[Terminada] Angelical
O Gustavo é cá um convencido...! Eu tou com uma vontade de lhe dar uma estalada ao estilo da Lana pá!
Ei, olha mais um. Olha, ela que aproveite, senão...fica sozinha pó resto da vida... sou tão má!
Ei, olha mais um. Olha, ela que aproveite, senão...fica sozinha pó resto da vida... sou tão má!

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[email protected] -->Meu MSN, adicionem à vontade!
Ah... A Lana é cá das minhas. O Gustavo deve ter ficado com a cara vermelhona xDD É bem feita, adorei o facto da Laninha ter conseguido colocá-lo numa posição bastante desconfortavel e ele ter ficado triste, magoado e furioso. O Gustavo é uma caixa de surpresas que nunca mais acabam. Estou ansiosa por conhecer melhor este tipo e a sua familia. Pelo menos a mãe dele tbm parecia ser estranha.
Finalmente um novo amigo. O Pedro parece ser fixe. Oxalá nunca desiluda a Lanba. Será que ele algum dia saberá do segredo da Lana?
Bem, espero por proximos capítulos
Finalmente um novo amigo. O Pedro parece ser fixe. Oxalá nunca desiluda a Lanba. Será que ele algum dia saberá do segredo da Lana?
Bem, espero por proximos capítulos

Espero por ti em cada segundo , porque tu és o meu mundo!

Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
Visitem a minha 1ª Fic ----->The Four elements

Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
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Obrigada pelos comentarios! 
Trouxe já a primeira parte do capitulo! A segunda é um pouco mais aborrecida, mas espero que gostem desta!
Boa leitura!
Capitulo XIII – Famílias
Quarta-feira, o dia fatídico daquela semana.
A primeira aula foi também o teste, o que impediu que qualquer aluno confraternizasse, mas tudo começou mal entrei no edifício de estudo pela manhã.
Tinha estranhado, nos dois dias anteriores, o facto de Susana ter falado tão pouco comigo. Quando a vi foi demasiado rápido, mas entendi que ela estava tristonha, pelo que não sabia o que se passava com aquela menina, até ao momento!
Pelos vistos, não foram apenas os gémeos que cresceram um ano. Havia outro aniversariante naquela semana, mas aquele aniversário não trazia felicidade, pelo contrário!
Foi a primeira vez que encarei Gustavo decentemente desde a última discussão. Apesar de o tempo meteorológico ter melhorado naqueles dias, ele trajada uma roupa escura e deprimente. Não como aquela que um dia vestiu para me ver gargalhar, mas sim uma que revelada o verdadeiro sentimento de dor e perda. Ele estava de luto, assim como o seu olhar azul realçado pelo negro das roupas, que emancipava tudo menos alegria. As pessoas cumprimentaram-no, e eram bastantes, e ele sorria por cortesia. Eu, porem, só tinha visão para a sua infelicidade escondida, e questionava-me se os outros também a viam.
Acho que fui a única que não lhe deu os parabéns mal soube da data.
Eu estava mais preocupada com a irmã dele, e com o teste do dia seguinte, pelo que na hora de almoço optei por estudar um pouco para o teste de Química que me esperava na quinta-feira.
Liliana e Laura fizeram o mesmo que eu, ao invés de Natacha que preferiu estar com Sérgio. Rebeca, por outro lado, continuou solitária e afastada de nós!
Estávamos todas sentadas numas mesas da sala de convívio, tentando concentrarmo-nos apesar das conversas femininas por vezes nos distraírem, quando eu resolvi ir á casa de banho!
Dirigi-me até ao meu destino apressada e entrei na casa de banho, aflita.
Apenas uma estava ocupada, e tudo estava silencioso, aparentemente.
Quando tranquei a porta, ouvi uns gemidos sofridos, e inquietei-me.
Eles foram aumentando, juntamente com fungadelas e sons desconfortáveis de lágrimas a cair e respiração presa.
Voltei a sair da pequena cabine e bati á porta. Ninguém respondeu e ouvi um silêncio forçado.
-Está tudo bem? – Perguntei, esperando resposta.
-Lana?
Reconheci a voz doce e infantil:
-Su? És tu? O que se passa?
Escutei novamente as fungadelas e o choro infeliz:
-Bem cá para fora! Podes falar comigo!
Escutei o trinco da porta mover-se, e lentamente ela abriu-se.
Deparei-me com Susana lavada em lágrimas como eu temia. Ela tinha os punhos cerrados com força e o olhar no chão, escondido pelos longos cabelos. O seu corpo tremia e a face parecia estar demasiado corada devido á força que ela exercia para conter a água salgada que lhe jorrava pelos olhos.
Senti-me desajeitada ao vê-la assim pois não sabia o que dizer para entender melhor o que se passava. Puxei-a pelo braço até mim, e aninhei-me para a encarar directamente nos olhos:
-O que aconteceu…? – Perguntei com o timbre mais reconfortante que consegui produzir.
Ela não respondeu. Libertou, simplesmente, o seu choro, ao mesmo tempo que envolvia o meu pescoço nos seus braços trémulos. Eu aconcheguei-a contra mim, e afaguei-lhe o cabelo macio, enquanto senti a minha pele humidificar com água quente.
-é hoje…! – Ela respondeu-me, num soluço lacrimoso.
-é hoje o quê? – Indaguei baralhada - Estou preocupada contigo Su, deixa-me ajudar-te!
Segurei-lhe os ombros com leveza e separei-a do meu corpo para encara-la. Passei os meus dedos pela sua face quente e limpei as gotas de água que insistiam em cair-lhe dos olhos:
-O que se passa?
Ela negou com a cabeça e olhou para o lado, evitando-me:
-Podes falar comigo, Su… Eu sou tua amiga...!
Franzi a sobrancelha. Eu não sabia se ela me considerava realmente uma amiga sua para me confiar o seu dilema.
-É o meu irmão…
O meu coração apertou-se:
-Que irmão?
-O Gustavo… - disse num murmúrio, libertando ainda mais lágrimas.
-Vocês chatearam-se? Ele tratou-te mal?
Ela negou com a cabeça e fungou:
-Ele tem 18 anos!
Fiquei sem reacção alguma. Aquela afirmação em nada me esclareceu, e por isso não soube dizer nada. A pequena rapariga esperou que eu dissesse algo, porem eu não sabia o que ela queria ouvir:
-O que é que isso tem? – Questionei, esforçando-me para que ela não levasse a mal a minha interrogação.
Ela riu entre soluços da minha ignorância:
-Ele já é maior de idade!
Fiz um esgar, e ponderei o principal problema que isso poderia causar na vida dela:
-Tens medo que ele saia de casa e se afaste de ti? – Palpitei.
Ela sorriu novamente e limpou a face:
-Não…!
-Então? – Mordi o lábio - Desculpa Su, mas eu não estou a conseguir entender-te…!
-Eu sei, tu não entendes…
Ela afastou-se de mim até ao espelho dos lavabos. Levantei-me e segui-a:
-Se tu me explicares tudo eu juro que te compreendo!
Ela olhou-me no reflexo do espelho e franziu as sobrancelhas:
-Sabes qual é a coisa que o meu irmão mais ama neste mundo?
Neguei a questão. Ela prosseguiu:
-Andar de moto!
Abri a boca, começando a entender melhor a situação. Lembrei-me que aquele dia não só era o aniversário de Gustavo como também era o aniversário do falecimento do pai dele, daí o luto!
Cheguei-me a Susana e puxei-lhe os cabelos para trás das orelhas, ajudando-a a lavar o rosto de maneira a abrandar as suas emoções. Mal sabia ela que eu conseguia entender melhor do que ninguém o que ela estava a sentir:
-Não gostas de motos? – perguntei com esforço, para não a magoar.
Ela levantou a cabeça, chocada, e fitou-me:
-São a coisa que mais odeio neste mundo!
Aquela frase incomodou-me. Peguei em toalhetes de papel e ajudei-a a limpar os rastos de água salgada que adornavam a sua cara:
-vamos conversar melhor noutro sítio? – Sugeri – Daqui a pouco vêm mais raparigas aqui…!
Ela aceitou a proposta, mas hesitou ligeiramente:
-As pessoas vão ver que eu tive a chorar!
-Deixa lá! Se apanhares ar fresco isso passa-te!
Passei o meu braço em volta das suas costas e levei-a comigo para o exterior. O dia estava limpo, portanto resolvi sentar-me com ela no peitoril duma janela virada para o Sol.
-Tens medo que o teu irmão se magoe… - Deduzi, para dar continuação á nossa conversa.
Ela assentiu. Respirei fundo.
-Qual era a pior coisa que lhe achas que lhe podia acontecer? – Quis eu saber, calmamente.
Ela franziu o sobrolho e enrijeceu o seu corpo:
-Morrer…!
-Achas que por isso ter acontecido ao teu pai, vai acontecer também com ele?
Ela olhou-me perplexa:
-Como é que sabes que o meu pai…?
Ela não terminou. Encolhi os ombros:
-Sei algumas coisas!
Susana tornou a ficar triste e olhou o horizonte, encostando a cabeça á parede:
-O Gustavo é exactamente igual ao meu pai… - comentou - Tu não tens noção…! Se perdesse o meu irmão… Era como se não restasse nada mais do meu pai!
O meu estômago vibrou, arrepiado com aquela declaração.
-Eu vejo o meu pai no Gustavo…!
-Mas o Gustavo não é o teu pai! – Corrigi – Talvez o teu problema seja esse…
-Porquê?! – Questionou indignada.
-Os erros do teu pai não tem de ser seguidos pelo teu irmão! Ele pode ser melhor condutor ou mais cauteloso!
Ela cruzou os braços:
-As motos é que os destroem! A minha mãe teve razão quando as vendeu todas!
-Não digas essas coisas! – Pedi – O Gustavo tem o direito de ser feliz!
-E vai ser! – Murmurou com os dentes cerrados de raiva – A moto dele foi guardada por um senhor que mora aqui perto! O combinado foi que aos dezoito anos ele recuperaria a liberdade de andar naquelas coisas!
Susana libertou uma lágrima grosa, carregada de fúria.
Eu olhei para o céu e reflecti sobre o assunto. Eu escutei ambas as versões daquela história, e eu sabia que Gustavo tinha feito a promessa de não fazer o desporto que tanto amava. O que eu não sabia é que esse acordo terminava com o seu décimo oitavo aniversário!
Eu não podia dizer àquela menina que estava do lado do seu irmão sem a magoar, mas a verdade é que eu apoiava-o. Foram dois anos a abdicar de uma paixão pela família, mas era chegada a altura de obter um pingo de felicidade. Ele podia ser traidor, ressentido, orgulhoso, mentiroso e tudo o resto, mas eu confiava nele para montar aqueles veículos.
-Su… - Chamei. Ela olhou-me com expectativa - Qual é a coisa que mais gostas de fazer nos teus tempos livres? Aquilo que te relaxa e te faz esquecer os problemas?
Ele juntou as mãos em cima dos joelhos e corou ligeiramente:
-Eu gosto de cantar!
Eu sorri. Depois observei-a. Ela esperava uma resposta para entender a minha mudança de tema. Enrolei uma madeixa de cabelo no dedo indicador:
-E se de repente perdesses a voz?
Ela elevou a mão á garganta, sobressaltada:
-Credo, espero que isso nunca me aconteça!
-Mas como achas que te ias sentir se perdesses a voz e não pudesses cantar?
Ela engoliu a seco, massajando o pescoço. Notei que tinha ficado assustada com a ideia de perder o seu timbre vocal, e essa ideia estava a remexer com ela por dentro, como eu pretendia:
-Eu não aguentava! – Ela murmurou com o olhar dirigido para lado nenhum em concreto – Acho que ia ser a pessoa mais infeliz do mundo!
-E os teus amigos e família? Não ficavas melhor por saber que os tinhas ao teu lado?
Ela deu de ombros:
-Sim, eu ficava melhor mas acho que ia viver com um desgosto dentro de mim para sempre…! Seria horrível!
Eu sorri e levantei-lhe o queixo com a minha mão para ela me encarar:
-Como achas que o teu irmão se sente?
Ela abriu a boca chocada com a pergunta. O seu coração acelerou:
-É diferente! – Garantiu, atrapalhada.
Eu abanei a cabeça reprovando aquela ideia:
-É exactamente o mesmo, Susana! Tu adoras cantar e ele adorava andar de mota! Da mesma forma que tu ficavas destroçada se te roubassem a voz e o dom de cantar, ele ficou despedaçado por lhe retirarem a liberdade de correr de moto!
A pequena jovem ficou sem reacção. Senti a emoção de culpa que lhe atravessou o peito, o que me agradou. Calculei que tinha transmitido bem a minha mensagem!
Franziu as sobrancelhas, estática, e depois encarou-me:
-Ele ficou assim tão mal, Lana?
-Eu acho que sim…! – confirmei - E acho muito injusto que apenas ele tenha de ter deixado os sonhos de lado!
Ela silenciou e reflectiu.
-ele sofreu o dobro de ti, na minha opinião… - prossegui. Ela olhou-me comovida - Para alem de ter perdido o pai, que ele amava acima de todas as coisas, também deixou de fazer aquilo que mais gostava, simplesmente porque te adora a ti e á tua família! Eu acho que…
Ela não me deixou terminar a frase e abanou a cabeça repreensiva:
-Eu sou tão má! – Acusou-se, saltando para o chão.
Eu sorri levemente:
-Não és nada! – Contrapus – Só não entendias!
Ela libertou uma lufada de ar e baixou as suas sobrancelhas:
-Sou tão egoísta!
-Não te julgues agora! – Pedi.
Ela mordeu o lábio e uma onda de preocupação intensificou-se no seu olhar:
-E se lhe acontece alguma coisa?
Pus-me também eu a pé:
-não confias no Gustavo? – Ela fez um ar pensativo e eu dei a minha opinião – Eu acho que ele consegue manter-se bem!
-Mas tu nunca o viste correr… Não sabes se ele é assim tão bom!
-Quando se gosta daquilo que se faz, somos sempre bons!
Ela desenhou um grande sorriso e abraçou-me com força sem eu estar á espera. A sua alma ficou mais leve e esperançosa.
Susana aconchegou a sua cabeça no meu peito:
-Tenho tanta pena, Lana!
-De quê? – Questionei admirada.
-De eu não ter visto o que pensei que vi!
Franzi as sobrancelhas, sem perceber ao que ele se referia:
-Sabes, tu serias a namorada perfeita para o Gustavo…!
O meu corpo tremeu e esquentou todo de uma vez. Afastei-me de Susana, envergonhada, sem saber o que fazer de seguida:
-Não te iludas! – Aconselhei, com todo o meu ser arrepiado.
-Eu sei… Às vezes exagero! – Reconheceu colocando as mãos atrás das costas – Eu não vos vi mesmo a beijarem-se…! – Admitiu.
Fiquei aliviada, e ao mesmo tempo espantada:
-Então porque é que querias dizer aquilo a toda a gente?
-Porque vocês estavam tão perto! Faltavam cerca de dois centímetros para estarem colados! Se não se tinham beijado, iam-se beijar! – Exclamou – Diz-me a verdade, admite!
-Estás enganada! Eu não tinha intenção nenhuma de o beijar! Nós… Estávamos a discutir…!
-Porquê? – Quis saber.
Eu não lhe ia dizer que tinha ganho um ódio violento pelo irmão que acabara de defender.
-Foi uma discussão de amigos!
Susana aprovou a minha desculpa sem contestar, mas depressa conseguiu enterrar-me viva!
-E o teu segredo?
Olhei para o local oposto onde ela estava, tentando esquivar-me àquela resposta. Ela deu uma volta em torno de mim, buscando encontrar a minha reacção:
-Eu perdoo-te…! – Informou, sorrindo levemente.
-O quê? – Fiquei surpreendida com ela. Não parecia ser menina de desistir!
-Eu exagerei, portanto não vou obrigar-te a dizer algo que não queres! – Ela gargalhou com inocência. As marcas das suas olheiras estavam a desaparecer - Vou guardar esta chantagem para outra altura!
Eu sorri, repreensiva:
-Sua parva!
Ela mostrou-me a língua e esboçou um sorriso de orelha a orelha.
-Hei, já desejaste os parabéns ao meu irmão?
-Ah, não…! Ele já deve estar farto de farto de ouvir isso!
-não sejas tola!
Ela deu-me a mão:
-Vens comigo? – Pediu – Eu também ainda não lhe disse nada!
Semicerrei os olhos. Eu não queria ir ter com ele. Tinha prometido a mim mesma não socializar com aquele tipo com o intuito de evitar confrontos e discussões.
-Por favor, Lana! – Ela passou á fase do imploro – Vós sois amigos! Assim dás-me força para falar com ele!
Eu expirei todo o ar dentro de mim e dei-lhe a mão que ela me estendeu.
Saímos daquele local e fomos procura-lo por todos os recantos da escola. Esperancei que ele estivesse sozinho! Não me imaginava a encara-lo em publico, sob o olhar dos nossos colegas.
Felizmente, quando o encontramos, ele estava sozinho. Estava a escrever algo numas folhas pautadas, com um livro á frente, sem ligar ao que se passava por aqueles lados.
Estranhei o facto de ele estar só!
Susana acelerou os seus passos para ir ter com ele, mas eu mantive o meu ritmo, sem pressa alguma de o encarar.
Ela parou em frente a ele, que ao sentir alguém á sua beira levantou o rosto e semicerrou os olhos por causa do sol que os fizeram reluzir:
-Que estás a fazer? – Perguntou ela, nervosa.
Ele fechou os livros:
-Estava a fingir que estudava! – Ele sorriu-lhe carinhosamente.
Eu suspirei. Notava-se tão bem que ele adorava a sua irmã. Era algo quase mágico! Não admira que ela tivesse tanto medo de o perder.
Eu travei os meus passos para eles terem o seu momento.
-Parabéns! – Disse ela, timidamente, e abraçou-o com força.
Ele retribuiu o abraço, e sorriu, feliz com a felicitação dela, e deu-lhe um beijo na face.
Apercebi-me que ela não tinha coragem para falar sobre aquele assunto. Cheguei-me sem pressas para mais perto deles.
Gustavo só se apercebeu da minha presença quando eu o fiz, mas olhou-me sem qualquer ódio ou fúria, como eu estava á espera. Ele estava mais calmo do que era habitual nos últimos tempos.
Susana deu-lhe as mãos e fê-lo levantar-se:
-Preciso de falar contigo…!
Ele vincou o sobrolho:
-O que te aconteceu? – Questionou, ignorando o que ela lhe disse.
Ela baixou o olhar desajeitadamente, para ele não ver as provas do seu choro:
-Quero-te dizer algo!
-O quê?
O coração dela acelerou. Ela estava em pânico, e a coragem era demasiado escassa. Gustavo, porem, estava desconfiado da sua irmã!
Ela voltou-se para mim:
-Não dás os parabéns ao meu irmão?
Eu deixei a cabeça cair para o lado e repreendi-a com o olhar. Estava-me a usar como seu suporte!
Gustavo direccionou a sua visão para mim, admirado e confuso, e eu evitei fixa-lo:
-Claro…! – Aproximei-me dele e estendi a minha mão.
Ele olhou-a sem saber ao certo o que fazer. Elevou também a sua e eu apertei-a:
-parabéns!
Su riu-se, divertida e apontou para nós em tom de troça:
-Estais a fechar um acordo?
-O que queres que eu faça? – Interroguei, desconfortável. Gustavo ficou também incomodado.
-Um beijo, um abraço… Sei lá! Algo mais normal!
Eu abri a boca sem saber o que fazer. Eu podia acabar com aquela farsa e dizer á miúda que queria distância do seu irmão, mas não tinha coragem para o fazer.
Olhei-o de soslaio e voltei-me para ele, olhando para todas as suas partes, excepto os olhos.
Segurei as mãos nos seus ombros e levantei um pouco os pés, para o alcançar melhor.
Encostei os meus lábios à cara dele, cautelosamente. Ele beijou-me também. O seu corpo estava quente e aconchegante, e não senti qualquer problema em estar ao pé dele, muito pelo contrário! Não consegui evitar de depois de lhe dar dois beijos, abraça-lo.
-Parabéns! – Murmurei baixo ao seu ouvido.
Ele respirou profundamente, batendo com o seu hálito arrepiante no meu pescoço, e eu senti melhor do que nunca o seu batimento cardíaco contra o meu corpo. Ele apertou-me a cintura com mais força contra ele, e eu fiquei zonza!
-Obrigado! – Respondeu com uma voz lenta e melodiosa.
Fechei os olhos. A minha respiração ficou estranha, fiquei sem saliva na boca, e o meu interior parecia ter um espaço vazio que se aqueceu quando eu inevitavelmente senti o perfume dele com tanta intensidade. Apeteceu-me ficar ali para sempre… Eu estava tão bem, aquela sensação era tão reconfortante…! Eu podia adormecer no colo dele sem qualquer problema… Os braços dele eram tão bons…!
Senti algo a vibrar no bolso das minhas calças. Isso fez-me abrir os olhos e voltar á realidade. Afastei-me dele, envergonhada e peguei no telemóvel e encostei-o ao ouvido! Esqueci-me completamente do meu grupo de estudo!
-Lana, onde estás? – Perguntou Lili - caíste á sanita?
-Desculpa, eu já vou ter convosco! – Respondi, sem conseguir controlar a minha voz frágil.
Desliguei a chamada antes da resposta dela. Não sei porque o fiz, mas não consegui falar mais!
Olhei para Susana e sorri:
-Tenho de ir!
Ela acenou com a cabeça.
-Coragem, tu consegues!
Ela ia dizer algo mas arrependeu-se e envolveu a garganta com as mãos:
-Eu sei!
Gustavo mirou-a sem saber do que falávamos.
Eu acenei-lhes e sai dali a correr, atrapalhada.
Quando fiquei longe da vista deles abrandei, até parar, confusa. Segurei a minha cabeça com uma mão encostada á testa. Sentia-me sem capacidade de reagir, ou pensar correctamente. As pontas do meu cabelo tinham ficado com o perfume de Gustavo, o que me deixou ainda mais desnorteada. O que é que se passava comigo? Num momento odeio-o e no outro só me sinto bem ao seu lado?
“Sua anormal!” pensei, irritada comigo própria.
Voltei a seguir caminho para ir ter com as minhas parceiras de estudo. Quando me aproximei, não consegui pronunciar nada e sentei-me.
Liliana e Lau olharam-me ao mesmo tempo para que eu dissesse algo! A primeira estava indiferente ao meu estado, a segunda por outro lado riu silenciosamente da minha cara! Eu não achei piada nenhuma!
-Lau, pára! – Exclamei olhando para os meus apontamentos, com uma dorzinha na cabeça.
-“Pára” o quê?! – Quis saber Liliana, sem entender o meu pedido, e olhando a jovem de cabelos loiros em saca-rolhas!
-Nada! – Murmurei, bufando – Então, a matéria está a encaixar nessas mentes?
Elas deram de ombros. Percebi que sabiam o suficiente para não se sentirem aflitas!
Apoiei a minha cabeça nos braços que se seguravam com os cotovelos sobre a mesa.
Deixei o cabelo cair sobre os meus olhos.
-Onde estiveste tanto tempo? – Perguntou Liliana.
Eu fitei-a, desviando algumas mechas da minha face:
-Tive um pequeno encontro com a Susana…! – Respondi.
-Oh, ela está bem? – Interessou-se Lau – Estava tão triste quando a vi!
Eu sorri:
-Acho que está melhor… Eu estive a falar com ela e pareceu-me que se acalmou!
-Ena! Isso é bom, como conseguiste?
-Conversando, simplesmente! – Respondi, e depressa voltei a baixar o olhar, apática.
Senti que ambas ficaram desconfiadas. Liliana alterou a sua postura na cadeira, enquanto Lau arrumou os livros na sacola.
Elas arrastaram as suas cadeiras para mais perto de mim, ficando uma de cada lado.
Apesar de não querer, mirei-as.
Lili mexeu no meu cabelo. Fiquei logo cheia de sono!
-A Su passou-te a tristeza?
-Eu não estou triste! - Corrigi – Só que me sinto estranha…
-Com quê? – Interrogou Lau, apesar de ela saber mais ou menos o que eu sentia.
-Sentimentos estranhos…!
Lili continuou a mexer no meu cabelo! Ela tinha umas mãos abençoadas! Só tive medo de cair para o lado a dormir!
-Queres falar?
Soltei uma lufada de ar! Sim, eu precisava! Há já algum tempo que não falava do que eu sentia com as pessoas que me entenderiam!
-Vocês nunca sentiram… - Procurei a palavra mais adequada - uma antítese de sensações em relação a alguém?
Liliana franziu as sobrancelhas:
-Acho que não!
Lau afagou-me a cara:
-Que sensações são essas?
Fechei os olhos:
-Raiva, ódio, fúria…
-isso não é uma antítese de sensações! – Corrigiu Liliana, sem noção de que me havia interrompido.
Lau, soube que havia mais:
-Continua! – Incentivou.
-Eu sinto rancor e vontade de assassinar determinada pessoa, mas…! – Cerrei os dentes. A segunda lista de sentimentos era mais complicada de dizer – Ao mesmo tempo vou ás nuvens…!
-Ás nuvens? - Lili sorriu - Como assim?
A minha pele ficou em pé, com o calafrio que me percorreu sem dó nem piedade!
-É… tão bom… tão reconfortante e protector… Parece que os problemas se acabam e só existe um mundo para nós…! Dá-me vontade de sorrir, de abraçar…
Escondi os olhos com as mãos:
-porque é que isto acontece? Vocês sabem?
Laura sorriu para Liliana e depois para mim:
-Nunca ouviste dizer “O ódio é o outro lado do amor”?
Levantei a cabeça num impulso. O meu coração ia disparando pela boca!
-Isso é tudo mentira! – Exclamei sentindo a respiração descontrolada.
Levantei-me da cadeira com um ar de estremunhada devido á massagem capilar! Tive de me segurar para não cair com a tontura que tive, mas quase nem tinha forças para o fazer!
-O amor é algo lindo! – Comentou Lili – Os meus filmes preferidos são de amor ódio!
Senti-me ficar coradíssima. As bochechas aqueceram de repente e o meu estômago revirou-se de pernas para o ar!
Escutei o som da campainha de entrada e não pensei duas vezes! Arrumei as coisas na mochila e arrastei-as comigo para a sala de aula! Pelo menos durante as lições, não tinha de ouvir aquelas coisas!
Eu fui á frente delas, embaraçada.
A professora estava a abrir a porta quando lá chegamos. Entrei na sala a seguir a ela e sentei-me no meu lugar.
Estava ansiosa por me ir embora! Sentia-me estranha e não consegui pensar direito sobre a matéria dada.
Na aula seguinte não consegui evitar de me sentir constrangida por Gustavo ficar na mesma carteira que eu.
Reparei que ele estava calmo desde que eu tinha estado com ele e com a sua irmã, o que me fez sorrir de alívio. Tentei manter-me calada durante toda a aula, sem o fitar sequer. No entanto foi ele que deu o primeiro passo para falar comigo, surpreendendo-me.
Faltavam cerca de dez minutos para a aula terminar quando ele, enquanto apagava um rabisco no seu caderno, se dirigiu a mim sem me olhar nos olhos:
-Foste tu, não foste?
Humedeci os lábios tentando concentrar-me no seu estado de espírito intenso.
-Fui eu o quê? – Perguntei, fingindo-me desentendida.
-Falaste com a minha irmã! – Ele levantou a cabeça e pôs-se numa melhor posição.
Eu continuei sem o observar, de modo a evitar que os seus sentimentos me afectassem.
-Ela estava triste… Eu tentei acalma-la!
-Como é que conseguiste? – Apesar da forma séria com que ele me falava eu apercebi-me da alegria que o acompanhava.
-Eu sei falar com as pessoas… Algumas pelo menos…!
-A minha irmã não é muito manipulável!
-Todos tem fraquezas! – Informei, fechando o livro – E ela é racional o suficiente para entender certas coisas!
Ele parecia confuso. Eu não o olhava com receio, mas podia facilmente pressentir a sua reacção.
-A Su é a pessoa mais… - Ele pausou-se em busca da palavra certa, e depois continuou – mais importante que eu tenho na minha família… Eu seria incapaz de fazer algo que ela não suportasse.
Eu sorri:
-Estás a habituá-la mal! Não podes abdicar de viveres a tua vida por ela!
Ele não aceitou a minha opinião:
-Tu não tens irmãos! Não sabes qual é a sensação! Não seria o mesmo viver a minha vida sabendo que estava a fazer as pessoas de quem mais gosto sofrer…
-Pois não, mas no fundo era isso que a tua irmã estava a fazer!
Ele silenciou, e depois suspirou, fechando o seu caderno e guardando as canetas no estojo:
- Eu sei que ela está mais tolerante graças ao que tu lhe disseste…
Ele parou falar de repente. Eu franzi as sobrancelhas ao sentir-me observada, e ainda sem o fitar perguntei-lhe:
-O que se passa?
-Porque é que não olhas para mim enquanto falo contigo?
Eu dei de ombros, incomodada:
-Não há necessidade!
-Isso faz-me confusão! – Disse ele – Pareces que não me estás a ouvir!
-Mas estou! – Garanti.
Ele tocou-me na cara sem eu estar á espera, e fez-me encara-lo. O meu coração disparou com a sensação daquele toque sobre a minha pele.
Ele vincou o sobrolho. Eu tinha vontade de recuar da beira dele, mas não podia. Tentei direccionar os meus olhos para qualquer outra direcção, contudo ele aperceber-se-ia disso, e eu não queria que tal acontecesse:
-Então, o que estavas a dizer sobre a tua irmã? – Perguntei, tentando acelerar a conversa.
Ele desviou a sua mão de perto de mim e descolou os seus lábios para prosseguir o diálogo:
-Eu não vou voltar a montar motos, por agora… - vozeou olhando para os joelhos de raspão – Sei que ela está mais compreensiva em relação á minha vontade, mas eu vou esperar um pouco para ele se conformar melhor!
Eu esbocei um sorriso grande e sincero, sem conseguir trava-lo:
-É lindo o que fazes por ela! Adora-la mesmo!
Ele corou. Corou mesmo! Eu vi a passagem do seu tom de pele normal para o rosado e tive ainda mais vontade de sorrir.
Desviei a minha atenção dele e dei a conversa como terminada. Porem ele não. Desta vez ficou mais sisudo e aproximou-se de mim:
-Porque é que disseste que me odiavas?
Fechei os olhos arrepiada com o seu tom de voz perto de mim e tentei produzir alguma saliva, sem grande sucesso. Ele, ao ver-me silenciosa prosseguiu:
-Tu não sentes isso por mim! – Murmurou.
-Mas sentes tu! – Respondi fitando-o sem medo.
Ele semicerrou os olhos.
-Não odeio nada!
Soltei uma lufada de ar.
-Acredita, eu já entendi que não me suportas! Eu sei muito bem que me viraste a chávena de café de propósito! Admite, tens repúdio de mim!
Ele riu sem humor:
-Repudio? Porquê?
Baixei a face, amuada. Ele sabia muito bem! Para quê mentir? Desde que eu lhe tinha contado a porcaria da história da minha vida ele nunca mais fora o mesmo comigo! Alem disso, ele não tinha conhecimento, mas eu senti perfeitamente a raiva com que ele me olhava nos últimos tempos!
Os alunos começaram todos a levantar-se para saírem da sala, depois de escutarmos o sinal de saída!
-Não brinques comigo! – Pedi – Já bastou aquele arraial todo que preparaste para me dar as boas vindas!
Ele libertou um riso, desentendido:
-Arraial?! – Quis saber, ironicamente.
Eu levantei-me da carteira e pus a bolsa ás costas:
-tenho de ir! O autocarro não espera!
Ele levantou-se, desta vez ficou confuso, e persistente:
-Espera, de que é que estás a falar? – Ele agarrou-me o braço com força.
Torci o nariz chateada com aquela insistência:
-Tenho de ir embora! – Soltei-me rapidamente e dei um passo de recua – Feliz aniversário!
Ele ficou para trás e eu fui apanhar a camioneta para regressar a casa na companhia de alguns colegas de turma.
[Continua!]
Espero que tenham gostavo!
Va, toca a dizer o que mais gostaram, o que menos gostaram, os erros e as criticas!
Quero comentarios!
bjokas

