A Guardiã dos Sonhos
Muito obrigado pelos comentários...
Já estou a preparar o proximo capitulo
Já estou a preparar o proximo capitulo

Espero por ti em cada segundo , porque tu és o meu mundo!

Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
Visitem a minha 1ª Fic ----->The Four elements

Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
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muito obrigada Lena. Tento ao máximo conseguir maior qualidade nas minhas fanfics a cada capitulo 

Espero por ti em cada segundo , porque tu és o meu mundo!

Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
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primeiro: obrigada pelo voto Lena 
segundo: já estou a preparar novo capitulo mas tá dificil pois estou em semana de testes.. só daqui a 2 semanas é k tou 100% livre para me dedicar às minhas fanfics..

segundo: já estou a preparar novo capitulo mas tá dificil pois estou em semana de testes.. só daqui a 2 semanas é k tou 100% livre para me dedicar às minhas fanfics..

Espero por ti em cada segundo , porque tu és o meu mundo!

Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
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Olá..
Ora bem, esta semana tive testes todos os dias, no entanto eram bastante mais leves que os da semana passada. Mas pronto, a 3ª tive mais tempo para escrever visto o teste de 4ª ser "canja de galinha", e tive a metade da tarde de 4ª tbm livre.
Ou seja, tenho aqui um capitulo novo.
Nota: Apesar de ter a fanfic toda pensada, vou alterar um ponto da historia. Ao longo dos proximos capitulos irão notar nisso...
reescrito a 16/02/2012
Capítulo 13 – Guerra aberta
Que o seja.
Últimas palavras dirigidas a Mari e a guerra iniciara logo que as portas do quarto se fecharam. Se bem que a relação entre as duas já tinha os seus atritos. Agora não havia dúvidas. Aiko levou a palma da mão á cara, rogando pragas aos deuses pela pouca sorte que tinha.
Linda não tinha a certeza que tipo de guerra iniciara com Mari até chegar á escola. A influência da loira na turma dera os seus resultados e, por estranha coincidência, calhava a Linda limpar a sala todas as semanas, algumas até sozinha. Ninguém falava para ela, ignorando-a como se ela fosse uma simples pedra que se encontrava no passeio. Talvez para piorar as coisas, Linda apenas tinha Cecília como aliada. Revoltada com o comportamento infantil da amiga, Cecília fazia questão de estar com Linda todos os intervalos e até almoçar com ela. Vendo que Cecília também se afastava da turma e, não querendo que esta tivesse problemas com Mari, tentava livrar-se da morena o mais discretamente e educadamente possível. De certa forma, a atitude da turma não a surpreendia nem tampouco a incomodava. Desde pequena que estava habituada a sentir indiferença na pele.
Em casa, a guerra era fria como gelo. Apesar de tentar evitar a loira como a praga, não podia evitar jantar com ela e com Aiko todas as noites. Nessas ocasiões, as duas raparigas limitavam-se a ficar caladas a refeição toda, raramente abrindo a boca para falar com Aiko. Já esta passava as refeições tentando abrir conversa com as duas, mas estas nunca cediam. Até que um dia, decidiu mudar as coisas.
Três meses haviam-se passado desde a discussão e Aiko limpava o quarto da neta um pouco distraída, o aspirador abandonado no chão enquanto a dona limpava as estantes com o pano do pó. Aiko revirou os olhos ao ver as semelhanças entre Mari e Linda. As secretárias de ambas estavam cheias de livros e papeis, ainda que Aiko tivesse a certeza que a neta mal fazia ideia do que estava por ali metido. Os toucadores pareciam vazios, considerando a simplicidade das adolescentes em questão e os armários das duas estavam cheios do mesmo tipo de roupa simples, casual e desportivo que elas usavam no dia-a-dia. No caso de Linda, Aiko não culpava a rapariga visto ela ter aparecido á porta da sua casa com apenas uma mochila às costas. Já havia considerado levar a jovem às compras, mas esta desviava sempre o assunto, dizendo sempre que estava bem como estava.
Passou o pano pela última estante, cheia de diversos mangas e dois policiais, que Aiko tinha a certeza terem vindo da sua falecida filha. O leitor de música de Mari (cujo nome Aiko há muito deixara de tentar memorizar) estava em cima da secretaria, no topo de um monte de cadernos e livros escolares. Abanando a cabeça á desorganização da neta, passo para a cómoda, querendo despachar os móveis fáceis de limpar.
De repente ouviu um som de metal a cair no chão. Olhou para baixo e viu o que mais se assemelhava a um brinco de metal. Um simples brinco de cor negra e em forma de estrela. Aiko apanhou-o e colocou-o no toucador, onde certamente Mari o poria.
Nessa altura, o telefone tocou. Deslocando-se para a sala calmamente, não esperava ouvir uma funcionária da escola das meninas mandá-la dirigir-se para lá quando pudesse. O que, a julgar pelo tom de voz da mulher, queria dizer naquele preciso momento e faça favor de cancelar aquilo que tenha a fazer.
Aiko suspirou pesadamente. Rezou para que não fosse o pior e pegou no casaco e na mala, saindo de casa com uma pressa renovada.
Todavia, ao fechar a porta à chave, um estranho pensamento invadiu-lhe a mente.
Mari não tinha as orelhas furadas. De quem seria aquele brinco?
**
O som dos sapatos de salto alto ecoara no chão de mármore branco. Esboçando o seu tão belo sorriso falso, rodou a maçaneta de metal dourado e entrou numa sala muito bem decorada por mobílias luxuosas. A luz do dia, que rompia por entre as cortinas, iluminou-a, mostrando aos presentes na sala a sua elegância, os seus belos olhos negros e os seus cabelos azuis-escuros. O seu vestido era de um laranja berrante, o que não estranhava para as duas únicas pessoas naquela sala. Pessoas essas que sabiam que ela gostava de chamar as atenções.
Uma delas lançou-lhe um olhar de ódio bem discreto, enquanto a outra limitou-se a ficar calada. A mulher entendeu que havia interrompido a conversa entre as duas mulheres da sala. De um lado estava uma mulher madura, com os cabelos loiros tão compridos quanto a sua estatura. A Rainha Velha, nome não tão carinhoso que ela gostava de lhe chamar.
Ela não podia deixar de apreciar as maravilhas que o Cristal Prateado fazia naquela mulher. Não sabia a idade exacta da antiga governante de Crystal Tokyo mas sabia que era, no mínimo, o dobro da sua. E no entanto parecia muito mais jovem que muitas mulheres da idade da filha. Tornou-se para a outra mulher. Esta forçou um sorriso quando os seus olhos vermelhos se cruzaram com os negros dela. E com um pequeno gesto, Small Lady despachou a mãe. Esta saiu da sala lançando faíscas pelos olhos. Não antes de fechar a porta, ela soube que a Rainha Velha a observava. Sempre observaria…
As duas ficaram sozinhas e o silêncio reinou. Ela sabia muito bem que não devia ter a primeira palavra perto da realeza. Uma forma de cautela, por assim dizer. A actual Rainha parecia perdida em pensamentos e ela não era estúpida para ousar quebrá-los. Portanto, limitou-se a observar a Rainha, tentando antever o seu próximo passo, qual caçador perto da sua presa.
Small Lady parecia mais velha do que a própria mãe. Os olhos vermelhos mostravam olheiras, devido a um cansaço físico e emocional. A sua pele estava cada vez mais branca a cada dia que passava e os seus cabelos cor-de-rosa claro pareciam perder a sua cor viva. Mas, apesar de tudo, ainda conservava traços da sua beleza juvenil. Beleza, essa que a mulher nunca conseguira suportar. Small Lady nunca parecera mais do que uma rapariga inocente e demasiado sonhadora e, anos depois, esse ar ainda a enriquecia. Mas por pouca beleza madura que possuísse, fora ela a vencedora. Fora ela que ganhara aquilo que a mulher tanto queria. Desastres vieram pelo caminho. Os filhos desapareceram, o marido andava afastado e os problemas do reino só pareciam aumentar em situações destas. E ela dava por si a perguntar como é que uma mulher como Small Lady conseguia ser tão bela sem fazer qualquer esforço? Como é que, apesar de todos os seus problemas conseguir ainda sorrir, falar alegremente e mostrar um pequeno brilho nos olhos? Ela perguntara-lhe isso uma vez. A resposta fora curta e dita de um modo frio, mas ela notou também nalguma ansiedade.
Esperança, dissera ela.
Mas esperança de quê? Para quê, pensava a mulher, enquanto se aproximava da Rainha. Esta convidou-a para se sentar no sofá vermelho ao seu lado.
-Ainda bem que vieste. – Afirmou a Rainha, aparentando cansaço.
-Interrompi algo entre ti e a tua mãe? – Perguntou a mulher, fingindo preocupação. Todavia, preocupava-se mais em massajar os seus cabelos com os dedos, para desenrolar os pequenos nós que se formavam facilmente e também para sentir algum poder. O poder que tinha naquele momento naquele palácio, no seio daquela família. Oh, e o poder que ela iria ter no futuro.
-Não. Pelo menos nada de importante. – Respondeu a rainha, levemente incomodada com as acções da outra. Suspirando suavemente, ergueu-se e chegou perto de uma enorme estante de madeira. Pegou num livro ao acaso e começou a folheá-lo.
-Já encontraste os teus filhos ingratos? – Perguntou a companheira casualmente. Lançou um sorriso sombrio ao notar que a Rainha, ao ouvir a pergunta, fechara o livro bruscamente e colocara-o de novo na estante. Alimentou a sua curiosidade, ao imaginar a cara que a rainha escondia de si. Estaria ela a fitar o chão de olhos abertos e o rosto corado, tal é a vergonha que os filhos a fazem passar? Ou estaria a conter as lágrimas que ela tão inutilmente disfarçava ultimamente, tal vermelhas estavam as suas pupilas? Como é que a rainha de gelo lidava com o facto de os seus filhos serem uns egoístas que abandonam os pais em momentos difíceis? Eles, que receberam treinos rígidos por parte dos pais para serem alguém na vida.
Small Lady apenas divulgara a notícia pelos seus amigos próximos, num desabafo mal ouvido. Sendo Ela uma das melhores amigas da Rainha, tinha poderes e influências naquele palácio que poucos podiam imaginar. Sabia muito mais que todo o reino combinado.
A rainha tornou-se para ela, o rosto frio como gelo. A única prova de emoção era um vislumbre de brilho nos olhos vermelhos, que ela jamais conseguiria disfarçar.
-Não tens nada a ver com isso. - Retorquiu, friamente. Os olhos escuros da mulher traíram alguma surpresa pela atitude da rainha, mas logo se recompôs.
-Só estava a perguntar… - defendeu-se a mulher, não dando muita importância às suas palavras. Algo estava errado em sua majestade.
Porque as aparências enganavam, sem dúvida. Ela pensava que conhecia a Rainha. Uma mulher bela, feliz ao pé dos outros, extremamente educada para a alta sociedade. Uma perfeita senhora que educara os seus filhos com rigidez. O mais velho para que um dia fosse um perfeito rei. A mais nova para que fosse uma senhora tal como a mãe. Jovens que se mostraram ingratos pelo esforço da mãe em educá-los, quando Small Lady poderia nem tê-los, tal como fora um dia a sua vontade. Mas era necessário, pelo menos, uma menina para apoderar-se do Cristal Prateado, passado de geração em geração através das mulheres da família e do trono de Crystal Tokyo.
As aparências enganavam. Ela achava que conhecia Small Lady e todos julgavam que conheciam a Ela, amiga da Rainha. Mas poucos conheciam aquela frieza nos olhos da Rainha quando falava para Ela. Poucos sabiam que a Rainha aparentava detestar os filhos e apreciar a companhia Dela, quando o caso não podia ser mais invertido do que já era.
Ora bem, esta semana tive testes todos os dias, no entanto eram bastante mais leves que os da semana passada. Mas pronto, a 3ª tive mais tempo para escrever visto o teste de 4ª ser "canja de galinha", e tive a metade da tarde de 4ª tbm livre.
Ou seja, tenho aqui um capitulo novo.

