A Guardiã dos Sonhos
A Guardiã dos Sonhos
Indice:
Capitulo 1. A Decisão------página 1
Capítulo 2. Reflexo------página 1
Capítulo 3. O primeiro Dia parte 1-----página 1
Capitulo 4. O primeiro Dia parte 2-----página 1
Capítulo 5. Conhecimentos-----página 1
Capitulo 6. Encontros por acaso-----página 1
Capítulo 7. Exigências-----página 1
Capítulo 8. A Conspiração-----página 1
Capítulo 9. Universitários-----página 2
Capítulo 10. Primeiros encontros-----página 2
Capítulo 11. Uma nova Sailor-----página 2
Capítulo 12. Familia-----página 2
Capítulo 13. Guerra aberta-----página 2/3
Capítulo 14. Um encontro Interessante-----página 3
Capítulo 15. Visita Inesperada-----página 4
Capítulo 16. A Flor de Vénus e a Flor de Saturno -----página 4
Capitulo 17. Um Ás na dança-----página 4
Capítulo 18. Segredo Descoberto-----página 5
Capítulo 19 Os dançarinos | A Flor de Mercúrio parte 1-----página 5
Capítulo 20 Os dançarinos | A Flor de Mercúrio parte 2-----página 5
Capítulo 21 Os dançarinos | A Flor de Mercúrio parte 3-----página 5
Capítulo 22 A queda da máscara-----página 5
Capítulo 23 A melhor prenda-----página 5/6
Capítulo 24 Vida Nova-----página 6
Capítulo 25 As Guardiãs da Esperança-----página 6
Capítulo 26 No seu elemento----página 6/7
Capítulo 27 Carpe Diem-----página 7
Capítulo 28 A Flor da Lua-----página 7
Capítulo 29 As últimas páginas-----página 7
Epílogo -----página 7
reescrita
Sípnose: Linda é a descendente de Sailor Moon e herdeira do trono de Crystal Tokyo. Todavia, longe de tomar o seu poder como garantido, detesta-o e deseja vê-lo pelas costas. A oportunidade surge quando o irmão sai de casa. Linda segue-o e a sua vida adopta um novo rumo de aventuras típicas de uma adolescente desde a adaptação a uma nova escola, novos amigos, inimigos e rapazes. Mas o mal está à espreita, muito perto dos seus próprios pais, ao mesmo tempo que os poderes de Linda e de mais duas guerreiras navegantes despertam, fazendo com que a rapariga tenha que tomar decisões um tanto difíceis e aprender mais acerca de si própria e dos seus poderes. Cabe a ela o destino do seu reino. E o da sua vida.
Espero por ti em cada segundo , porque tu és o meu mundo!

Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
Visitem a minha 1ª Fic ----->The Four elements

Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
Visitem a minha 1ª Fic ----->The Four elements
Editado pela última vez em
realmente é melhor fazer isso...
penso que não haja ninguem com uma fic de nome A guardia dos sonhos....
e aquela era apenas o prologo... 1ª parte posto amanha
penso que não haja ninguem com uma fic de nome A guardia dos sonhos....
e aquela era apenas o prologo... 1ª parte posto amanha

Espero por ti em cada segundo , porque tu és o meu mundo!

Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
Visitem a minha 1ª Fic ----->The Four elements

Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
Visitem a minha 1ª Fic ----->The Four elements
a tua fic parece interessante. espero pelo 1 capitulo
.o:
.o:
a minha primeira fic "AS FILHAS DA LUA"passem na minha fic e comentem XD

Traços do destino
visitem o meu forum http://eterna-sailor-moon4.forumeiros.com/forum.htm

Traços do destino
visitem o meu forum http://eterna-sailor-moon4.forumeiros.com/forum.htm
ainda bem que vos interessa 
reescrito a 08/12/2011
Capitulo 1. A decisão
O som do relógio de avô rompia num ritmo constante e até enfadonho. Era o único som que Linda conseguia ouvir, encerrada naquela sala enorme com uma única secretária, um quadro interactivo e uma professora com ar severo. Ao virar a cabeça, sentia a luz do exterior, vinda da grande janela, mais longe. Inalcançável.
À sua frente, a professora falava muito alto. A sua voz fazia tremer suavemente os vidros da grande sala, rouca, quase masculina e insuportável. Falava das equações, de problemas, funções… Enfim, matemática.
Cada frase era como um método de tortura para Linda, que bocejou discretamente, tentando distrair-se, pois a mulher idiota nem se apercebia que a jovem não lhe prestava a mínima atenção.
De repente, era como se a voz grave da professora tivesse sido enfiada dentro de um poço, de tão fraca e longínqua que soara em comparação ao eco de uma porta da sala ao lado a bater fortemente.
Instintivamente, ergueu-se e aproximou-se da janela. A professora tentava chamar-lhe a atenção, mas Linda só se mexeu quando viu um vulto a pegar na sua moto e sair do palácio sem olhar para trás.
Ele fê-lo, pensou Linda, suspirando pesadamente. Já devia ter esperado aquela atitude vinda do irmão desde que ele fizera os dezoito anos.
-Princesa, sente-se imediatamente, estamos a perder tempo de estudo! - gritou a professora saturada, as suas mãos dando ênfase a cada palavra.
Linda sentou-se, contrariada, e continuou os exercícios. Deu-se ao luxo de suspirar naquela sala tão silenciosa. Aquelas estúpidas aulas de verão eram uma das razões para o irmão ter saído de casa. O pai era o dono dessa ideia. Entendia que era melhor para os filhos estudar longe dos outros jovens, que lhes poderiam querer mal, visto serem os principes de Crystal Tokyo. Claro que era tudo desculpas. Desculpas que a mãe de Linda sempre deixava passar. A sua atitude passiva destacava-se em comparação com o forte carácter do pai e, por vezes, Linda dava por si indecisa sobre quem seria o animal enjaulado. Ela ou a mãe...
Quando a aula acabou, Linda dirigiu-se para o seu quarto, pensando no irmão. Por muito responsável que o irmão fosse, perguntava-se como é que ele aguentaria a vida no mundo exterior. Fez uma careta ao lembrar-se que o irmão nunca fora enjaulado. Ele sempre pudera sair de casa desde que recebeu a sua mota, sempre pudera explorar o mundo para além das paredes do palácio.
O som dos seus sapatos a baterem no chão de mármore extinguiu-se ao entrar por detrás de uma porta. Linda, sem pensar duas vezes, dirigiu-se para a janela do seu quarto, fitando o horizonte. Na paisagem, via-se todo o Crystal Tokyo, com as suas casas, apartamentos e, se se esforçasse, até conseguia imaginar som das buzinas dos carros e do movimentos das ruas. De acordo com o avô, Crystal Tokyo nunca mudará, será sempre a cidadezinha onde ele, a avó e as tias cresceram.
Linda sorriu tristemente, desejando mais do que nunca viver nesse mundo.
Semanas passaram-se e Linda sentia-se a morrer na penúria. As coisas não podiam ter ficado piores com a partida do irmão. Uma recente onda de pressão vinda dos pais, obrigou a rapariga a refugiar-se na herdade dos avós, onde passeava a cavalo tranquilamente. Sentia-se bem a respirar o ar fresco, ao mesmo tempo que observava o sol a passar pelo Monte Fuji-san ao longe, deixando transparecer um belíssimo reflexo azul-esverdeado na água do lago Sai.
Ser ou não ser Rainha, eis a questão, pensava Linda quando não tinha mais nada para fazer. Porque, com a ida do irmão, não havia muitas mais hipóteses para o trono de Crystal Tokyo. O herdeiro mais velho abdicara, sobrando a mais nova.
E essa mais nova era talvez a última pessoa que alguém perguntaria se queria ser Rainha. Porque ela era apenas princesa de nome, não de coração.
-Estou farta.
-Farta de quê? - perguntou Ami, segurando as rédeas do seu cavalo firmemente. Linda crescera acostumada a chamá-la de tia Ami, tal como às outras navegantes, devido aos fortes laços de amizade que uniam-nas aos seus avós.
-Farta desta vida. Detesto-a! Detesto os meus pais.
-Não devias falar assim, Linda. - Contra-argumentou Ami suavemente. - Não importa a impressão que os teus pais te causam, eles amam-te.
Linda controlou uma risada.
-Têm uma forma muito discreta de o mostrar, devo dizer...
Ami mordeu o lábio.
-Eles... têm muito que fazer.
Como sempre, Linda notou num tom de hesitação e receio. Era óbvio que Ami sabia mais do que dizia. Mas Linda, apesar do seu temperamento, cresceu cansada de esperar por uma resposta às suas tão difíceis perguntas, como diziam os avós.
Sussurrando leves onomatopeias ao ouvido do seu cavalo, virou-o rumo à fazendo, trotando sem prestar atenção a Ami, que ficara para trás a observá-la.
Naquele dia, jantou sossegada, sabendo que era observada pelos avós. Mamoru limpou a boca com um guardanapo branco e fitou a neta, cujo prato ainda estava cheio.
-Linda, ainda não comeste nada!
Linda saiu do seu ar melancólico calmamente, tentando forçar as palavras a sair. Poucas horas antes, ouvira dizer que a mãe vinha para a fazenda passar o fim-de-semana, dissipando o bom humor de Linda em poucos segundos.
-Não tenho fome. - respondeu simplesmente.
-Devias comer. Estás tão magra, minha querida. – Comentou a avó, comendo mais uma garfada de esparguete cheio de molho, algo que enjoou Linda. – Ainda podes ficar doente.
Apesar do tom de preocupação, havia mais no tom doce da voz da sua avó. Havia sempre mais…
-Não consigo comer mais nada. Com licença. – Desculpou-se a jovem, levantando-se da mesa e dirigindo-se para o quarto, deixando o casal a entreolhar-se, preocupados.
Quando a mãe chegou, tratou de se esconder no sótão ou até mesmo nos estábulos. Enfim, algum sitio onde ela pudesse evitar encontrar-se com a Rainha de Tokyo. O seu jogo de brincar e esconder durou algumas horas, até que alguém veio ter com Linda aos estábulos, quando esta massajava o focinho do seu cavalo.
A Rainha Serenity, ou Usagi agora que renunciara ao trono, usava as roupas mais informais do seu armário, aproximando-se do estilo da neta. Trazia na mão uma mochila. Linda fitou o olhar decidido da avó e a mochila na sua mão.
-O que é isso? - perguntou cautelosamente. Usagi esboçou um sorriso, em nada semelhante ao de uma mulher da sua idade. Desde pequena que Linda sempre desejara ser como ela, tão bela e jovem.
-A tua decisão. - disse, largando a mochila no feno. - Os teus pais são os teus guardiões, têm poder legal sobre ti. Todavia, sei que estás farta de viver neste mundo de fantasia e decidi... dar-te esta hipótese.
-Não me vai impedir?
Usagi abanou a cabeça.
-Jamais interferei com o teu destino. A tua mãe delimitou o dela, não serei eu responsável pelo teu. Tu decides.
Era demais para acreditar. Não soubesse melhor, diria que estava a sonhar. Mas o focinho húmido do cavalo provava que ela estava acordada e que a avó tinha mesmo sugerido que ela fugisse de casa, com a mãe ali perto muito menos.
-Como? - foi tudo o que perguntou.
-Se decidires, podes chamar um taxi. O teu telemóvel está ai, bem como algum dinheiro e roupas. Tens no bolso da frente a morada de uma amiga minha, para teres um tecto sob a tua cabeça.
Usagi pausou e depois, calmamente, aproximou-se da neta e beijou-lhe a testa carinhosamente. Esta não se mexeu, deixando-se levar pelo prazer do toque carinhoso.
-Nasceste para ser mais do que uma princesa enclausurada. Não quero que percas a tua vida aqui. Quero que sintas tudo aquilo que eu senti quando tinha a tua idade. E também...
Usagi procurou algo nos seus bolsos.
-Antes de ires, quero dar-te uma coisa. Anda sempre com isto. Não o percas!
Linda sentiu o toque frio de um objecto em forma de estrela. Lançando um olhar de relance, viu que era prateado e que exibia nove pontos negros brilhantes e que tinha o tamanho de um pingente para um colar.
-Avó, eu...
-Chiu... - silenciou a mais velha. - Com o tempo vais-te aperceber do significado desse objecto que tens na mão. Mas até lá, não te esqueças, anda sempre com ele. Boa sorte querida!
Usagi abraçou a neta com força e afastou-se dos estábulos sem deitar um último relance.
O caminho para o portão foi curto mas longo ao mesmo tempo. Suspirando, Linda pegou no telemóvel e fez uma chamada rápida. Não conseguia deixar de olhar para a herdade, perguntando-se se estaria a fazer a coisa certa. Estava agora a abandonar a sua zona de conforto, junto daqueles que a haviam protegido a vida toda. Lá fora, estava sozinha.
O porteiro não a impediu de sair, até porque se encontrava distraído a falar com alguém que realizava um passeio nocturno.
Linda já estava dentro do táxi quando viu o rosto da pessoa e os seus olhares se cruzaram.
Era a sua mãe.
Tinha uma cara cansada, com os seus cabelos rosa a cair desalinhados e encaracolados e os olhos um pouco vermelhos tanto na íris como nas pálpebras. Era obvio que estivera a chorar, mas Linda não podia se importar menos ao dar as direcções ao taxista e a seguir caminho, rumo a uma nova vida.
A sua decisão estava tomada.

