[Terminada] Angelical
Que capítulo mais doce e querido
Finalmente fizeram as pazes. Estes dois dão um casalinho tão giro! Agora tenho cada vez mais ansiedade em ver o resto. A lana aprende cada vez mais sobre as suas "cargas extras", mas ainda há coisas sobre o seu passado ainda por esclarecer. Tenho cada vez mais vontade de ver o resto 
Espero por mais...
Finalmente fizeram as pazes. Estes dois dão um casalinho tão giro! Agora tenho cada vez mais ansiedade em ver o resto. A lana aprende cada vez mais sobre as suas "cargas extras", mas ainda há coisas sobre o seu passado ainda por esclarecer. Tenho cada vez mais vontade de ver o resto 
Espero por mais...
Espero por ti em cada segundo , porque tu és o meu mundo!

Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
Visitem a minha 1ª Fic ----->The Four elements

Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
Visitem a minha 1ª Fic ----->The Four elements
AnA_Sant0s escreveu:Que capítulo mais doce e queridoObrigada pelo comentario Ana!Finalmente fizeram as pazes. Estes dois dão um casalinho tão giro! Agora tenho cada vez mais ansiedade em ver o resto. A lana aprende cada vez mais sobre as suas "cargas extras", mas ainda há coisas sobre o seu passado ainda por esclarecer. Tenho cada vez mais vontade de ver o resto
Espero por mais...

sabado devo postar a 1ª parte do proximo capitulo, mas desta vez nao vai haver Gustavo, só em pensamentos!

Agora é esperar por mais comentarios! lool
as minhas fic's:
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
-Angelical
Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
-Angelical
Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^
Oh, capítulo tão docinho como... um beijinho.
É mesmo, ressuscitaste aquele sentimento inicial que eu sentia pelo Gustavo. Mas olha, eu não os quero sempre aos beijinhos, não façamos disto uma temporada de Morangos com Açúcar.
Lamechice, vá lá, com moderação.
É mesmo, ressuscitaste aquele sentimento inicial que eu sentia pelo Gustavo. Mas olha, eu não os quero sempre aos beijinhos, não façamos disto uma temporada de Morangos com Açúcar.
Lamechice, vá lá, com moderação.
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http://sm-portugal.coolbb.net/fanfics-gerais-f23/fairy-tales-o-incio-t4901.htm
[email protected] -->Meu MSN, adicionem à vontade!
Karen_95 escreveu:Oh, capítulo tão docinho como... um beijinho.Morangos com açucar?! A sério? Karenzinha, por muito bom que sejam os vossos comentarios, deixaste-me assustada! nada a ver contigo, mas comigo! tipo, eu nao vejo morangos, mas sei que aquilo é tipo... blhac! ».«'
É mesmo, ressuscitaste aquele sentimento inicial que eu sentia pelo Gustavo. Mas olha, eu não os quero sempre aos beijinhos, não façamos disto uma temporada de Morangos com Açúcar.
Lamechice, vá lá, com moderação.
Fiquei é naquela "Será?" É que eu tenho uma certa tendencia, quase incontrolavel, para fazer alto romance lamechas! é mais forte do que eu, até porque me deixo guiar muitas vezes pelas emoçoes, e num determinado momento (até já se podem ter apercebido) posso pôr a Lana toda irritada e no seguinte toda alegre! Defeito meu, mesmo! v.v
Bom, mas tambem há que reparar que isto nao é propriamente uma historia com gente de 30 anos para cima, por isso é natural que daqui para a frente encontrem situaçoes tipicamente... de adolescentes? oh pois, neste capitulo já acontece isto!
Ah, KAren, querias conheçer o tal Ricardo? Fica já um cheirinhoa ele neste capitulo!

Finalmente e após muita ausencia um capitulo completo para compensar! nao se cansem, tá?
N.A. – Durante os próximos três capítulos, as frases contidas a negrito têm como função especificar que os diálogos estão a decorrer em idioma inglês.
Capitulo XVII – Lar, amargo Lar
Helen parou a sua viatura naquela rua pacata. Olhei em redor e observei as casas altas, enquanto retirava o cinto de segurança. Pus os meus óculos de sol no rosto e suspirei, ainda encostada ao banco. Helen olhou para mim:
-Chegamos…!
-Já estou com saudades do Gerês… - murmurei.
Ela sorriu, ironicamente:
-Mas isso é porque deixaste o Gustavo para trás!
Dei-lhe um encontrão, sem conseguir evitar de sorrir:
-Estúpida…!
-Beijoqueira!
-Está calada!
-Tira as malas!
-Bah!
Abri a porta do carro, e pus os pés de fora.
Durante a viagem fizemos uma paragem para eu vestir uma roupa mais adequada, portanto, já não tinha chinelos na minha vestimenta. Saí do carro e franzi as sobrancelhas. Dirigi-me ao porta-bagagem e retirei a minha mala. Helen veio por trás de mim e pegou na sua, apressada. Fechei-a, e atravessei a rua, até uma casa como tantas outras.
Helen tocou á campainha.
Escutei uma janela a correr em cima de nós e sorri para ela. Senti aquela mente curiosa espreitar, e de seguida um grito estridente e histérico percorreu todo o bairro. Os meus ouvidos nunca mais seriam os mesmos!
Eu e Helen demos uma gargalhada ao mesmo tempo. A janela em cima de nós fechou-se e em poucos segundos a porta de entrada abriu-se.
Greta praticamente saltou-nos em cima e abraçou-nos com todas as suas forças. Acho que Helen ficou roxa e sem ar!
Greta era uma senhora bonita para a idade que tinha. O sorriso era a sua principal característica e ficava mais visível graças ao cabelo curto à “garçon” de tom castanho clarinho, e á sua face redonda que combinava com o corpo rechonchudo, característica que lhe dava força para prender-nos e nunca mais nos largar, especialmente, estando tão animada:
-O que fazem aqui? – Perguntou, beijando-nos alternadamente, com força.
-Surpresa! – Exclamei, prendendo-a nos meus braços.
-Eu não posso acreditar! Vocês só deviam chegar amanha!
Ela fechou a porta de entrada, e arrastou-nos, literalmente, pelas escadas acima. Já não estava habituada a uma casa com tantos degraus, mas aquele meu lar tinha essa particularidade. A porta de entrada levava directamente a umas escadas que nos levavam ao primeiro piso, onde se encontrava a sala, a cozinha e uma casa de banho. Depois haviam mais escadas que davam para os quartos, e ainda mais escadas que davam para outra divisão! Era exaustivo, mas Greta levou-nos até á sala e obrigou-nos a pousar as malas, para nos encarar melhor. Voltou a abraçar Helen, emocionada:
-Oh minha querida! Senti tanto a vossa falta!
-Estamos de volta, mãe! – Respondeu Helen, abraçando-a com carinho.
Greta separou-se dela e olhou-me. Eu sorri e ela aproximou-se, beliscando-me as bochechas, encantada:
-Estás com tão boa cara, meu anjo!
Engasguei-me na minha própria saliva.
Helen fez um esgar, atrapalhada.
-Obrigada!
Greta fez-me sentar no sofá, segurando-me as mãos:
-Os ares da serra fizeram-te bem! Ganhaste mais brilho no olhar e tudo, meu doce!
Sorri, envergonhada:
-Tens de vir connosco, Greta, é diferente daqui! – Disse, calmamente.
-Ah, meu amor, sabes que eu tenho a minha vida aqui, mas vocês não, vocês são novas, têm de explorar!
Helen sentou-se no sofá, ao nosso lado:
-Nós não gostamos que fiques longe, mãe! E sozinha é impensável!
-Oh, mas eu não estou sozinha – garantiu.
Ela levantou-se a bateu palmas, assobiando de seguida.
Escutei um terramoto vindo das escadas que davam ao piso seguinte.
Levantei-me num impulso:
-Marussia!
E apareceu! Uma cadela bege, lavrador, que me saltou em cima, derrubando-me no sofá novamente:
-E os cachorros!
Vi três cães mais pequenos no chão, agitando as suas caudas animados, com a língua de fora. Helen levantou-se, maravilhada e pegou num, preto:
-Que riqueza!
-Marussia, sua desmiolada, arranjaste namorado?! – Perguntei, esfregando o pelo da cadela.
-Olha quem fala! – Troçou Helen.
Greta abriu a boca chocada:
-Alannis?!
-Claro que não Greta! A Helen é uma exagerada!
Helen pousou o cachorro no chão e cruzou os braços:
-mãe, como se chama a um relacionamento em que duas pessoas se beijam…? Na boca? – Concluiu.
Tive vontade de espancar Helen. Greta bateu palmas:
-A nossa menina está a crescer!
Baixei o rosto envergonhada:
-Parem com isso, eu não namoro!
Helen mostrou-me a língua em sinal de gozo.
Revirei os olhos. Eu não ia ficar afectada por comentários tão parvos!
Fui ao meu saco de viagem e peguei no meu telemóvel. Entreguei-o a Greta. Ela dirigiu-se a um armário da sala e retirou um cartão de telemóvel novo, para colocar nele.
Quando eu e Helen nos mudamos de cidade vimo-nos forçadas a alterar certas coisas na nossa vida!
Primeiro, mudamos os nossos nomes! Sim, Helen também tinha mudado o seu nome, apesar de eu nunca o ter utilizado, no entanto, na escola e na cidade ela era a professora Helena Ferreira, um nome super vulgar. Eu era a Lana Anderson, uma jovem que estava sobre a sua tutela. No entanto, os nossos verdadeiros nomes eram Helen Klein e Alannis Klein.
Depois mudamos os nossos números de telefone, e para segurança, continuaríamos a alterar cartões.
Por último, eu mudei o meu aspecto, para não ser tão facilmente reconhecida.
Naquela cidade eu tinha de esconder toda a Lana que nós criamos para que nunca, em caso algum, eu fosse comparada a ela por um percalço do destino.
Greta devolveu-me o meu telemóvel:
-E então, minhas queridas, contem-me, como foi a vossa estadia!
Eu e Helen, durante a tarde que correu, matamos saudades de Greta e contamos-lhe muitos pormenores sobre a vida que levávamos, excepto sobre as minhas alterações físicas. Para já, Greta não precisava de saber daquela anormalidade não explicada.
E então passou aquele dia, e mais dois se passaram até chegar o domingo de Pascoa, que correu como em qualquer outro ano. Apenas uma coisa modificou. Eu recusei-me a sair de casa, fosse com quem fosse. Naquela cidade e com aquelas pessoas eu não convivia. Por um lado eu sabia que dei um pequeno desgosto a Greta, mas por outro eu sabia que aquilo era o melhor para mim. Eu prometi ser cautelosa, e queria sê-lo!
Mas foi entretanto que alguém abordou aquela minha determinação! E quem foi? Cristina, evidentemente! A única louca capaz de saber que eu estava na cidade sem que eu saísse á rua!
Ela invadiu a nossa casa no dia de Pascoa á noite.
-Sua parvalhona, não me avisaste que estavas cá!
Ela abraçou-me com todas as suas forças, e eu fiz-lhe o mesmo:
-Esqueci-me, desculpa!
-Pois, pois, andas a ignorar-me! - Ela piscou-me o olho - Os teus novos colegas estão a fazer-te esqueceres-me!
-Que disparate, não estão nada!
Ela sorriu:
-E o Rodrigo? Está bom?
-Bom? – Rectifiquei – Como o milho!
Cristina fez uma cara de parva e eu ri-me. Atirei-lhe uma almofada á cabeça e rebolei na minha cama:
-Arranja um rapaz nestes lados!
Ela franziu os lábios:
-Não quero! Já não têm piada!
-Mas os do Geres são meus!
-São nada! – Protestou – Eu vou lá e trago-os todos para cá!
-Mas assim eles também perdiam a piada, não é?
Ela fez uma careta:
-Enfim, quem ama sofre! – Ela aninhou-me na cama – Vamos sair?
-Não! – Respondi com prontidão.
-Oh por favor! Vamos até uma discoteca qualquer!
Franzi o sobrolho:
-Desculpa, desde quando é que os teus pais te deixam sair á noite?
-Desde que eu saí sem eles saberem!
Soltei uma gargalhada e abanei a cabeça repreensivamente. Aquela rapariga tinha momentos de loucura.
-Não acredito!
-A sério! – Assegurou – Eles, quando descobriram, iam dando cabo de mim, mas concordaram que mais valia eu sair e eles saberem, do que eu sair á socapa!
Atirei-lhe outra almofada á cabeça:
-Tu és doida! Mas eu não vou!
Ela fez um ar de cachorro abandonado:
-Por favor! Vamos, nem que seja até ao clube!
-Fazer o quê?
-Dançar, conhecer pessoas, ouvir musica…!
-Beber, sentir o fumo a tabaco, aturar drogados… Ena, que plano fantástico!
Cristina fez um ar maléfico:
-És diabólica! Não é assim tão mau!
Torci o nariz:
-Vai estar lá gente conhecida?
-Talvez!
-Então não vou mesmo!
Ela deixou cair o queixo, desapontada comigo. Agarrou-me as mãos, esperançosa:
-Por favor! Imagina só o que seria entrares triunfante no bar e aqueles morcões ficarem a olhar para ti e pensarem em como tu estás bem sem eles!
Revirei os olhos. Seria óptimo, mas era uma perda de tempo! Eu nem sequer os queria encarar, e se havia coisa que eu não gostava era de sair á noite! Acabava sempre por ficar cheia de sono!
-Isso não vai acontecer!
Cristina cerrou os punhos, furiosa e desceu as escadas para ir á cozinha, onde se encontravam Greta e Helen. Eu segui-a.
-A Alannis pode vir comigo até ao Hit club? – Perguntou, com um sorriso manipulador.
Helen e Greta entreolharam-se:
-Tu queres ir, Alannis? – Perguntou Greta.
-Não…! – Respondi.
Cristina fitou-me, raivosa. Aproximou-se de mim e passou os seus braços sobre os meus ombros:
-Ela quer ir, mas não vos quer contrariar! – Mentiu, descaradamente.
-Isso não é verdade! – Contrapus, ofendida.
Greta e Helen trocaram um olhar cúmplice e depois a mais velha sorriu-me:
-Lannis, se isso é verdade, vão lá! Vai fazer-te bem sair, e nós confiamos em ti!
-Mas eu não quero ir! – Falei – Juro!
Helen levantou-se da cadeira onde estava sentada:
-Vai divertir-te! Desde que chegamos á cidade que não saíste uma única vez! Pode ser que revejas os teus amigos!
-Quais amigos? – Perguntei, sarcasticamente.
Cristina deu-me uma sapatada no braço:
-Vamos vestir qualquer coisa mais apropriada!
Lancei-lhe uns olhos mortíferos e soltei uma lufada de ar, enervada. Mais uma vez tinha sido vencida naquele jogo, mas eu cedi. Subimos as escadas de regresso ao meu quarto e ela seguiu-me, animada. Fechou a porta e abriu-me o armário:
-Tens alguma roupa para sair á noite? Escura de preferência?
Soltei uma risada. Que pergunta idiota!
Cristina escolheu-me uma roupa ousada, que eu não tinha problemas em usar, excepto ali! No entanto, não hesitei. Se ia sair á noite, ao menos que fosse como devia ser!
Ela retocou a sua maquilhagem e ajudou-me a dar os últimos retoques ao meu cabelo, e em poucos minutos saímos para a rua escura e silenciosa.
Ao contrário do que se podia imaginar, após andarmos cerca de 10 metros, a paisagem alterou-se radicalmente. As ruas estavam movimentadas com pessoas a caminhar e a apreciar as lojas distintas, a entrarem e a saírem dos restaurantes e dos cafés, a espreitarem as galerias, e a conversarem animadas enquanto saboreavam gelados. Umas vinham, outras iam. Umas tinham frio, e outras não suportavam os casacos que envergavam, devido á agitação da noite que apenas estava a começar. De repente foi como se tivesse saído de uma caverna e tivesse vislumbrado a luz do dia. Inicialmente doeram-me os olhos, senti-me confusa, e as mentes agitadas passearam-se na minha cabeça, mas depois reconheci tudo, e as memórias do passado não me abandonaram. Fiz aquele pequeno trajecto de sobrancelhas franzidas, mirando tudo e todos com uma certa raiva. Tudo parecia perfeito com eles, e eu via a verdade. Os risos forçados sobrepunham os sorrisos verdadeiros, o egoísmo passava nos seus olhos, e todos os gestos tinham vertentes falsas e verdadeiras.
Quando saímos daquela ruela, uma praça surgiu, adornada pelos skaters que terminavam os seus truques, pelos idosos sentados nos bancos de frente para os chafarizes, que conversavam e se preparavam para se recolherem nas suas casas, e pelas pessoas que tomavam café nas esplanadas dos estabelecimentos, ignorando a brisa fresca da primavera, que soprava em conjunto com o mar violento.
Aquela era a minha cidade, Povoa de Varzim. Nas noites de inverno sempre calma e até esquecida, na primavera com os primeiros movimentos, e no verão o caos total!
Cristina deu-me a mão para atravessarmos a passadeira, enquanto os carros buzinavam para saírem daquela estrada.
Passamos para o passeio á beira-mar. Não se via nada, apenas alguns grãos de areia grossa no chão. A água estava negra e confundia-se com o céu, mas de frente para ela havia dois edifícios. Aquele para o qual nos dirigimos, libertava música alta e mexida. O seu exterior tinha candeeiros coloridos em forma de palmeiras, que marcavam a entrada no clube. À porta estavam casais e grupos de amigos, já gastos pela bebida e outras coisas que tomavam. Olhavam as pessoas que passavam com indiferença, e completamente desnorteados. Davam gritos histéricos e diziam idiotices. Tive vontade de atirar-lhes cocos á cabeça. Idiotas!
Um segurança entregou-nos dois cartões, e eu e Cristina entramos no bar.
A música deixava-nos sem qualquer percepção das vozes, e o fumos entravam-nos pelas vias respiratórias como veneno, ao ritmo dos corpos calorentos que se abanavam.
Definitivamente, aquele não era o meu mundo!
-Lannis! – Gritou-me Cris – O que queres tomar?
-Nada! – Respondi-lhe com esforço.
Ela revirou os olhos e disse algo ao barman, que eu não consegui ouvir por causa dos ruídos. Estendeu-me um copo redondo e largo, com uma bebida clara cheia de gelo. Franzi-lhe o sobrolho, desconfiada:
-O que é isto?
-Bebe! – Incentivou, abanando-se devagar ao ritmo do som que emancipava das colunas.
Ela deu um gole na sua bebida, e eu, ainda duvidosa, fiz o mesmo.
Provei um pouco daquele líquido, sem querer desperdiça-lo, mas não consegui evitar de construir um esgar por toda a minha face, arrepiada com o álcool que me aqueceu a garganta. Encarei Cris, mordendo o lábio. Ela soltou uma gargalhada:
-Não gostas? – Perguntou.
-Preferia algo menos amargo!
Ela voltou a rir-se e trocou as nossas bebidas:
-Às vezes pareces uma princesa! – Ri-me sem humor - Prova esta!
Cheirei aquela mistura, cautelosamente. O cheiro era mais doce, e ao mesmo tempo forte, portanto não hesitei em testar o seu paladar. De facto preferi aquilo. Não sabia o que era, mas também não tinha curiosidade em saber, caso contrário desistia de ingerir.
Cristina bebeu o que me dera anteriormente, em menos de um minuto, e voltou a pousar o copo no balcão. Segurou-me pelo pulso e puxou-me para a pista de dança, balançando-se animada. Eu tentei manter-me naquele local, mas não consegui. Fomos avançando até ao centro do bar, Cristina dançando, e eu praticamente estática, sem saber o fazer ao certo.
-Dança! – Exclamou Cris.
-Eu não sei dançar! – Relembrei, num berro, para que ela me ouvisse.
-Não importa! – Ela sacudiu-me os braços, para eu ficar menos tensa – Imagina que estás a dançar com um bom acompanhante!
Dei uma risada. Quando ela dizia “bom” Queria dizer “Bom!”
Ela tentou fazer-me dançar livremente, e eu fiz por conseguir. Recordei a única vez em que dei um passo de dança sem fazer muitas asneiras, ainda que o género de música não fosse o mesmo. De repente, senti umas enormes saudades daquele momento, especialmente do meu parceiro. Só eu sabia os sentimentos que se apoderaram de mim, ao querer Gustavo ali, porque na minha cabeça, nada daquilo estava a fazer sentido! Aquele sitio não era onde eu queria estar, e aquelas pessoas não eram as que eu queria ver!
Tentei não pensar nele, para não doer tanto pela falta que eu estava a sentir, ou pelo vazio que se instalou em mim, e como em algumas situações incómodas da minha vida, a imaginação foi a única coisa que me fez sentir melhor. Modifiquei, na minha mente, as pessoas que me rodeavam, e apesar de ainda ter alguma noção do que estava a fazer, Cristina transformou-se no Gustavo, tornando-se inevitável não sorrir. O meu corpo moveu-se conforme aquilo que eu faria com ele naquela pista de dança. Eu seria livre, e o meu corpo seria do mais ágil e flexível. Deixei que a música entrasse pelos meus ouvidos, e mexi-me, sem me importar com os movimentos ridículos que poderia estar a fazer.
Cristina pareceu animada com o meu á vontade súbito e lentamente afastou-se de mim. Tentei não parar aquele ritmo, passando a imagem de Gustavo de pessoa para pessoa.
Vi pelo canto do olho Cristina saborear outra bebida e falar para alguém, rindo divertida. Não consegui reconhecer aquele tipo, mas quando parei de dançar para observa-lo, alguém segurou a minha coxa do braço e fez-me mudar a direcção do meu olhar.
O meu coração agitou, de uma forma que eu não compreendi.
Não consegui sorrir, apenas fiquei boquiaberta a olhar aquele sujeito, sem saber o que dizer. Ele mostrou a sua dentadura branca e os olhos castanhos vincaram nas pontas, evidenciando, de algum modo, surpresa.
-Alannis! – Ele soltou-me o braço – és mesmo tu?
Não consegui responder. Ao lado dele surgiram outras duas pessoas que eu conhecia bem.
Elas fizeram aquele ar de choque histérico:
-Lannis!?
Dei um passo de recua:
-Olá…! – Disse, não alto o suficiente para que elas me escutassem bem.
Aqueles eram três ex-colegas, ou por outras palavras, ex-amigos. As duas raparigas eram Ana e Camila, a primeira, uma pessoa que eu considerava amiga inseparável e admirava psicologicamente. A segunda, não tão próxima de mim, era mais calma, mas aventureira e simpática. Sorri sarcasticamente, ao ver a quão enganada estava em relação a elas.
O rapaz, era mais importante, ou melhor, tinha sido mais importante! O seu nome era Ricardo. Sim, ele era aquela pessoa por quem eu tinha estado apaixonada no meu ano fatal. Ele olhou-me de cima a baixo sorrindo, com um ar de quem estava verdadeiramente animado com o reencontro, mas por outro lado, tinha uma certa malandrice no olhos.
Ele aproximou-se de mim e baixou o seu rosto para me saudar com dois beijos, mas eu recuei, e não deixei. Ele franziu as sobrancelhas, desiludido:
-Não sabia que dançavas tão bem! – Disse, ainda baralhado com a minha reacção.
Quase ri, sem a mínima vontade. Das duas uma: Ou era mentiroso e me queria agradar, ou então estava completamente bêbedo!
Virei o meu rosto na direcção onde Cristina estava, esperançosa que ela viesse ter comigo para me salvar, mas percebi que eu é que teria de ser a heroína naquela noite. Ela estava com um novo copo na mão, e falava agora para outra pessoa.
Ana, agarrou-me o braço para me despertar a atenção:
-Onde tens andado? Não te vemos há… – Ela olhou para o tecto colorido do clube, reflectindo – quase um ano!?
-É possível! – Respondi, sem interesse nela.
Camila sorriu:
-Foste muito mázinha, Alannis, nem sequer te despediste! Podias ter mais consideração!
Cerrei os punhos, enervada. Tive vontade de espanca-la, no sentido mais duro da palavra, e trinquei a bochecha para me livrar daqueles pensamentos e responder, sem descer aos seus níveis.
-Tenho a certeza que não fiz falta! – Disse-lhes, fervilhando por dentro.
Ricardo riu. Ele era idiota ou estava a gozar com a minha cara?!
Não dava para explicar a vontade que eu tive de lhe mandar um bruto estalo.
-Sentimos a tua falta, a sério! – Disse – Nunca mais soubemos nada de ti!
Ana abraçou-me:
-Ainda bem que estás de volta!
Fi-la soltar-me, sem ser brusca para não me meter em confusão. Ela, Camila e Ricardo olharam-me:
-Estou de férias! – Esclareci – Aliás, se não se importam, tenho de ir ter com a Cris!
Ana riu:
-Só mesmo tu para te dares bem com essa tola!
Fitei-a, irritada, e sorri com falsidade:
-Não digas essas coisas, por favor!
Ricardo olhou para ela e arqueou as sobrancelhas:
-Vá lá, não sejas assim, Ana! Ela é nossa colega!
Senti-me melhor por ter alguém do meu lado, porem, aquela posição não me parecia verdadeira. Camila riu-se, logo após a defensiva:
-Por amor de Deus! Todos sabem que ela é uma leviana!
Ana libertou um riso irónico:
-Sonha muito, é esse o problema! Julga que o mundo é um conto de fadas!
-Qual é o problema de o mundo ser um conto de fadas?! – Interroguei, com a fúria a despertar-se na minha voz e no meu olhar, talvez porque, antes de me ter acontecido aquela situação depressiva, eu também era mais sonhadora do que devia.
Camila revirou os olhos, ainda risonha e lançou um olhar aos seus amigos:
-Não haveria problema se ela não se apaixonasse por uma pessoa diferente todas as semanas!
Ricardo deu uma gargalhada alta, perdendo todo o respeito pela opinião que dera anteriormente em relação ao modo como deveriam tratar Cristina.
Furiosa, virei-lhes costas e fui ter com Cris, que se abanava lentamente junto ao balcão.
Fiquei magoada ao escutar aquelas coisas que disseram dela, mas fiquei ainda pior vê-la tão boémia.
Retirei-lhe o copo da mão, e pousei-o no balcão. Ela não gostou do meu acto, mas eu não a deixei opor-se a ele:
-Vamos até á piscina! – Propus, sem lhe dar hipótese de recusar.
Passamos pela multidão, e entramos numa parte menos movimentada do clube. Geralmente aquela divisão era trancada por segurança, mas pelos vistos aquela noite era uma excepção. No lado esquerdo havia uma piscina, não muito funda, com uma espécie de ponte a passar-lhe por cima. Fiz Cristina sentar-se numa cadeira que estava num canto oposto, sem que as pessoas que dançavam naquele compartimento, se apercebessem demasiado.
Dei-lhe uma palmada leve no rosto:
-Hei, sentes-te bem? – Perguntei, preocupada. Ela parecia pouco lúcida, mas sorriu.
-Relaxa! Senta aqui comigo! – Pediu.
Mordi o lábio ao perceber que ela estava embriagada, ainda que não tanto como outros jovens. Sentei-me ao seu lado, para ela não se precipitar ou fazer algo que não devesse:
-Com quem estavas a falar?
Ela soluçou, e riu outra vez da situação:
-Com um animal!
Suspirei, julgando que seria a única resposta, mas ela apontou para a ponte de metal que atravessava a piscina, onde estavam cerca de três pessoas. Havia uma rapariga, que olhava atrapalhada para as duas outras pessoas, pouco afastadas dela. Vi, então, uma rapariga de cabelos curtos, e visivelmente mais baixa do que eu, a tentar afastar-se de um tipo que estava completamente bêbedo. A jovem que acompanhava estava amedrontada com a presença daquele rapaz, e ele olhava-a maliciosamente, sem noção correcta do que estava a fazer. As suas auras colidiam de tão diferentes que se encontravam, e isso deixava-me, de certa forma, assustada. A ponte tinha apenas um barão de metal de um dos lados, estando o outro descoberto na direcção da zona mais profunda da piscina, talvez por algum percalço mecânico.
Dei um passo para mais perto da zona onde tudo acontecia. Sentia que aquilo era perigoso. Com certeza já alguém se tinha molhado propositadamente naquele local, mas algo me dizia que não era isso que ia acontecer naquele caso.
O rapaz deu uma risada e pousou o braço nos ombros da rapariga. Ela fez um esgar e olhou para a água, atrapalhada, talvez porque também a ela o rapaz não inspirava confiança.
Foi então, numa fracção de segundo, que ele a empurrou propositadamente, sem dó nem piedade.
Ela caiu na água, e os jovens que dançavam pararam para rir e apontar para aquela queda.
A minha cabeça latejou. A agua agitava-se ao ritmo dos braços e das pernas da rapariga, que por algum motivo na vinha á tona. O tipo que a atirou á água desceu a ponte, rindo e cambaleando, e a jovem que observara tudo de perto, gritou algo, mas ninguém a conseguiu ouvir por culpa das batidas das colunas, excepto eu, que não precisei de nenhuma frase, mas sim de uma simples emoção, para entender que se ninguém interviesse, ela afogava-se!
Olhei Cristina de soslaio. Ela estava distraída com uma mecha de cabelo, sem se aperceber do que estava a fazer, e eu senti-me morta, ao saber que ninguém estava a levar aquela situação a sério.
Mordi o lábio, e depois de correr, brevemente, atirei-me á piscina de cabeça!
Sustive a respiração e agarrei o corpo feminino que não conseguia manter o equilíbrio aquático.
A piscina não era funda. Eu conseguia estar em bicos de pé com a cabeça de fora, mas aquela jovem não. Ela era mais baixa do que eu, e pelos vistos não sabia nadar. Tentei levanta-la até á superfície, para que conseguisse respirar, e puxei-a lentamente para não a deixar ir ao fundo outra vez. Ela tossiu:
-Respira direito! – Aconselhei – Se controlares a respiração não vais ao fundo!
Ela não conseguiu falar e fez o que eu lhe mandei, enquanto nos aproximávamos dos degraus da piscina. Ela conseguiu tocar com os pés no chão sem ficar submersa, e a sua amiga correu para ajuda-la a sair da piscina, aterrorizada com a situação. Eu olhei o tipo que a tinha empurrado, e ele continuava a rir, divertidíssimo. As pessoas mais lúcidas daquele lugar pararam de dançar e aproximaram-se da adolescente, preocupadas.
O rapaz que lhe tinha feito aquilo, encostou uma garrafa de cerveja á boca e bebeu-a, cheio de vontade, ignorando tudo o que se passava!
Eu não sei o que me aconteceu naquele momento. A raiva, o ódio e a fúria que eu sentia pareciam ter-se transformado em força física, e foi como se algo maligno se tivesse apoderado do meu corpo. Eu cerrei os dentes, e corri na direcção dele, e com todas as minhas forças e raiva empurrei-o, fazendo-o embater contra um vidro, com violência.
Ele equilibrou-se e sem pousar a cerveja, olhou-me irritado:
-Qual é a tua?!
Eu não respondi verbalmente. Sem pensar sobre as consequências daquele acto, centrei as minhas forças no punho, e cravei-o nos cantos da sua boca imunda. Quase senti a minha mão quebrar a barreira que a sua pele criava entre mim e os seus dentes. A sua boca começou a sangrar, pelos cantos, e ele passou a língua, chocado comigo.
As pessoas pararam de dançar e fizeram, devagar, uma roda á nossa volta, para assistir á discussão:
-Espero que te tenhas divertido! – Gritei, enraivecida.
Virei costas, ainda incrédula com o que fiz, dando a situação como terminada, mas ele agarrou-me os braços com as unhas e tentou magoar-me com as mãos:
-Sua Cabra! – Berrou, furioso.
Tentei soltar-me dele, mas não consegui. Virei-me de frente para ele:
-Larga-me! – Ordenei, sem medo.
Ele tentou puxar-me o cabelo, sem sucesso, visto que ele estavasem um bom controlo fisico. Empurrei-o pelos ombros e dei-lhe um estalo, que o deixou ainda mais possesso.
Apertou-me o braço com mais força, e com a outra mão tentou acertar-me com a sua garrafa. Furiosa, levantei o meu joelho por reflexo, acertando-lhe nas zonas frágeis. Ele largou-me instantaneamente e contorceu-se.
Sorri vitoriosa e virei costas, mais uma vez, decidida a sair dali:
-Aproveita o puré de batata! – Exclamei.
Ele deu-me um encontrão que me desequilibrou, minimamente.
As pessoas estavam a acumular-se em nosso redor, assistindo animadas á luta.
Vi cacos caírem ao chão, e olhei para o rapaz bravo. Ele tinha a garrafa de cerveja ainda na mão, mas tinha partido a sua base, deixando o vidro afiado.
Sem me dar tempo de reacção, ele moveu o braço como uma flecha, e o vidro aguçado roçou-me profundamente na pele. Dei um grito, com todas as minhas forças. Comecei a sentir o cheiro a sangue e o pescoço a molhar-se numa velocidade demasiado rápida. A minha visão queria ficar turva e a cabeça queria girar, mas eu não me quis deixar abater. Olhei em redor, receosa por existir alguma criatura que se alimentasse daquele liquido, e ao entender que estava livre desse perigo, fixei o rapaz que acabara de me atacar. Ele sorria, triunfante, o que fez despertar em mim um ódio ainda mais violento do que o anterior. Parecia que o meu corpo estava a ser controlado por outra pessoa e eu não tinha forças sobre ele. Ao mesmo tempo que queria fazer algo, queria também acabar com tudo aquilo, mas a parte de mim que fervilhava tinha atingido um grau demasiado alto para eu conseguir ignorar.
Cerrei os dentes, e rosnei. Agarrei a cabeça dele, sem que ele conseguisse evitar, e como um ser demoníaco, cravei os meus dentes no seu pescoço, com todas as minhas forças.
Ele gritou ainda mais alto do que eu. Senti as suas cordas vocais tremerem junto á minha boca e fiz ainda mais força, até que finalmente os meus dentes enterraram-se por completo naquela pele, fazendo com que sangue aparecesse nas extremidades da sua ferida, tal como na minha. Desencostei a boca dele, e cuspi para o chão. Roubei um copo com algo forte, de um espectador da situação, e bochechei aquela bebida, sem querer sentir o sabor a sangue sujo na minha boca. Cuspi-o, na direcção do ferimento que tinha causado, e o tipo, berrou e libertou uma lágrima enraivecida com a dor.
Os meus braços foram presos por trás, de repente, e um homem alto e vestido de negro, com uns auriculares nos ouvidos, prendeu também o rapaz que estava á minha frente, separando-nos.
A música já tinha parado, e os jovens cochichavam entre si, enquanto éramos levados para o exterior do estabelecimento.
A minha respiração estava a ficar difícil, e sentia-me mais tonta do que anteriormente. Eu não sabia o que tinha acabado de fazer ao certo. A adrenalina ainda passeava pelo meu corpo, mas o sangue que eu libertada, estava a retirar-me as forças. O segurança que segurava o meu adversário levou-o para longe de mim, e eu encostei-me ao muro, protegendo a ferida com a mão.
Ouvi uns passos apressados descerem as escadas exteriores na minha direcção, e alguém me tocou levemente nos ombros. Mirei a rapariga que caíra á piscina, e a sua amiga:
-Sentes-te bem? – Perguntou a jovem que se mantivera seca.
Eu tentei manter a pálpebras levantadas e sorri.
-Sim… Obrigada…!
A jovem que eu salvara tapou o rosto com uma mão:
-Oh meu deus, a culpa foi minha…! Peço-te imensa desculpa, por favor, deixa-me levar-te ao hospital!
Eu neguei com a cabeça sem interesse algum pelo que me estavam a dizer. De facto, parecia que estavam a deixar-me com ainda menos forças.
-Não é preciso! Eu vou para casa, eu só…
Olhei para a entrada da discoteca:
-A minha amiga está lá dentro! – Informei – não a quero deixar sozinha!
As duas raparigas entreolharam-se, e a que estava molhada falou:
-Como é ela?
Semicerrei os olhos:
-Hum, tem o cabelo castanho, aos cachos, mas muito volumoso, olhos verdes, é alta e… - Tentei lembrar a roupa dela – Acho que está vestida de cinzento e preto…
A amiga dela mordeu o lábio, com consciência que aqueles dados não eram suficientes:
-Onde a viste pela última vez?
-Ela estava perto da piscina, sentada… - Ri-me - Bem, não está muito lúcida!
Outro corpo aproximou-se, apressadamente, de nós:
-Alannis, estás bem? – Perguntou Ricardo.
Olhei-o e suspirei:
-Estou apenas tonta! Sabes da Cris? – Perguntei.
Ele negou com a cabeça, e depois observou o meu corte:
-Queres que te dê boleia ao hospital?
Franzi as sobrancelhas:
-Tu tens carta da condução?
-Não oficialmente, mas eu sei como…!
-Não, obrigada! – Interrompi – Basta de sarilhos por hoje!
A miúda molhada interveio:
-Desculpa, Alannis! Salvaste-me a vida e ainda tiveste de te magoar!
Dei de ombros, desconfortável com toda aquela atenção. Desencostei-me do muro e olhei para a minha mão manchada de vermelho:
-Ricardo, queres ser útil?
Ele moveu-se esperançoso e meteu a mão ao bolso. Ouvi umas chaves tilintarem, sem ser necessário.
-Eu levo-te para casa! – Exclamou.
Revirei os olhos. Porque é que ele estava a insistir?
-Procura a Cristina e leva-a para casa! – Corrigi. Ele fez uma autêntica cara de idiota - Não te peço mais nada!
-Mas tu não estás bem!
-Eu vou embora a pé! Não é longe! – Assegurei – faz apenas isso!
As duas jovens puseram-se ao meu lado:
-Nós acompanhamo-la!
Ricardo olhou-as, desapontado, mas aceitou contrariado a situação.
Elas acompanharam-me pelas zonas onde eu tinha passado anteriormente, comigo sempre a segurar o corte, para não perder demasiado sangue. Quando chegamos á minha rua, elas voltaram para trás, e eu, ao invés de ir para a minha casa, avancei até chegar a um portão enferrujado, entreaberto. Ali era o antigo quartel dos bombeiros, e como não tinha fechaduras, dava passagem para o local onde se encontrava o novo quartel.
Avancei, medrosa com a escuridão da noite, e passei o parque de estacionamento das ambulâncias, até chegar á entrada principal. Quando lá entrei estava uma mulher ao balcão que me atendeu de imediato. Fui direccionada para um pequeno consultório, e um médico de meia-idade veio ver o meu estado. Pelos vistos aquele ferimento não era tão grave como parecia, e ele limitou-se a desinfectar-me, e a colocar-me um curativo extenso na ferida, avisando-me que se dentro de dias o golpe estaria fechado. Se isso não acontecesse então talvez precisasse de ser cozido, e eu, sinceramente, esperava que não.
Voltei para casa, a correr. Era de madrugada já, e todos dormiam, até os cães. Fui comer algo que me desse forças depois da perda de sangue, tratei da minha higiene logo após.
Exausta, deitei-me na cama, com uma impressão dolorosa sobre o curativo.
Olhei na direcção da janela, e pelos buracos dos estores entrava uma leve luz. Os meus olhos ficaram aquosos de repente. Aquela noite tinha sido um erro, e se havia coisa que eu mais desejava naquele momento era voltar para o Gerês, onde me sentia mais aconchegada. Mais três dias e eu tinha de voltar, eu precisava. Aquele já não era o meu lar, e eu estava a sentir uma enorme falta de uns braços protectores…
Eu queria-os ter de volta… Eu queria o Gustavo…!
as minhas fic's:
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
-Angelical
Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
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Só uma pergunta: o que é um morcão?
Bolas, a Lana é uma mulher que dá luta. Fosga-se, o rapaz levou pancada que se fartou. Merecia mais, mas pronto.
Opá, o Ricardo até pode ser o rapazinho perfeito, mas se for para ter dupla personalidade e ter aquelas companhias, mas valia...sei lá...fazer frente ao Gustavo...levar muita pancada...ou sair da fic. Das três, três. Sou tão má!
Agora quero ver quando a Helen descobrir o que se passou. Não vai ser boa coisa.
Bolas, a Lana é uma mulher que dá luta. Fosga-se, o rapaz levou pancada que se fartou. Merecia mais, mas pronto.
Opá, o Ricardo até pode ser o rapazinho perfeito, mas se for para ter dupla personalidade e ter aquelas companhias, mas valia...sei lá...fazer frente ao Gustavo...levar muita pancada...ou sair da fic. Das três, três. Sou tão má!
Agora quero ver quando a Helen descobrir o que se passou. Não vai ser boa coisa.
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http://sm-portugal.coolbb.net/fanfics-gerais-f23/fairy-tales-o-incio-t4901.htm
[email protected] -->Meu MSN, adicionem à vontade!
Karen_95 escreveu:Só uma pergunta: o que é um morcão?Significa estúpido, idiota, entre outros...

