A Flor de Pandora
Ah, Kristea, já tinha tantas saudades dos teus comentários! Ainda bem que gostaste e que ficaste satisfeita, nem imaginas como fico feliz por não ter ter desiludido 
Quanto às tuas suspeitas, não posso confirmar nem negar nada, porque já vais descobrir algumas das respostas no próximo capítulo (que, por sinal, está quase pronto!). Mas devo dizer que, independentemente de tudo, gostei das tuas suspeições quanto ao Geran e Peo. Só posso dizer que ambos, juntamente com o Vio, têm algo em comum
O próximo capítulo está quase pronto, esta semana devo colocar

Quanto às tuas suspeitas, não posso confirmar nem negar nada, porque já vais descobrir algumas das respostas no próximo capítulo (que, por sinal, está quase pronto!). Mas devo dizer que, independentemente de tudo, gostei das tuas suspeições quanto ao Geran e Peo. Só posso dizer que ambos, juntamente com o Vio, têm algo em comum

O próximo capítulo está quase pronto, esta semana devo colocar

Sabes que mais Káká? inspiraste-me.
Não a nível de escrita. mas pronto. depois logo vês no topico da reapresentação. vou arranjar um tempinho e relembrar os capitulos que já li da tua fic que tantas emoções me trouxe,e depois comento os vários capítulos. desculpa nunca mais ter comentado, mas a vida tem dado voltas, e pronto, acabei por me afastar.
Deixo por isso um "até já"
Não a nível de escrita. mas pronto. depois logo vês no topico da reapresentação. vou arranjar um tempinho e relembrar os capitulos que já li da tua fic que tantas emoções me trouxe,e depois comento os vários capítulos. desculpa nunca mais ter comentado, mas a vida tem dado voltas, e pronto, acabei por me afastar.
Deixo por isso um "até já"
Sabes que mais, rmmr? Tocaste-me.
A sério, fico mesmo muito feliz com as tuas palavras. Muito mesmo. E não peças desculpa. Afinal de contas, eu fiz o mesmo, muitos de nós fizemos. Gostava muito de voltar a ler a tua história, de verdade. E, se vieres ler a minha, também gostarei muito. Como deves saber, sempre te prezei imenso, tanto ao nível de leitor, como de escritor.
Obrigada por teres passado por cá
A sério, fico mesmo muito feliz com as tuas palavras. Muito mesmo. E não peças desculpa. Afinal de contas, eu fiz o mesmo, muitos de nós fizemos. Gostava muito de voltar a ler a tua história, de verdade. E, se vieres ler a minha, também gostarei muito. Como deves saber, sempre te prezei imenso, tanto ao nível de leitor, como de escritor.
Obrigada por teres passado por cá

Capítulo XXIX
Verdade
~O regresso da Destruição~
Verdade
~O regresso da Destruição~
Do âmago do mundo, talvez do universo, o silêncio repousava no seu leito, quedando-se a observar as estrelas envolventes. Havia, naquele instante, uma paz sepulcral nas galáxias incontáveis e distantes, tal suspiro fino que o silêncio se permitia em libertar. Afastado do reboliço natural que os habitantes dos diversos mundos que povoam os vários sistemas galácticos criam e recriam, o silêncio era tudo o que existia, e, dentro dessa existência completa e incontornável, o nada que restava. O silêncio, ele próprio a solidão perene, talvez uma das entidades mais antigas da essência do Universo, tudo entendia, e em nada ousava interferir. E, por isso, quando uma jovem rapariga, destinada a mudar, para sempre, o rumo da História dos Tempos, ousou abrir as pálpebras para enfrentar o negrume do céu, o silêncio manteve-se impassível, continuando a percorrer os recantos do Cosmos, sabendo que, muito em breve, talvez muitas das coisas, senão mesmo todas, ficariam confinadas aos seus domínios, silenciadas para a eternidade.
Quando Bunny abriu finalmente os olhos e nada viu, o primeiro pensamento que se lhe instalou no espírito foi a certeza de estar morta. Vários factos corroboravam aquela teoria espontânea: a sua última recordação ser um lampejo incandescente duma luz estonteante, muito provavelmente provocada por um trovão fulminante, bem como a ausência de dor. A enxaqueca que lhe havia remoído a mente tinha desaparecido por completo, e Bunny apenas sentia a presença do próprio corpo, deitado sobre um terreno frio e liso, semelhante ao soalho polido que apenas atravessara em grandes salões de baile ou semelhantes. No entanto, ao invés de entrar em pânico devido à possibilidade real de não estar viva, Bunny sentiu um certo alívio. Alívio por não ter de enfrentar o rosto desiludido das amigas, a face dorida do amado, a visão da filha que nunca haveria de existir nas suas memórias tristes. Não teria de enfrentar inimigos desconhecidos, as redes que o destino teimava em tecer em seu redor, a estranha sensação de traição que tão recentemente experimentara, o engano, a mentira. Se a morte significava permanecer inerte, enfrentando para sempre um céu repleto de estrelas, então preferia essa visão perpétua e omnipotente, contrariamente ao vislumbre dum céu preenchido por nuvens cinzentas, cujas gotas personificavam as lágrimas que lhe brotavam do espírito e da alma.
De súbito, uma visão ténue, mas suficientemente contrastante com a atmosfera que a envolvia, fê-la desviar a atenção da escuridão do horizonte. Uma pequena e moribunda luz acendera-se algures à sua direita, ocupando um lugar fixo a vários metros do chão. Curiosa, Bunny pensou poder tratar-se dum pirilampo bravio, talvez um visitante do mundo dos mortos que lhe viera prestar uma derradeira homenagem. No entanto, quando outra luz, idêntica à primeira, se acendeu logo de seguida, a pouca distância da gémea, Bunny compreendeu que tal não podia ser possível. Será que ainda estaria viva? Mas, se isso fosse verdade, que local tão silencioso e negro poderia ser aquele?
Sem esperar resposta, Bunny esforçou-se por comandar os seus movimentos e, ainda que com dificuldade, forçou-se a si mesma a erguer-se. Já de pé, a rapariga quedou-se a observar o fenómeno que se ia repetindo: várias luzes acendiam-se, como se se tratassem de candeeiros que, com a chegada da noite, começavam o laborioso trabalho de proporcionar luz aos transeuntes que divagam pelas ruas da cidade. Embora a luminosidade fosse escassa e claramente insuficiente para iluminar a zona, Bunny conseguia agora distinguir, depois de os seus olhos se habituarem à escuridão, os contornos gerais do local onde se encontrava. Estava num corredor muito amplo, esculpido a partir de algo semelhante a mármore, onde várias colunas repousavam, erguidas no seu peso, algumas delas sustendo as fontes luminosas que se iam sucedendo ao longo do caminho. Ao longe, a escuridão era tão densa que apenas se conseguiam vislumbrar pequenos pontos de luz, muito provavelmente espectros de estrelas distantes que se debatiam contra a imensidão das trevas. Alheia ao que se passava, Bunny aventurou-se a olhar para o seu corpo, constatando, com alguma surpresa, que se encontrava incólume, as roupas perfeitamente limpas e engomadas, sem quaisquer sinais da luta que, sem saber como, deixara para trás. Inquieta, a rapariga centrou o olhar no corredor, procurando por sinais da presença de outra pessoa, mais precisamente da mulher ruiva que aparecera e fizera verter um líquido prateado na estrada…
O som de passos sobressaltou Bunny que, de imediato, sentiu o corpo a ficar rígido e tenso. Sem o alfinete de transformação, que lhe havia sido retirado na luta com Peo, não sabia como se poderia defender de um eventual ataque. Não que desejasse lutar, pois o cansaço e todos os sentimentos que a assolavam debilitavam-na e retiravam-lhe qualquer vontade de continuar a viver. Mas, agora que sabia estar viva, tinha de voltar para as amigas, para que estas não continuassem a pôr as suas vidas em risco por ela, para que não insistissem em lutar por algo que ela sabia já não ter sentido ou futuro: a felicidade dela e de Gonçalo, supostos destinados Rei e Rainha da Lua. As palavras de Luna, a sentença de morte do amado, o desaparecimento da filha que nunca viria a existir… Todos esses acontecimentos, ainda demasiado recentes, ameaçavam aflorar e exibir os seus contornos esmagadores, fazendo-a abstrair-se, por momentos, da inequívoca aproximação de algo ou alguém, a intensidade daquele caminhar a aumentar a cada segundo que passava. E quando Bunny sentiu o lábio tremer e as lágrimas a acariciar-lhe o olhar, uma voz masculina resgatou-a das memórias dolorosas, obrigando-a a encarar aquela presente realidade:
- Vem comigo.
Sabendo não ter outra alternativa, Bunny optou por ceder à exigência da sombra que seguia a vários metros de si. Estava totalmente indefesa, perdida num qualquer lugar decrépito, onde facilmente se perderia, se ousasse afastar-se das pequenas e fracas luzes que se mantinham imóveis acima da sua cabeça. Mantendo alguma distância, Bunny caminhava atrás do homem, perguntando-se se este seria o lacaio da mulher ruiva que se fizera passar por sua mãe. No entanto, Bunny viu-se obrigada a deixar de parte as suas dúvidas e teorias, uma vez que depressa se apercebeu da dificuldade em caminhar naquele sítio. Embora o solo fosse liso, várias pedras tombadas nos corredores obrigavam-na a redobrar cuidados para não cair e, como sabia ser bastante trapalhona, os seus movimentos eram mais lentos do que o habitual, forçando-a a mudar várias vezes de direcção e tentar colocar os pés no sítio mais apropriado. A falta de luminosidade não ajudava, e o facto de o homem caminhar com muita destreza pressionava-a, pois sabia que não o conseguiria voltar a encontrar se o perdesse de vista.
Durante aquilo que lhe pareceu uma eternidade, Bunny travou uma luta interna contra a sua falta de jeito para andar na escuridão. Apesar de não fazer a mínima ideia da disposição daquele lugar, sentia já ter atravessado vários corredores, curvas e arcadas, contornado inúmeras colunas e ter-se desviado de muitos obstáculos. Impassível, o homem prosseguia como se nada fosse, não emitindo um único suspiro ou grunhido durante todo o caminho, até que, por fim, uma única palavra ressoou secamente em redor, anunciando o final da viagem:
- Chegámos.
