Sailor Moon Portugal, A Navegante da Lua

Receita de amor (Bunny/Gonçalo)

#1
Nome: Receita de amor – by babyv004!!!
Capítulos: 10 (em principio)
Tipo: Romance


Shipper: Bunny/Gonçalo
Censura: G – Fanfic Livre (Universo alternativo – ou seja não há navegantes, nem inimigos, e Bunny conhece o Gonçalo desde criança)




Resumo: Receita para encontrar o par ideal?

Bunny era apaixonada por Gonçalo, desde criança; ele, porém, nunca lhe dera atenção. Agora, com 19 anos, ela estava prestes a desistir de realizar suas fantasias com aquele homem. Queria encontrar o homem certo, para casar-se e ter uma família. Então, algo extraordinário aconteceu. ela acha um diário que pertencera a sua bisavó. No diário, havia uma receita para atrair o homem ideal.
De repente, Bunny descobriu que, sem querer, havia seguido o primeiro conselho da receita e que Gonçalo começava a demonstrar sinais de interesse! Agora, ela estava curiosa para saber o que aconteceria se seguisse as outras instruções. Se a receita funcionasse com gonçalo, com certeza funcionaria com o homem que seria o seu par ideal!




P. Serenidade




NOTA DA AUTORA: É uma adaptação!!! A autora do livro é Barbara McMahon. Espero que gostem!



INDICE

Capítulo 01
capítulo 02
Capítulo 03
Capítulo 04
Capítulo 05
Capítulo 06 (1º parte)

Editado pela última vez em

#3
Olá tbm acho q a tua fic parece interessante mas quando puseres o 1ºcapitulo aí já vou ter uma opnião mais formada, mas até agr pareceu-me muito fixe...
#4
Estou ansiosa que postes o primeiro capitulo!
O título cativou-me imenso!

AKIYAMA MIO ♥
#5
oi!

O resumo conseguiu mesmo captar a minha atençao!

espero pelo primeiro capitulo! Embaracoso

bjnhx
as minhas fic's:
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
-Angelical
Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^
#6
lulumoon escreveu:oi!

O resumo conseguiu mesmo captar a minha atençao!

espero pelo primeiro capitulo! Embaracoso

bjnhx

Também a minha... Razz
#7
Ola....

Achei pelo resumo que esta historia vai ser muito interessante......

Fico à espera do capitulo.....

Bjs

Receita de amor (Bunny/Gonçalo) Signpicky
Protegerei e lutarei por todos, nem que isso signifique a minha morte.......
#8
Espero nao desepecionar ninguem, porke a minha primeira fic (e tb porque como nao acho muitas fics em PT leio-as em BR e agora fikei com o terrivel habito de escrever vocêEmbarassed ) Peço vos que se virem algum erro para me avisarem).


CAPÍTULO I (1º parte)


Bunny Tsukino virou a direcção na rua larga e seguiu devagar, para chegar até a entrada da casa. Respirou fundo ao atingir os fundos da residência.
Embora costumasse visitar o tio Artemis e a tia Luna todo verão desde os dez anos até o último ano do colégio, surpreendeu-se com a sensação de familiaridade que a invadiu.
As lembranças dos tempos idos, de sentir-se sempre tão querida junto dos tios, ocorreram-lhe à memória. Um movimento à direita, contudo, chamou sua atenção, despertando-a dos devaneios. Devagar ela virou a cabeça e deparou com o vizinho de Luna, Gonçalo Chiba, que vinha andando na sua direcção. Alto e esbelto, Gonçalo estava descalço e vestia jeans. Pela marca de suor na camiseta, estivera a correr. Os seus olhos azuis não eram visíveis agora, mas Bunny sabia o que a aguardava. Sentiu o coração disparar com a aproximação daquele homem tempestuoso. Parecia uma adolescente, vendo-o aproximar-se.
Dando um profundo suspiro de resignação, ela desligou o motor e pôs o casaco sobre os ombros. Decidiu que deixaria para depois de um boa noite de sono, desfazer as malas. Ao descer do automóvel e andar pela primeira vez depois de horas, notou que suas costas doíam.

— Bunny? — ele chamou, chegando mais perto. — Cabeça de serradura, és tu?

