A Guardiã dos Sonhos
quando é que actualizas esta fic????
estou com saudades de ler mais um maravilhoso capítulos

estou com saudades de ler mais um maravilhoso capítulos

a minha primeira fic "AS FILHAS DA LUA"passem na minha fic e comentem XD

Traços do destino
visitem o meu forum http://eterna-sailor-moon4.forumeiros.com/forum.htm

Traços do destino
visitem o meu forum http://eterna-sailor-moon4.forumeiros.com/forum.htm
Monica escreveu:quando é que actualizas esta fic????![]()
![]()
![]()
estou com saudades de ler mais um maravilhoso capítulos![]()
Ainda ontem tive o mesmo pensamento!
Aninhas, nao vais escrever mais? a Historia estava tao interessante!

as minhas fic's:
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
-Angelical
Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
-Angelical
Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^
Ok people, não se preocupem. Esta fanfic ainda está em andamento. Sou daquelas que começa uma coisa e tem que acabá-la. Mas não pude escrever durante muito tempo por dois motivos. O primeiro é obvio: escola. As minhas notas nao andam lá muito boas e como este ano vou ter exame, tenho k subir a minha média e bem. E o tempo livre que me sobra... sorry, mas não consigo escrever com tanto stress na minha cabeça, pois não são só as aulas k me matam (a minha turma tá em guerra e cada um tem que escolher um lado. Eu sinceramente nem gosto do meu. As adolescentes são tão complicadas
)
O outro motivo foi o meu pc. Eu já tinha metade do capítulo das minhas três fanfics pronto lá pra novembro, mas o pc onde eu escrevia as fanfics foi-se e este não tinha o mesmo processador de texto. Enfim, andei numa complicação para arranjar uma chave de licença para o office, depois o pc estragou-se e teve k ir para arranjar... enfim, acabei por me esquecer das fanfics. Mas agora posto um novo capítulo, mesmo antes das férias acabarem
Está um pouco pequeno, mas eu decidi logo após postar o meu último que este era apenas "para despachar". Agora que voltei a escrever, quero avançar a história e depressa (afinal a fanfic já tem UM ano)
---------------------------------------------------------------------------------------------------------------
reescrito a 27/08/2012
Capítulo 18. Segredo Descoberto
Linda Chiba Natsumara.
O nome oficial da princesa de Crystal Tokyo.
Cecília sabia que ninguém a tratava por este nome na Europa. Sabia que no país natal do pai, ela era conhecida como Linda Victoria Natsumara mas aquele detalhe era pouco ou nada importante.
Não quando a rapariga em questão a olhava como se ela tivesse dito alguma blasfémia. Como se Cecília a tivesse encurralado como um animal numa jaula. O que até era verdade. Cecília tinha as costas premidas firmemente contra a porta, impedindo algum tipo de escapatória por parte de Linda.
Observou a colega atentamente, procurando interpretar as micro-expressões da colega. Mas perdeu-se na sua aparência física.
A sua princesa era magra, de estatura média, tinha cabelos rebeldes, algumas borbulhas visíveis e óculos. Definitivamente, nunca ninguém alguma vez suspeitaria que Linda fosse a princesa de Tokyo. Era impossível alguém de aspeto tão comum pertencer à realeza. No entanto ali estava ela, frente à filha da melhor amiga da mãe. A filha da Rainha.
Engraçado que fora a dança que a denunciara. Apesar de toda gente conhecer o aspeto da Rainha, principalmente Cecília, esta apenas reconhecera a filha da monarca pela sua forma de dançar. Era talvez o único detalhe pessoal da vida da princesa que todo o país tinha conhecimento.
Cecília lembrou-se do dia em que a princesa e o príncipe decidiram aparecer na festa organizada pelos pais. Um baile de máscaras onde, de repente, surgiram duas figuras de roupas claras. Dançaram duas músicas e depois desapareceram. As suas caras não foram vistas, mas todos sabiam que se tratavam do jovem príncipe e da princesa. Cecília, na altura com doze anos, pôde notar no longo cabelo escuro da princesa e no cabelo dourado do rapaz. Realizaram movimentos complexos numa única dança, mostrando uma ligação e uma confiança natural. A química que os dois transmitiram espantou os convidados e a própria Cecília, que não conseguira acreditar que aqueles dois fossem irmãos de tão ligados que estavam.
Mas a consanguinidade estava presente. O príncipe estava à vontade com a irmã, mas jamais lhe tocava em determinadas zonas e notava-se um ligeiro desconforto de cada vez que os rostos dos dois se aproximavam. Mas apenas Cecília notara nisso. Pormenores que não afetaram a harmoniosa dança executada pelos dois irmãos. Quando a segunda música acabara, saíram pelas cozinhas, não voltando a ser vistos.
Fora a única vez que alguém vira a princesa e o príncipe. De resto, era como se não existissem.
E agora ela estava ali, frente a frente com a verdadeira princesa. Sabia o apelido do Rei e o nome completo da Rainha, mas o primeiro nome dos filhos sempre lhe escapara. Sabia que a princesa tinha um nome inglês, como o do pai. Já o príncipe tinha um nome japonês, o mesmo nome do seu bisavô materno. Cecília ouvira o nome uma vez, mas já não se lembrava.
O som da água a pingar dos chuveiros quebrava o pesado silêncio entre as duas colegas. Cecília sorriu fracamente e fez um som estrangulado com a garganta, acordando Linda do seu sono apático.
-Sabes que terás que dizer alguma coisa se não queres perder o intervalo, certo?
Linda focou os seus olhos na morena. Esta sorria, claramente divertida com a situação.
-E o que é que eu deveria dizer nesta situação? – Linda sabia que, caso houvesse efeito acústico no balneário, Cecília nunca a teria ouvido. Já devia esperar que Cecília a encostasse contra a parede com o seu segredo.
-E que tal “Apanhaste-me?”. Acho que ficaria bem, dada a situação.
Linda semicerrou os olhos, não escondendo a impaciência.
-Apanhaste-me. - Disse por fim, suspirando pesadamente. Um longo silêncio pairou no ar enquanto Cecília fitava o chão, pensativa. Linda quebrou o silêncio incómodo com a pergunta que lhe arranhava a garganta desde que entrara no balneário. – Vais contar a alguém?
Cecília não respondeu logo mas, quando o fez, a voz foi firme.
-Não.
-Porquê?
Mais uma vez, as palavras de Linda foram ditas num sussurro quase inaudível. Cecília lambeu os lábios secos, fazendo meia dúzia de caretas pensativas. Linda reconheceu alguns daqueles semblantes, tendo os visto algumas vezes no seu espelho.
-Porque eu sei o que é fugir de um mundo onde nascemos, mas à qual não conseguimos encaixar. Durante anos, evitei a minha mãe e as suas relações nobres, limitando-me à escola. Conquistei amizades e inimigos, mas estou muito bem como estou. Eu, Cecília Tamura, uma jovem de raízes nobres que age (ou pelo menos tenta agir) como uma adolescente normal.
-Eles não sabiam disso, pois não?
-Não. – Respondeu a morena fracamente.
Linda passeou pelo balneário, tentando pensar naquilo que iria dizer a seguir. Cecília tivera um segredo. Um segredo que ela revelara só para salvar a pele dela.
-Contaste o teu segredo... Para que ninguém soubesse do meu…
-O teu segredo é mais importante que o meu. -Disse Cecília num tom natural. - Além disso, és novata e ainda não conquistaste o respeito da turma. Eu já e por isso não serei torturada por eles. O máximo que irá acontecer é ser alvo de conversa por duas semanas e deixar de ter desculpas para uma simples saída no meu aniversário. Quero dizer, eles agora sabem que eu posso dar uma grande festa. Principalmente porque calha no S. Valentim.
Linda sorriu, grata pela discrição da colega.
-Nem sabes o quanto te agradeço, Cecília.
-Não precisas. Também tens o direito de te divertires fora da sombra dos teus pais. – Disse Cecília docemente, como quem tenta amenizar um problema.
-Conheces os meus pais? – Perguntou Linda, com cautela.
Cecília abanou a cabeça, mordendo o lábio. Os seus perfeitos dentes brancos só melhoravam a sua imagem de menina educada. Mais depressa alguém julgaria Cecília Tamura como a princesa de Tokyo do que Linda.
-Só os via em eventos, mas não falo com eles. Da última vez que falei com a tua mãe tinha mais ou menos doze anos, e foi apenas porque a minha mãe obrigou-me a ir ao evento em questão ou cortava-me a mesada. Pareceu-me simpática. – Acrescentou, olhando Linda cautelosamente.
Esta suspirou.
-Ela dá sempre essa impressão, não?
Cecília respondeu com um encolher de ombros, deixando que silêncio voltasse a reencher o espaço. Linda respirou de alívio. Cecília não contaria o seu segredo a ninguém. Agora o único problema era Mari. Ela não era estúpida. Sabia que Mari acabaria por saber que Cecília tinha posse do seu segredo e tudo faria para lhe extorquir tal informação.
Ao longe, ouviu-se o toque de uma campainha.
-Oh não! Vamos chegar atrasadas! - Cecília afastou-se da porta e foi buscar a mochila ao banco. Linda pegou na sua e saiu do balneário com Cecília atrás de si.
Passaram pela outra turma que brincava com as bolas de futebol sob o olhar do Sensei Amadeus. O olhar de Linda cruzou-se com o do Sensei, algo que Cecília notou.
-Devias participar. Vieste para aqui para te divertires e viveres a tua vida longe do palácio, não poderás fazer isso se alguma coisa te haverá sempre de prender. – Disse Cecília suavemente, olhando entre o Sensei e Linda.
-Não posso. Toda a gente sabe que a princesa dança, não posso arriscar.
Cecília revirou os olhos.
-Pensa bem. Sim, todos sabem que tu danças mas ninguém sabe o teu estilo. Sabem que danças porque assim corre o rumor de boca a boca. Duvido que eles te reconhecessem se te apanhassem a dançar. Não quando irás estar num torneio cheio de participantes que dançam tão bem quanto tu.
Linda teve que admitir que Cecília estava correta. Ninguém sabia como ela dançava e os poucos que a vieram não podiam dizer nada, pois fora algo muito breve. Só Cecília a reconhecera, mas também ela era a filha da melhor amiga da mãe. Até a própria Linda reconhecera o rosto de Cecília nalgum lado quando a vira pela primeira vez.
-Vai falar com o Sensei. – Incentivou Cecília, dando um pequeno empurrão nas costas de Linda. Esta fez-lhe uma careta.
-Tudo porque queres ganhar. – Murmurou Linda, tentando galhofar. Cecília soltou uma gargalhada e empurrou Linda com mais força para meio do campo improvisado de futebol. Tentando esquivar-se dos outros alunos, Linda conseguiu chegar perto do Sensei, que a olhava apreensivo.
-Menina Tsukino, não devia estar nas aulas? – Perguntou. Linda engoliu em seco.
-Eu e a Cecília já estamos atrasadas, é verdade. Eu queria apenas dizer…
-Poderei contar consigo no torneio? – Perguntou Amadeus, sem se pôr com rodeios.
Ainda que fosse apenas uma única palavra, Linda teve uma certa dificuldade em articulá-la, pois lembrou-se da sua promessa em não participar ou não fosse ela Linda Tsukino.
Mas tu não és uma Tsukino. És uma Natsumara.
Aquela voz acabou por a convencer. Linda assentiu com a cabeça, olhando o Sensei com um olhar determinado.
-Sim pode contar comigo. – Disse.
Amadeus sorriu abertamente, pondo a mão no ombro da estudante numa forma de dar os parabéns pela decisão. Falou dos ensaios que iria passar a ter com Eiji, Cecília e François e a que horas ficava combinado. Linda não conseguiu deixar de sorrir ao saber que, graças aos treinos, ficaria livre de limpar os corredores depois das aulas com Mari depois das aulas.
Despediu-se do Sensei com uma pequena vénia de cabeça e foi para junto de Cecília, que recebeu um sorriso de agradecimento por parte do Sensei. Juntas, dirigiram-se para a sala de aula.
Durante o caminho, falaram do torneio da dança e das possíveis coreografias a ensaiar. Quando chegaram à porta da sala, Cecília virou-se para Linda:
-Sabes, eu não irei contar nada a ninguém, mas se fosse a ti tentava melhorar as coisas com a Mari, porque se ela descobre...
-Eu sei. – Interrompeu Linda, não conseguindo esconder uma réstia de raiva na voz.
-Não, não sabes. Tenta ser amiga dela. Esta estúpida rivalidade entre ti e ela só vai dar confusão para os dois lados. E acredita. – Acrescentou, a mão na maçaneta da porta. - Que não será o teu a ganhar.
Linda ficou junto à porta depois de Cecília entrar, perdida em pensamentos. Talvez fosse melhor fazer umas tréguas. Ela era teimosa, mas Mari era uma grande concorrente. Aquela guerra aberta entre as duas bem que poderia durar muito tempo.
Suspirou, prometendo a si própria que iria ignorar Mari e começar a evitar discussões. Ainda que a opinião da turma pouco lhe importasse, Linda não se esquecia que morava na casa de Mari e que magoava a avó dela sempre que existia algum conflito entre as duas. Para não falar que conseguira sentir a desilusão na voz da sua avó no último dia. Por Aiko e pelos outros, ela seria capaz.
Não fosse o nome dela Linda Natsumara.
**
-Porque é que não me disseste nada? - Perguntou Eiji, apanhando Linda no fim da aula.
Linda franziu a testa, confusa. Só depois se lembrou que Eiji não vira a apresentação dela.
-Oh, eu esqueci-me que não estavas lá na primeira aula. Não me viste a apresentar-me. – Disse, os olhos esbugalhados e os lábios desenhando um sorriso atrapalhado.
Eiji fez uma careta.
-É o que acontece quando se depende do Setsu para chegar a uma aula depois de um encontro familiar. Enfim… eu julgava que fosses apenas uma nova aluna. Não uma nova aluna na sua primeira escola.
-Também admito que não fui muito explícita no primeiro dia. – Confessou-se Linda, lembrando-se das suas próprias palavras naquele dia, onde ela ansiava por se juntar a aquela turma com alunos tão distintos uns dos outros.
Linda apoiou a mochila num ombro e saiu da sala, com Eiji a acompanhá-la. Passaram pelos corredores cheios de estudantes e de outros objetos que apenas lembravam a Linda que ela era uma peça que nunca faria parte daquela grande mobília. Até Eiji parecia ter o seu lugar. Algo nela não parecia encaixar.
Alguém foi contra ela, fazendo-a parar e encostar-se a uma parede, esperando que a confusão passasse.
Eiji pôs-lhe a mão no ombro.
-Ainda tens muito que aprender. Não consegues lutar contra a maré? Sabes que não tens que ficar aqui parada à espera deles.
Linda suspirou pesadamente.
-Ainda não me habituei.
-Isso explica porque me roubaste o canto atrás da escola. Não costumas ter uma grande vida social, pois não?
Linda conseguia ouvir o humor e a frustração na voz dele, os seus olhos fitando a corrente de alunos à sua frente.
-Não.
Eiji suspirou.
-Já era de esperar com o Kenji como irmão… - Exigiu uma leve pressão no ombro dela, tornando-a para ele. Linda nunca viu aqueles olhos tão sérios. – Quero que saibas Linda, que podes contar sempre comigo para estas situações.
O barulho de fundo diminuiu consideravelmente. Linda esboçou um sorriso, aliviada. Ela já sabia que podia contar com Eiji. Mas pela primeira vez desde que fugira de casa e entrara naquela escola, não se sentia só.
-Ainda bem que és o meu par.
**
-Raios partam aquela Tsukino. Sempre a brilhar perante os Senseis. Uma convencida é o que é. – Murmurou Mari entre dentes. Ia a caminho de cada, acompanhada por Cecília. Os outros tinham ido ver a praxe da faculdade de medicina naquele dia, mas a vontade de ver outras pessoas estavam abaixo de zero. Ainda que uma pequena parte dela ansiava em ir, a fim de encontrar Kenji.
-A culpa não é dela de ser melhor do que tu, Mari. – Disse Cecília, a voz traindo impaciência.
-Até nisso concordas. - Virou-se para a amiga, com um ar semelhante aos das pessoas que assustam os miúdos no Halloween. - Foste contar o teu segredo a toda a turma assim de repente? Depois de eu te ter guardado o segredo durante anos?
Mari soube que tinha ido longe de mais quando viu uma ruga saliente na testa da amiga e os olhos desta brilharam como whisky.
-Não sabes porque falei, por isso cala-te! É da minha conta porque quis revelar um segredo meu à turma inteira. Agradeço a tua discrição até agora, mas consigo viver com as consequências dos meus atos. – Lançou um olhar penetrante à amiga, que recuou nervosamente. - Algo que parece que tu ainda não aprendeste.
-De que estás a falar?
-Não te faças de inocente, Mari. Tens sorte de a turma não te ter dado com as costas. A diretora percebeu o que se passava. Ela não é estupida. Ela sabe que tu não gostas da Linda e que manipulaste a turma contra ela.
-Já te disse e volto a dizer. Eles fazem o que querem.
-Acontece que isso não deu resultado. Eles estão zangados contigo por causa da reprimenda da diretora. Sentem-se enganados.
-Antes que me ponhas as culpas todas em cima, volto a repetir: eu não mando neles. Eles fazem o que querem. Se decidiram levar a minha palavra em conta, problema deles.
Cecília elevou o tom de voz.
-Ora aí está, Mari. A turma já aprendeu a lição. Agora jamais irão pôr-se entre ti e a Linda. Aliás, tens sorte se eles se mantiverem neutros depois disto. Não me admiraria nada que começassem a ficar do lado da Linda.
Mari não gostou do que ouviu, reclamando com um grunhido. Cecília revirou os olhos à teimosia da amiga e andou em passo rápido, deixando Mari sozinha.
Esta ficou a olhar para a silhueta da amiga, que foi desaparecendo no horizonte. Nunca tinha visto Cecília tão zangada. Cecília não era daquelas de rebentar as águas. Era sempre calma e paciente, o oposto de Mari.
Tinha que pedir desculpas. Não se podia arriscar a perder a amizade de Cecília.
Mas agora não o faria. Deixaria a amiga acalmar-se e também esfriar o seu próprio temperamento volátil. Iria para casa, suportar as histerias da avó para a honra que Linda ganhara ao representar a escola.
Mari rosnou em antecipação ao martírio que iria passar nas próximas semanas. Linda Tsukino entrara na vida de todos como um cataclismo, alterando tudo que surgisse à sua frente. Agora até a sua melhor amiga, a tão calma e serena Cecília, perdia a cabeça com as atitudes banais de Mari.
Alguma coisa não estava bem. Tudo aquilo que acontecera hoje fora estranho. A atitude de Cecília, o estranho talento de Linda para a dança…
Mais peças se encaixavam, mas Mari começava a detestar o puzzle.
Enfim, ela também nunca fora uma pessoa com muita paciência.
**
Os dias passavam e Linda tinha agora o seu tempo mais reduzido, não conseguindo pensar em nada mais do que as aulas, os testes e as duas coreografias extensas que tinha que ensaiar para o torneio. O inimigo também era algo a pensar, mas a sua inactividade fez com que Linda se esquecesse dele. Pelo menos em parte.
Alguém próximo da família controlava aquela figura baixa. Mas quem seria essa pessoa? A mente de Linda saltava logo para uma, mas sabia que não podia precipitar-se. Logo porque uma pessoa tinha o perfil para ser o responsável pelo ataque a aquela rapariga no parque, não queria dizer que o fosse.
Ainda assim, não deixou de parte o possível envolvimento daquela mulher que ela tanto detestava. Tão bela, tão mesquinha, Linda detestava-a muito mais do que outra pessoa no mundo.
E a figura baixa também a preocupava. Não tinha a menor ideia porque ele a confundira com outra pessoa. Talvez um membro da sua família. Mas quem?
Felizmente, a dança relaxava-a dos pensamentos. Eiji deixava-a sempre sem fôlego e satisfeita depois de um treino e Cecília e o seu par também tinham sucesso provocando uma antecipada euforia no Sensei Amadeus, que murmurava várias vezes para si a promessa do primeiro lugar no torneio daquele ano.
A meio da aula de inglês, o Sensei surgiu para avisar Eiji, Cecília e Linda de que o concurso decorreria uma semana antes de as aulas acabarem.
Aí, o nervosismo começou a acumular-se. Os testes eram demasiados para que sobrasse tempo para uma pessoa se divertir ou simplesmente relaxar a cabeça e os músculos. A dança era agora mais exigida e Linda sonhava com as horas em que voltava para casa.
Reparou que as discussões com Mari diminuíam porque não tinha possibilidades para tal entre os seus estudos e os de Mari, para grande alegria de Aiko, que temia que a neta reprovasse naquele ano depois de um péssimo arranque. Fora isso, a hostilidade de Mari manteve-se, ainda que Linda tentara fazer as tréguas silenciosas que prometera.
Era a penúltima semana de aulas. Com apenas dois testes por realizar, Linda tinha agora mais tempo livre que aproveitava para treinar um pouco mais e para ler.
A turma realizara um esforço para a acolher, mas Linda reconhecia o cinismo nos lábios de certos colegas após tantos anos a suportá-lo no seu próprio tecto. Continuava a evitar almoçar com a turma, ainda que nas aulas tentasse ser o mais social para eles que pudesse, oferecendo ajuda e dando a sua opinião quando questionada de tal.
Também passava bastante tempo com o irmão, Setsu e Eiji nos tempos livres. Apesar dos dois primeiros terem bastante para estudar, dado estarem em época de exames na faculdade, isso não impedia que, em certas noites, Linda fosse jantar lá ao apartamento dos rapazes e passasse a noite a jogar consola com eles. Ajudava na cozinha, pois os dotes culinários dos rapazes eram bastante limitados. Sabia que tirava a barriga dos três da miséria ao preparar um bom caril, ao invés do arroz de galinha insosso que eles preparavam diariamente.
Linda não podia deixar de reparar que, pouco a pouco, certas alterações começavam a surgir. Kenji fazia uma cara estranha sempre que alguém falava de Mari, o que era estranho considerando que ele só falara com ela uma noite. Setsu atrevera-se a gozar levemente com Mari por causa da sua atitude e fora aí que Linda reparara no mau estar de Kenji. Porquê, ela não sabia. Apenas estava grata pelo apoio dos rapazes, ainda que soubesse que era difícil para Eiji, que era amigo de Mari.
Eiji era também uma grande alteração. Como passavam os dias juntos, à hora do almoço, aulas e treinos, estava bastante próxima dele. Essa aproximação, ainda que bem-vinda, era estranha para Linda. Nunca antes se sentira tão dependente da opinião de outra pessoa. Começou a ganhar o hábito de usar roupas que Eiji dizia gostar, evitava os óculos e de vez em quando deixava o cabelo solto. E cada piada que ele dizia fazia-a rir, mesmo que já tivesse sido contada mais de mil vezes.
Aquilo deixava-a confusa. Talvez Eiji tivesse realmente feito alguma coisa nela, algo que fizesse com que os seus sentimentos acerca dele tivessem mudado.
Oxalá tivesse alguém para falar disto. Normalmente naqueles casos seria a sua mãe mas ela não quereria saber disso. Tinha também a avó, mas ela estava quase sempre indisponível. Tinha também Aiko, mas não a conhecia assim tão bem a ponto de confiar algo tão secreto como os seus sentimentos.
E não tinha nenhuma amiga próxima com quem contar.
Estava sozinha com os seus problemas.
Outra vez.
**
O facto de a Rainha estar doente era motivo de alvoroço no palácio. Nunca a soberana estivera tão mal quanto naquele mês. Ainda que fosse inverno, vestia as roupas mais quentes que podia encontrar num palácio climatizado e ainda falava regularmente com o seu médico, o que causou grande escândalo assim que a notícia escapou das paredes do palácio.
De imediato, todos quiseram saber qual seria a doença que a rainha acarretava e se havia cura. Rumores surgiram de que sofria de uma doença incurável e que a morte dela estava iminente.
No primeiro dia de Dezembro, Serenity percorreu os corredores do palácio em busca do quarto da filha, os seus pensamentos vasculhando memórias dos artigos de jornal recentes que lera e das notícias da televisão. A família real ainda não se atrevera a dar uma notícia oficial e sabia que os rumores, ainda que fossem suportados por fanáticos, derrubavam esperanças de fãs dos trabalhos da filha.
Suspirou pesadamente, deixando o som da sua respiração ecoar pelos corredores preenchidos por paredes quase nuas. Chegara ao quarto. Bateu suavemente na porta. Ao ouvir uma voz do outro lado, entrou discretamente, fechando a porta atrás de si.
Muita coisa havia mudado. Small Lady não era mais a pequena Chibiusa que Serenity conhecera com catorze anos. Era agora uma mulher que cometia muitos erros por um bem maior. Erros que facilmente seriam evitados, mas constrangidos.
Serenity lembrava-se ainda dos tempos em que sua jovem filha vivia a vida perfeita que qualquer mulher desejava. Uma vida normal, sem deveres de navegante nem se princesa. Decidira manter o anonimato real, de modo a que pudesse estudar sem sofrer de nepotismo.
Ainda se lembrava de quando uma adolescente de dezoito anos que chegara a casa irritada, depois de uma temporada em Inglaterra porque a sua amiga Hotaru conhecera um rapaz no parque e deixara-a sozinha com o amigo que acompanhava o outro que, por sua vez, fartou-se de gozar com o seu cabelo. E continuou a reclamar a existência desse rapaz, pois tivera que o suportar o resto do verão, tanto no workshop como nos encontros com Hotaru e o seu recente namorado.
E lembrava-se de ouvir essa mesma jovem, três anos depois, afirmar que estava apaixonada por um rapaz pobre mas deveras inteligente e querido, o mesmo rapaz que antes lhe punha os nervos em franja. E lembrava-se de ouvi-la gritar a alto e bom som nunca casaria com outro homem, ao ouvir a proposta do pai em relação ao futuro marido dela.
Ela sabia que fora uma traição de sua parte presentear a filha com um noivo desconhecido quando ela casara por amor. Mas o seu coração de mãe fora repensado quando mais tarde, na festa de noivado da filha, conhecera o homem que seria o seu futuro genro. Depois do incidente que ocorrera na festa, as suas relações com o Reino Unido quase que foram afetadas mas tudo se resolveu.
E no espaço de poucos meses a filha estava casada e à espera do primeiro filho. Chibiusa nunca adivinhara que o rapaz pobre por quem se apaixonara havia escondido as suas raízes reais do mesmo modo que ela, temendo a reação da amada.
E foi aí que Kenji nasceu, trazendo felicidade para todos. Serenity nunca vira a filha tão feliz, segurando o bebé recém-nascido nos seus braços como se fosse o maior tesouro do mundo dela. Várias vezes vira a filha com o neto e o genro nos jardins, dando um pequeno passeio em familiar.
O perfeito quadro familiar só ficou completo quando, quatro anos depois do nascimento de Kenji, a voz alegre da filha anunciou uma nova gravidez. Serenity viu-a desejar com todas as forças que fosse uma menina.
E por volta do quarto mês teve o desejo realizado. Tanto ela como Edward esperavam ansiosamente por aquela criança, até que o mundo deles desmoronou. De um momento para o outro, o romance que os unia separou-os, o desejo pelo nascimento da criança tornou-se frio e quase inexistente. Num espaço de semanas, uma família perfeita fora destruída.
Serenity sabia que a filha sofria. Conseguia ver isso nos olhos dela de cada vez que olhava para os filhos, tão distantes dela de todas as maneiras. Mas não conseguia ignorar a desilusão pelas ações da filha no que tocava aos netos. Principalmente Linda.
Chibiusa tinha boas intenções. Um sacrifício pessoal para que o mal não lhe caísse em cima. Deixou de se importar com Linda e Kenji para que o mundo não sofresse as consequências.
Consequências que Serenity via agora não no mundo, mas nos olhos da família real.
E que ela não podia evitar.
) O outro motivo foi o meu pc. Eu já tinha metade do capítulo das minhas três fanfics pronto lá pra novembro, mas o pc onde eu escrevia as fanfics foi-se e este não tinha o mesmo processador de texto. Enfim, andei numa complicação para arranjar uma chave de licença para o office, depois o pc estragou-se e teve k ir para arranjar... enfim, acabei por me esquecer das fanfics. Mas agora posto um novo capítulo, mesmo antes das férias acabarem

