Sailor Moon Portugal, A Navegante da Lua

[Terminada] Angelical

#245
Oi!
Obrigada pelo comentario Monica! MAis vale tarde que nunca! Toma toma

Ora, venho trazer a continuaçao do capitulo, espero que gostem!

Capitulo XIV - O jantar - Parte 2


Lili olhou para a porta ao abrir-se nas minhas costas e depois olhou para mim, de um modo piedoso.

Franzi o sobrolho, sobressaltada. O ar ganhou outro cheiro, outra textura e outra densidade. Eu pensei que ia morrer ao sentir aquela aura tão distinta. As vozes começaram a soar animadas, e o mundo parou para mim, ainda de costas para quem estava a chegar.

Fitei Liliana. Eu queria explicações!

Ela entendeu-me a minha expressão facial e apenas com os lábios desenhou um “Desculpa”, no entanto eu estava demasiado incomodada para conseguir reagir.

D. Teresa saiu da cozinha para vir saudar os convidados. Escutei o som de uns tacões aproximar-se dela:

-Ena, estás muito bonita, Teresa! – Exclamou uma voz suave

-E pelo que vejo, ninguém da tua família se desleixou!

Tentei ser discreta, e sem me voltar para a entrada e encarar os convidados, caminhei até Liliana com pressa:

-Por favor, diz-me que os teus convidados não são quem penso que são!

-Desculpa, eu…!

Eu não quis ouvi-la!

-Que vergonha! – Murmurei – Foi por isso que tu e o Pedro ficaram tão atrapalhados por eu ficar a jantar?

Ela encolheu os ombros e cerrou os dentes.

Levei as minhas mãos aos lóbulos das orelhas e retireis os brincos. Eu tinha de mudar de roupa:

-Lana, agora não adianta! – Disse Liliana, agarrando-me os braços para eu não me desfazer daqueles acessórios.

-Eu não quero que me vejam nestes preparos!

-Tu estás óptima!

Suspirei fundo. Sim, eu sabia que estava com boa figura, mas o meu principal problema era esse! Eu não queria aparecer assim em frente daquelas pessoas! O que pensaria Gustavo?!

-Trouxemos um bolo!

Reconheci a voz de Susana atrás de mim, divertida como sempre.

-Ora, não era preciso! – Disse D. Teresa – Os miúdos entreteram-se a fazer doces!

Um olhar atentou em mim. Eu senti-o como se fosse um balde de água a cair-me em cima.

-Por falar em miúdos… Tens outra filha e nós não sabíamos?

D. Teresa riu da ideia:

-Claro que não! É uma amiga do Pedro e da Liliana - O meu coração acelerou! Eu ia morrer de vergonha! – Lana, vem cá!

Alguém deu um passo de recua, bruscamente, e esbarrou contra algo que se quebrou de imediato. Eu voltei-me não só com o susto do ruído de cacos a partirem-se, mas também pela chamada que a mãe dos gémeos me fez.

Tentei não parecer aborrecida e em vez disso sorrir, mas foi difícil. Eu fiquei com a maior cara de idiota do mundo a olhar para os três irmãos mais velhos que apanhavam cacos de barro do chão.

O olhar de Susana brilhou quando me encarou, e como de costume, não perdeu tempo e lançou-se nos meus braços sem hesitar:

-Lana! Nem te reconheci!

Ela deu-me dois beijos na face, mas eu mal consegui reagir. Não consegui tirar os olhos das três pessoas do chão, especialmente do mais novo.

-Que desastrado, Gustavo! – Exclamou a sua mãe – Teresa, peço imensa desculpa!

A mãe de Liliana passou a mão na testa, atrapalhada:

-Não se preocupem! Essa velharia não tinha valor nenhum e era feia como tudo!

-Eu vou buscar o apanhador! – Informou Pedro, prestável.

-Cuidado com os cacos! – Disse o pai de Liliana para os jovens.

Susana ignorou aquela situação e saudou Liliana também com um beijo. Agarrou-me a mão com força e puxou-me animada na direcção das duas mulheres adultas:

-Mãe!

Eu tentei lutar contra a força dela, para não me aproximar demasiado, mas todo aquele entusiasmo e a confusão que passava pela minha cabeça, enfraqueceram-me.

-Esta é a Lana! – Anunciou, orgulhosa, com um sorriso de orelha a orelha, enquanto apontava para mim.

Aquela senhora olhou-me com espanto. Ela, tal como os pais de Liliana, pareceu reconhecer-me.

-Olá! – Exclamei, meia sem jeito.

-Olá! – Ela aproximou-se de mim e saudou-me com dois beijos suaves na face. – Sou a Maria do Carmo!

O seu cheiro era o mais doce que eu tinha experimentado na minha vida. Chegava a ser intoxicante, positivamente.

-Prazer em conhece-la! – Disse, meia zonza com tantas pessoas a olharem-me.

Senti uma espécie de corrente a puxar-me a atenção para o chão. Baixei o meu olhar lentamente.

Vi alguém aos meus pés. O meu coração acelerou, e de repente foi como se não existisse água dentro de mim. Fiquei sem saliva, o meu estômago estava vazio, e o restante corpo estava quente como lava incandescente. Gustavo levantou a sua cabeça na minha direcção, lentamente, como uma criança a dar os primeiros passos. Quando ele me olhou com aqueles olhos eu fiquei sem forças nas pernas, e tive de segurar Susana com mais força para suportar o meu corpo fragilizado.

Ele não me sorriu, e eu não lhe sorri. Eu não consegui mexer-me, só consegui-a olha-lo, e ver que a sua mente estava quase enfeitiçada, tal como a minha. Os seus olhos demonstravam clara e distintamente que eu me tinha tornado uma espécie de íman para ele, e sentia-me odiosa por estar também completamente vidrada, sem conseguir afastar-me.

Diana levantou-se:

-Olá Lana, tudo bem?

Movi os meus olhos na direcção dela e tentei sorrir:

-Estou óptima, obrigada!

Pedro aproximou-se com um apanhador e uma vassoura na mão, fazendo os dois irmãos levantarem-se ao mesmo tempo!

-Estás com um bom ar! – Disse ela – Essa roupa fica-te muito bem, a sério!

Sorri envergonhada. Liliana apareceu atrás de mim e passou-me a mão pelo cabelo:

-Pedro, eu faço isso! – Disse, ao aperceber-se que o seu irmão não tinha o mínimo de talento para tarefas domésticas!

-Obrigada Liliana! – Agradeceu a sua mãe – Bom, o jantar está quase pronto! Vamo-nos sentar?

Ninguém hesitou, excepto eu. Deixei todos, ou quase todos, sentarem-se á mesa e fechei os olhos, respirando fundo para afugentar o nervosismo, porem, sentia ainda aquela essência mágica perto de mim.

Abri as pálpebras; Gustavo encarava-me de cima a baixo.

Senti-me totalmente exposta, e dei um passo de recua num reflexo rápido. Ele moveu os lábios, pronto para dizer algo, todavia, eu entendi que ele próprio estava nervoso:

-Estás… - Ele hesitou e franziu as sobrancelhas – Mais alta!

Não consegui evitar de sorrir daquele suposto elogio.

-As botas tem um pouco de tacão… Pouco! – Concluí.

Ele acenou com a cabeça e voltou a mirar-me, tonto:

-Claro…!

Virei-lhe costas, envergonhada, e cheguei-me a uma cadeira, para me sentar entre Pedro e Liliana. Os aperitivos já estavam a ser devorados, e a conversa ainda mal tinha começado. Virei-me para Liliana, amuada:

-Acho que nunca mais vou conseguir encarar nenhuma pessoa desta sala!

-Desculpa, mas também fui apanhada desprevenida!

Ela mordeu o lábio e eu cerrei os punhos debaixo da mesa:

-Ao menos avisavas que a Dona Maria do Carmo que vinha jantar cá a casa era a mãe do Gustavo!

-Para quê? Pare te ires embora sozinha? – Rectificou – Tu não tens de te sentir mal!

Suspirei, martirizada. Eu não tinha saída possível!

O jantar foi servido entretanto. Parecia que eu tinha uma bola na garganta que não me deixava comer á vontade. Felizmente ninguém se apercebeu disso.

Alex, Sr.Carlos e Pedro falavam animados sobre futebol, pelo que eu não entendia nada do que eles diziam. D. Teresa e D. Maria do Carmo falavam sobre nada em particular. Comentavam as novelas, os cozinhados e o que se passava no mundo em geral. Liliana falava com Diana sobre temas artísticos, e Su falava para mim, que mal a escutava, pois sentia-me mais hipnotizada pelo seu irmão, que me atraia com o seu olhar profundo! Sentia-me frustrada por causa dele! Parecia que não conseguia pensar noutra coisa, a não ser no que ele estava a fazer, para onde ele estava a olhar, ou o que ele estava a sentir!

Ele não me ficou indiferente. Era obvio que ele também não parava de me encarar, o que me deixava incomodada.

Foi então, já no fim do prato principal, que algumas direcções se voltaram para mim:

-Lana, a tua cara não me é estranha! Não nos conhecemos já? – Quis saber D. Maria do Carmo.

-Incrível, eu e o Carlos temos a mesma sensação! – Exclamou D. Teresa.

Encolhi os ombros:

-Bom, quanto a vocês eu acho que nunca me viram, mas a D. Maria do Carmo creio que sim!

-A sério, quando?

-Há duas semana, no café! Esbofeteei o seu filho mais novo, lembra-se?!

Alexandre pousou os talheres sonoramente e soltou uma gargalhada:

-não acredito, foste tu?!

Gustavo lançou-lhe um olhar matador, que ele pura e simplesmente ignorou.

-Alexandre, pára com isso! – Ordenou a D. Carmo, perplexa com os risos dele.

-Desculpem lá, mas… És mesmo burro Gustavo!

Tapei a boca para abafar um riso. Alex parecia ser um autêntico desbocado!

-Quer dizer! Tens duas raparigas jeitosas a conviver contigo quase todos os dias da semana, e a única coisa que consegues é ser melhor amigo de uma e levar um estalo de outra?

Ele voltou a rir da situação:

-Tens de aprender a falar como deve ser!

-Olha lá! – Respondeu o seu irmão, ofendido – Tu tens tanta lábia e nem namorada arranjas!

Alexandre preparou-se para responder, mas Gustavo interrompeu-o:

-Não abras a boca! Não vais arranjar desculpa!

Todos rimos da situação. Eles pareciam um cão e um gato a falar. D. Maria do Carmo ignorou-os e voltou a dar-me atenção.

-Eu sei que te vi no café, mas já nessa altura tive a sensação que te conhecia!? – Ela fez uma pausa e reflectiu – Tenho quase a certeza que já te…

Ela travou, subitamente, as suas palavras e abriu a boca. Senti uma pontada na cabeça ao aperceber-me da agitação que tomou a sua alma. O seu coração acelerou e ela pura e simplesmente caiu numa angústia profunda:

-Passa-se alguma coisa? – Perguntei, preocupada.

-Já sei…! Oh Deus…!– Ela benzeu-se.

Fiquei incomodada com a situação. Toda a gente lhe deu atenção e ela mordeu o lábio:

-Teresa, lembras-te? - Ela olhou a mãe de Liliana, esperançosa – Quando casaste...!

Sr. Carlos franziu as sobrancelhas. Ele entendeu o que D. Maria do Carmo queria dizer.

-Como te foste lembrar dela? – Perguntou.

Ele acenou a cabeça, confuso:

-O Gustavo tinha um ano, lembras-te Teresa? Aquela rapariga, de 17 anos que nós conhecemos antes de nos casarmos!

D. Teresa deixou cair o garfo, atrapalhada. Os três adultos entreolharam-se, com olhares suspeitos. Alexandre, Gustavo e Diana olharam também uns para os outros, tentando entender o que se passava nas cabeças mais velhas. Eu engoli a seco e passei a minha mão na testa, com uma impressão incómoda sobre ela:

-O que tinha essa mulher? – Perguntou Susana.

Era a primeira vez que a via séria a fazer uma pergunta.

-Ela era parecida com a Lana…! – Respondeu D. Maria do Carmo num suspiro.

-Comigo?!

Discretamente, desviei a mão da cara e semicerrei os olhos, magoada. Gustavo foi o único que se apercebeu, a meu ver.

-Nossa… Eu esqueci-a…!

A mãe de Gustavo baixou a cabeça. Reparei que se sentiu culpada por tal ter acontecido:

-O que tinha ela de especial? – Perguntei.

-Muitas coisas… - Disse, Sr. Carlos, afastando o seu prato para ter espaço na mesa – Ela não sabia comer…! – Relembrou.

-O quê? – Diana riu, incrédula.

-A sério! – Confirmou D. Teresa – Ela chegou a desmaiar, e quando nós lhe demos comida, ela simplesmente não sabia para que servia!

-Como é que ela não sabia? Tinha 17 anos, não é?

-Ela era estranha, muito estranha! – Avaliou D. Maria do Carmo – Todos os dias ia ao confesso e passava horas na igreja!

-Enfim, todos tem a sua mania…! – Murmurei – Eu pessoalmente não sou mulher para passar muito tempo numa igreja!

-Ora, porquê?

-Chamem-me louca, mas dá-me arrepios! Essa rapariga, provavelmente, era o oposto de mim, e só sossegava ao lado de “Deus”!

-Isso é bem verdade! – Exclamou o pai dos gémeos – Mas de alguma forma, ela considerava-se a maior pecadora do mundo!

-Ela alguma vez chegou a explicar-vos porquê?

-A nós não…! – D. Maria do Carmo ficou corada, mas não por vergonha.

D. Teresa sorriu:

-Sempre foste tão ciumenta! Ela era uma adolescente!

-Eu sei, mas não tenho culpa! – A senhora fez um esgar – Se fosse contigo era igual!

-Porque é que você tinha ciúmes? – Perguntei, sorrindo.

Ela fez um ar de criança chateada:

-Porque o meu marido olhava mais por ela do que por mim!

Mordi o lábio! Não devia ter-me metido. Os seus filhos ficaram aparvalhados com a informação, especialmente Gustavo:

-Ai, és tão exagerada! – Exclamou D. Teresa – Até do Gustavo tinhas ciúmes naquela altura!

-De mim? – Ele riu-se, sem humor – O que é que eu tinha a ver?