reescrito a 08/12/2011
Capitulo 1. A decisão
O som do relógio de avô rompia num ritmo constante e até enfadonho. Era o único som que Linda conseguia ouvir, encerrada naquela sala enorme com uma única secretária, um quadro interactivo e uma professora com ar severo. Ao virar a cabeça, sentia a luz do exterior, vinda da grande janela, mais longe. Inalcançável.
À sua frente, a professora falava muito alto. A sua voz fazia tremer suavemente os vidros da grande sala, rouca, quase masculina e insuportável. Falava das equações, de problemas, funções… Enfim, matemática.
Cada frase era como um método de tortura para Linda, que bocejou discretamente, tentando distrair-se, pois a mulher idiota nem se apercebia que a jovem não lhe prestava a mínima atenção.
De repente, era como se a voz grave da professora tivesse sido enfiada dentro de um poço, de tão fraca e longínqua que soara em comparação ao eco de uma porta da sala ao lado a bater fortemente.
Instintivamente, ergueu-se e aproximou-se da janela. A professora tentava chamar-lhe a atenção, mas Linda só se mexeu quando viu um vulto a pegar na sua moto e sair do palácio sem olhar para trás.
Ele fê-lo, pensou Linda, suspirando pesadamente. Já devia ter esperado aquela atitude vinda do irmão desde que ele fizera os dezoito anos.
-Princesa, sente-se imediatamente, estamos a perder tempo de estudo! - gritou a professora saturada, as suas mãos dando ênfase a cada palavra.
Linda sentou-se, contrariada, e continuou os exercícios. Deu-se ao luxo de suspirar naquela sala tão silenciosa. Aquelas estúpidas aulas de verão eram uma das razões para o irmão ter saído de casa. O pai era o dono dessa ideia. Entendia que era melhor para os filhos estudar longe dos outros jovens, que lhes poderiam querer mal, visto serem os principes de Crystal Tokyo. Claro que era tudo desculpas. Desculpas que a mãe de Linda sempre deixava passar. A sua atitude passiva destacava-se em comparação com o forte carácter do pai e, por vezes, Linda dava por si indecisa sobre quem seria o animal enjaulado. Ela ou a mãe...
Quando a aula acabou, Linda dirigiu-se para o seu quarto, pensando no irmão. Por muito responsável que o irmão fosse, perguntava-se como é que ele aguentaria a vida no mundo exterior. Fez uma careta ao lembrar-se que o irmão nunca fora enjaulado. Ele sempre pudera sair de casa desde que recebeu a sua mota, sempre pudera explorar o mundo para além das paredes do palácio.
O som dos seus sapatos a baterem no chão de mármore extinguiu-se ao entrar por detrás de uma porta. Linda, sem pensar duas vezes, dirigiu-se para a janela do seu quarto, fitando o horizonte. Na paisagem, via-se todo o Crystal Tokyo, com as suas casas, apartamentos e, se se esforçasse, até conseguia imaginar som das buzinas dos carros e do movimentos das ruas. De acordo com o avô, Crystal Tokyo nunca mudará, será sempre a cidadezinha onde ele, a avó e as tias cresceram.
Linda sorriu tristemente, desejando mais do que nunca viver nesse mundo.
Semanas passaram-se e Linda sentia-se a morrer na penúria. As coisas não podiam ter ficado piores com a partida do irmão. Uma recente onda de pressão vinda dos pais, obrigou a rapariga a refugiar-se na herdade dos avós, onde passeava a cavalo tranquilamente. Sentia-se bem a respirar o ar fresco, ao mesmo tempo que observava o sol a passar pelo Monte Fuji-san ao longe, deixando transparecer um belíssimo reflexo azul-esverdeado na água do lago Sai.
Ser ou não ser Rainha, eis a questão, pensava Linda quando não tinha mais nada para fazer. Porque, com a ida do irmão, não havia muitas mais hipóteses para o trono de Crystal Tokyo. O herdeiro mais velho abdicara, sobrando a mais nova.
E essa mais nova era talvez a última pessoa que alguém perguntaria se queria ser Rainha. Porque ela era apenas princesa de nome, não de coração.
-Estou farta.
-Farta de quê? - perguntou Ami, segurando as rédeas do seu cavalo firmemente. Linda crescera acostumada a chamá-la de tia Ami, tal como às outras navegantes, devido aos fortes laços de amizade que uniam-nas aos seus avós.
-Farta desta vida. Detesto-a! Detesto os meus pais.
-Não devias falar assim, Linda. - Contra-argumentou Ami suavemente. - Não importa a impressão que os teus pais te causam, eles amam-te.
Linda controlou uma risada.
-Têm uma forma muito discreta de o mostrar, devo dizer...
Ami mordeu o lábio.
-Eles... têm muito que fazer.
Como sempre, Linda notou num tom de hesitação e receio. Era óbvio que Ami sabia mais do que dizia. Mas Linda, apesar do seu temperamento, cresceu cansada de esperar por uma resposta às suas tão difíceis perguntas, como diziam os avós.
Sussurrando leves onomatopeias ao ouvido do seu cavalo, virou-o rumo à fazendo, trotando sem prestar atenção a Ami, que ficara para trás a observá-la.
Naquele dia, jantou sossegada, sabendo que era observada pelos avós. Mamoru limpou a boca com um guardanapo branco e fitou a neta, cujo prato ainda estava cheio.
-Linda, ainda não comeste nada!
Linda saiu do seu ar melancólico calmamente, tentando forçar as palavras a sair. Poucas horas antes, ouvira dizer que a mãe vinha para a fazenda passar o fim-de-semana, dissipando o bom humor de Linda em poucos segundos.
-Não tenho fome. - respondeu simplesmente.
-Devias comer. Estás tão magra, minha querida. – Comentou a avó, comendo mais uma garfada de esparguete cheio de molho, algo que enjoou Linda. – Ainda podes ficar doente.
Apesar do tom de preocupação, havia mais no tom doce da voz da sua avó. Havia sempre mais…
-Não consigo comer mais nada. Com licença. – Desculpou-se a jovem, levantando-se da mesa e dirigindo-se para o quarto, deixando o casal a entreolhar-se, preocupados.
Quando a mãe chegou, tratou de se esconder no sótão ou até mesmo nos estábulos. Enfim, algum sitio onde ela pudesse evitar encontrar-se com a Rainha de Tokyo. O seu jogo de brincar e esconder durou algumas horas, até que alguém veio ter com Linda aos estábulos, quando esta massajava o focinho do seu cavalo.
A Rainha Serenity, ou Usagi agora que renunciara ao trono, usava as roupas mais informais do seu armário, aproximando-se do estilo da neta. Trazia na mão uma mochila. Linda fitou o olhar decidido da avó e a mochila na sua mão.
-O que é isso? - perguntou cautelosamente. Usagi esboçou um sorriso, em nada semelhante ao de uma mulher da sua idade. Desde pequena que Linda sempre desejara ser como ela, tão bela e jovem.
-A tua decisão. - disse, largando a mochila no feno. - Os teus pais são os teus guardiões, têm poder legal sobre ti. Todavia, sei que estás farta de viver neste mundo de fantasia e decidi... dar-te esta hipótese.
-Não me vai impedir?
Usagi abanou a cabeça.
-Jamais interferei com o teu destino. A tua mãe delimitou o dela, não serei eu responsável pelo teu. Tu decides.
Era demais para acreditar. Não soubesse melhor, diria que estava a sonhar. Mas o focinho húmido do cavalo provava que ela estava acordada e que a avó tinha mesmo sugerido que ela fugisse de casa, com a mãe ali perto muito menos.
-Como? - foi tudo o que perguntou.
-Se decidires, podes chamar um taxi. O teu telemóvel está ai, bem como algum dinheiro e roupas. Tens no bolso da frente a morada de uma amiga minha, para teres um tecto sob a tua cabeça.
Usagi pausou e depois, calmamente, aproximou-se da neta e beijou-lhe a testa carinhosamente. Esta não se mexeu, deixando-se levar pelo prazer do toque carinhoso.
-Nasceste para ser mais do que uma princesa enclausurada. Não quero que percas a tua vida aqui. Quero que sintas tudo aquilo que eu senti quando tinha a tua idade. E também...
Usagi procurou algo nos seus bolsos.
-Antes de ires, quero dar-te uma coisa. Anda sempre com isto. Não o percas!
Linda sentiu o toque frio de um objecto em forma de estrela. Lançando um olhar de relance, viu que era prateado e que exibia nove pontos negros brilhantes e que tinha o tamanho de um pingente para um colar.
-Avó, eu...
-Chiu... - silenciou a mais velha. - Com o tempo vais-te aperceber do significado desse objecto que tens na mão. Mas até lá, não te esqueças, anda sempre com ele. Boa sorte querida!
Usagi abraçou a neta com força e afastou-se dos estábulos sem deitar um último relance.
O caminho para o portão foi curto mas longo ao mesmo tempo. Suspirando, Linda pegou no telemóvel e fez uma chamada rápida. Não conseguia deixar de olhar para a herdade, perguntando-se se estaria a fazer a coisa certa. Estava agora a abandonar a sua zona de conforto, junto daqueles que a haviam protegido a vida toda. Lá fora, estava sozinha.
O porteiro não a impediu de sair, até porque se encontrava distraído a falar com alguém que realizava um passeio nocturno.
Linda já estava dentro do táxi quando viu o rosto da pessoa e os seus olhares se cruzaram.
Era a sua mãe.
Tinha uma cara cansada, com os seus cabelos rosa a cair desalinhados e encaracolados e os olhos um pouco vermelhos tanto na íris como nas pálpebras. Era obvio que estivera a chorar, mas Linda não podia se importar menos ao dar as direcções ao taxista e a seguir caminho, rumo a uma nova vida.
A sua decisão estava tomada.
Espero por ti em cada segundo , porque tu és o meu mundo!

Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
Visitem a minha 1ª Fic ----->The Four elements

Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
Visitem a minha 1ª Fic ----->The Four elements
Editado pela última vez em
obrigada... depois vejo se posto hoje ou amanha o 2º capitulo!! 

Espero por ti em cada segundo , porque tu és o meu mundo!

Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
Visitem a minha 1ª Fic ----->The Four elements

Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
Visitem a minha 1ª Fic ----->The Four elements
Esta mto giro! Gstei mesmo mto!
Espero por mais!!
.o:
Espero por mais!!
.o:
**KitTty** Apenas Um SoNhO - FanFic Capitulo IX - Parte I ja postado a 16/08/2009
muito giro! escreves muito bem ana!
eu estava aqui a tentar perceber a arvore geneologica dessa familia, e finalmente percebi quem é a avo e quem é a mae da linda! lol
gosto da maneira como escreves, és descritiva!
espero por mais! queros aber o que se vai passar!
bjokas
eu estava aqui a tentar perceber a arvore geneologica dessa familia, e finalmente percebi quem é a avo e quem é a mae da linda! lol
gosto da maneira como escreves, és descritiva!
espero por mais! queros aber o que se vai passar!
bjokas
as minhas fic's:
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
-Angelical
Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
-Angelical
Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^
era assim tao dificil?? 
vem vou entao postar o 2º capitulo.. espero que gostem
reescrito a 08/12/2011
Capítulo 2. Reflexo
Passavam das sete da manhã quando Linda chegou ao seu destino. Bocejando discretamente, saiu do táxi e olhou em volta.
Era a primeira vez que se encontrava numa rua japonesa, sem um adulto por perto. E a sensação era boa.
O sol já havia nascido, iluminando os telhados das casas e prédios daquela zona suburbana. O prédio pretendido era adornado em tons de bege e tinha um grande terraço no topo. As bordas das janelas e varandas eram de um bege mais escuro e todo aquele cenário claro destacava-se do mar de pretos, azuis e metalizados da cidade. Tinha um ar um pouco decadente, quinze andares e um pequeno jardim na entrada, com a relva bem verde e bem cortada.
Suspirando, avançou para a porta, pedindo ao porteiro para lhe abrir a porta. O homem mirou-a com apenas um olho e deixou-a passar sem muitas perguntas. Linda entrou no elevador e carregou no botão para o décimo andar.
A porta tinha escrito com letras douradas o nome da família residente em nihongo, a língua japonesa.
Nakamura.
O nome era lhe completamente estranho mas ia passar a viver ali, com quem quer que vivesse naquela casa de aspecto pobre no exterior, mas que devia ser rica, pois o edifício era guardado por um porteiro e havia visto lá fora que um dos andares estava à venda e que era um T3. Casas daquelas não deviam ser muito baratas.
Tocou à campainha, nervosa e esperou que alguém atendesse. A porta abriu-se segundos depois, mostrando uma mulher de meia-idade, cabelo curto ruivo pintado e olhos castanhos-claros, cor de amêndoas.
-Olá, deves ser a Linda certo? Eu sou Aiko Nakamura, uma amiga da tua avó, Usagi. Ai, as saudades que tenho dela. - disse a mulher, com um ar nostálgico, mas nunca tirando os olhos da rapariga. -Anda, não fiques aí fora. Entra!
Linda recebeu o convite com um sorriso e entrou na casa, sacudindo os pés no tapete de entrada.
-Juro que não esperava que fosses assim. - Comentou Aiko. - És muito parecida com a tua mãe.
Linda tremeu involuntariamente.
-Sabe quem é a minha mãe? - perguntou com algum receio.
Aiko não respondeu, limitando-se a sorrir. Olhando para os pés dela, viu que esperava que Linda se descalçasse. Corando levemente, Linda abandonou as suas sapatilhas num canto e calçou uns chinelos de dedo. Enquanto se calçava, admirou a divisão, que era respectivamente a sala de jantar e a sala de estar.
Era bem iluminada, as paredes pintadas em tons de pastéis, algumas fazendo um efeito dégradé com os objectos decorativos. Para além disso, havia alguns quadros, fotografias, uma pequena lareira, uma televisão frente a um sofá vermelho vivo e uma pequena mesa junto ao cabide, onde Linda pendurou o seu casaco. Notou que, nas fotos, só apareciam pessoas com cabelo loiro, ainda que Aiko tivesse o seu pintado.
Os quadros tinham todos aspecto decorativo e nenhum valor artístico, limitando-se a mostrar imagens abstractas sem qualquer sentido, como se o pintor tivesse tido a ousadia de imitar Picasso, mas sem sucesso. Apenas um tinha um estilo diferente.
Era a imagem a óleo de uma rapariga sorridente, com cabelos dourados e rosto angelical, vestida com uma camisola branca de lã. Tinha umas pequenas covinhas e rosto redondo, mas o que chamou mais a atenção da rapariga foram os brilhantes olhos verde-esmeralda, que pareciam atrair a pessoa só com o olhar inocente que emitia.
Perguntou quem era e Aiko, atrás dela, respondeu-lhe com a voz embalada em nostalgia e dor:
-É a minha falecida filha. Morreu há quase dez anos.
-Lamento. – Disse Linda, sinceramente. Honestamente, não daria pelo parentesco à primeira vista. Aiko e a filha partilhavam o mesmo nariz e maçãs do rosto mas, a não ser que Aiko tivesse cabelo loiro por baixo daquelas camadas de ruivo artificial, não parecia ter mais semelhanças com a rapariga do quadro.
Aiko abanou a cabeça, recusando os pêsames.
-Já foi há muito tempo. A maior parte da dor já passou. – Dirigiu um olhar para o corredor. – O que resta deve-se à Mari.
Linda ficou calada, deixando com que a dona da casa quebrasse os seus pensamentos para tornar a sua atenção à nova hóspede.
-Vais gostar da Mari. É a minha neta. Tem mau feitio e é muito teimosa, mas tem bom coração. Às tantas ainda vão-se entender.
Linda apenas sorriu, deixando claro que não era certo que ela e a outra rapariga iriam ser amigas.
-Só moram cá as duas?
-Sim. – Afirmou Aiko. – O meu marido já morreu e o meu genro trabalha na Marinha. Não tem muito tempo para cá vir. Tem o coração ligado ao mar.
Riu-se, talvez esperando que Linda a acompanhasse. Esta continuou a sorrir, temendo rasgar a cara de tanto sorriso cordial que emitia.
Aiko fitou Linda, curiosa.
-És muito parecida com ela…
Linda parou de sorrir. Aiko, ao ver a reacção da rapariga, mordeu o lábio, escolhendo as suas próximas palavras.
-A Usagi disse-me que ficarias aqui temporariamente, mas digo-te já que não te preocupes com o tempo. Tenta apenas não causar sarilhos na escola. Já me bastam os da Mari.
-Não vai haver problemas. Não sou de provocar sarilhos. – Todavia, nos confins da mente de Linda, uma vozinha suspeita dizia que ela também nunca tivera oportunidade para tal, daí que era muito cedo para falar.
Aiko mandou um sorriso caloroso para ela.
-Acredito que sim. Sendo tu neta de quem és, não deverás causar problemas... - Seguiu-se um curto silêncio, quebrado pelo tom entusiasta de Aiko - Bem, vou mostrar-te o teu quarto.
Linda seguiu Aiko pelo corredor, até que a mais velha abriu a porta mais distante.
-Tem aqui tudo o que precisas. Uma secretária, uma cama, um pequeno armário e um toucador com espelho. Aqui tens a casa de banho. – Disse, abrindo a porta ao lado, mostrando uma pequena divisão com azulejos cristalinos. – Vais ter que a dividir com a Mari, mas penso que não haverá problemas aí. Nenhuma de vocês parece ser daquelas de perder tempo a escovar os cabelos. – Riu-se um pouco suavemente e depois suspirou. – Pareces cansada. Vou preparar o pequeno-almoço. A Mari ainda está a dormir, podes descansar entretanto. Eu chamo-te quando for hora do almoço. De tarde, trataremos da tua matrícula na escola da Mari.
-Sr.ª. Nakamura?
-Aiko, querida. – Interrompeu a mais velha. Linda assentiu.
-Aiko, obrigada… por tudo. – Disse a jovem, sinceramente. Jamais conseguiria agradecer pela ajuda que Aiko prestava a uma completa desconhecida.
-Não me agradeças. É um favor que faço a uma amiga e a ti. Sei que, noutras circunstancias, a Usagi fazer-me-ia o mesmo à Mari.
E, com sorriso alegre, Aiko dirigiu-se para a cozinha, deixando Linda com a mochila às costas e com a mão na maçaneta. Não perdendo tempo, explorou a divisão onde passaria a dormir nos próximos dias, largando a mochila junto à porta.
O quarto tinha as paredes pintadas de marfim e o soalho era em madeira polida como o resto da casa. A cama era de madeira escura com lençóis brancos e uma coberta cinzenta. Toda a mobília do quarto era daquela madeira escura, que mais parecia ébano. E, do lado esquerdo, situado no eixo de simetria do quarto, estava a janela, com vista para a torre de Tokyo. Gostando do que viu, tratou de arrumar as suas roupas no pequeno armário e pondo os seus objectos pessoais no toucador. Mas, antes que pudesse respirar de alívio, ouviu passos no corredor.
A porta, ainda aberta, mostrava uma figura em pijama a fitá-la curiosamente. Linda aproximou-se da rapariga, que tinha aproximadamente a mesma idade que ela. Devia ser Mari.
A rapariga olhou-a com suspeita. Era alta e esguia e tinha os cabelos compridos e dourados da mãe, bem como os mesmos olhos verde-esmeralda. Todavia, o rosto era mais comprido e isente de covinhas. Ainda que semelhante à rapariga do quadro, Mari conseguia ter um ar desconfiado e rebelde em contraste com o semblante angelical da mãe.
-Quem és tu? – Perguntou a loira, cruzando os braços.
Linda não respondeu logo.
-Sou a Linda. Neta de uma amiga da tua avó, Usagi Tsukino.
O rosto de Mari contorceu-se sombriamente.
-Engraçado que nunca ouvi falar dessa tal de Usagi Tsukino. - Linda presentiu um frio em volta delas ao som daquelas palavras. - Não percebo como agora ela e a minha avó são grandes amigas.
-Eu também nunca ouvi falar da tua avó. Mas parece que mantiveram contacto. - Linda murmurou, sombriamente. Mari nem pestanejou. Limitou-se a fitá-la intensamente, como quem tentava ler para além do olhar. Ao fim de um longo e penoso minuto, disse:
-A minha avó nunca perde contacto com grandes amigos e além disso eu conheço todas as amigas da minha avó e sei que não há nenhuma Usagi Tsukino que ela conheça. E, de qualquer maneira, ela nunca trata desconhecidos da mesma maneira como te tratou a ti. - Mari sorriu cinicamente enquanto Linda manteve o rosto firme. - Estranho. - Comentou num tom de troça, exibindo aquele sorriso que Linda vira tantas vezes no palácio para saber que detestava mais do que estar trancada numa sala de aula em pleno verão.
-Vou estar de olho em ti.
-Aí sim? – Respondeu Linda, com desdém. Mari respondeu com um sorriso malicioso.
-A minha avó tem um coração de manteiga. Não vê para além da caixa. Porque raio estás aqui e não a viver com a tua família?
-Porque te interessa tanto saber? Não tens nada a ver com isso!
Mari engoliu em seco, claramente notando o tom ameaçador de Linda. Todavia, a rapariga parecia feita de nervos de aço, pois o rosto manteve-se indistinto.
-Tu tens um motivo. Posso não ter nada a ver com isso, mas não te conheço, logo não confio em ti. O que terás a esconder para vires para aqui, sabendo que nenhuma das nossas avós possuem uma relação forte, por assim dizer? Tanto quanto sei, até podes ser uma criminosa.
Tanta coisa soava mal naquilo que Linda viu-se sem reacção. Que ela soubesse, ser princesa não era crime naqueles dias, pois não?
-Estás a ameaçar-me?
Mari lançou-lhe um olhar penetrante.
-Um aviso.
-Sabes, se eu for mesmo uma criminosa, não podes fazer nada para me impedir.
-Admites então?
Linda revirou os olhos.
-Estou só a apontar a falha do teu “aviso”. Não sou criminosa, podes ficar descansada.
-Não deixarei de estar de olhos em ti.
-Bem... agradeço o aviso. Se não me incomodares, também não te incomodarei a ti.
-Digo o mesmo. - murmurou Mari, lançando mais um olhar de desdém antes de entrar no quarto, deixando Linda sozinha.
Esta não demorou a entrar no seu, fechando a porta com um pouco mais de força que queria.
Aproximou-se do toucador, apenas para se olhar. Apenas para ver os efeitos que as noites anteriores tiveram em si.
Tal como suspeitava, tinha leves olheiras devido à breve insónia que tinha há já uns dias. Era a primeira em meses. Os cabelos estavam mal amarrados num elástico, alguns cachos de cabelo negro encaracolado caindo sobre o rosto. Sentindo-se sonolenta, aproximou o rosto do espelho e, devagarinho, puxou a pálpebra para cima e tirou uma lente de contacto do olho esquerdo. Repetiu a mesma operação no olho direito e depois pegou na caixa de óculos em cima do toucador e colocou-os, um pouco desmazelada.
O reflexo parecia sonolento, os cabelos caindo abaixo dos ombros e os óculos rectangulares pretos escondiam os olhos azuis-escuros que ela herdara dos avós.
Ela era um desastre ambulante. Não se admirava que ninguém no país tivesse conhecimento do seu aspecto. Pudera, com aquela cara de menina inocente, estatura média mas com pernas demasiado compridas em comparação ao tronco, sem curvas e lábios ligeiramente mais largos e grossos do que os da mãe e da avó. Talvez o único traço físico herdado do pai.
Odiou o que viu e pensou no quão era diferente deles. Ela aprendera tudo com as suas tias e os seus avós. Ami ensinara-lhe a ler e a escrever, mesmo antes de Linda ter aulas. Makoto ensinara-lhe a cozinhar, mas devido á falta de prática, Linda já não se considerava boa cozinheira. Rei ensinara-lhe tudo o que aprendera no templo com o seu avô, incluindo a ser verdadeira consigo própria. Minako ensinara-lhe a apostar alto, mediante as consequências, e a amar a liberdade, visto ela ter sido cantora e actriz. Mamoru ensinara-lhe a ter paciência, a controlar as suas emoções, talvez porque não queria outra Usagi pelo palácio adentro, mas mais do que tudo, ensinara-lhe a ser responsável e a assumir os seus erros. A avó ensinara-lhe a amar os outros, a confiar, a respeitar e a perdoar... Dos pais só aprendera a indiferença e a falsidade.
Bocejou suavemente. As horas de sono perdido no táxi começavam a aparecer. Suspirou e tirou o medalhão do bolso, colocando-o na mesa-de-cabeceira, ignorando o estranho brilho que o objecto emitia.
Deitou-se na cama e, sorrindo levemente, deixou-se adormecer.

