[Terminada] Angelical
Obrigada pelo comentario gatinha, amanha á noite talvez poste o resto do capitulo!
Mas entretanto... Hum...anda tudo desaparecido cá do forum!
Isto no tempo de aulas é que vai ser! lol
Vá lá pessoas, espero mais comentariozitos até amanha antes de postar a continuaçao!
(mim tenta dar graxa aos leitores da fic)
bjokas
Mas entretanto... Hum...anda tudo desaparecido cá do forum!

Isto no tempo de aulas é que vai ser! lol
Vá lá pessoas, espero mais comentariozitos até amanha antes de postar a continuaçao!
(mim tenta dar graxa aos leitores da fic)bjokas
as minhas fic's:
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
-Angelical
Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
-Angelical
Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^
OK, hum, eu tou bastante atrasada.
a lana tem asinhas?? Coitada, ela agora tem cá uns problemas...!
Ai essa Liliana... o que ela anda a esconder...
Espero por amanhã (amanhã, ouviste?!) para ver.
a lana tem asinhas?? Coitada, ela agora tem cá uns problemas...!Ai essa Liliana... o que ela anda a esconder...
Espero por amanhã (amanhã, ouviste?!) para ver.
| Spoiler: | |
![]() |
http://sm-portugal.coolbb.net/fanfics-gerais-f23/fairy-tales-o-incio-t4901.htm
[email protected] -->Meu MSN, adicionem à vontade!
esta lindo. quero mais
sera que a Liliana sera uma sereia e a lena um anjo
? fico para descubrir
bjx. continua

sera que a Liliana sera uma sereia e a lena um anjo
? fico para descubrir
bjx. continua

a minha primeira fic "AS FILHAS DA LUA"passem na minha fic e comentem XD

Traços do destino
visitem o meu forum http://eterna-sailor-moon4.forumeiros.com/forum.htm

Traços do destino
visitem o meu forum http://eterna-sailor-moon4.forumeiros.com/forum.htm
Obriga pelos comentarios meninas, é pena serem poucos, mas melhores fases virão!
Espero que gostem da primeira actualizaçao do ano
Edit. Capitulo alterado no proximo post!
Capitulo 8- Monstro (2ª parte)
Espero que gostem da primeira actualizaçao do ano

Edit. Capitulo alterado no proximo post!
Capitulo 8- Monstro (2ª parte)
as minhas fic's:
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
-Angelical
Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
-Angelical
Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^
Editado pela última vez em
As maninhas do Gustavo? São irritantes!
(não, só a gozar, a minha irmã é que é irritante)
Mas afinal, o que é que a Liliana é ?o.O
(estuda, estuda que é bom
)
Quando é que há mais??
(não, só a gozar, a minha irmã é que é irritante)Mas afinal, o que é que a Liliana é ?o.O
(estuda, estuda que é bom
)Quando é que há mais??
| Spoiler: | |
![]() |
http://sm-portugal.coolbb.net/fanfics-gerais-f23/fairy-tales-o-incio-t4901.htm
[email protected] -->Meu MSN, adicionem à vontade!
Oi pessoal!
Bem, se o arrependimento matasse eu já estava morta!
Se este capitulo nao estivesse escrito há ja alguns meses, podem ter a certeza que nao ia ser este o rumo da historia!
Lamento se ficarem desiludidos com o novo mundo que envolve a lana, mas nunca pensei que após twilight iam aparecer tantas tretas na TV sobre o sobrenatural, no entanto estou demasiado avançada na historia para altera-la agora!
Peço desculpa se estou a perder qualidades criativas!
Enfim, boa leitura:
EDIT: Capitulo alterado.
as minhas fic's:
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
-Angelical
Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
-Angelical
Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^
Editado pela última vez em
Spoiler
ATENÇÃO! ATENÇÃO! O novo crepúsculo chegou! 

Capítulo AINDA mais fantástico do que sempre!
Vampiros!!!
Fadas!
Elfos!
Humanos!!
Esse Rogério levava tanta pancada naquela boca que aprendia a nunca mais trair uma senhora
. Aleluia que isto já estava escrito
. Quero saber o que sai mais daqui!!
| Spoiler: | |
![]() |
http://sm-portugal.coolbb.net/fanfics-gerais-f23/fairy-tales-o-incio-t4901.htm
[email protected] -->Meu MSN, adicionem à vontade!
Perdi três capítulos... raio do hotmail que não me mandou emails a avisar!!
Não tenho vindo muito à net. Não tenho podido, e nos proximos dias só poderei dar aqui um saltinho.
E agora o comentário... O "Monstro parte I" é sem dúvida um dos melhores capítulos que já escreveste. Muito bem detalhado e caracterizado e, se a cena fosse adaptada para imagem, seria algo "mágico" à falta de palavra melhor!
Gostei das maninhas do Gustavo. A mais nova é tão metediça... igual ao irmão
Também gostei bastante do desenvolvimento da amizade da Lili e da Laninha. Aquelas duas darão umas BFF (Best Friend Forever) bestiais.
Agora acerca destas revelações...
-Ah.. então aquela coisa que a Lana via quando ia para a piscina era a Lili...
-E está explicado porque a Rebeca acha tudo insoso... nada tem o sabor do sangue (curiosidade: a mim o sangue cheira fortemente a ferro e, por acaso, não é algo assim tão mau de beber..^
)
-Então é por isso que a Lana não suporta que lhe toquem nas costas...
Estou esclarecida. Mas confesso que, até aparecer o "segredo" da Lili, imaginei uma história linda e pouco comum e, ainda assim, dentro do sobrenatural que tanto gostas. Mas fiquei um pouco desiludida por causa deste "mundo". Talvez consigas desenvolver isto melhore eu passe a gostar, mas até lá não é algo que aprecie muito (desculpa...
)
Com esta história toda do sobrenatural, a minha ideia de que a Lana fosse um anjo caído do céu a fugir de demónios (que descobrem a existência de um anjo de cada vez que este estremece ao toque nas costas) foi pelo cano abaixo.... bem, mas sabe-se lá que virá algo ainda melhor. Além disso, já adianta ler a fanfic devido á boa qualidade de escrita
Continua a escrever
Não tenho vindo muito à net. Não tenho podido, e nos proximos dias só poderei dar aqui um saltinho.
E agora o comentário... O "Monstro parte I" é sem dúvida um dos melhores capítulos que já escreveste. Muito bem detalhado e caracterizado e, se a cena fosse adaptada para imagem, seria algo "mágico" à falta de palavra melhor!

Gostei das maninhas do Gustavo. A mais nova é tão metediça... igual ao irmão

Também gostei bastante do desenvolvimento da amizade da Lili e da Laninha. Aquelas duas darão umas BFF (Best Friend Forever) bestiais.
Agora acerca destas revelações...
-Ah.. então aquela coisa que a Lana via quando ia para a piscina era a Lili...
-E está explicado porque a Rebeca acha tudo insoso... nada tem o sabor do sangue (curiosidade: a mim o sangue cheira fortemente a ferro e, por acaso, não é algo assim tão mau de beber..^
)-Então é por isso que a Lana não suporta que lhe toquem nas costas...
Estou esclarecida. Mas confesso que, até aparecer o "segredo" da Lili, imaginei uma história linda e pouco comum e, ainda assim, dentro do sobrenatural que tanto gostas. Mas fiquei um pouco desiludida por causa deste "mundo". Talvez consigas desenvolver isto melhore eu passe a gostar, mas até lá não é algo que aprecie muito (desculpa...
)Com esta história toda do sobrenatural, a minha ideia de que a Lana fosse um anjo caído do céu a fugir de demónios (que descobrem a existência de um anjo de cada vez que este estremece ao toque nas costas) foi pelo cano abaixo.... bem, mas sabe-se lá que virá algo ainda melhor. Além disso, já adianta ler a fanfic devido á boa qualidade de escrita

Continua a escrever

Espero por ti em cada segundo , porque tu és o meu mundo!

Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
Visitem a minha 1ª Fic ----->The Four elements

Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
Visitem a minha 1ª Fic ----->The Four elements
Ana_Santos - Eu confesso que tambem fiquei desiludida comigo mesma com aquele saltinho de um mundo para outro (nem sempre se pode seguir os conselhos das amigas mais chegadas! lol ), mas como eu adiantei muito a historia entretanto, nao me dava jeito nenhum alterar esta parte, portanto ficou assim! No entanto, aquela tua ideia inicial dos demonios e do anjo caído nao estão erradas, muito pelo contrario, tenho andado a desenvolve-las, mas ainda vai correr alguma agua em torno das outras personagens! Espero que tenhas paciencia nestes capitulos aborrecidos (sao os que eu mais odeio em toda a historia e garanto que quando ela estiver concluida vou alterar estas coisas deprimentes que inventei!) Por agora limito-me a esclarecer o que cada personagem vive!
Lamento se te desiludi, mas obrigada pela opiniao na mesma! (ja estava com saudades dos teus comentarios! lool)
Gatinha - Obrigada pelo comentario gatinha, é sempre bom saber que temos seguidores na fic!
bjokas
Lamento se te desiludi, mas obrigada pela opiniao na mesma! (ja estava com saudades dos teus comentarios! lool)
Gatinha - Obrigada pelo comentario gatinha, é sempre bom saber que temos seguidores na fic!

bjokas
as minhas fic's:
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
-Angelical
Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
-Angelical
Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^
esta fic esta espetacular espero por mais
continua. bjx
continua. bjx
a minha primeira fic "AS FILHAS DA LUA"passem na minha fic e comentem XD

Traços do destino
visitem o meu forum http://eterna-sailor-moon4.forumeiros.com/forum.htm

