Sailor Moon Portugal, A Navegante da Lua

[Terminada] Angelical

#205
Xii, pobre Rebeca. Não tem descanso. Essa Cris mais parece a Leticia. Uma autentica bitch Mal disposto
Com que então a Lana é Alanis? Esta não esperava. Quero dizer, eu sabia k os segredos da Lana ainda nao tinham acabado, mas acabei por me esqueer desse promenor e ficar surprea pela alteração do nome. Mas faz sentido, afinal ela está a fugir de algo.
Estou ansiosa por ver o que vai acontecer a seguir... A Lana tá a passar uma fase mesmo weird, que nenhuma adolescente devia passar.
Espero por ti em cada segundo , porque tu és o meu mundo!




Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
Visitem a minha 1ª Fic ----->The Four elements
#206
Ai Aninha, minha fiel leitora! Esperancoso
Obrigada pelo comentário!
A Cristina não é tão má como parece, isso é só na cabecinha da Lana!
Na próxima parte do capitulo elas já vão estar mais calmas, mas a Cristina também vai ter uma participação pequena na fic!
Em breve posto a segunda parte! Bjokas
as minhas fic's:
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
-Angelical
Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^
#207
Poh, nunca chego a horas!
AnA_Sant0s escreveu:Xii, pobre Rebeca. Não tem descanso. Essa Cris mais parece a Leticia. Uma autentica bitch Mal disposto

Coitada! lol!

No princípio ainda pensei que a Rebeca iria matar a Lana ou coisa assim, não fosse ter uma aversão a ela... Pensativo 2

Ganda mundo! Anjos, vampiros, possíveis caçadores de vampiros...humm...I like it! Esperancoso Esperancoso
#209
adoro esta fic...
cada vez m emociona mais...
continua...
#210
Boas pessoal!
Obrigada pelos comentários, a sério, fico muito feliz por haver gente a acompanhar a minha fic!
Bom, vim trazer o folar da pascoa Matreiro Espero que gostem! Embaracoso

Capitulo X - Confrontos (Parte 2)


Entramos as quatro no bloco de aulas e dirigimo-nos até sala onde decorreria a aula de Química. Ainda estavam poucos colegas nossos à porta da sala, mas todos se aperceberam da presença de um elemento a mais no grupo. Cristina franziu as sobrancelhas quando se apercebeu disso:

-são sempre assim?

-Assim como? – Perguntou Liliana.

-Tão…

-Observadores? – Tentei adivinhar.

Ela encolheu os ombros.

-Parece que nunca viram uma rapariga alta, de caracóis e toda gira! – brincou.

Sorri.

-Eles olham, mas não te fazem mal! – Assegurei – Aliás, são muito simpáticos! Não são como aqueles cínicos que andavam lã na escola, que nos olhavam de cima abaixo e só falavam mal de nós!

-As pessoas da vossa escola não parecem ser lá muito simpáticas! – Supôs lili afastando-se de Rebeca.

Cris encolheu os ombros e fez um esgar confuso:

-são normais, acho!

Darla surgiu acompanhada por Lau e Verónica. Ao aperceber-se da nova presença juntou-se a nós com um grande sorriso:

-Olá meninas!

-Olá – saudaram em uníssono.

-quem é esta? Nova cá na escola? – Perguntou Verónica, com intenções secundárias! Mal ela sabia que eu captava tudo o que ela sentia.

-Oh não! Sou a Cristina! –Corrigiu Cristina - Cris para os amigos! Era da antiga escola d’Alannis!

Apeteceu-me dar-lhe uma cotovelada forte!

-Alannis?

-Ahm… - Ela corou, aparvalhada - Era o apelido que eu lhe dava! – Corrigiu desajeitadamente.

-Oh! De onde é que vocês vêm? – Questionou Darla, curiosamente - Nunca disseste Lana!

-Vimos da Póvoa de…

Cristina preparou-se para cantarolar tudo sobre nós, e eu agitada interrompi-a atrapalhada:

-Olha a professora!

-Povoa de Lanhoso?! – Verónica não descansou e prosseguiu com a sua “pesquisa”.

-não, não! Povoa de…

-Cris! - Murmurei pisando-lhe o pé discretamente - é melhor irmos pedir para assistires à aula!

-Tu não queres que nós saibamos onde moras?! – Deduziu Lau sorrindo sarcasticamente.

Evitando o seu olhar incómodo, eu procurei uma resposta que não me denunciasse pelo lado negativo:

-E para que querem saber?! Não vão ir lá! – Declarei incomodada

De repente Verónica olhou para Rebeca. O seu coração acelerou com o susto e a sua mente ficou carregada de dúvida. Ela aproximou-se dela:

-Rebeca, estás bem?!

Todas as outras viraram-se também para ela, chocadas e confusas. Eu olhei para o chão, e discretamente agarrei a minha cabeça antes que as emoções delas me afectassem.

-Tens sangue na camisola, credo!

-O que te aconteceu?!

-esta tudo bem, obrigada! – Rebeca assumiu novamente o seu ar habitual, calmo, sereno e educado, e mentiu - Eu ia a andar e sem querer desequilibrei-me e raspei a pele numa pedra!

Liliana cerrou os dentes, furiosa.

Cristina, por outro lado, bufou ao aperceber-se da preocupação de tantas humanas por uma vampira, e eu aproveitei a distracção para lhe ordenar algo:

-Cris… - Murmurei.

Ela mirou-me atentamente e eu prossegui:

-Não digas onde moramos!

-Porquê?! – Questionou cruzando os braços.

-Não digas! Por favor…

Ela revirou os olhos, impaciente, mas acenou afirmativamente com a cabeça.

-Hei, vocês vêm?! – Chamei para as outras!

Elas afastaram-se de Rebeca e miraram-nos por pouco tempo fazendo caminho connosco para a aula. Provavelmente já se tinham apercebido que não era só a Rebeca que esta com cara de zombie. Liliana e eu não lhe ficávamos nada atrás, apesar de conseguirmos disfarçar melhor. Apresentei Cristina á professora, e a minha ex colega fez a sua cara mais inocente para convencer esta a ficar comigo na aula, fazendo-nos prometer que não perturbaríamos ninguém.

Fomos para a minha banca e sentamo-nos ao mesmo tempo, até que me apercebi que ela não poderia ficar naquele sítio:

-Cris, podes ir buscar outro banco ao fundo da sala?

-Porquê? Estás acompanhada?

-Infelizmente!

Ela levantou-se de livre vontade e foi onde eu lhe sugeri. Comecei por retirar o meu material da mochila, abri os cadernos, e vesti a minha bata branca.

Gustavo entrou nesse momento e o seu olhar como sempre incidiu sobre o meu, como se quisesse garantir que eu estava mesmo ali. Letícia entrou a seguir de cabeça baixa, e para minha surpresa estava com uma cara semelhante á de Liliana. Teria chorado?

De repente senti-me cheia de pena dela e desviei o olhar, com uma sensação de culpa a percorrer-me! Cristina pousou o banco sonoramente ao do meu lado direito:

-Mas quem é aquele “bife” na mesa do fundo?!

Eu ri-me com a sua forma de falar tão característica! “Bife” era o apelido que nós dávamos a rapazes aparentemente interessantes e bonitos. Ela não tinha mudado nada no que tocava ao romance. Andava sempre de olho nos rapazes da zona e era bem capaz de se apaixonar pelo seleccionado desta vez.

Eu olhei para trás ainda a sorrir:

-Qual deles?

-O de cabelo todo desarrumado!

Apertei o lábio entre os meus dentes ainda com um sorriso e voltei-me para a frente:

-É o Rodrigo!

-Ena, agrada-me…! – Disse com uma expressão malandra - Que idade tem?

-Não sei ao certo… 18, talvez!

-cada vez melhor! - Ela tapou a boca enquanto se sorria animada – Apresentas-mo?

-A sério? – Perguntei.

-Sim, por favor!

-sabes que não tenho muito jeito para apresentações! – Relembrei.

Gustavo arrastou o seu banco nesse momento e olhou Cristina admirado. Eu fiz de conta que não o ouvi chegar, e reparei que Cristina também não deu importância á sua presença

-Faz-me esse favorzinho! Sabes que ainda és a minha melhor amiga!

Ela abraçou-me nesse momento como forma de convencer e eu soltei uma risada divertida:

-Mas tu não tinhas namorado? – Perguntei quando ela se voltou a afastar de mim.

-Oh, era um grandessíssimo idiota! Acabou tudo! – Declarou com segurança – Então e tu?

-Eu o quê? – Respondi, ao mesmo tempo que a professora distribuía os tubos de ensaio e os produtos químicos na minha mesa dando sinal para começar a trabalhar.

-se bem me lembro… - ela fez uma pausa e sorriu matreira ao ver-me pegar no tubinho de ensaio – estavas apaixonada pelo Ricardo!

O tubo de ensaio escorregou-me das mãos… Ou melhor, eu deixei-o cair, atrapalhada!

-Não, não estava! – Respondi colocando o instrumento científico num local seguro, afastado da minha pele de manteiga.

-Estavas pois! Ok, ele não era o teu rapaz modelo, loiro e de olhos azuis, mas eu sei que tu até lhe achavas piada!

Senti um formigueiro na face, cheia de vergonha das coisas que aquela indiscreta estava a dizer, e lancei-lhe um olhar piedoso para ela se calar, especialmente porque tinha Gustavo ao meu lado, provavelmente a escutar tudo. No entanto ela não me entendeu e prosseguiu:

-Admite! Gostavas dele ou não?!

Suspirei irritada e cerrei os dentes para me controlar:

-talvez! – Respondi com um olhar mortífero!

-Talvez?! Mas que raio de resposta é essa?!

-Sim Cris, eu gostava! – Disse finalmente com uma voz severa!

Ela finalmente entendeu que eu não estava a gostar da conversa, mas para variar não mudou de assunto:

-Ele também gostava de ti, sabias?!

-o quê?! – Perguntei transtornada.

-Toda a gente sabia, ele ate te convidou para o baile!

-Mas isso foi por causa de uma aposta!

-Não foi nada! – Negou – Isso foi o que muitas sonsas te fizeram acreditar, com inveja!

-Oh, esta calada! Não acredito em ti!

-Ah? Eu alguma vez te menti?!

Eu baixei a cabeça derrotada:

-Não…

-Então confia no que te digo! Pelo que ouvi dizer ele convidou-te para o baile porque era nessa noite que te ia pedir em namoro! Não é romântico?! – Rectificou com um ar meloso.

-Não, não é! Eu negaria o pedido!

-Oh, isso é porque tu és uma medricas!

-Pois sou! – Admiti!

Era uma realidade! Eu fugia a sete pés de qualquer pretendente que tivesse! Era como uma maldição, e se não concordasse com Cristina, nunca mais pararia de falar daquilo.

A professora pousou mais dois produtos químicos em cima da mesa:

-Se não fosse aquele traste…! – Sussurrou, enraivecida.

-Que traste?! – Perguntei, confusa.

Ela suspirou.

-O teu professor de matemática…

Eu senti que ia cair para o lado e coloquei uma mão sobre a banca negra. O corpo de Gustavo reagiu nesse momento.

-Como é que tu sabes disso? – Perguntei baixinho com o ar a faltar-me.

Ela assumiu uma postura mais formal e o seu rosto adquiriu uma expressão mais séria:

-Como achas que a polícia chegou a tempo?

Eu deixei de ver direito nesse momento. Fiquei tão tonta e tão descontrolada que não me conseguia segurar. Eu pensei que ia desmaiar ali mesmo, mas não podia. Coloquei uma das mãos discretamente na cabeça, com o cotovelo apoiado na banca, fazendo com que o cabelo me escondesse a face, e tentei controlar a respiração sem dar nas vistas.

Senti uma mão fria tocar-me lateralmente e estremeci com frio e ao mesmo tempo pelas sensações que despertaram em mim. Libertei, então, a minha mão esquerda da mesa de trabalho e baixei-a até tocar a mão de Gustavo que me tocava:

-Como ficaste depois disso? – Perguntou.

Senti os dedos dele entrelaçarem com os meus, e não os neguei. Aconcheguei a extremidade do meu braço por entre a sua palma e olhei-o de soslaio. Quem estivesse a olhar para ele, dificilmente saberia que estava a segurar-me da queda evidente. Parecia tão alheio à nossa conversa e bastante concentrado nos passos que o livro explicava para fazer a experiência. Eu sorri sem que ele visse, pois foi como se Gustavo me tivesse preenchido por dentro e tivesse acabado com o espaço da dor.

Desviei o cabelo para trás da orelha e olhei para Cristina que esperava uma resposta minha:

-Estou bem… - Afirmei, e abri finalmente o livro – Mas se não te importas, tenho trabalho para fazer!

-Claro!

Eu e Gustavo libertamo-nos lentamente, dedo por dedo, numa sintonia exacta, como se tivéssemos a partilhar as ideias e soubéssemos que tanto um como outro não precisava mais daquela mão. Calcei umas luvas de borracha e coloquei uns óculos de plástico enormes.

Levantei-me e peguei nos tubos de ensaio que me foram destinados, adicionando cautelosamente os elementos químicos pela ordem que o livro exigia.

Cristina observava-me atentamente, admirando cada processo que eu fazia. A professora passava por nós de vez em quando para ver se estava tudo bem com a experiencia de laboratório, tratando Cristina com a mesma simpatia com que tratava as suas alunas:

-Queres experimentar fazer uma? – Brincou a professora.

-Nem pensar! Ainda fazia a escola explodir!

Eu ri-me da proposta.

-Como o mundo dá voltas...! – Exclamou fixada em mim.

Apercebi-me que de cada vez que ela falava a turma parecia ficar toda em silencio para escuta-la.

-Porque dizes isso? – Perguntou a Prof.

-Tem noção que no sétimo, oitavo e nono ano a Lannis tirava sempre negativa a Físico-química e a matemática?! Agora está neste curso arrepiante!

Eu voltei a rir-me:

-não é tão difícil como parece! – Exclamei mexendo a solução química em frente aos meus olhos - é como cozinhar!

-Tu odeias cozinhar!

-Odeio mesmo…! – Reflecti, pensando num exemplo melhor.

