Sailor Moon Portugal, A Navegante da Lua

A Guardiã dos Sonhos

#221
Olá Ana. Smile
Novo capítulo!!! cheers
Quando vi no meu mail que tinha sido actualizado vim logo ler! Razz
Gostei imenso.
Desvendaste tanta coisa, agora tudo faz muito mais sentido.
Que bom que a família esteve finalmente junta, mesmo que por pouco tempo valeu a pena.
O kenji futuro rei é uma surpresa.
Relativamente à Voz que sempre me deixou curiosa, bem supostamente é a Agnes ou parte da sua consciência na Linda. No caso da Mari a Belissa. Mas e então o Kenji? Quem era ele na sua vida passada? De quem é a Voz? E o Eiji? Ele também a ouviu uma vez.
O Morfeu....então a Linda está destinada a amar só a ele. E isso fez surgir-me mais uma questão. Onde anda o Morfeu?
Adorei a música que escolheste. Dá sempre um toque diferente quando se está a ler.
Sobre a cena final que hei-de dizer? Tipo: Como pudeste matar a Linda?!!!!
LOOOL
Coitado do Eiji...quando voltar ao normal e se aperceber do que fez....
Mas gostei muito da cena, dramática, muito gira. Wink
Agora é esperar que ela volte....como a Agnes disse.
A Dawson já tem o poder das 7 flores, como? O Eiji tem a de Vénus mas ela não lha tirou. Pode usá-la mesmo assim? Foi assim que o controlou?
E afinal que quer ela do Kenji? Suspeito que é ele que a Linda viu morrer no hospital no sonho....

Francamente não tenho a menor ideia como tudo isto vai acabar. Conseguiste deixar-me na expectativa, a tua história está completamente imprevisível. Não faço ideia qual o teu próximo passo e isso é fantástico. Grande parte das vezes lês um livro e dás por ti a descortinar o final. Por isso é óptimo! Continua! E adoro sempre as músicas que escolhes.

Espero que não demores muito a postar.

Beijinhos*
#222
OMG!OMG!OMG! Estou histérica!
*Mim Cai*
LINDDDAAAA!!!! ;o;
Oh... Beicinho Nem sei o que dizer desta ultima parte... v.v Estou parva, nem sei o que imaginar! Tal como a Bun disse, eu nem sei o que esperar! esta fic é bastante imprevisivel!
Começando pelo inicio:
Agnes Versus Linda! Lol Me Gusta! Matreiro
Ficou tudo explicado, finalmente, ainda que nem todas as noticias tenham sido "simpaticas". Fiquei muito feliz por ver a Familia reunida outra vez, a viverem num verdadeiro "Carpe Diem". Pelo menos deu para compensar toda a magoa que guardaram durante toda a fic! Gostei muito da musica que colocaste! Adequou-se bem! Embaracoso
O kenji só podia ser Rei! Acho que não o imaginava fora do posto! Matreiro E a Mari tem que ser a Rainha! Esperancoso Eles são tão amorosos! Esperancoso e acho que já não há duvida que a Mari já está enquadrada na familia! Razz
Gostei do vestido do baile da Linda! Esperancoso Muito simples, mas bonito! E foi fofo ter sido a "Bunny" a ajuda-la a preparar-se para o baile, que foi delicioso, desde as bocas abertas para a "princesa feiosa" até á competição de dança, e ás conversas apaixonadas dos casais! Esperancoso
Esta ultima parte é que bateu tudo, ora lá está! ;_; A Lindinha Levou com a Adaga no peito! Não!!!! ;_;
Mal posso esperar pelo proximo capitulo!
Estou Ansiosa!!!!
as minhas fic's:
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
-Angelical
Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^
#223
Olá...
Vou começar por agradecer à Bun pelo seu comentario e, antes que o responda decentemente, acabarei aquilo que não acabei no ultimo dia.
Era para ter postado nas férias de carnaval, mas não sou a unica a utilizar o computador na minha casa e, ultimamente, o meu pai tem tido muitos trabalhos, assim como eu e a minha irmã. Outro motivo foi o facto de eu ser teimosa a ponto de insistir em postar um capitulo grandinho do que dividi-lo a meio e poupar a vossa tortura... (yup, eu sei que sou má...)
É este o meu molhe de desculpas. Digo isto porque gosto de ser pontual com os meus compormissos e, se digo que posto numa altura, é para o fazer. Como não o fiz, justifico-me.

Agora uns pontos mais interessantes. Começei a escrever o capítulo quando estava a dar Ricardo Reis e fiquei apaixonada pelo heteronimo de F.P. Ao ler alguns dos seus poemas na escola, achei que tivessem tudo a ver com o tema principal deste capítulo e, por isso, decidi basear-me nos poemas. As cenas do «tic tac» e da Linda estar sempre a dizer Carpe diem foram todas inspiradas em R.Reis. Se estão a ler isto é porque já leram o capítulo e, portanto, não vos posso dizer para não terem medo, que o meu plano não era dar uma aula de portugues Matreiro

E agora, uma resposta decente ao comentário da Bun:
Honestamente, acho que vocês exageram. A minha fic não é assim tão boa Matreiro. Mas agradeço o gesto. Acerca da fanfic, são Flores para cada Planeta do Sistema Solar. A Dawson tem sete, faltam duas: Venus e Terra. Conseguiu controlar o Eiji com os poderes do lacaio pelo mesmo motivo que muitos chefões de Sailor Moon o faziam. Mas não vou entrar em detalhes, até porque nem pensei nas razões para isso acontecer. Ele tinha poder e ela tirou-lho. É tudo Matreiro
A visão da Linda era do presente, não do futuro. Por isso, posso dizer que aquele não era o Kenji. Para além disso, se fosse ele, quem seriam os outros cinco?
No que toca a Voz... visto da minha prespectiva é bastante obvio do que a Voz realmente se trata e acho que acabei por dar pistas sobre as intenções de Dawson para Kenji... No final, vai fazer sentido, prometo.

Acerca do Morfeu. Bem, voces sabem quando uma pessoa está destinada a amar uma unica pessoa essa é lhe tudo na vida... e se essa pessoa não está cá? Morta, inexistente? O que acontece? Ama-se a pessoa em segundo lugar. Que isto vos fique na cabeça no próximo capítulo. Embaracoso
Agora, se ele está vivo, morto ou que nem sequer chegou a reencarnar, isso não se descobre no próximo capítulo. Sorry --,

E finalmente, a Linda voltar... quero que me dêm as vossas ideias... como é que ela o fará? será um espírito? possuirá o corpo da mãe? Tornar-se-á na nova Messias, que ressuscitou para nos salar? Digam-me Matreiro (não fará diferença nenhuma na história, porque já está tudo pensado, mas bem que gostaria de ouvir as vossas opiniões.

EDIT: vi agora o comentário da lulu e aproveito já para responder Razz
lulu, obrigada pelo comentário. Divirto-me sempre a ler os teus comentários. Mostras sempre muita emoção e houve uma altura (num capítulo que eu já não me lembro) em que senti tanta raiva por uma das minhas personagens ter agido da forma que agiu (apesar de ter sido eu a escrever Mal disposto) por causa da tua reacção Matreiro
Pois.. eu matei a Linda.. e não me arrependo! Twisted Evil



Próximo capítulo: cabeças vão rolar e.... vai demorar para eu o postar... sorry Matreiro
Espero por ti em cada segundo , porque tu és o meu mundo!




Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
Visitem a minha 1ª Fic ----->The Four elements
#224
Ah ok, faltam flores. Pois eu estava com a ideia que eram 7. Ainda fui ver os capítulos anteriores para confirmar isso, mas entretanto dispersei-me a reler a cena da Mari e do Kenji no Ano Novo,lool. Amei aquela parte e acabei por não encontrar.

E a 2a pessoa por acaso não será o Eiji?

Também me perguntei quem seriam os outros cinco...terá algo a ver com as flores, os que as transportavam...

Ah já percebi a tua pista sobre o Kenji. Ele tem a flor da Terra não é? Por isso é que não pode ficar vivo.

Sobre a Linda...eu na realidade prefiro esperar para ver o que tu decides.

Se ela voltar tipo nova Messias, no seu corpo em principio teria outra oportunidade para viver aquela vida, desta vez muito melhor. Em espírito penso que isso não aconteceria. Digo eu...

Achas que exageramos, não sei. Na minha opinião escreves bem. É bastante agradável de ler. Consegues cativar-nos. Para mim és uma boa escritora. Se não fosses acredita que não perdia tempo a ler o que escreves! Brincalhao

Gosto mesmo. Smile

vai demorar....hum...bem paciência....cá espero.


Beijinho*
#225
Concordo com o que a Bun disse! Eu acho que tu escreves muito bem, Ana! És sem duvida a escritora que me dá mais gozo cá no forum! Se não fosse por ti, eu nem sequer vinha cá tantas vezes agora que não tenho uma fic cá publicada (saudades desses tempos! Esperancoso).
Por acaso também estava na ideia que eram 7 flores (isto deve ser influencia do numero 7! Uma pessoa está tão habituada que este numero lidere que até se confunde! --')
Ah!!! Eu vi logo que havia ali muito Ricardo Reis! Apesar de adorar os poemas de Alvaro de Campos, prefiro as Filosofias do Reis! Embaracoso e sem duvida que num momento destes para a Linda, ela tem mesmo que seguir uma filosofia deste tipo. se não fosse "carpe Diem" seria "Hakuna Matata" (O meu lema preferido! Esperancoso)
Well, eu imagino a Linda a voltar, inicialmente em espirito, a tentar arranjar forças para se erguer e para voltar á vida, e depois arranjar forma de o seu corpo regenerar geneticamente(acho que é assim que se diz), ou como acontecia sempre que as navegantes morriam! Esperancoso
No entanto, como eu não tenho uma visão muito definida quanto a esse assunto, tenho a certeza que ficarei agradada com o resultado que nos darás! Very Happy
Olha lá, estou curiosa em relação ao comentário que eu te fiz que te deixou revoltada! Por acaso isso também já me aconteceu com um comentário que fizeste á minha fic, mas também já foi há tanto tempo que nem me lembro! Mas agora acho que vou correr este tópico todo para ver o que disse! Até fiquei preocupada! eu ás vezes estou tão alterada que escrevo coisas sem nexo! Matreiro
Enfim...! Rolling Eyes
Tens data prevista para o próximo capitulo?
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#226
Data? Bem... em principio não pegarei na fanfic por uns tempos, por causa dos testes (tenho montadas deles... e tbm trabalhos Mal disposto). Por isso, deve ser por volta das férias da Páscoa. Provavelmente na primeira semana Smile
Espero por ti em cada segundo , porque tu és o meu mundo!




Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
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#227
Ah bom! É mais rápido do que estava á espera! Mal posso esperar! Afinal, são o capítulos finais, portanto estou mortinha por ler o desenlace desta fic! Vou ter saudades dela, quando terminar! v.v
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#228
Olá people. Venho aqui com um novo capitulozinho. Espero que gostem mas, honestamente, dêm-me a vossa opinião. Não tenho muito jeito para cenas de luta e aqui isso é o que não falta Matreiro
Devo dizer que estou muito aliviada por terminar este capitulo. Foi GRANDE de escrever (quase 30 páginas de word com arial, 12) e cansativo, pelos motivos que explicitei acima.
Agora só faltam dois. Um capitulo e o epilogo. Serão pequenos, por isso no final do mês um pelo menos estará escrito.

Mas agora deixo-vos com o capitulo. Mais uma vez, espero que gostem =)

P.S: Vou explicar tudinho sobre a Voz caso não entendam, no proximo capítulo. Ha um comentário da Linda que pode confundir-vos por isso achei melhor avisar.

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27-A Flor da Lua



Um trovão rompeu os céus, indício trágico para desastres futuros. O quarto estava coberto num silêncio mortal, fazendo com que o simples som rangente do trovão acordasse a figura deitada na cama.
Esta pousou a mão automaticamente no peito. Sentira uma forte pontada e podia jurar que o seu coração parara de bater por um milésimo de segundo. Algo estava errado.
A mulher tentou sair da cama, mas o seu corpo resistia. Estava fraca, não se conseguia mexer. A doença que a tomava estava prestes a ganhar a guerra. Talvez o fizesse, mas ela atrasaria o julgamento final. Primeiro, tinha que sair do quarto.
Quando se conseguiu ver de pé, sentiu uma outra pontada e o quarto começou a girar à sua volta. Pousou a mão na cabeça e, determinada, tentou alcançar a porta.
Aquele mau pressentimento…
Arrastou os pés pálidos e descalços em passadas lentas e dolorosas. De vez em quanto, lançava um olhar em volta, em busca de algo. Só as rosas lhe chamaram a atenção. Um vaso de rosas vermelhas pousado numa mesa a apenas treze passos do quarto dela. Small Lady podia jurar que as rosas eram brancas. Afinal, fora isso que ela pedira.
Suspirando com dificuldade, avançou mais uns passos quando viu outro vaso, desta vez maior. Cheio de rosas vermelhas, quando ela pedira brancas.
E todas essas rosas estavam junto ao quarto da filha.

Ela sentiu uma pontada no coração. Ela sabia. O seu coração de mãe o dizia. Algo acontecera à sua filha.
Deixou-se cair no chão, incapaz de permanecer em pé nem mais um segundo. O coração começava a acelerar e ela sentiu todo o seu corpo tremer. Não de frio, mas de choque. Choque físico e emocional. Felizmente o físico a mataria primeiro que a dor que sentia.
Ouviu passadas ao longe que pararam por momentos, para depois aproximem-se rapidamente:
-Usagi, Usagi – ouviu a voz de Misaki, enquanto a amiga pousada as mãos nos ombros da outra. Esta conseguiu erguer a cabeça e viu as suas melhores amigas a olharem para ela, os rostos pálidos de pânico.
-Deita-te. – Ordenou Hotaru, obrigando Small Lady a colocar a cabeça no colo dela. – Acalma-te. Vamos chamar um médico.
-Não. – Conseguiu dizer, por entre soluços. – Não adianta. Perdi.
-Não digas isso! – Das três, Misaki era a que estava mais perto de cair em lágrimas. Segurava a mão da amiga com força, pouco se importando se a estava a magoar. Apenas a queria sentir viva.
Mas ela já não se sentia viva. Morta, fracassada… a lista continuava para quem quisesse. Ela perdera esperança.
Olhou Misaki nos olhos, invejando-a. Ela ainda mudar as coisas. Ela ainda podia ter a sua filha. E em vez de estar com ela, estava ali, junto de uma amiga moribunda quando sabe-se lá o que poderia estar a acontecer com Cecília.
-Se fosse a ti… ia ter com a tua filha. – Disse Small Lady, os olhos vermelhos sem pestanejarem, fitando Misaki desesperadamente. Esta ficou ainda mais pálida.
-A Cecília…
-Não a deixes ir… tal como deixei a minha ir…
Small Lady calou-se, limitando-se a cuspir. Gotas de sangue sujaram a sua camisa de dormir. Hotaru perdeu toda a pigmentação da pele.
Misaki, sem saber o que fazer, olhou para a outra, perguntando instruções.
-Ela tem razão. Vai ter com a tua filha. Avisa o Edward. – Disse Hotaru, as mãos a tremerem enquanto segurava na cabeça da amiga doente. – Vai!
Misaki não esperou que lhe dissessem duas vezes. Correu o máximo que o seu vestido lhe permitia até ao salão, onde esperava encontrar todos a dançar, sem saberem que a Rainha estava prestes a morrer. E acima de tudo, onde esperava encontrar a filha sã e salva.
O quão enganada estava…

**

Ela ficara parada a olhar para o namorado, este com os olhos baços de emoção, perdidos. Temeu pela vida da amiga. Temeu por todos. Cerrou o punho, sentindo um fluxo de energia inesperado. Demoraria algum tempo a habituar-se, mas tinha que o fazer. Ela precisava daquele poder.
Pelo menos foi o que elas disseram…


Flashback


Ela tinha a garganta seca. No entanto, não ousou interromper as navegantes, enquanto estas murmuravam palavras na Língua Antiga. Tinham as mãos dadas, formando uma roda em torno dela e de Cecília, que parecia estar tão nervosa e confusa quanto ela.
Sentiu-se ridícula por estar ali no meio, sem saber o que fazer. Mas ela não estava à espera que, de repente todas elas começassem a brilhar.
Um brilho resplandecente inundou as navegantes, tornando impossível a Mari e Cecília de verem a sala onde estavam. Apenas viam as diferentes luzes que saiam dos corpos das mulheres, enquanto cada uma pronunciava agora palavras distintas.
Uma sensação de quente e frio percorreu o corpo da loira, fazendo-a fraquejar. Mas, conseguindo encontrar equilíbrio, olhou em frente vendo uma das navegantes - a de cabelos azuis - abrir os olhos.
Ela fitou o centro durante um eterno minuto, até que seus os olhos azul-cobalto focaram um ponto distinto. Mari virou o pescoço para ver Cecília a olhar do mesmo modo para Ami.
Mais um minuto passou até que o brilho que rodeava a guerreira de Mercúrio começou a cessar, formando uma bola de luz que se aproximou de Cecília. Mari entrou em pânico, mas a amiga estava calma, abrindo os braços e aceitando a luz de Mercúrio dentro dela.
Ami deixou de brilhar, mas continuou dentro do círculo. Depois, Mari tentou ver se conseguia enxergar outra navegante, querendo saber o que estava a acontecer, quando a navegante ao lado de Ami – de cabelos loiros compridos – abriu os olhos. Durante um minuto, não fez nada, até que os seus olhos focaram-se em Mari. Esta sentiu-se zonza, mas incapaz de desviar a atenção da mulher. De súbito, uma voz – a de Minako - percorreu a sua cabeça falando na língua Antiga, mas que Mari entendeu sem dificuldades:
-Guardiã da Fé
Aquela que traz aos humanos
Força para lutar
Contra a maré
Corpo quente como o planeta
Infernal do Sistema Solar
Amor e beleza
É tudo o que te posso dar
Mas aceita o meu dom
Que me foi dado pelo Fado
Sou a Líder das Inner
E a ti te passo o meu legado

Dentro dela, a Voz gritou com todas as forças: Aceita! Mari não ousou contrariá-la.

-Eu, Guardiã da Fé – ouviu-se dizer, também na Língua Antiga.
Aceito o legado de Vénus
Para mim, herdeira do luar
Serei líder e confidente
Mas piores marcas do desesperar


Tal como acontecera com Ami e Cecília, a luz que rodeava Minako cessou, formando a mística bola que entrou dentro do corpo de Mari, que a recebeu de braços abertos.
O ritual repetiu-se, desta vez com Rei e Cecília. Quando a luz da navegante de Marte cessou, Mari sentiu os olhos da navegante mais alta postos em si.
-Tu, Guardiã da fé
Estarás pronta para entender
O legado do trovão?
Eu, descendente de Júpiter
Rei superior dos deuses
Tenho um raio na minha mão
E pretendo passar-te para ti
Será o teu coração
Forte o suficiente para tal?
Eu, a rainha da força
Entrego-te as armas
Do deus fatal

-Eu, a Guardiã da Fé
Aceito o poder superior
Que de Júpiter me foi dado
Força nunca me faltou
Sendo o meu estado à prior
Comprometo-me a líder
E respeitadora do trovão
Poderosa e destemida
Limitada ao poder da união

Só faltavam duas. A navegante de Neptuno passou o seu legado a Cecília até que a ultima – uma loira de cabelos curtos – fitou Mari com um olhar brusco.
-Guardiã da fé
Não é qualquer um
Que tem a minha força
E de Úrano, pai dos deuses
E de mortal nenhum
Consegues ser forte o suficiente
Para entender o poder da luz
E do seu raio incidente?
Terás não só que ter poder
Mas ser forte
Pois Úrano pede sempre o melhor
Só assim o seu legado poderá vencer

-Guardiã da Fé, eu sou
A minha força reflecte-se nos homens
E assim sempre será
Não me tomes como uma tola
Pois quem tola me chama
Tola ficará
Fibra não me falta
E modéstia que se dê ao demo
Pois batalhas ganham-se com uma espada
Não com um remo

A guerreira de Úrano pareceu satisfeita, pois sorriu abertamente, deixando que o seu poder fosse para Mari, que o aceitou, sem hesitação.
Haruka deixou de brilhar, dando o ritual por terminado.

