Sailor Moon Portugal, A Navegante da Lua

A Guardiã dos Sonhos

#41
obrigada =)

vou ver se posto hoje Wink
Espero por ti em cada segundo , porque tu és o meu mundo!




Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
Visitem a minha 1ª Fic ----->The Four elements
#43
Começei hoje a ver a tua história, mas adorei!!!!
fiquei sem perceber se Linda gostava do Eiji ou do amigo do irmão, mas enfim...
Continua assim.
bjs.
#44
muito obrigada =)

em relação a quem Linda gosta, voces vão ver Wink
Espero por ti em cada segundo , porque tu és o meu mundo!




Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
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#45
Reescrito a 19/12/2011
Capítulo 10. Primeiros encontros


No dia seguinte, Aiko arrancou duas adolescentes sonolentas da cama e obrigou-as a limpar os seus quartos e a casa de alto a baixo, recusando ouvir os protestos de Mari em fazer isso de tarde. Mais tarde, Aiko revelou-se a mulher de maior sabedoria pois a casa ficara limpa apenas por volta das cinco horas. Nessa altura, Linda atreveu-se a fazer chá frio, ansiosa por uma bebida refrescante.
-Chá? – Reclamou Mari ao ver o bule com água escura.
-Ninguém te está a obrigar a beber. – Retorquiu Linda calmamente.
-Até parece que iria beber essa mistela. A minha questão é, porque é que estás a fazer chá? Costumes ingleses?
Antes fosse, pensou Linda. Na verdade era apenas um terrível hábito que herdara do pai após várias horas de trabalho. Sempre que ficava horas a estudar, a sua cabeça sentia a andar à roda e então dirigia-se à cozinha para beber um chá que a cozinheira sempre tinha feito. Antes pensava que era para ela, pois o chá tinha todas as qualidades que ela apreciava e a temperatura certa mas descobriu mais tarde que também era para o pai, após este passar horas a falar com os seus Ministros ou sentado no seu escritório a rever inúmeros papéis sobre o estado do reino. Kenji também tinha esse hábito, mas limitava-o a chá preto, o único que gostava. Estranho os hábitos involuntários que uma pessoa ganha num mundo indiferente com pais que mais pareciam ser feitos de gelo. A história do chá apenas fez Linda detestar o pai até à Lua sem retorno. Porquê, ela não sabia.

Quando finalmente se viu livre do trabalho duro, decidiu preparar-se para o seu encontro. Sentiu-se mal, sabendo que as suas roupas consistiam no uniforme da escola e uma mochila cheia de roupa. E a avó de certeza que não colocou nenhuma roupa formal na mochila.
Barafustando algumas palavras incoerentes, optou por um túnica azul e um par de calças. Decidiu reaproveitar os sapatos, rezando para que Setsu não reparasse que eram os mesmos sapatos pretos envernizados que ela usava na escola.
Fez um penteado semi-preso e colocou as lentes de contacto, sorrindo com o resultado. Porque me importo tanto com isto, perguntou-se ao mirar o seu reflexo. Muitas vezes desejara ser tão confiante quanto o pai e o irmão e até mesmo ousada como a mãe fora em juventude, como diziam os seus avós. Ela até podia ser alguma dessas coisas, mas sentia-se pequena em comparação a muitos outros. Colocou o pingente no bolso das calças, como fazia sempre e saiu.
Quando passou pela sala, viu Aiko no sofá com a neta. Esta semicerrou os olhos em desconfiança ao vê-la:
-Oh rapariga, aonde é que vais?
Linda mordeu o lábio, sentindo-se como um rato numa ratoeira. Esquecera-se de avisar Aiko que não iria sair.
-Eu vou jantar fora. Desculpa não te ter avisado, Aiko.
-Já te tinha dito, Linda. – Aiko ergueu-se do sofá, enquanto Mari fingia ver televisão, com o comando encerrado na sua mão direita. – Não quero que peças desculpas. Sou responsável por ti, não quero que te metas em sarilhos. Aonde vais e com quem?
-Aonde não sei. Mas vou sair com o irmão de um amigo.
-E como se chama esse amigo? – Perguntou Mari, desviando os olhos da televisão.
-É o Setsu, irmão do Eiji. – Respondeu Linda casualmente, não se importando em responder a Mari. – Tenho o telemóvel comigo, podes ligar se quiseres.
-Está bem, querida. Mas sabes que os telemóveis não são muito eficazes nestas ocasiões. Tenta ir apenas para locais públicos com ele, entendido?
-Aiko, garanto-te está tudo bem. O Setsu não se atreveria a magoar-me. Temos pessoas em comum e tudo.
Linda soara tão confiante que Aiko deu por si a encolher os ombros.
-Bem, tu é que sabes. Já nem me lembro da última vez que saí. E esse rapaz estuda aonde?
-Na faculdade de medicina. – Respondeu Linda. Olhando para o relógio da cozinha, viu que estava quase na hora. – Bem, tenho que ir. Até logo.
-Oh Linda? – Chamou Aiko, esperando que Linda se voltasse para ela. – Usa preservativo.
-está bem... eu… não me esquecerei…
Linda não sabia se aquilo era um aviso ou se uma piada. Fosse como fosse, limitou-se a sorrir timidamente e saiu do apartamento a abanar a cabeça á sua pouca sorte.

Dentro, Mari não fora tão discreta e rebolava-se a rir:
-Estás a te rir de quê? Há que ter segurança! Ele está a estudar medicina... de certeza que quer conhecer a anatomia do corpo dela. – Retorquiu Aiko, seu rosto traindo o humor que a situação lhe dava.
-Oh avó. É o primeiro encontro deles. Ele não se atreveria a atirar-se a ela logo á primeira. E de qualquer maneira ela já não é uma criancinha…. – Parou para rir. O vermelho na sua cara tinha aumentado.
-Pois. Em todo o caso, é melhor telefonar á Usagi a avisar.
Mari parou de rir quase subitamente, erguendo-se do sofá.
-Tens o telefone da avó dela? – Questionou surpresa.
-É claro que tenho. – Respondeu Aiko revirou os olhos ligeiramente. - Ou esperavas que ela deixaria vir a neta para aqui sem me contactar de vez em quando?
-Pois… eu… escapou-me esse detalhe. – Disse Mari, franzindo a testa em pensamento.
-Vamos a ver se ela me pode atender – Aiko dirigiu-se para o telefone, onde marcou alguns dígitos nas teclas – Estou querida? Está tudo bem? Oh, ocupada? Está bem, eu espero uns minutos…
Aiko pousou o auscultador.
-A mulher está ocupada. Parece que vai fazer uma festa na herdade e tem que organizar tudo sozinha. Ai para o raio do marido dela que fugiu para Kyoto de propósito.
Os olhos de Mari aumentaram de tamanho.
-Ela tem uma herdade?
Aiko olhou para a neta como se ela fosse uma espécie rara.
-Sim. Junto ao monte Fuji. É de lá que a Linda vem.
Mari já não entendia nada. Então Linda era rica? Pelas roupas que usava dizia o contrário.
Rica, misteriosa, estranhamente familiar… Havia ali qualquer coisa que encaixava, mas Mari não conseguia colocar as peças todas juntas.
Olhou para o telefone. Uma chamada e teria as suas respostas sobre Linda. Era a avó dela. Se fosse como a sua, contar-lhe-ia tudo.
Pegou no telefone e foi ao registo de últimas chamadas e ligou para o último número marcado.
Esperou um pouco até ouvir uma voz feminina e quente como o mel do outro lado.
-Sim?