Nota: Apesar de ter a fanfic toda pensada, vou alterar um ponto da historia. Ao longo dos proximos capitulos irão notar nisso...
reescrito a 16/02/2012
Capítulo 13 – Guerra aberta
Que o seja.
Últimas palavras dirigidas a Mari e a guerra iniciara logo que as portas do quarto se fecharam. Se bem que a relação entre as duas já tinha os seus atritos. Agora não havia dúvidas. Aiko levou a palma da mão á cara, rogando pragas aos deuses pela pouca sorte que tinha.
Linda não tinha a certeza que tipo de guerra iniciara com Mari até chegar á escola. A influência da loira na turma dera os seus resultados e, por estranha coincidência, calhava a Linda limpar a sala todas as semanas, algumas até sozinha. Ninguém falava para ela, ignorando-a como se ela fosse uma simples pedra que se encontrava no passeio. Talvez para piorar as coisas, Linda apenas tinha Cecília como aliada. Revoltada com o comportamento infantil da amiga, Cecília fazia questão de estar com Linda todos os intervalos e até almoçar com ela. Vendo que Cecília também se afastava da turma e, não querendo que esta tivesse problemas com Mari, tentava livrar-se da morena o mais discretamente e educadamente possível. De certa forma, a atitude da turma não a surpreendia nem tampouco a incomodava. Desde pequena que estava habituada a sentir indiferença na pele.
Em casa, a guerra era fria como gelo. Apesar de tentar evitar a loira como a praga, não podia evitar jantar com ela e com Aiko todas as noites. Nessas ocasiões, as duas raparigas limitavam-se a ficar caladas a refeição toda, raramente abrindo a boca para falar com Aiko. Já esta passava as refeições tentando abrir conversa com as duas, mas estas nunca cediam. Até que um dia, decidiu mudar as coisas.
Três meses haviam-se passado desde a discussão e Aiko limpava o quarto da neta um pouco distraída, o aspirador abandonado no chão enquanto a dona limpava as estantes com o pano do pó. Aiko revirou os olhos ao ver as semelhanças entre Mari e Linda. As secretárias de ambas estavam cheias de livros e papeis, ainda que Aiko tivesse a certeza que a neta mal fazia ideia do que estava por ali metido. Os toucadores pareciam vazios, considerando a simplicidade das adolescentes em questão e os armários das duas estavam cheios do mesmo tipo de roupa simples, casual e desportivo que elas usavam no dia-a-dia. No caso de Linda, Aiko não culpava a rapariga visto ela ter aparecido á porta da sua casa com apenas uma mochila às costas. Já havia considerado levar a jovem às compras, mas esta desviava sempre o assunto, dizendo sempre que estava bem como estava.
Passou o pano pela última estante, cheia de diversos mangas e dois policiais, que Aiko tinha a certeza terem vindo da sua falecida filha. O leitor de música de Mari (cujo nome Aiko há muito deixara de tentar memorizar) estava em cima da secretaria, no topo de um monte de cadernos e livros escolares. Abanando a cabeça á desorganização da neta, passo para a cómoda, querendo despachar os móveis fáceis de limpar.
De repente ouviu um som de metal a cair no chão. Olhou para baixo e viu o que mais se assemelhava a um brinco de metal. Um simples brinco de cor negra e em forma de estrela. Aiko apanhou-o e colocou-o no toucador, onde certamente Mari o poria.
Nessa altura, o telefone tocou. Deslocando-se para a sala calmamente, não esperava ouvir uma funcionária da escola das meninas mandá-la dirigir-se para lá quando pudesse. O que, a julgar pelo tom de voz da mulher, queria dizer naquele preciso momento e faça favor de cancelar aquilo que tenha a fazer.
Aiko suspirou pesadamente. Rezou para que não fosse o pior e pegou no casaco e na mala, saindo de casa com uma pressa renovada.
Todavia, ao fechar a porta à chave, um estranho pensamento invadiu-lhe a mente.
Mari não tinha as orelhas furadas. De quem seria aquele brinco?
**
O som dos sapatos de salto alto ecoara no chão de mármore branco. Esboçando o seu tão belo sorriso falso, rodou a maçaneta de metal dourado e entrou numa sala muito bem decorada por mobílias luxuosas. A luz do dia, que rompia por entre as cortinas, iluminou-a, mostrando aos presentes na sala a sua elegância, os seus belos olhos negros e os seus cabelos azuis-escuros. O seu vestido era de um laranja berrante, o que não estranhava para as duas únicas pessoas naquela sala. Pessoas essas que sabiam que ela gostava de chamar as atenções.
Uma delas lançou-lhe um olhar de ódio bem discreto, enquanto a outra limitou-se a ficar calada. A mulher entendeu que havia interrompido a conversa entre as duas mulheres da sala. De um lado estava uma mulher madura, com os cabelos loiros tão compridos quanto a sua estatura. A Rainha Velha, nome não tão carinhoso que ela gostava de lhe chamar.
Ela não podia deixar de apreciar as maravilhas que o Cristal Prateado fazia naquela mulher. Não sabia a idade exacta da antiga governante de Crystal Tokyo mas sabia que era, no mínimo, o dobro da sua. E no entanto parecia muito mais jovem que muitas mulheres da idade da filha. Tornou-se para a outra mulher. Esta forçou um sorriso quando os seus olhos vermelhos se cruzaram com os negros dela. E com um pequeno gesto, Small Lady despachou a mãe. Esta saiu da sala lançando faíscas pelos olhos. Não antes de fechar a porta, ela soube que a Rainha Velha a observava. Sempre observaria…
As duas ficaram sozinhas e o silêncio reinou. Ela sabia muito bem que não devia ter a primeira palavra perto da realeza. Uma forma de cautela, por assim dizer. A actual Rainha parecia perdida em pensamentos e ela não era estúpida para ousar quebrá-los. Portanto, limitou-se a observar a Rainha, tentando antever o seu próximo passo, qual caçador perto da sua presa.
Small Lady parecia mais velha do que a própria mãe. Os olhos vermelhos mostravam olheiras, devido a um cansaço físico e emocional. A sua pele estava cada vez mais branca a cada dia que passava e os seus cabelos cor-de-rosa claro pareciam perder a sua cor viva. Mas, apesar de tudo, ainda conservava traços da sua beleza juvenil. Beleza, essa que a mulher nunca conseguira suportar. Small Lady nunca parecera mais do que uma rapariga inocente e demasiado sonhadora e, anos depois, esse ar ainda a enriquecia. Mas por pouca beleza madura que possuísse, fora ela a vencedora. Fora ela que ganhara aquilo que a mulher tanto queria. Desastres vieram pelo caminho. Os filhos desapareceram, o marido andava afastado e os problemas do reino só pareciam aumentar em situações destas. E ela dava por si a perguntar como é que uma mulher como Small Lady conseguia ser tão bela sem fazer qualquer esforço? Como é que, apesar de todos os seus problemas conseguir ainda sorrir, falar alegremente e mostrar um pequeno brilho nos olhos? Ela perguntara-lhe isso uma vez. A resposta fora curta e dita de um modo frio, mas ela notou também nalguma ansiedade.
Esperança, dissera ela.
Mas esperança de quê? Para quê, pensava a mulher, enquanto se aproximava da Rainha. Esta convidou-a para se sentar no sofá vermelho ao seu lado.
-Ainda bem que vieste. – Afirmou a Rainha, aparentando cansaço.
-Interrompi algo entre ti e a tua mãe? – Perguntou a mulher, fingindo preocupação. Todavia, preocupava-se mais em massajar os seus cabelos com os dedos, para desenrolar os pequenos nós que se formavam facilmente e também para sentir algum poder. O poder que tinha naquele momento naquele palácio, no seio daquela família. Oh, e o poder que ela iria ter no futuro.
-Não. Pelo menos nada de importante. – Respondeu a rainha, levemente incomodada com as acções da outra. Suspirando suavemente, ergueu-se e chegou perto de uma enorme estante de madeira. Pegou num livro ao acaso e começou a folheá-lo.
-Já encontraste os teus filhos ingratos? – Perguntou a companheira casualmente. Lançou um sorriso sombrio ao notar que a Rainha, ao ouvir a pergunta, fechara o livro bruscamente e colocara-o de novo na estante. Alimentou a sua curiosidade, ao imaginar a cara que a rainha escondia de si. Estaria ela a fitar o chão de olhos abertos e o rosto corado, tal é a vergonha que os filhos a fazem passar? Ou estaria a conter as lágrimas que ela tão inutilmente disfarçava ultimamente, tal vermelhas estavam as suas pupilas? Como é que a rainha de gelo lidava com o facto de os seus filhos serem uns egoístas que abandonam os pais em momentos difíceis? Eles, que receberam treinos rígidos por parte dos pais para serem alguém na vida.
Small Lady apenas divulgara a notícia pelos seus amigos próximos, num desabafo mal ouvido. Sendo Ela uma das melhores amigas da Rainha, tinha poderes e influências naquele palácio que poucos podiam imaginar. Sabia muito mais que todo o reino combinado.
A rainha tornou-se para ela, o rosto frio como gelo. A única prova de emoção era um vislumbre de brilho nos olhos vermelhos, que ela jamais conseguiria disfarçar.
-Não tens nada a ver com isso. - Retorquiu, friamente. Os olhos escuros da mulher traíram alguma surpresa pela atitude da rainha, mas logo se recompôs.
-Só estava a perguntar… - defendeu-se a mulher, não dando muita importância às suas palavras. Algo estava errado em sua majestade.
Porque as aparências enganavam, sem dúvida. Ela pensava que conhecia a Rainha. Uma mulher bela, feliz ao pé dos outros, extremamente educada para a alta sociedade. Uma perfeita senhora que educara os seus filhos com rigidez. O mais velho para que um dia fosse um perfeito rei. A mais nova para que fosse uma senhora tal como a mãe. Jovens que se mostraram ingratos pelo esforço da mãe em educá-los, quando Small Lady poderia nem tê-los, tal como fora um dia a sua vontade. Mas era necessário, pelo menos, uma menina para apoderar-se do Cristal Prateado, passado de geração em geração através das mulheres da família e do trono de Crystal Tokyo.
As aparências enganavam. Ela achava que conhecia Small Lady e todos julgavam que conheciam a Ela, amiga da Rainha. Mas poucos conheciam aquela frieza nos olhos da Rainha quando falava para Ela. Poucos sabiam que a Rainha aparentava detestar os filhos e apreciar a companhia Dela, quando o caso não podia ser mais invertido do que já era.
Espero por ti em cada segundo , porque tu és o meu mundo!

Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
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Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
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**
-Como é que isso aconteceu? – Perguntou Kenji, um pouco atrapalhado. – Despacha-te que tenho aula em dois minutos. – Acrescentou, afastando-se das multidões que percorriam os corredores da faculdade, com a mala numa mão e o telemóvel na outra, encostado à orelha.
-Honestamente, nem eu sei. Eu não moro com elas. – Disse Eiji, do outro lado da linha. – Esta rivalidade já existia quando a Linda veio para a escola, mas agora piorou. Tudo o que tem acontecido nas últimas semanas assusta-me, Kenji. A Linda nem faz nada.
Kenji ergueu o sobrolho. Aquilo não parecia atitude de Linda.
-De certeza que, até o dia de hoje, nada de estranho aconteceu a essa rapariga que me falas, Mali…
-Mari. – Corrigiu Eiji, a voz traindo algum divertimento.
-Ok, Mari, de certeza que nada de estranho lhe aconteceu? Em casa, na escola…?
Do outro lado, foi a vez de Eiji em erguer o sobrolho, ao mesmo tempo que apoiava o telemóvel no ombro. Tentava realizar a proeza de se limpar com papel humedecido, enquanto falava ao telemóvel. À sua volta, muitos faziam o mesmo.
-Bem… só as coisas do costume. A Mari a falhar as suas experiências, a Mari a levar castigos por não fazer os trabalhos de casa, a Mari a chegar às aulas de inglês com os sapatos cheios de poeira quando a professora assim o detesta, a Mari a chegar atrasada às aulas nas segundas…
-Faz diferença? – Interrompeu Kenji.
-Sim. É nessa altura que a avó de Mari sai de casa cedo para ir ao bingo. Sai na mesma altura em que elas acordam e volta na hora do almoço.
Kenji sorriu. Tinha quase a certeza que Linda tinha qualquer coisa a ver com estes pequenos azares que Mari passava. A melhor parte era que ninguém poderia alguma vez desconfiar dela.
-Ela culpa a Linda. – Disse Eiji, quebrando os pensamentos de Kenji. Este abafou uma gargalhada.
-Foi assim que tudo começou?
-hum hum. – Foi a resposta do seu companheiro, ocupado a tirar pedaços de arroz do cabelo. – Ela virou-se para a Linda dizendo que ela era a culpada de tudo o que lhe estava a acontecer.
-Parece-me que essa Mari gosta de armar espectáculo. – Comentou Kenji, fazendo uma careta.
Eiji assentiu mas quando se lembrou que Kenji não o podia ver, disse:
-Sim. Principalmente para desacreditar a Linda. Acredita, todos viraram-se contra ela em menos de três segundos.
Kenji queria perguntar a Eiji se este ficara do lado de Linda, mas absteve-se ao ouvir o outro a praguejar.
-O que foi? – Perguntou, curioso.
-Isto é nojento! Tenho maionese a escorrer-me para os sovacos. O uniforme está todo sujo.
Kenji não pôde controlar-se mais. A sua gargalhada chamou a atenção de muitos outros que passavam, nomeadamente Setsu, que se aproximou do outro. Kenji fez-lhe um sinal de que explicaria tudo depois. Eiji insultou Kenji e este sentiu-se na obrigação em dizer algo. Infelizmente, não ajudou a apaziguar o humor de Eiji.
-É o que acontece quando alguém se mete com um membro da minha família. Leva com comida na cara!
**
-Uma luta de comida? – Perguntou Aiko, perplexa.
-Sim, e estas duas são as responsáveis. – Confirmou a directora, apontando para as suas raparigas sentadas frente a sua secretária. Ambas fitavam o chão como se fosse a coisa mais interessante à face da Terra, os rostos corados e cheios de comida. Pedaços de esparguete caíam pelos cabelos loiros de Mari, chegando até a serem confundidos. Pedaços de gelatina adornavam o cabelo de Linda, cujos óculos estavam encerrados no seu punho esquerdo, tendo que se controlar para não os partir.
-Não é a primeira vez que este tipo de comportamentos se sucede. E presumo que vocês tenham uma ideia do castigo que irão levar. Honestamente, esperava melhor de vocês as duas. – A directora dobrou olhar em Linda. – Porque é que a Menina Tsukino está metida nisto?
Foi ela que começou, pensou Linda teimosamente. Estava ela na sua vidinha, a almoçar na sala quando Mari aparece e reclama de ela estar ali. Seguiu-se uma discussão que começava já a ser rotina e depois… Linda não soube como de altos berros e insultos se passou para toda a turma atirar comida uns aos outros, mas presumiu que Mari tivesse sido a primeira. Porque ela não fora, de certeza.
Ironicamente, a outra pensava o mesmo. Ela sabia que Linda andava a adulterar o seu despertador. Como ela abria a porta do quarto dela – que Mari sempre trancava quando lá não estava – ela não sabia. Sabia que ela fazia de propósito quando Aiko perguntava se alguém a ajudava e ela erguia-se para o fazer. Sabia que fora ela que mexera na sua experiência de laboratório. Era suposto o sulfato de cobre penta-hidratado cristalizar, mas tudo o que ela vira fora mísero pó. Só podia ter sido ela! Afinal, não tinha Mari sugerido que as raparigas roubassem as roupas de Linda enquanto esta tomava banho depois da aula de Educação Física e deixá-las à solta pelo pavilhão? Linda chegara atrasada à aula de química, mas de cabeça erguida. No dia seguinte, a sua experiência estava completamente mal. Pouquíssimo rendimento, fraca cristalização, Mari ouviu um sermão do seu maluco professor durante uns bons dez minutos. Para não falar de ter tido uma fraca nota naquele trabalho.
Daí que se passara quando vira Linda sentada a comer na sala, ao invés de estar no seu cantinho lá fora, como era costume. Da discussão para a comida, ela não sabia como aquilo sucedera, mas Linda tinha que ser a primeira a começar. Porque ela não fora, de certeza.
-Eu ainda não acredito. – Disse Aiko, olhando para as duas severamente. Ambas se encolheram nos seus lugares. – Nunca julguei que fossem tão infantis! Lamento Linda, mas vou ter que avisar a tua avó!
Linda tentou fingir que a notícia não a incomodava, mas duas únicas micro-expressões foram visíveis para Aiko, que abanou a cabeça, exasperada.
-Esperava melhor comportamento vindo das duas. – Disse a Directora, o tom de voz muito sério. – Como castigo, terão que limpar os corredores até ao fim do mês, para não falar da sala que vocês sujaram.
A mulher fez uma pausa, olhando para Linda atentamente:
-Que isto não se repita. Já esperava isto da Menina Nakamura, mas a Menina Tsukino espantou-me. Julguei-a uma rapariga sossegada.
-E é. – Interrompeu Aiko, olhando as duas de cima. – E a minha neta consegue ser ajuizada. Mas parece que juntas, rompem relâmpagos.
A directora ergueu o sobrolho.
-Deveras? Então é esse o problema? Não gostam uma da outra?
Involuntariamente, as duas assentiram com as cabeças. Aiko fez um som um tanto dramático e a Directora abanou a cabeça.
-Vão ter que ultrapassar os vossos problemas. Não tolero maus comportamentos nesta escola e, se vocês têm desavenças, terão que as resolver de uma forma civilizada, entendido?
As duas adolescentes concordaram, nunca se sentindo tão pequenas na vida como na altura. Aiko suspirou pesadamente e só a Directora parecia satisfeita.
Infelizmente, nada mudara. E Aiko sabia que muita coisa iria ainda acontecer antes que as duas se entendessem.
**
Linda encostou-se à parede, observando a árvore onde ganhara o hábito de almoçar. Todos os dias encostava-se ao tronco, ouvindo música calmamente e comendo sem problemas. Mas, naquele dia, o céu estava muito cinzento, as nuvens tão cheias como uma bolsa de água prestes a estoira. E Linda achou prudente ficar na sala. E depois viera a discussão… e a luta…
-Hei! – Ouviu alguém chamá-la. Ao reconhecer a voz, avançou em direcção à árvore, ao mesmo tempo que salpicos de água caíam do céu.
-Linda, estás louca? Anda para aqui! – Chamou Eiji, preocupado. Linda controlou a vontade de revirar os olhos.
- Estou suja até à raiz dos cabelos. Literalmente. Deixa-me limpar-me.
-Ainda apanhas uma gripe.
-Como se isso me importasse…
Estava de costas para ele, de olhos fechados e sentindo a chuva. Infelizmente, não lhe sabia melhor. Um intenso sabor amargo ainda permanecia na sua boca. E não era devido ao seu almoço.
Ouviu passos e Eiji apareceu ao lado dela, segurando um guarda-chuva. Quis perguntar onde arranjara tal adereço, mas absteve-se. Acabou por se afastar dele.
