A Guardiã dos Sonhos
Olá =)
Aqui está novo capitulo.
Espero que gostem
(P.S: novo capitulo na minha outra fanfic na 2ª feira
)
reescrito a 24/03/2012
Capítulo 14. Um encontro Interessante
Linda soltou um fôlego de impotência ao ver a rapariga no chão, pálida e sem mostrar sinais de vida. Deu um passo em frente, pronta a ver o estado da rapariga, mas foi interrompida por alguém.
A navegante de rabo-de-cavalo fulminava-a com o olhar, ao mesmo tempo que parecia fazer uma espécie de exame à navegante dos sonhos.
-Quem és tu? – Perguntou, a voz tão ácida como um limão.
-Sailor Dream. – Respondeu Linda, tentando parecer firma aos olhos da outra navegante. Agora que lhe deitava um segundo olhar, via que ela tinha cabelo loiro muito comprido e muito liso, em contraste com os caracóis de Linda e que o seu uniforme era em tudo semelhante ao de Linda, com a diferença das cores negras que enfeitavam as faixas, a saia e a bola em forma de estrela prateada.
A outra navegante não pareceu reconhecer o nome, o que Linda já esperava. Todavia, o olhar raivoso da outra navegante ainda a inquietava. Parecia que tentava dissecar Linda com os olhos, camada por camada.
-Sou Sailor Faith. – Disse a outra navegante finalmente. Enquanto Sailor Faith impedia Linda de socorrer a jovem, a outra navegante – uma morena – ajoelhou-se perto da rapariga e verificou-lhe a pulsação.
-Ela está bem? – Perguntou Sailor Dream, aproximando-se da outra navegante.
-Sim. Tem pulsação normal, mas é melhor levá-la para o hospital. Precisa de cuidados médicos.
-O que era aquilo que saiu de dentro dela? – Perguntou Linda, sem conseguir evitar.
A navegante não respondeu. Linda teve a sensação que nem ela sabia.
Atrás das duas, Sailor Faith fez um barulho frustrado com a sola das botas.
-Aquele idiota, quem será ele?
Infelizmente, nem Linda podia responder a essa questão. Antes mesmo que abrisse a boca, a navegante virou-se para ela.
-Ele parecia conhecer-te! – Disse a outra, num familiar tom desconfiado.
Linda ergueu uma sobrancelha.
-Que queres dizer com isso?
O rosto da outra navegante contraiu-se.
-Sabes muito bem o que eu quero dizer. Ele parecia estar familiarizado contigo, para além da conversa estranha de tu não lhe dares o que ele quer.
-Não é a primeira vez que o encontro. – Admitiu Linda. A navegante morena olhou para ela curiosamente.
-O que é que ele quer? – Perguntou. Linda abanou a cabeça.
-Não faço ideia. Não sei quem ele é. – Mas ele sabe quem eu sou, pensou a jovem para os seus botões.
Faith soltou uma risota trocista.
-Então não nos dás grande ajuda.
-É melhor irmos. - disse a morena para Sailor Faith, impedindo Linda de responder. Esta assentiu e, num salto, desapareceu por entre os ramos das árvores. A rapariga levantou-se e, antes de seguir o mesmo caminho que a sua companheira, fitou Linda:
-Sou Sailor Harmony. E penso que haveremos de nos voltar a encontrar. Até lá, sayounara Sailor Dream.
Sailor Dream ficou imobilizada, sem saber o que fazer. Depois, recuperando do choque, correu para detrás de uma árvore e voltou ao seu estado original. O caos provocado pelo ataque tinha cessado e pessoas voltavam a entrar no parque, verificando se era seguro. Pegou no telemóvel e ligou para as Urgências. Todavia, sabia que não adiantava de nada. O quer que a figura baixa tenha tirado da rapariga, fora algo tão importante que a moça bem que podia ser dada como morta.
De alguma maneira, aquela rapariga perdera a alma.
**
-Que raiva! A forma como ele falou connosco! Como se fossemos amadoras…
-De nada adianta estares irritada - Sailor Harmony tocou na bola no centro do seu fato de guerreira navegante, transformando-se numa adolescente comum.
Pegou no auscultador da cabine telefónica que estava ao seu lado. Marcou três números. - Além disso, nós somos amadoras. - Parou, quando ouviu uma voz do outro lado -Está lá? É para informar que uma rapariga sentiu-se terrivelmente mal no parque. Sim, no centro de Tokyo. Por favor venham depressa! - Desligou, colocando o auscultador no sítio.
Sailor Faith soltou uma lufada de ar, terrivelmente frustrada. Reconhecendo o olhar reprovador da companheira, tocou na estrela que lhe servia para amarrar o cabelo e, no meio de brilhos cósmicos, transformou-se numa rapariga praticamente comum.
**
A oeste da Universidade de Tokyo num condomínio fechado, soou uma campainha.
Dentro do apartamento 33, apenas uma pessoa ouvira o toque. Berrou para alguém abrir a porta. À falta de resposta, concluiu que estava sozinho em casa e, a rogar pragas a torto e direito, saiu do chuveiro e atravessou o corredor até chegar à porta. Ouviu-se um segundo toque.
-Já vai, já vai - gritava o jovem, irritado. Apenas tivera tempo para enrolar uma toalha à sua cintura. Enquanto se deslocava até à porta, amaldiçoava o irmão e o companheiro de faculdade, principalmente o último que tinha tendência a ficar encerrado em casa e, das poucas vezes que saía, esquecer-se sempre das chaves.
- Voltaste-te a esquecer das chaves Chi… - Setsu quebrou a sua própria frase ao ver que não estava frente a frente com o amigo de faculdade, mas com a irmã deste - … ba?
Já a visitante nada disse, estando muito ocupada a admirar o rapaz em tronco nu que lhe abrira a porta. Linda já tinha visto homens sem camisa. Mas uma coisa era ver o irmão a vestir-se, outra era ver Setsu acabadinho de sair do duche. Tentou a todo o custo não se rir da situação, mas não conseguiu evitar olhar para os músculos do rapaz. Fortes e firmes. Pareciam músculos de actores dos anúncios para emagrecer. Da parte do “Depois” é claro.
-Ah… queres entrar? - Setsu não conseguiu deixar de abanar a cabeça em exasperação. E de controlar a gargalhada irónica que se esganava na garganta. Normalmente era sempre ele que via partes do corpo das raparigas sem roupa e nunca o contrário. Linda quebrou essa regra. Já era a segunda, a contar com o encontro explosivo.
-Obrigada, o Kenji está? – Linda entrou e descalçou os sapatos, calçando umas chinelas. Após Setsu fechar a porta e se ver sem casaco, Linda inspeccionou a divisão onde se encontrava.
No seu lado direito encontrava-se a cozinha, ligada à sala através de uma kitchnet. As bancas eram de mármore preto e a madeira da kitchnet de pinho. À sua frente encontrava-se dois sofás azuis. Encostada à parede, exibia-se uma grande televisão plasma com duas grandes colunas em cada lado, bem como um sistema bem sofisticado de som, ideal para ver filmes ou jogar. À frente dos sofás, encontrava-se uma mesa de vidro. Por cima figuravam-se algumas revistas que Linda reconheceu como sendo de carros, motas e (para certo embaraço de Linda) de pornografia. Não havia quadros nem tapetes e os sofás estavam cheios de roupa suja ou desarrumada e livros. Em qualquer canto da sala, escondia-se uma garrafa de saqué, cascas de banana, papeis, CD’s e até carregadores de telemóveis. Linda olhou para Setsu, mordendo o lábio.
-Porque me abriste a porta nessa figura? – Perguntou, curiosamente. Setsu encolheu os ombros, nada embaraçado em relação ao seu estado. Apenas uma toalha o impedia de mostrar a Linda como viera ao mundo.
-Achei que fosse o Ken. Ele está sempre a esquecer-se das chaves das poucas vezes que sai. Queres alguma coisa? – Perguntou, tentando ser cortês. Linda abanou a cabeça.
-Não quero nada. Apenas falar com o Kenji. Sabes onde ele e o Eiji estão?
-Devem ter saído. Sabes, aqueles dois estão sempre juntos. Começo a achar que estamos a ser renegados do nosso papel de irmãos.
Linda suspirou pesadamente. Não tinha mesmo resposta para o comentário de Setsu. Não quando o irmão dela era uma pessoa com duas faces da mesma moeda, mas também distintas. Umas vezes seria o irmão interessado, outras iria renega-la como Setsu agora dizia.
Ao olhar para o jovem, viu que este parecia pensativo.
-Incomoda-te? – Perguntou, devagar. Setsu olhou para ela, confuso.
-Incomodar o quê?
-Esse afastamento que tu falas.
O rapaz não respondeu, mas o brilho nos seus olhos castanhos fez Linda matutar.
Aqui está novo capitulo.
Espero que gostem
(P.S: novo capitulo na minha outra fanfic na 2ª feira
)reescrito a 24/03/2012
Capítulo 14. Um encontro Interessante
Linda soltou um fôlego de impotência ao ver a rapariga no chão, pálida e sem mostrar sinais de vida. Deu um passo em frente, pronta a ver o estado da rapariga, mas foi interrompida por alguém.
A navegante de rabo-de-cavalo fulminava-a com o olhar, ao mesmo tempo que parecia fazer uma espécie de exame à navegante dos sonhos.
-Quem és tu? – Perguntou, a voz tão ácida como um limão.
-Sailor Dream. – Respondeu Linda, tentando parecer firma aos olhos da outra navegante. Agora que lhe deitava um segundo olhar, via que ela tinha cabelo loiro muito comprido e muito liso, em contraste com os caracóis de Linda e que o seu uniforme era em tudo semelhante ao de Linda, com a diferença das cores negras que enfeitavam as faixas, a saia e a bola em forma de estrela prateada.
A outra navegante não pareceu reconhecer o nome, o que Linda já esperava. Todavia, o olhar raivoso da outra navegante ainda a inquietava. Parecia que tentava dissecar Linda com os olhos, camada por camada.
-Sou Sailor Faith. – Disse a outra navegante finalmente. Enquanto Sailor Faith impedia Linda de socorrer a jovem, a outra navegante – uma morena – ajoelhou-se perto da rapariga e verificou-lhe a pulsação.
-Ela está bem? – Perguntou Sailor Dream, aproximando-se da outra navegante.
-Sim. Tem pulsação normal, mas é melhor levá-la para o hospital. Precisa de cuidados médicos.
-O que era aquilo que saiu de dentro dela? – Perguntou Linda, sem conseguir evitar.
A navegante não respondeu. Linda teve a sensação que nem ela sabia.
Atrás das duas, Sailor Faith fez um barulho frustrado com a sola das botas.
-Aquele idiota, quem será ele?
Infelizmente, nem Linda podia responder a essa questão. Antes mesmo que abrisse a boca, a navegante virou-se para ela.
-Ele parecia conhecer-te! – Disse a outra, num familiar tom desconfiado.
Linda ergueu uma sobrancelha.
-Que queres dizer com isso?
O rosto da outra navegante contraiu-se.
-Sabes muito bem o que eu quero dizer. Ele parecia estar familiarizado contigo, para além da conversa estranha de tu não lhe dares o que ele quer.
-Não é a primeira vez que o encontro. – Admitiu Linda. A navegante morena olhou para ela curiosamente.
-O que é que ele quer? – Perguntou. Linda abanou a cabeça.
-Não faço ideia. Não sei quem ele é. – Mas ele sabe quem eu sou, pensou a jovem para os seus botões.
Faith soltou uma risota trocista.
-Então não nos dás grande ajuda.
-É melhor irmos. - disse a morena para Sailor Faith, impedindo Linda de responder. Esta assentiu e, num salto, desapareceu por entre os ramos das árvores. A rapariga levantou-se e, antes de seguir o mesmo caminho que a sua companheira, fitou Linda:
-Sou Sailor Harmony. E penso que haveremos de nos voltar a encontrar. Até lá, sayounara Sailor Dream.
Sailor Dream ficou imobilizada, sem saber o que fazer. Depois, recuperando do choque, correu para detrás de uma árvore e voltou ao seu estado original. O caos provocado pelo ataque tinha cessado e pessoas voltavam a entrar no parque, verificando se era seguro. Pegou no telemóvel e ligou para as Urgências. Todavia, sabia que não adiantava de nada. O quer que a figura baixa tenha tirado da rapariga, fora algo tão importante que a moça bem que podia ser dada como morta.
De alguma maneira, aquela rapariga perdera a alma.
**
-Que raiva! A forma como ele falou connosco! Como se fossemos amadoras…
-De nada adianta estares irritada - Sailor Harmony tocou na bola no centro do seu fato de guerreira navegante, transformando-se numa adolescente comum.
Pegou no auscultador da cabine telefónica que estava ao seu lado. Marcou três números. - Além disso, nós somos amadoras. - Parou, quando ouviu uma voz do outro lado -Está lá? É para informar que uma rapariga sentiu-se terrivelmente mal no parque. Sim, no centro de Tokyo. Por favor venham depressa! - Desligou, colocando o auscultador no sítio.
Sailor Faith soltou uma lufada de ar, terrivelmente frustrada. Reconhecendo o olhar reprovador da companheira, tocou na estrela que lhe servia para amarrar o cabelo e, no meio de brilhos cósmicos, transformou-se numa rapariga praticamente comum.
**
A oeste da Universidade de Tokyo num condomínio fechado, soou uma campainha.
Dentro do apartamento 33, apenas uma pessoa ouvira o toque. Berrou para alguém abrir a porta. À falta de resposta, concluiu que estava sozinho em casa e, a rogar pragas a torto e direito, saiu do chuveiro e atravessou o corredor até chegar à porta. Ouviu-se um segundo toque.
-Já vai, já vai - gritava o jovem, irritado. Apenas tivera tempo para enrolar uma toalha à sua cintura. Enquanto se deslocava até à porta, amaldiçoava o irmão e o companheiro de faculdade, principalmente o último que tinha tendência a ficar encerrado em casa e, das poucas vezes que saía, esquecer-se sempre das chaves.
- Voltaste-te a esquecer das chaves Chi… - Setsu quebrou a sua própria frase ao ver que não estava frente a frente com o amigo de faculdade, mas com a irmã deste - … ba?
Já a visitante nada disse, estando muito ocupada a admirar o rapaz em tronco nu que lhe abrira a porta. Linda já tinha visto homens sem camisa. Mas uma coisa era ver o irmão a vestir-se, outra era ver Setsu acabadinho de sair do duche. Tentou a todo o custo não se rir da situação, mas não conseguiu evitar olhar para os músculos do rapaz. Fortes e firmes. Pareciam músculos de actores dos anúncios para emagrecer. Da parte do “Depois” é claro.
-Ah… queres entrar? - Setsu não conseguiu deixar de abanar a cabeça em exasperação. E de controlar a gargalhada irónica que se esganava na garganta. Normalmente era sempre ele que via partes do corpo das raparigas sem roupa e nunca o contrário. Linda quebrou essa regra. Já era a segunda, a contar com o encontro explosivo.
-Obrigada, o Kenji está? – Linda entrou e descalçou os sapatos, calçando umas chinelas. Após Setsu fechar a porta e se ver sem casaco, Linda inspeccionou a divisão onde se encontrava.
No seu lado direito encontrava-se a cozinha, ligada à sala através de uma kitchnet. As bancas eram de mármore preto e a madeira da kitchnet de pinho. À sua frente encontrava-se dois sofás azuis. Encostada à parede, exibia-se uma grande televisão plasma com duas grandes colunas em cada lado, bem como um sistema bem sofisticado de som, ideal para ver filmes ou jogar. À frente dos sofás, encontrava-se uma mesa de vidro. Por cima figuravam-se algumas revistas que Linda reconheceu como sendo de carros, motas e (para certo embaraço de Linda) de pornografia. Não havia quadros nem tapetes e os sofás estavam cheios de roupa suja ou desarrumada e livros. Em qualquer canto da sala, escondia-se uma garrafa de saqué, cascas de banana, papeis, CD’s e até carregadores de telemóveis. Linda olhou para Setsu, mordendo o lábio.
-Porque me abriste a porta nessa figura? – Perguntou, curiosamente. Setsu encolheu os ombros, nada embaraçado em relação ao seu estado. Apenas uma toalha o impedia de mostrar a Linda como viera ao mundo.
-Achei que fosse o Ken. Ele está sempre a esquecer-se das chaves das poucas vezes que sai. Queres alguma coisa? – Perguntou, tentando ser cortês. Linda abanou a cabeça.
-Não quero nada. Apenas falar com o Kenji. Sabes onde ele e o Eiji estão?
-Devem ter saído. Sabes, aqueles dois estão sempre juntos. Começo a achar que estamos a ser renegados do nosso papel de irmãos.
Linda suspirou pesadamente. Não tinha mesmo resposta para o comentário de Setsu. Não quando o irmão dela era uma pessoa com duas faces da mesma moeda, mas também distintas. Umas vezes seria o irmão interessado, outras iria renega-la como Setsu agora dizia.
Ao olhar para o jovem, viu que este parecia pensativo.
-Incomoda-te? – Perguntou, devagar. Setsu olhou para ela, confuso.
-Incomodar o quê?
-Esse afastamento que tu falas.
O rapaz não respondeu, mas o brilho nos seus olhos castanhos fez Linda matutar.
Espero por ti em cada segundo , porque tu és o meu mundo!

Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
Visitem a minha 1ª Fic ----->The Four elements

Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
Visitem a minha 1ª Fic ----->The Four elements
A porta abriu-se. Linda e Setsu viraram-se por instinto, vendo Kenji e Eiji a entrar dentro de casa, os dois com sacos nos braços e largos sorrisos, enquanto calçavam as suas chinelas e punham os sapatos a um canto. Eiji ergueu o sobrolho surpreso quando viu Linda. Kenji manteve o rosto impassível, como era seu costume.
-Ah, olá Linda. O que fazes aqui?
-Acabei a limpeza e decidi passar por cá. – Dizer que ela viera a correr para a casa do irmão depois do que acontecera era favor. Nunca se sentira tão apavorada depois de chegar a aquela tão crua explicação.
Mais por influência de Rei do que outra coisa, Linda era xintoísta. A crença do kami era bem mais simples que a do Deus Ortodoxo que o pai trouxera de Inglaterra. Linda passara parte da sua vida encarcerada, mas a palavra tinha apenas um sentido metafórico. Desde pequena que se dera a luxos de visitar muitos monumentos históricos e religiosos, tanto no seu país como na Europa.
Quando era nova, tanto ela como Kenji se questionaram das diferentes religiões que se espalhavam dentro da sua família. Os parentes ingleses do pai de ambos eram ortodoxos, ignorando a autoridade do Papa mas seguindo os mesmos ensinamentos da religião católica. O avô paterno era budista e os avós maternos eram xintoístas. Rei havia-lhe ensinado tudo acerca do xintoísmo quando ela era pequena e muito curiosa. Explicara-lhe que o kami podia ser qualquer espirito com uma força vital. Os rios, as montanhas, o fogo… A natureza era o paraíso terreno, onde estava encarcerada a alma terrena, o nosso lado consciente e material. Após a morte, essa alma ascendia aos céus, unindo-se com a sua alma celeste, o lado divino e brando do ser humano. Ao unirem-se, as almas habitam o céu, como Deuses.
Aquele furto da alma de uma pessoa, impossibilitando-a de ser divina após a morte, era um crime do pior patamar possível. Só de imaginar aquilo que vira ainda lhe provocava arrepios.
-Está tudo bem? – Ouviu o irmão perguntar. Linda abanou a cabeça, tentando se compor.
-Sim está tudo bem. Vim aqui falar contigo sobre uma coisa...
-Dá para ver. – Comentou Kenji, passando a mão pelos cabelos dourados. O seu rosto estava contorcido numa tentativa de parecer sério, mas também divertido. De certa forma, parecia ter adivinhado porque é que a irmã estava ali.
-Trabalho de irmão mais velho, Ken. Não te podes escapar. – Disse Setsu, pegando nos sacos e levando-os para a cozinha.
-Pois é a minha cruz. – Respondeu Kenji, rindo-se de Linda. Esta tentou parecer zangada, mas os lábios torcidos traíam-na.
-Que seja. Jesus Cristo quero falar Consigo.
Kenji semicerrou os olhos, como se tivesse a embirrar com a atitude da irmã. Desde pequenos que as várias religiões das suas famílias os confundiam. Ainda que Linda tivesse chegado a uma decisão, Kenji demorara mais tempo a escolher uma crença. Linda gozava com ele, dizendo que para ele ter demorado tanto tempo a escolher, era porque no fundo ele não sabia o que era religião. No final, Kenji era xintoísta como Linda e os seus avós maternos, mas falar das outras religiões da família como se fossem crentes era já um velho hábito. Até porque Linda só falava assim para relembrar ao irmão da sua “indecisão” do passado. Uma pequena atitude infantil que os dois não prometiam ultrapassar.
Eiji riu-se das atitudes dos dois irmãos, enquanto Setsu revirou os olhos.
-Estás-te a rir de quê, pimpolho? – Reclamou Setsu ao seu irmão mais novo.
-Esta situação é um pouco estranha. A Linda está aqui para falar com o irmão e tu estás de toalha.
Linda não podia perder aquela oportunidade.
-Ele não deve ter muito a esconder. – Murmurou neutralmente, provocando uma gargalhada no irmão e em Eiji. Ao ver a cara de indignado de Setsu, traiu o seu semblante sério e riu-se com os outros.
-Olha, Setsu. Porque não vais arrumar os quartos? - Sugeriu Kenji, com vista a despachar o amigo.
Setsu pareceu ter entendido a mensagem. Mas a cara que fez deu a entender a Linda que Kenji não teria a última palavra se dependesse dele.
-E eu por acaso tenho cara de empregada doméstica? Vai tu arrumar o teu quarto!
-Arranjasses uma.
-A culpa não é minha que qualquer empregada fuja deste apartamento mal pegue nas tuas meias malcheirosas. Eu cá vou-me vestir.
-Fazes bem. Pergunto-me porque é que a minha irmã ainda não reclamou das tuas “humildes” vestes. – Ao lembrar-se do comentário anterior de Linda, Kenji fingiu um ar de quem se lembrara de algo importante. – Ah…
Mas Setsu não o deixou terminar.
-Talvez porque sou um Deus. - Setsu percorreu metade do corredor, exibindo sempre um sorriso matreiro.
-Um Deus muito limitado. – Voltou a murmurar Linda. Kenji olhou para ela, perguntando-lhe silenciosamente se ela o queria matar de tanto riso.
-Porra, um é Jesus Cristo, outro é Deus. E o que raio é que eu sou? - Perguntou Eiji, também querendo ter uma palavra a dizer.
-És a Madre Teresa de Calcutá. Santinha que Deus tenha - Setsu benzeu-se de uma forma excêntrica e muito cómica, provocando gargalhada geral na divisão. Kenji teve que se apoiar na parede para não rebolar às gargalhadas no chão, literalmente.
Só quando ouviu a porta do quarto de Setsu fechar-se é que Kenji conseguiu acalmar-se um pouco. Ergueu-se e dirigiu-se para a cozinha, pegando num copo e enchendo-o de água da garrafa. Bebeu o líquido de um gole e fitou Linda:
-Ora bem. Diz lá maninha, o que é que queres falar comigo?
Linda olhou para Eiji. Este entendeu a mensagem.
-Muito bem. Eu vou fazer as camas. Sendo a Madre Teresa de Calcutá, terei que cumprir o meu dever de ajudar os desafortunados de inteligência. - Eiji saiu da sala, o seu rosto parecendo divertido mas também suspeitoso. Linda sabia como Eiji era muito desconfiado e já devia ter percebido que os dois irmãos escondiam muito mais do que realmente mostravam.
-Ele já saiu. Agora podes falar.
-É mais sobre pesquisa. – Disse Linda, tentando ir ao centro do assunto.
-Pesquisa? Não tens um computador em casa?
Linda revirou os olhos.
-Isto é um tipo de pesquisa que duvido que os motores de busca me arranjem. Além disso, não pude trazer o meu da herdade e está fora de questão pensar sequer em pedir à Mari.
Kenji ergueu uma sobrancelha ao ouvir o nome.
-Mari? A tua famosa hospedeira?
-Que queres dizer com isso? – Perguntou Linda, com suspeita.
-Quero dizer que já ouvi falar muito dela. Vocês são como cão e gato. Ela parece ser o tipo de pessoa que chama a tua parte mais assombrosa ao de cima.
-A minha parte mais assombrosa? – Linda abanou a cabeça às atitudes do seu irmão. Sentou-se no sofá, o irmão acomodando-se ao seu lado. – Não sabes o que dizes.
Kenji sorriu maliciosamente.
-Acredita, querida maninha. Sei muito bem o que estou a dizer. Mas conta lá o que me vieste perguntar. Que tipo de pesquisa é?
Linda respirou fundo, tentando organizar os seus pensamentos. Já passara um bom bocado desde que assistira a aquela situação de puro horror e já conseguia pensar mais racionalmente naquilo que acontecera. E no que era prioritariamente importante descobrir.
-O que é que tu sabes sobre as navegantes? – Perguntou, tentando soar firme. Kenji estranhou a pergunta.
-Ah… o mesmo que tu, presumo.
-Não! – Protestou Linda, não contente com a resposta. - Deves saber mais. Que eu saiba eras tu que esgueiravas-te para a biblioteca quando não conseguias dormir.
Kenji encolheu os ombros.
-Era a única divisão de casa que não estava trancada. Mas uma vez tive sorte. A Makoto deixou a porta da cozinha aberta.
-Isso não importa. O que eu quero saber é… - Fez uma breve pausa, lembrando-se das duas jovens que encontrara no parque -Conheces alguma Sailor Harmony e Sailor Faith?
Kenji não desconheceu os nomes, pelo que os seus lábios se contraíram numa expressão pensativa.
-Sei. – Confirmou, para alívio da irmã. - São as Guardiãs da Harmonia e da Fé, respetivamente. Elas guardam o místico Portal da Esperança, juntamente com Sailor Dream, a Guardiã dos Sonhos.
-As três juntas? - Linda franziu o sobrolho. Duvidava muito numa futura união entre ela e as outras duas navegantes, principalmente Sailor Faith.
Kenji voltou a confirmar, com um aceno de cabeça.
-Queres alguma coisa? – Perguntou a Linda, levantando-se do sofá. Não dando tempo à irmã de responder, pegou em dois copos e abriu a porta do frigorífico.
-Fazes alguma ideia que tipo de Flores existe que são semelhantes à nossa alma? – Perguntou Linda, enquanto Kenji enchia dois copos com sumo. – São flores brilhantes, com cor.
Kenji aproximou-se e entregou um copo a Linda. Sentou-se, olhando a irmã com suspeita.
-Porque me perguntas isso?
Linda remexeu o copo nas suas mãos, tentando formular frases para lhe responder.
-Há um hora atrás, uma rapariga foi atacada. – Linda viu Kenji pelo canto do olho a chegar o peito para a frente, em tom de alerta. – O mesmo homem atacou-a e retirou-lhe uma flor do peito. Era verde-esmeralda e parecia ter… vida. Não conseguia fazer nada, congelei ali no momento. Depois apareceram essas navegantes, mas não ajudaram em nada. O homem conseguiu fugir.
Sentiu a mão de Kenji no seu ombro e só ai Linda notou que estava a tremer, o sumo do seu copo quase a transbordar. Sussurrando um tremido obrigado, bebeu um pouco do líquido, que tinha sabor a maracujá.
-Essas flores que falas são chamadas Flores do Universo. – disse Kenji, calmamente. – Todavia, nem todas têm cor. Normalmente têm um tom perola comum. Mas nove são distintas das outras.
Kenji inspirou fundo, não tirando os olhos da irmã.
-Estás bem? – Perguntou. Linda assentiu.
-Na altura o choque e a ignorância ajudaram, mas quando entendi o que realmente tinha acontecido, entrei em pânico. Imaginar alguém a perder a sua alma terrena antes do tempo. – Tornou-se para o seu irmão, que apertara o seu ombro em sinal de consolação. – Porque é que alguém quereria essas Flores?
Kenji hesitou um pouco antes de responder.
-Porque são Flores extremamente poderosas. Ao lado delas, o Cristal Prateado não passa de uma pedra que se encontra facilmente na rua.
-Como é que isso é possível? – Perguntou Linda, espantada. Todavia, apercebeu-se do ridículo da sua questão logo no momento.
-Já respondeste há pouco. Mas vou esclarecer isso melhor. O Cristal Prateado é feito de forças de origem misteriosa. Muitos dizem que provêm do próprio Universo, se é que este tem alguma forma humana. As Flores do Universo são feitas desse poder, ainda que mais fraco, mas contém uma outra força ainda maior. A mais bela criação de um Ser Poderoso: Vida. Ao ser retirada a Flor do Universo é retirado a alma de uma pessoa, a sua vida. Aquilo que sentiste quando viste a Flor foi como dar uso à expressão ‘Na morte, vê-se a vida andar para trás’. As pessoas entram em transe e começam a ver imagens da sua existência, até que deixam de ver o que quer que seja.
Linda assentiu, entendendo. Todavia, uma certa pergunta vagueava perdida na sua cabeça, louca por ser respondida.
-Mas as sementes de estrela também não têm a alma das pessoas? Quando mais brilhante for, mais pura é a sua alma.
-Verdade. A Flor do Universo é uma junção disso. Seres poderosos com poderes e almas fortes. Um poder inigualável. – Kenji deu um gole no seu sumo. – Felizmente são muito difíceis de encontrar.
-Porquê?
Kenji fez um som com a garganta, não gostando ele próprio da explicação.
-Bem, para se ser dono de um poder forte, precisava-se de possuir uma alma forte e pura. Como tal, as Flores do Universo ganharam cor a apenas nove pessoas, consideradas as mais fortes em todos os aspectos. Isto aconteceu há muito tempo. Altura em que havia Reinos nos planetas do Sistema Solar.
-Ou seja… - Linda começava a entender. - Aos Reis e Rainhas?
-Sim. Eles possuíram as Flores do Universo. As Flores nunca estão intactas. São repartidas pela família até que apenas resta um único elemento. O elemento mais jovem será o possuidor da Flor do seu Planeta. Por isso é que é difícil de encontrar.
-Porque já não há reinos nos planetas do Sistema Solar. Excepto na Terra.
-Sim. Disseste que a Flor que viste era verde. Então o inimigo encontrou a Flor de Júpiter. – Disse Kenji, com ar pesado.
Linda engoliu em seco.
-Ela vai ficar bem? – Sabia que era uma pergunta idiota mas no fundo ela apenas esperava que Kenji a conseguisse consolar. O olhar de pena que ele lhe mandara era prova que as suas suspeitas eram verdade.
-Não. – Respondeu com ar grave. - Ela tem os dias contados. Se lhe tiraram a alma, ela deixou de ser humana, de certa forma. Não raciocina, não sente, não ama. É um autêntico vegetal que respira mas que ignora o que existe à sua volta. Para ser honesto, acho melhor ela nem acordar. Provocará o pânico nos hospitais e até na sua família.
Os olhos de Linda aumentaram de tamanho e a jovem teve que pousar o copo meio vazio em cima da mesa de vidro, pondo a mão livre na boca. Uma coisa era imaginar uma rapariga ligada às máquinas como se estivesse em coma. Outra era ela acordar e ser incapaz de formular palavras, de comer como uma pessoa normal ou até mesmo de abrir a boca sem se babar.
-O que fazemos? – Perguntou, a voz tremude.
-Temos que falar com a avó. Ela saberá o que fazer. Ou então poderá ajudar-te.
Linda anuiu, não tirando os olhos do chão.
-Farei isso. Arranjarei forma de falar com ela.
Suspirou e, sentindo um par de olhos incidido em si, ergueu o pescoço. Kenji parecia pensativo, mas já não parecia tão sombrio como há pouco. Ao ver a irmã mais nova a olhar para ele, sorriu levemente.
-Não te preocupe, eu vou ajudar-te. – Disse, simplesmente.