vem vou entao postar o 2º capitulo.. espero que gostem

reescrito a 08/12/2011
Capítulo 2. Reflexo
Passavam das sete da manhã quando Linda chegou ao seu destino. Bocejando discretamente, saiu do táxi e olhou em volta.
Era a primeira vez que se encontrava numa rua japonesa, sem um adulto por perto. E a sensação era boa.
O sol já havia nascido, iluminando os telhados das casas e prédios daquela zona suburbana. O prédio pretendido era adornado em tons de bege e tinha um grande terraço no topo. As bordas das janelas e varandas eram de um bege mais escuro e todo aquele cenário claro destacava-se do mar de pretos, azuis e metalizados da cidade. Tinha um ar um pouco decadente, quinze andares e um pequeno jardim na entrada, com a relva bem verde e bem cortada.
Suspirando, avançou para a porta, pedindo ao porteiro para lhe abrir a porta. O homem mirou-a com apenas um olho e deixou-a passar sem muitas perguntas. Linda entrou no elevador e carregou no botão para o décimo andar.
A porta tinha escrito com letras douradas o nome da família residente em nihongo, a língua japonesa.
Nakamura.
O nome era lhe completamente estranho mas ia passar a viver ali, com quem quer que vivesse naquela casa de aspecto pobre no exterior, mas que devia ser rica, pois o edifício era guardado por um porteiro e havia visto lá fora que um dos andares estava à venda e que era um T3. Casas daquelas não deviam ser muito baratas.
Tocou à campainha, nervosa e esperou que alguém atendesse. A porta abriu-se segundos depois, mostrando uma mulher de meia-idade, cabelo curto ruivo pintado e olhos castanhos-claros, cor de amêndoas.
-Olá, deves ser a Linda certo? Eu sou Aiko Nakamura, uma amiga da tua avó, Usagi. Ai, as saudades que tenho dela. - disse a mulher, com um ar nostálgico, mas nunca tirando os olhos da rapariga. -Anda, não fiques aí fora. Entra!
Linda recebeu o convite com um sorriso e entrou na casa, sacudindo os pés no tapete de entrada.
-Juro que não esperava que fosses assim. - Comentou Aiko. - És muito parecida com a tua mãe.
Linda tremeu involuntariamente.
-Sabe quem é a minha mãe? - perguntou com algum receio.
Aiko não respondeu, limitando-se a sorrir. Olhando para os pés dela, viu que esperava que Linda se descalçasse. Corando levemente, Linda abandonou as suas sapatilhas num canto e calçou uns chinelos de dedo. Enquanto se calçava, admirou a divisão, que era respectivamente a sala de jantar e a sala de estar.
Era bem iluminada, as paredes pintadas em tons de pastéis, algumas fazendo um efeito dégradé com os objectos decorativos. Para além disso, havia alguns quadros, fotografias, uma pequena lareira, uma televisão frente a um sofá vermelho vivo e uma pequena mesa junto ao cabide, onde Linda pendurou o seu casaco. Notou que, nas fotos, só apareciam pessoas com cabelo loiro, ainda que Aiko tivesse o seu pintado.
Os quadros tinham todos aspecto decorativo e nenhum valor artístico, limitando-se a mostrar imagens abstractas sem qualquer sentido, como se o pintor tivesse tido a ousadia de imitar Picasso, mas sem sucesso. Apenas um tinha um estilo diferente.
Era a imagem a óleo de uma rapariga sorridente, com cabelos dourados e rosto angelical, vestida com uma camisola branca de lã. Tinha umas pequenas covinhas e rosto redondo, mas o que chamou mais a atenção da rapariga foram os brilhantes olhos verde-esmeralda, que pareciam atrair a pessoa só com o olhar inocente que emitia.
Perguntou quem era e Aiko, atrás dela, respondeu-lhe com a voz embalada em nostalgia e dor:
-É a minha falecida filha. Morreu há quase dez anos.
-Lamento. – Disse Linda, sinceramente. Honestamente, não daria pelo parentesco à primeira vista. Aiko e a filha partilhavam o mesmo nariz e maçãs do rosto mas, a não ser que Aiko tivesse cabelo loiro por baixo daquelas camadas de ruivo artificial, não parecia ter mais semelhanças com a rapariga do quadro.
Aiko abanou a cabeça, recusando os pêsames.
-Já foi há muito tempo. A maior parte da dor já passou. – Dirigiu um olhar para o corredor. – O que resta deve-se à Mari.
Linda ficou calada, deixando com que a dona da casa quebrasse os seus pensamentos para tornar a sua atenção à nova hóspede.
-Vais gostar da Mari. É a minha neta. Tem mau feitio e é muito teimosa, mas tem bom coração. Às tantas ainda vão-se entender.
Linda apenas sorriu, deixando claro que não era certo que ela e a outra rapariga iriam ser amigas.
-Só moram cá as duas?
-Sim. – Afirmou Aiko. – O meu marido já morreu e o meu genro trabalha na Marinha. Não tem muito tempo para cá vir. Tem o coração ligado ao mar.
Riu-se, talvez esperando que Linda a acompanhasse. Esta continuou a sorrir, temendo rasgar a cara de tanto sorriso cordial que emitia.
Aiko fitou Linda, curiosa.
-És muito parecida com ela…
Linda parou de sorrir. Aiko, ao ver a reacção da rapariga, mordeu o lábio, escolhendo as suas próximas palavras.
-A Usagi disse-me que ficarias aqui temporariamente, mas digo-te já que não te preocupes com o tempo. Tenta apenas não causar sarilhos na escola. Já me bastam os da Mari.
-Não vai haver problemas. Não sou de provocar sarilhos. – Todavia, nos confins da mente de Linda, uma vozinha suspeita dizia que ela também nunca tivera oportunidade para tal, daí que era muito cedo para falar.
Aiko mandou um sorriso caloroso para ela.
-Acredito que sim. Sendo tu neta de quem és, não deverás causar problemas... - Seguiu-se um curto silêncio, quebrado pelo tom entusiasta de Aiko - Bem, vou mostrar-te o teu quarto.
Linda seguiu Aiko pelo corredor, até que a mais velha abriu a porta mais distante.
-Tem aqui tudo o que precisas. Uma secretária, uma cama, um pequeno armário e um toucador com espelho. Aqui tens a casa de banho. – Disse, abrindo a porta ao lado, mostrando uma pequena divisão com azulejos cristalinos. – Vais ter que a dividir com a Mari, mas penso que não haverá problemas aí. Nenhuma de vocês parece ser daquelas de perder tempo a escovar os cabelos. – Riu-se um pouco suavemente e depois suspirou. – Pareces cansada. Vou preparar o pequeno-almoço. A Mari ainda está a dormir, podes descansar entretanto. Eu chamo-te quando for hora do almoço. De tarde, trataremos da tua matrícula na escola da Mari.
-Sr.ª. Nakamura?
-Aiko, querida. – Interrompeu a mais velha. Linda assentiu.
-Aiko, obrigada… por tudo. – Disse a jovem, sinceramente. Jamais conseguiria agradecer pela ajuda que Aiko prestava a uma completa desconhecida.
-Não me agradeças. É um favor que faço a uma amiga e a ti. Sei que, noutras circunstancias, a Usagi fazer-me-ia o mesmo à Mari.
E, com sorriso alegre, Aiko dirigiu-se para a cozinha, deixando Linda com a mochila às costas e com a mão na maçaneta. Não perdendo tempo, explorou a divisão onde passaria a dormir nos próximos dias, largando a mochila junto à porta.
O quarto tinha as paredes pintadas de marfim e o soalho era em madeira polida como o resto da casa. A cama era de madeira escura com lençóis brancos e uma coberta cinzenta. Toda a mobília do quarto era daquela madeira escura, que mais parecia ébano. E, do lado esquerdo, situado no eixo de simetria do quarto, estava a janela, com vista para a torre de Tokyo. Gostando do que viu, tratou de arrumar as suas roupas no pequeno armário e pondo os seus objectos pessoais no toucador. Mas, antes que pudesse respirar de alívio, ouviu passos no corredor.
A porta, ainda aberta, mostrava uma figura em pijama a fitá-la curiosamente. Linda aproximou-se da rapariga, que tinha aproximadamente a mesma idade que ela. Devia ser Mari.
A rapariga olhou-a com suspeita. Era alta e esguia e tinha os cabelos compridos e dourados da mãe, bem como os mesmos olhos verde-esmeralda. Todavia, o rosto era mais comprido e isente de covinhas. Ainda que semelhante à rapariga do quadro, Mari conseguia ter um ar desconfiado e rebelde em contraste com o semblante angelical da mãe.
-Quem és tu? – Perguntou a loira, cruzando os braços.
Linda não respondeu logo.
-Sou a Linda. Neta de uma amiga da tua avó, Usagi Tsukino.
O rosto de Mari contorceu-se sombriamente.
-Engraçado que nunca ouvi falar dessa tal de Usagi Tsukino. - Linda presentiu um frio em volta delas ao som daquelas palavras. - Não percebo como agora ela e a minha avó são grandes amigas.
-Eu também nunca ouvi falar da tua avó. Mas parece que mantiveram contacto. - Linda murmurou, sombriamente. Mari nem pestanejou. Limitou-se a fitá-la intensamente, como quem tentava ler para além do olhar. Ao fim de um longo e penoso minuto, disse:
-A minha avó nunca perde contacto com grandes amigos e além disso eu conheço todas as amigas da minha avó e sei que não há nenhuma Usagi Tsukino que ela conheça. E, de qualquer maneira, ela nunca trata desconhecidos da mesma maneira como te tratou a ti. - Mari sorriu cinicamente enquanto Linda manteve o rosto firme. - Estranho. - Comentou num tom de troça, exibindo aquele sorriso que Linda vira tantas vezes no palácio para saber que detestava mais do que estar trancada numa sala de aula em pleno verão.
-Vou estar de olho em ti.
-Aí sim? – Respondeu Linda, com desdém. Mari respondeu com um sorriso malicioso.
-A minha avó tem um coração de manteiga. Não vê para além da caixa. Porque raio estás aqui e não a viver com a tua família?
-Porque te interessa tanto saber? Não tens nada a ver com isso!
Mari engoliu em seco, claramente notando o tom ameaçador de Linda. Todavia, a rapariga parecia feita de nervos de aço, pois o rosto manteve-se indistinto.
-Tu tens um motivo. Posso não ter nada a ver com isso, mas não te conheço, logo não confio em ti. O que terás a esconder para vires para aqui, sabendo que nenhuma das nossas avós possuem uma relação forte, por assim dizer? Tanto quanto sei, até podes ser uma criminosa.
Tanta coisa soava mal naquilo que Linda viu-se sem reacção. Que ela soubesse, ser princesa não era crime naqueles dias, pois não?
-Estás a ameaçar-me?
Mari lançou-lhe um olhar penetrante.
-Um aviso.
-Sabes, se eu for mesmo uma criminosa, não podes fazer nada para me impedir.
-Admites então?
Linda revirou os olhos.
-Estou só a apontar a falha do teu “aviso”. Não sou criminosa, podes ficar descansada.
-Não deixarei de estar de olhos em ti.
-Bem... agradeço o aviso. Se não me incomodares, também não te incomodarei a ti.
-Digo o mesmo. - murmurou Mari, lançando mais um olhar de desdém antes de entrar no quarto, deixando Linda sozinha.
Esta não demorou a entrar no seu, fechando a porta com um pouco mais de força que queria.
Aproximou-se do toucador, apenas para se olhar. Apenas para ver os efeitos que as noites anteriores tiveram em si.
Tal como suspeitava, tinha leves olheiras devido à breve insónia que tinha há já uns dias. Era a primeira em meses. Os cabelos estavam mal amarrados num elástico, alguns cachos de cabelo negro encaracolado caindo sobre o rosto. Sentindo-se sonolenta, aproximou o rosto do espelho e, devagarinho, puxou a pálpebra para cima e tirou uma lente de contacto do olho esquerdo. Repetiu a mesma operação no olho direito e depois pegou na caixa de óculos em cima do toucador e colocou-os, um pouco desmazelada.
O reflexo parecia sonolento, os cabelos caindo abaixo dos ombros e os óculos rectangulares pretos escondiam os olhos azuis-escuros que ela herdara dos avós.
Ela era um desastre ambulante. Não se admirava que ninguém no país tivesse conhecimento do seu aspecto. Pudera, com aquela cara de menina inocente, estatura média mas com pernas demasiado compridas em comparação ao tronco, sem curvas e lábios ligeiramente mais largos e grossos do que os da mãe e da avó. Talvez o único traço físico herdado do pai.
Odiou o que viu e pensou no quão era diferente deles. Ela aprendera tudo com as suas tias e os seus avós. Ami ensinara-lhe a ler e a escrever, mesmo antes de Linda ter aulas. Makoto ensinara-lhe a cozinhar, mas devido á falta de prática, Linda já não se considerava boa cozinheira. Rei ensinara-lhe tudo o que aprendera no templo com o seu avô, incluindo a ser verdadeira consigo própria. Minako ensinara-lhe a apostar alto, mediante as consequências, e a amar a liberdade, visto ela ter sido cantora e actriz. Mamoru ensinara-lhe a ter paciência, a controlar as suas emoções, talvez porque não queria outra Usagi pelo palácio adentro, mas mais do que tudo, ensinara-lhe a ser responsável e a assumir os seus erros. A avó ensinara-lhe a amar os outros, a confiar, a respeitar e a perdoar... Dos pais só aprendera a indiferença e a falsidade.
Bocejou suavemente. As horas de sono perdido no táxi começavam a aparecer. Suspirou e tirou o medalhão do bolso, colocando-o na mesa-de-cabeceira, ignorando o estranho brilho que o objecto emitia.
Deitou-se na cama e, sorrindo levemente, deixou-se adormecer.
Espero por ti em cada segundo , porque tu és o meu mundo!

Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
Visitem a minha 1ª Fic ----->The Four elements

Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
Visitem a minha 1ª Fic ----->The Four elements
Editado pela última vez em
obrigada =)
Espero por ti em cada segundo , porque tu és o meu mundo!

Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
Visitem a minha 1ª Fic ----->The Four elements

Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
Visitem a minha 1ª Fic ----->The Four elements
a tua fic esta a ficar mt gira
a minha primeira fic "AS FILHAS DA LUA"passem na minha fic e comentem XD

Traços do destino
visitem o meu forum http://eterna-sailor-moon4.forumeiros.com/forum.htm

Traços do destino
visitem o meu forum http://eterna-sailor-moon4.forumeiros.com/forum.htm
:S obrigada
Espero por ti em cada segundo , porque tu és o meu mundo!

Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
Visitem a minha 1ª Fic ----->The Four elements

Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
Visitem a minha 1ª Fic ----->The Four elements
não sei, mas vai demorar...
é que esta semana e na proxima vou ter sempre testes e não vai dar tempo....
é que esta semana e na proxima vou ter sempre testes e não vai dar tempo....
Espero por ti em cada segundo , porque tu és o meu mundo!

Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
Visitem a minha 1ª Fic ----->The Four elements

Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
Visitem a minha 1ª Fic ----->The Four elements
reescrito 08/12/2011
Capítulo 3. O primeiro dia - parte 1
-Linda estás pronta?
-Já vou. – Respondeu a jovem, apertando os atacadores da sapatilha depressa e pondo o casaco. Tratou de passar uma mão pelo cabelo, separando os caracóis e saiu do quarto pé ante pé. Viu Aiko na cozinha, remexendo na mala apressadamente, enquanto a neta fitava-a furiosamente, sem ter reparado na presença de Linda.
-Não vejo porque é que eu tenho que ir. – Resmungou a rapariga entre dentes, os olhos não descolando a tia. Esta parecia cada vez mais nervosa.
-Ora essa Mari. É o teu pai…
-Que nunca está aqui! – Cortou Mari, furiosa. Aiko semicerrou os olhos.
-Talvez, mas não deixa de ser teu pai. Agora, pára de reclamares e despacha-te. Vamos primeiro à tua escola tratar da matrícula da Linda e depois vamos à casa dos teus avós.
Linda não percebia nada do que se estava a passar entre as duas parentes, apenas que Mari detestava o seu pai, fosse ele quem fosse, pela forma como contraiu as narinas em desprezo ao ouvir o som da palavra.
Aiko olhou para a porta, vendo a hóspede parada. O seu rosto iluminou-se, alegre por uma distracção.
-Oh, estás pronta querida? Vamos agora sair.
Linda assentiu. Notou que Mari suspirara, expulsando ira do seu interior.
-Olha, se estás assim, podes ficar cá fora à nossa espera. Mas não te escapas de vir à casa do teu pai.
-Ele não vai lá estar! – Teimou Mari, premindo as mãos na mesa de madeira, estas suportando o peso da jovem. – Terei que os aturar…
-Julguei que te desses bem com eles. Não vai haver problemas.
-Enganas-te avó. Jamais serei amigas daqueles dois seres frios que colocaram uma criatura tão fria nesta mundo.
-E essa criatura é o teu pai.
Mari fez um olhar sombrio.
-Só biológico. – Murmurou. Aiko suspirou, como quem vendo uma causa perdida.
-Como queiras. És mais teimosa que uma mula. A tua avó está à tua espera. Tu hoje não escapas. Se não vieres, terás que vir mais tarde… numa altura em que de certeza o teu pai estará presente, ele e os teus avós. Hoje só está a tua avó e um dos seus namorados.
Mari pareceu ficar ainda mais infeliz com essa notícia.
-Eu até suportava o avô, mas o namorado dela? Queres torturar-me?
Aiko ergueu o sobrolho.
-Exagerada, não?
-Se eu tenho que enfrentar o Inferno, não o farei sozinha. – Teimou Mari, não desistindo da sua causa. Linda observava a discussão familiar, completamente desnorteada. - Nem te atrevas a deixar-me sozinha naquele covil de lobos.
-A Linda pode ir contigo. – Apontou Aiko. As duas Nakamura fitaram a morena, que engoliu em seco ao sentir-se no centro das atenções.
-Ah… posso? – Perguntou, receosa. Aiko aproveitou para pegar na sua mala e dirigir-se para a entrada, com uma data de papéis na mão. Mari bufou e respondeu, um pouco contrariada.
-Não te dês ao trabalho. Nem a ti desejo tão mau destino.
Aiko deixara Mari num café perto da escola, entrando na instituição de ensino com Linda atrás. Ia deitando uma olhadela aos papéis, erguendo o sobrolho por vezes.
-Os papeis dizem que te chamas Linda Tsukino.
Linda fitou Aiko.
-A sério? Porque é que tem o nome da minha avó.
-Uma forma de te protegeres, penso eu. O nome do teu pai deve dar muito nas vistas.
A directora recebera-as com um sorriso cordial. Linda mordeu o lábio em agrado. Gostou imediatamente da mulher de aparência simpática e organizada, que a olhara em tom de reconhecimento por uns segundos, antes de se pôr a conversar animadamente com Aiko e a fazer perguntas acerca dos motivos para Linda se matricular naquela escola tão perto do inicio do ano lectivo.
Aiko falara naturalmente, afirmando que Linda tivera problemas familiares bem recentes que a impediram de continuar com as aulas em casa. Todavia, na zona onde ela morava não havia vagas nas escolas locais, daí que ela tivesse mudado para a casa de Aiko, amiga da avó dela, e se tentado matricular naquela escola.
Uma história credível e a directora pareceu acreditar. Todavia, um certo brilho nos olhos dela quando estabelecia contacto visual com a sua futura aluna, incomodava Linda. Era como se ela visse nela qualquer outra coisa que os outros não vissem.
-E o nome? – Perguntou a directora, mais para si do que para as outras duas. As suas mãos finas remexiam no teclado do computador, revendo os dados que ali apareciam. – Linda Tsukino.
Esta não gostou do modo de como a mulher sussurrara o nome dela, como se soubesse o seu segredo. Como se ela soubesse que ela usava o nome da avó materna para se esconder. Seria possível?
-Diz aqui que tens muito boas notas e que já praticaste dança! – Os seus olhos claros e brilhantes focaram os de Linda, com um sorriso apreciador. – Planeias dançar pela escola?
Linda abanou a cabeça, melancolicamente.
-Não. Não planeio fazer nada este ano. Quem sabe no próximo.
Ela assentiu em acordo.
-Bem, não vejo nada de errado. A matrícula está feita. Dia dezanove, esperamos a aluna aqui às oito da manhã. Aqui tem – disse, entregando uma folha imprimida a Aiko, que aceitou com um aceno de cabeça. – A lista de lojas onde pode comprar o uniforme escolar para a menina Tsukino.
A directora apoiou o rosto em cima dos cotovelos, pousados na mesa.
-Esperemos que tenha uma boa experiencia nesta escola, menina Tsukino. E, principalmente, que apreenda bases para construir o seu futuro.
Falara calmamente, mas as suas palavras provocaram um estranho efeito na jovem.
Futuro. O quão estranho era pensar nisso. Ela nunca se dera ao trabalho em imaginar nada à sua frente, para além do seu título real. E, naquele momento, via hipóteses infinitas. Apenas lamentava ter que desistir da dança.
O telemóvel de Aiko tocou. Atendeu-o com voz jovial e um pouco exagerado, trocando algumas palavras caricatas, deixando a jovem entretida a admirar um troféu ganho há vinte e cinco anos atrás, num concurso internacional de dança. Os jovens vencedores fitavam a câmara, sorridentes, com os seus trajes vermelhos e justos. Foi aí que Linda notou em certos detalhes. Enquanto as equipas de segundo e terceiro lugar tinham quatro elementos, a equipa da escola tinha cinco, e apenas três tinham feições de orientais. Os outros dois pousavam junto da directora, de aspecto mais jovem, com uma expressão vitoriosa nos seus rostos. Linda empalideceu. Reconhecera uma.
O seu pai.
