A Guardiã dos Sonhos
Era hora de almoço e Linda procurou algum espaço onde pudesse comer. Ainda que a turma tivesse sido simpática, sentia ainda alguma tensão no ar para com ela. Em vez de comer o seu almoço na sala, como todos os outros, dirigiu-se para o jardim, procurando algum canto solitário onde pudesse estender as pernas.
A sorte pareceu sorrir-lhe, pois encontrara um local perfeito para a ocasião. Era nas traseiras da escola, com acesso a uma porta e com uma árvore perto de altas sedes. Linda deu-se ao luxo de se sentar na relva e estender as pernas. Apressou-se a comer o seu almoço, ouvindo música do ipod.
Era uma imagem estranha. Uma rapariga de uniforme abanando a cabeça ao som de música rock, ao mesmo tempo que saboreava arroz com frango, mexendo os seus pauzinhos ao sabor da música.
Sentia-se ridícula mas, ao menos estava sozinha.
Pelo menos, era o que achava.
Sentiu os olhos de alguém em si. Corando de vergonha, ergueu-se para… bem para fazer nada. Ergueu-se apenas por instinto, o embrulho de comida já vazio deixado de parte. O rapaz mirava-a, curioso, apoiando o seu peso numa perna.
Era o mesmo rapaz da aula de Língua Japonesa. Yamamoto. Primeiro nome, Eiji. Sabia-o porque ouvira um outro rapaz tratá-lo dessa forma. Pelo que se apercebera, era popular naquela turma e também muito descontraído e esperto.
E, naquele momento, não podia deixar de pensar se ele era amistoso para desconhecidos.
-Olá. – Cumprimentou ele, parecendo divertido pelo embaraçado dela.
-Olá. – Respondeu ela.
-És a aluna nova. Linda, certo?
Ela assentiu, sem saber o que dizer mais. Eiji aproximou-se, não tirando os olhos de cima dela. Era como um biólogo examinando um novo espécime.
E, sem ela estar à espera, sentou-se junto à árvore, apoiando as costas sobre o tronco. Ela, sentindo-se ridícula por estar de pé sozinha, fez o mesmo.
-Já deu para ver que estás aqui para tomares o que é meu. O meu lugar junto à janela, o meu lugar aqui nas traseiras da escola.
-Eu… - começou ela, até que viu um brilho divertido nos olhos cor de avelã dele. – Estás a gozar comigo.
Ele riu-se, o som da sua gargalhada ecoando pelo ar.
-Ao menos tens sentido de humor, estou a ver. Pela forma como olhavas para as coisas na sala de aula, achei que fosse um bocadinho austera.
-Austera? – Perguntou Linda, controlando uma gargalhada. – Nunca acharam isso de mim.
-Há uma primeira vez para tudo. – Comentou ele, olhando o céu, sem nunca deixar de sorrir. Ao observá-lo, Linda notou no quão bem-parecido Eiji era, para não falar do estranho efeito que seu sorriso lhe provocava. Mexeu nas mãos, lamentavelmente, sentindo-se ridícula.
-Então, explica-me lá quem és, o que gostas, enfim… as cenas do costume. Para eu ficar a conhecer-te. – Disse Eiji, ao fim de uns segundos de silêncio. Virara-se para ela de lado, as mochilas a uns dois metros dos dois e o seu corpo estendido ao sol.
-Só se tu explicares também. – Respondeu Linda, pondo-se mais confortável, as costas encostadas à mochila e a cabeça ao tronco da árvore e as pernas esticadas e cruzadas. Notou que o rapaz a olhara da cabeça aos pés, as bochechas dele ficando um pouco rosadas ao admirar as pernas dela. Abanando a cabeça, suspirou dramaticamente. Linda controlou uma gargalhada.
-Sou Eiji Yamamoto, faço dezassete em Fevereiro, moro com o meu irmão e um colega deste num apartamento perto da torre de Tokyo e anseio vir a ser engenheiro químico. Adoro motas, futebol, praguejar aos estrangeiros sem eles se aperceberem do que realmente estou a dizer, dançar (mas de preferência, dança à macho man, se me entendes), bananas, sushi de abacate, cantar no chuveiro, os filmes de Alfred Hitchcock e perfume Armani. Detesto rosa, miúdas que usam cor-de-rosa, verniz para as unhas cor-de-rosa, qualquer coisa que tenha a ver com Barbies (especialmente a cor rosa), – Linda riu-se ao grande ódio do rapaz à cor. – Abacate…
-Espera aí. Não gostas de abacate, mas gostas de sushi de abacate? – Cortou Linda, levantando uma sobrancelha. Eiji fez uma careta embaraçada. Era impressionante como era tão transparente, cada expressão do seu rosto mostrando aquilo que ele exactamente sentia. Pelo menos, era o que Linda achava.
-Esquisito, mas sou assim. – Ela abanou a cabeça, divertida e Eiji continuou. – Detesto quando o meu hóspede fica trancado no quarto a estudar, deixando-me sozinho com o meu irmão (ele estuda Medicina e até nem é mau aluno, mas continuo a achar que ele é atrasado mental), raparigas simples, snobes, a ideia de que o mundo um dia será governado por macacos ou computadores, , mentiras, segredos e os cozinhados do meu irmão. Ah e a personalidade da minha mãe biológica.
-Bem, isso é… complexo.
Eiji esboçou um sorriso trocista.
-O que esperavas?
-Nada, nada… - respondeu Linda, rapidamente. – Só não percebi uma coisa.
-O quê?
-Qual dos dois é atrasado mental? O teu hóspede ou o teu irmão?
Eiji riu-se abertamente.
-O meu irmão, se bem que o Kenji às vezes age como um.
Kenji.
Ao ouvir o nome do irmão, Linda empalideceu. Seria coincidência? Disparate, pensou. Havia milhares de Kenji’s espalhados pelo Japão.
-Está tudo bem? – Perguntou Eiji, preocupado pela súbita mudança de humor. Linda disse que sim, tentando melhorar o seu aspecto. Algo nos olhos de Eiji dizia a Linda que este não acreditara na mentira e parecia que Eiji não iria cair mais nas suas mentiras. O rapaz manteve o rosto sereno, os olhos examinando Linda como se tivesse raio-X. Depois, calmamente, disse:
-É a tua vez agora.
Linda expirou fundo antes de falar apressadamente, contando que Eiji não ouvisse tudo.
-Sou a Linda Tsukino, faço dezassete em Agosto, moro com as Nakamura desde o inicio do mês de Setembro e não faço a mínima ideia do que serei no futuro. Adoro música, ler romances clássicos, fotografia, discutir política, dançar (qualquer tipo de dança, não sou esquisita), comer pipocas, bacalhau, sumo de maracujá, gelado de chocolate, liberdade, andar a cavalo, observar o pôr-do-sol e ter paz e sossego. Detesto… - a sua voz baixou o volume, decaindo até ficar fina como um fio. – Cercas, gatos, portas e janelas fechadas, que me controlem, mentiras, segredos, pesadelos, a língua alemã, pessoas cínicas e snobes, o cor-de-rosa – partilhou um sorriso com Eiji, cujos olhos estavam focados na rapariga. – Os meus pais… - a sua voz extinguiu-se, pensando em mais coisas que detestava. A lista parecia infinita, mas Eiji não merecia ouvir a lista melodramática de uma princesa frustrada. Encurtou a lista para detalhes adolescentes. – Canecas de vidro, pessoas que têm medo da própria sombra, palhaços, mosquitos e vestidos com estampados.
Eiji ficou calado por uns momentos.
-E ainda dizes que eu é que sou complexo… então detestas… gatos e palhaços? E és claustrofóbica, pelo que entendi.
Linda abanou a cabeça.
-Não. Apenas detesto o sentido metafórico de cercas e portas fechadas. Oportunidades perdidas, correntes que me impedem de me libertar. Entendes?
Ele assentiu.
-E então os palhaços?
Linda fez uma careta.
-Detesto-os. Não lhe acho graça nenhuma. Aliás, até me metiam medo quando era miúda, com aquela cara cheia de maquilhagem e roupas com cores berrantes e tamanhos exagerados.
-Sabes que isso é que tem a piada num palhaço, sabes?
-Então tens muito pouco sentido de humor. Onde já se viu pessoas encontrarem comédia em bobos da corte!
Eiji contorceu os lábios, de modo a não perder o controlo.
-Queres rir-te, ri-te. – Desafiou Linda, batendo-lhe no ombro. – É o que penso.
-Bem, ao menos não gostas de cor-de-rosa.
Os dois riram-se entre si, os rostos agora extremamente próximos. Quando Linda voltou a erguer a face, viu Eiji a olhá-la directamente nos olhos e a sorrir-lhe. Sentiu um pequeno rubor nas faces. Nunca estivera assim tão próxima de um rapaz.
-O que foi? – Perguntou, nervosa.
-Estava a pensar no teu nome. – Respondeu ele, naturalmente.
-E o que tem?
-É estrangeiro.
-O meu pai é inglês.
-Então porque tens nome japonês?
-Porque o meu pai também tem nome japonês. – Respondeu, afastando-se dele. Sabia que, se mentisse, seria muito pior. Portanto, optou por não dizer nada.
Ele não pareceu satisfeito, mas concordou em largar o assunto sem qualquer problema.
Ao longe, ouviu-se o toque da campainha. Levantaram-se os dois, Linda perguntando-se vagamente se Eiji havia almoçado enquanto percorria os corredores cheios de alunos silenciosamente.
Depois de entrar na sala, foi cada um para o seu lado. Junto à janela.
A sorte pareceu sorrir-lhe, pois encontrara um local perfeito para a ocasião. Era nas traseiras da escola, com acesso a uma porta e com uma árvore perto de altas sedes. Linda deu-se ao luxo de se sentar na relva e estender as pernas. Apressou-se a comer o seu almoço, ouvindo música do ipod.
Era uma imagem estranha. Uma rapariga de uniforme abanando a cabeça ao som de música rock, ao mesmo tempo que saboreava arroz com frango, mexendo os seus pauzinhos ao sabor da música.
Sentia-se ridícula mas, ao menos estava sozinha.
Pelo menos, era o que achava.
Sentiu os olhos de alguém em si. Corando de vergonha, ergueu-se para… bem para fazer nada. Ergueu-se apenas por instinto, o embrulho de comida já vazio deixado de parte. O rapaz mirava-a, curioso, apoiando o seu peso numa perna.
Era o mesmo rapaz da aula de Língua Japonesa. Yamamoto. Primeiro nome, Eiji. Sabia-o porque ouvira um outro rapaz tratá-lo dessa forma. Pelo que se apercebera, era popular naquela turma e também muito descontraído e esperto.
E, naquele momento, não podia deixar de pensar se ele era amistoso para desconhecidos.
-Olá. – Cumprimentou ele, parecendo divertido pelo embaraçado dela.
-Olá. – Respondeu ela.
-És a aluna nova. Linda, certo?
Ela assentiu, sem saber o que dizer mais. Eiji aproximou-se, não tirando os olhos de cima dela. Era como um biólogo examinando um novo espécime.
E, sem ela estar à espera, sentou-se junto à árvore, apoiando as costas sobre o tronco. Ela, sentindo-se ridícula por estar de pé sozinha, fez o mesmo.
-Já deu para ver que estás aqui para tomares o que é meu. O meu lugar junto à janela, o meu lugar aqui nas traseiras da escola.
-Eu… - começou ela, até que viu um brilho divertido nos olhos cor de avelã dele. – Estás a gozar comigo.
Ele riu-se, o som da sua gargalhada ecoando pelo ar.
-Ao menos tens sentido de humor, estou a ver. Pela forma como olhavas para as coisas na sala de aula, achei que fosse um bocadinho austera.
-Austera? – Perguntou Linda, controlando uma gargalhada. – Nunca acharam isso de mim.
-Há uma primeira vez para tudo. – Comentou ele, olhando o céu, sem nunca deixar de sorrir. Ao observá-lo, Linda notou no quão bem-parecido Eiji era, para não falar do estranho efeito que seu sorriso lhe provocava. Mexeu nas mãos, lamentavelmente, sentindo-se ridícula.
-Então, explica-me lá quem és, o que gostas, enfim… as cenas do costume. Para eu ficar a conhecer-te. – Disse Eiji, ao fim de uns segundos de silêncio. Virara-se para ela de lado, as mochilas a uns dois metros dos dois e o seu corpo estendido ao sol.
-Só se tu explicares também. – Respondeu Linda, pondo-se mais confortável, as costas encostadas à mochila e a cabeça ao tronco da árvore e as pernas esticadas e cruzadas. Notou que o rapaz a olhara da cabeça aos pés, as bochechas dele ficando um pouco rosadas ao admirar as pernas dela. Abanando a cabeça, suspirou dramaticamente. Linda controlou uma gargalhada.
-Sou Eiji Yamamoto, faço dezassete em Fevereiro, moro com o meu irmão e um colega deste num apartamento perto da torre de Tokyo e anseio vir a ser engenheiro químico. Adoro motas, futebol, praguejar aos estrangeiros sem eles se aperceberem do que realmente estou a dizer, dançar (mas de preferência, dança à macho man, se me entendes), bananas, sushi de abacate, cantar no chuveiro, os filmes de Alfred Hitchcock e perfume Armani. Detesto rosa, miúdas que usam cor-de-rosa, verniz para as unhas cor-de-rosa, qualquer coisa que tenha a ver com Barbies (especialmente a cor rosa), – Linda riu-se ao grande ódio do rapaz à cor. – Abacate…
-Espera aí. Não gostas de abacate, mas gostas de sushi de abacate? – Cortou Linda, levantando uma sobrancelha. Eiji fez uma careta embaraçada. Era impressionante como era tão transparente, cada expressão do seu rosto mostrando aquilo que ele exactamente sentia. Pelo menos, era o que Linda achava.
-Esquisito, mas sou assim. – Ela abanou a cabeça, divertida e Eiji continuou. – Detesto quando o meu hóspede fica trancado no quarto a estudar, deixando-me sozinho com o meu irmão (ele estuda Medicina e até nem é mau aluno, mas continuo a achar que ele é atrasado mental), raparigas simples, snobes, a ideia de que o mundo um dia será governado por macacos ou computadores, , mentiras, segredos e os cozinhados do meu irmão. Ah e a personalidade da minha mãe biológica.
-Bem, isso é… complexo.
Eiji esboçou um sorriso trocista.
-O que esperavas?
-Nada, nada… - respondeu Linda, rapidamente. – Só não percebi uma coisa.
-O quê?
-Qual dos dois é atrasado mental? O teu hóspede ou o teu irmão?
Eiji riu-se abertamente.
-O meu irmão, se bem que o Kenji às vezes age como um.
Kenji.
Ao ouvir o nome do irmão, Linda empalideceu. Seria coincidência? Disparate, pensou. Havia milhares de Kenji’s espalhados pelo Japão.
-Está tudo bem? – Perguntou Eiji, preocupado pela súbita mudança de humor. Linda disse que sim, tentando melhorar o seu aspecto. Algo nos olhos de Eiji dizia a Linda que este não acreditara na mentira e parecia que Eiji não iria cair mais nas suas mentiras. O rapaz manteve o rosto sereno, os olhos examinando Linda como se tivesse raio-X. Depois, calmamente, disse:
-É a tua vez agora.
Linda expirou fundo antes de falar apressadamente, contando que Eiji não ouvisse tudo.
-Sou a Linda Tsukino, faço dezassete em Agosto, moro com as Nakamura desde o inicio do mês de Setembro e não faço a mínima ideia do que serei no futuro. Adoro música, ler romances clássicos, fotografia, discutir política, dançar (qualquer tipo de dança, não sou esquisita), comer pipocas, bacalhau, sumo de maracujá, gelado de chocolate, liberdade, andar a cavalo, observar o pôr-do-sol e ter paz e sossego. Detesto… - a sua voz baixou o volume, decaindo até ficar fina como um fio. – Cercas, gatos, portas e janelas fechadas, que me controlem, mentiras, segredos, pesadelos, a língua alemã, pessoas cínicas e snobes, o cor-de-rosa – partilhou um sorriso com Eiji, cujos olhos estavam focados na rapariga. – Os meus pais… - a sua voz extinguiu-se, pensando em mais coisas que detestava. A lista parecia infinita, mas Eiji não merecia ouvir a lista melodramática de uma princesa frustrada. Encurtou a lista para detalhes adolescentes. – Canecas de vidro, pessoas que têm medo da própria sombra, palhaços, mosquitos e vestidos com estampados.
Eiji ficou calado por uns momentos.
-E ainda dizes que eu é que sou complexo… então detestas… gatos e palhaços? E és claustrofóbica, pelo que entendi.
Linda abanou a cabeça.
-Não. Apenas detesto o sentido metafórico de cercas e portas fechadas. Oportunidades perdidas, correntes que me impedem de me libertar. Entendes?
Ele assentiu.
-E então os palhaços?
Linda fez uma careta.
-Detesto-os. Não lhe acho graça nenhuma. Aliás, até me metiam medo quando era miúda, com aquela cara cheia de maquilhagem e roupas com cores berrantes e tamanhos exagerados.
-Sabes que isso é que tem a piada num palhaço, sabes?
-Então tens muito pouco sentido de humor. Onde já se viu pessoas encontrarem comédia em bobos da corte!
Eiji contorceu os lábios, de modo a não perder o controlo.
-Queres rir-te, ri-te. – Desafiou Linda, batendo-lhe no ombro. – É o que penso.
-Bem, ao menos não gostas de cor-de-rosa.
Os dois riram-se entre si, os rostos agora extremamente próximos. Quando Linda voltou a erguer a face, viu Eiji a olhá-la directamente nos olhos e a sorrir-lhe. Sentiu um pequeno rubor nas faces. Nunca estivera assim tão próxima de um rapaz.
-O que foi? – Perguntou, nervosa.
-Estava a pensar no teu nome. – Respondeu ele, naturalmente.
-E o que tem?
-É estrangeiro.
-O meu pai é inglês.
-Então porque tens nome japonês?
-Porque o meu pai também tem nome japonês. – Respondeu, afastando-se dele. Sabia que, se mentisse, seria muito pior. Portanto, optou por não dizer nada.
Ele não pareceu satisfeito, mas concordou em largar o assunto sem qualquer problema.
Ao longe, ouviu-se o toque da campainha. Levantaram-se os dois, Linda perguntando-se vagamente se Eiji havia almoçado enquanto percorria os corredores cheios de alunos silenciosamente.
Depois de entrar na sala, foi cada um para o seu lado. Junto à janela.
Espero por ti em cada segundo , porque tu és o meu mundo!

Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
Visitem a minha 1ª Fic ----->The Four elements

Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
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Editado pela última vez em
obrigada pelos teus comentários.. e bom saber que esta fic interessa a alguem 

Espero por ti em cada segundo , porque tu és o meu mundo!

Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
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Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
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obrigada.. vou ver se posto um novo na 4º 

Espero por ti em cada segundo , porque tu és o meu mundo!

Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
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Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
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e aqui está o meu novo capítulo (que tive que voltar a passar, porque clikei onde nao devia
) Boa leitura
reescrito a 08/12/2011
Capitulo 5. Conhecimentos
Linda jurava que conhecia Eiji e a amiga de Mari em algum lado, ou no palácio ou nos seus sonhos, com aquela aparência de príncipe e princesa que os dois tinham. Quando finalmente soube o seu nome, Cecília Tamura, não ficou muito esclarecida mas ainda assim algo lhe dizia que a conhecia de algum lado. Era parecia ser a aluna preferida de qualquer professor. Tinha ar de menina educada, era calma e muito cordial, para além de ser uma estudante exemplar fazendo todos os exercícios pedidos. Sabia disto só de a observar no quadro uma única vez.
Imaginar uma rapariga calma como Cecília fazer amizade com a volátil Mari era uma imagem estranha. Já Eiji era uma estranha personificação do seu irmão. A forma como ele se sentava e passava as mãos pelos cabelos loiros, despenteando-os, era em tudo muito semelhante ao irmão. Mas, apesar de tudo, era também muito cordial, sempre exibindo o seu sorriso charmoso e também não era uma má mente, tendo sido ele a apontar um erro nos cálculos de Cecília na aula de matemática.
Todavia Cecília e Eiji nunca puseram os pés no palácio e isso Linda tinha a certeza, com a tia Rei sempre a falar dos rapazes que iam, afim de encontrar um par para Linda e a inexistência de raparigas da sua idade para conversar. Se Cecília tivesse lá posto os pés um dia que fosse, ela teria sabido.
Nos seus sonhos também tinha a certeza que não apareciam porque Linda parecia ser a única pessoa sem sonhos. Muitos diziam que era normal não se lembrar dos seus sonhos mas Linda lembrava-se. Lembrava-se do nada. Era sonhos vazios como uma cassete de fita virgem, sem qualquer imagem lá registada.
Quando chegou a última aula do dia, Linda deu por si na aula mais secante em toda a sua vida, o que algo a considerar, sabendo que ela tivera durante vários Verões. Deu por si a perder a atenção naquela professora de inglês, que cometera vários erros sem ninguém que não fosse Linda suspeitar. Era irritante ouvir erros vindos dos professores. O professor da aula de Língua Japonesa nunca cometera erros de sintaxe mas ouvi-los na sua outra língua materna - o inglês - era o dilúvio.
Controlando a súbita vontade de enforcar a professora, pegou numa folha em branco e começou a rabiscar.
Não reparou que não era a única a fazê-lo. Mari passeava o lápis por entre a sua folha distraidamente, a sua mente levando-a para a semana em que Linda chegara, quando vira um certo rapaz num café.
E, tal como provando serem de sangue real, tanto Eiji como Cecília notaram nas distracções das colegas do lado e decidiram distraí-las com assuntos menos banais.
-Podias prestar um pouco de atenção. - reclamou Cecília para a companheira. Esta suspirou, saturada.
-Para o caso de te esqueceres, inglês é a disciplina que tenho melhor nota.
-E talvez a única. Isso não quer dizer que tenhas que estar distraída. - Silvou a morena.
Mari encolheu os ombros.
-Tenho outras coisas a pensar.
-Tais como? - perguntou a sua amiga. Mari não respondeu.
-Quantos amigos já tens? - perguntou Eiji casualmente.
-Acabei de chegar, achas mesmo que fiz amizade instantânea com qualquer um? Além disso, o meu estatuto social não depende do número de amigos que tenho.
-Moras com a Mari, certo? - inquiriu ele, ignorando a última parte.
Linda desviou os olhos para a folha de papel.
-É complicado. – Murmurou, a sua mão esquerda brincando com o lápis.
-Não tens amigos lá fora?
-Sim. Seiji e Naomi. São netos de amigas das minhas avós. Mas não somos muito próximos. Eles nem sempre podem estar comigo.
-Antes isso que ninguém. E irmãos?
Linda demorou um pouco a responder.
-Tenho um.
-E...?
Ela fitou o rapaz, semicerrando os olhos.
-Isto é algum interrogatório?
-Não. - assegurou Eiji, aproximando a cabeça da dela. - Só gostava de saber quem é que tens aqui para te ajudar. Porque aviso-te já, enquanto tu não conquistares a confiança de Mari, ninguém nesta turma será cordial para ti.
Linda engoliu em seco.
-É complicado. Tive... problemas em casa e então vim para a casa da Aiko. O meu irmão há já muito que saiu de casa.
-Onde é que ele mora?
Linda abanou a cabeça, tristemente.
-Não sei. Mas talvez nem queira saber.
-Como se chama?
Linda deitou-lhe um olhar desconfiado.
-Vais me dizer que, se eu te disser o nome, saberás quem ele é? Conheces toda a gente em Tokyo?
-Não. Mas o meu irmão conhece muita gente. Tem contactos. Se eu e ele não soubermos, haverá sempre um amigo que saiba. Pelo menos considerando a ideia de que o teu irmão anda na faculdade.
Isso ela não sabia. Kenji sempre quisera fazer algo que nada tivesse a ver com o seu legado real, mas isso abrangia muito curso.
-Chama-se Kenji.
-Kenji Tsukino? - Eiji fez uma careta. - Soa mal.
-É um nome. - Protestou Linda, sabendo que o irmão não usava o nome da avó como ela. Eiji nunca o encontraria.
-Conheço dois Kenji's. Um é da faculdade de direito e outro é da faculdade de medicina. Mas nenhum é Tsukino.
Linda sorriu levemente.
-Esquece Eiji. Não tenho muito interesse em encontrar o meu...
-Por acaso chama-se Chiba? - perguntou ele de repente.
Linda congelou. O lápis deslizou por entre os dedos suavemente, caindo na folha.
-O quê?
-Chiba. Kenji Chiba?
-É provável. - respondeu Linda calmamente. Chiba era o nome do avô. Seria possível...
Eiji pareceu pensativo. Ficou calado por uns momentos, o único som audível sendo a voz enfadonha do professor.
-Era muita ironia ele ser o teu irmão. - sussurrou ele lentamente.
-Porquê?
-Porque esse Kenji Chiba é o meu companheiro de quarto.
) Boa leitura
reescrito a 08/12/2011
Capitulo 5. Conhecimentos
Linda jurava que conhecia Eiji e a amiga de Mari em algum lado, ou no palácio ou nos seus sonhos, com aquela aparência de príncipe e princesa que os dois tinham. Quando finalmente soube o seu nome, Cecília Tamura, não ficou muito esclarecida mas ainda assim algo lhe dizia que a conhecia de algum lado. Era parecia ser a aluna preferida de qualquer professor. Tinha ar de menina educada, era calma e muito cordial, para além de ser uma estudante exemplar fazendo todos os exercícios pedidos. Sabia disto só de a observar no quadro uma única vez.
Imaginar uma rapariga calma como Cecília fazer amizade com a volátil Mari era uma imagem estranha. Já Eiji era uma estranha personificação do seu irmão. A forma como ele se sentava e passava as mãos pelos cabelos loiros, despenteando-os, era em tudo muito semelhante ao irmão. Mas, apesar de tudo, era também muito cordial, sempre exibindo o seu sorriso charmoso e também não era uma má mente, tendo sido ele a apontar um erro nos cálculos de Cecília na aula de matemática.
Todavia Cecília e Eiji nunca puseram os pés no palácio e isso Linda tinha a certeza, com a tia Rei sempre a falar dos rapazes que iam, afim de encontrar um par para Linda e a inexistência de raparigas da sua idade para conversar. Se Cecília tivesse lá posto os pés um dia que fosse, ela teria sabido.
Nos seus sonhos também tinha a certeza que não apareciam porque Linda parecia ser a única pessoa sem sonhos. Muitos diziam que era normal não se lembrar dos seus sonhos mas Linda lembrava-se. Lembrava-se do nada. Era sonhos vazios como uma cassete de fita virgem, sem qualquer imagem lá registada.
Quando chegou a última aula do dia, Linda deu por si na aula mais secante em toda a sua vida, o que algo a considerar, sabendo que ela tivera durante vários Verões. Deu por si a perder a atenção naquela professora de inglês, que cometera vários erros sem ninguém que não fosse Linda suspeitar. Era irritante ouvir erros vindos dos professores. O professor da aula de Língua Japonesa nunca cometera erros de sintaxe mas ouvi-los na sua outra língua materna - o inglês - era o dilúvio.
Controlando a súbita vontade de enforcar a professora, pegou numa folha em branco e começou a rabiscar.
Não reparou que não era a única a fazê-lo. Mari passeava o lápis por entre a sua folha distraidamente, a sua mente levando-a para a semana em que Linda chegara, quando vira um certo rapaz num café.
E, tal como provando serem de sangue real, tanto Eiji como Cecília notaram nas distracções das colegas do lado e decidiram distraí-las com assuntos menos banais.
-Podias prestar um pouco de atenção. - reclamou Cecília para a companheira. Esta suspirou, saturada.
-Para o caso de te esqueceres, inglês é a disciplina que tenho melhor nota.
-E talvez a única. Isso não quer dizer que tenhas que estar distraída. - Silvou a morena.
Mari encolheu os ombros.
-Tenho outras coisas a pensar.
-Tais como? - perguntou a sua amiga. Mari não respondeu.
-Quantos amigos já tens? - perguntou Eiji casualmente.
-Acabei de chegar, achas mesmo que fiz amizade instantânea com qualquer um? Além disso, o meu estatuto social não depende do número de amigos que tenho.
-Moras com a Mari, certo? - inquiriu ele, ignorando a última parte.
Linda desviou os olhos para a folha de papel.
-É complicado. – Murmurou, a sua mão esquerda brincando com o lápis.
-Não tens amigos lá fora?
-Sim. Seiji e Naomi. São netos de amigas das minhas avós. Mas não somos muito próximos. Eles nem sempre podem estar comigo.
-Antes isso que ninguém. E irmãos?
Linda demorou um pouco a responder.
-Tenho um.
-E...?
Ela fitou o rapaz, semicerrando os olhos.
-Isto é algum interrogatório?
-Não. - assegurou Eiji, aproximando a cabeça da dela. - Só gostava de saber quem é que tens aqui para te ajudar. Porque aviso-te já, enquanto tu não conquistares a confiança de Mari, ninguém nesta turma será cordial para ti.
Linda engoliu em seco.
-É complicado. Tive... problemas em casa e então vim para a casa da Aiko. O meu irmão há já muito que saiu de casa.
-Onde é que ele mora?
Linda abanou a cabeça, tristemente.
-Não sei. Mas talvez nem queira saber.
-Como se chama?
Linda deitou-lhe um olhar desconfiado.
-Vais me dizer que, se eu te disser o nome, saberás quem ele é? Conheces toda a gente em Tokyo?
-Não. Mas o meu irmão conhece muita gente. Tem contactos. Se eu e ele não soubermos, haverá sempre um amigo que saiba. Pelo menos considerando a ideia de que o teu irmão anda na faculdade.
Isso ela não sabia. Kenji sempre quisera fazer algo que nada tivesse a ver com o seu legado real, mas isso abrangia muito curso.
-Chama-se Kenji.
-Kenji Tsukino? - Eiji fez uma careta. - Soa mal.
-É um nome. - Protestou Linda, sabendo que o irmão não usava o nome da avó como ela. Eiji nunca o encontraria.
-Conheço dois Kenji's. Um é da faculdade de direito e outro é da faculdade de medicina. Mas nenhum é Tsukino.
Linda sorriu levemente.
-Esquece Eiji. Não tenho muito interesse em encontrar o meu...
-Por acaso chama-se Chiba? - perguntou ele de repente.
Linda congelou. O lápis deslizou por entre os dedos suavemente, caindo na folha.
-O quê?
-Chiba. Kenji Chiba?
-É provável. - respondeu Linda calmamente. Chiba era o nome do avô. Seria possível...
Eiji pareceu pensativo. Ficou calado por uns momentos, o único som audível sendo a voz enfadonha do professor.
-Era muita ironia ele ser o teu irmão. - sussurrou ele lentamente.
-Porquê?
-Porque esse Kenji Chiba é o meu companheiro de quarto.
Espero por ti em cada segundo , porque tu és o meu mundo!

Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
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Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
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a tua fic esta mesmo muito boa.
.o: fico a espera de outro capitulo
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a minha primeira fic "AS FILHAS DA LUA"passem na minha fic e comentem XD

Traços do destino
visitem o meu forum http://eterna-sailor-moon4.forumeiros.com/forum.htm

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obrigada 

Espero por ti em cada segundo , porque tu és o meu mundo!

