Sailor Moon Portugal, A Navegante da Lua

Nas asas de um anjo

#661
ta fantaxtico exte capitulo!!
kuando é k tu poxtax +?
expero k seja muito brevemente lol
continua



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#662
Porra... tu queres meter-nos a chorar..... icy.. aconselho-te a escrever... senão és desta que eu lanço as minhas facas sobre ti...
#663
tão tristee!
mas eu sei, à k meter drama e tal...
apesar de triste, estes dois útlimos capítulos tão excelentes. só ñ senti a tristeza deles pq ando bm humorada.
continua, td tem uma razão para assim ser.





Minhas fics:
A Futura Rainha de Crystal Tóquio: Capítulo 9 – O Despertar da Coragem
Princesa Samurai: Prólogo [Novo]
#664
Tu queres mesmo por-nos a chorar, né Icy???? Tu keres mesmo!!!!!!! é melhor pores-te a escrever!! senão vais sofrer as consequências!!!!!

E o Sei ficou sem voz porquÊ??
#665
Desculpem o enorme atraso Embaracoso' (pelos vistos o topico com o resto do capitulo desapareceu).

Nao tenho muito para dizer, a nao ser um enorme obrigado a todos por lerem a minha historia Embaracoso

Sem mais demoras:


Capítulo 12O silêncio do dragão (parte 2)

- Ela olhou-me com os mesmo olhos… eu não consegui protegê-la… nem agora… porque é que tu… tu… por… – “Não consigo falar.” – Sei tentava mas não conseguia falar. A sua boca articulava palavras em sintonia com a sua língua mas nenhum som saía. A sua voz. Para onde teria fugido a sua voz? E mais lágrimas desciam a sua face em conjunto com as gotas transparentes de água. A sua voz. Para onde fora a sua voz?

- Sei, o que se passa? Sei? – Césio pensou que Sei talvez estivesse a digerir toda a mágoa e angústia que o seu passado lhe trouxera outra vez. Não era fácil. E era para além do difícil. Era arrancar pedaços de memórias esquecidas e vivê-las outra vez. Mas Sei não falava. – Sei? Diz-me alguma coisa Sei.

Sei deitou-se. Estaria a dormir por não aguentar com todas as emoções? Os seus olhos permaneciam fechados. Estava com a pulsação fraca, quase imperceptível. Césio não podia deixar de pensar que ele era mesmo parecido com a irmã. Mas a sombra de Sai iria atormentá-lo para todo o sempre. Talvez ainda fosse muito recente, mas a face dela estava exposta na mente dele como uma cicatriz que nunca mais iria sair.

Levá-la para casa. Sim, era a última tarefa que faltava. Levá-la para casa, levá-la para não a deixar à chuva e sem ninguém para a cuidar. Em casa, ela estaria eternamente salva.

- … - Sei agarrou no braço do Césio e apertava cada vez com mais força como se não quisesse que ele o abandonasse naquele momento.

- Sei, larga-me! O que estás a fazer? – Sei apertou ainda mais o braço. As unhas dele estavam mais afiadas e penetravam na pele do braço, resultando num grito por parte do Césio. – Pára Sei! – Os olhos dele abriram, cobertos de gotas de lágrimas salgadas e a sua boca pedia por mais ar.

Césio não ouviu nada e podia estar a alucinar, mas tinha a certeza que Sei estava a tentar pedir ajuda.

- “Ajuda-me Césio… senão… senão…” – Largou o braço, já com vários fios de sangue.

- “O que se passa hoje?” – A dor de cabeça igualava à dor que sentia no braço.

- “Ajuda-me… ajuda-me Césio…” – Levou ambas as mãos ao pescoço, onde começou a arranhar freneticamente. Césio viu manchas vermelhas a invadir o pescoço de Sei e, pouco tempo depois, escamas. As mesmas escamas que tinha no braço.

- Sei… o que se passa? – Pousou os dedos no peito dele. Tinha o peito frio e, sinistramente, não ouvia o coração a bater. Sentiu algo áspero que magoaria qualquer pele mais sensível e fina. Abriu-lhe a camisa e, para seu espanto, também estava coberto de escamas. Sei estava todo coberto, menos a cabeça.