-Então isso significa que não gostas de química? – Deduziu a professora, surpreendida.

-Expressei-me mal! – Declarei – Cris, vê isto como… Como uma obra de arte!

-Agora estás a falar a nossa língua!

-Andavas em artes, Lana? – Perguntou Liliana maravilhada.

-Acho que agora, mais do que nunca, tem ar de artista! – Explicou Cris – Romântica! – Concluiu.

-Porquê?! – Perguntou Lau, olhando-a.

-Olhem para ela! Parece um fantasma! Os românticos á que se vestiam de preto e veneravam a morte e a noite! Alem disso, o pessoal das artes é que tinha esse estilo tão…- Ela fez um esgar confuso já que a bata branca escondia as minhas roupas escuras – O que é feito do rosa choque, do branco, do amarelo, do verde, do azul, do castanho e as restantes cores?!

-Hei! Não vez estes pormenores roxos no casaco? – Ironizei mostrando-lhe o capucho.

-Engraçadinha! Pelo menos não perdeste o humor!

Nesse momento toda a turma ficou em silêncio, afinal de contas humor era coisa que eu não demonstrava naquele lugar!

-Talvez o tenha perdido!

-Ah, não acredito! Tu eras óptima a contar piadas, a imitar vozes e a fazer os outros rir! Era a palhacinha da turma! – Concluiu.

Olhei o chão numa medida de reflexão e não respondi:

-Eras a bebé grande!

-Quem te ouvir falar pensa que eu só chorava e fazia birra! – Esforcei-me para parecer bem.

-Não, tu não choravas… Tu limpavas-nos as lágrimas… Falo por mim...!

Agradeci o facto de ela ter dito aquilo em voz quase inaudível. Os outros continuavam atentos á nossa conversa, ate mesmo a professora que remexia as experiências que lhe iam dando.

-Sabes quantas raparigas te invejavam?

-E nunca entendi porquê! – Aquela conversa estava a deixar-me aborrecida.

Às vezes era bom recordar os velhos tempos, mas chegava a um ponto que eu perdia a paciência, especialmente sabendo que uma turma escutava tudo com grande atenção.

-Porque eras tão calma! Podiam atirar-te uma dúzia de cocos à cabeça que tu não te importavas! Argh, eras mesmo irritante!

Eu ri-me com divertimento. De facto, esse era um dos meus defeitos/qualidades! As pessoas enervavam-se comigo por eu ser tão paciente!

-Mas eu explodi!... – Disse relembrando o baile quando ninguém me ajudou. Esse dia foi a gota de água!

-Quem diria! A Lana a ser divertida, bem-humorada, boa amiga, simpática e calma! – Exclamou Darla, com sarcasmo.

-Sou assim tão má agora? – Perguntei.

Ela não respondeu e eu sorri.

A campainha tocou e todos começamos a arrumar os materiais nos devidos locais. Cristina mexeu-me no cabelo com cuidado:

-tenho saudades dos velhos tempos… - disse – Tenho saudades daquela rapariga desajeitada, que vivia numa fantasia permanente, que tropeçava nos próprios pés, que nunca entendia nada á primeira, mas que conseguia fazer as pessoas sorrir…

-Esquece isso, Cris!...

Ela suspirou fundo e abanou a cabeça dando-me razão.

-Então, queres conhece-lo? – Questionei com um sorriso maroto no rosto.

Os seus ânimos levantaram-se e ela olhou para o fundo da sala, onde Rodrigo com a sua cara de sono do costume arrumava livro a livro na sua mochila desarrumada.

Senti novamente atrás de mim a mão de Gustavo tocar na minha. Eu sorri com a sensação. Senti o meu corpo a aquecer e um arrepio percorreu-me totalmente sem que eu o demonstrasse. Ele passou para a minha mão um papelinho dobrado e eu apertei-o quando ele se afastou, abordado com expectativa e nervosismo.

Liliana aproximou-se de mim e de Cris e eu fitei o bilhete de Gustavo, pensando numa boa forma de elas não me verem a lê-lo.

-Lili, importas-te de apresentar a Cris à turma, especialmente ao Rodrigo!?

Liliana sorriu para Cris e esta fez um ar de envergonhada:

-Bem… não é preciso!

-Oh deixa-te disso! – Ordenei – perdeste a coragem?!

-Anda, eu apresento-vos discretamente! – Exclamou Lili atenciosamente – Ninguém se vai aperceber que o queres conhecer a Ele!

Aproveitei o momento para ler o recado de Gustavo. Desembrulhei o papel com cuidado e decifrei-o: “Vem ter comigo á saída do bloco, junto á grande arvore.

Parei para pensar durante um instante, enquanto me distraia com a sua caligrafia desengonçada, mas bonita. Não sabia se ia ter com ele ou não. Ele andava muito idiota comigo e eu não podia facilitar-lhe a vida e sorrir só porque ele me tinha dado a mão na aula. Por outro lado ele podia ter algo importante para me dizer.

Optei por ir.

-Meninas… Eu tenho de ir à casa de banho… Volto já!

-Oh espera, nós vamos contigo! – Exclamou Cristina.

Eu revirei os olhos. Para que é que ela queria vir?!

-Não é necessário! Vão ter com os outros, apresentem-se e eu depois vou ter convosco!

Não esperei a resposta delas e saí da sala, certificando-me que Gustavo já não estava lá. Saí do pavilhão de aulas e procurei a maior árvore da zona. Lá estava ela, com um grande tronco castanho e os primeiros rebentos verdes a nascer, localizada de uma forma pouco visível para os alunos. Gustavo não estava lá ainda, ou pelo menos assim parecia.

Aproximei-me daquele elemento natural e caminhei em seu redor lentamente, arrastando a minha mão pelo tronco áspero.

De repente os nossos olhares cruzaram-se sem eu estar à espera. Por pouco não choquei contra Gustavo e isso deixou-me assustada, fazendo com que eu recuasse um passo.

-O que se passa? – Perguntei num tom de voz firme, tal como ele merecia.

-Quem é ela?! – Perguntou sem demoras.

O meu interior fervilhou de raiva. Para que queria ele saber quem ela era?! Para fazer outra vez aquele jogo idiota que fizera comigo?!

-Pergunta-lhe tu! Não te deve custar muito!

Ele colou o seu olhar profundo no meu e fez um ar de zangado, ao qual eu retribuí.

-Pensei que estavas chateada com os teus antigos colegas! – Proferiu num tom acusador.

-Ela foi uma excepção!

-é sempre assim tão indiscreta?!

Cerrei os dentes e desviei o olhar por um instante, furiosa com a sua arrogância perante Cristina.

-Deves-te achar um túmulo!

Ele franziu as sobrancelhas e eu fiz o mesmo sem desviar o meu olhar do dele.

-Pelo menos não me ponho a falar de ti em frente a toda a gente! – Ele aproximou-se de mim com aquele seu tom amuado

-Pelo menos ela ainda fala comigo em condições! – Ripostei aproximando-me dele, também amuada.

-E eu não?! – Interrogou como se fosse alguma mentira.

-Ela não é um Iceberg! – Exclamei num tom de voz mais elevado.

Já só conseguia ver os seus olhos azuis á minha frente. Distávamos poucos centímetros um do outro, e competíamos com olhares mortíferos e palavras irritadas.

-Achas que sou um Iceberg?! – Perguntou tocando com a sua respiração na minha face.

-és frio!

-Frio?!...

O corpo dele tocou o meu propositadamente. De frio não tinha nada. Estava em chama tal como o meu, mas eu não me deixaria abater por esse facto.

-frio de alma! – Completei.

-E porque dizes isso?

-nunca ouviste dizer “Mãos frias, coração quente?” – Perguntei.

-E então?

-O teu corpo está quente, logo a tua alma está fria como um Iceberg gelado!

Aquela frase não fez o mínimo sentido, nem sequer para mim.

Ele riu sem humor.

-Pois fica sabendo que este Iceberg tem as mãos geladas! – Disse colocando uma dela sobre a minha face.

Eu estremeci ligeiramente!

-Isso não quer dizer nada!

-Ainda há segundos tinha significado!

-Foi para isto que me chamaste?! – Questionei fingindo não ter escutado a sua resposta.

-Não… - A voz dele ficou mais calma – Eu queria…Saber…

-Saber o quê?! – Quis descobrir, impaciente com a sua falta de à vontade tão invulgar nele.

-Tu…? – Ele pausava as suas palavras desajeitadamente enquanto permanecia vidrado nos meus olhos, na mesma distância com que nos queríamos atacar verbalmente – Estás bem…?

O meu coração murchou e por pouco não sorri sem querer.

-Estás preocupado comigo?

Tentei ser bruta, mas não consegui. Fiquei demasiado feliz com aquela questão, e por isso a minha voz saiu mais suave do que nunca.

Ouvi uns passos leves pisarem uns pauzinhos secos que havia no chão

-Gustavo?! – Gritou uma voz infantil e animada, interrompendo a sua resposta.

Tanto eu como ele viramos os rostos na direcção daquela voz feminina.

-Su!

Ela abriu a boca como que chocada e apontou para nós animada:

-Vocês iam dar um beijo!

-O quê?!

-Não! – Dissemos em uníssono.

Apercebi-me que a sua mão fria continuava colada à minha face, o que nos deixava verdadeiramente numa situação comprometedora, e entreolhamo-nos os dois ao ritmo de passos desajeitados para nos afastarmos.

-Eu vi! – Ela soltou uma gargalhada animada – olha os namorados, primos e casados…!

-Isso é mentira! – Protestei envergonhada.

-Está calada Susana! – Ordenou Gustavo – Achas que nós…?

-Achas mesmo?! – Interrompi cruzando os braços – nunca!

-“Nunca” é uma palavra muito forte!

-Aonde é que eu já ouvi isso?! – Perguntei-me olhando Gustavo de forma acusadora.

-Pois, pois – Troçou ela – Vocês não querem é que eu conte a ninguém! Não te preocupes Gustavo, eu não digo nada á mãe!

-Mas não há nada para dizer! – Expliquei desesperada. E se ela espalhasse aquele rumor pela escola toda?!

-Su, ouve o que te digo! – Gustavo aproximou-se dela e aninhou-se á sua altura, agarrando-lhe os ombros - O que tu viste foi uma discussão entre mim e a Lana!

-Exacto, eu e o teu irmão nem somos amigos!

-não? – Ele olhou para mim chocado.

-não! – Exclamei – Os amigos não deixam os amigos nas más ocasiões!

-Que má ocasião?!

-Não te faças de idiota!

Ele levantou-se na minha direcção, ignorando a sua irmã.

Eu passei por ele bruscamente, a fim de ir ter com os outros e comer qualquer coisa. Mirei-o um momento:

-Quando conseguires, pergunta-me o que querias!

Rodeei novamente o tronco grosso e procurei os meus colegas com a vista. Estavam todos junto a um poste de electricidade onde Cristina era o centro das atenções. Corri até eles, ansiosa que ela não lhes contasse nada crucial a meu respeito.

Quando lá cheguei olhei para trás. De facto, aquela árvore escondia quem se colocasse atrás dela com grande facilidade, pelo que Gustavo e Su tinham ficado totalmente imperceptíveis!

Apercebi-me que Cristina falava abertamente com toda a gente, e para minha felicidade não mencionava o meu nome em nenhuma das suas conversas.

Encostei-me ao muro e suspirei. Só esperava que Susana não contasse nada de mais às pessoas! O que haviam de pensar se a rapariga espalhasse pela escola toda que eu e Gustavo namorávamos?! Haviam de dizer que os estávamos a enganar, gozavam connosco e se fosse preciso ainda nos obrigavam a estar juntos! Estávamos assim tão próximos para a miúda pensar que nos íamos beijar?! Que absurdo! Eu lá era mulher de no mesmo dia em que fui magoada por um idiota numa aula de educação física, beijar esse mesmo estúpido! Nem pensar! Ele não merecia que eu lhe falasse, sobretudo devido á sua arrogância para comigo! Ele era um traidor e não tinha direito sequer á minha atenção!

-Que nervos! – Murmurei furiosa.

-Que foi Lana? – Perguntou Lau ao aperceber-se da minha cara de zangada.

-ahm… Nada… - respondi evitando os seus olhos – Dói-me a gengiva… da queda desta manhã, lembraste?

-oh, já nem me lembrava disso! Pareces melhor!

-Mais ou menos! - Proclamei levantando a cabeça na sua direcção.

E voltou a acontecer. Os olhos dela voltaram a ler-me totalmente e eu senti-me praticamente nua!

-Sabes, os teus olhos… - Preparei-me para dizer.

-magoam-te? – Finalizou desviando a sua atenção de mim.

-bem… Não sei se essa é a palavra correcta…

Ela sorriu, e discretamente aproximou-se de mim para me sussurrar algo ao ouvido:

-É palavra certa…! E quer acredites, quer não, sei que não estás com dores no maxilar…

Ela desencostou-se de mim novamente e afastou-se deixando-me baralhada.

Eu via penetrar por entre os outros para ir ter com algum dos nossos colegas e fiz de conta que não tinha escutado o que ela me disse.

No mesmo instante que olhei em frente Gustavo apareceu, com cara de irritado. Será que a sua irmã não se tinha convencido que não se passava nada entre mim e ele?!

-Onde te enfiaste?! – Perguntou Sérgio com Natacha em sua posse.

-Em lado nenhum! – Respondeu frustrado.

Foi então que me apercebi que Susana vinha a correr na direcção do nosso grupo com o mesmo sorriso trocista de anteriormente. Descolei-me da parede, inquieta.

-Olá! – Cumprimentou em alta voz.

Gustavo virou-se de frente para ela e cerrou os dentes, furioso. O meu coração palpitou mais rapidamente e eu dei um passo na direcção dela.

-Vocês nem sabem o que eu vi… - Ela riu-se e fitou Gustavo com malícia – O Gustavo e a…!

Eu não pensei duas vezes e corri até ela para a calar. Pelos vistos não fui a única pessoa com essa ideia e de um segundo para o outro a mão de Gustavo travava as palavras daquela rapariga. Eu parei antes de chegar ate eles, para não dar mais nas vistas:

-Su, está calada! – Ordenou Gustavo segurando-a – porque não vais ter com os teus amigos?!