Sr. Carlos bebeu um gole de vinho e depois fez um tom de troça:

-A tua mãe achava que tu preferias a rapariga a ela!

D. Maria do Carmo fez um ar aborrecido:

-E preferia!

Eu sorri:

-Não acredito nisso! Tenho a certeza que era ideia sua!

-Talvez… Mas eu sempre fui assim… Tens de imaginar o que é teres um filho com um ano de idade de troca os teus braços por uma barriga!

-Uma barriga? – Liliana franziu as sobrancelhas.

-Nós não mencionamos que a rapariga estava grávida? – Perguntou Sr. Carlos.

Liliana fez uma careta:

-Com 17 anos? Coitada!

-que não o fizesse! – Respondeu Alexandre, friamente.

-Não sejas tão duro! – Avisou Gustavo – Ela pode não ter tido culpa!

-Quanto a isso não sei… - Continuou Sr. Carlos – Mas que ela já estava gordinha, lá isso estava!

-E não sabia comer?! – Diana não entendia, assim como todos os outros. Os três adultos não arranjaram explicação para tal facto.

-E eu gostava da barriga? – Gustavo sorriu, incrédulo – Não me digam que adormecia em cima dela!

-Adormecias pois! Abraçado! – Relembrou D. Maria do Carmo – Por isso é que eu ficava triste! Gostavas mais de te abraçar a ela do que estar no meu colo! Ainda por cima o teu pai não me deixava afastar-te dela!

-O incrível – Disse D. Teresa –, é que ela não era a única grávida cá na zona, mas tu só abraçavas a barriga dela!

-Provavelmente essa rapariga tinha uma aura que o seduzia! – Expliquei. Esta minha ligação com as emoções das pessoas não era tão inútil como eu achava.

D. Maria do Carmo sorriu sem humor:

-Ela dizia o mesmo, mas era em relação ao bebé que esperava!

Sr. Carlos interveio:

-Lembram-se de ela dizer que o Gustavo ia ser – Ele fez aspas com os dedos - “o Guardião” da criança?

Diana sorriu, incrédula com tudo aquilo:

-Que absurdo! Porque haveria a criança de precisar de um “Guardião”?

-Aí está outra coisa que nós também nunca chegamos a saber! – Respondeu D. Teresa, levantando-se para limpar a mesa – Mas ela parecia preocupar-se muito com esse aspecto!

-Ela dizia que não ia conseguir manter-se protegida por muito tempo…

Estremeci ao ouvir Sr. Carlos dizer aquilo.

-Dizia que um dos lados ia encontra-la primeiro para castiga-la… Nós achávamos que eram os pais dela, ou a família do pai da criança, o facto é que ela fez-nos prometer que se lhe acontecesse alguma coisa e a criança já tivesse nascido, nós a iríamos proteger!

- O que ela nos dizia chegava a ser bizarro! – Comentou D. Maria do Carmo, benzendo-se – Parecia uma fugitiva… Mas… - Ela travou-se e olhou para mim – Ela era tão, mas tão calma, que eu, mesmo morrendo de ciúmes dela, conseguia atingir uma serenidade que não tinha explicação!

-Vocês nunca lhe perguntaram se ela sabia que isso acontecia? – Quis saber Pedro, calado até ao momento.

-Quando ela se apercebeu que eu estava a ficar doente…!

-Doente de quê, mãe? – Interrompeu Susana, preocupada.

D. Maria do Carmo sorriu-lhe com afecto:

-Vou ser pirosa… - Avisou – Mas eu estava doente…de amor!

Susana corou:

-Porquê?

-Mais uma vez, por causa dos ciúmes que eu tinha do vosso pai e dela! Eu entrei numa angústia que só eu sei explicar…!

-É possível ficar-se mesmo doente de amor? – Su sorriu, entusiasmada.

-Claro que é! – Respondeu-lhe Gustavo num murmúrio audível, sem dar tempo a outra pessoa de falar.

Liliana fez um tom de gozo:

-Uh, já estiveste assim, Gustavo?

Ele corou, e eu, inexplicavelmente, senti-me corroída por dentro ao ouvir aquilo! Quem teria sido a pessoa que o fez ficar tão mal?!

-Deixa de ser parva! Eu só respondi á minha irmã, não quer dizer que saiba o que isso é!

-Mas tu herdaste os ciúmes da tua mãe, portanto… Quem sabe, não é?

D. Maria do Carmo abafou um riso:

-Não te desejo esse mal, Gustavo!

-O que aconteceu quando essa rapariga soube que estavas mal? – Perguntou Alex.

D. Maria do Carmo suspirou:

-Ela tentou relaxar-me e explicar-me que eu não estava a ser razoável!

-E com o seu fantástico dom de acalmar, conseguiu, não foi? – Deduzi.

A adulta acenou com a cabeça:

-E foi aí que eu lhe perguntei como é que ela tinha conseguido deixar-me tranquila.

Bebi um pouco de água. A minha garganta estava seca.

-E o que disse ela? – Perguntou D. Teresa, voltando a sentar-se á mesa após ter retirado os pratos sujos.

Pelos vistos nem ela nem o Sr. Carlos conheciam esta situação da história.

-Ela disse-me… - Escutou-se um silêncio em toda a sala. As respirações estavam calmas e os olhares atentos. D. Maria do Carmo humedeceu os lábios e prosseguiu – Que era um Anjo caído!

O meu coração parou, e não foi o único!

Liliana entornou o seu copo de água, assustada com a revelação. Eu ajudei-a a limpar a pouca água que entornou com um guardanapo, e entreolhamo-nos as duas, amedrontadas. Seria verdade aquela revelação? Ou a mulher era uma louca?

De qualquer modo não podíamos dar nas vistas. Eu era um anjo segundo Cristina, mas havia muita coisa por explicar!

-Que demente! – Acusou Diana – Os anjos não existem, e muito menos tem sexo e engravidam!

Senti o meu rosto fervilhar e olhei Liliana. Primeiro erro de Diana: os anjos existiam. Segundo: Se havia coisa que eu tinha certeza era que era uma mulher, e a prova vinha ter comigo todos os meses, já para não falar na minha aparência f-e-m-i-n-i-n-a!

-Eu também achei-a louca… Mas o vosso pai tinha tantas certezas que ela estava a dizer a verdade que eu… Eu não consegui contestar!

-O que aconteceu a essa mulher? – Perguntou Gustavo.

-Desapareceu! – Esclareceu D. Teresa – Só deixou para trás a tua caixa de prata!

-Aquela caixa que eu não consigo abrir? Era dessa mulher!?

D. Maria do Carmo confirmou, acenando com a cabeça:

-E a tatuagem que vocês têm também foram feitas por causa dela!

-Não acredito… - Liliana abriu a boca, estupefacta, e olhou para o seu pulso – E o que significa?

Gustavo franziu as sobrancelhas:

-O pai disse que... – Ele pausou, numa medida de reflexão. De repente as minhas atenções centraram-se todas nele, á espera de continuação, mas apercebi-me que de um segundo para o outro, ele não quis dizer a verdade – Quando chegasse a altura eu ia saber!

O meu espírito encheu-se de desilusão. Esperava algo mais concreto.

-Onde tens a tua tatuagem? – Perguntei, timidamente.

Ele levou a mão até á parte traseira da sua cabeça, pouco acima do pescoço:

-Aqui, mas está escondida pelo cabelo!

Liliana cerrou os dentes assustada:

-Como é que conseguiste faze-la até ao fim, e logo nesse sitio?

Gustavo deu de ombros.

-Que diferença tem essa tatuagem das outras? – Inquiri – A Lau também disse que ia morrendo quando lhe começaram a faze-la!

-Esta tatuagem não foi feita com tinta! – Disse D. Teresa.

-Então?

-Veneno!

Descolei os lábios e semicerrei os olhos:

-Tudo por essa rapariga? – Questionei.

Ela fixou-me nos seus olhos, sem responder:

-Ela fez-nos entrar no sobrenatural, portanto… Nós só tomamos precauções!

-Compreendo… - Murmurei.

Senhor Carlos levantou-se da cadeira:

-Bom, vamos parar de falar disto! – Pediu - Tanta coisa só por a Lana nos ser familiar! Ao fim e ao cabo acabamos por fugir ao assunto!

-É verdade! – Concordou Alexandre – Falar de assuntos mortos não é nada o meu género!

-Bom, falemos de coisas vivas! – Exclamou D. Teresa – Lana, há quanto tempo te mudaste para cá?

-Há um mês, aproximadamente! – Esclareci, sorrindo.

-Ah, sim? – Perguntou D. Maria do Carmo, ao mesmo tempo que alçava a sua perna – Quem são os teus pais? Nós conhecemos?

Liliana semicerrou os olhos, assim como todos os outros que ficaram curiosos, excepto Gustavo que já conhecia a história.

Sorri atrapalhada. Não tinha a mínima intenção de mentir, mas era estranho dizer que não tinha pais biológicos.

-Realmente, não os conheço… - Reflectiu Lili.

-“A curiosidade matou o gato!”! – Interveio Gustavo, bebendo um gole de água.

-E tu que o digas! – Balbuciei, quase sem conseguir evitar.

As mentes daquela sala ficaram confusas.

-Porquê? – Perguntou Susana.

Eu sorri-lhe amavelmente e dei de ombros, arrependida por ter falado.

-O Gustavo conhece os teus pais? – Perguntou Maria do Carmo, admirada.

-Isso é praticamente impossível! – Informei - Eu sou adoptada! – Disse, sem mais rodeios.

Ficaram todos em silêncio, invadidos por um constrangimento geral. Liliana olhou-me chocada:

-Estás a brincar?

Eu ri-me da sua expressão facial:

-Estou a falar a sério! – Soltei uma gargalhada - Não façam essas caras!

Ela abriu a boca:

-Eu não fazia ideia!

Ela olhou para os talheres, boquiaberta. Teve vontade de dar um estalo a si própria:

-Porque nunca me disseste?

-Porque nunca veio ao assunto! – Respondi.

Ela levantou o rosto na direcção das pessoas que estavam á nossa frente:

-Tu sabias, Gustavo? – Perguntou-lhe.

Ele corou levemente e deu de ombros:

-Só por acaso…!

Acho que todas as pessoas daquela sala ficaram sem reacção e questionaram-se como é que ele sabia tal coisa. Eu tentei dizer algo que as fizesse voltar ao normal:

-Tenham calma, eu fui bem adoptada!

-Peço desculpa ter tocado no assunto! – Lamentou D. Maria do Carmo, tentando não revelar a sua vergonha.

-não há problema! – Assegurei – às vezes nem me lembro!

-Desculpa perguntar, mas com que idade foste adoptada? – Diana inquiriu, interessada.

-Quatro anos! Como podem ver não tenho muitas recordações dessa altura!

-E a tua família adoptiva? – Interrogou D. Teresa - Foste a primeira filha deles?

-Oh, não, não! A Greta e o Joseph já tinham a Helen, mas sempre foram aventureiros e resolveram adoptar uma criança, por caridade!

-Greta, Joseph e Helen? – Citou o Sr. Carlos, limpando a boca a um guardanapo de papel amarelo - família Estrangeira?

-Família Inglesa, por acaso! Infelizmente agora estamos todos separados!

-Separados?! Porquê? – Indagou D. Maria do Carmo, surpresa.

-Acho que somos uma família muito moderna! O Joseph e a Greta separaram-se á cerca de 6 anos. Ela ficou em Portugal, comigo e com a Helen, e o Joseph foi morar para Itália! No entanto, como eu e a Helen viemos morar para o Geres, a Greta ficou sozinha!

D. Maria do Carmo, ao aperceber-se que D. Teresa foi buscar as sobremesas, levantou-se para ir ajuda-la:

-Oh, mas é uma pena terem-se separado todos! Porque vieste para cá?

Alterei a minha postura na cadeira e limpei a garganta com descrição:

-A Helen conseguiu uma vaga na primaria da vila Geres!

-Na escola? O que faz ela?

-É professora! – Esclareci, com um sorriso orgulhoso.

-Uma inglesa a ensinar Português? – A mãe de Susana riu – Tem graça!

-Ora, a Helen fala tão bem Português como nós! Não vejo que mal tem a profissão dela!

-Não me interpretes mal, mas já imaginaste o que seria as nossas crianças falarem com sotaque inglês?

Soltei uma pequena gargalhada:

-Ainda bem que a professora não é a Greta!

Pedro sorriu ao imaginar uma britânica a dar aulas às crianças da terra.

-Onde moravam antes de vir para cá? – Perguntou Alexandre, calado até ao momento.

Pensei se não estaria já a dar informações em demasia. O Lugar onde eu morava, a minha família, as minhas raízes! Isto podia dar-me problemas!

-Á beira-mar! – Respondi, sem dizer qual a cidade.

-Aonde?

Tentei ser brincalhona:

-Querem ir visitar-me quando eu regressar? – Gracejei.

-Seria interessante! – Declarou Pedro - Tenho saudades de ir á praia!

-Quem sabe uma dia não nos encontramos todos a pisar a mesma areia!

Gustavo bebeu um gole:

-Se depender de ti isso não há-de acontecer tão cedo, pois não?

Diana franziu as sobrancelhas:

-Ora, porquê?

Pousei um cotovelo em cima da mesa, ignorando a falta de educação que estava a cometer:

-Julgas que vou ficar aqui para sempre? – Indaguei, dirigida a ele.

Gustavo balançou a cabeça sem dar resposta:

-Porque haverias de ir?

-Porque hei-de ficar? – Ripostei – A minha casa não é aqui!

Ele não me deu importância, o que me deixou fula por dentro. Odiava quando ele tinha aquelas atitudes!

-Ás vezes julgas-te superior, não?

-Claro que não! – Respondeu – Eu simplesmente sei que tu estás melhor aqui!

-Enganas-te! – Corrigi – Para tua informação a Helen quer regressar daqui a uns dias!

Ele parou por completo, com o olhar preso em mim, como que chocado. Parecia que lhe tinha acertado com uma bala no peito e ele ficou sem reacção, todavia eu vislumbrei um brilho de desespero trespassar-lhe todo o azul, o que me deixou constrangida.

Liliana agarrou-me a coxa do braço e fez-me olha-la:

-A sério?

Não consegui responder verbalmente. Agitei a cabeça, afirmando aquele facto.

