Sailor Moon Portugal, A Navegante da Lua

[Terminada] Angelical

#285
vamos lá ver se o 18 é a serio! sinceramente ainda me custa a acreditar, visto que pelas minhas contas dava um 11.5, mas enfim, eu nao vou pedir recurso! Matreiro
Obrigada pelos comentarios! E peço desculpa sinceramnete, porque os proximos capitulos provavelmente vao meter nojo! Matreiro, Mas enfim, eu nao consigo evitar! Embaracoso'
Espero que tenham paciencia, eu tento controlar, mas as coisas saem! xd
Alem disso todo o casal tem de ter um "date", momentos a sós, momentos de fraqueza (se é que me entendem) e, claro, tem de se mostrar como namorados á sociedade! Matreiro
Eu tenho fé que voces gostem!
obrigada pelos comentarios meninas! bjokas
as minhas fic's:
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
-Angelical
Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^
#286
Argh, argh, argh.

Penso que é óbvio que eu tive fora, nem é preciso explicar. Eu não deixaria isto assim sem comentário. Digamos que é... bolo sem sal. Fica muito melh... *cof*PIOR*cof* .

Oh, percebe-se logo que isto é uma história. Vá lá, desde quando existe um namorado todo giraço, e todo amoroso como o Gustavo? Hã?! E desde quando existe um idiota com cara de parvo e que assedia qualquer uma como o Ricar... Ah espera, eu vejo disso todos os dias.

Podemos dizer que eu mudei SERIAMENTE de ideias em relação ao indivíduo citado a cima. Ele por mim podia tirar a carreira de terrorista suícida e ir explodir um cruzeiro no meio do mar que eu não me punha a pés dele. Nem eu...nem a Lana! Matreiro

E vou dizer uma coisa: se a minha mãe me apanhasse a dormir a dormir com o meu namorado (e mesmo que não tenha acontecido NADA na noite anterior), e se lhe passasse alguma coisa pela cabeça, acho que seria acordar-me... Acho eu, porque ela não desconfia de nada... Tramar alguma

Espero que consideres a minha situação e que me perdoes pelas...TRÊS VEZES em que não respondi. Sabes que eu não faria de propósito.
#287
Parabens a você
Nesta querida
muitas felicidades
muitos anos de vida!


Pois é! Faz hoje um ano que eu estou a publicar esta maravilhosa fic! *cof, cof* (o ultimo verso da quadrazita nao é para levar á letra, ok?) Apesar de no inicio eu ter mais comentarios do que agora, é sempre bom saber que tive gente a acompanhar a minha historia, e apesar de ultimamente eu andar sem vontade nenhuma para escrever, juro que estou a fazer um esforço para ter inspiraçao! Embaracoso'
Hoje infelizmente, trago um capitulo que nao é muito do meu agrado, francamente, e envolve um potinho de mel e tal... bom, pode ser que voces gostem! Em principio se me der na telha depois tento melhora-lo!

Enfim, por agora, boa leitura!


Capitulo XX – Jogos



Durante o caminho de regresso á casa, em Terras de Bouro, como acontecera na primeira viagem, paramos num estabelecimento para eu mudar de roupa. Foi quando me apercebi que não tinha nenhuma protecção para tapar o meu curativo das atenções alheias. Limitei-me a por o lenço cor-de-rosa que trazia, e deixei o cabelo ondulado cair sobre as costas e o peito, na esperança que ninguém estranhar o meu estilo.

Depois de algum tempo de viagem, avistamos finalmente a cidade calma. O meu espírito cobriu-se de ansiedade e o meu estômago vibrou com o nervosismo miúdo.

Quando chegamos a casa, desfizemos as malas. Era bom sentir aqueles cheiros da natureza, ver aquele verde abundante e escutar os sons naturais. Eu abri as persianas do meu quarto e pus-me á janela como uma verdadeira carochinha. Sorri a olhar para o céu. Era incrível como me sentia tão bem naquele lugar, ainda que não estivesse ainda completa.

Helen entrou no meu cantinho e estendeu-me o telemóvel:

-Já mudei o cartão! Podes liga-lo!

Eu assim, fiz sem hesitar. Quando o ecrã se iluminou, o telemóvel começou a vibrar nas minhas mãos. Arregalei os olhos, pasmada.

Uma, duas, três, quatro… Catorze chamadas não atendidas e oito mensagens para ler! Apressei-me a ver quem me tentara contactar. Quatro chamadas eram de Liliana e as outras dez eram de Gustavo. As mensagens eram maioritariamente de Gustavo, e mostravam o quão preocupado ele tinha ficado durante os dias em que nos vimos. Não consegui evitar de sorrir. Eu tinha de admitir que estava a ficar cada vez mais rendida a ele.

Helen apanhou-me com o sorriso enviesado no rosto e encostou-se á ombreira da porta, de braços cruzados e olhar trocista:

-Não te babes!

Revirei os olhos, sem alterar a minha expressão:

-Não sejas parva!

-Já te viste ao espelho? – Perguntou – Estás completamente apaixonada!

Senti-me corar e ergui o queixo:

-Não exageres!

-É incrível que ainda te custe admitir!

Virei o rosto, envergonha:

-Tiveste sorte, Lannis…

-Lana – Corrigi.

Ela prosseguiu:

-Ele gosta mesmo de ti! - Ela riu-se, com sarcasmo elevado – Deve ser masoquista!

-Sua parva! – Acusei mostrando-lhe a língua, animada – Tens é inveja!

Ela riu e roubou-me um beijo na bochecha:

-Devias erguer-lhe um altar! É tão bom ver-te feliz!

Sorri, timidamente, e depois percorri o quarto para sair dele:

-Quero ir ver a Liliana! Levas-me?

-Já? – Ela esboçou uma careta.

-Se não te importares!

Ela soltou uma lufada de ar:

-Não me apetece esperar por ti a tarde toda, estou cansada da viagem!

-Eu depois volto sozinha! – Implorei – Arranjo boleia!

Ela olhou-me pelo canto do olho:

-De certeza?

-Absoluta!

Helen, deu de ombros:

-Está bem, anda lá!

Dei um saltinho de alegria e fui buscar uma bolsa com o necessário. Ela ajeitou os cabelos loiros e colocou os óculos de sol no rosto.

Levou-me até á vila, e eu saí do carro apressada, deixando-a regressar a casa depois de ouvir algumas indicações suas.

Apressei-me para a zona onde ficava o café de Lili. Quando cheguei lá perto, olhei para a entrada e enrolei melhor o meu lenço em redor da ferida, e entrei, algo nervosa. Comecei a distinguir alguns cheiros conhecidos, e dei passos lentos para a zona principal do estabelecimento. Empurrei a porta de vidro que separava as duas partes do café, e passei por ela, acompanhada pela corrente de ar que fez os meus cabelos esvoaçarem. Olhei para o interior do balcão, procurando vestígios de Liliana ou Pedro, porem, senti-os noutra zona do estabelecimento, sem se aperceberam da minha chegada. Como que uma rajada de vento, certas auras familiares chegaram até mim, vindas da ponta onde um grupo de jovens conversava animadamente. Sorri nervosa quando reconheci vários membros da minha turma, e despachei-me para chegar até eles. Liliana era a única que estava de pé, e quando me viu sorriu, aliviada e outro tanto feliz. Os restantes membros do grupo pareciam ainda não me ter visto. Sérgio e Natacha brincavam um com o outro, e pela leitura que fiz dos seus lábios, entendi que estavam animados. Letícia e Darla, estranhamente presentes naquele aglomerado de pessoas, conversavam com calma, com Verónica e Lau, a única que para alem de Lili se apercebeu da minha chegada. De costas para mim estavam rapazes, nomeadamente Rodrigo, Pedro e Ivo.

Acenei-lhes com um sorriso largo.

Lili foi a primeira a abraçar-me. Apertou-me nos seus braços com força e eu esbocei um largo sorriso:

-Voltei! – Exclamei, encolhendo os ombros.

Os outros aperceberam-se da minha chegada e olharam-me, admirados:

-Lana? – Ivo franziu as sobrancelhas e entreolhou Rodrigo. Não consegui entender aquele espanto.

-Uau, estás diferente! – Disse Natacha, franzindo as sobrancelhas com um sorriso enviesado.

-Encaracolaste o cabelo? – Perguntou Darla.

-Está ao natural…! – Admiti – Não tive tempo de lhe fazer nada!

-E Então essas ferias?! – Perguntou Verónica, com simpatia.

-Nada de mais! – Respondi - Então e vocês? – Perguntei, animada – Divertiram-se?

Senti-me atraída pelo olhar de Lau, e fitei-a. Ela olhava-me embasbacada, com um sorriso torto e trocista no rosto. Era irritante ela saber como eu me sentia!

-É o costume! Não há grande coisa para fazer por aqui!

-não te incomodes! – Exclamei, atirando o cabelo para trás das orelhas – Eu estive num sítio onde se passaram muitas coisas, e acredita, prefiro esta calma!

Agarrei o lenço na minha mão e apertei-o nos meus dedos. Sentia-me quente. Letícia franziu as sobrancelhas, especada na minha direcção:

-O que te aconteceu? – Perguntou, atentamente.

Os outros fitaram-me, sem saber ao que ele se referia.

Franzi as sobrancelhas:

-Nada, porquê?

-Tens aí um grande curativo!

Abri a boca, esclarecida:

-Oh, isto!

Não prossegui. Vi-me interrompida quando a porta de vidro de abriu e deixou entrar uma brisa fresca, acompanhada por uma fragrância única. Quase involuntariamente olhei por cima do meu ombro, e sorri para Gustavo que trocou comigo um vislumbre intenso e eterno, discretamente. O meu coração palpitou com mais força e as pernas tremeram. Parecia que ia explodir de alegria, e a vontade de retomar aos seus braços deixava-me louca, de uma maneira inexplicável. A forma como os seus profundos olhos azuis me encaravam, tiraram-me o fôlego, e por isso voltei a fitar os meus colegas o mais rapidamente possível, para me controlar e não fazer nenhum disparate. Previsivelmente, só mesmo Lau é que se apercebeu.

-Foi algum acidente? – Perguntou Pedro, sobre o meu curativo.

Senti Gustavo aproximar-se mais, mas tentei não me desconcentrar, e sorri ironicamente

-Um acidente provocado!

Liliana cerrou os dentes, assustada com o tamanho do curativo, assim como os outros que fizeram sons de impressão desconfortável, no entanto, ela teve uma preocupação algo mais sobrenatural, e eu entendi que ela tinha receio que aquilo fosse alguma mordida:

-Andaste á pancada?

Ri-me, angelicalmente:

-Não consegui evitar!

-Bolas, deve ter sido uma grande discussão! – Disse Darla, atenta do ferimento.

-Que posso eu dizer? – Senti o aroma de Gustavo mais forte, atrás de mim, e percebi que ele me ia saudar particularmente, porem, terminei a minha resposta - Meti-me com um bêbado!

-Tu o quê?! – A sua voz interrompeu o seu acto, num misto de procuração e choque.

Eu fitei-o de soslaio e encolhi os ombros, sorrindo com uma criança traquina. Os nossos olhares trocaram-se rapidamente, e eu captei que ele não gostou de saber tal coisa. Alterou completamente a sua postura, adoptando um olhar repreensivo:

-Estou viva! - Assegurei

-A mim parece-me que te falta um pedaço! – Troçou Ivo – Vá, conta, o que te aconteceu?

Suspirei. Gustavo ficou realmente preocupado com aquela revelação tardia, e isso estava a deixar-me também afectada. Olhei para o chão, nervosa:

-Magoei-me com… Uma garrafa de cerveja!

Os rapazes soltaram risos trocistas:

-A Lana foi para a borga!

Sorri-lhes de volta. A história não era tão alegre como eles podiam pensar.

Gustavo olhou-me com um certo ciúme:

-Estou a ver que a noite foi animada…!

Eu sorri-lhe, provocatoriamente:

-Nem por isso! A melhor foi a de ontem!

Ele desviou o olhar de mim, tentando não sorrir, apesar de a vontade ser evidente.

-Porquê? – Perguntou Rodrigo, sem saber o quão indiscreta aquela pergunta era.

Lau soltou um riso:

-Não te diz respeito!

Gustavo sorriu também, e trocamos um olhar saboroso, mas rápido. Sérgio franziu as sobrancelhas:

-Também andaste á pancada, Gustavo?

Ele sorriu:

-Foi por um bom motivo! – Disse, e passou a sua mão nas minhas costas, levemente, sem que ninguém se apercebesse. O meu corpo ficou trémulo, e de um segundo para o outro, a minha boca encheu-se de desejo.

Percorri todas as pessoas ali presentes, tentando não encarar aquela vontade, e esquece-la por momentos.

-Andaste desaparecido, ontem! A tua mãe estava furiosa!

Mordi o lábio. Será que ele tinha ficado em sarilhos?

-A minha mãe está bem! – Disse, calmamente, fazendo-me sorrir outra vez.

Olhei para Lili, animada:

-Hei, a Rebeca?

Ela cruzou os braços e revirou os olhos:

-Não sei! Já não a vejo desde que a escola acabou!

-Deve ter ido de férias! – Interveio Darla.

-Hum…

Senti-me um pouco triste por não a ver. Gostava de lhe poder contar que tinha mordido um pescoço… Não, brincadeira! Eu apenas sentia que ela estava mais longe do que podíamos imaginar, e a ideia não me agradava. Na ultima semana de aulas ela estava muito estranha. Parecia cada vez mais pálida e começaram a aparecer-lhe bolhas de agua na pele. Todavia, não tive oportunidade de me aproximar dela para saber o que se passava.

Natacha e Sérgio levantaram-se da cadeira e pegaram nas suas coisas:

-Bem, pessoal, está na nossa hora! – Disse, Natacha, colocando a bolsa ao ombro.

-Oh, já vão embora? – Perguntei decepcionada – Acabei de chegar!

-Desculpa, mas já estamos aqui desde as onze horas da manha, e já são… - Ela olhou para o seu relógio de pulso, e pareceu mais chocada do que era suposto – Quatro da tarde!? Tenho mesmo de ir para casa!

-E não és a única! – Disse Verónica levantando-se também da cadeira, enquanto vestia um casaco – Perdi a noção do tempo! Tenho uma consulta no dentista!

Suspirei, e apercebi-me que mais pessoas se começaram a preparar para ir embora. Darla e Letícia, Rodrigo e Ivo, e até mesmo Pedro, que morava a poucos metros do café!

-Lili, Pedro… Vocês também vão embora?

-Desculpa Lanita, mas o meu turno acabou há horas, estou um pouco cansada! – Liliana encolheu os ombros, fazendo-me sentir uma autêntica abécula.

-E tu Pedro? – Esperancei. Gustavo reagiu atrás de mim, enciumado, e eu não consegui evitar de sorrir na direcção de Pedro, sem intenção, por causa dele.

Pedro bufou e arrumou a cadeira onde estava sentado:

-Treino de Futebol! Desculpa!

Fiz um esgar, e cedi. Começaram todos a dirigir-se á saída do café, uns mais apressados do que outros. Quem ficou mais para trás foram Laura, Liliana, eu e Gustavo. Fiquei um pouco agitada ao entender que ia ficar sozinha:

-Hei esperem! – Disse, de repente.

Todos me olharam, e eu sorri:

-Alguém me pode dar boleia?!

Os rapazes mais velhos, entreolharam-se, e Ivo foi o mais prestável:

-Claro!

Sorri-lhe aliviada, e dei um passo para ir ter com ele. Gustavo, porem, agarrou-me a coxa do braço, impedindo-me qualquer movimentação:

-Nem pensar!

Encarei-o com um sorriso incrédulo:

-Porquê?!

De repente todos olharam para nós, confusos, excepto Lau, mais uma vez.

-Ainda têm um acidente!

Lancei-lhe um olhar irónico, e sacudi-me. Ele vincou o sobrolho, desagradado com a minha teimosia, e eu fiz uma tentativa frustrada de ir ter com Ivo, que por sua vez reagiu:

-Hei, qual é o problema? Não confias em mim, Gustavo?

-Onde está a Helen? – Interrogou-me, sem ligar minimamente ao amigo.

-Em casa! – Respondi – Está cansada, não a vou incomodar outra vez!

Ele respirou fundo, e olhou para Ivo:

-Deixa a estar Ivo, a Helen vem já busca-la!

Abri a boca:

-Que lata!

Ele riu com sarcasmo, e eu dei-lhe uma sapatada no braço, sem o magoar. Estranhamente, tive vontade de rir. Parecia tudo um jogo. Ele mirou as pessoas que se preparavam para sair, mas que ainda não o tinham feito por curiosidade:

-Podem ir descansados! – Assegurou.

Todos se entreolharam, mas não perderam mais tempo, e começaram a sair do estabelecimento. Ele largou-me, por fim, e eu repreendi-o:

-Não é justo! Vou ter de ficar aqui sozinha!

Liliana franziu o sobrolho por causa de Gustavo, mas dirigiu-se a mim, calmamente:

-Vem comigo. – Convidou.

Lau, contrapôs. Nos olhos dela, vi claramente que estava a representar, e que tudo o que estava prestes a dizer era mentira:

-Liliana, estás cansada! Eu e a Lana ficamos juntas, não te preocupes!

Ela não refutou, e eu fitei Laura, com um sorriso enviesado:

-Bem, então aproveitem bem a tarde!

-Claro!

Gustavo, suspirou, julgando que eu, realmente, ia ficar com Lau, no entanto, quando Liliana abandonou o estabelecimento, Lau mostrou-se indiferente á minha presença. Ela passou por nós, com a sua bolsa azul bebé ao ombro e com os óculos de sol a adornarem-lhe o cabelo loiro volumoso, e sorriu-nos maliciosamente:

-Depois quero saber mais! – Informou, acentuando a sua última palavra.

Gustavo franziu as sobrancelhas, admirado por ela parecer já saber o que tinha acontecido, e mirou-me, baralhado. Fiz de conta que não sabia de nada e acenei á jovem. Ficamos novamente a sós:

-Tu não ias com ela?

-Queres que eu vá?

-Não! – Respondeu, sem hesitar.

Eu sorri timidamente e desloquei-me para o exterior, seguida por ele.

