[Terminada] Angelical
Lulu, prefiro a segunda versão. Tem mais sentido, afinal a Laninha é um anjo. Os anjos conseguem sentir as almas das pessoas. Adorei a parte em que o Gustavo olha para ela e tem desejo de estar com ela. Dá para ver que ele não a esqueceu. Mas hás-de me explicar porque raio ele mudou de comportamento tão de repente.
Bem... até lá, espero por próximos capítulos... Espero que escrevas a segunda versão, achei mais bonito e a "revelação" da Rebeca foi mais convincente (quase que dei um salto quando ela disse que a Lana não possuia sangue humano), para além de, por algum motivo, achei a escrita mais desenvolvida e agradável de ler
Bem... até lá, espero por próximos capítulos... Espero que escrevas a segunda versão, achei mais bonito e a "revelação" da Rebeca foi mais convincente (quase que dei um salto quando ela disse que a Lana não possuia sangue humano), para além de, por algum motivo, achei a escrita mais desenvolvida e agradável de ler

Espero por ti em cada segundo , porque tu és o meu mundo!

Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
Visitem a minha 1ª Fic ----->The Four elements

Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
Visitem a minha 1ª Fic ----->The Four elements
obrigada pela opiniao meninas!
Eu vou dar uns retoques a esta versao, enquanto espero por mais alguns comentarios!
Entretanto se mais ninguem disser nada, prometo que sexta feira ou no proximo fim de semana posto a versao que voces querem!
bjokas!
Eu vou dar uns retoques a esta versao, enquanto espero por mais alguns comentarios!
Entretanto se mais ninguem disser nada, prometo que sexta feira ou no proximo fim de semana posto a versao que voces querem!
bjokas!
as minhas fic's:
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
-Angelical
Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
-Angelical
Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^
Well people, o prometido é devido, e como nao apareceram mais comentarios vou prosseguir a historia com a versao 2!
Para aqueles que nao gostam, lamento, mas foi o combinado!
'
Aqui fica a 2ª parte do capitulo (haverá ainda uma terceira parte!)
Espero que gostem:
Capitulo IX - Auras (Parte 2)
Não tive resposta. De um segundo para outro ela estava tão espevitada! Onde estava a Rebeca calma e tímida que eu conheci?! Porque é que ela estava tão agressiva comigo?!
-Lana! - Chamou Lili atrás de mim.
Eu dei um salto com o susto e engoli a seco. Ela estava animada e descontraída, o que lhe impediu de aperceber-se do meu susto, afinal de contas o teste tinha terminado!
- Procuramos-vos por toda a escola!
Rebeca olhou para ela com aquele seu ar de querida e sorriu.
-Então, como vos correu o teste? – Perguntou Natacha, que a acompanhava, sem interesse verdadeiro na nossa resposta.
-bem… - Respondi, com as mãos a tremer.
Sentia-me na boca do lobo! Natacha e Lili estavam tão calmas em relação a Rebeca! Eu, se fosse necessário, até trepava paredes para me afastar dela, que, com aquela sua faceta tímida quando na realidade o escárnio adornava o seu olhar intenso, sorria gentilmente para todas nós.
-A mim também…
-Estais com cara de caso! – Acusou a loirinha com um sorriso maroto.
-Porque havíamos de estar? – Vozeou Rebeca, olhando-me de relance.
Liliana lançou-me um olhar cúmplice. Entendeu aí que eu não estava bem, e sentiu-se preocupada.
-Bem… Vou comer...!
Atentei em Rebeca num reflexo rápido e assustado. Ela percebeu a minha reacção.
-Um pão com queijo...! – Concluiu, e depois apercebei-me que ela troçou de mim mentalmente.
-Eu vou contigo! – Declarei.
Eu tinha medo de estar junto dela, porem tive a sensação que se ela fosse sozinha lanchar, não havia de morder nenhum pão com queijo, mas sim outra coisa bizarra.
-Não é preciso! – garantiu.
-Vamos todas! – Propôs Liliana.
-Eu aproveito e vou ter com o Sérgio! – Exclamou Natacha dando o braço a Rebeca, completamente a leste de nós as três.
Liliana beliscou-me o braço sem intenção de me magoar e eu mirei-a:
-Depois explico…!
Todas demos a volta á escola e juntamo-nos aos alunos espalhados pelo recreio. A minha cabeça latejava com tantas vozes e tantas emoções. Coloquei o capucho do meu casaco para proteger a minha cabeça, o meu olhar e os meus ouvidos e segui caminho desconfortavelmente. Rebeca ia á frente, seguida por Natacha que falava animadamente sem receber a atenção adequada. Eu tomava conta da suposta vampira, certificando-me que aquilo não passava de uma brincadeira de mau gosto. Rebeca estava novamente com aquela sua emoção de repulsa, mas apresentava um rosto tão sereno e pacato que nunca ninguém diria que ela era tão frontal com assuntos anormais e assustadores!
O meu maior medo naquele instante era o facto de ela a qualquer momento ela podia não resistir… Eu nem queria pensar nisso! Se era verdadeiramente uma espécie de sanguessuga, não aguentaria muito tempo sem beber um litro de sangue humano! E se ela atacava algum de nós?! Só queria alcança-la para tirar as minhas duvidas, porem Natacha parou de repente impedindo-me a passagem e uns enormes braços envolveram-na juntamente com um beijo que a deixou ofegante:
-Onde estavas? – Perguntou Sérgio com os lábios ainda perto dos dela. O carinho era nítido naquelas suas pessoas, especialmente para mim que senti com clareza a paixão de Natacha e o desejo do seu recente parceiro.
-Por aí… - respondeu-lhe ela com uma voz lenta.
Ela puxou-o para ela e ele puxou-a para ele, até os seus lábios se tocarem novamente.
-Bah, tanto mel! – Reclamou Rodrigo enojado dando uma cotovelada nos ombros de Sérgio. Este por sua vez não soltou os lábios da namorada e em vez disso deu um coice na perna do amigo, fazendo-o gemer ligeiramente.
Por pouco não ri da situação, no entanto Rebeca tinha desaparecido da minha vista e Liliana continuava ao meu lado também distraída com aquele casal.
Tentei passar por eles discretamente, sem incomodar, e comecei a subir as escadas que davam acesso á cafetaria, mas o caminho estava apertado e levei um encontrão que me fez desequilibrar para a frente. Os meus pés enrolaram-se e eu não me consegui segurar. Pensei que ia dar o maior trambolhão da minha vida, mas não. Nem lá perto…
O meu pulso foi firmemente apertado e eu consegui manter-me de pé miraculosamente. O capucho caiu da cabeça e eu soltei um esgar de dor, contudo ignorei essa sensação com a noção de que aquilo era psicológico. Levantei o olhar e atentei no caminho, á procura dela, no entanto Rebeca continuava sem dar sinais de vida.
-Desculpa… - Murmurei para quem me segurou, sem lhe prestar atenção.
Senti aquela mão fazer menos força no meu pulso e dois dedos passearem sobre a minha pele lentamente. Olhei então para quem me salvara de uma queda evidente e fiquei ligeiramente incomodada com Ele.
A sua visão estava direccionada para o meu pulso enquanto a sua pele tocava os cortes ligeiros mas salientes que eu tinha feito acidentalmente.
O meu coração bateu mais fortemente outra vez e tentei controlar aquela sensação de ódio e desejo que me percorreu ao sentir a pele dele tocar na minha.
Num impulso tardio libertei-me dele e observei a sua reacção.
-… Lana…?
Ele não prosseguiu. Fitou-me com aqueles olhos e eu não pude deixar de os contemplar como que enfeitiçada.
Cada dia mais azuis, e quanto mais perto, mais belos e penetrantes pareciam.
Senti o meu coração inchar e o meu peito parecer pequeno demais para o manter lá dentro.
Não deixei que ele me hipnotizasse e virei o olhar que por azar dos azares foi bater exactamente nos olhos de Letícia, que o acompanhava.
Ela observou-me a mim por um segundo e depois contemplou Gustavo por mais tempo. Um sentimento de culpa e de pena fê-la morder o lábio, e esse acto fez-me acreditar que ela sabia algo imprescindível sobre aquele minuto envolvente para mim. Gustavo, porem, pareceu ficar triste por dentro, o que me deixou verdadeiramente de rastos! Como é que ele me estava a afectar tanto?! Até mais do que os outros?!
Apeteceu-me abraça-lo com todas as minhas forças, mas não o faria! Nunca! Ele não merecia!
Senti que já não estava ali a fazer nada, a não ser é claro, de emplastro, por isso desviei-me para passar por ele e procurar novamente quem eu perdera de vista:
-Espera…! – Disse de repente. Eu olhei para ele admirada e apercebi-me de um pingo de nervosismo na sua voz – As minhas… irmãs… Disseram-me que estavas doente… Sentes-te bem...?
Quase me ri da pergunta absurda e voltei a ganhar-lhe um ódio violento. Recordei a forma rude com que ele me tratara quando eu quis saber o motivo dos seus actos estranhos e citei o que ele me disse de acordo com o meu caso:
-Porque te preocupas...? – Perguntei sarcasticamente. Isso pareceu incomoda-lo - Mesmo que não me sentisse bem, não irias ser tu a fazer-me sentir melhor! – Finalizei com firmeza. Ele mostrou arrependimento, e foi fácil deduzir que aquelas palavras magoavam.
-Eu… Só queria saber o que te aconteceu… - Gustavo olhou mais uma vez para o meu pulso.
Lili juntou-se a mim finalmente e engatou o seu braço no meu como estávamos anteriormente.
A minha visão ficou turva e eu disse aquilo que mais me magoou na conversa com ele:
-Não precisas de saber nada da minha vida!
Nem quis ver a reacção dele e acelerei os meus passos, arrastando Lili comigo. Aquele tipo só me dava vontade de chorar! Ele foi um desgosto, especialmente porque eu pensei que ele ia ser o meu confidente ou o meu melhor amigo! Que raiva!
Já sentia aqueles ossos extra nas minhas costas a batalharem contra os meus músculos e a minha pele, para se mostrarem ao mundo, e eu desesperada lutava contra isso, sem conseguir evitar as dores:
-Lana, sentes-te bem? – Perguntou Liliana, preocupada.
-Não! – Respondi com sinceridade – está a doer-me muito!
-Tem calma! Não te descontroles! – Disse atrapalhada – O que foi que ele te disse?
-Nada de mais… Mas é difícil encara-lo…
Fez-se um breve silêncio entre nós enquanto eu tentava de alguma forma controlar o meu corpo e as minhas dores. Escutei o suspiro profundo de Liliana e ela chegou-se mais a mim:
-Sabes, não me chegaste a dizer o que aconteceu para ele de repente deixar de falar para ti…
-Prefiro não te contar… Não quero perder a única amiga que ganhei aqui…
Ela calou-se com as minhas palavras, admirada, e logo me arrependi de as ter proferido. Mudei de assunto rapidamente:
-Temos de encontrar a Rebeca! Ela deixou-me muito confusa!
-O que lhe disseste, Lana?!
-Nada, ela é que me disse a mim…!
-Disse o quê?!
-Tu sabes… Aquilo que eu te disse sobre ela…
-Disseste que ela era má e que nos queria atacar! – Relembrou rindo em tom de troça.
-E tinha razão! Ela disse-me que era… - Baixei o meu tom de voz e olhei para os lados para ser discreta – Uma vampira…!
-Vampira?! – Ela Citou-me tão alto que eu quase caí para o lado - Tu só podes estar a brincar comigo! Vampira?!
Muitos olhares atentaram em nós duas. Eu senti-me a morrer ali mesmo.
Todas aquelas auras e penetrarem na minha mente e a intoxicarem-me por completo. O que é que eu ia fazer agora?!
Lili entreolhou-me também incomodada:
-És mesmo sádica! - Disse em volume elevado, de propósito para que a ouvissem.
Os outros alunos, muito lentamente, retomaram aos seus hábitos após o que ela proferiu. De facto não era complicado olhar para mim e não me achar cruel, o que tinha uma certa piada.
-É melhor teres mais cuidado com o teu tom de voz! – Aconselhei em baixo tom.
-Desculpa, mas estás armada em estúpida!
-Olha, eu só disse a verdade, exactamente o que ela me disse! Eu também achei que ela estava a brincar, mas pelos vistos ela ate sangue bebe!
-Ai que nojo, Lana! Nem digas essas coisas! – Ela estremeceu de cima abaixo tanto por medo como por repúdio.
-Mas é verdade, há quanto tempo é que ela já o será?! – Questionei-me amedrontada.
-Ela não é nada disso! Ela mentiu-te! Estava a gozar contigo porque notou o teu espírito sensível de hoje!
-Isso é mentira! – Contrapus – Lili, ela mostrou-me os dentes delas!
-Tu és doida rapariga!
-Eu juro!...
Ela parou os seus passos de repente e olhou-me estupefacta.
-Eu acho que isso é uma brincadeira, e tu és uma tonta por acreditares!
-Acredites ou não, eu sei o que vi e tenho medo que ela nos ataque…!
Suspirei profundamente e observei o céu cinzento:
-Ela também se apercebeu que eu estava diferente, e sabes que mais? – Rectifiquei enquanto tentava avistar a “vampira” durante o meu percurso – A miúda disse que eu tinha o melhor cheiro a sangue cá da zona!
-Não acredito...!
Lili deu uma leve gargalhada e agitou a cabeça em tom de reprovação:
-Às vezes penso que não és deste mundo!
-Depois de Quarta-feira eu penso da mesma forma…!
A rapariga silenciou e olhou para o chão, confusa. Depois encarou-me franzindo o sobrolho:
-Então o que me tens estado a dizer até agora é que, da mesma forma que tu és…qualquer coisa… a Rebeca pode ser também… algo?
-Eu acredito nela por experiencia própria!
Voltei a tapar a minha cabeça com o capucho, ao ver o bar a aproximar-se.
Lili mordeu o lábio e cruzou os braços após esfrega-los:
-Estou a ficar com medo…!
-Até que enfim me entendes!
Por fim entrei na cafetaria. Estava a abarrotar como era costume, e sempre atenta perfurei por entre os outros alunos, seguida por Liliana que tal como eu procurava alguém:
-Lá está ela! – Exclamou apontando para uma das mesas.
Suspirei de alívio e tentei vê-la. Fiquei espantada com ela. Á sua frente tinha todo o tipo de comida, mais especificamente um croissant misto, outro com fiambre, um pão com queijo, um pão com manteiga, um compal de pêssego, um Ice tea de limão, e um leite achocolatado. Tudo isso intacto enquanto ela devorava um bolo enorme cheio de creme de ovo!
O meu estômago balançou-se dentro de mim e apercebi-me que também Liliana ficou enojada:
-Pensei que ela tivesse sede de… - ela hesitou - bom, tu sabes!... Porque raio está a comer aquilo como um animal…?
-Não faço ideia!
Lili passou-me á frente como uma flecha e apressadamente foi ter com Rebeca. Eu preparei-me para segui-la, porem fui surpreendido por uns braços masculinos a impedirem-me a passagem:
-Lana, Não é? – Falou uma rapariga colocando-se em frente a mim.
Fitei-a. Era uma jovem da minha altura. Elegante, com um corpo esbelto realçado pelo vestido colorido que lhe chegava aos joelhos. Os seus cabelos castanhos ondulados e curtos contrastavam com a pele clara adornava por uns olhos verdes incrivelmente penetrantes e desconfortáveis, pelo menos para mim.
-precisamos de falar contigo! – Falou o rapaz, com grande arrogância.
Tive de levantar a cabeça para enxergá-lo.
Ela magro, mas rijo. Os seus ombros eram largos e os braços compridos, tal como as pernas. Ele trajava uma roupa menos colorida do que a sua parceira, porem o seu olhar escuro era ainda mais desconfortável do que o dela. Senti-me forçada a olhar para o chão, parecia que aqueles olhos magoavam se eu os olhasse!
-Desculpem, mas eu não vos conheço…
A rapariga sorriu cinicamente e apontou para si mesma.
-Mas é claro, desculpa a falta de educação – Ela manteve o seu sorriso amarelo, infelizmente identifiquei algumas intenções secundarias na sua voz – Eu sou a Joana e este é o meu primo Rui…
Levantei a mão em tom de cumprimento e sorri sem verdadeira vontade:
-Eu sou a Lana, mas pelos vistos vocês já sabiam!
-Quem não souber quem tu és, é porque é cego e surdo!
Mordi o lábio envergonhada. Odiava ser o centro das atenções.
-Bom, o que me queriam dizer?
O rapaz, Rui, agarrou-me pela coxa do braço com uma força tão exagerada que eu por pouco não gritei. Era um daqueles toques que a minha pele não suportava, um toque me metia medo e trazia más recordações.
-Não dá para falarmos aqui! – Murmurou Joana olhando de relance em seu redor – Vamos para um sítio mais calmo.
Assenti com a minha cabeça. Eles começaram a rebocar-me para fora daquele local com alguma pressa. Olhei para a mesa de Rebeca de raspão, na esperança de Lili me ver, mas quando dei por isso já tínhamos abandonado o bar da escola e rumado até um sitio com menos gente.
-Onde está a vampira?!
-O quê?! – Aquela pergunta soou-me como uma bala a atravessar o meu corpo. Que forma rude de falar era aquela?! Como é que eles sabiam?!
-É muito simples, Lana! – Falou a rapariga, antipática - Nós ouvimos aquela miudinha que estava contigo a falar numa vampira!
-Queremos saber onde está ela! – Concluiu Rui.
Eu nem sabia o que dizer. Eles pareciam determinados. Pareciam saber que neste mundo não habitavam apenas humanos. Mas a forma fria como proferiam cada palavra deixava-me assustada! Eles podiam não saber nada… Ou então podiam, contudo algo me dizia que as suas intenções não eram as mesmas que as minhas. Eles não queriam entender a Rebeca, e eu não ia deixa-los fazerem-lhe mal enquanto não tivesse certezas sobre os perigos a que estava sujeita!
-Vocês drogaram-se?! – Acusei fingindo-me de trocista – vampiros?! Que mais há?! Sereias?!
Eles entreolharam-se sérios.
-Essas coisas não existem, têm noção disso, não têm?!
-Mentes! – Declarou o rapaz, irritado – Tu não és humana, certamente!
Engoli a seco discretamente e sorri:
-Achas que sou uma vampira?!
-Não! Mas sabes onde há uma!
-Eu não sei nada!.. Vocês são loucos!
O toque de entrada soou.
Estava na hora de eu ir para a minha próxima aula. Tentei mover-me um milímetro mas Rui voltou a apertar-me o braço ainda com mais força do que antes, zangado comigo. Não consegui evitar de gemer e soltar um esgar com a dor, no entanto ele não me soltou, nem fez menos pressão sobre mim:
-Diz a verdade! Onde está esse animal?!
-Não, já disse que não sei nada disso! Soltem-me!
Ele continuou sem me libertar, enquanto eu me contorcia para desprender o meu braço dorido. Joana, para piorar a minha dor cravou duas das suas unhas no mesmo sítio onde eu era apertada. Soltei um pequeno grito de dor:
-Estão a magoar-me!
-Diz a verdade! – Ordenou ela. A sua voz por momentos confundiu-se num rugido mudo que estava a ser criado na sua garganta. Os seus olhos verde-água magoaram-me. Fizeram-me sentir uma pontada no coração, e uma dor na cabeça horrível.
-Não…!
A minha visão começou a desfocar-se instantaneamente, e consequentemente o olfacto parou de funcionar.
Eu não podia dizer nada, acontecesse o que acontecesse! Não ia atirar Rebeca para aqueles dois psicopatas que me estavam a magoar! Naquele momento o meu único desejo era poder ir para a aula!
Por fim, Rui começou a fazer menos força sobre os meus músculos e Joana desviou o seu olhar da minha visão. Miraculosamente voltei a sentir tudo normal, voltei a ver com nitidez e o meu cheiro voltou. Aí entendi o porquê de eles me soltarem tão repentinamente. O seu odor estava a invadir o ar, ar esse que naquele momento se tornou óptimo de respirar:
-Passa-se alguma coisa? – Perguntou com a sua voz firme e educada ao mesmo ritmo que dava dois passos breves.
-Nenhum, Gustavo! – Assegurou Rui soltando o meu braço definitivamente, com grande descrição.
-Não devias estar já na aula? – Interrogou Joana com um sorriso largo.
Ele sorriu-lhe com charme. Quase tropecei a olhar para ele.
-Apercebi-me que faltava a Lana, por isso vim busca-la!
Rui riu-se e empurrou-me pela cintura na direcção de Gustavo:
-Agora és guardião de meninas más?
Gustavo ficou sério e franziu as sobrancelhas na direcção dele, tal como eu que o olhei de soslaio por cima dos meus ombros.
-E se fossem para a vossa aula?! Acho que não somos só nós que estamos atrasados.
-Tens razão! – Concordou a jovem. Ela estava totalmente derretida – Vamos indo, Rui!
Os dois lançaram-me outro olhar matador ao mesmo tempo. Todo o meu corpo estremeceu!
Fui mais rápida do que eles e saí daquele local praticamente a correr, ate que tive de segurar o meu braço. Estava cheia de dores e reparei que uma nódoa negra enorme se estava a formar nele, o que era mau sinal já que a aula de educação física me esperava.