Gostei. Boa Lana, que dás luta! Mas lá o people não deve regular. Então vêm um gajo atacar uma rapariga e têm que ser os seguranças a intervir. Bolas, quando é luta do mesmo sexo é natural as pessoas verem (excepto quando se tão a matar.. o que era o caso
) mas quando é homem e mulher? Fogo, a mim apetecia-me pregar um par de chapadas (ou talvez dois.. não três..
) ao pessoal que assistia. Quando ao gajinho, bastava a Lana deixá-lo incapaz de ter filhos xDDBem me parecia que ela iria reencontrar alguem conhecido no bar, já se etava à espera disso. Agora espero ver o Ricardo mais vezes. Enfim, para atrapalhar

Espero por mais...
Espero por ti em cada segundo , porque tu és o meu mundo!

Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
Visitem a minha 1ª Fic ----->The Four elements

Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
Visitem a minha 1ª Fic ----->The Four elements
obrigada pelos comentarios, minha boa gente!
Karen pus-me a tentar ver onde dizia "morcão" e nao descobri! lol obrigada por a esclareceres, Ana!
Bem, antes de mais, é melhor dizer isto, porque me esqueçi! lol Eu nao tenho uma grande proximidade com as pessoas da cidade da Lana, e espero que, se algum dia alguem dessa cidade ler esta historia, nao me queiram bater! Na verdade escolhi esta cidade por causa do ambiente, do casino e tal. Nao me apeteceu enfia-la no Porto! Toda a gente é do Porto ou de Lisboa! Eu quis variar, né?
' agora, espero que ninguem se ofenda com as criticas que eu faço ás pessoas, porque apesar de tudo é uma generalizaçao. O mundo está cheio de gente hipocrita e sem valoresm, e eu só quero mostrar a perspectiva de uma adolescente problematica magoada com os antigos colegas, que agora culpa a cidade! lol!
Quanto á noite e á chapada! estava tudo bebedo, está claro, mas quando escrevi as reacçoes da Lana quanto ao rapazito, estava com uma vaga ideia de mostrar um lado dela que ia começar a ser desvendado agora. Um lado mais... demoniaco? Bom, mas como já vou muito mais adianta na fic do que isto, agora tenho algumas duvidas e tal, mas enfim!
Obrigada pelos comentarios!
bjokas
Karen pus-me a tentar ver onde dizia "morcão" e nao descobri! lol obrigada por a esclareceres, Ana!
Bem, antes de mais, é melhor dizer isto, porque me esqueçi! lol Eu nao tenho uma grande proximidade com as pessoas da cidade da Lana, e espero que, se algum dia alguem dessa cidade ler esta historia, nao me queiram bater! Na verdade escolhi esta cidade por causa do ambiente, do casino e tal. Nao me apeteceu enfia-la no Porto! Toda a gente é do Porto ou de Lisboa! Eu quis variar, né?
' agora, espero que ninguem se ofenda com as criticas que eu faço ás pessoas, porque apesar de tudo é uma generalizaçao. O mundo está cheio de gente hipocrita e sem valoresm, e eu só quero mostrar a perspectiva de uma adolescente problematica magoada com os antigos colegas, que agora culpa a cidade! lol!Quanto á noite e á chapada! estava tudo bebedo, está claro, mas quando escrevi as reacçoes da Lana quanto ao rapazito, estava com uma vaga ideia de mostrar um lado dela que ia começar a ser desvendado agora. Um lado mais... demoniaco? Bom, mas como já vou muito mais adianta na fic do que isto, agora tenho algumas duvidas e tal, mas enfim!
Obrigada pelos comentarios!