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reescrito a 08/12/2011
Capitulo 6 – Encontros por acaso
Eiji tinha razão. Se não conquistasse a confiança de Mari em algum tempo, arriscava-se a ficar presa em situações destas muitas vezes.
Era o dia de algumas colegas limparem a sala. Mas, por algum motivo, o nome dela foi parar à lista. E os outros desapareceram. Logo, ela tinha que ficar a limpar a sala de aula sozinha. Eiji já tinha ido, ainda que tivesse se oferecido para ficar e ajuda-la. Linda recusou e agora espremia um pano húmido para limpar as mesas.
Não seria muito difícil, se estivesse habituada a fazê-lo. Os pais nunca a deixaram pegar num pano pois, segundo eles, era atitude imprópria de uma princesa. E ali estava ela, com o pano numa mão e um esfregão na outra, enquanto tentava tirar uma maldita pastilha elástica debaixo de uma das mesas, usando luvas.
Quando acabou, olhou para o que fez. Ninguém podia queixar-se que ela era preguiçosa. Esse adjectivo pertencia ao irmão. Acordava sempre tarde, baldava-se aos seus deveres. Riu-se, guardou os produtos de limpeza na despensa e saiu da escola.
Fazer amizade com Mari estava fora de questão até a loira aprender a ter maneiras. Linda jamais ganharia a confiança dela se não lhe contar o seu segredo. E não o faria com Mari. Não quando pessoas como ela eram a razão para ela ter um segredo. Pressões, correntes. Tudo isso fizera parte do seu dia-a-dia. Agora não. Até parece que Linda queria que todos gostassem dela. Muito pelo contrário, quanto menos chamasse as atenções melhor.
Deu uma olhadela pelas montras das lojas que tinham roupas e artigos muito bonitos. Desde um casaco á cowboy, que voltara a estar na moda até uma pequena corrente de prata simples que se encontrava numa montra de uma famosa joalharia. Observou o colar. Parecia-lhe uma corrente vulgar. E não passava disso se o seu brilho prateado não enfeitiçasse todos quem o olhavam. Menos Linda. Já vira algo mais brilhante e poderoso. O Cristal Prateado. Esse tinha um poder que nunca usaria. Pertencia á avó e pertenceria à mãe. “Mas não a mim! Não o mereço!”. Não era uma Sailor. A avó fora uma nos tempos de juventude e a mãe também, mas ela não tinha qualquer poder ou a avó ter-lhe-ia dito.
Parou numa esquina, desconfiada. Tivera a impressão que vira alguém familiar. Olhou para o outro lado da rua e viu uma rapariga morena de cabelos apanhados.
Naomi.
Deu uma gargalhada descontraída. Esta vinha vestida de fato de treino o que, juntamente com os cabelos escuros apanhados, davam-lhe um ar de quem acabara de sair do ginásio. Mas o motivo para a gargalhada de Linda era que Naomi andava a passo rápido para fugir de outra mulher vestida como uma mulher de negócios que tentava, sem sucesso, passar despercebida. Avançava, olhando para todos os lados, como se estivesse a ser seguida. Ou a seguir alguém. A roupa era um conjunto. Fato cor de laranja e camisa num amarelo mais escuro. Os sapatos eram amarelos, que contrastava com os cabelos loiros. Usava óculos escuros.
Com o alto som da gargalhada, Naomi fitou a amiga e, zangada, virou-se para a outra:
-Podes parar com essas fitas, Minako? Ela já nos viu e, para tua informação toda a cidade de Tokyo está a olhar para ti neste momento. – Disse a jovem, enfurecida.
-Hum? De que é que estás a falar? – Minako tirou os óculos e mostrou os seus enormes olhos azuis. – Oh, Linda, como estás? Uh, uh! - Disse, gritando do outro lado da rua.
-E pensar que ela fez um grande discurso para que, quando a encontrássemos, fossemos discretas, mas parece que não falou para ela – sussurrou Naomi, aproximando-se de Linda. Mal se viu a menos de dois passos, agarrou a amiga num abraço -Estás bem?
-Bem? Como é que vocês sabiam que eu estava aqui? A minha avó...
-Acho que não entendeste o plano da Usagi. - disse Minako, também ela envolvendo Linda num abraço. - O plano era tu fugires dos teus pais. Não dos teus avós de nós. Sabemos perfeitamente onde tu andas.
De certa forma, Linda não gostou muito do plano. Sabia que a avó lhe estava a dar o gosto pela liberdade mas, no fundo, ainda se encontrava vigiada. Agora o porquê, Linda não sabia.
-Estou a ver. - foi tudo o que disse.
-Como vai o primeiro dia? Os rapazes da tua escola são giros? – Minako piscou o olho a Linda, enquanto Naomi revirou os olhos. Linda tentou controlar o sorriso ao ver Minako tentar parecer completamente alegre e descontraída, quando o seu rosto escondia marcas de preocupação. Aquele encontro não era por acaso.
-Bem, o que é que vocês estão aqui a fazer?
-Pois, e agora muda de assunto…
-Não penses que consegues irritar-me que hoje estou de muito bom humor – ripostou Linda, mordendo o lábio inferior, sinal de mentira. Sorte a dela que apenas o irmão conhecia esse sinal.
-Mas então, como é a tua casa? E a anfitriã?
-Óptima! É muito simpática e carinhosa. Gostava de saber como é que ela e a avó se conhecem.
-Bem… ah… isso tens de perguntar á tua avó! - disse Minako, hesitante. Linda ergueu uma pestana.
-hum… algo está mal nessa história.
Minako pareceu engasgar-se na sua própria saliva e até Naomi pareceu preocupada. Minako abanou a cabeça e disse, num tom superior.
-Atreves-te a desconfiar de mim? Respeitinho que sou mais velha que tu!
-Só se for nas rugas, porque no cérebro ainda és uma autêntica criança. - Disse Naomi, cruzando os braços.
Minako lançou-lhe um olhar penetrante, mas Linda viu os cantos dos lábios da mulher contorcerem-se num leve sorriso.
-Não te armes em espertinha, miúda. Sabes como diz o ditado: Quem corre por gosto, cai sempre!
-Minako, diz-se “quem corre por gosto não se cansa” e não estou a ver o que é que tem a ver com a conversa. - Intercedeu Linda.
-Ora, é tudo a mesma coisa! - disse Minako, encolhendo os ombros de uma forma exagerada.
-Não é não… de acordo com a avó da Linda, a minha e as outras, tu és a única que ainda não cresceu. – Meteu-se Naomi, irritada pela milésima vez com os erros de Minako.
-Andas a falar muito com a Ami, não?
-Meninas... e senhoras... Podiam parar de discutir e revelar-me porque que estão aqui?
As duas pararam e viraram-se para Linda. Dava impressão a Minako ouvir Usagi dizer palavras tão correctas e calmas. Abanou a cabeça. Aquela não era a sua amiga, agora uma mulher que já fora Rainha. Era a sua neta, uma jovem responsável e… muito especial.
-bem, a verdade é que viemos aqui para saber se estás arrependida. – Disse Naomi, calmamente.
-Como podia estar arrependida? Era isto que eu queria.
Breve e mais uma vez, calma. Linda fitou as amigas. Naomi estava calma, como se aquela fosse a resposta que quisesse ouvir. Já Minako não. Ela viera por outros motivos.
-Naomi, podes ir ali ver aquele maravilhoso casaco á cowboy e comprar-me um, por favor? – Pediu Minako.
-Mas que lata! Porque não vais tu?
-És mesmo resmungona como a tua avó! Vai lá e ainda podes comprar gominhas se quiseres – disse, dando dinheiro a Naomi, que ainda tinha a boca aberta e olhos furiosos. – E fecha a boca se não entra mosca.
-Ao menos nesta expressão ela acerta – murmurou, afastando-se de Minako e Linda. Esta podia jurar que os olhos de Naomi haviam aumentado de tamanho em reconhecimento por uns momentos, quando Minako lhe deu o dinheiro.
Já sozinhas, Minako não perdeu tempo em ir ao assunto.
-Sabes onde está o teu irmão?
-Não! Porquê? – Não se atreveu a revelar que tinha uma vaga ideia onde ele estava.
-Bem me parecia! A tua avó recusou-se a dizer onde ele estava, assim como o teu avô.
-Talvez por medo que os nossos pais descubram.
-Não! É por outra razão.
-Qual? – O bichinho da curiosidade decidiu meter-se. Porque é que Kenji fugiria dos seus avós.
Minako suspirou, como se tentasse descobrir uma forma de dizer algo grave.
-Bem. Antes de sair de casa o teu irmão teve uma discussão com os teus pais.
-Sim. Isso, eu sei. Estava na sala ao lado quando isso aconteceu.
-Pois, acontece que o teu irmão ofendeu o teu pai. E ele…
-E ele o quê? O que é que o meu pai fez? – Exigiu Linda, fúria claramente visível nos seus olhos
-Ele deserdou o próprio filho.
Não conseguia acreditar. O seu pai tinha muitos defeitos, mas Linda nunca o imaginaria a fazer algo tão arrogante.
-Como? Como é que ele fez isso? Ele não pode… a rainha absoluta é a minha mãe. – Linda olhou em volta, a ver se ninguém a tinha ouvido. – Ela não fez nada?
-A questão não é deixar de ser rei, porque para começar era esse o objectivo dele. O problema está em que o deserdou de tudo. De ser seu filho.
-O quê? – Linda segurou-se a um poste ali perto, sentindo-se tonta. Era como se a realidade a tivesse atingido ao fim de tantos anos a acreditar no contrário. Todos diziam que os pais, no fundo, a amavam a ela e a Kenji, mas isto provava o contrário. Eles não queriam saber dos filhos para mais nada a não ser os direitos ao trono.
-E a Rainha, o que fez? Suponho que nada, sendo ela uma autêntica cobarde. - Cuspiu a rapariga, cega de raiva.
-Linda não fales assim dela! Ela tentou. - disse Minako, mas não muito segura.
-Tentou? Aposto que ficou sentada na cadeira com a cabeça virada para o chão enquanto alguém com mais coragem defendia o filho dela.
Minako baixou a cabeça. Linda estava certa. Lembrava-se de ouvir Usagi gritar para o genro, enquanto Mamoru tentava acalmar o neto, para depois também explodir. O pior foi quando Kenji se dirigiu para a mãe:
**flashback**
-E tu? Que tens a dizer? Também não queres ser minha mãe?
-Acalma-te Kenji! De certeza que ela terá algo a dizer – Usagi virou-se para a filha, que ainda tinha os olhos fechados de onde saíam lágrimas. Permanecia calada e, ao fitar a mãe, não disse nada.
Kenji riu-se no meio de lágrimas que tentava controlar e gritou:
-Tenho pena da Linda. Ela não merece os pais que tem. Uns cobardes e… hipócritas que só pensam neles!
-Como te atreves a falar assim? Sai já daqui! – Ordenou o rei.
-Só sai daqui quando eu quiser… quando nós quisermos – Mamoru fitou Usagi. Esta tinha ódio nos olhos, algo que após muitos anos, nunca esperaria ver isso nela.
Minako encontrava-se calada no canto. As outras estavam ocupadas. Além disso, Usagi pedira-lhe que viesse.
-Como queiram! Eu afastar-me-ei daqui. Nunca mais me porão a vista em cima. Adeus.
Kenji saiu, batendo com a porta com o máximo de força que conseguira. Já Usagi foi atrás dele. Mamoru aproximou-se da filha, que começara a chorar e sussurrou-lhe algo no ouvido, antes de sair. Minako olhou para a pequena menina que sempre gostara e vira discutir com a sua melhor amiga, agora uma mulher e mãe… Uma mãe que pouco valor dava aos filhos… e tudo por causa de uma maldição.
Capitulo 6 – Encontros por acaso
Eiji tinha razão. Se não conquistasse a confiança de Mari em algum tempo, arriscava-se a ficar presa em situações destas muitas vezes.
Era o dia de algumas colegas limparem a sala. Mas, por algum motivo, o nome dela foi parar à lista. E os outros desapareceram. Logo, ela tinha que ficar a limpar a sala de aula sozinha. Eiji já tinha ido, ainda que tivesse se oferecido para ficar e ajuda-la. Linda recusou e agora espremia um pano húmido para limpar as mesas.
Não seria muito difícil, se estivesse habituada a fazê-lo. Os pais nunca a deixaram pegar num pano pois, segundo eles, era atitude imprópria de uma princesa. E ali estava ela, com o pano numa mão e um esfregão na outra, enquanto tentava tirar uma maldita pastilha elástica debaixo de uma das mesas, usando luvas.
Quando acabou, olhou para o que fez. Ninguém podia queixar-se que ela era preguiçosa. Esse adjectivo pertencia ao irmão. Acordava sempre tarde, baldava-se aos seus deveres. Riu-se, guardou os produtos de limpeza na despensa e saiu da escola.
Fazer amizade com Mari estava fora de questão até a loira aprender a ter maneiras. Linda jamais ganharia a confiança dela se não lhe contar o seu segredo. E não o faria com Mari. Não quando pessoas como ela eram a razão para ela ter um segredo. Pressões, correntes. Tudo isso fizera parte do seu dia-a-dia. Agora não. Até parece que Linda queria que todos gostassem dela. Muito pelo contrário, quanto menos chamasse as atenções melhor.
Deu uma olhadela pelas montras das lojas que tinham roupas e artigos muito bonitos. Desde um casaco á cowboy, que voltara a estar na moda até uma pequena corrente de prata simples que se encontrava numa montra de uma famosa joalharia. Observou o colar. Parecia-lhe uma corrente vulgar. E não passava disso se o seu brilho prateado não enfeitiçasse todos quem o olhavam. Menos Linda. Já vira algo mais brilhante e poderoso. O Cristal Prateado. Esse tinha um poder que nunca usaria. Pertencia á avó e pertenceria à mãe. “Mas não a mim! Não o mereço!”. Não era uma Sailor. A avó fora uma nos tempos de juventude e a mãe também, mas ela não tinha qualquer poder ou a avó ter-lhe-ia dito.
Parou numa esquina, desconfiada. Tivera a impressão que vira alguém familiar. Olhou para o outro lado da rua e viu uma rapariga morena de cabelos apanhados.
Naomi.
Deu uma gargalhada descontraída. Esta vinha vestida de fato de treino o que, juntamente com os cabelos escuros apanhados, davam-lhe um ar de quem acabara de sair do ginásio. Mas o motivo para a gargalhada de Linda era que Naomi andava a passo rápido para fugir de outra mulher vestida como uma mulher de negócios que tentava, sem sucesso, passar despercebida. Avançava, olhando para todos os lados, como se estivesse a ser seguida. Ou a seguir alguém. A roupa era um conjunto. Fato cor de laranja e camisa num amarelo mais escuro. Os sapatos eram amarelos, que contrastava com os cabelos loiros. Usava óculos escuros.
Com o alto som da gargalhada, Naomi fitou a amiga e, zangada, virou-se para a outra:
-Podes parar com essas fitas, Minako? Ela já nos viu e, para tua informação toda a cidade de Tokyo está a olhar para ti neste momento. – Disse a jovem, enfurecida.
-Hum? De que é que estás a falar? – Minako tirou os óculos e mostrou os seus enormes olhos azuis. – Oh, Linda, como estás? Uh, uh! - Disse, gritando do outro lado da rua.
-E pensar que ela fez um grande discurso para que, quando a encontrássemos, fossemos discretas, mas parece que não falou para ela – sussurrou Naomi, aproximando-se de Linda. Mal se viu a menos de dois passos, agarrou a amiga num abraço -Estás bem?
-Bem? Como é que vocês sabiam que eu estava aqui? A minha avó...
-Acho que não entendeste o plano da Usagi. - disse Minako, também ela envolvendo Linda num abraço. - O plano era tu fugires dos teus pais. Não dos teus avós de nós. Sabemos perfeitamente onde tu andas.
De certa forma, Linda não gostou muito do plano. Sabia que a avó lhe estava a dar o gosto pela liberdade mas, no fundo, ainda se encontrava vigiada. Agora o porquê, Linda não sabia.
-Estou a ver. - foi tudo o que disse.
-Como vai o primeiro dia? Os rapazes da tua escola são giros? – Minako piscou o olho a Linda, enquanto Naomi revirou os olhos. Linda tentou controlar o sorriso ao ver Minako tentar parecer completamente alegre e descontraída, quando o seu rosto escondia marcas de preocupação. Aquele encontro não era por acaso.
-Bem, o que é que vocês estão aqui a fazer?
-Pois, e agora muda de assunto…
-Não penses que consegues irritar-me que hoje estou de muito bom humor – ripostou Linda, mordendo o lábio inferior, sinal de mentira. Sorte a dela que apenas o irmão conhecia esse sinal.
-Mas então, como é a tua casa? E a anfitriã?
-Óptima! É muito simpática e carinhosa. Gostava de saber como é que ela e a avó se conhecem.
-Bem… ah… isso tens de perguntar á tua avó! - disse Minako, hesitante. Linda ergueu uma pestana.
-hum… algo está mal nessa história.
Minako pareceu engasgar-se na sua própria saliva e até Naomi pareceu preocupada. Minako abanou a cabeça e disse, num tom superior.
-Atreves-te a desconfiar de mim? Respeitinho que sou mais velha que tu!
-Só se for nas rugas, porque no cérebro ainda és uma autêntica criança. - Disse Naomi, cruzando os braços.
Minako lançou-lhe um olhar penetrante, mas Linda viu os cantos dos lábios da mulher contorcerem-se num leve sorriso.
-Não te armes em espertinha, miúda. Sabes como diz o ditado: Quem corre por gosto, cai sempre!
-Minako, diz-se “quem corre por gosto não se cansa” e não estou a ver o que é que tem a ver com a conversa. - Intercedeu Linda.
-Ora, é tudo a mesma coisa! - disse Minako, encolhendo os ombros de uma forma exagerada.
-Não é não… de acordo com a avó da Linda, a minha e as outras, tu és a única que ainda não cresceu. – Meteu-se Naomi, irritada pela milésima vez com os erros de Minako.
-Andas a falar muito com a Ami, não?
-Meninas... e senhoras... Podiam parar de discutir e revelar-me porque que estão aqui?
As duas pararam e viraram-se para Linda. Dava impressão a Minako ouvir Usagi dizer palavras tão correctas e calmas. Abanou a cabeça. Aquela não era a sua amiga, agora uma mulher que já fora Rainha. Era a sua neta, uma jovem responsável e… muito especial.
-bem, a verdade é que viemos aqui para saber se estás arrependida. – Disse Naomi, calmamente.
-Como podia estar arrependida? Era isto que eu queria.
Breve e mais uma vez, calma. Linda fitou as amigas. Naomi estava calma, como se aquela fosse a resposta que quisesse ouvir. Já Minako não. Ela viera por outros motivos.
-Naomi, podes ir ali ver aquele maravilhoso casaco á cowboy e comprar-me um, por favor? – Pediu Minako.
-Mas que lata! Porque não vais tu?
-És mesmo resmungona como a tua avó! Vai lá e ainda podes comprar gominhas se quiseres – disse, dando dinheiro a Naomi, que ainda tinha a boca aberta e olhos furiosos. – E fecha a boca se não entra mosca.
-Ao menos nesta expressão ela acerta – murmurou, afastando-se de Minako e Linda. Esta podia jurar que os olhos de Naomi haviam aumentado de tamanho em reconhecimento por uns momentos, quando Minako lhe deu o dinheiro.
Já sozinhas, Minako não perdeu tempo em ir ao assunto.
-Sabes onde está o teu irmão?
-Não! Porquê? – Não se atreveu a revelar que tinha uma vaga ideia onde ele estava.
-Bem me parecia! A tua avó recusou-se a dizer onde ele estava, assim como o teu avô.
-Talvez por medo que os nossos pais descubram.
-Não! É por outra razão.
-Qual? – O bichinho da curiosidade decidiu meter-se. Porque é que Kenji fugiria dos seus avós.
Minako suspirou, como se tentasse descobrir uma forma de dizer algo grave.
-Bem. Antes de sair de casa o teu irmão teve uma discussão com os teus pais.
-Sim. Isso, eu sei. Estava na sala ao lado quando isso aconteceu.
-Pois, acontece que o teu irmão ofendeu o teu pai. E ele…
-E ele o quê? O que é que o meu pai fez? – Exigiu Linda, fúria claramente visível nos seus olhos
-Ele deserdou o próprio filho.
Não conseguia acreditar. O seu pai tinha muitos defeitos, mas Linda nunca o imaginaria a fazer algo tão arrogante.
-Como? Como é que ele fez isso? Ele não pode… a rainha absoluta é a minha mãe. – Linda olhou em volta, a ver se ninguém a tinha ouvido. – Ela não fez nada?
-A questão não é deixar de ser rei, porque para começar era esse o objectivo dele. O problema está em que o deserdou de tudo. De ser seu filho.
-O quê? – Linda segurou-se a um poste ali perto, sentindo-se tonta. Era como se a realidade a tivesse atingido ao fim de tantos anos a acreditar no contrário. Todos diziam que os pais, no fundo, a amavam a ela e a Kenji, mas isto provava o contrário. Eles não queriam saber dos filhos para mais nada a não ser os direitos ao trono.
-E a Rainha, o que fez? Suponho que nada, sendo ela uma autêntica cobarde. - Cuspiu a rapariga, cega de raiva.
-Linda não fales assim dela! Ela tentou. - disse Minako, mas não muito segura.
-Tentou? Aposto que ficou sentada na cadeira com a cabeça virada para o chão enquanto alguém com mais coragem defendia o filho dela.
Minako baixou a cabeça. Linda estava certa. Lembrava-se de ouvir Usagi gritar para o genro, enquanto Mamoru tentava acalmar o neto, para depois também explodir. O pior foi quando Kenji se dirigiu para a mãe:
**flashback**
-E tu? Que tens a dizer? Também não queres ser minha mãe?
-Acalma-te Kenji! De certeza que ela terá algo a dizer – Usagi virou-se para a filha, que ainda tinha os olhos fechados de onde saíam lágrimas. Permanecia calada e, ao fitar a mãe, não disse nada.
Kenji riu-se no meio de lágrimas que tentava controlar e gritou:
-Tenho pena da Linda. Ela não merece os pais que tem. Uns cobardes e… hipócritas que só pensam neles!
-Como te atreves a falar assim? Sai já daqui! – Ordenou o rei.
-Só sai daqui quando eu quiser… quando nós quisermos – Mamoru fitou Usagi. Esta tinha ódio nos olhos, algo que após muitos anos, nunca esperaria ver isso nela.
Minako encontrava-se calada no canto. As outras estavam ocupadas. Além disso, Usagi pedira-lhe que viesse.
-Como queiram! Eu afastar-me-ei daqui. Nunca mais me porão a vista em cima. Adeus.
Kenji saiu, batendo com a porta com o máximo de força que conseguira. Já Usagi foi atrás dele. Mamoru aproximou-se da filha, que começara a chorar e sussurrou-lhe algo no ouvido, antes de sair. Minako olhou para a pequena menina que sempre gostara e vira discutir com a sua melhor amiga, agora uma mulher e mãe… Uma mãe que pouco valor dava aos filhos… e tudo por causa de uma maldição.
Espero por ti em cada segundo , porque tu és o meu mundo!