Abrira a boca, não para dizer o quer que fosse, mas por motivos de choque. Tentou articular algum som, lembrar-se de alguma coisa em que tinha ouvido falar do pai a participar num concurso internacional de dança.
-Anda, Linda! – Chamou Aiko, acordando-a dos seus pensamentos, enquanto guardava o telemóvel na mala. – Vamos buscar a Mari.
A morena abanou a cabeça, confusa e perdida. A sua cabeça parecia que se esvaziara de pensamentos, pois não havia nada que ela ousasse pensar nos minutos seguintes em que atravessara os restantes corredores, escadas e portas até ao exterior, ainda que estivesse consciente que grande parte da sua vida iria passar a envolver-se naquele local. Naquela escola.
Capítulo 3. O primeiro dia - parte 1
-Linda estás pronta?
-Já vou. – Respondeu a jovem, apertando os atacadores da sapatilha depressa e pondo o casaco. Tratou de passar uma mão pelo cabelo, separando os caracóis e saiu do quarto pé ante pé. Viu Aiko na cozinha, remexendo na mala apressadamente, enquanto a neta fitava-a furiosamente, sem ter reparado na presença de Linda.
-Não vejo porque é que eu tenho que ir. – Resmungou a rapariga entre dentes, os olhos não descolando a tia. Esta parecia cada vez mais nervosa.
-Ora essa Mari. É o teu pai…
-Que nunca está aqui! – Cortou Mari, furiosa. Aiko semicerrou os olhos.
-Talvez, mas não deixa de ser teu pai. Agora, pára de reclamares e despacha-te. Vamos primeiro à tua escola tratar da matrícula da Linda e depois vamos à casa dos teus avós.
Linda não percebia nada do que se estava a passar entre as duas parentes, apenas que Mari detestava o seu pai, fosse ele quem fosse, pela forma como contraiu as narinas em desprezo ao ouvir o som da palavra.
Aiko olhou para a porta, vendo a hóspede parada. O seu rosto iluminou-se, alegre por uma distracção.
-Oh, estás pronta querida? Vamos agora sair.
Linda assentiu. Notou que Mari suspirara, expulsando ira do seu interior.
-Olha, se estás assim, podes ficar cá fora à nossa espera. Mas não te escapas de vir à casa do teu pai.
-Ele não vai lá estar! – Teimou Mari, premindo as mãos na mesa de madeira, estas suportando o peso da jovem. – Terei que os aturar…
-Julguei que te desses bem com eles. Não vai haver problemas.
-Enganas-te avó. Jamais serei amigas daqueles dois seres frios que colocaram uma criatura tão fria nesta mundo.
-E essa criatura é o teu pai.
Mari fez um olhar sombrio.
-Só biológico. – Murmurou. Aiko suspirou, como quem vendo uma causa perdida.
-Como queiras. És mais teimosa que uma mula. A tua avó está à tua espera. Tu hoje não escapas. Se não vieres, terás que vir mais tarde… numa altura em que de certeza o teu pai estará presente, ele e os teus avós. Hoje só está a tua avó e um dos seus namorados.
Mari pareceu ficar ainda mais infeliz com essa notícia.
-Eu até suportava o avô, mas o namorado dela? Queres torturar-me?
Aiko ergueu o sobrolho.
-Exagerada, não?
-Se eu tenho que enfrentar o Inferno, não o farei sozinha. – Teimou Mari, não desistindo da sua causa. Linda observava a discussão familiar, completamente desnorteada. - Nem te atrevas a deixar-me sozinha naquele covil de lobos.
-A Linda pode ir contigo. – Apontou Aiko. As duas Nakamura fitaram a morena, que engoliu em seco ao sentir-se no centro das atenções.
-Ah… posso? – Perguntou, receosa. Aiko aproveitou para pegar na sua mala e dirigir-se para a entrada, com uma data de papéis na mão. Mari bufou e respondeu, um pouco contrariada.
-Não te dês ao trabalho. Nem a ti desejo tão mau destino.
Aiko deixara Mari num café perto da escola, entrando na instituição de ensino com Linda atrás. Ia deitando uma olhadela aos papéis, erguendo o sobrolho por vezes.
-Os papeis dizem que te chamas Linda Tsukino.
Linda fitou Aiko.
-A sério? Porque é que tem o nome da minha avó.
-Uma forma de te protegeres, penso eu. O nome do teu pai deve dar muito nas vistas.
A directora recebera-as com um sorriso cordial. Linda mordeu o lábio em agrado. Gostou imediatamente da mulher de aparência simpática e organizada, que a olhara em tom de reconhecimento por uns segundos, antes de se pôr a conversar animadamente com Aiko e a fazer perguntas acerca dos motivos para Linda se matricular naquela escola tão perto do inicio do ano lectivo.
Aiko falara naturalmente, afirmando que Linda tivera problemas familiares bem recentes que a impediram de continuar com as aulas em casa. Todavia, na zona onde ela morava não havia vagas nas escolas locais, daí que ela tivesse mudado para a casa de Aiko, amiga da avó dela, e se tentado matricular naquela escola.
Uma história credível e a directora pareceu acreditar. Todavia, um certo brilho nos olhos dela quando estabelecia contacto visual com a sua futura aluna, incomodava Linda. Era como se ela visse nela qualquer outra coisa que os outros não vissem.
-E o nome? – Perguntou a directora, mais para si do que para as outras duas. As suas mãos finas remexiam no teclado do computador, revendo os dados que ali apareciam. – Linda Tsukino.
Esta não gostou do modo de como a mulher sussurrara o nome dela, como se soubesse o seu segredo. Como se ela soubesse que ela usava o nome da avó materna para se esconder. Seria possível?
-Diz aqui que tens muito boas notas e que já praticaste dança! – Os seus olhos claros e brilhantes focaram os de Linda, com um sorriso apreciador. – Planeias dançar pela escola?
Linda abanou a cabeça, melancolicamente.
-Não. Não planeio fazer nada este ano. Quem sabe no próximo.
Ela assentiu em acordo.
-Bem, não vejo nada de errado. A matrícula está feita. Dia dezanove, esperamos a aluna aqui às oito da manhã. Aqui tem – disse, entregando uma folha imprimida a Aiko, que aceitou com um aceno de cabeça. – A lista de lojas onde pode comprar o uniforme escolar para a menina Tsukino.
A directora apoiou o rosto em cima dos cotovelos, pousados na mesa.
-Esperemos que tenha uma boa experiencia nesta escola, menina Tsukino. E, principalmente, que apreenda bases para construir o seu futuro.
Falara calmamente, mas as suas palavras provocaram um estranho efeito na jovem.
Futuro. O quão estranho era pensar nisso. Ela nunca se dera ao trabalho em imaginar nada à sua frente, para além do seu título real. E, naquele momento, via hipóteses infinitas. Apenas lamentava ter que desistir da dança.
O telemóvel de Aiko tocou. Atendeu-o com voz jovial e um pouco exagerado, trocando algumas palavras caricatas, deixando a jovem entretida a admirar um troféu ganho há vinte e cinco anos atrás, num concurso internacional de dança. Os jovens vencedores fitavam a câmara, sorridentes, com os seus trajes vermelhos e justos. Foi aí que Linda notou em certos detalhes. Enquanto as equipas de segundo e terceiro lugar tinham quatro elementos, a equipa da escola tinha cinco, e apenas três tinham feições de orientais. Os outros dois pousavam junto da directora, de aspecto mais jovem, com uma expressão vitoriosa nos seus rostos. Linda empalideceu. Reconhecera uma.
O seu pai.
Abrira a boca, não para dizer o quer que fosse, mas por motivos de choque. Tentou articular algum som, lembrar-se de alguma coisa em que tinha ouvido falar do pai a participar num concurso internacional de dança.
-Anda, Linda! – Chamou Aiko, acordando-a dos seus pensamentos, enquanto guardava o telemóvel na mala. – Vamos buscar a Mari.
A morena abanou a cabeça, confusa e perdida. A sua cabeça parecia que se esvaziara de pensamentos, pois não havia nada que ela ousasse pensar nos minutos seguintes em que atravessara os restantes corredores, escadas e portas até ao exterior, ainda que estivesse consciente que grande parte da sua vida iria passar a envolver-se naquele local. Naquela escola.
Espero por ti em cada segundo , porque tu és o meu mundo!

Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
Visitem a minha 1ª Fic ----->The Four elements

Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
Visitem a minha 1ª Fic ----->The Four elements
Editado pela última vez em
reescrito a 08/12/2011
Capítulo 4. O primeiro dia - parte 2
-Ai, as alegrias do primeiro dia! – Comentou Aiko, com um suspiro sonhador, enquanto servia leite quente às duas jovens silenciosas, sentadas na mesa de madeira. Linda optou por não dizer o quer que fosse a aquelas horas, táctica há muito adoptada por Mari, que mal falou até sair de casa.
-Espero que tenham um bom dia. – Disse, beijando a face da sobrinha, esta ainda com cara de poucos amigos, devido ao sono. Virou-se depois para Linda, que acabara de apertar o fecho do casaco. – E a ti, que corra tudo bem. Que te enquadres. E, Mari, faz-me o favor de a ajudar.
Mari ignorou a tia e Linda mandou um sorriso amarelo, antes de agradecer e sair de casa, atrás de uma loira apressada.
A escola era ali perto, de modo que era desnecessário apanhar qualquer tipo de transportes. Mari parecia incomodar-se com o facto, pois o sol batia fortemente na sua cabeça, pondo-a ainda mais tonta. Linda observava a loira a tentar acordar no meio daquela caminhada de poucos quarteirões, agradecendo aos deuses que Mari nunca se esquecia de tomar o pequeno-almoço.
Chegada à escola, Linda parou no portão, enquanto Mari seguiu sem olhar para trás.
Estivera ali naquele mesmo local semanas antes e podia agora ver as diferenças claramente. A escola era um edifício que ansiava por vida. Só parecia completo quando se encontrava cheio de crianças de diversas idades - naquele caso desde os onze até aos dezoito – divertindo-se nas suas distintas maneiras. Os mais novos corriam e cumprimentavam os colegas, partilhando histórias e mostrando roupas novas que os pais compraram durante as férias de verão. Os mais velhos, cumprimentavam os colegas de longa data, com beijos nas faces e apertos de mão, também partilhando histórias, mas com o mínimo de entusiasmo pois, ao contrário dos mais novos, não haviam quebrado contacto durante o verão.
Muitos jovens de diversos tamanhos, idades, raças e características físicas e psicológicas preenchiam aquele espaço, outrora vazio e monótono. O som de sorrisos, gritos e de distintas vozes abafadas pela acústica recheavam o ar, como o som de uma sinfonia natural que o Criador criara em tempos antigos.
Tantas vidas, tantas almas, tantos sonhos…
Sentindo-se levemente atordoada, Linda abanou a cabeça, fechando as pálpebras. Talvez o sol a estivesse a afectar mais do que devia. Apesar de já estarem no Outono, era um daqueles dias em que o verão teimava a fugir, deixando a estrela radiosa emitindo mais luz que o vulgar, em contraste com a leve brisa fresca.
Linda entrou no edifício, olhando cada estudante curiosamente. Aquela era uma experiência completamente nova e queria usufrui-la inteiramente. Agora que tinha a possibilidade de fazer amigos, não queria estragá-la com a sua personalidade incomum.
Alguns olhavam-na com suspeita, outros até com desdém. Linda sentiu os nervos à flor da pele e tentou acalmar-se. Não é o fim do mundo, disse a si própria, tentando encontrar a sua sala no meio dos vários jovens postados no corredor e que agora olhavam-na com curiosidade. Será que ela destacava-se assim tanto?
-Menina Tsukino? – Ouviu alguém chamá-la. Virando-se, deu de caras com a directora, que fez sinal para a seguir.
Sentada no escritório da directora, Linda esperou o seu veredicto. Ridícula, não estás a ser julgada, pensou para os seus botões.
-Estou a ver que estás confusa, querida. – Afirmou a mulher, sorridente. – É natural. É a primeira vez que vens a uma escola.
-Isto tem muita… vida. – Comentou Linda, os olhos postos no pisa-papéis, pousado em cima da secretária.
A directora olhou-a amavelmente.
-Bem, tu agora fazes parte desta comunidade. A tua vida acrescenta-se às outras. – Ouviu o toque da campainha. Linda fez um movimento para se erguer mas a directora travou-a. – Não vás ainda. Queria falar contigo.
Linda assentiu, acomodando-se na cadeira. Sentia-se completamente deslocada, não só por estar numa escola, como também por usar um uniforme vermelho escuro, com diversas linhas negras e corte semelhante ao fato de um marinheiro. Nunca usara sapatos negros envernizados, nem tampouco uma saia até ao joelho com corte clássico. Sentia-se tão mal que deu por si a piorar a sua imagem ao colocar os seus óculos rectangulares, ao invés das lentes. Manteve o cabelo solto mas, com o calor que sentia ali dentro, isso estava para mudar.
A directora aproximou o rosto, observando-a melhor.
-Fazes-me lembrar um antigo aluno meu. – Murmurou, quase inaudível. – O brilhozinho confiante e determinados nos olhos, o ocasional morder de lábios, o talento na dança.
Linda não se atreveu sequer a mexer um milímetro de expressão facial, ouvindo cada palavra da directora com absoluta aflição.
-Gostava de poder dizer que eras filha dele. Ficaria muito contente. Há já bastante tempo que não o vejo mas… se fosses filha dele, eu saberia.
Algo naquelas palavras alertou Linda. Parecia que ela falava mesmo de quem a jovem pensava.
O seu inconsciente emitiu uma gargalhada sarcástica. Qual seria a probabilidade de, na primeira escola onde se matriculasse, encontrar uma antiga professora do seu próprio pai? O Destino parecia estar a brincar com a sua paciência.
Contudo, esperou silenciosamente que a mais velha prosseguisse, ansiosa por ir para a sua primeira aula. A mulher pareceu perdida em pensamentos até que, como que lembrando-se que tinha uma aluna já atrasada à sua frente, disse:
-Se chegares a ter algum problema de adaptação (e não falo das aulas apenas, querida), fica a saber que podes sempre vir falar comigo. Eu e todos os outros professores estamos ao teu dispor para te ajudar, entendido?
Linda assentiu, entendendo a situação.
-Bom, então não te atraso mais. Diz ao professor que vais atrasada por minha causa, entendido?
A jovem quase que correu para fora da sala, levemente atrapalhada.
Just my bloody luck*, pensou para os seus botões, procurando a sua sala no meio de tantas portas semelhantes, com uma pequena placa quadrada na porta, onde mostrava um número e uma letra do alfabeto hiragana.
Finalmente, ao encontrar a sua porta, bateu suavemente, entrando em seguida. Sentindo várias cabeças a olhar para lá, dirigiu o olhar apenas para o professor, que assentiu distraidamente, reconhecendo a nova aluna.
-Queira apresentar-se, menina. – Disse, apontando para o quadro a giz, pouco usado naqueles dias. Linda pegou num pau pequeno e branco como a farinha e escreveu o seu nome no quadro de ardósia. Virou-se para a turma, reconhecendo Mari nas filas do meio, que admirava o lápis, completamente ignorando a hóspede. Pelo menos era o que parecia.
Inspirando fundo, apresentou-se:
-Konnichi wa, sou a Linda Tsukino, e sou anglo-japonesa. Moro para os lados do monte Fuji, mas decidi mudar de ares durante o verão. Esta é uma nova experiência para mim e espero poder apreciá-la inteiramente.
Observou a turma. Uns não lhe prestava a mínima atenção, enquanto outros olhavam-na curiosamente. Uma delas era uma rapariga sentada ao lado de Mari com cabelos castanhos ondulados e olhos da mesma cor. Pareceu-lhe extremamente familiar.
Virou-se para o professor, esperando que este dissesse alguma coisa. O professor, vendo a apresentação da nova aluna terminada, assentiu.
-Seja bem-vinda, Menina Tsukino. Pode sentar-se lá ao fundo. – Disse, apontando para o fundo da sala, onde duas carteiras estavam vazias. Linda passou por entre as mesas rapidamente, procurando a lugar junto à janela o mais depressa possível.
Sentou-se e tentou ignorar o constante tremelique que sentia no corpo, abrindo o caderno e esperando que o professor dissesse o que fazer. Todavia, o homem preferiu rever a matéria dada no ano anterior e entregou uma ficha para os alunos completarem. Reparou, para seu alívio, que estava dentro da matéria. Pudera, com as aulas que ela tinha, já devia ter alguns conhecimentos que apenas se ganhavam na faculdade.
Durante a aula, alguns alunos atreveram-se a mirar a nova aluna, que se encontrava concentrada nos exercícios propostos pelo professor. Os sussurros diminuíram quando se soube que Linda Tsukino morava com Mari. E que esta não gostava nem um pouco da hóspede.
Algum silencio estalou-se na sala, mas a morena sentada ao lado de Mari não era igual aos outros alunos. Não tinha medo nenhum de Mari Nakamura.
-Qual é o problema que tens com a rapariga? - perguntou, sem se pôr com rodeios. Mari fez uma careta.
-Tenho um mau pressentimento acerca dela. Nunca ouvi falar da avó dela e, de repente, aparece a neta dessa pessoa para morar em minha casa. A minha avó aceita sem sequer questionar
-Mas como é que sabes que ela pode se a causa desse mau pressentimento? Olha que não seria a primeira vez que te enganavas.
-Não! Desta vez sei o que sinto, Cecília. Confia em mim. - Cecília sorriu exasperada. Conhecia a amiga melhor do que ninguém e sabia que Mari estava a tentar dar uma desculpa para detestar aquela rapariga que cativou a sua avó. Esta por sua vez, focou os olhos em Linda.
-Sei que aquela rapariga esconde alguma coisa. E não será bom!
-Bem... Tu não tens nada a ver com isso, por isso deixa a rapariga em paz! Se ela esconde alguma coisa é porque tem um motivo.
-Pois, mas e se esse motivo for obscuro? - Mari lançou um olhar desconfiado e, ao mesmo tempo, preocupado sobre Cecília. Esta respondeu com um olhar também desconfiado, como se duvidasse do racíocinio da amiga. Ia a responder mas absteve-se. Agora que Mari tinha uma ideia na cabeça, dificilmente lha conseguiriam tirar.
Trinta minutos antes de a aula terminar, Linda pousou o lápis e olhou para a janela. Já tinha terminado a ficha e, apesar de calma, não podia deixar de pensar no que iria acontecer assim que o desse o toque. Aonde é que os alunos passavam os intervalos?
Os seus pensamentos foram interrompidos pelo som de alguém bater desajeitadamente na porta. O professor deu permissão para entrar e um rapaz, com ar sonolento, pediu desculpas pela demora.
O facto de aquele rapaz ter surgido quando faltavam trinta minutos para o fim da aula de duas horas e ter falado com toda a naturalidade possível, provocou umas risadinhas por toda a turma. Os rapazes troçaram dele e as raparigas cochicharam. Linda abanou a cabeça, divertida.
O professor não parecia partilhar o mesmo sentido de humor que a turma:
-Isto são horas de chegar, Yamamoto? A meia hora do fim da aula?
O rapaz pareceu confuso, pondo a mão no cabelo, como que reflectindo.
-Meia hora? Mas o meu irmão disse que… Ora bolas! – Mais raparigas riram-se, enquanto outros reviravam os olhos. – Stor, não se preocupe, o meu pai justifica a falta. Tenho bons motivos para chegar atrasado à aula.
-Atrasado? Oh rapaz, vocês veio no fim da aula!
O rapaz pareceu não ter entendido o homem. Linda teve que controlar uma gargalhada, qual era a ironia de estarem na aula de Língua Japonesa.
-Vá lá professor. Não me vai deixar cá fora a apanhar frio, pois não? – Lamentou-se o rapaz, murmurando num tom quase melodramático. – Ainda tenho meia hora de aula.
Virou-se para a turma, piscando o olho. Linda sentiu, por uns segundos, o olhar dele incidido nela, mais intenso do que para os outros, mas devia ser brincadeira da luz. O rapaz fez um som com a boca e disse, sorridente.
-Se é para estar aqui a perturbar a aula, bem que pode ficar aí fora. - resmungou o professor, cada vez mais furioso com as gargalhadas dos alunos.
-Noh wollies, professor, eu porto-me bem. – E com um sotaque horrível e mais um piscar de olhos, entrou e fechou a porta. A turma começou logo a cochichar entre si, enquanto ele se dirigia para o lugar vago ao lado de Linda. Esta por seu lado, não podia deixar de reparar no quão cómico era o rapaz, principalmente o seu sotaque. Aliás, ela sempre gostara do sotaque japonês junto à língua inglesa. Era um tremendo contraste em comparação ao sotaque das outras línguas. Pior que o sotaque japonês, só o alemão.
Ele pousou a mochila na mesa ao lado e fitou-a calmamente, pronto a dizer qualquer coisa. Mas as suas palavras ficaram presas na sua garganta quando os olhos de Linda focaram-se nos seus.
O professor voltou a reclamar por ele não estar sentado e o rapaz acabou por sentar-se na cadeira e falar com uns colegas de turma.
Durara segundos, mas Linda não pôde deixar de sentir calafrios na pele ao sentir o olhar daquele rapaz em si. Nunca ninguém a olhara daquela maneira, como se ela fosse algo curioso de se ver, mas não desagradável.
De certa fora, até estava a gostar do seu primeiro dia.
-----------------------------
*O raio da minha sorte
Capítulo 4. O primeiro dia - parte 2