A rapariga esperneou para se libertar, mas não conseguiu nada.

-Ena tanto mistério Gustavo! Deixa a rapariga falar! – Disse Verónica – Diz Su, o Gustavo o quê?

-Ela não tem nada para falar!

Lentamente Susana deixou de espernear. Quando eu a examinei apercebi-me que ela esta a ficar pálida e sem forças.

Assustada dei um encontrão a Gustavo para ele solta-la:

-Vais abafa-la! – Adverti libertando-a.

Foi o grande erro do momento. Mal ela se viu livre da mão de Gustavo começou a rir-se e prendeu-me a camisola:

-E a Lana…! – Tentou concluir, mas desta vez fui eu quem a calou.

-ah! Sua pestinha! És muita má e marota! – Repreendi.

-Porque estão a impedi-la de falar?! – Perguntou Darla, curiosa.

-Cá para mim estão a esconder um segredo! – Comentou Pedro, o irmão gémeo de Lili.

Susana acenou com a cabeça dando-lhe razão e eu cerrei os dentes. Baixei-me até ao seu ouvido sem lhe destapar a boca e pensei em segredar algo que a acalma-se:

-Hei, menina má! Se não disseres nenhum disparate eu compenso-te!

Ela olhou-me desconfiada e acenou com a cabeça para eu prosseguir com a proposta:

-Bem, podemos ficar grandes amigas! – Propus sem grande imaginação.

Ela negou a oferta.

-Podemos ir sair juntas!

Mais uma vez não aceitou a minha oferenda.

-Eu posso ensinar-te a fazeres amigos e a conquistares pessoas! – Exclamei com um pingo de desespero na voz – Ensino-te a maquilhares-te e a vestires-te como eu!

Ela ficou mais sossegada com esta ultima parte, mas percebi que aquilo não bastava:

-O que queres de mim? – Perguntei desolada – Queres que eu chore e mude de cidade!?

Ela franziu o sobrolho convencida que eu não sairia de cidade por tão poucos motivos.

-Eu desapareço mesmo! – Murmurei com sinceridade.

Ela ficou quietinha nesse momento, olhando-me fixamente.

Tinha uns olhos tão bonitos como os de Gustavo, apesar de o azul ser mais claro e o formato diferente. Tinha uma carinha tão pura e no entanto revelou-se tão traquina e indisciplinada. Definitivamente as aparências iludiam!

-Lana, larga a Su e deixa-a falar! – Exclamou Natacha, indiferente á situação.

-conto-te o meu maior segredo! – Prometi aflita – só três pessoas nesta escola o sabem…!

Ela acenou com a cabeça e eu soltei-a lentamente, medrosa com a reacção dela. Gustavo mexeu-se pronto para a agarrar mas eu impedi-o.

-A Lana e o Gustavo fumaram! – Exclamou muito depressa.

-O quê?! – Perguntamos todos.

-Eu disse que era um rumor, não acreditem, pessoal! – Exclamou Gustavo, aliviado.

-Se quiserem podem cheirar o meu hálito! – Desafiei.

-Eu acredito em neles! – Colaborou Cristina aproximando-se de mim – Pessoal, a Lana é alérgica ao fumo do tabaco! Se estiver perto de um fumador desata aos espirros!

-Vêem?! Como podia eu fumar!?

-Que alergia tão invulgar!

-Mas é verdade, não suporto nicotina!

-Então o que é que a Susana viu afinal?! – Perguntou Ivo, calado ate ao momento.

-Ela fez confusão! – Mentiu Gustavo – eu estava com uma palhinha de sumo branca na boca e a Susana passou por mim ao longe, e como a Lana estava próxima pensou que estávamos a fumar! Acham mesmo que íamos fumar, ainda para mais dentro da escola?!

Os nossos colegas entreolharam-se, satisfeitos com a resposta e eu suspirei de alívio. Quem diria que uma mentira me ia relaxar tanto!

Susana agarrou-me o braço:

-Qual é o segredo?!

Mordi o lábio pensando numa boa desculpa para lhe contar! Não lhe podia dizer que eu tinha asas brancas e que conseguia descodificar os sentimentos das pessoas! Não lhe podia dizer que mudei de cidade porque me perseguiram!

Senti uma dor na barriga e contorci-me:

-Au…! – Gemi.

Ela esperou outra reacção minha:

-O que foi?!

-Não almocei…! Estou cheia de fome!

-Isso é uma desculpa, não é?!

-Não, juro que não! – Assegurei apertando o meu estômago com os braços, a fim de amainar a dor – Estou morta de fome! Alguém quer ir comigo ao bar?! – Questionei.

-Eu vou! – Ofereceu-se Lau.

Fiquei satisfeita com a companhia. A pulga ficou-me atrás da orelha quando ele me falou ao ouvido aquela resposta tão estranha, pelo que estava ansiosa por saber o que ela queria dizer.

Ela seguiu-me na direcção da cafetaria, e quando estávamos suficientemente longe das atenções dos outros, olhei-a nos olhos, com coragem.

-O que foi?! – Perguntou sorrindo – Que queres perguntar?!

-como é que fazes isso!?

-Isso o quê?! – Fez-se de desentendida.

-Bem, tu sabes! “Magoar com os olhos”…!

-Ah, isso… É simples! Sou uma espécie de médium que capta as emoções através de um simples olhar!

-O quê?!

Eu ri-me. O seu á vontade era tão grande que eu podia jurar que ela estava a brincar comigo, mesmo sabendo que nesta altura da minha vida tudo era possível!

-Nunca ouviste dizer que os olhos são o espelho da alma?

-Espera, estás a brincar comigo, certo?!

-não. – Negou firmemente – o que te digo é verdade! E digo-to tão abertamente porque sei que não és tão diferente de mim como julgas!

Travei os nossos passos antes de entrarmos no bar. O sinal de entrada para as aulas deu nesse momento, mas eu não me importei:

-Então queres dizer que lês pensamentos?!

-Se eu disser que sim, mandas-me para o manicómio?

-Não… Se o fizesse teria de ir para o circo!

O meu estômago rugiu e eu apertei-o novamente:

-Espera um minuto, tenho mesmo de comer qualquer coisa!

Ela concordou pacientemente.

Entrei na cafetaria e comprei um pão e uma bebida, enquanto Lau me esperava debaixo do céu escuro.

Quando fui servida, saí para fora a comer cheia de apetite, e pedi-lhe que prosseguisse com a explicação.

-Então, lês pensamentos?

-Não!

Franzi as sobrancelhas. Não esperava aquela resposta!

-Então?

-Sou como tu!

-Como eu?!

Fiquei agitada! Ela tinha asas?! Eu não era a única almofada por estes lados?!

-Eu capto emoções!

Fiz uma careta. Asas, só mesmo eu, infelizmente!

-Porque é que estás desiludida?

-Por nada…

-Não me enganas!

-Ok, mas eu não quero dizer porque fiquei desapontada! Entendes isso?

-Claro… – Respondeu conformada.

-Já tens muita experiencia com estas coisas? – Perguntei.

-Alguma… mais do que tu!

-Ainda bem! – Declarei - podes-me explicar como consegues lidar com isto?!

-Esvazia a tua mente e relaxa ao máximo! Só depende de ti!

-E quando os pensamentos dos outros te afectam?!

Ela ficou intrigada:

-Nunca fiquei afectada! Tu ficas?

-Mais ou menos… Quero dizer, quando hoje de manha a Liliana estava irritada eu também fiquei…!

Ela fez um biquinho com os lábios ajustando as ideias na sua mente

-Nesse aspecto não sei que te diga, mas acho que o ideal é mesmo manteres-te calma contigo mesma!

Suspirei martirizada! Eu realmente não tinha cura! A minha vida tinha chegado ao fundo do poço, no que tocava a azar!

-hum… Estou farta disto! – Reclamei - Que vida!

Ela colocou as mãos atrás das costas:

-bom, estou curiosa! Sei que não estavas irritada por causa do maxilar!

-Pois não! – Sorri - Que desculpa tão fraca!

-E também sei que o que a Su ia anunciar era algo que lhe causava alegria, e não algo deprimente como “a Lana e o Gustavo fumaram”! – Imitou em voz fina, rindo de seguida – já ninguém sabe mentir direito por estes lados!

-Mas olha que ate me pareceram bastante conformados! - Informei

-isso é porque não estavam tão interessados em saber o que se passava como vocês achavam!

-Ainda bem! – Suspirei agradecida – Agora tenho de arranjar um bom segredo para dizer á Su! Que pirralha tão coscuvilheira!

-Vai-te habituando…! – Murmurou para si mesma, sorrindo.

-Porquê?! – Perguntei.

Ela olhou-me de soslaio e torceu o nariz:

-Por nada…!

-Também não me enganas! Diz o que queres dizer! – Pedi.

-Desculpa Lana, mas às vezes és um pouco tapadinha, não?!

-Se calhar tu é que vês demais! – Contrapus, minimamente ofendida.

-talvez… - Assentiu – No entanto não te posso revelar aquilo que não consegues entender! Não me cabe a mim, porque são assuntos teus!

-Posso ao menos saber a que dizem respeito?

-Desculpa, mas é melhor não… Estaria a ser infiel…

-A quem?! – Interrompi.

-Àquilo que sei! Não tenho, aliás… Não temos o direito de expor os sentimentos dos outros, entendes?!

Concordei com a resposta e olhei para o relógio do meu telemóvel. Passavam 8 minutos desde que tocara para a aula:

-Estamos atrasadas! – Exclamou

-vamos indo, enquanto me contas mais coisas! Tenho uma questão para ti!

-Sim, diz! – Incentivou enquanto andávamos em passos rápidos pelos corredores silêncios da escola.

-A Verónica é como nós?

-Não, porque perguntas?!

-Sei lá! – Respondi ofegante – Ela e tu parecem estar sempre tão conectadas, como se soubessem o que passa na cabeça uma da outra!

-bem e sabemos, mas isso é porque somos amigas e não temos segredos uma com a outra!

-Então ela sabe da tua capacidade?!

-Claro que não! Ela é uma humana autêntica, não lhe posso dizer essas coisas! És mesmo anormal! - Troçou

Eu ri-me e repreendi a sua resposta séria. Começamos a subir as escadas apressadamente. Os meus músculos estavam a arder pelo esforço que eu estava a fazer enquanto terminava o meu suposto almoço, e quando finalmente chegamos á sala de aula, Lau preparou-se para bater á porta, mas a minha atenção foi captada por uma imagem negra na zona inferior direita das suas costas, pelo que agarrei-a!

-Essa tatuagem… É igual á da Lili, não é?

Ela olhou-me espantada com aquela abordagem.

-Sim, é… Também tens uma?

-não...! – Admiti – Fizeste-a por vontade própria?

-Não, foram os meus pais, quando eu era pequena! Doeu tanto! – Lamentou – Acho que nunca mais faço algo assim!

-Mas tu por acaso sabes o que simboliza?

-Quem me dera! Nunca ninguém me disse!

A primeira questão que me veio á cabeça foi “A sério?”, no entanto eu soube logo que ela estava a ser franca, o que me deixou deveras atónica!

Ela ergueu novamente o braço e bateu á porta!

-Pergunta ao Gustavo! Pode ser que a ti te diga!

Ela abriu a porta, deixando-me desconfortável!

Era só uma tatuagem! Eu não havia de gastar a minha lábia com ele, para perguntar o porquê de ela não existir apenas no corpo de uma pessoa! Bufei mal-humorada, e entramos as duas, minimamente ofegantes.

A professora tolerou o atraso e cada uma de nós se dirigiu ao seu lugar na sala pequena. Certifiquei-me que Cristina continuava por perto e relaxei no meu sítio, sozinha.

Durante toda a aula pensei nas descobertas daquele dia. Sentia que agora, cada dia teria mais emoções do que o outro, e apesar do medo que tomava conta de mim devido a este novo mundo, não conseguia tirar da cabeça o que Lau me tinha dito. Realmente havia algo evidente que eu ainda não tinha descoberto acerca de mim ou de alguém que me era próximo, e isso deixava-me com um frio no estômago. Eram demasiadas coisas em que pensar para eu descobrir ao que ela se referia.

Agora tinha de solucionar dois problemas: Primeiro, arranjar uma desculpa para a Su, e segundo, falar com a Helen sobre o que se passava comigo.


Espero que gostem, eu pessoalmente acho estes capitulos um pouco aborrecidos, tirandos as partes do Gustavo Razz, mas prometo que vale a pena esperar! A parte que estou a escrever recentemente é mais avançada e muito mais atractiva, portanto é uma questao de tempo para a fic ter mais interesse! Very Happy

bjokas, comentem, please! Embaracoso'
as minhas fic's:
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
-Angelical
Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^
#211
Uau adorei este capítulo. Ok, ok, retiro o que disse antes. A Cris afinal nao é uma bitch, é uma gaja de lingua comprida. Mais um pouquinho e resenrolava a história de vida da Lana em frente a todos. E esta Su... caraças, que é uma cusca Matreiro
Hum, esse sentimento deve ser o do Gustavo. Ele gosta da Lana (opah, se não for vou fazer birra :/)... xDD
Dava assim um jeitaço enorme avançares no tempo, porque são prai três capítulos para o mesmo dia e isso até se torna um pouco confuso, por causa dos intervalos de tempo em que postas cada capítulo.
Espero por mais capítulos. Mongloide
Espero por ti em cada segundo , porque tu és o meu mundo!




Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
Visitem a minha 1ª Fic ----->The Four elements
#212
Ena já tenho um comentario!
Obrigada Ana, és sempre tao pontual! Matreiro
Nao precisas de birras, se calhar acertaste! Razz (nao digo nada, senao a Lana descobre antes do tempo! Toma toma)

Em relaçao aos avanços, eu tb já pensei em avançar no tempo, mas existem muitas coisas que tem de ser ditas, e por isso eu nunca posso postar tudo de uma só vez! Por acaso tenho andado a tentar acelerar as coisas, mas nao vou longe! Embaracoso'
O proximo capitulo ainda é no mesmo dia! Lol
*Gritos desesperados*

Bem, até ao proximo capitulo, se correr bem será postado a meio da semana!

