Sailor Moon - O Sonho não Acabou
posto sim, só nao sei se ele vai ficar pronto pra hoje...
esse aqui tem uma carga emocional maior, entao tem que ter um pouquinho mais de paciencia pra escrever, demora um pouquinho mais.
mas prometo que faço o mais rapido possivel pra termina-lo, já ta quase no fim,
e tem tambem a surpresa que eu falei, que ta me dando mais dificuldade pra escrever, e tem tantas coisas a serem ditas que, sinceramente, eu nao sei como é que consigo pensar em tanta coisa
mas ele sai entre hoje e amanhã, eu acho...
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mas prometo que faço o mais rapido possivel pra termina-lo, já ta quase no fim,
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Fic: O Sonho não Acabou - Capitulo XV- Amor e Beleza
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ACABEIIIIII
finalmente eu consegui acabar esse capitulo,
vou postar daqui a pouco, só vou dar uma olhada nos erros...
esse foi o mais complicado e o maior capitulo que escrevi,
entao espero que gostem
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Fic: O Sonho não Acabou - Capitulo XV- Amor e Beleza
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Capitulo VIII – Uma Visita, Uma Surpresa
Esse era o momento que ela mais temia, o momento que ela pensava que nunca mais viveria. Ela não sabia se estava pronta para aquilo, não sabia se estava pronta para encarar tudo o que aconteceu naquela casa, a conversa que teve com sua mãe, a saída sem nem ao menos se despedir das pessoas que ela mais amava. Ela estava prestes a encarar um de seus maiores medos, o reencontro com sua família.
Isso era muito para ela, mas sabia que era preciso. Eles estavam há 10 anos separados, a uma década ela não falava com seus pais, com sua família. Dez anos de sua vida ela ignorou o fato de que tinha um passado em Tókio, e que nesse passado ela tinha uma mãe que a amava, um pai super-protetor, e um irmão que adorava a irritar. Por longos 10 anos, ela se manteve perdida em um mundo de solidão, em que a única pessoa que era permitida a entrada era sua amiga Misugi. Durante dez anos ela foi uma mulher sem passado, sem família, sem amor, sem esperança.
Mas parece que tudo resolve voltar pra gente quando menos esperamos. Quando pensamos que tudo está acabado, que a vida vai ser a mesma coisa pra sempre, quando temos a certeza de que não há meios de voltar atrás, quando já perdemos até mesmo a vontade de lembrar dos bons momentos que tivemos na vida por medo de sofrer, é que a vida vem e nos faz relembrar de tudo. E não era diferente com Usagi. Por que seria?
Ela tentou por anos esquecer, apagar de dentro de seu coração qualquer sentimento que existisse dentro de si, e por um tempo realmente pensou ter conseguido, mas nem tudo é tão fácil. Não é fácil se esquecer de toda uma vida por vontade própria, e isso era tudo o que ela queria. Quando pensou que estava livre do seu passado, que as sombras que habitavam sua vida não mais a assombrariam, que todo o sofrimento que passou seria esquecido, veio àquela ligação.
Ela pensou que nunca mais teria que lembrar do lugar de onde veio, das coisas que viveu, das pessoas que conheceu, dos momentos inesquecíveis, das trapalhadas, das risadas, das lutas, do medo, do choro, do carinho, da esperança, de toda uma vida. Mas aquela ligação fez isso, fez com que tudo o que ela mais desejasse esquecer voltasse para sua mente como uma bomba. Fez com que ela revivesse cada segundo, cada palavra, cada olhar. E agora ela estava indo enfrentar uma situação completamente diferente de qualquer outra que havia enfrentado em sua vida.
Ela não estava pronta para encarar aqueles que um dia disseram ser sua família e no outro dia disseram que ela não pertencia mais ao seu lado, que ela era uma vergonha para eles, e que não queriam mais vê-la de novo. Ela estava com medo. Medo do que pudesse sentir, do que pudesse falar, do que pudesse fazer. Medo de seus pensamentos, de suas lembranças, de seus sonhos, de seus pesadelos. Medo da rejeição, do desconhecido, da ignorância, de sua própria fragilidade.
Sim, ela estava frágil, como há muito tempo não se encontrava. Estava frágil pela situação, pelas lembranças, pelos medos, pela felicidade e pelo temor. Eram tantas coisas passando ao mesmo tempo em sua cabeça que ela não conseguia perceber mais nada ao seu redor. Eram tantas lembranças, que ela perdeu noção do que acontecia ao seu redor. Eram tantos medos, que ela já nem lembrava onde estava e o que iria fazer. Tudo o que queria era acabar com aquilo. Acabar com aquele sofrimento que estava invadindo a sua mente, seu corpo e seu coração.
Esse era o momento que ela mais temia, o momento que ela pensava que nunca mais viveria. Ela não sabia se estava pronta para aquilo, não sabia se estava pronta para encarar tudo o que aconteceu naquela casa, a conversa que teve com sua mãe, a saída sem nem ao menos se despedir das pessoas que ela mais amava. Ela estava prestes a encarar um de seus maiores medos, o reencontro com sua família.
Isso era muito para ela, mas sabia que era preciso. Eles estavam há 10 anos separados, a uma década ela não falava com seus pais, com sua família. Dez anos de sua vida ela ignorou o fato de que tinha um passado em Tókio, e que nesse passado ela tinha uma mãe que a amava, um pai super-protetor, e um irmão que adorava a irritar. Por longos 10 anos, ela se manteve perdida em um mundo de solidão, em que a única pessoa que era permitida a entrada era sua amiga Misugi. Durante dez anos ela foi uma mulher sem passado, sem família, sem amor, sem esperança.
Mas parece que tudo resolve voltar pra gente quando menos esperamos. Quando pensamos que tudo está acabado, que a vida vai ser a mesma coisa pra sempre, quando temos a certeza de que não há meios de voltar atrás, quando já perdemos até mesmo a vontade de lembrar dos bons momentos que tivemos na vida por medo de sofrer, é que a vida vem e nos faz relembrar de tudo. E não era diferente com Usagi. Por que seria?