E tinha desmaiado. Não. Não estava sem sentidos. Ele estava ali. Mas fechado, encurralado, prisioneiro no seu próprio corpo. Não podia falar. Não conseguia ter controlo sobre o seu corpo. Estava capturado numa escuridão que, mais cedo ou mais tarde, o iria envolver. Mas não podia ser agora. Não agora que tinha que trazer Sai de volta.

- O que está a acontecer? Não sei o que vou fazer. Não percebo! – Césio estava em pânico. Primeiro Sai, agora Sei. – Não entendo. Não consigo!

Mais lágrimas eram derramadas por ambos. Césio apercebeu-se que ele conseguia ouvi-lo. – Sei… eu sei que estás a ouvir-me…

As palavras de Césio alcançou os seus ouvidos. – “O que é que queres? Leva a Sai daqui…”

- Sei… eu quero entender o que está a acontecer. Mas tu não podes…

- “Não vale a pena…”

- Mas agora sou eu quem precisa de ti. Não posso deixar-te aqui mais a Sai. Tu tens que vencer Sei!

- “É mais forte do que eu…”

- A Sai não ia querer ver-te assim.

- “Sai…” – O sorriso dela surgiu à sua frente. – “Sai…”

- Tu tens que vencer Sei!

- “Sai…”

- Assim não vais poder salvar a tua irmã!

- “Sai…”

Césio estava a começar a perder todas as esperanças. Estava cansado. Cansado de falar, cansado de lutar, cansado de tentar sobreviver. Chegara a hora de fazer uma escolha: deixar Sai ou deixar Sei. Talvez nenhum dos dois se importasse. Talvez nenhum dos dois o perdoaria.

Iria levar Sai e Sei ficaria ali, estendido ao frio e à chuva mas Sai iria ter o descanso eterno. Ou deixava-a aí e levaria Sei. Afinal, ela estava morta mas ele não.

Optou por Sai. Que Sei o amaldiçoasse para toda a eternidade, mas Sai era mais importante. Levantou-se, chegou ao pé de Sai e acariciou-lhe a face molhada, tanto como a sua. – Vamos para casa. Vamos voltar para casa.

Os dedos de Sei mexiam como se estivessem a levar pequenas descargas eléctricas. Estava a voltar a ter domínio sobre si. Não ria, mas estava feliz e aliviado por ver que Césio preocupava com a sua irmã. Talvez não fosse tão má pessoa como pensava. Não. Césio não era aquela personagem maligna que ele pensara tanto.

Levantou-se muito devagar mas não era ele quem movia. Sei estava presente, preso dentro de si próprio, mas não era comandava. Os seus olhos não tinham aquela fina camada de vida, ou cores a fluir como uma nascente. Eram de um cinzento opaco, quase como uma parede velha pintada, que a beleza já fora há muito.

Sei estava aprisionado dentro daquela fortaleza de escamas que o mantinha fechado sem possibilidades de escapar. Mas levantara e dava pequenos passos inseguros em direcção de Césio e Sai.

- Sei… conseguiste. Vamos voltar… os três… juntos. – Já não restavam muitas forças a Césio e a sua visão tornava-se cada mais nublada. Mas não largava Sai. Nunca. Nunca mais ia voltar a largá-la. O seu corpo cedeu à pressão, à fraqueza, à dor e caiu nos braços ásperos e frios de Sei.

A chuva não parava mas o céu estava mais claro. Era quase madrugada.

- “Voltar para casa. Vamos voltar juntos.” – Sim, era o que faltava. Uma aura poderosa rodeou-o. Uma aura diferente mas poderosa. Uma aura típica de um guerreiro do povo dos Dragões.

Voaram os três pelos céus, acima das árvores testemunhas de toda aquela melancolia e mágoa. Sei também sentia a fatiga. Receava adormecer. Se acordasse e já não estava ali? Se acordasse e desaparecesse? Se nunca acordasse?

O Sol estava a nascer quando chegaram ao Templo Estelar. As pétalas das flores de cerejeira caíam, suavemente, cada uma a seu ritmo, como se de neve tratasse. Os pingos de água eram cada vez menores e não intrometiam com a dança das pétalas.