Lá fora, o sol fazia o chão aquecer, e as árvores tinham as folhas no tom mais verde e fresco do ano. Tudo parecia primaveril. O ar, as cores, as pessoas, os sons e os cheiros.

Gustavo entrelaçou os seus dedos com os meus, e deu-me um beijo na bochecha sem eu estar á espera. Senti-me corar, e fitei o céu para não cair no chão, sem força nas pernas.

-Então… Levas-me a casa?

-Não.

Fiz um ar dramático:

-Muito bem… - Assenti, teatralmente - Então eu vou embora a pé, sozinha, pela estrada perigosa e sombria, a correr o risco de um carro escuro e sinistro parar e de lá sair um ladrão que me ataque!… E tudo isto, porque não tenho um namorado prestável que me leve até casa! – Olhei-o acusatoriamente, e suspirei, fingindo-me torturada - Não é triste!?

Ela riu sem humor:

-Isso é para me fazeres sentir mal?

-Depende… Está a resultar?

Ele passou os braços em redor da minha cintura, olhando-me com intensidade:

-Consegues fazer melhor! – Disse, expondo o sorriso branco perfeito.

Percebi ao que ele se referia, mas não lhe fiz a vontade e cruzei os braços:

-Nunca mais te beijo! – Ameacei.

-Tu não consegues resistir! – Ele sorriu, acertadamente, e bastava faze-lo, para se comprovar que tinha razão. Era impossível dizer que não aquela boca. Mordi o lábio, com teimosia:

-Eu consigo! – Tentei acreditar.

Gustavo riu-se, e aproximou o seu rosto do meu, sem me dar hipótese de fugir, visto estar a prender-me com os seus braços. Comecei a notar a sua respiração perto da minha, fresca e quente, com um sabor a arco-íris.

-Tens a certeza? – Ele testou-me.

Fechei os olhos e gaguejei:

-Sim!

-Absoluta?

Descolei os meus lábios, quase por instinto, e deixei-o colar a sua boca á minha, lentamente, mas de uma forma, deveras, envolvente. Rodeei os meus membros em torno do seu pescoço, e deixei-me continuar com aqueles movimentos bocais. Era estranho, até mesmo incrível, como eu não conseguia resistir-lhe. Algo em Gustavo deixava-me sem auto-controlo, e eu não sabia o que era. A sua aura era mais intensa do que todas as outras, e por vezes eu nem sabia como ele me conseguia transmitir tantas emoções e tanto desejo ao mesmo tempo. Nós os dois, éramos como dois imanes, que mesmo não sendo totalmente opostos, nos atraiamos sem conseguir evitar.

Ele retirou os seus lábios do alcance dos meus, sem eu estar á espera, e sorriu, vitorioso:

-Pelos vistos, não és capaz!

Fiz uma ar de derrota:

-Por favor… Leva-me…! – Pedi, desta vez com uma voz entristecida, de propósito para ele sentir pena.

-Tenho medo que te aconteça alguma coisa. – Respondeu.

-Ora, não sejas assim! Eu gosto de andar de moto, de sentir o cabelo a ficar para traz, o vento a bater-me na cara… Não me importo do que possa acontecer!

Ele suspirou. Aquilo era uma desistência.

Gustavo, puxou-me atrás dele, até alcançarmos a sua mota. Só havia um capacete. Ele pegou nele, e sem pensar duas vezes colocou-o na minha cabeça:

-Segura-te bem, por favor!

Acenei afirmativamente, agora com a cabeça mais pesada:

Ele montou a mota e eu fiz o mesmo, entusiasmada. As minhas mãos foram puxadas para a frente do seu corpo, prendendo-me a ele, com mais força, e eu encostei a cabeça ás suas costas:

-Eu confio em ti… - Assegurei.

Ele sorriu-me, e ligou o motor. Senti um formigueiro na barriga; a adrenalina começou a dar sinais no meu organismo. Num momento escutei o ruído da moto, e no momento a seguir, senti a brisa lutar contra mim com mais força. As casas e as árvores ficavam para trás, enquanto a velocidade aumentava para meu agrado. Era uma sensação de liberdade incompreensível. Dava-me vontade de gritar, saltar e rir, e não me admirava o gosto que Gustavo tinha por aquele desporto. Apertei-me mais contra o corpo dele, em êxtase, e aspirei o cheiro da natureza. Quando começamos a aproximarmo-nos de minha casa ele abrandou, até que finalmente paramos em frente àquela casa solitária. Saltei para o chão, rápida e eufórica, e retirei o capacete na cabeça. A adrenalina tinha-me deixado completamente entusiasmada, e não consegui dizer “não” á vontade súbita, mas ardente de agarrar Gustavo mal ele saiu também de cima do seu veículo. Beijei-o como se não o fizesse á séculos, e fui correspondida. Era tão bom que quase não existia vontade em parar, mas isso tinha de acontecer! Precisávamos de ar!

Desencostei apenas a minha boca da dele, e vi-o sorrir-me:

-Tiveste medo? – Perguntou.

-Não! – Respondi, ofegante.

Ele esfregou o olho com a mão:

-Acho que me entrou qualquer coisa para o olho! – Informou, com a visão ofuscada. Segurei o seu rosto e fi-lo olhar-me nos olhos.

-Não me devias ter dado o capacete!

Toquei com os meus dedos nas suas pálpebras, e ela abriu-as, com um certo esforço. Olha-lo daquela perspectiva era ainda mais fascinante do que o costume! Os seus olhos engoliam-me viva, e deixavam-me como que sem resistência mental. Passei o dedo no canto do olho, e afastei um pequeno cisco que estava lá agarrado. Gustavo piscou os olhos, incomodado, mas conseguiu livrar-se daquela confusão visual.

-Já está! – Murmurei, aspirando aquele hálito atractivo.

Ele esfregou o olho, outra vez, afugentando aquela sensação de dormência, e tocou os meus lábios com os seus rapidamente, mas eu fugi-lhe. Virei a minha face, fazendo-me difícil, e sorri, sentindo o seu nariz rente á minha bochecha:

-Eu consigo resistir… Se quiser!

Soltei as suas mãos de mim e dei um passo de recua, piscando-lhe o olho, e corri para entrar na mata. Ele seguiu-me como se aquilo fosse um jogo. Eu conhecia cada árvore, cada ramo e cada flor porque passava. Por pouco conseguia atravessa-las de olhos fechados, e naquele momento, fi-lo quase aos saltos, como numa dança sem rumo, até que fui alcançada e presa contra o seu peito. Gustavo deu-me um beijo no pescoço, fazendo o meu corpo vibrar, e eu sorri, sem nada dizer. Voltei a fugir-lhe, e voltei a ser seguida. Ouvi o som da água a correr, e a pluviosidade aumentar, portanto, abrandei os meus passos para descer para as rochas polidas, e chegar á água fresca.

Lancei um sorriso ao meu namorado. E como era completivo pensar nele assim. Era como se algo dele fizesse parte de mim, e ninguém o pudesse negar, como se estivéssemos ligados sem obstáculos e pela primeira vez eu tivesse alguém que me olhasse e me tratasse mais especialmente do que qualquer outra pessoa.

Ele fitou-me, da forma mais intensa que eu encarei até á data. Transmitia todos os sentimentos e mais alguns, e despertava em mim, sensações que mais ninguém conseguia despertar, como desejo e descontrolo.

Ele chegou mais perto de mim, e puxou-me pelo tecido do meu traje para perto dele, envolvendo-me num beijo lento, suave e gostoso, mas cheio de vontade mútua. Desta vez, contudo, foi ele quem nos travou, mas com algum motivo inquietante em mente. Olhou em redor, baralhado. A face, tal como a visão, alternava de árvore para árvore, de rocha para rocha e percorria toda a margem de água cristalina. Franzi o sobrolho:

-O que se passa? – Quis saber.

Ele olhou para mim, por fim, e abriu a boca, sem saber o que dizer ao certo:

-Esquece…! – Pediu, pouco convincente.

-O que foi? Estás com cara de caso!

Ele mordeu o lábio e encarou-me longamente. A dúvida e vontade de perguntar era enorme, porem, ele tinha também receio na sua aura.

-Lana… Da ultima vez que estivemos aqui juntos… - Ele semicerrou os olhos e olhou na direcção da água, confuso – Tu…? Tu tinhas asas?

Abri a boca, chocada com a pergunta, e, num reflexo rápido, dei um passo de recua para me afastar dele. De facto, aquelas mini férias tinham-me ajudado a relaxar e a esquecer as minhas anomalias. Por momentos parecia que tudo tinha sido um sonho, só que, de repente, Gustavo fez-me voltar á estranha realidade. Olhei para o chão. O meu coração palpitava a mil, pois o medo de confirmar aquela questão era demasiado forte para eu conseguir responder direito.

-Asas? – Vociferei, sem esconder o meu estado medroso – Achas que eu…?

-Eu vi! – Ele relembrou, entretanto – Eu estava mais preocupado em esclarecer o que aconteceu, mas… Tu tinhas asas, Lana! – Ele riu, sem humor – Tu ameaçaste matar-me se eu contasse a alguém…!

Engoli a seco. A minha respiração estava presa e o medo crescia. Aquela revelação podia ser fatal. E se ele não reagisse bem? E se ele tivesse medo de mim e me deixasse outra vez sozinha? Céus, o que é que eu podia fazer?

-Tu…? – Olhei para o céu, sem saber o que fazer – Acreditas em anjos?

Ele sorriu e confirmou com a cabeça:

-És um anjo?

Eu não consegui responder. Ele olhou-me de cima a baixo:

-Mostra-mas!

-O quê?! – Eu precisava de ter a certeza que ele me pedia aquilo.

-As tuas asas! Eu não te… faço mal!

Fitei a água transparente aos nossos pés. Eu não podia fazer aquilo. Ele podia não reagir bem, e isso eu não suportaria, nunca!

Senti-me, então, sem estar minimamente á espera, ficar rodeada por uns membros rijos, e depressa os meus lábios foram beijados, levemente:

-Eu não tenho receio!

Vislumbrei o seu rosto:

-Tens a certeza? – Quis confirmar.

Ele respirou fundo, e lentamente murmurou:

-Te iubesc! *

-O quê? – Não consegui evitar de rir daquela afirmação estranha.

Ele sorriu-me também, mas com um carinho elevado:

-Não tenhas medo! Os meus pais acreditavam em anjos caídos, portanto… Não posso duvidar deles! – Os nossos dedos entrelaçaram-se - Mostra-mas…

Ele afastou-se de mim, aproximadamente dois metros, para me dar espaço. Olhei-o receosa, mas ele atirou aquele olhar reconfortante e protector. Eu mordi o lábio e fechei os olhos. Movi, suficientemente, as minhas costelas, e senti, como há já alguns dias não sentia, as asas irromperam da minha pele, sem magoarem, osso por osso, pena por pena. Quando soube que estavam totalmente expostas e brancas, abri os olhos, com um aperto no peito.

Gustavo estava boquiaberto. O seu corpo manteve-se estático, e somente os olhos se moviam, vislumbrando-me de cima a baixo. Senti a minha visão ficar turva, o batimento cardíaco descontrolar-se e as forças desaparecerem. Ele não reagia, apenas me olhava. Eu tinha de fazer algo para acorda-lo!

Dei dois passos em frente, sem saber como falar:

-Ainda sou eu! – Disse, sem jeito, com a respiração presa – Estás bem?

Os nossos olhares cruzaram-se. Parecia que a minha mente estava a ser lida a fundo. A forma como ele me olhava… Não era o que eu esperava. Não havia qualquer medo ou confusão, simplesmente fascínio, e um sentimento ardente incontrolável. Senti-me ficar sem ar á medida que os joelhos davam sinais de decadência e o estômago vibrava de nervosismo. Aproximei-me mais, com cautela:

-Gustavo?

Ele mordeu o lábio.

E eu vi, mesmo antes de agir: Ele desejava-me. E era um desejo que me invadia simultaneamente. Parecia que tudo tinha ficado mais intenso! Os sons, os cheiros, os movimentos, e especialmente as emoções que nos percorriam e os olhares que trocamos. Era como uma atracção fatal, súbita, que não nos deixou ficar indiferentes, e bastou um passo para Gustavo deixar os nossos corpos rentes. Ele segurou-me a cintura com força contra ele. Senti a sua respiração entrar-me nas vias respiratórias e a minha respiração ficou ofegante com tamanhas sensações. Os nossos lábios tocaram-se ao de leve, acendendo uma espécie de chama que nos fez avançar. Passei as minhas mãos pelo seu peito acima, sempre a combater a minha respiração, enquanto as bocas não se fixavam uma na outra, e em vez disso se tocavam levemente, como um primeiro nível de jogo. Senti-me ainda mais presa a Gustavo, mas por outro lado, mais livre. Segurei-lhe o rosto para que ele não hesitasse, e senti a suavidade feroz da parte exterior do contorno da sua boca prender o meu lábio inferior, e depois o superior. Eu não sabia ao certo o que se estava a passar connosco naquele momento, todavia, era impossível parar. Eu mordi-lhe o lábios com os dentes, sem o magoar, e perguntei-me, onde raio eu tinha aprendido aquilo, apesar de não ter o mínimo interesse pela resposta. Ele mostrou-se satisfeito com o meu acto, e respondeu-me a mordida, sem me afugentar. As suas mãos largas amarrotaram o meu vestido, e percorreram a minha pele como uma massagem intensa. Por minha vez, eu arrastei os meus dedos até ao seu cabelo, e puxei-os, sem brusquidão. Deixei que a sua língua tocasse a minha, e brincasse com ela. As suas unhas curtas arranharam-me as costas sem causar dor, apenas arrepios. Apenas a falta de ar queria impedir-nos de ficar ali para sempre.

As nossas bocas descolaram-se ao mesmo tempo, numa leitura de pensamentos exacta, no entanto, continuaram perto, enquanto as nossas mãos se mantinham activas em pequenas carícias, gostosas. Fechei os olhos e humedeci os lábios:

-O que se passa connosco? – Vozeei, com a respiração fraca.

-Eu não sei… - Respondeu ele, também com respiração dificultada – Eu não consigo… deixar de desejar-te…!

Ele voltou a selar os nossos lábios durante dois segundos, e depois percorreu a sua boca pelo meu maxilar, entre pequenos beijos inofensivos. Bati levemente as asas, impulsionando-me para trás, o que fez com que ele me largasse. Tentei controlar a minha respiração, sem conseguir desviar as minhas atenções dele:

-Não me achas…? Uma anormalidade?

Ele negou com a cabeça:

-Eu… - Ele mirou as minhas asas, e aproximou-se de mim, mais uma vez, guardando o que ia dizer, para si.

Passou a mão no meu cabelo, sem deixar de atentar os meus membros sobrenaturais, e fitou-me, parecendo insaciado.

-Posso tocar? – Perguntou, robotizado.

Deixei as pálpebras esconderem os meus olhos e abanei a cabeça:

-Podes…!

O corpo dele ficou mais perto. Senti o seu coração descompassado, junto a mim, e de seguida, um leve formigueiro percorreu a parte superior da minha asa esquerda, cuidadosamente. Um calafrio invadiu-me, e eu deixei o meu rosto afundar-se naquela T-shirt perfumada.

Gustavo afastou os dedos das minhas penas, e levantou a minha face, para eu olha-lo. A minha íris castanha fixou-o. A pupila dos seus olhos parecia ter reduzido astronomicamente, deixando apenas os três tons de azul distintos. Era intenso. A forma como nos olhávamos era diferente. Não havia mentira, e a timidez não era tanta como era habitual no inicio de um namoro, existindo apenas uma espécie de corrente que nos deixava hipnotizados. Ele baixou a sua cabeça e beijou-me os lábios, desta vez suavemente, mesmo que o desejo continuasse patente no seu espírito. Desuni as nossas bocas, e sorri, timidamente, sem o olhar. Sentia-me bem com aquela sensação. Sentia-me mais forte, no entanto intimidada.

-Tu podes voar? – Ele quis saber, enquanto roçava o seu nariz na minha pele.

-Mais ou menos! – Respondi orgulhosa.

Gustavo ficou surpreso. Aquela questão fora feita sem expectativa de ter uma resposta positiva.

Distou quarenta centímetros do meu rosto, para me encarar melhor:

-é por isso que te doem as costas?

-Já não doem! – Informei, com um sorriso aliciante – A Cristina curou-me!

-Ela sabia?

-Sim.

Ele franziu as sobrancelhas:

-Há quanto tempo és assim?

Olhei para a água transparente, o lugar onde elas surgiram pela primeira vez, e bufei, antes de encara-lo outra vez:

-Desde que nos afastamos…

Ele abriu a boca, ligeiramente, e mostrou-se constrangido e triste. Dei um sorriso reconfortante. O meu coração transformou-se em manteiga.

-Desculpa… - Murmurou, selando um abraço forte comigo – Eu não queria…!

-Não faz mal. – Interrompi. Os meus braços rodearam-lhe o abdómen rijo.

Ele beijou-me a testa e encostou a sua ao meu cabelo:

-Ficas mais intensa!

Arqueei as sobrancelhas:

-Intensa!?

-O teu cheiro… - Ele aspirou a minha fragrância – Está mais forte! Deve ser por isso que tenho tanta vontade de te ter comigo…!

-Eu tenho cheiro? – Indaguei.

Ele sorriu:

-E é bom.

Senti-me corar, e fechei os olhos, saboreando aquele conforto corporal.

Fechei as asas, por vontade súbita. Gustavo estremeceu, ligeiramente, assustado com aquela mudança física, e eu encarei-o:

-Elas ainda estão aqui…

Ele não sorriu. Fez-me uma pequena festinha com as costas da sua mão, pensativo. Mordi o lábio, com um sorriso maroto:

-Que sério…! Pensei que a aborrecida fosse eu!

Ele sorriu, forçado, e manteve-se atento a mim, e depois suspirou com um certo peso na alma, abrindo a boca para dizer algo:

-Há 17 anos atrás, apareceu, aqui, uma rapariga grávida que agia anormalmente… – Disse-me, calmamente - Ela intitulou-se como “anjo caído” e fez os meus pais prometerem que eu havia de proteger a criança que ela esperava, porque não existia ninguém que mostrasse tanta atracção por um embrião, como eu… - Ele Fixou-me - Isso diz-te alguma coisa?