Susana olhou-me, triste:

-Porquê…?

Eu sorri-lhe, amavelmente:

-Eu não pertenço aqui, Su…!

-E pertences lá? – Perguntou Gustavo, agitado, mas tentando conter-se para não se exaltar.

Não respondi.

D. Teresa e D. Maria do Carmo começaram a pousar os doces e bolos em cima da mesa. Os meus olhos brilharam!

-Estou no céu! – Exclamei animada, fazendo Pedro rir também.

Diana sorriu e Alex esfregou as mãos, ansioso por provar as sobremesas. Gustavo levantou-se da mesa, apressadamente e afastou-se até á porta que dava para o corredor.

-Volto já!

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Eu gosto do proximo capitulo! Toma toma E só por isso podia meter o capitulo inteiro, mas nao sei, tenho de pensar no assunto! lol

bjokas

bjokas
as minhas fic's:
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
-Angelical
Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^
#246
Lulu.. para começar, tenh que te pedir mil e uma desculpas por o meu comentário ser apenas isto...

ADOREI!!!! MELHOR CAPÍTULO DA FANFIC!!! Finalmente já sei algumas coisas sobre as verdadeiras origens da Lana. Para além do jantar ter sido deveras interessante. Estou em pulgas pelo resto..

Agais.. peço desculpa por ser pequeno, mas digo-te.. deixaste-me mesmo sem palavras neste capítulo. Adorei! Esperancoso

EDIT: Quem será o pai da Lana? Tem k ser um humano, para ela ter as qualidades humanas Matreiro
Espero por ti em cada segundo , porque tu és o meu mundo!




Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
Visitem a minha 1ª Fic ----->The Four elements
#247
Ei, ó minha escritora favorita...! Queres saber uma coisa?

Eu nunca pensei que isto fosse acontecer. Apanhaste-me desprevenida.
A mãe da Lana seria aquela mulher? E o Gustavo é o Guardião da Lana?! Céus, tantas revelações! Mas cada uma mais fantástica que a anterior!
#248
ai lulu esta história está cada vez melhor!

despaxate a postar e poem completa fogo nao e justo deixas sempre o people com curiosidade!
#249
Ai que comentarios tao saborosos! Esperancoso
Nao sabia que iam gostar tanto deste capitulo, sinceramente até o acho muito calmo! lol, mas eu que disse!? Valeu a pena esperar! A partir de agora vou tentar fugir áquelas monotonias anteriores!
Posto o proximo capitulo brevemente! Nao deixem de acompanhar! Toma toma
bjokas!
as minhas fic's:
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
-Angelical
Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^
#250
adorei a tua fic e entao este capitulo ta demais.....
por favor poe o outro cap....
tou super ansiosa...
#251
Acho que alguém me vai dar porrada Very Happy Desculpa Luluzinha mas realmente a escola está me a tirar muito tempo, eu praticamente só venho aqui ler a tua fic. Mas vá para te incentivar a escrever vim deixar aqui um comentariozinho. Eu realmente tenho acompanhado este fic e realmente gosto mesmo muito de a ler, acho que até está melhor do que a " Unidos pelo destino, unidos por todos". Concordo com os outros comentários este foi o melhor capítulo, finalmente sabemos alguma coisa sobre a mãe de Lana, e eu juro-te ai de ti se a Lana e o Gustavo não acabam juntos, depois de uma história destas. Mas acho que ainda me vais surpreender muito com o desenrolar desta história, para além que ainda tens muito para desvendar, ahh e eu também quero saber o que queria realmente aquele homem nojento da Lanita. E a tatuagem o que será que ela significa? Sempre me consegues surpreender, e adorei a parte do Gustavo ser guardião dela Esperancoso Adorei também o jantar, a Lana e a Liliana deviam estar lindas. Este comentário tá uma confusão mas acho que dá para perceber. O que interessa é que eu adoro a tua fic tu realmente consegues supreender.
Parabéns e continua a escrever assim.
#252
Oii! Ah, começo por agradecer aos ultimos comentarios que recebi! é muito agradavel saber que há gente que acompanha a minha fic e continua a gostar, mesmo que nao se manifestem muito, acreditem que é muito importante para mim ler estas coisas! apoiam-me imenso! obrigada!

Agora.... Hum, bem como amanha muito boa gente (incluindo eu Very Happy ) nao tem aulas por causa da visita do papa, eu resolvi postar a primeira parte do capitulo 15! Esperancoso A segunda só chega sabado, para deixar agua na boca, sabem como é! lol

Nao é muito grande, mas espero nao vos desiludir!



Capitulo XV – Proximidade fatal



Eu estava maravilhada. No dia seguinte provavelmente ia rebolar em vez de andar, visto que não parava de comer! A Liliana não parava de fazer troça de mim, juntamente com Pedro e Susana. As senhoras mais velhas riam-se por eu ter tanto apetite para doçuras, mas em vez de ficarem chocadas comigo, incentivavam-me a comer! Eu tinha a certeza, aliás, eu sabia, que elas não se importavam, e por isso não hesitava em comer mais uma fatia de pudim ou de bolo.

-Espero que isto não seja um truque ao estilo da casinha de chocolate, senão vou ser a primeira a desaparecer! – Dizia eu, sorridente.

Felizmente já não me sentia nervosa como no inicio do jantar, e por isso conseguia rir, e falar sem problemas.

Gustavo por outro lado tinha ficado mais sisudo depois de se ter ausentado, mas estavam todos tão animados que nem se aperceberam.

Jogamos uma partida de cartas. O mais impressionante e irónico era que eu não sabia jogar e tinha sempre o melhor baralho. A Liliana delirava com a minha falta de jeito e desperdício de oportunidades.

A minha jogada foi interrompida quando o telemóvel começou a tocar.

Entreguei o meu jogo á Liliana e levantei-me:

-Com licença, é a Helen!

-Manda-lhe um beijo! – Disse Liliana!

Eu Cheguei-me á porta que dava ligação ao hall e atendi a chamada:

-Estou?

-Lana, ainda estás acordada? – Perguntou – Estava com medo de te ligar porque pensei que já estivesses no sétimo sono!

-Não, ainda estou em casa da Liliana, a propósito ela manda-te um beijo!

-Em casa da Lili? Jantaste com ela?

-Sim! – Respondi – Aliás, estava tão entretida que nem dei pelo tempo passar! Tu já chegaste á cidade?

-Oh, nem me digas nada! – Exclamou. Apercebi-me pela sua voz que a viagem não tinha sido fácil – Ao sábado as pessoas resolvem todas ir ao shopping! Apanhei um engarrafamento que nem imaginas! Ainda por cima a segurança social ao sábado não está aberta, por isso tive de ligar para um agente estúpido qualquer que me recomendaram! Feito isto passei a tarde às voltinhas para preencher a porcaria dos papéis!

-Vá, não te enerves! – Aconselhei pacientemente – Pelo menos já estás a chegar?

-Mais ou menos, ainda estou em Braga, mas ninguém se mexe! – Informou aborrecida – Hei, queres que te vá buscar ou preferes passar a noite com a Liliana?

Olhei para os presentes naquela sala:

-Não sei, estás muito cansada?

-Um pouco – disse – Mas eu não me importo de te ir buscar, se preferires!

-Bom, então está bem…! Eu fico á tua espera, ok?

-Claro! Até já!

-Bye!

Desliguei o telemóvel e olhei para o ecrã. Eram 11 e meia da noite. Não admira que ela pensasse que eu já estava a dormir!

Voltei para a mesa e sentei-me:

-Então, tudo bem? – Perguntou Liliana.

O jogo tinha sido dado como terminado na minha ausência.

-sim, a Helen apanhou trânsito, coitadinha! Deve estar morta!

-Onde é que ela foi? – Quis Pedro saber.

-Tratar de umas porcarias á nossa cidade! Enfim, nada que nos interesse, mas que pelos vistos é importante!

Encostei a minha cabeça na mão. D. Teresa virou-se para mim, sorrindo:

-Ainda tens fome, Lana?

Eu ri-me:

-Por acaso não! – Respondi – Porquê?

-Chegou a hora de perder os quilinhos que ganhaste! – Explicou Liliana.

-O quê? Não estás a pensar fazer abdominais, pois não?

Ri-me da ideia! Ainda virava o barco e vomitava tudo fora!

-Vamos dançar! – Exclamou.

-Nem pensar nisso! – Respondi – Estás a falar com a vencedora dos pés mais pesados do mundo!

-Oh, exagerada! Vem! – Exclamou puxando-me para irmos para a zona mais ampla da sala – Eu ensino-te!

-Não quero! Ainda te arranco as pernas! Olha que eu ainda sou pior a dançar do que a jogar á sueca!

Ela revirou os olhos e acenou para alguém na mesa:

-Pessoal, vamos ver quem consegue desenterrar os pés desta cabeça de alho chocho?

Todos incentivaram a ideia, abandonando a mesa para se sentaram nos sofás escuros da sala.

-Quem se candidata a professor? – Perguntou animada.

-Vocês não vão conseguir! – Alarmei – A Helen e a Greta já tentaram!

-Eu ofereço-me! – Disse Alexandre.

Senti-me envergonhada! Eu não podia dançar á frente daquela gente toda!

-Boa, mais alguém? – Continuou Lili, entusiasmada – Pedro, Gustavo, vocês são os meus companheiros de dança nas aulas de educação física, colaborem!

Pedro soltou uma gargalhada ligeira:

-Ok, eu alinho!

-Gustavo?

Ele cruzou os braços e encostou-se no sofá:

-Se eu vir que os professores são fracos, avanço! – Assegurou.

-Pois, pois, tens é medo da concorrência! – Troçou Alex.

Gustavo mostrou-lhe a língua:

-Veremos se és assim tão bom!

Liliana sorriu:

-E das meninas, ninguém se oferece para além de mim?

-Não, nós vamos ser a plateia! – Exclamou Susana, sentando-se no colo de Gustavo - Também é necessária!

-Então está bem! Começo eu!

Ela aproximou-se do leitor de música:

-Que dança queres, Lana?

-Tu é que sabes! Vê o que for mais fácil!

-Eu não tenho cha cha cha, portanto vamos dançar salsa! – Exclamou.

Franzi as sobrancelhas:

-Eu por nome não chego lá!

Ela riu-se e pôs a música a tocar. O som era rápido, mas coordenado.

Eu não ia conseguir!

Ela aproximou-se de mim e fez-me olhar para os seus pés que começaram a mover-se lentamente na mente dela, mas rapidamente na minha. Olhei para a nossa plateia e fiz um apelo:

-Por favor perdoem-me e não contem a ninguém!

As mulheres riram-se e concordaram.

Tentei seguir os pés de Liliana, mas ela e eu perdemo-nos em risos. Eu estava a fazer tudo ao contrário e não conseguia acompanhar-lhe o ritmo de maneira nenhuma, o que de certa forma era hilariante. Ela parou a música para me ensinar os passos básicos ainda mais lentamente.

Os três primeiros encaixaram, mas os outros eu não consegui mecanizar.

Ela pôs a música novamente e deu-me as mãos:

-Vá lá, tenta repetir o que te ensinei ao ritmo da música!

-Está bem!

Ela começou a dançar fluidamente. Parecia que estava destinada a fazer aquilo, mas eu nem lá perto estava. Acabei por fazer o inevitável: pisar-lhe os pés.

A plateia e os outros professores riram-se da situação e eu também não consegui evitar de gargalhar.

Liliana desistiu e deu a vez a Alex. Ele não perdeu tempo, segurou-me as mãos, firmemente:

-És muito maior do que eu! – Exclamei.

-Mau era se não fosse, pequenita!

-Eu não sou pequena! – Contrapus rindo – Sou forte o suficiente para te arrancar os pés, portanto, boa sorte!

Ele sorriu. Tinha um sorriso charmoso, mas apesar da sua beleza, ele era diferente de Gustavo. Era ainda mais irónico e brincalhão!

-Ok, Já sabes os passos, mais ou menos?

-É melhor recapitular! – Avisei.

Ele revirou os olhos, mas pacientemente tentou ensinar-me a conduzir-me.

Nem chegamos á parte da dança com música! Ele desistiu logo na parte inicial!

-Buh, És o pior professor, Alex! – Troçou Diana, gargalhando.

-A culpa é da aluna!

-Ora essa, tu é que aceitaste o desafio! – Respondi, fingindo-me de ofendida, entre risos divertidos.

-Pois sim! Uma bunda tão jeitosa e não sabes mexe-la! – A gargalhada foi geral - Vá Pedro, passo a pasta!

Pedro era bem mais paciente do que Alexandre. Ele voltou a recapitular todos os passos, e tentou ensaiar comigo sem música a um ritmo lento, incluindo a roda. A nossa plateia encorajava-me, animada. Parecia que ia ser desta vez que eu ia conseguir, porem, quando ele pôs a musica a tocar, eu pura e simplesmente me descontrolei por completo. Troquei a ordem da dança e tal como a Liliana, acabei por pisa-lo! Por pouco não o deitei ao chão. Tive de ser eu a acabar com aquela palhaçada antes que alguém se magoasse a sério:

-Ok, eu ganhei! – Exclamei – Ninguém consegue fazer-me dançar!

-Ainda falto eu! – Disse Gustavo, empurrando Susana para o chão.

Olhei-o espantada e cruzei os braços:

-Vais ter coragem?

-O que tenho a perder?

-Os pés! – Respondi, rindo.

Ele sorriu-me. O meu coração acelerou.

Em vez de me agarrar as mãos como eu estava á espera, desviou a carpete que havia no chão e depois olhou os outros “professores”:

-Ela nunca ia aprender a dançar em cima disto!

Sorri com aquela determinação toda. Ele sabia do que estava a falar, visto que os outros abriram a boca quando se aperceberam daquele aspecto.

Ele aproximou-se de mim e deu uma volta em meu torno, deixando-me tonta:

-Eu sei que tu já sabes os passos! – Declarou, enquanto continuava a andar em meu redor – Mas preciso de saber outra coisa…!

-O quê? – Perguntei, seguindo-o com o meu olhar.

Ele segurou-me as mãos de repente e fez-me ficar totalmente de frente para ele:

-Confias em mim? – Interrogou.

O meu coração ia explodir se eu continuasse com as mãos coladas ás dele. Abanei a cabeça e respirei fundo:

-Não… - Murmurei.

