal de contas, podia ser ela o elo de ligação entre ele e a família.
-Está lá em cima no quarto dele! Vem! Vamos surpreendê-lo!
Margarett corou e engoliu em seco. Queria ver David, obviamente, mas continuava insegura e culpada em relação a William.
Seguiu Vicky até ao quarto do seu deleite e esperou que Vicky a anunciasse. Reparou num som familiar a soar lá dentro. A irmã dele abriu a porta lentamente e colocou a cabeça pela fresta:
-David, tenho uma visita para ti.
A loira apercebeu-se que a música parou de repente:
-Quem? – O tom esperançoso na voz de David não deixou ninguém indiferente.
Vicky abriu mais a porta e Margarett deixou-se mostrar.
O rapaz não disfarçou minimamente a sua felicidade e abriu o sorriso mais largo que Margarett alguma vez tinha recebido. Talvez por isso ela tenha sorrido também e logo depois ter baixado o rosto com timidez.
Vicky reparou no brilho que o olhar do irmão adquiriu e preparou-.se para deixar os dois sozinhos:
-Querem comer alguma coisa?
Margarett negou:
-Não, obrigada…
David também negou com a cabeça sem desviar as atenções de Rett, o que fez Vicky entender que estava ali a mais:
-Muito bem, qualquer coisa estou lá em baixo a bordar!
Margarett deu-lhe espaço para fechar a porta e mal o trinco se encaixou, reparou que a janela estava aberta e dava para ler perfeitamente o recado que ela deixara na noite anterior colado ao vidro.
-“Esse lugar a que chamas sonhos ainda não está pronto para me receber. Aguarda”? - Perguntou David intrigado – O que quer dizer?
Margarett corou e sentou-se na orla da cama:
-basicamente o que escrevi… - murmurou.
David continuou sem entender, mas se bem conhecia Margarett, a resposta chegaria em breve, fosse de que forma fosse.
Ele aproximou-se dela lentamente, não querendo arriscar assustá-la ao precipitar-se. Não obstante, deixou bem claro pelo seu gesto e pela inclinação da sua cabeça que queria beijá-la.
Ela, ao contrário do que imaginou, não conseguiu sorrir, mesmo correspondendo àquele desejo. David parou, num misto de desilusão e compreensão simultaneamente.
Margarett rodeou o pescoço do companheiro com os braços e enterrou a cabeça no ombro dele. Apertou-o nos seus braços com necessidade.
David sentiu-se relutante quanto ao que devia dizer e para simplificar depositou-lhe um leve beijo na bochecha.
Ela corou e trocou o seu sorriso por uma cara de remorso.
Após um suspiro, decidiu falar:
-Lembras-te quando tínhamos dez anos e fomos fazer um piquenique com todos os nossos amigos, e o Henry, aquele miúdo que dizia que gostava de mim, fez um queque para me oferecer?
David tentou recordar, mas apenas vagas lembranças lhe vieram á memória. Optou por escutar Mag em silêncio:
-Recebi aquele queque de bom grado, julgando que provavelmente era saboroso. Mas quando provei, percebi que sabia a morango. Temi que a minha cabeça inchasse, mas sorri para o rapaz com medo de magoá-lo e com esperança que ele não notasse o meu desagrado. Mas comecei a sentir comichão nas mãos à segunda dentada e o meu estômago roncou. - O tom de jovem era sério e frio - Procurei-te, para te dar o queque discretamente e ele achar que eu o tinha comido. Mas tu estavas demasiado longe. Então, em vez de lhe dizer a verdade, acabei por lhe vomitar no colo. – David ia-se rir, mas não o fez, ao entender ao que Mag queria chegar – Ele ficou bastante magoado. – Concluiu - Lembrei-me disso esta noite, enquanto dormia, e deduzi que mesmo tendo passado 7 anos, acho que ainda não aprendi a enfrentar os meus problemas de frente. Faça o que fizer, acabo sempre por magoar as pessoas de uma forma ou de outra. Não o faço por querer, mas provavelmente porque sou egoísta ao não querer enfrentar a resposta a uma negação minha… Evito a verdade para não magoar, no entanto a verdade chega de maneira ainda mais drástica.
A respiração de David manteve-se calma. Em silêncio tentava descodificar todas as palavras de Margarett e infelizmente concordou com ela:
-Realmente, tropeças várias vezes na mesma pedra … - concluiu.
-Sou cobarde… – Declarou a loira, sem emoção na voz - Sempre me julguei uma mulher decente, com ideias fixas, boa educação e, sobretudo, maturidade. Mas encontrei-me com dez anos novamente. Nestes últimos dias só me passa pela cabeça voltar a fugir. Ir para outro Estado ou até outro continente, mas aí lembro-me que estou a voltar ao mesmo problema: a cobardia. E mais uma vez, se fizer isso, vou magoar quem gosta de mim… Acho que já não tenho remédio e estou a destruir-me a mim própria e aos inocentes que levo arrasto.
Margarett engoliu em seco. Esperava apenas perguntas de David, mas ele não fez nenhuma.
-Só fazes asneiras, Rett. – Acusou o gaiato. Ela sentiu-se envergonhada – mas quem sou eu para te julgar? – Margarett encarou David com dúvida e surpresa - Sou pior que tu. Fingi que não te conhecia, mesmo adorando-te, só porque tive vergonha. Ao contrário de ti não foi sem querer, nem por um motivo de bondade. Foi propositado e por um motivo idiota. Fiz asneira, mas isso não quer dizer que não goste de ti. Senti-me lixo durante algum tempo por te ter feito isso e pior ainda, por saber que me passaste a odiar. Mas o ódio é efémero, Margarett. Façamos o que fizermos, acabamos por magoar sempre as pessoas. Provavelmente as melhores pessoas são as que mais sofrem. E vão-nos odiar. Há sempre alguém que nos odeia pelas nossas acções, tanto quando são boas como quando são más. Se tivesses dito ao Henry que não podias comer aquele queque ele ia pensar que era uma desculpa e teria ficado triste contigo. Mas poupaste-o a isso e acabaste por te enterrar mais. Ele passou a odiar-te porque lhe sujaste os calções e também porque vomitaste o presente dele. Em suma, Rett, és má porque tentas ser boa…
Margarett contemplou David, calada, e apertou-o com mais força nos seus braços:
-Obrigada… - Murmurou emocionada - Foste o único capaz de me mostrar outra perspectiva dos meus erros, apesar de ambos sabermos que eu não tenho justificação para eles…
David beijou-lhe a testa:
-Tu és boa pessoa, Mag. Não é à toa que te adoro. Por isso não te martirizes, tudo se vai resolver.
Margarett pensou até que ia chorar perante as palavras de David. Ele tinha-lhe dado esperança.
-Só mesmo tu para me fazeres sentir melhor quando não tenho razões para isso. Independentemente dos teus sentimentos, consegues sempre ser o meu melhor amigo…
David inalou a fragância dela no ar.
-Mas sabes que já não sou o teu melhor amigo, não sabes? – Perguntou, acariciando os caracóis longos, enquanto se mantinha fito num ponto indefinido da parede que ela também olhava- Nós quebramos uma promessa…
O peito de Margarett inchou. O seu coração acelerou subitamente. David olhou-a, sem sombra de dúvida com amor a pintar-lhe o olhar. Margarett pressentiu borboletas no estomago e por momentos ela quase esqueceu William. Na verdade era uma demência voltar traí-lo, mesmo estando já livre, coisa que David não sabia.
-Dá-me um pouco de tempo. – Pediu ela, interrompendo qualquer acção romântica de David - Por agora, sê o meu amigo de sempre. Mais depressa do que imaginas tudo será mais simples.
David cruzou os braços, um pouco relutante, mas conformado.
-Eu preciso de ir… - Margarett avisou.
David mordeu o lábio e compreendeu de imediato a situação da amiga.
Viu-a a pegar numa pomada pousada em cima da secretaria e despejou um pouco na palma da mão. De início, David não percebeu o porquê daquilo, mas quando Mag lhe agarrou a mão e entrelaçou os seus dedos com os dele, ele entendeu e apenas esperou uma justificação:
-Eu prometo-te, David. Que não terás de continuar nesta situação horrenda em que eu te coloquei. Prometo-te que mais depressa do que pensas estará tudo resolvido. Está mais próximo do que possas crer, acredita em mim.
David não respondeu verbalmente. Esperou o beijo na bochecha que Margarett lhe deu antes de abandonar o quarto, para olhar a mão suja com pomada, e compreender que, para Margarett recorrer àquele método, é porque de facto ela estava determinada
Não sei o que pensam da Margarett, mas quanto ao David, acho que ele não desilude ninguém!

bjokas
as minhas fic's:
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
-Angelical
Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
-Angelical
Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^
Oh Lulu tu és má!
Tens noção que estava eu toda empolgada a ler e de repente o capítulo acaba! O meu desespero...
Amei o capítulo do inicío ao fim, e o que me pareceu um capítulo grande transformou-se num pequenino, sniff.
Só não te chateio por mais porque sei que na fac o tempo falta, não esperava capítulo novo tão rápido.
Adorei a música que recomendaste, passei o capítulo todo a ouvi-la. E esqueço-me sempre de dizer que gosto imenso das frases que pões.
Eu desatei a rir com o teu comentário: "Bom, de qualquer forma, ele é só um "adereço". Não faz nada, tadinho, é uma mosquinha ali no meio (que só por acaso a Mag esborrachou) " looooool
Tadinho do Will.
''
Bem, sobre a menina Maggie, está perdoada!
Pelo menos por agora.
Nah,
, está perdoada a sério, ela claramente está a sofrer bastante, e achei mesmo muito bem que ela só queira continuar as coisas a sério com o David quando toda a situação se resolver. Pareceu-me muito maduro da parte dela. Tive imensa pena do rapaz que lhe ofereceu o bolo, pobrezinho, pior maneira de ficar com o coração partido. A Mag realmente a tentar proteger toda a gente acaba por magoar mais, é como o David disse torna-se má a tentar ser boa. Mas ela devia saber que nada de bom vem de mentiras e por pior que seja a verdade, esta é sempre preferível. E como tal está na altura da "querida" mamã dela saber a verdade sobre ela e o David, ai que eu vou amar essa parte, aposto que vai perder a cor,
.
Claro que estou cheia de curiosidade sobre o que vai acontecer, afinal fazer uma promessa daquela maneira, a Maggie está preparar alguma.
Do David nada a dizer, perfect as always.
Aquelas mensagens na janela foram tão românticas, lembrou-me tanto o Romeu e Julieta, que cute.
"-“Vem lá ter. Os meus sonhos esperam-te”…"
Tãoooooo romântico.
Adorei a Adeline, a amiga perfeita, sensata, tudo o que a Maggie precisava de ouvir (aposto que ainda vai ser a madrinha de casamento, isto já sou eu a divagar,
).
Espero pelo próximo (ansiosamente
).
Beijinhos*
Tens noção que estava eu toda empolgada a ler e de repente o capítulo acaba! O meu desespero...

Amei o capítulo do inicío ao fim, e o que me pareceu um capítulo grande transformou-se num pequenino, sniff.
Só não te chateio por mais porque sei que na fac o tempo falta, não esperava capítulo novo tão rápido.

Adorei a música que recomendaste, passei o capítulo todo a ouvi-la. E esqueço-me sempre de dizer que gosto imenso das frases que pões.
Eu desatei a rir com o teu comentário: "Bom, de qualquer forma, ele é só um "adereço". Não faz nada, tadinho, é uma mosquinha ali no meio (que só por acaso a Mag esborrachou) " looooool
Tadinho do Will.
'' Bem, sobre a menina Maggie, está perdoada!
Pelo menos por agora.
Nah,
, está perdoada a sério, ela claramente está a sofrer bastante, e achei mesmo muito bem que ela só queira continuar as coisas a sério com o David quando toda a situação se resolver. Pareceu-me muito maduro da parte dela. Tive imensa pena do rapaz que lhe ofereceu o bolo, pobrezinho, pior maneira de ficar com o coração partido. A Mag realmente a tentar proteger toda a gente acaba por magoar mais, é como o David disse torna-se má a tentar ser boa. Mas ela devia saber que nada de bom vem de mentiras e por pior que seja a verdade, esta é sempre preferível. E como tal está na altura da "querida" mamã dela saber a verdade sobre ela e o David, ai que eu vou amar essa parte, aposto que vai perder a cor,
. Claro que estou cheia de curiosidade sobre o que vai acontecer, afinal fazer uma promessa daquela maneira, a Maggie está preparar alguma.
Do David nada a dizer, perfect as always.
Aquelas mensagens na janela foram tão românticas, lembrou-me tanto o Romeu e Julieta, que cute.
"-“Vem lá ter. Os meus sonhos esperam-te”…"
Tãoooooo romântico.
Adorei a Adeline, a amiga perfeita, sensata, tudo o que a Maggie precisava de ouvir (aposto que ainda vai ser a madrinha de casamento, isto já sou eu a divagar,
).Espero pelo próximo (ansiosamente
).Beijinhos*
Aí essa música!
Há já bués que não a ouvia! Ultimamente tenho ouvido músicas lindas mas um pouco depressivas. Culpo os exames! Para não falar do "dia fabuloso" que fora ontem, eu sozinha no meu quarto com o computador, enquanto que a minha amiga de longa data me manda sms a dizer que o namorado lhe deu um ovo kinder com uma "surpresa especial" dentro. Ai que desilusão
:foreveralone:
Acerca do capítulo. Adorei, e fiquei mesmo faminta por mais. A Maggie recebeu uma chapada na cara, mas parece que voltou aos eixos. Agora pergunto-me o que é que ela andará a tramar com a promessa que fez ao David. Ui, isto prometo. Agora pergunto-me como hás de acabar a fanfic. Não falo de casais, porque é muito obvio (A não ser que a Maggie tropeçe nos seus peep-toes e seja amassada por um comboio. Assim já iria parecer aquele filme One Day).
E, tal como a Lulu, espero pela cena onde Mrs. Wilson descubra a verdade acerca do relacionamento da filha. Era tão lindo se lhe desse um ataque quando raciocinar o seguinte: E-u n-ã-o m-e v-o-u c-a-s-a-r c-o-m o f-i-l-h-o d-o b-a-n-q-u-e-i-r-o!
A cena foi linda, o David nunca nos decepciona! A Maggie é uma sortuda por o ter. E Adeline excedeu as expectativas! Agora a minha pergunta fica por responder? Onde é que a Maggie aprendeu a se enbananar? Mas isso agora não importa. A gaiata (adoro esse termo que usas para descrever o David
) já aprendeu com os seus erros e isso é o mais importante. E agora veremos o que ela vai fazer a seguir!
Já sabes, ficarei à espera de mais um capítulo.
P.S E tinhas razão, eu considerava o Will um antagonista. Não vilão, mas alguém que ia contra o par principal.
Há já bués que não a ouvia! Ultimamente tenho ouvido músicas lindas mas um pouco depressivas. Culpo os exames! Para não falar do "dia fabuloso" que fora ontem, eu sozinha no meu quarto com o computador, enquanto que a minha amiga de longa data me manda sms a dizer que o namorado lhe deu um ovo kinder com uma "surpresa especial" dentro. Ai que desilusão
:foreveralone: Acerca do capítulo. Adorei, e fiquei mesmo faminta por mais. A Maggie recebeu uma chapada na cara, mas parece que voltou aos eixos. Agora pergunto-me o que é que ela andará a tramar com a promessa que fez ao David. Ui, isto prometo. Agora pergunto-me como hás de acabar a fanfic. Não falo de casais, porque é muito obvio (A não ser que a Maggie tropeçe nos seus peep-toes e seja amassada por um comboio. Assim já iria parecer aquele filme One Day).
