O Amor é complicado...
Estao muito originais voces 
Mas lamento informar, mas os vossos palpites estao longe, mas bem longe da verdade
Nao e o fim do namoro, nao é gravidez, nao e coisa alguma. E algo que mexe mais com os sentimentos, e como disse antes, bem... Nao vou dizer nada, peço desculpa
Muahahaha (sou malefica muahahahahah)
(cortes de cabelo radicais = doideira e malificiencia
)
POdem continuar a lançar os vossos palpites, que eu vou dizendo o que acho. Adoro leitoras curiosas *-*
Jokinhas e keep following

Mas lamento informar, mas os vossos palpites estao longe, mas bem longe da verdade

Nao e o fim do namoro, nao é gravidez, nao e coisa alguma. E algo que mexe mais com os sentimentos, e como disse antes, bem... Nao vou dizer nada, peço desculpa

Muahahaha (sou malefica muahahahahah)
(cortes de cabelo radicais = doideira e malificiencia
)POdem continuar a lançar os vossos palpites, que eu vou dizendo o que acho. Adoro leitoras curiosas *-*
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さよならできずに, 立ち止まったままの僕と一緒に...
Não me digas que ela soube que o Yaten se meteu no meio daquela guerra entre o Seiya e Haruka e ficou tão chateada e preocupada que saiu do quarto a chorar? XD
Fogo...
Estás a ser mesmo mázinha
É que eu não faço mesmo ideia-.-' XD
Fogo...

Estás a ser mesmo mázinha

É que eu não faço mesmo ideia-.-' XD

Obrigada Atalantav =)
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I_Moreira escreveu:Não me digas que ela soube que o Yaten se meteu no meio daquela guerra entre o Seiya e Haruka e ficou tão chateada e preocupada que saiu do quarto a chorar? XD
Fogo...
Estás a ser mesmo mázinha
É que eu não faço mesmo ideia-.-' XD
Nopeeeees nao é isso
*som de erro cómico*
A Minako no minimo nessa situaçao preocupava-se e depois ria-se. Chorar por isso?? AHAHA
Ainda nao estás la

Pensa em algo que faria ela sofrer imenso, algo pior que o terminar de uma relaçao

Eu acredito que chegam la
Jokinhas

さよならできずに, 立ち止まったままの僕と一緒に...
MoonSerenidade escreveu:Acho isto improvável mas pronto.
A Minako descobriu que o Yaten a tinha traido e acabou tudo com ele.
Naaaao!!!!!
Errado!
O meu Yatenzinho nao trairia a Minako

Portanto...
hipotese muuuito errada

Bem, eu vou dar uma pista.
O homem com quatro patas, anda de gatas, com duas, anda em pe, com tres, e velho e usa bengala. Deitado é o que?
Tentem adivinhar o que vai acontecer a partir daqui

Jokinhas***

さよならできずに, 立ち止まったままの僕と一緒に...
Agora matas-me XD
Eu não faço ideia.
Deitado está a dormir
(LOOOL)
Ai credo-.-'
Lembrei-me agora...deitado ou está a dormir ou morto-.-
Não me digas que ele tem poucos meses de vida-.-'
Tadinhos vais dar assim o fim trágico ao Yaten
Eu não faço ideia.
Deitado está a dormir
(LOOOL)Ai credo-.-'
Lembrei-me agora...deitado ou está a dormir ou morto-.-
Não me digas que ele tem poucos meses de vida-.-'
Tadinhos vais dar assim o fim trágico ao Yaten


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MoonSerenidade escreveu:Bem que teoria I_Moreira... Mas até que faz sentido...
Só faltava dizeres que ele morria nos braços dela.
Foi a primeira coisa que me lembrei.

Nem me digas isso...
'Tadinha da Minako, mas se calhar até foi isso :X
Oh Tinoco tira-nos esta curiosidade por favor


Obrigada Atalantav =)
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I_Moreira escreveu:Agora matas-me XD
Eu não faço ideia.
Deitado está a dormir(LOOOL)
Ai credo-.-'
Lembrei-me agora...deitado ou está a dormir ou morto-.-
Não me digas que ele tem poucos meses de vida-.-'
Tadinhos vais dar assim o fim trágico ao Yaten
Ai inocencia a quanto me obrigas

O Yaten nao vai morrer, nao tem poucos meses de vida.
Pensem assim.
Tem a ver com mortes
Mas nao e nem do Yaten, nem da Minako. Alguem proximo a eles, isso sim
Jokinhas *-*

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Ai céus a mãe da Minako vai morrer
?
?
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Quando eu digo proximo, e do género familia tanto do Yaten ou da Minako. O palpite da Ines-sama ta proximo *-*
Nao é a mae da Mina-chan, mas estás la, e por essa linha de pensamento
(*lágrimas de felicidade*)
Eu sabia que haveria alguem que la chegaria perto
Bem, agora terao de esperar pela verdadeira revelaçao que eu ja nao digo mais nada
Jokinhas
Nao é a mae da Mina-chan, mas estás la, e por essa linha de pensamento
(*lágrimas de felicidade*)Eu sabia que haveria alguem que la chegaria perto

Bem, agora terao de esperar pela verdadeira revelaçao que eu ja nao digo mais nada

Jokinhas


さよならできずに, 立ち止まったままの僕と一緒に...
mafafaaa (Qua 15 Dez - 15:05) escreveu:Bem, alguém vai morrer ou está morto. Um familiar da Minako certamente... Se não é a mãe é o pai XD Ela não tem irmãos, pois não?ALELUIAAA JESUS CHRIST XD
Mas eu também nunca ouvi falar do pai dela, se calhar já está morto também
Mas pronto, eu aposto no pai.
Finalmenteeeeeeeeee!!!!
Ting ting ting!!! *campainha*
Esssssstaaaaaa cerrrtoooooooooooooo!
Vai morrer alguem da familia da minako, e como a mafalda disse, o pai, nao digo e como (muahahah)
Eu estou a acabar de passar o cap, e em principio posto antes do ano novo.
Se eu cá nao vier antes do natal...
Feliz natal com muitas prendinhas

Jokinhas


さよならできずに, 立ち止まったままの僕と一緒に...
Ficamos anciosamente à espera Tinoco_chan
Mafafaa conseguimos ! Somos um máximo.
Eu estive perto e tu acertas-te

Mafafaa conseguimos ! Somos um máximo.