Ela sentiu a pulsação disparar, a boca ficar seca e os nervos endurecerem. Apenas porque Gonçalo a olhava. Engoliu com dificuldade e acenou com a cabeça. Nada mudara em anos desde a última vez em que o vira. As velhas emoções ressurgiam com força total. Por um instante, Bunny desejou que ele a aprisionasse nos braços e a beijasse, com carinho. Esperara por aquela demonstração durante tanto tempo... Um sonho que nunca se tornara realidade.

— Bem, bem, pequena Bunny Tsukino, todos crescem e você ficou lindíssima... — Gonçalo cruzou os braços sobre o peito largo, recostando-se no capo. Observou as curvas femininas, e sem dúvida as aprovou.

Porém, ao perceber que havia um tom de troça nas palavras de dele, ela irritou-se e encarou-o com raiva. Não passaria por tola por causa dele outra vez.



— Bem, bem, Gonçalo Baka Chiba, você continua óbvio como sempre foi.

Um brilho divertido apareceu nos seus olhos azuis, quando encontraram os dela.

— Eu tento agradar, querida.

Ela podia apostar que Gonçalo agradava todas as mulheres que recebiam a sua atenção. Com 23 anos, ele era bonito o suficiente para causar suspiros. Certa ocasião, ela tentara tudo o que sabia para conquistá-lo, mas ele mostrara-se inacessível, porque não quisera envolver-se com uma garota tão jovem.

— Veio visitar seus tios, cabeça de serradura?

— O meu nome é Bunny, idiota, mas para ti é senhora Tsukino.

— Eu sei muito qual é o teu nome, mas acho que cabeça de serradura te fica melhor! Mas ainda não respondeste a minha pergunta.

— Sim, vi vê-los.

— Então sugiro que tome um banho e durma durante uma semana. A sua aparência está péssima.

— Obrigada, Gonçalo! – disse num tom sarcástico - É uma prazer ouvir palavras tão doces.

— Eu lido com factos.

— Desde que se ajustem ao cliente que está defendendo. De outra maneira, modifica-os até que sirvam a suas necessidades.

— Não mudo a verdade, cabeça de serradura, embora saiba como sugerir um jeito diferente de olhá-la.

— Certo. Já vou indo, baka. Como tu mesmo sugeristes, preciso de repouso. Até mais. — Dando-lhe as costas, Bunny começou a caminhar em direcção à residência.

— Vai ficar bastante tempo? — Gonçalo começou a segui-la. Bunny apenas fez um aceno vago e continuou, deixando-o para trás. Sob o tapete, encontrou a cópia da chave.

Ao entrar, esboçou um sorriso largo, contente por estar ali. Subiu rápido as escadas, entrou no quarto que sempre ficara reservado para ela e atirou-se no leito. Que bom que alguém arrumara a cama, aguardando sua chegada! Decerto fora a tia Luna, ou Joana, a sua prima. Respirou fundo, tirou as roupas com extrema rapidez e nem se preocupou em tomar um banho. Seria esforço demais para alguém tão esgotado. Fechou os olhos, adormeceu.



Uma voz familiar despertou Bunny, no dia seguinte:

— Bom dia, bela adormecida!

Erguendo um pouco as pálpebras, Bunny franziu a testa ao ver a prima parada à entrada. Joana sempre era alegre de manhã, uma coisa que Bunny nunca conseguia ser.

— Vá embora. — Puxou o travesseiro para cima da cabeça. Joana entrou, sem lhe dar ouvidos.

Ao sentir o aroma de café fresco, Bunny afastou um pouco o travesseiro e viu que a prima trazia uma bandeja, que colocou no criado-mudo.

— Posso desculpá-la se me der uma chávena fumegante.

Joana sentou-se na beira da cama, atendendo ao pedido de Bunny.

— Parecesses muito cansada. Quando chegaste? Esperei que me telefonasses. Não vim ontem porque não sabia que já estava aqui.

— Cheguei cansadíssima para fazer qualquer coisa que não fosse dormir. — ela recostou-se na cabeceira. Agarrou a chávena de porcelana chinesa, muito delicada. — Por que me acordaste tão cedo?

— Esperei até as dez!

— Já é tão tarde?

Bunny não dormia até aquele horário desde os dias de colégio, nesses dias ela chegava sempre atrasada a escola.

