Sailor Moon Portugal, A Navegante da Lua

Receita de amor (Bunny/Gonçalo)

#161
Ela seguiu-o pela parte lateral da casa até o jardim dos fundos. Gonçalo abriu a porta da cozinha e afastou-se para deixa-la entrar. Serviu dois cálices de licor e conduziu-a ao longo do corredor até a sala. Bunny notou que a casa, embora bem arrumada, parecia fria. Faltava um toque feminino, o aconchego que havia que sobra na casa da tia. Não havia uma única fotografia em nenhum lugar da casa.

Por um momento, Bunny sentiu pena dele. O homem independente e seguro de si, de personalidade forte e convicções firmes a respeito do futuro, agora parecia-lhe solitário e abandonado. Como ela gostaria de abraçá-lo, de cuidar dele, dar-lhe tudo que ele precisava! Mas não se atreveria a confessar isso a Gonçalo. Se ele sentisse falta ou necessidade de alguma coisa, que fosse atrás.

— O que pretendes fazer sobre o apartamento? — Gonçalo perguntou, quando já estavam sentados no sofá.

— Continuar à procura, acho.

— No sábado?

— Como?

— Posso ir contigo, no sábado.

— Obrigada, mas acho melhor ir sozinha. — Ela sorriu. — Intimidas-te os administradores.

— Talvez. Mas porque não ficas aqui até a tua tia voltar?

— Por quê?

— Porque sim.

— É essa a maneira de um advogado expor uma causa?

Gonçalo esticou um braço e segurou a mão de Bunny, puxando-a para mais perto. Ela não ofereceu resistência. Deixou-se abraçar e aninhou a cabeça no peito forte. Ele tirara o casaco e a gravata e abrira os primeiros botões da camisa, fazendo-a sentir-se embriagar pelo perfume másculo e pela sensação de calor que o corpo dele transmitia.

— Eu quero te, Bunn — ele murmurou, antes de tomar os lábios dela num beijo suave.

Ela retribuiu com toda a paixão que, durante tanto tempo, não tivera oportunidade de vivenciar. Se aquilo tivesse acontecido a onze anos antes, ela teria enlouquecido de felicidade. Agora, entretanto, estava mais madura e sábia. Pelo menos esperava que sim.

Mesmo assim, sentia-se no paraíso. As emoções que a dominavam ameaçavam fazê-la perder o controlo. As mãos dele moviam-se ao longo dos seus braços, os dedos enterravam-se nos seus cabelos. Quando ele lhe segurou um seio, Bunny prendeu a respiração. Uma onda de calor explodiu no seu íntimo, e ela inclinou-se para frente, incentivando-a a prolongar a carícia.

De repente, a voz da razão falou mais alto, e ela afastou-se. Não podia permitir que aquilo continuasse. Amara aquele homem loucamente anos atrás e ele a desprezara. Seria total falta de juízo iludir-se agora. Gonçalo só queria se divertir, passar o tempo. E não seria com ela.

— Eu... preciso de ir — balbuciou, tentando dominar a sensação de vazio.

— Não, Bunny... Fica comigo.

— Não posso.

Ela levantou-se e correu pela casa afora, ignorando os chamados dele. Somente depois que a porta da cozinha estava bem trancada, ela voltou a respirar normalmente. Acontecera.

Apesar de todos os seus esforços, ela se apaixonara novamente por Gonçalo Chiba.

— Nããão...— choramingou, desolada.

Imaginara estar imune ao feitiço de Gonçalo, mas desejava-o como se fosse dependente da química. Amava-o como ele era, assim como a bisavó amara Safira. Gonçalo a irritava às vezes, contrariava-a, mas ela queira-o assim mesmo. Oh, se ao menos ele gostasse um pouquinho dela! Mas sabia que este era um sonho impossível.

Transtornada demais para raciocinar, pegou o diário como um náufrago se agarraria a uma bóia. Ela começou a fazer uma lista dos ingredientes para Joana. Releu rapidamente a lista e colocou-a entre as primeiras páginas do diário. Queria ler mais do que Selena escrevera, queria saber o que a bisavó fizera a seguir. A tentação de ler a última parte para saber se ela se casara com Safira era grande, mas algo a impedia de fazer isso, a vontade de acompanhar o desenvolvimento do namoro. Logo ela saberia. E esperava que Selena tivesse encontrado a felicidade com a qual sonhara, com Safira.