Eu estive perto e tu acertas-te


Obrigada Atalantav =)
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Como prometido antes do ano novo, cap 31. Espero que gostem
É que eu escrevi-o até as seis da manha. Se o final tiver sucky e porque tava com soninho 
Jokinhas e boa leitura
Passaram duas semanas após a discussão absurda entre a Haruka e o Seiya.
Durante este tempo, que pareceu a mim demasiado longo, Seiya andou completamente deprimido. Eu já soubera o que acontecera, e tinha falado com ele no próprio dia em que tudo acontecera. Já lhe dissera por diversas vezes para passar por cima do assunto, mas era igual a não dizer nada. Seiya não reagia a nada do que lhe dizia, e para ele, estar longe de Michiru era-lhe insuportável. Contudo, ele nada podia fazer.
Por outro lado, Taiki estava todo feliz da vida com Ami. Bem, ao menos um de nós que tenha sorte ao amor não é? Ele e Ami foram, numa de comemoração da vitória na batalha, numa espécie de “lua-de-mel antecipada”, como lhe chamei na altura; para Portugal, mais precisamente para as praias quentes do Algarve. Uns amigos nossos já lá tinham estado há uns tempos e recomendaram ao Taiki que levasse Ami a passar lá uns dias, enquanto as nossas férias não acabavam. Taiki aproveitou a deixa, e decidiu deixar o ambiente depressivo que se vivia cá em casa por uns tempos, embora ele todos os dias telefone a toda a hora para saber como estão as coisas.
Depois, eu e Minako.
As coisas entre nós estão bem, mas com Minako, as coisas não estão lá grande coisa.
Minako anda deprimida, e com razão. O pai dela tinha sido internado no hospital, com um AVC grave, e agora está em coma profundo. O prognóstico é reservado, e os médicos por diversas vezes afirmaram que possivelmente o pai de Minako já não recupera desta, e que vai acabar por falecer. Isso deixou Minako completamente de rastos, pois o pai dela era o farol que a guiava, e para ela, era impossível viver sem ele. Minako passa dias e noites inteiras no hospital, a tentar passar com ele o máximo de tempo possível, embora já lhe tenha dito por diversas vezes que ela não deveria fazer isso. Ela não deveria ficar com memórias dele desta maneira, isso só iria fazer-lhe mal, e de certeza que o pai de Minako não quereria que ela o recordasse desta maneira. Contudo, Minako insistia, e eu nada podia fazer. Contudo, a Minako que me aparece à frente sempre que vou ter com ela ao hospital não é a minha Minako. Aquela Minako que sorria sempre, que tinha sempre uma piada para dizer, aquela Minako calorosa, não existia neste momento. Ela estava apagada numa camada de preto, e isso deixava-me triste também. Não consigo ficar alegre neste momento, quando a pessoa mais importante da minha vida está neste estado. Contudo, tento tudo para viver normalmente, apesar de não conseguir viver sob estas ondas de letargia.
Hoje é sábado. Seiya fora sair, deixando-me completamente sozinho por umas horas. Ele tem-me dito muitas vezes ultimamente que apenas sai para descomprimir, mas eu sei que ele está no hospital a dar apoio a Minako. Minako contara-me que quando eu não podia, Seiya estava com ela. Apesar de não ser a mesma coisa que eu lá estar, isso dava-me algum conforto. O facto de Seiya não deixar Minako ir-se abaixo, e o facto de ele estar lá para ela, para a apoiar, ser amigo dela e ajudá-la quando eu não o posso fazer, isso confortava-me. Ao menos, assim não pensava na Michiru, e sofria menos com tudo o que se passou entre eles. Eu continuo a achar que ela não o merece, sobretudo depois do que ela fez. O Seiya merece bem melhor que aquela sonsinha sem sal, e se calhar sozinho ficava mais bem entregue. Eu espero que ele acabe por encontrar alguém que goste dele pelo que é, e que não seja como Michiru e traga as amiguinhas para as relações. Seiya não merece pessoas assim. O meu irmão é uma pessoa muito especial, e merece bem melhor que isso. Embora eu também saiba que o meu irmão é como os burros, tem duas palas nos olhos e só olha em frente, neste caso, ele só tem olhos para a Michiru “eu sou tão boa mas sonsa como tudo” Kaioh.
Estava na cozinha a almoçar, enquanto o silêncio mordaz viajava sem rumo por toda a casa. O vazio que havia na casa, contrastava comigo mesmo, que estou completamente cheio de pensamentos, o que me deixa de certa forma aborrecido. Nestas alturas, eu desejava poder ter um botão on/off, e poder desligar-me do mundo e de tudo o que me rodeia, para poder ter alguma paz de espírito. Às vezes penso se não seria melhor se apenas voltasse para de onde vim, isto é, se voltasse a Kinmoku. Era excelente se isso acontecesse. Nunca mais pediria nada na vida. Eu apenas queria ter paz. Poder viver uma vida normal, sem mais guerras, sem mais lutas, apenas eu e Minako, longe de todos. Apenas os dois. Seria tudo melhor, ou pelo menos, assim o penso.
Enquanto dava as últimas garfadas na massa à carbonara que fizera para o meu almoço, ouvi a campainha tocar num tom ríspido. A campainha tocou tantas vezes, mas tantas vezes, que me irritou de certa maneira. Eu ainda para mais, estava em pijama, e também não estava à espera de ninguém àquela hora. Contudo, acabei por limpar a boca ao guardanapo, limpando os restos de natas que tinha na boca, suspirando, completamente frustrado por nem o meu almoço conseguir comer calmamente, e atirei com o prato para o lava-loiças. Depois arrumei a cadeira, enquanto quem quer que fosse do outro lado da porta continuava a tocar furiosamente à campainha.
- Já vai, já vai!!!! – Acabei por gritar, enquanto tropeçava nos sofás para chegar à entrada. Abri a porta, e só não me saltou o coração para fora da boca, da tamanha surpresa que senti, porque enfim – TENOH?! – Acabei por exclamar, admiradíssimo e sem saber mais o que dizer, pois Haruka puxou-me para o exterior, o que me fez ficar ainda mais surpreendido, e sem saber o que dizer.
- Vem comigo por um pouco, e não faças perguntas ainda, eu explico tudo a seu tempo… - Limitou-se a dizer, enquanto me puxava para as traseiras da casa, onde ninguém nos poderia ver. Mas que raio esta me quer, logo agora? E porque é que ela está aqui? E porque eu tenho de estar a falar com esta coisa agora? Oh minha nossa senhora dos azeites, explica-me lá o que raio faço agora? Fiquei confuso de novo e ainda mais confuso fiquei quando Haruka se encostou a um dos bancos de jardim. Eu acabei por me encostar também, observando o exterior, que ao invés do interior da casa, estava vivo e sonoro, com os pássaros a cantar alegremente e a voar de árvore em árvore, as abelhas a voarem de rosa em rosa, a brisa fresca de Agosto a correr alegremente pelo ar. Algo diferente se passava ali, e isso era bem notório. Eu olhei para Haruka, que se mantinha em silêncio, enquanto olhava para o azul do céu. Eu fartei-me do silêncio dela e acabei por, num tom jocoso, falar-lhe.
- Ok, Loirinha… - Ups, esqueci-me, mas isto já é o hábito… - Quer dizer… Haruka… - Disse, ao ver o ar aborrecido que Haruka me lançou por lhe ter chamado aquela alcunha que até há uns tempos renegara, e proibira-me a mim mesmo de lhe chamar – Apareces sem avisar, tocas à campainha que nem uma doida fugida do manicómio e arrastas-me para as traseiras do jardim quando eu estou em pijama, é bom que tenhas uma boa explicação para tudo isto… Sabes, é que há paparazzis por aí, e não me apetece aparecer nas revistas cor-de-rosa em pijama a falar contigo… Iria ser embaraçoso e manchar a minha imagem…
- Desculpa Yaten, pelo incómodo que te estou a causar, mas és a única pessoa a quem posso pedir ajuda agora… - Haruka lançou-me um olhar de fúria controlada, devido a alguns comentários que eu fizera, mas isso nem me intimidou. Não tinha medo dela. Mas de qualquer forma, aquela frase dela, tão dócil, apesar de o olhar dela não o ser, surpreendeu-me por momentos. Isso fez-me olhar de novo para Haruka, nomeadamente para a sua cara. Olheiras profundas demarcavam os seus olhos verde-esmeralda de maneira sinistra e o seu cabelo parecia desalinhado, ao contrário do que era normal nela. Até as suas roupas fugiam do tom normal que ela vestia. Uma monocromia de pretos deixava Haruka com ar de quem iria assistir a um funeral. O que se passava com ela, não sei, mas deixou-me preocupado, o que era estranho. Mas mesmo assim, ela não tinha culpa da sonsa que a amiga era.
- Ajudar? – Acabei por perguntar, após um longo momento de silêncio entre nós, em que só se ouviu o piar dos pássaros nos ninhos. Haruka olhou para mim, com um ar de surpresa, mas depois desviou o olhar, olhando para o chão relvado – Ajudar como?
- Bem… - O olhar dela precipitou-se de novo para o céu azul, onde os pássaros voavam livremente, e enquanto as nuvens passeavam suavemente, numa marcha calma e calculada, em conjunto com o vento lento que corria num tom que me pareceu triste de repente. As mãos dela vasculhavam algo no bolso das calças, e um envelope tingido de tons de azul-marinho, dobrado ao meio saiu de lá. Haruka estendeu o envelope na minha direcção. Numa primeira leitura do exterior do envelope, vi que a carta vinha dos Estados Unidos, pelo que calculei que estivesse em inglês. Acabei por olhar para ela, e ela assentiu com a cabeça, como que a dizer que podia abrir o envelope, e ler o conteúdo da carta, o que acabei por fazer, e após uma leitura rápida e na diagonal desta, consegui apreender que ela tinha sido convidada para ir para os Estados Unidos. O que ainda não tinha apreendido, era no que é que eu a podia ajudar. Isso estava a passar-me completamente ao lado. Após ter lançado um olhar de pura incompreensão para ela, ela acabou por suspirar, completamente frustrada por eu não ter entendido à primeira, e então começou a explicar – Yaten… Essa carta… Ela foi-me enviada por um antigo treinador meu, do tempo das corridas de Fórmula 1, há alguns anos atrás… Ao que parece, ele emigrou para os Estados Unidos, e conheceu uns tipos da NASCAR, e passados alguns anos, eles ficaram grandes amigos. E há coisa de um ano, eles perderam o piloto deles para outra companhia, e ficaram sem ninguém. O meu antigo treinador, numa de os ajudar, mostrou-lhes vídeos de corridas minhas, quando eu pilotava carros de Fórmula 1 e eles gostaram da minha qualidade a conduzir e essas coisas todas… E então decidiram contratar-me… Até aí tudo bem…
- Ouve lá, não quero parecer indelicado e insensível e isso tudo, mas… Porque não falaste com a Michiru… Ela não é tua amiga? Ela é que te pode ajudar, não eu… - Acabei por fazer um ar de desinteresse profundo – Porque é que me estás a contar isto tudo a mim? – Suspirei de profundo tédio. Ela olhou para mim, com um sorriso aberto, o que não era nada natural nela. Depois suspirou.
- Ah… Aí é que está o grande mistério… - Falou num tom meio sonhador, e acabou por largar uma risada nervosa, depois focando o seu olhar profundo no meu, fazendo com que passado algum tempo, eu tivesse de desviar o olhar. Sentia que ela me estava a deixar uma mensagem clara, mas que não a estava a descortinar de todo. Mas depois, foi como se uma lâmpada se tivesse acendido dentro da minha cabeça. Olhei para ela, num tom de preocupação, enquanto o olhar dela estava fixado numa abelha que tirava o pólen de uma rosa amarela. A luz do sol reflectiu-se naquilo que me pareceram lágrimas, que escorriam pelo semblante absurdamente belo de Haruka, e isso deixou-me com a clara ideia de que aquilo que pensara estava mais perto da realidade do que aquilo que julgara.
- Tu… Não falaste mesmo com ela, pois não? – Acabei por perguntar, mas não obtive resposta da parte dela, o que me deixou assim, meio que arrependido de ter exposto os meus pensamentos – Desculpa, não quero parecer intrometido.