Entrei no balneário e provoquei um estrondo ao bater a porta.
-Lana! Onde estavas?! – Perguntou Liliana já pronta para ir para o pavilhão desportivo.
-Em lado nenhum! – Respondi - Vai para a aula e diz ao professor que eu vou já para lá!
-Ok…preciso de te dizer uma coisa!
-Está bem, não te esqueças do que vais dizer!
Ela acenou e saiu do balneário deixando-me lá sozinha a equipar-me. Vesti uma t-shirt branca com o emblema da escola a vermelho, que me tinham dado logo na primeira aula de educação física juntamente com os equipamentos de natação, e umas calças vermelhas.
Corri mais uma vez até entrar no pavilhão e o professor nem me deu oportunidade de me aproximar e pedir desculpa pelo atraso. Atirou-me uma bola de basquete para as mãos e apontou para os meus colegas, para que eu os imitasse.
Lamento que seja pequeno, mas se metesse o capitulo todo ficava demais!
Bom, agradeço comentarios construtivos! se virem muitos erros, falta de descriçoes ou assim, nao hesitem em dizer!
Em breve posto a parte 3!
Bjokas
Para aqueles que nao gostam, lamento, mas foi o combinado!
'Aqui fica a 2ª parte do capitulo (haverá ainda uma terceira parte!)
Espero que gostem:
Capitulo IX - Auras (Parte 2)
Não tive resposta. De um segundo para outro ela estava tão espevitada! Onde estava a Rebeca calma e tímida que eu conheci?! Porque é que ela estava tão agressiva comigo?!
-Lana! - Chamou Lili atrás de mim.
Eu dei um salto com o susto e engoli a seco. Ela estava animada e descontraída, o que lhe impediu de aperceber-se do meu susto, afinal de contas o teste tinha terminado!
- Procuramos-vos por toda a escola!
Rebeca olhou para ela com aquele seu ar de querida e sorriu.
-Então, como vos correu o teste? – Perguntou Natacha, que a acompanhava, sem interesse verdadeiro na nossa resposta.
-bem… - Respondi, com as mãos a tremer.
Sentia-me na boca do lobo! Natacha e Lili estavam tão calmas em relação a Rebeca! Eu, se fosse necessário, até trepava paredes para me afastar dela, que, com aquela sua faceta tímida quando na realidade o escárnio adornava o seu olhar intenso, sorria gentilmente para todas nós.
-A mim também…
-Estais com cara de caso! – Acusou a loirinha com um sorriso maroto.
-Porque havíamos de estar? – Vozeou Rebeca, olhando-me de relance.
Liliana lançou-me um olhar cúmplice. Entendeu aí que eu não estava bem, e sentiu-se preocupada.
-Bem… Vou comer...!
Atentei em Rebeca num reflexo rápido e assustado. Ela percebeu a minha reacção.
-Um pão com queijo...! – Concluiu, e depois apercebei-me que ela troçou de mim mentalmente.
-Eu vou contigo! – Declarei.
Eu tinha medo de estar junto dela, porem tive a sensação que se ela fosse sozinha lanchar, não havia de morder nenhum pão com queijo, mas sim outra coisa bizarra.
-Não é preciso! – garantiu.
-Vamos todas! – Propôs Liliana.
-Eu aproveito e vou ter com o Sérgio! – Exclamou Natacha dando o braço a Rebeca, completamente a leste de nós as três.
Liliana beliscou-me o braço sem intenção de me magoar e eu mirei-a:
-Depois explico…!
Todas demos a volta á escola e juntamo-nos aos alunos espalhados pelo recreio. A minha cabeça latejava com tantas vozes e tantas emoções. Coloquei o capucho do meu casaco para proteger a minha cabeça, o meu olhar e os meus ouvidos e segui caminho desconfortavelmente. Rebeca ia á frente, seguida por Natacha que falava animadamente sem receber a atenção adequada. Eu tomava conta da suposta vampira, certificando-me que aquilo não passava de uma brincadeira de mau gosto. Rebeca estava novamente com aquela sua emoção de repulsa, mas apresentava um rosto tão sereno e pacato que nunca ninguém diria que ela era tão frontal com assuntos anormais e assustadores!
O meu maior medo naquele instante era o facto de ela a qualquer momento ela podia não resistir… Eu nem queria pensar nisso! Se era verdadeiramente uma espécie de sanguessuga, não aguentaria muito tempo sem beber um litro de sangue humano! E se ela atacava algum de nós?! Só queria alcança-la para tirar as minhas duvidas, porem Natacha parou de repente impedindo-me a passagem e uns enormes braços envolveram-na juntamente com um beijo que a deixou ofegante:
-Onde estavas? – Perguntou Sérgio com os lábios ainda perto dos dela. O carinho era nítido naquelas suas pessoas, especialmente para mim que senti com clareza a paixão de Natacha e o desejo do seu recente parceiro.
-Por aí… - respondeu-lhe ela com uma voz lenta.
Ela puxou-o para ela e ele puxou-a para ele, até os seus lábios se tocarem novamente.
-Bah, tanto mel! – Reclamou Rodrigo enojado dando uma cotovelada nos ombros de Sérgio. Este por sua vez não soltou os lábios da namorada e em vez disso deu um coice na perna do amigo, fazendo-o gemer ligeiramente.
Por pouco não ri da situação, no entanto Rebeca tinha desaparecido da minha vista e Liliana continuava ao meu lado também distraída com aquele casal.
Tentei passar por eles discretamente, sem incomodar, e comecei a subir as escadas que davam acesso á cafetaria, mas o caminho estava apertado e levei um encontrão que me fez desequilibrar para a frente. Os meus pés enrolaram-se e eu não me consegui segurar. Pensei que ia dar o maior trambolhão da minha vida, mas não. Nem lá perto…
O meu pulso foi firmemente apertado e eu consegui manter-me de pé miraculosamente. O capucho caiu da cabeça e eu soltei um esgar de dor, contudo ignorei essa sensação com a noção de que aquilo era psicológico. Levantei o olhar e atentei no caminho, á procura dela, no entanto Rebeca continuava sem dar sinais de vida.
-Desculpa… - Murmurei para quem me segurou, sem lhe prestar atenção.
Senti aquela mão fazer menos força no meu pulso e dois dedos passearem sobre a minha pele lentamente. Olhei então para quem me salvara de uma queda evidente e fiquei ligeiramente incomodada com Ele.
A sua visão estava direccionada para o meu pulso enquanto a sua pele tocava os cortes ligeiros mas salientes que eu tinha feito acidentalmente.
O meu coração bateu mais fortemente outra vez e tentei controlar aquela sensação de ódio e desejo que me percorreu ao sentir a pele dele tocar na minha.
Num impulso tardio libertei-me dele e observei a sua reacção.
-… Lana…?
Ele não prosseguiu. Fitou-me com aqueles olhos e eu não pude deixar de os contemplar como que enfeitiçada.
Cada dia mais azuis, e quanto mais perto, mais belos e penetrantes pareciam.
Senti o meu coração inchar e o meu peito parecer pequeno demais para o manter lá dentro.
Não deixei que ele me hipnotizasse e virei o olhar que por azar dos azares foi bater exactamente nos olhos de Letícia, que o acompanhava.
Ela observou-me a mim por um segundo e depois contemplou Gustavo por mais tempo. Um sentimento de culpa e de pena fê-la morder o lábio, e esse acto fez-me acreditar que ela sabia algo imprescindível sobre aquele minuto envolvente para mim. Gustavo, porem, pareceu ficar triste por dentro, o que me deixou verdadeiramente de rastos! Como é que ele me estava a afectar tanto?! Até mais do que os outros?!
Apeteceu-me abraça-lo com todas as minhas forças, mas não o faria! Nunca! Ele não merecia!
Senti que já não estava ali a fazer nada, a não ser é claro, de emplastro, por isso desviei-me para passar por ele e procurar novamente quem eu perdera de vista:
-Espera…! – Disse de repente. Eu olhei para ele admirada e apercebi-me de um pingo de nervosismo na sua voz – As minhas… irmãs… Disseram-me que estavas doente… Sentes-te bem...?
Quase me ri da pergunta absurda e voltei a ganhar-lhe um ódio violento. Recordei a forma rude com que ele me tratara quando eu quis saber o motivo dos seus actos estranhos e citei o que ele me disse de acordo com o meu caso:
-Porque te preocupas...? – Perguntei sarcasticamente. Isso pareceu incomoda-lo - Mesmo que não me sentisse bem, não irias ser tu a fazer-me sentir melhor! – Finalizei com firmeza. Ele mostrou arrependimento, e foi fácil deduzir que aquelas palavras magoavam.
-Eu… Só queria saber o que te aconteceu… - Gustavo olhou mais uma vez para o meu pulso.
Lili juntou-se a mim finalmente e engatou o seu braço no meu como estávamos anteriormente.
A minha visão ficou turva e eu disse aquilo que mais me magoou na conversa com ele:
-Não precisas de saber nada da minha vida!
Nem quis ver a reacção dele e acelerei os meus passos, arrastando Lili comigo. Aquele tipo só me dava vontade de chorar! Ele foi um desgosto, especialmente porque eu pensei que ele ia ser o meu confidente ou o meu melhor amigo! Que raiva!
Já sentia aqueles ossos extra nas minhas costas a batalharem contra os meus músculos e a minha pele, para se mostrarem ao mundo, e eu desesperada lutava contra isso, sem conseguir evitar as dores:
-Lana, sentes-te bem? – Perguntou Liliana, preocupada.
-Não! – Respondi com sinceridade – está a doer-me muito!
-Tem calma! Não te descontroles! – Disse atrapalhada – O que foi que ele te disse?
-Nada de mais… Mas é difícil encara-lo…
Fez-se um breve silêncio entre nós enquanto eu tentava de alguma forma controlar o meu corpo e as minhas dores. Escutei o suspiro profundo de Liliana e ela chegou-se mais a mim:
-Sabes, não me chegaste a dizer o que aconteceu para ele de repente deixar de falar para ti…
-Prefiro não te contar… Não quero perder a única amiga que ganhei aqui…
Ela calou-se com as minhas palavras, admirada, e logo me arrependi de as ter proferido. Mudei de assunto rapidamente:
-Temos de encontrar a Rebeca! Ela deixou-me muito confusa!
-O que lhe disseste, Lana?!
-Nada, ela é que me disse a mim…!
-Disse o quê?!
-Tu sabes… Aquilo que eu te disse sobre ela…
-Disseste que ela era má e que nos queria atacar! – Relembrou rindo em tom de troça.
-E tinha razão! Ela disse-me que era… - Baixei o meu tom de voz e olhei para os lados para ser discreta – Uma vampira…!
-Vampira?! – Ela Citou-me tão alto que eu quase caí para o lado - Tu só podes estar a brincar comigo! Vampira?!
Muitos olhares atentaram em nós duas. Eu senti-me a morrer ali mesmo.
Todas aquelas auras e penetrarem na minha mente e a intoxicarem-me por completo. O que é que eu ia fazer agora?!
Lili entreolhou-me também incomodada:
-És mesmo sádica! - Disse em volume elevado, de propósito para que a ouvissem.
Os outros alunos, muito lentamente, retomaram aos seus hábitos após o que ela proferiu. De facto não era complicado olhar para mim e não me achar cruel, o que tinha uma certa piada.
-É melhor teres mais cuidado com o teu tom de voz! – Aconselhei em baixo tom.
-Desculpa, mas estás armada em estúpida!
-Olha, eu só disse a verdade, exactamente o que ela me disse! Eu também achei que ela estava a brincar, mas pelos vistos ela ate sangue bebe!
-Ai que nojo, Lana! Nem digas essas coisas! – Ela estremeceu de cima abaixo tanto por medo como por repúdio.
-Mas é verdade, há quanto tempo é que ela já o será?! – Questionei-me amedrontada.
-Ela não é nada disso! Ela mentiu-te! Estava a gozar contigo porque notou o teu espírito sensível de hoje!
-Isso é mentira! – Contrapus – Lili, ela mostrou-me os dentes delas!
-Tu és doida rapariga!
-Eu juro!...
Ela parou os seus passos de repente e olhou-me estupefacta.
-Eu acho que isso é uma brincadeira, e tu és uma tonta por acreditares!
-Acredites ou não, eu sei o que vi e tenho medo que ela nos ataque…!
Suspirei profundamente e observei o céu cinzento:
-Ela também se apercebeu que eu estava diferente, e sabes que mais? – Rectifiquei enquanto tentava avistar a “vampira” durante o meu percurso – A miúda disse que eu tinha o melhor cheiro a sangue cá da zona!
-Não acredito...!
Lili deu uma leve gargalhada e agitou a cabeça em tom de reprovação:
-Às vezes penso que não és deste mundo!
-Depois de Quarta-feira eu penso da mesma forma…!
A rapariga silenciou e olhou para o chão, confusa. Depois encarou-me franzindo o sobrolho:
-Então o que me tens estado a dizer até agora é que, da mesma forma que tu és…qualquer coisa… a Rebeca pode ser também… algo?
-Eu acredito nela por experiencia própria!
Voltei a tapar a minha cabeça com o capucho, ao ver o bar a aproximar-se.
Lili mordeu o lábio e cruzou os braços após esfrega-los:
-Estou a ficar com medo…!
-Até que enfim me entendes!
Por fim entrei na cafetaria. Estava a abarrotar como era costume, e sempre atenta perfurei por entre os outros alunos, seguida por Liliana que tal como eu procurava alguém:
-Lá está ela! – Exclamou apontando para uma das mesas.
Suspirei de alívio e tentei vê-la. Fiquei espantada com ela. Á sua frente tinha todo o tipo de comida, mais especificamente um croissant misto, outro com fiambre, um pão com queijo, um pão com manteiga, um compal de pêssego, um Ice tea de limão, e um leite achocolatado. Tudo isso intacto enquanto ela devorava um bolo enorme cheio de creme de ovo!
O meu estômago balançou-se dentro de mim e apercebi-me que também Liliana ficou enojada:
-Pensei que ela tivesse sede de… - ela hesitou - bom, tu sabes!... Porque raio está a comer aquilo como um animal…?
-Não faço ideia!
Lili passou-me á frente como uma flecha e apressadamente foi ter com Rebeca. Eu preparei-me para segui-la, porem fui surpreendido por uns braços masculinos a impedirem-me a passagem:
-Lana, Não é? – Falou uma rapariga colocando-se em frente a mim.
Fitei-a. Era uma jovem da minha altura. Elegante, com um corpo esbelto realçado pelo vestido colorido que lhe chegava aos joelhos. Os seus cabelos castanhos ondulados e curtos contrastavam com a pele clara adornava por uns olhos verdes incrivelmente penetrantes e desconfortáveis, pelo menos para mim.
-precisamos de falar contigo! – Falou o rapaz, com grande arrogância.
Tive de levantar a cabeça para enxergá-lo.
Ela magro, mas rijo. Os seus ombros eram largos e os braços compridos, tal como as pernas. Ele trajava uma roupa menos colorida do que a sua parceira, porem o seu olhar escuro era ainda mais desconfortável do que o dela. Senti-me forçada a olhar para o chão, parecia que aqueles olhos magoavam se eu os olhasse!
-Desculpem, mas eu não vos conheço…
A rapariga sorriu cinicamente e apontou para si mesma.
-Mas é claro, desculpa a falta de educação – Ela manteve o seu sorriso amarelo, infelizmente identifiquei algumas intenções secundarias na sua voz – Eu sou a Joana e este é o meu primo Rui…
Levantei a mão em tom de cumprimento e sorri sem verdadeira vontade:
-Eu sou a Lana, mas pelos vistos vocês já sabiam!
-Quem não souber quem tu és, é porque é cego e surdo!
Mordi o lábio envergonhada. Odiava ser o centro das atenções.
-Bom, o que me queriam dizer?
O rapaz, Rui, agarrou-me pela coxa do braço com uma força tão exagerada que eu por pouco não gritei. Era um daqueles toques que a minha pele não suportava, um toque me metia medo e trazia más recordações.
-Não dá para falarmos aqui! – Murmurou Joana olhando de relance em seu redor – Vamos para um sítio mais calmo.
Assenti com a minha cabeça. Eles começaram a rebocar-me para fora daquele local com alguma pressa. Olhei para a mesa de Rebeca de raspão, na esperança de Lili me ver, mas quando dei por isso já tínhamos abandonado o bar da escola e rumado até um sitio com menos gente.
-Onde está a vampira?!
-O quê?! – Aquela pergunta soou-me como uma bala a atravessar o meu corpo. Que forma rude de falar era aquela?! Como é que eles sabiam?!
-É muito simples, Lana! – Falou a rapariga, antipática - Nós ouvimos aquela miudinha que estava contigo a falar numa vampira!
-Queremos saber onde está ela! – Concluiu Rui.
Eu nem sabia o que dizer. Eles pareciam determinados. Pareciam saber que neste mundo não habitavam apenas humanos. Mas a forma fria como proferiam cada palavra deixava-me assustada! Eles podiam não saber nada… Ou então podiam, contudo algo me dizia que as suas intenções não eram as mesmas que as minhas. Eles não queriam entender a Rebeca, e eu não ia deixa-los fazerem-lhe mal enquanto não tivesse certezas sobre os perigos a que estava sujeita!
-Vocês drogaram-se?! – Acusei fingindo-me de trocista – vampiros?! Que mais há?! Sereias?!
Eles entreolharam-se sérios.
-Essas coisas não existem, têm noção disso, não têm?!
-Mentes! – Declarou o rapaz, irritado – Tu não és humana, certamente!
Engoli a seco discretamente e sorri:
-Achas que sou uma vampira?!
-Não! Mas sabes onde há uma!
-Eu não sei nada!.. Vocês são loucos!
O toque de entrada soou.
Estava na hora de eu ir para a minha próxima aula. Tentei mover-me um milímetro mas Rui voltou a apertar-me o braço ainda com mais força do que antes, zangado comigo. Não consegui evitar de gemer e soltar um esgar com a dor, no entanto ele não me soltou, nem fez menos pressão sobre mim:
-Diz a verdade! Onde está esse animal?!
-Não, já disse que não sei nada disso! Soltem-me!
Ele continuou sem me libertar, enquanto eu me contorcia para desprender o meu braço dorido. Joana, para piorar a minha dor cravou duas das suas unhas no mesmo sítio onde eu era apertada. Soltei um pequeno grito de dor:
-Estão a magoar-me!
-Diz a verdade! – Ordenou ela. A sua voz por momentos confundiu-se num rugido mudo que estava a ser criado na sua garganta. Os seus olhos verde-água magoaram-me. Fizeram-me sentir uma pontada no coração, e uma dor na cabeça horrível.
-Não…!
A minha visão começou a desfocar-se instantaneamente, e consequentemente o olfacto parou de funcionar.
Eu não podia dizer nada, acontecesse o que acontecesse! Não ia atirar Rebeca para aqueles dois psicopatas que me estavam a magoar! Naquele momento o meu único desejo era poder ir para a aula!
Por fim, Rui começou a fazer menos força sobre os meus músculos e Joana desviou o seu olhar da minha visão. Miraculosamente voltei a sentir tudo normal, voltei a ver com nitidez e o meu cheiro voltou. Aí entendi o porquê de eles me soltarem tão repentinamente. O seu odor estava a invadir o ar, ar esse que naquele momento se tornou óptimo de respirar:
-Passa-se alguma coisa? – Perguntou com a sua voz firme e educada ao mesmo ritmo que dava dois passos breves.
-Nenhum, Gustavo! – Assegurou Rui soltando o meu braço definitivamente, com grande descrição.
-Não devias estar já na aula? – Interrogou Joana com um sorriso largo.
Ele sorriu-lhe com charme. Quase tropecei a olhar para ele.
-Apercebi-me que faltava a Lana, por isso vim busca-la!
Rui riu-se e empurrou-me pela cintura na direcção de Gustavo:
-Agora és guardião de meninas más?
Gustavo ficou sério e franziu as sobrancelhas na direcção dele, tal como eu que o olhei de soslaio por cima dos meus ombros.
-E se fossem para a vossa aula?! Acho que não somos só nós que estamos atrasados.
-Tens razão! – Concordou a jovem. Ela estava totalmente derretida – Vamos indo, Rui!
Os dois lançaram-me outro olhar matador ao mesmo tempo. Todo o meu corpo estremeceu!
Fui mais rápida do que eles e saí daquele local praticamente a correr, ate que tive de segurar o meu braço. Estava cheia de dores e reparei que uma nódoa negra enorme se estava a formar nele, o que era mau sinal já que a aula de educação física me esperava.
Entrei no balneário e provoquei um estrondo ao bater a porta.
-Lana! Onde estavas?! – Perguntou Liliana já pronta para ir para o pavilhão desportivo.
-Em lado nenhum! – Respondi - Vai para a aula e diz ao professor que eu vou já para lá!
-Ok…preciso de te dizer uma coisa!
-Está bem, não te esqueças do que vais dizer!
Ela acenou e saiu do balneário deixando-me lá sozinha a equipar-me. Vesti uma t-shirt branca com o emblema da escola a vermelho, que me tinham dado logo na primeira aula de educação física juntamente com os equipamentos de natação, e umas calças vermelhas.
Corri mais uma vez até entrar no pavilhão e o professor nem me deu oportunidade de me aproximar e pedir desculpa pelo atraso. Atirou-me uma bola de basquete para as mãos e apontou para os meus colegas, para que eu os imitasse.
Lamento que seja pequeno, mas se metesse o capitulo todo ficava demais!