Os olhos de Mari demoraram a habituar-se à ausência da intensa luminosidade até que um burburinho no seu lado direito obrigou-a a desviar o olhar da luz que se dissolvia, permitindo à rapariga poder distinguir as arestas dos objectos na sala onde se encontrava.
-Ainda não percebi… porquê nós? – Perguntou Cecília no seu lado esquerdo, tão baixo que a loira quase que não a ouvia. – Sailor Moon tem uma filha com os seus poderes.
-Não… - interrompeu Makoto, de braços cruzados. – Ela tem uma filha com poderes. A Usagi ainda tem os seus poderes iniciais. O ritual que praticamos é extremamente antigo. Talvez ainda mais antigo que o próprio Milénio Prateado.
Realiza-se quando se pretende ofuscar a linha de sangue. Impedir o renascimento de novas navegantes e promover a força de outras que recebem o poder.
-Porque o fazem? – Perguntou Mari, sem tirar os olhos de Minako, que a fitava intensamente, sem pestanejar. As outras navegantes ignoraram a interacção das duas, entreolhando-se levemente.
Foi a guerreira de Marte que respondeu, soltando um longo suspiro.
-Porque não queremos que os nossos descendentes carreguem o nosso fardo. Os seus poderes só poderiam ser activados caso vivêssemos em ameaça, no entanto, quando isso aconteceu, foram os vossos que despertaram. Já é tarde para os nossos netos e seria injusto exigir isso dos seus descendentes. Uma nova linha de navegantes surgiu. A vossa. – Acrescentou, olhando primeiro para Cecília e depois para Mari. Esta continuava a achar a guerreira de Vénus extremamente interessante. – A Linda apenas continua com o legado da família dela. E tão cedo não se livra dele… Mas vocês são diferentes. As vossas mães não eram navegantes, nem tampouco os vossos pais. Vocês iniciaram algo novo, um legado que não se pode quebrar.
-Foi só por isso? Para nos pôr mais responsabilidades? – Acusou Cecília, furiosa.
-Mais valia termo lhes explicado antes de prosseguirmos com o ritual – murmurou Makoto.
-Mas assim elas não consentiriam. – Intercedeu Haruka, lançando um olhar feroz às duas raparigas. – Vocês deixariam? – Perguntou, num tom desafiador.
-Não. – Respondeu Cecília, decidida. Fora aí que Mari desviara os olhos de Minako.
-Eu sim.
A sua resposta ecoou no ar, antes que Cecília retorquisse:
-Porquê? Desejas ter assim tanto poder?
-Não. Ora pensa bem… A Linda foi amaldiçoada por uma mulher que a quer matar. A mesma mulher que nos deu os nossos objectos de transformação. Essa mulher usou-nos como meros peões num tabuleiro de xadrez. Só conseguimos dar a volta por cima porque a Linda se juntou a nós. Caso contrário não seríamos aquilo que somos hoje… - fez uma pausa, tentando fazer senso na amiga que, ironicamente, era a que tentava sempre pôr-lhe senso na cabeça – A Dawson quer as Flores e não irá parar até as ter a todas. Não podemos evitar uma batalha. A Linda não pode evitar a batalha. E aquilo que eu quero neste exacto momento é poder ajudar uma das minhas melhores amigas a ganhar e até eu própria fazer parte disto. De ganhar uma batalha e provar que sou uma guerreira navegante. Elas passaram-nos os seus poderes porque sabem que, um dia, iremos lutar e teremos que encontrar todas as nossas forças para sobreviver mos as três. Para a nossa irmã sobreviver.

Cecília olhou para o chão, embaraçada. O quanto Mari estava certa. Elas haviam deixado que a sua irmã morresse uma vez. Não podiam permitir uma segunda. Mas… toda aquela responsabilidade… e se elas não fossem capazes.
Mirou os olhos verdes da amiga, vendo-a sorrir para ela. Mari conseguia lê-la como um livro aberto. Sabia exactamente o que a amiga estava a pensar naquele momento:
-Vamos conseguir. – Disse, apesar de a sua voz ainda ter um registo de incerteza.
-Vão pois. – Disse Minako aproximando-se de Mari. – Vocês precisam destes poderes. Só assim conseguirão evoluir para novos estados de navegantes. Nós precisávamos sempre de ajuda exterior, mas agora transmitimos essa ajuda para vocês. Vocês terão que evoluir para o vosso estado de Guardiã, que vai para além do Super e do Eterna e que nós não possuímos. Daí que somos três para cada uma.
Minako pousou a mão no ombro nu de Mari.
-Guerreiras ouçam a canção da esperança. A batalha está a chegar e vocês as três estarão na frente sem poder vacilar. Precisam de toda a força possível. E, acima de tudo, terão que manter o portal seguro. A crença de que o portal está protegido enquanto o Caos está à solta é ridícula. Se a esperança acabar, o Caos liderará para sempre, sem que ninguém o possa deter. Contamos convosco.

Fim de Flashback
Espero por ti em cada segundo , porque tu és o meu mundo!




Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
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#229
Aquele poder era tão novo. Ela bem que podia sentir aquela corrente de electricidade percorrer o corpo todo, provocando uma grande intensidade de adrenalina espalhada pelo seu ser, fazendo os seus olhos ficarem mais intensos, mais atentos… mais perigosos.
Mas ele não via nada disso. Kenji não parava de olhar para o relógio, como quem olha para um cadáver.
Aborrecida pelo estado de apatia do namorado, Mari pegou-lhe no pulso e olhou para o relógio dourado.
Ela sentiu a corrente de electricidade espalhar-se na sua mão direita, enquanto o resto cedia a uma súbita sensação de frio, como se ela tivesse entrado temporariamente numa arca frigorífica.
-Queres saber as horas? – Perguntou com voz tremule, sem esperar resposta. Precisava de acreditar que as horripilantes imagens que invadiam a sua mente não eram reais. Que Kenji olhava fixamente para o relógio não porque entendera o sinal de que algo estava errado, mas porque ele queria mesmo saber que horas eram.
Mas ela estava errada. Ela sabia.
Tic Tac
Tic Tac

Ao longe, soou a meia-noite. A intensidade do vento aumentou e um relâmpago rasgou os céus, mas Mari não viu isso. Apenas viu o relógio de Kenji parar no exacto momento em que o ponteiro dos segundos se encontrava com o dos minutos e das horas no número doze.
4 De Agosto
E, de certa forma não era uma data feliz.
-Não, não… - sussurrou ele, desviando os olhos do relógio para ela, pedindo-lhe silenciosamente que negasse aquilo que ele pensava. Aquilo que ele sentira que acontecera. Mari sentiu-se inútil por não lhe poder negar algo que ele tanto desejava.
As imagens pararam. A única coisa que Mari conseguia ver era uma enorme poça de sangue. Nada mais.
Kenji olhou em volta, procurando a irmã desesperado. Mas Mari sabia que ela não estava ali. Estava no jardim, o seu corpo inerte disperso serenamente na relva húmida e verde escura como se ela estivesse a dormir. Mas, se a enorme mancha de sangue que cobria o vestido e tingia a relva de vermelho não denunciavam o seu estado decadente, eram os olhos, abertos e sem brilho algum que o faziam.
Sentiu a sua respiração faltar. A dela e a de Kenji, que parecia ter chegado à conclusão que o seu instinto não estava errado. Linda estava morta.

**
(paralelamente, escassos minutos antes da meia-noite)

Cecília viu a mãe a conversar com Hotaru, Yvonne não muito longe, junto a um canto. Aborrecida e farta de cumprimentar nobres desconhecidos mas que, estranhamente, todos a viram nalguma vez na sua ainda curta vida, fez o seu caminho para junto da mãe. Tinha que admitir que a sua relação estava a melhorar. Tanto ela como a mãe já não sentiam aquele vazio que sentiam antes, devido à morte do pai. Os seus poderes tinham unido as duas, e isso apenas provara a Cecília o quanto a sua mãe a amava. Jamais Misaki deixaria a sua filha quando ela mais precisava.
Sorriu, não reparando num jovem que se aproximava dela.
-Cecília? – Ouviu uma voz familiar chamá-la. Esta virou-se para dar-se de cara com um muito preocupado Setsu.
-Que se passa? – Perguntou, ficando subitamente preocupada.
-Sabes onde está o Eiji?
Cecília abanou a cabeça, confusa.
-Ele não está com a Linda?
Setsu suspirou, tentando acalmar-se.
-Também pensei nisso, mas ela também desapareceu. E, não sei como nem porquê, o avô dela ficou pálido que nem um fantasma quando lhe perguntei se os tinha visto. Acho que… algo se passa.
Cecília ia apenas dizer a Setsu que Linda e Eiji deviam estará a namorar nos jardins quando o relógio anunciou a todos a chegada do quatro de Agosto.
E ela deu-se por si a acreditar nele.

**

O vento soprava para este, batendo nas árvores do jardim, fazendo um som semelhante ao soprar de uma garrafa. Mas a paisagem harmoniosa estava longe de permanecer daquele estado.
Nuvens negras surgiram no céu, como se os deuses tivessem conhecimento da alma pura e inocente que fora ceifada e um trovão rasgou os céus, mostrando a sua fúria.
Todavia, nada fez Dawson arrepender-se do que fez. Finalmente, uma das pessoas que ela mais odiava estava morta. Mas ainda faltava uma. E a essa, Dawson daria uma morte lenta e dolorosa, ao contrário da jovem cujo corpo apodrecia atrás de si, que tivera morte rápida mas sem deixando de ser tão doloroso. Ser assassinada pelo próprio namorado! Era sem dúvida uma experiencia que nenhuma adolescente de dezasseis - não, dezassete - teria que experimentar.
-Vem… e trás o corpo. – Ordenou ao rapaz, ainda no seu controlo. Dawson podia jurar que os olhos dele haviam ficado mais claros, mas deixou esse pensamento para o lado. Aquilo apenas indicava que ele sabia o que fizera. Que ele havia morto a mulher que ele supostamente amava. Como seria bom, ela fazer o mesmo com Edward e Small Lady.
Respirou fundo, saboreando o ar selvagem à sua volta. Caminhou em direcção ao palácio, com o rapaz a trazer a rapariga ao colo.
Em breve, teria as Flores que lhe faltavam. Vénus estava mesmo atrás de si e Terra estava lá dentro. Juntamente com as navegantezecas, a Rainha-Velha, Edward e um bando de desgraçados que iriam sofrer às suas mãos.
Sim, a quanto a vingança era boa.

**

Dentro do salão, Misaki e Hotaru pousaram os seus copos em cima da mesa e dirigiram-se à porta, a fim de ver Small Lady. Assim que saíram do salão e viraram no corredor, as portas fecharam-se atrás de si com um estrondo que ecoou em toda a divisão. Todas as janelas abriram-se e as cortinas voavam até onde a última linha do tecido as permitia.
Silêncio percorreu a divisão. Alguns atreveram-se a sussurrar ao vizinho sobre os motivos para aqueles acontecimentos insólitos. Mas logo se calaram, pois viram algo aterrador junto a uma varanda, com escada para o jardim.
Quase todos reconheceram a mulher como sendo Dawson, mais bela e perigosa de que nunca.
Mas só quando ela avançou da escuridão, deixando visível a pessoa que estava atrás é que algum som despertou das gargantas das pessoas.
Muitos gritaram e ofegaram em choque e horror, outros de raiva e medo. Só alguns de mantiveram calados. E esses fitavam Eiji Yamamoto a aproximar-se da luz, os olhos mais negros que o basalto e a depositar o corpo da princesa de Tokyo no chão de mármore branco suavemente, os olhos dela ainda abertos.
De todos, dois atreveram-se a avançar. Edward e Kenji deram passos em frente, um não tirando os olhos do corpo de Linda, outro de Dawson.
Ninguém se pronunciou. Todos fitavam ora a vitima, ora a assassina. O Rei e o Príncipe pareciam homens perdidos no meio do deserto, sem qualquer esperança de salvamento. Dawson não desconfiava que Linda fosse o pilar daquela família. O motivo principal para a reconciliação de todos.
Era com se todos soubessem o que iria acontecer a seguir. Que aquela mulher iria matá-los a todos. Um brilho estranho ostentava em torno dela. Era brilhante, mas negro se tal fosse possível.
Um cheiro abafado entrou nas narinas das várias pessoas que se encontravam no salão. Incenso cujo cheiro ninguém conseguia identificar. Apenas sabiam que tornava a respiração de todos extremamente mais difícil.
Uma mulher desmaiou, o sorriso frio de Dawson aumentou, como quem tem prazer em ver o sofrimento dos outros.
-Boa noite. – Disse, sedutoramente. Pousou os olhos na Rainha-Velha, emitindo um brilho vitorioso. Ficou ainda mais alegre quando viu a cara da Rainha Serenity. Parecia que a fonte da juventude onde ela se banhava se havia esgotado. Parecia tão velha quanto a idade deveria mostrar. Ao seu lado, Endymion fechava os punhos num acesso de raiva. Ironicamente, Kenji e Edward faziam o mesmo.
-Não… - sussurrou Kenji, não desviando os olhos da irmã. Parecia esperar que Linda começasse de repente a respirar e se levantasse, rindo-se da mentirinha que fizera. Mas Linda nunca faria algo do género. Aquilo era real.

A sua irmã estava morta.

-Não… - repetiu, desesperado, o corpo a tremer para todos os lados. Dawson divertiu-se a observá-lo.
-Que pena que não tenhas podido fazer nada. Nenhum de vocês – acrescentou, virando-se para as navegantes, os reis e Edward. Este parecia que ia explodir a qualquer momento. De raiva ou em lágrimas, ninguém sabia. – A vossa princesa está morta. O fim de uma vida, o início de outra. Ajoelhem-se perante mim. Pode ser que tenha misericórdia e vos poupe. – Disse, arrogantemente. No fundo do salão, alguns parvos fizeram pequenos movimentos para se ajoelharem, mas alguém próximo deles impedia-os.
O sorriso de Dawson desvaneceu-se lentamente, os olhos enchendo-se de malvadez e loucura.
-Idiotas. Não sabem ainda o quão forte eu sou? Terei que vos mostrar? Não vos chegou a morte da princesinha? – Disse, rispidamente.
Ninguém se atreveu a comentar. Eram demasiadas emoções dentro de um corpo só e ninguém estava a salvo. Entre o medo, o choque, a surpresa, a tristeza e o que restava do êxtase da festa atordoava cada ser dentro do salão, alguns ainda confusos se aquilo não era um espectáculo de entretenimento.
E então, no meio da multidão, ouviu-se uma voz fraca, rouca, ofegante:
-Assassina!

Seguiu-se uma tensão de cortar à faca. Cecília quase que podia sentir um piano a tocar no pano de fundo, marcando o clímax do momento. Temeu por si, pelos seus amigos e, acima de tudo, por aquele que falara quando todos se haviam calado.
-Assassina. – Repetiu, a voz cada vez mais próxima de Dawson. Cecília sentiu uma lágrima escapar. O homem estava mesmo ao lado dela. Sempre estivera. Passara uma boa parte da noite a dançar com ela, a falar com a família, com Linda, Mari e Kenji e a procurar o irmão.
E então, naquele momento, Cecília viu Setsu Yamamoto com outros olhos. Apesar de ser mais fraco que o irmão a ponto de não possuir a Flor de Vénus, não deixava de ser um homem forte. E ela temia ser tarde de mais para se aperceber disso.
Guinevere lançou um sorriso trocista ao reconhecer o rapaz:
-Querida Yvonne – disse suave e cruel, tomando a sua atenção na mulher loira mais distante - devias ter cuidado. Não querias que o teu filho prodígio perca a cabeça.
Involuntariamente, Cecília agarrou o braço de Setsu, impedindo-o de dar um passo em frente. Olhou para Mari desesperada. Esta viu a amiga perto de lágrimas, depositando toda a sua mágoa no braço de Setsu, apertando-o fortemente, enquanto olhava para todo o lado menos para o corpo da amiga. Já Mari agarrara a mão de Kenji, que parecia ter ele próprio morrido, enquanto observava a multidão. Os Yamamoto, em choque por ver Eiji sob controlo de Dawson, Aiko não evitando as lágrimas, o Rei e a amiga da avó.
Esta parecia estar prestes a ceder ao aperto que deveria estar a sentir. Mari sentiu compaixão e compreensão pela mulher. Ela própria sentia aquele aperto de quem sabia mas não conseguiu evitar que o Destino tecesse as suas linhas.
Serenity apanhou o olhar de Mari. Ambas choravam por dentro, mas nenhuma soltou uma lágrima.
O olhar da antiga guerreira da Lua não descolou sob o de Mari, fitando-a intensamente, como quem entrega uma mensagem. Mari, sem saber como, compreendeu:
-Dawson. – Chamou Serenity, dando dois passos em frente. – Esta luta não é com eles, mas sim comigo e com a Mari e a Cecília. Deixa-os ir.
A vilã ergueu o sobrolho.
-Inacreditável que mesmo nestas alturas só pensas nos outros. Viste no que deu teres pensado primeiro neste reino? Viste? – Apontou o braço para Linda. A Rainha engoliu em seco, sentindo um nó na traqueia. Por momentos, encontrou dificuldade em respirar mas forçou-se a prosseguir. Não deixaria mais ninguém morrer.
-Vi… Mas isso não queira dizer que mais pessoas tenham que morrer. São pessoas inocentes que até tu devias ter alguma compaixão, Dawson. Isto é, se tiveres coração…

Os olhos de Dawson ficaram ainda mais escuros se isso fosse possível. Uma deliciosa e cruel ideia espalhava-se pela sua mente, chocando com os seus planos iniciais. Era um desvio, mas não deixava de alcançar aquilo que queria ainda assim. Apenas levava a outro caminho. Oh, o quanto ela desejava mostrar a eles o seu domínio. Para isso seria necessária a humilhação pública da família real. No entanto, havia uma vozinha dentro de Dawson que exigia algo do fórum mais privado. O povo, quando mais ignorante ficar, melhor. Dawson sairia mais a ganhar se esta derrotasse os seus inimigos sem mostrar como. Assim, os seus poderes ficariam na obscuridade e todos temeriam os seus verdadeiros poderes.
Ah, a mestria da ignorância e do medo…
-Que o seja. – Disse, a sua voz ecoando por todo o salão. – Saem todos menos aquelas duas, o rei e o príncipe. – Disse, apontando para Mari e Cecília.
Sons aliviados, confusos e indignados encheram a área, tornando-se impossível distinguir vozes ou palavras. Endymion, vendo uma grande algazarra e temendo uma mudança de ideias por parte de Dawson, gritou:
-Se querem salvar as vossas vidas, sugiro que saiam agora!
De imediato, pessoas correram para a saída, Yvonne a liderar. Mas muitos, ainda confusos, ficaram para trás. As navegantes entreolharam-se, perguntando-se sobre o que fariam. Fora o olhar decidido de Serenity que as esclareceu:
-Vão. Já nada podem fazer.
Acabariam por se perguntar como Serenity sabia da decisão das navegantes em entregar os seus poderes às mais jovens. Mas o tempo escasseava e bastava um olhar para o corpo de Linda para que todos se entendessem. As navegantes assentiram e dispersaram-se pela sala, reunindo os mais assustados e esperando que os outros viessem atrás deles.
-Vai, eu fico aqui. Protege-te. – Disse Serenity, enquanto o marido lhe segurava as mãos, ternamente.
-A nossa filha… os nossos netos…
-Eles vão ficar bem. – Disse Serenity mais para si do que para o marido. Ergueu o queixo e beijou os lábios do marido uma ultima vez, antes de este partir com os outros.
Antes de cruzar a porta, Endymion olhou para Kenji. Este segurava a mão de Mari, que tentava convencer Aiko a ir com os outros. No meio da algazarra, Setsu e a sua família teimavam em ir:
-E o Eiji? O que é que ela vai fazer com ele? – Perguntou Setsu, olhando ora para Dawson, esguia, sorridente e fria, ora para Eiji, cujos olhos ainda estavam opacos de emoções. Nervoso agarrou a mão de Cecília, que estava à beira de lágrimas – e tu? Porque tens que ficar?
-Não te posso dizer, Setsu. Mas acredita, tens sorte por ser o único dos seis a poder sair daqui esta noite. Não desperdices esta oportunidade!
-Não vos posso deixar. Tu, o meu irmão, os meus melhores amigos…
Cecília sorriu, tocando na face dele gentilmente.
-És muito mais forte do que eles pensam. Agradeço aos céus por o Eiji ser ainda mais forte do que tu. Sabe-se lá se eu aguentaria ver-te no lugar dele. – A última frase ela sussurrou, mas ele ouviu perfeitamente. Ambos deixaram cair duas lágrimas de impotência para o que ai vinha.
-Vai. – Disse ela, decidida. – Salva a tua família e, por favor, leva o meu pai contigo!
Setsu, a todo o custo, assentiu. Ia virar costas a aquela rapariga por quem se tinha tornado num grande amigo nos últimos meses quando se apercebeu de que talvez fosse a última vez que a visse. Sensação estúpida, mas racional. Aquela mulher tinha morto Linda e procurava o sangue de Mari e Cecília.
Aproximou o rosto dela do dele e beijou-a calorosamente, os corpos fluindo livremente, como se já estivessem habituados a aquelas sensações. Uma enorme dor de estômago atingiu Setsu mas este ignorou-a, concentrando-se no toque macio dos lábios de Cecília.
Afastaram-se, ambos sem palavras, sem fôlego. Ambos sabiam que, se tudo corresse bem no final, esqueceriam aquele beijo. Todavia, isso não os impedia de desfrutar da sensação e do prazer instantâneo.
Ele virou costas e afastou-se com a família, pelo caminho arrastando o padrasto de Cecília, que olhava em volta confuso em busca de Misaki. Cecília mordeu o lábio, preocupada. Onde estaria a mãe? Porque é que ela e Hotaru não estava ali?