“Hoje foi o último dia de primavera. Limpamos a sala. Primeiro, tiramos as cortinas para lavar. Elas ficam pesadíssimas quando estão molhadas, e eu preciso segurar uma ponta e a mamã outra, para torcer. Mesmo assim, é difícil. Os meninos levaram o tapete para o quintal e passaram a tarde varrendo e batendo. Eu tirei o pó da cristaleira, por dentro e por fora. Tirei tudo para limpar, até o cachimbo do papá. Também tirei o pó dos quadros. A mamã contou-me sobre quando ela e papa compraram os quadros. Quase tudo na nossa casa, foram eles que escolheram juntos. É agradável comprar as coisas, juntos, ela disse-me. Escolher coisas que são especiais para ambos, o lugar onde vão ficar, depois lembrar a época feliz que elas representam. Um lar deve ser tranquilo e agradável, um refúgio para quem volta para casa no fim do dia. Principalmente para o homem, que passa o dia inteiro trabalhando, lutando para sustentar a família. Ele precisa chegar em casa e encontrar sossego… Será que Safira e eu vamos construir um lar, juntos? Teremos móveis e objectos que terão um significado especial para nós dois? Espero que sim. E espero saber tornar o nosso lar o melhor lugar do mundo para ele.”

Bunny fechou o diário e fitou o espaço, pensativa. Ela poderia transformar a casa dele num lar de verdade. Torná-la aconchegante, enchê-la de amor e carinho. Mostrar-lhe que a sua vida podia ser diferente da do pai.

Se tivesse a chance...

Mas não a teria.

Bunny deitou a cabeça no travesseiro. Mas a lembrança do beijo que ela e Gonçalo deram a assombrava. De repente, ela se arrependeu de ter fugido... de não ter ficado para ver o que aconteceria depois.
#162
Esta tao gira!
Eu acho que a Bunny nao devia ter fugido e aceitado o pedido de Gonçalo para morar com ele!
Mas mesmo assim a historia esta fantastica evou ficar a Espera do porximo capitulo.
Quando é que ele vem?
Estou aciosa para saber se Selene vai ficar com Safira assim com mom Bunny e Gonçalo ou se cada um vai levar a vida normalmente?
Bem seija quando for que voltares a postas eu estarei a espera para eler e para saber o que vao acontecer!
Bjs
#163
Acho que a Bunny não devia ter fugido, mas por outro lado ia ter sempre a sensação de que o Gonçalo naquele momento podia apenas querer aproveitar-se dela, o que ela não sabe é que ele também se está a apaixonar por ela...

O amor é lindo, mas por vezes confuso...

Espero por mais, pois esta foi a primeira fic que eu comecei a ler aqui no fórum, e estou ansiosa para saber o que vai acontecer...Matreiro

Beijinhos
#165
Adoro esta fic! ja disse isto umas 1000 vezes, mas nunca deixa de ser verdade, pelo contrario, cada vez gosto mais!
Sinceramnete nao sei se a bunny fez bem em ter fugido!
Por um lado ele podia estar só a querer estar com + uma, mas por outro, ela podia estar a satisfazer um pedido do seu intimo e talvez a fazer com que o Gonçalo entendesse que no fundo já nao podia viver sem ela!
Bem, fico á espera da continuaçao, e continuo curiosa quanto ao final de que a lena falou! Matreiro
bjkx
as minhas fic's:
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
-Angelical
Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^
#166
Fugir nunca é soluçao...
li esta fic agora e amei... eles estao apaixonados um pelo outro mas ninguem da o primeiro passo como deve de ser...
o amor é assim... complicamos sempre o que é facil...
o primeiro amor nunca se esquece, e esta historia prova isso mesmo... depois de tanto tempo, quando reencontra o Gonçalo ela precebe que o continua a amar...
esta muito gira... espero a continuaçao... aguardo tambem um final feliz!! Laughing

se a receita funcionar vou exprimentar!!Matreiro :Embaracoso':

beijinhos
#167
Dania escreveu:Fugir nunca é soluçao...
li esta fic agora e amei... eles estao apaixonados um pelo outro mas ninguem da o primeiro passo como deve de ser...
o amor é assim... complicamos sempre o que é facil...
o primeiro amor nunca se esquece, e esta historia prova isso mesmo... depois de tanto tempo, quando reencontra o Gonçalo ela precebe que o continua a amar...
esta muito gira... espero a continuaçao... aguardo tambem um final feliz!! Laughing

se a receita funcionar vou exprimentar!!Matreiro :Embaracoso':

beijinhos

Acho que sei a quem te estás a referir com essa de que o primeiro amor nunca se esquece...

