Sailor Moon Portugal, A Navegante da Lua

[Terminada] Angelical

#145
Alguem ontem tinha-me dito que ia postar capitulo novo, mas não postou Embaracoso
Acabaste-te mesmo por esquecer xDD
Espero por ti em cada segundo , porque tu és o meu mundo!




Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
Visitem a minha 1ª Fic ----->The Four elements
#146
AnA_Sant0s escreveu:Alguem ontem tinha-me dito que ia postar capitulo novo, mas não postou Embaracoso
Acabaste-te mesmo por esquecer xDD

Pois é, tipo eu nao me esqueçi mesmo, mas quando vm ca ao forum ja nao era la muito cedo e eu tava cheia de sono! lol

Mas vah, a ultima parte do capitulo! A hora da verdade chegou! Matreiro

Capitulo VI - Confissões


Peguei no objecto preto e verifiquei o número.

Era-me desconhecido, pelo que hesitei antes de atender, contudo, Gustavo incentivou-me a faze-lo.

-Sim? Quem fala?

-Lana? És tu querida? – Ouvi do outro lado da linha.

-Sim, mas quem é?

-Sou eu! A Greta!

-Greta! – Exclamei surpreendida. Nem sei como não me apercebi daquele sotaque inglês tão simpático!

-Oh dear, que saudades!

-Eu também tenho muitas saudades! Meu deus, que surpresa! – Declarei – Porque ligou?

-Esperava falar com a Helen, ela está aí?

-Hum, não, a Helen está a trabalhar!

-Oh que pena… - Murmurou desanimada –Enfim, ela gosta da nova escola?

-Bem, penso que sim! Não tem tantas crianças, mas ela gosta na mesma! Sabe como ela é… A propósito, ela vai leva-los num passeio, pode ser que até seja perto daí!

-Seria excelent! E tu querida? Gostas da tua nova escola?

-Mais ou menos… – Respondi – Ainda me estou a familiarizar!

-Sabes com quem estive hoje? – Perguntou retoricamente – Com a Cristina!

-A Cristina…? - Murmurei

-Sim, ela está cheia de saudades tuas! Tens de vir visitar-nos!

-Claro…!

-Oh, e tens de ver a Marussia, ela finalmente teve cachorrinhos!

-Ai, quem me dera estar aí! – Exclamei recordando a cadelinha que eu tanto estimava – Devem ser tão lindos!

-Oh minha querida, tens de vir cá a casa! Talvez nas ferias da Páscoa! Que dizes?

-Seria óptimo Greta! A Helen ia adorar!

-Olha, sabes a que horas é que ela chega a casa?

-Hum, pode ligar-nos lá para as sete horas!

-Obrigada minha linda! Tenho de desligar agora! Bye!

-Bye Greta!

O telefone começou a soar apenas um pip, pip e eu desliguei-o.

Sentia-me apática com aquela chamada tão inesperada!

Tinha tantas saudades de casa, Da Greta, da minha adorável cadela e claro, da Cristina! Só de pensar que me vim embora sem me despedir dela já me sentia enojada comigo própria. Mas que poderia eu fazer? Era para meu próprio bem…

-Quem é a Greta? – Perguntou Gustavo, sentado no sofá com o meu caderno de biologia aberto.

-A mãe da Helen…!

-Moravas com ela?

-sim! Ela é muito querida! Tanto como a minha madrinha!

-Hum… – Disse levantando-se do sofá para vir ter comigo -Tens de me falar da tua família!

-Acho que já te falei de todos! – Supus martirizada.

-Não, até agora só te ouvi falar da Helen e dessa Greta!

-E não te esqueças do cão! – Relembrei ironicamente

-são só vocês?

Acenei um sim com a cabeça. A minha família eram só elas duas, quer eu quisesse, quer não…

-E os teus pais?...

-não tenho!

-Eles…?

-Não sei! – Respondi sem lhe dar tempo de terminar a frase – podem estar em qualquer lado, mas eu não sei!

-Como não sabes? – Questionou intrigado.

Voltei-me de costas para ele. Não queria que ele decifrasse a minha cara ou o meu olhar!

Enchi um copo de água da torneira e bebi lentamente, enquanto ele esperava uma resposta.

-Eles abandonaram-me Gustavo! – Esclareci – Não sei quanto tempo de vida eu tinha, o facto é que até aos quatro anos vivi num orfanato, sem saber nada deles! Nem sei se temos parecenças físicas ou psicológicas! Não sei mesmo nada sobre eles! Provavelmente pressentiram logo que eu só trazia problemas! – Palpitei com um sorriso infeliz.

-Então és adoptada?

-A Greta e o marido ainda eram casados na altura, e decidiram juntar mais um membro à família. Por pura caridade!

-então ela é como uma mãe para ti? Certo?

-Talvez eu devesse considera-la isso, mas nunca lhe consegui chamar mãe… Foi sempre Greta para mim! – Sorri – Uma espécie de tia, muito fofa e gordinha que fazia-me uns doces deliciosos!

Aproximei-me de uma cómoda que havia à entrada do quarto de Helen, onde se encontrava uma pasta preta. Peguei nela e levei-a para cima do balcão onde estava encostada anteriormente. Retirei o meu portátil para fora e apressei-me a ligar-me à Internet. A sessão no Messenger iniciou sozinha, e Gustavo colocou-se ao meu lado a espreitar o ecrã.

Fez uma careta confusa ao ver a minha lista de contactos:

-Tens algum amigo que não esteja Bloqueado?

-Claro que tenho! – Exclamei movendo o rato – A Helen!

Gustavo riu um pouco com a minha resposta. Estava incrédulo com o meu sarcasmo.

Roubou-me o rato da mão, e sem eu ter tempo de o recuperar começou a desbloquear todos os contactos on-line!

Quase gritei de fúria com aquele acto!

Tentei prender-lhe os braços, trepar as suas costas, amordaça-lo, mas nada resultou! Quando dei por mim, as janelas de conversações começaram a preencher o ecrã e a soltar apitos irritantes.

Nem precisei de ler o que os meus ex-colegas diziam, Gustavo tratou de citar-me tudo:

-Ana diz:

Lana! O que te aconteceu?

Bia diz:

Olá Lana! Onde tens estado?

Ritinha diz:

Lana! Finalmente! Já pensei que tinhas morrido!

André diz:

Lana?! És mesmo tu rapariga?! O que se passou?

Carlota diz:

Oh Lana, que saudades! Desapareceste do mapa!

Eduardo diz:

Oi Lana! Já não te vejo à muito! Ouvi dizer que mudaste de cidade? O que aconteceu?!

Bruno Diz:

Então miúda?! Desapareceste sem deixar rasto?! O que aconteceu naquele dia?!

Débora diz:

Laninha! Embaracoso Onde estás? Porque saíste da cidade sem te despedires de nós?!

-Desliga isso! – Ordenei desesperada.

Gustavo olhou para mim baralhado e incrédulo com todas aquelas mensagens! O computador continuava a dar sinais sonoros de cada vez que eles escreviam alguma coisa, até que todos juntos abriram uma só janela de conversação.

De repente Cristina iniciou sessão! A minha única reacção foi fechar o Portátil com violência a mais:

-Eu disse-te para desligares, seu parvo! - Berrei novamente transtornada – Custava-te muito?!

Comecei a arrumar todos os cabos e objectos dentro da pasta negra, evitando fazer alguma loucura contra Gustavo.

Tinha atingido o auge do meu stress! Um passo em falso e Gustavo sofreria as consequências da minha fúria!

-De que é que aquelas pessoas estavam a falar?!

-Não te interessa!

-Tu saíste da cidade sem eles saberem?!

-Já disse que não tens nada a ver com isso! Não tinhas o direito de os desbloquear!

Cerrei os punhos com tanta força, que quase espetei as minhas unhas na pele. Estava fula e completamente doida com o que ele fizera! A raiva percorria-me:

-És um idiota! – Acusei – Porque é que o fizeste?! Eles não mereciam!

-O que é que eles te fizeram de mal?!

-Tudo o que tu me perguntas não é por pena ou solidão, apenas porque queres saber a minha vida toda, mas este golpe foi muito baixo! Tu não os podias ter desbloqueado da minha conta!

-Eu pensei que…!

-Tu pensas de mais!!!

Embati com as minhas mãos no computador e este ia caindo ao chão, mas Gustavo apanhou-o a tempo! Eu esfreguei os olhos para impedir algum tipo de choro e atravessei-o rumo ao meu quarto, com a respiração ofegante e sofrida. Ele seguiu-me e entrou comigo sem eu me dar conta a tempo de o trancar lá fora. Sentei-me na cama e flecti os joelhos para apoiar a minha cabeça neles e não ter de olhar aquele curioso.

-Também te contei a minha história! É a minha vez de te dar apoio!

-Não é nada! – Balbuciei – O único apoio que me poderias dar era se não te metesses nos meus assuntos!

As suas mãos quentes agarraram os meus ombros com leveza e sacudiram-me vagarosamente.

Espreitei Gustavo por entre o meu cabelo e pude ler o seu rosto perfeito. Ele estava determinado, confuso, e até mesmo preocupado! Mas não! Eu não queria contar tudo! Não queria!

-Diz-me! Diz-me o que és! Diz-me o que é que aquela gente te fez!

-Eles abandonaram-me! – Admiti levantando o rosto juntamente com um pulo que me deixou de pé – Aqueles monstros são uns ingratos que não merecem nada! Deixaram-me sozinha quando eu mais precisei!

-Porquê? O que é que eles fizeram, Lana?! Diz-me por favor!

-Eu já te disse o suficiente!

-não! Eu quero saber desde o início!

-Eu não posso contar! Tu não vais perceber!

-Juro que vou! Conta-me a tua historia… Confia em mim uma vez na vida…!

Respirei fundo e fechei os olhos com força. Não sabia o que deveria fazer! Se fosse esperta teria inventado uma história qualquer que o deixasse de pensar no assunto, mas já tinha falado de mais quando referi que aquelas pessoas me tinham abandonado como lixo!

Estava prestes a dar um grande passo, que poderia dificultar-me a vida, ou talvez facilita-la, o que parecia ser a opção mais improvável!

Se Gustavo reagisse mal, nesse caso não seria necessário pensar muito no assunto! Saia da cidade num ápice e ele nunca mais ouviria falar de mim! O único senão desse plano era Helen, que seria obrigada a vir comigo e abandonar tudo aquilo que queria construir profissionalmente naquela cidade!

Se tudo corresse bem, eu própria faria questão de agradecer a Gustavo por me escutar!

-Eu vou entender-te! Não tenhas medo! – Repetiu ele.

-Por onde começo?... – Perguntei séria e deprimida.

-Pelo inicio!

-Existem demasiados inícios na minha vida! Não é fácil escolher um!

-Muito bem! – Disse pacientemente – O que te fez mudar de cidade? Foram aquelas pessoas? Eram os teus amigos?

Reflecti sobre como interligar tudo de forma resumida.

Voltei a respirar fundo e sentei-me novamente na cama, encostada à sua cabeceira. Gustavo sentou-se ao meu lado e encostou a sua cabeça à minha:

-Sendo adoptava, nem sempre sou percebida pelas outras crianças… – Comecei, dizendo o óbvio, sem trocar olhares com Gustavo que me escutava em profundo silencio – No entanto, nunca ninguém fez juízos de valor a esse respeito. Até ao 9ºano, andava numa escola não muito diferente desta! Eram pessoas simples, que moravam em pequenas aldeias. Eu tinha um grupo bastante alargado de amigos, e sem dúvida que faria tudo por eles. – Recordei, iniciando a minha dor – Quando mudei para o secundário, optei por uma área comum entre os meus colegas, apesar de não gostar lá muito daquilo! Felizmente tudo corria bem! As minhas amigas continuavam excelentes, o nosso grupo tinha-se alargado, e as minhas notas eram razoáveis… O problema começou quando eu comecei a sentir dificuldades numa disciplina. A Greta fez questão de me inscrever em explicações, por muito que eu não quisesse, e lá fui eu contrariada!

-O que é que isso tem a ver com eles te abandonarem?!

-Já vais entender… – Anunciei com uma dor a corroer-me todo o corpo, nomeadamente as costas – As explicações eram privadas, e eram dadas por um homem… – Estremeci só de pensar naquele monstro assustador. Os meus olhos ardiam com as recordações daquele dia negro da minha vida – ele era simpático, e até que nem explicava mal… mas eu não entendia os seus sinais…!

Mordi o Lábio com força e esfreguei o meu peito com a mão. Eu odiava recordar aquela história!

-Sinais de quê?! – Perguntou Gustavo sem acompanhar direito o motivo do meu medo.

-Ele olhava-me de cima a baixo…! Ele dizia coisas que não faziam sentido acerca de mim! …

-O que é que ele te dizia?!

Puxei uma madeixa do meu próprio cabelo e desenhei uma imagem de terror na minha face, enquanto me preparava para continuar a contar o meu pesadelo.

Gustavo acariciou-me o cabelo para me dar força. Provavelmente ele já começava a raciocinar sobre tudo.

-Ele Assediava-me indirectamente! – Exclamei aterrorizada – Eu sempre fui uma tapadinha! Nunca percebia o que as pessoas queriam dizer! Não era capaz de detectar quando duas pessoas gostavam uma da outra! Se for a ver, nem agora sou capaz de entender se alguém está interessado em alguém! Para mim todos os acontecimentos da vida eram naturais! Aconteciam sem razão de ser! Como se o agente da acção também não se apercebesse do que estava a fazer!

-Isso é um pouco estúpido, não?!

-para ti é, mas para mim continua a ser assim! Eu sou observadora, mas se alguém gosta de mim, eu ou fico com a mania da perseguição, ou pelo contrario, não sou capaz de o decifrar! E foi isso que levou a minha situação até aquele ponto! – Sentia-me contrariada com essa minha falta de atenção invulgar – Eu não percebia que ele dizia coisas estranhas e que se tentava aproximar de mim! Na minha cabeça, ele só estava a ser simpático!

-Mas então… O que é que ele fez?...

-Ele deixou-se de rodeios e disse de uma vez que não me ia deixar em paz enquanto não me “tivesse”! Quando ouvi isto nem pensei duas vezes! Evitei a todo o custo as suas aulas, mas Greta queria-me obrigar a ir! Então tive de recorrer aos meus amigos! - Confessei desiludida, com os olhos ainda cerrados – naquele dia havia um baile de primavera na escola… mas eu tinha explicações naquela hora, pelo que só poderia aparecer lá mais tarde…

-Tu foste à aula?! – Interrogou Chocado, com uma voz de repúdio – Mesmo depois de ele te dizer aquilo?!

-Eu fui obrigada! Eu pedi ajuda ás minhas amigas, incluindo algumas daquelas que estavam no MSN!

-E elas?

-“Oh, és paranóica! – Citei com voz mais fina – achas mesmo que vamos perder a festa para te ajudar em algo sem qualquer sentido?!”

-Elas não te ajudaram?!...

-Elas até gozaram comigo! E eu não tinha saída possível! A Helen até pediu ao meu professor para me dar a aula na escola, para que depois eu pudesse ir directamente para o baile! Eu fiquei um pouco mais aliviada! Tinha por onde fugir! – Expliquei – então, quando cheguei à sala combinada, dirigi-me a uma carteira, Mas antes de me sentar olhei para a porta. Recuei até ela para tirar a chave da fechadura, e tal como eu temia, quando ele entrou e fechou a porta, procurou a chave. Queria-me trancar de certeza, mas eu tinha pensado nisso antes. Ele sentou-se ao meu lado e eu fiz de conta que não se passava nada. Tinha de ser esperta ao máximo e impedi-lo de me seguir, por isso não precisei de pensar muito no assunto!

