A Guardiã dos Sonhos
esta muito gira a tua fic. Ai pobre da Meri o kenji teve de se cortar, ela cria tanto. Ela e a linda nao se dao nada bem, parecem o cao e o gato.
quem sera o novo enimigo a Usagi ta afazer tanto misterio e esta a matarme de curiosidade. lool
quem sera o novo enimigo a Usagi ta afazer tanto misterio e esta a matarme de curiosidade. lool
a minha primeira fic "AS FILHAS DA LUA"passem na minha fic e comentem XD

Traços do destino
visitem o meu forum http://eterna-sailor-moon4.forumeiros.com/forum.htm

Traços do destino
visitem o meu forum http://eterna-sailor-moon4.forumeiros.com/forum.htm
Ui.. tá toda a gente com pena da Mari? Acalmem-se, que eu apoio o Kenji. (Nesta fanfic, a minha palavra é lei
) Ele simplesmente respeitou-a, pois com aquele beijo, a menina poderia ficar com ideias que nao devia. O nosso Kenji não gosta de compromissos (Já se tá a ver porque se dá tão bem com o Setsu) :/
E depois, este casalinho vai ter outras oportunidades
Ups, acho que não me expliquei muito bem.
O capítulo era sobre: Flor de Venus e Flor de Saturno.
Ora, a primeira já mencionei. Apenas não disse o nome, porque ainda haverá uma reviravolta por causa desta tipa.
A segunda.... Acho que já dá para ver porque é que o Homem baixo queria "conversar" com o Bunko. (Ele até é timido e reservado que nem a Hotaru e talz...)
Ainda não descobriram quem é o inimigo? O_o Atão não se tá a ver que é o Pai-Natal? xDD Ele quer florzinhas do Universo para decorar a sua casa no Pólo Sul (pois, com o degelo no norte, ele teve que emigrar pró sul)
Muito obrigada pelos comentários lulumoon e monica
) Ele simplesmente respeitou-a, pois com aquele beijo, a menina poderia ficar com ideias que nao devia. O nosso Kenji não gosta de compromissos (Já se tá a ver porque se dá tão bem com o Setsu) :/E depois, este casalinho vai ter outras oportunidades

Ups, acho que não me expliquei muito bem.
O capítulo era sobre: Flor de Venus e Flor de Saturno.
Ora, a primeira já mencionei. Apenas não disse o nome, porque ainda haverá uma reviravolta por causa desta tipa.
A segunda.... Acho que já dá para ver porque é que o Homem baixo queria "conversar" com o Bunko. (Ele até é timido e reservado que nem a Hotaru e talz...)
Ainda não descobriram quem é o inimigo? O_o Atão não se tá a ver que é o Pai-Natal? xDD Ele quer florzinhas do Universo para decorar a sua casa no Pólo Sul (pois, com o degelo no norte, ele teve que emigrar pró sul)
Muito obrigada pelos comentários lulumoon e monica

Espero por ti em cada segundo , porque tu és o meu mundo!

Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
Visitem a minha 1ª Fic ----->The Four elements

Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
Visitem a minha 1ª Fic ----->The Four elements
ahhh! Agora faz sentido a cena do Bunko! Por momentos pensei que ele fosse fazer parte la da seita! 
Vah, eu em parte ate concordo que o kenji nao tenha beijado a Mari, se fosse comigo tambem nao queria pa nao ficar com ideias! lol
Agora outra coisa...
HEllO! Esta gente está toda offline no que diz respeito ás fanfics! Ataum uma fic taum linda ainda so teve dois comentarios? E o mesmo acontece na minha!
Xiça, antigamente eu colocava um capitulo por dia e tinha prai 6 comentarios, agora parece que anda tudo adormecido! lool
Wake up!!!
vah, agora a serio, toca a comentar estas fic's lindas pa haverem actualizaçoes!
bjokas

Vah, eu em parte ate concordo que o kenji nao tenha beijado a Mari, se fosse comigo tambem nao queria pa nao ficar com ideias! lol
Agora outra coisa...
HEllO! Esta gente está toda offline no que diz respeito ás fanfics! Ataum uma fic taum linda ainda so teve dois comentarios? E o mesmo acontece na minha!
Xiça, antigamente eu colocava um capitulo por dia e tinha prai 6 comentarios, agora parece que anda tudo adormecido! lool
Wake up!!!

vah, agora a serio, toca a comentar estas fic's lindas pa haverem actualizaçoes!

bjokas
as minhas fic's:
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
-Angelical
Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
-Angelical
Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^
Menina Ana quando posta mais?! *mim faz ar de santinha*
Eu sei que postaste á pouco tempo, mas ja tou com vontade de ler mais!
E da outra fic tb! lool
vah, isto vai ser troca por troca, tu postas na tua e eu posto na minha!
tou a brincar, mas ate que era um bom negocio!
bjokas
Eu sei que postaste á pouco tempo, mas ja tou com vontade de ler mais!

E da outra fic tb! lool
vah, isto vai ser troca por troca, tu postas na tua e eu posto na minha!

tou a brincar, mas ate que era um bom negocio!

bjokas
as minhas fic's:
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
-Angelical
Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
-Angelical
Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^
Ehehehe, lá diz o ditad: Cá se faz ca se paga. Não posta na tua, eu não posto na minha
Já tenho metade do capítulo feito mas ainda assim.... Não escrevo mais até ter mais comentários
Já tenho metade do capítulo feito mas ainda assim.... Não escrevo mais até ter mais comentários

Espero por ti em cada segundo , porque tu és o meu mundo!

Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
Visitem a minha 1ª Fic ----->The Four elements

Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
Visitem a minha 1ª Fic ----->The Four elements
Ai, realmente!
comentem carago! Comentem que eu quero mais capitulos nesta fic! :g11:
Eu vou postar a primeira parte da minha fic esta noite, por isso tens que postar em breve! lool
Se bem que tu tens razao, nao postes enquanto nao houverem comentarios!
Se a coisa ficar cabeluda postas especialmente pa mim! lool
bjokas
comentem carago! Comentem que eu quero mais capitulos nesta fic! :g11:
Eu vou postar a primeira parte da minha fic esta noite, por isso tens que postar em breve! lool
Se bem que tu tens razao, nao postes enquanto nao houverem comentarios!
Se a coisa ficar cabeluda postas especialmente pa mim! lool
bjokas
as minhas fic's:
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
-Angelical
Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
-Angelical
Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^
Pois bem, já tinha este capitulo escrito há seculos e não pensei em postá-lo porque... bem, não importa.
Posto agora, porque uma usuária dedicou um capitulo a mim e eu fiquei tão comovida que decidi postar o novo capitulo mais cedo.
Dedicado à lulumoon, por ser uma leitora assídua =)
(e não digas que te copiei porque, se tu não lesses a minha fanfic, eu nunca teria curiosidadeem ler as tuas e ficar fã delas)
reescrito a 20/08/2012
Capitulo 17. Um ás na dança
Já passavam das duas da manhã quando Linda finalmente se deitou, pouco preocupada com as aulas do dia seguinte que começavam cedo. Passara grande parte do tempo desde que a avó se despedira, sentada em frente da secretária a pensar. De tanto imaginar respostas para as suas perguntas, sentiu-se zonza, acabando por desistir.
Revirou-se nos lençóis brancos, tentando adormecer. Mas o sono não vinha. Mais uma insónia, talvez. Já fazia algum tempo desde que tivera uma. Suspirou pesadamente, enquanto virava de lado. A sua janela aberta mostrava a lua obscurecida por uma nuvem negra.
Um carneirinho… - Começou a contar, ainda que parte do seu consciente sabia que era inútil. - Dois carneirinhos…Três carneirinhos…
Quem será o inimigo? Perguntava uma vozinha estranha e curiosa dentro da sua cabeça.
Quatro carneirinhos…
Cinco carneirinhos…
Quem serão as outras navegantes?
Seis carneirinhos…
Sete carneirinhos…
Quem é que o homem pensa que eu sou?
Oito carneirinhos…
Oito carneirinhos e meio…
Oito carneirinhos e três quartos…
Ela decidira não contar as palavras do homem nem à avó e nem ao irmão. Temia as suas reações e, acima de tudo, temia que eles lhe mentissem. De certa forma, a sua identidade como navegante valia nada em comparação ao ódio que o homem nutria por ela e que ele nem sequer tentou esconder. Talvez fosse melhor manter aquilo segredo por enquanto. Não precisava de preocupar mais o irmão. Horas antes, ele parecia mesmo afetado, ainda que Linda soubesse que ele estava diferente, se essa era a palavra correta A atitude do irmão era realmente muito estranha. Entrara em casa sem dizer uma palavra, despedira-se e saíra rapidamente, os olhos varrendo o chão. Por mais que Linda tentasse adivinhar, apenas sabia que Mari tinha algo a ver com aquilo. Também ela mantinha os olhos postos no chão, fitando um ponto fixo o rosto traindo um semblante frustrado. O que acontecera com aqueles dois?
A avó também deixara bastantes dúvidas. Após afirmar que Linda conhecia o inimigo e que este estava mais perto do que julgava, despedira-se da mesma forma que Kenji. Nem mesmo perguntando à avó, se ela conseguiria ser uma boa navegante conseguiu uma resposta formulada. Claro que sim! Fora tudo o que Usagi dissera, num sorriso misterioso.
Tanto avó como neto pareciam querer sair daquela casa, como se esta não abarcasse oxigénio necessário para eles respirarem.
No meio das despedidas, Linda encontrou a rosa branca que, por distração, colocara no bolso do seu casaco preto. Pegou nela e levou-a para o seu quarto, colocando-a no meio do primeiro livro que lhe veio à mão. Uma boa forma de conservar tão bela flor.
De repente, lembrou-se do mau presságio, remexendo-se na cama. Seria aquele encontro, que mudara a forma de ela ver o mundo? Ou seria algo que ainda iria acontecer?
Infelizmente, nem a quantidade de raciocínio a deixava dormir. Estava esgotada, tudo aquilo que ela vira durante o dia fora demais. Mas a sua mente não funcionava desse modo. O que ela mais detestava é que ela sempre tivera as insónias desde pequena e sempre fizera tudo para as combater. Começara a praticar dança, de modo a relaxar, a beber certos chás medicinais. Tudo em vão. Volta e meia, ela era atacada por uma dose de insónias. Sabendo que não tinha outra hipótese, afastou os lençóis e levantou-se da cama. Pegou na mochila arrumada atrás da porta e tirou de uma das pequenas bolsas uma caixa de comprimidos que comprara a semana passada. A avó sempre detestara que ela tomasse os sedativos, mas em alturas como aquelas ela não tinha escolha.
Deixou-se ficar deitada à espera que o sedativo fizesse efeito, pensando ironicamente em como ela era a Guardiã dos Sonhos e era totalmente incapaz de manter um ritmo de sono estável, quanto mais sonhar.
***
No seu quarto, Mari encolhia os joelhos contra o tronco, em posição de defesa. Não que precisasse de se defender. Mas de alguma forma, sentia que a sua concha de proteção tivesse ruído. Tudo por causa de um beijo que não acontecera.
Tinha que admitir que Kenji fora o primeiro homem por quem sentia uma atração tão forte. Mas não seria por isso que ficaria tão abalada por ele não a ter beijado.
Teria sido aquele beijo tão importante para ela? Já beijara meia dúzia de rapazes, mas nunca ficara tão impaciente e cheia de desejo por aquele toque de lábios. Nem pelo seu primeiro demonstrara tanto interesse.
Olhou para o relógio da sua cómoda. Duas e um quarto. Já devia estar no sétimo sono, até porque no dia seguinte, iria ter Educação Física e queria estar na melhor forma possível.
Preparou-se para se deitar, até que sentiu a garganta seca. Abanando a cabeça ensonada, levantou-se da cama.
Abriu a porta do quarto, não querendo acordar a avó que roncava no quarto ao lado, e dirigiu-se à cozinha. Abriu o frigorífico e pegou na garrafa de água, despejando parte do seu conteúdo num copo de vidro. Bebeu o líquido num gole. Guardou a garrafa no frigorífico e preparava-se para regressar ao seu quarto, quando viu algo no chão da sala, num canto escuro.
Uma rosa vermelha. Lembrava-se de a ver na mão de Kenji, tendo depois, deixando-a ao de penduro no bolso do casaco. Provavelmente teria caído, com a brusquidão com que ele pegara no seu casaco, desejoso de sair daquela casa. Ao pegar na flor, sentiu os seus pequenos espinhos roçarem na sua pele. Pensou em devolvê-la, mas decidiu não o fazer.
Para ela, aquela rosa tinha um significado muito especial. Não sabia era qual.
Já no quarto, pegou num livro guardado debaixo da cama. Ao abrir a primeira página, deu-se com o conto do Aladino. O pobre jovem que, com a ajuda da mãe e de um génio, conseguira conquistar a princesa.
Tanto ela como a mãe adoravam aquela história. Alias, Mari recebera o nome devido ao conto. A sua mãe prometera a si própria que amaria a sua filha tanto quanto Aladino amava a mãe e a princesa com eterna devoção.
Mari, a amada.
Outros motivos faziam com que Mari adorasse aquela história. Fora através da magia que o protagonista conseguira chegar perto da princesa, acabando esta por se apaixonar por ele e não pelo homem rico que deveria ser.
Tantas vezes sonhava que era Aladino, mas numa versão feminina. Sonhava que um dia, graças à magia, conquistaria o príncipe de Crystal Tokyo que, por acaso, não era muito mais velho do que ela. Até diziam que era atraente.
Claro que os sonhos dissiparam-se com a morte da mãe. Mas a paixão e o carinho que sentia pela história não desapareceu. Por isso, Mari guardou a rosa vermelha dentro do livro, voltando a guardá-lo debaixo da cama, escondido à vista de todos.
Deitou-se e fechou os olhos. O sono não tardou a vir, assim como o sonho. Por coincidência, estava na história de Aladino. Era só ela, a sua mãe e o príncipe. Ela podia fazer coisas mágicas, coisas que permitiram que ela se aproximasse dele.
No dia seguinte poderia negar a si própria que tivesse gostado daquele sonho, mas naquela noite, sorriu ao sonhar que o príncipe que a amava era Kenji.
Posto agora, porque uma usuária dedicou um capitulo a mim e eu fiquei tão comovida que decidi postar o novo capitulo mais cedo.
Dedicado à lulumoon, por ser uma leitora assídua =)
(e não digas que te copiei porque, se tu não lesses a minha fanfic, eu nunca teria curiosidadeem ler as tuas e ficar fã delas)
reescrito a 20/08/2012
Capitulo 17. Um ás na dança
Já passavam das duas da manhã quando Linda finalmente se deitou, pouco preocupada com as aulas do dia seguinte que começavam cedo. Passara grande parte do tempo desde que a avó se despedira, sentada em frente da secretária a pensar. De tanto imaginar respostas para as suas perguntas, sentiu-se zonza, acabando por desistir.
Revirou-se nos lençóis brancos, tentando adormecer. Mas o sono não vinha. Mais uma insónia, talvez. Já fazia algum tempo desde que tivera uma. Suspirou pesadamente, enquanto virava de lado. A sua janela aberta mostrava a lua obscurecida por uma nuvem negra.
Um carneirinho… - Começou a contar, ainda que parte do seu consciente sabia que era inútil. - Dois carneirinhos…Três carneirinhos…
Quem será o inimigo? Perguntava uma vozinha estranha e curiosa dentro da sua cabeça.
Quatro carneirinhos…
Cinco carneirinhos…
Quem serão as outras navegantes?
Seis carneirinhos…
Sete carneirinhos…
Quem é que o homem pensa que eu sou?
Oito carneirinhos…
Oito carneirinhos e meio…
Oito carneirinhos e três quartos…
Ela decidira não contar as palavras do homem nem à avó e nem ao irmão. Temia as suas reações e, acima de tudo, temia que eles lhe mentissem. De certa forma, a sua identidade como navegante valia nada em comparação ao ódio que o homem nutria por ela e que ele nem sequer tentou esconder. Talvez fosse melhor manter aquilo segredo por enquanto. Não precisava de preocupar mais o irmão. Horas antes, ele parecia mesmo afetado, ainda que Linda soubesse que ele estava diferente, se essa era a palavra correta A atitude do irmão era realmente muito estranha. Entrara em casa sem dizer uma palavra, despedira-se e saíra rapidamente, os olhos varrendo o chão. Por mais que Linda tentasse adivinhar, apenas sabia que Mari tinha algo a ver com aquilo. Também ela mantinha os olhos postos no chão, fitando um ponto fixo o rosto traindo um semblante frustrado. O que acontecera com aqueles dois?
A avó também deixara bastantes dúvidas. Após afirmar que Linda conhecia o inimigo e que este estava mais perto do que julgava, despedira-se da mesma forma que Kenji. Nem mesmo perguntando à avó, se ela conseguiria ser uma boa navegante conseguiu uma resposta formulada. Claro que sim! Fora tudo o que Usagi dissera, num sorriso misterioso.
Tanto avó como neto pareciam querer sair daquela casa, como se esta não abarcasse oxigénio necessário para eles respirarem.
No meio das despedidas, Linda encontrou a rosa branca que, por distração, colocara no bolso do seu casaco preto. Pegou nela e levou-a para o seu quarto, colocando-a no meio do primeiro livro que lhe veio à mão. Uma boa forma de conservar tão bela flor.
De repente, lembrou-se do mau presságio, remexendo-se na cama. Seria aquele encontro, que mudara a forma de ela ver o mundo? Ou seria algo que ainda iria acontecer?
Infelizmente, nem a quantidade de raciocínio a deixava dormir. Estava esgotada, tudo aquilo que ela vira durante o dia fora demais. Mas a sua mente não funcionava desse modo. O que ela mais detestava é que ela sempre tivera as insónias desde pequena e sempre fizera tudo para as combater. Começara a praticar dança, de modo a relaxar, a beber certos chás medicinais. Tudo em vão. Volta e meia, ela era atacada por uma dose de insónias. Sabendo que não tinha outra hipótese, afastou os lençóis e levantou-se da cama. Pegou na mochila arrumada atrás da porta e tirou de uma das pequenas bolsas uma caixa de comprimidos que comprara a semana passada. A avó sempre detestara que ela tomasse os sedativos, mas em alturas como aquelas ela não tinha escolha.
Deixou-se ficar deitada à espera que o sedativo fizesse efeito, pensando ironicamente em como ela era a Guardiã dos Sonhos e era totalmente incapaz de manter um ritmo de sono estável, quanto mais sonhar.
***
No seu quarto, Mari encolhia os joelhos contra o tronco, em posição de defesa. Não que precisasse de se defender. Mas de alguma forma, sentia que a sua concha de proteção tivesse ruído. Tudo por causa de um beijo que não acontecera.
Tinha que admitir que Kenji fora o primeiro homem por quem sentia uma atração tão forte. Mas não seria por isso que ficaria tão abalada por ele não a ter beijado.
Teria sido aquele beijo tão importante para ela? Já beijara meia dúzia de rapazes, mas nunca ficara tão impaciente e cheia de desejo por aquele toque de lábios. Nem pelo seu primeiro demonstrara tanto interesse.
Olhou para o relógio da sua cómoda. Duas e um quarto. Já devia estar no sétimo sono, até porque no dia seguinte, iria ter Educação Física e queria estar na melhor forma possível.
Preparou-se para se deitar, até que sentiu a garganta seca. Abanando a cabeça ensonada, levantou-se da cama.
Abriu a porta do quarto, não querendo acordar a avó que roncava no quarto ao lado, e dirigiu-se à cozinha. Abriu o frigorífico e pegou na garrafa de água, despejando parte do seu conteúdo num copo de vidro. Bebeu o líquido num gole. Guardou a garrafa no frigorífico e preparava-se para regressar ao seu quarto, quando viu algo no chão da sala, num canto escuro.
Uma rosa vermelha. Lembrava-se de a ver na mão de Kenji, tendo depois, deixando-a ao de penduro no bolso do casaco. Provavelmente teria caído, com a brusquidão com que ele pegara no seu casaco, desejoso de sair daquela casa. Ao pegar na flor, sentiu os seus pequenos espinhos roçarem na sua pele. Pensou em devolvê-la, mas decidiu não o fazer.
Para ela, aquela rosa tinha um significado muito especial. Não sabia era qual.
Já no quarto, pegou num livro guardado debaixo da cama. Ao abrir a primeira página, deu-se com o conto do Aladino. O pobre jovem que, com a ajuda da mãe e de um génio, conseguira conquistar a princesa.
Tanto ela como a mãe adoravam aquela história. Alias, Mari recebera o nome devido ao conto. A sua mãe prometera a si própria que amaria a sua filha tanto quanto Aladino amava a mãe e a princesa com eterna devoção.
Mari, a amada.
Outros motivos faziam com que Mari adorasse aquela história. Fora através da magia que o protagonista conseguira chegar perto da princesa, acabando esta por se apaixonar por ele e não pelo homem rico que deveria ser.
Tantas vezes sonhava que era Aladino, mas numa versão feminina. Sonhava que um dia, graças à magia, conquistaria o príncipe de Crystal Tokyo que, por acaso, não era muito mais velho do que ela. Até diziam que era atraente.
Claro que os sonhos dissiparam-se com a morte da mãe. Mas a paixão e o carinho que sentia pela história não desapareceu. Por isso, Mari guardou a rosa vermelha dentro do livro, voltando a guardá-lo debaixo da cama, escondido à vista de todos.
Deitou-se e fechou os olhos. O sono não tardou a vir, assim como o sonho. Por coincidência, estava na história de Aladino. Era só ela, a sua mãe e o príncipe. Ela podia fazer coisas mágicas, coisas que permitiram que ela se aproximasse dele.
No dia seguinte poderia negar a si própria que tivesse gostado daquele sonho, mas naquela noite, sorriu ao sonhar que o príncipe que a amava era Kenji.
Espero por ti em cada segundo , porque tu és o meu mundo!

Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
Visitem a minha 1ª Fic ----->The Four elements

Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
Visitem a minha 1ª Fic ----->The Four elements
Editado pela última vez em
***
Na sala escura, brilhavam agora seis Flores. A mais recente, de um roxo brilhante, era muito pequena em comparação às outras, mas o símbolo do Planeta Saturno era perfeitamente visível.
Alguém aproximou-se. Um pouco incomodada pelo espaço onde se encontrava, decidiu a si própria que nunca ficaria ali muito tempo. Mas tinha que ter a certeza de que tudo estava a correr bem.
Examinou a Flor roxa com os seus grandes olhos escuros. Sorriu, ao sentir as vibrações de um rapazinho tímido que tentava a todo o custo conter as lágrimas. As outras Flores choravam também. Elas pressentiam a alma maligna que se encontrava naquela sala.
A Figura baixa aproximou-se. Curvou-se numa vénia e afirmou:
-Já só faltam três. - A sua voz era firme e mostrava um pequeno tom de contentamento.
-Sim. Só três. – Confirmou a figura alta, calmamente. - Após tanto tempo de pesquisa. Tanto tempo de procura. Não me falhes agora. Encontra-as rapidamente. - Ordenou suavemente, sem nunca tirar os olhos dos magníficos exemplares à sua frente. Já não faltava muito para conseguir aquilo que queria. Encontraria a Flor de Mercúrio muito rapidamente e seria uma questão de tempo até conseguir quebrar a barreira que separava a Flor de Vénus de si. Mas a Flor da Terra era a mais complicada. Flor tão rara e tão bela, não poderia ser partilhada com o corpo de um mero mortal. Teria que ser alguém exemplar. Um herói, alguém amado pelo povo. Teria que ser alguém descendente do Reino Primitivo. E a probabilidade de também ser descendente dos Reinos Modernos era grande. Mas ainda assim, eram inúmeras as hipóteses.
Onde é que ela estaria?
***
O dia amanhecera alegremente. As nuvens eram brancas e escassas, de vários tamanhos e formas, podendo se assemelhar a bolas de algodão doce. O céu estava pintado num azul vivo e a promessa de bom tempo estava prestes a se cumprir.
Era estranho pensar que, dali a uns dias, eram férias de Natal e muito provavelmente começaria a nevar.
As jovens que saíram da casa de Aiko tinham um ar sonolento. Talvez por isso é que as duas, pela primeira vez, dirigiram-se para a escola ao mesmo tempo. Mari bocejou pela quinta vez quando se separou de Linda, aproximando-se de Cecília que se encontrava nas escadas, à sua espera. Estava tinha um ar aborrecido e um pouco preocupado.
-Até que enfim que apareceste. Mais um pouco e chegavas atrasada!
-Ah? – Mari não escondia a confusão. - Mas ainda não tocou.
Talvez pelo facto de Mari ter um ar descontraído, Cecília ficou irritada.
-Pois não, não tocou. Não acredito que te esqueceste daquilo que combinamos. Agora o nosso tempo para…
Foi interrompida pela campainha da escola, que soava a alto e bom som, o inicio de um novo dia escolar.
-…acabou. - Terminou Cecília, dirigindo-se para fora da escola ainda irritada com a amiga, que a seguiu um pouco confusa.
O ginásio encontrava-se um pouco distante da escola, no entanto, isso não impedia os alunos de se deslocarem devagar para as aulas. O Sensei chegava tarde e terminava cedo. Mas não era por isso que era adorado por todos os alunos.
Amadeu Tanaka era um homem calvo com objetivos, sendo um deles encontrar um desporto adequado para cada aluno. Não havia um único aluno nas suas turmas que não tivesse jeito para qualquer desporto que fosse. Desde Rina, uma rapariga gordinha que parecia mais lenta do que um caracol, que dedicava-se a luta livre como atividade extracurricular até Koro, um marrão que, para além do xadrez, tinha um talento único para o ténis de mesa.
Naquela altura, três meses desde o início do ano letivo, todos os seus alunos do ano anterior estavam enquadrados. Se bem que havia outros que nunca se enquadrariam em certos grupos por serem melhores em tudo. Mari Nakamura, Ryo Sato e Eiji Yamamoto eram exemplos. Os três pareciam enquadrar-se em qualquer desporto. Eiji, no entanto não tinha tanto amor ao desporto quanto Ryo e Mari.
Ultimamente, Amadeus preocupara-se em enquadrar os novos alunos. As duas raparigas novas eram extremamente distintas uma da outra. Descobriu que uma praticava ténis de campo desde os cinco anos, sendo uma quase-pró com dezasseis. Mas Linda Tsukino era diferente. Se a colocasse a jogar futebol, poderia fazer alguns passos de jeito e até marcar uns golos, mas o seu talento não incidia aí.
Nos últimos meses tentara vários desportos, não só para treinar os alunos, mas também para descobrir um outro talento na jovem. Linda parecia ter praticado brevemente cada desporto que ensinara.
No entanto, não só não demonstrava qualquer interesse naqueles desportos, como também a sua maneira de andar o surpreendia.
Por vezes, observava a aluna a mover as pernas de uma forma graciosa, movimentos delicados, rápidos e precisos, como se ela estivesse habituada a fazê-los. Como uma bailarina.
Daí que, naquela aula, tentaria algo novo. Para além de estar a chegar uma altura importante para a escola. Tinham que se preparar. Par não falar que finalmente tivera acesso à ficha de Linda Tsukino, descobrindo uns detalhes interessantes acerca da sua juventude.
Entrou no ginásio com o seu fato de treino verde-escuro, típico de treinador, e pegou no seu apito. O som agudo que saiu do objeto fez com que a atenção dos alunos se centrasse em si. Viu com os seus olhos castanhos, que Ryo roubara a sapatinha a uma colega e tentara marcar cestos vezes sem conta. Viu Cecília com um mau humor invulgar e Linda, como sempre, quieta à espera de novas ordens, sentada longe dos colegas. Havia sido informado de que a rapariga estava a adaptar-se mal à escola. Suspirou, com sorte tudo mudaria naquela aula.
-Ora bem. Vamos começar uma nova aula! Como sabem uma data importante se aproxima. O Torneio de Dança Interescolar realizar-se-á no inicio férias de Natal, o que é aproximadamente daqui a quatro semanas. - Constatou, com satisfação, que todos os alunos estavam atentos às suas palavras - Só podem participar alunos do secundário, com idade mínima de dezasseis anos e idade máxima de dezoito. Já conversei com os alunos da outra turma e selecionei dois pares para competirem com os outros dois que seleccionarei desta turma. - Quando viu a cara de surpresa nos alunos, sorriu - Sim, esta aula será de dança. Quero que todos se organizem em pares mistos. Não quero meninas com meninas, nem brincadeiras estupidas.
Linda semicerrou os olhos em suspeita. Quando os olhos brincalhões do Sensei encontraram os seus, mordeu o lábio.
Não era possível…
-Queres fazer par comigo? - Perguntou Eiji, que se encontrava atrás dela havia bastante tempo, estendendo a mão.
Ela não pôde deixar de sorrir. O atrito entre ela e a turma complicava sempre as coisas no que tocava a equipas, acabando Linda por ser exilada de muitas atividades coletivas. Felizmente, Eiji estava sempre lá para a ajudar.
-Claro! - Pegou na mão estendida por Eiji e este fê-la dar um rodopio, sem aviso. Linda, apanhada de surpresa, quase caiu, provocando uma gargalhada no parceiro. Este endireitou a colega, que corava um pouco.
Recompondo-se, Linda olhou em volta, notando que havia uma rapariga sem par. Cecília estava ao pé do Sensei, com um ar sério, enquanto Amadeus explicava a coreografia à turma. Dois passos em frente, dois para trás, um para o lado e por aí adiante, sendo permitido alguns giros pelo meio. Coreografia bastante simples para quem sabia dançar, complicada para quem desconhecia o desporto em causa.
Antes de o Sensei pôr a música a tocar, um rapaz surgiu da porta do ginásio. Era esguio de corpo e pouco atraente de cara, com olhos e cabelo castanho-escuro e uma pera encaracolada.
-Aquele é o François. - Sussurrou Eiji ao seu ouvido - É da outra turma e é dançarino profissional. Veio de França quando era miúdo. Tanto ele como a Cecília tiveram aulas de uma excelente Sensei e já representaram a escola três vezes, enquanto andavam no básico. No ano passado, a Cecília ficou doente, por isso a escola levou outro par. Fomos arrasados.
-Então será ela a representar a escola. – Constatou Linda.
-Sim, a não ser que haja alguém melhor nesta turma. Na outra sei que não há, ou o François não viria fazer par com a Cecília. Ele só quer as melhores.
-A Escola ganhou o torneio dessas três vezes?
-Não. Eles dançam muito bem, mas o juiz dizia que falta alguma coisa neles. Por isso ficaram sempre com o segundo lugar.
-Que pena. - Linda viu Amadeus murmurar uma coreografia a Cecília e a François, à qual ambos respondiam com um aceno. De seguida juntaram-se aos outros na dança.
A música era latina, as preferidas do Sensei. Apesar de calma, Cecília e François dançavam num ritmo mais apressado. Os movimentos de ambos eram precisamente coreógrafos e mais complexos, mas isso não impedia os alunos curiosos de ver a maneira graciosa de Cecília dançar. Cada movimento seu, cada pirueta, correspondia a uma inspiração e uma expiração. Não cometia erros e, se o cometia, conseguia disfarçar perfeitamente. Ela já conhecia a coreografia, pois dançava com os olhos semifechados e longe da mira dos pés.
Mari estava com Ryo. Era difícil para Linda saber se ela sabia dançar pois, com Ryo Sato como par, era mais prioritário salvar os pés do que dançar a coreografia posta pelo Sensei. Este dava uma volta pelo salão, dando conselhos aos estudantes em como realizar certos passos.
-Não faças assim! - Reprovou Eiji, que olha para Linda com o máximo de cuidado. Esta, enquanto olhava para os outros, fazia os movimentos mandados. No entanto, não fazia o menor esforço em dançar como deve ser - Liberta-te.
Fingiu libertar-se. Queria lá saber se dançava bem ou não. Ela queria era que a aula acabasse. A dança era uma das poucas atividades que ela praticava e que o público conhecia. Todos sabiam que a Princesa de Tokyo dançava. E não seria estupida ao ponto de se expor num torneio interescolar.
Durante quinze longos minutos, enquanto a música rodava e repetia vezes sem conta, Linda rodopiava nos braços de Eiji, que tentava fazer com que ela conseguisse segui-lo. Mas parecia inútil.
-Vá lá, Linda. Tu consegues. – Incentivou o rapaz.
-Não consigo. – Mordeu o lábio ao de leve. Olhou para ele. Os olhos cor de avelã de Eiji estavam fixados nela desde o início da aula. No seu rosto que se contorcia a cada movimento, como se custasse muito fazê-lo.
Ao ver os olhos dela postos em si, Eiji deixou escapar um sorriso.
-Confia em mim.
Falara num tom tão determinado que ela deu por si a deixar-se levar e a realizar movimentos adquiridos na infância.
-Viste? Tu conseguiste. - Ele exibiu um sorriso orgulhoso. Linda sorriu fracamente. Porque é que dos deuses faziam questão de a pôr naquela situação logo naquele dia?
Nos restantes minutos, Eiji tentou fazer com que Linda repetisse o feito anterior. Mas ela falhava sempre, evitando olhá-lo nos olhos. Por vezes, ele dizia algumas palavras confortáveis que a deixavam mais leve, fazendo-a realizar alguns passos corretamente. Mas de resto, conseguiu dar a entender que Linda Tsukino não tinha qualquer talento para a dança.