Bom, agradeço comentarios construtivos! se virem muitos erros, falta de descriçoes ou assim, nao hesitem em dizer!
Em breve posto a parte 3!
Bjokas
as minhas fic's:
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
-Angelical
Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
-Angelical
Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^
Oi lulumoon adorei este capitulo... desculpa nao ter comentado ao outros mas nao tive lá muitas oportunidades...
Este esta fantastico adorei...
Foi tao romantico apezar daqueles colas ao lado deles mas ficou tao fofa esta parte...
O rui foi um borto tanto ele quanto a joana parvos...
Adorei fico a espera do proximo capitulo...
Este esta fantastico adorei...
-Onde estavas? – Perguntou Sérgio com os lábios ainda perto dos dela. O carinho era nítido naquelas suas pessoas, especialmente para mim que senti com clareza a paixão de Natacha e o desejo do seu recente parceiro.
-Por aí… - respondeu-lhe ela com uma voz lenta.
Foi tao romantico apezar daqueles colas ao lado deles mas ficou tao fofa esta parte...
O rui foi um borto tanto ele quanto a joana parvos...
Adorei fico a espera do proximo capitulo...

~♥ Aishiteru Tyki ♥ ~
~Domo Arigato Itoko-chan~
Sorry 
Desculpa, mas não tive a oportunidade de vir mais cedo checar (parece que o meu mail já não recebe os avisos de novas mensagens)
Bem, vou comentar a parte que perdi e a nova...
Admiro o teu esforço em melhorar o cap... E vou dizer que não foi em vão! Está fantástico! Melhores descrições, falas,... e o resto já sabes
Agora, a ultima parte é awesome! Até já me chateei com essa tal Joana e esse tal Rui
São mesmo maus! Idiotas! caçadores de vampiros??
Mas agora... a Rebeca não "comia" comida normal... E depois até parece tão humana...? Parece a minha prof de Geo.
Espero pa ver!!

Desculpa, mas não tive a oportunidade de vir mais cedo checar (parece que o meu mail já não recebe os avisos de novas mensagens)
Bem, vou comentar a parte que perdi e a nova...
Admiro o teu esforço em melhorar o cap... E vou dizer que não foi em vão! Está fantástico! Melhores descrições, falas,... e o resto já sabes

Agora, a ultima parte é awesome! Até já me chateei com essa tal Joana e esse tal Rui
São mesmo maus! Idiotas! caçadores de vampiros??
Mas agora... a Rebeca não "comia" comida normal... E depois até parece tão humana...? Parece a minha prof de Geo.
Espero pa ver!!

| Spoiler: | |
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http://sm-portugal.coolbb.net/fanfics-gerais-f23/fairy-tales-o-incio-t4901.htm
[email protected] -->Meu MSN, adicionem à vontade!
Ainda só li até ao fim do primeiro Capitulo e já estou a gostar.
Nota-se que para além do gosto que tens pelo desenho, tens uma paixão pela escrita. As tuas descrições são do mais pormenorizadas (gosto disso).
(Já agora a personagem do Gustavo
) , ahah .
Deves achar estranho. Já vais no Capitulo 9 - 2ª parte e ainda recebes comentários sobre o primeiro capitulo. Desculpa :$ Sabes como é
a escola ocupa demasiado tempo; mas amanhã prometo ler uns dois.
CONTINUA!
Nota-se que para além do gosto que tens pelo desenho, tens uma paixão pela escrita. As tuas descrições são do mais pormenorizadas (gosto disso).
(Já agora a personagem do Gustavo
) , ahah .Deves achar estranho. Já vais no Capitulo 9 - 2ª parte e ainda recebes comentários sobre o primeiro capitulo. Desculpa :$ Sabes como é
a escola ocupa demasiado tempo; mas amanhã prometo ler uns dois.CONTINUA!
awwww!!!!!!!!!
já nao me lembrava da ultima vez que postava um capitulo e tinha comentarios tao rapidamente! É bom saber que tenho novos seguidores, e muito sinceramente obrigada pelo vosso apoio! Já estou incentivada para continuar a escrever!
Lol
espero nao vos desiludir!
Proximo capitulo no fim-de-semana!
bjokas
já nao me lembrava da ultima vez que postava um capitulo e tinha comentarios tao rapidamente! É bom saber que tenho novos seguidores, e muito sinceramente obrigada pelo vosso apoio! Já estou incentivada para continuar a escrever!
Lol
espero nao vos desiludir!

Proximo capitulo no fim-de-semana!
bjokas
as minhas fic's:
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
-Angelical
Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
-Angelical
Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^
Alô!!!
Bem, ainda ponderei em postar o resto do capitulo apenas amanha, mas optei por faze-lo hoje! Assim já fica arrumado!
Espero que gostem!
Capitulo IX - Auras (parte 3)
Estavam todos a driblar enquanto corriam de uma extremidade à outra do enorme campo.
Odiava aqueles jogos de equipa! Não acertava nenhum cesto, golo, ou serviço que fosse. Ao invés disso apanhava sempre com bolas em qualquer parte do corpo, no entanto lá me juntei aos outros, contrariada.
Reparei que eles alternavam o braço com que driblavam de cada vez que chegavam a uma das pontas do campo portanto tentei imita-los, mas saí-me mal. Comecei por domar aquele objecto redondo com a mão esquerda enquanto corria para norte. Quando cheguei ao meu destino preparei-me para exercitar o membro direito á medida que corria para sul, mas fui surpreendida quando o meu braço dolorido me fez perder a bola para as bancadas.
Segurei-o com força e descrição, para que ninguém se apercebesse da minha fraqueza. Fui buscar a bola e voltei a tentar mover o braço. Mais uma vez a bola escapou-me das mãos.
Pensei em descansar o braço direito e assim o fiz, enquanto movia a mão esquerda, ate que o professor reparou que eu não alternava o braço:
-Lana, agora com a direita! – Ordenou
Rezei para que ele não me visse a perder a bola, mas falhei, e falhei de novo, e mais uma vez. Sempre com aquela dor semelhante a uma corrente de ferro em redor do meu braço!
Chegou a um ponto que ele me chamou até ele. Engoli a seco ao aperceber-se do seu ar repreensivo:
-Lana, és canhota?! – Perguntou, sério.
-Não senhor! – Respondi.
-Então porque não driblas com a mão direita?!
Dei de ombros e escondi os braços atrás das costas.
Ele franziu o sobrolho, desconfiado, e puxou os meus membros superiores para a frente. Mal me tocou no braço direito gemi involuntariamente.
-Hum… Magoaste-te…
Aquilo era uma insinuação!
Ele levantou a manga da minha T-Shirt e apalpou-me o braço:
-Está negro! O que aconteceu?
-Aleijei-me!
Ele riu-se sem grande vontade:
-Obviamente! Já colocaste gelo?
-Não, não é preciso, não se preocupe! – Tentei libertar o meu braço, sem sucesso. Ele tinha mais força do que eu, especialmente estando eu sem força no membro.
-Com a saúde não se brinca! - Contrapôs
-A sério, eu estou óptima! – Menti, ansiosa por me afastar – Estou pronta para jogar!
-Hum, hum, não me parece! Está muito pisado! É melhor meteres gelo e depois uma boa pomada!
-Eu acho que não há necessidade!
-Ai estas raparigas de hoje em dia assustam-se até com um pouco de gelo! Não perdes nada em tratar de ti! – Ele espreitou ao longo do restante pavilhão, procurando alguém - Dona Arminda! – Chamou Acenando á funcionária enquanto se dirigia a ela - tem aí gelo?
-Sim tenho, senhor professor!
A senhora respondeu-lhe cheia de obediência e respeito.
Eles desapareceram ao entrar numa pequena sala de arrumações. Dei um passo á frente na direcção dos bancos para me sentar, mas travei-me ao escutar a voz de Gustavo:
-O que é que eles queriam de ti?
Voltei-me na direcção dele sem nada proclamar e olhei-o com um desinteresse falso:
-Nada de mais… Queriam conhecer-me! – Menti. Trinquei a minha própria língua de propósito. A minha vida agora resumia-se às mentiras!
-E para te conhecerem tiveram de te machucar o braço?!
Ele assumiu uma postura mais autoritária para comigo, o que fez acrescer a minha raiva em relação a ele, e segurou-me exactamente no mesmo sítio onde aquele tipo me tinha apertado. Eu gemi um pouco alto de mais, mas sem intenção.
-Não me toques! – Exclamei com os dentes cerrados de fúria.
-O que é que eles queriam?
-Deixa-me em paz! Mete-te na tua vida!
-Ah, senhor Gustavo! – A voz do professor salvou-me – Vejo que parou o exercício! Também se magoou?! – Quis saber, cinicamente.
Ele cruzou o seu olhar profundo com o meu e negou a pergunta que lhe fora colocada:
-Vim só ver o que tinha a minha colega!
Eu peguei na saca de gelo que o professor tinha na mão para mim e encostei-a á minha pele, sobre a supervisão de Gustavo:
-Muito bem, já viu, pode ir andando! Não se preocupe que a sua colega vai já fazer-lhe companhia num jogo amigável!
Gustavo fez um esgar na minha direcção e voltou para o seu grupo. Eu sentei-me no banquinho de madeira encostado á parede:
-Tome conta dos seus colegas por mim e assegure-se que eles não abandonam o trabalho! – Exclamou o professor virando-me costas novamente – Eu volto já!
Que remédio tinha eu senão obedecer!
Observei-os a jogar. Rebeca estava com uma expressão de morte! Estava amuada e rabugenta, no entanto parecia um autêntico canguru a encestar! Não falhou uma única vez, atirasse de que ângulo atirasse! Liliana, Natacha e Laura estavam na mesma equipa dela. A primeira parecia atenta a todos os passos de Rebeca e simultaneamente aos meus gestos breves no banco.
Ela tinha algo para me dizer, algo que só podia ser sobre a nossa vampira, e eu, agora, tinha também algo para lhes contar! Tinha de ter cautela com aqueles dois. Eu não sabia quais as suas ideias. Eu apenas tinha noção que eles iam fazer de tudo para descobrir Rebeca, coisa que não poderia permitir por enquanto!
Lau, a companheira delas, jogava desastradamente, tanto quanto eu! Mas quando encestou primeira vez fitou-me de longe!
Fiquei sem respiração. Ela parecia entrar em mim quando me olhava. Parecia que me colocava transparente e que conseguia ler-me! Por momentos ela parecia estar dentro de mim a ver todos os meus pensamentos! Vi-me obrigada a virar o rosto para me esquivar dela. Aquele estava a ser o dia mais estranho da minha vida! Energias, auras, sentimentos, emoções e vampiros! Como é que eu ia sobreviver a tudo aquilo?! Não tinha apoio sério, apenas Liliana sabia o que se passava comigo, e mesmo assim ela não tinha os requisitos necessários para me ajudar!
Mas havia alguém que me podia ajudar… no entanto, de um momento para o outro essa pessoa ficou estranha… Sim, Gustavo certamente ter-me-ia ajudado, pelo menos antes de tomar estas atitudes estranhas.
Olhei para o campo onde ele jogava e analisei-o.
Ele não era quem eu pensava.
Ele não sorria.
Ele não era irónico.
Ele não era trocista.
Ele não era indiscreto …
Ele era diferente daquilo que eu pensava. De repente foi como se ele tivesse retirado uma mascara, como se, tal como eu, ele estivesse camuflado, e após a facada que levei nas costas, ele se tivesse revelado.
Agora ao olha-lo eu via uma nova realidade.
Gustavo era alguém sério, não só no sentido de estar todos os santos dias aborrecido, mas também no simples facto de ele não levar todos os nossos actos em tom de brincadeira.
Ele era atento, e, tal como eu já sabia, ele pensava de mais!
Eu já não sabia o que era bom e o que era mau.
Anteriormente ele sorria de tudo e apesar de irritar eu conseguia sentir-me bem ao seu lado. Agora por outro lado, ele parecia distante e rude. Olhava-me com frieza, mas uma frieza estranha, como se mesmo me ignorando ele estivesse a tomar conta de mim!
Eu não entendia isso. Eu sentia um ódio estranho quando o olhava, mas havia ainda algo mais. Era uma explosão de sensações dentro de mim. Sentia tudo com maior intensidade, sentia algo diferente quando olhava para ele, como se a sua aura se tivesse modificado. Chegava mesmo a ser hipnotizante, mas num sentido estranhamente positivo, e a prova de tudo isso verifiquei quando estava presa por Rui e ele sorriu a Joana. Ele intoxicou-me totalmente, as minhas pernas ficaram sem força, o meu coração acalmou-se de alívio mas depressa acelerou quando eu vi o firmamento nos seus olhos. Eu pensei que ia cair ali mesmo, mas contive-me.
Mais uma vez admirei-o com intensidade, desta vez para o seu físico.
Ele domava a bola com agilidade, rapidez, e com fúria! Ele era alto o suficiente para acertar no cesto com facilidade, e os seus músculos, agora realçados devido á camisola sem mangas, não o deixavam ficar mal! Ele estava ligeiramente suado, os cabelos claros caiam-lhe á frente dos fantásticos olhos, dando-lhe um ar tão sedutor que eu ate me sentia sem fôlego!
“Ai senhor, que bife!” pensei suspirando.
-Ah! Estás louca Lana! – Gritei comigo mesma tapando a boca cheia de vergonha.
Eu só pensava coisas que não devia!
-Lana?! – Escutei, repentinamente - Lana!
Acordei para a realidade e olhei para Liliana sobressaltada.
-Estavas a pensar em quê?! – Perguntou, baralhada – Chamei-te tantas vezes lá do campo!
-Desculpa, não te ouvi!
-Onde tinhas a cabeça?!
O cesto chiou ao entrar uma bola. Eu olhei na direcção do som e sorri. Ele tinha encestado! Senti-me mais orgulhosa do que estava á espera!
-Num bom bife… - Respondi enquanto mirava aquele desportista nato.
-Bife?! – Citou. A sua face brilhou – Ah, para a Rebeca?! Achas que o bife a satisfará?!
-O quê?! – Não consegui evitar de me rir da sua ideia! Era melhor eu concentrar-me nela em vez de olhar para onde não devia! – Bem, o que querias do professor?!
-Oh nada, nada! Só estou farta de jogar, e já que ele não está aqui, posso relaxar! – Exclamou sorridente, sentando-se ao meu lado – Depois desta aula eu, tu e a Rebeca vamos para trás do pavilhão! Tinhas razão, pelo menos segundo ela…! – Ela assumiu uma postura desconfortável e o medo estava implícito nos seus actos - O problema foi que ela ficou irritada por me teres contado sem permissão…
-Hum… Estou tramada? – Quis saber.
-Acho que não, mas convêm falares-lhe dos teus problemas nas costelas! Acho que isso fará com que ela te entenda melhor!
-Penso que ela já me entende melhor do que eu mesma! – Suspirei – Não sei o que faço á minha vida! Está tudo tão estranho na minha cabeça…
-Mostra-lhe as asas! – Recomendou.
-Nem pensar!
Voltei a olhar para o campo de Gustavo, reflectindo sobre isso! Talvez fosse bom eu revelar-me a Rebeca, mas eu tinha medo. Tinha medo de não voltar a ficar normal e perder algumas aulas! Tinha medo de ser apanhada por mais gente!
-Por favor, diz que sim! – Lili fez um ar de cachorrinho abandonado enquanto me fitava.
-Hum… Deixa-me pensar um pouco…
Tinha de decidir, decidir muito bem! Mas então ele passou-me á frente dos olhos. A minha mente bloqueou. Senti-me programada para ele, como se cada movimento que Gustavo fizesse queimasse um neurónio meu e me deixasse imóvel e com os olhos colado nele. Ele parecia estar a mover-se em câmara lenta na minha mente, o que me deixava ainda mais vidrada nas suas acções. Senti os meus lábios descolarem para em engolir algum ar. Pisquei os olhos e o meu coração disparou.
Eu admiti a mim mesma… Ele seduzia-me! Agora que eu o odiava, ele seduzia-me totalmente! Aliás, como é que eu não reparei nisso antes, mal entrei naquela escola?! Ele era lindo! Ele tinha os requisitos necessários do meu tipo de rapaz perfeito: Alto, loiro, olhos azuis, e corpo escultural! Não admira a quantidade de pretendentes que ele possuía!
-Lana!!! – Liliana gritou nos meus ouvidos fazendo com que eu quase caísse do banco, assustada.
-Diz! – Respondi com rudeza, fragilizada com o seu grito
-Hoje, definitivamente, não estás neste mundo!
-Oh!
Lili olhou para mim de sobrancelhas franzidas. Eu senti-me corar! Onde é que eu tinha a minha cabeça e o meu controle?!
-Estavas…? – Ela olhou para a equipa que jogava á nossa frente – Estavas a apreciar o Gustavo?!
-Claro que não! – Neguei, envergonhadíssima – Ele está á minha frente, é obvio que eu tenho de olha-lo!
-Não sabes mentir!
Eu entrei em silêncio total. Não sabia se ria, não sabia se chorava!
Ela colocou o seu braço em torno do meu pescoço e fez uma cara marota.
-Lembras-te de quando achaste que eu estava interessada no Gustavo?
Eu mirei-a de cima a baixo. Afinal eu tinha razão?!
“Não escolhe mal!” pensei.
-Bom, eu não sinto nada para além de uma grande amizade por ele, mas outrora…
-Estiveste interessada nele?! – Interrompi.
-Mais ou menos… - Afirmou – Olha para ele! É bom como milho!
Senti o meu rosto a arder. O que é que eu havia de dizer?!
-Não gosto de milho!
Ela riu-se da minha resposta:
-Oh! Mas tu entendes o que eu quis dizer
-Sim, sim, e o que é que isso tem a ver comigo?!
-Bem, quando eu andava no 8ºano ponderei sobre mim e ele…
-E nada?
-Nada...! – Confirmou. Senti um certo alívio dentro de mim – Eu e ele… era estranho… Não o conseguia ver como mais do que um amigo!
-Porque me estás a dizer isso?!
-Porque estavas a olhar para ele com o mesmo ar com que eu o olhei, e sinto que ficaste envergonhada por eu me aperceber!
Uma das coisas boas em mim, era que por mais envergonhada que estivesse, por muito que eu sentisse o meu rosto a aquecer, eu não ficava vermelha por fora! Foi um ponto a meu favor naquele momento!
-Sabes que comigo podes estar á vontade!
-Estás louca… - Murmurei com o estômago às voltas.
-Não estou nada! Eu não sou estúpida! – Resmungou, ofendida – Eu não me surpreendo que te babes a olhar para ele!
-Eu não me babei!
-O que interessa é que eu entendo que tu possas, eventualmente, sentir-te atraída por ele!
-Wou! Chega! – Exclamei levantando-me do banco como se tivesse apanhado um choque eléctrico - Não quero ouvir isso nem mais uma vez!
-Mas eu acho absolutamente normal que tu…!
-cala-te! Vai lavar a boca porque já estás a dizer asneiras!
-Odeio que me interrompam Lana!
-Odeio que digam idiotices sobre mim!
-Mas ate era possível daqui a uns tempos ver-te agarrada a ele aos beijos!
Engoli a seco após ouvir tamanha baboseira! Eu?... E Ele?...
-Ok, eu admito! Sim, eu já imaginei que ele me… - Não consegui dizer aquela frase. Que embaraço, que humilhação!
-A sério?! – Ela levantou-se do banco e agarrou-me as mãos com um olhar esperançoso.
-já foi há muito tempo! Eu agora odeio-o! Mesmo!
-há muito tempo?! Estás cá na escola há duas semanas!
-Duas semanas bastam-me para eu nutrir sentimentos diferentes por uma só pessoa!
Ela fez um ar de desanimada e largou as minhas mãos:
-Eu quero tanto saber o que vos aconteceu… Quero entender porque é que de um momento para o outro vocês mal se falam e ele passa todo o tempo com a Letz…
A cor do meu rosto começou a desaparecer. Eu queria evitar esse assunto ao máximo. Queria assumi-lo como se tivesse sido apenas um pesadelo, como se eu nunca tivesse sequer falado com o Gustavo uma única vez na minha vida!
Fitei o gelo dentro da saca de plástico. Ele estava menor, submerso na sua água.
-Ah, vejo que está melhor, menina Lana!
Ups! O professor estava de volta!
-Está pronta para um pequeno jogo na equipa da Liliana?
-Acho que sim!
-Óptimo, porque a seguir vai jogar a turma toda junta!
-Credo! – Exclamou Liliana com a mesma cara de susto que eu. Bem que me haviam de bater, da maneira que jogava mal!
Abri a saca com o gelo, e com cuidado para não entornar água nenhuma, apanhei um cubo de tamanho médio. Liliana franziu o sobrolho quando me viu a elevar o gelo até boca, mas para mim aquilo era algo bastante natural.
Senti o gelo coincidir com a minha língua e engoli a água fria que estava pendurada nele. O professor olhou-me também incrédulo, e eu fingi não ligar aos seus olhares. Trinquei o gelo num ápice e comecei a triturar os pequenos pedaços frios com vontade! Por muito estranho que fosse, aquela era uma boa sensação para mim!
Entreguei a saca de gelo ao professor e agarrei o pulso de Lili:
-Vamos a isto! - Exclamei, fingindo não ter reparado na sua cara de parva.
Seguimos as duas até ao campo das nossas colegas e Rebeca atirou-me a bola para as mãos:
-Vamos ver o que vales!
Senti na sua voz uma fúria controlada. Fitei o objecto redondo e laranja nas minhas mãos. Com o membro esquerdo driblei uma vez e atirei a bola a Natacha:
-É melhor começarem vocês!
E assim foi! Começamos a jogar, e para meu espanto não houveram desastres físicos em nenhuma de nós! A única coisa que eu tentei fazer foi não olhar Lau directamente, ou estava sujeita a levar uma bolada na cabeça!
Então chegou a hora da morte! Toda a turma se separou em duas equipas. Eu fiquei com Liliana, com a Lau, com a Darla e alguns rapazes. Rebeca e Natacha ficaram na melhor equipa, juntamente com Letícia, Verónica e Gustavo.
Que vencessem os melhores…!
Comentem, please!
Bem, ainda ponderei em postar o resto do capitulo apenas amanha, mas optei por faze-lo hoje! Assim já fica arrumado!