O Gonçalo vai perceber que aquela ideia dele em relação ao casamento está errada, as acho que só se vai aperceber disso quando admitir que gosta mesmo da Bunny, e não a tentar ignorar aquilo que sente...
#168
Surprised MESMO JÁTENDO LIDO O LIVRO E DORO LER A FIC What a Face
E eu também acho qe ela deva ter ficado para ver o que aconteceria... Very Happy


"O agradecimento silencioso não serve muito a ninguém." ( Gertrude Stein ) Por isto...Agradeço a todos pelo apoio e principalmente a Ruka-chan e a Jô-chan!



ღ Gaby-Br=^.^= ღ
#169
Pessoal tive um problema com o meu computador, ou melhor com o carregador do meu computador. Deixou de funcionar e agora nao tenho forma de carregar o computador. E ainda por cima os da e-escola acho k entam neste mes de ferias. O meu computador fixo tb foi pro arranjo e nao sei quando volta. Por isso têm de esperar ate trazer de volta o fixo arranjado e ate eu arranjar eu carregar de novo o meu portatil pa passar tudo o k precisava (desde a metade do 9 capitulo k ja tinha passado). Lamento, eu devo ter algum problema com a tecnologia e com os carregadores vidto k ja nao é a primeira vez k isto me acontece (o ano passsado tb me aconteceu isso no mesmo mes e tudo). lol
lulumoon, tb gostas de ver o Ruby Gloom? Eu adoro. Costumo ver de manha.
#170
Ai baby so tu e eu! Tambem tenho um azar com a tecnologia! Mal disposto'
Espero que consigas passar os capitulos rapidamente, estou ansiosa por ler a continuaçao!

Eu amo a Ruby Gloom, ela é tao lindah! Esperancoso
Faz-me lembrar a Alice de crepusculo! Matreiro
Acho que vai ser de ruby que me vou vestir no proximo carnaval ou halloween! Ou entao de Miseria! Matreiro
bjokas
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Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^

Editado pela última vez em

#174
Nunca mais falei com a Lena no messenguer nem no forum. Ja lhe mandei um mail com este cap. pa ela corrigir mas ela nao responeu. Portanto vou por a 1º parte do cap sem tar corrigido. Kando ela voltar ela corrigiu e eu volto-o a meter aki ja corrigido. lol
Kalker erro havisem!

CAPÍTULO IX (1º parte)

“Uma resposta amável tem o dom de suavizar a raiva. Apanham-se mais moscas com mel do que com vinagre. — Diário de Selena, Verão de 1923”


“A sala ficou impecável. Foi uma sensação agradável, quando entrei lá, ontem à noite, para receber Safira. A mamã e o papa ficaram um pouco connosco, e depois deixaram-nos sentar na varanda sozinhos. Safira contou-me como foi o dia dele e eu contei-lhe tudo o que eu fiz ontem. Foi tão agradável! Era como se só existíssemos nós os dois no mundo. E então ele estragou tudo. Disse que tinha ouvido dizer alguma coisa não muito boa a meu respeito. Primeiro, fiquei com raiva, e ele ficou mais ainda. Deu-me um sermão, como se eu fosse uma criança! Quando ele disse que eu estava a ser infantil, não aguentei e começamos a discutir. A Mamã ouviu e saiu para a varanda para ver o que estava a acontecer. Olhou para mim zangada e disse boa-noite a Safira. Depois dele ter ido embora, ela mandou-me sentar e perguntou o que tinha acontecido. Eu expliquei e ela ouviu atentamente. Segurou as minhas mãos e disse: Selena, a vida é cheia de problemas e dificuldades. Mas uma palavra amável tem o dom de suavizar a raiva. Nunca te esqueças disso. Eu disse que me tinha tentado defender, que as acusações dele eram falsas, e a mamã disse que sabia disso. Mas que eu tinha de me lembrar que apanham-se mais moscas com mel do que com vinagre. Seja doce e carinhosa, ela disse, da maneira que és. Desta forma, sempre conseguirás amansá-lo. Fiquei irritada, porque esperava que a mamã ficasse do meu lado. Mas depois eu acalmei-me e percebi que ela tinha razão. Eu devia ter tido outra reacção com Safira. Hoje vou fazer uns biscoitos e levar para ele. Ainda não falei com a mamã sobre isso, mas tenho certeza que ela vai aprovar. E se for preciso, pedirei desculpas. Mas só pela minha reacção, por mais nada. Se ele não aceitar, não é o homem certo para mim.”

