Sailor Moon Portugal, A Navegante da Lua

Sailor Moon - O Sonho não Acabou

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Capitulo XIII – O Ataque e a Separação



Já fazia dois dias que estavam sentadas naquele mesmo quarto, olhando para o rosto uma da outra, tentando achar dentro de si algo que era desconhecido para todas, exceto para Usagi, Setsuna e agora Haruka.

Enquanto todas continuavam a fazer a mesma coisa de sempre, ou seja, sentar-se no chão de olhos fechados, esperando que no meio de toda aquela escuridão que lhes encobria surgisse uma luz, Haruka estava treinando para se aperfeiçoar no caminho que já conseguiu prosseguir. Agora ela teria que agilizar todo o processo, tentando demorar o mínimo possível de tempo para achar e controlar a luz que lhe pertencia, e fazer ela lhe obedecer, assim transbordando por seu corpo.

O trabalho era cansativo e muitas vezes chato, mas elas precisavam fazer aquilo e sabiam muito bem disso. Estavam se preparando para algo tão grande que não haviam pensado nem mesmo em seus sonhos mais malucos. Tudo o que estava acontecendo era muito surreal naquele momento, e todos os sentimentos estavam à flor da pele. Já não queriam mais ser perturbadas, não agüentavam o barulho, preferiam a escuridão que lhes encobria cada vez que fechavam os olhos, não estavam mais se falando. Aquele treino as fazia se separar minuto a minuto umas das outras.

Usagi sabia que isso poderia acontecer, pois também passara por isso, assim como Setsuna, afinal, elas fizeram aquilo juntas. Ambas procurando pela sua luz interior, ambas perdendo toda e qualquer capacidade de socialização naquele período, pensando somente em encontrá-la, querendo somente fechar os olhos e continuar a procurá-la. Usagi sabia muito bem o que elas estavam passando, o que estavam sentindo, o que estavam pensando.

E era exatamente por isso que não se importava quando tinha que tira-las do treino e elas começavam a gritar e brigar que haviam sido interrompidas em uma parte importante. Usagi conhecia muito bem esse sentimento, mas essa era a fase de autoconhecimento que todas elas deveriam passar, para que no final elas não só saíssem mais fortes como também mais sabias, não só quanto aos outros, mas como a si mesmas.

O tempo passava completamente divagar enquanto ela olhava os rostos de cada uma daquelas mulheres se contorcendo em meio à concentração, vendo a força que elas faziam para conseguir uma coisa que deveria vir naturalmente, principalmente para elas que sabiam que essa luz existia e ainda mais, a usavam constantemente.

Olhou para Setsuna que estava sentada em um canto do quarto, encostada a uma das paredes. Parecia estar refletindo sobre algo, muito absorta em seus próprios pensamentos, então Usagi resolveu que não iria lhe incomodar naquele momento. Mais tarde lhe perguntaria o que estava acontecendo, o que se passava naquela cabeça.

Nesse momento sentiu mais uma vez que alguém estava conseguindo alcançar o seu objetivo. Não sabia ao certo quem era, mas sabia que era mais de uma pessoa. Procurou com os olhos quem ali estava com a energia mais alterada, mas ficou confusa entre três pessoas.

Olhou mais uma vez para Setsuna, que agora a encarava também, depois olhou para Haruka, que agora abrira os olhos e olhava para os lados como se estivesse à procura de algo. Virou-se para a amiga e com um sorriso nos lábios perguntou:

-Você está sentindo essa energia diferente também? – E com o sinal positivo que Haruka fez com a cabeça, Usagi simplesmente sorriu e continuou a falar. – Isso é normal, já que agora você atingiu um nível superior as outras pessoas nessa sala você consegue detectar quando uma delas está aflorando sua energia como você fez! – Sorriu ao ver o desentendimento estampado no rosto de Haruka. – Eu estou querendo dizer que cada vez que uma delas estiver se transformando, quando estiver usando qualquer tipo de energia fora do normal, você irá sentir, porque agora você está um nível acima delas. Eu quero dizer que quando uma delas estiver para chegar ao seu nível, você saberá imediatamente, mesmo que não tenha ainda percebido quem é!
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-Então é isso o que eu estou sentindo? Esse tipo de aperto no coração, como se algo diferente estivesse para acontecer, algo que eu nunca tinha presenciado na minha vida? – Haruka perguntou ainda um pouco temerosa quanto ao que estava sentindo.

-Exatamente! Agora me diga... – Usagi parou um pouco para olhar para a frente e ver os rostos de cada uma das Sailors que ainda tentavam encontrar sua luz, e para Mamoru. –... De qual deles você está sentindo a energia vir mais forte?

- Eu não sei dizer exatamente, mas parece que está vindo daquela direção! – Ela apontou para onde estavam Mamoru e Amy, ambos com expressões que mostravam muita dor e sofrimento. – Porém eu sinto mais que uma energia pairando, e essa vem do outro lado do quarto. – Haruka disse olhando para o lado onde estavam Setsuna e um pouco mais a frente Minako.

-Exato. Existem duas pessoas nesse quarto que estão conseguindo alcançar um nível superior de energia nesse momento. Uma delas é a Minako! – E ao ver o rosto um pouco descrente de Haruka ela explicou. – Setsuna já alcançou esse nível há muito tempo, então só nos resta Minako daquele lado. Agora a minha duvida é entre Mamoru e Amy. Qual dos dois está prestes a acordar mais forte?

Haruka não sabia o que dizer, então preferiu ficar calada, apenas encarando os demais e de vez em quando trocar uns olhares na direção de Usagi. Foi em uma dessas vezes que ela reparou que Usagi fechara os olhos e se virara completamente na direção onde estavam Mamoru e Amy, e ainda de olhos fechados ergueu as mãos na direção deles.

Quando Usagi abriu os olhos, estava mirando os olhos de Setsuna, e com um simples menear de cabeça e um sorriso de canto de boca, ela voltou a olhar para Mamoru e Amy, e abaixando as mãos falou em voz alta.

-Podem abrir os olhos! – Assim que terminou de falar, todos naquele quarto abriram os olhos, exceto Amy, Minako e Mamoru. – Minako e um desses dois está prestes a completar a primeira parte do treinamento. Vamos somente esperar um pouco.

Em poucos minutos, Minako estava sendo cercada por uma luz alaranjada, que a fazia parecer um tanto quanto etérea. Ela arfava e seus olhos estavam lacrimejando. Ela olhava para os lados, como se estivesse perdida em um mundo que não lhe permitia enxergar aquelas pessoas ao seu redor.

Abaixou a cabeça e começou a chorar, estava perdida com tudo o que viu naquela escuridão. Não queria acreditar que tudo aquilo passava por sua mente. Como podia até hoje estar completamente avessa ao que passava dentro de seu próprio corpo, de sua própria mente?

Estava espantada com todos aqueles sentimentos escondidos, com todos os segredos que guardava até mesmo de si mesma, de todos os sofrimentos que nem mesmo se permitiu sentir, de todas as palavras que queriam sair, mas nem sequer passaram por sua mente.

Ainda chorava desesperada com tudo o que descobrira de si mesma, de todas as faces que escondia dentro daquele corpo que até poucos dias atrás pensava conhecer completamente. Chorava como se aquilo pudesse fazer com que tudo o que vira desaparecesse. Não queria lembrar daquilo, não queria ser daquele jeito.

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Foi quando, ainda perdida entre suas lamúrias e suas tentativas de tentar esquecer o que tinha visto, ela sentiu uma mão pousar em seus ombros. Levantou os olhos devagar, encontrando em frente a si um par de olhos azuis compreensivos, que lhe diziam que ela entendia o que estava passando, e que estaria ali ao seu lado para sempre. Sorriu e abraçou Usagi com força e em seguida, sem nem ao menos perceber encarou mais uma vez a escuridão, desmaiando nos braços confortáveis de Usagi.

-Ela logo ficará melhor, agora tudo o que precisa é descansar! – Usagi disse, vendo o rosto preocupado que todos os outros lhe lançavam, e percebendo que eles não entendiam o que tinha acontecido, resolveu lhes esclarecer. – Eu lhes avisei que no meio desse treinamento vocês podem descobrir coisas que antes estavam escondidas até mesmo de vocês. Coisas que vocês provavelmente não irão gostar. Sentimentos que nunca pensaram existir, segredos escondidos até mesmo de suas almas, certas coisas e atitudes que queriam ser realizadas, sem nem ao menos realmente terem sido pensadas. E é exatamente isso o que aconteceu com Minako. Ela provavelmente descobriu algo que não foi muito confortante dentro de si mesma, e agora está querendo esquecer, não quer acreditar que aquilo que viu realmente veio de dentro de si. Mas não se preocupem, é muito melhor ficando sabendo dessas coisas agora, pois é isso que irá lhes dar forças mais tarde, quando precisarem enfrentar situações difíceis.

Todas olharam um pouco desconfortáveis para aquilo que acabaram de ouvir, mas sabiam que era verdade. Era muito melhor saber disso e ter um trunfo na batalha final, se conhecendo melhor e sabendo o que pode e não pode fazer, do que não saber e no final não conseguir fazer nada.