- Não tens de pedir desculpa… - Os olhos verde-esmeralda dela precipitaram-se de novo para os meus, ainda em lágrimas, e depois continuou a falar, num tom meramente objectivo – Eu recebi esta carta pouco depois da perda da semente de estrela da Makoto. Eu na altura, telefonei logo para lá, e depois de uma conversa longa ao telefone, os americanos deixaram-me ficar a pensar no assunto pelo tempo que quisesse antes de tomar uma decisão definitiva, visto que eles só vão entrar de novo em competição na época que vem. Só que eu, para variar, meti o meu dever como guerreira à frente dos meus sonhos, e com isto tudo das sementes de estrela… Sabes, Yaten… O meu grande sonho, é tornar-me uma piloto conhecida mundialmente, provar aos homens que até as mulheres conseguem ser bem-sucedidas nos desportos motorizados, e que até conseguem ser melhores que eles, se for preciso… Agora… Surgiu-me essa oportunidade, mesmo à frente do meu nariz, e eu quero agarrá-la… Só que como tu já conseguiste apreender, eu não lhe contei nada disto, isto é, ela nem sabe desta carta, melhor, ninguém sabe dela, sem ser eu e tu. Não lhe contei, tanto pela falta de tempo, tanto por causa daquele… Bem, não interessa para o caso, porque iria puxar determinados assuntos, e não te quero ofender de maneira nenhuma neste momento… - Tenho a clara certeza de que Haruka iria falar de Seiya, mas ignorei aquele aparte – Acabei mesmo por não lhe contar, e também… Com o que aconteceu há duas semanas… Ela na altura perdoou-me mas eu sei que a magoei, Yaten… Ela é minha amiga, mas eu magoei-a… E eu não lhe contei nada… Só quero poder sair da vida dela, para não a magoar mais… Essa é uma das razões pelas quais nem cheguei a falar disto a ela…
- Haruka… - Olhei para ela, precipitando a minha mão para a face dela, limpando-lhe as lágrimas que corriam a bom correr pela cara dela. Ela ficou surpresa, mas nada disse, e nada fez, deixando que eu lhe limpasse as lágrimas, apesar de ela continuar a chorar, e novas lágrimas preenchessem o vazio que era deixado pela minha mão, pelo que passado um bocado acabei por desistir de o fazer – Desculpa dizer isto, mas estás a chorar… E mais uma vez desculpa, Haruka, mas não estou a entender o porquê de tu quereres a minha ajuda.
- Aff… Não tenho culpa de seres tão burrinho… - Ela dissera aquilo num tom que, ao que me parecera, fora para eu não ouvir, mas eu ouvi, e de certa forma fiquei ofendido, embora não tenha dito nada, pois naquele momento, também de certa forma compreendia a frustração dela. Mas naquele momento, tinha mais em que pensar, não nos problemas dela.
– Enfim… A Michiru foi fazer uma tournée para o Canadá, e só deve voltar para a semana que vem ou assim… Como não lhe disse rigorosamente nada, e também como já tenho as malas feitas e já as tenho dentro do carro, tenho tudo o que necessito. Deixei-lhe um bilhete de despedida, pelo que não me tenho de me preocupar com choradeiras. E de qualquer forma, julgo que ela deve entender… Ah… Pensei que tomar esta decisão fosse bem mais fácil do que neste momento está a parecer…
- Mas, epah, podes estar a passar-te dos carretos comigo exactamente neste momento, mas eu sou mesmo burro e não estou mesmo a entender… Mas se a Michiru… Tu não foste com ela? – A confusão patente no meu semblante fê-la fazer um esgar de frustração, e depois desviar de novo o olhar, não querendo que lesse os sentimentos dela através do seu olhar e semblante melancólicos.
- Não… Nós discutimos de novo, Yaten, e ela disse-me claramente que não queria que fosse com ela. Sabes… Eu e a Michiru já somos amigas há bastante tempo, mas apesar disso, somos dois pólos completamente opostos. E para além disso, há dias em que nos damos bem, outros em que nem por isso. E desde que o teu irmão anda com ela que nós temos discutido dia sim, dia não, e nos dias assim-assim. Yaten, tu sabes bem que eu não consigo evitar odiar o Seiya… E ele também não gosta de mim nem um pedacinho, pelo que assim estamos quites… Para mim é para o lado que durmo melhor… Sabes que mais Yaten, já chega de conversa fiada, estou farta de perder tempo… - Ela olhou de novo para mim com um ar de mera frustração, e depois o seu olhar mudou para um olhar admirado, assim que comecei a falar. Aquilo que eu começara a apreender após ela me ter dito que não tinha ido com a Michiru acabara por se montar num puzzle na minha cabeça, e num panorama que me desagradara completamente.
- Ahhhh! Já percebi… Precisas que alguém te ajude a saíres daqui para fora, mas não podes pedir às tuas amiguinhas, senão elas vão impedir-te de o fazeres, pelo que vieste pedir ao irmão do teu maior inimigo para fazer… Essa ideia é mesmo genial… - Acabei por dizer com um ar sarcástico, e num tom meramente cáustico. Deves pensar que isto é como na feira da ladra não? Isto não é assim… - Usar-me dessa maneira tão… Idiota… Devias ter pensado melhor na hipótese de eu te dizer não, não é?
- Unf… Já estava à espera que te cortasses… Como esperado do Yaten Kou, não… Como esperado do sonso do irmão do Seiya… Nem sei porque perdi tempo contigo… Afinal de contas, o que sou para ti? Deixa estar… Esquece o que te disse, esquece que esta conversa existiu… Adeus, Kou… - Ela quis virar-me costas e ir-se embora, contudo, eu não o podia permitir. Haruka estava enervadíssima e eu podia percepcioná-lo claramente. Não poderia deixá-la conduzir naquele estado, ou deixá-la fazer alguma coisa assim naquela pilha de nervos. Apesar de não gostar do que ela me pedira indirectamente, algo me dizia que a devia ajudar.
- Minha querida – Acabei por dizer sarcasticamente – Espera aí que não vais a lado nenhum! Posso não gostar daquilo que me pedes, e posso não gostar que me uses, mas também não te posso deixar ir assim nesse estado, muito menos deixar-te conduzir assim! Olha para ti, Haruka! Tu estás nervosa até dizer chega! Desculpa-me lá, mas não te deixo ir assim a lado nenhum! – Acabei por me aproximar dela cautelosamente, agarrando-lhe o braço, impedindo-a de andar mais. Contudo, e para admiração minha, Haruka acabou por se desmanchar em lágrimas e por cair nos meus braços num pranto autêntico. Nunca tinha visto Haruka naquele estado que para mim era lastimável, e isso deixava-me quase sem reacção. Contudo, e ao invés do que normalmente faria, acabei por usar os meus poderes nela, e acabei por a pôr na inconsciência. Ela necessitava de se recompor.
Passaram-se algumas horas depois de Haruka me ter aparecido lá em casa. Ela agora dormia serenamente no andar de cima, dentro do meu quarto. Entretanto eu ficara no andar de baixo, em silêncio, a ver se Seiya se decidia a aparecer. Durante o tempo em que Haruka ficou inconsciente lá em cima, eu fiquei a pensar no que ela me dissera. Talvez não fosse assim tão mau ajudá-la. Afinal, que teria eu a perder? Acho que nada.
Estava descontraidamente a beber um chá de tília na cozinha, enquanto comia uns scones de manteiga, que acabara de fazer, com a ajuda de uma receita que para lá tinha. Apesar de não ter grande experiência na cozinha, por acaso esta nem tinha corrido tão mal assim. Contudo, e mesmo assim, prefiro a fotografia. Fabricar imagens que todas as pessoas podem ver, e talvez causar-lhe a sua felicidade ou até a melancolia, era a minha verdadeira paixão. Isso sim, era digno de mim. Fazer doces é mais para fadas do lar como o Taiki.
Como será que Haruka vai acordar, e depois quando vir as horas, e vir que eu a fiz, e isto provavelmente, perder o voo. Ela no mínimo vai matar-me… Ai por amor à Princesa porque é que me meti nisto… Ah… Não tive outro remédio… Ela obrigou-me não é? Aff…
- YATEEEEEN! SEU IDIOTA! VAIS FAZER-ME PERDER O VOO! EU NÃO ACREDITO NISTO! – Ouvi uma voz que me fez saltar na cadeira. Haruka acordara e estava completamente passada dos carretos. Acabei por engolir em seco, levantando-me da cadeira, preparando-me para o que aí vinha, enquanto Haruka descia as escadas de forma agressiva. Ao chegar ao andar de baixo, dirigiu-se à cozinha, e assim que me viu, pegou-me pelos colarinhos, fazendo-me sentir pela primeira vez em muito tempo medo dela, e também fez sentir-me mais pequeno do que aquilo que era. Engoli de novo em seco, enquanto os seus olhos pousavam-se nos meus, com fúria – COMO FOSTE CAPAZ, YATEN?!
- Ei… Ei… H…Haruka! Tem calma! – Eu tentei, de algum modo, safar-me daquela situação, que poderia não acabar lá muito bem para o meu lado. Ela estava ainda mais enervada do que quando a adormeci, para o bem dela, e estava deveras a ficar com medo – P…Por favor… Haruka… T…Tem calma!
- TEM CALMA!? COMO POSSO TER CALMA!? Fazes-me perder o voo e pedes-me para ter calma?! Yaten, podes pedir-me tudo, menos pedir-me para ter calma! Eu agora devia…
- H…Haruka! Eu… Eu pago-te o voo se for preciso, mas por amor à Princesa de Kinmoku tem calma! Eu… Eu estive a pensar no que me disseste há umas horas, para ser mais preciso há quatro horas… Eu vou ajudar-te!
- O quê?! Estás a gozar comigo, não estás? – Acabou por dizer, completamente apanhada de surpresa, acabando mesmo por me libertar a gola da camisa, a qual ajeitei, enquanto ela ainda me fitava incrédula. Eu sorri, como que a dizer que falava a verdade, e não só por estar numa situação de pressão.
- Não… De maneira alguma gozaria contigo, Haruka… - Acabei mesmo por dizer, depois de alguma hesitação. Eu sabia que teria de fundamentar bem a razão de a ajudar, senão Haruka não acreditaria naquilo que estava a dizer – Eu estive a pensar, enquanto dormias lá em cima, naquilo que me disseste… E realmente tens razão… Tens de te afastar um pouco, e se por esse bocado que estiveres longe poderes cumprir um sonho antigo… Tens todo o meu apoio. Agora, Haruka, por favor, acalma-te, não quero atrasar mais a tua partida…
Ela olhou para mim com a admiração espelhada no rosto. Ficou algum tempo sem dizer palavra, enquanto sentia o seu olhar a percorrer o meu, tentando encontrar em mim motivos para duvidar das minhas palavras. Contudo, eu não lhe dei esse motivo, porque ele nem sequer existia.
- Y…aten… - Acabou por dizer – Nem… Nem sei que te diga…
- Basta dizeres para eu me despachar e parar com a conversa fiada. Os agradecimentos podem ficar para depois… - Respondi-lhe com um sorriso caloroso, enquanto me dirigia para o hall de entrada, para pegar nas chaves de casa – Vá, anda… Não estavas cheia de pressa?
- Ah, sim… Sinceramente nunca pensei ter de te pedir ajuda, Guinchinhos… - Aquela última frase de Haruka, fora dito num sussurro, de maneira a que eu não pudesse ouvir, mas de certa forma, eu ouvira. Eu ri-me, e depois, num tom bem audível, disse.
- Nem eu nunca pensei ajudar-te, Loirinha… - Acabei por responder, de maneira amigável, ao que ela me respondeu com um ligeiro rosnar. Eu ri-me de novo.
- Idiota… - Tartamudeou ela, manifestamente aborrecida comigo. Contudo, ao ver que eu não levara a mal, e que até me tinha rido, ela acabou por rir também, acabando por quebrar a tensão que corria no ar. Ela parecia agora mais descontraída, e isso era bom.
Sentia quase que a sua aura estava mais leve. Olhei para ela, e o olhar dela estava de novo perdido no vazio. Isso deixou-me meio que preocupado pois sentia que ela não estava bem certa daquilo que ia fazer.
- Haruka, posso fazer-te uma perguntinha? – Acabei por dizer. Ela assentiu com a cabeça – Tens a certeza de que é isto que queres fazer? – Ela olhou com um ar escarninho para mim, e depois riu-se.
- Não estás mesmo à espera que te responda a isso, pois não, Yaten Kou?
- Nunca me passou isso pela cabeça… - Acabei por dizer, encolhendo os ombros, e acabando por nem dizer mais nada quanto ao assunto, embora não acreditasse que ela estivesse completamente certa da sua decisão. Se ela não queria revelar tal facto, não iria insistir para que ela me contasse. Abri finalmente a porta, e depois deixei que Haruka me guiasse até ao local onde ela tinha estacionado o carro. Sempre ao lado dela, andámos três quarteirões inteiros até chegarmos onde queríamos.