Na sala escura, brilhavam agora seis Flores. A mais recente, de um roxo brilhante, era muito pequena em comparação às outras, mas o símbolo do Planeta Saturno era perfeitamente visível.
Alguém aproximou-se. Um pouco incomodada pelo espaço onde se encontrava, decidiu a si própria que nunca ficaria ali muito tempo. Mas tinha que ter a certeza de que tudo estava a correr bem.
Examinou a Flor roxa com os seus grandes olhos escuros. Sorriu, ao sentir as vibrações de um rapazinho tímido que tentava a todo o custo conter as lágrimas. As outras Flores choravam também. Elas pressentiam a alma maligna que se encontrava naquela sala.
A Figura baixa aproximou-se. Curvou-se numa vénia e afirmou:
-Já só faltam três. - A sua voz era firme e mostrava um pequeno tom de contentamento.
-Sim. Só três. – Confirmou a figura alta, calmamente. - Após tanto tempo de pesquisa. Tanto tempo de procura. Não me falhes agora. Encontra-as rapidamente. - Ordenou suavemente, sem nunca tirar os olhos dos magníficos exemplares à sua frente. Já não faltava muito para conseguir aquilo que queria. Encontraria a Flor de Mercúrio muito rapidamente e seria uma questão de tempo até conseguir quebrar a barreira que separava a Flor de Vénus de si. Mas a Flor da Terra era a mais complicada. Flor tão rara e tão bela, não poderia ser partilhada com o corpo de um mero mortal. Teria que ser alguém exemplar. Um herói, alguém amado pelo povo. Teria que ser alguém descendente do Reino Primitivo. E a probabilidade de também ser descendente dos Reinos Modernos era grande. Mas ainda assim, eram inúmeras as hipóteses.
Onde é que ela estaria?
***
O dia amanhecera alegremente. As nuvens eram brancas e escassas, de vários tamanhos e formas, podendo se assemelhar a bolas de algodão doce. O céu estava pintado num azul vivo e a promessa de bom tempo estava prestes a se cumprir.
Era estranho pensar que, dali a uns dias, eram férias de Natal e muito provavelmente começaria a nevar.
As jovens que saíram da casa de Aiko tinham um ar sonolento. Talvez por isso é que as duas, pela primeira vez, dirigiram-se para a escola ao mesmo tempo. Mari bocejou pela quinta vez quando se separou de Linda, aproximando-se de Cecília que se encontrava nas escadas, à sua espera. Estava tinha um ar aborrecido e um pouco preocupado.
-Até que enfim que apareceste. Mais um pouco e chegavas atrasada!
-Ah? – Mari não escondia a confusão. - Mas ainda não tocou.
Talvez pelo facto de Mari ter um ar descontraído, Cecília ficou irritada.
-Pois não, não tocou. Não acredito que te esqueceste daquilo que combinamos. Agora o nosso tempo para…
Foi interrompida pela campainha da escola, que soava a alto e bom som, o inicio de um novo dia escolar.
-…acabou. - Terminou Cecília, dirigindo-se para fora da escola ainda irritada com a amiga, que a seguiu um pouco confusa.
O ginásio encontrava-se um pouco distante da escola, no entanto, isso não impedia os alunos de se deslocarem devagar para as aulas. O Sensei chegava tarde e terminava cedo. Mas não era por isso que era adorado por todos os alunos.
Amadeu Tanaka era um homem calvo com objetivos, sendo um deles encontrar um desporto adequado para cada aluno. Não havia um único aluno nas suas turmas que não tivesse jeito para qualquer desporto que fosse. Desde Rina, uma rapariga gordinha que parecia mais lenta do que um caracol, que dedicava-se a luta livre como atividade extracurricular até Koro, um marrão que, para além do xadrez, tinha um talento único para o ténis de mesa.
Naquela altura, três meses desde o início do ano letivo, todos os seus alunos do ano anterior estavam enquadrados. Se bem que havia outros que nunca se enquadrariam em certos grupos por serem melhores em tudo. Mari Nakamura, Ryo Sato e Eiji Yamamoto eram exemplos. Os três pareciam enquadrar-se em qualquer desporto. Eiji, no entanto não tinha tanto amor ao desporto quanto Ryo e Mari.
Ultimamente, Amadeus preocupara-se em enquadrar os novos alunos. As duas raparigas novas eram extremamente distintas uma da outra. Descobriu que uma praticava ténis de campo desde os cinco anos, sendo uma quase-pró com dezasseis. Mas Linda Tsukino era diferente. Se a colocasse a jogar futebol, poderia fazer alguns passos de jeito e até marcar uns golos, mas o seu talento não incidia aí.
Nos últimos meses tentara vários desportos, não só para treinar os alunos, mas também para descobrir um outro talento na jovem. Linda parecia ter praticado brevemente cada desporto que ensinara.
No entanto, não só não demonstrava qualquer interesse naqueles desportos, como também a sua maneira de andar o surpreendia.
Por vezes, observava a aluna a mover as pernas de uma forma graciosa, movimentos delicados, rápidos e precisos, como se ela estivesse habituada a fazê-los. Como uma bailarina.
Daí que, naquela aula, tentaria algo novo. Para além de estar a chegar uma altura importante para a escola. Tinham que se preparar. Par não falar que finalmente tivera acesso à ficha de Linda Tsukino, descobrindo uns detalhes interessantes acerca da sua juventude.
Entrou no ginásio com o seu fato de treino verde-escuro, típico de treinador, e pegou no seu apito. O som agudo que saiu do objeto fez com que a atenção dos alunos se centrasse em si. Viu com os seus olhos castanhos, que Ryo roubara a sapatinha a uma colega e tentara marcar cestos vezes sem conta. Viu Cecília com um mau humor invulgar e Linda, como sempre, quieta à espera de novas ordens, sentada longe dos colegas. Havia sido informado de que a rapariga estava a adaptar-se mal à escola. Suspirou, com sorte tudo mudaria naquela aula.
-Ora bem. Vamos começar uma nova aula! Como sabem uma data importante se aproxima. O Torneio de Dança Interescolar realizar-se-á no inicio férias de Natal, o que é aproximadamente daqui a quatro semanas. - Constatou, com satisfação, que todos os alunos estavam atentos às suas palavras - Só podem participar alunos do secundário, com idade mínima de dezasseis anos e idade máxima de dezoito. Já conversei com os alunos da outra turma e selecionei dois pares para competirem com os outros dois que seleccionarei desta turma. - Quando viu a cara de surpresa nos alunos, sorriu - Sim, esta aula será de dança. Quero que todos se organizem em pares mistos. Não quero meninas com meninas, nem brincadeiras estupidas.
Linda semicerrou os olhos em suspeita. Quando os olhos brincalhões do Sensei encontraram os seus, mordeu o lábio.
Não era possível…
-Queres fazer par comigo? - Perguntou Eiji, que se encontrava atrás dela havia bastante tempo, estendendo a mão.
Ela não pôde deixar de sorrir. O atrito entre ela e a turma complicava sempre as coisas no que tocava a equipas, acabando Linda por ser exilada de muitas atividades coletivas. Felizmente, Eiji estava sempre lá para a ajudar.
-Claro! - Pegou na mão estendida por Eiji e este fê-la dar um rodopio, sem aviso. Linda, apanhada de surpresa, quase caiu, provocando uma gargalhada no parceiro. Este endireitou a colega, que corava um pouco.
Recompondo-se, Linda olhou em volta, notando que havia uma rapariga sem par. Cecília estava ao pé do Sensei, com um ar sério, enquanto Amadeus explicava a coreografia à turma. Dois passos em frente, dois para trás, um para o lado e por aí adiante, sendo permitido alguns giros pelo meio. Coreografia bastante simples para quem sabia dançar, complicada para quem desconhecia o desporto em causa.
Antes de o Sensei pôr a música a tocar, um rapaz surgiu da porta do ginásio. Era esguio de corpo e pouco atraente de cara, com olhos e cabelo castanho-escuro e uma pera encaracolada.
-Aquele é o François. - Sussurrou Eiji ao seu ouvido - É da outra turma e é dançarino profissional. Veio de França quando era miúdo. Tanto ele como a Cecília tiveram aulas de uma excelente Sensei e já representaram a escola três vezes, enquanto andavam no básico. No ano passado, a Cecília ficou doente, por isso a escola levou outro par. Fomos arrasados.
-Então será ela a representar a escola. – Constatou Linda.
-Sim, a não ser que haja alguém melhor nesta turma. Na outra sei que não há, ou o François não viria fazer par com a Cecília. Ele só quer as melhores.
-A Escola ganhou o torneio dessas três vezes?
-Não. Eles dançam muito bem, mas o juiz dizia que falta alguma coisa neles. Por isso ficaram sempre com o segundo lugar.
-Que pena. - Linda viu Amadeus murmurar uma coreografia a Cecília e a François, à qual ambos respondiam com um aceno. De seguida juntaram-se aos outros na dança.
A música era latina, as preferidas do Sensei. Apesar de calma, Cecília e François dançavam num ritmo mais apressado. Os movimentos de ambos eram precisamente coreógrafos e mais complexos, mas isso não impedia os alunos curiosos de ver a maneira graciosa de Cecília dançar. Cada movimento seu, cada pirueta, correspondia a uma inspiração e uma expiração. Não cometia erros e, se o cometia, conseguia disfarçar perfeitamente. Ela já conhecia a coreografia, pois dançava com os olhos semifechados e longe da mira dos pés.
Mari estava com Ryo. Era difícil para Linda saber se ela sabia dançar pois, com Ryo Sato como par, era mais prioritário salvar os pés do que dançar a coreografia posta pelo Sensei. Este dava uma volta pelo salão, dando conselhos aos estudantes em como realizar certos passos.
-Não faças assim! - Reprovou Eiji, que olha para Linda com o máximo de cuidado. Esta, enquanto olhava para os outros, fazia os movimentos mandados. No entanto, não fazia o menor esforço em dançar como deve ser - Liberta-te.
Fingiu libertar-se. Queria lá saber se dançava bem ou não. Ela queria era que a aula acabasse. A dança era uma das poucas atividades que ela praticava e que o público conhecia. Todos sabiam que a Princesa de Tokyo dançava. E não seria estupida ao ponto de se expor num torneio interescolar.
Durante quinze longos minutos, enquanto a música rodava e repetia vezes sem conta, Linda rodopiava nos braços de Eiji, que tentava fazer com que ela conseguisse segui-lo. Mas parecia inútil.
-Vá lá, Linda. Tu consegues. – Incentivou o rapaz.
-Não consigo. – Mordeu o lábio ao de leve. Olhou para ele. Os olhos cor de avelã de Eiji estavam fixados nela desde o início da aula. No seu rosto que se contorcia a cada movimento, como se custasse muito fazê-lo.
Ao ver os olhos dela postos em si, Eiji deixou escapar um sorriso.
-Confia em mim.
Falara num tom tão determinado que ela deu por si a deixar-se levar e a realizar movimentos adquiridos na infância.
-Viste? Tu conseguiste. - Ele exibiu um sorriso orgulhoso. Linda sorriu fracamente. Porque é que dos deuses faziam questão de a pôr naquela situação logo naquele dia?
Nos restantes minutos, Eiji tentou fazer com que Linda repetisse o feito anterior. Mas ela falhava sempre, evitando olhá-lo nos olhos. Por vezes, ele dizia algumas palavras confortáveis que a deixavam mais leve, fazendo-a realizar alguns passos corretamente. Mas de resto, conseguiu dar a entender que Linda Tsukino não tinha qualquer talento para a dança.
Espero por ti em cada segundo , porque tu és o meu mundo!

Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
Visitem a minha 1ª Fic ----->The Four elements

Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
Visitem a minha 1ª Fic ----->The Four elements
Editado pela última vez em
Já dizia a avó do Sensei Amadeus que este tinha três olhos de mocho. O que até era correto. Utilizando um olho, Amadeus conseguia ver os alunos que tentavam dançar, a maioria falhando. Com o outro, via Cecília e François dançarem uma coreografia mais avançada, com sucesso. E o terceiro estava posto na Menina Tsukino.
Riu-se ao vê-la dançar. Qualquer Sensei diria que aquela rapariga era extremamente desastrada e que nunca dançaria na vida. Nem mesmo tendo Eiji como par que, tal como Cecília, tivera aulas de dança ainda que breves.
Mas ele não diria isso. Apenas afirmaria que Linda Tsukino não gostava de chamar as atenções. Sim, porque ele sabia que ela fingia. Ela sabia dançar.
Gostava era de saber porque é que ela fingia não saber, considerando que estava no seu processo escolar.
Como bom Sensei que era, tinha que lhe dar um empurrão.
-Menina Tsukino! - A sua voz soou por todo o ginásio. Todos os alunos abrandaram, a fim de ouvir o que o Sensei ia dizer. Linda parou bruscamente. Viu que todos os lados olhavam entre ela e o Sensei com os olhos a brilhar de curiosidade e um pouco de malicia. O sorriso de Mari e de uma colega ao lado dela não escondiam a diversão.- Não me obrigue a chumbá-la.
Alguns alunos entraram em choque. Linda semicerrou os olhos, entendendo a mensagem. Ele tinha visto o processo escolar. Ele sabia que ela sabia dançar. Ela havia dito à Diretora que não iria dançar naquele ano e pretendia cumprir a sua palavra. Haveria de recusar a oferta de uma participação no torneio interescolar. Não se podia colocar em tais riscos.
À sua volta, muitos dos seus colegas entreolhavam-se um pouco chocados, com se temessem que o Sensei também os chumbasse por dançarem mal como Linda.
Agarrou a mão de Eiji e realizou todos os passos do Sensei, sem errar nenhum. Deu um rodopio e recomeçou os passos, sendo acompanhada por Eiji, que estava perplexo.
-Tu sabes dançar! – Disse ele.
Linda confirmou com a cabeça, sem dizer uma palavra e evitando mirar Eiji nos olhos. Sabia que lhe devia uma explicação, mas por agora mais valia entregar-se à dança.
O som do apito interrompeu a dança mais uma vez. Amadeus estava contente com aquilo que tinha visto.
-Muito bem. Todos vocês atingiram os requisitos pedidos. Agora… Quatro pares irão dançar outra música e desses quatro, dois serão escolhidos para competir contra os outros dois da outra turma, a fim de ganharem o direito de representar a escola no Torneio. Não façam essas caras! – Acrescentou ao ver a mateia de rostos aborrecidos e cansados. – Ainda não fizeram nada de mais nesta aula. Não reclamem o esforço. Além disso, é uma honra representar a escola num torneio destes.
-Ora bem… - Olhou para o seu caderno, escrevendo algumas notas e lendo outras. Os alunos ficaram à espera em silêncio.
Linda sentiu um nó na garganta quando Eiji tornou-se para ela.
-Porque não me contaste que dançavas? – Perguntou, o tom de voz desvendando um pequeno fio de mágoa.
Linda suspirou.
-Sabes que tenho uns problemas, Eiji. Não me convém chamar a atenção.
Eiji passou a mão pela cara, desfazendo a careta.
-Acredita Linda. Não precisas de te esforçar para chamar as atenções. Já estás farta de o fazer.
Linda tentou sorrir, mas os contornos dos lábios pouco se moveram.
-Como é que fizeste aquilo? – Perguntou ele.
-Aquilo o quê?
-Aquele conforto, elegância e confiança. Parecia que sabias todos os passos que eu ia fazer. Quem é que te ensinou esse truque?
Linda ficou calada por um pouco, pensando naquilo que ia dizer.
-Não é exatamente um truque. Basta apenas saber dançar e conhecer o parceiro.
Ainda que tivesse dito isso a Eiji, demorara um pouco até ela chegar à conclusão de que não era truque nenhum. Porque ela adorava a ideia de conhecer um truque que lhe permitira dançar como uma profissional. Um truque contado pelo pai.
A sua mente vagueou por memória perdidas, como uma cassete de vídeo antiga. Estava agora na sala de dança do palácio, onde grandes espelhos cobriam as paredes beges e nuas. Estava à espera do irmão e da professora de dança e tentava, sozinha, realizar certos passos de dança que vira os avós realizarem num baile.
No meio das suas piruetas infantis, desequilibrou-se e caiu para trás. Antes mesmo de embater no chão, alguém agarrou-a.
Pondo-se direita, olhou para a pessoa que a socorrera, querendo agradecer-lhe. Mas a fala ficara-lhe presa na sua garganta de menina de seis anos.
Todas as mulheres que conhecia elogiavam a escolha de maridos da avó e da mãe. Tanto o avô como o pai eram homens extremamente atraentes e carismáticos, espantando o sexo feminino com as suas palavras mansas, sentido de humor e maneiras.
Mas havia um certo fascínio no pai que ela não sabia explicar. Talvez fosse os seus cabelos loiros tão dourados como o amarelo forte com o qual ela sempre pintava o sol nos seus desenhos ou os seus olhos cor de brandy, que mais pareciam uma pintura de cores de caramelo com o castanho dos carvalhos e uma pitada de ouro brilhante. Ou talvez fosse o queixo definido, exatamente igual ao do filho.
Indiferenças e zangas à parte, ela sempre achara (secretamente) que o seu pai era um homem muito bem-parecido, em comparação aos outros que ela já vira, ainda que naquela altura ela não desse valor ao aspecto do pai, como qualquer menina da sua idade.
Infelizmente, o brilho dos olhos não correspondia ao brilho das suas ações.
-Não podes dançar sem conheceres o teu parceiro. - Dissera ele, calmamente. Os seus olhos percorriam Linda de cima a abaixo, como querendo vê-la melhor. Como Linda não respondera, largou um suspiro. - Eu ensino-te. Vem, agarra a minha mão.
Tremendo um pouco, Linda agarrou a mão do pai. Este mal sentiu a mão pequena dela agarrar a mão gigante dele, fê-la rodopiar. Andaram para a frente e para trás, em todos os sentidos e direções. Ela podia não conhecê-lo, mas ele parecia conhecê-la. Sabia sempre cada passo ela iria dar, mesmo que ela andasse devagarinho e tentasse sempre fazer algo diferente. Parecia ler mentes.
Passaram-se minutos em que Linda dançou com o seu pai, praticando os passos que aprendera nos últimos meses. A certa altura, ele sugeriu que ela pusesse os seus pés em cima dos dele e que o deixasse liderar. Linda encostou-se ao peito do pai, deixando que ele a guiasse pela sala, dançando devagarinho muito junto a ela. Jamais se sentira tão ligada a ele como naquele dia.
Mas todos os bons momentos têm um fim. A professora devia estar a chegar, e o seu pai ainda tinha coisas importantes para fazer. Ele afastou-se, os olhos dele não encontrando os dela, mas demorando um curioso tempo em largar as mãos dela. Finalmente despediu-se de Linda com a cabeça e dirigiu-se para a porta. Linda podia jurar que ele estava transtornado com alguma coisa.
Estava ele quase a chegar à porta, quando a voz conseguiu sair da garganta.
-Pai. – Falara baixo, mas ele ouvira. Porque ele parara perto da porta, sem contudo se virar. Parecia petrificado com o que ouvira, a mão direita paralisada junto à maçaneta, como uma estátua de cera. Provavelmente devia ter ficado zangado com a atitude tão formal que ela lhe dera. Mas Linda não deu por isso na altura. – Obrigada.
Ele assentiu, mas não disse nada. Nunca diria. O pai saiu da sala, fechando a porta cuidadosamente atrás de si. Linda podia jurar que, antes de a porta se fechar e de esconder o rosto do pai, que este sorria.
Linda descobriu que o conselho do pai fazia maravilhas. Conhecendo os passos básicos de dança e o parceiro, tudo era possível na dança. Ao fim de uns anos, Linda e Kenji conseguiam dançar qualquer tipo de dança, sem coreografia definida, e sabendo sempre quando o outro iria fazer um giro ou uma pirueta.
Era mais fácil acreditar que o conselho do pai era mais um truque de magia do que um conselho mesmo. Era mais fácil acreditar que o seu austero pai tinha um truque para todos os problemas, mas era incapaz de entender a filha. Porque Linda nunca conseguiu descobrir como é que o pai conseguia adivinhar cada passo dela logo à primeira.
Era como se a conhecesse.
Riu-se ao vê-la dançar. Qualquer Sensei diria que aquela rapariga era extremamente desastrada e que nunca dançaria na vida. Nem mesmo tendo Eiji como par que, tal como Cecília, tivera aulas de dança ainda que breves.
Mas ele não diria isso. Apenas afirmaria que Linda Tsukino não gostava de chamar as atenções. Sim, porque ele sabia que ela fingia. Ela sabia dançar.
Gostava era de saber porque é que ela fingia não saber, considerando que estava no seu processo escolar.
Como bom Sensei que era, tinha que lhe dar um empurrão.
-Menina Tsukino! - A sua voz soou por todo o ginásio. Todos os alunos abrandaram, a fim de ouvir o que o Sensei ia dizer. Linda parou bruscamente. Viu que todos os lados olhavam entre ela e o Sensei com os olhos a brilhar de curiosidade e um pouco de malicia. O sorriso de Mari e de uma colega ao lado dela não escondiam a diversão.- Não me obrigue a chumbá-la.
Alguns alunos entraram em choque. Linda semicerrou os olhos, entendendo a mensagem. Ele tinha visto o processo escolar. Ele sabia que ela sabia dançar. Ela havia dito à Diretora que não iria dançar naquele ano e pretendia cumprir a sua palavra. Haveria de recusar a oferta de uma participação no torneio interescolar. Não se podia colocar em tais riscos.
À sua volta, muitos dos seus colegas entreolhavam-se um pouco chocados, com se temessem que o Sensei também os chumbasse por dançarem mal como Linda.
Agarrou a mão de Eiji e realizou todos os passos do Sensei, sem errar nenhum. Deu um rodopio e recomeçou os passos, sendo acompanhada por Eiji, que estava perplexo.
-Tu sabes dançar! – Disse ele.
Linda confirmou com a cabeça, sem dizer uma palavra e evitando mirar Eiji nos olhos. Sabia que lhe devia uma explicação, mas por agora mais valia entregar-se à dança.
O som do apito interrompeu a dança mais uma vez. Amadeus estava contente com aquilo que tinha visto.
-Muito bem. Todos vocês atingiram os requisitos pedidos. Agora… Quatro pares irão dançar outra música e desses quatro, dois serão escolhidos para competir contra os outros dois da outra turma, a fim de ganharem o direito de representar a escola no Torneio. Não façam essas caras! – Acrescentou ao ver a mateia de rostos aborrecidos e cansados. – Ainda não fizeram nada de mais nesta aula. Não reclamem o esforço. Além disso, é uma honra representar a escola num torneio destes.
-Ora bem… - Olhou para o seu caderno, escrevendo algumas notas e lendo outras. Os alunos ficaram à espera em silêncio.
Linda sentiu um nó na garganta quando Eiji tornou-se para ela.
-Porque não me contaste que dançavas? – Perguntou, o tom de voz desvendando um pequeno fio de mágoa.
Linda suspirou.
-Sabes que tenho uns problemas, Eiji. Não me convém chamar a atenção.
Eiji passou a mão pela cara, desfazendo a careta.
-Acredita Linda. Não precisas de te esforçar para chamar as atenções. Já estás farta de o fazer.
Linda tentou sorrir, mas os contornos dos lábios pouco se moveram.
-Como é que fizeste aquilo? – Perguntou ele.
-Aquilo o quê?
-Aquele conforto, elegância e confiança. Parecia que sabias todos os passos que eu ia fazer. Quem é que te ensinou esse truque?
Linda ficou calada por um pouco, pensando naquilo que ia dizer.
-Não é exatamente um truque. Basta apenas saber dançar e conhecer o parceiro.
Ainda que tivesse dito isso a Eiji, demorara um pouco até ela chegar à conclusão de que não era truque nenhum. Porque ela adorava a ideia de conhecer um truque que lhe permitira dançar como uma profissional. Um truque contado pelo pai.
A sua mente vagueou por memória perdidas, como uma cassete de vídeo antiga. Estava agora na sala de dança do palácio, onde grandes espelhos cobriam as paredes beges e nuas. Estava à espera do irmão e da professora de dança e tentava, sozinha, realizar certos passos de dança que vira os avós realizarem num baile.
No meio das suas piruetas infantis, desequilibrou-se e caiu para trás. Antes mesmo de embater no chão, alguém agarrou-a.
Pondo-se direita, olhou para a pessoa que a socorrera, querendo agradecer-lhe. Mas a fala ficara-lhe presa na sua garganta de menina de seis anos.
Todas as mulheres que conhecia elogiavam a escolha de maridos da avó e da mãe. Tanto o avô como o pai eram homens extremamente atraentes e carismáticos, espantando o sexo feminino com as suas palavras mansas, sentido de humor e maneiras.
Mas havia um certo fascínio no pai que ela não sabia explicar. Talvez fosse os seus cabelos loiros tão dourados como o amarelo forte com o qual ela sempre pintava o sol nos seus desenhos ou os seus olhos cor de brandy, que mais pareciam uma pintura de cores de caramelo com o castanho dos carvalhos e uma pitada de ouro brilhante. Ou talvez fosse o queixo definido, exatamente igual ao do filho.
Indiferenças e zangas à parte, ela sempre achara (secretamente) que o seu pai era um homem muito bem-parecido, em comparação aos outros que ela já vira, ainda que naquela altura ela não desse valor ao aspecto do pai, como qualquer menina da sua idade.
Infelizmente, o brilho dos olhos não correspondia ao brilho das suas ações.
-Não podes dançar sem conheceres o teu parceiro. - Dissera ele, calmamente. Os seus olhos percorriam Linda de cima a abaixo, como querendo vê-la melhor. Como Linda não respondera, largou um suspiro. - Eu ensino-te. Vem, agarra a minha mão.
Tremendo um pouco, Linda agarrou a mão do pai. Este mal sentiu a mão pequena dela agarrar a mão gigante dele, fê-la rodopiar. Andaram para a frente e para trás, em todos os sentidos e direções. Ela podia não conhecê-lo, mas ele parecia conhecê-la. Sabia sempre cada passo ela iria dar, mesmo que ela andasse devagarinho e tentasse sempre fazer algo diferente. Parecia ler mentes.
Passaram-se minutos em que Linda dançou com o seu pai, praticando os passos que aprendera nos últimos meses. A certa altura, ele sugeriu que ela pusesse os seus pés em cima dos dele e que o deixasse liderar. Linda encostou-se ao peito do pai, deixando que ele a guiasse pela sala, dançando devagarinho muito junto a ela. Jamais se sentira tão ligada a ele como naquele dia.
Mas todos os bons momentos têm um fim. A professora devia estar a chegar, e o seu pai ainda tinha coisas importantes para fazer. Ele afastou-se, os olhos dele não encontrando os dela, mas demorando um curioso tempo em largar as mãos dela. Finalmente despediu-se de Linda com a cabeça e dirigiu-se para a porta. Linda podia jurar que ele estava transtornado com alguma coisa.
Estava ele quase a chegar à porta, quando a voz conseguiu sair da garganta.
-Pai. – Falara baixo, mas ele ouvira. Porque ele parara perto da porta, sem contudo se virar. Parecia petrificado com o que ouvira, a mão direita paralisada junto à maçaneta, como uma estátua de cera. Provavelmente devia ter ficado zangado com a atitude tão formal que ela lhe dera. Mas Linda não deu por isso na altura. – Obrigada.
Ele assentiu, mas não disse nada. Nunca diria. O pai saiu da sala, fechando a porta cuidadosamente atrás de si. Linda podia jurar que, antes de a porta se fechar e de esconder o rosto do pai, que este sorria.
Linda descobriu que o conselho do pai fazia maravilhas. Conhecendo os passos básicos de dança e o parceiro, tudo era possível na dança. Ao fim de uns anos, Linda e Kenji conseguiam dançar qualquer tipo de dança, sem coreografia definida, e sabendo sempre quando o outro iria fazer um giro ou uma pirueta.
Era mais fácil acreditar que o conselho do pai era mais um truque de magia do que um conselho mesmo. Era mais fácil acreditar que o seu austero pai tinha um truque para todos os problemas, mas era incapaz de entender a filha. Porque Linda nunca conseguiu descobrir como é que o pai conseguia adivinhar cada passo dela logo à primeira.
Era como se a conhecesse.
Espero por ti em cada segundo , porque tu és o meu mundo!

Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
Visitem a minha 1ª Fic ----->The Four elements

Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
Visitem a minha 1ª Fic ----->The Four elements
Editado pela última vez em
-Aloh!? Planeta Terra chama Linda Tsukino.
-Ah? – Linda pestanejou com força, desperta dos seus pensamentos. Viu Eiji fitá-la curiosamente, os olhos traindo um pouco de divertimento. O Sensei Amadeus parecia ter feito umas decisões, ainda que Linda podia jurar que ele já as tinha feito minutos antes. Ela tinha-o visto escrever nomes mal pegou no papel, porque ainda demorava?
-Porque raio tens essa mania de dormires acordada? – Perguntou Eiji, de braços levemente cruzados.
-Eu não estava a dormir. Estava a pensar.
-Em quê? No teu pai?
Linda esbugalhou os olhos.
-Eu não estava a pensar no meu pai.
-Estás a mentir. Eu sei que estavas. Estás a morder o lábio e tudo.
Ela soltou um sorriso trocista, um tanto cheio de raiva.
-O Kenji contou-te. Traidor! E ainda nem sei se isso é pior do que o facto de tu me leres os pensamentos.
Eiji riu-se com a cara zangada da amiga.
-Lembra-te que eu moro com o Kenji. Numa ocasião um tanto estranha, conseguimos convencer o Kenji a vir comigo e com o Setsu à discoteca. – Linda ergueu uma sobrancelha. Como é que Eiji conseguiu entrar numa discoteca se era menor? – Lá ele separou-se de nós e quando o encontramos, vimo-lo a dançar algo semelhante a salsa com uma miúda latina. Pôs as miúdas loucas com os seus passos. À vinda para casa, perguntamos-lhe onde ele aprendera aquilo. A diferença entre a tua resposta e a dele era que a dele estava um pouco viciada pelo álcool.
-E aposto que te aproveitaste para lhe fazeres perguntas acerca de mim. – Ripostou Linda, um pouco aborrecida.
-Não, ele falou sozinho. O teu irmão fica mesmo tagarela com os copos. Mas fez bem em contar. Só assim é que se descobre quando a menina Lindinha está a mentir.
-Não me chames Lindinha.
-Meninos, atenção! - Gritou o Sensei, pondo os papéis todos numa mão. - Já escolhi os quatro pares que vão dançar aqui para todos nós. Depois seleccionaremos os melhores. Ora bem, o primeiro par está claro: Cecília Tamura e François Barbieri.
-Barbieri não é italiano? - Sussurrou Linda a Eiji.
-É. Ele de Japonês só tem a avó paterna, que viveu em Tokyo até à fase adulta.
-O segundo par… - continuou o Sensei - Mari Nakamura e Seiya Yoshida. O terceiro; Kiara Yamada e Noriko Ito e finalmente o último; Linda Tsukino e Eiji Yamamoto.
Linda lançou um olhar penetrante ao Sensei. Não importava o que ele achava, ela não iria dançar. Palavra de Linda Tsukino!
À sua volta, a turma olhava para ela. Era óbvio que não estavam à espera que ela soubesse dançar. Logo ela, que devia ser a pessoa mais odiada na turma.
-Uau, é primeira vez que me chamam para representar a escola em algo. – Disse Eiji, mandando um assobio para o ar.
-Drogaste o Sensei, Eiji? - Perguntou Ryo, na brincadeira.
-Achas? O Sensei finalmente viu as minhas qualidades, foi o que foi.
-Desde quando que abanares o rabo que nem o Shin Chan é qualidade?
-Meninos! Peço aos pares, por favor, para se prepararem. As raparigas devem usar sapatos de salto alto que estão disponíveis nos balneários. Peçam um par com o vosso número à funcionária. Vão lá.
Os rapazes marcharam para o seu balneário, enquanto as raparigas iam para o balneário feminino.
Linda fitou-se no espelho, afastada das outras. Tanto ela como as outras raparigas usavam calças fato de treino compridas, permitidas na estação fria, e um top de alças e um casaco. Suspirando, desamarrou os cabelos, notando pelo canto do olho Cecília a fazer o mesmo.
Chamem-lhe louca, mas ela sentia-se melhor com os cabelos a voarem livres do que presos num carrapito.
Kiara, uma jovem afro-asiática, e Mari olhavam as duas curiosamente. Linda não reparou que os olhos de Cecília pousaram nela como uma borboleta desconfiada.
-Também és da desamarram o cabelo? – Perguntou Kiara lentamente. Linda assentiu.
-Prefiro assim.
-Mas o teu cabelo é bastante comprido. – Comentou a jovem, mirando os caracóis de Linda, que tocavam nos cotovelos.
-Sinto-me mais livre com eles soltos. – Linda sentiu-se mal por tirar os óculos, mas não tinha outro remédio.
Cecília sorriu.
-Consegues ver sem os óculos? – Perguntou.
-Mais ou menos. Fica tudo um pouco desfocado. Por isso tenho que pôr lentes. – Respondeu Linda naturalmente. Ao contrário de com Kiara, Linda não tinha problemas em falar com Cecília. Abriu a caixa, deitou umas gotas de líquido nas pálpebras e colocou a lente levemente azulada na superfície do olho. Fez o mesmo para o outro olho. Sabia que as outras três a observavam como um animal no zoo, mas não se sentia incomodada. Pelo menos era o que achava.
Colocou os sapatos de salto alto. Graças a Minako, sabia caminhar com qualquer tipo de sapato, ainda que os seus pés ganhassem pequenas bolhas e hematomas após uma longa noite com o pé curvado.
O salto era raso e pouco comprido. Contudo era uma armadilha para as dançarinas que não conseguiam encontrar o equilíbrio. Um pequeno desequilibro e o resultado seria uma grande queda no chão.
Mari soltou um grunhido, enquanto examinava os seus sapatos escuros.
-A última pessoa que utilizou estes sapatos devia desconhecer o sentido de “pés limpos”.
As quatro raparigas olharam-se no espelho uma última vez antes de saírem dos balneários. Os rapazes já lá estavam, juntos aos outros colegas sentados no chão, e logo causaram um pequeno chinfrim ao assobiarem para elas. Linda corou quando ouviu Eiji a assobiar junto a Ryo, ambos dando altas gargalhadas.
Poucos tinham-se apercebido da presença de uma outra pessoa. A Diretora encontrava-se junto à porta do ginásio, fitando os seus alunos com um sorriso jovial. Trazia vestido uma camisa azul escura e um casaco e saia da cor do vinho.
-Meninos acalmem-se. – O Sensei voltou a soar o seu apito, fazendo com que os alunos se calassem ao se aperceberem da visita. - Tenham respeito pela Senhora Diretora.
-Não há problema, Sensei Tanaka. – Disse a senhora, de uma forma calma e cordial. - Quero apenas ver os nossos concorrentes.
-Oh sim! Vocês. - Apontou para os quatro pares. - Venham para aqui. Vão dançar uma música que eu próprio escolhi. Formam a vossa coreografia. A minha pode ser utilizada, até porque acerta no ritmo da música. Qualquer tipo de dança (contando que seja decente) é valida. Deem o vosso melhor e Guenquidê né.[1]
Aproximou-se da aparelhagem e ligou-a, começando a música.
O rosto de Linda acendeu-se, ainda que parte dela desejava que fosse o contrário:
-Eu conheço esta música - sussurrou. Olhou para Eiji. - Eu conheço a canção.
À sua volta, todos dançavam, com exceção de Cecília e François que davam pequenas voltas simples, fitando um ao outro.
-Conheces? – Inquiriu Eiji, pouco interessado.
-Espera. - Linda travou as mãos de Eiji, que a agarravam. - Eu conheço a música. Sei que, daqui a uns segundos, virá uma parte mais rápida. Não faz sentido estarmos a dançar agora. - Linda afastou um pouco as pernas e estalou os dedos da mão esquerda, ao menos tempo que dava passos de lunge, típicos de ginástica acrobática. Poderia fazer melhor, mas não queria arriscar. - Segue-me e, quando eu disser, agarras na minha mão. Podes vir a ter dificuldade, mas segue o teu instinto, como se me conhecesses o corpo, o pensamento…
-Linda. -Interrompeu Eiji, agora imitando os movimentos dela - Eu conheço-te.
Era uma mentira. Uma mentira que ele considerava verdade. Mas soara tão convincente que Linda deu por si a aceitar as rédeas e a sorrir.
Tal como previra, a música começou a abrandar, o som da viola tocando a solo suavemente como um aviso prévio à agitação que se seguiria. Mari, Kiara e os seus pares foram apanhados de surpresa, ficando extremamente atrapalhado no meio daquela calmaria musical repentina. Na plateia, alguns soltaram risadinhas. Apenas Cecília e François mantiveram o rosto calmo. Obviamente, também eles conheciam a música.
-Agora. - Disse Linda, um segundo antes de a música acelerar. A viola parou e os restantes instrumentos provocaram uma chiadeira harmoniosa ao estilo tango moderno. Eiji agarrou na mão direita dela, ligeiramente atrapalhado. Ao sentir o toque dele, Linda fez os dois rodarem 360º na cintura. Apesar de ter sido apanhado de surpresa com aquele movimento, Eiji não falhou um único passo.
Depois, tudo desapareceu à volta deles. Linda dançava valsa, tango e dança moderna de várias formas e ele conseguia apanhá-la quase por milagre.
A respiração de Linda era acompanhada por um passo. Quando mais acelerada se encontrava a sua respiração, mais rápido ela dançava.
Nunca soube se Eiji fizera de propósito para que ela abrandasse ou se foi apenas a excitação do momento, mas podia jurar que o seu coração saltara da caixa torácica quando ele aproximou o peito dela ao seu. Ficaram assim por um único segundo, que pareceu muito mais a Linda.
Linda afastou-se cautelosamente e pegou na mão estendida de Eiji, continuando a dança mas agora mais devagar. O movimento de Eiji lembrara-a de que estava a dançar como aprendera no palácio. E amaldiçoou-se por se perder tão facilmente quando uma aparelhagem ou outro aparelho de música era ligado.
De repente, Eiji parou e Linda constatou então que a música tinha parado. Formou-se um silêncio breve, quebrado pelo som de palmas vindo do lado de Linda. Cecília batia palmas, claramente impressionada, ainda que Linda tivesse notado num estranho brilho nos olhos castanhos da morena. Em seguida todos fizeram o mesmo, demasiado surpreendidos para dizerem o quer que fosse.
Linda sentiu as suas faces a enrubescer. Olhou para o parceiro por curiosidade e viu-o a sorrir abertamente.
-Excelente! - Exclamou a Diretora, aproximando-se de Linda. Esta olhou em volta e viu que Mari, Kiara e os seus pares estavam agora sentados no chão junto aos outros, ficando apenas ela, Eiji, Cecília e François de pé. - Não será necessário fazer uma nova competição. Serão estes dois pares. - Apontou para os quatro estudantes. - Que irão representar a escola no torneio.
Ao som das suas palavras, gerou-se um pequeno tumulto.
-Sensei? A escola pode participar com dois pares? - Perguntou Cecília, um pouco confusa. Linda mordeu o lábio, lembrando-se da fotografia que vira nos corredores da escola. A mesma fotografia onde o pai era um dos pares vencedores de um torneio semelhante onde ela fora encalhar.
-Sim, sempre pôde. Mas nós nunca tivemos outro par tão bom quanto vocês há muitos anos. Vocês. - Virou-se para Linda e Eiji. - São como uma lufada de ar fresco. Terão tanto sucesso quanto a Menina Tamura e o Menino Barbieri.
-Estou muito orgulhoso de vocês os dois. - Amadeus aproximou-se com um grande sorriso a surgir pelo seu grande bigode grisalho. - É a primeira vez que representas a escola em algo, certo Eiji?
-Sim, Sensei. - Eiji pousou o punho direito no coração e fez um ar dramático. - É uma grande honra para mim. - Dito isso, fingiu chorar desalmadamente, causando risadas por parte dos companheiros. Linda revirou olhos face à infantilidade do amigo.
-Imagino que sim.
Linda decidiu que não podia ficar calada muito mais tempo.
-Sensei, lamento muito mas não poderei concorrer. – Disse num tom lamentoso, que não era falso de todo. Seria uma honra representar a escola num torneio de dança.
Infelizmente quis o destino que ela fosse tão boa na dança que toda a gente em Tokyo assim o soubesse. Não, não podia arriscar.
O rosto de Amadeus enfraqueceu consideravelmente. Linda tremeu ligeiramente face a aquele olhar de deceção.
-Porquê? Dança tão bem! De certeza que se a Menina considerar…
-Eu informei a Diretora que não iria praticar dança este ano. – Interrompeu Linda, procurando a Diretora para a apoiar. Esta assentiu.
-Verdade, a menina havia dito que não iria dançar este ano.
Amadeus não parecia querer desistir. Virou-se para os seus restantes alunos, procurando ajuda.
-Então? Não querem convencer a vossa colega a participar? Seria uma honra para a escola e para ela também!
O atrito entre Linda e a turma era agora visível a léguas, sem qualquer camada de verniz. Todos ficaram calados a olhar para a jovem, como se esperassem que ela dissesse alguma coisa.
Linda suspirou. Ao menos aquela fissura entre ela e a turma tinha as suas vantagens.
O que não contava era que os seus únicos aliados se recusassem a desistir.
-Porque não participas? – Perguntou Eiji, virando-a para ele. – Seria uma oportunidade única. Além disso, era só este ano.
-Não entendes… - tentou explicar Linda, mas qualquer mentira que tivesse na ponta da língua ficou perdida quando ouviu Cecília.
-Tu danças como uma profissional. Nunca vi ninguém como tu. – Aproximou-se de Linda, pondo a mão nas costas da jovem. Linda virou-se para Cecília lentamente, vendo um sorriso luminoso nos lábios da outra. – És como a Diretora disse, uma lufada de ar fresco. Dá para ver que tens um talento natural para isso.
Linda franziu a testa.
-Só dizem isso porque querem ganhar. – Sussurrou. O sorriso de Cecília diminuiu um pouco.
-Verdade. Mas talvez esta seja a tua oportunidade de tu provares à turma aquilo que vales. – Sussurrou em retorno, de modo a que apenas Linda ouvisse.
-Não me importa o que eles pensam. Acredita, já estou habituada a isto.
-Não quer dizer que gostes. – Apontou Cecília, com uma sobrancelha escura erguida num arco perfeito. Linda não tinha resposta a isso.
Era verdade. Estava demasiado habituada à indiferença, mas isso não queria dizer que não lhe custasse verem todos a olharem-na de lado e não a ajudarem no quer que fosse. Já várias vezes Linda acordara de manhã sem vontade de ir para a escola ter com os outros e, por segundos, desejava estar nas suas aula particulares no palácio, onde era tudo tão silencioso tal como na sua situação atual mas sem os olhares frios.
Incomodava-se, sem sombra de dúvida. Tal como ainda lhe incomodava a indiferença dos pais.
Linda ergueu a cabeça. Ficou um pouco surpresa ao ver que Cecília a olhava curiosamente, como se procurasse algo familiar, a sua mão nunca saindo do ombro de Linda. Tentando parecer inapreciável a qualquer teoria que ela formulasse, recuou.
Foi então que reparou que o Sensei falava para os outros de uma forma brusca.
-Gostava de saber se isto é atitude de gente civilizada que os vossos pais vos ensinaram. Estas atitudes não se admitem nesta escola.
A maioria dos alunos baixaram as cabeças, com algum pesar.
-Não percebo. Já vos conheço há algum tempo, não entendo porque de um momento para o outro se recusam a ajudar uma colega vossa que nunca esteve numa escola em primeiro lugar.
Alguns ergueram as cabeças, surpreendidos. Linda controlou-se mesmo a tempo de revirar os olhos. Dava para ver que ninguém na turma lhe prestara verdadeira atenção quando ela se apresentara.
-Ela teve aulas particulares em casa, não sabe o que é estar neste meio social e era vosso dever ajudá-la, não isolá-la. Julgava eu que o problema era da rapariga que não se enquadrava… até agora. – Terminou o professor, lançando um olhar furioso sobre a turma. Alguns olhavam Linda abismados, como se apercebendo do erro que fizeram. Linda ignorou os olhares. Ainda que as palavras do Sensei fossem verdadeiras, não gostou da forma como falou dela, como se ela fosse um camaleão. Sorriu à ironia que encontrara. Os camaleões eram animais anti sociais e mestres da camuflagem. Quantas semelhanças podia encontrar entre ela e um reptil?
Ao seu lado, Eiji mexia os pés de um lado para o outro, provavelmente controlando um formigueiro nos pés. Linda sentiu o nervosismo de Cecília ao seu lado, como se os dois se culpassem pela atitude da turma.
A Diretora suspirou.
-Menina Tsukino, não contou aos seus colegas? Pela cara deles, parece que metade desconhecia desse facto.
-Sim contei. Logo na primeira aula.
A Diretora lançou um olhar austero aos outros alunos.
-Tal como o Sensei Tanaka disse, estas atitudes não de admitem nesta escola. Não sei porque vocês decidiram agir assim para uma nova aluna, mas espero que essa atitude seja corrigida. Não quero que mais incidentes como a luta de comida se voltem a repetir, entendido?
Cabeças assentiram, alguns deitando um olhar de arrependimento em Linda e outros mirando Mari aborrecidamente, esta agindo como se nada fosse. Linda sabia que não seria um sermão da Diretora que a faria mudar de ideias a seu respeito.
Satisfeita pela reação da turma, a Diretora sorriu.
-Muito bem, O aviso foi entregue. Agora falemos de coisas mais alegres. – Tornou-se para os dois pares, sorrindo abertamente para eles. – A nossa escola tem uma grande reputação nos salões de dança. Todavia, há quase vinte e cinco anos que não temos grandes vencedores como vocês os quatro aparentam ser. Esses alunos eram os meus, de quando eu dava aulas de dança.
-A Diretora já deu aulas de dança? – Perguntou Ryo, olhando a Diretora de alto a baixo, como se que duvidando que a mulher com grandes joanetes tivesse sido uma grande dançarina.