Chegaram os três mesmo na queda da última gota de água. Caíram, sem sentidos e demasiados gastos em frente das portas do Templo Estelar.

"To be alive is to be loved. That's what my heart whispers to me"



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#666
ta magnifico, ja pensaste que quando a acabar (e expero k seja daqui a muito capitulos xD) podias enviar para uma editora? Tu tens mesmo muito jeito.
Deixax-te bué curiosa sobre kem vai encontralos nas portas do templo estelar.
Espero um novo capitulo muito em breve.



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#667
Obrigada pelo comentario Baby Doll Embaracoso
Eu gostaria de enviar este texto para uma editora. Afinal, e a primeira obra que acho que vou conseguir acabar... apesar de agora estar muito mais ocupada, mas nao vai ser mais um daqueles projectos inacabados.

Mais umma vez, obrigada Embaracoso
"To be alive is to be loved. That's what my heart whispers to me"



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#669
É pena que nunca mais tenhas postado Icy_Angel, pois a tua história está mesmo muito gira.
Parabéns
tu disseste que não querias um trablho inacabado!!!
Se por acaso já enviaste para uma editora, avisa qual via ser o nome da obra, que eu quero um dos primeiros exemplares Smile Smile Smile Smile Smile Smile Smile Smile Smile Smile Smile Smile Smile Smile Smile Smile Smile Smile Smile Smile Smile Smile Smile Smile Smile
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Smile Smile Smile Smile SmileSmile Smile Smile Smile Smile Smile Smile Smile Smile Smile Smile Smile Smile Smile SmileSmile Smile Smile Smile Smile Smile Smile Smile Smile Smile
Smile Smile Smile Smile Smile

Adoro a tua escrita.
beijos.
#670
Esta é outra história a qual também não vinha verificar há muito tempo e só tem postado um capitulo bastante antigo. Onde anda as grandes escritoras deste fórum metidas? D: Oh, Icy não vais deixar a história ficar assim para sempre, pois não? /: Espero bem que continues /:
#671
Icy.... por acaso estás com saudades das minhas facas??
#672
Parece que já não venho aqui há décadas, não é??? ah ah ah *gota*
Meus queridos leitores... agradeço-vos do fundo do meu coração e vou estar sempre grata a vocês por me apoiarem e incentivarem a continuar esta história. Se alguma vez for publicada, não irei esquecer de vos mencionar Embaracoso
Bem... o que aconteceu? Tive um writer's block em conjunto com todo o stress e pressão da escola. Além disso, estive a reler todos os capítulos e há momentos que não gosto e decidi voltar a reescrever. Sei que pode decepcionar muitos e fazer vocês parar de seguir esta história porque pode levar algum tempo até chegar ao ponto que já leram.
Já tenho o primeiro capítulo reescrito. Se quiserem ler, digam-me algo. Se quiserem matar-me, também pode (garanto-vos que vai ser complicado... Matreiro). Digam-me qualquer coisa, boa ou má.
E cuidado com as facas priminha... elas magoam... Matreiro
"To be alive is to be loved. That's what my heart whispers to me"



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#673
Eu quero ler esse cap... e quanto ao facto de as minhas facas magoarem.. isso eu não sei nem quero saber.. isso interessa é a ti se demorares muito.. Matreiro
#674
Está um espanto.
Já li até ao capitulo 3.
Amei!
CLICA!

Clica, para visitares o meu forum.
#675
Não me importo nada de ler esse capitulo reescrito, nada mesmo, mas nada mesmo. *tosse enquanto olha de maneira irada na direcção da Ice, por ainda não ter colocado o dito cujo*
#676
Pronto, pronto... venho trazer o primeiro capítulo reescrito. Acho que a minha escrita não mudou muito ou praticamente nada. Também nos primeiros capítulos vou fazer apenas umas ligeiras mudanças que acho que ficam melhores. Obrigada a todas... são muito queridas Embaracoso *tears*