E, tal como a Lulu, espero pela cena onde Mrs. Wilson descubra a verdade acerca do relacionamento da filha. Era tão lindo se lhe desse um ataque quando raciocinar o seguinte: E-u n-ã-o m-e v-o-u c-a-s-a-r c-o-m o f-i-l-h-o d-o b-a-n-q-u-e-i-r-o!
A cena foi linda, o David nunca nos decepciona! A Maggie é uma sortuda por o ter. E Adeline excedeu as expectativas! Agora a minha pergunta fica por responder? Onde é que a Maggie aprendeu a se enbananar? Mas isso agora não importa. A gaiata (adoro esse termo que usas para descrever o David
) já aprendeu com os seus erros e isso é o mais importante. E agora veremos o que ela vai fazer a seguir!Já sabes, ficarei à espera de mais um capítulo.

P.S E tinhas razão, eu considerava o Will um antagonista. Não vilão, mas alguém que ia contra o par principal.
Espero por ti em cada segundo , porque tu és o meu mundo!

Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
Visitem a minha 1ª Fic ----->The Four elements

Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
Visitem a minha 1ª Fic ----->The Four elements
Estou doente...
'
Pronto, não é uma maneira muito bonita de começar um mensagem, mas justifica eu não ter vindo mais cedo postar. Enfim, fiquei tão feliz com os vossos comentários meninas!
Não quero que detestem a Mag, coitadita.
Pronto, mas para eu não perder muito tempo a tossir, vou postar de imediato El Capitulo!
Só para que conste. Passam uns diazitos desdo rompimento do casal menos gostado da fanfic mas pronto, eu tive um pouco de dificuldade em expressar isso no capitulo.Boa Leitura! 
O principal objectivo era arranjar forma de levar para a frente a sua nova determinação. Pegou, portanto, no auscultador.
Parou para pensar poucos segundos e, decidida, marcou finalmente o número dos Finkie.
O telefone chamou apenas duas vezes.
-Sim? – Uma voz masculina atendeu, sem qualquer emoção na voz. Era William.
A adolescente não soube se ficara feliz ou nervosa por tal acontecer.
Nervosamente, colocou o cabelo atrás da orelha. Sabia que não podia enrolar muito e tinha de ir directa ao assunto.
-Will…! – Exclamou. Do outro lado da linha ele roborizou ao reconhecer a voz – Daqui é a Margarett… Liguei para saber como estavas.
Constrangido, William olhou em redor e depois rangeu os dentes e fingiu uma boa disposição. Não queria de modo algum evidenciar o seu incómodo por falar com a costureira:
-Estou bem, obrigado, Margarett.
Ela não acreditou minimamente naquele tom, mas parte de si mostrou-se feliz pelas suas palavras.
-Queres ir até ao Lili’s Diner, logo à tarde? – Convidou ela sem mais rodeios.
O filho do banqueiro estranhou a questão e o seu bom senso impediu-o de fingir que aquele convite era algo normal.
-Qual é a tua ideia?!
A emigrante francesa sentiu um arrepio, mas sem querer atrapalhar-se e dizer asneiras, falou somente a verdade:
-Eu disse que te ligava. – Sussurrou e olhou em redor para se certificar que a mãe não estava por perto – a culpa está a atormentar-me e… bom… eu sei que tu não deves estar bem. Acho que devias espairecer. Vem ter comigo ao Lili’s Diner. Será apenas um encontro de amigos… - ela engoliu em seco perante o silêncio de William – Podemos ser amigos, William. – Afirmou - Estou determinada a compensar-te pelos meus erros e pela forma como te tratei!
Seria incorrecto dizer que William ficou feliz com aquela ideia. Porem, ele não sabia até que ponto Margarett estava errada naquela situação. William mordeu o lábio, pensativo e por fim deu de ombros:
-Está bem… Eu logo vejo se apareço. – Respondeu - Adeus!
-Até logo, William!
Um pingo de esperança preencheu Margarett.
Mas a tarde passou e William não apareceu.
Margarett sentiu-se mal com esse facto, mas compreendeu-o. Não era por convidá-lo para sair que ele ficaria com uma melhor impressão dela. Foi por isso que não desistiu.
No dia seguinte voltou a ligar, mas foi Mrs. Kelly Finkie a atender. Ao invés de passar o telefone ao filho, a mulher pôs-se a falar sobre vestidos com Margarett, que por várias vezes relembrou a senhora que precisava de falar com William. Quando a chamada terminou ela ficou a pensar se Mrs. Finkie fizera de propósito a pedido de William, mas o facto fora um só. A conta do telefone seria um absurdo naquele mês por causa daquela conversa.
Resolveu que o ideal era “agarrar o touro pelos cornos”. Passou na casa dele dois dias depois. O mordomo recebeu-a gentilmente, mas acabou por lhe revelar que William tinha ido passar a semana fora com os pais.
Desta vez, não obstante, Margarett ficou feliz pela resposta. Se de facto fosse verdade, então isso significava que William tinha ido aliviar os seus pensamentos e, quem sabe, não regressaria mais calmo.
Esperou mais uma semana, cuja aproveitou para estar com as amigas e, posteriormente, esquecer os problemas por momentos.
***
William voltou na quinta-feira seguinte. Margarett soube-o porque quando passeava na cidade viu o carro dos Finkie a passar ao longe.
No preciso momento, descalçou os peep-toes e, sem perder tempo, correu para casa dos Finkie o mais rápido que pôde. Era a sua oportunidade. Tinha de vê-lo.
Quando chegou à rua do ex-namorado, viu que eles já tinham entrado. Então, voltou a calçar os sapatos e alisou a saia enrodilhada. Aprontou melhor o cabelo, treinou o seu melhor sorriso e após aproximar-se da entrada da casa, treinou o seu discurso e tomou coragem para bater à porta.
Mais uma vez, foi o mordomo que a recebeu com um sorriso educado.
-Bom dia, senhorita Margarett, entre por favor.
Margarett agradeceu e entrou no palacete. Não viu ninguém, mas escutou vozes. Reconheceu a voz de Mr. e Mrs. Finkie, mas nem um pio de William.
-Caros senhores, a senhorita Margarett está aqui. – Anunciou o homem de farda.
Kelly Finkie sorriu exageradamente e abraçou a moça.
-Querida Margarett, que gosto em ver-te!
-Bons olhos a vejam, Mrs. Finkie!
Ela não pôde evitar de ficar preocupada com a possibilidade de Mrs. Kelly Finkie a prender ali a tarde toda.
O marido dela deve ter lido os seus pensamentos:
-Vieste ver o William, correcto Margarett?
Margarett assentiu.
-Ele está no quarto. – Explicou o pai dele - Podes subir se quiseres. Se não o fizeres, certamente a Kelly vai prender-te com outros assuntos.
Margarett riu levemente e agradeceu. Kelly ia discutindo com o marido, mas em vez disso largou Margarett e cedeu-lhe a passagem. A rapariga sabia já o trajecto até ao quarto do rapaz, por isso dirigiu-se lá em silêncio.
A cada degrau que subiu, juntava-se-lhe mais uma gota de nervosismo no estomago, mas ela tinha que ser forte. Quando alcançou a porta, pediu licença para entrar através de três batidas. William pediu que, quem quer que fosse, entrasse, alheio a que pudesse ser a ex-namorada. Margarett abriu a porta devagar e viu-o de costas para ela. Antes de proclamar algo, voltou a analisar o quarto enorme em que entrara uma única vez.
O moço voltou-se quando ela encarava a colcha da sua cama e deu um salto desprevenido:
-Margarett? O que raio fazes aqui?
Ela abriu a boca para responder, mas conteve-se ao reparar num grande golpe na testa de William.
-Will, que te aconteceu?
Ele estreitou as sobrancelhas e afastou a cara do alcance da visão dela.
-Eu caí! – Respondeu depressa demais. Margarett ia pedir mais explicações, mas não teve tempo – E tu? Não respondeste à minha pergunta.
Um nó na garganta da rapariga escorregou-lhe pelo esófago abaixo até se desfazer no estômago e desta maneira dar-lhe fôlego para falar.
-Vim-te ver. – explicou - Não apareceste no Lili’s Diner no outro dia e depois foste para fora… - William ficou à espera de algo mais. Margarett humedeceu o lábio - Que tal correu a viagem em família?
Ela reparou que William não se queria deixar levar tão facilmente. Estava a prender-se um pouco.
-Foi um bocado… entediante.
Foi facilmente decifrável que aquela resposta era apenas um pedaço da verdadeira resposta.
-O que fizeste por lá? – Perguntou ela, sentando-se na orla da cama, uma tentativa forçosa de se sentir à vontade.
William desarranjou o cabelo:
-Margarett, pára com isso! Estás a agir de forma estranha!
Margarett levantou-se com calma:
-Não, William. Estou a ser o mais natural que consigo. Isto sou eu. Tu querias que eu fosse honesta contigo e eu estou a ser.
- É, mas nós já não somos namorados. – Desdenhou o moço - Não precisas de te esforçar tanto para me cativares.
-Eu não te quero cativar. Sabes bem que não é o teu amor que procuro... – Arrependeu-se logo de dizer aquilo, mas prosseguiu - Quero simplesmente que me conheças de verdade e acho que estamos na fase perfeita para isso. No entanto, se quiseres cortar relações por completo, respeito a tua decisão.
Houve um minuto de silêncio asfixiante. William apenas fixou Margarett que por outro lado esperava uma resposta.
Por fim, William sentou-se na berma do seu leito:
-Não, não é isso que eu quero. – Admitiu sem saber se estava a fazer o que era certo ou se estava a ser estupido - Fizeste uma grande asneira e não mereces perdão, mas fico feliz que tenhas a perfeita noção disso. Só não me sinto confortável a falar contigo.
Margarett sabia que ele tinha razão. Não o julgou, mas queria que ele lhe desse espaço para entrar de outra forma na vida dele.
-Fala como se me tivesses acabado de conhecer. – Pediu - Sou apenas a rapariga idiota que cometeu um erro. Um grande erro.
O filho do Kelly soltou uma lufada de ar.
Não animado, mas um pouco mais convencido, levantou-se e abriu a porta do quarto, de mão estendida na direcção do exterior. Margarett assumiu que aquilo fosse uma expulsão. Sentiu-se uma miséria, mas respeitou o rapaz.
Ela saiu do quarto cabisbaixa e foi descendo as escadas para se ir embora daquele lugar. No entanto, foi quando chegou à saída que percebeu um pormenor. William seguira-a, mas não para se certificar que ela saia da sua casa. Margarett reparou que Will pegou no seu casaco de sair à rua e abriu a porta da entrada, antecipando-se a ela ao calcar o chão da rua.
A miúda ficou parada para tentar perceber onde William ia. De facto, não tinha compreendido até ele a olhar, também com dúvida.
-Então…? miúda nova… queres dar uma volta? A minha casa não é o melhor sítio para nos conhecermos.
Margarett riu-se, chocada, mas agradada pelo facto de William estar disposto a tentar uma reaproximação.
-Gostava muito, obrigada. – Declarou, aceitando o convite informal.
Juntos, abandonaram a rua sem direcção alguma.
Inicialmente, William esteve calado durante alguns minutos, minutos esses que lentamente pareciam enterrar Margarett, cuja coragem para iniciar uma conversa não era tão grande como esperava que fosse depois daquele extraordinário avanço.
Finalmente, depois de muito tempo a caminhar em silêncio, os dois pareceram ganhar motivação para falar:
-Então… - Margarett começou
-Tu..? – William interrompeu-se quando se apercebeu que os dois tinham falado ao mesmo tempo. Conseguiram rir desse aspecto – Tu primeiro!
-Não, tu! – Contrapôs Margarett.
William não discutiu:
-Então, conta-me… miúda nova!… Porque voltaste de França? Nunca cheguei a saber.
Margarett balançou as mãos e sorriu:
-Bem, Christian Dior, o homem para quem a minha mãe trabalhava, faleceu e por isso ela ficou sem emprego. – Depois a expressão de Margarett tornou-se mais medrosa - Posteriormente, surgiu um problema de saúde muito grave ao meu pai, por isso ele teve de abandonar a profissão.
William ficou surpreendido com aquela segunda revelação:
-Que tipo de problema?
Margarett sentiu um arrepio e humedeceu os lábios.
-Um problema de coração. Os médicos disseram para ele se dedicar à jardinagem, ou algo ainda menos pesado. Por isso, decidimos que já não estávamos em França a fazer nada e pegamos nas poupanças da família para regressarmos. Agora a minha mãe é de novo uma costureira vulgar e o meu pai trabalha para a Liggett & Myers Tobacco.
-Os produtores de Tabaco Chesterfield?
Margarett assentiu:
-Sim. Ele tem uma pequena função na secretaria. É um trabalho mais leve do que o anterior, portanto é melhor, apesar de ele não ganhar tanto.
-Bom, espero que a saúde do teu pai não piore. É um bom homem, não merece.
Margarett concordou:
-Já da minha mãe não podemos dizer o mesmo. – Desabafou num murmúrio que não era suposto William escutar.
Ele parou de andar:
-Tu tens sérios problemas com a tua mãe, não tens?
Margarett encolheu os ombros e desgostosa, assentiu:
-Sim. Ela é uma pessoa mais… Sinceramente não me apetece falar sobre ela. – Admitiu.
Esperou que William voltasse a segui-la para arranjar outro assunto:
-Fala-me de ti! – Pediu.
William sorriu fracamente:
-Foi a primeira coisa que me disseste quando te levei a jantar.
Margarett corou, incomodada:
-Bem… Eu… Eu não te conhecia mesmo…
Talvez tenha sido uma pedra, ou então foi mesmo o incómodo de Margarett, porem ela tropeçou de uma forma fenomenal e quase esmagou um gato que se atravessou à sua frente.
A única coisa que percebeu nitidamente naqueles segundos tontos foi de uma gargalhada espontânea vinda de William pela situação ridícula de Margarett e, sem poder evitar, ela também se riu, ainda que envergonhada.
Perceberam ali que, talvez, até conseguissem dar-se bem como amigos.
-Gato parvo! Não te rias, por favor, ia morrendo!
Com isso William riu-se mais:
-Ias caindo, o que teve mais piada ainda! – Ele analisou-lhe os pés – A culpa são desses sapatos. Alto demais para caminhar.
-Errado! São poderosos o suficiente para eu não cair e me manter superior.
Desta vez, ele calou-se para pensar.
-Nunca tinha pensado por esse prisma. É por isso que as mulheres usam sapatos altos?
Margarett negou, sorrindo com timidez:
-Suponho que não…
A monotonia pareceu querer voltar a apoderar-se do ambiente, mas Mag não quis deixar:
-Para onde foste com a tua família?
-Fui para a nossa casa de Campo. Fica umas horas daqui. É um sítio que gostamos de ir para descansar e fugir da correria do quotidiano.
-Parece perfeito… - Observou a loira - Poder fugir para algum lugar quando a cabeça está cheia.
-O quarto é um bom aliado, eu acho.
-Sim, excepto quando a mãe bate à porta.
William estreitou as sobrancelhas, intrigado mais uma vez:
-Agora a sério. Qual é o teu problema com a tua mãe?
Margarett corou. Não lhe queria dizer que a mãe era uma gananciosa que adorava o namoro deles por causa da herança de William, mas também não lhe ia dizer que ela era uma santa:
-Bem… Ela pensa de uma maneira estranha e com o passar dos anos, acho que ela começou a enlouquecer um pouco.