Algumas das pessoas que olhavam para nós ficaram admiradas, mas ele sorriu. Parecia já saber disso, o que eu estranhei:

-Ainda bem! Assim não te desiludo!

Descolei os meus lábios. O que é que aquilo tinha a ver com a dança?

-Pensei que o truque da dança era confiar no nosso parceiro!

-Se não confias em mim, então nunca vais saber o que te reservo e não antecipas os meus passos! Se eu te apanhar de surpresa tu não tens tempo de pensar!

E então, de repente ele ergueu uma das minhas mãos e eu girei em torno do meu próprio eixo, sem estar minimamente á espera.

Gustavo sorriu-me. Eu fiquei completamente derretida e não consegui evitar de esboçar um sorriso tímido também. Talvez ele tivesse razão!

-Gustavo és o meu ídolo! – Exclamou Susana batendo palmas – Estou a torcer por vocês!

Liliana colocou a musica do inicio. Senti um friozinho no estômago. Gustavo olhou-me nos olhos:

-A coreografia tem uma ordem especifica mas tu és mesmo má…! – Ele sorriu e eu abri a boca, fingindo-me de magoada. Ele continuou – Por isso quero que feches os olhos!

Eu hesitei. Não gostava de perder a noção do que se passava em meu redor, o que ia acontecer inevitavelmente se eu baixasse as pálpebras.

-É mesmo necessário?

Ele sorriu:

-Não te vou fazer mal! É só para te concentrares na música!

Suspirei levemente:

-Está bem…

Fechei os olhos. Senti a sua mão larga encostar-se á minha cara e franzi as sobrancelhas, receosa:

-Escuta a musica, e tenta encaixar os passos que te lembras conforme o ritmo que ouves…! – Ordenou.

Eu assim o fiz. Tentei reconhecer nas batidas os passos que me tentaram ensinar e miraculosamente fez sentido. Os mais livres, nos sons mais rápidos, e os mais coordenados nos sons mais lentos. Gustavo segurou-me uma das mãos, devagarinho. O meu corpo estremeceu.

- Tenta dançar o que sabes de olhos fechados…!

-Eu não confio em ti, lembras-te? – Indaguei, sem abrir os olhos - Não vou dançar sem ver, ainda mato alguém!

-Não te preocupes… Confias na Liliana, não confias?

Encolhi os ombros:

-Acho que sim…

-Então ela toma conta de ti…

Ele agarrou-me a outra mão e abanou-me os braços para eu libertar o meu corpo. Estava demasiado tensa!

A música começou novamente, e eu mordi o lábio. Tentei mover-me da melhor maneira possível, mas senti-me envergonhada com a situação e parei. O meu parceiro, contudo, não me deixou desistir, e quando eu dei por mim ele fez-me rodar novamente, para ir ao encontro do corpo dele. Fiquei com as costas encostadas ao seu peito, presa nos nossos braços, e abri os olhos, ao sentir a respiração lenta dele no meu pescoço, de uma maneira arrepiante:

-Acho que tens talento para girar! – Sussurrou.

Senti o meu rosto aquecer, e mirei os presentes naquela sala. Todos esperavam com expectativa que eu conseguisse pelo menos soltar-me.

Soltei uma lufada de ar, irritada comigo mesma. Voltei a virar-me de frente para Gustavo e agarrei as mãos dele com força:

-Vamos acabar com isto! – Declarei, determinada.

Ele sorriu-me. Estava certo que íamos conseguir.

Liliana, mais uma vez aproximou-se do rádio:

-Ok, Lana, nós sabemos que tu consegues, portanto dá o teu melhor!

Ela voltou a reproduzir a música. Gustavo olhou-me directamente nos olhos. A minha respiração travou-se durante um segundo, mas eu não consegui parar de olhar para ele. Era como se uma força estranha me estivesse a prender, e essa força tirava-me também a capacidade de respirar direito.

Ele moveu os pés, e eu respondi-lhe quase num impulso. Ele voltou a fazer-me mexer, e eu entendi que tinha de repetir aquela acção.

Tentei concentrar-me na música e encaixar os passos. Alternadamente, três para a frente, três para trás, três para a esquerda, três para a direita, e por aí adiante. Sorri ao perceber que pelo menos os dois primeiros tinha conseguido.

Diana bateu palmas, orgulhosa:

-És o maior, maninho!

Ele pareceu não ouvi-la, e continuou a guiar-me. A minha noção da realidade começou a desaparecer. Eu só sabia que estava nos braços de Gustavo, nos seus braços fortes e quentes. Tudo o resto era secundário e estava a desaparecer.

Foi então que eu senti-o soltar uma das mãos, e com a outra fez um gesto que me retirou o equilíbrio. Senti-me a cair para trás e cerrei os olhos á espera do tombo do dia, mas enganei-me. Eu caí nos braços dele e fiquei assim, com as costas curvadas na direcção do chão, enquanto Gustavo, só com um braço, me mantinha segura e afastada do chão.

Apercebi-me que a música acabou e respirei fundo:

-Queres dar cabo do meu coração? – Perguntei, tentando assimilar aquele último passo, que o tinha deixado com o rosto praticamente colado ao meu.

Ele sorriu, sem humor. O seu olhar estava nostálgico:

-Não é incrível que já deste cabo do meu?

Durante milésimos de segundos todos os meus órgãos deixaram de funcionar:

-O quê?





Ai.... E agora?!

Comentem! lol



bjokas
as minhas fic's:
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
-Angelical
Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^
#253
nao acredito k paras-t na parte melhor....
assim nao vale... lol...
adorei mesmo
#254
Wii...
Em vez de tar a ver o papa na televisão, tou aqui derretida a ler este capítulo!
Mas, como sabes, esta parte foi um bocadinho mais pequena... Li-a num ápice, e isso não é bom. *no seu sentido*
A Lana tem mesmo de aprender a dançar! Mesmo muito! E com os professores que ela tem...ui.
E o que é que o Gusta quis dizer com aquilo??
#255
Lulu.. eu vou matar-te... A sério, isso nao se faz. Não se acaba um capitulo assim. E agora tenho que esperar ate sabado para saber o resto :'(
QUERO MAIS, QUERO MAIS!!!
Espero por ti em cada segundo , porque tu és o meu mundo!




Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
Visitem a minha 1ª Fic ----->The Four elements
#256
Felizmente eu faço parte desse grupo de muito boa gente Very Happy
oh luluzinha, acho que tenho de voltar a porrada, isto não pode ser assim.
Só sábado? isso é muito tempo para a curiosidade em que nos deixas te.
Eu também quero mais!
#257
"Mim entra no topico e ri maleficamente"
Twisted Evil Muahahahaha.. Twisted Evil
Pois é gente! Eu vou ser franca! mal postei esta parte do capitulo pensei "Oh, se calhar vou editar e posto ja tudo!" mas, como vi uns erros na segunda parte, e nao estava com paciencia para reve-la na altura em que postei, resolvi deixar-vos aqui a morrer á sede! lol
Perdoem-me, se eu amanha á noite estiver bem disposta, vou tentar postar! Embaracoso

bjokas, e obrigada pelos comentarios sedentos! Toma toma
as minhas fic's:
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
-Angelical
Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^
#258
eu nao acredito tu paraste neste momento??

neste! awww e eu a espera de um beijo!

quero mais sim? *beiçinho*
#259
Como sou boazinha, fiz o que disse ontem e vim postar, e acreditem, estou com tanto sono, que nem sei como estou a conseguir escrever! Acho que só ponho cá os pés domingo á noite! (Nã, eu nao resito!) Toma toma





Capitulo XV - Proximidade fatal - parte 2



Senti-me um gelado ao sol, um pedaço de margarina em cima de um fogão, um pouco de água a evaporar-se. Fui invadida por um misto de emoções que não tinham explicação, e bastou-me olhar Gustavo nos olhos para sentir que eu não era a única.

Alguém começou a bater palmas, mas eu quase não reagi. Gustavo levantou-me com cuidado, e eu pus a minha mão na testa, baralhada. Ele soltou-me e deu um passo de recua para se afastar de mim.

-Conseguiste! – Exclamou Liliana dando um saltinho no ar enquanto chocava as suas mãos, uma na outra.

Alguém se aproximou:

-Bravo!

-Helen? – Sorri ao aperceber-me que a minha madrinha estava de volta – Já chegaste?

Ela esboçou um sorriso de orelha a orelha:

-Vou obrigar-te a vir para casa da Liliana mais vezes! Estás linda!

Liliana pôs o seu braço em torno das minhas costas, orgulhosa:

-E aprendeu a dançar!

-E quase aprendeu a jogar á sueca! – Riu-se D.Teresa, levantando-se do sofá, para se aproximar de Helen – Olá, sou a Teresa!

-Eu sou a Maria do Carmo – Disse a mãe de Gustavo -, mas pode chamar-me apenas Maria, ou então Carmo.

Helen, sorrindo, deu-lhes dois beijos na face, e depois cumprimentou os restantes presentes.

Eu não consegui sorrir mais. Olhei eu meu redor á procura de Gustavo, mas reparei que ele já não estava na sala. Senti-me esmagada com as minhas dúvidas. O que é que ele me quis dizer com aquela insinuação?

-Helen, quer provar as nossas sobremesas? A Lana ajudou muito a faze-las! – Exclamou D. Teresa.

-Tenho a certeza que também as devorou todas, não?

Todos riram, confirmando o sucedido.

-Ena, realmente você não tem sotaque nenhum! - Comentou Sr. Carlos.

-Por favor, não me tratem por você, odeio que o façam!

-Quem é que gosta? – Perguntou D. Maria do Carmo – Faz-nos sentir mais velhas, não é?

-Exactamente!

Afastei-me daquele grupo, e sentei-me num sofá individual. Susana, ao aperceber-se da minha solidão, aproximou-se de mim, e deu-me um beijo na face:

-Dançaste muito bem…!

Tentei sorrir-lhe. Foi algo tão forçado que até a mim me doeu!

Dei uma palmada nas minhas pernas:

-Senta-te no meu colo!

Ela obedeceu, e depois de estar em cima de mim encostou a sua cabeça ao meu peito:

-Estás triste?

Eu suspirei:

-Não sei… Acho que estou tonta, apenas…!

Ela levantou o seu olhar na minha direcção:

-Foi por causa da dança?

-Talvez, Su…! Foram muitas voltas e eu não estou habituada…!

A pequenina abraçou-me, e começou a murmurar uma música calma. Eu sorri. Ela tinha uma voz doce e serena, e a própria melodia era agradável.

Liliana aproximou-se de nós e passou a mão pelo meu cabelo:

-Cansada?

Eu não consegui responder.

-Onde foi o Gustavo? – Questionou.

Eu olhei-a e atentei no espaço, fazendo de conta que ainda não tinha dado pela falta dele:

-Não sei…! Deve ter ido apanhar ar…

Susana levantou-se:

-Querem que eu vá procura-lo?

-Oh, não é preciso! – Exclamou Lili.

Eu levantei o meu tronco e pus-me direita. Notei que Helen já se tinha encaixado no grupo, enquanto comia um pouco de baba de camelo. Soltei uma lufada de ar, apetecia-me ir embora para casa, Gustavo tinha-me deixado confusa.

Levantei-me do sofá:

-Vou á casa de banho, volto já!

Dirigi-me á porta de vidro fosco que dava para o hall, e depois entrei na porta de madeira que dava para o corredor. Fechei-a, atrás de mim, e parei. Eu não tinha a mínima vontade de ir á casa de banho. Fora só um pretexto para me afastar. Caminhei até ao quarto de Liliana, e foi aí que me cruzei com Gustavo. Não sei de onde ele vinha, mas fi-lo parar para me encarar:

-Desapareceste… - Murmurei, sem qualquer coisa decente para dizer.

Ele suspirou. Reparei que tinha a cara e as pontas do cabelo molhadas.

-Estava com calor, fui refrescar-me! – Apercebi-me de um pingo de arrogância patente na sua voz.

Engoli a seco:

-O que é que quiseste dizer com aquilo? – Perguntei, confusa.

-Com o quê? – Ele fez-se de desentendido.

Eu não tive coragem de cita-lo:

-Depois de acabar a dança…! – Tentei recordar.

Ele encolheu os ombros, e não me encarou, todavia, todo o seu corpo emancipava uma espécie de nostalgia em contraposição com um ódio mínimo.

-Estás muito bonita, hoje! – murmurou, olhando-me timidamente, de cima a baixo, mas sem me encarar nos olhos.

Não sabia se ria ou se chorava. Ele evitou a resposta á minha questão, mas eu não consegui ficar indiferente ao seu elogio. Pensei que ia corar, mas a minha pele não o permitiria.

Ele mordeu o lábio:

-Tenho de ir, devem ter dado pela minha falta…

Ele fugiu. Num momento estava á minha frente, e no momento seguinte estava a afastar-se.

Entrei no quarto de Liliana, atónica com a situação, e deitei-me na cama a olhar para o tecto. Pus os meus fones nos ouvidos e escutei uma música qualquer.

O meu corpo ainda estava trémulo depois da dança. Eu não sabia o que se estava a passar comigo naqueles dias, eu só sabia que estava a ficar descontrolada. Não conseguia tirar Gustavo da minha cabeça. Fechava os olhos e tinha flashes de situações que tinha vivido com ele. O meu peito esquentava-se só de pensar no seu toque. O meu estômago estremecia só de relembrar a sua voz. O meu corpo perdia a força quando recordava a sua respiração tocar-me. A minha mente esvaziava quando ele me tocava com o seu simples olhar.

Definitivamente eu estava avariada. Parecia um rádio velho que não acertava a frequência!

-Oh… O que é que se passa comigo? – Interroguei-me, martirizada.

Bati com a mão na testa e cerrei os olhos.

Aumentei o volume da música. Não queria pensar mais naquilo!

Deixei-me estar assim durante um bocado de tempo, até que alguém me tocou. Levantei-me, assustada, e retirei os fones. Era Liliana:

-Então, o que te aconteceu?

-Desculpa, distraí-me!

-A Helen está pronta para se ir embora! Aliás – corrigiu -, acho que a noite acabou por hoje! Está quase a ser uma hora da manhã!

Levantei-me e espreguicei-me:

-Já estava com sono! – Admiti.

-É natural! Vem, a minha mãe pôs as tuas coisas numa saca para levares!

