Receita de amor (Bunny/Gonçalo)
capitulo III - 1º parte
“Uma moça deve estar sempre impecável, asseada e bem arrumada. Deve ser feminina, nunca comportar-se como uma Maria rapaz. — Diário de Selene, Primavera de 1923”
Bunny releu as duas últimas frases, franzindo a testa. Estava cansada, já deveria estar a dormir há horas, mas não conseguia parar de ler. A bisavó falava sobre os conselhos da mãe dela de vestir-se de maneira feminina em vez de adoptar as calças compridas que começavam a ser lançadas pela moda.
“A Mamã fica chocada com as moças que vão à cidade, usando calça comprida. Eu acho chique calças compridas, mas mamã nunca me vai deixar usar. Preciso de fazer alguma coisa para atrair a atenção de Safira. Acho que vou mandar fazer dois vestidos novos. Com muitas rendas, bem femininos. Já que não posso estar na última moda, pelo menos vou ficar bem feminina. Talvez isso faça com que Safira sinta a sua masculinidade despertada.”
Bunny riu baixinho e fechou o diário. Estava curiosa para saber se a feminilidade de Selene despertara a masculinidade de Safira, mas isto teria de ficar para o dia seguinte. As palavras começavam a embaralhar diante de seus olhos.
Ela ajeitou a cabeça entre os travesseiros e apagou a luz. Como as coisas eram diferentes na época de sua bisavó! As pessoas ficavam chocadas ao ver uma mulher usar calça comprida. Ela passava semanas sem usar saia ou vestido! O que diria sua tretravó...
Logo antes de adormecer, no entanto, Bunny perguntou-se se as roupas mais femininas de facto não criariam um impacto maior sobre os homens.
Na manhã seguinte, enquanto tomava café, Bunny decidiu que sairia para fazer algumas compras. Estava de férias, era verão, e ela queria comprar mais algumas roupas leves. Seguiria o conselho da sua bisavó e compraria algumas peças bem femininas. Escolheria algo especialmente para sair com Seiya. Se bem que não era em Seiya que ela estava a pensar... Que chatice. Não conseguia esquecer aquele beijo!
Depois de folhear o jornal, ela subiu para vestir-se, dizendo a si mesma que era inútil continuar a pensar no Gonçalo. Ele era um sonho impossível. Mas não faria mal algum pensar no que poderia agradá-lo, quando estivesse a escolher as suas roupas. Afinal, ele era um homem. Se comprasse algo de que ele provavelmente gostaria, outros também poderiam aprovar.
Quando Seiya tocou a campainha, naquela noite, Bunny já trocara inumeráveis vezes de roupa. De manhã, pedira á Joana que a acompanhasse para fazer compras. Quando contara à prima o que tinha em mente, esta rira, mas ajudara-a a escolher as roupas com entusiasmo.
Voltou para casa com dois novos vestidos, duas saias e três blusas, além de cosméticos e maquilhagem, e um novo corte de cabelo.
Agora, ao atravessar o hall para abrir a porta ao Seiya, ela não tinha a certeza se fizera a coisa certa. Quando arranjasse um emprego e voltasse à rotina, aquelas roupas ficariam no fundo do guarda-roupa.
De qualquer forma, Bunny estava sentindo-se bem com o vestido de gola alta, que lhe deixava os ombros à mostra. Naqueles poucos dias ela já adquirira um tom bronzeado e uma aparência mais saudável. O corte justo da parte superior realçava sua silhueta esguia, e a saia tinha um caimento gracioso, fazendo-a sentir-se incrivelmente feminina. Além disso o tom rosa contrastava de maneira perfeita com a pele bronzeada, O corte levemente repicado, com as pontas aparadas, suavizava-lhe as feições, e ela seguira o conselho de Joana e aplicara uma maquilhagem leve nos olhos.
— Olá, Seiya — cumprimentou, ao abrir a porta.
Ele era alto, tinha ombros largos e cabelos pretos, compridos, atados num rabo-de-cavalo. O sorriso simpático, no entanto, não fazia o coração dela bater mais rápido. Ela sorriu e saiu, fechando a porta atrás de si. Por que não se sentia atraída por Seiya, em vez de Gonçalo? Conhecia-o desde que eram adolescentes. Encontrava-o todas as vezes que vinha passar férias na casa da tia, no entanto nunca haviam explodido faíscas entre eles. Eram muito amigos, mas nada além disso.
Não que houvessem explodido faíscas entre Bunny e os rapazes com quem ela saíra em Nova York, tampouco. O único homem que a abalava era inatingível. Já era hora de esquecer Gonçalo Chiba e olhar para outros homens com outros olhos.
— Que bom ver-te, Seiya — disse Gonçalo, parado na calçada, ao lado do carro de Seiya. O olhar dele fixou-se em Bunny enquanto os dois desciam os degraus largos até a calçada, e ela notou que ele franzia ligeiramente a testa enquanto a observava da cabeça aos pés. — Como vai, odango-atama?
— Bem, obrigada, Gonçalo Baka.
Ela ruborizou, sentindo-se culpada como uma criança apanhada com um chocolate, depois de ter sido discreta para não o comer. Depois respirou fundo. Não tinha que se sentir culpada. Era livre para sair com quem bem entendesse. E, segundo os conselhos que lera no diário da bisavó, talvez causasse efeito no Gonçalo vê-la sair com outro rapaz. Só porque ele nunca se interessara por ela, não significava que outros não se interessassem. Mesmo assim, ela se sentia estranha e pouco à vontade.
— Como vão as coisas, Gonçalo? — Seiya estendeu a mão para ele.
— Não me posso queixar. E contigo?
— Também. Estamos a pensar expandir a loja.
Seiya e o pai eram sócios numa loja especializada em computadores, que começara, anos atrás, a vender videogames e jogos. Gonçalo costumava passar horas lá, quando era adolescente.