-Não sejas má…! – Pediu William, desconfortável.
-Não estou…! Desculpa mas ela intimida-me. Não consigo vê-la como mãe. – Mag sentiu-se mal por dizer aquilo, mas William foi suficientemente inteligente para entender que ela não estava a exagerar - Nem sei como o meu pai casou com ela. Eles são tão diferentes.
-Provavelmente estava apaixonado. – Palpitou.
A loira calou-se. Talvez fosse essa a razão, mas as coisas tinham mudado. Ela sabia bem que o pai não era assim tão louco pela mãe.
-Eu não sei… Talvez esteja a ser dura. Afinal de contas os opostos atraem-se…
-nem sempre… - opôs-se Will. Ele olhou o anoitecer – Está a fazer-se tarde.
Margarett admirou o céu cor-de-laranja e depois contemplou William com o sorriso no rosto:
-Não correu assim tão mal, pois não?
William encarou o mesmo céu e depois suspirou. Tinha passado um tempo calmo e até mesmo calmo com Margarett. Sem pressões, sem conflitos. De facto, tinha corrido consideravelmente bem.
-É… Pensei que fosse mais difícil. Talvez nós sejamos melhores como amigos do que fomos como namorados.
Margarett acenou afirmativamente, feliz por William também achar isso. Mas havia um pormenor que lhe estava a fazer comichão atrás da orelha. Ele não conseguiu ficar na ignorância.
-Eu… Eu também pensei que seria muito mais complicado mas… Estás a reagir melhor do que eu esperei… - William fitou-a – Não que seja mau! – Apressou-se a esclarecer - Fico muito feliz por nós dois e agradeço-te profundamente, mas… Há algo mais, William?
Ele engoliu algo inexistente na sua garganta e sorriu:
-Não…
-A sério? É que… Eu não sei… Pareces quase tão mais à vontade como eu me sinto por já não sermos um casal…
-O que queres dizer?
Margarett teve medo de dizer alguma coisa que não devesse portanto baixou a cabeça:
-Deixa para lá… Podemos voltar a ver-nos?
William coçou a cabeça, desajeitadamente:
-Por algum motivo parece-me que vamos sair mais vezes agora, do que quando namorávamos.
-Isso é um não?
-Não.
-Não?
-É um sim… - Esclareceu, sorrindo - O que tenho a perder?
Margarett sorriu, honestamente feliz.
Finalmente estava a conseguir tomar o rumo certo.
***
Quatro dias depois, Margarett sabia aonde se devia dirigir. No Domingo tinha cumprimentado William à saída na missa e, felizmente, ninguém tinha ligado ao facto de o cumprimentar sem toda a cerimónia romântica que era habitual. Em vez disso um breve aceno, um sorriso e uma troca de palavras muito rápida tinham sido o suficiente. Dorianne, no entanto, tinha feito algumas questões à filha, mas ela dera-lhes pouca importância, com a desculpa que voltaria a ver William no dia seguinte, como estava planeado.
Naquela tarde, antes de sair de casa, abriu a janela do quarto para entrar ar fresco dos dias que começavam a perder já algum do calor do costume. Perdeu uns segundos a olhar para dentro do quarto de David. Ele tinha ido no dia anterior com Vicky e o Marido para a cidade deles. Eram os benefícios e os males do Verão. Nas últimas semanas muita gente começava a sair da cidade para aproveitar os últimos dias de descanso fora. Ela tinha ficado relativamente feliz por ele, mas não tinha tido a sorte de se despedir por haver muita gente por perto. A única coisa que pôde fazer foi trocar um olhar cúmplice com ele. Às custas disso tinha ficado um sentimento pendente dentro de si que se tinha transformado em saudades apertadas.
Foco, Margarett, foco!, disse para si mesma. Primeiro estava a relação de paz com William, por muito que lhe custasse ficar longe de David todo aquele tempo.
Após um suspiro martirizado, Margarett guardou uma caixa na bolsa e saiu de casa, dirigida ao Lili’s Diner.
Cumprimentou as meninas com a simpatia do costume e sentou-se numa mesa ao lado da janela à espera que William chegasse, o que não tardou.
Ele entrou no café com uma calma tal. Nem Margarett diria que ele tinha acabado um relacionamento há cerca de duas semanas.
-Olá! – Saudou, quando ele se sentou à frente dela. Quisesse ou não, continuava a sentir-se nervosa quando o ex-namorado se aproximava
William olhou em redor antes de encarar Margarett. Parecia procurar algo… Ou alguém.
-Então? Tudo bem?
Margarett deu de ombros:
-Dentro dos possíveis… Já tu pareces bastante animado!
William corou ao fitar Mag e alterou o semblante por uma postura mais rígida.
-Hey. Eu não reclamei! – Defendeu-se Margarett, admirada pelo desconforto de William – O que se passa?
Ele tossiu para clarear a voz:
-Nada! Então já pediste alguma coisa?
-Ahm, não, acabei de chegar. – Respondeu, pegando no cardápio. Depois de lê-lo e relê-lo, espreitou William por cima do Menu:
-O que vais pedir?
Ele mordeu o lábio e depois coçou a testa:
-Um waffle de morango! – Disse, firmemente.
Margarett fez cara de nojo sem poder evitar:
-Ewh… Detesto morango!
William admirou a franqueza de Margarett. De facto, da primeira vez que a vira com algo de morango por perto não tinha corrido muito bem.
-Humm… há seculos que não como um gelado de baunilha!
-Gelado de Baunilha? Anotado! – Interrompeu uma voz doce que surpreendeu os dois.
-Olá Daisy! – Cumprimentou Margarett ao aperceber-se da rapariga ao lado da sua mesa.
Ela sorriu timidamente e acabou de escrever o que ela queria, de olhar sempre preso no bloco. Só a jovem servente sabia o quanto lhe custava atender aqueles dois:
-Queres tomar mais alguma coisa?
Margarett negou com a cabeça:
-Por agora basta-me. Obrigada!
Daisy dirigiu-se a William sem o encarar directamente. Margarett estagnou a olhar para a amiga, à espera que ela fitasse o Finkie. Estranhou que ela demorasse tanto a fazê-lo e ficou ainda mais admirada ao reparar no tom rosado que as bochechas dela adquiriram:
-E tu, William?
William fechou o cardápio e olhou-a, no preciso momento que Daisy espreitara-o para além do bloco de notas. Margarett apercebeu-se que ele ficou atrapalhado, de uma forma, deveras, interessante:
-Um Waffle de morango, por favor.
-Mais alguma coisa?
-Não.
Daisy olhou Margarett na defensiva e depois sorriu com uma pitada de esforço:
-Muito bem, trago já.
Mal a servente virou costas, Margarett fixou William, admirada:
-Porque coraste?
Apanhado desprevenido, o rapaz riu-se desajeitadamente:
-De que estás a falar?
Margarett abanou a cabeça. Talvez tivesse sido paranóias da sua mente agitada.
Respirou profundamente e tomou forças para pegar a bolsa e procurar a caixa que tinha guardado lá dentro com muito cuidado. William não mostrou curiosidade alguma, excepto, quando Margarett se dirigiu a ele.
-Will… - chamou baixinho - Não sei se é o local certo, mas… Tenho uma coisa que não me pertence e julgo que é meu dever ta devolver. – O gaiato ficou mais atento e esperou que ela mostrasse a caixa – Sei que ma deste como prova dos teus sentimentos por mim, no entanto sei que não o mereço nem nunca mereci. – Explicou, pousando o objecto paralelepipédico no centro da mesa.
Ele pegou na caixinha de veludo elegante e abriu-a, exibindo o magnifico colar de pedras brilhantes que ele lhe tinha dado no baile como oferenda de namoro. Preparou-se para protestar, mas Mag não permitiu. Calou-o com uma mão sobre a dele:
-Não me pertence, William. Quero que aceites e a guardes para alguém realmente especial, porque é isso que esta jóia significa. Nunca me sentiria bem usando este colar sabendo o sentimento com que o compraste.
Margarett esperou que William não tivesse nenhuma reacção exasperada. Ainda assim teve medo que ele se revoltasse contra ela. Mas, ao invés disso, ele analisou as pedras preciosas do colar com um ar pensativo e fechou a caixa. Passou a mão pelo veludo da tampa e depois encarou a companheira:
-Fico admirado, mas feliz pelo teu bom senso. Não esperava isto, sinceramente, Margarett. Mas admiro-te por prescindires de uma jóia pela qual milhares de mulheres se esfolariam para ter, por saberes o significado que ela tinha e o respeitares. Fico-te grato, de verdade. Faz-me sentir que afinal não sou assim tão idiota como pensei.
-Tu não és idiota, William! – Exclamou Margarett, segurando-lhe o braço de forma reconfortante – Se alguém foi estupido no meio disto tudo, esse alguém fui eu. Fiz o meu dever e como sabes farei qualquer coisa para me olhares com bons olhos novamente.
Daisy interrompeu sem se aperceber.
Colocou o Waffle de William á frente dele e o gelado de Margarett ao centro da mesa:
-Bom apetite! – Exclamou, voltando as costas.
Desta vez, porem, Margarett teve a certeza que William perdeu mais de 20 segundos a olhar a funcionária do Lili’s Diner. Não obstante, preferiu não comentar nada por enquanto.
-E o David? – Quis William saber, pouco à vontade - O que disse de tudo isto?
Margarett fez um trejeito atrapalhado:
-Ele… Bom, eu ainda não lhe contei sobre nós… Então…
Foi impossível não ver surpresa estampada na cara de William. Margarett perdeu a fala por causa daquela expressão incrédula.
-Ele não sabe ainda? Pensei que fosse a primeira pessoa a quem contarias!
Mag deu de ombros.
-Na verdade, a única pessoa que sabe para além de mim és… tu!
William não soube se devia rir ou desacreditar em Margarett. Em vez disso, tendo em conta os últimos acontecimentos antes de romperem, pensou no cenário menos bonito:
-Então significa que… Ele ainda pensa que tu me estás a… - Ele fez uma cara desagradada - trair?
Margarett ficou aflita com aquele pensamento e apressou-se a gesticular desesperadamente para provar o contrário:
-Não, claro que não! Nós nunca mais… Estivemos juntos! Ele sabe muito bem que o que fizemos não foi decente e respeita-te, quer acredites, quer não! Não temos falado muito. Eu deixei bem claro que, enquanto não me sentisse suficientemente menos culpada, não voltaria a estar com ele de forma inapropriada.
William ficou ainda mais chocado com Margarett. Não pensou que ela fosse capaz de fazer aquele sacrifício por ele.
Teve de sorrir por orgulho dela.
-Muito bem, Margarett. Fico feliz por ti.
Ela baixou o olhar. Sabia que tinha feito o certo, mas era verdadeiramente doloroso ter de impedir-se de se entregar a quem mais queria. Alem disso ainda nem sabia como seria quando ele soubesse.
-Às vezes penso como é que lhe vou contar. – Revelou - De repente isso parece tão improvável que até imagino que ele não vai acreditar em mim.
O riso de Will fê-la encolher-se levemente:
-Estou a falar a sério… E depois fico a imaginar o quão tempestuoso será quando vocês os dois se cruzarem comigo por perto. Parece que consigo ver a 3ª guerra mundial a começar. Isso retira-me toda a coragem em sair à rua.
William mordeu o Waffle imaginando uma possível situação. No final, apenas deu de ombros:
-Talvez não seja assim tão mau.
Margarett não conseguiu acreditar no que William tinha acabado de dizer:
-Tu estás louco? Vocês nunca se deram bem.
-Tudo dependerá da maneira que ele olhar para mim. Isso vai construir a minha reacção.
-Como assim? – Margarett não percebeu, todavia William também não a quis esclarecer.
Em vez disso começou-se a rir da figura dela:
-O teu gelado já era! – Troçou.
Margarett deu um salto desprevenida ao perceber que até a sua roupa já estava suja. Tentou limpar-se com um guardanapo, porem, no final de contas riu-se também e deu de ombros, rendida ao seu erro.
O resto da tarde não envolveu conversas muito profundas. Apenas a companhia um do outro. Daquela forma, bem devagarinho, começava a tornar-se tolerável e até fácil os dois ex-namorados conviverem.
Depois de todo o mal que lhes tinha caído na relação, uma fácil amizade começava a florescer, por fim.
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Este capitulo foi mais dedicadoà Mag e ao Will. O proximo tb será um pouquinho e depois começo a escrever sobre o k realmente interessa. sorry, sorry, mas palha faz sempre falta!
Bjokas
'Pronto, não é uma maneira muito bonita de começar um mensagem, mas justifica eu não ter vindo mais cedo postar. Enfim, fiquei tão feliz com os vossos comentários meninas!
Não quero que detestem a Mag, coitadita.Pronto, mas para eu não perder muito tempo a tossir, vou postar de imediato El Capitulo!
Só para que conste. Passam uns diazitos desdo rompimento do casal menos gostado da fanfic mas pronto, eu tive um pouco de dificuldade em expressar isso no capitulo.Boa Leitura! 
Capitulo 27 – Florescer de uma nova amizade
“Nenhuma personalidade é impenetrável. Depende da Chave que se usa.”
Augusto Cury
Há já algum tempo que Margarett se encontrava sentada junto ao telefone a moer o juízo. Tinha pensado e repensado, esboçou um discurso mentalmente e preparava-se para a acção.Augusto Cury
O principal objectivo era arranjar forma de levar para a frente a sua nova determinação. Pegou, portanto, no auscultador.
Parou para pensar poucos segundos e, decidida, marcou finalmente o número dos Finkie.
O telefone chamou apenas duas vezes.
-Sim? – Uma voz masculina atendeu, sem qualquer emoção na voz. Era William.
A adolescente não soube se ficara feliz ou nervosa por tal acontecer.
Nervosamente, colocou o cabelo atrás da orelha. Sabia que não podia enrolar muito e tinha de ir directa ao assunto.
-Will…! – Exclamou. Do outro lado da linha ele roborizou ao reconhecer a voz – Daqui é a Margarett… Liguei para saber como estavas.
Constrangido, William olhou em redor e depois rangeu os dentes e fingiu uma boa disposição. Não queria de modo algum evidenciar o seu incómodo por falar com a costureira:
-Estou bem, obrigado, Margarett.
Ela não acreditou minimamente naquele tom, mas parte de si mostrou-se feliz pelas suas palavras.
-Queres ir até ao Lili’s Diner, logo à tarde? – Convidou ela sem mais rodeios.
O filho do banqueiro estranhou a questão e o seu bom senso impediu-o de fingir que aquele convite era algo normal.
-Qual é a tua ideia?!
A emigrante francesa sentiu um arrepio, mas sem querer atrapalhar-se e dizer asneiras, falou somente a verdade:
-Eu disse que te ligava. – Sussurrou e olhou em redor para se certificar que a mãe não estava por perto – a culpa está a atormentar-me e… bom… eu sei que tu não deves estar bem. Acho que devias espairecer. Vem ter comigo ao Lili’s Diner. Será apenas um encontro de amigos… - ela engoliu em seco perante o silêncio de William – Podemos ser amigos, William. – Afirmou - Estou determinada a compensar-te pelos meus erros e pela forma como te tratei!
Seria incorrecto dizer que William ficou feliz com aquela ideia. Porem, ele não sabia até que ponto Margarett estava errada naquela situação. William mordeu o lábio, pensativo e por fim deu de ombros:
-Está bem… Eu logo vejo se apareço. – Respondeu - Adeus!
-Até logo, William!
Um pingo de esperança preencheu Margarett.
Mas a tarde passou e William não apareceu.