Bunny anotou mais um ou dois itens na sua lista e fechou os olhos, atrás dos óculos escuros. A sensação do sol aquecendo a pele era agradável e relaxante. Ela adoraria poder dormir um pouco, mas precisava ficar atenta ao relógio. Não queria que Gonçalo voltasse do trabalho e a visse tomando sol no jardim. A descoberta da noite anterior de que ainda o amava a deixara preocupada.

Ele não podia desconfiar, de maneira nenhum.

A tarde estava perfeita. Ela encontrava-se naquele etapa intermediária entre o sono e a consciência. O único som que quebrava o silêncio era o zumbido das abelhas que rodeavam um arbusto entre os dois jardins. Até mesmo os pássaros estavam quietos, provavelmente dormindo.

Bunny pensou em Selena e Safira. O que teria acontecido? Queria saber se Selena aplicara a filosofia da mãe de ser doce e carinhosa. Não sabia se ela própria conseguiria ser doce e carinhosa com um homem que a irritasse. Era normal as pessoas perderem a paciência e se irritarem umas com as outras. Isso não significava o fim de um relacionamento.


Novamente, ela desejou ter conhecido a bisavó. Na verdade, desejava tê-la conhecido quando jovem, que tivessem sido amigas, trocado experiências, discutido os resultados da receita, se de fato funcionava ou se aqueles "ingredientes" eram apenas fruto da imaginação de uma adolescente do início do século.

A sua confidente, na adolescência, fora Joana, as duas sempre haviam sido muito amigas, além de primas... Ela precisava terminar a lista... Queria que Joana experimentasse... Logo ela leria mais... Logo...

Bunny adormeceu.

— A Bela Adormecida dormiu debaixo do sol.

Ela acordou com um sobressalto. Ao abrir os olhos, deparou-se com Gonçalo debruçado sobre ela.

— Vais apanhar um escaldão.

bunny endireitou-se na espreguiçadeira.

— O sol não faz mal a esta hora — falou, a boca subitamente seca, o coração disparado. A lembrança do beijo assaltou-a imediatamente.

— Mesmo assim, é melhor tomar cuidado. O que estás a ler?

— O diário de minha bisavó — disse ela, segurando firmemente o livro.

— É interessante?

— Sim. Que horas são?

— Cinco e meia. Voltei mais cedo, hoje. Quer jantar comigo? Podemos assar hambúrgueres na grelha.

Bunny lembrou-se dos conselhos de Selena. Mas naquele momento não possuía a força necessária para fazer-se de difícil. Havia ocasiões em que não se podia deixar passar uma oportunidade.

— Eu gostaria muito. Posso levar uma salada.

— Aparece quando estiveres pronta. Vou trocar de roupa.

Quinze minutos depois, Bunny atravessava o gramado, levando uma travessa coberta por papel – alumínio.


— Entre — falou Gonçalo, quando ela bateu à porta da cozinha. — Vou acender o fogo na churrasqueira — acrescentou, terminando de formar os hambúrgueres sobre a tábua de carne.

Bunny assentiu em silêncio, desviando o olhar para as pernas longas e musculosas sob as calças que ele usava. A camisa branca simples delineava os ombros largos e o peito másculo.

— Posso ajudar em alguma coisa? — ofereceu-se, colocando a travessa sobre a mesa.