bjokas
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gatinha escreveu:ei eu sou da vila que é vizinha da povoa andas a caluniar o people daqui e? ai ja XD
na binqa XD ta linda a historia continua
eu nunca entrei mas acho que no hit nao ha pexina
Eu tenho ideia que tem lá dentro! só se a removeram! lol
seja como for, obrigada pelo comentario!
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Estou farta desta fic...
'
Enfim, ultimamente ando com a mania de postar capitulos completos! Aproveitem que nao dura sempre.
Sem mais comentarios, Capitulo estranho:
Capitulo XVIII – Beijo envenenado
Não era preciso ser muito imaginativa para saber a reacção de Helen e Greta na manhã seguinte, ao se depararem com o meu curativo. Eu só me levantei pouco antes do meio-dia, por causa do cansaço que vivi na noite anterior, mas isso não foi pretexto para não ouvir dois sermões idênticos!
Greta entrou em preocupação exagerada, e fez questão de retocar o meu ferimento com a sua maleta de primeiros socorros. Helen, por outro lado, falou comigo calmamente, exigindo saber o que aconteceu. Eu escondi algumas partes da situação, e apenas referi que me cortei com uma garrafa por acidente. Fi-la acreditar que a noite foi bem passada, apesar de discotecas não serem os meus locais favoritos. Ela não duvidou da minha palavra, o que me deixou incomodada. Por vezes tinha vontade que ela descobrisse que eu estava a mentir, para eu ter coragem de dizer a verdade. Assim sentia-me culpada, mas não conseguia ser franca, para não a preocupar!
Ela, eu e Greta, decidimos ir passear juntas durante a tarde, já que era feriado. Fomos às compras, nas galerias e lojas juvenis. Eu tinha um certo fascínio por sapatos de salto alto, mas não me atrevia a comprar uns para mim, ou corria o risco de tropeçar e morrer! Limitava-me a ajudar Helen a escolher os mais fashion para si, e um dia talvez os usasse, visto que calçávamos o mesmo tamanho. Greta, porem, estranhou os meus estranhos gostos por peças pretas. Ela não estava habituada a ver-me de escuro, pelo contrário, a imagem que ela tinha de mim era algo colorida, mas Helen já estava pronta para aquelas preferências, e ajudou-me a escolher o que me ficava melhor.
-Olha, esta camisola não tem costas! – Informou, mostrando-me um traje, cinzento-escuro.
Eu experimentava tudo o que ela mandava, imaginando se ficaria agradável.
Depois daquela pequena sessão de compras, fomos passear pelo passeio á beira-mar, enquanto chupávamos um gelado e conversávamos.
Olhei para o mar. O sol batia-lhe e fazia as suas ondas reluziam, com beleza, banhando os grãos de areia grossa. Aquele sitio era lindo, mas muito incompleto no meu ponto de vista:
-Helen, estou mesmo com saudades da nossa outra casa… - murmurei, olhando para o céu, durante um suspiro penoso.
Helen sorriu e passou os seus braços em torno do meu pescoço:
-Voltamos quinta-feira… - Prometeu – Eu também tenho vontade de regressar, tenho saudades das crianças!
Eu sorri:
-Eu tenho saudades de muitas outras coisas!
Greta fez um ar de tristeza fingida:
-Vocês estão a trocar-me!
Eu abracei-a:
-Não é nada disso, Greta! – Reconfortei, beijando-lhe a bochecha – Mas lá as pessoas são diferentes! Não sei porque não vens connosco!
Ela suspirou:
-Eu gosto de viver aqui!
-Mas sem nós não é o mesmo! – Completou Helen – Mãe, eu e a Lannis queremos-te junto a nós!
-Minhas queridas, esqueçam a ideia! Eu entendo que a Alannis queira regressar! – Disse – Eu sei o que é ser uma adolescente apaixonada!
Corei:
-Greta…!
Ela sorriu, e segurou-me a mão, carinhosamente:
-Eu noto que tu estás diferente, e sei que melhoraste quando te mudaste para o Geres…! Eu já percebi que é lá o teu lugar, e não quero que te atrevas a negar os teus sentimentos!
Eu sorri, envergonhada. Eu não podia negar nada, mas a realidade é que nem ao certo sabia o que sentia. A única coisa que eu sabia era que eu queria voltar a sentir-me protegida!
Helen parou de andar de repente, fixada no horizonte. Apercebi-me que a sua alma ficou bastante fragilizada, e tentei ver o que ela via. A alguns metros de nós, vinha um homem alto, de cabelos e olhos escuros. Reconheci-o, enfurecida. Era Rogério, o seu ex-namorado, que vinha na nossa direcção sorridente, como se nada de tivesse passado.
Ajustei os meus óculos de sol, e esperei que ele dissesse algo:
-Bom dia, senhoras! – Exclamou, com uma amabilidade hipócrita.
Greta sorriu, com educação:
-Boa tarde, Rogério, tudo bem?
Ele deu de ombros, e depois olhou para mim:
-Ena Lana, há quanto tempo, não é?
Sorri, sarcasticamente:
-Não me digas que sentiste a minha falta! Mentir é feio, sabes?
Ele perdeu o sorriso, e Helen abafou uma pequena gargalhada. Greta olhou-me, desapontada com a minha resposta indecente, no ponto de vista da educação que levei.
-Sempre simpática!
Retirei os óculos para olha-los nos olhos. Algo estava errado.
Vi que eles eram mais negros do que eu me lembrava, e não transmitiam nada de confortável. Fiquei inquieta com aquele aspecto, e engatei o meu braço no de Helen, para me poupar a muito desconforto. Vi que, de certa forma, ele era malicioso, mas por outro lado, não! Ele dirigiu-se a Helen:
-Como estás?
-Óptima! – Respondeu, de queixo erguido – Aliás, obrigada! Se não fosses tu, o destino não me tinha surpreendido tanto!
Ele franziu a sobrancelha:
-Então não guardas rancor?
-Claro que não! Da minha parte estás livre! – Reparei que a sua imaginação começou a funcionar – Aliás, se não fosses tu não tinha o meu novo namorado!
Ele quase caiu para o lado, assim como eu e Greta, que a olhamos, incrédulas.
Helen sorriu, vitoriosa, e Rogério fez cara de idiota!
-A sério?!
-Claro! Duvidas das minhas capacidades de conquista?!
Ele negou com a cabeça, atrapalhado:
-Claro que não! Aliás, ainda bem que estás feliz!
Ela acenou com a cabeça. Ele virou-se novamente para mim:
-É óptimo ver que estais todas bem!
Encolhi-me discretamente quando ele me olhou de cima abaixo. Parecia que ele estava de algum modo a verificar-me o estado físico e psicológico, á procura de algum vestígio de fatalidade.
-Tem um bom dia! – Disse Greta – Até á próxima!
Nós afastamo-nos dele, especialmente eu, que me agarrei ao pescoço, desconfortável.
Helen suspirou, irritada:
-Idiota!
-Que namorado é esse?!
-Eu menti! – Respondeu com frieza patente na voz – Não queria que ele pensasse que eu me sentia mal por sua culpa! Ele não merece esse gosto!
-Ele estava estranho, não estava? – Perguntei, constrangida.
Helen e Greta atentaram em mim:
-Estranho como?
-Estás o mesmo de sempre!
Engoli a seco:
-Pareceu-me diferente… - Admiti – Não gostei da maneira como ele olhava para nós!
Elas não deram importância á minha confissão, mas eu podia jurar que ele me tinha avaliado de uma forma estranhíssima. Só queria distância dele!
À noite regressamos para casa.
Liguei a Cristina para saber como ela estava depois da noite anterior e ela contou-me que nunca se tinha sentido tão mal na vida, algo perfeitamente compreensível!
Depois de comermos, assistimos todas a um filme na sala. Faltavam apenas três dias para eu me ir embora dali, e isso deixava-me eufórica! Acho que me ia atirar para os braços de Lili, de Rebeca, e especialmente de Gustavo. Mal podia esperar por voltar a sentir o seu cheiro, o seu corpo, o seus cabelo, o seu olhar, e quem sabe, os seus lábios colados aos meus. O meu coração acelerava só de pensar nisso e os joelhos tremiam como varas verdes! Eu sentia-me uma parva por me sentir assim, mas quase não podia evitar! Quanto mais tempo passava longe, pior ficava!
Passados dois dias, recebi uma visita inesperada durante a manha. Ricardo, e alguns ex-colegas meus bateram á porta de minha casa:
-Vamos fazer um piquenique – Explicou –, logo á tarde na praia! Vem connosco, em nome dos bons velhos tempos!
Libertei uma risada!
-Bons velhos tempos?
Eles olharam-me confusos:
-Para matar saudades!
-Oh, claro, claro! – Respondi, ironicamente – Mas tenho de pedir autorização!
-Nós ajudamos-te! – Ofereceu-se ele, entrando no interior da casa, sem permissão.
Subiu as escadas de duas em duas e Helen foi a primeira pessoa que ele encontrou. Ela sorriu-lhe gentilmente e deu-lhe dois beijos na cara para o cumprimentar.
Olhei para os meus restantes ex-colegas/amigos, e depois para a zona onde Helen e Ricardo se encontravam. Ele gesticulava com as mãos, e sorria, manipulador, facto que não me agradou.
Foi então que Helen me olhou, sorridente:
-Claro que podem ir! – Disse.
Bufei, desapontada com a resposta. Verdade seja dita, eu não era normal. Uma pessoa normal ficaria radiante por ter autorização para ir a qualquer lado! Eu por outro lado, só desejava que me trancassem em casa, mas não! A minha família adorava ser simpática.
Ricardo deu passos rápidos na direcção da porta, sorrindo vitorioso.
-Então encontramo-nos logo!
Franzi as sobrancelhas.
-Posso saber quem vai?
-Algum pessoal da turma! – Respondeu – Não precisas de te sentir mal, conheces-nos a todos!
Fingi um sorriso. Acho que preferia conhecer nova gente:
-A Cris vai? – Conferi.
Todos fizeram um esgar.
-Acho que não! – Disse alguém.
Ricardo deu-me um ar simpático que escondia o seu desagrado:
-Vá lá, acho que te aguentas sem ela!
Mordi o lábio e mirei o chão de relance. Tentei rir-lhes:
-Muito bem, até logo então!
Eles acenaram-me, e eu, ainda sorrindo, fechei-lhes a porta na cara. Mal fiquei invisível para as suas vistas fiz a cara mais aborrecida que consegui e fuzilei Helen com o meu olhar:
-Não podias ser um pouco mais rija e proibir-me de sair de casa?!
Ela deu de ombros e fez um esgar, virando-me costas:
-Lana, diverte-te! – Suspirou, dirigindo-se para a cozinha.
Cruzei os braços e abandonei a entrada. Fui para a sala de estar e sentei-me no sofá a assistir um programa sem interesse nenhum para mim, até que senti uma terrível necessidade de falar com alguém.
Eu estava totalmente proibida de contactar com alguma pessoas que não fosse daquela cidade, por isso, agarrei o meu telemóvel, com o meu novo contacto, e marquei os únicos números que nunca me tinha esquecido.
Do outro lado da linha, a voz alegre e fina de Cristina respondeu-me.
-Melhor da ressaca? – Perguntei ironicamente.
Cris reconheceu-me e fez uma voz exagerada:
-Nem me lembres! – Ela parecia estar a pular em cima da cama, a sua voz gritava euforia e agitação! – Por sorte os meus pais não me apanharam! – Ela riu levemente, mas sem maldade - Hei, eu estava demasiado bêbeda ou tu arranjaste mesmo confusão no Hit Club?!
Revirei os olhos, e sorri com sarcasmo:
-Não me consegui controlar!
Ela deu uma gargalhada trocista:
-Quem te viu e quem te vê! Estás a ficar fresca!
-Não estou nada! – Respondi, ligeiramente amuada – Eu só acho que… Sinto a falta de algumas pessoas…! – Tapei a cara com uma almofada e choraminguei – Oh Cris…!
-O que foi ? O que é que se passa? – Quase podia vê-la a olhar para o ecrã do telemóvel, aparvalhada e ao mesmo tempo preocupada.
Não lhe quis falar de Gustavo, isso só me faria sentir pior. Olhei para o relógio que adornava a parede da sala e libertei uma lufada de ar:
-O Ricardo convidou-me para ir fazer um piquenique com o pessoal. – informei, entediada com o plano, todavia com uma pequena esperança – Tu também vais?
Ela demorou um pouco a responder. Percebi que Cristina não recebera a proposta.
Constrangida enrolei uma mecha de cabelo no dedo indicador:
-Então…? – Murmurei – Tu não vais?
Ela rangeu os dentes:
-Não, eles não me querem entre vocês!
-Porquê? Vocês davam-se todos bem, não era?
-Nem por isso! Depois do que eles te fizeram eu não continuei a trata-los bem! Lannis, eu sei muito bem que tu lhes pediste ajuda no dia do baile e eles te ignoraram! E sabes porque fizeram isso? Sabes?! Porque são uns idiotas superficiais que não podem ver a felicidade dos outros e por isso fazem de tudo para nos rebaixar nos maus momentos!
Ela não me deixou espaço para responder e eu engoli a seco:
-Eu já entendi, no Domingo á noite, que eles não tinham uma boa impressão de ti…
-O que é que disseram?! – Perguntou, nitidamente irritada com a informação.
-Enfim, nada de mais… - Tentei dizer.
-Deixa-me adivinhar! Hum, disseram que eu era uma aluada namoradeira, que não tinha nenhum senso de responsabilidade e que a minha vida era boémia!
Fiz um biquinho com os lábios e levantei-me do sofá:
-Foi mais ao menos isso!
Ela deu um grito do outro lado da linha:
-Eu sabia! Ai como eu os odeio! Só queria ser paciente como tu! Por amor de Deus, como é que nunca te importaste com as coisas que te diziam? Chamavam-te parvinha e tu calavas! Como é que conseguias?! Que raiva, Lannis! Tenho vontade de mata-los!
-Tem calma, miúda! – Exclamei, rindo do seu stress – Antes de te irritares tens de te lembrar que esses comentários vêm de baixo! Alem disso, tens de reflectir se o que dizem sobre ti é mentira ou não! Era isso que eu fazia, e sabes que mais? Eles tinham razão, eu era uma idiota! – Admiti, relaxada.
-Não sejas demente! – Falou – Lá porque tinhas sonhos eras idiota?! Vês Lannis, é isso que eu odeio neles! Só porque uma pessoa tem um sonho, é anormal! Só porque uma pessoa se apaixona, é estúpida! Isto é um absurdo!
-Eu sei, Cris. Eu também me sinto assim às vezes! Parece que somos de outra época ou de outro mundo!
Ela bufou sonoramente. Conseguia facilmente entender que ela estava extremamente furiosa, e o seu melhor remédio era falar sem receber objecções.
-O que é que eles querem? Sexo?! Drogas?! Tabaco e álcool?! Ok, eu bebo, mas só de vez em quando! Lá porque as minhas pernas tremem quando estou apaixonada eu estou doente!? Lannis, diz-me que não estou errada!
-Tu não estás errada. Eu acredito em ti, e eu sei que vales mais do que eles, mas não te podes enervar! Vem comigo logo á tarde! – Pedi - Preciso de alguém respondão para me proteger!
Ouvi um som estranho do outro lado da linha. Pareciam panelas a baterem umas contra as outras.
-Acho que, desde Domingo, é mais que evidente que tu é que me proteges a mim! Vou arranjar-te sarilhos!
-Cris, por favor! Eu aqui não tenho protector, estou só!
-Protector?! – A voz dela ficou calma de repente – De que estás a falar?!
Abri a boca, envergonhada. Eu não tinha sequer pensado naquilo que proferi, e como tal senti o rosto formigar. Atrapalhadamente desliguei o telemóvel sem dizer mais nada e encostei-o ao peito.
Espreitei pelas portas da sala, para ter a certeza que mais ninguém tinha escutado o que eu disse, e o telemóvel começou a vibrar contra mim. Era Cristina outra vez!
Cerrei os olhos e atendi.
-Alannis, desligaste?!
-Ah, não, a chamada caiu! – Menti, descaradamente.
-Então, o que estavas a dizer?! – Continuou, curiosa – Agora tens um protector e eu não sabia?!
Voltei a sentar-me no sofá e fiz de conta que ela não me tinha dito nada:
-Vem comigo, por favor! – Implorei – Aquilo não vai ser o mesmo sem ti!
-Estás a mudar de assunto?! – Rectificou – Eu quero saber que conversa é essa!
-Só te conto se vieres comigo ao piquenique!
Ele gemeu, enervada:
-Ok, eu vou, mas só porque quero ver aquelas caras de idiotas a olharem para mim! Alem disso, se o convite veio do Ricardinho tu tens mesmo que ir, não é?!
-Hei, nem te atrevas a pensar isso de mim! Foi a Helen que me meteu nesta enrascada!
-Então a minha missão é tirar-te dela?
-Ou simplesmente ajudar a passa-la!
Fiz figas para ela não contestar e acabar com as perguntas.
-Pronto, está bem, mas só porque eu te adoro e tu és a minha melhor amiga!
Dei um gritinho de alegria:
-Obrigada! Então vemo-nos logo! Adoro-te!
Desliguei o telemóvel e fui almoçar. À tarde, vesti um vestido fresco e um casaco de malha fininha. Protegi o meu ferimento com um lenço, e á hora combinada encontrei-me com Cris no largo dos chafarizes, transportando comigo umas sanduíches para nós a duas petiscarmos quando a fome chegasse. Depois dirigimo-nos para a praia, onde decorreria o lanche “amigável”.
O sol já não estava alto, e iluminava o oceano, estranhamente calmo. A areia, era de tal maneira grossa que nós coxeávamos, desastradamente, devido á falta de hábito, porem, fizemos caminho até ao grupo de jovens que brincavam discretamente.
Quando estávamos perto deles o suficiente, acenei para que me vissem. Todos olharam para mim e para a minha parceira. Senti uma pontada na cabeça. Demasiadas pessoas com a mesma emoção. Isso não era algo agradável para mim, especialmente sendo um sentimento tão desconfortável. Eles pareciam chateados com a presença da minha amiga, mas tanto eu como ela fizemos de conta de não nos apercebemos.
Esbocei um sorriso forçado.
Algumas pessoas, ao reconhecerem-me, vieram até mim, empolgadas.
As raparigas, com aquela faceta cínica que só as mulheres conseguiam alcançar, lançaram-se nos meus braços a monte, com tanta força que eu quase fiquei sem oxigénio. Elas riram e falaram-me, curiosas com a minha vida sem elas. Eu mudava o meu olhar de uma para outra, sem saber o que dizer, e aflita tentei encontrar Cristina naquele grupo.
Ela encontrava-se a dois metros do local onde eu era abafada, e, de braços cruzados contra o peito, focava os seus grandes olhos verdes na direcção da água, séria. Por um lado era visível que ela estava serena, devido á brisa, por outro, ela queria estar noutro lugar, tal como eu.
Alguém puxou-me o braço, bruscamente, de propósito para eu a olhar:
-Então? – Aquela rapariga sorriu – Não dizes nada?!
Mordi o lábio:
-Ah… - Apercebi-me que nem sequer sabia do que falavam – O que é que disseste?
Ela e mais algumas riram-se da minha cara:
-Sempre a mesma! És tão lenta a entender as coisas!
Franzi as sobrancelhas, chateada com o comentário:
-E vocês continuam muito simpáticas, como sempre! – Falei, ironicamente.
Elas cochicharam, de modo estúpido, sem sequer notar que eu não tinha dado um verdadeiro elogio.
Soltei-me delas e recuei até a minha melhor amiga daquela cidade:
-A Cris veio fazer-nos companhia. – Informei, engatando o meu braço no dela – Espero que não se importem!
Elas entreolharam-se, e tentaram sorrir com amabilidade, mas não foram capazes, pois bastou-me concentrar-me nas suas auras para entender que elas não tinham qualquer gosto pela presença inesperada.
Cristina sorriu, sem vontade; o momento estava a tornar-se constrangedor.
Felizmente os rapazes aproveitaram o momento em que eu não estava coberta de fêmeas para me virem cumprimentar. Eles, para meu contentamento eram mais sinceros.
-Alannis! – Exclamaram acenando.
Um deles levantou a mão:
-Dá cá mais cinco, miúda!
Eu sorri-lhe e levantei o meu braço para o saudar, chocando a minha mão com a dele.
-Onde andaste?
-Por aí! – Respondi, sem querer dizer demais.
Eles mostraram pouco interesse no assunto! Acho que os rapazes eram assim, mais simples e sem tantas farças, apesar de por vezes serem demasiado desleixados.
Eu sabia que para eles eu era um pouco lerda e tonta, já que dantes eu era distraída e nem sempre entendia os seus piropos. Contudo, mal eles sabiam que eu tinha mudado! Era mais atenta e não suportava que me dissessem coisas idiotas. Se me tocassem, eu simplesmente reagiria.
O tempo foi passando, entretanto, e eu não larguei Cris. Um dos rapazes tinha levado a guitarra e, depois de alguns fazerem surf nas ondas altas, sentamo-nos todos em roda, a conversar e a comer, ao som da sua música.
Eu e Cristina tentamos sempre não ser mal-educadas e responder bem aos comentários e às perguntas que nos faziam.
Enquanto isso, o sol começou a descer. Ricardo levantou-se e veio ter comigo, sem dar grande espectáculo. Aninhou-se atrás de mim e sussurrou-me algo, baixinho:
-Vem comigo…
Olhei-o de soslaio, desconfiada e nervosa pela sua proximidade. Tinha de admitir que ele mexia comigo, talvez devido aos meus sentimentos anteriores por ele, no entanto, algo no modo como ele agia não me inspirou confiança.
Ele afastou-se discretamente e eu apertei a mão de Cristina para ela me olhar.
-Se eu não voltar dentro de 10 minutos, no máximo, vai-me procurar! Não quero estar sozinha!
-Ok. - Murmurou.
Levantei-me, e enrolei o lenço no meu pescoço, deixando o casaco esquecido na areia.
Corri na direcção de Ricardo que já ia afastado.
Ele estava de costas para mim, por isso tive de segurar-lhe o ombro para ele saber que eu já ali estava. Quando os seus olhos castanhos me vislumbraram ele sorriu. Um estranho arrepio percorreu-me, porem não fui capaz de o decifrar.
-O que se passa? Porque me chamaste? – Perguntei.
Ele deu de ombros:
-Estava muita gente ali! – Ele começou a caminhar em direcção oposta ao local onde os outros estavam e deu-me sinal para o seguir – Sabes, não te cheguei a dizer, mas no outro dia foste muito corajosa! Nunca pensei que fosses capaz de fazer algo assim!
-Obrigada…! – Murmurei, envergonhada – Mas há muitas coisas sobre mim que tu não sabes!
Ele fitou-me e sorriu.
Senti-me desconfortável com aquele olhar. Parecia que ele queria comer algo ou alguém.
-já reparei que estás diferente, no entanto não sei se isso é bom ou mau…
Olhei para trás, atrapalhada. O grupo onde estávamos inseridos estava longe.
-Que te parece? – Perguntei, sem saber o que responder ao certo.
-Eu gostava de como eras, mas agora não sei….
-Bom, por vezes mudar é bom, não concordas?
Ele acenou com a cabeça, sem retirar os olhos de cima de mim:
-Algo me diz que gosto de algumas diferenças!
Sorri, ainda confusa com o modo como ele me analisava.
-Gosto de te ver assim… - continuou - Pareces mais determinada! Finalmente deixaste a tua infantilidade de lado!
O meu rosto aqueceu, mas não por timidez. Foi por raiva, sem dúvida. Olhei-o de lado:
-Não exageremos…!
-É verdade! A Cristina devia ter uma experiencia como a tua para ver se mudava!
-Como a minha?! – Sobressaltei-me. Eu nunca lhe desejaria tal coisa!
-Sim, tu sabes! – Respondeu - Mudar de cidade…! Sejamos francos, ela é estranha! Comporta-se como um bebé! Felizmente tu já não és assim! É horrível que as raparigas só queiram atenção!
Apeteceu-me esbofeteá-lo pelas coisas que dizia, afinal de contas, os defeitos de Cristina eram os meus defeitos anteriores, e saber que ele não era capaz de dar uma atenção especial a alguém deu-me ainda mais ódio.
-Todas temos os nossos momentos! – Disse, cerrando os dentes e os punhos.
Ele passou a sua mão na coxa do meu braço, acto que me fez recuar:
-O que estás a fazer?
-Estou a ver-te…!
Ele deslocou a sua visão para o meu lenço e afastou-o lentamente. Inicialmente pensei que ele estava a observar o meu curativo, mas vi-o a olhar o meu decote. Empurrei-o, sem ser bruta, incomodada com o que ele fizera:
-Olhar é com os olhos, apenas! – Enrolei o meu lenço novamente e deixei-o cair sobre o peito.
-Estás diferente fisicamente! – Admitiu.
-Já não sou a gorda que conheceste, Ricardo?! – Rectifiquei virando-lhe costas.
Estava pronta para sair dali, e se houve coisa que me apercebi naquele momento é que eu nunca podia ter estado minimamente apaixonada por alguém como ele. Alguém que não suportava sonhos, carinho e sentimentos verdadeiros! Alguém que só se preocupava com as relações e o aspecto físico! Isso era algo que podia servir para muita gente, mas não para mim!
Foi então que ele me apertou o braço com força e me puxou violentamente para ele:
-Solta-me. – Ordenei, firmemente, sem qualquer grito ou medo patente na voz.
Ele encarou-me nos olhos, e mais uma vez vi uma espécie de sede insaciável neles. Pela primeira vez senti medo desde que chegara aquela cidade.
-Sabes…? – Ele sorriu – Podia ter aproveitado melhor quando estavas cá!
Eu neguei com a cabeça, sem conseguir reagir em condições.
-Tu gostavas de mim? – Perguntou.
Eu desviei o meu olhar, magoada, mas ele fez-me voltar a encara-lo:
-Nunca é tarde, Lannis…!
-“Nunca” é uma palavra muito forte! – Respondi, aflita.
De um segundo para o outro apeteceu-me gritar por Gustavo. Eu precisava desesperadamente que ele estivesse ali e me defendesse, que me agarrasse e me protegesse dos braços daquele parvalhão.
Tentei soltar-me. Sacudi-me para ele me largar, mas aconteceu tudo ao contrário.
Ele agarrou-me firmemente, dando-me um puxão na sua direcção, e sem que eu conseguisse sequer engolir algum ar, agarrou a minha boca com a dele, mordeu-me os lábios com os seus dentes, com força suficiente para os fazer sangrar, e passou a língua no interior da minha, causando uma azia no meu estômago! Tentei empurra-lo ou até mesmo bater-lhe para ele se afastar, mas não consegui. Ele apertou a minha cintura e amassou-me contra o corpo dele, trancando-me nos seus membros.
Eu quis gritar, fugir, mas não consegui travar o beijo nojento que ele me dava forçosamente. Comecei a ficar sem ar e as lágrimas libertaram-se dos meus olhos, enquanto eu, sem forças, continuava a fazer pressão sobre Ricardo, que me levantava o vestido lentamente pela perna acima. Eu queria pedir ajuda com todas as minhas forças! Queria alguém, que não fizesse parte daquela cidade, me viesse acudir! Eu queria ser salva daquele maluco, mas no fundo eu sabia que ninguém ia aparecer.
A minha cabeça ficou coberta de flashes de Gustavo, e ilusão ou não, eu consegui sentir a densidade no seu espírito perto de mim.
Cerrei os olhos com força, e a minha cabeça andou á roda, até que alguém deu um encontrou forte no tipo que me tinha agarrado, fazendo-o soltar-me. Eu inspirei ar, como se não o tivesse há horas, e deixei-me cair na areia, até ser segurada por uns braços masculinos.
Pensei que estava a delirar devido ao beijo envenenado que acabara de receber, porem, o cheiro, a temperatura corporal e a aura poderosa que me atingiu mostraram que tudo aquilo era real. Abracei-me sem abrir os olhos e enterrei a face na t-shirt perfumada, sentindo, instantaneamente, uma sensação de protecção elevadíssima. O rapaz apertou-me contra ele e beijou-me a testa, suavemente.
Ricardo deu passos na nossa direcção:
-Qual é a tua?! – Perguntou, furioso.
-Parece que não sabes quando deves parar!
Eu tive a certeza. Aquela voz era irreconhecível. Abri os olhos e vislumbrei Gustavo. Sorri, aliviada, e apertei-o mais nos meus braços, só podia ser um sonho, o meu desejo tinha-se concretizado!
-E quem és tu para te meteres?!
Descolei a minha cabeça do seu corpo quente, com algum custo, e fitei Ricardo com os dentes cerrados de raiva.
Descolei-me de Gustavo, ao aperceber-me que eles trocaram olhares mortíferos.
-Alguém que não suporta idiotas como tu!
Ricardo, cerrou as mãos, irritado, e atacou Gustavo, de repente. Este, por sua vez, empurrou-me a tempo para eu não ser atingida por algum golpe. Ricardo voltou a tentar magoa-lo, mas ele foi mais rápido e esquivou-se. Gustavo, tentando controlar a fúria deu-lhe outro encontrão:
-Não te metas comigo! – Advertiu, franzindo as sobrancelhas.
Ricardo deu-lhe um riso provocante:
-Estás com medo?
O meu coração acelerou:
-Não sejas infantil! – Falei, nervosa.
Ricardo ignorou o que eu disse e desta vez acertou Gustavo no canto da boca. Ele, perdendo toda a sua calma, reagiu. Deu um soco no nariz de Ricardo, e depois um na barriga, sem lhe dar tempo de reagir primeiro. Ricardo, raivoso, tentou chuta-lo, mas ele conseguiu levar a melhor, e voltou a acertar-lhe com a mão perto do olho esquerdo, com tanta força que até a mim me doeu. Ricardo cambaleou, e recompôs-se pronto para atingir Gustavo que me lançou um olhar de preocupado.
O meu coração ia saltar pela boca. Eu queria que eles parassem, mas quando dei por mim, Ricardo atingiu o maxilar de Gustavo, num momento de distraçao!
Comecei a ouvir vozes perto, e vi Cristina a correr na nossa direcção, seguida pelos outros.
Agarrei o braço de Gustavo para ele não responder ao ataque de Ricardo, e puxei-o para mim:
-Parem! – Implorei.
Gustavo olhou-me, e mesmo furioso, tentou controlar-se para que eu não ficasse magoada.
Ricardo, por outro lado, não demonstrou qualquer respeito pela minha aflição e voltou a fazer posição de ataque. Irritada, cerrei os dentes cheia de ódio e concentrando todas as minhas forças no punho, impulsionei-o contra o nariz de Ricardo. Ouvi um pequeno estalinho quando os meus ossos sentiram os seus e ele gritou, prendendo as vias nasais que começaram a sangrar:
-Nunca mais me agarres, seu filho da mãe!
A plateia tinha-se instalado e observavam-nos, sem saber o que fazer ou dizer. Ricardo ignorou, pura e simplesmente o que eu lhe tinha dito:
-Acho que me partiste o nariz! – Acusou, gemendo de dor e de ódio.
-E tiveste muita sorte! – Declarei, limpando o rasto de lágrimas que começaram a cair.
-Sua pu…! – Ele não concluiu aquele grito ofensivo.
Lançou-se ao meu pescoço, maliciosamente e agarrou o meu lenço, puxando-mo. O meu curativo ficou descoberto, e ele, cheio de irritação, cravou-lhe as unhas e arrancou-mo com força.
Dei um gemido alto de dor ao sentir o sangue jorrar outra vez, e o vento e pequenos grãos de areia atingirem-me.
Gustavo saiu fora de si ao ver aquela ferida e as minhas lágrimas. Agarrou Ricardo, e deu-lhe um soco tão grande que ele acabou por cair na areia, segurado ao seu nariz, furioso.
Os outros rapazes intervieram nesse momento, e seguraram-nos:
-Se tu voltas a meter-te com ela, dou cabo de ti! – Garantiu, enraivecido.
Sacudiu-se dos tipos que o seguravam e puxou-me para ele, rapidamente, mas cheio de cuidado para não me magoar.
Abracei-o com todas as minhas forças, e limpei as minhas lágrimas, enquanto protegia a ferida com as mãos e o lenço.
Cristina correu até mim:
-Lannis, estás bem? – Perguntou, preocupada.
Os outros entreolharam-se:
-O que aconteceu? – Perguntou Camila com a sua voz esganiçada.
Ninguém respondeu:
-Quem é este tipo?! – Perguntou alguém.
Levantei o meu olhar na direcção deles, e Gustavo apertou-me com mais força contra ele, transmitindo a sensação de paz que eu precisava.
Quis mostrar que eu não era a idiota que eles pensavam, que tinha alguém superior a eles a proteger-se, mas dizer que Gustavo era apenas um amigo não era o suficiente. Sorri sarcasticamente e respondi com firmeza:
-É o meu namorado!
O coração de Gustavo acelerou, e eu sorri discretamente. Ricardo deu um passo de recua, incrédulo, e os outros ficaram chocados a olhar para nós. Gustavo chegou a sua boca ao meu ouvido, discretamente:
-Bestial… - sussurrou, sorrindo – Nem precisei de pedir!
Não consegui evitar de lhe sorrir. Era impressionante como ele me fazia sentir tão bem, mesmo depois daquela situação.
Ricardo deu uma gargalhada forçada:
-Não acredito nisso, Alannis!
Gustavo franziu as sobrancelhas.
-Porquê? – Perguntei ofendida – Julgas que o mundo gira em teu redor?!
Soltei, lentamente, o corpo de Gustavo, e virei-me para encarar Ricardo de frente:
-Por favor Lannis! Não és assim tão boa!
-É boa demais para ti! – Corrigiu Gustavo, defendendo-me, ligeiramente irritado com o outro tipo – Aliás, para vocês!
Ele lançou um olhar sério a todos, e entrelaçou os seus dedos nos meus, lentamente. Todos o olharam, insultados, mas ele ignorou:
-Vamos embora? – Perguntou-me
Acenei com a cabeça e segui-o. Cristina veio atrás de nós, aliviada por sair dali. A minha cabeça doeu quando eu me apercebi das emoções e sentimentos furiosos que todos partilhavam. Quando estávamos prestes a atingir o passeio que nos afastava da areia grossa, apercebi-me que o meu casaco e o meu calçado tinham ficado para trás, mas isso pouco me importou.
Atravessamos a passadeira com pressa, e só abrandamos quando chegamos á rua onde ficava a minha casa.
Cristina aproximou-se de mim e separou-me de Gustavo para me abraçar:
-Desculpa não ter chegado a tempo! – Lamentou, agitada por dentro, e depois sussurrou - Eu pensei que tu querias que ele te beijasse… - Admitiu - Por isso é que não interferi mais cedo… Perdoa-me!
-Desculpa ter-te metido nesta situação! – Disse eu – já devia saber que não ia correr bem…
Larguei-a, devagar, e suspirei:
-Cris, eu vou voltar! – Declarei, francamente.
Ela abriu a boca confusa. Repeti a informação:
-Amanha regresso!
Ela semicerrou o sobrolho, sem noção do que devia fazer perante a minha revelação:
-E eu?! – Os seus olhos brilharam – Vais-me deixar sozinha, outra vez?
Mordi o lábio:
-Desculpa…
A rua estava silenciosa, e naquele instante ainda mais. Gustavo aproximou-se, e fez uma festa no meu cabelo, deixando a minha ferida exposta para ele:
-Eu… Acho que é o melhor… - disse – Acho que a presença da Lana aqui não é segura…
Cris olhou-o, e acenou com a cabeça:
-Claro… -. Murmurou olhando para o chão, pensativa. Ela já sabia o que eu queria dizer ao telefone – protector… claro… - Ela levantou a cabeça e fitou-o - Tomas conta dela? – Perguntou, emocionada.
Ele assentiu. Cristina abraçou-me novamente, com todas as suas forças em sinal de despedida, e acompanhou-me até á porta de casa antes de nos separarmos. Por muito que lhe custasse ela sabia que era o melhor para mim, e por isso não me ia fazer sentir mal pelo regresso.
Encostei-me á porta, mal ela saiu do meu alcance, e Gustavo ficou a sós comigo.
Ele olhou-me, terno:
-Como te sentes? – Perguntou, deslizando a sua mão pela minha face.
Dei de ombros e sorri, com pouco humor:
-Como me encontraste?
Ele abriu a boca para responder, contudo, a porta da entrada abriu-se de repente, e eu desequilibrei-me para trás. Ele agarrou-me a mão, e amparou-me a queda a tempo. Helen olhou-nos e sorriu:
-Chegaram!
E quê? Que acharam?
Bjokas! ».«
'Enfim, ultimamente ando com a mania de postar capitulos completos! Aproveitem que nao dura sempre.
Sem mais comentarios, Capitulo estranho:
Capitulo XVIII – Beijo envenenado
Não era preciso ser muito imaginativa para saber a reacção de Helen e Greta na manhã seguinte, ao se depararem com o meu curativo. Eu só me levantei pouco antes do meio-dia, por causa do cansaço que vivi na noite anterior, mas isso não foi pretexto para não ouvir dois sermões idênticos!
Greta entrou em preocupação exagerada, e fez questão de retocar o meu ferimento com a sua maleta de primeiros socorros. Helen, por outro lado, falou comigo calmamente, exigindo saber o que aconteceu. Eu escondi algumas partes da situação, e apenas referi que me cortei com uma garrafa por acidente. Fi-la acreditar que a noite foi bem passada, apesar de discotecas não serem os meus locais favoritos. Ela não duvidou da minha palavra, o que me deixou incomodada. Por vezes tinha vontade que ela descobrisse que eu estava a mentir, para eu ter coragem de dizer a verdade. Assim sentia-me culpada, mas não conseguia ser franca, para não a preocupar!
Ela, eu e Greta, decidimos ir passear juntas durante a tarde, já que era feriado. Fomos às compras, nas galerias e lojas juvenis. Eu tinha um certo fascínio por sapatos de salto alto, mas não me atrevia a comprar uns para mim, ou corria o risco de tropeçar e morrer! Limitava-me a ajudar Helen a escolher os mais fashion para si, e um dia talvez os usasse, visto que calçávamos o mesmo tamanho. Greta, porem, estranhou os meus estranhos gostos por peças pretas. Ela não estava habituada a ver-me de escuro, pelo contrário, a imagem que ela tinha de mim era algo colorida, mas Helen já estava pronta para aquelas preferências, e ajudou-me a escolher o que me ficava melhor.
-Olha, esta camisola não tem costas! – Informou, mostrando-me um traje, cinzento-escuro.
Eu experimentava tudo o que ela mandava, imaginando se ficaria agradável.
Depois daquela pequena sessão de compras, fomos passear pelo passeio á beira-mar, enquanto chupávamos um gelado e conversávamos.
Olhei para o mar. O sol batia-lhe e fazia as suas ondas reluziam, com beleza, banhando os grãos de areia grossa. Aquele sitio era lindo, mas muito incompleto no meu ponto de vista:
-Helen, estou mesmo com saudades da nossa outra casa… - murmurei, olhando para o céu, durante um suspiro penoso.
Helen sorriu e passou os seus braços em torno do meu pescoço:
-Voltamos quinta-feira… - Prometeu – Eu também tenho vontade de regressar, tenho saudades das crianças!
Eu sorri:
-Eu tenho saudades de muitas outras coisas!
Greta fez um ar de tristeza fingida:
-Vocês estão a trocar-me!
Eu abracei-a:
-Não é nada disso, Greta! – Reconfortei, beijando-lhe a bochecha – Mas lá as pessoas são diferentes! Não sei porque não vens connosco!
Ela suspirou:
-Eu gosto de viver aqui!
-Mas sem nós não é o mesmo! – Completou Helen – Mãe, eu e a Lannis queremos-te junto a nós!
-Minhas queridas, esqueçam a ideia! Eu entendo que a Alannis queira regressar! – Disse – Eu sei o que é ser uma adolescente apaixonada!
Corei:
-Greta…!
Ela sorriu, e segurou-me a mão, carinhosamente:
-Eu noto que tu estás diferente, e sei que melhoraste quando te mudaste para o Geres…! Eu já percebi que é lá o teu lugar, e não quero que te atrevas a negar os teus sentimentos!
Eu sorri, envergonhada. Eu não podia negar nada, mas a realidade é que nem ao certo sabia o que sentia. A única coisa que eu sabia era que eu queria voltar a sentir-me protegida!
Helen parou de andar de repente, fixada no horizonte. Apercebi-me que a sua alma ficou bastante fragilizada, e tentei ver o que ela via. A alguns metros de nós, vinha um homem alto, de cabelos e olhos escuros. Reconheci-o, enfurecida. Era Rogério, o seu ex-namorado, que vinha na nossa direcção sorridente, como se nada de tivesse passado.
Ajustei os meus óculos de sol, e esperei que ele dissesse algo:
-Bom dia, senhoras! – Exclamou, com uma amabilidade hipócrita.
Greta sorriu, com educação:
-Boa tarde, Rogério, tudo bem?
Ele deu de ombros, e depois olhou para mim:
-Ena Lana, há quanto tempo, não é?
Sorri, sarcasticamente:
-Não me digas que sentiste a minha falta! Mentir é feio, sabes?
Ele perdeu o sorriso, e Helen abafou uma pequena gargalhada. Greta olhou-me, desapontada com a minha resposta indecente, no ponto de vista da educação que levei.
-Sempre simpática!
Retirei os óculos para olha-los nos olhos. Algo estava errado.
Vi que eles eram mais negros do que eu me lembrava, e não transmitiam nada de confortável. Fiquei inquieta com aquele aspecto, e engatei o meu braço no de Helen, para me poupar a muito desconforto. Vi que, de certa forma, ele era malicioso, mas por outro lado, não! Ele dirigiu-se a Helen:
-Como estás?
-Óptima! – Respondeu, de queixo erguido – Aliás, obrigada! Se não fosses tu, o destino não me tinha surpreendido tanto!
Ele franziu a sobrancelha:
-Então não guardas rancor?
-Claro que não! Da minha parte estás livre! – Reparei que a sua imaginação começou a funcionar – Aliás, se não fosses tu não tinha o meu novo namorado!
Ele quase caiu para o lado, assim como eu e Greta, que a olhamos, incrédulas.
Helen sorriu, vitoriosa, e Rogério fez cara de idiota!
-A sério?!
-Claro! Duvidas das minhas capacidades de conquista?!
Ele negou com a cabeça, atrapalhado:
-Claro que não! Aliás, ainda bem que estás feliz!
Ela acenou com a cabeça. Ele virou-se novamente para mim:
-É óptimo ver que estais todas bem!
Encolhi-me discretamente quando ele me olhou de cima abaixo. Parecia que ele estava de algum modo a verificar-me o estado físico e psicológico, á procura de algum vestígio de fatalidade.
-Tem um bom dia! – Disse Greta – Até á próxima!
Nós afastamo-nos dele, especialmente eu, que me agarrei ao pescoço, desconfortável.
Helen suspirou, irritada:
-Idiota!
-Que namorado é esse?!
-Eu menti! – Respondeu com frieza patente na voz – Não queria que ele pensasse que eu me sentia mal por sua culpa! Ele não merece esse gosto!
-Ele estava estranho, não estava? – Perguntei, constrangida.
Helen e Greta atentaram em mim:
-Estranho como?
-Estás o mesmo de sempre!
Engoli a seco:
-Pareceu-me diferente… - Admiti – Não gostei da maneira como ele olhava para nós!
Elas não deram importância á minha confissão, mas eu podia jurar que ele me tinha avaliado de uma forma estranhíssima. Só queria distância dele!
À noite regressamos para casa.
Liguei a Cristina para saber como ela estava depois da noite anterior e ela contou-me que nunca se tinha sentido tão mal na vida, algo perfeitamente compreensível!
Depois de comermos, assistimos todas a um filme na sala. Faltavam apenas três dias para eu me ir embora dali, e isso deixava-me eufórica! Acho que me ia atirar para os braços de Lili, de Rebeca, e especialmente de Gustavo. Mal podia esperar por voltar a sentir o seu cheiro, o seu corpo, o seus cabelo, o seu olhar, e quem sabe, os seus lábios colados aos meus. O meu coração acelerava só de pensar nisso e os joelhos tremiam como varas verdes! Eu sentia-me uma parva por me sentir assim, mas quase não podia evitar! Quanto mais tempo passava longe, pior ficava!
Passados dois dias, recebi uma visita inesperada durante a manha. Ricardo, e alguns ex-colegas meus bateram á porta de minha casa:
-Vamos fazer um piquenique – Explicou –, logo á tarde na praia! Vem connosco, em nome dos bons velhos tempos!
Libertei uma risada!
-Bons velhos tempos?
Eles olharam-me confusos:
-Para matar saudades!
-Oh, claro, claro! – Respondi, ironicamente – Mas tenho de pedir autorização!
-Nós ajudamos-te! – Ofereceu-se ele, entrando no interior da casa, sem permissão.
Subiu as escadas de duas em duas e Helen foi a primeira pessoa que ele encontrou. Ela sorriu-lhe gentilmente e deu-lhe dois beijos na cara para o cumprimentar.
Olhei para os meus restantes ex-colegas/amigos, e depois para a zona onde Helen e Ricardo se encontravam. Ele gesticulava com as mãos, e sorria, manipulador, facto que não me agradou.
Foi então que Helen me olhou, sorridente:
-Claro que podem ir! – Disse.
Bufei, desapontada com a resposta. Verdade seja dita, eu não era normal. Uma pessoa normal ficaria radiante por ter autorização para ir a qualquer lado! Eu por outro lado, só desejava que me trancassem em casa, mas não! A minha família adorava ser simpática.
Ricardo deu passos rápidos na direcção da porta, sorrindo vitorioso.
-Então encontramo-nos logo!
Franzi as sobrancelhas.
-Posso saber quem vai?
-Algum pessoal da turma! – Respondeu – Não precisas de te sentir mal, conheces-nos a todos!
Fingi um sorriso. Acho que preferia conhecer nova gente:
-A Cris vai? – Conferi.
Todos fizeram um esgar.
-Acho que não! – Disse alguém.
Ricardo deu-me um ar simpático que escondia o seu desagrado:
-Vá lá, acho que te aguentas sem ela!
Mordi o lábio e mirei o chão de relance. Tentei rir-lhes:
-Muito bem, até logo então!
Eles acenaram-me, e eu, ainda sorrindo, fechei-lhes a porta na cara. Mal fiquei invisível para as suas vistas fiz a cara mais aborrecida que consegui e fuzilei Helen com o meu olhar:
-Não podias ser um pouco mais rija e proibir-me de sair de casa?!
Ela deu de ombros e fez um esgar, virando-me costas:
-Lana, diverte-te! – Suspirou, dirigindo-se para a cozinha.
Cruzei os braços e abandonei a entrada. Fui para a sala de estar e sentei-me no sofá a assistir um programa sem interesse nenhum para mim, até que senti uma terrível necessidade de falar com alguém.
Eu estava totalmente proibida de contactar com alguma pessoas que não fosse daquela cidade, por isso, agarrei o meu telemóvel, com o meu novo contacto, e marquei os únicos números que nunca me tinha esquecido.
Do outro lado da linha, a voz alegre e fina de Cristina respondeu-me.
-Melhor da ressaca? – Perguntei ironicamente.
Cris reconheceu-me e fez uma voz exagerada:
-Nem me lembres! – Ela parecia estar a pular em cima da cama, a sua voz gritava euforia e agitação! – Por sorte os meus pais não me apanharam! – Ela riu levemente, mas sem maldade - Hei, eu estava demasiado bêbeda ou tu arranjaste mesmo confusão no Hit Club?!
Revirei os olhos, e sorri com sarcasmo:
-Não me consegui controlar!
Ela deu uma gargalhada trocista:
-Quem te viu e quem te vê! Estás a ficar fresca!
-Não estou nada! – Respondi, ligeiramente amuada – Eu só acho que… Sinto a falta de algumas pessoas…! – Tapei a cara com uma almofada e choraminguei – Oh Cris…!
-O que foi ? O que é que se passa? – Quase podia vê-la a olhar para o ecrã do telemóvel, aparvalhada e ao mesmo tempo preocupada.
Não lhe quis falar de Gustavo, isso só me faria sentir pior. Olhei para o relógio que adornava a parede da sala e libertei uma lufada de ar:
-O Ricardo convidou-me para ir fazer um piquenique com o pessoal. – informei, entediada com o plano, todavia com uma pequena esperança – Tu também vais?
Ela demorou um pouco a responder. Percebi que Cristina não recebera a proposta.
Constrangida enrolei uma mecha de cabelo no dedo indicador:
-Então…? – Murmurei – Tu não vais?
Ela rangeu os dentes:
-Não, eles não me querem entre vocês!
-Porquê? Vocês davam-se todos bem, não era?
-Nem por isso! Depois do que eles te fizeram eu não continuei a trata-los bem! Lannis, eu sei muito bem que tu lhes pediste ajuda no dia do baile e eles te ignoraram! E sabes porque fizeram isso? Sabes?! Porque são uns idiotas superficiais que não podem ver a felicidade dos outros e por isso fazem de tudo para nos rebaixar nos maus momentos!
Ela não me deixou espaço para responder e eu engoli a seco:
-Eu já entendi, no Domingo á noite, que eles não tinham uma boa impressão de ti…
-O que é que disseram?! – Perguntou, nitidamente irritada com a informação.
-Enfim, nada de mais… - Tentei dizer.