Usagi levantou-se e pegou Minako no colo, colocando-a deitada em cima da cama de Rey. Olhou mais uma vez para sua amiga, e em seus olhos reluzia a compreensão. Virou-se e mais uma vez se sentou no chão, no mesmo lugar que esta sentada anteriormente, mas dessa vez estava de frente para Amy e Mamoru.

Não sabiam quem seria o próximo a completar aquele estagio do treinamento, mas estavam esperando para ver qual seria a reação da dita pessoa. Quando começaram a sentir uma presença mais forte dentro do quarto, não foi surpresa nenhuma que de um dos corpos uma luz começasse a se desprender.

O quarto se preencheu em um dourado puro, como se aquela luz quisesse alcançar os corações de todos, e imediatamente sabiam que aquela era a energia de Mamoru. Não demorou mais do que dez segundo, depois que a luz apareceu, para que ele abrisse os olhos.

Sua respiração estava descompassada, mas ele nem sequer chegava a piscar os olhos. Sua expressão estava neutra, como se nada passasse em sua mente naquele momento, ou como se não conseguisse enxergar nada a sua frente. Seus olhos pareciam vidrados em um único ponto e ele parecia um pouco desnorteado com alguma coisa que acontecera.

Ele pensava em tudo o que tinha visto dentro de sua mente. Não queria pensar mais naquilo. Esqueceria. Aquele não era ele. Ele não era aquela pessoa horrorosa que vira dentro daquela escuridão. Não poderia ser aquele homem. Aquele rancor, aquela raiva, aquela revolta não faziam parte do seu ser. Ele tinha certeza disso.

Não pensaria mais naquilo. Definitivamente aquele não era ele. Piscou os olhos calmamente. Não queria pensar em mais nada. Os seus olhos foram ganhando o foco aos poucos. Ele foi recobrando a consciência de que estava em um quarto com todas as outras Sailors, e que ele tinha estado inconsciente praticamente todo o tempo que estivera ali.

Olhou para a frente, e seus olhos se encontraram com os de Usagi, que no momento que o viu acordar, se aproximou calmamente até estar sentada em frente a ele. Usagi colocou as mãos nos ombros de Mamoru, e com um pequeno aperto fez com que ele recobrasse completamente a consciência que mais uma vez parecia querer lhe faltar.
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Ele a encarou por alguns minutos. Ambos ficaram em silencio perdidos nos olhos um do outro, até que Usagi virou-se para onde Amy estava ainda de olhos fechados, e sorriu.

-Parabéns, Mamoru! Você conseguiu! – Ela disse, e fez questão de se levantar, lhe oferecendo a mão para que ele levantasse também. Com um pouco de relutância ele aceitou, e foi levado por Usagi em direção a cama. Lá se sentou ao lado do corpo desacordado de Minako e voltou a olhar para o nada. – Agora eu gostaria que você descansasse enquanto os outros continuam a treinar. Quando se sentir melhor com tudo o que descobriu me diga, que eu lhe passarei a próxima parte do treinamento, certo?

-Certo. – Ele disse, e até mesmo sua voz estava fraca demais. Era como se tudo dentro dele quisesse desaparecer. Não queria de maneira alguma ser aquela pessoa que ele descobriu que era. Preferia mil vezes ser a pessoa que ele achava que era do que a pessoa que descobrira realmente ser, mas como aquilo não dava para ser mudado, ele resolveu que iria tentar se acostumar com aquilo, e tentar achar alguma maneira de fazer com que aquilo não virasse a sua realidade. Iria descansar e depois retornaria para o treinamento.

Usagi voltou para o lugar onde estava e como ela todas voltaram a seus respectivos lugares, com os olhos fechados, recomeçando assim o treinamento que deixaram há poucos minutos.

Já fazia quase duas semanas que estavam ali, dentro daquele quarto, somente sentadas de olhos fechados, procurando dentro de si as forças para continuar. Ninguém reclamava do que estava acontecendo, mas ninguém estava mais numa situação muito favorável depois de todo aquele tempo. O corpo estava cansado e a mente exausta, mas finalmente todas conseguiram cumprir com a primeira parte daquele treino que Usagi os estava dando.

A primeira a conseguir foi Haruka, que não precisara passar por muita coisa, nem descobrir muito de si para encontrar a luz que todos procuravam. Logo depois veio Minako, que não agüentara tudo o que vira e acabara desmaiando nos braços de Usagi. Poucos minutos depois foi à vez de Mamoru, que não conseguia ainda aceitar tudo o que vira dentro daquela escuridão, mas que aos poucos conseguia conciliar aquilo como uma verdade em sua vida.

Um dia depois foi à vez de Michiru conseguir acabar com aquela parte do treinamento. A mulher parecia exausta no momento em que abrira os olhos, como se tivesse esgotado todas as suas energias para conseguir alcançar aquela luz que radiava beleza e deixava a todos um pouco mais confortáveis.

Demorou mais três dias para que, ao aproximar-se o anoitecer, Makoto conseguisse alcançar a luz que tanto procurava. Porém ela não estava muito feliz com o que descobrira e muito menos com o que sabia que deveria fazer com isso. Sabia muito bem que aquela era a verdade, mas mesmo assim era difícil de acreditar que era assim por dentro. Era como se não se conhecesse nem mesmo no mínimo dos detalhes.

Dois dias se passaram até que mais uma das Sailors conseguisse encontrar a sua luz, e dessa vez tinha sido Amy. Com aquela luz levemente azulada, que transbordava uma aura de inteligência e recato, mas no fundo uma mulher que queria se mostrar ao mundo e tinha vergonha do que os outros pensariam. Amy acordou envergonhada consigo mesma, como se pensasse que os outros poderiam ver tudo o que ela viu. Não aceitava que ela, do jeito que se conhecia, pudesse ser aquela mesma mulher que viu no meio da escuridão. Não aceitaria tão facilmente, mas sua inteligência lhe dizia que ou ela aceitava ou aquilo um dia acabaria se virando contra ela. Mesmo assim era difícil para a menina mais tímida do grupo aceitar que aquelas coisas se passassem em sua mente.
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No décimo dia em que estavam dentro do quarto, Rey acordou. A aura vermelha, exalando calor, mostrava o quão alterada ela estava no momento, e o quão instáveis estavam seus sentimentos. Ela olhava de um lado para o outro como se procurando uma saída de dentro de si mesma.

A única que faltava acordar era Hotaru, mas Usagi havia explicado a todas as Sailors que era de se esperar que Hotaru fosse a ultima a conseguir encontrar a luz dentro de si, afinal elas estavam ali para encontrar e combater toda a escuridão que existia dentro delas e Hotaru era exatamente a Sailor da Destruição, aquela que guardava dentro de si a maior escuridão. E no décimo segundo dia, Hotaru acordou, seus olhos pareciam fora de foco, sua respiração alterada, seu coração batendo descompassado, sua boca abria-se de minuto em minuto como se quisesse falar algo, mas a voz não saia. Suas mãos se apertavam contra suas próprias pernas, e ela tentava de todos os jeitos recuperar os sentidos que desapareceram no mesmo momento que aquela aura negra tomou conta do quarto. Uma aura que mostrava solidão, destruição e medo, mostrava uma bondade sem igual.

Usagi esperara durante dois dias para que Hotaru chegasse onde todas as outras Sailors já haviam chegado. Todas elas agora conseguiam encontrar a luz simplesmente ao fechar os olhos. Depois de duas semanas esperando por isso, finalmente Usagi conseguiria passar para o terceiro passo do treinamento, o link entre as Sailors.

-Agora que vocês já conseguiram acabar com a segunda parte do treinamento que eu impus a vocês, eu quero que todos vocês se preparem para a próxima parte. Talvez seja desgastante demais para vocês, mas é preciso, e é uma das coisas mais importantes que nós iremos fazer. – Ela disse olhando para o rosto de cada uma das Sailors, e depois abaixou a cabeça novamente começando a falar. – Duas de vocês já conseguiram completar essa parte, mas somente uma com a outra, agora terão que fazer o mesmo com o resto das Sailors e com Mamoru. A partir de agora vocês estarão treinando para conseguir estabelecer o link entre vocês.

Todas olharam para Usagi com um pequeno sorriso nos lábios. Estavam esperando por esse momento desde que começaram esse treinamento. Queriam acabar o mais rápido o possível com aquilo, para que assim a ultima etapa fosse concluída também.

-Eu quero que todos se concentrem em mim! – Usagi disse olhando para o rosto de cada um deles. Depois que viu que todos a olhavam, continuou. – Agora eu quero que todos vocês se concentrem em tentar enxergar por entre meus pensamentos. Eu quero que vocês tentem enxergar não só o que estou pensando, mas também o que estou sentindo.

Todas afirmaram com a cabeça, mesmo não sabendo como fariam isso. Algumas fecharam os olhos, enquanto outras se aproximaram de Usagi, no mesmo momento em que algumas preferiram manter a distancia, mas sem tirar os olhos de Usagi.

Usagi olhava para elas com um certo interesse nos olhos. Será que conseguiriam fazer o que ela pedira? Será que conseguiriam fazer isso no resto de tempo que elas tinham? Resolveu não se importar com isso, e decidiu que deixaria que elas fizessem as coisas em seus próprios tempos.