— Hum! Eu a perdoo por me arrancar de um sono tão bom. Está delicioso este café! Vejo que aprendes-te a cuidar das tuas “pacientes” – disse Bunny lembrando-se do dia em que ela tinha apanhado uma gripe e a prima tinha vindo cuidar dela, mas como era uma desajeitada, acabou por partir a janela com o termómetro e desarrumar a sala.

Joana achou graça.

Bunny mirou a prima. Joana era linda, sempre fora. Os seus cabelos loiros brilhavam à luz do sol, que caíam até ao fundo das costas. Ficava óptima mesmo sem um pingo de maquilhagem.

— Estás bem? — Joana inclinou a cabeça para trás para estudar Bunny.

— Sim. Mas tenho algumas perguntas a lhe fazer. Por que você está tão bonita, e eu continuo com esta aparência comum?

Joana riu. Era uma velha reclamação familiar.

— Bunny, Tu és bela, apenas não te empenhas em realçar essa beleza, como eu. Por um instante, observe a si mesma. Alguma pintura realçaria bastante os seus traços.

— Oh, eu sei... Já falamos sobre isso milhares de vezes. Diga-me, por que está aqui? Não têm nenhum emprego?

— Evidente que tenho. Mas hoje não irei trabalhar. Quero ficar contigo.
Bunny se espreguiçou.

— A viagem foi cansativa?

— Pode apostar. Vim de Nova York de avião até aqui quase sem parar. Queria chegar brevemente. — Bunny tomou um golo.

— E como estás? Imagino que não tenha sido fácil abandonar o emprego.

— Eu não abandonei, na verdade. Depois que a empresa foi vendida, foi apenas uma questão de tempo até todos serem demitidos. "Reestruturação" é o termo que eles usam.

— Mas tu eras tão dedicada...



— É verdade. Fui uma tola. Na hora de mandar você embora eles não reconhecem o esforço que você fez. Não compensou ter feito todas aquelas horas extras e todo o stress que eu passei. — Bunny suspirou. — Estou tão cansada que nem consigo pensar direito... Fiquei feliz quando a sua mãe me convidou para vir. Estou a precisar fazer uma pausa antes de decidir o que vou fazer da minha vida. Pelo menos eles foram generosos na indemnização, assim poderei sobreviver algum tempo sem trabalhar. Depois, vou tentar arrumar um emprego em Tokio. Ou voltar para Nova York... Tenho amigos lá.

— Também tem amigos aqui — lembrou Joana, com delicadeza. — E família.

— Sim — ela assentiu. Ficara empolgadíssima quando fora morar em Nova York, e apaixonara-se de imediato pela cidade.

— Oh, por falar em família, adivinhe o que descobri! Espere um minuto...
#9
Joana saiu correndo do quarto, e Bunny terminou de tomar o café antes de enfiar-se debaixo das cobertas. Sentia-se sem forças, e a energia da prima fazia com que se sentisse ainda mais abatida. Mas ela tinha certeza de que se recuperaria. Só precisava de algum tempo. E a ideia de passar o dia inteiro sem ter nada para fazer, só tomando sol, a agradava. Além do que, era bom sentir-se em casa. Os seus pais estavam passando o verão no Egipto. Nos últimos dois anos, havia ensinado numa universidade da Califórnia, e antes disso, haviam feito várias palestras em universidades espalhadas por todo o país. Bunny perguntava-se como era possível que a única filha de um casal de nómadas quisesse tanto ter um lar fixo e criar raízes permanentes. Às vezes, sentia-se mais ligada à sua tia do que aos próprios pais.

— Veja o que eu achei quando ajudei mamã a limpar o sótão! — Joana estendeu para ela um volume encadernado. — Não li muita coisa, mas a parte que eu li é engraçada.

Bunny pegou o livro e passou a ponta dos dedos pela capa de couro ainda macio, apesar de gasto.

— O que é isso?

— O diário de avó Selene, nossa bisavó. Ela começou a escrever no dia em que fez dezoito anos. Ganhou-o de presente do pai dela. Mamã disse que ela escreveu até o dia em que tio Shingo nasceu. Precisas de ler isto! Ela dá uma receita de como encontrar o marido perfeito.