**

Setsu esperava junto ao liceu, apoiado na porta de um descapotável Lamborghini vermelho vivo. Linda arregalou os olhos ao ver a beleza de carro e também do condutor, que estava vestido formalmente.
Quando a viu, o rosto iluminou-se rapidamente, abrindo a porta do carro como um verdadeiro cavalheiro.
-Estás bonita. – Elogiou. Linda não acreditou numa única palavra. Se eles iam a algum sítio formal, ela encontrava-se muito mal vestida. Mas sorriu ao ver que ele era demasiado bem-educado para dizer isso. Retribuiu o elogio e entrou no carro. Setsu ligou o motor e, minutos depois, encontravam-se a atravessar diversas ruas da cidade de Tokyo, o som do rádio levando uma melodia pesada aos ouvidos de Linda. O carro arrasava por entre as ruas, o seu motor rugindo como uma fera. Setsu claramente estava a exibir-se. Lembrou-se vagamente do carro que o irmão recebera quando fizera dezoito anos. Durara uma semana.
-Aonde vamos? – Perguntou, um pouco distraída. Setsu baixou o volume do rádio.
-A um restaurante na baixa. Já provaste bacalhau, certo?
Se Setsu fosse outra pessoa qualquer, teria dito que não. O bacalhau era um animal em vias de extinção. Logo era bastante caro até porque vinha dos mares do norte, acabando por o transporte aumentar o preço. Só gente rica provava tal peixe no Japão.
Todavia, ele morava com o irmão. Mentir-lhe era ridículo.
-Sim. Vários tipos. Bacalhau á Brás, com natas, á Gomes de Sá… tudo quando estive em Portugal
-Pois, o Kenji disse-me que ele fora uma vez a Portugal e que comera um fantástico bacalhau numa noite e uma francesinha no outro. Demorou um pouco até eu chegar à conclusão de que uma francesinha era um prato.
Linda soltou uma gargalhada.
-O Kenji também entendeu mal quando o nosso avó disse. Ficou a julgar que ele iria galar a francesa que dormia na suite junta à nossa.
-Ele contou-me isso. Acredita, nunca achei que ele fosse tão desinibido.
-Ainda não conheces o meu irmão. – disse Linda, sombriamente. Setsu entendeu que não devia puxar o assunto e prosseguiu com outros tópicos de conversa mais fútil.
-E viste a ponte Eiffel? – perguntou, sorridente. Linda semicerrou os olhos.
-O quê?
-A ponte Eiffel, desenhada pelo próprio. Foi o Kenji que me disse.
Linda controlou a vontade de revirar os olhos ou até mesmo de rir à descarada.
-Se o Kenji prestasse mais atenção às coisas que lhe diziam, nunca diria asneiras. O arquitecto da ponte era o sócio de Gustave Eiffel e a ponte era D. Luís I.
Setsu calou-se e não fez mais perguntas do género o resto da viagem, tanto para o humor de Linda.
Quando chegaram à baixa, o sol teimava desaparecer no horizonte e o mar encontrava-se calmo, cada toque das suas ondas espumosas nas diversas rochas escuras produzindo um belíssimo som natural e relaxante. Linda inspirou o cheiro salgado e marítimo, sorrindo para si própria. Era tão bom estar ali, na baia de Tokyo sem qualquer protecção, adulto ou dever. Estava ali porque queria e ninguém sabia quem ela era.
Podia habituar-se a isto.
Setsu estacionou o carro no parque de estacionamento, saiu do carro e apressou-se a abrir a porta a Linda.
Entraram no restaurante silenciosamente e esperaram na entrada que um empregado verificasse a sua reserva. Linda olhou por cima do ombro do homem e viu mesas dispostas por toda a sala, muito bem-postas com uma toalha branca e talheres para cada prato. Viu um pequeno bar ao fundo. Tanto o bar, como as mesas, as portas, as paredes e a decoração destas eram de madeira. Talvez para imitar um barco, ainda não tivesse tido muito sucesso na opinião de Linda. Misturar rústico com requinte não era uma ideia muito funcional.
O empregado, após várias verificações na sua lista, arranjou-lhe uma mesa. Dirigiu-os para uma perto da janela de vidro, pedindo-lhe para aguardar a chegada de outro empregado para os atender.
- Então… o que vais querer comer? – Perguntou Setsu, pegando no menu á frente dele.
-Bem... – Linda olhou para a lista de pratos oferecidos, mordendo o lábio distraidamente. - Pode ser bacalhau. Já não como há muito tempo.
Setsu sorriu e aproveitou o momento para fazer uma pergunta menos discreta:
-Porque é que tu e o teu irmão têm apelidos diferentes?
-ah? – Linda desviou os olhos do menu, apanhada de surpresa.
-Porque é que é que tu és Tsukino e o teu irmão Chiba? – Repetiu Setsu. – São filhos de pais diferentes?
Tenho essas suspeitas, pensou Linda, mas não se atreveu a dizê-las em voz alta. Clareando a garganta, disse:
-Não. Simplesmente a nossa situação familiar não está fácil. É apenas uma forma de protecção.
-Mas…
Linda ergueu o sobrolho e Setsu soube que tinha que se calar. Kenji havia feito o mesmo quando ele e Eiji lhe perguntaram acerca de Linda. O sobrolho erguido era exactamente o mesmo. E era assustador.
-É estranho imaginar o Kenji num restaurante chique a comer bacalhau. – Comentou Setsu, só para evitar o silêncio.
-Porquê.
-Ora, ele vem… como digo isto… de uma família favorecida. E não parece.
-favorecida? Queres dizer ricos? – Atirou Linda, rispidamente.
Setsu já conhecia aquela conversa. A rapariga ofendia-se sempre que o rapaz só dava interesse no dinheiro. Todavia, aquele não era o caso.
-Favorecidos. Os ricos são todos da nobreza. Além disso, o dinheiro não me importa. Pelo menos no que toca aos meus amigos e namoradas.
-E tu és favorecido?
Setsu ficou calado por um curto tempo, reflectindo. Linda pôde jurar ver um estranho brilho nos olhos.
-Da parte do pai. – Confirmou, um pouco desconfortável, o que Linda achou estranho.
-E da mãe?
Setsu tentou erguer o sobrolho da mesma forma que Linda. Ainda que fracassado, ela entendeu a deixa. Não queria falar sobre isso.
-Com aquele carro não dirias outra coisa. – Respondeu simplesmente, ignorando a última parte da conversa. Setsu riu suavemente.
-Então como é a universidade? – Perguntou Linda, desconfortável com o silêncio que se seguiu.
-É muito boa. Excelente experiência. Principalmente a praxe. – Setsu olhou de relance para Linda, vendo-a a sorrir ao mencionar a praxe. – Além disso, sempre sonhei fazer algo realizador. Mais pormenorizadamente, cirurgião plástico.
-Cirurgião plástico? Para quê? Operar quarentonas em busca de silicone?
-Ao menos ganharei bem... e tornarei o feio em bonito.
-Um artista?
-Pois. O meu pai não queria que eu fosse artista, por isso escolhi a “arte da medicina”.
Linda riu-se.
-E o teu pai sabe disso?
-claro que não! Se souber tranca-me no quarto até a “crise de artista” me passar.
-É... eu sei o que é ter um pai assim.
-O teu também te controlava?
-Muito. – Linda tornou-se para a janela. Pensar no pai era muito mais doloroso do que pensar na mãe. Porquê, perguntou-se. Às tantas era mesmo aquela inquietação, aquela incerteza de que ele era o seu verdadeiro pai. Não havia quase nada dele nela. Nenhum traço, nenhuma característica. Pareciam completos estranhos que viviam na mesma casa. Imaginar o seu pai a segurá-la quando ela nascera era impossível porque ela sabia que ele nunca estivera com ela quando ela era pequena. Só lá estava para a controlar. Para exercer a sua atitude gélida nela, os olhos traindo algo que ele não mostrava. Algo que ela nunca conseguira ver, muito menos entender…
Um empregado aproximou-se, quebrando os pensamentos de Linda:
-já fizeram os pedidos? – Perguntou, cordialmente.
-Sim. Queremos bacalhau á Brás. Queres á Brás, certo? – Setsu perguntou a Linda.
-Claro. Pode ser
-Então é isso. E gostava de beber cerveja e tu?
-água.
-Ouviu? - Disse para o empregado, que assentiu.
- Dois bacalhaus á Brás da casa, uma garrafa de água e uma cerveja. É tudo? - Confirmou o empregado.
-Sim. – Responderam os dois.
O empregado afastou-se em direcção á cozinha, desaparecendo atrás de uma porta.
Setsu olhou para os olhos de Linda. Estranho como os olhos dela eram tão diferentes mas também tão semelhantes aos de Kenji. Perguntava-se como Eiji não se apercebera das semelhanças logo ao primeiro olhar.
-Como é que o Kenji se está a sair? – Perguntou Linda.
-O Kenji? Está muito bem. A sua vida social é que está abaixo de zero. Raramente saí, costuma ficar por casa a estudar ou a ver televisão. Engraçado é que apesar do tempo que passa em casa, nunca faz as suas tarefas a tempo. Bem, para ser honesto nenhum de nós faz.
-Isso parece típico do Kenji.
-Ele nunca teve vida social? – pergunto Setsu com curiosidade genuína. Linda fez uma careta.
-Mais ou menos. Sempre teve mais do que eu. Mas, devido a motivos pessoais, nunca foi daqueles que chamar muito nas vistas ou de estar sempre em bares e discotecas.
Linda sentiu-se satisfeita com aquilo que dissera. Era verdade, mas não por completo. A fraca vida social de Kenji era um pequeno preço a pagar para que ninguém em Tokyo, nomeadamente os paparazzi, conhecesse a cara do príncipe ou até mesmo o seguisse para onde quer que ele fosse. Os paparazzi nunca conseguiram infiltrar-se nos terrenos da sua família, algo que Linda nunca conseguiu explicar. Para sua alegria e do irmão, ninguém sabia como eles eram. Perfeito para algum dia eles facilmente se misturarem no meio do rebanho de ovelhas que era Tokyo.
Era como se, toda a vida, eles tivessem sido preparados para fugir…
A comida chegou e os dois prolongaram a conversa por entre garfadas. Setsu não conseguia deixar de comparar Linda com Kenji. Como era possível ela comer requintadamente enquanto o irmão bebia leite no pacote. Tanto Setsu como Eiji sabiam que os dois irmãos tinham graves problemas com a família. Porque motivos estavam longe um do outro, com apelidos diferentes e com atitudes um pouco estranhas. Como se escondessem um grande segredo. Pessoalmente, Setsu não se importava muito. Aliás, o mistério em torno de Linda apenas o fazia gostar cada vez mais dela.
-O meu irmão não se importou que saísses comigo? – Perguntou a rapariga.
-Desde que tivesse limites. – Murmurou em resposta, divertido. Riu-se com a cara de parva que Linda fez – não te preocupes, eu disse ao teu irmão quais eram as minhas intenções contigo.
-Sair contigo, conhecer-te melhor. Nunca vi uma rapariga tão estranha e misteriosa como tu.
Linda não soube o que responder, limitando-se a terminar o seu bacalhau.
No final, ele fez questão de pagar o jantar e convidou-a para um passeio. Ele pôs o braço na anca dela, apertando-a ligeiramente para si. Linda sentiu-se um pouco incomodada, mas nada disse, não querendo estragar o momento.
Quando pararam, ao fim de alguns minutos, Linda não sabia de haveria de correr na direcção oposta ou deixar-se estar. A segunda opção pareceu-lhe mais fácil e educada.
-Já viste a lua? Está tão bonita. – Comentou Setsu, mirando a lua em quarto crescente pintada no quadro escuro que era o céu nocturno, coberto com algumas nuvens.
-Pena que não seja lua cheia. – Respondeu Linda, olhando também para o céu.
-Lá isso é verdade. Mas esta é bem bonita. – Virou-se para ela e sem dar conta os dois aproximaram os seus rostos, os lábios a poucos milímetros de se tocarem. Linda sentiu um certo desconforto, mas deixou-se levar. Os lábios estavam prestes a unir-se quando se ouviu um barulho ao longe.