Ela tentou por anos esquecer, apagar de dentro de seu coração qualquer sentimento que existisse dentro de si, e por um tempo realmente pensou ter conseguido, mas nem tudo é tão fácil. Não é fácil se esquecer de toda uma vida por vontade própria, e isso era tudo o que ela queria. Quando pensou que estava livre do seu passado, que as sombras que habitavam sua vida não mais a assombrariam, que todo o sofrimento que passou seria esquecido, veio àquela ligação.
Ela pensou que nunca mais teria que lembrar do lugar de onde veio, das coisas que viveu, das pessoas que conheceu, dos momentos inesquecíveis, das trapalhadas, das risadas, das lutas, do medo, do choro, do carinho, da esperança, de toda uma vida. Mas aquela ligação fez isso, fez com que tudo o que ela mais desejasse esquecer voltasse para sua mente como uma bomba. Fez com que ela revivesse cada segundo, cada palavra, cada olhar. E agora ela estava indo enfrentar uma situação completamente diferente de qualquer outra que havia enfrentado em sua vida.
Ela não estava pronta para encarar aqueles que um dia disseram ser sua família e no outro dia disseram que ela não pertencia mais ao seu lado, que ela era uma vergonha para eles, e que não queriam mais vê-la de novo. Ela estava com medo. Medo do que pudesse sentir, do que pudesse falar, do que pudesse fazer. Medo de seus pensamentos, de suas lembranças, de seus sonhos, de seus pesadelos. Medo da rejeição, do desconhecido, da ignorância, de sua própria fragilidade.
Sim, ela estava frágil, como há muito tempo não se encontrava. Estava frágil pela situação, pelas lembranças, pelos medos, pela felicidade e pelo temor. Eram tantas coisas passando ao mesmo tempo em sua cabeça que ela não conseguia perceber mais nada ao seu redor. Eram tantas lembranças, que ela perdeu noção do que acontecia ao seu redor. Eram tantos medos, que ela já nem lembrava onde estava e o que iria fazer. Tudo o que queria era acabar com aquilo. Acabar com aquele sofrimento que estava invadindo a sua mente, seu corpo e seu coração.
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Fic: O Sonho não Acabou - Capitulo XV- Amor e Beleza
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Estava tão perdida em seus próprios pensamentos, navegando dentro de seu próprio mundo, que não percebeu que já estava parada em frente ao seu carro a pelo menos cinco minutos, encarando o vazio.
Quando finalmente se lembrou do que tinha que fazer, olhou para frente e viu que sua amiga Misugi, a sua gata Lua e o Ártemis estavam a encarando com preocupação. Todos ali se perguntavam o que estava se passando na mente de Usagi para que ela parasse de repente, e ficasse ali olhando para o nada, como se fosse à coisa mais interessante que ela poderia fazer no momento.
-Ta tudo bem Usagi? – Perguntou Lua olhando preocupada para a amiga, que até o momento estava perdida em seus pensamentos, sem nem ao menos se preocupar para onde estava indo.
-Ahn?? – Foi o que Usagi disse em resposta. Estava tão perdida que nem percebera que Lua estava falando com ela, e muito menos o que ela estava falando.
-Eu perguntei se está tudo bem!?! – Disse Lua, agora irritada pela mulher não estar nem prestando atenção ao que ela dizia. E se fosse algo importante, mas, pensando bem, aquela era Usagi, não é verdade?
-Ah, desculpa! Eu não estava prestando atenção! – Ao perceber o olhar de Lua que dizia, ‘imagina, você prestando atenção’, ela olhou para o céu e completou. – Estava pensando em como será me reencontrar com a minha família depois de todos esses anos e depois de tudo o que aconteceu. – E olhou para o chão com tristeza estampada nos olhos.
-Eu sei que eles vão ficar felizes por te reencontrar, Usagi! Eles te amam e sentem muita saudade de você! Eles sabem muito bem que o que fizeram foi errado e se arrependem muito por isso, e tenho certeza que quando você chegar lá será muito bem recebida! – Lua disse confiante, olhando nos olhos de Usagi como se com isso pudesse passar para ela toda a segurança que ela precisava para seguir em frente.
-Será mesmo Lua? Será que eles vão me receber de braços abertos depois de 10 anos? Depois de tudo o que aconteceu, e de todas as coisas que me disseram? Será que eles não vão me tratar da mesma forma que me trataram naquela época, ou quem sabe pior ao saber que eu não fui capaz de cuidar do meu filho, que eu fui a responsável pela morte do neto deles? – Usagi dizia com dor na voz, ela realmente tinha medo do que eles iriam dizer quando soubessem que o neto deles nunca chegou a abrir os olhos.
-Você realmente está pensando em seus pais como monstros, eles não são assim! Naquela época eles ficaram furiosos com você, mas não diga que você não ficaria assim se um dia sua filha entrasse em casa e dissesse que estava grávida de um homem que você nem conhecia! – Lua falou agora ficando um pouco irritada com a forma que Usagi via os seus próprios pais.
-Eu sei que ficaria igualmente irritada, mas eu nunca seria capaz de expulsar o meu próprio filho da minha casa por causa disso. Muito pelo contrario, eu faria de tudo para que ele tivesse tudo o que precisasse para passar por essa fase, que eu sei que é muito difícil, ainda mais estando sozinho. – Usagi disse também ficando irritada, por que sabia que era verdade o que dizia. Nunca deixaria um filho seu sofrer o que ela sofreu durante a sua gravidez.