Haruka parou em frente a um Dodge Viper em tons de vermelho, com listas brancas de rali, que lhe dava um toque rebelde. O carro estava estacionado mesmo em frente à casa de jogos onde o Taiki costumava ir ter com a Ami. Haruka olhou de esguelha para mim, enquanto eu depositava um olhar de pura inveja no carro, e fazia viajar os meus olhos por todo ele, admirando-o. Bolas, que carro… Este põe o meu Celica a um canto… O carro é mesmo lindo…
Umas chaves voaram na minha direcção, e eu tive de fazer uma ginástica desgraçada para evitar que elas caíssem na sarjeta. Eu fiquei admirado, enquanto ouvia Haruka rir-se. Eu olhei para a chave, e depois vi Haruka entrar para o lado do passageiro, o que me deixou ainda mais confuso. Mas ela quer que eu conduza isto? Ela quer que eu ponha as minhas mãos no volante de uma bomba destas?
- Estás à espera do quê, Yaten? O meu carro ainda não tem dentes… Entra, vá! – O tom de impaciência que ela usara fizera-me entrar no carro. O facto de ela estar no lugar do passageiro era como que dizer que manifestamente, ela estava a deixar-me por as mãos no volante do carro dela, mas o olhar que ela me lançara assim que entrara, indicara clara e manifestamente que se fizesse um risco que fosse, que ela me comeria viva. Eu engoli em seco, e após ter entrado, sentei-me no banco do condutor, forrado em pele avermelhada, bem como o resto do carro. O facto de o carro ser um topo de gama da Dodge, deixava-me completamente “babado” a olhar para o seu todo, a admirar cada peça, cada detalhe, cada coisinha que apenas um fanático por carros como eu iria notar, e ficar a olhar durante horas e horas, a tentar encontrar um defeito que fosse, embora aquele carro fosse perfeito. Após ter olhado tudo o que tinha para olhar naquele curto espaço de tempo, levei a chave à ignição, e rodei-a cuidadosamente, ligando o motor, que pegou ruidosamente, embora passados alguns segundos apenas se sentisse a vibração deste. Depois, puxei o travão de mão para mim, e o carro acabou por dar um pequeno solavanco para a frente. Olhei para a maneta das mudanças, e acabei por concluir que cometera um erro daqueles mesmo idiotas. Esquecera-me de verificar se o carro estava em ponto morto, e por não estar, dera aquele solavanco.
- Ei! Ouve lá, trata a minha máquina com jeitinho, sim? – Haruka olhou para mim com um olhar fulminante, que dizia nitidamente que ela ficara aborrecida com o meu erro de principiante. Eu balbuciei algo que me pareceu um pedido de desculpas, e depois arranquei lentamente com o carro, introduzindo-me no trânsito citadino.
Eram agora seis da tarde em Tóquio e o trânsito estava um caos, apesar de estarmos em pleno mês de Agosto. Eu acabei por ficar preso no engarrafamento, que era algo que eu detestava peremptoriamente.
- Bolas! Odeio engarrafamentos! – Acabei por murmurar, nitidamente irritado, enquanto Haruka olhava apenas através da janela do carro, como se estivesse a querer fotografar mentalmente Tóquio, para não esquecer a cidade enquanto vivesse nos Estados Unidos. Ver Haruka assim, e percepcionar o seu estado de espírito, dava-me dó. É nestas alturas que odeio ter a capacidade de percepcionar tudo o que a pessoa sente, mesmo que ela me tente esconder isso. Por isso é que por vezes, prefiro não estar com o Seiya e que ele esteja fora de casa, embora isso me preocupe, do que ele estar deprimido, e eu ter de levar com a tristeza dele, e depois estar com Minako, e sofrer o mesmo.
- Podes crer que sim… Isso vai ser uma coisa da qual não vou ter saudades… - Ouvi um murmúrio vindo de Haruka, em resposta ao meu comentário, e depois novamente o silêncio.
Continuei a conduzir pelas ruas engarrafadas de Tóquio, até chegar à auto-estrada que nos conduzia ao aeroporto, meia hora depois de termos ficado entupidos no trânsito. Aí, dei largas à potência do carro, e meti-o a andar a 120 km/h, o que me deixou completamente nas nuvens. Haruka não me censurou, e eu também não me apetecia abrandar. Sabia bem acelerar desta maneira. Aproveitei que a auto-estrada que nos levava em direcção ao aeroporto estava meio vazia, e acelerei um pouco mais, até aos 190 km/h. Aí Haruka olhou para mim meio a receio não sei se por ela, ou se pelo carro, e eu acabei por lhe sorrir com condescendência, diminuindo a velocidade de novo para os 120 km/h. Contudo, não deixava de ser boa a sensação. O arranque daquele carro era diferente do meu, de todas as maneiras e feitios. E isso agradava-me.
Acabámos por chegar ao aeroporto às sete da tarde. Encontrar um lugar para estacionar naquele local foi uma tarefa que se verificou difícil, pois a maior parte dos carros estavam ali porque as pessoas tinham ido viajar, e deixavam ali os carros para quando voltassem, pudessem ter como voltar para casa, e isso dificultava a vida de quem ia lá só para deixar alguém. Contudo, acabei por encontrar um lugar num dos parques subterrâneos, o que não me deixou satisfeito. Odiava lugares nos parques subterrâneos. E pareceu-me que Haruka também não os apreciava. Contudo, tive mesmo de estacionar ali. Estacionei, e depois rodei a chave para desligar o carro, que se desligou apenas com o rosnar do motor, sem fazer mais nenhum barulho. Este carro é mesmo uma maravilha… Tenho de ponderar em comprar um também… Pensei, olhando para o volante novamente com a inveja a passear-se pelo meu semblante.
- Chegámos, Haruka… - Ela apenas assentiu com a cabeça e continuou a olhar para o vidro, como se naquele monte de betão armado e carros houvesse algo para guardar como recordação. Olhei de novo para ela, e depois num tom baixo disse – Vou só ali buscar o cartão de estacionamento, e já venho, Haruka… Fica aqui, por favor… - Ela voltou a assentir com a cabeça e não disse nada de nada, continuando a olhar na mesma para o vidro. Eu encolhi os ombros, e saí do carro, fechando a porta cuidadosamente. Depois de ter percorrido duas vezes a imensidão silenciosa do parque de estacionamento, voltei ao carro, onde Haruka já retirava de dentro a mala do porta-bagagens. Eu fiquei admirado, mas nada disse.
- Se queres saber, foi o vento que me disse que já vinhas aí… - Limitou-se Haruka a dizer, num tom que me pareceu incoerente, e que me apanhou de surpresa. Como é que ela poderia saber o que estou a pensar? Afinal não sou só eu que sou perspicaz… Acabei por pensar. Haruka depois de ter dito aquilo, fechou o porta-bagagens, trancando depois o carro. Eu tinha deixado a chave na ignição, e como ela estava no carro, podia dar-me ao luxo de o fazer. Depois, com um ar triste, Haruka atirou-me as chaves de volta, o que me admirou de novo.
- Haruka… Mas tu…
- Não… - Interrompeu-me ela – E de qualquer maneira, para além de teres de deixar o meu carro em minha casa, tens de ter maneira de voltar para casa. E para além de mais, de que me serve uma chave sem ter o carro? – Ela lançou uma gargalhada frouxa, e eu acabei por sorrir, colocando a chave no bolso. Depois, saímos dali em direcção ao interior do aeroporto propriamente dito.
Haruka ia em silêncio a meu lado, puxando a mala dela, enquanto a preocupação começava a assumir de novo lugar no meu semblante. Sinceramente, nem sei porque me preocupo, mas também, se é mais uma pessoa a sofrer à responsabilidade daquele atum fora de água (leia-se Michiru), é normal que fique preocupado. Parecia quase maldição. Contudo, não comentei nada com Haruka, com medo de a aborrecer. Ela também nada fez por puxar conversa, e eu também não me dei ao trabalho de o fazer. Não me apetecia muito falar também. De repente e sem aviso, Haruka falou.
- Umphf… Não vou mesmo ter saudades desta cidade… - Ela falou quase num tom que não se ouvia no meio da confusão do aeroporto, e eu, num tom igual ao dela, respondi-lhe, enquanto lia o quadro das partidas.
- Vá-se lá te compreender, oh Loi…Haruka… - Acabei por me corrigir. Depois, vi algo que me deixou de olhar arregalado – Ouve lá, a que hora era o teu voo?
- Às seis, porquê? – Perguntou-me ela confusa, e depois começou a observar também o quadro das partidas, e acabou por arregalar também o olhar – Estranho… No Verão os voos não costumam atrasar-se tanto… Uma hora de atraso… Sendo assim, é melhor aproveitar… - Ela sorriu-me, e eu de certa forma, agradeci aos céus, por ela não ter perdido o voo. Só de pensar no dinheiro que teria de gastar se isso tivesse acontecido, era o suficiente para me deixar completamente arrepiado. Assim podia ir sossegadinho para casa. Embora soubesse que se ela tivesse perdido o voo, teria mesmo de a compensar por isso.
- Sim, é melhor aproveitares, Haruka… Parece que hoje é o teu dia de sorte… Afinal de contas, não perdeste o teu voo… - Disse, acabando depois por deixar o silêncio tomar conta de nós. Era como se quiséssemos dizer algo, mas não sabíamos de que maneira o queríamos dizer. Era assim que me sentia. E pelos vistos Haruka também deveria sentir o mesmo, pois não dizia nada. Mas isso já era hábito…
- Sim… É isso que eu tenho de fazer… - Acabou por dizer, após alguns minutos de silêncio. Eu sorri para ela, e depois ela continuou a falar – Yaten… Obrigada por tudo…
- Não tens por que agradecer… - Acabei por sorrir de novo, e ela respondeu-me com um sorriso também, nada normal nela. Mas isso já não me admirava. Depois de tudo o que tinha visto naquelas horas que estivera com ela, já nada me admirava.
- Diz à Minako que lamento imenso pelo pai dela… Ela não merecia que isto acontecesse assim… E diz-lhe que lamento imenso por não estar cá para a apoiar… Ah e outra coisa… Eu, no bilhete que deixei à Michiru, não lhe disse para onde ia. Podes não contar-lhe, por favor?
- A minha boca será um túmulo… Não te preocupes. Também não é do meu interesse que ela saiba onde estás… Haruka…
- Diz…
- Boa sorte… Para tudo… Espero que finalmente consigas ser feliz a realizar o teu sonho, se essa é a tua verdadeira vontade…
- Obrigada… Bem, chegou a hora do adeus, Yaten… - Ela estendeu a mão em trejeito de cumprimento, e eu apertei-a com vigor. Ela voltou a sorrir.
- Adeus, Haruka… E mais uma vez, não tens que agradecer nada, estou sempre às ordens de quem mais precisa! – Acabei por me rir e ela também. Depois de uma última troca de olhares, ela foi-se embora.
Uma hora depois de ter saído do aeroporto, cheguei a casa finalmente. Tinha deixado o carro de Haruka na casa onde ela vivera até hoje, e depois tinha enfiado a chave na caixa do correio, por não saber o que fazer com ela. Deixei tudo de modo a que parecesse que Haruka tinha apanhado um táxi, e depois, fui-me embora, para não restarem provas de que tinha sido cúmplice de Haruka.
Assim que entrei, ouvi logo o telefone tocar, e a minha mão precipitou-se logo para o mesmo, atendendo-o.
- Estou… - Disse, ofegante.
- Yaten tens de vir para o hospital… Agora…
- O que aconteceu? – Perguntei, achando quase normal o tom de alarme que o Seiya usava do outro lado da linha. Vindo do hospital, e aquele tom de alarme, só podia significar uma coisa – O pai da Mina morreu, não foi? – O silêncio que se ouviu do outro lado da linha foi confirmação suficiente para aquilo que afirmara. Eu já sabia que mais tarde ou mais cedo isso aconteceria, só não estava à espera que fosse já. Contudo, teria de ir dar apoio a Mina.
- Yaten… Queres que fique aqui até chegares?
- Sim… Eu tenho de telefonar ao Taiki para eles voltarem… O Taiki disse que voltava se isso acontecesse antes do fim das férias dele. Seiya… Não deixes a Minako ir-se abaixo, por favor… - Disse-lhe, num tom de súplica, enquanto sentia as lágrimas a escorrer pela minha cara, de forma involuntária. Não queria chorar, queria ser forte, mas uma coisa destas, era impossível não chorar. Depois de mais umas palavras, desliguei a chamada, telefonando de seguida para Taiki. Ele ouviu tudo com atenção, e depois comprometeu-se a voltar no dia seguinte.
Após ter falado com eles, fui buscar as chaves do carro ao andar de cima, e o telemóvel, e depois de dar uma arrumadela na cama, fui-me embora de casa, indo para o hospital.
É que eu escrevi-o até as seis da manha. Se o final tiver sucky e porque tava com soninho 
Jokinhas e boa leitura