Bjokas
as minhas fic's:
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
-Angelical
Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^
#214
*fumaa, fumaa*

Posso dizer uma coisa?

A Cris é uma convencida do cat*no...
Home, é verdade!

-são sempre assim?

-Assim como? – Perguntou Liliana.

-Tão…

-Observadores? –Tentei adivinhar.

Ela encolheu os ombros.

-Parece que nunca viram uma rapariga alta, de caracóis e toda gira! – brincou.


Isso mesmo Su, diz que a Lana e o Gustavo fumaram, ela vai mesmo contar-te o segredo, vai... Sem paciencia
*birra*Eu quero ver o Ricardo buahh ChorarNão que ele faça frente ao Gustavo, mas também esse tio já passou à história Matreiro
#216
Alô! Obrigada pelos comentarios meninas!
Bem, pelos vistos hoje vim postar mais cedo do que é costume, mas como nao sei se logo venho á net, é melhor assim!
hoje o capitulo nao é muito grande nem mais empolgante do que os anteriores, mas espero que gostem!


Capitulo XI – Exposição de factos.



Cristina seguira-me por todo o caminho de regresso a casa.

Durante esse período de tempo a nossa conversa rolou em torno da minha nova vida. Ela sentia-se fascinada pelo lugar que eu escolhi para viver, e contava-me o que tinha achado do ambiente da minha escola. Como esperava, Rodrigo conseguiu cativa-la, e pelo que entendi, também ele tinha ficado conquistado pela sua simpatia e pelo seu jeito de ser tão animado.

Quando entramos na minha nova casa ela não perdeu tempo e vasculhou todos os seus cantos com curiosidade:

-Não é muito isolada?! – Perguntou abrindo a janela do meu quarto.

-Adoro-a por isso mesmo! – Referi, orgulhosa.

-tens um ar fantástico aqui! Tão perfumado e puro! Acho que me vou mudar para cá!

-Força! – Incentivei.

-Quem me dera!... Tenho de voltar para casa antes de Domingo, ou os meus pais morrem de susto!

-Eles sabem que vieste ter comigo?!

-Não! Eu disse que ia dormir a casa de uma amiga! Se me descobrem estou tramada!

-Não devias ter mentido! – Disse-lhe, retirando o meu casaco para cima da cama - Dizias-lhes que tinhas apanhado o autocarro para vir ter comigo!

-Estás louca, eles davam cabo de mim! Alem disso, eu lá apanhava o autocarro para cá, ainda me perdia!

-Então como vieste cá ter?!

-De boleia!

-De verdade?! – Questionei admirada – Com quem?

-Uns turistas que foram até á beira-mar!

-Isso podia ser perigoso, Cris! Onde tens a cabeça?!

-Por aí! – Prontificou, rindo descontraidamente.

Eu acenei com a cabeça, repreensivamente, e ignorei aquela cabeça de vento.

Pus-me de costas para o espelho, e espreitei o buraco nas minhas camisolas. Era tão grande e violento, que ate me senti desgostosa!

-Estas asas vão dar cabo de mim!

-São muito bonitas! – Comentou Cristina olhando para mim de cima abaixo.

-Acho que, já que sabes tanto sobre vampiros e sobre como fechar asas, me podes começar a dar a lição sobre… Estas coisas!

-Chamam-se asas! – Reclamou fechando simplesmente a leve cortina transparente da janela – acredita que te vão dar jeito!

-Jeito para quê?! Só se for mesmo para comprar mais camisolas!

-aconselho-te a comprares tops sem costas!

-Desculpa dizer-te isto, mas estamos no Inverno, Cris! Não posso andar com as costas destapadas, ainda morro de frio!

-Vestes um casaco! É fácil!

-É impensável!

-Então lamento, mas vais rasgar muita roupa!

Eu bufei aborrecida e sentei-me na orla da cama. Cristina fez o mesmo e sentou-se ao meu lado, pegando num moldura que estava em cima da cómoda, moldura essa que Helen havia colocado com uma foto de nós duas, no dia em que me foram buscar ao orfanato.

-Cris?!... – Murmurei enquanto ela examinava a foto ao meu lado – O que sou eu…?

Ela levantou os seus olhos verdes na minha direcção e apertou os lábios numa linha recta:

-O que achas que és?!

Sacudi os ombros e retirei-lhe o retrato da mão:

-Eu achava que era uma rapariga normal, mas agora… Acho que sou um monstro!

-Não, monstro não! – Assegurou – não tens perfil para isso.

-Então tenho perfil para quê?!

Ela colocou-se de pé, e viu-me nos seus olhos, repletos de sinceridade.

-Tu… És boa… Eu sei que és…!

Baixei o olhar e franzi as suas sobrancelhas. A forma como ela afirmou a minha bondade foi hesitante, como se ela não tivesse a certeza absoluta de que tal era realidade.

-Acho que és, ou podes ser, um espírito livre! – Completou

-Eu sinto-me o oposto disso! Sinto-me mais presa do que nunca por causa destas asas. Estou tão limitada por causa delas…

-Limitada? Não creio! Imagina só, podes atravessar cidades em algumas horas apenas, simplesmente porque tens a oportunidade de voar! É como um sonho tornado realidade…!



-Eu nem voar sei…

-O que é uma pena! As tuas asas são lindas, a sério!

Suspirei e fiz uma careta amuada:

-É suposto ser um elogio?

-Totalmente! – Confirmou – O único inconveniente delas são os problemas que te trouxeram!

-Sim, não sei como controla-las em público!

-Oh… Eu não me refiro a esse problema…

Mirei-a espantada:

-Então?

Ela desviou o olhar e dirigiu-se novamente á janela, dando passos vagarosos. Desviou a cortina para contemplar o verde abundante e aspirou o seu aroma natural:

-Tu és um anjo…!

Não consegui responder. A sua afirmação fez eco na minha mente. Não fiquei surpreendida com tal afirmação, simplesmente questionei o que haveria de tão problemático em ser um anjo para alem das asas.

-Tu… Casualmente… nunca reflectiste sobre o que aconteceu no dia do baile?

Encolhi-me afligida, prendendo os joelhos nos braços:

-Não há muito para reflectir… Ia sendo… violada…

A última palavra deu-me vontade de gritar e atirar-me para o chão, mas contive-me.

Cristina estava séria. Ela escondia algo sobre aquele triste acontecimento e eu vi que ela tentava encontrar uma boa forma de mo dizer.

-Que cara é essa?... – Perguntei cautelosamente.

-Eu acho que estás equivocada…!

-Em relação a quê?

-tu… Tu tens a certeza que era isso que o teu professor te ia fazer?

Imobilizei com aquela questão. Que mais poderia ser? Ela estava a insinuar que eu, durante todo este tempo, tinha estado enganada e não havia motivos para medos?!

Eu sabia aquilo que tinha vivido, as frases que ele me tinha dito, e o escárnio e a raiva dos seus olhos no final do jogo!

-Tu queres dizer que eu sou paranóica e que ninguém me queria fazer mal?!

-Não... não!... Tu tens de te proteger! – Cristina ficou nervosa enquanto as suas mãos tremiam – Era pior, eu sei!

Apertei os meus próprios braços, um deles ainda dorido devido ao confronto inesperado daquela manha com Rui e Joana, e esfreguei-os com frio.

-O que pensas que ele queria então?

-O que é que ele te disse? A ultima coisa que te lembras!

Engoli a seco:

-Que eu ia ser dele… Que não ia escapar!

-Mas não referiu do quê! – Deduziu ela.

-Ele agarrou-me e correu atrás de mim! É óbvio o que ele queria!

Esfreguei os olhos aquosos com as mãos. A dor habitava em mim e as más recordações preenchiam-me a cabeça com flashes horrendos do passado:

-Não, era pior do que tu julgas! E eu descobri o que era!

-O que queria?!

Ela preparou-se para me responder. Eu sabia que era algo duro de se pronunciar, o que me deixou verdadeiramente aterrorizada. A coragem estava prestes a ser suficiente para a verdade quando um “click” da porta de entrada nos fez acabar com a conversa.

-Helen?! – Chamei, pondo-me a pé.

-Sou eu! – Exclamou.

Despachei-me até á cozinha. Queria ver Helen, como estaria ela!

Ela estava a beber um refrigerante e tinha uma revista na mão.

Fiquei surpreendida ao reparar na sua calma:

-Tudo bem? – Perguntei, baralhada.

Ela olhou-me e pousou a nova edição em cima do balcão:

-Sim…! – Respondeu simplesmente, com a sua mente serena.

Senti-me aparvalhada e sorri sem jeito:

-Nem sabes quem nos veio visitar!

Ela fez um ar de espanto:

-Quem?

Cristina apareceu atrás de mim, de repente:

-Olá Helen! – Saudou com um sorriso de orelha a orelha!

-Cristina!? Oh my god, What you doing here?!

Era raro Helen utilizar o idioma inglês para falar com as pessoas, apenas o fazia impulsivamente ou quando não tinha palavras para dizer em português!

-Vim á vossa procura! Peço desculpa pelo incómodo que poderei causar cá!

-Oh, não é incómodo nenhum! É tão bom ver uma cara conhecida de vez em quando! Que saudades! – Exclamou abraçado Cristina, ainda admirada. – Como soubeste onde nós estávamos? – Questionou desconfiada.

-Tanto insisti, que a Greta acabou por ceder!

-Deves-lhe ter chateado muito a cabeça, ela não cede facilmente!

-Pois não – concordou Cristina – Mas a minha teimosia é mais forte! Alem disso, os meus instintos diziam-me que vocês precisavam de mim!

Helen semicerrou os olhos não compreendendo o que Cristina quisera dizer:

-como vieste para cá? Os teus pais trouxeram-te?

Cristina encolheu-se e sorriu com malandrice.

Eu mordi o lábio, ela queria enganar Helen, mas eu não permiti tal coisa:

-Ela veio de boleia sem ninguém saber!

-What?!

Cris mirou-me com um olhar matador:

-Eu amanha arranjo forma de voltar! Os meus pais não precisam de saber que fugi!

-Isso foi muito arriscado! – Repreendeu a minha madrinha – e se te tivesses perdido?! E se fosses raptada?! – Ela olhou para mim – Nunca me faças uma coisa dessas, Lana!

Eu esbocei um largo sorriso com aquela preocupação:

-Não te preocupes, eu não sou maluca!

Cristina revirou os olhos, em tom de troça, e deu dois passos na cozinha

-Então, vocês trocaram o mar pela floresta?

-Nós saltamos de paraíso em paraíso! - Declarei

-já reparei que tudo em ti é angelical, até mesmo a tua nova morada! – Brincou. Depois dirigiu-se a Helen – Já te habituaste a esta nova Alannis?

-O que tem de novo? – Perguntou ingenuamente.

Eu engasguei-me com a minha própria saliva!

Cristina não havia entendido que Helen vivia num mundo à parte das minhas asas, e aquela pergunta obrigou-me a intervir.

Não havia tempo para brincadeiras, mentiras, nem desculpas! Só a verdade! E seria eu a pronuncia-la!

-Helen… - Hesitei um segundo antes de falar e olhei para o chão, com medo da reacção que se seguiria – tenho algo para te anunciar!

-Ah sim? O quê?

-Eu, segundo a Cristina, sou… Um anjo!

Ninguém respondeu. Eu levantei o rosto e atentei nela.

Os seus olhos revelavam indiferença, enquanto Cristina a fitava séria, esperando uma reacção, tal como eu!

-Aconteceu alguma coisa na escola? – Perguntou a jovem adulta.

Vinquei o sobrolho:

-Ouviste o que eu te disse? – Ela acenou afirmativamente, no entanto, a minha confissão em nada a afectou. Resolvi repetir – Eu sou um anjo!

Ela sorriu amavelmente:

- Meteste-te em sarilhos? – Tentou adivinhar.

Eu não percebi onde ela queria chegar:

-Não!

-Não precisas de ter medo da minha reacção, eu conheço-te! Acredito em ti!

-De que estás a falar, Helen? – Indagou Cristina, confundida – A Lannis disse-te que era um anjo!

-Um anjo, Helen! – Assegurei novamente.

-Eu sei! – Garantiu ela - É por isso que me podes contar se te meteste em problemas na escola! Eu sei que tu não fazes asneiras de propósito! És um anjinho, eu sei!

Cerrei os dentes e os olhos ao mesmo tempo!

Ela não tinha entendido o sentido de “anjo”, e em vez disso estava a divagar:

-Oh, não, não! Tu não me entendeste! – Disse eu – Helen, eu sou um anjo! Um anjo a sério!

Ela fez um esgar como quem não percebeu a ideia:

-Um anjo? – Citou – anjo do tipo, seres boa pessoa, não é?

-Não sou um anjo nesse sentido! – Tentei explicar, sem sucesso – Quero dizer, eu sou boa pessoa, mas não é isso que te estou a tentar dizer!

-Ela tem asas! – Acusou Cristina, sem paciência, absolutamente pasmada com aquela conversa idiota – Ela é um anjo, com asas! Não é humana! Compreendeste agora?

Helen olhou Cristina, céptica. A sua mente mostrava o medo, a incredulidade e a acusação.

-Tu estás louca!?

-A Cris está a dizer a verdade ! – Defendi – Eu tenho asas, Helen! Sou anormal!

-não acredito…! – Helen sentou-se, sem reacção, pensando em nós como malucas.

Eu recuei um passo. Podia arriscar em mostrar-lhe quem era na realidade, mas e se não voltava ao normal rapidamente?

Foi então que me lembrei da ajuda que Cristina me havia dado para controlar as asas. Talvez eu conseguisse doma-las…

-Tu…? Queres vê-las...? – Perguntei, timidamente.

-Estás a brincar, certo?

Dei de ombros e olhei Cristina, em brusca de respostas. Ela enrolava uma mecha do cabelo castanho no seu dedo, ao ritmo dos seus olhos verdes que alternavam direcção de mim para Helen, cheia de expectativa, como se fossemos as protagonistas de uma novela. Eu aproximei-me dela, sendo seguida pela atenção da minha madrinha:

-Queres ver, ou não? – Perguntei de novo.