-Eu sei que você nunca faria isso Usagi, mas nem todas as pessoas têm o coração do mesmo tamanho que você, tente entender isso! As pessoas são diferentes na sua forma de amar, e de proteger as pessoas que amam. Seus pais pensaram que aquela era a melhor maneira de te mostrar o mundo em que você estava entrando, mas não esperavam que você fosse fugir de casa, eles esperavam que em menos de dois dias você já tivesse voltado com plena consciência do que estava para acontecer na sua vida. Foi por isso que eles fizeram o que fizeram, não por que não te amavam, mas sim por que queriam que você aprendesse que o mundo é cruel com as pessoas! – Lua disse mais calma, olhando carinhosamente para Usagi. Queria que ela entendesse que seus pais a amavam e que tudo o que queriam é que ela fosse feliz.
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Fic: O Sonho não Acabou - Capitulo XV- Amor e Beleza
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Usagi respirou profundamente. Sabia muito bem que aquele era o jeito de seus pais ensinarem a ela a passar pelo pior da vida, mas não era por isso que ela iria simplesmente perdoar tudo o que aconteceu naquela época. Ela estava pronta para o que viria. Depois de conversar com Lua ela se sentia mais pronta para encarar aquelas pessoas.
Entraram todos no carro, e Usagi começou a dirigir em direção a casa que há muitos anos atrás ela morava. A cada rua que passavam ela lembrava de como era sua vida, de como ela saía correndo por ali todas as manhãs por que estava atrasada para escola, como esbarrava em Mamoru todos os dias naquelas mesmas ruas e depois começavam a brigar um com o outro se esquecendo de tudo o que acontecia ao seu redor e nem menos se importando com as pessoas que paravam para ver o que estava acontecendo, de como se encontrava com suas amigas para passear ou ir para o Crown Arcade, como voltava cabisbaixa por aquelas mesmas ruas quando saía da escola com mais uma nota vermelha na prova e sabendo que levaria bronca da mãe, de quando andava por ali super feliz por que iria se encontrar com Mamoru, de quando voltou para casa correndo e chorando depois de ter visto aquela cena na casa de seu namorado no dia em que estavam completando dois anos de namoro, e de quando saiu correndo desesperada por aquelas mesmas ruas querendo fugir de tudo e de todos, sem saber para onde ir e nem com quem poderia falar, com suas malas na mão e o coração despedaçado.
Todas as lembranças resolveram vir de uma só e dolorosa vez, não deixando nenhum espaço para duvidas quanto à veracidade de seus sentimentos quanto às pessoas que ela conheceu naquela cidade. Ela amava todas as pessoas que fizeram parte de seu passado, mesmo que essas tivessem lhe magoado e machucado mais do que qualquer outra pessoa pudesse fazer. O seu amor poderia ter diminuído muito com o tempo, mas ela tinha certeza agora, passando por aquelas ruas que ela tão bem conhecia, que aquele sentimento não tinha desaparecido por completo, e com um sorriso nos lábios pensou que esse poderia ser tanto seu triunfo quanto a sua derrota na batalha que teriam no futuro.
Dentro do carro não se ouvia nada a não ser o barulho do carro. O silencio era convidativo, mas ao mesmo tempo constrangedor. Ali todos estavam perdidos em suas memórias, ou na curiosidade de saber o que iria acontecer. Todos esperavam estar preparados para o que iria acontecer a seguir. Nenhum deles sequer pensava que algo poderia dar errado, não poderia dar errado. Foram tantos anos de sofrimento com a distancia que se abateu sobre aquela família, que no momento do reencontro eles tinham a certeza de que nada daria errado, de que tudo voltaria ao normal, de que aquela família voltaria a ser como era antigamente, cheia de amor e carinho. Pelo menos era o que pensavam os dois gatos e Misugi, que realmente estava nervosa por que iria conhecer mais um pouco da vida de Usagi, mais um pouco do mistério que era sua amiga, das dores que eram suas lembranças.
Enquanto o carro começava a chegar ao seu local de destino, Usagi começava a se perguntar se realmente teria sido uma boa idéia querer retornar a casa dos pais estando tão despreparada para esse encontro. Ela sabia que queria vê-los novamente, que queria tocá-los, conversar com eles, saber o que eles estavam sentindo, o que estavam fazendo, ver seus sorrisos mais uma vez. Porem não se sentia pronta para essa visita, não se sentia pronta para encarar aquelas pessoas, e tinha medo disso. Tinha medo porque não sabia o que iria acontecer, e não gostava disso.
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Ela virou numa rua pouco movimenta, e teve a impressão de que ouvira alguém chamando seu nome. Não sabia se era a ansiedade ou o medo que a fizeram pensar isso, mas mesmo tendo quase certeza de que não tinha ninguém lhe chamando de verdade virou a cabeça instintivamente para trás, procurando a origem da voz, mas não encontrou ninguém conhecido, ou que estivesse olhando para ela. Sacudiu a cabeça em sinal de cansaço, tinha que parar de pensar besteiras e relaxar, ou senão acabaria ficando louca antes mesmo de chegar à casa dos pais.
O carro foi perdendo velocidade e Misugi reparou que a amiga começava a tremer, instintivamente colocou sua mão sobre a de Usagi, como num sinal de força, querendo lhe dizer que estava ali do seu lado para qualquer coisa que precisasse, e Usagi entendeu muito bem o recado, pois se virou para Misugi e lhe sorriu.
Quando o carro parou, todos ali demonstravam ansiedade e nervosismo, até mesmo os gatos estavam irrequietos com o que estava prestes a acontecer. Porem Usagi, no momento em que o carro parou, sentiu outra coisa alem de ansiedade e nervosismo, ela sentiu medo. Mas não era o mesmo medo que ela sentia antes, não era aquele medo de ver aquelas pessoas, de olhar para a sua família novamente. O medo que sentia agora era completamente diferente, era um pressentimento de que alguma coisa ruim iria acontecer muito em breve, um sentimento que lhe dizia que não deveria entrar dentro daquela casa se quisesse que tudo corresse bem, mas ela decidiu ignorar esse medo. Decidiu que, agora que tinha chegado tão longe, não retornaria sem antes pelo menos ver o rosto de seu pai, sua mãe e seu irmão. Poderiam nem mesmo trocar palavras, mas o simples ato de vê-los novamente já seria suficiente para acalmar seu coração.