— Uma receita?

— Uma receita! Ingredientes, conforme ela diz, para enfeitiçar um homem, atrair o interesse dele e segurá-lo. É uma coisa tão antiga, Bunn, tens de ver! Aproveita os teus dias de folga para ler. Aposto que vai deixar-te mais animada. Depois eu termino de ler. Lembras-te dela?

— Vagamente. Eu tinha dez anos quando ela morreu. Foi quando eu vim passar as férias aqui pela primeira vez. — Bunny franziu a testa. — Ela era muito velha?

— Acho que tinha noventa e poucos anos. Este livro é uma relíquia!

— Até onde lês-te? — quis saber Bunny, abrindo o diário na primeira página. Aquilo fora escrito pela sua bisavó, era uma parte da história da família que ela nunca imaginara conhecer.

Ela começou a ler o primeiro parágrafo, escrito numa caligrafia bonita e perfeita.

— Li apenas o começo. Mas deixa para ler quando estiveres sozinha. Vim aqui para te ver. O que queres fazer hoje? Pensei em irmos ao clube de campo e almoçar por lá. Eles têm um bufe de saladas maravilhoso. E podemos apanhar um pouco de sol à beira da piscina. Estou com vontade de aproveitar ao máximo o meu dia de folga.

— Para mim, parece uma óptima ideia — disse Bunny, contente por ter alguém tomando as decisões por ela. Fazia tanto tempo que vivia sozinha que era bom sentir-se apaparicada.

— Acho que estou apaixonada — declarou Joana, abruptamente.

— Outra vez? — perguntou Bunny, surpresa. Cada vez que via a prima, ela estava apaixonada por alguém. As paixões dela duravam no máximo dois meses. Com 19 de idade, ela ainda não encontrara a pessoa certa. Assim como ela própria, reflectiu, melancólica. Mas sempre que conhecia alguém, não conseguia deixar de fazer comparações com o Gonçalo Chiba. Para ela, ele era o homem ideal, e ela nunca conhecera outro que se igualasse a ele.

— Sabes como é, a primavera aos 19 anos. AHHHHHHHH
— Quem é o felizardo, desta vez? — perguntou Bunny, afastando as cobertas e levantando-se.

— É um amigo de Gonçalo. Veio morar aqui por recomendação dele. Chama-se Mário, e trabalha num um salão de jogos com um bar, a Game Center, que abriu a pouco tempo.

Bunny olhou para a prima, surpresa.

— Trabalha num um salão de jogos? Mas tu não gostavas de homens mais sofisticados...

— É a profissão dele, Bunn. Eu não tenho nada a ver com isso. Mas ele é maravilhoso... É divertido, tem uma conversa interessante...

— Quantos anos?

— Deve ter a mesma idade de o Gonçalo, porque se conheceram na universidade.

— E não se casou até agora?

— Qual é o problema? — Joana arqueou as sobrancelhas. — Eu também não me casei até agora, nem tu.

— Mas nós ainda não temos 20 é tal anos.

— Não por muito tempo, e além disso, os homens de Hoje, casam-se cada vez mais tarde.

— Tudo bem, mas o que estou a dizer é que ainda somos jovens. O Gonçako tem 23 anos.

— E isso é ser velho? Apenas 4 anos a mais que nós. E talvez o Mário ainda não tenha encontrado a pessoa certa, e espero que essa pessoa seja eu. Só porque um homem não se casou até os 20 e poucos anos não significa que nunca vá se casar. Gonçalo também ainda pode encontrar uma mulher que lhe derrube as defesas.
#10
cá estou eu mais uma vez maravilhada com a historia!

adorei o primeiro capitulo!

estou ansiosa pela continuaçao!

se a receita do amor for boa vou segui-la! lool

bjokas
as minhas fic's:
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
-Angelical
Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^
#11
Eu concordo com a Joana!! Apenas 4 anos mais velho, nao eh impedimento!! :Brincalhao:

A história estah msmo gira... Continua!! Very Happy
#12
Está muito gira parabéns só tenho uma anotação: cuidado com os tempos dos verbos e alguns erros que encontrei. Tipo se escreves no passado escreve o resto no passado ok? continua assim está muito boa a fanfic

http://yunime.ativoforum.com/
Aparece e diverte-te ^^
Novas novidades irão aparecer fica atento :) 
#13
babyv004, quando puderes posta mais +.+
tou curiosa... Embarassed
#14
obrigada pelo vosso apoio.