Capítulo 1 Memórias de um passado



Os sinos tocavam para assinalar o início de uma nova manhã. Uma manhã radiante. O Sol brilhava imenso iluminando tudo o que conseguia alcançar. Um longo arco-íris percorria o céu, unindo a terra ao horizonte. Arya continuava deitada na cama, fingindo que dormia. Os seus olhos permaneciam fechados enquanto que os seus ouvidos despertos deliciavam-se com o canto matinal dos rouxinóis, que insistiam em ficar nos ramos mais altos dos pinheiros. Por entre a janela, os raios de luz espreitavam e repousavam no seu corpo esbelto e delgado. Sentia um calor ligeiro e questionava-se se estava a sonhar. Porquê sonhar? Porquê o sonho? Não queria fugir da realidade. Não. Não tinha que escapar de nada. Só queria lembrar-se. Lembrar de alguns pedaços perdidos. Recuperar esses fragmentos da sua memória. Cada vez que dormia, via a imagem de alguém. Alguém a chamar por si com todas as forças.

Decidiu levantar-se. A manhã já começara. Esboçou um pequeno sorriso. O seu primeiro sorriso do dia. Tentava não tropeçar na sua túnica branca e sentou-se frente a um grande espelho. Penteava os seus cabelos compridos, lisos e loiros como longos fios de linho que se deixavam cair sobre os ombros e pelas costas. Penteava devagarinho à medida que pensava naquele dia. O dia do seu casamento.

O sorriso prevalecia embora sentisse receio. Sabia que ia ser feliz mas tinha medo. Dirigiu-se à janela, espreitando o pequeno movimento que havia, sentindo uma brisa leve a tocar-lhe na face. Tinha vinte anos. Perguntava a si mesma se estaria na idade certa para casar. Mas também não fora uma escolha sua. Fora tudo planeado pelo Deus Supremo. - Lust...

Arya pertencia à ordem dos anjos puros. O seu sangue era da ordem dos que governavam a Linha Celestial. O seu poder não podia ser igualado aos dos simples semi-anjos. Mas por isso, não era livre. Não tinha a liberdade que sempre desejara ter. Voltou a sentar-se à frente do seu reflexo. As suas mãos tocavam novamente nos cabelos mas a sua atenção estava focada num pequeno lenço com apenas uma pétala. Um lenço simples, pouco elaborado e já muito usado. Era de algodão e já perdera toda a sua brancura.

Arya adorava-o e trazia-o sempre consigo. Mas nunca sabia de quem era. Não foi ela que o fizera. Nem sabia quem era o seu verdadeiro dono. Aliás, não lembrava. A ideia de perder aquele pequeno acessório era terrível. Havia qualquer coisa naquele lenço que a fazia preocupar e reconfortar ao mesmo tempo. A saudade e o desconforto que provocava era inexplicável. No entanto, os seus olhos continuavam postos no item.

O som de batimentos na madeira acordou-a daquele misto de sentimentos. - Menina Arya, tem que ir para o Ritual da Purificação. Está quase na hora e ainda não se preparou.

- Já vou Arisu. - Dizia Arya num tom de voz baixo, fingindo acordar naquele momento.

- Despache-se menina. O general Césio já me perguntou por si. - E foi-se embora.

-“O general Césio” - pensava ela. - “O general Césio. O general Césio”. - Estas palavras não paravam de ecoar na sua mente. Porquê ele? Fechou a mão com força. Ia casar com Césio. Hoje. Não o odiava. Nem sequer tinha pensado nisso. Estava-lhe grata. Mas não o amava. Não sabia amá-lo. Não podia amá-lo. Bem no fundo, tinha receio em amá-lo. Se não fosse pelo Deus Supremo. Arya levantou-se brutalmente, deixando a cadeira cair, não sentido pena desta.

Outro batimento na sua porta chamou a sua atenção novamente. - Menina Arya! Menina Arya! Acho que já a tinha dito para se preparar.

Arya respondeu-lhe, abrindo a porta. - Já vou Arisu. Não te preocupes. Não tenho intenções de chegar atrasada ao meu próprio casamento. - “A minha gaiola.”