— Que maravilha! — ele exclamou, com um sorriso largo. — Parabéns.
— Obrigado.
— Vão sair? — Gonçalo olhou para Bunny, ao fazer a pergunta. Ela assentiu com um movimento da cabeça, porém foi Seiya quem respondeu.
— Encontramo-nos no clube de campo, no almoço, há uns dias atrás. Vamos experimentar o restaurante novo, hoje à noite, o Tarheel Tavern.
— Divirtam-se — ele murmurou, afastando-se do carro, para que Seiya abrisse a porta.
Bunny sentiu o olhar de Gonçalo em cima de si o tempo todo, enquanto entrava no carro, até Seiya dar partida, engatar a marcha e arrancar. Assim que o carro fez a curva e desapareceu de vista, ela suspirou e virou-se para Seiya. Precisava de se livrar o quanto antes daquela obsessão por Gonçalo. Seiya era um rapaz simpático e atencioso, e convidara-a para jantar. Ela lhe dedicaria toda a atenção, naquela noite.
Bunny estava exausta quando se foi deitar, horas mais tarde. Pegou o diário e abriu-o, duvidando que conseguisse manter os olhos abertos. Leria umas duas páginas antes de dormir, só para relaxar.
A noite parecera-lhe interminável. Seiya falara o tempo inteiro sobre a loja e sobre o que fizera desde a última vez que Bunny estivera em West Bend. Não que ela não estivesse interessada, mas ele poderia ter resumido a narrativa em cerca de noventa por cento.
A amizade que haviam compartilhado quando eram estudantes e jogavam ténis juntos parecia não existir mais. O tempo custara a passar, e Bunny não via a hora de voltar para casa.
O toque do telefone interrompeu o devaneio de Bunny, e ela sentou-se na cama, sobressaltada. Telefonemas a noite geralmente significavam más notícias. Ela afastou as mantas e saltou para fora da cama, esquecendo o cansaço. Esperava que não tivesse acontecido nada com os seus pais. Talvez eles tivessem apenas se esquecido da diferença de fuso horário...
— Alô? — ela atendeu, sem fôlego.
— Gostou do jantar?
Durante um segundo, ela ficou paralisada.
— Gonçalo? — ela murmurou, incrédula, e ao mesmo tempo aliviada. Encostou-se à parede e escorregou lentamente até sentar-se na carpete. — Sabias que já é quase meia-noite?
— Sim. Acaba-te de chegar. Vocês demoraram... Quanto tempo levaram para jantar?
— Como sabes que eu acabei de chegar? Estás a espiar-me?
— Claro que não. Vi o carro do Seiya, só isso.
— Mas estavas espiando pela janela?
— Ouvi um carro a chegar e, como vizinho íntegro que sou, fui verificar quem era.
— Hum... Vizinhança solidária em West Bend... – disse ela num tom sarcástico.
— Divertiu-se?
— Muito — Bunny declarou, desafiadora. Jamais admitiria para Gonçalo que a noite lhe parecera nunca mais acabar.
— Gostei muito do seu vestido. Acho que nunca tinha te visto usando um vestido, antes.
Bunny sorriu, maravilhada. Não imaginara que ele tivesse notado. Ele parecera mais interessado em conversar com Seiya do que com ela.
— É claro que já me viste usar vestido.
— Talvez há muito tempo... mas não tão belo como o que estavas a usar hoje.
Ela ia dizer que havia comprado o vestido naquele dia, porém mudou de ideia.
— Gosto de roupas bem femininas — falou, agradecendo intimamente por ter lido aquela parte do diário da avó.
— Eu também, querida.
Querida? Bunny prendeu a respiração, Gonçalo nunca a chamara de "querida" antes! O que estava acontecendo?
— Mudou de ideia sobre sair comigo amanhã? — ele perguntou.
“Deixe-o pensar que está ocupada e que vai tentar arranjar tempo para vê-lo...” Bunny lembrou-se do conselho da avó. Mas ela queria sair com ele. Até que ponto valia a pena fazer tanto sacrifício? A avó também aconselhava a não se fazer de difícil demais...
— Eu... preciso de ver.
— O quê?
— Tenho coisas para fazer.
— Por exemplo?
— Não estou no banco das testemunhas, baka. Para de me interrogar.
Ele riu baixinho.
— Eu paro se me disseres que vais sair comigo amanhã. Podemos passear no rio, depois jantar no clube. O bufe aos domingos é maravilhoso, e têm música ao vivo, para dançar.
— Hum... Está bem, convenceste-me. Se eu conseguir desfazer meus planos, irei contigo.
— Ufa! Até que enfim! — brincou. — Está pronta para ir para a cama?
— Estou.
— Posso imaginar o que está a usar para dormir, depois do vestido que usas-te hoje.Ela olhou para as calças do pijama surrada e a camiseta velha, três números acima do seu tamanho. Quanto tempo fazia que ela não usava algo feminino e sensual para dormir? Ela não se lembrava.
— Bunny?
— O que estou a usar para dormir é um assunto demasiado pessoal para discutir contigo, não achas? Afinal, nós não somos tão íntimos assim. Boa noite, Gonçalo baka.
Ela desligou e recostou a cabeça na parede, reflectindo tudo que desejava ter e não tinha. Durante anos o desejara, e também que ele se interessasse por ela. Desejava ter um corpo escultural, que deixasse os homens enlouquecidos, queria ter ânimo para usar lingeries sensuais e um emprego gratificante... Mas não tinha nada disso.
O telefone tocou novamente, porém ela ignorou. Levantou-se, apagou a luz e voltou para o quarto. Continuaria a ler o diário no dia seguinte. Naquele momento, tudo o que queria era dormir e afasta-lo do pensamento. Gostaria que fosse possível acabar com a atracção que sentia por ele simplesmente desligando um botão.