-Deixa-me adivinhar! Hum, disseram que eu era uma aluada namoradeira, que não tinha nenhum senso de responsabilidade e que a minha vida era boémia!
Fiz um biquinho com os lábios e levantei-me do sofá:
-Foi mais ao menos isso!
Ela deu um grito do outro lado da linha:
-Eu sabia! Ai como eu os odeio! Só queria ser paciente como tu! Por amor de Deus, como é que nunca te importaste com as coisas que te diziam? Chamavam-te parvinha e tu calavas! Como é que conseguias?! Que raiva, Lannis! Tenho vontade de mata-los!
-Tem calma, miúda! – Exclamei, rindo do seu stress – Antes de te irritares tens de te lembrar que esses comentários vêm de baixo! Alem disso, tens de reflectir se o que dizem sobre ti é mentira ou não! Era isso que eu fazia, e sabes que mais? Eles tinham razão, eu era uma idiota! – Admiti, relaxada.
-Não sejas demente! – Falou – Lá porque tinhas sonhos eras idiota?! Vês Lannis, é isso que eu odeio neles! Só porque uma pessoa tem um sonho, é anormal! Só porque uma pessoa se apaixona, é estúpida! Isto é um absurdo!
-Eu sei, Cris. Eu também me sinto assim às vezes! Parece que somos de outra época ou de outro mundo!
Ela bufou sonoramente. Conseguia facilmente entender que ela estava extremamente furiosa, e o seu melhor remédio era falar sem receber objecções.
-O que é que eles querem? Sexo?! Drogas?! Tabaco e álcool?! Ok, eu bebo, mas só de vez em quando! Lá porque as minhas pernas tremem quando estou apaixonada eu estou doente!? Lannis, diz-me que não estou errada!
-Tu não estás errada. Eu acredito em ti, e eu sei que vales mais do que eles, mas não te podes enervar! Vem comigo logo á tarde! – Pedi - Preciso de alguém respondão para me proteger!
Ouvi um som estranho do outro lado da linha. Pareciam panelas a baterem umas contra as outras.
-Acho que, desde Domingo, é mais que evidente que tu é que me proteges a mim! Vou arranjar-te sarilhos!
-Cris, por favor! Eu aqui não tenho protector, estou só!
-Protector?! – A voz dela ficou calma de repente – De que estás a falar?!
Abri a boca, envergonhada. Eu não tinha sequer pensado naquilo que proferi, e como tal senti o rosto formigar. Atrapalhadamente desliguei o telemóvel sem dizer mais nada e encostei-o ao peito.
Espreitei pelas portas da sala, para ter a certeza que mais ninguém tinha escutado o que eu disse, e o telemóvel começou a vibrar contra mim. Era Cristina outra vez!
Cerrei os olhos e atendi.
-Alannis, desligaste?!
-Ah, não, a chamada caiu! – Menti, descaradamente.
-Então, o que estavas a dizer?! – Continuou, curiosa – Agora tens um protector e eu não sabia?!
Voltei a sentar-me no sofá e fiz de conta que ela não me tinha dito nada:
-Vem comigo, por favor! – Implorei – Aquilo não vai ser o mesmo sem ti!
-Estás a mudar de assunto?! – Rectificou – Eu quero saber que conversa é essa!
-Só te conto se vieres comigo ao piquenique!
Ele gemeu, enervada:
-Ok, eu vou, mas só porque quero ver aquelas caras de idiotas a olharem para mim! Alem disso, se o convite veio do Ricardinho tu tens mesmo que ir, não é?!
-Hei, nem te atrevas a pensar isso de mim! Foi a Helen que me meteu nesta enrascada!
-Então a minha missão é tirar-te dela?
-Ou simplesmente ajudar a passa-la!
Fiz figas para ela não contestar e acabar com as perguntas.
-Pronto, está bem, mas só porque eu te adoro e tu és a minha melhor amiga!
Dei um gritinho de alegria:
-Obrigada! Então vemo-nos logo! Adoro-te!
Desliguei o telemóvel e fui almoçar. À tarde, vesti um vestido fresco e um casaco de malha fininha. Protegi o meu ferimento com um lenço, e á hora combinada encontrei-me com Cris no largo dos chafarizes, transportando comigo umas sanduíches para nós a duas petiscarmos quando a fome chegasse. Depois dirigimo-nos para a praia, onde decorreria o lanche “amigável”.
O sol já não estava alto, e iluminava o oceano, estranhamente calmo. A areia, era de tal maneira grossa que nós coxeávamos, desastradamente, devido á falta de hábito, porem, fizemos caminho até ao grupo de jovens que brincavam discretamente.
Quando estávamos perto deles o suficiente, acenei para que me vissem. Todos olharam para mim e para a minha parceira. Senti uma pontada na cabeça. Demasiadas pessoas com a mesma emoção. Isso não era algo agradável para mim, especialmente sendo um sentimento tão desconfortável. Eles pareciam chateados com a presença da minha amiga, mas tanto eu como ela fizemos de conta de não nos apercebemos.
Esbocei um sorriso forçado.
Algumas pessoas, ao reconhecerem-me, vieram até mim, empolgadas.
As raparigas, com aquela faceta cínica que só as mulheres conseguiam alcançar, lançaram-se nos meus braços a monte, com tanta força que eu quase fiquei sem oxigénio. Elas riram e falaram-me, curiosas com a minha vida sem elas. Eu mudava o meu olhar de uma para outra, sem saber o que dizer, e aflita tentei encontrar Cristina naquele grupo.
Ela encontrava-se a dois metros do local onde eu era abafada, e, de braços cruzados contra o peito, focava os seus grandes olhos verdes na direcção da água, séria. Por um lado era visível que ela estava serena, devido á brisa, por outro, ela queria estar noutro lugar, tal como eu.
Alguém puxou-me o braço, bruscamente, de propósito para eu a olhar:
-Então? – Aquela rapariga sorriu – Não dizes nada?!
Mordi o lábio:
-Ah… - Apercebi-me que nem sequer sabia do que falavam – O que é que disseste?
Ela e mais algumas riram-se da minha cara:
-Sempre a mesma! És tão lenta a entender as coisas!
Franzi as sobrancelhas, chateada com o comentário:
-E vocês continuam muito simpáticas, como sempre! – Falei, ironicamente.
Elas cochicharam, de modo estúpido, sem sequer notar que eu não tinha dado um verdadeiro elogio.
Soltei-me delas e recuei até a minha melhor amiga daquela cidade:
-A Cris veio fazer-nos companhia. – Informei, engatando o meu braço no dela – Espero que não se importem!
Elas entreolharam-se, e tentaram sorrir com amabilidade, mas não foram capazes, pois bastou-me concentrar-me nas suas auras para entender que elas não tinham qualquer gosto pela presença inesperada.
Cristina sorriu, sem vontade; o momento estava a tornar-se constrangedor.
Felizmente os rapazes aproveitaram o momento em que eu não estava coberta de fêmeas para me virem cumprimentar. Eles, para meu contentamento eram mais sinceros.
-Alannis! – Exclamaram acenando.
Um deles levantou a mão:
-Dá cá mais cinco, miúda!
Eu sorri-lhe e levantei o meu braço para o saudar, chocando a minha mão com a dele.
-Onde andaste?
-Por aí! – Respondi, sem querer dizer demais.
Eles mostraram pouco interesse no assunto! Acho que os rapazes eram assim, mais simples e sem tantas farças, apesar de por vezes serem demasiado desleixados.
Eu sabia que para eles eu era um pouco lerda e tonta, já que dantes eu era distraída e nem sempre entendia os seus piropos. Contudo, mal eles sabiam que eu tinha mudado! Era mais atenta e não suportava que me dissessem coisas idiotas. Se me tocassem, eu simplesmente reagiria.
O tempo foi passando, entretanto, e eu não larguei Cris. Um dos rapazes tinha levado a guitarra e, depois de alguns fazerem surf nas ondas altas, sentamo-nos todos em roda, a conversar e a comer, ao som da sua música.
Eu e Cristina tentamos sempre não ser mal-educadas e responder bem aos comentários e às perguntas que nos faziam.
Enquanto isso, o sol começou a descer. Ricardo levantou-se e veio ter comigo, sem dar grande espectáculo. Aninhou-se atrás de mim e sussurrou-me algo, baixinho:
-Vem comigo…
Olhei-o de soslaio, desconfiada e nervosa pela sua proximidade. Tinha de admitir que ele mexia comigo, talvez devido aos meus sentimentos anteriores por ele, no entanto, algo no modo como ele agia não me inspirou confiança.
Ele afastou-se discretamente e eu apertei a mão de Cristina para ela me olhar.
-Se eu não voltar dentro de 10 minutos, no máximo, vai-me procurar! Não quero estar sozinha!
-Ok. - Murmurou.
Levantei-me, e enrolei o lenço no meu pescoço, deixando o casaco esquecido na areia.
Corri na direcção de Ricardo que já ia afastado.
Ele estava de costas para mim, por isso tive de segurar-lhe o ombro para ele saber que eu já ali estava. Quando os seus olhos castanhos me vislumbraram ele sorriu. Um estranho arrepio percorreu-me, porem não fui capaz de o decifrar.
-O que se passa? Porque me chamaste? – Perguntei.
Ele deu de ombros:
-Estava muita gente ali! – Ele começou a caminhar em direcção oposta ao local onde os outros estavam e deu-me sinal para o seguir – Sabes, não te cheguei a dizer, mas no outro dia foste muito corajosa! Nunca pensei que fosses capaz de fazer algo assim!
-Obrigada…! – Murmurei, envergonhada – Mas há muitas coisas sobre mim que tu não sabes!
Ele fitou-me e sorriu.
Senti-me desconfortável com aquele olhar. Parecia que ele queria comer algo ou alguém.
-já reparei que estás diferente, no entanto não sei se isso é bom ou mau…
Olhei para trás, atrapalhada. O grupo onde estávamos inseridos estava longe.
-Que te parece? – Perguntei, sem saber o que responder ao certo.
-Eu gostava de como eras, mas agora não sei….
-Bom, por vezes mudar é bom, não concordas?
Ele acenou com a cabeça, sem retirar os olhos de cima de mim:
-Algo me diz que gosto de algumas diferenças!
Sorri, ainda confusa com o modo como ele me analisava.
-Gosto de te ver assim… - continuou - Pareces mais determinada! Finalmente deixaste a tua infantilidade de lado!
O meu rosto aqueceu, mas não por timidez. Foi por raiva, sem dúvida. Olhei-o de lado:
-Não exageremos…!
-É verdade! A Cristina devia ter uma experiencia como a tua para ver se mudava!
-Como a minha?! – Sobressaltei-me. Eu nunca lhe desejaria tal coisa!
-Sim, tu sabes! – Respondeu - Mudar de cidade…! Sejamos francos, ela é estranha! Comporta-se como um bebé! Felizmente tu já não és assim! É horrível que as raparigas só queiram atenção!
Apeteceu-me esbofeteá-lo pelas coisas que dizia, afinal de contas, os defeitos de Cristina eram os meus defeitos anteriores, e saber que ele não era capaz de dar uma atenção especial a alguém deu-me ainda mais ódio.
-Todas temos os nossos momentos! – Disse, cerrando os dentes e os punhos.
Ele passou a sua mão na coxa do meu braço, acto que me fez recuar:
-O que estás a fazer?
-Estou a ver-te…!
Ele deslocou a sua visão para o meu lenço e afastou-o lentamente. Inicialmente pensei que ele estava a observar o meu curativo, mas vi-o a olhar o meu decote. Empurrei-o, sem ser bruta, incomodada com o que ele fizera:
-Olhar é com os olhos, apenas! – Enrolei o meu lenço novamente e deixei-o cair sobre o peito.
-Estás diferente fisicamente! – Admitiu.
-Já não sou a gorda que conheceste, Ricardo?! – Rectifiquei virando-lhe costas.
Estava pronta para sair dali, e se houve coisa que me apercebi naquele momento é que eu nunca podia ter estado minimamente apaixonada por alguém como ele. Alguém que não suportava sonhos, carinho e sentimentos verdadeiros! Alguém que só se preocupava com as relações e o aspecto físico! Isso era algo que podia servir para muita gente, mas não para mim!
Foi então que ele me apertou o braço com força e me puxou violentamente para ele:
-Solta-me. – Ordenei, firmemente, sem qualquer grito ou medo patente na voz.
Ele encarou-me nos olhos, e mais uma vez vi uma espécie de sede insaciável neles. Pela primeira vez senti medo desde que chegara aquela cidade.
-Sabes…? – Ele sorriu – Podia ter aproveitado melhor quando estavas cá!
Eu neguei com a cabeça, sem conseguir reagir em condições.
-Tu gostavas de mim? – Perguntou.
Eu desviei o meu olhar, magoada, mas ele fez-me voltar a encara-lo:
-Nunca é tarde, Lannis…!
-“Nunca” é uma palavra muito forte! – Respondi, aflita.
De um segundo para o outro apeteceu-me gritar por Gustavo. Eu precisava desesperadamente que ele estivesse ali e me defendesse, que me agarrasse e me protegesse dos braços daquele parvalhão.
Tentei soltar-me. Sacudi-me para ele me largar, mas aconteceu tudo ao contrário.
Ele agarrou-me firmemente, dando-me um puxão na sua direcção, e sem que eu conseguisse sequer engolir algum ar, agarrou a minha boca com a dele, mordeu-me os lábios com os seus dentes, com força suficiente para os fazer sangrar, e passou a língua no interior da minha, causando uma azia no meu estômago! Tentei empurra-lo ou até mesmo bater-lhe para ele se afastar, mas não consegui. Ele apertou a minha cintura e amassou-me contra o corpo dele, trancando-me nos seus membros.
Eu quis gritar, fugir, mas não consegui travar o beijo nojento que ele me dava forçosamente. Comecei a ficar sem ar e as lágrimas libertaram-se dos meus olhos, enquanto eu, sem forças, continuava a fazer pressão sobre Ricardo, que me levantava o vestido lentamente pela perna acima. Eu queria pedir ajuda com todas as minhas forças! Queria alguém, que não fizesse parte daquela cidade, me viesse acudir! Eu queria ser salva daquele maluco, mas no fundo eu sabia que ninguém ia aparecer.
A minha cabeça ficou coberta de flashes de Gustavo, e ilusão ou não, eu consegui sentir a densidade no seu espírito perto de mim.
Cerrei os olhos com força, e a minha cabeça andou á roda, até que alguém deu um encontrou forte no tipo que me tinha agarrado, fazendo-o soltar-me. Eu inspirei ar, como se não o tivesse há horas, e deixei-me cair na areia, até ser segurada por uns braços masculinos.
Pensei que estava a delirar devido ao beijo envenenado que acabara de receber, porem, o cheiro, a temperatura corporal e a aura poderosa que me atingiu mostraram que tudo aquilo era real. Abracei-me sem abrir os olhos e enterrei a face na t-shirt perfumada, sentindo, instantaneamente, uma sensação de protecção elevadíssima. O rapaz apertou-me contra ele e beijou-me a testa, suavemente.
Ricardo deu passos na nossa direcção:
-Qual é a tua?! – Perguntou, furioso.
-Parece que não sabes quando deves parar!
Eu tive a certeza. Aquela voz era irreconhecível. Abri os olhos e vislumbrei Gustavo. Sorri, aliviada, e apertei-o mais nos meus braços, só podia ser um sonho, o meu desejo tinha-se concretizado!
-E quem és tu para te meteres?!
Descolei a minha cabeça do seu corpo quente, com algum custo, e fitei Ricardo com os dentes cerrados de raiva.
Descolei-me de Gustavo, ao aperceber-me que eles trocaram olhares mortíferos.
-Alguém que não suporta idiotas como tu!
Ricardo, cerrou as mãos, irritado, e atacou Gustavo, de repente. Este, por sua vez, empurrou-me a tempo para eu não ser atingida por algum golpe. Ricardo voltou a tentar magoa-lo, mas ele foi mais rápido e esquivou-se. Gustavo, tentando controlar a fúria deu-lhe outro encontrão:
-Não te metas comigo! – Advertiu, franzindo as sobrancelhas.
Ricardo deu-lhe um riso provocante:
-Estás com medo?
O meu coração acelerou:
-Não sejas infantil! – Falei, nervosa.
Ricardo ignorou o que eu disse e desta vez acertou Gustavo no canto da boca. Ele, perdendo toda a sua calma, reagiu. Deu um soco no nariz de Ricardo, e depois um na barriga, sem lhe dar tempo de reagir primeiro. Ricardo, raivoso, tentou chuta-lo, mas ele conseguiu levar a melhor, e voltou a acertar-lhe com a mão perto do olho esquerdo, com tanta força que até a mim me doeu. Ricardo cambaleou, e recompôs-se pronto para atingir Gustavo que me lançou um olhar de preocupado.
O meu coração ia saltar pela boca. Eu queria que eles parassem, mas quando dei por mim, Ricardo atingiu o maxilar de Gustavo, num momento de distraçao!
Comecei a ouvir vozes perto, e vi Cristina a correr na nossa direcção, seguida pelos outros.
Agarrei o braço de Gustavo para ele não responder ao ataque de Ricardo, e puxei-o para mim:
-Parem! – Implorei.
Gustavo olhou-me, e mesmo furioso, tentou controlar-se para que eu não ficasse magoada.
Ricardo, por outro lado, não demonstrou qualquer respeito pela minha aflição e voltou a fazer posição de ataque. Irritada, cerrei os dentes cheia de ódio e concentrando todas as minhas forças no punho, impulsionei-o contra o nariz de Ricardo. Ouvi um pequeno estalinho quando os meus ossos sentiram os seus e ele gritou, prendendo as vias nasais que começaram a sangrar:
-Nunca mais me agarres, seu filho da mãe!
A plateia tinha-se instalado e observavam-nos, sem saber o que fazer ou dizer. Ricardo ignorou, pura e simplesmente o que eu lhe tinha dito:
-Acho que me partiste o nariz! – Acusou, gemendo de dor e de ódio.
-E tiveste muita sorte! – Declarei, limpando o rasto de lágrimas que começaram a cair.
-Sua pu…! – Ele não concluiu aquele grito ofensivo.
Lançou-se ao meu pescoço, maliciosamente e agarrou o meu lenço, puxando-mo. O meu curativo ficou descoberto, e ele, cheio de irritação, cravou-lhe as unhas e arrancou-mo com força.
Dei um gemido alto de dor ao sentir o sangue jorrar outra vez, e o vento e pequenos grãos de areia atingirem-me.
Gustavo saiu fora de si ao ver aquela ferida e as minhas lágrimas. Agarrou Ricardo, e deu-lhe um soco tão grande que ele acabou por cair na areia, segurado ao seu nariz, furioso.
Os outros rapazes intervieram nesse momento, e seguraram-nos:
-Se tu voltas a meter-te com ela, dou cabo de ti! – Garantiu, enraivecido.
Sacudiu-se dos tipos que o seguravam e puxou-me para ele, rapidamente, mas cheio de cuidado para não me magoar.
Abracei-o com todas as minhas forças, e limpei as minhas lágrimas, enquanto protegia a ferida com as mãos e o lenço.
Cristina correu até mim:
-Lannis, estás bem? – Perguntou, preocupada.
Os outros entreolharam-se:
-O que aconteceu? – Perguntou Camila com a sua voz esganiçada.
Ninguém respondeu:
-Quem é este tipo?! – Perguntou alguém.
Levantei o meu olhar na direcção deles, e Gustavo apertou-me com mais força contra ele, transmitindo a sensação de paz que eu precisava.
Quis mostrar que eu não era a idiota que eles pensavam, que tinha alguém superior a eles a proteger-se, mas dizer que Gustavo era apenas um amigo não era o suficiente. Sorri sarcasticamente e respondi com firmeza:
-É o meu namorado!
O coração de Gustavo acelerou, e eu sorri discretamente. Ricardo deu um passo de recua, incrédulo, e os outros ficaram chocados a olhar para nós. Gustavo chegou a sua boca ao meu ouvido, discretamente:
-Bestial… - sussurrou, sorrindo – Nem precisei de pedir!
Não consegui evitar de lhe sorrir. Era impressionante como ele me fazia sentir tão bem, mesmo depois daquela situação.
Ricardo deu uma gargalhada forçada:
-Não acredito nisso, Alannis!
Gustavo franziu as sobrancelhas.
-Porquê? – Perguntei ofendida – Julgas que o mundo gira em teu redor?!
Soltei, lentamente, o corpo de Gustavo, e virei-me para encarar Ricardo de frente:
-Por favor Lannis! Não és assim tão boa!
-É boa demais para ti! – Corrigiu Gustavo, defendendo-me, ligeiramente irritado com o outro tipo – Aliás, para vocês!
Ele lançou um olhar sério a todos, e entrelaçou os seus dedos nos meus, lentamente. Todos o olharam, insultados, mas ele ignorou:
-Vamos embora? – Perguntou-me
Acenei com a cabeça e segui-o. Cristina veio atrás de nós, aliviada por sair dali. A minha cabeça doeu quando eu me apercebi das emoções e sentimentos furiosos que todos partilhavam. Quando estávamos prestes a atingir o passeio que nos afastava da areia grossa, apercebi-me que o meu casaco e o meu calçado tinham ficado para trás, mas isso pouco me importou.
Atravessamos a passadeira com pressa, e só abrandamos quando chegamos á rua onde ficava a minha casa.
Cristina aproximou-se de mim e separou-me de Gustavo para me abraçar:
-Desculpa não ter chegado a tempo! – Lamentou, agitada por dentro, e depois sussurrou - Eu pensei que tu querias que ele te beijasse… - Admitiu - Por isso é que não interferi mais cedo… Perdoa-me!
-Desculpa ter-te metido nesta situação! – Disse eu – já devia saber que não ia correr bem…
Larguei-a, devagar, e suspirei:
-Cris, eu vou voltar! – Declarei, francamente.
Ela abriu a boca confusa. Repeti a informação:
-Amanha regresso!
Ela semicerrou o sobrolho, sem noção do que devia fazer perante a minha revelação:
-E eu?! – Os seus olhos brilharam – Vais-me deixar sozinha, outra vez?
Mordi o lábio:
-Desculpa…
A rua estava silenciosa, e naquele instante ainda mais. Gustavo aproximou-se, e fez uma festa no meu cabelo, deixando a minha ferida exposta para ele:
-Eu… Acho que é o melhor… - disse – Acho que a presença da Lana aqui não é segura…
Cris olhou-o, e acenou com a cabeça:
-Claro… -. Murmurou olhando para o chão, pensativa. Ela já sabia o que eu queria dizer ao telefone – protector… claro… - Ela levantou a cabeça e fitou-o - Tomas conta dela? – Perguntou, emocionada.
Ele assentiu. Cristina abraçou-me novamente, com todas as suas forças em sinal de despedida, e acompanhou-me até á porta de casa antes de nos separarmos. Por muito que lhe custasse ela sabia que era o melhor para mim, e por isso não me ia fazer sentir mal pelo regresso.
Encostei-me á porta, mal ela saiu do meu alcance, e Gustavo ficou a sós comigo.
Ele olhou-me, terno:
-Como te sentes? – Perguntou, deslizando a sua mão pela minha face.
Dei de ombros e sorri, com pouco humor:
-Como me encontraste?
Ele abriu a boca para responder, contudo, a porta da entrada abriu-se de repente, e eu desequilibrei-me para trás. Ele agarrou-me a mão, e amparou-me a queda a tempo. Helen olhou-nos e sorriu:
-Chegaram!
E quê? Que acharam?
Bjokas! ».«
as minhas fic's:
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
-Angelical
Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
-Angelical
Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^
O_O
O_O
OMG, foi demais. Beijo envenenado mesmo. Raios partam o cab*** do Ricardo que devia mas é que o Gustavo o castrasse (okok, muito drástico, mas ainda assim... fico mesmo fula quando há casos de abuso deste genero..)
E eu sabia que o Gustavinho ainda iria aparecer! É caro que nunca poderia ser a Cris a salva-la, muito menos os outros. Só podia ser o Gustavo x)
Mas a melhor parte foi mesmo esta:
Gustavo chegou a sua boca ao meu ouvido, discretamente:
-Bestial… - sussurrou, sorrindo – Nem precisei de pedir!
Tao querido este rapaz
Espero por mais capítulos. Esta fanfic deixa-me viciada (até porque é a unica deste forum que eu sigo de momentos.. as outras parece que estagnaram..)
O_O
OMG, foi demais. Beijo envenenado mesmo. Raios partam o cab*** do Ricardo que devia mas é que o Gustavo o castrasse (okok, muito drástico, mas ainda assim... fico mesmo fula quando há casos de abuso deste genero..)
E eu sabia que o Gustavinho ainda iria aparecer! É caro que nunca poderia ser a Cris a salva-la, muito menos os outros. Só podia ser o Gustavo x)
Mas a melhor parte foi mesmo esta:
Gustavo chegou a sua boca ao meu ouvido, discretamente:
-Bestial… - sussurrou, sorrindo – Nem precisei de pedir!
Tao querido este rapaz