Demorou menos de dez minutos para que a primeira pessoa conseguisse completar aquela tarefa. Usagi olhou para o lado totalmente surpresa com a velocidade com que conseguira completar o que pedira.

-Mas já? – Ela perguntou, fazendo com que todos olhassem para ela, e depois começassem a olhar para os lados procurando saber com quem ela estava falando. Não foi surpresa para ninguém quando viram Mamoru com um sorriso enorme nos lábios, e uma expressão que dizia “foi inevitável”.

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Todas as outras deram de ombros, e continuaram na tarefa que estava à frente delas. Mas Usagi ainda olhava para Mamoru de forma desconfiada, de vez em quando ainda se passava na sua mente que ele devia ter feito alguma coisa para conseguir completar aquela tarefa tão rapidamente. Foi então que se lembrou, eles estavam ligados uns aos outros. O que não entendia agora era que, se eles já eram ligados, porque Mamoru ainda não tinha ativado o link entre os dois?

Aquilo não importava realmente no momento. Voltou a encarar Mamoru nos olhos, e com um sorriso no canto dos lábios, fez questão de virar-se completamente para ele.

-Agora que você já conseguiu completar essa parte, espere um pouco para que as outras consigam. Depois todos juntos partirão para a próxima pessoa! – Usagi falou, e o sorriso nos lábios mostrava que ela estava satisfeita com a eficiência de Mamoru, mesmo não dizendo nada.

Todas voltaram a encarar Usagi, e não precisavam que ela dissesse nada, para que soubessem que era hora de continuar. Fecharam os olhos para se concentrar melhor na tarefa a ser realizada. Todas tentavam de todas as maneiras possíveis bloquear os próprios pensamentos para que somente aqueles que elas queriam que viessem a tona tivessem a chance de ser escutados.

Demorou cerca de três dias para que todas as Sailors tivessem conseguido completar a primeira parte, que era finalizar o link com Usagi. Quando todas já estavam preparadas para partir para a próxima parte da tarefa, Usagi levantou-se e foi para o meio do quarto, fazendo com que todas as pessoas olhassem para ela.

-Agora que vocês todas já conseguiram completar uma conexão comigo, vocês passarão para a próxima pessoa. Como vocês já fizeram isso uma vez será mais fácil com as outras. Mas não se enganem, esse link não pode ser partilhado por qualquer um, e sim por aqueles que dividem entre si algo mais que uma amizade. Um link só pode ser partilhado por pessoas que possuem entre si o mesmo destino, as mesmas esperanças, os mesmos medos, mesmo que isso seja maior ou menor em um dos lados. Basicamente, no momento em que todos terminarmos com essa parte do treinamento será como se dividíssemos a mesma alma. Sentiremos as mesmas coisas, teremos pensamentos parecidos. Muitas coisas mudarão quando tudo isso acabar, e vocês irão perceber imediatamente. Assim como a primeira parte em que vocês conhecer internamente como realmente são, agora vocês irão conhecer realmente um ao outro, e essa ligação que vocês partilharão a partir de agora fará com que cada uma seja distinta em sua própria maneira, mas ao mesmo tempo igual. É difícil de entender no primeiro momento, mas assim que se acostumarem, vocês perceberão que isso é simplesmente mais um passo a frente para todos nós, e que é uma das melhores coisas que podem acontecer com vocês no momento. – Usagi falou, fazendo com que todas as mulheres olhassem para ela, e depois de suas palavras, todas entendiam um pouco mais do que estava para se passar ali naquele quarto. – Agora eu quero que você venha aqui para o meio Hotaru. – Usagi continuou, fazendo com que Hotaru se assustasse um pouco, por ter sido chamada logo agora. Levantou-se e foi para onde Usagi estava. – Sente-se aqui, e espere. – Hotaru assentiu com a cabeça e Usagi continuou. – Eu quero que todas vocês se concentrem agora na mente de Hotaru. E Hotaru? – A menina olhou para cima, dentro dos olhos de Usagi. – Quando você sentiu que alguém entrou em sua mente, diga olá, assim você saberá quem foi, ou senão ficaremos todos esperando tempo demais sem saber se alguém conseguiu e quem foi, ok?
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-Certo! – Hotaru falou, um pouco nervosa por pensar que a partir de agora teria pessoas invadindo sua mente, e com sua permissão. Era muito confuso para a sua cabeça aquilo que iria acontecer, mas se fizeram o mesmo com Usagi, porque não poderiam fazê-lo com ela?

Foi mais um dia inteiro para que todos conseguissem estabelecer um link com Hotaru, que desde o momento que falara com Usagi, não tinha se mexido um único centímetro de onde estava sentada. Suspirou aliviada quando percebeu que tudo já tinha acabado.

-Ótimo. Já que acabamos com Hotaru, vamos para a próxima. Amy, pode vir se sentar aqui no centro do quarto? – Usagi pediu, fazendo um sinal apontando para onde Amy deveria ir.

Amy assentiu e sentou-se onde Usagi havia mandado que ela fosse. E lá ficou até que todas as Sailors conseguissem estabelecer com ela um link também. Seguiram assim, depois de Amy: Michiru, Setsuna, Makoto, Rey, Haruka, Mamoru, e Minako respectivamente.

Ao final da terceira semana, todos já tinham conseguido estabilizar o link entre si, deixando Usagi completamente satisfeita com o progresso deles. Sorrindo para eles, e vendo-os festejar por ter completado mais uma parte do treinamento, ela começou a se perder em seus pensamentos.

-Ótimo, agora que vocês já conseguiram completar essa parte, eu quero que vocês se concentrem na ultima parte desse treinamento. Vocês terão que se concentrar em ouvir a mente de todos ao mesmo tempo. Quero que vocês se concentrem em todos e tentem entender o que cada um diz, ao mesmo tempo que ouvindo o que o outro está dizendo. Depois disso, eu quero que no meio de todas as vozes vocês se concentrem em apenas uma e tentem apagar todas as outras de sua mente. – Usagi falou, fazendo com que toda a alegria morresse no exato momento em que começou a falar.

Todas voltaram a se sentar no chão, onde passaram as ultimas três semanas sentadas, e novamente fecharam os olhos, só que agora não se concentravam somente na pessoa que estava sentada ao centro delas, mas sim em todas as pessoas presentes ao mesmo tempo. A cabeça de todos ali doía com todas aquelas vozes que não se calavam, e as expressões em seus rostos eram de pura dor.

Usagi observava tudo de camarote, enquanto previa um ou outro que acabariam primeiramente com aquela tarefa, e assim como havia previsto, a primeira pessoa a conseguir completar foi Setsuna, mas Usagi sabia que isso só havia ocorrido porque Setsuna já havia estabelecido um link com todas as Sailors há muito tempo.

Logo depois foi Mamoru quem terminou, olhando para Usagi com um sorriso vitorioso no rosto, que não foi devolvido ao mínimo por Usagi. Em seguida foi a vez de Minako, Haruka, Michiru, Amy, Rey, Hotaru, e Makoto respectivamente, conseguirem completar aquela parte do treinamento.

Mais uma vez Usagi estava feliz por elas, pois aquela parte que ela achava que iria demorar mais demorou apenas um dia e meio, fazendo assim com que Usagi começasse a se preparar para a ultima parte do treinamento, que com certeza era a mais difícil que elas iriam experimentar.

-Meninas, eu quero que vocês prestem atenção agora, por favor! – Usagi disse fazendo com que todas as mulheres olhassem para ela. – Nós chegamos a ultima parte do treinamento, mas eu acho que vou dar a vocês um dia de descanso, afinal, nós estamos treinando a três semanas seguidas, sem nenhum intervalo. Amanhã de manhã eu quero que todas vocês estejam aqui bem cedo, aí sim nós começaremos a ultima e mais difícil parte desse treinamento.
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Todas olharam um pouco mais satisfeitas por poderem descansar um pouco de todo aquele treinamento, mas saber que iriam começar a parte mais difícil do treinamento na manhã seguinte as deixou preocupadas com o que poderia acontecer. Olharam umas para as outras, e Amy falou.

-Eu acho melhor que não saiamos do templo. Não sabemos o que tem lá fora, talvez o inimigo esteja somente esperando para nos atacar. E também, nós podemos muito bem descansar aqui mesmo. O que eu preciso mesmo e acho que todas vocês concordam, é de um bom banho e noite de sono, e amanhã eu estarei melhor do que nunca para esta nova parte do treinamento que Usagi vai nos dar.

-Se todas concordam com Amy, eu também acho melhor ninguém sair do templo. Não por causa do inimigo, e sim por que desse jeito eu poderei saber onde todas estão em caso de emergência. – Usagi falou, e logo se levantou fazendo com que todos se levantassem junto a ela. – Eu vou dar uma volta pelo templo, enquanto isso vocês podem fazer o que quiserem.

Elas olharam-se e depois lançaram um ultimo olhar para as costas de Usagi, que a cada segundo mostravam estar ficando mais longe delas. Depois começaram a dispensar-se, indo fazer cada uma o que lhe achava melhor.

Algumas, assim como Amy sugeriu, foram tomar um banho para depois ir descansar. Outras foram direto dormir, por causa do cansaço devido a todo o treinamento que tiveram ininterruptamente. Outros ainda preferiram dar uma caminhada, assim como Usagi, para espairecer um pouco a mente.