-Não fujas de mim. Anda para aqui! – Disse ele, apontando para o guarda-chuva.
Levemente irritada, Linda virou-se para ele lentamente. Estava sem óculos e lentes, o que lhe garantia uma visão desfocada e levemente distorcida. Eiji calara-se e ela sentiu o olhar dele preso nela. Tal como no dia em que se conheceram.
Engolindo a própria saliva, Linda decidiu quebrar o silêncio:
-Poucas vezes vens aqui.
Ainda que não o pudesse ver, sabia que Eiji ficara surpreendido pela súbita quebra de ambiente.
-Ah?
-Paraste de vir aqui. Ficaste do lado deles, ao afastara-te de mim.
Ouviu a respiração dele, já estranhamente acelerada, ficar mais sonora.
-E...e?
-Ficaste do meu lado na luta.
Eiji não se mexia, mas Linda não quis parar.
-Começaste a luta antes mesmo que eu e a Mari pudéssemos levar as nossas discussões a um nível mais físico.
-O que te faz pensar que fui eu? – O tom defensivo na sua voz denunciava-o, o que fez Linda sorrir amigavelmente.
-Tu e a Cecília eram os únicos a tentarem separar-nos. A certa altura deixei de te ver e, no princípio, eras o único que se ria.
Eiji não respondeu, levando Linda a tomar o seu silêncio como uma confissão.
-Porquê? Porque te importas?
Eiji pareceu engasgar-se ao respondeu, avançando para ela muito devagar.
-Porque sou teu… amigo.
A última palavra soou muito estrangulada e Linda, que só se podia guiar pelos seus outros quatro sentidos, sentiu-se estranhamente pressionada. Ele estava muito perto e os olhos dele pareciam queimar a pele dela.
-Eiji? – Chamou-o lentamente, sentindo-se incomodada pelo silêncio dele. Lentamente, Linda deu um passo para trás. Ouviu a respiração dele mais acentuada e soube que ele estava embaraçado. Com o quê, ela não sabia.
-Sou teu amigo. – Disse, mais falando para si do que para ela. – E é isso que os amigos fazem uns aos outros.
A chuva abrandou um pouco e Linda pôde ver os contornos do rosto e dos ombros de Eiji a curvarem-se ligeiramente. O guarda-chuva baloiçava na mão esquerda dele, enquanto a direita desaparecia na cara dele. Linda ia perguntar-lhe o que se passava quando sentiu uma estranha comichão no nariz.
-Atchim! – Espirrou para o lado, o braço bloqueando a boca num gesto instintivo. Ouviu Eiji a aproximar-se dela e, de repente, a chuva parou de lhe cair na cabeça.
-Vais apanhar uma gripe. – Disse ele, num tom sério. – Põe os óculos, duvido que vejas o caminho de volta.
Linda bem que podia retorquir que conseguia ver perfeitamente por onde andava, visto estar num jardim com poucos obstáculos e com alguma luz diurna, mas decidiu não pressionar a preocupação do colega.
Já debaixo do parapeito da entrada das traseiras, Linda fitou Eiji, que fechava o guarda-chuva.
-Obrigada. – Disse ela, sinceramente. Eiji olhou para ela, confuso.
-Porquê?
-Primeiro, por me teres defendido na sala. Segundo… - ela respirou fundo antes de prosseguir. – Por seres meu amigo.
Eiji não respondeu, limitando-se a olhar para a jovem.
-De onde vim, fora o meu irmão, não tinha lá muita companhia. Nunca tive amigos. Verdadeiros amigos, quero eu dizer. Daí que tenha duvidado de ti e das tuas intenções desde o inicio.
O rapaz não soube o que responder. Parecia nunca ter-se dado com uma situação daquelas.
-Linda, eu…
Mas antes mesmo que ele pudesse formular alguma frase coerente, Linda abraçou-o, juntando o seu corpo frio e molhado pela chuva ao corpo sujo de comida e semi-seco de Eiji. Numa fracção de segundo, ele correspondeu o gesto, como se fosse algo automático. E aquela sensação nunca fora tão boa. Não que ela nunca tivesse sido abraçada. Longe disso. Apenas nunca tivera um abraço com aquele significado.
-Bem, é melhor irmos, não? – Disse Eiji, quebrando o momento um pouco a custo - Vai tocar e ainda levamos falta... outra vez. Falo por mim, mas a nossa professora de Inglês não gosta lá muito de mim e não quero mesmo voltar a pisar a linha.
-Sim. Tens razão. – Linda sorriu e afastou-se dele, pegando na sua mochila completamente cheia de comida no exterior e dirigiu-se para a sala. Eiji suspirou pesadamente, numa acção um tanto melancólica, antes de a seguir.
-Como é que isso aconteceu? – Perguntou Kenji, um pouco atrapalhado. – Despacha-te que tenho aula em dois minutos. – Acrescentou, afastando-se das multidões que percorriam os corredores da faculdade, com a mala numa mão e o telemóvel na outra, encostado à orelha.
-Honestamente, nem eu sei. Eu não moro com elas. – Disse Eiji, do outro lado da linha. – Esta rivalidade já existia quando a Linda veio para a escola, mas agora piorou. Tudo o que tem acontecido nas últimas semanas assusta-me, Kenji. A Linda nem faz nada.
Kenji ergueu o sobrolho. Aquilo não parecia atitude de Linda.
-De certeza que, até o dia de hoje, nada de estranho aconteceu a essa rapariga que me falas, Mali…
-Mari. – Corrigiu Eiji, a voz traindo algum divertimento.
-Ok, Mari, de certeza que nada de estranho lhe aconteceu? Em casa, na escola…?
Do outro lado, foi a vez de Eiji em erguer o sobrolho, ao mesmo tempo que apoiava o telemóvel no ombro. Tentava realizar a proeza de se limpar com papel humedecido, enquanto falava ao telemóvel. À sua volta, muitos faziam o mesmo.
-Bem… só as coisas do costume. A Mari a falhar as suas experiências, a Mari a levar castigos por não fazer os trabalhos de casa, a Mari a chegar às aulas de inglês com os sapatos cheios de poeira quando a professora assim o detesta, a Mari a chegar atrasada às aulas nas segundas…
-Faz diferença? – Interrompeu Kenji.
-Sim. É nessa altura que a avó de Mari sai de casa cedo para ir ao bingo. Sai na mesma altura em que elas acordam e volta na hora do almoço.
Kenji sorriu. Tinha quase a certeza que Linda tinha qualquer coisa a ver com estes pequenos azares que Mari passava. A melhor parte era que ninguém poderia alguma vez desconfiar dela.
-Ela culpa a Linda. – Disse Eiji, quebrando os pensamentos de Kenji. Este abafou uma gargalhada.
-Foi assim que tudo começou?
-hum hum. – Foi a resposta do seu companheiro, ocupado a tirar pedaços de arroz do cabelo. – Ela virou-se para a Linda dizendo que ela era a culpada de tudo o que lhe estava a acontecer.
-Parece-me que essa Mari gosta de armar espectáculo. – Comentou Kenji, fazendo uma careta.
Eiji assentiu mas quando se lembrou que Kenji não o podia ver, disse:
-Sim. Principalmente para desacreditar a Linda. Acredita, todos viraram-se contra ela em menos de três segundos.
Kenji queria perguntar a Eiji se este ficara do lado de Linda, mas absteve-se ao ouvir o outro a praguejar.
-O que foi? – Perguntou, curioso.
-Isto é nojento! Tenho maionese a escorrer-me para os sovacos. O uniforme está todo sujo.
Kenji não pôde controlar-se mais. A sua gargalhada chamou a atenção de muitos outros que passavam, nomeadamente Setsu, que se aproximou do outro. Kenji fez-lhe um sinal de que explicaria tudo depois. Eiji insultou Kenji e este sentiu-se na obrigação em dizer algo. Infelizmente, não ajudou a apaziguar o humor de Eiji.
-É o que acontece quando alguém se mete com um membro da minha família. Leva com comida na cara!
**
-Uma luta de comida? – Perguntou Aiko, perplexa.
-Sim, e estas duas são as responsáveis. – Confirmou a directora, apontando para as suas raparigas sentadas frente a sua secretária. Ambas fitavam o chão como se fosse a coisa mais interessante à face da Terra, os rostos corados e cheios de comida. Pedaços de esparguete caíam pelos cabelos loiros de Mari, chegando até a serem confundidos. Pedaços de gelatina adornavam o cabelo de Linda, cujos óculos estavam encerrados no seu punho esquerdo, tendo que se controlar para não os partir.
-Não é a primeira vez que este tipo de comportamentos se sucede. E presumo que vocês tenham uma ideia do castigo que irão levar. Honestamente, esperava melhor de vocês as duas. – A directora dobrou olhar em Linda. – Porque é que a Menina Tsukino está metida nisto?
Foi ela que começou, pensou Linda teimosamente. Estava ela na sua vidinha, a almoçar na sala quando Mari aparece e reclama de ela estar ali. Seguiu-se uma discussão que começava já a ser rotina e depois… Linda não soube como de altos berros e insultos se passou para toda a turma atirar comida uns aos outros, mas presumiu que Mari tivesse sido a primeira. Porque ela não fora, de certeza.