-Como assim?! O que é que fizeste?

-Fingi que deixei cair a caneta ao chão… Sabia que ele usava sapatilhas quase sempre, e naquele dia não foi excepção. Tentei atar-lhe os cordoes à perna da mesa, mas não consegui. Sei que era uma ideia parva, típica de filme, mas naquele momento eu só queria fugir, mas ele, não sei como, sabia o meu ponto fraco e tocou-me nas costas! Eu senti aquela dor com mais intensidade do que nunca…!

-Que dor?! – Perguntou ele cada vez mais espantado com a minha história, enquanto passava a sua mão com mais força pelo meu cabelo castanho.

Começava a sentir o seu stress em relação a tudo o que eu lhe estava a dizer.

Peguei na sua mão e desencostei-me da cabeceira da cama. Conduzi-o até à zona em que o meu soutien se apertava e fi-lo sentir a minha pele naquele lugar.

Ele estremeceu e eu gemi.

-Está mais quente do que tudo o resto…! – Deduziu espantado, continuando a passar a mão levemente – E a pele… parece que está mais elástica aqui…

-Tu não imaginas como isso me dói! – Murmurei num fio de voz, quase sem ar.

Ele retirou a mão rapidamente ao aperceber-se de que eu realmente sofria com aquele toque:

-O professor tocou-me durante muito mais tempo do que tu, e a mão fria dele era como uma faca de gelo a roçar em mim! Eu nem me conseguia mexer. Quase não conseguia respirar, e continuava vergada na cadeira!

Voltei a encostar-me a Gustavo, e ele voltou a mexer-me no cabelo, sem saber que eu ficava totalmente ensonada com aquele acto.

Continuei, tentando manter-me dispersa

- Assim que ele tirou a mão eu não hesitei! Num simples segundo corri para a porta e abri-a. Ele seguiu-me enervado! Eu ainda estava tonta devido ás dores, mas conseguia correr pelos corredores sem luz, com mais velocidade do que ele!...

-Escapaste?!

-Não! – Admiti Com as mãos a taparem-me o rosto – as portas dificultavam-me a passagem e davam-lhe terreno! As ultimas portas que atravessei davam ligação directa aos balneários, e a partir da aí só havia uma porta para o exterior … E essa estava trancada á chave! Andei ás voltas enquanto ele me seguia com um sorriso de escárnio a adornar-lhe a face suja! Parecia um lobo, desejoso de comer a sua presa! Atirei alguns cacifos ao chão para lhe impedir a passagem, e tentei esconder-me… mas sabes como se diz… “Podes fugir, mas não te podes esconder…”

-Lana… Eu nem acredito… - Murmurou ele, nitidamente sensibilizado com o que eu lhe estava a contar - Ele fez-te mal?...

-Não… não conseguiu! – Sorri de alívio com uma lágrima a lavar o rosto – Ele aproximou-se de mim lentamente, com o olhar divertido e com o mesmo sorriso vitorioso e esfomeado. Eu só tive como reacção esconder-me nos meus braços! Tapei a cara com as mãos e encolhi-me toda… Mas fez-se luz naquele lugar!... As portas abriram-se de repente, e três polícias entraram acompanhados por um cão, cada um com uma arma apontada ao monstro! Eu chorava exasperadamente, e Fui surpreendida pelo abraço de Helen! Não sei como é que ela soube do que se passava, nem como é que a policia descobriu que eu corria perigo, mas conseguiram salvar-me… Temporariamente…

-temporariamente?! Há mais?!

-Eu não completei o 10º ano… Este ano mudei de escola sem sequer me despedir dos meus supostos “amigos”, e entrei para uma secundaria bem no centro da cidade! Passaria despercebida num sitio tão frequentado, e até estava a gostar daquele ambiente! As pessoas podiam não ser muito simpáticas, mas os locais eram agradáveis. Claro que depois do que aconteceu não deixava que muita gente se aproximasse de mim, com medo de ser novamente traída…

-Como fazes agora?...

-Acho que na outra escola não houve ninguém que me fizesse contar tudo, como tu!

-Se calhar passavas despercebida!

-Pois passava… – Admiti – Mas o pesadelo não tinha terminado… Comecei a receber mensagens anónimas no telemóvel que me chantageavam e faziam ameaças!

-Mas aquele homem não tinha sido preso?!

-Sim, ele foi, mas pelo que percebi, ele não estava sozinho no estratagema… Eu não sei o que queriam de mim…Não sei o que é que eu tinha de invulgar para chamar tantas atenções…

-A roupa? – Supôs.

-Eu não me vestia assim! Estas roupas são muito recentes! – Proclamei – Eu mostrei as mensagens à Helen, e em família tomamos uma decisão! Eu e a Helen íamos desaparecer sem deixar rasto! Decidimos, que para passar ainda mais despercebida eu teria de me “mascarar”, fingir ser alguém que não sou… Camuflagem! – Relembrei-lhe – Enquanto usar estas roupas ninguém me reconhece! Tu viste aquela foto minha! É completamente diferente do que sou agora! Mudei tudo, até mesmo o meu número de telemóvel! Eu não devia sequer contar-te tudo! É muito arriscado!

Entrei em silencio profundo e respirei fundo enquanto lagrimas finas escorriam pela minha face com lentidão. Agora só podia rezar por uma boa reacçao da parte de Gustavo.

-Podes confiar em mim… – Assentiu ele com uma voz dura e nostálgica apertando-me contra si – Agora que sei de tudo, não vou fazer com que todo este trabalho para te esconderes vá por agua abaixo… Será como se nunca me tivesse metido na tua vida… prometo…!

Fechei os olhos.

A sua massagem capilar tinha-me deixado sem forças para me levantar. Restava-me o sono.

Contorci-me um pouco para mudar a minha posição.

Fiquei mais deitada do que estava, com a cabeça sobre o peito dele e as mãos a segurarem a sua camisola. Enterrei o meu nariz no tecido da sua roupa para poder respirar somente aquele perfume saboroso.

Não foi preciso muito para a minha mente ficar adornada com imagens e historias surreais.

Tinha a certeza que estava a dormir, mas por outro lado, também tinha noção de tudo o que havia no meu quarto, ate mesmo dos sons, movimentos e cores.

Contudo, toda essa lucidez em relação ao que me rodeava misturava-se facilmente com os meus sonhos e fantasias, que eu criava involuntariamente ao estar de olhos fechados.

Sentia um certo calor dentro de mim, que me fazia sorrir em pensamento, e talvez também por fora. Sentia os meus lábios mais quentes do que o habitual, e macios como nunca. Sentia algo a aquece-los, algo também macio que servia como um cobertor para a minha boca. Não fazia ideia do que se passava no exterior para me sentir assim, mas não queria acordar para que tudo acabasse de repente.

Ouvia frases sem contexto, que não conseguia interpretar. Talvez fossem alucinações do meu sonho…

As imagens criadas na minha cabeça eram geométricas e confusas, que se alteravam rapidamente, assim como a cor, que passava do vermelho para o amarelo, do amarelo para o azul, do azul para o verde, do verde para o preto, e sempre nesta troca confusa e sem sentido.

Só conseguia aperceber-me dos cheiros.

O perfume de Gustavo estava a desaparecer para meu descontentamento, mas o cheiro da erva húmida tomava o seu lugar, o que não me deixava incomodada de todo, pois substituía as imagens indecifráveis por paisagens absurdas e exageradamente perfeitas para serem reais. Conseguiam ser ainda mais belas do que a minha fiel cachoeira, o meu local especial, que se não fosse o tonto do rapaz que me perseguia a mostrar-me, eu nunca teria descoberto.

Sentia-me totalmente plena por ele não ter desistido de mim com facilidade, pois revelou-se alguém confiável, que apesar de indiscreto sabia respeitar os outros. Talvez ele fosse o rapaz com quem eu já falara mais, apesar de só o conhecer há uma semana. Ele sabia deixar-me à vontade para conversar e não me criticava como os outros todos com quem eu já tentei conviver antes. De facto, nunca tive coragem para me abrir com rapazes. Fugia deles a sete pés, com vergonha de mim mesma.

Mas agora era diferente.

Não me sentia parva ao falar com ele, pelo contrário, sentia-me importante e melhor! Ficava aliviada de cada vez que lhe contava algo sobre mim, como se estivéssemos a dividir um peso que estava preso nos meus ombros.

Ele era realmente bom para mim… Ele era um primeiro “amigo” a quem eu me podia confessar sem medos…

Todas as minhas confissões seriam entregue a ele… Por muito tempo, esperava eu…



FIM

[Esta imagem já não existe]



lol, tou a brincar!

Bem espero que tenham gostado da historia da Lana! [Esta imagem já não existe] É um bocado estupida mas nao tenho cabeça pa mais! Matreiro

bjokas
as minhas fic's:
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
-Angelical
Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^
#147
*karen lê FIM*
*karen assusta-se*
*karen respira de alívio ao ler o resto*

Lanazinha!! A tua história é tão triste que me ia fazendo chorar Crying or Very sad Mas o Gustavozinho está sempre para dar uma mãozinha. Ai ele é tão fofo!! [Esta imagem já não existe]
Olha que eu quero um final muito bonitinho e happy para a história! É que isto MERECE MESMO!!!

Ritinha? Será que conhecemos a mesma pessoa? Hum, uma rapariga de cabelo castanho e olhos azuis? HUMMMMMMM...mmm...mmm

Olha que eu prometo mandar-te queijadas da graciosa se isto correr bem, hã! E M&M's!! E carradas de cap's da minha fic!! E quem sabe a continuação numero dois!
#148
Que história tão linda lulu! amei muitos parabéns é pena ter terminado...

quando começas outra? Matreiro escreves tão bemmm!

http://yunime.ativoforum.com/
Aparece e diverte-te ^^
Novas novidades irão aparecer fica atento :) 
#149
Obrigada Karen! Tipo, o gustavozinho é muito keridinho, mas tambem tem as suas pancas! Em breve vais entender porquê! Matreiro
por acaso a ritinha que conheço tambem tem cabelo castanho e olhos azuis, mas duvido que seja a mesma! Matreiro

Zirateb - obrigada pelo comentario, é bom saber que tenho mais uma leitora, mas estás a fazer confusao, a fic ainda nao acabou, eu estava a brincar! Matreiro Isto ainda vai dar muitas voltas! Toma toma

bjokas e obrigada pelos comensts meninas! Embaracoso
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#151
Que capítulo mais lindo! Surprised.o: Lulu, surpreendeste-me!! A história da Lana é um bocado "filme", no entanto, há casos assim na vida real (fora o toque nas costas que perdura na pele...). Estou ansiosa por saber o que irá acontecer a seguir. Ela tem alguem a trás dela? Ai, que medo!! :Pensativo: Mas o Gustavinho vai protege-la de tudo o que aparecer à sua frente! xDD
Ele é o Cavaleiro num Cavalo Branco, prestes a salvar a Princesa cativa por um dragão :Matreiro:

Agora há coisas que fazem mais sentido e já consigo imaginar mil e um motivos para andarem atras dela. Talvez ela seja filha de certas pessoas e tenha um dom o algo do genero.. Os papas, querendo proteger a filhinha, abandonaram-na! É só uma ideia, mas é a melhor para "suavizar" a história da Lana com os pais.


Eu acho que aquela sensação quente, foi o Gustavo a beijá-la... e ela a dormir xDD Esta Lana é mesmo irreal!

ADOREI este capítulo. Valeu a espera. Retrataste os sentimentos da Lana na perfeição. Gosto bastante da forma de como esta história é escrita: na primeira pessoa, mas sem ignorar os sentimentos da propria. Como um diário!

Espero por mais! study
Espero por ti em cada segundo , porque tu és o meu mundo!




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#152
Karen - nao é silva! Toma toma é Senra! lool Ah que bom, prendinh! Tenho que ir ver!
Aninhas, os teus comentarios sao sempre um regalo pos olhos! Matreiro
Vah, ate que nem estás longe da verdade sobre a lana, mas ainda existem segredos que ela nao contou, nem vai contar tao cedo!
O Gustavo acho que vai surpreender nos proximos 2 capitulos, mas devo admitir que sao mais chatos, pelo menos para mim foi horrivel escreve-los! Mal disposto'
E sim, a cena que a lana sentiu foi um beijo, mas ela so vai descobrir isso muuuiiito la pra frente! lol

obrigada pelo apoio e pelos elogios!
bjokas
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Editado pela última vez em

#154
lulumoon escreveu:Karen - nao é silva! Toma toma é Senra! lool Ah que bom, prendinh! Tenho que ir ver!
Aninhas, os teus comentarios sao sempre um regalo pos olhos! Matreiro
Vah, ate que nem estás longe da verdade sobre a lana, mas ainda existem segredos que ela nao contou, nem vai contar tao cedo!
O Gustavo acho que vai surpreender nos proximos 2 capitulos, mas devo admitir que sao mais chatos, pelo menos para mim foi horrivel escreve-los! Mal disposto'
E sim, a cena que a lana sentiu foi um beijo, mas ela so vai descobrir isso muuuiiito la pra frente! lol

obrigada pelo apoio e pelos elogios!
bjokas

Como? O Gustavo não lhe vai dizer que a beijou? O_o Isso é estranho, logo ele que adoraria se gabar Toma toma
Eh pois, as minhas ideias tão sempre proximas das originais. Tenho cada uma (nem sabes o que o eu sonho xDD)
Como é que os capítulos serão chatos? :Chocado: Nas minhas fanfics, isso aconteçe quando alguém explica algo a alguém (pois, as minhas historias têm grande misterio Razz). Mas se o unico misterio da tua fanfic (Lana e Companhia) só será desvendado lá pra frente, atão o que irá surgir no proximo capítulo??
Espero que seja uma coisa lamechas... Surprised.o: preciso de levantar os astral! Toma toma

Vá lá, não demores muito a escrever! :jasmin:
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Editado pela última vez em

#155
mim suspira "ai aquele Gustavo é tão crido que me dera conhecer um rapaz como ele"

a tua fic esta cada vez melhor fique com pena da Lana pobrezinha teve um passado para esquecer, para não falar que os pais a abandonaram. Mas secalhar os seus pais tiveram algum motivo mais forte para terem feito o que fizeram, fico para saber o resto. espero por um novo capitulo
a minha primeira fic "AS FILHAS DA LUA"passem na minha fic e comentem XD

Traços do destino

visitem o meu forum http://eterna-sailor-moon4.forumeiros.com/forum.htm
#156
Hum.... esta fanfic já não tem actualização há muito! Deve ser devido aos testes porque nem eu tenho conseguido escrever nada.
Mas espero um novo capítulo. Doí muito saber que depois de estudar Biologia venho pro forum e não há fanfics actualizadas.. (ok, ok, muito drama... mas acho que só assim te convenço Matreiro)
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#157
oi pessoal! venho cá fazer um pedido de desculpas por nao actualizar a fic, mas nao tenho net em casa e so consegui vir agora ao forum cá na escola!
Em breve venho ca postar a fic!
Perdoem-me! Embaracoso'
bjokas
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#158
oi pessoal! Bem que saudades! lol
Vim trazer um capitulo novo, é um pouco chato, tal como o proximo, mas como ja nao vinha cá há muito tempo, vou posta-lo completo.

Boa leitura Razz



VII – Abandonada




-Oh não!!! O teste de biologia!

Levantei-me da cama, enroscada num cobertor, e enleada tentei calçar-me à pressa.