Franzi as sobrancelhas:

-Que queres dizer?

-Quero dizer que tu tens quase 17 anos, nunca conheceste os teus pais, és um anjo e… Eu sinto uma estranha necessidade de te proteger.

Esbugalhei os meus olhos, incomodada com a junção que ele fez àqueles factos, e fugi à proximidade com ele, assustada, de certo modo:

-Coincidências!

A minha visão ficou turva, com um pingo de ódio.

-Destino! – Corrigiu. Gustavo segurou a minha mão e entrelaçou os seus dedos com os meus, puxando-me de volta para perto dele – Desculpa ter tocado no assunto. – Lamentou, ao aperceber-me que eu estava desconfortável – Te iubesc!

Franzi as sobrancelhas:

-O que é que disseste?

Ele suspirou e não respondeu concretamente:

-Eu gosto muito de ti… - Referiu.

Senti-me corar, e baixei a cara, escondendo o meu sorriso envergonhado. Ele passou o polegar no meu lábio:

-Adoro ver-te sorrir…

Eu ri mais, sem querer. O facto é que ele conseguia que eu fizesse coisas que eu não controlava, como sorrir, ainda que os motivos não existissem. Bastava ouvir a voz dele, ouvir um elogio ou até mesmo um disparate, para ficar assim.

Pus-me em bicos de pé e dei-lhe um beijo na bochecha, como sinal de inicio de jogo. Dei passos leves e graciosos para me afastar dele, sorrindo-lhe em tom de provocação. Ele sorriu-me e tentou apanhar-me. Saltei de rocha em rocha, com atenção para não cair. Por entre as arvores trocávamos olhares intensos, e sorrisos desejosos, enquanto aquela caçada continuava. O predador sabia que quando conseguisse apanhar a presa, seria recompensado, ainda que ninguém o tivesse explicitado, porem eu era mais ágil naquele sítio. Era o meu meio, inexplicavelmente. Conseguia passar pelas plantas espinhosas sem lhes tocar, agarrar os troncos mais fortes, controlar os meus pés para não cair, e tocar a água sem me encharcar! Gustavo, todavia, não era desajeitado, e conseguia proezas semelhantes. Enquanto eu dava passos leves, ele dava saltos arriscados, e isso estava a dar-lhe terreno. Nós não dizíamos nada. Não era preciso. Aquilo era um verdadeiro jogo de sedução que eu nunca pensei vir a fazer, ao qual só tinha assistido em filmes antigos. A íris azul reflectia a água pura daquele lugar. A castanha escondia-se por entre as árvores, como um encaixe, mas nos momentos em que as duas se tocavam era como de a terra fosse banhada pela água, numa combinação perfeita e mágica. Os sorrisos camuflavam-se com os sons da natureza, e escondiam-se nas folhas verdes, estimulando a tentação nas nossas bocas.

Gustavo deu um salto, quase a alcançar-me, e eu, matreira, abri as asas em milésimos de segundo e bati-as tão depressa que ele nem me viu subir para os ramos altos de uma árvore. Abafei um sorriso ao aperceber-me que ele não sabia de mim, e saltei para o ouro gano, provocando, sem querer, um som ligeiro. Ele levantou a cabeça e eu pisquei-lhe o olho:

-Perdeste!

Ele pareceu enfeitiçado, enquanto me vislumbrava, mas riu, despreocupado:

-Achas mesmo?!

Saltou para uma rocha mais alta e agarrou-se ao tronco irregular da árvore onde eu me encontrava. Pôs um pé numa ramificação e elevou o seu corpo, em busca de mim. Então eu saltei, sem receio. Debaixo de mim, só havia rochas e agua, para uma pessoa normal era morte certa. A aura de Gustavo adensou, quando me viu cair, e num reflexo, ele atirou-se para o local onde eu ia cair, de maneira a impedir-me qualquer choque, e alcançou o meu corpo antes de eu bater as asas para não me magoar. Senti-me repousada nos seus braços, firme no seu colo. Ele estava ofegante, e assustado. Dei-lhe um beijo na cara:

-As asas diminuem a velocidade da queda! – Murmurei, rindo ao seu ouvido.

-Tu és doida! – Respondeu, abismado.

-Ganhaste!

Eu ri-me e beijei-lhe os lábios. Ele prendeu-me a barriga contra ele com força, impedindo-me tocar o chão com os meus pés. Não entendi onde ele tinha ido buscar tanta força para me manter no seu colo, mas ele fê-lo, e ainda assim, beijou-me com toda a vontade que eu tinha suscitado nele durante aquela brincadeira invulgar. A forma como ele me segurava, não só com as mãos, mas também com o lábios, parecia mais intensa do que nunca, naquele dia. Um simples toque, e o meu interior dava choque! Agarrei-lhe a face e arranhei-a com as minhas unhas, sem o ferir, intensificando aquele sabor a eternidade. Sentia-me, minuto a minuto, a perder o controlo e a aumentar o frenesim, e isso fez-me ficar estranha por dentro. Senti-me como uma derrotada que tinha encontrado a vitória. Desuni a minha boca e encostei a minha testa á de Gustavo:

-Oh bolas… - Murmurei, assimilando todos aqueles sentimentos na minha mente, que só rumavam para um lado.

-O que foi? – Perguntou ele, tocando a minha bochecha com a sua boca.

Fitei-o e mordi os lábios, sem saber se devia sorrir ou não:

-Estou a ficar completamente apaixonada por ti…!

Ele sorriu:

-Até que enfim…!

Sorri, completa de timidez. Ele apercebeu-se e mostrou uma cara que evidenciou alguma troça.

Fi-lo afastar-se e suspirei:

-Acho que tenho de ir… - Murmurei, encarando somente o chão, envergonhada.

Ele não me soltou a mão:

-Queres vir sair comigo? – Perguntou, de repente.

Olhei-o, admirada mas feliz, e sorri-lhe:

-Amanha?

Ele semicerrou os olhos e desenhou um esgar amuado:

-Amanha não dá… Tenho exame!

-Exame?! – Não percebi.

-De condução! – Completou.

Abri a boca, equivocada, e vinquei o sobrolho:

-Tu não tens carta?

-Só tenho de mota!

-Ah! Claro! – Esbocei um sorriso malandro – Já tens dezoito anos! Estás a ficar velho!

Ele riu:

-Eu vou ser um velho charmoso, vais ver!

Revirei os olhos, revelando-me incrédula com tal previsão, mas depressa baixei o olhar, macambúzia.

-Então, amanha não te vou ver?

-Não… - Respondeu, desiludido.

-Então…

Ele interrompeu-me:

-Domingo! Queres sair comigo, no Domingo?

Revelei um olhar e um sorriso amoroso, e pus a minha cabeça de lado:

-Isso é um encontro?

Ele fitou o céu azul, pensativo, e depois agarrou-me a mão e puxou-me para ele:

-Absolutamente!

-Hum… - Passeei os meus dedos pelos seus ombros – Então, posso saber o que vamos fazer?

Ele deu de ombros:

-Ainda não sei, mas – Ele acentuou aquela palavra – Não te quero de preto! Quero-te ao natural!

-Tipo Alannis?

-Tipo Alannis! – Confirmou – aceitas?

-Está bem…! Eu aceito!

E pela milésima vez, naquele dia, beijamo-nos, em sinal de “Até depois!”.



* Mais tarde descobrem o que significa!

Vá, comentarios, nem que seja a desejar os parabens! Matreiro
bjokas
as minhas fic's:
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
-Angelical
Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^
#288
Tu sabes o quanto te adoro... Não?!

Desculpa se este comentário parecer demasiado pequeno mas...não há palavras. Este, para mim, é o melhor capítulo da fic.
Oh pá, a Lana é a míuda mais sortuda que eu conheço. Tem um namorado todo jeitoso, todo amoroso e todo fofo. Ai dela se se queixar! Bah.

Pra dizer a verdade, mais ou menos a meio do capítulo, na parte em que ela solta as asas, eu só pensava: "Bolinha vermelha!, bolinha vermelha!". Não sei se fiquei desgostada quando não aconteceu. Tramar alguma Mas talvez seja cedo demais ainda...
#289
Karen_95 escreveu:Tu sabes o quanto te adoro... Não?!

Desculpa se este comentário parecer demasiado pequeno mas...não há palavras. Este, para mim, é o melhor capítulo da fic.
Oh pá, a Lana é a míuda mais sortuda que eu conheço. Tem um namorado todo jeitoso, todo amoroso e todo fofo. Ai dela se se queixar! Bah.

Pra dizer a verdade, mais ou menos a meio do capítulo, na parte em que ela solta as asas, eu só pensava: "Bolinha vermelha!, bolinha vermelha!". Não sei se fiquei desgostada quando não aconteceu. Tramar alguma Mas talvez seja cedo demais ainda...

oi karen! Quando postei este capitulo ainda nao o tinha relido ( aliás, ainda nao reli ) mas agora que me falaste em libertar as asas já fico com a memoria fresca. Por acaso, quando escrevi este capitulo e o proximo, tambem estava naquela "Bolinha vermelha, ou nao? Eis a questao!" Matreiro, mas cheguei á conclusao que era muito cedo para isso, portanto, nao vai acontecer, pelo menos nao numa primeira parte desta fic (sim porque já me passou pela cabeça criar uma segunda historia, uma especie de sequela, só nao sei se isso irá acontecer!). Enfim, como nao reli este capitulo até estava com medo de ter umas partes com muito a ser alterado, mas fico feliz por teres gostado tanto!
Mim tambem querer um Gustavo! Esperancoso
Matreiro
bjokas
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Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^
#290
O_O Capítulo tão lindo!! Esperancoso
Não é o melhor da fanfic, mas é dos melhores sem duvida. E eu que já achava que aquilo ia para a frente mas não, se fosse tu avisavas da bolinha vermelha xDD
A cena foi TAO romantica! Essa Lana é uma grande sortuda. Quem me dera ter o namorado dela Mal disposto

Mas fora estas coisinhas, tenho uma coisinha (ou duas) a dizer (calma, nao são criticas.. apenas me confundi numa e noutra.. é apenas curiosidade). Fiquei um bocado wft? quando a Lana aproximou-se da malta e enfim.. tá tudo ok, já não há "aquela criatura esquisita", somos todos amigos e tal... eu achei estranho, principalmente com a Letz e a outra lá no meio.
Já a outra coisa... que lingua é essa? inventaste ou deriva do latim? ou de outra lingua qualquer? Seja como for... DÁ-ME UMA PISTA! Fiquei com uma pulga atrás da orelha e quero muito saber Matreiro

Espero por próximos capítulos...
Espero por ti em cada segundo , porque tu és o meu mundo!




Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
Visitem a minha 1ª Fic ----->The Four elements
#291
AnA_Sant0s escreveu:O_O Capítulo tão lindo!! Esperancoso
Não é o melhor da fanfic, mas é dos melhores sem duvida. E eu que já achava que aquilo ia para a frente mas não, se fosse tu avisavas da bolinha vermelha xDD
A cena foi TAO romantica! Essa Lana é uma grande sortuda. Quem me dera ter o namorado dela Mal disposto

Mas fora estas coisinhas, tenho uma coisinha (ou duas) a dizer (calma, nao são criticas.. apenas me confundi numa e noutra.. é apenas curiosidade). Fiquei um bocado wft? quando a Lana aproximou-se da malta e enfim.. tá tudo ok, já não há "aquela criatura esquisita", somos todos amigos e tal... eu achei estranho, principalmente com a Letz e a outra lá no meio.
Já a outra coisa... que lingua é essa? inventaste ou deriva do latim? ou de outra lingua qualquer? Seja como for... DÁ-ME UMA PISTA! Fiquei com uma pulga atrás da orelha e quero muito saber Matreiro

Espero por próximos capítulos...
Obrigada pelo comentario Ana. Agora esclarecendo-te, julgo que devia ter especificado melhor esta parte, mas apena fiz referencia há nao sei quantos capitulos atras. Entao é assim, acho que, pelo menos quanto aos rapazes, desde inicio eles foram com a cara dela, apesar de a acharem estranha, e como, vá, sao rapazes, acho que nao tem tanto "medo" de falar para ela. Alem disso sao amigos do Gustavo, sabem que o Gustavo gosta dela (apesar de isso nao estar explicito já que a lana nao sabe tudo o que se passa na cabeça do namorado! Matreiro) e daí nem sequer se metem muito. É so mais uma rapariga lá da escola, se é que me entendes, que se estiver por perto fala-se e tal, sem problemas! Matreiro
Quanto ás raparigas. Bem a Lili é aquela base, desde inicio que se dão bem. A Natacha, sendo melhor amiga da Liliana, apesar de nao tao proxima da Lana, é uma pessoa que é sociavel e nao tem problemas em falar para a "esquezitoide" Matreiro A Lau e a Veronica sao aquela coisa, fazem parte do grupo e tal, a Lau percebe mais ou menos a Lana com aquele dom que ela tem, e daí foram-na conhecendo aos poucos, pelo que já nao tem vergonha falar e assim.
Quanto á Leticia e à Darla... Hum, isso vai começar a ser mais explorado no proximo capitulo, mas posso adiantar que elas estavam naquele grupo graças a uma influencia masculina muito fofa que nós já conhecemos! ;D
Espero que tenhas percebido esta parte.
Agora, a outra duvida. Desculpa, nao percebi... Embaracoso' Nao entendes de onde vem a palavra Letz?! Se for isso eu digo já que foi um nome que me veio á cabeça, porque há certos nomes que eu me entedio de dizer, como é o caso de Liliana (Daí eu usar Lili muitas vezes), e no caso da Leticia, como ela é uma pessoa pouco venerada pelos colegas, a parte o Z no final de Let, dá-me assim a sensaçao de coisa fraca, tipo Cobra ou assim (agora que penso nisso se calhar ficava melhor um "S" tipo o "SSsss" das serpentes, e tambem porque eu no meu falar labrego pronuncio Lets! lol). Mas já no proximo capitulo (tambem) vais ouvir outra alcunha que tem um sentido completamente contrario deste e que sinceramente nao deve existir em lado nenhum! Matreiro
Espero ter-te esclarecido, apesar de o testamento estar tao estranho (Estou sem tempo, Sorry)
bjokas
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#292
Oh não, tou a falar da palavra estranha que o Gustavo disse à Lana. Gostava de saber se a inventaste ou se a foste buscar a algum dicionário de uma lingua primitiva. Tenho um enorme interesse por estas coisas. Alias, andei a ver nomes gregos para as minhas personagens de fanfic Matreiro
Espero por ti em cada segundo , porque tu és o meu mundo!




Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
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#293
Ah!!! Te iubesc! Sim, existe mesmo, mas ela só vai saber o significado mais á frente. O Gustavo diz aquilo à Lana porque ela nao reage bem á traduçao. Matreiro
Dica: É uma expressao Romena! ;D
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#295
Capitulo XXI – Ciúme e atracção - 1ª parte



Na sexta-feira fui matar saudades de Liliana.

Estive em casa dela e, também na companhia de Pedro, conversamos a tarde inteira sobre as férias. Eu divertia-me com as discussões parvas entre eles os dois. Pelo que percebi, Lili tinha passado aqueles dias a fazer as tarefas que ele esquecia, mas ele defendia-se dizendo que a culpa era dela, afinal de contas, ela é que se antecipava nas tarefas. Soube que nos momentos livres, alguns colegas se juntaram e foram passear. Iam até ao cinema, saiam á noite, fizeram piqueniques, e as raparigas foram ás compras e coisas do género. A meu ver, não houve monotonia naqueles dias!

-Sabes o que é estranho? – Disse Lili, admirada – A Letícia e a Darla andam mais próximas de nós!

-Isso é bom ou mau? – Perguntei, bem-disposta.

-Não sei… - Ele fez uma careta – Sabes que eu nunca me dei muito bem com elas! Alem disso o passado da Letz não me agrada!

-Liliana, sua casmurra, as pessoas mudam! – Refutou Pedro – Alem disso, o Gustavo nunca se queixou, e olha que ele estes últimos tempos não a larga!

Cerrei os dentes, furiosa.

Senti o meu rosto aquecer, com uma sensação estranha, que me deixava com um certo ódio e vontade de arrancar os cabelos a alguém! Tentei não demonstra-lo e esbocei um sorriso amarelado.

Liliana revirou os olhos:

-Também não sei o que lhe aconteceu para ser tão amiguinho dela! Ela é uma tola!

-Lili! – Repreendi – Não fales assim! Tu não conheces a Letícia assim tão bem para dizeres essas coisas!

Ela bufou:

-Basta-me saber que ela fingiu estar grávida para prender um tipo a ela, para deduzir que não tem escrúpulos!

Pedro negou com a cabeça, sem paciência para acusações da sua irmã, e levantou-se do puff onde se tivera instalado. Estávamos no quarto dele. Liliana, deitada de barriga para baixo, em cima da cama, e eu sentada na sua orla, de perna alçada. Era uma divisão mais ampla do que o aposento da sua irmã, mas mais desorganizada também. A decoração girava em redor dos tons verdes escuros e castanhos, mas nada que se destacasse no meio de todos os objectos que lhe desarrumavam o espaço.

Liliana virou-se de lado e apoiou a cabeça com a mão suspensa pelo cotovelo:

-Eu acho que alguém que faz isso não pode ter juízo! E pior são vocês, rapazes! – Acusou, apontando para Pedro – Não resistem a um rabo de saias! Não me admirava que o Gustavo se metesse numa situação parecida por causa dela! Ele é homem, tem instintos, ela pode muito bem seduzi-lo e dizer que está á espera de um filho dele!

-Lili, cala-te!!! – Ordenei, extremamente incomodada.

Levantei-me da cama num ápice. Sentia o coração palpitar sem a vitalidade correcta e o corpo invadido por suores frios, causados por um sentimento de repulsa. Liliana estranhou a minha reacção e franziu as sobrancelhas, ao invés de Pedro que não me achou esquisita e concordou comigo.

-Calma! – Tranquilizou – Estou a generalizar!

-Não gosto que digas essas coisas!