-Mari, querida…
-Avó, não perca tempo! – Disse Mari, tentando libertar-se da sua querida avó, que sempre tomara conta dela. – Eu não a posso perder.
-E então eu? – Aiko não disfarçava as lágrimas, que borravam o seu rosto maduro com leve maquilhagem. – Já perdi uma filha, não posso perder a minha neta…
-Dou-te a minha palavra que a tua neta sairá daqui viva. – Disse uma voz por detrás de Aiko. Serenity postava, calma e com um olhar distante. – Podes confiar em mim.
-Por favor, avó! – Implorou Mari, apertando as mãos da avó, que tremiam severamente. Algo nos olhos de Serenity fez Aiko decidir-se. Chorosa, dirigiu-se para a saída, onde Endymion a levou, também ele num ar pesaroso.

Kenji desviou os olhos da avó, aflito com a mensagem encriptada neles. A avó planeava alguma coisa. Algo que ela não tivera em mente até aquele exacto momento. E, infelizmente, isso apenas significava uma coisa. Dawson não iria cumprir a sua palavra. Muita gente morreria naquela noite.
Aproximou-se do pai, que estava mesmo em frente ao corpo da filha mais nova, sem qualquer tipo de reacção.
Quando voltou a olhar em volta, só ele, Mari, Cecília, Edward e Serenity se encontravam no salão.

-Ficas? – Perguntou Dawson, sorrindo desdenhosamente para Serenity.
-Não deixarei a minha família! – Disse a antiga guerreira lunar, de queixo erguido. – Ao contrário de ti. – Acrescentou, friamente.
Atingira um nervo. Num acesso de raiva, Dawson focou-se em criar uma bola de luz que surgiu nas suas mãos imaculadas e lançou-a à rainha. Esta, apesar de mais velha, conseguiu desviar-se. No entanto, tropeçou e caiu.
-Avó! – Gritou Kenji, aproximando-se da mulher madura, caída no chão. Esta recusou o braço do neto.
-Não lhe vires as costas! – Sussurrou avó para neto. – Isso pode custar-te a vida numa batalha.
Serenity ergueu-se e deu três passos em frente.
-É isso tudo o que vales? Oh, Guinevere, o quanto és ingénua. Esse poder jamais te funcionará correctamente. Ele não te pertence.
-Enganas-te. – Retorquiu Dawson, cheia de veneno. Por momentos, todos viram os olhos dela ficarem vermelhos. Mas num segundo lá estavam, noutro voltavam a ficar negros.
Uma luz turquesa iluminou as arestas de Dawson, dispersando-se em seguida pelo salão. Todos colocaram as mãos sob os olhos, impossibilitados de ver naquela grande clareza. Quando a luz cessou, as navegantes foram as primeiras a ouvir os rugidos.
Uma dúzia de monstros verdes de olhos vermelhos encontrava-se ali frente a frente com dois homens, duas jovens navegantes e uma antiga guerreira não tão ágil como nos velhos tempos.
-Porque é que os monstros dela são sempre verdes? – Perguntou-se Mari, não tirando os olhos das criaturas. Não esperando resposta, transformou-se.
-Pelo poder que me confere, chamo a Guardiã da Fé.
Ao seu lado, Cecília fez o mesmo:
-Pelo poder que me confere, chamo a Guardiã da Harmonia.
Perante brilhos cósmicos que apenas duraram segundos, as duas guardiãs estavam prontas para atacar.
Faith, sem perder tempo, lançou Moon Treasure para todos, aproveitando-se dos inúmeros espelhos que enfeitavam a sala para que os raios prateados se reflectissem e atingissem todos um a um. Uns caíram, outros avançaram para eles, lançando raios verdes cortantes.
Harmony, desviando-se dos ataques, pensou em abrir a porta por onde a sua mãe tinha saído momentos antes. Assim daria oportunidade aos outros três de fugirem.
Sem pensar mais, correu para a porta, aproveitando-se de um dos monstros, tão feio quanto os outros, andassem longas passadas atrás dela, mandando jactos de luz, agora encarnada.
Harmony baixou-se, deixando o raio destruir a porta, deixando um enorme buraco. Rapidamente, rodou a maçaneta e utilizou um das portas como escudo do segundo ataque do monstro. Este, não conseguindo ver o seu inimigo, ficou confuso por uns momentos.
Ainda bem que os monstros dela não têm inteligência, pensou Harmony para os seus botões. Aproveitando-se daquele momento de distracção, correu para o outro lado, tendo uma leve mira do seu alvo:
-Hope Star – gritou, deixando o poder do seu ataque fluir pelo seu corpo, sendo libertado pelas suas mãos. O seu ataque atingiu o alvo, que rugiu de dor até que desapareceu.
Aí, Harmony notou que algo estava errado. Dos doze monstros que Dawson inicialmente lançara, só restava um, que Faith destruía sem problemas. Algo estava errado.
A própria vilã divertia-se a mirar a rainha, que ficava parada no meio do campo de batalha.
-Achavas que me ganhavas, Rainha-Velha? Estas tuas guerreiras são muito jovens e verdes. Nunca me conseguirão vencer.
-Subestima-as demais, Dawson. Afinal, foste tu que lhes destes os objectos de transformação.
Os lábios de Dawson formaram uma linha recta.
-Mais uma das tuas manipulações.
-E depois eu é que sou tola.
Harmony não sabia qual era o objectivo da rainha em irritar Dawson mas, fosse qual fosse, estava a resultar. Ela sentia a aura negra de Dawson ficar mais negra até que…

Tudo aconteceu de repente. Tão depressa que nenhum dos cinco se apercebera de tal até que acontecera.
Dawson deixara de existir. Tal como Beryl, ela deixara-se domar pelas trevas em troca do coração de um homem. Pedira poder e esse poder custara-lhe caro.
Num segundo, tudo mudara. Dawson deixara de ser a mulher gananciosa que sempre fora para se tornar num receptáculo do Caos, inimigo lendário das Guerreiras do Sistema Solar.
Os seus cabelos ficaram exageradamente compridos e os olhos ficaram completamente vermelhos e pontiagudos, lábios negros como o carvão e a pele sem qualquer tipo de pigmentação. Um autêntico monstro.
Não houve tempo para reagir, porque Dawson erguera os braços e deixara raios de luz negra emergirem dentro de si. Esses raios percorreram todo o salão, todo o palácio…
Ao longe, gritos de pessoas chegaram aos ouvidos dos cincos, que só podiam ver, com horror, Dawson rir-se maliciosamente, toda a sua antiga beleza já extinta.
Mari e Cecília sentiram-se doentes. Todo aquele poder era demais para elas as duas. Sem Linda jamais conseguiriam derrotá-las.
Pela primeira vez, as Guerreiras da Esperança, sentiam-se a perdê-la.
Serenity, por outro lado, sentiu os olhos encherem-se de lágrimas. O ataque do Caos fora pessoal. Não tinham sido as pessoas inocentes atingidas pelos raios. Algumas talvez, mas só mesmo porque estavam demasiado perto dos alvos.
O seu marido e as suas amigas…
Ela sabia que Dawson faria algo semelhante, daí a pressa para fugir, mas não contava com o Caos a possuí-la. Isso mudara tudo. Agora eles estavam mortos.
Só havia uma coisa para ela fazer. Salvar a filha e a neta.

Edward fora o único a notar. Talvez porque os seus olhos mal saíram do corpo da filha, fez com que ele fosse o primeiro a notar nas alterações do rapaz que trouxera o seu corpo. Enquanto Dawson se perdia para as trevas, Eiji mexera-se lentamente, sem que ninguém o impedisse.
Só dois segundos antes de Eiji atacar Kenji pelas costas é que Edward percebera:
-Kenji! – Berrou, apavorado. O filho virou-se e enfrentou um Eiji que ainda segurava a mesma adaga com a qual assassinara a irmã.
Seguiu-se uma luta voraz entre os dois, em que ambos utilizavam o corpo para se protegerem, para além da adaga de Eiji, que várias vezes se encontrou próxima do tronco de Kenji.
Das duas navegantes, a primeira a agir fora Faith, mas o ataque de Harmony fora o primeiro a atingir Eiji, que caiu para trás, gritando cheio de dor.
Dawson, irritada, lançou um pequeno raio sob Harmony, mandando-a contra a parede. Severos cortes podiam ser vistos no corpo da Guardiã da Harmonia, agora desmaiada.
Faith entrou em pânico. A amiga estava magoada, outra morta, tinha dois homens que não se podiam defender na sala, um amigo sob as garras do inimigo, o próprio e uma mulher que olhava para ela curiosamente.
Mais uma vez, Serenity passava uma mensagem para Faith, desta vez com mais urgência. E, mais uma vez, Faith viu-se a entendê-la sem problemas:
Separa-os. Distrai a Dawson, enquanto o Kenji e o Edward fogem.
A mensagem era clara. Mas… como fazê-lo?

Fora a voz de Misaki que respondera às várias perguntas de Faith.
A mulher não conseguira evitar um berro quando viu a filha caída no chão como um soldado morto numa batalha. Tal chamara a atenção de Dawson, dando tempo a Faith de se aproximar do rei:
-Fuga, majestade. Leve o Kenji e a Misaki consigo. – Ordenou, tentando manter a voz forte.
-Nem penses. – Disse Kenji, a mão direita pousada no ombro esquerdo, que saíra magoado na luta contra Eiji. – Não te posso perder.
-Nem eu a ti. Por favor, Kenji, não percas tempo.
Os olhos de Faith já não eram tão verdes como dantes. O brilho fora-se. Isso fora sinal suficiente para Edward, que se levantou rapidamente.
-Vamos, filho. – Disse, correndo para a entrada, arrastando o filho com um braço e uma histérica Misaki com o outro braço. Dawson, ao se aperceber da fuga, tentou atacá-los, mas um pequeno raio de luz vindo de trás chamou-lhe a atenção.
Faith correu em direcção ao outro lado do salão, amaldiçoando pela primeira vez as suas botas de cano alto, que a atrasavam. Conseguiu chegar à porta a tempo suficiente para evitar ser atingida por um outro raio.
Dawson estava fora de si.
-Não escapas… - silvou, possuída. Decidida a acabar com aquela corrida, virou-se para Eiji e atacou-o sem misericórdia. Os berros do rapaz foram ouvidos por todo o palácio, devido ao efeito eco do salão. Uma linha mostrando a vida do rapaz surgiu, seguida pela lendária Flor de Vénus, que Dawson rapidamente recolheu. O corpo de Eiji ficou junto do de Linda, os olhos fechados junto dos pés da princesa.
Lançou um último olhar nos corpos, ignorando a mulher de vestido branco e foi atrás da outra guerreira.

Sailor Harmony sentiu dor por todo o corpo, mas uma onda de adrenalina fê-la acordar do sono agradável. Os berros de alguém ecoavam pelo salão, soando a gritos de tortura. Desta vez, Dawson não fora cuidadosa com a sua mercadoria. Harmony temeu os efeitos que aquele ataque teria em Eiji mais tarde.
Abrindo as pálpebras, viu Dawson olhar para os corpos, sem notar em Serenity, que olhava-a cautelosamente. Depois a vilã saíra, indo atrás de algo que corria rapidamente na direcção oposta.
Levantou-se, agradecendo a toda a adrenalina que sentia, abando-se um pouco, ainda mole de dores.
-A tua amiga precisa de ti. – Disse Serenity, sentada junto aos corpos de Linda e Eiji. Harmony não respondeu, confusa. – Vai ajudá-la.
Ela percebera a mensagem. Mas… e então a rainha?
-O que vai fazer? – Perguntou, receosa.
-Vai – ordenou, ignorando a sua pergunta. Harmony sabia mais do que responder a uma ordem da rainha de Crystal Tokyo.
Correu, guiando-se pelos sons e pelas auras sentidas nos corredores. Só estavam lá duas. Faith e Dawson.
Agora tinham as duas de lutar contra ela. Será que conseguiam?

**
Small Lady sentia a sua respiração falhar. A sua hora estava próxima. Em breve, estaria com a sua filha. Estaria em paz.
Da janela, ouviu mais um trovão. Abanou a cabeça para o outro lado a tempo de ouvir passos apressados vindos do corredor, enquanto Hotaru ergueu a cabeça em direcção do som:
-O que aconteceu? – Ouviu a amiga perguntar. Sentiu Edward ao seu lado e sorriu. Ao menos tê-lo-ia por perto quando chegasse a hora.
Ninguém respondeu. Misaki chorava e Kenji aproximou-se da mãe, pegando-lhe na mão livre. Só os olhos dele, azul profundo, denunciavam as suas emoções. Small Lady teve apenas a confirmação das suas piores suspeitas. Mas, de certa forma, sentiu-se bem. O pouco que sabia de Linda era o suficiente para saber que ela era neta de Sailor Moon. Não seria algo tão banal como um inimigo poderoso que a mataria.
Apertou a mão dos homens que ela mais amava no mundo. Rezou para que o sue pai e sua mãe estivesse bem. Rezou pelo filho, pelo marido. Rezou pela filha…
Minutos passaram-se em silêncio. Todos sabiam que ela iria morrer, mas a ideia só desabrochou na cabeça de pai e filho quando, finalmente, a respiração dela falhou de vez. A voz dela saia ofegante e fina:
-Lamento muito… pelos erros… que… cometi… perdoem-me.
-Mãe? Querida? – Gritaram os dois, confusos.
A dura e crua realidade atingiu os dois homens como um pesado tijolo. E, antes que eles pudessem digerir o pensamento, já a Rainha fechava os olhos, não sem antes emitir um último suspiro.

**
Ele cometera um erro. Um erro terrível. Ninguém o culpava, claro. A esposa tinha morrido nos seus braços pouco depois de a filha ter sido assassinada pela mulher que sempre o desejara. A juntar isso com o facto de estarem em plena fuga no palácio, temendo a morte, provocou em Edward uma terrível distracção.
Mas o sentimento de culpa corroía-o. Porque ele devia ter olhado por ele. Devia ter pensado que ele faria algo tão estúpido. Afinal, ele teria feito o mesmo por Small Lady se pudesse. Devia ter olhado por Kenji. O último membro da sua família.
Mas não o fez. Ninguém notou em Kenji que, após limpar as lágrimas às mangas da sua camisa branca, deu passos para trás até que começou a correr.
Primeiro a sua irmã, depois a sua mãe e ele sabia que os avós também não tinham grande esperança de vida. Ele estava a perder todos aqueles que amava. Não podia perder Mari.
Ele próprio nem sabia porque estava a fazer aquilo. Ele seria tudo menos uma utilidade naquela batalha. Mari lutava, talvez sozinha, e ele nada podia fazer. Não podia ser como o avô e lançar rosas vermelhas aos monstros, a fim de salvar a sua amada. Só podia ver e amaldiçoar a sua isenção de poderes. E, acima de tudo, a morte da irmã.
O quão miserável ele se sentia. Por perder a irmã e, de certa forma, toda a esperança possível de vitória. Cecília e Mari não conseguiriam lutar sozinhas. Acabariam por perder. E era isso que Kenji mais temia.

Estava lá. Dawson atacava as duas navegantes, que apenas tinham tempo para se protegerem por detrás dos pilares do palácio. Os ataques sucessivos da inimiga destruíam os seus escudos de protecção, causando pânico nas duas raparigas, que temiam não poder fazerem mais nada. Faith lançou um ataque, mas Dawson desviara-se facilmente.
Kenji ficou pálido, estático junto à parede. Mal conseguia respirar devido ao pânico que assombrava corpo e mente.
Involuntariamente, deu um passo atrás, provocando um pequeno ruído. No clímax da batalha, nenhuma das navegantes reparara.
Mas o inimigo sim.
Dawson lançou um sorriso sinistro para Kenji, como se esperasse a sua vinda. Faith entrou em pânico:
-KENJI, FOGE!
Desesperada, atacou Dawson incessantemente, de modo a distraí-la. Mas esta mal fora afectada pelos seus ataques e parecia mais interessada no rapaz no que nas duas navegantes, que agora atacavam-na sem hesitar. Sentiam-se ficar mais fracas até que o corpo de Harmony, ainda aleijado do último ataque, a traiu, fazendo-a cair no chão de mármore. Faith parecia também não aguentar, mas a teimosia impediu-a de cair ou até mesmo de desistir.
Kenji estava paralisado. Não se conseguia mexer. No fundo, já sabia o que Dawson queria com ele. A Voz assim o contara.

Faith gritou, mas já era tarde de mais. Dawson lançara-se sobre Kenji, utilizando os seus braços isentos de cor para estrangular o jovem. Kenji lutara, mas Dawson, apesar de possuir braços magros, era muito mais forte do que ele. Sentiu o ar a faltar-lhe e a sua pele a ficar mais azulada. Soltou um grito abafado quando Dawson lhe lançara um raio directamente no seu coração.
Ele sentiu-se a morrer. Mal sabia que passava por algo pior.

**

Daí a semanas, faria um ano desde que Mari e Cecília tiveram conhecimentos dos seus poderes. Do quanto eram especiais. De quando conheceram Linda. De quando Mari vira Kenji pela primeira vez. De quando tudo começou.
Nenhuma dela teria adivinhado nessa altura que os irmãos Natsumara seriam a resposta para todas as suas perguntas. Quem eram, o que faziam ali na Terra e que futuro poderiam ter. Mari apaixonara-se e encontrara uma grande amiga. Cecília fizera grandes amizades. Nenhuma delas esperava que os dois fossem ainda mais especiais.
Talvez tivesse sido essa, uma das mensagens que Serenity tinha passado a Mari. E ela, feita parva, não entendera.
Linda e Kenji eram descendentes de Sailors e do Milénio Prateado por parte da mãe. Por parte do pai, da família real.
O quão essa linha andava para trás, elas não sabiam.
Até agora.
Até a aquele exacto momento em que, por entre os gritos angustiados de Kenji, uma belíssima Flor saiu do seu peito. Era a mais bela que as duas alguma vez tinham visto. Não era de uma só cor, mas sim de várias. Linhas douradas, castanhas emitiam sons da vida do rapaz enquanto circulavam a Flor, naturalmente verde-esmeralda e azul-cobalto. Tinha a forma de um cravo e irradiava energia branca.
A Flor da Terra.