Trouxe já a primeira parte do capitulo! A segunda é um pouco mais aborrecida, mas espero que gostem desta!

Boa leitura!
Capitulo XIII – Famílias
Quarta-feira, o dia fatídico daquela semana.
A primeira aula foi também o teste, o que impediu que qualquer aluno confraternizasse, mas tudo começou mal entrei no edifício de estudo pela manhã.
Tinha estranhado, nos dois dias anteriores, o facto de Susana ter falado tão pouco comigo. Quando a vi foi demasiado rápido, mas entendi que ela estava tristonha, pelo que não sabia o que se passava com aquela menina, até ao momento!
Pelos vistos, não foram apenas os gémeos que cresceram um ano. Havia outro aniversariante naquela semana, mas aquele aniversário não trazia felicidade, pelo contrário!
Foi a primeira vez que encarei Gustavo decentemente desde a última discussão. Apesar de o tempo meteorológico ter melhorado naqueles dias, ele trajada uma roupa escura e deprimente. Não como aquela que um dia vestiu para me ver gargalhar, mas sim uma que revelada o verdadeiro sentimento de dor e perda. Ele estava de luto, assim como o seu olhar azul realçado pelo negro das roupas, que emancipava tudo menos alegria. As pessoas cumprimentaram-no, e eram bastantes, e ele sorria por cortesia. Eu, porem, só tinha visão para a sua infelicidade escondida, e questionava-me se os outros também a viam.
Acho que fui a única que não lhe deu os parabéns mal soube da data.
Eu estava mais preocupada com a irmã dele, e com o teste do dia seguinte, pelo que na hora de almoço optei por estudar um pouco para o teste de Química que me esperava na quinta-feira.
Liliana e Laura fizeram o mesmo que eu, ao invés de Natacha que preferiu estar com Sérgio. Rebeca, por outro lado, continuou solitária e afastada de nós!
Estávamos todas sentadas numas mesas da sala de convívio, tentando concentrarmo-nos apesar das conversas femininas por vezes nos distraírem, quando eu resolvi ir á casa de banho!
Dirigi-me até ao meu destino apressada e entrei na casa de banho, aflita.
Apenas uma estava ocupada, e tudo estava silencioso, aparentemente.
Quando tranquei a porta, ouvi uns gemidos sofridos, e inquietei-me.
Eles foram aumentando, juntamente com fungadelas e sons desconfortáveis de lágrimas a cair e respiração presa.
Voltei a sair da pequena cabine e bati á porta. Ninguém respondeu e ouvi um silêncio forçado.
-Está tudo bem? – Perguntei, esperando resposta.
-Lana?
Reconheci a voz doce e infantil:
-Su? És tu? O que se passa?
Escutei novamente as fungadelas e o choro infeliz:
-Bem cá para fora! Podes falar comigo!
Escutei o trinco da porta mover-se, e lentamente ela abriu-se.
Deparei-me com Susana lavada em lágrimas como eu temia. Ela tinha os punhos cerrados com força e o olhar no chão, escondido pelos longos cabelos. O seu corpo tremia e a face parecia estar demasiado corada devido á força que ela exercia para conter a água salgada que lhe jorrava pelos olhos.
Senti-me desajeitada ao vê-la assim pois não sabia o que dizer para entender melhor o que se passava. Puxei-a pelo braço até mim, e aninhei-me para a encarar directamente nos olhos:
-O que aconteceu…? – Perguntei com o timbre mais reconfortante que consegui produzir.
Ela não respondeu. Libertou, simplesmente, o seu choro, ao mesmo tempo que envolvia o meu pescoço nos seus braços trémulos. Eu aconcheguei-a contra mim, e afaguei-lhe o cabelo macio, enquanto senti a minha pele humidificar com água quente.
-é hoje…! – Ela respondeu-me, num soluço lacrimoso.
-é hoje o quê? – Indaguei baralhada - Estou preocupada contigo Su, deixa-me ajudar-te!
Segurei-lhe os ombros com leveza e separei-a do meu corpo para encara-la. Passei os meus dedos pela sua face quente e limpei as gotas de água que insistiam em cair-lhe dos olhos:
-O que se passa?
Ela negou com a cabeça e olhou para o lado, evitando-me:
-Podes falar comigo, Su… Eu sou tua amiga...!
Franzi a sobrancelha. Eu não sabia se ela me considerava realmente uma amiga sua para me confiar o seu dilema.
-É o meu irmão…
O meu coração apertou-se:
-Que irmão?
-O Gustavo… - disse num murmúrio, libertando ainda mais lágrimas.
-Vocês chatearam-se? Ele tratou-te mal?
Ela negou com a cabeça e fungou:
-Ele tem 18 anos!
Fiquei sem reacção alguma. Aquela afirmação em nada me esclareceu, e por isso não soube dizer nada. A pequena rapariga esperou que eu dissesse algo, porem eu não sabia o que ela queria ouvir:
-O que é que isso tem? – Questionei, esforçando-me para que ela não levasse a mal a minha interrogação.
Ela riu entre soluços da minha ignorância:
-Ele já é maior de idade!
Fiz um esgar, e ponderei o principal problema que isso poderia causar na vida dela:
-Tens medo que ele saia de casa e se afaste de ti? – Palpitei.
Ela sorriu novamente e limpou a face:
-Não…!
-Então? – Mordi o lábio - Desculpa Su, mas eu não estou a conseguir entender-te…!
-Eu sei, tu não entendes…
Ela afastou-se de mim até ao espelho dos lavabos. Levantei-me e segui-a:
-Se tu me explicares tudo eu juro que te compreendo!
Ela olhou-me no reflexo do espelho e franziu as sobrancelhas:
-Sabes qual é a coisa que o meu irmão mais ama neste mundo?
Neguei a questão. Ela prosseguiu:
-Andar de moto!
Abri a boca, começando a entender melhor a situação. Lembrei-me que aquele dia não só era o aniversário de Gustavo como também era o aniversário do falecimento do pai dele, daí o luto!
Cheguei-me a Susana e puxei-lhe os cabelos para trás das orelhas, ajudando-a a lavar o rosto de maneira a abrandar as suas emoções. Mal sabia ela que eu conseguia entender melhor do que ninguém o que ela estava a sentir:
-Não gostas de motos? – perguntei com esforço, para não a magoar.
Ela levantou a cabeça, chocada, e fitou-me:
-São a coisa que mais odeio neste mundo!
Aquela frase incomodou-me. Peguei em toalhetes de papel e ajudei-a a limpar os rastos de água salgada que adornavam a sua cara:
-vamos conversar melhor noutro sítio? – Sugeri – Daqui a pouco vêm mais raparigas aqui…!
Ela aceitou a proposta, mas hesitou ligeiramente:
-As pessoas vão ver que eu tive a chorar!
-Deixa lá! Se apanhares ar fresco isso passa-te!
Passei o meu braço em volta das suas costas e levei-a comigo para o exterior. O dia estava limpo, portanto resolvi sentar-me com ela no peitoril duma janela virada para o Sol.
-Tens medo que o teu irmão se magoe… - Deduzi, para dar continuação á nossa conversa.
Ela assentiu. Respirei fundo.
-Qual era a pior coisa que lhe achas que lhe podia acontecer? – Quis eu saber, calmamente.
Ela franziu o sobrolho e enrijeceu o seu corpo:
-Morrer…!
-Achas que por isso ter acontecido ao teu pai, vai acontecer também com ele?
Ela olhou-me perplexa:
-Como é que sabes que o meu pai…?
Ela não terminou. Encolhi os ombros:
-Sei algumas coisas!
Susana tornou a ficar triste e olhou o horizonte, encostando a cabeça á parede:
-O Gustavo é exactamente igual ao meu pai… - comentou - Tu não tens noção…! Se perdesse o meu irmão… Era como se não restasse nada mais do meu pai!
O meu estômago vibrou, arrepiado com aquela declaração.
-Eu vejo o meu pai no Gustavo…!
-Mas o Gustavo não é o teu pai! – Corrigi – Talvez o teu problema seja esse…
-Porquê?! – Questionou indignada.
-Os erros do teu pai não tem de ser seguidos pelo teu irmão! Ele pode ser melhor condutor ou mais cauteloso!
Ela cruzou os braços:
-As motos é que os destroem! A minha mãe teve razão quando as vendeu todas!
-Não digas essas coisas! – Pedi – O Gustavo tem o direito de ser feliz!
-E vai ser! – Murmurou com os dentes cerrados de raiva – A moto dele foi guardada por um senhor que mora aqui perto! O combinado foi que aos dezoito anos ele recuperaria a liberdade de andar naquelas coisas!
Susana libertou uma lágrima grosa, carregada de fúria.
Eu olhei para o céu e reflecti sobre o assunto. Eu escutei ambas as versões daquela história, e eu sabia que Gustavo tinha feito a promessa de não fazer o desporto que tanto amava. O que eu não sabia é que esse acordo terminava com o seu décimo oitavo aniversário!
Eu não podia dizer àquela menina que estava do lado do seu irmão sem a magoar, mas a verdade é que eu apoiava-o. Foram dois anos a abdicar de uma paixão pela família, mas era chegada a altura de obter um pingo de felicidade. Ele podia ser traidor, ressentido, orgulhoso, mentiroso e tudo o resto, mas eu confiava nele para montar aqueles veículos.
-Su… - Chamei. Ela olhou-me com expectativa - Qual é a coisa que mais gostas de fazer nos teus tempos livres? Aquilo que te relaxa e te faz esquecer os problemas?
Ele juntou as mãos em cima dos joelhos e corou ligeiramente:
-Eu gosto de cantar!
Eu sorri. Depois observei-a. Ela esperava uma resposta para entender a minha mudança de tema. Enrolei uma madeixa de cabelo no dedo indicador:
-E se de repente perdesses a voz?
Ela elevou a mão á garganta, sobressaltada:
-Credo, espero que isso nunca me aconteça!
-Mas como achas que te ias sentir se perdesses a voz e não pudesses cantar?
Ela engoliu a seco, massajando o pescoço. Notei que tinha ficado assustada com a ideia de perder o seu timbre vocal, e essa ideia estava a remexer com ela por dentro, como eu pretendia:
-Eu não aguentava! – Ela murmurou com o olhar dirigido para lado nenhum em concreto – Acho que ia ser a pessoa mais infeliz do mundo!
-E os teus amigos e família? Não ficavas melhor por saber que os tinhas ao teu lado?
Ela deu de ombros:
-Sim, eu ficava melhor mas acho que ia viver com um desgosto dentro de mim para sempre…! Seria horrível!
Eu sorri e levantei-lhe o queixo com a minha mão para ela me encarar:
-Como achas que o teu irmão se sente?
Ela abriu a boca chocada com a pergunta. O seu coração acelerou:
-É diferente! – Garantiu, atrapalhada.
Eu abanei a cabeça reprovando aquela ideia:
-É exactamente o mesmo, Susana! Tu adoras cantar e ele adorava andar de mota! Da mesma forma que tu ficavas destroçada se te roubassem a voz e o dom de cantar, ele ficou despedaçado por lhe retirarem a liberdade de correr de moto!
A pequena jovem ficou sem reacção. Senti a emoção de culpa que lhe atravessou o peito, o que me agradou. Calculei que tinha transmitido bem a minha mensagem!
Franziu as sobrancelhas, estática, e depois encarou-me:
-Ele ficou assim tão mal, Lana?
-Eu acho que sim…! – confirmei - E acho muito injusto que apenas ele tenha de ter deixado os sonhos de lado!
Ela silenciou e reflectiu.
-ele sofreu o dobro de ti, na minha opinião… - prossegui. Ela olhou-me comovida - Para alem de ter perdido o pai, que ele amava acima de todas as coisas, também deixou de fazer aquilo que mais gostava, simplesmente porque te adora a ti e á tua família! Eu acho que…
Ela não me deixou terminar a frase e abanou a cabeça repreensiva:
-Eu sou tão má! – Acusou-se, saltando para o chão.
Eu sorri levemente:
-Não és nada! – Contrapus – Só não entendias!
Ela libertou uma lufada de ar e baixou as suas sobrancelhas:
-Sou tão egoísta!
-Não te julgues agora! – Pedi.
Ela mordeu o lábio e uma onda de preocupação intensificou-se no seu olhar:
-E se lhe acontece alguma coisa?
Pus-me também eu a pé:
-não confias no Gustavo? – Ela fez um ar pensativo e eu dei a minha opinião – Eu acho que ele consegue manter-se bem!
-Mas tu nunca o viste correr… Não sabes se ele é assim tão bom!
-Quando se gosta daquilo que se faz, somos sempre bons!
Ela desenhou um grande sorriso e abraçou-me com força sem eu estar á espera. A sua alma ficou mais leve e esperançosa.
Susana aconchegou a sua cabeça no meu peito:
-Tenho tanta pena, Lana!
-De quê? – Questionei admirada.
-De eu não ter visto o que pensei que vi!
Franzi as sobrancelhas, sem perceber ao que ele se referia:
-Sabes, tu serias a namorada perfeita para o Gustavo…!
O meu corpo tremeu e esquentou todo de uma vez. Afastei-me de Susana, envergonhada, sem saber o que fazer de seguida:
-Não te iludas! – Aconselhei, com todo o meu ser arrepiado.
-Eu sei… Às vezes exagero! – Reconheceu colocando as mãos atrás das costas – Eu não vos vi mesmo a beijarem-se…! – Admitiu.
Fiquei aliviada, e ao mesmo tempo espantada:
-Então porque é que querias dizer aquilo a toda a gente?
-Porque vocês estavam tão perto! Faltavam cerca de dois centímetros para estarem colados! Se não se tinham beijado, iam-se beijar! – Exclamou – Diz-me a verdade, admite!
-Estás enganada! Eu não tinha intenção nenhuma de o beijar! Nós… Estávamos a discutir…!
-Porquê? – Quis saber.
Eu não lhe ia dizer que tinha ganho um ódio violento pelo irmão que acabara de defender.
-Foi uma discussão de amigos!
Susana aprovou a minha desculpa sem contestar, mas depressa conseguiu enterrar-me viva!
-E o teu segredo?
Olhei para o local oposto onde ela estava, tentando esquivar-me àquela resposta. Ela deu uma volta em torno de mim, buscando encontrar a minha reacção:
-Eu perdoo-te…! – Informou, sorrindo levemente.
-O quê? – Fiquei surpreendida com ela. Não parecia ser menina de desistir!
-Eu exagerei, portanto não vou obrigar-te a dizer algo que não queres! – Ela gargalhou com inocência. As marcas das suas olheiras estavam a desaparecer - Vou guardar esta chantagem para outra altura!
Eu sorri, repreensiva:
-Sua parva!
Ela mostrou-me a língua e esboçou um sorriso de orelha a orelha.
-Hei, já desejaste os parabéns ao meu irmão?
-Ah, não…! Ele já deve estar farto de farto de ouvir isso!
-não sejas tola!
Ela deu-me a mão:
-Vens comigo? – Pediu – Eu também ainda não lhe disse nada!
Semicerrei os olhos. Eu não queria ir ter com ele. Tinha prometido a mim mesma não socializar com aquele tipo com o intuito de evitar confrontos e discussões.
-Por favor, Lana! – Ela passou á fase do imploro – Vós sois amigos! Assim dás-me força para falar com ele!
Eu expirei todo o ar dentro de mim e dei-lhe a mão que ela me estendeu.
Saímos daquele local e fomos procura-lo por todos os recantos da escola. Esperancei que ele estivesse sozinho! Não me imaginava a encara-lo em publico, sob o olhar dos nossos colegas.
Felizmente, quando o encontramos, ele estava sozinho. Estava a escrever algo numas folhas pautadas, com um livro á frente, sem ligar ao que se passava por aqueles lados.
Estranhei o facto de ele estar só!
Susana acelerou os seus passos para ir ter com ele, mas eu mantive o meu ritmo, sem pressa alguma de o encarar.
Ela parou em frente a ele, que ao sentir alguém á sua beira levantou o rosto e semicerrou os olhos por causa do sol que os fizeram reluzir:
-Que estás a fazer? – Perguntou ela, nervosa.
Ele fechou os livros:
-Estava a fingir que estudava! – Ele sorriu-lhe carinhosamente.
Eu suspirei. Notava-se tão bem que ele adorava a sua irmã. Era algo quase mágico! Não admira que ela tivesse tanto medo de o perder.
Eu travei os meus passos para eles terem o seu momento.
-Parabéns! – Disse ela, timidamente, e abraçou-o com força.
Ele retribuiu o abraço, e sorriu, feliz com a felicitação dela, e deu-lhe um beijo na face.
Apercebi-me que ela não tinha coragem para falar sobre aquele assunto. Cheguei-me sem pressas para mais perto deles.
Gustavo só se apercebeu da minha presença quando eu o fiz, mas olhou-me sem qualquer ódio ou fúria, como eu estava á espera. Ele estava mais calmo do que era habitual nos últimos tempos.
Susana deu-lhe as mãos e fê-lo levantar-se:
-Preciso de falar contigo…!
Ele vincou o sobrolho:
-O que te aconteceu? – Questionou, ignorando o que ela lhe disse.
Ela baixou o olhar desajeitadamente, para ele não ver as provas do seu choro:
-Quero-te dizer algo!
-O quê?
O coração dela acelerou. Ela estava em pânico, e a coragem era demasiado escassa. Gustavo, porem, estava desconfiado da sua irmã!
Ela voltou-se para mim:
-Não dás os parabéns ao meu irmão?
Eu deixei a cabeça cair para o lado e repreendi-a com o olhar. Estava-me a usar como seu suporte!
Gustavo direccionou a sua visão para mim, admirado e confuso, e eu evitei fixa-lo:
-Claro…! – Aproximei-me dele e estendi a minha mão.
Ele olhou-a sem saber ao certo o que fazer. Elevou também a sua e eu apertei-a:
-parabéns!
Su riu-se, divertida e apontou para nós em tom de troça:
-Estais a fechar um acordo?
-O que queres que eu faça? – Interroguei, desconfortável. Gustavo ficou também incomodado.
-Um beijo, um abraço… Sei lá! Algo mais normal!
Eu abri a boca sem saber o que fazer. Eu podia acabar com aquela farsa e dizer á miúda que queria distância do seu irmão, mas não tinha coragem para o fazer.
Olhei-o de soslaio e voltei-me para ele, olhando para todas as suas partes, excepto os olhos.
Segurei as mãos nos seus ombros e levantei um pouco os pés, para o alcançar melhor.
Encostei os meus lábios à cara dele, cautelosamente. Ele beijou-me também. O seu corpo estava quente e aconchegante, e não senti qualquer problema em estar ao pé dele, muito pelo contrário! Não consegui evitar de depois de lhe dar dois beijos, abraça-lo.
-Parabéns! – Murmurei baixo ao seu ouvido.
Ele respirou profundamente, batendo com o seu hálito arrepiante no meu pescoço, e eu senti melhor do que nunca o seu batimento cardíaco contra o meu corpo. Ele apertou-me a cintura com mais força contra ele, e eu fiquei zonza!
-Obrigado! – Respondeu com uma voz lenta e melodiosa.
Fechei os olhos. A minha respiração ficou estranha, fiquei sem saliva na boca, e o meu interior parecia ter um espaço vazio que se aqueceu quando eu inevitavelmente senti o perfume dele com tanta intensidade. Apeteceu-me ficar ali para sempre… Eu estava tão bem, aquela sensação era tão reconfortante…! Eu podia adormecer no colo dele sem qualquer problema… Os braços dele eram tão bons…!
Senti algo a vibrar no bolso das minhas calças. Isso fez-me abrir os olhos e voltar á realidade. Afastei-me dele, envergonhada e peguei no telemóvel e encostei-o ao ouvido! Esqueci-me completamente do meu grupo de estudo!
-Lana, onde estás? – Perguntou Lili - caíste á sanita?
-Desculpa, eu já vou ter convosco! – Respondi, sem conseguir controlar a minha voz frágil.
Desliguei a chamada antes da resposta dela. Não sei porque o fiz, mas não consegui falar mais!
Olhei para Susana e sorri:
-Tenho de ir!
Ela acenou com a cabeça.
-Coragem, tu consegues!
Ela ia dizer algo mas arrependeu-se e envolveu a garganta com as mãos:
-Eu sei!
Gustavo mirou-a sem saber do que falávamos.
Eu acenei-lhes e sai dali a correr, atrapalhada.
Quando fiquei longe da vista deles abrandei, até parar, confusa. Segurei a minha cabeça com uma mão encostada á testa. Sentia-me sem capacidade de reagir, ou pensar correctamente. As pontas do meu cabelo tinham ficado com o perfume de Gustavo, o que me deixou ainda mais desnorteada. O que é que se passava comigo? Num momento odeio-o e no outro só me sinto bem ao seu lado?
“Sua anormal!” pensei, irritada comigo própria.
Voltei a seguir caminho para ir ter com as minhas parceiras de estudo. Quando me aproximei, não consegui pronunciar nada e sentei-me.
Liliana e Lau olharam-me ao mesmo tempo para que eu dissesse algo! A primeira estava indiferente ao meu estado, a segunda por outro lado riu silenciosamente da minha cara! Eu não achei piada nenhuma!
-Lau, pára! – Exclamei olhando para os meus apontamentos, com uma dorzinha na cabeça.
-“Pára” o quê?! – Quis saber Liliana, sem entender o meu pedido, e olhando a jovem de cabelos loiros em saca-rolhas!
-Nada! – Murmurei, bufando – Então, a matéria está a encaixar nessas mentes?
Elas deram de ombros. Percebi que sabiam o suficiente para não se sentirem aflitas!
Apoiei a minha cabeça nos braços que se seguravam com os cotovelos sobre a mesa.
Deixei o cabelo cair sobre os meus olhos.
-Onde estiveste tanto tempo? – Perguntou Liliana.
Eu fitei-a, desviando algumas mechas da minha face:
-Tive um pequeno encontro com a Susana…! – Respondi.
-Oh, ela está bem? – Interessou-se Lau – Estava tão triste quando a vi!
Eu sorri:
-Acho que está melhor… Eu estive a falar com ela e pareceu-me que se acalmou!
-Ena! Isso é bom, como conseguiste?
-Conversando, simplesmente! – Respondi, e depressa voltei a baixar o olhar, apática.
Senti que ambas ficaram desconfiadas. Liliana alterou a sua postura na cadeira, enquanto Lau arrumou os livros na sacola.
Elas arrastaram as suas cadeiras para mais perto de mim, ficando uma de cada lado.
Apesar de não querer, mirei-as.
Lili mexeu no meu cabelo. Fiquei logo cheia de sono!
-A Su passou-te a tristeza?
-Eu não estou triste! - Corrigi – Só que me sinto estranha…
-Com quê? – Interrogou Lau, apesar de ela saber mais ou menos o que eu sentia.
-Sentimentos estranhos…!
Lili continuou a mexer no meu cabelo! Ela tinha umas mãos abençoadas! Só tive medo de cair para o lado a dormir!
-Queres falar?
Soltei uma lufada de ar! Sim, eu precisava! Há já algum tempo que não falava do que eu sentia com as pessoas que me entenderiam!
-Vocês nunca sentiram… - Procurei a palavra mais adequada - uma antítese de sensações em relação a alguém?
Liliana franziu as sobrancelhas:
-Acho que não!
Lau afagou-me a cara:
-Que sensações são essas?
Fechei os olhos:
-Raiva, ódio, fúria…
-isso não é uma antítese de sensações! – Corrigiu Liliana, sem noção de que me havia interrompido.
Lau, soube que havia mais:
-Continua! – Incentivou.
-Eu sinto rancor e vontade de assassinar determinada pessoa, mas…! – Cerrei os dentes. A segunda lista de sentimentos era mais complicada de dizer – Ao mesmo tempo vou ás nuvens…!
-Ás nuvens? - Lili sorriu - Como assim?
A minha pele ficou em pé, com o calafrio que me percorreu sem dó nem piedade!
-É… tão bom… tão reconfortante e protector… Parece que os problemas se acabam e só existe um mundo para nós…! Dá-me vontade de sorrir, de abraçar…
Escondi os olhos com as mãos:
-porque é que isto acontece? Vocês sabem?
Laura sorriu para Liliana e depois para mim:
-Nunca ouviste dizer “O ódio é o outro lado do amor”?
Levantei a cabeça num impulso. O meu coração ia disparando pela boca!
-Isso é tudo mentira! – Exclamei sentindo a respiração descontrolada.
Levantei-me da cadeira com um ar de estremunhada devido á massagem capilar! Tive de me segurar para não cair com a tontura que tive, mas quase nem tinha forças para o fazer!
-O amor é algo lindo! – Comentou Lili – Os meus filmes preferidos são de amor ódio!
Senti-me ficar coradíssima. As bochechas aqueceram de repente e o meu estômago revirou-se de pernas para o ar!
Escutei o som da campainha de entrada e não pensei duas vezes! Arrumei as coisas na mochila e arrastei-as comigo para a sala de aula! Pelo menos durante as lições, não tinha de ouvir aquelas coisas!
Eu fui á frente delas, embaraçada.
A professora estava a abrir a porta quando lá chegamos. Entrei na sala a seguir a ela e sentei-me no meu lugar.
Estava ansiosa por me ir embora! Sentia-me estranha e não consegui pensar direito sobre a matéria dada.
Na aula seguinte não consegui evitar de me sentir constrangida por Gustavo ficar na mesma carteira que eu.
Reparei que ele estava calmo desde que eu tinha estado com ele e com a sua irmã, o que me fez sorrir de alívio. Tentei manter-me calada durante toda a aula, sem o fitar sequer. No entanto foi ele que deu o primeiro passo para falar comigo, surpreendendo-me.
Faltavam cerca de dez minutos para a aula terminar quando ele, enquanto apagava um rabisco no seu caderno, se dirigiu a mim sem me olhar nos olhos:
-Foste tu, não foste?
Humedeci os lábios tentando concentrar-me no seu estado de espírito intenso.
-Fui eu o quê? – Perguntei, fingindo-me desentendida.
-Falaste com a minha irmã! – Ele levantou a cabeça e pôs-se numa melhor posição.
Eu continuei sem o observar, de modo a evitar que os seus sentimentos me afectassem.
-Ela estava triste… Eu tentei acalma-la!
-Como é que conseguiste? – Apesar da forma séria com que ele me falava eu apercebi-me da alegria que o acompanhava.
-Eu sei falar com as pessoas… Algumas pelo menos…!
-A minha irmã não é muito manipulável!
-Todos tem fraquezas! – Informei, fechando o livro – E ela é racional o suficiente para entender certas coisas!
Ele parecia confuso. Eu não o olhava com receio, mas podia facilmente pressentir a sua reacção.
-A Su é a pessoa mais… - Ele pausou-se em busca da palavra certa, e depois continuou – mais importante que eu tenho na minha família… Eu seria incapaz de fazer algo que ela não suportasse.
Eu sorri:
-Estás a habituá-la mal! Não podes abdicar de viveres a tua vida por ela!
Ele não aceitou a minha opinião:
-Tu não tens irmãos! Não sabes qual é a sensação! Não seria o mesmo viver a minha vida sabendo que estava a fazer as pessoas de quem mais gosto sofrer…
-Pois não, mas no fundo era isso que a tua irmã estava a fazer!
Ele silenciou, e depois suspirou, fechando o seu caderno e guardando as canetas no estojo:
- Eu sei que ela está mais tolerante graças ao que tu lhe disseste…
Ele parou falar de repente. Eu franzi as sobrancelhas ao sentir-me observada, e ainda sem o fitar perguntei-lhe:
-O que se passa?
-Porque é que não olhas para mim enquanto falo contigo?
Eu dei de ombros, incomodada:
-Não há necessidade!
-Isso faz-me confusão! – Disse ele – Pareces que não me estás a ouvir!
-Mas estou! – Garanti.
Ele tocou-me na cara sem eu estar á espera, e fez-me encara-lo. O meu coração disparou com a sensação daquele toque sobre a minha pele.
Ele vincou o sobrolho. Eu tinha vontade de recuar da beira dele, mas não podia. Tentei direccionar os meus olhos para qualquer outra direcção, contudo ele aperceber-se-ia disso, e eu não queria que tal acontecesse:
-Então, o que estavas a dizer sobre a tua irmã? – Perguntei, tentando acelerar a conversa.
Ele desviou a sua mão de perto de mim e descolou os seus lábios para prosseguir o diálogo:
-Eu não vou voltar a montar motos, por agora… - vozeou olhando para os joelhos de raspão – Sei que ela está mais compreensiva em relação á minha vontade, mas eu vou esperar um pouco para ele se conformar melhor!
Eu esbocei um sorriso grande e sincero, sem conseguir trava-lo:
-É lindo o que fazes por ela! Adora-la mesmo!
Ele corou. Corou mesmo! Eu vi a passagem do seu tom de pele normal para o rosado e tive ainda mais vontade de sorrir.
Desviei a minha atenção dele e dei a conversa como terminada. Porem ele não. Desta vez ficou mais sisudo e aproximou-se de mim:
-Porque é que disseste que me odiavas?
Fechei os olhos arrepiada com o seu tom de voz perto de mim e tentei produzir alguma saliva, sem grande sucesso. Ele, ao ver-me silenciosa prosseguiu:
-Tu não sentes isso por mim! – Murmurou.
-Mas sentes tu! – Respondi fitando-o sem medo.
Ele semicerrou os olhos.
-Não odeio nada!
Soltei uma lufada de ar.
-Acredita, eu já entendi que não me suportas! Eu sei muito bem que me viraste a chávena de café de propósito! Admite, tens repúdio de mim!
Ele riu sem humor:
-Repudio? Porquê?
Baixei a face, amuada. Ele sabia muito bem! Para quê mentir? Desde que eu lhe tinha contado a porcaria da história da minha vida ele nunca mais fora o mesmo comigo! Alem disso, ele não tinha conhecimento, mas eu senti perfeitamente a raiva com que ele me olhava nos últimos tempos!
Os alunos começaram todos a levantar-se para saírem da sala, depois de escutarmos o sinal de saída!
-Não brinques comigo! – Pedi – Já bastou aquele arraial todo que preparaste para me dar as boas vindas!
Ele libertou um riso, desentendido:
-Arraial?! – Quis saber, ironicamente.
Eu levantei-me da carteira e pus a bolsa ás costas:
-tenho de ir! O autocarro não espera!
Ele levantou-se, desta vez ficou confuso, e persistente:
-Espera, de que é que estás a falar? – Ele agarrou-me o braço com força.
Torci o nariz chateada com aquela insistência:
-Tenho de ir embora! – Soltei-me rapidamente e dei um passo de recua – Feliz aniversário!
Ele ficou para trás e eu fui apanhar a camioneta para regressar a casa na companhia de alguns colegas de turma.
[Continua!]
Espero que tenham gostavo!
Va, toca a dizer o que mais gostaram, o que menos gostaram, os erros e as criticas!
Quero comentarios!bjokas
as minhas fic's:
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
-Angelical
Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
-Angelical
Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^
okok... é desta que te mato. Mas o que é isto? Ela vai-se embora sem lhe contar? Opah, isto é sem duvida um mal entendido e tem k ser esclarecido....
*acho k vou fazer birra*
*na, não faças se não ela no proximo capítulo ela volta a fazer isso*
*okok...*
Ainda bem que a Laninha está a seguir a direcção certa. Mais um passo e ela finalmente admte o seu amor pelo Gustavo. Os dois são tão kawais juntos
Adorei este capítulo. Os medos da Susana em relação ao irmão, as descrições de sentimentos, as sensações da Lana e a conversa desta com o Gustavo. Foi dos capítulos mais "tocantes" da fanfic
Espero por mais
*acho k vou fazer birra*
*na, não faças se não ela no proximo capítulo ela volta a fazer isso*
*okok...*
Ainda bem que a Laninha está a seguir a direcção certa. Mais um passo e ela finalmente admte o seu amor pelo Gustavo. Os dois são tão kawais juntos

Adorei este capítulo. Os medos da Susana em relação ao irmão, as descrições de sentimentos, as sensações da Lana e a conversa desta com o Gustavo. Foi dos capítulos mais "tocantes" da fanfic
Espero por mais

Espero por ti em cada segundo , porque tu és o meu mundo!

Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
Visitem a minha 1ª Fic ----->The Four elements

Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
Visitem a minha 1ª Fic ----->The Four elements
Awh! coments!
Pronto, ta bem, só tenho dois comentarios, mas vá, sao agradaveis, ne?!

Ana, fico feliz por teres achado este capitulo "tocante"! No entanto a segunda parte é um pouco mais aborrecida, mas enfim! v.v
Nao tarda nada e a lana e o Gustavo podem fazer as pazes, mas quem sabe o que vai acontecer, ne?

Gatinha, obrigada pelo teu apoio, gosto de ver que tens interesse nesta fic!

Nao se preocupem que a proxima parte vem brevemente!
bjokas, e obrigada!