Virei a cara para o lado oposto a ela. As coisas barbaras que ela dissera deixavam-me afectada. Os dois irmãos, assim como praticamente todas as pessoas daquela cidade, não sabiam ainda que Gustavo e eu namorávamos, simplesmente porque a questão ainda não tinha vindo á tona, porem, era totalmente constrangedor ouvir que a pessoa que demonstrava mais carinho por mim, podia sentir-se atraída por outra rapariga e quem sabe, avançar demais! Eu podia acabar com aquelas ideias e afirmar que Gustavo não o faria pois estava comigo, no entanto, eu tinha ficado sem certeza se devia estar segura ou não do que se passava entre nós. Ainda por cima, de que maneira é que eu lhes podia dizer?! “Hei, eu namoro com o Gustavo!”?! Ia soar meio louco, tendo em conta que nos últimos tempos de aulas tínhamos andado tão distantes.

-Não lhe ligues, Lana! – Reconfortou Pedro - A Lili ultimamente anda muito irritada e diz coisas mesquinhas! Acredita que não foste só tu que ouviste coisas desagradáveis.

Mirei Liliana. Ela mordeu o lábio e sentou-se na beira da cama:

-Desculpa, não estou nos meus dias! Sinto-me cansada e dá-me para dizer estas coisas!

-Não faz mal – Balbuciei –, são opiniões tuas!

-Acho que destruí o teu bom humor!

-Não! – Contrariei – Eu é que… Sei lá! São muitas emoções dentro de mim, tu sabes como é!

Ela sabia. Ela era uma das poucas pessoas que conhecia a minha percepção anormal dos sentimentos das pessoas, e, por conseguinte, não tinha motivos para me julgar.

Suspirei e aproximei-me da janela extensa, para observar o exterior. Faltava pouco para começar o crepúsculo, e como tal, estava na minha hora de ir embora. Humedeci o lábios e falei-lhes:

-Tenho de ir embora!

-Já? – Pedro pareceu surpreso

-Sim, não quero que a Helen me venha buscar muito tarde!

Liliana aceitou a resposta:

-Que fazes amanha? – Perguntou, em tom convidativo.

-De manhã tarefas domesticas, á tarde não sei.

-Então posso ir ter contigo?

-Por mim está combinado!

Ela sorriu, satisfeita, e mesmo tentando retribuir a acção, continuei a sentir-me estranhamente afectada pelo que ela tinha dito sobre Gustavo.

Pedro acompanhou-me á porta, e despedi-me da Sr. Teresa.

Bastou a porta de entrada fechar-se atrás de mim e dar uma passo para me afastar dali, para o telemóvel tocar. Pensei que fosse Helen, mas enganei-me. Olhei para o ecrã, sem parar o meu trajecto. Quando passei o portão da casa, encostei-me ao muro e atendi com um suspiro

-Te iubesc! - Exclamou Gustavo, determinado e alegre, do outro lado da linha.

A minha resposta foi um suspiro martirizado, ao qual ele reagiu:

-Hum… Estava á espera de uma resposta do tipo “O que é que isso significa?” ou “Já estava com saudades, meu Deus Grego!”.

Não consegui evitar de rir daquelas alternativas:

-Desculpa… - murmurei, com um humor forçado.

-O que se passa? – Perguntou, com a sua voz suave, nitidamente apreensiva.

Suspirei novamente, sem conseguir evitar:

-Nada demais, desculpa, é que… - mordi o lábio, pausando-me – Passei a tarde com a Liliana e o Pedro.

-O Pedro? O que aconteceu?! – Ouvi um murmúrio rabugento da sua parte, e sorri ao entender que aquilo eram ciúmes – Eles chatearam-te? Disseram alguma coisa que não deviam?! Passaram-te a mão na perna?! – Nesta fase, deduzi sem esforço que quando ele dizia “eles”, queria dizer “ele”, e ri-me sem contar.

-Não! – Respondi, sorrindo - O problema é que ás vezes ouço coisas que me deixam insegura…

-Para isso estou cá eu, não é anjo?

Suspirei, com a face ilustrada com um sorriso. Aquele apelido vindo dele soava muito melhor. Reparei que ele estava animado.

-Então, o que te aconteceu a ti? Pareces feliz!

-Foi por isso que te liguei! Passei! – Anunciou.

Olhei para o céu, reflectindo sobre o que ele estava a dizer, mas não compreendi:

-Passaste no quê?!

-No exame, tonta! Fui faze-lo, hoje, Lembras-te?!

-Ah! – A luzinha da minha mente acendeu – Sou tão aluada! Passaste?! – Confirmei, orgulhosa.

-Yap! Já te podes gabar que tens um namorado que te leva a passear!

Libertei um riso, feliz:

-Desde que não te recuses a dar-me boleia!

-Tens de merecer! – Avisou, no gozo – Hei, amanha queres vir comigo dar um passeio?

-Desculpa, já combinei com a Lili!

-Oh! – Ele mostrou-se desapontado.

-Aproveita o dia para pensares no que vamos fazer Domingo! – Adverti – Ou então passa o dia com os teus amigos! – Senti o sangue quente chegar ás maças do rosto, mas cuspi da boca para fora o que me estava a agitar –Porque não vais ter com a Letícia?

-Com a Letie?!

Tive vontade de espanca-lo! Ele sabia a quem eu me referia, não precisava de me relembrar que tinha uma alcunha fofa só para ela! Que raiva!

-Hum… - respondi, quente como lava.

-Estive com ela esta manhã!

“Vou mata-lo!”, planeei.

-Porquê? – perguntou ele.

-Por nada… Vocês agora são tão amigos…! – Eu não podia estar a dizer aquilo!

-sim, ela é porreira! No outro dia estávamos em minha casa a ver um filme e eu…!

Desliguei-lhe o telemóvel na cara. Fi-lo porque me estava a sentir irritada e não tinha intenção de saber o que ele me ia contar. Que lata! Só queria atirar o telemóvel contra a parede e desfaze-lo todo. Como é que ele podia dizer, tão animado, que tinham estado em casa dele a ver um filme?! Provavelmente ás escuras! Se eu tivesse uma pedra na mão ela já tinha acertado na cabeça dele, estivesse onde estivesse! Oh céus…! E se Liliana tinha razão?! E se ele era um rapaz vulgar que se deixava seduzir por qualquer rabo de saia?! Não, não e não!

Ele voltou a ligar-me. O toque mostrava impaciência, e eu tentei controlar aquela fúria e atende-lo:

-Sim? – Disse, tentando controlar-me.

-Desligaste?!

-Não, fiquei sem saldo! – menti, vitoriosa.

-Err…Mas fui eu que te liguei!

Acho que fiquei pálida como a neve. Cerrei a mão livre e bufei, sem saber o que fazer.

Do outro lado do telemóvel, ele riu-se descaradamente, não perdendo, contudo, o timbre melodioso da sua voz.

-Estás a rir-te do quê? – Interroguei, ofendida.

-tu…? – Ele riu, trocista – Estás com ciúmes?!

-Eu?! Eu não sou ciumenta, ora!

-Não?! Tens a certeza?! É que eu acho que tu desligaste o telemóvel por causa de eu estar a falar da Letie!

-Podes parar de lhe chamar isso?!

Tapei a boca com a mão, envergonhada. Oh não, o Gustavo tinha razão!

Ele riu-se outra vez, daquela forma irritante que diz mesmo “já te apanhei!”. Vi-me sem saída triunfal possível.

-Ok, talvez eu esteja um bocadinho enciumada!

-Hei! Tu és a única pessoa que me interessa neste momento! Não te esqueças disso!

-Tu também és a única pessoa que me interessa neste momento e continuas com ciúmes do Pedro, ou julgas que eu não percebi!?

Fez-se silencio em ambas as partes, até que ele interveio:

-Eu sou ciumento desde que nasci! É crónico, não posso evitar, mas tu és melhor do que eu! Não te sintas insegura!

Suspirei, a alto e bom som.

-É complicado… - murmurei.

Ele inspirou, levemente:

-Eu gosto muito de ti…! – Declarou, com uma voz atenciosa. As borboletas na barriga despertaram, activamente - Não quero que fiques com ideias erradas nessa cabeça, ok?

Eu não respondi e mordi o lábio.

-Lana…! – Preparou-se para repreender.

-Amanha isto passa! – Interrompi, e desencostei-me do muro – Bem, tenho de ligar á Helen para ela me vir buscar! A não ser que sejas um amor e me venhas tu! – Sugeri, com um certo esforço para tentar parecer mais animada.

-Hum… - A sua voz revelou que tal não ia acontecer - Desculpa já estou em casa. Não me dá muito jeito passar por aí, agora, desculpa!

-Ah, não faz mal… - Perdoei meigamente, e sem vontade de criar alguma espécie de refutação – Então adeus… Não quero que entardeça e eu aqui! Vou ligar á Helen!

-Está bem! – respondeu – Até domingo, anjinha! – Ele murmurou algo mas eu não consegui entender o que foi, e depois desligou a chamada.

Digitei o contacto de Helen e esperei cerca de cinco minutos até avistar o seu carro. Entrei e fechei a porta, encostando de seguida a minha cabeça ao banco, cansada.

-Então, foi agradável a tarde?

-Sim foi! – Respondi – Estou um bocado cansada, o que vamos comer?

-Strogonoff!

-Hum, parece-me bem! Olha, amanha à tarde a Liliana vem ter comigo, ok?

-Claro!

E na tarde seguinte lá estava ela. Inicialmente ela pediu-me para irmos dar uma volta, e com isso ela queria dizer para eu ir voar!

Eu não aceitei, não me apetecia nada! Estava muito calor, e eu não queria andar ao sol a cansar-me. Então, optamos por ficar dentro de casa, pelo menos nas horas mais quentes da tarde.

Foi então, que Helen, que continuava com as arrumações, desta vez na cabe, apareceu na sala, onde víamos um filme e conversávamos, com três telas brancas tamanho A2:

-Lannis, olha o que encontrei!

Lili levantou-se animada:

-Não acredito! Sabes pintar, Lana?

-Nem por isso! – Respondi, ainda sentada no sofá, olhando as telas virgens.

-Oh está calada, estúpida! – Resmungou Helen – É claro que sabes pintar!

Revirei os olhos e levantei-me para analisar o que ela transportava. Peguei numa tela e torci o nariz:

-Tu dizes isso porque não sabes pegar num pincel! – Esclareci – Liliana, queres fazer uns borrões comigo? – propus.

Ela aceitou sem hesitar. Fomos buscar os restantes materiais, pincéis, aguarelas, guaches, acrílicos e óleos, e arranjamos forma de inventar um tripé para cada uma. Optamos por ir pintar no exterior da casa, por causa da Luz e para não sujar nada, e pusemo-nos num local fresco:

-O que vais pintar? – perguntei.

Ela mordeu o lábio, numa medida reflectora.

-Não sei, e tu?

-Eu acho que já não sei pintar, portanto… Acho que vai sair qualquer coisa abstracta!

-Posso desenhar as tuas asas? – perguntou, repentinamente.

-Queres que eu pose?

-Sim, por favor! – Implorou.

-Está bem, mas tenta favorecer-me!

Libertei as asas, calmamente, e ela pegou num lápis, para fazer um esboço:

-Queres que eu me ponha em alguma posição concreta? – perguntei.

-Podes sentar-te, para não te cansares!

-Então espera! Vou buscar uma coisa!

Subi as escadas de casa a correr e fui ao meu quarto, manejando as asas para não as chocar contra nada. Dentro do armário, numa caixinha colorida, tinha um bloco grosso, de capa laranja, que se destinava aos esboços. Fui procurar algumas grafites e sanguíneas, e por fim peguei num pano.

Regressei para junto de Liliana. Pousei o pano no chão e deitei-me de barriga para baixo sobre ele, com os meus instrumentos de desenho á minha frente para me entreter enquanto ela me pintava. Cruzei as pernas e elevei-as, com os cotovelos apoiados no chão para me dar uma melhor postura.

Olhei Liliana:

-Estou pronta!

Ela mostrou-se concentrada e eu abri o bloco, tentando não me mexer muito nem atrapalha-la.

Olhei para os esboços que eu tinha feito há um ano atrás, e analisei o que eu geralmente representava. Sempre tive uma certa tendência para desenhar posições corporais parecidas com desenhos animados e não pessoas a sério. Não havia grande realismo, e muito menos técnica, mas tinha de admitir que eram desenhos agradáveis de se ver. Quando cheguei á pagina em branco, peguei num lápis 6B e procurei pensar em algo que pudesse ilustrar. Faltava-me inspiração. Não tinha ideias nem planos, o que era muito aborrecido, e por causa disso, deixei-me estar com o corpo quieto enquanto rabiscava idiotices no bloco. Quando me apercebi, o tempo estava a passar por mim. Eu não estava aborrecida com todo aquele silencio, pelo contrario, estava a saber-me bem. Não tinha nada em que pensar. E não havia nada melhor do que sentir os raios de sol, agora fracos, tocarem as minhas costas, enquanto um brisa fresca percorria o meu cabelo.

Decidi quebrar o ambiente calmo:

-Como está a ficar, Liliana? – perguntei.

-Hum… - Ela não deu resposta concreta. Estava muito concentrada a espalhar a tinta.

Sorri, agradada com toda aquela determinação e deixei-me estar com as asas quietas, a mexer no meu cabelo.

-Lana… – murmurou.

-Já acabaste? – perguntei, esperançosa.

-Não! Ainda falta muito…

-Então, o que foi?

-Desculpa as coisas que eu disse ontem. – Falou, para minha surpresa.

Entreabri a boca, sem saber o que lhe dizer. Ela mordeu o lábio e mirou-me.

-Eu sei que tu ficas incomodada quando se fala no Gustavo, por causa do vosso afastamento, e eu não devia ter dito aquelas coisas…

Suspirei, e olhei para o chão, entristecida:

-Acreditas mesmo naquilo? – indaguei, com o rosto quente – Achas que o Gustavo se ia deixar seduzir pela Letícia?

Ela encolheu os ombros e apertou os lábios numa linha firme. Senti um aperto no peito, com medo da sua resposta.

-às vezes acho que os rapazes são todos iguais, sabes? Quer dizer, parece que só querem saber de estar com raparigas, sejam elas como forem… - Ela suspirou, e eu vi nos seus olhos, pela primeira vez, que o que ela dizia tinha um sentido mais profundo do que parecia, que ultrapassava tudo o que eu sabia sobre ela.

Interrompi-a:

-Passaste por isso? – Questionei.

Ela corou e pôs os olhos na tela. A resposta estava dada.

Levantei-me sem autorização:

-O que é que aconteceu?

Ela soltou uma lufada de ar e pousou os pincéis dentro de um copo de agua.

-Digamos que eu me apaixonei, há uns tempos… - começou por dizer, enquanto limpava as mãos a um pano - Tudo parecia perfeito, ele era lindo, querido, fantástico, mas nunca o mostrava quando estávamos rodeados de pessoas… Nunca me disse “Gosto de ti” ou “Adoro-te”, e eu, feita lerda, ignorava esses factos, achando que ele era tímido! No final vim a saber que ele tinha engravidado outra!

Abri a boca, chocada, e tapei-a com a mão.

-A Letícia?

Não foi preciso palavras para eu saber a resposta, mas ela não se acanhou, e mostrou-se forte:

-Pelos visto eu não era a única com quem ele gostava de “passar tempo”!

-Então… A Letícia também não sabia?

-Não… Mas ela é uma obcecada, teve de inventar a porcaria da gravidez! É tão baixa!

Fui percorrida por um arrepio, e abracei os meus próprios braços:

-Isso é horrível! – Atentei no chão, insegura – Achas que o Gustavo era como esse tipo?

Ela negou com a cabeça:

-Não! - Respondeu firmemente – Eu conheço-o desde pequena e sei muito bem que ele é diferente! Acredita, invejo a rapariga que tiver a sorte de conquista-lo! Não é fácil, já muitas tentaram!

Ela riu-se, abanando a cabeça, e eu sorri discretamente. Talvez eu fosse essa sortuda.

-Eu só disse aquelas coisas porque ontem estava um pouco irritada!

-Ainda bem! – Suspirei – Não sabes como fico aliviada por saber que não são todos assim!

-É, ás vezes exagero! Não em leves sempre a sério!

Esbocei um sorriso tímido, mais calma, e olhei o céu esperançosa.

-Parece que te interrompi a obra prima! – gracejei – Posso vê-la?

-Claro! Vê bem o meu borrão de tinta!

Eu ri-me e dei a volta á tela para o observar, mas qual não foi o meu espanto quando vi a forma como ela me pintou. Era quase impossível não me ver naquele quadro, apesar de o meu corpo ser ainda um esboço leve. As asas estavam de tal forma trabalhadas, que quase conseguia pressentir a sua leveza e suavidade:

-Mon dieu, tu es un artiste! – Exclamei, boquiaberta.

Ela sorriu e corou.

-Parva, porque não foste para artes? - Questionei, perplexa.

-Porque, como já reparaste, a nossa escola tem poucos alunos e não há turma de artes!

-Que desperdício! Pintas tão bem!

-Paciência! – Ela deu de ombros e suspirou – Eu também gosto deste curso!

Franzi as sobrancelhas, sem parar de olhar para o quadro. Era lamentável que ela não pudesse explorar as suas capacidades artísticas. Notava-se que a sua técnica ainda não estava bem desenvolvida, mas para alguém que não tinha nenhum acompanhamento na área, ela tinha muito jeito. Liliana começou a limpar os pincéis, e a arrumar aquilo que tinha desarrumado. Reparei que estava a entardecer, por isso recolhi as asas, ajudando-a, e fomos para dentro de casa, onde Helen lia a revista semanal.

O telemóvel começou a tocar, e eu apressei-me a pegar nele, esperançosa. Quando li o nome que apareceu no ecrã, não consegui evitar de sorrir, animada. Helen lançou um olhar trocista a Liliana, que não entendeu a minha animação, e eu atendi, atrapalhada:

-‘Tou!

-Olá ciumenta! – troçou Gustavo, com a voz calma e doce. De cada vez que a escutava sentia-me como uma criança a receber uma carícia – Estás melhor?

Eu sorri, timidamente:

-Sim, estou! – Respondi.

-Ainda bem! Não te quero ver amuada, anjo…

-Não te preocupes! Já passou! – Enrolei uma mecha de cabelo no meu dedo, e olhei de relance Helen e Liliana, que me olhavam curiosas, e devido a esse facto, lancei-lhes um olhar repreensivo – Então, quais são os planos para amanha?