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Editado pela última vez em
obrigada.. tenho andado tao entusiasmada com a minha outra fic que me esqueci desta 
aqui está:
reescrito a 08/12/2011
Capítulo 7. Exigências
Linda fitou o chão. De cada vez que tentava encontrar alguma qualidade nos seus pais, dez defeitos caíam-lhe em cima. Porque é que um casal tão estranho como aquele pudera conceber dois filhos. Um seria aceitável, considerando as exigências para com o trono. Mas uma segunda filha?
Já tivera várias ideias acerca disso. Ela ter sido indesejada (a mais provável). Ou pior, não ser filha do Rei.
Nunca fizera as perguntas em voz alta. Já não bastava os segredos que lhe escondiam de cada vez que ela perguntava porque não era uma navegante, não queria agora ver as caras hesitantes quando ela fizesse a maldita pergunta.
Uma coisa era certa. Os seus pais sempre fizeram-na sentir como se ela nunca devesse ter nascido. E agora o irmão sofria a mesma dor.
Talvez fosse melhor procurá-lo. Começar por investigar esse Kenji Chiba que morava com Eiji e o seu irmão.
-Linda? - Ouviu Minako chamá-la. - Peço-te para procurares o teu irmão. Ele precisa de ti!
Linda assentiu. A sua relação com o irmão sempre fora estranha. Num momento Kenji era o melhor do irmão do mundo, mas noutro conseguia agir como os próprios pais. Era uma atitude instável, mas isso não impedia Linda de nutrir carinho pelo seu irmão mais velho.
Naomi aproximou-se delas com um grande saco castanho na mão.
-Aqui tem Madame! Espero que seja à sua medida. – Disse, exagerando no sarcasmo e entregando o pesado saco a Minako. Esta quase caiu com os seus sapatos de salto alto.
-Como está o Seiji? – Perguntou Linda, ansiosa por mudar de assunto.
-Muito bem… está cada vez mais feio a cada dia que passa. E mais inteligente.
-O que é que esperavas do neto da Ami Mizuno? – Disse Minako tentando manter o equilíbrio, acabando por cambalear.
-Bem… pode haver excepções… – Naomi olhou fixamente para Linda para depois virar-se para Minako. – E o teu netinho é a mesma coisa. É desastrado, totó e distraído. E ainda por cima já fez os vinte anos em Maio!
A mesma idade do meu irmão, pensou Linda sem conseguir evitar.
-ohh, não critiques sua invejosa! Quem te dera que ele te convidasse para sair. E vem mas é ajudar-me a carregar este maldito saco.
Naomi mordeu o lábio e aproximou-se e carregou o saco com facilidade.
-Gostava de saber onde vais buscar tanta força! – Comentou Minako, olhando para Naomi com um pouco de inveja.
-Ao leite! Que por acaso também devias beber, caso contrario ficas sem forcinha nessas pernas. Ficas fraca, até porque já estás velhinha.
-Não digas disparates que eu estou muito bem conservada, não é verdade Linda?
Linda deu um sorriso tremido e respondeu:
-verdade!
-vês. Como a nossa menina não mente, podemos considerar isto, a prova de que eu sou ainda muito bela e jovem.
Linda abriu a boca mas acabou por fechá-la. Naomi reparou, mas não disse nada a respeito:
-Temos que ir embora! Makoto vai fazer bolo de mel.
-bolo de mel? O que é isso? – Perguntou Linda.
-viu num programa de culinária umas receitas estrangeiras e gostou desta. É uma especialidade portuguesa.
-Portuguesa? – Perguntou Minako, confusa.
-sim. Portuguesa. É uma receita da Madeira. Portugal.
-Portugal? Aquela cidadezinha espanhola no sul da França?
Linda e Naomi riram-se ás gargalhadas, ignorando a confusa Minako que tentava lembrar-se onde ficava Portugal.
Despediram-se e seguiram caminhos opostos. Linda chegou a casa, cumprimentando o porteiro cordialmente. Não diria a sua casa porque apenas morava lá algumas semanas e mal conhecia as pessoas que lá viviam. Pegou na chave que Aiko lhe dera e entrou.
Mari estava a ver televisão e Aiko a cozinhar. Esta veio ter com ela:
-Ai! Mas que atraso! O que é que a menina esteve a fazer até esta hora?
-Estive a… limpar a sala de aula. - Respondeu Linda, decidindo evitar falar de Minako.
-Oh! Este tempo todo? Limpaste sozinha?
-Bem… - Mas quer que Linda fosse dizer não impediu Aiko de virar para a neta, zangada.
-Mari! Não ajudaste a Linda porquê? Eu não te disse ontem que tinhas que ser simpática? – Disse, colocando as mãos nas ancas.
Mari desviou os olhos da TV. Dava para ver que Mari respeitava a avó e não gostava de a ver zangada. Linda conhecia o sentimento.
-A culpa não foi dela! - disse, sabendo que, no fundo, as suas estranhas pediam ar de tanto se contorcerem. - Quinta temos teste de preparação e como eu estou mais dentro da matéria do que elas, ofereci-me para limpar a sala. Não limpei sozinha. Apenas terminei a minha parte mais tarde.
Mentira mesmo óbvia. Linda ainda tentava perguntar-se porque se dera ao trabalho de defender Mari. Bem, talvez fosse o seu subconsciente a arranjar forma de ela conquistar a confiança da loira, sem revelar o seu segredo.
-Hum… se foi assim… - Aiko não parecia ter acredita. Todavia, dirigiu-se para a cozinha, deitando um olhar desconfiado na neta. Esta olhava para Linda, numa estranha mistura de choque e desconfiança.
-Obrigada. - disse, como que contrariada.
Linda tentou não mostrar qualquer reacção ás desculpas de Mari. Sorriu levemente, tirou os óculos e limpou-os a um lenço
-De nada. - disse, calmamente.
-Não precisavas de me ajudar. – Toda a gratidão e simpatia de Mari desaparecera. – Não precisavas de te fazer de santinha.
-Eu não estava a querer-me fazer de santinha. Apenas conheço o sentimento de não querer decepcionar alguém que amamos, apesar de o fazermos.
Mari levantou-se. Os seus olhos examinaram Linda de alto a baixo, fazendo-a sentir-se exposta.
-O quê, exactamente?
-Como?
-De onde é que vens? Porque é que vens?
Linda semicerrou os olhos.
-Tu sabes a história.
-Aquela dos problemas familiares? A mim parece-me tudo treta.
-Pois bem, é a verdade. Não gostas problema teu.
-Mas que problemas te fariam mudar para a casa de uma estranha?
Mari parecia não desistir. Linda suspirou pesadamente.
-Não tens nada a ver com isso. Esta é a história que tenho para contar.
-Sendo assim não tens nada para me contar! – Mari sentou-se e continuou a ver televisão, ignorando a outra.
Linda controlou a súbita vontade de estrangular Mari e foi para o seu quarto. Tomou um banho refrescante, e sentou-se na secretária decidida a estudar um pouco para o próximo teste.
Mas as palavras frias de Mari, das suas colegas, de Eiji e de Minako não lhe saiam da cabeça.
Deitou-se na cama e não respondeu ao chamamento de Aiko para jantar. Pegou no pingente que a avó lhe dera e apertou-o para si, em busca de algum conforto.
Perguntou-se se a sua vida era apenas complicada porque era uma princesa. Adormeceu a pensar nisso.
Por volta da meia-noite, Aiko foi ver como Linda estava. Dormia que nem um anjo, o rosto sereno e os cabelos negros todos despenteados. Notou que a rapariga deitara-se com os óculos postos. Tirou-os suavemente do rosto dela e colocou-os na mesa de cabeceira. Foi aí que notou que Linda apertava um pequeno objecto com as mãos. Encolhendo os ombros à estranha imagem, saiu e fechou a porta do quarto.
Não notou que o pequeno pingente brilhava nas mãos de Linda.

aqui está:
reescrito a 08/12/2011
Capítulo 7. Exigências
Linda fitou o chão. De cada vez que tentava encontrar alguma qualidade nos seus pais, dez defeitos caíam-lhe em cima. Porque é que um casal tão estranho como aquele pudera conceber dois filhos. Um seria aceitável, considerando as exigências para com o trono. Mas uma segunda filha?
Já tivera várias ideias acerca disso. Ela ter sido indesejada (a mais provável). Ou pior, não ser filha do Rei.
Nunca fizera as perguntas em voz alta. Já não bastava os segredos que lhe escondiam de cada vez que ela perguntava porque não era uma navegante, não queria agora ver as caras hesitantes quando ela fizesse a maldita pergunta.
Uma coisa era certa. Os seus pais sempre fizeram-na sentir como se ela nunca devesse ter nascido. E agora o irmão sofria a mesma dor.
Talvez fosse melhor procurá-lo. Começar por investigar esse Kenji Chiba que morava com Eiji e o seu irmão.
-Linda? - Ouviu Minako chamá-la. - Peço-te para procurares o teu irmão. Ele precisa de ti!
Linda assentiu. A sua relação com o irmão sempre fora estranha. Num momento Kenji era o melhor do irmão do mundo, mas noutro conseguia agir como os próprios pais. Era uma atitude instável, mas isso não impedia Linda de nutrir carinho pelo seu irmão mais velho.
Naomi aproximou-se delas com um grande saco castanho na mão.
-Aqui tem Madame! Espero que seja à sua medida. – Disse, exagerando no sarcasmo e entregando o pesado saco a Minako. Esta quase caiu com os seus sapatos de salto alto.
-Como está o Seiji? – Perguntou Linda, ansiosa por mudar de assunto.
-Muito bem… está cada vez mais feio a cada dia que passa. E mais inteligente.
-O que é que esperavas do neto da Ami Mizuno? – Disse Minako tentando manter o equilíbrio, acabando por cambalear.
-Bem… pode haver excepções… – Naomi olhou fixamente para Linda para depois virar-se para Minako. – E o teu netinho é a mesma coisa. É desastrado, totó e distraído. E ainda por cima já fez os vinte anos em Maio!
A mesma idade do meu irmão, pensou Linda sem conseguir evitar.
-ohh, não critiques sua invejosa! Quem te dera que ele te convidasse para sair. E vem mas é ajudar-me a carregar este maldito saco.
Naomi mordeu o lábio e aproximou-se e carregou o saco com facilidade.
-Gostava de saber onde vais buscar tanta força! – Comentou Minako, olhando para Naomi com um pouco de inveja.
-Ao leite! Que por acaso também devias beber, caso contrario ficas sem forcinha nessas pernas. Ficas fraca, até porque já estás velhinha.
-Não digas disparates que eu estou muito bem conservada, não é verdade Linda?
Linda deu um sorriso tremido e respondeu:
-verdade!
-vês. Como a nossa menina não mente, podemos considerar isto, a prova de que eu sou ainda muito bela e jovem.
Linda abriu a boca mas acabou por fechá-la. Naomi reparou, mas não disse nada a respeito:
-Temos que ir embora! Makoto vai fazer bolo de mel.
-bolo de mel? O que é isso? – Perguntou Linda.
-viu num programa de culinária umas receitas estrangeiras e gostou desta. É uma especialidade portuguesa.
-Portuguesa? – Perguntou Minako, confusa.
-sim. Portuguesa. É uma receita da Madeira. Portugal.
-Portugal? Aquela cidadezinha espanhola no sul da França?
Linda e Naomi riram-se ás gargalhadas, ignorando a confusa Minako que tentava lembrar-se onde ficava Portugal.
Despediram-se e seguiram caminhos opostos. Linda chegou a casa, cumprimentando o porteiro cordialmente. Não diria a sua casa porque apenas morava lá algumas semanas e mal conhecia as pessoas que lá viviam. Pegou na chave que Aiko lhe dera e entrou.
Mari estava a ver televisão e Aiko a cozinhar. Esta veio ter com ela:
-Ai! Mas que atraso! O que é que a menina esteve a fazer até esta hora?
-Estive a… limpar a sala de aula. - Respondeu Linda, decidindo evitar falar de Minako.
-Oh! Este tempo todo? Limpaste sozinha?
-Bem… - Mas quer que Linda fosse dizer não impediu Aiko de virar para a neta, zangada.
-Mari! Não ajudaste a Linda porquê? Eu não te disse ontem que tinhas que ser simpática? – Disse, colocando as mãos nas ancas.
Mari desviou os olhos da TV. Dava para ver que Mari respeitava a avó e não gostava de a ver zangada. Linda conhecia o sentimento.
-A culpa não foi dela! - disse, sabendo que, no fundo, as suas estranhas pediam ar de tanto se contorcerem. - Quinta temos teste de preparação e como eu estou mais dentro da matéria do que elas, ofereci-me para limpar a sala. Não limpei sozinha. Apenas terminei a minha parte mais tarde.
Mentira mesmo óbvia. Linda ainda tentava perguntar-se porque se dera ao trabalho de defender Mari. Bem, talvez fosse o seu subconsciente a arranjar forma de ela conquistar a confiança da loira, sem revelar o seu segredo.
-Hum… se foi assim… - Aiko não parecia ter acredita. Todavia, dirigiu-se para a cozinha, deitando um olhar desconfiado na neta. Esta olhava para Linda, numa estranha mistura de choque e desconfiança.
-Obrigada. - disse, como que contrariada.
Linda tentou não mostrar qualquer reacção ás desculpas de Mari. Sorriu levemente, tirou os óculos e limpou-os a um lenço
-De nada. - disse, calmamente.
-Não precisavas de me ajudar. – Toda a gratidão e simpatia de Mari desaparecera. – Não precisavas de te fazer de santinha.
-Eu não estava a querer-me fazer de santinha. Apenas conheço o sentimento de não querer decepcionar alguém que amamos, apesar de o fazermos.
Mari levantou-se. Os seus olhos examinaram Linda de alto a baixo, fazendo-a sentir-se exposta.
-O quê, exactamente?
-Como?
-De onde é que vens? Porque é que vens?
Linda semicerrou os olhos.
-Tu sabes a história.
-Aquela dos problemas familiares? A mim parece-me tudo treta.
-Pois bem, é a verdade. Não gostas problema teu.
-Mas que problemas te fariam mudar para a casa de uma estranha?
Mari parecia não desistir. Linda suspirou pesadamente.
-Não tens nada a ver com isso. Esta é a história que tenho para contar.
-Sendo assim não tens nada para me contar! – Mari sentou-se e continuou a ver televisão, ignorando a outra.
Linda controlou a súbita vontade de estrangular Mari e foi para o seu quarto. Tomou um banho refrescante, e sentou-se na secretária decidida a estudar um pouco para o próximo teste.
Mas as palavras frias de Mari, das suas colegas, de Eiji e de Minako não lhe saiam da cabeça.
Deitou-se na cama e não respondeu ao chamamento de Aiko para jantar. Pegou no pingente que a avó lhe dera e apertou-o para si, em busca de algum conforto.
Perguntou-se se a sua vida era apenas complicada porque era uma princesa. Adormeceu a pensar nisso.
Por volta da meia-noite, Aiko foi ver como Linda estava. Dormia que nem um anjo, o rosto sereno e os cabelos negros todos despenteados. Notou que a rapariga deitara-se com os óculos postos. Tirou-os suavemente do rosto dela e colocou-os na mesa de cabeceira. Foi aí que notou que Linda apertava um pequeno objecto com as mãos. Encolhendo os ombros à estranha imagem, saiu e fechou a porta do quarto.
Não notou que o pequeno pingente brilhava nas mãos de Linda.
Espero por ti em cada segundo , porque tu és o meu mundo!

Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
Visitem a minha 1ª Fic ----->The Four elements

Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
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Editado pela última vez em
esta mt gira quero mais um capitulo
a minha primeira fic "AS FILHAS DA LUA"passem na minha fic e comentem XD

Traços do destino
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Traços do destino
visitem o meu forum http://eterna-sailor-moon4.forumeiros.com/forum.htm
obrigada mana =)
aqui está outro.. mais pequenino
reescrito a 08/12/2011
Capítulo 8. A conspiração
Longe dali, uma mulher caminhava pela sua esplêndida sala. Coberta de quadros maravilhosos, um tapete púrpura e uma poltrona também púrpura, a sala era o seu local preferido. O único onde tinha espaço suficiente para ouvir o eco da sua voz. Da sua bela voz.
Suspirou, levemente cansada. Vestia um vestido azul-escuro, com um discreto decote. Abriu as cortinas cor de vinho e a luz do luar iluminou os seus olhos negros e os seus cabelos azuis-escuros ondulados. Sorriu para o luar. O seu plano corria maravilhosamente. As Flores do Universo iriam pertencer-lhe em breve. Bastava apenas de encontrar os donos de tais poderes. Não seria muito difícil até porque tinha a maior fonte de todas: a Rainha.
Fazer-se de pobre coitada sempre fora o seu forte quando era miúda. E continuava a fazer efeito, sendo a vítima mais recente a Rainha Small Lady. O nome fazia-lhe pouco efeito agora, visto agora estar extremamente alta e bela. Conseguia controlá-la. Dava-lhe conselhos sobre como governar o reino. Também falava bastante com o marido dela, escondendo o desejo que nutria por ele há muitos anos. Todavia, este não era tão parvo e não caia nos seus esquemas, mas também conseguia ser fraco como a esposa. E no meio deles dos dois, ela controlava.
Havia também obstáculos na sua amizade com a Rainha. A “Rainha Velha”, como gostava de chamar a Usagi Tsukino, antiga Neo-Serenity. Ela detestava-a e sempre que ia visitá-las ao palácio, recusava-se a cumprimentá-la. Era um insulto! Mas um dia iria pagá-las. Assim que conseguisse o que queria, todos iriam pagar.
Sentou-se na sua poltrona. E sorriu. Assim que tivesse todas as Flores do Universo, governaria Cristal Tokyo e o Sistema Solar. E ninguém poderia pará-la. Ninguém.
Bateram á porta suavemente.
-Pode entrar! – Disse vagamente, ainda distraída nos seus pensamentos.
-Desculpe incomodá-la, Lady… mas é que temos novidades! – Anunciou uma sombra baixa e um pouco larga.
-Novidades? Hum… que tipo de novidades?
-É sobre a Flor de Júpiter!
-Conta! – Ordenou.
-Encontra-se numa rapariga do secundário.
-A sério? E o que te faz pensar nisso? – Perguntou, ainda desconfiada. Não esperava que a Flor de Júpiter de encontrasse numa jovem vulgar.
-É descendente da casa real de Júpiter.
Ela reflectiu um pouco. Fazia sentido que fosse uma jovem vulgar, considerando que o Reino de Júpiter havia-se extinguindo milhares de anos antes.
-Hum… sendo assim… trata dela!
-Muito bem Lady… – E a sombra retirou-se silenciosamente.
A mulher levantou-se e olhou para uma jarra com rosas vermelhas, posta em cima da mesa. Tinha esperanças de que a Rainha lhe contasse quem tinha a misteriosa Flor da Terra. Essa seria, sem dúvida, a mais difícil de encontrar. Mas afastou os seus pensamentos do plano por uns momentos e saiu da sala em direcção ao seu quarto. Ajeitou a almofada e tirou o vestido. Prendeu os belos cabelos e vestiu uma camisa de dormir. Deitou-se e sonhou com o seu maravilhoso plano.
aqui está outro.. mais pequenino
reescrito a 08/12/2011
Capítulo 8. A conspiração
Longe dali, uma mulher caminhava pela sua esplêndida sala. Coberta de quadros maravilhosos, um tapete púrpura e uma poltrona também púrpura, a sala era o seu local preferido. O único onde tinha espaço suficiente para ouvir o eco da sua voz. Da sua bela voz.
Suspirou, levemente cansada. Vestia um vestido azul-escuro, com um discreto decote. Abriu as cortinas cor de vinho e a luz do luar iluminou os seus olhos negros e os seus cabelos azuis-escuros ondulados. Sorriu para o luar. O seu plano corria maravilhosamente. As Flores do Universo iriam pertencer-lhe em breve. Bastava apenas de encontrar os donos de tais poderes. Não seria muito difícil até porque tinha a maior fonte de todas: a Rainha.
Fazer-se de pobre coitada sempre fora o seu forte quando era miúda. E continuava a fazer efeito, sendo a vítima mais recente a Rainha Small Lady. O nome fazia-lhe pouco efeito agora, visto agora estar extremamente alta e bela. Conseguia controlá-la. Dava-lhe conselhos sobre como governar o reino. Também falava bastante com o marido dela, escondendo o desejo que nutria por ele há muitos anos. Todavia, este não era tão parvo e não caia nos seus esquemas, mas também conseguia ser fraco como a esposa. E no meio deles dos dois, ela controlava.
Havia também obstáculos na sua amizade com a Rainha. A “Rainha Velha”, como gostava de chamar a Usagi Tsukino, antiga Neo-Serenity. Ela detestava-a e sempre que ia visitá-las ao palácio, recusava-se a cumprimentá-la. Era um insulto! Mas um dia iria pagá-las. Assim que conseguisse o que queria, todos iriam pagar.
Sentou-se na sua poltrona. E sorriu. Assim que tivesse todas as Flores do Universo, governaria Cristal Tokyo e o Sistema Solar. E ninguém poderia pará-la. Ninguém.
Bateram á porta suavemente.
-Pode entrar! – Disse vagamente, ainda distraída nos seus pensamentos.
-Desculpe incomodá-la, Lady… mas é que temos novidades! – Anunciou uma sombra baixa e um pouco larga.
-Novidades? Hum… que tipo de novidades?
-É sobre a Flor de Júpiter!
-Conta! – Ordenou.
-Encontra-se numa rapariga do secundário.
-A sério? E o que te faz pensar nisso? – Perguntou, ainda desconfiada. Não esperava que a Flor de Júpiter de encontrasse numa jovem vulgar.
-É descendente da casa real de Júpiter.
Ela reflectiu um pouco. Fazia sentido que fosse uma jovem vulgar, considerando que o Reino de Júpiter havia-se extinguindo milhares de anos antes.
-Hum… sendo assim… trata dela!
-Muito bem Lady… – E a sombra retirou-se silenciosamente.
A mulher levantou-se e olhou para uma jarra com rosas vermelhas, posta em cima da mesa. Tinha esperanças de que a Rainha lhe contasse quem tinha a misteriosa Flor da Terra. Essa seria, sem dúvida, a mais difícil de encontrar. Mas afastou os seus pensamentos do plano por uns momentos e saiu da sala em direcção ao seu quarto. Ajeitou a almofada e tirou o vestido. Prendeu os belos cabelos e vestiu uma camisa de dormir. Deitou-se e sonhou com o seu maravilhoso plano.
Espero por ti em cada segundo , porque tu és o meu mundo!

Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
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mana é pequenina e muito boa continua que a historia esta a ficar muito interessante.
:dança:
.o: :anjo2:
:dança:
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obrigada mana =)
Espero por ti em cada segundo , porque tu és o meu mundo!