Ela abriu a boca para dizer algo, mas depressa voltou a selar os lábios rosados.

-Nós estamos a dizer a verdade! – Declarou Cristina – A Alannis é sobrenatural!

Engoli a seco e fitei Cristina:

-Achas que consigo “coisa-las” sozinha?

-Claro! Estás mais flexível por causa do veneno!

-Que veneno?! – Perguntei sobressaltada.

-Aquele que te espetei nas costas!

-Aquilo não era a tua unha?!

-Não, achas?!

-Como é que tu sabias que eu ia precisar daquilo?!

-Eu meti-me com um vampiro, lembraste?!

Helen pôs-se a pé de repente:

-Um vampiro?! – Berrou aterrorizada – Essas coisas existem?!

Ela estava apavorada, com o medo a passear-se pelo seu corpo esbelto.

-Incomoda-te mais o facto de existirem vampiros do que eu ter asas!

-Isso é porque não acredito que tens asas! Onde é que as guardas? No bolso?!

Abri a boca ofendida. Ela tomava-me por uma grande mentirosa, só podia ser isso!

Recuei até á zona mais espaçosa daquele compartimento e desviei alguns objectos de grande porte:

-Eu vou provar-te que não te estou a mentir!

Cristina aguardou esperançosa que as minhas asas surgissem, mas Helen, por outro lado, cruzou os braços, duvidosa, à espera de algum acto ridículo da minha parte.

Fechei os olhos e respirei fundo.

As roupas rasgadas - coisa que Helen ainda não tinha visto - deram-me alguma liberdade e à vontade para realizar aquela acção.

Concentrei-me no meu corpo.

Movi devagar membro por membro, e depois contraí as costelas.

Senti uma ligeira impressão naquele local, mas já não existia mais dor, para meu alívio.

Cerrei os punhos e fiz força nas costas.

O osso moveu-se, e empurrou a pele elástica com ele, mais rapidamente do que eu estava á espera. As penas começaram a aumentar a dimensão ao mesmo tempo que as asas se estenderam!

As asas já estavam totalmente expostas, no entanto não estavam abertas!

Abri os olhos e descontraí o meu corpo, abrindo-as por completo, que mostraram assim a sua dimensão majestosa.

Olhei Helen, nervosa!

Foi então que me apercebi de algo: As asas, ao contrário do que eu sentia, demoravam milésimos de segundo a ficaram expostas, pelo que ela tinha acabado de pestanejar quando as grandes armações brancas ficaram visíveis!

Helen abriu a boca e depressa a tapou com as mãos, totalmente surpreendida:

-Oh my god…

-já acreditas em nós? – Perguntou Cristina, cruzando os braços em tom desafiante.

Ela não respondeu. Acenou com a cabeça negativamente, enquanto andava para trás como um caranguejo, tentando fugir de mim, em choque.

-Desculpa Helen!... – Murmurei – Eu não sei como é que isto me aconteceu!

-Mas? Mas que raio és tu?!

-Um anjo! – Prontificou Cristina.

-Ou um monstro…! – Admiti num tom de voz baixo.

-Eu estou a sonhar! Tu não és real!

Helen virou-me costas, e correu em direcção á porta, assustada!

-Espera! – Gritei, seguindo-a, mas depressa as asas embateram contra um armário e por pouco não o derrubou no chão.

O estrondo causado por aquele choque fizeram-na olhar outra vez para mim, sobressaltada.

-Eu não te faço mal! – Prometi – Não fujas!

-Tu não és a Alannis! Nem tão pouco és uma Lana! Tu… - ela pausou as suas palavras, e uma lágrima rolou pelo seu rosto branco – Quem és tu?!

- Só estou modificada fisicamente! Acredita em mim! Sou a mesma pessoa de sempre!

Helen colocou as suas mãos sobre a cabeça, desesperada.

Ela estava com medo de mim, mas eu entendia-a. Aproximei-me dela, lentamente, para não a afugentar, controlando as asas para não bater contra nada.

Quando estava suficientemente perto dela, agarrei-lhe o pulso esquerdo.

Ela tentou soltar-se, num impulso, mas eu fui mais forte e abracei-a, sem ela estar á espera:

-Desculpa… - sussurrei-lhe ao ouvido – Eu nunca desejei isto, mas não me abandones agora…! Eu preciso de ti, Hel…

Ela não se moveu um milímetro, e eu senti água salgada tocar-me na pele, enquanto o seu corpo tremia de ansiedade:

-Podes tocar-lhes se quiseres… - Convidei, desajeitadamente - Pelo que me disseram, são fofinhas…

-Quem é que sabe disto? – Perguntou, baixinho.

-Eu, a Cristina, tu, a Liliana e a Rebeca!

-Só eu é que estou a reagir mal? – Quis saber.

-Não… A Rebeca tentou matar-me…!

-O quê?! – Ela largou-me num instante e olhou-me perplexa.

Arrependi-me de ter dito aquilo.

- A Rebeca é a protegida da Alannis! - Exclamou Cristina, enciumada.

-como assim?! – Perguntou Helen.

-Digamos que…!

-Queres saber como tudo começou?! – Interrompi Cristina, dirigindo-me a Helen.

A jovem mulher franziu as sobrancelhas e depois acenou com a cabeça, afirmativamente.

Eu puxei-a atrás de mim, e abri a porta que dava para o exterior. Coloquei as asas perpendiculares ao meu corpo e passei para o jardim com cuidado. Cristina seguiu-nos, e fechou a porta atrás de nós.

-Descobri o porquê daquelas dores nas costas que nenhum medico entendia! – Anunciei.

-Como é que elas surgiram? E porquê só agora?!

-Acho que elas surgiram por causa de stresses…

-Que stresses? – Interrogou Cristina.

Relembrei Gustavo, penosamente. Eu não lhes ia revelar nada de mais sobre aquele dia!

-Coisas do quotidiano! – Respondi, sem mentir.

Resolvi fechar as asas.

Movi as costelas novamente, e desta vez fiz um exercício semelhante ao anterior, mas encolhendo aqueles braços extra!

Ouvi um suspiro atrás de mim.

Helen olhava para as minhas costas, espantada, mordendo o lábio com algum receio.

Fiz de conta que não vi a sua reacção e avancei para a estrada deserta, alcançando a mata com a minha visão:

-Vamos aonde tudo começou? – Propus.

-Aonde foi?

-Na cachoeira! – Referi – Aquele sitio que supostamente me deixou doente quarta-feira!

-Já era um anjo nessa altura?!

-Já… - Admiti – foi por isso que não saí da cama quando chegaste! Não sabia o que se passava comigo! Estava desesperada!

Entrei na floresta. Elas seguiram-me.

-Então, ainda não sabes ao certo o que se passa contigo, pois não?

-Não…

-Ela é um anjo, não há muito a saber! – Referiu Cristina, silenciosa até ao momento.

- Isso não basta! – Contrapôs Helen – É um anjo, ok, mas porquê? De onde vem? Porque é diferente?

Eu mantive-me calada e caminhei, evitando picos, pedras e silvas que nos magoassem, enquanto Cristina e Helen continuaram a discutir sobre mim. Apercebi-me que algo estava errado! Não conseguia ouvir água, nem sentia humidade no ar. Travei a minha caminhada e olhei em redor. Já devíamos ter chegado á cachoeira!

-O que se passa? – Questionou Cristina.

-Desapareceu! – Respondi eu – A cachoeira desapareceu!

Helen olhou em redor:

-Ou então perdemo-nos!

-Não, eu sei onde estamos! – Garanti – Já devíamos ter chegado, ou pelo menos devíamos conseguir ouvi-la!

Comecei a andar em redor das árvores, procurando o riacho, mas nem isso. A mata estava deserta!

-Lana, tira-me daqui! – Gritou Helen, longe de mim. O seu chamamento fez eco naquele local.

Fui ter com elas a correr.

Algo se passava! Eu tinha a certeza que a cachoeira era por ali!

-Vamos embora, Lannis! – Pediu Cristina - Está a anoitecer!

-sim… - Aceitei, olhando confusa para todos os lados!

Felizmente ainda sabia o regresso para a nossa casa, e por essa razão, ignorei os caprichos de encontrar a cachoeira e guiei as duas raparigas para o nosso lar.

Quando lá chegamos, Helen resolveu cozinhar, e durante o jantar, discutimos a vida que eu levaria dali para a frente.

Cristina voltaria para casa na manha seguinte ao meio-dia.

Naquela noite, eu falei pouco. Cristina não tinha voltado a falar sobre o meu professor, porem eu não queria ouvir nada sobre ele. Ela prometeu que guardaria segredo daquela visita inesperada, e depois de Helen ir para o seu quarto repousar, nós as duas ficamos até tarde na cama, a falar sobre os meus colegas recentes.

-Sabes, até gostei deles! – Disse ela, aconchegando-se nos lençóis quentes.

-De todos? – Perguntei – Ou só do Rodrigo?

-De todos! – Respondeu, rindo levemente – Só achei aquela preta muito metediça!

-A Darla? Ela é mesmo assim, acho eu… É curiosa!

-E mexeriqueira!

-Não digas essas coisas, Cris! A rapariga é boa pessoa!

-pois, tu é que sabes… - Ela soltou uma lufada de ar que me atingiu o rosto – Quem era aquela pequenita que disse que tu fumavas?

-Era a Su…É irmã de um colega!

-Quem? – Quis saber.

Eu no consegui evitar de fazer uma cara triste quando tive de responder:

-Do Gustavo…

-Ah, aquele loiro, todo bom, que estava contigo a tentar calar a miúda?

Senti o meu rosto a arder, com uma sensação estranha dentro de mim! Apeteceu-me bater em Cristina! Ela não podia estar a falar dele assim! “Todo bom”, isso diz-se?!

-Ele também estava sentado ao teu lado na primeira aula da tarde, Não foi?!

-Sim…! – Respondi sisuda.

-Estás muitas vezes com ele?

-Porque perguntas isso?

Ela mordeu o lábio.

-Sei lá! Ouvi coisas!

-Que coisas?! – Questionei alarmada.

Ela calou-se por pouco tempo:

-Eu ainda sou tua amiga, não sou?

-Claro!

-Então podes dizer-me como anda a tua vida sentimental por estes lados?

-Não se passa nada, porquê?

-A sério?

-Sim, está tudo igual! Os meus amigos são aqueles que tu viste!

-E namorado, não tens?

-Falamos disso durante a aula! – Relembrei - Eu estou livre neste momento!

-Hum…

Ajeitei a minha almofada e esperei por mais perguntas ou comentários. Pensava no que mais lhe poderia dizer sobre a minha vida naquele momento. A única imagem que tinha na cabeça era Gustavo. Era como se Cristina tivesse ligado um botãozinho que me fazia pensar nele, a partir do momento que disse o seu nome. Tinha de admitir, que naquela altura a coisa que me deixava mais triste era ele…

-Sabes…? Eu e o Gustavo éramos mais amigos… - Disse-lhe.

A sua atenção foi captada de repente:

-Já não sois?

-Não sei… Aconteceu-nos qualquer coisa… - murmurei triste - Ele magoou-me, mas eu não sei o que lhe passou pela cabeça! Era tão fácil estar com ele… Era divertido… mas de um instante para o outro ele mudou…

-Porquê...?

-Eu não tenho a certeza… Talvez fosse apenas um jogo ou então repudio…

-Ele não parecia distante de ti…!

-Mas está! Ele é frio! É mau! – Acusei fazendo um pequeno biquinho com os lábios

-A sério? – Ela questionou aquilo como se fosse uma novidade bombástica – Ele parecia tão…

Apercebi-me que ela franziu as sobrancelhas e não tinha intenções de terminar a sua frase, por isso insisti:

-“Tão” o quê?

-Tão… -Ela torceu o nariz - Tão ligado a ti!... A forma como ele te olhava…

-com rudeza!

-não! Com ternura! – Corrigiu.

Eu senti o meu rosto ferver, e o meu estômago vibrou. Escondi metade da minha cara no cobertor, envergonhada.

-estás parva…

-Eu achei-o muito protector contigo!

-Foi impressão tua! Ele não tem tempo para se preocupar comigo! Anda sempre com a Letícia!

-Essa era aquela que estava com cara de choro quando entrou em química?

-Sim, essa mesma!

-Parecia triste…

-Sim, também achei isso! Espero que não tenha sido aquele idiota a pô-la assim!

-Estou a ver que ele afecta muitas raparigas! Estás toda enraivecida por causa dele!

-Oh! Esta conversa dá-me sono! Quero dormir!

Virei costas a Cristina e tapei toda a minha cabeça com os lençóis e os cobertores. Ela deu-me um beijo de boa noite sem eu estar á espera e deixou-se ficar.

Tentei fechar os olhos e desligar o botão “Gustavo” sem grande sucesso. Adormeci com ele em mim.
***


Na manha seguinte, dormimos todas até ás dez e meia da manha, acordando calmamente. Eu senti ambos os espíritos daquela casa serenos, o que me deixou instantaneamente relaxada. Tomamos o pequeno-almoço com calma, assistindo um pouco de TV de seguida, e depois, eu emprestei a Cristina uma roupa colorida minha, do ano passado. Ela tinha umas medidas diferentes das minhas, visto que era mais alta, porem as roupas caíram-lhe bem!

-Adoro esta tua camisola! – Comentou, enquanto arranjava o seu cabelo ao espelho.

Eu, que em cima da cama apertava o meu robe com cuidado, olhei-a de soslaio. Aquela roupa assentava-lhe muito bem, e as cores claras realçavam a sua jovialidade. Eu não voltaria a usar aquilo, provavelmente:

- É tua! – Declarei pondo-me a pé.

Ela voltou-se para mim, espantada:

-Não a queres? Está praticamente nova!

-Eu sei, mas podes ficar com ela! Pelo menos dás-lhe mais uso do que eu!

Ela sentiu-se triste, sem eu entender porquê:

-Estás a pensar manter a escuridão no teu corpo por muito mais tempo?

-O suficiente! – Assenti, sorrindo para que ela se sentisse melhor.