-Como? – Perguntou Linda não conseguindo evitar. De repente, sentiu uma sensação estranha, como se alguém estivesse atrás dela. O som leve de passadas confirmou as suas suspeitas.
-Vais ver. – Murmurou Kenji, os olhos fixados num ponto atrás do ombro de Linda. Esta tornou-se, vendo Setsu já vestido a fitar os dois.
-Ah, olá Linda. O que fazes aqui?
-Acabei a limpeza e decidi passar por cá. – Dizer que ela viera a correr para a casa do irmão depois do que acontecera era favor. Nunca se sentira tão apavorada depois de chegar a aquela tão crua explicação.
Mais por influência de Rei do que outra coisa, Linda era xintoísta. A crença do kami era bem mais simples que a do Deus Ortodoxo que o pai trouxera de Inglaterra. Linda passara parte da sua vida encarcerada, mas a palavra tinha apenas um sentido metafórico. Desde pequena que se dera a luxos de visitar muitos monumentos históricos e religiosos, tanto no seu país como na Europa.
Quando era nova, tanto ela como Kenji se questionaram das diferentes religiões que se espalhavam dentro da sua família. Os parentes ingleses do pai de ambos eram ortodoxos, ignorando a autoridade do Papa mas seguindo os mesmos ensinamentos da religião católica. O avô paterno era budista e os avós maternos eram xintoístas. Rei havia-lhe ensinado tudo acerca do xintoísmo quando ela era pequena e muito curiosa. Explicara-lhe que o kami podia ser qualquer espirito com uma força vital. Os rios, as montanhas, o fogo… A natureza era o paraíso terreno, onde estava encarcerada a alma terrena, o nosso lado consciente e material. Após a morte, essa alma ascendia aos céus, unindo-se com a sua alma celeste, o lado divino e brando do ser humano. Ao unirem-se, as almas habitam o céu, como Deuses.
Aquele furto da alma de uma pessoa, impossibilitando-a de ser divina após a morte, era um crime do pior patamar possível. Só de imaginar aquilo que vira ainda lhe provocava arrepios.
-Está tudo bem? – Ouviu o irmão perguntar. Linda abanou a cabeça, tentando se compor.
-Sim está tudo bem. Vim aqui falar contigo sobre uma coisa...
-Dá para ver. – Comentou Kenji, passando a mão pelos cabelos dourados. O seu rosto estava contorcido numa tentativa de parecer sério, mas também divertido. De certa forma, parecia ter adivinhado porque é que a irmã estava ali.
-Trabalho de irmão mais velho, Ken. Não te podes escapar. – Disse Setsu, pegando nos sacos e levando-os para a cozinha.
-Pois é a minha cruz. – Respondeu Kenji, rindo-se de Linda. Esta tentou parecer zangada, mas os lábios torcidos traíam-na.
-Que seja. Jesus Cristo quero falar Consigo.
Kenji semicerrou os olhos, como se tivesse a embirrar com a atitude da irmã. Desde pequenos que as várias religiões das suas famílias os confundiam. Ainda que Linda tivesse chegado a uma decisão, Kenji demorara mais tempo a escolher uma crença. Linda gozava com ele, dizendo que para ele ter demorado tanto tempo a escolher, era porque no fundo ele não sabia o que era religião. No final, Kenji era xintoísta como Linda e os seus avós maternos, mas falar das outras religiões da família como se fossem crentes era já um velho hábito. Até porque Linda só falava assim para relembrar ao irmão da sua “indecisão” do passado. Uma pequena atitude infantil que os dois não prometiam ultrapassar.
Eiji riu-se das atitudes dos dois irmãos, enquanto Setsu revirou os olhos.
-Estás-te a rir de quê, pimpolho? – Reclamou Setsu ao seu irmão mais novo.
-Esta situação é um pouco estranha. A Linda está aqui para falar com o irmão e tu estás de toalha.
Linda não podia perder aquela oportunidade.
-Ele não deve ter muito a esconder. – Murmurou neutralmente, provocando uma gargalhada no irmão e em Eiji. Ao ver a cara de indignado de Setsu, traiu o seu semblante sério e riu-se com os outros.
-Olha, Setsu. Porque não vais arrumar os quartos? - Sugeriu Kenji, com vista a despachar o amigo.
Setsu pareceu ter entendido a mensagem. Mas a cara que fez deu a entender a Linda que Kenji não teria a última palavra se dependesse dele.
-E eu por acaso tenho cara de empregada doméstica? Vai tu arrumar o teu quarto!
-Arranjasses uma.
-A culpa não é minha que qualquer empregada fuja deste apartamento mal pegue nas tuas meias malcheirosas. Eu cá vou-me vestir.
-Fazes bem. Pergunto-me porque é que a minha irmã ainda não reclamou das tuas “humildes” vestes. – Ao lembrar-se do comentário anterior de Linda, Kenji fingiu um ar de quem se lembrara de algo importante. – Ah…
Mas Setsu não o deixou terminar.
-Talvez porque sou um Deus. - Setsu percorreu metade do corredor, exibindo sempre um sorriso matreiro.
-Um Deus muito limitado. – Voltou a murmurar Linda. Kenji olhou para ela, perguntando-lhe silenciosamente se ela o queria matar de tanto riso.
-Porra, um é Jesus Cristo, outro é Deus. E o que raio é que eu sou? - Perguntou Eiji, também querendo ter uma palavra a dizer.
-És a Madre Teresa de Calcutá. Santinha que Deus tenha - Setsu benzeu-se de uma forma excêntrica e muito cómica, provocando gargalhada geral na divisão. Kenji teve que se apoiar na parede para não rebolar às gargalhadas no chão, literalmente.
Só quando ouviu a porta do quarto de Setsu fechar-se é que Kenji conseguiu acalmar-se um pouco. Ergueu-se e dirigiu-se para a cozinha, pegando num copo e enchendo-o de água da garrafa. Bebeu o líquido de um gole e fitou Linda:
-Ora bem. Diz lá maninha, o que é que queres falar comigo?
Linda olhou para Eiji. Este entendeu a mensagem.
-Muito bem. Eu vou fazer as camas. Sendo a Madre Teresa de Calcutá, terei que cumprir o meu dever de ajudar os desafortunados de inteligência. - Eiji saiu da sala, o seu rosto parecendo divertido mas também suspeitoso. Linda sabia como Eiji era muito desconfiado e já devia ter percebido que os dois irmãos escondiam muito mais do que realmente mostravam.
-Ele já saiu. Agora podes falar.
-É mais sobre pesquisa. – Disse Linda, tentando ir ao centro do assunto.
-Pesquisa? Não tens um computador em casa?
Linda revirou os olhos.
-Isto é um tipo de pesquisa que duvido que os motores de busca me arranjem. Além disso, não pude trazer o meu da herdade e está fora de questão pensar sequer em pedir à Mari.
Kenji ergueu uma sobrancelha ao ouvir o nome.
-Mari? A tua famosa hospedeira?
-Que queres dizer com isso? – Perguntou Linda, com suspeita.
-Quero dizer que já ouvi falar muito dela. Vocês são como cão e gato. Ela parece ser o tipo de pessoa que chama a tua parte mais assombrosa ao de cima.
-A minha parte mais assombrosa? – Linda abanou a cabeça às atitudes do seu irmão. Sentou-se no sofá, o irmão acomodando-se ao seu lado. – Não sabes o que dizes.
Kenji sorriu maliciosamente.
-Acredita, querida maninha. Sei muito bem o que estou a dizer. Mas conta lá o que me vieste perguntar. Que tipo de pesquisa é?
Linda respirou fundo, tentando organizar os seus pensamentos. Já passara um bom bocado desde que assistira a aquela situação de puro horror e já conseguia pensar mais racionalmente naquilo que acontecera. E no que era prioritariamente importante descobrir.
-O que é que tu sabes sobre as navegantes? – Perguntou, tentando soar firme. Kenji estranhou a pergunta.
-Ah… o mesmo que tu, presumo.
-Não! – Protestou Linda, não contente com a resposta. - Deves saber mais. Que eu saiba eras tu que esgueiravas-te para a biblioteca quando não conseguias dormir.
Kenji encolheu os ombros.
-Era a única divisão de casa que não estava trancada. Mas uma vez tive sorte. A Makoto deixou a porta da cozinha aberta.
-Isso não importa. O que eu quero saber é… - Fez uma breve pausa, lembrando-se das duas jovens que encontrara no parque -Conheces alguma Sailor Harmony e Sailor Faith?
Kenji não desconheceu os nomes, pelo que os seus lábios se contraíram numa expressão pensativa.
-Sei. – Confirmou, para alívio da irmã. - São as Guardiãs da Harmonia e da Fé, respetivamente. Elas guardam o místico Portal da Esperança, juntamente com Sailor Dream, a Guardiã dos Sonhos.
-As três juntas? - Linda franziu o sobrolho. Duvidava muito numa futura união entre ela e as outras duas navegantes, principalmente Sailor Faith.
Kenji voltou a confirmar, com um aceno de cabeça.
-Queres alguma coisa? – Perguntou a Linda, levantando-se do sofá. Não dando tempo à irmã de responder, pegou em dois copos e abriu a porta do frigorífico.
-Fazes alguma ideia que tipo de Flores existe que são semelhantes à nossa alma? – Perguntou Linda, enquanto Kenji enchia dois copos com sumo. – São flores brilhantes, com cor.
Kenji aproximou-se e entregou um copo a Linda. Sentou-se, olhando a irmã com suspeita.
-Porque me perguntas isso?
Linda remexeu o copo nas suas mãos, tentando formular frases para lhe responder.
-Há um hora atrás, uma rapariga foi atacada. – Linda viu Kenji pelo canto do olho a chegar o peito para a frente, em tom de alerta. – O mesmo homem atacou-a e retirou-lhe uma flor do peito. Era verde-esmeralda e parecia ter… vida. Não conseguia fazer nada, congelei ali no momento. Depois apareceram essas navegantes, mas não ajudaram em nada. O homem conseguiu fugir.
Sentiu a mão de Kenji no seu ombro e só ai Linda notou que estava a tremer, o sumo do seu copo quase a transbordar. Sussurrando um tremido obrigado, bebeu um pouco do líquido, que tinha sabor a maracujá.
-Essas flores que falas são chamadas Flores do Universo. – disse Kenji, calmamente. – Todavia, nem todas têm cor. Normalmente têm um tom perola comum. Mas nove são distintas das outras.
Kenji inspirou fundo, não tirando os olhos da irmã.
-Estás bem? – Perguntou. Linda assentiu.
-Na altura o choque e a ignorância ajudaram, mas quando entendi o que realmente tinha acontecido, entrei em pânico. Imaginar alguém a perder a sua alma terrena antes do tempo. – Tornou-se para o seu irmão, que apertara o seu ombro em sinal de consolação. – Porque é que alguém quereria essas Flores?
Kenji hesitou um pouco antes de responder.
-Porque são Flores extremamente poderosas. Ao lado delas, o Cristal Prateado não passa de uma pedra que se encontra facilmente na rua.
-Como é que isso é possível? – Perguntou Linda, espantada. Todavia, apercebeu-se do ridículo da sua questão logo no momento.
-Já respondeste há pouco. Mas vou esclarecer isso melhor. O Cristal Prateado é feito de forças de origem misteriosa. Muitos dizem que provêm do próprio Universo, se é que este tem alguma forma humana. As Flores do Universo são feitas desse poder, ainda que mais fraco, mas contém uma outra força ainda maior. A mais bela criação de um Ser Poderoso: Vida. Ao ser retirada a Flor do Universo é retirado a alma de uma pessoa, a sua vida. Aquilo que sentiste quando viste a Flor foi como dar uso à expressão ‘Na morte, vê-se a vida andar para trás’. As pessoas entram em transe e começam a ver imagens da sua existência, até que deixam de ver o que quer que seja.
Linda assentiu, entendendo. Todavia, uma certa pergunta vagueava perdida na sua cabeça, louca por ser respondida.
-Mas as sementes de estrela também não têm a alma das pessoas? Quando mais brilhante for, mais pura é a sua alma.
-Verdade. A Flor do Universo é uma junção disso. Seres poderosos com poderes e almas fortes. Um poder inigualável. – Kenji deu um gole no seu sumo. – Felizmente são muito difíceis de encontrar.
-Porquê?
Kenji fez um som com a garganta, não gostando ele próprio da explicação.
-Bem, para se ser dono de um poder forte, precisava-se de possuir uma alma forte e pura. Como tal, as Flores do Universo ganharam cor a apenas nove pessoas, consideradas as mais fortes em todos os aspectos. Isto aconteceu há muito tempo. Altura em que havia Reinos nos planetas do Sistema Solar.
-Ou seja… - Linda começava a entender. - Aos Reis e Rainhas?
-Sim. Eles possuíram as Flores do Universo. As Flores nunca estão intactas. São repartidas pela família até que apenas resta um único elemento. O elemento mais jovem será o possuidor da Flor do seu Planeta. Por isso é que é difícil de encontrar.
-Porque já não há reinos nos planetas do Sistema Solar. Excepto na Terra.
-Sim. Disseste que a Flor que viste era verde. Então o inimigo encontrou a Flor de Júpiter. – Disse Kenji, com ar pesado.
Linda engoliu em seco.
-Ela vai ficar bem? – Sabia que era uma pergunta idiota mas no fundo ela apenas esperava que Kenji a conseguisse consolar. O olhar de pena que ele lhe mandara era prova que as suas suspeitas eram verdade.
-Não. – Respondeu com ar grave. - Ela tem os dias contados. Se lhe tiraram a alma, ela deixou de ser humana, de certa forma. Não raciocina, não sente, não ama. É um autêntico vegetal que respira mas que ignora o que existe à sua volta. Para ser honesto, acho melhor ela nem acordar. Provocará o pânico nos hospitais e até na sua família.
Os olhos de Linda aumentaram de tamanho e a jovem teve que pousar o copo meio vazio em cima da mesa de vidro, pondo a mão livre na boca. Uma coisa era imaginar uma rapariga ligada às máquinas como se estivesse em coma. Outra era ela acordar e ser incapaz de formular palavras, de comer como uma pessoa normal ou até mesmo de abrir a boca sem se babar.
-O que fazemos? – Perguntou, a voz tremude.
-Temos que falar com a avó. Ela saberá o que fazer. Ou então poderá ajudar-te.
Linda anuiu, não tirando os olhos do chão.
-Farei isso. Arranjarei forma de falar com ela.
Suspirou e, sentindo um par de olhos incidido em si, ergueu o pescoço. Kenji parecia pensativo, mas já não parecia tão sombrio como há pouco. Ao ver a irmã mais nova a olhar para ele, sorriu levemente.
-Não te preocupe, eu vou ajudar-te. – Disse, simplesmente.
-Como? – Perguntou Linda não conseguindo evitar. De repente, sentiu uma sensação estranha, como se alguém estivesse atrás dela. O som leve de passadas confirmou as suas suspeitas.
-Vais ver. – Murmurou Kenji, os olhos fixados num ponto atrás do ombro de Linda. Esta tornou-se, vendo Setsu já vestido a fitar os dois.
Espero por ti em cada segundo , porque tu és o meu mundo!

Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
Visitem a minha 1ª Fic ----->The Four elements

Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
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-Oh, Setsu! Vieste aqui coscuvilhar?
Setsu suspirou dramaticamente, apoiando o corpo na soleira que ligava a sala ao corredor.
-Não. Vim-me esconder. Maldita vizinha do lado que comprou o maldito papagaio com penas púrpuras. Como agora está na moda ter um, tinha logo o raio da velha ir comprar um. Apenas eu o consigo ouvir. E tudo porque o meu quarto é o mais próximo da varanda da mulher.
-Oh… pobrezinho. – Comentou Kenji, nem tentando esconder o sarcasmo. Linda riu-se do ar frustrado do moreno.
-Verdade! – Ia protestar quando olhou para trás, ouvindo também um par de passadas. Eiji surgiu por detrás dele, olhando em volta. - Eu ainda mato a velha e o seu maldito papagaio das Canárias.
-Por acaso é da Tunísia - corrigiu Eiji. - Mas afinal o que é que se passa?
-O teu irmão quer matar a vizinha para ficar com o lugar de coscuvilheiro do prédio. - Respondeu Kenji casualmente.
-Eu não estava a coscuvilhar!
-Mentira. Eu sei como és. E também sei o que é que esperavas ouvir. Mas esquece! Não tens mais nenhuma hipótese com a minha irmã. - Kenji devia saber que as suas palavras teriam diferentes efeitos nos outros porque não se mostrou nem um pouco preocupado com o olhar fulminante que Linda lhe lançou, nem com o som estrangulado de garganta que Eiji emitiu. Só Setsu não parecia abalado.
-Não te metas na minha vida, Kenji. – Ameaçou Linda, erguendo-se do sofá. Kenji fez o mesmo.
-Calma Linda, estou só a brincar. O Setsu não é burro. Sabe no que se está a meter, caso te volte a pedir para sair.
-Sim. Terei que me contentar com um irmão coruja que a controla ao longe. Provavelmente irá vigiar-me, vasculhar as minhas gavetas em busca de preservativos… - Linda corou, lembrando-se do conselho de Aiko. – Enfim, não terei descanso. A melhor forma de te conquistar é conquistar o teu irmão, pelo que vejo.
A cara de Linda devia dizer o contrário, pois Eiji riu-se ao olhar para ela e Setsu mandou um sorriso cómico. Já Kenji parecia perdido em pensamentos.
-Eu volto já. – Disse de repente, saindo da sala sem esperar por resposta. Quando a sua figura deixou de ser vista, Eiji e Setsu entreolharam-se, suspirando ao mesmo tempo.
-É sempre a mesma coisa. Volta e meia, parece que falamos para uma parede. – Setsu fitou Linda. – Todavia, ele parece diferente. Talvez por estares com ele.
Linda sorriu, de certa forma tocada pelas palavras de Setsu. Decidiu ignorar a pontada dentro de si que a questionava acerca das atitudes de Kenji, por vezes tão semelhantes à da sua própria mãe.
Estava tão perdida nos seus pensamentos que mal notou nos olhares de Eiji para o irmão, apontando a cabeça para a porta. Entendendo a mensagem, Setsu saiu da sala resmungando qualquer coisa sobre o papagaio da Tunísia. Linda ergueu a cabeça ao ver que tanto ela como Eiji estavam sozinhos na sala. Este sorriu e ela sentiu um pequeno tremor no estomago.
-Linda? – Eiji sentou-se no sofá ao lado dela, as pernas abertas e os dedos entrelaçados. Linda espantou-se em como o corpo de Eiji obedecia a diversas antíteses. Os seus olhos cor de avelã brilhavam de determinação em contraste com as suas mãos, que tremiam de nervosismo.
Lentamente, assentiu a cabeça tentando encoraja-lo a falar. O rapaz suspirou.
-Eu sei que mal te conheço. E sei que só me vês como amigo. – Os olhos de Linda aumentaram de tamanho ao perceber aonde Eiji queria chegar. As palavras de Mari após a primeira batalha faziam agora sentido. – Apenas…
Eiji travou-se, praguejando suavemente. Não parecia satisfeito com o rumo do seu discurso.
-Dá-me uma oportunidade. – Disse finalmente, ao fim de uns minutos de silêncio. - Sê minha namorada.
Linda não sabia o que dizer. As palavras formavam-se na sua garganta, mas fundiam-se num som estrangulado antes mesmo que pudessem sair da sua boca. As palavras de Mari, as palavras de Eiji, as suas próprias palavras que pareciam vir dos confins da sua mente e que batalhavam contra a sua parte sentimental como se ela estivesse dividida em duas mentes e não apenas uma.
-Eu…
Eiji não se mexeu, esperando pela resposta dela. De certa, ele parecia já saber o que ela tinha para dizer pois os músculos do seu rosto ficaram mais rígidos.
-Não sei. – Respondeu Linda, honestamente. Ao ver o olhar magoado de Eiji, apressou-se a explicar. – Não é que eu não goste de ti. Mas tu és meu amigo e… - Mordeu o lábio, antecipando a sua mentira. – Digamos que eu tive uns problemas no passado e que não estou pronta para qualquer tipo de relação. Ainda estou um pouco verde na questão das amizades, quanto mais…
-Amor? – Completou Eiji, receoso. Os olhos de Linda aumentaram ainda mais ou ouvir a palavra.
-Não iria tão longe. – Murmurou em resposta, olhando para o rapaz de relance.
Sabia que Eiji não acreditara na sua mentira. Mas havia verdades enterradas ali no meio. Verdades que ela tinha vergonha em admitir. Eiji era o seu primeiro amigo fora do palácio, aquele com quem podia falar de muita coisa – traçando alguns limites, como é óbvio. – Mas também era o primeiro rapaz que Linda conhecia, não contando com Seiji. Era a primeira presença masculina sem qualquer traço de familiaridade que ela conhecia e de que gostava imenso. Não queria arruinar algo precioso que ela tinha com ele por causa de uma relação que podia bem não durar muito, visto eles serem tão jovens.
Expirando fundo, exprimiu os seus últimos sentimentos em voz alta, tentando chamar ao bom senso de Eiji. Tentando fazer com que ele entendesse a sua situação. Linda não soube o que achar quando os olhos de Eiji brilharam ao ouvir as suas palavras, sem dúvida conseguindo recolher alguma esperança naquelas palavras sinuosas.
-Entendo. – Disse ele, não tirando os olhos dos de Linda. Esta sentiu-se um pouco mal ao ver a determinação perdida naquele mar castanho claro com um toque de dourado e verde. – Tens medo. E irei respeitar a tua decisão. Mas quero que saibas Linda, que eu vou lutar por ti. Podes nem te aperceber, mas lutarei.
-Porque insistes tanto? – Insistiu Linda, não entendendo a teimosia de Eiji.
-Porque gosto de ti. – Respondeu Eiji, como se fosse a resposta mais simples do mundo.
Linda queria protestar, acrescentar várias ideias contrárias às intenções dele. Mas antes que pudesse falar, surgiu uma distração.
-Já está - Disse Kenji entrando na sala distraidamente, ignorando que havia interrompido uma conversa muito importante. Eiji sorriu presunçosamente, definitivamente grato pela interrupção. Sem dizer mais, sorriu para Linda e foi para o seu quarto. Linda semicerrou os olhos tanto para ele como para o irmão, que parecia perdido nos seus próprios pensamentos. Mais uma vez, foi interrompida antes que pudesse falar.
-Vamos embora, Linda.
Linda arqueou uma sobrancelha, levemente confusa.
-Embora? Embora para onde?
-Para tua casa. Acho que chegou a altura de conhecer a rapariga que te põe os cabelos em pé.
-Kenji, não eras capaz… - Linda já nem sabia se o avisava ou se o ameaçava. O seu tom de voz bem que dava para os dois. Mas como qualquer bom irmão mais velho faz, Kenji ignorou-a.
-Anda lá, não resmungues. Não temos tempo a perder.
Um pouco mais apressado do que Linda esperava, Kenji pegou no seu casaco, calçou os sapatos e saiu pela porta. Ao ver que irmã ainda estava lá dentro, tornou-se para ela.
-Anda. – Insistiu, impaciente. – Já avisei o Setsu para onde vamos. Se queres a minha ajuda, tens que vir.
-É mesmo por isso que temo em ir contigo. Que tipo de ajuda hás de me dar?
A resposta de Kenji já não era nova. Mas veio acompanhada com um sorrio matreiro, que fez com que Linda se esquecesse dos seus problemas de adolescente – como o seu azar com Eiji - e se focasse mais nos de navegante. Os deuses bem que sabiam como os últimos eram bem mais importantes.
-Vais ver.
Setsu suspirou dramaticamente, apoiando o corpo na soleira que ligava a sala ao corredor.
-Não. Vim-me esconder. Maldita vizinha do lado que comprou o maldito papagaio com penas púrpuras. Como agora está na moda ter um, tinha logo o raio da velha ir comprar um. Apenas eu o consigo ouvir. E tudo porque o meu quarto é o mais próximo da varanda da mulher.
-Oh… pobrezinho. – Comentou Kenji, nem tentando esconder o sarcasmo. Linda riu-se do ar frustrado do moreno.
-Verdade! – Ia protestar quando olhou para trás, ouvindo também um par de passadas. Eiji surgiu por detrás dele, olhando em volta. - Eu ainda mato a velha e o seu maldito papagaio das Canárias.
-Por acaso é da Tunísia - corrigiu Eiji. - Mas afinal o que é que se passa?
-O teu irmão quer matar a vizinha para ficar com o lugar de coscuvilheiro do prédio. - Respondeu Kenji casualmente.
-Eu não estava a coscuvilhar!
-Mentira. Eu sei como és. E também sei o que é que esperavas ouvir. Mas esquece! Não tens mais nenhuma hipótese com a minha irmã. - Kenji devia saber que as suas palavras teriam diferentes efeitos nos outros porque não se mostrou nem um pouco preocupado com o olhar fulminante que Linda lhe lançou, nem com o som estrangulado de garganta que Eiji emitiu. Só Setsu não parecia abalado.
-Não te metas na minha vida, Kenji. – Ameaçou Linda, erguendo-se do sofá. Kenji fez o mesmo.
-Calma Linda, estou só a brincar. O Setsu não é burro. Sabe no que se está a meter, caso te volte a pedir para sair.
-Sim. Terei que me contentar com um irmão coruja que a controla ao longe. Provavelmente irá vigiar-me, vasculhar as minhas gavetas em busca de preservativos… - Linda corou, lembrando-se do conselho de Aiko. – Enfim, não terei descanso. A melhor forma de te conquistar é conquistar o teu irmão, pelo que vejo.
A cara de Linda devia dizer o contrário, pois Eiji riu-se ao olhar para ela e Setsu mandou um sorriso cómico. Já Kenji parecia perdido em pensamentos.
-Eu volto já. – Disse de repente, saindo da sala sem esperar por resposta. Quando a sua figura deixou de ser vista, Eiji e Setsu entreolharam-se, suspirando ao mesmo tempo.
-É sempre a mesma coisa. Volta e meia, parece que falamos para uma parede. – Setsu fitou Linda. – Todavia, ele parece diferente. Talvez por estares com ele.
Linda sorriu, de certa forma tocada pelas palavras de Setsu. Decidiu ignorar a pontada dentro de si que a questionava acerca das atitudes de Kenji, por vezes tão semelhantes à da sua própria mãe.
Estava tão perdida nos seus pensamentos que mal notou nos olhares de Eiji para o irmão, apontando a cabeça para a porta. Entendendo a mensagem, Setsu saiu da sala resmungando qualquer coisa sobre o papagaio da Tunísia. Linda ergueu a cabeça ao ver que tanto ela como Eiji estavam sozinhos na sala. Este sorriu e ela sentiu um pequeno tremor no estomago.
-Linda? – Eiji sentou-se no sofá ao lado dela, as pernas abertas e os dedos entrelaçados. Linda espantou-se em como o corpo de Eiji obedecia a diversas antíteses. Os seus olhos cor de avelã brilhavam de determinação em contraste com as suas mãos, que tremiam de nervosismo.
Lentamente, assentiu a cabeça tentando encoraja-lo a falar. O rapaz suspirou.
-Eu sei que mal te conheço. E sei que só me vês como amigo. – Os olhos de Linda aumentaram de tamanho ao perceber aonde Eiji queria chegar. As palavras de Mari após a primeira batalha faziam agora sentido. – Apenas…
Eiji travou-se, praguejando suavemente. Não parecia satisfeito com o rumo do seu discurso.
-Dá-me uma oportunidade. – Disse finalmente, ao fim de uns minutos de silêncio. - Sê minha namorada.
Linda não sabia o que dizer. As palavras formavam-se na sua garganta, mas fundiam-se num som estrangulado antes mesmo que pudessem sair da sua boca. As palavras de Mari, as palavras de Eiji, as suas próprias palavras que pareciam vir dos confins da sua mente e que batalhavam contra a sua parte sentimental como se ela estivesse dividida em duas mentes e não apenas uma.
-Eu…
Eiji não se mexeu, esperando pela resposta dela. De certa, ele parecia já saber o que ela tinha para dizer pois os músculos do seu rosto ficaram mais rígidos.
-Não sei. – Respondeu Linda, honestamente. Ao ver o olhar magoado de Eiji, apressou-se a explicar. – Não é que eu não goste de ti. Mas tu és meu amigo e… - Mordeu o lábio, antecipando a sua mentira. – Digamos que eu tive uns problemas no passado e que não estou pronta para qualquer tipo de relação. Ainda estou um pouco verde na questão das amizades, quanto mais…
-Amor? – Completou Eiji, receoso. Os olhos de Linda aumentaram ainda mais ou ouvir a palavra.
-Não iria tão longe. – Murmurou em resposta, olhando para o rapaz de relance.
Sabia que Eiji não acreditara na sua mentira. Mas havia verdades enterradas ali no meio. Verdades que ela tinha vergonha em admitir. Eiji era o seu primeiro amigo fora do palácio, aquele com quem podia falar de muita coisa – traçando alguns limites, como é óbvio. – Mas também era o primeiro rapaz que Linda conhecia, não contando com Seiji. Era a primeira presença masculina sem qualquer traço de familiaridade que ela conhecia e de que gostava imenso. Não queria arruinar algo precioso que ela tinha com ele por causa de uma relação que podia bem não durar muito, visto eles serem tão jovens.
Expirando fundo, exprimiu os seus últimos sentimentos em voz alta, tentando chamar ao bom senso de Eiji. Tentando fazer com que ele entendesse a sua situação. Linda não soube o que achar quando os olhos de Eiji brilharam ao ouvir as suas palavras, sem dúvida conseguindo recolher alguma esperança naquelas palavras sinuosas.
-Entendo. – Disse ele, não tirando os olhos dos de Linda. Esta sentiu-se um pouco mal ao ver a determinação perdida naquele mar castanho claro com um toque de dourado e verde. – Tens medo. E irei respeitar a tua decisão. Mas quero que saibas Linda, que eu vou lutar por ti. Podes nem te aperceber, mas lutarei.
-Porque insistes tanto? – Insistiu Linda, não entendendo a teimosia de Eiji.
-Porque gosto de ti. – Respondeu Eiji, como se fosse a resposta mais simples do mundo.
Linda queria protestar, acrescentar várias ideias contrárias às intenções dele. Mas antes que pudesse falar, surgiu uma distração.
-Já está - Disse Kenji entrando na sala distraidamente, ignorando que havia interrompido uma conversa muito importante. Eiji sorriu presunçosamente, definitivamente grato pela interrupção. Sem dizer mais, sorriu para Linda e foi para o seu quarto. Linda semicerrou os olhos tanto para ele como para o irmão, que parecia perdido nos seus próprios pensamentos. Mais uma vez, foi interrompida antes que pudesse falar.
-Vamos embora, Linda.
Linda arqueou uma sobrancelha, levemente confusa.
-Embora? Embora para onde?
-Para tua casa. Acho que chegou a altura de conhecer a rapariga que te põe os cabelos em pé.
-Kenji, não eras capaz… - Linda já nem sabia se o avisava ou se o ameaçava. O seu tom de voz bem que dava para os dois. Mas como qualquer bom irmão mais velho faz, Kenji ignorou-a.
-Anda lá, não resmungues. Não temos tempo a perder.
Um pouco mais apressado do que Linda esperava, Kenji pegou no seu casaco, calçou os sapatos e saiu pela porta. Ao ver que irmã ainda estava lá dentro, tornou-se para ela.
-Anda. – Insistiu, impaciente. – Já avisei o Setsu para onde vamos. Se queres a minha ajuda, tens que vir.
-É mesmo por isso que temo em ir contigo. Que tipo de ajuda hás de me dar?
A resposta de Kenji já não era nova. Mas veio acompanhada com um sorrio matreiro, que fez com que Linda se esquecesse dos seus problemas de adolescente – como o seu azar com Eiji - e se focasse mais nos de navegante. Os deuses bem que sabiam como os últimos eram bem mais importantes.
-Vais ver.
Espero por ti em cada segundo , porque tu és o meu mundo!

Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
Visitem a minha 1ª Fic ----->The Four elements

Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
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Cecília Tamura gostava do sossego da sua casa. Sentia-se em casa de cada vez que entrava pela porta e ouvia o ar bater nas paredes e fazer eco do seu próprio som. O silêncio sempre reinou no seu lar. Pelo menos desde que Cecília se lembrava.
Desde a morte do seu pai que Cecília tornou-se numa jovem reservada, mas dócil. Não tinha medo de fazer amigos, no entanto escolhia-os bem. Também tinha estranho o dom de ver a alma das pessoas. Se estas eram puras ou malignas.
Esse dom e o facto de Cecília ser muito apegada ao pai, fez com que esta se afastasse mais da mãe. Misaki sofreu bastante com a morte do marido. Amava-o e era com ele que queria constituir família. Mas a morte repentina do esposo, quando Cecília tinha apenas quatro anos, fez com que o sonho se desmantelasse como um simples castelo de cartas. Retomou a sua vida, mas mais distante da sua única filha. Apaixonou-se por outro homem e casou-se. Cecília conheceu então o homem que substituiria o seu pai. Era um homem bom, que não podia ter filhos, daí que tratava Cecília como se fosse sua. E ela gostava dele.
Mas ainda assim a sua vida seguiu um rumo inesperado. A sua mãe sempre fora uma amiga próxima da Rainha, mas a morte do primeiro esposo fez com que a presença da sua antiga amiga de juventude fosse o seu porto de abrigo. Demorara muito tempo até Cecília descobrir como a mãe conhecera a Rainha. Andaram juntas na faculdade. Tiveram o mesmo professor e foi através da Rainha, na altura a princesa de Crystal Tokyo, que Misaki conheceu o seu futuro esposo. Talvez fosse como uma depressão, pois Misaki parecia perdida mesmo em solo nobre. Passava muito tempo fora de casa tal como o segundo marido, que fazia muitas viagens no estrangeiro. E por várias vezes olhava para Cecília como se ela fosse algo que ela tivesse perdido há muito tempo. E que considerava voltar a perder.
Estava na sua sala favorita. As paredes brancas estavam nuas, assim como a maior parte do quarto. Apenas uma janela com cortinas brancas, um piano e uma moldura, com a foto do seu pai por cima, enfeitava a divisão. Ali, Cecília conseguia ouvir o eco da sua própria voz só de sussurrar. Vinha para aquela sala desde que tinha memórias de si própria e nunca perdera esse hábito.
Sentou-se no banco em frente ao piano. Involuntariamente, os seus olhos encontraram a fotografia do pai. Observou os olhos cuja cor e forma herdara. De resto ela era completamente parecida com a sua mãe. Mas apenas os olhos eram o suficiente para a mãe se perder num mar nostálgico de cada vez que a via.
Ela gostava da sua vida. Apesar de estar a maior parte sozinha, ela até gostava. E todos os seus momentos com o padrasto eram excelentes. Mas a mãe era como a esfinge. Um autêntico enigma. Tentava convencer Cecília a frequentar a alta sociedade, inscreveu-a em vários colégios privados e comprava-lhe numerosos vestidos, de forma a torna-la numa senhora. Cecília conseguira, com a ajuda do padrasto, convencer a mãe a frequentar o ensino público e aceitara os vestidos. Porque não preciso ser um génio para entender que as atitudes excêntricas da mãe tinham um motivo para o serem. Era a forma mais simples de aproximar mãe e filha. Porque de resto, era como se uma parede as separasse. Uma parede que Cecília não tinha ideia de como esta havia sido erguida.
Ela sabia que a mãe e a Rainha eram excelentes amigas, fazendo o seu grupinho de cinco bastante animado quando elas queriam. Cecília conhecera todas as amigas, menos a própria monarca. Ainda assim, podia jurar que a Rainha a fazia lembrar alguém…
Afastou os seus pensamentos, retirando a proteção das teclas cor de marfim. Uma das outras amigas era uma conhecida, mas extremamente insuportável como as loiras populares dos filmes americanos. Outra, que conhecia a Rainha desde que esta era criança, era bem simpática e gostara de Cecília da primeira vez que a vira. Mas havia outra e essa era, na opinião de Cecília, a pior de todas as cobras venenosas do mundo. Para Cecília, dormir no lixo era mais agradável do que estar na presença daquela mulher sem escrúpulos.
Tocou nas teclas, tentando distrair-se. Um belo som saiu do piano, enquanto Cecília tocava uma melodia aleatória que aprendera em criança. A música do instrumento relaxava-a e fazia sentir-se nas nuvens, longe da sua posição social, dos problemas que uma adolescente de dezasseis anos poderia enfrentar e outros motivos. Fazia esquecer-se da mulher que parecia acrescentar tijolos à muralha que a separava da mãe e que, pelos rumores que ela ouvira, fizera o mesmo à Rainha e à sua própria filha.
Mal notou que alguém entrara na sala. A pessoa usava sapato de salto raso que, misturando-se com o som do piano, dava-lhe a possibilidade de andar sem ser ouvida tal como uma índia. Os seus dedos terminaram a melodia ao mesmo tempo que sentiu o sorriso ambicioso da mulher nas suas costas. E também a sua aura negra, que se alastrava pela sala como se esta lhe pertencesse, manchando aquele santuário para Cecília.
-A minha mãe não está aqui, Dawson. – Disse-lhe friamente, sem se tornar para ela.
-Não é assim que se fala para os adultos. - Comentou a mulher, a voz ácida mas extremamente calma, traindo um leve sotaque inglês.
-Adultos não entram na casa das pessoas sem bater. – Cecília focou os olhos no retrato do pai, como que procurando coragem para enfrentar aquela mulher. Sabia que Dawson conseguia sempre dar a volta por cima a uma conversa e já se sentia a perder.
-A tua mãe deixa-me entrar sempre que eu queria. – E ali estava. A voz presunçosa, possessiva, arrogante, vitoriosa. Se a conversa terminasse agora, ela ganharia. Como sempre fazia.
-Mas a casa não é apenas dela. – Cecília ergueu-se, os olhos brilhando em pura ira. Não admitiria que aquela mulher falasse como se ela fosse a sua criada. Só não a expulsava porque depois sofreria as consequências por parte da mãe.
Dawson olhou-a nos olhos, não escondendo um pequeno desagrado no rosto. Cecília sabia que Dawson detestava o vulgar e os seus olhos castanhos era sem dúvida a cor mais comum do mundo. E sabia também que Dawson dá-se por orgulhosa por ter olhos negros. Num enorme continente como a Ásia, era extremamente comum ter olhos negros. Mas não os de Dawson. O negro asiático era quase castanho, os dela era tão negros que até brilhavam como uma superfície negra bem polida. Uma cor fora do normal.
Para não falar que Dawson era inglesa, não japonesa.
-Peço-lhe que saia. - Disse, calmamente.
-E sairei… daqui a pouco. – Dawson respondeu vagamente. Chegou-se perto do piano, pegando na foto. Cecília sentiu o sangue a romper pelas veias ao vê-la examinar o rosto do seu falecido pai sem qualquer respeito, como se ele fosse um novo espécime.
Pousou a foto no sítio, tornando olhos para a jovem. Sabia que Dawson examinava a roupa dela, em busca de indícios para a criticar. Mas mal chegara a casa, Cecília mudara a roupa do uniforme para uma mais casual, de cor negra. E Dawson nunca se queixava do negro. Afinal, ela usava-o muitas vezes.
Os olhos de Dawson fitaram o pulso de Cecília, os olhos emitindo um estranho brilho vitorioso.
-Estás a usar a pulseira que te dei? – Perguntou, o rosto metaforizando-se para um de extremo agrado.
Cecília olhou para a sua pulseira. Uma tira negra com uma estrela branca. Simples e vulgar. Cortesia de Dawson quando esta viajara para Londres.
-Estou. – Respondeu, não tirando os olhos da visitante. Ambas pensavam exatamente no mesmo. Ambas sabiam que aquela pulseira não era comum.
-Onde comprou esta pulseira? – Perguntou Cecília, não conseguindo controlar a curiosidade. Sempre quisera saber de onde aquele objeto estranho viera. Principalmente se viera das mãos de Dawson.
-Oh… - Dawson tentou parecer pouco incomodada. Cecília sabia que, caso não fosse o seu dom, teria caído que nem um patinho de tão convincente que ela era. - Comprei-o num bazar. Estava lá a olhar para mim e pensei em como ficaria bem em ti. E parece que eu tive razão, como sempre.
Sorriu, provocando um arrepio em Cecília. E, sem esperar por mais, saiu da divisão nem se incomodando em despedir-se da jovem.
Cecília fitou a porta por onde Dawson havia saído. Porque e que ela viera ali? Por muito que a jovem pensasse, só lhe vinha uma resposta à cabeça. Ela queria saber se ela usava a pulseira.
Olhou para o objeto no seu pulso Não acreditara em nenhuma palavra que Dawson dissera. Ela nunca iria a um bazar. Fosse como fosse, teria que ter cuidado com ela. Cecília aprendera há muito tempo que Dawson tramava alguma coisa em grande. Algo em que ela estava envolvida.