Durante aquele dia, todos se separaram pela primeira vez naquele mês, para fazer aquilo que achavam melhor, mas sem deixar o templo. Ao final do dia estavam todos dormindo, exaustos, tanto física quanto mentalmente.

A noite parecia correr lentamente para Usagi que não conseguia dormir de maneira alguma. Estava sentindo que algo diferente estava prestes a acontecer, e isso a deixava inquieta. Durante horas ficou sentada no mesmo lugar, observando a lua de uma das janelas do quarto de Rey, onde todas estavam. Aquele sentimento de perigo que há muito tempo não sentia, agora voltava com mais força que muitas outras vezes. Ela sabia que algo estava prestes a acontecer, e sabia que seja lá o que fosse, seria muito ruim para as Sailors, se elas não estivessem prontas para enfrentar o inimigo que estava para vir.

Ficou ali, perdida em seus próprios pensamentos, tentando entender aquele sentimento de perigo, tentando enxergar por onde e quando viria o ataque, mas não conseguia enxergar nada. Até que, como se tivesse levado um susto, Rey acordou.

Olhava para ambos os lados exasperada. Não sabia se aquilo que sentira fora somente por conta de seu cansaço, ou se realmente iria acontecer, mas de qualquer estava alerta. Foi então que percebeu que Usagi ainda estava acordada, e que fitava, com a face preocupada, a lua que iluminava soberana o céu daquela noite.

-Não consegue dormir Usagi? – Perguntou, e seu tom era de preocupação, tanto por Usagi quanto pelo que havia sentido há poucos minutos atrás.

-Na verdade não. Tem algo muito estranho no ar, e eu não consigo entender muito bem o que é, fora que eu ainda tenho que me concentrar para amanhã! – Disse Usagi com um sorriso de canto, lembrando-se que além de tudo, amanhã teria que começar o treino pesado com as Sailors, e isso cansaria não só a elas, mas Usagi também. Na verdade, cansaria principalmente Usagi, já que ela seria a pessoa que doaria mais energia durante todo o treinamento.

-Quer dizer que você também está sentindo essa sensação estranha de perigo? – Rey perguntou, curiosa e impressionada pelo quanto Usagi havia mudado. Antes, quando andavam juntas, Usagi não era capaz de sentir e entender nada, nem mesmo estando embaixo de seu nariz, e agora ela conseguia pressentir o perigo até mesmo antes de Rey.
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-Eu estou sentindo isso desde hoje à tarde, e por alguma razão eu sei que não será nada bom para nós. Principalmente se vocês não estiverem prontas para combater. Tem algo muito errado pronto para acontecer, e infelizmente eu acho que a primeira luta terá que ser somente minha, ou quem sabe com a ajuda de Setsuna, mas quanto a vocês, eu tenho certeza absoluta que nenhuma está pronta para uma batalha no nível que está prestes a acontecer! – Usagi falou, e em nenhum momento se quer virou o rosto para o local onde estava Rey.

-Você tem certeza que é o inimigo que vai atacar? Não pode ser qualquer outra coisa diferente? – Rey perguntou, mesmo sabendo que era uma pergunta muito idiota de se fazer naquele momento, mas ela queria achar uma outra resposta para aquela sensação, não queria que fosse o inimigo, não ainda. Assim como Usagi falara, elas não estavam prontas ainda, e deixar Usagi lutar sozinha era uma coisa que elas não fariam.

-Oras, Rey, como sacerdotisa e princesa do fogo você deveria saber melhor do que eu que já está mais do que na hora dela nos atacar. Sinceramente eu acho que até demorou demais. Mas se o que lhe preocupa é eu ter que lutar sozinha, não se preocupe. Ela não virá pessoalmente, não até ter certeza que é seguro. Eu sei! – Usagi falou, e estava tão presa em seus próprios pensamentos que não percebeu Rey se levantar do lugar onde estava sentada, e se dirigir para onde ela estava.

-Você está encarando isso com muita naturalidade, e eu sei que não isso o que você está sentindo. Eu sei que não fui à melhor amiga do mundo, e que fiz coisas realmente erradas, e principalmente que nunca deveria ser perdoada, mas mesmo assim eu te peço, se tem alguma coisa errada, por favor, me conta! – Rey falou, e sua voz saiu com tanto carinho e emoção, que Usagi foi obrigada a virar o rosto para encará-la.

-Sim, você realmente não foi à melhor das amigas, mas você me conhece muito bem, não sou uma pessoa de guardar rancor, embora tenha todo o direito. E sinceramente, se eu perdoei o Mamoru, que era a pessoa que eu mais desprezei durante esses últimos dez anos, porque eu não vou perdoar você, que em meu conceito, foi apenas um objeto para ele me esquecer? – Usagi perguntou, e vendo o rosto de Rey ficar vermelho ao decorrer do que dizia, sorriu ao ver o rosto de indignada que Rey fez na ultima frase que ela disse.

-Você não vai me contar o que está acontecendo de errado, não é mesmo? – Rey perguntou, mudando completamente de assunto, e querendo esquecer que ouviu o que Usagi tinha lhe dito.

-Não, porque não há nada a dizer, agora volte a dormir, pois amanhã o dia começará bem cedo, e eu preciso que todas estejam completamente descansadas para o que vamos fazer!

-Tudo bem! – Rey disse sentindo derrotada. Levantou-se e foi em direção a sua cama, onde deitou-se e imediatamente adormeceu.

“Está quase na hora” pensou Usagi, no momento em que percebeu que Rey havia adormecido. Voltou a encarar a lua, que se movera desde a ultima vez que a observara. Novamente começou a se perder em seus próprios pensamentos, mas não conseguiu segui-los por muito tempo, pois logo um barulho de algo se quebrando fez com que todas acordassem, e Usagi se levantasse imediatamente de onde estava e se dirigisse para o local de viera aquele barulho.

Aquele sentimento estava cada vez mais forte, e ela sabia que era agora que elas saberiam se já estavam aptas para lutar contra Kurai. Era a esse momento que todo o treinamento se resumira, aquela primeira luta, onde elas mostrariam o quão fortes ficaram nesse ultimo mês.
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Usagi sabia muito bem que elas ainda não haviam completado completamente o treinamento, ainda faltava a ultima e mais intensa parte, mas também sabia que com tudo o que já lutaram antes na vida, e com tudo o que aprenderam nessas ultimas três semanas, elas estavam muito mais fortes do jamais estiveram em todas as suas vidas.

Corria pelos corredores do templo, procurando pelo local de onde viera o barulho, e atrás de si trazia todas as Sailors e Tuxedo Mask, já transformados. Somente ela continuava com sua mesma forma, somente ela ainda era Usagi. Uma Usagi que corria desesperada por sentir que algo de muito ruim estava perto de acontecer.

Seu coração batia completamente descompassado, e ela sentia no próprio ar a ansiedade daquele momento. Tudo o que estava prestes a acontecer era o que iria linear a sua derrota ou a sua vitoria em mais essa luta. Não sabia direito o que pensar, tudo o que tinha certo em sua mente era que tinha que prosseguir, tinha que vencer e tinha que fazer com que as Sailors provassem para si mesmas, mais do que para ela, que eram mais fortes do que imaginavam.

Em meio aos seus devaneios, ela foi completamente arrancada de seu estupor por mais um barulho de algo de se quebrando. O chão tremeu ligeiramente, e ela já não sabia o que pensar. Não conseguia imaginar o que estava causando tudo aquilo. Seguiu o caminho, sabendo que já estava mais perto de achar sua resposta do que estava anteriormente.

E realmente a resposta se mostrou nua e crua em frente aos seus olhos, no momento em que virou num dos corredores do grande templo Hikawa. Lá a sua frente, Usagi encontrou não um inimigo qualquer, mas a si mesma. Claro que as vestes já não eram mais as mesmas, mínimas diferenças que contariam tudo na hora da batalha. Usagi observou atentamente aquela mulher a sua frente, e sabia, ali estava uma das copias de Kurai.

Ela vestia um uniforme quase idêntico ao de Sailor Moon, mas os detalhes tanto da saia dourada, quanto da luva não eram mais vermelhos e azuis, agora eles tinham a cor prateada e preta. Em sua cabeça ela tinha uma lua exatamente como Sailor Moon, mas na cor preta. E tanto as asas que tinha ao redor do seu broche, quanto os enfeites que tinha na cabeça e até mesmo as suas asas assumiram uma cor cinza claro, como se estivessem um pouco sujas.

Ela tinha nos olhos um certo desdém, um certo descaso. Um olhar de superioridade, que fazia com que Usagi olhasse para ela com repudia. Ela olhava como se aquela luta já estivesse ganha, como se não tivesse razão para estar ali, sendo obviamente superior. Não acreditava e jamais acreditaria que pudesse ser vencida por qualquer um daqueles seres que se apresentou a sua frente, mas Usagi pensava exatamente o contrario.