Fui até à cozinha onde Helen esperava Cristina, lendo – ou relendo – a revista que trouxera para casa no dia anterior.

Tinha ficado combinado que só elas duas sairiam da cidade. Eu ficava em casa para minha segurança, e tinha planeado arruma-la para passar o tempo.

-Estou pronta, Helen! – Exclamou Cristina repentinamente.

-Oh, óptimo! – Respondeu ela pegando nas chaves do carro – Vamos indo então!

Cristina aproximou-se de mim e abraçou-se fortemente:

-Mantêm-te em segurança!

-E tu não faças asneiras, parvalhona!

Ela riu levemente e deu-me um beijo em cada face. Retirou o telemóvel do seu bolso e segurou-me nas mãos:

-podemos trocar números de telemóvel?

Helen interveio cautelosamente:

-Não sei se será boa ideia…!

-Oh por favor, eu não o mostro a ninguém!

-Mas alguém pode descobri-lo! – Insisti eu.

-Eu meto com outro nome! Vá lá, quero falar convosco de vez em quando!

Eu e a minha madrinha entreolhamo-nos e ambas aceitamos aquela ideia.

Elas saíram de casa e eu fiquei sozinha, para meu desagrado.

Coloquei o som da aparelhagem no volume máximo que eu suportava e fui buscar os instrumentos de limpeza, pronta para a faxina!

Limpei a casa de uma ponta à outra, pacientemente, desfrutando do sol escasso daquele dia.

Á tarde, Helen ainda não tinha regressado, mas eu não me inquietei. Resolvi ir dar um passeio.

Foi então que, quando saí para a rua entrei em silêncio total. Consegui escutar a cachoeira na perfeição, e tal facto deu-me curiosidade para ir procura-la.

Entrei pela mata dentro e percorri o caminho do costume para lá chegar, o que demorou menos de um minuto. Quando pisei a terra húmida olhei para trás. Questionava-me o que tinha acontecido no dia anterior para eu não a ter descoberto. Parecia que tinha desaparecido! O som, a humidade, e a frescura não eram perceptíveis por alguma razão que eu não tinha capacidade de explicar!

Agarrei o tronco de uma árvore e desci até às rochas polidas pela corrente. Parecia que tinha passado uma eternidade desde que eu tinha estado naquele local!

Descalcei-me rapidamente e depois molhei os pés, animada, chapinhando e saltando sobre a água como uma criança pequena.

Fui surpreendida quando vi uma pena branca agarrada entre duas pedras.

Aproximei-me dela e peguei-a para a acariciar. Era suave como veludo, ou ainda mais. Elevei-a até ao meu nariz com cuidado para me certificar que não era minha e sim de algum pássaro que tivesse passado por ali, mas enganei-me. Aquela pena tinha um cheiro de tudo menos de animal.

Senti-me arrepiada e deixei-a cair na água, saindo daquele lugar de seguida! Regressaria lá mais tarde! Naquele momento não conseguia estar cómoda sabendo que as asas tinham surgido ali!

Regressei para casa a correr, com o desejo de passear desaparecido.

Subi as escadas e abri a porta exterior. Entrei novamente naquela casa escura, amedrontada, e liguei a TV para poder ouvir alguns sons reconfortantes. Deitei-me no sofá, vendo o primeiro filme que deu na televisão, enquanto esperei pelo regresso da minha madrinha.

Foi então que recordei que Cristina tinha uma teoria sobre as intenções do meu professor! Eu, idiota, esqueci-me de voltar a tocar no assunto, assim como ela! Dava-me medo só de pensar que poderia ser algo mais grave do que o que eu julgava que era, pelo que atentei no filme que passava na televisão para me distrair.

Helen chegou a casa passada meia hora, cansada, mas feliz, e para minha surpresa trazia duas sacas nas mãos!

Levantei-me, tentando recompor o meu corpo do sofá e aproximei-me dela curiosa:

-O que é isso?

-Desculpa não ter ido contido, mas não resisti e aproveitei a viagem para ir ao shopping!

Fiquei furiosa com aquela revelação! Helen sabia que eu adorava ir ás compras com ela!

-E compraste o quê? – Perguntei amuada

-Roupa para ti!

-para mim?

Fiquei surpresa de todo! Desde quando é que ela comprava coisas para mim e não para ela?! Só podia estar louca!

-A Cristina disse-me que era conveniente teres mais tops para vestires! Por causas das asas, sabes? – Ela sorriu. Parecia mais animada com a ideia de ter uma mutação genética na sua casa.

-Eu agradeço a tua preocupação, mas tens noção que eu só hei-de vestir essas coisas no verão, certo?

-Porquê? São tão giras!

Ela começou a retirar as roupas dos sacos. Era tudo á base de pretos e cinzentos. Pelo menos nesse aspecto ela tinha sido sensata!

-Eu sei que me vais matar, mas comprei-te um vestido branco lindo!

-Branco?! – Repeti estupefacta.

-Quando formos para a praia, fazer piqueniques, e coisas assim! É super leve e fresquinho! Óptimo para o verão! Alem disso tem tudo a ver contigo, anjinha!

Ela atirou-me o vestido para as mãos. Eu olhei-a sem saber o que dizer:

-Foi uma pechincha! Não o podia ter deixado lá!

Segurei aquela peça pelas alças finas e ergui-a á minha frente.

Era um modelo simples, num tecido leve e macio, translúcido, com uns folhos super discretos, mas que lhe davam um toque puro! Amei-o! No entanto não sabia se teria uma boa ocasião para o vestir, o que me deixou triste.

-Que mais trouxeste? – Quis saber, agarrando numa peça que ela tinha no seu colo.

-Tops e uma mini-saia! O que é bom é para se ver! – Afirmou empolgada – Sabes o que estive a pensar?

-O quê? – Perguntei examinando os outros trajes.

-Nas férias da Pascoa, que estão mesmo aí à porta, podíamos ir até casa…!

Fiz uma careta atrapalhada.

Ir a casa? Às origens? Onde tudo começou? Até que ponto essa ideia era suficientemente racional para eu a pôr em pratica?

-Isso não é arriscado?

-pensa bem, Lana! Estaríamos novamente com a Greta, íamos até á beira-mar, convivias com os teus amigos…! Era bom para desanuviar a cabeça! Eu sei muito bem que tu estás a precisar!

-Pois estou, Helen, mas tenho medo…

-Não tenhas! Já passou muito tempo, não há grande coisa a temer!

“Segundo a Cristina, não é bem assim!” pensei sem intenções de asobressaltar.

Libertei uma lufada de ar e humedeci os lábios. Olhei Helen nos olhos. Ela esperava com expectativa uma resposta minha, calmamente.

-Desculpa tocar no assunto… - Comecei por dizer – Mas tu…? Tu estás melhor por causa do que o Rogério fez?

Ela baixou a face, incomodada, e pela primeira vez naquele dia ela ficou péssima com ela própria.

Tive vontade de cortar a minha própria cabeça! Estava tão bem calada!

-Eu estou melhor…! – Respondeu ela, suspirando - Depois de tanto chorar, apercebi-me que foi uma idiotice tê-lo feito! Ele não merece… No fundo eu sempre soube que ele era um homem muito instável, sem planos amorosos definidos, sem vida traçada… Ele ainda tem muito que aprender, e nesta nova cidade o melhor que eu tenho a fazer é esquece-lo!

Centrei-me na sua emoção principal daquele momento. Ela estava a dizer o que realmente sentia. Ela sabia que não devia chorar e que aquele homem não lhe era nada… Mas como? Ela estava tão mal por causa dele!

-Nunca pensei ouvir isso de ti, Helen!

-Nem eu esperava dize-lo… - murmurou – Mas também tenho de assentar, apesar, é claro, de primeiro ter intenções de me divertir um pouco…! – Ela pausou as suas palavras e mirou-me por alguns segundos - Alem disso, neste momento a minha prioridade és tu!

Eu sorri. A Helen era a melhor pessoa para falar de assuntos amorosos, pois mesmo levando todas as relações com uma grande intensidade, sabia encarar quando estava a viver uma mentira, por muito deprimida que isso a deixasse.


comentem! Embaracoso'
bjokas
as minhas fic's:
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
-Angelical
Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^
#217
Finalmente a Helen já sabe... parece que a Lana já não tem de andar a esconder a identidade para a família. Melhor que nada Matreiro

Tipo o que é que aquele tio velho e descarado queria fazer com ela? é que para além da violação, não vejo outra hipótese. A não ser que ele a quisesse matar... Duvidoso
#218
Karen_95 escreveu:Finalmente a Helen já sabe... parece que a Lana já não tem de andar a esconder a identidade para a família. Melhor que nada Matreiro

Tipo o que é que aquele tio velho e descarado queria fazer com ela? é que para além da violação, não vejo outra hipótese. A não ser que ele a quisesse matar... Duvidoso

O que o homenzinho queria só vais saber lá pró final da fic! Twisted Evil Quem sabes nao estás mais ou menos certa! Toma toma Mas eu nao digo nada, vais ter de esperar! Razz

obrigada pelo comentario, bjokas!
as minhas fic's:
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
-Angelical
Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^
#219
Alô? o.O
* Mim bate no ecrã do monitor dos leitores da fic*
Onde anda tudo? Incredulo'
Tipo coise né? lol
entao pessoas, já nao se comenta? ai ai ai, e eu a pensar que ia postar o proximo capitulo ontem! Embaracoso'
Como vi que isto andava ás moscas resolvi esperar até hoje, mas pelos vistos a fic está a ficar sem fãs! ;_;
Vá, eu tenho problemas no meu heart, comentem, para eu poder postar! Esperancoso
eu até já estou a escrever umas partes mais fofinhas! se lerem estas porcarias actuais com paciencia, prometo que nao tarda nada as melhores partes chegam, mas vá, comentem, please! Esperancoso
bjokas
as minhas fic's:
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
-Angelical
Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^
#220
postaaaaa

*knife na mao* posta senao I KILL YOU

ta tao lindaaaa
#221
ola...
estou a adorar a tua fic...
ta espetacular...
pf nao pares...
posta...
bjs
#222
lulumoon escreveu:Alô? o.O
* Mim bate no ecrã do monitor dos leitores da fic*
Onde anda tudo? Incredulo'
Tipo coise né? lol
entao pessoas, já nao se comenta? ai ai ai, e eu a pensar que ia postar o proximo capitulo ontem! Embaracoso'
Como vi que isto andava ás moscas resolvi esperar até hoje, mas pelos vistos a fic está a ficar sem fãs! ;_;
Vá, eu tenho problemas no meu heart, comentem, para eu poder postar! Esperancoso
eu até já estou a escrever umas partes mais fofinhas! se lerem estas porcarias actuais com paciencia, prometo que nao tarda nada as melhores partes chegam, mas vá, comentem, please! Esperancoso
bjokas


Home, não faz mal, eu valo por 3 ou 4 Matreiro
Partes fofinhas??!! Mi tar ansiosa !Esperancoso Esperancoso Esperancoso
#223
Ok...
eu lembro-me de ter entrado no tópico, de ter começado a ler.. mas não me lembro de ter acabado..
ups, sorry Lulu, esqueci-me de ler e comentar. Bem, mais vale tarde do que nunca Smile

A Cristina parece o arco-iris, sempre alegre e soridente. Já a Lana parece k tem sempre uma nuvem negra na cabeça, de tão pessimista k é. Oxalá ela passe por mais momentos no "branco", em vez de passar o tempo todo entre o "negro" e o "cinzento".
Gostei deste capítulo, mas sendo sincera, já houve capítulos melhores. De certo que o próximo será melhor, afinal todas as fanfics têm capítulos menos interessantes (das minhas nem se fala..)
Espero por ti em cada segundo , porque tu és o meu mundo!




Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
Visitem a minha 1ª Fic ----->The Four elements
#224
*Mim entra surrateira*
ui...! Embaracoso' fiquei sem net e nao pude postar, sorry pessoal! Embaracoso'
Bem, trago o novo capitulo, inteiro! nao é nada de especial, mas enfim, lê-se!
Boa leitura!


Capitulo XII – Café entornado



No domingo de manhã, eu e Helen fomos tomar o pequeno-almoço ao café da vila, ou por outras palavras, ao café de Liliana! Mesmo não sendo um local requintado ou especial, Helen fez questão de vestirmos uma roupa mais elegante, apenas para estarmos diferentes do habitual!

Quando lá chegamos, apercebemo-nos que as pessoas estavam a chegar com mais regularidade, talvez devido ao facto de ser o fim da missa! Senti a necessidade de tapar os ouvidos ou qualquer outra parte de mim para não sentir todas aquelas auras penetrarem-me, o que era bastante complicado. Segui o concelho de Lau e tentei acalmar-me!

Liliana, quando me viu sorriu e apressou-se a vir ter comigo, numa escapadela:

-Olá anjinha! – Exclamou alegremente.

Eu fiz um ar repreendedor, apesar da sua boa disposição não me deixar indiferente!

Helen olhou-a incomodada, mas sorriu, ainda que a sua alma bondosa se sentisse atrapalhada.

-Vejo que hoje está muito movimento! – Comentou Helen

-É verdade, e ainda vai vir mais gente depois da cerimonia da igreja! – Referiu – Vocês estão muito bonitas!

Eu senti-me envergonhada, enquanto Helen se sentiu orgulhosa:

-Obrigada! – Exclamou – Bom, vamo-nos sentar, fazemos o pedido daqui a pouco, pode ser?

-Claro, estejam á vontade!

Nós assim o fizemos! Fomo-nos sentar numa mesa ao pé da janela. Eu fiquei de costas para a entrada do estabelecimento, de frente para a minha madrinha.

-A Liliana parece entusiasmada com o “teu novo eu”!

-Bem, e está! – Respondi, certeira – Ela deve-me adorar por causa disto!

Helen deu de ombros:

-Já te achava interessante antes de saber das asinhas!

-Sim, a minha vida dava um filme! – Disse, suspirando – Quem me conhecer sabe disso!

O servente aproximou-se de nós. Admirei-me ao perceber que não seria Liliana a atender-nos.

-Bom dia, já escolheram?