*****

-Aiko, desculpa. Fiquei de tratar com uma amiga minha acerca do menu de almoço, mas ela tinha outros planos. Acredita que a Makoto faz as melhores sopas, mas preferia algo mais leve para este almoço… enfim… – Balbuciou a voz feminina, parecendo um pouco nervosa. – Aiko?
-Estou a falar com Usagi Tsukino? – Perguntou Mari, um pouco nervosa. Ouviu-se silêncio do outro lado da linha por uns momentos.
-Deves ser a Mari.
-Sim, sou. – Respondeu a rapariga, com a voz baixa. De alguma maneira, aquela mulher fazia sentir-se pequena. E ela nem sequer a conhecera pessoalmente.
-Então. Porque me telefonaste? – perguntou a mulher, sempre muito cordial.
-Bem… – não sabia o que dizer. Aquela voz era tão doce e quente, como o mel. Não lhe queria mentir. Não queria falar sobre Linda. De repente, o mistério acerca da identidade de Linda não parecia tão importante – A Linda teve um encontro. Com um rapaz da universidade de medicina.
-Bem... espero que ele não lhe queira explorar a anatomia do corpo dela. – Ouviu-se uma gargalhada do outro lado, o que espantou Mari. Abanou a cabeça, exasperada. Isto provava que Usagi era mesmo amiga da sua avó. De que outro modo teriam as duas aquele peculiar sentido de humor?
- E como se chama esse rapaz? – Perguntou Usagi serenamente, ainda que Mari tivesse detectado um pouco de preocupação no seu tom de voz.
-Chama-se Setsu Yamamoto e…
-Yamamoto? Oh, eu conheço o rapaz. Nem sabes o quanto me sinto aliviada por saber que é ele.
-Conhece o Setsu?
-Sim, a minha filha é uma grande amiga da mãe do Setsu.
Mari sentiu que chegara a algum lado. Uma pista. O problema estava que Eiji não falava da mãe. Da biológica pelo menos.
-Mari, estás a falar com a Usagi? – Ouviu a avó perguntar. Aiko entrou na sala e, tirando o telefone da mão da neta, disse:
-Oh, querida… como estás? A Mari já deve ter-te falado do encontro que a Linda teve. É com um futuro médico. Isso faz-me lembrar aquele rapaz que eu…

Mari saiu da sala não notando no olhar que Aiko lhe lançara quando ela saíra e no súbito tom murmuroso para o qual alterara a conversa quase de súbito. Ao entrar no seu quarto num livro que estava na estante e atirou-o para cima da secretária, procurando uma distracção. Sabia que não conseguiria ler mais do que dez páginas, mas ao menos dormiria mais cedo.
A avó terminara a conversa e chamara-a para jantar. Finda a refeição, Mari voltou para o quarto, desta vez com a intenção de dormir. O livro não avançara das cinco páginas e Mari suspirou, sentindo-se derrotada. Amaldiçoou Cecília por querer obrigá-la a ler aquelas bodegas.
De repente, viu uma luz rosa no horizonte da janela do quarto. Sem pensar duas vezes, Mari ligou para Cecília, perguntando-se para si própria se aquela luz seria natural.
Espero por ti em cada segundo , porque tu és o meu mundo!




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Editado pela última vez em

#46
-ah… e Linda? – Esperou que Linda se voltasse – usa preservativo!
...
Há que ter segurança! Ele está a estudar
medicina... de certeza que quer conhecer a anatomia do corpo dela
...
bem... espero que ele não lhe queira explorar a anatomia do corpo dela. – Ouviu-se uma gargalhada do outro lado.
Rolar Rolar Rolar :Mongloide=D:

mana fartei-me de rir com estas estão de mais. espero por mais capítulos :g1: :dança:
a minha primeira fic "AS FILHAS DA LUA"passem na minha fic e comentem XD

Traços do destino

visitem o meu forum http://eterna-sailor-moon4.forumeiros.com/forum.htm
#47
obrigada.. agora vou demorar um pouco mais a postar um novo capitulo porque tenho k estudar =)
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#48
Oi! Ja tinha lido a tua fic ms ainda n tinha postado (sou uma desnaturada...). Ta mt gira! Adorei o ultimo cap.

bem... espero que ele não lhe queira explorar a anatomia do corpo dela. – Ouviu-se uma gargalhada do outro lado LOOOL Go Usa! Very Happy

Da janela do seu quarto viu uma luz rosa ao fundo. "Que luz era aquela? Fikei curiosa...

Fico a espera de mais... Very Happy
#50
sorry este capitulo chibi mas vou começar a demorar mais nesta fic (e nas outras) por causa da escola e achei que este capitulo tinha que ficar arrumado...

espero que gostem =)

reescrito a 26/12/2011
Capítulo 11. Uma nova Sailor

A baia de Tokyo foi invadida temporariamente por uma luz cor-de-rosa, centrada num único ponto. Curiosamente, poucas pessoas notaram nesse estranho fenómeno e dessas poucas, só uma se encontrava na baia de Tokyo.
A luz rosa desapareceu. E com ela, veio o seu responsável. Uma sombra baixa que, iluminado pela luz dos candeeiros nocturnos luz não passava de um homem gordo, de queixo erguido. Vestia um manto negro, que tapava a sua roupa, mas não disfarçava o olhar severo e a calvície.
O homem observou o seu redor. Estava num parque de estacionamento. Aterrara em cima de um Lamborghini vermelho, cujo alarme começara a disparar. Os seus poderes indicavam que a Flor não estava ali. Nem aquele que ele procurava…
O segurança do parque apareceu, atraído pelo som do alarme.
-Hei, você aí! O que está a fazer? – Gritou o homem, demasiado confuso para fazer outro tipo de pergunta.
O homem permaneceu quieto, lançando ao segurança um sorriso sinistro que provocou no outro homem uma súbita vontade de fugir na direcção oposta. Todavia, antes mesmo que o segurança pudesse dar um passo atrás, o homem fez uma luz verde surgir da sua larga mão.
-O que é isso? – Perguntou o segurança, apavorado.
-Seu estúpido. Como te atreves a importunar-me? – Falou o homem com a sua voz grossa, provocando um calafrio no segurança.
-O senhor vai ter que dar explicações ao dono do carro – disse o segurança, meio a gaguejar.
-Ai tenho? – O homem saltou do carro e olhou para o Lamborghini vermelho. Com um pequeno gesto de mão, o carro incendiou-se, perante a cara assustada do segurança.
A figura suspirou, irritada consigo própria. Havia alguma interferência nos seus poderes. Daí que tenha vindo parar ao local errado.
O fogo alastrou-se para os céus, enchendo-o de nuvens cinzentas e tornando o ar dificilmente respirável.
De repente, a figura ouviu passos apressados e duas figuras surgirem.
-O meu carro! – Gritou Setsu. Estava prestes a beijar Linda, quando ouviu o alarme do carro. Assustado, correu para o parque com Linda atrás para ver um homem incendiar o seu carro.
O homem riu-se, a sua gargalhada provocando calafrios nas pessoas em volta dele. Foi então que os seus olhos se cruzaram com a rapariga. Morena, olhos azuis. Não a esperava ver ali, na Terra, junto de todos os outros. Franziu a testa ao recordar as palavras de Lady. Aquela rapariga era exactamente um dos motivos por ele ter vindo ao Japão em primeiro lugar, em vez de tentar procurar o que queria noutro país. Infelizmente, nada podia fazer. Lady tinha planos para a moça.