Não demorara muito até que Dawson absorvesse a Flor para dentro de si, deixando o corpo imóvel de Kenji cair no chão duro.
Ambas gritaram. Harmony porque agora as hipóteses de elas ganharem eram quase nulas. Faith porque perdera algo muito mais importante do que a sua própria vida.
Não notou que, pela primeira vez em anos, estava a chorar.
Espero por ti em cada segundo , porque tu és o meu mundo!




Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
Visitem a minha 1ª Fic ----->The Four elements
#230
**
(longe dos prazeres terrenos)

O que era aquilo?
Que sons são estes?
O que é isto?
Uma voz na sua cabeça respondeu: O Nada.
Porque nada era tudo e tudo era nada. E aquilo que ela via era tudo, mas nada.
Confusa, abanou a cabeça. Não distinguia cores, nem formas, nem sons. Apenas sentia.
Não havia ar, mas ela não precisava de respirar. Não parecia haver comida, agua, calor ou frio, mas ela não pensar vir alguma vez voltar a sentir essas sensações.
Uma pequena luz iluminou os seus corpos, podendo finalmente distinguir o seu corpo ao tacto e um corredor mesmo à sua frente.
Avançou lentamente. Não tinha pressa. Naquele lugar, não havia tempo.
A cada passo que dava, mais certa estava de que, à sua volta, as paredes eram decoradas com espelhos. Porque ela podia jurar ter visto o seu reflexo várias vezes.
Prestou melhor atenção. E teve certezas.
Sim, era ela.
Mas também…

A primeira rapariga que vira era jovem, provavelmente catorze anos. Vestia calças de ganga, um t-shirt azul bastante larga, tinha o cabelo negro amarrado e usava óculos de aros negros.
Linda Tsukino, a princesa fugitiva.
A rapariga sorria para ela, fazendo-lhe sinais para continuar.
A segunda tinha dezasseis anos. O cabelo estava apanhado. A roupa assemelhava-se ao estilo marinheiro.
Sailor Dream.
Esta sorriu e, tal como a outra, fez sinais para que continuasse o caminho.
Ela não hesitou e prosseguiu caminho até encontrar a terceira rapariga.
Esta era a única com a qual se familiarizava. Cabelos encaracolados soltos, olhos azuis isentes de óculos, roupas normais, corpo mais formoso, pele um pouco mais morena, sorriso confiante.
Linda Natsumara.
Engoliu em seco e ficou espantada ao aperceber-se do que acabara de fazer. Parecia que ali ainda tinha corpo. Bem, corpo ela tinha. Como é que andaria caso não tivesse?
Suspirou e continuou. Algo dentro de si dizia para o fazer.
Encontrou uma última pessoa. Mas esta já era uma mulher. Trazia vestido trajes longos e negros, os cabelos apanhados do mesmo modo que Sailor Dream e os olhos estava opacos, sem vida.
Agnes, a Guardiã dos Sonhos.
Era como se aquele lugar tivesse desfragmentado a sua alma em pedaços. Pedaços esses que mostravam agora as diferentes fases da vida e da alma dela antes de sucumbir à dura morte. O objectivo para tal talvez fosse para dar-lhe paz. Mostrar-lhe aquilo que ela fora em vida antes de ela prosseguir viagem. Afinal, a morte era só o virar da estrada.
Como que adivinhando pensamentos, o fundo do corredor tornou-se visível, assim como uma porta negra.
A porta do Além. Isso significava que ela ainda estava no limbo. Assim que atravessasse aquela porta, estaria morta para sempre.
Atravessou o longo corredor até á porta. Tocou na maçaneta. Sentia estranhas mas agradáveis sensações do outro lado. Talvez do outro lado, estivesse os seus avós paternos que ela nunca conhecera. Não havia mais ninguém que ela tivesse perdido.
Rodou a maçaneta. A vontade de ir era tão forte. Abriu a porta e…

Alguém a fechou com força.
E esse alguém agarrou-a, meio brusco, meio gentil e puxou-a para longe do corredor. Ela sentiu a pele dele queimar-se na dela.
-O que estás a fazer? – Ouviu a sua voz gritar para o estranho.
-É que nem te atrevas a fazer-me isso… - silvou o homem, a sua voz estranhamente familiar. – Não vais desistir agora, pois não?
Aquela voz…
-Morfeu? – Perguntou ela, a voz trémula de emoções. Ele não respondeu. Apenas levou-a para fora dali, até um outra porta, desta vez castanha e abriu-a.

Os campos eram verdes, o céu azul claro, as arvores escuras… Era lindo.
E ela pôde então ver a figura que a trouxera. Alto, de cabelos compridos, era um dos homens mais belos que ela alguma vez vira.
Morfeu sorriu para ela, os seus olhos azuis-claros brilhando intensamente.
Aproximou-se dela e segurou o rosto dela com as suas grandes mãos.
-Não te posso perder outra vez. – Sussurrou, inclinando-se para beijar a testa dela. O toque dos seus lábios quase que fizera-a derreter, de tão doce e forte que era. O cheiro dele era intoxicante e ela sentiu a besta dentro de si a acordar, exigindo comida por entre mares de desejo carnal e espiritual.
Não se conseguiu controlar. Aproximou os seus lábios dele e beijou-o apaixonadamente, tão forte quanto podia ser, vindo de dois amantes reencontrados.
As bocas exploraram-se, a dele sabendo a mel, provocando grandes picadas na barriga dela. Parecia que um exame de abelhas assassinas a picava, ao invés das borboletas habituais. Os corpos uniram-se, cada aresta do corpo dela perfeitamente encaixada no dele, as mãos procurando um lugar do corpo ainda por explorar. As mãos dela ficaram-se pelo cabelo dele, comprido e extremamente castanhos, como o chocolate. As deles, alternava entre as ancas dela e o seu maxilar, aprofundando o beijo. As bestas soltaram-se e os dois caíram na relva, consumindo todo o desejo que sentiam um pelo outro.
A armadura dele caíra, mostrando um corpo perfeitamente musculado. O corpo de um guerreiro. Parecia tão jovem quanto o dia em que se conheceram.
Ele moveu as mãos por entre o vestido branco dela, até que parou ao notar na grande mancha vermelha.
Ele ergueu-se sem, no entanto, deixar de tocar nela. A mancha estendia-se por grande parte do vestido, estando mais escura por entre o peito dela. Junto ao coração.
Ambos olharam nos olhos um do outro. Ela viu medo e sofrimento nos olhos claros dele e talvez fora por isso que não impedira a mão dele de tocar no tecido do vestido, desviando-o, mostrando o peito dela. Fosse outro homem, ela teria corado e tapado imediatamente, mas ele já a conhecia. Fora o único homem que alguma vez a conhecera.
Ele fechou os olhos de repente, apavorado. Ela olhou para o seu próprio peito nu, querendo ver aquilo que ele vira.
A marca da adaga ainda lá estava, negra e feia, e pequenas gotas de sangue coagulado escorriam dali.
Horrorizada, tratou de se tapar rapidamente, tentando controlar as lágrimas e a vergonha de ele ter visto aquilo.
-Não podes desistir. – Disse ele, mirando-a intensamente.
-Para quê? Estou melhor aqui.
-Essa é atitude de cobarde. Fizeste uma promessa. Tens que voltar.
-E se ela voltar a ganhar? Que farei? – Perguntou ela, deixando-se levar pela tristeza e pelo medo.
-Não perderás. – Disse ele, com a maior confiança que podia demonstrar. Segurou o rosto dela com as mãos, admirando aqueles olhos tão azuis que o fizera perder a cabeça milhares de anos antes. – Tu és especial. Tens que voltar para a tua família. Para ele.
Apesar de ela saber de quem ele falava, não pode deixar de sentir uma súbita raiva subir-lhe pelas veias. Levantou-se, indignada:
-Jamais amarei outro. É por isso que não sonho. Faz parte da promessa. É a única forma de a cumprir sem perder a visão. Eu prometi-te – disse ela, apontando o dedo indicador para ele, que também se levantara. – Jamais verei outro homem como te vejo a ti. Eu não o amo.
-Amas sim. – Respondeu ele, calmamente.
Ela soltou todo o ar preso nos pulmões, tomando consciência do quão real aquilo era. Era como se estivesse viva.
-Talvez. Mas ele não é o homem da minha vida. Tu é que és.
-Mas, se eu não estiver por perto, que farás? Seria egoísta da minha parte impedir-te de víveres a tua vida com outro homem, que te adora.
-Não estás? – Perguntou ela, de repente. Morfeu fez um semblante confuso.
-Como?
-Não estás perto de mim? Não… reencarnaste?
Morfeu abriu a boca para responder, mas as palavras ficara presas na garganta. Silêncio pairou no ar, ela esperando por uma resposta e ele sem a dar.
-Tens que voltar. Não podemos repetir os erros do passado. – Disse ele por fim, aproximando-se dela. – Tens que ser feliz, meu amor.
-Não consigo… o nosso filho…
Para sua surpresa, Morfeu sorriu.
-Que tipo de pai esperavas que eu fosse. Achavas que eu não protegeria o meu próprio filho? Ele viveu, querida, sempre viveu. Longe de ti, mas sobreviveu. Teve filhos e netos, sobreviveu às batalhas. Teve descendentes… -aí ele fixou os seus olhos da cor do céu diurno nos dela, semelhante ao céu nocturno. E ela entendeu. Ela era a descendente do seu próprio filho. O seu filho que sobrevivera.
-Tu fizeste uma promessa de me amar para sempre. Eu fiz uma de vos proteger para sempre. E assim o fiz. Agora, vou voltar a cumpri-la.
Ele sorriu, provocando um pequeno sorriso nela.
-Vais voltar e vais viver. Promete-me. – Pediu ele, segurando nas mãos dela. As mãos dele tinham calos e raspavam nas mãos suaves dela, mas a sensação não deixava de ser quente e boa. Não deixava de a fazer sentir-se no Céu.
-Prometo. – Respondeu ela, com um sorriso, selando a promessa com um beijo apaixonado.

**
(na Terra)

Era agora. Estava só. Pois agora fazer aquilo que planeara. Um ritual, para salvar a sua filha e a neta. Porque o seu coração de mãe a traíra há pouco. A sua filha tinha partido. Amaldiçoando-se por não ter sido rápida, Serenity ajoelhou-se perante o corpo da neta, agora mais distante do de Eiji. Nas suas mãos, estava o cristal prateado, brilhando como mil sois.
Ela sabia o que estava a fazer. Afinal, não era a primeira vez que o fazia. Mas era de certo a última.
Concentrou-se, fechando os olhos e deixando que o brilho do cristal iluminasse todo o salão, até que Serenity pudesse apenas ver o corpo da neta. O brilho aumentou, enquanto a Guerreira Lunar usava todas as suas forças para concluir a sua missão. Era a sua última batalha. A sua ultima luta.
Contente, abriu os olhos e, pela primeira vez, viu-se a si própria antes de ser navegante. A rapariga que atirara o seu testes de 30% para o ar, atingindo o homem que seria o seu futuro marido. A rapariga de odangos compridos e uniforme de colégio. A rapariga normal que ela há muito deixara de ser.
Fechou os olhos e não os voltou a abrir.

**
(num lugar fisicamente longínquo)

Ela atravessara uma outra porta que Morfeu lhe indicara. Agora a mancha tinha desaparecido e ela sentia-se mais pesada, como se toda a massa do seu corpo tivesse retornado.
A sala era – para seu desagrado – cor-de-rosa claro. Um cheiro estranho, semelhante a algodão doce, espalhara-se pela sala tal pandemia para quem odeia o doce.
À sua frente, estava uma figura. Não notou que, ao seu lado, outra figura caminhava na mesma direcção. Quando reconheceu a figura, não disfarçou o espanto:
-Avó?
Serenity sorriu para ela e para a pessoa a seu lado. Linda virou-se e viu a sua mãe.
-Mãe? Não entendo…
-Morremos. – Disse Small Lady simplesmente. Não tirava os olhos da mãe, como se duvidasse da sua presença. – O que é que a mãe fez?
-Algo que garanta a vossa segurança. – Respondeu Serenity, com um sorriso puro e satisfeito. Linda e Small Lady entreolharam-se.
-A mãe não devia ter feito isso. Não estava nas suas mãos o nosso destino.
-Estava sim – cortou Serenity, severamente. – Eu sabia que havia algo de errado com a maldição, que devia haver um segundo significado. Quando o descobri, entrei em pânico. Mas não deixei de tentar evitar todos os dias que isto acontecesse. Protegi a Linda e o Kenji o máximo que pudesse mas falhei… tal como falhei a ti.
-A culpa não é da avó. – Disse Linda, sentindo uma lágrima cair na sua bochecha. – Mas sim da Dawson. Foi ela que provocou isto.
Serenity assentiu.
-Eu sei. E é por isso que faço isto. Ela é muito forte e só vocês conseguem derrotá-la. Além disso, a batalha é vossa. A Morte foi injusta em impedir-vos de lutarem pelas vossas vidas.
Os olhos de Small Lady aumentaram de tamanho ao aperceber-se dos planos da mãe:
-Mas a mãe… o que vai acontecer? A mãe não pode…
-Não farias o mesmo pela Linda e pelo filho dela? – Não foi necessário ouvir a resposta, os olhos da filha diziam tudo. Serenity sorriu. – Eu já estou velha, tive uma longa vida. Mas vocês ainda têm uma vida para recuperar. É justo para todos.
As outras duas queriam contrariá-la, mas sabiam mais que fazê-lo. Se Serenity estava ali, era porque já não havia volta a dar a não ser que as duas recusassem seguir em frente. E Linda podia sentir os olhos da mãe postos em si, pronta a obrigar a filha a aceitar o acordo. A vida de uma guerreira por outras duas.
-Não posso lutar mãe. – Disse Small Lady para Serenity. Esta assentiu.
-Já reparei. E não te preocupes. A Linda, a Mari e a Cecília são o suficiente. Apenas quero que protejas os outros que não podem lutar.
A filha assentiu. Serenity virou-se para a neta, esta ainda com dúvidas.
-Avó…
-Querida… - Serenity pousou as mãos no rosto dela, tal como Morfeu fizera antes. – Tudo está dependente de ti. És a minha descendente e a ti te passo todos os meus poderes. Usufrui deles como quiseres, pois sei que farás a melhor decisão de uso deles. E não se esqueçam as duas. – Virou-se também a filha, passando a mão esquerda pelo rosto pálido de Small Lady. – Que eu amo-vos às duas e ao Kenji. Se não fizerem isto por vocês ou por mim, façam-no por ele. Ele é o que terá mais a perder se vocês não voltarem. Ele e o Edward.

Mãe, filha e neta abraçaram-se uma última vez, sentindo o toque e os leves aromas de cada uma nas peles, ambas brancas. Três mulheres de personalidades diferentes, mas que pareciam as mesmas. Três gerações diferentes, mas com o mesmo sangue.
Quando se separaram, filha e neta foram em frente, de mão dada, unidas como nunca estiveram. Já a mãe, antiga guerreira navegante, protectora do cristal prateado e do Santo Graal, aquela que possuía a semente de estrela mais pura da Galáxia, seguiu em frente, rumo ao Além, onde sabia que as suas amigas de uma vida e o seu amado esperavam por ela. Para trás, ficaram esperanças de que nada tivesse sido em vão.

**
Mãe e filha abriram os olhos ao mesmo tempo. Felizmente, apenas a mãe tinha audiência:
-Usagi? – Ouviu a voz de Misaki, apavorada. Ao seu lado, sentiu o marido, também ele pálido e sem palavras. Apenas Hotaru tinha algo a dizer.
-A tua mãe?
As duas amigas de longa data entreolharam-se e a rainha assentiu.
-Sim, ela sacrificou-se por mim e pela Linda. Talvez assim tenhamos hipótese nesta batalha.
-Mas… e a doença? – Perguntou Misaki, ainda confusa. Por muito que soubesse acerca do mundo das navegantes, haveria sempre algum coisa que ela não entenderia.
Small Lady pousou a mão na cabeça. Não sentia nada, nem nenhum aperto. Respirava normalmente, não lhe doía o corpo e a mente. Estava sã.
-Foi-se… - respondeu, com um sorriso. Olhou para o marido, este ainda hipnotizado com o que via. Lágrimas caíam naqueles olhos que a deixaram louca nos tempos de juventude. E que ainda deixavam.
-Edward?
Chamá-lo foi como um estímulo, pois ele reagiu aproximando os lábios dos dela, beijando-a apaixonadamente. Apertou-a contra si, como se temesse voltar a perdê-la:
-Amo-te tanto. Que seria de mim sem ti…
-Está tudo bem, querido. Está tudo bem…
Ele sorriu, pela primeira vez, acreditando nas suas palavras. Small Lady sabia que ele ouvira cada palavra do que ela dissera, tendo consciência de que também a filha estava viva. Ao olhar em volta, viu que Hotaru também entendera e explicava a uma perplexa Misaki tudo o que lhe escapara. Foi então que notou em algo.
-As meninas e o Kenji? – Perguntou. Sabia que o filho estava junto dela antes de ela morrer e que as raparigas estavam a lutar. Temeu que a mãe tivesse agido tarde de mais.
-Não sabemos. O Kenji fugiu logo após tu… - Misaki não terminou, ficando perdida em soluços, mas ela entendeu.
-Ele perdeu a irmã e a mãe na mesma hora, temeu perder também a mulher da sua vida. – Murmurou Edward, tristemente. – Foi apenas há uns minutos.
Small Lady ergueu-se e olhou para o fundo do corredor, por onde o filho fugira em busca da amada.
Só esperava que não fosse tarde de mais…

**

A primeira coisa que notou foi no elegante candelabro pendurado no tecto, com as lâmpadas fundidas quase a cair. A segunda foi no tempo negro vindo do exterior. A terceira foi o pesado silêncio.
Ergueu o tronco. Não estava lá mais ninguém a não ser ela e…
-Eiji. – Aproximou-se do corpo do namorado, vendo a sua pulsação. Os olhos dele estavam abertos, pestanejavam um pouco, fitando um ponto fixo na parede. Estavam no tom de avelã que ela conhecia, mas mortos, sem brilho. O corpo respirava, mas Eiji bem que podia estar morto.
Ela suspirou pesadamente:
-Prometo que te devolvo a tua Flor. Voltarás a ser o que eras. – Disse, decidida.
Levantou-se e sacudiu as roupas. A mancha de sangue desaparecera, mas o vestido continuava sujo. Não interessa, pensou. Tenho maiores prioridades.
Pegou no colar ao de leve. A décima pedra estava ali, colada com fita-cola, extremamente próxima de um outro ponto. Foi aí que Linda notou que os nove pontos simbolizavam os planetas do Sistema solar e o décimo a Lua. Uma estranha coincidência se era isso que Linda lhe podia chamar.
Inspirou o ar que vinha da janela da varanda. As cortinas brancas esvoaçavam ao longo do vento forte e um aroma fresco provinha dos jardins. Linda olhou para as mãos e sorriu, dando graças por estar viva. Desta vez, faria as coisas direito.
-Pelo poder que me confere – murmurou, mas a sua voz estava mais forte, mais madura. – Chamo a Guardiã dos Sonhos.
Algo de diferente aconteceu naquela transformação. Ela já não era uma Sailor, mas uma Guardiã. Trazia um vestido com cortes de marinheiro, mas preto em quase todo o sentido que batia no joelho. O penteado era o mesmo mas a diferença mais significativa era o bastão enorme, negro com uma lua de prata na ponta.
-É agora. – Sussurrou Linda para ninguém. Antes de sair, voltou a olhar para Eiji. Morfeu tinha razão. Ela amava-o. Mas até que ponto?