Espero por mais capítulos. Esta fanfic deixa-me viciada (até porque é a unica deste forum que eu sigo de momentos.. as outras parece que estagnaram..)
Espero por ti em cada segundo , porque tu és o meu mundo!

Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
Visitem a minha 1ª Fic ----->The Four elements

Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
Visitem a minha 1ª Fic ----->The Four elements
Comentario, já? Ai que bom!
Por acaso eu nao ia meter o Gustavo a salva-la, ia mesmo ser a Cris. A minha ideia inicial era ele ver o beijo e depois voltar para a santa terrinha chateado com ela. Mas, é pá, já ficaram tanto tempo chateados! bora fazer mel! E pronto, ele salvou-a! Mas verdadeiro mel ainda vem aí!
Obrigada pelo comentário!
bjokas
Por acaso eu nao ia meter o Gustavo a salva-la, ia mesmo ser a Cris. A minha ideia inicial era ele ver o beijo e depois voltar para a santa terrinha chateado com ela. Mas, é pá, já ficaram tanto tempo chateados! bora fazer mel! E pronto, ele salvou-a! Mas verdadeiro mel ainda vem aí!

Obrigada pelo comentário!
bjokas
as minhas fic's:
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
-Angelical
Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
-Angelical
Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^
Só dois comentarios!?
Castigo!!!! Muahahahaha!
Hoje só meto a primeira parte do capitulo, e olhem que é pequena! Para a proxima quero mais comentarios!
Nao, tou a brincar, hoje só meto a primeira parte porque me apetece e pronto! lol
Ao menos acho que compensa e assim já ficam com agua na boca, espero!
Boa leitura!
Capitulo XIX – Sorrisos e Beijos - Parte 1
Helen fixou-nos, assustada:
-O que se passou?!
Gustavo e eu entreolhamo-nos. Ele encolheu os ombros, irónicamente:
-Acho que não houve química entre mim e… - Ele fez um esgar – os amigos da Lana…!
-Alannis! – Helen corrigiu-o de repente, olhando em redor, por cautela – Entrem! As paredes têm ouvidos!
Gustavo entrou antes de mim. Olhei-os com alguma confusão na minha mente, e fechei a porta atrás de mim. Subi as escadas que davam ao primeiro piso, e estranhei Gustavo já saber onde estava.
-Helen, já sabias que…?
Não precisei acabar! Eu e Gustavo entramos na sala á nossa direita.
-O Gustavo chegou á cerca de uma hora! – Explicou ela, dirigindo-se ao local onde se encontrava a caixa de primeiros socorros – Estávamos á tua espera, mas como não regressavas eu disse-lhe onde estavas!
Olhei Gustavo. Senti-me corar:
-Como sabias onde eu morava?
Ele esboçou aquele sorriso hipnotizante, que mesmo sujo com um pouco de sangue, continuava perfeito e belo:
-A Helen disse-me!
Entreabri a boca, admirada:
-Quando?!
Helen pousou a caixa branca em cima da mesa da sala:
-Quando viemos embora!
Franzi as sobrancelhas, baralhada com tudo aquilo, mas não disse mais nada sobre o assunto e sentei-me no sofá colectivo. Sem olhar nem Helen, nem Gustavo, desviei todo o meu cabelo para o lado são do meu pescoço, e passei os dedos no golpe, para saber qual o seu estado. Senti uma pequena crosta a formar-se nas pontas, porem a abertura continuava evidente e profunda, o que me fez estremecer e retirar a minha mão de cima dela. Olhei para as pontas dos meus dedos, banhadas com um pouco de sangue, e limpei-as com um lenço de papel.
Gustavo sentou-se ao meu lado e examinou o ferimento, preocupado:
-O que…?
Ele foi interrompido. O telemóvel de Helen tocou e ela atendeu-o:
-Sim, mãe? – Fez-se uma pausa - Agora? –Helen olhou-nos e mordeu o lábio – Está bem, eu vou lá! Não te demores! Beijinhos!
-Aconteceu alguma coisa? – Perguntei.
-Não, a mãe foi levar os cães á rua e atrasou-se, portanto quer que eu vá á mercearia e que cozinhe! Vocês não se importam de cuidar dessas feridas sem mim?
Gustavo deu de ombros:
-Não há problema!
-Obrigada! – Agradeceu. Ela pegou na bolsa e no casaco que estava no sofá individual.
Foi até á cozinha e depois vimo-la a descer as escadas para sair de casa:
-Volto logo!
-Tchau! – Disse eu.
Ela bateu a porta de saída, mas o som foi abafado por um suspiro meu. Sem que eu me tivesse apercebido, a presença dela sufocou-me e a sua saída foi um alivio.
Levantei-me, então, para pegar na caixa de primeiros socorros, pousada sobre a mesa.
Gustavo levantou-se também do sofá e fez-me parar, para o encarar. Ele tocou-me no golpe. Estremeci um pouco, mas deixei-o analisar-me melhor, colocando a minha cabeça ligeiramente inclinada, sem o olhar directamente.
-O que te aconteceu? – Questionou, nitidamente apreensivo.
Respirei fundo:
-Magoei-me…
Tentou sorrir, sem humor:
-Obviamente, não é?
Ele deu-me a mão e fez-me voltar a sentar no sofá, com cuidado. Pegou nos produtos necessários para me fazer o curativo, e ajoelhou-se á minha frente:
-Fiquei preocupado…- disse - Porque não atendeste o telemóvel?
Ele colou os seus olhos nos meus. Parecia magoado comigo, mas não só pelas chamadas não atendidas.
-Regra da casa… - Respondi-lhe – No Geres um contacto, aqui outro!
-Isso também se adequa á identidade?
Acenei afirmativamente:
-E também á personalidade e ao visual… A tudo o que me distinga…!
Ele franziu os lábios e acenou. Enquanto isso, pegou em algodão e molhou-o com água oxigenada, e de seguida segurou o meu maxilar, carinhosamente:
-Não te mexas… - pediu.
Encostou o algodão ao meu ferimento e eu gemi, contraindo-me um pouco. Ele afastou de novo o desinfectante, para eu não me magoar, e soprou na direcção do ferimento. Fechei os olhos agradada com a sua respiração contra a minha pele, mas ele teve de passar novamente o algodão no pescoço. Tentei controlar-me para não o interromper, até que ele finalmente deixou de lado aquele pedaço de algodão sujo.
Pegou num pouco de outro produto e passou-o na ferida. Depois colocou uma compressa, e fixou-a contra a minha pele com um adesivo.
Olhei-o finalmente, mas ele não me encarava. Passei a mão no seu cabelo, ao notar o seu olhar baixo e triste:
-O que foi?...
Ele deslizou o seu corpo até ficar sentando no chão, e olhou para outro lado:
-Quem era ele?
Não precisei perguntar a quem ele se referia. Detectei um pequeno raio de ciúme na sua voz, pus-me de joelhos ao seu lado. Agarrei o seu rosto e fi-lo encarar-me:
-Desculpa…!
Ele olhou para o chão, timidamente, e eu acariciei-lhe o lábio até chegar ao seu golpe.
-Eu… Não quis… - Murmurei.
Ele evitou o meu olhar e eu suspirei. Era a minha vez de fazer-lhe o curativo. Pus-me numa posição favorável para encarar o seu ferimento. Então, ele encostou-se às volutas do sofá:
-Se dependesse de mim, aquilo nunca teria acontecido… mas eu sou tão ingénua…!
Cerrei os dentes, irritada comigo própria, e olhei para o chão. Gustavo soltou uma lufada de ar, pesada:
-Eu fiquei… Sem saber o que fazer… - Admitiu, com a sua voz rouca e agradável, enquanto eu pegava no desinfectante – Quando o vi preso a ti pensei… - Ele suspirou e virou o rosto.
-Salvaste-me. – Disse eu, deslizando as minhas mãos pelas suas bochechas.
Ele levantou o seu olhar penetrante até mim:
-Eu ia-me embora! – Falou – Mas algo em mim não deixou… Como se eu soubesse que tu precisavas de mim… E depois apercebi-me que tu não estavas bem.
O meu coração derreteu, e eu senti-me corar. Peguei num novo pedaço de algodão e pus desinfectante. Desviei o seu cabelo da testa, e aproximei a minha cara da dele, timidamente. Levei a minha mão até aos seus lábios, e sem me manter fixa no seu olhar, percorri-os, até chegar á zona em que pareciam estar inchados. Senti a sua respiração tocar-me os dedos, e, tentando ser o mais delicada possível, passei o algodão molhado no canto da sua boca, limpando o rasto de sangue que Gustavo tinha marcado. De seguida pressionei o algodão contra o golpe. Ele gemeu e semicerrou os olhos, o que me fez libertar o ferimento:
-Desculpa… - murmurei, sendo esse lamento também uma resposta para a sua ultima frase.
Ele sorriu, sem humor, e eu voltei a encostar o algodão ao seu lábio, desta vez com mais delicadeza. Gustavo observava-me, e tal facto fez o meu coração acelerar. Os joelhos tremeram e o estômago ficou invadido de borboletas.
Fitei-o de relance, envergonhada, e voltei a olhar para a sua boca, entreaberta. Os seus lábios pareciam chamar-me, e sem eu estar á espera ele segurou-me o pulso e afastou a minha mão do seu ferimento:
-Tive saudades tuas… - disse.
Eu olhei para o chão, envergonhada:
-Eu também… precisei de ti… - Tentei dizer sem que ele me escutasse.
Ele sorriu-me levemente, e desencostou as suas costas do sofá, aproximando-se mais de mim. Inclinou a sua cabeça, e eu, imóvel, senti os seus lábios tocarem os meus, cheios de ternura. Segurei o seu rosto com as minhas mãos, num gesto tímido, e deixei-o abrir a sua boca para sentir a minha com mais profundidade. O meu coração palpitou com força, e eu pude escutar o dele, ao mesmo tempo que a sua aura me demonstrava tudo aquilo que eu sentia também. Senti-o, porem, gemer baixinho, por culpa de uma dor ligeira no golpe labial. Descolei os meus lábios dos dele, preocupada com a dor que lhe causei ao beijarmo-nos, mas ele sorriu-me:
-Não faz mal… assim a dor compensa… - Informou, passando as mãos no meu cabelo, de modo a eu aproximar-me novamente dele.
Voltamos a cair num beijo calmo e leve, enquanto os nossos membros e as nossas mãos se encarregavam de fazer carícias. Senti que todo o meu ser estava a ser preenchido e a tapar todas as folgas que eu tinha sentido durante aqueles dias, e então eu soube, que aquilo que mais senti falta foi daqueles lábios e daqueles braços quentes. Ele abraçou-me a cintura, carinhosamente, e eu aconcheguei-me contra o seu corpo. Aquela sensação não era, em nada, parecida com a sensação do beijo que me tinham roubado naquela tarde. Eu sentia-me bem ali, como se estivesse num ninho que impedia a realidade que me assombrava, aproximar-se de mim.
Escutei, de repente, um som vindo da porta, que indicava que alguém tinha chegado a casa. Separei-me de Gustavo, sobressaltada:
-Helen, és tu? – Perguntei.
Afastei-me devagar na direcção da porta da sala. Os cães ladraram:
-Querida, sou eu! – Disse Greta, subindo as escadas apressadamente. Gustavo levantou-se do chão e começou a arrumar a caixa de primeiros -socorros. Depois veio ter comigo, ficando atrás de mim.
Os quatro cães subiram as escadas mais rapidamente e a cadela atirou-se para cima de mim, fazendo-me bater com as costas na parede, sem grande violência.
-Marussia, pára! – Exclamei, sentindo a sua língua tocar-me o rosto.
Os cachorros ladraram para mim, enciumados.
-Querida, sabes que essa cadela adora-te!
-Eu sei Greta! Mas isto já dava para fazer queixa na polícia! – Gracejei - Violência domestica: o meu cão bate-me!
Gustavo riu-se, ligeiramente, e Greta apercebeu-se, então, da sua presença, e sorriu-lhe:
-Olá Gustavo! – Disse – Oh my god, O que te aconteceu?
Franzi as sobrancelhas ao aperceber-me que ela também já o tinha conhecido.
Ele sacudiu os ombros, fingindo-se indiferente ao que realmente se tinha passado:
-Um acidente…! Nada de grave!
Sorri. Ele era parecido comigo nesse aspecto. Preferia dizer que tudo era um acidente para não preocupar as pessoas.
Ele passou os seus braços em torno dos meus ombros, e encostou as minhas costas ao seu peito, daquele jeito protector que só nós os dois sabíamos. Senti-me envergonhada, mas não consegui ter vontade suficiente para o fazer largar-me, e em vez disso segurei as suas mãos em frente á minha clavícula. Aquele gesto era, sem dúvida, uma espécie de reconforto depois do que tinha acontecido, verdadeiramente.
Greta sorriu:
-Que casal tão bonito! – Eu quase corei quando ela nos apertou as bochechas. Será que Gustavo tinha entendido o que ela disse?! – Ficas para jantar, querido? – Perguntou.
Olhei Gustavo, esperançosa, mas ele negou:
-Eu tenho de voltar! Não quero dar um ataque de coração á minha mãe!
Greta negou:
-Nem pensar, daqui a nada entardece! Não podes ir para casa sozinho, a estas horas!
Olhei-o, baralhada:
-Como vieste para aqui? – Questionei, de repente.
-Moto! – Respondeu, rapidamente.
Abri a boca surpreendida, e fi-lo soltar-me para o olhar de frente:
-Não acredito! – Desenhei um grande sorriso - A sério?!
Ele acenou afirmativamente. Entusiasmada agarrei-lhe a mão e puxei-o:
-Mostra-ma!
Ele sorriu do meu entusiasmo, e eu continuei, alegre. Agarrei-lhe a mão e puxei-o pelas escadas a baixo, sem conseguir esconder como estava excitada:
-O que disse a tua mãe?! – Perguntei, deslocando o trinco da porta que dava para o exterior.
Ele franziu as sobrancelhas e sorriu sarcásticamente, mas por outro lado aparvalhado com a minha reacção:
-“Não morras”! – Respondeu.
Olhei-o de relance:
-Que bizarro!
Ele riu, e saímos para a rua.
Olhei em redor, á procura de alguma moto, mas precisei de seguir alguns passos de Gustavo para a ver!
Entre dois carros estava uma moto, verde, e reluzente. Dei um gritinho histérico, e saltei para os braços de Gustavo, radiante, invadida por um orgulho inexplicável:
-Não acredito!
Ele riu, feliz dos pés á cabeça. Puxei a sua cara, de repente, colei os meus lábios á sua boca, durante dois segundos, e abracei-o.
-É linda! – Disse.
Ele interrompeu-me e apertou a minha cintura nos seus braços, beijando-me rapidamente:
-Não sabia que ias ficar tão entusiasmada!
-quero boleia! – Referi, lançando-lhe o meu melhor sorriso.
Eu não sabia o que se estava a passar comigo naquele momento. Apetecia-me segura-lo e beija-lo até não poder mais. Os lábios dele faziam-me ir ao céu, os seus braços faziam-me vibrar, e uma simples troca de olhares deixava-me sem fôlego! O facto de ver tanta alegria nele, rejuvenescia-me, preenchia-me totalmente, como se ele e eu estivéssemos ligados intensamente, como dois irmãos gémeos!
Vi no seu espírito uma leveza incondicional, uma felicidade irreconhecível, e um nervoso miúdo que fazia o seu coração acelerar em sintonia com o meu.
Sem conseguir dizer que não, voltei a entregar-lhe a minha boca, e a aperta-lo contra mim, durante o curto, mas saboroso beijo, acautelado por causa do seu golpe no lábio!
-Vamos dar uma volta? – Perguntei, animadamente.
Ele negou com a cabeça para minha surpresa:
-Nem pensar!
Semicerrei os olhos, amuada:
-Porquê?!
-Não quero que te magoes!
Abri a boca chocada:
-Que disparate! Não saio daqui enquanto não…!
Ele interrompeu-me com outro beijo:
-Nem-pensar-nisso. – Negou, lenta, mas firmemente.
Dei-lhe um encontrão no peito, fazendo-o separar-se de mim:
-És mau! – Exclamei, cruzando os braços e virando-lhe costas.
Ele riu, e rodeou os meus ombros. Chegou a sua boca ao meu pescoço, levemente, fazendo com que eu fechasse os olhos, arrepiada:
-Não sabia que eras tão infantil! – Sussurrou, sorrindo em tom de gozo.
-Há muita coisa sobre mim que tu não sabes…
Ele deu-me um beijo na bochecha:
-Hei-de saber! – Ele agarrou a minha mão e fez-me olhar para ele.
Tentei manter a minha postura revoltada e orgulhosa, mas ele sorriu-me, hipnoticamente:
-Não te chateies! Sorri para mim! – Pediu.
Eu não respondi e fiz de conta que nem sequer o escutara.
-Sorri! - Ele repetiu, com um sorriso ainda maior dirigido a mim.
Olhei-o de relance e mordi o lábio. Ele estava a tirar-me a concentração e a controlar-me:
-Não! – Respondi.
Ele lançou-me um olhar trocista:
-Vá lá… Só um bocadinho! Não te quero chateada!
Libertei um pequeno sorriso, mas apertei-o, teimosa:
-Enquanto não me levares a passear, vou manter-me amuada!
-Mas ficas tão bonita quando ris!
O meu estômago vibrou, e então eu sorri, sem conseguir esconder ou mesmo entender porque o fiz.
Gustavo deu-me um beijo na testa:
-Linda!
-És mau…!
Dei-lhe uma palmada no peito, no entanto era o mesmo que estar quieta. Os seus músculos eram de tal forma firmes, que a minha força não existia para eles!
-Err…!
Revirei os olhos. Porque é que eu não me tinha apercebido mais cedo que alguém nos observava?!
Helen fez-nos olha-la, com aquela tosse seca, enquanto abria a porta de casa:
-Desculpem interromper, mas, está a entardecer! Não querem entrar?
Ela sorriu, ironicamente, e eu olhei-a com um desprezo fingido. Entrelacei os meus dedos com os de Gustavo e fi-lo seguir-me para o interior do meu lar.
Subimos as escadas que davam ao primeiro andar, e fomos até á cozinha, onde Greta começava a preparar o jantar! Ela pousou a faca que usava para descascar as batatas e limpou as mãos num pano seco:
-Então, decidiste se te vais embora ou ficas? – Perguntou a Gustavo.
Ele mordeu o lábio e fitou-me:
-A minha mãe não sabe que eu vim para tão longe! – Explicou – Acho que ela não vai gostar da ideia de passar a noite fora!
-Acho que ela vai ficar muito pior se tu te fores embora durante a noite! Pode acontecer alguma coisa e o caminho é longo! – Contrapôs Helen -Alem disso não está calor, podes constipar-te!
Ele encolheu os ombros:
-Liga para casa! – Disse Greta - Se precisares nós falamos com a tua mãe!
Gustavo fez um pequeno esgar de preocupação e sacou o telemóvel do bolso. Marcou o número da sua mãe e afastou-se um pouco de nós para lhe falar, com mais sossego.
Quando voltou, parecia aliviado. Sorri-lhe discretamente, já sabendo como correra a conversa.
E agora voces pensam: "É lá, ele vai dormir lá em casa? ui ui!"
Esperemos que seja a primeira noite de muitas! ;D Vá, eles portam-se bem, prometo! 
Admitam lá, voces já tinham saudades destes meios capitulos curtinhos, né?
Vá, quero comentarios assim do tipo grandes e com ingredientes saborosos, com uma boa cozedura e uma textura apetitosa! lol
bjokas
Castigo!!!! Muahahahaha!
Hoje só meto a primeira parte do capitulo, e olhem que é pequena! Para a proxima quero mais comentarios!

Nao, tou a brincar, hoje só meto a primeira parte porque me apetece e pronto! lol
Ao menos acho que compensa e assim já ficam com agua na boca, espero!

Boa leitura!
Capitulo XIX – Sorrisos e Beijos - Parte 1
Helen fixou-nos, assustada:
-O que se passou?!
Gustavo e eu entreolhamo-nos. Ele encolheu os ombros, irónicamente:
-Acho que não houve química entre mim e… - Ele fez um esgar – os amigos da Lana…!
-Alannis! – Helen corrigiu-o de repente, olhando em redor, por cautela – Entrem! As paredes têm ouvidos!
Gustavo entrou antes de mim. Olhei-os com alguma confusão na minha mente, e fechei a porta atrás de mim. Subi as escadas que davam ao primeiro piso, e estranhei Gustavo já saber onde estava.
-Helen, já sabias que…?
Não precisei acabar! Eu e Gustavo entramos na sala á nossa direita.
-O Gustavo chegou á cerca de uma hora! – Explicou ela, dirigindo-se ao local onde se encontrava a caixa de primeiros socorros – Estávamos á tua espera, mas como não regressavas eu disse-lhe onde estavas!
Olhei Gustavo. Senti-me corar:
-Como sabias onde eu morava?
Ele esboçou aquele sorriso hipnotizante, que mesmo sujo com um pouco de sangue, continuava perfeito e belo:
-A Helen disse-me!
Entreabri a boca, admirada:
-Quando?!
Helen pousou a caixa branca em cima da mesa da sala:
-Quando viemos embora!
Franzi as sobrancelhas, baralhada com tudo aquilo, mas não disse mais nada sobre o assunto e sentei-me no sofá colectivo. Sem olhar nem Helen, nem Gustavo, desviei todo o meu cabelo para o lado são do meu pescoço, e passei os dedos no golpe, para saber qual o seu estado. Senti uma pequena crosta a formar-se nas pontas, porem a abertura continuava evidente e profunda, o que me fez estremecer e retirar a minha mão de cima dela. Olhei para as pontas dos meus dedos, banhadas com um pouco de sangue, e limpei-as com um lenço de papel.
Gustavo sentou-se ao meu lado e examinou o ferimento, preocupado:
-O que…?
Ele foi interrompido. O telemóvel de Helen tocou e ela atendeu-o:
-Sim, mãe? – Fez-se uma pausa - Agora? –Helen olhou-nos e mordeu o lábio – Está bem, eu vou lá! Não te demores! Beijinhos!
-Aconteceu alguma coisa? – Perguntei.
-Não, a mãe foi levar os cães á rua e atrasou-se, portanto quer que eu vá á mercearia e que cozinhe! Vocês não se importam de cuidar dessas feridas sem mim?
Gustavo deu de ombros:
-Não há problema!
-Obrigada! – Agradeceu. Ela pegou na bolsa e no casaco que estava no sofá individual.
Foi até á cozinha e depois vimo-la a descer as escadas para sair de casa:
-Volto logo!
-Tchau! – Disse eu.
Ela bateu a porta de saída, mas o som foi abafado por um suspiro meu. Sem que eu me tivesse apercebido, a presença dela sufocou-me e a sua saída foi um alivio.
Levantei-me, então, para pegar na caixa de primeiros socorros, pousada sobre a mesa.
Gustavo levantou-se também do sofá e fez-me parar, para o encarar. Ele tocou-me no golpe. Estremeci um pouco, mas deixei-o analisar-me melhor, colocando a minha cabeça ligeiramente inclinada, sem o olhar directamente.
-O que te aconteceu? – Questionou, nitidamente apreensivo.
Respirei fundo:
-Magoei-me…
Tentou sorrir, sem humor:
-Obviamente, não é?
Ele deu-me a mão e fez-me voltar a sentar no sofá, com cuidado. Pegou nos produtos necessários para me fazer o curativo, e ajoelhou-se á minha frente:
-Fiquei preocupado…- disse - Porque não atendeste o telemóvel?
Ele colou os seus olhos nos meus. Parecia magoado comigo, mas não só pelas chamadas não atendidas.
-Regra da casa… - Respondi-lhe – No Geres um contacto, aqui outro!
-Isso também se adequa á identidade?
Acenei afirmativamente:
-E também á personalidade e ao visual… A tudo o que me distinga…!
Ele franziu os lábios e acenou. Enquanto isso, pegou em algodão e molhou-o com água oxigenada, e de seguida segurou o meu maxilar, carinhosamente:
-Não te mexas… - pediu.
Encostou o algodão ao meu ferimento e eu gemi, contraindo-me um pouco. Ele afastou de novo o desinfectante, para eu não me magoar, e soprou na direcção do ferimento. Fechei os olhos agradada com a sua respiração contra a minha pele, mas ele teve de passar novamente o algodão no pescoço. Tentei controlar-me para não o interromper, até que ele finalmente deixou de lado aquele pedaço de algodão sujo.
Pegou num pouco de outro produto e passou-o na ferida. Depois colocou uma compressa, e fixou-a contra a minha pele com um adesivo.
Olhei-o finalmente, mas ele não me encarava. Passei a mão no seu cabelo, ao notar o seu olhar baixo e triste:
-O que foi?...
Ele deslizou o seu corpo até ficar sentando no chão, e olhou para outro lado:
-Quem era ele?
Não precisei perguntar a quem ele se referia. Detectei um pequeno raio de ciúme na sua voz, pus-me de joelhos ao seu lado. Agarrei o seu rosto e fi-lo encarar-me:
-Desculpa…!
Ele olhou para o chão, timidamente, e eu acariciei-lhe o lábio até chegar ao seu golpe.
-Eu… Não quis… - Murmurei.
Ele evitou o meu olhar e eu suspirei. Era a minha vez de fazer-lhe o curativo. Pus-me numa posição favorável para encarar o seu ferimento. Então, ele encostou-se às volutas do sofá:
-Se dependesse de mim, aquilo nunca teria acontecido… mas eu sou tão ingénua…!
Cerrei os dentes, irritada comigo própria, e olhei para o chão. Gustavo soltou uma lufada de ar, pesada:
-Eu fiquei… Sem saber o que fazer… - Admitiu, com a sua voz rouca e agradável, enquanto eu pegava no desinfectante – Quando o vi preso a ti pensei… - Ele suspirou e virou o rosto.
-Salvaste-me. – Disse eu, deslizando as minhas mãos pelas suas bochechas.
Ele levantou o seu olhar penetrante até mim:
-Eu ia-me embora! – Falou – Mas algo em mim não deixou… Como se eu soubesse que tu precisavas de mim… E depois apercebi-me que tu não estavas bem.
O meu coração derreteu, e eu senti-me corar. Peguei num novo pedaço de algodão e pus desinfectante. Desviei o seu cabelo da testa, e aproximei a minha cara da dele, timidamente. Levei a minha mão até aos seus lábios, e sem me manter fixa no seu olhar, percorri-os, até chegar á zona em que pareciam estar inchados. Senti a sua respiração tocar-me os dedos, e, tentando ser o mais delicada possível, passei o algodão molhado no canto da sua boca, limpando o rasto de sangue que Gustavo tinha marcado. De seguida pressionei o algodão contra o golpe. Ele gemeu e semicerrou os olhos, o que me fez libertar o ferimento:
-Desculpa… - murmurei, sendo esse lamento também uma resposta para a sua ultima frase.
Ele sorriu, sem humor, e eu voltei a encostar o algodão ao seu lábio, desta vez com mais delicadeza. Gustavo observava-me, e tal facto fez o meu coração acelerar. Os joelhos tremeram e o estômago ficou invadido de borboletas.
Fitei-o de relance, envergonhada, e voltei a olhar para a sua boca, entreaberta. Os seus lábios pareciam chamar-me, e sem eu estar á espera ele segurou-me o pulso e afastou a minha mão do seu ferimento:
-Tive saudades tuas… - disse.
Eu olhei para o chão, envergonhada:
-Eu também… precisei de ti… - Tentei dizer sem que ele me escutasse.
Ele sorriu-me levemente, e desencostou as suas costas do sofá, aproximando-se mais de mim. Inclinou a sua cabeça, e eu, imóvel, senti os seus lábios tocarem os meus, cheios de ternura. Segurei o seu rosto com as minhas mãos, num gesto tímido, e deixei-o abrir a sua boca para sentir a minha com mais profundidade. O meu coração palpitou com força, e eu pude escutar o dele, ao mesmo tempo que a sua aura me demonstrava tudo aquilo que eu sentia também. Senti-o, porem, gemer baixinho, por culpa de uma dor ligeira no golpe labial. Descolei os meus lábios dos dele, preocupada com a dor que lhe causei ao beijarmo-nos, mas ele sorriu-me:
-Não faz mal… assim a dor compensa… - Informou, passando as mãos no meu cabelo, de modo a eu aproximar-me novamente dele.
Voltamos a cair num beijo calmo e leve, enquanto os nossos membros e as nossas mãos se encarregavam de fazer carícias. Senti que todo o meu ser estava a ser preenchido e a tapar todas as folgas que eu tinha sentido durante aqueles dias, e então eu soube, que aquilo que mais senti falta foi daqueles lábios e daqueles braços quentes. Ele abraçou-me a cintura, carinhosamente, e eu aconcheguei-me contra o seu corpo. Aquela sensação não era, em nada, parecida com a sensação do beijo que me tinham roubado naquela tarde. Eu sentia-me bem ali, como se estivesse num ninho que impedia a realidade que me assombrava, aproximar-se de mim.
Escutei, de repente, um som vindo da porta, que indicava que alguém tinha chegado a casa. Separei-me de Gustavo, sobressaltada:
-Helen, és tu? – Perguntei.
Afastei-me devagar na direcção da porta da sala. Os cães ladraram:
-Querida, sou eu! – Disse Greta, subindo as escadas apressadamente. Gustavo levantou-se do chão e começou a arrumar a caixa de primeiros -socorros. Depois veio ter comigo, ficando atrás de mim.
Os quatro cães subiram as escadas mais rapidamente e a cadela atirou-se para cima de mim, fazendo-me bater com as costas na parede, sem grande violência.
-Marussia, pára! – Exclamei, sentindo a sua língua tocar-me o rosto.
Os cachorros ladraram para mim, enciumados.
-Querida, sabes que essa cadela adora-te!
-Eu sei Greta! Mas isto já dava para fazer queixa na polícia! – Gracejei - Violência domestica: o meu cão bate-me!
Gustavo riu-se, ligeiramente, e Greta apercebeu-se, então, da sua presença, e sorriu-lhe:
-Olá Gustavo! – Disse – Oh my god, O que te aconteceu?
Franzi as sobrancelhas ao aperceber-me que ela também já o tinha conhecido.
Ele sacudiu os ombros, fingindo-se indiferente ao que realmente se tinha passado:
-Um acidente…! Nada de grave!
Sorri. Ele era parecido comigo nesse aspecto. Preferia dizer que tudo era um acidente para não preocupar as pessoas.
Ele passou os seus braços em torno dos meus ombros, e encostou as minhas costas ao seu peito, daquele jeito protector que só nós os dois sabíamos. Senti-me envergonhada, mas não consegui ter vontade suficiente para o fazer largar-me, e em vez disso segurei as suas mãos em frente á minha clavícula. Aquele gesto era, sem dúvida, uma espécie de reconforto depois do que tinha acontecido, verdadeiramente.
Greta sorriu:
-Que casal tão bonito! – Eu quase corei quando ela nos apertou as bochechas. Será que Gustavo tinha entendido o que ela disse?! – Ficas para jantar, querido? – Perguntou.
Olhei Gustavo, esperançosa, mas ele negou:
-Eu tenho de voltar! Não quero dar um ataque de coração á minha mãe!
Greta negou:
-Nem pensar, daqui a nada entardece! Não podes ir para casa sozinho, a estas horas!
Olhei-o, baralhada:
-Como vieste para aqui? – Questionei, de repente.
-Moto! – Respondeu, rapidamente.
Abri a boca surpreendida, e fi-lo soltar-me para o olhar de frente:
-Não acredito! – Desenhei um grande sorriso - A sério?!
Ele acenou afirmativamente. Entusiasmada agarrei-lhe a mão e puxei-o:
-Mostra-ma!
Ele sorriu do meu entusiasmo, e eu continuei, alegre. Agarrei-lhe a mão e puxei-o pelas escadas a baixo, sem conseguir esconder como estava excitada:
-O que disse a tua mãe?! – Perguntei, deslocando o trinco da porta que dava para o exterior.
Ele franziu as sobrancelhas e sorriu sarcásticamente, mas por outro lado aparvalhado com a minha reacção:
-“Não morras”! – Respondeu.
Olhei-o de relance:
-Que bizarro!
Ele riu, e saímos para a rua.
Olhei em redor, á procura de alguma moto, mas precisei de seguir alguns passos de Gustavo para a ver!
Entre dois carros estava uma moto, verde, e reluzente. Dei um gritinho histérico, e saltei para os braços de Gustavo, radiante, invadida por um orgulho inexplicável:
-Não acredito!
Ele riu, feliz dos pés á cabeça. Puxei a sua cara, de repente, colei os meus lábios á sua boca, durante dois segundos, e abracei-o.
-É linda! – Disse.
Ele interrompeu-me e apertou a minha cintura nos seus braços, beijando-me rapidamente:
-Não sabia que ias ficar tão entusiasmada!
-quero boleia! – Referi, lançando-lhe o meu melhor sorriso.
Eu não sabia o que se estava a passar comigo naquele momento. Apetecia-me segura-lo e beija-lo até não poder mais. Os lábios dele faziam-me ir ao céu, os seus braços faziam-me vibrar, e uma simples troca de olhares deixava-me sem fôlego! O facto de ver tanta alegria nele, rejuvenescia-me, preenchia-me totalmente, como se ele e eu estivéssemos ligados intensamente, como dois irmãos gémeos!
Vi no seu espírito uma leveza incondicional, uma felicidade irreconhecível, e um nervoso miúdo que fazia o seu coração acelerar em sintonia com o meu.
Sem conseguir dizer que não, voltei a entregar-lhe a minha boca, e a aperta-lo contra mim, durante o curto, mas saboroso beijo, acautelado por causa do seu golpe no lábio!
-Vamos dar uma volta? – Perguntei, animadamente.
Ele negou com a cabeça para minha surpresa:
-Nem pensar!
Semicerrei os olhos, amuada:
-Porquê?!
-Não quero que te magoes!
Abri a boca chocada:
-Que disparate! Não saio daqui enquanto não…!
Ele interrompeu-me com outro beijo:
-Nem-pensar-nisso. – Negou, lenta, mas firmemente.
Dei-lhe um encontrão no peito, fazendo-o separar-se de mim:
-És mau! – Exclamei, cruzando os braços e virando-lhe costas.
Ele riu, e rodeou os meus ombros. Chegou a sua boca ao meu pescoço, levemente, fazendo com que eu fechasse os olhos, arrepiada:
-Não sabia que eras tão infantil! – Sussurrou, sorrindo em tom de gozo.
-Há muita coisa sobre mim que tu não sabes…
Ele deu-me um beijo na bochecha:
-Hei-de saber! – Ele agarrou a minha mão e fez-me olhar para ele.
Tentei manter a minha postura revoltada e orgulhosa, mas ele sorriu-me, hipnoticamente:
-Não te chateies! Sorri para mim! – Pediu.
Eu não respondi e fiz de conta que nem sequer o escutara.
-Sorri! - Ele repetiu, com um sorriso ainda maior dirigido a mim.
Olhei-o de relance e mordi o lábio. Ele estava a tirar-me a concentração e a controlar-me:
-Não! – Respondi.
Ele lançou-me um olhar trocista:
-Vá lá… Só um bocadinho! Não te quero chateada!
Libertei um pequeno sorriso, mas apertei-o, teimosa:
-Enquanto não me levares a passear, vou manter-me amuada!
-Mas ficas tão bonita quando ris!
O meu estômago vibrou, e então eu sorri, sem conseguir esconder ou mesmo entender porque o fiz.
Gustavo deu-me um beijo na testa:
-Linda!
-És mau…!
Dei-lhe uma palmada no peito, no entanto era o mesmo que estar quieta. Os seus músculos eram de tal forma firmes, que a minha força não existia para eles!
-Err…!
Revirei os olhos. Porque é que eu não me tinha apercebido mais cedo que alguém nos observava?!
Helen fez-nos olha-la, com aquela tosse seca, enquanto abria a porta de casa:
-Desculpem interromper, mas, está a entardecer! Não querem entrar?
Ela sorriu, ironicamente, e eu olhei-a com um desprezo fingido. Entrelacei os meus dedos com os de Gustavo e fi-lo seguir-me para o interior do meu lar.
Subimos as escadas que davam ao primeiro andar, e fomos até á cozinha, onde Greta começava a preparar o jantar! Ela pousou a faca que usava para descascar as batatas e limpou as mãos num pano seco:
-Então, decidiste se te vais embora ou ficas? – Perguntou a Gustavo.
Ele mordeu o lábio e fitou-me:
-A minha mãe não sabe que eu vim para tão longe! – Explicou – Acho que ela não vai gostar da ideia de passar a noite fora!
-Acho que ela vai ficar muito pior se tu te fores embora durante a noite! Pode acontecer alguma coisa e o caminho é longo! – Contrapôs Helen -Alem disso não está calor, podes constipar-te!
Ele encolheu os ombros:
-Liga para casa! – Disse Greta - Se precisares nós falamos com a tua mãe!
Gustavo fez um pequeno esgar de preocupação e sacou o telemóvel do bolso. Marcou o número da sua mãe e afastou-se um pouco de nós para lhe falar, com mais sossego.
Quando voltou, parecia aliviado. Sorri-lhe discretamente, já sabendo como correra a conversa.
E agora voces pensam: "É lá, ele vai dormir lá em casa? ui ui!"
Esperemos que seja a primeira noite de muitas! ;D Vá, eles portam-se bem, prometo! 
Admitam lá, voces já tinham saudades destes meios capitulos curtinhos, né?