-Sim. Foi nessa altura que conheci o melhor dançarino que alguma vez vi. Eu estava em Inglaterra e dei aulas a muitos duques, incluindo ele. Ele representou a nossa escola quando tinha a vossa idade, na altura em que alunos estrangeiros podiam participar nestas competições. - Todos os alunos ouviam a Diretora com atenção, principalmente Linda. Tremeu involuntariamente, sabendo que aluno era esse que a Diretora falava.
-Nós conhecemo-lo? - Perguntou Kiara, no meio das suas amigas. - Se é um duque, já o devemos ter visto nas revistas.
-Sim, vocês o conhecem. Ele é o vosso rei. Edward James Natsumara.
As raparigas logo começaram a cochichar entre si, trocando uma ou outra risadinha. Linda fez uma careta em desagrado. Detestava os comentários acerca do físico do seu pai, que era exatamente aquilo que ouvia.
-A sério? Para além de ser bem-parecido, também sabe dançar? – Perguntou uma rapariga.
-Dançava. – Confirmou a Diretora, com um sorriso nostálgico. - Penso que ele também ensinou os filhos a dançarem como ele. Pelo menos sei que eles dançam.
Ouviu mais uns sussurros, mas Linda estava mais preocupada em focar um ponto fixo no chão e em esconder a sua palidez. Sentia o olhar de Cecília pelo canto do olho, carregado de suspeita.
A conversa parecia ter tomado outras ramificações. Já ninguém se lembrava que os quatro dançarinos ainda se encontravam no meio do salão de pé, à espera de permissão para se sentarem. Todos falavam da família real, a dança já esquecida. Entre um grupo de estudantes, uma aumentou o tom de voz:
-Engraçado como eu nunca vi a cara dos príncipes em lado nenhum. Parece que se escondem de algo.
-Pergunto-me se são patos feios. – Respondeu Kiara, soltando uma risadinha. – Os paparazzi nunca os apanham. É estranho.
-O príncipe duvido. - Disse Mari. - Pelo menos ouvi dizer que ele era atraente como o pai.
Como se sentiria Mari se soubesse que o príncipe que ela acabara de elogiar, cozinhara com ela na noite anterior?
Oh, desgraçada ironia.
Linda foi arrancada dos seus pensamentos quando ouviu alguém mencioná-la.
-Mas a princesa é ainda mais estranha. Essa nunca ninguém viu. Nem mesmo os amigos próximos do Rei e da Rainha.
-Como é que sabes? - Perguntou um rapaz que estava sentado ao lado de Ryo.
-Li numa entrevista a uma duquesa. Ela conhece muito bem o Rei Edward e a Rainha Small Lady e já vira o príncipe de longe. Agora a princesa, nem sinal de vida. Ela deve ser mesmo feia para os pais não a mostrarem à sociedade.
Linda revirou os olhos. Parecia que ninguém naquela turma conseguia ver para além da caixa, limitando-se a pensar que ela ignorava as câmaras porque era feia.
-Mas para isso há as cirurgias plásticas…
-Silêncio! - Gritou a Diretora, o rosto contorcido. Linda ficou-lhe secretamente grata. Duvidava que conseguiria aguentar muito mais aqueles insultos à sua pessoa. - Não admito que insultem a filha de um ex-aluno meu. Para vossa informação, o rei Edward representou esta escola sem que ninguém em Crystal Tokyo soubesse que ele era o sobrinho do rei George, do Reino Unido. Naturalmente, o príncipe e a princesa apenas querem evitar a fama.
Linda não conseguiu deixar de sorrir. O seu respeito pela Diretora aumentou consideravelmente.
-A Diretora conheceu a Rainha Small Lady? – Perguntou Kiara.
A Diretora pensou um pouco, sob os olhares curiosos de toda a turma, incluindo o de Linda. Esta reparou que, enquanto todos relaxavam, o Sensei Amadeus encontrava-se a falar com um funcionário acerca das bolas de futebol para a próxima turma. A conversa obviamente não lhe agradava.
-Acho que conheci, não tenho a certeza. Depois de representar a escola, ele voltou para Inglaterra e só dois anos mais tarde voltei a vê-lo. Estava a estudar Relações Publicas aqui. Fiz-lhe as perguntas do costume, como estava, se a faculdade corria bem, se estava-se a adaptar bem a uma cultura diferente…
«Ele respondeu cada pergunta com um sorriso. Gostava mesmo de estar aqui e várias vezes o encontrei em cafés a dançar com raparigas diferentes. Um dia, fui a um famoso restaurante italiano com o meu marido e encontrei-o lá. Mas não tive oportunidade em cumprimentá-lo pois discutia calorosamente com uma outra rapariga. Ela podia ser a princesa, tinha o cabelo da mesma cor, mas todos dizem que o Rei conheceu a Rainha num baile, portanto deviam ser apenas alguém com a mesma cor de cabelo. Seja como for, os dois discutiam que nem um casal de namorados e os amigos riam-se deles a torto e a direito enquanto os empregados tentavam separar os dois. Nunca ouvi uma mulher insultar tanto um homem como aquela rapariga. Até que o próprio Edward perdeu a cabeça e beijou-a. Podia tê-lo feito só para a calar, mas depois dava para ver que ele próprio estava a gostar. Para vocês parece uma história chata mas se tivessem visto o que os meus olhos viram, teriam rebentado o estômago de tanto riso.
Linda entendia o que ela queria dizer. O avô sempre dissera que a mãe reclamava tanto quanto a avó, principalmente quando não entendia as coisas. E só uma cabeça de serradura como a mãe conseguia fazer o inevitável; fazer com que o calmo e racional Edward Natsumara perdesse a cabeça.
Era tão estranho imaginar os pais numa história de amor. Sempre julgara que eles haviam-se casado por interesse dos dois reinos, tal como todos pensavam. Mas ela sabia que a mulher descrita era a mãe dela. Tinha a certeza. Mas como é que daquele casal com uma relação de cão e gato passara a uma relação de gelo?
Alguns riam-se da história, entendendo o ponto de vista da Diretora. Linda olhou para a mulher. Rezou silenciosamente que a mulher não mencionasse mais a rapariga que confundira com a Rainha. Tinha a certeza que acabaria por ligar Linda a ela.
Infelizmente, aquele não parecia ser o dia para rezas.
-Contudo sei que já vi o rosto da rapariga em algum sítio. – Murmurou a Diretora, pondo a mão no queixo. Linda sentiu a respiração a acelerar. Ao seu lado, Cecília olhava para Linda calmamente, esperando alguma reação por parte da outra jovem.
-Talvez nas revistas. Se era amiga do Rei… - sugeriu alguém, mas Linda não sabia quem. Os seus olhos não descolavam do rosto maduro da Diretora, temendo as suas próximas palavras.
De repente, o céu caiu-lhe em cima.
A Diretora tornou-se para ela.
-Oh sim. Já me lembro. A rapariga era muito parecida com a Menina Tsukino. Era a sua mãe?
Linda não respondeu, demasiado atrapalhada para dizer o quer que seja.
-Duvido. – Disse Cecília de repente, apanhando toda a gente de surpresa. – Se for parecida com a Linda é pura coincidência porque eu conheço a Rainha e sim, Senhora Diretora, a rapariga que viu era a Princesa de Crystal Tokyo. A minha mãe é uma das melhores amigas dela. E esta não tem qualquer ligação com os Tsukino. – Cecília expirou o ar, perante o olhar chocado de toda a gente. – Só vi os príncipes uma vez, num baile. Os rumores são verdadeiros. Herdaram o talento do pai, sem dúvida. Eram como uma lufada de ar fresco.
A última frase fora dita num simples murmúrio e Cecília olhara para Linda de lado, frisando as últimas palavras. Linda empalideceu. Sabia agora onde reconhecia Cecília.
Ela era a filha de Misako, a melhor amiga da sua mãe. Não descobrira logo porque Misako tinha agora o apelido do segundo marido.
Um pequeno tumulto fora instalado na turma. Ninguém parecia saber das aproximações da família de Cecília à família real, daí que todos falavam do assunto sem demonstrar o menor respeito pela colega. Linda reparou que Mari parecia furibunda não só com os comentários da turma, mas também com a própria Cecília, que mantinha o ar digno.
O Sensei Amadeus surgiu e, desculpando a atitude da turma à Diretora, deu a aula por terminada e dispensou os alunos para o balneário.
As raparigas tomaram banho e vestiram-se, enquanto comentavam vários assuntos, sendo o mais popular a revelação de Cecília. Linda sentiu que o ar estava tenso mas não por causa da turma. Algumas raparigas pareciam tentar ser cordiais para com ela logo no primeiro minuto, perguntando a Linda se lhes passava o sabonete ou se preferia usar a escova delas ao invés do pente que Linda usava. Linda apenas usava o pente para escovar os cabelos molhados, antes que eles se perdessem num furacão de caracóis e naquele dia não faria diferente. A tensão aumentava a cada minuto, porque Linda sabia que Cecília sabia.
Demorou-se propositadamente até ela e Cecília serem as últimas no balneário.
Cecília fechou o fecho da mochila e quase que correu para a porta, fechando-a com força.
-Sabes, eu posso não conhecer a princesa, mas sei o nome completo dela. – Disse, fitando a colega sem rodeios. - Linda Chiba Natsumara.
-------------------------------------------------------------------------------
[1] Boa sorte em japonês.
-Ah? – Linda pestanejou com força, desperta dos seus pensamentos. Viu Eiji fitá-la curiosamente, os olhos traindo um pouco de divertimento. O Sensei Amadeus parecia ter feito umas decisões, ainda que Linda podia jurar que ele já as tinha feito minutos antes. Ela tinha-o visto escrever nomes mal pegou no papel, porque ainda demorava?
-Porque raio tens essa mania de dormires acordada? – Perguntou Eiji, de braços levemente cruzados.
-Eu não estava a dormir. Estava a pensar.
-Em quê? No teu pai?
Linda esbugalhou os olhos.
-Eu não estava a pensar no meu pai.
-Estás a mentir. Eu sei que estavas. Estás a morder o lábio e tudo.
Ela soltou um sorriso trocista, um tanto cheio de raiva.
-O Kenji contou-te. Traidor! E ainda nem sei se isso é pior do que o facto de tu me leres os pensamentos.
Eiji riu-se com a cara zangada da amiga.
-Lembra-te que eu moro com o Kenji. Numa ocasião um tanto estranha, conseguimos convencer o Kenji a vir comigo e com o Setsu à discoteca. – Linda ergueu uma sobrancelha. Como é que Eiji conseguiu entrar numa discoteca se era menor? – Lá ele separou-se de nós e quando o encontramos, vimo-lo a dançar algo semelhante a salsa com uma miúda latina. Pôs as miúdas loucas com os seus passos. À vinda para casa, perguntamos-lhe onde ele aprendera aquilo. A diferença entre a tua resposta e a dele era que a dele estava um pouco viciada pelo álcool.
-E aposto que te aproveitaste para lhe fazeres perguntas acerca de mim. – Ripostou Linda, um pouco aborrecida.
-Não, ele falou sozinho. O teu irmão fica mesmo tagarela com os copos. Mas fez bem em contar. Só assim é que se descobre quando a menina Lindinha está a mentir.
-Não me chames Lindinha.
-Meninos, atenção! - Gritou o Sensei, pondo os papéis todos numa mão. - Já escolhi os quatro pares que vão dançar aqui para todos nós. Depois seleccionaremos os melhores. Ora bem, o primeiro par está claro: Cecília Tamura e François Barbieri.
-Barbieri não é italiano? - Sussurrou Linda a Eiji.
-É. Ele de Japonês só tem a avó paterna, que viveu em Tokyo até à fase adulta.
-O segundo par… - continuou o Sensei - Mari Nakamura e Seiya Yoshida. O terceiro; Kiara Yamada e Noriko Ito e finalmente o último; Linda Tsukino e Eiji Yamamoto.
Linda lançou um olhar penetrante ao Sensei. Não importava o que ele achava, ela não iria dançar. Palavra de Linda Tsukino!
À sua volta, a turma olhava para ela. Era óbvio que não estavam à espera que ela soubesse dançar. Logo ela, que devia ser a pessoa mais odiada na turma.
-Uau, é primeira vez que me chamam para representar a escola em algo. – Disse Eiji, mandando um assobio para o ar.
-Drogaste o Sensei, Eiji? - Perguntou Ryo, na brincadeira.
-Achas? O Sensei finalmente viu as minhas qualidades, foi o que foi.
-Desde quando que abanares o rabo que nem o Shin Chan é qualidade?
-Meninos! Peço aos pares, por favor, para se prepararem. As raparigas devem usar sapatos de salto alto que estão disponíveis nos balneários. Peçam um par com o vosso número à funcionária. Vão lá.
Os rapazes marcharam para o seu balneário, enquanto as raparigas iam para o balneário feminino.
Linda fitou-se no espelho, afastada das outras. Tanto ela como as outras raparigas usavam calças fato de treino compridas, permitidas na estação fria, e um top de alças e um casaco. Suspirando, desamarrou os cabelos, notando pelo canto do olho Cecília a fazer o mesmo.
Chamem-lhe louca, mas ela sentia-se melhor com os cabelos a voarem livres do que presos num carrapito.
Kiara, uma jovem afro-asiática, e Mari olhavam as duas curiosamente. Linda não reparou que os olhos de Cecília pousaram nela como uma borboleta desconfiada.
-Também és da desamarram o cabelo? – Perguntou Kiara lentamente. Linda assentiu.
-Prefiro assim.
-Mas o teu cabelo é bastante comprido. – Comentou a jovem, mirando os caracóis de Linda, que tocavam nos cotovelos.
-Sinto-me mais livre com eles soltos. – Linda sentiu-se mal por tirar os óculos, mas não tinha outro remédio.
Cecília sorriu.
-Consegues ver sem os óculos? – Perguntou.
-Mais ou menos. Fica tudo um pouco desfocado. Por isso tenho que pôr lentes. – Respondeu Linda naturalmente. Ao contrário de com Kiara, Linda não tinha problemas em falar com Cecília. Abriu a caixa, deitou umas gotas de líquido nas pálpebras e colocou a lente levemente azulada na superfície do olho. Fez o mesmo para o outro olho. Sabia que as outras três a observavam como um animal no zoo, mas não se sentia incomodada. Pelo menos era o que achava.
Colocou os sapatos de salto alto. Graças a Minako, sabia caminhar com qualquer tipo de sapato, ainda que os seus pés ganhassem pequenas bolhas e hematomas após uma longa noite com o pé curvado.
O salto era raso e pouco comprido. Contudo era uma armadilha para as dançarinas que não conseguiam encontrar o equilíbrio. Um pequeno desequilibro e o resultado seria uma grande queda no chão.
Mari soltou um grunhido, enquanto examinava os seus sapatos escuros.
-A última pessoa que utilizou estes sapatos devia desconhecer o sentido de “pés limpos”.
As quatro raparigas olharam-se no espelho uma última vez antes de saírem dos balneários. Os rapazes já lá estavam, juntos aos outros colegas sentados no chão, e logo causaram um pequeno chinfrim ao assobiarem para elas. Linda corou quando ouviu Eiji a assobiar junto a Ryo, ambos dando altas gargalhadas.
Poucos tinham-se apercebido da presença de uma outra pessoa. A Diretora encontrava-se junto à porta do ginásio, fitando os seus alunos com um sorriso jovial. Trazia vestido uma camisa azul escura e um casaco e saia da cor do vinho.
-Meninos acalmem-se. – O Sensei voltou a soar o seu apito, fazendo com que os alunos se calassem ao se aperceberem da visita. - Tenham respeito pela Senhora Diretora.
-Não há problema, Sensei Tanaka. – Disse a senhora, de uma forma calma e cordial. - Quero apenas ver os nossos concorrentes.
-Oh sim! Vocês. - Apontou para os quatro pares. - Venham para aqui. Vão dançar uma música que eu próprio escolhi. Formam a vossa coreografia. A minha pode ser utilizada, até porque acerta no ritmo da música. Qualquer tipo de dança (contando que seja decente) é valida. Deem o vosso melhor e Guenquidê né.[1]
Aproximou-se da aparelhagem e ligou-a, começando a música.
O rosto de Linda acendeu-se, ainda que parte dela desejava que fosse o contrário:
-Eu conheço esta música - sussurrou. Olhou para Eiji. - Eu conheço a canção.
À sua volta, todos dançavam, com exceção de Cecília e François que davam pequenas voltas simples, fitando um ao outro.
-Conheces? – Inquiriu Eiji, pouco interessado.
-Espera. - Linda travou as mãos de Eiji, que a agarravam. - Eu conheço a música. Sei que, daqui a uns segundos, virá uma parte mais rápida. Não faz sentido estarmos a dançar agora. - Linda afastou um pouco as pernas e estalou os dedos da mão esquerda, ao menos tempo que dava passos de lunge, típicos de ginástica acrobática. Poderia fazer melhor, mas não queria arriscar. - Segue-me e, quando eu disser, agarras na minha mão. Podes vir a ter dificuldade, mas segue o teu instinto, como se me conhecesses o corpo, o pensamento…
-Linda. -Interrompeu Eiji, agora imitando os movimentos dela - Eu conheço-te.
Era uma mentira. Uma mentira que ele considerava verdade. Mas soara tão convincente que Linda deu por si a aceitar as rédeas e a sorrir.
Tal como previra, a música começou a abrandar, o som da viola tocando a solo suavemente como um aviso prévio à agitação que se seguiria. Mari, Kiara e os seus pares foram apanhados de surpresa, ficando extremamente atrapalhado no meio daquela calmaria musical repentina. Na plateia, alguns soltaram risadinhas. Apenas Cecília e François mantiveram o rosto calmo. Obviamente, também eles conheciam a música.
-Agora. - Disse Linda, um segundo antes de a música acelerar. A viola parou e os restantes instrumentos provocaram uma chiadeira harmoniosa ao estilo tango moderno. Eiji agarrou na mão direita dela, ligeiramente atrapalhado. Ao sentir o toque dele, Linda fez os dois rodarem 360º na cintura. Apesar de ter sido apanhado de surpresa com aquele movimento, Eiji não falhou um único passo.
Depois, tudo desapareceu à volta deles. Linda dançava valsa, tango e dança moderna de várias formas e ele conseguia apanhá-la quase por milagre.
A respiração de Linda era acompanhada por um passo. Quando mais acelerada se encontrava a sua respiração, mais rápido ela dançava.