**

Faith caiu no chão, derrotada. Estava cansada, sem forças para continuar. Dawson conseguira. Ganhara. Estava tudo perdido.
Ao seu lado, Harmony ainda não desistira. Todo o seu poder estava esgotado, mas ainda tinha o das guerreiras navegantes. Poderia usar esse. Mas como?
A resposta surgiu-lhe com um bastão. Só ela notou na figura, enquanto Faith tentava levantar-se, sem tirar os olhos de Dawson e esta ria-se a altas gargalhadas, sentindo-se vitoriosa:
-Vocês pensavam que me conseguiam deter? Nem sequer com a vossa Guardiazinha dos Sonhos conseguiriam. Eu, que possuo a maior fonte de poder do Universo?
-Queres apostar? – desafiou uma voz, por trás de Dawson. Esta virou-se rapidamente, querendo ver a nova inimiga. Esta saiu das sombras, mostrando-se.
-Tu! Mas como é que…
-Subestimas o poder da minha família Dawson. E pensava eu que sabias as histórias. Uma guerreira só morre quando quer. – Retorquiu Linda, com um sorriso malicioso. Fitou as amigas, que olhavam para ela, estupefactas. Sorriu amavelmente para as duas. – Elas não estão sozinhas. Têm-me a mim e nós as três conseguimos derrotar-te.
-Aí sim? Não és nenhum gato princesa. Se te matar agora, morres definitivamente. PREPARA-TE! – Gritou, lançando uma bola de gás a Linda. Esta desviou-se facilmente, correndo para Mari.
-Canaliza os teus poderes. – Disse, desviando-se de mais um ataque.
Mari sentiu vontade de dar um estalo a si própria. Pois claro, as pedras. Se as usassem, poderiam utilizar os poderes das guerreiras navegantes sem problemas e até mesmo evoluir.

As três correram, desviando-se dos ataques. Dawson, furibunda, criou monstros para as atacar. O seu plano era livrar-se de Linda. As outras que ficassem com os monstros.
No meio da corrida, Linda notou no corpo do irmão junto a um canto.
-O que…
-Flor da Terra! – Disse Cecília, correndo para junto da amiga, vendo-a aterrorizada. – Ela tem-nas a todas.
Momentos antes, esse factor teria preocupado Linda, mas agora não. Estava confiante que conseguiria vencer e salvar o irmão e Eiji. Determinada, ergueu o seu ceptro para o monstro que atacava Mari:
-Mystic Light. – Murmurou, a voz ecoando pelas paredes como um canto de sereia. Uma luz intensamente brilhante preencheu o espaço, tornando a Dawson impossível de ver o quer que seja.
Estranhamente, as três guardiãs conseguiam. Mari ergueu-se e foi para junto das companheiras.
-Como canalizamos os poderes? – Perguntou, tentando apanhar o fôlego.
-Voltem a chamar as vossas Guardiãs. No entanto, pensem em algo superior do que a uma simples guerreira.
Elas fizeram o que a amiga pediram e de repente, duas Guardiãs ocupavam o espaço onde duas guerreiras estavam antes, com trajes semelhantes aos da sua companheira. A diferença estava apenas nos penteados e botas.
Linda sorriu e apontou o ceptro para Dawson, que conseguia agora ter um vislumbre delas.
As três dispersaram-se, prontas a atacar. Dawson, vendo a rapidez dela dividiu-se em cinco.
Nenhuma das três teve tempo para pensar quando, de repente, Mari e Cecília ficaram a lutar contra duas Dawsons e Linda com uma, sem dúvida a original.
Muitos raios de luz foram lançados e Mari deu graças pela sua forma física, caso contrário jamais conseguiria escapar. Poder não era sinónimo de força e a jovem navegante era o verdadeiro exemplo da regra. Muito mais rápida que as duas Dawsons, conseguiu desviar-se de um ataque mortífero de uma, deixando que o ataque atingisse porem a outra. Só faltava uma e Mari deu uso da sua flexibilidade de guerreira navegante para desviar-se de um tremor de terra provocado pela cópia. Saltou, rodopiando no ar, aterrando graciosamente. Rindo-se na cara da cópia, mandou um flash de luz cinzenta, destruindo-a.
Por outro lado, Cecília tinha mais dificuldade em derrotar as suas. Uma cópia imitava os movimentos da original, que lutava com Linda, tornando-se extremamente difícil defender-se de dois tipos de ataques e responder a esses mesmos ataques.
Escondendo-se atrás de um pilar, Cecília decidiu utilizar um elemento. A partir do seu ceptro, conjugou água doce e água salgada, provenientes dos planetas de Mercúrio de Neptuno. A corrente de água voou rumo às duas cópias, que se afogaram no meio dos mares da corrente. Longe de ser suficiente, uma cópia apressou-se a libertar-se. Cecília aproveitou a água doce que rodeava a cópia e congelou-a, tendo o cuidado de a separar da água salgada. A cópia deteve-se, tentando libertar-se da camada dura de gelo que a rodeava, gastando todas as suas forças. Quando o gelo se partiu, a cópia apareceu exausta e perdida. Cecília aproveitou para acabar com ela com uma chama de fogo, muito semelhante ao ataque da navegante de Marte.
A cópia berrou de dor, até que se desfez em cinzas. A outra estava ainda presa no inferno aquático de água salgada. Cecília apressou-se a extreminá-la.

No entanto, a batalha mais difícil era entre Linda e a original. As cópias tinham apenas fragmentos dos poderes de Dawson, logo Cecília e Mari nadavam numa piscina em comparação ao trabalho que Linda tinha.
Desviando-se de mais um raio da inimiga, não pôde deixar de notar que esta estava pouco ou nada cansada, enquanto ela estava lentamente a perder as suas forças.
-Tontinha… - disse Dawson, o seu sorriso macabro alastrando-se até aos olhos. – Ninguém me pode vencer.
-Enganas-te – silvou Linda, com raiva.
Ergueu o seu ceptro e tocou a base no chão com força, provocando um segundo tremor de terra. Dawson tremeu e, ainda sorrindo, desapareceu.
Linda mal teve tempo para pensar quando a vilã surgiu atrás dela, atacando-a pelas costas. Linda apenas teve tempo para se virar, não conseguindo impedir o ataque de a atingir.
Dawson gritou vitoriosa, mas Linda ainda tinha alguns truques na manga. Apertando o bastão com força, deixou uma corrente de luz e fumo a proteger o ataque negro. Conseguiu ficar quieta no mesmo sítio, mas não conseguiu evitar que algo de maravilhoso se mostrasse.
Algo saia do peito de Linda. Uma maravilhosa Flor prateada semelhante a uma flor de pitaia [1] com um caule recto e com pequenos ornamentos brancos. Pequenos brilhantes ostentavam em torno da Flor, tornando-a magnífica.
Confusa, Linda ergueu a mão direita, fazendo com que o fio de fumo ténue e brilho se espalhasse pelo braço até à extremidade da mão voando em linha recta até Mari e Cecília. Chegada aos corpos, brilhara ainda mais fazendo também com que elas também mostrassem belas Flor prateadas.
Um triângulo de Flor de prata rodeava Dawson, deixando-a encurralada:
-A Flor da Lua. – Murmurou, irritada.
-Dividida por três. – Sussurrou Linda, incrédula.
-Vocês só possuem uma Flor. Isso não é nada contra as várias que eu possuo.
-Não... mas é uma vantagem Guinevere. – Disse Cecília, dando um passo em frente. O laço de prata que as unia ficou mais forte, qual era a harmonia da Guardiã. Mari sorriu e, confiante, deu outro passo em frente. O laço ficou ainda mais forte, pressentindo a fé da Guardiã.
Linda sorriu, sabendo o que tinha que fazer. A vida que a esperava era magnífica. O seu sonho de ter uma família tinha-se realizado, mas havia ainda muito para fazer. E ela queria casar e ser mãe. Fosse o homem Morfeu ou Eiji ou outro qualquer…
-Acho que agora... Posso dar-me ao luxo de sonhar. – Disse, sorrindo serenamente.
O laço atingiu o limite de forças. Agora o triângulo era mais forte e enfraquecia Dawson, não lhe dando qualquer hipótese de escapar A não ser uma…
-Julgas que me consegues deter, rapariga? – Gritou, virando-se para Linda. - Tu não és nada em comparação a mim! Tu, que sempre foste mas instável que uma tempestade. Tu, que trouxeste desgraça para a tua família. Presente e passado.
Algo quebrou-se dentro de Linda. O link estava instável.
-É mentira! – Gritou para uma Dawson completamente louca.
-Oh, que sabes que não é – a voz de Dawson alterara-se por completo. Era agora tão forte que não se distinguia o sexo. A voz do Caos. – Por tua causa o teu filho morreu. Devias ter tomado conta dele, como uma boa mãe sempre faz. Mas não o fizeste e ele morreu por causa disso. E o teu lindo marido morreu a tentar salvá-lo.
-Não….
-Linda! – Chamou Mari, vendo o elo a ficar mais fraco. – Não lhe ligues!
-Pois não ligo. O meu filho não morreu. Ele está dentro de mim. É a minha Flor. – Apesar de berrar e acreditar nas suas palavras, Linda chorava, sofrendo com a dor que elas provocavam. Mesmo que o seu filho tivesse sobrevivido, ficara perdido, sem a sua mãe.
-Acreditas mesmo nisso Linda? Tu és a ovelha negra da tua família. Causaste a destruição dela no passado e causarás agora. És uma intrusa.
-NÃO!
Uma forte onda de energia negra saiu do corpo de Linda, que largara o ceptro no chão. Esta tinha os olhos completamente brancos e fitava Dawson com um olhar de morte. Esta pôs as mãos na cabeça e gritou de dor, como se Linda a estivesse a torturar por dentro.
-Linda! – Gritaram as suas companheiras mas temeram quebrar o elo caso se mexessem. – PÁRA!
Quanto mais Linda utilizava o seu poder, mais fraca se sentia e mais demente Dawson ficava. Mari, temendo voltar a perder a irmã, abandonou o elo, que se quebrou, correndo para junto de Linda:
-Li, tu não és assim. Sabes as consequências do teu poder. Não o uses. És mais forte do que isto.
Cecília correu atrás e segurou na mão de Linda, que não parava de chorar.
-Tu és forte, amiga. Sempre o foste e sempre serás. Não deixes que ela te mate. Não lhe dês razão.
Linda, ouvindo as palavras das amigas, sentiu forças e quebrou contacto com Dawson, fechando os olhos violentamente, ainda a chorar.
Silêncio predominou por uns segundos, onde tudo o que se ouvia era os lamentos de Dawson e as lágrimas de Linda.

Limpando as lágrimas, Linda pegou no ceptro e virou-se para a sua inimiga, agora mais humana. O Caos tinha-a abandonado:
-Não Dawson, tu é que és a intrusa!
Não tentou manipular os seus sonhos, não tentou curá-la. A sua alma era demasiado negra para ser salva. O seu ceptro brilhou e o poder forte e brilhante do cristal prateado cegou as três jovens difundindo-se com as luzes que provinham dos candeeiros, das velas e dos ceptros das outras guardiãs.
Quando Linda voltou a ter o poder da visão, Dawson não era nada mais que um monte de cinzas espalhadas no chão, que o vento rapidamente espalhou pelo chão.
Lá fora, a tempestade parou e desapontou a aurora, reiniciando o ciclo da vida que, tal como as vidas das três jovens, podia desaparecer, mas acabaria sempre por voltar.

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[1] A pitaia é um fruto do género cacto cuja flor floresce à noite. A Pitaia é também designada por Flor-da-Lua

Foto: http://ipt.olhares.com/data/big/166/1668127.jpg
Espero por ti em cada segundo , porque tu és o meu mundo!




Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
Visitem a minha 1ª Fic ----->The Four elements
#231
Olá Ana. Smile
Fiquei muito feliz quando me apercebi que já havia um capítulo novo. Só o esperava daqui a uns dias.
Não consigo ser tão emocional quanto a Lulumoon nos seus comentários aos capítulos, mas vou tentar descrever o melhor que consigo.
Eu confesso que amo esta história e já te tinha dito, e são inúmeras as cenas que tenho vontade de ler e reler porque gostei verdadeiramente delas. Mas desta vez....deixaste-me mesmo com um nó na garganta, fiquei mesmo emocionada. Lagrimas
Quando descreves a Serenidade a juntar-se ao marido e amigas no Além, bem....a sério, fiquei mesmo triste. Foi lindo.
Eu amei as cenas de luta, estiveste muito bem Ana! E dizes que não tens jeito, ora imagina lá se tivesses! Matreiro
Eu francamente nem sei que te dizer, acho que qualquer comentário que faça não faz jús ao que acabei de ler. Eu gostei de tudo, mas mesmo tudo, não tenho nada a acrescentar. É daqueles capítulos que provavelmente ainda hei-de voltar para ler mais vezes. Está perfeito.
A Linda com o Morfeu, bem que cena linda. Então o Morfeu não reencarnou....em princípio, certo? Porque ela parecia convencida que sim...esta deixou-me a pensar...Question
Que bom que no final do mês já teremos outro capítulo. Fico contente. Mas já está quase no fim, e isso, bem, é com pena que vejo a fic acabar. É das minhas preferidas. Se algum dia decidires continuar a escrever já tens uma leitora de certeza. Simpatico2
Beijinhos Ana *
#232
Ora bem people. Mais um capitulo. Um dos mais pequenos da fanfic, devo dizer Matreiro
Não sei quando posto o Epílogo, mas é para breve.
Já sabem, quero comentários Wink

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28-As últimas páginas


Os raios de sol iluminavam a Terra com luz luminosa e pura, escapando por entre uma ou outra nuvem negra que surgia no céu matinal.
De repente, o ar ficou respirável. Já não havia tensão, não havia perigo. Alguém podia dar um passo seguro sem ter medo de retroceder.
E acabara tão depressa. Em poucas horas, o reino enchera-se de medo para agora estar tudo acabado. Os seus piores pesadelos apenas duraram uma noite. Era o fim.
Havia paz.
O leve canto dos pássaros podia ouvir-se ao longe, pobres animais que reconheciam o perigo fora do caminho devido aos seus aguçados instintos e sentidos. Para os humanos, fora necessário luz.
Nove luzes brilhantes emergiam das cinzas, propagando-se em direcção ao céu. Cores vivas e cheias de emoções sobressaltaram as três navegantes, que deram um pequeno salto para trás.
Após atingirem uma altura de dois metros, dispersaram-se nas direcções da rosa-dos-ventos à velocidade da luz, uma delas indo directamente para o peito do corpo do jovem jazido a poucos metros. Assim que a Flor entrara no seu corpo, ouviu-se uma respiração mais profunda e os olhos do rapaz abriram-se.
As raparigas, esgotadas, nem notaram que os seus poderes tinham desaparecido e que agora tinham vestido as suas roupas de baile. Deram um passo em frente, receosas. O rapaz ergueu o tronco, tentando respirar calmamente, ao mesmo tempo que focava a sua visão.
À sua frente, postavam três raparigas com vestidos de cor diferentes. Uma, de cor preta, estava toda despenteada e tinha vários arranhões nos braços, a outra, de cinzento, também estava despenteada e tinha um leve corte na cara mas a sua presença iluminou o espírito dele. Ia sussurrar o seu nome quando notou na terceira rapariga. Vestido branco, cabelos despenteados, muito pálida e olhos brilhantes.
Não era possível… ela estava morta…
-Linda? – Ouviu-se dizer, num sussurro. A rapariga soltou uma lágrima e assentiu. Antes que o irmão arranjasse palavras para formular uma frase de dúvida, ela correu para os braços dele, lágrimas pesadas caindo pelo seu rosto cansado. A adrenalina fora-se e agora ela via as consequências claramente. A avó estava morta, assim como o seu avô e as tias. Os seus parentes mais próximos tinham desaparecido para sempre. Tudo para que ela vivesse. Quase que perdia o irmão, quase que perdia as amigas, quase que perdia o namorado…
Ele hesitou por uns momentos mas depois, reconhecendo o cheiro e o toque da irmã, respondeu ao toque afectivo. Juntos, os dois irmãos choraram, cada um pelos seus motivos, apenas ligados pela culpa.
Linda apenas largou o irmão de modo a que Mari pudesse abraçá-lo. Ao ver os corpos dos dois fluírem-se livremente, não pôde deixar de sentir inveja daquele amor tão certo. Ao seu lado, soube que Cecília sentia o mesmo.

Apesar de o ar ter estado puro desde que as cinzas de Dawson tinham desaparecido, Linda deixou escapar um suspiro que nem sabia que tinha prendido.
Tudo estava bem.

**
Estava encostada à parede, evitando algum incómodo. Médicos passavam de um lado para o outro curando os feridos, enchendo o jardim de branco. Ela evitava falar com alguém conhecido e explicar porque motivo tinha voltado à vida. Os ignorantes afirmavam que ela era a nova Messias, pois ressuscitara e salvara-os a todos. Ao ouvir essa teoria, ela riu-se livremente, o seu riso contaminando a sala onde estava. Em poucos segundos, todos riam-se com ela e descartavam a ridícula ideia.
Falara com Mari, Cecília, Aiko, Misaki, Hotaru e Setsu, tendo sido o último mais complicado. Ele não sabia nada acerca dos poderes sobrenaturais que a sua família possuía havia já três gerações e era difícil explicar porque, de todos, apenas ele e o irmão nada sabiam do assunto. Seiji e Naomi vieram abraçá-la, os três chorando a morte das suas avós, para depois partirem solenemente, para junto dos seus pais chorosos.
Agora ali, apenas queria falar com duas pessoas.
-Olá – não pôde dizer mais nada e já a mãe e o pai a abraçavam ternamente, os dois quase afogados nas suas próprias lágrimas. Afastaram-se, mas Edward não tirou o braço do ombro da filha, temendo que esta fugisse. Já a mãe tinha a cabeça no tronco do marido e tentava inutilmente parar de chorar.
-Oh Linda… pensei que…
Esta sorriu levemente.
-Devíamos ter desconfiado. A avó nunca foi de deixar aqueles que ela amava sofrerem.
-Será que eles já tinham isto planeado? – Perguntou Edward.
Linda e Small Lady assentiram.
-Não me surpreenderia nada. – Murmurou a mãe. – A minha mãe foi sempre de arriscar para ajudar os outros. Muitas vezes a invejei em criança.
Linda voltou a assentir, compreendendo o sentimento. Small Lady entendeu o gesto e mordeu o lábio severamente:
-Edward podes deixar-nos sozinhas por uns momentos? – Perguntou ao marido suavemente. Este hesitou um pouco até que assentiu e afastou-se para falar com Aiko, que não largava a neta.

As duas mulheres fitaram-se em silêncio, tentando arranjar forma de melhor se expressarem. A mais velha tomou a iniciativa:
-Quem me dera que me tivesse idolatrado a mim como eu idolatrei a minha mãe. Era isso que as filhas deviam fazer e eu estraguei tudo. – Disse, por entre leve choro. Linda abraçou a mãe automaticamente, a sua parte bondosa ameaçando dar-lhe um pontapé se não o fizesse.
-Isso agora não importa. – Disse, tentando consolar a mais velha. – Está tudo acabado, podemos recomeçar tudo de novo.
-É tarde de mais.
-Talvez – admitiu Linda. – Mas mais vale tarde que nunca. Ainda deve haver algo que se possa fazer… e haveremos de tentar…
Sorriu para a mãe, que limpou as lágrimas com a mão, correspondendo o gesto.
-Tive medo… mas a minha mãe… ela não merecia uma filha como eu. Não digas nada! – Acrescentou, ao ver que a filha ia protestar. – Nunca fui para ela nem metade daquilo que foste. Falhei na única parte que eu não deveria falhar. A minha mãe perdoar-me-ia se tivesse cometido algum erro na juventude. Engravidar de um professor, meter-me nas drogas, roubar, fugir de casa… ela aceitaria tudo contando que eu me arrependesse e fosse forte. Não que eu fosse a melhor filha para os pais se vangloriarem com orgulho e depois falhar no papel de mãe por motivos ridículos. Por ser fraca quando sempre fora forte. Desapontei os meus pais, Linda, e isso ninguém pode negar. Todavia, tu compensaste os meus erros. És uma excelente filha e foste uma maravilhosa neta. Tenho muito orgulho em ti, filha.
Tenho muito orgulho em ti, filha.
As palavras ecoavam na cabeça de Linda. O quanto significado tinham aquelas palavras… Ela, que sempre sonhara com elas, ouvia-las agora tantas vezes. Era como um sonho tornado real.
Abraçou a mãe e, suspirando fundo, procurou outra pessoa com o olhar. Não o viu. Presumiu que estivesse no seu esconderijo.
Tais pensamentos trouxeram-lhe dúvidas. O que é que ela faria agora? Conseguiria sonhar como qualquer pessoa? E se conseguisse, que é que isso significaria? Por que lado deveria optar?