Mal me lembrava do que tinha acontecido, só me lembrava do teste de Biologia que tinha de fazer naquela tarde.

Dei passos apressados e confusos na direcção da porta do quarto, mas os cordoes desapertados e o andar à caranguejo fizeram-me cair de frente no chão com grande violência! Bati com o queixo, e ainda por cima dobrei o pulso todo. Que dores infernais que me estavam a atrasar! Tentei levantar-me à pressa, mas o chão parecia ter sido coberto com gordura e eu voltei a cair, desta vez de rabo!

A porta do quarto abriu-se bruscamente e fez Helen aparecer, com uma cara de preocupada:

-Lana, que aconteceu?! - Perguntou preocupada, dando-me a mão para eu me levantar

-Caí…! – Respondi durante um bocejo.

Helen riu-se um pouco da minha situação, enquanto em tentava passar por ela para ir buscar a minha mochila. Eu estava atordoada, sem sentido de orientação absolutamente nenhum, e ela seguia-me com os olhos, sem entender o que eu procurava:

-O que se passa?!

-Tenho de ir fazer o teste de biologia!

-O quê?! Estás doida!

-E o que é que tu fazes em casa a esta hora?!

-Lana, tu por acaso sabes as horas?!

-Devem estar quase a ser três da tarde! – Afirmei atravessando a cozinha – Tenho de me despachar! Dás-me boleia?!

-Lana, são…!

Abri a porta de repente, mas para minha surpresa o céu já estava escuro e estrelado. Só se ouviam os grilos e o vento a soprar forte por entre as árvores, provocando um som sinistro e assustador.

-Estão quase a ser onze da noite! – Anunciou Helen, enquanto me puxava pelo braço – Tu faltaste ao teste?! O que estiveste a fazer de tarde?!

-Eu… eu acho que adormeci – Reflecti, enrolando o cabelo no dedo indicador com um ar pensativo.

Comecei a recordar o que fizera durante a tarde, com uma certa dificuldade que já era costume em mim. Lembrei-me primeiramente de estar toda molhada devido ao banho que tive na cachoeira. Depois recordei a longa conversa que tive com Gustavo! Tinha lhe contado tudo sobre mim! Só esperava não me arrepender de o ter feito!

De repente levei os meus dedos à boca.

Acariciei levemente os meus lábios e semicerrei os olhos, tentando recordar que sensação foi aquela que senti. Não me lembrava do meu sonho. Não sei o que tinha causado aquela sensação estranha e indecifrável.

Helen abriu a porta do armário para pegar em pratos, e bateu-a com força, fazendo-me voltar à realidade. Sentei-me com ela à mesa, e jantei o que ela tinha preparado para mim, sem nada proclamar.

Ela despediu-se e foi para a cama. Eu segui-lhe o exemplo assim que lavei a minha loiça.




Na manha seguinte fui a primeira a vestir o fato de banho!

Apesar de não ter dormido muito de noite, devido à minha falta de sono, sentia-me mais energética e renovada do que nunca! Não tive pesadelo absolutamente nenhum durante a noite, nem dores nas costas desde que Gustavo lhes tocou.

Sentia-me totalmente nova, e incrivelmente alegre naquela manha!

Não conseguia manter-me quieta nos balneários! Andava de um lado para o outro, à espera que Liliana, Natacha e Rebeca se acabassem de preparar. Elas olhavam espantadas para a minha hiper-actividade naquele momento, e começavam a ficar um pouco frustradas com aquela inquietação:

-Ok, estou pronta! – Afirmou Natacha – Agora podes parar, Lana?

-Vamos! – Exclamei sem ligar ao seu comentário.

Ultrapassei-as a todas, e avancei rapidamente para a piscina!

Elas três correram na minha direcção para me apanharem, e saltamos todas para a água, salpicando o chão todo. Coloquei-me de barriga para cima, e movi os braços lentamente para nadar de costas:

-Vamos nadar até ao outro lado! – Sugeri.

-Nem penses! – Protestou Liliana agarrando-se à margem.

Pus-me novamente direita e corri até ela.

Puxei-lhe o braço e fiz uma carinha de anjo para que ela cedesse ao meu pedido:

-Vá lá! Tens de perder esse medo!

-Não! Vão vocês, eu fico aqui!

-Oh, deixa-te disso! – Exclamei puxando-a com mais brusquidão – Vem comigo!

A minha força desajeitou Liliana, e acabamos por cair as duas com a cabeça debaixo de água. Lili esperneou-se, e eu abri os olhos de repente, atrapalhando a minha respiração. Ela voltou à superfície e eu fiquei imobilizada à sua frente, ainda debaixo de agua. A minha visão na semana passada não tinha sido apenas uma alucinação da falta de ar. Pela segunda vez eu voltei a ver um rabo de peixe cor-de-laranja! Senti-me a ser elevada até à superfície por alguém, mesmo sem eu querer. Tirei os óculos de água e olhei para Liliana estupefacta:

-O que… O que era aquilo?!

-O quê?! – Perguntou Rebeca atrás de mim.

Voltei a mergulhar a minha cabeça, mas para meu desagrado, aquela cauda tinha desaparecido. Eu estava a ver coisas?

Voltei à superfície, e fixei o meu olhar em Liliana. Ela mostrava uma cara zangada, e eu continuava perplexa:

-Sentes-te bem, Lili?... – Perguntei.

-Não! – Exclamou irritada – Porque me fizeste aquilo? Já devias saber que eu odeio estar debaixo de água!

-Porquê?

-Sei lá! – Respondeu cruzando os braços em tom amuado – Mas não voltes a fazer isso!

-Eu só queria que te libertasses! – Lamentei, ainda atordoada com o que vira.

O estridente som do assobio do professor fez-me saltar para o lado. Aquele barulho era extremamente irritante, ainda para mais quando eu estava perto dele!

O professor começou a fazer a chamada, com o livro de ponto na mão. Ele não dizia os nomes, apenas citava o número, e como eu era nova na turma, era a ultima aluna a ser chamada, pelo que ainda tinha de esperar um bom bocado.

-Numero 12! – Chamou pela segunda vez – numero 12!? Quem é o numero doze?!

-O número 12 é o Gustavo, não é? – Perguntou Rebeca baixinho.

-Acho que sim! – Respondeu Natacha.

Eu olhei em meu redor à procura dele, porem, via muitos rapazes de calções vermelhos, excepto ele.

Senti-me um pouco triste por ele não estar presente, como se sem ele ali, a aula perdesse toda a piada.

Mas onde é que ela estaria? Será que estava doente?

Baixei as minhas sobrancelhas e rodei os olhos para o chão azulado da piscina. Estava preocupada com a sua ausência, e estava ainda mais infeliz!... Agora que lhe revelara todos os meus segredos, já não aguentava sem ele ao meu lado… Que estupidez!... E no entanto parecia que era mesmo assim que eu me sentia…

Esbocei uma careta amuada quando o professor lhe marcou falta. O meu dia estragou-se por completo.

-Pode ser que ele venha a Biologia! – Afirmou Liliana sem se aperceber do meu estado.

-Provavelmente adormeceu! É tão típico dele! – Troçou Natacha.

-Bom dia boneca! – Saudou uma voz masculina atrás de mim.

Subitamente esperancei que fosse ele, mas a voz não era a mesma. Natacha voltou-se para trás e agarrou-se ao portador desse timbre, com um enorme sorriso nos lábios:

-Bom dia, amor! – Exclamou, com um tom alegre e feliz.

Virei-me na sua direcção a fim de saber quem era o seu amado.

Fiquei surpreendida com o que os meus olhos viram. Sérgio segurava-a pela cintura, bem apertada contra o seu corpo molhado, enquanto ela se mantinha presa a ele com os braços a rodearem-lhe o pescoço grosso. Preparavam-se para darem o beijo que acabaria com as minhas dúvidas, mas o apito voltou a produzir um ruído forte que até eles próprios saltaram com o susto.

-Namorar é lá fora! – Criticou o professor – Chamei por ti Natacha! Presta mais atenção ou levas falta!

-Desculpe stor!

-Numero 23!

-Presente! – Exclamou Sérgio, ainda agarrado a ela.

O professor mudou de número, e mais uma vez eles entreolharam-se:

-Onde é que nós íamos?

Sérgio sorriu-lhe, e pela segunda vez as suas bocas aproximaram-se.

Virei o rosto antes de eles se beijarem! Seria estranho eu estar a olha-los naquele momento, se bem que a curiosidade era muita. Não fazia ideia que eles os dois namoravam, ou até se gostavam um do outro.

Lancei um olhar duvidoso a Liliana, e ela afastou-se um pouco juntamente com Rebeca a fim de os deixar à vontade. Por fim o professor chamou por mim. Limitei-me a erguer o braço no ar.

Ele voltou a soprar no apito e deu as instruções para a aula de natação. Mais uma vez Liliana ficou na margem, a fazer pequenos exercícios, enquanto que os restantes alunos faziam piscinas de diferentes estilos de natação.

Durante toda a aula, não consegui tirar Gustavo da cabeça. Queria muito que ele viesse à escola. Por muito que eu não quisesse admitir ele ia-me fazer falta durante o dia, pois era imensamente aliviante ter alguém que soubesse o meu segredo, alguém que não me achasse estranha quando eu fizesse algo invulgar para os outros. Já não conseguia imaginar o que ia fazer durante o dia sem as suas perguntas estranhas! Parecia tudo demasiado secante sem ele!

Mas o mais estranho era esta estranha dependência por ele!

Eu não queria afeiçoar-me demasiado, para mais tarde ele me desapontar, contudo, sentia que, apesar de só ter passado uns dias, eu já estava demasiado presa a ele! Era uma sensação absolutamente estranha para mim! Nem sei porque é que ele me despertava esta sensação, afinal de contas, era só mais um colega de turma, que caminhava na direcção da minha possível amizade duradoura!

Este tema ficou-me na cabeça durante toda a aula, que apesar de cansativa para os outros, passou rapidamente para mim, devido à minha falta de atenção para com os meus movimentos aquáticos. Quase nem me apercebia do que estava a fazer, só conseguia pensar nele, e no que faria se ele faltasse!

Ainda debaixo de água, escutei o apito, e vim à superfície. Começaram todos a sair da piscina, rumo aos balneários, e eu não fui excepção. Atravessei o pavilhão desportivo, rodeada pela multidão de raparigas, e rapidamente tirei a touca da cabeça, soltando o meu cabelo, felizmente, ainda seco.

Um braço gelado e fino engatou no meu membro superior, para me acompanhar. Rebeca também já tinha retirado a sua touca e os óculos, quando entramos pela porta cinza do balneário. Lili vinha atrás de mim, a falar para Laura e outra rapariga chamada Verónica:

-Que carinha é essa, Lana? – Questionou Rebeca atenciosamente – Pareces pensativa… E triste… – Concluiu.

-Pensativa, sim, triste, não!... – Respondi, tentando parecer alegre – Nossa, estás gelada! Parece que tomaste banho em gelo!

-Oh, eu sou assim! É para combinar com a magreza!

Desenhei um sorriso, olhando para ela de cima abaixo. Mesmo que fosse anoréctica, tinha noção de que era magra, o que geralmente não acontecia com essas doenças psicológicas. Intrigava-me o facto de ela saber lidar com aquele problema tão naturalmente, e não fazer nada para engordar uns quilinhos!

Uma mão beliscou-me a parte de trás do fato-de-banho.

Voltei-me bruscamente para trás, contendo-me para não esbofetear o atrevido ou a atrevida.

-Bons reflexos! – Afirmou Laura com um sorriso suspeito.

-Não gosto que me façam isso! – Avisei.

Sentei-me no banco onde estavam poisadas as minhas roupas, e ela sentou-se também, ao meu lado. Rebeca sentou-se no colo de Liliana, no meu lado direito:

-Que vais fazer? – Perguntou Verónica

-Quando?

-Durante o dia! – Completou Lau.

-Sei lá, porquê?!

-O Gustavo hoje não está cá…! – Murmurou Liliana, desviando o seu olhar para o tecto.

-E?!... É-me indiferente, se ele está cá ou não! – Declarei fingindo não me importar com a sua presença – Vocês estão com cara de caso!

-Será que está doente? – Palpitou Laura.

-Ele ontem, quando veio para o teste, parecia realmente estranho!

-O quê?! Ele veio fazer o teste de biologia?! – Interroguei em tom de voz alto e furioso, que chamou a atenção das minhas colegas – Nem sequer me acordou! Idiota!

- Acordou?!

-Porque é que ele te havia de acordar?! – Gritou Letícia descontrolada, atravessando todo o balneário para vir ter comigo.

A sua face estava assustadora!

O que é que aquela doida estaria a pensar? Eu nem sequer tinha dito nada de mais para ela ficar tão transtornada!

-Eu adormeci! – Esclareci, como se não fosse óbvio.

-Porquê?!

-Porquê, o quê?!

-Vocês dormiram juntos?!

-O quê?! Estás doida rapariga!

-Então porque é que ele te haveria de acordar?!

-Porque… – Raciocinei sobre uma desculpa que não envolvesse a nossa conversa – Porque eu não me… sentia muito bem, e… Ele levou-me a casa, para eu descansar… E… E eu adormeci, mas esperava que ele… Me acordasse para vir-mos fazer o teste! – Conclui finalmente, depois de alguns gaguejos.

-Ele ficou contigo depois de adormeceres?! – Interrogou novamente, sem esconder o seu ódio por mim.

-Não sei! Estava a dormir, lembras-te?!

-A que horas acordaste então?! – Perguntou Verónica, também desconfiada de mim.

-dez e meia da noite… – suspirei aborrecida – Se ele me tivesse acordado, talvez tivesse conseguido fazer o teste…

-Vais pedir à professora que te deixe faze-lo hoje?

-Claro! Não posso reprovar novamente!

-Que média tens? – Perguntou Rebeca.

-17! – Respondi involuntariamente, enquanto me colocava de pé para pegar no gel de banho

-E reprovaste?!

-Ahm… Eu não estudava nada! – Menti.

Já bastava um aluno daquela escola saber a minha vida; não ia revelar a meia dúzia de raparigas.

A porta do balneário abriu, e por ela entrou Natacha com um sorriso quente a enfeitar o seu rosto leve. Ela sentou-se entre Laura e as outras, ocupando o lugar onde eu me tinha sentado antes:

-Olá! Estavam a falar do quê? – Perguntou alegremente.

-Da Lana! – Respondeu Letícia com um ar enojado. De seguida virou costas e dirigiu-se novamente para a outra ponta do balneário, onde se encontravam os seus pertences.

-E vamos parar de falar desse tema! – Sugeri, procurando a minha toalha por entre as outras peças de roupa dentro que estavam no meu saco de E. Física. Assim que a encontrei, virei-me novamente para elas – Sou mesmo lenta, não fazia ideia que namoravas com o Sérgio!

-Também só começamos ontem! Tu não estavas cá, para saberes!

-Pois, mas acho que outra pessoa teria percebido logo se vocês gostavam um do outro ou não!...

-Pois, realmente… – Murmurou Lau massajando o próprio pescoço, sem me olhar nos olhos – Tu não te apercebes de muitas coisas obvias…

Liliana abafou um sorriso, e colocou-se a pé, juntamente com Rebeca, para se prepararem para o banho. Rebeca também riu um pouco. Eu ignorei-as.

- Acredita que eu sei desse meu defeito!... – Respondi a Laura – É por isso que às vezes gosto que me abram os olhos!

Verónica Percebeu a indirecta, e piscou o olho a Lau com descrição, porem eu apercebi-me do seu sinal.

Laura riu-se um pouco, mas não me fez caso, e foi buscar também as suas coisas para o banho.