as minhas fic's:
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
-Angelical
Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
-Angelical
Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^
Oh Lulumoon és tão mázinha *not*
Convenceste a odiar o Gustavo de morte e agora eles estão quase juntos outra vez. Eu quero o Ricardo bah!
Nah, eu adorei este capítulo. A Su mostra-se mesmo uma menina fofinha. E a Lana uma pessoa de coração sempre aberto.
Oxalá o Gusta caia *tenho de me deixar disso*
Ah, e desculpa de não ter vindo comentar mais cedo. Mas eu tou tão feliz que tenhas postado no meu B-day!!
Convenceste a odiar o Gustavo de morte e agora eles estão quase juntos outra vez. Eu quero o Ricardo bah!
Nah, eu adorei este capítulo. A Su mostra-se mesmo uma menina fofinha. E a Lana uma pessoa de coração sempre aberto.
Oxalá o Gusta caia *tenho de me deixar disso*
Ah, e desculpa de não ter vindo comentar mais cedo. Mas eu tou tão feliz que tenhas postado no meu B-day!!
| Spoiler: | |
![]() |
http://sm-portugal.coolbb.net/fanfics-gerais-f23/fairy-tales-o-incio-t4901.htm
[email protected] -->Meu MSN, adicionem à vontade!
Olá!
Karen, obrigada por gostares, acho que cada vez tenho menos leitores, é triste, mas é uma realidade!
NAo te preocupes que eu ainda hei-de por aki um ricardo, lol, quando me der na telha!
Agora a continuaçao do capitulo... é um pouco mais desinteressante, mas prontos! espero que gostem!
Capitulo XIII - Parte 2
Ele ficou para trás e eu fui apanhar a camioneta para regressar a casa na companhia de alguns colegas de turma.
Entrei e sentei-me num lugar bago, perto da janela, para poder desfrutar da viagem enquanto ouvia música e evitava os ruídos das conversas histéricas que preenchiam o autocarro.
Ia pensando o porquê de Gustavo não admitir aqueles sentimentos furiosos por mim. Eu já havia percebido o que ele tinha feito, e mesmo que ainda doesse um pouco, eu estava a aprender a viver com aquilo. Eu só gostava que ele fosse honesto comigo e com ele mesmo! De nada adiantavam as atitudes dele! Das duas uma: Ou esquecia o que se tinha passado comigo e era meu amigo, ou de uma vez por todas deixava de me falar! Eu continuaria a ajuda-lo com a Su ou qualquer outra coisa se necessário, mas quem tinha de tomar uma decisão era ele, não eu!
Olhei para a mata que envolvia o percurso, tentando não pensar mais nisso.
As arvores passavam por mim com pressa, assim como as nuvens e o céu. Foi então que dirigi a minha atenção para a frente da estrada.
-Lana! – Escutei atrás de mim.
Apercebi-me que alguém se aproximou de mim, e inquietei-me quando vi Joana:
-O que foi? – Questionei, melhorando a minha posição no banco.
Ela franziu as sobrancelhas numa tentativa frustrada de me amedrontar
Cerrei os punhos, furiosa, e pus-me de frente para ela:
-Desculpa, o que é que tu queres de mim?!
Ela olhou para o céu, também irritada!
-Quero que me esclareças!
Senti-me a desesperar:
-Os vampiros não existem! – Menti, frustrada, tendo em atenção que ninguém nos ouvia.
-Existem! – Contrapôs, revoltada – ouve…!
Ela calou-se confusa:
-Eu não te vou fazer mal, ok?! Eu apenas preciso de saber o que tu sabes!
-Eu não sei nada!
-Sabes pois! – Balbuciou – Eu vejo em ti que tu sabes!
-Vês em mim?! – Perguntei sarcasticamente – E nas outras pessoas não vês?! Isso é implicância tua, sabes? Só porque me visto desta maneira anormal para ti, julgas que eu estou ligada a vampiros! Mas afinal o que queres tu?! Caçar vampiros, é?!
Ela suspirou de modo a controlar o seu sistema nervoso:
-Os pais do Rui foram assassinados por uma vampira!
O meu coração parou. Uma vampira?! Oh meu deus! Teria sido Rebeca?!
-Nós só queremos proteger as pessoas, especialmente a nossa familia! – Concluiu ela.
Fiquei ansiosa com aquela informação! Aquilo seria verdade?
-Vocês tem a certeza que foi uma vampira? – Indaguei, com o corpo trémulo.
-Ele viu! Nós não somos loucos, está bem? Tu é que pareces suficientemente doida para protegeres uma “coisa” daquelas!
Olhei para o chão. O que é que eu podia fazer? Eu não iria acusar Rebeca sem ter a certeza que tinha sido ela a matar os pais de Rui, mas se ela fosse essa assassina eu não podia simplesmente ignorar! No dia seguinte falaria com ela para esclarecer tudo, mas por enquanto iria manter o meu silêncio!
-Eu lamento – vozeei – Mas não vos posso ajudar!
Joana baixou o rosto. Apercebi-me que ela estava no mínimo desapontada com a minha resposta, por isso vi-me na obrigação de compensar aquela desilusão:
-Eu prometo que… Se um dia souber algo que te possa ajudar, eu digo-te!
Ela fez um esgar. Não acreditou minimamente no que eu disse!
-Vai-te embora! – Pedi, incomodada – Quero estar sozinha!
Ela encolheu os ombros e fez um ar antipático:
-Podes ter a certeza, Lana, que não vou desistir de descobrir o que sabes!
Revirei os olhos saturada com a conversa dela:
-Se já terminaste deixa-me em paz! A não ser que tenhas medo de regressar a casa sozinha!
Ela virou-me costas e seguiu para a zona traseira do autocarro.
-Boa sorte e mantêm-te viva!
-Adeus! – Respondi com frieza.
Vi-a a afastar-se com passos rápidos. Era preciso muita persistência para me seguir! Rezei para que não acontecesse o pior! Não podia acreditar que Rebeca fosse aquele coração frio que assassinou parte daquela família! Eu tinha de provar a sua inocência!
Quando cheguei a casa, Helen já lá estava. Entretinha-se a preencher umas fichas de avaliação dos alunos e a fazer anotações sobre cada um deles para a reunião de entrega de notas que decorreria na próxima semana. Eu sentei-me no sofá, logo depois de ter vestido o meu pijama e o meu robe, e tentei concentrar-me na matéria daquele ultimo teste, acabando por adormecer aborrecida.
Quando acordei, no dia seguinte, sentia-me toda dorida. Acho que tinha dado um mau jeito ao meu pescoço, e doíam-me as costas. Espreguicei-me lentamente e bocejei, antes de me por a pé.
Helen abriu a porta do quarto, já pronta para ir para a escola:
-Bom dia anjo! Acordaste cedo, dormiste bem?
-Bem mal! – Respondi, massajando o pescoço – E não me chames “anjo”! É totalmente desnecessário!
-Há que chamar as coisas pelos nomes! – Contrapôs, colocando um par de brincos nas orelhas.
-Enfim, acabaste o teu trabalho? – Questionei, interessada.
-Sim, para a semana terminam as aulas, e depois tenho reunião com os encarregados de educação! Felizmente já arrumei aquela papelada!
-Oh, estou ansiosa que as aulas terminem! Mal posso esperar pela próxima semana!
-As tuas notas estão boas?
-Não sei, mas os testes têm-me corrido bem! – Declarei, bocejando. Enrolei-me na manta que me cobriu durante a noite no sofá e aconcheguei-me nas almofadas, ensonada – nem acredito que acordei tão cedo!
-Aproveita a manha para estudar! Entretanto eu tenho de ir para as aulas!
-Tem um bom dia! – Exclamei.
Helen veio á minha beira e deu-me um beijo de despedida na testa:
-Fica bem, anjinha!
Eu sorri mas fiz também um olhar repreendedor por ela me ter chamado aquele nome.
Helen saiu de casa e eu fechei os olhos na esperança de adormecer. Infelizmente comecei a pensar na conversa que eu e Joana havíamos tido. Tinha de esclarecer-me com Rebeca, urgentemente!
Eu gostava dela, talvez o maior problema fosse esse! Como podia pensar nela como uma assassina? Como a razão da minha morte? Ela parecia ser incapaz de me magoar, mesmo depois de quase me ter atacado! Ela não tinha culpa da sua natureza! Eu também não tinha! No entanto, Liliana deixara de falar com ela, e eu notei que ela também tinha conseguido afugentar alguns dos nossos colegas da vampira, deixando-a ainda mais solitária e aparentemente tímida do que quando eu a conheci!
Revirei-me no sofá e esfreguei os olhos. Não conseguia descansar a minha mente!
Pus-me a pé e quando ia para dar banho, hesitei, pois tive uma ideia melhor!
Busquei no fundo do meu armário uma t-shirt comprida ou um vestido, e quando encontrei algo confortável vesti! Calcei umas chinelas de verão, e ignorando as consequências, corri assim mesmo, com roupa demasiado fresca para a estação, em direcção á minha cachoeira. Quando lá cheguei, descalcei-me, e molhei os pés. A água estava gelada, mas eu não me importei! Molhei as minhas pernas lentamente e quando dei por mim, fiquei submersa de água!
Dei umas braçadas para aquecer, e quando me senti totalmente á vontade deixei-me a flutuar com o tecido macio do meu traje, respirando profundamente o cheiro da natureza.
Aquele local deixava tão calma e serena. Era como se eu me encontrasse no paraíso! Os problemas desapareciam, e a mente ficava em branco. Queria ficar ali para sempre, apesar de não poder.
Deixei-me estar durante cerca de meia hora.
Quando sai da água parecia uma uva passa, com os dedos todos enrugados, e voltei para casa, para aquecer o corpo com água quente, de modo a evitar uma constipação.
Depois vesti-me e maquilhei-me como habitualmente. Só sosseguei na cozinha, a petiscar enquanto estudava.
Quando fui para a escola, senti-me estranhamente rejuvenescida. Parecia que aquelas emoções e sentimentos estavam a perder a intensidade, o que era óptimo, mas eu sentia que aquela minha calma invulgar se devia ao mergulho matinal na cachoeira! Tinha de repetir a dose!
Fui ter com Liliana, mal a vi, com as outras:
-Bom dia! – Respondi sorridente, e depois suspirei profundamente.
-Ena, que animada! Correu-te bem a noite? – Perguntou Natacha, ironicamente.
Encolhi os ombros:
-Tive uma manhã calma!
-Que sorte, eu estou farta de estudar para este teste! – Comentou Liliana, aborrecida - Que horror, nunca mais chegam as ferias da pascoa!
-Concordo, estou farta de me levantar cedo! – Disse Verónica, com a cabeça encostada ao ombro de Lau.
-Mais uma semaninha e vemo-nos livres disto! – Afirmei, esperançosa.
Fomos seguindo para a sala de aula, entre desabafos e conversas sem interesse. Quando vi Rebeca fiquei nervosa, e fitei Liliana. Apercebi-me que ela estava distraída, e antes que ela me pudesse impedir corri até á jovem vampira.
Esta ficou surpresa pela minha aproximação:
-Olá Rebeca! – Exclamei, atrapalhada.
-Olá! – Respondeu duvidosa. Ela olhou por cima dos meus ombros e eu virei-me para saber o que ela observava.
Liliana estava fula a olhar para mim, mas eu sorri desafiante! Ela não viria ter connosco!
-Passa-se alguma coisa? – Indagou Rebeca com sarcasmo – Olha que ali a tua guardiã ainda se chateia!
-Não brinques! – Respondi sem medo – Preciso de falar contigo!
Ela riu-se:
-tu realmente adoras-me! Quase te matei na sexta-feira passada e tu continuas a vir ter comigo!
Eu ri-me, fingindo ter achado piada ao comentário:
-Não tenho medo! – Assegurei – Por enquanto!
-Então, o que me queres dizer?
-Quero fazer-te uma questão!
-Força! – Incentivou, cruzando os braços.
-Bem, a Joana, ontem veio ter comigo…
-A Buffi?
Eu ri-me do apelido e assenti:
-Ela contou-me porque quer descobrir vampiros!
-Porque?
Mordi o lábio e fiz figas! Todos os vampiros menos ela, por favor!
-Os pais do primo dela, o Rui, foram assassinados por uma vampira!
Ela franziu as sobrancelhas e inquietou-se.
-Foste tu? – Interroguei.
-Não! – Respondeu ofendida!
-De certeza?
-Claro que não! Todas as pessoas que eu… - ela baixou o volume – que eu ataquei, mantiveram-se vivas!
-De certeza?
-Absoluta! Quando é que foram essas mortes?
-não sei, mas pareceu-me ter sido á bastante tempo, visto que a Joana e o Rui moram juntos e parecem muito ligados!
-E tu tens noção de quantos anos de vampira eu tenho?
Estranhei a pergunta e respondi acenando com a cabeça de modo negativo:
-Dois anos! – Esclareceu – Eu quase nem tive tempo para provar sangue humano! Alem disso deves ter noção que quanta gente me convida para entrar em algum sítio!
-Pensei que isso fosse um estereótipo!
-Ás vezes os humanos acertam! Têm de ir buscar as histórias a algum lado não achas?
-Tu entras na escola!
-Fui convidada!
-Hum… - Olhei para o céu e humedeci os lábios – Porque é que nunca mataste?
Ela riu-se divertidamente com aquela questão:
-Uma pessoa normal não perguntaria isso! Devias dar graças por eu ser tão jovem!
-Porque?
Eu sorri, por motivo identificável. Definitivamente tinha vontade de sorrir.
-Ainda tenho alguma humanidade dentro de mim!
-Que bom! – Exclamei, estranhamente indiferente ao que ela me estava a dizer – Já fico aliviava por saber que não foste tu a assassina!
Ela franziu as sobrancelhas:
-Sentes-te bem? Pareces aluada!
-Estou calma, só isso! – Sacudi o meu cabelo com as mãos – Não fazes a mínima ideia que quem possa ter sido?
Ela deu de ombros:
-Pode ter sido qualquer coisa!
-Foi uma vampira fêmea! – Relembrei.
Ela olhou para o chão e depois para trás de mim. Senti alguém aproximar-se:
-Lana!
Reconheci a voz de Pedro e voltei-me para ele esboçando um sorriso largo. Ele ficou admirado com a minha atitude invulgar e fixou-me também sorrindo:
-Olá! Estou a interromper alguma coisa?
Eu ia ser-lhe sincera com o máximo de educação possível, mas Rebeca ultrapassou-me:
-Não, nada!
Lancei-lhe um olhar mortífero. Ela mostrou-se confiante na sua atitude, ainda que aquela fúria controlada se mantivesse no seu espírito.
-Bem, é que a Liliana pediu para te chamar!
-Porque não veio cá ela? – Perguntei sarcasticamente, fitando-a com um sorriso matreiro.
Ele franziu as sobrancelhas e sacudiu a cabeça.
Olhou por cima do seu ombro, confuso:
-Não faço ideia!
Eu mordi o lábio e sorri. Pus-lhe a mão no ombros e empurrei-o á minha frente:
-Não tem mal! Eu vou contigo, ok?
-Tchau Rebeca! – Exclamou ele.
Eu levantei-lhe o braço e acenei. Juntamente com Pedro aproximei-me do grupo que tinha abandonado anteriormente. Estavam todos a tirar duvidas uns aos outros antes de seguirem para o teste de avaliação, á sombra de uma árvore.
Belisquei Lili, discretamente:
-Então, tiveste saudades!
-Não me voltes a fazer isto! – Murmurou furiosa – Adoras meter-te na boca do lobo!
-Não é tão mau como parece!
-Quando estiveres morta, logo veremos!
-Exagerada! Eu só fui resolver um assunto!
-Que assunto? – Interrogou.
-É comigo! – Menti.
Pisquei-lhe o olho e dei uma pequena corrida na direcção do bloco de aulas. Ela seguiu-me e eu abrandei os passos, que quase pareciam saltinhos. Sem querer, porem, choquei contra Letícia, que vinha na direcção oposta a mim. Não consegui evitar de rir do acidente, e ela surpreendeu-me ao sorrir também:
-Desculpa! – Exclamei, atrapalhada.
Ela fixou os seus olhos nos meus e abanou a cabeça:
-Não há problema!
Liliana Empurrou-me para prosseguir o caminho e eu olhei novamente para Letícia. Ela parecia mais calma do que quando eu a conheci, e entendi que algo nela estava diferente. Pareceu-me que, da mesma forma que Gustavo me tinha feito bem quando passava mais tempo comigo, também Letícia tinha sido contagiada por ele.
Senti um aperto no peito e subitamente perdi alguma da serenidade que trazia comigo. Fiquei inquieta a pensar neles os dois tão juntos.
O que é que se passava comigo?
Fechei os olhos, tentando esquecer aquelas más vibrações e respirei fundo.
-Ao menos que não a desiluda… - Disse para os meus botões.
-O quê?
Liliana colocou-se ao meu lado e olhou-me curiosa.
-Nada…!
Ela revirou os olhos:
-Então, o que vais fazer durante as ferias da pascoa?
Dei de ombros:
-Acho que a Helen tem uns planos, mas enquanto não tiver a certeza, não comento! – Expliquei – De qualquer modo, ela vai estar ocupada com reuniões nos dois primeiros dias.
-Podiamos combinar qualquer coisa, que dizes?
Sorri-lhe gentilmente:
-Quero aprender a voar…! – Informei, baixinho.
Liliana ficou em completo choque, mas sorriu, boquiaberta com a ideia:
-Conta comigo! Quando começam as tentativas?
-Para já não sei! – Respondi – Vou deixar as aulas terminarem, e depois usufruo da minha liberdade, pacientemente…!
E assim foi.
Naquele dia fiz o último teste e a semana seguinte foi passada a receber as fichas de avaliação. Fiquei aliviada por não ter descido demasiado em relação á escola anterior, mas não dei grande importância a esse aspecto.
No entanto, todos, excepto eu, ficaram espantados com uma nova mente brilhante na turma. Gustavo, pelo que me apercebi, conseguiu uma média de 17 naquela rodada de testes! Eu não sabia quais as suas classificações anteriormente, mas alguns dos nossos colegas duvidaram da capacidade de ele conseguir tais resultados, o que era sinceramente desmotivante. Eu não precisava de o olhar nos olhos para saber que ele tinha mérito próprio naqueles resultados, e sei que os professores também reconheceram o estudo dele!
Durante aqueles dias eu consegui evita-lo, e quando falamos, apercebi-me que ambos fizemos um esforço para não discutirmos, o que me agradou.
Talvez um dia voltássemos a ser amigos…!
Comentem! bjokas
Karen, obrigada por gostares, acho que cada vez tenho menos leitores, é triste, mas é uma realidade!
NAo te preocupes que eu ainda hei-de por aki um ricardo, lol, quando me der na telha!

Agora a continuaçao do capitulo... é um pouco mais desinteressante, mas prontos! espero que gostem!
Capitulo XIII - Parte 2
Ele ficou para trás e eu fui apanhar a camioneta para regressar a casa na companhia de alguns colegas de turma.
Entrei e sentei-me num lugar bago, perto da janela, para poder desfrutar da viagem enquanto ouvia música e evitava os ruídos das conversas histéricas que preenchiam o autocarro.
Ia pensando o porquê de Gustavo não admitir aqueles sentimentos furiosos por mim. Eu já havia percebido o que ele tinha feito, e mesmo que ainda doesse um pouco, eu estava a aprender a viver com aquilo. Eu só gostava que ele fosse honesto comigo e com ele mesmo! De nada adiantavam as atitudes dele! Das duas uma: Ou esquecia o que se tinha passado comigo e era meu amigo, ou de uma vez por todas deixava de me falar! Eu continuaria a ajuda-lo com a Su ou qualquer outra coisa se necessário, mas quem tinha de tomar uma decisão era ele, não eu!
Olhei para a mata que envolvia o percurso, tentando não pensar mais nisso.
As arvores passavam por mim com pressa, assim como as nuvens e o céu. Foi então que dirigi a minha atenção para a frente da estrada.
-Lana! – Escutei atrás de mim.
Apercebi-me que alguém se aproximou de mim, e inquietei-me quando vi Joana:
-O que foi? – Questionei, melhorando a minha posição no banco.
Ela franziu as sobrancelhas numa tentativa frustrada de me amedrontar
Cerrei os punhos, furiosa, e pus-me de frente para ela:
-Desculpa, o que é que tu queres de mim?!
Ela olhou para o céu, também irritada!
-Quero que me esclareças!
Senti-me a desesperar:
-Os vampiros não existem! – Menti, frustrada, tendo em atenção que ninguém nos ouvia.
-Existem! – Contrapôs, revoltada – ouve…!
Ela calou-se confusa:
-Eu não te vou fazer mal, ok?! Eu apenas preciso de saber o que tu sabes!
-Eu não sei nada!
-Sabes pois! – Balbuciou – Eu vejo em ti que tu sabes!
-Vês em mim?! – Perguntei sarcasticamente – E nas outras pessoas não vês?! Isso é implicância tua, sabes? Só porque me visto desta maneira anormal para ti, julgas que eu estou ligada a vampiros! Mas afinal o que queres tu?! Caçar vampiros, é?!
Ela suspirou de modo a controlar o seu sistema nervoso:
-Os pais do Rui foram assassinados por uma vampira!
O meu coração parou. Uma vampira?! Oh meu deus! Teria sido Rebeca?!
-Nós só queremos proteger as pessoas, especialmente a nossa familia! – Concluiu ela.
Fiquei ansiosa com aquela informação! Aquilo seria verdade?
-Vocês tem a certeza que foi uma vampira? – Indaguei, com o corpo trémulo.
-Ele viu! Nós não somos loucos, está bem? Tu é que pareces suficientemente doida para protegeres uma “coisa” daquelas!
Olhei para o chão. O que é que eu podia fazer? Eu não iria acusar Rebeca sem ter a certeza que tinha sido ela a matar os pais de Rui, mas se ela fosse essa assassina eu não podia simplesmente ignorar! No dia seguinte falaria com ela para esclarecer tudo, mas por enquanto iria manter o meu silêncio!
-Eu lamento – vozeei – Mas não vos posso ajudar!
Joana baixou o rosto. Apercebi-me que ela estava no mínimo desapontada com a minha resposta, por isso vi-me na obrigação de compensar aquela desilusão:
-Eu prometo que… Se um dia souber algo que te possa ajudar, eu digo-te!
Ela fez um esgar. Não acreditou minimamente no que eu disse!
-Vai-te embora! – Pedi, incomodada – Quero estar sozinha!
Ela encolheu os ombros e fez um ar antipático:
-Podes ter a certeza, Lana, que não vou desistir de descobrir o que sabes!
Revirei os olhos saturada com a conversa dela:
-Se já terminaste deixa-me em paz! A não ser que tenhas medo de regressar a casa sozinha!
Ela virou-me costas e seguiu para a zona traseira do autocarro.
-Boa sorte e mantêm-te viva!
-Adeus! – Respondi com frieza.
Vi-a a afastar-se com passos rápidos. Era preciso muita persistência para me seguir! Rezei para que não acontecesse o pior! Não podia acreditar que Rebeca fosse aquele coração frio que assassinou parte daquela família! Eu tinha de provar a sua inocência!
Quando cheguei a casa, Helen já lá estava. Entretinha-se a preencher umas fichas de avaliação dos alunos e a fazer anotações sobre cada um deles para a reunião de entrega de notas que decorreria na próxima semana. Eu sentei-me no sofá, logo depois de ter vestido o meu pijama e o meu robe, e tentei concentrar-me na matéria daquele ultimo teste, acabando por adormecer aborrecida.
Quando acordei, no dia seguinte, sentia-me toda dorida. Acho que tinha dado um mau jeito ao meu pescoço, e doíam-me as costas. Espreguicei-me lentamente e bocejei, antes de me por a pé.
Helen abriu a porta do quarto, já pronta para ir para a escola:
-Bom dia anjo! Acordaste cedo, dormiste bem?
-Bem mal! – Respondi, massajando o pescoço – E não me chames “anjo”! É totalmente desnecessário!
-Há que chamar as coisas pelos nomes! – Contrapôs, colocando um par de brincos nas orelhas.
-Enfim, acabaste o teu trabalho? – Questionei, interessada.
-Sim, para a semana terminam as aulas, e depois tenho reunião com os encarregados de educação! Felizmente já arrumei aquela papelada!
-Oh, estou ansiosa que as aulas terminem! Mal posso esperar pela próxima semana!
-As tuas notas estão boas?
-Não sei, mas os testes têm-me corrido bem! – Declarei, bocejando. Enrolei-me na manta que me cobriu durante a noite no sofá e aconcheguei-me nas almofadas, ensonada – nem acredito que acordei tão cedo!
-Aproveita a manha para estudar! Entretanto eu tenho de ir para as aulas!
-Tem um bom dia! – Exclamei.
Helen veio á minha beira e deu-me um beijo de despedida na testa:
-Fica bem, anjinha!
Eu sorri mas fiz também um olhar repreendedor por ela me ter chamado aquele nome.
Helen saiu de casa e eu fechei os olhos na esperança de adormecer. Infelizmente comecei a pensar na conversa que eu e Joana havíamos tido. Tinha de esclarecer-me com Rebeca, urgentemente!
Eu gostava dela, talvez o maior problema fosse esse! Como podia pensar nela como uma assassina? Como a razão da minha morte? Ela parecia ser incapaz de me magoar, mesmo depois de quase me ter atacado! Ela não tinha culpa da sua natureza! Eu também não tinha! No entanto, Liliana deixara de falar com ela, e eu notei que ela também tinha conseguido afugentar alguns dos nossos colegas da vampira, deixando-a ainda mais solitária e aparentemente tímida do que quando eu a conheci!
Revirei-me no sofá e esfreguei os olhos. Não conseguia descansar a minha mente!
Pus-me a pé e quando ia para dar banho, hesitei, pois tive uma ideia melhor!
Busquei no fundo do meu armário uma t-shirt comprida ou um vestido, e quando encontrei algo confortável vesti! Calcei umas chinelas de verão, e ignorando as consequências, corri assim mesmo, com roupa demasiado fresca para a estação, em direcção á minha cachoeira. Quando lá cheguei, descalcei-me, e molhei os pés. A água estava gelada, mas eu não me importei! Molhei as minhas pernas lentamente e quando dei por mim, fiquei submersa de água!
Dei umas braçadas para aquecer, e quando me senti totalmente á vontade deixei-me a flutuar com o tecido macio do meu traje, respirando profundamente o cheiro da natureza.
Aquele local deixava tão calma e serena. Era como se eu me encontrasse no paraíso! Os problemas desapareciam, e a mente ficava em branco. Queria ficar ali para sempre, apesar de não poder.
Deixei-me estar durante cerca de meia hora.
Quando sai da água parecia uma uva passa, com os dedos todos enrugados, e voltei para casa, para aquecer o corpo com água quente, de modo a evitar uma constipação.
Depois vesti-me e maquilhei-me como habitualmente. Só sosseguei na cozinha, a petiscar enquanto estudava.
Quando fui para a escola, senti-me estranhamente rejuvenescida. Parecia que aquelas emoções e sentimentos estavam a perder a intensidade, o que era óptimo, mas eu sentia que aquela minha calma invulgar se devia ao mergulho matinal na cachoeira! Tinha de repetir a dose!
Fui ter com Liliana, mal a vi, com as outras:
-Bom dia! – Respondi sorridente, e depois suspirei profundamente.
-Ena, que animada! Correu-te bem a noite? – Perguntou Natacha, ironicamente.
Encolhi os ombros:
-Tive uma manhã calma!
-Que sorte, eu estou farta de estudar para este teste! – Comentou Liliana, aborrecida - Que horror, nunca mais chegam as ferias da pascoa!
-Concordo, estou farta de me levantar cedo! – Disse Verónica, com a cabeça encostada ao ombro de Lau.
-Mais uma semaninha e vemo-nos livres disto! – Afirmei, esperançosa.
Fomos seguindo para a sala de aula, entre desabafos e conversas sem interesse. Quando vi Rebeca fiquei nervosa, e fitei Liliana. Apercebi-me que ela estava distraída, e antes que ela me pudesse impedir corri até á jovem vampira.
Esta ficou surpresa pela minha aproximação:
-Olá Rebeca! – Exclamei, atrapalhada.
-Olá! – Respondeu duvidosa. Ela olhou por cima dos meus ombros e eu virei-me para saber o que ela observava.
Liliana estava fula a olhar para mim, mas eu sorri desafiante! Ela não viria ter connosco!
-Passa-se alguma coisa? – Indagou Rebeca com sarcasmo – Olha que ali a tua guardiã ainda se chateia!
-Não brinques! – Respondi sem medo – Preciso de falar contigo!
Ela riu-se:
-tu realmente adoras-me! Quase te matei na sexta-feira passada e tu continuas a vir ter comigo!
Eu ri-me, fingindo ter achado piada ao comentário:
-Não tenho medo! – Assegurei – Por enquanto!
-Então, o que me queres dizer?
-Quero fazer-te uma questão!
-Força! – Incentivou, cruzando os braços.
-Bem, a Joana, ontem veio ter comigo…
-A Buffi?
Eu ri-me do apelido e assenti:
-Ela contou-me porque quer descobrir vampiros!
-Porque?
Mordi o lábio e fiz figas! Todos os vampiros menos ela, por favor!
-Os pais do primo dela, o Rui, foram assassinados por uma vampira!
Ela franziu as sobrancelhas e inquietou-se.
-Foste tu? – Interroguei.
-Não! – Respondeu ofendida!
-De certeza?
-Claro que não! Todas as pessoas que eu… - ela baixou o volume – que eu ataquei, mantiveram-se vivas!
-De certeza?
-Absoluta! Quando é que foram essas mortes?
-não sei, mas pareceu-me ter sido á bastante tempo, visto que a Joana e o Rui moram juntos e parecem muito ligados!
-E tu tens noção de quantos anos de vampira eu tenho?
Estranhei a pergunta e respondi acenando com a cabeça de modo negativo:
-Dois anos! – Esclareceu – Eu quase nem tive tempo para provar sangue humano! Alem disso deves ter noção que quanta gente me convida para entrar em algum sítio!
-Pensei que isso fosse um estereótipo!
-Ás vezes os humanos acertam! Têm de ir buscar as histórias a algum lado não achas?
-Tu entras na escola!
-Fui convidada!
-Hum… - Olhei para o céu e humedeci os lábios – Porque é que nunca mataste?
Ela riu-se divertidamente com aquela questão:
-Uma pessoa normal não perguntaria isso! Devias dar graças por eu ser tão jovem!
-Porque?
Eu sorri, por motivo identificável. Definitivamente tinha vontade de sorrir.
-Ainda tenho alguma humanidade dentro de mim!
-Que bom! – Exclamei, estranhamente indiferente ao que ela me estava a dizer – Já fico aliviava por saber que não foste tu a assassina!
Ela franziu as sobrancelhas:
-Sentes-te bem? Pareces aluada!
-Estou calma, só isso! – Sacudi o meu cabelo com as mãos – Não fazes a mínima ideia que quem possa ter sido?
Ela deu de ombros:
-Pode ter sido qualquer coisa!
-Foi uma vampira fêmea! – Relembrei.
Ela olhou para o chão e depois para trás de mim. Senti alguém aproximar-se:
-Lana!
Reconheci a voz de Pedro e voltei-me para ele esboçando um sorriso largo. Ele ficou admirado com a minha atitude invulgar e fixou-me também sorrindo:
-Olá! Estou a interromper alguma coisa?
Eu ia ser-lhe sincera com o máximo de educação possível, mas Rebeca ultrapassou-me:
-Não, nada!
Lancei-lhe um olhar mortífero. Ela mostrou-se confiante na sua atitude, ainda que aquela fúria controlada se mantivesse no seu espírito.
-Bem, é que a Liliana pediu para te chamar!
-Porque não veio cá ela? – Perguntei sarcasticamente, fitando-a com um sorriso matreiro.
Ele franziu as sobrancelhas e sacudiu a cabeça.
Olhou por cima do seu ombro, confuso:
-Não faço ideia!
Eu mordi o lábio e sorri. Pus-lhe a mão no ombros e empurrei-o á minha frente:
-Não tem mal! Eu vou contigo, ok?
-Tchau Rebeca! – Exclamou ele.
Eu levantei-lhe o braço e acenei. Juntamente com Pedro aproximei-me do grupo que tinha abandonado anteriormente. Estavam todos a tirar duvidas uns aos outros antes de seguirem para o teste de avaliação, á sombra de uma árvore.
Belisquei Lili, discretamente:
-Então, tiveste saudades!
-Não me voltes a fazer isto! – Murmurou furiosa – Adoras meter-te na boca do lobo!
-Não é tão mau como parece!
-Quando estiveres morta, logo veremos!
-Exagerada! Eu só fui resolver um assunto!
-Que assunto? – Interrogou.
-É comigo! – Menti.
Pisquei-lhe o olho e dei uma pequena corrida na direcção do bloco de aulas. Ela seguiu-me e eu abrandei os passos, que quase pareciam saltinhos. Sem querer, porem, choquei contra Letícia, que vinha na direcção oposta a mim. Não consegui evitar de rir do acidente, e ela surpreendeu-me ao sorrir também:
-Desculpa! – Exclamei, atrapalhada.
Ela fixou os seus olhos nos meus e abanou a cabeça:
-Não há problema!
Liliana Empurrou-me para prosseguir o caminho e eu olhei novamente para Letícia. Ela parecia mais calma do que quando eu a conheci, e entendi que algo nela estava diferente. Pareceu-me que, da mesma forma que Gustavo me tinha feito bem quando passava mais tempo comigo, também Letícia tinha sido contagiada por ele.
Senti um aperto no peito e subitamente perdi alguma da serenidade que trazia comigo. Fiquei inquieta a pensar neles os dois tão juntos.
O que é que se passava comigo?
Fechei os olhos, tentando esquecer aquelas más vibrações e respirei fundo.
-Ao menos que não a desiluda… - Disse para os meus botões.
-O quê?
Liliana colocou-se ao meu lado e olhou-me curiosa.
-Nada…!
Ela revirou os olhos:
-Então, o que vais fazer durante as ferias da pascoa?
Dei de ombros:
-Acho que a Helen tem uns planos, mas enquanto não tiver a certeza, não comento! – Expliquei – De qualquer modo, ela vai estar ocupada com reuniões nos dois primeiros dias.
-Podiamos combinar qualquer coisa, que dizes?
Sorri-lhe gentilmente:
-Quero aprender a voar…! – Informei, baixinho.
Liliana ficou em completo choque, mas sorriu, boquiaberta com a ideia:
-Conta comigo! Quando começam as tentativas?
-Para já não sei! – Respondi – Vou deixar as aulas terminarem, e depois usufruo da minha liberdade, pacientemente…!
E assim foi.
Naquele dia fiz o último teste e a semana seguinte foi passada a receber as fichas de avaliação. Fiquei aliviada por não ter descido demasiado em relação á escola anterior, mas não dei grande importância a esse aspecto.
No entanto, todos, excepto eu, ficaram espantados com uma nova mente brilhante na turma. Gustavo, pelo que me apercebi, conseguiu uma média de 17 naquela rodada de testes! Eu não sabia quais as suas classificações anteriormente, mas alguns dos nossos colegas duvidaram da capacidade de ele conseguir tais resultados, o que era sinceramente desmotivante. Eu não precisava de o olhar nos olhos para saber que ele tinha mérito próprio naqueles resultados, e sei que os professores também reconheceram o estudo dele!
Durante aqueles dias eu consegui evita-lo, e quando falamos, apercebi-me que ambos fizemos um esforço para não discutirmos, o que me agradou.
Talvez um dia voltássemos a ser amigos…!
Comentem! bjokas
as minhas fic's:
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
-Angelical
Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
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Estás a perder leitores nada! Eu é que tou
A Joana irrita-me, sem dúvida alguma. É natural que ela se queira proteger, a ela e ao Rui, mas já é mais que evidente que não foi a Rebeca. Prontes! Ponto final!
Oh meu. A Lana fica tão fofi quando a chamam de "anjo", "anjinha"
. Tão phophi! 
A Joana irrita-me, sem dúvida alguma. É natural que ela se queira proteger, a ela e ao Rui, mas já é mais que evidente que não foi a Rebeca. Prontes! Ponto final!
Oh meu. A Lana fica tão fofi quando a chamam de "anjo", "anjinha"
. Tão phophi! 
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[email protected] -->Meu MSN, adicionem à vontade!
Hum.. sendo sincera... de facto este, em comparação a outros está mais desinteressante.. mas isso tem um bom motivo... foi postado num pequeno intervalo de tempo e é PEQUENO!! Eu gosto de capítulos grandes. Podias fazer capitulos mais grandinhos, mesmo que isso demorasse mais tempo a escrever, ao menos valeria bem a espera. Assim vale na mesma, mas há um capítulo muito interessante e outro menos interessante. Se juntarmos os dois temos um capitulo "interessante" 
Bem... aonde foste buscar esse facto dos vampiros terem k pedir para entrarem? a Vampire Diaries?
Quer tenha sido quer não, adorei. Só espero k a historia de Rebeca não fique muito semelhante à dos vampiros que aparecem por ai (a e tal, eu prefiro ser vegetariana, não quero ser nenhum monstro.. custa muito resistir a este pesadelo...). O Facto da Rebeca ser jovem é um ponto a favor de criares uma nova historia e menos enfadonha que a dos outros vampiros (ex: ela é mto nova e sente-se solitária.. é normal que queira estar no meio de pessoas e ter amigos.. apesar de a sua natureza de vampira nao o permitir...) mas é só uma ideia..
Espero por mais x)