O silêncio que reinou na casa quando o telefone parou de tocar trouxe um grande alívio. Porém um longo tempo se passou antes que ela conseguisse adormecer.
— M**** — Gonçalo praguejou baixinho e espancou o telefone no gancho.
Não acreditava que ela o tivesse dispensado daquela forma. Primeiro, desligava o telefone na cara dele, depois não atendia. Ele caminhou até a janela e olhou para a casa vizinha. A luz no quarto dela estava apagada. O que estava acontecendo com aquela rapariga? Bunny, que sempre fora apaixonada por ele, sempre fizera o possível e o impossível para chamar sua atenção, agora o evitava o quanto podia.
Gonçalo esfregou a nuca. Tudo indicava que a paixão dela por ele acabara. E, se fosse honesto consigo mesmo, admitiria que isso o incomodava. No fundo, sentia falta da perseguição dela, dos olhares deslumbrados, da empolgação que percebia nela toda vez que o via.
este capitulo esta muito bom continua
.o:
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a minha primeira fic "AS FILHAS DA LUA"passem na minha fic e comentem XD

Traços do destino
visitem o meu forum http://eterna-sailor-moon4.forumeiros.com/forum.htm

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Está um capitulo altamente.....
Isto está cada vez mais emocionante.....
Adorava ter visto a cara do Gonçalo ao ver a Bunny vestida daquela forma.....e ainda por cima a sair com o Seya.....ele devia estar a roer se por dentro......
E quando ele disse que podia imaginar que o que a Bunny estava a usar para dormir.....simplesmente lindo.....
Parece que os conselhos da Avó Selene estao a dar frutos.....
Fico à espera do proximo capitulo....

Bjs
Isto está cada vez mais emocionante.....
Adorava ter visto a cara do Gonçalo ao ver a Bunny vestida daquela forma.....e ainda por cima a sair com o Seya.....ele devia estar a roer se por dentro......
E quando ele disse que podia imaginar que o que a Bunny estava a usar para dormir.....simplesmente lindo.....
Parece que os conselhos da Avó Selene estao a dar frutos.....
Fico à espera do proximo capitulo....

Bjs
Protegerei e lutarei por todos, nem que isso signifique a minha morte.......
Monica - obrigada pelo apoio. ainda bem k gostas t.
picky - eu tb gostava de ter visto a cara dele ao ve-la com akelas roupas. Ele foi 1 pouco pervertido e axo k merceu akela resposta.
Lena_Dias - ainda nao sei kando irei por o 4 capitulo. mas espero k seja em breve.
atalantaV - Ainda bem k gostas t, pois eu sou pessima a portugues. Ainda nao sei como é k eu tive tantas ideias (deve ser por ler tantos livros, ate porke este é baseado num).
pmpm65 - Brigada. Espero tb surprender-te nesta segunda parte.
LunaR - Pois eu desta vez demorei bues pa por o 3 capitulo. Eu tb custosmo guardar oa fanfics k gosto no Word. Tenho um pasta so dedicada as fanfics do Harry potter, sailor Moon, Sakura card captor e Rurouni Kenshin.
Obrigada a todos! bjs
No dia seguinte, ele arranjaria uma forma para que ela cumprisse a promessa e saísse com ele. Se arranjara tempo para sair com Seiya, tinha de arranjar também para sair com ele.
Pelo menos, ela e Seiya não se haviam demorado nas despedidas. Embora tivessem ficado fora tempo demais, só para jantar. Teria acontecido algo mais? Ele não achava que Bunny fosse o tipo de rapariga que iria para a cama com um homem no primeiro encontro. Mas, afinal, até que ponto a conhecia? Nunca trocara mais do que algumas palavras com ela, e agora ela era uma mulher adulta e independente.
Gonçalo sentiu um desconforto inexplicável ao imaginar que Seiya e Bunny se poderiam ter-se beijado. Lembrava-se da doçura do beijo que trocara com ela no jardim e não queria que nenhum outro homem a tocasse daquela forma. Por quê, ele não sabia.
— Como foi, ontem, com Seiya? — quis saber Joana, quando Bunny entrou no carro para irem à igreja.
— Foi agradável. Vamos jogar ténis no clube, na próxima semana. — ela tentou demonstrar entusiasmo.
— Bem, Seiya é fanático por ténis. Aliás, vocês sempre jogavam juntos.
— Isso foi há muito tempo. Não jogo desde que fui para Nova York. Devo estar fora de forma.
— Esse vestido ficou óptimo em você — Joana elogiou.
— Acha adequado para ir à igreja?
— Por que não? É adequado para qualquer ocasião.
O vestido era fresco e confortável. O corpete azul justo com alças largas amoldava-se ao corpo com perfeição, e a saia estampada em azul e creme movia-se graciosamente conforme ela andava. Com Bunny sentada no carro, ela cobria-lhe os joelhos, parecendo uma nuvem a sua volta.
— E combinou perfeitamente com essas sandálias — Joana observou. — E então, está se sentindo mais feminina, agora? O que mais lês-te no diário?
— Ontem à noite eu estava cansada demais para ler. Cheguei tarde em casa.
Bunny achou desnecessário contar à prima sobre o telefonema de Gonçalo. Não era importante.
Quando Joana estacionou em frente à ampla construção de tijolo marrom, Bunny olhou em redor. Reconheceu várias pessoas nos grupos que conversavam no jardim, antes de o devoção começar.
— Olhe, está ali o Mário — disse Joana, pegando a bolsa no banco de trás. — Conversando com Gonçalo! Que interessante, fazia tempo que ele não vinha à igreja. Por que será que ele veio, hoje?