Margarett sentiu-se mal com esse facto, mas compreendeu-o. Não era por convidá-lo para sair que ele ficaria com uma melhor impressão dela. Foi por isso que não desistiu.
No dia seguinte voltou a ligar, mas foi Mrs. Kelly Finkie a atender. Ao invés de passar o telefone ao filho, a mulher pôs-se a falar sobre vestidos com Margarett, que por várias vezes relembrou a senhora que precisava de falar com William. Quando a chamada terminou ela ficou a pensar se Mrs. Finkie fizera de propósito a pedido de William, mas o facto fora um só. A conta do telefone seria um absurdo naquele mês por causa daquela conversa.
Resolveu que o ideal era “agarrar o touro pelos cornos”. Passou na casa dele dois dias depois. O mordomo recebeu-a gentilmente, mas acabou por lhe revelar que William tinha ido passar a semana fora com os pais.
Desta vez, não obstante, Margarett ficou feliz pela resposta. Se de facto fosse verdade, então isso significava que William tinha ido aliviar os seus pensamentos e, quem sabe, não regressaria mais calmo.
Esperou mais uma semana, cuja aproveitou para estar com as amigas e, posteriormente, esquecer os problemas por momentos.
***
William voltou na quinta-feira seguinte. Margarett soube-o porque quando passeava na cidade viu o carro dos Finkie a passar ao longe.
No preciso momento, descalçou os peep-toes e, sem perder tempo, correu para casa dos Finkie o mais rápido que pôde. Era a sua oportunidade. Tinha de vê-lo.
Quando chegou à rua do ex-namorado, viu que eles já tinham entrado. Então, voltou a calçar os sapatos e alisou a saia enrodilhada. Aprontou melhor o cabelo, treinou o seu melhor sorriso e após aproximar-se da entrada da casa, treinou o seu discurso e tomou coragem para bater à porta.
Mais uma vez, foi o mordomo que a recebeu com um sorriso educado.
-Bom dia, senhorita Margarett, entre por favor.
Margarett agradeceu e entrou no palacete. Não viu ninguém, mas escutou vozes. Reconheceu a voz de Mr. e Mrs. Finkie, mas nem um pio de William.
-Caros senhores, a senhorita Margarett está aqui. – Anunciou o homem de farda.
Kelly Finkie sorriu exageradamente e abraçou a moça.
-Querida Margarett, que gosto em ver-te!
-Bons olhos a vejam, Mrs. Finkie!
Ela não pôde evitar de ficar preocupada com a possibilidade de Mrs. Kelly Finkie a prender ali a tarde toda.
O marido dela deve ter lido os seus pensamentos:
-Vieste ver o William, correcto Margarett?
Margarett assentiu.
-Ele está no quarto. – Explicou o pai dele - Podes subir se quiseres. Se não o fizeres, certamente a Kelly vai prender-te com outros assuntos.
Margarett riu levemente e agradeceu. Kelly ia discutindo com o marido, mas em vez disso largou Margarett e cedeu-lhe a passagem. A rapariga sabia já o trajecto até ao quarto do rapaz, por isso dirigiu-se lá em silêncio.
A cada degrau que subiu, juntava-se-lhe mais uma gota de nervosismo no estomago, mas ela tinha que ser forte. Quando alcançou a porta, pediu licença para entrar através de três batidas. William pediu que, quem quer que fosse, entrasse, alheio a que pudesse ser a ex-namorada. Margarett abriu a porta devagar e viu-o de costas para ela. Antes de proclamar algo, voltou a analisar o quarto enorme em que entrara uma única vez.
O moço voltou-se quando ela encarava a colcha da sua cama e deu um salto desprevenido:
-Margarett? O que raio fazes aqui?
Ela abriu a boca para responder, mas conteve-se ao reparar num grande golpe na testa de William.
-Will, que te aconteceu?
Ele estreitou as sobrancelhas e afastou a cara do alcance da visão dela.
-Eu caí! – Respondeu depressa demais. Margarett ia pedir mais explicações, mas não teve tempo – E tu? Não respondeste à minha pergunta.
Um nó na garganta da rapariga escorregou-lhe pelo esófago abaixo até se desfazer no estômago e desta maneira dar-lhe fôlego para falar.
-Vim-te ver. – explicou - Não apareceste no Lili’s Diner no outro dia e depois foste para fora… - William ficou à espera de algo mais. Margarett humedeceu o lábio - Que tal correu a viagem em família?
Ela reparou que William não se queria deixar levar tão facilmente. Estava a prender-se um pouco.
-Foi um bocado… entediante.
Foi facilmente decifrável que aquela resposta era apenas um pedaço da verdadeira resposta.
-O que fizeste por lá? – Perguntou ela, sentando-se na orla da cama, uma tentativa forçosa de se sentir à vontade.
William desarranjou o cabelo:
-Margarett, pára com isso! Estás a agir de forma estranha!
Margarett levantou-se com calma:
-Não, William. Estou a ser o mais natural que consigo. Isto sou eu. Tu querias que eu fosse honesta contigo e eu estou a ser.
- É, mas nós já não somos namorados. – Desdenhou o moço - Não precisas de te esforçar tanto para me cativares.
-Eu não te quero cativar. Sabes bem que não é o teu amor que procuro... – Arrependeu-se logo de dizer aquilo, mas prosseguiu - Quero simplesmente que me conheças de verdade e acho que estamos na fase perfeita para isso. No entanto, se quiseres cortar relações por completo, respeito a tua decisão.
Houve um minuto de silêncio asfixiante. William apenas fixou Margarett que por outro lado esperava uma resposta.
Por fim, William sentou-se na berma do seu leito:
-Não, não é isso que eu quero. – Admitiu sem saber se estava a fazer o que era certo ou se estava a ser estupido - Fizeste uma grande asneira e não mereces perdão, mas fico feliz que tenhas a perfeita noção disso. Só não me sinto confortável a falar contigo.
Margarett sabia que ele tinha razão. Não o julgou, mas queria que ele lhe desse espaço para entrar de outra forma na vida dele.
-Fala como se me tivesses acabado de conhecer. – Pediu - Sou apenas a rapariga idiota que cometeu um erro. Um grande erro.
O filho do Kelly soltou uma lufada de ar.
Não animado, mas um pouco mais convencido, levantou-se e abriu a porta do quarto, de mão estendida na direcção do exterior. Margarett assumiu que aquilo fosse uma expulsão. Sentiu-se uma miséria, mas respeitou o rapaz.
Ela saiu do quarto cabisbaixa e foi descendo as escadas para se ir embora daquele lugar. No entanto, foi quando chegou à saída que percebeu um pormenor. William seguira-a, mas não para se certificar que ela saia da sua casa. Margarett reparou que Will pegou no seu casaco de sair à rua e abriu a porta da entrada, antecipando-se a ela ao calcar o chão da rua.
A miúda ficou parada para tentar perceber onde William ia. De facto, não tinha compreendido até ele a olhar, também com dúvida.
-Então…? miúda nova… queres dar uma volta? A minha casa não é o melhor sítio para nos conhecermos.
Margarett riu-se, chocada, mas agradada pelo facto de William estar disposto a tentar uma reaproximação.
-Gostava muito, obrigada. – Declarou, aceitando o convite informal.
Juntos, abandonaram a rua sem direcção alguma.
Inicialmente, William esteve calado durante alguns minutos, minutos esses que lentamente pareciam enterrar Margarett, cuja coragem para iniciar uma conversa não era tão grande como esperava que fosse depois daquele extraordinário avanço.
Finalmente, depois de muito tempo a caminhar em silêncio, os dois pareceram ganhar motivação para falar:
-Então… - Margarett começou
-Tu..? – William interrompeu-se quando se apercebeu que os dois tinham falado ao mesmo tempo. Conseguiram rir desse aspecto – Tu primeiro!
-Não, tu! – Contrapôs Margarett.
William não discutiu:
-Então, conta-me… miúda nova!… Porque voltaste de França? Nunca cheguei a saber.
Margarett balançou as mãos e sorriu:
-Bem, Christian Dior, o homem para quem a minha mãe trabalhava, faleceu e por isso ela ficou sem emprego. – Depois a expressão de Margarett tornou-se mais medrosa - Posteriormente, surgiu um problema de saúde muito grave ao meu pai, por isso ele teve de abandonar a profissão.
William ficou surpreendido com aquela segunda revelação:
-Que tipo de problema?
Margarett sentiu um arrepio e humedeceu os lábios.
-Um problema de coração. Os médicos disseram para ele se dedicar à jardinagem, ou algo ainda menos pesado. Por isso, decidimos que já não estávamos em França a fazer nada e pegamos nas poupanças da família para regressarmos. Agora a minha mãe é de novo uma costureira vulgar e o meu pai trabalha para a Liggett & Myers Tobacco.
-Os produtores de Tabaco Chesterfield?
Margarett assentiu:
-Sim. Ele tem uma pequena função na secretaria. É um trabalho mais leve do que o anterior, portanto é melhor, apesar de ele não ganhar tanto.
-Bom, espero que a saúde do teu pai não piore. É um bom homem, não merece.
Margarett concordou:
-Já da minha mãe não podemos dizer o mesmo. – Desabafou num murmúrio que não era suposto William escutar.
Ele parou de andar:
-Tu tens sérios problemas com a tua mãe, não tens?
Margarett encolheu os ombros e desgostosa, assentiu:
-Sim. Ela é uma pessoa mais… Sinceramente não me apetece falar sobre ela. – Admitiu.
Esperou que William voltasse a segui-la para arranjar outro assunto:
-Fala-me de ti! – Pediu.
William sorriu fracamente:
-Foi a primeira coisa que me disseste quando te levei a jantar.
Margarett corou, incomodada:
-Bem… Eu… Eu não te conhecia mesmo…
Talvez tenha sido uma pedra, ou então foi mesmo o incómodo de Margarett, porem ela tropeçou de uma forma fenomenal e quase esmagou um gato que se atravessou à sua frente.
A única coisa que percebeu nitidamente naqueles segundos tontos foi de uma gargalhada espontânea vinda de William pela situação ridícula de Margarett e, sem poder evitar, ela também se riu, ainda que envergonhada.
Perceberam ali que, talvez, até conseguissem dar-se bem como amigos.
-Gato parvo! Não te rias, por favor, ia morrendo!
Com isso William riu-se mais:
-Ias caindo, o que teve mais piada ainda! – Ele analisou-lhe os pés – A culpa são desses sapatos. Alto demais para caminhar.
-Errado! São poderosos o suficiente para eu não cair e me manter superior.
Desta vez, ele calou-se para pensar.
-Nunca tinha pensado por esse prisma. É por isso que as mulheres usam sapatos altos?
Margarett negou, sorrindo com timidez:
-Suponho que não…
A monotonia pareceu querer voltar a apoderar-se do ambiente, mas Mag não quis deixar:
-Para onde foste com a tua família?
-Fui para a nossa casa de Campo. Fica umas horas daqui. É um sítio que gostamos de ir para descansar e fugir da correria do quotidiano.
-Parece perfeito… - Observou a loira - Poder fugir para algum lugar quando a cabeça está cheia.
-O quarto é um bom aliado, eu acho.
-Sim, excepto quando a mãe bate à porta.
William estreitou as sobrancelhas, intrigado mais uma vez:
-Agora a sério. Qual é o teu problema com a tua mãe?
Margarett corou. Não lhe queria dizer que a mãe era uma gananciosa que adorava o namoro deles por causa da herança de William, mas também não lhe ia dizer que ela era uma santa:
-Bem… Ela pensa de uma maneira estranha e com o passar dos anos, acho que ela começou a enlouquecer um pouco.
-Não sejas má…! – Pediu William, desconfortável.
-Não estou…! Desculpa mas ela intimida-me. Não consigo vê-la como mãe. – Mag sentiu-se mal por dizer aquilo, mas William foi suficientemente inteligente para entender que ela não estava a exagerar - Nem sei como o meu pai casou com ela. Eles são tão diferentes.
-Provavelmente estava apaixonado. – Palpitou.
A loira calou-se. Talvez fosse essa a razão, mas as coisas tinham mudado. Ela sabia bem que o pai não era assim tão louco pela mãe.
-Eu não sei… Talvez esteja a ser dura. Afinal de contas os opostos atraem-se…
-nem sempre… - opôs-se Will. Ele olhou o anoitecer – Está a fazer-se tarde.
Margarett admirou o céu cor-de-laranja e depois contemplou William com o sorriso no rosto:
-Não correu assim tão mal, pois não?
William encarou o mesmo céu e depois suspirou. Tinha passado um tempo calmo e até mesmo calmo com Margarett. Sem pressões, sem conflitos. De facto, tinha corrido consideravelmente bem.
-É… Pensei que fosse mais difícil. Talvez nós sejamos melhores como amigos do que fomos como namorados.
Margarett acenou afirmativamente, feliz por William também achar isso. Mas havia um pormenor que lhe estava a fazer comichão atrás da orelha. Ele não conseguiu ficar na ignorância.
-Eu… Eu também pensei que seria muito mais complicado mas… Estás a reagir melhor do que eu esperei… - William fitou-a – Não que seja mau! – Apressou-se a esclarecer - Fico muito feliz por nós dois e agradeço-te profundamente, mas… Há algo mais, William?
Ele engoliu algo inexistente na sua garganta e sorriu:
-Não…
-A sério? É que… Eu não sei… Pareces quase tão mais à vontade como eu me sinto por já não sermos um casal…
-O que queres dizer?
Margarett teve medo de dizer alguma coisa que não devesse portanto baixou a cabeça:
-Deixa para lá… Podemos voltar a ver-nos?
William coçou a cabeça, desajeitadamente:
-Por algum motivo parece-me que vamos sair mais vezes agora, do que quando namorávamos.
-Isso é um não?
-Não.
-Não?
-É um sim… - Esclareceu, sorrindo - O que tenho a perder?
Margarett sorriu, honestamente feliz.
Finalmente estava a conseguir tomar o rumo certo.
***
Quatro dias depois, Margarett sabia aonde se devia dirigir. No Domingo tinha cumprimentado William à saída na missa e, felizmente, ninguém tinha ligado ao facto de o cumprimentar sem toda a cerimónia romântica que era habitual. Em vez disso um breve aceno, um sorriso e uma troca de palavras muito rápida tinham sido o suficiente. Dorianne, no entanto, tinha feito algumas questões à filha, mas ela dera-lhes pouca importância, com a desculpa que voltaria a ver William no dia seguinte, como estava planeado.
Naquela tarde, antes de sair de casa, abriu a janela do quarto para entrar ar fresco dos dias que começavam a perder já algum do calor do costume. Perdeu uns segundos a olhar para dentro do quarto de David. Ele tinha ido no dia anterior com Vicky e o Marido para a cidade deles. Eram os benefícios e os males do Verão. Nas últimas semanas muita gente começava a sair da cidade para aproveitar os últimos dias de descanso fora. Ela tinha ficado relativamente feliz por ele, mas não tinha tido a sorte de se despedir por haver muita gente por perto. A única coisa que pôde fazer foi trocar um olhar cúmplice com ele. Às custas disso tinha ficado um sentimento pendente dentro de si que se tinha transformado em saudades apertadas.
Foco, Margarett, foco!, disse para si mesma. Primeiro estava a relação de paz com William, por muito que lhe custasse ficar longe de David todo aquele tempo.
Após um suspiro martirizado, Margarett guardou uma caixa na bolsa e saiu de casa, dirigida ao Lili’s Diner.
Cumprimentou as meninas com a simpatia do costume e sentou-se numa mesa ao lado da janela à espera que William chegasse, o que não tardou.
Ele entrou no café com uma calma tal. Nem Margarett diria que ele tinha acabado um relacionamento há cerca de duas semanas.