-Eu quero que vocês fiquem para trás, e prestem atenção em exatamente tudo o que ela fizer, meçam a força dela, estudem seus movimentos de luta, pois essa é simplesmente uma copia de Kurai. Eu lutarei e peço por favor que prestem o máximo de atenção possível em tudo o que eu fizer e em tudo o que ela fizer. Não percam nenhum movimento de vista, pois assim que nos separarmos vocês é quem irão lutar sozinhas contra ela, e eu quero que estejam preparadas. – Usagi falou, mas quando viu que algumas das Sailors e principalmente Mamoru estavam prestes a reclamar ela continuou. – Eu sei que vocês querem lutar também e se eu soubesse que vocês podem vencer tenham certeza que eu deixaria, mas nesse momento, com o treinamento de vocês incompleto vocês não têm a mínima chance. Exatamente por isso eu peço para que vocês prestem atenção a todos os movimentos, ataques, força, qualquer coisa que chamem a atenção.
#491
Ela se virou sem deixar nenhum deles lhe falar nada, e continuou caminhando, até que estavam ela e a copia de Kurai frente a frente. Ainda não estava transformada, e não iria se transformar até que sentisse que era completamente necessário. Olhou para trás para ver se todos estavam longe o suficiente dela, deu um pequeno sorriso de canto ao perceber a preocupação estampada no rosto de cada um deles, e voltou a se dirigir para a pessoa, ou melhor dizendo, copia a sua frente.

-Você será a primeira com quem eu terei que lutar? – Perguntou Kurai, como se enfrentar Usagi fosse para ela a mesma coisa que ter lhe dar com uma mosca que está incomodando seu caminho.

-Não, eu serei a única com quem você terá que lutar! – Usagi disse, e sua voz saiu bem alta, para fazer questão que aquela copia entendesse que aquela seria sua primeira e ultima luta.

-Você quer dizer que vai me enfrentar sozinha e ainda por cima diz que vai ganhar? –Kurai perguntou sorrindo. Realmente achava aquilo tudo muito divertido, alguém achar que poderia lhe vencer sozinha e ainda em sua forma normal.

-Sim, lutarei sozinha, e você não precisa de mais ninguém de nós pra lutar. Eu serei mais do que suficiente, afinal você é só uma copia, não é verdade? – Usagi diz, e em seu rosto cresce mais um de seus sorrisos sarcásticos.

-Ora sua! – Mas Kurai não conseguiu continuar a falar, pois a frente de onde estava, começou a sair uma luz um tanto rosada do corpo de Usagi, e Kurai sabia o que aquilo significava.

Usagi não precisou proferir palavra alguma, nem mesmo fazer gesto algum, pois no momento em que pensou que estava mais do que na hora de se transformar, a luz de sua transformação começou a aparecer. Ela logo foi rodeada por aquela luz, fazendo com que ninguém ao seu redor conseguisse enxergá-la direito.

Menos de dez segundos depois lá estava ela, Sailor Moon, parada em frente à Kurai, olhando diretamente nos olhos, com uma expressão que lhe dizia que não estava nada feliz, e que não iria demorar muito no que tinha que fazer. Kurai nesse momento ficou realmente assustada, pois finalmente sabia com quem é que estava lutando, e tinha certeza que não teria chances nenhuma com aquela guerreira, afinal, o poder que ela tinha era o mesmo que aquela guerreira tinha, sendo que aquela copia de Kurai não tinha o controle total de seu poder e Usagi sim.

-Você ainda acha que eu sou muito pouco para lutar sozinha? – Sailor Moon perguntou, e o sorriso não saia de seus lábios por nenhum segundo. Ela realmente estava gostando de ver as expressões mudando no rosto que era idêntico ao dela.

-Você pode ser quem for, eu ainda vencerei! – Kurai falou, e percebendo que realmente não teria jeito nenhum de vencer realmente aquela luta, não lutando com quem estava lutando, ela resolveu que iria dar somente um golpe. Iria se sacrificar, mas levaria aquela inconveniência com ela.

Sailor Moon olhava enquanto milhares de emoções se faziam presentes naquela mulher a sua frente. Como era possível que alguém mudasse sua face tão rapidamente em questão de segundos.

Sailor Kurai, resolvendo que já estava mais do que na hora de atacar, colocou as mãos em frente ao corpo, e como primeiro e ultimo ataque, resolveu que usaria sua própria energia vital para atacar Sailor Moon. O ataque seria poderoso, e fatal, tanto para quem recebesse quanto para quem o mandasse. Fechou ambas as mãos em frente ao peito, como se estivesse a rezar, e começou a se concentrar cada vez mais em reunir toda a sua energia em frente ao seu corpo.

Quando sentiu que toda a energia estava canalizada naquela pequena bola que tinha entre as mãos, Sailor Kurai deu um sorriso com o canto da boca. Aquela seria sua ultima e única chance de vitoria. Se acertasse derrotaria Sailor Moon, mas morreria juntamente. Se errasse, iria morrer em vão.
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Não podia errar. Morrer já era uma coisa certa em seu destino, pois se não derrotasse Sailor Moon, morreria nas mãos de Sailor Kurai, e sem aquele ataque que lhe tiraria a vida, não havia outro meio de derrotar aquela monstruosa Sailor. Sorrindo sadicamente, completamente conformada com a própria sorte, ela olhou uma ultima vez para a Sailor a sua frente.

-Receba a minha energia vital! – Kurai disse não voz mais calma possível para aquele momento, e em seguida, olhando nos olhos de Sailor Moon, ela percebeu que realmente aquele era o momento de atacar.

Sailor Moon olhava para a mulher a sua frente com descrença escrita em toda sua face. Não podia acreditar que logo no primeiro ataque ela já iria usar algo assim. Como poderia querer tirar sua própria vida, sem nem ao menos tentar de outra maneira vencê-la? Mas agora aquilo realmente não interessava. O que interessava realmente é que Kurai estava pronta para atirar contra ela um ataque que refletia todo o seu poder e juntamente toda a sua energia vital.

Ela sabia que se fosse encostada por aquela bola de energia não tinha maneira de sair com vida daquela batalha. Aquilo era muito poder para tão pouca força. Sailor Moon tinha que pensar rápido em um jeito de fazer com que aquele ataque não lhe atingisse e que com certeza não atingisse as outras pessoas também.

Naquele momento em que Sailor Moon estava completamente alienada ao que acontecia, tentando descobrir uma maneira de proteger a si e aos outros daquele ataque, foi que Sailor Kurai a encarou. Aquela era à hora certa de atacar, a hora em que Sailor Moon estava mais vulnerável, a hora em que ela estava com todas as defesas abertas.

Sailor Kurai abriu os braços lentamente, fazendo com que aquela bola de energia saísse de perto de si e fosse em direção a Sailor Moon, que ainda não percebera o movimento da outra. Ela ainda procurava uma maneira de fazer no mínimo um campo de proteção para todos os presentes.

-Sailor Moon! – Ela ouviu alguém gritar, e com isso saiu de seu transe. Olhou para onde as outras estavam e viu que elas apontavam para onde estava Sailor Kurai. Virando o rosto lentamente, Sailor Moon viu aquela bola de energia vindo em sua direção cada vez com mais velocidade.

Aquela era a hora em que ela não podia pensar em mais nada a não ser em uma maneira de se defender. Ela estava com a sua vida em mãos e também com a vida de todas as outras Sailors. Não poderia falhar, e não iria. Estava acostumada a batalhas, já lutara tanto durante toda a sua vida, não iria perder num momento como esses, quando as pessoas mais precisavam dela. Precisavam dela para que lutasse contra sigo mesma.

E foi nesse momento que ela decidiu que usaria a sua defesa mais forte, contra o ataque mais forte do inimigo. Colocando as mãos em frente ao peito, ela fez aparecer diante de si o Cristal de Prata. Segurando em suas mãos, ela fez com que ela flutuasse a sua frente.

Direcionando toda a sua energia para ele, Sailor Moon começou a se sentir um pouco fraca, mas mesmo continuava de pé, assim como Sailor Kurai. Uma luz começou a sair do Cristal, e o brilho que emanava dele começou a rodear todo o templo Hikawa. Quando o ataque finalmente tocou a barreira formada pelo Cristal de Prata, um vento fortíssimo começou a correr por entre todo aquele local.

Todas as pessoas que estavam no templo naquele momento foram jogadas para longe devido à tamanha força que o vento exercia no local. As Sailors seguravam as mãos umas das outras, tentando não se separar naquilo que parecia mais um furacão, mas com o tempo o vento começou a levar uma a uma delas para longe.
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Sailor Moon tentava com todas as forças fazer com que aquele ataque não invadisse a sua barreira. Aquele vento não lhe fazia nenhuma diferença naquele momento, ela continuava de pé, encarando o Cristal de Prata, lhe enviando todas as energias que conseguisse, e de vez em quando olhando para o local onde aquela bola de energia se chocava com sua barreira fazendo assim que surgisse toda aquela ventania.

Com o tempo o ataque foi enfraquecendo, até que chegou um momento que aquela bola de energia desapareceu sozinha em pleno ar. Sailor Moon desfez a barreira que existia ao redor do templo Hikawa, e novamente se apossou do Cristal de Prata. Quando o Cristal já estava seguro dentro de si, ela se atreveu a olhar para os lados, e tudo o que viu foi desastre.