Linda tinha a impressão de já o ter visto. Mas aonde? Aquele olhar aterrorizante fazia as suas pernas tremerem.
Setsu estava furioso, aproximando-se do homem decidido. A sua ira cegava o seu bom senso, não se apercebendo de que aproximar-se da figura baixa era a última coisa que deveria fazer.
-Você vai pagar o carro, ouviu! – Gritou para o homem, apontando o dedo indicador. Este riu-se, parecendo incapaz de formular palavras de tão cómica que era a situação para ele.
Setsu apercebeu-se então de que aquele homem não só não era estável, mas como era muito perigoso. Num acesso de pânico, colocou-se à frente de Linda, mas isso não impediu a figura de lançá-lo contra um outro carro. Setsu caiu no chão, inconsciente.
O segurança aproveitara e fugira em busca de ajuda. Só ficara ela. O homem virou-se para Linda.
-Tu… - disse ele, a sua voz traindo nojo e ódio. – A Meretriz…
Linda não reagiu, tal era o medo que sentia.
-Lady tem planos para ti, mas isso não signifique que não te possa usar para encontrar aquilo que eu procuro. Ele procura sempre a sua meretriz… – Riu-se maleficamente, lançando um raio em direcção a Linda. Foi tão rápido que a rapariga não teve tempo para se desviar, sendo atingida em cheio no estômago. A dor foi semelhante a uma martelada, tão forte que empurrou-a contra o carro que se encontrava atrás de si, para junto de Setsu, sentindo o vidro do pára-brisas partir-se com o seu peso, já pressionado com o do rapaz. Ao contrário deste, ela ainda não tinha desmaiado. O raio não fora muito forte com ela.
Viu o homem pegar num pequeno objecto verde, semelhante a uma conta. Atirou-o ao chão e Linda viu aquilo que apenas ouvira falar nas histórias da avó.

**
Um pouco longe dali, dois vultos encontravam-se num telhado, observando a baixa, à espera de mais sinais da explosão cor-de-rosa. Mas esta desaparecera por completo. O instinto dizia-lhes para elas irem, no entanto algo as impedia. Talvez o facto de estar tudo calmo. Mas as aparências às vezes enganam, pensou uma para si. A outra, como que lendo os pensamentos da companheira, sorriu e disse:
-Não te preocupes. O que quer que seja estará resolvido daqui a pouco.
-Como sabes? – Perguntou a outra, desconfiada.
-Tenho um pressentimento.
A sua companheira soava tão decidida que a outra viu-se compelida a aceitar a decisão. E, sem esperar mais, desapareceram.

**
No palácio, Usagi olhava pela janela do seu quarto para Tokyo, reflectindo.
-Porque é que não queres que façamos nada? – Perguntou Minako, erguendo-se do cadeirão onde estava sentada.
Usagi não respondeu de imediato. Sabia que as navegantes, dispersas à sua volta, esperavam o sinal para impedir os acontecimentos de se sucederem. Até ela queria impedir esses mesmos acontecimentos. Mas um olhar a Setsuna fê-la retomar à sua decisão anterior.
-Sim. Esta batalha não é nossa. Confiem em mim.

**
Uma estranha criatura surgira á sua frente. A sua forma era a de um espantalho verde com olhos vermelhos, com íris negra e desvairada.
A figura baixa franziu a testa. Aquele monstro teria que servir para o efeito. Podia perder a sua energia depressa, mas assim que a ganhasse seria imbatível. E ele planeava que a meretriz lhe desse a energia necessária. Irónico como ele viera ali procurar a Flor de Júpiter para servir os propósitos da sua Lady, mas encontrara a meretriz para servir os seus propósitos. Decidiu esperar um pouco a fim de visualizar os efeitos do ataque do monstro na rapariga indefesa.
-Ataca aquela miúda! – Disse, apontou o dedo indicador para Linda. Todavia, não precisava de ordenar o monstro para tal, pois este só tinha olhos para o único ser com sangue quente ali no parque. Os seus olhos vermelhos brilharam por segundos e, em seguida, o monstro multiplicou-se. Vários sereis iguais a ele apareceram em volta de Linda, que conseguira levantar-se. Olhava, atónica, para os monstros que estenderam os braços para ela. Soltou um gemido ao sentir os braços mais semelhantes a tentáculos agarrarem-na e sugarem a sua energia rapidamente, fazendo-a sentir-se mole como uma boneca de trapos. A fraqueza consumia-a, mas pior que a energia que o monstro lhe sugava era as vozes que ela ouvia. Gemidos longínquos, vozes exaltadas mandando-a mexer-se e vozes ternas contando-lhe histórias…
Talvez estivesse a desfalecer. Fosse como fosse, naquele momento, a voz da sua avó era tudo o que ouvia. Sempre que ela tinha um pesadelo, ela vinha sempre ter com ela, falando de uma mulher que a protegia, a Guardiã dos Sonhos. Nunca perguntara-lhe quem era essa mulher. No fundo, era como se soubesse.
Mas naquele momento, era ignorante em todos os aspectos. O relógio parecia ter abrandado. Segundos pareciam-lhe minutos e ela perdia as suas forças a cada momento. Sentia-se à beira da inconsciente, ou até pior. Várias memórias vieram-lhe à cabeça, desaparecendo como flashes antes que ela se apercebesse de onde eram, mas uma prevaleceu.
Tinha sete anos. Tivera outro pesadelo. Ela nunca sonhava mas havia altura raras mas dolorosas em que pesadelos invadiam-na. Ela nunca se lembrava deles, mas eram tão agonizantes como as memórias que ela via naquele momento. Era estranho e muitos diziam que era da cabeça dela. Que toda a gente sonhava. E Linda cresceu a dar-se a si própria a mesma explicação. Ela tinha que sonhar. Ou de que modo ela teria os seus pesadelos?
Mas no fundo, Linda sabia que aquilo que via não era pesadelos. Parecia algo demasiado real para ser criado pelo subconsciente.
Uma mulher a chorar pelo mal que sentia. Pelo negro em seu redor que a matava, lentamente, consumindo a sua esperança, cegando-a da luz que a cercava. Ninguém a podia salvar. Perdera tudo o que tinha. Linda sentia cada bater do seu coração como se fosse o seu. De repente, tudo parou. Ela acordara sobressaltada e notou que a avó estava à sua frente, a sorrir, ainda que os seus olhos traíssem preocupassem e um pouco de curiosidade:
-Não tenhas medo! – Sussurrou calmamente, tentando consolar a menina ofegante. – Eu estou aqui.
-Que foi isto? – Perguntara, a tremer.
-Só um pesadelo, querida. – Respondera serenamente. – Por algum motivo, Linda duvidou das palavras da avó, mas sentia-se tão cansada que deu por si a derreter-se no calor irradiado no sorriso da sua avó, sentindo a sua respiração acalmar. Viu, de relance, uma sombra no fundo do quarto. Mas não lhe deu a melhor importância, fechando as pálpebras ao som da voz da avó, que sussurrava calmamente, com uma voz quase em tom profético:
-Linda, o teu destino está interligado à Guardiã dos Sonhos. Ela é parte de ti e tu és parte dela. Se algum dia a chamares, Ela virá ter contigo.