-Usagi, está na hora de você rever os seus pais! – Lua disse com a voz calma, mas repleta de carinho e compreensão, pois via no rosto de Usagi o medo que a garota estava sentindo.
-Sim Lua, está na hora de rever o meu passado! – Usagi respondeu, porem não seu moveu nem um centímetro de onde estava. Continuou ali, sentada dentro do carro, encarando a rua que estava mais vazia do que antes, com as mãos tremendo em cima de suas pernas.
-Não acha que já está na hora de descer do carro? – Perguntou Lua, mais uma vez olhando para a sua amiga com compreensão. Conhecia muito bem o jeito de Usagi e poderia dizer de longe que ela estava com medo de qual seria a reação de sua família no momento em que a vissem.
-Eu sei que está, Lua, eu sei. Porem o meu corpo não quer me obedecer. – Usagi falou com a voz estremecida, anunciando que um choro estava para vir. Porem esse choro era de dor, por tudo o que passou, o que estava passando e o que iria passar. – Eu estou mandando meu corpo se mexer desde o momento em que esse carro parou, mas ele não quer, o meu corpo não quer sair daqui.
-Oras, Usagi, quem manda aí, você ou o teu corpo? – Lua perguntou começando a ficar irritada. Era normal ela estourar quando Usagi começava com isso, mesmo sabendo que era verdade, que ela realmente estava com medo, aquilo já começava a lhe dar nos nervos
-Sabe Lua, eu acho que nesse momento eu não estou muito afim de ouvir suas gracinhas! – Usagi falou e ao ver que a gata iria rebater continuou. – Muito menos as suas reclamações. – Ela olhou para a casa que estava a sua frente, a casa onde ela morara pelos primeiros 16 anos de sua vida, e com um longo suspiro falou. – Acho que não dá mais para adiar o que eu vim fazer, não é verdade?
-Finalmente! – Lua falou como se não esperasse que aquilo acontecesse tão rapidamente. – Agora entre naquela casa e encare a sua família de cabeça erguida. Você não tem motivo nenhum para ter medo ou se sentir envergonhada. Se alguém tem que ficar preocupado são eles e não você, afinal quem errou foram eles. – Lua falou com convicção e encarando Usagi continuou. – Eu confio em você Usagi, e sei que vai dar tudo certo.
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Usagi deu um pequeno sorriso, e passou a mão na cabeça de Lua. Suspirou mais uma vez e voltou a olhar para aquela casa. Mais uma vez memórias tomavam conta de sua cabeça, mas não se deixaria perder entre elas, tinha que entrar lá e falar com sua família, e tinha mais uma coisa a fazer dentro daquela coisa, e realmente esperava que conseguisse fazer ambos.
Abriu a porta do carro e desceu. Esperou que todos descessem do carro também e o trancou. Suas mãos tremiam no momento em que pegou as chaves do carro, e com muito esforço conseguiu terminar a tarefa.
Misugi percebeu o nervosismo de Usagi, e sem que a amiga esperasse foi para o seu lado e pegou na sua mão. Segurou-a com força, passando coragem para Usagi, e com um sorriso disse:
-Vai dar tudo certo Usagi! Confie em você mesma, porque nós confiamos! E não tema nada, você é forte e seus pais sabem disso. Eles te amam e com certeza vão te receber de braços abertos. Agora vá, e faça o que veio fazer! – E sorriu quando viu que a amiga lhe apertava a mão também. Percebeu que Usagi ganhou a coragem que lhe faltava para seguir em frente e com isso começaram ambas a andar de mãos dadas, olhando em frente para a casa que estava ali.
Usagi chegou à frente daquela porta que ela tanto conhecia, e ficou ali a encarando, sem saber o que fazer. Não sabia se batia na porta, se tocava a campainha que estava ali, se esperava mais um pouco, ou se dava meia volta e ia para sua casa onde se sentiria mais segura e confortável do que ali.
Com a falta de iniciativa de Usagi, Lua se pos a frente de todos e começou a arranhar na porta e a miar muito alto, como se para chamar a atenção de quem estivesse dentro da casa. E não demorou muito para que todos os que estivessem ali, do lado de fora da casa, começassem a ouvir passos do outro lado da porta.
Quando ouviu os passos, Usagi ficou tão apavorada que, sem aviso nenhum, se virou e começou a correr em direção ao carro. Queria sair dali, não estava preparada para aquilo. Sabia que aquela era uma atitude muito infantil, e que a situação era delicada, mas não agüentaria olhar para sua família mais uma vez, não sabia o que poderia fazer quando os visse novamente.
Ao chegar na frente do carro, ela sentiu um frio percorrer por toda a sua espinha. A sua frente alguém a encarava incessantemente. E esses olhos eram muito conhecidos, eram olhos que ela reconheceria onde quer que estivesse. Eram os olhos de um homem que ela conhecia muito bem.
Ela ficou ali parada, encarando o rapaz que há dez anos não via, o reconheceu somente pelos olhos, pois ele tinha mudado muito. Não era mais o mesmo que ela deixou para trás quando se mudou para Paris. Não, agora ele era um homem, e muito bonito. Seus cabelos lhe caiam sobre os olhos e estavam meio despenteados. Seu corpo crescera de uma forma invejável, e ele aparentava ser muito forte. O seu rosto estava sério, como se procurasse em Usagi algo que tinha perdido há muito tempo.
E parecia que finalmente tinha encontrado o que procurava, pois finalmente depois de cinco minutos de extremo silencio, ele abriu um sorriso. Um sorriso que Usagi nunca pensou que veria no seu rosto. Era um sorriso que transparecia toda a felicidade, o carinho, o amor, o respeito, a alegria que ele estava sentindo naquele momento. O momento em que finalmente reconheceu que na sua frente estava uma das pessoas que ele mais amava no mundo.