Capítulo 31 – Partida inesperada
Passaram duas semanas após a discussão absurda entre a Haruka e o Seiya.
Durante este tempo, que pareceu a mim demasiado longo, Seiya andou completamente deprimido. Eu já soubera o que acontecera, e tinha falado com ele no próprio dia em que tudo acontecera. Já lhe dissera por diversas vezes para passar por cima do assunto, mas era igual a não dizer nada. Seiya não reagia a nada do que lhe dizia, e para ele, estar longe de Michiru era-lhe insuportável. Contudo, ele nada podia fazer.
Por outro lado, Taiki estava todo feliz da vida com Ami. Bem, ao menos um de nós que tenha sorte ao amor não é? Ele e Ami foram, numa de comemoração da vitória na batalha, numa espécie de “lua-de-mel antecipada”, como lhe chamei na altura; para Portugal, mais precisamente para as praias quentes do Algarve. Uns amigos nossos já lá tinham estado há uns tempos e recomendaram ao Taiki que levasse Ami a passar lá uns dias, enquanto as nossas férias não acabavam. Taiki aproveitou a deixa, e decidiu deixar o ambiente depressivo que se vivia cá em casa por uns tempos, embora ele todos os dias telefone a toda a hora para saber como estão as coisas.
Depois, eu e Minako.
As coisas entre nós estão bem, mas com Minako, as coisas não estão lá grande coisa.
Minako anda deprimida, e com razão. O pai dela tinha sido internado no hospital, com um AVC grave, e agora está em coma profundo. O prognóstico é reservado, e os médicos por diversas vezes afirmaram que possivelmente o pai de Minako já não recupera desta, e que vai acabar por falecer. Isso deixou Minako completamente de rastos, pois o pai dela era o farol que a guiava, e para ela, era impossível viver sem ele. Minako passa dias e noites inteiras no hospital, a tentar passar com ele o máximo de tempo possível, embora já lhe tenha dito por diversas vezes que ela não deveria fazer isso. Ela não deveria ficar com memórias dele desta maneira, isso só iria fazer-lhe mal, e de certeza que o pai de Minako não quereria que ela o recordasse desta maneira. Contudo, Minako insistia, e eu nada podia fazer. Contudo, a Minako que me aparece à frente sempre que vou ter com ela ao hospital não é a minha Minako. Aquela Minako que sorria sempre, que tinha sempre uma piada para dizer, aquela Minako calorosa, não existia neste momento. Ela estava apagada numa camada de preto, e isso deixava-me triste também. Não consigo ficar alegre neste momento, quando a pessoa mais importante da minha vida está neste estado. Contudo, tento tudo para viver normalmente, apesar de não conseguir viver sob estas ondas de letargia.
Hoje é sábado. Seiya fora sair, deixando-me completamente sozinho por umas horas. Ele tem-me dito muitas vezes ultimamente que apenas sai para descomprimir, mas eu sei que ele está no hospital a dar apoio a Minako. Minako contara-me que quando eu não podia, Seiya estava com ela. Apesar de não ser a mesma coisa que eu lá estar, isso dava-me algum conforto. O facto de Seiya não deixar Minako ir-se abaixo, e o facto de ele estar lá para ela, para a apoiar, ser amigo dela e ajudá-la quando eu não o posso fazer, isso confortava-me. Ao menos, assim não pensava na Michiru, e sofria menos com tudo o que se passou entre eles. Eu continuo a achar que ela não o merece, sobretudo depois do que ela fez. O Seiya merece bem melhor que aquela sonsinha sem sal, e se calhar sozinho ficava mais bem entregue. Eu espero que ele acabe por encontrar alguém que goste dele pelo que é, e que não seja como Michiru e traga as amiguinhas para as relações. Seiya não merece pessoas assim. O meu irmão é uma pessoa muito especial, e merece bem melhor que isso. Embora eu também saiba que o meu irmão é como os burros, tem duas palas nos olhos e só olha em frente, neste caso, ele só tem olhos para a Michiru “eu sou tão boa mas sonsa como tudo” Kaioh.
Estava na cozinha a almoçar, enquanto o silêncio mordaz viajava sem rumo por toda a casa. O vazio que havia na casa, contrastava comigo mesmo, que estou completamente cheio de pensamentos, o que me deixa de certa forma aborrecido. Nestas alturas, eu desejava poder ter um botão on/off, e poder desligar-me do mundo e de tudo o que me rodeia, para poder ter alguma paz de espírito. Às vezes penso se não seria melhor se apenas voltasse para de onde vim, isto é, se voltasse a Kinmoku. Era excelente se isso acontecesse. Nunca mais pediria nada na vida. Eu apenas queria ter paz. Poder viver uma vida normal, sem mais guerras, sem mais lutas, apenas eu e Minako, longe de todos. Apenas os dois. Seria tudo melhor, ou pelo menos, assim o penso.
Enquanto dava as últimas garfadas na massa à carbonara que fizera para o meu almoço, ouvi a campainha tocar num tom ríspido. A campainha tocou tantas vezes, mas tantas vezes, que me irritou de certa maneira. Eu ainda para mais, estava em pijama, e também não estava à espera de ninguém àquela hora. Contudo, acabei por limpar a boca ao guardanapo, limpando os restos de natas que tinha na boca, suspirando, completamente frustrado por nem o meu almoço conseguir comer calmamente, e atirei com o prato para o lava-loiças. Depois arrumei a cadeira, enquanto quem quer que fosse do outro lado da porta continuava a tocar furiosamente à campainha.
- Já vai, já vai!!!! – Acabei por gritar, enquanto tropeçava nos sofás para chegar à entrada. Abri a porta, e só não me saltou o coração para fora da boca, da tamanha surpresa que senti, porque enfim – TENOH?! – Acabei por exclamar, admiradíssimo e sem saber mais o que dizer, pois Haruka puxou-me para o exterior, o que me fez ficar ainda mais surpreendido, e sem saber o que dizer.
- Vem comigo por um pouco, e não faças perguntas ainda, eu explico tudo a seu tempo… - Limitou-se a dizer, enquanto me puxava para as traseiras da casa, onde ninguém nos poderia ver. Mas que raio esta me quer, logo agora? E porque é que ela está aqui? E porque eu tenho de estar a falar com esta coisa agora? Oh minha nossa senhora dos azeites, explica-me lá o que raio faço agora? Fiquei confuso de novo e ainda mais confuso fiquei quando Haruka se encostou a um dos bancos de jardim. Eu acabei por me encostar também, observando o exterior, que ao invés do interior da casa, estava vivo e sonoro, com os pássaros a cantar alegremente e a voar de árvore em árvore, as abelhas a voarem de rosa em rosa, a brisa fresca de Agosto a correr alegremente pelo ar. Algo diferente se passava ali, e isso era bem notório. Eu olhei para Haruka, que se mantinha em silêncio, enquanto olhava para o azul do céu. Eu fartei-me do silêncio dela e acabei por, num tom jocoso, falar-lhe.
- Ok, Loirinha… - Ups, esqueci-me, mas isto já é o hábito… - Quer dizer… Haruka… - Disse, ao ver o ar aborrecido que Haruka me lançou por lhe ter chamado aquela alcunha que até há uns tempos renegara, e proibira-me a mim mesmo de lhe chamar – Apareces sem avisar, tocas à campainha que nem uma doida fugida do manicómio e arrastas-me para as traseiras do jardim quando eu estou em pijama, é bom que tenhas uma boa explicação para tudo isto… Sabes, é que há paparazzis por aí, e não me apetece aparecer nas revistas cor-de-rosa em pijama a falar contigo… Iria ser embaraçoso e manchar a minha imagem…
- Desculpa Yaten, pelo incómodo que te estou a causar, mas és a única pessoa a quem posso pedir ajuda agora… - Haruka lançou-me um olhar de fúria controlada, devido a alguns comentários que eu fizera, mas isso nem me intimidou. Não tinha medo dela. Mas de qualquer forma, aquela frase dela, tão dócil, apesar de o olhar dela não o ser, surpreendeu-me por momentos. Isso fez-me olhar de novo para Haruka, nomeadamente para a sua cara. Olheiras profundas demarcavam os seus olhos verde-esmeralda de maneira sinistra e o seu cabelo parecia desalinhado, ao contrário do que era normal nela. Até as suas roupas fugiam do tom normal que ela vestia. Uma monocromia de pretos deixava Haruka com ar de quem iria assistir a um funeral. O que se passava com ela, não sei, mas deixou-me preocupado, o que era estranho. Mas mesmo assim, ela não tinha culpa da sonsa que a amiga era.
- Ajudar? – Acabei por perguntar, após um longo momento de silêncio entre nós, em que só se ouviu o piar dos pássaros nos ninhos. Haruka olhou para mim, com um ar de surpresa, mas depois desviou o olhar, olhando para o chão relvado – Ajudar como?
- Bem… - O olhar dela precipitou-se de novo para o céu azul, onde os pássaros voavam livremente, e enquanto as nuvens passeavam suavemente, numa marcha calma e calculada, em conjunto com o vento lento que corria num tom que me pareceu triste de repente. As mãos dela vasculhavam algo no bolso das calças, e um envelope tingido de tons de azul-marinho, dobrado ao meio saiu de lá. Haruka estendeu o envelope na minha direcção. Numa primeira leitura do exterior do envelope, vi que a carta vinha dos Estados Unidos, pelo que calculei que estivesse em inglês. Acabei por olhar para ela, e ela assentiu com a cabeça, como que a dizer que podia abrir o envelope, e ler o conteúdo da carta, o que acabei por fazer, e após uma leitura rápida e na diagonal desta, consegui apreender que ela tinha sido convidada para ir para os Estados Unidos. O que ainda não tinha apreendido, era no que é que eu a podia ajudar. Isso estava a passar-me completamente ao lado. Após ter lançado um olhar de pura incompreensão para ela, ela acabou por suspirar, completamente frustrada por eu não ter entendido à primeira, e então começou a explicar – Yaten… Essa carta… Ela foi-me enviada por um antigo treinador meu, do tempo das corridas de Fórmula 1, há alguns anos atrás… Ao que parece, ele emigrou para os Estados Unidos, e conheceu uns tipos da NASCAR, e passados alguns anos, eles ficaram grandes amigos. E há coisa de um ano, eles perderam o piloto deles para outra companhia, e ficaram sem ninguém. O meu antigo treinador, numa de os ajudar, mostrou-lhes vídeos de corridas minhas, quando eu pilotava carros de Fórmula 1 e eles gostaram da minha qualidade a conduzir e essas coisas todas… E então decidiram contratar-me… Até aí tudo bem…
- Ouve lá, não quero parecer indelicado e insensível e isso tudo, mas… Porque não falaste com a Michiru… Ela não é tua amiga? Ela é que te pode ajudar, não eu… - Acabei por fazer um ar de desinteresse profundo – Porque é que me estás a contar isto tudo a mim? – Suspirei de profundo tédio. Ela olhou para mim, com um sorriso aberto, o que não era nada natural nela. Depois suspirou.
- Ah… Aí é que está o grande mistério… - Falou num tom meio sonhador, e acabou por largar uma risada nervosa, depois focando o seu olhar profundo no meu, fazendo com que passado algum tempo, eu tivesse de desviar o olhar. Sentia que ela me estava a deixar uma mensagem clara, mas que não a estava a descortinar de todo. Mas depois, foi como se uma lâmpada se tivesse acendido dentro da minha cabeça. Olhei para ela, num tom de preocupação, enquanto o olhar dela estava fixado numa abelha que tirava o pólen de uma rosa amarela. A luz do sol reflectiu-se naquilo que me pareceram lágrimas, que escorriam pelo semblante absurdamente belo de Haruka, e isso deixou-me com a clara ideia de que aquilo que pensara estava mais perto da realidade do que aquilo que julgara.
- Tu… Não falaste mesmo com ela, pois não? – Acabei por perguntar, mas não obtive resposta da parte dela, o que me deixou assim, meio que arrependido de ter exposto os meus pensamentos – Desculpa, não quero parecer intrometido.