-Surpresa! – Respondeu – Mas já sabes: Nada de preto!

-Nada de preto! – Confirmei, sorrindo.

-Eu vou buscar-te a casa lá para as 11horas, pode ser?

-Claro! - suspirei – Então… o que fizeste hoje?

-Bah, lavei o carro do meu irmão! A parte boa foi que me refresquei! – Notei que ele sorriu – Então e tu? Passaste bem sem mim?

-Servi de modelo! – Respondi, orgulhosa.

-Modelo? Modelo para quem?!

-Para a Liliana! Sabias que ela é uma artista?!

-Já desconfiava! Se pegas num caderno dela, só vês rabiscos!

Mirei-a.

Ela franziu as sobrancelhas, na direcção de Helen:

-Quem é? – murmurou.

-O bem-amado! – Esclareceu a minha madrinha, deixando-a ainda mais confusa.

Peguei numa almofada do sofá e atirei-lha á cara, rindo de seguida.

-O que foi?! – perguntou Gustavo ao escutar a minha gargalhada.

-Acertei com uma travesseira na cabeça da Helen!

-Boa mira! – Ele riu – O que é que ela fez?

-Chamou-te “O bem-amado”!

-E não é verdade?!

-hum… Talvez! – libertei um pequeno riso – Não me podes mesmo dizer onde vamos?

-Posso, mas não me apetece! – Respondeu, com prontidão.

-Ah! – Fingi-me ofendida – Não é justo! Diz-me, vá lá!

-Amanha vês! – Respondeu.

-Pelo menos posso saber que tipo de sitio é? Chique, parolo, simples, requintado, aborrecido, calmo, agitado…?

-Hum… Calmo, simples, descontraído… Romântico, talvez! Não sei, mas não precisas de te preocupar!

-Acho que vou gostar! – Murmurei, envergonhada. Olhei para as minhas duas amigas, que cochichavam entre si. A Helen era uma desbocada, provavelmente estava a romancear a minha vida toda a Liliana – Olha, vou ter de desligar! – Anunciei.

-Estou ansioso por estar contigo!

Senti-me corar, mas libertei um pequeno e leve riso:

-Amanha! – Relembrei.

-Às onze! – Confirmou.

-Ok! Adeus!

-Adoro-te!

Sorri, e respirei profundamente para acalmar o meu batimento cardíaco que aumentou. Eu não gostava que ele dissesse estas coisas, mas quando ela as declarava, eu ficava assim, mais feliz do que qualquer outra pessoa!

Desliguei a chamada; sentia-me uma tonta.

Guardei o telemóvel no bolso e voltei-me para Helen e Lili. Esta ultima olhou-me perplexa:

-Eu ia combinar umas coisas contigo, para amanha, mas pelos vistos – Ela sorriu e semicerrou os olhos – já tens planos…! Com o teu namorado... Ou por outras palavras… Com o Gustavo?!

Eu apertei os lábios, para não sorrir e dei de ombros:

-Esqueci-me de te dizer? – perguntei, ironicamente.

Ela abriu a boca, incrédula, e sorriu:

-Eu não acredito! Desde quando?!

-Desde a madrugada de quarta para quinta-feira!

-Mas eles já andavam enrolados desde o jantar em tua casa! – Interveio Helen, indiscretamente.

-Mas não! – Contrapus, envergonhada.

Liliana abriu a boca, chocada.

-Não posso…!

-A sério! – Helen intrometeu-se, novamente! Tentei detê-la, mas ela era uma autentica descarada intrometida – Eles beijaram-se lá em tua casa, por isso é que a Lana, antes de irmos de ferias, andava toda aborrecida!

Liliana riu-se:

-Em minha casa? Foi por isso que saíste sem te despedires!?

-Ah! – Bufei – a Helen não sabe estar calada!

Liliana fez um esgar constrangido:

-ás vezes digo coisas que não devo, não é? – perguntou-se, referindo-se a Letícia.

Dei de ombros:

-Não faz mal! – Senti-me corar e virei costas - Bem, vou tomar um banho!

-Eu também já vou embora, mas segunda-feira quero saber mais coisas!

Revirei os olhos e suspirei, com um sorriso enviesado. Ela deu-me dois beijos na cara e despediu-se de Helen.

Eu fui tomar um duche, e depois, ao contrario do que era habitual, não estiquei o meu cabelo e deixei-o encaracolar-se naturalmente, com a ajuda de um pouco de espuma. O meu golpe no pescoço já estava quase cicatrizado, pelo que não precisei de lhe fazer outro curativo.

À noite, porem, vi-me inspirada, e enquanto via televisão no meu quarto, voltei a pegar no meu bloco de esboços e tentei retratar, em diferentes paginas, uma historia: A nossa historia! Fiz um desenho por cada acontecimento importante desde que cheguei ao Geres. Tinham todos um ar de manga, favorecendo por isso as personagens que eu ilustrava, mas não tinham grandes semelhanças connosco, por minha vontade. O ultimo desenho que fiz, representava o dia com Liliana, e só o acabei ás duas da manha, pelo que só nessa altura me apercebi que era tão tarde.

Fechei o bloco e guardei-o num gaveta. Deitei-me, cansada e fechei os olhos, passando logo para um mundo totalmente imaginário.



Hoje nao tenho nada a dizer! Só aviso que nao reli o capitulo por isso se houver assassinatos á lingua portuguesa avisem! Matreiro

bjokas
as minhas fic's:
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
-Angelical
Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^
#296
Gostei... A Lana é daquelas que faz uma tempestade em copo de água fria. Só acho que o facto de serem os dois ciumentos ainda vai dar bronca. Oxalá não Matreiro
Agora espero por um capítulo onde o "sobrenatural" entra mais. Quero saber de onde vieram as asas da Laninha, quem anda atrás dela e etc...

Não notei nenhum erro neste capítulo, mas pode semrpe ter-me escapado algo...

Espero por mais Very Happy
Espero por ti em cada segundo , porque tu és o meu mundo!




Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
Visitem a minha 1ª Fic ----->The Four elements
#297
obrigada pelo comentario, Ana! Sei que a primeira parte foi um seca, mas enfim.
Agora matem-me, capitulo muito... Blhac! ».«
Para aqueles que odeiam mel, chocolate, açucar ou qualquer outra coisa doce, por favor, tenham compaixao de mim! Ando pouco inspirada! v.v
Enfim, segunda parte:


Capitulo XXI - Ciumes e atração - 2ª parte


Senti um formigueiro no pescoço e contorci-me, arrepiada, mas sorri. Era a primeira coisa que estava a fazer naquele dia, e isso apontava para um bom dia.

-Lana… - Alguém murmurou ao meu ouvido.

Reconheci a voz de Gustavo, mas escondi a minha cara na almofada, sem vontade de abrir os olhos.

A mão dele passou do meu cabelo para a minha bochecha, levemente:

-Acorda, dorminhoca!

Sorri, mas não obedeci. Deixei que ele continuasse a tocar-me, e a passar-me aquela sensação tão boa.

-Lana, sabes que horas são? – perguntou. A sua voz estava mais próxima, assim como o seu rosto.

Gemi, baixinho como resposta.

Ele deu-me um beijo no lábios, e eu deixei-me estar quieta.

-Estás atrasada. – Disse, num tom de voz tão meigo quanto o seu beijo e as suas festinhas na minha pele – Sei que me estás a ouvir!

Ele voltou a juntar os seus lábios aos meus, e eu sorri. Quando ele os ia afastar, eu agarrei a sua camisola e puxei-o para ele não fugir, e abri a boca, para sentir a sua com mais facilidade. Ele não me recusou, e envolveu-me carinhosamente, fazendo-me finalmente abrir os olhos. Olhei para ele. Era como uma visão do alem:

-Pareces um anjo! – murmurei, sonolenta.

Ele sorriu e vislumbrou-me com aqueles olhos azuis iluminados pela luz do sol, que lhe pintava também o cabelo de oiro.

-Tens noção da ironia dessa frase?

Lancei-lhe um sorriso querido e bocejei, devagarinho, enquanto admirava as cores que ele trajava. T-shirt clarinha, com um estampado personalizado, e calções com um padrão xadrez muito leve. Assentavam-lhe que nem uma luva!

-Então, não queres ir ao nosso encontro?

-Não vieste muito cedo? – perguntei, franzindo as sobrancelhas.

-Já são 11 e meia, dorminhoca!

Abri a boca sobressaltada e levantei o meu tronco:

-A sério?

Ele riu-se e deu-me um beijo na testa:

-Prepara-te, estou lá fora á tua espera! Nada de preto! – Relembrou.

-Está bem. – Assenti, baralhada – Eu vou já!

Ele afastou-se e fechou a porta do quarto para me dar espaço. Levantei-me com pressa e olhei-me ao espelho, assegurando-me que não parecia uma bruxa de cabelos todos em pé. Dirigi-me ao meu guarda fatos, e lá bem no fundo, peguei nos meus vestidos mais coloridos. Quando o vi, nem pensei duas vezes. Parecia ter sido feito para aquele momento! Era um vestido de primavera, justo no tronco, mas que abria uma roda a partir da cintura, e terminava com uma renda na bainha. Era pérola, mas estava estampado com flores minúsculas, estilo campestre. Vesti-o e depois procurei um casaco fino e curto, a condizer, e calcei umas bailarinas da mesma cor, que eu já não experimentava á séculos. No cabelo, pus uma bandolete com um laçarote, de modo a realçar os caracóis. Passei um pouco de bálsamo nos lábios, e agarrei na primeira bolsa que vi.

Abri a porta do quarto e saí. Gustavo estava encostado ao balcão, enquanto falava com Helen, descontraidamente, mas quando me viu, parou de falar, como que encantado. Ele lançou-me um sorriso branco, perfeito e sedutor, e piscou-me o olho. Sorri discretamente, mas desviei o meu olhar timidamente para o lado. Helen viu-me depois:

-Ate que enfim, Bela adormecida! – Exclamou.

- Podias-me ter acordado, Helen!

-Eu não sabia que era suposto tu saíres de casa de manhã! – Justificou-se, e depois analisou-me – ena, estás toda gira! – ela olhou para Gustavo com um ar autoritário - Juízo!

-Vou tentar! – Respondeu ele, suspirando indiscretamente, sem desviar as atenções de mim – Também queres saber quais são as minhas intenções? – Ele esboçou um sorriso maroto, que fez Helen negar com a cabeça.

-Prefiro não saber!

Gustavo sorriu. Eu senti-me corar, por isso olhei o chão e humedeci os lábios enquanto me aproximava do meu namorado:

-Vamos embora? – Pedi, envergonhada. Gustavo deu-me a mão e fez o que lhe pedi, até que Helen nos travou, outra vez.

-A que horas voltam?

-Ao entardecer! – respondeu ele, travando-se em frente á porta de saída.

Ela concordou:

-portem-se bem!

-Está bem! – Tranquilizei, revirando os olhos.

Fechei a porta de casa e desci as escadas. Parecendo que não, estar a sós com Gustavo era muito mais fácil do que estar com ele á frente de Helen, e isso era óptimo.

Sorri alegremente para o “Meu” namorado. Sabia tão bem pensar nele assim!

-Onde vamos?

Ele contemplou-me, de cima abaixo, com um olhar totalmente encantador:

-Estás linda! – Elogiou.

Fitei o chão, com as bochechas a arder. Os meus joelhos começaram a tremer como searas de trigo. Ele, ao aperceber-se da minha timidez, encostou os lábios levemente á minha testa e com os dedos entrelaçados aos meus, conduziu-me até á rua:

-Vou empanturrar-te de comida! - Avisou

Ri-me:

-Estou a ver que sabes do que gosto! Vais-me levar a almoçar fora? – palpitei.

-Mais ou menos!

Vi um carro preto em frente á casa, para onde nos dirigimos:

-é teu? – perguntei, entusiasmada.

-Do meu irmão! – Corrigiu, abrindo-o com a chave automática – Fizemos um acordo! Eu lavei-o, por isso hoje é meu!

Sorri, entusiasmada. Ele abriu-me a porta para eu entrar na viatura, e depois dirigiu-se ao seu lugar.

-Posso confiar em ti? – perguntei, quando ele ligou o motor do carro.

-Se confias para andar de moto, onde as tuas probabilidades de perder um membro são elevadas, então sim!

-Faz sentido. – aceitei, prendendo o cinto de segurança - Para onde vamos?!

Ele ajustou o espelho retrovisor, e meteu as mudanças para fazer a manobra. Parecia tudo tão improvável. Eu nunca me tinha imaginado a sair de carro com um namorado, ainda por cima um tão… Tão como ele! Aquilo era tão perfeito!

-Albufeira! – Respondeu – já te deste ao trabalho de lá ir?

Neguei com a cabeça:

-Não, mas tenho a certeza que vou gostar!

Dei-lhe um beijo na bochecha e ele deitou-me aquele sorriso encantador.

Quase não era preciso o carro para fazer aquele trajecto. Ele foi por um atalho, por uma rua perto de minha casa que eu nunca tinha parado para observar. Era uma estrada em paralelo, estreita, sempre a descer. As casas pareciam todas desabitadas, provavelmente por serem casas de férias, e havia um café fechado, talvez por também só abrir no Verão. Chegava a parecer abandonado. Foi então que começaram a surgir arvores, e o caminho se tornou feito de terra batida. Gustavo estacionou num ponto estratégico e ambos saímos do carro.

Sorri, maravilhada. Era como se estivéssemos numa ilha no meio de uma lagoa. Já estava habituada a vislumbrar o rio na escola ou quando passeava de carro, sempre de cima para baixo, e sabia como era bonito, mas nunca o tinha visto daquela perspectiva. Agora eu estava na sua margem e tudo o que eu via era a serra e as arvores a subir em direcção ao céu azul, e a mistura esverdeada de ambos a ser reflectida no espelho de água.

Os lábios de Gustavo tocaram o meu pescoço:

-Gostas? – perguntou, num sussurro.

-Adoro… - murmurei, dirigindo a minha visão para ele – é tão… mágico!

-Eu sei… - ele segurou-me pelo pulso e fez-me virar o meu corpo na direcção dele, sem pressas - Mas é muito mais quando estamos com quem mais gostamos!

Senti-me corar e ele riu-se, sem malícia, de sobrolho franzido:

-É muito tímida, não és?

Dei de ombros:

-Pode dizer-se que sim… - concordei, sorrindo – Especialmente quando sou o centro das atenções e me dizem coisas… - não consegui arranjar um adjectivo para o que ele me falava, mas creio que ele me entendeu, pois passou a sua mão na minha face, com uma ternura inexplicável, que me deixou ainda mais envergonhada, com o coração descompassado.

Ele juntou, com muita leveza, os seus lábios aos meus. Não avançou daí, pois não era necessário, só com aquela delicadeza eu consegui entender que ele gostava de mim, mesmo com essa característica.

Suspirei. Um suspiro de contentamento, de descontracção. Um daqueles suspiros que se costumam libertar depois de um banho quente, num dia de inverno frio.

Gustavo deu-me a mão e levou-me para mais perto da água, balançando o seu braço preso ao meu:

-Vou buscar as coisas. – Informou – Fica aqui!

-Que coisas? – Inquiri.

-O nosso almoço!

Ele deu-me um beijo na bochecha e foi até ao carro, enquanto eu o observava. Abriu o porta bagagens e de lá retirou uma cesta de palha enorme. Sorri e saltitei para ir ao encontro dele:

-Não acredito! Um piquenique?

-Apenas para nós! – Constatou.

Esbocei um sorriso animada, e nem me precisei de mexer. Ele estendeu uma toalha xadrez no chão, á sombra de um arvore, e começou a pegar nos tupperwares recheados e a retirar-lhes as tampas, descobrindo alguns petiscos. Sentei-me ao seu lado:

-Nhami, que bom! – Exclamei, pegando numa bolacha, a primeira coisa que ingeri naquele dia.

-Tudo para ti!

-E para ti! – Corrigi.

Peguei num rissol dourado e mordi-o, para sentir o sabor. Antes de o terminar, elevei-o até á boca de Gustavo, fazendo-o provar aquela delicia. Ele mastigou lentamente, á medida que me olhava.

-Nem acredito, eu adoro comida de piqueniques! – Expliquei – Como sabias!?

-achei que um restaurante era demasiado vulgar e superficial! Alem disso, é muito melhor quando estamos só nós os dois!

Desenhei um sorriso enorme só para ele! Ele merecia, afinal de contas, quantos rapazes se davam ao trabalho de fazer aquelas coisas?!

-O quanto vale uma mãe que nos faz tudo!

-A minha mãe não fez nada! – Esclareceu, saboreando um croquete – Tudo o que está aqui fui eu que fiz!

Fitei-o incrédula:

-Foste nada!

Ele olhou-me céptico:

-Laninha, eu sei cozinhar, não me subestimes!

Senti-me uma idiota:

-A sério?

Ele riu-se da minha cara e conduziu um capricho até á minha boca. Depois, sem eu estar á espera, deu-me um beijo na ponta do nariz.

-Só quando quero!

Dei-lhe outro beijo na bochecha e abracei-o com força:

-Oh Céus, tens de casar comigo!

-Claro! Amanha?

Ri-me da proposta, e após pegar num panado, sentei-me descaradamente sobre as suas pernas e encostei a minha boca á dele, banhada de desejo.

-De que mundo vieste?

-Porquê? – perguntou, sorrindo-me de retorno, e deixando-me cada vez mais sedenta pelos seus beijos.

-Olha para isto! – Incentivei – Como tens paciência de preparar tudo só para mim?

-Foi o meu pai que me ensinou!

-Ensinou-te a cozinhar? – tentei entender.

-Não. – Disse - Ensinou-me que quando gostamos de alguém, temos de lhe dar tudo o que pudermos!

Fiquei parva a olhar para ele, com o sorriso mais torto que alguém conseguiu desenhar. Nem sequer sabia o que lhe responder! Porem, bastava um olhar para entender que ele não me mentia, o que era ainda mais estranho.

-Acho que me ia apaixonar pelo teu pai! – Confessei.

Ele fez um ar enciumado:

-Nem pensar! Tu és minha!