Vou por a 2º parte do capitulo 1

Capitulo 1 (2º parte)


Bunny olhou pela janela. Houvera um tempo em que desejara ardentemente ser essa mulher. Mas ela amadurecera nos últimos anos, e os acontecimentos dos últimos meses haviam-na ensinado que era inútil nadar contra a maré. Ela aprendera a parar de bater a cabeça contra barreiras invisíveis, aprendera a ser prática e realista. Olhou para a prima e sorriu.

— Estou feliz por ti, Joana. Quando me vai apresentá-lo?

— No fim-de-semana, com certeza. Vou convidar vocês os dois para jantar em casa, ou podemos ir a algum lugar. Agora, vista-se, porque teremos um dia cheio!

O sol começava a pôr-se quando Joana a deixou em casa. O almoço no clube de campo fora agradável. Bunny revira alguns amigos, e havia combinado um encontro com um deles. Depois, Joana levara-a ao novo shopping center e insistira para que comprasse algumas roupas novas.
Bunny sentia-se grata pelo estímulo que a prima lhe dera. Os dois vestidos de verão que ela comprara eram bem diferentes das roupas rígidas que ela usava para trabalhar, e não via a hora de usá-los.


— Bunn?

Ela virou-se, com um ligeiro sobressalto, ao ouvir a voz de Gonçalo. Por que ele tinha aquele efeito sobre ela? Por que seus joelhos perdiam a força, as mãos ficavam húmidas, a boca seca? Gonçalo devia ter acabado de chegar do trabalho. Ainda estava de terno, e a camisa imaculadamente branca realçava o tom bronzeado de sua pele. O verão ainda nem começara e ele já estava bronzeado. Perto dele, ela parecia anémica, pensou. Mas alguns dias de exposição ao sol mudariam isso.

— Olá, Gonçalo — ela murmurou, aparentando uma calma que não sentia.

O terno preto favorecia a silhueta alta e esbelta dele e parecia tornar ainda mais profundo o tom azulado dos seus olhos. Ele a fitou intensamente e ela baixou o olhar, como uma adolescente tímida.

— Fugiu-te depressa, ontem à noite — ele provocou, aproximando -se.

— Eu estava cansada. A viagem foi longa.

— Ainda está abatida. — Harry fez uma pausa. — As coisas não têm estado fáceis?

— Já estiveram melhores.

Bunny desviou o olhar, dizendo para si mesma que não podia reagir daquela maneira à proximidade dele. Já não desistira dele, tempos atrás? Seria infantilidade interpretar o gesto amável dele como algo além de amizade. Afinal, fazia anos que Gonçalo, o irmão e o pai eram vizinhos dos seus tios. Quando o pai dele se aposentara e se mudara para a Florida, Gonçalo comprara a parte do pai e do irmão. A sua tia Luna não deixava de mantê-la informada sobre os acontecimentos em tokio. Com excepção dos anos que passara fora, quando frequentara a faculdade de direito, aquele fora o único lar dele. Ele possuía as raízes que Bunny tanto desejava ter.
Mas não era esse fato que a deixava tão consciente dele. Era ele próprio, o homem moreno, alto e atraente, cujos olhos pareciam ver até a alma. A simpatia dele a cativara quando ela era menina, a autoconfiança que ele demonstrava sempre a fizera sentir-se tímida e insegura.

Quando era adolescente, Bunny tentara de todas as maneiras atrair a atenção dele, com a esperança de que ele se interessasse por ela e quisesse namorá-la. Tentara até fazer com que ele a beijasse, certa vez, fracassando completamente, saindo humilhada da experiência. Gonçalo parecia considerá-la jovem demais, e tratava-a de maneira arrogante. Depois, quando ela se tornara adulta, ele mantivera uma atitude distante, não dando oportunidades de uma aproximação maior.

— Cansou-se de Nova York?


Ela sorriu.

— Isso é algo improvável de acontecer. — Ela balançou a cabeça. — Estou de férias. Ficarei alguns dias aqui. – Ela deu um passo para trás. — A gente se vê.