O monstro largou-a de repente. Ela caíra no chão como uma marioneta, as palavras da sua avó fazendo eco na sua cabeça. As palavras fizeram eco nos seus ouvidos.
Se algum dia a chamares, Ela virá ter contigo.
Foi então que notou no motivo para o monstro a ter largado. O pingente tinha caído do bolso das suas calças, brilhando intensamente em frente a Linda. A figura baixa semicerrou os olhos, desconfiado, mas nada fez.
Por uns momentos, o pingente brilhou com toda a sua magnificência, sendo observado pela figura, pelo receoso monstro e por Linda. Esta foi a primeira a aperceber-se que o pingente havia sofrido uma estranha metamorfose. Estava maior, semelhante a um alfinete e Linda pôde ver, através da extrema luminosidade, que os nove pontos permaneciam sem brilho e na mesma cor do ébano. E, de certa forma, Linda sentiu o poder irradiando naquele alfinete.
E entendeu aquilo que tinha que fazer.
Sem hesitar, agarrou o alfinete e apertou-o contra si.
Se algum dia a chamares, Ela virá ter contigo.

-Pelo poder que me confere, chamo a Guardiã dos Sonhos! – Gritou. Fechou os olhos e sentiu uma estranha energia envolve-la. Algo no seu corpo mudara. Um arrepio percorreu as suas pernas e sentiu os cabelos no pescoço eriçarem-se.
Abriu os olhos. Não precisava de olhar em volta para ver o que acontecera. A mudança ocorrera nela. A Guardiã dos Sonhos era ela.
O cabelo negro encaracolado estava penteado num semi-preso, agarrado por uma estrela, o seu pingente. Tinha um fato de marinheiro, típico de Sailor, dotado de cores preto e branco, enquanto a minissaia negra tinha uma leve linha desenhada na bainha. Por cima do laço preto que adornava o peito, encontrava-se uma bola dourada. A parte inferior das pernas era escondida por botas pretas com levíssimo tacão e uma estrela desenhada no topo.
Era tudo novo e confuso para Linda. As histórias faziam agora tanto sentido. Mas porque é que ela nunca soubera?
Infelizmente, aquele não era momento para reflexões. Sentiu o olhar do homem posto em si. Este parecia apavorado, a palidez da sua pele ficando mais acentuada.
-Meretriz. Destruidora, cujo ventre concebe raios destruidores e imundices. – Murmurou entre dentes, os seus olhos brilhando em cólera. – O que esperas? DESTROI-A! – Gritou para o monstro, descontrolado.

O monstro não hesitou, lançando-se contra a nova navegante. Esta, por sua vez, tentou desviar-se das suas investidas, pensando nalguma forma de se defender. Infelizmente, a sua avó nunca explicara como as navegantes sempre souberam que ataques usar quando se viam com fatos de marinheiro pela primeira vez. Seria algo involuntário?
Quando o monstro voltou a atacar, desta vez atingindo um outro carro, Linda decidiu arriscar. Os alarmes dos carros abatidos ameaçavam chamar toda a gente em torno e Linda sabia que mais gente naquele local só iria provocar estragos.
Decidiu arriscar e, juntando as duas mãos para formar uma estrela de cinco pontas, gritou as primeiras palavras que lhe vieram à cabeça:
-Silver Star Dream – Estrelas prateadas saíram literalmente das suas luvas brancas, em direcção ao monstro. O ataque apenas fez com que o monstro desse um passo para trás, mas não ganhara nem um arranhão.
Linda praguejou suavemente. A figura pareceu satisfeita.
-Ele sugou a tua energia. Não o poderás deter simplesmente, sua tonta. Irás morrer ainda hoje, antes mesmo que causes os males do passado.
Males do passado? Linda estava confusa. Como conseguiria derrotar aquela criatura se ela parecia ser feita de ferro?
Após voltar a escapar de mais uma tentativa de esmagamento, Linda ofegou. A transformação dera-lhe alguma energia para compensar aquela que perdera mas o monstro esgotava a que lhe restava. Já não conseguia ouvir nada, de tão alto eram os alarmes dos carros achatados pelo monstro. Linda espantou-se que a polícia ou mais alguém não tivesse vindo.
O monstro voltou a atacar mas o carro atingindo havia perdido o capote há algum tempo, indo o ataque provocar danos no motor. Uma pequena explosão abalou o cenário. Linda olhou para onde Setsu estava desmaiado vendo, para sua grande alívio, que ele estava longe da explosão. A explosão provocou um incêndio no carro e Linda temeu que as chamas chegassem aos outros carros, todos com depósitos cheios de gasolina.
Em pânico, correu para junto de Setsu e fechou os olhos com força.
-Moon Treasure – Sentiu os seus pés elevarem-se uns centímetros no ar.. A estrela, presa no cabelo, iluminou-se e libertou energia tão forte que o cegou o monstro, enfraquecendo-o. A luz espalhou-se pelo carro e foi aí que tanto Linda como o homem viram uma linha de gasolina derramada a incendiar-se.
Olharam-se por um segundo apenas. O homem desapareceu com uma expressão furiosa. Em pânico, Linda pegou em Setsu e tentou arrastá-lo dali. A sua roupa voltara ao normal sem se aperceber e Setsu começava a acordar.
-Mexe-te. – Ordenou Linda, desesperada. Não sabia quanto tempo tinha.
Ele, ainda que zonzo, entendeu a mensagem. Juntos, saíram do parte poucos segundos antes de uma grande explosão cercar o parque, uma grande nuvem laranja enchendo o céu e alastrando-se na direcção dos quatro pontos cardiais por vários metros. Linda e Setsu caíram para a frente e tentaram gatinhar para um esconderijo, escapando por pouco aos inúmeros destroços que voavam. Ouviu-se os gritos aterrorizados das pessoas e até mesmo o alarme de algum carro solitário.
O caos reinou durante uns segundos infernais. Depois, tudo acalmou.
Espero por ti em cada segundo , porque tu és o meu mundo!




Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
Visitem a minha 1ª Fic ----->The Four elements

Editado pela última vez em

#51
sailor dream! yeih!

lool

muito giro o capitulo! espero pela continuaçao! bjokas
as minhas fic's:
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
-Angelical
Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^
#52
obrigada =)... vou tentar postar um novo no inicio no més.. se não só para quando os testes acabarem :/
Espero por ti em cada segundo , porque tu és o meu mundo!




Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
Visitem a minha 1ª Fic ----->The Four elements
#55
Quero mais!! tens muito geito para escrever, acho maravilhosa a tua escrita!!

Obrigada Lena_Dias

As minhas fics:
Mágoas e Tristezas - capítulo 5 já postado
A Luz da Vida - uma fic twilight
#56
Agradeço a todos os comentários.. Aqui está um novo capitulo Wink


reescrito a 26/12/2011
Capítulo 12. Família

O paramédico colocou-lhe uma manta nas costas, enquanto examinava os cortes na sua perna. Linda nem notara que tinha cortes, mas estes lá estavam, marcando a perna com feias cicatrizes sangrentas facilmente visíveis por entre o tecido de ganga rasgado. Setsu estava ao lado dela também a ser examinado mas Linda não podia deixar de olhar em volta.
O segurança havia chamado a polícia e estes haviam chegado ao local cerca de dez minutos depois. Esse fora o tempo total da luta entre Linda e o monstro. Parecera uma eternidade para Linda, mas foram apenas dez minutos. O homem explicara o que vira e os polícias vieram perguntá-la acerca dos detalhes. Por precaução, Linda escondeu o rosto o máximo possível tanto dos polícias como dos repórteres que passavam a zona. Jamais quereria que o seu disfarce caísse depois um encontro como aqueles.
-Já chamei os rapazes. – Sussurrou Setsu ao seu lado. Aparentava sinais de grande cansaço, mas não deixava de olhar para Linda.
-Ok. – Respondeu a rapariga em igual tom. Ao ver que Setsu não parava de olhar para ela, não conseguiu deixar de perguntar – O que foi?
Ele mordeu o lábio o mais discretamente possível.
-Isto não era suposto acontecer. Desculpa.
Linda não respondeu, espantada sequer que Setsu pediria desculpas.
-A culpa não é tua. – Respondeu Linda, tentando consolá-lo. Setsu lançou um sorriso leve.
-Eu sei, mas queria despedir-me antes que a minha hora chegasse. – Ao ver o ar confuso de Linda, Setsu suspirou pesadamente, o canto dos seus lábios escondendo o menor dos sorrisos. – Sabes que o teu irmão vai-me matar, certo?
A isso, Linda revirou os olhos, também ela traindo um sorriso.
-Ele que se atreva.
À sua volta, era um pandemónio total, com os bombeiros a tentarem apagar os fogos, médicos a assistir os vários feridos que apanharam com os destroços da explosão, polícias e alguns espectadores que observavam o desastre. Sabe-se lá porquê, a mente humana sempre teve interesse no desastre alheio.
Linda sentia a cabeça a girar de tantas perguntas. Quem era aquele homem? Porque é que a tratara daquela maneira, como se a conhecesse de algum lado? O que fazia ali? O que procurava? Sabia a sua avó disto?
Saberia a sua mãe?
Suspirou, sentindo a sua mente a entrar num transe automático. Era de esperar que, após todo o choque e a adrenalina terem desaparecido, ela ficasse mole, incapaz de fazer algum registo de movimento físico ou psicológico. Mas Linda não era comum. Nas situações mais inesperadas, quando a sua mente deveria desligar-se da realidade, ela era transportada para um lado surreal, que todos apenas conheciam apenas em sonhos. Infelizmente, só assim Linda conseguia sonhar. Só assim ela tinha uma réstia daquilo que era tão vulgar para os outros e tão maravilhoso para ela.