O coração de Bunny disparou, apesar de seus esforços para permanecer calma e parecer indiferente. Era só o que lhe faltava, encontrar-se com Gonçalo depois do telefonema da véspera. Se ele comentasse alguma coisa, Joana acharia estranho, ela não ter lhe contado.
Resistente, ela seguiu a prima até onde os dois homens conversavam. Ambos estavam elegantemente vestidos, de terno e gravata. O sol lançava reflexos luminosos nos cabelos escuros de Gonçalo. Ao lado dele, Mário parecia mais insignificante do que no dia em que haviam saído para jantar. Os dois olharam na direcção delas, quando Joana os cumprimentou a distância.
— Bom dia, Bunny — Gonçalo falou, em tom de voz baixo e grave, quando ela se aproximou. Embora ele não sorrisse, os olhos continham um brilho de divertimento. — Dormiu bem?
Bunny inclinou ligeiramente a cabeça e virou-se para Mário.
– Como vai, Mário?
— Está tudo certo, para hoje à tarde? — perguntou Gonçalo.
— O que é que vocês vão fazer hoje à tarde? — quis saber Joana, olhando de um para outro.
— Vamos passear no rio, depois vamos jantar no clube de campo — Bunny respondeu, tentando aparentar naturalidade.
Joana virou-se para a prima e estreitou ligeiramente os olhos.
— Não me disse-te nada.
Bunny sentia-se terrivelmente perturbada pela proximidade de Gonçalo. Era como se ele emanasse uma corrente eléctrica que a envolvia por inteiro, roubando-lhe a capacidade de raciocínio. Ela deu de ombros.
— Não está nada certo, ainda.
— Ontem à noite, ao telefone, disse-te que irias.
— Mas depois do que tu...
— Acho que já podemos entrar — sugeriu Joana, estudando atentamente o rosto da prima.
— Óptima ideia. — Gonçalo segurou o braço de Bunny para conduzi-la para dentro da igreja.
— Não preciso que me segures o meu braço — disse ela baixinho, desvencilhando-se do toque dele.
Onze anos atrás, sete, até mesmo cinco, ela teria dado pulos de alegria por receber alguma atenção dele. Agora, entretanto, sabia que aquilo não significava nada. Não se deixaria levar mais uma vez por sonhos românticos. A vida ensinava lições a uma pessoa, e cabia a ela aprender.
Nada de sonhos românticos? - uma vozinha interior perguntou. E os ingredientes de bisavó Selene para prender o homem perfeito? O facto de testar um ou dois deles com Gonçalo não significava que estivesse tramando conquistar o seu amor e devoção para toda a vida. Ela poderia aproveitar e praticar, para quando encontrasse realmente o homem com quem construiria uma vida e um futuro. Se desse certo com ele, daria certo com o homem dos seus sonhos.
— Levarei Bunny para casa — Gonçalo anunciou, quando o devoção terminou e eles saíram da igreja. — Assim, você não precisa de se desviar do seu caminho.
— Obrigada, Gonçalo. É muita gentileza sua.
Bunny olhou para a prima com uma ruga na testa. O que significava aquilo? Ela poderia ter ido com seu próprio carro para a igreja. Fora Joana quem insistira para ir buscá-la!
— Cuida bem dela, entendeu-te? — Joana recomendou, enquanto se afastava de braço dado com Mário.
— Ela vai sufocá-lo, se não tomar cuidado — Gonçalo observou, enquanto conduzia Bunny em direcção ao seu carro.
— Joana gosta dele — defendeu Bunny.
— E eu diria que Mário gosta dela... Mas ela pressiona demais. E tu conheces a tua prima tão bem quanto eu. Gosto muito dela, mas ela é instável. As paixões dela não duram muito. Logo estará saturada de Mário e interessada por outro.
— Talvez desta vez seja para diferente — replicou Bunny, só para contrariá-lo. Concordava com ele, mas não daria o braço a torcer.
Gonçalo limitou-se a sorrir e abriu a porta do carro para ela entrar.
Bunny sentou-se, tentando pensar em argumentos contra as alegações dele. Era difícil, pois a sua prima apaixonava-se com a mesma frequência com que cortava o cabelo.
Mas ela não podia calar-se. Quando Gonçalo se sentou ao volante, ela virou-se para ele.
— Não estás a ser justo com a Joana — acusou. — Ela é uma pessoa maravilhosa e um dia será uma óptima esposa e mãe.
— Por quanto tempo? — Gonçalo indagou, dando partida e manobrando o carro para o meio do trânsito. — Os namoros dela não duram mais que seis meses...
— Só porque a tua mãe se separou do teu pai não significa que todas as mulheres um dia vão fazer a mesma coisa.
— A maioria faz. — O tom de voz dele tornou-se sombrio.
— Imagino que, como advogado, você testemunhe vários casos de divórcio.
— Não, porque não é a minha área. Mas, tenho colegas que comentam a respeito.
— E a culpa é sempre das mulheres?
— Não, claro que não. Mas o casamento é uma instituição arruinada.
— O quê? Não acredito no que estou a ouvir! O casamento é uma instituição maravilhosa! É o suporte da sociedade.
Gonçalo lançou-lhe um olhar cínico.
— Se é tão bom assim, por que não se casou ainda?
Bunny apertou os lábios e olhou para fora. Não podia confessar lhe que a sua antiga paixão por ele a influenciara, impedindo-a de interessar-se por outros rapazes. Nenhum homem parecia chegar à altura dele, para ela. E ela não conseguia deixar de fazer comparações. Mas claro que ele não podia saber disso.
— Até agora tenho me dedicado a minha carreira — explicou, depois de uma breve hesitação.
— Quer dizer que pretende ser conquistada?
— Talvez. Se eu encontrar a pessoa certa.
— E como se encontra a pessoa certa?
— Encontrar não é a palavra adequada. Sintonizar... talvez. Não sei.
