"O Deus da Morte - O Último Suspiro"NoVo CaP
Capitulo 5 - Última parte
O vento era agreste e consigo trazia o som encolerizado do mar, as ondas revoltas embatiam nas pedras com uma fúria arrebatadora, tingiam a branca areia da praia deserta. Ao longe podia ver-se o porto onde os barcos estavam ancorados, naquele dia nem o mais bravo pescador ousara desafiar o vasto oceano.
Na virgem areia podiam-se ver pegadas feitas por ela, parou e mirou aquele espectáculo oferecido pela Mãe Natureza e os seus temperamentais elementos que naquele momento condiziam com o seu interior.
Sentia-se rodeada de muros erguidos por si e por outros que não a deixavam chegar a lado nenhum; sentia-se perdida na mais intensa escuridão, perdida nos caminhos da incerteza e desolação, da angustia era refém e naquele momento a solidão era a sua companheira.
Deixou-se cair na areia. Deitada viu como o céu se tornava cada vez mais cinzento, em breve, muito em breve começaria a chover porém em vez de partir deixou-se ficar, fechou os olhos para o mundo à sua volta embalada pela melodia do ar.
“ Amigos não desprezam amigos, amigos não falam só em certas situações e amigos são sempre amigos” aquelas palavras eram tão certeiras como a culpa que a consumia, ele tinha razão ela não era amiga dele, nem de ninguém!
Que pecados cometera para merecer aquilo? Onde errara? Nesta ou numa outra vida?
Algo mudou no ar, podia sentir-se uma ligeira modificação, muito subtil, quase imperceptível; por alguma razão que desconhecia sentiu-o antes de o ver, por qualquer razão que desconhecia sentiu que de alguma maneira a sua luz chegara e por uma qualquer razão sentiu que algo quente inundava o seu ser.
Daray fitava o mar à sua frente. Como podia algo tão belo e majestoso ser tão cruel e temperamental? Como podia algo tão profundo, tão magnifico ser ao mesmo tempo tão mortífero? Seriam eles parecidos em algo ou tinham apenas o mesmo fim? Tirar vidas, sem descriminação, sem remorsos, sem compaixão.
Encostou-se na areia fria, virou a cabeça e encontrou o azul profundo daquele olhar que lhe tirava o fôlego, não lhe perguntou nada e ela também não, simplesmente ficaram a olhar um para o outro tentando cada um à sua maneira desvendar os segredos escondidos, as verdades que ficaram por dizer e as cruzes que cada um carregava.
As suas mãos quase se tocavam de tão perto que os seus corpos estavam mas não o faziam.
“ Sentes-te só? Já não”
A frase ecoava entre eles como se tivesse vida própria e muito calmamente ela tocou-lhe na mão fria como o gelo mas que ao mesmo tempo parecia fogo.
Ele pegou-lhe na mão e entrelaçou os seus dedos nos dela, uma união entre duas entidades, dois seres que se completavam de uma maneira além da razão, afinal a morte e a vida são um só, tal como eles naquele momento perdido no tempo.
Queimava o toque, gelava a alma, consumia cada pedaço de si levando-o à loucura. Era uma doce tortura estar tão perto e mesmo assim tão longe e pela primeira vez em muito tempo sentiu-se vivo.
Como era possível querer tanto e não poder ter nada?
O toque gelado fazia arder por dentro como se fosse uma chama, os muros pareciam não existir quando se perdia naqueles olhos cinza, ela sentia que ele era a sua luz, um raio de sol que iluminava o escuro céu, se caísse para dentro do vazio sabia que ele a apanharia e a traria de volta.
As gotas começaram a cair mas ela não se moveu, não queria quebrar aquele contacto, o mais real, mais sincero que já tivera; o coração batia desalmadamente e na sua mente os pensamentos não tinham lugar. Apenas as emoções.
- Daray – Não mais que um murmúrio abafado pelo vento mas ele ouviu-o, soltou-lhe a mão e levantou-se voltando a mirar o mar. Mordendo o lábio, Dawn ergueu-se e pôs-se ao seu lado.
- Como sabes?
Podia mentir, podia inventar uma desculpa, podia partir mas escolheu dizer a verdade, olhou para a mão que a instantes ele tocara ainda podia senti-lo.