Traços do destino
visitem o meu forum http://eterna-sailor-moon4.forumeiros.com/forum.htm
Oi people!
Bem, nao tenho postado recentemente na fic, mas tenho uma razao para isso!
Nestes ultimos tempos, com as opinioes de umas colegas lá da escola, resolvi fazer alguimas modificaçoes no ultimo capitulo, de modo a simplifica-lo! Por essa razao, vou postar aqui a outra versao da historia, e conto com a vossa opiniao para saber qual dos dois segue para a frente!
Nao vou colocar a duvida em votaçao pois nao ha necessidade disso, mas gostava que dessem o vosso parecer!
Quando chegar a altura de eu decidir qual das duas versoes passa para a frente, eu aviso!
Vou expelicar em sintese as diferenças entre ambas as versoes!
Versao 1 (ja postada) - Nesta interpretaçao, a Lana, após descobrir que tem uns "adereçozitos" nas costas, percebe tambem que o mundo no qual ela habita nao é aquilo que pensava! Entre ela vivem muitos outros seres surreais, com capacidades magicas e vidas diferentes. Ela entende tambem, que é a unica capaz de identifica-los, e é confrontada com situaçoes intimidantes, como a convivencia frequente com uma jovem vampira frágil!
(Nao posso dizer o que acontece a seguir porque senao ja sabem a historia toda! lool)
Versao 2 - Aqui, a visão da Lana, depois de descobrir que nao é uma humana vulgar, é diferente. Ela nao vê nada de novo no seu mundo, mas é abordada com novos sentimentos! Porem, esses sentimentos nao sao dela, mas sim daqueles que a rodeiam! Ela ganha a capacidade de captar as emoçoes dos seus amigos, e por isso pode ser afectada pelos estados de espirito deles, tendo por essa razao de aprender a ignorar a força espiritual de cada um! mesmo assim, nem sempre ela irá entender o que cada um sente na realidade (Especialmente a mente de um menino que nós cá sabemos!
)
Algo que se mantem nesta versao é a existencia de uma vampira, mas será uma vampira diferente da da versao anterior!
Atençao, a segunda parte do capitulo 8 tambem teve de ser alterada para estar em conformidade com a nova versao! Deixam de existir escamas, e passa a existir uma tatuagem que esconde um segredinho!
!
Aqui ficam as modificaçoes (vao ter muito para ler!
)
Capitulo VIII - Monstro (Parte 2)
“As suas mãos largas prenderam-me os pulsos com força e num movimento brusco fizeram o meu corpo embater contra um armário. Senti as minhas costelas partirem-se e chorei de dor. Os seus olhos estavam vermelhos.
-Apanhei-te! – Exclamou. A sua frase fez eco naquele local.
Eu abanei a cabeça negando o que ele dissera.
-Não! Solta-me! Por favor… – implorei
Ele sorriu vitorioso. Das suas costas apareceram um par de asas de tom pérola, que assustadoramente se moviam como braços humanos.
-Não tens saída agora!
Ele gargalhou e as suas asas cresceram atrás dele.
Vi uma luz ao fundo e uma silhueta masculina bem definida. Era a minha esperança.
-Salva-me!... – Pedi com um sorriso misturado com lágrimas.
Os olhos daquele rapaz reluziram na escudidao, que subitamente se iluminou, mas mostrou algo que eu não queria.
As asas do anjo que me fitava com escárnio moveram-se violentamente e pousaram no meu corpo com força, prendendo-me!
-Ajuda-me! – Pedi novamente á silhueta distante.
Ele sorriu e virou o rosto noutra direcção. Deu dois leves passos e esticou a mão a alguém.
-Salva-me… - Pedi uma ultima vez, com menos força, sentindo as penas a abafarem-me como uma almofada.
Vi-o a abraçar uma rapariga, proprietária de cabelos delicadamente ondulados de tonalidade loira bronzeada e viraram os dois costas.
Só me restaram as penas à minha volta, e o homem que me prendeu nelas…”
-Lana…
Senti palmadinhas na minha bochecha. Tentei controlar a minha respiração. Sentia-me molhada.
-Lana, estás a ouvir-me?
Mexi os meus dedos, mas pareceu-me que ninguém se apercebeu. Consegui escutar uma conversa entre três pessoas, incluindo aquela que me chamava:
-Ela já não tem febre!... – Informou uma voz calma
-Mas… Ela está praticamente a delirar!
O tom de voz de Liliana era irreconhecível.
-Não creio! Provavelmente é só um pesadelo!...
-Oh, Diana, sinto-me pessimamente por não poder fazer nada!...
-Não te rales…
Suspirei fundo. Queria que elas me tivessem escutado para perceberem que eu já estava acordada.
-Lana?... – Ouvi novamente. Esta terceira voz era desconhecida. Era mais fina e mais jovem como a de uma criança.
Tentei abrir os olhos ou a boca. Os meus lábios estavam secos e as pálpebras pesadas.
Sentia umas mãos leves percorrerem o meu cabelo.
-Hum… – Tentei falar.
-Lana, estás acordada? – Desta vez foi Liliana quem falou.
-S, sim… – Respondi.
Contorci um pouco os meus olhos, para ganhar força de forma a abri-los. Movi também o meu braço direito.
-O que aconteceu?... – Perguntei debilmente.
-Desmaiaste…
Franzi o sobrolho desconfortável. Finalmente os meus olhos abriram-se com cuidado. As luzes claras do dia ofuscaram-me a visão por segundos.
-Sentes-te melhor?... – Questionou a voz mais doce e madura do grupo.
-Quem és tu ...?
-Ahm, eu ia chamar o médico! – Interrompeu Liliana – Mas preferi que viesse uma amiga minha! Esta é a Diana! - Informou – É enfermeira… E essa menina ao teu lado é a Susana, irmã dela!
-Ah… Obrigada… – Respondi. Tinha uma vaga impressão de já ter ouvido aqueles dois nomes noutra ocasião.
-É melhor que ela coma qualquer coisa! – Exclamou Diana e depois voltou-se para mim - Estiveste sem comer durante muito tempo!...
-Não é preciso! – Recusei.
Quando me senti mais leve tentei levantar-me para ficar sentada e olha-las melhor. Liliana levantou-se e dirigiu-se á porta do quarto:
-Nem penses que vais ficar sem comer!
Eu sentei-me por fim, e esfreguei a nuca pesada.
-Como te sentes? – Perguntou a rapariga mais jovem. Eu tentei fita-la para ter noção de com quem falava.
-Melhor… Acho eu…
Admirei-me quando a vi. De facto, não era a primeira vez que me deparava com ela. Tinha inclusive chocado contra aquela rapariga e mais duas da mesma idade no dia anterior quando cheguei á escola
-Hum, mas não pareces… – Contrapôs a mais velha.
Ela sentou-se aos meus pés na cama, com algumas caixas de medicamentos no colo e começou a verifica-los um a um.
-Tiveste algum… Problema recentemente? – Perguntou franzindo o sobrolho sem me olhar nos olhos – Quero dizer, sofreste de alguma doença psicológica?
O meu corpo encolheu-se involuntariamente. Ela levantou os seus olhos finalmente na minha direcção, e aí pude reparar na sua jovialidade. O cabelo estava preso com uma “banana”, e era castanho claro. Os seus olhos, por outro lado, estavam escondidos por uns óculos finos que ela retirou imediatamente depois de ler os rótulos das caixas, e mostraram um verde lindo com reflexos mais claros. Em certas feições fez-me lembrar Helen, nomeadamente na altura e na cintura de bespa delineada pela sua blusa azul turquesa.
-Depressão… – Murmurei baixinho.
-Bem me pareceu...
Suspirei minimamente.
Olhei em redor do quarto e cerrei os punhos um pouco envergonhada. Não me tinha apercebido de como ele estava desarrumado, com roupas espalhadas pela cadeira, folhas em cima da cómoda e as pilhas do comando da TV em cima do tapete.
Senti um pequeno corpo mover-se ao meu lado:
-Sabes, na escola pareces diferente! – Exclamou Susana sem qualquer vergonha – O meu irmão ia adorar ver-te agora!
-O teu irmão?...
Arqueei as sobrancelhas confusa, mas então Liliana entrou pelo quarto com um prato cheio com um creme alaranjado.
-Oh não, sopa não! – Recusei tapando a cara adornada por um esgar.
-Oh Lana! – Liliana soltou uma risada leve – Agora parecias mesmo um criança de cinco anos!
Diana levantou-se também acompanhada por um riso brando e pousou as caixas de medicamentos em cima da mesinha de cabeceira ao meu lado.
-O que te apetece comer?
-Nada… – Respondi com exactidão.
-Preferes peixe? – Perguntou Lili, num tom trocista.
-Ah não, prefiro a sopa! Odeio comida de doente…
-Oh, eu também! – Concordou a rapariga mais nova – De onde é que tu vens?! – Perguntou subitamente, fazendo um movimento na cama, de maneira a ficar virada para mim.
-Su! Deixa de ser intrometida!
-Não há problema… Eu venho… Duma cidade perto do mar…
-Eu nunca vi o mar – Lamentou –, só na televisão! Sou a única da família!
-Pois é! – Recordei com um sorriso de admiração – vocês aqui moram um pouco longe, deve ser estranho! Lembro-me de uma vez me deparar com uma cena muito cómica na praia por causa disto!
-Conta! – Incentivou.
Eu sorri com o seu entusiasmo.
-Su, pára com isso – voltou a avisar Diana – Já pareces o teu irmão!
-Qual deles? – Troçou
-Tendo em conta os olhos azuis e a indiscrição acho que é fácil saberes!
Senti o mundo desabar novamente sobre mim. Voltei a sentir-me tonta, com medo e com uma dor imensa nas costas. Esta última sensação assustou-me imensamente:
-Sois… Irmãs do Gustavo?... – Conclui. O nó no meu estômago apertou-se ainda mais!
-Pensei que sabias! – Confessou Susana desapontada.
-Bom, sim, os vossos nomes eram-me familiares, mas nem sequer associei!
-Ate me admira! Ao tempo que passais juntos, ate já podias estar casados!
-Su!
A repreensão de Diana foi um alívio para mim. Já conseguia verificar que o meu rosto tinha assumido uma posição mais séria quando começamos a falar dele. Já só me apetecia chorar e gritar de raiva! Não me lembrava de sentir tanto ódio por alguém!
-Mas é verdade! Vocês não se largam na escola!
Encolhi os ombros incomodada. Liliana apercebeu-se da minha falta de à vontade e apressou-se a dar-me o prato de sopa para o colo:
-é melhor deixares-la comer! Bem, onde tens os livros de Português?
-Para quê? – Perguntei admirada.
-Para eu estudar! Amanha temos teste!
-Ah, pois é… E depois temos a próxima semana toda… Oh, estou perdida!
-Não estás nada, estás no quarto! – Prontificou Diana, soltando o cabelo em frente ao espelho com um sorriso simpático.
Eu sorri-lhe de volta e levei uma colher de sopa à boca com algum esforço.
O meu telemóvel reproduziu uma melodia calma sem eu estar à espera. Estiquei o meu braço até o alcançar e atendi a chamada de Helen:
-Sim?
-Lana, então estás melhor? – Perguntou freneticamente
-hum, hum… Acho que sim!
-A tua amiga ainda está aí?
-Está! – Assenti – mas não te preocupes que está tudo bem! Já não tenho febre!
-E já almoçaste?
-Bah, estou a comer agora! Adivinha o quê! – Rectifiquei – Sopa! Comida de doente! Bolas, odeio isto!
-É bem feita! Pode ser que aprendas a lição e deixes de ir tomar banhos de água fria com um tempo como o de ontem!
-Oh! – Resfoleguei – E por falar em tempo, como está o clima à beira mar?
-está algum vento, mas já tinha saudades de vir aqui! É óptimo, mesmo!
-E as crianças? – Soltei uma pequena gargalhada ao imagina-las – Tem medo do mar?
Ouvi uma gargalhada animada do outro lado da linha.
-Acho que as professoras do quarto e do segundo ano estão piores do que os próprios alunos!
-Deve ser mesmo diferente! Temos de organizar uma excursão para as pessoas cá da zona!
Helen riu-se novamente, com a sua jovialidade patente na voz.
-bom, temos de pensar nisso! – Concordou – Ainda bem que estás mais bem disposta! Olha, vou ir agora a casa do Rogério! Estamos mesmo perto do prédio onde ele mora e as auxiliares dão conta dos miúdos durante meia hora! Deseja-me sorte!
-Boa sorte, Helen! Beijinhos!
Escutei um “chuak” do outro lado da linha e com um sorriso desliguei o telemóvel, pousando-o de seguida no mesmo local onde se encontrava.
Nesse momento outro telemóvel tocar. Desta vez, porem, Foi Liliana quem teve de atender:
-Estou?
Fez-se uma pequena pausa. Eu retomei ao meu almoço enquanto escutava as respostas curtas de Lili.
-Sim, mãe, já comi… Não, não vou, nem sequer vale a pena!... Sim, mas… Oh, não, é melhor assim, aproveito e estudo para o teste de amanha!... Claro!... Talvez por volta das quatro horas! Sim… ‘tá! Tchau mãe!
Liliana fez uma careta de desagrado para o ecrã do telemóvel e guardou-o no bolso.
-Mas que chata!
-Lili, não vais à escola? – Interroguei de repente.
-Hum, não! Fico aqui contigo! Uma vez, não são vezes!
-não quero que te prejudiques por minha culpa!
-Não prejudicas nada! Aliás, assim estudamos as duas, ok?
-Oh eu também tenho teste amanha! – Informou Susana formando um esgar torto que lhe dava um ar muito querido e engraçado – Odeio matemática!
-Oh piolha, eu ajudo-te! – Brincou Diana – E por falar nisso, está a chegar a nossa hora! A mãe deve estar preocupada!
Eu limpei o canto da boca com um guardanapo de papel e olhei para ela:
-Oh, peço imensa desculpa se vos fiz perder tempo!
-Eu só cumpri o meu trabalho! – Ela sorriu amavelmente para mim – Bem, se vires que ficas novamente com febre toma um Ben-U-Ron, eu estive a ver e tens ali uma caixinha quase cheia. Não te preocupes em ir ao hospital, não há necessidade para isso, provavelmente só apanhaste um pequeno esfriado, já para não falar que com as viroses que aí andam, só ias piorar a tua situação!
-Obrigada Diana, a sério, e mais uma vez desculpa qualquer coisa…
-Vá, não precisas de cerimónias! Assim até já sei quem é a Lana!
-Oh, mas não valeu, Diana! – Reclamou Su sem me dar tempo de resposta – Tu não viste a Lana Gótica, tu viste a Lana que eu também nunca tinha visto!
-Hum, estou a sentir-me demasiado popular! ...
-Tu és popular! – Assegurou Liliana – Não há mais ninguém como tu por estes lados, convence-te disso!
-Que desconfortável!...
Um terceiro telemóvel ecoou o som pelo quarto.
-Estamos concorridas hoje! – Vociferou Diana ao olhar para o ecrã do telemóvel – Eu devo ser bruxa! Anda Su, a mãe já nos está a ligar!
-Sim! – Obedeceu, e ambas se dirigiram para a porta do quarto - Lana, um dia tens de ir a nossa casa e vais-me ensinar a vestir-me como tu!
-Um dia! – Concordei com um riso na direcção dela – ate á próxima!
-Tchau, as melhoras!
Liliana seguiu-as até à entrada enquanto eu terminava o meu creme de cenoura já frio. Levantei-me com algum esforço para ir colocar o prato na maquina de lavar a loiça e ouvi a porta bater. Quando dei por mim, Liliana já estava á minha frente a impedir-me a passagem, e arrancou-me o prato da mão:
-Vá lá, vai-te deitar, e diz-me onde tens os livros de Português!
-Lili, não estou incapacitada!
-Eu sei, mas precisas de descanso, caso contrario ainda pioras! Diz-me onde estão os livros!... – A sua expressão facial alterou-se para uma versão mais séria – preciso de falar contigo…
-Sobre quê? – Quis saber, porem ela lançou-me um olhar de censura e eu baixei o olhar – estão na prateleira junto à TV da sala!
Ela mais uma vez me virou costas e eu, derrotada fui até à janela espreitar o tempo. Estava escuro como no dia anterior, mas as probabilidades de chover eram agora mais reduzidas para meu alívio. Sentei-me na berma da cama à sua espera.