Fiquei um pouco inquietada com a situação. Sim, de facto eu era lenta a entender certas coisas, mas não conseguia entender ao que se referia ela. Penso que naqueles dias até estava a captar bem aquilo que as pessoas me queriam demonstrar… mas isso era o que eu pensava sempre…

***

Queria ser a primeira a entrar na sala de aula, para pedir à professora que me deixasse fazer um novo teste. Esperei à entrada da aula, com o olhar fixo nas escadas longas que por momentos me fizeram recordar os filmes e as historias que ouvia no orfanato, todos os dias. Parecia uma simples escadaria, sem qualquer piada, mas na minha mente, toda ela ficava maravilhosamente ilustrada. Ficaria tão bela com um corrimão liso, feito de ouro, e com os degraus em mármore puro. Como nas histórias que eu ouvia, aquela seria a escadaria eterna, que levaria os amados a encontrarem-se.

Desencostei-me da parede, e avancei lentamente até à varanda que envolvia as escadas. Deslizei as minhas mãos pelo metal frio, e enquanto os alunos subiam as escadas pus-me a imaginar como seria se eu fosse especial… Se eu fosse uma princesa…

As minhas roupas seriam diferentes. Abandonaria as calças e as mini saias negras, e substituía-las por longos vestidos rodados e pormenorizados de forma delicada. O meu cabelo teria caracóis adornados por flores, e uma pequena tiara que lhe daria o toque especial. Naquelas escadarias eternas eu esperaria o meu verdadeiro amor, o meu príncipe…

Imaginei-o…

A altura seria mais elevada do que a minha, teria uma estrutura firme e inquebrável, e um tom de pele médio. Os seus braços teriam de ser fortes e protectores, para me acudirem a qualquer momento. A sua face seria perfeita. Lábios desejáveis, sorriso asfixiante, nariz recto, e uns olhos azuis profundos, que me fariam desmaiar só de os olhar. O cabelo… Bem, o cabelo seria, como sempre, loiro, com um corte livre, sem qualquer tipo de produto fixante. Teria as pontas viradas ligeiramente para fora respeitando a sua forma natural, e com algum cabelo a cair-lhe sob a testa lisa.

A imagem de príncipe já se encontrava ligeiramente definida por mim, mas ao contrário do que eu esperava, todas as suas feições resultavam numa espécie de cópia de Gustavo.

Agitei a cabeça para que o meu príncipe assumisse outra forma… Mas ele continuava assim…

Sem alternativa, tentei dar continuação à história das escadas, imaginando Gustavo a ser o meu príncipe…

De espada na mão, pintada com o sangue do inimigo, ele viria à minha procura, com o seu olhar azul preocupado a percorrer todo o espaço. Mas de repente olhava para a escadaria, e no seu cimo iria ver-me a mim, vestida graciosamente, à sua espera. Um sorriso desenhar-se-ia no seu rosto perfeito, e lentamente, subiria degrau a degrau, com algum receio por mim, e talvez também por ele. A três degraus de mim, era eu quem avançava para ele. Descia um, e dois. Um espaço ficava entre nós para nos impedir de cometer algum erro. Contudo, parecia que conseguia sentir a sua respiração cansada, e desejosa de receber uma “recompensa” pela sua procura. Sem mais demoras, ele agarrar-me-ia o pulso com firmeza, mas sem brutalidade, e com a outra mão, acariciava a forma lateral do meu corpo. Eu não tinha forças para fugir, e ele tinha isso a seu favor, pelo que me puxava para mais perto dele. Já sentia a respiração quente, e o hálito fresco a tocarem-me, e também a sua temperatura corporal e o batimento cardíaco a confundirem-se com essas mesmas características minhas. Eu segurava-me nos seus ombros, um degrau acima dele, e ambos arrastava-mos as nossas cabeças até que as nossas bocas se encontrassem e saciassem toda a sua sede! Seria, provavelmente, uma sensação deslumbrante envolver-me nos lábios do meu príncipe… Ou de Gustavo?!

Abanei a cabeça com todas as minhas forças, como se fosse um cão a sacudir-se depois do banho!

Estes não tinham sido pensamentos inteligentes da minha parte. Não faziam o mínimo sentido, até porque nunca se concretizariam, muito menos com Gustavo! Os nossos lábios nunca se tocariam, e eu não me deixaria seduzir por ele daquela forma! Ele próprio não me olhava dessa maneira! Eu era só o seu alvo de perguntas!

-Lana, não vens? – Escutei.

-Lili! – Voltei-me para a porta da sala novamente e desprendi-me das escadas. Toda a turma já tinha entrado na sala – Oh bolas!

-Em que estavas a pensar? – Perguntou acompanhando-me para a sala.

-Nada de jeito! – Respondi.

Aproximei-me da professora, tentando esquecer a minha fantasia idiota. Ela acabara de pousar a sua pasta castanha em cima da mesa, e abriu-a para retirar o seu material:

-Professora, eu ontem não vim ao teste e… queria saber se mo deixa fazer hoje!

-Oh sim, o Gustavo contou-me o que aconteceu!

-Contou?! – Perguntei assustada. O meu coração acelerou ao imagina-lo novamente a beijar-me, e também ao pensar que ele podia ter contado o que acontecera no dia anterior à professora.

-Ele disse-me que tu te sentias enjoada, e que estavas com dores de estômago! – Continuou sem se aperceber da minha reacção – Senteste-te melhor?

-Ahm… Mais ou menos… – respondi. Eu não tinha grande jeito para mentir, mas naquele momento eu estava mesmo com cara de doente.

-Bom, se o barulho da aula te incomodar podes ir para a sala de estudo com uma funcionária

-não é preciso! – Declarei – eu não me importo com o barulho.

-Muito bem, espero que estejas preparada.

Acenei com a cabeça afirmativamente, e dirigi-me ao meu lugar na sala. Ela entregou-me a folha branca cheia de perguntas, e eu comecei imediatamente a ler as questões e a pensar nas respostas. Todavia, apesar de o teste ser simples para mim, por momentos aquela ilusão patética voltava assombrar-me a mente e a desconcentrar-me por completo! O burburinho de fundo dos meus colegas e da professora não se comparavam àquelas visões inoportunas, àquele sentimento estranho e profundo que me tirava toda a capacidade de pensar na matéria que estudei. Cheguei mesmo, a puxar o meu próprio cabelo discretamente para me esquecer de Gustavo, mas parecia que ele vivia na minha mente. Só conseguia esperançar que ele aparecesse na escola a qualquer momento, e nas diversas questões que ele teria hoje para me colocar! Por outro lado, ficava assombrada com a ideia de algo mais acontecer entre nós… Era impossível, eu sei que sim, mas aquela ideia invadia-me por completo! Oh, que drama!

Sem pensar nas consequências, dei uma forte cabeçada na mesa para recuperar o bom senso. A professora e alguns colegas olharam-me assustados, e eu, sem saber o que dizer, massajei a minha testa, dorida pelo choque:

-Estás bem Lana? – Perguntou Liliana estupefacta.

-Ah… Eu só estava a pensar numa resposta do teste que não me lembrava! – Menti, continuando a esfregar a minha testa – não se preocupem!

Rapidamente virei o rosto da direcção da folha de teste, envergonhada com a situação e sem coragem para encarar todos aqueles olhares incididos em mim.

Voltei a reler as perguntas que me faltavam, e tentei recordar a matéria. Voltei a escrever as minhas respostas, e acabei o teste mesmo na hora de saída.

Levantei-me para entregar a ficha de avaliação à professora e arrumei as minhas coisas na bolsa, enquanto Liliana e as outras esperavam por mim. Era impressão minha, ou durante aquele dia, o nosso grupo tinha-se alargado, devido à presença de Lau e da rapariga de cabelo castanho ondulado que a acompanhava sempre:

-vão todas almoçar à cantina? – Perguntou Laura.

-Oh, bolas, esqueci-me de tirar a senha!

-Eu também não tirei! – Advertiu Rebeca.

-Onde vão almoçar então? – Perguntou Verónica.

-Hum, por mim, podemos ir apenas ao bar! – Propus.

-Ok! Então encontramo-nos daqui a pouco.

Eu e Rebeca resolvemos esperar um pouco para ir-mos almoçar. Ela parecia não ter nenhum apetite como sempre, e não tinha pressa absolutamente nenhuma de comer, mas eu começava a sentir o estômago a vibrar.

Durante o pouco tempo que estive com ela, pouco falamos. Eu continuava com a minha fantasia a ilustrar-me a mente, e a perguntar-me o porquê de tais ideias. Talvez todas estas minhas criações se devessem ao facto de eu me ter aberto para com Gustavo, e de algum modo me sentir mais protegida com ele por perto. De facto, apesar de eu ficar quase aterrorizada com a ideia de eu e ele alguma vez nos sentirmos atraídos, essa não era uma ideia tão absurda como eu pintava. Darla, inclusive, chegou mesmo a pensar que eu estava interessada nele! Talvez uma relação entre nós dois não fosse algo tão inacreditável para os outros como é para mim, e talvez com tempo, eu e ele nos envolvêssemos mesmo…

Que pensamentos! … E mesmo assim eu conseguia imaginar o quão agradável seria sentir-me colada a ele, com os lábios aquecidos pelo seu sorriso, um formigueiro a percorre-los, e uma sensação semelhante àquela que tive no dia anterior!

Suspirei alto, ao pensar no seu toque.

Maldita a hora em que eu olhei para aquelas escadas feias e tive esta visão tão parva! Não fazia sentido e era obcecante! Que tédio!

-Desculpa se te estou a aborrecer… – Disse uma voz graciosa ao meu lado.

Franzi as sobrancelhas, incomodada por Rebeca pensar que eu estava aborrecida com a sua companhia, e olhei na direcção dela para me desculpar:

-Aquele suspiro não foi por ti! Não penses que me aborreces!

-Percebo… Estás habituada à companhia do Gustavo, não é?

-Não, claro que não! – Respondi envergonhadíssima – Por favor não digas essas coisas.

Aquele provavelmente era o tormento do dia. Por muito que quisesse esquecer aquele rapaz, havia sempre algo, ou alguém, que me fazia recorda-lo.

-Queres ir comer agora? – Perguntou ao aperceber-se da minha reacção.

-é melhor!

Acelerei o passo para lhe passar à frente.

Não queria encara-la depois do que ela disse. Seria assim tão óbvio que eu estava obcecada com aquele assunto?!

Peguei no meu “almoço” e sentei-me numa mesa, à espera de Rebeca. Quando a vi dirigir-se a mim, senti-me incomodada pela sua refeição:

-O que é isso?! – Interroguei perplexa.

-Agua!

-Achas que isso é digno de ser o teu almoço?!

-Eu não tenho fome! – Respondeu, cabisbaixa com a minha reacção.

-Tu estás a dizer a verdade?...

Rebeca mordeu o lábio e fez um esgar na direcção do chão. Não entendia aquela falta de apetite!

-Eu sei que tu, tal como todos os outros, pensas que eu sou uma anoréctica que se acha gorda, mas eu tenho noção que sou extremamente magra, – Explicou – só que eu estou a dizer a verdade quando digo que não tenho fome…!

-Como é que uma pessoa que não come nada, não tem fome?! – Perguntei incrédula.

-Não tenho! Ouve – disse – mesmo que eu te explicasse tu não ias entender!

-Claro que ia! Não deve ser nada assim tão estranho!

-É, claro que é! Tu própria sabes que é anormal comer pouco e não ter fome! – Advertiu – mas… É como se nenhuma desta comida me saciasse!

-Mas porquê?! Queres ir comer a algum outro sítio?

-não é isso! Eu estou a falar da comida em geral, não apenas das refeições escolares.

-Porquê?...

-Parece que nada tem sabor agradável! É tudo tão insosso! Fraco!

Franzi o sobrolho, vislumbrando melhor a minha comida.

A minha atenção incidiu mais uma vez em Rebca

-tens razão, eu não entendo! – Admiti mordendo o croissant misto que estava à minha frente. Era um absurdo aquilo não saber a nada! Era simplesmente bom!

Senti passos na nossa direcção. Esperancei que fosse Gustavo, e mais uma vez desiludi-me. As mãos húmidas de Liliana eram inconfundíveis. Só ela me fazia tremer de frio quando me tocava… Bom, ela e Rebeca, visto que também ela era gelada!

-Vocês ainda estão assim?!

-Nós não viemos logo comer, quando nos separamos! – Exclamei macambúzia… Eu queria que Gustavo viesse à escola…

-Que careta! – Troçou Natasha

-Desculpem… – lamentei, poisando o meu croissant em cima da mesa.

Levantei-me num passo rápido, e fiz um gesto para que elas entendessem que eu voltava num instante.

Dirigi-me à casa de banho mais próxima, ansiosa por lavar as mãos e cara, convencida de que assim, talvez conseguisse esquecer aquele tonto que se figurava como meu príncipe. Infelizmente a água fria da torneira não se identificava nem um pouco à água purificante da minha cachoeira milagrosa. Retirei o ultimo lenço que tinha no bolso e enxuguei a agua lentamente da minha cara. A partir daquele momento um sentimento novo agarrou-me! Sentia-me um pouco nervosa e as minhas mãos tremiam. Parecia que ia acontecer algo de mau, muito mau. Eu pressentia-o com exactidão, os meus olhos começaram a ficar desfocados devido ao stress e o meu coração acelerou!

Eu estava sozinha naquela casa de banho, o que me deixou ainda em pior estado. Apressei-me a regressar para o bar, repleto de gente. Se algo de mau estivesse para vir, eu não queria estar sozinha quando acontecesse!

Tornei a percorrer todo o caminho de regresso, com os joelhos a tremerem em conjunto com as mãos, e a cabeça a andar à roda. Sentia-me completamente zonza, e precisava urgentemente de me agarrar a algo, caso contrário, só parava no chão. Arrastei a minha mão pela parede, e passei a porta que ligava à sala de convívio, em direcção ao bar.

O pior aconteceu assim que lá pus os pés! A funcionária tinha acabado de lavar o chão, e eu sem prestar atenção ao piso molhado desequilibrei-me e o meu corpo ficou sem o apoio das minhas pernas. Foi tudo demasiado rápido para que eu me conseguisse segurar a algo, só consegui esconder a minha cara com os braços para não me magoar… muito!...

Contudo, Parecia que a minha queda tinha sido amparada por um colchão, que me deixou suspensa no ar. Com os olhos ainda fortemente cerrados, agarrei aquele pescoço quente com força, com intenção de não cair.

-Não dei com a cabeça no chão e morri, pois não? – Perguntei sem abrir os olhos.

Senti uma pequena contracção por parte do corpo que me agarrou. Talvez estivesse cansado de me ter no seu colo, ou talvez tivesse achado piada à minha pergunta, mas com o mau pressentimento que se alastrava em mim, eu não tinha qualquer vontade de me rir.

-Lana, foi por um triz! – Exclamou Rebeca

Abri os olhos repentinamente, sem nunca me soltar, e olhei em meu redor. Lau estava com o seu sorriso matreiro cada vez mais trocista e Verónica fazia-lhe frente.

De repente apercebi-me que alguém me segurava, alguém que eventualmente poderia estar farto de me segurar, ou ate magoado fisicamente por mim:

-Desculpa…! – Lamentei esperneando um pouco para me por de pé novamente.

-é melhor começares a ter mais cuidado…! – Avisou um rapaz loiro, de olhos castanhos, que eu reconheci como sendo da minha turma. O seu nome era André.

-Obrigada!...