-Sabes qual é o meu livro preferido de Linda O’Connell? – Perguntou a sua mãe, sorridente. Linda teve a leve sensação de que ela sabia o que a filha estava a pensar.
- Vício japonês? – Arriscou, sabendo que fora daí que a mãe tirara os nomes para os filhos. Surpreendeu-se quando a mãe abanou a cabeça negativamente.
-Fita de Prata. Já o leste?
-Quase. Faltam as últimas páginas…
-Porquê? – Agora Small Lady exibia um enorme sorriso que se estendia até às orelhas.
-Porque… tenho medo do que ela irá decidir. Sinto-me como se…
-Tu fosses ela? Ter que escolher entre o amor do passado ou o amor do presente?
Linda assentiu, evitando contacto visual com a mãe. Esta suspirou.
-Querida, não devias ter medo. Toda a gente passa por decisões destas. Decisões em que temos que optar por entre o que já passou e o que está a passar, de modo a podermos gritar ao Destino que nós escolhemos o nosso futuro. Sabes o que Andrea fez?
Linda voltou a abanar a cabeça, desta vez mais interessada.
-Rompeu o noivado com Andrew e fez uma viagem com o irmão para o Japão. Disse aos dois que precisava de um tempo para pensar e que só depois iria decidir. No epílogo, ela aparece no Rio de Janeiro de mão dada com um homem, mas não se chega a saber quem ele é. Apenas se sabe que é ou Michael ou Andrew e que Andrea ficara com um deles porque o Destino assim quisera. Sempre que os mortais tentam controlar o seu destino, magoam-se porque, sendo mortais, nem sempre tomam as decisões acertadas. Ela deixou que o Destino a governasse e o amor que um deles sentia por ela era muito mais forte que tudo. E acabou assim.
-Assim? Não sabemos com quem ela fica? – Perguntou Linda, estupefacta.
-Sim. Sabes lá tu o que o Destino nos reserva. O futuro é um segredo, Linda, nunca sabemos o que vem aí. Até podias achar que ela ficava melhor com o Andrew mas… e se o Destino não voltara a pôr o Michael no seu caminho para que ela visse a razão? Ou então o Michael apenas apareceu para que ela se apercebesse do quanto amava o Andrew? Há infinitas respostas para estes dilemas, mas só uma é verdadeira, a única. Neste caso, foi vago e um perfeito fim. Todos os leitores adoraram, porque podiam imaginar que ela estivesse com qualquer um deles.


Linda entendia agora. Não era tão difícil. Preparava-se para ir em direcção ao seu esconderijo quando alguém a parou. Virou-se para conformar os olhos azuis do irmão. Este, mesmo sabendo que tinha a atenção da irmã, não a largou. Aliás, quase todos aqueles com quem ela falara tinham a necessidade de lhe tocar, querendo ter provas de que ela não era uma miragem. Ela sorriu.
-Olha, estava aqui a pensar…
-Novidade… - brincou ela, querendo pôr um pouco de humor no ambiente. Foi bem sucedida. Kenji lançou uma gargalhada pura e alegre, largando-a.
-Podes não acreditar Lindinha, mas eu também posso ser profundo quando quero.
-Acredito. Que me queres falar?
O rosto de Kenji ficou mais sério.
-Sabes as Vozes?
Linda suspirou, divertida.
-Oh Kenji, só tu para te preocupares com isso agora…
-Não critiques, que isto para mim foi um puzzle bem difícil de resolver. – Protestou o loiro, fazendo um leve beiço. Os dois irmãos riram-se da naturalidade da cena. E pensar que horas antes, nenhum deles conseguia sorrir.
-Eu estava a pensar. Tu ouves, certo? Eu e a Mari também e ouvi uns zunzuns que a Cecília e o Eiji também a ouvem.
-E então? – Perguntou, apesar de já ter uma ideia até onde a conversa iria.
-As Vozes são as Flores. – Disse ele, claramente satisfeito com a sua conclusão. – Por isso é que a minha Voz me quis juntar com a Mari.
-Sim, as Vozes reconheceram-se telepaticamente e interligaram-se aos vossos sentimentos humanos. Elas quiseram juntar-vos porque são almas gémeas, tanto as Flores (sendo Terra e Lua corpos espaciais irmãos) como os corpos mortais.
-Tu já sabias? – Perguntou Kenji, surpreendido. Linda riu-se.
-Não, inventei agora mesmo esta teoria. Mas até faz sentido.
-Parva. – Murmurou o rapaz, para depois rir-se mais uma vez com a irmã. O momento foi estragado por Mari e Cecília.
-Que falam? – Perguntou Cecília, dando o braço a Linda e Mari a Kenji.
-Do amor eterno do meu irmão com a Mari. – Respondeu Linda, fazendo com que os loiros em questão corassem profundamente.
-Caluda! As duas! – Silvaram os dois para as morenas que quase caíam no chão de tanto rir.
Linda calou-se, mas Cecília nem sequer tentou parar. Infelizmente para ela, tanto Mari como Kenji tinham uma forma de a fazer calar.
-Oh Cecily…
O rosto da rapariga em questão ficou com um semblante mortífero.
-Parem com isso…
-Ah, assim já não gostas, pois não?
-Vocês sabem o quanto eu detesto esse nome…
-É um nome tão bonito. – Disse Mari, provocando a amiga ainda mais. – Tenho que dar um prémio à tua mãe por se ter lembrado dele.
Linda e Kenji entreolharam-se, a primeira abafando uma gargalhada. O irmão olhou para ela confuso por uns momentos até que se lembrou. Com a cabeça, implorou à irmã, mas esta ignorou-o.
-Podes agradecer aqui ao Kenji. Foi ele que deu a ideia à tua mãe. – Disse, apanhando as outras duas de surpresa. Os olhos de Cecília saltaram de Linda para Kenji, fixando-se nele. De repente o jardim pareceu muito quente para Kenji, que teve que libertar a gola da camisa, em busca de ar.
-Então a culpa é tua de eu ter este nome ridículo? – Perguntou Cecília, num murmuro perigoso. Os olhos dela lançavam faíscas verdes, provocando um leve arrepio em Kenji.
-A culpa não é minha que tu tenhas um nome complicado de se dizer, Cecily.
Fora a coisa errada de se dizer.
-SEU…
E antes que Linda e Mari os pudessem impedir já Cecília corria atrás de Kenji, este esquivando-se por entre as árvores e as pessoas, que ficam confusas por tamanha correria.
As duas raparigas foram deixadas num mar de gargalhadas, que desapareceu quando Kenji fugiu para dentro do palácio, com uma furibunda Cecília atrás dele.
Linda fitou Mari. Esta ainda estava um pouco corada, mas o pequeno rubor nas suas bochechas tornava-a encantadora. Já não parecia a rapariga refilona que conhecera quase um ano antes. O irmão mudara-a… e para melhor.
-Eu não estava a brincar. – Disse. Mari apenas mirou-a.
-Aí sim? – A voz dela tinha alguma dúvida escondida.
-Sim. Vocês completam-se de uma forma que eu apenas vira uma vez antes. Ou melhor duas. – Acrescentou ao ver a mãe ao longe a beijar o pai, os dois unidos no bem e no mal, tal e qual casamento perfeito. Aproximou-se de Mari e pegou-lhe nas mãos. – Sei que o farás feliz.
Mari sorriu e apertou-lhe as mãos.
-E tu? Quando serás feliz?
-Já sou. – Respondeu Linda, simplesmente. Ela percebera o segundo significado da pergunta de Mari, mas limitou-se a não responder. Até porque nem ela própria tinha resposta para isso. Limitar-se a uma escolha era-lhe extremamente difícil, porque ela nada sabia das questões do coração. Sabia lá ela quando amaria. Agora ou nunca?

Enquanto fazia o caminho por entre os eucaliptos, só pensava nisso. Passado ou Presente? Fosse qual fosse que ela escolhesse, o seu Futuro vinha aí e ela podia controlá-lo. Mas, será que ela queria que tal acontecesse? O mistério faz parte da vida humana e sem ele tudo é previsível e mortal. O mistério salvaguardava a curiosidade humana e a capacidade dos humanos em guardarem as suas emoções e as suas verdadeiras personalidades. Uma vida sem mistério estava ligada a conflitos e falsidade. Porque todos procuram mudar. Todos procuram dominar o seu destino.
Quando chegara ao local pretendido e o vira, Linda já tinha tomado a sua decisão. Junto ao seu pescoço, estava o seu colar, que usaria para apagar as memórias daquele momento fatal que ela não queria que ele se recordasse.
Ele virara-se, a luz solar iluminando os olhos dele, fazendo parecerem quase dourados. Ele sorriu, fazendo-a tremer. Mas ela sabia que não era um sorriso verdadeiro. Ela viu os seus olhos ficarem sombrios, como se ele recordasse aquilo que fizera. Não era culpa dele mas, como explicar?
E ali mesmo, os dois fizeram diferentes promessas em silêncio, não tirando os olhos um do outro. No final, Linda canalizou a energia do seu colar de modo a apagar as memórias de Eiji e aguardou. Este ficou confuso e zonzo por uns momentos, pousando a mão na cabeça em busca de apoio. Mas tudo passara em minutos. Linda suspirou. Tinha muito que lhe explicar. Explicações que lhe devia faziam meses.
Aproximou-se dele, decidida e beijou-o ternamente. Ele respondeu o gesto, pondo a mão na face dela, aprofundando o beijo.
E durante muito tempo, Linda lembrar-se-ia daquele momento. Daquele dia, quando tudo mudara. Os cheiros, os sons, o toque, todas as memórias significantes vinham daquele dia, dia de grandes decisões. Não só por parte dela mas também dos seus amigos.

**
Não muito longe, os habitantes de Crystal Tokyo reuniam-se junto ao palácio, com velas acesas em nome dos seus Reis perdidos na batalha. Muitos vestiam preto, outros branco, outros as roupas do dia anterior, que não tiveram oportunidade de mudar.
Oraram, cada um dentro da sua religião, mas todos tinham o mesmo propósito. Chegar a um Ser Superior. Mas, neste caso, a mensagem ia para as Guerreiras do Sistema Solar que tanto lutaram em vida e agora recebiam a tão merecida homenagem, para os Reis, que trouxeram paz e harmonia para o Reino e para as poucas pessoas que perderam a vida com os Reis.
Uma pomba branca voou pelos céus e só desapareceu quando um pequeno bloco cinzento no céu o cobriu.
Muitos pensaram que fora até à Lua.
Espero por ti em cada segundo , porque tu és o meu mundo!




Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
Visitem a minha 1ª Fic ----->The Four elements
#233
Capítulo novo!!! Super contente

LINDO, LINDO, LINDO!!!

Quando comecei a ler o texto parecia mesmo que estava a ver um episódio da Sailormoon, depois das grandes batalhas. Smile

Adorei a parte inicial, as luzes a dispersarem-se no céu, a Linda e o kenji a abraçarem-se. Está tudo tão bonito. E claro, o sempre querido casal do Kenji e da Mari.

Aquela conversa entre mãe e filha foi mesmo emocionante. A Linda já esperava por aquilo há tempos e merecia.
Foi uma conversa muito filosófica, gostei muito. Wink

Hum....deixaste-me desconfiada....não me digas que vais acabar como o livro "Fita de Prata", e deixar-nos imaginar com quem a Linda fica? Pensativo 2
Eu gostava imenso que ela ficasse com o Eiji. Razz
Bem mas tu é que sabes.

As vozes eram as flores, pois claro! Como é que nunca me lembrei dessa? Sou mesmo dah....Embaracoso loool

Finalmente a Cecily descobriu a pessoa que causou a alcunha que ela mais detesta! LOOOOL
Pobre Kenji....looooooooool

Fiquei curiosa, sobre como o Eiji irá reagir depois da Linda lhe contar toda a verdade.

O final com a pomba a voar pelo céu, as pessoas a rezarem. Está lindo, lindo!

Só uma crítica: é pequeno!!!! Queria mais! Razz

Que pena que o epílogo será o último.

Mas só tenho de agradecer por teres decido compartilhar esta fic connosco. Diverti-me muito a lê-la. Passei bons momentos. Simpatico2

Beijinhos grandes.

Espero ansiosamente pelo final. Smile
#234
Oh Bun, e eu que achava que irias adorar a ideia de um capítulo pequeno e pouco maçador... estou a ver que me enganei Matreiro

Como o Eiji irá reagir não se sabe porque o Epílogo não será sobre o dia seguinte mas os anos seguintes, onde se poderá ver o fim das personagens. Mas no Epílogo deixarei uma pequena ideia de como ele irá reagir.

E digo-te que não irá acabar como Fita de Prata. Saberão tudo acerca de cada personagem principal. Por isso, se a Linda ficar com o Eiji, saberão x)
Não esperava que ninguém apanhasse a ideia das Flores e a das Vozes. Os meus capítulos têm grandes intervalos de envio entre si, o que faz com que as pessoas tenham tendenciaa esquecer-se. Além disso, ninguém suspeitava que o Kenji fosse uma Flor, daí que podia ter sido outra coisa facilmente. Há que lembrar, isto é uma fanfic Sailor Moon.

Ainda bem que esses momentos te agradaram. Tentei dar ao momento um tom agridoce, em que por um lado celebram, por outro lamentam a morte das vidas perdidas. A pomba veio-me à cabeça no momento em que escrevia e achei que fosse o toque final para este capítulo.

Tenho que admitir que ficarei com saudades. Ainda me lembro quando, há dois anos atrás, postei o primeiro capítulo desta fanfic. Estava toda nervosa porque nunca tinha escrito nada na net para ninguem e as unicas pessoas que elogiavam a minha escrita eram os meus professores, daí que tinha medo das reacções dos outros, se iriam gostar e tudo. A partir daí, fui sempre melhorando e agora tenho mais confiança na minha escrita. Costumo escrever poemas nos tempos mortos (aka aulas de portugues quandoostorfaladepessoaeeunaoquerosaber) e anoto todas as minhas ideias de histórias no pc, para o caso de algum dia querer passá-las para o papel (ou melhor ecrã).
Mas ficar-me-á sempre as memória de ir aqui e ver comentário, poucos mas bons, acerca daquilo que escrevi, comentários que sempre me puseram a sorrir ;_; (oh pó raio que já tou toda sentimental e a fanfic ainda não acabou Mal disposto)

Mas, acabo este comentário como acabarei os próximos: Obrigada, por que é isso que vocês merecem mais do que uma vez, tal como eu precisei de ouvir (mais do que uma vez) que eu tinha uma boa escrita e que alguém gostava das minhas histórias Very Happy


Obrigada!
Espero por ti em cada segundo , porque tu és o meu mundo!




Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
Visitem a minha 1ª Fic ----->The Four elements
#235
(deixa ver se é desta que consigo postar comentarios)

;_;
Ai!!! :'{ Estou muito triste só de pensar que este foi o ultimo capitulo antes do epilogo... Vou ter tantas, mas tantas saudades desta historia! Sem duvida que esta é a fic de sailor moon que mais me agradou, pelo simples facto de não conter o cliché "depois da batalha com a galaxia, a Bunny blá, blá, blá". Foi uma forma inovadora de aproveitar a historia de Sailor Moon! Estás de parabens por isso, Ana.

Este capitulo foi esclarecedor, especialmente no que toca ás vozes! Nunca pensei que fossem as flores! :O Gostei de descobrir este pormenor! xb
Como já referi, a morte da Rainha foi tocante, e sem ela sem duvida que mundo fica diferente! Estou mortinha por saber como vão ser os proximos anos, como vai ficar a relação dos nossos casais maravilhosos. (Já referi que virei super fã do casal Edward & Small Lady? Amoro-os! Esperancoso).
Gostei muito da descrição destes acontecimentos finais pós-batalha, especialmente as familias a chorarem a morte das guerreiras e dos reis (Meu deus, acabei de me aperceber que o meu Gonçalinho foi-se! ;_; ;_; ;_; Nãaaooooo! :'O Gonçalo da minha vida, volta amor! o_o)
*Ok, já recomposta*
Espero que nao aconteça mesmo o que aconteceu nos Livros de Linda O'connel! eu quero saber quem a Linda escolhe, mas já tenho um palpite ;D

Aninhas, tens luz verde para postar o epilogo ! Estou á espera!
bjokas
as minhas fic's:
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
-Angelical
Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^
#236
Ora bem people, aqui está o último capítulo desta fanfic que durou cerca de dois anos e meio a terminar. Considero isto um feito e sinto orgulho de mim própria. Dei asas à imaginação e, de certa forma, cresci com isto tudo.
Terei saudades =)

Alguma dúvida digam. Ah... e espero comentários gigantes com isto. Imaginei o Epílogo em três prespectivas, mas esta foi a mais apelativa de todas. Tem duas musiquinhas porque apaixonei-me pela minha ultima personagem original (Luchia)

P.S As falas da Luchia são mesmo assim. Lembro-me de ver pequeninhos a "comerem" letras em cada frase Matreiro

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Epílogo


O ar estava pesado. Desde cheiros afrodisíacos até nuvens opacas, semelhantes a algodão doce, o ar parecia impenetrável para a vista. Nem um único som, nem um único movimento podia ser feito. Ela não via nada. Era como um dia de nevoeiro.
Inspirou, saboreando a fragrância de limões e pinho, misturado com um leve odor marinho. Os olhos estavam fechados e ela não ouvia nada. Tudo dependia do cheiro e do toque. E das sensações…
E ela estava tão feliz.
Alguém agarrou-a por trás, recolhendo-a num abraço. Uma das mãos fortes dele agarrou a anca dela e a outra traçou a linha do pescoço dela com o dedo indicador, fazendo-a arrepiar-se. Os dois braços rodearam a sua cintura, enquanto a boca dele procurava a pele do pescoço dela, branca e suave como seda. Ela revirou a cabeça ao toque, involuntariamente, as pálpebras ainda fechadas.
Ele rodou-a, obrigando-a a fitá-lo. Ela abriu os olhos, sendo a primeira coisa que viu um mar de azul claro cheio de brilho. As mãos dele não a largavam, ora traçando as linhas do corpo dela, escondido por detrás de uma túnica azul, ora tomando o rosto dela em concha beijando cada detalhe precioso dos traços dela. Quando por fim os seus lábios se encontraram, ela sentiu-se a flutuar num mar de fantasia, sendo ele o marinheiro. Os lábios dele, doces e selvagens, afundavam-se na boca dela, enchendo-a de prazer. O mínimo toque, provocava calafrios e choque de electricidade. Calor e frio. Sensação seca e molhada. Real e fantasia.
Ele afastou os lábios dela, emitindo um sorriso que se estendia até às orelhas. Ela, sendo extremamente curiosa, teve que perguntar:
-Porque estás tão feliz? – Perguntou suavemente. O sorriso dele aumentou ainda mais.
-O tempo está próximo. – Respondeu ele, a voz grave e naturalmente rouca. – Ele vem aí.
E antes que ela tivesse tempo para processar a informação recebida, já ele tomava a boca dela, tal dono privilegiado daquele corpo de mulher.
As mãos dele remexiam-se constantemente, contornando cada curva, por vezes até locais em que ela tinha que tremer gravemente para ele se afastar, antes que ambos perdessem o controlo. Mas ele não precisava. Parecia que o objectivo dele era apenas provocá-la.
Finalmente, aproximou-se do único pedaço de corpo que ele ainda não tinha tocado. E fora aí que ela percebera porque é que ele estava tão feliz. Era a mesma razão pelo qual ela estava feliz.
As mãos deles rodearam a barriga dela, já um pouco saliente.
Em breve, o filho deles nasceria. Já faltava pouco.
-Amo-te – disse ele, num sussurro. Depois ajoelhou-se, o topo da testa tocando no ventre fecundado dela. – Amo-vos.
Ela sorriu e sentiu-se fechar os olhos. Podia até ouvir a gargalhada de uma criança…

-Tia Li? Tia Li?