Reconheci a voz de Pedro e sorri. Eu falava pouco com ele na escola, infelizmente. Porem, ele às vezes parecia estranho comigo, o que era pena, pois se ele fosse tão simpático quanto a irmã seriamos óptimos amigos!

-Bom, eu quero uma meia de leite e um croissant simples! – Disse Helen.

-E tu? – ele dirigiu-se a mim. A sua reacção mudou para um estado mais ansioso, surpreendendo-me.

-Quero também uma meia de leite! – Afirmei.

-E para comer?

Espreitei a vitrina dos bolos e mordi o lábio:

-Quero o bolo mais calórico que tiveres!

Ele riu e eu levantei-me:

-Eu vou lá escolher!

Dirigi-me até á montra dos bolos e ele seguiu-me, animado.

Deu a volta ao balcão e começou a tirar as meias de leite.

Eu baixei-me para olhar melhor os bolos. Examinei um a um, imaginando o seu gosto, e qual combinaria melhor com o meu pedido.

De repente a face de Pedro surgiu á frente da minha, ampliada pelo vidro:

-Então, já sabes? – Perguntou.

-Hum… Pode ser um croissant com creme de ovo!

Eu sorri! Ele devia-me estar a achar uma gulosa das piores, e, bom, não estava enganado!

A porta de fora abriu. Senti uma rajada de vento tocar-me as pernas e estremeci. Um cheiro forte percorreu o local discretamente.

-Eu levo-te lá então! – Disse Pedro - Não demoro nada!

-Ok! – Respondi com simpatia. Olhei-o nos olhos pela primeira vez! Nunca me tinha apercebido da cor! Eram de um castanho mel, misturado com chocolate de leite, bastante bonitos e expressivos!

Ele continuava animado, mas rapidamente a sua alegria diminuiu minimamente quando ele olhou para as pessoas que estavam a entrar no café. Calculei que essa mudança de humor se devesse ao trabalho que se avizinhava, pelo que decidi regressar para a minha mesa.

Foi então que, ao aproximar-me de Helen, me apercebi da presença de uma família nova no local.

Reconheci três deles, entre os quais, Gustavo, Diana e Su. Depois estava lá um rapaz, ou melhor, um jovem, de olhos verdes e cabelo claro, semelhante a um Jensen Ackles, que falava ao telemóvel animado, seguido por uma senhora mais velha, mas muito formosa, que tirava o casaco de fazenda com cuidado. Os seus cabelos eram de um loiro mais escuro do que o de Gustavo, e os olhos eram verdes como os do tipo que caminhava á sua frente, transbordando uma nostalgia feliz, que de certa forma me remexeu toda por dentro quando cruzaram comigo.

Eu reconheci-a como sendo a famosa mãe de Gustavo! Tinha um ar tão sereno! Parecia alguém tão racional e ao mesmo tempo tão atenciosa!

Perguntei-me se as coisas que ele me havia dito sobre ela eram verdade, e sinceramente tive as minhas dúvidas!

Eu sentei-me no meu lugar, sem que ninguém se apercebesse da minha presença. Pelos vistos naquele dia o preto em mim não era exagerado!

-Que vais fazer esta tarde? – Perguntou-me Helen, folheando uma revista. Ela adorava as notícias daqueles papéis lustrosos.

-Tenho de estudar! Tenho quatro testes esta semana!

-Oh, coitadinha…! – Ela libertou uma gargalhada melodiosa, que foi chamativa para a mesa ao lado, pelas emoções que alterou em meu redor! - Tu vais faze-los e eu vou dá-los!

-Bah, professores! – Trocei.

Pedro chegou-se á nossa mesa com uma bandeja na mão. Pousou as duas chávenas e o prato com o acompanhamento.

-Se precisarem de alguma coisa, chamem!

-Obrigada! – Murmurei pegando num guardanapo de papel para agarrar o croissant.

Ele regressou ao seu trabalho.

Helen olhou para mim, desconfiada:

-Foi impressão minha, ou vocês conhecem-se?

-Sim, somos da mesma turma! – Confirmei – Ele é o Pedro, irmão gémeo da Lili!

-Gémeo? Não fazia ideia! – Ela observou o rapaz, surpresa – Olha que ele é giro!

Eu mordi o croissant e ri com cuidado para não me engasgar:

-Pede-o em namoro! – Desafiei eu.

-Só se for para ti! Tu é que estás encalhada!

-Ah? Encalhada?! – Indaguei, fingindo a indignação – Eu até te respondia á altura, mas não te quero pôr triste!

Ela riu-se enquanto mastigava e depois ergueu a sua chávena:

-Proponho um brinde á desgraça amorosa!

Franzi a sobrancelha:

-Vamos brindar com leite e café?

-Queres melhor formar de nos declararmos desgraçadas?

-Bem visto! – Concordei, chocando com a minha xícara na dela.

Rimo-nos as duas ao mesmo tempo, mas eu recompus-me primeiro. Estávamos a chamar demasiado as atenções, e eu não queria demasiados olhos pregados em mim.

Aquela família apercebeu-se da minha presença!

-Lana! – Ouvi atrás de mim. Reconheci aquele timbre e sorri ao sentir umas passadas leves a aproximarem-se rapidamente.

Susana nem me deu tempo de olhar para ela e deu-me um beijo na face. Helen sentiu-se admirada com aquele acto. Eu não gostava de beijos, mas sentia que essa minha fobia estava a terminar, assim como o toque das pessoas em mim!

-Olá Su! – Saudei, sem palavras concretas para lhe dizer.

-Eu não te tinha visto, não é incrível? Vejo-te sempre!

Esbocei um largo sorriso:

-Sou o centro do mundo para ti!

Ela fez um biquinho com os lábios, envergonhada:

-Se eu te aborrecer…

-Claro que não tonta! – Interrompi – Se me enervares eu livro-me de ti!

-Não livras nada, ninguém me resiste! Sou fofa!

Helen riu-se com a euforia da pequena. Lembrei-me de as apresentar:

-Su, apresento-te a Helen!

-Helen? – Ela fez uma careta ao pronunciar o nome dela – isso não é português pois não?

Helen negou com a cabeça:

-Inglês! E tu? Como te chamas?

-Eu sou a Susana, mas os meus amigos chamam-me Su!

-és muito bonita! – Elogiou Helen.

Susana sorriu:

-Obrigada, tu também!

A mulher loira corou um pouco. Ao aperceber-me evitei que Su visse isso:

-Já tomaste o pequeno-almoço?

-Hum, não, não sei o que vou comer! Estou indecisa!

-Se puderes, recomendo um croissant com creme! – Aconselhei – Queres uma dentada?

Ela aceitou a proposta e mordeu o bolo com vontade!

A família dela ficou constrangida com a situação, todos eles, sem saberem que eu me tinha apercebido!

-Su!

Diana repreendeu-a levantando-se da cadeira para vir ter connosco:

-Onde estão as tuas maneiras?

A pequenita fez um ar de querida e encolheu os ombros:

-Estava só a provar, mana!

-Pede imediatamente desculpa!

Ela só nesse momento olhou para mim, e estatizou, boquiaberta:

-Lana?

-Olá!

Ela sentiu-se parva:

-Estás tão diferente! - Exclamou – Nossa, já entendi porque é que esta pirralha falava tanto de ti!

-Eu não sou pirralha! – Protestou Su, cruzando os braços, ofendida.

Diana ignorou-a:

-Desculpem-na! Ela é tão indiscreta!

-Não há problema! – Assegurou Helen.

Ela desviou a louça do seu almoço matinal terminado, enquanto eu dava os últimos goles de leite.

-Bem, está a chegar a nossa hora de irmos embora! – Comentei.

-Não! – Impediu Su – Eu acabei de chegar!

-Susana, deixa de ser parva com as pessoas! Não vais prender a Lana aqui!

Ela fez uma carinha triste, com a qual eu me diverti. Milésimos de segundo depois, ela ficou com um espírito mais maroto:

-Tens de me contar um segredo, não te esqueças!

Fiquei atrapalhada com a lembrança, mas tentei não o mostrar:

-Claro! Esta semana, se te portares bem!

-Ah, Lana! Não confies nela, para contar segredos! – Recomendou a irmã mais velha.

-Não te preocupes, vai ter de dar provas para eu lhe dizer seja o que for!

A miúda abriu a boca:

-Di, estavas melhor calada!

-Ah miúda, está calada tu! Anda, vamos para a mesa, que a mãe ainda se zanga contigo! Bom fim-de-semana! – Declarou, arrastando a sua irmã para a mesa dela.

-Igualmente! – Dissemos eu e Helen em uníssono.

A minha madrinha pegou na sua bolsa:

-Estás popular cá na terra!

-Eu sei! A minha imagem não deixa ninguém indiferente!

-De onde é que vocês se conhecem?

-A Diana é enfermeira! Ela foi lá a casa na quinta-feira, e a Su acompanhou-a!

-São irmãs do teu amigo?

Humedeci os lábios, desconfortável, e sem conseguir sorrir assenti com a cabeça:

-Sim!

Helen não disse mais nada em relação a esse assunto.

-Bom, vou aos lavabos! Pagas a conta?

-Claro!

Ela retirou a carteira da bolsa e deu-ma para a mão. Levantamo-nos as duas ao mesmo tempo. Eu olhei a mesa de Susana de relance. Gustavo foi o único que olhou para mim!

Foi como um choque eléctrico! Só de olhar para ele dava-me vontade de fazer coisas completamente diferentes! Ora queria mata-lo, ora queria abraça-lo, ora queria chorar! O que é que se passava comigo?! Os olhos dele afectavam-me excessivamente porquê?!

Senti ódio de mim mesma! A partir dali evitaria o olhar dele sempre que possível!

Helen dirigiu-se á casa de banho e eu á caixa registadora. Tanto Lili como Pedro estavam a acabar de servir as mesas! O primeiro a chegar até mim foi o humano do sexo masculino:

-Espera um minuto! – Pediu, dirigindo-se á máquina de café.

Assenti pacientemente, e observei-o rapidamente, enquanto esperava. Eu nunca tinha olhado bem para aquele rapaz! No inicio, quando cheguei aquela cidade ele pareceu-me tão normal com um cabelo castanho arruivado, aparelho nos dentes e altura como a minha! No entanto era necessário olhar duas vezes para uma pessoa, antes de deduzir a sua beleza!

Helen tinha razão, ele era bonito, bem feito! Tinha um cabelo lustroso e um sorriso simpático e divertido, que com certeza deixava muitas raparigas captadas por ele, já para não falar no olhar!

Um dia ele foi arrogante comigo, e às vezes era estranho, mas parecia ser boa pessoa! Aquele meu novo “sexto sentido” dizia-mo, e francamente, eu não podia contestar as afirmações das emoções dos outros!

Ele colocou as coisas na bandeja redonda, a uma velocidade atrapalhada para vir á minha beira. Liliana viu-me á espera e não perdeu tempo. Veio ter comigo para me atender, só que foi abordada pelo irmão:

-Leva isto á mesa do Gustavo! Eu atendo a Lana!

-Ahm, está bem!

Ela franziu as sobrancelhas e eu também. O que é que deu ao rapaz para me querer atender?

-Desculpa a demora! – Lamentou, sorrindo gentilmente.

-Não tem problema!

Ele sabia de cor o que eu e Helen tínhamos tomado. Começou a somar os preços para me dizer a conta, sem deixar de me dar atenção antes:

-Dás-te bem com a Susana?

-Sim, ela é muito querida! – Confirmei – é bastante irrequieta!

-É persistente! – Informou fitando-me ainda com um esboço alegre no rosto – e olha que eu sei o que digo!

-Sinceramente essa não é a melhor informação para mim neste momento! Sou péssima com pessoas persistentes!

-porquê?!

A máquina registadora começou a expulsar a conta do interior, e eu prossegui:

-Assusta-me! Acho que tenho tendência para fugir!

-ah, ignora!

-É o que mais tenho feito nestes dias!

Ele disse-me a conta, e enquanto eu pegava no dinheiro para pagar, a minha audição não ficou indiferente àquele comentário:

-Parece que o teu irmão tem uma pretendente!

A voz doce e melancólica quase me fez virar para trás, contudo eu não o fiz para evitar olhar Gustavo! A pessoa que disse tal coisa dirigiu-se a Liliana, que se riu incrédula, e a mesa que ela estava a atender era a dele, portanto deduzi que fosse alguém daquela família a dizer algo tão incómodo! Liliana voltou a parecer atrás do balcão, com uma cara de riso no rosto!

Pedro deu-me o troco, sorrindo.

Escutei uma cadeira a arrastar-se bruscamente, e um corpo levantou-se.

Centrei a minha mente naquele ser! Um ódio violento completava o seu espírito com algum ciúme, enquanto se dirigia para nós!

Se eu não soubesse, diria que aquela pessoa ia bater em alguém!

-Pedro, o café está frio!

Reconheci a voz de Gustavo e revirei os olhos quando ele devolveu a chávena dele.

-A sério? – Perguntou o irmão de Liliana, surpreendido.

-Sim, podes tirar outro?

-Claro!

Eu fiquei séria quando ele virou costas, e olhei Gustavo com desdém, sem trocar um olhar com os olhos dele.

Era ele que estava irritado, apesar de estar a sorrir.

-Tudo bem? – Perguntou.

Eu não respondi e cruzei os braços.

Ele fitou-me de relance:

-Fiz-te uma pergunta!

-Tudo bem! – Respondi, sem rodeios.

Ele fervilhou. Eu sorri ao aperceber-me! Tinha vontade de esgana-lo!

Pedro colocou a nova chávena no balcão:

-Levas tu? Ou preferes que eu te leve lá? - Quis saber.

-Não, não, eu levo!

Quando ele pegou na chávena eu dei um passo de recua para ele passar sem danificar nada, mas não sei de que forma, ele desequilibrou a mão!

O liquido escaldante entornou-se em cima de mim e eu gritei impulsivamente com a dor da temperatura sobre o meu corpo. As pessoas que estavam no estabelecimento olharam todas para mim, assustadas com aquele acidente.

Gustavo pousou a chávena novamente no balcão, e Pedro veio ter connosco com um pano seco:

-Desculpa, foi sem querer!