Ela estava no jardim a ler. Não se lembrava do título do livro. Peter Pan, talvez. Estava de pernas cruzadas, com o livro no seu colo e sujando o vestido amarelo com rendas contra a relva verde e o tronco da árvore. Normalmente não usaria aquele tipo de vestido mas aquele era um dia especial. Era o seu oitavo aniversário. Porém, ela não estava contente. O seu cabelo estava preso numa fita simples e amarela e elevava-se um pouco ao nível do vento e os ramos do limoeiro onde estava sentada baloiçavam, orquestrando uma bela melodia da natureza que, juntamente com o canto dos pássaros pousados no alto da árvore, fizeram-na sorrir ao de leve. Não durou muito. Nem o livro a conseguia distrair. Afinal, ela estava ali para fugir. Fugir da horrível festa que os pais prepararam, dos convidados falsos que só estavam ali porque foram convidados pelo Rei e pela Rainha. Da ausência dos avós, que estavam em viagem e da ignorância do irmão, que fingia que não estar ali.

De repente ouviu passos. Entrou em pânico ao ver que alguém descobrira o seu esconderijo. Aquele lugar não era conhecido por mais ninguém, ela certificara-se disso. Após alguns segundos de espera, uma bela mulher surgiu á sua frente.

Era talvez a mais bela visão da mãe que ela alguma vez vira. O cabelo rosa estava preso num carrapito que deixava algumas madeixas rebeldes soltas. Vestia um vestido violeta, comprido até aos pés e de corte simples. Os grandes olhos vermelhos brilhavam. Não parecia espantada por vê-la mas o que espantou mais a Linda for ver um leve sorriso formar-se nos lábios rosados da mãe. Um pequeno sorriso leve, simples e genuíno.
Por momentos, nenhuma das duas falou, até que Linda arranjou alguma coragem e perguntou:
-Como descobriu que eu estava aqui? – A sua voz era muito fina do que agora e ainda soava a menina inocente. Todavia, uma certa firmeza escondia por entre aquelas camadas de doçura.
A sua mãe quebrou contacto visual, fitando as lindas flores brancas junto do limoeiro.
-Eu sei tudo sobre ti. Afinal és minha filha.
Linda não soube o que responder. Era estranho ouvir a mãe falar para ela assim.
-É melhor voltares para a festa. – Sussurrou a mãe calmamente, olhando para ela. Linda fez beicinho.
-Não quero ir. – Sussurrou em retorno, como qualquer criança da sua idade. Viu o sorriso da mãe aumentar e Linda teve a certeza de que a mãe nunca fora tão bonita como naquele momento.
-Eu entendo. – Pelo seu tom nostálgico, parecia que entendia mesmo. – Já houve uma altura em que festas eram a pior coisa que os meus pais me podiam fazer, mesmo que fosse o meu aniversário.
-E o da avó. – Completou Linda, sem conseguir evitar. Os olhos vermelhos da mãe brilharam intensamente ao ouvi-la.
-Sim. E o da minha mãe.
-Usagi? – Ouviu uma voz chamar a mãe ao longe. Só podia ser ela. A avó não estava ali. A voz aproximou-se e Linda pôde então reconhecê-la. Era o seu pai.
A mãe mordera o lábio, o sorriso evaporando-se e os olhos perdendo parte do seu brilho. Parecia reflectir alguma coisa. Finalmente, fitou os olhos da filha e esta pôde jurar que havia alguma coisa que ela queria dizer. Algum significado escondido por entre as suas palavras:
-Oxalá não sejas tão fraca quanto eu, Linda. Mas ficas a saber que, apesar de tudo, eu e o teu pai sabemos sempre o que tu fazes.
E depois, deu meia volta, para junto do marido cujos apelos cessaram. E Linda colocou o livro ao lado, completamente desinteressada.
Dizer que aquele momento fora confuso era pouco. Quando voltara para festa, fora como se a sua mãe nunca a tivesse encontrado no seu esconderijo. Na altura, Linda perguntou-se se ela contara a alguém. Mas Linda nunca mais viu ninguém no seu esconderijo. Tudo voltou ao que era.

Linda suspirou. Tantos anos de indiferença indiscreta. Tantos anos de frieza notória e Linda olhava todos os dias para o seu reflexo perguntando-se porquê. Olhava para si a importar-se com a opinião deles. A importar-se com os seus segredos.
O que até era ridículo, principalmente naquele situação. Linda considerava-se sortuda por os pais ainda não a terem procurado ou exigido saber do seu paradeiro pela avó. A segunda opção parecia impossível, pois a avó conseguia ser uma autêntica cabeça de serradura para estas coisas, nas palavras do seu querido e sábio avô.
Mas ela sabia que este sol era de pouca dura. A mãe tinha amigas de língua comprida e a sua vida era constantemente molestada por repórteres e paparazzi incomodativos. Em breve, todos saberiam da fuga dos príncipes. Ironicamente, Linda não se importava nem um pouco com isso. Estranho…
Mais estranho ainda eram as palavras do homem, que não lhe saiam da cabeça. Meretriz, destruidora, cujo ventre concebe raios destruidores e imundices. O que significaria aquilo? E para piorar, ela não fazia a mínima ideia do que fazer. Sim, era uma navegante. Mas o que faria a seguir? Precisava de ajuda. Agora onde procurá-la…
-Hei! – Ouviu gritos masculinos ao longe. Linda ergueu a cabeça e viu Eiji a correr para junto do irmão e de Linda, com Kenji atrás. Este estava muito pálido e os cabelos loiros estavam completamente despenteados, como os de Eiji. Mal este viu-se perto dos dois, abraçou o irmão largando-o por um segundo para abraçar Linda. Não satisfeito, colocou as mãos num ombro de cada, sentindo o calor irradiando pelas suas peles. Ofegava pesadamente e suor escorria-lhe pela testa.
-O que aconteceu? Como foi isto? Vocês estão bem? Eu nem acredito! – Gaguejou o rapaz, não conseguindo articular algo com jeito. Setsu travou o irmão, aproveitando para o abraçar.
-Está tudo bem. Pelo menos acho. Houve um maluco e o resto é tudo muito confuso. – Eiji pareceu mais calmo ao ouvir as palavras do irmão, mas acabou por fitar Linda à espera de uma resposta consoladora. Esta sorriu e repetiu quase as mesmas palavras que Setsu, agarrando a mão livre de Eiji. Este apertou-a com tanta força que Linda sentiu as suas falanges a estalar. E depois, sem ela estar à espera, Eiji beijou-lhe a testa suavemente.
-Nem sabem como ficamos quando nos ligaram. Entramos em pânico, pensamos logo no pior…
Os restos das palavras de Eiji perderam-se quando Linda fitou o irmão, até a altura calado. Setsu também se apercebeu da sua presença e fitou o amigo um pouco receoso. Eiji pareceu indeciso entre ficar entre o irmão e Setsu ou continuar a falar, ainda que ninguém o ouvisse. Já Kenji tinha o rosto moldado num semblante preocupado e também um pouco rígido. Linda podia jurar que podia ouvir o coração dele a bater dali.
Deu um passo em frente calmamente, reflectindo o que estava a fazer. Linda observou-o como um animal no zoo, esperando que ele perdesse a timidez e quebrasse a distância entre os dois.
Finalmente, Kenji envolveu a irmã nos seus braços, puxando-a contra si com toda a força que podia. Esta correspondeu ao braço vagamente, como se abraçasse um peso morto. Não era costume Kenji abraçá-la e aquele sentimento era novo. Irmãos mais velhos não abraçam irmãs mais novas, pois não?
-Fiquei com tanto medo. – Sussurrou ao seu ouvido, traindo medo e alguma aflição. – Não te podia perder…
-Porque é que não pensaste nisso quando saíste do palácio? – Linda não conseguiu deixar de perguntar. Saíra da sua boca antes que pudesse evitar e arrependera-se no segundo. Mas precisava de saber. Tinha que saber.
Kenji fez um som estranho, semelhante a uma gargalhada abafada.
-Ao menos estavas segura. Como podia eu adivinhar que… - fazendo uma pausa, olhou para Setsu de relance. Este, ao ver a fúria nos olhos do amigo, encolheu-se antecipadamente, sabendo que o melhor era receber aquilo que supostamente merecia. De repente, sentiu uma forte dor na bochecha, como se esta estivesse a arder e a pontada do soco fê-lo tombar para trás. Eiji impediu-o de cair, ao mesmo tempo que protestava a acção de Kenji.
-O que raio estás a fazer? – Gritou Linda, ultrapassando Eiji por largos decibéis. Kenji ignorou a irmã e aproximou-se do moreno.
-Só não levas mais porque ela não está muito magoada. – Disse Kenji entre dentes, erguendo o punho a Setsu. Este assentiu lentamente, sabendo que enfurecer o amigo só iria piorar as coisas.
-Entendo. – Disse, calmamente. Linda perdeu a cabeça.
-Mas o que estás a dizer, Setsu? Ele é louco, não te devia ter batido. – Levantou-se e foi ter com ele, passando a mão pela bochecha dela. Sentiu Eiji fazer um som estranho atrás dela, mas não o conseguiu interpretar. – A culpa não foi tua que um maluco tivesse aparecido e te posto inconsciente. Além disso… - Linda atirou um olhar furibundo ao irmão. – Eu sei tomar conta de mim. Certas pessoas deviam saber disso, não?