Não tivesse sido pelo anúncio algo fúnebre e desprovido de emoção do homem, Bunny nunca se haveria apercebido de ter chegado a lugar algum. Naquilo que lhe pareceu ser uma sala desprovida de tecto, em tudo semelhante aos outros locais por onde havia passado, a escuridão adensava-se numa passividade algo monótona, apenas perturbada pela presença dum objecto que emitia uma luz muito fraca e moribunda, que Bunny reconheceu, pela forma, como sendo o jarro que vira em Tóquio. A seu lado, um pedaço de escuridão parecia ainda mais negro do que a restante atmosfera, talvez até dotada de movimento. Inquieta, Bunny esperou que se desse alguma mudança, até que, por fim, duas pequenas luzes se acenderam lado a lado, sobre dois pilares. E foi lateralmente ao jarro, onde Bunny distinguira algo, que a rapariga a viu: a mulher de cabelos vermelhos, o rosto sereno e frio, os contornos finos e alvos da face bela e estranhamente familiar. Estava sentada num cadeirão esculpido a partir de rocha, com um vestido tão negro como tudo aquilo que povoava aquela zona a moldar-lhe as formas simétricas e perfeitas. O seu olhar transbordava de satisfação e, talvez, de alguma excitação, como uma criança que se prepara para partilhar um segredo proibido.
- Bem-vinda ao meu humilde lar, Destruidora. Por favor, aproxima-te.
Sem saber muito bem como reagir perante tal situação, Bunny fez como lhe havia sido pedido. Embora, até então, não tivesse sentido frio, parecia-lhe que ali a temperatura era menor, o ar era mais irrespirável e denso. Perturbada, deu por si a observar o jarro, o pulsar trémulo e débil que parecia provir do seu interior. Parecendo ler-lhe os pensamentos, a voz feminina voltou a ecoar na escuridão:
- Esta é a Ânfora dos Lamentos. Sabes do que se trata?
Perante o silêncio desolador de Bunny, a mulher esboçou um sorriso. Embora tivesse, por diversas vezes, congeminado acerca da melhor forma de arrasar a princesa da Lua, nada lhe saberia melhor do que ser ela própria a desvendar-lhe todo o conhecimento que, há muito estando encerrado, desejava ser libertado. Seria o cenário perfeito: a derrota das guerreiras, o despertar eterno das Trevas, e sobretudo aquele olhar azul totalmente destroçado perante o enfrentar da verdade. Apesar de tudo, custava-lhe a crer que aquela que se tornaria a soberana do Reino da Lua, outrora tão próspero e sábio, fosse tão miseramente ignorante, um vexame para todos os reinos espalhados pelas galáxias, uma afronta à sua própria mãe, ao seu Pai, o Pai...
- Começarei pelo início, sendo assim.
Ainda sentada, a mulher colocou ambas as mãos sobre a Ânfora dos Lamentos e, para grande espanto de Bunny, inclinou o objecto e sorveu uma pequena quantidade do líquido prateado que antes derramara. Várias gotas deslizaram-lhe dos lábios entreabertos, como se lágrimas se tratassem, até se perderem de vista pelos contornos do pescoço magro. Quando pareceu satisfeita, a mulher tornou a pousar o jarro a seu lado e, com a delicadeza e cuidado dignos de uma figura da realeza, limpou, com as pontas dos dedos, as réstias do líquido. Os seus olhos brilhantes emanavam um intento firme e decidido, tão fortemente presente que Bunny quase o podia sentir a afagar-lhe os ombros, como se o olhar daquela figura a pudesse trespassar e invadir-lhe cada recanto da mente, da alma, das memórias que ela própria desconhecia.
- O meu nome é Equidna. Sou uma das mais antigas filhas do Caos, criadora da Rainha Metallia, mãe da mulher que outrora mataste, Beryl. Sou a responsável por encontrar a caixa onde todos os males do mundo foram encerrados, e que tu, Destruidora, libertaste. A caixa onde reside o coração do meu querido pai, Caos. A chamada Flor de Pandora.
As palavras ressoavam na cabeça de Bunny como tambores desenfreados, apressados por seguirem o cortejo que segue a passo rápido pela estrada esbaforida e preenchida por dezenas de milhares de vozes que era a mente da confusa rapariga. Nada do que aquela mulher – Equidna – dissera fizera sentido algum. Os seus lábios abriram-se, na esperança de contrapor tudo aquilo que ouvira, mas Bunny depressa se apercebeu que as palavras lhe haviam escapulido, de tão surpreendidas que também tinham ficado. Soltando um suspiro de satisfação pelo efeito que as suas revelações haviam provocado, Equidna fechou os olhos enquanto um sorriso lhe crescia, a passo largo, no rosto sereno.
- Explicar-te-ei tudo.
Sem esperar pela reacção da rapariga, Equidna ergueu a mão direita, exibindo a palma desprovida de rugas e contornos humanos. Lentamente, um objecto ia-se materializando perante o olhar admirado de Bunny, que esta reconheceu como sendo um longo e talvez pesado manto escuro. Em seguida, Equidna utilizou ambas as mãos para lançar o manto em direcção ao vazio, como a mãe de Bunny costumava fazer com a roupa, quando se preparava para a colocar a secar no estendal, num dia soalheiro. E, para seu espanto, ao invés de cair, o manto manteve-se suspenso no ar, alargando os seus contornos, como se uma força invisível o puxasse pelas pontas e o esticasse a todo o comprimento. Quando pareceu satisfeita com o resultado, Equidna largou o pedaço de tecido que, entretanto, já havia formado uma espécie de redoma gigante sobre ambas, envolvendo inclusive o homem que guiara Bunny. Começando a sentir-se algo desesperada com o rumo dos acontecimentos, a rapariga dirigiu o olhar ao recém-construído tecto que pairava acima da sua cabeça. E, surpreendentemente, Bunny viu-se a observar vários planetas, estrelas, cometas, meteoritos, braços de galáxias a uma distância mínima, como se circulasse livremente pelo Universo. Parecia um daqueles planetários que uma vez visitara com Ami, mas absurdamente mais real e enorme, tal miniatura do Universo recriada mesmo à frente do seu nariz.
- Há muitos, muitos anos atrás, mais do que aqueles que qualquer humano pode sequer tentar imaginar, nasceu, algures no Universo, o Caos. – a voz de Equidna, quase profética, entranhara-se nos ouvidos de Bunny, que, incapaz de desviar a atenção daquela visão magnífica, continuava a perscrutar o meio novo que a envolvia. – O Caos é o pai de todas as coisas vivas e não-vivas do Universo. Como surgiu, ninguém o sabe. Mas foi do Universo que nasceu o Caos, e do Caos nasceu o Universo. São como um só, indissociáveis, irmãos gémeos de duas realidades contíguas e, simultaneamente, paralelas.
- No entanto… - a voz de Equidna assombrara-se, tornando-se um pouco mais monocórdica. – Faltava um pormenor fundamental. Os habitantes desses mundos, que o Caos desejava ter. Por isso, incumbiu os seus filhos e netos de criarem seres que fizessem do Universo um lugar habitável, cheio de surpresas e variedade. E eles assim fizeram. Da matéria do Caos, do material que é feito as estrelas, todos criaram seres diferentes que espalharam pelo Universo inteiro. Muitos anos, décadas, milénios se passaram, e o Caos viu os mundos a serem descobertos por essas criaturas inferiores, que viviam a prestar homenagem aos deuses que lhes haviam concedido a vida e a morada.
“Contudo, e eventualmente, algo inesperado ocorreu, algo que nem mesmo o grandioso Caos pôde prever. Por todos os diferentes planetas e lugares, conforme o tempo ia passando, as criaturas deixaram de reconhecer o Caos como o seu grandioso criador. Haviam esquecido os deuses que lhes haviam concedido a existência, que lhes haviam concedido a vida, a juventude e a própria concepção daquilo que viam: o dia, a noite, os sentimentos, a prosperidade. Furioso com tal falha imperdoável, o Caos decidiu eliminar todos os seres defeituosos que se mantinham nos seus domínios.”
Um cometa, que viajava algures pelas milhares de ruas do Universo, apagara-se sem aviso, e Bunny estremeceu com o relato hediondo de Equidna. Ainda não ousara enfrentá-la, quedando-se a ouvir o relato profético que a mulher fazia evocar.
“Inesperadamente, Nyx opôs-se às intenções do grande Pai, apoiada especialmente por Filotes e pelas Hespérides. Nyx recusava-se a aceitar a destruição de algo que ela mesmo havia ajudado a criar. Enraivecido com tal traição, o equilíbrio que, até então, mantivera em harmonia a força criadora e destruidora do Caos, rompeu-se; a destruição tomou conta de Caos, que, num ímpeto súbito de destruir a sua criação defeituosa, incluindo os deuses-filhos que o haviam contrariado, criou monstros, criaturas feitas de discórdia, e, eventualmente, criou-me a mim, Equidna. Os deuses, temendo serem destruídos, juntaram as suas forças e, após uma batalha que durou centenas de anos, conseguiram finalmente confinar o Caos à sua derrota. Nyx retirou o coração do Caos, a fonte da destruição massiva que tomara conta do seu ser, e confinou-o numa caixa, que ficaria para sempre encerrada. Nyx sabia, no entanto, ser impossível destruir por completo o Caos, uma vez que ele era a fonte de concepção todo o Universo. Por isso, decidiu confinar a força criadora do Caos ao chamado Caldeirão da Galáxia, o berço de todas as coisas que existem no Universo. Apoiada pelos outros deuses, Nyx decidiu criar umas novas entidades: as chamadas Guerreiras Navegantes, seres que renasceriam para proteger os descendentes dos Deuses, bem como os habitantes de todos os planetas.”
O silêncio, sepulcral e atento, deambulava por entre os relatos de Equidna, e Bunny não encontrava palavras ou reacções que o pudessem repelir. Embora não fosse tão esperta como Ami, de algum modo, aquelas informações encaixavam no seu coração, como se as raízes da sua existência fossem gradualmente expostas e, por fim, compreendidas. Sentia-se como uma criança que entende finalmente um problema muito complicado. No entanto, não pôde deixar de sentir um certo incómodo, pois parecia-lhe um pouco repugnante e desolador que tudo o que conhecia e que ainda desconhecia descendesse de algo aparentemente tão maléfico e contra o qual havia lutado durante todos os anos que haviam passado desde que Luna entrara pela janela do seu quarto e lhe dera o seu primeiro alfinete de transformação. Custava-lhe a acreditar que estivesse diante da mulher que gerara todos os seres contra os quais já tinha combatido, a fonte de lágrimas, dissabores e tristezas infindáveis que tivera de ultrapassar.
- Se isso tudo é verdade, como foi possível continuares a existir e a usar o poder do Caos para nos enfrentares? Se o coração do Caos e essa força destruidora foram fechados, então como é possível que isso tenha acontecido? – perguntou Bunny que, imediatamente depois de aquelas palavras lhe saírem pelos lábios trémulos, se surpreendeu com a pertinência da sua própria questão.