Espero que gostem!
Capitulo IX - Auras (parte 3)
Estavam todos a driblar enquanto corriam de uma extremidade à outra do enorme campo.
Odiava aqueles jogos de equipa! Não acertava nenhum cesto, golo, ou serviço que fosse. Ao invés disso apanhava sempre com bolas em qualquer parte do corpo, no entanto lá me juntei aos outros, contrariada.
Reparei que eles alternavam o braço com que driblavam de cada vez que chegavam a uma das pontas do campo portanto tentei imita-los, mas saí-me mal. Comecei por domar aquele objecto redondo com a mão esquerda enquanto corria para norte. Quando cheguei ao meu destino preparei-me para exercitar o membro direito á medida que corria para sul, mas fui surpreendida quando o meu braço dolorido me fez perder a bola para as bancadas.
Segurei-o com força e descrição, para que ninguém se apercebesse da minha fraqueza. Fui buscar a bola e voltei a tentar mover o braço. Mais uma vez a bola escapou-me das mãos.
Pensei em descansar o braço direito e assim o fiz, enquanto movia a mão esquerda, ate que o professor reparou que eu não alternava o braço:
-Lana, agora com a direita! – Ordenou
Rezei para que ele não me visse a perder a bola, mas falhei, e falhei de novo, e mais uma vez. Sempre com aquela dor semelhante a uma corrente de ferro em redor do meu braço!
Chegou a um ponto que ele me chamou até ele. Engoli a seco ao aperceber-se do seu ar repreensivo:
-Lana, és canhota?! – Perguntou, sério.
-Não senhor! – Respondi.
-Então porque não driblas com a mão direita?!
Dei de ombros e escondi os braços atrás das costas.
Ele franziu o sobrolho, desconfiado, e puxou os meus membros superiores para a frente. Mal me tocou no braço direito gemi involuntariamente.
-Hum… Magoaste-te…
Aquilo era uma insinuação!
Ele levantou a manga da minha T-Shirt e apalpou-me o braço:
-Está negro! O que aconteceu?
-Aleijei-me!
Ele riu-se sem grande vontade:
-Obviamente! Já colocaste gelo?
-Não, não é preciso, não se preocupe! – Tentei libertar o meu braço, sem sucesso. Ele tinha mais força do que eu, especialmente estando eu sem força no membro.
-Com a saúde não se brinca! - Contrapôs
-A sério, eu estou óptima! – Menti, ansiosa por me afastar – Estou pronta para jogar!
-Hum, hum, não me parece! Está muito pisado! É melhor meteres gelo e depois uma boa pomada!
-Eu acho que não há necessidade!
-Ai estas raparigas de hoje em dia assustam-se até com um pouco de gelo! Não perdes nada em tratar de ti! – Ele espreitou ao longo do restante pavilhão, procurando alguém - Dona Arminda! – Chamou Acenando á funcionária enquanto se dirigia a ela - tem aí gelo?
-Sim tenho, senhor professor!
A senhora respondeu-lhe cheia de obediência e respeito.
Eles desapareceram ao entrar numa pequena sala de arrumações. Dei um passo á frente na direcção dos bancos para me sentar, mas travei-me ao escutar a voz de Gustavo:
-O que é que eles queriam de ti?
Voltei-me na direcção dele sem nada proclamar e olhei-o com um desinteresse falso:
-Nada de mais… Queriam conhecer-me! – Menti. Trinquei a minha própria língua de propósito. A minha vida agora resumia-se às mentiras!
-E para te conhecerem tiveram de te machucar o braço?!
Ele assumiu uma postura mais autoritária para comigo, o que fez acrescer a minha raiva em relação a ele, e segurou-me exactamente no mesmo sítio onde aquele tipo me tinha apertado. Eu gemi um pouco alto de mais, mas sem intenção.
-Não me toques! – Exclamei com os dentes cerrados de fúria.
-O que é que eles queriam?
-Deixa-me em paz! Mete-te na tua vida!
-Ah, senhor Gustavo! – A voz do professor salvou-me – Vejo que parou o exercício! Também se magoou?! – Quis saber, cinicamente.
Ele cruzou o seu olhar profundo com o meu e negou a pergunta que lhe fora colocada:
-Vim só ver o que tinha a minha colega!
Eu peguei na saca de gelo que o professor tinha na mão para mim e encostei-a á minha pele, sobre a supervisão de Gustavo:
-Muito bem, já viu, pode ir andando! Não se preocupe que a sua colega vai já fazer-lhe companhia num jogo amigável!
Gustavo fez um esgar na minha direcção e voltou para o seu grupo. Eu sentei-me no banquinho de madeira encostado á parede:
-Tome conta dos seus colegas por mim e assegure-se que eles não abandonam o trabalho! – Exclamou o professor virando-me costas novamente – Eu volto já!
Que remédio tinha eu senão obedecer!
Observei-os a jogar. Rebeca estava com uma expressão de morte! Estava amuada e rabugenta, no entanto parecia um autêntico canguru a encestar! Não falhou uma única vez, atirasse de que ângulo atirasse! Liliana, Natacha e Laura estavam na mesma equipa dela. A primeira parecia atenta a todos os passos de Rebeca e simultaneamente aos meus gestos breves no banco.
Ela tinha algo para me dizer, algo que só podia ser sobre a nossa vampira, e eu, agora, tinha também algo para lhes contar! Tinha de ter cautela com aqueles dois. Eu não sabia quais as suas ideias. Eu apenas tinha noção que eles iam fazer de tudo para descobrir Rebeca, coisa que não poderia permitir por enquanto!
Lau, a companheira delas, jogava desastradamente, tanto quanto eu! Mas quando encestou primeira vez fitou-me de longe!
Fiquei sem respiração. Ela parecia entrar em mim quando me olhava. Parecia que me colocava transparente e que conseguia ler-me! Por momentos ela parecia estar dentro de mim a ver todos os meus pensamentos! Vi-me obrigada a virar o rosto para me esquivar dela. Aquele estava a ser o dia mais estranho da minha vida! Energias, auras, sentimentos, emoções e vampiros! Como é que eu ia sobreviver a tudo aquilo?! Não tinha apoio sério, apenas Liliana sabia o que se passava comigo, e mesmo assim ela não tinha os requisitos necessários para me ajudar!
Mas havia alguém que me podia ajudar… no entanto, de um momento para o outro essa pessoa ficou estranha… Sim, Gustavo certamente ter-me-ia ajudado, pelo menos antes de tomar estas atitudes estranhas.
Olhei para o campo onde ele jogava e analisei-o.
Ele não era quem eu pensava.
Ele não sorria.
Ele não era irónico.
Ele não era trocista.
Ele não era indiscreto …
Ele era diferente daquilo que eu pensava. De repente foi como se ele tivesse retirado uma mascara, como se, tal como eu, ele estivesse camuflado, e após a facada que levei nas costas, ele se tivesse revelado.
Agora ao olha-lo eu via uma nova realidade.
Gustavo era alguém sério, não só no sentido de estar todos os santos dias aborrecido, mas também no simples facto de ele não levar todos os nossos actos em tom de brincadeira.
Ele era atento, e, tal como eu já sabia, ele pensava de mais!
Eu já não sabia o que era bom e o que era mau.
Anteriormente ele sorria de tudo e apesar de irritar eu conseguia sentir-me bem ao seu lado. Agora por outro lado, ele parecia distante e rude. Olhava-me com frieza, mas uma frieza estranha, como se mesmo me ignorando ele estivesse a tomar conta de mim!
Eu não entendia isso. Eu sentia um ódio estranho quando o olhava, mas havia ainda algo mais. Era uma explosão de sensações dentro de mim. Sentia tudo com maior intensidade, sentia algo diferente quando olhava para ele, como se a sua aura se tivesse modificado. Chegava mesmo a ser hipnotizante, mas num sentido estranhamente positivo, e a prova de tudo isso verifiquei quando estava presa por Rui e ele sorriu a Joana. Ele intoxicou-me totalmente, as minhas pernas ficaram sem força, o meu coração acalmou-se de alívio mas depressa acelerou quando eu vi o firmamento nos seus olhos. Eu pensei que ia cair ali mesmo, mas contive-me.
Mais uma vez admirei-o com intensidade, desta vez para o seu físico.
Ele domava a bola com agilidade, rapidez, e com fúria! Ele era alto o suficiente para acertar no cesto com facilidade, e os seus músculos, agora realçados devido á camisola sem mangas, não o deixavam ficar mal! Ele estava ligeiramente suado, os cabelos claros caiam-lhe á frente dos fantásticos olhos, dando-lhe um ar tão sedutor que eu ate me sentia sem fôlego!
“Ai senhor, que bife!” pensei suspirando.
-Ah! Estás louca Lana! – Gritei comigo mesma tapando a boca cheia de vergonha.
Eu só pensava coisas que não devia!
-Lana?! – Escutei, repentinamente - Lana!
Acordei para a realidade e olhei para Liliana sobressaltada.
-Estavas a pensar em quê?! – Perguntou, baralhada – Chamei-te tantas vezes lá do campo!
-Desculpa, não te ouvi!
-Onde tinhas a cabeça?!
O cesto chiou ao entrar uma bola. Eu olhei na direcção do som e sorri. Ele tinha encestado! Senti-me mais orgulhosa do que estava á espera!
-Num bom bife… - Respondi enquanto mirava aquele desportista nato.
-Bife?! – Citou. A sua face brilhou – Ah, para a Rebeca?! Achas que o bife a satisfará?!
-O quê?! – Não consegui evitar de me rir da sua ideia! Era melhor eu concentrar-me nela em vez de olhar para onde não devia! – Bem, o que querias do professor?!
-Oh nada, nada! Só estou farta de jogar, e já que ele não está aqui, posso relaxar! – Exclamou sorridente, sentando-se ao meu lado – Depois desta aula eu, tu e a Rebeca vamos para trás do pavilhão! Tinhas razão, pelo menos segundo ela…! – Ela assumiu uma postura desconfortável e o medo estava implícito nos seus actos - O problema foi que ela ficou irritada por me teres contado sem permissão…
-Hum… Estou tramada? – Quis saber.
-Acho que não, mas convêm falares-lhe dos teus problemas nas costelas! Acho que isso fará com que ela te entenda melhor!
-Penso que ela já me entende melhor do que eu mesma! – Suspirei – Não sei o que faço á minha vida! Está tudo tão estranho na minha cabeça…
-Mostra-lhe as asas! – Recomendou.
-Nem pensar!
Voltei a olhar para o campo de Gustavo, reflectindo sobre isso! Talvez fosse bom eu revelar-me a Rebeca, mas eu tinha medo. Tinha medo de não voltar a ficar normal e perder algumas aulas! Tinha medo de ser apanhada por mais gente!
-Por favor, diz que sim! – Lili fez um ar de cachorrinho abandonado enquanto me fitava.
-Hum… Deixa-me pensar um pouco…
Tinha de decidir, decidir muito bem! Mas então ele passou-me á frente dos olhos. A minha mente bloqueou. Senti-me programada para ele, como se cada movimento que Gustavo fizesse queimasse um neurónio meu e me deixasse imóvel e com os olhos colado nele. Ele parecia estar a mover-se em câmara lenta na minha mente, o que me deixava ainda mais vidrada nas suas acções. Senti os meus lábios descolarem para em engolir algum ar. Pisquei os olhos e o meu coração disparou.
Eu admiti a mim mesma… Ele seduzia-me! Agora que eu o odiava, ele seduzia-me totalmente! Aliás, como é que eu não reparei nisso antes, mal entrei naquela escola?! Ele era lindo! Ele tinha os requisitos necessários do meu tipo de rapaz perfeito: Alto, loiro, olhos azuis, e corpo escultural! Não admira a quantidade de pretendentes que ele possuía!
-Lana!!! – Liliana gritou nos meus ouvidos fazendo com que eu quase caísse do banco, assustada.
-Diz! – Respondi com rudeza, fragilizada com o seu grito
-Hoje, definitivamente, não estás neste mundo!
-Oh!
Lili olhou para mim de sobrancelhas franzidas. Eu senti-me corar! Onde é que eu tinha a minha cabeça e o meu controle?!
-Estavas…? – Ela olhou para a equipa que jogava á nossa frente – Estavas a apreciar o Gustavo?!
-Claro que não! – Neguei, envergonhadíssima – Ele está á minha frente, é obvio que eu tenho de olha-lo!
-Não sabes mentir!
Eu entrei em silêncio total. Não sabia se ria, não sabia se chorava!
Ela colocou o seu braço em torno do meu pescoço e fez uma cara marota.
-Lembras-te de quando achaste que eu estava interessada no Gustavo?
Eu mirei-a de cima a baixo. Afinal eu tinha razão?!
“Não escolhe mal!” pensei.
-Bom, eu não sinto nada para além de uma grande amizade por ele, mas outrora…
-Estiveste interessada nele?! – Interrompi.
-Mais ou menos… - Afirmou – Olha para ele! É bom como milho!
Senti o meu rosto a arder. O que é que eu havia de dizer?!
-Não gosto de milho!
Ela riu-se da minha resposta:
-Oh! Mas tu entendes o que eu quis dizer
-Sim, sim, e o que é que isso tem a ver comigo?!
-Bem, quando eu andava no 8ºano ponderei sobre mim e ele…
-E nada?
-Nada...! – Confirmou. Senti um certo alívio dentro de mim – Eu e ele… era estranho… Não o conseguia ver como mais do que um amigo!
-Porque me estás a dizer isso?!
-Porque estavas a olhar para ele com o mesmo ar com que eu o olhei, e sinto que ficaste envergonhada por eu me aperceber!
Uma das coisas boas em mim, era que por mais envergonhada que estivesse, por muito que eu sentisse o meu rosto a aquecer, eu não ficava vermelha por fora! Foi um ponto a meu favor naquele momento!
-Sabes que comigo podes estar á vontade!
-Estás louca… - Murmurei com o estômago às voltas.
-Não estou nada! Eu não sou estúpida! – Resmungou, ofendida – Eu não me surpreendo que te babes a olhar para ele!
-Eu não me babei!
-O que interessa é que eu entendo que tu possas, eventualmente, sentir-te atraída por ele!
-Wou! Chega! – Exclamei levantando-me do banco como se tivesse apanhado um choque eléctrico - Não quero ouvir isso nem mais uma vez!
-Mas eu acho absolutamente normal que tu…!
-cala-te! Vai lavar a boca porque já estás a dizer asneiras!
-Odeio que me interrompam Lana!
-Odeio que digam idiotices sobre mim!
-Mas ate era possível daqui a uns tempos ver-te agarrada a ele aos beijos!
Engoli a seco após ouvir tamanha baboseira! Eu?... E Ele?...
-Ok, eu admito! Sim, eu já imaginei que ele me… - Não consegui dizer aquela frase. Que embaraço, que humilhação!
-A sério?! – Ela levantou-se do banco e agarrou-me as mãos com um olhar esperançoso.
-já foi há muito tempo! Eu agora odeio-o! Mesmo!
-há muito tempo?! Estás cá na escola há duas semanas!
-Duas semanas bastam-me para eu nutrir sentimentos diferentes por uma só pessoa!
Ela fez um ar de desanimada e largou as minhas mãos:
-Eu quero tanto saber o que vos aconteceu… Quero entender porque é que de um momento para o outro vocês mal se falam e ele passa todo o tempo com a Letz…
A cor do meu rosto começou a desaparecer. Eu queria evitar esse assunto ao máximo. Queria assumi-lo como se tivesse sido apenas um pesadelo, como se eu nunca tivesse sequer falado com o Gustavo uma única vez na minha vida!
Fitei o gelo dentro da saca de plástico. Ele estava menor, submerso na sua água.
-Ah, vejo que está melhor, menina Lana!
Ups! O professor estava de volta!
-Está pronta para um pequeno jogo na equipa da Liliana?
-Acho que sim!
-Óptimo, porque a seguir vai jogar a turma toda junta!
-Credo! – Exclamou Liliana com a mesma cara de susto que eu. Bem que me haviam de bater, da maneira que jogava mal!
Abri a saca com o gelo, e com cuidado para não entornar água nenhuma, apanhei um cubo de tamanho médio. Liliana franziu o sobrolho quando me viu a elevar o gelo até boca, mas para mim aquilo era algo bastante natural.
Senti o gelo coincidir com a minha língua e engoli a água fria que estava pendurada nele. O professor olhou-me também incrédulo, e eu fingi não ligar aos seus olhares. Trinquei o gelo num ápice e comecei a triturar os pequenos pedaços frios com vontade! Por muito estranho que fosse, aquela era uma boa sensação para mim!
Entreguei a saca de gelo ao professor e agarrei o pulso de Lili:
-Vamos a isto! - Exclamei, fingindo não ter reparado na sua cara de parva.
Seguimos as duas até ao campo das nossas colegas e Rebeca atirou-me a bola para as mãos:
-Vamos ver o que vales!
Senti na sua voz uma fúria controlada. Fitei o objecto redondo e laranja nas minhas mãos. Com o membro esquerdo driblei uma vez e atirei a bola a Natacha:
-É melhor começarem vocês!
E assim foi! Começamos a jogar, e para meu espanto não houveram desastres físicos em nenhuma de nós! A única coisa que eu tentei fazer foi não olhar Lau directamente, ou estava sujeita a levar uma bolada na cabeça!
Então chegou a hora da morte! Toda a turma se separou em duas equipas. Eu fiquei com Liliana, com a Lau, com a Darla e alguns rapazes. Rebeca e Natacha ficaram na melhor equipa, juntamente com Letícia, Verónica e Gustavo.
Que vencessem os melhores…!
Comentem, please!