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E ela sorriu também. O seu sorriso deixou transparecer o medo que ela estava sentindo naquele momento, mas que não era mais forte que a felicidade que tomou seu corpo no momento em que o viu sorrir. Ela estava feliz, pois ele a amava, e ela via isso nos olhos dele. Eram olhos tão expressivos, que seria difícil não ver neles toda a felicidade que aquele jovem homem sentia naquele momento.
Os dois se olhavam, olhos nos olhos, um sorriso no rosto. Nesse sorriso mostravam toda a saudade e a vontade de estar perto que eles sentiam. E sabiam que esse sentimento era recíproco. O sorriso que eles davam um ao outro não poderia ser mais real, não tinha como ser mais real. Aquele sorriso demonstrava todo e qualquer sentimento que habitava o coração daqueles dois.
Misugi se virou em frente à porta ao ver que Usagi começava a correr. Ia chamar o seu nome, mas viu que a amiga parou bruscamente antes de chegar ao seu carro, e ficara encarando um homem que estava parado do outro lado do carro. Ela começou a andar em direção a Usagi, e quando viu na amiga um sorriso que nunca que tinha visto em seus lábios, parou e resolveu que aquele não era o momento de fazer as perguntas que estavam passando em sua cabeça. Tudo o que faria agora era ver qual seria o desenrolar daquela cena. Não sabia quem aquele homem era, mas sabia que ele deixava sua amiga feliz, então deveria ser alguém muito especial para Usagi, e por isso ela já gostava dele.
Lua se aproximou dos pés de Misugi para ver o que acontecia, e consigo trazia Ártemis, que estava realmente curioso. Quando Lua viu quem estava em frente à Usagi tudo o que pode fazer foi dar um miado que resplendia toda a sua satisfação em ver que ele estava ali, e mais ainda, ao ver o sorriso que ambos tinham no rosto. Sabia que não estava errada ao dizer que eles ficariam felizes ao vê-la novamente.
Eles se olhavam intensamente, e não haviam chegado a reparar na mulher que parou ao lado de Usagi e nem nos dois gatos que estavam junto com ela somente observando aquela cena. O sorriso que ambos tinham no rosto parecia crescer a cada segundo, algo que os presentes pensavam ser impossível, pois ambos sorriam tão abertamente que chegava a espantá-los que conseguissem abrir a boca tanto.
Sem que ninguém esperasse por aquilo, o rapaz que encarava Usagi até agora pulou por cima do carro que havia se tornado um obstáculo entre eles, e quando alcançou o chão mais uma vez, voltou a olhar Usagi profundamente nos olhos. Estavam a poucos centímetros de distancia um do outro, e esperavam quem faria o primeiro movimento.
Encaravam-se como se nada e nem ninguém existisse no mundo alem dos dois, e era exatamente isso que sentiam. Foram se aproximando e reduzindo a mínima distancia que existia entre seus corpos, até que Usagi abriu os braços e convidou o rapaz para um abraço. Ele sem parar para pensar nem por um segundo, acabou com a distancia entre seus corpos e agarrou-se em Usagi como se fosse a ultima coisa que ele faria na vida.
Ela sorriu mais ainda, e uma única e singela lagrima caiu de seus olhos quando apertou mais o abraço e sentiu que ele a abraçava com a mesma necessidade que ela o abraçava. Com há voz um pouco rouca da emoção que estava sentindo, falou a única coisa que conseguia sair de sua boca.
-Shingo...
Ele chorava em seus braços copiosamente, e não largava de seu abraço, não queria a deixar por nada nesse mundo. Não permitiria que ela fosse embora de novo, não depois de tantos anos sem vê-la, sem saber como estava, e sem poder ver aquele mesmo sorriso que ele tanto amava.
Ele a apertava como se o mundo fosse acabar no próximo segundo, mas ela também o apertava da mesma maneira. Estavam ambos perdidos naquele abraço que lhes consumia todas as energias e os pensamentos. Estavam tão felizes nos braços um do outro que esqueceram do mundo que existia ao seu redor. Mas esse sentimento foi logo tirado deles quando ouviram uma voz chamar.
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Fic: O Sonho não Acabou - Capitulo XV- Amor e Beleza
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-Usagi? – A voz parecia surpresa e com medo. Parecia receosa ao pronunciar aquele nome, e não sabia se podia acreditar no que seus olhos estavam lhe mostrando. Seria realmente verdade que depois de 10 anos Usagi estava ali na sua frente novamente?
Todos se viraram na direção da voz, pegos de surpresa no meio daquele momento em que ninguém prestava atenção em mais nada a não ser no abraço dos dois irmãos.
Os dois se afastaram devagar, como se não quisessem quebrar o encanto que tinha naquele abraço. Shingo parecia saber quem estava ali atrás deles, chamando por Usagi, mas não disse nada, apenas sorriu. Usagi virou-se vagarosamente, ficando de costas para o seu irmão e de frente para aquela voz que a chamava.
Não conseguia acreditar em quem estava na sua frente. Pensava que aquilo era uma miragem. No momento em que chamou o nome de Usagi esperava que aquilo fosse somente mais um de seus sonhos onde a filha aparecia de repente. Mas aquele não era um sonho, pois ali na sua frente via sua filha e seu filho se abraçando, um abraço que jamais pensou que presenciaria novamente.
Usagi não acreditava no que seus olhos estavam vendo. Chorava sem mesmo saber, pois nesse momento seu coração já não conseguia segurar dentro de si todas as emoções que passavam por ele. E ela chorava, por felicidade, por medo, pelas lembranças, pela ansiedade, por todos os seus sentimentos.