- Não tens de pedir desculpa… - Os olhos verde-esmeralda dela precipitaram-se de novo para os meus, ainda em lágrimas, e depois continuou a falar, num tom meramente objectivo – Eu recebi esta carta pouco depois da perda da semente de estrela da Makoto. Eu na altura, telefonei logo para lá, e depois de uma conversa longa ao telefone, os americanos deixaram-me ficar a pensar no assunto pelo tempo que quisesse antes de tomar uma decisão definitiva, visto que eles só vão entrar de novo em competição na época que vem. Só que eu, para variar, meti o meu dever como guerreira à frente dos meus sonhos, e com isto tudo das sementes de estrela… Sabes, Yaten… O meu grande sonho, é tornar-me uma piloto conhecida mundialmente, provar aos homens que até as mulheres conseguem ser bem-sucedidas nos desportos motorizados, e que até conseguem ser melhores que eles, se for preciso… Agora… Surgiu-me essa oportunidade, mesmo à frente do meu nariz, e eu quero agarrá-la… Só que como tu já conseguiste apreender, eu não lhe contei nada disto, isto é, ela nem sabe desta carta, melhor, ninguém sabe dela, sem ser eu e tu. Não lhe contei, tanto pela falta de tempo, tanto por causa daquele… Bem, não interessa para o caso, porque iria puxar determinados assuntos, e não te quero ofender de maneira nenhuma neste momento… - Tenho a clara certeza de que Haruka iria falar de Seiya, mas ignorei aquele aparte – Acabei mesmo por não lhe contar, e também… Com o que aconteceu há duas semanas… Ela na altura perdoou-me mas eu sei que a magoei, Yaten… Ela é minha amiga, mas eu magoei-a… E eu não lhe contei nada… Só quero poder sair da vida dela, para não a magoar mais… Essa é uma das razões pelas quais nem cheguei a falar disto a ela…
- Haruka… - Olhei para ela, precipitando a minha mão para a face dela, limpando-lhe as lágrimas que corriam a bom correr pela cara dela. Ela ficou surpresa, mas nada disse, e nada fez, deixando que eu lhe limpasse as lágrimas, apesar de ela continuar a chorar, e novas lágrimas preenchessem o vazio que era deixado pela minha mão, pelo que passado um bocado acabei por desistir de o fazer – Desculpa dizer isto, mas estás a chorar… E mais uma vez desculpa, Haruka, mas não estou a entender o porquê de tu quereres a minha ajuda.
- Aff… Não tenho culpa de seres tão burrinho… - Ela dissera aquilo num tom que, ao que me parecera, fora para eu não ouvir, mas eu ouvi, e de certa forma fiquei ofendido, embora não tenha dito nada, pois naquele momento, também de certa forma compreendia a frustração dela. Mas naquele momento, tinha mais em que pensar, não nos problemas dela.
– Enfim… A Michiru foi fazer uma tournée para o Canadá, e só deve voltar para a semana que vem ou assim… Como não lhe disse rigorosamente nada, e também como já tenho as malas feitas e já as tenho dentro do carro, tenho tudo o que necessito. Deixei-lhe um bilhete de despedida, pelo que não me tenho de me preocupar com choradeiras. E de qualquer forma, julgo que ela deve entender… Ah… Pensei que tomar esta decisão fosse bem mais fácil do que neste momento está a parecer…
- Mas, epah, podes estar a passar-te dos carretos comigo exactamente neste momento, mas eu sou mesmo burro e não estou mesmo a entender… Mas se a Michiru… Tu não foste com ela? – A confusão patente no meu semblante fê-la fazer um esgar de frustração, e depois desviar de novo o olhar, não querendo que lesse os sentimentos dela através do seu olhar e semblante melancólicos.
- Não… Nós discutimos de novo, Yaten, e ela disse-me claramente que não queria que fosse com ela. Sabes… Eu e a Michiru já somos amigas há bastante tempo, mas apesar disso, somos dois pólos completamente opostos. E para além disso, há dias em que nos damos bem, outros em que nem por isso. E desde que o teu irmão anda com ela que nós temos discutido dia sim, dia não, e nos dias assim-assim. Yaten, tu sabes bem que eu não consigo evitar odiar o Seiya… E ele também não gosta de mim nem um pedacinho, pelo que assim estamos quites… Para mim é para o lado que durmo melhor… Sabes que mais Yaten, já chega de conversa fiada, estou farta de perder tempo… - Ela olhou de novo para mim com um ar de mera frustração, e depois o seu olhar mudou para um olhar admirado, assim que comecei a falar. Aquilo que eu começara a apreender após ela me ter dito que não tinha ido com a Michiru acabara por se montar num puzzle na minha cabeça, e num panorama que me desagradara completamente.
- Ahhhh! Já percebi… Precisas que alguém te ajude a saíres daqui para fora, mas não podes pedir às tuas amiguinhas, senão elas vão impedir-te de o fazeres, pelo que vieste pedir ao irmão do teu maior inimigo para fazer… Essa ideia é mesmo genial… - Acabei por dizer com um ar sarcástico, e num tom meramente cáustico. Deves pensar que isto é como na feira da ladra não? Isto não é assim… - Usar-me dessa maneira tão… Idiota… Devias ter pensado melhor na hipótese de eu te dizer não, não é?
- Unf… Já estava à espera que te cortasses… Como esperado do Yaten Kou, não… Como esperado do sonso do irmão do Seiya… Nem sei porque perdi tempo contigo… Afinal de contas, o que sou para ti? Deixa estar… Esquece o que te disse, esquece que esta conversa existiu… Adeus, Kou… - Ela quis virar-me costas e ir-se embora, contudo, eu não o podia permitir. Haruka estava enervadíssima e eu podia percepcioná-lo claramente. Não poderia deixá-la conduzir naquele estado, ou deixá-la fazer alguma coisa assim naquela pilha de nervos. Apesar de não gostar do que ela me pedira indirectamente, algo me dizia que a devia ajudar.
- Minha querida – Acabei por dizer sarcasticamente – Espera aí que não vais a lado nenhum! Posso não gostar daquilo que me pedes, e posso não gostar que me uses, mas também não te posso deixar ir assim nesse estado, muito menos deixar-te conduzir assim! Olha para ti, Haruka! Tu estás nervosa até dizer chega! Desculpa-me lá, mas não te deixo ir assim a lado nenhum! – Acabei por me aproximar dela cautelosamente, agarrando-lhe o braço, impedindo-a de andar mais. Contudo, e para admiração minha, Haruka acabou por se desmanchar em lágrimas e por cair nos meus braços num pranto autêntico. Nunca tinha visto Haruka naquele estado que para mim era lastimável, e isso deixava-me quase sem reacção. Contudo, e ao invés do que normalmente faria, acabei por usar os meus poderes nela, e acabei por a pôr na inconsciência. Ela necessitava de se recompor.
*****
Passaram-se algumas horas depois de Haruka me ter aparecido lá em casa. Ela agora dormia serenamente no andar de cima, dentro do meu quarto. Entretanto eu ficara no andar de baixo, em silêncio, a ver se Seiya se decidia a aparecer. Durante o tempo em que Haruka ficou inconsciente lá em cima, eu fiquei a pensar no que ela me dissera. Talvez não fosse assim tão mau ajudá-la. Afinal, que teria eu a perder? Acho que nada.
Estava descontraidamente a beber um chá de tília na cozinha, enquanto comia uns scones de manteiga, que acabara de fazer, com a ajuda de uma receita que para lá tinha. Apesar de não ter grande experiência na cozinha, por acaso esta nem tinha corrido tão mal assim. Contudo, e mesmo assim, prefiro a fotografia. Fabricar imagens que todas as pessoas podem ver, e talvez causar-lhe a sua felicidade ou até a melancolia, era a minha verdadeira paixão. Isso sim, era digno de mim. Fazer doces é mais para fadas do lar como o Taiki.
Como será que Haruka vai acordar, e depois quando vir as horas, e vir que eu a fiz, e isto provavelmente, perder o voo. Ela no mínimo vai matar-me… Ai por amor à Princesa porque é que me meti nisto… Ah… Não tive outro remédio… Ela obrigou-me não é? Aff…
- YATEEEEEN! SEU IDIOTA! VAIS FAZER-ME PERDER O VOO! EU NÃO ACREDITO NISTO! – Ouvi uma voz que me fez saltar na cadeira. Haruka acordara e estava completamente passada dos carretos. Acabei por engolir em seco, levantando-me da cadeira, preparando-me para o que aí vinha, enquanto Haruka descia as escadas de forma agressiva. Ao chegar ao andar de baixo, dirigiu-se à cozinha, e assim que me viu, pegou-me pelos colarinhos, fazendo-me sentir pela primeira vez em muito tempo medo dela, e também fez sentir-me mais pequeno do que aquilo que era. Engoli de novo em seco, enquanto os seus olhos pousavam-se nos meus, com fúria – COMO FOSTE CAPAZ, YATEN?!
- Ei… Ei… H…Haruka! Tem calma! – Eu tentei, de algum modo, safar-me daquela situação, que poderia não acabar lá muito bem para o meu lado. Ela estava ainda mais enervada do que quando a adormeci, para o bem dela, e estava deveras a ficar com medo – P…Por favor… Haruka… T…Tem calma!
- TEM CALMA!? COMO POSSO TER CALMA!? Fazes-me perder o voo e pedes-me para ter calma?! Yaten, podes pedir-me tudo, menos pedir-me para ter calma! Eu agora devia…
- H…Haruka! Eu… Eu pago-te o voo se for preciso, mas por amor à Princesa de Kinmoku tem calma! Eu… Eu estive a pensar no que me disseste há umas horas, para ser mais preciso há quatro horas… Eu vou ajudar-te!
- O quê?! Estás a gozar comigo, não estás? – Acabou por dizer, completamente apanhada de surpresa, acabando mesmo por me libertar a gola da camisa, a qual ajeitei, enquanto ela ainda me fitava incrédula. Eu sorri, como que a dizer que falava a verdade, e não só por estar numa situação de pressão.
- Não… De maneira alguma gozaria contigo, Haruka… - Acabei mesmo por dizer, depois de alguma hesitação. Eu sabia que teria de fundamentar bem a razão de a ajudar, senão Haruka não acreditaria naquilo que estava a dizer – Eu estive a pensar, enquanto dormias lá em cima, naquilo que me disseste… E realmente tens razão… Tens de te afastar um pouco, e se por esse bocado que estiveres longe poderes cumprir um sonho antigo… Tens todo o meu apoio. Agora, Haruka, por favor, acalma-te, não quero atrasar mais a tua partida…
Ela olhou para mim com a admiração espelhada no rosto. Ficou algum tempo sem dizer palavra, enquanto sentia o seu olhar a percorrer o meu, tentando encontrar em mim motivos para duvidar das minhas palavras. Contudo, eu não lhe dei esse motivo, porque ele nem sequer existia.
- Y…aten… - Acabou por dizer – Nem… Nem sei que te diga…
- Basta dizeres para eu me despachar e parar com a conversa fiada. Os agradecimentos podem ficar para depois… - Respondi-lhe com um sorriso caloroso, enquanto me dirigia para o hall de entrada, para pegar nas chaves de casa – Vá, anda… Não estavas cheia de pressa?
- Ah, sim… Sinceramente nunca pensei ter de te pedir ajuda, Guinchinhos… - Aquela última frase de Haruka, fora dito num sussurro, de maneira a que eu não pudesse ouvir, mas de certa forma, eu ouvira. Eu ri-me, e depois, num tom bem audível, disse.
- Nem eu nunca pensei ajudar-te, Loirinha… - Acabei por responder, de maneira amigável, ao que ela me respondeu com um ligeiro rosnar. Eu ri-me de novo.
- Idiota… - Tartamudeou ela, manifestamente aborrecida comigo. Contudo, ao ver que eu não levara a mal, e que até me tinha rido, ela acabou por rir também, acabando por quebrar a tensão que corria no ar. Ela parecia agora mais descontraída, e isso era bom.
Sentia quase que a sua aura estava mais leve. Olhei para ela, e o olhar dela estava de novo perdido no vazio. Isso deixou-me meio que preocupado pois sentia que ela não estava bem certa daquilo que ia fazer.
- Haruka, posso fazer-te uma perguntinha? – Acabei por dizer. Ela assentiu com a cabeça – Tens a certeza de que é isto que queres fazer? – Ela olhou com um ar escarninho para mim, e depois riu-se.
- Não estás mesmo à espera que te responda a isso, pois não, Yaten Kou?
- Nunca me passou isso pela cabeça… - Acabei por dizer, encolhendo os ombros, e acabando por nem dizer mais nada quanto ao assunto, embora não acreditasse que ela estivesse completamente certa da sua decisão. Se ela não queria revelar tal facto, não iria insistir para que ela me contasse. Abri finalmente a porta, e depois deixei que Haruka me guiasse até ao local onde ela tinha estacionado o carro. Sempre ao lado dela, andámos três quarteirões inteiros até chegarmos onde queríamos.