Bem... aonde foste buscar esse facto dos vampiros terem k pedir para entrarem? a Vampire Diaries?
Quer tenha sido quer não, adorei. Só espero k a historia de Rebeca não fique muito semelhante à dos vampiros que aparecem por ai (a e tal, eu prefiro ser vegetariana, não quero ser nenhum monstro.. custa muito resistir a este pesadelo...). O Facto da Rebeca ser jovem é um ponto a favor de criares uma nova historia e menos enfadonha que a dos outros vampiros (ex: ela é mto nova e sente-se solitária.. é normal que queira estar no meio de pessoas e ter amigos.. apesar de a sua natureza de vampira nao o permitir...) mas é só uma ideia..Espero por mais x)
Espero por ti em cada segundo , porque tu és o meu mundo!

Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
Visitem a minha 1ª Fic ----->The Four elements

Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
Visitem a minha 1ª Fic ----->The Four elements
olá!
bem, peço desculpa pelo atraso, eu ia postar ontem á noite, mas entretanto fui a uma festa e nao tive tempo.
Eu gostava de postar mais frequentemente, mas os comentarios sao tao poucos que nao me permitem! A serio, eu sei que ás vezes há gente que le mas nao comenta, mas peço-vos que o façam, pois parecendo que nao, é um grande incentivo para escrever! Sei que tem havido capitulos muito aborrecidos, mas se eles nao existissem, eu nao podia escrever os melhores!
Agredeço ás meninas que leem assiduamente e deixam sempre comentarios! 
Trouxe mais um capitulo! Esta primeira parte é uma especie de preparaçao, portanto nao se passa nada de interessante! XD
Capitulo XIV - O jantar - parte 1
Abri os olhos, ensonada. Os raios de sol embateram contra a minha cara, fazendo-me sorrir. Era sábado, finalmente! As férias tinham começado, e eu não me podia sentir melhor!
Levantei-me da cama num pulo e vesti o meu robe!
Helen já estava a tomar o pequeno-almoço na cozinha, e eu sentei-me ao seu lado, mal cheguei á cozinha:
-Acordaste cedo! – Reparei.
-Sim, quero arrumar a casa o quanto antes! – Disse, passando-me a cafeteira com leite – Eu não te disse, mas eu tenho de ir a casa!
-Fazer o quê? – Questionei, preocupada.
-Parece que houveram uns problemas com a nossa mudança de cidade! – Disse, barrando uma torrada com manteiga - Ainda és menor de idade, e faltavam assinar uns papeis!
-Que absurdo, és da minha família, devíamos ter mais liberdade!
-Não é assim tão simples! Há famílias adoptivas que não são tão boas como parecem!
Abanei a cabeça, aborrecida por ter de passar mais uma tarde sozinha:
-Parece-me que estás a ir demasiadas vezes á Povoa!
-Não te preocupes, acho que já é mais seguro! A “Mummy” não tem visto ninguém a observa-la nem coisa parecida! – Ela sorriu, com uma ideia malandra a passar-lhe pela mente. Eu senti-a como um murmúrio – Portanto… - prosseguiu – Podemos ir passar a Pascoa a casa!
Pousei a caixa de cereais no balcão e soltei uma lufada de ar:
-Isso não me deixa muito descansada!
-Lana, não quero passar o resto da minha vida longe de casa! Eu tenho saudades de ir á praia, de sentir a brisa do mar, de caminhar pelas galerias…! Tu estás a salvo! – Ela encostou a cabeça á sua mão – Estás diferente, e eu sei que tu consegues superar seja o que for! Alem disso se alguém te atacar, dás-lhe com uma asa no focinho!
Libertei uma gargalhada. As asas ainda me iam dar algum jeito, realmente!
-Bom, eu não te quero impedir de ires a casa, por isso… Vou tentar, mas com o máximo de cautela, está bem?
-Ok, anjinha! – Prometeu, bebendo um pouco do seu leite com café.
Eu pus uma colher de cereais na boca, enquanto lia a embalagem, pensando no meu entretenimento durante a tarde.
Fixei Helen, com um biquinho na boca na direcção dela:
-Helen, dá-me uma opinião! Que faço sem ti a tarde toda?
Ela pousou a sua chávena no lava-louça:
-Vai até á vila! Aproveita o dia!
-Que seca! Eu odeio andar por aí sozinha! É aborrecido e assustador, sabes como eu sou!
-Então convida algum amigo teu! – Advertiu, enquanto arrumada o açucareiro e os meus cereais no armário - A Liliana deu-te muitos contactos, lembras-te?
Fiz uma careta rabugenta. Não havia ninguém com quem eu me desse suficientemente bem para passar a tarde!
Levantei-me da mesa e pus as minhas coisas no sítio. Resolvi não pensar mais no assunto até á hora de Helen ir embora.
Pusemos a música mais louca que tínhamos em alto volume, e entre saltos e passos de dança assustadores, arrumamos a casa na sua totalidade. A minha madrinha era mais rápida do que eu nas tarefas domésticas, mas eu era mais caprichosa, especialmente no meu quarto! Substituí algumas roupas de inverno pelos tops e t-shirts que Helen me tinha comprado há duas semanas, e depois fiz um almoço rápido, enquanto ela dava os últimos retoques nos armários da sala.
Ela saiu de casa às três horas da tarde, e como eu não queria ficar sozinha pedi-lhe que me levasse até á vila Geres. Ao inicio ela não pareceu ficar agradada com a ideia de fazer um desvio do seu percurso, todavia eu não lhe deixei hipóteses. Ela deixou-me perto de uma rotunda, e depois voltou para o seu trajecto.
Fui andando pela vila, meia tímida, especialmente quando via alguma velhinha a vender mel na face da estrada, visto que me olhavam sempre assustadas.
Por um lado esse aspecto dava-me vontade de sorrir, por outro era constrangedor. Eu não era assim tão má nem maluca!
Fui até ás termas, e aí parei junto a umas grades que nos deixavam ver um pequeno riacho a passar. Deduzi que aquela agua ia ter á minha cachoeira e deixei-me ficar ali a apreciar a brisa fresca que trespassava os meus cabelos.
Resolvi voltar para trás, e voltei a passar pelos mesmos hotéis e pelas mesmas velhinhas assustadas, até me aproximar da pastelaria de Liliana.
Resolvi entrar para ver se ela lá estava.
O ambiente estava leve e as pessoas já não eram muitas. Havia três serventes, dois deles a servir determinadas mesas, e outro a tirar cafés. Amuei ao perceber que nenhum era Liliana ou Pedro. Aproximei-me do balcão e esperei que algum empregado se dirigisse a mim.
Qual não foi a minha surpresa quando Liliana irrompeu pela porta que dava acesso á cozinha e me saudou, animada:
-Lanita!
Eu sorri-lhe, animada:
-Pensei que não estavas!
-Ia sair mesmo agora! Estás sozinha?
-Sim, a Helen teve de ir tratar duns assuntos! Acho que vai passar a tarde toda fora, se não a noite também!
-Oh, coitada! – Lamentou – Que vais fazer então?
-Não sei, vim dar uma volta pela vila e entretanto resolvi fazer-te uma visita!
Ela sorriu-me animada:
-Fizeste bem! -Ela passou a mão no cabelo, com o nariz torcido, e pô-lo atrás da orelha, desconfortável - Queres ir dar um passeio comigo? – Perguntou.
Passeio era algo que eu já tinha dado, mas era melhor isso do que ficar a tarde toda sem fazer nada de jeito:
-Claro!
-Então eu volto já!
Liliana pousou o seu avental de trabalho e foi até á cozinha buscar os seus pertences.
Mandei uma mensagem a Helen a avisar que ia passar a tarde com Liliana.
Pacientemente, esperei-a olhando para as paredes do café, enquanto pensava num bom rumo para o nosso passeio. Quando ela passou para a zona exterior do balcão agarrou o meu braço e puxou-me para fora do estabelecimento, animada:
-Oh, até que enfim! Os sábados são tão aborrecidos! – Comentou – Ainda por cima está tanto sol! Vamos aonde?
-Não sei! – Respondi acompanhando-lhe o ritmo. Aspirei o ar puro e fresco daquela tarde e mirei-a interessada – O que te apetece fazer?
Ela deu de ombros e depois começou a sacudir o cabelo, irritada. Reparei que estava um tanto ou quanto embaraçado:
-Ia já ao cabeleireiro! Estou toda farrusca!
Eu ri-me e olhei para as nuvens brancas do céu:
-Não estás assim tão mal! Só não estás arranjada!
-A quem o dizes! – Admitiu – Sabes, precisava de uma tarde toda a tratar do meu aspecto! Por amor de Deus, as minhas unhas metem medo! – Exclamou estendendo a mão á nossa frente.
-O que é que te falta, Lili? – Perguntei – Temos a tarde toda para isso!
Ela parou de andar e fitou-me com um ar maroto:
-Alinhas?
-Em quê? – Senti-me desentendida.
Ela esboçou um largo sorriso e parou á minha frente, impedindo-me prosseguir o caminho:
-Uma tarde de raparigas, só tu e eu! Podíamos pintar as unhas, arranjar o cabelo, maquilharmo-nos e lutar com almofadas, como nos filmes! Que achas?
Libertei um riso com toda aquela vontade:
-Vais-te dar a esse trabalho todo comigo?!
Era uma perda de tempo! Eu nunca na vida tirava a sombra preta e mostrava o meu cabelo encaracolado á sua frente!
-Oh vá lá! - Pedinchou agarrando-me as mãos com esperança - Vamos para minha casa, não está lá ninguém e podemos fazer o que quisermos!
Olhei para o chão numa medida de reflexão. Se não estava ninguém em casa dela, eu não corria o risco de ser apanhada desprevenida, certo? Levantei a minha mão no ar para avaliar as minhas unhas e sorri. Porque não? Eu já não me arranjava bem á algum tempo, alem disso era sempre bom passar uma tarde com uma amiga a falar de coisas que não faziam parte da escola!
-Ok! Convenceste-me!
Ela sorriu e deu um pulo no ar! Agarrou a minha mão e arrastou-me, literalmente, a correr.
A casa dela ficava apenas a uns metros do café, portanto foi um instante para lá chegarmos.
Tinha um pequeno jardim á frente da entrada. Ela abriu a porta apressada e convidou-me a entrar, empolgada com a minha presença. Eu avancei lentamente e observei o interior do seu lar! O Hall era pequeno, mas arranjado de uma forma suave e moderna, em tons de bege. Tinha uma porta grande mesmo á nossa frente, em vidro fosco que dava ligação a uma sala de jantar e uma porta mais pequena á nossa direita, de madeira, que Liliana abriu sem hesitar. Eu segui-a pelo corredor largo, passando por duas portas entreabertas e um armário decorado com velas aromáticas e flores secas que condiziam com um retrato abstracto, até entrarmos numa divisão que ela seleccionou.
-Bem vinda ao meu quarto!
Ela retirou as sapatilhas e sentou-se na cama num pulo.
Tentei não me instalar demasiado á vontade e observei timidamente o seu aposento.
O quarto tinha apenas um pano de cor em lilás e as restantes paredes eram brancas. A cama, de madeira clara, estava centrada contra a parede de cor, e havia uma enorme janela do lado direito, adornada com uma cortina também lilás. Tinha uma televisão, um DVD e uma aparelhagem de som, que ela se apressou a ligar.
Reconheci imediatamente uma musica dos Nickelback e sorri. Ela apercebeu-se e abriu a boca:
-Desculpa, gostas desta musica, ou preferes que eu procure uma alguma mais pesada?
-Não, eu gosto! – Assegurei rindo - Sua tonta, não julgues que por eu me vestir de preto sou punk! Adoro os Nickelback!
Ela sorriu e depois franziu as sobrancelhas:
-Se não é por estilo porque é que te vestes assim?
Eu não consegui fazer um ar simpático! Já tinha passado por essa fase antes, e sinceramente não correu nada bem!
-Por nada em especial! – Respondi – Então, por onde começamos?
Liliana levantou-se da cama e olhou em redor, buscando algo. Vi no seu olhar que ela não tinha encontrado o que queria, e como tal saiu do quarto! Eu segui-a, incomodada por ficar sozinha.
Entramos numa casa de banho e ela abriu um armário de onde retirou uma caixa de vernizes e outra de maquilhagem. Pousou tudo no meu colo e depois encheu uma bacia com água quente e um pouco de gel de banho:
-Vamos fazer as unhas! – Exclamou.
A ideia agradou-me e eu ultrapassei-a no regresso ao quarto. Pousamos as coisas em cima da cama, e depois sentamo-nos as duas. Liliana espalhou os vernizes á nossa frente e obrigou-me a retirar o meu verniz escuro para a ajudar:
-Que cor achas melhor?
Olhei para ela de relance e depois para os vernizes. Havia diferentes tons de cor-de-rosa, castanhos, vermelhos, bordeaux, e também branco e transparente:
-Rosa claro! – Exclamei, pegando num frasco cilíndrico de cor rosa morto.
Ela, já com as suas mãos molhadas, segurou-me os pulsos e colocou as minhas pontas dos dedos dentro da água quente. Franzi as sobrancelhas e tentei soltar-me dela:
-Lili, eu não vou arranjar as minhas unhas!
-Claro que vais! – Garantiu, imperativamente – Vá, agora escolhe uma cor para mim!
-Acabei de dizer cor-de-rosa!
-Mas esse é para ti!
Abri a boca pronta para refutar a ideia:
-Nem pensar, Para mim, só se for um bordeaux escuro!
-Nem em sonhos! Em minha casa mando eu, Lanita! Tu escolheste o rosa, e rosa será!
Soltei uma lufada de ar e abanei com a cabeça:
-está bem, mas antes de me ir embora eu retiro o verniz, ok?
Ela revirou os olhos com um sorriso enviesado:
-Está bem…! Então – ela mirou as cores que restavam -, que cor pinto eu? Não quero ficar igual a ti!
Olhei novamente para os vernizes, pensativa:
-Faz uma manicura á francesa!
Retirei as minhas mãos da bacia com água e agarrei numa lima. Liliana Estendeu-me os seus dedos e eu analisei as suas unhas:
-Pelo menos não róis as unhas!
Ela soltou uma gargalhada:
-Mesmo assim são feias! Confio em ti para me deixares bonita!
Fiz um esgar brincalhão:
-Não gosto que as pessoas confiem em mim! Ainda as decepciono!
-Isso acontece-te muitas vezes?
-Ao contrário, sim! – Murmurei, atenta às suas cutículas.
-Quem é que te desiludiu?
Travei a lima e olhei-a de soslaio, antes de recomeçar:
-Muita gente…!
Ela não descansou! A sua mente ficou invadida de diferentes sentimentos e sensações, o que me provocou uma ligeira dor na cabeça:
-Li, não sejas curiosa!
-Foi o Gustavo? – Ela perguntou, séria, e percebeu, pela minha reacção, que ele estava envolvido – O que é que ele fez?
-Se te contasse tu também me ias desiludir!
Ela franziu o sobrolho, ofendida:
-Por quem me tomas?
-Por uma pessoa normal!
-Hei, eu sei que tu és um anjo! Isso não basta para eu entender seja o que for?
Suspirei profundamente. Eu confiava em Liliana para lhe contar o que nos aconteceu, mas por outro lado era muito difícil recordar aquilo.
-Eu contei um segredo ao Gustavo…! – Declarei, recatadamente – E ele… Desiludiu-me…!
-Ele não o guardou?! – Perguntou, estupefacta.
Neguei com a cabeça:
-Que eu saiba, ainda só ele é que sabe!
Ela passou-me a sua outra mão, ao aperceber-se que eu já tinha limado as primeiras cinco unhas.
-Eu também não sei?
Ela estranhou ao entender tal coisa. Liliana julgava que por saber muitas coisas sobre mim, eu não tinha segredos com ela, mas isso não era verdade! Talvez eu considerasse este segredo ainda mais importante do que o das asas!
-É algo que eu não posso contar a ninguém, a mesmo ninguém! O Gustavo só descobriu porque… - Cerrei os dentes confusa – Nem eu sei como é que ele conseguiu!
Pousei a mão de Liliana com força nas minhas pernas e olhei para a janela incrédula:
-Agora que penso ele… Ele é muito manipulador, não é?
Ela riu-se e voltou a levantar a sua mão para eu prosseguir:
-Isso é no bom, ou no mau sentido?
-Não sei…Só sei que ele me mudou!
-Como? – Quis ela saber.
Pousei a lima e agarrei o verniz branco. Sacudi-o e aninhei-me para controlar melhor as pinceladas finas que ia dar nas pontas das unhas:
-Foram três coisas! – Relembrei – Três coisas que eu não suportava!
-E o que eram?
Fiz a primeira linha branca na unha, enquanto reflectia sobre a questão:
-Eu não queria fazer amigos aqui…! – Admiti – Eu não me queria afeiçoar a ninguém, porque não me queria desapontar…!
Liliana contorceu o seu corpo e cerrou os lábios, admirada.
-Eu não gostava de falar de mim, de receber muitas questões e de ser contrariada! Valha-me deus, eu ficava louca com as insinuações dele, não tens noção! Ele era tão irónico! – Não consegui evitar de sorrir, ligeiramente emocionada. Felizmente Liliana não se apercebeu.
-e qual foi a terceira coisa que ele mudou em ti?
Suspirei, admirada com aquela minha mudança:
-Eu não suportava que me tocassem, que me agarrassem ou que me beijassem! Tinha uma espécie de pânico e às vezes parecia que a pele dos outros me dava choques…!
Fui clara e directa. Lili ficou completamente admirada comigo:
-A sério? Porquê?
Se lhe respondesse a isto, teria de lhe contar o segredo! Evitei dizer algo muito comprometedor:
-Era uma mania minha! Mas enfim… Já não sou assim tão sensível!
Ela sorriu e deu-me a outra mão, enquanto agitava a outra para secar o verniz:
-Como é que ele conseguiu?
Sorri também e dei de ombros:
-Talvez porque ele teve coragem suficiente para contrariar todas estas minhas limitações! Quer dizer – Molhei o pincel no verniz e soprei a unha – Ele praticamente me atirou para o teu grupo! Ele queria, a todo o custo, que eu me integrasse e fizesse amigas! Pelos vistos agora é tarde demais para não sofrer desilusões convosco, já me afeiçoei demasiado!
Ela sorriu orgulhosa:
-Se depender de mim, não vais desapontar-te connosco!
Eu olhei-a e sorri:
-Conto com isso!
Ela esboçou um risinho:
-Como é que ele te fez falar?
-O Gustavo colocou-me entre a espada e a parede! – respondi - Fazia cada pergunta mais íntima! Oh céus, eu ficava completamente furiosa com a curiosidade dele em relação á minha vida! E o mais impressionante é que lhe cantarolei tudo sem conseguir evitar! Que idiota!
Larguei a mão de Liliana e peguei no verniz transparente. Reparei que ela tinha umas flores para colar no esmalte e resolvi utilizar algumas.
-Como é que ele resolveu o problema do contacto físico?
Senti-me ligeiramente envergonhada com esta ultima questão. A resposta deixava-me quente por dentro, e era difícil de admitir que ele tinha conseguido controlar-me daquela forma.
Lili espreitou o meu rosto, com um olhar maroto:
-Então? Como é que ele conseguiu?
Humedeci os lábios:
-Ele é muito protector… - Murmurei, evitando o olhar de Liliana – E quente… e forte… e aconchegante… e… Ele conseguiu levantar-me quando eu pensei que me ia manter em baixo…
Levantei a minha visão até Liliana. Ela sorria, especada a olhar para mim. O meu rosto esquentou:
-O que foi?
-és tão querida…
Ri-me timidamente. O que queria ela dizer com aquilo?
-Porquê?
Ela agitou as mãos para secar o verniz, ainda sorrindo:
-A maneira que falaste do Gustavo… Não entendo porque estão tão afastados, o vosso lugar era…!
Não a deixei continuar a sua opinião. Não a ia deixar cair no erro de pensar que nós não tínhamos motivos para estarmos longe um do outro:
-Nós estamos afastados porque ele, da mesma maneira que me levantou, deixou-me cair, e ainda me empurrou mais para baixo!
Ela fez uma careta de desilusão:
-Mas ele mexe muito contigo, não mexe?
Não consegui mentir:
-Não sei como… Mas sim…! Ele enerva-me, e por outro lado… Não sei! Não consigo entender!
Sacudi o cabelo e entreguei as minhas mãos a Liliana, para ela me fazer a manicura!
Ela mordeu o lábio, pensativa e avaliou as minhas unhas:
-Que bonitas! – Exclamou.
Começou a mover a lima junto a elas, mas quase não precisou de se dar ao trabalho, visto que eu, ainda no dia anterior, o tinha feito. Ela passou rapidamente para o verniz, e depois uma segunda camada para intensificar o efeito da cor, que se saiu muito bem no meu tom de pele! Era preciso admitir que eu já tinha saudades de ver uma cor clara sobre mim!
Quando ela terminou, olhei para o relógio, e apercebi-me que tinha passado uma hora desde a nossa saída da sua pastelaria. Éramos tão lentas que ainda só tínhamos pintado as unhas!
De repente escutamos a porta da entrada a abrir-se. Liliana aproximou-se da saída do seu quarto e deu um grito:
-Pedro, nem te atrevas a vir para dentro de casa com as chuteiras cheias de lama!
Ela voltou a fechar a porta e a sentar-se na cama:
-Tarde demais! – Respondeu ele também num berro suave.
Liliana Cerrou os dentes, furiosa:
-Estúpido! Se vejo alguma coisa suja dou cabo dele!
Soltei uma gargalhada divertida. Ela parecia uma doida pelas limpezas, e isso via-se pela limpeza do seu quarto! O meu era totalmente o oposto!
-Não te enerves! Olha que isso faz rugas! – Brinquei.
A porta do quarto abriu-se sem nenhuma de nós estar á espera, e dela emergiu Pedro, vestido com um equipamento de futebol preto, enquanto comia um pão:
-Lana?
-Seu parvalhão! – Interrompeu Liliana – Não sabes bater antes de entrar? E se eu estivesse nua?!
-Nada que eu não tenha visto antes!
Soltei uma gargalhada do á vontade dele, e também da cara de parva de Liliana que lhe atirou a saca de algodão á cabeça:
-Sai daqui!
-Ok, mas preparem-se porque eu volto!
Ele fechou a porta e deixou-nos sozinhas.
-Não sabia que eras tão mazinha com o teu irmão! – Comentei em tom de troça.
-Oh, eu não suporto quando ele chega a casa e me dá cabo do sistema!
-Na escola pareceis tão civilizados!
-Na escola ele não me chateia! Sabes como é, temos de gastar as más energias em algum sítio!
Concordei. Era necessário haver um equilíbrio em tudo!
-Então, que fazemos a seguir?
-Espera, tenho de ir ver se o Pedro me sujou alguma coisa! – Exclamou, aproximando-se á porta para verificar o corredor – Vem comigo se quiseres! Aproveitamos e lanchamos!
-Está bem!
Acompanhei-a pelo corredor, até que a jovem se travou e me fez parar. Cerrou os punhos irritada:
-Pedro, vou dar cabo de ti! – Afirmou, observando um pedaço de lama na tijoleira da entrada.
Ela voltou-me costas e eu preparei-me para segui-la novamente. Foi então que a campainha soou. Ela parou e olhou para traz:
-Importas-te de abrir, Lana? Deve ser a minha mãe!
Eu assim fiz.
Abri a porta da entrada, e á minha frente surgiu uma senhora jovem, de cabelo castanho terra e olhos também castanhos, com uma estrutura semelhante á de Liliana mas com algumas características oferecidas pela idade. Ela estava carregada de sacas com compras, e quase deixou cair uma quando me encarou.
-Quem és tu?
Fiquei surpreendida pela maneira que ele me olhou! Parecia que me conhecia, contudo eu nunca a tinha visto antes! Liliana apareceu atrás de mim, rindo!
-Não te assustes, mãe! Esta é a Lana!
Ela sorriu-me:
-Ah, então és tu a famosa Lana! A tua cara é-me familiar!
Eu peguei numa das suas sacas, ao aperceber-me da dificuldade que ela estava a ter com todo aquele peso:
-Eu acho que nunca nos cruzamos! – Admiti.
Ela semicerrou os olhos:
-Que estranho… Podia jurar que…! Oh, esqueçam!
Ela dirigiu-se para a sala de jantar, que eu ainda não tinha tido a oportunidade de ver de perto. Ao contrário do que eu julgava, aquilo era uma sala de jantar e uma sala de estar ao mesmo tempo. Tinha três sofás castanhos e as paredes eram beges. Tinha um armário junto á porta que ligava ao Hall e uma mesa de vidro fosco que eu já tinha reparado quando cheguei á casa. Havia uma porta discreta á direita, por onde nós entramos, que nos deu acesso directo para a cozinha propriamente dita. A mãe de Lili pousou tudo em cima da mesa rectangular e eu fiz o mesmo, com cuidado, pois não sabia que materiais havia na saca.
-Já estais aqui á muito tempo? – Perguntou, começando a retirar as coisas da saca.
Lili pousou o balde e a esfregona numa dispensa. Mal me apercebi que ela já tinha limpado o chão.
-há cerca de uma hora e pico! – Respondeu a sua filha.
-O Pedro já chegou do treino?
-Sim! Aquele parvo voltou a sujar a entrada!
-Relaxa! – Aconselhou - Já sabes como ele é!
Liliana suspirou, e depois franziu as sobrancelhas ao ver as coisas que a mãe tinha comprado:
-Para que é tanta coisa?
A sua mãe olhou-a espantada:
-Esqueceste-te?!
-De quê? – Questionou, repentinamente nervosa.
Mordi o lábio. Será que ela estava metida em sarilhos?
Pedro irrompeu pela cozinha, descalço, mas ninguém lhe deu atenção:
-Do jantar de logo á noite! Com a Maria do Carmo!
O rapaz aproximou-se de nós completamente atrapalhado:
-É hoje?!
Liliana e Pedro olharam-se, aflitos.
-Não acredito que vocês se esqueceram! – Repreendeu a mulher – Se eu só chegasse á hora de jantar, vocês ainda me apareciam de pijama! Não fizeste o pudim que te pedi, Liliana?
-Desculpa mãe! Eu não sabia mesmo!
-E eu distraí-te… - Vozeei, preocupada – Desculpem!
-A culpa não é tua! – Disse a mãe deles que, incrivelmente, eu ainda não sabia o nome – Bem, vamos ao trabalho! Mais vale tarde do que nunca!