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obrigada =)
vou ver se posto um amanha ou hoje
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desculpa o (pequeno) atraso, mas fiquei inspirada e ainda tive uns problemas.. mas aki está 
reescrito a 12/12/2011
Capítulo 9. Universitários
Em Tokyo, o sol invadiu as divisões dos diversos apartamentos, espalhando luz luminosa nos diversos contornos da casa. O vento soprou suavemente nas janelas de vidro, convidando os moradores dos apartamentos a abrirem as janelas e deixarem entrar a brisa matinal. A aurora chegara e as ruas começavam a encher-se de diversas pessoas todas com um rumo definido pela rotina, desde o trabalho até uma consulta do médico, enchendo transportes públicos e passadeiras da cidade.
À mesma hora, no mesmo momento, dois despertadores nos quartos de duas raparigas tocaram o mais alto possível. Uma adiou o despertador para tocar cinco minutos depois. A outra levantou-se. Só quinze minutos depois a outra rapariga levantara-se da cama. Nessa altura, já a outra estava vestida e a tomar pequeno-almoço.
Mari espreguiçou-se na soleira da porta, admirando o pequeno-almoço que a avó colocara na mesa. Algumas torradas, leite, café e chocolate em pó. Sentindo o estômago a roncar, sentou-se e deu os bons dias à avó. Esta fez uma careta ao ver que Mari ignorava Linda por completo e esta correspondia o tratamento.
Haviam se passado três semanas desde o inicio das aulas e a relação de indiferença entre as duas revelara-se ser apenas o cume do iceberg. Aiko telefonara para a escola, sabendo que Linda andava isolada dos outros alunos, andando ou sozinha ou com um outro estudante de nome Eiji Yamamoto e que raramente participava nas aulas, o que contrastava com as boas notas que tirava nos testes. A directora aconselhara Aiko a falar com a rapariga, mas Aiko não era estúpida. Linda ainda não confiava o suficiente nela para lhe contar os seus problemas, quanto menos aceitar os seus conselhos.
Quando as duas raparigas saíram para a escola, Aiko deixou-se ficar junto ao balcão da cozinha, reflectindo se deveria avisar Usagi que a neta não se estava a enquadrar naquele mundo.
Linda mordeu o lábio de irritação. Mais uma vez, a professora cometeu um erro. Como é que a mulher podia ter-se doutorado com aqueles conhecimentos rudimentares a inglês? O sotaque tão forçado era quase incompreensível e por vezes dava-se ao luxo de trocar vogais e consoantes.
Consultou o relógio. Faltavam cinco minutos para o fim daquele inferno. Ao seu lado, Eiji conversava animadamente com um colega, de nome Ryo Sato, acerca de qualquer coisa excitante.
-A sério, o Setsu disse-me que hoje ia ser brutal. – Comentou Eiji, o rosto contorcido num semblante de exaltação.
-Para ele, todos os dias são brutais. Afinal, é ele que praxa os pobres coitados.
-Que daqui a uns anos seremos nós. – Apontando Eiji, sorridente.
-Felizmente não será o teu irmão a praxarmo-nos. – Disse Ryo, claramente aliviado.
Eiji assentiu, também ele contente por essa pequena bênção dos deuses. A professora aumentou o tom de voz, obrigando os rapazes a separarem-se. Eiji olhou para Linda e, vendo que ela prestara atenção à conversa, disse.
-Podias vir hoje.
-Aonde?
-À universidade de medicina. O meu irmão vai lá estar a praxar. E… o Kenji Chiba também. – Completou Eiji calmamente, observando a reacção de Linda ao nome. Esta suspirou, lembrando-se daquilo que Minako dissera e, devagar, assentiu com a cabeça.
-Sim. Às tantas vou. Esperas por mim?
-Claro, se vem que não virás só comigo.
-Como assim?
Eiji corou um pouco.
-Bem, é que é já uma pequena tradição da turma ir ver as praxes dos outros estudantes. Para vermos o que teremos que lidar no futuro. Por isso, deve ir quase toda a gente.
Linda sorriu, um pouco espantada pelo interesse da turma nas praxes japonesas. No fundo, também ela estava curiosa. Apenas vira praxes nos filmes e, se estes fossem de confiar, ela deveria ter muito medo mas também muita ansiedade pelo futuro numa universidade.
-Ok. – Disse, simplesmente.
Quando a campainha tocou, Eiji desculpou-se e foi ter com o rapazes dizendo a Linda para ir andando (atrás da fila de gente) que ele iria ter com ela. Linda concordou e ficou para trás a arrumar a mochila.
Ao longe, Cecília repara-se para ir embora com a sua amiga carrancuda quando notou na outra rapariga sozinha no fundo da sala.
-Ela não vem connosco? – Perguntou, semicerrando os olhos para Mari.
-Não, ninguém a convidou. – Respondeu Mari num tom indiferente.
-E porque será? – Cecília virou-se para a amiga. – Qual é o teu problema? Ninguém fala com ela por tua causa.
-Hum… não sei porquê. – Disse Mari, arrumando o caderno na mochila, fingindo ignorância. - Eu não controlo as amizades e as vidinhas dos outros.
-Controlas sim. Indirectamente. Tens influência nesta turma e, sem o teu consentimento, eles não deixam a Linda entrar no grupo.
-E porquê é que a queres no grupo? Ela esconde-nos algo. – Retorquiu Mari. Cecília bufou de frustração, colocando as mãos nas ancas.
-E só por isso é excluída? Tem juízo Mari! Toda a gente tem segredos que não contam a ninguém. Por alguma razão são segredos.
-Sim… mas o segredo dela é mais alguma coisa. E já te expliquei porquê.
-Isso não justifica. Nós também temos segredos. Não tens nada que a julgar só porque ela não conta cada detalhe intimo da vida dela. Aliás, até consigo respeitá-la por causa disso.
Mari voltou-se para Cecília. Esta exibia um sorriso. Recomeçou a falar.
-Eu gosto da Linda. É directa, honesta e, tenho que ser sincera, um pouco familiar. Além disso, não sinto nada quando estou perto dela. Pelo menos nada de incomum. Depois se fores amiga dela, ela contar-te-á o seu segredo, mais cedo ou mais tarde. – Mari encolheu os ombros, Cecília continuou. – o melhor que tens a fazer é convidá-la para vir connosco.
-Vai tu! Já que és uma santinha de rapariga que só vê o bem em todos. És a nova Madre Teresa de Calcutá.
-Pois, pois… goza enquanto podes. Um dia receberei o prémio Nobel! – Cecília virou as costas para a amiga, aproximando-se de Linda com um sorriso cordial – Olá!
-Olá – Linda sentiu a tão familiar sensação de que conhecia Cecília de algum lado voltar a surgir, ao ver o sorriso cordial da outra jovem.
-Vais para casa?
Linda abanou a cabeça.
-Não. Eiji disse-me para ir com ele à praxe de medicina e eu cá aceitei.
O rosto de Cecília iluminou-se
-Ainda bem. Não podes perder esta experiencia. Há sempre alguma coisa nova ou engraçada para ver.
Linda controlou uma gargalhada.
-Tens noção que estes caloiros ainda hão de se vingar indo ver a tua praxe?
-Sim, mas até lá gozamos com fartura. – Cecília riu-se até que notou que Mari já não estava na sala.
-Bem, o Eiji deve ter ido com os rapazes. Queres vir connosco? – Perguntou Cecília, sorridente.
- A Mari não vai gostar. – Comentou Linda, mas Cecília teve a sensação de que Linda achava que o seu argumento era apenas mais um motivo para ela ir.
Pediu desculpas com o olhar.
-A Mari é muito desconfiada. Saber que as pessoas escondem algo e se recusam a contar… Toca-lhe, fica logo a pensar no pior e em como esse segredo possa fazer mal às pessoas.
-Um pouco diferente de ti, pelo que vejo. – Murmurou Linda, olhando Cecília nos olhos.
-Não muito. Por algum motivo somos amigas.
-Para ser honesta, achei que fosse pela atracção dos opostos. – Comentou Linda, sorrindo ao de leve. – Tu pareces uma aluna perfeita e Mari a aluna rebelde.
Cecília corou um pouco.
-É um pouco difícil desligarmo-nos das nossas raízes. Fui criada assim, dificilmente mudarei por causa da minha amiga temperamental.
O sorriso de Linda desapareceu.
-Seria bom não? Desligarmo-nos das nossas raízes? – Murmurou suavemente, não esperando uma resposta vinda de Cecília. Mas esta, ignorando a estranha sensação que percorria o seu estômago, respondeu calmamente.
-Se assim fosse, não seríamos nós mesmas.
-Mas… e quando não sabes quem és?
A pergunta apanhou Cecília desprevenida. Para sua sorte, Linda pareceu não querer continuar a conversa, ajeitando a mochila nas suas costas e sorrindo para a outra.
-É melhor irmos andando. Não queremos que a Mari derreta de tanto esperar. É um prazer conhecer-te, Cecília.
-É um prazer conhecer-te, Linda.
As duas foram para junto de Mari, que não escondeu o olhar de ódio a Linda. Esta sorriu e prosseguiu caminho com as outras duas falando para Cecília.
Mais à frente, Linda encontrou Eiji que cumprimentou as três raparigas e pegou na mão de Linda para a apresentar a alguém.
Mari rosnou involuntariamente, virando-se para a amiga. Esta parecia reflectir.
-Vês o que eu te disse. Ela esconde algo de errado.
-Não. – Intercedeu Cecília calmamente. - O que quer que ela esconda não é errado. Pelo menos para nós. – Virou-se para a amiga – acho que são problemas familiares.
-Problemas familiares? Mas essa é a história que ela deu a todos.
-E já paraste que ela pode estar a falar a verdade. Que o segredo dela tem realmente a ver com problemas familiares?
Mari franziu a testa.
-Não pode ser só isso. – Teimou, provocando um suspiro na amiga.
-Mari, nem toda a gente tem uma vida familiar perfeita. E tu devias saber disso melhor do que ninguém.
Mari parou, enquanto Cecília continuou a andar sem olhar para ela. Sim, ela sabia o que era ter problemas familiares. Não eram grande drama, mas sempre pesavam na alma. Mas, se os problemas de Linda fossem os mesmos que os dela… porque escondia? A não ser que fosse mais alguma coisa…
Ao ver que estava a ficar para trás, abandonou os seus pensamentos e correu para alcançar os outros.
***
-Estou a ver que fizeste amizade com a Cecília. – Comentou Eiji, sorridente.
-Sim, ela é bastante simpática. Mas afinal porque me trouxeste aqui? – Perguntou Linda, curiosa.
Estavam nas traseiras de um grande edifício, onde um grande portão pintado de cinzento separava-os da Universidade. Junto ao portão, postavam alguns jovens mais velhos que ela e Eiji. Este assobiou para um.
-Setsu! – Chamou, atraindo a atenção de um moreno bem-parecido. Este aproximou-se, com um sorriso de rufia.
-Hei pimpolho, vieste afinal? Não te rias muito, que há aqui gente com memória fotográfica. Se te apanham na tua praxe…
-Eu sei, eu sei. Olha, onde está o Kenji? – Perguntou. Linda engoliu em seco. Já não bastava os dois irmãos Yamamoto serem bem mais altos do que ela, também aquela zona estava cheia de homens mais velhos a olharem para ela estranhamente.
Setsu suspirou, passando a mão pelos cabelos.
-Estás com sorte. Hoje consegui convencê-lo a sair de casa. Aquele rapaz parece que nem tem vida social. Ainda está em Microbiologia. Temos que esperar. – Olhou para o lado, notando em Linda pela primeira vez. – E esta, é tua amiga?
-Ups, quase que me esquecia. – Eiji sorriu para os dois. – Este é o meu irmão Setsu Yamamoto. Setsu esta é a Linda Tsukino.
-Ah, a rapariga que não paras de falar. – Os dois jovens coraram, por motivos diferentes. Linda tossiu dramaticamente.
-Muito prazer. – Disse, estendendo a mão. Setsu aceitou o gesto, os seus olhos castanhos emitindo um estranho brilho.
-O prazer é todo meu, Linda.
-Então… tu não foste a microbiologia? – Perguntou Eiji, tentando manter conversa.
Setsu encolheu os ombros.
-Também não irias se não tivesses o professor que eu tenho. Não se estende nada. Além disso, o pessoal já combinou uma troca de apontamentos para estudarmos em grupo. Teremos que estudar e temos.
Linda sorriu e olhou por detrás do ombro de Setsu. Muitos jovens, rapazes e raparigas passavam agora os portões, todos com camisolas brancas. Setsu assobiou.
-Então Linda, já viste um dia de praxe? – Perguntou, casualmente. Linda negou logo e o seu sorriso não podia ter aumentado mais. – Pois então vais-te divertir muito. Observa bem.
***
-Ele é louco.
Eiji estava prestes a levar uma lata de refrigerante aos lábios mas parou a ouvir a companheira.
-Só agora é que notas? Por algum motivo os caloiros tremem quando vêm o meu irmão.
-Ele é sempre assim? – Perguntou Linda, um pouco receosa mas sem conseguir tirar os olhos do grupo concentrado à sua frente. Ao seu lado, Cecília controlava as gargalhadas e Mari não era tão discreta.
Eiji reflectiu um pouco.
-Ele tem um sentido de humor um pouco… estranho.
-Não encontras melhor eufemismo?
-Nah, ficaria muito tempo a pensar… - Os dois trocaram um olhar, sorrindo. Setsu aproximou-se.
-As meninas querem juntar-se à praxe? – Perguntou a Mari, Cecília e Linda. Mari recusou confiante e Cecília abanou a cabeça, incapaz de falar. Linda não respondeu, iniciando um jogo de olhares. Por algum tempo, nenhum dos dois desviou os olhos um do outro, sem pestanejar. Até que Eiji tossiu dramaticamente e Setsu cedeu.
-Bronco, fizeste batota? – Reclamou o mais velho, perante o sorriso vitorioso de Linda.
-A vida não é justa, meu irmão. Além disso, a Linda não se distraiu.
Linda mordeu o lábio, não se apercebendo como o seu resto provocara um certo rubor nos rostos dos dois irmãos. Estava perdida em pensamentos de quando estava no palácio, fazendo este jogo com o irmão. Ao fim de muitos anos de prática, não era qualquer um que a vencia.
-Bem, presumo que isso seja um não, certo?
-Correcto. – Confirmou Linda. Ao seu lado Cecília parecia prestes a ceder ao riso. Setsu olhou para as duas.
-o que é que eu tenho que fazer para vocês as duas virem comigo para ali? – Perguntou, a voz um pouco sedutora. Mari riu-se e Eiji revirou os olhos.
Linda e Cecília entreolharam-se.
-E que tal uma lap-dance? – Sugeriu Cecília, rindo-se ao ver o rosto de Setsu contorcer-se. – Ou não tens perfil para tal?
Setsu semicerrou os olhos.
-Lamento, mas há desafios que um homem não pode aceitar. Os caloiros respeitam-me e assim terá que permanecer.
-Tretas, eles não te respeitam. Temem! – Disse Eiji. Setsu virou-se para ele, sorrindo maliciosamente.
-Meu caro irmão, isso é praxe!
***
O dia passou muito bem, com toda a gente (com excepção de alguns caloiros) a adorarem o dia. Era uma excelente experiência e Linda deu por si a beber dois refrigerantes, uma sandes e a conversar com Eiji, Cecília, Setsu e até mesmo Ryo sobre o dia. Mari recusava-se a sequer reconhecer a sua presença, mas não conseguia de importar. Tal como Cecília dissera antes, é difícil desligar-se das suas raízes e ela, tendo sido criada num mundo de indiferença, sabia muito bem como lidar com ela.
Eram já quase sete da noite quando começaram a ver-se sinais de cansaço. As luzes da rua haviam-se ligado horas antes, por ser Outono e Linda estava um pouco cansada por estar de pé. Alguns já se tinham ido e, com muita gente a entrar e a sair da faculdade, Linda podia jurar que as únicas caras conhecidas estavam ao lado dela.
Cecília afastara-se, deixando Mari e Linda lado a lado. Mas, pela primeira vez, Mari não pareceu se incomodar. Estava perdida nos seus pensamentos, ao lembrar-se do dia em que Linda viera para sua casa. De tarde, ela e a sua avó foram fazer a matrícula, deixando-a num café perto da escola. E nesse café, ela passara por uma experiência insólita na sua vida. Num café pouco movimentado a aquela hora do dia e num espaço consideravelmente grande, conseguira esbarrar numa pessoa, entornando o seu café nas roupas. O rapaz pedira desculpas e pagara-lhe um novo café, mas desaparecera assim que ela fora à casa de banho. O empregado dissera que ele tivera que ir porque recebera uma chamada urgente e que esse rapaz – cujo nome ela nunca soubera. – Voltara a pedir desculpas pelo incómodo. A camisa ficara estragada e o café deixou de lhe saber bem. Havia qualquer coisa naquele rapaz que despertou uma má sensação no estômago e Mari não estava habituada a isso.
Deu várias vezes por si a pensar nele, nos seus olhos expressivos. Mal os viu, soube que ele estava distraído e terrivelmente arrependido.
Corou levemente ao imaginar aquela íris azul-escura focada inteiramente nela. Afastou esses pensamentos ao lembrar-se de outra pessoa que conhecia e que tinha olhos azuis.
Viu, pelo canto do olho, Linda tirar os óculos e limpá-los a um lenço. A rapariga tinha lentes de contacto e usava óculos. Há coisas que simplesmente não se entende.
Ao mesmo tempo, as duas olharam para o portão. E, ao mesmo tempo, viram um rapaz a sair, com cadernos na mão.
Este foi cumprimentado pelos caloiros, mas mal lhes prestou atenção. Setsu foi ter com ele, cumprimentando-o como um velho amigo. Linda sabia porquê.
Porque aquele era Kenji Chiba.
O seu irmão.
***
Agora ali, vendo-o ao longe, já não lhe parecia muito boa ideia encontrá-lo. Kenji parecia muito seguro e, ao mesmo tempo, despreocupado. Como é que alguém como ele precisaria dela?
Ou talvez fosse ela a precisar dele. Isso explicaria a sua pequena obsessão em encontrar o irmão. Mas agora a coragem fora-se. Só queria que ele não notasse em si.
Tentou esconder-se por detrás dos outros, ficando atrás de Cecília e Eiji. Este olhou para ela, desconfiando, perguntando silenciosamente o que ela estava a fazer. Linda fingiu-se ocupada a apertar os sapatos, procurando ser invisível para Kenji e colocando os cabelos à frente do rosto, usando a cascata de cabelo negro para esconder o rosto.
Todavia, realizara o movimento com mais brusquidão que devia. Os seus óculos caíram no chão mesmo à sua frente. Antes mesmo que os pegasse, uma mão fê-lo. Uma mão que procurou os olhos dela instintivamente e os colocou acima do nariz.
O mundo pareceu parar para os dois. Kenji engoliu em seco, os olhos tão semelhantes aos da irmã examinando-a de alto a baixo, como que não acreditando no que via.
Já Linda ajeitou os óculos e tentou manter uma postura firme. Não era a altura para parecer nervosa. Principalmente frente ao seu irmão mais velho.
-Surpreso por me ver? - Murmurou suavemente. Kenji sobressaltou-se.
-O que fazes aqui? – Perguntou, um pouco mais brusco do que ela esperava. O seu rosto contraiu-se e Linda por segundos achava estar frente a frente ao seu próprio pai.
-Hei Kenji! – Chamou Eiji, aproximando-se dos dois. Olhou cuidadosamente para Kenji e Linda, estudando as suas expressões. – Acho que posso concluir que vocês são irmãos.
Kenji olhou-o de lado.
-Tu conheces-la?
Setsu juntou-se ao grupo, apoiando-se no ombro de Eiji.
-Meu, não te lembras da Linda que o Eiji aqui está sempre a comentar em casa, ao jantar e durante os convívios nocturnos? Espera lá… - Setsu fingiu lembrar-se de algo importante. – Já me esquecia. Tu nunca jantas connosco. Estás sempre trancado no quarto.
-Ela é da minha turma. – Disse Eiji simpaticamente.
Kenji focou os seus olhos em Linda.
-Na escola dele? Como é que…
Ela não respondeu. Não o queria fazer frente a Setsu e a Eiji.
-O que eu gostava de saber é porque têm os dois apelidos diferentes. – Comentou Setsu para si próprio. Todavia, como poupando os dois irmãos a uma resposta, alguém chamou-o e afastou-se mais uma vez. Eiji, sentindo-se a mais, afastou-se dos dois e foi ter com Cecília e Mari. Esta última nunca estivera mais desconfiada de Linda Tsukino como agora.
Ela viu o mesmo rapaz que entornara café na sua camisa preferida aproximar-se de Setsu com um sorriso na cara e Eiji a dizer que havia alguém que ele quereria conhecer. Ele aproximara-se de Linda, que estava agachada no chão com os cabelos a esconder o rosto eo óculos caídos no chão. Ele pegara neles e colocara-os no rosto dela. E parecia um daqueles momentos em slow motion em que os dois fitaram-se profundamente, erguendo os corpos até terem as colunas direitas. Ela não ouviu a seguinte conversa, pois havia demasiado barulho por parte do grupo de praxe à sua frente e até porque os outros dois falaram muito baixo. Mas deu para ver que eles se conheciam.
Mas de onde? Linda morava para os lados do monte Fuji, certo? Como é que conheceria um rapaz natural de Tokyo. Era como se Mari tivesse encontrado um puzzle com várias peças dispersas.
Agora só faltava juntá-las.
***
-Porque estás na escola do Eiji? - Ainda havia frieza, mas Linda conseguiu descodificar alguma preocupação e curiosidade no seu tom.
-Porque saí de casa. – Respondeu. Kenji franziu a testa.
-Como assim? – Perguntou, um pouco confuso.
Linda suspirou pesadamente.
-Para o caso de te teres esquecido, não eras o único com ódio a aquele ambiente. Depois da tua “saída inesperada”, eles começaram a colocar pressões em mim. Fartei-me e fugi deles.
Kenji engoliu em seco, o olhar posto no chão. Muitos pensamentos passavam pela sua cabeça, desde os problemas que a sua fuga causara na irmã até à consequente saída.
-Onde estás a viver? – Perguntou calmamente, tentando não trair a crescente preocupação que sentia. Linda ergueu o sobrolho.
-Para que queres saber? – Perguntou, usando o mesmo tom gélido que ele usara antes. Apanhado desprevenido, Kenji ofegou.
-Linda, apesar de tudo o que aconteceu, eu preocupo-me contigo.
-Tretas! – Ripostou ela, subitamente furiosa. – Sou a tua única irmã e ainda assim deves tratar melhor os caloiros do que tratas a mim. Em vez de estares contente por eu estar aqui, não, ages como se eu devesse ter lá ficado, a fazer o meu papel de princesinha obediente. – Disse, colocando ênfase nas últimas palavras. – Eu sei o que se passou. A Minako contou. – Ignorando completamente a cara de surpreso do irmão, prosseguiu sem pausas, sentindo-se a explodir. - E nem te atrevas a pôr as culpas em cima de mim. Eu não sou igual a eles. Não tenho interesse algum em Crystal Tokyo nem quem o governa. Apenas quero uma vida normal. Mas parece que está difícil, porque toda a gente se comporta como gente imbecil e que gosta de frisar a ideia de que eu NÃO DEVERIA ESTAR AQUI!
Ela gritara as últimas palavras, chamando a atenção de toda a gente à volta deles. Os irmãos Yamamoto, Mari e Cecília olharam para os dois, curiosos e espantados pela súbita perda de temperamento de Linda. Já esta inspirou fundo, sentindo-se um pouco mais leve desde a sua explosão.
De repente, sentindo umas mãos segurando os seus ombros, puxando-a contra um tronco.
-Desculpa. – Sussurrou Kenji ao ouvido dela, a voz traindo emoção. – É difícil pensar por dois quando passei os últimos dois meses a pensar apenas em mim, a tentar sobreviver. É difícil adaptar-me a nova vida de independência, longe deles, e de repente ver algo que me lembra o meu passado. - Linda tremeu nos seus braços. – Mas garanto-te que és a única pessoa que eu gostaria de ver daquele mundo. Nunca penses o contrário. – Quebrou o abraço, olhando-a nos olhos, as íris de ambos pintadas no mesmo azul nocturno.
-Devia ter-te trazido comigo. – Disse finalmente, após um curto mas longo silêncio. – Não te devia ter deixado lá.
Linda afastou-se, menos abatida.
-Não adianta chorar sobre leite derramado. Agora estou cá fora, longe deles. Vamos a ver como me safarei nesta “nova vida”.
-Pelo que gritaste, não me parece estar a correr bem. – Apontou Kenji.
Linda fez uma careta em resposta.
-Podia estar melhor.
Kenji sorriu e aproximou-se de Linda, depositando um beijo na bochecha dela. Esta sorriu em retorno.
-Não te preocupes, vai correr tudo bem. – Disse, calmamente. Depois, consultou o seu relógio de pulso, as sobrancelhas atingindo a testa ao ver as horas que eram. – Caramba, já é tarde. Linda, tenho que ir. Se me quiseres contactar, avisa os rapazes, ok?
Linda apenas teve tempo para assentir, pois Kenji deu-lhe outro beijo e começou a correr para o outro lado, os cadernos a baloiçar nos seus braços.
Foi aí que ela notou que Mari e Setsu ainda olhavam para ela. A primeira parecia desconfiada e até um pouco furiosa, mas é sempre fácil de ignorar. Mas Setsu não.
-O que foi? – Perguntou, num tom inocente. Ele apenas sorriu.
-Acho que estou a enfrentar tornados ao fazer isto, mas penso que vales a pena arriscar.
-Aí sim? – Ela não sabia onde ele queria chegar, mas decidiu entrar no jogo.
-Bem… - ele passou a mão pelo cabelo, esboçando um sorriso um pouco atrapalhado. – Queres sair comigo amanhã?
Linda não respondeu. Estava demasiado ocupada a tentar fechar a boca qual o espanto fora. Nunca nenhum rapaz a tinha convidado para sair. Bem, pensando melhor, não era que ela tivesse conhecido muitos rapazes. E também não era que ela alguma vez tivesse a liberdade de sair.
-Eu… ok? – Conseguiu dizer, sentindo depois uma grande vontade de dar com a cabeça na parede. Ela que podia ter reflectido um pouco mais, não?
-De certeza? Não querias cometer um erro. – Disse Setsu, analisando as expressões dela correctamente.
Honestamente, Linda estava louca por dizer sim. E também por dizer não. Era muito confuso. A parte racional dela dizia para ela esperar, afinal só conhecera o tipo horas antes. Mas a parte mais… adolescente dela (que tinha uma voz muito semelhante à de Minako) gritava por um sim, que ela merecia aquela experiencia e muito mais, depois de tantos anos em clausura.
Suspirando, decidiu deitar os medos pela janela fora e arrumar os pensamentos racionais para segunda-feira, tempo de aula.
-Sim, adoraria. Não serás um idiota comigo, sabendo que moras na mesma casa que o meu irmão. – Assegurou Linda, sentindo-se confiante ao ver o sorriso charmoso de Setsu (que mais parecia ser um traço dos Yamamoto) desfalecer-se um bocadinho ao ouvir o último comentário.
-Sendo assim, convinha eu saber onde moras. Para te ir buscar. – Acrescentou Setsu, ao ver o ar confuso de Linda.
Linda hesitou. O endereço nem era dela, mais valia não arriscar.
-É melhor não. A casa não é minha e já tenho problemas que chegue com a senhoria. – Disse, olhando para Mari de relance. - Que tal assim. Eu moro perto da escola, podias ir lá ter comigo. – Sugeriu. Setsu assentiu lentamente.
-O liceu aqui perto? Muito bem, encontro-te lá por volta das sete e meia da noite.
-Ok.
Setsu voltou a sorrir para ela e depois, num acto de despedida, pegou-lhe na mão e beijou-a, tornando-se para a praxe, que estava prestes a terminar por aquele dia. Tal acto não passou despercebido ao irmão, que olhou para os dois desconfiados.
-Se fosse a ti tinha cuidado com o meu irmão. – Aconselhou Eiji, os braços cruzados e com um ar semi-sério. Todavia, Linda podia jurar ouvir alguma raiva na sua voz.
-Porquê? É dos que morde?
As narinas de Eiji contraíram-se.
-Não, mas ele não é de compromissos.
-E quem disse que eu procurava compromissos? – Retorquiu Linda, sentindo-se cada vez mais furiosa. Procurando uma distracção, olhou para o relógio e viu, um pouco aliviada, que era muito tarde.
-Desculpa Eiji, falamos amanhã, ok?
Ele assentiu, mas Linda pôde jurar que, ao virar-se de costas para ele, que os seus olhos cor de avelã brilhavam de ciúme.