Com estas palavras, acenou e virou-se, começando a caminhar na direcção da casa. Não dera dez passos quando a voz dele novamente a fez sobressaltar-se.

— Se precisar de alguma coisa, me avise!


Ela olhou para trás, sem parar de andar.

— Obrigada, Gonçalo. Mas a Joana está por aqui, e conheço bem as redondezas.

Ele ficou parado, com as mãos nos bolsos, o olhar fixo em nela. Ela não pôde deixar de notar, pela segunda vez, como a camisa branca contrastava com a pele morena. Quanto tempo, ele passava ao ar livre, para já estar assim bronzeado? Afinal, tinha o seu trabalho, no escritório de advocacia e no tribunal, não devia ter muito tempo livre para o lazer.
Bunny perguntou-se como ele estaria se saindo, profissionalmente. Sabia que o desempenho dele no tribunal era fantástico. No início da carreira dele, ela fora assistir a uma sessão. Com os anos de experiência, com certeza sua habilidade se aperfeiçoara.

— Faz algum tempo que não vens para cá. As coisas mudam.

— Estive aqui há um ano e meio, no Natal — observou Bunny, percebendo que Gonçalo falava com ela como se estivesse interrogando uma testemunha. — Bem... preciso ir. Estas sacolas estão ficando pesadas.

Ela virou-se e subiu, apressada, os degraus para a varanda.



Gonçalo viu-a afastar-se e permaneceu mais algum tempo parado, pensativo. Alguma coisa estava errada. Ele não sabia definir o que era, mas havia algo incomodando-o. Subitamente, ele percebeu o que era, o que estava diferente. Bunny não tentara seduzi-lo. Desde que a conhecia, ela fazia o que podia para atrair sua atenção.
O que causara aquela mudança? A atitude dela era fraterna, mas diferente do que sempre fora. Ela parecia distante, aérea. Teria finalmente superado a paixoneta que sentia por ele?
A persistência dela chegara a ser embaraçosa, quando eles eram mais jovens. Depois, na época da faculdade, fora divertida. Mais tarde, tornara-se irritante. E ele deixara isso claro. Talvez a reprimenda houvesse surtido efeito.
Ele não tinha tempo para perder com uma adolescente deslumbrada. Não pretendia repetir os mesmos erros que o pai cometera. A sua mãe quisera separar-se e fora embora para Nova Zelândia. E, depois de Rita, Gonçalo passara a ver as mulheres com certa desconfiança. Talvez o seu pai tivesse razão, não se podia confiar nas mulheres. Era mais sensato ficar sozinho.

Apesar de tudo, embora não quisesse ter um envolvimento com Bunny nem com nenhuma outra mulher, não podia deixar de sentir que alguma coisa estava faltando. Estava tão acostumado com a adoração dela que agora sentia falta.
Gonçalo atravessou o jardim e entrou em casa, ansioso para trocar o terno por uma roupa confortável. Quanto tempo Bunny ficaria na casa da tia? O suficiente para que pudessem se ver algumas vezes e conversar? Quem sabe, agora, ele poderia ter com Bunny um relacionamento descontraído e amigável como tinha com Joana?
Depois de livrar-se do terno e vestir uma bermuda e uma camisa, ele voltou para o andar térreo. Sua casa era idêntica à vizinha, ambas com dois andares, pé-direito alto e cómodos amplos. Ele fizera alguns melhoramentos, depois que do seu pai se mudar. A mobília sólida e antiga estava ali desde que ele podia se lembrar, e fora comprada visando mais o conforto do que a estética. A mulher da limpeza vinha uma vez por semana, o que era mais do que suficiente.

Gonçalo foi buscar uma cerveja ao frigorífico e olhou pela janela da cozinha, de onde podia ver o quintal dos fundos da casa dos Tsukino. Estava deserto. Talvez Bunny estivesse preparando o jantar. Subitamente ocorreu-lhe que talvez fosse uma boa ideia convidá-la para jantar no fim-de-semana. Poderiam ir à churrascaria preferida dele e aproveitar para conversar. Ele estava interessado em saber o que ela andava a fazer, como era sua vida em Nova York.

Num impulso, pegou o telefone e marcou o número do telefone dos Tsukino.