Porem não foi por muito tempo que ela ficou ali chorando, sozinha. Seu irmão não agüentou muito tempo sem tê-la nos braços e a abraçou por trás, sorrindo encostou a cabeça em seu ombro e olhando em direção a pessoa que estava a sua frente sorriu mais ainda, deixando uma pequena lagrima de felicidade cair de seus olhos.
Sem aviso, ela começou a correr em direção a filha e a abraçou tão forte, que parecia ter medo que se não o fizesse ela poderia desaparecer novamente. E foi esse medo que a compeliu a puxar a filha contra seu corpo com todas as forças que tinha e lhe beijar o rosto como se aquele ato fosse tudo o que ela quisesse fazer nos últimos anos.
-M-mamãe! – Usagi conseguiu dizer com dificuldade nos braços da mãe, que chorava tanto quanto ela. – Olá!
A mulher começou a chorar mais forte, era como se seu coração quisesse sair pela sua boca de tanta emoção. Será que depois de tantos anos ela finalmente seria capaz de arrumar todos os erros que tinha cometido? Será que sua filhinha a perdoaria? Será que eles finalmente poderiam ser felizes novamente?
Essa duvida não se passava somente na cabeça de Ikuko, mas também na de Usagi e Shingo. Todos eles estavam ali, vivendo um momento que há muito tempo pensaram que seria impossível de voltar a acontecer. Todos estavam com os corações repletos de felicidade, de amor. E principalmente todos ali estavam novamente com aqueles que mais amavam no mundo, com a sua família.
-Usagi, minha filha! Você não sabe o quanto eu sofri quando você foi embora? – Falou Ikuko entre soluços. O seu coração não agüentava toda aquela emoção calado, precisava extravasar todos os seus sentimentos, e a forma que achou foi em meio as lagrimas que caiam copiosamente de seus olhos.
-Mamãe, eu também senti suas saudades! Suas e de toda a minha família, por mais que eu quisesse, eu não fui capaz de esquecê-los ou mesmo odiá-los. Eu os amo mais do que tudo na minha vida! – Usagi falou também chorando, mas em seu rosto um pequeno sorriso brincava em seus lábios, denunciando toda a felicidade que sentia naquele momento.
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Fic: O Sonho não Acabou - Capitulo XV- Amor e Beleza
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-Eu acho que é melhor nós termos essa conversa dentro de casa, você não concorda? – Falou Shingo pela primeira vez desde que reencontrara sua irmã.
Usagi acenou afirmativamente com a cabeça, e foi levada pelas mãos por Shingo e Ikuko, ambos sorrindo como há mais de 10 anos não faziam. Caminhavam calmamente pelo caminho que dava para a porta da casa e com eles foram seguindo dois gatos e uma mulher que estavam completamente emocionados com as cenas que estavam presenciando. Estavam finalmente vendo aquelas pessoas que tanto amavam sendo felizes, depois de tanto tempo.
Ao entrarem dentro da casa dos Tsukino, Usagi percebeu como ela não mudara nada. O sofá estava no mesmo lugar, a televisão, a mesa, tudo exatamente igual a quando ela tinha ido embora, e isso a deixou mais feliz, pois ali ela encontrou um dos lugares em que ela foi mais feliz em sua vida, e ele continuava o mesmo.
Ikuko levou a filha até onde estava o sofá e esperou que ela se sentasse, então se dirigiu até a cozinha e começou a preparar um café para eles. Enquanto estava lá a casa ficou em completo silencio. As pessoas que estavam na sala apenas observavam umas as outras, sem palavras para descrever todos os sentimentos que tinham no momento.
Quando retornou a sala, Ikuko serviu uma xícara de café para cada um dos presentes, e sorrindo sentou-se em frente a sua filha. Seu coração batia desesperadamente em seu peito, não agüentava de tanta felicidade, finalmente estava vendo sua filha na sua frente, e ela estava bem.
Porem seu sorriso morreu ao perceber que faltava algo em Usagi, algo que ela sabia que Usagi não abandonaria por nada do mundo. Podia ter passado dez anos sem sua filha, mas a conhecia muito bem e sabia que nunca deixaria para trás algo tão importante. Então seu coração apertou dentro do peito, pensando no que tinha acontecido. Queria acreditar que estava tudo bem, mas só acreditaria nisso quando ouvisse as palavras da boca de sua filha.
-Então Usagi, porque você voltou para Tókio? – Perguntou Shingo olhando para os olhos da irmã, como uma felicidade incontestável em cada palavra que proferia.
-Eu voltei por que tenho alguns problemas urgentes para resolver por aqui, mas eu nunca poderia deixar de passar por aqui sem ver vocês, não é verdade? – Ela disse sorrindo para o irmão, e depois acrescentou, mais para si do que para os outros. – Mesmo depois de tudo o que aconteceu!
Ikuko ouviu a ultima frase que Usagi disse, e seu coração apertou dentro do peito. Foram tantos anos distantes uma da outra, que agora que estava frente a frente com sua filha já nem pensava no que tinha acontecido no passado, mas parece que era diferente para Usagi, e era completamente compreensível ela não ter esquecido tudo o que aconteceu, pois definitivamente ela foi quem mais sofreu.
-Você quer comer alguma coisa, Usagi? – Perguntou sua mãe, sorrindo para tentar disfarçar toda a dor que as ultimas palavras de sua filha tinham tido sobre ela.
-Não, muito obrigada! – Ela disse educadamente, afinal era essa sua obrigação. – Misugi, você quer alguma coisa? – Ela perguntou olhando para a amiga, que a encarava com carinho.
-Não, não gostaria de nada, mas muito obrigada! – Misugi disse, sem em nenhum momento desviar os olhos de sua amiga. Ela agora via o tamanho da força de Usagi. Estava ali enfrentando todos os seus medos, e mesmo assim seu sorriso não saia do rosto. Era realmente fantástico ver como ela se preocupava em fazer com os outros ficassem calmos na sua presença, mesmo que ela estivesse completamente nervosa.