Haruka parou em frente a um Dodge Viper em tons de vermelho, com listas brancas de rali, que lhe dava um toque rebelde. O carro estava estacionado mesmo em frente à casa de jogos onde o Taiki costumava ir ter com a Ami. Haruka olhou de esguelha para mim, enquanto eu depositava um olhar de pura inveja no carro, e fazia viajar os meus olhos por todo ele, admirando-o. Bolas, que carro… Este põe o meu Celica a um canto… O carro é mesmo lindo…
Umas chaves voaram na minha direcção, e eu tive de fazer uma ginástica desgraçada para evitar que elas caíssem na sarjeta. Eu fiquei admirado, enquanto ouvia Haruka rir-se. Eu olhei para a chave, e depois vi Haruka entrar para o lado do passageiro, o que me deixou ainda mais confuso. Mas ela quer que eu conduza isto? Ela quer que eu ponha as minhas mãos no volante de uma bomba destas?
- Estás à espera do quê, Yaten? O meu carro ainda não tem dentes… Entra, vá! – O tom de impaciência que ela usara fizera-me entrar no carro. O facto de ela estar no lugar do passageiro era como que dizer que manifestamente, ela estava a deixar-me por as mãos no volante do carro dela, mas o olhar que ela me lançara assim que entrara, indicara clara e manifestamente que se fizesse um risco que fosse, que ela me comeria viva. Eu engoli em seco, e após ter entrado, sentei-me no banco do condutor, forrado em pele avermelhada, bem como o resto do carro. O facto de o carro ser um topo de gama da Dodge, deixava-me completamente “babado” a olhar para o seu todo, a admirar cada peça, cada detalhe, cada coisinha que apenas um fanático por carros como eu iria notar, e ficar a olhar durante horas e horas, a tentar encontrar um defeito que fosse, embora aquele carro fosse perfeito. Após ter olhado tudo o que tinha para olhar naquele curto espaço de tempo, levei a chave à ignição, e rodei-a cuidadosamente, ligando o motor, que pegou ruidosamente, embora passados alguns segundos apenas se sentisse a vibração deste. Depois, puxei o travão de mão para mim, e o carro acabou por dar um pequeno solavanco para a frente. Olhei para a maneta das mudanças, e acabei por concluir que cometera um erro daqueles mesmo idiotas. Esquecera-me de verificar se o carro estava em ponto morto, e por não estar, dera aquele solavanco.
- Ei! Ouve lá, trata a minha máquina com jeitinho, sim? – Haruka olhou para mim com um olhar fulminante, que dizia nitidamente que ela ficara aborrecida com o meu erro de principiante. Eu balbuciei algo que me pareceu um pedido de desculpas, e depois arranquei lentamente com o carro, introduzindo-me no trânsito citadino.
Eram agora seis da tarde em Tóquio e o trânsito estava um caos, apesar de estarmos em pleno mês de Agosto. Eu acabei por ficar preso no engarrafamento, que era algo que eu detestava peremptoriamente.
- Bolas! Odeio engarrafamentos! – Acabei por murmurar, nitidamente irritado, enquanto Haruka olhava apenas através da janela do carro, como se estivesse a querer fotografar mentalmente Tóquio, para não esquecer a cidade enquanto vivesse nos Estados Unidos. Ver Haruka assim, e percepcionar o seu estado de espírito, dava-me dó. É nestas alturas que odeio ter a capacidade de percepcionar tudo o que a pessoa sente, mesmo que ela me tente esconder isso. Por isso é que por vezes, prefiro não estar com o Seiya e que ele esteja fora de casa, embora isso me preocupe, do que ele estar deprimido, e eu ter de levar com a tristeza dele, e depois estar com Minako, e sofrer o mesmo.
- Podes crer que sim… Isso vai ser uma coisa da qual não vou ter saudades… - Ouvi um murmúrio vindo de Haruka, em resposta ao meu comentário, e depois novamente o silêncio.
Continuei a conduzir pelas ruas engarrafadas de Tóquio, até chegar à auto-estrada que nos conduzia ao aeroporto, meia hora depois de termos ficado entupidos no trânsito. Aí, dei largas à potência do carro, e meti-o a andar a 120 km/h, o que me deixou completamente nas nuvens. Haruka não me censurou, e eu também não me apetecia abrandar. Sabia bem acelerar desta maneira. Aproveitei que a auto-estrada que nos levava em direcção ao aeroporto estava meio vazia, e acelerei um pouco mais, até aos 190 km/h. Aí Haruka olhou para mim meio a receio não sei se por ela, ou se pelo carro, e eu acabei por lhe sorrir com condescendência, diminuindo a velocidade de novo para os 120 km/h. Contudo, não deixava de ser boa a sensação. O arranque daquele carro era diferente do meu, de todas as maneiras e feitios. E isso agradava-me.
Acabámos por chegar ao aeroporto às sete da tarde. Encontrar um lugar para estacionar naquele local foi uma tarefa que se verificou difícil, pois a maior parte dos carros estavam ali porque as pessoas tinham ido viajar, e deixavam ali os carros para quando voltassem, pudessem ter como voltar para casa, e isso dificultava a vida de quem ia lá só para deixar alguém. Contudo, acabei por encontrar um lugar num dos parques subterrâneos, o que não me deixou satisfeito. Odiava lugares nos parques subterrâneos. E pareceu-me que Haruka também não os apreciava. Contudo, tive mesmo de estacionar ali. Estacionei, e depois rodei a chave para desligar o carro, que se desligou apenas com o rosnar do motor, sem fazer mais nenhum barulho. Este carro é mesmo uma maravilha… Tenho de ponderar em comprar um também… Pensei, olhando para o volante novamente com a inveja a passear-se pelo meu semblante.
- Chegámos, Haruka… - Ela apenas assentiu com a cabeça e continuou a olhar para o vidro, como se naquele monte de betão armado e carros houvesse algo para guardar como recordação. Olhei de novo para ela, e depois num tom baixo disse – Vou só ali buscar o cartão de estacionamento, e já venho, Haruka… Fica aqui, por favor… - Ela voltou a assentir com a cabeça e não disse nada de nada, continuando a olhar na mesma para o vidro. Eu encolhi os ombros, e saí do carro, fechando a porta cuidadosamente. Depois de ter percorrido duas vezes a imensidão silenciosa do parque de estacionamento, voltei ao carro, onde Haruka já retirava de dentro a mala do porta-bagagens. Eu fiquei admirado, mas nada disse.
- Se queres saber, foi o vento que me disse que já vinhas aí… - Limitou-se Haruka a dizer, num tom que me pareceu incoerente, e que me apanhou de surpresa. Como é que ela poderia saber o que estou a pensar? Afinal não sou só eu que sou perspicaz… Acabei por pensar. Haruka depois de ter dito aquilo, fechou o porta-bagagens, trancando depois o carro. Eu tinha deixado a chave na ignição, e como ela estava no carro, podia dar-me ao luxo de o fazer. Depois, com um ar triste, Haruka atirou-me as chaves de volta, o que me admirou de novo.
- Haruka… Mas tu…
- Não… - Interrompeu-me ela – E de qualquer maneira, para além de teres de deixar o meu carro em minha casa, tens de ter maneira de voltar para casa. E para além de mais, de que me serve uma chave sem ter o carro? – Ela lançou uma gargalhada frouxa, e eu acabei por sorrir, colocando a chave no bolso. Depois, saímos dali em direcção ao interior do aeroporto propriamente dito.
Haruka ia em silêncio a meu lado, puxando a mala dela, enquanto a preocupação começava a assumir de novo lugar no meu semblante. Sinceramente, nem sei porque me preocupo, mas também, se é mais uma pessoa a sofrer à responsabilidade daquele atum fora de água (leia-se Michiru), é normal que fique preocupado. Parecia quase maldição. Contudo, não comentei nada com Haruka, com medo de a aborrecer. Ela também nada fez por puxar conversa, e eu também não me dei ao trabalho de o fazer. Não me apetecia muito falar também. De repente e sem aviso, Haruka falou.
- Umphf… Não vou mesmo ter saudades desta cidade… - Ela falou quase num tom que não se ouvia no meio da confusão do aeroporto, e eu, num tom igual ao dela, respondi-lhe, enquanto lia o quadro das partidas.
- Vá-se lá te compreender, oh Loi…Haruka… - Acabei por me corrigir. Depois, vi algo que me deixou de olhar arregalado – Ouve lá, a que hora era o teu voo?
- Às seis, porquê? – Perguntou-me ela confusa, e depois começou a observar também o quadro das partidas, e acabou por arregalar também o olhar – Estranho… No Verão os voos não costumam atrasar-se tanto… Uma hora de atraso… Sendo assim, é melhor aproveitar… - Ela sorriu-me, e eu de certa forma, agradeci aos céus, por ela não ter perdido o voo. Só de pensar no dinheiro que teria de gastar se isso tivesse acontecido, era o suficiente para me deixar completamente arrepiado. Assim podia ir sossegadinho para casa. Embora soubesse que se ela tivesse perdido o voo, teria mesmo de a compensar por isso.
- Sim, é melhor aproveitares, Haruka… Parece que hoje é o teu dia de sorte… Afinal de contas, não perdeste o teu voo… - Disse, acabando depois por deixar o silêncio tomar conta de nós. Era como se quiséssemos dizer algo, mas não sabíamos de que maneira o queríamos dizer. Era assim que me sentia. E pelos vistos Haruka também deveria sentir o mesmo, pois não dizia nada. Mas isso já era hábito…
- Sim… É isso que eu tenho de fazer… - Acabou por dizer, após alguns minutos de silêncio. Eu sorri para ela, e depois ela continuou a falar – Yaten… Obrigada por tudo…
- Não tens por que agradecer… - Acabei por sorrir de novo, e ela respondeu-me com um sorriso também, nada normal nela. Mas isso já não me admirava. Depois de tudo o que tinha visto naquelas horas que estivera com ela, já nada me admirava.
- Diz à Minako que lamento imenso pelo pai dela… Ela não merecia que isto acontecesse assim… E diz-lhe que lamento imenso por não estar cá para a apoiar… Ah e outra coisa… Eu, no bilhete que deixei à Michiru, não lhe disse para onde ia. Podes não contar-lhe, por favor?
- A minha boca será um túmulo… Não te preocupes. Também não é do meu interesse que ela saiba onde estás… Haruka…
- Diz…
- Boa sorte… Para tudo… Espero que finalmente consigas ser feliz a realizar o teu sonho, se essa é a tua verdadeira vontade…
- Obrigada… Bem, chegou a hora do adeus, Yaten… - Ela estendeu a mão em trejeito de cumprimento, e eu apertei-a com vigor. Ela voltou a sorrir.
- Adeus, Haruka… E mais uma vez, não tens que agradecer nada, estou sempre às ordens de quem mais precisa! – Acabei por me rir e ela também. Depois de uma última troca de olhares, ela foi-se embora.
*****
Uma hora depois de ter saído do aeroporto, cheguei a casa finalmente. Tinha deixado o carro de Haruka na casa onde ela vivera até hoje, e depois tinha enfiado a chave na caixa do correio, por não saber o que fazer com ela. Deixei tudo de modo a que parecesse que Haruka tinha apanhado um táxi, e depois, fui-me embora, para não restarem provas de que tinha sido cúmplice de Haruka.
Assim que entrei, ouvi logo o telefone tocar, e a minha mão precipitou-se logo para o mesmo, atendendo-o.
- Estou… - Disse, ofegante.
- Yaten tens de vir para o hospital… Agora…
- O que aconteceu? – Perguntei, achando quase normal o tom de alarme que o Seiya usava do outro lado da linha. Vindo do hospital, e aquele tom de alarme, só podia significar uma coisa – O pai da Mina morreu, não foi? – O silêncio que se ouviu do outro lado da linha foi confirmação suficiente para aquilo que afirmara. Eu já sabia que mais tarde ou mais cedo isso aconteceria, só não estava à espera que fosse já. Contudo, teria de ir dar apoio a Mina.
- Yaten… Queres que fique aqui até chegares?
- Sim… Eu tenho de telefonar ao Taiki para eles voltarem… O Taiki disse que voltava se isso acontecesse antes do fim das férias dele. Seiya… Não deixes a Minako ir-se abaixo, por favor… - Disse-lhe, num tom de súplica, enquanto sentia as lágrimas a escorrer pela minha cara, de forma involuntária. Não queria chorar, queria ser forte, mas uma coisa destas, era impossível não chorar. Depois de mais umas palavras, desliguei a chamada, telefonando de seguida para Taiki. Ele ouviu tudo com atenção, e depois comprometeu-se a voltar no dia seguinte.
Após ter falado com eles, fui buscar as chaves do carro ao andar de cima, e o telemóvel, e depois de dar uma arrumadela na cama, fui-me embora de casa, indo para o hospital.