Equidna, tal professor satisfeito pela pergunta inteligente do aluno mais aplicado da turma, exibiu novamente o seu sorriso perfeitamente delineado. Tudo tomava o exacto rumo que pretendia, os fios do Destino correctamente dispostos numa elaborada obra de tapeçaria. Faltava apenas o retoque final, a prova da gloriosa mestria.
- Depois do Caos ter sido derrotado, ficou decretado, por ordem dos Deuses, que a Flor de Pandora, devido à sua perigosidade, devia ser protegida por um reinado aleatório, em partes diferentes do Universo, de século em século. Durante cem anos, o reinado que teria como responsabilidade proteger o maior tesouro do Cosmos, devia concluir a sua tarefa sem falhar, com o apoio das guerreiras navegantes.
“Cansados da longa luta, os Deuses, sabendo que os seus destinos estavam já concluídos, juntaram-se à força criadora do Caos, deixando o Universo ao legado dos habitantes dos mundos e das suas guerreiras navegantes. Mas eu, que escapara às garras desses filhos renegados, refugiei-me e jurei vingança. Prometi, enquanto observava o desabar do meu querido Pai, que lhe haveria de devolver os seus poderes infinitos, para assim a sua vontade ser cumprida. Fraca, deambulei durante milénios, de galáxia em galáxia, procurando pela Flor de Pandora. Eventualmente, quando a conseguia encontrar, e com a réstia de poderes que ainda tinha, absorvia energia de alguns desses seres que povoam as galáxias, sempre com a maior discrição possível. Eu era paciente, sabia que tinha de esperar pelo momento certo para atacar e ser bem-sucedida. E, finalmente, a minha hora acabou por chegar quando entrei nesta galáxia comummente apelidada de Via Láctea, mais precisamente a este Sistema Solar, onde o Reino da Lua havia sido escolhido para ser o lar da Flor de Pandora.”
Dois segundos. Dois segundos bastaram para que Bunny assimilasse a conjugação daquelas palavras, o sentido que adquiriam. Num recanto do seu coração, como um gato que se aninha sorrateiramente numa poltrona convidativa, uma ténue, mas persistente dor parecia espreitar do seu interior, para depois lhe deslizar pelo peito, contornar a traqueia e passear-se lentamente pela sua garganta. Aquela sensação incómoda dificultava-lhe a respiração, à medida que a ansiedade crescia dentro da sua alma. Um mau pressentimento avizinhava-se, tal espectro de um futuro que tememos e, simultaneamente, desejamos avidamente saber.
- Confesso que, por momentos, pensei que teria de esperar mais um século para agir, pois o Reino da Lua parecia tão unido e firme, com a sua jovem Princesa em ascensão, e as guerreiras sempre à espreita, atentas e permanentemente vigilantes. Mas quando a Rainha decidiu transferir a Flor de Pandora para a Terra, por motivos políticos, sabia que tinha chegado a oportunidade certa. Infiltrei-me no Castelo da Terra, observei todos os hábitos da realeza, procurei um ponto fraco que me pudesse fazer chegar ao lar do coração do Caos. E encontrei-o. Um jovem príncipe, pouco mais velho que a Princesa da Lua, sempre de olhos postos no céu, segredando aos seus lacaios fiéis e confiando-lhe cartas seladas, adornadas de palavras a transbordar de promessas e sentimentos eternos…
Bunny temia compreender. Sempre se desinteressara pelo conhecimento em geral; adormecia nas aulas, aborrecia-se por ter de se sentar à mesa e folhear as intermináveis páginas dos volumosos livros que os professores lhe ordenavam ler. Repudiava os trabalhos de casa, os artigos para escrever, a visão da máquina de calcular. Toda a sua vida de estudante fora um fracasso porque, muito simplesmente, nada do que lhe ensinavam lhe interessava verdadeiramente. E, pela primeira vez, ali estava ela, profundamente compenetrada em algo que lhe era transmitido, experimentando sentimentos díspares. O desejo, a curiosidade, o entendimento. O medo, a ansiedade, o terror. E, juntos, a verdade. A verdade que parecia tão apetecível e, simultaneamente, tão temível, como um doce proibido, daqueles que a sua mãe costumava trazer para casa e que escondia para que a gulosa filha não os pudesse devorar.
- Percebi que o príncipe da Terra e a princesa da Lua viviam um amor secreto, e usei esse conhecimento para chegar à Flor de Pandora. Inicialmente, não sabia como utilizar essa informação para o fazer. Pensei em despoletar uma guerra entre a Lua e a Terra, mas temi que a Rainha da Lua ordenasse o envio da Flor de Pandora para outro sistema galáctico. Por isso, quando o Destino se encarregou de me facilitar a tarefa, tudo foi mais fácil.
O sorriso de Equidna, no auge da sua perfeição, perturbava Bunny, que desejava poder desviar o olhar numa outra direcção qualquer. Contudo, depressa compreendeu que não era capaz de o fazer. Existia algo naquele sorriso, no presságio que parecia evocar, que a impedia de evitar a beleza fria da mulher. Atrás de si, Cérbe sorria maliciosamente, também ele envolvido na prazerosa história que a sua senhora contava.
- Certo dia, a Princesa da Lua, não suportando mais a falta do seu amado, decidiu encontrar-se em segredo com ele no palácio da Terra. O ponto de encontro costumava ser o Jardim Botânico, um dos mais recatados lugares, e dos menos frequentados. Como é evidente, a Princesa não podia saber que, naquele lugar, repousava a Flor de Pandora, um objecto tão antigo e, aparentemente, sem valor, servindo como adorno numa das várias fontes que enfeitavam aquele lugar. O Príncipe, que sempre a tinha advertido para não tocar em nada, também não podia imaginar que a mãe ordenara que uma réplica do perigoso objecto fosse enclausurada nos cofres do palácio, e que a verdadeira Flor de Pandora estava ali. O Príncipe pensava apenas que a mãe amava aquele jardim e que não gostava que o frequentassem, refugiando-se ali sozinha para reflectir nos seus assuntos. E por isso, enquanto a Princesa aguardava pelo seu Príncipe, aborrecida pela demora, começou a deambular pelos arbustos simetricamente cortados, a cheirar todas as rosas, a apreciar a água transparente que fluía das mãos angelicais das pequenas estátuas de pedra. Até que se deparou com aquele objecto insignificante e, mesmo sabendo que não devia tocar em nada, seguiu o que a curiosidade lhe sussurrava ao ouvido. Uma mão branca, inocente, pura, perfeita. E foi assim, segundo conta a história, que a Princesa da Lua abriu a Flor de Pandora.
Um segundo. Dois segundos. O tempo necessário para que um punhado de palavras atravesse o cérebro de uma ponta à outra, para que o entendimento tome forma nas transmissões nervosas e exerça o seu efeito nos corpos dos humanos. Mas vários segundos passaram e, ainda assim, a mente de Bunny continuava bloqueada, como uma auto-estrada fechada, um sentido proibido que impede a progressão da viagem. Lentamente, pequenos arrepios iam nascendo-lhe das pontas dos dedos das mãos, iniciando um trajecto retrógrado, em direcção ao lugar onde, debaixo da pele que se enchia de suor, um frágil e sumptuoso coração batia, num frenesim descompassado.
- Embora não tivesse assistido a tal acontecimento, é assim que reza a história. Tenho de dar a mão à palmatória; devia ter estado presente, porque, se nessa altura não estivesse a rondar os lacaios de Endymion, que mais tarde lhe viraram costas e se juntaram ao Reino das Trevas, tudo poderia ter terminado ali. Eu teria assassinado a Princesa, tomado o poder do Caos e governado o Universo com ele. Mas, infelizmente, parece que um idiota qualquer, que na altura se passeava por ali também, vá-se lá saber porquê, se interpôs e foi engolido pela Flor de Pandora, encerrando-a novamente. Não consigo compreender o motivo de ela se ter fechado com o sacrifício desse homem, mas, devido a isso, apenas uma parte dos poderes do Caos foram libertados nessa altura. De qualquer das formas, foi o suficiente para me restaurar as forças, e deu-me o poder que me permitiu criar Metallia e possuir uma apaixonada qualquer pelo Endymion, que tiveste oportunidade de conhecer, a Beryl. Com uma parte dos poderes do Caos libertada, estavam instaladas todas as condições para que uma revolução começasse. E como havia sido a Princesa a violar um dos tesouros a cargo do Reino da Terra, essa atitude foi vista como uma tentativa de sabotagem ao próprio planeta. Foi assim que a guerra começou.
“Teria sido tudo perfeito se a caixa não se tivesse encerrado, porque embora a quantidade de poderes do Caos fosse imensa, não era suficiente para fazer frente ao poder do Cristal de Prata, um objecto que, em si, reúne uma força imensa criadora do próprio Caos. Por isso, Metallia acabou por ser derrotada, e a Rainha da Lua depressa se apressou a enviar-vos para a Terra, com o objectivo de, um dia, voltarem a renascer uma vez mais. Nessa altura, a Mensageira criou as Lágrimas Sagradas, as quatro Irmãs que, depois de estabilizarem a Terra, juntaram as suas próprias lágrimas para criarem a Ânfora dos Lamentos. E uma vez que as guerreiras deste Sistema Solar haviam padecido, e não havendo outra forma mais rápida de enviar a Flor de Pandora para outra galáxia, as próprias Irmãs encerraram a caixa num lugar desconhecido deste planeta, guardando as memórias desse lugar na Ânfora dos Lamentos. Por fim, desfizeram o jarro em quatro fragmentos, que guardaram dentro de si, como parte da alma, e entraram num sono profundo, de modo a que a caixa permanecesse perdida para todo o sempre.”
- Contudo, cometeram um erro. – disse Equidna, erguendo-se subitamente do trono improvisado. - Elas desconheciam a minha existência, enquanto eu assistia a tudo. Eu sabia que só elas possuíam o conhecimento necessário para encontrar a Flor de Pandora, e que só as guerreiras navegantes deste Sistema Solar poderiam chegar a elas. Por isso, utilizei o meu poder para abalar o vosso planeta. Roubei uma semente de estrela a uma das tuas amigas, e esse acontecimento destabilizou este mundo. Há anos atrás, quando as guerreiras perderam as suas sementes de estrela, pensei, por momentos, que havia chegado o momento, mas a Galáxia revelou-se como sendo uma fraca desilusão, e depressa todas as recuperaram. Escolhi, assim, a navegante de Plutão, porque sabia que tal destabilizaria o Portal do Tempo. E, por fim, tratei de despertar esses três inúteis que vos perseguiram, não porque esperava que me trouxessem os Fragmentos, mas sim porque sabia que, eventualmente, vos conduziriam até mim.