- Desde que me recordo que me persegues em sonhos, o sonho começa no funeral dos meus pais e vejo-te mas o cenário muda rapidamente, encontro-me em frente a uma colossal porta porém em vez de ser puxada para dentro dela como acontece sempre, o cenário muda e vejo-te num baile, alguém chama por ti...Daray.
O seu rosto, a sua postura nada denunciaram o que ele pensava sobre aquilo, parecia como sempre distante, despreocupado e frio. Dawn voltou a fitar o mar; a chuva continuava a cair.
- Deixei esse nome para trás quando me tornei naquilo que sou, farias melhor se bloqueasses esses sonhos e se não mais me visses afinal um ano passa depressa, devias aproveitá-lo. – Cada palavra foi dita sem emoção ou sentimento, não sabia porquê mas cada uma feriu-a com uma intensidade que ela não sabia existir. Sentiu uma necessidade de chorar e gritar por isso agarrou-se à raiva, àquela sensação que experimentara antes.
- Bloquear? Achas que não tentei? Não quero sonhar com pessoas que não conheço, sabes que mais? Não fui eu que te chamei ou te procurei tu vieste para mim de livre e espontânea vontade. Podes ir embora e só voltar daqui a um ano.
Virou as costas e deixou que as lágrimas caíssem e se misturassem com a chuva, o som dilacerava-o mas era melhor partir, ela tinha razão fora ele que viera, era ele que devia ir.
- Não me deixes. – Aquela suplica seria dele ou dela? Não importava porque ele não queria partir, não queria magoa-la.
Abraçou-a e ficaram assim durante aquilo que lhes pareceu uma eternidade enquanto a chuva caía.
UAU UAU UAU!
.o:
Adoro!
Esta cada vez melhor Lune!
Por favor continua!
.o: Adoro!
Esta cada vez melhor Lune!
Por favor continua!
**KitTty** Apenas Um SoNhO - FanFic Capitulo IX - Parte I ja postado a 16/08/2009
Capitulo 6
Uma vez, Virgínia Wolf escreveu que “ O tempo, embora faça desabrochar e definhar animais e plantas com assombrosa pontualidade, não tem sobre a alma do homem efeitos tão simples. A alma do homem, aliás, age de forma igualmente estranha sobre o corpo do tempo. Uma hora, alojada no bizarro elemento do espírito humano, pode valer cinquenta ou cem vezes mais que a sua duração medida pelo relógio; em contrapartida, uma hora pode ser fielmente representada no mostrador do espírito por um segundo.”
Seria, no tempo do espírito um indefinido de horas ou apenas alguns segundos?
Para si, tinha acabado demasiado depressa, demasiado rápido; o laço tinha sido desfeito mas para ele teria durado uma eternidade?
Teria Virgínia Wolf razão, sobre o tempo que diferencia o homem do resto do mundo? Ou seria este todo igual?
Se lhe tivessem perguntado algum tempo atrás, teria respondido que isso era impossível, que o tempo não se pode dividir em dois, que não existe uma diferença, mas agora? Agora achava que tal era possível.
Dawn sentia que o mundo à sua volta definhava e voltava a prosperar, que a roda girava e voltava a girar, que o tempo passava gradualmente mas que para si, passava demasiado depressa.
Quanto mais este passava, menos eram as tentativas de Mike se aproximar dela, talvez porque de todas as vezes que tal acontecia, ela repelia-o. Até que ele deixou de faze-lo e Dawn começou a sentir-se ainda mais triste, porém existiam razões que a própria razão desconhecia.
Pela janela da sala de aula, Dawn olhava para o céu cinzento e para os flocos de brancura que caíam; Dezembro chegara e com ele trouxera o frio e a neve. E também trouxera a melancolia ou talvez esta estivesse ali porque ele se afastara dela pois desde do dia da praia que Daray não voltara a procura-la, não dissera mais uma palavra, simplesmente desvanecera e ela já não sabia o que sentir ou pensar.
Vivia cada vez mais num remoinho de emoções que a desgastava cada vez mais mas que podia fazer? Ela não sabia.