Liliana Agarrou-me o braço:
-Desculpa Lana, disse-te que podias ficar comigo e esqueci-me totalmente do jantar!
-Não há problema, eu vou para casa! – Informei - Pode ser que a Helen não chegue muito tarde!
-Porque não ficas para jantar? – Perguntou a sua mãe – Há sempre lugar para mais um!
Liliana e Pedro entreolharam-se novamente. Reparei que eles não acharam boa ideia em eu ficar para comer com eles:
-Não é preciso, obrigada! Não quero dar trabalho!
-Que disparate! Não tens culpa de a Liliana se ter esquecido! Alem disso, se vocês se conhecem e dão bem, eu até insisto!
-Vocês não se importam? – Perguntei a Liliana e a Pedro, fingindo não me aperceber do nervosismo deles.
-Claro, fica…! – Respondeu Pedro, hesitante.
-Então está bem!
Franzi as sobrancelhas. Era nítido que eles não me queriam ali, mas eu não consegui entender porquê. Voltei-me para as coisas em cima da mesa e olhei a mãe deles:
-Como é que você se chama?
Ela riu-se daquele esquecimento:
-Teresa!
-Muito bem, em que posso ajudar?
Ela pegou em duas latas de leite condensado:
-Sabes fazer baba de camelo!
-Claro, traga-me o animal!
Ela soltou uma risada e entregou-me as duas latas. Pegou numa bacia e entregou-me logo a seguir uma caixa de ovos:
-Somos… - Ela olhou para o tecto contando pelos dedos – 10 pessoas a contar contigo!
-Estou a ver que vai ser um grande jantar!
-Nada a que não estamos já habituados cá em casa! – Ela olhou Pedro e Liliana que cochichavam algo, que ideia minha ou não, pareceu-me dizer-me respeito a mim – Então! Não fiquem de plantão! Pedro, faz um bolo de ananás e Liliana faz o pudim!
Eles suspiraram os dois ao mesmo tempo e juntaram-se a mim.
Todos três, fizemos o que nos foi pedido, com alguma pressa, e tentando manter tudo limpo. Misturamos ingredientes, untamos formas e colocamos preparados em taças. Tudo isto levou cerca de hora e meia, e depois tivemos de preparar algumas entradas, para facilitar a vida á D. Teresa.
-Hei Lana, este é o teu mundo, não? – Troçou Pedro, quando metia alguns aperitivos nos pratinhos.
-Podes ter a certeza! – Confirmei, enquanto ajudava Liliana a limpar o balcão.
-Meninos! – Chamou D. Teresa – Vão-se preparar, eu trato do resto!
Pedro pousou as coisas apressado e saiu da cozinha a correr:
-Eu sou o primeiro! – Declarou.
Liliana Cerrou os dentes e os punhos:
-Não gastes a água quente toda!
-Vou tentar!
Limpei as mãos a um pano e fui para longe da comida. Liliana veio comigo, e já mais calmas, entramos no quarto, onde estavam ainda os vernizes e a maquilhagem:
-não acredito que arranjamos as unhas para nada! Felizmente mantiveram-se bem!
Ela abriu o seu guarda-fatos e retirou uma saca fosca. Dentro dela estava um vestido Bege escorrido, com um pouco de folhos no pescoço. Tinha um aspecto elegante, mas era bastante bonito.
-O que achas? – Ela pô-lo em frente ao seu corpo.
-Parece ficar-te bem! – Exclamei – Estou a ver que este jantar vai ser muito requintado!
Comecei a sentir-me mal! Ela ia jantar com a rainha de Espanha?
-Nem por isso! É um jantar vulgar, só que por acaso o meu vestido é elegante! Não te preocupes, eu arranjo-te qualquer coisa menos desportiva para vestires!
Ela meteu a cabeça dentro do armário e começou a pegar em vestidos dela, de cores diversas. Pareceu-me tudo demasiado colorido para mim.
-Escolhe!
Peguei no mais escuro que ela lá tinha. Era castanho, e liso.
-Acho que não te vai servir! – Disse, pegando nele novamente. – Aliás, acho que nenhum te serve!
-Porquê? – Perguntei
-Porque eu sou uma tábua rasa e tu tens mais peito! Vou perguntar á minha mãe se tem alguma coisa que te sirva!
Ela voltou a pôr os vestidos no armário e afastou-se de mim. Analisei as minhas unhas claras na sua ausência. Para que é que eu estava a ser esquisita? Ninguém me conhecia, eu podia vestir-me com uma cor mais normal, para variar.
Resolvi ir chamar Liliana, para ela não ter tantos problemas em escolher-me a vestimenta.
Saí do quarto para ir ter com ela, mas fui surpreendida quando nos cruzamos no corredor.
A sua mãe entrou nos seus aposentos, e chamou-me para me avaliar:
-Hum… Não tens mesmo nada, Liliana?
-Que lhe sirva não…! – Respondeu Lili.
-Hum…
D. Teresa segurou-me os ombros, e depois fez-me dar uma volta:
-Onde puseste o vestido que comprei na semana passada?
Liliana sorriu. Pelos vistos o problema tinha solução.
Ela pegou numa saca pendurada na cadeira do seu quarto e entregou-a á sua mãe.
Eu espreitei o traje, curiosa, e ele depressa me foi exposto.
-Que bonito! – Exclamei, analisando-o.
De facto fiquei cativada. Era um vestido de folhos, com camadas cor-de-rosa, castanhas, e brancas. Tinha duas alças de grossura média e o seu comprimento, pelo que me pude aperceber, chegava acima dos joelhos cerca de 10 centímetros.
-Não te importas com a cor? – Questionou Liliana, atenciosamente.
-Ninguém me conhece, portanto não me preocupo!
Ela fez um ar de desespero que me deixou assustada.
-O que foi? – Perguntou a sua mãe, também espantada com aquela careta.
-Nada! – Murmurou – O Pedro já está pronto?
-Sim, saiu ainda há pouco tempo! Vão dar banho! – Advertiu - Liliana podes ir á minha casa de banho se quiseres!
Saímos todas do quarto, já com o material necessário para depois do duche. Tentei a mais rápida possível no banho, caso contrário ficavam sem água como acontecia em minha casa. Enrolei o cabelo na toalha e vesti logo as meias calças de vidro e o vestido, que me assentou que nem uma luva.
Corri o mais rápido que consegui de volta para o quarto. Liliana já lá estava, e pelos vistos também tinha acabado de chegar!
-Fica-te bem! – Disse – E pensar que eu o ia trocar por não me servir!
-Oh, ias troca-lo? – Olhei para mim mesma. Eu estava a estrear um vestido que ia ser trocado? – Quanto custou?
Ela deu de ombros:
-Trinta euros!
-Eu compro-to! – Afirmei.
Ela fitou-me espantada
-O quê?
-Não te vou deixar no prejuízo, alem disso, ele é muito giro!
-Calma, eu ofereço-to!
-Nem pensar! Eu pago! – Não a deixar refutar - Olha lá…
Ela fixou-me:
-é impressão minha ou tu não estás muito alegre com a ideia de eu ficar para jantar?
Ela deu de ombros:
-Não é por mim! Sabes que eu gosto da tua companhia!
-Então porque estás tão atrapalhada? Sabes que eu sinto, não sabes?
Ela afirmou, mas não teve coragem para me dizer fosse o que fosse.
Tentei não lhe dar importância e escovei o cabelo molhado. Ela fez o mesmo, em silêncio, e depois pegou nuns rolos extra largos para o cabelo.
-Que queres fazer ao teu cabelo? – Interrogou-me.
-Qualquer coisa! Vais fazer caracóis?
-Estava a pensar em fazer-te a ti, se não te importas!
Abri a boca, admirada:
-ah… Pode ser, mas então e tu?
-Eu estico o meu! – Informou, aproximando-se de mim com os rolos.
Lili dividiu-me o cabelo em madeixas médias e enrolou-as nos tubos grossos. Foi uma tarefa rápida e fácil para ela, pelo que logo a seguir, eu lhe comecei a alisar o cabelo com a prancha. Quando terminei, passados aproximadamente vinte minutos, ela passou o secador pelo meu cabelo para seca-lo mais rapidamente.
Enquanto esperamos pelo efeito dos rolos, decidimos maquilharmo-nos. Liliana não tinha esse hábito, mas quando passou a sombra nos olhos verificou-se logo uma alteração positiva.
Eu delineei os meus olhos com o lápis preto, e depois coloquei uma sombra rosada na zona superior da pálpebra, e escureci ligeiramente com castanho rente às pestanas que revesti com rímel, assim como Liliana. Por fim, passamos um brilho leve nos lábios e Liliana colocou um pouco de blush.
-Estás Li-linda! – Exclamei, sorrindo.
Ela sorriu:
-Tu também! Acho que ninguém te vai reconhecer! Eu pelo menos não reconheço!
Agradeci o elogio e comecei a retirar os rolos. O meu cabelo ficou com um aspecto muito natural e leve. Os caracóis eram soltos e assemelhavam-se bastante ao meu cabelo natural, mas era perfeitamente visível a diferença que causava no meu físico.
Passei os dedos no cabelo e empurrei-o para trás, de maneira a dar-lhe um aspecto mais livre.
Tinha de admitir. Tinha saudades de Me ver, e aquele momento estava a causar-me uma certa nostalgia.
-Sabes, Liliana, acho que me falta algo…
-Eu sei! Vem buscar alguns acessórios!
Ela mostrou-me uma caixa de jóias cheia de bugigangas. Para ela retirou pulseiras cor-de-laranja e castanhas, e pôs também uns brincos cor de bronze.
Eu coloquei uns brincos cinzentos, redondos e leves., mas nos pulsos tentei ser mais original. Adornei os meus braços com umas luvas sem dedos até ao cotovelo que improvisei na hora, feitas com uma meia calça de rede cor-de-rosa bebé que Liliana tinha.
Só me faltava calçar.
Liliana calçou umas sabrinas castanhas, e eu, sem grandes alternativas, usei umas botas de cano médio também em tom castanho.
Estávamos definitivamente prontas, e por isso voltamos para a cozinha, de onde vinha um cheiro apetitoso que eu mal podia esperar para provar. O jantar estava a ser feito, lentamente, pela mãe de Liliana, que se surpreendeu bastante ao ver-nos.
-Ena, que bonitas! – Elogiou. Ela pousou a colher de pau em cima do balcão – Agora podem ficar aqui a tomar conta da comida enquanto eu me vou preparar?
-Claro! – Assentiu Liliana.
Pela primeira vez cruzei-me com o pai dela, que entrou na cozinha, a comer um rissol de carne. Quando ele me viu, reagiu da mesma forma que Teresa, apesar de eu desta vez estar com uma roupa mais vulgar e menos assustadora:
-Eu conheço-te! – Exclamou.
Eu neguei com a cabeça, atrapalhada:
-Acho que não, pai! – Corrigiu Liliana.
-Que estranho, a tua cara é-me muito familiar!
-A sua esposa disse o mesmo, mas eu tenho a certeza que não é possível!
Ele franziu as sobrancelhas, tentando recordar onde me vira antes.
Senti-me obrigada a reflectir o porquê daquele casal me achar familiar. Será que eu os conheci na minha antiga cidade? Sinceramente, não me parecia.
O pai de Liliana saiu novamente da cozinha, dando lugar á entrada de Pedro que observou-me a mim e a Liliana como que chocado:
-Quem são estas gatas?!
Eu e Lili não conseguimos evitar de nos rirmos em uníssono do modo aparvalhado com que Pedro nos saudou.
-Hei, Lili, viste a Lana? – Perguntou ironicamente.
-Estou aqui! – Respondi, entrando no jogo – Estou assim tão diferente?
-Diferente? Por favor, há tipos que não sabem o que estão a perder!
Eu senti o meu rosto aquecer de vergonha:
-Já vos disse que sou tímida? – Perguntei tocando o meu rosto com as mãos frias.
-Não sejas! - Aconselhou ele – Tens de saber valorizar-te!
Abanei a cabeça. Ele tinha razão, apesar de às vezes eu enterrar a minha auto-estima.
-Precisas de ajuda, Lili? – Questionei, para disfarçar a minha vergonha.
-hum, podem pôr a mesa? Daqui a nada os convidados chegam!
Obedeci ao pedido e peguei na louça que estava em cima da mesa da cozinha. Levei-a para a sala de jantar e pousei-a com cuidado. Pedro e o seu pai vieram ajudar-me, para passar o tempo.
Quando a senhora Teresa se acabou de aperaltar veio ter connosco para ver se estava tudo bem.
Ela estava muito bonita. Envergava umas calças brancas, justas, e uma túnica num bege quase dourado, adornado com um colar comprido de pérolas finas e com uma pulseira de ouro muito trabalhada.
-Está muito elegante! – Elogiei com cortesia.
Ela sorriu-me em tom de agradecidamente e depois vislumbrou a organização da louça:
-Obrigada por me porem a mesa! Eu vou ver o jantar!
Eu dei a volta á mesa analisando se estava tudo em ordem, mas travei-me quando a campainha tocou atrás de mim. Liliana saiu da cozinha, agitada, e Pedro foi abri-la.
E agora, quem será?! hum
comentem please, senao vou ter de deixar de postar! ;_;
bem, peço desculpa pelo atraso, eu ia postar ontem á noite, mas entretanto fui a uma festa e nao tive tempo.
Eu gostava de postar mais frequentemente, mas os comentarios sao tao poucos que nao me permitem! A serio, eu sei que ás vezes há gente que le mas nao comenta, mas peço-vos que o façam, pois parecendo que nao, é um grande incentivo para escrever! Sei que tem havido capitulos muito aborrecidos, mas se eles nao existissem, eu nao podia escrever os melhores!
Agredeço ás meninas que leem assiduamente e deixam sempre comentarios! 
Trouxe mais um capitulo! Esta primeira parte é uma especie de preparaçao, portanto nao se passa nada de interessante! XD
Capitulo XIV - O jantar - parte 1
Abri os olhos, ensonada. Os raios de sol embateram contra a minha cara, fazendo-me sorrir. Era sábado, finalmente! As férias tinham começado, e eu não me podia sentir melhor!
Levantei-me da cama num pulo e vesti o meu robe!
Helen já estava a tomar o pequeno-almoço na cozinha, e eu sentei-me ao seu lado, mal cheguei á cozinha:
-Acordaste cedo! – Reparei.
-Sim, quero arrumar a casa o quanto antes! – Disse, passando-me a cafeteira com leite – Eu não te disse, mas eu tenho de ir a casa!
-Fazer o quê? – Questionei, preocupada.
-Parece que houveram uns problemas com a nossa mudança de cidade! – Disse, barrando uma torrada com manteiga - Ainda és menor de idade, e faltavam assinar uns papeis!
-Que absurdo, és da minha família, devíamos ter mais liberdade!
-Não é assim tão simples! Há famílias adoptivas que não são tão boas como parecem!
Abanei a cabeça, aborrecida por ter de passar mais uma tarde sozinha:
-Parece-me que estás a ir demasiadas vezes á Povoa!
-Não te preocupes, acho que já é mais seguro! A “Mummy” não tem visto ninguém a observa-la nem coisa parecida! – Ela sorriu, com uma ideia malandra a passar-lhe pela mente. Eu senti-a como um murmúrio – Portanto… - prosseguiu – Podemos ir passar a Pascoa a casa!
Pousei a caixa de cereais no balcão e soltei uma lufada de ar:
-Isso não me deixa muito descansada!
-Lana, não quero passar o resto da minha vida longe de casa! Eu tenho saudades de ir á praia, de sentir a brisa do mar, de caminhar pelas galerias…! Tu estás a salvo! – Ela encostou a cabeça á sua mão – Estás diferente, e eu sei que tu consegues superar seja o que for! Alem disso se alguém te atacar, dás-lhe com uma asa no focinho!
Libertei uma gargalhada. As asas ainda me iam dar algum jeito, realmente!
-Bom, eu não te quero impedir de ires a casa, por isso… Vou tentar, mas com o máximo de cautela, está bem?
-Ok, anjinha! – Prometeu, bebendo um pouco do seu leite com café.
Eu pus uma colher de cereais na boca, enquanto lia a embalagem, pensando no meu entretenimento durante a tarde.
Fixei Helen, com um biquinho na boca na direcção dela:
-Helen, dá-me uma opinião! Que faço sem ti a tarde toda?
Ela pousou a sua chávena no lava-louça:
-Vai até á vila! Aproveita o dia!
-Que seca! Eu odeio andar por aí sozinha! É aborrecido e assustador, sabes como eu sou!
-Então convida algum amigo teu! – Advertiu, enquanto arrumada o açucareiro e os meus cereais no armário - A Liliana deu-te muitos contactos, lembras-te?
Fiz uma careta rabugenta. Não havia ninguém com quem eu me desse suficientemente bem para passar a tarde!
Levantei-me da mesa e pus as minhas coisas no sítio. Resolvi não pensar mais no assunto até á hora de Helen ir embora.
Pusemos a música mais louca que tínhamos em alto volume, e entre saltos e passos de dança assustadores, arrumamos a casa na sua totalidade. A minha madrinha era mais rápida do que eu nas tarefas domésticas, mas eu era mais caprichosa, especialmente no meu quarto! Substituí algumas roupas de inverno pelos tops e t-shirts que Helen me tinha comprado há duas semanas, e depois fiz um almoço rápido, enquanto ela dava os últimos retoques nos armários da sala.
Ela saiu de casa às três horas da tarde, e como eu não queria ficar sozinha pedi-lhe que me levasse até á vila Geres. Ao inicio ela não pareceu ficar agradada com a ideia de fazer um desvio do seu percurso, todavia eu não lhe deixei hipóteses. Ela deixou-me perto de uma rotunda, e depois voltou para o seu trajecto.
Fui andando pela vila, meia tímida, especialmente quando via alguma velhinha a vender mel na face da estrada, visto que me olhavam sempre assustadas.
Por um lado esse aspecto dava-me vontade de sorrir, por outro era constrangedor. Eu não era assim tão má nem maluca!
Fui até ás termas, e aí parei junto a umas grades que nos deixavam ver um pequeno riacho a passar. Deduzi que aquela agua ia ter á minha cachoeira e deixei-me ficar ali a apreciar a brisa fresca que trespassava os meus cabelos.
Resolvi voltar para trás, e voltei a passar pelos mesmos hotéis e pelas mesmas velhinhas assustadas, até me aproximar da pastelaria de Liliana.
Resolvi entrar para ver se ela lá estava.
O ambiente estava leve e as pessoas já não eram muitas. Havia três serventes, dois deles a servir determinadas mesas, e outro a tirar cafés. Amuei ao perceber que nenhum era Liliana ou Pedro. Aproximei-me do balcão e esperei que algum empregado se dirigisse a mim.
Qual não foi a minha surpresa quando Liliana irrompeu pela porta que dava acesso á cozinha e me saudou, animada:
-Lanita!
Eu sorri-lhe, animada:
-Pensei que não estavas!
-Ia sair mesmo agora! Estás sozinha?
-Sim, a Helen teve de ir tratar duns assuntos! Acho que vai passar a tarde toda fora, se não a noite também!
-Oh, coitada! – Lamentou – Que vais fazer então?
-Não sei, vim dar uma volta pela vila e entretanto resolvi fazer-te uma visita!
Ela sorriu-me animada:
-Fizeste bem! -Ela passou a mão no cabelo, com o nariz torcido, e pô-lo atrás da orelha, desconfortável - Queres ir dar um passeio comigo? – Perguntou.
Passeio era algo que eu já tinha dado, mas era melhor isso do que ficar a tarde toda sem fazer nada de jeito:
-Claro!
-Então eu volto já!
Liliana pousou o seu avental de trabalho e foi até á cozinha buscar os seus pertences.
Mandei uma mensagem a Helen a avisar que ia passar a tarde com Liliana.
Pacientemente, esperei-a olhando para as paredes do café, enquanto pensava num bom rumo para o nosso passeio. Quando ela passou para a zona exterior do balcão agarrou o meu braço e puxou-me para fora do estabelecimento, animada:
-Oh, até que enfim! Os sábados são tão aborrecidos! – Comentou – Ainda por cima está tanto sol! Vamos aonde?
-Não sei! – Respondi acompanhando-lhe o ritmo. Aspirei o ar puro e fresco daquela tarde e mirei-a interessada – O que te apetece fazer?
Ela deu de ombros e depois começou a sacudir o cabelo, irritada. Reparei que estava um tanto ou quanto embaraçado:
-Ia já ao cabeleireiro! Estou toda farrusca!
Eu ri-me e olhei para as nuvens brancas do céu:
-Não estás assim tão mal! Só não estás arranjada!
-A quem o dizes! – Admitiu – Sabes, precisava de uma tarde toda a tratar do meu aspecto! Por amor de Deus, as minhas unhas metem medo! – Exclamou estendendo a mão á nossa frente.
-O que é que te falta, Lili? – Perguntei – Temos a tarde toda para isso!
Ela parou de andar e fitou-me com um ar maroto:
-Alinhas?
-Em quê? – Senti-me desentendida.
Ela esboçou um largo sorriso e parou á minha frente, impedindo-me prosseguir o caminho:
-Uma tarde de raparigas, só tu e eu! Podíamos pintar as unhas, arranjar o cabelo, maquilharmo-nos e lutar com almofadas, como nos filmes! Que achas?
Libertei um riso com toda aquela vontade:
-Vais-te dar a esse trabalho todo comigo?!
Era uma perda de tempo! Eu nunca na vida tirava a sombra preta e mostrava o meu cabelo encaracolado á sua frente!
-Oh vá lá! - Pedinchou agarrando-me as mãos com esperança - Vamos para minha casa, não está lá ninguém e podemos fazer o que quisermos!
Olhei para o chão numa medida de reflexão. Se não estava ninguém em casa dela, eu não corria o risco de ser apanhada desprevenida, certo? Levantei a minha mão no ar para avaliar as minhas unhas e sorri. Porque não? Eu já não me arranjava bem á algum tempo, alem disso era sempre bom passar uma tarde com uma amiga a falar de coisas que não faziam parte da escola!
-Ok! Convenceste-me!
Ela sorriu e deu um pulo no ar! Agarrou a minha mão e arrastou-me, literalmente, a correr.
A casa dela ficava apenas a uns metros do café, portanto foi um instante para lá chegarmos.
Tinha um pequeno jardim á frente da entrada. Ela abriu a porta apressada e convidou-me a entrar, empolgada com a minha presença. Eu avancei lentamente e observei o interior do seu lar! O Hall era pequeno, mas arranjado de uma forma suave e moderna, em tons de bege. Tinha uma porta grande mesmo á nossa frente, em vidro fosco que dava ligação a uma sala de jantar e uma porta mais pequena á nossa direita, de madeira, que Liliana abriu sem hesitar. Eu segui-a pelo corredor largo, passando por duas portas entreabertas e um armário decorado com velas aromáticas e flores secas que condiziam com um retrato abstracto, até entrarmos numa divisão que ela seleccionou.
-Bem vinda ao meu quarto!
Ela retirou as sapatilhas e sentou-se na cama num pulo.
Tentei não me instalar demasiado á vontade e observei timidamente o seu aposento.
O quarto tinha apenas um pano de cor em lilás e as restantes paredes eram brancas. A cama, de madeira clara, estava centrada contra a parede de cor, e havia uma enorme janela do lado direito, adornada com uma cortina também lilás. Tinha uma televisão, um DVD e uma aparelhagem de som, que ela se apressou a ligar.
Reconheci imediatamente uma musica dos Nickelback e sorri. Ela apercebeu-se e abriu a boca:
-Desculpa, gostas desta musica, ou preferes que eu procure uma alguma mais pesada?
-Não, eu gosto! – Assegurei rindo - Sua tonta, não julgues que por eu me vestir de preto sou punk! Adoro os Nickelback!
Ela sorriu e depois franziu as sobrancelhas:
-Se não é por estilo porque é que te vestes assim?
Eu não consegui fazer um ar simpático! Já tinha passado por essa fase antes, e sinceramente não correu nada bem!
-Por nada em especial! – Respondi – Então, por onde começamos?
Liliana levantou-se da cama e olhou em redor, buscando algo. Vi no seu olhar que ela não tinha encontrado o que queria, e como tal saiu do quarto! Eu segui-a, incomodada por ficar sozinha.
Entramos numa casa de banho e ela abriu um armário de onde retirou uma caixa de vernizes e outra de maquilhagem. Pousou tudo no meu colo e depois encheu uma bacia com água quente e um pouco de gel de banho:
-Vamos fazer as unhas! – Exclamou.
A ideia agradou-me e eu ultrapassei-a no regresso ao quarto. Pousamos as coisas em cima da cama, e depois sentamo-nos as duas. Liliana espalhou os vernizes á nossa frente e obrigou-me a retirar o meu verniz escuro para a ajudar:
-Que cor achas melhor?
Olhei para ela de relance e depois para os vernizes. Havia diferentes tons de cor-de-rosa, castanhos, vermelhos, bordeaux, e também branco e transparente:
-Rosa claro! – Exclamei, pegando num frasco cilíndrico de cor rosa morto.
Ela, já com as suas mãos molhadas, segurou-me os pulsos e colocou as minhas pontas dos dedos dentro da água quente. Franzi as sobrancelhas e tentei soltar-me dela:
-Lili, eu não vou arranjar as minhas unhas!
-Claro que vais! – Garantiu, imperativamente – Vá, agora escolhe uma cor para mim!
-Acabei de dizer cor-de-rosa!
-Mas esse é para ti!
Abri a boca pronta para refutar a ideia:
-Nem pensar, Para mim, só se for um bordeaux escuro!
-Nem em sonhos! Em minha casa mando eu, Lanita! Tu escolheste o rosa, e rosa será!
Soltei uma lufada de ar e abanei com a cabeça:
-está bem, mas antes de me ir embora eu retiro o verniz, ok?
Ela revirou os olhos com um sorriso enviesado:
-Está bem…! Então – ela mirou as cores que restavam -, que cor pinto eu? Não quero ficar igual a ti!
Olhei novamente para os vernizes, pensativa:
-Faz uma manicura á francesa!
Retirei as minhas mãos da bacia com água e agarrei numa lima. Liliana Estendeu-me os seus dedos e eu analisei as suas unhas:
-Pelo menos não róis as unhas!
Ela soltou uma gargalhada:
-Mesmo assim são feias! Confio em ti para me deixares bonita!
Fiz um esgar brincalhão:
-Não gosto que as pessoas confiem em mim! Ainda as decepciono!
-Isso acontece-te muitas vezes?
-Ao contrário, sim! – Murmurei, atenta às suas cutículas.