Linda acordou ofegando, apanhada desprevenida. Ao seu lado, a sua sobrinha sorria entre risadinhas, como quem apanhava um adulto numa má posição. O que até era o caso.
-Luchia? O que aconteceu? – Perguntou, erguendo o tronco e massajando o couro capilar. Luchia soltou mais uma risada.
-A tia dormiu na relva. – Disse, forçando a sua vozinha de quatro, quase cinco anos a tomar um tom sério, sem sucesso. – Isso não se faz.
Linda sorriu, levantando-se.
-O Eiji já chegou? – Perguntou, espreguiçando-se.
-Hum hum… - responde a pequena, abando a cabeça várias vezes, caso a tia fosse duvidar dela. – Mas ele e o amigo decidiram deixá-la a dormir. Disseram que a tia parecia uma princesa a dormir.
-Idiota! – Murmurou Linda, sacudindo as suas roupas. Depois, olhou em volta. Estava no meio de um bosque, com vegetação densa, mas relva bem tratada. Os caseiros deviam ter passado por ali de madrugada, porque a relva ainda estava um pouco molhada e, consequentemente, as roupas de Linda e de Luchia.

Tinham-se passado quase dez anos desde a morte dos seus avós e navegantes e Crystal Tokyo pouco tinha mudado. Tudo continuava na mesma, com excepção de um mural dedicado aos seus avós junto aos portões do palácio. Palácio agora onde morava os pais de Luchia.
-Vamos. – Disse Linda para a sobrinha, num tom exausto. Sabia bem porque tinha adormecido à espera de Eiji. A sua pesquisa de trabalho estava quase no fim e era a primeira vez em meses que Linda conseguia algum tempo de descanso. Mas, mal pôs os pés em Tokyo, Eiji pedira-lhe para ir para a Herdade da Família, perto dos montes, a fim de lhe dar a conhecer o seu amigo. O famoso Liam Andersen.
Liam e Eiji eram amigos desde o primeiro dia na Universidade, tendo partilhado o dormitório e até mesmo algumas festas e namoradas. Quando se licenciaram, arranjaram os dois, emprego no mesmo Instituto de Georgetown, em Washington D.C – ironicamente o mesmo onde Linda trabalhava – no laboratório de Engenharia Química, enquanto Linda estava no de Bioquímica.
Apesar de Eiji ter tentado fazer os dois se encontrarem mais do que uma vez, a verdade era que em vários anos o melhor amigo e amiga de Eiji nunca chegaram a conhecer-se. Liam apresentara Eiji a Suri, que se tornara sua mulher dois anos mais tarde. Talvez por partidas do destino, Linda não pudera estar no casamento de Eiji, quando este trocara alianças com Suri sob o olhar do Deus Católico da noiva e quando chegara, Liam já se tinha ido embora devido a uma emergência familiar. Setsu e Cecília não paravam de gozar com o assunto, dizendo que o Destino não queria que os dois se conhecessem. Linda fazia orelhas moucas e combinava com Eiji mais um jantar. Mas havia sempre algo…
E agora fora ela que adormecera…
-Parvalhão. Custava-lhe muito me acordar?
-Ele dixe que a tia parecia muito canxada. – Respondeu Luchia, agarrando a mão da tia. Linda suspirou, aborrecida. Deitou um olhar na sobrinha, que divertia-se a olhá-la. Dizer que a menina era estranha, era um elogio. Luchia era uma menina muito fora do comum. Adorava correr descalça e falava de coisas que nunca existiam. A mãe dela dizia que era amigos imaginários mas Luchia parecia falar com alguém muito real. Várias vezes, ela mencionara pequenos fragmentos de conversas que tivera ou de coisas que vira. Nada fazia sentido. Até ao momento em que as mesmas coisas se concretizavam. Os médicos diziam que a pequena era médium e quiseram fazer testes para confirmarem as suas suspeitas. Mas os pais da menina fizeram orelhas moucas e deixaram a filha como estava. Linda secretamente discordava com aquela acção. Quanto mais aquele poder de Luchia se desenvolvia, menos “criança” ela parecia. Já tinha desenvolvido um olhar maduro, de quem já vira tanta coisa e parecia saber tudo aquilo que os adultos cochichavam nas suas costas. Mas Kenji não se importava. Pelo contrário, amava a filha por ser tão invulgar.
Infelizmente, também a aparência de Luchia se destoava das outras crianças. Os cabelos dela eram extremamente dourados e compridos, lembrando a muitos a falecida Usagi Tsukino e todas as feições dela vinham do pai, com excepção do nariz e dos olhos, pintados num poderoso verde que Linda só vira na própria mãe de Luchia. Os pequenos detalhes de Mari dotavam a pequena de uma rara beleza que chamava a atenção de todos no infantário. Juntando isso à sua invulgar inteligência, Luchia Natsumara facilmente ganhava o prémio de rapariga mais estranha e adorável do reino.
Naquele dia, os cabelos dela estavam presos em pequenos odangos e os olhos brilhavam intensamente, como se soubesse de algo que a tia desconhecia. Linda desviou o olhar da sobrinha. Era difícil olhar para ela e não se lembrar da avó e do avô. A mais bela fusão de duas pessoas que ela tanto amava, mas com olhos verdes.
-Como comexou? – Perguntou Luchia, largando a mão da tia e dando vários passos à frente da tia, os seus pequenos pés completamente descalços.
-Tudo o quê?
-Tudo…
Linda não fazia a mínima ideia do que Luchia falava. No entanto, conhecendo a sobrinha, decidiu tentar mais uma vez. Ao puxar a sua memória, encontrou uma resposta.
-Agora que penso nisso… acho que foi numa aula de matemática.

Tinham chegado ao prado, ficando a vegetação atrás da menina e da mulher. Alguns cavalos eram vistos a cavalgar pelo prado, com pessoas no seu torso, em direcção ao horizonte, onde o sol teimava em desaparecer,
Luchia suspirou.
-O tempo ‘tá próximo. – Disse a pequena, numa voz solenemente. Linda sobressaltou-se. Era a mesma frase que Morfeu lhe tinha dito no sonho. Mas… como saberia Luchia? Nem mesmo Mari, que tinha premonições, conseguia saber destas coisas. Coisas que só ela via nos sonhos das pessoas.
Luchia parecia ter-se apercebido do sobressalto da tia, pois olhou-a curiosamente:
-Tia?
Linda abanou a cabeça.
-Não é nada, querida. Onde é que eles foram? Disseram quando chegavam? – Perguntou, ansiosa por mudar o rumo da conversa.
Luchia assentiu, não desviando os olhos da tia.
-Foram aos aviões. Já foi há muito tempo.
-Ao aeroporto? – Porque é que Eiji e Liam iriam ao aeroporto, deixando-a a dormir na relva? Será que o chefe deles vinha mais cedo?
-Hum hum, o Eiji dixe que tinham que ir busxar o anjinho.
Anjinho?
-Anjinho? – Perguntou Linda meio curiosa, meio divertida. – Isso é código para quê?
-Não sei. Mas ele tem nome de anjo.
Linda não percebeu de quem Luchia falava, mas não questionou mais. A sobrinha voltara a fitar o prado.
-Poqê? – Perguntou, com a sua vozinha fininha de menina.
-Porquê o quê? – Por vezes Linda sentia mais facilidade em falar com um alemão – cuja língua Linda não entendia nem um pouco – do que falar com a sobrinha.
-Poqe comexou na aula de matmatica?
Linda suspirou, pacientemente.
-O teu pai teve uma discussão com o avô e fugiu de casa nesse mesmo dia. Eu estava na sala ao lado. Ouvi a porta bater. Acho que foi aí que a vontade de fugir, de começar uma vida nova aumentou, a ideia fervilhou na minha cabeça até que eu própria agi.
-Teve medo?
-Não. – Linda sorriu. – Mesmo sabendo que estava num sitio estranho nunca tive medo. Não sei porquê. Acho que no fundo sabia que estava protegida. Que alguém me protegia as costas.
Luchia fez uma careta. Devia ter assimilado aquilo que a tia dissera de uma forma literal. Linda soltou uma gargalhada.
-Não, querida. Falo de alguém olhar por mim… mas ao longe. O tempo passou e aprendi muitas coisas, ganhei amigos, um namorado…
-O Eiji? – Perguntou Luchia, muito sorridente.
Linda perguntou-se onde a rapariga fora buscar aquela pequena informação. Ninguém mencionava a antiga relação amorosa que ela e Eiji tiveram na adolescência porque causaria cenas de atrito. Haviam namorado até que Linda fora estudar para Inglaterra. Fora uma separação amigável e até hoje nenhum deles de arrependeu da decisão. Amavam-se, mas não como parceiros. Depois do incidente dez anos antes, Eiji tornou-se muito protector de Linda, substituindo Kenji quando este não estava presente. Tal irritava Linda profundamente, mas cedo aprendeu a não protestar. Em vez disso, aceitava que Eiji olhasse cada namorado dela de acima a abaixo antes de formular a sua opinião acerca dele. Opinião que convinha a Linda seguir, porque quando Eiji não gostava de um tipo, Kenji também não gostava e, de algum modo, nem Setsu e as suas amigas gostavam.
-Sim, o Eiji. Quem te contou? – Perguntou, curiosa.
Luchia encolheu os ombros, dando mais alguns passos em direcção ao prado. A certa altura começou a correr, o vestido branco esvoaçando ao sabor do vento. Os odangos desfizeram-se e o cabelo loiro dela esvoaçou livremente. Linda correu atrás.
-Luchia espera! – Gritou para a sobrinha, que se deitara no meio do prado, de braços estendidos, fitando o céu. A tia, ofegando um pouco, deitou-se ao seu lado, sentindo a relva húmida debaixo de si.

https://youtu.be/DDDlxmsciqY?t=17s

Luchia começou a cantarolar, a sua vozinha doce e serena pairando no ar. Fora o vento que batia nas árvores e o constante som de pássaros a cantar o seu hino de primavera, só a voz de Luchia preenchia aquele espaço.
Quando cantava, Luchia parecia outra pessoa. A sua voz elevava um octano e ela já não tropeçava nas palavras. Parecia mais adulta.
Aquela música era bem antiga, mas era das poucas que Luchia sabia de cor. E era também das poucas que Linda gostava de ouvir. A voz harmoniosa da sobrinha era como um poderoso relaxante depois de um longo dia de trabalho.
Cecília ensinara a Luchia a cantar, obrigando a pequenina a expandir o seu dom. Linda ainda se lembrava de ver a mãe e Aiko a chorarem quando ouviram a neta e bisneta cantar pela primeira vez. Mari só não chorara porque estava demasiado chocada e orgulhosa para o fazer. Por outro lado, os homens não paravam de sorrir. Edward e Kenji trocaram olhares. Fora talvez aí que Kenji sentira que estava a fazer um excelente trabalho como pai.
Quando Luchia nascera, Kenji estava com tanto medo que fora o último a segurar na recém-nascida. Mari revelara-se uma natural, tomando conta da filha como se nada fosse. Apesar de ter terminado o curso como Relações Publicas, abandonara o emprego quando se casara com Kenji e engravidara no mesmo ano. Kenji terminara a faculdade e exercera medicina pediátrica até o ano anterior, quando ele e Mari foram coroados Rei e Rainha de Tokyo. Edward e Small Lady sorriram para os dois novos soberanos, entregando-lhes uma nova responsabilidade. Agora moravam em Inglaterra, visitando os filhos, neta e nora ocasionalmente. Não tinham uma relação muito próxima, mas a parede de gelo já não existia.
Linda estava agora a tomar conta da sobrinha, enquanto o irmão desfrutava de umas pequenas férias com a esposa antes do nascimento do seu segundo filho. Cecília apostava num rapaz e Setsu concordava com ela.
Bem, no que é que Setsu não concordava com Cecília…
Cecília contara às amigas acerca do beijo mais tarde. Nem Mari nem Linda atreveram-se a pronunciar, até porque Cecília dissera que iria esquecer que aquilo acontecera.
E assim fora… mais ou menos.
Cecília tornara-se artista e Setsu cirurgião plástico, mas nenhum dava muito valor às suas profissões. A única altura em que ambos pareciam ter orgulho do que faziam era quando a pequena Luchia falava com eles acerca do assunto ou quando Cecília ensinava Luchia a cantar.
Os dois tiveram várias relações, todos fracassos. No meio de tanta frustração, apoiaram-se um ao outro, tornando-se melhores amigos tal como Eiji e Linda. Mas estes últimos não tinham uma elevada tensão sexual de cada vez que estavam na mesma divisão. Finalmente, desistiram e cederam às tentações. Infelizmente, em vez de definir a relação deles como um compromisso, afirmavam serem ‘amigos com beneficências’. Mari quase que saltara para cima de Cecília quando esta contara a ela e a Linda. Não era preciso ter-se premonições para se saber que eles estavam apaixonados.
Mari conspirara com Linda um plano maquiavélico que envolvia... Bem, coisas que nenhuma mulher sã devia pensar. Linda culpou as hormonas da gravidez.

Estava tão distraída a ouvir a sobrinha e a recordar tempos antigos que nem ouviu o som dos cascos de um cavalo a aproximar-se e parar diante delas. Linda ergueu o tronco, Luchia continuou a cantar.
Um cavalo de pelagem castanho dourado postava à sua frente, o cavaleiro fitando as duas curiosamente. Parecera hipnotizado pela voz de Luchia. Linda ergueu-se, sacudindo a erva da saia e aproximando-se do cavaleiro:
-Posso ajudar? – Perguntou, meio atordoada. Havia algo naquele homem que a fazia tremer. Este desviou os olhos de Luchia para Linda.
Seguiu-se um longo mas calmo silêncio em que ele olhara para Linda como se nunca a tivesse visto.
-Pode – respondeu por fim, o seu sotaque inglês a traí-lo numa única palavra. Saltou do cavalo e tirou o chapéu.

Ela já adivinhara o que iria acontecer. Já o seu coração a traia ainda antes de ele responder, a sua voz tão familiar. A mesma voz que a incentivara a continuar anos antes, a mesma voz que invadia os seus sonhos constantemente.
Já não ouviam Luchia, que cantava para eles, sorrindo abertamente. Fitaram um ao outro com um meio sorriso nos lábios, prontos a dar o próximo passo. Recuara anos, milhares deles até aquele dia no baile, quando ela o conhecera pela primeira vez. O seu cabelo castanho estava mais curto e, consequentemente, extremamente desalinhado. Mais parecia que ele nunca o penteava. Os olhos azuis-claros brilhavam intensamente e o seu sorriso mortífero fazia as pernas dela tremerem como varas.
Ele deu um passo em frente, agarrando nas mãos dela:
-Nunca pensei que fosses real. – Se ele falava inglês ou japonês, Linda não sabia. Estava demasiado habituada a falar as duas línguas para perceber a diferença. – Achei que fosses um sonho.
-Um sonho?
-Sim. Achei que a Agnes nunca existira e que era tudo fruto da minha imaginação. Mas… ela é real… tu és real.
-Viste-me? – Linda não conseguia formular mais do que uma palavra na sua cabeça. Ele sorriu, apertando as mãos dela. E, tal como milhares de anos antes, ela conheceu-o antes mesmo de saber o seu nome.
Dez anos antes ele tivera um acidente de carro a caminho do baile de finalistas, juntamente com cinco amigos. Quatro morreram no mesmo dia e tanto ele como o seu amigo James ficaram em coma. Dois dias depois ele acordara, saindo do hospital uma semana depois sem qualquer lesão permanente, enquanto James ficara em coma até que, dois anos depois, desligaram as máquinas que o ligavam à vida.
Nessa altura, ele sentira-se em baixo, a entrar numa depressão. A única coisa que o salvara do destino cruel fora Agnes, que invadira os seus sonhos desde o primeiro dia no hospital. Ele quase que seguira em frente, rumo ao Além, mas ela o parara.
Tal como ele a impedira de seguir em frente…

-Olá. – Disse Luchia, elevando-se da relva para junto da tia e do homem. Este baixou-se para cumprimentar a pequena:
-Olá sou o…
-Eu sei. – Interrompeu ela, muito querida. - És o anjinho. Sou a Luchia.
Algo soou na cabeça de Linda. Não tinham Eiji e Liam ido buscar alguém com um nome de anjo?
Ele sorriu, maravilhado com a loirinha.
-Sim chamo-me Gabriel. Prazer em conhecer-te
Fora aí que Linda o reconhecera. Gabriel Andersen, o irmão mais velho de Liam.
-Mas não devias estar no aeroporto com o teu irmão? – Perguntou a Gabriel, nervosa.
Os olhos de Gabriel escureceram um pouco.
-Eu tinha avisado o Liam que vinha mais cedo. Fui transferido para o Instituto em Tokyo e tinha que chegar antes de segunda. Quando cheguei ao aeroporto, o Liam não estava lá. Mandara-me mensagem a dizer para vir para aqui.
Linda assentiu, ainda que algo lhe soasse mal naquela história. Luchia pensava o mesmo mas, tendo apenas quatro anos e plena inocência, elevou os seus pensamentos:
-Não goxtas do teu maninho?
Gabriel não esperava aquela pergunta. Ficou um pouco sobressaltado, desviando os olhos das duas Natsumara.
-Luchia! – Ralhou a tia, zangada. Luchia baixou a cabeça.
-Decupa. – Lamentou-se a pequena, fitando a relva verde. Gabriel sorriu para ela.
-Não te preocupes, pequena. Eu e o Liam não nos damos bem, é só. Temos muitas diferenças.
-O papá e a tia Li também são diferentes mas gostam muito um do outro. – Retorquiu Luchia, olhando Gabriel nos olhos.
-Depende do caso. – Respondeu o homem, pensativo. Linda ajoelhou-se perante Luchia, abraçando-a.
-Querida, às vezes os irmãos têm uma relação difícil por vários motivos. Ciúmes, raiva de um determinado momento. Às vezes a única coisa que liga esses dois irmãos são os laços de sangue. No meu caso e o do teu pai, tínhamos algo mais. Tínhamos uma vida partilhada, com momentos bons e momentos maus e fomos fortes o suficiente para ultrapassar esses mesmos momentos. Anos depois, continuamos os mesmos. Mas nem todos são assim.
-O meu mano… - sussurrou Luchia. Gabriel ajoelhou-se perante as duas.
-O que tem?
-Ela deve ter medo de ficar zangada com o irmão. – Respondeu Linda, aproximando a sobrinha para si. Ia confortá-la, mas Gabriel fê-lo primeiro:
-Tu e o teu irmão serão muito chegados se tu quiseres. Eu e o Liam afastamo-nos por nossa causa. Não lutamos contra as nossas diferenças, nunca tentamos ficar mais próximos do que já éramos. Esse foi o nosso erro. E, se tu quiseres, não será o teu.
Luchia olhou para ele, os seus olhos verdes lutando contra algumas lágrimas teimosas. Linda sorriu maravilhada com o efeito que Gabriel tinha na sobrinha. E vice-versa.
-És muito bonita, sabias?
Luchia corou um pouco.
-A mamã ‘tá sempre a dizer isso.
-E não concordas? – Perguntou ele, com um sorriso.
Linda sorriu, os seus olhos saltando entre Luchia e Gabriel.
-Não. Acho a mamã e as tias mais bonitas.
Gabriel olhou automaticamente para Linda. Esta sentiu-se corar.
-Nós somos mais velhas, Luchia. É diferente. – Argumentou Linda, sentindo-se ficar mais vermelha a cada olhar de Gabriel.
-Tens mais irmãos? – Perguntou a Linda. Esta abanou a cabeça.
-Não. Só tenho o Kenji. Ela está a falar da Cecília Tamura, uma amiga da família.
-Cecília Tamura, a pianista da Orquestra Nacional?
-Sim.
Gabriel assumiu um semblante pensativo, até que assentiu para Luchia, colocando um braço em torno dela
-Sim, tens razão. Já vi a tua mãe e posso dizer que o teu pai é um homem de sorte. Também já vi a tua tia Cecília…
-Cecily. – Interrompeu Luchia, novamente sorridente. Linda abafou uma gargalhada. Até hoje Cecília ainda não perdoara Kenji por ter ensinado a filha a tratá-la por Cecily. Gabriel sorriu.
-Cecily. Já a vi e ela é muito bonita. – Depois virou-se para Linda. – E a tua tia também é muito bela.
-Linda. – Disse Luchia.
-É mesmo. – Murmurou Gabriel, não tirando os olhos de Linda. Esta corou profundamente.
-Não. O nome dela é Linda.
Agora era a vez de Gabriel corar e de Linda soltar uma risadinha, juntamente com Luchia.
-Linda tem origens latinas. Como sabes o significado? – Perguntou a mais velha, afastando uma madeixa de cabelo negro da cara.
-A minha mãe é interprete do Governo e ensinou-me a mim e ao Liam a falar várias línguas. Mas até hoje só consegui aprender as latinas e o japonês, sabe-se lá porquê.
-Quais latinas? – Perguntou Linda, os dois adultos levantando-se com Luchia a olhar para eles.
-Português, espanhol, francês e italiano.
-Ou seja, todas. – Concluiu Linda, com uma risada. Uma leve rajada de vento fez com que o cabelo dela fosse para a cara. Gabriel aproximou-se e colocou algumas madeixas atrás da orelha dela. Quando a mão dele tocou na sua pele, Linda sentiu uma corrente de electricidade percorrer o seu corpo, deixando uma forte pontada no estômago, como se um exame de abelhas o tentasse perfurar.
-O tempo está próximo. Ele vem aí. – Proferiu Luchia, olhando para os dois adultos. Ambos congelaram nos seus sítios. Aquilo era familiar...
-O verdadeiro amor espera sempre. Até mesmo noutra vida. Almas gémeas nunca podem ser separadas.