-Ai, as alegrias do primeiro dia! – Comentou Aiko, com um suspiro sonhador, enquanto servia leite quente às duas jovens silenciosas, sentadas na mesa de madeira. Linda optou por não dizer o quer que fosse a aquelas horas, táctica há muito adoptada por Mari, que mal falou até sair de casa.
-Espero que tenham um bom dia. – Disse, beijando a face da sobrinha, esta ainda com cara de poucos amigos, devido ao sono. Virou-se depois para Linda, que acabara de apertar o fecho do casaco. – E a ti, que corra tudo bem. Que te enquadres. E, Mari, faz-me o favor de a ajudar.
Mari ignorou a tia e Linda mandou um sorriso amarelo, antes de agradecer e sair de casa, atrás de uma loira apressada.
A escola era ali perto, de modo que era desnecessário apanhar qualquer tipo de transportes. Mari parecia incomodar-se com o facto, pois o sol batia fortemente na sua cabeça, pondo-a ainda mais tonta. Linda observava a loira a tentar acordar no meio daquela caminhada de poucos quarteirões, agradecendo aos deuses que Mari nunca se esquecia de tomar o pequeno-almoço.
Chegada à escola, Linda parou no portão, enquanto Mari seguiu sem olhar para trás.
Estivera ali naquele mesmo local semanas antes e podia agora ver as diferenças claramente. A escola era um edifício que ansiava por vida. Só parecia completo quando se encontrava cheio de crianças de diversas idades - naquele caso desde os onze até aos dezoito – divertindo-se nas suas distintas maneiras. Os mais novos corriam e cumprimentavam os colegas, partilhando histórias e mostrando roupas novas que os pais compraram durante as férias de verão. Os mais velhos, cumprimentavam os colegas de longa data, com beijos nas faces e apertos de mão, também partilhando histórias, mas com o mínimo de entusiasmo pois, ao contrário dos mais novos, não haviam quebrado contacto durante o verão.
Muitos jovens de diversos tamanhos, idades, raças e características físicas e psicológicas preenchiam aquele espaço, outrora vazio e monótono. O som de sorrisos, gritos e de distintas vozes abafadas pela acústica recheavam o ar, como o som de uma sinfonia natural que o Criador criara em tempos antigos.
Tantas vidas, tantas almas, tantos sonhos…
Sentindo-se levemente atordoada, Linda abanou a cabeça, fechando as pálpebras. Talvez o sol a estivesse a afectar mais do que devia. Apesar de já estarem no Outono, era um daqueles dias em que o verão teimava a fugir, deixando a estrela radiosa emitindo mais luz que o vulgar, em contraste com a leve brisa fresca.
Linda entrou no edifício, olhando cada estudante curiosamente. Aquela era uma experiência completamente nova e queria usufrui-la inteiramente. Agora que tinha a possibilidade de fazer amigos, não queria estragá-la com a sua personalidade incomum.
Alguns olhavam-na com suspeita, outros até com desdém. Linda sentiu os nervos à flor da pele e tentou acalmar-se. Não é o fim do mundo, disse a si própria, tentando encontrar a sua sala no meio dos vários jovens postados no corredor e que agora olhavam-na com curiosidade. Será que ela destacava-se assim tanto?
-Menina Tsukino? – Ouviu alguém chamá-la. Virando-se, deu de caras com a directora, que fez sinal para a seguir.
Sentada no escritório da directora, Linda esperou o seu veredicto. Ridícula, não estás a ser julgada, pensou para os seus botões.
-Estou a ver que estás confusa, querida. – Afirmou a mulher, sorridente. – É natural. É a primeira vez que vens a uma escola.
-Isto tem muita… vida. – Comentou Linda, os olhos postos no pisa-papéis, pousado em cima da secretária.
A directora olhou-a amavelmente.
-Bem, tu agora fazes parte desta comunidade. A tua vida acrescenta-se às outras. – Ouviu o toque da campainha. Linda fez um movimento para se erguer mas a directora travou-a. – Não vás ainda. Queria falar contigo.
Linda assentiu, acomodando-se na cadeira. Sentia-se completamente deslocada, não só por estar numa escola, como também por usar um uniforme vermelho escuro, com diversas linhas negras e corte semelhante ao fato de um marinheiro. Nunca usara sapatos negros envernizados, nem tampouco uma saia até ao joelho com corte clássico. Sentia-se tão mal que deu por si a piorar a sua imagem ao colocar os seus óculos rectangulares, ao invés das lentes. Manteve o cabelo solto mas, com o calor que sentia ali dentro, isso estava para mudar.
A directora aproximou o rosto, observando-a melhor.
-Fazes-me lembrar um antigo aluno meu. – Murmurou, quase inaudível. – O brilhozinho confiante e determinados nos olhos, o ocasional morder de lábios, o talento na dança.
Linda não se atreveu sequer a mexer um milímetro de expressão facial, ouvindo cada palavra da directora com absoluta aflição.
-Gostava de poder dizer que eras filha dele. Ficaria muito contente. Há já bastante tempo que não o vejo mas… se fosses filha dele, eu saberia.
Algo naquelas palavras alertou Linda. Parecia que ela falava mesmo de quem a jovem pensava.
O seu inconsciente emitiu uma gargalhada sarcástica. Qual seria a probabilidade de, na primeira escola onde se matriculasse, encontrar uma antiga professora do seu próprio pai? O Destino parecia estar a brincar com a sua paciência.
Contudo, esperou silenciosamente que a mais velha prosseguisse, ansiosa por ir para a sua primeira aula. A mulher pareceu perdida em pensamentos até que, como que lembrando-se que tinha uma aluna já atrasada à sua frente, disse:
-Se chegares a ter algum problema de adaptação (e não falo das aulas apenas, querida), fica a saber que podes sempre vir falar comigo. Eu e todos os outros professores estamos ao teu dispor para te ajudar, entendido?
Linda assentiu, entendendo a situação.
-Bom, então não te atraso mais. Diz ao professor que vais atrasada por minha causa, entendido?
A jovem quase que correu para fora da sala, levemente atrapalhada.
Just my bloody luck*, pensou para os seus botões, procurando a sua sala no meio de tantas portas semelhantes, com uma pequena placa quadrada na porta, onde mostrava um número e uma letra do alfabeto hiragana.
Finalmente, ao encontrar a sua porta, bateu suavemente, entrando em seguida. Sentindo várias cabeças a olhar para lá, dirigiu o olhar apenas para o professor, que assentiu distraidamente, reconhecendo a nova aluna.
-Queira apresentar-se, menina. – Disse, apontando para o quadro a giz, pouco usado naqueles dias. Linda pegou num pau pequeno e branco como a farinha e escreveu o seu nome no quadro de ardósia. Virou-se para a turma, reconhecendo Mari nas filas do meio, que admirava o lápis, completamente ignorando a hóspede. Pelo menos era o que parecia.
Inspirando fundo, apresentou-se:
-Konnichi wa, sou a Linda Tsukino, e sou anglo-japonesa. Moro para os lados do monte Fuji, mas decidi mudar de ares durante o verão. Esta é uma nova experiência para mim e espero poder apreciá-la inteiramente.
Observou a turma. Uns não lhe prestava a mínima atenção, enquanto outros olhavam-na curiosamente. Uma delas era uma rapariga sentada ao lado de Mari com cabelos castanhos ondulados e olhos da mesma cor. Pareceu-lhe extremamente familiar.
Virou-se para o professor, esperando que este dissesse alguma coisa. O professor, vendo a apresentação da nova aluna terminada, assentiu.
-Seja bem-vinda, Menina Tsukino. Pode sentar-se lá ao fundo. – Disse, apontando para o fundo da sala, onde duas carteiras estavam vazias. Linda passou por entre as mesas rapidamente, procurando a lugar junto à janela o mais depressa possível.
Sentou-se e tentou ignorar o constante tremelique que sentia no corpo, abrindo o caderno e esperando que o professor dissesse o que fazer. Todavia, o homem preferiu rever a matéria dada no ano anterior e entregou uma ficha para os alunos completarem. Reparou, para seu alívio, que estava dentro da matéria. Pudera, com as aulas que ela tinha, já devia ter alguns conhecimentos que apenas se ganhavam na faculdade.
Durante a aula, alguns alunos atreveram-se a mirar a nova aluna, que se encontrava concentrada nos exercícios propostos pelo professor. Os sussurros diminuíram quando se soube que Linda Tsukino morava com Mari. E que esta não gostava nem um pouco da hóspede.
Algum silencio estalou-se na sala, mas a morena sentada ao lado de Mari não era igual aos outros alunos. Não tinha medo nenhum de Mari Nakamura.
-Qual é o problema que tens com a rapariga? - perguntou, sem se pôr com rodeios. Mari fez uma careta.
-Tenho um mau pressentimento acerca dela. Nunca ouvi falar da avó dela e, de repente, aparece a neta dessa pessoa para morar em minha casa. A minha avó aceita sem sequer questionar
-Mas como é que sabes que ela pode se a causa desse mau pressentimento? Olha que não seria a primeira vez que te enganavas.
-Não! Desta vez sei o que sinto, Cecília. Confia em mim. - Cecília sorriu exasperada. Conhecia a amiga melhor do que ninguém e sabia que Mari estava a tentar dar uma desculpa para detestar aquela rapariga que cativou a sua avó. Esta por sua vez, focou os olhos em Linda.
-Sei que aquela rapariga esconde alguma coisa. E não será bom!
-Bem... Tu não tens nada a ver com isso, por isso deixa a rapariga em paz! Se ela esconde alguma coisa é porque tem um motivo.
-Pois, mas e se esse motivo for obscuro? - Mari lançou um olhar desconfiado e, ao mesmo tempo, preocupado sobre Cecília. Esta respondeu com um olhar também desconfiado, como se duvidasse do racíocinio da amiga. Ia a responder mas absteve-se. Agora que Mari tinha uma ideia na cabeça, dificilmente lha conseguiriam tirar.
Trinta minutos antes de a aula terminar, Linda pousou o lápis e olhou para a janela. Já tinha terminado a ficha e, apesar de calma, não podia deixar de pensar no que iria acontecer assim que o desse o toque. Aonde é que os alunos passavam os intervalos?
Os seus pensamentos foram interrompidos pelo som de alguém bater desajeitadamente na porta. O professor deu permissão para entrar e um rapaz, com ar sonolento, pediu desculpas pela demora.
O facto de aquele rapaz ter surgido quando faltavam trinta minutos para o fim da aula de duas horas e ter falado com toda a naturalidade possível, provocou umas risadinhas por toda a turma. Os rapazes troçaram dele e as raparigas cochicharam. Linda abanou a cabeça, divertida.
O professor não parecia partilhar o mesmo sentido de humor que a turma:
-Isto são horas de chegar, Yamamoto? A meia hora do fim da aula?
O rapaz pareceu confuso, pondo a mão no cabelo, como que reflectindo.
-Meia hora? Mas o meu irmão disse que… Ora bolas! – Mais raparigas riram-se, enquanto outros reviravam os olhos. – Stor, não se preocupe, o meu pai justifica a falta. Tenho bons motivos para chegar atrasado à aula.
-Atrasado? Oh rapaz, vocês veio no fim da aula!
O rapaz pareceu não ter entendido o homem. Linda teve que controlar uma gargalhada, qual era a ironia de estarem na aula de Língua Japonesa.
-Vá lá professor. Não me vai deixar cá fora a apanhar frio, pois não? – Lamentou-se o rapaz, murmurando num tom quase melodramático. – Ainda tenho meia hora de aula.
Virou-se para a turma, piscando o olho. Linda sentiu, por uns segundos, o olhar dele incidido nela, mais intenso do que para os outros, mas devia ser brincadeira da luz. O rapaz fez um som com a boca e disse, sorridente.
-Se é para estar aqui a perturbar a aula, bem que pode ficar aí fora. - resmungou o professor, cada vez mais furioso com as gargalhadas dos alunos.
-Noh wollies, professor, eu porto-me bem. – E com um sotaque horrível e mais um piscar de olhos, entrou e fechou a porta. A turma começou logo a cochichar entre si, enquanto ele se dirigia para o lugar vago ao lado de Linda. Esta por seu lado, não podia deixar de reparar no quão cómico era o rapaz, principalmente o seu sotaque. Aliás, ela sempre gostara do sotaque japonês junto à língua inglesa. Era um tremendo contraste em comparação ao sotaque das outras línguas. Pior que o sotaque japonês, só o alemão.
Ele pousou a mochila na mesa ao lado e fitou-a calmamente, pronto a dizer qualquer coisa. Mas as suas palavras ficaram presas na sua garganta quando os olhos de Linda focaram-se nos seus.
O professor voltou a reclamar por ele não estar sentado e o rapaz acabou por sentar-se na cadeira e falar com uns colegas de turma.
Durara segundos, mas Linda não pôde deixar de sentir calafrios na pele ao sentir o olhar daquele rapaz em si. Nunca ninguém a olhara daquela maneira, como se ela fosse algo curioso de se ver, mas não desagradável.
De certa fora, até estava a gostar do seu primeiro dia.
-----------------------------
*O raio da minha sorte
Espero por ti em cada segundo , porque tu és o meu mundo!

Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
Visitem a minha 1ª Fic ----->The Four elements

Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
Visitem a minha 1ª Fic ----->The Four elements
Editado pela última vez em
Tens de entrar para responderes neste tópico.



Reportar comentário
Escolhe o motivo da denúncia e acrescenta mais contexto se necessário.