Nunca soube se Eiji fizera de propósito para que ela abrandasse ou se foi apenas a excitação do momento, mas podia jurar que o seu coração saltara da caixa torácica quando ele aproximou o peito dela ao seu. Ficaram assim por um único segundo, que pareceu muito mais a Linda.
Linda afastou-se cautelosamente e pegou na mão estendida de Eiji, continuando a dança mas agora mais devagar. O movimento de Eiji lembrara-a de que estava a dançar como aprendera no palácio. E amaldiçoou-se por se perder tão facilmente quando uma aparelhagem ou outro aparelho de música era ligado.
De repente, Eiji parou e Linda constatou então que a música tinha parado. Formou-se um silêncio breve, quebrado pelo som de palmas vindo do lado de Linda. Cecília batia palmas, claramente impressionada, ainda que Linda tivesse notado num estranho brilho nos olhos castanhos da morena. Em seguida todos fizeram o mesmo, demasiado surpreendidos para dizerem o quer que fosse.
Linda sentiu as suas faces a enrubescer. Olhou para o parceiro por curiosidade e viu-o a sorrir abertamente.
-Excelente! - Exclamou a Diretora, aproximando-se de Linda. Esta olhou em volta e viu que Mari, Kiara e os seus pares estavam agora sentados no chão junto aos outros, ficando apenas ela, Eiji, Cecília e François de pé. - Não será necessário fazer uma nova competição. Serão estes dois pares. - Apontou para os quatro estudantes. - Que irão representar a escola no torneio.
Ao som das suas palavras, gerou-se um pequeno tumulto.
-Sensei? A escola pode participar com dois pares? - Perguntou Cecília, um pouco confusa. Linda mordeu o lábio, lembrando-se da fotografia que vira nos corredores da escola. A mesma fotografia onde o pai era um dos pares vencedores de um torneio semelhante onde ela fora encalhar.
-Sim, sempre pôde. Mas nós nunca tivemos outro par tão bom quanto vocês há muitos anos. Vocês. - Virou-se para Linda e Eiji. - São como uma lufada de ar fresco. Terão tanto sucesso quanto a Menina Tamura e o Menino Barbieri.
-Estou muito orgulhoso de vocês os dois. - Amadeus aproximou-se com um grande sorriso a surgir pelo seu grande bigode grisalho. - É a primeira vez que representas a escola em algo, certo Eiji?
-Sim, Sensei. - Eiji pousou o punho direito no coração e fez um ar dramático. - É uma grande honra para mim. - Dito isso, fingiu chorar desalmadamente, causando risadas por parte dos companheiros. Linda revirou olhos face à infantilidade do amigo.
-Imagino que sim.
Linda decidiu que não podia ficar calada muito mais tempo.
-Sensei, lamento muito mas não poderei concorrer. – Disse num tom lamentoso, que não era falso de todo. Seria uma honra representar a escola num torneio de dança.
Infelizmente quis o destino que ela fosse tão boa na dança que toda a gente em Tokyo assim o soubesse. Não, não podia arriscar.
O rosto de Amadeus enfraqueceu consideravelmente. Linda tremeu ligeiramente face a aquele olhar de deceção.
-Porquê? Dança tão bem! De certeza que se a Menina considerar…
-Eu informei a Diretora que não iria praticar dança este ano. – Interrompeu Linda, procurando a Diretora para a apoiar. Esta assentiu.
-Verdade, a menina havia dito que não iria dançar este ano.
Amadeus não parecia querer desistir. Virou-se para os seus restantes alunos, procurando ajuda.
-Então? Não querem convencer a vossa colega a participar? Seria uma honra para a escola e para ela também!
O atrito entre Linda e a turma era agora visível a léguas, sem qualquer camada de verniz. Todos ficaram calados a olhar para a jovem, como se esperassem que ela dissesse alguma coisa.
Linda suspirou. Ao menos aquela fissura entre ela e a turma tinha as suas vantagens.
O que não contava era que os seus únicos aliados se recusassem a desistir.
-Porque não participas? – Perguntou Eiji, virando-a para ele. – Seria uma oportunidade única. Além disso, era só este ano.
-Não entendes… - tentou explicar Linda, mas qualquer mentira que tivesse na ponta da língua ficou perdida quando ouviu Cecília.
-Tu danças como uma profissional. Nunca vi ninguém como tu. – Aproximou-se de Linda, pondo a mão nas costas da jovem. Linda virou-se para Cecília lentamente, vendo um sorriso luminoso nos lábios da outra. – És como a Diretora disse, uma lufada de ar fresco. Dá para ver que tens um talento natural para isso.
Linda franziu a testa.
-Só dizem isso porque querem ganhar. – Sussurrou. O sorriso de Cecília diminuiu um pouco.
-Verdade. Mas talvez esta seja a tua oportunidade de tu provares à turma aquilo que vales. – Sussurrou em retorno, de modo a que apenas Linda ouvisse.
-Não me importa o que eles pensam. Acredita, já estou habituada a isto.
-Não quer dizer que gostes. – Apontou Cecília, com uma sobrancelha escura erguida num arco perfeito. Linda não tinha resposta a isso.
Era verdade. Estava demasiado habituada à indiferença, mas isso não queria dizer que não lhe custasse verem todos a olharem-na de lado e não a ajudarem no quer que fosse. Já várias vezes Linda acordara de manhã sem vontade de ir para a escola ter com os outros e, por segundos, desejava estar nas suas aula particulares no palácio, onde era tudo tão silencioso tal como na sua situação atual mas sem os olhares frios.
Incomodava-se, sem sombra de dúvida. Tal como ainda lhe incomodava a indiferença dos pais.
Linda ergueu a cabeça. Ficou um pouco surpresa ao ver que Cecília a olhava curiosamente, como se procurasse algo familiar, a sua mão nunca saindo do ombro de Linda. Tentando parecer inapreciável a qualquer teoria que ela formulasse, recuou.
Foi então que reparou que o Sensei falava para os outros de uma forma brusca.
-Gostava de saber se isto é atitude de gente civilizada que os vossos pais vos ensinaram. Estas atitudes não se admitem nesta escola.
A maioria dos alunos baixaram as cabeças, com algum pesar.
-Não percebo. Já vos conheço há algum tempo, não entendo porque de um momento para o outro se recusam a ajudar uma colega vossa que nunca esteve numa escola em primeiro lugar.
Alguns ergueram as cabeças, surpreendidos. Linda controlou-se mesmo a tempo de revirar os olhos. Dava para ver que ninguém na turma lhe prestara verdadeira atenção quando ela se apresentara.
-Ela teve aulas particulares em casa, não sabe o que é estar neste meio social e era vosso dever ajudá-la, não isolá-la. Julgava eu que o problema era da rapariga que não se enquadrava… até agora. – Terminou o professor, lançando um olhar furioso sobre a turma. Alguns olhavam Linda abismados, como se apercebendo do erro que fizeram. Linda ignorou os olhares. Ainda que as palavras do Sensei fossem verdadeiras, não gostou da forma como falou dela, como se ela fosse um camaleão. Sorriu à ironia que encontrara. Os camaleões eram animais anti sociais e mestres da camuflagem. Quantas semelhanças podia encontrar entre ela e um reptil?
Ao seu lado, Eiji mexia os pés de um lado para o outro, provavelmente controlando um formigueiro nos pés. Linda sentiu o nervosismo de Cecília ao seu lado, como se os dois se culpassem pela atitude da turma.
A Diretora suspirou.
-Menina Tsukino, não contou aos seus colegas? Pela cara deles, parece que metade desconhecia desse facto.
-Sim contei. Logo na primeira aula.
A Diretora lançou um olhar austero aos outros alunos.
-Tal como o Sensei Tanaka disse, estas atitudes não de admitem nesta escola. Não sei porque vocês decidiram agir assim para uma nova aluna, mas espero que essa atitude seja corrigida. Não quero que mais incidentes como a luta de comida se voltem a repetir, entendido?
Cabeças assentiram, alguns deitando um olhar de arrependimento em Linda e outros mirando Mari aborrecidamente, esta agindo como se nada fosse. Linda sabia que não seria um sermão da Diretora que a faria mudar de ideias a seu respeito.
Satisfeita pela reação da turma, a Diretora sorriu.
-Muito bem, O aviso foi entregue. Agora falemos de coisas mais alegres. – Tornou-se para os dois pares, sorrindo abertamente para eles. – A nossa escola tem uma grande reputação nos salões de dança. Todavia, há quase vinte e cinco anos que não temos grandes vencedores como vocês os quatro aparentam ser. Esses alunos eram os meus, de quando eu dava aulas de dança.
-A Diretora já deu aulas de dança? – Perguntou Ryo, olhando a Diretora de alto a baixo, como se que duvidando que a mulher com grandes joanetes tivesse sido uma grande dançarina.
-Sim. Foi nessa altura que conheci o melhor dançarino que alguma vez vi. Eu estava em Inglaterra e dei aulas a muitos duques, incluindo ele. Ele representou a nossa escola quando tinha a vossa idade, na altura em que alunos estrangeiros podiam participar nestas competições. - Todos os alunos ouviam a Diretora com atenção, principalmente Linda. Tremeu involuntariamente, sabendo que aluno era esse que a Diretora falava.
-Nós conhecemo-lo? - Perguntou Kiara, no meio das suas amigas. - Se é um duque, já o devemos ter visto nas revistas.
-Sim, vocês o conhecem. Ele é o vosso rei. Edward James Natsumara.
As raparigas logo começaram a cochichar entre si, trocando uma ou outra risadinha. Linda fez uma careta em desagrado. Detestava os comentários acerca do físico do seu pai, que era exatamente aquilo que ouvia.
-A sério? Para além de ser bem-parecido, também sabe dançar? – Perguntou uma rapariga.
-Dançava. – Confirmou a Diretora, com um sorriso nostálgico. - Penso que ele também ensinou os filhos a dançarem como ele. Pelo menos sei que eles dançam.
Ouviu mais uns sussurros, mas Linda estava mais preocupada em focar um ponto fixo no chão e em esconder a sua palidez. Sentia o olhar de Cecília pelo canto do olho, carregado de suspeita.
A conversa parecia ter tomado outras ramificações. Já ninguém se lembrava que os quatro dançarinos ainda se encontravam no meio do salão de pé, à espera de permissão para se sentarem. Todos falavam da família real, a dança já esquecida. Entre um grupo de estudantes, uma aumentou o tom de voz:
-Engraçado como eu nunca vi a cara dos príncipes em lado nenhum. Parece que se escondem de algo.
-Pergunto-me se são patos feios. – Respondeu Kiara, soltando uma risadinha. – Os paparazzi nunca os apanham. É estranho.
-O príncipe duvido. - Disse Mari. - Pelo menos ouvi dizer que ele era atraente como o pai.
Como se sentiria Mari se soubesse que o príncipe que ela acabara de elogiar, cozinhara com ela na noite anterior?
Oh, desgraçada ironia.
Linda foi arrancada dos seus pensamentos quando ouviu alguém mencioná-la.
-Mas a princesa é ainda mais estranha. Essa nunca ninguém viu. Nem mesmo os amigos próximos do Rei e da Rainha.
-Como é que sabes? - Perguntou um rapaz que estava sentado ao lado de Ryo.
-Li numa entrevista a uma duquesa. Ela conhece muito bem o Rei Edward e a Rainha Small Lady e já vira o príncipe de longe. Agora a princesa, nem sinal de vida. Ela deve ser mesmo feia para os pais não a mostrarem à sociedade.
Linda revirou os olhos. Parecia que ninguém naquela turma conseguia ver para além da caixa, limitando-se a pensar que ela ignorava as câmaras porque era feia.
-Mas para isso há as cirurgias plásticas…
-Silêncio! - Gritou a Diretora, o rosto contorcido. Linda ficou-lhe secretamente grata. Duvidava que conseguiria aguentar muito mais aqueles insultos à sua pessoa. - Não admito que insultem a filha de um ex-aluno meu. Para vossa informação, o rei Edward representou esta escola sem que ninguém em Crystal Tokyo soubesse que ele era o sobrinho do rei George, do Reino Unido. Naturalmente, o príncipe e a princesa apenas querem evitar a fama.
Linda não conseguiu deixar de sorrir. O seu respeito pela Diretora aumentou consideravelmente.
-A Diretora conheceu a Rainha Small Lady? – Perguntou Kiara.
A Diretora pensou um pouco, sob os olhares curiosos de toda a turma, incluindo o de Linda. Esta reparou que, enquanto todos relaxavam, o Sensei Amadeus encontrava-se a falar com um funcionário acerca das bolas de futebol para a próxima turma. A conversa obviamente não lhe agradava.
-Acho que conheci, não tenho a certeza. Depois de representar a escola, ele voltou para Inglaterra e só dois anos mais tarde voltei a vê-lo. Estava a estudar Relações Publicas aqui. Fiz-lhe as perguntas do costume, como estava, se a faculdade corria bem, se estava-se a adaptar bem a uma cultura diferente…
«Ele respondeu cada pergunta com um sorriso. Gostava mesmo de estar aqui e várias vezes o encontrei em cafés a dançar com raparigas diferentes. Um dia, fui a um famoso restaurante italiano com o meu marido e encontrei-o lá. Mas não tive oportunidade em cumprimentá-lo pois discutia calorosamente com uma outra rapariga. Ela podia ser a princesa, tinha o cabelo da mesma cor, mas todos dizem que o Rei conheceu a Rainha num baile, portanto deviam ser apenas alguém com a mesma cor de cabelo. Seja como for, os dois discutiam que nem um casal de namorados e os amigos riam-se deles a torto e a direito enquanto os empregados tentavam separar os dois. Nunca ouvi uma mulher insultar tanto um homem como aquela rapariga. Até que o próprio Edward perdeu a cabeça e beijou-a. Podia tê-lo feito só para a calar, mas depois dava para ver que ele próprio estava a gostar. Para vocês parece uma história chata mas se tivessem visto o que os meus olhos viram, teriam rebentado o estômago de tanto riso.
Linda entendia o que ela queria dizer. O avô sempre dissera que a mãe reclamava tanto quanto a avó, principalmente quando não entendia as coisas. E só uma cabeça de serradura como a mãe conseguia fazer o inevitável; fazer com que o calmo e racional Edward Natsumara perdesse a cabeça.
Era tão estranho imaginar os pais numa história de amor. Sempre julgara que eles haviam-se casado por interesse dos dois reinos, tal como todos pensavam. Mas ela sabia que a mulher descrita era a mãe dela. Tinha a certeza. Mas como é que daquele casal com uma relação de cão e gato passara a uma relação de gelo?
Alguns riam-se da história, entendendo o ponto de vista da Diretora. Linda olhou para a mulher. Rezou silenciosamente que a mulher não mencionasse mais a rapariga que confundira com a Rainha. Tinha a certeza que acabaria por ligar Linda a ela.
Infelizmente, aquele não parecia ser o dia para rezas.
-Contudo sei que já vi o rosto da rapariga em algum sítio. – Murmurou a Diretora, pondo a mão no queixo. Linda sentiu a respiração a acelerar. Ao seu lado, Cecília olhava para Linda calmamente, esperando alguma reação por parte da outra jovem.
-Talvez nas revistas. Se era amiga do Rei… - sugeriu alguém, mas Linda não sabia quem. Os seus olhos não descolavam do rosto maduro da Diretora, temendo as suas próximas palavras.
De repente, o céu caiu-lhe em cima.
A Diretora tornou-se para ela.
-Oh sim. Já me lembro. A rapariga era muito parecida com a Menina Tsukino. Era a sua mãe?
Linda não respondeu, demasiado atrapalhada para dizer o quer que seja.
-Duvido. – Disse Cecília de repente, apanhando toda a gente de surpresa. – Se for parecida com a Linda é pura coincidência porque eu conheço a Rainha e sim, Senhora Diretora, a rapariga que viu era a Princesa de Crystal Tokyo. A minha mãe é uma das melhores amigas dela. E esta não tem qualquer ligação com os Tsukino. – Cecília expirou o ar, perante o olhar chocado de toda a gente. – Só vi os príncipes uma vez, num baile. Os rumores são verdadeiros. Herdaram o talento do pai, sem dúvida. Eram como uma lufada de ar fresco.
A última frase fora dita num simples murmúrio e Cecília olhara para Linda de lado, frisando as últimas palavras. Linda empalideceu. Sabia agora onde reconhecia Cecília.
Ela era a filha de Misako, a melhor amiga da sua mãe. Não descobrira logo porque Misako tinha agora o apelido do segundo marido.
Um pequeno tumulto fora instalado na turma. Ninguém parecia saber das aproximações da família de Cecília à família real, daí que todos falavam do assunto sem demonstrar o menor respeito pela colega. Linda reparou que Mari parecia furibunda não só com os comentários da turma, mas também com a própria Cecília, que mantinha o ar digno.
O Sensei Amadeus surgiu e, desculpando a atitude da turma à Diretora, deu a aula por terminada e dispensou os alunos para o balneário.
As raparigas tomaram banho e vestiram-se, enquanto comentavam vários assuntos, sendo o mais popular a revelação de Cecília. Linda sentiu que o ar estava tenso mas não por causa da turma. Algumas raparigas pareciam tentar ser cordiais para com ela logo no primeiro minuto, perguntando a Linda se lhes passava o sabonete ou se preferia usar a escova delas ao invés do pente que Linda usava. Linda apenas usava o pente para escovar os cabelos molhados, antes que eles se perdessem num furacão de caracóis e naquele dia não faria diferente. A tensão aumentava a cada minuto, porque Linda sabia que Cecília sabia.
Demorou-se propositadamente até ela e Cecília serem as últimas no balneário.
Cecília fechou o fecho da mochila e quase que correu para a porta, fechando-a com força.
-Sabes, eu posso não conhecer a princesa, mas sei o nome completo dela. – Disse, fitando a colega sem rodeios. - Linda Chiba Natsumara.
-------------------------------------------------------------------------------
[1] Boa sorte em japonês.
Espero por ti em cada segundo , porque tu és o meu mundo!

Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
Visitem a minha 1ª Fic ----->The Four elements

Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
Visitem a minha 1ª Fic ----->The Four elements
Editado pela última vez em
Ai!!! :g1:
Capitulo dedicado a mim, que honra! Ainda por cima um capitulo tao absolutamente fantastico!
Amei, amei, amei!!! :g1:
Gosto muitissimo das tuas descriçoes, e neste capitulo estavam ao rubro, especialmente no que diz respeito aos sentimentos dos personagens!
Eu vou ser franca, gosto muito da mari, ela tem aquele arzinho de má para a Linda, mas no fundo até é uma rapariga querida e sensivel! Tadinha, ficou desgostosa por causa do kenji! Eu tou a torcer para que eles se deêm bem!
A Linda um dia destes ainda é descoberta!
Ela e o Eiji a dançar, que fofo! Ainda para mais aquelas danças "calientes"! Fikei atónica quando ele a puxou para ela na dança! Acho que se fosse comigo fugia a sete pés, e pior era se me assobiassem como ele fez quando ela saiu dos balnearios com o cabelo solto e sem oculos!
Agora a Cecilia é que já deve ter topado tudo! Humm...
Vamos lá ver como é que a senhorita Linda Chiba Natsumara, mais conheçida por Linda Tsukino, se vai safar desta!
Fico á espera de mais, Aninhas! Ah e desculpa nao ter comentado antes, mas nao tinha visto ainda a actualizaçao!
Bjokas e obrigada pelo capitulo maravilhástico!
Capitulo dedicado a mim, que honra! Ainda por cima um capitulo tao absolutamente fantastico!
Amei, amei, amei!!! :g1:
Gosto muitissimo das tuas descriçoes, e neste capitulo estavam ao rubro, especialmente no que diz respeito aos sentimentos dos personagens!
Eu vou ser franca, gosto muito da mari, ela tem aquele arzinho de má para a Linda, mas no fundo até é uma rapariga querida e sensivel! Tadinha, ficou desgostosa por causa do kenji! Eu tou a torcer para que eles se deêm bem!

A Linda um dia destes ainda é descoberta!

Ela e o Eiji a dançar, que fofo! Ainda para mais aquelas danças "calientes"! Fikei atónica quando ele a puxou para ela na dança! Acho que se fosse comigo fugia a sete pés, e pior era se me assobiassem como ele fez quando ela saiu dos balnearios com o cabelo solto e sem oculos!

Agora a Cecilia é que já deve ter topado tudo! Humm...
Vamos lá ver como é que a senhorita Linda Chiba Natsumara, mais conheçida por Linda Tsukino, se vai safar desta!

Fico á espera de mais, Aninhas! Ah e desculpa nao ter comentado antes, mas nao tinha visto ainda a actualizaçao!
Bjokas e obrigada pelo capitulo maravilhástico!

as minhas fic's:
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
-Angelical
Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
-Angelical
Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^
lulumoon escreveu:Ai!!! :g1:
Capitulo dedicado a mim, que honra! Ainda por cima um capitulo tao absolutamente fantastico!
Amei, amei, amei!!! :g1:
Gosto muitissimo das tuas descriçoes, e neste capitulo estavam ao rubro, especialmente no que diz respeito aos sentimentos dos personagens!
Eu vou ser franca, gosto muito da mari, ela tem aquele arzinho de má para a Linda, mas no fundo até é uma rapariga querida e sensivel! Tadinha, ficou desgostosa por causa do kenji! Eu tou a torcer para que eles se deêm bem!
A Linda um dia destes ainda é descoberta!
Ela e o Eiji a dançar, que fofo! Ainda para mais aquelas danças "calientes"! Fikei atónica quando ele a puxou para ela na dança! Acho que se fosse comigo fugia a sete pés, e pior era se me assobiassem como ele fez quando ela saiu dos balnearios com o cabelo solto e sem oculos!
Agora a Cecilia é que já deve ter topado tudo! Humm...
Vamos lá ver como é que a senhorita Linda Chiba Natsumara, mais conheçida por Linda Tsukino, se vai safar desta!
Fico á espera de mais, Aninhas! Ah e desculpa nao ter comentado antes, mas nao tinha visto ainda a actualizaçao!
Bjokas e obrigada pelo capitulo maravilhástico!
Muito obrigada Lulu :g1: Ainda bem que gostaste. Fiquei doida ao procurar nomes japoneses pela net, porque não fazia sentido haverem demasiadas personagens sem nome neste capitulo.
Em relação às descrições... Acho que ainda tenho muito que melhorar, mas já fiz prograessos

Tbm vou ser sincera: Eu adoro a Mari!! *-* Quando criei a historia dela, da Cecília e da Linda, criei algum drama nas tres historias, mas é a historia de Mari e a personalidade dela que mais me espantam. A de Cecilia já conhecem, a de Linda está a meio e só descubrirão o resto mais tarde (
). Agora a da Mari... É sem duvida a melhor, para mim.Dos rapazes, tbm gosto muito do Kenji. Daí que não permitirei que estes dois não tenham mais oportunidades (claro que isso não quer dizer que fiquem juntos na final :
: )A Linda um dia destes ainda é descoberta!Ora bem, uma coisa te garanto. Alguem vai descobrir o segredo dela e vai tentar revelá-lo a todos (principalmente aos pais, de quem ela está escondida). Agora quem....
Eheheh, o Eiji não te parece alguem?

Eu teria ficado vermelhona :vergonha: e iria sorrir que nem uma parva. Mas a Linda não se importa muito com isso. x)
Já era de esperar que a Cec desconfiasse da Linda. Mas mais sobre isso não vou dizer.
É só esperar pelo proximo capítulo

Mais uma vez, obrigada Lulu *_*
P.S: Há uns capitulos atrás, tinha dito que iria alterar uma pequena parte da história. Isso fez-me reconsiderar e adicionar um detalhe nesta historia, que pouco alterará o resto do desenvolvimento. Mas para quem já percebeu o que é que eu mudei, não fiquem assustados...
Espero por ti em cada segundo , porque tu és o meu mundo!

Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
Visitem a minha 1ª Fic ----->The Four elements

Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
Visitem a minha 1ª Fic ----->The Four elements
adorei este capitulo esta muito fofo
A Meri parece ser ate uma pessoa boa
A linda e o Eiji a dançar danças de salão que romelico e quando ele a puxa para mais perto de si que escaldante, e a directora da escola foi prof de dança do pai dela que sopresa
a cecilia sera que descofia de alguma coisa de linda.
fico a espera de mais, espero que nao demores muito a postar um novo capitulo sao aquem lhe da uma coisinha ma é a mim... lol
A Meri parece ser ate uma pessoa boa
Outros motivos faziam com que Mari adorasse aquela história. Fora através da magia que o protagonista conseguira chegar perto da princesa, acabando esta por se apaixonar por ele e não pelo homem rico que everia ser.esta de ela querer ser o aladino em versão feminina para conquistar o príncipe do crystal Tóquio esta demais, mas quando descobrir quem é na realidade o principie vai lhe dar uma coisinha ma
Quantas vezes sonhara ela que era Aladino, mas numa versão feminina. Sonhara que um dia, graças à magia, conquistaria o principe de Crystal Tokyo que, por acaso, não era muito mais velho do que ela. Até diziam que era atraente.
A linda e o Eiji a dançar danças de salão que romelico e quando ele a puxa para mais perto de si que escaldante, e a directora da escola foi prof de dança do pai dela que sopresa
a cecilia sera que descofia de alguma coisa de linda.
fico a espera de mais, espero que nao demores muito a postar um novo capitulo sao aquem lhe da uma coisinha ma é a mim... lol
a minha primeira fic "AS FILHAS DA LUA"passem na minha fic e comentem XD

Traços do destino
visitem o meu forum http://eterna-sailor-moon4.forumeiros.com/forum.htm

Traços do destino
visitem o meu forum http://eterna-sailor-moon4.forumeiros.com/forum.htm
Muito obrigada pelo comentário Monica x)
Ehehehe, nem queiram imaginar a reacção da Mari quando descobrir toda a verdade (isto é, se ela descobrir
).
Muitas revelações irão surgir nos proximos três capítulos. A partir daí, um periodo de calma até toda a gente morrer
(Ahaha, estou a brincar xDD ... ou não :
: Bem, essa parte ainda não está muito bem pensada)
O proximo capítulo vai demorar a surgir, porque as minhas aulas começam pra semana e a partir daí a minha escrita vai andar a passo de caracol.
Ehehehe, nem queiram imaginar a reacção da Mari quando descobrir toda a verdade (isto é, se ela descobrir
).Muitas revelações irão surgir nos proximos três capítulos. A partir daí, um periodo de calma até toda a gente morrer
(Ahaha, estou a brincar xDD ... ou não :
: Bem, essa parte ainda não está muito bem pensada)O proximo capítulo vai demorar a surgir, porque as minhas aulas começam pra semana e a partir daí a minha escrita vai andar a passo de caracol.
Espero por ti em cada segundo , porque tu és o meu mundo!

Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
Visitem a minha 1ª Fic ----->The Four elements

Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
Visitem a minha 1ª Fic ----->The Four elements
Se queres saber,anda nem comecei a escrever. Tenho tido tanta coisa para fazer que quando arranjei tempo, quis escrever sobre as outras duas fanfics. Já tenho um cap quase pronto de "Four Elements" e "Onde estás Endymion?" está a meio. Agora esta ainda não mexi. Tenho medo do que vai acontecer a seguir. Tudo porque, de tanto imaginar uma historia complexa para a Linda, acabei por entrar na pele dela. É frustante!!
Mas vou aproveitar para avançar nesta fanfic. Ah e tbm quero cap. da tua fanfic!!
Mas vou aproveitar para avançar nesta fanfic. Ah e tbm quero cap. da tua fanfic!!

Espero por ti em cada segundo , porque tu és o meu mundo!

Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
Visitem a minha 1ª Fic ----->The Four elements

Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
Visitem a minha 1ª Fic ----->The Four elements
AnA_Sant0s escreveu:Se queres saber,anda nem comecei a escrever. Tenho tido tanta coisa para fazer que quando arranjei tempo, quis escrever sobre as outras duas fanfics. Já tenho um cap quase pronto de "Four Elements" e "Onde estás Endymion?" está a meio. Agora esta ainda não mexi. Tenho medo do que vai acontecer a seguir. Tudo porque, de tanto imaginar uma historia complexa para a Linda, acabei por entrar na pele dela. É frustante!!
Mas vou aproveitar para avançar nesta fanfic. Ah e tbm quero cap. da tua fanfic!!
Oh que pena ainda nao ter começado! eu ja tou com saudades! mas vah, ao menos estas a adiantar as outras! ^
Como eu te entendo! Uma pessoa quando se empenha muito numa historia parece que esta na pele dos personagens! às vezes torna-se mmuuuiittoo irritante!^Eu sei do que falo, ja me aconteceu com a primeira fic, e agora estou a tentar evitar que aconteça com "Angelical"!
Novo capitulo em principio amanha á noite (se eu nao me esqueçer)!
bjokas
as minhas fic's:
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
-Angelical
Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
-Angelical
Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^
Tens de entrar para responderes neste tópico.
omg nme tenho vindo cá comentar :O



Reportar comentário
Escolhe o motivo da denúncia e acrescenta mais contexto se necessário.