Ele pouco se importou com o meu pedido de desculpas. Virou costas, em direcção à saída do bar, e eu, ainda atrapalhada, avancei cautelosamente até à mesa onde as outras me esperavam. Voltei a pegar no meu croissant e mordi a sua textura fofa uma e outra vez, aproximando-o do fim. As outras, conversavam entre si, sobre assuntos que me eram paralelos, sem se aperceberem que um nó se formava no meu estômago. Não consegui ingerir nada mais, estava capaz de vomitar. Pousei o meu almoço em cima da mesa, e arrastei-me na cadeira, até ficar numa posição estranha e desconfortável. Fechei os olhos, com as mãos sobre a minha barriga:

-Não posso comer mais!..

-Eu não acredito que isto foi o teu almoço!...

Um novo cheiro invadiu o lugar. Esbocei um enorme sorriso antes de abrir os olhos. Aquela voz era inconfundível para mim, e mesmo num tom repreensivo, eu fiquei agradecida a Deus por tê-la escutado, porem, não sabia ao certo se ela não era apenas mais uma ilusão da minha cabeça.

Abri os olhos para confirmar:

-Vieste! – Exclamei animada, enquanto me colocava de pé na sua direcção.

Gustavo acenou com a cabeça ligeiramente. Ele tinha um olhar sério e repreensivo, mas a sua face era ainda mais bela do que na minha fantasia parva. Eu tencionava abraça-lo, como se tivesse saudade, mas a má sensação voltou a preencher-me ao cruzar os meus olhos com os dele. Estava frio e assustador. Parecia zangado comigo. Parecia que se queria vingar de algo… e ao mesmo tempo parecia desolado…

O meu longo sorriso desapareceu. Lau soltou um esgar ao aperceber-se disso.

Nunca vira o olhar de Gustavo tão frio e assustador, nem mesmo num pesadelo. Parecia que os seus olhos apenas reflectiam um iceberg gelado e mortífero que não pouparia ninguém à morte certa. Franzi as sobrancelhas, confusa, e direccionei a minha visão para o chão. Não queria, de maneira nenhuma, deparar-me com a angústia que emancipava da sua face. Ele estava a assustar-me demasiado…

Engoli a seco, enquanto a minha cabeça procurava a frase mais correcta para lhe dizer:

-Ahm… porque faltaste?...

-Não me apeteceu vir ás aulas de manha!... – Respondeu com prontidão, num tom de voz tão cruel quanto o seu olhar – se bem que não diz respeito…!

Petrifiquei com a sua frase.

Os meus lábios descolaram-se, e deixaram-se entre abertos com a surpresa daquela resposta. Como é que ele, depois das confissões que eu lhe fizera no dia anterior, teve o descaramento de dizer tal coisa?! Senti-me verdadeiramente desapontada!...

-Pensamos que estivesses doente! – Exclamou Liliana, ao aperceber-se da sua falta de humor profunda

-não… para já não estou!...

-Para já?!... – Murmurei – Sentes-te mal? É isso?!

-Não, estou óptimo, e parem com essas perguntas, se fazem favor!

Suspirei profundamente. Tentei achar uma explicação razoável para toda aquela indelicadeza.

Talvez tivesse começado mal o dia. Talvez precisasse de desabafar com alguém, ou então descarregar energias negativas! Eu não ia julga-lo mal, por três más respostas. Tinha de ser tolerante com as suas emoções, afinal de contas, ele podia estar com problemas pessoais.

Ele expirou uma lufada de ar pesada, enquanto olhava discretamente em seu redor. Parecia baralhado e à procura de algo indefinido até mesmo para ele. Eu não sabia o que dizer, e as outras também não. Provavelmente a falta de humor dele, assustou-as a todas:

-Viram… A Letícia? – Perguntou de repente para nossa surpresa.

-A Letícia?! – Repetiu Liliana incrédula – A Letz, da nossa turma?!

-Sim, essa mesma! – Afirmou decidido.

-Está lá fora, perto do portão principal! – Exclamei quase involuntariamente.

Lau deu com um livro grosseiramente em cima da mesa, enquanto suspirou bem alto de forma suspeita, mas eu pouco lhe dei importância. Estava mais preocupada com Gustavo.

Ele perguntou Pela Letícia… Ignorou-me… Senti-me verdadeiramente desapontada e infeliz. Não esperava que ele o fizesse, nem por sombras. O meu mau pressentimento devia-se com certeza a esta situação, como se eu soubesse que ia acontecer algo do género, mas francamente nunca pensei… Não fazia sentido e doía, doía bastante vê-lo assim comigo… Lá se ia a minha ilusão! Eu e ele, definitivamente, nunca nos envolveríamos!

Gustavo virou costas, na direcção que eu apontei, sem se aperceber que eu fiquei estática e sem profundidade no olhar. Liliana deu-me um encontrão, e lançou-me um olhar furioso. Eu nem sequer reagi, limitei-me a dirigir o meu olhar para o chão, com as sobrancelhas franzidas:

-Agora fiquei com dúvidas!... – Murmurou Verónica a Laura, sem dar conta que eu a escutara.
as minhas fic's:
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
-Angelical
Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^
#159
Abracei os meus próprios braços lentamente, e esfreguei-os para fugir do frio. Abanei a cabeça desiludida e voltei-me novamente na direcção delas, com a face triste e facilmente decifrável para meu desagrado. Sentei-me na cadeira novamente, e esperei alguma reclamação das minhas companheiras, contudo, também elas pareciam desiludidas, só Liliana é que reagiu e em vez de ficar connosco junto da cafetaria, saiu, pelo mesmo caminho que Gustavo.

-Talvez o Professor de matemática tenha telefonado para casa dele a explicar o que aconteceu ontem!... – Disse alguém, num tom esperançoso.

Continuei sem reacção, se bem que aquela poderia ser sem duvida uma boa explicação para a sua falta de humor! Eu pessoalmente, não teria qualquer reprimenda, até porque Helen acreditava na minha palavra, mas pelo que percebi, a mãe de Gustavo não era igual. Se o filho fizesse algum mal, ela encarregar-se-ia de retirar-lhe a fonte de alegria mais próxima!

Tinha uma enorme curiosidade em conhece-la! Numa outra ocasião, eu morreria de vergonha por conhecer os pais dos meus amigos, com medo que eles não gostassem de mim, porem, desta vez, eu tinha a certeza que a mãe dele não ia gostar de mim e vice-versa!

-Vens Lana?... – Perguntou Rebeca

-Ah? Aonde?!

-Já tocou! Vá, eu sei que custa, mas só temos mais duas aulas e podemos ir para casa!

-Ah sim, as aulas! Que chatisse!... – Murmurei – Vamos lá!

Lau, Verónica e Natacha foram as primeiras a sair do bar, seguidas por mim e Rebeca.

Na minha cabeça, tudo andava à roda. Parecia que de repente tudo o que acontecera durante os últimos dias não tinha passado de um sonho realista, do qual acordei sem saber qual era a verdade sobre a minha vida. De facto, parecia que estava a dormir em pé, como se o chão, o vento, as arvores e as pessoas fossem somente hologramas transparecidos que iriam desaparecer mal eu lhes tocasse… Sentia-me novamente sozinha, com vontade de chorar e gritar! Era como se estivesse num lugar desconhecido, longe de casa, sem qualquer protecção, sem lugar para me aconchegar durante a noite… Era triste, sufocante, e fazia doer a minha cabeça, o meu coração e, claro, as minhas costas, que sofriam agora de maneira diferente… Mas eu não ia desanimar… não com mais duas aulas para vir…

Gustavo, para complicar a minha situação, trocou de lugar e sentou-se junto de Letícia em ambas as aulas, pelo que, tanto eu como Darla ficamos sem companhia! Liliana, por sua vez, parecia ainda mais irritada do que qualquer pessoa naquela sala!

Finalmente, quando estava já em casa, podia libertar-me à vontade, pelo menos, enquanto Helen não aparecesse.

Joguei-me na cama sem nada no estômago, e cobri-me com os cobertores…

Ouvi um trovão vindo de lá de fora, e em poucos segundos a água da chuva provocava um som infeliz ao embater no telhado.

Odiava aquele tempo! Nos dias anteriores estava um sol fresco e de repente a trovoada e a chuva assombram a vila, como se o tempo estivesse mesmo a representar o meu estado de espírito naquele momento.

Voltei a pôr-me a pé, e fui buscar os DVD’s mais cómicos e os mais Lamechas, de propósito para não ouvir a agua a cair pesadamente.

Não tinha motivos nem qualquer vontade para me rir, portanto desviei as comédias para um canto, deixando à minha frente apenas os romances mais caóticos e desesperantes, que terminavam sempre com choros imparáveis! Tristão e Isolda, Romeu e Julieta, Titanic… Todos eles me fariam derramar tudo o que não cabia dentro de mim, mas decidir qual o primeiro a ver era complicado!

Fechei os olhos, e pousei as minhas mãos numa das caixas de DVD. Abri-a, ainda sem saber qual seria o filme, e retirei o CD, que coloquei logo de seguida no leitor.

Voltei para o meio dos lençóis e dos cobertores quentinhos e a TV iluminou-se com imagens do grande navio inafundavel!

Tal como eu previa, no final comecei a chorar silenciosamente ao ver Rose sozinha, em cima de uma tábua de madeira, a tentar chamar os botes de salvamento. Ela não ia voltar a ver Jake… Era como se tudo o que eles tivessem passado juntos tivesse sido apenas um sonho… Tal como eu e Gustavo…

Apesar de a reacção dele poder ser apenas um mau humor temporário, eu sentia que o tinha perdido para sempre… Mas não ia desanimar assim… Talvez no dia seguinte ele estivesse novamente bem disposto!...

A porta do quarto abriu-se de repente, e o vulto de Helen aproximou-se de mim, depois de olhar para a TV:

-Titanic?... – Proclamou sentando-se na orla da cama junto a mim – Ao tempo que não vias este filme!

-Chegaste tarde, porque se não, terias visto comigo! – Respondi tentando não mostrar a minha sensibilidade.

-Tenho uma novidade! – Exclamou feliz – Não te contei logo ontem porque estavas meia ensonada e queria ver-te acordada!

-Então diz lá o que se passa!

-Quando fui à tua escola, para obter a autorização para o passeio escolar com as crianças, soube que poderia faze-lo já quinta-feira! Só precisávamos de um autocarro e das autorizações dos encarregados de educação, mas o autocarro já está alugado, e as crianças já levaram ontem as autorizações para casa, portanto, se amanha todos já tiverem tudo o que pedi, Quinta-feira vamos ver uma peça de teatro infantil! – Explicou animada – Mas a parte melhor, é que estou a pensar em ir ter com o Rogério a casa dele durante a hora de almoço!

-O Rogério?! O teu namorado?! – Questionei com um esgar.

Não sei o que é que Helen via naquele homem! Eu não gostava nada dele, achava-o demasiado fútil!

-Sim, mas ele não sabe! Vou fazer-lhe uma surpresa!

-Oxalá não te arrependas… – Murmurei entre dentes – A propósito – Lembrei – Ontem a Greta Ligou cá para casa!

-Sim, eu sei! Ela voltou a telefonar quando tu estavas a dormir! Aliás, foi ela que me incentivou a fazer uma surpresa ao Rogério!

-Tenho saudades dela… – Declarei em tom de voz quase inaudível.

-Um dia há-de voltar tudo ao normal Lana… – Exclamou, levantando-se da minha beira com uma expressão constrangida – Tens fome? – Perguntou

-Nem por isso!..

-Nesse caso vou preparar umas tostas mistas para nós duas e deito-me aí contigo a ver outro filme, que te parece?

-Óptimo!

-Então, volto já!

Helen saiu novamente do quarto, e eu, na sua ausência fui decidir entre os outros dois filmes. Ela regressou com a nossa refeição, e deitamo-nos ambas na cama, a ouvir a chuva e a ver agora Tristão e Isolda. Pergunto-me por que razão todas estas historias tem final infeliz… Tudo termina com a morte, ate mesmo o sofrimento!... No entanto, eu não morri, mas naquele dia parecia que tinha deixado de viver…

Aconcheguei-me um pouco mais a Helen, e enrosquei-me como um gato para me aquecer. Em poucos minutos os sons do filme confundiram-se nos meus sonhos…

***






Na manha seguinte, a chuva amainou um pouco! Continuava a bater no telhado mas sem a mesma força da noite anterior.

Helen esperava-me na cozinha, de onde emancipava um aroma delicioso. Apressei-me a vestir a roupa mais quente do que a dos dias anteriores e fui ter com ela.

-Bom dia! – Exclamou ela com um prato de panquecas na mão.

Travei os meus passos.

-Não sabia que tu sabias fazer panquecas…!

Gustavo era a única pessoa que sabia faze-las.

-Bem, não costumo fazer, mas hoje apeteceu-me variar!

Não respondi nada. Sentei-me junto dela, com um olhar no pequeno-almoço:

-Dormiste bem?... – Perguntou com cara de caso.

Encolhi os ombros sem a olhar nos olhos:

-Acho que sim…!

-De certeza?! – Insistiu.

-Para quê essa pergunta?!

-Hoje não gritaste…

-E então?! É bom sinal! – Interrompi.

-Lana… – Chamou – Não gritaste, mas contorceste-te um pouco… E… falaste…!

-Falei?! O que é que eu disse?! – Questionei, tentando recordar com o que sonhara.

-Há alguma coisa que te preocupa?! Alguém?...

-não…

-Chamaste aquele rapaz! … - Explicou sem mais rodeios.

Mordi o lábio.

-O Gustavo! – Concluiu, esperando alguma resposta minha

-ah, foi só isso? – Respondi, fingindo não me importar

Helen suspirou ruidosamente, descontente com a minha resposta, e ambas entramos em silêncio profundo, enquanto acabávamos o pequeno-almoço.

Esforcei-me para o terminar rapidamente e ir apanhar o autocarro. Não queria que Helen voltasse a tocar naquele assunto, de modo que, o melhor seria eu ir para a escola rapidamente. Tinha fé de que Gustavo se encontraria mais bem disposto.

Todavia, quando lá cheguei, lembrei-me que o professor de matemática, muito provavelmente, ia resmungar muito connosco devido à confusão da segunda-feira passada. Eu não tinha argumentos a meu favor, se bem que Gustavo tinha sempre defesa para os ataques daquele homem. Alem disso, a verdadeira culpada tinha sido Letícia, portanto, no período de tempo que Gustavo estivera com ela no dia anterior, esclareceram as coisas!

Ia enterrada nestes pensamentos, ao longo do percurso que me levaria à sala de aula, e sem querer choquei contra tres meninas com cerca de 12 anos. Todas elas me olharam aterrorizadas! Com os seus olhos bem distintos sobre mim. A que estava ao centro parecia a mais calma, mas não menos assustada. Os seus olhos azuis eram expressivos o suficiente para eu perceber que ela não sabia o que fazer.

Subitamente esbocei o meu sorriso mais doce e reconfortante. A última coisa que eu queria era que 3 jovens raparigas tivessem pesadelos comigo durante a noite.

-Desculpem, não vos vi!...

Sorri de novo.

Contornei-as rapidamente, e subi as escadas do pavilhão de aulas, desejosa por não ser a ultima a entrar na sala.

Liliana vinha atrás de mim, sem eu me aperceber.

Quando parei em frente à sala ela segurou-me no braço, um pouco mal-humorada:

-Hum, alguém acordou com os pés de fora! – Trocei, apesar de eu própria me sentir irritadiça.

-Devia ter dormido mais! – Respondeu, libertando uma forte lufada de ar – Oh, já entraram na sala?! Vamos lá!