Equidna parou, e Bunny, com os olhos marejados de lágrimas, fitou-a. Naquela posição, parecia imensa, como um gigante que fita com escárnio a presa insignificante. Agora Bunny compreendia a sensação familiar que tantas vezes pressentiu; ela era extremamente parecida a Beryl, como se aquela forma tivesse sido esculpida a partir da mulher, melhor, do inimigo que mais temera. Um zumbido terrível instalara-se nos seus ouvidos, provocando-lhe uma sensação iminente de desequilíbrio. Sentia-se subitamente fraca, insignificante. E, sobretudo, a culpa. A culpa era o céu negro imenso, todo o Universo, pano de fundo que tudo envolvia. A culpa tudo era, e tudo não passava de culpa, essa curta palavra que se prolonga nos espíritos dos que um dia erraram. E Bunny errara. Cometera o maior dos erros, que esquecera, e agora sabia de novo. Até a culpa de não se recordar do pior acto da sua vida passada era um sentimento enorme, incapaz de ser suportado por uma mísera rapariga como ela.
- E agora, talvez te perguntes… - Equidna colocou a mão sobre a Ânfora dos Lamentos que, ao sentir aquele toque, brilhou tremulamente. – Se eu tenho este jarro, e se ele contém a localização da Flor de Pandora… Qual achas que é o resultado deste problema?
Bunny não precisou de pensar muito para saber a resposta. Pela primeira vez na vida, um problema complicado tinha uma resolução muito simples. Intuitiva, até hilariante. É claro.
- Eu sei onde está a Flor de Pandora. E vou abri-la e libertar o que resta do Caos, completando o que começaste, Destruidora.
“Contudo, e eventualmente, algo inesperado ocorreu, algo que nem mesmo o grandioso Caos pôde prever. Por todos os diferentes planetas e lugares, conforme o tempo ia passando, as criaturas deixaram de reconhecer o Caos como o seu grandioso criador. Haviam esquecido os deuses que lhes haviam concedido a existência, que lhes haviam concedido a vida, a juventude e a própria concepção daquilo que viam: o dia, a noite, os sentimentos, a prosperidade. Furioso com tal falha imperdoável, o Caos decidiu eliminar todos os seres defeituosos que se mantinham nos seus domínios.”
Um cometa, que viajava algures pelas milhares de ruas do Universo, apagara-se sem aviso, e Bunny estremeceu com o relato hediondo de Equidna. Ainda não ousara enfrentá-la, quedando-se a ouvir o relato profético que a mulher fazia evocar.
“Inesperadamente, Nyx opôs-se às intenções do grande Pai, apoiada especialmente por Filotes e pelas Hespérides. Nyx recusava-se a aceitar a destruição de algo que ela mesmo havia ajudado a criar. Enraivecido com tal traição, o equilíbrio que, até então, mantivera em harmonia a força criadora e destruidora do Caos, rompeu-se; a destruição tomou conta de Caos, que, num ímpeto súbito de destruir a sua criação defeituosa, incluindo os deuses-filhos que o haviam contrariado, criou monstros, criaturas feitas de discórdia, e, eventualmente, criou-me a mim, Equidna. Os deuses, temendo serem destruídos, juntaram as suas forças e, após uma batalha que durou centenas de anos, conseguiram finalmente confinar o Caos à sua derrota. Nyx retirou o coração do Caos, a fonte da destruição massiva que tomara conta do seu ser, e confinou-o numa caixa, que ficaria para sempre encerrada. Nyx sabia, no entanto, ser impossível destruir por completo o Caos, uma vez que ele era a fonte de concepção todo o Universo. Por isso, decidiu confinar a força criadora do Caos ao chamado Caldeirão da Galáxia, o berço de todas as coisas que existem no Universo. Apoiada pelos outros deuses, Nyx decidiu criar umas novas entidades: as chamadas Guerreiras Navegantes, seres que renasceriam para proteger os descendentes dos Deuses, bem como os habitantes de todos os planetas.”
O silêncio, sepulcral e atento, deambulava por entre os relatos de Equidna, e Bunny não encontrava palavras ou reacções que o pudessem repelir. Embora não fosse tão esperta como Ami, de algum modo, aquelas informações encaixavam no seu coração, como se as raízes da sua existência fossem gradualmente expostas e, por fim, compreendidas. Sentia-se como uma criança que entende finalmente um problema muito complicado. No entanto, não pôde deixar de sentir um certo incómodo, pois parecia-lhe um pouco repugnante e desolador que tudo o que conhecia e que ainda desconhecia descendesse de algo aparentemente tão maléfico e contra o qual havia lutado durante todos os anos que haviam passado desde que Luna entrara pela janela do seu quarto e lhe dera o seu primeiro alfinete de transformação. Custava-lhe a acreditar que estivesse diante da mulher que gerara todos os seres contra os quais já tinha combatido, a fonte de lágrimas, dissabores e tristezas infindáveis que tivera de ultrapassar.
- Se isso tudo é verdade, como foi possível continuares a existir e a usar o poder do Caos para nos enfrentares? Se o coração do Caos e essa força destruidora foram fechados, então como é possível que isso tenha acontecido? – perguntou Bunny que, imediatamente depois de aquelas palavras lhe saírem pelos lábios trémulos, se surpreendeu com a pertinência da sua própria questão.
Equidna, tal professor satisfeito pela pergunta inteligente do aluno mais aplicado da turma, exibiu novamente o seu sorriso perfeitamente delineado. Tudo tomava o exacto rumo que pretendia, os fios do Destino correctamente dispostos numa elaborada obra de tapeçaria. Faltava apenas o retoque final, a prova da gloriosa mestria.
- Depois do Caos ter sido derrotado, ficou decretado, por ordem dos Deuses, que a Flor de Pandora, devido à sua perigosidade, devia ser protegida por um reinado aleatório, em partes diferentes do Universo, de século em século. Durante cem anos, o reinado que teria como responsabilidade proteger o maior tesouro do Cosmos, devia concluir a sua tarefa sem falhar, com o apoio das guerreiras navegantes.
“Cansados da longa luta, os Deuses, sabendo que os seus destinos estavam já concluídos, juntaram-se à força criadora do Caos, deixando o Universo ao legado dos habitantes dos mundos e das suas guerreiras navegantes. Mas eu, que escapara às garras desses filhos renegados, refugiei-me e jurei vingança. Prometi, enquanto observava o desabar do meu querido Pai, que lhe haveria de devolver os seus poderes infinitos, para assim a sua vontade ser cumprida. Fraca, deambulei durante milénios, de galáxia em galáxia, procurando pela Flor de Pandora. Eventualmente, quando a conseguia encontrar, e com a réstia de poderes que ainda tinha, absorvia energia de alguns desses seres que povoam as galáxias, sempre com a maior discrição possível. Eu era paciente, sabia que tinha de esperar pelo momento certo para atacar e ser bem-sucedida. E, finalmente, a minha hora acabou por chegar quando entrei nesta galáxia comummente apelidada de Via Láctea, mais precisamente a este Sistema Solar, onde o Reino da Lua havia sido escolhido para ser o lar da Flor de Pandora.”
Dois segundos. Dois segundos bastaram para que Bunny assimilasse a conjugação daquelas palavras, o sentido que adquiriam. Num recanto do seu coração, como um gato que se aninha sorrateiramente numa poltrona convidativa, uma ténue, mas persistente dor parecia espreitar do seu interior, para depois lhe deslizar pelo peito, contornar a traqueia e passear-se lentamente pela sua garganta. Aquela sensação incómoda dificultava-lhe a respiração, à medida que a ansiedade crescia dentro da sua alma. Um mau pressentimento avizinhava-se, tal espectro de um futuro que tememos e, simultaneamente, desejamos avidamente saber.
- Confesso que, por momentos, pensei que teria de esperar mais um século para agir, pois o Reino da Lua parecia tão unido e firme, com a sua jovem Princesa em ascensão, e as guerreiras sempre à espreita, atentas e permanentemente vigilantes. Mas quando a Rainha decidiu transferir a Flor de Pandora para a Terra, por motivos políticos, sabia que tinha chegado a oportunidade certa. Infiltrei-me no Castelo da Terra, observei todos os hábitos da realeza, procurei um ponto fraco que me pudesse fazer chegar ao lar do coração do Caos. E encontrei-o. Um jovem príncipe, pouco mais velho que a Princesa da Lua, sempre de olhos postos no céu, segredando aos seus lacaios fiéis e confiando-lhe cartas seladas, adornadas de palavras a transbordar de promessas e sentimentos eternos…
Bunny temia compreender. Sempre se desinteressara pelo conhecimento em geral; adormecia nas aulas, aborrecia-se por ter de se sentar à mesa e folhear as intermináveis páginas dos volumosos livros que os professores lhe ordenavam ler. Repudiava os trabalhos de casa, os artigos para escrever, a visão da máquina de calcular. Toda a sua vida de estudante fora um fracasso porque, muito simplesmente, nada do que lhe ensinavam lhe interessava verdadeiramente. E, pela primeira vez, ali estava ela, profundamente compenetrada em algo que lhe era transmitido, experimentando sentimentos díspares. O desejo, a curiosidade, o entendimento. O medo, a ansiedade, o terror. E, juntos, a verdade. A verdade que parecia tão apetecível e, simultaneamente, tão temível, como um doce proibido, daqueles que a sua mãe costumava trazer para casa e que escondia para que a gulosa filha não os pudesse devorar.
- Percebi que o príncipe da Terra e a princesa da Lua viviam um amor secreto, e usei esse conhecimento para chegar à Flor de Pandora. Inicialmente, não sabia como utilizar essa informação para o fazer. Pensei em despoletar uma guerra entre a Lua e a Terra, mas temi que a Rainha da Lua ordenasse o envio da Flor de Pandora para outro sistema galáctico. Por isso, quando o Destino se encarregou de me facilitar a tarefa, tudo foi mais fácil.
O sorriso de Equidna, no auge da sua perfeição, perturbava Bunny, que desejava poder desviar o olhar numa outra direcção qualquer. Contudo, depressa compreendeu que não era capaz de o fazer. Existia algo naquele sorriso, no presságio que parecia evocar, que a impedia de evitar a beleza fria da mulher. Atrás de si, Cérbe sorria maliciosamente, também ele envolvido na prazerosa história que a sua senhora contava.