— Apaixonar-se? — sugeriu ele, com ironia.
— És cínico, Gonçalo.
— E tu és idealista.
— Prefiro ser idealista do que cínica.
— Já eu prefiro ser realista.
— Nem todos os casamentos se desfazem. Os meus pais, por exemplo. E os meus tios. São casais equilibrados e felizes.
— Por enquanto.
— Você é impossível!
picky - eu tb gostava de ter visto a cara dele ao ve-la com akelas roupas. Ele foi 1 pouco pervertido e axo k merceu akela resposta.
Lena_Dias - ainda nao sei kando irei por o 4 capitulo. mas espero k seja em breve.
atalantaV - Ainda bem k gostas t, pois eu sou pessima a portugues. Ainda nao sei como é k eu tive tantas ideias (deve ser por ler tantos livros, ate porke este é baseado num).
pmpm65 - Brigada. Espero tb surprender-te nesta segunda parte.
LunaR - Pois eu desta vez demorei bues pa por o 3 capitulo. Eu tb custosmo guardar oa fanfics k gosto no Word. Tenho um pasta so dedicada as fanfics do Harry potter, sailor Moon, Sakura card captor e Rurouni Kenshin.
Obrigada a todos! bjs
capitulo III - 2º parte
No dia seguinte, ele arranjaria uma forma para que ela cumprisse a promessa e saísse com ele. Se arranjara tempo para sair com Seiya, tinha de arranjar também para sair com ele.
Pelo menos, ela e Seiya não se haviam demorado nas despedidas. Embora tivessem ficado fora tempo demais, só para jantar. Teria acontecido algo mais? Ele não achava que Bunny fosse o tipo de rapariga que iria para a cama com um homem no primeiro encontro. Mas, afinal, até que ponto a conhecia? Nunca trocara mais do que algumas palavras com ela, e agora ela era uma mulher adulta e independente.
Gonçalo sentiu um desconforto inexplicável ao imaginar que Seiya e Bunny se poderiam ter-se beijado. Lembrava-se da doçura do beijo que trocara com ela no jardim e não queria que nenhum outro homem a tocasse daquela forma. Por quê, ele não sabia.
— Como foi, ontem, com Seiya? — quis saber Joana, quando Bunny entrou no carro para irem à igreja.
— Foi agradável. Vamos jogar ténis no clube, na próxima semana. — ela tentou demonstrar entusiasmo.
— Bem, Seiya é fanático por ténis. Aliás, vocês sempre jogavam juntos.
— Isso foi há muito tempo. Não jogo desde que fui para Nova York. Devo estar fora de forma.
— Esse vestido ficou óptimo em você — Joana elogiou.
— Acha adequado para ir à igreja?
— Por que não? É adequado para qualquer ocasião.
O vestido era fresco e confortável. O corpete azul justo com alças largas amoldava-se ao corpo com perfeição, e a saia estampada em azul e creme movia-se graciosamente conforme ela andava. Com Bunny sentada no carro, ela cobria-lhe os joelhos, parecendo uma nuvem a sua volta.
— E combinou perfeitamente com essas sandálias — Joana observou. — E então, está se sentindo mais feminina, agora? O que mais lês-te no diário?
— Ontem à noite eu estava cansada demais para ler. Cheguei tarde em casa.
Bunny achou desnecessário contar à prima sobre o telefonema de Gonçalo. Não era importante.
Quando Joana estacionou em frente à ampla construção de tijolo marrom, Bunny olhou em redor. Reconheceu várias pessoas nos grupos que conversavam no jardim, antes de o devoção começar.
— Olhe, está ali o Mário — disse Joana, pegando a bolsa no banco de trás. — Conversando com Gonçalo! Que interessante, fazia tempo que ele não vinha à igreja. Por que será que ele veio, hoje?
O coração de Bunny disparou, apesar de seus esforços para permanecer calma e parecer indiferente. Era só o que lhe faltava, encontrar-se com Gonçalo depois do telefonema da véspera. Se ele comentasse alguma coisa, Joana acharia estranho, ela não ter lhe contado.
Resistente, ela seguiu a prima até onde os dois homens conversavam. Ambos estavam elegantemente vestidos, de terno e gravata. O sol lançava reflexos luminosos nos cabelos escuros de Gonçalo. Ao lado dele, Mário parecia mais insignificante do que no dia em que haviam saído para jantar. Os dois olharam na direcção delas, quando Joana os cumprimentou a distância.
— Bom dia, Bunny — Gonçalo falou, em tom de voz baixo e grave, quando ela se aproximou. Embora ele não sorrisse, os olhos continham um brilho de divertimento. — Dormiu bem?
Bunny inclinou ligeiramente a cabeça e virou-se para Mário.
– Como vai, Mário?
— Está tudo certo, para hoje à tarde? — perguntou Gonçalo.
— O que é que vocês vão fazer hoje à tarde? — quis saber Joana, olhando de um para outro.
— Vamos passear no rio, depois vamos jantar no clube de campo — Bunny respondeu, tentando aparentar naturalidade.
Joana virou-se para a prima e estreitou ligeiramente os olhos.
— Não me disse-te nada.
Bunny sentia-se terrivelmente perturbada pela proximidade de Gonçalo. Era como se ele emanasse uma corrente eléctrica que a envolvia por inteiro, roubando-lhe a capacidade de raciocínio. Ela deu de ombros.
— Não está nada certo, ainda.
— Ontem à noite, ao telefone, disse-te que irias.
— Mas depois do que tu...
— Acho que já podemos entrar — sugeriu Joana, estudando atentamente o rosto da prima.
— Óptima ideia. — Gonçalo segurou o braço de Bunny para conduzi-la para dentro da igreja.
— Não preciso que me segures o meu braço — disse ela baixinho, desvencilhando-se do toque dele.