-Bom, vamos lá ver o que é que temos de estudar!
-E o que é que me tinhas de dizer? – Interrompi.
Ela fez um biquinho com os lábios e pousou os livros em cima da cama:
-Bem, eu pedi à Su e à Di que não comentassem nada contigo, porque poderia ser constrangedor para ti, mas fiquei um pouco preocupada…
-Com quê? – Travei-a repentinamente.
-Enquanto estavas a dormir, tu falaste…
-é, pelos vistos esse pormenor tem-se intensificado nestes últimos dias, mas não te preocupes, tenho a certeza que isto passa!
-não é o facto de falares que me deixa inquieta… É aquilo que tu disseste!
-O que é que eu disse?! – Alarmei-me.
-Não te lembras com o que sonhaste?
Semicerrei os olhos numa tentativa de concentração.
Sim, de facto eu lembrava-me daquele pesadelo horrível, infelizmente!
-Disseste “Solta-me” muitas vezes, e a palavra “salva-me” também foi repetida constantemente!... Depois disseste um nome, mas foi mais baixinho, portanto elas não devem ter ouvido!...
-Que nome?...
-Chamaste pelo Gustavo…
Oh que mau!... Soltei uma grande lufada de ar, desanimada.
-É melhor esquecermos isso!... Foi uma vez sem exemplo! – Tentei desculpar-me.
-Sabes, eu também estou muito chateada com as atitudes dele ultimamente… Mas sei que estás mais afectada!
-Achas? Claro que não, eu conheço-o á muito pouco tempo! – Menti outra vez. Este defeito estava a aumentar em mim – Ele é só mais um rapaz tonto! Já estou habituada!
-Sabes que não sabes mentir?
Liliana sorriu sem grande humor para a minha atitude envergonhada.
-Acho que não enganas ninguém… Eu só gostava que me contasses a verdade…
O meu coração acelerou mais uma vez. Quem é que eu estava a enganar? Ele matou-me, deu cabo de mim! Se não tivesse sido ele, eu nem sequer me teria apercebido dos trambolhos que tinha nas minhas costas!
-Eu sei que foi segunda-feira que tudo mudou! – Continuou – Devias tê-lo visto, quando chegou à escola…
-O que é que ele tinha de diferente? – Perguntei eu, com um aperto no peito.
-Parecia que tinha apanhado um choque! – Descreveu com um olhar confuso – Estava revoltado, mudo como uma pedra, e tinha o corpo tenso! Parecia um mastro de bandeira de tão duro e direito que estava!
-Achas que fui eu que o pus assim?...
-Ah… Eu não sei o que aconteceu… Não tenho certeza de nada…
-Mas achas que fui eu?...
Ela contraiu-se um pouco.
-Talvez… Quer dizer… Ele passou o tempo todo contigo e…
-E depois chegou à escola revoltado…
Revirei os olhos irritada. Que rapaz anormal! Eu é que tinha motivos para ficar chateada com ele, afinal de contas ele colocou-me entre a espada e a parede, e obrigou-me a contar-lhe a minha vida imunda! Fui obrigada a dizer tudo o que me fazia sofrer e isso não era nada justo, especialmente porque depois disso ele me deixou ainda pior do que aquilo que já estava!
-Eu só gostava de saber o que lhe fizeste!
-O que eu lhe fiz?! – Quase gritei de raiva – Eu é que devia estar chateada com ele!
-Uou! Calma, Lana!
-Estou farta de ter calma, Liliana! – Praguejei eu irritada. Já estava a sentir dores novamente – Toda a minha vida se resume a isto! Sou uma tapadinha que não entende que as pessoas me estão a usar! Estou saturada de sofrer calada…
-Então diz-me o que é que aconteceu! – Pediu mais uma vez.
Eu comecei a bufar para me acalmar. Tapei a cara com as mãos e pus-me de pé no meio do quarto a andar de um lado para o outro, tentando controlar-me para não encher a casa de penas brancas.
-Lana, calma! Não precisas de stressar!
Eu não consegui responder. Tinha de esquecer aquilo, tinha de me esquecer!
-Apenas diz-me, Lana!
Consegui detectar o nervosismo crescer na sua voz, ela levantou-se também da cama.
-Eu vou ligar ao Gustavo! Se tu não me dizes, diz ele!
-Não! – pedi – Não me enerves mais!
-Então conta-me o que aconteceu!
Ela estava atrás de mim e sem ter noção do que se passava deu-me uma palmada forte nas costas!
Eu soltei um grito de dor; Ela não sabia o que tinha feito, mas a consequência do seu acto foi mais rápida do que eu!
Ela tombou para trás após levar um encontrão de uma das asas.
Eu voltei-me de frente para ela com as mãos a tapar a boca e mais uma vez acabei por derrubar alguns objectos no chão por causas das grandes armações brancas:
-Oh meu deus!... Desculpa, eu…
-Lana, o que é isso?!
Liliana encontrava-se sentada no chão encostada à parede. Fitava-me aterrorizada com os seus olhos esbugalhados na minha direcção, ou melhor, na direcção das minhas asas!
Senti o meu lábio inferior a tremer como o dos bebes quando fazem beicinho. Uma grande angustia tinha-se apoderado do meu espírito, e eu, fraca, não consegui evitar de começar a chorar.
-Eu sou um monstro! – Funguei entre soluços – Não digas a ninguém… Por favor!
Ela não me respondeu. Continuava perplexa a ver as minhas lágrimas descerem pelo meu rosto a grande velocidade.
Virei costas para fugir dela, todavia, mais uma vez me esbarrei contra algo, o que me fez engrossar ainda mais as gotas salgadas que caiam dos meus olhos.
-Lana! – Ela chamou-me – Espera!
-A culpa foi dele! – Acusei rouca.
Por um lado a minha acusação fazia sentido, no entanto, por outro eu estava a ser cobarde por acusar o Gustavo do meu problema.
-como é isto possível? Era por isto que a tua roupa estava rasgada?
Eu assenti com a cabeça, sem me virar para encara-la.
-Desde quando és… isso?
-Foi ontem… – vociferei sem ocultar a minha sensibilidade – Estava muito nervosa por causa do Gustavo e quando dei por mim… Puff! Agora pareço uma almofada de penas!
-Uma almofada? – Liliana riu-se ainda boquiaberta – Isso deve ser das coisas mais lindas que eu vi na vida!
Eu ri-me ainda entre choro e abanei a cabeça:
-Eu sou um monstro autêntico! E se isto não desaparecer ate a Helen chegar? – Supus eu preocupada – E se alguém descobrir e me mandar para um laboratório, ou pior, para um circo? Eu tenho medo, eu não sou normal, Lili!
Ela aproximou-se de mim em passos vagarosos:
-Tens de ter calma! Estás muito nervosa, assim não consegues raciocinar direito!
Eu respirei fundo e tentei controlar as lágrimas, sem sucesso aparente. Liliana envolveu-me nos seus braços e apertou-me contra ela, contra o seu corpo quente e confortavel:
-Não te preocupes, eu não digo nada a ninguém, prometo!
-E se não desaparecerem?
-calma! Isso desaparece! – A sua voz era tranquila o suficiente para ele me calar.
Senti um formigueiro trepar-me as asas. Por muito que eu não quisesse recordar, eu era capaz de sentir tudo o que lhes tocava, tal como acontecia com todas as outras parte do meu corpo, e arrepiada dei um salto para trás.
-Desculpa!... – Lamentou – eu só queria sentir…
Eu não sabia o que lhe dizer. Estava demasiado frágil para conseguir repreende-la.
-Queres estudar? – Perguntou – Pode ser que te esqueças e isso acabe por desaparecer.
-Eu… Eu acho que não consigo concentrar-me…
-Vá lá! Aproveitas e ajudas-me a perceber melhor a matéria!
-Está bem… – Concordei desanimada
Com cuidado coloquei-me de joelhos aos pés da cama e abri o livro e o caderno.
Eu sabia aquela matéria de cor e salteado, visto que já tinha dado no ano anterior, pelo que a maior parte do tempo era eu quem explicava tudo à minha colega. Chegou a um ponto que eu me senti mais inteligente do que o próprio livro, pela forma como Liliana subitamente entendia a Matéria. Contudo, apesar de eu aos poucos ir relaxando, uma parte de mim permanecia preocupada.
Distraí-me, de repente, ao olhar para a tatuagem de Lili:
-O que era suposto isso ser? – Perguntei agarrando o seu pulso com cuidado.
-Não sei bem, acho que era um símbolo religioso qualquer… - Explicou sem grande interesse pelo assunto.
-Porque é que não está terminada?
-O meu pai não deixou que a minha mãe a concluísse…- esclareceu - Pelo que sei, chorei muito ao faze-la, e o meu pai não suportou isso! Sabes como é, sou a “menina do papá”!
Eu ri-me e olhei para as gravuras do meu livro:
-O teu irmão Pedro também tem?
-Não… Eu ia ser a primeira dos dois a fazê-la, mas fui interrompida! Mas sabes, há mais gente com esta tatuagem cá na vila!
-A sério?
-Sim, o Gus… - Ela travou a sua frase e eu fiz de conta que não a tinha escutado – Isto é, lá na escola deve haver mais alguma gente com ela concluída!
-Ahm… É estranho que outras pessoas a tenham feito!
-Pois é, mas poucos sabem o que significa… O Gus…! – Ela voltou a interromper a sua proclamação irritada consigo mesma.
Franzi o sobrolho ao perceber que o Gustavo provavelmente sabia mais sobre aquela imagem do que todos os outros, e tentei relembrar o corpo dele nas aulas de natação. Não me lembrava de ter visto tatuagem alguma no seu corpo nas aulas de educação física ou mesmo nos nossos momentos juntos.
-Talvez se deva a alguma crença, ou assim! - Respondi naturalmente.
-Talvez, mas… antes de desmaiares pedi-te para não contares a ninguém, e repito-o!
-Porquê?
-Eu não sei… - ela suspirou – é só que… sinto-me arrepiada quando me falam dela ou quando a querem ver… É como um pressagio de que algo vai acontecer… Concluindo, uma estupidez minha…
Foi então que a buzina de um carro nos fez acordar para a realidade. Liliana olhou para mim com um sorriso enorme:
-desapareceu!
-Desapareceu o quê? – Perguntei baralhada, mas rapidamente a entendi e entrei num histerismo de felicidade - Ah! Desapareceu! – gritei enquanto tentava alcançar as minhas costas com os olhos – Não acredito!
-vês, eu disse-te! – Liliana abraçou-se com força e depois olhou bem para mim – Vamos fazer de conta que tens um problema nas costelas!
-E eu não volto a falar dessa tatuagem! Prometo!
Sorrimos uma para a outra como sinal de agradecimento mútuo e ela pegou no casaco que trouxera de manhã:
-A minha mãe chegou! – Informou.
-Ah, então aquela buzina lá fora era a tua mãe!
-Sim, e obrigada pela ajuda na matéria!
-Obrigada por tudo – suspirei – Obrigada por teres cuidado de mim com tanta paciência e obrigada por guardares segredo!...
-Todos nós temos segredos! – proclamou e colocou o dedo indicador à frente dos lábios – Agora tenho de ir! Vemo-nos amanha!
-Boa sorte para o teste!
-Igualmente!
Acompanhei-a até à porta de casa e via desaparecer ao entrar numa carrinha familiar preta.
Sem pensar duas vezes despi-me totalmente e enchi a banheira com água quente…
Estava na hora de relaxar…
Bem, nao tenho postado recentemente na fic, mas tenho uma razao para isso!
Nestes ultimos tempos, com as opinioes de umas colegas lá da escola, resolvi fazer alguimas modificaçoes no ultimo capitulo, de modo a simplifica-lo! Por essa razao, vou postar aqui a outra versao da historia, e conto com a vossa opiniao para saber qual dos dois segue para a frente!
Nao vou colocar a duvida em votaçao pois nao ha necessidade disso, mas gostava que dessem o vosso parecer!
Quando chegar a altura de eu decidir qual das duas versoes passa para a frente, eu aviso!
Vou expelicar em sintese as diferenças entre ambas as versoes!
Versao 1 (ja postada) - Nesta interpretaçao, a Lana, após descobrir que tem uns "adereçozitos" nas costas, percebe tambem que o mundo no qual ela habita nao é aquilo que pensava! Entre ela vivem muitos outros seres surreais, com capacidades magicas e vidas diferentes. Ela entende tambem, que é a unica capaz de identifica-los, e é confrontada com situaçoes intimidantes, como a convivencia frequente com uma jovem vampira frágil!
(Nao posso dizer o que acontece a seguir porque senao ja sabem a historia toda! lool)
Versao 2 - Aqui, a visão da Lana, depois de descobrir que nao é uma humana vulgar, é diferente. Ela nao vê nada de novo no seu mundo, mas é abordada com novos sentimentos! Porem, esses sentimentos nao sao dela, mas sim daqueles que a rodeiam! Ela ganha a capacidade de captar as emoçoes dos seus amigos, e por isso pode ser afectada pelos estados de espirito deles, tendo por essa razao de aprender a ignorar a força espiritual de cada um! mesmo assim, nem sempre ela irá entender o que cada um sente na realidade (Especialmente a mente de um menino que nós cá sabemos!
)Algo que se mantem nesta versao é a existencia de uma vampira, mas será uma vampira diferente da da versao anterior!
Atençao, a segunda parte do capitulo 8 tambem teve de ser alterada para estar em conformidade com a nova versao! Deixam de existir escamas, e passa a existir uma tatuagem que esconde um segredinho!
!Aqui ficam as modificaçoes (vao ter muito para ler!
)Capitulo VIII - Monstro (Parte 2)
“As suas mãos largas prenderam-me os pulsos com força e num movimento brusco fizeram o meu corpo embater contra um armário. Senti as minhas costelas partirem-se e chorei de dor. Os seus olhos estavam vermelhos.
-Apanhei-te! – Exclamou. A sua frase fez eco naquele local.
Eu abanei a cabeça negando o que ele dissera.
-Não! Solta-me! Por favor… – implorei
Ele sorriu vitorioso. Das suas costas apareceram um par de asas de tom pérola, que assustadoramente se moviam como braços humanos.
-Não tens saída agora!
Ele gargalhou e as suas asas cresceram atrás dele.
Vi uma luz ao fundo e uma silhueta masculina bem definida. Era a minha esperança.
-Salva-me!... – Pedi com um sorriso misturado com lágrimas.
Os olhos daquele rapaz reluziram na escudidao, que subitamente se iluminou, mas mostrou algo que eu não queria.
As asas do anjo que me fitava com escárnio moveram-se violentamente e pousaram no meu corpo com força, prendendo-me!
-Ajuda-me! – Pedi novamente á silhueta distante.
Ele sorriu e virou o rosto noutra direcção. Deu dois leves passos e esticou a mão a alguém.
-Salva-me… - Pedi uma ultima vez, com menos força, sentindo as penas a abafarem-me como uma almofada.
Vi-o a abraçar uma rapariga, proprietária de cabelos delicadamente ondulados de tonalidade loira bronzeada e viraram os dois costas.
Só me restaram as penas à minha volta, e o homem que me prendeu nelas…”
-Lana…
Senti palmadinhas na minha bochecha. Tentei controlar a minha respiração. Sentia-me molhada.
-Lana, estás a ouvir-me?
Mexi os meus dedos, mas pareceu-me que ninguém se apercebeu. Consegui escutar uma conversa entre três pessoas, incluindo aquela que me chamava:
-Ela já não tem febre!... – Informou uma voz calma
-Mas… Ela está praticamente a delirar!
O tom de voz de Liliana era irreconhecível.
-Não creio! Provavelmente é só um pesadelo!...
-Oh, Diana, sinto-me pessimamente por não poder fazer nada!...
-Não te rales…
Suspirei fundo. Queria que elas me tivessem escutado para perceberem que eu já estava acordada.
-Lana?... – Ouvi novamente. Esta terceira voz era desconhecida. Era mais fina e mais jovem como a de uma criança.
Tentei abrir os olhos ou a boca. Os meus lábios estavam secos e as pálpebras pesadas.
Sentia umas mãos leves percorrerem o meu cabelo.
-Hum… – Tentei falar.
-Lana, estás acordada? – Desta vez foi Liliana quem falou.
-S, sim… – Respondi.