Ironicamente, a outra pensava o mesmo. Ela sabia que Linda andava a adulterar o seu despertador. Como ela abria a porta do quarto dela – que Mari sempre trancava quando lá não estava – ela não sabia. Sabia que ela fazia de propósito quando Aiko perguntava se alguém a ajudava e ela erguia-se para o fazer. Sabia que fora ela que mexera na sua experiência de laboratório. Era suposto o sulfato de cobre penta-hidratado cristalizar, mas tudo o que ela vira fora mísero pó. Só podia ter sido ela! Afinal, não tinha Mari sugerido que as raparigas roubassem as roupas de Linda enquanto esta tomava banho depois da aula de Educação Física e deixá-las à solta pelo pavilhão? Linda chegara atrasada à aula de química, mas de cabeça erguida. No dia seguinte, a sua experiência estava completamente mal. Pouquíssimo rendimento, fraca cristalização, Mari ouviu um sermão do seu maluco professor durante uns bons dez minutos. Para não falar de ter tido uma fraca nota naquele trabalho.
Daí que se passara quando vira Linda sentada a comer na sala, ao invés de estar no seu cantinho lá fora, como era costume. Da discussão para a comida, ela não sabia como aquilo sucedera, mas Linda tinha que ser a primeira a começar. Porque ela não fora, de certeza.
-Eu ainda não acredito. – Disse Aiko, olhando para as duas severamente. Ambas se encolheram nos seus lugares. – Nunca julguei que fossem tão infantis! Lamento Linda, mas vou ter que avisar a tua avó!
Linda tentou fingir que a notícia não a incomodava, mas duas únicas micro-expressões foram visíveis para Aiko, que abanou a cabeça, exasperada.
-Esperava melhor comportamento vindo das duas. – Disse a Directora, o tom de voz muito sério. – Como castigo, terão que limpar os corredores até ao fim do mês, para não falar da sala que vocês sujaram.
A mulher fez uma pausa, olhando para Linda atentamente:
-Que isto não se repita. Já esperava isto da Menina Nakamura, mas a Menina Tsukino espantou-me. Julguei-a uma rapariga sossegada.
-E é. – Interrompeu Aiko, olhando as duas de cima. – E a minha neta consegue ser ajuizada. Mas parece que juntas, rompem relâmpagos.
A directora ergueu o sobrolho.
-Deveras? Então é esse o problema? Não gostam uma da outra?
Involuntariamente, as duas assentiram com as cabeças. Aiko fez um som um tanto dramático e a Directora abanou a cabeça.
-Vão ter que ultrapassar os vossos problemas. Não tolero maus comportamentos nesta escola e, se vocês têm desavenças, terão que as resolver de uma forma civilizada, entendido?
As duas adolescentes concordaram, nunca se sentindo tão pequenas na vida como na altura. Aiko suspirou pesadamente e só a Directora parecia satisfeita.
Infelizmente, nada mudara. E Aiko sabia que muita coisa iria ainda acontecer antes que as duas se entendessem.
**
Linda encostou-se à parede, observando a árvore onde ganhara o hábito de almoçar. Todos os dias encostava-se ao tronco, ouvindo música calmamente e comendo sem problemas. Mas, naquele dia, o céu estava muito cinzento, as nuvens tão cheias como uma bolsa de água prestes a estoira. E Linda achou prudente ficar na sala. E depois viera a discussão… e a luta…
-Hei! – Ouviu alguém chamá-la. Ao reconhecer a voz, avançou em direcção à árvore, ao mesmo tempo que salpicos de água caíam do céu.
-Linda, estás louca? Anda para aqui! – Chamou Eiji, preocupado. Linda controlou a vontade de revirar os olhos.
- Estou suja até à raiz dos cabelos. Literalmente. Deixa-me limpar-me.
-Ainda apanhas uma gripe.
-Como se isso me importasse…
Estava de costas para ele, de olhos fechados e sentindo a chuva. Infelizmente, não lhe sabia melhor. Um intenso sabor amargo ainda permanecia na sua boca. E não era devido ao seu almoço.
Ouviu passos e Eiji apareceu ao lado dela, segurando um guarda-chuva. Quis perguntar onde arranjara tal adereço, mas absteve-se. Acabou por se afastar dele.
-Não fujas de mim. Anda para aqui! – Disse ele, apontando para o guarda-chuva.
Levemente irritada, Linda virou-se para ele lentamente. Estava sem óculos e lentes, o que lhe garantia uma visão desfocada e levemente distorcida. Eiji calara-se e ela sentiu o olhar dele preso nela. Tal como no dia em que se conheceram.
Engolindo a própria saliva, Linda decidiu quebrar o silêncio:
-Poucas vezes vens aqui.
Ainda que não o pudesse ver, sabia que Eiji ficara surpreendido pela súbita quebra de ambiente.
-Ah?
-Paraste de vir aqui. Ficaste do lado deles, ao afastara-te de mim.
Ouviu a respiração dele, já estranhamente acelerada, ficar mais sonora.
-E...e?
-Ficaste do meu lado na luta.
Eiji não se mexia, mas Linda não quis parar.
-Começaste a luta antes mesmo que eu e a Mari pudéssemos levar as nossas discussões a um nível mais físico.
-O que te faz pensar que fui eu? – O tom defensivo na sua voz denunciava-o, o que fez Linda sorrir amigavelmente.
-Tu e a Cecília eram os únicos a tentarem separar-nos. A certa altura deixei de te ver e, no princípio, eras o único que se ria.
Eiji não respondeu, levando Linda a tomar o seu silêncio como uma confissão.
-Porquê? Porque te importas?
Eiji pareceu engasgar-se ao respondeu, avançando para ela muito devagar.
-Porque sou teu… amigo.
A última palavra soou muito estrangulada e Linda, que só se podia guiar pelos seus outros quatro sentidos, sentiu-se estranhamente pressionada. Ele estava muito perto e os olhos dele pareciam queimar a pele dela.
-Eiji? – Chamou-o lentamente, sentindo-se incomodada pelo silêncio dele. Lentamente, Linda deu um passo para trás. Ouviu a respiração dele mais acentuada e soube que ele estava embaraçado. Com o quê, ela não sabia.
-Sou teu amigo. – Disse, mais falando para si do que para ela. – E é isso que os amigos fazem uns aos outros.
A chuva abrandou um pouco e Linda pôde ver os contornos do rosto e dos ombros de Eiji a curvarem-se ligeiramente. O guarda-chuva baloiçava na mão esquerda dele, enquanto a direita desaparecia na cara dele. Linda ia perguntar-lhe o que se passava quando sentiu uma estranha comichão no nariz.
-Atchim! – Espirrou para o lado, o braço bloqueando a boca num gesto instintivo. Ouviu Eiji a aproximar-se dela e, de repente, a chuva parou de lhe cair na cabeça.
-Vais apanhar uma gripe. – Disse ele, num tom sério. – Põe os óculos, duvido que vejas o caminho de volta.
Linda bem que podia retorquir que conseguia ver perfeitamente por onde andava, visto estar num jardim com poucos obstáculos e com alguma luz diurna, mas decidiu não pressionar a preocupação do colega.
Já debaixo do parapeito da entrada das traseiras, Linda fitou Eiji, que fechava o guarda-chuva.
-Obrigada. – Disse ela, sinceramente. Eiji olhou para ela, confuso.
-Porquê?
-Primeiro, por me teres defendido na sala. Segundo… - ela respirou fundo antes de prosseguir. – Por seres meu amigo.
Eiji não respondeu, limitando-se a olhar para a jovem.
-De onde vim, fora o meu irmão, não tinha lá muita companhia. Nunca tive amigos. Verdadeiros amigos, quero eu dizer. Daí que tenha duvidado de ti e das tuas intenções desde o inicio.
O rapaz não soube o que responder. Parecia nunca ter-se dado com uma situação daquelas.
-Linda, eu…
Mas antes mesmo que ele pudesse formular alguma frase coerente, Linda abraçou-o, juntando o seu corpo frio e molhado pela chuva ao corpo sujo de comida e semi-seco de Eiji. Numa fracção de segundo, ele correspondeu o gesto, como se fosse algo automático. E aquela sensação nunca fora tão boa. Não que ela nunca tivesse sido abraçada. Longe disso. Apenas nunca tivera um abraço com aquele significado.
-Bem, é melhor irmos, não? – Disse Eiji, quebrando o momento um pouco a custo - Vai tocar e ainda levamos falta... outra vez. Falo por mim, mas a nossa professora de Inglês não gosta lá muito de mim e não quero mesmo voltar a pisar a linha.
-Sim. Tens razão. – Linda sorriu e afastou-se dele, pegando na sua mochila completamente cheia de comida no exterior e dirigiu-se para a sala. Eiji suspirou pesadamente, numa acção um tanto melancólica, antes de a seguir.
Espero por ti em cada segundo , porque tu és o meu mundo!

Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
Visitem a minha 1ª Fic ----->The Four elements

Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
Visitem a minha 1ª Fic ----->The Four elements
**
A professora lançou-lhes um olhar penetrante quando entraram na sala após todos os alunos já estarem sentados. Por todo o lado viam-se cabelos sujos e roupas badalhocas. Muitas pessoas olharam para Linda quando esta entrara, pouco escondendo a raiva. Linda, como qualquer princesa bem treinada, ignorou esses olhares e dirigiu-se para a sua secretária. Apesar de molhada, era a que estava mais limpa de toda a turma. Melhor que ela só a professora, que estava limpa, seca e raivosa. Linda já a analisara o suficiente para saber que a mulher devia estar num dos seus dias difíceis.
-Antes de começarmos a aula, devo dizer que, a mando da Directora a Menina Nakamura e a Menina Tsukino ficarão responsáveis pela limpeza da nossa sala de aula, como também desta pelo dia de hoje. E devo dizer que esperava melhor comportamento vindo de vocês todos!
O seu ar furioso normalmente assustava qualquer um mas, após uma longa luta de comida que testara os limites emocionais de qualquer um, todos os alunos sentiam-se rebeldes o suficiente para retribuir o olhar raivoso e não se encolherem nas suas cadeiras, como era o hábito. Linda engoliu em seco ao se aperceber que tudo aquilo acontecera por causa dela. E lá se ia a ideia de não dar nas vistas.
**
Linda fez uma lista mental de inimigos que juntara desde que chegara o mundo real. No topo da lista, figurava Mari, o seu nome escrito em maiúsculas e provavelmente com alguns desenhinhos de espíritos malignos a embelezar o nome. A seguir, vinha a professora de Inglês e essa tinha a cara do Deus Shinigami [1] junto ao nome. Em seguida, toda a turma, com excepção de Cecília e Eiji. E agora temia que a funcionária do turno da tarde também a detestasse. Tudo porque no final da aula ficara a fazer as limpezas com Mari. As duas haviam voltado a discutir e o resultado fora em baldes de aula despejados na cara uma da outra. Antes que Linda pudesse sorrir vitoriosa ao ver Mari gritar ao se ver toda molhada, a funcionária surgira. Linda apressou-se a dizer que limparia tudo e a severa mulher ficou o resto do tempo na sala a observar as duas a trabalharem silenciosamente, esporadicamente lançando olhares de ódio uma à outra.
-Raios… – Mari deixou escapar por detrás de Linda. Estavam as duas completamente encharcadas e as roupas em completo declínio, para não falar dos cabelos. – É tudo culpa tua!
Linda parou e virou-se para a loira.
-Minha? Tu é que começaste!
-A luta? As sabotagens? Isso foi tudo obra tua! – Acusou a outra, também ela parando. Estavam agora junto a um parque e, ao longe, podia-se ver o sol a desaparecer no horizonte, os seus raios solares incidindo nas paredes cristalinas do palácio de Crystal Tokyo, criando um lindíssimo espectáculo de luz invisível para as duas raparigas.
-E já paraste para pensar em como tudo isto começa? E que tal no dia em que nos conhecemos? Quando exigiste a verdade de uma estranha que tu nem conheces?
-Tens noção de que, quanto mais o tempo passa, mais me apercebo que não posso confiar em ti? – Disse Mari, a voz tão azeda como um limão. Linda não mexeu nem um músculo.
-Tenho. E digo-te já que também me dás a mesma ideia.
Mari cruzou os braços, em tom de desafio.
-Isto não vai funcionar connosco as duas a viver na mesma casa.
-Eu até saía, mas a tua avó e a minha me impediriam.
-E porque não voltas para a tua casa?
Mari ergueu o sobrolho ao ver que a pergunta (talvez a mais inocente delas todas) provocara finalmente efeito em Linda. Os dedos da mão dela tremeram ligeiramente e a rapariga fechara as pálpebras várias vezes, sinal de nervosismo.
Seguiu-se um pesado silêncio, quebrado pelo som cortante de um grito feminino.
Linda e Mari olharam na direcção do grito, para além do parque. Ao longe viram uma rapariga morena sendo agarrada por uma espécie de monstro verde e que possuía tentáculos, como os de um polvo, que, ao roçarem na cara da rapariga, largavam musgo verde na zona. Linda ficou pálida. Era um monstro semelhante a aquele que enfrentara semanas antes. Sem hesitar, correu para dentro do parque, vendo a criatura, através dos seus tentáculos, sugar a energia da rapariga desmaiada, vital para ele se fortalecer. Luzes fracas, mas também fortes, emitiam naqueles braços nojentos. Quando acabou, largou a rapariga, que caiu no chão como um peso morto. Atrás de uma árvore estava um rapaz apavorado, provavelmente seu namorado. Tremia como varas finas e fazia um ruidoso som rugir os dentes. Linda não sabia o que se passava com ela, impossibilitada de se mexer ou de tomar qualquer acção. O monstro não era o mesmo, mas era como se tivesse voltado semanas atrás a aquela batalha tão estranha em que a única coisa que a salvara fora uma injecção divina de adrenalina, que lhe permitira salvar a sua vida e a do seu companheiro. Agora ali, parecia tudo novo outra vez.
Rodando o pescoço uns centímetros para os lados, soube que só estava ela e o rapaz no parque. Mari tinha desaparecido. O monstro havia-se apercebido da presença de mais duas pessoas e, sem hesitar, virara-se para o rapaz, pondo-o inconsciente em poucos segundos. Todavia, Linda nada fez. Porque a sua atenção ficara no que sucedera mesmo à sua frente.
A figura baixa surgiu, o seu rosto sinistro exibindo um sorriso triunfante. Ignorando a presença de Linda, dirigiu-se para a rapariga e, tocando no peito dela, fez surgir fios verdes brilhantes como fibras ópticas. Assombrada, Linda viu os fios emitirem sons. Sons de criança a rir, a falar, a gritar, a correr, sons da natureza, da cidade, até mesmo os mais desagradáveis. Depois viu leves imagens de passeios na praia, no campo, na cidade, nos templos, com a família e os amigos, com o namorado.
A alma da rapariga estava a ser sugada sem dó nem piedade.
Sentindo-se inútil e forçando o seu cérebro a tomar uma acção, pegou no pingente e não perdeu tempo:
-Pelo poder que me confere, chamo a Guardiã dos Sonhos! – Gritou, enquanto estendia o pingente à sua frente. Luzes iluminaram-na e segundos mais tarde, ela era de novo Sailor Dream.
O homem fitou-a por uns segundos, mas a sua expressão de raiva não impediu Linda de atacar:
-Silver Star Dream – gritou, lançando estrelas prateadas saídas das suas próprias mãos enluvadas. Ainda que tivesse travado o ataque, algo dentro da navegante disse-lhe que já era tarde de mais. Talvez fosse devido ao facto de algo ter saído dentro da rapariga. Algo mais forte e luminoso que os fios. Uma luz verde iluminava uma pequena figura do tamanho de um livro e com uma forma semelhante a uma flor. Uma flor magnífica que irradiava extremo poder.
-É tarde demais, rapariga. E em breve, também sofrerás o mesmo.
-Quem és tu? O que queres com essa rapariga? – Perguntou Linda, a receio, os olhos não saindo de cima da flor.
A figura deu uma alta gargalhada.
-O que eu quero não está aqui. Já vi que tu não me darás a resposta, mas eu encontrá-lo-ei. Agora, isto. – Os seus olhos pequenos fitaram a lindíssima flor. – Não é para mim. É para alguém muito poderoso e um dia te curvarás aos seus pés.
Um rugido desviou a atenção de Linda da flor. O monstro estava ao lado do homem, olhando-a com aqueles olhos vermelho vivo. Lançou os seus tentáculos a ela, obrigando-a a desviar-se. E depois, o som de um raspão, como o encontro de um chicote com algo semi-duro.
Linda olhou para a criatura. Algo acontecera. Pequenas estrelas brancas e pretas cortaram os tentáculos do monstro, impedindo estes a atacarem. Ao ouvir um som vindo de cima, viu duas sombras surgirem vindas dos ramos superiores de uma árvore. Eram sem dúvida navegantes, mas não lhes conseguia ver a cara.
Estas não se mostraram muito preocupadas com esse facto:
-Faz alguma coisa, navegante. Isto é… se és uma navegante. – Exigiu uma delas, uma loira de rabo-de-cavalo comprido, com uma arrogância peculiar. De súbito as duas navegantes saltaram da árvore e surgiram mesmo em frente de Sailor Dream.
O homem, ao ver as três navegantes frente a ele, não disfarçou a gargalhada maquiavélica.
-Se pensam que irão conseguir impedir os planos da minha Senhora, esqueçam. Vocês não têm poder.
-Aí é que te enganas – Disse uma navegante de rabo-de-cavalo, que correu para a figura baixa, disposta a combater. Este desapareceu tão rápido como a luz, aparecendo a uns metros de distância. Os seus olhos encontraram a Flor ao mesmo tempo que os de Linda. Esta, instintivamente, correu para junto da rapariga, mas o monstro, recuperado do ataque, veio contra ela, desviando-a do seu objectivo. A outra navegante, uma morena, atacou o monstro, dando hipótese a Linda de continuar a sua busca por aquela flor. Viu a navegante de rabo-de-cavalo a tentar impedir o homem de se aproximar da rapariga, mas este nem parecia considerar aquilo um desafio.
-Que tontas. – O homem sorria como se tirasse algum prazer naquela situação macabra. - Infelizmente não tenho tempo para brincadeiras. – A figura baixa virou-se para o monstro e disparou um raio rosa para a criatura. O monstro soltou um grito agonizante, que foi a distracção perfeita para a figura sugar a Flor vinda do corpo da rapariga. Virou-se para as navegantes, que se recuperaram do grito do monstro, que lhes provocara surdez temporária.
-Desistam. Jamais conseguirão me vencer. Até breve navegantes. – E, olhando uma ultima vez para a Guardiã dos Sonhos, concluiu – Que a próxima vez seja a última.
E desapareceu.