Onze anos atrás, sete, até mesmo cinco, ela teria dado pulos de alegria por receber alguma atenção dele. Agora, entretanto, sabia que aquilo não significava nada. Não se deixaria levar mais uma vez por sonhos românticos. A vida ensinava lições a uma pessoa, e cabia a ela aprender.
Nada de sonhos românticos? - uma vozinha interior perguntou. E os ingredientes de bisavó Selene para prender o homem perfeito? O facto de testar um ou dois deles com Gonçalo não significava que estivesse tramando conquistar o seu amor e devoção para toda a vida. Ela poderia aproveitar e praticar, para quando encontrasse realmente o homem com quem construiria uma vida e um futuro. Se desse certo com ele, daria certo com o homem dos seus sonhos.
— Levarei Bunny para casa — Gonçalo anunciou, quando o devoção terminou e eles saíram da igreja. — Assim, você não precisa de se desviar do seu caminho.
— Obrigada, Gonçalo. É muita gentileza sua.
Bunny olhou para a prima com uma ruga na testa. O que significava aquilo? Ela poderia ter ido com seu próprio carro para a igreja. Fora Joana quem insistira para ir buscá-la!
— Cuida bem dela, entendeu-te? — Joana recomendou, enquanto se afastava de braço dado com Mário.
— Ela vai sufocá-lo, se não tomar cuidado — Gonçalo observou, enquanto conduzia Bunny em direcção ao seu carro.
— Joana gosta dele — defendeu Bunny.
— E eu diria que Mário gosta dela... Mas ela pressiona demais. E tu conheces a tua prima tão bem quanto eu. Gosto muito dela, mas ela é instável. As paixões dela não duram muito. Logo estará saturada de Mário e interessada por outro.
— Talvez desta vez seja para diferente — replicou Bunny, só para contrariá-lo. Concordava com ele, mas não daria o braço a torcer.
Gonçalo limitou-se a sorrir e abriu a porta do carro para ela entrar.
Bunny sentou-se, tentando pensar em argumentos contra as alegações dele. Era difícil, pois a sua prima apaixonava-se com a mesma frequência com que cortava o cabelo.
Mas ela não podia calar-se. Quando Gonçalo se sentou ao volante, ela virou-se para ele.
— Não estás a ser justo com a Joana — acusou. — Ela é uma pessoa maravilhosa e um dia será uma óptima esposa e mãe.
— Por quanto tempo? — Gonçalo indagou, dando partida e manobrando o carro para o meio do trânsito. — Os namoros dela não duram mais que seis meses...
— Só porque a tua mãe se separou do teu pai não significa que todas as mulheres um dia vão fazer a mesma coisa.
— A maioria faz. — O tom de voz dele tornou-se sombrio.
— Imagino que, como advogado, você testemunhe vários casos de divórcio.
— Não, porque não é a minha área. Mas, tenho colegas que comentam a respeito.
— E a culpa é sempre das mulheres?
— Não, claro que não. Mas o casamento é uma instituição arruinada.
— O quê? Não acredito no que estou a ouvir! O casamento é uma instituição maravilhosa! É o suporte da sociedade.
Gonçalo lançou-lhe um olhar cínico.
— Se é tão bom assim, por que não se casou ainda?
Bunny apertou os lábios e olhou para fora. Não podia confessar lhe que a sua antiga paixão por ele a influenciara, impedindo-a de interessar-se por outros rapazes. Nenhum homem parecia chegar à altura dele, para ela. E ela não conseguia deixar de fazer comparações. Mas claro que ele não podia saber disso.
— Até agora tenho me dedicado a minha carreira — explicou, depois de uma breve hesitação.
— Quer dizer que pretende ser conquistada?
— Talvez. Se eu encontrar a pessoa certa.
— E como se encontra a pessoa certa?
— Encontrar não é a palavra adequada. Sintonizar... talvez. Não sei.
— Apaixonar-se? — sugeriu ele, com ironia.
— És cínico, Gonçalo.
— E tu és idealista.
— Prefiro ser idealista do que cínica.
— Já eu prefiro ser realista.
— Nem todos os casamentos se desfazem. Os meus pais, por exemplo. E os meus tios. São casais equilibrados e felizes.
— Por enquanto.
— Você é impossível!
Gonçalo manobrou o carro e parou, na entrada da sua casa.
— Eu já volto. Vai trocar de roupa?
— Acha melhor?
— Por mim, estás óptima. — Ele passou um dedo pelo ombro nu de Bunny.
Ela moveu-se para escapar ao toque, sentindo um princípio de pânico tomar conta. Devia ter perdido o juízo para imaginar que poderia passar a tarde com ele sem as consequências. O simples contacto de pele produzia nela uma espécie de choque eléctrico. E ele dissera que haveria música ao vivo, no clube. Isso significava que provavelmente dançariam... Como ela suportaria ficar nos braços de Gonçalo, dançando lentamente ao som de uma melodia romântica, sem demonstrar o que sentia?
— Volto num minuto.
Sentada dentro do carro dele, esperando por ele, Bunny tentou acalmar-se, pensando nos conselhos contidos no diário. Seria a mesma igreja aonde tinham ido naquela manhã que sua bisavó frequentara, e onde namoriscara com Safira? Talvez Joana soubesse. A Tia Molly com certeza saberia, mas ela teria de esperar que ela voltasse, para perguntar-lhe. Teria Selene testado suas ideias com outro rapaz, antes de Safira, ou ele fora o inspirador?
Bunny perguntou-se se deveria fazer isso, praticar um pouco antes de tentar com alguém que seria definitivo. Ela poderia praticar com Gonçalo. Sabia que ele nunca encararia com seriedade a ideia de casar-se. Poderia experimentar as sugestões do diário e ver o que funcionava e o que não funcionava. Assim, estaria preparada para atrair seu futuro marido quando ele aparecesse em sua vida.