as minhas fic's:
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
-Angelical
Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
-Angelical
Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^
Ei, espera, quantos alunos têm a turma?! 
Nah, só no gozo. Mas que prof cínico
Então, a Lana há tão pouco tempo odiava o Gustavo de morte. Mas parece que... não vale a pena. É impossível, pá. Esses dois ainda vão ter qualquer coisa...
E a parte em que ela fala à Lili sobre bifes...

Nah, só no gozo. Mas que prof cínico
Então, a Lana há tão pouco tempo odiava o Gustavo de morte. Mas parece que... não vale a pena. É impossível, pá. Esses dois ainda vão ter qualquer coisa...
E a parte em que ela fala à Lili sobre bifes...

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http://sm-portugal.coolbb.net/fanfics-gerais-f23/fairy-tales-o-incio-t4901.htm
[email protected] -->Meu MSN, adicionem à vontade!
Karen_95 escreveu:Ei, espera, quantos alunos têm a turma?!
Eh pah nao sei, deve ter uns 20 e pouquinho! lool Mas eu só refiro alguns, aqueles que voces já conhecem! o resto é treta! Só mesmo pa encher!

Mr.Land escreveu: OMG!
Tão rápido!
Estou a acabar de ler.
Estou a adorar,
CONTINUA!!
Achaste rapido?
humm, eu ando a dar uns retoquezinhos na fic, mas se tudo correr bem acho que vou começar a acelerar o ritmo de posts mais uma bocadinho!
obrigada pelo apoio!

bjokas
as minhas fic's:
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
-Angelical
Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
-Angelical
Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^
Ai os bifes... Também quero! xDD
A sério... aquele Gustavo é uma caixa de surpresas. Já nem consigo descreve-lo. Se me pedissem para caracterizar as persongens principais desta história, ficava maluquinha a pensar no Gustavo (nas suas caracteristicas psicologicas claro.. as fisicas acho k até me babava
).
Caraças que a Lana não tem sorte nenhuma. E agora vieram aqueles dois armados em Buffy saber da Rebeca. Que grande lata! Mas pergunto-me qual será o papel destes tipos...
Melhor dizendo... (já andava para te perguntar isto há algum tempo...)
Esta história tem um vilão principal? É que a Leticia é a anti-protagonista, estes dois mariconços já nem sei o k são e ainda faltam aqueles "demonios". Eles são todos "vilões/anti-protagonistas" ou há um principal que ainda não apareceu (ou que ainda não teve grande enfase)?
Bem.. continua assim.. espero ler um novo capítulo em breve.
A sério... aquele Gustavo é uma caixa de surpresas. Já nem consigo descreve-lo. Se me pedissem para caracterizar as persongens principais desta história, ficava maluquinha a pensar no Gustavo (nas suas caracteristicas psicologicas claro.. as fisicas acho k até me babava
). Caraças que a Lana não tem sorte nenhuma. E agora vieram aqueles dois armados em Buffy saber da Rebeca. Que grande lata! Mas pergunto-me qual será o papel destes tipos...
Melhor dizendo... (já andava para te perguntar isto há algum tempo...)
Esta história tem um vilão principal? É que a Leticia é a anti-protagonista, estes dois mariconços já nem sei o k são e ainda faltam aqueles "demonios". Eles são todos "vilões/anti-protagonistas" ou há um principal que ainda não apareceu (ou que ainda não teve grande enfase)?
Bem.. continua assim.. espero ler um novo capítulo em breve.

Espero por ti em cada segundo , porque tu és o meu mundo!

Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
Visitem a minha 1ª Fic ----->The Four elements

Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
Visitem a minha 1ª Fic ----->The Four elements
AnA_Sant0s escreveu:Ai os bifes... Também quero! xDD
A sério... aquele Gustavo é uma caixa de surpresas. Já nem consigo descreve-lo. Se me pedissem para caracterizar as persongens principais desta história, ficava maluquinha a pensar no Gustavo (nas suas caracteristicas psicologicas claro.. as fisicas acho k até me babava).
Caraças que a Lana não tem sorte nenhuma. E agora vieram aqueles dois armados em Buffy saber da Rebeca. Que grande lata! Mas pergunto-me qual será o papel destes tipos...
Melhor dizendo... (já andava para te perguntar isto há algum tempo...)
Esta história tem um vilão principal? É que a Leticia é a anti-protagonista, estes dois mariconços já nem sei o k são e ainda faltam aqueles "demonios". Eles são todos "vilões/anti-protagonistas" ou há um principal que ainda não apareceu (ou que ainda não teve grande enfase)?
Bem.. continua assim.. espero ler um novo capítulo em breve.
Respondendo á tua pergunta, para já todas estas personagens ainda nao revelaram a sua verdadeira historia, e por isso nao as considero verdadeiras vilãs! Os verdadeiros viloes só vao aparecer nos capitulos mais á frente, pouco antes do desenlace!
espero ter esclarecido!
Proximo capirulo no fim-de-semana!
bjokas
as minhas fic's:
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
-Angelical
Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
-Angelical
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oi pessoal!
peço imensa desculpa por nao ter postado no fim de semana como tinha dito!
Infelizmente estou cheia de testes esta semana e nao posso postar para já! Vou tentar arranjar um tempinho para voces! Sorry!
'
bjokas!
peço imensa desculpa por nao ter postado no fim de semana como tinha dito!
Infelizmente estou cheia de testes esta semana e nao posso postar para já! Vou tentar arranjar um tempinho para voces! Sorry!
'bjokas!
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-Unidos pelo destino, unidos por todos!
-Angelical
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oi pessoal! pois é, férias, finalmente!
até que enfim vou ter tempo para me dedicar um pouco á fic!
Quero agradecer a todos o apoio e a compreensao pelo atraso dos capitulo, especialmente ao Mr. Land!
Trago um novo capitulo, e digo já que vai surgir uma nova personagem, a quem a Lana já fez referencia nos primeiros capitulos!
Enfim, boa leitura!
Capitulo X – Confrontos (Parte 1)
-Vai Lana, tu consegues!
A bola laranja veio-me parar ás mãos vinda de Lau. Eu era aquela que estava mais próxima do cesto, e faltavam poucos minutos para o jogo acabar, porem, apesar de já todos termos noção de quem seria a equipa vencedora eu não podia perder a oportunidade de encestar. A esperança invadiu toda a minha equipa! Olhei a bola e tentei concentrar-me ate que um corpo másculo, demasiado perto do meu, me deixou quase sem reacção.
-Três…
Eu olhei-o nos olhos azuis. Ele sorriu com sarcasmo:
-Dois…
O branco dos seus dentes fizeram-se notar. Por momentos pensei que ia fracassar, mas não. A forma irónica como ele fazia a contagem decrescente relembrou-me o idiota que ele era! Impulsionei-me agilmente para saltar e atirar a bola.
-um! – Concluí quando os meus pés saíram do chão.
Foi nesse momento que os nossos corpos colidiram com grande violência! Eu saltei, e ele fez o mesmo sem hesitar. A bola foi para a esquerda e nós para a direita, e quando dei por mim rebolamos pelo chão sem controlo! Gustavo ficou de barriga para cima e bateu com a nuca no chão. Eu fiquei atravessada por cima dele, e bati com o queixo! Acho que não ia conseguir mover o meu maxilar sem começar a choramingar!
-Lana!
Lili correu até nós assim como os poucos alunos que não se riam da nossa figura:
-Vocês estão bem?! – O professor perguntou, preocupado.
Gustavo moveu ligeiramente a cabeça e a mão.
-Au…!
Eu nada disse! Nem a boca conseguia abrir com tantas dores. Comecei a ouvir muitos murmúrios em meu redor. Duvida e divertimento patente naquelas vozes.
-Cheira mal! – Disse Rebeca um pouco afastada e nós.
Senti uns braços puxarem-me para cima, e com custo levantei-me do chão duro:
-Ajudem o vosso colega a levantar-se! – Exclamou o professor, zangado – A aula termina por hoje!
Meti a mão á frente da boca. O lábio parecia estar inchado e tinha um sabor estranho na boca:
-Ai…!
-Você está sempre a magoar-se! – Declarou o professor olhando para mim com atenção. Ele esticou o dedo indicador e tocou levemente na zona inferior do meu lábio. Gemi como resposta!
-Acho que vamos precisar do gelo novamente! Fique aqui!
Ele afastou-se de mim como fizera antes do jogo. Liliana aproximou-se e examinou o meu rosto com uma cara de susto:
-Deve ter doído!
Eu choraminguei sem forças para produzir algum som decente, porem o que me apetecia mesmo dizer-lhe era: “Por favor, o jogo já estava vencido, porque raio é que o Gustavo me impediu de encestar!? Que maldade!”
-Sabes, ele não está em melhor estado do que tu! Tem um hematoma do tamanho de uma laranja!
Eu choraminguei novamente.
-Ai, estás a sangrar, Lana! – Ela guinchou.
“Oh não, só me faltava esta!”
Mirei o restante pavilhão! Rebeca já não estava ali, graças a deus! Agora entendia que sabor estranho era aquele na minha boca! Que nojo!
O professor já estava á beira de Gustavo com uma saca de gelo para ele e outra para mim. De lá, olhou na minha direcção e chamou-me com a mão:
-Venha cá, Lana!
Eu revirei os olhos, sabendo já que ia escutar um raspanete. Dei a mão a Liliana e arrastei-a comigo até aos únicos dois homens que se encontravam no pavilhão. Ela seria a minha porta-voz!
-Mas que raio! Vocês não têm noção do acidente que podiam ter tido?!
Eu tentei abrir a boca para me defender, mas doeu tanto que me mantive calada! Olhei Gustavo com desprezo! Ele tinha de dizer algo!
-Dói-me a cabeça…!
Cerrei os dentes com força, irritada com a sua afirmação cínica, mas arrependi-me logo! Parecia que ia ficar desdentada com tantas dores na gengiva!
-Devia ter deixado a sua colega tentar encestar! Já tinha encestado tantas vezes! Em vez disso causou um ferimento que podia ter sido evitado!
Eu acenei com a cabeça, concordando com o adulto experiente!
-Espero que para a próxima ambos tenham mais cuidado! Ah, e Lana, tente falar! Os seus professores não acharão bem manter-se calada quando perguntarem algo!
-S, Sim… - Respondi com esforço. Parecia que tinha anestesia em toda a boca. Ate a minha voz suou mal!
-Muito bem, podem ir tomar um duche!
-Tchau, stor! – Exclamou Liliana, com um sorriso educado.
O prof. acenou-nos e virou costas em direcção ao seu pequeno gabinete.
Dei um passo para sair daquele sítio, mas fui travada pelo braço de Lili. Olhei para ela e entendi que não fui só eu que fiquei imobilizada. Com a outra mão, ela mantinha Gustavo fixo á sua direita.
-És mesmo idiota rapaz!
-oh!
-Que atitudes são essas, ultimamente?! Andas com a Letz, respondes mal às pessoas e de um dia para o outro vocês os dois mal se falam?! Gostava que me explicassem o que se passa convosco!
Gustavo revirou os olhos e tentou soltar-se para sair da nossa beira, mas Lili foi mais forte e manteve-o ali:
-Li... – semicerrei os olhos com dor na boca, e tentei prosseguir – Não te precisas de preocupar com o nosso afastamento… Afinal, O “comité de boas-vindas” não podia durar o ano todo...
Eu e Gustavo entreolhamo-nos, sérios. Ele franziu as sobrancelhas, como se não tivesse percebido a indirecta.
-Comité?
Lili também ficou confusa com o meu comentário. Eu baixei o olhar e mantive a minha postura irritada.
-Pergunta ao teu amigo!
Sacudi o meu braço com brusquidão e libertei-me. Corri até á porta do balneário feminino, deixando os dois a olharem um para o outro.
O vapor de água quente dificultou ligeiramente a minha respiração. As raparigas já estavam quase todas prontas para sair do balneário, excepto Rebeca que estava encostada á parede de azulejo fria, sem camisola. Nesse momento pude reparar como o seu corpo era branco, e mais certezas tive de que ela era uma vampira.
Aproximei-me dela, chupando os resíduos de sangue que continha nos lábios.
-Estás bem? – Perguntou-me séria.
-Mais ou menos… E tu?... Estás calma?
-Estou, mas isso não implica que possas dizer a toda a gente o que eu sou! - Referiu.
-Desculpa, foi sem intenção! - Eu sentei-me ao seu lado.
-Foste a primeira pessoa a quem disse isto! - Ela fitou-me com cara de poucos amigos. Senti um cargo de responsabilidade cair-me sobre os ombros e desenhei uma esgar facial.
-Consegui sentir o cheiro do teu sangue quando ainda estavas no pavilhão…
Desviei-me dela assustada:
-Incomoda-te?... Quero dizer… Tens fome? ...
Ela negou com a cabeça:
-Não… O cheiro que sinto neste momento é desagradável porque estás com o lábio pisado, o que significa que o sangue não está a correr da melhor maneira nesse sitio… Mas tenho de te dar um conselho!
-Ok, diz!
-Tenta não sangrar perto de mim!
Acenei com a cabeça. Tive sorte por não estar apetecível naquele momento.
A porta do balneário abriu e Lili aproximou-se de nós:
-Lana, esclarece-me! “Comité de boas vindas”?!
Senti um formigueiro no rosto e ignorei-a descaradamente:
-Vamos tomar banho?! – Propus levantando-me.
-Não mudes de assunto!
-Vem Rebeca! – Chamei, ignorando Liliana.
-Não te livras de me explicar lá fora, ouviste!?
-Sim, sim! Anda lá!
Fomos as três tomar um duche rápido e depois de nos vestirmos saímos para o exterior. Tal como Liliana me tinha dito no inicio da aula, eu, ela e Rebeca fomos para trás do pavilhão, onde não se passava absolutamente nada, onde não se ouvia um único som. Lili parou a meio do caminho e nós olhamo-la:
-Bem, Rebeca… Sobre o que disseste á Lana hoje de manhã…
-Não precisam de ter medo! – Assegurou – Prometo não vos fazer mal! … Se vocês não espalharem esta novidade por toda a cidade, é claro!
-Eu sei… Mas quero… que saibas que não é só contigo que se passa algo errado!
-Lili… Espera! Antes disso eu tenho de vos dizer o que me aconteceu antes da aula.
-É importante?
-Sim, é… - Humedeci os meus lábios doridos e atentei nelas duas - Corres perigo Rebeca!
Ela franziu o sobrolho:
-Perigo?
-Conhecem o Rui e a Joana?
-De que turma? – Perguntou Liliana pensativa.
-Não sei… Só sei que eles são primos e são mais velhos do que nós!
Elas deram de ombros simultaneamente:
-sim, acho que já sei a quem te referes! O que é que eles tem a ver connosco?
-Eles ouviram-nos a falar de uma vampira… E querem que eu diga quem ela é! O problema é que eles não tem as mesmas intenções que nós…
-Como assim?!
-Eu acho que eles querem livrar-se de qualquer vampiro com que se cruzem! Eles magoaram-me para que eu dissesse quem era ela, mas felizmente não me arrancaram nada!
-Queres dizer que querem matar-me? – Rebeca arregalou os olhos divertida – Mais adolescentes armados em caçadores! Eles não conseguem descobrir-me! Teriam de ser também vampiros para saber quem eu sou, ou então espetar-me uma estaca de madeira no peito e eu morrer!
Ela riu-se imaginando a situação.
Eu encolhi os ombros, duvidosa.
-Tu não és a única coisa surreal que está entre nós… - Informou Lili.
-Como não sou?! – Ela sobressaltou-se ligeiramente - Existem mais vampiros cá na zona?!
-Não, vampiros não! Mas a Lana é…!
-Li, eu não sei se quero fazer isto! – Interrompi.
-fazer o quê?
Eu preparava-me já para sair daquele sítio pacato mas Liliana impediu-me:
-Nem penses, Lana! Agora é a tua vez de te mostrares á Rebeca!
Neguei com a cabeça, ainda confusa sobre a atitude certa a tomar:
-Isso não é boa ideia Li…
-E porque não?! A Rebeca contou-te o segredo dela e não te matou, não foi?! Porquê todo esse pessimismo?!
-Tenta entender!
-Qual é o teu problema? – Perguntou Rebeca atenta á nossa conversa.
-Não tenho controlo sobre mim mesma!
-Treta! – Ripostou Lili – Tens é medo! Tenho a certeza que voltas ao normal num instante!
-Eu não tenho medo!
-Então mostra-te á Rebeca!
-Não! – Contrapus.
-Queres que te bata naquele sitio?!
-Que sitio?! – Quis saber a vampira, já a ficar enervada.
-Nem te atrevas! – Gritei aflita quando a vi levantar-me a mão – Tens noção que vou rasgar a roupa toda?!
Ela baixou o braço conformada com o que eu lhe disse:
-Então tira-a!
-Oh sim, e fico apenas de soutien aqui no meio, com este tempo húmido e frio! Tu queres ver-me morrer de todas as formas, não?!
Abanei a cabeça em repreensão e virei-lhe costas. Puxei Rebeca comigo, entediada de estar naquele local.
-Vamos sair daqui!
-Lamento, Lana!
Eu não tive tempo de fitar Lili para lhe perguntar o que ela queria dizer com aquele pedido de desculpa, pois a resposta chegou mais rapidamente do que os meus pensamentos. Ela bateu-me com força e eu larguei Rebeca por reflexo, enquanto o oxigénio desapareceu do meu redor durante dois longos segundos.
Osso a osso, eu senti aquelas enormes armações crescerem das minhas costas. A calma que eu sentia antes daquele momento permitiu-me sentir com clareza as asas a formarem-se, e a primeira imagem que eu tive de mim mesma foi uma árvore: quando se planta a semente e nasce o primeiro rebento, a evolução é contínua. Primeiro vem o caule, depois surgem pequenas ramificações, e por fim o revestimento, ou por outras palavras as folhas e as flores. No meu caso, primeiro senti os ossos a aumentar a sua dimensão, levando consigo uma pele elástica que poucos humanos possuem. Depois, desse primeiro osso surge um osso mais reduzido, mas que dá um maior tamanho às asas. Por fim, não são folhas nem flores, mas sim penas brancas que revestem toda a minha pele em milésimos de segundo e lhe retiram um pouco do aspecto assustador.
No entanto toda a dor que senti retirou-me qualquer orgulho daqueles instrumentos, e durante segundos a minha mente ficou branca. Senti-me tonta, sem noção do que se passava ao certo á minha volta.
Esfreguei a testa tentando focar a minha visão, contudo foi a audição que trabalhou melhor.
Ouvi um rosnar abafado, mas feroz.
O meu coração palpitou mais rapidamente. O corpo gelado que me acompanhava anteriormente estava tenso e era ele a origem daquele rugido.
Dei um grito ainda de costas para Lili, e corri. Corri como se a minha vida dependesse disso… E dependia!
Era como se um leão me perseguisse. Um leão ainda jovem e sem a agilidade necessária para me apanhar, mas também um leão faminto.
Corri até a vedação de arame farpado me travar! Virei-me na direcção da minha predadora e fitei-a durante um curto instante. A sua cara serena desaparecera. Rebeca estava mais pálida, as unhas pareciam garras, o seu corpo parecia rijo como uma rocha, os olhos estavam vermelho sangue, e os caninos estavam expostos, mostrando uma dimensão de cortar a respiração. Aterrorizada e sem fé, escondi-me nos meus braços, esperando a morte certa e rápida.
Uma rajada de vento forte e um estouro tornou tudo mais calmo.
Por momentos pensei que tinha morrido, que Rebeca me tinha mordido e que todo o mal que me perseguia tinha chegado ao fim, mas era tudo demasiado fácil para ser verdade.
-Alannis!
Abri a boca chocada com aquele chamamento.
Uma voz doce e poderosa, um cheiro fresco e suave, e um nome que suava a realidade.
Lentamente retirei os braços da frente da minha cara e abri os olhos.
A minha predadora estava deitada no chão, inconsciente, ou assim parecia.
O pânico estava atolado em todo o meu ser e não consegui evitar de começar a tremer aterrorizada com as mãos a prenderem a cabeça.
Escutei passos rápidos na minha direcção, mas não tive curiosidade de saber a quem pertenciam.
-Lana! Estás bem?! – Liliana questionou, lavada em lágrimas.
Ela abraçou-me com força e libertou água salgada no meu ombro enquanto eu fitava aquela vampira imóvel como uma estátua:
-O que aconteceu á Rebeca?
-A culpa foi toda minha, desculpa! – Vociferou entre soluços lacrimosos.
-O que lhe aconteceu?! – Perguntei novamente.