Está um pouco pequeno, mas eu decidi logo após postar o meu último que este era apenas "para despachar". Agora que voltei a escrever, quero avançar a história e depressa (afinal a fanfic já tem UM ano)
---------------------------------------------------------------------------------------------------------------
reescrito a 27/08/2012
Capítulo 18. Segredo Descoberto
Linda Chiba Natsumara.
O nome oficial da princesa de Crystal Tokyo.
Cecília sabia que ninguém a tratava por este nome na Europa. Sabia que no país natal do pai, ela era conhecida como Linda Victoria Natsumara mas aquele detalhe era pouco ou nada importante.
Não quando a rapariga em questão a olhava como se ela tivesse dito alguma blasfémia. Como se Cecília a tivesse encurralado como um animal numa jaula. O que até era verdade. Cecília tinha as costas premidas firmemente contra a porta, impedindo algum tipo de escapatória por parte de Linda.
Observou a colega atentamente, procurando interpretar as micro-expressões da colega. Mas perdeu-se na sua aparência física.
A sua princesa era magra, de estatura média, tinha cabelos rebeldes, algumas borbulhas visíveis e óculos. Definitivamente, nunca ninguém alguma vez suspeitaria que Linda fosse a princesa de Tokyo. Era impossível alguém de aspeto tão comum pertencer à realeza. No entanto ali estava ela, frente à filha da melhor amiga da mãe. A filha da Rainha.
Engraçado que fora a dança que a denunciara. Apesar de toda gente conhecer o aspeto da Rainha, principalmente Cecília, esta apenas reconhecera a filha da monarca pela sua forma de dançar. Era talvez o único detalhe pessoal da vida da princesa que todo o país tinha conhecimento.
Cecília lembrou-se do dia em que a princesa e o príncipe decidiram aparecer na festa organizada pelos pais. Um baile de máscaras onde, de repente, surgiram duas figuras de roupas claras. Dançaram duas músicas e depois desapareceram. As suas caras não foram vistas, mas todos sabiam que se tratavam do jovem príncipe e da princesa. Cecília, na altura com doze anos, pôde notar no longo cabelo escuro da princesa e no cabelo dourado do rapaz. Realizaram movimentos complexos numa única dança, mostrando uma ligação e uma confiança natural. A química que os dois transmitiram espantou os convidados e a própria Cecília, que não conseguira acreditar que aqueles dois fossem irmãos de tão ligados que estavam.
Mas a consanguinidade estava presente. O príncipe estava à vontade com a irmã, mas jamais lhe tocava em determinadas zonas e notava-se um ligeiro desconforto de cada vez que os rostos dos dois se aproximavam. Mas apenas Cecília notara nisso. Pormenores que não afetaram a harmoniosa dança executada pelos dois irmãos. Quando a segunda música acabara, saíram pelas cozinhas, não voltando a ser vistos.
Fora a única vez que alguém vira a princesa e o príncipe. De resto, era como se não existissem.
E agora ela estava ali, frente a frente com a verdadeira princesa. Sabia o apelido do Rei e o nome completo da Rainha, mas o primeiro nome dos filhos sempre lhe escapara. Sabia que a princesa tinha um nome inglês, como o do pai. Já o príncipe tinha um nome japonês, o mesmo nome do seu bisavô materno. Cecília ouvira o nome uma vez, mas já não se lembrava.
O som da água a pingar dos chuveiros quebrava o pesado silêncio entre as duas colegas. Cecília sorriu fracamente e fez um som estrangulado com a garganta, acordando Linda do seu sono apático.
-Sabes que terás que dizer alguma coisa se não queres perder o intervalo, certo?
Linda focou os seus olhos na morena. Esta sorria, claramente divertida com a situação.
-E o que é que eu deveria dizer nesta situação? – Linda sabia que, caso houvesse efeito acústico no balneário, Cecília nunca a teria ouvido. Já devia esperar que Cecília a encostasse contra a parede com o seu segredo.
-E que tal “Apanhaste-me?”. Acho que ficaria bem, dada a situação.
Linda semicerrou os olhos, não escondendo a impaciência.
-Apanhaste-me. - Disse por fim, suspirando pesadamente. Um longo silêncio pairou no ar enquanto Cecília fitava o chão, pensativa. Linda quebrou o silêncio incómodo com a pergunta que lhe arranhava a garganta desde que entrara no balneário. – Vais contar a alguém?
Cecília não respondeu logo mas, quando o fez, a voz foi firme.
-Não.
-Porquê?
Mais uma vez, as palavras de Linda foram ditas num sussurro quase inaudível. Cecília lambeu os lábios secos, fazendo meia dúzia de caretas pensativas. Linda reconheceu alguns daqueles semblantes, tendo os visto algumas vezes no seu espelho.
-Porque eu sei o que é fugir de um mundo onde nascemos, mas à qual não conseguimos encaixar. Durante anos, evitei a minha mãe e as suas relações nobres, limitando-me à escola. Conquistei amizades e inimigos, mas estou muito bem como estou. Eu, Cecília Tamura, uma jovem de raízes nobres que age (ou pelo menos tenta agir) como uma adolescente normal.
-Eles não sabiam disso, pois não?
-Não. – Respondeu a morena fracamente.
Linda passeou pelo balneário, tentando pensar naquilo que iria dizer a seguir. Cecília tivera um segredo. Um segredo que ela revelara só para salvar a pele dela.
-Contaste o teu segredo... Para que ninguém soubesse do meu…
-O teu segredo é mais importante que o meu. -Disse Cecília num tom natural. - Além disso, és novata e ainda não conquistaste o respeito da turma. Eu já e por isso não serei torturada por eles. O máximo que irá acontecer é ser alvo de conversa por duas semanas e deixar de ter desculpas para uma simples saída no meu aniversário. Quero dizer, eles agora sabem que eu posso dar uma grande festa. Principalmente porque calha no S. Valentim.
Linda sorriu, grata pela discrição da colega.
-Nem sabes o quanto te agradeço, Cecília.
-Não precisas. Também tens o direito de te divertires fora da sombra dos teus pais. – Disse Cecília docemente, como quem tenta amenizar um problema.
-Conheces os meus pais? – Perguntou Linda, com cautela.
Cecília abanou a cabeça, mordendo o lábio. Os seus perfeitos dentes brancos só melhoravam a sua imagem de menina educada. Mais depressa alguém julgaria Cecília Tamura como a princesa de Tokyo do que Linda.
-Só os via em eventos, mas não falo com eles. Da última vez que falei com a tua mãe tinha mais ou menos doze anos, e foi apenas porque a minha mãe obrigou-me a ir ao evento em questão ou cortava-me a mesada. Pareceu-me simpática. – Acrescentou, olhando Linda cautelosamente.
Esta suspirou.
-Ela dá sempre essa impressão, não?
Cecília respondeu com um encolher de ombros, deixando que silêncio voltasse a reencher o espaço. Linda respirou de alívio. Cecília não contaria o seu segredo a ninguém. Agora o único problema era Mari. Ela não era estúpida. Sabia que Mari acabaria por saber que Cecília tinha posse do seu segredo e tudo faria para lhe extorquir tal informação.
Ao longe, ouviu-se o toque de uma campainha.
-Oh não! Vamos chegar atrasadas! - Cecília afastou-se da porta e foi buscar a mochila ao banco. Linda pegou na sua e saiu do balneário com Cecília atrás de si.
Passaram pela outra turma que brincava com as bolas de futebol sob o olhar do Sensei Amadeus. O olhar de Linda cruzou-se com o do Sensei, algo que Cecília notou.
-Devias participar. Vieste para aqui para te divertires e viveres a tua vida longe do palácio, não poderás fazer isso se alguma coisa te haverá sempre de prender. – Disse Cecília suavemente, olhando entre o Sensei e Linda.
-Não posso. Toda a gente sabe que a princesa dança, não posso arriscar.
Cecília revirou os olhos.
-Pensa bem. Sim, todos sabem que tu danças mas ninguém sabe o teu estilo. Sabem que danças porque assim corre o rumor de boca a boca. Duvido que eles te reconhecessem se te apanhassem a dançar. Não quando irás estar num torneio cheio de participantes que dançam tão bem quanto tu.
Linda teve que admitir que Cecília estava correta. Ninguém sabia como ela dançava e os poucos que a vieram não podiam dizer nada, pois fora algo muito breve. Só Cecília a reconhecera, mas também ela era a filha da melhor amiga da mãe. Até a própria Linda reconhecera o rosto de Cecília nalgum lado quando a vira pela primeira vez.
-Vai falar com o Sensei. – Incentivou Cecília, dando um pequeno empurrão nas costas de Linda. Esta fez-lhe uma careta.
-Tudo porque queres ganhar. – Murmurou Linda, tentando galhofar. Cecília soltou uma gargalhada e empurrou Linda com mais força para meio do campo improvisado de futebol. Tentando esquivar-se dos outros alunos, Linda conseguiu chegar perto do Sensei, que a olhava apreensivo.
-Menina Tsukino, não devia estar nas aulas? – Perguntou. Linda engoliu em seco.
-Eu e a Cecília já estamos atrasadas, é verdade. Eu queria apenas dizer…
-Poderei contar consigo no torneio? – Perguntou Amadeus, sem se pôr com rodeios.
Ainda que fosse apenas uma única palavra, Linda teve uma certa dificuldade em articulá-la, pois lembrou-se da sua promessa em não participar ou não fosse ela Linda Tsukino.
Mas tu não és uma Tsukino. És uma Natsumara.
Aquela voz acabou por a convencer. Linda assentiu com a cabeça, olhando o Sensei com um olhar determinado.
-Sim pode contar comigo. – Disse.
Amadeus sorriu abertamente, pondo a mão no ombro da estudante numa forma de dar os parabéns pela decisão. Falou dos ensaios que iria passar a ter com Eiji, Cecília e François e a que horas ficava combinado. Linda não conseguiu deixar de sorrir ao saber que, graças aos treinos, ficaria livre de limpar os corredores depois das aulas com Mari depois das aulas.
Despediu-se do Sensei com uma pequena vénia de cabeça e foi para junto de Cecília, que recebeu um sorriso de agradecimento por parte do Sensei. Juntas, dirigiram-se para a sala de aula.
Durante o caminho, falaram do torneio da dança e das possíveis coreografias a ensaiar. Quando chegaram à porta da sala, Cecília virou-se para Linda:
-Sabes, eu não irei contar nada a ninguém, mas se fosse a ti tentava melhorar as coisas com a Mari, porque se ela descobre...
-Eu sei. – Interrompeu Linda, não conseguindo esconder uma réstia de raiva na voz.
-Não, não sabes. Tenta ser amiga dela. Esta estúpida rivalidade entre ti e ela só vai dar confusão para os dois lados. E acredita. – Acrescentou, a mão na maçaneta da porta. - Que não será o teu a ganhar.
Linda ficou junto à porta depois de Cecília entrar, perdida em pensamentos. Talvez fosse melhor fazer umas tréguas. Ela era teimosa, mas Mari era uma grande concorrente. Aquela guerra aberta entre as duas bem que poderia durar muito tempo.
Suspirou, prometendo a si própria que iria ignorar Mari e começar a evitar discussões. Ainda que a opinião da turma pouco lhe importasse, Linda não se esquecia que morava na casa de Mari e que magoava a avó dela sempre que existia algum conflito entre as duas. Para não falar que conseguira sentir a desilusão na voz da sua avó no último dia. Por Aiko e pelos outros, ela seria capaz.
Não fosse o nome dela Linda Natsumara.
**
-Porque é que não me disseste nada? - Perguntou Eiji, apanhando Linda no fim da aula.
Linda franziu a testa, confusa. Só depois se lembrou que Eiji não vira a apresentação dela.
-Oh, eu esqueci-me que não estavas lá na primeira aula. Não me viste a apresentar-me. – Disse, os olhos esbugalhados e os lábios desenhando um sorriso atrapalhado.
Eiji fez uma careta.
-É o que acontece quando se depende do Setsu para chegar a uma aula depois de um encontro familiar. Enfim… eu julgava que fosses apenas uma nova aluna. Não uma nova aluna na sua primeira escola.
-Também admito que não fui muito explícita no primeiro dia. – Confessou-se Linda, lembrando-se das suas próprias palavras naquele dia, onde ela ansiava por se juntar a aquela turma com alunos tão distintos uns dos outros.
Linda apoiou a mochila num ombro e saiu da sala, com Eiji a acompanhá-la. Passaram pelos corredores cheios de estudantes e de outros objetos que apenas lembravam a Linda que ela era uma peça que nunca faria parte daquela grande mobília. Até Eiji parecia ter o seu lugar. Algo nela não parecia encaixar.
Alguém foi contra ela, fazendo-a parar e encostar-se a uma parede, esperando que a confusão passasse.
Eiji pôs-lhe a mão no ombro.
-Ainda tens muito que aprender. Não consegues lutar contra a maré? Sabes que não tens que ficar aqui parada à espera deles.
Linda suspirou pesadamente.
-Ainda não me habituei.
-Isso explica porque me roubaste o canto atrás da escola. Não costumas ter uma grande vida social, pois não?
Linda conseguia ouvir o humor e a frustração na voz dele, os seus olhos fitando a corrente de alunos à sua frente.
-Não.
Eiji suspirou.
-Já era de esperar com o Kenji como irmão… - Exigiu uma leve pressão no ombro dela, tornando-a para ele. Linda nunca viu aqueles olhos tão sérios. – Quero que saibas Linda, que podes contar sempre comigo para estas situações.
O barulho de fundo diminuiu consideravelmente. Linda esboçou um sorriso, aliviada. Ela já sabia que podia contar com Eiji. Mas pela primeira vez desde que fugira de casa e entrara naquela escola, não se sentia só.
-Ainda bem que és o meu par.
**
-Raios partam aquela Tsukino. Sempre a brilhar perante os Senseis. Uma convencida é o que é. – Murmurou Mari entre dentes. Ia a caminho de cada, acompanhada por Cecília. Os outros tinham ido ver a praxe da faculdade de medicina naquele dia, mas a vontade de ver outras pessoas estavam abaixo de zero. Ainda que uma pequena parte dela ansiava em ir, a fim de encontrar Kenji.
-A culpa não é dela de ser melhor do que tu, Mari. – Disse Cecília, a voz traindo impaciência.
-Até nisso concordas. - Virou-se para a amiga, com um ar semelhante aos das pessoas que assustam os miúdos no Halloween. - Foste contar o teu segredo a toda a turma assim de repente? Depois de eu te ter guardado o segredo durante anos?
Mari soube que tinha ido longe de mais quando viu uma ruga saliente na testa da amiga e os olhos desta brilharam como whisky.
-Não sabes porque falei, por isso cala-te! É da minha conta porque quis revelar um segredo meu à turma inteira. Agradeço a tua discrição até agora, mas consigo viver com as consequências dos meus atos. – Lançou um olhar penetrante à amiga, que recuou nervosamente. - Algo que parece que tu ainda não aprendeste.
-De que estás a falar?
-Não te faças de inocente, Mari. Tens sorte de a turma não te ter dado com as costas. A diretora percebeu o que se passava. Ela não é estupida. Ela sabe que tu não gostas da Linda e que manipulaste a turma contra ela.
-Já te disse e volto a dizer. Eles fazem o que querem.
-Acontece que isso não deu resultado. Eles estão zangados contigo por causa da reprimenda da diretora. Sentem-se enganados.
-Antes que me ponhas as culpas todas em cima, volto a repetir: eu não mando neles. Eles fazem o que querem. Se decidiram levar a minha palavra em conta, problema deles.
Cecília elevou o tom de voz.
-Ora aí está, Mari. A turma já aprendeu a lição. Agora jamais irão pôr-se entre ti e a Linda. Aliás, tens sorte se eles se mantiverem neutros depois disto. Não me admiraria nada que começassem a ficar do lado da Linda.
Mari não gostou do que ouviu, reclamando com um grunhido. Cecília revirou os olhos à teimosia da amiga e andou em passo rápido, deixando Mari sozinha.
Esta ficou a olhar para a silhueta da amiga, que foi desaparecendo no horizonte. Nunca tinha visto Cecília tão zangada. Cecília não era daquelas de rebentar as águas. Era sempre calma e paciente, o oposto de Mari.
Tinha que pedir desculpas. Não se podia arriscar a perder a amizade de Cecília.
Mas agora não o faria. Deixaria a amiga acalmar-se e também esfriar o seu próprio temperamento volátil. Iria para casa, suportar as histerias da avó para a honra que Linda ganhara ao representar a escola.
Mari rosnou em antecipação ao martírio que iria passar nas próximas semanas. Linda Tsukino entrara na vida de todos como um cataclismo, alterando tudo que surgisse à sua frente. Agora até a sua melhor amiga, a tão calma e serena Cecília, perdia a cabeça com as atitudes banais de Mari.
Alguma coisa não estava bem. Tudo aquilo que acontecera hoje fora estranho. A atitude de Cecília, o estranho talento de Linda para a dança…
Mais peças se encaixavam, mas Mari começava a detestar o puzzle.
Enfim, ela também nunca fora uma pessoa com muita paciência.
**
Os dias passavam e Linda tinha agora o seu tempo mais reduzido, não conseguindo pensar em nada mais do que as aulas, os testes e as duas coreografias extensas que tinha que ensaiar para o torneio. O inimigo também era algo a pensar, mas a sua inactividade fez com que Linda se esquecesse dele. Pelo menos em parte.
Alguém próximo da família controlava aquela figura baixa. Mas quem seria essa pessoa? A mente de Linda saltava logo para uma, mas sabia que não podia precipitar-se. Logo porque uma pessoa tinha o perfil para ser o responsável pelo ataque a aquela rapariga no parque, não queria dizer que o fosse.
Ainda assim, não deixou de parte o possível envolvimento daquela mulher que ela tanto detestava. Tão bela, tão mesquinha, Linda detestava-a muito mais do que outra pessoa no mundo.
E a figura baixa também a preocupava. Não tinha a menor ideia porque ele a confundira com outra pessoa. Talvez um membro da sua família. Mas quem?
Felizmente, a dança relaxava-a dos pensamentos. Eiji deixava-a sempre sem fôlego e satisfeita depois de um treino e Cecília e o seu par também tinham sucesso provocando uma antecipada euforia no Sensei Amadeus, que murmurava várias vezes para si a promessa do primeiro lugar no torneio daquele ano.
A meio da aula de inglês, o Sensei surgiu para avisar Eiji, Cecília e Linda de que o concurso decorreria uma semana antes de as aulas acabarem.
Aí, o nervosismo começou a acumular-se. Os testes eram demasiados para que sobrasse tempo para uma pessoa se divertir ou simplesmente relaxar a cabeça e os músculos. A dança era agora mais exigida e Linda sonhava com as horas em que voltava para casa.
Reparou que as discussões com Mari diminuíam porque não tinha possibilidades para tal entre os seus estudos e os de Mari, para grande alegria de Aiko, que temia que a neta reprovasse naquele ano depois de um péssimo arranque. Fora isso, a hostilidade de Mari manteve-se, ainda que Linda tentara fazer as tréguas silenciosas que prometera.
Era a penúltima semana de aulas. Com apenas dois testes por realizar, Linda tinha agora mais tempo livre que aproveitava para treinar um pouco mais e para ler.
A turma realizara um esforço para a acolher, mas Linda reconhecia o cinismo nos lábios de certos colegas após tantos anos a suportá-lo no seu próprio tecto. Continuava a evitar almoçar com a turma, ainda que nas aulas tentasse ser o mais social para eles que pudesse, oferecendo ajuda e dando a sua opinião quando questionada de tal.
Também passava bastante tempo com o irmão, Setsu e Eiji nos tempos livres. Apesar dos dois primeiros terem bastante para estudar, dado estarem em época de exames na faculdade, isso não impedia que, em certas noites, Linda fosse jantar lá ao apartamento dos rapazes e passasse a noite a jogar consola com eles. Ajudava na cozinha, pois os dotes culinários dos rapazes eram bastante limitados. Sabia que tirava a barriga dos três da miséria ao preparar um bom caril, ao invés do arroz de galinha insosso que eles preparavam diariamente.
Linda não podia deixar de reparar que, pouco a pouco, certas alterações começavam a surgir. Kenji fazia uma cara estranha sempre que alguém falava de Mari, o que era estranho considerando que ele só falara com ela uma noite. Setsu atrevera-se a gozar levemente com Mari por causa da sua atitude e fora aí que Linda reparara no mau estar de Kenji. Porquê, ela não sabia. Apenas estava grata pelo apoio dos rapazes, ainda que soubesse que era difícil para Eiji, que era amigo de Mari.
Eiji era também uma grande alteração. Como passavam os dias juntos, à hora do almoço, aulas e treinos, estava bastante próxima dele. Essa aproximação, ainda que bem-vinda, era estranha para Linda. Nunca antes se sentira tão dependente da opinião de outra pessoa. Começou a ganhar o hábito de usar roupas que Eiji dizia gostar, evitava os óculos e de vez em quando deixava o cabelo solto. E cada piada que ele dizia fazia-a rir, mesmo que já tivesse sido contada mais de mil vezes.
Aquilo deixava-a confusa. Talvez Eiji tivesse realmente feito alguma coisa nela, algo que fizesse com que os seus sentimentos acerca dele tivessem mudado.
Oxalá tivesse alguém para falar disto. Normalmente naqueles casos seria a sua mãe mas ela não quereria saber disso. Tinha também a avó, mas ela estava quase sempre indisponível. Tinha também Aiko, mas não a conhecia assim tão bem a ponto de confiar algo tão secreto como os seus sentimentos.
E não tinha nenhuma amiga próxima com quem contar.
Estava sozinha com os seus problemas.
Outra vez.
**
O facto de a Rainha estar doente era motivo de alvoroço no palácio. Nunca a soberana estivera tão mal quanto naquele mês. Ainda que fosse inverno, vestia as roupas mais quentes que podia encontrar num palácio climatizado e ainda falava regularmente com o seu médico, o que causou grande escândalo assim que a notícia escapou das paredes do palácio.
De imediato, todos quiseram saber qual seria a doença que a rainha acarretava e se havia cura. Rumores surgiram de que sofria de uma doença incurável e que a morte dela estava iminente.
No primeiro dia de Dezembro, Serenity percorreu os corredores do palácio em busca do quarto da filha, os seus pensamentos vasculhando memórias dos artigos de jornal recentes que lera e das notícias da televisão. A família real ainda não se atrevera a dar uma notícia oficial e sabia que os rumores, ainda que fossem suportados por fanáticos, derrubavam esperanças de fãs dos trabalhos da filha.
Suspirou pesadamente, deixando o som da sua respiração ecoar pelos corredores preenchidos por paredes quase nuas. Chegara ao quarto. Bateu suavemente na porta. Ao ouvir uma voz do outro lado, entrou discretamente, fechando a porta atrás de si.
Muita coisa havia mudado. Small Lady não era mais a pequena Chibiusa que Serenity conhecera com catorze anos. Era agora uma mulher que cometia muitos erros por um bem maior. Erros que facilmente seriam evitados, mas constrangidos.
Serenity lembrava-se ainda dos tempos em que sua jovem filha vivia a vida perfeita que qualquer mulher desejava. Uma vida normal, sem deveres de navegante nem se princesa. Decidira manter o anonimato real, de modo a que pudesse estudar sem sofrer de nepotismo.
Ainda se lembrava de quando uma adolescente de dezoito anos que chegara a casa irritada, depois de uma temporada em Inglaterra porque a sua amiga Hotaru conhecera um rapaz no parque e deixara-a sozinha com o amigo que acompanhava o outro que, por sua vez, fartou-se de gozar com o seu cabelo. E continuou a reclamar a existência desse rapaz, pois tivera que o suportar o resto do verão, tanto no workshop como nos encontros com Hotaru e o seu recente namorado.
E lembrava-se de ouvir essa mesma jovem, três anos depois, afirmar que estava apaixonada por um rapaz pobre mas deveras inteligente e querido, o mesmo rapaz que antes lhe punha os nervos em franja. E lembrava-se de ouvi-la gritar a alto e bom som nunca casaria com outro homem, ao ouvir a proposta do pai em relação ao futuro marido dela.
Ela sabia que fora uma traição de sua parte presentear a filha com um noivo desconhecido quando ela casara por amor. Mas o seu coração de mãe fora repensado quando mais tarde, na festa de noivado da filha, conhecera o homem que seria o seu futuro genro. Depois do incidente que ocorrera na festa, as suas relações com o Reino Unido quase que foram afetadas mas tudo se resolveu.
E no espaço de poucos meses a filha estava casada e à espera do primeiro filho. Chibiusa nunca adivinhara que o rapaz pobre por quem se apaixonara havia escondido as suas raízes reais do mesmo modo que ela, temendo a reação da amada.
E foi aí que Kenji nasceu, trazendo felicidade para todos. Serenity nunca vira a filha tão feliz, segurando o bebé recém-nascido nos seus braços como se fosse o maior tesouro do mundo dela. Várias vezes vira a filha com o neto e o genro nos jardins, dando um pequeno passeio em familiar.
O perfeito quadro familiar só ficou completo quando, quatro anos depois do nascimento de Kenji, a voz alegre da filha anunciou uma nova gravidez. Serenity viu-a desejar com todas as forças que fosse uma menina.
E por volta do quarto mês teve o desejo realizado. Tanto ela como Edward esperavam ansiosamente por aquela criança, até que o mundo deles desmoronou. De um momento para o outro, o romance que os unia separou-os, o desejo pelo nascimento da criança tornou-se frio e quase inexistente. Num espaço de semanas, uma família perfeita fora destruída.
Serenity sabia que a filha sofria. Conseguia ver isso nos olhos dela de cada vez que olhava para os filhos, tão distantes dela de todas as maneiras. Mas não conseguia ignorar a desilusão pelas ações da filha no que tocava aos netos. Principalmente Linda.
Chibiusa tinha boas intenções. Um sacrifício pessoal para que o mal não lhe caísse em cima. Deixou de se importar com Linda e Kenji para que o mundo não sofresse as consequências.
Consequências que Serenity via agora não no mundo, mas nos olhos da família real.
E que ela não podia evitar.
Espero por ti em cada segundo , porque tu és o meu mundo!

Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
Visitem a minha 1ª Fic ----->The Four elements

Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
Visitem a minha 1ª Fic ----->The Four elements
Editado pela última vez em
Ah!!!
*Mim bate com a cabeça na secretaria*
Não acredito que ainda não tinha vindo ler a fic! OMG, juro que não sabia que já tinhas postado! E o que andei a perder!
Ana, amei este capitulo! Acho que a Cecilia vai ser uma boa confidente da Linda, um dia!
Acho-a uma rapariga muito dócil e inteligente, logo, certamente elas se vão dar bem! 
A Mari é que pronto... err... Quem sabe um dia, né? se calhar ela e a Linda sao mais parecidas do que pensam, além disso nunca se sabe se não vão ser parentes! kikiki
Ai que a Linda está a ficar confusa em relaçao ao Eiji... !
Vamos la ver como vai ser!
Oh, a Historia da Small Lady deixa-me curiosa! Que mal foi esse que abalou a relaçao familiar? Admito que inicialmente achei que o marido dele fosse o culpado, porque só tinha casado com ela por interesse, mas agora entendo que nao, e isso deixa-me confusa... hum...
Bem, a ver vamos!
Gostei muito do capitulo, apesar de nao ser muito grande! Nao sei como fazes, mas consegues que a leitura seja muito agradavel! Tenho de aprender os teus truques!
Fico ansiosamente á espera de mais!
bjokas
*Mim bate com a cabeça na secretaria*
Não acredito que ainda não tinha vindo ler a fic! OMG, juro que não sabia que já tinhas postado! E o que andei a perder!

Ana, amei este capitulo! Acho que a Cecilia vai ser uma boa confidente da Linda, um dia!
Acho-a uma rapariga muito dócil e inteligente, logo, certamente elas se vão dar bem! 
A Mari é que pronto... err... Quem sabe um dia, né? se calhar ela e a Linda sao mais parecidas do que pensam, além disso nunca se sabe se não vão ser parentes! kikiki

Ai que a Linda está a ficar confusa em relaçao ao Eiji... !
Vamos la ver como vai ser!Oh, a Historia da Small Lady deixa-me curiosa! Que mal foi esse que abalou a relaçao familiar? Admito que inicialmente achei que o marido dele fosse o culpado, porque só tinha casado com ela por interesse, mas agora entendo que nao, e isso deixa-me confusa... hum...
Bem, a ver vamos!
Gostei muito do capitulo, apesar de nao ser muito grande! Nao sei como fazes, mas consegues que a leitura seja muito agradavel! Tenho de aprender os teus truques!

Fico ansiosamente á espera de mais!

bjokas
as minhas fic's:
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
-Angelical
Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
-Angelical
Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^
lulu, sempre uma leitora assídua 
Ainda bem que gostaste. Eu cá não gostei deste capítulo, avançei demasiada coisa e reparei agora que eu propria já nem me lembro da história. Há partes que eu acho k já não são boas e estou a tentar mudá-las.
Um desses detalhes é Edward. Eu escrevi num capítulo anterior que iria ocorrer uma grande alteração na fanfic. Era isso. A principio era suposto não haver caracterização fisica e psicologica desta personagem. Era suposto ele estar lá, mas tbm não estar. Por isso no segundo capítulo ignorei qualquer semelhança da Linda em relação ao pai e mais tarde no Kenji. Assim podiam todos imaginar o rei à sua maneira (uns podiam até pensar que ele era o Pegasus
)
Mas mudei de ideias... irão ver mais tarde. Em relação ao casamento por interesse.... era mesmo para ficares com essa ideia. Mas mais não digo

Ainda bem que gostaste. Eu cá não gostei deste capítulo, avançei demasiada coisa e reparei agora que eu propria já nem me lembro da história. Há partes que eu acho k já não são boas e estou a tentar mudá-las.
Um desses detalhes é Edward. Eu escrevi num capítulo anterior que iria ocorrer uma grande alteração na fanfic. Era isso. A principio era suposto não haver caracterização fisica e psicologica desta personagem. Era suposto ele estar lá, mas tbm não estar. Por isso no segundo capítulo ignorei qualquer semelhança da Linda em relação ao pai e mais tarde no Kenji. Assim podiam todos imaginar o rei à sua maneira (uns podiam até pensar que ele era o Pegasus
)Mas mudei de ideias... irão ver mais tarde. Em relação ao casamento por interesse.... era mesmo para ficares com essa ideia. Mas mais não digo

Espero por ti em cada segundo , porque tu és o meu mundo!

Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
Visitem a minha 1ª Fic ----->The Four elements

Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
Visitem a minha 1ª Fic ----->The Four elements
Amei amei amai ameia amei este capitulo
esta espectacular
mim quer mais
desculpa não ter vindo comentar mais sedo porque tenho andado muito ocupada com a escola
esta espectacular
mim quer mais
desculpa não ter vindo comentar mais sedo porque tenho andado muito ocupada com a escola

a minha primeira fic "AS FILHAS DA LUA"passem na minha fic e comentem XD

Traços do destino
visitem o meu forum http://eterna-sailor-moon4.forumeiros.com/forum.htm

Traços do destino
visitem o meu forum http://eterna-sailor-moon4.forumeiros.com/forum.htm
muito obrigada pelo comentário Monica
É bom ver k a minha fanfic nao foi esquecida de todo.
É bom ver k a minha fanfic nao foi esquecida de todo.
Espero por ti em cada segundo , porque tu és o meu mundo!

Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
Visitem a minha 1ª Fic ----->The Four elements

Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
Visitem a minha 1ª Fic ----->The Four elements
Nota de Autor super importante: Ok, fica já avisado que eu devo ser a pessoa mais estranha e esquisita à face da Terra. Como tal, é bem provável vocês ficarem bué confusos com este capítulo. Primeiro, porque eu fico meses sem escrever e, de repente, quando tenho pouco mais de uma semana para estudar para um exame... ponho-me a escrever. E aí descubro que o capítulo vai sair bué bué bué grande, portanto decido cortar em partes. Para depois ter que ir verificar a capítulos anteriores alguns factos, pois eu ESQUEÇO-ME DA MINHA PROPRIA HISTÓRIA *shameonme
*
Segundo, decidi mudar um pouco a minha escrita. Itálico para pensamentos, alguns sublinhados, mas quase tudo na mesma. Uma escrita desorganizada que ainda não sei como melhorar.
Terceiro... já vos aconteceu voces criarem uma personagens e, um ano depois vocês odiarem-na? Yup, acertaram. Eu odeio a Linda. O mais engraçado é que, psicologicamente, ela é parecida comigo. E eu não a suporto, logo.... (voces chegam lá
)
Já andava à espera de um determinado capítulo para a Linda revelar determinadas facetas, mas estou tao aborrecida com a minha personagem principal que decidi adiantar as coisas.
E com isto veio um testamento dos grandes que muito pouca gente vai ler, mas cá fica tudo dito.
Apesar de tudo, espero que gostem
P.S: Como eu sou mto preguiçosa, não me apeteceu pesquisar se, no Natal, é Inverno ou Verão no Japão. Portanto, nesta fanfic, as estações serão iguais a Portugal. Inverno - Dezembro; Outono - Outubro; Primavera - Março; Verão - Julho
-----------------------------------------------------------------------------------
(30/12/2012)bla bla bla, eu falo demais...
actualizado a 30/12/2012
Capítulo 19 Os dançarinos | A Flor de Mercúrio parte 1
A noite caía esplêndida, cobrindo a cidade de Tokyo num véu negro iluminado por pequenas estrelas cintilantes, que formavam maravilhosas constelações de seres mitológicos. O som dos carros a passarem nas ruas cessava com o passar das horas e o frio do inverno rigoroso sentia-se cada vez mais no ar.
O vento soltava pequenos burburinhos semelhantes ao soprar para uma garrafa vazia ao chocar contra os ramos das árvores, fazendo-as balançar docemente numa dança trivial. Poucas pessoas caminhavam nas ruas cinzentas de Tokyo. Preferiam o conforto das suas casas e o descanso após um longo dia solarengo, mas com a brisa fresca do tradicional inverno da cidade.
Mas num apartamento, uma jovem permanecia acordada. Lia tranquilamente, enquanto que a sua mente pensava vagamente no dia seguinte ou até no trecho que acabara de ler.
“Tudo o que um sonho precisa para ser realizado é alguém que acredite que ele possa ser realizado.” - Roberto Shinyashiki
Linda pousou o livro na mesa-de-cabeceira e meditou naquilo que lera. Os olhos piscavam intensamente por detrás dos seus óculos de aros negros enquanto fitava um ponto indefinido no fundo da cama. Aquilo dera-lhe que pensar.
Não que Natsumara Linda gostasse de filosofia. Antes pelo contrário, era a disciplina que menos apreciava.
Mas tinha que admitir que a filosofia tinha as suas qualidades. A capacidade de fazer o Homem ir para além da realidade das coisas, entender o seu verdadeiro significado. A procura do saber… não era isso que Linda fazia todos os dias? Procurar saber mais sobre a vida em seu redor?
Mas também aquela frase, de todas as outras que lera, fora a única que deixara-a a pensar. Não porque não entendera o seu significado, mas porque não conseguira estabelecer ligação entre aquela frase e ela.
Sempre fora um dilema para Linda sonhar. Havia duas vertentes para a palavra 'sonho' e em ambas ela falhava. Nunca se lembrava dos seus sonhos noturnos e os seus sonhos de vida não existiam.
Era deveras estranho, principalmente porque ela era a Guardiã dos Sonhos.
Supostamente não deveria ter sonhos? A não ser que, por ter que guardar as memórias imaginárias dos outros se tivesse tornado incapaz de ter os seus próprios pensamentos. Mas ainda assim, era apenas a reencarnação da Guardiã. Não era a própria. Não ainda…
Tentou pensar em alguma coisa, mas nada aparecia. Ela não acreditava que nenhum sonho pudesse ser realizado, porque não tinha nenhum. Fez uma pequena listagem mental de coisas que uma rapariga da sua idade deveria sonhar.
Ter um carro… Nunca pensara nisso. Aliás, sempre se safara com as suas próprias pernas.
Arranjar um bom emprego… Mas em que área? Linda sempre vivera rodeada pelas paredes do palácio, não conhecia o mundo real e não sabia que benefício lhe poderia dar. Que iria ela fazer? Ser médica? Engenheira? Sensei? Rainha?
O último pensamento deu um calafrio a Linda que, no entanto, não parou o seu raciocínio.
Casar com um homem bom e ter filhos… Ora aí estava outra coisa que ela nunca pensara. A não ser no seu sentido hipócrita. Casar com um estranho, ter um filho macho para ser herdeiro do trono, uma filha para herdeira do cristal. Nunca pensara nas coisas boas. Casar com alguém que amava, ter uma criança que simbolizaria o amor entre eles e ser feliz com esse homem até à velhice, com amor, sinceridade, respeito e carinho para o resto da sua vida.
Demasiado lamechas, pensou Linda fazendo uma careta que, para sua felicidade, ninguém pode ver.
Ela não pensava no futuro. Nem no seu, nem do de ninguém. Ela era uma rapariga que se preocupava com o presente e apenas o presente. A sua preocupação com as boas notas não era para a garantia de um futuro melhor, mas uma satisfação pessoal de alguém que consegue atingir os objetivos pedidos pela sociedade e mostrar que está ali e que é alguém. Ela sabia que era capaz.
Ou seja, eu acredito que sou capaz…
Voltou a pegar no livro, folheando as páginas até voltar a chegar à citação de Shinyashiki. Ela acreditava que conseguia atingir os objetivos pedidos. E sentia se satisfeita de cada vez que o realizava. Sentia-se feliz.
Talvez fosse esse o único sonho de Linda. Ser feliz, sentir-se realizada.
Sentir-se ela própria. E isso só acontecia quando dava o seu melhor nos estudos e na dança.
Um talento que ela possuía, uma das poucas dádivas que ela tinha e que jamais iria se separar. A dança.
O despertador ao seu lado mostrava as horas com números vermelhos da cor do sangue.
01h16.
Em cerca de dezasseis horas, Linda iria retirar o seu uniforme escolar e colocar um vestido de cetim vermelho vivo com uma roda enfeitada por pequenos floreados nas pontas e apertado por uma pequena e discreta fita negra brilhante na cinta. Iria calçar uns sapatos negros cor da tinta de salto alto e iria dançar com Eiji as coreografias que ela tanto treinara nas últimas semanas. As coreografias que ela aprendera exaustivamente, até os seus pés quase desabarem de cansaço e dor.
Em cerca de dezasseis horas iria experimentar a sua nostálgica sensação de liberdade e prazer, misturada com o nervosismo e pressão por parte dos seus colegas de escola, que iriam assistir. Iria dançar perante uma multidão de pessoas com Eiji. Com o rapaz por quem Linda se começava a perder lentamente. Tinha que fazer alguma coisa em relação a Eiji. Não podia deixar que ele a mudasse por completo. Ela não era assim.
Aliás, quem era ela?
Linda conhecia várias facetas de si própria, tendo algumas nunca mostrado mais desde a sua fuga do palácio. Facetas que fariam muita gente ficar aterrorizadas com a pessoa que tinham á frente. Facetas que ela apenas mostrava aos pais. Não se julgava uma pessoa simples só de um olhar e talvez esse fosse a sua melhor arma naquele terreno ainda desconhecido.
E no meio daquilo tudo ainda tinha a sua missão como navegante. Tanto as tias lhe tinham ensinado e ela não conseguia fazer nada perante o perigo a não ser discutir com a navegante rival.
Patético! Eu não sou assim, pensou Linda, frustrada com a sua imaturidade.
Deixara que os acontecimentos alterassem a sua personalidade, ainda que por pouco. Ela sempre fora calma e sossegada, mas perante sarilhos e discussões ela dava troco.
Mas agora permanecia calada e na sua, não querendo chamar as atenções. O máximo que fizera fora mostrar a Mari um pouco do seu veneno, ainda que a loira não se tivesse inteiramente percebido, tão paranóica que estava em relação a ela.
Linda sempre usara as piores roupas no armário de uma adolescente e também os piores acessórios possíveis. Tudo para passar despercebida. Agora soltava o cabelo, vestia roupas mais cómodas e usava lentes mais vezes.
Estava a mudar. Mas quão forte seria essa mudança? No meio de tanta coisa, permaneceria ela igual? Ou teria sido ela falsa toda a sua vida e estava agora a mostrar as suas verdadeiras facetas? Ou seria esta mudança algo pior. O sinal de que ela se estava a acomodar, a baixar as suas defesas?
Fosse como fosse, na dança ela era verdadeira. De que outro modo ela gostaria tanto de um hobbie do seu pai? Ela era boa na dança, porque expunha tudo aquilo que realmente era.
De dia era uma adolescente comum, que por vezes cobria buracos com mentiras. À noite, no meio dos pensamentos, era a filha de uma navegante e neta de uma lenda de histórias de crianças.
Linda sorriu, imaginando a sua vida se, todo o dia, toda a noite, ela não mudasse, ela não mentisse, fosse sempre igual… fosse uma dançarina.
Por volta das 02h12, Linda deixou-se adormecer. E, pela primeira vez na sua vida, sonhou.
Um quarto iluminado. Janelas abertas, com cortinados brancos a voarem ao ritmo do suave vento que corria no exterior com um fundo um tanto estranho, como se o sol não encontrasse o céu mas também não era noite.
Havia apenas duas pessoas no quarto. Uma mulher e uma menina.
Linda viu uma jovem mulher com um longo vestido negro a dançar devagar, em movimentos suaves e relaxantes. Não havia música, mas a mulher não precisava. A música vinha toda dentro de si.
Os pés descalços dela, que se libertavam do grande tecido negro que os cobria, passeavam pelo chão de mármore branco que refletia a luz do exterior, que não era o sol mas tão forte que iluminava a divisão como um prisma de luz. E no meio de tanta claridade, a figura elegante da mulher destacava-se.
Os braços dela faziam movimentos estranhos. Ao olhar melhor, Linda viu que aquela estranha dança, não era uma dança de todo. A sua mão esquerda abria e fechava-se devagarinho, como se quisesse agarrar algo. A sua mão direita fazia outros tantos movimentos perto da cabeça da mulher, que mantinha os olhos fechados, e do tronco desta como se quisesse protegê-la. Linda estava confusa. Pareciam movimentos de defesa. Aquilo era uma luta?
Fosse qual fosse a resposta, apenas a mulher da sala o sabia, pois nem Linda, nem a menina que a observava não davam provas de ter entendido a dança estranha realizada pela mulher de vestido negro.
A menina encontrava-se junto à porta, espreitando cuidadosamente, colocando a sua pequenina cabecinha loira dentro, mas mantendo o resto do corpo fora. Observava com os seus olhos azuis brilhantes, aquela mulher tão semelhante a si. Com exceção dos cabelos da mulher, tão negros quanto o vestido, que batiam nas costas dela em chicotadas suaves. Mas as feições eram iguais, e o poder que Linda sentia em torno daquela figura não lhe deixaram dúvidas sobre a identidade da mulher.
Agnes, a Guardiã dos Sonhos.
A menina fez um pequeno barulho, excitada. A mulher parou e sorriu levemente, os olhos ainda fechados. Mexeu a cabeça um pouco em direção à pequena, sem nunca abrir as pálpebras.
De repente, com o tronco levemente de lado e os braços esticados em forma de arco, ela abriu os olhos.
E Linda viu o seu reflexo… literalmente.
*Segundo, decidi mudar um pouco a minha escrita. Itálico para pensamentos, alguns sublinhados, mas quase tudo na mesma. Uma escrita desorganizada que ainda não sei como melhorar.
Terceiro... já vos aconteceu voces criarem uma personagens e, um ano depois vocês odiarem-na? Yup, acertaram. Eu odeio a Linda. O mais engraçado é que, psicologicamente, ela é parecida comigo. E eu não a suporto, logo.... (voces chegam lá
)Já andava à espera de um determinado capítulo para a Linda revelar determinadas facetas, mas estou tao aborrecida com a minha personagem principal que decidi adiantar as coisas.
E com isto veio um testamento dos grandes que muito pouca gente vai ler, mas cá fica tudo dito.
Apesar de tudo, espero que gostem

P.S: Como eu sou mto preguiçosa, não me apeteceu pesquisar se, no Natal, é Inverno ou Verão no Japão. Portanto, nesta fanfic, as estações serão iguais a Portugal. Inverno - Dezembro; Outono - Outubro; Primavera - Março; Verão - Julho
-----------------------------------------------------------------------------------
(30/12/2012)bla bla bla, eu falo demais...
actualizado a 30/12/2012
Capítulo 19 Os dançarinos | A Flor de Mercúrio parte 1
A noite caía esplêndida, cobrindo a cidade de Tokyo num véu negro iluminado por pequenas estrelas cintilantes, que formavam maravilhosas constelações de seres mitológicos. O som dos carros a passarem nas ruas cessava com o passar das horas e o frio do inverno rigoroso sentia-se cada vez mais no ar.
O vento soltava pequenos burburinhos semelhantes ao soprar para uma garrafa vazia ao chocar contra os ramos das árvores, fazendo-as balançar docemente numa dança trivial. Poucas pessoas caminhavam nas ruas cinzentas de Tokyo. Preferiam o conforto das suas casas e o descanso após um longo dia solarengo, mas com a brisa fresca do tradicional inverno da cidade.
Mas num apartamento, uma jovem permanecia acordada. Lia tranquilamente, enquanto que a sua mente pensava vagamente no dia seguinte ou até no trecho que acabara de ler.
“Tudo o que um sonho precisa para ser realizado é alguém que acredite que ele possa ser realizado.” - Roberto Shinyashiki
Linda pousou o livro na mesa-de-cabeceira e meditou naquilo que lera. Os olhos piscavam intensamente por detrás dos seus óculos de aros negros enquanto fitava um ponto indefinido no fundo da cama. Aquilo dera-lhe que pensar.
Não que Natsumara Linda gostasse de filosofia. Antes pelo contrário, era a disciplina que menos apreciava.
Mas tinha que admitir que a filosofia tinha as suas qualidades. A capacidade de fazer o Homem ir para além da realidade das coisas, entender o seu verdadeiro significado. A procura do saber… não era isso que Linda fazia todos os dias? Procurar saber mais sobre a vida em seu redor?
Mas também aquela frase, de todas as outras que lera, fora a única que deixara-a a pensar. Não porque não entendera o seu significado, mas porque não conseguira estabelecer ligação entre aquela frase e ela.
Sempre fora um dilema para Linda sonhar. Havia duas vertentes para a palavra 'sonho' e em ambas ela falhava. Nunca se lembrava dos seus sonhos noturnos e os seus sonhos de vida não existiam.
Era deveras estranho, principalmente porque ela era a Guardiã dos Sonhos.
Supostamente não deveria ter sonhos? A não ser que, por ter que guardar as memórias imaginárias dos outros se tivesse tornado incapaz de ter os seus próprios pensamentos. Mas ainda assim, era apenas a reencarnação da Guardiã. Não era a própria. Não ainda…
Tentou pensar em alguma coisa, mas nada aparecia. Ela não acreditava que nenhum sonho pudesse ser realizado, porque não tinha nenhum. Fez uma pequena listagem mental de coisas que uma rapariga da sua idade deveria sonhar.
Ter um carro… Nunca pensara nisso. Aliás, sempre se safara com as suas próprias pernas.
Arranjar um bom emprego… Mas em que área? Linda sempre vivera rodeada pelas paredes do palácio, não conhecia o mundo real e não sabia que benefício lhe poderia dar. Que iria ela fazer? Ser médica? Engenheira? Sensei? Rainha?
O último pensamento deu um calafrio a Linda que, no entanto, não parou o seu raciocínio.
Casar com um homem bom e ter filhos… Ora aí estava outra coisa que ela nunca pensara. A não ser no seu sentido hipócrita. Casar com um estranho, ter um filho macho para ser herdeiro do trono, uma filha para herdeira do cristal. Nunca pensara nas coisas boas. Casar com alguém que amava, ter uma criança que simbolizaria o amor entre eles e ser feliz com esse homem até à velhice, com amor, sinceridade, respeito e carinho para o resto da sua vida.
Demasiado lamechas, pensou Linda fazendo uma careta que, para sua felicidade, ninguém pode ver.
Ela não pensava no futuro. Nem no seu, nem do de ninguém. Ela era uma rapariga que se preocupava com o presente e apenas o presente. A sua preocupação com as boas notas não era para a garantia de um futuro melhor, mas uma satisfação pessoal de alguém que consegue atingir os objetivos pedidos pela sociedade e mostrar que está ali e que é alguém. Ela sabia que era capaz.
Ou seja, eu acredito que sou capaz…
Voltou a pegar no livro, folheando as páginas até voltar a chegar à citação de Shinyashiki. Ela acreditava que conseguia atingir os objetivos pedidos. E sentia se satisfeita de cada vez que o realizava. Sentia-se feliz.
Talvez fosse esse o único sonho de Linda. Ser feliz, sentir-se realizada.
Sentir-se ela própria. E isso só acontecia quando dava o seu melhor nos estudos e na dança.
Um talento que ela possuía, uma das poucas dádivas que ela tinha e que jamais iria se separar. A dança.
O despertador ao seu lado mostrava as horas com números vermelhos da cor do sangue.
01h16.
Em cerca de dezasseis horas, Linda iria retirar o seu uniforme escolar e colocar um vestido de cetim vermelho vivo com uma roda enfeitada por pequenos floreados nas pontas e apertado por uma pequena e discreta fita negra brilhante na cinta. Iria calçar uns sapatos negros cor da tinta de salto alto e iria dançar com Eiji as coreografias que ela tanto treinara nas últimas semanas. As coreografias que ela aprendera exaustivamente, até os seus pés quase desabarem de cansaço e dor.
Em cerca de dezasseis horas iria experimentar a sua nostálgica sensação de liberdade e prazer, misturada com o nervosismo e pressão por parte dos seus colegas de escola, que iriam assistir. Iria dançar perante uma multidão de pessoas com Eiji. Com o rapaz por quem Linda se começava a perder lentamente. Tinha que fazer alguma coisa em relação a Eiji. Não podia deixar que ele a mudasse por completo. Ela não era assim.
Aliás, quem era ela?
Linda conhecia várias facetas de si própria, tendo algumas nunca mostrado mais desde a sua fuga do palácio. Facetas que fariam muita gente ficar aterrorizadas com a pessoa que tinham á frente. Facetas que ela apenas mostrava aos pais. Não se julgava uma pessoa simples só de um olhar e talvez esse fosse a sua melhor arma naquele terreno ainda desconhecido.
E no meio daquilo tudo ainda tinha a sua missão como navegante. Tanto as tias lhe tinham ensinado e ela não conseguia fazer nada perante o perigo a não ser discutir com a navegante rival.
Patético! Eu não sou assim, pensou Linda, frustrada com a sua imaturidade.
Deixara que os acontecimentos alterassem a sua personalidade, ainda que por pouco. Ela sempre fora calma e sossegada, mas perante sarilhos e discussões ela dava troco.
Mas agora permanecia calada e na sua, não querendo chamar as atenções. O máximo que fizera fora mostrar a Mari um pouco do seu veneno, ainda que a loira não se tivesse inteiramente percebido, tão paranóica que estava em relação a ela.
Linda sempre usara as piores roupas no armário de uma adolescente e também os piores acessórios possíveis. Tudo para passar despercebida. Agora soltava o cabelo, vestia roupas mais cómodas e usava lentes mais vezes.
Estava a mudar. Mas quão forte seria essa mudança? No meio de tanta coisa, permaneceria ela igual? Ou teria sido ela falsa toda a sua vida e estava agora a mostrar as suas verdadeiras facetas? Ou seria esta mudança algo pior. O sinal de que ela se estava a acomodar, a baixar as suas defesas?
Fosse como fosse, na dança ela era verdadeira. De que outro modo ela gostaria tanto de um hobbie do seu pai? Ela era boa na dança, porque expunha tudo aquilo que realmente era.
De dia era uma adolescente comum, que por vezes cobria buracos com mentiras. À noite, no meio dos pensamentos, era a filha de uma navegante e neta de uma lenda de histórias de crianças.
Linda sorriu, imaginando a sua vida se, todo o dia, toda a noite, ela não mudasse, ela não mentisse, fosse sempre igual… fosse uma dançarina.
Por volta das 02h12, Linda deixou-se adormecer. E, pela primeira vez na sua vida, sonhou.
Um quarto iluminado. Janelas abertas, com cortinados brancos a voarem ao ritmo do suave vento que corria no exterior com um fundo um tanto estranho, como se o sol não encontrasse o céu mas também não era noite.
Havia apenas duas pessoas no quarto. Uma mulher e uma menina.
Linda viu uma jovem mulher com um longo vestido negro a dançar devagar, em movimentos suaves e relaxantes. Não havia música, mas a mulher não precisava. A música vinha toda dentro de si.
Os pés descalços dela, que se libertavam do grande tecido negro que os cobria, passeavam pelo chão de mármore branco que refletia a luz do exterior, que não era o sol mas tão forte que iluminava a divisão como um prisma de luz. E no meio de tanta claridade, a figura elegante da mulher destacava-se.
Os braços dela faziam movimentos estranhos. Ao olhar melhor, Linda viu que aquela estranha dança, não era uma dança de todo. A sua mão esquerda abria e fechava-se devagarinho, como se quisesse agarrar algo. A sua mão direita fazia outros tantos movimentos perto da cabeça da mulher, que mantinha os olhos fechados, e do tronco desta como se quisesse protegê-la. Linda estava confusa. Pareciam movimentos de defesa. Aquilo era uma luta?
Fosse qual fosse a resposta, apenas a mulher da sala o sabia, pois nem Linda, nem a menina que a observava não davam provas de ter entendido a dança estranha realizada pela mulher de vestido negro.
A menina encontrava-se junto à porta, espreitando cuidadosamente, colocando a sua pequenina cabecinha loira dentro, mas mantendo o resto do corpo fora. Observava com os seus olhos azuis brilhantes, aquela mulher tão semelhante a si. Com exceção dos cabelos da mulher, tão negros quanto o vestido, que batiam nas costas dela em chicotadas suaves. Mas as feições eram iguais, e o poder que Linda sentia em torno daquela figura não lhe deixaram dúvidas sobre a identidade da mulher.
Agnes, a Guardiã dos Sonhos.
A menina fez um pequeno barulho, excitada. A mulher parou e sorriu levemente, os olhos ainda fechados. Mexeu a cabeça um pouco em direção à pequena, sem nunca abrir as pálpebras.
De repente, com o tronco levemente de lado e os braços esticados em forma de arco, ela abriu os olhos.
E Linda viu o seu reflexo… literalmente.
Espero por ti em cada segundo , porque tu és o meu mundo!

Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
Visitem a minha 1ª Fic ----->The Four elements

Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
Visitem a minha 1ª Fic ----->The Four elements
Editado pela última vez em
-Vá lá meninos, despachem-se! – Gritava o Sensei Amadeus, no meio do frenesim de alunos. – Não queremos chegar tarde.
Linda só pôde arquear as sobrancelhas perante tal visão. Toda a turma viera desejar boa sorte a ela, a Eiji e a Cecília antes da competição. Ela sorria em tom de agradecimento, ao mesmo tempo que seguia Cecília para dentro do carro do Sensei. Ele ficara encarregado de levar François, Cecília, Linda e Eiji para a escola vizinha, onde o torneio se iria centrar.
Já dentro do carro, Linda sentiu calafrios. Agora a contagem decrescente diminuía rapidamente. Faltava apenas uma hora para ela atuar.
Eiji pareceu notar no seu nervosismo e apertou a mão dela contra a sua.
-Não te preocupes. Vai correr tudo bem – sussurrou ao ouvido da amiga.
E de algum modo, Linda conseguiu relaxar. Por enquanto.
A viagem não fora longa. Demorara cerca de dez minutos apenas, com o Sensei a fazer desvios murmurando qualquer coisa inaudível entre dentes. Quando o carro parou, Linda viu-se perante o liceu de Juuban, onde a sua avó completara o secundário. Sorrindo, saiu do carro e seguiu Cecília para os balneários, onde se iriam preparar.
E de repente, tudo começou a acontecer.
Em dez minutos, Linda tinha o vestido colado ao seu corpo, os sapatos calçados e o cabelo num autêntico desastre.
-Queres esticá-lo? – Perguntou Cecília, estendendo o esticador para a colega.
-Hum… não sei. – Duvidou Linda, olhando para o relógio pela milésima vez. Cecília revirou os olhos.
-Não te preocupes. Temos tempo. Além disso, bem que precisas de uma pequena mudança de look. Vai-te ficar bem, acredita no que te digo. – E Linda não pôde contestar mais. Cecília já estava em volta dela a segurar madeixas negras contra o esticador. Não conseguiu evitar olhar de novo para o relógio.
E o tempo passou…
***
Eiji já estava vestido há uns bons minutos. Agora rondava os corredores do liceu, fitando o chão. Apesar de ter tentado acalmar Linda, também ele se sentia inseguro.
Examinou o seu traje, passando a mão pela roupa formal. Consistia numa camisa vermelha, calças e casaco negro e sapatos da mesma cor. Sentia-se como um daqueles janotas que apareciam nas festas da mãe. O género de festas que ele evitava, como o azeite evita a água.
-Eiji! Chega aqui! – Chamou François do balneário dos rapazes. Parecia preocupado com alguma coisa. Provavelmente não sabe apertar o nó da gravata, pensou Eiji, contente pela sua decisão de evitar tão incómodo adereço. A primeira coisa que notou quando entrou no balneário foi no grande relógio pendurado na parede oposta a si. Suspirou ao ver os ponteiros dos segundos correndo em círculos constantes.
E o tempo passou…
****
O Sensei Amadeus e a Directora eram pessoas bastante divergentes. Dois indivíduos com funções, estilos, idades e modo distintos de ver aquela competição.
Amadeus queria a vitória, a Directora o reconhecimento da escola e do talento dos miúdos. Havia bastante tempo que a vitória deixara de ser um objetivo a ser alcançado.
Amadeus deixou a Directora sozinha para ir ajudar os rapazes. “Estão a demorar muito”, fora o seu argumento. A Directora apenas pôde sorrir.
Sentada direita no seu lugar, por detrás do lugar dos Júris, endireitou a sua saia cor violeta e ajeitou o cabelo apanhado num carrapito. Procurou com olhos de falcão os seus alunos no meio daquela multidão. A competição iria desenrolar-se no pavilhão desportivo do liceu que, naquele momento, estava cheio. Não porque havia muitos fãs de dança, mas sim porque eram obrigados pela directora de Juuban a assistir. Ou isso ou um dia de aulas normal, pensou a Directora mordendo o lábio.
De repente sentiu uma mão no seu ombro. Virou-se para ver quem era e não conseguiu evitar a surpresa em ver a pessoa que lhe sorria naquele exacto momento, dois minutos antes do início da prova. Após cumprimentar o seu conhecido que convidara para assistir a aquele torneio, os seus olhos encontraram o relógio do pavilhão.
E o tempo passou…
*****
Mari esperava nas bancadas pelo início da prova. Fazia algum tempo que não via Cecília e, infelizmente, não lhe podia desejar boa sorte pessoalmente. Contentou-se em mandar-lhe um SMS e esperar pelo sinal. Sabia que Cecília era das últimas e Linda das primeiras. Qual seria a melhor? Mari não sabia. Não podia ignorar que Linda dançava tão bem quanto Cecília. Observara-as nos ensaios e pôde ver a destreza de Linda em cada passo dado, apoiada por Eiji. Mas a coreografia de Linda era muito mais simples que a Cecília, daí que as comparações não eram lá muito justas.
Apenas podia esperar para ver. A sua avó ficaria orgulhosa se a visse ali, curiosa por ver a hóspede dançar. Verdade que já não discutiam em muito tempo e talvez isso tenha diminuindo parte da hostilidade. Apenas parte dela. Mas Mari não era nenhum monstro. Ela sabia que Linda estava a tentar ser simpática para com ela. A questão era se Mari devia aceitar aquelas tréguas.
Ouviu vozes masculinas atrás de si. Não se virou para ver quem era mas, pelo modo como um falava, parecia conhecer um dos que ia dançar.
-Oxalá o Eiji não faça asneiras. Ele é cá um trapalhão!
Mari reconheceu a voz de Yamamoto Setsu, irmão mais velho de Eiji, que falava alegremente com alguém. O outro não tardou a responder.
-Descansa. A dançar com a Linda, de certeza que não faz má figura!
Esta voz…
Mari reconhecê-la-ia em qualquer lado. Voz grossa, segura e afinada. A voz de Kenji.
***
Setsu apressou-se a arranjar lugar para si e para o companheiro de quarto.
Kenji sentou-se e observou o cenário. Já dava para ver alguns concorrentes junto ao campo, vindos dos balneários. Mas em nenhum reconheceu a irmã e o amigo.
Setsu dizia algo. Gozava com Eiji. Kenji sorriu e respondeu-lhe com humor. Sabia que, nem mesmo quando os dois irmãos andassem de bengala, deixar-se-iam de gozar um com o outro. Infelizmente, não tinha uma relação assim com Linda. Os seus pais fizeram questão para que tal não acontecesse. Eles e ele próprio, ainda que se recusasse a admitir.
Setsu tossiu e continuou a conversa cujo tema Kenji perdera o fio à meada, ignorando que uma loira sentada dois lugares à sua frente o escutava atentamente:
-Nunca vi a Linda a dançar. Tem jeito?
-Hum hum – respondeu o amigo, completamente alheio.
-Kenji ‘tou a falar p’ra ti. Vê se prestas atenção, homem!
-Peço desculpa mas tenho outras coisas em que pensar.
-Como por exemplo? – Perguntou Setsu, olhando a multidão em busca do irmão.
-No grande calhamaço que temos que estudar para amanhã, mas em vez disso ‘tamos aqui a ver maricas, menininhas e a Linda e o Eiji a dançarem.
-Acho que o Eiji enquadra-se mais no grupo dos “maricas”. – Comentou Setsu, provocando uma gargalhada no amigo.
-A sério. Deixa o miúdo em paz! Não vais gozar com ele quando o vires, pois não?
-Não. - Setsu tirou o seu casaco e colocou-o nas costas da cadeira - Já gozei com ele o bastante a semana toda. Agora só gozo se, ou ele fizer má figura ou se ele vier vestido com calças bombazina. Espero que não te tenhas esquecido de trazer a câmara.
As gargalhadas do loiro aumentaram com o comentário do companheiro. Foi acompanhado pelo seu amigo, até que algo encontrou o seu foco de visão. Algo que o fez parar de rir e lançar um olhar de morte na direção oposta.
- Kenji? O que se passa? – Perguntou o moreno, tentando descobrir o motivo de tão súbita raiva do amigo. – De repente ficaste pálido.
Mas Kenji já não o ouvia. Os seus olhos fitavam um ponto do outro lado do pavilhão, sentado ao lado de uma mulher com um fato violeta e cabelo preso num carrapito. Raiva começou a subir por entre as suas veias até chegar à cabeça, onde se transformou em ódio e um tanto de preocupação.
Ouviu-se o sinal de que a competição iria começar. Mas Kenji ignorava tudo isso.
O que raios é que ele está aqui a fazer?
***
Uma mulher de cabelos castanhos-claros curtos e olhos azuis, também claros, entrou no balneário das raparigas. Tinha um pequeno monte de papéis nas mãos e procurava alguém em particular. Viu duas raparigas no canto a pentearem-se, ambas vestindo vestidos vermelhos. Uma penteava a outra com um esticador.
Reconheceu aquela que procurava:
- Tamura Cecília? – Chamou. Viu a morena virar-se para ela e chegar perto, não antes sem avisar a colega.
O recado fora dado. E Kobayashi Cho viu a cara da morena empalidecer.
Seria assim tão mau, uma determinada pessoa querer vê-la, pensou para os seus botões, observando a morena aproximar-se da outra, sem nunca retirar o seu semblante de choque. Deixou o esticador nas mãos da outra rapariga e saiu a correr do balneário.
Cho preparava-se também para sair quando os seus olhos ficaram-se na outra jovem de vestido vermelho. Ela já a tinha visto antes. Mal a rapariga chegara, dera-lhe as boas-vindas pessoalmente.
Era impressionante a diferença minutos depois.
Antes a rapariga usava óculos, tinha o cabelo rebelde arrumado num semi-preso e usava roupas comuns. Agora estava com muito melhor aspeto.
Cho sorriu em nostalgia. O seu irmão dizia que ela também era assim, de cada que podia visitá-la depois de uma longa estadia no estrangeiro. Linda, mas muito simples e inteligente. Isso fê-la lembrar-se das notas que tinha na mão. No meio de tanta folha, encontrava-se uma lista com os nomes dos alunos que participavam na competição. E, junto ao nome, encontravam-se cruzes feitas com um marcador verde que simbolizavam uma ajuda posterior a esses alunos pois, em determinadas escolas, os alunos não podiam treinar para a competição sem faltar às aulas. Os testes desses alunos tinham sido adiados e as cruzes simbolizavam uma justificação da realização tardia desses testes.
Procurou aquela rapariga, consciente de que ela se chamava Linda. Sim. Tinha a certeza que era esse o primeiro nome da rapariga. E Linda não era assim um nome tão comum.
Encontrou o nome na segunda folha. Tal como ela suspeitava, não tinha nenhuma cruz junto ao nome. Aquela aluna não precisava de ajuda nos estudos. Inteligente também, pensou Cho, sem nunca tirar o pequeno sorriso dos lábios. De facto, daquela escola apenas um aluno, de nome François, precisava de ter os seus testes adiados. Os restantes três safavam-se bem sem ajuda.
Dirigiu-se para a porta e saiu. Percorreu o corredor até a sala dos professores, onde esperava encontrar a Directora.
Não notou que era vigiada por uma sombra baixa.
**
Cecília não esperava que aquela determinada pessoa estivesse ali. De todos, era a última que esperava ver naquele torneio. Mas que, no fundo, mais desejava ver.
-Desculpa, mas tenho que ir. – Disse apressadamente para Linda. – Vais ter que ficar com o cabelo assim. Não te preocupes que cabelo ondulado também te fica bem. Tchau! – E desapareceu de vista, deixando a colega com o esticador na mão, o rosto transfigurado num semblante confuso.
Correu com os seus sapatos de salto alto, admirando-se do facto de conseguir manter o equilíbrio naquela correria. Os nervos ferviam de preocupação.
Porque é que ela estava ali?
Chegara à porta em menos de um minuto. E logo viu a razão dos seus nervos súbitos.
Uma Mercedes azul-escuro clássico, que transportava uma mulher morena elegante com olhos da cor do âmbar, nariz levemente achatado e todo o resto da fisionomia do rosto semelhante ao de Cecília. A mulher sorriu ao vê-la:
-Boa noite filha. – Cumprimentou, acenando levemente com a cabeça.
-Mãe? – Cecília engoliu em seco. Pensou nas palavras que queria dizer, mas que recusavam-se a sair da garganta. Uma certa raiva percorria-lhe o corpo, misturada com uma certa sensação de alívio e contentamento. A sua relação com a mãe sempre fora muito confusa e os valores incutidos a Cecília impediam-na de dizer mais que a pergunta mais óbvia. – O que faz aqui?
-Ora essa. Agora não posso ver a minha filha aqui a dançar?
-Nunca pensei que a mãe tivesse interesse nas minhas aulas de dança. – Respondeu Cecília secamente.
A mulher perdeu o sorriso.
-Vê se te lembras Cecily que fui eu que te arranjei aquela mestre de dança.
Cecília mordeu o lábio inferior. Detestava quando a mãe lhe chamava de Cecily.
-Sim, não me esqueço. Mas na mãe nunca veio ver nenhuma atuação minha.
E tinha logo que vir hoje. Logo hoje, que a filha da melhor amiga dela vai dançar… logo que a princesa vai dançar.
-Tu… - Misaki olhou para o chão, distraída. - … Não entendes.
-Pois não, não entendo. Não entendo o desinteresse de uma mãe pela sua única filha. Sei que o pai está na Alemanha e por isso não pôde vir, mas a mãe não tem desculpa.
Cecília tremeu ligeiramente. Uma brisa gelada percorria o seu corpo, fazendo os pelos dos seus braços nus eriçarem. Tinha que sair dali. Tinha que voltar para o pé de Linda, preparar-se para dançar e depois…
-Cecília?
Misaki olhava para a filha, os olhos traindo preocupação e alguma tristeza mal camuflada. A mãe sempre tivera problemas em esconder as suas emoções.
-Se não queres que fique aqui, eu posso ir-me embora.
As palavras da mãe ecoaram na sua cabeça, fazendo com que a rapariga refletisse no que a outra dissera.
Não, ela não queria que a mãe se fosse embora. Ela queria que a mãe ficasse e que a visse dançar. Queria que a visse ganhar.
Ou pelo menos ficar em segundo lugar, pensou a morena. Mas e então Linda? Não podia deixar que a mãe descobrisse e contasse tudo à Rainha.
Misaki abriu a boca para dizer algo, mas desistiu, fazendo um pequeno beicinho com os lábios rosados. Elevou a sua mão esquerda até aos dentes cor de pérola, roendo as unhas. Um vício terrível, mas do qual a mãe nunca se conseguia livrar.
Cecília soltou uma leve gargalhada ao ver o pequeno desespero da mãe em controlar aquele pequeno vicio:
-Pensei que a mãe tivesse parado.
-E parei… mas aquele verniz era terrível. Acredita, a Yvonne quase que me suplicou para que eu o deixasse de usar. Primeiro, ficava mal nas minhas mãos, segundo cheirava terrivelmente mal e terceiro… não fazia efeito nenhum contra o meu vício.
-Pois… mãe? - Os olhos castanhos de Cecília encontraram os olhos dourados de Misaki. Sentiu o olhar da mãe perdido no seu, até que o desviou. Controlou um lamento. Parte da mãe nunca iria ultrapassar a dor da morte do pai de Cecília, que também tinha olhos castanhos. – Pode ficar. Aliás… - Cecília suspirou pesadamente antes de prosseguir, libertando um pequeno sorriso. – Eu quero que fique.
Misaki correspondeu o sorriso, o seu muito mais aberto, e virou as costas à filha, pedindo ao seu motorista que estacionasse mais adiante. Depois, seguiu Cecília para dentro do pavilhão. E à luz, a jovem viu a mãe vestida formalmente, com uma camisa branca, uma saia e casaco bege e mala amarela, mas sem deixar a sua elegância nobre. Não pôde deixar de sorrir pela imensa beleza da mãe. Seria ela um dia assim?
Linda só pôde arquear as sobrancelhas perante tal visão. Toda a turma viera desejar boa sorte a ela, a Eiji e a Cecília antes da competição. Ela sorria em tom de agradecimento, ao mesmo tempo que seguia Cecília para dentro do carro do Sensei. Ele ficara encarregado de levar François, Cecília, Linda e Eiji para a escola vizinha, onde o torneio se iria centrar.
Já dentro do carro, Linda sentiu calafrios. Agora a contagem decrescente diminuía rapidamente. Faltava apenas uma hora para ela atuar.
Eiji pareceu notar no seu nervosismo e apertou a mão dela contra a sua.
-Não te preocupes. Vai correr tudo bem – sussurrou ao ouvido da amiga.
E de algum modo, Linda conseguiu relaxar. Por enquanto.
A viagem não fora longa. Demorara cerca de dez minutos apenas, com o Sensei a fazer desvios murmurando qualquer coisa inaudível entre dentes. Quando o carro parou, Linda viu-se perante o liceu de Juuban, onde a sua avó completara o secundário. Sorrindo, saiu do carro e seguiu Cecília para os balneários, onde se iriam preparar.
E de repente, tudo começou a acontecer.
Em dez minutos, Linda tinha o vestido colado ao seu corpo, os sapatos calçados e o cabelo num autêntico desastre.
-Queres esticá-lo? – Perguntou Cecília, estendendo o esticador para a colega.
-Hum… não sei. – Duvidou Linda, olhando para o relógio pela milésima vez. Cecília revirou os olhos.
-Não te preocupes. Temos tempo. Além disso, bem que precisas de uma pequena mudança de look. Vai-te ficar bem, acredita no que te digo. – E Linda não pôde contestar mais. Cecília já estava em volta dela a segurar madeixas negras contra o esticador. Não conseguiu evitar olhar de novo para o relógio.
E o tempo passou…
***
Eiji já estava vestido há uns bons minutos. Agora rondava os corredores do liceu, fitando o chão. Apesar de ter tentado acalmar Linda, também ele se sentia inseguro.
Examinou o seu traje, passando a mão pela roupa formal. Consistia numa camisa vermelha, calças e casaco negro e sapatos da mesma cor. Sentia-se como um daqueles janotas que apareciam nas festas da mãe. O género de festas que ele evitava, como o azeite evita a água.
-Eiji! Chega aqui! – Chamou François do balneário dos rapazes. Parecia preocupado com alguma coisa. Provavelmente não sabe apertar o nó da gravata, pensou Eiji, contente pela sua decisão de evitar tão incómodo adereço. A primeira coisa que notou quando entrou no balneário foi no grande relógio pendurado na parede oposta a si. Suspirou ao ver os ponteiros dos segundos correndo em círculos constantes.
E o tempo passou…
****
O Sensei Amadeus e a Directora eram pessoas bastante divergentes. Dois indivíduos com funções, estilos, idades e modo distintos de ver aquela competição.
Amadeus queria a vitória, a Directora o reconhecimento da escola e do talento dos miúdos. Havia bastante tempo que a vitória deixara de ser um objetivo a ser alcançado.
Amadeus deixou a Directora sozinha para ir ajudar os rapazes. “Estão a demorar muito”, fora o seu argumento. A Directora apenas pôde sorrir.
Sentada direita no seu lugar, por detrás do lugar dos Júris, endireitou a sua saia cor violeta e ajeitou o cabelo apanhado num carrapito. Procurou com olhos de falcão os seus alunos no meio daquela multidão. A competição iria desenrolar-se no pavilhão desportivo do liceu que, naquele momento, estava cheio. Não porque havia muitos fãs de dança, mas sim porque eram obrigados pela directora de Juuban a assistir. Ou isso ou um dia de aulas normal, pensou a Directora mordendo o lábio.
De repente sentiu uma mão no seu ombro. Virou-se para ver quem era e não conseguiu evitar a surpresa em ver a pessoa que lhe sorria naquele exacto momento, dois minutos antes do início da prova. Após cumprimentar o seu conhecido que convidara para assistir a aquele torneio, os seus olhos encontraram o relógio do pavilhão.
E o tempo passou…
*****
Mari esperava nas bancadas pelo início da prova. Fazia algum tempo que não via Cecília e, infelizmente, não lhe podia desejar boa sorte pessoalmente. Contentou-se em mandar-lhe um SMS e esperar pelo sinal. Sabia que Cecília era das últimas e Linda das primeiras. Qual seria a melhor? Mari não sabia. Não podia ignorar que Linda dançava tão bem quanto Cecília. Observara-as nos ensaios e pôde ver a destreza de Linda em cada passo dado, apoiada por Eiji. Mas a coreografia de Linda era muito mais simples que a Cecília, daí que as comparações não eram lá muito justas.
Apenas podia esperar para ver. A sua avó ficaria orgulhosa se a visse ali, curiosa por ver a hóspede dançar. Verdade que já não discutiam em muito tempo e talvez isso tenha diminuindo parte da hostilidade. Apenas parte dela. Mas Mari não era nenhum monstro. Ela sabia que Linda estava a tentar ser simpática para com ela. A questão era se Mari devia aceitar aquelas tréguas.
Ouviu vozes masculinas atrás de si. Não se virou para ver quem era mas, pelo modo como um falava, parecia conhecer um dos que ia dançar.
-Oxalá o Eiji não faça asneiras. Ele é cá um trapalhão!
Mari reconheceu a voz de Yamamoto Setsu, irmão mais velho de Eiji, que falava alegremente com alguém. O outro não tardou a responder.
-Descansa. A dançar com a Linda, de certeza que não faz má figura!
Esta voz…
Mari reconhecê-la-ia em qualquer lado. Voz grossa, segura e afinada. A voz de Kenji.
***
Setsu apressou-se a arranjar lugar para si e para o companheiro de quarto.
Kenji sentou-se e observou o cenário. Já dava para ver alguns concorrentes junto ao campo, vindos dos balneários. Mas em nenhum reconheceu a irmã e o amigo.
Setsu dizia algo. Gozava com Eiji. Kenji sorriu e respondeu-lhe com humor. Sabia que, nem mesmo quando os dois irmãos andassem de bengala, deixar-se-iam de gozar um com o outro. Infelizmente, não tinha uma relação assim com Linda. Os seus pais fizeram questão para que tal não acontecesse. Eles e ele próprio, ainda que se recusasse a admitir.
Setsu tossiu e continuou a conversa cujo tema Kenji perdera o fio à meada, ignorando que uma loira sentada dois lugares à sua frente o escutava atentamente:
-Nunca vi a Linda a dançar. Tem jeito?
-Hum hum – respondeu o amigo, completamente alheio.
-Kenji ‘tou a falar p’ra ti. Vê se prestas atenção, homem!
-Peço desculpa mas tenho outras coisas em que pensar.
-Como por exemplo? – Perguntou Setsu, olhando a multidão em busca do irmão.
-No grande calhamaço que temos que estudar para amanhã, mas em vez disso ‘tamos aqui a ver maricas, menininhas e a Linda e o Eiji a dançarem.
-Acho que o Eiji enquadra-se mais no grupo dos “maricas”. – Comentou Setsu, provocando uma gargalhada no amigo.
-A sério. Deixa o miúdo em paz! Não vais gozar com ele quando o vires, pois não?
-Não. - Setsu tirou o seu casaco e colocou-o nas costas da cadeira - Já gozei com ele o bastante a semana toda. Agora só gozo se, ou ele fizer má figura ou se ele vier vestido com calças bombazina. Espero que não te tenhas esquecido de trazer a câmara.
As gargalhadas do loiro aumentaram com o comentário do companheiro. Foi acompanhado pelo seu amigo, até que algo encontrou o seu foco de visão. Algo que o fez parar de rir e lançar um olhar de morte na direção oposta.
- Kenji? O que se passa? – Perguntou o moreno, tentando descobrir o motivo de tão súbita raiva do amigo. – De repente ficaste pálido.
Mas Kenji já não o ouvia. Os seus olhos fitavam um ponto do outro lado do pavilhão, sentado ao lado de uma mulher com um fato violeta e cabelo preso num carrapito. Raiva começou a subir por entre as suas veias até chegar à cabeça, onde se transformou em ódio e um tanto de preocupação.
Ouviu-se o sinal de que a competição iria começar. Mas Kenji ignorava tudo isso.
O que raios é que ele está aqui a fazer?
***
Uma mulher de cabelos castanhos-claros curtos e olhos azuis, também claros, entrou no balneário das raparigas. Tinha um pequeno monte de papéis nas mãos e procurava alguém em particular. Viu duas raparigas no canto a pentearem-se, ambas vestindo vestidos vermelhos. Uma penteava a outra com um esticador.
Reconheceu aquela que procurava:
- Tamura Cecília? – Chamou. Viu a morena virar-se para ela e chegar perto, não antes sem avisar a colega.
O recado fora dado. E Kobayashi Cho viu a cara da morena empalidecer.
Seria assim tão mau, uma determinada pessoa querer vê-la, pensou para os seus botões, observando a morena aproximar-se da outra, sem nunca retirar o seu semblante de choque. Deixou o esticador nas mãos da outra rapariga e saiu a correr do balneário.
Cho preparava-se também para sair quando os seus olhos ficaram-se na outra jovem de vestido vermelho. Ela já a tinha visto antes. Mal a rapariga chegara, dera-lhe as boas-vindas pessoalmente.
Era impressionante a diferença minutos depois.
Antes a rapariga usava óculos, tinha o cabelo rebelde arrumado num semi-preso e usava roupas comuns. Agora estava com muito melhor aspeto.
Cho sorriu em nostalgia. O seu irmão dizia que ela também era assim, de cada que podia visitá-la depois de uma longa estadia no estrangeiro. Linda, mas muito simples e inteligente. Isso fê-la lembrar-se das notas que tinha na mão. No meio de tanta folha, encontrava-se uma lista com os nomes dos alunos que participavam na competição. E, junto ao nome, encontravam-se cruzes feitas com um marcador verde que simbolizavam uma ajuda posterior a esses alunos pois, em determinadas escolas, os alunos não podiam treinar para a competição sem faltar às aulas. Os testes desses alunos tinham sido adiados e as cruzes simbolizavam uma justificação da realização tardia desses testes.
Procurou aquela rapariga, consciente de que ela se chamava Linda. Sim. Tinha a certeza que era esse o primeiro nome da rapariga. E Linda não era assim um nome tão comum.
Encontrou o nome na segunda folha. Tal como ela suspeitava, não tinha nenhuma cruz junto ao nome. Aquela aluna não precisava de ajuda nos estudos. Inteligente também, pensou Cho, sem nunca tirar o pequeno sorriso dos lábios. De facto, daquela escola apenas um aluno, de nome François, precisava de ter os seus testes adiados. Os restantes três safavam-se bem sem ajuda.
Dirigiu-se para a porta e saiu. Percorreu o corredor até a sala dos professores, onde esperava encontrar a Directora.
Não notou que era vigiada por uma sombra baixa.
**
Cecília não esperava que aquela determinada pessoa estivesse ali. De todos, era a última que esperava ver naquele torneio. Mas que, no fundo, mais desejava ver.
-Desculpa, mas tenho que ir. – Disse apressadamente para Linda. – Vais ter que ficar com o cabelo assim. Não te preocupes que cabelo ondulado também te fica bem. Tchau! – E desapareceu de vista, deixando a colega com o esticador na mão, o rosto transfigurado num semblante confuso.
Correu com os seus sapatos de salto alto, admirando-se do facto de conseguir manter o equilíbrio naquela correria. Os nervos ferviam de preocupação.
Porque é que ela estava ali?
Chegara à porta em menos de um minuto. E logo viu a razão dos seus nervos súbitos.
Uma Mercedes azul-escuro clássico, que transportava uma mulher morena elegante com olhos da cor do âmbar, nariz levemente achatado e todo o resto da fisionomia do rosto semelhante ao de Cecília. A mulher sorriu ao vê-la:
-Boa noite filha. – Cumprimentou, acenando levemente com a cabeça.
-Mãe? – Cecília engoliu em seco. Pensou nas palavras que queria dizer, mas que recusavam-se a sair da garganta. Uma certa raiva percorria-lhe o corpo, misturada com uma certa sensação de alívio e contentamento. A sua relação com a mãe sempre fora muito confusa e os valores incutidos a Cecília impediam-na de dizer mais que a pergunta mais óbvia. – O que faz aqui?
-Ora essa. Agora não posso ver a minha filha aqui a dançar?
-Nunca pensei que a mãe tivesse interesse nas minhas aulas de dança. – Respondeu Cecília secamente.
A mulher perdeu o sorriso.
-Vê se te lembras Cecily que fui eu que te arranjei aquela mestre de dança.
Cecília mordeu o lábio inferior. Detestava quando a mãe lhe chamava de Cecily.
-Sim, não me esqueço. Mas na mãe nunca veio ver nenhuma atuação minha.
E tinha logo que vir hoje. Logo hoje, que a filha da melhor amiga dela vai dançar… logo que a princesa vai dançar.
-Tu… - Misaki olhou para o chão, distraída. - … Não entendes.
-Pois não, não entendo. Não entendo o desinteresse de uma mãe pela sua única filha. Sei que o pai está na Alemanha e por isso não pôde vir, mas a mãe não tem desculpa.
Cecília tremeu ligeiramente. Uma brisa gelada percorria o seu corpo, fazendo os pelos dos seus braços nus eriçarem. Tinha que sair dali. Tinha que voltar para o pé de Linda, preparar-se para dançar e depois…
-Cecília?
Misaki olhava para a filha, os olhos traindo preocupação e alguma tristeza mal camuflada. A mãe sempre tivera problemas em esconder as suas emoções.
-Se não queres que fique aqui, eu posso ir-me embora.
As palavras da mãe ecoaram na sua cabeça, fazendo com que a rapariga refletisse no que a outra dissera.
Não, ela não queria que a mãe se fosse embora. Ela queria que a mãe ficasse e que a visse dançar. Queria que a visse ganhar.
Ou pelo menos ficar em segundo lugar, pensou a morena. Mas e então Linda? Não podia deixar que a mãe descobrisse e contasse tudo à Rainha.
Misaki abriu a boca para dizer algo, mas desistiu, fazendo um pequeno beicinho com os lábios rosados. Elevou a sua mão esquerda até aos dentes cor de pérola, roendo as unhas. Um vício terrível, mas do qual a mãe nunca se conseguia livrar.
Cecília soltou uma leve gargalhada ao ver o pequeno desespero da mãe em controlar aquele pequeno vicio:
-Pensei que a mãe tivesse parado.
-E parei… mas aquele verniz era terrível. Acredita, a Yvonne quase que me suplicou para que eu o deixasse de usar. Primeiro, ficava mal nas minhas mãos, segundo cheirava terrivelmente mal e terceiro… não fazia efeito nenhum contra o meu vício.
-Pois… mãe? - Os olhos castanhos de Cecília encontraram os olhos dourados de Misaki. Sentiu o olhar da mãe perdido no seu, até que o desviou. Controlou um lamento. Parte da mãe nunca iria ultrapassar a dor da morte do pai de Cecília, que também tinha olhos castanhos. – Pode ficar. Aliás… - Cecília suspirou pesadamente antes de prosseguir, libertando um pequeno sorriso. – Eu quero que fique.
Misaki correspondeu o sorriso, o seu muito mais aberto, e virou as costas à filha, pedindo ao seu motorista que estacionasse mais adiante. Depois, seguiu Cecília para dentro do pavilhão. E à luz, a jovem viu a mãe vestida formalmente, com uma camisa branca, uma saia e casaco bege e mala amarela, mas sem deixar a sua elegância nobre. Não pôde deixar de sorrir pela imensa beleza da mãe. Seria ela um dia assim?
Espero por ti em cada segundo , porque tu és o meu mundo!

Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
Visitem a minha 1ª Fic ----->The Four elements

Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
Visitem a minha 1ª Fic ----->The Four elements
Editado pela última vez em
**
Um relógio na parede soava um pequeno toque a cada segundo, consoante o movimento de um ponteiro maior. E a cada sessenta toques, um outro ponteiro movia-se, assinalando a passagem de um outro minuto.
Linda não dera pelo tempo passar. Quem diria que esticar o cabelo demoraria tanto tempo? Mas também, ter que procurar uma ficha elétrica, arranjar espaço e também o facto do Sensei Amadeus ter entrado no balneário sem querer, provocando grande escândalo, eram bons motivos para, quase cinco minutos para o início da prova, ela ainda estar no balneário e com o cabelo por esticar.
Tratou de fazer um semi-preso como Cecília sugeria, deixando algumas madeixas caírem pelas orelhas. O penteado era um pouco semelhante ao da sua transformação em Sailor Dream, mas Linda nem sequer pensou que isso desse problemas. Agora tinha mais com que se preocupar.
Levantou-se e deixou o balneário, rumo ao pavilhão. Lá, viu muitas pessoas sentadas nas bancadas a fim de assistirem ao torneio. Encarregados de Educação, alunos de várias escolas, Senseis e funcionários estavam reunidos naquele evento, apesar de este não ser um dos mais importantes do Japão.
Um rapaz à sua frente deslocou-se e ela pôde ver a mesa do Júri. Viu três homens e uma mulher com fatos formais e semblantes rígidos a conversarem discretamente, enquanto examinavam os papéis à sua frente. A mulher repetia algumas frases a uma moça que se encontrava ao seu lado. Linda reconheceu-a como a jovem que fora dar o recado a Cecília.
Mas aonde estava Cecília? O torneiro já vai começar.
Procurou alguém conhecido nas bancadas, até que viu Aiko junto de Mari, a acenar. Mari não parecia irritada com a avó hoje. Pelo contrário, parecia embaraçada. Linda sorriu levemente ao ver o porquê. Aiko virara-se para trás para discutir umas palavrinhas amigáveis com nada mais, nada menos do que Setsu, sentado ao lado do seu irmão. Linda sabia o quanto Aiko conseguia embaraçar as pessoas. Parecia conversar com Setsu sobre algo que deixava tanto Kenji como Mari desconfortáveis. Perguntou-se sobre o que seria, ao mesmo tempo que o seu peito encheu-se de calor ao saber que os rapazes vieram vê-la a ela e ao Eiji de propósito.
Até que notou em algo fora do comum. O irmão olhara rapidamente para o outro lado do pavilhão, junto ao lugar do Júri. Um olhar furtivo e, não obstante carregado de ódio. Quando viu que era observado pela irmã, tentou mostrar um sorriso de tranquilizador, mas não conseguiu. Desconfiada, Linda virou-se para o outro lado e viu, pelo canto do olho, Kenji a assumir uma postura desesperada.
Mas o que haveria no outro lado?
E finalmente entendeu. Linda deixou cair o maxilar levemente, enfrentando o olhar carregado, escondido por detrás de lentes escuras, que fitava o irmão. Enfrentou aquela guerra aberta em pleno pavilhão entre Kenji e aquele homem. Percebeu que fora descoberta e que estava no meio de uma batalha que ela tão desgraçadamente tentara fugir. Desviou o olhar, mas sentiu dois pares de olhos carregados nela.
Não acreditava no que estava a ver. Devia ser um sonho. Sim, porque desde a última noite que ela tinha a certeza ser possível ela sonhar.
Mas ao mirar Kenji, soube que não estava a sonhar. Os olhos do irmão, tão iguais aos dela, não lhe mentiam. Enchendo o peito de coragem enfrentou, finalmente, o olhar surpreendido de Edward James Natsumara.
**
-Mari, onde estás? – Gritou Aiko, um minuto antes do início da prova.
Mari sentiu-se corar, apesar de ainda não ter motivos para tal.
-Mari?
-Senhora Nakamura? – Ouviu uma voz atrás de si. Kenji falara, ainda que com uma estranha voz fraca.
-Oh, olá Kenji. Que bom ver-te, querido. – Aiko cumprimentou Kenji e olhou para Setsu, desconfiada – E este é teu amigo?
Setsu não se demorou a apresentar. Só o facto de ter dito que andava na faculdade de medicina, fez Aiko fazer uma perguntinha um tanto indiscreta:
-Foste tu que saíste com a Linda? – Perguntou, os olhos ficando subitamente sérios.
O rosto dos rapazes perdeu os contornos alegres. Setsu inspirou fundo, passando a mão pelos cabelos distraidamente.
-Sim, estava lá. A explosão apanhou-nos de surpresa, não pensei que fosse acontecer.
A sua avó assentiu, os olhos focando-se nos de Kenji. Este mirava o pequeno aglomerado de dançarinos junto ao salão, provavelmente querendo ver Linda. Ainda que Mari não o conhecesse bem, sabia que ele se importava com Linda.
O que era uma pena, considerando que ela não estava interessada nele naquela forma.
Deixou-se perder naqueles olhos tão azuis como o oceano pacífico no crepúsculo.
Infelizmente ficou a olhar tempo demais. Aiko olhara em volta em busca dela, vendo-a sentada umas filas à frente dos rapazes.
-Ah estás ai, sua tonta! Andava à tua procura.
Mari corou, assim que os olhos de Kenji focaram-se nos seus. Mal notou na avó sentar-se ao seu lado, falando para ela.
O quase-beijo tinha deixado marca nela, mas Mari sabia agora que tinha subestimado o tamanho dessa marca. Era maior do que esperara. Ganhou uma certa fobia ao sentir aquele azul penetrante focar-se nos olhos dela, como se ela examinasse o seu ser interior. O que mais incomodava Mari era que, por maior fobia que tivesse ganho, não conseguia desviar os olhos. E uma pequena vozinha dentro da sua cabeça dizia que ele sentia o mesmo. Os olhos dele tinham um brilho estranho, que em nada se devia à iluminação do pavilhão. Setsu dera um pequeno abanão no braço do amigo, obrigando-o a levantar-se para se sentarem junto a ele e à avó. Kenji desviou os olhos e foi sentar-se junto a Setsu, mesmo atrás de Mari. Mari sentia agora a respiração acelerada dele, muito próxima, como se ele tivesse acabado de correr a maratona.
Aiko procurou Linda. Ao vê-la, acenou freneticamente.
-Ah, lá está a Linda. Está muito bonita não está? – Disse Aiko alegremente. – Ainda não vi a Cecília, mas espero que não se demore. O torneio está quase a começar…
Mari torceu o nariz ao ouvir o comentário da avó. Engraçado como ela parecia gostar tanto de Linda como da rapariga que Mari levava a casa dela desde os onze anos.
Virou-se para trás e viu Kenji a olhar para o outro lado do pavilhão, desviando o olhar tempo suficiente para se cruzar com o dela. Notou que este ficara ligeiramente embaraçado. Se foi por fitar Mari nos olhos ou pela visão do outro lado, Mari não sabia. Limitou-se a virar para a frente, ao ouvir o sinal para o início do espetáculo. Atrás de si, ouviu Kenji a suspirar de alívio.
Ao longe viu Cecília junto a uma mulher elegante a dirigir-se para o mesmo sitio onde Mari estava sentada. Mari esbugalhou os olhos ao reconhecer a mulher.
Raio partam, pensou mordendo severamente o lábio.
**
-Bem vindos ao vigésimo terceiro Concurso de Dança da cidade de Crystal Tokyo! – A voz do apresentador foi seguida por breves mas calorosas palmas. O homem respondeu à calorosa receção com um sorriso. – Esta noite iremos assistir…
Eiji nem se preocupou em ouvir o resto. Onde estava Linda? Eles seriam os terceiros a atuarem. E ele bem que já sentia calafrios só em pensar nisso. Tinha que estar com ela, caso contrário os nervos levariam a melhor em si.
Procurou-a com os olhos, mas não a via em lado nenhum. Não estaria ela já pronta? Linda não era como as outras raparigas, que podiam passar horas na casa de banho a prepararem-se sem darem pelo tempo passar.
Foi então que viu uma rapariga morena com o traje da escola. Estava de costas e tinha uma bela silhueta e cabelos levemente ondulados. Com a luz, Eiji não distinguiu a cor dos cabelos da rapariga. Calculou que fosse Cecília. Afinal, o cabelo de Linda era dominado por caracóis negros e rebeldes. Aproximou-se da moça, não notando na rigidez dela.
-Cecília? Sabes onde está a… - Eiji não acabou a frase, pois Linda virou-se antes que ele pudesse terminar.
Eiji quase que deu um salto quando interpretou, num milésimo de segundo, expressão com que Linda o olhara.
Não deveria ser para ele. Ela nunca lhe olharia daquela forma. Mas fosse para quem fosse, aquele olhar de morte assustou o loiro. Aquela parecia uma Linda completamente diferente. Os olhos azuis-escuros estavam quase negros, carregados de ódio e muito abertos, os lábios rosados severamente contraídos e expressões da imensa raiva que deveria dominar aquela rapariga.
Mas o olhar mortífero de Linda apenas durara um único segundo. Com um piscar de olhos, as feições dela descontraíram e os olhos voltaram a ficar azuis.
Apenas a palidez no seu rosto se mantivera. Eiji viu-a forçar um sorriso.
-Passa-se alguma coisa, Eiji? – Perguntou Linda, com uma voz calma e serena.
-Estás bem? – Perguntou o loiro, meio inseguro. Aquele tom de voz não o convencia.
Ela sorriu ainda mais. Eiji não pôde deixar de sentir um calafrio ao ver os olhos dela brilharem e os lábios traçarem um sorriso glacial e amarelo.
-É claro que estou.
Não mordera o lábio, mas vários meses de amizade eram o suficiente para que Eiji soubesse que Linda mentia.
Ela virou-se para a multidão e fitava agora Kenji, que respondia o olhar.
Ambos os irmãos pareciam comunicar-se por telepatia, pois as expressões pareciam inalteradas e eles prolongaram os olhares durante todo o discurso do apresentador. Quando este chamou o primeiro par, Linda desviou os olhos do irmão para o chão:
-Gomen Nasai. – Sussurrou, de modo a que apenas Eiji a ouvisse.
-Porque pedes desculpa?
Ela voltou a olhá-lo nos olhos. O iceberg desaparecera.
-Sabes muito bem porquê. – Respondeu cautelosamente, como se receasse a resposta de Eiji.
-Sinceramente não sei. – Eiji agarrou a mão dela, apertando-a na sua. – Mas sabes que me podes contar o quer que seja.
E fora tudo o que ele pudera dizer, antes de serem interrompidos por François e Cecília, acompanhados por Amadeus. Este dera umas dicas a Eiji e a Linda, que evitavam olhar um para o outro, antes de os mandar calçar o sal.
Era um processo simples que todos os dançarinos realizavam antes de uma prova de modo a favorecer o atrito entre o solo do salão e a sola dos sapatos dos dançarinos, permitindo que eles deslizassem com menor risco de escorregadelas.
O tempo agora reduzia-se a atuações. Mas Eiji já não estava nervoso. Ao seu lado, Linda começava a relaxar. Os olhos dela percorriam o salão, as bancadas onde Eiji encontrou o irmão e um outro ponto por detrás do Júri, onde se sentava a Directora.
Não notou no homem sentado ao lado dela, que usava óculos escuros mas que facilmente se entendia para onde este olhava. E nem tampouco notou que o olhar do homem misterioso permaneceu fincado em Linda o tempo todo.
**
Natsumara Edward não sabia o que pensar. Aceitara o convite da sua antiga Sensei para descontrair dos seus muitos problemas familiares. Como poderia ele adivinhar que, naquele mesmo pavilhão, encontraria toda a origem dos seus problemas. O seu filho teimoso e a sua filha mais nova.
Apenas conseguia ter um pequeno vislumbre dela, mas era o suficiente para reconhecer a causa da ruína do seu casamento, a causa da sua discussão com o filho mais velho, a causa da perda de alguma sanidade da sua parte e até mesmo por parte da mulher. A causa da queda de duas vidas, que empurraram outras duas. E que poderia empurrar outras mais…
Era tão fácil pôr as culpas naquela rapariga tão baixa em comparação a si. Era tão fácil ignorar o rapaz sentado nas bancadas do outro lado. Era fácil ignorar aqueles dois, com quem partilhava a carne e o sangue. Afinal, já tinha anos de experiencia no currículo.
Mas que aperto era aquele que ele sentia?
Não conseguiu desviar os olhos dela. Nem quando a viu falar com outro rapaz, nem quando ela se fora preparar para dançar.
Inacreditável, pensou para os seus botões. Ela iria dançar em frente a uma multidão. Ela que sempre fora tão tímida em comparação ao resto da família. Ainda se lembrava de quando a ensinara a dançar. Os seus sogros haviam-lhe incutido o respeito à autoridade e ele, na altura, não soube o que pensar do receio que a sua própria filha mostrava a ele. Daquela timidez que a impedia de falar livremente e que a limitava a observar os outros, esperando pelo momento certo. Nem ele nem Small Lady eram tímidos. Sempre foram tão abertos um com o outro. Alias, se eles fossem tímidos, nunca se teriam conhecido e casado. Ele nunca se apaixonaria pelo sentido de humor dela e pelas suas birras, nem ela pela sua ‘grande lata’. Edward sabia que Kenji também era extrovertido. Mas Linda não… ela era diferente. Timidez à parte, ela herdara isso dele.
-Agora vai actuar um par da minha escola – Murmurara a Directora ao ouvido de Edward. Este estava vestido de roupas casuais, o impediam de ser reconhecido. Afinal, ele não viera ali para chamar as atenções. Viera para ver o torneio.
No fundo ele tinha que admitir que esperava encontrar Linda naquele torneio. Sabia que ela tinha um dom para dançar, tal como ele.
Viu dois alunos dirigirem-se para a pista, as mãos interligadas. Reconheceu Linda e o rapaz com quem ela falara há pouco. Viu que, do outro lado do pavilhão, Kenji fitava-o com um olhar de morte sobreposto por preocupação.
À volta do filho havia um pequeno grupo de pessoas que pareciam torcer por Linda ou pelo rapaz, pois batiam palmas e soltavam assobios.
Notou então na loira, que olhava tanto para Kenji, como para ele e para outra pessoa, sentada ao seu lado. Não que a loira lhe fosse familiar, pois estava muito longe e já daí Edward não a reconhecera. Mas reconheceu a mulher que a rapariga mirava. Os seus olhos aumentaram de tamanho por detrás dos óculos escuros.
Misaki. Que faria ela ali?
-Como se chamam? – Perguntou, por acaso. Aquilo era muito estranho. Parecia que também o par de Linda lhe era familiar.
- Tsukino Linda… - Porque não estou surpreendido, pensou Edward soltando um pequeno sorriso. – … e Yamamoto Eiji.
O último nome fê-lo vacilar.
Yamamoto
-Ele não é o filho da… - Mas a sua pergunta perdeu-se com o inicio da música.
**
É a filha da Usagi! Pensou Misaki mal vira a rapariga entrar em pista, junto a um rapaz loiro de olhos castanhos que já conhecia há muito tempo.
Cecília deixara a mãe com Mari e Aiko, para correr em direcção aos balneários, tentando encontrar o seu parceiro e os outros dois colegas. Misaki sentara-se no lado esquerdo de Mari, tentando ignorar um par de olhos nas suas costas.
Falava alegremente com Mari, mas esta não parecia muito confortável.
Ninguém adivinhava que o desconforto de Mari era sentido por todos. Todos escondem alguma coisa, um pequeno segredo que marca uma vida. Por vezes, esse segredo definia a pessoa em questão. Daí que no momento em que Linda e Eiji entraram na pista de mão dada, todos aqueles que bateram palmas para o par com mais entusiasmo sentiram um estranho ambiente no pavilhão. Uma forte tensão besuntava o ar e vários olhares foram trocados entre os jovens e os adultos.
-Konnichiwa Misaki, que faz aqui? – Ouviu alguém cumprimentá-la atrás de si. Misaki tornou-se e viu Setsu. Exibiu um largo sorriso, fazendo uma vénia com a cabeça após o jovem fazer o mesmo.
-Setsu, que bom ver-te. Já fazem uns meses. – Disse animadamente. - Vim ver a minha filha, a Cecília, e tu? Vieste ver o teu irmão?
-Sim, ele vai dançar agora. – Disse Setsu, apontando para a pessoa em questão, que se posicionava na pista de dança.
Setsu disse mais alguma coisa, mas Misaki não o escutou. Os seus olhos paralisaram em Kenji por uns momentos, até que conseguiu arranjar coragem para o desviar, mirando o salão. Sentia o olhar do mais novo em si, provavelmente um pouco surpreso por encontrar uma amiga próxima da mãe no pavilhão.
O ambiente começou a pesar ainda mais. Muitas perguntas faziam-se na cabeça de muitos, mas respostas não vinham a todos.
A música começou, assim como a prova de Eiji e Linda.
Um relógio na parede soava um pequeno toque a cada segundo, consoante o movimento de um ponteiro maior. E a cada sessenta toques, um outro ponteiro movia-se, assinalando a passagem de um outro minuto.
Linda não dera pelo tempo passar. Quem diria que esticar o cabelo demoraria tanto tempo? Mas também, ter que procurar uma ficha elétrica, arranjar espaço e também o facto do Sensei Amadeus ter entrado no balneário sem querer, provocando grande escândalo, eram bons motivos para, quase cinco minutos para o início da prova, ela ainda estar no balneário e com o cabelo por esticar.
Tratou de fazer um semi-preso como Cecília sugeria, deixando algumas madeixas caírem pelas orelhas. O penteado era um pouco semelhante ao da sua transformação em Sailor Dream, mas Linda nem sequer pensou que isso desse problemas. Agora tinha mais com que se preocupar.
Levantou-se e deixou o balneário, rumo ao pavilhão. Lá, viu muitas pessoas sentadas nas bancadas a fim de assistirem ao torneio. Encarregados de Educação, alunos de várias escolas, Senseis e funcionários estavam reunidos naquele evento, apesar de este não ser um dos mais importantes do Japão.
Um rapaz à sua frente deslocou-se e ela pôde ver a mesa do Júri. Viu três homens e uma mulher com fatos formais e semblantes rígidos a conversarem discretamente, enquanto examinavam os papéis à sua frente. A mulher repetia algumas frases a uma moça que se encontrava ao seu lado. Linda reconheceu-a como a jovem que fora dar o recado a Cecília.
Mas aonde estava Cecília? O torneiro já vai começar.
Procurou alguém conhecido nas bancadas, até que viu Aiko junto de Mari, a acenar. Mari não parecia irritada com a avó hoje. Pelo contrário, parecia embaraçada. Linda sorriu levemente ao ver o porquê. Aiko virara-se para trás para discutir umas palavrinhas amigáveis com nada mais, nada menos do que Setsu, sentado ao lado do seu irmão. Linda sabia o quanto Aiko conseguia embaraçar as pessoas. Parecia conversar com Setsu sobre algo que deixava tanto Kenji como Mari desconfortáveis. Perguntou-se sobre o que seria, ao mesmo tempo que o seu peito encheu-se de calor ao saber que os rapazes vieram vê-la a ela e ao Eiji de propósito.
Até que notou em algo fora do comum. O irmão olhara rapidamente para o outro lado do pavilhão, junto ao lugar do Júri. Um olhar furtivo e, não obstante carregado de ódio. Quando viu que era observado pela irmã, tentou mostrar um sorriso de tranquilizador, mas não conseguiu. Desconfiada, Linda virou-se para o outro lado e viu, pelo canto do olho, Kenji a assumir uma postura desesperada.
Mas o que haveria no outro lado?
E finalmente entendeu. Linda deixou cair o maxilar levemente, enfrentando o olhar carregado, escondido por detrás de lentes escuras, que fitava o irmão. Enfrentou aquela guerra aberta em pleno pavilhão entre Kenji e aquele homem. Percebeu que fora descoberta e que estava no meio de uma batalha que ela tão desgraçadamente tentara fugir. Desviou o olhar, mas sentiu dois pares de olhos carregados nela.
Não acreditava no que estava a ver. Devia ser um sonho. Sim, porque desde a última noite que ela tinha a certeza ser possível ela sonhar.
Mas ao mirar Kenji, soube que não estava a sonhar. Os olhos do irmão, tão iguais aos dela, não lhe mentiam. Enchendo o peito de coragem enfrentou, finalmente, o olhar surpreendido de Edward James Natsumara.
**
-Mari, onde estás? – Gritou Aiko, um minuto antes do início da prova.
Mari sentiu-se corar, apesar de ainda não ter motivos para tal.
-Mari?
-Senhora Nakamura? – Ouviu uma voz atrás de si. Kenji falara, ainda que com uma estranha voz fraca.
-Oh, olá Kenji. Que bom ver-te, querido. – Aiko cumprimentou Kenji e olhou para Setsu, desconfiada – E este é teu amigo?
Setsu não se demorou a apresentar. Só o facto de ter dito que andava na faculdade de medicina, fez Aiko fazer uma perguntinha um tanto indiscreta:
-Foste tu que saíste com a Linda? – Perguntou, os olhos ficando subitamente sérios.
O rosto dos rapazes perdeu os contornos alegres. Setsu inspirou fundo, passando a mão pelos cabelos distraidamente.
-Sim, estava lá. A explosão apanhou-nos de surpresa, não pensei que fosse acontecer.
A sua avó assentiu, os olhos focando-se nos de Kenji. Este mirava o pequeno aglomerado de dançarinos junto ao salão, provavelmente querendo ver Linda. Ainda que Mari não o conhecesse bem, sabia que ele se importava com Linda.
O que era uma pena, considerando que ela não estava interessada nele naquela forma.
Deixou-se perder naqueles olhos tão azuis como o oceano pacífico no crepúsculo.
Infelizmente ficou a olhar tempo demais. Aiko olhara em volta em busca dela, vendo-a sentada umas filas à frente dos rapazes.
-Ah estás ai, sua tonta! Andava à tua procura.
Mari corou, assim que os olhos de Kenji focaram-se nos seus. Mal notou na avó sentar-se ao seu lado, falando para ela.
O quase-beijo tinha deixado marca nela, mas Mari sabia agora que tinha subestimado o tamanho dessa marca. Era maior do que esperara. Ganhou uma certa fobia ao sentir aquele azul penetrante focar-se nos olhos dela, como se ela examinasse o seu ser interior. O que mais incomodava Mari era que, por maior fobia que tivesse ganho, não conseguia desviar os olhos. E uma pequena vozinha dentro da sua cabeça dizia que ele sentia o mesmo. Os olhos dele tinham um brilho estranho, que em nada se devia à iluminação do pavilhão. Setsu dera um pequeno abanão no braço do amigo, obrigando-o a levantar-se para se sentarem junto a ele e à avó. Kenji desviou os olhos e foi sentar-se junto a Setsu, mesmo atrás de Mari. Mari sentia agora a respiração acelerada dele, muito próxima, como se ele tivesse acabado de correr a maratona.
Aiko procurou Linda. Ao vê-la, acenou freneticamente.
-Ah, lá está a Linda. Está muito bonita não está? – Disse Aiko alegremente. – Ainda não vi a Cecília, mas espero que não se demore. O torneio está quase a começar…
Mari torceu o nariz ao ouvir o comentário da avó. Engraçado como ela parecia gostar tanto de Linda como da rapariga que Mari levava a casa dela desde os onze anos.
Virou-se para trás e viu Kenji a olhar para o outro lado do pavilhão, desviando o olhar tempo suficiente para se cruzar com o dela. Notou que este ficara ligeiramente embaraçado. Se foi por fitar Mari nos olhos ou pela visão do outro lado, Mari não sabia. Limitou-se a virar para a frente, ao ouvir o sinal para o início do espetáculo. Atrás de si, ouviu Kenji a suspirar de alívio.
Ao longe viu Cecília junto a uma mulher elegante a dirigir-se para o mesmo sitio onde Mari estava sentada. Mari esbugalhou os olhos ao reconhecer a mulher.
Raio partam, pensou mordendo severamente o lábio.
**
-Bem vindos ao vigésimo terceiro Concurso de Dança da cidade de Crystal Tokyo! – A voz do apresentador foi seguida por breves mas calorosas palmas. O homem respondeu à calorosa receção com um sorriso. – Esta noite iremos assistir…
Eiji nem se preocupou em ouvir o resto. Onde estava Linda? Eles seriam os terceiros a atuarem. E ele bem que já sentia calafrios só em pensar nisso. Tinha que estar com ela, caso contrário os nervos levariam a melhor em si.
Procurou-a com os olhos, mas não a via em lado nenhum. Não estaria ela já pronta? Linda não era como as outras raparigas, que podiam passar horas na casa de banho a prepararem-se sem darem pelo tempo passar.
Foi então que viu uma rapariga morena com o traje da escola. Estava de costas e tinha uma bela silhueta e cabelos levemente ondulados. Com a luz, Eiji não distinguiu a cor dos cabelos da rapariga. Calculou que fosse Cecília. Afinal, o cabelo de Linda era dominado por caracóis negros e rebeldes. Aproximou-se da moça, não notando na rigidez dela.
-Cecília? Sabes onde está a… - Eiji não acabou a frase, pois Linda virou-se antes que ele pudesse terminar.
Eiji quase que deu um salto quando interpretou, num milésimo de segundo, expressão com que Linda o olhara.
Não deveria ser para ele. Ela nunca lhe olharia daquela forma. Mas fosse para quem fosse, aquele olhar de morte assustou o loiro. Aquela parecia uma Linda completamente diferente. Os olhos azuis-escuros estavam quase negros, carregados de ódio e muito abertos, os lábios rosados severamente contraídos e expressões da imensa raiva que deveria dominar aquela rapariga.
Mas o olhar mortífero de Linda apenas durara um único segundo. Com um piscar de olhos, as feições dela descontraíram e os olhos voltaram a ficar azuis.
Apenas a palidez no seu rosto se mantivera. Eiji viu-a forçar um sorriso.
-Passa-se alguma coisa, Eiji? – Perguntou Linda, com uma voz calma e serena.
-Estás bem? – Perguntou o loiro, meio inseguro. Aquele tom de voz não o convencia.
Ela sorriu ainda mais. Eiji não pôde deixar de sentir um calafrio ao ver os olhos dela brilharem e os lábios traçarem um sorriso glacial e amarelo.
-É claro que estou.
Não mordera o lábio, mas vários meses de amizade eram o suficiente para que Eiji soubesse que Linda mentia.
Ela virou-se para a multidão e fitava agora Kenji, que respondia o olhar.
Ambos os irmãos pareciam comunicar-se por telepatia, pois as expressões pareciam inalteradas e eles prolongaram os olhares durante todo o discurso do apresentador. Quando este chamou o primeiro par, Linda desviou os olhos do irmão para o chão:
-Gomen Nasai. – Sussurrou, de modo a que apenas Eiji a ouvisse.
-Porque pedes desculpa?
Ela voltou a olhá-lo nos olhos. O iceberg desaparecera.
-Sabes muito bem porquê. – Respondeu cautelosamente, como se receasse a resposta de Eiji.
-Sinceramente não sei. – Eiji agarrou a mão dela, apertando-a na sua. – Mas sabes que me podes contar o quer que seja.
E fora tudo o que ele pudera dizer, antes de serem interrompidos por François e Cecília, acompanhados por Amadeus. Este dera umas dicas a Eiji e a Linda, que evitavam olhar um para o outro, antes de os mandar calçar o sal.
Era um processo simples que todos os dançarinos realizavam antes de uma prova de modo a favorecer o atrito entre o solo do salão e a sola dos sapatos dos dançarinos, permitindo que eles deslizassem com menor risco de escorregadelas.
O tempo agora reduzia-se a atuações. Mas Eiji já não estava nervoso. Ao seu lado, Linda começava a relaxar. Os olhos dela percorriam o salão, as bancadas onde Eiji encontrou o irmão e um outro ponto por detrás do Júri, onde se sentava a Directora.
Não notou no homem sentado ao lado dela, que usava óculos escuros mas que facilmente se entendia para onde este olhava. E nem tampouco notou que o olhar do homem misterioso permaneceu fincado em Linda o tempo todo.
**
Natsumara Edward não sabia o que pensar. Aceitara o convite da sua antiga Sensei para descontrair dos seus muitos problemas familiares. Como poderia ele adivinhar que, naquele mesmo pavilhão, encontraria toda a origem dos seus problemas. O seu filho teimoso e a sua filha mais nova.
Apenas conseguia ter um pequeno vislumbre dela, mas era o suficiente para reconhecer a causa da ruína do seu casamento, a causa da sua discussão com o filho mais velho, a causa da perda de alguma sanidade da sua parte e até mesmo por parte da mulher. A causa da queda de duas vidas, que empurraram outras duas. E que poderia empurrar outras mais…
Era tão fácil pôr as culpas naquela rapariga tão baixa em comparação a si. Era tão fácil ignorar o rapaz sentado nas bancadas do outro lado. Era fácil ignorar aqueles dois, com quem partilhava a carne e o sangue. Afinal, já tinha anos de experiencia no currículo.
Mas que aperto era aquele que ele sentia?
Não conseguiu desviar os olhos dela. Nem quando a viu falar com outro rapaz, nem quando ela se fora preparar para dançar.
Inacreditável, pensou para os seus botões. Ela iria dançar em frente a uma multidão. Ela que sempre fora tão tímida em comparação ao resto da família. Ainda se lembrava de quando a ensinara a dançar. Os seus sogros haviam-lhe incutido o respeito à autoridade e ele, na altura, não soube o que pensar do receio que a sua própria filha mostrava a ele. Daquela timidez que a impedia de falar livremente e que a limitava a observar os outros, esperando pelo momento certo. Nem ele nem Small Lady eram tímidos. Sempre foram tão abertos um com o outro. Alias, se eles fossem tímidos, nunca se teriam conhecido e casado. Ele nunca se apaixonaria pelo sentido de humor dela e pelas suas birras, nem ela pela sua ‘grande lata’. Edward sabia que Kenji também era extrovertido. Mas Linda não… ela era diferente. Timidez à parte, ela herdara isso dele.
-Agora vai actuar um par da minha escola – Murmurara a Directora ao ouvido de Edward. Este estava vestido de roupas casuais, o impediam de ser reconhecido. Afinal, ele não viera ali para chamar as atenções. Viera para ver o torneio.
No fundo ele tinha que admitir que esperava encontrar Linda naquele torneio. Sabia que ela tinha um dom para dançar, tal como ele.
Viu dois alunos dirigirem-se para a pista, as mãos interligadas. Reconheceu Linda e o rapaz com quem ela falara há pouco. Viu que, do outro lado do pavilhão, Kenji fitava-o com um olhar de morte sobreposto por preocupação.
À volta do filho havia um pequeno grupo de pessoas que pareciam torcer por Linda ou pelo rapaz, pois batiam palmas e soltavam assobios.
Notou então na loira, que olhava tanto para Kenji, como para ele e para outra pessoa, sentada ao seu lado. Não que a loira lhe fosse familiar, pois estava muito longe e já daí Edward não a reconhecera. Mas reconheceu a mulher que a rapariga mirava. Os seus olhos aumentaram de tamanho por detrás dos óculos escuros.
Misaki. Que faria ela ali?
-Como se chamam? – Perguntou, por acaso. Aquilo era muito estranho. Parecia que também o par de Linda lhe era familiar.
- Tsukino Linda… - Porque não estou surpreendido, pensou Edward soltando um pequeno sorriso. – … e Yamamoto Eiji.
O último nome fê-lo vacilar.
Yamamoto
-Ele não é o filho da… - Mas a sua pergunta perdeu-se com o inicio da música.
**
É a filha da Usagi! Pensou Misaki mal vira a rapariga entrar em pista, junto a um rapaz loiro de olhos castanhos que já conhecia há muito tempo.
Cecília deixara a mãe com Mari e Aiko, para correr em direcção aos balneários, tentando encontrar o seu parceiro e os outros dois colegas. Misaki sentara-se no lado esquerdo de Mari, tentando ignorar um par de olhos nas suas costas.
Falava alegremente com Mari, mas esta não parecia muito confortável.
Ninguém adivinhava que o desconforto de Mari era sentido por todos. Todos escondem alguma coisa, um pequeno segredo que marca uma vida. Por vezes, esse segredo definia a pessoa em questão. Daí que no momento em que Linda e Eiji entraram na pista de mão dada, todos aqueles que bateram palmas para o par com mais entusiasmo sentiram um estranho ambiente no pavilhão. Uma forte tensão besuntava o ar e vários olhares foram trocados entre os jovens e os adultos.
-Konnichiwa Misaki, que faz aqui? – Ouviu alguém cumprimentá-la atrás de si. Misaki tornou-se e viu Setsu. Exibiu um largo sorriso, fazendo uma vénia com a cabeça após o jovem fazer o mesmo.
-Setsu, que bom ver-te. Já fazem uns meses. – Disse animadamente. - Vim ver a minha filha, a Cecília, e tu? Vieste ver o teu irmão?
-Sim, ele vai dançar agora. – Disse Setsu, apontando para a pessoa em questão, que se posicionava na pista de dança.
Setsu disse mais alguma coisa, mas Misaki não o escutou. Os seus olhos paralisaram em Kenji por uns momentos, até que conseguiu arranjar coragem para o desviar, mirando o salão. Sentia o olhar do mais novo em si, provavelmente um pouco surpreso por encontrar uma amiga próxima da mãe no pavilhão.
O ambiente começou a pesar ainda mais. Muitas perguntas faziam-se na cabeça de muitos, mas respostas não vinham a todos.
A música começou, assim como a prova de Eiji e Linda.
Espero por ti em cada segundo , porque tu és o meu mundo!

Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
Visitem a minha 1ª Fic ----->The Four elements

Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
Visitem a minha 1ª Fic ----->The Four elements
Editado pela última vez em
**
Os dois primeiros pares apostaram nas danças de salão tradicionais. O primeiro par, da escola de Juuban, dançara cha-cha-cha sem erros, se bem que não fora uma actuação brilhante, na opinião de Linda. O segundo dançara tango.
De acordo com as regras, qualquer tipo de dança era bem-vindo, principalmente um novo estilo que agora denominava, que unia vários estilos de dança num só. Dança Moderna, chamam uns, enquanto os outros ignoram o seu nome. Linda partilhava a mesma opinião. Não achava importante o nome da dança, apenas os seus movimentos. Sabia dançar quase todo o tipo de dança no mundo e sentia-se orgulhosa desse feito, se bem que nunca o demonstrara a ninguém.
A dança acalmava-a não só dos desastres diários como também das suas insónias. Infelizmente, nem o simples pensamento de que iria dançar em frente a uma dúzia de escolas conseguiu acalmá-la. Pior, colocou-a num pior estado de ansiedade.
E isso, bem como a ira que sentia, poderia estragar a sua actuação. Estragaria a conexão que tinha com Eiji, fazendo-a dançar uma coreografia fria e monótona, como se ela fosse um mero robô. Não, gritou para si própria mentalmente. Edward não lhe estragaria a actuação. Já lhe tinha arruinado muita coisa ao longo da sua vida, mas a dança não. E muito menos a sua relação com Eiji.
Linda evitava olhar nos olhos do parceiro. Estava tão cega de raiva que quase descarregara as tensões negativas em cima do amigo. E Linda nunca se perdoaria se tal tivesse acontecido.
Desde que descobrira que o pai tinha renegado o irmão, deixara de sentir qualquer compaixão pelos pais. Ou pelo menos de pensar neles como parentes de todo. Linda ficara sempre do lado de Kenji em qualquer discussão com os pais, mas parte dela sempre esperara o melhor de cada conversa. No fundo, esperava que eles pedissem desculpas e que tudo ficasse bem. Pelo menos quando era uma menina que cariciava de atenção dos pais.
Agora o passado já lá fora e Linda gostava de pensar que aquele mundo podia ser chamado seu. E o outro onde ela vivera toda a sua infância uma simples miragem.
Infelizmente, o destino decidiu dar-lhe um pontapé nas canelas. Linda nunca imaginaria que sentiria tanta raiva ao ver o pai no mesmo espaço que ela e Kenji. Não imaginava que estava longe de deixar de se importar.
Eiji agarrou a mão dela e, juntos, avançaram para o centro da pista. Um leve momento de silêncio foi tudo o que Linda teve para organizar os seus pensamentos e focar-se apenas na coreografia que iria realizar.
A música iniciou. Tal como na aula de Educação Física, era uma música calma que, por volta dos vinte segundos, acelerava o ritmo.
Ela rodou, sentiu os pés a enrolarem-se para a frente e para trás, sob o risco de tropeçar. Fez os movimentos muito rápidos e precisos, sem uma única falha. Tentou mostrar graciosidade nos seus movimentos. Rodou uma outra vez, com a ajuda do parceiro. Satisfeita, olhou para o colega e foi então que notou em algo para seu choque. Eiji parecia um pouco perdido naqueles movimentos. Teria ela exagerado? Ele não se enganara nos passos, mas dava para ver que tempo não faltava para que tal acontecesse.
Virou-se de costas para ele e deixou o seu corpo roçar contra o dele, dando assim uma pequena desculpa para a perda do ritmo, de modo a que ele a acompanhasse. Ele sorriu para ela, agradecido. Ele tinha as mãos nas ancas dela e o rosto parecia pousar no pescoço dela, a fim de lhe dar um leve beijo. Pelo menos fora a impressão que toda a gente no pavilhão tivera. Cabeças moveram-se e os olhos de ambos cruzaram-se. Azul e castanho emitiam um brilho estranho que não escapara a nenhum deles.
Agora os corpos deles não se separavam. Sempre que eram obrigados a seguir a coreografia e a separarem-se para cada um para o seu lado, sentiam uma febre insuportável e tinham que voltar a estar juntos. Linda deixou que Eiji percorresse o tronco dela com as mãos, até chegar às mãos dela, pousadas junto às ancas e a levasse a uma pequena valsa apaixonada.
Os rostos de ambos estavam agora muito próximos e a tentação começou a ser difícil de aguentar.
Nenhum deles notou que estavam muito bem sincronizados com a música e que já não seguiam a coreografia dada pelo Sensei Amadeus. Agora era uma coreografia mais complexa e com muito mais paixão que Linda não sabia de onde vinha, tanto que um membro do Júri teve que fazer um leque com uma folha de papel com tanto calor que aqueles jovens transpiravam naquela dança.
A música parou. Eiji e Linda recuperaram o fôlego, sem nunca tirarem os olhos um do outro.
Ouviram-se palmas. Os dois jovens deram uma longa expiração, aliviados.
A primeira parte estava terminada. Ambos sentiam-se extremamente satisfeitos com a sua apresentação.
Mas havia algo mais que Linda não podia negar. Naquele momento que os rostos estiveram tão próximos, ela esqueceu-se onde estava e tudo o que queria era encostar os seus lábios aos dele. E podia jurar a pés juntos que ele queria o mesmo.
Mal esconderam-se nas sombras, Linda e Eiji foram logo interceptados por Amadeus, que discutira furiosamente pelo facto de eles não terem seguido a coreografia imposta. Mas eles não se importaram com o sermão, que quase nem chegava a sermão, pois o Sensei estava deveras satisfeito com a participação de ambos. Linda só conseguia escutar as palpitadas rápidas do seu coração e sentir o cheiro a suor que emanava dela e de Eiji.
Quando o Sensei se afastou, eles voltaram a estar sozinhos. Pelo menos, sem ter ninguém no raio de cinco metros.
Linda sabia que ainda tinha estampado no rosto um sorriso idiota. Felizmente, também Eiji sorria.
Alguém os interrompeu. E não puderam dizer mais nada um ao outro.
**
Se Kenji achava que já tinha visto de tudo, então ainda não tinha visto a irmã a dançar com Eiji. Achava que os dois seriam bons dançarinos e fariam uma boa prestação. Mas aquilo fora demais. Fora perfeito. Ambos mostraram os dotes de dançarinos profissionais que possuíam e ainda tornaram aquela dança verdadeira e única.
Kenji sabia que Eiji gostava de Linda, sentimento que ele não sabia se era correspondido. Pela forma como o companheiro falava com Linda, parecia que ele gostava mais dela do que ela gostava dele. No entanto, mais recentemente, ele pôde notar em alterações no comportamento da irmã, mas achara que era apenas uma grande amizade a desabrochar. Afinal, era um sentimento mais forte.
Não sabia como se sentia acerca desse assunto. O facto de um rapaz gostar da irmã deveria preocupá-lo, considerando o desastre que ocorrera da última vez com Setsu, mas não queria intrometer-se na vida dela. Protegê-la, mas ao longe.
Os seus olhos encontraram Mari. Esta passava a mão pelos seus cabelos apanhados num totó. O quanto enervava-o ver raparigas de cabelos apanhados e com roupas parecidas com as dos rapazes. Parecia que se queriam esconder.
E isso deu a Kenji que pensar.
Foi o único a notar que Mari se levantara, com um ar tonto e adoentada, de quem parecia que ia desmaiar. Não deu por si a correr para junto dela, amparando-a nos seus braços.
**
Mari sentia-se mal. Doía-lhe a barriga, doía-lhe a cabeça e sentia a visão turva. Tentou levantar-se, mas perdeu o equilíbrio. Sentiu o seu corpo a cair para o lado esquerdo, ate que uns braços fortes a agarraram. O som da respiração dele já lhe parecia natural e único como uma impressão digital.
Kenji.
Era a segunda vez que ele impedia Mari de dar uma grande queda. Parecia que ele estava sempre lá para a salvar.
-Mari, querida! Estás bem? – Ouviu a voz da avó junto de si, pegando-lhe no braço. – Obrigada Kenji por a apanhares. Podes sentá-la aqui?
-Não, não! – Protestou a loira, tentando afastar-se de Kenji, que a elevou do chão. – Eu estou bem.
Kenji tornou-a para si, examinando-a. Mari sentiu uma sensação esquisita no estomago, como o olhar azul dele estivesse carregado de algum tipo de radiação.
-Não me parece. – Disse Aiko, pegando em qualquer coisa que tinha na mala. Tirou um pequeno embrulho com bolachas e um sumo. – Toma, estás pálida.
-Estou bem avó! Apenas sinto-me um pouco tonta. – Respondeu a loira, tentando libertar-se de Kenji. Contudo, não recusou o lanche.
-Eu levo-te lá fora se quiseres. Tens mesmo cara de quem precisa de apanhar ar. – Ouviu Kenji oferecer-se, o tom de voz um pouco apressado. -Setsu vens connosco?
-Ok, ao que parece a filha da Misaki ainda vai demorar, por isso… que tenho a perder...
Mari semicerrou os olhos, lembrando-se da mãe da amiga. Ao seu lado, o lugar outrora ocupado por Misaki estava vazio. Mari não se deixou preocupar muito com isso. Todavia, o olhar nervoso de Kenji a inquietou. Porque é que ele ficaria tão incomodado com o súbito desaparecimento de Misaki?
**
Linda agarrou a mão de Eiji instintivamente. Uma voz dentro de si exclamava que aquela era a hora. De todas as pessoas, não esperava ver aquela pessoa ali no pavilhão, tão perto dela. Primeiro o pai, agora ela? Deveria esperar a mãe também? O desmascaramento total?
A ideia parecia plausível assim que Misaki sorriu para os dois jovens, Eiji cumprimentando-a como uma velha amiga. Misaki tornou-se para ela.
Era agora…
Os dois primeiros pares apostaram nas danças de salão tradicionais. O primeiro par, da escola de Juuban, dançara cha-cha-cha sem erros, se bem que não fora uma actuação brilhante, na opinião de Linda. O segundo dançara tango.
De acordo com as regras, qualquer tipo de dança era bem-vindo, principalmente um novo estilo que agora denominava, que unia vários estilos de dança num só. Dança Moderna, chamam uns, enquanto os outros ignoram o seu nome. Linda partilhava a mesma opinião. Não achava importante o nome da dança, apenas os seus movimentos. Sabia dançar quase todo o tipo de dança no mundo e sentia-se orgulhosa desse feito, se bem que nunca o demonstrara a ninguém.
A dança acalmava-a não só dos desastres diários como também das suas insónias. Infelizmente, nem o simples pensamento de que iria dançar em frente a uma dúzia de escolas conseguiu acalmá-la. Pior, colocou-a num pior estado de ansiedade.
E isso, bem como a ira que sentia, poderia estragar a sua actuação. Estragaria a conexão que tinha com Eiji, fazendo-a dançar uma coreografia fria e monótona, como se ela fosse um mero robô. Não, gritou para si própria mentalmente. Edward não lhe estragaria a actuação. Já lhe tinha arruinado muita coisa ao longo da sua vida, mas a dança não. E muito menos a sua relação com Eiji.
Linda evitava olhar nos olhos do parceiro. Estava tão cega de raiva que quase descarregara as tensões negativas em cima do amigo. E Linda nunca se perdoaria se tal tivesse acontecido.
Desde que descobrira que o pai tinha renegado o irmão, deixara de sentir qualquer compaixão pelos pais. Ou pelo menos de pensar neles como parentes de todo. Linda ficara sempre do lado de Kenji em qualquer discussão com os pais, mas parte dela sempre esperara o melhor de cada conversa. No fundo, esperava que eles pedissem desculpas e que tudo ficasse bem. Pelo menos quando era uma menina que cariciava de atenção dos pais.
Agora o passado já lá fora e Linda gostava de pensar que aquele mundo podia ser chamado seu. E o outro onde ela vivera toda a sua infância uma simples miragem.
Infelizmente, o destino decidiu dar-lhe um pontapé nas canelas. Linda nunca imaginaria que sentiria tanta raiva ao ver o pai no mesmo espaço que ela e Kenji. Não imaginava que estava longe de deixar de se importar.
Eiji agarrou a mão dela e, juntos, avançaram para o centro da pista. Um leve momento de silêncio foi tudo o que Linda teve para organizar os seus pensamentos e focar-se apenas na coreografia que iria realizar.
A música iniciou. Tal como na aula de Educação Física, era uma música calma que, por volta dos vinte segundos, acelerava o ritmo.
Ela rodou, sentiu os pés a enrolarem-se para a frente e para trás, sob o risco de tropeçar. Fez os movimentos muito rápidos e precisos, sem uma única falha. Tentou mostrar graciosidade nos seus movimentos. Rodou uma outra vez, com a ajuda do parceiro. Satisfeita, olhou para o colega e foi então que notou em algo para seu choque. Eiji parecia um pouco perdido naqueles movimentos. Teria ela exagerado? Ele não se enganara nos passos, mas dava para ver que tempo não faltava para que tal acontecesse.
Virou-se de costas para ele e deixou o seu corpo roçar contra o dele, dando assim uma pequena desculpa para a perda do ritmo, de modo a que ele a acompanhasse. Ele sorriu para ela, agradecido. Ele tinha as mãos nas ancas dela e o rosto parecia pousar no pescoço dela, a fim de lhe dar um leve beijo. Pelo menos fora a impressão que toda a gente no pavilhão tivera. Cabeças moveram-se e os olhos de ambos cruzaram-se. Azul e castanho emitiam um brilho estranho que não escapara a nenhum deles.
Agora os corpos deles não se separavam. Sempre que eram obrigados a seguir a coreografia e a separarem-se para cada um para o seu lado, sentiam uma febre insuportável e tinham que voltar a estar juntos. Linda deixou que Eiji percorresse o tronco dela com as mãos, até chegar às mãos dela, pousadas junto às ancas e a levasse a uma pequena valsa apaixonada.
Os rostos de ambos estavam agora muito próximos e a tentação começou a ser difícil de aguentar.
Nenhum deles notou que estavam muito bem sincronizados com a música e que já não seguiam a coreografia dada pelo Sensei Amadeus. Agora era uma coreografia mais complexa e com muito mais paixão que Linda não sabia de onde vinha, tanto que um membro do Júri teve que fazer um leque com uma folha de papel com tanto calor que aqueles jovens transpiravam naquela dança.
A música parou. Eiji e Linda recuperaram o fôlego, sem nunca tirarem os olhos um do outro.
Ouviram-se palmas. Os dois jovens deram uma longa expiração, aliviados.
A primeira parte estava terminada. Ambos sentiam-se extremamente satisfeitos com a sua apresentação.
Mas havia algo mais que Linda não podia negar. Naquele momento que os rostos estiveram tão próximos, ela esqueceu-se onde estava e tudo o que queria era encostar os seus lábios aos dele. E podia jurar a pés juntos que ele queria o mesmo.
Mal esconderam-se nas sombras, Linda e Eiji foram logo interceptados por Amadeus, que discutira furiosamente pelo facto de eles não terem seguido a coreografia imposta. Mas eles não se importaram com o sermão, que quase nem chegava a sermão, pois o Sensei estava deveras satisfeito com a participação de ambos. Linda só conseguia escutar as palpitadas rápidas do seu coração e sentir o cheiro a suor que emanava dela e de Eiji.
Quando o Sensei se afastou, eles voltaram a estar sozinhos. Pelo menos, sem ter ninguém no raio de cinco metros.
Linda sabia que ainda tinha estampado no rosto um sorriso idiota. Felizmente, também Eiji sorria.
Alguém os interrompeu. E não puderam dizer mais nada um ao outro.
**
Se Kenji achava que já tinha visto de tudo, então ainda não tinha visto a irmã a dançar com Eiji. Achava que os dois seriam bons dançarinos e fariam uma boa prestação. Mas aquilo fora demais. Fora perfeito. Ambos mostraram os dotes de dançarinos profissionais que possuíam e ainda tornaram aquela dança verdadeira e única.
Kenji sabia que Eiji gostava de Linda, sentimento que ele não sabia se era correspondido. Pela forma como o companheiro falava com Linda, parecia que ele gostava mais dela do que ela gostava dele. No entanto, mais recentemente, ele pôde notar em alterações no comportamento da irmã, mas achara que era apenas uma grande amizade a desabrochar. Afinal, era um sentimento mais forte.
Não sabia como se sentia acerca desse assunto. O facto de um rapaz gostar da irmã deveria preocupá-lo, considerando o desastre que ocorrera da última vez com Setsu, mas não queria intrometer-se na vida dela. Protegê-la, mas ao longe.
Os seus olhos encontraram Mari. Esta passava a mão pelos seus cabelos apanhados num totó. O quanto enervava-o ver raparigas de cabelos apanhados e com roupas parecidas com as dos rapazes. Parecia que se queriam esconder.
E isso deu a Kenji que pensar.
Foi o único a notar que Mari se levantara, com um ar tonto e adoentada, de quem parecia que ia desmaiar. Não deu por si a correr para junto dela, amparando-a nos seus braços.
**
Mari sentia-se mal. Doía-lhe a barriga, doía-lhe a cabeça e sentia a visão turva. Tentou levantar-se, mas perdeu o equilíbrio. Sentiu o seu corpo a cair para o lado esquerdo, ate que uns braços fortes a agarraram. O som da respiração dele já lhe parecia natural e único como uma impressão digital.
Kenji.
Era a segunda vez que ele impedia Mari de dar uma grande queda. Parecia que ele estava sempre lá para a salvar.
-Mari, querida! Estás bem? – Ouviu a voz da avó junto de si, pegando-lhe no braço. – Obrigada Kenji por a apanhares. Podes sentá-la aqui?
-Não, não! – Protestou a loira, tentando afastar-se de Kenji, que a elevou do chão. – Eu estou bem.
Kenji tornou-a para si, examinando-a. Mari sentiu uma sensação esquisita no estomago, como o olhar azul dele estivesse carregado de algum tipo de radiação.
-Não me parece. – Disse Aiko, pegando em qualquer coisa que tinha na mala. Tirou um pequeno embrulho com bolachas e um sumo. – Toma, estás pálida.
-Estou bem avó! Apenas sinto-me um pouco tonta. – Respondeu a loira, tentando libertar-se de Kenji. Contudo, não recusou o lanche.
-Eu levo-te lá fora se quiseres. Tens mesmo cara de quem precisa de apanhar ar. – Ouviu Kenji oferecer-se, o tom de voz um pouco apressado. -Setsu vens connosco?
-Ok, ao que parece a filha da Misaki ainda vai demorar, por isso… que tenho a perder...
Mari semicerrou os olhos, lembrando-se da mãe da amiga. Ao seu lado, o lugar outrora ocupado por Misaki estava vazio. Mari não se deixou preocupar muito com isso. Todavia, o olhar nervoso de Kenji a inquietou. Porque é que ele ficaria tão incomodado com o súbito desaparecimento de Misaki?
**
Linda agarrou a mão de Eiji instintivamente. Uma voz dentro de si exclamava que aquela era a hora. De todas as pessoas, não esperava ver aquela pessoa ali no pavilhão, tão perto dela. Primeiro o pai, agora ela? Deveria esperar a mãe também? O desmascaramento total?
A ideia parecia plausível assim que Misaki sorriu para os dois jovens, Eiji cumprimentando-a como uma velha amiga. Misaki tornou-se para ela.
Era agora…
Espero por ti em cada segundo , porque tu és o meu mundo!

Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
Visitem a minha 1ª Fic ----->The Four elements

Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
Visitem a minha 1ª Fic ----->The Four elements
Editado pela última vez em
OMG! OMG!! OMG!!! Até tropeçei para ligar a luz! (sim, eu leio coma luz apagada!
) Ok, este capitulo foi uma dádiva dos ceus! andava desesperada por ler qualquer coisa decente, principalmente agora que acabei os exames (weee!
), mas sinceramente nao encontrava nada... Até Agora!
OMG! (outra vez) Este capitulo foi dos melhores sem duvida!Fiquei mesmo vidrada!
Vou por partes:
1º - Gostei muito daquele momento filosofico com que começa o capitulo! As duvidas da Linda fazem sentido, e realmente é verdade (Só agora é que me apercebi), a Linda nunca desmonstrou qualquer sonho! Gostei de saber que a dança já é um começo, senao o maior desejo que ela tem!
2º - concurso + competiçao = Nervosismo! Eu fiquei nervosa! Pelo menos em alguns momentos! Toda aquela agitaçao em torno do cabelo, a multidao a assistir, o amigos ansiosos...! Hum, e depois ainda deixas o pessoal com a pulga atras da orelha por causa dos expectadores invulgares! Nem brinques, quando a Cecilia disse que a Mae podia assistir até fiquei com medo! Eu sei lá o que é que a mulher podia fazer! Mas tu ainda conseguiste dar-me mais medo! Edward?! Edward no concurso?! Oh Santa! Eu imaginei logo um escandalo e uma discussao entre ele e a linda a altos berros em frente a toda a gente, mas depois reflecti, e vá, sao da realeza, devem ser discretos!
3º - OH MY GOD!!! A dança do Eiji e da Linda! Caí da cadeira! Nem acredito! Toda aquela furia afinal resultou em algo bom!
Ela está in love! que lindo!
Nao era mau eles beijarem-se! eu deixo! Eu até incentivo! Eu sou viciada em Romance, sim? Nao me faças sofrer!
Kekeke Ah e o Kenji e a Mari tambem tem de se envolver! Obrigatoriamente!
Por fim, o que é que vai acontecer?! mal posso esperar! o.o
Quanto ás mudanças a nivel escrito e da Historia, sabes que para mim a tua escrita já era interessante, mas assim tambem nao está mal!
Quanto ao tu odiares a Linda, eu sinceramente gosto dela, é calma e sabe o que faz! Isso nao é mau! Fazem falta pessoas dessas por aí! (Olha eu dar-te graxa!
) Na minha opiniao, as personagens que criamos têm sempre algo de nós! Cada um delas tem uma semelhança connosco, quer seja um traço fisico, psicologico, ou até mesmo uma necessidade de encontrar alguem com determinadas caracteristicas (Tipo o Eiji, talvez!)
Claro que podes mudar algumas coisas na Linda, mas ela vai ser sempre ela com novas virtudes/defeitos! Agora, muda apenas o que precisas, nao aquilo que queres porque nao gostas!
Bom, acabei por hoje!
Gostei muito do capitulo, blé, blé, blé, quero mais!
bjokas
PS: Eu devia ter atenção aos acentos nos comentários, mas nao me apetece!
Sorry! 
) Ok, este capitulo foi uma dádiva dos ceus! andava desesperada por ler qualquer coisa decente, principalmente agora que acabei os exames (weee!
), mas sinceramente nao encontrava nada... Até Agora!OMG! (outra vez) Este capitulo foi dos melhores sem duvida!Fiquei mesmo vidrada!
Vou por partes:
1º - Gostei muito daquele momento filosofico com que começa o capitulo! As duvidas da Linda fazem sentido, e realmente é verdade (Só agora é que me apercebi), a Linda nunca desmonstrou qualquer sonho! Gostei de saber que a dança já é um começo, senao o maior desejo que ela tem!
2º - concurso + competiçao = Nervosismo! Eu fiquei nervosa! Pelo menos em alguns momentos! Toda aquela agitaçao em torno do cabelo, a multidao a assistir, o amigos ansiosos...! Hum, e depois ainda deixas o pessoal com a pulga atras da orelha por causa dos expectadores invulgares! Nem brinques, quando a Cecilia disse que a Mae podia assistir até fiquei com medo! Eu sei lá o que é que a mulher podia fazer! Mas tu ainda conseguiste dar-me mais medo! Edward?! Edward no concurso?! Oh Santa! Eu imaginei logo um escandalo e uma discussao entre ele e a linda a altos berros em frente a toda a gente, mas depois reflecti, e vá, sao da realeza, devem ser discretos!

3º - OH MY GOD!!! A dança do Eiji e da Linda! Caí da cadeira! Nem acredito! Toda aquela furia afinal resultou em algo bom!
Ela está in love! que lindo!
Nao era mau eles beijarem-se! eu deixo! Eu até incentivo! Eu sou viciada em Romance, sim? Nao me faças sofrer!
Kekeke Ah e o Kenji e a Mari tambem tem de se envolver! Obrigatoriamente!Por fim, o que é que vai acontecer?! mal posso esperar! o.o
Quanto ás mudanças a nivel escrito e da Historia, sabes que para mim a tua escrita já era interessante, mas assim tambem nao está mal!

Quanto ao tu odiares a Linda, eu sinceramente gosto dela, é calma e sabe o que faz! Isso nao é mau! Fazem falta pessoas dessas por aí! (Olha eu dar-te graxa!
) Na minha opiniao, as personagens que criamos têm sempre algo de nós! Cada um delas tem uma semelhança connosco, quer seja um traço fisico, psicologico, ou até mesmo uma necessidade de encontrar alguem com determinadas caracteristicas (Tipo o Eiji, talvez!)Claro que podes mudar algumas coisas na Linda, mas ela vai ser sempre ela com novas virtudes/defeitos! Agora, muda apenas o que precisas, nao aquilo que queres porque nao gostas!

Bom, acabei por hoje!
Gostei muito do capitulo, blé, blé, blé, quero mais!

bjokas
PS: Eu devia ter atenção aos acentos nos comentários, mas nao me apetece!
Sorry! 
as minhas fic's:
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
-Angelical
Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
-Angelical
Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^
Muito obrigado pelo comentário lulu
Adorei lê-lo, até porque foi um comentário em peras.
Sinceramente não sei quando sairá novo capítulo. Fiquei desiludida porque passaram-se duas semanas e apenas tu comentaste. Ás tantas paro de escrever, pois estou a ver que as minhas historia não interessam a ninguém. Enfim, estou muito desmotivada :/
Em relação ao comentário, nunca, JAMAIS poria a Linda aos berros com o pai à frente de todos. Fazia mais sentido pôr a Chibiusa e o Kenji, mas pai e filha não. Não faz parte da natureza deles
Não sei quanto tempo vai demorar até voltar a postar, mas até meados de julho está garantido um novo capítulo
P.S A relação Mari-Kenji é baseada numa musica sem querer. Digo sem querer porque já imagina a relação de um determinado modo e, de repente, conheço esta música que encaixa perfeitamente na relação dos dois.
https://www.youtube.com/watch?v=PglsdjKvYcY
Caso não tenhas entendido o porque, eu explico-te, mas acho que dá para entender porque esta música combina tão bem com o Kenji e a Mari. xDD
Adorei lê-lo, até porque foi um comentário em peras. Sinceramente não sei quando sairá novo capítulo. Fiquei desiludida porque passaram-se duas semanas e apenas tu comentaste. Ás tantas paro de escrever, pois estou a ver que as minhas historia não interessam a ninguém. Enfim, estou muito desmotivada :/
Em relação ao comentário, nunca, JAMAIS poria a Linda aos berros com o pai à frente de todos. Fazia mais sentido pôr a Chibiusa e o Kenji, mas pai e filha não. Não faz parte da natureza deles

Não sei quanto tempo vai demorar até voltar a postar, mas até meados de julho está garantido um novo capítulo

P.S A relação Mari-Kenji é baseada numa musica sem querer. Digo sem querer porque já imagina a relação de um determinado modo e, de repente, conheço esta música que encaixa perfeitamente na relação dos dois.
https://www.youtube.com/watch?v=PglsdjKvYcY
Caso não tenhas entendido o porque, eu explico-te, mas acho que dá para entender porque esta música combina tão bem com o Kenji e a Mari. xDD
Espero por ti em cada segundo , porque tu és o meu mundo!

Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
Visitem a minha 1ª Fic ----->The Four elements

Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
Visitem a minha 1ª Fic ----->The Four elements
Eu já gostava do casalinho Kenji e a Mary, mas depois deste video ainda gosto mais! Realmente é perfeitamente notavel a associaçao que fazes da musica á relaçao entre eles . Nao me digas que te inspiraste na Taylor Swift para criar a Mary? Por acaso ela é a unica personagem que nao consigo desenhar na minha cabeça por causa da personalidade! 
REalmente imaginei logo que a Linda e o pai nao tivessem perfil para uns berros, mas estou curiosa por saber o que tens em mente em relaçao ao reencontro deles!
Agora, por favor, nao deixes de escrever! ;_; Nem que seja só para mim!
Eu acho que esta historia é a melhor de SM que tem cá no forum, e seria um desperdicio nao a continuares! Estou farta de ler fic's sobre o que acontece depois da destruiçao do caos e blá blá bla! É muito mais interessante ver uma geraçao totalmente renovada, com novo enredo, mas que ainda assim mantem a essencia de Sailor moon! Acredita que lamento ser a unica a comentar neste momento, até porque vejo muitos comentarios feitos á toa por aí e isso deixa-me meio parva!
Por favor, nao desistas de escrever! Nem que seja só para ti (Ou para nós! o.o), é tao bom ler estas coisinhas! É da maneira que saimos um pouco da realidade e sonhamos! (espirito da Guardiã do Sonhos!
)
Se eu tivesse visto a actualizaçao mais cedo podes ter a certeza que ja tinha comentado! Este foi um dos melhores capitulos, só tens de continuar!
bjokas

REalmente imaginei logo que a Linda e o pai nao tivessem perfil para uns berros, mas estou curiosa por saber o que tens em mente em relaçao ao reencontro deles!
Agora, por favor, nao deixes de escrever! ;_; Nem que seja só para mim!
Eu acho que esta historia é a melhor de SM que tem cá no forum, e seria um desperdicio nao a continuares! Estou farta de ler fic's sobre o que acontece depois da destruiçao do caos e blá blá bla! É muito mais interessante ver uma geraçao totalmente renovada, com novo enredo, mas que ainda assim mantem a essencia de Sailor moon! Acredita que lamento ser a unica a comentar neste momento, até porque vejo muitos comentarios feitos á toa por aí e isso deixa-me meio parva!Por favor, nao desistas de escrever! Nem que seja só para ti (Ou para nós! o.o), é tao bom ler estas coisinhas! É da maneira que saimos um pouco da realidade e sonhamos! (espirito da Guardiã do Sonhos!
)Se eu tivesse visto a actualizaçao mais cedo podes ter a certeza que ja tinha comentado! Este foi um dos melhores capitulos, só tens de continuar!
bjokas
as minhas fic's:
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
-Angelical
Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
-Angelical
Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^
Obrigada lulu. Sabes mesmo como por um sorriso na minha cara x)
Não me baseei na Taylor para criar a Mari. Alias, a relação Kenji-Mari já estava bem pensada quando ouvi esta música. Apenas achei uma extrema coincidencia e, inspirada pela musica, decidi criar determinados momentos entre estes dois. A sério, já imaginava a Mari a jogar futebol com o Kenji para este depois largá-la para ir ter com a namorada e a coitadinha ficar sozinha com a bola na mão.
Digo já que as personalidades da Cecília e da Mari estão baseadas nas navegantes. Queria que a Mari fosse um pouco como a Urano, a Júpiter e a Venus (no sentido de lider e tal..) e a Cecília a mais calma em situações de risco, tal como a Neptuno, a Mercurio e a Marte. Mas tenho que admitir que a minha irmã tem um pouco a ver com a Mari, com a excepção que a minha maninha não é tão desconfiada e tem olhos azuis. Já o aspecto da Cecília baseei-me em várias colegas de turma.
O Setsu veio ao calhas (como ja sabes, ele nem era para aparecer muitas vezes
) e o Eiji... bem, é o tipo de rapaz que sonho.
engraçado como nós pedimos sempre o contrário de nós. Tenho uma amiga morena cujo 'homem de sonho' é loiro de olhos verdes. Eu, sendo morena de olhos azuis-esverdeados, contento-me com um loiro de olhos castanhos. É estranho.. xDD
Sendo assim, continuarei a escrever. Também eu gosto muito desta fanfic. Não sou muito boa com personagens canon (a outra fanfic é a prova disso
) e escrever algo pós-batalha e ainda por cima com a relação lamechas da Usagi e do Mamoru é uma daquelas ideias para esqueçer. Preferia uma Usagi mais racional. E daí nasceu a Linda.
Não me baseei na Taylor para criar a Mari. Alias, a relação Kenji-Mari já estava bem pensada quando ouvi esta música. Apenas achei uma extrema coincidencia e, inspirada pela musica, decidi criar determinados momentos entre estes dois. A sério, já imaginava a Mari a jogar futebol com o Kenji para este depois largá-la para ir ter com a namorada e a coitadinha ficar sozinha com a bola na mão.
Digo já que as personalidades da Cecília e da Mari estão baseadas nas navegantes. Queria que a Mari fosse um pouco como a Urano, a Júpiter e a Venus (no sentido de lider e tal..) e a Cecília a mais calma em situações de risco, tal como a Neptuno, a Mercurio e a Marte. Mas tenho que admitir que a minha irmã tem um pouco a ver com a Mari, com a excepção que a minha maninha não é tão desconfiada e tem olhos azuis. Já o aspecto da Cecília baseei-me em várias colegas de turma.
O Setsu veio ao calhas (como ja sabes, ele nem era para aparecer muitas vezes
) e o Eiji... bem, é o tipo de rapaz que sonho.engraçado como nós pedimos sempre o contrário de nós. Tenho uma amiga morena cujo 'homem de sonho' é loiro de olhos verdes. Eu, sendo morena de olhos azuis-esverdeados, contento-me com um loiro de olhos castanhos. É estranho.. xDD
Sendo assim, continuarei a escrever. Também eu gosto muito desta fanfic. Não sou muito boa com personagens canon (a outra fanfic é a prova disso
) e escrever algo pós-batalha e ainda por cima com a relação lamechas da Usagi e do Mamoru é uma daquelas ideias para esqueçer. Preferia uma Usagi mais racional. E daí nasceu a Linda.
Espero por ti em cada segundo , porque tu és o meu mundo!

Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
Visitem a minha 1ª Fic ----->The Four elements

Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
Visitem a minha 1ª Fic ----->The Four elements
Ia gostar de ver o kenji a deixar a Mari com a bola na mao! Já imagino a cena! lol
Por acaso sempre associei a Mari á Rita, por ser mais... coiso! Mas realmente a Urano, sobretudo, faz sentido. Nem me tinha lembrado dela, mas é verdade! A cecilia tambem associo á neptuno e á mercurio!
Olha que essa coisa dos gostos contrarios é bem verdade! O meu pai é loiro de olhos azuis e sempre me disse que os loiros preferiam as morenas e vice versa ( o caso da minha mae que é morena de olhos castanhos), e eu tenho uma certa tendencia a venerar loiros de olhos azuis (Darien e Gustavo, sao a prova disso!
)
Tambem já estou farta de Bunny/Gonçalo (em certos pontos). Quando começei a ler esta fic nao entendia quem era a Linda, porque já estava á espera de outra versao da bela vida dos reis de Cristal Tokio
' mas acho que foi o facto de ser diferente que mais me atraiu! acho que tambem nao consigo adoptar personagens já criadas. Ficam... estranhas!
É por isso que esta historia tem de continuar!
Por acaso sempre associei a Mari á Rita, por ser mais... coiso! Mas realmente a Urano, sobretudo, faz sentido. Nem me tinha lembrado dela, mas é verdade! A cecilia tambem associo á neptuno e á mercurio!
Olha que essa coisa dos gostos contrarios é bem verdade! O meu pai é loiro de olhos azuis e sempre me disse que os loiros preferiam as morenas e vice versa ( o caso da minha mae que é morena de olhos castanhos), e eu tenho uma certa tendencia a venerar loiros de olhos azuis (Darien e Gustavo, sao a prova disso!
)Tambem já estou farta de Bunny/Gonçalo (em certos pontos). Quando começei a ler esta fic nao entendia quem era a Linda, porque já estava á espera de outra versao da bela vida dos reis de Cristal Tokio
' mas acho que foi o facto de ser diferente que mais me atraiu! acho que tambem nao consigo adoptar personagens já criadas. Ficam... estranhas!É por isso que esta historia tem de continuar!