Arisu, uma mulher dos seus cinquenta anos, com os cabelos curtos e em diferentes tonalidades do cinzento que combinavam com os seus olhos castanhos semi-cerrados, estava muito mais nervosa e inquieta do que Arya. Apenas tinha algumas rugas na sua testa e a pele era lisa e clara. Deveria ter sido uma mulher muito bonita na sua juventude. Cuidara de Arya desde os seus cinco anos. Era como uma irmã mais velha, daquelas que guardam os mais íntimos segredos e que participam na mesma mentira para que a mana mais nova não seja descoberta.

Vamos lá menina Arya! Eu acompanho-a à Floresta Iluminada.

Arya olhou directamente para Arisu. Pensou que seria uma boa ideia ir acompanhada por ela, mas recusou a oferta. - Não é preciso. Eu vou sozinha. Eu já ultrapassei aquilo.

- Mas menina Arya...

Arya segurou a mão da sua ama e beijou-a. - Não te preocupes. Vai correr tudo bem. Vais ver. Vai correr tudo bem.

Um fio de lágrimas caiu sobre a face de Arisu. Abraçou Arya com força. Era um pouco mais baixa, mas não muito. Ainda não queria que Arya ia se casar e sair desse seu ninho. Olhou para ela mais uma vez e apercebeu-se que já não era uma criança que estava à sua frente, mas sim uma mulher. Pode-se certamente dizer que o tempo voou.

Arya retribuiu aquele gesto e saiu de casa. Montou o seu cavalo castanho com crina branca como a neve e cavalgou rapidamente para a Floresta Iluminada, ouvindo apenas o som do vento, cada vez mais forte, cada vez mais puro, cada vez mais intenso.

As árvores da Floresta Iluminada pareciam nunca envelhecer ou que nunca conheceram os primeiros estágios da sua vida. Era como se fossem colocadas ali, por meio de uma força superior. As folhas, largas e robustas, em diferentes tons esverdeados, recheavam de vida aqueles ramos finos presos ao tronco principal que embalavam ao som do vento em plena harmonia. O Lago de Cristal era o único sítio onde o Sol não reinava. Perpetuava por aqueles lados a sombra. Uma sombra assustadora para muitos mas Arya considerava relaxante. Estendeu os braços para o lado e rodopiou como uma criança a brincar.

Um sorriso inocente formou-se nos seus lábios. Era um momento tão feliz que merecia ser guardado. Mas o tempo não jogava a seu favor e deixou aquele rosto de felicidade mergulhar nas profundezas da sua mente. Despiu lentamente a sua túnica. Tremeu ligeiramente devido ao frio que sentia e entrou na água gelada que parecia aquecer a cada segundo. Nadou de uma ponta à outra mergulhando algumas vezes. O seu corpo agradecia e ela sentiu-se mais leve. Talvez tinha lavado os seus pecados, as suas preocupações e tudo que era sujo em si. Deixou-se flutuar com os braços estendidos, nua, e os seus cabelos dourados a repousar sobre o seu peito. Olhou para o céu azul. Estava exactamente no meio do lago. Fazia-lhe lembrar dos eventos há um ano atrás.


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#677
“O lago onde Arya flutuava sobre revelava um azul forte, mas a água era límpida e fresca. Ela era mais nova e os cabelos não tinham o mesmo comprimento mas permaneciam com um mesmo loiro e com a mesma textura, fazendo lembrar pequenos fios de linho. Estava a repousar na água, a pensar no que era ser um anjo puro. O que era um anjo de linhagem real? Era ter mais poder? Seria ser uma borboleta aprisionada numa gaiola? Seria algo escrito pelo destino? Eram perguntas que invadiam a sua mente inocente.

De longe ouvia-se pequenos passos e uma pequena agitação nos ramos mais fracos. Arya ignorou-os. - Deve ser o vento a querer brincar.- Começou a cantar uma melodia doce, baixinho, acompanhada pelos pequenos rouxinóis. Os passos tornavam-se cada vez mais nítidos. Olhou para trás e não viu nada. - Que estranho, acho que ouvi alguém... - Ignorou novamente e, embora continuara a cantar, o seu coração estava cada vez mais inquieto. O tempo passava mas a sombra que perpetuava por ali era sempre a mesma. Não desaparecia. Não mudava.