-Não sei! Foi tão rápido! Apenas pareceu-me ouvir um tiro e um grito!
Olhei em meu redor, procurando Rebeca e a fonte daquele grito, que por algum motivo, eu já receava saber de quem se tratava.
Preparei-me para me baixar até tocar rebeca, mas Lili impediu-me:
-Não faças isso! Não agora, nem nesse estado! – Implorou enquanto fungava – Tens de voltar ao normal, Lana! Por favor, livra-te das asas!
Ela tapou o rosto com as mãos e sacudiu a cabeça:
-A culpa é minha! – Vozeou desesperada, chorando com uma intensidade demasiado forte – Por favor perdoa-me!
-Pára, Li! Não me aconteceu nada, isso é o mais importante!
-Recolhe as asas, por favor!
Eu olhei para o céu, impedindo mostrar fracasso:
-Não posso… Não sei como faze-lo…!
Ela libertou mais lágrimas ainda:
-Ela vai voltar a atacar-te!
-Ela é nossa amiga!
-Não, não! Ela é uma vampira sedenta de sangue!
Vi uma sombra a mais no chão. Uma sombra feminina.
-Ela tem de ser morta!
Eu petrifiquei, não somente com a afirmação, mas com a voz que reconheci. Levantei o meu olhar até ela:
-Cris?...
-Encontrei-te… finalmente!
Uma lágrima leve rolou pela sua face misturada com o seu sorriso encantador. Liliana observou aquela rapariga.
Cristina era uma pessoa do meu passado. A única que nunca me magoou da mesma forma que os outros.
Contemplar os seus olhos verdes, os seus caracóis castanhos rebeldes, a sua pele clara, e a sua grande altura, era como um retorno a outra vida. Uma vida de animação constante, sarilhos, malandrices e gargalhadas puras.
Uma forte nostalgia habitava o ar, e por outro lado eu não sabia se fugia ou continuava ali em frente dela, no entanto ela abraçou-me sem eu ter forças suficientes para me soltar. Limitei-me a saborear aquele abraço.
-Quem és tu?! – Perguntou Liliana, quebrando o clima.
Eu e Cristina separamo-nos
Ouvia dois corações a bater descontroladamente. Um era o meu. O outro era de alguém que me fazia recordar o passado, o medo, mas também a alegria.
-Sou uma amiga da Alannis… Chamo-me Cristina...
Cris sorriu e estendeu a mão a Lili que acalmou o seu estado de stress causado por Rebeca:
-E quem é a Alannis?
-Sou eu…! – Murmurei ainda de olhos pregados na minha antiga colega
-o quê…? Não, o teu nome é Lana! – Contrapôs.
Suspirei fundo.
Prometi a mim mesma que não voltaria a pensar em mim como Alannis, e que Lana seria o meu nome para sempre, mas tinha de ser verdadeira com Liliana.
-Não Li… Lana é um diminutivo que eu adoptei para nome próprio!
-Mas é esse nome que está no teu bilhete de identidade, no teu passe do autocarro, no livro de ponto e no cartão de estudante! Como é que mudaste o nome?!
Cristina olhou-me espantada:
-Mudaste o teu nome?
Eu não tinha resposta para tal questão, mesmo sendo uma pergunta simples.
-Mas…Que roupas são essas? – Vociferou – Porque usas essa maquilhagem escura?
Ela tinha o ar de criança tonta que não entendia o que se passava. Eu desviei o olhar, insegura.
-O que fazes aqui?! – Quis saber eu, desajeitadamente, com as mãos a tremer.
-Vim á tua procura! – Esclareceu – Não tens noção de há quanto tempo te busco!
-Para quê?! – Perguntei chocada. Ela franziu as sobrancelhas admirada com a minha pergunta, entoando mais essa sensação através do olhar de choro.
-Para te ajudar… E também… porque tinha saudades…
-Saudades?! De mim?!
-Sentimos a tua falta, Lannis…
-“Sentimos”?! – Citei ironicamente.
-Nunca mais ninguém soube nada de ti nem da Helen! Todos os dias eu ia a casa da Greta para saber de ti, mas ela nunca me esclarecia. Tu abandonaste-nos!
O meu sangue fervilhou com tal afirmação. Levantei a mão e sem reflectir sobre as consequências dos meus actos, esbofeteei a sua cara, enraivecida.
Liliana abriu a boca surpreendida e confusa:
-Porque fizeste isso?! – Perguntaram as duas em uníssono.
-Nunca mais digas que eu vos abandonei! Depois dessa acusação nem mereces que eu te diga nada!
Cristina esfregou a face com a mão e os seus olhos reluziram de choque, incidindo sobre mim:
-Quem és tu, e o que fizeste à Lannis que eu conheci?! Porque estás a ser tão má?!
Apeteceu-me gritar e chorar:
-Vocês é que me viraram costas quando vos pedi ajuda!
-Nós?! Diz lá uma vez em que eu não te tenha ajudado! – Ordenou ofendida.
Cerrei os dentes e rendi-me:
-Tu és um caso à parte…! Mas nunca digas que eu vos tratei como lixo…
-Então porque saíste da cidade e da escola, sem nos dizeres nada?
-Porque teve de ser! – Respondi firmemente.
-Lana… - Lili falou em tom baixo e segurou-me o braço levemente – O que aconteceu?!
Olhei para o céu, receosa por chorar ou manifestar dor e mordi o lábio enquanto buscava uma forma de não contar o que me aconteceu a mais ninguém, sem que para isso necessitasse de mentir.
Então, ouvi um gemido, vindo do chão. Lembrei-me da pobre Rebeca, inconsciente e fraca:
-Foste tu, Cristina?! Foste tu que a impediste de me atacar?
Ela acenou timidamente:
-Ela ia-te matar…! Temos de acabar com esse monstro!
-Não! – Neguei
Eu voltei costas àquela conversa, e com cuidado para não acertar com as minhas asas brancas em nada, baixei-me até Rebeca.
Os seus olhos abriram-se como se eu lhe tivesse gritado para a acordar após uma longa noite de sono! A pupila dos seus olhos dilatou-se e a sua íris alterou-se ligeiramente para um encarnado mais vivo.
-Estás bem? – Murmurei com calma.
A resposta foi um rugido mudo no interior da sua garganta.
-Lannis! – Gritou Cris puxando-me a camisola rasgada – estás louca? Afasta-te!
-O que lhe fizeste?!
-Salvei-te a vida! – Respondeu com os olhos inchados.
Mordi o lábio com o estômago às voltas e fitei Rebeca por segundos:
-Como venceste uma vampira?!
-Dei-lhe um tiro!
-O quê?! – Interroguei eu e Lili em terror.
-Ela vai morrer!
-Não, não vai infelizmente! Não a atingi com uma bala de chumbo! Atirei-lhe uma bala de madeira banhada com uma solução natural feita através de uma planta que enfraquece vampiros!
-Mas ela vai ficar bem, não vai?!
Cristina fez um esgar confuso.
-Ela vai… Não que mereça, afinal de contas é uma vampira, mas não tenho material preparado para vence-la, nem mesmo quando ela está fraca… Só não entendo essa tua preocupação com ela, quando deverias ser tu a ter cautela!
-Eu?! – Questionei.
-Porque não fechas as asas?!
-Porque não sei como faze-lo! - Prontifiquei
-Mas porque estas a reagir tão bem a estas situações sobrenaturais?! – Inquiriu Lili, pouco conversadora.
Cris encolheu-se ligeiramente e fitou Rebeca no chão:
-Tive uma experiencia semelhante a esta, por isso é que sei lidar com esta criatura!
-Uma situação era perigosa?
-Muito...! Digamos que me meti com um vampiro…!
-E estás viva! – Relembrei - Esse é mais um motivo para não fazermos mal a Rebeca!
-Estou viva porque matei-o!
Fiquei tonta ao ouvir tal coisa! Eu seria incapaz de matar alguém! Onde é que ela foi buscar coragem para tal!?
Liliana mostrou uma careta chocada e eu recuei um passo:
-Então o que faço?!
-Mata-a! – Repetiu Cristina e apontou para uma arvore.
Eu não entendi a mensagem e franzi a sobrancelha.
-Fazemos uma estaca de madeira e depois…!
Eu interrompia:
-Eu não vou mata-la! Nunca!
Liliana deu um passo á frente:
-Se não matas tu, mato eu!
Ela estava determinada. A sua visão estava sombria enquanto ela atentava em Rebeca.
-Não! Não podes faze-lo! Eu nunca vos perdoaria, nunca! – Desesperei por completo – matem-me antes a mim, é da maneira que tudo acaba!
Cristina e Liliana fixaram-me perplexas com as minhas insinuações.
Voltei-lhes costas rapidamente, sem me lembrar que as asas as poderiam atingir, o que aconteceu inevitavelmente. A asa direita atingiu o olho de Lili e a asa esquerda atingiu o nariz de Cristina.
Elas caíram as duas no chão e eu tapei a boca com a minha mão, sobressaltada com o impacto bruto delas:
-Desculpem! Eu não me lembrei!
Cristina esfregou o nariz e foi a primeira a levantar-se:
-Há quanto tempo estás assim?
-Três dias! – Esclareci.
-Oh… Isso explica tudo! – Comentou – Devias saber controlar-te!
-Infelizmente não sabia que era um monstro! Não existem aulas para estas coisas… Acho eu…!
-Não deve ser difícil!
-Achas fácil mover os dedos dos pés da mesma forma que mexes os das mãos?!
-A que propósito vem isso?!
-Controlar as asas tem esse grau de dificuldade para mim!
-Porque tu queres! Alguma vez viste uma pássaro que não soubesse bater as asas?
-Eu não sou um pássaro! – Relembrei, e voltei a mirar Rebeca – já que sabes tanto sobre vampiros, não saberás também alguma coisa sobre mim?
-Eu sou maravilhosa! – Ela sorriu ironicamente.
Percebi então que Cristina, a rapariga maluca que eu conhecia desde criança, sabia coisas de que pouca gente tinha conhecimento, e tinha também recebido maturidade na minha ausência!
Ela aproximou-se de mim. Por momentos pensei que me ia abraçar, mas não era isso que ela queria. Cristina passou as suas mãos suaves pelo meu pescoço e massajou-o com as pontas dos dedos, duma forma tão delicada que eu tive vontade de adormecer naquele momento. Ela foi descendo os seus dedos pelas minhas costas, até estar a cerca de cinco centímetros das asas. Nesse local ela carregou os polegares com força sobre a minha pele, eu saltei com a sensação e tentei afastar-me dela:
-Pára Lana, pareces um bebé! - Murmurou
-Estás a magoar-me!
-Calma!
-O que estás a fazer?! – Perguntou Liliana, com uma voz rouca, seguindo as mãos dela.
Cristina voltou a tocar-me com demasiada força e eu gemi.
-Estou a tentar fechar estas malditas asas! Bolas, são mesmo grandes! O que andas a comer, Lannis?!
Se não fossem as dores eu ter-lhe-ia respondido algo, mas não tinha força para tal. De um segundo para o outro os toques dela magoavam-me demasiado, e tiravam-se o ar para respirar correctamente.
-Estou quase a encontrar o osso de origem delas!
Cristina espetou as unhas afiadas na minha pele! Eu libertei um grito estridente e abracei-a com intensidade. No entanto, quando as unhas dela se afastaram, tudo ficou mais fácil. Era como se me tivessem nascido novos braços. Um simples movimento de um ombro levava uma das asas ia para um lado, e o movimento doutro podia facilmente move-la.
Senti-me como um peixe dentro de água, finalmente!
Não tive outra reacção a não seu apertar Cristina nos meus braços:
-O que é que fizeste?! Obrigada! Obrigada mesmo!
-Agora toca a fecha-las! Tens apenas de contrair as costelas e tentar leva-las ao sítio! – Disse afastando o seu corpo do meu.
Eu acenei afirmativamente com a cabeça e mirei o céu com o intuito de me concentrar em “enterrar” novamente as asas no meu corpo.
Mais uma vez tive um formigueiro nas costas e senti os ossos a perderem forma, até se tornarem em duas pequenas ervilhas desconfortáveis, no interior da minha pele.
Através da leveza que o meu corpo manifestou, deduzi que finalmente me tinha libertado dos adornos sobrenaturais, no entanto, senti um vento frio nas minhas costas.
-Mais uma camisola para o lixo! – Comentei desiludida.
-Pelo menos voltaste ao normal… - murmurou Liliana com o olhar baixo – desculpa, Lana… Se eu te tivesse respeitado nada disto teria acontecido…
Encolhi os ombros. Ela tinha razão, mas eu não queria faze-la sentir-se pior do que o que já se sentia.
Olhei para Rebeca. Ela contorceu-se e esfregou os olhos. Olhei Cristina com dúvida:
-Quando me poderei aproximar dela?
-Quando estiveres morta e sem sangue! – Gracejou com grande ironia.
Lançei-lhe um olhar repreendedor:
-Estou a falar a sério! – Garanti.
-E sinceramente, eu também! A sério Lana, porque a proteges tanto?!
-Porque ela não tem culpa de ter a natureza que tem!
Ela calou-se por breves instantes. As minhas palavras fizeram-na reflectir sobre uma realidade acerca de vampiros jovens. Alguém a transformou sem compaixão, e eu sabia que ela era boa pessoa.
Cristina fitou Rebeca e suspirou:
-Acho que… Se não tiveres as asas expostas, ela não se sente tão atraída por ti…
-Porquê?! – Perguntei confusa.
-Quando libertas as tuas asas o teu sangue circula mais rapidamente, o que faz com que mesmo antes de elas estarem totalmente revestidas pelas penas, a vampira sinta o teu cheiro com maior intensidade… - respondeu amuada.
-Então já posso ajuda-la?! – Questionei duvidosa.
-Acho que sim…
Eu sorri e baixei-me até Rebeca. Ela entreabriu os olhos e fitou-me. De facto, o seu olhar já não emancipava toda aquela fúria como acontecera quando eu tinha as asas expostas. Coloquei as minhas mãos sobre a face dela e senti a sua temperatura gelada:
-Estás melhor...?
Ela gemeu:
-O que te aconteceu, Lana?
-Tu tens dentes afiados, eu tenho penas! – Esclareci em tom de brincadeira.
-Magoei-te... ? – Quis saber, com um forte sentimento de raiva própria visível nos seus movimentos breves.
Neguei com a cabeça:
-Não te preocupes comigo agora… tenta recompor-te e vamos almoçar á cantina…!
-Lana, achas mesmo que ela vai comer na cantina?! – Indagou Cristina, perplexa com as minhas ideias.
-Então que faço?! – Perguntei irritada – Dou-lhe o meu pescoço para ela beber?!
-Nem pensar! – Protestou Liliana assustada – Eu não vou aguentar esta situação, não vou! Quero-a longe de nós, especialmente de ti, Lana!
-O que estás a dizer? Ela não nos fará mal!
-Ela ia-te matando! Eu não posso, nem quero conviver com uma coisa destas!
-Ela ia-me matando por tua culpa!
Liliana encolheu-se, furiosa:
-Eu odeio-te, Rebeca! Podeis ficar as melhores amigas, mas eu não hei-de conviver contigo!
Eu verifiquei a reacção da Vampira. Ela estava sentada no chão, e ao mesmo tempo que atentava em nós, movia a sua mão em busca de algo na parte lateral do seu corpo. Quando tocou no sangue que pintava a camisola, gemeu e fez força, pressionando os dedos para dentro da pele.
Tive vontade de vomitar quando a vi retirar uma espécie de ferrão do seu corpo. Era ali que estava o veneno que Cristina lhe atirou!
-Eu fico bem! – Afirmou, tentando levantar-se – Não preciso de vocês para nada! Lamento o que aconteceu contigo, Lana, mas elas tem razão!
-Eu não te culpo! – Assegurei – Eu entendo-te! Não podes lutar contra a natureza, e acreditem ou não, sei o que isso é!
-Olha Lana, só te digo uma coisa: vai-te fo…!
-Tu és louca! – Interrompeu Liliana, ao aperceber-se que da boca de Cristina não ia sair um bom comentário – Afasta-te dela!
-Não é necessário! – Assegurou, Rebeca – Eu própria me afasto de vocês! Estão a chegar as ferias da pascoa, e vou aproveitar essa altura para vos deixar em paz!
-Vais-te embora? – Quis eu saber.
-Eu volto!
Rebeca aproximou-se de mim. Tanto Cristina como Liliana moveram-se sobressaltadas, mas eu mantive-me firme. Ela encostou o seu nariz ao meu pescoço e aspirou o meu cheiro. Fechei os olhos, arrepiada.
-Lamento imenso... – Declarou - És a ultima pessoa a quem desejo mal neste momento, e espero sinceramente não voltar a atacar-te!
-Eu acredito em ti…!
-Não devias…
-Eu sei…! Mas vou arriscar!
O toque da campainha abafou a resposta de Rebeca e eu recordei que ninguém tinha almoçado nada. Pegamos todas nas nossas mochilas, e eu vesti o meu casaco para cobrir as roupas rasgadas.
-Acabou o mundo de fantasia por agora! – Afirmei – Vens connosco, Cris?
-Se eu puder, sim!
Liliana e Rebeca trocaram olhares mortíferos uma com a outra. Ódio e medo misturados naquele combate, fizeram-me colocar entre elas as duas!
-Acabem com as divergências por agora! – Ordenei.
-Eu não a quero perto de nós! – Informou Lili.
-Eu afasto-me! – Prometeu Rebeca.
Eu puxei-as atrás de mim.
Em fila Indiana, dirigimo-nos para a nossa sala de aula, esperançosas que os nossos colegas não se apercebessem dos vestígios do acidente que ocorrera naquela hora. Liliana ia á frente, com os olhos inchados pelas lágrimas que vertera, e atrás dela ia Rebeca, irritada e, de algum modo, cansada! Eu ia atrás delas duas, rezando para que passássemos despercebidas, e conduzia Cristina atrás de mim, que observava os cantos á escola, indiferente.
espero que gostem, e lamento o tempo que demorei a postar!
bjokas
até que enfim vou ter tempo para me dedicar um pouco á fic!