Cecília Tamura gostava do sossego da sua casa. Sentia-se em casa de cada vez que entrava pela porta e ouvia o ar bater nas paredes e fazer eco do seu próprio som. O silêncio sempre reinou no seu lar. Pelo menos desde que Cecília se lembrava.
Desde a morte do seu pai que Cecília tornou-se numa jovem reservada, mas dócil. Não tinha medo de fazer amigos, no entanto escolhia-os bem. Também tinha estranho o dom de ver a alma das pessoas. Se estas eram puras ou malignas.
Esse dom e o facto de Cecília ser muito apegada ao pai, fez com que esta se afastasse mais da mãe. Misaki sofreu bastante com a morte do marido. Amava-o e era com ele que queria constituir família. Mas a morte repentina do esposo, quando Cecília tinha apenas quatro anos, fez com que o sonho se desmantelasse como um simples castelo de cartas. Retomou a sua vida, mas mais distante da sua única filha. Apaixonou-se por outro homem e casou-se. Cecília conheceu então o homem que substituiria o seu pai. Era um homem bom, que não podia ter filhos, daí que tratava Cecília como se fosse sua. E ela gostava dele.
Mas ainda assim a sua vida seguiu um rumo inesperado. A sua mãe sempre fora uma amiga próxima da Rainha, mas a morte do primeiro esposo fez com que a presença da sua antiga amiga de juventude fosse o seu porto de abrigo. Demorara muito tempo até Cecília descobrir como a mãe conhecera a Rainha. Andaram juntas na faculdade. Tiveram o mesmo professor e foi através da Rainha, na altura a princesa de Crystal Tokyo, que Misaki conheceu o seu futuro esposo. Talvez fosse como uma depressão, pois Misaki parecia perdida mesmo em solo nobre. Passava muito tempo fora de casa tal como o segundo marido, que fazia muitas viagens no estrangeiro. E por várias vezes olhava para Cecília como se ela fosse algo que ela tivesse perdido há muito tempo. E que considerava voltar a perder.
Estava na sua sala favorita. As paredes brancas estavam nuas, assim como a maior parte do quarto. Apenas uma janela com cortinas brancas, um piano e uma moldura, com a foto do seu pai por cima, enfeitava a divisão. Ali, Cecília conseguia ouvir o eco da sua própria voz só de sussurrar. Vinha para aquela sala desde que tinha memórias de si própria e nunca perdera esse hábito.
Sentou-se no banco em frente ao piano. Involuntariamente, os seus olhos encontraram a fotografia do pai. Observou os olhos cuja cor e forma herdara. De resto ela era completamente parecida com a sua mãe. Mas apenas os olhos eram o suficiente para a mãe se perder num mar nostálgico de cada vez que a via.
Ela gostava da sua vida. Apesar de estar a maior parte sozinha, ela até gostava. E todos os seus momentos com o padrasto eram excelentes. Mas a mãe era como a esfinge. Um autêntico enigma. Tentava convencer Cecília a frequentar a alta sociedade, inscreveu-a em vários colégios privados e comprava-lhe numerosos vestidos, de forma a torna-la numa senhora. Cecília conseguira, com a ajuda do padrasto, convencer a mãe a frequentar o ensino público e aceitara os vestidos. Porque não preciso ser um génio para entender que as atitudes excêntricas da mãe tinham um motivo para o serem. Era a forma mais simples de aproximar mãe e filha. Porque de resto, era como se uma parede as separasse. Uma parede que Cecília não tinha ideia de como esta havia sido erguida.
Ela sabia que a mãe e a Rainha eram excelentes amigas, fazendo o seu grupinho de cinco bastante animado quando elas queriam. Cecília conhecera todas as amigas, menos a própria monarca. Ainda assim, podia jurar que a Rainha a fazia lembrar alguém…
Afastou os seus pensamentos, retirando a proteção das teclas cor de marfim. Uma das outras amigas era uma conhecida, mas extremamente insuportável como as loiras populares dos filmes americanos. Outra, que conhecia a Rainha desde que esta era criança, era bem simpática e gostara de Cecília da primeira vez que a vira. Mas havia outra e essa era, na opinião de Cecília, a pior de todas as cobras venenosas do mundo. Para Cecília, dormir no lixo era mais agradável do que estar na presença daquela mulher sem escrúpulos.
Tocou nas teclas, tentando distrair-se. Um belo som saiu do piano, enquanto Cecília tocava uma melodia aleatória que aprendera em criança. A música do instrumento relaxava-a e fazia sentir-se nas nuvens, longe da sua posição social, dos problemas que uma adolescente de dezasseis anos poderia enfrentar e outros motivos. Fazia esquecer-se da mulher que parecia acrescentar tijolos à muralha que a separava da mãe e que, pelos rumores que ela ouvira, fizera o mesmo à Rainha e à sua própria filha.
Mal notou que alguém entrara na sala. A pessoa usava sapato de salto raso que, misturando-se com o som do piano, dava-lhe a possibilidade de andar sem ser ouvida tal como uma índia. Os seus dedos terminaram a melodia ao mesmo tempo que sentiu o sorriso ambicioso da mulher nas suas costas. E também a sua aura negra, que se alastrava pela sala como se esta lhe pertencesse, manchando aquele santuário para Cecília.
-A minha mãe não está aqui, Dawson. – Disse-lhe friamente, sem se tornar para ela.
-Não é assim que se fala para os adultos. - Comentou a mulher, a voz ácida mas extremamente calma, traindo um leve sotaque inglês.
-Adultos não entram na casa das pessoas sem bater. – Cecília focou os olhos no retrato do pai, como que procurando coragem para enfrentar aquela mulher. Sabia que Dawson conseguia sempre dar a volta por cima a uma conversa e já se sentia a perder.
-A tua mãe deixa-me entrar sempre que eu queria. – E ali estava. A voz presunçosa, possessiva, arrogante, vitoriosa. Se a conversa terminasse agora, ela ganharia. Como sempre fazia.
-Mas a casa não é apenas dela. – Cecília ergueu-se, os olhos brilhando em pura ira. Não admitiria que aquela mulher falasse como se ela fosse a sua criada. Só não a expulsava porque depois sofreria as consequências por parte da mãe.
Dawson olhou-a nos olhos, não escondendo um pequeno desagrado no rosto. Cecília sabia que Dawson detestava o vulgar e os seus olhos castanhos era sem dúvida a cor mais comum do mundo. E sabia também que Dawson dá-se por orgulhosa por ter olhos negros. Num enorme continente como a Ásia, era extremamente comum ter olhos negros. Mas não os de Dawson. O negro asiático era quase castanho, os dela era tão negros que até brilhavam como uma superfície negra bem polida. Uma cor fora do normal.
Para não falar que Dawson era inglesa, não japonesa.
-Peço-lhe que saia. - Disse, calmamente.
-E sairei… daqui a pouco. – Dawson respondeu vagamente. Chegou-se perto do piano, pegando na foto. Cecília sentiu o sangue a romper pelas veias ao vê-la examinar o rosto do seu falecido pai sem qualquer respeito, como se ele fosse um novo espécime.
Pousou a foto no sítio, tornando olhos para a jovem. Sabia que Dawson examinava a roupa dela, em busca de indícios para a criticar. Mas mal chegara a casa, Cecília mudara a roupa do uniforme para uma mais casual, de cor negra. E Dawson nunca se queixava do negro. Afinal, ela usava-o muitas vezes.
Os olhos de Dawson fitaram o pulso de Cecília, os olhos emitindo um estranho brilho vitorioso.
-Estás a usar a pulseira que te dei? – Perguntou, o rosto metaforizando-se para um de extremo agrado.
Cecília olhou para a sua pulseira. Uma tira negra com uma estrela branca. Simples e vulgar. Cortesia de Dawson quando esta viajara para Londres.
-Estou. – Respondeu, não tirando os olhos da visitante. Ambas pensavam exatamente no mesmo. Ambas sabiam que aquela pulseira não era comum.
-Onde comprou esta pulseira? – Perguntou Cecília, não conseguindo controlar a curiosidade. Sempre quisera saber de onde aquele objeto estranho viera. Principalmente se viera das mãos de Dawson.
-Oh… - Dawson tentou parecer pouco incomodada. Cecília sabia que, caso não fosse o seu dom, teria caído que nem um patinho de tão convincente que ela era. - Comprei-o num bazar. Estava lá a olhar para mim e pensei em como ficaria bem em ti. E parece que eu tive razão, como sempre.
Sorriu, provocando um arrepio em Cecília. E, sem esperar por mais, saiu da divisão nem se incomodando em despedir-se da jovem.
Cecília fitou a porta por onde Dawson havia saído. Porque e que ela viera ali? Por muito que a jovem pensasse, só lhe vinha uma resposta à cabeça. Ela queria saber se ela usava a pulseira.
Olhou para o objeto no seu pulso Não acreditara em nenhuma palavra que Dawson dissera. Ela nunca iria a um bazar. Fosse como fosse, teria que ter cuidado com ela. Cecília aprendera há muito tempo que Dawson tramava alguma coisa em grande. Algo em que ela estava envolvida.
Espero por ti em cada segundo , porque tu és o meu mundo!

Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
Visitem a minha 1ª Fic ----->The Four elements

Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
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Bem, deliciei-me a ler!
A historia esta cada vez mais emocionante e envolvente, e as tuas descriçoes, como ja disse antes, sao optimas!
OMG, adorei aquela cena em que a Linda se depara com o Setsu só com a toalhinha! Ele é mesmo desinibido, nem sequer se importou! lol
O Eiji é fofo, mas irrita-me que ele insista tanto com a linda! --' Odeio rapazes persistentes, so espero que ela seja diferente de mim, pk senao o rapaz nunca na vida tinha hipoteses!
Adorei aquela parte:
"Porra, um é Jesus Cristo, outro é Deus. E o que raio é que eu sou? - perguntou Eiji, na brincadeira.
-És a Madre Teresa de Calcutá. Santinha que Deus tenha - Setsu benzeu-se, provocando gargalhada geral na divisão"
lool
Bem, agora falando da conversa do kenji com a Linda... As sailors Dream, Harmony e Faith juntas se calhar vai dar estrondo, especialmente se as identidades delas forem as que eu penso que sao!
hum, ataum a rapariga da flor de jupiter morrreu?! fiquei chocada! lol
Oh e o Kenji ker conheçer a Mari! A rapariga ate vai cair pro lado! hehehe
Quanto á cecilia! Coitada, ter de levar com uma mulher de que nao gosta a invandir-lhe a casa é mesmo chato! fogo, kem saia logo de casa era eu! --'
Well, Ana, adorei!
fico ã espera de mais!
Bjokas
A historia esta cada vez mais emocionante e envolvente, e as tuas descriçoes, como ja disse antes, sao optimas!
OMG, adorei aquela cena em que a Linda se depara com o Setsu só com a toalhinha! Ele é mesmo desinibido, nem sequer se importou! lol
O Eiji é fofo, mas irrita-me que ele insista tanto com a linda! --' Odeio rapazes persistentes, so espero que ela seja diferente de mim, pk senao o rapaz nunca na vida tinha hipoteses!

Adorei aquela parte:
"Porra, um é Jesus Cristo, outro é Deus. E o que raio é que eu sou? - perguntou Eiji, na brincadeira.
-És a Madre Teresa de Calcutá. Santinha que Deus tenha - Setsu benzeu-se, provocando gargalhada geral na divisão"
lool
Bem, agora falando da conversa do kenji com a Linda... As sailors Dream, Harmony e Faith juntas se calhar vai dar estrondo, especialmente se as identidades delas forem as que eu penso que sao!
hum, ataum a rapariga da flor de jupiter morrreu?! fiquei chocada! lol
Oh e o Kenji ker conheçer a Mari! A rapariga ate vai cair pro lado! hehehe

Quanto á cecilia! Coitada, ter de levar com uma mulher de que nao gosta a invandir-lhe a casa é mesmo chato! fogo, kem saia logo de casa era eu! --'
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as minhas fic's:
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
-Angelical
Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
-Angelical
Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^
Obrigada pelo teu comentário Lulumoon. Deu-me imenso prazer em lê-lo.
;_; e obrigada por ainda continuares a ler a minha fanfic.
Houve coisas que, de um dia pró outro, decidi mudar por meu belprazer. Uma dessas é o destino do Setsu. E eu que pensava em pô-lo apenas como "o primeiro rapaz que saiu com a protagonista e irmão do apaixonado desta", mas decidi dar-lhe outro papel
No final até completou um pequeno puzzle que tinha criado.
Em relação ao casal de pombinhos... A Linda é teimosa e cria barreiras à sua volta. Acho natural que o Eiji queria quebrar essas barreiras. Mas isso será tratado mais para a frente
Hum... em relação às três "amadoras", não sei bem.
Ah, pois. Eu ansiava por esta parte do capitulo há muito. O Kenji a conhecer a Mari. Está a dar-me pica a escrever x)
O que é que será que o Kenji irá fazer com a "inimiga" da irmã?
A Cecilia... Eu tbm sairia de casa, visto ter um padrasto a trabalhar no estrangeiro. Mas a minha mãe é um pouco parecida com a Misaki, mãe da Cecilia (vão ver mais tarde porque dei-lhe um primeiro nome) e por isso, não deveria ter muita hipotese
;_; e obrigada por ainda continuares a ler a minha fanfic.
Houve coisas que, de um dia pró outro, decidi mudar por meu belprazer. Uma dessas é o destino do Setsu. E eu que pensava em pô-lo apenas como "o primeiro rapaz que saiu com a protagonista e irmão do apaixonado desta", mas decidi dar-lhe outro papel

No final até completou um pequeno puzzle que tinha criado.
Em relação ao casal de pombinhos... A Linda é teimosa e cria barreiras à sua volta. Acho natural que o Eiji queria quebrar essas barreiras. Mas isso será tratado mais para a frente

Hum... em relação às três "amadoras", não sei bem.

Ah, pois. Eu ansiava por esta parte do capitulo há muito. O Kenji a conhecer a Mari. Está a dar-me pica a escrever x)
O que é que será que o Kenji irá fazer com a "inimiga" da irmã?
A Cecilia... Eu tbm sairia de casa, visto ter um padrasto a trabalhar no estrangeiro. Mas a minha mãe é um pouco parecida com a Misaki, mãe da Cecilia (vão ver mais tarde porque dei-lhe um primeiro nome) e por isso, não deveria ter muita hipotese

Espero por ti em cada segundo , porque tu és o meu mundo!

Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
Visitem a minha 1ª Fic ----->The Four elements

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hum, por acaso nunca pensei no setsu com outro papel para alem de "o primeiro rapaz que saiu com a protagonista e irmão do apaixonado desta"! lool Vamos la ver o que ~e que o rapaz vai fazer aí pro meio! 
No que diz respeito á Linda e ao Eiji... bem, acho que sou um pouco como a linda nesse aspecto! Eu tambem sou muito dificil e crio muitas barreiras á minha volta! Para eu acreditar num rapaz é preciso uma infinidade de provas sobre o seu bom caracter! lool
Vamos la ver se o Eiji vai conseguir levar a melhor!
hihi, eu tou mesmo ansiosa por ver a reacçao da Mari ao deparar-se com o Kenji! hehe, vai ser mesmo demais! Será que ele tambem vai ficar apanhadinho por ela? Ou seá que vai ser como a irma? hum...
Entao, A mae da Cecilia é amiga da rainha, logo, ela e a Linda se calhar ainda vao ficar mais proximas com o tempo!
Ai, tou mesmo ansiosa! tu nunca desistas desta historia, é mesmo muito linda! Parabens ^»^
bjokas

No que diz respeito á Linda e ao Eiji... bem, acho que sou um pouco como a linda nesse aspecto! Eu tambem sou muito dificil e crio muitas barreiras á minha volta! Para eu acreditar num rapaz é preciso uma infinidade de provas sobre o seu bom caracter! lool
Vamos la ver se o Eiji vai conseguir levar a melhor!

hihi, eu tou mesmo ansiosa por ver a reacçao da Mari ao deparar-se com o Kenji! hehe, vai ser mesmo demais! Será que ele tambem vai ficar apanhadinho por ela? Ou seá que vai ser como a irma? hum...
Entao, A mae da Cecilia é amiga da rainha, logo, ela e a Linda se calhar ainda vao ficar mais proximas com o tempo!

Ai, tou mesmo ansiosa! tu nunca desistas desta historia, é mesmo muito linda! Parabens ^»^
bjokas
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qlqr dia eu e a lulumoon ainda te raptams ou começamst a sobornar 
vale smpr a pena esperar por ti nao é aninha? (espero q n t imports q t chame assim)
gostei imenso do capitulo, e podes ter a certeza que tens aqui uma leitora que vai leer sempre qualquer fic que escrevas até ao fim
por acaso ao ler este cap. comecei a pensar no Setsu com outro papel
para alem de "o primeiro rapaz que saiu com a protagonista e irmão do
apaixonado desta"!
uh uh aquelas as 3 juntas vai dar estrondo
elahh o Eiji finalmente põem-se no activo! ate agora so estava o Setsu agor com o Eiji...quero ver isso eheheh
uh uh será q os sentimentos da Mari serão correspondidos pelo Keiji? eu acho que sim...vamos lá ver
agoraaaa, depois no final metias o Setsu com a amiga da Mari, a Cecilia se não estou em erro...(qnd tu actualizas eu ja nao me lembro -- ' desligo-me...tnh de ver se arranjo uma tarde pa rever ela td)
eu fiqei com duvida numa cena...a 'raainha' a q te referist no final do cap. q a mae da Cecilia era amiga...Estavas a falar da Small Lady ou da Nova Serenidade?
Pq lemmbro-m de teres escrito q a neo rainha serenidade sabia esolher bem as suas amizades, ao contrario da filha.. e fiquei uma beca em duvida :/
bem...a Linda tbm deve conhecer a tal tipa neh?
tve a pensar...Fiquei com a certa ideiaa q a Linda ia falar com os pais...n sei pq...ach q ela é a q ta menos magoada com eles no meio dessa historia td..
E tve a pensar...da-me a sensaçao q a avó da Mari é a Minako Aino...E a mae a filha da minako...
e tv a pensar...a cecilia pd n podr ser a harmony pq n tem brasão...(ou seja n é descendent d nnhm sailor..apesar do brasao ser da familia real ms okay -- ')
enfim...vamos la ver neh? x)
tu tens é q arranjar uns guardioes tpo mascarado para as nossas guerreiras pah! tipo...Keiji, Setsu e Eiji
Kenji para a Mari, Setsu para a Cecilia e Eiji para a Linda xDD se é que a Mari e a Cecilia são a Faith e a Harmony...
vamos lá ver neh? =)
beijinho, fico a espera do cap. da outra fic ='D

vale smpr a pena esperar por ti nao é aninha? (espero q n t imports q t chame assim)
gostei imenso do capitulo, e podes ter a certeza que tens aqui uma leitora que vai leer sempre qualquer fic que escrevas até ao fim

por acaso ao ler este cap. comecei a pensar no Setsu com outro papel
para alem de "o primeiro rapaz que saiu com a protagonista e irmão do
apaixonado desta"!

uh uh aquelas as 3 juntas vai dar estrondo
elahh o Eiji finalmente põem-se no activo! ate agora so estava o Setsu agor com o Eiji...quero ver isso eheheh
uh uh será q os sentimentos da Mari serão correspondidos pelo Keiji? eu acho que sim...vamos lá ver

agoraaaa, depois no final metias o Setsu com a amiga da Mari, a Cecilia se não estou em erro...(qnd tu actualizas eu ja nao me lembro -- ' desligo-me...tnh de ver se arranjo uma tarde pa rever ela td)
eu fiqei com duvida numa cena...a 'raainha' a q te referist no final do cap. q a mae da Cecilia era amiga...Estavas a falar da Small Lady ou da Nova Serenidade?
Pq lemmbro-m de teres escrito q a neo rainha serenidade sabia esolher bem as suas amizades, ao contrario da filha.. e fiquei uma beca em duvida :/
bem...a Linda tbm deve conhecer a tal tipa neh?
tve a pensar...Fiquei com a certa ideiaa q a Linda ia falar com os pais...n sei pq...ach q ela é a q ta menos magoada com eles no meio dessa historia td..
E tve a pensar...da-me a sensaçao q a avó da Mari é a Minako Aino...E a mae a filha da minako...
e tv a pensar...a cecilia pd n podr ser a harmony pq n tem brasão...(ou seja n é descendent d nnhm sailor..apesar do brasao ser da familia real ms okay -- ')
enfim...vamos la ver neh? x)
tu tens é q arranjar uns guardioes tpo mascarado para as nossas guerreiras pah! tipo...Keiji, Setsu e Eiji
Kenji para a Mari, Setsu para a Cecilia e Eiji para a Linda xDD se é que a Mari e a Cecilia são a Faith e a Harmony...vamos lá ver neh? =)
beijinho, fico a espera do cap. da outra fic ='D
Será que tenho que comprar uma fechadura extra? 
(É impressão minha ou tá tudo com ideia que a Mari e a Cecilia sejam as
Sailor Faith e Harmony? Onde é que vão buscar essas ideias?
)
Ups, esqueci-me de esclarecer uma coisa. A Rapariga está quase morta. É um vegetal. Tem pulso e coração a bater, mas o cerebro está desligado. É o que acontece quando se retira a alma a alguem (by: Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban).
Xii, já tá tudo com ideia que a Lindinha acabará com o Eiji. Eu ainda posso enfiar um "noivo" pelo meio
Ah e a Mari... Bem, têm que esperar pelo proximo capitulo para ver o que vai acontecer. Mas a Mari não vai cair pro lado (ai, que agora veio-me uma ideia
). Até porque o Kenji tem uma 2ª intenção ao acompanhar a Linda (Mari é apenas uma desculpa).
A Rainha que falava é a Small Lady. A Serenidade já não é rainha. Reformou-se, entregando o trono à filha. Apenas a "tipa" lhe chama "Rainha Velha".
Em relação à Linda e a Cecilia darem-se através das amizades das maes. Bem, a Linda está afastada dos pais e a Cecilia pouco se importa com as amizades da mãe, daí que é pouco provavel.
Ehehehe, a Minako já apareceu nesta fanfic (cap. 6). E a avó de Mari tem um nome: Aiko Nakamura.
Além disso, eu menciono que a Minako tem um neto (por sinal burro). E era chunga eu matar a filha da Minako (sim, porque Mari vive com a avó desde a morte da mae) xDD.
Ah...
A Moon, Mercury e etc não são filhas de navegantes e têm poderes. São reencarnações. (mais informações não posso dar --. )
Ahaha, por acaso já pensei em por o Kenji como Neo Mascarado (vontade não lhe falta
). Mas "arranjar" três dá trabalho e apenas um é discriminação (pois, apenas a moon tinha um mascarado, as outras ficavam com os monstrinhos).
Já tou a escrever o resto do capitulo.
Em breve será postado.