Tentou rodopiar dentro de água mas acabou por desistir. A força aprisionada nas pequenas ondas que se formavam dificultavam muito o movimento. Olhou novamente à sua volta. Continuava a ver a mesma paisagem vazia. Bem sabia que não devia ter escapado do cuidado de Arisu mas a curiosidade tomara posse da sua consciência. Uma forte rajada de vento levou algumas folhas semi-secas mal coladas aos ramos mais altos das árvores que a rodeava para o lago. Arya virou-se rapidamente ao ouvir uns passos mas tranquilizou quando um gordo esquilo apareceu nos meio das árvores. Respirou fundo e voltou a olhar para a frente, mexendo as mãos debaixo de água.
- Olá!

Arya olhou para o homem que estava à sua frente. Era bastante novo mas todo o seu cabelo era cinzento. Os seus olhos vermelhos vivos sobressaíam. Eram assustadores como... como se desejassem por sangue. Sorria. Mas era um sorriso malicioso que a inquietava.

- Quem és? Porque olhas assim para mim? - Ele não respondeu. Apenas o seu olhar intenso continuava focado no seu corpo esbelto e elegante.

Arya saiu da água em direcção oposta àquele sinistro homem. Não teve tempo para vestir a sua túnica quando sentiu a respiração de alguém no seu pescoço.

- Linda donzela, estás sozinha? - Ele era bastante alto, o que provocava uma sombra maior que o seu próprio corpo. - Que doce aroma!

- O quê? - Arya virou-se e reparou nos dentes pontiagudos e afiados- Afasta-te de mim!

- Estás com medo? - O homem agarrou-lhe pelos pulsos e deitou-a ao chão. A relva picava-lhe as costas e os seus cabelos loiros molhados estendiam-se no solo em forma de círculo. Arya tentou resistir mas em vão. Ele era claramente mais forte e exercia bastante força nos seus pulsos. Soltou um grito de dor.

- Não resistas linda donzela. - Aproximou-se de Arya. Foi aí que ela notou uma pequena marca que tinha abaixo da orelha. Parecia uma cicatriz de uma queimadura. Estava em forma de uma estrela atravessada por uma cruz e ficava cada vez mais escura até se tornar totalmente visível.

- Vampiro... - Todo o seu corpo tremia e não conseguia parar.

O vampiro afastou-se novamente enquanto a segurava pelos pulsos. - Eh? Então descobriste... - Soltou uma gargalhada. - Sabes o que os vampiros querem, não sabes? Sangue... sangue de um anjo puro. O sangue de uma virgem nunca tocada. Sabes o quão bom é beber o sangue de um anjo como tu? Nunca provaste, pois não? É doce, é saboroso, é vida! Agora... não tenhas medo... eu vou ter cuidado. Isto não vai doer. - Aproximou-se do pescoço de Arya e lambeu-o.

- Pára... pára por favor. - Ela não podia mexer. Estava ali, deitada e impotente. Sentiu a língua do vampiro na sua pele e depois os dentes a entrar devagarinho, rasgando-lhe por dentro. A dor era imensa e não conseguiu suprimir os gritos. O vampiro ria. O sangue quente dela, quase a ferver preenchia-lhe a boca e os gritos excitavam-o. Gritou por socorro várias vezes até sentir todo o seu corpo paralisado. Parecia que algum veneno percorria sem parar por todo o seu sangue.

Um gemido de prazer saiu do vampiro. - Finalmente... - Continuava a segurá-la e a rir-se. Arya fechou os olhos, sem poder ripostar, totalmente à mercê daquela criatura que não parava de saciar a sua sede. Abriu-os novamente quando o vampiro retirou os seus dentes, deixando uma ferida que derramava sangue. Ele levantou-se e Arya reparou na espada que atravessava o peito daquele monstro. Era brilhante como prata e estava manchada de vermelho.

O vampiro caiu para o lado com a mão no coração por onde a espada furara. - Senhor... - E morreu ali. Arya observou horrorizada aquele cadáver e lágrimas veio aos seus olhos. - NÃO!!! - Ouvia novamente passos, cada vez mais nítidos e cada vez mais próximos. Mas desta vez de um rapaz com capa branca e comprida e a bainha de uma espada preso no cinto.