さよならできずに, 立ち止まったままの僕と一緒に...
Olá!
Este capítulo foi grande
Eu aqui a pensar que o pai da Minako ia morrer logo no principio e afinal morreu no fim.
Estão todos coisos pá! Os únicos que estavam bem eram a "fada do lar" (lol) e a Ami, e agora nem isso. Já agora, mandas-te-os para a minha terrinha *-* (Sim, eu nasci no Algarve
).
O Yaten também é parvo. Em vez de estar o máximo possível com a Minako, não, fica em casa
'
Quem é que disse que a Haruka e a Michiru iam embora para não sei onde? Eu tenho a impressão que alguém disse isso
Fui eu? Acho que não, mas pronto. De qualquer forma estava certo. Foram as duas embora, mas uma está em digressão e a outra foi para os Estados Unidos 
Bem, o próximo capítulo deve ser o funeral, não?
Até lá,
Beijinhos
Este capítulo foi grande
Eu aqui a pensar que o pai da Minako ia morrer logo no principio e afinal morreu no fim.Estão todos coisos pá! Os únicos que estavam bem eram a "fada do lar" (lol) e a Ami, e agora nem isso. Já agora, mandas-te-os para a minha terrinha *-* (Sim, eu nasci no Algarve
).O Yaten também é parvo. Em vez de estar o máximo possível com a Minako, não, fica em casa
'Quem é que disse que a Haruka e a Michiru iam embora para não sei onde? Eu tenho a impressão que alguém disse isso
Fui eu? Acho que não, mas pronto. De qualquer forma estava certo. Foram as duas embora, mas uma está em digressão e a outra foi para os Estados Unidos 
Bem, o próximo capítulo deve ser o funeral, não?
Até lá,
Beijinhos


Aiii!
Que capítulo tão triste :X
Por favor que venham capítulos alegres
Mas gostei imenso do capítulo
Está muito bonito
Adorei o facto do Yaten finalmente se ter dado bem da Haruka
Espero que toda a gente no fim fique feliz*.*
AMOREI AS TUAS DESCRIÇÕES E A TUA ESCRITA !
Nisso este é o melhor capítulo
Que capítulo tão triste :X
Por favor que venham capítulos alegres

Mas gostei imenso do capítulo

Está muito bonito

Adorei o facto do Yaten finalmente se ter dado bem da Haruka

Espero que toda a gente no fim fique feliz*.*
AMOREI AS TUAS DESCRIÇÕES E A TUA ESCRITA !
Nisso este é o melhor capítulo


Obrigada Atalantav =)
Inscrevam-se: http://sakuraportugal.forumeiros.com/forum.htm"
Eis aqui um forum para aprender e ensinar: http://regressoaulas.forumeiros.com/portal.htm
Tens de entrar para responderes neste tópico.

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