-Obrigada! – Agradeci, enquanto ajeitava o vestido.

Liliana enrolou uma mecha de cabelo do dedo:

-Sempre vais tentar voar?

Levantei o rosto e encarei-a. Já nem me lembrava disso, mas sim, eu queria faze-lo!

-A Cris disse que me podia dar jeito!

-E quando começas as tentativas?

-Não sei, o que achas?

-Eu tenho a semana toda livre! Por mim é quando tu quiseres!

-Bom, então pode ser segunda-feira? Eu e a Helen vamos á nossa cidade passar a Pascoa.

-Eu sei…! – Respondeu – Aliás, ela acabou de dizer isso na sala!

Lili cerrou os dentes. Estava outra vez com cara de caso.

-O que foi? – Perguntei.

-Há quem não goste da ideia!

Dei de ombros:

-Eu preciso mesmo de sair daqui…! – Murmurei – Estou muito confusa, a minha vida está de pernas para o ar… Eu não posso ficar, preciso de uma pausa!

-claro, eu entendo-te…

Ela abriu a porta do quarto para o abandonarmos.

Eu segui-a de regresso para a sala. Helen estava a conversar animadamente com Alex e Diana, e não deu pela minha presença. Acho que todos estavam com cara de sono, especialmente os mais novos. Liliana, entretanto, deixou-me sozinha para ir ter com Pedro que a chamou.

Olhei para o chão, e esfreguei os meus braços. Estava a começar a ficar com frio e não tinha casaco. Voltei a mirar as pessoas com quem passei a noite, e de repente senti uma mão agarrar-me a coxa do braço com firmeza. Fechei os olhos por instinto. Era impossível eu não reconhecer aquela aura e aquele toque:

-O que foi? – Perguntei-lhe.

Gustavo não me disse nada e olhou para os outros que se encontravam distraídos com as suas ultimas conversas. Algo estava errado connosco, e por essa razão, tentei sacudir-me, mas ele era forte. Sedutoramente forte, para ser sincera.

Ele agiu com descrição. Sem que ninguém se apercebesse, praticamente arrastou-me para o hall, de uma maneira bruta.

Ele abriu a porta ao nosso lado. Puxou-me para aquele corredor vazio e empurrou-me contra a parede com as suas mãos a fazerem pressão agora nos meus ombros, sem me magoar.

-O que estás a fazer?!

Tentei descolar-me da parede fria mas depressa entendi que eu estava presa numa jaula criada pelos seus braços. Estavam esticados lado a lado com a minha cabeça, impedindo-me qualquer movimento brusco:

-Não podes ir embora! – Disse mais perto de mim do que deveria.

Os seus olhos estavam colados aos meus. Aquele oceano azul transmitia nostalgia e alguma fúria, de certa forma.

-Porquê? – Perguntei - Porque havia eu de ficar?

Ele fez uma breve pausa e abanou a cabeça olhando para o lado numa pose de reflexão.

-Corres perigo lá…!

-E o que tens tu a ver com isso?!

-Eu não te posso deixar ir parar á boca do lobo! Não podes simplesmente voltar e fingir que nada se passou e que não corres riscos!

-Corro tantos riscos aqui como lá! – Prontifiquei sem vontade de escutar as suas teorias – Não há nada que me prenda a este sitio… Aqui não sou feliz…

-E lá és?! – Ele falou num tom de voz mais alto e possesso. Olhei para a porta com medo que alguém entrasse – És feliz onde não tens amigos para te protegerem?!

Não respondi.

Gustavo soltou uma lufada de ar que me bateu no rosto e pude sentir o seu nervosismo:

-Tu aqui tens amigos a sério…!

-Ah sim?! – Resmunguei irritada – Espero que não te consideres um bom exemplo disso, já que não o és!

Ele franziu as sobrancelhas, magoado:

-Tu podes não me considerar nada, mesmo nada, para ti, mas asseguro-te… - Os nossos olhos voltaram a encontrar-se. Senti o meu coração acelerar demais e tentei concentrar-me no que ele dizia - eu morro se te acontecer alguma coisa!

O meu coração parou. Pensei que ia morrer, mas morrer porquê? Porque é que eu me sentia nervosa?

Voltei a ouvir o “tun-tun” do meu órgão vital dentro do meu peito. Eu não sabia o que lhe dizer. Não sabia o que faria após aquela afirmação. Ele continuava com aqueles olhos pregados em mim a transbordar de medo. Sim, eu vi medo nos olhos dele, um medo que eu não entendia, mas que eu queria entender. Ambos estávamos ofegantes, como se o oxigénio daquele compartimento não bastasse para nós os dois e o meu corpo já começava a ficar suado com o seu corpo quente tão rente ao meu. A respiração dele embateu outra vez com a minha. Era um hálito doce, e ao mesmo tempo amargo, era quente, e ao mesmo tempo, fresco. Só eu sabia o desejo que nasceu em todo o meu corpo com vontade de provar aquele sabor inquietante.

“Pára Lana, Estás louca! Afasta-o imediatamente de ti…” Ordenei a mim mesma, mas não o consegui fazer. Tinha de dizer algo que o travasse.

-Não…? - murmurei num abafo - Não achas que… estás a exagerar?

-Eu morro…! – Repetiu, também num suspiro – não te posso deixar ir…

Ele inclinou a sua cabeça. Tentei alcançar os seus lábios com o meu olhar. Ainda estávamos mais próximos do que eu achava. De um segundo para o outro eu estava dividida entre o ódio e o desejo. O ódio de alguém que me irritava, que fazia demasiadas perguntas, e que me tinha feito descobrir a maior verdade sobre mim. O desejo de alguém que, de certa forma, me agarrava apenas com um olhar, com uma voz, com um hálito, com uma textura, e com um perfume hipnotizante.

Mas havia outro sentimento que me era estranho. Um sentimento que somado aos outros dois me deixava tonta, nervosa e sem reacção. Sentimento esse que me irritava!

Pude sentir, no entanto, que era o desejo que estava mais forte naquele momento.

Eu não pensei mais. Eram demasiadas emoções para mim, eu simplesmente fiz a vontade a mim mesma.

Agarrei a gola da camisa de Gustavo e amarrotei-a entre os meus dedos devido á força que exerci sobre ela. Durante dois segundos hesitei, porem o meu inconsciente foi mais forte do que eu e bruscamente puxei o seu corpo para mim através da sua vestimenta.

Senti o seu hálito, com os nossos lábios separados por 9 milímetros de distância. A lucidez veio novamente á minha cabeça e eu tentei travar-me, esquecer o que ia fazer, mas era tarde demais. Ele descolou as suas mãos da parede atrás de mim. Eu pensei que poderia fugir nesse momento, mas não. Ele agarrou-me a cintura com força e puxou-me para ele, como se nós não estivéssemos já perto demais.

Eu fiquei tonta, sem resistência psicológica, mas carregada de força física. Senti que o corredor estava a andar á roda, a minha cabeça estava carregada de flashes e imagens, de emoções e sentimentos poderosos.

Tudo parecia ter ganho uma intensidade diferente, até mesmo os cheiros, o calor e o toque que eu julgava terem chegado ao limite.

Apertei ainda mais a gola e vi-me forçada a fechar os olhos, quando ele me tocou com os seus.

Então eu senti-me, pela primeira vez, completa.

Senti um formigueiro nos lábios, formigueiro esse que eu julgava já ter experienciado antes, talvez em sonhos, e não consegui evitar de intensificar a sensação ao forçar os meu lábios para aquela boca, que sem eu estar á espera, se abriu, e envolveu a minha, carregada de desejo. Ele mordeu os meus lábios com os dele, e eu fiz o mesmo, sem o conseguir soltar! Pensei que ia explodir por dentro! Parecia que o mundo estava a virar de pernas para o ar, mas tal facto agradou-me, e por isso eu não neguei que Gustavo me domasse. Soltei a sua vestimenta e agarrei-lhe directamente o pescoço, para que ele não se afastasse. Ele por sua vez moveu as suas mãos, lenta e delicadamente pelas minhas costas acima, segurando o meu corpo á medida que eu me deixava envolver pela sensação. A maneira como os seus lábios quentes e macios se misturavam com os meus, o seu cheiro hipnotizante, misturado com o calor corporal. Toda aquela proximidade era fatal. Deixavam-me em êxtase, com o desejo ainda mais forte. Eu não podia querer mais nada!

Foi então que comecei a ficar sem ar, e acordei para a realidade! Eu não conseguia acreditar no que estava a fazer. Eu não acreditava que tinha oferecido o meu primeiro beijo àquela pessoa, e fiquei em desespero ao perceber que eu tinha adorado a experiencia.

Ainda colada a ele, coloquei as minhas mãos nos seus ombros para ele se afastar.

Gustavo apenas descolou a sua boca da minha, ficando a pouca distância da mesma, a combater a minha respiração.

Virei o meu rosto para o chão, envergonhada comigo própria, e retirei as mãos dele de cima do meu corpo. Ele respeitou essa minha vontade, mas impediu-me de sair dali, ao encostar a sua testa á minha:

-Não resistas agora…! – Pediu num ritmo lento e num tom de voz rouco a que eu não consegui resistir.

Senti-me como uma autentica serpente hipnotizada, e fui incapaz de recusar o seu pedido.

-Está bem…

Sorri incrédula com a minha resposta, e ele segurou-me desta vez a cabeça, selando um pequeno beijo comigo.

Eu pousei as minhas mãos sobre o peito quente dele, e esperei, ansiosa, que ele me beijasse novamente, daquela forma intensa.

Gustavo entrelaçou os seus dedos no meu cabelo, fazendo-me encostar a ele pela nuca. Senti-me a derreter com os sentimentos, meus e dele, que me atingiam, e voltamos a perdermo-nos um no outro, com leveza. Consegui ouvir o coração dele agitado, mas entendi também que ele estava confortável com a sensação.

Senti uma leve aragem tocar-me no cabelo, e voltei a afastar os nossos rostos para olhar para a porta que tínhamos atravessado. Deduzi, de um segundo para o outro, que nos encontrávamos num local pouco próprio para aquela acção. A qualquer momento podia entrar uma pessoa e deparar-se connosco, enrolados, o que era verdadeiramente desrespeitoso para os convidados e para os anfitriões.

Achei que era a altura de afastar-me de vez dele, mas tê-lo comigo estava a ser algo demasiado bom para eu ter vontade de me separar. Então eu puxei-o atrás de mim, ainda a trocar, inevitavelmente, pequenos beijinhos leves, e rodei a primeira maçaneta que senti.

Gustavo guiou-me, através da minha cintura, após fechar a porta, e eu, sem noção do lugar onde estava, caí de costas sobre algo macio, separando-me mais longamente dele. Pensei que íamos terminar aquela loucura por ali e abri os olhos, entendendo que estávamos num quarto.

Tentei controlar-me para raciocinar direito e levantei minimamente o meu tronco, apoiada nos cotovelos. Ele surpreendeu-me mais uma vez, empurrando-me para trás, praticamente em cima de mim, e beijou-me novamente, para meu contentamento.

Passei-lhe as mãos na face e acariciei-a, delicadamente.

Nunca em toda a minha vida me tinha sentido assim. Nunca pensei que beijar alguém me ia deixar naquele estado, sem controlo, e totalmente desligada do exterior. Foi como se os problemas tivessem desaparecido e só existíssemos nós os dois.

Senti-me uma autêntica primavera, rejuvenescida depois de todas as tempestades.

Separamos os nossos lábios, devagarinho. Ainda sentia a boca quente. Ele passou as costas da sua mão pela minha face, e selou um último beijo.

Abri os olhos, lentamente, com algum receio, e encarei a sua íris azulada. Ele passou os seus dedos pela minha pele labial, delicadamente:

-Não te podes ir embora… Não agora…!

O meu peito foi atravessado por um arrepio. Eu não sabia o que dizer.

-A minha mãe tinha razão… - Continuou - Estás a deixar-me doente…!

Cerrei os olhos e fiz pressão sobre o seu peito para ele se afastar e eu conseguir-me levantar:

-Eu… - senti a garganta presa e levantei-me finalmente da cama - Eu não sei o que me aconteceu… Tu… deixaste-me sem controlo…! Céus! – Pus as mãos na testa e passei por ele, envergonhada e confusa – Isto não devia ter acontecido…!

Gustavo seguiu os meus passos breves:

-Eu não consegui evitar… - Murmurou.

Balancei a cabeça:

-Claro que conseguias! - Tapei o rosto e encostei-me á parede fria do quarto, de costas para ele - Estás a tratar-me como um brinquedo…!

Ele aproximou-se de mim e encostou a sua cabeça á minha.

-Porquê?

Senti um aperto, um nó na garganta.

-Tu sabes, não te faças de desentendido…! Primeiro fazes-te de meu amigo, depois tratas-me como uma qualquer! – Exclamei, com uma fragilidade incontrolável – Não me podes partir e depois tentar colar… Eu não vou conseguir esquecer o que me fizeste…!

Ele ficou confuso. Tentou voltar-me para ele de maneira a olha-lo, sem sucesso:

-De que estás a falar?

-Pára! – Ordenei - Tu sabes muito bem ao que me refiro, e francamente não quero sequer pensar nisso! Agora mais do que nunca tenho de sair desta cidade…!

Os meus olhos ardiam, e depressa essa sensação foi completa por uma lágrima que me escorreu pela face:

-Eu tenho de ir…!

Abri a porta do quarto e saí, sem o olhar. Acelerei o meu passo para sair daquele compartimento ou até mesmo daquela casa.

Gustavo saiu logo a seguir do quarto:

-Espera!

Eu não o satisfiz. Passei para o hall, e abri a porta da entrada. Alguém que estava na sala apercebeu-se da minha fuga, mas eu não consegui parar para me despedir.

Atravessei o pequeno jardim, até ver o carro de Helen, e encostei-me ao muro. Esperaria ali pelo seu regresso, nem que morresse de frio com o vento primaveril.

Eu tinha de ir embora. Eu queria sair daquela cidade. Eu nunca mais ia conseguir encarar as pessoas da mesma maneira...!

Deslizei as minhas costas pela parede e sentei-me no passeio, com a testa encostada nos joelhos. Eu queria morrer!

Ouvi uns passos apressados saírem daquela casa, e o vulto de Helen apareceu. Ela ao ver-me sentada no chão, ajoelhou-se preocupada:

-O que se passa, Lannis?