Bunny respondeu ao segundo toque.

— Olá, Bunny. Pensei em convidá-la para jantar, no sábado — começou ele, sem preâmbulos. Sabia que existia o risco de ela interpretar o convite como interesse de sua parte, mas trataria de deixar claras suas intenções desde o princípio.

— Obrigada, Gonçalo, mas já tenho compromisso.

Surpreso, ele deu-se conta de que esperava uma reacção diferente.

— E sexta-feira?

— Amanhã?

— Sim.

— Também não posso, Gonçalo, vou jantar fora. Talvez, num outro dia. Opa... preciso desligar, o forno está apitando! Tchau!
#15
Gonçalo olhou para o receptor antes de recolocá-lo no gancho. Nunca imaginara que ela recusasse um convite seu para sair. Se ainda tinha alguma dúvida de que a paixão dela por ele esmorecera, agora tinha uma prova concreta.

De repente, sentiu-se desafiado. Uma das facetas de ser um advogado bem-sucedido era questionar as coisas até compreender cada aspecto de um problema. O comportamento dela era totalmente diferente daquele que ele esperava. Gonçalo estava intrigado, queria saber por quê. Queria saber mais sobre ela. A perseverança era outra qualidade de um bom advogado. Ele tentaria novamente. Não era possível que Bunny tivesse marcado um compromisso para todos os dias. Ela acabara de chegar... No dia seguinte, ele telefonaria de novo, e marcaria um encontro.

O relógio acima da lareira bateu nove horas quando Bunny subiu para o quarto. Ainda não totalmente recuperada do cansaço dos últimos dias, queria dormir cedo. A companhia de Joana ajudara-a a sentir-se mais animada, e o seu entusiasmo revigorou-se quando avistou o diário sobre a mesa-de-cabeceira. Enfiando-se debaixo das cobertas, ela pegou o diário e abriu-o, com uma sensação de expectativa e aventura que havia muito tempo que não experimentava.

Em poucos segundos, estava totalmente envolvida na leitura. A sua bisavó descrevia detalhadamente sua vida, pais e irmãos, com tanta vivacidade que Bunny tinha a impressão de os estar conhecendo pessoalmente.

Em certo ponto, o tom modificou-se um pouco. Selene escrevera:

“Fazer dezoito anos é um marco na vida de uma pessoa. Logo terei de encontrar um rapaz para me casar e ser a dona de casa que fui educada para ser. Diana Blaine ainda nem completou dezassete anos e já ficou noiva. Sei que meu futuro marido está em algum lugar, e cabe a mim encontrá-lo. Já perguntei a minha mãe e às minhas tias sobre isso, pois quero o melhor para mim. Elas me deram alguns conselhos, e eu acabei decidindo criar uma receita para encontrar o par ideal, para um casamento perfeito.”

— Bem avó Selene, espero que a sua receita funcione — Hermione murmurou, com um suspiro. — Se a senhora achava que com dezoito anos já devia se casar, imagine a mim, com 19! E sem nenhum pretendente à vista!

“A primeira coisa, que sempre se deve lembrar, é que um homem gosta de conquistar. Tome cuidado apenas para não ser tão difícil que ele acabe desistindo. Um olhar, de vez em quando, para ele, é permitido, mas numa época como esta, de total perversão, um pouco de timidez e recato são recomendáveis. Eu nunca seria atrevida a ponto de tomar a iniciativa de falar com um rapaz, nem de demonstrar através do meu comportamento que estou interessada nele. Ele é que terá de me procurar, foi o que tia Carolina disse. Portanto, tenho de ser a presa e deixar que ele me persiga. Por outro lado, é necessário mostrar um pouco de interesse, para que ele se decida a aproximar-se. Será que Safira reparou em mim? Acho que seria bom, no domingo, na igreja, eu passar por ele e fazer de conta que não o vi, até ele me notar. Será que vai funcionar?”

Bunny folheou as páginas seguintes até chegar ao domingo. Estava totalmente envolvida, ansiosa para saber o resultado da receita da bisavó. Não sabia o nome do seu bisavô. Nunca ninguém o mencionara. Ela queria saber se a estratégia funcionara ou não, com Safira.