Libertei uma pequena risada e segurei o seu rosto, envolvendo os meus lábios nos seus. Tinha de concordar! Eu só o queria a ele, tivesse os defeitos que tivesse, existisse ou não alguém melhor do que ele! Gustavo era tudo o que eu precisava.

-Só tua! – Confirmei – mas… - hesitei e olhei-o nos olhos - fala-me do teu pai… Como era ele?

Gustavo olhou-me pensativo, mas terno, e depois para as minhas pernas cobertas pela saia do vestido.

-O meu pai era um crente! – começou por dizer, continuando reflectivo, mas vislumbrando-me nos seus olhos - Acreditava em sonhos impossíveis que se realizavam, acreditava que todas as pessoas tinham a sua forma de ser especiais, e acreditava que todos tinham uma alma gémea algures, até mesmo as pessoas hipócritas e sem valores.

Sorri. Estas coisas ditas pela voz dele eram arrepiantes, e davam-me uma vontade inexplicável de o beijar:

-Também acreditas?

Ele franziu os lábios, enquanto eu peguei noutro petisco e me preparei para devora-lo.

-Agora confio mais, mas dantes, quando ele dizia essas coisas, eu achava uma idiotice! – Admitiu - Na verdade ele só me começou a falar assim quando eu tive a minha primeira namorada! Acho que ele sabia que eu não gostava dela e me queria abrir os olhos! – Ele riu sem humor – Mas eu achava tudo uma estupidez, até porque, eu não tinha provas de que aquilo fosse verdade! Os sonhos, pelo menos os meus, não se realizavam, ou eu achava que não! O dom que tornava cada um especial… Era um absurdo… – comentou, incrédulo - Ou então, eu é que era anormal demais para ter um! – Ele sorriu e abanou a cabeça, encarando-me de seguida - E a crença de cada um ter uma alma gémea… Bem, não sabia onde iria encontrar a minha… até agora.

Senti um formigueiro na barriga, e desviei o olhar para a comida, sem saber o que dizer. Peguei num bolinho de bacalhau e dei-lho á boca, como forma de me esquivar a outro comentário do género. Ele sorriu, enquanto mastigava, e eu, fazendo o mesmo, tentei continuar a descobrir mais sobre ele:

-Se ele te dizia essas coisas, então é porque essas coisas lhe aconteciam. Tenho a certeza que a tua mãe era a alma gémea dele!

Gustavo franziu as sobrancelhas:

-Impossível! Eles eram tão diferentes! A minha mãe é uma chata!

Ri-me do comentário e dei-lhe um beijo na bochecha:

-Ora, é tua mãe, é natural que seja chata contigo! Sabes, quando a conheci, até gostei dela! – Admiti – Parece ser uma pessoa muito dócil e querida! Acho que da primeira vez que me falaste dela pintaste-a muito feia, totalmente ao contrário!

Ele sorriu e olhou para o céu:

-Se calhar exagerei…

-Eu estava á espera que ela fosse muito… - Coloquei o dedo sobre o queixo, á procura da palavra certa - Critica, talvez! Fria e, sei lá, rabugenta!

Gustavo riu-se mais, com um brilho de ironia no olhar, e apertou a minha cintura entre os seus braços, movendo as pernas para eu melhorar a minha posição, que já devia estar a cansa-lo.

-Ela tem os seus dias! – Exclamou - Apanhaste-a num dos bons! Experimenta irritar a dona Maria do Carmo, que tu vês!

Fiz um esgar assustado:

-Normalmente as mães não gostam das namoradas dos filhos! Isso conta para irrita-la?

-Acho que não! – Tranquilizou – Ela gostou de ti, acho, se bem que ela é ciumenta portanto nunca se sabe, não é?

Sorri:

-Que mais é que herdaste dela, para alem dos ciúmes?

Ele mordeu o lábio:

-Hum… O cabelo loiro! – Ele fitou o céu azul, pensativo, que fez o seu olhar ficar ainda mais intenso graças aos reflexos de cor – E… Não sei, nunca pensei muito nisso! Sempre fui comparado mais ao meu pai!

-Ele também era loiro?

-Não. Tinha cabelo escuro, como o da Diana, mas os olhos eram exactamente como os meus!

-Ena, que charme! A tua mãe teve sorte!

Gustavo olhou para a agua e encolheu os ombros:

-É, acho que sim…!

Peguei noutra iguaria e partilhei-a com ele. A minha visão voltou a percorrer toda a paisagem, e inspirei o ar daquele local. O aroma a pinheiro era agradável e fazia-me sentir tranquila, e os pequenos pássaros a balançarem nas arvores tornavam tudo mais calmo e simpático. Encostei a cabeça ao ombro de Gustavo, sem nada de novo para dizer. Inicialmente o silencio era bom, mas acabou por tornar-se desconfortável, portanto, ele interveio como se tivesse lido os meus pensamentos:

-sabes… - Ele referiu – Disse á Letícia que tinhas ciúmes dela!

-O quê?! – Dei um salto para me afastar dele.

Ele riu-se da minha cara:

-Ela achou piada!

-Eu não acredito que me fizeste isso. – Levantei-me do seu colo, envergonhada – Ela deve achar que sou uma idiota!

-Ela sabe tudo sobre nós!

-Sabe? – Inclinei a minha cabeça, duvidosa.

Ele confirmou:

-Se não fosse ela, eu não sabia porque é que andavas chateada comigo e não estaríamos juntos agora!

Senti-me ficar sem saliva na boca:

-A sério?

Ele confirmou com a cabeça, e continuou a mastigar alguma comida, relaxado:

-As pessoas não a conhecem, e tenho a certeza que as informações que tens sobre ela não são as melhores, mas garanto-te que entre mim e ela não há nada mais do que amizade!

Senti-me corar e olhei para o chão, incomodada. As coisas que eu ouvia sobre ela eram tão fortes, que eu nem sabia em quem acreditar. Alem disso, o que Liliana revelara sobre ela era constrangedor.

-Ela… deixa-me insegura… - murmurei.

Gustavo sorriu, meigamente, e levantou-se para vir ter comigo:

-Porquê?

-Olha para ela! – Cruzei os braços, embirrenta - É bonita, tem uma silhueta de invejar, passa o tempo todo contigo… e é como tu dizes, eu não sei como ela se comporta! Provavelmente é toda divertida e dinâmica! Ela é muito melhor do que eu! – Balbuciei – Como queres que tenha segurança em mim, se até lhe chamas “Letie”? É um bocado comprometedor, não?

Ele sorriu e mordeu o lábio. Olhava-me com uma intensidade envolvente, e tudo o que eu tinha acabado de dizer não lhe tinha alterado em nada o estado de espírito. Baixei a minha cabeça e suspirei, fazendo-me de forte:

-Eu nunca fui ciumenta. - informei.

Senti a suas mãos percorrerem-me o pescoço, e com delicadeza, levantaram o meu maxilar, para eu o olhar. Fechei os olhos, pressentindo o acto de Gustavo. Ele aproximou a sua cara da minha e inclinou o rosto, alcançando melhor os meus lábios. Não me deixei estar parada, era impossível. Encostei as minhas mãos á sua t-shirt e amarrotei-a por entre os meus dedos, á medida que sentia a sua língua penetrar a minha boca, ao mesmo ritmo que os lábios se perdiam nos meus. Era uma sensação reconfortante e sincera, que me transmitia, propositadamente, protecção e segurança, mas que também acendia uma espécie de fogo dentro de mim. Ele distanciou os nossos lábios, ainda que a vontade de continuar fosse obvia, e eu suspirei, encostando a minha testa ao seu ombro. O seu pescoço tinha um cheiro delicioso, assim como a roupa, que apesar de possuir uma fragrância artificial, me conseguia cativar.

-Vocês são parecidas - comentou –, mas não sei porquê, és tu quem eu quero…

Sorri, com pouco humor, e passeei os meus dedos no seu pescoço, rancorosa:

-Alguma vez a beijaste? – inquiri, sem tento na língua.

Ele calou-se, admirado com aquela pergunta, todavia ficou nervoso, o que foi suficiente para eu saber a resposta.

-Hum… Estou a ver… - murmurei, amuada.

Ele ficou agitado, de repente:

-Não significou nada! – Garantiu – Foi completamente diferente beija-la a ela, e beijar-te a ti. E sabes que mais, ainda bem que nos beijamos! Foi bom para ambos, porque só assim entendi que eras tu que eu precisava!

-E ela? – perguntei – Ela também entendeu que tu não gostavas dela?

-Ela gosta de outra pessoa… Mas essa pessoa está muito longe, e sinceramente ainda bem! Era um hipócrita!

Caí num silencio profundo. Eu imaginava quem essa pessoa era, mas fiquei chocada ao perceber que Letícia ainda não o tinha esquecido. Por momentos pus a hipótese de ela ser uma obcecada, como Liliana apelidava, mas era uma teoria tão superficial! Ela era humana, também tinha sentimentos!

Gustavo apercebeu-se do meu estaticismo perante a sua informação, e mostrou-se martirizado pela minha reacção tão reflectiva. Antes que eu pudesse dizer algo que o incomodasse, ele interrompeu-me:

-Lana… - chamou – Acredita em mim! - pediu – eu não te quero trocar por ninguém.

-Desculpa! – lamentei, sem saber ao certo o que devia dizer – eu sou… um bocado idiota.

Ele sorriu e suspirou. Coloquei os meus braços em torno do seu pescoço e abracei-o com todas as minhas forças, sendo retribuída quando ele me apertou pela cintura contra o seu corpo e elevou o meu corpo, ligeiramente, salpicando o meu pescoço com o toque dos seus lábios. Rodeei o seu tronco com as minhas pernas, para me colocar numa posição mais leve de ele me suportar e mordi-lhe o lábio inferior com os meus dentes, iniciando um tipo de beijo que ainda não tinha sido trocado naquele dia. Todo o desejo transformou-se em gestos que o demonstravam e saciavam. As minhas mãos percorriam o cabelo claro, iluminado pelo sol, enquanto os seus dedos me arranhavam as coxas nuas, sem transmitir qualquer tipo de dor, mas intensificando sim a vontade de me sentir ainda mais dele. As trincas eram trocadas simultaneamente, deixando as nossas extremidades bocais mais avermelhadas, e mais apetecíveis, porem. Entreabri a boca, aspirando a sua respiração, e toquei com a minha língua na dele. Todo o meu corpo estava invadido por adrenalina, e do corpo de Gustavo, toda a ardência e a vontade de me possuir emergiam através de calor que passava para mim, sem forma de parar. Eu movi o meu corpo, e ele cambaleou para a frente, desequilibrado, fazendo os nossos corpos tombarem na areia da praia fluvial, sem servirem, no entanto, de pretexto para desunirmos as nossas bocas longamente. Ele amassou a minha cintura com força e mordiscou a meu lábio uma ultima vez:

-Achas que eu faria isto com a Letícia? – perguntou, ofegante, beijando o meu maxilar.

Neguei com a cabeça:

-Acho que estou a ficar louca!

E estava. Sentia-me descontrolada ao pé dele. Ele era a tentação, o desejo e o pecado! Mas era também a ternura, o carinho e o romance! Não sabia de onde vinha aquela energia toda só para ele, mas ela aparecia no meu corpo e deixava-me frenética como um demónio, como um vampiro a provar sangue!

-Se estivesses mais “intensa”, acho que não conseguia parar! - murmurou

Entendi o que ele disse e levantei o meu tronco, ficando sem qualquer obstáculo atrás de mim. Sorri provocatoriamente. Aquele bichinho dentro de mim, que me tirava o controlo sobre o meu próprio corpo, como tinha acontecido na noite em que agredi um tipo no bar, despertou. Retirei o casaco e tirei-o para o chão. As minhas asas abriram-se por completo e eu entendi o que, tanto Gustavo, como Rebeca, sentiam quando eu as expunha. A adrenalina parecia percorre-las também, mas com mais velocidade, e libertavam um cheiro deveras forte que eu nunca me tinha apercebido até então.

Gustavo encarou-me com um brilho de admiração na visão, e numa fracção de segundo voltou a tomar a minha boca com vontade. Eu retribuí. Passei as minhas mãos no seu peito e levantei ligeiramente a sua camisola, sentindo a sua pele quente. Ele deixou os meus lábios e, e passou a extremidade bocal no meu maxilar, percorrendo as formas do meu corpo com as suas mãos. Senti um arrepio no meu ventre e aconcheguei-me mais nele, totalmente quente. Gustavo passeou a sua boca na minha pele e sorriu:

-Afinal quem és tu? – perguntou, agarrando-se novamente os meus lábios de seguida.

-Alannis Klein! – Respondi, durante a pausa daquele contacto labial – prazer em conhecer-te!

Ele passou os dedos no meu cabelo e não se atreveu a parar o beijo, mas em meio dele, murmurou algo:

-Eu amo-te…

Senti um calafrio depois de o escutar. Trinquei-lhe o lábio com força, cheia de vontade que ele se arrependesse de dizer aquilo, e sem lhe dar tempo de reacção, provoquei uma rajada de vento tão forte que me afastei dele cerca de cem metros. O meu corpo manteve-se suspenso no ar sobre a zona mais profunda do rio, o mais afastada possível dele. Respirei fundo umas cinco vezes, tentando recuperar o fôlego daqueles beijos. Na margem, ele levou os dedos aos lábios e olhou-os. Calculei que aquela dentada tinha sido fatal, e sorri, passando as minhas mãos no cabelos:

“O que é que eu estou a fazer?!” – Perguntei-me, com um sorriso incrédulo a pintar-me o rosto.

Voei o mais rápido que pude para terra firme, e mal os meus pés a tocaram, recolhi as asas, e aproximei-me de Gustavo:

-Ups! – Exclamei, fazendo um esgar de “A culpa não foi minha!”.

Gustavo riu incrédulo e limpou um pingo de sangue pendurado na sua pele:

-Acho que tenho de ter cuidado contigo! És uma caixinha de surpresas!

-Achas? – Discordei.

Ele inclinou o rosto e olhou-me com um sorriso enviesado. Estendeu-me a sua mão para que eu lhe dessa a minha:

-Vamos dar um passeio! – convidou – Acho que estamos muito agitados!

Claro que estávamos! Tanto eu como ele estávamos mortinhos por voltar a agarrarmo-nos, e essa vontade tinha de acalmar! A adrenalina tinha de voltar á sua produção normal! Sorri e entrelacei os meus dedos com os dele, caminhando ao seu lado pela margem do rio:

-Desculpa! – Exclamei – Mas mereceste!

Ele olhou-me, aparvalhado:

-Mereci?! – Questionou, perplexo.

Ergui o queixo:

-Não devias ter dito aquilo! – adverti – Existem certas palavras que podem comprometer-te demasiado!

-Preferes que eu te minta? – Ele sorriu, sem conseguir entender-me – Porque é que achas tão improvável que eu realmente… - Ele não disse aquilo. Eu sabia a conclusão da pergunta.

-Talvez porque estamos juntos há apenas uns dias!

-Isso não me importa! – declarou, fitando o céu – Quatro dias, quatro anos! Eu não quero saber! Eu sei o que sinto!

-Eu também sei o que sentes! – Disse, olhando-o – Basta-me olhar com atenção para ti, ou simplesmente sentir-te… Mas é diferente tu estares apaixonado por mim e amares-me!

Ele parou de andar e fez-me fita-lo:

-Porque complicas?

-Eu sou complicada! – Informei, e pisquei-lhe o olho logo após.

Ele sorriu:

-Não, não és! Tu tens medo…!

Lancei-lhe um olhar de superioridade.

-Medo de quê?

-Medo de arriscar, medo que eu te desiluda…! Vais negar?

Suspirei, mas não admiti. Retomei o meu passo vagaroso e soltei uma lufada de ar, ignorando o que ele me tentava explicar.

-Eu amo-te! – Exclamou.

Sorri discretamente, ainda de costas para ele, sem parar o meu trajecto:

-Está calado!

Os seus passos aceleraram. Dei um grito assustado quando senti as minhas pernas e o meu tronco serem elevados aos mesmo tempo pelos seus braços rijos, e esperneei:

-Gustavo, põe-me no chão! – Avisei, segurando o seu pescoço, com medo de cair.

-Não! Eu nunca te vou largar, ouviste!? Eu amo-te, tens de interiorizar isso!

Abanei a cabeça, ignorando o que ele dissera:

-Pousa-me! – Mandei, sacudindo as pernas.

Ele sorriu ironicamente:

-Hum, o meu anjo tem medo de cair?

Parei de me mexer e suspirei, numa tentativa de me acalmar:

-O que tenho de fazer para me largares?

-Acredita em mim.

-Eu acredito! – Garanti.

Ele olhou-me nos olhos. Vi que a minha palavra não chegava, e talvez ele tivesse razão. Nem eu sabia ao certo.

-Beija-me. – Pediu.

Ri-me daquela ordem:

-Ai, para além de não me soltares ainda tens exigências?!

Ele fingiu que não me ouviu:

-Beija-me! – Repetiu.

-Então e o teu lábio? – recordei - Rasguei-te a pele lembras-te?

-Cura-o!

Ele sorriu e esperou que eu agisse. Soltei um risinho e dei-lhe um xoxo nos lábios. Ele franziu-os, desapontado:

-Não chega!

-Se me largares, juro que faço melhor!

Ele fixou-me com um ar desconfiado, mas ingenuamente, pousou-me no chão, e eu ri-me:

-Quem mais jura, é quem mais mente! – Anunciei, mostrando-lhe a língua.

Corri para lhe fugir, mas ele seguiu-me:

-Isso é batota!