-Olá! – Saudou, quando ele se sentou à frente dela. Quisesse ou não, continuava a sentir-se nervosa quando o ex-namorado se aproximava
William olhou em redor antes de encarar Margarett. Parecia procurar algo… Ou alguém.
-Então? Tudo bem?
Margarett deu de ombros:
-Dentro dos possíveis… Já tu pareces bastante animado!
William corou ao fitar Mag e alterou o semblante por uma postura mais rígida.
-Hey. Eu não reclamei! – Defendeu-se Margarett, admirada pelo desconforto de William – O que se passa?
Ele tossiu para clarear a voz:
-Nada! Então já pediste alguma coisa?
-Ahm, não, acabei de chegar. – Respondeu, pegando no cardápio. Depois de lê-lo e relê-lo, espreitou William por cima do Menu:
-O que vais pedir?
Ele mordeu o lábio e depois coçou a testa:
-Um waffle de morango! – Disse, firmemente.
Margarett fez cara de nojo sem poder evitar:
-Ewh… Detesto morango!
William admirou a franqueza de Margarett. De facto, da primeira vez que a vira com algo de morango por perto não tinha corrido muito bem.
-Humm… há seculos que não como um gelado de baunilha!
-Gelado de Baunilha? Anotado! – Interrompeu uma voz doce que surpreendeu os dois.
-Olá Daisy! – Cumprimentou Margarett ao aperceber-se da rapariga ao lado da sua mesa.
Ela sorriu timidamente e acabou de escrever o que ela queria, de olhar sempre preso no bloco. Só a jovem servente sabia o quanto lhe custava atender aqueles dois:
-Queres tomar mais alguma coisa?
Margarett negou com a cabeça:
-Por agora basta-me. Obrigada!
Daisy dirigiu-se a William sem o encarar directamente. Margarett estagnou a olhar para a amiga, à espera que ela fitasse o Finkie. Estranhou que ela demorasse tanto a fazê-lo e ficou ainda mais admirada ao reparar no tom rosado que as bochechas dela adquiriram:
-E tu, William?
William fechou o cardápio e olhou-a, no preciso momento que Daisy espreitara-o para além do bloco de notas. Margarett apercebeu-se que ele ficou atrapalhado, de uma forma, deveras, interessante:
-Um Waffle de morango, por favor.
-Mais alguma coisa?
-Não.
Daisy olhou Margarett na defensiva e depois sorriu com uma pitada de esforço:
-Muito bem, trago já.
Mal a servente virou costas, Margarett fixou William, admirada:
-Porque coraste?
Apanhado desprevenido, o rapaz riu-se desajeitadamente:
-De que estás a falar?
Margarett abanou a cabeça. Talvez tivesse sido paranóias da sua mente agitada.
Respirou profundamente e tomou forças para pegar a bolsa e procurar a caixa que tinha guardado lá dentro com muito cuidado. William não mostrou curiosidade alguma, excepto, quando Margarett se dirigiu a ele.
-Will… - chamou baixinho - Não sei se é o local certo, mas… Tenho uma coisa que não me pertence e julgo que é meu dever ta devolver. – O gaiato ficou mais atento e esperou que ela mostrasse a caixa – Sei que ma deste como prova dos teus sentimentos por mim, no entanto sei que não o mereço nem nunca mereci. – Explicou, pousando o objecto paralelepipédico no centro da mesa.
Ele pegou na caixinha de veludo elegante e abriu-a, exibindo o magnifico colar de pedras brilhantes que ele lhe tinha dado no baile como oferenda de namoro. Preparou-se para protestar, mas Mag não permitiu. Calou-o com uma mão sobre a dele:
-Não me pertence, William. Quero que aceites e a guardes para alguém realmente especial, porque é isso que esta jóia significa. Nunca me sentiria bem usando este colar sabendo o sentimento com que o compraste.
Margarett esperou que William não tivesse nenhuma reacção exasperada. Ainda assim teve medo que ele se revoltasse contra ela. Mas, ao invés disso, ele analisou as pedras preciosas do colar com um ar pensativo e fechou a caixa. Passou a mão pelo veludo da tampa e depois encarou a companheira:
-Fico admirado, mas feliz pelo teu bom senso. Não esperava isto, sinceramente, Margarett. Mas admiro-te por prescindires de uma jóia pela qual milhares de mulheres se esfolariam para ter, por saberes o significado que ela tinha e o respeitares. Fico-te grato, de verdade. Faz-me sentir que afinal não sou assim tão idiota como pensei.
-Tu não és idiota, William! – Exclamou Margarett, segurando-lhe o braço de forma reconfortante – Se alguém foi estupido no meio disto tudo, esse alguém fui eu. Fiz o meu dever e como sabes farei qualquer coisa para me olhares com bons olhos novamente.
Daisy interrompeu sem se aperceber.
Colocou o Waffle de William á frente dele e o gelado de Margarett ao centro da mesa:
-Bom apetite! – Exclamou, voltando as costas.
Desta vez, porem, Margarett teve a certeza que William perdeu mais de 20 segundos a olhar a funcionária do Lili’s Diner. Não obstante, preferiu não comentar nada por enquanto.
-E o David? – Quis William saber, pouco à vontade - O que disse de tudo isto?
Margarett fez um trejeito atrapalhado:
-Ele… Bom, eu ainda não lhe contei sobre nós… Então…
Foi impossível não ver surpresa estampada na cara de William. Margarett perdeu a fala por causa daquela expressão incrédula.
-Ele não sabe ainda? Pensei que fosse a primeira pessoa a quem contarias!
Mag deu de ombros.
-Na verdade, a única pessoa que sabe para além de mim és… tu!
William não soube se devia rir ou desacreditar em Margarett. Em vez disso, tendo em conta os últimos acontecimentos antes de romperem, pensou no cenário menos bonito:
-Então significa que… Ele ainda pensa que tu me estás a… - Ele fez uma cara desagradada - trair?
Margarett ficou aflita com aquele pensamento e apressou-se a gesticular desesperadamente para provar o contrário:
-Não, claro que não! Nós nunca mais… Estivemos juntos! Ele sabe muito bem que o que fizemos não foi decente e respeita-te, quer acredites, quer não! Não temos falado muito. Eu deixei bem claro que, enquanto não me sentisse suficientemente menos culpada, não voltaria a estar com ele de forma inapropriada.
William ficou ainda mais chocado com Margarett. Não pensou que ela fosse capaz de fazer aquele sacrifício por ele.
Teve de sorrir por orgulho dela.
-Muito bem, Margarett. Fico feliz por ti.
Ela baixou o olhar. Sabia que tinha feito o certo, mas era verdadeiramente doloroso ter de impedir-se de se entregar a quem mais queria. Alem disso ainda nem sabia como seria quando ele soubesse.
-Às vezes penso como é que lhe vou contar. – Revelou - De repente isso parece tão improvável que até imagino que ele não vai acreditar em mim.
O riso de Will fê-la encolher-se levemente:
-Estou a falar a sério… E depois fico a imaginar o quão tempestuoso será quando vocês os dois se cruzarem comigo por perto. Parece que consigo ver a 3ª guerra mundial a começar. Isso retira-me toda a coragem em sair à rua.
William mordeu o Waffle imaginando uma possível situação. No final, apenas deu de ombros:
-Talvez não seja assim tão mau.
Margarett não conseguiu acreditar no que William tinha acabado de dizer:
-Tu estás louco? Vocês nunca se deram bem.
-Tudo dependerá da maneira que ele olhar para mim. Isso vai construir a minha reacção.
-Como assim? – Margarett não percebeu, todavia William também não a quis esclarecer.
Em vez disso começou-se a rir da figura dela:
-O teu gelado já era! – Troçou.
Margarett deu um salto desprevenida ao perceber que até a sua roupa já estava suja. Tentou limpar-se com um guardanapo, porem, no final de contas riu-se também e deu de ombros, rendida ao seu erro.
O resto da tarde não envolveu conversas muito profundas. Apenas a companhia um do outro. Daquela forma, bem devagarinho, começava a tornar-se tolerável e até fácil os dois ex-namorados conviverem.
Depois de todo o mal que lhes tinha caído na relação, uma fácil amizade começava a florescer, por fim.
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Este capitulo foi mais dedicadoà Mag e ao Will. O proximo tb será um pouquinho e depois começo a escrever sobre o k realmente interessa. sorry, sorry, mas palha faz sempre falta!

Bjokas
as minhas fic's:
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
-Angelical
Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
-Angelical
Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^
Um capítulo sem David? Ok, custou um pouco estar a ler apenas acerca da Maggie e do Will, mas gostei imenso. O que raio aconteceu ao Will para ele agora acreditar que gosta da Daisy. Ai que essa agora tem muito poder na mão. Pode fazer do Finkie aquilo que lhe apetecer :madface:
Custou, mas a Maggie lá conseguiu ficar amiga do Will. Isso é bem raro nestes dias, devo dizer. Mas eram os anos 50, as coisas eram diferentes. E gostei bastante da sugestão do Will em ficar "amigo" do David. Temos lido nos dois pontos de vista e sabemos que eles são mais maduros do que aparentam. Até que era capaz de funcionar. Até porque têm um inimigo comum: Jack. Foi esse anormal que deu um olho negro ao Will? Quero detalhes no próximo capítulo entendido?
Ficarei ansiosa pelo próximo. Não tenho muito para dizer, mas gostei bastante e deixaste-me a pensar no que vai acontecer no próximo encontro do David com aqueles dois. No caso do Will: Farão as pazes?
No caso da Maggie... quase que o imagino a saltar para cima dela e enche-la de beijos quando tal acontecer. E se eles tiverem na casa abandonada duvido que ela o trave
E espero que fiques melhor da gripe
Custou, mas a Maggie lá conseguiu ficar amiga do Will. Isso é bem raro nestes dias, devo dizer. Mas eram os anos 50, as coisas eram diferentes. E gostei bastante da sugestão do Will em ficar "amigo" do David. Temos lido nos dois pontos de vista e sabemos que eles são mais maduros do que aparentam. Até que era capaz de funcionar. Até porque têm um inimigo comum: Jack. Foi esse anormal que deu um olho negro ao Will? Quero detalhes no próximo capítulo entendido?
Ficarei ansiosa pelo próximo. Não tenho muito para dizer, mas gostei bastante e deixaste-me a pensar no que vai acontecer no próximo encontro do David com aqueles dois. No caso do Will: Farão as pazes?
No caso da Maggie... quase que o imagino a saltar para cima dela e enche-la de beijos quando tal acontecer. E se eles tiverem na casa abandonada duvido que ela o trave

E espero que fiques melhor da gripe

Espero por ti em cada segundo , porque tu és o meu mundo!

Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
Visitem a minha 1ª Fic ----->The Four elements

Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
Visitem a minha 1ª Fic ----->The Four elements
Olá Lulu!
O teu capítulo veio animar o meu dia. Estou como tu, doente.
Espero que fiques bem.
Eu até gostei bastante de ler sobre a Maggie e o Will, para mim não foi palha, pode não falar do casal principal, mas gostei de ver esta nova amizade entre eles.
Realmente, a mãe do Will é uma chata só a falar de vestidos!
Vá lá que ainda há homens sensatos no mundo, bom para o Will que teve um pai decente. Pergunto-me porque homens sensatos casam com mulheres idiotas...
Ai, adorei a expressão "miúda nova"! Mesmo gira!
Coitado do pai da Maggie, concordo com o Will, ele não merece que a saúde piore. Não com a mulher que tem, isso já é castigo que chegue.
Oh my god, a cena do gato, que cómica!
Ela devia ter dito que a mãe era uma gananciosa. Quem diz a verdade não merece castigo! >>(
Acho que eles vão tornar-se bons amigos.
Também quero um waffle! Pah, sniff,
, adoooro baunilha.
Então, quando é que o Will ganha coragem e chama a Daisy para sair?
Estou a ver que o David e o Will ainda ficam amigos, e espero mesmo que deem uma lição ao parvo do Jack.
Nem consigo imaginar a reação do David quando souber.
Mas o que quero mesmo ver é a reação da Dorianne! Isso sim, vai ser digno de ver.
Beijinhos e as melhoras.
O teu capítulo veio animar o meu dia. Estou como tu, doente.
Espero que fiques bem.
Eu até gostei bastante de ler sobre a Maggie e o Will, para mim não foi palha, pode não falar do casal principal, mas gostei de ver esta nova amizade entre eles.
Realmente, a mãe do Will é uma chata só a falar de vestidos!
Vá lá que ainda há homens sensatos no mundo, bom para o Will que teve um pai decente. Pergunto-me porque homens sensatos casam com mulheres idiotas...
Ai, adorei a expressão "miúda nova"! Mesmo gira!
Coitado do pai da Maggie, concordo com o Will, ele não merece que a saúde piore. Não com a mulher que tem, isso já é castigo que chegue.
Oh my god, a cena do gato, que cómica!
Ela devia ter dito que a mãe era uma gananciosa. Quem diz a verdade não merece castigo! >>(
Acho que eles vão tornar-se bons amigos.
Também quero um waffle! Pah, sniff,
, adoooro baunilha. Então, quando é que o Will ganha coragem e chama a Daisy para sair?
Estou a ver que o David e o Will ainda ficam amigos, e espero mesmo que deem uma lição ao parvo do Jack.
Nem consigo imaginar a reação do David quando souber.
Mas o que quero mesmo ver é a reação da Dorianne! Isso sim, vai ser digno de ver.
Beijinhos e as melhoras.
oh pá...
Num sei!
já passou um mês desde que actualizei a fic, já nem me lembrava do q tinha acontecido, mas eis q tive um pingo de inspiração e na hora certa(pseudo-ferias!!!) consegui acabar este capitulo!
Perdoem-me a demora e agradeço desde já a vossa boa vontade em seguir a historia!
Para recordar. basicamente a Mag e o Will estão a começar a entender-se!
vá, não me está a dar jeito escrever na posição q estou por isso sem mais demoras NOVO CAPITULO!
Tínhamos 11 anos. Discutimos ferozmente naquele dia. As nossas mães tiveram de nos agarrar e separar ou eramos bem capazes de dar cabo um do outro. Lembro-me que quando entrei em casa desatei a chorar de raiva entre gritos. Atirei a loiça contra a parede e quebrei alguns copos. Os meus pais não me conseguiram parar, caso contrário provavelmente ter-me-iam dado um açoite. Eu estava fora mim. Tranquei-me no quarto e abri a janela.
Aquilo não ia acabar por ali.
Comecei a gritar lá para fora, à espera que ele me escutasse e, quando achei que ele tinha desistido ele abriu as persianas e atirou-me um caderno à cabeça. Também chorava de raiva. Só me lembro de ele dizer que nunca mais falaria comigo, que nunca mais ia ser meu amigo. Então eu gritei e chorei mais até acabar por bater a janela com força.
No dia seguinte fomos jogar futebol com os miúdos do bairro. Ficamos em equipas separadas. No meio de toda aquela disputa ele atirou-me ao chão e acabei por me magoar fortemente na cabeça. Sangrava demais e tive de ir para o hospital imediatamente. Voltei mais tarde. Ele tinha ficado a tarde toda sentado nas escadas da fachada à minha espera. Naquela noite adormeceu comigo, no chão da sala. Dormimos abraçados. Quando acordei, no dia seguinte, ele levou-me para longe e fizemos a primeira promessa. Com um canivete suíço que ele roubou do pai, fizemos, cada um, um golpe na mão. Doeu mais que tudo. Depois unimos as mãos e prometemos. Iamos ser amigos para sempre.