as minhas fic's:
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
-Angelical
Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
-Angelical
Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^
Eu sou uma desgraçada. Afinal tenho que dividir o capítulo em três. Tudo isso porque estava a escrever a segunda parte e, de repente, já vou em 14 páginas escritas em arial, tamanho 12. Ou seja, é muita coisa... (cerca de cinco/seis posts +/-)
EDIT: Afinal só chegam para três xDDD
E com isto posto mais um. Estou em andamento com a outra fanfic, apesar de estar um bocado 'empacada' em relação ao capítulo que tenho entre mãos.
Neste capítulo, não avancei muito. O mais importante ainda não aconteceu (ás tantas ainda vai haver uma quarta parte
), mas eu tinha que escrever determinadas cenas. No final do capítulo, haverão algumas notas, pois há coisas que tenho que acrescentar (mas não faz sentido, enquanto ainda não se leu o capítulo
)
----------------------------------------------------------------------------------------
(actualizado a 23/02/2013)
Capítulo 20. Os dançarinos | A Flor de Mercúrio parte 2
Linda sempre se perguntou quais eram os limites do cristal prateado sob a família real. Poderia ele impedir a família de envelhecer precocemente ou então adiar o envelhecimento em si? Poderia impedir a morte?
Ela não sabia. A avó nunca se dera ao trabalho de lhe contar. Tudo o que Linda sabia era que o cristal permitia que a avó, com mais de sessentas, aparentasse os quarentas, assim como o avô e as navegantes. Permitia que eles se mantivessem conservados perante o tempo.
Os seus pais também pareciam terem sido abençoados por esse poder. Edward, com os quarentas já assentes, ainda aparentava os trintas. Já Small Lady era outra história, que não interessava a Linda naquele momento.
Apenas lhe interessava saber se o cristal poderia de facto impedir que ela morresse jovem. Sim, porque Linda sentiu como se tivesse morrido e depois ressuscitado uma e outra vez. Podia jurar que o seu coração parara assim que Misaki se aproximara dela e de Eiji, com um meio sorriso nos lábios.
Podia jurar que os seus pulmões pararam de repente, sem hesitar, sem exigir oxigénio.
Em suma, Linda congelou. O seu corpo não se moveu um centímetro e até as suas pestanas permaneciam imóveis, espalhando o ar aterrorizado de Linda pelo seu rosto, agora pálido como um cadáver.
O seu corpo pedia uma inspiração. Os seus olhos pediam água. O seu coração pedia perda de ritmo. A sua mente pedia um buraco para se esconder, ou então um passaporte para Istambul.
Ali estava a mulher que lhe poderia arruinar tudo. Que iria deitar tudo aquilo que ela tentara alcançar por terra. Não era a rapariga mais popular e não tinha muitos amigos, mas era livre e não estava tão só quanto no palácio. Poderia Misaki mudar isso?
Esta ergueu o sobrolho, os olhos piscando entre Eiji e Linda. Linda olhou para o lado e viu que Eiji estava bastante pálido, ainda que tivesse cumprimentado Misaki com um sorriso.
-Omedetô! Dançaram muito bem vocês os dois. Estou a ver que a minha filha finalmente ganhou parceiros à altura. – Tornou-se para Linda e esta podia jurar que encolhera sete centímetros. – Especialmente tu, Linda.
-Conhecem-se? – Perguntou Eiji, curioso. Lançou um olhar de relance à companheira, que mordeu o lábio.
-Sim, já nos encontramos uma vez ou outra vez. – Respondeu Misaki, com um sorriso misterioso. Linda não gostava da situação em que se encontrava metida. Misaki tinha as cartas todas na mão e, ainda que não pensasse mal dela, sabia que ela era uma mãe e amiga da sua. De certeza que acreditava que ela, como menor, deveria estar junto dos pais. – Conheço os pais dela.
Misaki não dissera mais nada, mas também dissera tudo.
-Então a Kiara tinha razão. És filha de nobres. – Disse Eiji. Linda expirou de alívio. Ele não descobrira.
-Pode-se dizer que os meus pais são mais abastados do que nobres. – Linda esperava que Misaki entendesse o segundo significado da frase e que entendesse que as últimas pessoas que ela queria ouvir mencionadas eram os seus pais. – Mas sim, frequentam círculos semelhantes ao da…
Calou-se, não sabendo se tinha permissão para tratá-la pelo nome próprio ou pelo nome de casada. Sempre ficara confusa com os nomes de Misaki, pois ela casara duas vezes, era também tratada pelo nome de solteira e a filha tinha o nome do primeiro esposo.
-Misaki, Linda. Todos os amigos da Cecília me tratam assim, não é Eiji?
A mão de Eiji endureceu como pedra.
-Sim.
-Vi o teu irmão lá em cima, Linda. – Comentou Misaki calmamente, o olhar subitamente sério. – Espero que esteja bem.
Linda assentiu, não querendo dar mais detalhes. A mãe poderia não querer saber da existência de Kenji, mas Misaki contar-lhe-ia tudo o que sabia de qualquer maneira.
-E o teu parece que está a ganhar barriga. Podias dizer-lhe para ele começar a dançar como tu.
Eiji rasgou um largo sorriso.
-A Misaki não podia fazer-me o favor de esperar que eu arranje um gravador e que repita o que disse? O Setsu iria delirar!
Misaki soltou uma gargalhada.
-Não disse mais do que a verdade.
-A Misaki também conhece o Setsu? – Perguntou Linda, ainda um pouco desconfortável. A sua mão largara a de Eiji e tentava compor as peças da pequena conversa que ocorria. Não sabia porque Misaki estava ali, era difícil imaginar que viera apenas para dar-lhe os parabéns. Não quando Cecília ainda não atuara.
Quase que conseguia cheirar a tensão no ar e teve a sensação que Eiji escondia-lhe alguma coisa. Daí que a pergunta saíra tímida e baixa, como quem não queria ser uma autêntica hipócrita.
-Sim, eu conheço a mãe deles. Dá as melhores festas de todas, até a Rainha comparece nelas. – Misaki parecia estar a jogar um pequeno jogo com os dois jovens, largando pequenas pistas por terra. Naquele momento, acabara de revelar a Linda que a mãe de Eiji era uma outra amiga da mãe de Linda. Uma doida por festas. Só restava uma. Mas essa só tinha um filho, com quem não se dava muito.
Certo?
-És filho da Yvonne Tachibana? – As palavras saíram da boca de Linda antes que esta pudesse evitar. Engoliu em seco, olhando para Eiji com caução. Este sorriu, mas Linda podia ver o amarelo.
-Só de sangue. – Respondeu curtamente, os olhos isentes de brilho. E Linda lembrou-se então do dia em que se conheceram e de como Eiji dissera detestar a personalidade da mãe biológica. Ela sabia que ele dava-se bem com o pai, a madrasta e a irmã mas ele raramente falava da mãe. Nisso eles tinham algo em comum. – Como sabes dela?
Seguiu-se um silêncio de cortar à faca. Misaki partilhou o olhar entre Linda e Eiji, os contornos do rosto alternando para uma expressão preocupada.
-Vocês estão bem? – Perguntou, suavemente.
-Sim. – Respondeu Linda fracamente, mordendo o lábio inferior o mais ligeiramente possível. Eiji não pareceu ter notado, mas o seu tom de voz denunciara-a de qualquer maneira. – Está tudo bem. Ia apenas dizer que a minha mãe adora as festas da Yvonne Tachibana, é daí que a conheço.
Tinha que despachar conversa, tinha que sair dali. Felizmente, foi abençoada pela mais pura das sortes. Linda avistou Cecília ao fundo, tentando encontrar o seu olhar. Esta, assim que os viu, tratou logo de ir ter com eles.
-Mãe? Que estás aqui a fazer?
-A divagar… – cortou Misaki, fixando o par de dançarinos. Molhou os lábios secos, aproveitando a tensão no ar e soltando uma lufada de ar. – A divagar se eles sabem quem são.
Linda sentiu uma gota de suor escorrer pelo rosto. Mordeu os lábios repetidamente, sentindo a sua respiração acelerar. Sentia o olhar de Eiji inserido nela, tão forte e desconfiado como Linda esperaria depois do que Misaki dissera.
-Venha comigo, está quase na hora da minha vez. – Disse Cecília, agarrando o braço da mãe de uma forma pouco discreta.
-Sim vamos andando. Tudo de bom para vocês. – Disse Misaki com um sorriso misterioso, antes de virar costas aos dois jovens.
Linda esperava as várias perguntas de Eiji. Mas deu-se ao direito do silêncio. Contava que Eiji respeitasse a sua decisão de nunca falar dos pais pela mesma forma como ela sempre respeitara o desprezo de Eiji por Yvonne.
Pelas conversas que haviam tido, a madrasta de Eiji era a verdadeira mãe dele. Com quem conversava acerca de desporto, política e problemas de adolescente. Fora ela que lhe dera conselhos para lidar com uma paixoneta que Eiji tivera. Da mãe biológica pouco ou nada ouvira falar. Detestava-a e era tudo o que sabia. E Eiji sabia que Linda não queria falar dos pais. Mas a sua personalidade desconfiada por vezes metia-se no caminho. Linda esperava que este fosse o momento.
-Oh bailarino! – Os dois viraram os rostos em direcção da voz. Viram Setsu, junto de Mari e Kenji, ao longe, aproximando-se descontraidamente. – Então, já pensas que és famoso o suficiente para não falares aqui com o povo? Omedetô a vocês os dois!
Linda sorriu.
-Arigatô, Setsu! – Aceitou o curto abraço de Setsu, um sorriso cordial colado ao rosto, como sempre fora ensinada no palácio.
-Querem ir apanhar ar. A Mari está a precisar. – Perguntou Setsu, apontando para a loira. Esta mandou-lhe um olhar penetrante.
-Não é preciso, já lanchei e sinto-me melhor. – Protestou a loira, preparando-se para fugir, mas Setsu agarrou-a antes que o conseguisse.
-Não te atrevas. Não vais cair no chão outra vez!
Mari revirou os olhos, soltando-se bruscamente.
-Foi só uma tontura. E eu não cheguei a cair, o Kenji apanhou-me.
-Kenji ajuda aqui!
Kenji suspirou, um pouco incomodado.
-É melhor Mari. É para o teu bem. – A resposta de Mari foi um olhar furibundo. – Não sejas infantil.
-Não estou a ser infantil. Eles mais depressa precisam de ir apanhar ar do que eu. – Protestou a loira, apontando para Linda e Eiji. Só aí Linda notara que os dois haviam ficado calados e imoveis desde que Linda agradecera as felicitações de Setsu.
Tentativamente, Linda procurou o olhar do irmão, tentando chamá-lo à parte. Precisava de falar com ele sobre o pai, Misaki, tudo. Felizmente, anos de experiência permitiram que o seu irmão mais velho entendesse a mensagem rapidamente.
-Setsu leva-a lá para fora. A teimosia dela ainda a faz desmaiar. – Disse Kenji, ignorando o olhar de morte de Mari. Setsu fez um som esquisito com os lábios.
-Queres que a force? – Perguntou o moreno, indeciso.
-Vá lá, és um homem adulto e ela é uma trinca-espinhas! Não é uma tarefa difícil.
Fora a coisa errada de se dizer. Kenji não conseguiu antever a tempo um pontapé de Mari, que o atingiu em cheio na canela. Chorando de dor, baixou-se e segurou a zona ferida, praguejando para si e para a loira que lhe virava costas. Linda abafou uma gargalhada. Já Eiji e Setsu não se controlaram.
-Não tem graça! – Resmungou Kenji, massageando as canelas.
-Já devias saber que não devias sobrestimar a Mari. Ela é das que ladra e morde. – Contrapôs Linda, com um sorriso maroto.
-Já deu para ver. – Murmurou Kenji, sombriamente. Linda riu-se.
-É bem-feita!
-Grrr, onde está ela?!
-A trinca-espinhas? Já se foi. – Disse Eiji, apontando para a saída. – Aproveitou-se.
-Pois bem, se alguma coisa lhe acontecer eu não me responsabilizo.
-E nós? Ficamos aqui? – Perguntou Setsu. Eiji olhou para Linda por uns momentos, como se reflectisse se essa era a melhor ideia.
-Vamos lá para fora. – Disse, mas Linda estava convencida de que aquele brilho nos olhos dele iria retornar, pois Eiji era muito observador e tinha de certeza percebido que Linda queria falar com Kenji a sós. Logo após a conversa com Misaki.
Kenji continuou a soltar pragas de determinadas loiras com olhos verdes por uns segundos, até que Linda agarrou-o no ombro, obrigando-o a levantar-se.
-És mesmo um bebé! – Reclamou entre dentes. Sentou-se num banco próximo e esperou que Kenji fizesse o mesmo.
-Ela tem mais força do que eu imaginava. – Defendeu-se o jovem.
-Pudera. Eu sou mais magra do que ela e sempre consegui levar a melhor de ti!
Kenji fitou-a, o sobrolho erguido.
-Isso era por causa dos avós e das tias. – Disse, num tom seco. Em seguida, fez uns gestos excêntricos com as mãos e alterou a voz para que ficasse mais fina e estridente como a de uma rapariga histérica. – Aí de mim se eu magoasse a menina!
-E com razão. Sempre foste um bruto.
-E ainda assim aquela loira conseguiu dar-me um pontapé.
-Devias era levar um pontapé na boca, para ver se páras de dizer o que não deves.
Kenji não respondeu. E Linda não se deu ao trabalho de o provocar. Alimentou o silêncio breve, até que falou:
-Porque é que ele está aqui? – Perguntou serenamente, ainda que as suas estranhas pareciam estar a arder.
Kenji suspirou, o olhar perdido num ponto fixo no horizonte, onde um par dançava uma valsa animada.
-Não sei, mas ele sempre foi um fã de dança.
-Também nós e nunca viemos a estes torneios, como bem sabes. – Retorquiu Linda, lembrando-se da falta de liberdade que tinha. Uma ideia floresceu na sua mente. – Poderia ter vindo ter com alguém.
Kenji fitou-a.
-Quem? Nenhum dos seus amigos próximos é de cá. Além do mais, nada o traria a este sítio.
Linda não respondeu logo. Ela não gostava daquela ideia, mas parecia-lhe plausível. Ela descobrira o pai na multidão apenas por mero acaso, quando ele baixara os óculos escuros por uns segundos. Não fosse isso, achá-lo-ia um homem qualquer. Ele estava vestido muito casualmente e não parecia tão interessado no torneio quanto as pessoas no seu redor.
-Uma mulher.
Não se atreveu a olhar para Kenji para ver a reacção dele, mas não fora boa.
-Que estás a dizer? – Perguntou Kenji, estupefacto.
-Provavelmente tem uma amante. Um homem como ele facilmente arranja.
-Não digas disparates, Linda! – Grunhiu Kenji, estranhamente zangado.
Linda semicerrou os olhos. Parecia-lhe a ideia mais plausível. Não conseguia ver a mãe e o pai juntos como os seus avós. A ideia de um casal amoroso parecia-lhe ridícula. E a indiferença por parte do pai para com ela, tratando-a por vezes como um objectivo de uma lista de coisas a fazer numa tarde... A ideia da sua ilegitimidade sempre estivera presente na sua cabeça, mas nunca a dissera a ninguém. Tinha um certo medo da resposta.
-Vais me dizer que nunca pensaste nisso? Ou achas mesmo que aquelas esculturas de gelo se amam? Isso explicaria tudo, não achas? – Disse, tornando-se para o irmão.
Kenji parecia querer discordar de tudo aquilo que Linda dissera mas, como um advogado de defesa sem provas, calou-se.
-E não será que ele veio cá para te levar?
Linda empalideceu. Não pensara nessa hipótese. Poderia ele realmente fazer isso?
-Não, não pode. – Sussurrou, falando mais para si do que para Kenji. – A avó disse-me… eles não podem vir-me procurar. Não podem.
-Eles podem exercer poder paternal sobre ti.
-E eu farei um escândalo. De certeza que eles não querem isso.
-Sim, mas tu também não. – Contrapôs Kenji, calmamente. – O pai é esperto, ele saberia que estarias a fazer bluff.
-Então o que queres que faça? – Perguntou Linda, preocupada.
-Reza para que ele haja como o nosso pai de sempre.
Seguiu-se um silêncio pesado que nenhum dos irmãos se atreveu a quebrar, estando os dois perdidos nos seus próprios pensamentos. Linda sabia que a desonra do pai magoara Kenji. O que a espantava era a lealdade de Kenji para a honra do pai. A descrença de que os pais de ambos tinham vidas duplas, defeitos piores que serem maus pais.
Kenji tinha mil e uma coisas para pensar, a sua instável família sendo o tópico principal. Passou a mão pela canela. Já não doía. Deu por si a perguntar-se onde Mari estaria e se estava bem. É claro que está. Se não, não te daria um pontapé na canela com tanta força. - Disse uma vozinha sarcástica na sua cabeça. - Mas ela é teimosa. Pode sentir-se mal mais tarde. E desde quando te preocupas tanto com ela? - Perguntou a voz, num tom malicioso. - Desde que… desde que… - Se fosse possível corar em pensamento, então era isso que Kenji tinha acabado de fazer - Raios Kenji, pára de falar com a tua consciência! Eu não sou a tua consciência. Então és o quê?
-Kenji?
Este acordou dos seus pensamentos invulgares. Linda olhava para ele, um pouco confusa.
-Ah… - Foi tudo o que a sua mente inteligente conseguiu proferir.
-Estás bem? – Perguntou Linda, lentamente, como quem fala para alguém de comportamento instável. - De repente ficaste…. vermelho. Estavas a pensar numa rapariga?
-Ah? Que disparate! – Hum... a tua irmã é esperta. - Lá estava a voz de novo. - E supostamente não devias saber disso visto seres… bem, eu? Estou a ver que a inteligência da família foi toda para a tua irmã. Quando perceberes quem eu sou, avisa-me. Ah?
-Kenji? – Linda voltou a chamá-lo.
-Ah?
-Não consegues expandir mais o teu vocabulário? – perguntou Linda, com um sorriso divertido.
-Gomen, eu estava… - Kenji levou o punho à testa, tentando acordar. – Vou ter com os rapazes. Queres vir?
Linda pareceu pensar no assunto mas, um olhar em direcção das bancadas, onde Edward se encontrava, pareceu decidi-la.
-Não. Eu fico aqui a descansar. – Disse, a voz um pouco incerta. Kenji encolheu os ombros e afastou-se da irmã, saindo do pavilhão.
Linda tremeu um pouco. Não havia nenhuma corrente de ar. Deveria ficar preocupada? O seu instinto dizia que sim. Tinha a estranha sensação de que estava a ser observada.
Deitou um segundo olhar no pai. Edward conversava com a Directora da sua escola. Prendeu a respiração só de imaginar naquilo que poderiam estar a falar. A Directora falara bem do pai, mas falaria ele dela? Claro que não, pensou para si. Ele nunca mencionaria os filhos. Deveria estar a falar de vários tópicos em nada relacionados com ela ou Kenji.
Ainda assim, uma pequena parte da sua mente não descansou. Uma estranha sensação a percorria e Linda não gostava nada dela. Alguém a observava.
Mas quem?
-----------------------------------------------------------------------
Omedetô – Parabéns
Arigatô - Obrigada
Gomen - Desculpa
(algum erro no vocabulário japonês, avisem!)
EDIT: Afinal só chegam para três xDDD
E com isto posto mais um. Estou em andamento com a outra fanfic, apesar de estar um bocado 'empacada' em relação ao capítulo que tenho entre mãos.
Neste capítulo, não avancei muito. O mais importante ainda não aconteceu (ás tantas ainda vai haver uma quarta parte
), mas eu tinha que escrever determinadas cenas. No final do capítulo, haverão algumas notas, pois há coisas que tenho que acrescentar (mas não faz sentido, enquanto ainda não se leu o capítulo
)----------------------------------------------------------------------------------------
(actualizado a 23/02/2013)
Capítulo 20. Os dançarinos | A Flor de Mercúrio parte 2
Linda sempre se perguntou quais eram os limites do cristal prateado sob a família real. Poderia ele impedir a família de envelhecer precocemente ou então adiar o envelhecimento em si? Poderia impedir a morte?
Ela não sabia. A avó nunca se dera ao trabalho de lhe contar. Tudo o que Linda sabia era que o cristal permitia que a avó, com mais de sessentas, aparentasse os quarentas, assim como o avô e as navegantes. Permitia que eles se mantivessem conservados perante o tempo.
Os seus pais também pareciam terem sido abençoados por esse poder. Edward, com os quarentas já assentes, ainda aparentava os trintas. Já Small Lady era outra história, que não interessava a Linda naquele momento.
Apenas lhe interessava saber se o cristal poderia de facto impedir que ela morresse jovem. Sim, porque Linda sentiu como se tivesse morrido e depois ressuscitado uma e outra vez. Podia jurar que o seu coração parara assim que Misaki se aproximara dela e de Eiji, com um meio sorriso nos lábios.
Podia jurar que os seus pulmões pararam de repente, sem hesitar, sem exigir oxigénio.
Em suma, Linda congelou. O seu corpo não se moveu um centímetro e até as suas pestanas permaneciam imóveis, espalhando o ar aterrorizado de Linda pelo seu rosto, agora pálido como um cadáver.
O seu corpo pedia uma inspiração. Os seus olhos pediam água. O seu coração pedia perda de ritmo. A sua mente pedia um buraco para se esconder, ou então um passaporte para Istambul.
Ali estava a mulher que lhe poderia arruinar tudo. Que iria deitar tudo aquilo que ela tentara alcançar por terra. Não era a rapariga mais popular e não tinha muitos amigos, mas era livre e não estava tão só quanto no palácio. Poderia Misaki mudar isso?
Esta ergueu o sobrolho, os olhos piscando entre Eiji e Linda. Linda olhou para o lado e viu que Eiji estava bastante pálido, ainda que tivesse cumprimentado Misaki com um sorriso.
-Omedetô! Dançaram muito bem vocês os dois. Estou a ver que a minha filha finalmente ganhou parceiros à altura. – Tornou-se para Linda e esta podia jurar que encolhera sete centímetros. – Especialmente tu, Linda.
-Conhecem-se? – Perguntou Eiji, curioso. Lançou um olhar de relance à companheira, que mordeu o lábio.
-Sim, já nos encontramos uma vez ou outra vez. – Respondeu Misaki, com um sorriso misterioso. Linda não gostava da situação em que se encontrava metida. Misaki tinha as cartas todas na mão e, ainda que não pensasse mal dela, sabia que ela era uma mãe e amiga da sua. De certeza que acreditava que ela, como menor, deveria estar junto dos pais. – Conheço os pais dela.
Misaki não dissera mais nada, mas também dissera tudo.
-Então a Kiara tinha razão. És filha de nobres. – Disse Eiji. Linda expirou de alívio. Ele não descobrira.
-Pode-se dizer que os meus pais são mais abastados do que nobres. – Linda esperava que Misaki entendesse o segundo significado da frase e que entendesse que as últimas pessoas que ela queria ouvir mencionadas eram os seus pais. – Mas sim, frequentam círculos semelhantes ao da…
Calou-se, não sabendo se tinha permissão para tratá-la pelo nome próprio ou pelo nome de casada. Sempre ficara confusa com os nomes de Misaki, pois ela casara duas vezes, era também tratada pelo nome de solteira e a filha tinha o nome do primeiro esposo.
-Misaki, Linda. Todos os amigos da Cecília me tratam assim, não é Eiji?
A mão de Eiji endureceu como pedra.
-Sim.
-Vi o teu irmão lá em cima, Linda. – Comentou Misaki calmamente, o olhar subitamente sério. – Espero que esteja bem.
Linda assentiu, não querendo dar mais detalhes. A mãe poderia não querer saber da existência de Kenji, mas Misaki contar-lhe-ia tudo o que sabia de qualquer maneira.
-E o teu parece que está a ganhar barriga. Podias dizer-lhe para ele começar a dançar como tu.
Eiji rasgou um largo sorriso.
-A Misaki não podia fazer-me o favor de esperar que eu arranje um gravador e que repita o que disse? O Setsu iria delirar!
Misaki soltou uma gargalhada.
-Não disse mais do que a verdade.
-A Misaki também conhece o Setsu? – Perguntou Linda, ainda um pouco desconfortável. A sua mão largara a de Eiji e tentava compor as peças da pequena conversa que ocorria. Não sabia porque Misaki estava ali, era difícil imaginar que viera apenas para dar-lhe os parabéns. Não quando Cecília ainda não atuara.
Quase que conseguia cheirar a tensão no ar e teve a sensação que Eiji escondia-lhe alguma coisa. Daí que a pergunta saíra tímida e baixa, como quem não queria ser uma autêntica hipócrita.
-Sim, eu conheço a mãe deles. Dá as melhores festas de todas, até a Rainha comparece nelas. – Misaki parecia estar a jogar um pequeno jogo com os dois jovens, largando pequenas pistas por terra. Naquele momento, acabara de revelar a Linda que a mãe de Eiji era uma outra amiga da mãe de Linda. Uma doida por festas. Só restava uma. Mas essa só tinha um filho, com quem não se dava muito.
Certo?
-És filho da Yvonne Tachibana? – As palavras saíram da boca de Linda antes que esta pudesse evitar. Engoliu em seco, olhando para Eiji com caução. Este sorriu, mas Linda podia ver o amarelo.
-Só de sangue. – Respondeu curtamente, os olhos isentes de brilho. E Linda lembrou-se então do dia em que se conheceram e de como Eiji dissera detestar a personalidade da mãe biológica. Ela sabia que ele dava-se bem com o pai, a madrasta e a irmã mas ele raramente falava da mãe. Nisso eles tinham algo em comum. – Como sabes dela?
Seguiu-se um silêncio de cortar à faca. Misaki partilhou o olhar entre Linda e Eiji, os contornos do rosto alternando para uma expressão preocupada.
-Vocês estão bem? – Perguntou, suavemente.
-Sim. – Respondeu Linda fracamente, mordendo o lábio inferior o mais ligeiramente possível. Eiji não pareceu ter notado, mas o seu tom de voz denunciara-a de qualquer maneira. – Está tudo bem. Ia apenas dizer que a minha mãe adora as festas da Yvonne Tachibana, é daí que a conheço.
Tinha que despachar conversa, tinha que sair dali. Felizmente, foi abençoada pela mais pura das sortes. Linda avistou Cecília ao fundo, tentando encontrar o seu olhar. Esta, assim que os viu, tratou logo de ir ter com eles.
-Mãe? Que estás aqui a fazer?
-A divagar… – cortou Misaki, fixando o par de dançarinos. Molhou os lábios secos, aproveitando a tensão no ar e soltando uma lufada de ar. – A divagar se eles sabem quem são.
Linda sentiu uma gota de suor escorrer pelo rosto. Mordeu os lábios repetidamente, sentindo a sua respiração acelerar. Sentia o olhar de Eiji inserido nela, tão forte e desconfiado como Linda esperaria depois do que Misaki dissera.
-Venha comigo, está quase na hora da minha vez. – Disse Cecília, agarrando o braço da mãe de uma forma pouco discreta.
-Sim vamos andando. Tudo de bom para vocês. – Disse Misaki com um sorriso misterioso, antes de virar costas aos dois jovens.
Linda esperava as várias perguntas de Eiji. Mas deu-se ao direito do silêncio. Contava que Eiji respeitasse a sua decisão de nunca falar dos pais pela mesma forma como ela sempre respeitara o desprezo de Eiji por Yvonne.
Pelas conversas que haviam tido, a madrasta de Eiji era a verdadeira mãe dele. Com quem conversava acerca de desporto, política e problemas de adolescente. Fora ela que lhe dera conselhos para lidar com uma paixoneta que Eiji tivera. Da mãe biológica pouco ou nada ouvira falar. Detestava-a e era tudo o que sabia. E Eiji sabia que Linda não queria falar dos pais. Mas a sua personalidade desconfiada por vezes metia-se no caminho. Linda esperava que este fosse o momento.
-Oh bailarino! – Os dois viraram os rostos em direcção da voz. Viram Setsu, junto de Mari e Kenji, ao longe, aproximando-se descontraidamente. – Então, já pensas que és famoso o suficiente para não falares aqui com o povo? Omedetô a vocês os dois!
Linda sorriu.
-Arigatô, Setsu! – Aceitou o curto abraço de Setsu, um sorriso cordial colado ao rosto, como sempre fora ensinada no palácio.
-Querem ir apanhar ar. A Mari está a precisar. – Perguntou Setsu, apontando para a loira. Esta mandou-lhe um olhar penetrante.
-Não é preciso, já lanchei e sinto-me melhor. – Protestou a loira, preparando-se para fugir, mas Setsu agarrou-a antes que o conseguisse.
-Não te atrevas. Não vais cair no chão outra vez!
Mari revirou os olhos, soltando-se bruscamente.
-Foi só uma tontura. E eu não cheguei a cair, o Kenji apanhou-me.
-Kenji ajuda aqui!
Kenji suspirou, um pouco incomodado.
-É melhor Mari. É para o teu bem. – A resposta de Mari foi um olhar furibundo. – Não sejas infantil.
-Não estou a ser infantil. Eles mais depressa precisam de ir apanhar ar do que eu. – Protestou a loira, apontando para Linda e Eiji. Só aí Linda notara que os dois haviam ficado calados e imoveis desde que Linda agradecera as felicitações de Setsu.
Tentativamente, Linda procurou o olhar do irmão, tentando chamá-lo à parte. Precisava de falar com ele sobre o pai, Misaki, tudo. Felizmente, anos de experiência permitiram que o seu irmão mais velho entendesse a mensagem rapidamente.
-Setsu leva-a lá para fora. A teimosia dela ainda a faz desmaiar. – Disse Kenji, ignorando o olhar de morte de Mari. Setsu fez um som esquisito com os lábios.
-Queres que a force? – Perguntou o moreno, indeciso.
-Vá lá, és um homem adulto e ela é uma trinca-espinhas! Não é uma tarefa difícil.
Fora a coisa errada de se dizer. Kenji não conseguiu antever a tempo um pontapé de Mari, que o atingiu em cheio na canela. Chorando de dor, baixou-se e segurou a zona ferida, praguejando para si e para a loira que lhe virava costas. Linda abafou uma gargalhada. Já Eiji e Setsu não se controlaram.
-Não tem graça! – Resmungou Kenji, massageando as canelas.
-Já devias saber que não devias sobrestimar a Mari. Ela é das que ladra e morde. – Contrapôs Linda, com um sorriso maroto.
-Já deu para ver. – Murmurou Kenji, sombriamente. Linda riu-se.
-É bem-feita!
-Grrr, onde está ela?!
-A trinca-espinhas? Já se foi. – Disse Eiji, apontando para a saída. – Aproveitou-se.
-Pois bem, se alguma coisa lhe acontecer eu não me responsabilizo.
-E nós? Ficamos aqui? – Perguntou Setsu. Eiji olhou para Linda por uns momentos, como se reflectisse se essa era a melhor ideia.
-Vamos lá para fora. – Disse, mas Linda estava convencida de que aquele brilho nos olhos dele iria retornar, pois Eiji era muito observador e tinha de certeza percebido que Linda queria falar com Kenji a sós. Logo após a conversa com Misaki.
Kenji continuou a soltar pragas de determinadas loiras com olhos verdes por uns segundos, até que Linda agarrou-o no ombro, obrigando-o a levantar-se.
-És mesmo um bebé! – Reclamou entre dentes. Sentou-se num banco próximo e esperou que Kenji fizesse o mesmo.
-Ela tem mais força do que eu imaginava. – Defendeu-se o jovem.
-Pudera. Eu sou mais magra do que ela e sempre consegui levar a melhor de ti!
Kenji fitou-a, o sobrolho erguido.
-Isso era por causa dos avós e das tias. – Disse, num tom seco. Em seguida, fez uns gestos excêntricos com as mãos e alterou a voz para que ficasse mais fina e estridente como a de uma rapariga histérica. – Aí de mim se eu magoasse a menina!
-E com razão. Sempre foste um bruto.
-E ainda assim aquela loira conseguiu dar-me um pontapé.
-Devias era levar um pontapé na boca, para ver se páras de dizer o que não deves.
Kenji não respondeu. E Linda não se deu ao trabalho de o provocar. Alimentou o silêncio breve, até que falou:
-Porque é que ele está aqui? – Perguntou serenamente, ainda que as suas estranhas pareciam estar a arder.
Kenji suspirou, o olhar perdido num ponto fixo no horizonte, onde um par dançava uma valsa animada.
-Não sei, mas ele sempre foi um fã de dança.
-Também nós e nunca viemos a estes torneios, como bem sabes. – Retorquiu Linda, lembrando-se da falta de liberdade que tinha. Uma ideia floresceu na sua mente. – Poderia ter vindo ter com alguém.
Kenji fitou-a.
-Quem? Nenhum dos seus amigos próximos é de cá. Além do mais, nada o traria a este sítio.
Linda não respondeu logo. Ela não gostava daquela ideia, mas parecia-lhe plausível. Ela descobrira o pai na multidão apenas por mero acaso, quando ele baixara os óculos escuros por uns segundos. Não fosse isso, achá-lo-ia um homem qualquer. Ele estava vestido muito casualmente e não parecia tão interessado no torneio quanto as pessoas no seu redor.
-Uma mulher.
Não se atreveu a olhar para Kenji para ver a reacção dele, mas não fora boa.
-Que estás a dizer? – Perguntou Kenji, estupefacto.
-Provavelmente tem uma amante. Um homem como ele facilmente arranja.
-Não digas disparates, Linda! – Grunhiu Kenji, estranhamente zangado.
Linda semicerrou os olhos. Parecia-lhe a ideia mais plausível. Não conseguia ver a mãe e o pai juntos como os seus avós. A ideia de um casal amoroso parecia-lhe ridícula. E a indiferença por parte do pai para com ela, tratando-a por vezes como um objectivo de uma lista de coisas a fazer numa tarde... A ideia da sua ilegitimidade sempre estivera presente na sua cabeça, mas nunca a dissera a ninguém. Tinha um certo medo da resposta.
-Vais me dizer que nunca pensaste nisso? Ou achas mesmo que aquelas esculturas de gelo se amam? Isso explicaria tudo, não achas? – Disse, tornando-se para o irmão.
Kenji parecia querer discordar de tudo aquilo que Linda dissera mas, como um advogado de defesa sem provas, calou-se.
-E não será que ele veio cá para te levar?
Linda empalideceu. Não pensara nessa hipótese. Poderia ele realmente fazer isso?
-Não, não pode. – Sussurrou, falando mais para si do que para Kenji. – A avó disse-me… eles não podem vir-me procurar. Não podem.
-Eles podem exercer poder paternal sobre ti.
-E eu farei um escândalo. De certeza que eles não querem isso.
-Sim, mas tu também não. – Contrapôs Kenji, calmamente. – O pai é esperto, ele saberia que estarias a fazer bluff.
-Então o que queres que faça? – Perguntou Linda, preocupada.
-Reza para que ele haja como o nosso pai de sempre.
Seguiu-se um silêncio pesado que nenhum dos irmãos se atreveu a quebrar, estando os dois perdidos nos seus próprios pensamentos. Linda sabia que a desonra do pai magoara Kenji. O que a espantava era a lealdade de Kenji para a honra do pai. A descrença de que os pais de ambos tinham vidas duplas, defeitos piores que serem maus pais.
Kenji tinha mil e uma coisas para pensar, a sua instável família sendo o tópico principal. Passou a mão pela canela. Já não doía. Deu por si a perguntar-se onde Mari estaria e se estava bem. É claro que está. Se não, não te daria um pontapé na canela com tanta força. - Disse uma vozinha sarcástica na sua cabeça. - Mas ela é teimosa. Pode sentir-se mal mais tarde. E desde quando te preocupas tanto com ela? - Perguntou a voz, num tom malicioso. - Desde que… desde que… - Se fosse possível corar em pensamento, então era isso que Kenji tinha acabado de fazer - Raios Kenji, pára de falar com a tua consciência! Eu não sou a tua consciência. Então és o quê?
-Kenji?
Este acordou dos seus pensamentos invulgares. Linda olhava para ele, um pouco confusa.
-Ah… - Foi tudo o que a sua mente inteligente conseguiu proferir.
-Estás bem? – Perguntou Linda, lentamente, como quem fala para alguém de comportamento instável. - De repente ficaste…. vermelho. Estavas a pensar numa rapariga?
-Ah? Que disparate! – Hum... a tua irmã é esperta. - Lá estava a voz de novo. - E supostamente não devias saber disso visto seres… bem, eu? Estou a ver que a inteligência da família foi toda para a tua irmã. Quando perceberes quem eu sou, avisa-me. Ah?
-Kenji? – Linda voltou a chamá-lo.
-Ah?
-Não consegues expandir mais o teu vocabulário? – perguntou Linda, com um sorriso divertido.
-Gomen, eu estava… - Kenji levou o punho à testa, tentando acordar. – Vou ter com os rapazes. Queres vir?
Linda pareceu pensar no assunto mas, um olhar em direcção das bancadas, onde Edward se encontrava, pareceu decidi-la.
-Não. Eu fico aqui a descansar. – Disse, a voz um pouco incerta. Kenji encolheu os ombros e afastou-se da irmã, saindo do pavilhão.
Linda tremeu um pouco. Não havia nenhuma corrente de ar. Deveria ficar preocupada? O seu instinto dizia que sim. Tinha a estranha sensação de que estava a ser observada.
Deitou um segundo olhar no pai. Edward conversava com a Directora da sua escola. Prendeu a respiração só de imaginar naquilo que poderiam estar a falar. A Directora falara bem do pai, mas falaria ele dela? Claro que não, pensou para si. Ele nunca mencionaria os filhos. Deveria estar a falar de vários tópicos em nada relacionados com ela ou Kenji.
Ainda assim, uma pequena parte da sua mente não descansou. Uma estranha sensação a percorria e Linda não gostava nada dela. Alguém a observava.
Mas quem?
-----------------------------------------------------------------------
Omedetô – Parabéns
Arigatô - Obrigada
Gomen - Desculpa
(algum erro no vocabulário japonês, avisem!)
Espero por ti em cada segundo , porque tu és o meu mundo!

Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
Visitem a minha 1ª Fic ----->The Four elements

Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
Visitem a minha 1ª Fic ----->The Four elements
Editado pela última vez em
***
Ele não ficara muito surpreendido. Como podia? Só um cego não veria talento na menina que costumava treinar nas salas do palácio. Anos depois, o brilho ainda lá estava. O rapaz lá se arranjou, mas ela fora magnífica. A sua agilidade, técnica e graciosidade eram imbatíveis. Linda era uma excelente dançarina, sem dúvida. Tinha um grande talento, que ia para além da idade e do ensino.
Era estranho pensar que, em dezasseis anos de desinteresse pela mais nova da família, num único episódio da sua vida demonstrara um interesse nela que qualquer bom pai demonstraria em qualquer ocasião.
Mas ele não era um bom pai. E era suficiente humilde para o admitir. Sempre definira a sua vida em planos e ter uma família sempre fora um deles. Mas depois tudo mudara. Os seus planos foram arruinados. Ele fora um fracasso como marido e pai. Apenas como rei não falhara, mas isso talvez fosse por o talento lhe correr nas veias.
Edward sentira o seu estômago apertar-se num nó quando viu a sua filha mais nova dançar, destacando-se de todos os outros pares. Agora tinham dançado cerca de sete, contando com ela, e nenhum mostrara a sua perícia. Iria ver a filha da Misaki e sabia que esta tinha talento. Mas comparado com a sua filha era apenas uma dançarina vulgar.
Poderia nunca admitir isto a mais ninguém mas, naquele momento, Nastumara Edward olhara Linda com olhos orgulhosos.
**
-Estou a ver que trouxeste a tua mãe. Onde é que ela está?
Cecília quase que dava um pequeno salto no ar ao ouvir a voz áspera da melhor amiga. Tentando controlar o seu temperamento impulsivo, tornou-se para Mari.
-Não trouxe. Ela é que veio. Foi agora para as bancadas, está quase na minha vez. – Respondeu, impaciente. – E se queres saber, ainda bem que ela veio.
-Eu sei que sim. – Disse a loira, calmamente. – O que não entendo é porque, de repente, decidiste contar a toda a gente o teu segredo. Os detalhes que te ligam a aquela vida de finório, da qual sempre tentaste fugir.
-Talvez porque ela não pára de me perseguir. – Murmurou Cecília sombriamente, lembrando-se de Linda.
-Como?
-Mari, por favor, não me apetece falar disso. – Disse Cecília, aborrecida.
-Cecília? – Mari aproximou-se da amiga calmamente, os braços cruzados junto ao peito e o rosto sério. - Eu não sei o que se passa contigo. Estás a esconder-me alguma coisa. Desde aquela aula de dança que estás estranha.
Se tu soubesses, pensou Cecília tristemente, desviando o rosto para o lado. Não podia trair Linda, mas também sentia-se mal por mentir à sua melhor amiga.
-Mari, eu…
-Somos amigas ou não somos?
Cecília fitou a amiga. Mari estava terrivelmente pálida e o seu rosto estava moldado numa expressão desfalecida.
-Mari, tu estás bem? – Viu Mari fechar os olhos e depois voltar a abri-los. Estavam levemente embaciados. A própria rapariga mexia a cabeça sem saber. Era fácil de entender que Mari sentia dor. Mas não era dor psicológica. Era dor física e das bem fortes.
-Estou. – Respondeu a loira, com a mão esquerda pousada na cabeça.
-Isso para gente normal é um ‘não’. Queres sentar-te?
-Isto. Não. É. Normal. – Disse Mari de repente, com os olhos fixos no chão. As suas mãos tremiam e, ao sentar-se num banco próximo, todo o seu corpo tremeu.
-Mari? MARI!
**
Não demorou muito a Kenji encontrar os rapazes. Estavam junto ao passeio da rua, do lado de fora das grades, junto de um grupo de rapazes que estavam a fumar. Inspirou o ar, agora dominado por uma leva camada de nevoeiro e brisa nocturna que lhe gelava os ossos. Chutou uma pequena pedra que estava no seu caminho e caminhou devagarinho pelo passeio, as mãos escondidas nos bolsos das calças.
Notou que Eiji parecia distraído, mas não o suficiente para lhe deitar alguns olhares de relance. Já Setsu fazia barulhos esquisitos com a boca, apenas para quebrar o silêncio.
-Não entendo a tua irmã. – Disse Eiji de repente.
Kenji sorriu.
-Isso, meu caro amigo, é uma das muitas coisas que temos em comum. Para a Linda e para as outras.
-Pois é. – Concordou Eiji, encostando-se ao mesmo muro que o irmão. Setsu parecia dividir as atenções entre os amigos e o grupo de rapazes, pois o seu olhar saltava de um lado para o outro. Kenji parou.
-No dia em que entendermos as mulheres, ir-se-ão descobrir as curas para todas as doenças incuráveis. O Homem chegará a Plutão e o Setsu irá conseguir soletrar o alfabeto de trás para a frente. – Disse Eiji, em tom de gozo.
-Mas por acaso ele já o sabe soletrar direito? – Perguntou Kenji, num tom divertido, os seus olhos fixos em Setsu. Eiji riu-se e virou-se para o irmão, esperando uma resposta.
Setsu desviou os olhos do grupo de rapazes calmamente, o rosto sempre passível, e fitou Kenji.
-Diz-me Chiba, ainda te dói a canela?
Eiji soltou uma alta gargalhada, apoiando-se na parede para não cair. Kenji sentiu o pescoço a aquecer, ainda que estivesse frio.
-Estúpido!
-Yabu wo tsutsuite hebi wo dasu! [1] – Citou Setsu, com um sorriso vitorioso.
Sabendo que saíra derrotado, Kenji calou-se e afastou-se um pouco dos irmãos, deixando-se levar pela corrente de pensamentos que inundava a sua cabeça.
Desde os pais, o inimigo que atacara uma rapariga no parque até ao medo de a sua irmã ser forçada a retornar para o palácio. Tudo parecia preencher os recantos vazios da mente de Kenji, fazendo-o sentir-se cansado e velho.
Disparates, ainda estás fresco! - disse a mesma voz que ouvira há pouco, mas agora num tom mais animado. Kenji abanou a cabeça. Aquilo nunca lhe tinha acontecido. Pelo menos que ele se lembrasse. Ouvir vozes imaginárias era muito, mas muito mau sinal. Estaria ele doente?
Mas verdade que não podia negar que a sensação de ter um conversa privada na sua cabeça até nem era má. Era como se aquilo já lhe tivesse acontecido.
Será que alguém me anda a possuir? Tu tens a noção do quanto estás a ser ridículo? – Disse a misteriosa Voz, retornando ao seu tom sarcástico. Kenji murmurou um praguejo, que não passou despercebido a Eiji e Setsu. Este último ignorou-o, mas Eiji olhou-o desconfiado. Vês! Até chamas a atenção das outras pessoas. Quem és tu?
-Kenji?
Desta vez, Kenji não se deu ao trabalho de responder, sabendo que não tinha uma resposta muito coerente para dar.
-Tu estás…. – Começou Eiji.
-‘tou. Eu estou bem. – Cortou Kenji, levemente aborrecido pela constante pergunta. Mas também, quem é que o manda falar com vozes imaginárias?
-Não é isso. Eu queria perguntar-te se tu estás aqui.
-Ah?
-É que a tua irmã também costuma ter esses momentos apáticos. Uma pessoa fala para ela e ela… nada. – Agora Eiji sorria, se bem que era o único. Setsu continuava a prestar atenção ao grupo ao lado, que falava alto e sem preocupações.
Kenji forçou uma gargalhada:
-Por acaso estava em Vénus.
-E porquê Vénus e não outro sítio? – Inquiriu Eiji, sorrindo levemente.
-Ora, Vénus é a Deusa do Amor na mitologia grega. – Disse o loiro sénior, como se dissesse a coisa mais óbvia do mundo.
-Mitologia Romana, parvalhão. Na grega é Afrodite. – Argumentou Eiji, com os braços cruzados e o seu belo sorriso desenhado no seu rosto.
-É tudo a mesma coisa.
-E depois eu é que sou burro. – Disse Setsu, que afinal também prestava atenção à conversa entre o irmão e Kenji.
-Mas tu também és burro. Aliás, todos os irmãos mais velhos o são.
Setsu tornou-se para o irmão, com um sorriso semelhante de quando conseguira levar a melhor a Kenji.
-Deixa-me recordar-te, caro Eiji, que tu tens uma irmã mais nova. Logo, tu também és um irmão mais velho.
Eiji fez beiço e tornou o rosto para o lado para entretenimento dos mais velhos, que riram-se às custas do rapaz.
Kenji sorriu ao ambiente descontraído que partilhava com os irmãos Yamamoto. Morar no mesmo apartamento, dividir a mesma máquina de lavar e os trocos para o preenchimento da despensa contribuía para aquela amizade.
Gostava de pensar que tinha um dom para falar com as pessoas, pô-las alegres e confiantes em si próprias. Era uma das suas grandes qualidades. Quando conhecera os dois irmãos, ficara surpreendido pelas grandes diferenças entre os dois. Setsu era um daqueles rapazes descontraídos que uma pessoa nunca tomaria por um crânio, mas era bastante inteligente. A sua preguiça e distração era o verdadeiro contraste de Eiji, um grande observador do mundo e um rapaz trabalhador. Pelo menos o mais trabalhador que um adolescente de pais abastados podia ser.
Mas claro, todos tinham os seus segredos. O sangue real de Kenji bem como a mãe dos dois rapazes. Kenji vira Yvonne Tachibana poucas vezes, mas sabia que era o género de mulher extravagante que olhava mais para o próprio umbigo que o dos outros. Alta, loira e extremamente elegante, não parecia uma mulher com instintos maternais. E Kenji descobrira logo nas primeiras semanas que falar de Yvonne era ultrapassar uma linha invisível que Kenji nunca imaginara que existisse. Não sabia o que separara os filhos da mãe mas, o quer que fosse, era um segredo que ele respeitava. Afinal, também tinha um segredo parecido.
Várias vezes se perguntara o que teria sido dele se não fosse Setsu. Mal saíra do palácio na sua mota, sentira-se livre e estranhamente aliviado, como se a discussão com o pai lhe tivesse tirado um peso de cima. Mas assim que parou a mota descobriu que estava enganado. Estava sozinho no mundo, sem dinheiro nem formas de se sustentar. Lembrou-se em ligar para Yamamoto Setsu, um dos poucos amigos que fizera nas suas escapadelas discretas e que desconhecia da sua identidade. Na altura ele passava o fim-de-semana na casa do pai, o que foi a sua salvação. Yamamoto Takeshi era o Chefe da Segurança Interna e Externa do palácio e, portanto, era dos poucos que conhecia a identidade do príncipe. Contactara os avós de Kenji e assim os seus problemas desapareceram. Kenji conseguiu obter equivalência para o curso de medicina na faculdade de Setsu e, após muita teimosia da sua parte, deixou que o avô lhe pagasse metade da renda da casa, juntamente com Takeshi, mais uns extras pessoais. Em troca, Kenji lutava para se manter na faculdade como bolseiro e terminar o curso o quanto antes sem se dar a conhecer por nenhum Sensei, não querendo ser alguma vez acusado de nepotismo. Ainda que Setsu fosse esperto e Eiji um excelente aluno, nenhum dos irmãos entendia a necessidade dele em estudar. Detestava fazê-lo, mas parecia ser uma das poucas maneiras de ele parar de pensar na sua família.
Distraia-se do consciente erro em abandonar a sua irmã no palácio com lições de anatomia, escapava-se do tormento psicológico que as palavras duras do pai e da indiferença da mãe lhe davam com grandes textos acerca da criação de fármacos e das suas específicas utilizações e cuidados. E, acima de tudo, tentava afugentar o medo de estar numa cidade sozinho e sem paredes para o defender pensando no futuro. Em ser médico. Já havia pensado nisso, quando a ideia de ser Rei lhe pareceu ridícula e ofensiva. Ser uma réstia de sol para os mais necessitados. A ideia era tão brilhante que chegava a queimar, mas ele faria o esforço. Não para ser um cirurgião frio e metódico como Setsu, mas um médico que ligava-se às pessoas e que se relacionava com elas, dentro do sigilo profissional. Principalmente às crianças.
Desde pequeno que definira um plano na sua vida. Ter um emprego estável e ter uma família. O sonho difundira-se com o tempo, talvez porque o pai também pensara assim antes de se casar. E fracassara.
Hoje, a ideia de ser pediatra e pai de família por vezes ainda dançava na sua mente e ele tinha que abanar a cabeça para não se entusiasmar demasiado. Pediatra ainda podia ser, mas pai de família não tinha muitas esperanças. Não quando ainda tinha que se acostumar a encontrar um lugar naquele mundo para ele. E também porque ele sabia que o pai casara com a sua mãe por amor. E só isso não bastara.
O medo de cometer os mesmos erros do pai e ficar como ele ainda persistia e não havia uma única Voz que conseguisse calá-lo.
-O que é eles disseram? – Ouviu Eiji perguntar a Setsu, ríspido. Olhava para o grupo de rapazes raivosamente, sendo a sua atitude apenas respondida por gargalhadas. – Não te faças de parvo, que eu sei que ouviste!
Setsu parecia ter antevisto aquele momento desde que ali chegaram, mas era óbvio que não contara com a atenção de Eiji.
-Fala! – Insistiu o irmão, soltando um pequeno rugido involuntário.
-Não vais gostar…
Isso já tinha percebido, pensou Kenji para os seus botões, antevendo o desastre que se iria seguir.
**
Linda entrou devagarinho na enfermaria, deitando um breve olhar no seu redor. Era uma sala bem iluminada, com alguns bancos e duas camas de metal cor de pérola, separadas por um biombo. Atravessou a divisão sorrateiramente, sob o olhar atento e desconfiado da enfermeira da escola e afastou o biombo ligeiramente.
Viu Aiko sentada numa cadeira junto à cama, onde Mari dormia pacificamente. Suspirou pesadamente, atraindo a atenção da mulher:
-Ela está bem? – Perguntou num sussurro, enquanto afastava o biombo suavemente, mantendo a privacidade.
-Não sei. – Respondeu Aiko, cansada. – Ainda não sei o que lhe aconteceu. Estava tão bem e de repente desmaia. Ela é saudável, pratica desporto e come bem. Nunca foi de ficar doente. Não sei o que se passa…
Linda sentiu um aperto no estômago perante a angústia de Aiko. Não sabia o que dizer para a consolar. Nunca fora boa nessas coisas.
Mas o que mais a incomodava encontrava-se deitada numa cama. Por momentos, imaginou como seria dormir e acordar num sítio diferente. Linda duvidava que Mari fosse fã de enfermarias, mas também sabia que a loira não iria entrar em pânico.
Contudo, ficaria frustrada e tentaria sair da cama o mais depressa possível. Sim, isso sim era atitude de Mari Nakamura.
Não aquilo que ela testemunhara minutos antes.
O som de uma respiração acelerada despertou-a dos seus pensamentos. Mari acordara. A rapariga abriu os olhos lentamente, tentando assimilar o local onde se encontrava. Linda previu correctamente a atitude da jovem:
-Onde estou? – Perguntou fracamente, ainda que uma pequena nota da sua voz revelasse medo.
-Estás na enfermaria, querida. Ainda bem que acordaste. – Disse Aiko, pousando a mão sob a de Mari. Sorriu para a neta e foi aí que Linda notou nas rugas de expressão cravadas no rosto de Aiko e que esta nunca conseguiria disfarçar. Marcas que provavam a vida trágica que a mulher vivera desde que o seu esposo morrera.
-O que aconteceu? – Perguntou Mari, levemente confusa. Pousou a mão na cabeça, provavelmente sinal de uma dor de cabeça.
-Penso que foi uma tontura. Espero que tenha sido uma tontura. – Murmurou Aiko, mais para se acalmar do que para esclarecer a neta. Linda sabia que Aiko só tinha Mari no mundo e que ficaria devastada se alguma coisa acontecesse a ela.
Aiko aproximou-se da neta e deu-lhe um beijo na testa. Mari teve o bom senso de não se afastar do toque carinhoso da avó, deixando que ela ajeitasse a pequena manta que a cobria.
-Descansa, que a enfermeira já vem ver-te.
-Avó, eu estou bem. Como disseste, foram apenas tonturas. – Disse Mari, tentando levantar-se. – Como vim aqui parar?
-A Linda e a Cecília trouxeram-te.
Os olhos de Mari encontraram os de Linda. Esta esperava que Mari dissesse alguma coisa mas a rivalidade das duas estendia-se até momentos como aqueles. Mari ignorou Linda e perguntou por Cecília.
-Já foi dançar há algum tempo. Era a vez dela. Deita-te Mari, tens que descansar! – Insistiu Aiko, quase que empurrando a neta contra o colchão.
-Mas estou cheia de energia. – Protestou Mari mas foi uma batalha de curta duração, pois Mari podia estar bem no corpo, mas a dor de cabeça deveria estar a corroê-la por dentro pois assim que fechou os olhos, relaxou.
Linda olhou atentamente para uma adormecida Mari, mal prestando atenção ao comentário de Aiko em ir buscar qualquer coisa para beber e o pedido desta em ficar de olho na neta. Pareciam coisas supérfluas depois daquilo que acontecera antes de Mari chegar à enfermaria.
Teria ela visto aquilo que viu? Ou teria sido apenas fruto da sua imaginação?
--------------------------------------------------------------------------
[1] - ‘Yabu wo tsutsuite hebi wo dasu’ – Proverbio japonês que significa literalmente “Quem procura no arbusto, de lá sairá uma cobra”. Melhor dizendo, “Quem procura, acha”. Não tenho a certeza se este proverbio aplica-se apenas às situações ‘normais’ (procurar afincadamente uma coisa, para depois conseguir encontrá-la) ou se pode aplicar-se a uma situação de estupidez (Quem procura sarilhos sempre os encontra). Tomei a liberdade de aplicar o segundo sentido.
Ele não ficara muito surpreendido. Como podia? Só um cego não veria talento na menina que costumava treinar nas salas do palácio. Anos depois, o brilho ainda lá estava. O rapaz lá se arranjou, mas ela fora magnífica. A sua agilidade, técnica e graciosidade eram imbatíveis. Linda era uma excelente dançarina, sem dúvida. Tinha um grande talento, que ia para além da idade e do ensino.
Era estranho pensar que, em dezasseis anos de desinteresse pela mais nova da família, num único episódio da sua vida demonstrara um interesse nela que qualquer bom pai demonstraria em qualquer ocasião.
Mas ele não era um bom pai. E era suficiente humilde para o admitir. Sempre definira a sua vida em planos e ter uma família sempre fora um deles. Mas depois tudo mudara. Os seus planos foram arruinados. Ele fora um fracasso como marido e pai. Apenas como rei não falhara, mas isso talvez fosse por o talento lhe correr nas veias.
Edward sentira o seu estômago apertar-se num nó quando viu a sua filha mais nova dançar, destacando-se de todos os outros pares. Agora tinham dançado cerca de sete, contando com ela, e nenhum mostrara a sua perícia. Iria ver a filha da Misaki e sabia que esta tinha talento. Mas comparado com a sua filha era apenas uma dançarina vulgar.
Poderia nunca admitir isto a mais ninguém mas, naquele momento, Nastumara Edward olhara Linda com olhos orgulhosos.
**
-Estou a ver que trouxeste a tua mãe. Onde é que ela está?
Cecília quase que dava um pequeno salto no ar ao ouvir a voz áspera da melhor amiga. Tentando controlar o seu temperamento impulsivo, tornou-se para Mari.
-Não trouxe. Ela é que veio. Foi agora para as bancadas, está quase na minha vez. – Respondeu, impaciente. – E se queres saber, ainda bem que ela veio.
-Eu sei que sim. – Disse a loira, calmamente. – O que não entendo é porque, de repente, decidiste contar a toda a gente o teu segredo. Os detalhes que te ligam a aquela vida de finório, da qual sempre tentaste fugir.
-Talvez porque ela não pára de me perseguir. – Murmurou Cecília sombriamente, lembrando-se de Linda.
-Como?
-Mari, por favor, não me apetece falar disso. – Disse Cecília, aborrecida.
-Cecília? – Mari aproximou-se da amiga calmamente, os braços cruzados junto ao peito e o rosto sério. - Eu não sei o que se passa contigo. Estás a esconder-me alguma coisa. Desde aquela aula de dança que estás estranha.
Se tu soubesses, pensou Cecília tristemente, desviando o rosto para o lado. Não podia trair Linda, mas também sentia-se mal por mentir à sua melhor amiga.
-Mari, eu…
-Somos amigas ou não somos?
Cecília fitou a amiga. Mari estava terrivelmente pálida e o seu rosto estava moldado numa expressão desfalecida.
-Mari, tu estás bem? – Viu Mari fechar os olhos e depois voltar a abri-los. Estavam levemente embaciados. A própria rapariga mexia a cabeça sem saber. Era fácil de entender que Mari sentia dor. Mas não era dor psicológica. Era dor física e das bem fortes.
-Estou. – Respondeu a loira, com a mão esquerda pousada na cabeça.
-Isso para gente normal é um ‘não’. Queres sentar-te?
-Isto. Não. É. Normal. – Disse Mari de repente, com os olhos fixos no chão. As suas mãos tremiam e, ao sentar-se num banco próximo, todo o seu corpo tremeu.
-Mari? MARI!
**
Não demorou muito a Kenji encontrar os rapazes. Estavam junto ao passeio da rua, do lado de fora das grades, junto de um grupo de rapazes que estavam a fumar. Inspirou o ar, agora dominado por uma leva camada de nevoeiro e brisa nocturna que lhe gelava os ossos. Chutou uma pequena pedra que estava no seu caminho e caminhou devagarinho pelo passeio, as mãos escondidas nos bolsos das calças.
Notou que Eiji parecia distraído, mas não o suficiente para lhe deitar alguns olhares de relance. Já Setsu fazia barulhos esquisitos com a boca, apenas para quebrar o silêncio.
-Não entendo a tua irmã. – Disse Eiji de repente.
Kenji sorriu.
-Isso, meu caro amigo, é uma das muitas coisas que temos em comum. Para a Linda e para as outras.
-Pois é. – Concordou Eiji, encostando-se ao mesmo muro que o irmão. Setsu parecia dividir as atenções entre os amigos e o grupo de rapazes, pois o seu olhar saltava de um lado para o outro. Kenji parou.
-No dia em que entendermos as mulheres, ir-se-ão descobrir as curas para todas as doenças incuráveis. O Homem chegará a Plutão e o Setsu irá conseguir soletrar o alfabeto de trás para a frente. – Disse Eiji, em tom de gozo.
-Mas por acaso ele já o sabe soletrar direito? – Perguntou Kenji, num tom divertido, os seus olhos fixos em Setsu. Eiji riu-se e virou-se para o irmão, esperando uma resposta.
Setsu desviou os olhos do grupo de rapazes calmamente, o rosto sempre passível, e fitou Kenji.
-Diz-me Chiba, ainda te dói a canela?
Eiji soltou uma alta gargalhada, apoiando-se na parede para não cair. Kenji sentiu o pescoço a aquecer, ainda que estivesse frio.
-Estúpido!
-Yabu wo tsutsuite hebi wo dasu! [1] – Citou Setsu, com um sorriso vitorioso.
Sabendo que saíra derrotado, Kenji calou-se e afastou-se um pouco dos irmãos, deixando-se levar pela corrente de pensamentos que inundava a sua cabeça.
Desde os pais, o inimigo que atacara uma rapariga no parque até ao medo de a sua irmã ser forçada a retornar para o palácio. Tudo parecia preencher os recantos vazios da mente de Kenji, fazendo-o sentir-se cansado e velho.
Disparates, ainda estás fresco! - disse a mesma voz que ouvira há pouco, mas agora num tom mais animado. Kenji abanou a cabeça. Aquilo nunca lhe tinha acontecido. Pelo menos que ele se lembrasse. Ouvir vozes imaginárias era muito, mas muito mau sinal. Estaria ele doente?
Mas verdade que não podia negar que a sensação de ter um conversa privada na sua cabeça até nem era má. Era como se aquilo já lhe tivesse acontecido.
Será que alguém me anda a possuir? Tu tens a noção do quanto estás a ser ridículo? – Disse a misteriosa Voz, retornando ao seu tom sarcástico. Kenji murmurou um praguejo, que não passou despercebido a Eiji e Setsu. Este último ignorou-o, mas Eiji olhou-o desconfiado. Vês! Até chamas a atenção das outras pessoas. Quem és tu?
-Kenji?
Desta vez, Kenji não se deu ao trabalho de responder, sabendo que não tinha uma resposta muito coerente para dar.
-Tu estás…. – Começou Eiji.
-‘tou. Eu estou bem. – Cortou Kenji, levemente aborrecido pela constante pergunta. Mas também, quem é que o manda falar com vozes imaginárias?
-Não é isso. Eu queria perguntar-te se tu estás aqui.
-Ah?
-É que a tua irmã também costuma ter esses momentos apáticos. Uma pessoa fala para ela e ela… nada. – Agora Eiji sorria, se bem que era o único. Setsu continuava a prestar atenção ao grupo ao lado, que falava alto e sem preocupações.
Kenji forçou uma gargalhada:
-Por acaso estava em Vénus.
-E porquê Vénus e não outro sítio? – Inquiriu Eiji, sorrindo levemente.
-Ora, Vénus é a Deusa do Amor na mitologia grega. – Disse o loiro sénior, como se dissesse a coisa mais óbvia do mundo.
-Mitologia Romana, parvalhão. Na grega é Afrodite. – Argumentou Eiji, com os braços cruzados e o seu belo sorriso desenhado no seu rosto.
-É tudo a mesma coisa.
-E depois eu é que sou burro. – Disse Setsu, que afinal também prestava atenção à conversa entre o irmão e Kenji.
-Mas tu também és burro. Aliás, todos os irmãos mais velhos o são.
Setsu tornou-se para o irmão, com um sorriso semelhante de quando conseguira levar a melhor a Kenji.
-Deixa-me recordar-te, caro Eiji, que tu tens uma irmã mais nova. Logo, tu também és um irmão mais velho.
Eiji fez beiço e tornou o rosto para o lado para entretenimento dos mais velhos, que riram-se às custas do rapaz.
Kenji sorriu ao ambiente descontraído que partilhava com os irmãos Yamamoto. Morar no mesmo apartamento, dividir a mesma máquina de lavar e os trocos para o preenchimento da despensa contribuía para aquela amizade.
Gostava de pensar que tinha um dom para falar com as pessoas, pô-las alegres e confiantes em si próprias. Era uma das suas grandes qualidades. Quando conhecera os dois irmãos, ficara surpreendido pelas grandes diferenças entre os dois. Setsu era um daqueles rapazes descontraídos que uma pessoa nunca tomaria por um crânio, mas era bastante inteligente. A sua preguiça e distração era o verdadeiro contraste de Eiji, um grande observador do mundo e um rapaz trabalhador. Pelo menos o mais trabalhador que um adolescente de pais abastados podia ser.
Mas claro, todos tinham os seus segredos. O sangue real de Kenji bem como a mãe dos dois rapazes. Kenji vira Yvonne Tachibana poucas vezes, mas sabia que era o género de mulher extravagante que olhava mais para o próprio umbigo que o dos outros. Alta, loira e extremamente elegante, não parecia uma mulher com instintos maternais. E Kenji descobrira logo nas primeiras semanas que falar de Yvonne era ultrapassar uma linha invisível que Kenji nunca imaginara que existisse. Não sabia o que separara os filhos da mãe mas, o quer que fosse, era um segredo que ele respeitava. Afinal, também tinha um segredo parecido.
Várias vezes se perguntara o que teria sido dele se não fosse Setsu. Mal saíra do palácio na sua mota, sentira-se livre e estranhamente aliviado, como se a discussão com o pai lhe tivesse tirado um peso de cima. Mas assim que parou a mota descobriu que estava enganado. Estava sozinho no mundo, sem dinheiro nem formas de se sustentar. Lembrou-se em ligar para Yamamoto Setsu, um dos poucos amigos que fizera nas suas escapadelas discretas e que desconhecia da sua identidade. Na altura ele passava o fim-de-semana na casa do pai, o que foi a sua salvação. Yamamoto Takeshi era o Chefe da Segurança Interna e Externa do palácio e, portanto, era dos poucos que conhecia a identidade do príncipe. Contactara os avós de Kenji e assim os seus problemas desapareceram. Kenji conseguiu obter equivalência para o curso de medicina na faculdade de Setsu e, após muita teimosia da sua parte, deixou que o avô lhe pagasse metade da renda da casa, juntamente com Takeshi, mais uns extras pessoais. Em troca, Kenji lutava para se manter na faculdade como bolseiro e terminar o curso o quanto antes sem se dar a conhecer por nenhum Sensei, não querendo ser alguma vez acusado de nepotismo. Ainda que Setsu fosse esperto e Eiji um excelente aluno, nenhum dos irmãos entendia a necessidade dele em estudar. Detestava fazê-lo, mas parecia ser uma das poucas maneiras de ele parar de pensar na sua família.
Distraia-se do consciente erro em abandonar a sua irmã no palácio com lições de anatomia, escapava-se do tormento psicológico que as palavras duras do pai e da indiferença da mãe lhe davam com grandes textos acerca da criação de fármacos e das suas específicas utilizações e cuidados. E, acima de tudo, tentava afugentar o medo de estar numa cidade sozinho e sem paredes para o defender pensando no futuro. Em ser médico. Já havia pensado nisso, quando a ideia de ser Rei lhe pareceu ridícula e ofensiva. Ser uma réstia de sol para os mais necessitados. A ideia era tão brilhante que chegava a queimar, mas ele faria o esforço. Não para ser um cirurgião frio e metódico como Setsu, mas um médico que ligava-se às pessoas e que se relacionava com elas, dentro do sigilo profissional. Principalmente às crianças.
Desde pequeno que definira um plano na sua vida. Ter um emprego estável e ter uma família. O sonho difundira-se com o tempo, talvez porque o pai também pensara assim antes de se casar. E fracassara.
Hoje, a ideia de ser pediatra e pai de família por vezes ainda dançava na sua mente e ele tinha que abanar a cabeça para não se entusiasmar demasiado. Pediatra ainda podia ser, mas pai de família não tinha muitas esperanças. Não quando ainda tinha que se acostumar a encontrar um lugar naquele mundo para ele. E também porque ele sabia que o pai casara com a sua mãe por amor. E só isso não bastara.
O medo de cometer os mesmos erros do pai e ficar como ele ainda persistia e não havia uma única Voz que conseguisse calá-lo.
-O que é eles disseram? – Ouviu Eiji perguntar a Setsu, ríspido. Olhava para o grupo de rapazes raivosamente, sendo a sua atitude apenas respondida por gargalhadas. – Não te faças de parvo, que eu sei que ouviste!
Setsu parecia ter antevisto aquele momento desde que ali chegaram, mas era óbvio que não contara com a atenção de Eiji.
-Fala! – Insistiu o irmão, soltando um pequeno rugido involuntário.
-Não vais gostar…
Isso já tinha percebido, pensou Kenji para os seus botões, antevendo o desastre que se iria seguir.
**
Linda entrou devagarinho na enfermaria, deitando um breve olhar no seu redor. Era uma sala bem iluminada, com alguns bancos e duas camas de metal cor de pérola, separadas por um biombo. Atravessou a divisão sorrateiramente, sob o olhar atento e desconfiado da enfermeira da escola e afastou o biombo ligeiramente.
Viu Aiko sentada numa cadeira junto à cama, onde Mari dormia pacificamente. Suspirou pesadamente, atraindo a atenção da mulher:
-Ela está bem? – Perguntou num sussurro, enquanto afastava o biombo suavemente, mantendo a privacidade.
-Não sei. – Respondeu Aiko, cansada. – Ainda não sei o que lhe aconteceu. Estava tão bem e de repente desmaia. Ela é saudável, pratica desporto e come bem. Nunca foi de ficar doente. Não sei o que se passa…
Linda sentiu um aperto no estômago perante a angústia de Aiko. Não sabia o que dizer para a consolar. Nunca fora boa nessas coisas.
Mas o que mais a incomodava encontrava-se deitada numa cama. Por momentos, imaginou como seria dormir e acordar num sítio diferente. Linda duvidava que Mari fosse fã de enfermarias, mas também sabia que a loira não iria entrar em pânico.
Contudo, ficaria frustrada e tentaria sair da cama o mais depressa possível. Sim, isso sim era atitude de Mari Nakamura.
Não aquilo que ela testemunhara minutos antes.
O som de uma respiração acelerada despertou-a dos seus pensamentos. Mari acordara. A rapariga abriu os olhos lentamente, tentando assimilar o local onde se encontrava. Linda previu correctamente a atitude da jovem:
-Onde estou? – Perguntou fracamente, ainda que uma pequena nota da sua voz revelasse medo.
-Estás na enfermaria, querida. Ainda bem que acordaste. – Disse Aiko, pousando a mão sob a de Mari. Sorriu para a neta e foi aí que Linda notou nas rugas de expressão cravadas no rosto de Aiko e que esta nunca conseguiria disfarçar. Marcas que provavam a vida trágica que a mulher vivera desde que o seu esposo morrera.
-O que aconteceu? – Perguntou Mari, levemente confusa. Pousou a mão na cabeça, provavelmente sinal de uma dor de cabeça.
-Penso que foi uma tontura. Espero que tenha sido uma tontura. – Murmurou Aiko, mais para se acalmar do que para esclarecer a neta. Linda sabia que Aiko só tinha Mari no mundo e que ficaria devastada se alguma coisa acontecesse a ela.
Aiko aproximou-se da neta e deu-lhe um beijo na testa. Mari teve o bom senso de não se afastar do toque carinhoso da avó, deixando que ela ajeitasse a pequena manta que a cobria.
-Descansa, que a enfermeira já vem ver-te.
-Avó, eu estou bem. Como disseste, foram apenas tonturas. – Disse Mari, tentando levantar-se. – Como vim aqui parar?
-A Linda e a Cecília trouxeram-te.
Os olhos de Mari encontraram os de Linda. Esta esperava que Mari dissesse alguma coisa mas a rivalidade das duas estendia-se até momentos como aqueles. Mari ignorou Linda e perguntou por Cecília.
-Já foi dançar há algum tempo. Era a vez dela. Deita-te Mari, tens que descansar! – Insistiu Aiko, quase que empurrando a neta contra o colchão.
-Mas estou cheia de energia. – Protestou Mari mas foi uma batalha de curta duração, pois Mari podia estar bem no corpo, mas a dor de cabeça deveria estar a corroê-la por dentro pois assim que fechou os olhos, relaxou.
Linda olhou atentamente para uma adormecida Mari, mal prestando atenção ao comentário de Aiko em ir buscar qualquer coisa para beber e o pedido desta em ficar de olho na neta. Pareciam coisas supérfluas depois daquilo que acontecera antes de Mari chegar à enfermaria.
Teria ela visto aquilo que viu? Ou teria sido apenas fruto da sua imaginação?
--------------------------------------------------------------------------
[1] - ‘Yabu wo tsutsuite hebi wo dasu’ – Proverbio japonês que significa literalmente “Quem procura no arbusto, de lá sairá uma cobra”. Melhor dizendo, “Quem procura, acha”. Não tenho a certeza se este proverbio aplica-se apenas às situações ‘normais’ (procurar afincadamente uma coisa, para depois conseguir encontrá-la) ou se pode aplicar-se a uma situação de estupidez (Quem procura sarilhos sempre os encontra). Tomei a liberdade de aplicar o segundo sentido.
Espero por ti em cada segundo , porque tu és o meu mundo!

Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
Visitem a minha 1ª Fic ----->The Four elements

Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
Visitem a minha 1ª Fic ----->The Four elements
Editado pela última vez em
** Flashback **
-Mari? MARI!
Linda ouvira a voz exaltada de Cecília apenas por acaso. Sem pensar duas vezes, correu em direcção do som, até que parou perante a imagem de uma Mari desmaiada e uma quase-histérica Cecília de joelhos a tentar reanimá-la. Cecília virou-se para Linda, acalmando ligeiramente:
-Linda ajuda-me. Ela desmaiou de repente. Não consigo acordá-la.
Rivalidades à parte, Linda não iria deixar Mari caída no chão sem auxílio. Ajoelhou-se e pegou no pulso da loira, contando as palpitações.
A pele de Mari estava muito quente e Linda sentia a pulsação dela extremamente acelerada, como se o corpo de Mari fosse palco de uma maratona. A mão que segurava tremia ligeiramente, os dedos abanando freneticamente. Seria um ataque cardíaco?
Cecília erguera-se, a fim de procurar ajuda. Um segurança ali perto ofereceu-se para chamar a enfermeira da escola.
Linda parou de contar, mas não soltou o pulso da loira. Aquilo era tudo muito estranho. Mari tremia apenas nas mãos, ambas seguradas por Linda e Cecília.
Linda esbofeteou Mari, tentando despertar os seus sentidos. Todavia, esta permaneceu imóvel, com excepção do ligeiro tremer dos braços.
-Mari, Mari, por favor acorda. – Sussurrou Cecília apavorada, enquanto mais pessoas se aproximavam. Cecília obviamente não sabia o que fazer e tremia bastante, como se tivesse levado um choque eléctrico. – Volta a dar-lhe um estalo, Linda.
Em qualquer outra ocasião, Linda responderia ao pedido com muito bom gosto, mas naquele momento tinha que ser sensata. Mari não iria despertar tão cedo.
De repente, algo estranho aconteceu. Mari deu um pequeno salto, como se tivesse recebido um espasmo de um desfibrilador e finalmente parou de tremer. Tudo isso durara menos de cinco segundos, mas fora tempo suficiente para Linda ter o mais semelhante possível a uma alucinação .
Alguém caminhava pelos corredores. Uma mulher. Caminhava sozinha, o som dos seus sapatos ecoando no corredor vazio. Contudo alguém a perseguia. Uma luz azul brilhava em volta e duas outras luzes negras, circulavam pelos corredores da escola, em torno da mulher. Uma apressadamente, como uma criança impaciente para o seu primeiro dia de aulas. A segunda lentamente e mais discreta, como um predador prestes a devorar a sua presa.
A mulher gritou. E ficou tudo negro.
Linda acordara do transe ao mesmo tempo que alguém a afastara suavemente e erguera Mari. Ela e Cecília seguiram o segurança que carregava Mari em direcção à enfermaria. Murmurou qualquer coisa acerca de Aiko, mas toda a sua atenção estava centrada em Cecília. Não conseguia pensar direito depois daquilo que acontecera. Só lhe vinha à cabeça aquela imagem da mulher a ser perseguida por seres negros e malignos. Teria Cecília visto o mesmo? Também ela segurava Mari na altura das alucinações. Um olhar de relance, mostrou-lhe que Cecília não tirava os olhos da amiga, mas o seu rosto reflectia uma expressão enigmática. Uma muito semelhante à do seu irmão quando este sabia algo que os outros não sabiam.
**Fim de Flashback**
Será que Cecília também vira alguma coisa? Ou talvez fosse apenas Linda a anormal das três, que tivera uma alucinação no pior momento possível. Porque, se não fosse ela, quem mais poderia ser?
A ideia de que Mari pudesse ser a culpada e que tivesse, de algum modo, lhe transmitido a visão passara-lhe na cabeça, mas era ridícula desde a raiz.
Mas, por precaução, não a excluiu dos seus pensamentos. Nem tampouco afastou-se muito dos corredores. Vira apenas as costas da mulher da visão, contudo tinha a leve sensação de que já a tinha visto em algum lado. Não tinha dúvidas de que aquela mulher possuía a Flor de Mercúrio. E que aqueles corredores que vira eram os corredores daquela escola. Aquela mulher estava em perigo, possivelmente naquele preciso dia.
Suspirou, derrotada. Não sabia como obter as suas respostas. Não no que tocava a Mari. Talvez lentamente fosse a descobrir, mas por agora decidiu esperar.
Afastou o biombo para ela poder passar. Separada de Mari, mal teve tempo para pensar no que iria fazer a seguir quando Cecília entrou.
-Correu bem? – Perguntou Linda, tentando meter conversa. Cecília apenas encolheu os ombros.
-Sim correu. – Respondeu a morena, curtamente. Cecília abriu a boca para dizer alguma coisa, mas as palavras perderam-se pelo caminho deixando os dedos das duas mãos a entrelaçarem-se nervosamente entre si, silêncio preenchendo o ar até que a morena finalmente conseguiu falar. – Linda, acerca da minha mãe…
- Não tens que dizer nada, Cecília. – Interrompeu Linda, suavemente. - É a tua mãe e entendo que queiras que ela te venha ver. A tua lealdade a mim não ultrapassa os teus desejos.
Cecília soltou um pequeno sorriso grato.
-Já pareces a minha mãe com essas frases filosóficas ou cheias de sentido.
Linda soltou uma pequena risada.
-Pois é, já me tinha esquecido que as atitudes da tua mãe não são nada normais.
-É o que dá estar sempre a ler… - Argumentou Cecília, rindo-se das atitudes da mãe. Linda estava tão habituada à forma de Misaki se expressar que nem sequer se lembrou que, aos olhos dos outros, Misaki era uma ave rara.
Involuntariamente, não conseguiu deixar de invejar Cecília pela sua relação com a mãe. No passado, ela daria todos os seus melhores brinquedos para ter uma tarde bem passada com a sua mãe. Agora perguntava-se se valia a pena sequer pensar nela como mãe. Nunca tivera um papel importante na sua vida e nunca pareceu querer deixar de o ser, a não ser naquela ocasião no seu oitavo aniversário. E essa memória, em vez de a pôr infeliz, irritava-a pois não a permitia fazer juízos de valor à sua instável mãe.
Como se adivinhasse os seus pensamentos, Cecília tratou de mudar de assunto:
-Como está a Mari? Passei pela Aiko nos corredores e parecia muito abalada. Nunca a vi assim.
-É. – Respondeu Linda tristemente. – Não invejo a posição da Aiko, sem saber o que se passa com a Mari e não poder fazer nada para ajudar.
-Eu entendo a posição dela. – Murmurou Cecília, mordendo o lábio inferior. Linda amaldiçoou-se pela sua falta de sensatez.
-Gomen, não me lembrei…
-Deixa para lá, é normal esqueceres-te. Afinal, tu não és lá grande fã da Mari.
Linda mordeu o lábio, inquieta.
-Verdade, mas não sou uma insensível.
Cecília sorriu em retorno.
-Eu sei que não. E agradeço-te ter-me ajudado a carregar a Mari até aqui. Pode não parecer, mas ela faria o mesmo por ti.
Linda duvidou de cada letra que Cecília pronunciou, mas optou pelo protesto silencioso.
A porta da enfermaria voltou a abrir-se, mas Linda não se deu ao trabalho de olhar imediatamente.
-Oh, pelos deuses!
Ao som da voz de Cecília, Linda tornou-se para os rapazes que entregam na enfermaria, um grande grupo de alunos com idade entre as das raparigas e pouco mais velhos. As únicas excepções eram as altas figuras de Kenji e Setsu. Ainda que não lhes conseguisse ver as caras de longe, Linda soube logo que algo estava errado, pois eles carregavam alguém aos ombros. A enfermeira tratou de separar os dois grupos e só aí, Linda soube o que acontecera.
-Acho que o Eiji se aleijou. – Disse Cecília, desnecessariamente. Linda não respondeu, demasiado estupefacta para reagir.
You don’t say, pensou amargamente.
**
-Baka , Aho, Doji, Kusottare, Manuke… [2]
-Sabes que isso significa a mesma coisa, não sabes Setsu? – Gozou Eiji, enquanto a enfermeira punha algodão e betadine nas feridas nas maçãs do rosto. Silvou de dor. – Au!
-Não se queixe. Para a próxima, não entre em pancadarias. – Retorquiu a enfermeira, num tom de voz irritado.
-Mas o que é que vos aconteceu? – Perguntou Linda, aproximando-se de Eiji lentamente, examinando as suas feridas.
A maioria do grupo havia sido dispensado e Kenji fora falar com o segurança, esclarecer os detalhes. Linda rezou para que o homem não fizesse queixas a alguém de ordem superior, ou não só Kenji e Setsu seriam expulsos do recinto, como Eiji teria problemas na sua participação do torneio. Podia até ser desclassificado.
Sentiu os olhos de alguém queimarem-lhe as costas. Tornando-se ligeiramente, Linda notou num dos dois rapazes restantes, um deles sentado numa cadeira, à espera da enfermeira. Linda teve um ligeiro calafrio ao ver-se sob o olhar pesado do rapaz.
-Esses anormais atacaram-nos sem razão. – rugiu o rapaz, os amigos agarrando-lhe os braços para que este não se mexesse.
Ouviu o som de um banco a cair no chão e soube que Eiji se tinha erguido violentamente. Setsu agarrou-o, antes que pudesse tocar no outro:
-Para a próxima, vê se respeitas as pessoas, seu sacana! – Gritou para o outro.
-Você sente-se, se faz favor e atento na língua! Tenho demasiada gente nesta enfermaria. – A enfermeira agarrou Eiji e forçou-o a sentar-se na cadeira. Correu para o outro rapaz. – E você, Senhor Aoki, pense muito bem naquilo que fez. É uma vergonha para esta escola.
Linda ainda esperou que a enfermeira se tornasse para Eiji e que Setsu, que também precisava de curativos, mas a mulher ignorou-os. Controlando a raiva que se acumulava, aproximou-se de Eiji, ajoelhando-se ao pé dele.
-Tens uma pequena mancha no olho direito e um leve corte no rosto. – Examinou Linda. – Doí-te mais alguma coisa?
Eiji esboçou um sorriso sardónico.
-A perna.
Os olhos de Linda aumentaram, para depois se contraírem.
-A perna, Eiji? Tu não só entraste em pancadarias e tiveste uma atitude vergonhada para a nossa escola, principalmente porque a estás a representar num torneio de dança, como também deste cabo da perna!? – Silvou Linda, furiosamente. Eiji engoliu em seco.
-Não sabes o que aconteceu. – Teimou, mantendo contacto visual.
-Então explica-me. Porque eu não estou a ver um final feliz para esta história, deixa-me ao menos entendê-la.
Eiji suspirou.
-Por favor, Linda. Não insistas. Onde está o Setsu? – Perguntou de repente, numa tentativa fraca de mudar de assunto. Linda semicerrou os olhos, mas não persistiu.
-Está ali, a Cecília está a ajudá-lo. – Respondeu secamente.
Eiji fitou Linda, parecendo arrependido.
-Escuta-me, Linda. Eu…
O som da porta a abrir-se sobressaltou Eiji, que quase que se encolheu no banco. Kenji entrou, parecendo cansado. Tinha umas pequenas manchas no rosto mas fora isso estava bem. Linda suspeitou que Eiji só não se saíra pior da luta, porque o irmão e Kenji haviam intervindo. Já os outros três rapazes tinham algumas nódoas negras a formarem-se e o que estava sentado queixava-se de dor de cada vez que a enfermeira lhe passava um curativo no rosto ou no braço.
-E então? – Perguntou Linda, levantando-se. Kenji passou a mão pelo rosto, deformando-o.
-O segurança não vai falar com a Directoria, até porque os outros amigos daquele ali. – Sussurrou, apontando para o aleijado com a cabeça. – Assim o pediram. Não querem problemas. Ele apenas disse que ia estar de olho em nós e que, mais alguma gracinha e punha-nos fora daqui.
Linda deixou escapar o ar que nem sabia que havia prendido. Ao seu lado, Cecília e Setsu fizeram o mesmo.
-Esta foi por pouco. – Sussurrou Cecília. Olhou para Eiji, que estava sentado silenciosamente, as mãos pousadas nos joelhos. – Mas o que faremos com o Eiji? Não está em condições de dançar.
Um ruído despertou-os do silêncio pesado. Um dos jovens havia saído e Aiko voltara.
-Ela já voltou a acordar? – Perguntou a Linda, baixinho. Esta abanou a cabeça.
-Quem? – Perguntou Kenji, parecendo surpreendido.
-A Mari sentiu-se mal. Acabou por desmaiar há pouco tempo. – Respondeu Cecília.
Kenji fez uma careta angustiada e soltou uma pequena praga.
-Eu disse-lhe para vir comigo apanhar ar. Mas que teimosa…
-És um querido por tentar, Kenji. Mas a minha neta é assim. – Disse Aiko, com um pequeno sorriso. Depois, sem dizer mais nada, afastou-se dos jovens a fim de ir ver a neta.
Linda notou no olhar que o irmão deitara no biombo que separava Mari dos outros. Perguntou-se porque é que aquele olhar preocupado lhe parecia o mesmo de sempre mas, contudo, era completamente diferente.
**
Kenji sabia que Linda o observava. Sentia os olhos dela cravados nas suas costas, enquanto colocava unguentos nas pisaduras de Eiji. O seu rosto também reclamava por uns, mas tinha que a ver. Tinha que saber se ela estava bem.
Afastou o biombo e aproximou-se da cama, onde Mari repousava. Aiko murmurava qualquer coisa, mas ele não a escutava inteiramente. Ignorava o que acontecia no outro lado, ou até mesmo no outro lado do pavilhão. De certa forma, deixou de pensar. Só conseguia olhar para ela.
Aiko afastara-se e fora ter com a enfermeira. Ouviu algumas reclamações e algumas respostas tortas vindas da boca da enfermeira, mas não decifrou as palavras. Sentia-se aliciado por um feitiço, um encantamento que o obrigava a aproximar-se, a pegar numa mecha de cabelo cor do trigo e afastá-lo do rosto dela.
Mari mexeu-se um pouco e Kenji abanou a cabeça, tentando libertar-se daqueles pensamentos.
-Avó? – Mari falara, mas com a voz ainda muito fraca. A mão dela viajou automaticamente para a testa, provavelmente sinal de uma dor de cabeça, mas a careta não era muito pronunciada, podia ser apenas uma ténue dor. Mari olhou em redor. Quando os seus olhos verdes encontraram os de Kenji, paralisou.
Kenji ajoelhou-se perto da cama, ficando mais perto dela. Mari tentou levantar-se, mas não devia ter forças suficientes, pois voltou a cabeça voltou a cair na almofada.
-Calma, tens que descansar. Estas tonturas não são normais, não devias fazer movimentos bruscos.
-Hai, Isha. – Murmurou Mari num tom divertido. Kenji riu-se.
-Como te sentes? - perguntou, calmamente, os cotovelos apoiados na beira da cama.
-Pesada. - respondeu Mari, suspirando.
-É o que dá seres casmurra. Eu disse-te para vires comigo.
Mari revirou os olhos, ainda que o seu pequeno sorriso nos lábios a traísse.
-Está bem. Aprendi a lição. Não volta a acontecer.
-Espero bem.
O silêncio acomodou-se. Kenji não sabia o que dizer à loira que o mirava. Que tipo de conversa a haveria de pôr. Não podia deixar que aquele silêncio ganhasse, isso era certo. Tinha que dizer alguma coisa.
-A enfermeira já te deu uma olhadela?
Mari fez uma careta.
-Só se o fez enquanto estive a dormir.
Kenji franziu o sobrolho. Talvez a enfermeira ainda não tivesse tido tempo para a examinar, afinal ele e os rapazes chegaram em muito mau estado. Todavia, talvez nem fosse caso para alarme. Mari devia apenas sentir-se fraca. Talvez era apenas stress dos exames.
-O que aconteceu depois de eu te deixar? Voltaste a sentir uma tontura?
Mari pareceu reflectir.
-Hum… lembrou-me de sentir uma dor de cabeça. Foi forte e veio de repente. E lembro-me também…
-De quê? – Insistiu Kenji, perante o súbito silêncio de Mari.
-De ouvir a Cecília berrar o meu nome. – Respondeu a loira calmamente. Contudo, Kenji soube que ela estava a mentir. Como ele sabia, não podia explicar. Mas sabia que Mari não lhe contara a verdade.
Mari abriu a boca para lhe perguntar qualquer coisa, mas um estrondo vindo do outro lado impediu-a.
**
-Idiota! – Murmurou Linda, seriamente.
-Não és a única que pensa isso. – Respondeu Eiji, sorrindo. Linda teve que se controlar para lhe tirar aquele sorriso pretensioso do rosto dele, ainda que não soubesse se queria fazê-lo com uma estalada ou com um beijo.
Preferiu concentrar-se na pomada que tinha na mão, quebrando qualquer contacto visual com Eiji e deitando um olhar no irmão que se movia em direcção ao biombo como se estivesse enfeitiçado. Assim que o viu desaparecer, suspirou.
Apercebeu-se que estava a ser observada quando sentiu o corpo de Eiji a ficar tenso perante o seu toque, os olhos fitando fortemente alguém por detrás de Linda.
Linda ergueu-se, tendo terminado o seu trabalho. Notou que Cecília e Setsu haviam saído, provavelmente em busca do Sensei Amadeus.
Aiko surgiu, parecendo bastante irritada.
-Que tipo de enfermeiras sóis você? A minha neta está naquela cama há quase uma hora e ainda não lhe fez nada! Como irei saber o que se passa com ela, se você não a examina?
-Caso não tenha notado, a sua neta está na cama a dormir. Não posso fazer nada nesse caso e agora tenho coisas mais importantes a fazer… - Respondeu a enfermeira, friamente, voltando-se para o rapaz. Linda viu os amigos dele a encolherem-se perante o olhar furibundo de Aiko.
-Mais importantes? Esses rapazes andaram à porrada e acha isso mais importante que alguma coisa estranha que possa ter acontecido à minha neta? Eles são crescidinhos, podem tomar conta de si.
-É meu dever socorrer os alunos em necessidade. A sua neta vai ter que esperar. – respondeu a mulher, sem se dar ao trabalho de olhar para Aiko.
Vendo que Aiko estava em vias de partir qualquer coisa, Linda foi para perto dela, agarrando-lhe nas mãos.
-Aiko, calma! A Mari não vai ficar melhor se lhe der sarilhos. Tente acalmar-se. – Tentou consolá-la, enquanto que Aiko assentia com a cabeça, as pálpebras fechadas e tentando esconder lágrimas de frustração. – Calma, vá dar uma volta e depois volte logo. A Mari não está aqui sozinha, tomaremos conta dela.
-Sim… eu vou fazer isso. Vou ter com a Misaki. Ocêuaní narimachitá, Linda.
-Dôitachimachitê, Aiko. Tem feito tudo por mim, é o mínimo que eu posso fazer. – Respondeu a jovem, com um pequeno sorriso, vendo Aiko sair da enfermaria entre suspiros de tranquilização.
O sorriso ficou nos seus lábios até que voltou a sentir os mesmos olhos de há pouco a fitarem-na nas suas costas.
O rapaz olhava para ela de uma forma estranha. Linda mirou os olhos escuros dele, a pupila completamente dilatada enquanto ele olhava para ela, mais propriamente para as pernas dela. Linda engolindo em seco. Já ouvira falar daqueles olhares, mas nunca se sentiu tão incomodada e invadida como naquela altura. Deixou-se ficar parada, olhando horrorizada, o rapaz a beber a visão que o corpo dela lhe dava. O vestido vermelho de Linda tapava o máximo de pele que podia para a dança, mas aquilo que mostrava era o suficiente para alimentar imaginações.
Tudo isto durou apenas uns segundos. Linda sentiu a mão de Eiji na sua, como se este a quisesse afastar dali. O rapaz sorriu.
-Boa vista, hã?
-Cala a boca. – Grunhiu Eiji, o corpo completamente tenso. Linda agarrou-o ao banco, temendo que ele saltasse para cima dele.
-Acalma-te. – Implorou-lhe, preocupada com o que ele pudesse fazer.
-O que se passa aqui? – Perguntou a enfermeira, que se aproximava com uma pequena bandeja de unguentos, algodão e outros medicamentos.
O rapaz queixou-se de Eiji, chamando-o de filho de uma pessoa de trabalho indecente e que realiza acções indecentes.
-Nisso ele até tem razão. – Sussurrou Eiji sombriamente, ignorando o olhar exasperado de Linda.
-Senhor Aoki, controle a sua língua! Não o volto a avisar. E fiquei quieto, ainda não acabei com essa pisadura que tem no joelho. Ele já está despachado? – Perguntou a enfermeira, tornando-se para Linda rispidamente.
-Já.
-Então leve esse rapaz lá para fora. Só coloca os estudantes desta escola em sarilhos.
Linda lançou à enfermeira um olhar de desdém.
-Se fosse a si tinha cuidado. – Murmurou sombriamente. Um silêncio de cortar à faca percorreu a enfermaria.
-Desculpe?
-Ouviu o que eu disse. – Linda não sabia como conseguia ter a voz tão calma, tal era a raiva que circulava nas suas veias. – Se fosse a si tinha cuidado.
-A menina está a ameaçar-me?
-Não, estou a avisá-la. O meu colega magoou-se nestas instalações devido à rebeldia dos seus alunos e você, perfeita enfermeira que é, recusou-se a prestar-lhe curativos, o que vai contra o seu juramento como funcionária da área da saúde. Para não falar da minha colega que está deitada há quase uma hora naquela cama. Como boa enfermeira que sois, não lhe deu na cabeça em perguntar à avó da rapariga o que ela tinha comido ou outra coisa qualquer. Basicamente, ignorou-a a ela e a todos os outros que não era sua escola. A sua bendita escola.
-Quem é você para me falar dessa maneira?
Linda não conseguia levar o ultraje da mulher a sério.
-Alguém que, a qualquer momento, pode falar com a Directoria. – Linda calou-se, saboreando o efeito das suas palavras. A enfermeira parecia que havia comido algo estragado, os olhos contraídos em desprezo, mas não disse nada que contrariasse o aviso de Linda.
Já esta sentiu-se mais calma depois de expressar tudo aquilo que lhe vinha escondido na garganta desde que Setsu fora obrigado a curar as suas feridas apenas com um pouco de betadine e um pouco de algodão.
Mas depois reflectiu daquilo que havia feito. Ou melhor, daquilo que havia dito em frente a Eiji. Não conseguira controlar a sua arrogância real, como assim fora baptizada por Minako, e agora teria que lamber as feridas. O que iria Eiji pensar dela? Tanto controlo, tanto silêncio…
Era um traço de família, não podia ignorar. Qualquer membro da família real fazia isto quando o jogo não ia em seu favor. Realizava a soma de trunfos para, no fim, os deitar em mesa e embarricar o adversário. Todavia, a forma como o jogo era ganho carecia de humildade e tresandava a um odor de superioridade, daí que era apelada de 'arrogância real'. Algo que ela tentava esconder, não por ser algo da família, mas por ser algo que Mari de certeza que iria adorar em usar contra si.
Para não falar de Eiji. Não queria perder a amizade dele. Aos olhos dele, ela era a misteriosa e serena Linda Tsukino. A imagem que lhe dera não era falsa de todo, mas era melhor que a autêntica. Não conseguia imaginar as consequências de Eiji descobrir a verdade sobre o seu carácter. Seria tão mau quanto ele descobrir as suas origens. Iria afastar-se dela sem subida. Era o que muitos fariam. E após tanto tempo junto dele, Linda já não se conseguia afastar.
Suprimindo o bom senso que tinha, Aoki tornou-se para Eiji, ignorando a enfermeira.
-Estou a ver que ela para além de umas ricas pernas, também tem um instinto rebelde. A tua escola faz das boas.
Foi aí que Linda percebeu finalmente o motivo pela qual Eiji andara à luta.
Fora por causa dela…
-----------------------------------------------------------------------------------------------------
Gomen - Desculpa
Hai - Sim
Isha – Médico / Senhor Doutor
Ocêuaní narimachitá – Obrigada por tudo. (forma mais formal)
Dôitachimachitê – De nada
[2] – Basicamente o mesmo que a frase original (versão não revista) mas em japonês e com menos sinónimos.
‘-Parvo, estúpido, parvalhão, idiota, desmiolado, tolo, pateta... ‘
--------------------------------------------------------------------------------------------------
E pronto... aqui está outro capítulo. Decidi postar agora porque aquilo estava a ficar demasiado grande
Agora falta a parte III e espero que seja a última
. Eu quero mesmo escrever o próximo capítulo
Em relação a este, eu estava tao indecisa. Eu tinha que por o Eiji à pancada, mas não sabia quando. Esta cena da enfermaria foi inventada na hora, pois o meu objectivo foi apenas "ele andou à pancada.. não dança.. ponto final..." mas decidi aprofundar um pouco a cena.
Não gostei muito desta parte. É uma seca e, como já disse, o melhor ainda vai acontecer. Mas por enquanto ficam a pensar...
-Mari? MARI!
Linda ouvira a voz exaltada de Cecília apenas por acaso. Sem pensar duas vezes, correu em direcção do som, até que parou perante a imagem de uma Mari desmaiada e uma quase-histérica Cecília de joelhos a tentar reanimá-la. Cecília virou-se para Linda, acalmando ligeiramente:
-Linda ajuda-me. Ela desmaiou de repente. Não consigo acordá-la.
Rivalidades à parte, Linda não iria deixar Mari caída no chão sem auxílio. Ajoelhou-se e pegou no pulso da loira, contando as palpitações.
A pele de Mari estava muito quente e Linda sentia a pulsação dela extremamente acelerada, como se o corpo de Mari fosse palco de uma maratona. A mão que segurava tremia ligeiramente, os dedos abanando freneticamente. Seria um ataque cardíaco?
Cecília erguera-se, a fim de procurar ajuda. Um segurança ali perto ofereceu-se para chamar a enfermeira da escola.
Linda parou de contar, mas não soltou o pulso da loira. Aquilo era tudo muito estranho. Mari tremia apenas nas mãos, ambas seguradas por Linda e Cecília.
Linda esbofeteou Mari, tentando despertar os seus sentidos. Todavia, esta permaneceu imóvel, com excepção do ligeiro tremer dos braços.
-Mari, Mari, por favor acorda. – Sussurrou Cecília apavorada, enquanto mais pessoas se aproximavam. Cecília obviamente não sabia o que fazer e tremia bastante, como se tivesse levado um choque eléctrico. – Volta a dar-lhe um estalo, Linda.
Em qualquer outra ocasião, Linda responderia ao pedido com muito bom gosto, mas naquele momento tinha que ser sensata. Mari não iria despertar tão cedo.
De repente, algo estranho aconteceu. Mari deu um pequeno salto, como se tivesse recebido um espasmo de um desfibrilador e finalmente parou de tremer. Tudo isso durara menos de cinco segundos, mas fora tempo suficiente para Linda ter o mais semelhante possível a uma alucinação .
Alguém caminhava pelos corredores. Uma mulher. Caminhava sozinha, o som dos seus sapatos ecoando no corredor vazio. Contudo alguém a perseguia. Uma luz azul brilhava em volta e duas outras luzes negras, circulavam pelos corredores da escola, em torno da mulher. Uma apressadamente, como uma criança impaciente para o seu primeiro dia de aulas. A segunda lentamente e mais discreta, como um predador prestes a devorar a sua presa.
A mulher gritou. E ficou tudo negro.
Linda acordara do transe ao mesmo tempo que alguém a afastara suavemente e erguera Mari. Ela e Cecília seguiram o segurança que carregava Mari em direcção à enfermaria. Murmurou qualquer coisa acerca de Aiko, mas toda a sua atenção estava centrada em Cecília. Não conseguia pensar direito depois daquilo que acontecera. Só lhe vinha à cabeça aquela imagem da mulher a ser perseguida por seres negros e malignos. Teria Cecília visto o mesmo? Também ela segurava Mari na altura das alucinações. Um olhar de relance, mostrou-lhe que Cecília não tirava os olhos da amiga, mas o seu rosto reflectia uma expressão enigmática. Uma muito semelhante à do seu irmão quando este sabia algo que os outros não sabiam.
**Fim de Flashback**
Será que Cecília também vira alguma coisa? Ou talvez fosse apenas Linda a anormal das três, que tivera uma alucinação no pior momento possível. Porque, se não fosse ela, quem mais poderia ser?
A ideia de que Mari pudesse ser a culpada e que tivesse, de algum modo, lhe transmitido a visão passara-lhe na cabeça, mas era ridícula desde a raiz.
Mas, por precaução, não a excluiu dos seus pensamentos. Nem tampouco afastou-se muito dos corredores. Vira apenas as costas da mulher da visão, contudo tinha a leve sensação de que já a tinha visto em algum lado. Não tinha dúvidas de que aquela mulher possuía a Flor de Mercúrio. E que aqueles corredores que vira eram os corredores daquela escola. Aquela mulher estava em perigo, possivelmente naquele preciso dia.
Suspirou, derrotada. Não sabia como obter as suas respostas. Não no que tocava a Mari. Talvez lentamente fosse a descobrir, mas por agora decidiu esperar.
Afastou o biombo para ela poder passar. Separada de Mari, mal teve tempo para pensar no que iria fazer a seguir quando Cecília entrou.
-Correu bem? – Perguntou Linda, tentando meter conversa. Cecília apenas encolheu os ombros.
-Sim correu. – Respondeu a morena, curtamente. Cecília abriu a boca para dizer alguma coisa, mas as palavras perderam-se pelo caminho deixando os dedos das duas mãos a entrelaçarem-se nervosamente entre si, silêncio preenchendo o ar até que a morena finalmente conseguiu falar. – Linda, acerca da minha mãe…
- Não tens que dizer nada, Cecília. – Interrompeu Linda, suavemente. - É a tua mãe e entendo que queiras que ela te venha ver. A tua lealdade a mim não ultrapassa os teus desejos.
Cecília soltou um pequeno sorriso grato.
-Já pareces a minha mãe com essas frases filosóficas ou cheias de sentido.
Linda soltou uma pequena risada.
-Pois é, já me tinha esquecido que as atitudes da tua mãe não são nada normais.
-É o que dá estar sempre a ler… - Argumentou Cecília, rindo-se das atitudes da mãe. Linda estava tão habituada à forma de Misaki se expressar que nem sequer se lembrou que, aos olhos dos outros, Misaki era uma ave rara.
Involuntariamente, não conseguiu deixar de invejar Cecília pela sua relação com a mãe. No passado, ela daria todos os seus melhores brinquedos para ter uma tarde bem passada com a sua mãe. Agora perguntava-se se valia a pena sequer pensar nela como mãe. Nunca tivera um papel importante na sua vida e nunca pareceu querer deixar de o ser, a não ser naquela ocasião no seu oitavo aniversário. E essa memória, em vez de a pôr infeliz, irritava-a pois não a permitia fazer juízos de valor à sua instável mãe.
Como se adivinhasse os seus pensamentos, Cecília tratou de mudar de assunto:
-Como está a Mari? Passei pela Aiko nos corredores e parecia muito abalada. Nunca a vi assim.
-É. – Respondeu Linda tristemente. – Não invejo a posição da Aiko, sem saber o que se passa com a Mari e não poder fazer nada para ajudar.
-Eu entendo a posição dela. – Murmurou Cecília, mordendo o lábio inferior. Linda amaldiçoou-se pela sua falta de sensatez.
-Gomen, não me lembrei…
-Deixa para lá, é normal esqueceres-te. Afinal, tu não és lá grande fã da Mari.
Linda mordeu o lábio, inquieta.
-Verdade, mas não sou uma insensível.
Cecília sorriu em retorno.
-Eu sei que não. E agradeço-te ter-me ajudado a carregar a Mari até aqui. Pode não parecer, mas ela faria o mesmo por ti.
Linda duvidou de cada letra que Cecília pronunciou, mas optou pelo protesto silencioso.
A porta da enfermaria voltou a abrir-se, mas Linda não se deu ao trabalho de olhar imediatamente.
-Oh, pelos deuses!
Ao som da voz de Cecília, Linda tornou-se para os rapazes que entregam na enfermaria, um grande grupo de alunos com idade entre as das raparigas e pouco mais velhos. As únicas excepções eram as altas figuras de Kenji e Setsu. Ainda que não lhes conseguisse ver as caras de longe, Linda soube logo que algo estava errado, pois eles carregavam alguém aos ombros. A enfermeira tratou de separar os dois grupos e só aí, Linda soube o que acontecera.
-Acho que o Eiji se aleijou. – Disse Cecília, desnecessariamente. Linda não respondeu, demasiado estupefacta para reagir.
You don’t say, pensou amargamente.
**
-Baka , Aho, Doji, Kusottare, Manuke… [2]
-Sabes que isso significa a mesma coisa, não sabes Setsu? – Gozou Eiji, enquanto a enfermeira punha algodão e betadine nas feridas nas maçãs do rosto. Silvou de dor. – Au!
-Não se queixe. Para a próxima, não entre em pancadarias. – Retorquiu a enfermeira, num tom de voz irritado.
-Mas o que é que vos aconteceu? – Perguntou Linda, aproximando-se de Eiji lentamente, examinando as suas feridas.
A maioria do grupo havia sido dispensado e Kenji fora falar com o segurança, esclarecer os detalhes. Linda rezou para que o homem não fizesse queixas a alguém de ordem superior, ou não só Kenji e Setsu seriam expulsos do recinto, como Eiji teria problemas na sua participação do torneio. Podia até ser desclassificado.
Sentiu os olhos de alguém queimarem-lhe as costas. Tornando-se ligeiramente, Linda notou num dos dois rapazes restantes, um deles sentado numa cadeira, à espera da enfermeira. Linda teve um ligeiro calafrio ao ver-se sob o olhar pesado do rapaz.
-Esses anormais atacaram-nos sem razão. – rugiu o rapaz, os amigos agarrando-lhe os braços para que este não se mexesse.
Ouviu o som de um banco a cair no chão e soube que Eiji se tinha erguido violentamente. Setsu agarrou-o, antes que pudesse tocar no outro:
-Para a próxima, vê se respeitas as pessoas, seu sacana! – Gritou para o outro.
-Você sente-se, se faz favor e atento na língua! Tenho demasiada gente nesta enfermaria. – A enfermeira agarrou Eiji e forçou-o a sentar-se na cadeira. Correu para o outro rapaz. – E você, Senhor Aoki, pense muito bem naquilo que fez. É uma vergonha para esta escola.
Linda ainda esperou que a enfermeira se tornasse para Eiji e que Setsu, que também precisava de curativos, mas a mulher ignorou-os. Controlando a raiva que se acumulava, aproximou-se de Eiji, ajoelhando-se ao pé dele.
-Tens uma pequena mancha no olho direito e um leve corte no rosto. – Examinou Linda. – Doí-te mais alguma coisa?
Eiji esboçou um sorriso sardónico.
-A perna.
Os olhos de Linda aumentaram, para depois se contraírem.
-A perna, Eiji? Tu não só entraste em pancadarias e tiveste uma atitude vergonhada para a nossa escola, principalmente porque a estás a representar num torneio de dança, como também deste cabo da perna!? – Silvou Linda, furiosamente. Eiji engoliu em seco.
-Não sabes o que aconteceu. – Teimou, mantendo contacto visual.
-Então explica-me. Porque eu não estou a ver um final feliz para esta história, deixa-me ao menos entendê-la.
Eiji suspirou.
-Por favor, Linda. Não insistas. Onde está o Setsu? – Perguntou de repente, numa tentativa fraca de mudar de assunto. Linda semicerrou os olhos, mas não persistiu.
-Está ali, a Cecília está a ajudá-lo. – Respondeu secamente.
Eiji fitou Linda, parecendo arrependido.
-Escuta-me, Linda. Eu…
O som da porta a abrir-se sobressaltou Eiji, que quase que se encolheu no banco. Kenji entrou, parecendo cansado. Tinha umas pequenas manchas no rosto mas fora isso estava bem. Linda suspeitou que Eiji só não se saíra pior da luta, porque o irmão e Kenji haviam intervindo. Já os outros três rapazes tinham algumas nódoas negras a formarem-se e o que estava sentado queixava-se de dor de cada vez que a enfermeira lhe passava um curativo no rosto ou no braço.
-E então? – Perguntou Linda, levantando-se. Kenji passou a mão pelo rosto, deformando-o.
-O segurança não vai falar com a Directoria, até porque os outros amigos daquele ali. – Sussurrou, apontando para o aleijado com a cabeça. – Assim o pediram. Não querem problemas. Ele apenas disse que ia estar de olho em nós e que, mais alguma gracinha e punha-nos fora daqui.
Linda deixou escapar o ar que nem sabia que havia prendido. Ao seu lado, Cecília e Setsu fizeram o mesmo.
-Esta foi por pouco. – Sussurrou Cecília. Olhou para Eiji, que estava sentado silenciosamente, as mãos pousadas nos joelhos. – Mas o que faremos com o Eiji? Não está em condições de dançar.
Um ruído despertou-os do silêncio pesado. Um dos jovens havia saído e Aiko voltara.
-Ela já voltou a acordar? – Perguntou a Linda, baixinho. Esta abanou a cabeça.
-Quem? – Perguntou Kenji, parecendo surpreendido.
-A Mari sentiu-se mal. Acabou por desmaiar há pouco tempo. – Respondeu Cecília.
Kenji fez uma careta angustiada e soltou uma pequena praga.
-Eu disse-lhe para vir comigo apanhar ar. Mas que teimosa…
-És um querido por tentar, Kenji. Mas a minha neta é assim. – Disse Aiko, com um pequeno sorriso. Depois, sem dizer mais nada, afastou-se dos jovens a fim de ir ver a neta.
Linda notou no olhar que o irmão deitara no biombo que separava Mari dos outros. Perguntou-se porque é que aquele olhar preocupado lhe parecia o mesmo de sempre mas, contudo, era completamente diferente.
**
Kenji sabia que Linda o observava. Sentia os olhos dela cravados nas suas costas, enquanto colocava unguentos nas pisaduras de Eiji. O seu rosto também reclamava por uns, mas tinha que a ver. Tinha que saber se ela estava bem.
Afastou o biombo e aproximou-se da cama, onde Mari repousava. Aiko murmurava qualquer coisa, mas ele não a escutava inteiramente. Ignorava o que acontecia no outro lado, ou até mesmo no outro lado do pavilhão. De certa forma, deixou de pensar. Só conseguia olhar para ela.
Aiko afastara-se e fora ter com a enfermeira. Ouviu algumas reclamações e algumas respostas tortas vindas da boca da enfermeira, mas não decifrou as palavras. Sentia-se aliciado por um feitiço, um encantamento que o obrigava a aproximar-se, a pegar numa mecha de cabelo cor do trigo e afastá-lo do rosto dela.
Mari mexeu-se um pouco e Kenji abanou a cabeça, tentando libertar-se daqueles pensamentos.
-Avó? – Mari falara, mas com a voz ainda muito fraca. A mão dela viajou automaticamente para a testa, provavelmente sinal de uma dor de cabeça, mas a careta não era muito pronunciada, podia ser apenas uma ténue dor. Mari olhou em redor. Quando os seus olhos verdes encontraram os de Kenji, paralisou.
Kenji ajoelhou-se perto da cama, ficando mais perto dela. Mari tentou levantar-se, mas não devia ter forças suficientes, pois voltou a cabeça voltou a cair na almofada.
-Calma, tens que descansar. Estas tonturas não são normais, não devias fazer movimentos bruscos.
-Hai, Isha. – Murmurou Mari num tom divertido. Kenji riu-se.
-Como te sentes? - perguntou, calmamente, os cotovelos apoiados na beira da cama.
-Pesada. - respondeu Mari, suspirando.
-É o que dá seres casmurra. Eu disse-te para vires comigo.
Mari revirou os olhos, ainda que o seu pequeno sorriso nos lábios a traísse.
-Está bem. Aprendi a lição. Não volta a acontecer.
-Espero bem.
O silêncio acomodou-se. Kenji não sabia o que dizer à loira que o mirava. Que tipo de conversa a haveria de pôr. Não podia deixar que aquele silêncio ganhasse, isso era certo. Tinha que dizer alguma coisa.
-A enfermeira já te deu uma olhadela?
Mari fez uma careta.
-Só se o fez enquanto estive a dormir.
Kenji franziu o sobrolho. Talvez a enfermeira ainda não tivesse tido tempo para a examinar, afinal ele e os rapazes chegaram em muito mau estado. Todavia, talvez nem fosse caso para alarme. Mari devia apenas sentir-se fraca. Talvez era apenas stress dos exames.
-O que aconteceu depois de eu te deixar? Voltaste a sentir uma tontura?
Mari pareceu reflectir.
-Hum… lembrou-me de sentir uma dor de cabeça. Foi forte e veio de repente. E lembro-me também…
-De quê? – Insistiu Kenji, perante o súbito silêncio de Mari.
-De ouvir a Cecília berrar o meu nome. – Respondeu a loira calmamente. Contudo, Kenji soube que ela estava a mentir. Como ele sabia, não podia explicar. Mas sabia que Mari não lhe contara a verdade.
Mari abriu a boca para lhe perguntar qualquer coisa, mas um estrondo vindo do outro lado impediu-a.
**
-Idiota! – Murmurou Linda, seriamente.
-Não és a única que pensa isso. – Respondeu Eiji, sorrindo. Linda teve que se controlar para lhe tirar aquele sorriso pretensioso do rosto dele, ainda que não soubesse se queria fazê-lo com uma estalada ou com um beijo.
Preferiu concentrar-se na pomada que tinha na mão, quebrando qualquer contacto visual com Eiji e deitando um olhar no irmão que se movia em direcção ao biombo como se estivesse enfeitiçado. Assim que o viu desaparecer, suspirou.
Apercebeu-se que estava a ser observada quando sentiu o corpo de Eiji a ficar tenso perante o seu toque, os olhos fitando fortemente alguém por detrás de Linda.
Linda ergueu-se, tendo terminado o seu trabalho. Notou que Cecília e Setsu haviam saído, provavelmente em busca do Sensei Amadeus.
Aiko surgiu, parecendo bastante irritada.
-Que tipo de enfermeiras sóis você? A minha neta está naquela cama há quase uma hora e ainda não lhe fez nada! Como irei saber o que se passa com ela, se você não a examina?
-Caso não tenha notado, a sua neta está na cama a dormir. Não posso fazer nada nesse caso e agora tenho coisas mais importantes a fazer… - Respondeu a enfermeira, friamente, voltando-se para o rapaz. Linda viu os amigos dele a encolherem-se perante o olhar furibundo de Aiko.
-Mais importantes? Esses rapazes andaram à porrada e acha isso mais importante que alguma coisa estranha que possa ter acontecido à minha neta? Eles são crescidinhos, podem tomar conta de si.
-É meu dever socorrer os alunos em necessidade. A sua neta vai ter que esperar. – respondeu a mulher, sem se dar ao trabalho de olhar para Aiko.
Vendo que Aiko estava em vias de partir qualquer coisa, Linda foi para perto dela, agarrando-lhe nas mãos.
-Aiko, calma! A Mari não vai ficar melhor se lhe der sarilhos. Tente acalmar-se. – Tentou consolá-la, enquanto que Aiko assentia com a cabeça, as pálpebras fechadas e tentando esconder lágrimas de frustração. – Calma, vá dar uma volta e depois volte logo. A Mari não está aqui sozinha, tomaremos conta dela.
-Sim… eu vou fazer isso. Vou ter com a Misaki. Ocêuaní narimachitá, Linda.
-Dôitachimachitê, Aiko. Tem feito tudo por mim, é o mínimo que eu posso fazer. – Respondeu a jovem, com um pequeno sorriso, vendo Aiko sair da enfermaria entre suspiros de tranquilização.
O sorriso ficou nos seus lábios até que voltou a sentir os mesmos olhos de há pouco a fitarem-na nas suas costas.
O rapaz olhava para ela de uma forma estranha. Linda mirou os olhos escuros dele, a pupila completamente dilatada enquanto ele olhava para ela, mais propriamente para as pernas dela. Linda engolindo em seco. Já ouvira falar daqueles olhares, mas nunca se sentiu tão incomodada e invadida como naquela altura. Deixou-se ficar parada, olhando horrorizada, o rapaz a beber a visão que o corpo dela lhe dava. O vestido vermelho de Linda tapava o máximo de pele que podia para a dança, mas aquilo que mostrava era o suficiente para alimentar imaginações.
Tudo isto durou apenas uns segundos. Linda sentiu a mão de Eiji na sua, como se este a quisesse afastar dali. O rapaz sorriu.
-Boa vista, hã?
-Cala a boca. – Grunhiu Eiji, o corpo completamente tenso. Linda agarrou-o ao banco, temendo que ele saltasse para cima dele.
-Acalma-te. – Implorou-lhe, preocupada com o que ele pudesse fazer.
-O que se passa aqui? – Perguntou a enfermeira, que se aproximava com uma pequena bandeja de unguentos, algodão e outros medicamentos.
O rapaz queixou-se de Eiji, chamando-o de filho de uma pessoa de trabalho indecente e que realiza acções indecentes.
-Nisso ele até tem razão. – Sussurrou Eiji sombriamente, ignorando o olhar exasperado de Linda.
-Senhor Aoki, controle a sua língua! Não o volto a avisar. E fiquei quieto, ainda não acabei com essa pisadura que tem no joelho. Ele já está despachado? – Perguntou a enfermeira, tornando-se para Linda rispidamente.
-Já.
-Então leve esse rapaz lá para fora. Só coloca os estudantes desta escola em sarilhos.
Linda lançou à enfermeira um olhar de desdém.
-Se fosse a si tinha cuidado. – Murmurou sombriamente. Um silêncio de cortar à faca percorreu a enfermaria.
-Desculpe?
-Ouviu o que eu disse. – Linda não sabia como conseguia ter a voz tão calma, tal era a raiva que circulava nas suas veias. – Se fosse a si tinha cuidado.
-A menina está a ameaçar-me?
-Não, estou a avisá-la. O meu colega magoou-se nestas instalações devido à rebeldia dos seus alunos e você, perfeita enfermeira que é, recusou-se a prestar-lhe curativos, o que vai contra o seu juramento como funcionária da área da saúde. Para não falar da minha colega que está deitada há quase uma hora naquela cama. Como boa enfermeira que sois, não lhe deu na cabeça em perguntar à avó da rapariga o que ela tinha comido ou outra coisa qualquer. Basicamente, ignorou-a a ela e a todos os outros que não era sua escola. A sua bendita escola.
-Quem é você para me falar dessa maneira?
Linda não conseguia levar o ultraje da mulher a sério.
-Alguém que, a qualquer momento, pode falar com a Directoria. – Linda calou-se, saboreando o efeito das suas palavras. A enfermeira parecia que havia comido algo estragado, os olhos contraídos em desprezo, mas não disse nada que contrariasse o aviso de Linda.
Já esta sentiu-se mais calma depois de expressar tudo aquilo que lhe vinha escondido na garganta desde que Setsu fora obrigado a curar as suas feridas apenas com um pouco de betadine e um pouco de algodão.
Mas depois reflectiu daquilo que havia feito. Ou melhor, daquilo que havia dito em frente a Eiji. Não conseguira controlar a sua arrogância real, como assim fora baptizada por Minako, e agora teria que lamber as feridas. O que iria Eiji pensar dela? Tanto controlo, tanto silêncio…
Era um traço de família, não podia ignorar. Qualquer membro da família real fazia isto quando o jogo não ia em seu favor. Realizava a soma de trunfos para, no fim, os deitar em mesa e embarricar o adversário. Todavia, a forma como o jogo era ganho carecia de humildade e tresandava a um odor de superioridade, daí que era apelada de 'arrogância real'. Algo que ela tentava esconder, não por ser algo da família, mas por ser algo que Mari de certeza que iria adorar em usar contra si.
Para não falar de Eiji. Não queria perder a amizade dele. Aos olhos dele, ela era a misteriosa e serena Linda Tsukino. A imagem que lhe dera não era falsa de todo, mas era melhor que a autêntica. Não conseguia imaginar as consequências de Eiji descobrir a verdade sobre o seu carácter. Seria tão mau quanto ele descobrir as suas origens. Iria afastar-se dela sem subida. Era o que muitos fariam. E após tanto tempo junto dele, Linda já não se conseguia afastar.
Suprimindo o bom senso que tinha, Aoki tornou-se para Eiji, ignorando a enfermeira.
-Estou a ver que ela para além de umas ricas pernas, também tem um instinto rebelde. A tua escola faz das boas.
Foi aí que Linda percebeu finalmente o motivo pela qual Eiji andara à luta.
Fora por causa dela…
-----------------------------------------------------------------------------------------------------
Gomen - Desculpa
Hai - Sim
Isha – Médico / Senhor Doutor
Ocêuaní narimachitá – Obrigada por tudo. (forma mais formal)
Dôitachimachitê – De nada
[2] – Basicamente o mesmo que a frase original (versão não revista) mas em japonês e com menos sinónimos.
‘-Parvo, estúpido, parvalhão, idiota, desmiolado, tolo, pateta... ‘
--------------------------------------------------------------------------------------------------
E pronto... aqui está outro capítulo. Decidi postar agora porque aquilo estava a ficar demasiado grande

Agora falta a parte III e espero que seja a última
. Eu quero mesmo escrever o próximo capítulo
Em relação a este, eu estava tao indecisa. Eu tinha que por o Eiji à pancada, mas não sabia quando. Esta cena da enfermaria foi inventada na hora, pois o meu objectivo foi apenas "ele andou à pancada.. não dança.. ponto final..." mas decidi aprofundar um pouco a cena.
Não gostei muito desta parte. É uma seca e, como já disse, o melhor ainda vai acontecer. Mas por enquanto ficam a pensar...

Espero por ti em cada segundo , porque tu és o meu mundo!

Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
Visitem a minha 1ª Fic ----->The Four elements

Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
Visitem a minha 1ª Fic ----->The Four elements
Editado pela última vez em
Desculpa, eu li bem? Nao gostas desta parte?
Pois olha que eu gostei e muito!
hoje tou assim um pouco azelha nas palavras, mas vou tentar comentar mais ou menos!
'
Em primeiro lugar, acho que aconteceram coisas estranhas neste capitulo! As vozes do Kenji, as dores da Mari, aquela "visao"... Hum... Está tudo relacionado? Cheira-me que sim! Algo me diz que a Mari é uma navegante muito especial, pois para alem de o ser, tambem tem visoes que ajudam nas missoes! Claro que posso estar enganada!
Quanto ao kenji, quase de certeza que sao sintomas amorosos!
O rapaz fica nervoso e tem de falar com alguem! bora falar consigo mesmo! lol
Depois, achei curiosa a abordagem de Misaki. Estava á espera que ela fosse mais... Bitch! Em vez disso até estava calma, vá! Mas aquele comentariozinho levantou umas suspeitas que me agradaram! Estou ansiosa que o Eiji descubra que a Linda é Princesa!
Ele dava um belo principe, até já anda á chapada por ela! Que fixe! kekeke! Ainda bem que aprofundaste mais essa cena, só quero saber é porque querias que ele nao pudesse dançar! Vê mas é se a Linda manda o outro para um sitio que eu cá sei! 
Bom, sem mais nada a dizer, eu gostei do capitulo, das descriçoes, dos sentimentos e das situaçoes! Estou para ver o resto!
bjokas!
PS: vais escrever outra fic?! eu tambem estou a planear outra, mas desta vez sem nada sobrenatural! Lol, depois quero saber mais pormenores!
Pois olha que eu gostei e muito!
hoje tou assim um pouco azelha nas palavras, mas vou tentar comentar mais ou menos!
'Em primeiro lugar, acho que aconteceram coisas estranhas neste capitulo! As vozes do Kenji, as dores da Mari, aquela "visao"... Hum... Está tudo relacionado? Cheira-me que sim! Algo me diz que a Mari é uma navegante muito especial, pois para alem de o ser, tambem tem visoes que ajudam nas missoes! Claro que posso estar enganada!

Quanto ao kenji, quase de certeza que sao sintomas amorosos!
O rapaz fica nervoso e tem de falar com alguem! bora falar consigo mesmo! lolDepois, achei curiosa a abordagem de Misaki. Estava á espera que ela fosse mais... Bitch! Em vez disso até estava calma, vá! Mas aquele comentariozinho levantou umas suspeitas que me agradaram! Estou ansiosa que o Eiji descubra que a Linda é Princesa!
Ele dava um belo principe, até já anda á chapada por ela! Que fixe! kekeke! Ainda bem que aprofundaste mais essa cena, só quero saber é porque querias que ele nao pudesse dançar! Vê mas é se a Linda manda o outro para um sitio que eu cá sei! 
Bom, sem mais nada a dizer, eu gostei do capitulo, das descriçoes, dos sentimentos e das situaçoes! Estou para ver o resto!
bjokas!
PS: vais escrever outra fic?! eu tambem estou a planear outra, mas desta vez sem nada sobrenatural! Lol, depois quero saber mais pormenores!

as minhas fic's:
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
-Angelical
Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
-Angelical
Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^
Tens de entrar para responderes neste tópico.
Reportar comentário
Escolhe o motivo da denúncia e acrescenta mais contexto se necessário.