-E lá vou eu ouvir um raspanete do professor!...

-Porquê?

-Por causa da confusão de segunda-feira, lembraste?! – Recordei-lhe.

-ah pois… – Murmurou alterando a sua expressão facial para uma menos simpática – Mas o Gustavo não tem outra obrigação se não defender-te! Afinal de contas não fizeste nada e todos nós sabemos disso!

-Ele estava estranho… – afirmei entre dentes, virando o meu olhar para o chão de tijoleiro cinzento.

Os meus paços tornaram-se mais lentos. Não tinha pressa nenhuma de o encarar.

Liliana parou também de andar, e olhou para mim, ainda mais frustrada do que antes:

-Espero bem que ele hoje se comporte direito!... Não gostei nada da maneira como ele nos falou ontem!

-Achas que aconteceu alguma coisa? Algum assunto pessoal?

-Acho que se fosse isso, ele não teria estado tanto tempo com a Letícia!...

Torci o nariz devido a um novo sentimento que se apoderou de mim. Estava com inveja da Letícia por Gustavo lhe ter dado tanta atenção no dia anterior. Agora que finalmente ele me tinha deixado respirar um pouco sem ter de responder às perguntas dele, tinha a sensação que tinha sido trocada, o que era ainda mais desconfortável…

Liliana parecia não ter terminado a sua frase.

-Segunda-feira… Aconteceu mais alguma coisa para alem daquela confusão?... – Perguntou olhando para mim de canto com um ar preocupado.

Reflecti minimamente sobre a sua pergunta. De facto houveram muitas confusões nas nossas cabeças. Aconteceu de tudo, rimos, discutimos, voltamos a entendermo-nos, desabafamos, e eu fraquejei… Mas não ia dizer isso a Liliana, ou então seria obrigada a relatar todas as nossas conversas.

-Segunda-feira foi um dia muito emotivo… Para ambos… – Declarei – mas porque perguntas?

-Porque ele, quando voltou à escola para fazer o teste, parecia revoltado… pensei que pudesses ter dito algo que o tivesse ofendido!...

-Claro que não disse!... – Contrariei, voltando a acelerar o ritmo para a sala – Pelo menos acho que não…! Talvez ele se tenha chateado com a família… o professor pode mesmo ter ligado para casa dele a dizer o que ele tinha feito!

-Não me parece… se fosse isso tu também estaria em sarilhos!

Calei-me e entrei pela sala um pouco lentamente. Lili tinha razão. Se ele estivesse em sarilhos eu também estaria.

Mal o professor me olhou, senti que os problemas iam ressuscitar. Devia ir pedir desculpa ou seria melhor esperar que ele me desculpasse?...

Segui para o meu lugar na sala e retirei o casaco, já que havia um aquecedor ligado lá dentro. Gustavo ainda não tinha chegado, assim como Letícia.

Mordi o lábio com força suficiente para faze-lo sangrar. Não me dizia respeito se eles estavam juntos ou não, mas isso inquietava-me um pouco… Letz não era de confiança…

Eles foram os últimos a entrar na aula.

Letícia estava agarrada ao braço de Gustavo, enquanto sorria de felicidade sincera, e ele… Bem, ele retribuía o sorriso, apesar de não ser tão forte quanto o dela.

Quando ele olhou na minha direcção eu desviei o olhar repentinamente. Comecei a escrever no meu caderno e fiz de conta de não me apercebi da chegada deles. Perguntei-me se ele ia trocar de lugar para ficar com Letícia.

Contudo ele não o fez. A cadeira do meu lado esquerdo arrastou-se ruidosamente, mas eu não lhe liguei. Esperançava que o humor dele estivesse melhor, e que ele próprio voltasse a falar comigo, tal como fazia sempre.

Todavia eu esperei e esperei… E ele não disse absolutamente nada… Será que eu lhe tinha feito algum mal para ele estar a agir assim?... Não me passava pela cabeça nenhum acto ofensivo desde segunda feira… Por isso resolvi dar o primeiro passo. Virei-me para ele de repente, e gesticulei com as mãos para por as ideias em ordem:

-Ouve, Gustavo… Está tudo bem? – Perguntei com as mãos geladas.

-E porque não haveria de estar?! – Respondeu com frieza, sem me olhar nos olhos.

Engoli a seco e continuei:

-Pareces estranho… Diz-me, aconteceu alguma coisa? Discutiste com algum familiar?...

-Não! Está tudo normal!...

-Não, não está… Estás estranho… frio…

-Porque te preocupas?... Mesmo que se passasse alguma coisa, não irias ser tu a resolve-la! – Exclamou olhando-me finalmente. A cara dele demonstrava fúria – Tu não precisas de saber tudo o que se passa comigo…!

-Mas, talvez precisasses de alguma coisa, sei lá…

-Não, não preciso de nada! Não quero que te intrometas nos meus assuntos, eu não te devo explicações do que faço! Não precisas de saber nada da minha vida!

-O quê?! Como te atreves a dizer uma coisa dessas?! – Questionei perplexa.

-Não percebo porque estás tão ofendida! Nada do que ouviste é mentira! Eu não tenho de te revelar tudo sobre mim!

-Mas tenho a certeza que revelas à Letícia!

Cruzei os braços e encostei-me à cadeira.

Passava-se algo… ele estava a ser arrogante demais comigo, e isso não era normal. Letícia, pelo contrário, tornara-se companheira dele de um dia para o outro.

-Mais uma vez, não tens nada a ver com a minha vida!

-não imaginas como estou desiludida contigo! – Declarei. O meu coração acelerou – revelei-te tudo sobre mim, e tu dizes que não tenho direito de saber o que se passa contigo?!... És um anormal!

Voltei o rosto para o lado, e depois para os exercícios do caderno. Gustavo não disse mais nada desde então.

O coração ia-me saltar pela boca se eu não me controlasse.

Um martelo acertou-me nas costas com força.

Foi como se me tivessem retirado o ar naquele momento. Como um peixe fora de agua. A minha respiração travou-se durante longos segundos pelo que não tive tempo de gritar nem me mexer. Quando finalmente consegui ingerir ar a minha respiração ficou ofegante! Tapei a boca com a mão para que ninguém a escutasse, e esforcei-me para não começar a gritar de dor… Dor essa que se intensificava cada vez mais.

-Lana?... – Murmurou Gustavo ao aperceber-se que eu não estava bem.

Vi o seu braço mover-se na minha direcção, na direcção das minhas costas.

Dei um pulinho na cadeira para que ele não me alcançasse, e agora, com as duas mãos a abafarem os meus gritos, a minha visão começava a ficar turva.

A campainha tocou. Saí da sala a correr, sem saber com que expressão ficara Gustavo perante a minha situação.

Caminhei apressadamente para a casa de banho e fechei-me no pequeno espaço. Carreguei no descarregador de água para que a minha respiração e os meus murmúrios de dor não fossem audíveis para as alunas que lá entravam.

Felizmente consegui secar as lágrimas antes de as derramar com violência.

Esperei cerca de dois minutos, ate assegurar que estava mais calma.

-Onde é que ela está? – Escutei vindo da entrada.

-deve ter ido ao bar, vamos lá ver! – Respondeu alguém.

Ouvi leves passos a aproximarem-se das vozes:

-Olá Lili! – Exclamou uma rapariga com uma voz mais infantil – Viste o meu irmão?!

-Susaninha! Ele deve estar no recreio!

-Obrigada! Tenho de ir ter com ele!

Os passos da rapariga afastaram-se, e seguidamente os paços das minhas colegas afastaram-se também. Saí da casa de banho, segura que não estava lá mais ninguém.

Dirigi-me à próxima sala onde ia ter aula e lá esperei que o sinal de entrada tocasse.

Fingi ter acabado lá chegar quando os meus colegas se aproximavam, e fui uma das últimas a entrar na sala.

Rebeca sentou-se comigo na carteira. Estava com um aspecto débil e uma cara mais pálida do que o costume, porem não me quis meter. Trocamos poucas palavras durante toda a aula. Estava demasiado perturbada para dizer fosse o que fosse, e na aula seguinte, aula em que eu estaria acompanhada mais uma vez por Gustavo, ele foi falar com a professora. Eu apercebi-me do que ele queria dela.

Trocou de Lugar com a Darla.

A rapariga escura pareceu não se importar com a situação e veio para a mesa da frente, para junto de mim, enquanto Gustavo foi para junto de Letz. Na primeira meia hora de aula eu fiz de tudo para não iniciar nenhuma conversa com Darla, e isso parecia incomoda-la um pouco. Provavelmente estava habituada a falar pelos cotovelos durante toda a aula, e eu não lhe estava a dar esse prazer. As respostas ás suas perguntas eram curtas e simples, pelo que ela não tinha muitas saídas possíveis para uma conversa mais elaborada

Mas então, ela finalmente tocou no ponto alvo:

-O Gustavo… já terminou o jogo?... – Perguntou retoricamente.

-O quê?...

-Ele está a afastar-se de ti, não está?... – Tentou adivinhar, olhando para mim com um sorriso penoso – Durou menos do que é costume… Por este andar deixa de o fazer!...

-De que é que estás a falar?! – Questionei irritada com o seu cinismo – Se tens alguma coisa para dizer, desembucha de uma vez!

- Eu sei que não tenho nada a ver com a tua vida…

-lá isso é verdade! – Interrompi

-mas acho que devias saber uma coisa… Sobre ele…

Franzi as sobrancelhas. O que ela me queria dizer podia não ser do meu agrado…

-já te apercebeste como ele está mais distante? – Continuou olhando para mim muito séria.

Mantive o meu silêncio.

-Bem me pareceu… – murmurou – Sabes, eu morava em Lisboa antes de vir para cá, e tal como para ti, a mudança foi difícil, especialmente porque sou negra, e nem sempre sou bem recebida pelas pessoas.

Semicerrei os olhos com a sua confissão. Nunca me passara pela cabeça que ela tivesse problemas de mudanças, especialmente sendo tão extrovertida. Contudo, não era mentira nenhuma que nos dias que corriam ainda existiam muitas pessoas preconceituosas e incultas espalhadas por aí. Senti-me na obrigação de dizer algo:

-Custa-me a crer que alguém neste sítio te tenha recebido mal!

-A Letícia recebeu!

-hum? Mas vocês andam sempre juntas!...

-Mas não inicio não foi assim!... – Declarou – Já te deves ter apercebido que ela é um pouco…como lhe hei-de chamar?... Talvez mimada seja a palavra certa! – Concluiu – pensa que é dona de tudo o que quer!

-A sério?! Nunca me tinha apercebido! … -Respondi com sarcasmo. Peguei num lápis grosso e comecei a desenhar nas margens do caderno.

-Mas ela só é assim com o Gustavo! – Prosseguiu, tentando decifrar o que eu rabiscava – Quando eu cheguei a esta escola foi ele quem se assegurou da minha integração! Ele esforçou-se para me inserir neste meio… E sabes como é que ele o fazia?...

-Como? – Perguntei, fingindo-me interessada.

-Primeiro fez de tudo para se aproximar de mim… Ficava comigo em algumas aulas, e nos intervalos também! Claro que eu comecei a ganhar a sua confiança e já não me importava que ele estivesse comigo, pelo contrario, comecei a ficar dependente dele, se é que me entendes…

Deixei o lápis cair sob o caderno. Todo o cenário me era familiar: aproximação, confiança e dependência.

-Quando estava com ele, era como se tudo girasse em torno de nós… – Afirmou, desviando o olhar escuro para as pernas – Ele mostrou-me sítios fantásticos na vila e arredores, e era simpático e protector o suficiente para eu me sentir à vontade na sua presença… E foi por isso que lhe disse praticamente tudo sobre a minha vida! Queria que ele me conhecesse melhor, queria que não houvessem segredos entre nós os dois… até porque comecei… A sentir algo mais por ele…

Mordi o Lábio assustada. O meu estômago dava voltas a si mesmo com tais palavras. Agora ansiava pelo final daquela conversa. Ansiava saber porque é que ela me estava a dizer aquelas coisas:

-apaixonaste-te por ele! - Exclamei assertivamente.

-Pois, mas apercebi-me que algo se modificou entre nós… Ele já não andava muitas vezes comigo, e trocava-me por outras companhias. Parecia mesmo que queria fugir de mim… – Explicou com um ar francamente infeliz – Nem sabes como fiquei deprimida com aquele acto. Eu pensava mesmo que ele gostava de mim como eu gostava dele, mas enganei-me… Mais tarde entendi que ele fazia aquele jogo com as novas alunas da escola, simplesmente para as familiarizar com os outros colegas… não tinha mais nenhum motivo… Usou-me como usou tantas outras raparigas!

-Porque é que me estás a dizer isso? – Perguntei repentinamente, com as mãos a tremer de nervosismo. Eu própria já tinha chegado à conclusão daquela conversa, mas precisava de ter a certeza que a minha interpretação era a certa.

-Porque ele te fez, ou está a fazer, o mesmo.

Olhei para a mesa de trás, tentando alcança-lo com a minha visão. Parecia perfeitamente normal, a única diferença era o facto de falar tão abertamente com Letícia.

-Ele não seria capaz disso!...

-Não? Tens a certeza, Lana? – Rectificou – Vais-me dizer que ele não fez o mesmo contigo?! Raciocina bem… Ele até já está mais afastado do que é habitual…

-Mas… Não faz sentido…! – Murmurei

As partes do meu corpo pareciam ter perdido toda a sua força e consistência. Sentia-me como um gelado a derreter ao sol, como se me estivesse a desfazer com toda aquela informação. Nunca me senti tão traída em toda a minha vida, nem mesmo quando fui abandonada pelos meus amigos…

Olhei uma vez mais para Gustavo. Era verdade, ele tinha-me feito tudo aquilo que fez a Darla, sem sequer ter tido alguma reconsideração por mim…Que desilusão…

-Admite Lana… – Disse Darla, começando a arrumar os livros na bolsa – Foste abandonada!...


Espero que nao se tenham cansado! Para completar aqui fica uma musiquinha para ouvirem e associarem (ou não) a este capitulo e aos proximos!
Forgiven - Within Temptation

bjinhus
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-Angelical
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#160
Achas que me vou cansar desta fanfic? Nunca, enquanto eu for viva! *que drama --´*

O_O Adorei este capítulo, mas foi tão triste. Será verdade aquilo que a Darla disse? Bem, até gostava que fosse. Agora a Lana tem amigas, está melhor naquela vila e pode ser que começe a arranjar namorado (hum.. esse André veio ao calhas ou tá ali por um bom motivo? Toma toma). Claro que primeiro, tem que se vingar do Gustavo! *devil face*

Que estou para aqui a dizer... Mal disposto A escritora és tu e espero um bom (e maior, porque tenho sede de fanfics Matreiro) capítulo da proxima. Bom, no sentido de história, pois a qualidade já tem uma boa classificação desde o inicio.
Espero por ti em cada segundo , porque tu és o meu mundo!




Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
Visitem a minha 1ª Fic ----->The Four elements
#161
Chorar Lagrimas
Tão infeliz que estou!! Lana, quando tu estavas a dar-te te tão bem com ele, ele chega e dá-te com os pés *mau*
Ele troca-a pela Letícia??? Destruidor Tás morto!! Nunca se deixa uma donzela, ó "principezinho"!!! *ok, muito violento*

P.S. - Capítulo!, Capítulo! Ave Ai que saudades eu tinha desta fic!!