— Está tudo pronto. Não é uma refeição muito elaborada. Ela encostou-se no lavatório e cruzou os braços.
#175
— Como foi o teu dia, hoje, no tribunal?

— Bem. Amanhã faremos a apresentação final para o júri.

— E você está optimista?

— Sim, mas foi um caso difícil. E, para piorar, o meu cliente não me contou toda a verdade, e isso me confundiu.

— Como descobris-te que ele não havia contado a verdade?


Gonçalo fez um breve relato do caso, tomando cuidado para não violar a ética profissional. Bunny ouvia atentamente. O trabalho dele a fascinava. Gonçalo a fascinava.

O sol ainda não havia se escondido quando eles saíram para o quintal. Bunny fez mais perguntas sobre os casos que Gonçalo defendera, enquanto ele assava os hambúrgueres, e ele respondeu todas elas.



— Esqueci-me de trazer molho para a salada — observou Bunny.



— Tens algum?

— Não, mas vou buscar na casa de sua tia. Fica na porta da geladeira?

— Sim, mas...

— Deixe, eu vou.

Bunny espalhou mostarda, picles de pepino e rodelas de cebola sobre seu hambúrguer, colocou-o no prato e sentou-se, enquanto esperava por ele. Não podia deixar de pensar no que aconteceria, naquela noite. Ele a beijaria novamente? A sensação de expectativa era quase insuportável. Ela se sentia flutuar.



Perdida em pensamentos, Bunny só se deu conta, alguns minutos depois, de que Gonçalo estava demorado. Olhou na direcção da casa vizinha. Tinha certeza de que o molho estava na porta da geladeira, usara-o naquele dia, mesmo. O que estava a acontecer?

Inquieta, Bunny levantou-se e caminhou até a porta da cozinha da casa da sua tia.

— Não encontrou o...

Ela parou bruscamente na porta, o sangue gelando dentro das veias. Gonçalo estava de pé, perto da mesa, com o diário aberto numa mão e a lista que ela fizera na outra. O rosto dele parecia esculpido em pedra.


— O que é isto? — perguntou, em tom de voz glacial. Os olhos azuis pareciam querer fuzilá-la.

"Oh, não!" Os joelhos dela fraquejaram. Por que não levara o diário para o quarto?

Ela respirar fundo antes de conseguir falar:

— O... diário de minha bisavó.

— E isto? – Ele levantou a folha de papel onde Bunny anotara os itens principais para a prima, segurando uma extremidade com a ponta dos dedos, como se pudesse, de alguma forma, contaminá-lo.

— Uma lista.

A voz de Bunny não passava de um sopro. O coração parecia querer saltar-lhe pela boca. Não sabia o que fazer. A sua vontade era arrancar o diário das mãos dele e atirá-lo longe. Mas não conseguiu dar um passo. Parecia paralisada.

— Incentive o rapaz a falar sobre o seu trabalho e seus planos para o futuro. Fizeste isto bem. Espero que não te tenha aborrecido muito.

— Eu posso explicar, Gonçalo — Bunny gaguejou. — Essa lista é para a Joana.

— Para a Joana? — Gonçalo repetiu, fulminando-a com os olhos. - Não creio. Acho que é para ti. “O caminho para chegar no coração de um homem, é através do estômago”. “Faça alguma coisa que ele goste, como mousse de maracujá, por exemplo” — acrescentou, em tom sarcástico. — Esta também fizeste bem.


Bunny começou a tremer incontrolavelmente. Gonçalo estava furioso. E o seu frio auto controlo parecia tornar a raiva ainda mais intensa. Ela queria dizer alguma coisa, fazer alguma coisa, mas não sabia o quê. Uma onda de pânico a invadiu. Como explicaria aquilo a Gonçalo?

— “Apanham-se mais moscas com mel?” Quer dizer que é isso o que eu sou? Uma mosca? — Ele bateu com o diário na mesa e avançou na direcção dela, com uma expressão ameaçadora no rosto.

— Não é o que estás a pensar! — ela elevou o tom de voz e deu um passo para trás, amedrontada. — Queres deixar-me explicar, por favor? Tentar entender?