-Isso foi quase insano! – Queixou-se William, depois de escutar tudo com atenção.
-Por isso é que trocamos o canivete por lama... Ou qualquer outra coisa que nos sujasse as mãos. O engraçado é que, mesmo tendo passado 5 anos, ainda fazemos isso. E é reconfortante porque tem valor.
William suspirou e cruzou os braços encostando-se ao muro em que Margarett estava sentada:
-Então já é crónico. Mesmo que eu te tentasse persuadir, provavelmente seria inútil. Esse teu sentimento já vem desde criança, mas nenhum de vocês se tinha apercebido…
Ela sorriu e desviou o cabelo para trás das orelhas:
-É, acho que sim… Só fico chateada por termos feito tantas asneiras até percebermos isso.
Nenhum deles disse mais nada por uns bons minutos. Talvez estivessem a absorver a informação e a formar as ideias. No entanto surgiu uma curiosidade oportuna em Margarett. Ela quis perguntar a William.
-E tu? Não sei nada da tua vida antes de eu chegar á cidade. Não houve nenhuma outra rapariga antes de mim?
William riu-se, de olhos semicerrados por causa do sol, mas não respondeu. Isso despertou ainda mais a curiosidade de Margarett:
-Houve?
-Não necessariamente. – Respondeu.
-Que queres dizer com isso?
William espreguiçou-se. Tinha os músculos tensos e precisava de espalhar algumas energias pelo resto do corpo, enquanto pensava no que dizer a Margarett.
-Bem, na verdade eu tive uma pequena. Muito pequena! – Sublinhou – paixoneta.
Margarett aproximou-se mais de Will, sorrindo:
-Por quem?
-Isso não te vou dizer! – Informou ele, enquanto se afastava um pouco dela.
-William, eu também te contei! – Protestou a loira - Diz-me! Quem era ela?! Eu conheço?
-Eu não te vou dizer! Não teve importância. Foi tão rápido que às vezes nem me lembro que aconteceu.
-Oh, William! Por favor! – Implorou a filha dos Wilson.
Ele bufou. Limpou o pó das mãos e esfregou-as de um modo nervoso e, por fim, rendeu-se:
-Pronto, mas não ganhes ideias, por amor de Deu! Foi pela Daisy. – Margarett abriu a boca, surpreendida. Mas por outro lado recordou o olhar de William no outro dia - Mas já foi há um ano ou dois! E foi muito rápido!
-A sério? Mas estavas apaixonado?
-Já te disse. Foi uma paixoneta mínima! Nem sequer avancei!
-Porquê?
William fez uma careta:
-Ela não me dava muita trela. Acho que até me fugia às vezes. Então eu interpretei aquela falta de diálogo como um corte. Decidi que era melhor nem sequer me aproximar, para evitar uma grande tampa. Então superei, andei para a frente e por fim tu apareceste. Recentemente voltei a olhar para ela quando o David e ela começaram a falar mais. Acho que fiquei com ciúmes por ele conseguir a confiança dela mais facilmente do que eu alguma vez consegui.
Margarett abanou a cabeça:
-Ora, Will… A Daisy é muito tímida. Se calhar até teria resultado…
William abanou a cabeça:
-Nem sequer pondero essa hipótese. Além disso, já passou muito tempo, isso já não sequer me interessa!
Margarett não tocou mais naquele assunto. Saltou para o chão e arrastou William com ela.
-Queres ir até ao Lili’s Diner amanhã?
-Outra vez? Estivemos lá na segunda-feira passada.
-Eu sei, mas… amanhã é sábado…
William encolheu os ombros.
-Eu depois vejo. Vai lá na mesma. Não perdes nada. Se me apetecer apareço.
Margarett não insistiu. Continuou a caminha com William.
Este por sua vez fazia uma conta de cabeça. Já tinham passado quase cinco semanas desde o rompimento. E, surpreendentemente, ele já mal se lembrava da traição de Margarett. É, ele tinha de lhe dar os parabéns por ela ter conseguido.
-Hey, Margarett… Eu estive a pensar e… Acho que chegou a altura…
-Altura de quê? – Perguntou distraída com uma pedrinha no caminho que insistia em chutar.
-De contar a toda a gente que não somos namorados. De tu seguires em frente com o David…
Margarett parou de andar, sem qualquer reacção às palavras de William. Não estava nada à espera de ouvir aquilo. Não naquele momento, nem sequer daquela maneira.
Quando conseguiu soltar um fôlego de ar, gaguejou, mas sorriu sentindo o coração tão cheio que era capaz de explodir.
-A sério, Will?
Ele mostrou-se rendido. E foi o suficiente para Margarett o abraçar com força!
-Obrigada, William… Obrigada.
Msr.Paisen agarrou o filho com força e beijou-lhe as bochechas.
-Oh, meu David, parece que passaram anos! – Exclamou apertando-o com mais força nos seus braços.
-Mãe, só passaram uns dias!
-Uns dias? – Indagou a senhora perplexa, com as mãos coladas às bochechas do filho - Quase duas semanas!
-Ok, estás a sufocar-me! – Acusou ele, embaraçado.
Mrs. Paisen ignorou e fez o filho dar uma volta à sua frente:
-Olha para ti, parece que até já estás mais magro! Vou preparar-te a tua comida preferida! – Anunciou.
David olhou-a com um sorriso no canto dos olhos:
-E bolo de chocolate?
-Tudo que quiseres, meu querido!
David riu-se e deu um beijo na testa da mãe. Logo após disse-lhe que ia desfazer as malas e subiu as escadas até ao quarto com pressa. A sua ideia era somente uma: ver Margarett. Abriu a janela com urgência com esperança de apanhá-la no quarto.
Mas ela não estava. Estava tudo aberto e ele quase que podia sentir o perfume dela, porém o quarto estava vazio. Soube que Rett não se encontrava em casa porque para além da janela estava tudo fechado e nada fora do sítio. E, como Margarett já não trabalhava para a mãe, certamente que estava fora. A sua dúvida era como as coisas estavam passadas duas semanas. Perguntou-se se ainda estava tudo na mesma, ou se, como Mag lhe tinha prometido, já estava tudo resolvido.
Suspirou.
Algo lhe dizia que nada mudara, apesar de uma pequena réstia de esperança lhe sussurrar ao ouvido que a hora da mudança chegara.
Não obstante, se havia coisa que David não queria era esperar muito mais. Se Margarett não conseguia, então ele estava disposto a assumir tudo a William. Tinha pensado bastante no que tinha feito e reconheceu que se estivesse na pele do rival, não gostaria nada de viver uma mentira daquele tamanho. Estava decidido. No dia seguinte iria procurar William e contar-lhe a verdade, fosse qual fosse o preço a pagar.
***
Brittany resmungou de novo com Jack:
-Tu és um idiota! Eu já te disse que não quero saber de mais nada do David! Eu superei, está bem?
-Britt, nem te reconheço! – Troçou o delinquente - Pensei que fosses muito mais lutadora! Nunca pensei que desistisses do David tão facilmente.
-Eu não desisti! Eu abri os olhos, isso sim. O David disse-me que era injusto fingir que gostava de mim e sabes que mais? Ele tinha razão. Não quero passar o resto da minha vida a cansar-me para conquistar alguém que não me quer!
-Idiota! – Gritou Jack, zangado – Temos tudo para conseguir o que queremos e tu simplesmente já não queres saber do David? Tu não pensas bem!
Brittany continuou a andar aborrecida, mas Jack agarrou-lhe o braço com violência:
-A francesa traiu o namorado com David que eu bem sei. No entanto é tão boa actriz que a relação dela com o moedinhas parece melhor do que nunca. Com esta bomba podias agarrar o David de novo para ti!
-Eu já te disse, isso não me importa mais! Já sou crescida e não quero as tuas dicas! Cada um sabe de si, Jack!
-Vais-te arrepender, miúda doida!
-Veremos, seu mal-feitor!
***
David surpreendeu-se ao ver Ally, Janice e Daisy do lado do balcão que se destinava aos clientes, cada uma com um vestido diferente e sem o cozinheiro a gritar-lhes por não estarem a trabalhar. Perguntou-se o porquê daquilo e ainda por cima num sábado à tarde.
-As aulas começam daqui a uns dias. Estamos de férias, oficialmente! – Explicou Janice, sugando a sua coca-cola pela palhinha.
-Faz sentido. – Concordou David encostando-se ao balcão com elas – mas então quem me vai fazer descontos nos crepes? - Perguntou dramaticamente a Daisy.
Ela riu-se e deu uma lambida no gelado:
-Faz olhinhos ao cozinheiro. Pode ser que ele não te resista!
Todos rirem, excepto David que fez uma careta de nojo:
-Acho que dispenso, mas obrigado pela dica!
Eric soltou Janice por uns segundos e olhou David:
-É verdade, esqueci-me de te dizer! Vi o Bruce no outro dia!
David percebeu naquele momento que no meio de toda a confusão em que se envolvera naqueles últimos dois meses, já mal se lembrava do antigo grupo de Compinchas que abandonara por causa de Margarett. Sabia, ainda assim, que após os conflitos entre Corine e Jack, Scott partira com ela para longe para recomporem as suas ideias e estarem algum tempo a sós. Tinham partido para Ohio, onde Scott tinha uns primos afastados. De Bruce, porem, não sabia nada.
-Como está ele?
-Apenas os vi ontem de relance! Mas pareceu-me melhor.
Nesse momento, o consciente de David levou-o a imaginar o que contaria de novo aos antigos companheiros. A sua vida estava tão estranha que nem sabia até que ponto teria uma boa história para eles. Apesar de ter estado também duas semanas fora, sentia que precisava ainda de muito mais tempo para se recuperar. Mas a certeza era uma: Ele ia contar tudo a William
Talvez fosse o destino, ou talvez fosse a sua sorte, quando a sineta da porta do café soou e por ela irromperam duas pessoas juntas aparentemente felizes.
Sorte, ou muito, muito azar.
Margarett não soube como classificar aquele encontro entre os três.
Teve de fingir-se distraída com o botão do punho para se pensar que ela não viu David e fugir ao que se iria provavelmente passar na cabeça daqueles dois.
Externamente, não obstante, todos acharam a situação comum. O jovem casal entrou no café, não de mão dada ou abraçados, mas alheios a tudo o resto. Quem os visse entrar diria sem sombra de dúvida que eram o mesmo casal de sempre. Podiam não estar agarrados, nem tampouco aos beijos, mas a ausência de expressão não levantava desconfianças em relação aos dois.
William, ao contrário de Margarett, não teve medo de olhar em frente, talvez até em busca de David.
No entanto, era de salientar os pensamentos e reacções externas de William e de David quando se fitaram sem querer. Houve um copo cheio de atenção por parte de William. Ele teve de estudar a reacção de David para saber o que pensar e como agir. Já David teve aquilo a que se chama “branca”. O seu olhar passou instintivamente do filho do banqueiro para a amiga amada. Sentiu o torax inchar e controlou-se para o levar de volta ao normal. Depois sentiu-se corar e mordeu o lábio com remorso após olhar de novo para Wiliam.
Baixou o olhar por fim e, muito discretamente, suspirou.
Aqueles pequenos gestos foram suficientes.
William atentou em Margarett, sem qualquer rancor por David e por ela, como pensava que sentiria. Pensou no que realmente faria a partir dali. Até ao momento ele sabia bem. Tinha a certeza que espancaria o inimigo de infância e depois dizia a todos que Margarett e ele já não namoravam. Mas eis que, depois de ver a cara dos dois amantes não teve coragem de ser tão drástico. Preferiu que a ex-namorada se desenrascasse sozinha. Estava até disposto a ver Mag a agarrar-se a David ali mesmo, desde que ficasse tudo resolvido por fim. Honestamente? Ele já nem queria saber. Acreditava que o destino é que tinha causado tudo aquilo e como tal, o próprio destino resolveria.
Seguiu então até a um banco qualquer que ficava afastado de David o suficiente para não ocorrer um escândalo.
Margarett tropeçou discretamente nos próprios pés e seguiu-o sem coragem de encarar o vizinho.
Ele, por outro lado, seguiu-lhe os peep-toes sem descrição até ela se sentar com Ally e Rick entre eles.
O momento que se seguiu foi tenso. Nem a Juke Box conseguia disfarçar o bater de pés irrequieto, nem as Coca-colas refrescar os rostos suados e nervosos.
Margarett fitou William constrangida, todavia chocou quando ele a ignorou distraidamente. Sentiu um grande vazio no peito. Sentiu novamente que estava a fazer a coisa errada e que, mesmo tendo passado algum tempo desde o rompimento, o seu erro ainda não tinha perdão.
Os olhos começaram a arder, mas as lágrimas secaram rapidamente quando ela se distraiu com o casal que entrou no Lili’s Diner.
Reconheceu-os daquela fatídica noite em que ela e David discutiram, depois da visita ao cemitério. Tentou lembrar os nomes daqueles dois.
Scott e Corine…
Reparou que já não os via há bastante tempo e ponderou que talvez eles tivessem saído da cidade, sem que ela se apercebesse.
O primeiro a comentar aquele aparecimento foi Eric, que se levantou de rompante e levantou os abraços em tom de Recepção:
-Scott! Corine!
David teve uns gestos mais medidos, mas também não disfarçou o espanto:
-Vocês voltaram!
Corine abraçou logo David, fazendo Mag corar de ciúme.
Nisso William já reparou.
-Onde estiveram vocês? – Perguntou Eric.
Corine ergueu a mão esquerda e foi evidente aquela fina argola de ouro no seu dedo anelar. David agarrou-lhe a mão em choque e depois puxou o braço de Scott para ter a certeza que aquilo era o que parecia ser: uma aliança.
-Vocês casaram?! – Indagou, perplexo.
Corine começou a rir de felicidade e abraçou-se a Scott, depositando-lhe um beijo rápido e pesado nos lábios, respondendo deste modo à pseudo-questão de David.
-Quando? – Eric quis saber, tão admirado quanto David, mas mais à vontade com o assunto.
-A semana passada! – Informou Scott com orgulho no acontecimento.
-Assim de repente? – David não conseguiu esconder um sentimento estranho. Talvez fosse uma incerteza, um medo ou, o mais provável, um certo ciúme daquele acto.
Olhou na direcção de Mag por meio segundo, o tempo necessário para os recém-casados responderem.
-Onde está a tua espontaneidade, David? Tu serias o primeiro a fazer algo do género! – Exclamou a rapariga, divertida.
Ele não disse nada. Apenas humedeceu os lábios, numa medida desconfortável.
-eu não sei… - Murmurou.
Scott deu-lhe um abanão e riu-se.
-“Age e depois pensa”. Não é o teu lema?
David sorriu grande vontade:
-Neste momento, acho que é mais sábio começar a pensar antes de tomar decisões precipitadas.
Scott ficou sem expressão decifrável. Não reconheceu David.
-Se nós nos amamos, nunca seria precipitado. E neste momento a maior certeza que tenho é que quero passar o resto da minha vida com a Corine, não importa o amanhã.
David parou por um instante.
E, pela segunda vez, mirou Margarett. Pensou se seria capaz de fazer o mesmo. A imagem passou-lhe pela cabeça em flashes rápidos. Deu por si a sorrir. Sim. Com certeza que sim. Se tivesse mais um pingo de coragem quiçá até já tivesse feito essa loucura, contudo havia aquele impedimento que ia contra a sua moral, que se sobrepunha à sua espontaneidade. Ainda assim, ficou feliz pelos amigos.
Gargalhou e deu um soco em Scott:
-Parabéns! – Exclamou – E boa sorte!