Espera, espera... príncipe encantado??? Eh lá!!
#162
lulu Esperancoso

ta simplesmente linda =)

o que ta a acontecer co gustavo ? ?

coitada da lana sentir-se enganada e uma das pior coisas que se pode acontecer especialmente vindo de alguem que nós amamos Beicinho

continua ta linda =)=
#163
Oi genti! Embaracoso
bem, andei um pouco ausente do forum, mas agora k ja tou mais online vim agradecer-vos os comentarios á fic!
Aproveito para vos informar que os proximos capitulos da fic para mim sao um pouco secantes (se calhar é por eu ser uma viciada em romance! lol ), e esses capitulos vao girar mais em torno das meninas Lana, Liliana e Rebeca, do que em redor da Lana e do Gustavo como acontecia anteriormente!
Proximo capitulo em breve!
bjokas angelicais! Matreiro
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#164
Capitulo novo, incompleto e deprimente! Embaracada
resolver pôr a musica que me inspirou para escreve-lo! ouçam se quiserem!


https://www.youtube.com/watch?v=xzWZNF0cQQk

Capitulo VIII – Monstro



Entrei no autocarro de regresso a casa com os livros na mão e fui procurar um banquinho livre para mim dentro da camioneta abarrotada de gente.

O meu corpo tremia sem parar. Não queria acreditar no que Darla me tinha dito… E se fosse verdade, qual teria sido o motivo para Gustavo me ter feito aquilo?! Eu não podia acreditar que ele se tivesse aproximado de mim apenas para me inserir no novo ambiente! Por muito que fosse um gesto simpático, visto que ele me estava a ajudar a fazer amigos, não me deixava feliz. Era inacreditável que ele apenas me visse como mais uma rapariga tonta que acabara de chegar à escola. Tinha de haver algo mais!

Mas tal como aconteceu a Darla, eu estava iludida. Lá porque eu sentia que eu não lhe era indiferente, isso não queria dizer que fosse verdade…

Tinha-me agora apercebido do erro que havia cometido. Revelei-lhe os meus segredos sem qualquer preocupação, e apesar de saber os riscos que corria, não podia imaginar que a sua reacção fosse esta!

Fui tão idiota!

Gustavo não me deixara simplesmente por ter terminado o seu serviço! Ele ficou farto da minha história aborrecida! Ficou com nojo de mim!

Nojo! Não havia outra explicação!

Saber que o meu corpo por pouco não foi tocado por um animal, era horrível e nojento! Eu própria me sentia imunda! Morta! Doíam-me as costas de tal forma que mal conseguia respirar!

Saí do autocarro e comecei a descer a pequena colina lavada em lágrimas salgadas! Tomei atalho por entre as árvores densas, e tentei manter o equilíbrio em todo o trajecto.

Gustavo não voltaria a procurar-me, a fazer-me perguntas ou até mesmo a insultar-me sem intenção! No meu sangue apenas corria o ódio e a desilusão!

Quando finalmente cheguei a casa, bati a porta com todas as minhas forças, e gritei sem medo de ser audível!

Esfreguei as mãos na cara e no rosto. Queria livrar-me de todo o lixo que estava entranhado das minhas veias, na minha alma, na minha pele…! Mas não conseguia faze-lo, e isso frustrava-me imensamente!

Continuei a chorar desamparada, ao mesmo tempo que as minhas mãos trémulas mexiam nos objectos mais próximos em cima do balcão e da mesa, ate que peguei num facalhão. Tinha vontade de o atravessar na minha barriga para acabar com aquele sofrimento! Tudo terminaria com a minha morte, tal como nos filmes da noite anterior!...

Mas eu não podia!!!

Não podia deixar Helen sozinha! Não ia ser cruel a esse ponto! Não podia ser egoísta!!!

Atirei a faca ao chão cheia de ódio. Ela ficou de pé, com a ponta espetada no soalho.

Aproximei-me do balcão e apoiei-me nos braços. Sentia-me tonta e sem equilíbrio. Porque é que ele me tinha feito aquilo? Porquê?! Que raiva, que ódio!!!

Estiquei os meus braços, e num simples gesto, atirei todos os objectos ao chão! Os copos e os pratos provocaram um ruído terrível ao desfazerem-se em cacos no chão, mas eu continuei! Parti alguma loiça, os porta-retratos desfizeram-se e separaram-se das fotos que continham!

O derrame de lágrimas não tinha fim, ao invés disso, parecia intensificar-se!

Atirei-me para o chão, sem forças, e arranhei-o com as minhas pequenas unhas. Em poucos segundos encheu-se da água que estava guardada dentro de mim.

Contorci-me cheia de dores, gritando novamente! Sem querer esfreguei os meus braços em alguns cacos de vidro e fiz pequenos cortes na pele. Todavia, nada me aliviava as dores, muito menos as das costas.

Levantei-me aos tropeços finalmente, e cambaleei até à porta de entrada! Arranquei a roupa mais grossa que tinha e joguei-a no chão, saindo de seguida rumo à floresta húmida, que ainda mais ficava devido ao tempo frio daquele dia.

Agarrei-me a ramos jovens das árvores, e a meio do caminho descalcei-me. Continuei a andar, rumo à cachoeira. Tropecei uma e outra vez. Espetei algo nos pés. Mas nada disso me fazia parar. Aquelas dores em nada se comparavam ao que eu sentia! Eu queria acabar comigo mesma! Queria deixar de ser tão estúpida e de ser usada pelos outros! Não existia ninguém neste mundo que fosse sincero comigo, que me fizesse sentir normal e feliz! Ninguém me entendia, ninguém me demonstrava qualquer afecto… Eu própria não tinha afecto por mim!...

Cada vez respirava com mais dificuldade, e as gotas da chuva morrinhenta estavam a deixar todo o meu corpo congelado. As minhas lágrimas eram a única coisa que permaneciam quentes, tanto, que até me faziam arder a cara, mas finalmente consegui escutar com nitidez a corrente de água! Corri ainda mais na sua direcção, e desviei os ramos das árvores, desesperada! Precisava daquela água como do ar que respiro! Por pouco não escorreguei na rocha polida, correndo o risco de partir uma perna, mas não importava! Nada daquilo tinha importância!

Procurei a zona mais profunda da água, pois encontrava-me em cima de uma rocha com cerca de 1,55 de altura e podia correr o risco de rachar a cabeça caso batesse com ela em alguma outra pedra!

Olhei em redor pensativa…

Limpei as minhas lágrimas aos braços com rapidez. Eles tinham um corte de um vidro que sangrava em grande quantidade!

Estava saturada de estar suja!

Tinha de purificar o meu corpo e a minha alma! Tinha de relaxar!

Dei um passo à frente, na direcção da água, e sem pensar em mais nada dei um salto apontando para a zona central da cachoeira!

O meu corpo embateu na água, que salpicou com violência!

Eu estava afundar… Não só naquela água, mas também nas mentiras e nos problemas que me rodeavam! O oxigénio do meu corpo libertou-se num ápice, misturando-se com algum sangue que me pintava a pele!

Parecia que estava a ser queimada viva! Todas as minhas feridas ardiam, mas era essa sensação que eu buscava. Debaixo de água, pelo menos, as minhas lágrimas confundiam-se com a água doce que vinha de uma nascente que me era desconhecida.

Quando o ar começou a faltar, prendi o pescoço com as minhas próprias mãos. Seguidamente, agarrei-me às plantas que se encontravam no fundo e fiz força para não ser levada até à superfície! Não saia dali enquanto a dor não terminasse, e pelos vistos, ia tardar ate eu me sentir melhor! As costas eram cada vez mais marteladas, eu já nem sabia o que fazer para parar. A água não estava a dar resultado, e parecia que eu me ia rebentar a qualquer momento!

O ar terminou de repente!

Involuntariamente dei um salto e fiquei livre de água da cintura para cima.

A última martelada foi dada. Nunca senti nada tão doloroso em toda a minha vida. Apertei as minhas mãos contra o peito, enquanto o meu olhar se fixava no meu reflexo na água. As minhas roupas rasgaram-se de repente. Algo branco estava atrás de mim. Por momentos pensei que fosse um fantasma, mas não era… Não… era um monstro… Era eu!

Três pequenas penas brancas pousaram levemente na água límpida. A minha respiração voltou, ainda aflita e ofegante. No entanto, as dores passaram com aquela ultima sensação. Agora, eu apenas estava assustada com o meu reflexo na água. Havia algo em mim que tinha mudado. Algo novo, diferente, belo mas que me assustava imenso.

Cautelosamente movi o meu braço na direcção das minhas costas, esperando não sentir nada de novo, mas enganei-me redondamente. A primeira coisa de que me apercebi foi a sua suavidade. Era algo macio e agradável, Algo que transmitia pureza… Tentei puxar aquilo, porem, magoei-me! O que quer que aquilo fosse, estava mais ligado a mim do que eu pensava. Olhei mais uma vez para o meu reflexo…

Eu assustava-me a mim mesma!

Rodei a minha cabeça para as minhas costas, sem momento de reflexão. Tinha de ver o que se passava comigo antes de perder a coragem, que já pouca era…

-Penas?... – Murmurei com voz rouca dificultada por alguns soluços, enquanto verificava com alguma dificuldade a camada branca que tinha presa a mim – O que… O que é isto?

A minha caixa torácica dilatou-se e voltou a relaxar, uma e outra vez. Parecia que o ar estava a fugir de mim, como se um corpete me estivesse a apertar as costelas e consequentemente a deixar pouco espaço para os meus pulmões permanecerem saudáveis. O meu coração começou a saltar ainda mais depressa do que era habitual e o pânico manifestou-se em todo o meu corpo e mente! O chão, a água, as arvores e o ar estavam a perder a sua consistência. Eles já não me seguravam, não me mantinham de pé, mas eu, mais do que equilíbrio precisava de respostas para aquela monstruosidade branca que se prendera a mim…

-Isto tem de sair! – Gritei, manobrando os meus braços na direcção da ponta mais próxima de penas.

Puxei-as com todas as minhas forças, mas gritei de seguida. Estava a magoar-me a mim própria com aquele acto. De repente deixei-me cair na água, e ficar submersa novamente. Deixei a minha boca aberta, assim como os olhos, para que todo o meu corpo de libertasse de mim mesma. Os meus cabelos flutuavam em redor da minha cara, e misturavam-se com duas penas numa dança graciosa sem qualquer melodia a acompanhar. Eu comecei a sentir-me sem forças, e semicerrei os olhos, pronta para me deixar adormecer nem que fosse debaixo de agua…Mas havia sempre algum impedimento… Tinha de regressar a casa antes de Helen, e recompor-me a mim e ao próprio lar… apesar de eu não ter força para me por a pé…

Fechei os olhos por fim… á procura de determinação para mesmo não estando morta, ressuscitar… Raciocinei sobre os prós e contras das minha vida naquele momento…

Primeiro: os meus males.

Não era difícil pensar nessa questão… os meus pais abandonaram-me á nascença, vivi num orfanato horrível, conheci um homem assustador, os meus amigos abandonaram-me, mudei de cidade, Gustavo gozou com a minha cara e por ultimo, eu era um montro…

Depois desta conclusão mal conseguia lembrar-me de coisas boas na minha vida…

O meu corpo flutuou até á superfície. Mantive os olhos fechados, respirando agora naturalmente.

-A Greta…A Helen… - Enumerei, sorrindo – A cachoeira… Os meus dezasseis anos quase recentes, e aquilo que ainda não fiz… Tenho de continuar…

Tinha de viver…

Apesar de por vezes ficar ofuscada pelas injustiças e pelos azares que me perseguiam, estava ciente que havia sempre algo, que por mais mínimo que fosse, tinha mais relevo na minha vida… Tinha de tentar…

Abri os olhos.

Só me era possível ver o céu, meio escondido pelas copas das árvores. Levantei-me, com dificuldade e rastejei os meus pés até rocha firme. Sentia-me pesada, cansada… Agarrei-me a um tronco, e aos ganos recentes de uma árvore. Cambaleei incertamente pela floresta em busca da casa, contudo havia sempre algo que me dificultava o caminho, e desta vez não eram as pedras que se encontravam com os meus pés, e sim as “armas” que tinha nas minhas costas e que embatiam muitas vezes contra árvores mais finas ou mais grossas. Acabei por me magoar bastante por causa de todos esses encontrões, mas finalmente dei de caras com o pequeno casebre que buscava. Um pouco mais livre avancei e entrei em casa certificando-me que Helen ainda não havia chegado. Vi cacos espelhados no chão, com tamanhos distintos. Movi os meus pés com cuidado, para poupar aquilo que restava do meu corpo e dirigi-me ao quarto de Helen, a fim de me encontrar com o maior espelho da casa, Abri a porta receosamente e coloquei-me em frente a ele, com medo de ver algo assustador.

Branco… Suave… Isso eu já sabia, mas não tinha conhecimento que fosse algo tão majestoso…

Asas… Eu tinha asas!

Involuntariamente, tapei o meu rosto com as mãos, aterrorizada. Aquilo não era real, nenhum humano tinha asas! E eu era humana, certo... ?

-Oh não… - vociferei, colocando as minhas mãos na cabeça.

Não podia ficar assim para sempre… Como é que eu ia sair á rua? Iam-me mandar para um laboratório qualquer! Era horrível!

Desesperada sai do quarto de Helen a correr, porem ao mover-me as minhas asas embateram fortemente contra um armário, fazendo tombar alguns objectos… Tinha de me esconder… Tinha de esconder todas as provas do meu novo problema!

Inevitavelmente baixei-me para apanhar os cacos partidos. Juntei-os todos num montinho, sem me importar com os cortes que poderia eventualmente provocar nas mãos. Depois ergui-me procurando uma saca suficientemente grande para colocar tudo aquilo, só que as asas embateram contra o balcão da cozinha, provocando um ruído ainda mais irritante e uma dor ligeira em mim.

Assim que recolhi todos os cacos e reparei os danos mais visiveis, coloquei-os no caixote do lixo.

Olhei para o relógio. Tinha cerca de 5 minutos até Helen chegar a casa.

Corri para o meu quarto tentando não derrubar mais nada, e deitei-me na cama.

-Ai… - gemi. Não conseguia manter-me de costas para baixo

Revirei-me na cama, colocando o meu corpo lateralmente, e de barriga para baixo, mas nada resultava!

O desespero começava a apoderar-se de mim…Pensei em tentar manejar aquele abrupto par de asas, mas não sabia como é que isso se fazia, era o mesmo que tentar mover os meus dedos dos pés da mesma forma que movia os dedos das minhas mãos. Cada vez que fazia um pouco de força com as minhas costas, um novo movimento surgia, ainda que de pouco me valesse.

Repentinamente ouvi um estalido na porta de entrada. Ela tinha chegado! O meu tempo esgotou-se, ela ia-me descobrir!

-Oh não…!

Puxei os lençóis e um cobertor para cima de mim, e só nesse momento percebi que a minha camisola estava toda rasgada.

Os passos de Helen estavam a aproximar-se do meu quarto…

Subitamente deitei-me! Como que por magia, as asas adaptaram-se por fim á moldura plana da cama larga. Sorri de alivio cobrindo-me quanto possível.

-Lana... ? – Chamou Helen, colocando apenas a cabeça dentro do meu quarto, para espreitar-me – Que fazes deitada a esta hora?!

-Ah… Eu… - Pensei numa boa desculpa – Não me sentia muito bem…

-Hum…

Helen veio ter comigo.

Discretamente aconcheguei-me um pouco mais nos cobertores, e ela colocou as costas da sua mão na minha testa:

-Não tens febre… - De seguida formou um esgar na sua face – Mas vais ficar! Foste novamente àquela cachoeira, não foi?!

Ups… Tinha-me esquecido que estava toda molhada.