-Vamos embora! – Pedi.

Ela carregou num botão da chave e abriu o carro.

Ajudou-me a levantar, mas felizmente não foi capaz de vislumbrar a minha cara devido á escuridão da noite. Eu entrei no automóvel e bati a porta com força.

Ela dirigiu-se á sua entrada e entrou também

Sentou-se no banco e espreitou-me:

-Está tudo bem?

Eu voltei a minha atenção para a janela da porta do carro, para ela não me ver.

Devia estar com a pior cara do mundo:

-Quando voltamos para casa? – Perguntei.

Helen ligou o motor do veículo:

-Agora mesmo! – Respondeu.

Sacudi a cabeça e olhei-a de relance tentando ser mais específica:

-Quando voltamos para “nossa” casa?

Ela abriu a boca, surpreendida e franziu o sobrolho:

-Esta semana… Talvez Sexta-feira!

Trinquei os lábios. Ainda era muito tempo nesta cidade:

-Não há hipóteses de irmos mais cedo?

Helen estranhou o meu desejo súbito de regressar e aproximou-se de mim, agitando o meu ombro com a sua mão fina:

-Lana, está tudo bem?

Eu fitei o exterior. Continuávamos em frente á casa de Liliana

Enchi-me de desespero ao pensar que podia aparecer alguém:

-Quero sair daqui, Helen… Vamos para casa, por favor! – Pedi – Eu preciso de dormir…!

Ela negou o meu pedido:

-Primeiro quero saber o que aconteceu! – Ordenou, cruzando os braços, cheia de teimosia - Não te despediste de ninguém e não reages! Aconteceu alguma coisa que te deixou assim e eu quero saber o que foi!

Virei-me na direcção dela e fixei-a:

-Beijamo-nos…!


v.v

Pessoalmente, acho que esta parte do capitulo podia estar melhor! Sinto-me um bocado desiludida comigo mesma, mas sinceramente nao sei o que lhe faça para melhorar! Éh pá, nao sei, mas ao descrever este tipo de coisa, sinto sempre que nao está bem! Mal disposto'
Agora é convosco! O que acharam? mau demais? Deiam uma opiniao, please!
bjokas
as minhas fic's:
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
-Angelical
Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^
#260
Incredulo...
Estou sem fala, meu Deus! Fiquei toda embaraçada após isto tudo.
Apaixonada Capítulo tão apaixonante, tão emotivo, tão perfeito! Pensei que me fosse dar uma coisinha má!

Eu acho que nunca fiquei a pensar tão bem do Gustavo até agora. Eles beijaram-se, meu Deus! Que coisa maravilhosa! E não tens de dizer isso, sabes que está estupendo.
#261
Lulu adorei... Esperancoso
Foi sem duvida o melhor capítulo desta fanfic, mas por este andar ainda devem vir mais. A sério, fiquei de boca aberta (literalmente, até pk tou constipada) ao ler este capítulo. Parece que estou a ler um romance de escritor profissional, como a Nora Roberts. A tua escrita tem melhorado a olhos vistos. Se repararmos no 1º capítulo da tua outra fanfic e depois neste ultimo, não veriamos semelhanças. Eu pelo menos não ligaria a escrita de uma à escrita de outro. E ainda falas da minha escrita... a tua está espectacular. Sabe-se lá, ainda podes vir a ser escritora a sério. Smile

Acerca do capítulo...
Apesar da escrita maravilhosa, a reacção da Lana pareceu-me um pouco exagerada. Mas é normal eu achar isso. Ela simplesmente agiu como qualquer teenager. Algo mau acontece (apesar de não ser assim tão mau Mal disposto) e já quer morrer. Eu não gosto dessas atitutes, mas são tipicas de muita gente Matreiro
O Gustavo tem que começar a ser mais rapido de raciocinio. Matreiro Já é prai a 3ª vez que a Lana diz que ele fez alguma coisa errada e ele fica a olhar para ela confuso, mas sem conseguir evitar que ela se vá embora sem esclarecer as coisas.
Mas ele é tão romantico e querido. E sério... porque é que ele se afastou da Lana se gosta tanto dela? Isto está confuso, e tu deves estar a rir-te maleficamente com a minha carinha de parva Parvoice

Citando Achmed, o terrorista morto:
I'll kill you
.... se tu não postares novo capítulo depressa! Twisted Evil
Espero por ti em cada segundo , porque tu és o meu mundo!




Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
Visitem a minha 1ª Fic ----->The Four elements
#262
este capitulo ta espectacular...
até parei de respirar...
espero impaciente pelo proximo...
#263
oh my good que lindo Esperancoso

so comigo e que nao acontecem estes romantismos todos . Bolas

quero mais. Ai a rapariga irritame um gajo tipo deus grego beija-a e ela quer ir embora Mal disposto

ninguem merece
#264
oi genti!
Obrigada pelos comentarios, a serio, deixam-me muito motivada e leio coisas deveras empolgantes, apesar de eu continuar a achar aquele capitulo uma caca! Mal disposto' Concordo com a Ana, a reacçao da Lana nao foi a melhor, e eu já me tinha apercebido disso antes de postar, mas nao andava com pachorra para o alterar! Talvez em breve! lol
Entretanto, trouxe outro capitulo que nao admiro lá muito, e por isso mesmo posto já tudo! Assim a borrada vem toda de uma vez! Matreiro



Capitulo XVI – Equivoco



Era terça-feira. Eu estava deitada na cama, com as persianas e a porta fechada, sem deixar qualquer fonte de luz penetrar nos meus aposentos.

Aconcheguei-me mais nos cobertores macios e quentes.

Helen achava que eu dormia, todavia estava enganada. Eu tinha a máxima noção do que se passava no exterior. Sabia que era quase hora de almoço, e sabia também que ela estava a escrever relatórios para a reunião de pais que teria no dia seguinte, ao fim da tarde. Eu já estava desperta á cerca de três horas, mas não me quis levantar para encara-la. Eu não queria comer, não queria mover-me, nem encarar as pessoas. Não conseguia tirar da cabeça o que se tinha passado no sábado anterior comigo e com Gustavo. Cada vez que recordava aquilo sentia-me corroída e desfeita. Fechava os olhos na esperança de adormecer e acordar novamente com a noção que tinha sido apenas o sonho, mas tal coisa não ocorria. Parecia que eu ainda conseguia sentir o calor daquele beijo, o meu desejo, e as palavras dele. Imaginava como seria quando o encarasse. Eu nunca mais ia conseguir olha-lo, e pensar que aquele beijo tinha sido um acidente deixava-me doente. Eu tinha a certeza que ele o fizera por capricho, afinal de contas, como poderia ele beijar uma pessoa que repudiava, e que, consequentemente, abanou?

Mordi o cobertor com força e cerrei os olhos.

Sentia-me uma autêntica marioneta nas mãos dele. Como é que eu o podia perdoar por tudo? Ele abandonou-me quando eu me encostei a ele, e agora, passado este tempo, ele tentou voltar a brincar comigo, mas o pior não era isso. O pior era, sem sombras de dúvida, o facto de eu o desejar mais do que nunca, e não conseguir controlar esse sentimento. Eu tinha de sair dali o mais depressa possível. Tinha de mudar de ares, esquecer tudo, e pôr as minhas ideias em ordem.

Escutei alguém bater á porta do quarto. Devia ser Helen, mas eu não respondi.

Ela entrou no quarto e aproximou-se da janela, abrindo as persianas para entrar o sol, e eu fiz-me de adormecida.

Ela saltou para cima da cama, num grande alvoroço para eu despertar:

-Acorda beijoqueira! – Exclamou dando-me um beijo forte na bochecha.

Abri os olhos e lancei-lhe um olhar de morte. Não tinha a mínima vontade de sorrir.

-Deixa-me em paz!

-Oh, ainda estás assim, anjinha? Anima-te! – Berrou, sacudindo-me os ombros – O que vai dizer a Liliana, se continuares amuada?

Encolhi os ombros e voltei-lhe costas.

Liliana tinha vindo para minha casa nos dias anteriores para as supostas aulas de voo, e apercebeu-se que eu não estava bem. Eu não reagia, não sorria, não falava, e muito menos tinha vontade de bater asa que fosse, pelo que ainda não tinha desviado os pés da terra. Eu ainda não sabia se lhe dizia o que se tinha passado ou não, mas tinha pensado no assunto, recentemente.

Helen descobriu-me bruscamente:

-Vem almoçar!

-Não quero! – Respondi, agarrando as cobertas para me tapar novamente.

-Por favor Lana, não te armes em anoréctica ou criança amuada! Não tomaste o pequeno-almoço e já não comes nada de jeito desde sábado!

Ela agarrou os meus braços e puxou-me, para eu sair da cama.

Tentei ser mais forte do que ela e agarrei-me á cabeceira da cama:

-Não tenho fome! – Exclamei.

Helen não acreditou e continuou a puxar-me, desta vez pelo tornozelo:

-Não inventes, tu és a maior gulosa que eu conheço! Tens de te alimentar bem!

Tentei espernear para ela me soltar, mas por incrível que pareça aquela mulher elegante não me largou. Acabei por desistir.

Levantei-me da cama e dei-lhe um encontrão. Fui até á cozinha e sentei-me em frente ao almoço, e servi-me.

Helen veio também, satisfeita pela minha acção e sentou-se á minha frente. Apercebi-me que ela estava ofegante.

-Sabes dar luta! – Exclamou, servindo-se.

Eu não respondi, e continuei a mastigar sem vontade alguma. Helen arqueou as sobrancelhas:

-Como vão os “treinos”?

-Não houve avanços… - respondi, friamente.

Helen bufou:

-Vais ficar assim para sempre, ou só até ele te beijar de novo, idiota?

Pousei os talheres:

-Não me chames idiota!

-Chamo pois, és estúpida! Será que não entendes que não conseguiste afastar-te dele porque, na verdade, o que mais querias era que ele te beijasse?! Sinceramente, devias bater palmas, Lana!

-Cala-te! Eu não queria beija-lo!

-Então porque o beijaste?

Cerrei os dentes e mirei a comida. Ela sorriu vitoriosa, o que me enfureceu ainda mais.

-Estás completamente apanhadinha por ele e não queres admitir!

Arrumei a minha loiça para o lado.

-Perdi o apetite… - Balbuciei.

Helen colou os seus olhos em mim:

-Porque não admites o que sentes?!

Não aguentava mais aquelas perguntas insinuantes:

-O que me preocupa não é o que eu sinto! – Admiti, com uma voz que emancipava irritação por todos os lados.

-Então é o quê?

-É ele! O que ele sente! E se ele só quer brincar comigo?

Helen revirou os olhos:

-Porque é que ele faria isso?

-Porque é que o teu ex-namorado de fez isso?! – Ripostei com brusquidão.

Mordi o lábio, frenética. Eu tinha atingido Helen no seu ponto fraco, e arrependi-me de seguida. Ela levantou-se da mesa, e arrumou o seu prato, magoada:

-Eles não têm de ser iguais!

-E se forem?

-Eu sei que não são! – Garantiu.

-Eu não tenho tantas certezas!

Helen suspirou:

-Vai vestir uma roupa em condições! – Aconselhou - Hoje lavo eu a loiça!

Soltei uma lufada de ar e fiz o que ela me advertiu.

Tirei do fundo do armário um top sem costas e vesti umas calças normais. Escovei o meu cabelo, e dei um jeito á minha cara. Parecia uma morta viva!

Calcei umas sapatilhas e voltei para a cozinha, onde Helen terminava as tarefas domésticas.

Apoiei as minhas mãos numa cadeira e esbocei um esgar:

-Hel… - Murmurei.

Ela voltou-se para mim.

-O que foi?

-Não há hipótese de voltarmos mais cedo para casa?

-Quando queres voltar? Eu tenho reunião amanha, lembra-te!

-Sim, eu sei… Eu gostava que regressássemos quinta-feira, pelo menos…! Podíamos fazer uma surpresa á Greta!

Fiz figas para ela aceitar a proposta:

-Vou pensar… Não te esqueças que vamos ter de fazer as malas e preparar tudo para a viagem! E eu amanha á noite vou estar muito cansada da reunião de pais!

A conversa foi interrompida com um batimento na porta. Despachei-me a abri-la. Ela Liliana, pontual como sempre!

-Olá Helen! – Cumprimentou, acenando-lhe da porta - Estás pronta, Lannis?

-Sim, podemos ir! Até logo Helen…!

-Portem-se bem, e voltem a horas!

-Está descansada!

Fechei a porta atrás de mim, e estremeci de frio:

-Vamos para a mata ou ficamos por aqui?

-Se ninguém te vir, podemos ficar aqui, por agora!

-Está bem! – Concordei.

Contraí as costelas e as asas emergiram. Liliana sorriu. Ela ficava sempre espantada com aquela transformação física, apesar de não ser a primeira vez que a via.

A primeira coisa que decidimos fazer quando combinamos este “treino” foi eu exercitar as asas. Tinha de move-las de todas as formas possíveis, conforme o que Liliana ordenava, durante o tempo suficiente para eu demonstrar alguma agilidade. Aquele exercício servia-me como uma espécie de aquecimento, para que eu não tivesse uma deslocação ou coisa parecida. Até dava vontade de rir, quando me imaginava a ter uma cãibra na asa.

-Roda a asa esquerda para a direita! – Ordenava Lili, e eu com algum esforço, lá correspondia, sem o interesse adequado. – Agora levanta a asa direita, o máximo que conseguires.

Eu fazia o que ela mandava, sem responder verbalmente.

-Estás pronta para o próximo passo? – Perguntou, empolgada.

-Estás a adorar ser professora de ginástica, não?

Ela sorriu:

-Adoro dar ordens!

Fingi um sorriso, e ela mal se apercebeu da minha falta de humor. Aproximou-se de mim, e tentou posicionar-me as asas na forma que lhe parecia mais apropriada:

-Hum… Será que se vier uma rajada de vento tu aguentas?

-O restante corpo aguenta, portanto as asas também! – Palpitei.

Ela moveu a cabeça, ponderando sobre a minha lógica. Afastou-se de mim e analisou-me:

-Bate as asas! – Pediu.