Soltei uma gargalhada e corri até á outra extremidade daquela espécie de ilha. O vento combatia contra a minha cara e fazia o meu cabelo esvoaçar. A saia do meu vestido movia-se ao ritmos das correntes de ar que eu construía, mas eu não queria saber. Saltava para me esquivar das raízes salientes das arvores e sorria, sentindo Gustavo cada vez mais próximo. Ele segurou-me os ombros com força e prendeu-me a ele, por trás:

-Queres deixar-me doido?! – Ele deu-me leves beijos nos pescoço e eu tentei soltar-me, sem sucesso, tentando resistir aqueles toques suaves e arrepiantes. Porem, ele conseguiu controlar o meu corpo e fez-me virar para ele, sem me largar. Nunca separou os lábios da minha pele, mas conduziu-os até á minha boca e prendeu-a, de uma maneira apaixonante. Aconchegou o meu corpo ao seu e deixou-me como única alternativa acompanhar o seu ritmo bocal. Aquela boca deixava-me louca, dos pés á cabeça! Não havia nada que eu quisesse mais do que tê-lo, sentir os seus músculos rijos mas aconchegantes, as suas mãos grandes e protectoras, o seu perfume intoxicante e saboroso, e, sobretudo, a sua boca viciante que me fazia explodir interiormente com vontade de prolongar aquela sensação por toda a eternidade. Uma parte de mim tinha medo de toda a paixão que me percorria as veias, afinal, eu já não sabia o que era ter controlo sobre o meu próprio corpo! Ele parecia domar-me e agir naturalmente, sem razão a comanda-lo, e isso, por vezes, podia ser demasiado perigoso, caso eu não conseguisse regressar á realidade a tempo! No entanto, tinha de admitir que abandonar as regras era óptimo. Era nesses momentos que eu me sentia mais viva e mais forte, e não havia como negar que Gustavo me estava a dar a volta á cabeça, e a levar-me a viver a paixão mais intensa que eu algum dia desejei. Eu achava que nós éramos um daqueles casais queridos e calmos, mas nestes momentos eu duvidava disso.

Eu e Ele éramos como o tempo: Ora estávamos leves e serenos, ora ardíamos nos braços um do outro!
Isso podia tornar-se perigoso, não?


*Morre Lulu, morre! Mad *



Edit: O vestidinho da Lana:
Spoiler
Angelical   - Página 6 17472898_be06e2d91280531111
Eu nao conheço aquela baça!
as minhas fic's:
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
-Angelical
Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^
#298
morre lulu morre!

XD

tu paraste aqui? como podes ser aasim tao má?

nem acredito Beicinho

sabes que te tou a odeiar neste momento? nao pares nestas partes importantes sua pessoa maquiavelica!

ta tao linda Esperancoso

e cada vez mais emocionante !

oublá se nao queres que te venha para aqui te ameaçar com uma faca do tamanho xxl é melhor que mexas esses dedos e que postes o proximo capitulo rapidoo Mad
#299
Ui... passei uma semaninha fora e quando volto já tenho novo cap?.. excelente Esperancoso
Por acaso li ontem, mas o meu pai nao me deu tempo para comentar. Pois bem, aqui vai...
Sim...
...
...
o mel enjoa um bocadinho, mas se é por falta de imaginação.. paciencia, afinal isto é um romance, não é? Até os romances da Nora Roberts têm mais mel do que a tua fanfic e eu adoro.
O Gustavo está a ser um anjo (que ironico..) para a Lana. Honestamente, espero que esta fase não dure muito. Ele tem que cometer algum erro, um erro que faça a Lana duvidar seriamente dele. E agora que digo isto, lembro-me d eum sonho que a Lana teve em que o Gustavo a traia a dava-a de bandeja para o 'inimigo'. Ia ser lindo se algo do genero acontecesse... (drama, só drama Mal disposto)


Mais um excelente capítulo com grandes descrições. A sério, melhoras a cada capítulo. Ás tantas ainda te tornas escritora Matreiro
Espero por mais Embaracoso
Espero por ti em cada segundo , porque tu és o meu mundo!




Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
Visitem a minha 1ª Fic ----->The Four elements
#300


Capitulo XXII – A carne é fraca - 1ª Parte



-Tenho uma coisa para ti!

Foi a primeira coisa que Gustavo me disse quando recuperamos o fôlego e eu o obriguei a regressar para junto da comida.

Olhei-o admirada:

-Era suposto eu também ter?

Ele lançou-me aquele sorriso enviesado que eu tanto gostava:

-Não. Isto é algo que está comigo desde que me lembro, mas que por certas razões, sinto que te pertence!

Franzi o sobrolho e pus-me de joelhos sobre areia grossa. Ele abriu a cesta do lanche e basculhou-a, até encontrar algo. Atentei nas suas mãos, expectativa quanto ao que ele me queria mostrar. O sol fez algo reluzir, cativando-me a visão:

-O que é isso? – perguntei.

Ele mostrou uma caixa prateada, reluzente, com uns escritos estranhos mas requintados, com cerca de cinco centímetros de altura e quinze em cada lado. Gustavo estendeu-ma:

-Nunca a consegui abrir! – Disse, passando-a para a minha mão. Senti um arrepio percorrer-me a espinha.

-Porquê? – Questionei, examinando a caixa com o meu olhar – É pesada!

-É prata!

Levantei o meu olhar, incrédula:

-Deve valer uma fortuna! Como tens coragem de andar com ela dentro de uma cesta de piquenique?

Ele riu, e olhou o céu, despreocupado:

-Ela estava abandonada lá em casa! Eu só ganhei interesse nela depois do jantar em casa da Liliana! – Ele gatinhou até mim e sentou-me mais próximo – Foi esta caixa que aquela rapariga que fazia ciúmes á minha mãe me deixou!

Olhei novamente para o objecto em questão e engoli a seco, discretamente. Devolvi-a ao verdadeiro dono:

-É bonita! – murmurei.

Ele segurou a minha mão e passeou os seus dedos sobre a minha palma:

-Achas impossível ela estar ligada a ti? – perguntou, com o timbre mais reconfortante que conseguiu.

-A caixa?

-A rapariga! – corrigiu – Eu sei que se calhar estou a ser demasiado intrometido mas… Ela podia ser tua mãe, Lana!

-Não. – Neguei – Eu não tenho pais.

-Mas já tiveste!

Respirei fundo. O meu coração palpitava mais apressado e a minha garganta tinha um nó. Porquê?

-Porque é que insistes em saber coisas sobre as quais não quero pensar?

Gustavo fez um ar apreensivo, entendendo que eu não gostava daquela conversa:

-Eu só… Gostava que tu pudesses conhecer-te melhor, tal como eu!

Esforcei-me para lhe sorrir pela preocupação, mas não tinha grande vontade.

-Guardas-lhes ódio por te terem abandonado?

Dobrei as pernas e segurei os joelhos:

-Não… - Respondi – Mas eu tenho medo…

-Medo de quê? – Ele deu-me a mão, carinhosamente. Olhou-me de um jeito reconfortante, que resultou. Não conseguia entender como ele fazia isso.

-Eu gosto da minha família actual, não quero descobrir os meus pais e deixar a Helen e a Greta…!

Gustavo olhou para a agua esverdeada reflectivo, e compreendeu o meu dilema:

-Tu não tens de encontra-los… Apenas, saber quem foram!

-E se eu não gostar de saber?

-Segue em frente! – Recomendou – Aconteça o que acontecer, vais ter sempre a tua família e eu!

Ele deu-me um beijo na nuca e devolveu-me a caixinha. Suspirei e olhei-a. Ela não tinha de ser necessariamente da minha mãe, certo?

-porque é que não consegues abri-la? – Perguntei.

Gustavo levantou o gancho que a mantinha fechada e puxou a tampa para cima, contudo, ela nem se moveu, como de estivesse colada.

-Não sei! Até me magoei a tentar abri-la!

Segurei o ganchinho:

-Parece tão simples… - falei, girando-a nas minhas mãos.

Cuidadosamente, tentei elevar a tampa e para minha surpresa… Abriu!

Gustavo arregalou os olhos incrédulo, assim como eu. Entreolhamo-nos os dois:

-Conseguiste! Como?

-Não sei. Quase não precisei de me esforçar! – Ok, aquilo era bizarro.

Levantei a tampa por completo, receosa, e uma melodia começou a soar, mostrando simultaneamente uma bailarina com asas. Senti um arrepio e deixei a caixa cair no meu colo, assustada.

Gustavo pegou nela e só aí me apercebi que havia uma papel e um fio de ouro no seu interior.

-Um bilhete… - murmurou, desdobrando-o.

Encolhi-me ligeiramente. A musica continuava a soar, era uma melodia calma e suave, mas bonita, que fornecia àquele momento um clima ainda mais nostálgico. Reparei que Gustavo engoliu a seco depois de ler o papelinho.

-O que diz? – perguntei, com um certo medo.

Ele deu-me o papel, e o seu cheiro cativou-me de alguma forma. Levei-o até mais perto do meu nariz e aspirei o seu aroma. Era tão bom.

Olhei finalmente para a caligrafia rabiscada. A letra parecia de uma criança da primaria, redonda e grande, destacando as formas básicas. Tomei coragem e li.

“Quarta-feira, 21 de Abril, de 1993



Querido Gustavo,

Sei que podes não saber quem sou, mas se estás a ler esta carta, então o meu bebé está contigo.

Eu não conheço nada da vida. Aprendi a escrever há pouco tempo, não sei cozinhar, não sei trabalhar e nem sei matar um bicho, no entanto, sei ver o que as pessoas são dentro de si. Sei que tu e a tua família são bons, e desde que te conheci, ainda um bebé indefeso, entendi que serias a salvação. Tu hás-de salvar a criança que trago dentro de mim, e hás-de ama-la, seja homem ou mulher, feio ou bonito. Eu sei. Eu sinto isso dentro de mim. Sinto o espírito jovem que me pertence, acalmar quando tu estás por perto, e a tua alma não fica indiferente. Peço-te apenas que o salves das consequências dos meus pecados, e que lhe dês todo o carinho e protecção que eu não posso dar, pois um anjo, especialmente caído, nunca poderá cuidar de uma criança num mundo humano, onde o bem e o mal buscam o seu fim.

Entrega-lhe esta caixa de musica e este pendente como lembrança de mim, para que saiba que eu estou a olhar por ele e que o amo acima de todas as coisas.

Peço perdão pelos meus pecados, e peço-te que guardes a criança que mais amo neste mundo.



Com amor”



Não havia nome.

Não consegui desviar as atenções do papel amarelado. A minha respiração estava presa e todo o corpo estava sem forças. Recebi um beijo na testa e senti-me envolvida num corpo quente, aconchegante. Apercebi-me que os olhos estavam aquosos e por conseguinte as pestanas estavam banhadas com agua salgada e quente, que felizmente não escorriam pelo meu rosto.

-Estás bem? – perguntou numa voz melodiosa.

Não consegui responder. Continuava a encarar o papel nos meus dedos trémulos, numa tentativa frustrada de repor as ideias.

-Isto será verdade? – murmurei, estática.

Gustavo deu-me um beijo suave na maça do rosto, e passou as costas da mão na minha face:

-Eu acredito.

O meu peito contraiu-se e a respiração começou a sair aos solavancos. Deixei uma lágrima rolar pelo meu rosto, lentamente. Aquelas palavras estavam a fazer eco na minha mente, porque eu, no meu interior, sabia que nada do que li era mentira e muito menos que era paralelo á minha vida. Aquela era a realidade do momento. A minha mãe só podia ser aquele anjo caído.

Gustavo apertou-me mais contra ele, e limpou-me a lágrima:

-Não fiques assim… - pediu, apreensivo – Não consigo ver-te chorar… Não precisas…

-Desculpa… - Disse, num fio de voz.

Ele encostou os seus lábios ás minhas lágrimas e abraçou-me fortemente logo após.

-Eu amo-te…

A minha pulsação descontrolou-se, e eu encostei a minha cabeça á sua camisola:

-O que é o amor? – perguntei baixinho.

Ele respirou fundo e afagou-me o cabelo.

-O amor… - Ele parou de respirar por um momento e depois suspirou – O amos é encontrar a nossa alma na alma de outra pessoa… Por muito diferentes que essas pessoas pareçam ser…

Olhei-o admirada e limpei as lágrimas:

-Também foi o teu pai que te ensinou isso?

Ele sorriu:

-Não, vi num filme barato mas acho que bate certo.

Não consegui evitar de sorrir. As palavras dele eram cor, a qualquer momento. Apertei-o contra mim com todas as minhas forças:

-Não me deixes… - pedi, timidamente – Continua a fazer-me sorrir nos momentos maus…

Ele encostou o seu nariz ao meu cabelo e aspirou o meu cheiro:

-Eu vou guardar-te, como ela queria…

Gustavo agarrou-me, como se eu fosse um bebé e fez-me sentar no seu colo. Encostei a minha cabeça nos seus ombros e segurei-o:

-E agora? – perguntei.

Ele não disse nada e pegou na caixinha de musica. Pegou no fio que tinha dentro e ambos observamo-lo. Era fino e discreto, de ouro, e tinha duas asas penduradas. Era tão obvio o seu significado, que eu não consegui evitar de me encolher de receio. Gustavo desviou o meu cabelo:

-Não tenhas medo.

Ele encostou o pendente dourado ao meu peito, e apressou-se a aperta-lo, mas eu impedi-o, receosa. Segurei-o com os meus dedos e puxei-o para longe do meu pescoço:

-Eu não quero! – Disse, olhando-o – Fica tu com ele, tenho a certeza que o guardas melhor do que eu.

-Não Lannis, ele é teu!

Fiz um ar de criança infeliz e olhei-o:

-Por favor… - pedi.

Ele repreendeu-me com o olhar, mas beijou-me a testa e assentiu, contrariado. Aproximei-me e levei os meus braços á parte traseira do seu pescoço, prendendo o fecho do fio. Os nossos olhos ficaram colados um no outro. A maneira como Gustavo me fitava era óptima e reconfortante, e eu não consegui evitar de lhe sorrir. Ele beijou-me lentamente, e depois voltou a encarar-me:

-Olha para a água… - disse, fazendo-me solta-lo para me posicionar de frente para ela – Quantas cores vês nela?

Estranhei aquela pergunta, mas encarei o rio, ao perceber que aquilo era uma tentativa de distracção por parte de Gustavo.

Sorri e dei de ombros:

-Azul, verde…- Senti espanto ao perceber que olhando com mais atenção, o rio era bastante colorido - Branco… Castanho, cor de laranja e…

-Sabes onde ele começa? – interrompeu.

Neguei com a cabeça.

Então ele fez-me levantar e pôs-se também a pé. Deu-me a mão, e depois de me dar um beijo no cantinho dos lábios, puxou-me para seguir os seus passos:

-Vem descobrir!

Vislumbrei-o fragilmente. Ele sorriu-me com ternura e passou o braço em redor dos meus ombros:

-Vais surpreender-te!

Esbocei um sorriso tímido, em tom de agradecimento. Ele ia conseguir fazer-me sorrir. Ele tinha prometido.

-Onde vamos? Vais deixar ali as coisas?

-Nós voltamos!

Confiei nele, e deixei-me levar. Dirigimo-nos á outra margem da “mini-ilha” e ele fez-me caminhar sobre ervas altas e indomáveis que surgiram entretanto. Ele fez-me ter cuidado, pois era difícil ver o chão, e como tal podiam haver buracos onde eu pudesse escorregar. Reparei que o rio começou a estreitar e alem disso parecia ficar menos profundo. Gustavo calcou uns ramos secos de uma arvore caída e tirou as suas sapatilhas:

-Descalça-te!

Fiquei confusa com a ordem, mas obedeci sem hesitar. Segui os seus pés pelos troncos e depois pelas ervas altas, até que não havia sinais de rio, mas sim de uma ribeira pequena que tinha no fundo seixos minúsculos. Gustavo pôs os seus pés na agua e eu imitei-o, sendo logo percorrida por uma calafrio, apesar da sensação da agua gelada nos meus dedos ser óptima. Ele agarrou-me a mão e andamos contra a leve corrente de agua. Começaram a surgir cada vez mais rochas, e como tal, tivemos de passar por elas com cuidado para não escorregarmos.

-Não te é familiar? – ele perguntou, ajudando-me a saltar para outra pedra.

Franzi as sobrancelhas e olhei em redor. Apercebi-me que aquele ar e aquela agua ficavam mais frescos a cada passo que dávamos, e as arvores começavam a ser em maior abundância:

-Estamos a chegar á minha cachoeira?

-Tua? – ele sorriu.

Senti-me corar:

-É…

Apertei-lhe a mão e voltei a molhar os pés dentro de agua, avançando mais, e então tive a certeza que nos dirigíamos para lá.

Gustavo pegou-me pela cintura e fez-me saltar para outra pedra. Comecei a reconhecer as rochas que pisava.

-Eu sei que adoras este lugar… - Disse ele, beijando-me o rosto – E sei que te acalmas e sentes melhor.

Mirei-o encantada. Como é que ele me podia fazer sentir isto? Como é que Gustavo me tratava tão bem? Não era suposto os rapazes serem assim, eles deviam ser mais frios e mais trocistas, e não serem queridos e atenciosos! Afinal quem é que estava no mundo errado? Em que lugar é que eu tinha vivido até àquele momento para só agora descobrir que existia alguma cor na minha vida?

-Tu… És perfeito… - Falei, recatadamente.

Ele sorriu e fez-me saltar para a rocha mais larga que dava acesso directo á piscina da cachoeira. Quando me alcançou segurou os meus pulsos e beijou-me delicadamente. Ele era tão… Ele!

-Eu farei tudo para te ver bem! – Ele acariciou a meu ombro – Não suporto ver-te triste, por isso, sorri. – pediu.

E eu sorri, e beijei-o sem medo.

Ele lançou um olhar maroto:

-Vamos dar um banho?

Ri-me da ideia:

-Sem biquíni?

-Por mim podia ser! – Disse com descaramento. Dei-lhe uma palmada no braço.

-Estúpido!

Ele revirou os olhos:

-Vá lá… Não sabe bem entrarmos na agua vestidos?

Ele não esperou resposta e empurrou-me para eu cair na agua, mas depressa me segurou novamente. Aquilo era só um susto, do qual eu ri.

-És doido?

-Está calor! – Defendeu-se.

Ele retirou as coisas importantes que tinha nos bolsos e pousou-a numa rocha seca. Eu fiz o mesmo:

-Alinhas? – desafiou.

Mordi o lábio, ainda duvidosa. Ele retirou a sua t-shirt, deixando o seu tronco totalmente exposto para mim. Libertei um suspiro. Céus, ele não podia fazer-me aquilo, eu ficava sem controlo sobre mim mesma, a minha pulsação descontrolava-se, a minha barriga contraia-se e os joelhos tremiam. A carne era fraca! Era de propósito? Só podia!