-Quem é que te desiludiu?
Travei a lima e olhei-a de soslaio, antes de recomeçar:
-Muita gente…!
Ela não descansou! A sua mente ficou invadida de diferentes sentimentos e sensações, o que me provocou uma ligeira dor na cabeça:
-Li, não sejas curiosa!
-Foi o Gustavo? – Ela perguntou, séria, e percebeu, pela minha reacção, que ele estava envolvido – O que é que ele fez?
-Se te contasse tu também me ias desiludir!
Ela franziu o sobrolho, ofendida:
-Por quem me tomas?
-Por uma pessoa normal!
-Hei, eu sei que tu és um anjo! Isso não basta para eu entender seja o que for?
Suspirei profundamente. Eu confiava em Liliana para lhe contar o que nos aconteceu, mas por outro lado era muito difícil recordar aquilo.
-Eu contei um segredo ao Gustavo…! – Declarei, recatadamente – E ele… Desiludiu-me…!
-Ele não o guardou?! – Perguntou, estupefacta.
Neguei com a cabeça:
-Que eu saiba, ainda só ele é que sabe!
Ela passou-me a sua outra mão, ao aperceber-se que eu já tinha limado as primeiras cinco unhas.
-Eu também não sei?
Ela estranhou ao entender tal coisa. Liliana julgava que por saber muitas coisas sobre mim, eu não tinha segredos com ela, mas isso não era verdade! Talvez eu considerasse este segredo ainda mais importante do que o das asas!
-É algo que eu não posso contar a ninguém, a mesmo ninguém! O Gustavo só descobriu porque… - Cerrei os dentes confusa – Nem eu sei como é que ele conseguiu!
Pousei a mão de Liliana com força nas minhas pernas e olhei para a janela incrédula:
-Agora que penso ele… Ele é muito manipulador, não é?
Ela riu-se e voltou a levantar a sua mão para eu prosseguir:
-Isso é no bom, ou no mau sentido?
-Não sei…Só sei que ele me mudou!
-Como? – Quis ela saber.
Pousei a lima e agarrei o verniz branco. Sacudi-o e aninhei-me para controlar melhor as pinceladas finas que ia dar nas pontas das unhas:
-Foram três coisas! – Relembrei – Três coisas que eu não suportava!
-E o que eram?
Fiz a primeira linha branca na unha, enquanto reflectia sobre a questão:
-Eu não queria fazer amigos aqui…! – Admiti – Eu não me queria afeiçoar a ninguém, porque não me queria desapontar…!
Liliana contorceu o seu corpo e cerrou os lábios, admirada.
-Eu não gostava de falar de mim, de receber muitas questões e de ser contrariada! Valha-me deus, eu ficava louca com as insinuações dele, não tens noção! Ele era tão irónico! – Não consegui evitar de sorrir, ligeiramente emocionada. Felizmente Liliana não se apercebeu.
-e qual foi a terceira coisa que ele mudou em ti?
Suspirei, admirada com aquela minha mudança:
-Eu não suportava que me tocassem, que me agarrassem ou que me beijassem! Tinha uma espécie de pânico e às vezes parecia que a pele dos outros me dava choques…!
Fui clara e directa. Lili ficou completamente admirada comigo:
-A sério? Porquê?
Se lhe respondesse a isto, teria de lhe contar o segredo! Evitei dizer algo muito comprometedor:
-Era uma mania minha! Mas enfim… Já não sou assim tão sensível!
Ela sorriu e deu-me a outra mão, enquanto agitava a outra para secar o verniz:
-Como é que ele conseguiu?
Sorri também e dei de ombros:
-Talvez porque ele teve coragem suficiente para contrariar todas estas minhas limitações! Quer dizer – Molhei o pincel no verniz e soprei a unha – Ele praticamente me atirou para o teu grupo! Ele queria, a todo o custo, que eu me integrasse e fizesse amigas! Pelos vistos agora é tarde demais para não sofrer desilusões convosco, já me afeiçoei demasiado!
Ela sorriu orgulhosa:
-Se depender de mim, não vais desapontar-te connosco!
Eu olhei-a e sorri:
-Conto com isso!
Ela esboçou um risinho:
-Como é que ele te fez falar?
-O Gustavo colocou-me entre a espada e a parede! – respondi - Fazia cada pergunta mais íntima! Oh céus, eu ficava completamente furiosa com a curiosidade dele em relação á minha vida! E o mais impressionante é que lhe cantarolei tudo sem conseguir evitar! Que idiota!
Larguei a mão de Liliana e peguei no verniz transparente. Reparei que ela tinha umas flores para colar no esmalte e resolvi utilizar algumas.
-Como é que ele resolveu o problema do contacto físico?
Senti-me ligeiramente envergonhada com esta ultima questão. A resposta deixava-me quente por dentro, e era difícil de admitir que ele tinha conseguido controlar-me daquela forma.
Lili espreitou o meu rosto, com um olhar maroto:
-Então? Como é que ele conseguiu?
Humedeci os lábios:
-Ele é muito protector… - Murmurei, evitando o olhar de Liliana – E quente… e forte… e aconchegante… e… Ele conseguiu levantar-me quando eu pensei que me ia manter em baixo…
Levantei a minha visão até Liliana. Ela sorria, especada a olhar para mim. O meu rosto esquentou:
-O que foi?
-és tão querida…
Ri-me timidamente. O que queria ela dizer com aquilo?
-Porquê?
Ela agitou as mãos para secar o verniz, ainda sorrindo:
-A maneira que falaste do Gustavo… Não entendo porque estão tão afastados, o vosso lugar era…!
Não a deixei continuar a sua opinião. Não a ia deixar cair no erro de pensar que nós não tínhamos motivos para estarmos longe um do outro:
-Nós estamos afastados porque ele, da mesma maneira que me levantou, deixou-me cair, e ainda me empurrou mais para baixo!
Ela fez uma careta de desilusão:
-Mas ele mexe muito contigo, não mexe?
Não consegui mentir:
-Não sei como… Mas sim…! Ele enerva-me, e por outro lado… Não sei! Não consigo entender!
Sacudi o cabelo e entreguei as minhas mãos a Liliana, para ela me fazer a manicura!
Ela mordeu o lábio, pensativa e avaliou as minhas unhas:
-Que bonitas! – Exclamou.
Começou a mover a lima junto a elas, mas quase não precisou de se dar ao trabalho, visto que eu, ainda no dia anterior, o tinha feito. Ela passou rapidamente para o verniz, e depois uma segunda camada para intensificar o efeito da cor, que se saiu muito bem no meu tom de pele! Era preciso admitir que eu já tinha saudades de ver uma cor clara sobre mim!
Quando ela terminou, olhei para o relógio, e apercebi-me que tinha passado uma hora desde a nossa saída da sua pastelaria. Éramos tão lentas que ainda só tínhamos pintado as unhas!
De repente escutamos a porta da entrada a abrir-se. Liliana aproximou-se da saída do seu quarto e deu um grito:
-Pedro, nem te atrevas a vir para dentro de casa com as chuteiras cheias de lama!
Ela voltou a fechar a porta e a sentar-se na cama:
-Tarde demais! – Respondeu ele também num berro suave.
Liliana Cerrou os dentes, furiosa:
-Estúpido! Se vejo alguma coisa suja dou cabo dele!
Soltei uma gargalhada divertida. Ela parecia uma doida pelas limpezas, e isso via-se pela limpeza do seu quarto! O meu era totalmente o oposto!
-Não te enerves! Olha que isso faz rugas! – Brinquei.
A porta do quarto abriu-se sem nenhuma de nós estar á espera, e dela emergiu Pedro, vestido com um equipamento de futebol preto, enquanto comia um pão:
-Lana?
-Seu parvalhão! – Interrompeu Liliana – Não sabes bater antes de entrar? E se eu estivesse nua?!
-Nada que eu não tenha visto antes!
Soltei uma gargalhada do á vontade dele, e também da cara de parva de Liliana que lhe atirou a saca de algodão á cabeça:
-Sai daqui!
-Ok, mas preparem-se porque eu volto!
Ele fechou a porta e deixou-nos sozinhas.
-Não sabia que eras tão mazinha com o teu irmão! – Comentei em tom de troça.
-Oh, eu não suporto quando ele chega a casa e me dá cabo do sistema!
-Na escola pareceis tão civilizados!
-Na escola ele não me chateia! Sabes como é, temos de gastar as más energias em algum sítio!
Concordei. Era necessário haver um equilíbrio em tudo!
-Então, que fazemos a seguir?
-Espera, tenho de ir ver se o Pedro me sujou alguma coisa! – Exclamou, aproximando-se á porta para verificar o corredor – Vem comigo se quiseres! Aproveitamos e lanchamos!
-Está bem!
Acompanhei-a pelo corredor, até que a jovem se travou e me fez parar. Cerrou os punhos irritada:
-Pedro, vou dar cabo de ti! – Afirmou, observando um pedaço de lama na tijoleira da entrada.
Ela voltou-me costas e eu preparei-me para segui-la novamente. Foi então que a campainha soou. Ela parou e olhou para traz:
-Importas-te de abrir, Lana? Deve ser a minha mãe!
Eu assim fiz.
Abri a porta da entrada, e á minha frente surgiu uma senhora jovem, de cabelo castanho terra e olhos também castanhos, com uma estrutura semelhante á de Liliana mas com algumas características oferecidas pela idade. Ela estava carregada de sacas com compras, e quase deixou cair uma quando me encarou.
-Quem és tu?
Fiquei surpreendida pela maneira que ele me olhou! Parecia que me conhecia, contudo eu nunca a tinha visto antes! Liliana apareceu atrás de mim, rindo!
-Não te assustes, mãe! Esta é a Lana!
Ela sorriu-me:
-Ah, então és tu a famosa Lana! A tua cara é-me familiar!
Eu peguei numa das suas sacas, ao aperceber-me da dificuldade que ela estava a ter com todo aquele peso:
-Eu acho que nunca nos cruzamos! – Admiti.
Ela semicerrou os olhos:
-Que estranho… Podia jurar que…! Oh, esqueçam!
Ela dirigiu-se para a sala de jantar, que eu ainda não tinha tido a oportunidade de ver de perto. Ao contrário do que eu julgava, aquilo era uma sala de jantar e uma sala de estar ao mesmo tempo. Tinha três sofás castanhos e as paredes eram beges. Tinha um armário junto á porta que ligava ao Hall e uma mesa de vidro fosco que eu já tinha reparado quando cheguei á casa. Havia uma porta discreta á direita, por onde nós entramos, que nos deu acesso directo para a cozinha propriamente dita. A mãe de Lili pousou tudo em cima da mesa rectangular e eu fiz o mesmo, com cuidado, pois não sabia que materiais havia na saca.
-Já estais aqui á muito tempo? – Perguntou, começando a retirar as coisas da saca.
Lili pousou o balde e a esfregona numa dispensa. Mal me apercebi que ela já tinha limpado o chão.
-há cerca de uma hora e pico! – Respondeu a sua filha.
-O Pedro já chegou do treino?
-Sim! Aquele parvo voltou a sujar a entrada!
-Relaxa! – Aconselhou - Já sabes como ele é!
Liliana suspirou, e depois franziu as sobrancelhas ao ver as coisas que a mãe tinha comprado:
-Para que é tanta coisa?
A sua mãe olhou-a espantada:
-Esqueceste-te?!
-De quê? – Questionou, repentinamente nervosa.
Mordi o lábio. Será que ela estava metida em sarilhos?
Pedro irrompeu pela cozinha, descalço, mas ninguém lhe deu atenção:
-Do jantar de logo á noite! Com a Maria do Carmo!
O rapaz aproximou-se de nós completamente atrapalhado:
-É hoje?!
Liliana e Pedro olharam-se, aflitos.
-Não acredito que vocês se esqueceram! – Repreendeu a mulher – Se eu só chegasse á hora de jantar, vocês ainda me apareciam de pijama! Não fizeste o pudim que te pedi, Liliana?
-Desculpa mãe! Eu não sabia mesmo!
-E eu distraí-te… - Vozeei, preocupada – Desculpem!
-A culpa não é tua! – Disse a mãe deles que, incrivelmente, eu ainda não sabia o nome – Bem, vamos ao trabalho! Mais vale tarde do que nunca!
Liliana Agarrou-me o braço:
-Desculpa Lana, disse-te que podias ficar comigo e esqueci-me totalmente do jantar!
-Não há problema, eu vou para casa! – Informei - Pode ser que a Helen não chegue muito tarde!
-Porque não ficas para jantar? – Perguntou a sua mãe – Há sempre lugar para mais um!
Liliana e Pedro entreolharam-se novamente. Reparei que eles não acharam boa ideia em eu ficar para comer com eles:
-Não é preciso, obrigada! Não quero dar trabalho!
-Que disparate! Não tens culpa de a Liliana se ter esquecido! Alem disso, se vocês se conhecem e dão bem, eu até insisto!
-Vocês não se importam? – Perguntei a Liliana e a Pedro, fingindo não me aperceber do nervosismo deles.
-Claro, fica…! – Respondeu Pedro, hesitante.
-Então está bem!
Franzi as sobrancelhas. Era nítido que eles não me queriam ali, mas eu não consegui entender porquê. Voltei-me para as coisas em cima da mesa e olhei a mãe deles:
-Como é que você se chama?
Ela riu-se daquele esquecimento:
-Teresa!
-Muito bem, em que posso ajudar?
Ela pegou em duas latas de leite condensado:
-Sabes fazer baba de camelo!
-Claro, traga-me o animal!
Ela soltou uma risada e entregou-me as duas latas. Pegou numa bacia e entregou-me logo a seguir uma caixa de ovos:
-Somos… - Ela olhou para o tecto contando pelos dedos – 10 pessoas a contar contigo!
-Estou a ver que vai ser um grande jantar!
-Nada a que não estamos já habituados cá em casa! – Ela olhou Pedro e Liliana que cochichavam algo, que ideia minha ou não, pareceu-me dizer-me respeito a mim – Então! Não fiquem de plantão! Pedro, faz um bolo de ananás e Liliana faz o pudim!
Eles suspiraram os dois ao mesmo tempo e juntaram-se a mim.
Todos três, fizemos o que nos foi pedido, com alguma pressa, e tentando manter tudo limpo. Misturamos ingredientes, untamos formas e colocamos preparados em taças. Tudo isto levou cerca de hora e meia, e depois tivemos de preparar algumas entradas, para facilitar a vida á D. Teresa.
-Hei Lana, este é o teu mundo, não? – Troçou Pedro, quando metia alguns aperitivos nos pratinhos.
-Podes ter a certeza! – Confirmei, enquanto ajudava Liliana a limpar o balcão.
-Meninos! – Chamou D. Teresa – Vão-se preparar, eu trato do resto!
Pedro pousou as coisas apressado e saiu da cozinha a correr:
-Eu sou o primeiro! – Declarou.
Liliana Cerrou os dentes e os punhos:
-Não gastes a água quente toda!
-Vou tentar!
Limpei as mãos a um pano e fui para longe da comida. Liliana veio comigo, e já mais calmas, entramos no quarto, onde estavam ainda os vernizes e a maquilhagem:
-não acredito que arranjamos as unhas para nada! Felizmente mantiveram-se bem!
Ela abriu o seu guarda-fatos e retirou uma saca fosca. Dentro dela estava um vestido Bege escorrido, com um pouco de folhos no pescoço. Tinha um aspecto elegante, mas era bastante bonito.
-O que achas? – Ela pô-lo em frente ao seu corpo.
-Parece ficar-te bem! – Exclamei – Estou a ver que este jantar vai ser muito requintado!
Comecei a sentir-me mal! Ela ia jantar com a rainha de Espanha?
-Nem por isso! É um jantar vulgar, só que por acaso o meu vestido é elegante! Não te preocupes, eu arranjo-te qualquer coisa menos desportiva para vestires!
Ela meteu a cabeça dentro do armário e começou a pegar em vestidos dela, de cores diversas. Pareceu-me tudo demasiado colorido para mim.
-Escolhe!
Peguei no mais escuro que ela lá tinha. Era castanho, e liso.
-Acho que não te vai servir! – Disse, pegando nele novamente. – Aliás, acho que nenhum te serve!
-Porquê? – Perguntei
-Porque eu sou uma tábua rasa e tu tens mais peito! Vou perguntar á minha mãe se tem alguma coisa que te sirva!
Ela voltou a pôr os vestidos no armário e afastou-se de mim. Analisei as minhas unhas claras na sua ausência. Para que é que eu estava a ser esquisita? Ninguém me conhecia, eu podia vestir-me com uma cor mais normal, para variar.
Resolvi ir chamar Liliana, para ela não ter tantos problemas em escolher-me a vestimenta.
Saí do quarto para ir ter com ela, mas fui surpreendida quando nos cruzamos no corredor.
A sua mãe entrou nos seus aposentos, e chamou-me para me avaliar:
-Hum… Não tens mesmo nada, Liliana?
-Que lhe sirva não…! – Respondeu Lili.
-Hum…
D. Teresa segurou-me os ombros, e depois fez-me dar uma volta:
-Onde puseste o vestido que comprei na semana passada?
Liliana sorriu. Pelos vistos o problema tinha solução.
Ela pegou numa saca pendurada na cadeira do seu quarto e entregou-a á sua mãe.
Eu espreitei o traje, curiosa, e ele depressa me foi exposto.
-Que bonito! – Exclamei, analisando-o.
De facto fiquei cativada. Era um vestido de folhos, com camadas cor-de-rosa, castanhas, e brancas. Tinha duas alças de grossura média e o seu comprimento, pelo que me pude aperceber, chegava acima dos joelhos cerca de 10 centímetros.
-Não te importas com a cor? – Questionou Liliana, atenciosamente.
-Ninguém me conhece, portanto não me preocupo!
Ela fez um ar de desespero que me deixou assustada.
-O que foi? – Perguntou a sua mãe, também espantada com aquela careta.
-Nada! – Murmurou – O Pedro já está pronto?
-Sim, saiu ainda há pouco tempo! Vão dar banho! – Advertiu - Liliana podes ir á minha casa de banho se quiseres!
Saímos todas do quarto, já com o material necessário para depois do duche. Tentei a mais rápida possível no banho, caso contrário ficavam sem água como acontecia em minha casa. Enrolei o cabelo na toalha e vesti logo as meias calças de vidro e o vestido, que me assentou que nem uma luva.
Corri o mais rápido que consegui de volta para o quarto. Liliana já lá estava, e pelos vistos também tinha acabado de chegar!
-Fica-te bem! – Disse – E pensar que eu o ia trocar por não me servir!
-Oh, ias troca-lo? – Olhei para mim mesma. Eu estava a estrear um vestido que ia ser trocado? – Quanto custou?
Ela deu de ombros:
-Trinta euros!
-Eu compro-to! – Afirmei.
Ela fitou-me espantada
-O quê?
-Não te vou deixar no prejuízo, alem disso, ele é muito giro!
-Calma, eu ofereço-to!
-Nem pensar! Eu pago! – Não a deixar refutar - Olha lá…
Ela fixou-me:
-é impressão minha ou tu não estás muito alegre com a ideia de eu ficar para jantar?
Ela deu de ombros:
-Não é por mim! Sabes que eu gosto da tua companhia!
-Então porque estás tão atrapalhada? Sabes que eu sinto, não sabes?
Ela afirmou, mas não teve coragem para me dizer fosse o que fosse.
Tentei não lhe dar importância e escovei o cabelo molhado. Ela fez o mesmo, em silêncio, e depois pegou nuns rolos extra largos para o cabelo.
-Que queres fazer ao teu cabelo? – Interrogou-me.
-Qualquer coisa! Vais fazer caracóis?
-Estava a pensar em fazer-te a ti, se não te importas!
Abri a boca, admirada:
-ah… Pode ser, mas então e tu?
-Eu estico o meu! – Informou, aproximando-se de mim com os rolos.
Lili dividiu-me o cabelo em madeixas médias e enrolou-as nos tubos grossos. Foi uma tarefa rápida e fácil para ela, pelo que logo a seguir, eu lhe comecei a alisar o cabelo com a prancha. Quando terminei, passados aproximadamente vinte minutos, ela passou o secador pelo meu cabelo para seca-lo mais rapidamente.
Enquanto esperamos pelo efeito dos rolos, decidimos maquilharmo-nos. Liliana não tinha esse hábito, mas quando passou a sombra nos olhos verificou-se logo uma alteração positiva.
Eu delineei os meus olhos com o lápis preto, e depois coloquei uma sombra rosada na zona superior da pálpebra, e escureci ligeiramente com castanho rente às pestanas que revesti com rímel, assim como Liliana. Por fim, passamos um brilho leve nos lábios e Liliana colocou um pouco de blush.
-Estás Li-linda! – Exclamei, sorrindo.
Ela sorriu:
-Tu também! Acho que ninguém te vai reconhecer! Eu pelo menos não reconheço!
Agradeci o elogio e comecei a retirar os rolos. O meu cabelo ficou com um aspecto muito natural e leve. Os caracóis eram soltos e assemelhavam-se bastante ao meu cabelo natural, mas era perfeitamente visível a diferença que causava no meu físico.
Passei os dedos no cabelo e empurrei-o para trás, de maneira a dar-lhe um aspecto mais livre.
Tinha de admitir. Tinha saudades de Me ver, e aquele momento estava a causar-me uma certa nostalgia.
-Sabes, Liliana, acho que me falta algo…
-Eu sei! Vem buscar alguns acessórios!
Ela mostrou-me uma caixa de jóias cheia de bugigangas. Para ela retirou pulseiras cor-de-laranja e castanhas, e pôs também uns brincos cor de bronze.
Eu coloquei uns brincos cinzentos, redondos e leves., mas nos pulsos tentei ser mais original. Adornei os meus braços com umas luvas sem dedos até ao cotovelo que improvisei na hora, feitas com uma meia calça de rede cor-de-rosa bebé que Liliana tinha.
Só me faltava calçar.
Liliana calçou umas sabrinas castanhas, e eu, sem grandes alternativas, usei umas botas de cano médio também em tom castanho.
Estávamos definitivamente prontas, e por isso voltamos para a cozinha, de onde vinha um cheiro apetitoso que eu mal podia esperar para provar. O jantar estava a ser feito, lentamente, pela mãe de Liliana, que se surpreendeu bastante ao ver-nos.
-Ena, que bonitas! – Elogiou. Ela pousou a colher de pau em cima do balcão – Agora podem ficar aqui a tomar conta da comida enquanto eu me vou preparar?
-Claro! – Assentiu Liliana.
Pela primeira vez cruzei-me com o pai dela, que entrou na cozinha, a comer um rissol de carne. Quando ele me viu, reagiu da mesma forma que Teresa, apesar de eu desta vez estar com uma roupa mais vulgar e menos assustadora:
-Eu conheço-te! – Exclamou.
Eu neguei com a cabeça, atrapalhada:
-Acho que não, pai! – Corrigiu Liliana.
-Que estranho, a tua cara é-me muito familiar!
-A sua esposa disse o mesmo, mas eu tenho a certeza que não é possível!
Ele franziu as sobrancelhas, tentando recordar onde me vira antes.
Senti-me obrigada a reflectir o porquê daquele casal me achar familiar. Será que eu os conheci na minha antiga cidade? Sinceramente, não me parecia.
O pai de Liliana saiu novamente da cozinha, dando lugar á entrada de Pedro que observou-me a mim e a Liliana como que chocado:
-Quem são estas gatas?!
Eu e Lili não conseguimos evitar de nos rirmos em uníssono do modo aparvalhado com que Pedro nos saudou.
-Hei, Lili, viste a Lana? – Perguntou ironicamente.
-Estou aqui! – Respondi, entrando no jogo – Estou assim tão diferente?
-Diferente? Por favor, há tipos que não sabem o que estão a perder!
Eu senti o meu rosto aquecer de vergonha:
-Já vos disse que sou tímida? – Perguntei tocando o meu rosto com as mãos frias.
-Não sejas! - Aconselhou ele – Tens de saber valorizar-te!
Abanei a cabeça. Ele tinha razão, apesar de às vezes eu enterrar a minha auto-estima.
-Precisas de ajuda, Lili? – Questionei, para disfarçar a minha vergonha.
-hum, podem pôr a mesa? Daqui a nada os convidados chegam!
Obedeci ao pedido e peguei na louça que estava em cima da mesa da cozinha. Levei-a para a sala de jantar e pousei-a com cuidado. Pedro e o seu pai vieram ajudar-me, para passar o tempo.
Quando a senhora Teresa se acabou de aperaltar veio ter connosco para ver se estava tudo bem.
Ela estava muito bonita. Envergava umas calças brancas, justas, e uma túnica num bege quase dourado, adornado com um colar comprido de pérolas finas e com uma pulseira de ouro muito trabalhada.
-Está muito elegante! – Elogiei com cortesia.
Ela sorriu-me em tom de agradecidamente e depois vislumbrou a organização da louça:
-Obrigada por me porem a mesa! Eu vou ver o jantar!
Eu dei a volta á mesa analisando se estava tudo em ordem, mas travei-me quando a campainha tocou atrás de mim. Liliana saiu da cozinha, agitada, e Pedro foi abri-la.
E agora, quem será?! hum
comentem please, senao vou ter de deixar de postar! ;_;
as minhas fic's:
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
-Angelical
Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
-Angelical
Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^
Eu sei! Eu sei quem é! Mas não respondo.
Oh por favor, não deixes de postar. Se o fizeres, eu esgano-te!
, literalmente.
Será que o Gustavo tem esse efeito carinhoso e protector com todas, ou pelo menos quase todas as raparigas? É que, quer dizer, ele integra sempre uma novata quando esta chega. Mas eu não perdoo o que ele fez com a Lana. Não, não, e não!
Oh por favor, não deixes de postar. Se o fizeres, eu esgano-te!
, literalmente.Será que o Gustavo tem esse efeito carinhoso e protector com todas, ou pelo menos quase todas as raparigas? É que, quer dizer, ele integra sempre uma novata quando esta chega. Mas eu não perdoo o que ele fez com a Lana. Não, não, e não!
| Spoiler: | |
![]() |
http://sm-portugal.coolbb.net/fanfics-gerais-f23/fairy-tales-o-incio-t4901.htm
[email protected] -->Meu MSN, adicionem à vontade!
Karen_95 escreveu:Eu sei! Eu sei quem é! Mas não respondo.
Oh por favor, não deixes de postar. Se o fizeres, eu esgano-te!, literalmente.
Será que o Gustavo tem esse efeito carinhoso e protector com todas, ou pelo menos quase todas as raparigas? É que, quer dizer, ele integra sempre uma novata quando esta chega. Mas eu não perdoo o que ele fez com a Lana. Não, não, e não!
Brigada Karen! v.v
bom, eu sei que quem vem lá é previsivel e tal, mas vá, vamos ver como corre, ne?