Eu bati uma vez. O vento atingiu-lhe o rosto e fez os seus cabelos esvoaçarem, mas ela não se importou. Durante um minuto seguido sem parar eu repeti aquela acção. Na minha mente, aquele acto devia bastar para eu levantar o meu corpo do chão, mas não conseguia entender o que estava errado. Lili, no entanto, pareceu ter uma nova teoria:

-Lana, o que te faz levantar é o vento exercido pelas asas, certo? – Perguntou.

-Acho que sim!

-Então, para ires ao ar, o vento que as tuas asas produzem deviam combater contra algo, isto é… Se tu estás a bater as asas e em vez de levantares, estás a empurrar as coisas que tens á tua volta porque elas não tem força contra ti, então talvez o truque seja bateres-las na direcção de algo que resista a esse tufão, não é?

Ela sorriu. Aquela teoria fazia sentido!

-Então o que faço? – Perguntei.

Ela pôs o dedo no queixo, pensativa:

-Talvez se em vez de meteres as asas de frente para mim, metesses as asas de frente para o chão… Assim, se a parte mais larga e espaçosa da asas estiver apontada para a terra, o vento faça pressão sobre o chão e te eleve no ar!

-Tu és mesmo inteligente! – Exclamei.

Ela corou e sorriu, orgulhosa.

-Experimenta!

Movi ligeiramente as asas, de modo a deixar a zona mais ampla paralela ao chão. Afinal aqueles exercícios iniciais tiveram utilidade, visto que consegui move-las mais agilmente.

Olhei para os meus pés assentes na terra, com algum receio. Nunca, em toda a minha vida, tinha pensado que ia voar sem um avião, e imaginar-me no ar era assustador para mim.

-Lili, não sei se consigo!

-Oh, vá lá! Estamos tão perto de conseguir! Não desistas agora! Bate as asas!

Mordi o lábio e cruzei os dedos. Cerrei os olhos com força, não queria ver aquilo.

Ergui as duas asas o mais alto que consegui, e depois com toda a minha força baixei-as. O meu corpo levantou-se aproximadamente um metro do chão, mas eu voltei a tocar na terra.

Lili deu um pulo:

-Oh meu deus! Resulta!

Abri os olhos:

-Resulta?

-Se não tivesses parado de bater as asas tinhas subido muito mais! – Explicou – Vamos repetir, e desta vez não feches os olhos!

Respirei fundo, para me acalmar.

Voltei a erguer as asas no máximo, e com brusquidão baixei-as. O meu corpo descolou do chão:

-Continua a bater! – Exclamou Liliana eufórica.

Eu agitei-as novamente, antes de pousar os pés na terra, e voltei a subir. Tentei ser mais veloz para não me deixar cair, e quando me apercebi estava a quatro metros de Liliana. Ela tapou a boca com as mãos, emocionada:

-Continua! – Gritou.

Senti um formigueiro no estômago:

-Não tenho coragem!

-Por favor! Tu consegues! Voa!

Continuei a elevar-me, com medo, sem conseguir desviar a minha atenção do chão.

-Não olhes para baixo! – Advertiu Liliana – O que consegues ver daí de cima?

Levantei o meu rosto e olhei em redor. O meu coração inchou de adrenalina.

Eu estava apaixonada! Conseguia ver todas as árvores que envolviam a minha casa, as habitações rústicas do Geres, e um pouco do rio. Podia ficar ali para sempre a apreciar a paisagem maravilhosa, mas com a distracção esqueci-me de bater um dos membros, e desequilibrei o meu corpo em pleno ar.

Liliana deu um grito quando o meu corpo começou a cair.

Fechei os olhos e abri as asas na sua totalidade. Elas serviram-me de pára-quedas, e fizeram-me chegar sã e salva ao chão.

Liliana tapou a boca:

-Pensei que ias cair!

-Lili, é lindo! É completamente… Fantástico!

Não consegui evitar de rir da situação:

-Tenho de tentar outra vez!

Ela não me impediu! Voltei a fazer o processo e elevei-me o mais alto que pude. No entanto, quando estava no ar e olhei em redor tive uma estranha necessidade de me mover, mas não sabia como o fazer:

-Lili! – Chamei, num grito – Como é que voo para a frente ou para os lados?

Ela fez uma cara de parva; também não sabia o que fazer!

Cerrei os dentes, determinada a descobrir como me aproximar do telhado da casa. Tentei pôr o meu corpo paralelo ao chão, mas não tinhas forças para tal, portanto tentei mover as asas de maneira diferente. Percebi que se provocasse um desnivelamento entre elas, a forma como me mantinha no ar modificava, e isso sem duvida teria alguma consequência na minha deslocação aérea.

Tinha de alterar as posições em milésimos de segundo se não quisesse cair novamente.

Baixei a asa esquerda e o meu corpo apontou para a direita. Continuei a bate-las assim mesmo, e consegui voar para a casa. Entendi que o melhor truque era voar de cima para baixo, e desse modo conseguia ser mais rápida. Era tudo uma questão de equilíbrio e postura!

-Lana! – Reconheci a voz de Helen. Ela estava ao lado de Lili.

O seu interior estava ardente com tantas emoções. Estava feliz, ansiosa, orgulhosa, nervosa e assustada!

Liliana estava agarrada a ela, eufórica.

-Roam-se de inveja! – Exclamei, gargalhando, e movi as asas para conseguir descer.

Aterrei tão rapidamente que elas mal tiveram tempo de pestanejar.

-Conseguimos! – Afirmei, abraçando-as.

Os corpos delas estavam trémulos, contudo elas estavam animadas. A minha conquista tinha deixado uma grande dose de adrenalina em todas nós, especialmente em Helen, que apesar de tudo, eu conseguia decifrar que as minhas capacidades sobrenaturais a deixavam um pouco desconfortável.

-Já imaginaste, Lana? Vais poder voar e passear sem impedimentos!

Helen contrapôs tal ideia:

-Nem pensar nisso, eu nunca ficaria descansada se ela desaparecesse para ir voar!

-Oh, vais prende-la na gaiola?! – Repreendeu Liliana – Ela tem de dar umas voltinhas aéreas de vez em quando!

-E se alguém a vê, espertinha?

Liliana torceu o nariz. Sorri ligeiramente:

-O lado positivo é que se tiver de fugir de alguma coisa, ninguém me vai apanhar!

Helen percebeu ao que eu me referia, mas Lili não.

Tentei não fazer cara ruim. Recolhi as asas em mim, e olhei para o céu, escutando-as a discutirem sobre eu poder voar ou não. Senti um aperto no peito, quando aquele azul se transfigurou na minha mente, e voltei a sentir-me sem forças e nostálgica.

Afastei-me de Liliana e de Helen para entrar dentro de casa. Elas aperceberam-se da minha mudança de humor e eu achei por bem dizer algo:

-Tenho frio… Acho que terminamos por hoje, não é?

-Amanha repetimos? – Perguntou Liliana, esperançosa.

-Pode ser…! - Respondi, sem entusiasmo.

Na manha seguinte aconteceu o mesmo. Acordei com vontade de adormecer de novo para esquecer o que se tinha passado no jantar. Sentia a culpa remoer-me toda. Tinha vontade de bater em mim mesma por ter caído em tentação por alguém que não merecia, mas pelo outro lado da questão, tinha desejo por uma repetição, o que me deixava verdadeiramente doente comigo mesma!

Liliana veio novamente para minha casa, e desta vez fomos para a floresta levantar voo. Consegui ir mais longe no treino. A pouco e pouco comecei a domar melhor as asas, e a controlar o voo. Como terminamos mais cedo o treino, e Helen tinha ido para a reunião, resolvi acolher Liliana na minha casa, enquanto eu começava a arrumar as minhas malas.

-Pensei que só iam sexta-feira…! – Admitiu, entristecida.

-E íamos… Mas eu quero ir antes! – Expliquei, enquanto vasculhava peças de roupa coloridas no fundo do armário.

-Ena, tantas saudades de casa!

-Não são saudades… - Murmurei – Mas preciso de sair daqui o mais rapidamente possível.

-Porquê? – Questionou, amuada – As minhas ferias vão ser uma chatice sem ti!

-Ora essa, podes sempre ir ter com a Natacha!

-Oh, ela e o Sérgio não se largam!

-Tenho a certeza que arranja um tempinho para ti! – Assegurei.

Coloquei algumas camisolas dentro da bagagem, e depois fui buscar os meus produtos de higiene pessoais.

Liliana seguiu os meus actos, inquieta:

-Vai ser aborrecido, na mesma! Os nossos treinos eram empolgantes!

Sorri, amavelmente.

-A que horas partes? – Quis ela saber.

-De manha, às 10horas, aproximadamente!

-Vou ter saudades tuas, anjinha…!

Dei-lhe um abraço amigável:

-Eu também! – Sussurrei-lhe – Não te esqueças que eu volto…!

Ela sorriu, mas eu percebi que ela continuava triste. Ao fim da tarde, quando Helen regressou da reunião, eu e a minha madrinha despedimo-nos de Lili, e levamo-la para sua casa. Ela foi a única pessoa de quem eu me despedi. Os meus restantes colegas nem sequer saberiam que eu saí da cidade!

À noite, Helen arrumou as suas coisas na mala, e deitamo-nos cedo, visto que ela estava cansada do dia de trabalho e queria acordar cedo na manha seguinte para terminar os preparativos para a viagem.

Fechei a porta do meu quarto e deitei-me na cama. Sentia um formigueiro nervoso por causa do regresso á cidade. Tinha receio do que pudesse acontecer, mas sabia que eu precisava de me afastar para desanuviar a cabeça.

Adormeci e sonhei, como á muito tempo não sonhava. A praia, o sol e o cheiro da maresia, misturavam-se com a minha cachoeira e com as pessoas que eu gostava, talvez até demais. Voltei a sentir aquele beijo intenso, e a desejar quem mo roubou, e nesta ultima sensação, o meu sonho ganhou uma nova cor. Uma cor de sofrimento e desilusão, pois eu sabia que tudo não tinha passado de uma brincadeira, de um impulso instantâneo, sem qualquer valor para o meu parceiro.

Acordei então, rabugenta. O quarto estava escuro, mas eu já ouvia sons vindos da cozinha. Levantei-me com preguiça e fui ter com Helen.

-Chegou o grande dia! – Exclamou, quando me viu.

Eu não sorri, como vinha a acontecer todas as manhas:

-Pois…!

Ela fez uma careta, assustadiça:

-Parece que alguém acordou com os pés de fora!

-Já está tudo pronto? – Perguntei, ignorando-a.

-Está quase! – Declarou – Não queres despedir-te de nada ou ninguém?

Dei de ombros:

-Por acaso quero…!

Ela sorriu e vincou o sobrolho:

-Sério? De quem?

-Da casa, da floresta e da cachoeira!

Ela olhou para mim e riu:

-Estava á espera de algo mais… humano?

-Estes sítios são importantes para mim, Helen! – Informei.

Voltei a ir ao meu quarto e vesti um leve vestido sem costas, cor de carvão.

-Helen, precisas da minha ajuda para alguma coisa? – Perguntei do quarto para a cozinha.

-Não! – Respondeu, também num tom de voz elevado.

Eu emergi no compartimento onde ela se encontrava e procurei umas chinelas!

-Então eu volto já!

-Aonde vais?

-Despedir-me!

Saí porta fora e desci as escadas apressada. Atravessei a rua e penetrei na mata, caminhando apressadamente com cautela para não tropeçar em nenhuma pedra ou raiz, nem arranhar as minhas pernas.

Quando senti a pluviosidade no ar, abrandei o passo para não escorregar nos penedos. Ia agarrar-me á árvore do costume para descer até á rocha mais próxima da água, mas optei por aproveitar as minhas características físicas anormais para lá chegar.

Abri as asas e bati-as devagar, para seguir até á água cristalina.

Quando lá cheguei, retirei as chinelas, e sentei-me numa pedra polida, com as pontas dos pés a chutarem o líquido gelado.

Respirei fundo e senti aquele cheiro a natureza:

-Vou ter saudades disto…

As águas estavam agitadas. Faziam sons que lembravam sussurros, e de certa forma pareciam chamar-me. Olhei para as pontas dos meus dedos dos pés, e sorri, imaginando-me a fazer uma situação típica de uma história de encantar. Batias asas e saí de cima da rocha

Cada movimento de asas levantava-me cerca de um metro, e por isso, eu resolvi fazer uma pequena brincadeira. Abanei os membros uma vez, e subi aquela medida. Quando comecei a descer, e toquei com a ponta do pé na água, repeti aquele processo, avançando mais para o centro da cachoeira, sem entrar completamente na água. Se eu não tivesse aqueles membros a suportarem-me podia jurar que estava a andar em cima de água, sem me afundar, como se de chão firme se tratasse.

Quando cheguei a uma extremidade da cachoeira virei-me novamente para o local onde comecei aquele exercício, e continuei o processo para regressar, sem desviar as atenções do fundo cintilante da cachoeira.

-Lana?!

Dei um grito, sobressaltada! Ia tendo um ataque cardíaco quando alguém me chamou, e, por conseguinte, perdi o controlo naquilo que estava a fazer.

Caí nas águas geladas, ainda com as asas expostas, apercebendo-me de relance que alguém me tinha descoberto e não era Helen.

Voltei á tona, arrepiada com a colisão entre a minha pele e aquela temperatura baixa, e desviei o cabelo molhado do meu rosto, esfregando-o para me limpar.

Fiz figas para não ser a pessoa que eu sentia ser e levantei o olhar.

Era azar a mais!

O meu coração começou a bater mais rápido do que uma bomba relógio. Aquilo não me podia estar a acontecer!

Tentei recolher as asas, mas toda a água que escorria delas não o permitiu.

-Lana?... O que…?

Gustavo franziu as sobrancelhas, baralhado. Aproveitei aquela confusão para remediar o problema:

-O que fazes aqui? – Perguntei, espremendo o meu cabelo molhado, sem o olhar nos olhos, envergonhada.

-Isso são asas?

Eu fingi um riso. Infelizmente não tinha grande talento para mentir tanto.

-Asas?! Aonde?

-Tu tens asas! – Repetiu.

-Estás louco? – Trocei, sacudindo o cabelo, enquanto tentava sair da cachoeira.

Ele abanou a cabeça:

-Então o que é isso atrás de ti?

Olhei para trás, para que ele pensasse que eu estava á procura de algo:

-Não tem nada atrás de mim, só árvores, penedos e água!