- Certo dia, a Princesa da Lua, não suportando mais a falta do seu amado, decidiu encontrar-se em segredo com ele no palácio da Terra. O ponto de encontro costumava ser o Jardim Botânico, um dos mais recatados lugares, e dos menos frequentados. Como é evidente, a Princesa não podia saber que, naquele lugar, repousava a Flor de Pandora, um objecto tão antigo e, aparentemente, sem valor, servindo como adorno numa das várias fontes que enfeitavam aquele lugar. O Príncipe, que sempre a tinha advertido para não tocar em nada, também não podia imaginar que a mãe ordenara que uma réplica do perigoso objecto fosse enclausurada nos cofres do palácio, e que a verdadeira Flor de Pandora estava ali. O Príncipe pensava apenas que a mãe amava aquele jardim e que não gostava que o frequentassem, refugiando-se ali sozinha para reflectir nos seus assuntos. E por isso, enquanto a Princesa aguardava pelo seu Príncipe, aborrecida pela demora, começou a deambular pelos arbustos simetricamente cortados, a cheirar todas as rosas, a apreciar a água transparente que fluía das mãos angelicais das pequenas estátuas de pedra. Até que se deparou com aquele objecto insignificante e, mesmo sabendo que não devia tocar em nada, seguiu o que a curiosidade lhe sussurrava ao ouvido. Uma mão branca, inocente, pura, perfeita. E foi assim, segundo conta a história, que a Princesa da Lua abriu a Flor de Pandora.
Um segundo. Dois segundos. O tempo necessário para que um punhado de palavras atravesse o cérebro de uma ponta à outra, para que o entendimento tome forma nas transmissões nervosas e exerça o seu efeito nos corpos dos humanos. Mas vários segundos passaram e, ainda assim, a mente de Bunny continuava bloqueada, como uma auto-estrada fechada, um sentido proibido que impede a progressão da viagem. Lentamente, pequenos arrepios iam nascendo-lhe das pontas dos dedos das mãos, iniciando um trajecto retrógrado, em direcção ao lugar onde, debaixo da pele que se enchia de suor, um frágil e sumptuoso coração batia, num frenesim descompassado.
- Embora não tivesse assistido a tal acontecimento, é assim que reza a história. Tenho de dar a mão à palmatória; devia ter estado presente, porque, se nessa altura não estivesse a rondar os lacaios de Endymion, que mais tarde lhe viraram costas e se juntaram ao Reino das Trevas, tudo poderia ter terminado ali. Eu teria assassinado a Princesa, tomado o poder do Caos e governado o Universo com ele. Mas, infelizmente, parece que um idiota qualquer, que na altura se passeava por ali também, vá-se lá saber porquê, se interpôs e foi engolido pela Flor de Pandora, encerrando-a novamente. Não consigo compreender o motivo de ela se ter fechado com o sacrifício desse homem, mas, devido a isso, apenas uma parte dos poderes do Caos foram libertados nessa altura. De qualquer das formas, foi o suficiente para me restaurar as forças, e deu-me o poder que me permitiu criar Metallia e possuir uma apaixonada qualquer pelo Endymion, que tiveste oportunidade de conhecer, a Beryl. Com uma parte dos poderes do Caos libertada, estavam instaladas todas as condições para que uma revolução começasse. E como havia sido a Princesa a violar um dos tesouros a cargo do Reino da Terra, essa atitude foi vista como uma tentativa de sabotagem ao próprio planeta. Foi assim que a guerra começou.
“Teria sido tudo perfeito se a caixa não se tivesse encerrado, porque embora a quantidade de poderes do Caos fosse imensa, não era suficiente para fazer frente ao poder do Cristal de Prata, um objecto que, em si, reúne uma força imensa criadora do próprio Caos. Por isso, Metallia acabou por ser derrotada, e a Rainha da Lua depressa se apressou a enviar-vos para a Terra, com o objectivo de, um dia, voltarem a renascer uma vez mais. Nessa altura, a Mensageira criou as Lágrimas Sagradas, as quatro Irmãs que, depois de estabilizarem a Terra, juntaram as suas próprias lágrimas para criarem a Ânfora dos Lamentos. E uma vez que as guerreiras deste Sistema Solar haviam padecido, e não havendo outra forma mais rápida de enviar a Flor de Pandora para outra galáxia, as próprias Irmãs encerraram a caixa num lugar desconhecido deste planeta, guardando as memórias desse lugar na Ânfora dos Lamentos. Por fim, desfizeram o jarro em quatro fragmentos, que guardaram dentro de si, como parte da alma, e entraram num sono profundo, de modo a que a caixa permanecesse perdida para todo o sempre.”
- Contudo, cometeram um erro. – disse Equidna, erguendo-se subitamente do trono improvisado. - Elas desconheciam a minha existência, enquanto eu assistia a tudo. Eu sabia que só elas possuíam o conhecimento necessário para encontrar a Flor de Pandora, e que só as guerreiras navegantes deste Sistema Solar poderiam chegar a elas. Por isso, utilizei o meu poder para abalar o vosso planeta. Roubei uma semente de estrela a uma das tuas amigas, e esse acontecimento destabilizou este mundo. Há anos atrás, quando as guerreiras perderam as suas sementes de estrela, pensei, por momentos, que havia chegado o momento, mas a Galáxia revelou-se como sendo uma fraca desilusão, e depressa todas as recuperaram. Escolhi, assim, a navegante de Plutão, porque sabia que tal destabilizaria o Portal do Tempo. E, por fim, tratei de despertar esses três inúteis que vos perseguiram, não porque esperava que me trouxessem os Fragmentos, mas sim porque sabia que, eventualmente, vos conduziriam até mim.
Equidna parou, e Bunny, com os olhos marejados de lágrimas, fitou-a. Naquela posição, parecia imensa, como um gigante que fita com escárnio a presa insignificante. Agora Bunny compreendia a sensação familiar que tantas vezes pressentiu; ela era extremamente parecida a Beryl, como se aquela forma tivesse sido esculpida a partir da mulher, melhor, do inimigo que mais temera. Um zumbido terrível instalara-se nos seus ouvidos, provocando-lhe uma sensação iminente de desequilíbrio. Sentia-se subitamente fraca, insignificante. E, sobretudo, a culpa. A culpa era o céu negro imenso, todo o Universo, pano de fundo que tudo envolvia. A culpa tudo era, e tudo não passava de culpa, essa curta palavra que se prolonga nos espíritos dos que um dia erraram. E Bunny errara. Cometera o maior dos erros, que esquecera, e agora sabia de novo. Até a culpa de não se recordar do pior acto da sua vida passada era um sentimento enorme, incapaz de ser suportado por uma mísera rapariga como ela.
- E agora, talvez te perguntes… - Equidna colocou a mão sobre a Ânfora dos Lamentos que, ao sentir aquele toque, brilhou tremulamente. – Se eu tenho este jarro, e se ele contém a localização da Flor de Pandora… Qual achas que é o resultado deste problema?
Bunny não precisou de pensar muito para saber a resposta. Pela primeira vez na vida, um problema complicado tinha uma resolução muito simples. Intuitiva, até hilariante. É claro.
- Eu sei onde está a Flor de Pandora. E vou abri-la e libertar o que resta do Caos, completando o que começaste, Destruidora.
Spoiler
Se leram isto, espero que tenham gostado! Se não perceberam alguma coisa, e se eu puder esclarecer, digam-me Smile Posso ter sido um bocado confusa com este capítulo
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Kaoru, só tenho uma palavra para descrever estes dois ultimos capítulos: wow!
Admito que tive uma certa dificuldade em lembrar-me dos eventos a principio, mas depois logo aconpanhei. Nem imaginas as saudades que tinha desta fanfic. Houve alturas em que achei que jamais fosses acabar, o que seria uma tristeza para os teus leitores. Fico feliz que tenhas decidido continuar e postado mais dois capitulos numa semana. A tua escrita é maravilhosa e poética. Adoro as tuas descrições de cenários, sentimentos e acções. Acho tudo perfeito =)
E agora, o que fará a Bunny agora que sabe a verdade? Irá impedir a Equidna de acordar o Caos?
Espero ansiosamente pelo próximo
Tive a ver na wiki o significado de "Equidna" e fiquei a pensar se esta vilã tem mais que se lhe diga. Melhor dizendo, ela tem cauda de serpente escondida no meio das suas vestimentas? Ou foi apenas pelo significado que escolheste o nome?
Admito que tive uma certa dificuldade em lembrar-me dos eventos a principio, mas depois logo aconpanhei. Nem imaginas as saudades que tinha desta fanfic. Houve alturas em que achei que jamais fosses acabar, o que seria uma tristeza para os teus leitores. Fico feliz que tenhas decidido continuar e postado mais dois capitulos numa semana. A tua escrita é maravilhosa e poética. Adoro as tuas descrições de cenários, sentimentos e acções. Acho tudo perfeito =)
E agora, o que fará a Bunny agora que sabe a verdade? Irá impedir a Equidna de acordar o Caos?
Espero ansiosamente pelo próximo

Tive a ver na wiki o significado de "Equidna" e fiquei a pensar se esta vilã tem mais que se lhe diga. Melhor dizendo, ela tem cauda de serpente escondida no meio das suas vestimentas? Ou foi apenas pelo significado que escolheste o nome?
Espero por ti em cada segundo , porque tu és o meu mundo!

Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
Visitem a minha 1ª Fic ----->The Four elements

Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
Visitem a minha 1ª Fic ----->The Four elements
Muito obrigada pelo teu comentário, AnA_Sant0s, é sempre bom ver que existem pessoas que gostam do que escrevemos. É um enorme incentivo!
E muito obrigada por gostares da forma como escrevo, é mesmo muito importante para mim.
Quanto ao que a Bunny irá fazer, apenas posso dizer que, no próximo capítulo, irão existir mais revelações importantes, que irão envolver outra personagem. E gostei da tu observação quanto à Equidna. Quem sabe?
Mais uma vez, muito obrigada!
E muito obrigada por gostares da forma como escrevo, é mesmo muito importante para mim.Quanto ao que a Bunny irá fazer, apenas posso dizer que, no próximo capítulo, irão existir mais revelações importantes, que irão envolver outra personagem. E gostei da tu observação quanto à Equidna. Quem sabe?

Mais uma vez, muito obrigada!
Capítulo XXX
Passado
~A Solidão de um Tempo Perdido~
I
Dizem que o Universo é silencioso. Os homens que o estudam, munidos e armados com telescópios colossais e cálculos intermináveis, escritos numa letra miúda e incompreensível, afirmam-no com veemência, ao mesmo tempo que exibem fórmulas incontestáveis, leis há muito edificadas e tomadas como eternas. O que estes homens não sabem - e nunca poderão conhecer - são os trejeitos próprios que o Cosmos detém, todos os seus contornos e recantos obscuros, a delicadeza e imponência dos milhares de milhões de planetas que, ao mesmo tempo, pulsam num batimento rítmico que é o compasso do seu coração. Desconhecem que todas estas as galáxias, bem como as longínquas estradas que as separam, talhadas por réstias de cometas há muito esquecidos, murmuram em uníssono uma melodia que povoa as estrelas e o infinito. E esta canção, tão suave, um tudo, um nada, despojada de palavras; a solidão. A solidão que habita no Universo é a melodia que me guia os passos, o caminho que percorro há milénios de existência. Durante um tempo demasiado extenso, aprendi a escutar a solidão, e nela pude reconhecer a maior e mais bela música que alguma vez foi orquestrada. Porque existe, no Universo, uma força maior, um mistério tão simples de descortinar, um único sentido que me faz erguer duas asas invisíveis e atravessar a escuridão que me fere o olhar. Debaixo deste manto negro, sinto a pele a queimar, fruto da velocidade que me corrói os membros e a mente. No Universo, reside a tua força. A força que um dia me deste a descobrir e que agora quero proteger. Porque, um dia, seremos apenas eu e a solidão, essa melodia eterna que sempre habitará a minha alma. E tu serás uma só. Prometo-te.Passado
~A Solidão de um Tempo Perdido~
I
Princesa Serenidade.