Contorci um pouco os meus olhos, para ganhar força de forma a abri-los. Movi também o meu braço direito.
-O que aconteceu?... – Perguntei debilmente.
-Desmaiaste…
Franzi o sobrolho desconfortável. Finalmente os meus olhos abriram-se com cuidado. As luzes claras do dia ofuscaram-me a visão por segundos.
-Sentes-te melhor?... – Questionou a voz mais doce e madura do grupo.
-Quem és tu ...?
-Ahm, eu ia chamar o médico! – Interrompeu Liliana – Mas preferi que viesse uma amiga minha! Esta é a Diana! - Informou – É enfermeira… E essa menina ao teu lado é a Susana, irmã dela!
-Ah… Obrigada… – Respondi. Tinha uma vaga impressão de já ter ouvido aqueles dois nomes noutra ocasião.
-É melhor que ela coma qualquer coisa! – Exclamou Diana e depois voltou-se para mim - Estiveste sem comer durante muito tempo!...
-Não é preciso! – Recusei.
Quando me senti mais leve tentei levantar-me para ficar sentada e olha-las melhor. Liliana levantou-se e dirigiu-se á porta do quarto:
-Nem penses que vais ficar sem comer!
Eu sentei-me por fim, e esfreguei a nuca pesada.
-Como te sentes? – Perguntou a rapariga mais jovem. Eu tentei fita-la para ter noção de com quem falava.
-Melhor… Acho eu…
Admirei-me quando a vi. De facto, não era a primeira vez que me deparava com ela. Tinha inclusive chocado contra aquela rapariga e mais duas da mesma idade no dia anterior quando cheguei á escola
-Hum, mas não pareces… – Contrapôs a mais velha.
Ela sentou-se aos meus pés na cama, com algumas caixas de medicamentos no colo e começou a verifica-los um a um.
-Tiveste algum… Problema recentemente? – Perguntou franzindo o sobrolho sem me olhar nos olhos – Quero dizer, sofreste de alguma doença psicológica?
O meu corpo encolheu-se involuntariamente. Ela levantou os seus olhos finalmente na minha direcção, e aí pude reparar na sua jovialidade. O cabelo estava preso com uma “banana”, e era castanho claro. Os seus olhos, por outro lado, estavam escondidos por uns óculos finos que ela retirou imediatamente depois de ler os rótulos das caixas, e mostraram um verde lindo com reflexos mais claros. Em certas feições fez-me lembrar Helen, nomeadamente na altura e na cintura de bespa delineada pela sua blusa azul turquesa.
-Depressão… – Murmurei baixinho.
-Bem me pareceu...
Suspirei minimamente.
Olhei em redor do quarto e cerrei os punhos um pouco envergonhada. Não me tinha apercebido de como ele estava desarrumado, com roupas espalhadas pela cadeira, folhas em cima da cómoda e as pilhas do comando da TV em cima do tapete.
Senti um pequeno corpo mover-se ao meu lado:
-Sabes, na escola pareces diferente! – Exclamou Susana sem qualquer vergonha – O meu irmão ia adorar ver-te agora!
-O teu irmão?...
Arqueei as sobrancelhas confusa, mas então Liliana entrou pelo quarto com um prato cheio com um creme alaranjado.
-Oh não, sopa não! – Recusei tapando a cara adornada por um esgar.
-Oh Lana! – Liliana soltou uma risada leve – Agora parecias mesmo um criança de cinco anos!
Diana levantou-se também acompanhada por um riso brando e pousou as caixas de medicamentos em cima da mesinha de cabeceira ao meu lado.
-O que te apetece comer?
-Nada… – Respondi com exactidão.
-Preferes peixe? – Perguntou Lili, num tom trocista.
-Ah não, prefiro a sopa! Odeio comida de doente…
-Oh, eu também! – Concordou a rapariga mais nova – De onde é que tu vens?! – Perguntou subitamente, fazendo um movimento na cama, de maneira a ficar virada para mim.
-Su! Deixa de ser intrometida!
-Não há problema… Eu venho… Duma cidade perto do mar…
-Eu nunca vi o mar – Lamentou –, só na televisão! Sou a única da família!
-Pois é! – Recordei com um sorriso de admiração – vocês aqui moram um pouco longe, deve ser estranho! Lembro-me de uma vez me deparar com uma cena muito cómica na praia por causa disto!
-Conta! – Incentivou.
Eu sorri com o seu entusiasmo.
-Su, pára com isso – voltou a avisar Diana – Já pareces o teu irmão!
-Qual deles? – Troçou
-Tendo em conta os olhos azuis e a indiscrição acho que é fácil saberes!
Senti o mundo desabar novamente sobre mim. Voltei a sentir-me tonta, com medo e com uma dor imensa nas costas. Esta última sensação assustou-me imensamente:
-Sois… Irmãs do Gustavo?... – Conclui. O nó no meu estômago apertou-se ainda mais!
-Pensei que sabias! – Confessou Susana desapontada.
-Bom, sim, os vossos nomes eram-me familiares, mas nem sequer associei!
-Ate me admira! Ao tempo que passais juntos, ate já podias estar casados!
-Su!
A repreensão de Diana foi um alívio para mim. Já conseguia verificar que o meu rosto tinha assumido uma posição mais séria quando começamos a falar dele. Já só me apetecia chorar e gritar de raiva! Não me lembrava de sentir tanto ódio por alguém!
-Mas é verdade! Vocês não se largam na escola!
Encolhi os ombros incomodada. Liliana apercebeu-se da minha falta de à vontade e apressou-se a dar-me o prato de sopa para o colo:
-é melhor deixares-la comer! Bem, onde tens os livros de Português?
-Para quê? – Perguntei admirada.
-Para eu estudar! Amanha temos teste!
-Ah, pois é… E depois temos a próxima semana toda… Oh, estou perdida!
-Não estás nada, estás no quarto! – Prontificou Diana, soltando o cabelo em frente ao espelho com um sorriso simpático.
Eu sorri-lhe de volta e levei uma colher de sopa à boca com algum esforço.
O meu telemóvel reproduziu uma melodia calma sem eu estar à espera. Estiquei o meu braço até o alcançar e atendi a chamada de Helen:
-Sim?
-Lana, então estás melhor? – Perguntou freneticamente
-hum, hum… Acho que sim!
-A tua amiga ainda está aí?
-Está! – Assenti – mas não te preocupes que está tudo bem! Já não tenho febre!
-E já almoçaste?
-Bah, estou a comer agora! Adivinha o quê! – Rectifiquei – Sopa! Comida de doente! Bolas, odeio isto!
-É bem feita! Pode ser que aprendas a lição e deixes de ir tomar banhos de água fria com um tempo como o de ontem!
-Oh! – Resfoleguei – E por falar em tempo, como está o clima à beira mar?
-está algum vento, mas já tinha saudades de vir aqui! É óptimo, mesmo!
-E as crianças? – Soltei uma pequena gargalhada ao imagina-las – Tem medo do mar?
Ouvi uma gargalhada animada do outro lado da linha.
-Acho que as professoras do quarto e do segundo ano estão piores do que os próprios alunos!
-Deve ser mesmo diferente! Temos de organizar uma excursão para as pessoas cá da zona!
Helen riu-se novamente, com a sua jovialidade patente na voz.
-bom, temos de pensar nisso! – Concordou – Ainda bem que estás mais bem disposta! Olha, vou ir agora a casa do Rogério! Estamos mesmo perto do prédio onde ele mora e as auxiliares dão conta dos miúdos durante meia hora! Deseja-me sorte!
-Boa sorte, Helen! Beijinhos!
Escutei um “chuak” do outro lado da linha e com um sorriso desliguei o telemóvel, pousando-o de seguida no mesmo local onde se encontrava.
Nesse momento outro telemóvel tocar. Desta vez, porem, Foi Liliana quem teve de atender:
-Estou?
Fez-se uma pequena pausa. Eu retomei ao meu almoço enquanto escutava as respostas curtas de Lili.
-Sim, mãe, já comi… Não, não vou, nem sequer vale a pena!... Sim, mas… Oh, não, é melhor assim, aproveito e estudo para o teste de amanha!... Claro!... Talvez por volta das quatro horas! Sim… ‘tá! Tchau mãe!
Liliana fez uma careta de desagrado para o ecrã do telemóvel e guardou-o no bolso.
-Mas que chata!
-Lili, não vais à escola? – Interroguei de repente.
-Hum, não! Fico aqui contigo! Uma vez, não são vezes!
-não quero que te prejudiques por minha culpa!
-Não prejudicas nada! Aliás, assim estudamos as duas, ok?
-Oh eu também tenho teste amanha! – Informou Susana formando um esgar torto que lhe dava um ar muito querido e engraçado – Odeio matemática!
-Oh piolha, eu ajudo-te! – Brincou Diana – E por falar nisso, está a chegar a nossa hora! A mãe deve estar preocupada!
Eu limpei o canto da boca com um guardanapo de papel e olhei para ela:
-Oh, peço imensa desculpa se vos fiz perder tempo!
-Eu só cumpri o meu trabalho! – Ela sorriu amavelmente para mim – Bem, se vires que ficas novamente com febre toma um Ben-U-Ron, eu estive a ver e tens ali uma caixinha quase cheia. Não te preocupes em ir ao hospital, não há necessidade para isso, provavelmente só apanhaste um pequeno esfriado, já para não falar que com as viroses que aí andam, só ias piorar a tua situação!
-Obrigada Diana, a sério, e mais uma vez desculpa qualquer coisa…
-Vá, não precisas de cerimónias! Assim até já sei quem é a Lana!
-Oh, mas não valeu, Diana! – Reclamou Su sem me dar tempo de resposta – Tu não viste a Lana Gótica, tu viste a Lana que eu também nunca tinha visto!
-Hum, estou a sentir-me demasiado popular! ...
-Tu és popular! – Assegurou Liliana – Não há mais ninguém como tu por estes lados, convence-te disso!
-Que desconfortável!...
Um terceiro telemóvel ecoou o som pelo quarto.
-Estamos concorridas hoje! – Vociferou Diana ao olhar para o ecrã do telemóvel – Eu devo ser bruxa! Anda Su, a mãe já nos está a ligar!
-Sim! – Obedeceu, e ambas se dirigiram para a porta do quarto - Lana, um dia tens de ir a nossa casa e vais-me ensinar a vestir-me como tu!
-Um dia! – Concordei com um riso na direcção dela – ate á próxima!
-Tchau, as melhoras!
Liliana seguiu-as até à entrada enquanto eu terminava o meu creme de cenoura já frio. Levantei-me com algum esforço para ir colocar o prato na maquina de lavar a loiça e ouvi a porta bater. Quando dei por mim, Liliana já estava á minha frente a impedir-me a passagem, e arrancou-me o prato da mão:
-Vá lá, vai-te deitar, e diz-me onde tens os livros de Português!
-Lili, não estou incapacitada!
-Eu sei, mas precisas de descanso, caso contrario ainda pioras! Diz-me onde estão os livros!... – A sua expressão facial alterou-se para uma versão mais séria – preciso de falar contigo…
-Sobre quê? – Quis saber, porem ela lançou-me um olhar de censura e eu baixei o olhar – estão na prateleira junto à TV da sala!
Ela mais uma vez me virou costas e eu, derrotada fui até à janela espreitar o tempo. Estava escuro como no dia anterior, mas as probabilidades de chover eram agora mais reduzidas para meu alívio. Sentei-me na berma da cama à sua espera.
-Bom, vamos lá ver o que é que temos de estudar!
-E o que é que me tinhas de dizer? – Interrompi.
Ela fez um biquinho com os lábios e pousou os livros em cima da cama:
-Bem, eu pedi à Su e à Di que não comentassem nada contigo, porque poderia ser constrangedor para ti, mas fiquei um pouco preocupada…
-Com quê? – Travei-a repentinamente.
-Enquanto estavas a dormir, tu falaste…
-é, pelos vistos esse pormenor tem-se intensificado nestes últimos dias, mas não te preocupes, tenho a certeza que isto passa!
-não é o facto de falares que me deixa inquieta… É aquilo que tu disseste!
-O que é que eu disse?! – Alarmei-me.
-Não te lembras com o que sonhaste?
Semicerrei os olhos numa tentativa de concentração.
Sim, de facto eu lembrava-me daquele pesadelo horrível, infelizmente!
-Disseste “Solta-me” muitas vezes, e a palavra “salva-me” também foi repetida constantemente!... Depois disseste um nome, mas foi mais baixinho, portanto elas não devem ter ouvido!...
-Que nome?...
-Chamaste pelo Gustavo…
Oh que mau!... Soltei uma grande lufada de ar, desanimada.
-É melhor esquecermos isso!... Foi uma vez sem exemplo! – Tentei desculpar-me.
-Sabes, eu também estou muito chateada com as atitudes dele ultimamente… Mas sei que estás mais afectada!
-Achas? Claro que não, eu conheço-o á muito pouco tempo! – Menti outra vez. Este defeito estava a aumentar em mim – Ele é só mais um rapaz tonto! Já estou habituada!
-Sabes que não sabes mentir?
Liliana sorriu sem grande humor para a minha atitude envergonhada.
-Acho que não enganas ninguém… Eu só gostava que me contasses a verdade…
O meu coração acelerou mais uma vez. Quem é que eu estava a enganar? Ele matou-me, deu cabo de mim! Se não tivesse sido ele, eu nem sequer me teria apercebido dos trambolhos que tinha nas minhas costas!
-Eu sei que foi segunda-feira que tudo mudou! – Continuou – Devias tê-lo visto, quando chegou à escola…
-O que é que ele tinha de diferente? – Perguntei eu, com um aperto no peito.
-Parecia que tinha apanhado um choque! – Descreveu com um olhar confuso – Estava revoltado, mudo como uma pedra, e tinha o corpo tenso! Parecia um mastro de bandeira de tão duro e direito que estava!
-Achas que fui eu que o pus assim?...
-Ah… Eu não sei o que aconteceu… Não tenho certeza de nada…
-Mas achas que fui eu?...
Ela contraiu-se um pouco.
-Talvez… Quer dizer… Ele passou o tempo todo contigo e…
-E depois chegou à escola revoltado…
Revirei os olhos irritada. Que rapaz anormal! Eu é que tinha motivos para ficar chateada com ele, afinal de contas ele colocou-me entre a espada e a parede, e obrigou-me a contar-lhe a minha vida imunda! Fui obrigada a dizer tudo o que me fazia sofrer e isso não era nada justo, especialmente porque depois disso ele me deixou ainda pior do que aquilo que já estava!
-Eu só gostava de saber o que lhe fizeste!
-O que eu lhe fiz?! – Quase gritei de raiva – Eu é que devia estar chateada com ele!
-Uou! Calma, Lana!
-Estou farta de ter calma, Liliana! – Praguejei eu irritada. Já estava a sentir dores novamente – Toda a minha vida se resume a isto! Sou uma tapadinha que não entende que as pessoas me estão a usar! Estou saturada de sofrer calada…
-Então diz-me o que é que aconteceu! – Pediu mais uma vez.
Eu comecei a bufar para me acalmar. Tapei a cara com as mãos e pus-me de pé no meio do quarto a andar de um lado para o outro, tentando controlar-me para não encher a casa de penas brancas.
-Lana, calma! Não precisas de stressar!
Eu não consegui responder. Tinha de esquecer aquilo, tinha de me esquecer!
-Apenas diz-me, Lana!
Consegui detectar o nervosismo crescer na sua voz, ela levantou-se também da cama.
-Eu vou ligar ao Gustavo! Se tu não me dizes, diz ele!
-Não! – pedi – Não me enerves mais!
-Então conta-me o que aconteceu!
Ela estava atrás de mim e sem ter noção do que se passava deu-me uma palmada forte nas costas!
Eu soltei um grito de dor; Ela não sabia o que tinha feito, mas a consequência do seu acto foi mais rápida do que eu!
Ela tombou para trás após levar um encontrão de uma das asas.
Eu voltei-me de frente para ela com as mãos a tapar a boca e mais uma vez acabei por derrubar alguns objectos no chão por causas das grandes armações brancas:
-Oh meu deus!... Desculpa, eu…
-Lana, o que é isso?!
Liliana encontrava-se sentada no chão encostada à parede. Fitava-me aterrorizada com os seus olhos esbugalhados na minha direcção, ou melhor, na direcção das minhas asas!
Senti o meu lábio inferior a tremer como o dos bebes quando fazem beicinho. Uma grande angustia tinha-se apoderado do meu espírito, e eu, fraca, não consegui evitar de começar a chorar.