reescrito a 12/12/2011
Capítulo 9. Universitários
Em Tokyo, o sol invadiu as divisões dos diversos apartamentos, espalhando luz luminosa nos diversos contornos da casa. O vento soprou suavemente nas janelas de vidro, convidando os moradores dos apartamentos a abrirem as janelas e deixarem entrar a brisa matinal. A aurora chegara e as ruas começavam a encher-se de diversas pessoas todas com um rumo definido pela rotina, desde o trabalho até uma consulta do médico, enchendo transportes públicos e passadeiras da cidade.
À mesma hora, no mesmo momento, dois despertadores nos quartos de duas raparigas tocaram o mais alto possível. Uma adiou o despertador para tocar cinco minutos depois. A outra levantou-se. Só quinze minutos depois a outra rapariga levantara-se da cama. Nessa altura, já a outra estava vestida e a tomar pequeno-almoço.
Mari espreguiçou-se na soleira da porta, admirando o pequeno-almoço que a avó colocara na mesa. Algumas torradas, leite, café e chocolate em pó. Sentindo o estômago a roncar, sentou-se e deu os bons dias à avó. Esta fez uma careta ao ver que Mari ignorava Linda por completo e esta correspondia o tratamento.
Haviam se passado três semanas desde o inicio das aulas e a relação de indiferença entre as duas revelara-se ser apenas o cume do iceberg. Aiko telefonara para a escola, sabendo que Linda andava isolada dos outros alunos, andando ou sozinha ou com um outro estudante de nome Eiji Yamamoto e que raramente participava nas aulas, o que contrastava com as boas notas que tirava nos testes. A directora aconselhara Aiko a falar com a rapariga, mas Aiko não era estúpida. Linda ainda não confiava o suficiente nela para lhe contar os seus problemas, quanto menos aceitar os seus conselhos.
Quando as duas raparigas saíram para a escola, Aiko deixou-se ficar junto ao balcão da cozinha, reflectindo se deveria avisar Usagi que a neta não se estava a enquadrar naquele mundo.
Linda mordeu o lábio de irritação. Mais uma vez, a professora cometeu um erro. Como é que a mulher podia ter-se doutorado com aqueles conhecimentos rudimentares a inglês? O sotaque tão forçado era quase incompreensível e por vezes dava-se ao luxo de trocar vogais e consoantes.
Consultou o relógio. Faltavam cinco minutos para o fim daquele inferno. Ao seu lado, Eiji conversava animadamente com um colega, de nome Ryo Sato, acerca de qualquer coisa excitante.
-A sério, o Setsu disse-me que hoje ia ser brutal. – Comentou Eiji, o rosto contorcido num semblante de exaltação.
-Para ele, todos os dias são brutais. Afinal, é ele que praxa os pobres coitados.
-Que daqui a uns anos seremos nós. – Apontando Eiji, sorridente.
-Felizmente não será o teu irmão a praxarmo-nos. – Disse Ryo, claramente aliviado.
Eiji assentiu, também ele contente por essa pequena bênção dos deuses. A professora aumentou o tom de voz, obrigando os rapazes a separarem-se. Eiji olhou para Linda e, vendo que ela prestara atenção à conversa, disse.
-Podias vir hoje.
-Aonde?
-À universidade de medicina. O meu irmão vai lá estar a praxar. E… o Kenji Chiba também. – Completou Eiji calmamente, observando a reacção de Linda ao nome. Esta suspirou, lembrando-se daquilo que Minako dissera e, devagar, assentiu com a cabeça.
-Sim. Às tantas vou. Esperas por mim?
-Claro, se vem que não virás só comigo.
-Como assim?
Eiji corou um pouco.
-Bem, é que é já uma pequena tradição da turma ir ver as praxes dos outros estudantes. Para vermos o que teremos que lidar no futuro. Por isso, deve ir quase toda a gente.
Linda sorriu, um pouco espantada pelo interesse da turma nas praxes japonesas. No fundo, também ela estava curiosa. Apenas vira praxes nos filmes e, se estes fossem de confiar, ela deveria ter muito medo mas também muita ansiedade pelo futuro numa universidade.
-Ok. – Disse, simplesmente.
Quando a campainha tocou, Eiji desculpou-se e foi ter com o rapazes dizendo a Linda para ir andando (atrás da fila de gente) que ele iria ter com ela. Linda concordou e ficou para trás a arrumar a mochila.
Ao longe, Cecília repara-se para ir embora com a sua amiga carrancuda quando notou na outra rapariga sozinha no fundo da sala.
-Ela não vem connosco? – Perguntou, semicerrando os olhos para Mari.
-Não, ninguém a convidou. – Respondeu Mari num tom indiferente.
-E porque será? – Cecília virou-se para a amiga. – Qual é o teu problema? Ninguém fala com ela por tua causa.
-Hum… não sei porquê. – Disse Mari, arrumando o caderno na mochila, fingindo ignorância. - Eu não controlo as amizades e as vidinhas dos outros.
-Controlas sim. Indirectamente. Tens influência nesta turma e, sem o teu consentimento, eles não deixam a Linda entrar no grupo.
-E porquê é que a queres no grupo? Ela esconde-nos algo. – Retorquiu Mari. Cecília bufou de frustração, colocando as mãos nas ancas.
-E só por isso é excluída? Tem juízo Mari! Toda a gente tem segredos que não contam a ninguém. Por alguma razão são segredos.
-Sim… mas o segredo dela é mais alguma coisa. E já te expliquei porquê.
-Isso não justifica. Nós também temos segredos. Não tens nada que a julgar só porque ela não conta cada detalhe intimo da vida dela. Aliás, até consigo respeitá-la por causa disso.
Mari voltou-se para Cecília. Esta exibia um sorriso. Recomeçou a falar.
-Eu gosto da Linda. É directa, honesta e, tenho que ser sincera, um pouco familiar. Além disso, não sinto nada quando estou perto dela. Pelo menos nada de incomum. Depois se fores amiga dela, ela contar-te-á o seu segredo, mais cedo ou mais tarde. – Mari encolheu os ombros, Cecília continuou. – o melhor que tens a fazer é convidá-la para vir connosco.
-Vai tu! Já que és uma santinha de rapariga que só vê o bem em todos. És a nova Madre Teresa de Calcutá.
-Pois, pois… goza enquanto podes. Um dia receberei o prémio Nobel! – Cecília virou as costas para a amiga, aproximando-se de Linda com um sorriso cordial – Olá!
-Olá – Linda sentiu a tão familiar sensação de que conhecia Cecília de algum lado voltar a surgir, ao ver o sorriso cordial da outra jovem.
-Vais para casa?
Linda abanou a cabeça.
-Não. Eiji disse-me para ir com ele à praxe de medicina e eu cá aceitei.
O rosto de Cecília iluminou-se
-Ainda bem. Não podes perder esta experiencia. Há sempre alguma coisa nova ou engraçada para ver.
Linda controlou uma gargalhada.
-Tens noção que estes caloiros ainda hão de se vingar indo ver a tua praxe?
-Sim, mas até lá gozamos com fartura. – Cecília riu-se até que notou que Mari já não estava na sala.
-Bem, o Eiji deve ter ido com os rapazes. Queres vir connosco? – Perguntou Cecília, sorridente.
- A Mari não vai gostar. – Comentou Linda, mas Cecília teve a sensação de que Linda achava que o seu argumento era apenas mais um motivo para ela ir.
Pediu desculpas com o olhar.
-A Mari é muito desconfiada. Saber que as pessoas escondem algo e se recusam a contar… Toca-lhe, fica logo a pensar no pior e em como esse segredo possa fazer mal às pessoas.
-Um pouco diferente de ti, pelo que vejo. – Murmurou Linda, olhando Cecília nos olhos.
-Não muito. Por algum motivo somos amigas.
-Para ser honesta, achei que fosse pela atracção dos opostos. – Comentou Linda, sorrindo ao de leve. – Tu pareces uma aluna perfeita e Mari a aluna rebelde.
Cecília corou um pouco.
-É um pouco difícil desligarmo-nos das nossas raízes. Fui criada assim, dificilmente mudarei por causa da minha amiga temperamental.
O sorriso de Linda desapareceu.
-Seria bom não? Desligarmo-nos das nossas raízes? – Murmurou suavemente, não esperando uma resposta vinda de Cecília. Mas esta, ignorando a estranha sensação que percorria o seu estômago, respondeu calmamente.
-Se assim fosse, não seríamos nós mesmas.
-Mas… e quando não sabes quem és?
A pergunta apanhou Cecília desprevenida. Para sua sorte, Linda pareceu não querer continuar a conversa, ajeitando a mochila nas suas costas e sorrindo para a outra.
-É melhor irmos andando. Não queremos que a Mari derreta de tanto esperar. É um prazer conhecer-te, Cecília.
-É um prazer conhecer-te, Linda.
As duas foram para junto de Mari, que não escondeu o olhar de ódio a Linda. Esta sorriu e prosseguiu caminho com as outras duas falando para Cecília.
Mais à frente, Linda encontrou Eiji que cumprimentou as três raparigas e pegou na mão de Linda para a apresentar a alguém.
Mari rosnou involuntariamente, virando-se para a amiga. Esta parecia reflectir.
-Vês o que eu te disse. Ela esconde algo de errado.
-Não. – Intercedeu Cecília calmamente. - O que quer que ela esconda não é errado. Pelo menos para nós. – Virou-se para a amiga – acho que são problemas familiares.
-Problemas familiares? Mas essa é a história que ela deu a todos.
-E já paraste que ela pode estar a falar a verdade. Que o segredo dela tem realmente a ver com problemas familiares?
Mari franziu a testa.
-Não pode ser só isso. – Teimou, provocando um suspiro na amiga.
-Mari, nem toda a gente tem uma vida familiar perfeita. E tu devias saber disso melhor do que ninguém.
Mari parou, enquanto Cecília continuou a andar sem olhar para ela. Sim, ela sabia o que era ter problemas familiares. Não eram grande drama, mas sempre pesavam na alma. Mas, se os problemas de Linda fossem os mesmos que os dela… porque escondia? A não ser que fosse mais alguma coisa…
Ao ver que estava a ficar para trás, abandonou os seus pensamentos e correu para alcançar os outros.
***
-Estou a ver que fizeste amizade com a Cecília. – Comentou Eiji, sorridente.
-Sim, ela é bastante simpática. Mas afinal porque me trouxeste aqui? – Perguntou Linda, curiosa.
Estavam nas traseiras de um grande edifício, onde um grande portão pintado de cinzento separava-os da Universidade. Junto ao portão, postavam alguns jovens mais velhos que ela e Eiji. Este assobiou para um.
-Setsu! – Chamou, atraindo a atenção de um moreno bem-parecido. Este aproximou-se, com um sorriso de rufia.
-Hei pimpolho, vieste afinal? Não te rias muito, que há aqui gente com memória fotográfica. Se te apanham na tua praxe…
-Eu sei, eu sei. Olha, onde está o Kenji? – Perguntou. Linda engoliu em seco. Já não bastava os dois irmãos Yamamoto serem bem mais altos do que ela, também aquela zona estava cheia de homens mais velhos a olharem para ela estranhamente.
Setsu suspirou, passando a mão pelos cabelos.
-Estás com sorte. Hoje consegui convencê-lo a sair de casa. Aquele rapaz parece que nem tem vida social. Ainda está em Microbiologia. Temos que esperar. – Olhou para o lado, notando em Linda pela primeira vez. – E esta, é tua amiga?
-Ups, quase que me esquecia. – Eiji sorriu para os dois. – Este é o meu irmão Setsu Yamamoto. Setsu esta é a Linda Tsukino.
-Ah, a rapariga que não paras de falar. – Os dois jovens coraram, por motivos diferentes. Linda tossiu dramaticamente.
-Muito prazer. – Disse, estendendo a mão. Setsu aceitou o gesto, os seus olhos castanhos emitindo um estranho brilho.
-O prazer é todo meu, Linda.
-Então… tu não foste a microbiologia? – Perguntou Eiji, tentando manter conversa.
Setsu encolheu os ombros.
-Também não irias se não tivesses o professor que eu tenho. Não se estende nada. Além disso, o pessoal já combinou uma troca de apontamentos para estudarmos em grupo. Teremos que estudar e temos.
Linda sorriu e olhou por detrás do ombro de Setsu. Muitos jovens, rapazes e raparigas passavam agora os portões, todos com camisolas brancas. Setsu assobiou.
-Então Linda, já viste um dia de praxe? – Perguntou, casualmente. Linda negou logo e o seu sorriso não podia ter aumentado mais. – Pois então vais-te divertir muito. Observa bem.
***
-Ele é louco.
Eiji estava prestes a levar uma lata de refrigerante aos lábios mas parou a ouvir a companheira.
-Só agora é que notas? Por algum motivo os caloiros tremem quando vêm o meu irmão.
-Ele é sempre assim? – Perguntou Linda, um pouco receosa mas sem conseguir tirar os olhos do grupo concentrado à sua frente. Ao seu lado, Cecília controlava as gargalhadas e Mari não era tão discreta.
Eiji reflectiu um pouco.
-Ele tem um sentido de humor um pouco… estranho.
-Não encontras melhor eufemismo?
-Nah, ficaria muito tempo a pensar… - Os dois trocaram um olhar, sorrindo. Setsu aproximou-se.
-As meninas querem juntar-se à praxe? – Perguntou a Mari, Cecília e Linda. Mari recusou confiante e Cecília abanou a cabeça, incapaz de falar. Linda não respondeu, iniciando um jogo de olhares. Por algum tempo, nenhum dos dois desviou os olhos um do outro, sem pestanejar. Até que Eiji tossiu dramaticamente e Setsu cedeu.
-Bronco, fizeste batota? – Reclamou o mais velho, perante o sorriso vitorioso de Linda.
-A vida não é justa, meu irmão. Além disso, a Linda não se distraiu.
Linda mordeu o lábio, não se apercebendo como o seu resto provocara um certo rubor nos rostos dos dois irmãos. Estava perdida em pensamentos de quando estava no palácio, fazendo este jogo com o irmão. Ao fim de muitos anos de prática, não era qualquer um que a vencia.
-Bem, presumo que isso seja um não, certo?
-Correcto. – Confirmou Linda. Ao seu lado Cecília parecia prestes a ceder ao riso. Setsu olhou para as duas.
-o que é que eu tenho que fazer para vocês as duas virem comigo para ali? – Perguntou, a voz um pouco sedutora. Mari riu-se e Eiji revirou os olhos.
Linda e Cecília entreolharam-se.
-E que tal uma lap-dance? – Sugeriu Cecília, rindo-se ao ver o rosto de Setsu contorcer-se. – Ou não tens perfil para tal?
Setsu semicerrou os olhos.
-Lamento, mas há desafios que um homem não pode aceitar. Os caloiros respeitam-me e assim terá que permanecer.
-Tretas, eles não te respeitam. Temem! – Disse Eiji. Setsu virou-se para ele, sorrindo maliciosamente.
-Meu caro irmão, isso é praxe!