Voltou a sua atenção para a aula reparou que numas mesas à sua frente, Mary falava com a colega de carteira. Desde do dia da praia cortara definitivamente laços com ela e custara mais do que podia exprimir por palavras mas finalmente vira a realidade.
Mary apenas era amiga de si própria e todos os outros apenas a acompanhavam; ela nem notara como Dawn se afastara, não notara como já não se juntava a ela na cantina ou como já não iam juntas para casa, ou talvez notasse, só que não queria saber.
- Vá juntem-se em grupos de três ou quatro.
Dawn saiu rapidamente dos seus devaneios, grupos?! Se havia coisa que mais detestava era fazer trabalhos de grupo, ainda para mais quando ela era a única que trabalhava quando ficava com Mary. Era sempre assim.
- Dawn ficamos juntas? – A voz de Mary a seu lado quase a fez dar um pulo da cadeira, ela sorria como se tudo estivesse perfeito enquanto Dawn apenas ergueu ligeiramente a sobrancelha.
- Não. – Foi apenas um sussurro mas Mary ouvira e o seu sorriso apagara-se da sua face e fez aquele ar de cachorro abandonado, por isso Dawn buscou na sua mente uma desculpa e viu-a bem perto de si. – Desculpa mas vou ficar com a Jenna e a Mary Kate.
Mary Kate e Jenna voltaram-se para a trás e ficaram a olhar para ela como se algo de grave tivesse acontecido, afinal nunca antes Dawn tinha ido contra algo que Mary dissesse.
Esta voltou-se e sentou-se na sua mesa e rodeou-se de outras pessoas que ficariam mais que satisfeitas por tê-la como colega de grupo, o que não invalidou os olhares de lado aos os murmúrios.
Dawn olhou para Mary Kate e Jenna, que por sua vez olhavam para ela incrédulas afinal nunca antes tinham falado apesar de serem colegas nunca antes tinham trocado uma palavra, Mary achava-as demasiado esquisitas.
Para ela eram duas raparigas normais, Jenna era baixa e magrinha, porém possuía uns olhos verdes que faziam lembrar um gato selvagem e condizia com os seus cabelos ruivos sempre presos com fitas dos mais variados tons.
Enquanto Mary Kate, era loira e usava duas madeixas rosa no cabelo, que lhe dava pela altura do queixo, os seus olhos eram uma mistura entre o azul e verde.
- Bem tens a certeza que queres ficar connosco? – Jenna perguntou meio timidamente. – As Malucas dos Espíritos?
Era assim que uma vez Mary as tinha chamado, por acreditarem em forças paranormais, por acreditarem em sinais que diziam que o final do mundo estava perto ou por dizerem que existia uma força invisível que governava o mundo.
Desde que se lembrava Dawn sempre as tinha visto juntas e quase ninguém lhes prestava atenção devido ao modo como elas falavam ou até mesmo pensavam.
- Sim.
- Boa! Então queres que te faça o teu plano astral?
- Kate!
- O que foi?
- Sim.
- Estas a ver ela quer. Entrego-te no final das aulas.
Dawn sorriu para elas e foi compensada com outro sorriso.
**
Dawn passou o resto do dia com Mary Kate e Jenna, descobrindo que elas não eram assim tão esquisitas como Mary pensava, podiam acreditar no fim do mundo ou até mesmo que a astrologia era uma ciência exacta mas no fundo eram boas pessoas.
Quando chegou a penúltima aula Dawn sentia-se mais descontraída, mais animada como à muito não se sentia, no balneário podia ainda ouvir os comentários sussurrados pelos colegas, eles ainda não estavam em si, como podia ela abandonar Mary? Ela sabia o porquê.
Mais um vez a aula foi feita em conjunto com a turma dos irmãos McNash e de Aidan, só esperava mais uma vez evitar ficar com os McNash como até ali tinha conseguido porém não era fácil, é que se Mike tinha desistido eles ainda não.
Tentando passar despercebida, Dawn escondeu-se atrás de alguns colegas mas sem muito sucesso afinal era uma das mais altas da sua turma, evitou olhar para alguém e fez figas.
- Dawn.
Mal ouviu o seu nome saído da boca de William pensou logo numa boa desculpa para escapar mas já não se lembrava de nenhuma, pelo menos nenhuma que fosse razoavelmente boa por isso juntou-se a eles e esperou não ter que falar, muito.