-Eu sou um monstro! – Funguei entre soluços – Não digas a ninguém… Por favor!
Ela não me respondeu. Continuava perplexa a ver as minhas lágrimas descerem pelo meu rosto a grande velocidade.
Virei costas para fugir dela, todavia, mais uma vez me esbarrei contra algo, o que me fez engrossar ainda mais as gotas salgadas que caiam dos meus olhos.
-Lana! – Ela chamou-me – Espera!
-A culpa foi dele! – Acusei rouca.
Por um lado a minha acusação fazia sentido, no entanto, por outro eu estava a ser cobarde por acusar o Gustavo do meu problema.
-como é isto possível? Era por isto que a tua roupa estava rasgada?
Eu assenti com a cabeça, sem me virar para encara-la.
-Desde quando és… isso?
-Foi ontem… – vociferei sem ocultar a minha sensibilidade – Estava muito nervosa por causa do Gustavo e quando dei por mim… Puff! Agora pareço uma almofada de penas!
-Uma almofada? – Liliana riu-se ainda boquiaberta – Isso deve ser das coisas mais lindas que eu vi na vida!
Eu ri-me ainda entre choro e abanei a cabeça:
-Eu sou um monstro autêntico! E se isto não desaparecer ate a Helen chegar? – Supus eu preocupada – E se alguém descobrir e me mandar para um laboratório, ou pior, para um circo? Eu tenho medo, eu não sou normal, Lili!
Ela aproximou-se de mim em passos vagarosos:
-Tens de ter calma! Estás muito nervosa, assim não consegues raciocinar direito!
Eu respirei fundo e tentei controlar as lágrimas, sem sucesso aparente. Liliana envolveu-me nos seus braços e apertou-me contra ela, contra o seu corpo quente e confortavel:
-Não te preocupes, eu não digo nada a ninguém, prometo!
-E se não desaparecerem?
-calma! Isso desaparece! – A sua voz era tranquila o suficiente para ele me calar.
Senti um formigueiro trepar-me as asas. Por muito que eu não quisesse recordar, eu era capaz de sentir tudo o que lhes tocava, tal como acontecia com todas as outras parte do meu corpo, e arrepiada dei um salto para trás.
-Desculpa!... – Lamentou – eu só queria sentir…
Eu não sabia o que lhe dizer. Estava demasiado frágil para conseguir repreende-la.
-Queres estudar? – Perguntou – Pode ser que te esqueças e isso acabe por desaparecer.
-Eu… Eu acho que não consigo concentrar-me…
-Vá lá! Aproveitas e ajudas-me a perceber melhor a matéria!
-Está bem… – Concordei desanimada
Com cuidado coloquei-me de joelhos aos pés da cama e abri o livro e o caderno.
Eu sabia aquela matéria de cor e salteado, visto que já tinha dado no ano anterior, pelo que a maior parte do tempo era eu quem explicava tudo à minha colega. Chegou a um ponto que eu me senti mais inteligente do que o próprio livro, pela forma como Liliana subitamente entendia a Matéria. Contudo, apesar de eu aos poucos ir relaxando, uma parte de mim permanecia preocupada.
Distraí-me, de repente, ao olhar para a tatuagem de Lili:
-O que era suposto isso ser? – Perguntei agarrando o seu pulso com cuidado.
-Não sei bem, acho que era um símbolo religioso qualquer… - Explicou sem grande interesse pelo assunto.
-Porque é que não está terminada?
-O meu pai não deixou que a minha mãe a concluísse…- esclareceu - Pelo que sei, chorei muito ao faze-la, e o meu pai não suportou isso! Sabes como é, sou a “menina do papá”!
Eu ri-me e olhei para as gravuras do meu livro:
-O teu irmão Pedro também tem?
-Não… Eu ia ser a primeira dos dois a fazê-la, mas fui interrompida! Mas sabes, há mais gente com esta tatuagem cá na vila!
-A sério?
-Sim, o Gus… - Ela travou a sua frase e eu fiz de conta que não a tinha escutado – Isto é, lá na escola deve haver mais alguma gente com ela concluída!
-Ahm… É estranho que outras pessoas a tenham feito!
-Pois é, mas poucos sabem o que significa… O Gus…! – Ela voltou a interromper a sua proclamação irritada consigo mesma.
Franzi o sobrolho ao perceber que o Gustavo provavelmente sabia mais sobre aquela imagem do que todos os outros, e tentei relembrar o corpo dele nas aulas de natação. Não me lembrava de ter visto tatuagem alguma no seu corpo nas aulas de educação física ou mesmo nos nossos momentos juntos.
-Talvez se deva a alguma crença, ou assim! - Respondi naturalmente.
-Talvez, mas… antes de desmaiares pedi-te para não contares a ninguém, e repito-o!
-Porquê?
-Eu não sei… - ela suspirou – é só que… sinto-me arrepiada quando me falam dela ou quando a querem ver… É como um pressagio de que algo vai acontecer… Concluindo, uma estupidez minha…
Foi então que a buzina de um carro nos fez acordar para a realidade. Liliana olhou para mim com um sorriso enorme:
-desapareceu!
-Desapareceu o quê? – Perguntei baralhada, mas rapidamente a entendi e entrei num histerismo de felicidade - Ah! Desapareceu! – gritei enquanto tentava alcançar as minhas costas com os olhos – Não acredito!
-vês, eu disse-te! – Liliana abraçou-se com força e depois olhou bem para mim – Vamos fazer de conta que tens um problema nas costelas!
-E eu não volto a falar dessa tatuagem! Prometo!
Sorrimos uma para a outra como sinal de agradecimento mútuo e ela pegou no casaco que trouxera de manhã:
-A minha mãe chegou! – Informou.
-Ah, então aquela buzina lá fora era a tua mãe!
-Sim, e obrigada pela ajuda na matéria!
-Obrigada por tudo – suspirei – Obrigada por teres cuidado de mim com tanta paciência e obrigada por guardares segredo!...
-Todos nós temos segredos! – proclamou e colocou o dedo indicador à frente dos lábios – Agora tenho de ir! Vemo-nos amanha!
-Boa sorte para o teste!
-Igualmente!
Acompanhei-a até à porta de casa e via desaparecer ao entrar numa carrinha familiar preta.
Sem pensar duas vezes despi-me totalmente e enchi a banheira com água quente…
Estava na hora de relaxar…
as minhas fic's:
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
-Angelical
Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
-Angelical
Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^
Capitulo IX –auras (parte 1)
Suspirei profundamente com os olhos pregados no tecto.
Tinha acabado de arrumar algumas coisas no meu quarto e agora estava deitada de barriga para cima, á espera que mais alguma coisa acontecesse naquele dia que, por algum motivo, tardava a terminar. Fui até ao quarto de Helen, sem qualquer objectivo e sentei-me na sua cama alta. O seu quarto estava mais fresco do que o meu o que me deixava aliviada. Sentia-me muito sufocada ali dentro, mas sabia que se saísse para a mata, acabaria por ficar pior de saúde. Olhei para o relógio despertador dela. Eram quase sete horas da tarde, não tardava nada para ela irromper pela casa a contar como as crianças se divertiram.
Virei-me na cama, para olhar de um outro ângulo para a pequena divisão. Nesse momento a porta de fora fez um estalido e de seguida um estrondo. Os passos de Helen eram rápidos e não tardou a senti-la perto de mim, mas algo estava errado.
Senti o seu corpo tombar na cama, ao meu lado. Ela mal se tinha apercebido que eu estava ali!
Eu fiquei perplexa com o estado dela, estava lavada em lágrimas!
-Helen, o que foi? – Perguntei sacudindo o seu corpo.
Ela continuou a fungar:
-O que fazes no meu quarto? – Questionou com arrogância.
-Não interessa… – murmurei – O que aconteceu contigo?
Ela levantou a cabeça. Estava pálida e com umas olheiras negras que mais parecia um urso panda!
-Ele… Ele estava…
-O quê? Que dizes? – Perguntei novamente. Não percebia nada do que ela queria dizer com tantos gaguejos.
-O… O Rogério… Ele… Ele…
-O que é que esse homem te fez?!
-Tu… Tu tinhas razão…! – Concordou enquanto se agarrava ao meu pescoço num abraço – Eu… Eu sou tão parva!
-Eu juro que vou matar o teu namorado se…!
Ela interrompeu-me:
-Nós já não… namoramos!
-O quê?!...
-Eu… Apanhei-o… Com outra! – Esclareceu-me de repente.
Petrifiquei com aquela informação. A Helen não merecia tamanha maldade! Quem é que aquele homem pensava que era para fazer mal a alguém da minha família!?
-Não acredito…!
-Que raiva! Como é que eu pude ser… tão estúpida?! – Gaguejou novamente – Ele já me devia trair há séculos!
-Oh não, não penses assim…! Não penses nisso agora…! – Reconfortei-a. Aquele dia estava definitivamente arruinado – vais ver que isso passa! Eu vou ajudar-te a tira-lo da cabeça!
Ela fungou novamente. Eu já não sabia o que dizer da minha vida! Na verdade nunca fui muito boa a reconfortar os outros, nunca sabia o que dizer nestas alturas, no entanto naquele momento era extremamente necessário um ombro amigo para apoiar a minha madrinha.
Helen aconchegou-se mais a mim e fechou os olhos, à medida que o seu rosto era lavado e queimado por sal. Eu passei os meus dedos pelo seu cabelo claro tentando cessar as suas lágrimas. Aos poucos os seus gemidos começaram a desaparecer, ate que dei por ela adormecida contra o meu peito. Deixei-me ficar ali, a fazer-lhe companhia. Puxei uma coberta fina para nos cobrir e alguns minutos depois, também a minha mente de apagou.
Acordamos as duas ao mesmo tempo. O meu telemóvel estava a tocar no meu quarto, já era hora de nos levantarmos. Tanto eu como Helen parecíamos dois fantasmas saídos de um filme de terror. Ambas pálidas, ambas com olheiras, ambas fracas.
Eu fui a primeira a pôr-me a pé e dirigi-me ao quarto para atender o telemóvel:
-Sim? – Perguntei com voz frágil.
-Bom dia Lanita, sou eu, a Lili!
-ah, olá!
-Bom, liguei-te para dizer que fico á tua espera no portão da escola! Não tenciono deixar-te sozinha por enquanto! Vou assegurar-me que manténs a calma!
-Oh, obrigada Lili! Nunca pensei que…!
-Não penses! Agora despacha-te, ok?
-Claro, até já!
Ela desligou-me. Segui até ao meu armário e peguei num casaco preto e numas calças de ganga escuras. Prendi o meu cabelo num rabo-de-cavalo aborrecido, e fui para a cozinha onde Helen, trajando um robe grosso, servia leite acabado de fazer. Eu não refilei sequer. Tomei o pequeno-almoço em silêncio e quando chegou a hora dirigi-me á paragem com o coração nas mãos.
Por um lado eu queria ir para a escola, para ver os outros colegas e estar com Liliana de maneira a esquecer os problemas. Por outro, eu tinha medo. Tinha medo de me acontecer algo e eu ser descoberta. Tinha medo de me deparar com Gustavo e ver que ele continuava rude comigo. Depois ainda havia a Helen. Custava-me deixa-la sozinha a ir para a escola num estado daqueles… Mas eu não podia fazer nada em relação ao animal que se tinha aproveitado dela! Eu avisei-a que ele não me inspirava confiança, mas ela estava demasiado cega de amores para querer escutar-me. Agora eu tinha de ir para a escola e deixa-la consigo mesma.
Cheguei á minha paragem e cerrei os olhos com força, apontando a minha face para o céu “Só desejo que ela anime com as crianças”, esperancei.
Nesse mesmo instante escutei o motor de um carro a parar á minha frente e olhei para a estrada. Era Helen, dentro da sua viatura:
-Entra, eu dou-te boleia!
-hum… Não te vais atrasar? – Perguntei duvidosa.
-Não te preocupes… - Ela sorriu, porem eu notei que o seu olhar era demasiado nostálgico para ela ter vontade de sorrir.
Fiz-lhe a vontade e entrei no carro. Ela continuou a explicar o porquê de me levar ao meu destino:
-Hoje as minhas aulas só começam às dez e meia, e como eu estou sem vontade de dormir, não há problema em ir-te levar… - ela suspirou – assim passo pelo café e tomo um bom pequeno-almoço.
Eu não consegui dizer mais nada. Ela parecia tão abatida… coitada… Eu odiava não saber dar apoio nestas situações. Fazia-me sentir muito mal comigo mesma, como uma impotente.
Continuamos ambas em silêncio durante todo o trajecto. Quando eu sai do carro apoiei-me na porta e olhei para Helen:
-Helen…- Murmurei meia sem jeito – Tenta… Tenta não desanimar… Não quero que fiques assim tão abatida durante todo o dia…
Ela olhou para mim, com os seus olhos verdes cada vez mais aquosos. O meu coração queria sair do peito ao ver aquela imagem, metia-me tanta pena.
-não te preocupes… Eu fico bem…
-De certeza?… - Eu já sabia o que ela me ia responder, mas também sabia que não era uma resposta verdadeira.
-Claro… - Ela a mim não me enganava.
-Vamos passear no fim-de-semana? – Sugeri para a animar – Podemos ir ao Shopping! Eu sei que tu adoras!
Ela sorriu novamente sem vontade.
-Logo se vê…
A sua resposta só me deu vontade de dar com a cabeça no vidro do carro.
-Lana… - vozeou entristecida – Não fiques a pensar em mim o dia todo…! Eu vou melhorar, a sério!
Eu dirigi a minha visão para os meus pés. Sentia-me apreensiva com a sua situação.
-Bom dia Lana!
A voz de Lili parecia animada naquela manha. Ela espreitou para dentro do carro e sorriu amavelmente para Helen:
-Olá Helen! – Exclamou.
-Olá! – Respondeu ela, com um sorriso forçado – Tudo bem? Ainda não te agradeci por ontem…
-Oh, a Lana já agradeceu tantas vezes que eu já nem posso ouvir agradecimentos!
-Mesmo assim, fico em divida para contigo!
-Se eu um dia precisar de alguma coisa, eu cobro!
-Assim espero! – Afirmou – Bem meninas, está na minha hora e na vossa também!
-sim, ainda temos uns minutos, mas é preferível irmos indo! – Declarei. Era muito fácil entender que a Helen queria estar sozinha, e eu não queria incomoda-la mais. Liliana acenou-lhe e eu quebrei a rotina, chegando-me a ela para lhe dar um beijo forte e um abraço apertado, do qual ela não estava nada á espera. No entanto ela retribuiu-me o abraço apertado e despediu-se de mim em sussurros:
-Vai lá á tua vida, meu anjo… - Estremeci com aquela palavra - Não quero que te preocupes mais comigo!...
-Sim Helen… - Obedeci receosa, e descolei-me dela lentamente para deixa-la manobrar o carro á sua maneira.
Liliana puxou-me para junto dela. Senti uma aura estranha a partir do momento em que o automóvel saiu da minha vista.
Senti-a o clima pesado á minha volta, como se toda a energia do mundo se encontrasse naquele local!
-Contaste-lhe? – Perguntou ela.
-O quê?
-Ora, tu sabes! – Balbuciou fazendo gestos com as mãos – branco, penas, asas? Não comentaste nada?
Neguei com a cabeça:
-a Helen tem problemas mais importantes do que a minhas anormalidades!
-Pois, de facto ela parecia um pouco triste…
Encolhi os ombros como resposta. Continuava a sentir-me estranha naquele local:
-Bom, vamos para dentro da escola! – Exclamou.
-sim…
Olhei em redor. Ainda não tinham chegado as camionetas de alunos, pelo que estava tudo calmo no meio da estrada.
Nós duas chegamo-nos para mais perto das grades da escola e encostamo-nos a um muro á espera das outras.
Eu, inquieta, olhava para todos os lados. Vi apenas cerca de cinco alunos dentro da escola, mas nenhum deles parecia totalmente acordado. Nesse momento dei um salto involuntariamente. Lancei um olhar mortífero a Lili. Ela tinha-me tocado nas costas sem autorização!
-Desculpa! – Exclamou – só queria saber como isso estava!
-Por favor, não me toques aí… Dói-me…
-A sério? Não sabia que sentias dor!
-sempre senti!