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[1] Deus da Morte na Mitologia Japonesa. Já foi mencionado em vários manga e anime.
A professora lançou-lhes um olhar penetrante quando entraram na sala após todos os alunos já estarem sentados. Por todo o lado viam-se cabelos sujos e roupas badalhocas. Muitas pessoas olharam para Linda quando esta entrara, pouco escondendo a raiva. Linda, como qualquer princesa bem treinada, ignorou esses olhares e dirigiu-se para a sua secretária. Apesar de molhada, era a que estava mais limpa de toda a turma. Melhor que ela só a professora, que estava limpa, seca e raivosa. Linda já a analisara o suficiente para saber que a mulher devia estar num dos seus dias difíceis.
-Antes de começarmos a aula, devo dizer que, a mando da Directora a Menina Nakamura e a Menina Tsukino ficarão responsáveis pela limpeza da nossa sala de aula, como também desta pelo dia de hoje. E devo dizer que esperava melhor comportamento vindo de vocês todos!
O seu ar furioso normalmente assustava qualquer um mas, após uma longa luta de comida que testara os limites emocionais de qualquer um, todos os alunos sentiam-se rebeldes o suficiente para retribuir o olhar raivoso e não se encolherem nas suas cadeiras, como era o hábito. Linda engoliu em seco ao se aperceber que tudo aquilo acontecera por causa dela. E lá se ia a ideia de não dar nas vistas.
**
Linda fez uma lista mental de inimigos que juntara desde que chegara o mundo real. No topo da lista, figurava Mari, o seu nome escrito em maiúsculas e provavelmente com alguns desenhinhos de espíritos malignos a embelezar o nome. A seguir, vinha a professora de Inglês e essa tinha a cara do Deus Shinigami [1] junto ao nome. Em seguida, toda a turma, com excepção de Cecília e Eiji. E agora temia que a funcionária do turno da tarde também a detestasse. Tudo porque no final da aula ficara a fazer as limpezas com Mari. As duas haviam voltado a discutir e o resultado fora em baldes de aula despejados na cara uma da outra. Antes que Linda pudesse sorrir vitoriosa ao ver Mari gritar ao se ver toda molhada, a funcionária surgira. Linda apressou-se a dizer que limparia tudo e a severa mulher ficou o resto do tempo na sala a observar as duas a trabalharem silenciosamente, esporadicamente lançando olhares de ódio uma à outra.
-Raios… – Mari deixou escapar por detrás de Linda. Estavam as duas completamente encharcadas e as roupas em completo declínio, para não falar dos cabelos. – É tudo culpa tua!
Linda parou e virou-se para a loira.
-Minha? Tu é que começaste!
-A luta? As sabotagens? Isso foi tudo obra tua! – Acusou a outra, também ela parando. Estavam agora junto a um parque e, ao longe, podia-se ver o sol a desaparecer no horizonte, os seus raios solares incidindo nas paredes cristalinas do palácio de Crystal Tokyo, criando um lindíssimo espectáculo de luz invisível para as duas raparigas.
-E já paraste para pensar em como tudo isto começa? E que tal no dia em que nos conhecemos? Quando exigiste a verdade de uma estranha que tu nem conheces?
-Tens noção de que, quanto mais o tempo passa, mais me apercebo que não posso confiar em ti? – Disse Mari, a voz tão azeda como um limão. Linda não mexeu nem um músculo.
-Tenho. E digo-te já que também me dás a mesma ideia.
Mari cruzou os braços, em tom de desafio.
-Isto não vai funcionar connosco as duas a viver na mesma casa.
-Eu até saía, mas a tua avó e a minha me impediriam.
-E porque não voltas para a tua casa?
Mari ergueu o sobrolho ao ver que a pergunta (talvez a mais inocente delas todas) provocara finalmente efeito em Linda. Os dedos da mão dela tremeram ligeiramente e a rapariga fechara as pálpebras várias vezes, sinal de nervosismo.
Seguiu-se um pesado silêncio, quebrado pelo som cortante de um grito feminino.
Linda e Mari olharam na direcção do grito, para além do parque. Ao longe viram uma rapariga morena sendo agarrada por uma espécie de monstro verde e que possuía tentáculos, como os de um polvo, que, ao roçarem na cara da rapariga, largavam musgo verde na zona. Linda ficou pálida. Era um monstro semelhante a aquele que enfrentara semanas antes. Sem hesitar, correu para dentro do parque, vendo a criatura, através dos seus tentáculos, sugar a energia da rapariga desmaiada, vital para ele se fortalecer. Luzes fracas, mas também fortes, emitiam naqueles braços nojentos. Quando acabou, largou a rapariga, que caiu no chão como um peso morto. Atrás de uma árvore estava um rapaz apavorado, provavelmente seu namorado. Tremia como varas finas e fazia um ruidoso som rugir os dentes. Linda não sabia o que se passava com ela, impossibilitada de se mexer ou de tomar qualquer acção. O monstro não era o mesmo, mas era como se tivesse voltado semanas atrás a aquela batalha tão estranha em que a única coisa que a salvara fora uma injecção divina de adrenalina, que lhe permitira salvar a sua vida e a do seu companheiro. Agora ali, parecia tudo novo outra vez.
Rodando o pescoço uns centímetros para os lados, soube que só estava ela e o rapaz no parque. Mari tinha desaparecido. O monstro havia-se apercebido da presença de mais duas pessoas e, sem hesitar, virara-se para o rapaz, pondo-o inconsciente em poucos segundos. Todavia, Linda nada fez. Porque a sua atenção ficara no que sucedera mesmo à sua frente.
A figura baixa surgiu, o seu rosto sinistro exibindo um sorriso triunfante. Ignorando a presença de Linda, dirigiu-se para a rapariga e, tocando no peito dela, fez surgir fios verdes brilhantes como fibras ópticas. Assombrada, Linda viu os fios emitirem sons. Sons de criança a rir, a falar, a gritar, a correr, sons da natureza, da cidade, até mesmo os mais desagradáveis. Depois viu leves imagens de passeios na praia, no campo, na cidade, nos templos, com a família e os amigos, com o namorado.
A alma da rapariga estava a ser sugada sem dó nem piedade.
Sentindo-se inútil e forçando o seu cérebro a tomar uma acção, pegou no pingente e não perdeu tempo:
-Pelo poder que me confere, chamo a Guardiã dos Sonhos! – Gritou, enquanto estendia o pingente à sua frente. Luzes iluminaram-na e segundos mais tarde, ela era de novo Sailor Dream.
O homem fitou-a por uns segundos, mas a sua expressão de raiva não impediu Linda de atacar:
-Silver Star Dream – gritou, lançando estrelas prateadas saídas das suas próprias mãos enluvadas. Ainda que tivesse travado o ataque, algo dentro da navegante disse-lhe que já era tarde de mais. Talvez fosse devido ao facto de algo ter saído dentro da rapariga. Algo mais forte e luminoso que os fios. Uma luz verde iluminava uma pequena figura do tamanho de um livro e com uma forma semelhante a uma flor. Uma flor magnífica que irradiava extremo poder.
-É tarde demais, rapariga. E em breve, também sofrerás o mesmo.
-Quem és tu? O que queres com essa rapariga? – Perguntou Linda, a receio, os olhos não saindo de cima da flor.
A figura deu uma alta gargalhada.
-O que eu quero não está aqui. Já vi que tu não me darás a resposta, mas eu encontrá-lo-ei. Agora, isto. – Os seus olhos pequenos fitaram a lindíssima flor. – Não é para mim. É para alguém muito poderoso e um dia te curvarás aos seus pés.
Um rugido desviou a atenção de Linda da flor. O monstro estava ao lado do homem, olhando-a com aqueles olhos vermelho vivo. Lançou os seus tentáculos a ela, obrigando-a a desviar-se. E depois, o som de um raspão, como o encontro de um chicote com algo semi-duro.
Linda olhou para a criatura. Algo acontecera. Pequenas estrelas brancas e pretas cortaram os tentáculos do monstro, impedindo estes a atacarem. Ao ouvir um som vindo de cima, viu duas sombras surgirem vindas dos ramos superiores de uma árvore. Eram sem dúvida navegantes, mas não lhes conseguia ver a cara.
Estas não se mostraram muito preocupadas com esse facto:
-Faz alguma coisa, navegante. Isto é… se és uma navegante. – Exigiu uma delas, uma loira de rabo-de-cavalo comprido, com uma arrogância peculiar. De súbito as duas navegantes saltaram da árvore e surgiram mesmo em frente de Sailor Dream.
O homem, ao ver as três navegantes frente a ele, não disfarçou a gargalhada maquiavélica.
-Se pensam que irão conseguir impedir os planos da minha Senhora, esqueçam. Vocês não têm poder.
-Aí é que te enganas – Disse uma navegante de rabo-de-cavalo, que correu para a figura baixa, disposta a combater. Este desapareceu tão rápido como a luz, aparecendo a uns metros de distância. Os seus olhos encontraram a Flor ao mesmo tempo que os de Linda. Esta, instintivamente, correu para junto da rapariga, mas o monstro, recuperado do ataque, veio contra ela, desviando-a do seu objectivo. A outra navegante, uma morena, atacou o monstro, dando hipótese a Linda de continuar a sua busca por aquela flor. Viu a navegante de rabo-de-cavalo a tentar impedir o homem de se aproximar da rapariga, mas este nem parecia considerar aquilo um desafio.
-Que tontas. – O homem sorria como se tirasse algum prazer naquela situação macabra. - Infelizmente não tenho tempo para brincadeiras. – A figura baixa virou-se para o monstro e disparou um raio rosa para a criatura. O monstro soltou um grito agonizante, que foi a distracção perfeita para a figura sugar a Flor vinda do corpo da rapariga. Virou-se para as navegantes, que se recuperaram do grito do monstro, que lhes provocara surdez temporária.
-Desistam. Jamais conseguirão me vencer. Até breve navegantes. – E, olhando uma ultima vez para a Guardiã dos Sonhos, concluiu – Que a próxima vez seja a última.
E desapareceu.
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[1] Deus da Morte na Mitologia Japonesa. Já foi mencionado em vários manga e anime.
Espero por ti em cada segundo , porque tu és o meu mundo!

Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
Visitem a minha 1ª Fic ----->The Four elements

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Lena_Dias escreveu:algo me cheira que a mari e a cecilia é que sao a sailor faith e a sailor harmony.
e o rapaz do raio rosa...hum...Eiji...
e se n for o Eiji é qm vai ficar com a sailor dream
este cap. foi liiiindo e grande, tu melhorast mt e esta historia é linda msm
continua com mt força qerida!
Obrigada Lena, mas como já se passou muito tempo, já te deves ter esquecido que a figura baixa é um homem gordinho... não sei se referi que o Eiji é alto (e gordo ele não é xDD) já pra nao falar k é um adolescente.
Mas realmente era uma boa ideia ele ser dos mauzinhos

Este cap foi grandinho. Veio-me à cabeça e só parei quando acabei (e só perdi uma hora
). Mais uma vez obrigada pois tento sempre melhorar a minha escrita lendo outras fanfics e livros...
Espero por ti em cada segundo , porque tu és o meu mundo!

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AnA_Sant0s escreveu:Lena_Dias escreveu:algo me cheira que a mari e a cecilia é que sao a sailor faith e a sailor harmony.
e o rapaz do raio rosa...hum...Eiji...
e se n for o Eiji é qm vai ficar com a sailor dream
este cap. foi liiiindo e grande, tu melhorast mt e esta historia é linda msm
continua com mt força qerida!
Obrigada Lena, mas como já se passou muito tempo, já te deves ter esquecido que a figura baixa é um homem gordinho... não sei se referi que o Eiji é alto (e gordo ele não é xDD) já pra nao falar k é um adolescente.
Mas realmente era uma boa ideia ele ser dos mauzinhos
Este cap foi grandinho. Veio-me à cabeça e só parei quando acabei (e só perdi uma hora). Mais uma vez obrigada pois tento sempre melhorar a minha escrita lendo outras fanfics e livros...
esqueci mesmo
eu adoro msm as tuas ideias xDD
tens futuro, vai sair daqui um livro

muito obrigada Sandra e Lena. Em relação às identidades das navegantes... hum não sei. Ainda não explorei muito estas navegantes. Só no proximo capitulo 
Para não haver duvidas, a figura baixa foi inspirada neste homem cujas historias e filmes são demais

(pra quem não sabe é Alfred Hitchcock)

Para não haver duvidas, a figura baixa foi inspirada neste homem cujas historias e filmes são demais

Spoiler

(pra quem não sabe é Alfred Hitchcock)
Espero por ti em cada segundo , porque tu és o meu mundo!

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AnA_Sant0s escreveu:muito obrigada Sandra e Lena. Em relação às identidades das navegantes... hum não sei. Ainda não explorei muito estas navegantes. Só no proximo capitulo
Para não haver duvidas, a figura baixa foi inspirada neste homem cujas historias e filmes são demaisSpoiler
(pra quem não sabe é Alfred Hitchcock)
sabes, esse homem faz-me lembrar o avô da rita xDD
se calhar é ele o gordinho parvo do raio rosa

yah o gordinho vai ser dos viloes
era xolas
(xolas sopostamente qer dizer fixe)Lena_Dias escreveu:AnA_Sant0s escreveu:muito obrigada Sandra e Lena. Em relação às identidades das navegantes... hum não sei. Ainda não explorei muito estas navegantes. Só no proximo capitulo
Para não haver duvidas, a figura baixa foi inspirada neste homem cujas historias e filmes são demaisSpoiler
(pra quem não sabe é Alfred Hitchcock)
sabes, esse homem faz-me lembrar o avô da rita xDD
se calhar é ele o gordinho parvo do raio rosa
yah o gordinho vai ser dos viloesera xolas
(xolas sopostamente qer dizer fixe)
Não foi piada mas teve a sua graça. Não digas isso do Homenzinho que ele não é parvo, apenas um servo

E acho que o avô da Rita não consegue viver até ao tempo em que a neta é avó!
xDD
Mas enfim, já tou a preparar novo capitulo

Espero por ti em cada segundo , porque tu és o meu mundo!

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