Corine abraçou David de novo:
-Obrigada. Quer saibas, quer não, deste-nos este empurrão!
David sorriu, nostálgico, mas não disse mais nada.
William desviou as atenções para Margarett. Viu como ela estava corada, enquanto bebia a gasosa pela palhinha de olhos no chão. Sentiu-se na obrigação de lhe cutucar o braço com o intuito de ver uma reacção dela. Mas ela não reagiu como ele esperava. Apenas fez mais pressão na forma como sugava a bebida e começou a bater o pé aflita. Parecia que algo ia transbordar dentro dela
-Margarett, o que se passa?
Ela abanou a cabeça na negativa sem levantar o rosto e não disse nada. Ele voltou a perguntar:
-Sentes-te bem?
Margarett pousou o copo quase cheio no balcão, abriu a carteira e retirou o dinheiro para pagar:
-Eu não consigo estar aqui! – Murmurou, e aí William apercebeu-se que ela estava prestes a chorar - Eu não aguento! Fica com o troco! – Exclamou, pousando o dinheiro também no balcão.
Virou-lhe costas e analisou o caminho mais rápido para sair do café sem ter que olhar para David.
Passou entre as mesas mais apertadas só para nem sequer sentir o cheiro dele.
-Margarett! – William chamou, captando as atenções.
Ela não olhou para trás e continuou.
-Margarett, espera! Aonde vais? – Insistiu ele, levantando-se para segui-la.
Ela não respondeu e controlou-se para não chorar aos prantos ali mesmo.
Os outros atentaram no suposto casal. David, então, parecia que tinha engolido um garfo. Ficou atento ao que se estava a passar, na defensiva.
Viu William a agarrar o braço de Margarett quase à porta do estabelecimento.
-Margarett, tu não precisas de ficar assim! – Declarou, tendo completa noção de qual era o mal dela.
Margarett não olhou para ele:
-Larga-me, Will, eu preciso de ir! – Ordenou.
William não o fez de imediato. Nos pensamentos de David ele rugiu como um leão e repetiu a ordem de Margarett mentalmente! Larga-a!
Estava já disposto a começar uma briga com o Finkie, no entanto, ele largou Margarett a tempo. Corine reparou no olhar de David, mas nada disse e ficou à espera para ver o que se passava.
-Está tudo bem agora! – Afirmou o rapaz da alta sociedade.
Margarett virou-se para ele e deu-lhe um murro leve no peito com raiva:
-Tudo bem?! – Indagou - Não finjas, que está tudo bem, porque não está! Tu não tens noção de como eu desejava neste momento estar noutra parte qualquer do mundo. Quem me dera nunca ter voltado de França! – Com aquilo David empalideceu. Deu um passo contido para se juntar à confusão. – Não teria nem metade dos meus problemas!
-Também não serias feliz! – Respondeu William, ofendido.
Margarett pressentiu que a água dos olhos lhe ia tombar na pele do rosto e abanou a cabeça zangada. Foi-se embora sem coragem de lhe responder.
Mal a porta de fechou, David não conseguiu controlar o seu desespero. Se Daisy não o tivesse agarrado nesse momento, sabe Deus o que ele teria feito.
-Tem calma, David! – Advertiu a latina num sussurro.
Ele olhou para o balcão e tomou um gole da sua bebida para tentar disfarçar os seus nervos.
Mas, se David se controlou para evitar um escândalo, William fez o oposto.
O seu ódio não era grande ao ponto de começar uma luta, mas ele exigia pelo menos uma descarga de energia rápida que abrisse os olhos ao idiota do David.
Foi por isso que, em passos lentos, se aproximou do Paisen e esperou que ele o olhasse nos olhos.
Quando David pousou a bebida e fixou o rival, William soube que era o momento certo. Depositou toda a sua força na mão e no braço e, sem David estar à espera, deu-lhe um murro que o fez virar a cara ao lado.
Daisy gemeu por David, mas o choque foi maior para Scott, Eric e Corine. Não pelo murro de William, porque isso já não era algo novo, mas sim pela falta de resposta de David. Noutra altura só o céu pararia David e William. Mas David não devolver a agressão foi algo novo.
Scott percebeu que David estava diferente.
-Obrigado…
Will estagnou brevemente.
-Eu mereci, seja a tua razão qual for!
William deu de ombros e voltou costas, saturado:
-Acredites ou não, odeio-te menos neste momento do que antes de tudo o que aconteceu. Seja como for, não é algo novo para mim.
David massajou a maça do rosto pisada e estreitou as sobrancelhas. Não percebeu o que ele quis dizer com aquilo.
Podia ser qualquer coisa, desde William já saber o que se tinha passado há muito tempo, até ao facto de ele o odiar menos.
Com tanta hesitação, Will bufou sem paciência:
-Estás à espera de quê? – Questionou - Corre atrás dela, idiota! Ela está livre!
E naquele instante, David olhou em redor. As atenções estavam todas neles os dois. Uns não entendiam nada, outros entendiam até demais. Mas isso já não importava nada. Aquela informação triplicou na sua cabeça.
“Ela está livre.” “Ela está livre.” “Ela está livre.”
David lançou tudo ao ar e sem esperar mais um minuto, ele fez o que William mandou.
David correu.
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Pronto, não é nada de novo, mas já sai da estaca zero!
Espero q gostem!
Bjkas
Num sei!já passou um mês desde que actualizei a fic, já nem me lembrava do q tinha acontecido, mas eis q tive um pingo de inspiração e na hora certa(pseudo-ferias!!!) consegui acabar este capitulo!
Perdoem-me a demora e agradeço desde já a vossa boa vontade em seguir a historia!

Para recordar. basicamente a Mag e o Will estão a começar a entender-se!
vá, não me está a dar jeito escrever na posição q estou por isso sem mais demoras NOVO CAPITULO!
Capitulo 28 - Liberdade
Tínhamos 11 anos. Discutimos ferozmente naquele dia. As nossas mães tiveram de nos agarrar e separar ou eramos bem capazes de dar cabo um do outro. Lembro-me que quando entrei em casa desatei a chorar de raiva entre gritos. Atirei a loiça contra a parede e quebrei alguns copos. Os meus pais não me conseguiram parar, caso contrário provavelmente ter-me-iam dado um açoite. Eu estava fora mim. Tranquei-me no quarto e abri a janela.
Aquilo não ia acabar por ali.
Comecei a gritar lá para fora, à espera que ele me escutasse e, quando achei que ele tinha desistido ele abriu as persianas e atirou-me um caderno à cabeça. Também chorava de raiva. Só me lembro de ele dizer que nunca mais falaria comigo, que nunca mais ia ser meu amigo. Então eu gritei e chorei mais até acabar por bater a janela com força.
No dia seguinte fomos jogar futebol com os miúdos do bairro. Ficamos em equipas separadas. No meio de toda aquela disputa ele atirou-me ao chão e acabei por me magoar fortemente na cabeça. Sangrava demais e tive de ir para o hospital imediatamente. Voltei mais tarde. Ele tinha ficado a tarde toda sentado nas escadas da fachada à minha espera. Naquela noite adormeceu comigo, no chão da sala. Dormimos abraçados. Quando acordei, no dia seguinte, ele levou-me para longe e fizemos a primeira promessa. Com um canivete suíço que ele roubou do pai, fizemos, cada um, um golpe na mão. Doeu mais que tudo. Depois unimos as mãos e prometemos. Iamos ser amigos para sempre.
-Isso foi quase insano! – Queixou-se William, depois de escutar tudo com atenção.
-Por isso é que trocamos o canivete por lama... Ou qualquer outra coisa que nos sujasse as mãos. O engraçado é que, mesmo tendo passado 5 anos, ainda fazemos isso. E é reconfortante porque tem valor.
William suspirou e cruzou os braços encostando-se ao muro em que Margarett estava sentada:
-Então já é crónico. Mesmo que eu te tentasse persuadir, provavelmente seria inútil. Esse teu sentimento já vem desde criança, mas nenhum de vocês se tinha apercebido…
Ela sorriu e desviou o cabelo para trás das orelhas:
-É, acho que sim… Só fico chateada por termos feito tantas asneiras até percebermos isso.
Nenhum deles disse mais nada por uns bons minutos. Talvez estivessem a absorver a informação e a formar as ideias. No entanto surgiu uma curiosidade oportuna em Margarett. Ela quis perguntar a William.
-E tu? Não sei nada da tua vida antes de eu chegar á cidade. Não houve nenhuma outra rapariga antes de mim?
William riu-se, de olhos semicerrados por causa do sol, mas não respondeu. Isso despertou ainda mais a curiosidade de Margarett:
-Houve?
-Não necessariamente. – Respondeu.
-Que queres dizer com isso?
William espreguiçou-se. Tinha os músculos tensos e precisava de espalhar algumas energias pelo resto do corpo, enquanto pensava no que dizer a Margarett.
-Bem, na verdade eu tive uma pequena. Muito pequena! – Sublinhou – paixoneta.
Margarett aproximou-se mais de Will, sorrindo:
-Por quem?
-Isso não te vou dizer! – Informou ele, enquanto se afastava um pouco dela.
-William, eu também te contei! – Protestou a loira - Diz-me! Quem era ela?! Eu conheço?
-Eu não te vou dizer! Não teve importância. Foi tão rápido que às vezes nem me lembro que aconteceu.
-Oh, William! Por favor! – Implorou a filha dos Wilson.
Ele bufou. Limpou o pó das mãos e esfregou-as de um modo nervoso e, por fim, rendeu-se:
-Pronto, mas não ganhes ideias, por amor de Deu! Foi pela Daisy. – Margarett abriu a boca, surpreendida. Mas por outro lado recordou o olhar de William no outro dia - Mas já foi há um ano ou dois! E foi muito rápido!
-A sério? Mas estavas apaixonado?
-Já te disse. Foi uma paixoneta mínima! Nem sequer avancei!
-Porquê?
William fez uma careta:
-Ela não me dava muita trela. Acho que até me fugia às vezes. Então eu interpretei aquela falta de diálogo como um corte. Decidi que era melhor nem sequer me aproximar, para evitar uma grande tampa. Então superei, andei para a frente e por fim tu apareceste. Recentemente voltei a olhar para ela quando o David e ela começaram a falar mais. Acho que fiquei com ciúmes por ele conseguir a confiança dela mais facilmente do que eu alguma vez consegui.
Margarett abanou a cabeça:
-Ora, Will… A Daisy é muito tímida. Se calhar até teria resultado…
William abanou a cabeça:
-Nem sequer pondero essa hipótese. Além disso, já passou muito tempo, isso já não sequer me interessa!
Margarett não tocou mais naquele assunto. Saltou para o chão e arrastou William com ela.
-Queres ir até ao Lili’s Diner amanhã?
-Outra vez? Estivemos lá na segunda-feira passada.
-Eu sei, mas… amanhã é sábado…
William encolheu os ombros.
-Eu depois vejo. Vai lá na mesma. Não perdes nada. Se me apetecer apareço.
Margarett não insistiu. Continuou a caminha com William.
Este por sua vez fazia uma conta de cabeça. Já tinham passado quase cinco semanas desde o rompimento. E, surpreendentemente, ele já mal se lembrava da traição de Margarett. É, ele tinha de lhe dar os parabéns por ela ter conseguido.
-Hey, Margarett… Eu estive a pensar e… Acho que chegou a altura…
-Altura de quê? – Perguntou distraída com uma pedrinha no caminho que insistia em chutar.
-De contar a toda a gente que não somos namorados. De tu seguires em frente com o David…
Margarett parou de andar, sem qualquer reacção às palavras de William. Não estava nada à espera de ouvir aquilo. Não naquele momento, nem sequer daquela maneira.
Quando conseguiu soltar um fôlego de ar, gaguejou, mas sorriu sentindo o coração tão cheio que era capaz de explodir.
-A sério, Will?
Ele mostrou-se rendido. E foi o suficiente para Margarett o abraçar com força!
-Obrigada, William… Obrigada.
Msr.Paisen agarrou o filho com força e beijou-lhe as bochechas.
-Oh, meu David, parece que passaram anos! – Exclamou apertando-o com mais força nos seus braços.
-Mãe, só passaram uns dias!
-Uns dias? – Indagou a senhora perplexa, com as mãos coladas às bochechas do filho - Quase duas semanas!
-Ok, estás a sufocar-me! – Acusou ele, embaraçado.
Mrs. Paisen ignorou e fez o filho dar uma volta à sua frente:
-Olha para ti, parece que até já estás mais magro! Vou preparar-te a tua comida preferida! – Anunciou.
David olhou-a com um sorriso no canto dos olhos:
-E bolo de chocolate?
-Tudo que quiseres, meu querido!
David riu-se e deu um beijo na testa da mãe. Logo após disse-lhe que ia desfazer as malas e subiu as escadas até ao quarto com pressa. A sua ideia era somente uma: ver Margarett. Abriu a janela com urgência com esperança de apanhá-la no quarto.
Mas ela não estava. Estava tudo aberto e ele quase que podia sentir o perfume dela, porém o quarto estava vazio. Soube que Rett não se encontrava em casa porque para além da janela estava tudo fechado e nada fora do sítio. E, como Margarett já não trabalhava para a mãe, certamente que estava fora. A sua dúvida era como as coisas estavam passadas duas semanas. Perguntou-se se ainda estava tudo na mesma, ou se, como Mag lhe tinha prometido, já estava tudo resolvido.
Suspirou.
Algo lhe dizia que nada mudara, apesar de uma pequena réstia de esperança lhe sussurrar ao ouvido que a hora da mudança chegara.
Não obstante, se havia coisa que David não queria era esperar muito mais. Se Margarett não conseguia, então ele estava disposto a assumir tudo a William. Tinha pensado bastante no que tinha feito e reconheceu que se estivesse na pele do rival, não gostaria nada de viver uma mentira daquele tamanho. Estava decidido. No dia seguinte iria procurar William e contar-lhe a verdade, fosse qual fosse o preço a pagar.
***
Brittany resmungou de novo com Jack:
-Tu és um idiota! Eu já te disse que não quero saber de mais nada do David! Eu superei, está bem?
-Britt, nem te reconheço! – Troçou o delinquente - Pensei que fosses muito mais lutadora! Nunca pensei que desistisses do David tão facilmente.
-Eu não desisti! Eu abri os olhos, isso sim. O David disse-me que era injusto fingir que gostava de mim e sabes que mais? Ele tinha razão. Não quero passar o resto da minha vida a cansar-me para conquistar alguém que não me quer!
-Idiota! – Gritou Jack, zangado – Temos tudo para conseguir o que queremos e tu simplesmente já não queres saber do David? Tu não pensas bem!
Brittany continuou a andar aborrecida, mas Jack agarrou-lhe o braço com violência:
-A francesa traiu o namorado com David que eu bem sei. No entanto é tão boa actriz que a relação dela com o moedinhas parece melhor do que nunca. Com esta bomba podias agarrar o David de novo para ti!
-Eu já te disse, isso não me importa mais! Já sou crescida e não quero as tuas dicas! Cada um sabe de si, Jack!
-Vais-te arrepender, miúda doida!
-Veremos, seu mal-feitor!
***
David surpreendeu-se ao ver Ally, Janice e Daisy do lado do balcão que se destinava aos clientes, cada uma com um vestido diferente e sem o cozinheiro a gritar-lhes por não estarem a trabalhar. Perguntou-se o porquê daquilo e ainda por cima num sábado à tarde.
-As aulas começam daqui a uns dias. Estamos de férias, oficialmente! – Explicou Janice, sugando a sua coca-cola pela palhinha.
-Faz sentido. – Concordou David encostando-se ao balcão com elas – mas então quem me vai fazer descontos nos crepes? - Perguntou dramaticamente a Daisy.