Ela lembrou-se que precisava empenhar-se seriamente em procurar um novo emprego. Os três primeiros dias de férias haviam sido suficientes para restabelecer seu equilíbrio físico e emocional. A sensação de cansaço e letargia havia desaparecido. Ela sentia que recuperara as energias. O único problema era que estavam totalmente concentradas em Gonçalo.
Pela primeira vez, ocorreu-lhe que seria uma possibilidade procurar alguma coisa em Quioto. Seria bom ficar perto da tia Luna e da prima. Nova York, embora fascinante, ficava longe do único lar que ela conhecera e amara. A casa onde vivera com os pais, fora vendida, e os móveis haviam sido mandados para um depósito, quando o dois decidiram passar uma temporada fora, sem saber o que fariam depois disso.
Gonçalo saiu da casa, usando a mesma camisa com a qual fora à igreja, mas trocara o terno por umas calças desportivas cinza. Ele trazia um blazer azul-marinho no braço e coloco-o no banco de trás antes de se sentar novamente ao volante.
— Pensei em almoçarmos no Dairy Freeze, depois iremos até o rio — disse ele, ligando o motor. — Faz tempo que não vais lá, não é?
— Sim, mas a tia Luna disse-me que está maravilhoso.
— Sim, eles construíram um centro recreativo, um pouco acima da área de natação. Mantiveram a reserva natural e colocaram passadeiras, nas duas margens, com tabuletas, explicando tudo sobre a flora e a fauna, em cada ponto. Se você quiser, podemos nadar.
— Eu não trouxe fato de banho.
— Então está resolvido. — Harry sorriu. — Vamos?
Bunny assentiu. Ela se lembraria de tudo que lera no diário e aplicaria cada item, naquela tarde, disse para si mesma.
Ela divertiu-se, porém não tinha tanta certeza quanto a Gonçalo. Depois de um almoço rápido, foram para o rio, e parecia que metade da população da cidade tivera a mesma ideia. As passarelas e os gramados estavam lotados de gente, crianças corriam para um lado e para outro, em algazarra; os bancos localizados estrategicamente a poucos metros, estavam ocupados pelos visitantes mais idosos, que se sentavam para descansar, e mesmo nas áreas mais reclusas viam-se grupos de adolescentes, rindo e ouvindo música.
Gonçalo segurou a mão de Bunny, quando saíram do carro, e conduziu-a até a passadeira. Nalguns espaços tinham de caminhar um à frente do outro, devido ao fluxo de pessoas que vinha em sentido contrário, mas em nenhum momento Gonçalo a soltou, conduzindo-a com uma mão em seu ombro. Depois de algum tempo, Bunny começou a relaxar e nem a incomodava mais o silêncio entre ambos, que só faziam um ou outro comentário ocasional. Estava contente com o que a prefeitura fizera na área ribeirinha, transformando-a em ponto turístico e valorizando a cidade.
No fim da tarde, Gonçalo levou-a à área de natação, onde crianças brincavam na parte rasa, e garotos mais velhos se penduravam em cordas amarradas aos galhos que se projectavam sobre a água, para balançar e deixar-se cair. Os adultos observavam da praia, sentados em espreguiçadeiras.
Lembranças de verões passados vieram à mente dela. Ela, Joana e as amigas haviam nadado e brincado ali, quando crianças e adolescentes.
— Era tão cheio assim, quando costumávamos vir aqui? — ela perguntou a Gonçalo.
— Às vezes. É que naquela época nós é que estávamos dentro da água, por isso não notávamos. Devíamos ter ido a outro lugar, hoje.
“Deixe que ele a persiga, mas não corra tanto que ele não a possa alcançá-la.”
Bunny aproximou-se mais dele e apoiou uma mão em seu ombro, sentindo o calor do corpo dele sob a camisa.
— Não sei por quê — retrucou, baixinho. — Gostei de vir aqui, de ver as mudanças, relembrar a infância. Foi uma tarde agradável.
Gonçalo não deixou passar a oportunidade. Enlaçando-a pela cintura, puxou-a para si.
— Se não estivéssemos rodeados por esta multidão, eu continuaria a partir do ponto onde paramos, no outro dia.
Uma onda de calor tomou conta de todo o corpo dela, colorindo-lhe as faces. Valentemente, ela sustentou o olhar de Gonçalo, embora baixasse ligeiramente o rosto, mordendo o lábio inferior.
Ele sorriu e estreitou os olhos, antes de passar a mão pelos cabelos sedosos e pousá-la no ombro de Bunny, apertando-o gentilmente.
Ela prendeu a respiração. O brilho nos olhos verdes dele manifestavam interesse. Atracção, pelo menos... Ou ela estaria interpretando tudo errado? Até que ponto estava certa e até que ponto estava se deixando influenciar pelo que lera no diário de Selene?
— Eu já volto. Vai trocar de roupa?
— Acha melhor?
— Por mim, estás óptima. — Ele passou um dedo pelo ombro nu de Bunny.
Ela moveu-se para escapar ao toque, sentindo um princípio de pânico tomar conta. Devia ter perdido o juízo para imaginar que poderia passar a tarde com ele sem as consequências. O simples contacto de pele produzia nela uma espécie de choque eléctrico. E ele dissera que haveria música ao vivo, no clube. Isso significava que provavelmente dançariam... Como ela suportaria ficar nos braços de Gonçalo, dançando lentamente ao som de uma melodia romântica, sem demonstrar o que sentia?
— Volto num minuto.