-Nesse caso vou tentar controlar a minha curiosidade! – Prometeu – Ah finalmente!
O autocarro parou á nossa frente. Senti o ar super pesado, montes de energias diferentes que eu nunca tinha sentido. Começava a sentir-me aflita com a situação!
As portas automáticas abriram e mostraram a multidão de alunos agitados.
Bati com as minhas mãos no peito, assustada! Energias e auras adornaram o meu oxigénio, como se cada pessoa que saíra daquele autocarro trouxesse um perfume diferente que me fazia sentir tonta. Não eram aromas, infelizmente. Eram sentimentos e emoções que emancipavam daqueles corpos vulgares de uma maneira que eu não conhecia até então. Eram batimentos cardíacos, paixões e ódios que os olhares de cada um libertavam discretamente, mas se sentiam de forma intensa. De um segundo para o outro foi como se eu tivesse entrado nos corpos daqueles alunos, como se eu conseguisse ler-lhes os pensamentos e sentir o que eles sentiam.
Aquilo não era normal de forma nenhuma, eu estava a ter alucinações, tinha de ser isso:
-Lili… - Vociferei em choque agarrando-lhe um pulso enquanto olhava todo aquele cenário – O que é isto?...
-Isto o quê?! - Perguntou assustada – O que se passa?
O meu coração bateu cada vez mais rápido:
-Sentes os mesmo que eu…?!
-O quê? Pareces preocupada!
Ela não sentia, porem eu não tinha espírito para mais nada! Algo tinha acontecido na minha ausência, algo que influenciara o meu modo de ver as pessoas e de encarar os seus actos.
Senti uma mão fria, mais fria do que eu me lembrava, tocar-nos nas costas, e estremeci!
-Olá meninas!
Voltamo-nos as duas.
Abafei um comentário aterrorizado. Os olhos negros, reflectiam um brilho de maldade ingénua. A pele branca parecia translúcida. O cheiro era doce e voz querida e simpática, de um jeito que me deixava confusa quanto á energia que ela soltava. Parecia um demónio, e por outro lado, um anjo!
-Olá Rebeca! – Saudou Lili com um sorriso.
-Oi! Então, Lana, estás melhor? – Perguntou. As suas palavras saíram como uma canção lenta, como sempre.
Engoli a seco. Os meus olhos estavam fixados nos seus e começavam a arder com o medo que me invadia. Aquela não podia ser a Rebeca!
-Eu…Eu tenho de… - Pensei numa desculpa para sair dali – Ir á casa de banho!
-Ahm, ok…!
Agarrei Lili pelo pulso, e ela olhou-me de soslaio. Felizmente não hesitou nem um segundo em me acompanhar os movimentos e despediu-se de Rebeca com simpatia:
-O que se passa, Lana? - Perguntou entre dentes, mal viramos costas àquela mente.
Eu não senti nenhum alívio por me afastar. Mal me virei, senti uma outra energia diferente vinda do corpo de Lau que passou á minha frente com Verónica.
Apertei a mão de Liliana ainda com mais força e cerrei os dentes e os olhos ao mesmo tempo, na esperança de quando os abrisse tudo aquilo desaparecesse, mas tal não aconteceu. Todos me passavam á frente dos olhos. Todos tinham emoções.
Lili agarrou-me com firmeza e arrastou-me á casa-de-banho das raparigas, vazia naquele momento, e sacudiu-me os ombros bruscamente:
-Estás a deixar-me preocupada! Parece que viste um fantasma!
-Eu acho que vi…!
-Ah!?
-Lili… Tu, tu não sentes?
-De que estás a falar?! - Ela parecia confusa. Eu sentia-me doida!
-Ontem aconteceu algo aqui!
-Algo? Algo como?
Nesse momento alguém entrou na casa de banho. Eu estremeci só de olhar aquela rapariga. Sentir o seu aborrecimento matinal fez-me ficar entediada, fazendo-me concluir que o que ela expressava me afectava também!
-Ai Deus…- murmurei para mim mesma.
Ela saiu sem sequer olhar para nós..
-Não sentiste aquela miúda aborrecida?!
-Porque haveria de sentir? Ela pareceu-me normal como todos os outros alunos da escola!
-Eu sinto…
-Sentes o quê?
-Sinto o que tu sentes, os que ela sentiu e o que todos sentem… As auras bondosas e malignas, as energias positivas, negativas e ate mesmo as nulas… Sinto-me tonta…!
Coloquei a minha mão na cabeça com uma dor ligeira a percorre-la. Liliana mirou-me com um ar intrigado:
-Estás a brincar comigo?
-Não! Juro…! A Rebeca foi a que mais me assustou até agora…
-Porquê?
-Parecia tão… Tão má e perversa… Parecia que queria atacar-nos!
-Endoideceste de vez, rapariga? – Acusou – Andas a ver demasiados filmes para o meu gosto! A Rebeca é tão calma e não se irrita sem motivos! Porque quereria atacar-nos?
-Não sei… Por dor…Talvez…!
-Dor? Como uma dor amorosa ou…?
-Desespero! – Interrompi reflectindo enquanto observava o meu reflexo no espelho – Exactamente…!
-E desespero porquê? Sabes-me explicar?
-Se me cruzar com ela novamente, talvez descubra!
-Estás mesmo a ficar louca!
Ela calou-se por momentos e olhou em seu redor. Eu mordi o lábio e recordei Rebeca nos minutos anteriores. Ela parecia sedenta, presa e furiosa, e por outro lado querida e controlada.
-Estão todos diferentes… Até tu… Sentes-te irritada?
-Como é que sabes?! – Questionou perplexa.
-Porque eu sinto e… - Franzi as sobrancelhas e cerrei os dentes – estás a deixar-me irritada também!
-Isso é uma estupidez!
-Não é nada! – Respondi quase sem intenção, de forma furiosa.
Ela calou-se:
-Não stresses!
-Digo-te o mesmo!
Ela sorriu ironicamente e acenou com a cabeça obedecendo-me:
-O que é que eu tenho de diferente desde ontem?
Só nesse momento consegui associar. Era obvio que não tinham sido os outros a mudar, mas sim eu!
Antes das asas nascerem em mim, tudo era normal! Mas a partir do momento em que elas apareceram eu comecei a reparar em pequenos grandes pormenores que ate então me passavam ao lado, como as emoções que cada um possuia. Agora num local publico, eu ficava meia descontrolada e sem norte para me guiar! Olhasse para onde olhasse diferentes sensações abordavam-me como espadas a trespassar o meu corpo, o que se revelou bastante desconcertante!
-É melhor eu pensar com calma sobre isto! - Ponderei
-E entretanto temos um teste de Português para fazer!
Ela deu-me a mão e puxou-me para fora da casa de banho.
Voltei a sentir demasiadas energias no ar e fui olhando para as pessoas com quem me cruzava á medida que ia para a sala de aulas.
Tristeza, felicidade, euforismo, paixão, amor, amizade, fidelidade, desconforto, incredulidade, mentira, engano, raiva, repulsa, aborrecimento, esforço, confusão, preocupação, medo, coragem, atrevimento, rebeldia, ódio, desconforto, vergonha, timidez, e tantos outros sentimentos e personalidades invadiam todo o edifício de aulas.
As vozes altas e histéricas davam vontade de gritar e chorar quando misturadas com as mais variadas auras. Os ritmos cardíacos distintos faziam os cabelos levantar, os dentes rangerem e a repulsa preencherem todo o meu ser.
Só queria tapar os ouvidos e fechar os olhos para ficar livre de tudo aquilo, mas não conseguia! Era como uma maldição que me seguia, uma tormenta que se fazia acompanhar com a tormenta daqueles que não me eram nada.
Nuns, a aura era tão pesada que ate me sentia tonta quando passava por eles, noutros, eram normais, mas quando os seus olhares incidiam em mim, parecia que me penetravam e me deixavam imóvel! Haviam ainda outros que eram exactamente o oposto! Com um simples gesto faziam-me sentir leve e serena, porem essas atitudes não me faziam sentir melhor!
-Boa sorte, Lana! – Ouvi Lili dizer, quando chegamos á sala de aula.
-Vou precisar… - Vociferei.
O meu pé direito foi o primeiro a pisar o chão da sala. O ar ali era mais calmo.
Contemplei todos os meus colegas. À excepção de Rebeca, eram mentalidades tão simples e discretas! Estavam ligeiramente nervosos, provavelmente devido á ficha de avaliação, mas possuíam uma alegria natural que não me deixava ficar aflita. Suspirei e sorri! Até tive vontade de os beijar e abraçar a todos!
-Vá, sentem-se todos nos vossos lugares! – Ordenou a professora retirando uma pilha de folhas brancas da sua pasta.
Ganhei coragem e suspirei fundo. Eu sabia a matéria, e tinha de fazer aquele teste! Rebeca, nem nenhuma outra pessoa interferiria!
Passei por entre as mesas e dirigi-me ao meu lugar, contudo Ele chamou-me a atenção de repente.
Tinha algumas folhas vincadas na mão e enquanto tapava os apontamentos de Letícia, sorria das dúvidas delas, com os seus olhos cada vez mais azuis devido às luzes florescentes da sala.
Senti um aperto no peito e desviei o olhar!
Ele parecia estar no auge da sua felicidade, e nem sequer lembrar dos restantes amigos. Senti inveja de Leticia por estar com ele. No inicio eu queria-o afastado de mim, mas agora eu sentia-me demasiado incompleta sem ele. As insinuações irritantes dele e a sua curiosidade faziam-me mais falta do que algum dia eu pensei que viriam a fazer.
Cerrei os olhos levemente por um segundo e respirei com cuidado. Não me queria sentir novamente triste e nervosa, ate porque, para além de ser uma sensação desconfortável, algo me dizia que as minhas asas se libertariam com mais facilidade se eu não estivesse relaxada.
Quando abri os olhos, porem, não consegui evitar de olha-lo mais uma vez e por percalço do destino, ele levantou o seu olhar azul ao mesmo tempo que eu. Tentei desviar o olhar rapidamente e fingir que não tinha reparado nele, mas em vez disso não consegui e formei um sorriso tímido discreto, que facilmente poderia ser confundido com um esgar. Ele tinha perdido o tom de brincadeira, de repente, e fitava-me com uma intensidade diferente. A mente dele também me afectava muito, mas era uma aura completamente diferente de todas as outras, uma que me fazia acelerar a respiração e o batimento cardíaco, e ao mesmo tempo que me fazia sentir ódio, fazia também com que eu ficasse presa nele com vontade de sorrir. Era uma sensação de stress, que me causava uma certa azia, e vazio dentro de mim, como se estivesse em jejum!
Senti-me descontrolada, com uma vontade quase louca de acabar com todos os outros só para ir ter com ele, e por incrível que pareça, eu apercebi-me que era exactamente assim que ele se sentia. Um desejo percorria-lhe não só a mente, mas também o corpo, sem uma explicação decente para mim.
Consegui finalmente desviar o meu olhar para a janela, e contemplei as nuvens brancas e cinzentas que ocupavam grande parte do céu. Suspirei novamente, aliviada por Gustavo e eu não estarmos conectados como anteriormente, e sem estar á espera senti uns dedos frios e incrivelmente magros tocarem-me no pescoço. Dei um salto para o lado com tamanho susto e por pouco não fiz a cadeira ao meu lado tombar:
-Calma, Lana! – Exclamou Rebeca nitidamente admirada com o meu acto - Estás muito assustadiça hoje!
Encolhi os ombros, séria.
-O que tiveste ontem? Sentimos a tua falta!
Mal acabou de o dizer abriu um largo sorriso branco que me fez arrepiar:
-Eu… Tive febre e… - As palavras não queriam sair da minha boca – Devia ser uma gripezita…
-Pelo menos conseguiste estudar para o teste?
-Sim, eu e a Liliana ajudamo-nos uma á outra!...
-Optimo! – Ela aproximou a sua boca do meu ouvido. Fiquei com medo só de sentir a temperatura fresca da sua respiração a embater contra a minha pele – Tens de me deixar copiar, eu não percebo nada disto!
Rebeca libertou uma risada leve e graciosa e eu cedi ao seu pedido. De um dia para o outro eu estava aterrorizada só por tê-la junto a mim!
Sentamo-nos as duas nos nossos lugares e a professora distribuiu os testes, em silêncio absoluto.
Tentei concentrar-me nele, e ignorar a energia diversificada que percorria todo o ar.
O teste era basicamente sobre Os poetas do século XX, e as perguntas eram fáceis, pelo que mal comecei a escrever, não parei mais. Sempre fui um pouco lenta a responder às respostas, e por isso tinha de ter pressa caso não quisesse atrasar-me, mas mesmo assim deixei uma pergunta por fazer, e tinha noção que alguns verdadeiros e falsos podiam não estar correctos, visto que coloquei as cruzinhas á sorte!
Consegui acabar o teste cerca de cinco minutos antes de tocar, e nesse breve período de tempo tive de ficar especada a olhar para lado nenhum.
Reparei que Rebeca ainda não tinha terminado, e estava realmente um aflita, e um pouco de “pé atrás” resolvi aproximar o meu teste do alcance do seu olhar. Ela fitou-me a sorrir e atentou nas minhas respostas.
Pus-me a pensar no porquê da sua mentalidade tão complexa! Parecia sentir ódio do mundo, apesar de todo o controle!
-Acabei! – Murmurou aliviada – Obrigada Lana!
Eu tentei sorrir-lhe, mas senti que foi um sorriso demasiado artificial para o considerar sincero.
Baixei o olhar para que ela não visse o desconforto que eu sentia e esperei o último minuto de aula. Assim quando a campainha tocou fui das primeiras a levantar-me para entregar o teste á professora e fugi para a porta da sala. Olhei para trás de modo a saber quem não tinha terminado o seu trabalho, apercebendo-me de duvidas inquietantes nos corpos dos meus colegas, mas ela já estava tão perto de mim que acabou por me tapar a vista.
-Correu-te bem? – Perguntou Rebeca
-Mais ou menos!
-Hum… - Foi a sua única resposta. Apercebi-me que ambas estávamos sem assunto para a ocasião.
Fitei-a longamente. Tinhas tantas dúvidas, tanta vontade de descobrir aquelas suas emoçoess, mas no entanto não sabia como faze-lo.
Queria atirar-me de cabeça e ouvir respostas, contudo não podia dar-me ao luxo de me lançar a um perigo tão grande como enfurecer alguém tao perversa!
Queria pedir ajuda a Liliana e saber o que ela me aconselharia a fazer, mas ela tinha ficado na sala a terminar a sua ficha de avaliação. Eu não conseguia esperar muito mais, sobretudo com Rebeca a meu lado.
Eu queria avançar.
Suspirei alto, ganhando coragem para dizer algo.
-O teu cheiro está diferente… - Disse ela de repente olhando-me com as sobrancelhas franzidas.
Quase caí para o lado ao ouvir aquilo!
-Cheiro mal? – perguntei feita idiota, enquanto cheirava o meu braço.
-Ah, não… Não… É bastante bom por acaso… Bom demais…
Ela semicerrou os olhos na direcção do seu percurso, sem sequer reparar na minha reacção. Em parte, parecia confusa.
-Está a tornar-se desconfortável…
Engoli a seco, e dei-me conta que ela estava esfomeada:
-Tens fome? – perguntei olhando para o chão.
-Pode dizer-se que sim!
-És tão má!... – acusei em voz inaudível para uma pessoa normal.
-Desculpa?!
Fitei-a atrapalhada, como é que ela me escutou?! Parecia mais zangada do que anteriormente.
-Ahm… Pareces irritada! – respondi.
-Achas que eu sou má?!
Eu não consegui responder.
-Acho que és diferente de todos os outros…!
Ela pausou aquela conversa durante alguns segundos e fitou o céu com as sobrancelhas franzidas:
-Pois sou, mas quem és tu para o dizeres?
-Alguem também muito anormal!
Ela mirou-me surpreendida e sorriu:
-Porque dizes isso?!
-Por nada! – Exclamei, e dei passos para sair dali.