Aproximou-se dela, devagarinho para lhe mostrar que não lhe queria mal. Não conseguiu deixar de corar ao reparar na silhueta perfeita de Arya. Ajoelhou-se e tocou com os seus dedos na ferida. O sangue que marcava a ferida era quente e Arya estremeceu. - Desculpa, não era minha intenção magoar-te. - e abraçou-a muito de leve como se fosse um pedaço de cristal que se partia com o mais pequeno choque.

Arya empurrou-o para longe com a pouca força que recuperara. - Não... não me toques. - Aconchegou-se, tentando ao máximo tapar o seu corpo. Não sentia frio nem dor. As lágrimas caíam naturalmente e não sentia pena do vampiro. Não sentia ódio, nem pena. Apenas não sentia.

- Deixa-me ao menos ajudar-te. Por favor. - E aproximou-se ainda mais devagarinho do que antes. Tocou-lhe muito de leve nos ombros como o toque de uma pena. Arya olhou para ele. Os seus cabelos castanhos-amêndoa coincidiam com os seus olhos castanhos-avelã e a sua pele branca. Não havia dúvidas que era um anjo. Um anjo puro como ela.

Os seus dedos desceram à ferida e substituiu-os pelos seus lábios.

- O que... o que é que estás a fazer?! - À medida que falava, a pele do seu pescoço reconstituía-se e fechavam o corte.

- Está tudo bem agora. Ele não voltará. - Levantou-se e foi buscar a sua espada. Arya tocou levemente no seu pescoço e já não sentia a ferida. Vestiu rapidamente a sua túnica enquanto o estranho arrumava a espada, que agora estava manchada de preto, dentro da bainha. Voltou para o pé dela com um ar calmo e doce e com as faces rosadas. - Chamo-me Césio. Sou o general dos guardas Imperiais do Deus Supremo.

Arya hesitou antes de responder. - Arya. Sou da ordem dos anjos puros.

- Não devias estar sozinha por aqui. Pode ser perigoso.

- Ob... obrigada por me teres salvo.

Césio agarrou na mão dela. - Anda comigo para o Palácio Imperial. Depois do que aconteceu não sou capaz de te deixar sozinha. Por favor?

Arya não sabia o que responder. Ir ou não ir? Ficar ou deixar-se levar?
- Arya... - O seu nome soava tão doce nos lábios de Césio. - Pelo menos só para mudar essa túnica e limpares-te. - Um par de asas creme e longas surgiram nas suas costas. Eram tão radiantes quanto um lírio acabado de desabrochar. Abraçou-a, segurando-a bem forte para que não caísse enquanto voavam.

Chegaram ao Palácio Imperial rapidamente e Césio ordenou imediatamente que auxiliassem Arya em tudo o que fosse necessário. Levaram-na a mudar de túnica enquanto os seus olhos permaneciam num misto de receio e vazio. A ferida sarara mas uma cicatriz ficara no seu lugar. Uma cicatriz que não mentia. Era bem visível a marca de dois caninos um ao lado do outro. Sentiu os seus cabelos a serem penteados delicadamente. Fechou os olhos e deixou-se levar pelo movimento descendente do pente que percorrida cada fio como se fossem fios de linho.

Pouco tempo depois entrara no quarto um homem que fez sinal para que todos saíssem silenciosamente. Arya não notou a sua presença nem mesmo quando ele pegara no pente e continuava a tocar no seu cabelo.

- Arya... - Sussurrou-lhe ao ouvido - … não, Ariadna...

Arya abriu os olhos assustada. - Ariadna... Ariadna... Ariadna....

- Pára.

Ariadna... - As suas largaram o pente e tocava no pescoço, nos ombros, com movimentos lentos e suaves como se fossem pequenas carícias.

Arya levantou-se, empurrando a mão que ansiava pelo seu corpo.

- Ariadna... ou queres que te trate por Arya? Ariadna ou Arya? Qual é que preferes? - A voz rouca e grave ressoava na mente dela, cada vez mais alto.

- Pára...