“Safira falou comigo hoje, depois da missa. Eu não demonstrei nada, disse a ele que precisava ajudar mamã a preparar o almoço. Não fui descortês, jamais seria, mas continuei andando enquanto falava com ele, e dei a impressão de não estar prestando muita atenção ao que ele dizia. Foi a coisa mais certa que eu poderia ter feito. Ele me acompanhou até a porta de casa! Foi a primeira vez que ele fez isso. Acho que tia Carolina tem razão. Preciso deixar que ele me persiga. O segredo é não correr mais do que ele, senão ele não me alcançará.”

Bunny balançou a cabeça e sorriu. Como as coisas haviam mudado! Se a sua bisavó achava que os anos vinte haviam sido uma época de perversidade, ela teria um ataque se pudesse presenciar os tempos actuais! Subitamente, um pensamento ocorreu-lhe. Gonçalo a procurara quando ela parara de demonstrar interesse. Por alguns momentos, ela fixou, sem distinguir, um ponto na parede a sua frente, recordando os acontecimentos daquela tarde. Estava exausta quando chegara em casa, ansiosa para ver-se livre das sacolas. Não estava com disposição para conversar. Gonçalo ainda estava falando com ela, e ela começara a se afastar. Nunca tivera tal atitude com ele antes.
E, pela primeira vez desde que ela o conhecia, ele a procurara. Chegara até mesmo a telefonar, convidando-a para jantar. E ela recusara!
Bunny não pensara mais no assunto, mas agora... Ela se concentrou novamente no diário e releu a passagem. Haveria fundamento naquele ingrediente de sua bisavó para atrair um homem? Talvez valesse a pena seguir a receita para ver o que aconteceria...

Ela decidiu que leria o diário inteiro. Além dos conselhos úteis que continha, seria uma boa distracção para passar o tempo. Bocejando, ela apagou a luz e fechou os olhos, com um sorriso nos lábios, planejando mentalmente o que fazer para prender um homem que normalmente nem se lembrava que ela existia. Naquela tarde, ele dera um sinal evidente de que reparara nela. E Bunny estava curiosa para saber se, mostrando indiferença, conseguiria fazer com que ele a olhasse com outros olhos.Que mal havia nisso? - ela reflectiu, sentindo o sono tomar conta. No dia seguinte ela poria seu plano em acção. Seria uma campanha. Uma campanha em busca do namorado perfeito, assim como uma campanha beneficente, ou eleitoral. Nada era decidido com base em uma única estratégia, era preciso analisar vários aspectos para calcular os riscos e chances de sucesso. O problema era, como ela poderia testar essa premissa?
#16
Uau adorei o capitulo, gostei mesmo muito...cada vez esta história me interessa mais..continua...
Fico a espera do próximo capitulo anciosamente.
#17
Yei yei!!
A história está mais interessante que nunca!! Razz
O Gonçalo vai ficar caidinho! Smile
Estás a ir muito bem!! Continua depressa!!
#18
Estou adorar a historia.....

Estou ansiosa por saber o que vai acontecer a seguir.......

Fico à espera do proximo capitulo.....

Bjs

Receita de amor (Bunny/Gonçalo) Signpicky
Protegerei e lutarei por todos, nem que isso signifique a minha morte.......
#20
tem calma isso leva o seu tempo! devido ao facto de ter havido uma enchente de fanfics de repente em que algumas não têm nem se quer qualidade pa serem lidas muitos deixaram de ler. Mas não te deixes abater porque aqueles que lêem a tua fanfic são aqueles te dão valor à tua escrita. Olha eu também não tenho muitos comentários na minha fanfic mas aqueles que comentam são aqueles que dão mais força para escrever porque escrevo apenas para esses e dá-me gozo escrever para as pessoas que me elogiam por cada capítulo postado.
Não desistas só porque poucos comentam. Os que comentam são poucos mas bons...
Adoro a tua escrita, a tua descrições... denoto apenas alguns erros de sintaxe e de concordância de verbos e sujeitos mas isso todos cometem. Parabéns continua!

http://yunime.ativoforum.com/
Aparece e diverte-te ^^
Novas novidades irão aparecer fica atento :) 

Tens de entrar para responderes neste tópico.

  • 3.603 tópicos
  • 188.722 mensagens
  • 1.339 membros
  • último membro: Arza77