-A agua está fria. – Avisei, sem conseguir parar de olha-lo.

-A primeira vez que te trouxe cá adoraste a temperatura! – Relembrou.

-É, mas quando tenho o corpo mais quente, é mais difícil de entrar em contacto com o frio.

Ele sorriu provocatoriamente e encostou-me a ele pela cintura. Aproximou o seu rosto do meu e descolou os lábios, fitando-me hipnoticamente:

-Tens calor, Lana…?

A sua voz soou aliciante. Mordi o lábio:

-por todo o corpo. – Referi, baixinho – Quantos graus estarão hoje? Trinta e cinco?

-Para mim estão quarenta!

-Será que tens febre?

Ele sorriu ironicamente, e mordeu o meu lábio. Passei apenas um braço em redor do seu pescoço, enquanto o outro explorava o seu musculo peitoral. Ele deu passos que me fez recuar, sem parar de me beijar freneticamente. Senti a agua gelada afundar cada vez mais as minhas pernas e todo o meu corpo vibrou, fazendo-me encostar mais contra Gustavo. Ele desviou de repente a sua boca da minha e beijou-me o pescoço, perto do meu golpe quase sarado, percorrendo a seguir o meu ombro. Levantei a face e suspirei. Aquilo sabia tão bem. Os problemas sumiam e não havia lugar para dor. Eu sentia que precisava cada vez mais dele.

-Gustavo… - murmurei – Acho que cheguei aos quarenta graus…

Ele não respondeu. Retomou á minha boca e massajou-me o quadris, amassando-o com força por entre os seus dedos.

Ele não ia parar, e subitamente recordei o que Liliana me havia dito no dia em que estive em sua casa. Os homens tem instintos, por isso eu tinha de nos controlar, mas… E se eu não quisesse controlar-me? E se eu quisesse que ele não me parasse de beijar? Seria errado deixa-lo louco? A minha vozinha na cabeça gritou “Sim!” e eu agi por impulso. Dei-lhe um encontrão que o fez cair dentro da agua, e retomei a minha respiração com alguma dificuldade. Ele veio á tona e tremeu de frio.

-Acho que estavas a precisar de um banho frio! – justifiquei-me.

Ele atirou-me agua:

-Não sou só eu, ou sou?

Ele não me deixou responder e segurou-me o tornozelo, fazendo-me cair sobre ele, na agua. Guinchei com o frio e abracei-o para me aquecer:

-Mau!

-Cá se fazem cá se pagam!

Ele empurrou-me a cabeça para dentro de agua e eu por vingança arranhei-lhe a perna, e fi-lo ficar também submerso. Ele puxou a minha saia do vestido, que flutuava com os meus movimentos aquáticos e encostou-me violentamente contra uma rocha, por onde a corrente passava, e segurou as minhas pernas cruzadas no seu corpo. Voltou a beijar-me, insaciavelmente, á medida que movia as suas mãos pela minha coxa. Arranhei-lhe o rosto e trinquei o seu pescoço com força. Ele gemeu de dor e eu sorri, malvada, sem impedi-lo, porem, de me arranhar a zona mais alta da perna. Parecia uma luta cujo prémio iria para quem conseguisse provocar mais tentação. Digamos que estávamos empatados. Eu já podia sentir o seu corpo mais duro e forte, ansioso por me explorar, e tinha de admitir que aquela sensação era nova para mim. Sentir um calor interminável da cintura para baixo era angustiante mas bom, todavia aquilo era uma loucura! Eu sempre fui ingénua, mas se abrisse os olhos eu sabia como era a vida, sabia o que o meu corpo queria, e sabia também o que Gustavo desejava!

-Bolas! – quase rosnei, sem sequer abrir os olhos para saber o que eu estava a fazer.

-O que foi Lana? – Ele sussurrou, sem parar de me beijar.

Apeteceu-me espanca-lo! “Nós namoramos há uns dias, lembras-te?!”

-Tenho fome! – Menti, para não dizer “Por favor, larga-me!”

Ele riu e descolou os lábios da minha pele, sem terminar com as carícias.

Que esforço, céus!

Parecia que eu precisava mais dele depois de tudo o que nos estava a acontecer! Primeiro as asas que intensificam aquela paixão que ambos tentávamos domar sem sucesso, e depois o facto de aquela caixinha me deixar frágil e com necessidade extrema de tê-lo apoiar-me! Só faltava o nossos corpos serem feitos de íman para nunca mais nos desapegarmos!

Fi-lo soltar-me e mergulhei-me na agua, com dificuldade para não voltar á superfície. Como nos momentos de stress, o meu corpo parecia libertar pequenas bolhas de ar! Gustavo interrompeu essa terapia e fez-me trazer o corpo ao exterior calorento. Ele segurou-me pelo pulso e fez um movimento rápido que lhe devolveu a minha boca por breves segundos:

-Desculpa…! – disse ele, mordendo o seu lábio.

Arfei e virei o rosto, tentando levar o meu corpo á normalidade:

-Era suposto eu estar deprimida por causa da caixa de musica, não era? – Então porque é que não estava? Porque é que em vez disso me apetecia saltar para o seu colo? Bolas!

Ele não respondeu e soltou uma lufada de ar, tentando acalmar-se. Porque é que era tão difícil faze-lo? Tantas perguntas sem resposta definida!

Senti o seu corpo mergulhar de cabeça na agua cristalina e respirei fundo. Olhei para o céu e fiz por abstrair-me, até que senti o meu vestido ser puxado e o meu corpo tombou outra vez na agua.

Submersos, Gustavo segurou o meu rosto e encostou os seus lábios aos meus. Um beijo diferente dos outros! Refrescante, rápido e suave! Nada que nos fizesse enlouquecer! Voltamos os dois á superfície e eu sacudi o cabelo que me tapava a visão.

Ele parou em frente a mim e estaticamente olhou-me

-Eu não te conheço. – Disse.

-Não me conheces?

Estranhamente apetecia-me sorrir sem motivo, mas não conseguia entender o significado daquela confissão.

-Como é possível seres tão angelical e ao mesmo tempo tão… Demoníaca?

Não sei qual me deixou mais baralhada, Angelical ou Demoníaca.

-Porquê?

Ele apenas me olhava, como se me engolisse com os seus olhos. Senti-me nua, quer fisicamente, quer espiritualmente, mas sabia bem.

-Eu não sei… - Ele sorriu, confuso e segurou a minha mão.

Fez o meu corpo molhado sentar-se numa rocha polida, também húmida, e sentou-se ao meu lado. Afastou os meus cabelos escorridos do meu rosto e vislumbrou-me nos seus olhos:

-Olha para ti… - murmurou. Apercebi-me que o seu corpo ainda palpitava, mas ele combatia-o com determinação, tal como eu, que me fazia de forte para ele – Já descobri tanto sobre ti desde de que nos conhecemos, que podia julgar que já não havia mais para saber, mas enganei-me.

-Porque dizes isso? – Olhei os seus olhos azuis, encantada com tudo nele, o seu rosto, o seu corpo, a sua voz, o seu cheiro… Tudo!

-Quando eu te vi pela primeira vez… sozinha, mas tão séria e independente… Pareceste tão… - Ele sorriu, como se nada fizesse sentido – Forte e destemida!

Sorri, envergonhada:

-A sério?

Ele afirmou num balanço de cabeça e sorriu-me de volta:

-E nas primeiras palavras que troquei contigo… entendi que eras inteligente e medrosa, mas que te esforçavas para que ninguém reparasse – Ele mordeu o lábio e olhou a agua de soslaio – Sempre te achei… interessante! – Ele sorriu com mais vontade, como se fosse uma confissão idiota, e mirou o céu limpo.

Eu encolhi ligeiramente o meu corpo, tímida por causa das suas palavras:

-Nunca me achei interessante. – Admiti.

-É, eu apercebi-me disso mais tarde. – Ele deu de ombros - Quando me contaste a tua historia apercebi-me, então, que eras débil e no fundo só precisavas de protecção…

Desenhei um pequeno esgar. Sentia vergonha de ser tão fraca, especialmente sabendo que tal era verdade. Eu precisava de alguém a meu lado, sempre precisei.

-Eu não gosto de ser assim, desculpa…

Ele olhou-me admirado:

-Porque é que me estás a pedir desculpa? – Franzi os lábios e olhei para as minhas unhas – Eu não me importei que fosses assim… Na verdade gostei. A tua sensibilidade torna-te mais doce com as pessoas, mesmo que não queiras que se apercebam!

-Assim vais deixar-me envergonhada! – Avisei, humedecendo o meu rosto com a agua que corria perto de nós.

-Não fiques! – Ele segurou a minha mão e manejou-a como quis. Olhou as minhas unhas e entreteve-se a passar os dedos nas suas extremidades afiadas – Eu voltei a achar-te forte quando nos afastamos, e mais fria também, apesar de uma parte de mim continuar a ver-te indirectamente atenciosa com as pessoas a quem não querias mal como a Liliana e a Rebeca.

Atentei nos nossos dedos e depois no seu rosto, atento ás minhas unhas. Ele sentiu-se observado e levantou o queixo, sorrindo-me:

-Também te adoro enquanto Alannis! Pensei que esse teu verdadeiro “eu” fosse mais frágil, mas afinal também consegues ser divertida, desastrada e distraída! – Ele riu para mim, e passou a mão pela minha face – Nunca pensei que tivesses uma faceta tão infantil!

Fiz uma careta e mostrei-lhe a língua:

-Espero que isso seja uma coisa boa!

-É. Acredita, eu gosto que tu sejas assim, mais livre! Pareces mais animada, e sabe-me bem ver-te assim, não sei porquê, mas sabe!

Não consegui resistir, enquanto desenhava um sorriso na minha cara, beijei-o, com as minhas mãos a apoiarem o seu rosto. Ele correspondeu-me, e mal eu parei para falar ele aproximou o seu corpo do meu e selou outro beijinho. Que bom!

-Tudo isso é angelical, não é? – Eu ri-me e ele riu.

-É… Acho que quase tudo em ti é isso! Até tens asas, boneca!

Ri-me, suavemente:

-Então o que é demoníaco em mim? A Lana?

-Não…! – Ele mordeu o lábio e suspirou de seguida – Hoje fiz outra descoberta sobre ti! – Franzi o sobrolho e esperei que ele prosseguisse - Hoje, revelaste que também consegues ser provocadora e fatal! – Pronto, corei! - Há um lado de ti que…. É tão mais intenso, irónico e tentador! Tudo isto fez-me descobrir que não te conheço, mas que estou completamente apaixonado por ti! – Ele agarrou-me o rosto – O que é que eu hei-de fazer para controlar isto?

O meu coração aumentou, parecia que ia ficar sem espaço no peito e ia explodir. Acho que gaguejei:

-Não controles. – Aquilo saiu como um palpite.

Ele mostrou a sua dentadura branca perfeita, num sorriso incrédulo:

-Estava á espera que me desses um estalo e me dissesses que não posso perder a cabeça contigo!

-Não tenho moral para te dizer isso! – Teria de levar também um estalo para não ficar louca por ele!

Gustavo riu-se e levantou-se na pedra escorregadia:

-Tinhas mesmo fome?

-Ao que eu comi, achas mesmo?

-Óptimo, mais um mergulho? – Sugeriu.

Não respondi e pus-me também a pé na rocha. Empurrei os meus membros na direcção dos seus ombros, e fi-lo perder o equilíbrio. Julguei que ele ia cair na água, mas não foi como eu esperava. Ele caiu, sim, mas levou-me junto com ele e eu mal tive tempo de guardar oxigénio dentro de mim. Esperneei e criei um mini remoinho que lhe atirou agua para os olhos. Ficamos a maior parte do tempo ali, fazendo pequenas brincadeiras infantis com a agua, molhando-nos um ao outro, e a roubar beijos rápidos e longos, impedindo a fúria de se apoderar dos nossos corpos.

Quando a brisa começou a soprar, mais tarde, decidimos mutuamente que era a altura de sairmos dali e tentarmos secar as nossas roupas e os nossos corpos antes que nos constipássemos. Pegamos nas nossas coisas com cuidado para não as estragarmos e fizemos o percurso de regresso para o local onde deixamos tudo. Tudo parecia intacto, o meu casaco na margem do rio, a pouca comida que restava destapada e o carro parado no meio das arvores. Gustavo dirigiu-se até ele, enquanto eu espremia a agua do meu cabelo, e atirou uma toalha de praia que tinha no porta bagagem para eu me secar:

-Vem cá! – Exclamei.

Ele correu até mim e deu-me logo um beijo. Eu olhei-o sorridente e limpei-lhe a pele, já que não havia mais nenhuma toalha. Tocar no seu abdómen era tentador, tão bem definido, tão rijo e tão macio ao mesmo tempo. Eu tinha realmente muita sorte por alguém como ele olhar para mim!

Ele roubou-me a toalha da mão e limpou os meus ombros:

-Não quero que te constipes!

Acabamos por nos deitar na areia com o intuito de secar os trajes, acompanhados por um tupperware de bolachas de chocolate a deliciar-me. Não havia nenhum tema em concreto para falarmos, especialmente porque eu não queria tocar no assunto da caixinha de musica e do meu passado, e por isso dizíamos coisas sem nexo, como a mudança de cor que o céu estava a fazer durante o crepúsculo.

-Está a entardecer! – Choraminguei, escondendo a minha cara no peito de Gustavo.

Ele pegou na sua T-shirt e vestiu-a:

-Prometi á Helen que regressávamos nesta altura.

-Eu sei! – Lamentei – Mas não quero ir já!

Abracei-me a ele com força:

-Vamos ficar mais um bocadinho! – Pedinchei.

Ele riu e passou a mão no meu cabelo:

-Amanha voltamos a estar juntos!

-Aonde vamos amanha? – perguntei entusiasmada.

Gustavo olhou-me surpreendido:

-Para a escola!



***



Hum... Tipo, estes capitulos que tenho andado a postar já foram escritos há meses. Jé devem ter reparado que em algumas situaçoes num momento os personagens tao todos tristes e logo a seguir ficam animado. Pois, é o que dá! Embaracoso' a segunda parte deste capitulo á basicamente o regresso ás aulas e a descoberta do namoro pelos colegas/ amigos, de uma maneira pouco propria para alguns, mas enfim. Depois deste capitulo começam a desvendar-se algumas situaçoes, tipo, sei lá, as cenas da Leticia.

O resto é mel e depois caminhamos lentamente para o desenlace! (Francamente já nao posso ver esta fic á frente. Raios partam, ela nunca mais acaba! xiça! ».«')

portanto, quem tiver ansioso pelo fim, que faça comentarios, muitos!

Comentarios sao como gasolina, sem ela nao se anda! Estou a falar a sério, ando mesmo pouco voltada para esta historia! Desiludido

Por isso, agradeço desde já os comentarios que ainda sao feitos!

bjokas

as minhas fic's:
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
-Angelical
Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^
#301
ai eu não digo? eu não posso ficar pelas ameaças porque senão esta cachopa nunca mais posta capítulos inteiros Mal disposto

querida já te tinha dito que escreves maravilhosamente bem? ah e já agora que eu amo as tuas histórias??

Xd


continua está tão linda
#302
"...
Aonde vamos amanha? – perguntei entusiasmada.

Gustavo olhou-me surpreendido:

-Para a escola!"

LOL... essa foi boa. No meio de tanta diversão também eu me esqueceria que no dia seguinte tinha aulas (e ás tantas ainda ficava amuada).
Gostei mesmo desta fanfic, estou ansiosa para ve mais do desenlace. Já dá para ver alguma coisinha sobre a mãe da Laninha, mas e o pai...? mortal? anjo? demónio? Isso até explicava os "pecados" da mãe da Lana xDD

Também quero um Gustavo! Não é justo que só as gajas dos romances é que têm direito a um gajo tão perfeito como ele (digo isto porque li ontem Nicholas Sparks e hoje Nora Roberts e fico fula com os gajos perfeitos nestes romances... só eu é que não arranjo nada Mal disposto)


Sei perfeitamente como se te sentes. Também me sinto sem vontade nenhuma para as minhas fanfics, tudo porque.... não há comentários e por não termos muito tempo para escrever, acabamos por nos fartar, em vez de aproveitar toda a inspiração inicial que as fanfics desecadeiam. Mas ás vezes passa...

Espero por mais capítulos Smile
Espero por ti em cada segundo , porque tu és o meu mundo!




Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
Visitem a minha 1ª Fic ----->The Four elements
#303
Muito obrigada pelos comentarios meninas!Embaracoso
Gatinha, acho que já nao vais precisar de ameaças! Normalmente eu divido os capitulos para me dar tempo de avançar mais na historia e assim nao ficar meses sem postar. Felizmente já estou a escrever o ultimo capitulo e depois só falta o epilogo! Embaracoso Esta fic vai deixar saudade, tanta que eu até ponderei sobre fazer uma sequela pois sinto que vao ficar algumas coisas por dizer. Se a fizesse seria sob o ponto de vista do Gustavo e iam notar algumas diferenças a nivel de personalidades das personagens! XD
Ana_Santos, Concordo plenamente contigo! Acho que nos romances os rapazes/homens sao todos perfeitos! acho que nunca vi um romance em que o gajo fosse um teso (Matreiro), feioso, nerd e chato! Enfim, no fundo uma pessoa cria aquilo com que sonha, daí ser tao irreal e impossiveld e encontrar. Eu pessoalmente nem acredito que existam rapazes assim, mas sonhar nao custa... Rolling Eyes
Nos ultimos capitulos a verdade vai ser toda desvendada, sobre o pai, a mae, a origem, etc!
Bom, como já estou a escrever o ultimo capitulo pensei em postar com mais regularidade, do tipo, todos os dias, ou de dois em dois dias. Claro que eu nao trabalho á borla, portanto, para que isso acontecesse eu tinha de ter sempre comentarios, porque estar a postar todos os dias e ninguem dar sinal de vida, esqueçam! lol
Entao, que dizem? Arrisco?
as minhas fic's:
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
-Angelical
Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^
#304
Por mim.. posso demorar a comentar, mas comento sempre. E seria tão bom ler esta fanfic até ao fim para depois começar uma nova (vais começar uma nova, nao?)
Espero por ti em cada segundo , porque tu és o meu mundo!




Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
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