Viu que Mary se juntava a Aidan e ao seu amigo Ducan, achou estranho pois ela não era muito a favor de suar, pelo menos nas aulas de educação física mas Dawn não teve mais tempo para pensar nisso quando começou a jogar.
Basquete três para três. Ela adorava jogar, e era boa nisso também, para além de ter uma boa coordenação com William e Edward o que facilitava muito o jogo.
Foram jogando com várias equipes, ganharam quase todos os jogos o que valeu sorrisos e piropos de contentamento por parte dos professores e até de alguns colegas.
Quase no fim da aula calharam com a equipe de Aidan, era um jogo equilibrado no ponto de vista técnico, dois rapazes e uma rapariga, o jogo começou, muito renhido, quando uma marcava a outra marcava a seguir.
Dawn nunca pensou que Mary fosse assim tão boa mas também para quem raramente jogava algo que envolvesse esforço físico, era uma verdadeira surpresa.
William marcou o ponto que os punha a frente, Mary pediu para fazer o lançamento, Dawn pôs-se em posição para tentar interceptar a bola mas antes que pudesse mexer-se sentiu uma dor aguda que começava no seu lábio, ia até ao nariz e rebentava na sua cabeça.
Sentiu algo pegajoso a sair pelo seu nariz e quando elevou a mão para tocar, viu que era sangue, sentiu que o seu mundo, literalmente andava a roda e depois apenas escuridão.
Acordou, a sua vista estava habituar-se ao branco do tecto e ao cheiro a remédios que a enfermaria tinha, levantou-se e tentou lembrar-se do que se passará.
A bola na cara, a bola que Mary tinha lhe atirado...Mas teria sido de propósito? Não, não podia acreditar que ela faria tal coisa afinal ela não lhe tinha feito nada.
Passou a mão pelo nariz, já estava seco. Graças a Deus, ela odiava sangue e se tinha desmaiado, porque era a única razão que a levaria a enfermaria, era por não suportar vê-lo e muito menos senti-lo.
- Já estas acordada?
A enfermeira, era uma mulher já com alguma idade, talvez com uns cinquenta anos, isso via-se não pela cor dos seus cabelos que mantinham a cor loira platinada mas pelas rugas que habitavam na zona dos seus olhos marron e a volta da sua boca.
- Sim.
- Estas melhor?
- Sim. Não gosto de sangue.
- Bem sei.
- Que horas são?
- Seis e meia. Acabas de te faltar a última aula mas as tuas amigas trouxeram-te as tuas coisas, podes trocar-te.
- Amigas?
- Uma ruiva e uma loira com madeixas rosas.
Dawn sorriu. E aproveitou que a enfermeira se retirava e vestiu-se rapidamente e pegou na sua mala. Quem tinha a levado ali? Muito provavelmente o professore, mais tarde teria que agradecer-lhe, tal como a Mary Kate e a Jenna.
Abriu a cortina que separava o gabinete da marquesa.
- Obrigado.
- De nada.
Fechou com cuidado a porta, voltou-se e deparou-se com Aidan, ela havia mudado para o fato treino para uniforme, as calças azuis escuras, a camisa branca, o casaco com o emblema da escola.
O seu cabelo estava meio despenteado e uma mecha de cabelo cobria o seu olho, Dawn teve que agarrar com força a alça da sua mala para combater o forte impulso de mete-la no lugar.
- Dawn, estas bem?
- Sim. O que fazes aqui? – Ela sabia que a sua última aula havia sido E.F. por isso não compreendia o que se passava.
- Fiquei para saber se estavas bem. A Mary ficou muito triste por te ter aleijado.
Ela deu um meio sorriso, triste por tê-la acertado? Se assim era porquê não tinha ido vê-la? Ou porquê não fora com ela até ali e pedira para ficar a seu lado? Dúvida cada vez mais que aquilo tivesse sido um acidente mas sim uma vingança por não ter ficado com ela naquele trabalho de grupo, por ter escolhido outras pessoas.
- E eu fiquei assustado.
- O quê?
- Caíste do nada. O Mike trouxe-te para aqui e depois a enfermeira não deixou ninguém entrar.