-Espera! – Ordenou ela. Eu parei e esperei que ela dissesse algo. A emoção que a trespassou nesse momento foi calma, portanto senti-me mais segura – Por algum motivo, sinto que tu sabes o que se passa comigo…
-Não, não sei…! – Neguei – mas podes-me dizer, certamente que vou entender!
Mal ela sabia o quão verdadeira aquela frase era! Fosse o que fosse que ela escondesse não seria pior do que a minha situação! Ter asas não era orgulho nenhum para mim!
-Porque é que eu acredito em ti?!
-Acreditas? – Indaguei perplexa.
-Algo me diz que realmente não és normal! Talvez o teu cheiro…
-O que é que o meu cheiro tem a ver com eu ser normal ou não?!
-Para mim tem muito a ver!
Ela deu passos graciosos na minha direcção enquanto penetrava os seus olhos no interior dos meus sem medo absolutamente nenhum. Eu vi a coragem e a raiva neles e assustei-me pela maneira que se dirigia a mim naquele local tão isolado. Recuei incomodada:
-Porquê?!
-Porque dá-me sede! Sede de ti!
-O quê?!
Arrepiei-me tanto naquele momento! O que é que ela tinha dito?! Ela desejava-me pelo meu cheiro?! Que louca era aquela?!
-Eu sou uma vampira!
-O quê?! – Repeti incrédula. Ela continuava a aproximar-se de mim directamente, e a sua mente vil fê-la sorrir.
-Tu acreditas em mim?!
Eu fiquei sem reacção. Ela prosseguiu:
-Sinto a tua alma tão semelhante á minha!...
-Tu estás a brincar comigo!... – Declarei autoritariamente – Os vampiros não existem, e se existissem não andariam ao sol como tu!
-Sol, sol, sol! Sou imune aos seus raios! Graças a Deus, se é que tal coisa me ouve!
-Como posso acreditar em ti?!
Ela rosnou e eu por pouco não gritei cheia de medo! Os seus caninos mostraram-se mais afiados do que o vulgar e os olhos reluziram uma luz encarnada:
-já acreditas?!
Acenei com a cabeça, pasmada, recuando desajeitadamente para fugir daquele “coisa”:
-Por que é que me disseste?! Acho que vivia bem na ignorância!
-Sabe bem desabafar! Alem disso também és muito mázinha!
-Não sou nada!
Queres apostar?! – Ripostou – O teu sangue não é humano! Garanto-te!
-Então é o quê?! A que cheira?! – Questionei sem saber se aquela pergunta seria oportuna.
-Dá-me cá um apetite! Tens o melhor cheiro que já senti ate agora!
-Não me mates!
Ela riu-se divertidamente.
-Não tenho intenções de o fazer! Já não provo sangue humano á bastante tempo!
-Ewh! Que horror!
-Relaxa, por agora vivo bem de animaizinhos! Só tenho pena desta magreza! – admitiu apertando as suas bochechas - Estou horrível assim!
Não tive resposta. De um segundo para outro ela estava tão espevitada! Onde estava a Rebeca calma e tímida que eu conheci?! Porque é que ela estava tão agressiva comigo?!
Estão cansados de ler?!
desculpem lá isso! lool
Agora o destino da fic fica ao vosso criterio! opinem á vontade, e criticas cosntrutivas sao bem vindas!
bjokas!
Suspirei profundamente com os olhos pregados no tecto.
Tinha acabado de arrumar algumas coisas no meu quarto e agora estava deitada de barriga para cima, á espera que mais alguma coisa acontecesse naquele dia que, por algum motivo, tardava a terminar. Fui até ao quarto de Helen, sem qualquer objectivo e sentei-me na sua cama alta. O seu quarto estava mais fresco do que o meu o que me deixava aliviada. Sentia-me muito sufocada ali dentro, mas sabia que se saísse para a mata, acabaria por ficar pior de saúde. Olhei para o relógio despertador dela. Eram quase sete horas da tarde, não tardava nada para ela irromper pela casa a contar como as crianças se divertiram.
Virei-me na cama, para olhar de um outro ângulo para a pequena divisão. Nesse momento a porta de fora fez um estalido e de seguida um estrondo. Os passos de Helen eram rápidos e não tardou a senti-la perto de mim, mas algo estava errado.
Senti o seu corpo tombar na cama, ao meu lado. Ela mal se tinha apercebido que eu estava ali!
Eu fiquei perplexa com o estado dela, estava lavada em lágrimas!
-Helen, o que foi? – Perguntei sacudindo o seu corpo.
Ela continuou a fungar:
-O que fazes no meu quarto? – Questionou com arrogância.
-Não interessa… – murmurei – O que aconteceu contigo?
Ela levantou a cabeça. Estava pálida e com umas olheiras negras que mais parecia um urso panda!
-Ele… Ele estava…
-O quê? Que dizes? – Perguntei novamente. Não percebia nada do que ela queria dizer com tantos gaguejos.
-O… O Rogério… Ele… Ele…
-O que é que esse homem te fez?!
-Tu… Tu tinhas razão…! – Concordou enquanto se agarrava ao meu pescoço num abraço – Eu… Eu sou tão parva!
-Eu juro que vou matar o teu namorado se…!
Ela interrompeu-me:
-Nós já não… namoramos!
-O quê?!...
-Eu… Apanhei-o… Com outra! – Esclareceu-me de repente.
Petrifiquei com aquela informação. A Helen não merecia tamanha maldade! Quem é que aquele homem pensava que era para fazer mal a alguém da minha família!?
-Não acredito…!
-Que raiva! Como é que eu pude ser… tão estúpida?! – Gaguejou novamente – Ele já me devia trair há séculos!
-Oh não, não penses assim…! Não penses nisso agora…! – Reconfortei-a. Aquele dia estava definitivamente arruinado – vais ver que isso passa! Eu vou ajudar-te a tira-lo da cabeça!
Ela fungou novamente. Eu já não sabia o que dizer da minha vida! Na verdade nunca fui muito boa a reconfortar os outros, nunca sabia o que dizer nestas alturas, no entanto naquele momento era extremamente necessário um ombro amigo para apoiar a minha madrinha.
Helen aconchegou-se mais a mim e fechou os olhos, à medida que o seu rosto era lavado e queimado por sal. Eu passei os meus dedos pelo seu cabelo claro tentando cessar as suas lágrimas. Aos poucos os seus gemidos começaram a desaparecer, ate que dei por ela adormecida contra o meu peito. Deixei-me ficar ali, a fazer-lhe companhia. Puxei uma coberta fina para nos cobrir e alguns minutos depois, também a minha mente de apagou.
***
Acordamos as duas ao mesmo tempo. O meu telemóvel estava a tocar no meu quarto, já era hora de nos levantarmos. Tanto eu como Helen parecíamos dois fantasmas saídos de um filme de terror. Ambas pálidas, ambas com olheiras, ambas fracas.
Eu fui a primeira a pôr-me a pé e dirigi-me ao quarto para atender o telemóvel:
-Sim? – Perguntei com voz frágil.
-Bom dia Lanita, sou eu, a Lili!
-ah, olá!
-Bom, liguei-te para dizer que fico á tua espera no portão da escola! Não tenciono deixar-te sozinha por enquanto! Vou assegurar-me que manténs a calma!
-Oh, obrigada Lili! Nunca pensei que…!
-Não penses! Agora despacha-te, ok?
-Claro, até já!
Ela desligou-me. Segui até ao meu armário e peguei num casaco preto e numas calças de ganga escuras. Prendi o meu cabelo num rabo-de-cavalo aborrecido, e fui para a cozinha onde Helen, trajando um robe grosso, servia leite acabado de fazer. Eu não refilei sequer. Tomei o pequeno-almoço em silêncio e quando chegou a hora dirigi-me á paragem com o coração nas mãos.
Por um lado eu queria ir para a escola, para ver os outros colegas e estar com Liliana de maneira a esquecer os problemas. Por outro, eu tinha medo. Tinha medo de me acontecer algo e eu ser descoberta. Tinha medo de me deparar com Gustavo e ver que ele continuava rude comigo. Depois ainda havia a Helen. Custava-me deixa-la sozinha a ir para a escola num estado daqueles… Mas eu não podia fazer nada em relação ao animal que se tinha aproveitado dela! Eu avisei-a que ele não me inspirava confiança, mas ela estava demasiado cega de amores para querer escutar-me. Agora eu tinha de ir para a escola e deixa-la consigo mesma.
Cheguei á minha paragem e cerrei os olhos com força, apontando a minha face para o céu “Só desejo que ela anime com as crianças”, esperancei.
Nesse mesmo instante escutei o motor de um carro a parar á minha frente e olhei para a estrada. Era Helen, dentro da sua viatura:
-Entra, eu dou-te boleia!
-hum… Não te vais atrasar? – Perguntei duvidosa.
-Não te preocupes… - Ela sorriu, porem eu notei que o seu olhar era demasiado nostálgico para ela ter vontade de sorrir.
Fiz-lhe a vontade e entrei no carro. Ela continuou a explicar o porquê de me levar ao meu destino:
-Hoje as minhas aulas só começam às dez e meia, e como eu estou sem vontade de dormir, não há problema em ir-te levar… - ela suspirou – assim passo pelo café e tomo um bom pequeno-almoço.
Eu não consegui dizer mais nada. Ela parecia tão abatida… coitada… Eu odiava não saber dar apoio nestas situações. Fazia-me sentir muito mal comigo mesma, como uma impotente.
Continuamos ambas em silêncio durante todo o trajecto. Quando eu sai do carro apoiei-me na porta e olhei para Helen:
-Helen…- Murmurei meia sem jeito – Tenta… Tenta não desanimar… Não quero que fiques assim tão abatida durante todo o dia…
Ela olhou para mim, com os seus olhos verdes cada vez mais aquosos. O meu coração queria sair do peito ao ver aquela imagem, metia-me tanta pena.
-não te preocupes… Eu fico bem…
-De certeza?… - Eu já sabia o que ela me ia responder, mas também sabia que não era uma resposta verdadeira.
-Claro… - Ela a mim não me enganava.
-Vamos passear no fim-de-semana? – Sugeri para a animar – Podemos ir ao Shopping! Eu sei que tu adoras!
Ela sorriu novamente sem vontade.
-Logo se vê…
A sua resposta só me deu vontade de dar com a cabeça no vidro do carro.
-Lana… - vozeou entristecida – Não fiques a pensar em mim o dia todo…! Eu vou melhorar, a sério!
Eu dirigi a minha visão para os meus pés. Sentia-me apreensiva com a sua situação.
-Bom dia Lana!
A voz de Lili parecia animada naquela manha. Ela espreitou para dentro do carro e sorriu amavelmente para Helen:
-Olá Helen! – Exclamou.
-Olá! – Respondeu ela, com um sorriso forçado – Tudo bem? Ainda não te agradeci por ontem…
-Oh, a Lana já agradeceu tantas vezes que eu já nem posso ouvir agradecimentos!
-Mesmo assim, fico em divida para contigo!
-Se eu um dia precisar de alguma coisa, eu cobro!
-Assim espero! – Afirmou – Bem meninas, está na minha hora e na vossa também!
-sim, ainda temos uns minutos, mas é preferível irmos indo! – Declarei. Era muito fácil entender que a Helen queria estar sozinha, e eu não queria incomoda-la mais. Liliana acenou-lhe e eu quebrei a rotina, chegando-me a ela para lhe dar um beijo forte e um abraço apertado, do qual ela não estava nada á espera. No entanto ela retribuiu-me o abraço apertado e despediu-se de mim em sussurros:
-Vai lá á tua vida, meu anjo… - Estremeci com aquela palavra - Não quero que te preocupes mais comigo!...
-Sim Helen… - Obedeci receosa, e descolei-me dela lentamente para deixa-la manobrar o carro á sua maneira.
Liliana puxou-me para junto dela. Senti uma aura estranha a partir do momento em que o automóvel saiu da minha vista.
Senti-a o clima pesado á minha volta, como se toda a energia do mundo se encontrasse naquele local!
-Contaste-lhe? – Perguntou ela.
-O quê?
-Ora, tu sabes! – Balbuciou fazendo gestos com as mãos – branco, penas, asas? Não comentaste nada?
Neguei com a cabeça:
-a Helen tem problemas mais importantes do que a minhas anormalidades!
-Pois, de facto ela parecia um pouco triste…
Encolhi os ombros como resposta. Continuava a sentir-me estranha naquele local:
-Bom, vamos para dentro da escola! – Exclamou.
-sim…
Olhei em redor. Ainda não tinham chegado as camionetas de alunos, pelo que estava tudo calmo no meio da estrada.
Nós duas chegamo-nos para mais perto das grades da escola e encostamo-nos a um muro á espera das outras.
Eu, inquieta, olhava para todos os lados. Vi apenas cerca de cinco alunos dentro da escola, mas nenhum deles parecia totalmente acordado. Nesse momento dei um salto involuntariamente. Lancei um olhar mortífero a Lili. Ela tinha-me tocado nas costas sem autorização!
-Desculpa! – Exclamou – só queria saber como isso estava!
-Por favor, não me toques aí… Dói-me…
-A sério? Não sabia que sentias dor!
-sempre senti!
-Nesse caso vou tentar controlar a minha curiosidade! – Prometeu – Ah finalmente!
O autocarro parou á nossa frente. Senti o ar super pesado, montes de energias diferentes que eu nunca tinha sentido. Começava a sentir-me aflita com a situação!
As portas automáticas abriram e mostraram a multidão de alunos agitados.
Bati com as minhas mãos no peito, assustada! Energias e auras adornaram o meu oxigénio, como se cada pessoa que saíra daquele autocarro trouxesse um perfume diferente que me fazia sentir tonta. Não eram aromas, infelizmente. Eram sentimentos e emoções que emancipavam daqueles corpos vulgares de uma maneira que eu não conhecia até então. Eram batimentos cardíacos, paixões e ódios que os olhares de cada um libertavam discretamente, mas se sentiam de forma intensa. De um segundo para o outro foi como se eu tivesse entrado nos corpos daqueles alunos, como se eu conseguisse ler-lhes os pensamentos e sentir o que eles sentiam.
Aquilo não era normal de forma nenhuma, eu estava a ter alucinações, tinha de ser isso:
-Lili… - Vociferei em choque agarrando-lhe um pulso enquanto olhava todo aquele cenário – O que é isto?...
-Isto o quê?! - Perguntou assustada – O que se passa?
O meu coração bateu cada vez mais rápido:
-Sentes os mesmo que eu…?!
-O quê? Pareces preocupada!
Ela não sentia, porem eu não tinha espírito para mais nada! Algo tinha acontecido na minha ausência, algo que influenciara o meu modo de ver as pessoas e de encarar os seus actos.
Senti uma mão fria, mais fria do que eu me lembrava, tocar-nos nas costas, e estremeci!
-Olá meninas!
Voltamo-nos as duas.
Abafei um comentário aterrorizado. Os olhos negros, reflectiam um brilho de maldade ingénua. A pele branca parecia translúcida. O cheiro era doce e voz querida e simpática, de um jeito que me deixava confusa quanto á energia que ela soltava. Parecia um demónio, e por outro lado, um anjo!
-Olá Rebeca! – Saudou Lili com um sorriso.
-Oi! Então, Lana, estás melhor? – Perguntou. As suas palavras saíram como uma canção lenta, como sempre.
Engoli a seco. Os meus olhos estavam fixados nos seus e começavam a arder com o medo que me invadia. Aquela não podia ser a Rebeca!
-Eu…Eu tenho de… - Pensei numa desculpa para sair dali – Ir á casa de banho!
-Ahm, ok…!
Agarrei Lili pelo pulso, e ela olhou-me de soslaio. Felizmente não hesitou nem um segundo em me acompanhar os movimentos e despediu-se de Rebeca com simpatia:
-O que se passa, Lana? - Perguntou entre dentes, mal viramos costas àquela mente.
Eu não senti nenhum alívio por me afastar. Mal me virei, senti uma outra energia diferente vinda do corpo de Lau que passou á minha frente com Verónica.
Apertei a mão de Liliana ainda com mais força e cerrei os dentes e os olhos ao mesmo tempo, na esperança de quando os abrisse tudo aquilo desaparecesse, mas tal não aconteceu. Todos me passavam á frente dos olhos. Todos tinham emoções.
Lili agarrou-me com firmeza e arrastou-me á casa-de-banho das raparigas, vazia naquele momento, e sacudiu-me os ombros bruscamente:
-Estás a deixar-me preocupada! Parece que viste um fantasma!