Vá, quero comentarios assim do tipo grandes e com ingredientes saborosos, com uma boa cozedura e uma textura apetitosa! lol
bjokas
as minhas fic's:
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
-Angelical
Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
-Angelical
Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^
hum que lindo
ai o gustavo meu deus! ele é perfeito. E quem te disse que eu queria que eles se portem bem? ? hum diz-me lá!
"Apetecia-me segura-lo e beija-lo até não poder mais. Os lábios dele faziam-me ir ao céu, os seus braços faziam-me vibrar, e uma simples troca de olhares deixava-me sem fôlego! O facto de ver tanta alegria nele, rejuvenescia-me, preenchia-me totalmente, como se ele e eu estivéssemos ligados intensamente, como dois irmãos gémeos!" aw que lindo!
amei este capitulooo
ai o gustavo meu deus! ele é perfeito. E quem te disse que eu queria que eles se portem bem? ? hum diz-me lá!
"Apetecia-me segura-lo e beija-lo até não poder mais. Os lábios dele faziam-me ir ao céu, os seus braços faziam-me vibrar, e uma simples troca de olhares deixava-me sem fôlego! O facto de ver tanta alegria nele, rejuvenescia-me, preenchia-me totalmente, como se ele e eu estivéssemos ligados intensamente, como dois irmãos gémeos!" aw que lindo!
amei este capitulooo
Obrigada pelo comentario, gatinha!
Vá, eu acho que o Gustavo e a Lana sao muito ajuizados. Eles nao fazem nada de mal, por enquanto!
Quem sabe o que virá a acontecer daqui para a frente!
Tambem gostei deste capitulo, é todo meloso e tal, mas é fofo!
bjokas
Vá, eu acho que o Gustavo e a Lana sao muito ajuizados. Eles nao fazem nada de mal, por enquanto! Quem sabe o que virá a acontecer daqui para a frente!

Tambem gostei deste capitulo, é todo meloso e tal, mas é fofo!

bjokas
as minhas fic's:
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
-Angelical
Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
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Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^
Ah! Como estou muito feliz com a minha nota no exame de historia (18 valores!!), resolvi postar a segunda parte, apesar de haver tao poucos comentarios!
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Entao, cá vai, para ti, gatinha!
Capitulo XIX - Sorrisos e beijos - Parte 2
Helen arranjou-lhe umas antigas roupas do seu ex-namorado, para que ele pudesse tirar as suas roupas usadas e tomar um duche. Á noite, depois do jantar, e de tudo arrumado, Greta foi a primeira a subir para descansar. Os cães dormitavam no tapete da sala, e Helen juntou-se a mim e a Gustavo a ver um filme que dava na TV.
Quando o relógio nos avisou que já era tarde, ela foi a primeira a sair daquele sítio, para se ir deitar, entre bocejos. Ficamos somente eu e Gustavo. Eu queria ver o filme até ao fim, mas os olhos já pesavam. Encostei a minha cabeça ao seu ombro, quase sem me aperceber, e fechei os olhos. Ele passou-me a mão no rosto:
-Lana… - chamou, baixinho.
Eu bocejei, e abri os olhos com esforço:
-Vai dormir!...
Ele ajudou-me a levantar, para me levar até ao meu quarto, e depois regressou á sala, onde passaria a noite.
Eu aconcheguei-me nos meus cobertores e deixei-me dormir.
Em pouco tempo, um sonho absolutamente normal, transformou-se naquele pesadelo que me tinha assombrado durante meses, no entanto notei diferenças. Eu era perseguida na mesma. Corria para defender a minha vida, e chorava de medo, porem, desta vez escapei por um fundo luminoso que me apareceu á frente. Então o cenário alterou-se. Eu só via as ondas do mar violentas, a caírem sobre mim e a impedirem-me a respiração. Eu queria gritar e não conseguia, pois a minha voz era abafada por toda aquela água salgada, e como que por magia, as ondas tomaram uma forma humana que reconheci como sendo Ricardo, que me prendeu e me abafou com mais força. Senti o meu corpo a ser cortado com vidros, e o sangue a jorrar por golpes semelhantes ao que eu tinha no pescoço, e gemi, sem poder fazer mais. Mas então fiquei mais quente, e as feridas não doeram. Consegui respirar e fugir para onde eu queria. Um local quente e protegido de toda a gente, perfumado com uma fragrância familiar. Senti um formigueiro na bochecha e ele passou para os lábios, que aqueceram. Recordei um acontecimento semelhante há muito tempo, mas que eu não tinha chegado a descobrir o que era, e tomando consciência de que tudo era um sonho, ordenei á minha mente que me despertasse.
Abri os olhos, então. Estava escuro, mas eu consegui vislumbrar uma silhueta masculina na orla da cama, que passava a sua mão na minha testa. Eu entendi que tinha acabado de ser beijada ao de leve, e que não era a primeira vez que acontecia.
Tentei mover-me, mas as tonturas não permitiram:
-Gustavo? Beijaste-me?
-desculpa – Disse, acariciando a minha face – Acho que estavas a ter um pesadelo! Como te sentes?
Levantei o meu tronco:
-Está tudo bem…! – Murmurei, limpando o rasto de lágrimas que verti sem querer, durante o sono.
Ele pareceu não acreditar, mas a realidade era que os pesadelos eram algo que eu já encarava com alguma naturalidade, visto já estar habituada.
-Não pareceu… - Respondeu – Estavas muito agitada e… - ele passou o polegar no canto do meu olho, limpando a água salgada que continuava lá.
-Oh! Achas que acordei a Helen e a Greta? – Perguntei, preocupada.
Ele negou com a cabeça:
-Não. Que eu me tenha apercebido elas ainda dormem!
-Ainda bem. – Suspirei – Então e tu? Não consegues dormir?
-Não… - Respondeu
-O sofá é duro?! – Perguntei a sorrir, imaginando as dores com que ele devia estar.
Porem ele negou:
-Não. O sofá não me incomoda. Eu só não consigo dormir… Insónias, acho!
Segurei a sua mão e trouxe-a para mais perto de mim:
-Fica comigo esta noite… - pedi, timidamente, num suspiro.
Ele sorriu-me e aceitou com a cabeça. Desviei-me um pouco para lhe dar espaço, e ele sentou-se ao meu lado, na cama, sem se pôr debaixo das cobertas.
Encostei a minha cabeça ao seu peito e rodeei o seu tronco com os meus braços, sentindo somente o seu aroma corporal.
Gustavo beijou-me a testa e eu esbocei-lhe um sorriso.
-Com o que é que sonhaste? – Perguntou.
Dei de ombros:
-Nada de mais. – Declarei – Eu era perseguida, consegui escapar, fui engolida por uma onda, o Ricardo tentou abafar-me e alguém me tentou cortar o corpo com lâminas! Nada que eu não suporte! – Concluí, por fim.
Gustavo franziu as sobrancelhas e apertou-me contra ele:
-Nunca param?
-O quê?
-Os pesadelos. – Esclareceu - Acontecem todas as noites?
-às vezes falham… - Respondi – Não te preocupes, eu já sei lidar com eles.
Ele respirou fundo e eu olhei-o calmamente, delineando o seu rosto com o meu olhar. Aquilo parecia impossível:
-Isto é tão estranho… - murmurei.
Ele descolou os lábios:
-O quê?
-Tu… E eu.
-Achas estranho? – Perguntou, desapontado.
-De certa forma. – Confirmei – é tudo novo para mim… Tu beijas-me…! – Concluí, franzindo as sobrancelhas numa medida reflectora.
Ele fez um esgar confuso e amedrontado:
-Não gostas?
Soltei uma leve sorriso, e desencostei-me do seu peito para o olhar. Segurei a sua cara e uni a minha boca á dele. Ele correspondeu-me e com os seus dois lábios, mordeu o meu lábio inferior. Senti as borboletas no estômago despertarem, e sorri mais, travando o beijo:
-Espero ter-te esclarecido!
Ele beijou-me outra vez e depois ficou a olhar-me:
-Então qual é o problema de eu te beijar?
-Nunca ninguém me desejou beijar… - Respondi – Mas tu és um ladrão autêntico!
-Ladrão? Eu?
Acenei em sinal de confirmação:
-Roubaste-me o primeiro beijo enquanto eu dormia! Malandro!
Ele sorriu, levemente envergonhado:
-Custa-me a acreditar! – Respondeu – Porque seria eu o primeiro?
-Acredita! Antes de ti, parecia que eu tinha uma maldição que impedia qualquer rapaz, que me atraísse minimamente, de se aproximar de mim!
Gustavo afagou-me o cabelo, carinhosamente:
-Não sabem o que perderam!
Abracei-o com força. O meu rosto foi invadido por um formigueiro:
-O que viste em mim? – Interroguei, timidamente.
Ele encostou o seu nariz á minha nuca:
-Algo diferente. – Falou, cheirando o meu cabelo.
Senti-me ligeiramente apática:
-Quando voltarmos para casa não vai acabar?
-Porque acabaria?
Dei de ombros e suspirei, entristecida:
- Não é habitual vivermos entre beijos e sorrisos… Acho que é bom de mais para ser verdade, só isso…
-Ora… - Ele abafou um sorriso – Se aqui dizes que és minha namorada, porque não hás-de dizer lá?
Senti-me corar:
-Não foi a sério, acho… Foi um impulso do momento… Eu nem sequer… - não terminei a frase.
Eu nunca tinha tido um namorado, eu nem sequer sabia o que isso era, ao certo. Para mim era algo bom, mas eu tinha medo de fazer disparates enquanto namorada.
Gustavo fez-me deitar sobre a almofada e inclinou-se na minha direcção, selando um beijo comigo:
-Mas eu quero que sejas minha namorada a sério!
Eu olhei-o nos olhos. O meu coração palpitava de uma forma descontrolada e a minha garganta formou um nó com o nervosismo. Aquilo era um pedido que eu nunca pensei receber, e a resposta, apesar de ser óbvia, não queria sair simples e concreta:
-Tens a certeza? – Perguntei, com a respiração ofegante.
Ele abanou a cabeça e beijou-me, enquanto as suas mãos percorriam o meu maxilar e o meu pescoço, causando pequenos calafrios por todo o meu ser. Ele fitou-me, com o seu espírito adornado de determinação e sinceridade:
- Eu amo…!
O meu coração parou.
Agarrei-lhe o pescoço e puxei-o bruscamente para mim, fazendo-o beijar-me, para interromper a sua declaração. Eu não queria ouvir aquilo, eu não estava pronta, apesar de no meu interior eu ansiar por ouvir algo assim de alguém como ele. Todavia, não podia cair no erro de me magoar, pois, apesar de eu sentir claramente que Gustavo de facto sentia algo forte por mim, não tinha a garantia que ia durar muito tempo para ser chamado de amor.
Fi-lo deitar-se ao meu lado e descolei os meus lábios dos dele. Passei a minha mão nos seus cabelos loiros:
-Não, não digas isso, por favor! Eu não acredito em palavras assim… parecem tão hipócritas, assustam-me… Fazem-me fujir…!
Ele semicerrou os olhos:
-Mas eu…
-Eu não quero que nos iludas! – Interrompi – Eu gosto de ti, e tu gostas de mim! Por agora basta-nos saber isto, não achas?
Ele fez um esgar:
-Talvez… mas… Eu quero que sejas minha namorada. - Ele fixou-me, serio - Aceitas?
Eu hesitei, e olhei-o, sem saber o que dizer. Então vi no seu espírito, decidido e espontâneo, uma ideia parva, que o fez levantar-se da cama, e ajoelhar-se no chão, como nos filmes pirosos!
Soltei uma risada e escondi o meu rosto nos lençóis brancos. Ele não podia estar a falar a sério!
-Lana! Ou Alannis! – Ele fez um esgar - Tanto faz! – Espreitei-o com o lençol a esconder-me o sorriso divertido. Ele fez um ar teatral, uma perfeita figura de parvo – A bela donzela aceita ser minha namorada, ou terei de lutar com alguém para o conseguir?
Agarrei a almofada ao meu lado e atirei-lha á cabeça, entre risos. Ele abriu a boca, fingindo-se ofendido, e atirou-me a almofada de volta.
Eu rebolei nos lençóis e ele levantou-se do chão, perseguindo-me a barriga com as mãos, para me fazer cócegas. Eu tentei abafar os meus risos para não acordar ninguém na casa, e tentei segurar-lhe os pulsos para ele parar com aquele ataque. Contudo, rebolamos os dois entre pequenas gargalhadas e beijos, até que eu caí no chão e ele caiu por cima de mim, com os nossos rostos a distarem um centímetro, permitindo o toque das respirações quentes.
-Não me digas “Não”! – Pediu Gustavo, beijando-me a boca outra vez.
-Hum… - Fiz um ar pensativo, e ele, fazendo de conta que estava chocado, voltou a fazer uma aranha com a sua mão que passeou na minha barriga e me fez contorcer de riso – Está bem! – Respondi, gargalhando – Eu aceito!
Ele parou de me remexer e sorriu, vitorioso:
-Óptimo!
Levantou-se de cima de mim, e pegou-me pela cintura para eu sair também do chão frio. Segurou-me pela cintura e apertou-me contra o seu corpo, de forma sensual. Eu rodeei o seu pescoço com os meus braços e fechei os olhos enquanto as nossas bocas se aproximavam. Trocamos um beijo mais profundo e saboroso. Os lábios dele seguravam os meus, a sua língua brincava com a minha com carinho, enquanto as suas mãos percorriam as minhas costas, e eu mexia no seu cabelo. A sensação era perfeita. Era como se estivéssemos a fazer uma receita que servia para me preencher, onde os principais ingredientes eram a protecção, o desejo, e, sobretudo, a felicidade.
Eu nunca me senti tão bem, e queria que durasse para sempre.
Acabamos por descolar as nossas bocas, devagar, apesar de continuarem rentes e sedentas. Eu olhei Gustavo nos olhos, fascinada com aquela íris, e sorri-lhe, apoiada nos seus ombros, com pouca força.
-Há alguma forma de te dar sono? – Perguntei, cansada.
Ele deu-me um beijinho na bochecha:
-Mexe-me no cabelo ou nas costas!
Sorri:
-Também são os meus pontos fracos!
Ele sorriu-me de retorno. Ambos deitamo-nos na zona correcta da cama, e eu fi-lo virar-se de barriga para baixo. Passei as minhas mãos por dentro da sua t-shirt e deslizei as minhas unhas grandes pela sua pele lisa com cuidado para não o magoar.
Ele semicerrou os olhos, ensonado, e moveu-se um pouco, colocando o seu corpo de lado, enquanto me chegava a ele, deixando-me praticamente com a cara enterrada na sua camisola. Gustavo passou os seus dedos no meu cabelo, e eu abracei-o, ainda a fazer formas com as minhas unhas com as suas costas. Não sei quem foi o primeiro, mas nós acabamos por adormecer, com os espíritos livres de qualquer problema ou preocupação. Não tive mais sonhos naquela noite. Eu apenas sentia uma essência diferente em meu redor, e escutava murmúrios e melodias calmas e relaxantes, misturadas com cheiros suaves e agradáveis.
Contudo, a noite passou.
De manha eu ouvi passos vindos do exterior do meu quarto, mas não quis abrir os olhos para ver quem andava por ali. Aconcheguei a minha cabeça naquela textura macia, mas rija, e segurei a minha mão, firmemente, na pele quente. Aquele corpo moveu-se, ligeiramente, ficando melhor encaixado no meu, o que era, de facto, uma sensação boa.
Foi então que ouvi a maçaneta da porta rodar, devagarinho. Fiz uma careta ao aperceber-me da aura de Helen espreitar para dentro do quarto, curiosa, mas recompus-me para ela achar que eu ainda estava a dormir. Ela entrou no quarto, e Greta também, com o espírito matinal bem-disposto.
-Afinal estavam aqui os dois! – Disse Helen, em tom baixo.
-Que queridos! – Exclamou Greta, maravilhada.
Apeteceu-me sorrir, mas contive-me, atenta ao que elas diziam:
-Hum… - Helen soltou uma lufada de ar – Para ainda estarem a dormir a esta hora é porque a noite foi longa!
O meu rosto aqueceu de vergonha. Não tinha sido uma boa ideia passar a noite com Gustavo. Não era próprio e podia dar ideias erradas.
-Ora, filha! – Greta riu – A Lannis não é nenhuma criança, alem disso, o rapaz trata-a bem! Não dramatizes!
-Mãe, tu nem o conheces!
-Eu ontem bem os vi lá fora! – Senti-me corar. Aquela Greta era tão cusca quando queria! Aposto que tinha visto toda situação que eu e Gustavo passamos, incluindo a conversa e os beijos! Que vergonha! - Acredita, ele não lhe vai fazer mal!
Senti o coração de Gustavo acelerar, junto aos meus ouvidos. Ele tinha acordado, mas ninguém se apercebeu.
-Mãe, tu não tinhas o direito! Onde tinhas a cabeça?! – Questionou Helen, perplexa.
-Eu só estava a cumprir o meu papel! Tinha de ver se estava tudo bem, alem disso, eles fazem um casal tão fofo!
O meu corpo saltou levemente ao sentir um flash intenso tocar-me, seguido por um disparo baixo. O meu coração acelerou de desespero, inquieta com o que se estava a passar no mundo real.
-Mãe, não faças isso, vais acorda-los! – Exclamou Helen, pasmada.
-É só uma recordação!
Ouvi novamente o som de uma máquina fotográfica. Aquilo já não tinha piada, mas eu não queria encara-las para as parar. Não era boa altura!
-não! Mãe, anda para baixo! – Disse, Helen, suspirando – Daqui a pouco eles acordam e depois tiras quantas fotografias quiseres!
-Ai, está bem! Que aborrecida, Helen! Quem é mais velha, afinal?
A porta fechou-se novamente. O ar do quarto ficou mais leve e menos denso, o que significava que já não estava lá tanta gente.
-Achas que ficamos bem na fotografia? – Gustavo perguntou, com voz rouca e sonolenta.
Abri os olhos e ri-me levemente:
-Só mesmo a Greta! Ela nunca mais se vai esquecer de ti!
-Vou querer uma cópia da foto!
-Para te assustares com o meu cabelo e com a minha cara de múmia? Nem pensar!
O seu corpo vibrou, durante um riso abafado:
-Eu também gosto de me louvar!
Levantei o meu tronco e olhei-o, num tom trocista:
-És mesmo convencido!
-Tu gostas!
-Parvo! – Critiquei, rindo suavemente.
-Mas com muito charme! – Concluiu.
Dei-lhe uma palmada no peito, e um leve beijo nos lábios, com cuidado com a ferida que continuava lá, ainda que reduzida. Ele lançou-me um sorriso largo e vitorioso, e eu levantei-me da cama, sem lhe dar tempo de me impedir. Abri a janela e espreitei a rua, aspirando a brisa do mar lá perto. Senti um corpo atrás de mim, e fechei os olhos, encostando a minha cabeça a ele. Ele deu-me um beijo na cara, e rodeou-me com os membros, rentes à minha clavícula. Virei o meu rosto para o lado, mais perto da sua camisola, e inspirei o seu cheiro natural. Aquilo era tão bom, sentir-me protegida e querida. Apertei-o mais contra mim.
-Parece que estamos em Lua-de-mel! – Disse ele, rindo.
-Achas que há serviços de quarto? É que estou morta de fome!
Gustavo sorriu e soltou-me. Fechei novamente a janela e voltei-me para ele. Toquei com o meu dedo na sua ferida. Ele mal reagiu:
-Já não dói? – Perguntei.
-Não.
-Ainda bem.
Gustavo inclinou a sua cabeça e encostou a testa á minha, fazendo a respiração invadir-me as vias respiratórias. Pôs a sua mão na minha cabeça e puxou-me até a sua boca se abrir e os meus lábios morderem os dele. Passei as minhas mãos para o seu rosto, e prendi-o a mim. Não queria que ele me soltasse, eu apenas queria aquela sensação. Queria a sua protecção e o seu desejo tocar-me e intensificar-se, porem, estava ciente que não podia. Separei-me dele, e dei-lhe um pequeno empurro para ele se afastar.
-Vamos embora.
Ele roubou-me um beijo na face e concordou.
Saímos os dois do quarto, e fomos para o piso inferior, onde já se sentia o cheiro a comida. Apercebemo-nos, então, que era hora de almoço. Gustavo ficou um pouco mais agitado, e eu entendi que ele se tinha atrasado a regressar a casa. Helen e Greta fizeram de conta que não se tinha passado nada, apesar de ser nítida a forma descarada como nos olhavam, e eu, com alguma vontade de rir, fui tratar da minha higiene pessoal, depois de Gustavo. Ao fim de almoço, Gustavo teve de se ir embora. Pegou no seu capacete e colocou as protecções adequadas no corpo. Helen e Greta despediram-se dele. A segunda foi mais brusca e agiu como se ele fosse um ente muito próximo. Abraçou-o com todas as suas forças e deu-lhe dois beijos fortes antes de lhe apertar as bochechas com força. Ele esboçou um esgar, atrapalhado:
-Não te esqueças de mim! – Disse ela, emocionada.
-Claro! – Ele riu, meio sem jeito, e Helen salvou-o dos dedos de Greta.
- Tem cuidado! – Advertiu – Vemo-nos logo!
Ele sorriu-lhe. Aquela situação era tão estranha! Cruzei os braços e abanei a cabeça, incrédula com o que estava a passar. Greta e Helen fixaram-me, com olhos curiosos, como se estivessem a assistir alguma novela.
Franzi as sobrancelhas ao perceber-me que elas esperavam que eu me “despedisse” dele. Lancei-lhes um olhar de repreensão, e aproximei-me dele, fingindo o desinteresse. Ele parecia ter-se apercebido também da curiosidade daquelas duas, e trocamos um olhar cúmplice.
-Tchau, Alannis! – Disse ele, dando-me um beijo na face.
Sorri, e olhei a minha família, pelo canto do olho.
Elas estavam a fazer de conta que não nos prestavam atenção. No entanto, comigo não resultava!
Dei um beijo na bochecha de Gustavo:
-Até logo! – Exclamei.
Mostrei a língua às outras duas. Elas ficaram surpresas e atrapalhadas, o que de certa forma, era engraçado.
Acompanhamos Gustavo até á porta, e á entrada de casa, mesmo antes de colocar o capacete, ele não resistiu e roubou-me um beijo na boca, que eu não consegui evitar de retribuir, ainda que com plateia:
-Até já, Lana! – Disse ele, afastando os lábios de mim.
-Até já… - Murmurei, timidamente.
Greta e Helen acenaram-lhe, como dois pinguins tontos, e eu fi-las entrar dentro de casa. Dei uma última espreitadela a Gustavo e acenei-lhe quando ele montou a moto. Fechei a porta e suspirei. Não tardava muito e voltávamos a ver-nos.
bjokas
'Entao, cá vai, para ti, gatinha!