Kenji empalideceu e afastou-se um pouco dos outros. Linda controlou a vontade de revirar os olhos. Kenji tinha mais mudanças de humor que uma mulher menstruada.
-Linda? – Ouviu uma voz chamá-la. Linda virou-se, ainda zangada. Eiji engoliu em seco, escolhendo as palavras que iria dizer.
-Olha, o Setsu sabia que o Kenji ia fazer isto. Aliás, eu também sabia e entendo. Nós temos uma irmã e também daríamos um soco ao idiota que a levasse a um encontro em que ela acabava magoada. Mesmo que ele nada tivesse a ver com o assunto. E acredita que o Kenji é mais racional que eu e o Setsu. O meu irmão ainda está aliviado que Kenji só lhe tenha dado um soco. Nós achávamos que Kenji ia matá-lo.
-Ele não tem o direito de fazer isso! – Protestou Linda. – Não tem o direito de armar-se em irmão protector quando ele até chega a ignorar a minha existência. Não posso ser a irmã dele quando lhe convêm.
-Tu não és irmã dele quando lhe convém. – Intercedeu Setsu, a sua mão massajando o lado do rosto onde o punho de Kenji o encontrara. – Andamos na mesma faculdade, estamos quase sempre juntos e ele já me falou de ti várias vezes. Porque achas que eu te convidei para um encontro quando mal te conheço? Garanto-te que não foi por seres só uma cara bonita. O Kenji falou-me muito bem de ti. – Linda corou um pouco e Setsu aproveitou para se aproximar da orelha dela e sussurrar-lhe algo. – Dá para ver que és mais do que essa rapariga calma que aparentas ser.
-Tenho cara de quem é calma? – Murmurou Linda em retorno. Setsu riu-se em resposta.
-Podes enganar muita gente.
Eiji tossiu, chamando atenção à sua presença. Abanou a cabeça em direcção a Kenji, quase como dando uma ordem a Linda. Esta suspirou e dirigiu-se para o irmão.
Espero por ti em cada segundo , porque tu és o meu mundo!




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#57
-Devias estar sentada. – Disse ele, sem se virar.
-Não me dói nada. – Disse Linda, secamente. Kenji assentiu e nada mais disse.
Gerou-se um pesado silêncio de cortar à faca, que não perdia intensidade com os sons das ambulâncias, carros, pessoas e buzinas espalhados pela baía. O céu era um quadro maravilhoso de negro e fumo laranja, as luzes nocturnas contrastando com o fogo, fazendo parecer que toda a cidade estava a arder.
-Não devias ficar assim por aquilo que eu disse. – Disse Linda, com os braços cruzados.
Ele virou-se lentamente para ela.
-Porquê? É tudo verdade!
-Pareces uma criança amuada. – Sussurrou Linda. Infelizmente, Kenji ouviu-a.
-Deixa-me ser. – Respondeu calmamente. – Nada como um acidente perigoso que quase tira a vida da minha irmã mais nova para eu perceber o quão idiota eu sou.
-Kenji…
-Estiveste sempre protegida e, logo na primeira vez que estás fora de casa, isto acontece-te! Se eu estivesse ao teu lado, isto não aconteceria.
-Tu nem sabes porque é que isto aconteceu! – Interrompeu Linda, cansada de ouvir Kenji a martirizar-se.
-Não disseste que foi um maluco?
-Não exactamente. – Respondeu Linda, mordendo o lábio.
Kenji semicerrou os olhos. Infelizmente, ele conhecia aquele tique.
-O que se passa?
Tentando melhorar o ambiente, Linda sentou-se no passeio. Kenji juntou-se a ela, esperando que esta abrisse a boca. Ela acomodou a manta nas suas costas e suspirou de novo, o cheio forte a cinzas quase sufocando-a.
-Lembras-te da historia que a avó nos contou… sobre a Sailor Moon? – Perguntou, hesitante. Kenji ergueu o sobrolho.
-Claro que me lembro. Ainda espero ser o novo Tsukedo Mask para salvar uma pita-chorona em apuros. – Tentou rir da sua tentativa de piada e teve algum sucesso. Linda apenas sorriu.
-Já alguma pensaste se eu seria uma também?
-Uma quê? – Kenji demorou um pouco a entender, mas compreensão chegou-lhe à cabeça. – É claro, está-te no sangue.
-Nunca me disseram… - murmurou Linda, olhando o chão pavimentado a alcatrão.
-Linda? O que se passa? O que aconteceu?
Ela pôde ouvir a urgência na voz dele.
-Sou uma navegante.
Ela tinha a ligeira sensação de que falar disto com o irmão era o mesmo que falar com ele, à idade de dez, o motivo pelo qual ela estava a sangrar num determinado sítio. Kenji não sabia bem o que dizer.
-Foi por isso que houve esta explosão? – Perguntou ele, um pouco hesitante.
-Mais ou menos. Um homem com poderes sobrenaturais apareceu e… ele não esperava que eu me transformasse. Lançou um monstro a mim e eu lutei-o. Consegui tirar o Setsu de lá antes que aquilo tudo explodisse em cima de nós.
-Mas que tipo? Reconheceste-o?
Linda abanou a cabeça.
-Não. Mas ele reconheceu-me. Não como princesa ou algo do género. Chamou-me meretriz.
-Meretriz? – Repetiu Kenji, não convencido. - Linda, tu sabes o que…?
claro que sei o que meretriz significa, Kenji! Não entendo é como eu possa ser uma.
-Talvez confundiu-te com outra pessoa. – Sugeriu Kenji.
-Não me parece. A opinião dele só solidificou quando eu me transformei. Parecia que ganhara certezas de quem eu era.
-Conseguiste derrotá-lo?
Linda respondeu com um encolher de ombros.
-Sim, mas nunca me senti tão perdida. O que faço agora?
Kenji agarrou a mão dela, aquecendo-a com o calor da sua.
-Fala com a avó. Não só ela quererá ter a certeza de que estás bem, como também te poderá ajudar.
Linda olhou para o irmão e sorriu. Kenji aproximou-se e deu-lhe um beijo na testa, aproximando a cabeça da irmã contra o seu peito.
-Queres que eu vá buscar alguma coisa? – Perguntou ao fim de alguns momentos. Linda não queria sair daquela posição, mas o seu estômago começava a roncar daí que assentira em resposta. Kenji voltou minutos depois com dois sumos e duas sandes, que Linda devorou com gosto.
-Sabes, ainda não entendi como saíste de casa. – Comentou Kenji, dando uma trinca na sua sandes de delícias do mar.
-Resumindo: Estava no estábulo, a avó aparece com uma mochila feita e diz para eu apanhar um táxi. Eu saio pelo portão da herdade, apanho o táxi e chego á casa das Nakamura, que é onde vivo.
-Nakamura? Não conheço. Mas ainda assim…
-O que foi? – Perguntou Linda, pousando a sandes meio comida.
-Isto cheira mal. – Disse Kenji.
-Cheira mal como? As cinzas do incêndio ou o facto da minha própria avó me ter ajudado a fugir dos meus pais?
-Ambos, mas principalmente o sumo.
-O sumo?!
– Sim, penso que passou do prazo de validade. Cheira a fruta podre. – Kenji colocou o seu sumo de lado e Linda deu por si a rir-se às gargalhadas, contagiando o irmão.
Passado um bocado, os dois pararam.
-No fundo, nunca mudaste. Aliás. – Acrescentou Linda, de repente bastante sorridente. – Ouvi dizer que andas a assumir uma vida de monge e ainda por cima nem fazes as tuas tarefas em casa.
Kenji semicerrou os olhos, os lábios rasgando um pequeno sorriso divertido.
-O Setsu é um traidor. Anda a contar-te coisas que não devia.
-Ele tem razão, sabes? Não devias ficar trancado em casa. E moras lá, tens que colaborar.
-Hábitos velhos não se perdem. Além disso, ele não te contou que ele e o Eiji também não são muito exemplares?
-Sim, contou. – Linda bebeu um pouco do seu sumo (que estava dentro do prazo) e pousou o frasco no chão. – Temo algum dia ir á vossa casa.
-E agora que me lembro. Como correu o encontro? – Perguntou Kenji, tentando parecer relaxado, mas Linda sabia que ele estava a tentar controlar o seu bichinho de mano coruja.
Linda sorriu e contou-lhe tudo, desde o inicio no restaurante até á batalha. Omitiu o quase-beijo, não querendo sentir-se mais embaraçada do que já estava. No fim, virou-se para o irmão:
-O que achas que este inimigo procura?
Kenji colocou os dedos no queixo, suportando-o.
-Não sei, mas o quer que seja é poderoso. E agora fiquei com curiosidade em saber quem é aquele, de onde vem e como te conhece.
-Eu preferia que essa parte não se soubesse. – Disse Linda, calmamente.
-Como assim?
-A parte em que o inimigo me conhece. Não te vou dizer porquê, apenas que tenho a sensação que deveria investigar isso antes de confiar á minha avó. Sabes o quanto ela me esconde. – Kenji pegou no resto da bebida dela e engoliu tudo, o seu rosto escondido pela escuridão da noite.
-Como preferires. – Respondeu ele, com um sorriso que não se estendia até aos olhos.