- Mike?!
- Sim, acho que ele estava assistir das bancadas.
Dawn baixou a cabeça, sentia-se confusa porquê teria ele feito algo assim? Eles não se falavam. Ela afastara-o.
Uns dedos tocaram no seu queixo e levantaram-no, ela olhou nos olhos verdes de Aidan e pensou por momentos o que teria visto nele? Quando ele aproximou a sua boca da dela, Dawn virou a cara e tentou soltar-se mas isso revelou-se uma tarefa impossível.
- Larga-me.
- Porquê? Eu sei que tu queres isto e eu também.
Dawn preparava-se por gritar, sabia que a enfermeira vira ver o que se passava, realmente não sabia o que vira nele mas naquele instante teve a confirmação que apenas vira uma cara bonita e um sorriso deslumbrante, ela realmente não o conhecia.
- Ouvis-te o que ela disse McGrave.
Ele agarrou-a com força no braço ao ouvir aquela voz rouca vindo de trás de si, Aidan e Dawn olharam para Shawn que se encontrava a alguns passos deles, sentiu um enorme alivio dentro se si.
- Isto é entre ela e eu. Fica fora disto McTier.
- Eu bem gostava mas não posso.
- Porquê?
- Porque a miúda que estas agarrar é a minha miúda.
O silêncio foi geral, Dawn sentiu que Aidan quase lhe quebrava o braço tamanha era a força que aplicava neste, o desconforto devia ser evidente na sua face pois Shawn voltou a repetir para ele a soltar.
Aidan soltou-a e Dawn quase correu para junto de Shawn, este passou o seu braço por cima dela e juntos percorreram o corredor em silêncio deixando para trás um Aidan furioso.
Quando estavam a chegar a saída da escola, ele retirou o seu braço de cima dela, e Dawn sentiu que de alguma maneira tinha sido privada de algo, desviou esses pensamentos e voltou-se para ele.
- Obrigado.
- Fica afasta dele. Ele não serve para ti.
Ela ficou a olhar para Shawn, tinha a noção que já não era a primeira vez que a avisavam para ficar longe de Aidan mas ela não sabia bem porquê porém depois daquele actuação a porta da enfermaria, ela não voltaria de certeza a aproximar-se dele.
- Não volto, mas não porque tu queres mas sim porque eu quero.
- Não me interessa a razão, simplesmente faz isso.
Dawn virou-se porém antes que conseguisse dar um passo, Shawn agarrou na sua mão e por momentos ela vislumbrou algo, piscou os olhos e olhou-o parecia que ele também tinha reparado em algo, deslargaram-se.
- Só mais uma coisa. Queria pedir desculpas por o que disse no outro dia.
Ela levantou a sua sobrancelha em sinal de descrença.
- Porquê?
- Porque não tinha o direito de te ofender. Talvez pense aquilo tudo mas o Mike não, ele por alguma razão que me escapa gosta de ti.
- Eu também gosto dele.
O silêncio voltou mas desta vez era desconfortável, ficaram assim durante aquilo que pareceu muito tempo até que ele voltou a falar.
- Espero que por isso, possas falar com ele outra vez. Ele anda meio triste e, bem só fala com ele.
Dawn acenou afirmativamente com a cabeça e virou-se, desta vez ninguém a deteve.
Capitulo 6 part2
O céu outrora azul era agora cinza, a chuva caía, por vezes suavemente outras agressivamente, o vento e o frio andavam juntos como se fossem companheiros de vida enquanto o vento uivava, querendo levar consigo tudo o que se encontrava no seu caminho, o frio gelava tudo à sua volta. O tempo convidava para que as pessoas entrassem em casa, se sentassem à lareira e desfrutassem de um bom leite quente ou talvez um copo de whisky antigo.
Naquele momento Dawn estava em casa mas não desfrutava nem de um leite quente ou de um antigo whisky, estava sentada à janela olhando a confusão que Jenna e Mary Kate criaram, na escolha do vestido perfeito para o baile de Natal.
Todos os anos, no último dia de aulas do primeiro período celebrava-se o Baile de Natal, era uma festa para todos os alunos do décimo até ao décimo segundo ano compareciam, dançavam, bebiam e conviviam.