Capitulo XIX - Sorrisos e beijos - Parte 2
Helen arranjou-lhe umas antigas roupas do seu ex-namorado, para que ele pudesse tirar as suas roupas usadas e tomar um duche. Á noite, depois do jantar, e de tudo arrumado, Greta foi a primeira a subir para descansar. Os cães dormitavam no tapete da sala, e Helen juntou-se a mim e a Gustavo a ver um filme que dava na TV.
Quando o relógio nos avisou que já era tarde, ela foi a primeira a sair daquele sítio, para se ir deitar, entre bocejos. Ficamos somente eu e Gustavo. Eu queria ver o filme até ao fim, mas os olhos já pesavam. Encostei a minha cabeça ao seu ombro, quase sem me aperceber, e fechei os olhos. Ele passou-me a mão no rosto:
-Lana… - chamou, baixinho.
Eu bocejei, e abri os olhos com esforço:
-Vai dormir!...
Ele ajudou-me a levantar, para me levar até ao meu quarto, e depois regressou á sala, onde passaria a noite.
Eu aconcheguei-me nos meus cobertores e deixei-me dormir.
Em pouco tempo, um sonho absolutamente normal, transformou-se naquele pesadelo que me tinha assombrado durante meses, no entanto notei diferenças. Eu era perseguida na mesma. Corria para defender a minha vida, e chorava de medo, porem, desta vez escapei por um fundo luminoso que me apareceu á frente. Então o cenário alterou-se. Eu só via as ondas do mar violentas, a caírem sobre mim e a impedirem-me a respiração. Eu queria gritar e não conseguia, pois a minha voz era abafada por toda aquela água salgada, e como que por magia, as ondas tomaram uma forma humana que reconheci como sendo Ricardo, que me prendeu e me abafou com mais força. Senti o meu corpo a ser cortado com vidros, e o sangue a jorrar por golpes semelhantes ao que eu tinha no pescoço, e gemi, sem poder fazer mais. Mas então fiquei mais quente, e as feridas não doeram. Consegui respirar e fugir para onde eu queria. Um local quente e protegido de toda a gente, perfumado com uma fragrância familiar. Senti um formigueiro na bochecha e ele passou para os lábios, que aqueceram. Recordei um acontecimento semelhante há muito tempo, mas que eu não tinha chegado a descobrir o que era, e tomando consciência de que tudo era um sonho, ordenei á minha mente que me despertasse.
Abri os olhos, então. Estava escuro, mas eu consegui vislumbrar uma silhueta masculina na orla da cama, que passava a sua mão na minha testa. Eu entendi que tinha acabado de ser beijada ao de leve, e que não era a primeira vez que acontecia.
Tentei mover-me, mas as tonturas não permitiram:
-Gustavo? Beijaste-me?
-desculpa – Disse, acariciando a minha face – Acho que estavas a ter um pesadelo! Como te sentes?
Levantei o meu tronco:
-Está tudo bem…! – Murmurei, limpando o rasto de lágrimas que verti sem querer, durante o sono.
Ele pareceu não acreditar, mas a realidade era que os pesadelos eram algo que eu já encarava com alguma naturalidade, visto já estar habituada.
-Não pareceu… - Respondeu – Estavas muito agitada e… - ele passou o polegar no canto do meu olho, limpando a água salgada que continuava lá.
-Oh! Achas que acordei a Helen e a Greta? – Perguntei, preocupada.
Ele negou com a cabeça:
-Não. Que eu me tenha apercebido elas ainda dormem!
-Ainda bem. – Suspirei – Então e tu? Não consegues dormir?
-Não… - Respondeu
-O sofá é duro?! – Perguntei a sorrir, imaginando as dores com que ele devia estar.
Porem ele negou:
-Não. O sofá não me incomoda. Eu só não consigo dormir… Insónias, acho!
Segurei a sua mão e trouxe-a para mais perto de mim:
-Fica comigo esta noite… - pedi, timidamente, num suspiro.
Ele sorriu-me e aceitou com a cabeça. Desviei-me um pouco para lhe dar espaço, e ele sentou-se ao meu lado, na cama, sem se pôr debaixo das cobertas.
Encostei a minha cabeça ao seu peito e rodeei o seu tronco com os meus braços, sentindo somente o seu aroma corporal.
Gustavo beijou-me a testa e eu esbocei-lhe um sorriso.
-Com o que é que sonhaste? – Perguntou.
Dei de ombros:
-Nada de mais. – Declarei – Eu era perseguida, consegui escapar, fui engolida por uma onda, o Ricardo tentou abafar-me e alguém me tentou cortar o corpo com lâminas! Nada que eu não suporte! – Concluí, por fim.
Gustavo franziu as sobrancelhas e apertou-me contra ele:
-Nunca param?
-O quê?
-Os pesadelos. – Esclareceu - Acontecem todas as noites?
-às vezes falham… - Respondi – Não te preocupes, eu já sei lidar com eles.
Ele respirou fundo e eu olhei-o calmamente, delineando o seu rosto com o meu olhar. Aquilo parecia impossível:
-Isto é tão estranho… - murmurei.
Ele descolou os lábios:
-O quê?
-Tu… E eu.
-Achas estranho? – Perguntou, desapontado.
-De certa forma. – Confirmei – é tudo novo para mim… Tu beijas-me…! – Concluí, franzindo as sobrancelhas numa medida reflectora.
Ele fez um esgar confuso e amedrontado:
-Não gostas?
Soltei uma leve sorriso, e desencostei-me do seu peito para o olhar. Segurei a sua cara e uni a minha boca á dele. Ele correspondeu-me e com os seus dois lábios, mordeu o meu lábio inferior. Senti as borboletas no estômago despertarem, e sorri mais, travando o beijo:
-Espero ter-te esclarecido!
Ele beijou-me outra vez e depois ficou a olhar-me:
-Então qual é o problema de eu te beijar?
-Nunca ninguém me desejou beijar… - Respondi – Mas tu és um ladrão autêntico!
-Ladrão? Eu?
Acenei em sinal de confirmação:
-Roubaste-me o primeiro beijo enquanto eu dormia! Malandro!
Ele sorriu, levemente envergonhado:
-Custa-me a acreditar! – Respondeu – Porque seria eu o primeiro?
-Acredita! Antes de ti, parecia que eu tinha uma maldição que impedia qualquer rapaz, que me atraísse minimamente, de se aproximar de mim!
Gustavo afagou-me o cabelo, carinhosamente:
-Não sabem o que perderam!
Abracei-o com força. O meu rosto foi invadido por um formigueiro:
-O que viste em mim? – Interroguei, timidamente.
Ele encostou o seu nariz á minha nuca:
-Algo diferente. – Falou, cheirando o meu cabelo.
Senti-me ligeiramente apática:
-Quando voltarmos para casa não vai acabar?
-Porque acabaria?
Dei de ombros e suspirei, entristecida:
- Não é habitual vivermos entre beijos e sorrisos… Acho que é bom de mais para ser verdade, só isso…
-Ora… - Ele abafou um sorriso – Se aqui dizes que és minha namorada, porque não hás-de dizer lá?
Senti-me corar:
-Não foi a sério, acho… Foi um impulso do momento… Eu nem sequer… - não terminei a frase.
Eu nunca tinha tido um namorado, eu nem sequer sabia o que isso era, ao certo. Para mim era algo bom, mas eu tinha medo de fazer disparates enquanto namorada.
Gustavo fez-me deitar sobre a almofada e inclinou-se na minha direcção, selando um beijo comigo:
-Mas eu quero que sejas minha namorada a sério!
Eu olhei-o nos olhos. O meu coração palpitava de uma forma descontrolada e a minha garganta formou um nó com o nervosismo. Aquilo era um pedido que eu nunca pensei receber, e a resposta, apesar de ser óbvia, não queria sair simples e concreta:
-Tens a certeza? – Perguntei, com a respiração ofegante.
Ele abanou a cabeça e beijou-me, enquanto as suas mãos percorriam o meu maxilar e o meu pescoço, causando pequenos calafrios por todo o meu ser. Ele fitou-me, com o seu espírito adornado de determinação e sinceridade:
- Eu amo…!
O meu coração parou.
Agarrei-lhe o pescoço e puxei-o bruscamente para mim, fazendo-o beijar-me, para interromper a sua declaração. Eu não queria ouvir aquilo, eu não estava pronta, apesar de no meu interior eu ansiar por ouvir algo assim de alguém como ele. Todavia, não podia cair no erro de me magoar, pois, apesar de eu sentir claramente que Gustavo de facto sentia algo forte por mim, não tinha a garantia que ia durar muito tempo para ser chamado de amor.
Fi-lo deitar-se ao meu lado e descolei os meus lábios dos dele. Passei a minha mão nos seus cabelos loiros:
-Não, não digas isso, por favor! Eu não acredito em palavras assim… parecem tão hipócritas, assustam-me… Fazem-me fujir…!
Ele semicerrou os olhos:
-Mas eu…
-Eu não quero que nos iludas! – Interrompi – Eu gosto de ti, e tu gostas de mim! Por agora basta-nos saber isto, não achas?
Ele fez um esgar:
-Talvez… mas… Eu quero que sejas minha namorada. - Ele fixou-me, serio - Aceitas?
Eu hesitei, e olhei-o, sem saber o que dizer. Então vi no seu espírito, decidido e espontâneo, uma ideia parva, que o fez levantar-se da cama, e ajoelhar-se no chão, como nos filmes pirosos!
Soltei uma risada e escondi o meu rosto nos lençóis brancos. Ele não podia estar a falar a sério!
-Lana! Ou Alannis! – Ele fez um esgar - Tanto faz! – Espreitei-o com o lençol a esconder-me o sorriso divertido. Ele fez um ar teatral, uma perfeita figura de parvo – A bela donzela aceita ser minha namorada, ou terei de lutar com alguém para o conseguir?
Agarrei a almofada ao meu lado e atirei-lha á cabeça, entre risos. Ele abriu a boca, fingindo-se ofendido, e atirou-me a almofada de volta.
Eu rebolei nos lençóis e ele levantou-se do chão, perseguindo-me a barriga com as mãos, para me fazer cócegas. Eu tentei abafar os meus risos para não acordar ninguém na casa, e tentei segurar-lhe os pulsos para ele parar com aquele ataque. Contudo, rebolamos os dois entre pequenas gargalhadas e beijos, até que eu caí no chão e ele caiu por cima de mim, com os nossos rostos a distarem um centímetro, permitindo o toque das respirações quentes.
-Não me digas “Não”! – Pediu Gustavo, beijando-me a boca outra vez.
-Hum… - Fiz um ar pensativo, e ele, fazendo de conta que estava chocado, voltou a fazer uma aranha com a sua mão que passeou na minha barriga e me fez contorcer de riso – Está bem! – Respondi, gargalhando – Eu aceito!
Ele parou de me remexer e sorriu, vitorioso:
-Óptimo!
Levantou-se de cima de mim, e pegou-me pela cintura para eu sair também do chão frio. Segurou-me pela cintura e apertou-me contra o seu corpo, de forma sensual. Eu rodeei o seu pescoço com os meus braços e fechei os olhos enquanto as nossas bocas se aproximavam. Trocamos um beijo mais profundo e saboroso. Os lábios dele seguravam os meus, a sua língua brincava com a minha com carinho, enquanto as suas mãos percorriam as minhas costas, e eu mexia no seu cabelo. A sensação era perfeita. Era como se estivéssemos a fazer uma receita que servia para me preencher, onde os principais ingredientes eram a protecção, o desejo, e, sobretudo, a felicidade.
Eu nunca me senti tão bem, e queria que durasse para sempre.
Acabamos por descolar as nossas bocas, devagar, apesar de continuarem rentes e sedentas. Eu olhei Gustavo nos olhos, fascinada com aquela íris, e sorri-lhe, apoiada nos seus ombros, com pouca força.
-Há alguma forma de te dar sono? – Perguntei, cansada.
Ele deu-me um beijinho na bochecha:
-Mexe-me no cabelo ou nas costas!
Sorri:
-Também são os meus pontos fracos!
Ele sorriu-me de retorno. Ambos deitamo-nos na zona correcta da cama, e eu fi-lo virar-se de barriga para baixo. Passei as minhas mãos por dentro da sua t-shirt e deslizei as minhas unhas grandes pela sua pele lisa com cuidado para não o magoar.
Ele semicerrou os olhos, ensonado, e moveu-se um pouco, colocando o seu corpo de lado, enquanto me chegava a ele, deixando-me praticamente com a cara enterrada na sua camisola. Gustavo passou os seus dedos no meu cabelo, e eu abracei-o, ainda a fazer formas com as minhas unhas com as suas costas. Não sei quem foi o primeiro, mas nós acabamos por adormecer, com os espíritos livres de qualquer problema ou preocupação. Não tive mais sonhos naquela noite. Eu apenas sentia uma essência diferente em meu redor, e escutava murmúrios e melodias calmas e relaxantes, misturadas com cheiros suaves e agradáveis.
Contudo, a noite passou.
De manha eu ouvi passos vindos do exterior do meu quarto, mas não quis abrir os olhos para ver quem andava por ali. Aconcheguei a minha cabeça naquela textura macia, mas rija, e segurei a minha mão, firmemente, na pele quente. Aquele corpo moveu-se, ligeiramente, ficando melhor encaixado no meu, o que era, de facto, uma sensação boa.
Foi então que ouvi a maçaneta da porta rodar, devagarinho. Fiz uma careta ao aperceber-me da aura de Helen espreitar para dentro do quarto, curiosa, mas recompus-me para ela achar que eu ainda estava a dormir. Ela entrou no quarto, e Greta também, com o espírito matinal bem-disposto.
-Afinal estavam aqui os dois! – Disse Helen, em tom baixo.
-Que queridos! – Exclamou Greta, maravilhada.
Apeteceu-me sorrir, mas contive-me, atenta ao que elas diziam:
-Hum… - Helen soltou uma lufada de ar – Para ainda estarem a dormir a esta hora é porque a noite foi longa!
O meu rosto aqueceu de vergonha. Não tinha sido uma boa ideia passar a noite com Gustavo. Não era próprio e podia dar ideias erradas.
-Ora, filha! – Greta riu – A Lannis não é nenhuma criança, alem disso, o rapaz trata-a bem! Não dramatizes!
-Mãe, tu nem o conheces!
-Eu ontem bem os vi lá fora! – Senti-me corar. Aquela Greta era tão cusca quando queria! Aposto que tinha visto toda situação que eu e Gustavo passamos, incluindo a conversa e os beijos! Que vergonha! - Acredita, ele não lhe vai fazer mal!
Senti o coração de Gustavo acelerar, junto aos meus ouvidos. Ele tinha acordado, mas ninguém se apercebeu.
-Mãe, tu não tinhas o direito! Onde tinhas a cabeça?! – Questionou Helen, perplexa.
-Eu só estava a cumprir o meu papel! Tinha de ver se estava tudo bem, alem disso, eles fazem um casal tão fofo!
O meu corpo saltou levemente ao sentir um flash intenso tocar-me, seguido por um disparo baixo. O meu coração acelerou de desespero, inquieta com o que se estava a passar no mundo real.
-Mãe, não faças isso, vais acorda-los! – Exclamou Helen, pasmada.
-É só uma recordação!
Ouvi novamente o som de uma máquina fotográfica. Aquilo já não tinha piada, mas eu não queria encara-las para as parar. Não era boa altura!
-não! Mãe, anda para baixo! – Disse, Helen, suspirando – Daqui a pouco eles acordam e depois tiras quantas fotografias quiseres!
-Ai, está bem! Que aborrecida, Helen! Quem é mais velha, afinal?
A porta fechou-se novamente. O ar do quarto ficou mais leve e menos denso, o que significava que já não estava lá tanta gente.
-Achas que ficamos bem na fotografia? – Gustavo perguntou, com voz rouca e sonolenta.
Abri os olhos e ri-me levemente:
-Só mesmo a Greta! Ela nunca mais se vai esquecer de ti!
-Vou querer uma cópia da foto!
-Para te assustares com o meu cabelo e com a minha cara de múmia? Nem pensar!
O seu corpo vibrou, durante um riso abafado:
-Eu também gosto de me louvar!
Levantei o meu tronco e olhei-o, num tom trocista:
-És mesmo convencido!
-Tu gostas!
-Parvo! – Critiquei, rindo suavemente.
-Mas com muito charme! – Concluiu.
Dei-lhe uma palmada no peito, e um leve beijo nos lábios, com cuidado com a ferida que continuava lá, ainda que reduzida. Ele lançou-me um sorriso largo e vitorioso, e eu levantei-me da cama, sem lhe dar tempo de me impedir. Abri a janela e espreitei a rua, aspirando a brisa do mar lá perto. Senti um corpo atrás de mim, e fechei os olhos, encostando a minha cabeça a ele. Ele deu-me um beijo na cara, e rodeou-me com os membros, rentes à minha clavícula. Virei o meu rosto para o lado, mais perto da sua camisola, e inspirei o seu cheiro natural. Aquilo era tão bom, sentir-me protegida e querida. Apertei-o mais contra mim.
-Parece que estamos em Lua-de-mel! – Disse ele, rindo.
-Achas que há serviços de quarto? É que estou morta de fome!
Gustavo sorriu e soltou-me. Fechei novamente a janela e voltei-me para ele. Toquei com o meu dedo na sua ferida. Ele mal reagiu:
-Já não dói? – Perguntei.
-Não.
-Ainda bem.
Gustavo inclinou a sua cabeça e encostou a testa á minha, fazendo a respiração invadir-me as vias respiratórias. Pôs a sua mão na minha cabeça e puxou-me até a sua boca se abrir e os meus lábios morderem os dele. Passei as minhas mãos para o seu rosto, e prendi-o a mim. Não queria que ele me soltasse, eu apenas queria aquela sensação. Queria a sua protecção e o seu desejo tocar-me e intensificar-se, porem, estava ciente que não podia. Separei-me dele, e dei-lhe um pequeno empurro para ele se afastar.
-Vamos embora.
Ele roubou-me um beijo na face e concordou.
Saímos os dois do quarto, e fomos para o piso inferior, onde já se sentia o cheiro a comida. Apercebemo-nos, então, que era hora de almoço. Gustavo ficou um pouco mais agitado, e eu entendi que ele se tinha atrasado a regressar a casa. Helen e Greta fizeram de conta que não se tinha passado nada, apesar de ser nítida a forma descarada como nos olhavam, e eu, com alguma vontade de rir, fui tratar da minha higiene pessoal, depois de Gustavo. Ao fim de almoço, Gustavo teve de se ir embora. Pegou no seu capacete e colocou as protecções adequadas no corpo. Helen e Greta despediram-se dele. A segunda foi mais brusca e agiu como se ele fosse um ente muito próximo. Abraçou-o com todas as suas forças e deu-lhe dois beijos fortes antes de lhe apertar as bochechas com força. Ele esboçou um esgar, atrapalhado:
-Não te esqueças de mim! – Disse ela, emocionada.
-Claro! – Ele riu, meio sem jeito, e Helen salvou-o dos dedos de Greta.
- Tem cuidado! – Advertiu – Vemo-nos logo!
Ele sorriu-lhe. Aquela situação era tão estranha! Cruzei os braços e abanei a cabeça, incrédula com o que estava a passar. Greta e Helen fixaram-me, com olhos curiosos, como se estivessem a assistir alguma novela.
Franzi as sobrancelhas ao perceber-me que elas esperavam que eu me “despedisse” dele. Lancei-lhes um olhar de repreensão, e aproximei-me dele, fingindo o desinteresse. Ele parecia ter-se apercebido também da curiosidade daquelas duas, e trocamos um olhar cúmplice.
-Tchau, Alannis! – Disse ele, dando-me um beijo na face.
Sorri, e olhei a minha família, pelo canto do olho.
Elas estavam a fazer de conta que não nos prestavam atenção. No entanto, comigo não resultava!
Dei um beijo na bochecha de Gustavo:
-Até logo! – Exclamei.
Mostrei a língua às outras duas. Elas ficaram surpresas e atrapalhadas, o que de certa forma, era engraçado.
Acompanhamos Gustavo até á porta, e á entrada de casa, mesmo antes de colocar o capacete, ele não resistiu e roubou-me um beijo na boca, que eu não consegui evitar de retribuir, ainda que com plateia:
-Até já, Lana! – Disse ele, afastando os lábios de mim.
-Até já… - Murmurei, timidamente.
Greta e Helen acenaram-lhe, como dois pinguins tontos, e eu fi-las entrar dentro de casa. Dei uma última espreitadela a Gustavo e acenei-lhe quando ele montou a moto. Fechei a porta e suspirei. Não tardava muito e voltávamos a ver-nos.
bjokas
as minhas fic's:
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
-Angelical
Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
-Angelical
Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^
Oh Lulu... desculpa não ter comentado mais cedo. É uma longa historia e não adianta contá-la...
Digo desde já que estás de parabens com esse dezoito.. também queria um... a fisica-quimica A (em vez disso tirei uma nota miseravel..
). Enfim, esforços valem sempre a pena =)
Em relação à história. Não sei porque, mas gostei desta parte.. melosa
Um pouco estranho pois muito mel chega airritar-me, mas pelo que já vi da historia, não é coisa frequente daí que um momento ou dois não façam mal a ninguém 
Adorei a forma como o Gustavo tratou a Lana. Ele é um autentico cavalheiro, querido, amoroso... TAMBÉM QUERO UM!!! :'(
Espero por mais capítulos x)
Digo desde já que estás de parabens com esse dezoito.. também queria um... a fisica-quimica A (em vez disso tirei uma nota miseravel..
). Enfim, esforços valem sempre a pena =)Em relação à história. Não sei porque, mas gostei desta parte.. melosa
Um pouco estranho pois muito mel chega airritar-me, mas pelo que já vi da historia, não é coisa frequente daí que um momento ou dois não façam mal a ninguém 
Adorei a forma como o Gustavo tratou a Lana. Ele é um autentico cavalheiro, querido, amoroso... TAMBÉM QUERO UM!!! :'(
Espero por mais capítulos x)
Espero por ti em cada segundo , porque tu és o meu mundo!

Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
Visitem a minha 1ª Fic ----->The Four elements

Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
Visitem a minha 1ª Fic ----->The Four elements
ohhh que querida que és lulu 
amei este capítulo nao só porque foi para mim como também porque o gustav ta cada vez mais fofo
concordo com a AnA_Sant0sparabens pelo 18 XD

amei este capítulo nao só porque foi para mim como também porque o gustav ta cada vez mais fofo
concordo com a AnA_Sant0sparabens pelo 18 XD
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