Uma voz ao longe sobressaltou Linda. Parecia a de Aiko. Pensando estar a imaginar coisas, abanou a cabeça para se ver abraçada por um forte par de braços, que a ergueram do chão.
-Oh Linda, tu estás bem? – Perguntou Aiko, examinando-a de alto a baixo. – O que aconteceu? A polícia ligou-me e eu entrei em pânico…
-Está tudo bem Aiko. Um maluco perdeu a cabeça e incendiou o parque de estacionamento, é só. Eu estava a jantar ali perto.
Aiko não pareceu satisfeita com a sua resposta mas provavelmente ela ainda iria falar com a polícia, por isso não a pressionou. Linda viu Mari a olhar para ela, o rosto revelando alguma preocupação.
-Oh meu rapaz. Foste tu que saíste com ela? – Perguntou Aiko a Kenji, que ainda estava sentado. Linda controlou a gargalhada escondida na garganta ao ver a careta de Kenji.
Este ergueu-se, um pouco embaraçado.
-Não, não fui eu que saí com ela.
Aiko olhou para Kenji de alto a baixo, sorrindo amistosamente. Linda teve a sensação de que Aiko sabia quem Kenji era.
-Obrigado por teres tomado conta dela, querido. Se algum dia quiseres passar lá por casa para almoçar, é só disseres. – As sobrancelhas de Linda atingiram a testa ao ouvir Aiko convidar um suposto estranho para comer em casa. Ela sabia que, atrás de si, Mari olhava para a avó como quem via um monstro de sete cabeças.
Kenji agradeceu e afastou-se das três mulheres, despedindo-se de Linda com um beijo na bochecha. Ao passar por Mari, parou por um bocado, como que a reconhecendo de algum lado. Abriu a boca para lhe perguntar qualquer coisa, quando alguém o chamou. Mari sentiu uma estranha sensação no estômago ao vê-lo afastar-se. Ele reconhecera-a, certo? Porque outro motivo ele iria falar para ela até que alguém o chamara?
Kenji. Então era esse o nome dele.
Ironicamente, descobrira o nome ao mesmo tempo que muitas peças do puzzle se encaixavam. Porque mal ela chegara, vira Eiji à procura de Linda muito preocupado, sem no entanto a encontrar. Sentia nojo por aquilo que a sua hóspede estava a fazer. Alguém tinha que falar com ela acerca disso. Porque, por muitos segredos que uma pessoa possa ter, pessoas cínicas não iriam morar comodamente na sua casa.

A viagem para casa foi desconfortável. Linda e Aiko sentiam uma tensão no ar pelo modo como Mari olhava para a primeira. Linda sabia que Aiko ficara aliviada quando a porta de casa fora aberta.
-Querida, tens a certeza que estás bem?
-Sim, foram só cortes. Já sarou tudo. Agora queria era tomar um banho, mudar os curativos e dormir. – Respondeu Linda, tentando parecer bem-humorada. Todavia, por dentro, estava nervosa. Mari não parava de olhar para ela.
Dirigiu-se para o seu quarto e, antes mesmo que pudesse rodar a maçaneta, uma mão a travou.
-Eu sei muito bem quem és! – Declarou Mari, fazendo Linda quase se engasgar com a própria saliva. O que queria ela dizer com aquilo?
-Sabes o quê? – perguntou, tentando parecer o mais calma possível.
-Sei que tu não és tão santinha com a minha avó pensa que és. E também sei que brincas com os sentimentos dos rapazes, atiras-te ao primeiro que vês e nem pensas em outros que, por azar do diabo, gostam de ti.
As palavras não entraram logo na consciência de Linda.
-Tu estás a chamar-me…?
-Estou a chamar-te aquilo que és. Acabou-se a menina simpática, Linda. Se há coisas que detesto são pessoas cínicas.
Linda soltou-se da mão de Mari, sentindo o seu temperamento a fervilhar.
-E se há coisas que eu detesto são pessoas que metem o seu nariz onde não são chamadas. Eu não ando a brincar com os sentimentos de ninguém, apercebe-te disso.
-Vê lá como me falas! – Ameaçou Mari, aproximando-se de Linda. Esta tentou não parecer intimidada, mas era difícil pois Mari era bem mais alta do que ela. Felizmente, herdara parte do carácter do rei. Fibra para responder não lhe faltava.
– Tu ouve-me bem, Mari. – Disse, apontando o dedo indicador ao peito da outra. - Meteste-te com a pessoa errada. Eu não admito que uma pessoa me insulte sem motivos concretos. Tu não sabes nada acerca de meu respeito, não tens nada de opinar acerca da minha pessoa.
-Meninas, o que se passa? – Interrompeu Aiko, olhando severamente para as duas. Estas fitavam-se intensamente, não descolando o olhar uma da outra. Mari, ignorando a avó, rasgou um sorriso malicioso.
-Que seja guerra então.
-Que o seja. – Retorquiu Linda, rudemente.
-Meninas! – Aiko tentou interceder na conversa mas era tarde de mais. Mari e Linda já tinham virado as costas uma á outra e entrado nos seus respectivos quartos.
Espero por ti em cada segundo , porque tu és o meu mundo!




Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
Visitem a minha 1ª Fic ----->The Four elements

Editado pela última vez em

#58
Ainda espero ser o novo Mascarado para salvar uma pita-chorona em apuros. – Kenji riu-se da nostalgia.




ahah essa matou-me xDDD

Brigada Lolli, amei mesmo ;D


Spoiler:
 


#59
tá muito emocionante estre capítulo!!!

adorei a forma como descreveste a raiva da Mari, um máximo.

fico à espera do proximo capitulo!!!!

Obrigada Lena_Dias

As minhas fics:
Mágoas e Tristezas - capítulo 5 já postado
A Luz da Vida - uma fic twilight
#60
-hum… – Kenji mostrou um ar pensativo.

-o que foi?

-isto cheira mal.

-cheira mal como? Os meus pais não me terem procurado ainda ou os nossos avós nos terem ajudado a fugir?

-não, o sumo daqui do lado cheira mal. Cheira a fruta podre.


OMG! Matreiro

que dois! Embaracoso'

adorei o capitulo, alias, eu adoro esta historia!

quanto mais leio, mais quero ler!

estou ansiosa pelo proximo capitulo!

bjx
as minhas fic's:
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
-Angelical
Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^

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