Minha querida irmã.
***
O silêncio era tudo o que ela conhecia. Naquele momento, nada mais existia nos metros que separavam aquelas duas figuras espectrais, senão o silêncio enorme e sepulcral. Bunny não encontrava palavras que descrevessem aquilo que sentia, porque ela própria desconhecia a identidade das emoções que lhe perpassavam o coração. Incredulidade. Incompreensão. Negação. Rejeição. Dúvida. Hesitação. Demasiados substantivos amontoados uns em cima dos outros, qual pirâmide que anseia em tocar o céu, fruto da gloriosa manifestação dos intentos das almas humanas. Mas a alma de Bunny transbordava de palavras sem sentido, frases que teimavam em fazer ricochete nos seus ouvidos, recordando-a do relato intemporal de Equidna, a épica odisseia desde o nascimento do Caos até à própria libertação de parte do mesmo. Num acto irreflectido, Bunny baixou a cabeça e dirigiu o olhar para as palmas das mãos, como se esperasse vê-las manchadas por uma substância contagiosa e corrosiva. E pareceu-lhe, por instantes, que as linhas das mãos se contorciam sobre si mesmas, delineando uma única palavra, cinco letras, o mundo inteiro a desabar num segredo agora posto a descoberto.
Culpa. Bunny evitara, durante alguns minutos, aquele sentimento, o mais poderoso de todos os que, naquele curto espaço de tempo, experimentara. Por momentos, tentou manter incólume a sua racionalidade. Equidna podia muito bem ter mentido, podia ter inventado uma história trágica para a conseguir ver destroçada e perdida. O mais provável era tudo não passar de uma intrujice mesquinha. Contudo, que teoria mais plausível poderia existir para a sua persistente falta de memória quanto aos acontecimentos que haviam levado ao declínio do Reino da Lua? Não faria sentido que a revolta da Terra contra a Lua se tivesse devido à irresponsabilidade de uma princesa ingénua e mimada, retrato fiel daquilo que Bunny continuava a ser no presente? Ninguém melhor do que ela conhecia a elevada probabilidade de tal história ser verídica. E, embora não quisesse acreditar em tal possibilidade, tudo lhe parecia agora fazer sentido. A raiva da Terra, o Caos libertado, a perseguição do Mal, a memória incompleta.
Ainda mirando as palmas das mãos, Bunny fechou-as com força, tentando a todo o custo reprimir as lágrimas que ameaçavam emergir-lhe dos olhos baços. As unhas cravadas na pele alva faziam com que se relembrasse que estava ali, diante de uma inimiga poderosíssima, enquanto a quilómetros de distância as amigas jaziam feridas, ignorando o pecado que aquela a quem dedicavam a vida havia cometido. O que seria agora do mundo, daquele planeta? Não tinha ela mesma condenado a Terra à destruição que, outrora, as Irmãs lograram em adiar? De que servira todas as batalhas que as suas companheiras já tinham travado? Todos os inimigos derrotados, todos aqueles que poderiam ter sido salvos e que padeceram, à custa de um único acto irresponsável que cometera numa outra vida. Ela tinha não apenas condenado vidas humanas e não-humanas, o seu planeta e Sistema Solar, como também as outras galáxias, amigos que, ignorando o que ali se passava, viviam em paz, inocentes. Tal sentimento era impossível de suportar, cujo peso era maior do que todos os ataques que já lhe haviam sido infligidos. E como havia ela de impedir alguém tão forte como uma das filhas directas do Caos? Quão mísera que ela era, incapaz sequer de se transformar, de ser um obstáculo no caminho das Trevas.
Por seu turno, Equidna observava a panóplia de expressões desoladoras que iam passando pelo rosto de Bunny, tais marés que vêm e voltam para deixar as suas marcas na areia morna, pequenas rugas que vão sendo desenhadas e cravadas nas rochas antes sólidas e inabaláveis. Equidna sabia que havia plantado a semente da incerteza e delito na alma de Bunny e, por isso, não escondeu o sorriso satisfeito. Sabia que em breve viria o desespero, a cegueira, os erros atrás de erros. E, por fim, a destruição que lhe traria a vitória há tanto esperada. Oh, e quanto aguardara ela por este momento tão próximo, tão tangível! Agora que conhecia a localização da Flor de Pandora, um único passo separava-a do coração do seu querido Pai, da força maior do Universo. E esse passo seria dado pela decadente e outrora Princesa Serenidade, a cereja no topo de um bolo meticulosamente construído e confeitado.
- Minha senhora, olhai!
A voz de Cérbe, cuja presença havia ficado esquecida, à sombra da conversa que tinha sido ali travada, ecoou num alarme feroz, irrompendo Bunny dos seus pensamentos perturbadores. Por seu turno, Equidna esboçou um esgar descontente quando os seus olhos pousaram num ponto distante, mas extremamente luminoso, que ia crescendo rapidamente no horizonte escuro. Incapaz de reagir, Bunny acompanhou o crescimento célere da luz incandescente, até que o seu brilho, insuportável de aguentar naquele breu disforme, se tornou tão próximo que obrigou todos os presentes a desviar o olhar, protegendo-o de um ardor iminente. Aquela luz, tão quente, envolveu o corpo de Bunny, cujos cabelos, presos nos seus tradicionais odangos, oscilaram freneticamente no ar. Surpreendida pelo calor e gentileza daquela fonte de claridade, a rapariga entreabriu os olhos, procurando a sua causa.
Subitamente, tão depressa como ali havia chegado, a luz esmoreceu, perdendo intensidade. E, como que engolida pelo negrume, desapareceu num ápice, deixando, no seu lugar, um corpo arqueado e bizarramente curvado em direcção ao solo. Uma figura respirava descontroladamente, visivelmente extenuada com todo o caminho que ousara percorrer até encontrar aquele pequeno asteróide, oculto nas sombras da Lua. Chocada, Bunny arregalou os olhos, sentindo as pálpebras a esticar num esforço desumano. Ao mesmo tempo, Equidna riu-se, colocando delicadamente a mão direita à frente dos seus lábios entreabertos.
- Perfeito! Agora o quadro está completo! Aqui estás tu, a fiel Mensageira, nunca descuidando dos teus serviços! Mas que agradável surpresa ter-te no meu lar, minha querida Íris.
Incapaz de compreender o excêntrico cenário que se desenrolava naquele instante, Bunny observava Ayame, a sua respiração descontrolada e ofegante a formar pequenas nuvens de vapor. O seu rosto apresentava várias feridas e arranhões, muito provavelmente adquiridos na luta que travara com o Mascarado. Alguns desses ferimentos ainda sangravam, desenhando pequenos fios encarnados na sua face pálida. Estava, como antes, envolta por um manto negro, e a única parte do seu corpo a descoberto resumia-se à mão direita, a qual teimava em apoiar o ombro esquerdo, também visivelmente magoado. O cabelo, sempre imaculadamente preso no seu rolo castanho, estava agora solto, mostrando o seu verdadeiro comprimento, cobrindo-lhe as costas num desalinho conturbado.
- Equidna… Como te atreves a trazer a Serenidade para aqui?! E como ousas apoderar-te da Ânfora dos Lamentos?! Bem sabes que nunca conseguirás chegar à Flor de Pandora!
- Oh, verdade? – a voz de Equidna, zombeteira e estranhamente aguda, enfatizava a questão num tom de satisfação nada disfarçada. – Minha querida Íris, mas que desrespeito! Onde estão as tuas maneiras? Antigamente tinhas o hábito de ser mais formal, transbordavas de cordialidades para onde quer que fosses. Não te esqueças que estás no meu humilde lar. Ou porventura terás esquecido como te deves comportar nos domínios alheios? Oh, mas espera! Tu és incapaz de esquecer coisa alguma, não é verdade?
Os olhos de Ayame, tingidos de negro, semicerraram-se num trejeito de raiva.
- Mas, sabes, minha cara Mensageira… Tenho de dar a mão à palmatória. Durante todos estes anos, mantiveste-te na sombra, aguardando. No fundo, somos bastante parecidas nesse aspecto. – Equidna voltara a ocupar o seu trono improvisado, enquanto Cérbe, que entretanto se havia escapulido para perto da mulher imponente, lhe estendia um copo de vidro, onde um líquido vermelho repousava, inerte. – Contudo, confesso que não consigo compreender a lealdade que mantiveste ao extinto Reino da Lua. Afinal de contas, podias ter-te juntado a mim. Eu podia ter-te oferecido a glória. Vitórias. Prazer. E, no entanto, escolheste uma solidão diferente da minha. Uma solidão sem um objectivo real, apenas observando um bando de rapariguinhas fracas, olhando por elas. Tu e aquele falhado do Vio sempre permaneceram iguais, um par de idiotas que ousou imaginar que eu não seria capaz de obter o que sempre desejei.
- Enganas-te, Equidna. – a voz de Ayame, contrastando com o seu estado debilitado, era firme e segura. – Eu escolhi o caminho que me foi destinado. Por momento algum ousaria quebrar o vínculo que tive e que sempre terei com o Reino da Lua. E asseguro-te que nunca conseguirás o que desejas. Nunca.
De súbito, Ayame cravou os dedos no manto negro e, para espanto de Bunny, atirou-o ao ar, virando o forro ao contrário. Ao invés da cor negra que sempre exibia, o forro ostentou sete cores magníficas e extremamente vivas, como se um arco-íris tivesse acabado de nascer ali mesmo, pelas mãos da rapariga. E quando Bunny se atreveu a fitar Ayame, viu-a a observá-la, com um sorriso fraco, mas sincero, a enfeitar-lhe o rosto.
- Sei que tens razões para desconfiar de mim, Bunny, mas peço-te que acredites em mim. Acredita em mim, por favor. Vem comigo!