Ele não acreditou minimamente no que eu lhe disse. Fixou-me com os seus grandes olhos azuis e semicerrou-os:

-Tu és um anjo?!

Mordi o lábio, assustada com a presença dele, tanto pelo facto de me estar a encarar com asas, como pelo simples facto de ser ele próprio.

Cerrei os dentes, furiosa. Ele tinha de descobrir sempre tudo sobre mim?!

Fiz um movimento brusco com as asas e empurrei-o com todas as minhas forças contra uma rocha alta, mantendo-o colado a ela pelo peito, num gesto de ataque:

-Se contas isto a alguém, mato-te! – Ameacei, fazendo a minha cara mais sádica.

Ele olhou para as asas embasbacado e depois para mim, directamente nos olhos.

Tornei a sentir aquela sensação de impotência e descontrolo, e susti a respiração, para não perder a minha linha de raciocínio.

Ele ignorou a pressão que eu estava a fazer contra o seu corpo, e sorriu, incrédulo.

Agarrou-me a cara, de surpresa, e puxou a minha cabeça até ele.

Não tive tempo de reagir. Ele encostou-me a sua boca quente durante alguns segundos, e depois afastou-me, sem me largar o rosto:

-Foi um equívoco! – Exclamou, mantendo-me fixada nele.

Doeu-me o peito. Ele próprio tinha admitido que aquilo não passava de um engano, e essa confirmação deixou-me ainda mais infeliz do que eu já estava. As lágrimas vieram-me aos olhos, mas eu contive-as, enquanto o meu sangue fervilhava.

-Então porque me beijaste outra vez? Se consideras tudo um engano, porque é que…?

Não consegui terminar a pergunta. Ele sorriu e, delicadamente, voltou a puxar a minha cara para a dele, beijando-me novamente, de uma forma leve e rápida, mas não menos boa. Senti um arrepio na espinha. Eu queria corresponder-lhe aquele beijo com todas as minhas forças, mas o outro lado de mim dizia-me que Gustavo não merecia. Fiz um esforço para afastar os nossos rostos e olhei para o ceu, tremula.

-Eu nunca te faria mal…! – Disse ele, num timbre vocal totalmente hipnotizante – A Letie contou-me que…!

-Quem é a Letie? – Interrompi, fitando-o, como um instinto.

-A Letícia!

Desviei o olhar para o chão, e fechei os lábios numa linha recta, estranhamente afectada pela informação. Gustavo levantou o meu queixo com a sua mão e encostou ao de leve a sua cara na minha:

-Pelos vistos a Darla achou que tu eras como ela.

Ele abafou um riso perplexo.

Franzi as sobrancelhas:

-Porquê?

Rapidamente, ele agarrou o meu lábio inferior com a sua boca, sorrindo da pergunta. Eu não consegui evitar que ele me envolvesse, ainda que por pouco tempo. Tão depressa ele me beijou, como ele me largou. Parecia uma brincadeira de miúdos:

-Eu nunca me afastaria de ti por ter um serviço de integração terminado…! – Declarou, espelhando-me nos seus olhos.

Desviei-me dele, em sobressalto e olhei-o, sem saber o que dizer. Ele segurou-me a mão, e arrastou-me para si, outra vez:

-Eu não queria separar-me de ti…!

-Porque o fizeste com a Darla?

Ele estranhou eu estar mais preocupada com a Darla do que comigo, mas isso só aconteceu porque em parte eu sabia que ele se tinha afastado de mim por eu lhe ter contado coisas do meu passado.

-Eu gosto que as pessoas estejam bem, e tanto tu como a Darla estavam muito desligadas quando chegaram á cidade. – Referiu, passeando os seus dedos pela palma da minha mão, enquanto eu o escutava atenta - Eu quis ajudar-vos, especialmente porque ás vezes é bom conhecer pessoas diferentes, mas a Darla… - Ele fez um esgar – Ela não era como eu esperava…! Era caprichosa, fofoqueira e resmungona! Eu queria ser amigo dela, a sério, mas eu não me sentia bem com gente assim… Nunca o fiz por mal…!

Eu não fiz nada que levasse Gustavo a crer que eu concordava com ele em relação a ela, mas tinha de admitir que a personalidade da jovem negra era algo irritante, e era de se acreditar que ele não era compatível com aquela maneira de ser. Essa história fez sentido, mas depressa me senti deprimida ao entender que ele podia também não gostar da minha personalidade.

Fi-lo soltar a minha mão:

-Deixaste-a mal, sabias?

Ele negou num movimento de cabeça:

-Até esta manhã, não…!

-Ela estava apaixonada por ti, Gustavo…!

Ele mostrou-se desapontado consigo mesmo:

-Eu nunca desconfiei…!

Ele passou os dedos no meu cabelo molhado.

Não o julguei. Eu também era assim! Também não conseguia entender se tinha alguém de olho em mim.

-Também não gostaste da minha personalidade? – Inquiri num murmúrio.

Senti-me triste com esse aspecto, mas apesar de tudo, eu sabia que o maior problema não era esse, era um problema mais doloroso.

-Não… Foi totalmente ao contrário…

Aquela informação despertou em mim alguma surpresa, mas mantive-me firme. Gustavo censurou a minha reacção. Fingi não mostrar qualquer interesse na noticia. Sentia-me mais magoada pelo verdadeiro motivo que o levou a fugir de mim.

-Durou pouco, não foi…? – Palpitei, olhando indiferente para a água que corria aos meus pés.

-Não! – Negou - Continuou e aumentou!

Fitei-o de soslaio, furiosa:

-Até eu te contar a porcaria da história do meu passado! - Concluí dando um passo de recua para me afastar dele. – Qual é a opção mais correcta? Ódio? Repudio? Nojo, simplesmente? Admite, se não soubesses que eu ia ser violada, nunca te terias afastado!

-Foi um equivoco! – Repetiu, ofendido – Eu fiquei confuso, mas nunca nutri por ti nenhum desses sentimentos!

-Foi por isso que me trataste como trataste?! Frio, e longínquo?!

Ele suspirou e agarrou-me os pulsos para o encarar:

-Eu pus-te em perigo! Eu senti que ao saber o que se tinha passado contigo, tu ficavas mais exposta e te podiam encontrar! – Ele aproximou a cara da minha com poucos centímetros de distância - Eu não podia deixar que isso acontecesse!

Mordi o lábio e cerrei as pálpebras.

Como é que eu podia acreditar nele? Simples! Bastava-me olha-lo nos olhos. Era quase como ler um livro para mim. Eu sentia com clareza que ele estava a dizer a verdade, e isso de certo modo, incomodou-me bastante! Tinha precisado muito dele naqueles últimos tempos, e saber que ele se tinha afastado para me manter protegida, deixou-me mais débil do que eu podia esperar.

Voltei a sentir a visão turba. Fi-lo soltar-me os braços e levei as minhas mãos até ao seu rosto, para o segurar firmemente:

-Eu até podia ser morta, mas não me importava, desde que te tivesse ao meu lado! Deste cabo de mim…!

As nossas respirações tocaram-se.

Ele viu as minhas lágrimas acumularem-se nos olhos, e desfez-se, interiormente.

-Era temporário…! - Respondeu-me - Eu não queria afastar-me tanto, eu não podia…! – Explicou – Mas depois, quando as minhas irmãs disseram que estavas doente, eu não aguentei… Eu tinha de te proteger, só que, quando voltaste, tu… Tu estavas como eu! Fria e longe! Só de nos olharmos parecia que havia faísca!

-Eu precisava de ti…! – Admiti, humedecendo os lábios.

Ele beijou-me os olhos, ao aperceber-se que eu ia chorar, e afagou-me o cabelo, levemente:

-Tu deixaste-me louco! – A sua voz rouca tornou-se mais arrepiante com aquela confissão - Eu morria de ciúmes quando te via com outro rapaz… Quando alguém te tocava… Quando alguém te abraçava ou beijava… céus, eu ia dando cabo do Pedro!

Não consegui evitar de sorrir. Ele riu-se também:

-Perdoa-me…!

Aquele pedido soube-me bem. Parecia que o meu corpo estava ficar mais leve, e que a minha respiração estava mais livre.

Estiquei os pés para ficar um pouco mais alta e inclinei a cabeça. Agarrei o seu rosto e ele tomou a minha boca, com cuidado, como se eu fosse uma boneca de porcelana. Acariciei-lhe a face, e lentamente fizemos o beijo avançar de grau, tornando-o cada vez mais intenso e saboroso.

Ele passou as suas mãos largas pela parte lateral do meu corpo, e então eu recordei que ainda tinha as asas abertas. Sem que ele desse por isso, fechei-as dentro de mim, a uma velocidade que só a luz conseguia superar.

Muito devagar, abrandamos o ritmo a que as nossas bocas brincavam, até pararmos aquele beijo por completo.

Sorri, como que aliviada, e deixei que as nossas bocas continuassem rentes.

-Sabes uma coisa? – Perguntei, com a voz ainda fina e fraca, sentindo o seu hálito agradável.

Gustavo não falou, mas deu sinal para eu prosseguir, e eu assim fiz:

-Eu odeio-te!

Ele sorriu e selou outro beijo rápido:

-Tu adoras-me…! – Corrigiu.

-Por isso é que te odeio…! Estás a fazer-me cair nos teus braços, logo agora que vou embora…!

Ele parou de reagir. Senti a sua aura modificar-se e entrar numa angústia profunda. Separei-me dele, para encara-lo:

-Tens mesmo de ir? – Perguntou-me, deprimido.

Acenei afirmativamente:

-Eu preciso… Há coisas sobre as quais preciso de reflectir.

-E não podes reflectir aqui? – Tentou.

Eu sorri-lhe, atenciosamente:

-Tu és uma dessas coisas…! Às vezes é preciso afastarmo-nos e conviver com essas pessoas, para termos noção do que realmente queremos…!

Ele olhou para o chão. Apercebi-me que estava realmente triste. O meu coração desfez-se em pedaços.

-Tu tens dúvidas em relação a mim? – Quis saber

Eu não sabia o que lhe devia responder naquele momento. Anteriormente teria dito que sim, que ele era o principal motivo para eu me ir embora, até porque era mesmo, porem naquele momento eu já não sabia. Eu estava mais aliviada graças aos seus esclarecimentos. Eu estava derretida com a forma como ele me atraia, e tinha de admitir que não havia lugar onde eu estivesse mais feliz do que nos seus braços que me depositavam toda a protecção que eu precisava.

Mordi o lábio enquanto ele me admirava, esperançoso por uma boa notícia, mas felizmente não tive de lhe responder graças a uma interrupção.

O telemóvel dele começou a tocar. Ele retirou-o do bolso e olhou para o ecrã. Franziu as sobrancelhas, desconfiado:

-Conheces este número?

Ele mostrou-me o ecrã do telemóvel. Reconheci-o de imediato:

-É o meu. Deve ser a Helen!

-como é que tens o meu número?

-Acho que foi a Lili… - O telemóvel continuou a tocar - Atende, senão ela morre de susto!

Gustavo atendeu, amuado. Deu umas respostas curtas a Helen e depois desligou.

-A Helen está a tua espera, para partirem…! Tens a certeza que queres fazer isto?

Apertei-o nos meus braços com força:

-Tenho…!

Ele beijou-me a testa e afagou-me o cabelo:

-Se te acontecer alguma coisa nunca me vou perdoar!

-Não me vai acontecer nada! – Garanti – não te preocupes!

Gustavo aconchegou mais o meu corpo ao seu e deu-me um beijo rápido na boca.

-Vou ter saudades…

-Eu também…!

Ele voltou a prender-me nos seus lábios e deu-me o beijo mais forte e longo que conseguiu. Não consegui escapar ás suas mãos a passarem pelo meu corpo, á sua temperatura elevada, ao seu cheiro intenso e ao sabor delicioso da sua boca.

Tive de ser eu a separarmo-nos, apesar de não querer.

-Tenho mesmo de ir!

Ele ignorou o meu aviso e continuou a beijar-me. Vi-me obrigada a dar-lhe uma palmada no rosto para ele se afastar.

-A Helen está á minha espera!

-Deixa-me aproveitar, enquanto estás aqui!

Dei-lhe o último beijo, para satisfaze-lo, mas, mal ele me largou, fugi da sua beira:

-Adeus! – Exclamei.

Ele fez um ar de criança infeliz:

-Vou morrer sem ti…!

-Não dramatizes!

Ele olhou para o chão:

-como é que consegues ser tão fria?

Suspirei, repreendendo-o.

Aproximei-me dele e dei-lhe outro beijo:

-Eu estou de volta em breve!

Ele levantou o rosto, estupefacto:

-Estás?

Não entendi aquela dúvida:

-Eu nunca disse que me ia mudar!

Ele abriu um largo sorriso:

-Mas tu disseste…

-Que ia para casa! Mas só durante uns dias!

O olhar dele brilhou:

-Então esta não é a ultima vez que nos vemos?

-Se tudo correr bem, é obvio que não!

Ele fez um esgar ao “se tudo correr bem”, todavia eu ignorei. Encostei a minha boca á sua, devagarinho:

-Eu tinha prometido a mim mesma que não te beijava mais, portanto agora é de vez! – Informei - Vens comigo?

Ele negou com a cabeça:

-fico aqui…! Faz boa viagem…!

Sorri-lhe e acenei:

-Tchau…

Fiz-me desaparecer na floresta e corri o mais rápido que pude para ir ter com Helen.

Ela estava encostada ao capo do carro, de braços cruzados a olhar para o céu. Quando me viu apressada a ir ter com ela fez uma cara de chateada, que eu estranhei:

-O que foi? – Perguntei.

-Estás toda molhada!

Olhei para a minha roupa e trinquei o lábio. De certeza que tinha molhado também Gustavo, e nem me apercebi:

-Eu caí na água!

Helen votou-me um olhar de repreensão:

-E deixaste o teu amado sozinho?

Não consegui fazer cara de má, como fazia antes, e sorri, envergonhada:

-Tu estavas á minha espera!

Ela abriu um largo sorriso e desencostou-se do capo, dirigindo-se para interior do carro:

-Vamos embora, anja beijoqueira!




Enfim, espero que tenham gostado! comentem!
bjokas
as minhas fic's:
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
-Angelical
Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^

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