Algumas arvores tinham sido arrancadas do chão, fazendo assim com que terra e o cimento do chão voassem para todos os lados. Uma parte do telhado do templo havia se desprendido e voado para onde haviam pessoas, mas felizmente todas conseguiram escapar antes que o telhado caísse em cima delas. Haviam varias pessoas jogadas no chão, pois tinham sido levadas pelas forças do vento, e todas as Sailors estavam separadas, também caídas ao chão.

Foi nesse momento que se lembrou de procurar onde estava a copia de Sailor Kurai. Quando se virou para onde ela estava momentos atrás, viu somente aquele corpo caído no chão, já quase completamente desaparecido. Não fez a mínima questão de ir em direção ao corpo, em vez disso, andou um pouco a frente de onde estava e falou em voz alta.

-Sailors, reúnam-se aqui imediatamente! – E com um olhar ao redor percebeu que todas começavam a se levantar ainda um pouco cambaleantes por causa do impacto com o chão.

-O que foi Sailor Moon? – Perguntou Rey, olhando um pouco emburrada para ela, pois ainda sentia muita dor da queda que tinha tomado devido ao ataque de Kurai.

-Nós vamos começar o treino imediatamente, mas não vai dar para ser aqui! Então espero que alguém tenha uma idéia de algum lugar isolado para que possamos treinar. Não queremos causar mais danos, queremos? – Usagi perguntou com uma de suas sobrancelhas erguidas.

-É claro que não! – Rey falou desamparada olhando para o que sobrava de seu templo agora em ruínas. Teria muito que fazer para reformá-lo, e tinha certeza que todas as Sailors iriam ajudá-la. Por bem ou por mal.

-Então, alguém conhece um lugar que seja isolado, e que tenha bastante espaço para que possamos treinar? – Usagi perguntou, olhando para cada um dos presentes.

-Eu acho que nós podemos ir para uma das grutas que eu conheço aqui perto. Elas são bem grandes e completamente isoladas da cidade. Vai demorar um pouco para que cheguemos, mas é o melhor lugar que consigo pensar agora! – Haruka falou, olhando para Usagi, para saber se a líder aprovaria.

-Ótimo, acho que esse lugar vai ser perfeito, até porque nós não queremos que mais ninguém nos veja enquanto treinamos! – Usagi falou sorrindo, e todas as Sailors olharam para os lados, percebendo que agora tinham um monte de pessoas ao seu redor, olhando para elas curiosas quanto ao que estava acontecendo.

-O que vai acontecer com essas pessoas, e com as nossas identidades? – Minako perguntou, já temendo ser descoberta depois de tantos anos, e ter sua privacidade como cidadã completamente tirada de si.

-Eu vou apagar a parte da memória deles que mostra quem nós somos, o resto eles vão lembrar. A luta, o porquê dela, o inimigo, e provavelmente cheguem até a pensar que eu estava lutando contra vocês, mas agora isso não é o mais importante. Dêem-me dois minutinhos e nós partiremos. – Usagi falou, olhando para os lados, e fazendo um sinal para que todas as pessoas chegassem mais perto.
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Quando percebeu que todos já estavam ao seu redor, ela olhou para cada um deles. Deveria ter umas dez pessoas ali, e com os olhos pediu desculpas pelo que iria fazer.

Mais uma vez pegou o Cristal de Prata, e dando um pouco de seu poder a ele, desejou que as pessoas esquecessem que tinham visto as Sailors se transformarem. O Cristal brilhou fortemente, e quando a luz desapareceu, Sailor Moon olhou para trás e começou a caminhar em direção as outras Sailors, deixando para trás dez pessoas que não tinham a mínima idéia do que estava acontecendo mais.

Começavam a andar, já destransformadas, todas juntas, em direção as grutas que Haruka havia comentado. Usagi pensava consigo mesma, que era agora que o verdadeiro treino iria começar. Agora elas iriam cansar realmente, não iriam somente ter que estabelecer o link entre si corretamente, mas terão que conseguir passar energia por entre o link. Terão que se comunicar, e terão que se ajudar somente com aquele link.

O céu já estava completamente escuro, depois de todo aquele que passou entre conversar, ter que lutar pela primeira vez contra o inimigo, ter que apagar memórias de civis, e ter que caminhar quase três horas para conseguir chegar a uma gruta que seja o mais distante possível da cidade.

Quando finalmente chegaram a tal gruta, tudo o que puderam ver era escuridão. Tudo ao redor delas eram pedras, sem nenhuma luminosidade tirando a luz da lua. As arvores ao redor da gruta faziam sombras estranhas nas paredes, e ao caminhar pouco mais de dez passos adentro do local já não se era capaz de enxergar nada.

Usagi fez com que toda se dirigissem para a parte mais escura da gruta, cada vez entrando mais naquele local desconhecido, até que ela parou, e atrás de si percebeu os passos morrendo também. Virou-se e falou:

-Acho que aqui já está perfeito para nós treinarmos! – E vendo que ninguém lhe respondia perguntou. – Vocês não estão com medo do escuro, estão?

-Claro que não, eu só não sei o porquê de ter que entrar tão fundo na gruta, se nós já estamos em um lugar distante! – Makoto falou, e realmente sua voz não mostrava nem um tipo de medo ou até mesmo cautela.

-Eu trouxe vocês tão dentro da gruta porque aqui vocês não terão nada para se distrair. Aqui vocês não têm nenhuma distração visual, mental, auditiva ou espiritual. Aqui vocês não conseguirão ouvir nem mesmo os pássaros voando ao longe, aqui vocês não saberão se é dia ou é noite, se vocês estão acordadas ou ainda dormindo, se as pessoas ao seu redor estão mesmo ali ou se estão completamente sozinhas. Mas principalmente eu trouxe vocês aqui porque eu sei que vocês agüentam ficar aqui. Vocês já passaram pela mesma experiência, no momento em que iriam procurar a verdadeira energia de vocês. Então isso não vai ser tão difícil quanto vocês pensam que será. – Usagi falou com a voz calma, e isso acalmou um pouco todos os presentes ali.

-Mas você não sabia que nós iríamos vir para cá. Então, se eu não tivesse falado das grutas o que você iria ter feito? – Haruka perguntou, aquilo ficava martelando em sua cabeça.

-Na verdade, eu estava pensando em usar o mesmo método de antes. Prender vocês na escuridão que existe dentro de vocês, mas como você me disse desse lugar, eu não precisarei fazer isso, e vocês podem ficar com os olhos abertos! – Usagi disse sorrindo, e percebendo que os outros não tinham gostado muito da idéia de ter que voltar a ficar naquela escuridão tenebrosa que habitava dentro deles. – Então, vamos começar?
#495
Ela ouviu vários murmúrios indicando que todas estavam de acordo em começar o treinamento, então deu alguns passos para onde sabia ter uma pedra sobressalente onde poderia sentar, e virou-se para onde estavam as Sailors e Mamoru.

-Sentem-se! – Ela comandou, e em poucos segundos todos já estavam sentados no chão mesmo, esperando pelas próximas instruções de Usagi. – Agora eu quero que vocês estabeleçam o link com todos ao mesmo tempo!

Todos ali sentados começaram a se concentrar no que a voz de Usagi falava, e depois de fechar os olhos, se concentraram nos pequenos pontos de energia que apareciam aos seus lados. Concentraram-se em trazer aquelas luzes cada vez mais perto de si, fazendo assim que todas ocupassem o mesmo espaço. Quando todas as luzes se fundiam formando uma única só que irradiava as cores do arco-íris, elas sabiam que o link estava pronto.

No momento em que Usagi sentiu que todas já estavam prontas pra a próxima parte do treino, preparou-se também para o que estava por vir, pois ela seria a primeira a mostrar como se funcionava aquela parte do treino.

-Agora que vocês já estão prontas, eu quero que prestem bastante atenção no que eu vou fazer, pois será isso o que vocês farão depois. – Usagi falou, e depois de ouvir todas assentindo continuou. – Eu agora vou mostrar para vocês como passar energia por entre esse link para todas as Sailors, e depois para uma de cada vez, prestem bastante atenção.

Novamente Usagi se viu naquele lugar onde todas aquelas luzes estavam a sua frente, todas separadas. Então uma a uma elas foram se unindo, formando assim aquela mesma bola de luz que irradiava as cores do arco-íris. Começou a acumular uma parte de sua energia em um mesmo ponto, formando assim uma pequena bola de energia em frente a seu corpo. Olhou para o ponto de luz a sua frente, e fez com que a bola de energia se fundisse com aquela luz, fazendo-as ambas desaparecerem no exato momento do contato. Quando abriu os olhos, todas as Sailors e Mamoru tinham o corpo brilhando com o pouco da energia que receberam de Usagi, e logo depois o brilho desapareceu fazendo com que todos voltassem ao normal.

-Isso é o que vocês terão que fazer. Agora se concentrem e comecem! – Usagi falou, e logo depois tudo ficou quieto. Um silencio perturbador tomou conta de todo aquele local. Nenhum barulho passava por ali, nem mesmo o barulho do vento contra as pedras era ouvido por aquelas pessoas.

Todas se concentravam em fazer exatamente o que Usagi havia lhes mandado fazer, mas conseguir reunir sua própria energia em um único ponto era muito difícil. Não era como os ataques que é só você dizer uma frase, fazer alguns movimentos e pronto, lá está ele. Não aqui você não tinha que falar nada, fazer nada, simplesmente se concentrar em algo que não estava ali, e fazer com que esse algo se materializasse na sua frente, e depois fazer com que isso se fundisse com aquele ponto de luz que estava a sua frente.