O Gustavo... Hum, depressinha vai estar tudo esclarecido, e tu vais entender o que é que lhes deu! lol
Oh pa, mas esta fic vai mesmo terminar! Cadê meus leitores?!
'Quero comentarios! please, eu vos amô!
Nao destruam o meu coraçao! ;_;
as minhas fic's:
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
-Angelical
Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
-Angelical
Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^
Não termina nada! Se ela terminar, eu continuo! E vai ficar uma grande porcaria o que eu escrever!
Por favor! A moça merece! Uns comentários, please.
lulumoon, I love U pa casar!
Por favor! A moça merece! Uns comentários, please.
lulumoon, I love U pa casar!
| Spoiler: | |
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Deve ser a familia do Gustavo. Espero que ele se babe quando vir a Lana 
Desculpa o atraso (de um dia) mas mais vale tarde do que nunca (citando a mae da lili) xDD
Como será que eles conheçem a Lana? Hum.. cá pra mim tem a ver com a cena da tatuagem. Essa historia deve estar ligada ao facto da Lana ser um anjo e do Gustavo, ao saber da verdade, se ter afastado dela.
E agora veio-me esta ideia... não será Gustavo um dos mauzinhos, encarregado de apanhar o anjinho caído que depois de descobrir a "identidade especial" da Lana, querendo protege-la, afastou-se? É uma hipotese...
Espero por proximos capítulos. (Tens razão, é mesmo chato não ter leitores. Para alem de ti, mais ninguem comentou a minha fanfic, por isso irei demorar-me a postar o proximo. Era suposto eu postar um antes do fim das aulas e outro depois do dia 6 de Junho - exame pra mim
- mas já nao vai ser assim...) Não te atrevas a acabar. Se acabas, eu tbm deixo de escrever..