Sentada dentro do carro dele, esperando por ele, Bunny tentou acalmar-se, pensando nos conselhos contidos no diário. Seria a mesma igreja aonde tinham ido naquela manhã que sua bisavó frequentara, e onde namoriscara com Safira? Talvez Joana soubesse. A Tia Molly com certeza saberia, mas ela teria de esperar que ela voltasse, para perguntar-lhe. Teria Selene testado suas ideias com outro rapaz, antes de Safira, ou ele fora o inspirador?
Bunny perguntou-se se deveria fazer isso, praticar um pouco antes de tentar com alguém que seria definitivo. Ela poderia praticar com Gonçalo. Sabia que ele nunca encararia com seriedade a ideia de casar-se. Poderia experimentar as sugestões do diário e ver o que funcionava e o que não funcionava. Assim, estaria preparada para atrair seu futuro marido quando ele aparecesse em sua vida.
Ela lembrou-se que precisava empenhar-se seriamente em procurar um novo emprego. Os três primeiros dias de férias haviam sido suficientes para restabelecer seu equilíbrio físico e emocional. A sensação de cansaço e letargia havia desaparecido. Ela sentia que recuperara as energias. O único problema era que estavam totalmente concentradas em Gonçalo.
Pela primeira vez, ocorreu-lhe que seria uma possibilidade procurar alguma coisa em Quioto. Seria bom ficar perto da tia Luna e da prima. Nova York, embora fascinante, ficava longe do único lar que ela conhecera e amara. A casa onde vivera com os pais, fora vendida, e os móveis haviam sido mandados para um depósito, quando o dois decidiram passar uma temporada fora, sem saber o que fariam depois disso.
Gonçalo saiu da casa, usando a mesma camisa com a qual fora à igreja, mas trocara o terno por umas calças desportivas cinza. Ele trazia um blazer azul-marinho no braço e coloco-o no banco de trás antes de se sentar novamente ao volante.
— Pensei em almoçarmos no Dairy Freeze, depois iremos até o rio — disse ele, ligando o motor. — Faz tempo que não vais lá, não é?
— Sim, mas a tia Luna disse-me que está maravilhoso.
— Sim, eles construíram um centro recreativo, um pouco acima da área de natação. Mantiveram a reserva natural e colocaram passadeiras, nas duas margens, com tabuletas, explicando tudo sobre a flora e a fauna, em cada ponto. Se você quiser, podemos nadar.
— Eu não trouxe fato de banho.
— Então está resolvido. — Harry sorriu. — Vamos?
Bunny assentiu. Ela se lembraria de tudo que lera no diário e aplicaria cada item, naquela tarde, disse para si mesma.
Ela divertiu-se, porém não tinha tanta certeza quanto a Gonçalo. Depois de um almoço rápido, foram para o rio, e parecia que metade da população da cidade tivera a mesma ideia. As passarelas e os gramados estavam lotados de gente, crianças corriam para um lado e para outro, em algazarra; os bancos localizados estrategicamente a poucos metros, estavam ocupados pelos visitantes mais idosos, que se sentavam para descansar, e mesmo nas áreas mais reclusas viam-se grupos de adolescentes, rindo e ouvindo música.
Gonçalo segurou a mão de Bunny, quando saíram do carro, e conduziu-a até a passadeira. Nalguns espaços tinham de caminhar um à frente do outro, devido ao fluxo de pessoas que vinha em sentido contrário, mas em nenhum momento Gonçalo a soltou, conduzindo-a com uma mão em seu ombro. Depois de algum tempo, Bunny começou a relaxar e nem a incomodava mais o silêncio entre ambos, que só faziam um ou outro comentário ocasional. Estava contente com o que a prefeitura fizera na área ribeirinha, transformando-a em ponto turístico e valorizando a cidade.
No fim da tarde, Gonçalo levou-a à área de natação, onde crianças brincavam na parte rasa, e garotos mais velhos se penduravam em cordas amarradas aos galhos que se projectavam sobre a água, para balançar e deixar-se cair. Os adultos observavam da praia, sentados em espreguiçadeiras.
Lembranças de verões passados vieram à mente dela. Ela, Joana e as amigas haviam nadado e brincado ali, quando crianças e adolescentes.
— Era tão cheio assim, quando costumávamos vir aqui? — ela perguntou a Gonçalo.
— Às vezes. É que naquela época nós é que estávamos dentro da água, por isso não notávamos. Devíamos ter ido a outro lugar, hoje.
“Deixe que ele a persiga, mas não corra tanto que ele não a possa alcançá-la.”
Bunny aproximou-se mais dele e apoiou uma mão em seu ombro, sentindo o calor do corpo dele sob a camisa.
— Não sei por quê — retrucou, baixinho. — Gostei de vir aqui, de ver as mudanças, relembrar a infância. Foi uma tarde agradável.
Gonçalo não deixou passar a oportunidade. Enlaçando-a pela cintura, puxou-a para si.
— Se não estivéssemos rodeados por esta multidão, eu continuaria a partir do ponto onde paramos, no outro dia.
Uma onda de calor tomou conta de todo o corpo dela, colorindo-lhe as faces. Valentemente, ela sustentou o olhar de Gonçalo, embora baixasse ligeiramente o rosto, mordendo o lábio inferior.
Ele sorriu e estreitou os olhos, antes de passar a mão pelos cabelos sedosos e pousá-la no ombro de Bunny, apertando-o gentilmente.
Ela prendeu a respiração. O brilho nos olhos verdes dele manifestavam interesse. Atracção, pelo menos... Ou ela estaria interpretando tudo errado? Até que ponto estava certa e até que ponto estava se deixando influenciar pelo que lera no diário de Selene?
esta lindo, lindo adorei agora fique curiosa para saber o resto da historia
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a minha primeira fic "AS FILHAS DA LUA"passem na minha fic e comentem XD

Traços do destino
visitem o meu forum http://eterna-sailor-moon4.forumeiros.com/forum.htm

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*me foge com o rabinho entre as pernas para n estragar a fic*
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