-Levanta-te dessa cama e vai tomar um banho quente!

-não! – Gritei, ao perceber que ela me ia descobrir – já não! Daqui a uma hora! – Sugeri.

-Vais ficar constipada! – Declarou virando-me costas – Tenho de preparar as coisas para o almoço de amanha!

-Oh, pois é… amanha é o passeio… - Recordei, feliz por saber que ia ficar sozinha em casa durante a manha.

Helen estava muito feliz, e isso fez-se notar pelo simples facto de não me pressionar para sair da cama.

Deixei-me ficar deitada, com os olhos pousados no tecto branco, a espera de um milagre que me retirasse as asas das costas. Começei a sentir-me cansada e quente, muito quente. O tecto começou a girar em meu redor, e a minha cabeça doía.

Fechei os olhos e deixei-me levar pelo sono e pelo cansaço, mas pouco descansei. So conseguia ter pesadelos, e ilusões acordada, ouvindo baloiços enferrujados a chiar e crianças a contar os saltos que conseguiam dar com a corda. Rebolei-me pela cama e pelos lençóis, estava cheia de calor, e sentia-me suada!

-Lana! Lana! – alguém me chamava – Está na hora de ir embora! LAna, sentes-te bem?

Abri os olhos sem noção da realidade. Helen estava á minha frente, ligeiramente desfocada por mim. Ela olhava-me preocupada, enquanto me passava as mãos pela cara e me dava pequenas palmadinhas na cara

-sentes-te bem? – Perguntava.

Eu pestanejava os olhos pesados como resposta. Sentia todo o meu corpo abatido, sem forças par me mexer um milímetro.

-Oh, que chatisse! Estás a arder de febre! – Exclamou retirando-me um termómetro de debaixo do braço sem eu me aperceber!

-Talvez seja melhor não ir ao passeio…

-Não… - Proclamei. Não lhe podia tirar esse prazer- eu… fico bem…

-A tua temperatura é de 38,45graus!

-Por favor… tu querias tanto ir…

-Tu és mais importante! Vou ligar para a escola… - murmurou desanimada.

-não! Helen, tu sabes que não é isso que deves fazer… - protestei com a voz rouca – arranja outra solução! Prefiria que chamasses alguém para ficar comigo, ou que me deixasses no hospital!...

Ela hesitou durante dois segundos e olhou para mim pensativa. Seguidamente fez um esgar brando:

-Não conheço ninguém que fique contigo…

-Ahm… Alguem da minha escola?... – Sugeri, sentindo-me novamente tonta.

-Quem? Ai eu até o vou buscar a casa se for preciso! Tens o contacto de algum colega teu?

-Oh… não, não tenho!...

Nesse momento senti-me uma grandessíssima idiota. Não podia obriga-la a ficar em casa num dia como aquele:

-Já sei…! – Sussurrei aliviada - Sabes onde é a geladaria da vila?...

-Sim…

-A Liliana, uma colega da minha turma, costuma trabalhar lá nos tempos livres…

-Ah, vou já busca-la!

-mas eu não sei se…

Helen não me ouviu e saiu do meu quarto de rompante. A porta de entrada bateu logo depois.

Suspirei profundamente e abanei-me na cama. Só aí me apercebi que já não tinha qualquer “adereço” nas minhas costas. Talvez tudo não tivesse passado de uma ilusão!

Ri-me alto e rebolei novamente pela cama, para me descobrir. Tentei levantar-me da cama, mas acabei por cair outra vez em cima dela, sem forças.

Fiquei durante 10 minutos a cantar uma melodia qualquer, tentando recuperar o meu equilíbrio mental e físico, ate que ouvi a porta a abrir e como um reflexo olhei para a entrada do quarto enquanto ouvia murmúrios:

-Nem sabes como te fico grata! – Informou Helen, nitidamente ofegante – Hoje é um dia muito importante para mim!

-Não há problema nenhum, alem disso a minha mãe hoje não precisava muito de mim! – Respondeu Liliana.

Aconcheguei-me um pouco mais nos cobertores quando as vi a entrar pelo quarto:

-Lana?... – Perguntou Lili um pouco surpresa

-Hum, olá…

-Bem meninas, eu tenho de ir embora! – Declarou Helen pegando na sua bolsa apressadamente - Liliana, se precisares de alguma coisa podes ligar-me, ah, e já agora faz-me um favor e enche o telemóvel da Lana com contactos úteis! Não é incrível que eu quisesse pedir ajuda a alguém e não ter números?!

-Não há problema, trato disso imediatamente! – Concordou enquanto retirava o seu telemóvel do bolso.

-Ah, muitíssimo obrigada! Vou indo, adeus! Vê lá se melhoras Lana!

-Sim Helen…

Acenei-lhe e fiz uma pequena careta na direcção dela. Em menos de nada a casa silenciou e Liliana ficou sozinha comigo a olhar-me admirada. Franzi o sobrolho, confusa, e meti a mão na cabeça com uma dor ligeira a incomodar-me:

-Sentes-te bem? - Perguntou ela

-Mais ou menos… - Respondi – Tenho pena de te ter incomodado…

-Oh, não há problema! Alias, assim escapo do trabalho! – E soltou uma gargalhada melodiosa.

Eu estiquei o meu braço ate á mesinha de cabeceira, e com o meu tacto procurei o meu telemóvel para o entregar a Liliana. Quando o alcancei olhei para ele. Já não o usava á tanto tempo que até estava poeirento.

-Toma! – Vociferei com rouquidão

Lili continuou a olhar-me profundamente. Parecia admirada.

-O que foi? – Perguntei desconfortável, e inspirei profundamente com uma sensação de abafo.

-Estás… mesmo diferente... !

-Sim, dói-me muito a cabeça…

-Oh, bem não estava a falar disso, mas queres que te prepare alguma coisa? Talvez um chã?

-Não, não é preciso! Mas estavas a referir-te a quê?!

-Ao teu aspecto!

Vinquei as sobrancelhas. Devia estar verde ou amarela para ela se admirar tanto com o meu aspecto.

-És muito bonita! – Exclamou

-Ah?... A que se deve isso agora? – Interroguei sentindo-me corar

-Sei lá, nunca tinha reparado bem em ti, estavas demasiado escondida pela sombra preta! Nem sequer imaginava que o teu cabelo fosse tão ondulado!

Torci o nariz chateada. Não me lembrei de como estava incrivelmente “Natural”, e agora ela, provavelmente, ia dizer a todos os outros que eu não era eu!

Bati com a mão na testa. Sentia-me tão mal, ate me apetecia vomitar.

Senti as suas mãos frias tocarem-me:

-estás mesmo quente… Se calhar era melhor tomares qualquer coisa!

-A sério, não preciso de nada!

-Como te sentes? – Perguntou preocupada.

-Tonta… Enjoada… - Respondi com sinceridade - Não tenho posição certa para estar…

-Já comeste alguma coisa?

Neguei com a cabeça.

Ela pegou no telemóvel dela e marcou um número. Depois encostou-o á sua orelha direita.

-O que vais fazer? – Inquiri, com alguma falta de ar.

Ela não respondeu, e continuou á espera que alguém a atendesse.

-Lili a quem estas a ligar?

-Chiu!

Encolhi-me na cama e cobri-me um pouco mais, com os olhos fechados. Ela começou a falar de repente:

-Oi! Ahm, é a Liliana! – Exclamou. Eu entreabri os olhos e espreitei-a – bem, queria saber se já acabaste o teu turno!

Fez-se um momento de pausa e ela sorriu.

-é que eu precisava de te perguntar umas coisas! Estou com uma amiga minha e ela está doente…

Fez-se outra pausa.

-Ela deve ter febre, e diz que se sente um pouco enjoada… Não, ainda não comeu nada…

Mordi o lábio incomodada. Não sabia com quem Lili estava a falar. Seria algum médico?

Ela encostou o telemóvel no peito e olhou para mim:

-Já tomaste algum comprimido, ou alguma medicação?

-Com quem estás a falar? – Perguntei outra vez. Ela fez-me novamente a pergunta e eu suspirei aborrecida – Não…

-Hum… - Ela colou novamente o telemóvel ao ouvido – Ouviste?... Sim, eu faço isso! Hum, obrigada, qualquer coisa eu ligo-te, ok? Sim, claro… Adeus, beijinhos!

Movi-me um pouco na cama. O meu corpo estava dorido e sentia-me como se tivesse sido espancada. A minha cabeça, para melhorar a situação, parecia que ia rebentar e sentia alguma fome. Fechei os olhos e passei o meu braço pela testa.

Subitamente algo entrou na minha boca. Algo frio e pequeno. Abri as pálpebras pesadas.

Lili estava mais próxima de mim, e esperava algo:

-Estás quase Lanita… - Murmurou e tocou-me com a sua pele húmida, como se tivesse acabado de lava-la com agua fria.

Eu voltei a fechar os olhos deixei-me estar quieta.

Liliana segurou-me no braço e retirou-o de cima da minha testa. Com as pontas dos dedos ela percorreu a parte inferior do meu membro lentamente:

-O que te aconteceu?

Abri os olhos sem saber do que ela falava e olhei para o meu braço. Estava cheio de pequenos cortes e alguns pareciam estar ainda abertos.

Arrepiei-me ao imaginar os cacos roçarem-me na pele.

-Ah… Cortei-me… – Respondi com dificuldade devido ao termómetro que estava debaixo da minha língua.

-Credo… Foi sem intenção, não foi?

-Claro!

-Hum… - Ela retirou-me o termómetro e viu a minha temperatura -37,8 graus… Bem, desceu um pouco, mas continuas com alguma febre… Vou preparar-te alguma coisa para comeres. Em jejum é que não ficas melhor.

Ela levantou-se da cama e caminhou em direcção á cozinha.

Eu fechei os olhos na sua ausência, enquanto escutava as portas dos armários a bater e as louças a tilintar quando ela lhes mexia. Comecei então a sentir o cheiro a manteiga derretida. O meu estômago rebolou totalmente dentro de mim, eu não sabia se conseguiria ingerir alguma coisa naquele estado infeliz, mas tinha a certeza que Liliana não aceitaria a minha rejeição ao que ela me estava a preparar.

Soltei um pequeno gemido ao sentir o cheiro mais intenso.

Lili irrompeu pelo quarto com uma bandeja preta nas mãos e pousou-a na mesinha de cabeceira ao meu lado:

-Bom apetite! – Exclamou sorridente.

Eu fiz um esgar aflito quando me sentei na cama.

-Oh meu deus! O que fizeste á tua roupa?! – Perguntou Liliana um pouco assustada

Franzi o sobrolho admirada com a sua reacção estranha, mas então eu própria me assustei com os meus trajes. A minha camisola tinha a parte da frente meia descosida, e senti facilmente um grande rasgão nas minhas costas, que a Liliana felizmente ainda não tinha visto. Apressei-me a inventar algo que não denunciasse o meu problema “branco”:

-Hum… eu sou um pouco desajeitada e… - Coloquei a mão atrás da cabeça como se fosse coça-la e fiz um ar de tontinha – bem, ontem quando vim para casa, fiquei com a camisola presa num ramo de uma arvore… O resto já deves imaginar…

Ela pareceu acreditar facilmente na minha explicação.

-Bom, nesse caso, come! – Incentivou

-oh… Lili, não leves a mal, mas acho que não consigo comer nada…

-Faz um esforço, por favor Lana!... – Pediu educadamente – Será pior se continuares de estômago vazio!

Ela pegou num pedaço de torrada com um guardanapo de papel e aproximou-o da minha boca:

-Vá, tenta! Vais ver que é muito bom!

Fiz um pequeno beicinho e abri a boca para morder a torrada.

Mastiguei com algum esforço e depois senti necessidade de beber. Ela apercebeu-se e pegou rapidamente na chávena de chã que estava em cima do tabuleiro.

Eu bebi dois goles e ela voltou a dar-me de comer:

-Hum, sinto-me uma criança autêntica – Resmunguei de boca cheia.

-Eu estou a achar esta experiencia muito engraçada!

-Chama-lhe engraçada…

Acabei de engolir outro pedaço de pão torrado e tentei descobrir-me:

-Ok, já chega!... Quero ir dar banho!...

-Não, acaba o chã!

Lili já estava com a chávena na mão, e eu sem me aperceber disso dei-lhe um toque um pouco bruto que a fez perder o controlo sobre o objecto.

Acabamos por nos molharmos as duas, e por pouco a xícara não se estatelou no chão.

-ai desculpa! – Lamentei.

Lili pareceu não me ter escutado e pegou num guardanapo para limpar os lençóis da cama.

Foi nesse momento que vi algo estranho nas suas mãos.

Franzi as sobrancelhas equivocada e peguei-lhe no braço para examinar a sua mão.

Ela pareceu estremecer quando eu lhe toquei.

Passei o meu dedo indicador pela palma dela. Senti uma fricção óbvia entre as nossas peles. Reparei que as suas mãos estavam também um pouco brilhantes de mais.

-O que é isto? – Perguntei sem a olhar nos olhos.

Liliana tentou soltar-se de mim e escondeu a mão atrás das costas.

-Nada!

-Lili… - Eu não sabia o que dizer. Havia algo de errado com ela.

Finalmente, dirigi o meu olhar para os seus olhos, e consegui distinguir o brilho de preocupação e medo que por eles passava.

Puxei-lhe o braço novamente. Ela parecia estar mais solta, mas também mais tensa.

Voltei a olhar para o braço dela e esfreguei a minha mão nele.

Ela contraiu-se um pouco e eu notei que ela estava desconfortável com a situação, contudo não a larguei. Sentia uma textura diferente.

-O que andaste a fazer? – Questionei, apesar de essa pergunta não ser a ideal.

Ela encolheu os ombros sem nada responder. Eu fiquei ainda mais equivocada:

-Tens uma tatuagem?

A pulsação dela aumentou; Eu senti-o no seu pulso.

-É melhor que me largues... – Avisou, agora a tremer.

-Lili, o que se passa? A que se deve isto?!

Ela abanou a cabeça e soltou-se de mim. Num ápice saiu do quarto.

Algo estava errado com ela.

Levantei-me finalmente e pus-me em pé apressadamente, mas senti-me tonta com tanta pressa que tive de me segurar na cabeceira da cama para recuperar o sentido de orientação. Respirei fundo e peguei num casaco de malha para esconder a camisola rasgada. Lentamente andei até á cozinha.

Ela estava de costas para mim, a limpar os braços e as mãos com um pano de cozinha.

Dei pequenos passos na direcção dela, sem que me escutasse e esperei que ela se virasse para mim.

-Não digas a ninguém…

Apercebi-me de um tom de derrota na sua voz.

-Não digo o quê? – Coloquei as minhas mãos apoiadas no balcão – Não percebi muito bem o que aconteceu… O que haveria para dizer neste caso?

Ela encolheu os ombros e voltou-se para mim.

Comecei a sentir a minha pulsação acelerada e a respiração ofegante. Senti um calor desconfortável no meu corpo e não me contive. Tentei segurar-me a algo, mas só acabei por partir o açucareiro, e num segundo toda a divisão da casa girou na minha cabeça.

Tudo perdeu a nitidez...







Well, people, acho que ja deu pa entender o nome da fic! Matreiro A proxima parte nao sei se vai demorar muito a ser postada, porque eu tenho a fic praticamente a meio na minha pen, e como gravei o ficheiro no word de 2007 nao consigo abrir neste computador e no outro dá erro! Mal disposto'

Torçam para que eu nao perca tudo o que tenho vindo a fazer (que é muito! Chorar Crying or Very sad )



bjokas
as minhas fic's:
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
-Angelical
Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^

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