-Eu acho que vi…!
-Ah!?
-Lili… Tu, tu não sentes?
-De que estás a falar?! - Ela parecia confusa. Eu sentia-me doida!
-Ontem aconteceu algo aqui!
-Algo? Algo como?
Nesse momento alguém entrou na casa de banho. Eu estremeci só de olhar aquela rapariga. Sentir o seu aborrecimento matinal fez-me ficar entediada, fazendo-me concluir que o que ela expressava me afectava também!
-Ai Deus…- murmurei para mim mesma.
Ela saiu sem sequer olhar para nós..
-Não sentiste aquela miúda aborrecida?!
-Porque haveria de sentir? Ela pareceu-me normal como todos os outros alunos da escola!
-Eu sinto…
-Sentes o quê?
-Sinto o que tu sentes, os que ela sentiu e o que todos sentem… As auras bondosas e malignas, as energias positivas, negativas e ate mesmo as nulas… Sinto-me tonta…!
Coloquei a minha mão na cabeça com uma dor ligeira a percorre-la. Liliana mirou-me com um ar intrigado:
-Estás a brincar comigo?
-Não! Juro…! A Rebeca foi a que mais me assustou até agora…
-Porquê?
-Parecia tão… Tão má e perversa… Parecia que queria atacar-nos!
-Endoideceste de vez, rapariga? – Acusou – Andas a ver demasiados filmes para o meu gosto! A Rebeca é tão calma e não se irrita sem motivos! Porque quereria atacar-nos?
-Não sei… Por dor…Talvez…!
-Dor? Como uma dor amorosa ou…?
-Desespero! – Interrompi reflectindo enquanto observava o meu reflexo no espelho – Exactamente…!
-E desespero porquê? Sabes-me explicar?
-Se me cruzar com ela novamente, talvez descubra!
-Estás mesmo a ficar louca!
Ela calou-se por momentos e olhou em seu redor. Eu mordi o lábio e recordei Rebeca nos minutos anteriores. Ela parecia sedenta, presa e furiosa, e por outro lado querida e controlada.
-Estão todos diferentes… Até tu… Sentes-te irritada?
-Como é que sabes?! – Questionou perplexa.
-Porque eu sinto e… - Franzi as sobrancelhas e cerrei os dentes – estás a deixar-me irritada também!
-Isso é uma estupidez!
-Não é nada! – Respondi quase sem intenção, de forma furiosa.
Ela calou-se:
-Não stresses!
-Digo-te o mesmo!
Ela sorriu ironicamente e acenou com a cabeça obedecendo-me:
-O que é que eu tenho de diferente desde ontem?
Só nesse momento consegui associar. Era obvio que não tinham sido os outros a mudar, mas sim eu!
Antes das asas nascerem em mim, tudo era normal! Mas a partir do momento em que elas apareceram eu comecei a reparar em pequenos grandes pormenores que ate então me passavam ao lado, como as emoções que cada um possuia. Agora num local publico, eu ficava meia descontrolada e sem norte para me guiar! Olhasse para onde olhasse diferentes sensações abordavam-me como espadas a trespassar o meu corpo, o que se revelou bastante desconcertante!
-É melhor eu pensar com calma sobre isto! - Ponderei
-E entretanto temos um teste de Português para fazer!
Ela deu-me a mão e puxou-me para fora da casa de banho.
Voltei a sentir demasiadas energias no ar e fui olhando para as pessoas com quem me cruzava á medida que ia para a sala de aulas.
Tristeza, felicidade, euforismo, paixão, amor, amizade, fidelidade, desconforto, incredulidade, mentira, engano, raiva, repulsa, aborrecimento, esforço, confusão, preocupação, medo, coragem, atrevimento, rebeldia, ódio, desconforto, vergonha, timidez, e tantos outros sentimentos e personalidades invadiam todo o edifício de aulas.
As vozes altas e histéricas davam vontade de gritar e chorar quando misturadas com as mais variadas auras. Os ritmos cardíacos distintos faziam os cabelos levantar, os dentes rangerem e a repulsa preencherem todo o meu ser.
Só queria tapar os ouvidos e fechar os olhos para ficar livre de tudo aquilo, mas não conseguia! Era como uma maldição que me seguia, uma tormenta que se fazia acompanhar com a tormenta daqueles que não me eram nada.
Nuns, a aura era tão pesada que ate me sentia tonta quando passava por eles, noutros, eram normais, mas quando os seus olhares incidiam em mim, parecia que me penetravam e me deixavam imóvel! Haviam ainda outros que eram exactamente o oposto! Com um simples gesto faziam-me sentir leve e serena, porem essas atitudes não me faziam sentir melhor!
-Boa sorte, Lana! – Ouvi Lili dizer, quando chegamos á sala de aula.
-Vou precisar… - Vociferei.
O meu pé direito foi o primeiro a pisar o chão da sala. O ar ali era mais calmo.
Contemplei todos os meus colegas. À excepção de Rebeca, eram mentalidades tão simples e discretas! Estavam ligeiramente nervosos, provavelmente devido á ficha de avaliação, mas possuíam uma alegria natural que não me deixava ficar aflita. Suspirei e sorri! Até tive vontade de os beijar e abraçar a todos!
-Vá, sentem-se todos nos vossos lugares! – Ordenou a professora retirando uma pilha de folhas brancas da sua pasta.
Ganhei coragem e suspirei fundo. Eu sabia a matéria, e tinha de fazer aquele teste! Rebeca, nem nenhuma outra pessoa interferiria!
Passei por entre as mesas e dirigi-me ao meu lugar, contudo Ele chamou-me a atenção de repente.
Tinha algumas folhas vincadas na mão e enquanto tapava os apontamentos de Letícia, sorria das dúvidas delas, com os seus olhos cada vez mais azuis devido às luzes florescentes da sala.
Senti um aperto no peito e desviei o olhar!
Ele parecia estar no auge da sua felicidade, e nem sequer lembrar dos restantes amigos. Senti inveja de Leticia por estar com ele. No inicio eu queria-o afastado de mim, mas agora eu sentia-me demasiado incompleta sem ele. As insinuações irritantes dele e a sua curiosidade faziam-me mais falta do que algum dia eu pensei que viriam a fazer.
Cerrei os olhos levemente por um segundo e respirei com cuidado. Não me queria sentir novamente triste e nervosa, ate porque, para além de ser uma sensação desconfortável, algo me dizia que as minhas asas se libertariam com mais facilidade se eu não estivesse relaxada.
Quando abri os olhos, porem, não consegui evitar de olha-lo mais uma vez e por percalço do destino, ele levantou o seu olhar azul ao mesmo tempo que eu. Tentei desviar o olhar rapidamente e fingir que não tinha reparado nele, mas em vez disso não consegui e formei um sorriso tímido discreto, que facilmente poderia ser confundido com um esgar. Ele tinha perdido o tom de brincadeira, de repente, e fitava-me com uma intensidade diferente. A mente dele também me afectava muito, mas era uma aura completamente diferente de todas as outras, uma que me fazia acelerar a respiração e o batimento cardíaco, e ao mesmo tempo que me fazia sentir ódio, fazia também com que eu ficasse presa nele com vontade de sorrir. Era uma sensação de stress, que me causava uma certa azia, e vazio dentro de mim, como se estivesse em jejum!
Senti-me descontrolada, com uma vontade quase louca de acabar com todos os outros só para ir ter com ele, e por incrível que pareça, eu apercebi-me que era exactamente assim que ele se sentia. Um desejo percorria-lhe não só a mente, mas também o corpo, sem uma explicação decente para mim.
Consegui finalmente desviar o meu olhar para a janela, e contemplei as nuvens brancas e cinzentas que ocupavam grande parte do céu. Suspirei novamente, aliviada por Gustavo e eu não estarmos conectados como anteriormente, e sem estar á espera senti uns dedos frios e incrivelmente magros tocarem-me no pescoço. Dei um salto para o lado com tamanho susto e por pouco não fiz a cadeira ao meu lado tombar:
-Calma, Lana! – Exclamou Rebeca nitidamente admirada com o meu acto - Estás muito assustadiça hoje!
Encolhi os ombros, séria.
-O que tiveste ontem? Sentimos a tua falta!
Mal acabou de o dizer abriu um largo sorriso branco que me fez arrepiar:
-Eu… Tive febre e… - As palavras não queriam sair da minha boca – Devia ser uma gripezita…
-Pelo menos conseguiste estudar para o teste?
-Sim, eu e a Liliana ajudamo-nos uma á outra!...
-Optimo! – Ela aproximou a sua boca do meu ouvido. Fiquei com medo só de sentir a temperatura fresca da sua respiração a embater contra a minha pele – Tens de me deixar copiar, eu não percebo nada disto!
Rebeca libertou uma risada leve e graciosa e eu cedi ao seu pedido. De um dia para o outro eu estava aterrorizada só por tê-la junto a mim!
Sentamo-nos as duas nos nossos lugares e a professora distribuiu os testes, em silêncio absoluto.
Tentei concentrar-me nele, e ignorar a energia diversificada que percorria todo o ar.
O teste era basicamente sobre Os poetas do século XX, e as perguntas eram fáceis, pelo que mal comecei a escrever, não parei mais. Sempre fui um pouco lenta a responder às respostas, e por isso tinha de ter pressa caso não quisesse atrasar-me, mas mesmo assim deixei uma pergunta por fazer, e tinha noção que alguns verdadeiros e falsos podiam não estar correctos, visto que coloquei as cruzinhas á sorte!
Consegui acabar o teste cerca de cinco minutos antes de tocar, e nesse breve período de tempo tive de ficar especada a olhar para lado nenhum.
Reparei que Rebeca ainda não tinha terminado, e estava realmente um aflita, e um pouco de “pé atrás” resolvi aproximar o meu teste do alcance do seu olhar. Ela fitou-me a sorrir e atentou nas minhas respostas.
Pus-me a pensar no porquê da sua mentalidade tão complexa! Parecia sentir ódio do mundo, apesar de todo o controle!
-Acabei! – Murmurou aliviada – Obrigada Lana!
Eu tentei sorrir-lhe, mas senti que foi um sorriso demasiado artificial para o considerar sincero.
Baixei o olhar para que ela não visse o desconforto que eu sentia e esperei o último minuto de aula. Assim quando a campainha tocou fui das primeiras a levantar-me para entregar o teste á professora e fugi para a porta da sala. Olhei para trás de modo a saber quem não tinha terminado o seu trabalho, apercebendo-me de duvidas inquietantes nos corpos dos meus colegas, mas ela já estava tão perto de mim que acabou por me tapar a vista.
-Correu-te bem? – Perguntou Rebeca
-Mais ou menos!
-Hum… - Foi a sua única resposta. Apercebi-me que ambas estávamos sem assunto para a ocasião.
Fitei-a longamente. Tinhas tantas dúvidas, tanta vontade de descobrir aquelas suas emoçoess, mas no entanto não sabia como faze-lo.
Queria atirar-me de cabeça e ouvir respostas, contudo não podia dar-me ao luxo de me lançar a um perigo tão grande como enfurecer alguém tao perversa!
Queria pedir ajuda a Liliana e saber o que ela me aconselharia a fazer, mas ela tinha ficado na sala a terminar a sua ficha de avaliação. Eu não conseguia esperar muito mais, sobretudo com Rebeca a meu lado.
Eu queria avançar.
Suspirei alto, ganhando coragem para dizer algo.
-O teu cheiro está diferente… - Disse ela de repente olhando-me com as sobrancelhas franzidas.
Quase caí para o lado ao ouvir aquilo!
-Cheiro mal? – perguntei feita idiota, enquanto cheirava o meu braço.
-Ah, não… Não… É bastante bom por acaso… Bom demais…
Ela semicerrou os olhos na direcção do seu percurso, sem sequer reparar na minha reacção. Em parte, parecia confusa.
-Está a tornar-se desconfortável…
Engoli a seco, e dei-me conta que ela estava esfomeada:
-Tens fome? – perguntei olhando para o chão.
-Pode dizer-se que sim!
-És tão má!... – acusei em voz inaudível para uma pessoa normal.
-Desculpa?!
Fitei-a atrapalhada, como é que ela me escutou?! Parecia mais zangada do que anteriormente.
-Ahm… Pareces irritada! – respondi.
-Achas que eu sou má?!
Eu não consegui responder.
-Acho que és diferente de todos os outros…!
Ela pausou aquela conversa durante alguns segundos e fitou o céu com as sobrancelhas franzidas:
-Pois sou, mas quem és tu para o dizeres?
-Alguem também muito anormal!
Ela mirou-me surpreendida e sorriu:
-Porque dizes isso?!
-Por nada! – Exclamei, e dei passos para sair dali.
-Espera! – Ordenou ela. Eu parei e esperei que ela dissesse algo. A emoção que a trespassou nesse momento foi calma, portanto senti-me mais segura – Por algum motivo, sinto que tu sabes o que se passa comigo…
-Não, não sei…! – Neguei – mas podes-me dizer, certamente que vou entender!
Mal ela sabia o quão verdadeira aquela frase era! Fosse o que fosse que ela escondesse não seria pior do que a minha situação! Ter asas não era orgulho nenhum para mim!
-Porque é que eu acredito em ti?!
-Acreditas? – Indaguei perplexa.
-Algo me diz que realmente não és normal! Talvez o teu cheiro…
-O que é que o meu cheiro tem a ver com eu ser normal ou não?!
-Para mim tem muito a ver!
Ela deu passos graciosos na minha direcção enquanto penetrava os seus olhos no interior dos meus sem medo absolutamente nenhum. Eu vi a coragem e a raiva neles e assustei-me pela maneira que se dirigia a mim naquele local tão isolado. Recuei incomodada:
-Porquê?!
-Porque dá-me sede! Sede de ti!
-O quê?!
Arrepiei-me tanto naquele momento! O que é que ela tinha dito?! Ela desejava-me pelo meu cheiro?! Que louca era aquela?!
-Eu sou uma vampira!
-O quê?! – Repeti incrédula. Ela continuava a aproximar-se de mim directamente, e a sua mente vil fê-la sorrir.
-Tu acreditas em mim?!
Eu fiquei sem reacção. Ela prosseguiu:
-Sinto a tua alma tão semelhante á minha!...
-Tu estás a brincar comigo!... – Declarei autoritariamente – Os vampiros não existem, e se existissem não andariam ao sol como tu!
-Sol, sol, sol! Sou imune aos seus raios! Graças a Deus, se é que tal coisa me ouve!
-Como posso acreditar em ti?!
Ela rosnou e eu por pouco não gritei cheia de medo! Os seus caninos mostraram-se mais afiados do que o vulgar e os olhos reluziram uma luz encarnada:
-já acreditas?!
Acenei com a cabeça, pasmada, recuando desajeitadamente para fugir daquele “coisa”:
-Por que é que me disseste?! Acho que vivia bem na ignorância!
-Sabe bem desabafar! Alem disso também és muito mázinha!
-Não sou nada!
Queres apostar?! – Ripostou – O teu sangue não é humano! Garanto-te!
-Então é o quê?! A que cheira?! – Questionei sem saber se aquela pergunta seria oportuna.
-Dá-me cá um apetite! Tens o melhor cheiro que já senti ate agora!
-Não me mates!
Ela riu-se divertidamente.
-Não tenho intenções de o fazer! Já não provo sangue humano á bastante tempo!
-Ewh! Que horror!
-Relaxa, por agora vivo bem de animaizinhos! Só tenho pena desta magreza! – admitiu apertando as suas bochechas - Estou horrível assim!
Não tive resposta. De um segundo para outro ela estava tão espevitada! Onde estava a Rebeca calma e tímida que eu conheci?! Porque é que ela estava tão agressiva comigo?!
Estão cansados de ler?!
desculpem lá isso! lool
Agora o destino da fic fica ao vosso criterio! opinem á vontade, e criticas cosntrutivas sao bem vindas!
bjokas!
as minhas fic's:
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
-Angelical
Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
-Angelical
Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^
Tens de entrar para responderes neste tópico.




Reportar comentário
Escolhe o motivo da denúncia e acrescenta mais contexto se necessário.