https://www.youtube.com/watch?v=9caTclKNXnw&feature=related

Os dois apaixonados nem notaram no que faziam. Não notaram nas mãos entrelaçadas, nos olhos brilhantes e na súbita sensação de toque que sentiram. Ambos não conseguiram formular frases coerentes, devido a nós na garganta. Ela mal o conhecia, mas sentia que o conhecera a vida toda. E ele sentia o mesmo. Qual seria o nome para este fenómeno? Almas gémeas, se era que isso existia. A Voz assim concordava, após tantos anos de silêncio. Linda sentiu uma súbita vontade de mergulhar nos braços dele e experimentar os lábios do homem que atormentava os seus sonhos.
Luchia entendera e começou a cantar junto do cavalo, que comia relva fresca alheio ao que se passava, ao som de uma melodia imaginária, muito semelhante ao som do piano de Cecília.
Linda sentiu os lábios de Gabriel juntarem-se aos dela e a elevarem-na aos céus, tal como Morfeu fizera a Agnes em tempos passados. O coração palpitava fortemente mas, estranhamente, de uma forma relaxada. Ele aproximou-a do seu peito, dando-lhe a oportunidade de sentir o coração dele bater ao mesmo ritmo que o dela.
Afastaram-se, ofegantes. Linda sorriu:
-Jamais verei outro como te vejo a ti.
Gabriel correspondeu o gesto:
-Proteger-te-ei para o resto da minha vida.
-Já o fizeste.

Juntos, afastaram-se para junto de Luchia. Gabriel pegou nas rédeas do cavalo e juntos, foram os quatro pelo prado fora, o sol batendo ao de leve nos corpos, iluminando a pequena imagem familiar. Gabriel com uma mão nas rédeas, o outro braço em torno de Linda, enquanto Luchia corria livremente pelos prados cantando com Gabriel, em italiano. Porque cantava em tal língua, ela não sabia. Talvez fosse devido às origens da música. Por seu lado, Linda ouvia e sorria.
Desde que Kenji fugira de casa até á morte dos seus avós, Linda passara por muitas dúvidas, aventuras e medos que nenhuma adolescente comum deveria passar. Tal como qualquer ser humano, ela procurou o sentido para a sua vida e a sua felicidade. Naquele ano, provara inúmeras experiências novas, conquistou amizades que duraram anos, namorou com um rapaz especial, tanto que ainda hoje está presente na sua vida, sendo Linda a futura madrinha do filho de Eiji e Suri, fortaleceu os laços com o seu irmão e pais e descobriu-se a si própria. E depois de saber quem era, Guardiã de Sonhos dos Mortais, faltava conquistar a felicidade. Preencher a sensação de vazio que Morfeu lhe deixara no passado que nem uma vida reencarnada lhe tirara. Ela esperara e agora tinha aquilo que pedira.
Os seus sonhos eram constantes. Desde sonhos idiotas, como qualquer mortal tem até sonhos românticos e até um pouco eróticos com Morfeu, Linda não pôde deixar de se sentir normal, pela primeira vez. Normal, mas ao mesmo tempo, invulgar.
Ajudava Kenji nos seus deveres de rei, tinha um trabalho que adorava, nos tempos livres, estava com as melhores amigas, os amigos, irmão e até a estranha sobrinha que ela amava como uma filha, tal como Agnes amara Serenity.
Ao longe, o crepúsculo chegara e um pequeno ponto prateado brilhava no céu. Eiji e Liam estavam completamente esquecidos. Linda agora só podia pensar no que o futuro lhe traria.
Gabriel beijou-lhe a orelha e Linda não conseguiu evitar dizer, pela primeira vez, a palavra mais dura e profunda de uma mulher apaixonada:
-Amo-te.

Luchia sorria, como se soubesse que tudo aquilo iria acontecer. Talvez soubesse, Linda não sabia. Afinal, seu poder consistia em guardar os sonhos dos sonhadores, garantir que nunca faltasse sonhos para guiar a vida e o destino dos mortais. E para ela… bem, ela não controlava o seu destino. Talvez porque ela já sabia o que ele lhe traria.
Levou a sua mão livre ao ventre, pela primeira vez, ansiosa por viver o futuro.
Desta vez, a Guardiã não estava sozinha. Suas irmãs, sobrinha, pais, irmão e amigos estavam com ela. Mas, mais importante, o seu Guardião estava com ela.

Ao longe, apareceu a fazenda da Herdade. Mas nenhum deles tomou consciência do horizonte, se não fosse o ‘aqui’ muito mais importante do que o ‘ali’. Não fosse a fantasia tão importante quanto o real. O amor tão importante quanto a amizade.
Os sonhos tão importantes quanto a esperança.

FIM
Espero por ti em cada segundo , porque tu és o meu mundo!




Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
Visitem a minha 1ª Fic ----->The Four elements
#237
Olá! Very Happy

Bem, último comment né....vou ficar com saudades. Lagrimas

Tenho passado por aqui nos últimos dias para ver se tu postavas e hoje finalmente cá estava o ansiado capítulo! Fiquei contente.

Começando pela Luchia, que dizes que te apaixonaste por ela, bem eu também! Que cuuuteeeee! Linda e muito esperta. Mas ela com todos aqueles poderes, hum, fiquei a pensar que tipo de pessoa seria ela no futuro..

E o Kenji, pai e rei, uau ele cresceu mesmo. E com mais um bébé a caminho. O que foi imperdível foi o facto de ele ter ensinado à Luchia a chamar Cecily à Cecília! Lool. Aquele rapaz deve ter vontade de morrer!

As músicas que escolheste ficaram mesmo bem, encaixam perfeitamente nas cenas. Ficou magnífico.

Amei a introdução, com a Linda e o Gabriel, Razz. Ele foi tão querido a por a mão na barriga dela. Ele é mesmo fofo... Esperancoso

Mas a cena da Linda a acordar na relva,looool. O Eiji é mesmo idiota! Devia tê-la acordado!

Fiquei com imensa pena da Linda e o Eiji terem só ficado amigos. Gostava mesmo que tivessem ficado juntos. Mas pronto, foi giro saber que ele passou a ser um protector dela. Pelo menos ficaram mesmo bons amigos.

Mas gostei de teres desvendado como seguiu a carreira de cada um deles.

E a Cecy e o Setsu realmente...amigos com beneficiências...tss tss. Tou com a Mari e os planos dela (que aparentemente ninguém são teria Brincalhao)

Agora a cena da chegada do Gabriel, bem só faltava o cavalo ser branco! Que entrada!

E que dizer do que se seguiu, deve ser só das cenas mais cutes e românticas que li. Que queridos! Realmente foram mesmo feitos um para o outro.
Ficou tão giro teres feito o final entre ele a Linda e também a Luchia. A sério gostei mesmo muito.

E é mesmo triste ver a palavra FIM.

Mas enfim a vida é mesmo assim.

Gostei muito de ler e comentar esta tua história e ainda bem que te conseguimos finalmente convencer, lol, que tu até escreves bem.

Vou sentir saudades.

Bem então beijos e abraços muito grandes e até qualquer dia Ana.

Só uma coisa, se decidires voltar a escrever um dia destes, mesmo que seja daqui a imenso tempo, manda mp a avisar ok? Wink

Terei todo o gosto em voltar a ler o que escreves.

Boa sorte para ti. Simpatico2
#238
Olá Bun.
Antes de mais, quero agradecer-te pela assiduidade de leitora. E depois, pelo teu comentário que me provocou um sorriso na orelha só de ler.
Acho que o mais importante a dizer é acerca do fim de Linda. Admito que o Morfeu não fora imaginado desde o inicio, mas nunca pensei que a Linda acabasse com o Eiji.
Há que ver os motivos:
1. Ela dá-se melhor com ele como amigo e, quando são melhores amigos, a transição na relação chega a ser dificil. (Conheço um caso na vida real). Das duas uma: ou ela perdi-o como amigo ou namoravam mas eram amigos acima de tudo.
2. Ela é uma miuda racional de 16 (no inicio da historia), ao contrário do irmão e de Mari que são romanticos (ainda que o recusem a admitir). Melhor dizendo, ela não procura o amor da mesma forma que os outros dois. Custou-lhe mais a admitir que gostava do Eiji e ainda mais a apaixonar-se verdadeiramente (27 anos - fim da história)
3. Qual é a probabilidade de a Linda casar-se com o primeiro namorado que tem, depois de anos em "clausuras", sem conhecer verdadeiramente o sexo masculino, estando dentro de uma relação muito forçada (Pelo menos a meu ver. O Eiji é o primeiro rapaz que a acha bonita e que admite gostar dela. Viveu uma vida amada pelos avós, mas ignorada pelos pais e, ocasionalemente, pelo irmão. Fora o avô, não teve nenhuma companhia masculina no seu crescimento. Isso pressa um pouco uma pessoa ansiosa por amar e ser amada, não? Matreiro) e sem conhecer verdadeiramente o rapaz? Porque eu gosto de criar personagens com defeitos (ok.. a Luchia é excepção... Matreiro) e o Eiji também os tem. Na fanfic, esses defeitos chocaram com os segredos de Linda e a própria disse a verdade: Não se conheciam verdadeiramente.

Daí que tenha tentado colocar o Eiji em primeiro plano e toda a fanfic, mas reservar-lhe um plano obscuro no epílogo, porque não o queria com a Linda no final. E como sou romantica, vei a história de Morfeu e Agnes.

(alguma duvida desta explicação, avida Wink)

No que toca ao resto, obrigada. A Luchia foi feita para agradar, apenas. Queria que as músicas dessem um toque mágico à cena e estou a ver que consegui esse efeito. As músicas são religiosas, mas são tão famosas que eu aprendi a tocar a primeira na flauta e a segunda é um das minhas favoritas (versões distintas cantadas pelas Celtic Woman e Celine Dion).

Era para pôr as ideias da Mari, mas mudei de ideias. Fica ao vosso critério o que ela iria fazer...

No que toca à escrita, estou triste. Adoro escrever e tenho tido montes de ideias. Versões de contos de fadas, fanfics de Sailor Moon, Swan Princess e Harry Potter e até mesmo originais me vêm à cabeça e uma subita vontade de escrever. Estou neste momento e tentar ver que acabo pelo menos um dos contos até ao fim do verão. Se sim, posto (mandando pm, primeiro Smile) e cruzo os dedos para ver se gostam.
Destas ideias todas, há dois tipos que nunca voltarei a escrever. As de Harry Potter (muito complexas) e uma sequela de A Guardiã dos Sonhos. Como viram, deixei muita coisa em branco para uma sequela. O que acontecerá a Setsu e Cecília? Correrá tudo bem na segunda gravidez de Mari? Que poderes tem Luchia? Porque é que a figura baixa queria matar Gabriel? Qual é o papel de Liam nisto tudo? Terá Gabriel ciumes da proximação de Linda e Eiji? Enfim, não pdoerei voltar a escrever, mas se alguém quiser... por mim tudo bem Smile

Mais uma vez origado. Também a mim me entristece ler a palavra FIM mas, ao mesmo tempo, dá-me orgulho porque começei este projecto e acabei e, pelo caminho passei por várias experiencias agradáveis que só o forum de SMPT me podia oferecer.

Até mais (por enquanto...) Smile
Espero por ti em cada segundo , porque tu és o meu mundo!




Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
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#239
*Vem a Histérica*
ACABOU!!!!!! ;_; Nem acredito. Venho há semanas ver se já estava aqui o epilogo e agora que ele aparece escrito eu não quero que acabe! :{
Owh.. u_u Esta fic deu-me tanto gosto em acompanhar. Valei a pena, de verdade. Eu sempre disse (e falei verdade) que tu escreves imensamente bem. Foi a escrita mais rica e envolvente que eu encontrei cá no forum e seria um atentado não to dizer!
Antes de falar na fic em geral, vou falar deste Epilogo.

Sinceramente nao sei se fiquei admirada ou não por a Linda e o Eiji não ficarem juntos. No final do ultimo capitulo algo me disse que não era certo eles serem um casal. Talvez por toda a quimica que existia entre o Morpheu e a Agnes e que estava ausente entre o Eiji e a Linda. Como tu propria disseste, havia sim amor entre eles, mas era mais de amizade, de irmãos, não de paixão. Era isso que faltava para eles serem feitos um para o outro e seria uma pena que não tivesse aparecido a reencarnação do Morpheu. Seria sem duvida um historia incompleta. Ia ser muito frustrante ver a Linda a acabar sozinha e sem a sua alma gemea.
A entrada do Gabriel foi mesmo à principe. E vivam os cavalos! Yei! Matreiro E aqui sim deu para ver toda a paixão sobretudo no contacto visual e fisico entre ele e a Linda. Esperancoso

A Luchia é a coisa mais fofa! Esperancoso Linda!
Gostei tanto da descrição fisica e psicologica dela. Imagino-a como sendo um verdadeiro anjinho! Esperancoso e Toda a sua densidade psicologica e os poderes que a envolvem tornaram-na ainda mais querida e adoravel. É uma personagem que dá curiosidade para ser explorada! Mas vá, não vamos expremer o leite todo á vaca, senão a magia e misterio perdem-se.

Gostei tanto de saber da Mari e do Kenji! Gostei tanto deste casal! Esperancoso Vou ter tantas saudades deles! ;_; A sério, eu gostei mesmo deles os dois, são mesmo... qual é a palavra... Apaixonados? Talvez! Embaracoso' Fiquei feliz por o Eiji e a Linda manterem uma relação forte após o seu caso. E é bom saber que o Eiji conheceu alguem que o completasse tambem! Embaracoso

Hahaha, em relação à Cecily e ao Setsu, eles são mesmo cabeças duras! Matreiro A relação deles fez-m lembrar um filme (que eu nao vi mas queria ver) chamado "Sexo sem compromisso"! Matreiro Acho que se adequa na perfeição! Matreiro era engraçado ver a historia deles por um prisma mais profundo. Acho que dava uma comedia! Matreiro

A small Lady e o edward tambem deixaram a marquinha cá no coração. <3

Enfim, esta fic vai deixar tanta, mas tanta saudade! ;_; Vou perder um dos principais motivos para frequentar o forum. ;_; Acho que tão cedo nao encontro uma fic como esta por aqui.

Aproveito para dizer o que achei da historia em geral.
Foi, como já disse, uma abordagem completamente nova ao mundo de "Sailor Moon" e a mais original que encontrei pelo simples facto de se centrar numa nova geração de guerreiras. Deu muito que pensar, o misterio dos inimigos, dos poderes de cada guerreira, o romance das personagens, os acontecimentos, as mortes (Gonçaaalllooo!!! :'{), as relações da familia real, tão densas e apesar de tudo bonitas, e algo que sempre adorei, os flashbacks, especialmente da historia da Small Lady e do Edward.
Adorei todos os capitulos, especialemnte aqueles mais dedicados ao Kenji e à Mari, como o do Ano novo, o de quando eles se conheceram oficialmente, e nunca poderemos esqueçer aquele fanatismo das raparigas pelos universitarios. No fundo foi aí que tudo começou... ! Awh! Vou chorar! ;_; Nem consigo aceitar que já acabou!

Aninhas, quando voltares a criar uma fic, tens mesmo de avisar por MP. Eu tenho que lê-la!
Bem, e já agora aproveito para dizer "Não abandones o forum" porque eu estou a criar uma fic nova (como já te tinha dito), é uma historia diferente das que costumo escrever, não existe fantasia, não está escrita na primeira pessoa, não é tão grande como angelical, e no fundo é uma experiencia da minha parte por experimentar coisas novas. Ainda estou a ponderar se coloco as personagens de sailor moon num mundo pararelo, ou se uso personagens completamente novas e por conseguinte ela fica na secção de fanfics gerais. Já a começei a escrever á bastante tempo, é uma escrita muito simples e sem complexidade, e pronto, se tu te mantiveres aqui no forum, seria uma honra que a lesses! Embaracoso' Sem compromisso, obviamente! Matreiro

Por fim, mim vai ter muitas muitas, muitas, muitas saudades! ;_;
Esta fic ficará para sempre no meu coraçãozito! :')
Nunca deixes de escrever, que isto ainda vai valer milhões! Matreiro
bjinhos
as minhas fic's:
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
-Angelical
Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^
#240
Oh Lulu nova fic Esperancoso Tenho que ler! Quando postares (e espero bem que postes) avisa-me, sff. Já estou curiosa e ainda nem li a sinopse.

Fiquei assim... emocionada com o teu comentário. E agora que me lembro, tiveste assiduidade 100%. Desde o primeiro capítulo até ao fim! Nem sabes como fico feliz de cada vez que leio um dos vossos comentários (e parto-me a rir com os teus Matreiro). Faz-me pensar se vale a pena seguir a carreira de escritora (tou a brincar... xDD)

A entrada dos cavalos não foi de propósito. Precisava de um meio de transporte que desse pouco tempo à Linda para se aperceber da chegada do Gabriel. Se ele fosse a pé, lá se ia a magia toda x)
Se há coisa que detesto nas escritas são clichés. Coisas romanticas que se repetem várias vezes. No entanto, uma das coisas que mais gosto no desenvolvimento de uma história é a "alteração" de um cliché. Pega-se numa ideia gasta e extremamente obvia e distorce-se a nosso belprazer.
Isso faz com que chegue a ser cada vez mais exigente nas histórias que leio. Quando li a tua primeira história, ainda estava dentro dos clichés. Já a segunda foi outra coisa. Foi a primeira que li acerca de anjos e adorei a tua história e a forma como a desenvolveste. Se as ideias gerais eram clichés, não reparei. Nunca li história do genero.

Estou a escrever uma história. Adaptação de um conto de fadas (se bem que pretendo tirar o "fadas" a este conto) com fantasia, como todos os contos de Grimm. Ainda vou no segundo capítulo porque começei a escrever dias antes do fim das aulas e depois vieram os exames ( e ainda estou em fase, infelizmente Mal disposto) e não pude escrever mais do que dois paragrafos por dia. Azar o meu, o segundo capítulo é um dos mais compridos desta pequena história.

Planeio acabá-lo e postá-lo. Só não sei se posto aqui no forum, ou vos mando por pdf.



E, mais uma vez, obrigada pela assiduidade, comentários e interesse na história que nasceu de um dia para o outro (verdade!) e que acabei por desenvolver em algo mais.

Até breve!
Espero por ti em cada segundo , porque tu és o meu mundo!




Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
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