Ayame esticou o braço, como que lhe pedindo a mão. Demasiado ofuscada pela luz que o manto colorido libertava, enquanto suspenso no ar, Equidna contorceu-se num visível estado de desconforto, tentando a todo o custo erguer-se. Bunny sabia que tinha pouco tempo para pensar no que fazer, pois se demorasse muito tempo a decidir, Equidna acabaria por atacar Ayame e derrubá-la. E, no entanto, como podia Bunny confiar na rapariga que lhe estendia a mão? Como podia ela confiar em alguém que lhe havia mentido, em alguém que tinha lutado com as pessoas que amava e às quais confiava a vida?
Bunny não sabia como podia. Naquele momento, tudo o que soube foi que, algures no seu coração, algo lhe dizia para confiar nela, uma vez mais. Que a figura protegida por aquele arco-íris magnífico, aquele sorriso triste, mas estranhamente caloroso, lhe era familiar. Como uma flor que desabrocha no ventre de uma tempestade chuvosa, uma íris bravia que recebe as lágrimas do céu. Num acto algo irreflectido, Bunny demorou dois segundos a compreender que tinha de seguir aquela rapariga. E quando as suas mãos se tocaram, Bunny jurou, mais tarde, que as asas feitas de luz que nasceram, naquele exacto momento, das costas de Ayame, não haviam sido fruto da sua imaginação. Embalada pelo calor suave daquele toque, Bunny fechou os olhos e, num segundo, ambas desapareceram, deixando apenas um rasto de pontos de luz coloridos a envolver Equidna e Cérbe.
- Senhora! Senhora, quereis que as siga? – a voz de Cérbe, formulando um desespero inquieto, tremia, como se temesse as consequências daquela fuga inesperada. Contudo, ao invés de preocupação, o rosto de Equidna exibia um deleite imensurável, o que a dotava de uma enorme beleza, mas, e simultaneamente, de um aspecto aterrador.
- Não será necessário. A Mensageira tratará de fazer o resto por nós. Agora que a princesinha sabe de grande parte da história, Íris será obrigada a contar o resto. E, depois…
O som do estalar de um copo interrompeu as palavras de Equidna. A força que exercera sobre o copo semi-vazio fizera com que este se quebrasse, derramando o seu líquido, misturado com sangue, para o solo. Cérbe, simultaneamente encantado e aterrorizado com a expressão pavorosa da sua senhora, retraiu-se, sentindo um arrepio como nunca antes havia antes experimentado, tal presságio incontornável que se avizinhava no futuro negro.
- …a nossa adorada Destruidora tratará do resto. E aí a Flor de Pandora será minha.
Lentamente, os pequenos farrapos brilhantes foram esmorecendo, moribundos, até não passarem de cinza engolida pelas trevas.
Spoiler
Esta é a primeira parte do novo capítulo. Espero que gostem, uma vez que as revelações não vão ficar por aqui!
Okay, vamos lá a vr o que sai daqui. Disse que voltava para o fórum e depois cataplaff lixei-me e começaram a acontecer coisas que me tiraram a disponibilidade e a vontade de vir cá estas semanas.
Hoje acordei e pensei "Bem, vamos lá que amanhã é terça (LOL óptimo argumento), que se lixe a gripe maravilhosa que me anda a violar o cérebro há uma semana e tal, e vamos a comentar a fic da Káká" e dei uma relida nos resumos, e nos meus comments, porque por estranho que pareça, ao lê-los lembrava-me mais ou menos do que tinha sentido.
é curioso, como ainda me lembrava da fic quase toda (e ainda são muitos capítulos) e como tinha a ideia presente de haver uma espada a passar alguma coisa com a Bunny por perto... mas era uma imagem muuuuito vaga. agora já me lembrei, e já tenho as memórias de volta (God isto soou tão SM), vou comentar o capítulo 29 (e tentar ler o 30 para comentar o mais cedo possível)
PS: afinal não tinha nenhum capítulo em atraso antes destes dois novos
pensei que tinha. és uma péssima influência para a minha memória.
A cena inicial fez me pensar. Well Duh, não ando deprimido nem nada, mas já por umas quantas vezes imaginei como será... morrer. Ok, sei que é uma curiosidade estranha, e sinceramente não a quero satisfazer tão cedo... mas toda essa descrição foi de encontro ao que cheguei... se bem que sempre tivesse mais presente a sensação de flutuar. claro que a Bunny não poderia estar morta já, não antes do fim da história (se bem que a autora tem uma certa apetencia para matar pessoas né? Nunca te perdoarei a minha Anfi, escaqueirada num qualquer cantinho de poeira cósmica do universo...
) por isso lá tive eu durante os minutos que li isso a pensar que a Bunny deve estar cansadao. eu estaria... aliás, é uma coisa que queria abordar na minha fic, toda a história dos futuros predestinados deles todos. deve ser frustrante pensar que todo o nosso esforço seria em vão porque no matter what o futuro já estava escrito. e juntando a isso a ideia do Gonças ir morrer num futuro não tão distante... compreendo essa vontade de se desprender da Bunny..
quando começaram a surgir luzes, eu lembrei me logo da Hotaru, e dos seus milhentos candeeiros... mas ao mesmo tempo só pensava que fosse aparecer a Ayame... essa não joga com o baralho todo
... mas depois falaste num homem, e eu lembrei me da Caronte... LOL eu explicoooo, tipo, a Caronte é tipo uma... ai pah... uma manifestação ilusória da Plutão né? tipo um fragmento dela... pensei que neste caso fosse uma manifestação do Gonçalo a querer mostrar lhe alguma coisa... e depois dei com a badalhoca do cabelo vermelho... e reparei numa coisa... sailor moon faz nos sermos todos muito mauzinhos prás ruivas... ainda não me consgui lembrar de nenhuma ruiva que fosse boazinha sem ser a chata da kakyuu (mas essa pronto era a excepção À regra) e a Chibi Chibi que tecnicamente nem era uma pessoa
. e depois veio a conversa daa mãe e do pai da Bunny... não me digas que elas são irmãs Káká Maria... não... ou sim?
realmente era interessante pensar que o tal "Céo" pudesse ter sido corrompido por sentimentos menos nobres. tornando-se o Chaos.... Hum....
E a ânfora... Hum... a Bunny podia ter lhe dado com ela e fugido?... se bem que depois não encontrava a saida... meh, parece-me que a tua sede de sangue está a manifestar-se
E depois começaste a contar a historia do universo... bem faz um certo sentido o chaos ser parte de tudo... mas e a outra metade, a da luz? qual é? porque supostamente o equilibrio do universo consiste no bem e no mal... e pelo que percebi, o Chaos era uma coisa neutra que virou má, mas criou Deuses bons, e demónios maus certo? mas não havia uma força equivalente mas boa?
Para todo o caso, prendeste-me totalmente na história... só fiquei curioso com uma coisa que nunca especificaste... tipo, como é que a flor de pandora era mandada de galáxia para galáxia? fiquei com curiosidade desse pormenor.
E tu usas as metáforas duma forma quase mágica pah, perco-me completamente nelas... só uma coisa que não tm nada a ver com nada... a parte da flor escondida à vista... lembrou me imenso uma coisa parecida que aconteceu na série Vampire Diaries e não correu bem... pelos vistos aqui também não correu muito bem
... A FLOR DE PANDORA É UMA FLOR CARNÍVORA! 
Bem, honestamente, pensei que a Bunny fosse desatar a chorar quando se apercebesse que tinha feito burrada na outra encarnação e aberto a flor de pandora, mas não... eh pah, o plano da Equidna está bem retorcido como deve ser, e manda a ordem das vilãs de Sailor Moon... só não percebo, porque é que não matou logo a Bunny? qual era a necessidade de lhe dar toda esta lição? ela tem a flor dentro dela? é isso?
Oh paaaaaaaah!
E pronto, devias estar à espera dum comment maiorzico, mas depois há coisas que nem sei muito bem como comentar, por isso só saiu isto
.
Bem, és uma ranhosa e não merecias ovos kinder, mas como foi páscoa ganhas um e meio... só dou o outro meio quando ler o próximo capítulo, que é para sofreres. MUAHAHAHAHAHAH
Bom resto de Feriado
Hoje acordei e pensei "Bem, vamos lá que amanhã é terça (LOL óptimo argumento), que se lixe a gripe maravilhosa que me anda a violar o cérebro há uma semana e tal, e vamos a comentar a fic da Káká" e dei uma relida nos resumos, e nos meus comments, porque por estranho que pareça, ao lê-los lembrava-me mais ou menos do que tinha sentido.
é curioso, como ainda me lembrava da fic quase toda (e ainda são muitos capítulos) e como tinha a ideia presente de haver uma espada a passar alguma coisa com a Bunny por perto... mas era uma imagem muuuuito vaga. agora já me lembrei, e já tenho as memórias de volta (God isto soou tão SM), vou comentar o capítulo 29 (e tentar ler o 30 para comentar o mais cedo possível)
PS: afinal não tinha nenhum capítulo em atraso antes destes dois novos
pensei que tinha. és uma péssima influência para a minha memória.A cena inicial fez me pensar. Well Duh, não ando deprimido nem nada, mas já por umas quantas vezes imaginei como será... morrer. Ok, sei que é uma curiosidade estranha, e sinceramente não a quero satisfazer tão cedo... mas toda essa descrição foi de encontro ao que cheguei... se bem que sempre tivesse mais presente a sensação de flutuar. claro que a Bunny não poderia estar morta já, não antes do fim da história (se bem que a autora tem uma certa apetencia para matar pessoas né? Nunca te perdoarei a minha Anfi, escaqueirada num qualquer cantinho de poeira cósmica do universo...
) por isso lá tive eu durante os minutos que li isso a pensar que a Bunny deve estar cansadao. eu estaria... aliás, é uma coisa que queria abordar na minha fic, toda a história dos futuros predestinados deles todos. deve ser frustrante pensar que todo o nosso esforço seria em vão porque no matter what o futuro já estava escrito. e juntando a isso a ideia do Gonças ir morrer num futuro não tão distante... compreendo essa vontade de se desprender da Bunny..quando começaram a surgir luzes, eu lembrei me logo da Hotaru, e dos seus milhentos candeeiros... mas ao mesmo tempo só pensava que fosse aparecer a Ayame... essa não joga com o baralho todo
... mas depois falaste num homem, e eu lembrei me da Caronte... LOL eu explicoooo, tipo, a Caronte é tipo uma... ai pah... uma manifestação ilusória da Plutão né? tipo um fragmento dela... pensei que neste caso fosse uma manifestação do Gonçalo a querer mostrar lhe alguma coisa... e depois dei com a badalhoca do cabelo vermelho... e reparei numa coisa... sailor moon faz nos sermos todos muito mauzinhos prás ruivas... ainda não me consgui lembrar de nenhuma ruiva que fosse boazinha sem ser a chata da kakyuu (mas essa pronto era a excepção À regra) e a Chibi Chibi que tecnicamente nem era uma pessoa
. e depois veio a conversa daa mãe e do pai da Bunny... não me digas que elas são irmãs Káká Maria... não... ou sim?
realmente era interessante pensar que o tal "Céo" pudesse ter sido corrompido por sentimentos menos nobres. tornando-se o Chaos.... Hum....