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Fic: O Sonho não Acabou - Capitulo XV- Amor e Beleza
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Desculpa, eu acho que nós não nos apresentamos, não é? – Falou Ikuko se virando pela primeira vez para Misugi, e com um sorriso falou. – Eu sou Ikuko Tsukino, mãe de Usagi. E esse jovenzinho aqui é meu filho, Shingo Tsukino, o irmão mais novo de Usagi. – Ela completou sorrindo mais ainda, vendo todo o interesse que a mulher tinha em realmente conhece-los.
-Muito prazer, senhora Tsukino. Meu nome é Misugi e sou uma amiga de Usagi, nos conhecemos em Paris há nove anos atrás, e desde aquela época somos inseparáveis. – Ela disse sorrindo também para a senhora a sua frente. – Acho que é mais por isso que eu estou aqui! Somente para assegurar que minha amiga fique bem! – Ela continuou sorrindo mais ainda, e se voltando para a amiga que a olhava com carinho.
-Eu fico feliz que minha filha tenha encontrado uma amiga como onde estava. Pelo menos agora eu sei que ela não esteve sozinha durante todo este tempo! – Ikuko falou sorrindo também, ao ver o tamanho do carinho que as duas tinham uma pela outra.
Ninguém mais falava, finalmente chegou o momento que Usagi tanto queria evitar. O momento em que teria que contar a verdade a seus pais. Queria tanto saber qual seria a reação de sua família. Porem resolveu que adiaria aquilo o maximo possível, e foi isso o que fez.
-Então, Shingo! – Ela disse com um sorriso no canto dos lábios, o que fez o irmão sentir um frio correndo por sua espinha. – Soube que você ficou noivo. É verdade?
Tanto Shingo quanto Ikuko a olharam assombrados. Como é que Usagi poderia saber que ele estava noivo, quando ela não estava nem ao menos estava morando no mesmo país que eles.
Ao perceber o olhar que eles a dirigiam, ela sorriu como se aquele fosse um segredo que não ia contar a ninguém. Um segredo que faria questão de deixá-los morrendo de vontade de saber.
-Digamos que um gato preto me contou! – Usagi falou e começou a rir mais ainda quando viu as expressões no rosto de sua mãe e seu irmão. Porem ela riu mais ainda quando olhou para a gata ao seu lado, que a olhava assustada. – Mas não vamos fugir do assunto aqui, não! Eu quero saber tudo sobre essa garota. Como ela é, como se conheceram, quantos anos tem, eu quero a ficha completa! – Ela completou com um sorriso maroto nos lábios.
Shingo a olhava surpreso, mas depois de ouvir as palavras de sua irmã sorriu também. Com um olhar repleto de carinho começou a contar como era sua noiva, sua futura mulher e futura mãe de seus filhos. Usagi ouvia tudo atentamente, não perdendo uma única palavra, era tão bom saber que o irmão era feliz, mesmo depois de tudo o que aconteceu, e mesmo depois do que Lua lhe disse.
Ela pode perceber nas palavras do irmão o tamanho de seu amor por aquela jovem com quem noivara. Falava da moça com tamanha devoção, com tanto carinho, com tanto amor em cada palavra, em cada ato, em cada olhar, que era impossível não ver o tanto ele a amava.
Ficou sabendo um pouco mais sobre a jovem que roubara o coração de seu irmãozinho. Shingo lhe dissera que ela era morena, os olhos castanhos mais bonitos e profundos que ele jamais vira. Sua risada era encantadora, e fazia todos ao seu redor mais felizes. Basicamente, nas palavras de Shingo, sua noiva era um anjo que havia caído do céu somente para fazer sua vida mais feliz.
No fim da conversa, Shingo havia falado tanto da noiva que esquecera completamente de dizer a Usagi qual era o nome desse anjo que caiu na vida dele. Com um sorriso no rosto, Usagi olhou para o irmão, e vendo toda a felicidade que transparecia em seu olhar, não conseguiu evitar perguntar.
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-Pois então, Shingo. Você me falou tudo sobre esse seu anjo, mas esqueceu de me dizer o nome de tão adorável criatura! – Usagi falou olhando para o irmão, e reparando no tom vermelho que se apossava de sua face.
-Desculpe, minha irmã. Eu sempre me empolgo quando estou falando dela! Eu a amo tanto! – Ele falava com tanto carinho, tanta admiração, tanto amor, que não deixava em sua voz nenhuma duvida quanto aos seus sentimentos. – Mas, sim. O nome do meu anjo é Suzuki.
-Suzuki? – Usagi falou olhando para o nada, como se procurando lembrar se conhecia alguém com esse nome. – Eu adoraria conhece-la, Shingo! Parece-me que ela é uma grande mulher, e para fazer você ficar desse jeito ela deve ser mesmo!
Shingo ficou mais corado do que estava no começo. Agora ele olhava para o chão embaraçado, mas não perdia o sorriso nos lábios. Somente de lembrar de sua noiva, e de saber que sua irmã estava de volta em sua casa. Mais ainda, ao saber que finalmente poderia lhes apresentar era tudo o que ele queria, e estava para acontecer.
-É claro que eu vou lhes apresentar. Até porque Suzuki está tão ansiosa para lhe conhecer quanto eu estou para apresentar vocês duas! – Ele disse com um sorriso divertido nos lábios.
-Que bom. Eu só espero que tenha falado bem de mim para ela. – Usagi disse sorrindo também.
Porem não puderam continuar a conversa, pois um barulho na porta fez com que todos entrassem em estado de alerta. Viraram-se instintivamente em direção a porta de entrada da casa, e esperaram que algo acontecesse. Ouviram os barulhos de chaves, e logo depois uma voz grave dizendo que tinha chegado.
O coração de Usagi pulou dentro do peito, ela sabia que havia acabado de entrar na casa, mas mesmo assim não conseguia deixar de ficar nervosa com aquilo. Pois sabia que agora que a família toda estava reunida não tinha mais como adiar o assunto que ela tanto queria esquecer.