— Acho que é o que estou a pensar, Bunny — Gonçalo falou, parando diante dela. — Usas-te todos os itens dessa maldita lista comigo! “Seja imprevisível... como planejar um sequestro seguido de um piquenique, por exemplo.” “Vista-se de maneira feminina... Fizeste isto muito bem.” Precisas-te de conselhos para isto, Bunny? Pensei que fosse uma coisa natural em ti. Aliás, pensei que tudo fosse natural em ti. Não percebi que fazia parte de um plano para atrair a minha atenção. O que você pretendia? Fisgar-me? Depois de todos esses anos, ainda não entendeu o que eu já lhe disse um milhão de vezes? Que eu não te quero, não te amo, e não quero, porra, casar-me e muito menos ser cobaia de teu plano estúpido para caçar um marido? Volta para Nova York! Talvez esses conselhos idiotas funcionem com os homens de lá! Comigo, não!

O ar parecia vibrar com a fúria dele. Bunny apoiou-se no lavatório e afastou-se quando ele passou por ela como um relâmpago, depois de amassar a lista e jogá-la no chão.

Ironicamente, ela lembrou-se do último conselho que lera no diário. Naquele momento de desespero, não custava tentar...

— Acho que isto significa que o jantar foi cancelado — murmurou, no tom de voz mais doce e carinhoso que conseguiu. Duvidava, porém, que ele tivesse escutado.

As lágrimas ameaçaram saltar-lhe dos olhos, porém ela as reprimiu valentemente. A sensação de vazio que a dominava era indescritível, mas ela deveria ter esperado por isso. Nada mudara. Durante algumas semanas, deixara-se iludir, acreditando que teria uma oportunidade. Gonçalo fora gentil, atencioso, romântico.

Tudo o que acontecera não tivera significado algum para ele.

Com movimentos lentos, ela pegou o diário e subiu para o quarto. Perdera completamente o apetite. Não queria comer nada. Tudo o que queria era dormir para não pensar, para apagar a dor que estava a sentir. Não queria nem mesmo saber o que acontecera com Selena e safira. Que coincidência ela ter lido sobre a briga dos dois justamente antes de acontecer entre ela e Gonçalo! Aliás, desde sua chegada a Tóquio e de quando começara a ler o diário, parecia que a história se repetia.

Bunny deixou-se cair deitada na cama, abraçada ao diário. Não podia queixar-se, se admitisse que desde o início soubera, ou deveria ter sabido, que não podia esperar nada dele. Fora mais feliz do que nunca, naquelas últimas semanas. A falta de emprego e a incerteza quanto ao futuro perderam a importância. Ficara tão envolvida com Gonçalo que todos os seus problemas passaram para um segundo plano.

Desde o início, racionalmente ela soubera que nada mudaria. O seu coração, entretanto, recusara-se a aceitar a verdade. Agora, teria de aceitar.
#176
Oh! Nao acredito que ele descobriu o diario! [Esta imagem já não existe]
Que capitulo tao infeliz, bolas! coitadinha da bunny, ela no fundo estava a ser ela propria ao seguir as dicas da avó!
Ele foi tao injusto, nem sequer quis saber do que ela sentia!
Que estupido! ah que raiva! Mal disposto'!
E agora?! ai que estou mesmo curiosa!
nao demores muito a postar por favor! Embaracoso
bjokas
as minhas fic's:
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
-Angelical
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Editado pela última vez em

#177
heyyy

eu nao te vi no msn, por isso nao te mandei -- '
ja tnh 0o cap. corrigido a q seculos...bahhh

olha.eu n gst desta parte da historia...eh tao chunga ... muda Chorar

bem..vemo'nos no msn..bjs

Brigada Lolli, amei mesmo ;D


Spoiler:
 


Editado pela última vez em

#178
O Gonçalo tinha mesmo que ler o diário!? Não devia ter lido, agora chateou-s com a Bunny e não devia, acho que ele devia ter sido um pouco mais compreensivo e tê-la deixado explicar tudo...

Espero que postes mais rapidamente, pois custa ver o Gonçalo chateado com a Bunny...

Beijinhos
#180
Coitada da serena!
Se o Darien tivese lido o diario todo talvez percebece que ela gostava mesmo dele!
Mas bemtenho acereteza que se vao entender!

Bjs da deba

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