Quero agradecer a todos o apoio e a compreensao pelo atraso dos capitulo, especialmente ao Mr. Land!
Trago um novo capitulo, e digo já que vai surgir uma nova personagem, a quem a Lana já fez referencia nos primeiros capitulos!
Enfim, boa leitura!
Capitulo X – Confrontos (Parte 1)
-Vai Lana, tu consegues!
A bola laranja veio-me parar ás mãos vinda de Lau. Eu era aquela que estava mais próxima do cesto, e faltavam poucos minutos para o jogo acabar, porem, apesar de já todos termos noção de quem seria a equipa vencedora eu não podia perder a oportunidade de encestar. A esperança invadiu toda a minha equipa! Olhei a bola e tentei concentrar-me ate que um corpo másculo, demasiado perto do meu, me deixou quase sem reacção.
-Três…
Eu olhei-o nos olhos azuis. Ele sorriu com sarcasmo:
-Dois…
O branco dos seus dentes fizeram-se notar. Por momentos pensei que ia fracassar, mas não. A forma irónica como ele fazia a contagem decrescente relembrou-me o idiota que ele era! Impulsionei-me agilmente para saltar e atirar a bola.
-um! – Concluí quando os meus pés saíram do chão.
Foi nesse momento que os nossos corpos colidiram com grande violência! Eu saltei, e ele fez o mesmo sem hesitar. A bola foi para a esquerda e nós para a direita, e quando dei por mim rebolamos pelo chão sem controlo! Gustavo ficou de barriga para cima e bateu com a nuca no chão. Eu fiquei atravessada por cima dele, e bati com o queixo! Acho que não ia conseguir mover o meu maxilar sem começar a choramingar!
-Lana!
Lili correu até nós assim como os poucos alunos que não se riam da nossa figura:
-Vocês estão bem?! – O professor perguntou, preocupado.
Gustavo moveu ligeiramente a cabeça e a mão.
-Au…!
Eu nada disse! Nem a boca conseguia abrir com tantas dores. Comecei a ouvir muitos murmúrios em meu redor. Duvida e divertimento patente naquelas vozes.
-Cheira mal! – Disse Rebeca um pouco afastada e nós.
Senti uns braços puxarem-me para cima, e com custo levantei-me do chão duro:
-Ajudem o vosso colega a levantar-se! – Exclamou o professor, zangado – A aula termina por hoje!
Meti a mão á frente da boca. O lábio parecia estar inchado e tinha um sabor estranho na boca:
-Ai…!
-Você está sempre a magoar-se! – Declarou o professor olhando para mim com atenção. Ele esticou o dedo indicador e tocou levemente na zona inferior do meu lábio. Gemi como resposta!
-Acho que vamos precisar do gelo novamente! Fique aqui!
Ele afastou-se de mim como fizera antes do jogo. Liliana aproximou-se e examinou o meu rosto com uma cara de susto:
-Deve ter doído!
Eu choraminguei sem forças para produzir algum som decente, porem o que me apetecia mesmo dizer-lhe era: “Por favor, o jogo já estava vencido, porque raio é que o Gustavo me impediu de encestar!? Que maldade!”
-Sabes, ele não está em melhor estado do que tu! Tem um hematoma do tamanho de uma laranja!
Eu choraminguei novamente.
-Ai, estás a sangrar, Lana! – Ela guinchou.
“Oh não, só me faltava esta!”
Mirei o restante pavilhão! Rebeca já não estava ali, graças a deus! Agora entendia que sabor estranho era aquele na minha boca! Que nojo!
O professor já estava á beira de Gustavo com uma saca de gelo para ele e outra para mim. De lá, olhou na minha direcção e chamou-me com a mão:
-Venha cá, Lana!
Eu revirei os olhos, sabendo já que ia escutar um raspanete. Dei a mão a Liliana e arrastei-a comigo até aos únicos dois homens que se encontravam no pavilhão. Ela seria a minha porta-voz!
-Mas que raio! Vocês não têm noção do acidente que podiam ter tido?!
Eu tentei abrir a boca para me defender, mas doeu tanto que me mantive calada! Olhei Gustavo com desprezo! Ele tinha de dizer algo!
-Dói-me a cabeça…!
Cerrei os dentes com força, irritada com a sua afirmação cínica, mas arrependi-me logo! Parecia que ia ficar desdentada com tantas dores na gengiva!
-Devia ter deixado a sua colega tentar encestar! Já tinha encestado tantas vezes! Em vez disso causou um ferimento que podia ter sido evitado!
Eu acenei com a cabeça, concordando com o adulto experiente!
-Espero que para a próxima ambos tenham mais cuidado! Ah, e Lana, tente falar! Os seus professores não acharão bem manter-se calada quando perguntarem algo!
-S, Sim… - Respondi com esforço. Parecia que tinha anestesia em toda a boca. Ate a minha voz suou mal!
-Muito bem, podem ir tomar um duche!
-Tchau, stor! – Exclamou Liliana, com um sorriso educado.
O prof. acenou-nos e virou costas em direcção ao seu pequeno gabinete.
Dei um passo para sair daquele sítio, mas fui travada pelo braço de Lili. Olhei para ela e entendi que não fui só eu que fiquei imobilizada. Com a outra mão, ela mantinha Gustavo fixo á sua direita.
-És mesmo idiota rapaz!
-oh!
-Que atitudes são essas, ultimamente?! Andas com a Letz, respondes mal às pessoas e de um dia para o outro vocês os dois mal se falam?! Gostava que me explicassem o que se passa convosco!
Gustavo revirou os olhos e tentou soltar-se para sair da nossa beira, mas Lili foi mais forte e manteve-o ali:
-Li... – semicerrei os olhos com dor na boca, e tentei prosseguir – Não te precisas de preocupar com o nosso afastamento… Afinal, O “comité de boas-vindas” não podia durar o ano todo...
Eu e Gustavo entreolhamo-nos, sérios. Ele franziu as sobrancelhas, como se não tivesse percebido a indirecta.
-Comité?
Lili também ficou confusa com o meu comentário. Eu baixei o olhar e mantive a minha postura irritada.
-Pergunta ao teu amigo!
Sacudi o meu braço com brusquidão e libertei-me. Corri até á porta do balneário feminino, deixando os dois a olharem um para o outro.
O vapor de água quente dificultou ligeiramente a minha respiração. As raparigas já estavam quase todas prontas para sair do balneário, excepto Rebeca que estava encostada á parede de azulejo fria, sem camisola. Nesse momento pude reparar como o seu corpo era branco, e mais certezas tive de que ela era uma vampira.
Aproximei-me dela, chupando os resíduos de sangue que continha nos lábios.
-Estás bem? – Perguntou-me séria.
-Mais ou menos… E tu?... Estás calma?
-Estou, mas isso não implica que possas dizer a toda a gente o que eu sou! - Referiu.
-Desculpa, foi sem intenção! - Eu sentei-me ao seu lado.
-Foste a primeira pessoa a quem disse isto! - Ela fitou-me com cara de poucos amigos. Senti um cargo de responsabilidade cair-me sobre os ombros e desenhei uma esgar facial.
-Consegui sentir o cheiro do teu sangue quando ainda estavas no pavilhão…
Desviei-me dela assustada:
-Incomoda-te?... Quero dizer… Tens fome? ...
Ela negou com a cabeça:
-Não… O cheiro que sinto neste momento é desagradável porque estás com o lábio pisado, o que significa que o sangue não está a correr da melhor maneira nesse sitio… Mas tenho de te dar um conselho!
-Ok, diz!
-Tenta não sangrar perto de mim!
Acenei com a cabeça. Tive sorte por não estar apetecível naquele momento.
A porta do balneário abriu e Lili aproximou-se de nós:
-Lana, esclarece-me! “Comité de boas vindas”?!
Senti um formigueiro no rosto e ignorei-a descaradamente:
-Vamos tomar banho?! – Propus levantando-me.
-Não mudes de assunto!
-Vem Rebeca! – Chamei, ignorando Liliana.
-Não te livras de me explicar lá fora, ouviste!?
-Sim, sim! Anda lá!
Fomos as três tomar um duche rápido e depois de nos vestirmos saímos para o exterior. Tal como Liliana me tinha dito no inicio da aula, eu, ela e Rebeca fomos para trás do pavilhão, onde não se passava absolutamente nada, onde não se ouvia um único som. Lili parou a meio do caminho e nós olhamo-la:
-Bem, Rebeca… Sobre o que disseste á Lana hoje de manhã…
-Não precisam de ter medo! – Assegurou – Prometo não vos fazer mal! … Se vocês não espalharem esta novidade por toda a cidade, é claro!
-Eu sei… Mas quero… que saibas que não é só contigo que se passa algo errado!
-Lili… Espera! Antes disso eu tenho de vos dizer o que me aconteceu antes da aula.
-É importante?
-Sim, é… - Humedeci os meus lábios doridos e atentei nelas duas - Corres perigo Rebeca!
Ela franziu o sobrolho:
-Perigo?
-Conhecem o Rui e a Joana?
-De que turma? – Perguntou Liliana pensativa.
-Não sei… Só sei que eles são primos e são mais velhos do que nós!
Elas deram de ombros simultaneamente:
-sim, acho que já sei a quem te referes! O que é que eles tem a ver connosco?
-Eles ouviram-nos a falar de uma vampira… E querem que eu diga quem ela é! O problema é que eles não tem as mesmas intenções que nós…
-Como assim?!
-Eu acho que eles querem livrar-se de qualquer vampiro com que se cruzem! Eles magoaram-me para que eu dissesse quem era ela, mas felizmente não me arrancaram nada!
-Queres dizer que querem matar-me? – Rebeca arregalou os olhos divertida – Mais adolescentes armados em caçadores! Eles não conseguem descobrir-me! Teriam de ser também vampiros para saber quem eu sou, ou então espetar-me uma estaca de madeira no peito e eu morrer!
Ela riu-se imaginando a situação.
Eu encolhi os ombros, duvidosa.
-Tu não és a única coisa surreal que está entre nós… - Informou Lili.
-Como não sou?! – Ela sobressaltou-se ligeiramente - Existem mais vampiros cá na zona?!
-Não, vampiros não! Mas a Lana é…!
-Li, eu não sei se quero fazer isto! – Interrompi.
-fazer o quê?
Eu preparava-me já para sair daquele sítio pacato mas Liliana impediu-me:
-Nem penses, Lana! Agora é a tua vez de te mostrares á Rebeca!
Neguei com a cabeça, ainda confusa sobre a atitude certa a tomar:
-Isso não é boa ideia Li…
-E porque não?! A Rebeca contou-te o segredo dela e não te matou, não foi?! Porquê todo esse pessimismo?!
-Tenta entender!
-Qual é o teu problema? – Perguntou Rebeca atenta á nossa conversa.
-Não tenho controlo sobre mim mesma!
-Treta! – Ripostou Lili – Tens é medo! Tenho a certeza que voltas ao normal num instante!
-Eu não tenho medo!
-Então mostra-te á Rebeca!
-Não! – Contrapus.
-Queres que te bata naquele sitio?!
-Que sitio?! – Quis saber a vampira, já a ficar enervada.
-Nem te atrevas! – Gritei aflita quando a vi levantar-me a mão – Tens noção que vou rasgar a roupa toda?!
Ela baixou o braço conformada com o que eu lhe disse:
-Então tira-a!
-Oh sim, e fico apenas de soutien aqui no meio, com este tempo húmido e frio! Tu queres ver-me morrer de todas as formas, não?!
Abanei a cabeça em repreensão e virei-lhe costas. Puxei Rebeca comigo, entediada de estar naquele local.
-Vamos sair daqui!
-Lamento, Lana!
Eu não tive tempo de fitar Lili para lhe perguntar o que ela queria dizer com aquele pedido de desculpa, pois a resposta chegou mais rapidamente do que os meus pensamentos. Ela bateu-me com força e eu larguei Rebeca por reflexo, enquanto o oxigénio desapareceu do meu redor durante dois longos segundos.
Osso a osso, eu senti aquelas enormes armações crescerem das minhas costas. A calma que eu sentia antes daquele momento permitiu-me sentir com clareza as asas a formarem-se, e a primeira imagem que eu tive de mim mesma foi uma árvore: quando se planta a semente e nasce o primeiro rebento, a evolução é contínua. Primeiro vem o caule, depois surgem pequenas ramificações, e por fim o revestimento, ou por outras palavras as folhas e as flores. No meu caso, primeiro senti os ossos a aumentar a sua dimensão, levando consigo uma pele elástica que poucos humanos possuem. Depois, desse primeiro osso surge um osso mais reduzido, mas que dá um maior tamanho às asas. Por fim, não são folhas nem flores, mas sim penas brancas que revestem toda a minha pele em milésimos de segundo e lhe retiram um pouco do aspecto assustador.
No entanto toda a dor que senti retirou-me qualquer orgulho daqueles instrumentos, e durante segundos a minha mente ficou branca. Senti-me tonta, sem noção do que se passava ao certo á minha volta.
Esfreguei a testa tentando focar a minha visão, contudo foi a audição que trabalhou melhor.
Ouvi um rosnar abafado, mas feroz.
O meu coração palpitou mais rapidamente. O corpo gelado que me acompanhava anteriormente estava tenso e era ele a origem daquele rugido.
Dei um grito ainda de costas para Lili, e corri. Corri como se a minha vida dependesse disso… E dependia!
Era como se um leão me perseguisse. Um leão ainda jovem e sem a agilidade necessária para me apanhar, mas também um leão faminto.
Corri até a vedação de arame farpado me travar! Virei-me na direcção da minha predadora e fitei-a durante um curto instante. A sua cara serena desaparecera. Rebeca estava mais pálida, as unhas pareciam garras, o seu corpo parecia rijo como uma rocha, os olhos estavam vermelho sangue, e os caninos estavam expostos, mostrando uma dimensão de cortar a respiração. Aterrorizada e sem fé, escondi-me nos meus braços, esperando a morte certa e rápida.
Uma rajada de vento forte e um estouro tornou tudo mais calmo.
Por momentos pensei que tinha morrido, que Rebeca me tinha mordido e que todo o mal que me perseguia tinha chegado ao fim, mas era tudo demasiado fácil para ser verdade.
-Alannis!
Abri a boca chocada com aquele chamamento.
Uma voz doce e poderosa, um cheiro fresco e suave, e um nome que suava a realidade.
Lentamente retirei os braços da frente da minha cara e abri os olhos.
A minha predadora estava deitada no chão, inconsciente, ou assim parecia.
O pânico estava atolado em todo o meu ser e não consegui evitar de começar a tremer aterrorizada com as mãos a prenderem a cabeça.
Escutei passos rápidos na minha direcção, mas não tive curiosidade de saber a quem pertenciam.
-Lana! Estás bem?! – Liliana questionou, lavada em lágrimas.
Ela abraçou-me com força e libertou água salgada no meu ombro enquanto eu fitava aquela vampira imóvel como uma estátua:
-O que aconteceu á Rebeca?
-A culpa foi toda minha, desculpa! – Vociferou entre soluços lacrimosos.
-O que lhe aconteceu?! – Perguntei novamente.
-Não sei! Foi tão rápido! Apenas pareceu-me ouvir um tiro e um grito!
Olhei em meu redor, procurando Rebeca e a fonte daquele grito, que por algum motivo, eu já receava saber de quem se tratava.
Preparei-me para me baixar até tocar rebeca, mas Lili impediu-me:
-Não faças isso! Não agora, nem nesse estado! – Implorou enquanto fungava – Tens de voltar ao normal, Lana! Por favor, livra-te das asas!
Ela tapou o rosto com as mãos e sacudiu a cabeça:
-A culpa é minha! – Vozeou desesperada, chorando com uma intensidade demasiado forte – Por favor perdoa-me!
-Pára, Li! Não me aconteceu nada, isso é o mais importante!
-Recolhe as asas, por favor!
Eu olhei para o céu, impedindo mostrar fracasso:
-Não posso… Não sei como faze-lo…!
Ela libertou mais lágrimas ainda:
-Ela vai voltar a atacar-te!
-Ela é nossa amiga!
-Não, não! Ela é uma vampira sedenta de sangue!
Vi uma sombra a mais no chão. Uma sombra feminina.
-Ela tem de ser morta!
Eu petrifiquei, não somente com a afirmação, mas com a voz que reconheci. Levantei o meu olhar até ela:
-Cris?...
-Encontrei-te… finalmente!
Uma lágrima leve rolou pela sua face misturada com o seu sorriso encantador. Liliana observou aquela rapariga.
Cristina era uma pessoa do meu passado. A única que nunca me magoou da mesma forma que os outros.
Contemplar os seus olhos verdes, os seus caracóis castanhos rebeldes, a sua pele clara, e a sua grande altura, era como um retorno a outra vida. Uma vida de animação constante, sarilhos, malandrices e gargalhadas puras.
Uma forte nostalgia habitava o ar, e por outro lado eu não sabia se fugia ou continuava ali em frente dela, no entanto ela abraçou-me sem eu ter forças suficientes para me soltar. Limitei-me a saborear aquele abraço.
-Quem és tu?! – Perguntou Liliana, quebrando o clima.
Eu e Cristina separamo-nos
Ouvia dois corações a bater descontroladamente. Um era o meu. O outro era de alguém que me fazia recordar o passado, o medo, mas também a alegria.
-Sou uma amiga da Alannis… Chamo-me Cristina...
Cris sorriu e estendeu a mão a Lili que acalmou o seu estado de stress causado por Rebeca:
-E quem é a Alannis?
-Sou eu…! – Murmurei ainda de olhos pregados na minha antiga colega
-o quê…? Não, o teu nome é Lana! – Contrapôs.
Suspirei fundo.
Prometi a mim mesma que não voltaria a pensar em mim como Alannis, e que Lana seria o meu nome para sempre, mas tinha de ser verdadeira com Liliana.
-Não Li… Lana é um diminutivo que eu adoptei para nome próprio!
-Mas é esse nome que está no teu bilhete de identidade, no teu passe do autocarro, no livro de ponto e no cartão de estudante! Como é que mudaste o nome?!
Cristina olhou-me espantada:
-Mudaste o teu nome?
Eu não tinha resposta para tal questão, mesmo sendo uma pergunta simples.
-Mas…Que roupas são essas? – Vociferou – Porque usas essa maquilhagem escura?
Ela tinha o ar de criança tonta que não entendia o que se passava. Eu desviei o olhar, insegura.
-O que fazes aqui?! – Quis saber eu, desajeitadamente, com as mãos a tremer.
-Vim á tua procura! – Esclareceu – Não tens noção de há quanto tempo te busco!
-Para quê?! – Perguntei chocada. Ela franziu as sobrancelhas admirada com a minha pergunta, entoando mais essa sensação através do olhar de choro.
-Para te ajudar… E também… porque tinha saudades…
-Saudades?! De mim?!
-Sentimos a tua falta, Lannis…
-“Sentimos”?! – Citei ironicamente.
-Nunca mais ninguém soube nada de ti nem da Helen! Todos os dias eu ia a casa da Greta para saber de ti, mas ela nunca me esclarecia. Tu abandonaste-nos!
O meu sangue fervilhou com tal afirmação. Levantei a mão e sem reflectir sobre as consequências dos meus actos, esbofeteei a sua cara, enraivecida.
Liliana abriu a boca surpreendida e confusa:
-Porque fizeste isso?! – Perguntaram as duas em uníssono.
-Nunca mais digas que eu vos abandonei! Depois dessa acusação nem mereces que eu te diga nada!
Cristina esfregou a face com a mão e os seus olhos reluziram de choque, incidindo sobre mim:
-Quem és tu, e o que fizeste à Lannis que eu conheci?! Porque estás a ser tão má?!
Apeteceu-me gritar e chorar:
-Vocês é que me viraram costas quando vos pedi ajuda!
-Nós?! Diz lá uma vez em que eu não te tenha ajudado! – Ordenou ofendida.
Cerrei os dentes e rendi-me:
-Tu és um caso à parte…! Mas nunca digas que eu vos tratei como lixo…
-Então porque saíste da cidade e da escola, sem nos dizeres nada?
-Porque teve de ser! – Respondi firmemente.
-Lana… - Lili falou em tom baixo e segurou-me o braço levemente – O que aconteceu?!
Olhei para o céu, receosa por chorar ou manifestar dor e mordi o lábio enquanto buscava uma forma de não contar o que me aconteceu a mais ninguém, sem que para isso necessitasse de mentir.
Então, ouvi um gemido, vindo do chão. Lembrei-me da pobre Rebeca, inconsciente e fraca:
-Foste tu, Cristina?! Foste tu que a impediste de me atacar?
Ela acenou timidamente:
-Ela ia-te matar…! Temos de acabar com esse monstro!
-Não! – Neguei
Eu voltei costas àquela conversa, e com cuidado para não acertar com as minhas asas brancas em nada, baixei-me até Rebeca.
Os seus olhos abriram-se como se eu lhe tivesse gritado para a acordar após uma longa noite de sono! A pupila dos seus olhos dilatou-se e a sua íris alterou-se ligeiramente para um encarnado mais vivo.
-Estás bem? – Murmurei com calma.
A resposta foi um rugido mudo no interior da sua garganta.
-Lannis! – Gritou Cris puxando-me a camisola rasgada – estás louca? Afasta-te!
-O que lhe fizeste?!
-Salvei-te a vida! – Respondeu com os olhos inchados.
Mordi o lábio com o estômago às voltas e fitei Rebeca por segundos:
-Como venceste uma vampira?!
-Dei-lhe um tiro!
-O quê?! – Interroguei eu e Lili em terror.
-Ela vai morrer!
-Não, não vai infelizmente! Não a atingi com uma bala de chumbo! Atirei-lhe uma bala de madeira banhada com uma solução natural feita através de uma planta que enfraquece vampiros!
-Mas ela vai ficar bem, não vai?!
Cristina fez um esgar confuso.
-Ela vai… Não que mereça, afinal de contas é uma vampira, mas não tenho material preparado para vence-la, nem mesmo quando ela está fraca… Só não entendo essa tua preocupação com ela, quando deverias ser tu a ter cautela!
-Eu?! – Questionei.
-Porque não fechas as asas?!
-Porque não sei como faze-lo! - Prontifiquei
-Mas porque estas a reagir tão bem a estas situações sobrenaturais?! – Inquiriu Lili, pouco conversadora.
Cris encolheu-se ligeiramente e fitou Rebeca no chão:
-Tive uma experiencia semelhante a esta, por isso é que sei lidar com esta criatura!
-Uma situação era perigosa?
-Muito...! Digamos que me meti com um vampiro…!
-E estás viva! – Relembrei - Esse é mais um motivo para não fazermos mal a Rebeca!
-Estou viva porque matei-o!
Fiquei tonta ao ouvir tal coisa! Eu seria incapaz de matar alguém! Onde é que ela foi buscar coragem para tal!?
Liliana mostrou uma careta chocada e eu recuei um passo:
-Então o que faço?!
-Mata-a! – Repetiu Cristina e apontou para uma arvore.
Eu não entendi a mensagem e franzi a sobrancelha.
-Fazemos uma estaca de madeira e depois…!
Eu interrompia:
-Eu não vou mata-la! Nunca!
Liliana deu um passo á frente:
-Se não matas tu, mato eu!
Ela estava determinada. A sua visão estava sombria enquanto ela atentava em Rebeca.
-Não! Não podes faze-lo! Eu nunca vos perdoaria, nunca! – Desesperei por completo – matem-me antes a mim, é da maneira que tudo acaba!
Cristina e Liliana fixaram-me perplexas com as minhas insinuações.
Voltei-lhes costas rapidamente, sem me lembrar que as asas as poderiam atingir, o que aconteceu inevitavelmente. A asa direita atingiu o olho de Lili e a asa esquerda atingiu o nariz de Cristina.
Elas caíram as duas no chão e eu tapei a boca com a minha mão, sobressaltada com o impacto bruto delas:
-Desculpem! Eu não me lembrei!
Cristina esfregou o nariz e foi a primeira a levantar-se:
-Há quanto tempo estás assim?
-Três dias! – Esclareci.
-Oh… Isso explica tudo! – Comentou – Devias saber controlar-te!
-Infelizmente não sabia que era um monstro! Não existem aulas para estas coisas… Acho eu…!
-Não deve ser difícil!
-Achas fácil mover os dedos dos pés da mesma forma que mexes os das mãos?!
-A que propósito vem isso?!
-Controlar as asas tem esse grau de dificuldade para mim!
-Porque tu queres! Alguma vez viste uma pássaro que não soubesse bater as asas?
-Eu não sou um pássaro! – Relembrei, e voltei a mirar Rebeca – já que sabes tanto sobre vampiros, não saberás também alguma coisa sobre mim?
-Eu sou maravilhosa! – Ela sorriu ironicamente.
Percebi então que Cristina, a rapariga maluca que eu conhecia desde criança, sabia coisas de que pouca gente tinha conhecimento, e tinha também recebido maturidade na minha ausência!
Ela aproximou-se de mim. Por momentos pensei que me ia abraçar, mas não era isso que ela queria. Cristina passou as suas mãos suaves pelo meu pescoço e massajou-o com as pontas dos dedos, duma forma tão delicada que eu tive vontade de adormecer naquele momento. Ela foi descendo os seus dedos pelas minhas costas, até estar a cerca de cinco centímetros das asas. Nesse local ela carregou os polegares com força sobre a minha pele, eu saltei com a sensação e tentei afastar-me dela:
-Pára Lana, pareces um bebé! - Murmurou
-Estás a magoar-me!
-Calma!
-O que estás a fazer?! – Perguntou Liliana, com uma voz rouca, seguindo as mãos dela.
Cristina voltou a tocar-me com demasiada força e eu gemi.
-Estou a tentar fechar estas malditas asas! Bolas, são mesmo grandes! O que andas a comer, Lannis?!
Se não fossem as dores eu ter-lhe-ia respondido algo, mas não tinha força para tal. De um segundo para o outro os toques dela magoavam-me demasiado, e tiravam-se o ar para respirar correctamente.
-Estou quase a encontrar o osso de origem delas!
Cristina espetou as unhas afiadas na minha pele! Eu libertei um grito estridente e abracei-a com intensidade. No entanto, quando as unhas dela se afastaram, tudo ficou mais fácil. Era como se me tivessem nascido novos braços. Um simples movimento de um ombro levava uma das asas ia para um lado, e o movimento doutro podia facilmente move-la.
Senti-me como um peixe dentro de água, finalmente!
Não tive outra reacção a não seu apertar Cristina nos meus braços:
-O que é que fizeste?! Obrigada! Obrigada mesmo!
-Agora toca a fecha-las! Tens apenas de contrair as costelas e tentar leva-las ao sítio! – Disse afastando o seu corpo do meu.
Eu acenei afirmativamente com a cabeça e mirei o céu com o intuito de me concentrar em “enterrar” novamente as asas no meu corpo.
Mais uma vez tive um formigueiro nas costas e senti os ossos a perderem forma, até se tornarem em duas pequenas ervilhas desconfortáveis, no interior da minha pele.
Através da leveza que o meu corpo manifestou, deduzi que finalmente me tinha libertado dos adornos sobrenaturais, no entanto, senti um vento frio nas minhas costas.
-Mais uma camisola para o lixo! – Comentei desiludida.
-Pelo menos voltaste ao normal… - murmurou Liliana com o olhar baixo – desculpa, Lana… Se eu te tivesse respeitado nada disto teria acontecido…
Encolhi os ombros. Ela tinha razão, mas eu não queria faze-la sentir-se pior do que o que já se sentia.
Olhei para Rebeca. Ela contorceu-se e esfregou os olhos. Olhei Cristina com dúvida:
-Quando me poderei aproximar dela?
-Quando estiveres morta e sem sangue! – Gracejou com grande ironia.
Lançei-lhe um olhar repreendedor:
-Estou a falar a sério! – Garanti.
-E sinceramente, eu também! A sério Lana, porque a proteges tanto?!
-Porque ela não tem culpa de ter a natureza que tem!
Ela calou-se por breves instantes. As minhas palavras fizeram-na reflectir sobre uma realidade acerca de vampiros jovens. Alguém a transformou sem compaixão, e eu sabia que ela era boa pessoa.
Cristina fitou Rebeca e suspirou:
-Acho que… Se não tiveres as asas expostas, ela não se sente tão atraída por ti…
-Porquê?! – Perguntei confusa.
-Quando libertas as tuas asas o teu sangue circula mais rapidamente, o que faz com que mesmo antes de elas estarem totalmente revestidas pelas penas, a vampira sinta o teu cheiro com maior intensidade… - respondeu amuada.
-Então já posso ajuda-la?! – Questionei duvidosa.
-Acho que sim…
Eu sorri e baixei-me até Rebeca. Ela entreabriu os olhos e fitou-me. De facto, o seu olhar já não emancipava toda aquela fúria como acontecera quando eu tinha as asas expostas. Coloquei as minhas mãos sobre a face dela e senti a sua temperatura gelada:
-Estás melhor...?
Ela gemeu:
-O que te aconteceu, Lana?
-Tu tens dentes afiados, eu tenho penas! – Esclareci em tom de brincadeira.
-Magoei-te... ? – Quis saber, com um forte sentimento de raiva própria visível nos seus movimentos breves.
Neguei com a cabeça:
-Não te preocupes comigo agora… tenta recompor-te e vamos almoçar á cantina…!
-Lana, achas mesmo que ela vai comer na cantina?! – Indagou Cristina, perplexa com as minhas ideias.
-Então que faço?! – Perguntei irritada – Dou-lhe o meu pescoço para ela beber?!
-Nem pensar! – Protestou Liliana assustada – Eu não vou aguentar esta situação, não vou! Quero-a longe de nós, especialmente de ti, Lana!
-O que estás a dizer? Ela não nos fará mal!
-Ela ia-te matando! Eu não posso, nem quero conviver com uma coisa destas!
-Ela ia-me matando por tua culpa!
Liliana encolheu-se, furiosa:
-Eu odeio-te, Rebeca! Podeis ficar as melhores amigas, mas eu não hei-de conviver contigo!
Eu verifiquei a reacção da Vampira. Ela estava sentada no chão, e ao mesmo tempo que atentava em nós, movia a sua mão em busca de algo na parte lateral do seu corpo. Quando tocou no sangue que pintava a camisola, gemeu e fez força, pressionando os dedos para dentro da pele.
Tive vontade de vomitar quando a vi retirar uma espécie de ferrão do seu corpo. Era ali que estava o veneno que Cristina lhe atirou!
-Eu fico bem! – Afirmou, tentando levantar-se – Não preciso de vocês para nada! Lamento o que aconteceu contigo, Lana, mas elas tem razão!
-Eu não te culpo! – Assegurei – Eu entendo-te! Não podes lutar contra a natureza, e acreditem ou não, sei o que isso é!
-Olha Lana, só te digo uma coisa: vai-te fo…!
-Tu és louca! – Interrompeu Liliana, ao aperceber-se que da boca de Cristina não ia sair um bom comentário – Afasta-te dela!
-Não é necessário! – Assegurou, Rebeca – Eu própria me afasto de vocês! Estão a chegar as ferias da pascoa, e vou aproveitar essa altura para vos deixar em paz!
-Vais-te embora? – Quis eu saber.
-Eu volto!
Rebeca aproximou-se de mim. Tanto Cristina como Liliana moveram-se sobressaltadas, mas eu mantive-me firme. Ela encostou o seu nariz ao meu pescoço e aspirou o meu cheiro. Fechei os olhos, arrepiada.
-Lamento imenso... – Declarou - És a ultima pessoa a quem desejo mal neste momento, e espero sinceramente não voltar a atacar-te!
-Eu acredito em ti…!
-Não devias…
-Eu sei…! Mas vou arriscar!
O toque da campainha abafou a resposta de Rebeca e eu recordei que ninguém tinha almoçado nada. Pegamos todas nas nossas mochilas, e eu vesti o meu casaco para cobrir as roupas rasgadas.
-Acabou o mundo de fantasia por agora! – Afirmei – Vens connosco, Cris?
-Se eu puder, sim!
Liliana e Rebeca trocaram olhares mortíferos uma com a outra. Ódio e medo misturados naquele combate, fizeram-me colocar entre elas as duas!
-Acabem com as divergências por agora! – Ordenei.
-Eu não a quero perto de nós! – Informou Lili.
-Eu afasto-me! – Prometeu Rebeca.
Eu puxei-as atrás de mim.
Em fila Indiana, dirigimo-nos para a nossa sala de aula, esperançosas que os nossos colegas não se apercebessem dos vestígios do acidente que ocorrera naquela hora. Liliana ia á frente, com os olhos inchados pelas lágrimas que vertera, e atrás dela ia Rebeca, irritada e, de algum modo, cansada! Eu ia atrás delas duas, rezando para que passássemos despercebidas, e conduzia Cristina atrás de mim, que observava os cantos á escola, indiferente.
espero que gostem, e lamento o tempo que demorei a postar!
bjokas
as minhas fic's:
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
-Angelical
Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
-Angelical
Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^
Tens de entrar para responderes neste tópico.



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