- Porquê? Agora que encontrei-te novamente quero voltar a dizer o teu nome. Mas qual? Arya? Ou Ariadna? - E o homem alto insistia na pergunta. Trazia consigo uma espada com o símbolo de uma orquídea cravado na bainha. Era loiro. Um loiro quase branco. As pequenas rugas debaixo dos olhos davam-lhe um ar mais velho, mesmo quando os seus olhos negros tentavam disfarçar isso.

- O que é que queres? - O olhar de medo mas também repugnância preenchia-os.

- Ai Ariadna, temos todo o tempo do mundo. Todo o tempo para contares porque é que fizeste aquilo. - E aproximava cada vez mais dela. Arya também recuava.

- Calma... não irei fazer-te mal nem obrigar-te a nada. - A atmosfera estava cada vez mais pesada. Os sons dos passos ecoavam a cada segundo. Arya sentiu a parede fria e áspera nas suas costas quando apercebeu-se que não conseguia mesmo fugir.

- Depois deste tempo todo continuas igual Lust. O que é que queres de mim?

- Ariadna, Ariadna, o jogo é simples... - Arya interrompeu-o com um grito que soou ainda mais alto a poucos centímetros da face dele. - O QUE QUERES?

Lust agarrou-lhe nos ombros e empurrou-a com força para a parede atrás de si. Arya soltou outro grito. Um grito de dor. Ele ria maliciosamente, deliciando-se com cada instante. - Queres tanto proteger a tua identidade... mas quem és? Diz-me quem és. Arya ou Ariadna?

Arya levantara do chão, presa entre o corpo dele e o obstáculo duro que lhe lembrava que não havia saída. - Porquê Lust? O que queres?

As pontas dos dedos tocavam na zona do pescoço de Arya que há pouco fora mordida. - O que posso eu querer? Sou o Deus supremo, não há nada que não posso ter. Até tu minha querida Ariadna.

Arya virou-lhe a cara, receosa daquele Deus e daquele olhar que feria como uma lâmina afiada. - Casa com o Césio. Casa com ele. Quero que ele sinta nas mãos o sangue mais puro. - E beijou-lhe a cicatriz.

Arya empurrou-lhe com todas as suas forças. - Achas que vou casar com o Césio só porque a tua vontade assim o quer? Achas que quero ficar ao pé de ti?

- Ai, ai, Arya, acho que não entendeste bem as minhas palavras... - Agarrou-lhe o pescoço com força e apertava-o. Os pés dela não tocavam no chão. - … vou dizer-te mais uma vez: não há nada que eu não possa ter. - E atirou-a para o chão gelado como se de um trapo tratasse.

Afastou-se de Arya e dirigiu-lhe um sorriso falso antes de sair. - Depois informo-te quando tudo estiver preparado. Adeus, minha deusa.

Arya deitou-se na cama e olhava para o tecto claro mas sem vida e qualquer sentimento. - Maldito! - Adormeceu pouco tempo depois.

Quando acordou, um pequeno copo de água repousava na cadeira ao lado da cama e Césio estava sentado ao seu lado. A sua mão percorria o cabelo, cada fio entre os dedos. O seu toque era tão diferente do de Lust. Tão calmo, tão sereno, tão reconfortante que magoava. - Falei com o meu pai. Ele disse-me que tinhas concordado no casamento entre eu e tu... - A voz trémula e insegura dele cessou quando Arya segurou-lhe a mão com força.

- O que é que achas? Que sou digna do próximo Deus que irá possuir toda a Linha Celestial?
Césio passava agora a mão na face dela. - Arya... eu quero casar-me contigo... eu quero proteger-te... - A sua mão tocava na cicatriz.

- Ensina-me a amar Césio. - Pedia Arya e Césio corou. Os pequenos movimentos com os dedos como carícias pousaram nos lábios finos dela e beijou-a.”

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Desculpa pela configuração do texto. Já não uso Windows por isso não posso fazer o truque do bloco de notas... Matreiro
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Gostas de anjos? E de vampiros tambem? ----> Nas asas de um anjo
#678
As mudanças que fizeste foram bem feitas... embora ache que tira um bocado o dramatismo ao taque feito à Arya.. por outro lado realça mais fortemente a maldade de Lust.... espero por mais..

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