(É impressão minha ou tá tudo com ideia que a Mari e a Cecilia sejam as
Sailor Faith e Harmony? Onde é que vão buscar essas ideias?
)Ups, esqueci-me de esclarecer uma coisa. A Rapariga está quase morta. É um vegetal. Tem pulso e coração a bater, mas o cerebro está desligado. É o que acontece quando se retira a alma a alguem (by: Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban).
Xii, já tá tudo com ideia que a Lindinha acabará com o Eiji. Eu ainda posso enfiar um "noivo" pelo meio
Ah e a Mari... Bem, têm que esperar pelo proximo capitulo para ver o que vai acontecer. Mas a Mari não vai cair pro lado (ai, que agora veio-me uma ideia
). Até porque o Kenji tem uma 2ª intenção ao acompanhar a Linda (Mari é apenas uma desculpa).A Rainha que falava é a Small Lady. A Serenidade já não é rainha. Reformou-se, entregando o trono à filha. Apenas a "tipa" lhe chama "Rainha Velha".
Em relação à Linda e a Cecilia darem-se através das amizades das maes. Bem, a Linda está afastada dos pais e a Cecilia pouco se importa com as amizades da mãe, daí que é pouco provavel.
Ehehehe, a Minako já apareceu nesta fanfic (cap. 6). E a avó de Mari tem um nome: Aiko Nakamura.
Além disso, eu menciono que a Minako tem um neto (por sinal burro). E era chunga eu matar a filha da Minako (sim, porque Mari vive com a avó desde a morte da mae) xDD.
Ah...
A Moon, Mercury e etc não são filhas de navegantes e têm poderes. São reencarnações. (mais informações não posso dar --. )Ahaha, por acaso já pensei em por o Kenji como Neo Mascarado (vontade não lhe falta
). Mas "arranjar" três dá trabalho e apenas um é discriminação (pois, apenas a moon tinha um mascarado, as outras ficavam com os monstrinhos).Já tou a escrever o resto do capitulo.
Em breve será postado.

Espero por ti em cada segundo , porque tu és o meu mundo!

Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
Visitem a minha 1ª Fic ----->The Four elements

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AnA_Sant0s escreveu:
Ahaha, por acaso já pensei em por o Kenji como Neo Mascarado (vontade não lhe falta). Mas "arranjar" três dá trabalho e apenas um é discriminação (pois, apenas a moon tinha um mascarado, as outras ficavam com os monstrinhos).
Já tou a escrever o resto do capitulo.
Em breve será postado.
realmente depois daquele comentario "claro ainda eespero um dia ser o mascarado e salvar uma pita chorona" (foi qlqr coisa assim ms n importa tu percebst)

ia ser 'diferente' ser o irmão a salvar a sailor dream moon x)
tu nao vais meter um noivo poi nao? isso era muito mau msm

e a Linda só ia odiar ainda mais a mae e o pai se eles fizessem isso..
quem é que nos meteu estas ideias na cabeça? --'
tu dás-nos esperanças

mas bem...confio em ti aninha...vamos ver o que tu fazes =)
Lena_Dias escreveu:AnA_Sant0s escreveu:
Ahaha, por acaso já pensei em por o Kenji como Neo Mascarado (vontade não lhe falta). Mas "arranjar" três dá trabalho e apenas um é discriminação (pois, apenas a moon tinha um mascarado, as outras ficavam com os monstrinhos).
Já tou a escrever o resto do capitulo.
Em breve será postado.
realmente depois daquele comentario "claro ainda eespero um dia ser o mascarado e salvar uma pita chorona" (foi qlqr coisa assim ms n importa tu percebst)
ia ser 'diferente' ser o irmão a salvar a sailor dream moon x)
tu nao vais meter um noivo poi nao? isso era muito mau msm
e a Linda só ia odiar ainda mais a mae e o pai se eles fizessem isso..
quem é que nos meteu estas ideias na cabeça? --'
tu dás-nos esperanças
mas bem...confio em ti aninha...vamos ver o que tu fazes =)
Verdade. O Kenji adora a historia do avô. No proximo capitulo vou mostrar isso.
Posso meter um noivo sim. Até porque a Linda já odeia os pais e tudo. Mais odio nao lhe fará mal à saude. Quem sabe que ela até pode se apaixonar por ele.
Obrigada pela confiança =)
Espero por ti em cada segundo , porque tu és o meu mundo!

Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
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ja me vou intrometer na conversa!
Eu sou afavor do noivo pk nao sei pk veio-me agora um flash back de uma coisa que li aqui na fic á ja algum tempo!
Se bem me lembro o Eiji tambem é de uma familia... digamos afortunada! logo a rainha podia lembrar-se de juntar a linda a ele ou ao Setsu! lool saio-me com cada uma!
mas ate que ficava original! a rainha lembra-se de juntar a Linda, nao ao Eiji, k gosta dela, mas sim ao Setsu! lool
ah, eu gosto de drama! quanto mais melhor!
lol, mal posso esperar para saber qual é o motivo do kenji para ir com a Linda! vai ser interessante!
bjokas
AnA_Sant0s escreveu:Lena_Dias escreveu:AnA_Sant0s escreveu:
Ahaha, por acaso já pensei em por o Kenji como Neo Mascarado (vontade não lhe falta). Mas "arranjar" três dá trabalho e apenas um é discriminação (pois, apenas a moon tinha um mascarado, as outras ficavam com os monstrinhos).
Já tou a escrever o resto do capitulo.
Em breve será postado.
realmente depois daquele comentario "claro ainda eespero um dia ser o mascarado e salvar uma pita chorona" (foi qlqr coisa assim ms n importa tu percebst)
ia ser 'diferente' ser o irmão a salvar a sailor dream moon x)
tu nao vais meter um noivo poi nao? isso era muito mau msm
e a Linda só ia odiar ainda mais a mae e o pai se eles fizessem isso..
quem é que nos meteu estas ideias na cabeça? --'
tu dás-nos esperanças
mas bem...confio em ti aninha...vamos ver o que tu fazes =)
Verdade. O Kenji adora a historia do avô. No proximo capitulo vou mostrar isso.
Posso meter um noivo sim. Até porque a Linda já odeia os pais e tudo. Mais odio nao lhe fará mal à saude. Quem sabe que ela até pode se apaixonar por ele.
Obrigada pela confiança =)
Eu sou afavor do noivo pk nao sei pk veio-me agora um flash back de uma coisa que li aqui na fic á ja algum tempo!
Se bem me lembro o Eiji tambem é de uma familia... digamos afortunada! logo a rainha podia lembrar-se de juntar a linda a ele ou ao Setsu! lool saio-me com cada uma!
mas ate que ficava original! a rainha lembra-se de juntar a Linda, nao ao Eiji, k gosta dela, mas sim ao Setsu! lool
ah, eu gosto de drama! quanto mais melhor!
lol, mal posso esperar para saber qual é o motivo do kenji para ir com a Linda! vai ser interessante!

bjokas
as minhas fic's:
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
-Angelical
Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
-Angelical
Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^
lulumoon escreveu:ja me vou intrometer na conversa!AnA_Sant0s escreveu:Lena_Dias escreveu:AnA_Sant0s escreveu:
Ahaha, por acaso já pensei em por o Kenji como Neo Mascarado (vontade não lhe falta). Mas "arranjar" três dá trabalho e apenas um é discriminação (pois, apenas a moon tinha um mascarado, as outras ficavam com os monstrinhos).
Já tou a escrever o resto do capitulo.
Em breve será postado.
realmente depois daquele comentario "claro ainda eespero um dia ser o mascarado e salvar uma pita chorona" (foi qlqr coisa assim ms n importa tu percebst)
ia ser 'diferente' ser o irmão a salvar a sailor dream moon x)
tu nao vais meter um noivo poi nao? isso era muito mau msm
e a Linda só ia odiar ainda mais a mae e o pai se eles fizessem isso..
quem é que nos meteu estas ideias na cabeça? --'
tu dás-nos esperanças
mas bem...confio em ti aninha...vamos ver o que tu fazes =)
Verdade. O Kenji adora a historia do avô. No proximo capitulo vou mostrar isso.
Posso meter um noivo sim. Até porque a Linda já odeia os pais e tudo. Mais odio nao lhe fará mal à saude. Quem sabe que ela até pode se apaixonar por ele.
Obrigada pela confiança =)
Eu sou afavor do noivo pk nao sei pk veio-me agora um flash back de uma coisa que li aqui na fic á ja algum tempo!
Se bem me lembro o Eiji tambem é de uma familia... digamos afortunada! logo a rainha podia lembrar-se de juntar a linda a ele ou ao Setsu! lool saio-me com cada uma!
mas ate que ficava original! a rainha lembra-se de juntar a Linda, nao ao Eiji, k gosta dela, mas sim ao Setsu! lool
ah, eu gosto de drama! quanto mais melhor!
lol, mal posso esperar para saber qual é o motivo do kenji para ir com a Linda! vai ser interessante!
bjokas
acabei de pensar nisso!
ia ser do mellhor!
lulu (posso chamar-te assim?) tems de sobornar a ana com monchérri xDD
ana hj n postast nvo cap. da fic onde estás, endymion?
hum...espero actualizaçao das duas
beijinhoMon cherry?! 
ai acho que nem dava para soburnar, eu pessoalmente comias os bonbons todos!
Mas é verdade ana, tens de postar!
bom, mas nao te julgo, coitada, manter 3 fics dá k falar!
boa sorte para elas!
eu e a leninha (agora eu é que pergunto se te posso tratar assim, lol) temos de nos aguentar!
'

ai acho que nem dava para soburnar, eu pessoalmente comias os bonbons todos!

Mas é verdade ana, tens de postar!

bom, mas nao te julgo, coitada, manter 3 fics dá k falar!

boa sorte para elas!

eu e a leninha (agora eu é que pergunto se te posso tratar assim, lol) temos de nos aguentar!

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as minhas fic's:
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
-Angelical
Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
-Angelical
Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^
ahaha, eu detesto moncherri. Mas adoro ovos kinder 
(ah e podem tratar-me por Ana, aninha e semelhantes, claro
)
O mais dificil de manter as 3 fanfics é o tempo, mesmo. E a falta de inspiração. Num dia estou virada para a fanfic "the four elements", noutro para a "guardiã dos sonhos", mas é raro estar para a minha outra fanfic. Estou um pouco "tesa" de inspiração nessa parte.
(opah, não digam a ninguem que voz contei isto --.)
Essa ideia do "noivo" já a processei. Foi logo no inicio da fanfic (quando falo do suposto noivo da Linda, falo do Setsu). Mas desisti da ideia de o casamento ir pra frente.
EDIT: já postei o outro cap. na outra fanfic. Agora não reclamem xDD

(ah e podem tratar-me por Ana, aninha e semelhantes, claro
)O mais dificil de manter as 3 fanfics é o tempo, mesmo. E a falta de inspiração. Num dia estou virada para a fanfic "the four elements", noutro para a "guardiã dos sonhos", mas é raro estar para a minha outra fanfic. Estou um pouco "tesa" de inspiração nessa parte.
(opah, não digam a ninguem que voz contei isto --.)
Essa ideia do "noivo" já a processei. Foi logo no inicio da fanfic (quando falo do suposto noivo da Linda, falo do Setsu). Mas desisti da ideia de o casamento ir pra frente.
EDIT: já postei o outro cap. na outra fanfic. Agora não reclamem xDD
Espero por ti em cada segundo , porque tu és o meu mundo!

Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
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estes capitulos estam mt bons continua que eu estou a adorar
mim retira-se "desculpa nao ter comentado mais cedo é que eu leio as fincs e passo algum tempo é que me lembro de as comentar"
mim retira-se "desculpa nao ter comentado mais cedo é que eu leio as fincs e passo algum tempo é que me lembro de as comentar"
a minha primeira fic "AS FILHAS DA LUA"passem na minha fic e comentem XD

Traços do destino
visitem o meu forum http://eterna-sailor-moon4.forumeiros.com/forum.htm

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Próximo Capítulo: Visita Inesperada
Post: Na próxima quinta-feira.
Post: Na próxima quinta-feira.
Espero por ti em cada segundo , porque tu és o meu mundo!

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Lena_Dias escreveu:boa , capitulo na quintaeu tenho tado uma beca ausente, mas vou tentar vir na quinta ..
e ainda tnh de ler a tuqa fic, a four elements ms n tnh tado cm tempo nenhum...
beijinho
Isso faz-me lembrar que tou muito atrasada em capitulos nessa fanfic --´
No outro forum, onde começei a escrever, tou dois capitulos à frente.
Espero por ti em cada segundo , porque tu és o meu mundo!

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Tens de entrar para responderes neste tópico.


eu tenho tado uma beca ausente, mas vou tentar vir na quinta ..
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