Dawn foi arrancada do seu poiso, vestiu e despiu vários vestidos, o seu riso misturava-se com o riso delas e da música que tocava na aparelhagem, então era assim que era ter amigos?
Quantas vezes ao longo do mês que passou fez esta mesma pergunta e a resposta parecia tão simples, tão banal e tão correcta...Sim.
Depois de Mary ter-lhe atirado com a bola na cara, não voltaram a falar, o que na verdade não importava afinal elas já mal se falavam e Dawn simplesmente parecia estar a evitar o inevitável.
Laços tinham sido desfeitos mas também tinham sido criados.
Mary não parecia entusiasmada com esses acontecimentos, tal como não se sentia contente com o seu namoro ter terminado, pois Aidan tinha, de algo modo descoberto que Mary lhe fora infiel e acabara tudo.
Claro que esta culpava Dawn por o seu infortúnio e decidira, juntamente com as suas novas melhores amigas, infernizar a vida de Dawn, contando várias mentiras e espalhando boatos pela escola, de como esta havia traído Mary ao seduzir Aidan ou então que namoriscara com Mike apenas para deixar Sarah infeliz, entre outros.
Agora entendia a reacção de Aidan no dia em que fora parar à enfermaria, devia ter descoberto a infidelidade da sua namorada e quisera atingi-la no coração, por assim dizer, indo atrás da sua melhor amiga ou aquela que ele pensara ser a melhor amiga.
Ainda bem que Shawn a salvara, se é que poderia dizer isso.
Aquele rapaz mexia com os nervos dela e não no bom sentido, como a podia tratar como se não valesse um centavo e depois a defender? E quem achava que era ele para dar a sua permissão para que ela pudesse falar com Mike? Ninguém.
Talvez por isso ou pelos vários rumores que davam a entender um romance entre ela e Mike, Dawn decidira afastar-se por algum tempo afinal ela gostava dele mas não dessa forma.
Apesar dos conselhos das suas novas amigas, que apesar de penderem para o excêntrico, irem contra a sua decisão elas não a criticavam por isso ou por um vez por outra mergulhar em momentos de profundo silêncio ou de reflexão, que aconteciam quando pensava em Daray.
Ainda não lhes contara a história deste, não por medo que elas não acreditassem ou pensassem que ela tinha um parafuso a mais mas porquê tinha receio de ao contar estivesse abdicar de algo que não desejava que ninguém soubesse.
Não o voltará a ver mas sabia que ele estava sempre presente nos seus sonhos que alternavam entre a fria caverna e o luminoso salão de baile ou quando estava acordada vi-a um corvo preto constantemente por perto, o mesmo do cemitério.
- Tens que levar esse, é perfeito. – Dawn olhou-se ao espalho, o vestido preto era simples mas assentava-lhe bem, Jenna tinha razão era perfeito. – Prendes o cabelo e ficas óptima.
- Nem acredito que o Baile é já amanhã, ainda ontem estávamos a ver a Dawn a desfalecer.
- Kate não têm piada.
- Então e vais falar com Mike?
Dawn baixou a cabeça, ela não sabia porquê mas não ganhara coragem para falar ainda com ele, tinha medo que este já não quisesse a sua amizade.
- Eu penso que devias falar com ele, lembras-te quando eu te fiz o mapa astral? Lembras-te dos três homens da tua vida passada? Aposto que o Mike é um deles.
Como prometido no dia seguinte, Kate trouxe-lhe o seu mapa astral onde continha não só o seu futuro astrológico como também o seu passado.
Segundo ela, havia um padrão que se repetia ao longo dos tempos, três homens e um amor que transcendia a própria morte determinava sempre todas as suas vidas.
- Sim a Kate têm razão, afinal porque outro motivo ele ficou tão preocupado contigo? Ou porque tentou saber se estavas bem? E sem esquecer que quando aquela ranhosa andou a espalhar boatos sobre vocês, o Mike sempre te defendeu.
- E se ele não quiser falar comigo?
- Se não tentares, nunca saberás!
Umas horas depois ambas foram embora deixando Dawn perdida nos seus pensamentos. Teria coragem para enfrentar os seus medos?
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Nova Leitora 
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