E a ânfora... Hum... a Bunny podia ter lhe dado com ela e fugido?... se bem que depois não encontrava a saida... meh, parece-me que a tua sede de sangue está a manifestar-se
E depois começaste a contar a historia do universo... bem faz um certo sentido o chaos ser parte de tudo... mas e a outra metade, a da luz? qual é? porque supostamente o equilibrio do universo consiste no bem e no mal... e pelo que percebi, o Chaos era uma coisa neutra que virou má, mas criou Deuses bons, e demónios maus certo? mas não havia uma força equivalente mas boa?
Para todo o caso, prendeste-me totalmente na história... só fiquei curioso com uma coisa que nunca especificaste... tipo, como é que a flor de pandora era mandada de galáxia para galáxia? fiquei com curiosidade desse pormenor.
E tu usas as metáforas duma forma quase mágica pah, perco-me completamente nelas... só uma coisa que não tm nada a ver com nada... a parte da flor escondida à vista... lembrou me imenso uma coisa parecida que aconteceu na série Vampire Diaries e não correu bem... pelos vistos aqui também não correu muito bem
... A FLOR DE PANDORA É UMA FLOR CARNÍVORA! 
Bem, honestamente, pensei que a Bunny fosse desatar a chorar quando se apercebesse que tinha feito burrada na outra encarnação e aberto a flor de pandora, mas não... eh pah, o plano da Equidna está bem retorcido como deve ser, e manda a ordem das vilãs de Sailor Moon... só não percebo, porque é que não matou logo a Bunny? qual era a necessidade de lhe dar toda esta lição? ela tem a flor dentro dela? é isso?
Oh paaaaaaaah!
E pronto, devias estar à espera dum comment maiorzico, mas depois há coisas que nem sei muito bem como comentar, por isso só saiu isto
.Bem, és uma ranhosa e não merecias ovos kinder, mas como foi páscoa ganhas um e meio... só dou o outro meio quando ler o próximo capítulo, que é para sofreres. MUAHAHAHAHAHAH

Bom resto de Feriado

Já fiz este comentário há imenso tempo, mas os problemas com os posts... Enfim...
Meu caro rmmr, que prazer é voltar a ler os teus comentários! E confesso que não estava à espera de um comentário tão grande, já tinha saudades de ler as tuas opiniões, por isso, estou muito surpreendida e contente
Em primeiro lugar, muito obrigada por gostares da forma como escrevo! É algo muito importante para mim, tanto como gostares da história. Por isso, fico sempre com um sorriso meio parvo quando leio estas coisas, obrigada!
Ainda bem que gostaste da parte inicial, confesso que foi a que me deu mais gozo em escrever. Eu percebo o que queres dizer, e concordo plenamente contigo sobre esta dicotomia sempre presente em Sailor Moon, o papel do destino e o facto de nos podermos "revoltar" contra ele. Fico feliz por teres gostado!
Quanto às tuas dúvidas, não posso responder a todas, mas vou dar o meu melhor para esclarecer alguns pontos
Em relação à história do Caos, ele é, de facto, uma espécie de força nula. Depois da criação do Universo, ele era um equilíbrio entre a destruição e a criação, a força que é capaz de eliminar e de gerar. No entanto, e porque os "objectos" criados (as pessoas) se foram gradualmente esquecendo daquele que os criou (uma vez que as pessoas morrem, facilmente as tradições se vão perdendo), o Caos ficou desiludido e irritado com a imperfeição da criação e decidiu destruí-los para criar seres mais perfeitos. Como os filhos-deuses se opuseram a esse acto, o equilibro das forças que compunham o Caos foi alterado a favor do poder destruidor. O poder criador do Caos ficou confinado no Caldeirão, onde nascem as sementes de estrela. Em relação ao grande poder destruidor do Caos, a maior parte foi confinada na Flor de Pandora. Não sei se me fiz entender bem 
Quanto à forma como a Flor passar de planeta para planeta, não tem nenhum mistério em especial: eram as navegantes de cada reino que tratavam de enviar a Flor para as navegantes de outro. Era como se fosse um tesouro que soldados tivessem de enviar para um país vizinho
Não fazia ideia disso da Flor carnívora
Até que está algo adequado, já que esta flor ainda vai ter alguns poderes sanguinários... E mais não digo 
Em relação às ruivas, sinceramente não estava nos meus planos iniciais que a Equidna fosse ruiva, mas como quis fazer aquele paralelismo com a Beryl, saiu assim
Obrigada pela parte do ovo
Prometo que me esforçarei para vos trazer a próxima parte o mais rapidamente possível 
Meu caro rmmr, que prazer é voltar a ler os teus comentários! E confesso que não estava à espera de um comentário tão grande, já tinha saudades de ler as tuas opiniões, por isso, estou muito surpreendida e contente

Em primeiro lugar, muito obrigada por gostares da forma como escrevo! É algo muito importante para mim, tanto como gostares da história. Por isso, fico sempre com um sorriso meio parvo quando leio estas coisas, obrigada!
Ainda bem que gostaste da parte inicial, confesso que foi a que me deu mais gozo em escrever. Eu percebo o que queres dizer, e concordo plenamente contigo sobre esta dicotomia sempre presente em Sailor Moon, o papel do destino e o facto de nos podermos "revoltar" contra ele. Fico feliz por teres gostado!
Quanto às tuas dúvidas, não posso responder a todas, mas vou dar o meu melhor para esclarecer alguns pontos
Em relação à história do Caos, ele é, de facto, uma espécie de força nula. Depois da criação do Universo, ele era um equilíbrio entre a destruição e a criação, a força que é capaz de eliminar e de gerar. No entanto, e porque os "objectos" criados (as pessoas) se foram gradualmente esquecendo daquele que os criou (uma vez que as pessoas morrem, facilmente as tradições se vão perdendo), o Caos ficou desiludido e irritado com a imperfeição da criação e decidiu destruí-los para criar seres mais perfeitos. Como os filhos-deuses se opuseram a esse acto, o equilibro das forças que compunham o Caos foi alterado a favor do poder destruidor. O poder criador do Caos ficou confinado no Caldeirão, onde nascem as sementes de estrela. Em relação ao grande poder destruidor do Caos, a maior parte foi confinada na Flor de Pandora. Não sei se me fiz entender bem 
Quanto à forma como a Flor passar de planeta para planeta, não tem nenhum mistério em especial: eram as navegantes de cada reino que tratavam de enviar a Flor para as navegantes de outro. Era como se fosse um tesouro que soldados tivessem de enviar para um país vizinho

Não fazia ideia disso da Flor carnívora
Até que está algo adequado, já que esta flor ainda vai ter alguns poderes sanguinários... E mais não digo 
Em relação às ruivas, sinceramente não estava nos meus planos iniciais que a Equidna fosse ruiva, mas como quis fazer aquele paralelismo com a Beryl, saiu assim

Obrigada pela parte do ovo
Prometo que me esforçarei para vos trazer a próxima parte o mais rapidamente possível 
a-d-o-r-e-i
uma das melhores fan fic que já li, uma escrita com bastante pormenor e cuidada.
Toda a história é maravilhosa, bem pensada e consegue agarrar-nos e fazer com que queiramos mais e mais.
amei completamente e por favor para quando um novo capitulo? Estou ansiosa, quero saber o que se vai passar...
Lindo, Parabéns tens imenso jeito
uma das melhores fan fic que já li, uma escrita com bastante pormenor e cuidada.
Toda a história é maravilhosa, bem pensada e consegue agarrar-nos e fazer com que queiramos mais e mais.
amei completamente e por favor para quando um novo capitulo? Estou ansiosa, quero saber o que se vai passar...
Lindo, Parabéns tens imenso jeito

Denny escreveu:a-d-o-r-e-i
uma das melhores fan fic que já li, uma escrita com bastante pormenor e cuidada.
Toda a história é maravilhosa, bem pensada e consegue agarrar-nos e fazer com que queiramos mais e mais.
amei completamente e por favor para quando um novo capitulo? Estou ansiosa, quero saber o que se vai passar...
Lindo, Parabéns tens imenso jeito
Muito obrigada, Denny! É sempre maravilhoso saber que existem pessoas que gostam da minha história, é realmente importante para mim
A próxima parte do capítulo está em andamento, apenas ainda não tive oportunidade de a terminar porque, a partir da próxima semana, entrarei em exames e, como tal, tenho andado um bocadinho mais ocupada que o costume. Mas prometo que darei o meu melhor para trazer a seguinte parte o mais rapidamente possível 
Novamente, muito obrigada!
OMG! Tens tanto jeito! Quem me dera ter esse jeito! Eu pus a minha fanfic aqui no forum, chama se a estrela Negra eu ponho em episodios pois prefiro dessa forma eu gostaria que uma profissional como tu fosse la comentar, por favor, obrigado!
" I'm Insatiable I can't get enough, i need to find a boy, man enough to keep up"
xFrancisco10 escreveu:OMG! Tens tanto jeito! Quem me dera ter esse jeito! Eu pus a minha fanfic aqui no forum, chama se a estrela Negra eu ponho em episodios pois prefiro dessa forma eu gostaria que uma profissional como tu fosse la comentar, por favor, obrigado!
Muito obrigada, ainda bem que gostas. Quanto à tua história, neste momento não me encontro com muita disponibilidade para ler, mas dou-te desde já o conselho de, ao invés de escreveres por episódios, para aglomerares tudo num único tópico, para evitar confusões, e também porque não é permitido nas regras. Continuação de bom trabalho!
já tinha lido a tua fanfic antes de me inscrever no forum sailor moon portugal mas só agora que li muitas fanfics é que me lembrei de comentar.
desculpa,mas mesmo assim gosto muito da tua fic
desculpa,mas mesmo assim gosto muito da tua fic
Ai logo de manhã quando acordar, quero sentir a cortina branca abanar ao vento, o relógio do cuco vais dar às 07:00 horas, oiço a mãe a gritar “Levanta-te se não chegas atrasada” e meia a dormir respondo “Só quero dormir mais 3 minutos”, chego sempre atrasada a escola, e a professora diz-me para ficar no corredor, tenho péssimas notas nos testes, depois da escola vamos comer biscoitos, e eu adoro ver os vestidos nas montras das lojas, ai estas pequeninas coisas fazem-me tão feliz… Adorava ter essa vida assim outra vez como tive…
Tens de entrar para responderes neste tópico.
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