Ela riu-se e deu uma lambida no gelado:
-Faz olhinhos ao cozinheiro. Pode ser que ele não te resista!
Todos rirem, excepto David que fez uma careta de nojo:
-Acho que dispenso, mas obrigado pela dica!
Eric soltou Janice por uns segundos e olhou David:
-É verdade, esqueci-me de te dizer! Vi o Bruce no outro dia!
David percebeu naquele momento que no meio de toda a confusão em que se envolvera naqueles últimos dois meses, já mal se lembrava do antigo grupo de Compinchas que abandonara por causa de Margarett. Sabia, ainda assim, que após os conflitos entre Corine e Jack, Scott partira com ela para longe para recomporem as suas ideias e estarem algum tempo a sós. Tinham partido para Ohio, onde Scott tinha uns primos afastados. De Bruce, porem, não sabia nada.
-Como está ele?
-Apenas os vi ontem de relance! Mas pareceu-me melhor.
Nesse momento, o consciente de David levou-o a imaginar o que contaria de novo aos antigos companheiros. A sua vida estava tão estranha que nem sabia até que ponto teria uma boa história para eles. Apesar de ter estado também duas semanas fora, sentia que precisava ainda de muito mais tempo para se recuperar. Mas a certeza era uma: Ele ia contar tudo a William
Talvez fosse o destino, ou talvez fosse a sua sorte, quando a sineta da porta do café soou e por ela irromperam duas pessoas juntas aparentemente felizes.
Sorte, ou muito, muito azar.
Margarett não soube como classificar aquele encontro entre os três.
Teve de fingir-se distraída com o botão do punho para se pensar que ela não viu David e fugir ao que se iria provavelmente passar na cabeça daqueles dois.
Externamente, não obstante, todos acharam a situação comum. O jovem casal entrou no café, não de mão dada ou abraçados, mas alheios a tudo o resto. Quem os visse entrar diria sem sombra de dúvida que eram o mesmo casal de sempre. Podiam não estar agarrados, nem tampouco aos beijos, mas a ausência de expressão não levantava desconfianças em relação aos dois.
William, ao contrário de Margarett, não teve medo de olhar em frente, talvez até em busca de David.
No entanto, era de salientar os pensamentos e reacções externas de William e de David quando se fitaram sem querer. Houve um copo cheio de atenção por parte de William. Ele teve de estudar a reacção de David para saber o que pensar e como agir. Já David teve aquilo a que se chama “branca”. O seu olhar passou instintivamente do filho do banqueiro para a amiga amada. Sentiu o torax inchar e controlou-se para o levar de volta ao normal. Depois sentiu-se corar e mordeu o lábio com remorso após olhar de novo para Wiliam.
Baixou o olhar por fim e, muito discretamente, suspirou.
Aqueles pequenos gestos foram suficientes.
William atentou em Margarett, sem qualquer rancor por David e por ela, como pensava que sentiria. Pensou no que realmente faria a partir dali. Até ao momento ele sabia bem. Tinha a certeza que espancaria o inimigo de infância e depois dizia a todos que Margarett e ele já não namoravam. Mas eis que, depois de ver a cara dos dois amantes não teve coragem de ser tão drástico. Preferiu que a ex-namorada se desenrascasse sozinha. Estava até disposto a ver Mag a agarrar-se a David ali mesmo, desde que ficasse tudo resolvido por fim. Honestamente? Ele já nem queria saber. Acreditava que o destino é que tinha causado tudo aquilo e como tal, o próprio destino resolveria.
Seguiu então até a um banco qualquer que ficava afastado de David o suficiente para não ocorrer um escândalo.
Margarett tropeçou discretamente nos próprios pés e seguiu-o sem coragem de encarar o vizinho.
Ele, por outro lado, seguiu-lhe os peep-toes sem descrição até ela se sentar com Ally e Rick entre eles.
O momento que se seguiu foi tenso. Nem a Juke Box conseguia disfarçar o bater de pés irrequieto, nem as Coca-colas refrescar os rostos suados e nervosos.
Margarett fitou William constrangida, todavia chocou quando ele a ignorou distraidamente. Sentiu um grande vazio no peito. Sentiu novamente que estava a fazer a coisa errada e que, mesmo tendo passado algum tempo desde o rompimento, o seu erro ainda não tinha perdão.
Os olhos começaram a arder, mas as lágrimas secaram rapidamente quando ela se distraiu com o casal que entrou no Lili’s Diner.
Reconheceu-os daquela fatídica noite em que ela e David discutiram, depois da visita ao cemitério. Tentou lembrar os nomes daqueles dois.
Scott e Corine…
Reparou que já não os via há bastante tempo e ponderou que talvez eles tivessem saído da cidade, sem que ela se apercebesse.
O primeiro a comentar aquele aparecimento foi Eric, que se levantou de rompante e levantou os abraços em tom de Recepção:
-Scott! Corine!
David teve uns gestos mais medidos, mas também não disfarçou o espanto:
-Vocês voltaram!
Corine abraçou logo David, fazendo Mag corar de ciúme.
Nisso William já reparou.
-Onde estiveram vocês? – Perguntou Eric.
Corine ergueu a mão esquerda e foi evidente aquela fina argola de ouro no seu dedo anelar. David agarrou-lhe a mão em choque e depois puxou o braço de Scott para ter a certeza que aquilo era o que parecia ser: uma aliança.
-Vocês casaram?! – Indagou, perplexo.
Corine começou a rir de felicidade e abraçou-se a Scott, depositando-lhe um beijo rápido e pesado nos lábios, respondendo deste modo à pseudo-questão de David.
-Quando? – Eric quis saber, tão admirado quanto David, mas mais à vontade com o assunto.
-A semana passada! – Informou Scott com orgulho no acontecimento.
-Assim de repente? – David não conseguiu esconder um sentimento estranho. Talvez fosse uma incerteza, um medo ou, o mais provável, um certo ciúme daquele acto.
Olhou na direcção de Mag por meio segundo, o tempo necessário para os recém-casados responderem.
-Onde está a tua espontaneidade, David? Tu serias o primeiro a fazer algo do género! – Exclamou a rapariga, divertida.
Ele não disse nada. Apenas humedeceu os lábios, numa medida desconfortável.
-eu não sei… - Murmurou.
Scott deu-lhe um abanão e riu-se.
-“Age e depois pensa”. Não é o teu lema?
David sorriu grande vontade:
-Neste momento, acho que é mais sábio começar a pensar antes de tomar decisões precipitadas.
Scott ficou sem expressão decifrável. Não reconheceu David.
-Se nós nos amamos, nunca seria precipitado. E neste momento a maior certeza que tenho é que quero passar o resto da minha vida com a Corine, não importa o amanhã.
David parou por um instante.
E, pela segunda vez, mirou Margarett. Pensou se seria capaz de fazer o mesmo. A imagem passou-lhe pela cabeça em flashes rápidos. Deu por si a sorrir. Sim. Com certeza que sim. Se tivesse mais um pingo de coragem quiçá até já tivesse feito essa loucura, contudo havia aquele impedimento que ia contra a sua moral, que se sobrepunha à sua espontaneidade. Ainda assim, ficou feliz pelos amigos.
Gargalhou e deu um soco em Scott:
-Parabéns! – Exclamou – E boa sorte!
Corine abraçou David de novo:
-Obrigada. Quer saibas, quer não, deste-nos este empurrão!
David sorriu, nostálgico, mas não disse mais nada.
William desviou as atenções para Margarett. Viu como ela estava corada, enquanto bebia a gasosa pela palhinha de olhos no chão. Sentiu-se na obrigação de lhe cutucar o braço com o intuito de ver uma reacção dela. Mas ela não reagiu como ele esperava. Apenas fez mais pressão na forma como sugava a bebida e começou a bater o pé aflita. Parecia que algo ia transbordar dentro dela
-Margarett, o que se passa?
Ela abanou a cabeça na negativa sem levantar o rosto e não disse nada. Ele voltou a perguntar:
-Sentes-te bem?
Margarett pousou o copo quase cheio no balcão, abriu a carteira e retirou o dinheiro para pagar:
-Eu não consigo estar aqui! – Murmurou, e aí William apercebeu-se que ela estava prestes a chorar - Eu não aguento! Fica com o troco! – Exclamou, pousando o dinheiro também no balcão.
Virou-lhe costas e analisou o caminho mais rápido para sair do café sem ter que olhar para David.
Passou entre as mesas mais apertadas só para nem sequer sentir o cheiro dele.
-Margarett! – William chamou, captando as atenções.
Ela não olhou para trás e continuou.
-Margarett, espera! Aonde vais? – Insistiu ele, levantando-se para segui-la.
Ela não respondeu e controlou-se para não chorar aos prantos ali mesmo.
Os outros atentaram no suposto casal. David, então, parecia que tinha engolido um garfo. Ficou atento ao que se estava a passar, na defensiva.
Viu William a agarrar o braço de Margarett quase à porta do estabelecimento.
-Margarett, tu não precisas de ficar assim! – Declarou, tendo completa noção de qual era o mal dela.
Margarett não olhou para ele:
-Larga-me, Will, eu preciso de ir! – Ordenou.
William não o fez de imediato. Nos pensamentos de David ele rugiu como um leão e repetiu a ordem de Margarett mentalmente! Larga-a!
Estava já disposto a começar uma briga com o Finkie, no entanto, ele largou Margarett a tempo. Corine reparou no olhar de David, mas nada disse e ficou à espera para ver o que se passava.
-Está tudo bem agora! – Afirmou o rapaz da alta sociedade.
Margarett virou-se para ele e deu-lhe um murro leve no peito com raiva:
-Tudo bem?! – Indagou - Não finjas, que está tudo bem, porque não está! Tu não tens noção de como eu desejava neste momento estar noutra parte qualquer do mundo. Quem me dera nunca ter voltado de França! – Com aquilo David empalideceu. Deu um passo contido para se juntar à confusão. – Não teria nem metade dos meus problemas!
-Também não serias feliz! – Respondeu William, ofendido.
Margarett pressentiu que a água dos olhos lhe ia tombar na pele do rosto e abanou a cabeça zangada. Foi-se embora sem coragem de lhe responder.
Mal a porta de fechou, David não conseguiu controlar o seu desespero. Se Daisy não o tivesse agarrado nesse momento, sabe Deus o que ele teria feito.
-Tem calma, David! – Advertiu a latina num sussurro.
Ele olhou para o balcão e tomou um gole da sua bebida para tentar disfarçar os seus nervos.
Mas, se David se controlou para evitar um escândalo, William fez o oposto.
O seu ódio não era grande ao ponto de começar uma luta, mas ele exigia pelo menos uma descarga de energia rápida que abrisse os olhos ao idiota do David.
Foi por isso que, em passos lentos, se aproximou do Paisen e esperou que ele o olhasse nos olhos.
Quando David pousou a bebida e fixou o rival, William soube que era o momento certo. Depositou toda a sua força na mão e no braço e, sem David estar à espera, deu-lhe um murro que o fez virar a cara ao lado.
Daisy gemeu por David, mas o choque foi maior para Scott, Eric e Corine. Não pelo murro de William, porque isso já não era algo novo, mas sim pela falta de resposta de David. Noutra altura só o céu pararia David e William. Mas David não devolver a agressão foi algo novo.
Scott percebeu que David estava diferente.
-Obrigado…
Will estagnou brevemente.
-Eu mereci, seja a tua razão qual for!
William deu de ombros e voltou costas, saturado:
-Acredites ou não, odeio-te menos neste momento do que antes de tudo o que aconteceu. Seja como for, não é algo novo para mim.
David massajou a maça do rosto pisada e estreitou as sobrancelhas. Não percebeu o que ele quis dizer com aquilo.
Podia ser qualquer coisa, desde William já saber o que se tinha passado há muito tempo, até ao facto de ele o odiar menos.
Com tanta hesitação, Will bufou sem paciência:
-Estás à espera de quê? – Questionou - Corre atrás dela, idiota! Ela está livre!
E naquele instante, David olhou em redor. As atenções estavam todas neles os dois. Uns não entendiam nada, outros entendiam até demais. Mas isso já não importava nada. Aquela informação triplicou na sua cabeça.
“Ela está livre.” “Ela está livre.” “Ela está livre.”
David lançou tudo ao ar e sem esperar mais um minuto, ele fez o que William mandou.
David correu.
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Pronto, não é nada de novo, mas já sai da estaca zero!
Espero q gostem!
Bjkas
as minhas fic's:
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
-Angelical
Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
-Angelical
Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^
Oh lulumoon, como eu adoro as fics que escreves! Já li a tua fic anterior, a Angelical, e devo dizer que adorei a tua forma de escrever, a história em si e as personagens.
Bom, eu adoro esta fanfic. Comecei a lê-la há uns meses, mas nunca tive paciência de entrar no fórum e comentar (pois, sou extremamente preguiçosa. Shame on you, Bea!). Gostei do facto de teres escolhido como "cenário" para esta fic os anos 50, de certo uma escolha muito interessante. Olha, eu quero dizer tanta coisa mas não sei como dizê-lo. Basicamente, uma história bem escrita (com uns erros aqui e ali, claro, mas nada de preocupante), as personagens e o enredo são até bastante interessantes, embora, de facto, em alguns dos recentes capítulos ter achado a Margarett bastante irritante.
Quanto ao capitulo que postaste há pouco. Bom, fiquei contente por William e Margarett agora entenderem-se melhor e serem amigos, coisa que suspeitava que não aconteceria há uns capítulos atrás (se o meu namorado me traísse, como Maggie traiu Will, eu "dava-lhe três coices" e dizia-lhe para nunca mais me dirigir a palavra). Gostava seriamente que o Will ficasse com a Daisy, mas anyway, aquele Jack irrita-me tanto! CÉUS! Às vezes dá uma vontade de entrar na fic e dar-lhe umas valentes bofetadas! Ah, já está mais que na altura de Will e Mag anunciarem que já acabaram o namoro. Quero tanto saber o que se vai passar no seguinte capítulo!
Bom, espero, extremamente ansiosa, pelo novo capitulo. (Já estou a contar os dias
)
Bom, eu adoro esta fanfic. Comecei a lê-la há uns meses, mas nunca tive paciência de entrar no fórum e comentar (pois, sou extremamente preguiçosa. Shame on you, Bea!). Gostei do facto de teres escolhido como "cenário" para esta fic os anos 50, de certo uma escolha muito interessante. Olha, eu quero dizer tanta coisa mas não sei como dizê-lo. Basicamente, uma história bem escrita (com uns erros aqui e ali, claro, mas nada de preocupante), as personagens e o enredo são até bastante interessantes, embora, de facto, em alguns dos recentes capítulos ter achado a Margarett bastante irritante.
Quanto ao capitulo que postaste há pouco. Bom, fiquei contente por William e Margarett agora entenderem-se melhor e serem amigos, coisa que suspeitava que não aconteceria há uns capítulos atrás (se o meu namorado me traísse, como Maggie traiu Will, eu "dava-lhe três coices" e dizia-lhe para nunca mais me dirigir a palavra). Gostava seriamente que o Will ficasse com a Daisy, mas anyway, aquele Jack irrita-me tanto! CÉUS! Às vezes dá uma vontade de entrar na fic e dar-lhe umas valentes bofetadas! Ah, já está mais que na altura de Will e Mag anunciarem que já acabaram o namoro. Quero tanto saber o que se vai passar no seguinte capítulo!
Bom, espero, extremamente ansiosa, pelo novo capitulo. (Já estou a contar os dias
)Tens de entrar para responderes neste tópico.
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