Somente de tentar reunir suas energias, todas as Sailors já estavam exaustas. Era muito difícil fazer com que a energia que está espalhada por seu corpo todo se reúna em um único lugar, e esse lugar não está nem mesmo localizado em seu corpo.

Ao passar de um longo dia, todas estavam exaustas, mas pelo menos estavam um passo mais perto de conseguir completar esse treinamento. Estavam tão cansadas, que não chegaram a trocar uma única palavra entre si, e assim que Usagi disse que por aquele dia o treinamento acabara, elas simplesmente se deitaram no mesmo local onde estavam sentadas, e ali mesmo dormiram.

Usagi observou durante uma boa parte do tempo em que estavam dormindo, e quando finalmente dormiu não conseguiu descansar quase nada. Nem mesmo duas horas depois ela acordou novamente e acordou todas as outras também. Precisavam completar aquele treinamento o mais rápido possível.
#496
Quando todas já estavam acordadas, sem comer nada, sem beber nada, sem nem ao menos trocar uma palavra entre si, elas recomeçaram a treinar. Todas acordaram com energia revigorada, prontas para fazer o que fosse preciso para conseguir acabar rápido com tudo aquilo.

Já estavam a horas sentadas naquela mesma posição, sem comer, sem beber, sem se mexer, sem conversar. Somente observando no meio daquela escuridão como fariam para conseguir reunir a energia em frente a si sem se cansarem.

Foi somente depois de dois dias que todas as Sailors conseguiram completar aquela parte do treino, mas com certeza fora difícil demais, pois nenhuma delas agüentaria sequer levantar-se para ir ao lado de fora da gruta. Estavam tão exaustas que Usagi fora obrigada a lhes dar um dia de descanso para que dormissem e restaurassem as energias para o próximo e ultimo passo daquele treino.

Passaram aquele dia completamente dormindo. Ninguém dirigia a palavra a ninguém, nem mesmo o som dos pássaros chegava aos ouvidos daquelas dez pessoas dentro daquela gruta. A fome e a sede que sentiam por estar a três dias sem comer e beber nada era facilmente disfarçada, pois ali nenhum deles estava interessado nisso, e sim em completar aquele treinamento o mais rápido possível.

Então, no meio de todo aquele silencio, que já perdurava dias, finalmente era hora de falar novamente. Explicar para todas como seria a próxima parte do treinamento delas.

-Agora que vocês já sabem como fazer para dar energia para o grupo inteiro, vamos começar com a parte de dar a energia para uma pessoa em particular, enquanto conectada somente com essa pessoa, e depois dar energia a uma única pessoa enquanto conectada com todo o grupo. Isso vai ser o mais difícil, mas eu tenho certeza que vocês vão conseguir. – Usagi falou, e a voz de alguém depois de tanto silencio parecia como algo de outro mundo. Eram tantos dias sem ouvir a nada nem ninguém, que os ouvidos tinham se acostumado ao barulho do silencio.

Novamente todas as Sailors se sentaram, prontas para essa parte do treinamento. Todas iriam começar com a parte de dar energia a uma única pessoa enquanto conectada com essa única pessoa.

-Primeiramente vocês farão comigo. – Usagi falou, fazendo todos voltarem suas atenções para ela novamente. – Eu quero que todos se concentrem somente na minha luz, e então passem suas energias para mim. Quando vocês conseguirem nós passaremos para a próxima.

E assim começou. Todas se concentraram na luz sabiam pertencer a Usagi, pois era a que mais brilhava entre todas. Quando estabeleceram uma conexão com ela, todas preparam suas energias, da mesma maneira que fizeram para com o grupo. Ao perceber que já estava tudo pronto, todas se concentraram em fazer a bola de energia que tinham em frente aos seus corpos ir em direção a luz de Usagi.

Quando abriram os olhos, duas horas depois, todas viram o corpo de Usagi brilhar como se tivesse sido abraçado por um arco-íris, e uma energia anormal vinda do corpo dela. Estavam todas tão abismadas com aquilo que nem perceberam quando a luz diminuiu até desaparecer completamente, e Usagi começar a falar.

-Essa é a energia que todas vocês estarão recebendo quando estiverem em problemas. E nesse momento vocês estarão conectadas somente com aquela pessoa que precisa, no resto do tempo, vocês estarão conectadas a todos. Agora vamos passar para a próxima pessoa. Se concentrem em Hotaru agora, e passem a mesma quantidade de energia para ela, mas conectados somente a ela. – Usagi falou, e assim que todos concordaram, ela também começou a concentrar sua energia e passar para Hotaru, que imediatamente a recebeu.
#497
Ao final do dia, todas já tinham conseguido fazer exatamente o que Usagi havia pedido, e todas também já haviam experimentado como era ter tamanha onda de energia passando por seus corpos.

Usagi mais uma vez disse que por aquele dia o treinamento estava acabado, e mais uma vez todas se puseram a descansar, para o próximo dia de treinamento que teriam.

No próximo e ultimo dia de treinamento, pois era isso que Usagi falara, todas acordaram bem dispostas, mesmo estando sem comer por quatro dias, o corpo estar dolorido, estarem dormindo em pedras, passarem os dias sentadas em um lugar escuro, sem barulho algum, e sem a mínima presença de luz.

-Agora, como eu disse, vocês terão que passar a mesma quantidade de energia para uma única pessoa, só que agora vocês estarão conectadas a todas as outras. Vocês terão que identificar entre todas aquelas cores, a única que vocês querem que receba a energia de vocês, e direcioná-la diretamente para aquela luz. Quando vocês conseguirem me dar energia focando somente na minha luz entre todas as outras, então vocês terão acabado o treinamento.

E mais uma vez se botaram todas a treinar, incessantemente, para conseguir mais passar por aquela parte do treino, e então finalmente poder sair daquela gruta, e comer alguma coisa, pois já era visível que estavam todos com fome naquele local.

Usagi continuou simplesmente os observando e deixando para que eles descobrissem sozinhos como fazer para distinguir e alcançar uma única luz em meio a tantas.

Cerca de cinco horas depois de terem começado o treinamento, Makoto começava a gritar feliz, pois tinha sido a primeira a conseguir estabelecer e dar energia para somente a luz de Usagi que estavam a sua frente, sendo que ela continuava a ver diante de si somente uma bola de luz com todas as cores do arco-íris. Usagi foi até ela, e lhe disse que a sua parte do treinamento estava encerrada, agora ela poderia descansar e esperar para que todas as terminassem as suas partes também.

Ao final do quinto dia todas as Sailors e Mamoru finalmente conseguiram completar aquele treinamento que Usagi tinha lhes imposto. Finalmente eles iriam sair daquela gruta que virara a casa deles durante aquela semana. E pela primeira vez durante aquele mês inteiro eles estavam realmente felizes, pois finalmente tinham conseguido alcançar o que tinha sido proposto a eles, e conseguiram provar que eram capazes de vencer aquela batalha.

-Agora vamos sair daqui, pois por mais que eu goste de silencio, eu já não agüento mais ficar dentro dessa gruta! – Usagi falou sorridente, estava feliz por eles também, por finalmente conseguirem terminar o treinamento. Mas agora vinha a parte mais difícil de todas, agora vinha à vida real, a batalha de verdade. – E também, eu estou morrendo de fome, já faz quase uma semana que nós não comemos, não é verdade?

Já na entrada da gruta, elas viram pela primeira vez que era noite, e bem em cima de suas cabeças estava uma imensa lua cheia iluminando aquele céu estrelado, o vento batia forte contra as folhas das arvores, fazendo com que muitas folhas se desprendessem e saíssem voando livremente, formando assim um cenário magnífico para aquelas dez pessoas que a muito não viam uma paisagem de verdade, somente a escuridão.

Ao ouvirem as palavras de Usagi todos sorriram. Como era bom saber que agora poderiam finalmente por um pouco de comida na boca. Poderiam matar a sede que sentiam, finalmente dormir em uma cama em vez de ter de se deitar no chão, ou pior ainda, em cima de pedras. Poderiam enxergar mais do que apenas a escuridão que os assolou durante todo aquele mês, poderiam ouvir mais do que somente a voz um do outro.
#498
-Nós iremos para a casa de minha mãe. Tenho que falar com Misugi e tenho que falar com meus pais também! – Usagi falou, e todas concordaram. – E amanhã mesmo nós estaremos partindo!

Isso fez com que todas olhassem para Usagi incrédulas. Quer dizer que elas não teriam nem mesmo um dia de descanso antes de partir para seus planetas? Mas elas teriam que entender, afinal, aquela era uma batalha e elas tinham que estar sempre um passo a frente se quisessem ganhar.

Acenaram afirmativamente com a cabeça, e cerca de três horas depois estavam finalmente em frente à casa dos pais de Usagi. Ela se dirigiu a frente deles, e com um pouco de receio e bateu a porta da casa dos pais. Em meros segundos a porta era aberta por uma sorridente Ikuko, que ao ver o estado que sua filha estava logo desfez o sorriso que tinha no rosto.