***
O dia passou muito bem, com toda a gente (com excepção de alguns caloiros) a adorarem o dia. Era uma excelente experiência e Linda deu por si a beber dois refrigerantes, uma sandes e a conversar com Eiji, Cecília, Setsu e até mesmo Ryo sobre o dia. Mari recusava-se a sequer reconhecer a sua presença, mas não conseguia de importar. Tal como Cecília dissera antes, é difícil desligar-se das suas raízes e ela, tendo sido criada num mundo de indiferença, sabia muito bem como lidar com ela.
Eram já quase sete da noite quando começaram a ver-se sinais de cansaço. As luzes da rua haviam-se ligado horas antes, por ser Outono e Linda estava um pouco cansada por estar de pé. Alguns já se tinham ido e, com muita gente a entrar e a sair da faculdade, Linda podia jurar que as únicas caras conhecidas estavam ao lado dela.
Cecília afastara-se, deixando Mari e Linda lado a lado. Mas, pela primeira vez, Mari não pareceu se incomodar. Estava perdida nos seus pensamentos, ao lembrar-se do dia em que Linda viera para sua casa. De tarde, ela e a sua avó foram fazer a matrícula, deixando-a num café perto da escola. E nesse café, ela passara por uma experiência insólita na sua vida. Num café pouco movimentado a aquela hora do dia e num espaço consideravelmente grande, conseguira esbarrar numa pessoa, entornando o seu café nas roupas. O rapaz pedira desculpas e pagara-lhe um novo café, mas desaparecera assim que ela fora à casa de banho. O empregado dissera que ele tivera que ir porque recebera uma chamada urgente e que esse rapaz – cujo nome ela nunca soubera. – Voltara a pedir desculpas pelo incómodo. A camisa ficara estragada e o café deixou de lhe saber bem. Havia qualquer coisa naquele rapaz que despertou uma má sensação no estômago e Mari não estava habituada a isso.
Deu várias vezes por si a pensar nele, nos seus olhos expressivos. Mal os viu, soube que ele estava distraído e terrivelmente arrependido.
Corou levemente ao imaginar aquela íris azul-escura focada inteiramente nela. Afastou esses pensamentos ao lembrar-se de outra pessoa que conhecia e que tinha olhos azuis.
Viu, pelo canto do olho, Linda tirar os óculos e limpá-los a um lenço. A rapariga tinha lentes de contacto e usava óculos. Há coisas que simplesmente não se entende.
Ao mesmo tempo, as duas olharam para o portão. E, ao mesmo tempo, viram um rapaz a sair, com cadernos na mão.
Este foi cumprimentado pelos caloiros, mas mal lhes prestou atenção. Setsu foi ter com ele, cumprimentando-o como um velho amigo. Linda sabia porquê.
Porque aquele era Kenji Chiba.
O seu irmão.
***
Agora ali, vendo-o ao longe, já não lhe parecia muito boa ideia encontrá-lo. Kenji parecia muito seguro e, ao mesmo tempo, despreocupado. Como é que alguém como ele precisaria dela?
Ou talvez fosse ela a precisar dele. Isso explicaria a sua pequena obsessão em encontrar o irmão. Mas agora a coragem fora-se. Só queria que ele não notasse em si.
Tentou esconder-se por detrás dos outros, ficando atrás de Cecília e Eiji. Este olhou para ela, desconfiando, perguntando silenciosamente o que ela estava a fazer. Linda fingiu-se ocupada a apertar os sapatos, procurando ser invisível para Kenji e colocando os cabelos à frente do rosto, usando a cascata de cabelo negro para esconder o rosto.
Todavia, realizara o movimento com mais brusquidão que devia. Os seus óculos caíram no chão mesmo à sua frente. Antes mesmo que os pegasse, uma mão fê-lo. Uma mão que procurou os olhos dela instintivamente e os colocou acima do nariz.
O mundo pareceu parar para os dois. Kenji engoliu em seco, os olhos tão semelhantes aos da irmã examinando-a de alto a baixo, como que não acreditando no que via.
Já Linda ajeitou os óculos e tentou manter uma postura firme. Não era a altura para parecer nervosa. Principalmente frente ao seu irmão mais velho.
-Surpreso por me ver? - Murmurou suavemente. Kenji sobressaltou-se.
-O que fazes aqui? – Perguntou, um pouco mais brusco do que ela esperava. O seu rosto contraiu-se e Linda por segundos achava estar frente a frente ao seu próprio pai.
-Hei Kenji! – Chamou Eiji, aproximando-se dos dois. Olhou cuidadosamente para Kenji e Linda, estudando as suas expressões. – Acho que posso concluir que vocês são irmãos.
Kenji olhou-o de lado.
-Tu conheces-la?
Setsu juntou-se ao grupo, apoiando-se no ombro de Eiji.
-Meu, não te lembras da Linda que o Eiji aqui está sempre a comentar em casa, ao jantar e durante os convívios nocturnos? Espera lá… - Setsu fingiu lembrar-se de algo importante. – Já me esquecia. Tu nunca jantas connosco. Estás sempre trancado no quarto.
-Ela é da minha turma. – Disse Eiji simpaticamente.
Kenji focou os seus olhos em Linda.
-Na escola dele? Como é que…
Ela não respondeu. Não o queria fazer frente a Setsu e a Eiji.
-O que eu gostava de saber é porque têm os dois apelidos diferentes. – Comentou Setsu para si próprio. Todavia, como poupando os dois irmãos a uma resposta, alguém chamou-o e afastou-se mais uma vez. Eiji, sentindo-se a mais, afastou-se dos dois e foi ter com Cecília e Mari. Esta última nunca estivera mais desconfiada de Linda Tsukino como agora.
Ela viu o mesmo rapaz que entornara café na sua camisa preferida aproximar-se de Setsu com um sorriso na cara e Eiji a dizer que havia alguém que ele quereria conhecer. Ele aproximara-se de Linda, que estava agachada no chão com os cabelos a esconder o rosto eo óculos caídos no chão. Ele pegara neles e colocara-os no rosto dela. E parecia um daqueles momentos em slow motion em que os dois fitaram-se profundamente, erguendo os corpos até terem as colunas direitas. Ela não ouviu a seguinte conversa, pois havia demasiado barulho por parte do grupo de praxe à sua frente e até porque os outros dois falaram muito baixo. Mas deu para ver que eles se conheciam.
Mas de onde? Linda morava para os lados do monte Fuji, certo? Como é que conheceria um rapaz natural de Tokyo. Era como se Mari tivesse encontrado um puzzle com várias peças dispersas.
Agora só faltava juntá-las.
***
-Porque estás na escola do Eiji? - Ainda havia frieza, mas Linda conseguiu descodificar alguma preocupação e curiosidade no seu tom.
-Porque saí de casa. – Respondeu. Kenji franziu a testa.
-Como assim? – Perguntou, um pouco confuso.
Linda suspirou pesadamente.
-Para o caso de te teres esquecido, não eras o único com ódio a aquele ambiente. Depois da tua “saída inesperada”, eles começaram a colocar pressões em mim. Fartei-me e fugi deles.
Kenji engoliu em seco, o olhar posto no chão. Muitos pensamentos passavam pela sua cabeça, desde os problemas que a sua fuga causara na irmã até à consequente saída.
-Onde estás a viver? – Perguntou calmamente, tentando não trair a crescente preocupação que sentia. Linda ergueu o sobrolho.
-Para que queres saber? – Perguntou, usando o mesmo tom gélido que ele usara antes. Apanhado desprevenido, Kenji ofegou.
-Linda, apesar de tudo o que aconteceu, eu preocupo-me contigo.
-Tretas! – Ripostou ela, subitamente furiosa. – Sou a tua única irmã e ainda assim deves tratar melhor os caloiros do que tratas a mim. Em vez de estares contente por eu estar aqui, não, ages como se eu devesse ter lá ficado, a fazer o meu papel de princesinha obediente. – Disse, colocando ênfase nas últimas palavras. – Eu sei o que se passou. A Minako contou. – Ignorando completamente a cara de surpreso do irmão, prosseguiu sem pausas, sentindo-se a explodir. - E nem te atrevas a pôr as culpas em cima de mim. Eu não sou igual a eles. Não tenho interesse algum em Crystal Tokyo nem quem o governa. Apenas quero uma vida normal. Mas parece que está difícil, porque toda a gente se comporta como gente imbecil e que gosta de frisar a ideia de que eu NÃO DEVERIA ESTAR AQUI!
Ela gritara as últimas palavras, chamando a atenção de toda a gente à volta deles. Os irmãos Yamamoto, Mari e Cecília olharam para os dois, curiosos e espantados pela súbita perda de temperamento de Linda. Já esta inspirou fundo, sentindo-se um pouco mais leve desde a sua explosão.
De repente, sentindo umas mãos segurando os seus ombros, puxando-a contra um tronco.
-Desculpa. – Sussurrou Kenji ao ouvido dela, a voz traindo emoção. – É difícil pensar por dois quando passei os últimos dois meses a pensar apenas em mim, a tentar sobreviver. É difícil adaptar-me a nova vida de independência, longe deles, e de repente ver algo que me lembra o meu passado. - Linda tremeu nos seus braços. – Mas garanto-te que és a única pessoa que eu gostaria de ver daquele mundo. Nunca penses o contrário. – Quebrou o abraço, olhando-a nos olhos, as íris de ambos pintadas no mesmo azul nocturno.
-Devia ter-te trazido comigo. – Disse finalmente, após um curto mas longo silêncio. – Não te devia ter deixado lá.
Linda afastou-se, menos abatida.
-Não adianta chorar sobre leite derramado. Agora estou cá fora, longe deles. Vamos a ver como me safarei nesta “nova vida”.
-Pelo que gritaste, não me parece estar a correr bem. – Apontou Kenji.
Linda fez uma careta em resposta.
-Podia estar melhor.
Kenji sorriu e aproximou-se de Linda, depositando um beijo na bochecha dela. Esta sorriu em retorno.
-Não te preocupes, vai correr tudo bem. – Disse, calmamente. Depois, consultou o seu relógio de pulso, as sobrancelhas atingindo a testa ao ver as horas que eram. – Caramba, já é tarde. Linda, tenho que ir. Se me quiseres contactar, avisa os rapazes, ok?
Linda apenas teve tempo para assentir, pois Kenji deu-lhe outro beijo e começou a correr para o outro lado, os cadernos a baloiçar nos seus braços.
Foi aí que ela notou que Mari e Setsu ainda olhavam para ela. A primeira parecia desconfiada e até um pouco furiosa, mas é sempre fácil de ignorar. Mas Setsu não.
-O que foi? – Perguntou, num tom inocente. Ele apenas sorriu.
-Acho que estou a enfrentar tornados ao fazer isto, mas penso que vales a pena arriscar.
-Aí sim? – Ela não sabia onde ele queria chegar, mas decidiu entrar no jogo.
-Bem… - ele passou a mão pelo cabelo, esboçando um sorriso um pouco atrapalhado. – Queres sair comigo amanhã?
Linda não respondeu. Estava demasiado ocupada a tentar fechar a boca qual o espanto fora. Nunca nenhum rapaz a tinha convidado para sair. Bem, pensando melhor, não era que ela tivesse conhecido muitos rapazes. E também não era que ela alguma vez tivesse a liberdade de sair.
-Eu… ok? – Conseguiu dizer, sentindo depois uma grande vontade de dar com a cabeça na parede. Ela que podia ter reflectido um pouco mais, não?
-De certeza? Não querias cometer um erro. – Disse Setsu, analisando as expressões dela correctamente.
Honestamente, Linda estava louca por dizer sim. E também por dizer não. Era muito confuso. A parte racional dela dizia para ela esperar, afinal só conhecera o tipo horas antes. Mas a parte mais… adolescente dela (que tinha uma voz muito semelhante à de Minako) gritava por um sim, que ela merecia aquela experiencia e muito mais, depois de tantos anos em clausura.
Suspirando, decidiu deitar os medos pela janela fora e arrumar os pensamentos racionais para segunda-feira, tempo de aula.
-Sim, adoraria. Não serás um idiota comigo, sabendo que moras na mesma casa que o meu irmão. – Assegurou Linda, sentindo-se confiante ao ver o sorriso charmoso de Setsu (que mais parecia ser um traço dos Yamamoto) desfalecer-se um bocadinho ao ouvir o último comentário.
-Sendo assim, convinha eu saber onde moras. Para te ir buscar. – Acrescentou Setsu, ao ver o ar confuso de Linda.
Linda hesitou. O endereço nem era dela, mais valia não arriscar.
-É melhor não. A casa não é minha e já tenho problemas que chegue com a senhoria. – Disse, olhando para Mari de relance. - Que tal assim. Eu moro perto da escola, podias ir lá ter comigo. – Sugeriu. Setsu assentiu lentamente.
-O liceu aqui perto? Muito bem, encontro-te lá por volta das sete e meia da noite.
-Ok.
Setsu voltou a sorrir para ela e depois, num acto de despedida, pegou-lhe na mão e beijou-a, tornando-se para a praxe, que estava prestes a terminar por aquele dia. Tal acto não passou despercebido ao irmão, que olhou para os dois desconfiados.
-Se fosse a ti tinha cuidado com o meu irmão. – Aconselhou Eiji, os braços cruzados e com um ar semi-sério. Todavia, Linda podia jurar ouvir alguma raiva na sua voz.
-Porquê? É dos que morde?
As narinas de Eiji contraíram-se.
-Não, mas ele não é de compromissos.
-E quem disse que eu procurava compromissos? – Retorquiu Linda, sentindo-se cada vez mais furiosa. Procurando uma distracção, olhou para o relógio e viu, um pouco aliviada, que era muito tarde.
-Desculpa Eiji, falamos amanhã, ok?
Ele assentiu, mas Linda pôde jurar que, ao virar-se de costas para ele, que os seus olhos cor de avelã brilhavam de ciúme.
Espero por ti em cada segundo , porque tu és o meu mundo!

Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
Visitem a minha 1ª Fic ----->The Four elements

Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
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Editado pela última vez em
mais uma vez gostei do capitulo! 
eu bem que imaginei que a linda iria reencontrar o mano na universidade!
agora o Setsu... Hummm...
quem será ele?
bem, vamos lá evr se os dois se entendem! »
fico á espera de masi!
bjokas

eu bem que imaginei que a linda iria reencontrar o mano na universidade!

agora o Setsu... Hummm...
quem será ele?
bem, vamos lá evr se os dois se entendem! »

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as minhas fic's:
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
-Angelical
Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^
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