Desculpa o atraso (de um dia) mas mais vale tarde do que nunca (citando a mae da lili) xDD
Como será que eles conheçem a Lana? Hum.. cá pra mim tem a ver com a cena da tatuagem. Essa historia deve estar ligada ao facto da Lana ser um anjo e do Gustavo, ao saber da verdade, se ter afastado dela.
E agora veio-me esta ideia... não será Gustavo um dos mauzinhos, encarregado de apanhar o anjinho caído que depois de descobrir a "identidade especial" da Lana, querendo protege-la, afastou-se? É uma hipotese...
Espero por proximos capítulos. (Tens razão, é mesmo chato não ter leitores. Para alem de ti, mais ninguem comentou a minha fanfic, por isso irei demorar-me a postar o proximo. Era suposto eu postar um antes do fim das aulas e outro depois do dia 6 de Junho - exame pra mim
- mas já nao vai ser assim...) Não te atrevas a acabar. Se acabas, eu tbm deixo de escrever..
Espero por ti em cada segundo , porque tu és o meu mundo!

Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
Visitem a minha 1ª Fic ----->The Four elements

Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
Visitem a minha 1ª Fic ----->The Four elements
AnA_Sant0s escreveu:Deve ser a familia do Gustavo. Espero que ele se babe quando vir a Lana
Desculpa o atraso (de um dia) mas mais vale tarde do que nunca (citando a mae da lili) xDD
Como será que eles conheçem a Lana? Hum.. cá pra mim tem a ver com a cena da tatuagem. Essa historia deve estar ligada ao facto da Lana ser um anjo e do Gustavo, ao saber da verdade, se ter afastado dela.
E agora veio-me esta ideia... não será Gustavo um dos mauzinhos, encarregado de apanhar o anjinho caído que depois de descobrir a "identidade especial" da Lana, querendo protege-la, afastou-se? É uma hipotese...
Espero por proximos capítulos. (Tens razão, é mesmo chato não ter leitores. Para alem de ti, mais ninguem comentou a minha fanfic, por isso irei demorar-me a postar o proximo. Era suposto eu postar um antes do fim das aulas e outro depois do dia 6 de Junho - exame pra mim- mas já nao vai ser assim...) Não te atrevas a acabar. Se acabas, eu tbm deixo de escrever..
Desculpem la, mas eu ando com as voltas todas trocadas! tipo, como eu ontem nao tive aulas, porque era feriado na minha cidade, achei estranho nao ter comentarios, mas so hoje é que associei que voces tiveram aulas! lol Sorry!
Bom, sim é essa famelga que vai jantar, os manos e a mae...
enfim, vamos ver como corre, ne?Ana, essa ideia infelizmente nao está certa (E agora que penso nisso... Porque é que eu nao tive essa ideia? Ficava fofi!
) Em breve vai ficar tudo esclarecido! 
Sim, é muito chata esta falta de leitores! ta bem, este site nao é de fanfics, mas eu quando escrevi a minha outra fic todos os dias tinhas cerca de 5 comentarios, e postava todas as noites! Parecendo que nao, aquilo era mesmo um empurrao para escrever! Temos de fazer um apelo pelos velhos tempos de volta! lool
Obrigada pelos comentarios meninas! Amanha, em principio posto mais (Vou fazer-vos esperar para que?! lol)
bjokas
as minhas fic's:
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
-Angelical
Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^
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será que os pais da Lili conheceram os pais da Lana????
eu acho que os convidados deve ser o Gustavo e a sua família????
mim quer mais
espero que postes rápido antes que me de-ia uma coisinha ma estou super curiosa para saber que são os convidados...
e desculpa a demora por comentar é que tenho andado muito ocupada com a escola

eu acho que os convidados deve ser o Gustavo e a sua família????
mim quer mais
espero que postes rápido antes que me de-ia uma coisinha ma estou super curiosa para saber que são os convidados...
e desculpa a demora por comentar é que tenho andado muito ocupada com a escola

a minha primeira fic "AS FILHAS DA LUA"passem na minha fic e comentem XD

Traços do destino
visitem o meu forum http://eterna-sailor-moon4.forumeiros.com/forum.htm

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