Os passos se aproximavam cada vez de onde eles estavam, e o coração de todos os presentes estava batendo descompassadamente. Até mesmo Misugi, que não sabia quem era ou o que aconteceria, estava com o coração querendo sair pela boca.
Os passos chegavam cada vez mais perto de onde estavam, cada vez mais perto. Até que o barulho parou, e todos se viram encarando um ao outro, se perguntando entre olhares o que estava acontecendo. Como que para responder a pergunta que passava na cabeça de todos, aquela voz soou mais uma vez, porem sua direção vinha agora da cozinha.
-Ikuko? – Chamou a voz daquele homem, o que fez com que a mãe de Usagi se erguesse do sofá onde estava sentada e se dirigisse para a cozinha. Porem ela não entrou lá, simplesmente ficou para na frente da porta, e com uma mão estendida falou.
-Venha, Kenji! – Disse numa voz suave, para passar-lhe tranqüilidade. Porem aquilo não adiantou muito, pois ao ver sua mulher lhe falar daquele jeito, ele logo começou a se perguntar o que estava acontecendo.
Mesmo suspeitando de alguma coisa, Kenji pegou na mão de sua mulher e começou a andar com ela em direção a sala de sua casa. Não sabia o porquê de sua mulher estar agindo daquele jeito, principalmente por que já fazia dez anos que ela não era tão carinhosa com ele. Mas ao chegar à entrada da sala, de mãos dadas com a sua mulher, ele não conseguiu mais dar nenhum passo.
Ele estava tendo uma visão. Só poderia ser aquilo. Não podia ser verdade. Sua menina estava de volta para sua casa, e estava bem. Estava sorrindo, mesmo que nervosa, para seu irmão. Ao seu lado estavam os dois gatos que ele tão bem conhecia, e mais uma mulher que ele não sabia quem era, mas por experiência sabia que deveria ser uma das amigas de Usagi.
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Olhava para aquela cena chocado, não queria acreditar no que seus olhos estavam lhe mostrando. Mas era a verdade, ela realmente estava ali. E agora estava olhando para ele. O olhava com preocupação, e não escondia isso. Ele via em seus olhos o medo de ser rejeitada mais uma vez, mas ele nunca faria isso com sua menina, não de novo. Agora que ela voltara para casa, que ele sabia que aquilo era real, ele não a deixaria ir a lugar nenhum.
-Usagi!? – Ele disse com os olhos arregalados, demonstrando toda a sua surpresa ao ver sua filha novamente.
-Boa noite, papai! – Usagi respondeu calmamente, mas sua voz estava mais baixa que o normal, quase que como se estivesse com medo da reação do seu pai, e na verdade era exatamente isso o que ela sentia.
Ele sorriu ao ouvir a resposta de sua filha. Fazia dez anos que esperava para encontrá-la e poder ouvir de sua boca ela lhe chamando de pai. E hoje aquilo que ele desejava se realizou, de uma forma inesperada e incomum.
Sentou-se junto com a mulher no sofá onde antes ela estava, e ficaram os dois encarando a filha recém chegada. A felicidade que habitava aquelas duas pessoas era tão grande que não existem palavras que possam exprimi-las. A certeza de que uma filha que eles pensavam que há muito tempo tinham perdido finalmente retornar a sua casa, a certeza de que ela estava bem, e a certeza de que ela ainda os considerava seus pais, era felicidade demais para aqueles dois corações.
-Então, o que está fazendo por aqui Usagi? – Perguntou Kenji, que preferia começar por coisas banais, para depois perguntar as coisas que realmente o interessavam.
-Eu voltei para Tókio porque tenho alguns problemas para resolver aqui, e era importante demais para que eu deixasse de lado, então fui obrigada a retornar. – Ela disse sinceramente. Não esconderia de seus pais e nem de seu irmão que se não fosse por motivos maiores ela não teria voltado para Tókio. Porem, vendo os olhos de seus pais se encherem de tristeza ela logo emendou. – Mas vocês não precisam se preocupar. Eu finalmente voltei para minha terra, e agora é para ficar.
Ouvindo essas palavras, a alegria que queria escapar por entre os olhos daqueles dois pais, voltou com força total arrebatando seus corações num ritmo acelerado. Usagi sorriu ao ver a expressão de felicidade que havia no rosto de seus pais ao saberem que ela estava novamente morando em Tókio.
-Você estava morando onde, Usagi? – Perguntou mais uma vez Kenji, que estava interessado em saber como sua filha passara os últimos dez anos de sua vida.
-Eu estava morando em Paris. – Ela disse sorrindo, mas logo seu sorriso se foi. – Quando eu saí de casa o único vôo que tinha era para Paris, e eu não queria esperar mais nem um minuto para sair daqui, então comprei as passagens e fui. Não sabia o que estava me esperando lá, e nem se eu conseguiria me sustentar sozinha, mas graças a Deus quanto a isso deu tudo certo. E também eu conheci Misugi, que me ajudou durante a pior parte da minha vida, se não fosse por ela eu não estaria aqui hoje! – Usagi disse calmamente, mas não tinha coragem de olhar nos olhos dos pais.
-Então eu acho que nós temos muito que agradecer a essa jovem moça, não é? – Ikuko falou, olhando carinhosamente para Misugi. Já tinha percebido o tamanho do carinho que aquelas duas mulheres tinham uma pela outra, com certeza eram grandes amigas.
-Imagina. Tudo o que fiz foi por que me importo com Usagi, e nunca suportei vê-la sofrendo. Não era mais do que minha obrigação faze-la feliz! – Misugi disse olhando para Usagi e sorrindo. Porem os pais de Usagi sentiram em seus corações uma pontada tão forte que eles temiam começar a gritar de dor. Uma menina que nem conhecia sua filha foi capaz de amá-la naquela época muito mais do que aqueles dois pais fizeram.
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