-O que foi que aconteceu Usagi? – Perguntou Ikuko, percebendo o quão pálida, e magra sua filha estava. Parecia que não tinha visto nenhum tipo de luz e nem comida por séculos.

-Eu lhe avisei antes de sairmos que eu iria levar todas as Sailors para treinarem, e o treino finalmente acabou. Agora eu, nós precisamos de comida, muita água, e cama, pois amanhã mesmo iremos partir para a verdadeira batalha. – Usagi falou e sua voz saiu calma, porem completamente decidida. Nada a faria mudar de idéia, e ela sabia muito bem que precisariam sair amanhã mesmo, para poderem se preparar para o que vem a frente.

-Então entrem, que eu vou preparar alguma coisa para todas comerem, enquanto vocês tomam um banho e colocam alguma outra roupa! – Ikuko falou, saindo da frente da porta e deixando que todas entrassem dentro da casa.

-Mamãe, onde está a Misugi? Eu preciso muito falar com ela! – Usagi perguntou, olhando para os lados da casa para ver se conseguir enxergar a amiga em qualquer lugar ali perto.

-Ela provavelmente deve estar no seu quarto. Desde que você saiu para treinar ela se mudou aqui para casa, para nos ajudar com qualquer coisa que precisássemos, e nós oferecemos o seu antigo quarto para ela dormir! – Ikuko disse sorrindo, e Usagi sorriu de volta.

Enquanto Ikuko ia para a cozinha preparar alguma coisa para todas aquelas pessoas comerem, Usagi seguia em direção ao seu antigo quarto, e todas as outras iam em direção ao banheiro, o único que não sabia para onde ir era Mamoru, que naquele instante se sentia completamente perdido. Usagi percebeu isso, e logo se virou em direção a ele.

-Espere um pouco enquanto as garotas tomam um banho. Enquanto isso, para não ficar aí sem fazer nada, por que não me acompanha até meu quarto? Eu preciso falar com Misugi, e você não precisa ficar isolado aí se sentindo completamente perdido! – Usagi disse sorrindo.

Então foram os dois em direção ao quarto de Usagi, para encontrar ele completamente idêntico a quando ela morava ali. Sentada em cima da cama estava Misugi, lendo algum livro que parecia ser muito bom, pois Misugi nem sequer levantara o olhar quando ouviu a porta abrir.

-Boa Noite Misugi! – Usagi falou com sarcasmo na voz, fazendo com que a amiga despertasse do seu mundo de sonhos e lhe olhasse. Nos olhos de Misugi dava para se perceber as saudades que sentia, mas no momento em que olhou para o lado e viu quem estava junto de Usagi, seu olhar de saudade mudou drasticamente para um de entendimento.
#499
Usagi percebeu a mudança no olhar da amiga, mas resolveu que não iria comentar nada, afinal iria acabar ficando mal para ela se perguntasse alguma coisa. Olhou mais de perto para a amiga, e teve a certeza que nada havia mudado nesse um mês que ficara fora treinando.

-Então, o treinamento finalmente acabou? – Misugi perguntou, sabendo que obviamente a resposta era sim, mas mesmo assim querendo ouvir da boca da própria amiga que agora elas poderiam passar pelos um dia inteiro juntas.

-Sim, o treinamento terminou, mas amanhã mesmo nós estaremos partindo, para a verdadeira batalha! – Usagi disse, e percebeu quase imediatamente o contentamento desaparecer dos olhos da amiga e dar lugar a tristeza.

-Então nós teremos que aproveitar hoje mesmo. – Misugi falou, deixando a tristeza de lado e sorrindo para a amiga. – Você vai me contar tudo o que aconteceu, o porquê de estar com essa cara de morta de fome, e principalmente por que os dois estão andando juntos? – Ela disse com um sorriso de canto de boca, enquanto apontava primeiro para Usagi e depois para Mamoru.

Ambos ficaram muito corados com a direta insinuação de Misugi, mas nenhum dos dois disse nada. Usagi se dirigiu para perto da amiga e se sentou em cima da cama, murmurando alguma coisa, depois de finalmente se sentar em algo macio.

-Eu quero conversar com você Misugi, e é sério. – Usagi disse, depois de aconchegar na cama, e fazer um sinal para que Mamoru se sentasse em uma poltrona que tinha ali. – Eu preciso que você fique aqui na casa da minha família por mais um tempo, pois eu terei que me ausentar por mais alguns meses.

-Mas é claro, Usagi. Eu adorei passar esse ultimo mês aqui, e o trabalho que você me arranjou também é muito bom. Na verdade, tudo por aqui é maravilhoso. – Misugi falou sorrindo. – Eu vou ficar esperando pela sua volta, para que finalmente possamos desfrutar daquele imenso apartamento que você nos comprou e que nós nunca sequer passamos um dia inteiro dentro.

Usagi riu do que a amiga falava. Era a mais pura verdade. Ela tinha comprado um imenso apartamento para as duas morarem, mas também pensava que teria mais tempo antes de tudo começar. Pensou que teria tempo para ir pelo menos um dia no trabalho que arranjara, que poderia voltar a ver a cidade com paciência, que iria jantar mais vezes no restaurante de Motoki, mas infelizmente as coisas aconteceram muito rapidamente, e agora ela teria que vencer essa batalha se quisesse fazer tudo aquilo novamente.

Aquela noite passaram toda conversando. Misugi, Usagi e Mamoru dormiram no antigo quarto de Usagi, rindo e falando besteiras. Usagi explicou para Misugi tudo o que aconteceu naquele mês, de todo o treinamento, da batalha surpresa que tiveram, da ultima semana que passaram dentro de uma gruta, sem ter o que comer, o que beber, ou onde dormir.

Misugi ouviu tudo, e depois para descontrair um pouco o ar que ficou pesado de repente, ela começou a contar o que acontecera com ela durante aquele mês que passara na casa dos Tsukino.

Na manhã seguinte, acordaram todos muito bem dispostos. O sorriso no rosto de Usagi e Mamoru não passou despercebido para ninguém naquela casa, que depois de muito tempo se encontrava cheia novamente, mas resolveram não dizer nada e simplesmente aproveitar aquela ultima manhã que teriam juntos, por não sei quanto tempo.
#500
Quando eram quase duas horas da tarde, Usagi chamou todos para ir à parte de trás da casa, onde ninguém mais os veria, podendo se teletransportar ali mesmo. Quando já estavam todos ali, Usagi começou a explicar o que aconteceria.

-Mamoru, você não precisa usar o teletransporte, pois seu planeta guardião é a Terra. Mas de qualquer jeito eu quero que você estabeleça um link com todas nós, para casa precisemos de ajuda na hora do teletransporte, você possa ajudar. – Usagi falou e Mamoru simplesmente assentiu. – Quanto a vocês... – Usagi falou, se virando para as outras Sailors que agora formavam um circulo ao seu redor. –... Eu quero que vocês estabeleçam um link com todas, mas o destino que cada uma vai pensar será seu próprio planeta guardião. É exatamente por isso que nós treinamos para dar energia para o grupo. Assim vocês terão energia para se teletransportar para o planeta de vocês sem precisar ir com o grupo inteiro. – As Sailors confirmaram com a cabeça e logo formaram um circulo, dando as mãos e prontas para usar o teletransporte. – Quanto a mim, eu não tenho nenhum planeta para ir proteger, já que a Lua não corre perigo, então assim que uma de vocês precisar de ajuda, eu irei lutar ao lado de vocês. Estarei indo de encontro a cada uma quando for preciso, ou quando eu precisar falar algo importante. Espero que estejam prontas, pois eu não me teletransportarei com vocês.

Todas acenaram afirmativamente com a cabeça, e em meros segundos já não existiam mais aquelas mulheres comuns ali, e sim oito Sailors dispostas a tudo para derrotar esse novo inimigo.

Ikuko, Kenji, Shingo e Misugi olhavam para aquilo tudo maravilhados. Não sabiam o que vinha a seguir, mas sabiam que com certeza era algo grande, pois aquelas poderosas mulheres estavam ali, prontas para dar suas próprias vidas para proteger as dos outros, e estavam dispostas a tudo para proteger Usagi, e principalmente porque eles conseguiam sentir o medo que elas sentiam naquele momento. O momento que precede a batalha.

De mãos dadas, cada uma das Sailors chamou pelo seu planeta guardião, fazendo assim que uma luz saísse de seus corpos, alcançando o céu. Na cabeça de cada uma delas tudo o que se passava era a vontade de deter aquele inimigo, salvar o seu planeta, salvar as pessoas que dependiam delas, ajudar a construir um futuro melhor para todos. Elas queriam, desejavam, que aquela fosse a ultima batalha e que ela fosse vencida sem nenhuma baixa.

Ao gritarem todas juntas “teletransporte”, a próxima coisa que Ikuko, Kenji, Shingo, Misugi, Usagi e Mamoru conseguiram ver fora um borrão de cores desaparecendo em pleno ar, e depois nada. Usagi observava com um sorriso triste nos lábios suas companheiras desaparecerem em frente aos seus olhos. Cada uma indo de encontro com seu destino, sua própria batalha, algo que nem ela poderia impedir. Suspirou. Finalmente chegara a hora...

-E agora, que a batalha comece...

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