Eu olhei Gustavo nos olhos, com vontade de chorar! Vi que ele tinha feito de propósito, e apesar do arrependimento devido á minha dor, ele ficou satisfeito com aquele acto!

Nem pensei duas vezes! Esbofeteei-o com toda a minha força, e cerrei os dentes!

Ele e Pedro abriram a boca, estupefactos:

-Mentiroso! – Acusei.

Ele esfregou a bochecha mirando-me furioso.

Pedro foi mais inteligente e encostou o pano ás minhas roupas para me ajudar a limpar, o que deixou o outro idiota ainda mais irritado:

-O quê?! Achas que eu te iria entornar o café em cima de ti por vontade própria?! Achas que o mundo gira em teu redor?!

-Se eu fosse tão estúpida como tu pegava num copo de agua e entornava-te pela cabeça abaixo, mas não vou descer ao teu nível!

Pedro esfregou os meus ombros cuidadosamente, e depois preparava-se para limpar o meu peito molhado, contudo foi impedido por Gustavo! Ele roubou-lhe o pano da mão:

-Ela não precisa de criados! – Informou com arrogância perante o suposto amigo – Não te ponhas a “esfregar-lhe” o corpo todo!

Abri a boca e esbofeteei-o novamente, desta vez com mais força ainda! A minha própria mão doeu!

Nunca me senti tão ofendida em toda a minha vida! Como é que ele podia ter dito aquilo!? Quem achava ele que eu era? Uma galdéria sem escrúpulos que deixava qualquer pessoa tocar-me?!

Cerrei os punhos zangada, verdadeiramente, e olhei-o nos olhos, ignorando qualquer sentimento dele e centrando-me no meu próprio ódio:

-Seu grandessíssimo anormal! Lá porque alguém teve a decência de me ajudar julgas que sou uma qualquer?!

Ele cerrou também os dentes e em simultâneo, as mãos.

-Serviu-te a carapuça?! Pensei que eras “sensível” ao toques dos outros!

-Não me obrigues a bater-te de novo! – Aconselhei – Sou mulher para isso e muito mais!

Os meus ombros foram agarrados por umas mãos frias e femininas. Liliana olhou-nos, nervosa dos pés á cabeça!

-Está toda a gente a olhar para vocês! O que é que vos deu?!

-Ela bateu-me! – Acusou Gustavo.

-Seu estúpido, tu viraste-me o café em cima! – Exclamei, exaltada.

Senti o meu corpo todo a tremer de raiva! Só me apetecia amordaça-lo, espanca-lo, dar cabo dele de todas as formas possíveis!

-Calem-se! – Ordenou Pedro – Eu não sei o que vos aconteceu, mas não discutam, por favor!

-Se querem lutar, façam-no longe daqui! – Pediu Liliana discretamente.

Eu sacudi-me para ela libertar os meus ombros. Olhei de soslaio para algumas mesas do café. Algumas pessoas olhavam para nós. Apeteceu-me esconder a cara, infeliz, pois eu sabia que toda a gente naquele local me considerava a má da fita por causa da minha aparência cruel.

Baixei o rosto envergonhada.

-Sabes uma coisa, Gustavo? Isto tem de parar…!

Escutei um suspiro pesado dele. O seu coração parecia estar acelerado.

-Se cada vez que quiseres falar comigo for para discutir ou para me aleijares, então… não o faças! – Finalizei, levantando a cabeça – Evita-me, simplesmente!

Ele olhou-me nos olhos, como há muito tempo não fazia.

Eu vi-o. Vi toda a cor possível ver num par de olhos, mas vislumbrei também os sentimentos que o domavam. Ele não era normal. Ele estava triste como eu…!

A única coisa que fiz foi assemelhar-me a um cubo de gelo a derreter. Porque é que ele me fazia aquelas coisas? Porque é que ele se arrependia depois de se sentir orgulhoso? Porque é que ele me olhava com protecção e com raiva?

-Lana?

Reconheci a voz de Helen atrás de mim.

Rodei para ficar de frente para ela, e quando ela me viu, petrificou:

-O que te aconteceu?

Não a consegui olhar.

-Vamos embora? – Sugeri - Por favor?

Ela franziu as sobrancelhas e acenou com a cabeça. Sorriu para os meus colegas de turma e deslocou-se devagar:

-Adeus pessoal, até á próxima!

Liliana e Pedro sorriram, cada um tentando ser mais educado do que o outro.

Gustavo por outro lado não desviou a sua vista de mim, ainda sério e nostálgico.

Helen contornou-o para sair daquele lugar, e eu segui-a lentamente. Quando passei por ele pensei em travar, mas não o fiz.

Murmurei algo esperando que ele me ouvisse, e principalmente que lhe doesse bastante:

-Eu odeio-te…!

O corpo dele endureceu com a minha afirmação e eu senti o que queria: dor! Mas nunca esperei que fosse tanta! Nunca esperei que para além de sofrimento aquela alma sentisse tamanho desgosto. Foi como se tivesse acabado de ser apunhalada nas costas!

Num reflexo rápido observei-o! Ele manteve-se sério no rosto, mas a intensidade do seu olhar modificou-se! O brilho desapareceu e a sua auto-estima estava a diminuir a pique, com tanta culpa a inquietar o seu ser!

Meti a não na testa, com uma dor a incomodar-me. Olhei uma última vez para a mesa onde a família dele aguardava. O meu olhar cruzou com o da sua mãe.

Ela olhava-me sem reacção definida. Não mostrava desagrado pelo que eu tinha feito a Gustavo. Não mostrava medo pelo meu modo de vestir. Pelo contrário, também não mostrava admiração ou simpatia. Ela fitava-me como se estivesse a reflectir sobre algo importante, como se eu me tratasse de algo da sua vida!

Ela era tão nostálgica!

Vi-me forçada a desviar a atenção dela, e finalmente passei pela porta de acesso á rua!

Helen entrou no carro e eu segui-a, sentindo-me destroçada. Não falei durante a viagem toda e durante a tarde estudei. Aquela semana estava carregada de testes! Tinha de manter a média que tinha na outra escola, por muito preguiçosa que eu estivesse, e não via melhor forma de esquecer os problemas do que centrando-me noutras coisas para alem da vida intima!

Segunda-feira, mal acordei, prometi a mim mesma que ninguém me afectaria mentalmente! Gustavo seria a última pessoa para quem eu olharia, mesmo que estivéssemos juntos em algumas aulas!

Por incrível que parecesse ele obedeceu ao meu pedido do dia anterior e não se dirigiu a mim, nem sequer me mirou. Quando nos cruzávamos era como se de estranhos nos tratássemos. Nada de palavras, nada de olhares furiosos, nada de cumprimentos! Estávamos inseridos no mesmo grupo de amigos, e falávamos todos uns com os outros excepto nós os dois! Até mesmo Pedro mudou a sua forma de falar comigo! Foi mais prestável e simpático. Eu sorria sempre que ele se dirigia a mim, pois estava satisfeita pelo facto de ele e Liliana serem tão semelhantes!

Logo na primeira aula tivemos o teste de inglês! De cada vez que tinha uma avaliação desta disciplina juntava as mãos e olhava para o céu pensando “Meu Deus, obrigada por me teres dado uma família Inglesa!”. Eu tinha noção, pela experiencia com outros colegas, que se não tivesse família adoptiva que me ensinasse inglês, as minhas notas seriam catastróficas! Era uma dádiva saber falar aquele idioma desde pequena!

Outra pessoa que me surpreendeu foi Rebeca. Ela cumpriu o que havia dito a Liliana. Não se aproximou mais de mim!

Eu vi, e senti, que ela não o fez por causa das ameaças que lhe fizeram, mas sim por mim. Ela queria proteger-me dela própria, mas eu não compreendia porquê! Eu não tinha medo dela, mas respeitei a sua decisão, ainda que contrariada. Tal como ela me tentava proteger, eu fazia o mesmo com ela, ao tomar conta de Rui e de Joana. Eles olhavam-me de cima a baixo quando no cruzávamos, mas eu fingia que não se passava nada, e sorria para as pessoas que geralmente me acompanharam naquele dia. A nódoa negra no braço estava já a desaparecer, felizmente. Aquela dor tinha-me retirado o sono nas noites anteriores e eu esperava que não passasse pelo mesmo novamente naquela semana!

No dia seguinte, fui surpreendida por um aniversário, ou melhor, por dois!

Quando cheguei á escola vi um grupo de raparigas em redor de Liliana e alguns rapazes em redor de Pedro! Esperei que as pessoas se afastassem de Lili para saber o que tinha acontecido, contudo, só depois da primeira aula entendi que ela soprava dezasseis velinhas!

- Não acredito que eu não sabia, Lili! – Exclamei depois de ela me informar - Porque não me disseste? – Perguntei desiludida.

Ela sorriu e olhou para o céu:

-Desculpa, não houve oportunidade! Estes dias têm sido tão agitados! Mas bom, esquece isso!

-a tua sorte é que eu sou péssima a dar presentes! – Comentei rindo.

-Sua tonta, não acredito! – Ela abriu os braços - dá-me um abraço para eu ter a certeza que estás a ser modesta!

Eu obedeci sorridente e apertei-a nos meus braços, com força suficiente para lhe partir as costelas frágeis:

-16 de Março! – Exclamei - No próximo ano, se ainda cá estiver, já hei-de saber! Agora tenho de felicitar o teu irmão!

-Eu acompanho-te até ele se quiseres!

-Claro! – Assenti.

Eu e ela fomos ter com Pedro, enquanto conversávamos animadamente.

Três meninas barraram-nos o caminho quando passávamos as escadas que davam para a cafetaria da escola. Duas delas saltaram para os braços de Liliana e beijaram-na!

-Parabéns Lili!

Eu reconheci-as, de vista! Emancipavam euforia e divertimento por todos os lados. A outra eu já conhecia, apesar de estar pela primeira vez a deparar-me com o seu estado de espírito deprimente.

-Parabéns! – Disse Susana forçando um sorriso. Lili e as duas meninas que a acompanhavam provavelmente acreditaram naquele esboço facial, mas eu não.

O meu coração derreteu com aquela piolha tão infeliz.

-Já recebeste algum presente? – Perguntou uma de cabelo castanho-escuro.

-Recebeu um abraço nosso! – Exclamei sorrindo.

Liliana sacudiu os ombros:

-Aí têm a vossa resposta!

A duas miúdas olharam-me desconfortáveis, mas sorriram.

Achei piada ao receio delas, mas resolvi não as perturbar mais com a minha presença, e voltei-me para Su:

-Tudo bem?

Ela olhou-me com aqueles seus olhinhos puros e sorriu, baixando a cabeça para eu não olhar directamente para ela:

-Sim, estou…

Liliana suspirou. Eu observei-a rapidamente para entender aquele desabafo. Ela estava concentrada em Susana com um rosto que transmitia compaixão:

-Viram o meu irmão? – Perguntou de forma a tornar o ambiente menos pesado.

Elas apontaram para o bar e nós prosseguimos após nos despedirmos.

Cerrei os dentes quando lá cheguei, e suspirei para não me perder nas emoções dos outros. Pedro estava acompanhado por alguns amigos. Quando o vi dei-lhe um abraço amigável:

-Parabéns!

-Obrigado! – Agradeceu corado. Eu ri-me da reacção dele.

-Então, qual é a sensação de estar mais velho?! Já sentes as rugas? Dores de ossos? – Inquiri apertando-lhe a bochecha, de maneira irritante.

-Eu? Nem pensar, estou mais fresco que nunca!

-Que pena! Os homens mais velhos são charmosos!

Ele riu-se, animado!

-Hei, tenho direito a uma fatia de bolo de anos?

-Tu vives para bolos?

-Não, vivo para chocolate! Mas o doce nunca amargou, portanto…

-Então posso guardar-te uma fatia! – Prometeu.

Senti uma energia forte no ar, e não consegui sorrir como pretendia. Ela não vinha de nenhum de nós. Era densa e intoxicante, misturava o ciúme, o ódio, e a tristeza. Arrepiei-me quando ela se intensificou.

Devagarinho, olhei por cima do meu ombro para encarar quem a libertava.

A minha visão cruzou-se com a de Gustavo, que estava encostado á parede com os seus amigos do costume e Letícia. Ele estava alheio á conversa que o rodeava e não tirava os seus olhos de cima de nós, sério, misterioso e inflexível.

Eu não consegui descolar os meus olhos dele, por mais que a minha mente me gritasse para eu o fazer. Fiquei totalmente apegada, como que enfeitiçada!

Contemplar aquela íris, aquela pupila dilatada de nervosismo, que espelhava muitas coisas que eu não conseguia ler.

Perguntei-me o que é que ele tinha! Porque é que não parava de me fitar? Como é que me estava a prender?

Ele estava no auge da sua fraqueza, como se a qualquer momento fosse cair para o lado! Eu contorci-me interiormente e franzi as sobrancelhas com vontade de me afastar dele que por momentos parecia tão próximo! Ele franziu também as suas sobrancelhas, enfurecido, apegando-me esse sentimento.

-Hei, estás bem? – Ouvi Pedro questionar.

Consegui desviar a minha atenção de Gustavo e olhei-o confusa:

-S, sim…! – Proclamei

Eu sorri, desta vez forçada, e continuei a falar com ele e com Liliana, evitando Gustavo a toda a hora após aquele incidente visual.

Naquele dia estive livre por sorte, e isso permitiu-me estudar para o teste de matemática do dia seguinte.

Eu tentava viver aqueles dias com calma, ignorando os meus sentidos mais sensíveis. Evitei irritar-me, pensar nas asas e em pessoas desconcertantes! A minha vida era o estudo e tentar, de alguma forma, fazer amigos e espalhar alguma simpatia. Estava a ficar farta do meu teatro! Sentia falta da minha antiga vida, e aos poucos queria recupera-la!



espero que tenham gostado! Peço desculpa pelos erros e pela falta de mais descriçoes, mas nestes dias a inspiraçao nao tem sido muita... v.v'
Espero criticas, e talvez poste no fim de semana! bjokas
as minhas fic's:
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
-Angelical
Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^

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