[Terminada] As rosas De Roquette
Olá Ana! 
Eu também não recebo avisos quando são postados capítulos, por isso vou passando por aqui, daí só ter visto hoje o capítulo novo.
Quando acabei de ler, na verdade fiquei sem saber o que dizer, por isso acho que smileys explicam melhor o que pensei na altura.
A verdade é que tu nunca decepcionas, e os teus capítulos são sempre um prazer enorme ler. Concordo contigo, quando dizes achar que está muito bom.
Estou ansiosa para saber que alterações andas a fazer na Guardiã dos Sonhos, vou adorar reler tudo.
Bem tenho de dizer que fiquei bastante feliz por traíres a tua ideia anti-romance!
Honestamente (e sim, eu sei que podes matá-los a qualquer altura, mas pronto uma pessoa pode sempre tentar,
), espero que haja muitos momentos assim para Claire e Raphael no futuro, depois de toda a batalha terminar.
Em relação ao teu resumo, acho que está bastante bom, alguém que não tivesse lido os capítulos anteriores já teria uma boa ideia para começar a partir daqui, penso que focaste os aspectos essenciais.
Gostei bastante do início, permitiu situar-nos sobre o que aconteceu durante a ausência de Claire e Raphael.
A Melanie continua a mostrar a boa amiga que é para Claire.
Acho que não tenho palavras para descrever como estava ansiosa pelo momento da chegada do Raphael! Foi fantástico ver toda aquela gente incrédula.
" E agora vejamos que acto mais significativo que temos aqui. Este aperto de mão, feito por um príncipe e um plebeu, significa muito mais do que união de duas classes sociais. O topo da hierarquia e a sua base. Significava também maturidade. Para conhecermos o verdadeiro carácter de um homem, vejamos como ele trata os seus inferiores."
"E depois, sem qualquer aviso, algo feito por instinto, pegou na mão de Melanie e beijou o seu dorso. A mão estava um pouco suja, para alguém do facto de Melanie possuir a cor da pele dos escravos. Príncipe de maior casta real nunca ousaria beijar tal menina. Mas ele apertara a mão do homem mais sábio que ele conhecia. Agora beijava a mão de uma grande amiga."
Adorei estes parágrafos. O Raphael está mesmo diferente, tenho a certeza que agora será um grande rei. A Claire é cheia de sorte...
Depois da chegada de Raphael, o melhor momento foi mesmo o reencontro entre os irmãos. que emocionante, amei, amei! Não vou selecionar nenhuma parte porque francamente adorei tudo!
Foi bastante giro ver os manos a praticar, e o Raphael não perdeu o jeito. Espero que não aconteça nada ao Michel, achei-o mesmo boa pessoa, hum, será que ainda vai haver algo entre ele e a Melanie.
(já sei, Bun pára com essas ideias...
)
Valha-nos a Melanie que está sempre a abrir os olhos a Claire.
Foi linda a conversa entre Bruno e Raphael sobre a Claire, se tudo correr bem (que muito depende da nossa querida escritora
), de certeza que Bruno não se vai opor à relação entre Claire e Raphael.
Uau, as entradas da Melanie e da Claire deixaram toda a gente boquiaberta, lool! Elas estavam mesmo lindas. E o Raphael todo embaraçado por ser apanhado especado a olhar a Claire, que cute!
"O amanhã traria muitas surpresas mas, no caso de Claire, traria o seu futuro. Quando a alvorada rompesse, Claire não seria nunca mais ela mesma. Pertenceria a Rose ou a um dos irmãos. De certa forma, aquela era a sua última noite de liberdade. "
Sempre achei a Claire forte, mas nos últimos capítulos tem ficado subentendido que não é esse o caso, que ela é o elo mais fraco. Mas não concordo que ela simplesmente ceda aos Fados, ou será de Bruno, ou da irmã, na melhor das hipóteses de Raphael. Isto não está certo, ela é que decide o seu futuro, não uma batalha. Ela tem de enfrentar a irmã de uma vez por todas, e parar de seguir os outros, ouvir ela mesma, aconteça o que acontecer.
E agora um dos momentos que eu mais adorei do capítulo, a dança dos dois! Foi absolutamente fantástico! Que doce o beijo que ele lhe deu, e toda a gente incrédula outra vez, lol.
Céus sacrificar-se para a deixar livre, ele ama-a e não é pouco.
Gostei imenso da atitude da Claire, pelo menos por aquela noite não ter medo de ser ela própria.
Agora a cena do quarto, oh my god, oh my god, romântica, sensual, perfeita!
"Agora, era só esperar pelo amanhã."
E eu estou mesmo muito curiosa para saber o que o dia seguinte trará a estes dois.
Fiquei com a sensação que poderia ter comentado melhor, mas quando se gosta de tudo, que mais há a dizer...
Beijinhos*

Eu também não recebo avisos quando são postados capítulos, por isso vou passando por aqui, daí só ter visto hoje o capítulo novo.
Quando acabei de ler, na verdade fiquei sem saber o que dizer, por isso acho que smileys explicam melhor o que pensei na altura.
A verdade é que tu nunca decepcionas, e os teus capítulos são sempre um prazer enorme ler. Concordo contigo, quando dizes achar que está muito bom.
Estou ansiosa para saber que alterações andas a fazer na Guardiã dos Sonhos, vou adorar reler tudo.
Bem tenho de dizer que fiquei bastante feliz por traíres a tua ideia anti-romance!
Honestamente (e sim, eu sei que podes matá-los a qualquer altura, mas pronto uma pessoa pode sempre tentar,
), espero que haja muitos momentos assim para Claire e Raphael no futuro, depois de toda a batalha terminar.
Em relação ao teu resumo, acho que está bastante bom, alguém que não tivesse lido os capítulos anteriores já teria uma boa ideia para começar a partir daqui, penso que focaste os aspectos essenciais.
Gostei bastante do início, permitiu situar-nos sobre o que aconteceu durante a ausência de Claire e Raphael.
A Melanie continua a mostrar a boa amiga que é para Claire.

Acho que não tenho palavras para descrever como estava ansiosa pelo momento da chegada do Raphael! Foi fantástico ver toda aquela gente incrédula.
" E agora vejamos que acto mais significativo que temos aqui. Este aperto de mão, feito por um príncipe e um plebeu, significa muito mais do que união de duas classes sociais. O topo da hierarquia e a sua base. Significava também maturidade. Para conhecermos o verdadeiro carácter de um homem, vejamos como ele trata os seus inferiores."
"E depois, sem qualquer aviso, algo feito por instinto, pegou na mão de Melanie e beijou o seu dorso. A mão estava um pouco suja, para alguém do facto de Melanie possuir a cor da pele dos escravos. Príncipe de maior casta real nunca ousaria beijar tal menina. Mas ele apertara a mão do homem mais sábio que ele conhecia. Agora beijava a mão de uma grande amiga."
Adorei estes parágrafos. O Raphael está mesmo diferente, tenho a certeza que agora será um grande rei. A Claire é cheia de sorte...
Depois da chegada de Raphael, o melhor momento foi mesmo o reencontro entre os irmãos. que emocionante, amei, amei! Não vou selecionar nenhuma parte porque francamente adorei tudo!
Foi bastante giro ver os manos a praticar, e o Raphael não perdeu o jeito. Espero que não aconteça nada ao Michel, achei-o mesmo boa pessoa, hum, será que ainda vai haver algo entre ele e a Melanie.
(já sei, Bun pára com essas ideias...
)Valha-nos a Melanie que está sempre a abrir os olhos a Claire.
Foi linda a conversa entre Bruno e Raphael sobre a Claire, se tudo correr bem (que muito depende da nossa querida escritora
), de certeza que Bruno não se vai opor à relação entre Claire e Raphael. Uau, as entradas da Melanie e da Claire deixaram toda a gente boquiaberta, lool! Elas estavam mesmo lindas. E o Raphael todo embaraçado por ser apanhado especado a olhar a Claire, que cute!
"O amanhã traria muitas surpresas mas, no caso de Claire, traria o seu futuro. Quando a alvorada rompesse, Claire não seria nunca mais ela mesma. Pertenceria a Rose ou a um dos irmãos. De certa forma, aquela era a sua última noite de liberdade. "
Sempre achei a Claire forte, mas nos últimos capítulos tem ficado subentendido que não é esse o caso, que ela é o elo mais fraco. Mas não concordo que ela simplesmente ceda aos Fados, ou será de Bruno, ou da irmã, na melhor das hipóteses de Raphael. Isto não está certo, ela é que decide o seu futuro, não uma batalha. Ela tem de enfrentar a irmã de uma vez por todas, e parar de seguir os outros, ouvir ela mesma, aconteça o que acontecer.
E agora um dos momentos que eu mais adorei do capítulo, a dança dos dois! Foi absolutamente fantástico! Que doce o beijo que ele lhe deu, e toda a gente incrédula outra vez, lol.
Céus sacrificar-se para a deixar livre, ele ama-a e não é pouco.
Gostei imenso da atitude da Claire, pelo menos por aquela noite não ter medo de ser ela própria.
Agora a cena do quarto, oh my god, oh my god, romântica, sensual, perfeita!
"Agora, era só esperar pelo amanhã."
E eu estou mesmo muito curiosa para saber o que o dia seguinte trará a estes dois.
Fiquei com a sensação que poderia ter comentado melhor, mas quando se gosta de tudo, que mais há a dizer...
Beijinhos*
"As mãos esguias de Raphael percorreram o tecido do vestido escarlate até alcançar os cordões do espartilho. Desapertou-os."
Esta foi a melhor palavra que escreveste em toda a tua vida! (pronto, talvez não seja totalmente verdade, mas...!
)
Pronto, vou começar de novo!
Oh my fucking God!!!!
Andava a ler este capitulo às prestações, já me estava a passar! Havia sempre algo ou alguém a interromper-me!
' Mas finalmente, na madrugada de quarta-feira que vim da discoteca mais cedo porque estou completamente rouca e lixada, consegui acabar de ler este capitulo, que mais parece uma odisseia de tão grande que foi! 
O que dizer? Mandava-te para aquele sitio se não achasses este capítulo bom!
Quer dizer, ele teve de tudo! Alegria, tristeza, drama e, para minha felicidade, romance!
Começando pelo princípio, já não sabia como me sentar de tão curiosa que estava com a recepção a Raphael! Não sabia se havia de esperar uma briga épica entre Irmãos, pela disputa de Claire, ou se, como aconteceu, um abraço de saudade! E digo-te, nem o Bruno, nem o Raphael me decepcionaram. E mais, o Raphael é um Homem de H grande. Um homem sério e apaixonado! Sério pelo facto de se ter tornado tão maduro e por respeitar os seus inferiores como Kedar e especialmente Melanie, que aos olhos dos outros não é nada mais que uma escrava. O cumprimento dele significou muito, podes ter a certeza. E para além de ter adorado ler a cena entre os irmãos e a revelação de toda a verdade, adorei ainda mais o facto de Raphael ainda dominar a espada como o bom guerreiro que foi antes de se transformar em urso! E não pude ficar indiferente ao Michel e o seu à vontade com o Rei, que chocou tudo e todos ao, mais uma vez, não tratar o rapaz como um simples soldado, e olhá-lo com admiração pela vida dele.
Outra cena, que no meu ponto de vista foi muito bonita e agradável de se ver: a cena do banho de Claire. O facto de Melanie a ajudar só mostra que ela, para além de aia, é também a amiga incondicional e conselheira. Prova disso são todas as palavras que ela disse a Claire e, como não podia deixar de ser, Claire não deixa a sua bondade de lado e ainda deixa a amiga tomar um banho merecido. E, aiii! Vestido vermelho versus vestido branco! Já se sabia que alguma da pureza se ia à vida!
O jantar! Ai, o Jantar! <3 Achei tão lindo imaginar a Claire a entrar deslumbrante na sala e mesmo assim não se exibir e levar aquilo com naturalidade! Ainda por cima, o Raphael teve de engolir as palavras que disse ao irmão! E, auch, momento mais fofo do jantar: a dança e o beijo!
Owh! Gostei tanto, mas ainda amei muito mais a cena seguinte e a forma como a descreveste! Juro-te fi perfeita. Não teve informação nem de mais nem de menos! Foi lindo! 
Depois disto só me resta pedir desculpa por comentar tão tarde, mas a minha gripe não melhorou, tanto que vou ter de ficar esta semana toda em casa em vez de ir para a faculdade!
‘
Agora, cheira-me que estamos na recta final, e estou ansiosa por saber como decorrerá o dia de “amanhã”. Quem vencerá? Não consigo mesmo palpitar pois ambas as opções fazem sentido, então, aguardo ansiosamente por novo capítulo!
Bjinho!
Esta foi a melhor palavra que escreveste em toda a tua vida! (pronto, talvez não seja totalmente verdade, mas...!
)Pronto, vou começar de novo!
Oh my fucking God!!!!
Andava a ler este capitulo às prestações, já me estava a passar! Havia sempre algo ou alguém a interromper-me!
' Mas finalmente, na madrugada de quarta-feira que vim da discoteca mais cedo porque estou completamente rouca e lixada, consegui acabar de ler este capitulo, que mais parece uma odisseia de tão grande que foi! 
O que dizer? Mandava-te para aquele sitio se não achasses este capítulo bom!
Quer dizer, ele teve de tudo! Alegria, tristeza, drama e, para minha felicidade, romance!
Começando pelo princípio, já não sabia como me sentar de tão curiosa que estava com a recepção a Raphael! Não sabia se havia de esperar uma briga épica entre Irmãos, pela disputa de Claire, ou se, como aconteceu, um abraço de saudade! E digo-te, nem o Bruno, nem o Raphael me decepcionaram. E mais, o Raphael é um Homem de H grande. Um homem sério e apaixonado! Sério pelo facto de se ter tornado tão maduro e por respeitar os seus inferiores como Kedar e especialmente Melanie, que aos olhos dos outros não é nada mais que uma escrava. O cumprimento dele significou muito, podes ter a certeza. E para além de ter adorado ler a cena entre os irmãos e a revelação de toda a verdade, adorei ainda mais o facto de Raphael ainda dominar a espada como o bom guerreiro que foi antes de se transformar em urso! E não pude ficar indiferente ao Michel e o seu à vontade com o Rei, que chocou tudo e todos ao, mais uma vez, não tratar o rapaz como um simples soldado, e olhá-lo com admiração pela vida dele.
Outra cena, que no meu ponto de vista foi muito bonita e agradável de se ver: a cena do banho de Claire. O facto de Melanie a ajudar só mostra que ela, para além de aia, é também a amiga incondicional e conselheira. Prova disso são todas as palavras que ela disse a Claire e, como não podia deixar de ser, Claire não deixa a sua bondade de lado e ainda deixa a amiga tomar um banho merecido. E, aiii! Vestido vermelho versus vestido branco! Já se sabia que alguma da pureza se ia à vida!

O jantar! Ai, o Jantar! <3 Achei tão lindo imaginar a Claire a entrar deslumbrante na sala e mesmo assim não se exibir e levar aquilo com naturalidade! Ainda por cima, o Raphael teve de engolir as palavras que disse ao irmão! E, auch, momento mais fofo do jantar: a dança e o beijo!
Owh! Gostei tanto, mas ainda amei muito mais a cena seguinte e a forma como a descreveste! Juro-te fi perfeita. Não teve informação nem de mais nem de menos! Foi lindo! 
Depois disto só me resta pedir desculpa por comentar tão tarde, mas a minha gripe não melhorou, tanto que vou ter de ficar esta semana toda em casa em vez de ir para a faculdade!
‘Agora, cheira-me que estamos na recta final, e estou ansiosa por saber como decorrerá o dia de “amanhã”. Quem vencerá? Não consigo mesmo palpitar pois ambas as opções fazem sentido, então, aguardo ansiosamente por novo capítulo!

Bjinho!
as minhas fic's:
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
-Angelical
Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
-Angelical
Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^
Ah meninas, eu sabia que iriam gostar da última parte
Adorei ler os vossos comentários. Até reli umas duas vezes só para ter a certeza que entendi tudinho e que nada me tinha escapado. Vá se lá saber, vocês diziam uma coisa e eu interpretava outra
Raphael é das minhas personagens favoritas desta história, daí que o favoreça em comparação aos outros. Li num livro (não digo qual) que a fila para o Céu é mais curta para os redimidos do que para os não-pecadores. Não sou religiosa, mas vi sentido nesta frase. Li o livro há pouco tempo, mas lembrei-me logo de meia-dúzia de personagens dos livros que eu li ao longo dos anos e que passaram por caminhos assim. Desde pecadores até redimidos. Tive assim umas luzinhas para escrever as atitudes de Raphael neste capítulo.
Melanie foi complicada em escrever. Quando reli o capítulo, fiquei um pouco incerta acerca dela. Não queria deixar a sensação que a vida de Melanie centrava-se apenas em Claire (o que, de certa forma, até é verdade). Daí a cena do banho, do beijo na mão, a festa... quis dar um destaque diferente a Melanie, colocá-la noutra posição que não apenas a serva/amiga fiel de Claire. Fiquei satisfeita com o resultado, ao pôr-la como grande amiga de Raphael e também com uma certa ligação a Michel.
Michel aparecerá no próximo capítulo, isso é certo. Agora, se algo de mal lhe irá acontecer...
Poderia até dizer o que me inspirou as atitudes de cada personagem, tais como a reacção de Bruno, mas vou abstecer-me, caso contrário nunca mais saio daqui. Digo apenas que a Bun disse muitas verdades acerca do comportamento de Claire. Aquilo que escrevi é verdade, mas isso não retira senso ao que a Bun disse.
E agora digo, antes de terminar, obrigada pelos gigantes comentários. Fico sempre muito contente em lê-los
Em seguida, parto para umas noticias mázinhas... o próximo vai demorar.... e não é pouco.
Ora vejamos(lá estou eu com as minhas desculpas
) Eu sei o que quero que se trate no "dia de amanhã" mas isso é apenas o esqueleto de um capítulo. Falta muita descrição na minha cabeça e preciso de organizar ideias. Para além do mais, estou confusa. Tenho uma ideia de como acabar o próximo capítulo e acho que está perfeito em função ao que originalmente pensava. Mas o final está mau. Digo isto porque procuro o final perfeito e tem sido difícil. Um dia penso num final fantástico, noutro acho-o muito chocho. Preciso de pensar melhor e seleccionar ideias. A pior parte de escrever sobre o final é mesmo por causa do romance. Como trai a minha ideia principal da história, não posso colocar o capítulo originalmente pensado. E como eu sou uma romântica, está-me a custar escolher o chamado "final perfeito". Mas não vou desistir. Raios, quero ter esta história pronta antes da Pascoa, de preferência!
Ainda assim, não desanimem. Há-de demorar, mas prometo que, no final, valerá a pena.
Adorei ler os vossos comentários. Até reli umas duas vezes só para ter a certeza que entendi tudinho e que nada me tinha escapado. Vá se lá saber, vocês diziam uma coisa e eu interpretava outra

Raphael é das minhas personagens favoritas desta história, daí que o favoreça em comparação aos outros. Li num livro (não digo qual) que a fila para o Céu é mais curta para os redimidos do que para os não-pecadores. Não sou religiosa, mas vi sentido nesta frase. Li o livro há pouco tempo, mas lembrei-me logo de meia-dúzia de personagens dos livros que eu li ao longo dos anos e que passaram por caminhos assim. Desde pecadores até redimidos. Tive assim umas luzinhas para escrever as atitudes de Raphael neste capítulo.
Melanie foi complicada em escrever. Quando reli o capítulo, fiquei um pouco incerta acerca dela. Não queria deixar a sensação que a vida de Melanie centrava-se apenas em Claire (o que, de certa forma, até é verdade). Daí a cena do banho, do beijo na mão, a festa... quis dar um destaque diferente a Melanie, colocá-la noutra posição que não apenas a serva/amiga fiel de Claire. Fiquei satisfeita com o resultado, ao pôr-la como grande amiga de Raphael e também com uma certa ligação a Michel.
Michel aparecerá no próximo capítulo, isso é certo. Agora, se algo de mal lhe irá acontecer...
Poderia até dizer o que me inspirou as atitudes de cada personagem, tais como a reacção de Bruno, mas vou abstecer-me, caso contrário nunca mais saio daqui. Digo apenas que a Bun disse muitas verdades acerca do comportamento de Claire. Aquilo que escrevi é verdade, mas isso não retira senso ao que a Bun disse.
E agora digo, antes de terminar, obrigada pelos gigantes comentários. Fico sempre muito contente em lê-los
Em seguida, parto para umas noticias mázinhas... o próximo vai demorar.... e não é pouco. Ora vejamos
)
Ainda assim, não desanimem. Há-de demorar, mas prometo que, no final, valerá a pena.

Espero por ti em cada segundo , porque tu és o meu mundo!

Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
Visitem a minha 1ª Fic ----->The Four elements

Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
Visitem a minha 1ª Fic ----->The Four elements
Oh Ana!!!!!!
Dá sinais de vida mulher! Sumiste daqui e eu já estou a sentir falta desta fanfic!
Quando há novo capitulo? Precisas de incentivo? Dou-te uma pasta de milka por cada palavrinha que escreveres! (Suborno? Talvez....
)
Se não postares o desenlace da fic fico mui zangada! >.<
Vá, começa a mexer os dedinhos e a escrever!
A leitora numero 1 vai voltar (Sim, sou a numero 1
) e vai trazer armamentos para o caso de não haver novo capitulo...
Conta comigo....
Dá sinais de vida mulher! Sumiste daqui e eu já estou a sentir falta desta fanfic!
Quando há novo capitulo? Precisas de incentivo? Dou-te uma pasta de milka por cada palavrinha que escreveres! (Suborno? Talvez....
)
Se não postares o desenlace da fic fico mui zangada! >.<Vá, começa a mexer os dedinhos e a escrever!
A leitora numero 1 vai voltar (Sim, sou a numero 1
) e vai trazer armamentos para o caso de não haver novo capitulo...
Conta comigo....
as minhas fic's:
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
-Angelical
Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
-Angelical
Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^
Ah... Olá?
Sei que tenho estado um pouco- ou talvez muito - ausente. Tenho ido ao tópico do Concurso de História, mas nada mais. O motivo é simples. Esqueci-me desta história.
Os contos com o qual participo no concurso são muito curtos, escrevo-os em 15min. Esta fanfic é bem mais complexa. Com sorte fim-de-semana posto novo capítulo, se não, ainda têm que esperar um pouco mais. Sei que disse que queria acabar isto antes da Páscoa e da Queima. Bem, esses dias já passaram e o capítulo final ainda não está escrito. Tenho preguiça e falta-me vontade. Não é falta de imaginação, porque sei perfeitamente o que escrever.
Enfim, peço desculpas por não dar noticias. Vou tentar acabá-lo o mais depressa possível. Se até domingo não tiver o capítulo pronto, posto a metade que já tenho feita. >F
Sei que tenho estado um pouco
Os contos com o qual participo no concurso são muito curtos, escrevo-os em 15min. Esta fanfic é bem mais complexa. Com sorte fim-de-semana posto novo capítulo, se não, ainda têm que esperar um pouco mais. Sei que disse que queria acabar isto antes da Páscoa e da Queima. Bem, esses dias já passaram e o capítulo final ainda não está escrito. Tenho preguiça e falta-me vontade. Não é falta de imaginação, porque sei perfeitamente o que escrever. Enfim, peço desculpas por não dar noticias. Vou tentar acabá-lo o mais depressa possível. Se até domingo não tiver o capítulo pronto, posto a metade que já tenho feita. >F
Espero por ti em cada segundo , porque tu és o meu mundo!

Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
Visitem a minha 1ª Fic ----->The Four elements

Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
Visitem a minha 1ª Fic ----->The Four elements
E aqui está como prometido. Não era suposto dividir, mas acabou por ficar muito grande e eu ainda não acabei de o escrever por completo, para maldição minha e também não queria que esperasse mais do que já esperaram. (Se bem que o aviso da Lulu ajudou-me nesta decisão
)
VIDEO: A Branca de Neve e a Rosa Vermelha
Esta foi a versão em que me baseei ao criar este conto. Tenho a cassete em PT e adorava ver isto quando era menina e ler a história no meu livro de contos. Está BEM diferente da minha, mas podem ver que fui buscar uns certos detalhes aí. É a única versão animada existente e adaptada para ecrã não faço ideia, mas se há outra é bem pouco popular.
Espero que gostem =)
P.S ignorem o titulo, inventei-o há uns minutos.
P.S.2 desculpem algum erro, mas estava com pressa e acabei por não corrigir
-----------------------------------------------------------
A promessa de um sacrifício
Era impossível acordar com o sol. Este nunca conseguia penetrar a terra escura que envolvia as paredes das Tocas. O que até era bom, fora a escuridão que provocava. Raphael acostumara-se a acordar com os raios de sol durante os anos que vivera no relento das Terras Altas, mas a vida nas Tocas sempre lhe confundia a cabeça. Durante dias dormia sempre mais do que devia porque o seu corpo entrava num falso estado de alerta para hibernação. Após habituar-se ao regime e às horas de escuridão dentro das Tocas, conseguiu realizar a proeza de se levantar quando o sol nascia, mesmo que não o conseguisse ver.
E naquele dia era a mesma coisa. O quarto besuntava de diversos cheiros, sendo o cheiro a mofo e o corporal o mais notável. As mantas que o cobriam estavam quentes, assim como ele.
Não se queria levantar, mas esforçou-se. Alguns ossos estalaram quando ele se espreguiçara e só depois de esfregar os olhos distraidamente é que se deu ao trabalho de se erguer do pedaço de palha coberto por mantas, ao qual chamava cama, e vestir-se. Nem uma só vez olhou para a outra forma que dormia na cama pacificamente. Já vestido, olhou para a porta. Bruno não viera para o quarto na noite anterior. Provavelmente passara a noite com uma moça da festa.
Inspirou o ar, sentindo-o pesado mas estranhamente confortável. Um leve suspiro vindo detrás de si trouxe-o de volta à realidade. À mais dura, mas serena realidade.
Claire dormia pacificamente, os seus cabelos negros espalhados pela cama improvisada, dominando-a completamente. Inconscientemente, o braço esquerdo dela procurara Raphael. Não o encontrando, Claire virou-se para o centro da cama, o seu nariz fitando o teto. Raphael não conseguiu deixar de sorrir ao ver mais bela miragem. Era capaz de ficar o dia todo a beber a aquela belíssima visão. Aproximou-se da esposa e beijou-a suavemente nos lábios. Os lábios vermelhos de Claire esboçaram um sorriso ao sentir o toque de Raphael e ele teve de controlar a sua louca vontade de acordar Claire e voltar a beijá-la, desta vez com os olhos dela bem abertos e focados nos seus. Mas não o fez. Invés disso, limitou-se a admirar o sorriso transparente dela, cheio de contentamento e satisfação. E teve que segurar o seu ego de inchar ao chegar à conclusão que fora ele que provocara aquele sorriso.
Tão bela, tão proibida. Seria tão errado da parte dele amá-la tanto que morreria por ela? Seria errado ele querer pôr fim à sua vida só para a libertar?
Bem, de acordo com Claire, ela não o queria. Claire deixara bem claro na noite anterior que queria ser a esposa dele. Dissera que o amava e para Raphael essas palavras eram o objetivo de uma vida, ainda que lhe tivesse demorado quase trinta e três anos para o descobrir.
Não querendo prolongar mais aquela reflexão, temendo que ela acordasse e que o levasse a mudar de ideias, Raphael saiu do quarto sem olhar para trás, deixando no ar uma promessa de retorno.
Na cama, a jovem sorriu, um traço misterioso do amor que a levara a ouvir a promessa silenciosa de Raphael. A sua mão apertou a manta onde o corpo dele estivera deitado e o seu sorriso aumentou, confiante de que a promessa seria cumprida e que ele voltaria são e salvo.
Todavia, Claire iria descobrir mais tarde que a promessa de Raphael requeria sacrifícios. Sacrifícios que ela não quereria suportar.
Mas que os Fados assim o queriam.
Raphael olhou em redor. Não conseguia ver Bruno. Os homens começavam a juntar-se e alguns já estavam no exterior, camuflados para a ocasião. A neve já derretera e o sol amainava o frio permanente das Terras Altas. Raphael colocou a sua armadura, um olho no pedaço de metal que o iria proteger, o outro na sala, procurando duas especificas pessoas. Kedar dava conselhos a uns homens mas, acima de tudo, votos de vitória e segurança. Ainda que nem todos acreditassem nas palavras do velho ancião, o desespero por otimismo era tal que, naquele momento, até o mais céptico agradecia a Kedar pela atenção.
Raphael ajustou a armadura aos ombros e pegou numa espada feita à sua medida. A lamina de metal estava quase tão afiada quanto o punhal de Claire, mas o seu peso prometia melhor eficiência a cortar ossos e carne do que a arma diariamente usada pela jovem. E agora que Raphael pensava nisso, nunca perguntara a Claire porque é que ela ficara com o punhal da irmã. O mesmo punhal que ela usara para atacar um salteador, o mesmo punhal que a irmã usara para mutilar o outro, para não falar das barbas dos duendes. Aquele punhal banhado a bronze e prata parecia amaldiçoado. Todavia, Claire andava sempre com ele.
Mais homens saíram, enquanto outros faziam as suas despedidas com irmãos, pais, avós ou até mesmo mulheres. A maioria das despedidas, principalmente das crianças, ocorrera na noite anterior mas muitos queriam avistar o seu ente querido antes de este partir, provavelmente para sua derradeira morte. Viu Michel no meio deles e, sem esperar por outro folego, correu para junto dele.
-Michel? – Chamou o jovem, atraindo a sua atenção. Michel parecia confuso e pequeno no meio dos outros homens, ainda que fosse bastante alto. O seu nervosismo atacava pelas suas mãos, que tremiam como varas ao sabor do vento noturno. Mas o brilho dos olhos castanhos do rapaz é que deu a entender a Raphael o quão estupido ele era em desperdiçar uma oportunidade em ficar com aquela que ele amava, enquanto Michel não podia escapar, sendo obrigado a deixar as suas irmãs e enfrentar o seu fado. Porém, a sua instintiva decisão começava agora a ganhar forma e razão. Raphael tivera diversos motivos para lutar, a sua morte como principal motivo. Mas a sua técnica de combate deixara-o a pensar. E agora chegara a uma conclusão. – Quero-te perto de mim, entendido? Nunca deixes o meu lado, não importa as ordens de outrem.
Michel assentiu e Raphael conseguiu ver o alívio nos olhos do rapaz. Era sempre mais fácil lutar uma batalha com alguém a proteger-nos as costas e o favor sendo retribuído.
Um dos homens deu o sinal. Estava na hora de partir. Raphael suspirou e não conseguiu deixar de sentir pena do jovem à sua frente, que mal sabia o que o futuro lhe traria. Bem, nem ele sabia, mas tinha consciência do que poderia acontecer. Era realista.
-Esperem! – Soou uma voz em pleno murmúrio. Raphael apenas ouvira a voz porque lhe era muito familiar.
Melanie parecia mais velha do que os seus dezanove anos. As roupas pareciam decompostas, mas Raphael não podia ter a certeza pois ela cobrira-se com uma manta. Os seus olhos brilhavam intensamente e as mãos dela entrelaçavam-se entre si involuntariamente, enquanto a rapariga se tentava recompor e dizer as palavras mais dolorosas alguma vez ditas pelo Homem.
Primeiramente, aproximou-se de Raphael, envolvendo-o num abraço apertado e sussurrando palavras confortadoras. O calor do corpo da jovem fez Raphael lembrar-se do que ele próprio estava a abandonar. Mas os seus pensamentos só começaram a torturá-lo verdadeiramente quando Melanie abraçou Michel.
Durante todo o tempo nas Tocas, havia-se focado em Claire e Bruno, mas pouca atenção dera a Melanie. Verdade que ela era sua amiga, mas raramente tinha-a em atenção quando Claire não estava presente. Reparara que Melanie afastava todos os homens que lhe queriam fazer a corte, mas nunca soubera porquê. E, a julgar pela reação de Melanie ao seu redor, ela também não devia fazer a mínima ideia. Pelo menos, até à noite passada. Algo deve ter acontecido. O abraço de Melanie e de Michel expressava muito mais do que um simples gesto de afeto. Talvez fosse devido ao tempo de cólera em que viviam. Talvez fosse uma simples brincadeira dos Fados. Fosse como fosse, Raphael sentiu-se um idiota por se martirizar no que tocava ao seu amor por Claire quando a pior tragédia acontecia mesmo em frente aos seus olhos. Ignorar o amor pela guerra. Melanie nunca pensara em mais nada a não ser Claire e Michel tinha as suas irmãs. E julgar que ele se considerava um padecedor por não poder ficar com a mulher que ele amava. Nada se comparava com a angústia que era passar parte da vida apaixonado pela mesma mulher, a ansiar pelo seu toque e pelo sabor dos seus lábios para logo ignorar esses mesmos sentimentos pois estavam em tempos perigosos para o amor e muitas outras pessoas dependiam deles e dos seus compromissos. E via-se a tragédia.
Não ficara surpreendido quando Michel afastou-se de Melanie para lhe pousar um simples e leve beijo nos lábios dela. Mas o beijo depressa evoluiu e de repente, Raphael via-se numa sala sozinho com um casal de apaixonados beijando-se pela última vez.
E ele dava por si a pensar no que seria ele beijar Claire mais uma vez. Não sabia como aqueles dois aguentavam. Ele não aguentava sequer o pensamento de partir e dizer-lhe as tão temidas palavras.
Adeus
Melanie proferiu-as em voz alta, sobressaltando Raphael. Ele não aguentaria aquela dor. E Michel também parecia estar prestes a quebrar. Mas o jovem, por meio de artes quase mágicas, conseguira adquirir um semblante firme e seguro. Aproximou os lábios do ouvido de Melanie e sussurrou-lhe algumas palavras. Quando terminou, deslizou os lábios pelo rosto dela, beijando cada lágrima que caía no seu belo rosto cor de chocolate. Raphael soube que ele não dissera adeus. Por muito forte que ele fosse, também não o conseguia dizer. Quem conseguiria…?
Era talvez a pior tragédia descobrir o amor de uma vida… quando se estava tão próximo da morte. Raphael não culparia Michel se este chorasse em pleno campo de batalha, consciente que tinha tanto pelo qual voltar mas pouca experiência e talvez sorte para tal. Mas o jovem era muito mais forte do que os outros supunham, incluindo Raphael. Com o rosto firme como rocha, beijou a testa de Melanie e, acenando a Raphael com a cabeça, dirigiu-se para o exterior. Melanie continuou a chorar suavemente, ignorando a presença do outro homem na sala. De repente, virou as costas não antes sem dizer algo muito fora do contexto. Palavras que gelaram as entranhas de Raphael, pois a voz com que Melanie falara não parecia a sua. Como se estivesse em transe ou enfiada no fundo de um poço.
Protege-a com a tua vida.
Aquelas palavras já haviam-lhe passado pela cabeça desde que acordara. Mas o seu instinto dizia-lhe outra coisa.
Quando estava prestes a juntar-se aos outros, surgiu Bruno, o rosto sombrio e tristonho. Ao lançar um olhar misterioso ao irmão, acenou e saiu.
Tudo parecia de pernas para o ar. Talvez porque, pela primeira vez, estavam prestes a mudar os seus dias. Com sorte, jantariam dentro de telhados ao chegar do verão. Com sorte…
Suspirando, Raphael enfrentou o ar da madrugada e juntou-se aos outros homens. Um segundo e último olhar na Toca fez despertar alguns sentidos de alerta.
Por algum motivo estranho, os seus instintos diziam que as palavras de Melanie não tinham nada a ver com a sua promessa.
Os homens caminharam em silêncio, uns perdidos em pensamentos, outros admirando o céu que raramente viam nos dias de hoje. Bruno encontrava-se à frente, realizando as duas proezas ao mesmo tempo. Raphael e Michel caminhavam a seu lado. O último fez então uma pergunta:
-Quando iremos nos dispersar? – Murmurou, a sua voz sendo dos poucos sons que se podiam ouvir. Falava da estratégia.
Ainda que simples, a estratégia de combate era extremamente complicada considerando que não houvera qualquer tipo de treino por parte dos homens. Sabiam manear armas e luta a corpo. Mas agruparem-se em posição já não era tão fácil. Tudo dependia de um bom líder e de muita sorte. Aos olhos de muitos homens, os príncipes das Terras Baixas eram os líderes. Mas em plena batalha, todos sabiam que teriam que contar com Raphael para liderar as suas vidas. O homem provara no dia anterior que os doze anos como urso não o amansaram, nem tampouco o enferrujaram dos seus dotes de batalha.
Raphael não respondeu à pergunta, virando-se para o irmão. Este fitou o horizonte.
-Quando começarmos a ver o castelo da Rainha Negra ao longe.
-Bruno! – Chamou o irmão. – Qual de nós irá lá?
E todos os que ouviram sabiam a que lá ele se referia. Era talvez a única parte da estratégia que todos pensaram, refletiram, mas nunca concluíram nada em voz alta. Todos temiam ir ao castelo e enfrentar Rose, Scarlett, a Rainha Negra, não importava o nome. Todos temiam, porque era ela que fazia as criaturas. Era ela que puxava os cordelitos daquela peça de teatro, onde ela era a líder, o Deus supremo. Raphael e Bruno eram os menos ingénuos de todos. Sabiam que não teriam hipóteses contra Rose. Considerando que, à idade de doze conseguira transformar Raphael num urso com pouco esforço, porque não haveriam de a temer agora?
Mas alguém teria que ir ao castelo. Alguém teria que a derrotar. E, nessa altura, todos pensavam apenas num único nome. A única pessoa capaz de matar Rose De Roquette e de trazer paz às duas Terras.
Claire
Bruno engoliu em seco. O ar começava a gelar. Assim como o medo começava a surgir.
-Iremos nós. – Disse, olhando o irmão nos olhos. – Fomos os únicos que a conhecemos em tempos. Ela deixou-me viver.
-E a mim num urso. – Apontou Raphael.
-Podia ter-te morto. – Disse Bruno, os olhos arregalados por causa do vento. – Mas não o fez. Ainda há alguma humanidade nela.
-Duvido que a demonstre quando nos voltar a ver. Ela sempre detestou a nossa família.
-E com os seus devidos motivos. – Acrescentou Bruno, com um sorriso malvado. Raphael semicerrou os olhos. Não sabia do que Bruno estava a falar. Mas também era de lembrar que, enquanto Raphael sabia o que tinha acontecido a Melanie e Claire desde que ele se transformara em urso, a vida de Bruno era-lhe plenamente desconhecida. Raphael sempre achara estranho Bruno ter-se permanecido vivo após tanto tempo, enquanto todos os nobres padeciam em torno deles. Claire era uma exceção, mas todos os outros, fora Bruno, haviam morrido.
O rosto do irmão dizia-lhe que ele não iria revelar detalhes e, naquele momento, Raphael também não queria saber.
Ao longe, via-se o castelo da Rainha Negra.
Claire De Roquette acordou sobressaltada, sem saber onde estava e o que estava a acontecer. Demorou um pouco a aperceber-se de que estava no antigo quarto de Bruno e que estava nua, uma simples manta tapando a sua forma mais intima. Ao lembrar-se da noite anterior, as suas bochechas enrubesceram e o seu braço procurou a figura que dormira ao seu lado. Mas Raphael não estava lá. As mantas já estavam frias. Ele partira há algum tempo.
Nervosa, vestiu-se rapidamente e saiu do quarto em busca de Melanie. Sabia agora que confusão era aquela que a tinha acordado. As mulheres preparavam-se para ajudar os homens no túnel. Era difícil chegar aonde quer que fosse considerando que o espaço era pouco e os pés eram muitos e a duplicar a cada minuto que passava. Claire correu o máximo que pôde até ver a forma de Melanie de costas para ela. Estava de mãos dadas com as duas irmãs de Michel e Claire, sem hesitar, agarrou a mão da mais nova, deixando Melanie e a mais velha seguirem o túnel sem dizer palavra. As Tocas possuíam vários corredores, mas foram preparados para a batalha quartos especiais onde as crianças e os inválidos iriam ficar. Após as meninas estarem seguras, Melanie e Claire trocaram um olhar. Estavam no corredor central das Tocas. Para a esquerda, encontrava-se a clareira do carvalho velho e uma porta que escondia algo medonho e que, ao mesmo tempo, protegia aquela entrada de invasores. Do outro, encontrava-se um túnel feito à medida para transportar os feridos e ajudar os homens nas batalhas.
Claire não pôde deixar de notar, com uma certa amargura, que nenhum dos lados lhe trazia grande segurança.
De certa forma, não podiam escapar ao que vinha a seguir.
Bruno pegou num pequeno recipiente de metal e bebeu o seu conteúdo, passando-a de seguida a Raphael. Este colocou o gargalo na boca e inclinou a garrafa mas assim que sentiu o líquido ardente na garganta, teve que se controlar para não se engasgar, acabando por engolir com alguma dificuldade e cuspir umas gotas para o chão.
-Onde arranjaste isto? – Perguntou a Bruno, dando um segundo gole, já mais habituado a aquele sabor semelhante a fogo liquido.
-Guardei sempre comigo. Há coisas que as Tocas não nos podem presentear. Daí que eu me tenha dado ao trabalho de trazer o máximo comigo do meu castelo.
Raphael assentiu e fitou o horizonte. Havia algo sinistro na paisagem. Os campos estavam negros, como se um grande incendio se tivesse desencadeado ali e único vestígio de natureza que se podia ver eram pedaços de raiz queimada. Grande parte do céu era tapada com a visão de um enorme castelo, pertencente a uma grande família da nobreza das Terras Altas. Ainda que o castelo tinha o aspeto de outro qualquer, Raphael não pôde deixar de sentir a sensação de que aquele era muito mais assustador. Provavelmente porque ele saiba que perigos ele escondia por entre as suas duras paredes que protegiam o castelo de invasores. Seriam aquelas paredes um obstáculo para a missão que tinham? Naquele momento, Raphael pensava em mil e um outros perigos que eram bem mais importantes do que umas paredes. Mas nunca a sua arrogância o incomodara em batalha. Sabia que, lá por uma feiticeira se esconder naquele castelo, não podia subestimar aquilo que o homem comum construíra com o seu trabalho forçado e a esperteza que o distinguia do comum animal.
Atrás de si, Bruno discutia as táticas, ordenando meia dúzia de homens a separarem-se por equipas, com eles a chefiarem e cercarem o castelo. Bruno dizia também para esperarem o sinal antes de atacarem. A questão era, quando?
Raphael inspirou fundo, sentindo um estranho cheiro no ar. Tinha um mau pressentimento. Algo lhe dizia que Rose sabia dos planos deles. E, se assim fosse, tudo o que os salvaria era o instinto e pura sorte. Não sabia se aquela batalha duraria um dia, ou uma hora. Fosse como fosse, a definição de tempo perder-se-ia assim que Bruno desse o sinal.
Virou-se para trás, os seus olhos procurando uma figura magra. Viu-a seguindo um grupo de homens que iria proteger a zona nordeste do castelo. Ignorando os protestos do irmão, correu atrás deles.
-Michel! – Chamou o mais baixo que pôde. Os homens pararam, muitos olhando em redor. Michel surgiu por entre eles, um pouco atrapalhado.
Raphael estabeleceu contacto visual com o rapaz, como que obrigando-o a prestar a máxima atenção possível às suas palavras. Os outros homens esperavam ansiosamente.
-Lembra-te do que te disse na Toca. Quero-te ao meu lado. Os outros podem já ir para as vossas posições. Lembrem-se do que falamos. – Os homens não esperaram que ele repetisse uma segunda vez. Assentiram em acordo e seguiram o seu caminho tão cautelosos que mal se ouviam os seus passos no solo infértil. À medida que se afastavam, o cheiro que Raphael sentira há pouco ganhou contornos. As suas pernas tremeram um pouco ao pensar que ele era igual a aqueles homens e que o futuro incerto que os esperava imanava o pior cheiro no ar, terrível para eles e um afrodisíaco para o inimigo.
O cheiro a medo.
Rosas, rosas, rosas, tudo o que ela via eram rosas. Não apenas por estar na gruta foragida, mirando distraidamente a roseira que a sua mãe plantara, sentada no chão frio. Aquela flor tinha demasiado significado para algum dia ela as apreciar. Pelo menos apreciá-las como todos os outros. A roseira estava muito próxima do seu quarto e fora mantida por desejos de sua mãe. Claire jurara a si própria que iria queimar a roseira depois de Hélene morrer. Mas já se haviam passado meses desde a morte da sua mãe e a roseira ainda estava ali. Tão branca, tão inocente. Claire nunca vira uma coisa tão pura em toda a sua vida. Todos têm a sua própria opinião, mas a ideia geral é que jamais encontrarás nada puro no teu reflexo do espelho. Porque quem mira essa imagem simétrica se si, sabe o quando essa pode ser falsa. De quanta pureza poderá realmente existir.
Quem acreditaria que uma rapariga de dezassete, prestes a fazer dezoito, seria tão pura quando uma rosa branca? Quem acreditaria que ela, que via demónios a dormir e monstros ao acordar, pudesse ser a rapariga com a alma mais pura de todas? Tantas bestas, tantas mortes vira e ainda acreditam os ingénuos de que ela era um anjo. O quão enganados estavam.
Talvez a definição de pureza fosse mais subjetiva do que ela pensava. Talvez a palavra pura fosse omnipotente e algo de se idolatrar. Que a pureza se visse no corpo, enquanto outros buscavam a alma. Claire conhecera muitas pessoas em toda a sua curta vida e todas elas chamaram-na de pura. Mas o significado era sempre diferente. Muitos chamavam-na de pura por nenhum homem lhe ter tomado o corpo (pelo menos até à noite anterior) e por ser um amor de pessoa. Porém, ela já ouvira a ideia correta. Claro que a modéstia arruinava um pouco o cenário de ideias que tentamos construir. Nunca acreditará na ideia correta porque pensará sempre ser inferior a isso. Em termos mais práticos, Claire era uma heroína que não se achava pura, ao contrário do que todos lhe diziam.
Mas ela o era. Ela já ouvira. A verdadeira pureza de uma pessoa não está exatamente ligada à sua inocência corporal e espiritual. Está ligada à força da alma.
A alma humana pode ser testada com os piores desastres da temida caixa de Pandora, mas é a sua força de os ultrapassar e ainda assim ver o bem no próximo que a tornavam pura. Após tantos anos de um inferno interno e de pesadelos guardados para si, Claire era uma mente afetada mas cuja força a permitia continuar, a ser boa para os demais, a ver o branco naquele quadro tão negro. A ser o elo mais forte.
Ao olhar aquelas rosas, Claire amaldiçoava a ideia geral de pureza. Não porque era a errada, mas porque a levava sempre aos piores pensamentos. De certa forma, a sua mente pensava em rosas de cada vez que alguém a chama de pura. Ou até mesmo de salvadora.
Pensava rosas. Via rosas.
Sabia perfeitamente como tratar delas. Sabia todos os significados das rosas, anotados até à altura pelos escribas. Não entendia a magia que provinha das roseiras, pois estas floresciam consoante a vida de Claire. Tão brancas e brilhantes como a alma dela, enquanto a roseira de Rose há muito que apodrecera.
Era demasiado fraca para se ver livre delas. A sua força não se estendia a esses limites. Mas manteria a roseira longe de si, para que não a pudesse ver nem cheirar. Era algo que a enfraquecia.
Mas não naquele dia. O amanhã era hoje e Claire tinha algo porque lutar. Muito mais do que a vida de muitos, algo por ela. A sua liberdade e o seu amor. Não era o elo mais fraco. Comparando os termos a um tabuleiro de xadrez, não era a Rainha – a peça mais forte – mas sim um mísero peão. Todavia, um peão pode matar o Rei, pode alcançar o maior estatuto no tabuleiro.
Pode virar Rainha.
E Claire até tinha uma ideia de como o fazer.
Ao erguer-se, fitou a roseira por uma última vez, ansiosa mas também determinada. Aquela roseira era a sua perdição. Aos olhos dela, o branco que pintava as pétalas daquelas rosa era sujo e demoníaco. Era demasiado fraca para se livrar delas. Mas não era fraca para admitir que detestava rosas e que, se dependesse dela, todas as roseiras das Terras Altas e Baixas seriam queimadas em plena luz do dia. Mas as rosas eram também aquilo que a ligavam à sua família. Talvez por isso não destruíra a roseira. Talvez por isso nunca a iria destruir, alimentando raízes com espinhos de ódio que se camuflavam numa belíssima flor cuja aparência enganava todos aqueles que a viam. Todos, menos aquela que via por dentro da sua beleza. Claire tinha experiência de vida suficiente para entender a metáforas das rosas e olhá-la como mais ninguém o fazia. Só ela parecia saber o quanto malditas eram aquelas flores, uma espécie de mau-olhado a uma antes riquíssima e grande família como os De Roquette. Eram o bode expiratório de Claire, mas a razão não era cega neste caso. Nas Terras Altas, só as rosas De Roquette sobreviviam naquele tempo gelado. E, ainda naquelas condições extremas, nasciam mais belas do que qualquer outra flor nativa. Havia algo mágico naquela flor comum. Era como se os Fados tivessem elegido a rosa como um indício trágico da riqueza da mais nobre família das Terras Altas e da sua consequente natureza selvagem que traria a sua queda. O que fazia Claire detestar rosas ainda mais, ainda que nem desse a entender.
O que Claire não sabia era se esse ódio se estendia a uma outra rosa.
)VIDEO: A Branca de Neve e a Rosa Vermelha
Esta foi a versão em que me baseei ao criar este conto. Tenho a cassete em PT e adorava ver isto quando era menina e ler a história no meu livro de contos. Está BEM diferente da minha, mas podem ver que fui buscar uns certos detalhes aí. É a única versão animada existente e adaptada para ecrã não faço ideia, mas se há outra é bem pouco popular.
Espero que gostem =)
P.S ignorem o titulo, inventei-o há uns minutos.
P.S.2 desculpem algum erro, mas estava com pressa e acabei por não corrigir
-----------------------------------------------------------
A promessa de um sacrifício
Era impossível acordar com o sol. Este nunca conseguia penetrar a terra escura que envolvia as paredes das Tocas. O que até era bom, fora a escuridão que provocava. Raphael acostumara-se a acordar com os raios de sol durante os anos que vivera no relento das Terras Altas, mas a vida nas Tocas sempre lhe confundia a cabeça. Durante dias dormia sempre mais do que devia porque o seu corpo entrava num falso estado de alerta para hibernação. Após habituar-se ao regime e às horas de escuridão dentro das Tocas, conseguiu realizar a proeza de se levantar quando o sol nascia, mesmo que não o conseguisse ver.
E naquele dia era a mesma coisa. O quarto besuntava de diversos cheiros, sendo o cheiro a mofo e o corporal o mais notável. As mantas que o cobriam estavam quentes, assim como ele.
Não se queria levantar, mas esforçou-se. Alguns ossos estalaram quando ele se espreguiçara e só depois de esfregar os olhos distraidamente é que se deu ao trabalho de se erguer do pedaço de palha coberto por mantas, ao qual chamava cama, e vestir-se. Nem uma só vez olhou para a outra forma que dormia na cama pacificamente. Já vestido, olhou para a porta. Bruno não viera para o quarto na noite anterior. Provavelmente passara a noite com uma moça da festa.
Inspirou o ar, sentindo-o pesado mas estranhamente confortável. Um leve suspiro vindo detrás de si trouxe-o de volta à realidade. À mais dura, mas serena realidade.
Claire dormia pacificamente, os seus cabelos negros espalhados pela cama improvisada, dominando-a completamente. Inconscientemente, o braço esquerdo dela procurara Raphael. Não o encontrando, Claire virou-se para o centro da cama, o seu nariz fitando o teto. Raphael não conseguiu deixar de sorrir ao ver mais bela miragem. Era capaz de ficar o dia todo a beber a aquela belíssima visão. Aproximou-se da esposa e beijou-a suavemente nos lábios. Os lábios vermelhos de Claire esboçaram um sorriso ao sentir o toque de Raphael e ele teve de controlar a sua louca vontade de acordar Claire e voltar a beijá-la, desta vez com os olhos dela bem abertos e focados nos seus. Mas não o fez. Invés disso, limitou-se a admirar o sorriso transparente dela, cheio de contentamento e satisfação. E teve que segurar o seu ego de inchar ao chegar à conclusão que fora ele que provocara aquele sorriso.
Tão bela, tão proibida. Seria tão errado da parte dele amá-la tanto que morreria por ela? Seria errado ele querer pôr fim à sua vida só para a libertar?
Bem, de acordo com Claire, ela não o queria. Claire deixara bem claro na noite anterior que queria ser a esposa dele. Dissera que o amava e para Raphael essas palavras eram o objetivo de uma vida, ainda que lhe tivesse demorado quase trinta e três anos para o descobrir.
Não querendo prolongar mais aquela reflexão, temendo que ela acordasse e que o levasse a mudar de ideias, Raphael saiu do quarto sem olhar para trás, deixando no ar uma promessa de retorno.
Na cama, a jovem sorriu, um traço misterioso do amor que a levara a ouvir a promessa silenciosa de Raphael. A sua mão apertou a manta onde o corpo dele estivera deitado e o seu sorriso aumentou, confiante de que a promessa seria cumprida e que ele voltaria são e salvo.
Todavia, Claire iria descobrir mais tarde que a promessa de Raphael requeria sacrifícios. Sacrifícios que ela não quereria suportar.
Mas que os Fados assim o queriam.
Raphael olhou em redor. Não conseguia ver Bruno. Os homens começavam a juntar-se e alguns já estavam no exterior, camuflados para a ocasião. A neve já derretera e o sol amainava o frio permanente das Terras Altas. Raphael colocou a sua armadura, um olho no pedaço de metal que o iria proteger, o outro na sala, procurando duas especificas pessoas. Kedar dava conselhos a uns homens mas, acima de tudo, votos de vitória e segurança. Ainda que nem todos acreditassem nas palavras do velho ancião, o desespero por otimismo era tal que, naquele momento, até o mais céptico agradecia a Kedar pela atenção.
Raphael ajustou a armadura aos ombros e pegou numa espada feita à sua medida. A lamina de metal estava quase tão afiada quanto o punhal de Claire, mas o seu peso prometia melhor eficiência a cortar ossos e carne do que a arma diariamente usada pela jovem. E agora que Raphael pensava nisso, nunca perguntara a Claire porque é que ela ficara com o punhal da irmã. O mesmo punhal que ela usara para atacar um salteador, o mesmo punhal que a irmã usara para mutilar o outro, para não falar das barbas dos duendes. Aquele punhal banhado a bronze e prata parecia amaldiçoado. Todavia, Claire andava sempre com ele.
Mais homens saíram, enquanto outros faziam as suas despedidas com irmãos, pais, avós ou até mesmo mulheres. A maioria das despedidas, principalmente das crianças, ocorrera na noite anterior mas muitos queriam avistar o seu ente querido antes de este partir, provavelmente para sua derradeira morte. Viu Michel no meio deles e, sem esperar por outro folego, correu para junto dele.
-Michel? – Chamou o jovem, atraindo a sua atenção. Michel parecia confuso e pequeno no meio dos outros homens, ainda que fosse bastante alto. O seu nervosismo atacava pelas suas mãos, que tremiam como varas ao sabor do vento noturno. Mas o brilho dos olhos castanhos do rapaz é que deu a entender a Raphael o quão estupido ele era em desperdiçar uma oportunidade em ficar com aquela que ele amava, enquanto Michel não podia escapar, sendo obrigado a deixar as suas irmãs e enfrentar o seu fado. Porém, a sua instintiva decisão começava agora a ganhar forma e razão. Raphael tivera diversos motivos para lutar, a sua morte como principal motivo. Mas a sua técnica de combate deixara-o a pensar. E agora chegara a uma conclusão. – Quero-te perto de mim, entendido? Nunca deixes o meu lado, não importa as ordens de outrem.
Michel assentiu e Raphael conseguiu ver o alívio nos olhos do rapaz. Era sempre mais fácil lutar uma batalha com alguém a proteger-nos as costas e o favor sendo retribuído.
Um dos homens deu o sinal. Estava na hora de partir. Raphael suspirou e não conseguiu deixar de sentir pena do jovem à sua frente, que mal sabia o que o futuro lhe traria. Bem, nem ele sabia, mas tinha consciência do que poderia acontecer. Era realista.
-Esperem! – Soou uma voz em pleno murmúrio. Raphael apenas ouvira a voz porque lhe era muito familiar.
Melanie parecia mais velha do que os seus dezanove anos. As roupas pareciam decompostas, mas Raphael não podia ter a certeza pois ela cobrira-se com uma manta. Os seus olhos brilhavam intensamente e as mãos dela entrelaçavam-se entre si involuntariamente, enquanto a rapariga se tentava recompor e dizer as palavras mais dolorosas alguma vez ditas pelo Homem.
Primeiramente, aproximou-se de Raphael, envolvendo-o num abraço apertado e sussurrando palavras confortadoras. O calor do corpo da jovem fez Raphael lembrar-se do que ele próprio estava a abandonar. Mas os seus pensamentos só começaram a torturá-lo verdadeiramente quando Melanie abraçou Michel.
Durante todo o tempo nas Tocas, havia-se focado em Claire e Bruno, mas pouca atenção dera a Melanie. Verdade que ela era sua amiga, mas raramente tinha-a em atenção quando Claire não estava presente. Reparara que Melanie afastava todos os homens que lhe queriam fazer a corte, mas nunca soubera porquê. E, a julgar pela reação de Melanie ao seu redor, ela também não devia fazer a mínima ideia. Pelo menos, até à noite passada. Algo deve ter acontecido. O abraço de Melanie e de Michel expressava muito mais do que um simples gesto de afeto. Talvez fosse devido ao tempo de cólera em que viviam. Talvez fosse uma simples brincadeira dos Fados. Fosse como fosse, Raphael sentiu-se um idiota por se martirizar no que tocava ao seu amor por Claire quando a pior tragédia acontecia mesmo em frente aos seus olhos. Ignorar o amor pela guerra. Melanie nunca pensara em mais nada a não ser Claire e Michel tinha as suas irmãs. E julgar que ele se considerava um padecedor por não poder ficar com a mulher que ele amava. Nada se comparava com a angústia que era passar parte da vida apaixonado pela mesma mulher, a ansiar pelo seu toque e pelo sabor dos seus lábios para logo ignorar esses mesmos sentimentos pois estavam em tempos perigosos para o amor e muitas outras pessoas dependiam deles e dos seus compromissos. E via-se a tragédia.
Não ficara surpreendido quando Michel afastou-se de Melanie para lhe pousar um simples e leve beijo nos lábios dela. Mas o beijo depressa evoluiu e de repente, Raphael via-se numa sala sozinho com um casal de apaixonados beijando-se pela última vez.
E ele dava por si a pensar no que seria ele beijar Claire mais uma vez. Não sabia como aqueles dois aguentavam. Ele não aguentava sequer o pensamento de partir e dizer-lhe as tão temidas palavras.
Adeus
Melanie proferiu-as em voz alta, sobressaltando Raphael. Ele não aguentaria aquela dor. E Michel também parecia estar prestes a quebrar. Mas o jovem, por meio de artes quase mágicas, conseguira adquirir um semblante firme e seguro. Aproximou os lábios do ouvido de Melanie e sussurrou-lhe algumas palavras. Quando terminou, deslizou os lábios pelo rosto dela, beijando cada lágrima que caía no seu belo rosto cor de chocolate. Raphael soube que ele não dissera adeus. Por muito forte que ele fosse, também não o conseguia dizer. Quem conseguiria…?
Era talvez a pior tragédia descobrir o amor de uma vida… quando se estava tão próximo da morte. Raphael não culparia Michel se este chorasse em pleno campo de batalha, consciente que tinha tanto pelo qual voltar mas pouca experiência e talvez sorte para tal. Mas o jovem era muito mais forte do que os outros supunham, incluindo Raphael. Com o rosto firme como rocha, beijou a testa de Melanie e, acenando a Raphael com a cabeça, dirigiu-se para o exterior. Melanie continuou a chorar suavemente, ignorando a presença do outro homem na sala. De repente, virou as costas não antes sem dizer algo muito fora do contexto. Palavras que gelaram as entranhas de Raphael, pois a voz com que Melanie falara não parecia a sua. Como se estivesse em transe ou enfiada no fundo de um poço.
Protege-a com a tua vida.
Aquelas palavras já haviam-lhe passado pela cabeça desde que acordara. Mas o seu instinto dizia-lhe outra coisa.
Quando estava prestes a juntar-se aos outros, surgiu Bruno, o rosto sombrio e tristonho. Ao lançar um olhar misterioso ao irmão, acenou e saiu.
Tudo parecia de pernas para o ar. Talvez porque, pela primeira vez, estavam prestes a mudar os seus dias. Com sorte, jantariam dentro de telhados ao chegar do verão. Com sorte…
Suspirando, Raphael enfrentou o ar da madrugada e juntou-se aos outros homens. Um segundo e último olhar na Toca fez despertar alguns sentidos de alerta.
Por algum motivo estranho, os seus instintos diziam que as palavras de Melanie não tinham nada a ver com a sua promessa.
Os homens caminharam em silêncio, uns perdidos em pensamentos, outros admirando o céu que raramente viam nos dias de hoje. Bruno encontrava-se à frente, realizando as duas proezas ao mesmo tempo. Raphael e Michel caminhavam a seu lado. O último fez então uma pergunta:
-Quando iremos nos dispersar? – Murmurou, a sua voz sendo dos poucos sons que se podiam ouvir. Falava da estratégia.
Ainda que simples, a estratégia de combate era extremamente complicada considerando que não houvera qualquer tipo de treino por parte dos homens. Sabiam manear armas e luta a corpo. Mas agruparem-se em posição já não era tão fácil. Tudo dependia de um bom líder e de muita sorte. Aos olhos de muitos homens, os príncipes das Terras Baixas eram os líderes. Mas em plena batalha, todos sabiam que teriam que contar com Raphael para liderar as suas vidas. O homem provara no dia anterior que os doze anos como urso não o amansaram, nem tampouco o enferrujaram dos seus dotes de batalha.
Raphael não respondeu à pergunta, virando-se para o irmão. Este fitou o horizonte.
-Quando começarmos a ver o castelo da Rainha Negra ao longe.
-Bruno! – Chamou o irmão. – Qual de nós irá lá?
E todos os que ouviram sabiam a que lá ele se referia. Era talvez a única parte da estratégia que todos pensaram, refletiram, mas nunca concluíram nada em voz alta. Todos temiam ir ao castelo e enfrentar Rose, Scarlett, a Rainha Negra, não importava o nome. Todos temiam, porque era ela que fazia as criaturas. Era ela que puxava os cordelitos daquela peça de teatro, onde ela era a líder, o Deus supremo. Raphael e Bruno eram os menos ingénuos de todos. Sabiam que não teriam hipóteses contra Rose. Considerando que, à idade de doze conseguira transformar Raphael num urso com pouco esforço, porque não haveriam de a temer agora?
Mas alguém teria que ir ao castelo. Alguém teria que a derrotar. E, nessa altura, todos pensavam apenas num único nome. A única pessoa capaz de matar Rose De Roquette e de trazer paz às duas Terras.
Claire
Bruno engoliu em seco. O ar começava a gelar. Assim como o medo começava a surgir.
-Iremos nós. – Disse, olhando o irmão nos olhos. – Fomos os únicos que a conhecemos em tempos. Ela deixou-me viver.
-E a mim num urso. – Apontou Raphael.
-Podia ter-te morto. – Disse Bruno, os olhos arregalados por causa do vento. – Mas não o fez. Ainda há alguma humanidade nela.
-Duvido que a demonstre quando nos voltar a ver. Ela sempre detestou a nossa família.
-E com os seus devidos motivos. – Acrescentou Bruno, com um sorriso malvado. Raphael semicerrou os olhos. Não sabia do que Bruno estava a falar. Mas também era de lembrar que, enquanto Raphael sabia o que tinha acontecido a Melanie e Claire desde que ele se transformara em urso, a vida de Bruno era-lhe plenamente desconhecida. Raphael sempre achara estranho Bruno ter-se permanecido vivo após tanto tempo, enquanto todos os nobres padeciam em torno deles. Claire era uma exceção, mas todos os outros, fora Bruno, haviam morrido.
O rosto do irmão dizia-lhe que ele não iria revelar detalhes e, naquele momento, Raphael também não queria saber.
Ao longe, via-se o castelo da Rainha Negra.
Claire De Roquette acordou sobressaltada, sem saber onde estava e o que estava a acontecer. Demorou um pouco a aperceber-se de que estava no antigo quarto de Bruno e que estava nua, uma simples manta tapando a sua forma mais intima. Ao lembrar-se da noite anterior, as suas bochechas enrubesceram e o seu braço procurou a figura que dormira ao seu lado. Mas Raphael não estava lá. As mantas já estavam frias. Ele partira há algum tempo.
Nervosa, vestiu-se rapidamente e saiu do quarto em busca de Melanie. Sabia agora que confusão era aquela que a tinha acordado. As mulheres preparavam-se para ajudar os homens no túnel. Era difícil chegar aonde quer que fosse considerando que o espaço era pouco e os pés eram muitos e a duplicar a cada minuto que passava. Claire correu o máximo que pôde até ver a forma de Melanie de costas para ela. Estava de mãos dadas com as duas irmãs de Michel e Claire, sem hesitar, agarrou a mão da mais nova, deixando Melanie e a mais velha seguirem o túnel sem dizer palavra. As Tocas possuíam vários corredores, mas foram preparados para a batalha quartos especiais onde as crianças e os inválidos iriam ficar. Após as meninas estarem seguras, Melanie e Claire trocaram um olhar. Estavam no corredor central das Tocas. Para a esquerda, encontrava-se a clareira do carvalho velho e uma porta que escondia algo medonho e que, ao mesmo tempo, protegia aquela entrada de invasores. Do outro, encontrava-se um túnel feito à medida para transportar os feridos e ajudar os homens nas batalhas.
Claire não pôde deixar de notar, com uma certa amargura, que nenhum dos lados lhe trazia grande segurança.
De certa forma, não podiam escapar ao que vinha a seguir.
Bruno pegou num pequeno recipiente de metal e bebeu o seu conteúdo, passando-a de seguida a Raphael. Este colocou o gargalo na boca e inclinou a garrafa mas assim que sentiu o líquido ardente na garganta, teve que se controlar para não se engasgar, acabando por engolir com alguma dificuldade e cuspir umas gotas para o chão.
-Onde arranjaste isto? – Perguntou a Bruno, dando um segundo gole, já mais habituado a aquele sabor semelhante a fogo liquido.
-Guardei sempre comigo. Há coisas que as Tocas não nos podem presentear. Daí que eu me tenha dado ao trabalho de trazer o máximo comigo do meu castelo.
Raphael assentiu e fitou o horizonte. Havia algo sinistro na paisagem. Os campos estavam negros, como se um grande incendio se tivesse desencadeado ali e único vestígio de natureza que se podia ver eram pedaços de raiz queimada. Grande parte do céu era tapada com a visão de um enorme castelo, pertencente a uma grande família da nobreza das Terras Altas. Ainda que o castelo tinha o aspeto de outro qualquer, Raphael não pôde deixar de sentir a sensação de que aquele era muito mais assustador. Provavelmente porque ele saiba que perigos ele escondia por entre as suas duras paredes que protegiam o castelo de invasores. Seriam aquelas paredes um obstáculo para a missão que tinham? Naquele momento, Raphael pensava em mil e um outros perigos que eram bem mais importantes do que umas paredes. Mas nunca a sua arrogância o incomodara em batalha. Sabia que, lá por uma feiticeira se esconder naquele castelo, não podia subestimar aquilo que o homem comum construíra com o seu trabalho forçado e a esperteza que o distinguia do comum animal.
Atrás de si, Bruno discutia as táticas, ordenando meia dúzia de homens a separarem-se por equipas, com eles a chefiarem e cercarem o castelo. Bruno dizia também para esperarem o sinal antes de atacarem. A questão era, quando?
Raphael inspirou fundo, sentindo um estranho cheiro no ar. Tinha um mau pressentimento. Algo lhe dizia que Rose sabia dos planos deles. E, se assim fosse, tudo o que os salvaria era o instinto e pura sorte. Não sabia se aquela batalha duraria um dia, ou uma hora. Fosse como fosse, a definição de tempo perder-se-ia assim que Bruno desse o sinal.
Virou-se para trás, os seus olhos procurando uma figura magra. Viu-a seguindo um grupo de homens que iria proteger a zona nordeste do castelo. Ignorando os protestos do irmão, correu atrás deles.
-Michel! – Chamou o mais baixo que pôde. Os homens pararam, muitos olhando em redor. Michel surgiu por entre eles, um pouco atrapalhado.
Raphael estabeleceu contacto visual com o rapaz, como que obrigando-o a prestar a máxima atenção possível às suas palavras. Os outros homens esperavam ansiosamente.
-Lembra-te do que te disse na Toca. Quero-te ao meu lado. Os outros podem já ir para as vossas posições. Lembrem-se do que falamos. – Os homens não esperaram que ele repetisse uma segunda vez. Assentiram em acordo e seguiram o seu caminho tão cautelosos que mal se ouviam os seus passos no solo infértil. À medida que se afastavam, o cheiro que Raphael sentira há pouco ganhou contornos. As suas pernas tremeram um pouco ao pensar que ele era igual a aqueles homens e que o futuro incerto que os esperava imanava o pior cheiro no ar, terrível para eles e um afrodisíaco para o inimigo.
O cheiro a medo.
Rosas, rosas, rosas, tudo o que ela via eram rosas. Não apenas por estar na gruta foragida, mirando distraidamente a roseira que a sua mãe plantara, sentada no chão frio. Aquela flor tinha demasiado significado para algum dia ela as apreciar. Pelo menos apreciá-las como todos os outros. A roseira estava muito próxima do seu quarto e fora mantida por desejos de sua mãe. Claire jurara a si própria que iria queimar a roseira depois de Hélene morrer. Mas já se haviam passado meses desde a morte da sua mãe e a roseira ainda estava ali. Tão branca, tão inocente. Claire nunca vira uma coisa tão pura em toda a sua vida. Todos têm a sua própria opinião, mas a ideia geral é que jamais encontrarás nada puro no teu reflexo do espelho. Porque quem mira essa imagem simétrica se si, sabe o quando essa pode ser falsa. De quanta pureza poderá realmente existir.
Quem acreditaria que uma rapariga de dezassete, prestes a fazer dezoito, seria tão pura quando uma rosa branca? Quem acreditaria que ela, que via demónios a dormir e monstros ao acordar, pudesse ser a rapariga com a alma mais pura de todas? Tantas bestas, tantas mortes vira e ainda acreditam os ingénuos de que ela era um anjo. O quão enganados estavam.
Talvez a definição de pureza fosse mais subjetiva do que ela pensava. Talvez a palavra pura fosse omnipotente e algo de se idolatrar. Que a pureza se visse no corpo, enquanto outros buscavam a alma. Claire conhecera muitas pessoas em toda a sua curta vida e todas elas chamaram-na de pura. Mas o significado era sempre diferente. Muitos chamavam-na de pura por nenhum homem lhe ter tomado o corpo (pelo menos até à noite anterior) e por ser um amor de pessoa. Porém, ela já ouvira a ideia correta. Claro que a modéstia arruinava um pouco o cenário de ideias que tentamos construir. Nunca acreditará na ideia correta porque pensará sempre ser inferior a isso. Em termos mais práticos, Claire era uma heroína que não se achava pura, ao contrário do que todos lhe diziam.
Mas ela o era. Ela já ouvira. A verdadeira pureza de uma pessoa não está exatamente ligada à sua inocência corporal e espiritual. Está ligada à força da alma.
A alma humana pode ser testada com os piores desastres da temida caixa de Pandora, mas é a sua força de os ultrapassar e ainda assim ver o bem no próximo que a tornavam pura. Após tantos anos de um inferno interno e de pesadelos guardados para si, Claire era uma mente afetada mas cuja força a permitia continuar, a ser boa para os demais, a ver o branco naquele quadro tão negro. A ser o elo mais forte.
Ao olhar aquelas rosas, Claire amaldiçoava a ideia geral de pureza. Não porque era a errada, mas porque a levava sempre aos piores pensamentos. De certa forma, a sua mente pensava em rosas de cada vez que alguém a chama de pura. Ou até mesmo de salvadora.
Pensava rosas. Via rosas.
Sabia perfeitamente como tratar delas. Sabia todos os significados das rosas, anotados até à altura pelos escribas. Não entendia a magia que provinha das roseiras, pois estas floresciam consoante a vida de Claire. Tão brancas e brilhantes como a alma dela, enquanto a roseira de Rose há muito que apodrecera.
Era demasiado fraca para se ver livre delas. A sua força não se estendia a esses limites. Mas manteria a roseira longe de si, para que não a pudesse ver nem cheirar. Era algo que a enfraquecia.
Mas não naquele dia. O amanhã era hoje e Claire tinha algo porque lutar. Muito mais do que a vida de muitos, algo por ela. A sua liberdade e o seu amor. Não era o elo mais fraco. Comparando os termos a um tabuleiro de xadrez, não era a Rainha – a peça mais forte – mas sim um mísero peão. Todavia, um peão pode matar o Rei, pode alcançar o maior estatuto no tabuleiro.
Pode virar Rainha.
E Claire até tinha uma ideia de como o fazer.
Ao erguer-se, fitou a roseira por uma última vez, ansiosa mas também determinada. Aquela roseira era a sua perdição. Aos olhos dela, o branco que pintava as pétalas daquelas rosa era sujo e demoníaco. Era demasiado fraca para se livrar delas. Mas não era fraca para admitir que detestava rosas e que, se dependesse dela, todas as roseiras das Terras Altas e Baixas seriam queimadas em plena luz do dia. Mas as rosas eram também aquilo que a ligavam à sua família. Talvez por isso não destruíra a roseira. Talvez por isso nunca a iria destruir, alimentando raízes com espinhos de ódio que se camuflavam numa belíssima flor cuja aparência enganava todos aqueles que a viam. Todos, menos aquela que via por dentro da sua beleza. Claire tinha experiência de vida suficiente para entender a metáforas das rosas e olhá-la como mais ninguém o fazia. Só ela parecia saber o quanto malditas eram aquelas flores, uma espécie de mau-olhado a uma antes riquíssima e grande família como os De Roquette. Eram o bode expiratório de Claire, mas a razão não era cega neste caso. Nas Terras Altas, só as rosas De Roquette sobreviviam naquele tempo gelado. E, ainda naquelas condições extremas, nasciam mais belas do que qualquer outra flor nativa. Havia algo mágico naquela flor comum. Era como se os Fados tivessem elegido a rosa como um indício trágico da riqueza da mais nobre família das Terras Altas e da sua consequente natureza selvagem que traria a sua queda. O que fazia Claire detestar rosas ainda mais, ainda que nem desse a entender.
O que Claire não sabia era se esse ódio se estendia a uma outra rosa.
Espero por ti em cada segundo , porque tu és o meu mundo!

Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
Visitem a minha 1ª Fic ----->The Four elements

Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
Visitem a minha 1ª Fic ----->The Four elements
Anaaa! Grrr! Estou possessa por teres parado ali!
Mas vá, cumpriste a tua promessa. Na verdade li ontem o capitulo, mas já era tão tarde que nem forças tive para comentar. Esta ultima semana da faculdade está a dar comigo em louca! É por isso que nem me tenho dedicado à minha fic
'
Mas falando sobre o capitulo.
Jeezzzus!
Partiu-me o coração ver o Raphael a sair do quarto assim, deixando a Claire para trás... Mas pronto, tinha que ser... Em relação ao Michel e à Melanie... Sua má! Eles sempre estiveram apaixonados um pelo outro e tu não deixavas ninguém ver isso mais de perto, o que não é assim tão mau tendo em conta que eles, pronto, não estavam para avanços. Mas fiquei muito feliz com a despedida deles. Foi muito bonita :') E o meu lado optimista deseja que o Michel regresse vivo para a Melanie e para as irmãs. Quanto ao Raphael e à Claire já nem sei o que pensar. Não consigo entender se os quero juntos a "viver felizes para sempre" ou se a tragédia será uma melhor solução.... Humm, isso fica ao teu critério, claro. Qualquer um dos desenlaces será do meu agrado, com certeza!
Em relação aos irmãos dos protagonistas... O Bruno não me pareceu tão revoltado como esperei que estivesse, tendo em conta a noite anterior. Talvez ainda não se tenha apercebido ao certo o que aconteceu. Ou então o amor ao irmão e o medo pro causa da Batalha o tenham feito amainar, pro assim dizer.
Em relação à Rose... Ai, ai, até tenho medo!
Gostei de todo o envolvimento da Claire com as rosas, especialmente do seu ódio àquelas flores. Acho que é bem justificado tendo em conta toda a sua vida.
Enfim, não tenho muito mais a dizer hoje, alem disso tenho de ir acabar um trabalho para quarta-feira. v.v
Fico ansiosamente à espera do final,e já agora... Quantos capitulos faltam?
bjokas!
Mas vá, cumpriste a tua promessa. Na verdade li ontem o capitulo, mas já era tão tarde que nem forças tive para comentar. Esta ultima semana da faculdade está a dar comigo em louca! É por isso que nem me tenho dedicado à minha fic
'Mas falando sobre o capitulo.
Jeezzzus!
Partiu-me o coração ver o Raphael a sair do quarto assim, deixando a Claire para trás... Mas pronto, tinha que ser... Em relação ao Michel e à Melanie... Sua má! Eles sempre estiveram apaixonados um pelo outro e tu não deixavas ninguém ver isso mais de perto, o que não é assim tão mau tendo em conta que eles, pronto, não estavam para avanços. Mas fiquei muito feliz com a despedida deles. Foi muito bonita :') E o meu lado optimista deseja que o Michel regresse vivo para a Melanie e para as irmãs. Quanto ao Raphael e à Claire já nem sei o que pensar. Não consigo entender se os quero juntos a "viver felizes para sempre" ou se a tragédia será uma melhor solução.... Humm, isso fica ao teu critério, claro. Qualquer um dos desenlaces será do meu agrado, com certeza!
Em relação aos irmãos dos protagonistas... O Bruno não me pareceu tão revoltado como esperei que estivesse, tendo em conta a noite anterior. Talvez ainda não se tenha apercebido ao certo o que aconteceu. Ou então o amor ao irmão e o medo pro causa da Batalha o tenham feito amainar, pro assim dizer.
Em relação à Rose... Ai, ai, até tenho medo!
Gostei de todo o envolvimento da Claire com as rosas, especialmente do seu ódio àquelas flores. Acho que é bem justificado tendo em conta toda a sua vida.
Enfim, não tenho muito mais a dizer hoje, alem disso tenho de ir acabar um trabalho para quarta-feira. v.v
Fico ansiosamente à espera do final,e já agora... Quantos capitulos faltam?
bjokas!

as minhas fic's:
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
-Angelical
Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
-Angelical
Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^
Hello! 
Bem, não te posso censurar pela preguiça e falta de vontade....tenho de estudar pros exames e a vontade é absolutamente zero.
Mas fiquei contente com o capítulo novo! Está interessante.
Eu cada vez mais, amo o Raphael. Que cute que ele estava a observá-la pela manhã, que apaixonado!
Várias coisas me deixaram curiosa durante o capítulo. Uma delas foi esta: "Todavia, Claire iria descobrir mais tarde que a promessa de Raphael requeria sacrifícios. Sacrificios que ela não iria ter que suportar."
Fiquei a pensar que sacrifícios se adivinham...
Parece que o Raphael está determinado em proteger o Michel, ainda bem. Seria bom se ele voltasse para a Melanie. Eles fazem um casal querido. Foi uma despedida dura.
Acho que se ele se tivesse de despedir da Claire, provavelmente não tinha coragem de ir.
E a Melanie...que quis ela dizer com: "Protege-a com a tua vida"
Hum, estou mesmo cheia de curiosidade...
Pois, realmente o Bruno não pareceu chateado, sim é possível que não lhe tenha ocorrido o que aconteceu na noite anterior, mas de qualquer maneira acho que ele simplesmente deixou o caminho livre pro Raphael.
No entanto este parágrafo:
"Mas também era de lembrar que, enquanto Raphael sabia o que tinha acontecido a Melanie e Claire desde que ele se transformaram em urso, a vida de Bruno era-lhe plenamente desconhecida. Raphael sempre achara estranho Bruno ter-se permanecido vivo após tanto tempo, enquanto todos os nobres padeciam em torno deles. Claire era uma exceção, mas todos os outros, fora Bruno, haviam morrido.
O rosto do irmão dizia-lhe que ele não iria revelar detalhes e, naquele momento, Raphael também não queria saber. "
Não desconfio de Bruno, acho que nunca trairia o irmão, mas então porque Rose o deixou viver é uma excelente questão...
" Todavia, um peão pode matar o Rei, pode alcançar o maior estatuto no tabuleiro.
Pode virar Rainha.
E Claire até tinha uma ideia de como o fazer. "
Que anda a miss Claire de Roquette a planear?
Também espero com expectativa o final. Para ser sincera não tenho ideia como tudo isto vai terminar. Mas mesmo que termine em tragédia, acho que vou gostar, lol. Acabo por gostar sempre do que escreves. Claro que para mim, Claire e Raphael juntinhos e felizes óbvio.
Beijinhos*

Bem, não te posso censurar pela preguiça e falta de vontade....tenho de estudar pros exames e a vontade é absolutamente zero.
Mas fiquei contente com o capítulo novo! Está interessante.
Eu cada vez mais, amo o Raphael. Que cute que ele estava a observá-la pela manhã, que apaixonado!
Várias coisas me deixaram curiosa durante o capítulo. Uma delas foi esta: "Todavia, Claire iria descobrir mais tarde que a promessa de Raphael requeria sacrifícios. Sacrificios que ela não iria ter que suportar."
Fiquei a pensar que sacrifícios se adivinham...
Parece que o Raphael está determinado em proteger o Michel, ainda bem. Seria bom se ele voltasse para a Melanie. Eles fazem um casal querido. Foi uma despedida dura.
Acho que se ele se tivesse de despedir da Claire, provavelmente não tinha coragem de ir.
E a Melanie...que quis ela dizer com: "Protege-a com a tua vida"
Hum, estou mesmo cheia de curiosidade...
Pois, realmente o Bruno não pareceu chateado, sim é possível que não lhe tenha ocorrido o que aconteceu na noite anterior, mas de qualquer maneira acho que ele simplesmente deixou o caminho livre pro Raphael.
No entanto este parágrafo:
"Mas também era de lembrar que, enquanto Raphael sabia o que tinha acontecido a Melanie e Claire desde que ele se transformaram em urso, a vida de Bruno era-lhe plenamente desconhecida. Raphael sempre achara estranho Bruno ter-se permanecido vivo após tanto tempo, enquanto todos os nobres padeciam em torno deles. Claire era uma exceção, mas todos os outros, fora Bruno, haviam morrido.
O rosto do irmão dizia-lhe que ele não iria revelar detalhes e, naquele momento, Raphael também não queria saber. "
Não desconfio de Bruno, acho que nunca trairia o irmão, mas então porque Rose o deixou viver é uma excelente questão...
" Todavia, um peão pode matar o Rei, pode alcançar o maior estatuto no tabuleiro.
Pode virar Rainha.
E Claire até tinha uma ideia de como o fazer. "
Que anda a miss Claire de Roquette a planear?
Também espero com expectativa o final. Para ser sincera não tenho ideia como tudo isto vai terminar. Mas mesmo que termine em tragédia, acho que vou gostar, lol. Acabo por gostar sempre do que escreves. Claro que para mim, Claire e Raphael juntinhos e felizes óbvio.

Beijinhos*
A minha vontade de escrever é tão fraca.... e só de pensar que daqui a duas semanas estou em exames :s (se bem que eu devia estar a estudar orgânica e estou aqui... não sou nada exemplar
)
Se alguém quiser escrever por mim está à vontade
Eu mando um resumo e depois posto mais cedo 
E, para ser honesta, não me lembro de metade do que escrevi neste capítulo. Por ser um capítulo "cortado" tem as cenas lame dos meus capítulos normais, logo acaba por ser o meu pior capítulo. E pior, fica toda a acção para o próximo. Ora ora, como irei compensar aquela acção toda se não tenho drama nenhum?
No que toca a Melanie, como disse, nem ela sabia que gostava de Michel. Desde o inicio da história que a queria juntar a alguém (inicialmente era para ser Bruno, mas dois capítulos depois mudei de ideias), mas andei muito capítulo a matutar no assunto e então decidi pôr uma Melanie ignorante dos seus sentimentos até à altura ideal. Até que Eureka!, lembrei-me em criar uma personagem com ligações aos De Roquette. E nasceu o Michel.
Só no epílogo é que terão umas luzes sobre o que é que aconteceu naquela noite entre Melanie e Michel. Até lá, imaginem x)
Os sacrifícios de Claire podem ser divididos em vários. Acreditem, estava a ser muito vaga quando falei em sacrifícios, mas o maior não será revelado no próximo capítulo (ainda que vocês achem que será).
Já Bruno.... Enfim, está a acontecer muita coisa ao mesmo tempo. Perdeu a amada (de vez), reencontrou o irmão e vai para uma batalha que lhe pode tirar a vida. Penso que, naquele momento, ele não quer reflectir sobre o que se passa ou o que se passou.
E tenho que ser honesta. Vai acontecer muita coisa no próximo capítulo, mas muitas informações não serão esclarecidas nesta história, peço desculpa. A verdade é que esta história é sobre as duas irmãs e como Claire desempenhará o seu papel, mas nunca pensei que ela ficasse tão complexa. Resultado, muita ideia, pouca vontade. E a verdade é que nem todas as histórias têm que ter tudo revelado. Basta a acção principal se concretizar. Ainda assim, peço desculpas por isso. Haverá muito mistério desta história que nunca se irá descobrir, a não ser que me dê na gana e que decida continuar a história no ponto em que termina o epílogo.
E sim, já decidi o final. E digo-vos uma coisa: Vocês não o adivinham. Pensem em tragédias, em histórias com finais felizes, não importa, nunca adivinharão como irei acabar a história.
E com isto tudo, agradeço os comentários - sempre rápidos e calorosos - das minhas duas grandes leitoras e prometo não desapontar no próximo capítulo
) Se alguém quiser escrever por mim está à vontade
Eu mando um resumo e depois posto mais cedo 
E, para ser honesta, não me lembro de metade do que escrevi neste capítulo. Por ser um capítulo "cortado" tem as cenas lame dos meus capítulos normais, logo acaba por ser o meu pior capítulo. E pior, fica toda a acção para o próximo. Ora ora, como irei compensar aquela acção toda se não tenho drama nenhum?
No que toca a Melanie, como disse, nem ela sabia que gostava de Michel. Desde o inicio da história que a queria juntar a alguém (inicialmente era para ser Bruno, mas dois capítulos depois mudei de ideias), mas andei muito capítulo a matutar no assunto e então decidi pôr uma Melanie ignorante dos seus sentimentos até à altura ideal. Até que Eureka!, lembrei-me em criar uma personagem com ligações aos De Roquette. E nasceu o Michel.
Só no epílogo é que terão umas luzes sobre o que é que aconteceu naquela noite entre Melanie e Michel. Até lá, imaginem x)
Os sacrifícios de Claire podem ser divididos em vários. Acreditem, estava a ser muito vaga quando falei em sacrifícios, mas o maior não será revelado no próximo capítulo (ainda que vocês achem que será).
Já Bruno.... Enfim, está a acontecer muita coisa ao mesmo tempo. Perdeu a amada (de vez), reencontrou o irmão e vai para uma batalha que lhe pode tirar a vida. Penso que, naquele momento, ele não quer reflectir sobre o que se passa ou o que se passou.
E tenho que ser honesta. Vai acontecer muita coisa no próximo capítulo, mas muitas informações não serão esclarecidas nesta história, peço desculpa. A verdade é que esta história é sobre as duas irmãs e como Claire desempenhará o seu papel, mas nunca pensei que ela ficasse tão complexa. Resultado, muita ideia, pouca vontade. E a verdade é que nem todas as histórias têm que ter tudo revelado. Basta a acção principal se concretizar. Ainda assim, peço desculpas por isso. Haverá muito mistério desta história que nunca se irá descobrir, a não ser que me dê na gana e que decida continuar a história no ponto em que termina o epílogo.
E sim, já decidi o final. E digo-vos uma coisa: Vocês não o adivinham. Pensem em tragédias, em histórias com finais felizes, não importa, nunca adivinharão como irei acabar a história.
E com isto tudo, agradeço os comentários - sempre rápidos e calorosos - das minhas duas grandes leitoras e prometo não desapontar no próximo capítulo

Espero por ti em cada segundo , porque tu és o meu mundo!

Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
Visitem a minha 1ª Fic ----->The Four elements

Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
Visitem a minha 1ª Fic ----->The Four elements
Olá, gente! Sim, adivinharam chegou novo capítulo aqui para o pessoal mais fixe. Este capítulo tem muito que se lhe diga e espero a vossa total sinceridade (e comentário muito compridos
). Se esperavam mais emoção numa cena e se noutra estava perfeita. Enfim, sejam honestas porque sei que, por muito bom que possa estar, haverá qualquer coisa que falhe. Mas ainda assim, acho que ficou bom. Pelo menos, com o trabalho que me deu... 
Irei colocar no fim uma lista das músicas que eu ouvi (descobri recentemente que se escrever ao ouvir músicas 'relacionadas' com o tema, escrevo melhor) enquanto escrevi este longo capítulo.
O epílogo será postado a seu tempo, mas não deve demorar muito porque JÁ ESTOU DE FÉRIAS!!!
Espero que gostem!
AVISO: SEGUE-SE UM CAPÍTULO MUITO COMPRIDO!
-------------------------------------------------------------------------------------------
O cumprimento dos Fados
Raphael tinha os ouvidos bem atentos a qualquer sinal de vida. As tropas haviam-se dispersado e estavam agora nas suas posições. Ele, Michel e Bruno ainda estavam no ponto de partida, à espera do momento certo para avançar. O som do vento parecia gozar com eles, fazendo pequenos burburinhos como se alguém falasse ao longe. Fora isso, era o silêncio.
A cada minuto que passava, que numa batalha bem que podiam se assemelhar a horas, Raphael tinha a certeza de que Rose sabia o que eles planeavam e que esperava, pacientemente, pelo ataque deles. O seu estomago contorceu-se como se tivesse levado uma martelada. Estariam eles a cair numa armadilha? Ele tinha quase certeza que sim. Todavia, Rose não os vira treinar, isso era certo. Ele e Claire haviam encontrado a rosa vermelha bem longe das Tocas. Ela não desconfiava. Talvez os subestimasse. E com sorte, talvez não soubesse que Raphael estava no meio deles. Verdade que ele não era mais poderoso que nenhum deles no que tocava a enfrentar Rose, mas o elemento surpresa era sempre bem-vindo. Considerando que aquele já estivesse arruinado.
Olhou para trás, vendo um grupo de cinco homens, que haviam ficado atrás para proteger a retaguarda dos príncipes. Aproximou-se deles:
-Prestem atenção. – Ordenou, esperando a máxima atenção deles. Michel aproximou-se para ouvir também, enquanto Bruno olhou-o com leve suspeita. – Quero que vocês se dispersem e que avisem os homens para terem cuidado com a sua retaguarda, mesmo por detrás deles. A Rainha Negra não tem escrúpulos para deixar de atacar pelas costas.
-Mas vossa majestade… - começou um dos homens, a voz a tremer ligeiramente. Contudo, Bruno cortou-o.
-Estás a dizer que ela sabe que estamos aqui? – Perguntou, surpreendido. Raphael fitou o irmão.
-Não me surpreenderia nada. Temo que mal ataquemos eles nos cerquem. – Tornou-se para os homens de novo. – Avisem todos os restantes. Formem um quadrado e sejam unidos. As bestas têm sempre dificuldade em atacar grupos. E lembrem-se que, apesar de tudo, são animais. Cortes nas veias essenciais tratarão deles em segundos.
Os homens assentiram e seguiram caminho, os seus pés arrastando-se pela terra o mais rápido que eles podiam. Raphael e Michel observaram-nos a desaparecerem no horizonte.
-Estás louco? E a nossa retaguarda? – Protestou Bruno, ainda que não parecesse tão indignado quanto as suas palavras mostravam.
-Iremos perdê-la assim que entrarmos no castelo. Acredita em mim.
Raphael havia dito a Claire, logo no primeiro dia em que a vira, que o plano de Bruno iria ripostar e que eles iriam cair na armadilha que nem patos durante a caça. Infelizmente, ele esperava estar errado. Os Fados troçavam dele naquele dia. Mas até que ponto?
Ele nascera príncipe, crescera urso e morreria homem, se assim ele pudesse.
Recolocou a sua armadura. O seu material era mais fraco a aquele que costumava usar em batalhas, daí que havia o risco de a perder no meio da desordem da batalha. Ao remexer numa das camadas de metal, encontrou algo suave. Tirou algo com um caule dentro da armadura.
A rosa vermelha. Lembrava-se vagamente de ter a rosa perto de si desde que a encontrara no meio da neve e de a ter colocado no meio das roupas. Porquê? Ele não sabia. Claire não dissera nada contra, apenas observara a rosa desaparecer no seu peito. Na noite anterior, a rosa havia ficado no quarto, junto à armadura.
Voltou a colocá-la, tendo um pequeno pressentimento de que aquela rosa iria ser importante. Não fosse ela o nome da inimiga.
O silêncio era de cortar à faca. Não parecia haver sinais de vida por parte dos soldados, nem tampouco do lado da Rainha Negra.
Raphael tornou os olhos para um corvo que surgiu no céu, a sua penugem negra contrastando com o céu cinzento. De repente, ele guinchou, ecoando por toda a área. Raphael viu então os olhos vermelhos da besta voadora.
E depois, era a discórdia.
). Se esperavam mais emoção numa cena e se noutra estava perfeita. Enfim, sejam honestas porque sei que, por muito bom que possa estar, haverá qualquer coisa que falhe. Mas ainda assim, acho que ficou bom. Pelo menos, com o trabalho que me deu... 
Irei colocar no fim uma lista das músicas que eu ouvi (descobri recentemente que se escrever ao ouvir músicas 'relacionadas' com o tema, escrevo melhor) enquanto escrevi este longo capítulo.
O epílogo será postado a seu tempo, mas não deve demorar muito porque JÁ ESTOU DE FÉRIAS!!!
Espero que gostem!

AVISO: SEGUE-SE UM CAPÍTULO MUITO COMPRIDO!
-------------------------------------------------------------------------------------------
O cumprimento dos Fados
Raphael tinha os ouvidos bem atentos a qualquer sinal de vida. As tropas haviam-se dispersado e estavam agora nas suas posições. Ele, Michel e Bruno ainda estavam no ponto de partida, à espera do momento certo para avançar. O som do vento parecia gozar com eles, fazendo pequenos burburinhos como se alguém falasse ao longe. Fora isso, era o silêncio.
A cada minuto que passava, que numa batalha bem que podiam se assemelhar a horas, Raphael tinha a certeza de que Rose sabia o que eles planeavam e que esperava, pacientemente, pelo ataque deles. O seu estomago contorceu-se como se tivesse levado uma martelada. Estariam eles a cair numa armadilha? Ele tinha quase certeza que sim. Todavia, Rose não os vira treinar, isso era certo. Ele e Claire haviam encontrado a rosa vermelha bem longe das Tocas. Ela não desconfiava. Talvez os subestimasse. E com sorte, talvez não soubesse que Raphael estava no meio deles. Verdade que ele não era mais poderoso que nenhum deles no que tocava a enfrentar Rose, mas o elemento surpresa era sempre bem-vindo. Considerando que aquele já estivesse arruinado.
Olhou para trás, vendo um grupo de cinco homens, que haviam ficado atrás para proteger a retaguarda dos príncipes. Aproximou-se deles:
-Prestem atenção. – Ordenou, esperando a máxima atenção deles. Michel aproximou-se para ouvir também, enquanto Bruno olhou-o com leve suspeita. – Quero que vocês se dispersem e que avisem os homens para terem cuidado com a sua retaguarda, mesmo por detrás deles. A Rainha Negra não tem escrúpulos para deixar de atacar pelas costas.
-Mas vossa majestade… - começou um dos homens, a voz a tremer ligeiramente. Contudo, Bruno cortou-o.
-Estás a dizer que ela sabe que estamos aqui? – Perguntou, surpreendido. Raphael fitou o irmão.
-Não me surpreenderia nada. Temo que mal ataquemos eles nos cerquem. – Tornou-se para os homens de novo. – Avisem todos os restantes. Formem um quadrado e sejam unidos. As bestas têm sempre dificuldade em atacar grupos. E lembrem-se que, apesar de tudo, são animais. Cortes nas veias essenciais tratarão deles em segundos.
Os homens assentiram e seguiram caminho, os seus pés arrastando-se pela terra o mais rápido que eles podiam. Raphael e Michel observaram-nos a desaparecerem no horizonte.
-Estás louco? E a nossa retaguarda? – Protestou Bruno, ainda que não parecesse tão indignado quanto as suas palavras mostravam.
-Iremos perdê-la assim que entrarmos no castelo. Acredita em mim.
Raphael havia dito a Claire, logo no primeiro dia em que a vira, que o plano de Bruno iria ripostar e que eles iriam cair na armadilha que nem patos durante a caça. Infelizmente, ele esperava estar errado. Os Fados troçavam dele naquele dia. Mas até que ponto?
Ele nascera príncipe, crescera urso e morreria homem, se assim ele pudesse.
Recolocou a sua armadura. O seu material era mais fraco a aquele que costumava usar em batalhas, daí que havia o risco de a perder no meio da desordem da batalha. Ao remexer numa das camadas de metal, encontrou algo suave. Tirou algo com um caule dentro da armadura.
A rosa vermelha. Lembrava-se vagamente de ter a rosa perto de si desde que a encontrara no meio da neve e de a ter colocado no meio das roupas. Porquê? Ele não sabia. Claire não dissera nada contra, apenas observara a rosa desaparecer no seu peito. Na noite anterior, a rosa havia ficado no quarto, junto à armadura.
Voltou a colocá-la, tendo um pequeno pressentimento de que aquela rosa iria ser importante. Não fosse ela o nome da inimiga.
O silêncio era de cortar à faca. Não parecia haver sinais de vida por parte dos soldados, nem tampouco do lado da Rainha Negra.
Raphael tornou os olhos para um corvo que surgiu no céu, a sua penugem negra contrastando com o céu cinzento. De repente, ele guinchou, ecoando por toda a área. Raphael viu então os olhos vermelhos da besta voadora.
E depois, era a discórdia.
Espero por ti em cada segundo , porque tu és o meu mundo!

Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
Visitem a minha 1ª Fic ----->The Four elements

Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
Visitem a minha 1ª Fic ----->The Four elements
Gritos de guerra podiam ser ouvidos quando os vários homens começavam a atacar as bestas que surgiam, tal como Raphael previra, vindos dos bosques por detrás do pequeno exército.
-Vamos! – Gritou para Bruno e Michel, obrigando os outros dois a segui-lo. Não podiam perder tempo.
Era o caos total. Por todo o lado ouviam-se rugidos de guerra, como se cada homem realizasse o esforço de ser ouvido por uma última vez antes de a morte o cercar. Corpos caíam no chão, bestas e homens, e o som de metal afiado a cortar carne fundia-se com os gritos de guerra. O chão morto parecia um labirinto, com as suas raízes mortas e buracos, dificultando o trabalho de Michel, Bruno e Raphael de chegarem ao palácio.
Os três pegaram nas espadas e atacaram as bestas mais próximas. Bruno cortou a cabeça a uma besta que se encontrava em cima de um dos seus homens. Já livre, o homem mal teve tempo de agradecer ao seu rei quando outra besta surgiu por detrás, deferindo um grande corte no ombro. O homem caiu, grunhindo de dor.
Raphael espetou a sua espada na primeira criatura que pôs os olhos em cima. Não contava era que esta usasse o seu machado para manter a espada presa ao seu próprio pescoço. Num ato de grande esforço, Raphael girou a espada e empurrou-a para o lado, obrigando a criatura a ir contra outra que atacava Michel. Este, ao ver duas criaturas caída à sua frente baralhadas, não esperou nem um segundo para lhes ceifar a vida.
Os três tentaram avançar, mas várias bestas lhes passavam pelo caminho, obrigando-os a pararem para defenderem as suas próprias vidas. Raphael suplicou aos Fados por uma oportunidade em alcançar o castelo, ao mesmo tempo que deitava mais uma besta ao chão.
De repente, era como se os Fados o tivessem ouvido. As nuvens do céu ficaram mais negras e o vento rebelou-se contra todos, puxando o seu véu ventoso para os ramos das árvores já muito longe dos príncipes das Terras Baixas e de Michel, obrigando as suas escassas folhas a voarem. Era um sinal da violência da natureza, como se esta quisesse tomar o seu lugar na guerra contra aquela que possuía o que lhes era por direito.
Raphael ergueu o seu escudo, protegendo-se das setas voadoras que ameaçavam rasgar-lhe a carne. Gritou para Bruno e Michel se protegerem, não porque eles não tivessem instinto de sobrevivência e completa ignorância do seu redor, mas porque queria que eles ouvissem a sua voz e não se perdessem. O castelo estava cada vez mais perto.
Viam-se corpos por todo o lado e Raphael soube que a batalha seria inútil se eles não alcançassem o castelo. O sabor agridoce de uma batalha seria azedo pois as mortes daqueles homens seriam em vão. As bestas não eram mais do que animais, e Rose não teria problema nenhum em criar mais. Tinham que a destruir.
A sua visão era obscurecida por folhas, obstáculos carnais e o próprio tempo, que parecia refletir o ambiente na terra. O cenário era demasiado escuro e Raphael sentiu-se como um cego a tentar orientar-se na escuridão cerrada que se estendia à sua frente, guiado apenas pelo seu fiel instinto. O castelo parecia cada vez mais longe, ainda que ele soubesse que estavam a avançar.
Finalmente observou o fosso que cercava o castelo. A porta levadiça estava erguida, obrigando os três homens a pensar noutra forma de entrar.
-Raphael! – Chamou Bruno, colocando-se a seu lado. Michel ficou de costas para os dois irmãos, o seu grande escudo protegendo as costas dos príncipes. – Teremos que trepar!
Raphael observou a muralha rapidamente, os seus olhos confirmando as suas suspeitas e as de Bruno.
-Cerquemos o castelo! – Ordenou aos outros dois. Estes assentiram, ainda que o rosto de Michel estivesse virado para o lado do campo de batalha.
-Cuidado! – Gritou Michel, empurrando o príncipe mais próximo, que era Bruno, para o chão, protegendo-o de quatro setas foragidas. Raphael saltou para o lado, escapando uma por um triz. Não muito longe de si, um homem não tivera tanta sorte, e Raphael viu-o morrer quase instantaneamente, o corpo caído no chão como um boneco de feno e os olhos muito abertos, fitando o céu.
O seu olhar elevou-se e, martirizando-se pela sua distração, ergueu-se e ajudou os outros dois, sabendo que não tinham muito tempo. No auge da batalha, o castelo era cercado por homens e bestas e a distância dos campos ao castelo parecia-lhes o comprimento das duas Terras combinadas.
Percorreram as arestas do castelo até chegar à base de uma das quatro torres, a mais baixa, felizmente. Largando os escudos no chão, procuraram bases nas pedras meio soltas e começaram a escalar, o mais rápido e cauteloso que podiam. A adrenalina ajudava os três homens a trepar, sem pensarem nas consequências de um simples deslize. Raphael tinha noção de que Michel e Bruno nunca haviam trepado na vida, o último não só pelo título real bem usufruído, mas também porque nunca explorara essa vertente. O facto de ter começado a andar mais tarde criara uma certa insegurança em Bruno no que tocava às habilidades das suas pernas. Bruno era o que corria menos dos três e agora, Raphael tentava fazer aquilo que Michel fizera involuntariamente na última hora. Manter-se atrás de Bruno, não o pondo em último. A não ser que muita coisa tivesse mudado nos anos em que estivera ausente, Bruno entraria em pânico e nunca mais os alcançaria caso ficasse para trás.
Ninguém olhava para baixo, três pares de olhos escuros fitando o topo da torre, cada vez mais próximo. Raphael tinha um pressentimento de que Rose se encontrava na mais alta, observando os seus feitos com um sorriso maldoso no rosto.
Deu graças aos Fados, a Deus, a quem quer que estivesse a ouvi-lo, por Claire estar longe daquela confusão, longe do perigo por agora.
Infelizmente as suas graças vieram tarde.
-Vamos! – Gritou para Bruno e Michel, obrigando os outros dois a segui-lo. Não podiam perder tempo.
Era o caos total. Por todo o lado ouviam-se rugidos de guerra, como se cada homem realizasse o esforço de ser ouvido por uma última vez antes de a morte o cercar. Corpos caíam no chão, bestas e homens, e o som de metal afiado a cortar carne fundia-se com os gritos de guerra. O chão morto parecia um labirinto, com as suas raízes mortas e buracos, dificultando o trabalho de Michel, Bruno e Raphael de chegarem ao palácio.
Os três pegaram nas espadas e atacaram as bestas mais próximas. Bruno cortou a cabeça a uma besta que se encontrava em cima de um dos seus homens. Já livre, o homem mal teve tempo de agradecer ao seu rei quando outra besta surgiu por detrás, deferindo um grande corte no ombro. O homem caiu, grunhindo de dor.
Raphael espetou a sua espada na primeira criatura que pôs os olhos em cima. Não contava era que esta usasse o seu machado para manter a espada presa ao seu próprio pescoço. Num ato de grande esforço, Raphael girou a espada e empurrou-a para o lado, obrigando a criatura a ir contra outra que atacava Michel. Este, ao ver duas criaturas caída à sua frente baralhadas, não esperou nem um segundo para lhes ceifar a vida.
Os três tentaram avançar, mas várias bestas lhes passavam pelo caminho, obrigando-os a pararem para defenderem as suas próprias vidas. Raphael suplicou aos Fados por uma oportunidade em alcançar o castelo, ao mesmo tempo que deitava mais uma besta ao chão.
De repente, era como se os Fados o tivessem ouvido. As nuvens do céu ficaram mais negras e o vento rebelou-se contra todos, puxando o seu véu ventoso para os ramos das árvores já muito longe dos príncipes das Terras Baixas e de Michel, obrigando as suas escassas folhas a voarem. Era um sinal da violência da natureza, como se esta quisesse tomar o seu lugar na guerra contra aquela que possuía o que lhes era por direito.
Raphael ergueu o seu escudo, protegendo-se das setas voadoras que ameaçavam rasgar-lhe a carne. Gritou para Bruno e Michel se protegerem, não porque eles não tivessem instinto de sobrevivência e completa ignorância do seu redor, mas porque queria que eles ouvissem a sua voz e não se perdessem. O castelo estava cada vez mais perto.
Viam-se corpos por todo o lado e Raphael soube que a batalha seria inútil se eles não alcançassem o castelo. O sabor agridoce de uma batalha seria azedo pois as mortes daqueles homens seriam em vão. As bestas não eram mais do que animais, e Rose não teria problema nenhum em criar mais. Tinham que a destruir.
A sua visão era obscurecida por folhas, obstáculos carnais e o próprio tempo, que parecia refletir o ambiente na terra. O cenário era demasiado escuro e Raphael sentiu-se como um cego a tentar orientar-se na escuridão cerrada que se estendia à sua frente, guiado apenas pelo seu fiel instinto. O castelo parecia cada vez mais longe, ainda que ele soubesse que estavam a avançar.
Finalmente observou o fosso que cercava o castelo. A porta levadiça estava erguida, obrigando os três homens a pensar noutra forma de entrar.
-Raphael! – Chamou Bruno, colocando-se a seu lado. Michel ficou de costas para os dois irmãos, o seu grande escudo protegendo as costas dos príncipes. – Teremos que trepar!
Raphael observou a muralha rapidamente, os seus olhos confirmando as suas suspeitas e as de Bruno.
-Cerquemos o castelo! – Ordenou aos outros dois. Estes assentiram, ainda que o rosto de Michel estivesse virado para o lado do campo de batalha.
-Cuidado! – Gritou Michel, empurrando o príncipe mais próximo, que era Bruno, para o chão, protegendo-o de quatro setas foragidas. Raphael saltou para o lado, escapando uma por um triz. Não muito longe de si, um homem não tivera tanta sorte, e Raphael viu-o morrer quase instantaneamente, o corpo caído no chão como um boneco de feno e os olhos muito abertos, fitando o céu.
O seu olhar elevou-se e, martirizando-se pela sua distração, ergueu-se e ajudou os outros dois, sabendo que não tinham muito tempo. No auge da batalha, o castelo era cercado por homens e bestas e a distância dos campos ao castelo parecia-lhes o comprimento das duas Terras combinadas.
Percorreram as arestas do castelo até chegar à base de uma das quatro torres, a mais baixa, felizmente. Largando os escudos no chão, procuraram bases nas pedras meio soltas e começaram a escalar, o mais rápido e cauteloso que podiam. A adrenalina ajudava os três homens a trepar, sem pensarem nas consequências de um simples deslize. Raphael tinha noção de que Michel e Bruno nunca haviam trepado na vida, o último não só pelo título real bem usufruído, mas também porque nunca explorara essa vertente. O facto de ter começado a andar mais tarde criara uma certa insegurança em Bruno no que tocava às habilidades das suas pernas. Bruno era o que corria menos dos três e agora, Raphael tentava fazer aquilo que Michel fizera involuntariamente na última hora. Manter-se atrás de Bruno, não o pondo em último. A não ser que muita coisa tivesse mudado nos anos em que estivera ausente, Bruno entraria em pânico e nunca mais os alcançaria caso ficasse para trás.
Ninguém olhava para baixo, três pares de olhos escuros fitando o topo da torre, cada vez mais próximo. Raphael tinha um pressentimento de que Rose se encontrava na mais alta, observando os seus feitos com um sorriso maldoso no rosto.
Deu graças aos Fados, a Deus, a quem quer que estivesse a ouvi-lo, por Claire estar longe daquela confusão, longe do perigo por agora.
Infelizmente as suas graças vieram tarde.
Espero por ti em cada segundo , porque tu és o meu mundo!

Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
Visitem a minha 1ª Fic ----->The Four elements

Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
Visitem a minha 1ª Fic ----->The Four elements
Claire ajudou Melanie a carregar outro homem para dentro do túnel. Ambas arrastaram-no por entre o pequeno corredor de terra até um mais amplo, onde Kedar e Izabele e muitos outros cuidavam os feridos. Kedar tinha grandes qualidades de curandeiro, que eram muito agradecidas naquela altura. Incapaz para a guerra, ajudava as mulheres e outros a salvar vidas.
Muitos haviam padecido, mas outros haviam recuperado, limpando as feridas e travando as perdas de sangue antes de voltar para o campo de batalha. Os homens de Bruno eram os mais difíceis de cuidar, pois tentavam saltar para o campo de batalha o mais depressa possível, afirmando não querer arriscar a perda de mais companheiros.
O homem que elas seguravam era um deles. As duas só conseguiram deitá-lo num canto porque este tinha a perna aleijada e não conseguia erguer-se sozinho.
-Deixem-me ir. Eu estou bem. Cuidem dos outros. – Resmungava sem rodeios, dificultando o trabalho das duas jovens. Melanie pediu a Claire para lhe segurar na perna, que sangrava fortemente, enquanto ela tentava limpar a ferida. Os olhos do homem seguiam as mãos de Melanie, muito abertos e cautelosos, como se temesse que Melanie lhe pudesse amputar a perna. Infelizmente, a probabilidade de isso acontecer era grande.
-Acalma-te, ou ainda te corto a perna! – Silvou Melanie, o seu temperamento claramente a subir ao ver o homem a remexer-se. Claire nunca vira a amiga tão frustrada como agora. As mãos dela tremiam, enquanto tentava limpar a ferida e evitar a perda de mais sangue. Claire sentiu uma estranha sensação no estomago, ao ver duas lágrimas frustradas caírem do rosto de Melanie. Ao fim do que parecia horas, ela mantinha-se impasse e tentava ajudar os outros. Até que viu aquelas lágrimas. Aquele sinal de fraqueza de que aquela guerra estava a afetar toda a gente, inclusive a rapariga que sempre fora o pedregulho que a protegera dos males exteriores desde que a irmã desaparecera. Claire sentiu-se inútil e afligida. Levantou-se do chão e afastou-se do homem e de Melanie. Agora choravam os dois.
Claire apoiou-se na parede. Aquele estado de apatia poderia custar vidas, mas ela só pensava numa. Desde que tudo aquilo começara que ela só pensava nele. Mas uma coisa era pensar na cara do amado e ansiar que ele retornasse. Outra coisa era embater no chão real ao se aperceber que a ideia de ele não voltar estava cada vez mais nítida, em frente aos seus olhos. E ela, a tão aclamada de salvadora, estava ali a cuidar dos feridos, quando havia probabilidades de em pouco tempo nem haver homens para ajudar.
Sabia que estava a atrasar o inevitável. Tinha que enfrentar Rose. Mas os riscos eram tais, os sacrifícios… O medo era enorme e consumia-a por inteiro. Era aquele efeito que Rose sempre tivera nela. Nunca poderia pensar por si própria com ela por perto. Uma espécie de cabeça pensadora que ordenava nela, tal como os seus pais assim fizeram antes. Aquela que a manipulava desde cedo, forçando-a a odiar aqueles que a tratavam tal como ela. Pondo-a numa posição que ela nunca quis.
Rose nunca desaparecera naquela noite. Estivera sempre com ela, enfraquecendo-a e moldando-a do modo que ela queria. Ela tornara-se aquilo que era por causa dela. A dura realização embateu nela, fazendo-a encolher-se mais na parede. Seria possível? Que Rose moldara a sua inimiga para que nunca fosse derrotada? Disparates, só disparates. Rose sabia dos Fados, sabia que Claire era a salvadora do povo. Mas nunca soubera que ela seria o mal do qual Claire teria que os salvar.
Talvez se tivesse apercebido naquela noite. Mas isso não confirmava de que ela sabia da verdade. Ninguém soubera até esse momento.
Só os Fados, malditos sejam!
De repente, Claire escutou passos, vindos dos corredores. Alguém corria na sua direção. No meio daquele distúrbio, fora a única a reparar no olhar horrorizado de uma menina com pouco mais que sete anos.
-Majestade, Majestade, eles vêm aí!
-Eles quem? – Perguntou Claire, horrorizada. Mas quem poderia vir? Do outro lado, tinham apenas a entrada na clareira do velho carvalho.
Os olhos de Claire aumentaram consideravelmente de tamanho. É claro! Aquela entrada estava agora desprotegida, salvo aquela porta falsa. A menina agarrou-se às saias de Claire, tentando puxá-la com ela. Claire deixou-se ir, correndo com a menina. Sabia o que tinha a fazer.
Fora um dos planos iniciais quando o povo havia construído as Tocas, base da Resistência. Claire tinha apenas que tomar as precauções necessárias.
O corredor parecia mais comprido do que nas outras milhares de vezes que Claire o percorrera. Tentava não pensar no que estava a fazer e nas consequências. Talvez trouxesse vantagens para todos, mas ao lembrar-se do que estaria prestes a libertar, só se lembrava de Raphael. Daquilo que ele não sabia, daquilo que ela não lhe dissera. O tempo jogava contra ela, tinha que salvar todos. Mas poderia ainda ter tempo para salvar o homem que ela amava? Salvar Bruno, que a apoiara quando ela precisara? E Michel, que Claire sabia que amava Melanie. Nunca contara isso à amiga e só naquele jantar é que tivera as confirmações das suas suspeitas. E fora também naquele jantar que tudo acontecera.
O medo de Raphael morrer, mesmo sabendo que ela queria estar casada aumentava a cada minuto. Ela não dissera tudo o que tinha a dizer. Não dissera que o amava todas as vezes que queria. Aquelas palavras eram tão novas na sua boca, queria poder repeti-las. Dizê-las… e ouvi-las.
Quando chegou ao quarto onde as crianças estavam escondidas, encontrou Tanya, a adulta responsável por eles. Esta fitou-a nervosa.
-Claire… - começou, mas Claire cortou-a.
-Tira as crianças daqui. Leva-as para a sala de treinos mais próxima do túnel.
Tanya não parecia perceber porque Claire os mandava para ali, mas sabia que não podia discordar com o olhar frio e determinado de Claire.
Esta sentiu as crianças a passarem por ela, todas de mãos dadas e em silêncio, as mais velhas segurando os bebés nos braços com o máximo de cuidado que podiam. O seu coração pesou ao ver que muitas estavam bem próximas da sua idade e os seus arres assustados eram semelhantes aos das donzelas em apuros das histórias que ela sempre se divertira a contar às crianças. Ela nunca fora uma donzela em apuros. E agora perguntava-se se as coisas não seriam bem mais simples se assim fosse. Esperar que alguém a salvasse, não tendo que tomar as decisões difíceis, nem assumir as responsabilidades.
Assim que viu que o quarto estava vazio, pegou no seu punhal e dirigiu-se para a entrada, não parando para olhar para os objetos à sua volta. Podia ouvir fracamente o som de animais a aproximarem-se vindo do exterior. Quando chegou à sua sala, antes da entrada, pegou no punhal e murmurou as mesmas palavras que murmurara em Niflheim quando transformava Raphael num homem outra vez. O punhal brilhou um pouco, pois ela não queria demasiada energia. Um pouco chegava, considerando que a madeira vinha da mesma árvore onde o Helgardh perdera as suas barbas.
Inspirou fundo, preparando-se para o que vinha a seguir. Tinha que distrair as bestas se queria passar pela porta que se encontrava atrás dela. Mas ela era apenas uma. Não poderia atacar aquelas bestas sozinha.
Iria morrer.
Uma lágrima caiu-lhe do rosto e, antes que algo a fizesse mudar de ideias, correu para a entrada, onde as bestas tentavam encontrar as Tocas, desconhecendo de que havia ali uma porta que lhes permitia a entrada no esconderijo. Imaginar a irmã capaz de mandar bestas para matar centenas de inocentes, crianças como ela uma vez fora inclusive, fez Claire cerrar os olhos e os dentes em cólera. Raiva por aquela que se chamava de sua irmã.
Abriu a porta o mais depressa que pôde e saltou para a clareira, enfrentando quase duas dúzias de bestas. Tomada de choque pelo vasto número, Claire quase que era atacada na anca por uma das bestas, que rugira em excitação. Aliás, todos rugiam em contentamento. E ela sabia porquê.
Por fim havia carne fresca.
Claire pegou no punhal com as duas mãos e cortou a carcaça da besta mais próxima, esta caindo morta no chão e o seu sangue vermelho se espalhando pela clareira. Mais bestas tentavam cercá-la e tomá-la, mas ela recusou-se a desistir. Correu o máximo que pôde por entre as árvores. O facto de ela ser pequena e ágil serviu-lhe em favor. As bestas atacavam-na, mas máximo que fizeram foi alguns cortes de raspão com espadas e machados.
O seu vestido rasgou-se na bainha, ficando mais curto. Parte dos joelhos de Claire estavam agora expostos e ensanguentados. Em pânico, procurou o carvalho. Estava do outro lado. Pegou numa das espadas das bestas caídas no chão e, guardando o punhal rapidamente por entre as suas vestes, aproximou-se da besta que vinha contra ela e cortou-lhe a cabeça, esta voando até cair no chão, já completamente podre. Protegendo a sua lateral e atacando na dianteira, Claire conseguiu deitar mais três bestas no chão e aproximar-se da entrada do carvalho. Amaldiçoou-se por se ter afastado. Tal poderia ter custado a sua vida.
Correndo o máximo que pôde, até ver a porta que se encontrava à sua frente. Sem hesitar, deu um forte golpe. Ouviu-se um rugido do outro lado. As bestas pararam, os seus instintos animalescos avisando-os para se afastarem. Mas Claire foi mais rápida. Num folego, abriu a porta.
Uma criatura completamente negra, sem corpo formado, saiu da porta, como um espirito finalmente libertado. Envolveu a clareira em pleno vapor negro e Claire viu, horrorizada, uns olhos vermelhos no meio daquele fumo negro e intoxicante. A criatura voou em direção às bestas, que rugiram em pavor e começaram a afastar-se, mas não rápido o suficiente para fugirem da criatura. Claire viu a criatura a arrancar a pele das bestas, estas ainda vivas e a gritar de dor e a sugar cada camada de carne que lhe surgia à frente.
O choque cessado, entrou o terror. A criatura havia morto as bestas em poucos segundos e agora virava-se para ela. E ela então soube que as bestas foram apenas o petisco. Ela era o prato principal. Porque era pura. Não de corpo, mas de alma. Kedar nunca dissera como conseguira aquela criatura, pois não fora ele que a capturara.
Fora Claire.
Mais ninguém sabia, apenas Kedar. Talvez porque Claire temia aquela criatura muito mais do que outra. Talvez mais do que a sua irmã.
Assim que sentiu os olhos da criatura em si, sentiu-se despida de qualquer tipo de poder e o medo dominou o seu corpo. De repente, não era a caçadora, mas sim a presa. Correu para a porta, não se dando ao trabalho de a fechar. Sabia que a criatura passaria por ela sem problemas. Quando chegou à sala, já o espirito estava ao lado dela, tentando tomá-la, levá-la para outro lado que ela não queria encontrar tao cedo. Fora ela que criara aquela criatura. Criara-a no pior momento da sua vida.
Quando usou magia para os seus próprios meios.
Salvara a vida de todos, no castelo dos De Roquette, mas amaldiçoara Claire para sempre. Ela conseguira prender o espirito numa das capas de Rose, que parecia ter absorvido parte da magia dela o suficiente para o prender, mas quase que perdera a sua vida pelo caminho. A vida de uma jovem, infelizmente, não fora salva e Claire culpara-se toda a vida por isso. Claire conhecia-a porque era a única rapariga da sua idade nas cortes das Terras Altas.
Lilianna.
Fora a única criança, com exceção de Melanie e Rose, com quem ela alguma vez brincara. Ela estivera com ela desde o dia em que Rose fugira. A sua família tentava consolar Hélene e, mais tarde, protegerem-se a si próprios. Infelizmente, todos morreram num espaço de anos. Lilianna fora morta pelo mesmo espirito que agora tentava prendê-la contra a parede, lutando contra os movimentos frenéticos de Claire em fugir. Quando encontrou Kedar, deu-lhe o espirito, afirmando não querer ter nada a ver com aquilo. Não queria voltar a ver a criatura que matara e mutilara o corpo de uma menina que, se não pudesse ser considerada sua amiga, era pelo menos inocente. Não fazia parte dos nobres que Rose passar a vida a detestar. E Claire sabia que ela nunca seria igual aos outros. Seria igual a Claire. Não fosse a sua morte, Claire teria talvez mais uma amiga. Talvez uma poderosa aliada.
Mas Lilianna estava morta. E agora, enfrentando aqueles olhos vermelhos, via o seu assassino pela primeira vez em quase seis anos e via também o rosto radiante dela, os seus olhos verdes a brilhar de entusiasmo. Os mesmos olhos verdes que ela vira abertos em pavor enquanto ela perdia a vida. Por causa de Claire.
Como é que ela se esquecera? Como é que aquela culpa e remorso pudera existir na sua alma durante estes anos sem que ela os pudesse identificar. Era por isso que ela era fria, incapaz de controlar as emoções, incapaz de se entender. Aquela criatura era a prova de como a vida dela fora alterada de uma forma inimaginável quando ela e Rose encontraram magia pela primeira vez.
Distraída, tropeçou numa cadeira de madeira e caiu no chão. A criatura aproximava-se dela. Claire empalideceu, se mais fosse possível. Tentou proteger-se com as restantes cadeiras, mas a criatura conseguiu atingir-lhe na perna. Claire gritou de dor, ao sentir pedaços da pele da perna a serem arrancados. Em desespero, pontapeou a mesa e empurrou-a para cima da criatura a tempo de a distrair. Sabendo que senão fosse rápida teria o mesmo fim que as bestas e Lilianna, Claire correu para a porta que ela antes protegera com o seu punhal, mancando ligeiramente. Fechou-a e esperou. A magia era fatal para o espirito tal como a água era fatal para o fogo. Algo mergulhado em magia iria impedi-lo de avançar, mas aquela porta recebera mais magia do que a necessária, o seu efeito podendo ser ouvido segundos depois de ter sido fechada. Claire sentiu o estrondo de um corpo meio sólido contra a porta, seguido de um grito agonizante, como o som de um ser torturado. Claire apoiou-se na porta, temendo que esta abatesse-se, fechando as pálpebras e esperando que a criatura parasse. Os gritos mortais do espirito penetraram na porta e no corpo da jovem, fazendo-a tremer da cabeça aos pés.
E de repente, tudo parou. Só se ouvia um pesado silêncio.
Claire afastou-se da porta, lentamente. Ficou quieta no meio da sala, temendo o seu redor. Temendo que algo lhe roubasse aquele alívio de sobrevivência.
De repente, sucumbiu à dor, caindo de joelhos no chão. Lágrimas caíram do seu rosto e ela nem sequer tentou travá-las. Os seus músculos estavam doridos, mal sentia a perna, cujo corte salpicara o chão com sangue e as suas roupas estavam rasgadas dos vários golpes que sofrera.
Sentou-se e observou a ferida que a criatura deixara. Ardia como se lhe tivesse deitado água ardente e a carne vermelha podia ser visível, com sangue coagulando nas beiras. Tinha o tamanho de dois polegares, fazendo uma enorme mancha encarnada na perna branca dela. Mais sangue saiu da ferida, algum caindo no chão, outro deslizando pela perna. Suspirando, Claire agarrou na bainha rasgada do vestido e cortou-a por completo. Limpou o excesso de sangue na perna e envolveu o tecido na ferida, dando um nó. Ergueu-se com dificuldade. Estava cansada e perna estava dorida. O vestido agora dava-lhe pouco abaixo do joelho, mas ela pouco se importa. Os seus olhos voltaram-se para a porta mais uma vez.
Enfrentar um mal desconhecido do seu passado, trouxera outros males ao de cima. Ela sempre achara que jamais esqueceria os males que ocorreram na sua vida.
O quão ingénua fora.
A sua mente, saturada de dores e traumas, encerrara alguns males que perfuraram o seu coração. E só de pensar naquilo que se esquecera, deu-lhe vontade de desistir, fugir e nunca mais voltar. Como pudera se esquecer daquela que perdera a vida por causa dela? De como a vida de uma inocente fora roubada porque ela tentara fazer o mesmo que Rose?
Rose, Rose, Rose…
Tudo tinha a ver com ela, não?
Sabem quando alguém tem uma epifania e, de repente, várias ideias lhe fazem sentido? Aquilo que planeia ganha contornos, ganha sentido? Pois, chegara o momento de Claire saber o que era. Os seus planos foram todos desmoronados gradualmente, até agora.
Naquele momento, soube que nenhum das suas ideias originais alguma vez funcionaria, que a sua hesitação levaria à morte de muitos e que, principalmente, aquilo pelo qual lutava precisava dela.
Como acabar com aquilo? Após todas as soluções que tentara encontrar, quando estivera perto das rosas chegara à conclusão de só havia uma forma de terminar com esta guerra. Apenas a sua consciência hesitara.
Mas não agora. Nunca mais.
Claire avançou pelos corredores até ao túnel especial, parando apenas para verificar se o seu punhal se encontrava protegido nas suas vestes.
Quando chegou perto dos outros, pegou na primeira capa que lhe veio à mão e saiu, ignorando os apelos de Kedar e outros. O ar pesado besuntava a sujeira, sangue, dor, medo, derrota. Um pequeno brilho de sol refletiu a luz nos seus cabelos soltos, escapando-se por entre as nuvens negras.
Olhou o campo de batalha por uns segundos, tentando ver se encontrava Raphael no meio deles. Colocou o capuz, ainda que fosse inútil. Um homem observava-a, como se ela fosse um anjo. Claire sabia que a sua imagem estava longe disso, mas não conseguiu evitar olhar para o homem com um pedido silencioso. Este pareceu entender e apontou um dedo para o horizonte.
Para o castelo.
Erguendo o queixo, determinada, Claire suspirou e começou a correr.
Muitos haviam padecido, mas outros haviam recuperado, limpando as feridas e travando as perdas de sangue antes de voltar para o campo de batalha. Os homens de Bruno eram os mais difíceis de cuidar, pois tentavam saltar para o campo de batalha o mais depressa possível, afirmando não querer arriscar a perda de mais companheiros.
O homem que elas seguravam era um deles. As duas só conseguiram deitá-lo num canto porque este tinha a perna aleijada e não conseguia erguer-se sozinho.
-Deixem-me ir. Eu estou bem. Cuidem dos outros. – Resmungava sem rodeios, dificultando o trabalho das duas jovens. Melanie pediu a Claire para lhe segurar na perna, que sangrava fortemente, enquanto ela tentava limpar a ferida. Os olhos do homem seguiam as mãos de Melanie, muito abertos e cautelosos, como se temesse que Melanie lhe pudesse amputar a perna. Infelizmente, a probabilidade de isso acontecer era grande.
-Acalma-te, ou ainda te corto a perna! – Silvou Melanie, o seu temperamento claramente a subir ao ver o homem a remexer-se. Claire nunca vira a amiga tão frustrada como agora. As mãos dela tremiam, enquanto tentava limpar a ferida e evitar a perda de mais sangue. Claire sentiu uma estranha sensação no estomago, ao ver duas lágrimas frustradas caírem do rosto de Melanie. Ao fim do que parecia horas, ela mantinha-se impasse e tentava ajudar os outros. Até que viu aquelas lágrimas. Aquele sinal de fraqueza de que aquela guerra estava a afetar toda a gente, inclusive a rapariga que sempre fora o pedregulho que a protegera dos males exteriores desde que a irmã desaparecera. Claire sentiu-se inútil e afligida. Levantou-se do chão e afastou-se do homem e de Melanie. Agora choravam os dois.
Claire apoiou-se na parede. Aquele estado de apatia poderia custar vidas, mas ela só pensava numa. Desde que tudo aquilo começara que ela só pensava nele. Mas uma coisa era pensar na cara do amado e ansiar que ele retornasse. Outra coisa era embater no chão real ao se aperceber que a ideia de ele não voltar estava cada vez mais nítida, em frente aos seus olhos. E ela, a tão aclamada de salvadora, estava ali a cuidar dos feridos, quando havia probabilidades de em pouco tempo nem haver homens para ajudar.
Sabia que estava a atrasar o inevitável. Tinha que enfrentar Rose. Mas os riscos eram tais, os sacrifícios… O medo era enorme e consumia-a por inteiro. Era aquele efeito que Rose sempre tivera nela. Nunca poderia pensar por si própria com ela por perto. Uma espécie de cabeça pensadora que ordenava nela, tal como os seus pais assim fizeram antes. Aquela que a manipulava desde cedo, forçando-a a odiar aqueles que a tratavam tal como ela. Pondo-a numa posição que ela nunca quis.
Rose nunca desaparecera naquela noite. Estivera sempre com ela, enfraquecendo-a e moldando-a do modo que ela queria. Ela tornara-se aquilo que era por causa dela. A dura realização embateu nela, fazendo-a encolher-se mais na parede. Seria possível? Que Rose moldara a sua inimiga para que nunca fosse derrotada? Disparates, só disparates. Rose sabia dos Fados, sabia que Claire era a salvadora do povo. Mas nunca soubera que ela seria o mal do qual Claire teria que os salvar.
Talvez se tivesse apercebido naquela noite. Mas isso não confirmava de que ela sabia da verdade. Ninguém soubera até esse momento.
Só os Fados, malditos sejam!
De repente, Claire escutou passos, vindos dos corredores. Alguém corria na sua direção. No meio daquele distúrbio, fora a única a reparar no olhar horrorizado de uma menina com pouco mais que sete anos.
-Majestade, Majestade, eles vêm aí!
-Eles quem? – Perguntou Claire, horrorizada. Mas quem poderia vir? Do outro lado, tinham apenas a entrada na clareira do velho carvalho.
Os olhos de Claire aumentaram consideravelmente de tamanho. É claro! Aquela entrada estava agora desprotegida, salvo aquela porta falsa. A menina agarrou-se às saias de Claire, tentando puxá-la com ela. Claire deixou-se ir, correndo com a menina. Sabia o que tinha a fazer.
Fora um dos planos iniciais quando o povo havia construído as Tocas, base da Resistência. Claire tinha apenas que tomar as precauções necessárias.
O corredor parecia mais comprido do que nas outras milhares de vezes que Claire o percorrera. Tentava não pensar no que estava a fazer e nas consequências. Talvez trouxesse vantagens para todos, mas ao lembrar-se do que estaria prestes a libertar, só se lembrava de Raphael. Daquilo que ele não sabia, daquilo que ela não lhe dissera. O tempo jogava contra ela, tinha que salvar todos. Mas poderia ainda ter tempo para salvar o homem que ela amava? Salvar Bruno, que a apoiara quando ela precisara? E Michel, que Claire sabia que amava Melanie. Nunca contara isso à amiga e só naquele jantar é que tivera as confirmações das suas suspeitas. E fora também naquele jantar que tudo acontecera.
O medo de Raphael morrer, mesmo sabendo que ela queria estar casada aumentava a cada minuto. Ela não dissera tudo o que tinha a dizer. Não dissera que o amava todas as vezes que queria. Aquelas palavras eram tão novas na sua boca, queria poder repeti-las. Dizê-las… e ouvi-las.
Quando chegou ao quarto onde as crianças estavam escondidas, encontrou Tanya, a adulta responsável por eles. Esta fitou-a nervosa.
-Claire… - começou, mas Claire cortou-a.
-Tira as crianças daqui. Leva-as para a sala de treinos mais próxima do túnel.
Tanya não parecia perceber porque Claire os mandava para ali, mas sabia que não podia discordar com o olhar frio e determinado de Claire.
Esta sentiu as crianças a passarem por ela, todas de mãos dadas e em silêncio, as mais velhas segurando os bebés nos braços com o máximo de cuidado que podiam. O seu coração pesou ao ver que muitas estavam bem próximas da sua idade e os seus arres assustados eram semelhantes aos das donzelas em apuros das histórias que ela sempre se divertira a contar às crianças. Ela nunca fora uma donzela em apuros. E agora perguntava-se se as coisas não seriam bem mais simples se assim fosse. Esperar que alguém a salvasse, não tendo que tomar as decisões difíceis, nem assumir as responsabilidades.
Assim que viu que o quarto estava vazio, pegou no seu punhal e dirigiu-se para a entrada, não parando para olhar para os objetos à sua volta. Podia ouvir fracamente o som de animais a aproximarem-se vindo do exterior. Quando chegou à sua sala, antes da entrada, pegou no punhal e murmurou as mesmas palavras que murmurara em Niflheim quando transformava Raphael num homem outra vez. O punhal brilhou um pouco, pois ela não queria demasiada energia. Um pouco chegava, considerando que a madeira vinha da mesma árvore onde o Helgardh perdera as suas barbas.
Inspirou fundo, preparando-se para o que vinha a seguir. Tinha que distrair as bestas se queria passar pela porta que se encontrava atrás dela. Mas ela era apenas uma. Não poderia atacar aquelas bestas sozinha.
Iria morrer.
Uma lágrima caiu-lhe do rosto e, antes que algo a fizesse mudar de ideias, correu para a entrada, onde as bestas tentavam encontrar as Tocas, desconhecendo de que havia ali uma porta que lhes permitia a entrada no esconderijo. Imaginar a irmã capaz de mandar bestas para matar centenas de inocentes, crianças como ela uma vez fora inclusive, fez Claire cerrar os olhos e os dentes em cólera. Raiva por aquela que se chamava de sua irmã.
Abriu a porta o mais depressa que pôde e saltou para a clareira, enfrentando quase duas dúzias de bestas. Tomada de choque pelo vasto número, Claire quase que era atacada na anca por uma das bestas, que rugira em excitação. Aliás, todos rugiam em contentamento. E ela sabia porquê.
Por fim havia carne fresca.
Claire pegou no punhal com as duas mãos e cortou a carcaça da besta mais próxima, esta caindo morta no chão e o seu sangue vermelho se espalhando pela clareira. Mais bestas tentavam cercá-la e tomá-la, mas ela recusou-se a desistir. Correu o máximo que pôde por entre as árvores. O facto de ela ser pequena e ágil serviu-lhe em favor. As bestas atacavam-na, mas máximo que fizeram foi alguns cortes de raspão com espadas e machados.
O seu vestido rasgou-se na bainha, ficando mais curto. Parte dos joelhos de Claire estavam agora expostos e ensanguentados. Em pânico, procurou o carvalho. Estava do outro lado. Pegou numa das espadas das bestas caídas no chão e, guardando o punhal rapidamente por entre as suas vestes, aproximou-se da besta que vinha contra ela e cortou-lhe a cabeça, esta voando até cair no chão, já completamente podre. Protegendo a sua lateral e atacando na dianteira, Claire conseguiu deitar mais três bestas no chão e aproximar-se da entrada do carvalho. Amaldiçoou-se por se ter afastado. Tal poderia ter custado a sua vida.
Correndo o máximo que pôde, até ver a porta que se encontrava à sua frente. Sem hesitar, deu um forte golpe. Ouviu-se um rugido do outro lado. As bestas pararam, os seus instintos animalescos avisando-os para se afastarem. Mas Claire foi mais rápida. Num folego, abriu a porta.
Uma criatura completamente negra, sem corpo formado, saiu da porta, como um espirito finalmente libertado. Envolveu a clareira em pleno vapor negro e Claire viu, horrorizada, uns olhos vermelhos no meio daquele fumo negro e intoxicante. A criatura voou em direção às bestas, que rugiram em pavor e começaram a afastar-se, mas não rápido o suficiente para fugirem da criatura. Claire viu a criatura a arrancar a pele das bestas, estas ainda vivas e a gritar de dor e a sugar cada camada de carne que lhe surgia à frente.
O choque cessado, entrou o terror. A criatura havia morto as bestas em poucos segundos e agora virava-se para ela. E ela então soube que as bestas foram apenas o petisco. Ela era o prato principal. Porque era pura. Não de corpo, mas de alma. Kedar nunca dissera como conseguira aquela criatura, pois não fora ele que a capturara.
Fora Claire.
Mais ninguém sabia, apenas Kedar. Talvez porque Claire temia aquela criatura muito mais do que outra. Talvez mais do que a sua irmã.
Assim que sentiu os olhos da criatura em si, sentiu-se despida de qualquer tipo de poder e o medo dominou o seu corpo. De repente, não era a caçadora, mas sim a presa. Correu para a porta, não se dando ao trabalho de a fechar. Sabia que a criatura passaria por ela sem problemas. Quando chegou à sala, já o espirito estava ao lado dela, tentando tomá-la, levá-la para outro lado que ela não queria encontrar tao cedo. Fora ela que criara aquela criatura. Criara-a no pior momento da sua vida.
Quando usou magia para os seus próprios meios.
Salvara a vida de todos, no castelo dos De Roquette, mas amaldiçoara Claire para sempre. Ela conseguira prender o espirito numa das capas de Rose, que parecia ter absorvido parte da magia dela o suficiente para o prender, mas quase que perdera a sua vida pelo caminho. A vida de uma jovem, infelizmente, não fora salva e Claire culpara-se toda a vida por isso. Claire conhecia-a porque era a única rapariga da sua idade nas cortes das Terras Altas.
Lilianna.
Fora a única criança, com exceção de Melanie e Rose, com quem ela alguma vez brincara. Ela estivera com ela desde o dia em que Rose fugira. A sua família tentava consolar Hélene e, mais tarde, protegerem-se a si próprios. Infelizmente, todos morreram num espaço de anos. Lilianna fora morta pelo mesmo espirito que agora tentava prendê-la contra a parede, lutando contra os movimentos frenéticos de Claire em fugir. Quando encontrou Kedar, deu-lhe o espirito, afirmando não querer ter nada a ver com aquilo. Não queria voltar a ver a criatura que matara e mutilara o corpo de uma menina que, se não pudesse ser considerada sua amiga, era pelo menos inocente. Não fazia parte dos nobres que Rose passar a vida a detestar. E Claire sabia que ela nunca seria igual aos outros. Seria igual a Claire. Não fosse a sua morte, Claire teria talvez mais uma amiga. Talvez uma poderosa aliada.
Mas Lilianna estava morta. E agora, enfrentando aqueles olhos vermelhos, via o seu assassino pela primeira vez em quase seis anos e via também o rosto radiante dela, os seus olhos verdes a brilhar de entusiasmo. Os mesmos olhos verdes que ela vira abertos em pavor enquanto ela perdia a vida. Por causa de Claire.
Como é que ela se esquecera? Como é que aquela culpa e remorso pudera existir na sua alma durante estes anos sem que ela os pudesse identificar. Era por isso que ela era fria, incapaz de controlar as emoções, incapaz de se entender. Aquela criatura era a prova de como a vida dela fora alterada de uma forma inimaginável quando ela e Rose encontraram magia pela primeira vez.
Distraída, tropeçou numa cadeira de madeira e caiu no chão. A criatura aproximava-se dela. Claire empalideceu, se mais fosse possível. Tentou proteger-se com as restantes cadeiras, mas a criatura conseguiu atingir-lhe na perna. Claire gritou de dor, ao sentir pedaços da pele da perna a serem arrancados. Em desespero, pontapeou a mesa e empurrou-a para cima da criatura a tempo de a distrair. Sabendo que senão fosse rápida teria o mesmo fim que as bestas e Lilianna, Claire correu para a porta que ela antes protegera com o seu punhal, mancando ligeiramente. Fechou-a e esperou. A magia era fatal para o espirito tal como a água era fatal para o fogo. Algo mergulhado em magia iria impedi-lo de avançar, mas aquela porta recebera mais magia do que a necessária, o seu efeito podendo ser ouvido segundos depois de ter sido fechada. Claire sentiu o estrondo de um corpo meio sólido contra a porta, seguido de um grito agonizante, como o som de um ser torturado. Claire apoiou-se na porta, temendo que esta abatesse-se, fechando as pálpebras e esperando que a criatura parasse. Os gritos mortais do espirito penetraram na porta e no corpo da jovem, fazendo-a tremer da cabeça aos pés.
E de repente, tudo parou. Só se ouvia um pesado silêncio.
Claire afastou-se da porta, lentamente. Ficou quieta no meio da sala, temendo o seu redor. Temendo que algo lhe roubasse aquele alívio de sobrevivência.
De repente, sucumbiu à dor, caindo de joelhos no chão. Lágrimas caíram do seu rosto e ela nem sequer tentou travá-las. Os seus músculos estavam doridos, mal sentia a perna, cujo corte salpicara o chão com sangue e as suas roupas estavam rasgadas dos vários golpes que sofrera.
Sentou-se e observou a ferida que a criatura deixara. Ardia como se lhe tivesse deitado água ardente e a carne vermelha podia ser visível, com sangue coagulando nas beiras. Tinha o tamanho de dois polegares, fazendo uma enorme mancha encarnada na perna branca dela. Mais sangue saiu da ferida, algum caindo no chão, outro deslizando pela perna. Suspirando, Claire agarrou na bainha rasgada do vestido e cortou-a por completo. Limpou o excesso de sangue na perna e envolveu o tecido na ferida, dando um nó. Ergueu-se com dificuldade. Estava cansada e perna estava dorida. O vestido agora dava-lhe pouco abaixo do joelho, mas ela pouco se importa. Os seus olhos voltaram-se para a porta mais uma vez.
Enfrentar um mal desconhecido do seu passado, trouxera outros males ao de cima. Ela sempre achara que jamais esqueceria os males que ocorreram na sua vida.
O quão ingénua fora.
A sua mente, saturada de dores e traumas, encerrara alguns males que perfuraram o seu coração. E só de pensar naquilo que se esquecera, deu-lhe vontade de desistir, fugir e nunca mais voltar. Como pudera se esquecer daquela que perdera a vida por causa dela? De como a vida de uma inocente fora roubada porque ela tentara fazer o mesmo que Rose?
Rose, Rose, Rose…
Tudo tinha a ver com ela, não?
Sabem quando alguém tem uma epifania e, de repente, várias ideias lhe fazem sentido? Aquilo que planeia ganha contornos, ganha sentido? Pois, chegara o momento de Claire saber o que era. Os seus planos foram todos desmoronados gradualmente, até agora.
Naquele momento, soube que nenhum das suas ideias originais alguma vez funcionaria, que a sua hesitação levaria à morte de muitos e que, principalmente, aquilo pelo qual lutava precisava dela.
Como acabar com aquilo? Após todas as soluções que tentara encontrar, quando estivera perto das rosas chegara à conclusão de só havia uma forma de terminar com esta guerra. Apenas a sua consciência hesitara.
Mas não agora. Nunca mais.
Claire avançou pelos corredores até ao túnel especial, parando apenas para verificar se o seu punhal se encontrava protegido nas suas vestes.
Quando chegou perto dos outros, pegou na primeira capa que lhe veio à mão e saiu, ignorando os apelos de Kedar e outros. O ar pesado besuntava a sujeira, sangue, dor, medo, derrota. Um pequeno brilho de sol refletiu a luz nos seus cabelos soltos, escapando-se por entre as nuvens negras.
Olhou o campo de batalha por uns segundos, tentando ver se encontrava Raphael no meio deles. Colocou o capuz, ainda que fosse inútil. Um homem observava-a, como se ela fosse um anjo. Claire sabia que a sua imagem estava longe disso, mas não conseguiu evitar olhar para o homem com um pedido silencioso. Este pareceu entender e apontou um dedo para o horizonte.
Para o castelo.
Erguendo o queixo, determinada, Claire suspirou e começou a correr.
Espero por ti em cada segundo , porque tu és o meu mundo!

Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
Visitem a minha 1ª Fic ----->The Four elements

Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
Visitem a minha 1ª Fic ----->The Four elements
Raphael olhou em volta, tentando encontrar sinais de inimigos. As salas vastas e frias pareciam esconder inimigos em todos os cantos e ele soube que um passo em falso seria a morte. As bestas eram métodos arcaicos. Rose era esperta a ponto de colocar as melhores proteções junto dela. Ou então de as criar no momento oportuno.
Os três homens caminharam pelos corredores evitando fazer o mínimo dos barulhos, deitando um olhar em todas as direções.
Chegaram a uma espécie de cruzamento para diversas salas naquele vasto castelo. Raphael preparava-se para seguir em frente, quando Bruno tocou no ombro do irmão, chamando-lhe a atenção para a direita deles. Uma das tochas estava acesa. Raphael considerou as suas hipóteses. Podia ordenar o irmão e Michel irem naquela direção, para segurança, pois algo lhe dizia que Rose encontrava-se è sua frente.
-Vão por ali. Eu vou por aqui. – Murmurou para os outros dois.
Bruno semicerrou os olhos, desconfiado.
-Porque não vens connosco? – Perguntou, também falando num tom baixo.
-Pretendo cercá-la. Vão vocês os dois à frente e eu por outra direção.
Nenhum dos dois estava convencido, mas sabiam que não podiam discutir com Raphael naquelas circunstâncias. Suspirando inutilmente, os outros dois viraram à direita, deixando o mais velho para percorrer a frente.
Raphael tinha dificuldade em ver o seu horizonte, mas recusou-se a acender uma tocha para iluminar o seu caminho.
Percorreu o seu caminho calmamente, guiado pelo seu instinto. Uma estranha corrente de ar provocou-lhe um calafrio, mas nem assim hesitou. Sabia que a vida de Claire dependia de si. Ele não era estúpido. Claire era dita como sendo a única capaz de destruir Rose, crescera ouvindo sempre a mesma coisa, casara-se com ele por causa desse destino fatal. Por isso mesmo sabia que Claire tentaria entrar no castelo. Quando? Ele pedia apenas que demorasse o máximo tempo possível. Quem sabe ele pudesse enganar os Fados. Além disso, se não pudesse matar Rose, ao menos que a incapacitasse. Claro que, para isso, precisava de encontrar a agora apelada de Rainha Negra.
Tal como se os Fados tivessem um aprazimento em gozar com a cara dele, Raphael viu-se junto a um lance de escadas. Soube aonde elas o levariam só de olhar pela janela. Ergueu os olhos para cima, procurando sinais de vida. Foi respondido com silêncio.
Inspirando fundo, tentou armazenar o máximo de coragem que precisava para a atitude suicida que se seguiria. Subiu as escadas lentamente, tentando ocultar o som dos seus passos no solo de pedra, que ecoava por toda a área vazia.
Os seus olhos, já habituados à escuridão, notaram logo num pequeno cruzamento, que dava para dois quartos. Não precisou de pensar para se decidir para qual iria. Um vulto ao longe, no quarto esquerdo, decidiu por si.
Avançou calmamente em direção à figura alta, vestida de um manto negro. Cabelos ruivos brilhavam intensamente apenas com a luz da trovoada que começava a rebentar no exterior. Tal como suspeitava, ela ficara a observar a batalha o tempo todo. Parou e engoliu em seco. A Rainha Negra virou-se lentamente.
Anos de exilio transformaram Rose De Roquette completamente. Ainda que a sua beleza tivesse atingido o seu auge à idade de vinte e cinco luas, os olhos deixaram de ser belos e misteriosos, mas sim secos e monstruosos, mostrando a todos a alma da pessoa que os possuía. A pele dela estava ainda mais pálida que Claire, dando-lhe um ar adoentado apenas extinto com a raiva e força exprimida nos olhos. As roupas negras tapavam-lhe o corpo por inteiro, mas Raphael só tinha olhos para o rosto frio daquela mulher com vários nomes. Rose, Scarlett, Rainha Negra… tantos nomes, tantas identidades.
A filha mais velha dos nobres mais poderosos das Terras Altas, a irmã carinhosa de Claire, o monstro que arruinou a própria família.
Raphael sentiu-se como na ultima vez que a vira. Fraco, incapacitado de movimento. Rose fitou-o silenciosamente, o vento vindo das aberturas da torre soprando solitariamente nas paredes, enquanto chuva caía no exterior.
E é nesta altura em que vemos a nossa Rainha Negra pela primeira vez, sabendo como ela fora afetada com tudo o que acontecera durante os últimos anos. Se os Fados fossem honestos consigo próprios, assumiriam as culpas de tudo o que acontecera. A ambição e o ódio de Rose foram provocados por Eles e só Eles. Rose era tanto peão como a irmã. Um peão que chegara ao outro lado do tabuleiro mais cedo, tentando sobreviver. Todavia, o vencedor estava sozinho, deformado pelo poder e pelo ódio.
Rose De Roquette morrera treze anos antes. A partir do momento em que saíra do castelo onde crescera, a bela primogénita dos De Roquette deixara de existir. O abismo nunca estivera tão perto. O peso da solidão existia aos seus pés e uma metafórica gaiola cercava-a como um simples pássaro. Rose soubera naquele momento que ganhara uma inimiga. Logo aquela que ela jurara proteger com a sua própria vida. Aquela que mais amava.
Claire De Roquette.
E essa rapariga iria pagá-las. Não iria arruinar tudo aquilo pelo qual ela tanto sacrificara e lutara. Ela criara aquele império solitário por sua própria escolha. Ela sempre soubera do ataque da Resistência, mas aquele ataque das bestas era apenas um plano de distração. Pois ela sabia que as duas pessoas que ela queria ver iriam tentar entrar no castelo.
Bruno e Claire.
E o plano era simples. Matar o príncipe das Terras Baixas, que a rebaixara no pior momento possível da sua vida, e neutralizar Claire. Fazer vê-la que ela não era Claire De Roquette, a inimiga dela, mas sim Bianca, a sua preciosa irmã. Não poderia perder a irmã, mas também não poderia viver com a sua inimiga.
Ao mirar Raphael, teve que admitir que não esperava vê-lo ali. Algo na forma como ele olhava para ela deu-lhe a entender que ele ainda a temia. Mas havia algo mais… Como é que ele voltara ao normal? Só Claire poderia tê-lo ajudado. Porque é que ela ajudaria o homem que ela fora forçada a casar? Teria a manipulado?
-Porque não desistimos desta farsa? – Disse ela calmamente, a sua voz rouca e suave, quase sedutora. Raphael semicerrou os olhos, o seu corpo em alerta para um eventual ataque. – Sabemos perfeitamente o que irá acontecer esta noite. Os Fados assim o ditaram…
-Os Fados… - murmurou Raphael, exasperado. Fazendo emergir a sua coragem, enfrentou-a pela primeira vez, sem qualquer efeito de sedução ou feitiço. – Aquilo que os Fados traçam não é o que irá acontecer mas sim o que nós fazemos que aconteça. Não sabes se irás ganhar!
Rose ergueu uma sobrancelha ruiva.
-E acreditas que ganhas? Anos como ursos mudaram-te… tornaram-te ainda mais arrogante do que já eras. Acreditas mesmo que és capaz de me derrotar? Eu, que possuo o poder das Terras, a magia no seu estado mais poderoso. Anos antes não conseguiste, diz-me Raphael, qual é a diferença de agora?
Raphael sabia que estava a brincar com o fogo e a assinar a sua própria sentença de morte, mas não podia deixar de ser sincero.
-Claire.
Os olhos de Rose perderam o resto do encanto que ainda possuíam. O seu rosto ilusoriamente frágil tornou-se rijo como pedra. Uma áurea negra preencheu a sala e Raphael agarrou o punho da sua espada, observando o forte vento escuro que circulava a sala como um pequeno tornado. A nuvem negra agarrava-se às paredes e era pintada de umas toneladas de purpura e negro. Raphael sentiu o ar a escassear, mas Rose mal se mexeu.
De repente, a nuvem começou a juntar-se e a adquirir algo semelhante a uma criatura, ainda que não tivesse contornos. Raphael empalideceu quando viu o que mais pareciam ser semelhantes a pálpebras. E uns olhos vermelhos abriram-se.
Escadas abaixo, Bruno e Michel procuravam o caminho para a torre, correndo apressadamente pelos corredores. Todo a discrição fora esquecida quando ouviram um barulho estranho vindo de cima.
-Raphael deve ter encontrado a Rainha Negra. – Sussurrou Bruno, os olhos abertos em pânico e preocupação. Michel engoliu em seco e agarrou o punho da mesma forma que Raphael fazia o mesmo, andares a cima.
-Temos que encontrar as escadas! – Disse Bruno, suor frio escorrendo da sua testa. O som das passadas dos dois homens podia avisar qualquer outra pessoa da presença dos dois, mas eles quase que desejavam encontrar alguém. Aquele desconhecido começava a incomodá-los. As escadas nunca pareceram tão longe.
Como estavam a correr, Bruno mal ouviu o som de passadas vindas do outro lado. Instintivamente ergueu a espada e atacou a esquina, tentando atingir o adversário. O atiro no escuro fora certeiro, fora o facto de o seu adversário ter um punhal para impedir que a espada lhe acertasse no coração. Bruno fez força contra o punhal, mas descobriu que não seria assim tão fácil. Só parou quando Michel, que correra em seu auxílio, ofegava de queixo caído o adversário de Bruno.
-Claire!
Bruno deixou cair a espada ao mesmo tempo que o manto que cobria o rosto de Claire De Roquette cairá para trás, devido à força dos movimentos que a jovem fizera para se defender. Bruno notou vagamente que ela tinha o vestido branco rasgado e estava cheia de feridas, um corte maior na perna sendo o mais saliente.
-O que fazes aqui? – Perguntou Michel, repetindo os pensamentos de Bruno. Este apanhou a espada sem deixar de fitar a jovem. Esta arfava um pouco, mas não tardou a responder.
-Vocês sabem perfeitamente o quê. São estúpidos em pensar que me poderiam deixar ficar fora desta batalha.
-Claire! – Começou Bruno, mas Claire cortou-o.
-Não me interrompas, Bruno! Já fizeste demais. Esta batalha, antes de ser tua, é minha! E se vocês pensam que derrotam Rose desta forma, estão enganados. Vocês precisam de mim.
Claire falou com tanta determinação que Bruno deu por si a cometer o mesmo erro das outras vezes. Deixar Claire liderar. Porque é que ela não entendia que isso era trabalho de homem? Porque é que ela não entendia que, enquanto Rei, convinha-lhe a ele protegê-la. Porque é que ele não entende que ele estava a cumprir a promessa que fez ao irmão?
Podia ter dito essas palavras, mas não importava a época em que se vivia, homem que é homem nunca admitiria os seus sentimentos por inteiro. Mas Bruno desconhecia que Claire sabia o que ele queria dizer. Tantos anos na sua companhia ajudaram-na a entendê-lo como a palma da mão. O seu olhar suavizou ao ver o ar impotente dele, mas não podia deixar de se focar na sua missão. Ela ouvira o início da tempestade e sabia dentro de si que a verdadeira batalha ia agora começar.
Michel observou a interação entre cunhados, mas nada disse. Algo mais importante zumbia na sua mente.
-Como chegaste aqui tão depressa? Como trepaste as paredes? – Perguntou curioso. Bruno ergueu uma sobrancelha ao imaginar a imagem estúpida de uma mulher a trepar as paredes de pedra habilmente. Michel tinha um pensamento semelhante.
Claire lançou-lhes um olhar penetrante, sabendo o que é que eles estavam a pensar.
-Vim pelas passagens secretas. Todos os castelos têm. – Disse naturalmente. Bruno e Michel coraram levemente, embaraçados pela sua estupidez. Deviam ter-se lembrado disso.
Um grito chamou-lhes à atenção. Claire e Bruno empalideceram.
-Raphael. – Sussurraram os dois. Sem esperar, os dois correram, com Michel atrás, em direção às escadas que agora podiam ser vistas no fim do corredor.
Que batalha seria aquela em que o inimigo tinha grande vantagem em comparação ao outro lado? Como se Rose pertencesse ao lado do gelo, enquanto a irmã tentava queimar esse gelo com fogo, inutilmente.
Raphael fora apanhado de surpresa quando a criatura investira contra ele e parte da sua pele da perna esquerda fora arrancada. Caiu no chão e agarrou a perna sangrenta, o rosto contorcendo-se de dor. Ouviu o som distante de uma gargalhada feminina, que parecia florescer consoante os movimentos flutuantes da criatura. A criatura atacou de novo. Raphael teve apenas um segundo para se desviar, conseguindo com dificuldade. Ouviu o som distante de alguém a gritar o seu nome. Quando viu uma figura perto das escadas, tanto a criatura como Rose viraram-se para ela. Os olhos de Raphael esbugalharam-se quando viu o irmão e Michel junto à entrada. Quase que se tinha esquecido deles.
-Scarlett! – Chamou Bruno, olhando diretamente para Rose. Esta lançou-lhe um olhar penetrante e cheio de ódio. Raphael viu então qual dos irmãos das Terras Baixas provocava mais ira na primogénita De Roquette. – Esta luta não é com ele.
-Pois não. – Concordou Rose, com um sorriso sinistro. – Mas dar-me-á prazer arruiná-lo, tal como ele arruinou a minha irmã.
Ergueu a mão direita e lançou uma rajada de vento na direção dos dois homens. Michel quase que caía para trás, para cima de Claire que ouvia tudo, horrorizada.
Afinal, a primeira vez que ouvia a voz da irmã em anos e era uma ameaça à vida do marido. A criatura parecia comunicar com Rose por telepatia pois os dois homens mal se tinham endireitado com o feitiço ventoso quando a criatura os atacou. Raphael tentou erguer-se, vendo horrorizado a criatura tentar atingir os dois. O que ele não adivinhava era que a criatura ia direita a Claire. Em pânico, Bruno empurrou Claire contra a parede, quase que a esmagando, e a criatura acabou por atingir o braço de Michel. Este gritou de dor, desequilibrando-se nas escadas e caindo de costas. Claire ofegou, vendo o corpo do seu grande amigo cair pelas escadas abaixo, parando no fundo das escadas, inconsciente e uma pequena poça de sangue saindo do seu braço ferido.
Um muro de trepadeiras surgiu, bloqueando a saída da torre e Michel dos outros três.
Estavam cercados.
A criatura ainda encontrava-se na sala e parecia tentar decidir qual das duas presas atacar. Rose ergueu a mão, acalmando-a. Bruno olhou de relance para Claire e correu para junto do irmão, ajudando-o a levantar-se. Os olhos de Rose seguiram Bruno, ignorando a irmã.
-O que queres fazer, Scarlett? Uma luta até à morte? Não será honrado, considerando as bestas que usas! – Acusou Bruno, o seu olhar tão forte quanto o da rapariga. Tanto Raphael como Claire não entendiam o que se passava entre os dois.
-Tu também nunca jogaste limpo, Bruno. – Retorquiu a jovem. Enquanto Bruno exprimia todas as suas emoções nas suas palavras, Rose parecia impassível e estranhamente calma, não fosse o rosto e o brilho malicioso nos seus olhos a traí-la.
Bruno sorriu presunçosamente.
-Apenas joguei com as tuas regras. Tu é que iniciaste tudo quando me tiraste o irmão e o pai.
-Tu pediste a morte dele. – Respondeu Rose, nem um pouco alarmada da revelação para Raphael, que não escondia o espanto. – E, pelos vistos, o teu irmão desconhecia deste pequeno facto.
Bruno semicerrou os olhos, quase ofendido.
-Eu não pedi a morte dele. Desejei a sua morte perante a sua incapacidade em encontrar Raphael, mas nunca levaria a cabo tais planos.
-Tu usaste-me. – Agora Raphael conseguia ver o ódio nas palavras acusatórias de Rose.
-Não serei acusado dos meus pecados, quando eu próprio fui vítima de um. A tua avidez tirou-me o pai e quase que arruinou o meu reino. Arrependi-me de te ter ajudado após teres fugido do teu castelo quando nos fora avisado para te manter afastada da corte, visto correrem rumores de que tinhas sido tu que assassinaste Charles De Roquette. Tu usaste-me e eu paguei na mesma moeda.
-E agora eu farei o mesmo. – Sussurrou Rose, erguendo a mão. Os olhos da criatura fitaram os dois homens, exaltados pela grande presa em sua frente. Claire lembrou-se de Lilianna e do destino que quase partilhara com ela momentos antes. Tinha que fazer alguma coisa.
Agira tarde de mais.
O Caos reinou na torre. A criatura parecia multiplicar-se, quando era tudo apenas um efeito da magia de Rose. Tal como no passado, todas as peças de vidro partiram-se em mil e um pedaços no chão. Rose fitou os dois irmãos cruelmente. Raphael podia jurar que vira alguma coisa mais sentimental nos olhos da inimiga, ao mirar os dois irmãos envolvidos nos braços num do outro. Mas o quer que fosse, desapareceu como um trovão. Gotas de chuva entravam na torre sem janelas a impedir. O céu estava agora completamente negro, fora um ocasional trovão e o vento rebelde soprava em várias direções, fora de controlo, arrancado árvores pela sua raiz. Lá fora, a natureza tentava lutar contra a Rainha Negra, mas esta mal parecia afetada com aquele protesto natural.
-Nada vos salvará esta noite. O céu está negro, os Fados não vos podem contemplar. Desde pequena que conheço a minha sina e agora a reclamo. Eis a marca do Destino. Eis aquela que governará o mundo!
Tudo rodopiava em torno dos três, os pedaços de vidro voavam perpendicularmente, criando um efeito caleidoscópico que enganava com a sua beleza cortante.
A criatura atacou os dois. Bruno saltou para o lado e Raphael para o lado oposto. A criatura não parecia ter pressa para apanhar as suas presas, movimentando-se um tanto lento em comparação à besta que Claire enfrentara antes.
De súbito, Rose ergueu a mão de novo. Claire observou, horrorizada, a irmã criar mais criaturas medonhas diante dos seus próprios olhos, como se fosse algo do dia-a-dia. A sua alma estava tão danificada que toda a magia que ela possuía era tão negra como o céu noturno. Uma lágrima caiu no rosto furioso de Claire. Rose parecia determinada a fazê-la odiá-la. Decidida, decidiu esperar que Rose saísse da divisão, como saberia que iria fazer.
Pouco antes de chegar ao castelo, vira que os corpos das bestas eram numerosos em comparação aos dos soldados. E fora aí que entendera que fora tudo um plano para assassinar Bruno e atrair Claire para o castelo. Rose pretendia governar um mundo com habitantes do povo das duas Terras. Para tal, tinha primeiro que matar o último sobrevivente de sangue real e manter a irmã ao seu lado. Só depois o povo a aclamaria como Rainha.
Como esse raciocínio chegara tão depressa à cabeça de Claire, esta não sabia. Talvez devido à adrenalina ou talvez porque anos nunca apagariam a marca que Rose deixara nela. Rose ficaria para sempre na mente dela, a sua irmã mais velha, o monstro que arruinou inúmeras vidas, incluindo a dela e a da sua família.
Rose aborreceu-se de ver os dois irmãos a tentarem escapar das investidas da criatura e saiu da divisão, lançando as outras quatro criaturas para eles. Passou por Claire, cujos olhos olhavam a irmã petrificados e frios como o gelo. Depois, não perdendo mais tempo, apertou o punhal contra si e avançou.
Raphael foi o primeiro a ver Claire. Choque e pânico foi o que sentiu primeiro, mas não teve tempo para dizer o quer que fosse. Sem saber como ainda respirava, desviou-se de mais um ataque das criaturas. Estava lesionado, as criaturas chegariam a ele mais depressa. Ergueu-se com dificuldade e moveu-se para uma janela. Do outro lado, Bruno atirava os poucos objetos resistentes da divisão contra as criaturas, não sabendo como as destruir. Claire correu para junto de Raphael, que notou na ferida na perna, visto que a bainha do tecido havia sido encurtada.
-Afasta-te. – Disse apressadamente, empurrando Raphael para o lado o mais gentilmente possível. Este fê-lo, um pouco confuso, até que ouviu Claire murmurar palavras semelhantes de quando ele fora transformado em homem de novo. As frechas da janela brilharam por suaves momentos e Claire correu para a parede junto à porta, fazendo o mesmo que fez junto à janela. As criaturas tentavam atacar os três e tudo o que eles podiam fazer era desviarem-se. Bruno e Raphael estavam exaustos, e só a adrenalina os mantinha a correr. Todavia, não podiam deixar de deitar um olhar preocupado em Claire, que se movia apressadamente pelo quarto fazendo qualquer ritual que eles não tinham pouco ou quase nenhum conhecimento. Nenhum deles entendia porque Claire usava ao seu punhal para traçar aquele pedaço de magia.
As criaturas perderam a paciência. Duas foram em direção a Raphael, duas a Bruno outra a Claire. Esta traçou o punhal, ainda brilhante do procedimento naquela parte da torre circular, e apunhalou a criatura. Esta rugiu de dor, o seu som grutesco amplificando-se por toda a torre e ensurdando os outros três temporariamente. Claire segurou o punhal com toda a força que podia, não se atrevendo a largá-la. As outras criaturas olhavam Claire, com o mais parecido de medo que eles podiam sentir. Raphael não podia deixar de sorrir. Claire era sem dúvida a salvadora da escuridão.
A criatura apunhalada começou a dissolver-se em vapor escuro, até que desapareceu. Claire ofegou, surpreendida com o que acabara de fazer. Conseguira matar uma das criaturas apenas com o punhal. Elevou os olhos para as quatro criaturas restantes e viu o ódio nos olhos vermelhos delas. Engoliu em seco. Raphael, vendo o que elas planeavam fazer, correu para junto de Claire, com Bruno ao lado. Juntos, os dois irmãos cobriram o corpo de Claire como um escudo na mesma altura em que as criaturas atacaram. Esta aproveitou a distração para fugir para o outro canto. Ainda que não quisesse, era a única forma de conseguirem sair dali sem as criaturas no seu alcance. Bruno caiu no chão, o seu joelho a sangrar fortemente. Raphael puxou o irmão para o lado. A batalha era ridícula, pois nenhum dos dois tinha vantagens sobre as quatro criaturas e tudo o que podiam fazer era desviarem-se delas. Contudo, quando uma das criaturas notou na presença de Claire no outro lado, já era tarde demais.
Claire terminou o ritual naquele canto e então, todos os outros cantos brilharam e Bruno e Raphael puderam ver que Claire marcara cinco pontos na torre. Um pentágono, tal como o símbolo do barrete dos duendes, pensou Raphael surpreendido. Os cinco cantos brilharam fortemente e Claire aproveitou a hipótese para correr para junto dos outros dois.
-Temos que sair do quarto. – Gritou para os príncipes das Terras Baixas. Estes assentiram e ergueram-se. Raphael agarrou o braço de Claire e correu com ela. As criaturas flutuaram atrás dela e, sem nenhum deles estarem à espera, as quatro atacaram Raphael e Claire simultaneamente.
Um grito de dor agonizante e mortal percorreu a torre.
Os três homens caminharam pelos corredores evitando fazer o mínimo dos barulhos, deitando um olhar em todas as direções.
Chegaram a uma espécie de cruzamento para diversas salas naquele vasto castelo. Raphael preparava-se para seguir em frente, quando Bruno tocou no ombro do irmão, chamando-lhe a atenção para a direita deles. Uma das tochas estava acesa. Raphael considerou as suas hipóteses. Podia ordenar o irmão e Michel irem naquela direção, para segurança, pois algo lhe dizia que Rose encontrava-se è sua frente.
-Vão por ali. Eu vou por aqui. – Murmurou para os outros dois.
Bruno semicerrou os olhos, desconfiado.
-Porque não vens connosco? – Perguntou, também falando num tom baixo.
-Pretendo cercá-la. Vão vocês os dois à frente e eu por outra direção.
Nenhum dos dois estava convencido, mas sabiam que não podiam discutir com Raphael naquelas circunstâncias. Suspirando inutilmente, os outros dois viraram à direita, deixando o mais velho para percorrer a frente.
Raphael tinha dificuldade em ver o seu horizonte, mas recusou-se a acender uma tocha para iluminar o seu caminho.
Percorreu o seu caminho calmamente, guiado pelo seu instinto. Uma estranha corrente de ar provocou-lhe um calafrio, mas nem assim hesitou. Sabia que a vida de Claire dependia de si. Ele não era estúpido. Claire era dita como sendo a única capaz de destruir Rose, crescera ouvindo sempre a mesma coisa, casara-se com ele por causa desse destino fatal. Por isso mesmo sabia que Claire tentaria entrar no castelo. Quando? Ele pedia apenas que demorasse o máximo tempo possível. Quem sabe ele pudesse enganar os Fados. Além disso, se não pudesse matar Rose, ao menos que a incapacitasse. Claro que, para isso, precisava de encontrar a agora apelada de Rainha Negra.
Tal como se os Fados tivessem um aprazimento em gozar com a cara dele, Raphael viu-se junto a um lance de escadas. Soube aonde elas o levariam só de olhar pela janela. Ergueu os olhos para cima, procurando sinais de vida. Foi respondido com silêncio.
Inspirando fundo, tentou armazenar o máximo de coragem que precisava para a atitude suicida que se seguiria. Subiu as escadas lentamente, tentando ocultar o som dos seus passos no solo de pedra, que ecoava por toda a área vazia.
Os seus olhos, já habituados à escuridão, notaram logo num pequeno cruzamento, que dava para dois quartos. Não precisou de pensar para se decidir para qual iria. Um vulto ao longe, no quarto esquerdo, decidiu por si.
Avançou calmamente em direção à figura alta, vestida de um manto negro. Cabelos ruivos brilhavam intensamente apenas com a luz da trovoada que começava a rebentar no exterior. Tal como suspeitava, ela ficara a observar a batalha o tempo todo. Parou e engoliu em seco. A Rainha Negra virou-se lentamente.
Anos de exilio transformaram Rose De Roquette completamente. Ainda que a sua beleza tivesse atingido o seu auge à idade de vinte e cinco luas, os olhos deixaram de ser belos e misteriosos, mas sim secos e monstruosos, mostrando a todos a alma da pessoa que os possuía. A pele dela estava ainda mais pálida que Claire, dando-lhe um ar adoentado apenas extinto com a raiva e força exprimida nos olhos. As roupas negras tapavam-lhe o corpo por inteiro, mas Raphael só tinha olhos para o rosto frio daquela mulher com vários nomes. Rose, Scarlett, Rainha Negra… tantos nomes, tantas identidades.
A filha mais velha dos nobres mais poderosos das Terras Altas, a irmã carinhosa de Claire, o monstro que arruinou a própria família.
Raphael sentiu-se como na ultima vez que a vira. Fraco, incapacitado de movimento. Rose fitou-o silenciosamente, o vento vindo das aberturas da torre soprando solitariamente nas paredes, enquanto chuva caía no exterior.
E é nesta altura em que vemos a nossa Rainha Negra pela primeira vez, sabendo como ela fora afetada com tudo o que acontecera durante os últimos anos. Se os Fados fossem honestos consigo próprios, assumiriam as culpas de tudo o que acontecera. A ambição e o ódio de Rose foram provocados por Eles e só Eles. Rose era tanto peão como a irmã. Um peão que chegara ao outro lado do tabuleiro mais cedo, tentando sobreviver. Todavia, o vencedor estava sozinho, deformado pelo poder e pelo ódio.
Rose De Roquette morrera treze anos antes. A partir do momento em que saíra do castelo onde crescera, a bela primogénita dos De Roquette deixara de existir. O abismo nunca estivera tão perto. O peso da solidão existia aos seus pés e uma metafórica gaiola cercava-a como um simples pássaro. Rose soubera naquele momento que ganhara uma inimiga. Logo aquela que ela jurara proteger com a sua própria vida. Aquela que mais amava.
Claire De Roquette.
E essa rapariga iria pagá-las. Não iria arruinar tudo aquilo pelo qual ela tanto sacrificara e lutara. Ela criara aquele império solitário por sua própria escolha. Ela sempre soubera do ataque da Resistência, mas aquele ataque das bestas era apenas um plano de distração. Pois ela sabia que as duas pessoas que ela queria ver iriam tentar entrar no castelo.
Bruno e Claire.
E o plano era simples. Matar o príncipe das Terras Baixas, que a rebaixara no pior momento possível da sua vida, e neutralizar Claire. Fazer vê-la que ela não era Claire De Roquette, a inimiga dela, mas sim Bianca, a sua preciosa irmã. Não poderia perder a irmã, mas também não poderia viver com a sua inimiga.
Ao mirar Raphael, teve que admitir que não esperava vê-lo ali. Algo na forma como ele olhava para ela deu-lhe a entender que ele ainda a temia. Mas havia algo mais… Como é que ele voltara ao normal? Só Claire poderia tê-lo ajudado. Porque é que ela ajudaria o homem que ela fora forçada a casar? Teria a manipulado?
-Porque não desistimos desta farsa? – Disse ela calmamente, a sua voz rouca e suave, quase sedutora. Raphael semicerrou os olhos, o seu corpo em alerta para um eventual ataque. – Sabemos perfeitamente o que irá acontecer esta noite. Os Fados assim o ditaram…
-Os Fados… - murmurou Raphael, exasperado. Fazendo emergir a sua coragem, enfrentou-a pela primeira vez, sem qualquer efeito de sedução ou feitiço. – Aquilo que os Fados traçam não é o que irá acontecer mas sim o que nós fazemos que aconteça. Não sabes se irás ganhar!
Rose ergueu uma sobrancelha ruiva.
-E acreditas que ganhas? Anos como ursos mudaram-te… tornaram-te ainda mais arrogante do que já eras. Acreditas mesmo que és capaz de me derrotar? Eu, que possuo o poder das Terras, a magia no seu estado mais poderoso. Anos antes não conseguiste, diz-me Raphael, qual é a diferença de agora?
Raphael sabia que estava a brincar com o fogo e a assinar a sua própria sentença de morte, mas não podia deixar de ser sincero.
-Claire.
Os olhos de Rose perderam o resto do encanto que ainda possuíam. O seu rosto ilusoriamente frágil tornou-se rijo como pedra. Uma áurea negra preencheu a sala e Raphael agarrou o punho da sua espada, observando o forte vento escuro que circulava a sala como um pequeno tornado. A nuvem negra agarrava-se às paredes e era pintada de umas toneladas de purpura e negro. Raphael sentiu o ar a escassear, mas Rose mal se mexeu.
De repente, a nuvem começou a juntar-se e a adquirir algo semelhante a uma criatura, ainda que não tivesse contornos. Raphael empalideceu quando viu o que mais pareciam ser semelhantes a pálpebras. E uns olhos vermelhos abriram-se.
Escadas abaixo, Bruno e Michel procuravam o caminho para a torre, correndo apressadamente pelos corredores. Todo a discrição fora esquecida quando ouviram um barulho estranho vindo de cima.
-Raphael deve ter encontrado a Rainha Negra. – Sussurrou Bruno, os olhos abertos em pânico e preocupação. Michel engoliu em seco e agarrou o punho da mesma forma que Raphael fazia o mesmo, andares a cima.
-Temos que encontrar as escadas! – Disse Bruno, suor frio escorrendo da sua testa. O som das passadas dos dois homens podia avisar qualquer outra pessoa da presença dos dois, mas eles quase que desejavam encontrar alguém. Aquele desconhecido começava a incomodá-los. As escadas nunca pareceram tão longe.
Como estavam a correr, Bruno mal ouviu o som de passadas vindas do outro lado. Instintivamente ergueu a espada e atacou a esquina, tentando atingir o adversário. O atiro no escuro fora certeiro, fora o facto de o seu adversário ter um punhal para impedir que a espada lhe acertasse no coração. Bruno fez força contra o punhal, mas descobriu que não seria assim tão fácil. Só parou quando Michel, que correra em seu auxílio, ofegava de queixo caído o adversário de Bruno.
-Claire!
Bruno deixou cair a espada ao mesmo tempo que o manto que cobria o rosto de Claire De Roquette cairá para trás, devido à força dos movimentos que a jovem fizera para se defender. Bruno notou vagamente que ela tinha o vestido branco rasgado e estava cheia de feridas, um corte maior na perna sendo o mais saliente.
-O que fazes aqui? – Perguntou Michel, repetindo os pensamentos de Bruno. Este apanhou a espada sem deixar de fitar a jovem. Esta arfava um pouco, mas não tardou a responder.
-Vocês sabem perfeitamente o quê. São estúpidos em pensar que me poderiam deixar ficar fora desta batalha.
-Claire! – Começou Bruno, mas Claire cortou-o.
-Não me interrompas, Bruno! Já fizeste demais. Esta batalha, antes de ser tua, é minha! E se vocês pensam que derrotam Rose desta forma, estão enganados. Vocês precisam de mim.
Claire falou com tanta determinação que Bruno deu por si a cometer o mesmo erro das outras vezes. Deixar Claire liderar. Porque é que ela não entendia que isso era trabalho de homem? Porque é que ela não entendia que, enquanto Rei, convinha-lhe a ele protegê-la. Porque é que ele não entende que ele estava a cumprir a promessa que fez ao irmão?
Podia ter dito essas palavras, mas não importava a época em que se vivia, homem que é homem nunca admitiria os seus sentimentos por inteiro. Mas Bruno desconhecia que Claire sabia o que ele queria dizer. Tantos anos na sua companhia ajudaram-na a entendê-lo como a palma da mão. O seu olhar suavizou ao ver o ar impotente dele, mas não podia deixar de se focar na sua missão. Ela ouvira o início da tempestade e sabia dentro de si que a verdadeira batalha ia agora começar.
Michel observou a interação entre cunhados, mas nada disse. Algo mais importante zumbia na sua mente.
-Como chegaste aqui tão depressa? Como trepaste as paredes? – Perguntou curioso. Bruno ergueu uma sobrancelha ao imaginar a imagem estúpida de uma mulher a trepar as paredes de pedra habilmente. Michel tinha um pensamento semelhante.
Claire lançou-lhes um olhar penetrante, sabendo o que é que eles estavam a pensar.
-Vim pelas passagens secretas. Todos os castelos têm. – Disse naturalmente. Bruno e Michel coraram levemente, embaraçados pela sua estupidez. Deviam ter-se lembrado disso.
Um grito chamou-lhes à atenção. Claire e Bruno empalideceram.
-Raphael. – Sussurraram os dois. Sem esperar, os dois correram, com Michel atrás, em direção às escadas que agora podiam ser vistas no fim do corredor.
Que batalha seria aquela em que o inimigo tinha grande vantagem em comparação ao outro lado? Como se Rose pertencesse ao lado do gelo, enquanto a irmã tentava queimar esse gelo com fogo, inutilmente.
Raphael fora apanhado de surpresa quando a criatura investira contra ele e parte da sua pele da perna esquerda fora arrancada. Caiu no chão e agarrou a perna sangrenta, o rosto contorcendo-se de dor. Ouviu o som distante de uma gargalhada feminina, que parecia florescer consoante os movimentos flutuantes da criatura. A criatura atacou de novo. Raphael teve apenas um segundo para se desviar, conseguindo com dificuldade. Ouviu o som distante de alguém a gritar o seu nome. Quando viu uma figura perto das escadas, tanto a criatura como Rose viraram-se para ela. Os olhos de Raphael esbugalharam-se quando viu o irmão e Michel junto à entrada. Quase que se tinha esquecido deles.
-Scarlett! – Chamou Bruno, olhando diretamente para Rose. Esta lançou-lhe um olhar penetrante e cheio de ódio. Raphael viu então qual dos irmãos das Terras Baixas provocava mais ira na primogénita De Roquette. – Esta luta não é com ele.
-Pois não. – Concordou Rose, com um sorriso sinistro. – Mas dar-me-á prazer arruiná-lo, tal como ele arruinou a minha irmã.
Ergueu a mão direita e lançou uma rajada de vento na direção dos dois homens. Michel quase que caía para trás, para cima de Claire que ouvia tudo, horrorizada.
Afinal, a primeira vez que ouvia a voz da irmã em anos e era uma ameaça à vida do marido. A criatura parecia comunicar com Rose por telepatia pois os dois homens mal se tinham endireitado com o feitiço ventoso quando a criatura os atacou. Raphael tentou erguer-se, vendo horrorizado a criatura tentar atingir os dois. O que ele não adivinhava era que a criatura ia direita a Claire. Em pânico, Bruno empurrou Claire contra a parede, quase que a esmagando, e a criatura acabou por atingir o braço de Michel. Este gritou de dor, desequilibrando-se nas escadas e caindo de costas. Claire ofegou, vendo o corpo do seu grande amigo cair pelas escadas abaixo, parando no fundo das escadas, inconsciente e uma pequena poça de sangue saindo do seu braço ferido.
Um muro de trepadeiras surgiu, bloqueando a saída da torre e Michel dos outros três.
Estavam cercados.
A criatura ainda encontrava-se na sala e parecia tentar decidir qual das duas presas atacar. Rose ergueu a mão, acalmando-a. Bruno olhou de relance para Claire e correu para junto do irmão, ajudando-o a levantar-se. Os olhos de Rose seguiram Bruno, ignorando a irmã.
-O que queres fazer, Scarlett? Uma luta até à morte? Não será honrado, considerando as bestas que usas! – Acusou Bruno, o seu olhar tão forte quanto o da rapariga. Tanto Raphael como Claire não entendiam o que se passava entre os dois.
-Tu também nunca jogaste limpo, Bruno. – Retorquiu a jovem. Enquanto Bruno exprimia todas as suas emoções nas suas palavras, Rose parecia impassível e estranhamente calma, não fosse o rosto e o brilho malicioso nos seus olhos a traí-la.
Bruno sorriu presunçosamente.
-Apenas joguei com as tuas regras. Tu é que iniciaste tudo quando me tiraste o irmão e o pai.
-Tu pediste a morte dele. – Respondeu Rose, nem um pouco alarmada da revelação para Raphael, que não escondia o espanto. – E, pelos vistos, o teu irmão desconhecia deste pequeno facto.
Bruno semicerrou os olhos, quase ofendido.
-Eu não pedi a morte dele. Desejei a sua morte perante a sua incapacidade em encontrar Raphael, mas nunca levaria a cabo tais planos.
-Tu usaste-me. – Agora Raphael conseguia ver o ódio nas palavras acusatórias de Rose.
-Não serei acusado dos meus pecados, quando eu próprio fui vítima de um. A tua avidez tirou-me o pai e quase que arruinou o meu reino. Arrependi-me de te ter ajudado após teres fugido do teu castelo quando nos fora avisado para te manter afastada da corte, visto correrem rumores de que tinhas sido tu que assassinaste Charles De Roquette. Tu usaste-me e eu paguei na mesma moeda.
-E agora eu farei o mesmo. – Sussurrou Rose, erguendo a mão. Os olhos da criatura fitaram os dois homens, exaltados pela grande presa em sua frente. Claire lembrou-se de Lilianna e do destino que quase partilhara com ela momentos antes. Tinha que fazer alguma coisa.
Agira tarde de mais.
O Caos reinou na torre. A criatura parecia multiplicar-se, quando era tudo apenas um efeito da magia de Rose. Tal como no passado, todas as peças de vidro partiram-se em mil e um pedaços no chão. Rose fitou os dois irmãos cruelmente. Raphael podia jurar que vira alguma coisa mais sentimental nos olhos da inimiga, ao mirar os dois irmãos envolvidos nos braços num do outro. Mas o quer que fosse, desapareceu como um trovão. Gotas de chuva entravam na torre sem janelas a impedir. O céu estava agora completamente negro, fora um ocasional trovão e o vento rebelde soprava em várias direções, fora de controlo, arrancado árvores pela sua raiz. Lá fora, a natureza tentava lutar contra a Rainha Negra, mas esta mal parecia afetada com aquele protesto natural.
-Nada vos salvará esta noite. O céu está negro, os Fados não vos podem contemplar. Desde pequena que conheço a minha sina e agora a reclamo. Eis a marca do Destino. Eis aquela que governará o mundo!
Tudo rodopiava em torno dos três, os pedaços de vidro voavam perpendicularmente, criando um efeito caleidoscópico que enganava com a sua beleza cortante.
A criatura atacou os dois. Bruno saltou para o lado e Raphael para o lado oposto. A criatura não parecia ter pressa para apanhar as suas presas, movimentando-se um tanto lento em comparação à besta que Claire enfrentara antes.
De súbito, Rose ergueu a mão de novo. Claire observou, horrorizada, a irmã criar mais criaturas medonhas diante dos seus próprios olhos, como se fosse algo do dia-a-dia. A sua alma estava tão danificada que toda a magia que ela possuía era tão negra como o céu noturno. Uma lágrima caiu no rosto furioso de Claire. Rose parecia determinada a fazê-la odiá-la. Decidida, decidiu esperar que Rose saísse da divisão, como saberia que iria fazer.
Pouco antes de chegar ao castelo, vira que os corpos das bestas eram numerosos em comparação aos dos soldados. E fora aí que entendera que fora tudo um plano para assassinar Bruno e atrair Claire para o castelo. Rose pretendia governar um mundo com habitantes do povo das duas Terras. Para tal, tinha primeiro que matar o último sobrevivente de sangue real e manter a irmã ao seu lado. Só depois o povo a aclamaria como Rainha.
Como esse raciocínio chegara tão depressa à cabeça de Claire, esta não sabia. Talvez devido à adrenalina ou talvez porque anos nunca apagariam a marca que Rose deixara nela. Rose ficaria para sempre na mente dela, a sua irmã mais velha, o monstro que arruinou inúmeras vidas, incluindo a dela e a da sua família.
Rose aborreceu-se de ver os dois irmãos a tentarem escapar das investidas da criatura e saiu da divisão, lançando as outras quatro criaturas para eles. Passou por Claire, cujos olhos olhavam a irmã petrificados e frios como o gelo. Depois, não perdendo mais tempo, apertou o punhal contra si e avançou.
Raphael foi o primeiro a ver Claire. Choque e pânico foi o que sentiu primeiro, mas não teve tempo para dizer o quer que fosse. Sem saber como ainda respirava, desviou-se de mais um ataque das criaturas. Estava lesionado, as criaturas chegariam a ele mais depressa. Ergueu-se com dificuldade e moveu-se para uma janela. Do outro lado, Bruno atirava os poucos objetos resistentes da divisão contra as criaturas, não sabendo como as destruir. Claire correu para junto de Raphael, que notou na ferida na perna, visto que a bainha do tecido havia sido encurtada.
-Afasta-te. – Disse apressadamente, empurrando Raphael para o lado o mais gentilmente possível. Este fê-lo, um pouco confuso, até que ouviu Claire murmurar palavras semelhantes de quando ele fora transformado em homem de novo. As frechas da janela brilharam por suaves momentos e Claire correu para a parede junto à porta, fazendo o mesmo que fez junto à janela. As criaturas tentavam atacar os três e tudo o que eles podiam fazer era desviarem-se. Bruno e Raphael estavam exaustos, e só a adrenalina os mantinha a correr. Todavia, não podiam deixar de deitar um olhar preocupado em Claire, que se movia apressadamente pelo quarto fazendo qualquer ritual que eles não tinham pouco ou quase nenhum conhecimento. Nenhum deles entendia porque Claire usava ao seu punhal para traçar aquele pedaço de magia.
As criaturas perderam a paciência. Duas foram em direção a Raphael, duas a Bruno outra a Claire. Esta traçou o punhal, ainda brilhante do procedimento naquela parte da torre circular, e apunhalou a criatura. Esta rugiu de dor, o seu som grutesco amplificando-se por toda a torre e ensurdando os outros três temporariamente. Claire segurou o punhal com toda a força que podia, não se atrevendo a largá-la. As outras criaturas olhavam Claire, com o mais parecido de medo que eles podiam sentir. Raphael não podia deixar de sorrir. Claire era sem dúvida a salvadora da escuridão.
A criatura apunhalada começou a dissolver-se em vapor escuro, até que desapareceu. Claire ofegou, surpreendida com o que acabara de fazer. Conseguira matar uma das criaturas apenas com o punhal. Elevou os olhos para as quatro criaturas restantes e viu o ódio nos olhos vermelhos delas. Engoliu em seco. Raphael, vendo o que elas planeavam fazer, correu para junto de Claire, com Bruno ao lado. Juntos, os dois irmãos cobriram o corpo de Claire como um escudo na mesma altura em que as criaturas atacaram. Esta aproveitou a distração para fugir para o outro canto. Ainda que não quisesse, era a única forma de conseguirem sair dali sem as criaturas no seu alcance. Bruno caiu no chão, o seu joelho a sangrar fortemente. Raphael puxou o irmão para o lado. A batalha era ridícula, pois nenhum dos dois tinha vantagens sobre as quatro criaturas e tudo o que podiam fazer era desviarem-se delas. Contudo, quando uma das criaturas notou na presença de Claire no outro lado, já era tarde demais.
Claire terminou o ritual naquele canto e então, todos os outros cantos brilharam e Bruno e Raphael puderam ver que Claire marcara cinco pontos na torre. Um pentágono, tal como o símbolo do barrete dos duendes, pensou Raphael surpreendido. Os cinco cantos brilharam fortemente e Claire aproveitou a hipótese para correr para junto dos outros dois.
-Temos que sair do quarto. – Gritou para os príncipes das Terras Baixas. Estes assentiram e ergueram-se. Raphael agarrou o braço de Claire e correu com ela. As criaturas flutuaram atrás dela e, sem nenhum deles estarem à espera, as quatro atacaram Raphael e Claire simultaneamente.
Um grito de dor agonizante e mortal percorreu a torre.
Espero por ti em cada segundo , porque tu és o meu mundo!

Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
Visitem a minha 1ª Fic ----->The Four elements

Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
Visitem a minha 1ª Fic ----->The Four elements
Claire estava em choque. Um grito ficara estrangulado na garganta. Os seus olhos aumentaram de tamanho, o seu coração parou. Era como no passado. Exatamente igual…
Tudo parecia acontecer em lentamente, quando quatro criaturas passaram um corpo como se este fosse vapor e não eles, arrancando-lhe músculo, sangue e, quem sabe, coração. Segundos que passavam lentamente, como se o relógio de areia que ela vira nos aposentos dos pais avançasse a um ritmo demasiado lento em comparação ao normal. Pânico, medo, horror… Claire tinha que sair dali! O desespero fê-la agarrar o braço da pessoa mais próxima a ela e arrastar essa mesma pessoa para fora da divisão. As criaturas seguiram os dois, ignorando o corpo no chão, e chocaram contra as fortalezas do pentágono criado por Claire. Um a um, foram morrendo como os seus irmãos.
Depois veio a calma. Claire sentiu os joelhos fracos como varas, a ferida da perna não doía nada em comparação com aquilo que ela agora vira.
-Bruno! – Gritou Raphael, correndo para o irmão. Uma grande poça de sangue cercava o corpo do jovem príncipe, que mal conseguia respirar. Claire correu para junto dos dois irmãos e caiu de joelhos junto deles. Os três choravam, cada um pelo seu motivo.
-Porquê, idiota? Porquê? Eu sou o mais velho, eu sou o mais velho. – Lamuriou-se Raphael, repetindo-se sucessivamente e beijando a testa dele. Claire agarrou a mão livre de Bruno e beijou-a. Os olhos negros de Bruno brilhavam como diamantes.
-Porque sempre… - pausou, tentando roubar mais um fôlego de vida. - Me protegeste. Devo-te… isso. Além disso… -Bruno tossiu um pouco sangue, tentando arranjar folego para falar. – Não podia deixar… que aqueles… que eu mais amo morressem… não agora.
Claire sentiu lágrimas nos seus olhos, sabendo que Bruno também a incluía. Raphael olhou para ela, os olhos muito húmidos quase o impedindo de ver o rosto da mulher e do irmão moribundo. Não sentiu nem um pouco de ciúme nem quando Bruno se declarara, nem quando Claire se inclinara e beijara os lábios do irmão ternamente, tal como irmãos por vezes partilham em certas famílias.
O jovem tossiu um pouco mais, usando as poucas forças que tinha para agarrar a mão do irmão e de Claire, um sorriso de contentamento emergindo no seu belo e jovem rosto. Uma leve brisa cercou os corpos deles. Bruno inspirou uma última vez, o seu sorriso nunca abandonando o rosto. O ar ficou mais pesado.
As mãos dele perderam as forças. Os olhos fecharam-se lentamente. Nem mais um sopro provinha do corpo sorridente de Bruno, príncipe das Terras Baixas.
Nenhum dos outros dois falou durante algum tempo. Raphael inclinou-se e beijou a testa do irmão mais uma vez e Claire apertou a mão dele mais uma vez, os dois tentando sentir o calor que pouco a pouco se dissipava do cadáver.
A atmosfera da torre estava agora mais gelada, como se o inverno tivesse retornado às Terras Altas. Claire ergueu-se, o punhal fixo na sua mão, os olhos presos ao chão, ao rosto pacífico e sorridente de Bruno. Raphael também se ergueu e procurou a sua espada, agarrando-a na mão com a mesma força com que segurara a mão do irmão mais novo.
Claire viu Raphael olhar para o corpo do irmão uma última vez, antes de sair da divisão, em busca da assassina. O semblante frio de Raphael assustou Claire, que temia as suas ações perante a sua irmã. Seguiu-o calmamente, vendo os olhos dele ficaram ainda mais escuros. Os cabelos dele estavam completamente descompostos, a armadura sofrera vários golpes e o olhar parecia mais duro do que aquele que Claire comtemplara quando o transformara em homem de novo. No meio da armadura, a rosa vermelha teimava em sair.
Raphael caminhava lentamente, a espada bloqueando a sua direita, como se quisesse impedir Claire de se colocar à sua frente.
Rose esperava-o no outro lado. Raphael sentiu a sua mão livre ser apertada por Claire e apertou-a em retorno, sentindo-a viva, para seu alívio. Não podia perder mais ninguém que amava.
O sorriso vitorioso de Rose deu vontade a Raphael de a matar já ali.
-Sua… - controlou-se para não terminar a frase. – Assassina!
Rose sorriu em retorno ao insulto, não vendo a irmã por detrás da figura alta e forte de Raphael. Se tivesse, podia ser que não sorrisse tanto, pois os olhos Claire estavam isentes do seu brilho natural, mais semelhantes ao de uma Rainha do Gelo prestes a atacar a sua presa do que o da jovem menina que ela manipulara e a marca para o resto da vida.
Se ela soubesse… mas ela não sabia. Rose De Roquette não desconfiava que, como Rainha Negra, estava agora frente a frente com o Rei e a Rainha do outro lado do tabuleiro.
-Ele teve o que mereceu! – Disse, venenosamente. – Todos eles mereciam. Agora… - deu um passo em frente. – Faltas tu. Considera-te sortudo que eu não te matei anos antes.
Raphael cerrou os dentes, cheio de raiva.
-Não se eu se matar primeiro. – Silvou, furiosamente. Rose soltou uma gargalhada cínica.
-Seu ignorante! Jamais me poderás vencer!
Claire semicerrou os olhos. Não quis esconder mais a sua presença.
Lentamente passou a mão por volta da cintura de Raphael, para dentro da armadura. Rose ofegou ligeiramente ao ver uma mão delicada e cheia de cortes mal escondidos por uma manga de tecido branco, retirar dentro da armadura de Raphael uma rosa vermelha. A mesma mão, que pertencia a uma rapariga morena que surgiu por detrás de Raphael.
Claire fitou a irmã nos olhos pela primeira vez em treze anos. Deixou cair a rosa no chão, o vermelho da flor manchando o chão de pedra com cores do passado há já muito perdido. O tempo parara naquele instante em que as duas se olhavam, cada uma com os seus pensamentos.
-Scarlett. – Claire disse o nome calmamente, sem emoção. Durante anos julgara que iria correr para os braços da irmã assim que a visse. Estava enganada.
Todavia, não era isso que Rose achava.
-Bianca. – Agora não havia enganos. Havia emoção nos olhos de Rose. – Finalmente…
-Finalmente… - repetiu Claire, lentamente, não cessando contacto visual.
Seguiu-se um longo e pesado silêncio, em que nenhum dos três proferiu uma palavra. Rose e Claire lutavam numa batalha de olhares, indecisas em mostrar emoção ou ódio.
Era o maior problema daquela situação. Duas irmãs destinadas a enfrentarem-se viam-se agora depois de o Destino as ter separado. As diferenças de caracter podiam ser vistas facilmente nos rostos delas ou mais concretamente, nos olhos das duas. Azul-violeta contra verde. Fogo contra gelo. Nunca em idade jovem elas viram aquelas diferenças, tão bem camufladas na alma de ambas. Aquilo que as unia era agora um pequeno fragmento do pedaço, mas que elas se recusavam a admitir. Ou pelo menos Rose recusava-se.
Tudo o que elas tiveram, havia morrido. Agora olhavam-se como dois seres diferentes do passado. Scarlett e Bianca, as duas irmãs inseparáveis, Claire e Rose De Roquette, inimigas marcadas pelo Destino. As marcas do destino. As meninas das rosas brancas e vermelhas.
Branca de Neve e a Rosa Vermelha
Claire fitou a irmã, vendo apenas Rose. Não reconhecia Scarlett nela. A sua decisão havia marcado a irmã de tal modo que agora parecia mirar um fantasma de alguém que conhecera e não a irmã em si. Até o corpo de Bruno parecia mais vivo que o dela.
-Scarlett, que fizeste? – Murmurou, aproximando-se da irmã. – No que é que te tornaste?
O rosto de Rose manteve-se impasse.
-Naquilo que as duas desejávamos.
-Nós? Eu apenas queria ser feliz. Oh, raios, eu tinha cinco anos. Nem sabia o que desejava. Apenas te queria ao meu lado. – Gritou Claire, exasperada.
-Não foi o que pareceu há anos atrás. – Silvou Rose em retorno. Claire congelou. Seria ela capaz de…
-Porque não vieste comigo? Porque me deixaste sozinha? Eras a minha companhia, a minha mais querida. Todos me podiam abandonar, se te tivesse a ti nada disso me importaria. Mas deixaste-me… - disse a sua irmã, com desprezo.
Claire fitou o chão por um segundo, antes de se virar para a irmã.
-Tudo aquilo que aconteceu foi por tua causa. Não percebes, Rose? Eu não seria a salvadora, não seria diferente se não fosse por tua causa!
Raphael viu, chocado, uma lágrima cair no rosto de pedra de Rose. Esta pegou na lágrima, um pouco surpreendida por vê-la. Claire também chorava, desiludida com tudo o que estava a ver.
-Rose… - disse a própria vagamente. – Já faz muito tempo desde que me chamas esse nome…
Claire ergueu o queixo, os olhos brilhando de ira.
-É o teu nome. Rose De Roquette, filha de Charles e de Hélene De Roquette.
Rose contorceu o rosto, tornando-o feio.
-Não sou essa rapariga. Sou Scarlett, e tenho apenas uma irmã, Bianca.
Claire suspirou pesadamente. Ainda que já se tivesse decidido, não deixava de ser difícil.
-Rose… não te quero mentir. Mas a verdade também me dói. Não reconheço-te. Não sei quem és tu. Julguei que a minha irmã estivesse aí dentro, mascarada de pessoa sem coração, à minha espera. Mas estava enganada. A minha irmã já morreu. Já a perdi. – Sussurrou Claire, mais lágrimas caindo dos seus olhos. Ainda que nenhuma das duas se mexesse, era como se uma linha se tivesse desenhado entre as duas, separando-as para sempre.
Rose cerrou os punhos, os olhos pousados no chão, mais propriamente na rosa vermelha que lhe trouxera a irmã. Claire tremeu um pouco. Não sabia o que esperar depois de ter deitado tudo que lhe corria na alma cá para fora. Não sabia como Rose iria reagir a aquela negação.
Raphael apertou a mão de Claire, vendo-a ansiosa. Rose notou no gesto. Elevou os olhos para enfrentar o casal.
-Ele… - começou, os olhos esbugalhados ao se aperceber do que se passava entre a irmã e Raphael.
-O meu marido. – Disse Claire firmemente, apertando a mão de Raphael com mais força. Este segurava a espada com igual energia por precaução.
Rose lançou-lhe um olhar penetrante, sendo o mais forte para Raphael.
-Se não és Bianca, és a salvadora. E a salvadora não pode viver, Claire. – Sussurrou sombriamente. Claire abriu a boca para responder, mas não soube o que dizer. Rose mandou-lhe um sorriso sinistro, quase maníaco.
-Esse casamento… não é real, Claire. Tu não tens que estar com ele.
-Mas… - Claire não entendia aonde Rose pretendia chegar, mas Raphael sim.
-Ela toma a sua própria decisão. – Disse, colocando-se em frente a Claire valentemente.
Rose fitou-o calmamente.
-Eu havia-te dito, Raphael. Tu nunca a terás. E eu cumpro sempre a minha palavra.
Os vidros da sala começaram a estalar-se e Claire soube então que Rose iria usar mais magia. Raphael recusou-se a desviar-se, querendo proteger Claire da maníaca da irmã de sangue. Toda a ira da morte do irmão fora acumulada noutro canto, pois agora tinha que se preocupar em tirar Claire daquele castelo, longe das garras da irmã.
Rose ergueu os braços no ar, murmurando umas meras palavras que Claire reconheceu. Estendeu o punhal mas, antes mesmo que o pudesse usar, um grito interrompeu a sua linha de ideias. Um grito de alguém muito próximo dela.
Tudo parecia acontecer em lentamente, quando quatro criaturas passaram um corpo como se este fosse vapor e não eles, arrancando-lhe músculo, sangue e, quem sabe, coração. Segundos que passavam lentamente, como se o relógio de areia que ela vira nos aposentos dos pais avançasse a um ritmo demasiado lento em comparação ao normal. Pânico, medo, horror… Claire tinha que sair dali! O desespero fê-la agarrar o braço da pessoa mais próxima a ela e arrastar essa mesma pessoa para fora da divisão. As criaturas seguiram os dois, ignorando o corpo no chão, e chocaram contra as fortalezas do pentágono criado por Claire. Um a um, foram morrendo como os seus irmãos.
Depois veio a calma. Claire sentiu os joelhos fracos como varas, a ferida da perna não doía nada em comparação com aquilo que ela agora vira.
-Bruno! – Gritou Raphael, correndo para o irmão. Uma grande poça de sangue cercava o corpo do jovem príncipe, que mal conseguia respirar. Claire correu para junto dos dois irmãos e caiu de joelhos junto deles. Os três choravam, cada um pelo seu motivo.
-Porquê, idiota? Porquê? Eu sou o mais velho, eu sou o mais velho. – Lamuriou-se Raphael, repetindo-se sucessivamente e beijando a testa dele. Claire agarrou a mão livre de Bruno e beijou-a. Os olhos negros de Bruno brilhavam como diamantes.
-Porque sempre… - pausou, tentando roubar mais um fôlego de vida. - Me protegeste. Devo-te… isso. Além disso… -Bruno tossiu um pouco sangue, tentando arranjar folego para falar. – Não podia deixar… que aqueles… que eu mais amo morressem… não agora.
Claire sentiu lágrimas nos seus olhos, sabendo que Bruno também a incluía. Raphael olhou para ela, os olhos muito húmidos quase o impedindo de ver o rosto da mulher e do irmão moribundo. Não sentiu nem um pouco de ciúme nem quando Bruno se declarara, nem quando Claire se inclinara e beijara os lábios do irmão ternamente, tal como irmãos por vezes partilham em certas famílias.
O jovem tossiu um pouco mais, usando as poucas forças que tinha para agarrar a mão do irmão e de Claire, um sorriso de contentamento emergindo no seu belo e jovem rosto. Uma leve brisa cercou os corpos deles. Bruno inspirou uma última vez, o seu sorriso nunca abandonando o rosto. O ar ficou mais pesado.
As mãos dele perderam as forças. Os olhos fecharam-se lentamente. Nem mais um sopro provinha do corpo sorridente de Bruno, príncipe das Terras Baixas.
Nenhum dos outros dois falou durante algum tempo. Raphael inclinou-se e beijou a testa do irmão mais uma vez e Claire apertou a mão dele mais uma vez, os dois tentando sentir o calor que pouco a pouco se dissipava do cadáver.
A atmosfera da torre estava agora mais gelada, como se o inverno tivesse retornado às Terras Altas. Claire ergueu-se, o punhal fixo na sua mão, os olhos presos ao chão, ao rosto pacífico e sorridente de Bruno. Raphael também se ergueu e procurou a sua espada, agarrando-a na mão com a mesma força com que segurara a mão do irmão mais novo.
Claire viu Raphael olhar para o corpo do irmão uma última vez, antes de sair da divisão, em busca da assassina. O semblante frio de Raphael assustou Claire, que temia as suas ações perante a sua irmã. Seguiu-o calmamente, vendo os olhos dele ficaram ainda mais escuros. Os cabelos dele estavam completamente descompostos, a armadura sofrera vários golpes e o olhar parecia mais duro do que aquele que Claire comtemplara quando o transformara em homem de novo. No meio da armadura, a rosa vermelha teimava em sair.
Raphael caminhava lentamente, a espada bloqueando a sua direita, como se quisesse impedir Claire de se colocar à sua frente.
Rose esperava-o no outro lado. Raphael sentiu a sua mão livre ser apertada por Claire e apertou-a em retorno, sentindo-a viva, para seu alívio. Não podia perder mais ninguém que amava.
O sorriso vitorioso de Rose deu vontade a Raphael de a matar já ali.
-Sua… - controlou-se para não terminar a frase. – Assassina!
Rose sorriu em retorno ao insulto, não vendo a irmã por detrás da figura alta e forte de Raphael. Se tivesse, podia ser que não sorrisse tanto, pois os olhos Claire estavam isentes do seu brilho natural, mais semelhantes ao de uma Rainha do Gelo prestes a atacar a sua presa do que o da jovem menina que ela manipulara e a marca para o resto da vida.
Se ela soubesse… mas ela não sabia. Rose De Roquette não desconfiava que, como Rainha Negra, estava agora frente a frente com o Rei e a Rainha do outro lado do tabuleiro.
-Ele teve o que mereceu! – Disse, venenosamente. – Todos eles mereciam. Agora… - deu um passo em frente. – Faltas tu. Considera-te sortudo que eu não te matei anos antes.
Raphael cerrou os dentes, cheio de raiva.
-Não se eu se matar primeiro. – Silvou, furiosamente. Rose soltou uma gargalhada cínica.
-Seu ignorante! Jamais me poderás vencer!
Claire semicerrou os olhos. Não quis esconder mais a sua presença.
Lentamente passou a mão por volta da cintura de Raphael, para dentro da armadura. Rose ofegou ligeiramente ao ver uma mão delicada e cheia de cortes mal escondidos por uma manga de tecido branco, retirar dentro da armadura de Raphael uma rosa vermelha. A mesma mão, que pertencia a uma rapariga morena que surgiu por detrás de Raphael.
Claire fitou a irmã nos olhos pela primeira vez em treze anos. Deixou cair a rosa no chão, o vermelho da flor manchando o chão de pedra com cores do passado há já muito perdido. O tempo parara naquele instante em que as duas se olhavam, cada uma com os seus pensamentos.
-Scarlett. – Claire disse o nome calmamente, sem emoção. Durante anos julgara que iria correr para os braços da irmã assim que a visse. Estava enganada.
Todavia, não era isso que Rose achava.
-Bianca. – Agora não havia enganos. Havia emoção nos olhos de Rose. – Finalmente…
-Finalmente… - repetiu Claire, lentamente, não cessando contacto visual.
Seguiu-se um longo e pesado silêncio, em que nenhum dos três proferiu uma palavra. Rose e Claire lutavam numa batalha de olhares, indecisas em mostrar emoção ou ódio.
Era o maior problema daquela situação. Duas irmãs destinadas a enfrentarem-se viam-se agora depois de o Destino as ter separado. As diferenças de caracter podiam ser vistas facilmente nos rostos delas ou mais concretamente, nos olhos das duas. Azul-violeta contra verde. Fogo contra gelo. Nunca em idade jovem elas viram aquelas diferenças, tão bem camufladas na alma de ambas. Aquilo que as unia era agora um pequeno fragmento do pedaço, mas que elas se recusavam a admitir. Ou pelo menos Rose recusava-se.
Tudo o que elas tiveram, havia morrido. Agora olhavam-se como dois seres diferentes do passado. Scarlett e Bianca, as duas irmãs inseparáveis, Claire e Rose De Roquette, inimigas marcadas pelo Destino. As marcas do destino. As meninas das rosas brancas e vermelhas.
Branca de Neve e a Rosa Vermelha
Claire fitou a irmã, vendo apenas Rose. Não reconhecia Scarlett nela. A sua decisão havia marcado a irmã de tal modo que agora parecia mirar um fantasma de alguém que conhecera e não a irmã em si. Até o corpo de Bruno parecia mais vivo que o dela.
-Scarlett, que fizeste? – Murmurou, aproximando-se da irmã. – No que é que te tornaste?
O rosto de Rose manteve-se impasse.
-Naquilo que as duas desejávamos.
-Nós? Eu apenas queria ser feliz. Oh, raios, eu tinha cinco anos. Nem sabia o que desejava. Apenas te queria ao meu lado. – Gritou Claire, exasperada.
-Não foi o que pareceu há anos atrás. – Silvou Rose em retorno. Claire congelou. Seria ela capaz de…
-Porque não vieste comigo? Porque me deixaste sozinha? Eras a minha companhia, a minha mais querida. Todos me podiam abandonar, se te tivesse a ti nada disso me importaria. Mas deixaste-me… - disse a sua irmã, com desprezo.
Claire fitou o chão por um segundo, antes de se virar para a irmã.
-Tudo aquilo que aconteceu foi por tua causa. Não percebes, Rose? Eu não seria a salvadora, não seria diferente se não fosse por tua causa!
Raphael viu, chocado, uma lágrima cair no rosto de pedra de Rose. Esta pegou na lágrima, um pouco surpreendida por vê-la. Claire também chorava, desiludida com tudo o que estava a ver.
-Rose… - disse a própria vagamente. – Já faz muito tempo desde que me chamas esse nome…
Claire ergueu o queixo, os olhos brilhando de ira.
-É o teu nome. Rose De Roquette, filha de Charles e de Hélene De Roquette.
Rose contorceu o rosto, tornando-o feio.
-Não sou essa rapariga. Sou Scarlett, e tenho apenas uma irmã, Bianca.
Claire suspirou pesadamente. Ainda que já se tivesse decidido, não deixava de ser difícil.
-Rose… não te quero mentir. Mas a verdade também me dói. Não reconheço-te. Não sei quem és tu. Julguei que a minha irmã estivesse aí dentro, mascarada de pessoa sem coração, à minha espera. Mas estava enganada. A minha irmã já morreu. Já a perdi. – Sussurrou Claire, mais lágrimas caindo dos seus olhos. Ainda que nenhuma das duas se mexesse, era como se uma linha se tivesse desenhado entre as duas, separando-as para sempre.
Rose cerrou os punhos, os olhos pousados no chão, mais propriamente na rosa vermelha que lhe trouxera a irmã. Claire tremeu um pouco. Não sabia o que esperar depois de ter deitado tudo que lhe corria na alma cá para fora. Não sabia como Rose iria reagir a aquela negação.
Raphael apertou a mão de Claire, vendo-a ansiosa. Rose notou no gesto. Elevou os olhos para enfrentar o casal.
-Ele… - começou, os olhos esbugalhados ao se aperceber do que se passava entre a irmã e Raphael.
-O meu marido. – Disse Claire firmemente, apertando a mão de Raphael com mais força. Este segurava a espada com igual energia por precaução.
Rose lançou-lhe um olhar penetrante, sendo o mais forte para Raphael.
-Se não és Bianca, és a salvadora. E a salvadora não pode viver, Claire. – Sussurrou sombriamente. Claire abriu a boca para responder, mas não soube o que dizer. Rose mandou-lhe um sorriso sinistro, quase maníaco.
-Esse casamento… não é real, Claire. Tu não tens que estar com ele.
-Mas… - Claire não entendia aonde Rose pretendia chegar, mas Raphael sim.
-Ela toma a sua própria decisão. – Disse, colocando-se em frente a Claire valentemente.
Rose fitou-o calmamente.
-Eu havia-te dito, Raphael. Tu nunca a terás. E eu cumpro sempre a minha palavra.
Os vidros da sala começaram a estalar-se e Claire soube então que Rose iria usar mais magia. Raphael recusou-se a desviar-se, querendo proteger Claire da maníaca da irmã de sangue. Toda a ira da morte do irmão fora acumulada noutro canto, pois agora tinha que se preocupar em tirar Claire daquele castelo, longe das garras da irmã.
Rose ergueu os braços no ar, murmurando umas meras palavras que Claire reconheceu. Estendeu o punhal mas, antes mesmo que o pudesse usar, um grito interrompeu a sua linha de ideias. Um grito de alguém muito próximo dela.
Espero por ti em cada segundo , porque tu és o meu mundo!

Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
Visitem a minha 1ª Fic ----->The Four elements

Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
Visitem a minha 1ª Fic ----->The Four elements
-Raphael! – Gritou, ajoelhando-se junto do marido, que gritava de dores, as mãos apoiadas na testa e cabeça. Parecia que algo lhe batia fortemente na cabeça, torturando-o lentamente.
-Eu avisei-o. Eu disse-lhe que jamais te teria. Todo o desejo que ele sente por ti foi agora ripostado contra ele. Em poucos minutos, estará morto.
Ao som das palavras, Claire ergueu a cabeça para Rose. Incrédula, mal notou em si própria a levantar-se e a correr para a irmã.
As duas caíram no chão e Claire deu por si a dar um soco nas covas do rosto da irmã. Esta tentava-a afastar Claire, mas os gritos de Raphael atrás dela só fizeram a morena atacar a ruiva com mais intensidade. Rose não estava habituada a usar força física e Claire não lhe dava oportunidade de usar magia para a afastar. A ruiva tentava inutilmente afastar a irmã, empurrando os ombros da outra para longe do rosto ou tentando pontapear a jovem. Mas Claire, tal como filha do aço, mal sentia os toques da outra, tentando esmurrar cada centímetro da cara da irmã e espetando bofetadas onde podia. As suas mãos encontraram o pescoço da irmã e agarrou-o com força, apertando-o. Rose começou a sufocar, os seus olhos fitando Claire com incredulidade e o rosto ficou mais azul. De repente, Claire deixou de ouvir Raphael.
Entrou em pânico. O que é que ela estava a fazer? Que tipo de monstro se estava a tornar ao realizar os mesmos atos que a Rainha Negra?
Largou Rose subitamente e afastou-se dela, gatinhando para junto de Raphael.
Em todas as histórias, existem sempre momentos em que os amantes se confortam com os limites das suas paixões. Até onde iriam para conquistar o seu amor ou até mesmo para o manter. Muitos afirmam amar tanto uma pessoa que morreriam por ela. Raphael era a prova daqueles atos, bem como muitos outros românticos posteriores ao seu tempo. E havia também aqueles que, mesmo sem admitir em voz alta, sabem que matariam por aquele que mais amavam. Claire nunca se apercebera até que ponto a sua paixão por Raphael era forte até que se viu naquela situação. Pensava sempre que qualquer ato contra Rose seria altruísmo, que estaria a pensar nos outros e não em si própria. Até agora, quando viu o seu amado a sofrer de dores, só porque ele a amava, não estando a linha do desejo muito longe da linha do amor. Apercebia-se agora que ela era uma egoísta.
Rose levantou-se, passando a mão pelo pescoço. Claire pressionara com força, haveria de deixar marca. Observou a jovem, postada no chão e tentando ouvir as batidas do coração do marido. Sorriu para si própria. Ela não haveria de as ouvir. Raphael estava morto. Ele e o seu irmão.
-Oh Bianca! Não compreendes… - Rose falava como se a luta entre as duas nunca tivesse acontecido. Tinha que admitir que a irmã era muito forte para uma pequena magricelas, mas desculpava as suas razões. Ela sabia o quanto os homens podiam ser enganadores. Raphael terá sem duvido manipulado a rapariga de modo a obter o corpo dela e fazê-la acreditar que ele a amava. Bem, o seu feitiço provara que ele a amava verdadeiramente, mas podia sempre afirmar a Claire que era apenas profundo desejo. – Ele nunca te amou. Tudo o que ele sentia por ti era desejo e isso, qualquer homem possui. Ele só queria o teu corpo.
Claire não respondeu. O rosto pálido não deixava de focar Raphael, que começava a ficar frio. Mas não havia dúvidas de que ela estava a ouvir Rose. Se é que um estranho e misterioso brilho nos olhos azuis não o provava.
Rose continuou a falar, sorrindo do ar apático de Claire, quase tapado pelas madeixas de cabelo negro que caíam devido à inclinação da cabeça.
-Eu amo-te, Bianca. Disso podes ter a certeza. Fiz isto para o teu bem…
Claire já mal ouvia Rose e a própria tenha uma pequena noção disso. Deu um passo em direção à irmã ajoelhada, estendendo uma mão. Claire olhou para essa mão curiosa, olhando-a durante um breve tempo. Finalmente, agarrou-a com a mão esquerda.
-Vivemos agora, minha irmã. Minha Schneewittchen. Ficaremos juntas para sempre. Chegou a altura de sermos felizes. – Anunciou Rose alegremente. Claire olhava para ela com um ar derrotado. Todavia, o estranho brilho não saíra dos seus olhos. Rose recuou, trazendo a irmã consigo e afastando-se de Raphael. Claire olhou para trás por um segundo. Rose pegou-lhe no rosto e puxou-o para si.
-Ele já não é importante. Agora somos só nós as duas.
Rose acariciou o rosto da irmã mais nova, o seu sorriso trazendo vida aos seus olhos verdes. Inacreditável como o assassínio a punha a sorrir. Inacreditável que ela não via os efeitos das suas ações mesmo à sua frente. Tal como no passado, Rose fazia o que era melhor para ela, sem perguntar as opiniões de Claire.
Mas Claire já não tinha cinco anos. Desta vez, ela seria a egoísta.
Rose aproximou os lábios rosados do rosto de Claire e beijou-lhe a face suavemente. Os lábios não deformavam aquele sorriso quase maluco, tal como os olhos de Claire não perdiam o estranho brilho. Por fim, Rose notou na reação da irmã.
Todavia era tarde demais.
Rose sentiu a mão de Claire a puxá-la contra ela e depois algo muito duro ser premido no seu corpo. Uma grande dor penetrou-a, bem como um objeto afiado que cortava a sua carne e atingia o coração de raspão. Claire puxou o punhal para fora do corpo da irmã, os olhar frio como o gelo. Sangue saiu das roupas, da sua boca. Rose olhou para Claire. O brilho ainda estava lá, mas agora já não era misterioso. Era ódio.
-Tu arruinaste a minha vida. – Silvou Claire ao ouvido de Rose, lágrimas caindo do rosto de ambas. Claire pensou em dizer mais, em gritar-lhe aquilo que pensava dela. Mas o seu coração, ainda que isente de facadas, também sangrava.
Largou Rose, que caiu no chão, o sangue espalhando-se na pedra como o de Bruno fizera momentos antes. Ela ofegava por ar, não tirando os olhos da irmã. A sua mão estava estendida em direção a Claire, como se a tentasse alcançá-la.
-Bianca… - Chamou fracamente.
-Claire. – Corrigiu Claire friamente. – O meu nome é Claire.
Uma última lágrima caiu do rosto branco da Rainha Negra, até que o seu folego perdeu-se. A mão ficara estendida, imóvel. Rose De Roquette perdia assim a vida às mãos da última família que lhe restava. Nem os Fados negariam o facto de tão triste era a situação. Das oportunidades que ela desperdiçara, corrompida pelo poder e pelo ódio tão imaturo. Morria assim às mãos da única que não a odiava. Morria, porque fez de tudo para a afastar. Tudo para que ela a odiasse e lhe tirasse a vida. Oh, ironia, quão inesperada és tu! E agora fica Claire a chorar, porque estão todos mortos, menos ela. Talvez Michel tivesse sobrevivido à queda, mas Bruno não poderia ser salvo. E Raphael…
Magia havia-o morto, ao contrário dos outros. Magia que estava de certa forma ligada à sua alma. Claire olhou para ele, perguntando-se se valeria a pena. Os riscos eram elevados, não sendo apenas a criação de mais uma criatura obscura, mas também o risco da própria vida.
Claire abanou a cabeça. Não sabia o que fazer. Ajoelhou-se junto de Raphael e assim ficou durante muito tempo. O céu começava a acalmar-se, a trovoada cessara e só o vento se mantinha tão vagabundo como no início da batalha. Claire sentiu um calafrio na espinha. Uma prova de que estava viva.
Mas não queria.
Na sua mão direita, o punhal ensanguentado brilhava intensamente. O punhal com um imenso legado. Cortara a mão de um salteador, ferira outro, cortara as barbas de inúmeros duendes e matara quantos outros, incluindo a sua dona original. Claire fitou-o curiosamente, sabendo que mais segredos obscuros aquele punhal escondia.
A magia antes pertencera à natureza, daí que todos os materiais provenientes da Terra tinham tendência a absorver uma pequena parte da magia quando em contacto com esta. Era esse conhecimento que os duendes haviam adquirido, mas não aperfeiçoado. Tantas criaturas mágicas foram mortas às suas mãos, a energia de tantas barbas passara por ali. Claire chegara à conclusão, no mesmo dia da morte de Lilianna, que aquele punhal era mágico.
E a sua única esperança.
Murmurou as palavras que aprendera em Niflheim, erguendo a ponta do punhal para o teto. Um brilho quase cósmico cercou Claire e Raphael. Esta abriu os olhos. Já não tinha nada a perder.
A morte podia vir, que ela a receberia de braços abertos. Já vivera aquilo que tinha a viver. Amara e fora amada. Se agora a magia não salvasse o seu coração, seria a morte a fazê-lo. A sua fragilidade caíra por terra. Virara as peças do tabuleiro. Enfrentara a irmã e tornara-se no elo mais forte. Mas nada dizia nos pergaminhos dos copistas que os elos mais fortes eram aqueles que vivam mais tempo. Raphael era a prova disso. O mais forte é o que muda o curso do tempo.
É aquele que, sob um destino exigente como o de Claire, consegue sobreviver com garra e coragem.
O brilho aumentou. Claire fechou os olhos. Uma estranha energia irradiou por todo o seu corpo. E sorriu.
Os Fados foram cumpridos.
------------------------------------------------------------------------------------
Within Temptation - Shot in the dark
Within Temptation - Fire and Ice
Globus - Orchard of mines
Nickelback - Lullaby
Nickelback - Saving me
Breaking Benjamin - So Cold
Poets of the Fall - Where do we draw the Line
-Eu avisei-o. Eu disse-lhe que jamais te teria. Todo o desejo que ele sente por ti foi agora ripostado contra ele. Em poucos minutos, estará morto.
Ao som das palavras, Claire ergueu a cabeça para Rose. Incrédula, mal notou em si própria a levantar-se e a correr para a irmã.
As duas caíram no chão e Claire deu por si a dar um soco nas covas do rosto da irmã. Esta tentava-a afastar Claire, mas os gritos de Raphael atrás dela só fizeram a morena atacar a ruiva com mais intensidade. Rose não estava habituada a usar força física e Claire não lhe dava oportunidade de usar magia para a afastar. A ruiva tentava inutilmente afastar a irmã, empurrando os ombros da outra para longe do rosto ou tentando pontapear a jovem. Mas Claire, tal como filha do aço, mal sentia os toques da outra, tentando esmurrar cada centímetro da cara da irmã e espetando bofetadas onde podia. As suas mãos encontraram o pescoço da irmã e agarrou-o com força, apertando-o. Rose começou a sufocar, os seus olhos fitando Claire com incredulidade e o rosto ficou mais azul. De repente, Claire deixou de ouvir Raphael.
Entrou em pânico. O que é que ela estava a fazer? Que tipo de monstro se estava a tornar ao realizar os mesmos atos que a Rainha Negra?
Largou Rose subitamente e afastou-se dela, gatinhando para junto de Raphael.
Em todas as histórias, existem sempre momentos em que os amantes se confortam com os limites das suas paixões. Até onde iriam para conquistar o seu amor ou até mesmo para o manter. Muitos afirmam amar tanto uma pessoa que morreriam por ela. Raphael era a prova daqueles atos, bem como muitos outros românticos posteriores ao seu tempo. E havia também aqueles que, mesmo sem admitir em voz alta, sabem que matariam por aquele que mais amavam. Claire nunca se apercebera até que ponto a sua paixão por Raphael era forte até que se viu naquela situação. Pensava sempre que qualquer ato contra Rose seria altruísmo, que estaria a pensar nos outros e não em si própria. Até agora, quando viu o seu amado a sofrer de dores, só porque ele a amava, não estando a linha do desejo muito longe da linha do amor. Apercebia-se agora que ela era uma egoísta.
Rose levantou-se, passando a mão pelo pescoço. Claire pressionara com força, haveria de deixar marca. Observou a jovem, postada no chão e tentando ouvir as batidas do coração do marido. Sorriu para si própria. Ela não haveria de as ouvir. Raphael estava morto. Ele e o seu irmão.
-Oh Bianca! Não compreendes… - Rose falava como se a luta entre as duas nunca tivesse acontecido. Tinha que admitir que a irmã era muito forte para uma pequena magricelas, mas desculpava as suas razões. Ela sabia o quanto os homens podiam ser enganadores. Raphael terá sem duvido manipulado a rapariga de modo a obter o corpo dela e fazê-la acreditar que ele a amava. Bem, o seu feitiço provara que ele a amava verdadeiramente, mas podia sempre afirmar a Claire que era apenas profundo desejo. – Ele nunca te amou. Tudo o que ele sentia por ti era desejo e isso, qualquer homem possui. Ele só queria o teu corpo.
Claire não respondeu. O rosto pálido não deixava de focar Raphael, que começava a ficar frio. Mas não havia dúvidas de que ela estava a ouvir Rose. Se é que um estranho e misterioso brilho nos olhos azuis não o provava.
Rose continuou a falar, sorrindo do ar apático de Claire, quase tapado pelas madeixas de cabelo negro que caíam devido à inclinação da cabeça.
-Eu amo-te, Bianca. Disso podes ter a certeza. Fiz isto para o teu bem…
Claire já mal ouvia Rose e a própria tenha uma pequena noção disso. Deu um passo em direção à irmã ajoelhada, estendendo uma mão. Claire olhou para essa mão curiosa, olhando-a durante um breve tempo. Finalmente, agarrou-a com a mão esquerda.
-Vivemos agora, minha irmã. Minha Schneewittchen. Ficaremos juntas para sempre. Chegou a altura de sermos felizes. – Anunciou Rose alegremente. Claire olhava para ela com um ar derrotado. Todavia, o estranho brilho não saíra dos seus olhos. Rose recuou, trazendo a irmã consigo e afastando-se de Raphael. Claire olhou para trás por um segundo. Rose pegou-lhe no rosto e puxou-o para si.
-Ele já não é importante. Agora somos só nós as duas.
Rose acariciou o rosto da irmã mais nova, o seu sorriso trazendo vida aos seus olhos verdes. Inacreditável como o assassínio a punha a sorrir. Inacreditável que ela não via os efeitos das suas ações mesmo à sua frente. Tal como no passado, Rose fazia o que era melhor para ela, sem perguntar as opiniões de Claire.
Mas Claire já não tinha cinco anos. Desta vez, ela seria a egoísta.
Rose aproximou os lábios rosados do rosto de Claire e beijou-lhe a face suavemente. Os lábios não deformavam aquele sorriso quase maluco, tal como os olhos de Claire não perdiam o estranho brilho. Por fim, Rose notou na reação da irmã.
Todavia era tarde demais.
Rose sentiu a mão de Claire a puxá-la contra ela e depois algo muito duro ser premido no seu corpo. Uma grande dor penetrou-a, bem como um objeto afiado que cortava a sua carne e atingia o coração de raspão. Claire puxou o punhal para fora do corpo da irmã, os olhar frio como o gelo. Sangue saiu das roupas, da sua boca. Rose olhou para Claire. O brilho ainda estava lá, mas agora já não era misterioso. Era ódio.
-Tu arruinaste a minha vida. – Silvou Claire ao ouvido de Rose, lágrimas caindo do rosto de ambas. Claire pensou em dizer mais, em gritar-lhe aquilo que pensava dela. Mas o seu coração, ainda que isente de facadas, também sangrava.
Largou Rose, que caiu no chão, o sangue espalhando-se na pedra como o de Bruno fizera momentos antes. Ela ofegava por ar, não tirando os olhos da irmã. A sua mão estava estendida em direção a Claire, como se a tentasse alcançá-la.
-Bianca… - Chamou fracamente.
-Claire. – Corrigiu Claire friamente. – O meu nome é Claire.
Uma última lágrima caiu do rosto branco da Rainha Negra, até que o seu folego perdeu-se. A mão ficara estendida, imóvel. Rose De Roquette perdia assim a vida às mãos da última família que lhe restava. Nem os Fados negariam o facto de tão triste era a situação. Das oportunidades que ela desperdiçara, corrompida pelo poder e pelo ódio tão imaturo. Morria assim às mãos da única que não a odiava. Morria, porque fez de tudo para a afastar. Tudo para que ela a odiasse e lhe tirasse a vida. Oh, ironia, quão inesperada és tu! E agora fica Claire a chorar, porque estão todos mortos, menos ela. Talvez Michel tivesse sobrevivido à queda, mas Bruno não poderia ser salvo. E Raphael…
Magia havia-o morto, ao contrário dos outros. Magia que estava de certa forma ligada à sua alma. Claire olhou para ele, perguntando-se se valeria a pena. Os riscos eram elevados, não sendo apenas a criação de mais uma criatura obscura, mas também o risco da própria vida.
Claire abanou a cabeça. Não sabia o que fazer. Ajoelhou-se junto de Raphael e assim ficou durante muito tempo. O céu começava a acalmar-se, a trovoada cessara e só o vento se mantinha tão vagabundo como no início da batalha. Claire sentiu um calafrio na espinha. Uma prova de que estava viva.
Mas não queria.
Na sua mão direita, o punhal ensanguentado brilhava intensamente. O punhal com um imenso legado. Cortara a mão de um salteador, ferira outro, cortara as barbas de inúmeros duendes e matara quantos outros, incluindo a sua dona original. Claire fitou-o curiosamente, sabendo que mais segredos obscuros aquele punhal escondia.
A magia antes pertencera à natureza, daí que todos os materiais provenientes da Terra tinham tendência a absorver uma pequena parte da magia quando em contacto com esta. Era esse conhecimento que os duendes haviam adquirido, mas não aperfeiçoado. Tantas criaturas mágicas foram mortas às suas mãos, a energia de tantas barbas passara por ali. Claire chegara à conclusão, no mesmo dia da morte de Lilianna, que aquele punhal era mágico.
E a sua única esperança.
Murmurou as palavras que aprendera em Niflheim, erguendo a ponta do punhal para o teto. Um brilho quase cósmico cercou Claire e Raphael. Esta abriu os olhos. Já não tinha nada a perder.
A morte podia vir, que ela a receberia de braços abertos. Já vivera aquilo que tinha a viver. Amara e fora amada. Se agora a magia não salvasse o seu coração, seria a morte a fazê-lo. A sua fragilidade caíra por terra. Virara as peças do tabuleiro. Enfrentara a irmã e tornara-se no elo mais forte. Mas nada dizia nos pergaminhos dos copistas que os elos mais fortes eram aqueles que vivam mais tempo. Raphael era a prova disso. O mais forte é o que muda o curso do tempo.
É aquele que, sob um destino exigente como o de Claire, consegue sobreviver com garra e coragem.
O brilho aumentou. Claire fechou os olhos. Uma estranha energia irradiou por todo o seu corpo. E sorriu.
Os Fados foram cumpridos.
------------------------------------------------------------------------------------
Within Temptation - Shot in the dark
Within Temptation - Fire and Ice
Globus - Orchard of mines
Nickelback - Lullaby
Nickelback - Saving me
Breaking Benjamin - So Cold
Poets of the Fall - Where do we draw the Line
Espero por ti em cada segundo , porque tu és o meu mundo!

Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
Visitem a minha 1ª Fic ----->The Four elements

Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
Visitem a minha 1ª Fic ----->The Four elements
AijesuscristinhoDeuspaitodopoderoso! ;_;
Juro que não estava a contar vir já ler o ultimo capitulo da fic! E digo já, comecei a ler de tarde e a escrever o comentário há mais de duas horas. Digamos que o fiz às prestações, já que tive os meus primos gémeos de 5 anos cá em casa a destruírem tudo em que tocavam! Basicamente, fiquei um pouco frustrada por não poder ler o capitulo com calma, mas fiquei tão presa que não pude adiar a sua leitura!
Começando pelo principio...
Ler o começo da batalha já me deixou nervosa por si só. As mortes, as bestas, enfim, tudo o que me cheirasse a morte. O cenário que descreveste fez-me lembrar o filme da "Bela adormecida", quando o príncipe Filipe vai enfrentar a Bruxa no meio de todo aquele ambiente tenebroso! Gostei de ver a união de Michel, Raphael e Bruno naqueles momentos. E ainda mais a preocupação de Raphael em ir atrás de Bruno, devido à sua fragilidade nas pernas. Foi coisa típica de irmão mais velho. E sinceramente esta trepada ao Castelo até me deu duvidas se eles conseguiriam ou se algum ia ficar pelo caminho. De qualquer modo, adoro este suspense!
Enquanto isso, a situação da Melanie entristeceu-me. Consegui compreender melhor a dor dela do que os próprios sentimentos de Claire. Ainda assim, não pude deixar de temer por ela e por Raphael. E quando a criança lhe anunciou que as bestas estavam próximas, só imaginei uma invasão, sem me lembrar da magia! Há que dizer, que mesmo assim fiquei com medo pela Claire, quando ela enfrentou a besta! Tive receio que ela fosse atacada a um nível superior! Descreveste a cena de uma forma que me fez ler e ler sem parar, cheia de pressa para ver o que ia acontecer, tal como aconteceu com outras cenas do género mais à frente!
Depois, aquela determinação da Claire em ir enfrentar Rose de uma vez por todas deu-me mesmo ânsia. Foi como o ponto alto de um filme, quando sabes que a partir daquele momento em especifico algo vai mudar. É a escolha que nos dá a noção que o fim de aproxima e vai ser em grande!
E sem duvida alguma que o Raphael e Claire tinham de se dar bem. Ambos são dotados de altruismo e prova disso foi o gesto de Raphael ao mandar Michel e Bruno por outro caminho, de forma a ser ele a enfrentar Rose.
Fiquei admirada por ser ele a apanhá-la de surpresa e não ela. Mas fiquei feliz por esse facto. E admirada de novo pela atitude de Rose não ser de raiva por ver o urso em forma de humano novamente! Mas claro que nem por um momento achei que a Rose não ia atacar. E pela primeira vez, acho que o Bruno me cativou de verdade.
Quando ele atacou a Claire e depois percebeu que era ela, acho que uma parte de mim finalmente percebeu que ele realmente era apaixonado por ela. E, oh pá, ele mostrou-se tão ligado ao Raphael que até a Rose notou.
Nem pude acreditar quando percebi que ele morreu. E não podias ter descrito a cena melhor. O Beijo da Claire foi a cereja no topo do bolo, na minha opinião. A unica coisa que me deixou triste com ele foi o facto de ter tido contacto com a Rose mesmo depois de ela se ir embora. Foi traição! Ainda por cima ele sempre lutou contra ela!
No final do capitulo, como não vi mais sinal do Michel, fiquei muito curiosa para perceber se ele sobreviveu à queda ou não!
Agora, a parte que realmnete interessa! O Reencontro das irmãs! Acho que a cena ficou linda!
A mão palida de Claire a pegar na Rosa vermelha foi como um sinal de vida no meio de toda a luta!
E não podia ficar mais agradada com a atitude dela. Firme e determinada. E Rose, emocionada, pela primeira vez.
Apesar de toda a sua maldade ela nunca esqueceu a irmã. Talvez tenha sido mesmo a sua maior preocupação durante os 13 anos separadas. No entanto é pena ver que nem isso a faz perceber que as atitudes são erradas. A obsessão por reinar as terras altas e as terras baixas, mais a falta de capacidade de libertar a irmã para que esta viva a sua própria vida e ame quem quiser, inclusivé Raphael! E não acredito que ela o Matou!!! No meio de tanta magia quando a Claire se atirou a ela e começou a bater-lhe com as proprias mãos, só me apateceu juntar-me a ela e espancar a desgraçada até à morte! Que odio dela!!!! BRUXA!!! Devia ter apanhado mais! Tirana!
'
Mas pronto, Claire que é Claire não podia fazer tal crueldade até ao fim. Isso é coisa de Rose, não de Claire!
Só fiquei muito muito triste por Raphael morrer dauuela forma! Oh pá, a sério, foi tão triste! ;_, Eu não o queria morto pá! Tu vê lá se a magia da Claire o ressuscita! ;_; Já a Morte da nossa Rosa Vermelha, foi um alivio.
Finalmente, tudo terá paz por agora! E os fados foram cumpridos!
Depois disto acho que o epilogo me vai fazer dar saltos na cadeira!
AnA_SaNt0s, é com muito gosto que te dou os parabéns pela história! Está uma adaptação original de uma história que não é muito conhecida e sem duvida que conseguiste manter-me sempre curiosa em relação ao que aconteceria a seguir!
A tua narrativa ganhou um tom mais "poético", na minha opinião, sem perder os teus traços tão característicos!
Juro que adorava ver um filme desta historia! Tenho a certeza que seria um sucesso, ainda por cima sendo uma história com magia!
Já agora, acho que as musicas de Within Temptation deram um ar super medieval! Adorei!
Bem, espero ansiosamente pelo epilogo para te fazer a apreciação final!
bjokas
Juro que não estava a contar vir já ler o ultimo capitulo da fic! E digo já, comecei a ler de tarde e a escrever o comentário há mais de duas horas. Digamos que o fiz às prestações, já que tive os meus primos gémeos de 5 anos cá em casa a destruírem tudo em que tocavam! Basicamente, fiquei um pouco frustrada por não poder ler o capitulo com calma, mas fiquei tão presa que não pude adiar a sua leitura!
Começando pelo principio...
Ler o começo da batalha já me deixou nervosa por si só. As mortes, as bestas, enfim, tudo o que me cheirasse a morte. O cenário que descreveste fez-me lembrar o filme da "Bela adormecida", quando o príncipe Filipe vai enfrentar a Bruxa no meio de todo aquele ambiente tenebroso! Gostei de ver a união de Michel, Raphael e Bruno naqueles momentos. E ainda mais a preocupação de Raphael em ir atrás de Bruno, devido à sua fragilidade nas pernas. Foi coisa típica de irmão mais velho. E sinceramente esta trepada ao Castelo até me deu duvidas se eles conseguiriam ou se algum ia ficar pelo caminho. De qualquer modo, adoro este suspense!
Enquanto isso, a situação da Melanie entristeceu-me. Consegui compreender melhor a dor dela do que os próprios sentimentos de Claire. Ainda assim, não pude deixar de temer por ela e por Raphael. E quando a criança lhe anunciou que as bestas estavam próximas, só imaginei uma invasão, sem me lembrar da magia! Há que dizer, que mesmo assim fiquei com medo pela Claire, quando ela enfrentou a besta! Tive receio que ela fosse atacada a um nível superior! Descreveste a cena de uma forma que me fez ler e ler sem parar, cheia de pressa para ver o que ia acontecer, tal como aconteceu com outras cenas do género mais à frente!
Depois, aquela determinação da Claire em ir enfrentar Rose de uma vez por todas deu-me mesmo ânsia. Foi como o ponto alto de um filme, quando sabes que a partir daquele momento em especifico algo vai mudar. É a escolha que nos dá a noção que o fim de aproxima e vai ser em grande!
E sem duvida alguma que o Raphael e Claire tinham de se dar bem. Ambos são dotados de altruismo e prova disso foi o gesto de Raphael ao mandar Michel e Bruno por outro caminho, de forma a ser ele a enfrentar Rose.
Fiquei admirada por ser ele a apanhá-la de surpresa e não ela. Mas fiquei feliz por esse facto. E admirada de novo pela atitude de Rose não ser de raiva por ver o urso em forma de humano novamente! Mas claro que nem por um momento achei que a Rose não ia atacar. E pela primeira vez, acho que o Bruno me cativou de verdade.
Quando ele atacou a Claire e depois percebeu que era ela, acho que uma parte de mim finalmente percebeu que ele realmente era apaixonado por ela. E, oh pá, ele mostrou-se tão ligado ao Raphael que até a Rose notou.
Nem pude acreditar quando percebi que ele morreu. E não podias ter descrito a cena melhor. O Beijo da Claire foi a cereja no topo do bolo, na minha opinião. A unica coisa que me deixou triste com ele foi o facto de ter tido contacto com a Rose mesmo depois de ela se ir embora. Foi traição! Ainda por cima ele sempre lutou contra ela!
No final do capitulo, como não vi mais sinal do Michel, fiquei muito curiosa para perceber se ele sobreviveu à queda ou não!
Agora, a parte que realmnete interessa! O Reencontro das irmãs! Acho que a cena ficou linda!
A mão palida de Claire a pegar na Rosa vermelha foi como um sinal de vida no meio de toda a luta!
E não podia ficar mais agradada com a atitude dela. Firme e determinada. E Rose, emocionada, pela primeira vez.
Apesar de toda a sua maldade ela nunca esqueceu a irmã. Talvez tenha sido mesmo a sua maior preocupação durante os 13 anos separadas. No entanto é pena ver que nem isso a faz perceber que as atitudes são erradas. A obsessão por reinar as terras altas e as terras baixas, mais a falta de capacidade de libertar a irmã para que esta viva a sua própria vida e ame quem quiser, inclusivé Raphael! E não acredito que ela o Matou!!! No meio de tanta magia quando a Claire se atirou a ela e começou a bater-lhe com as proprias mãos, só me apateceu juntar-me a ela e espancar a desgraçada até à morte! Que odio dela!!!! BRUXA!!! Devia ter apanhado mais! Tirana!
' Mas pronto, Claire que é Claire não podia fazer tal crueldade até ao fim. Isso é coisa de Rose, não de Claire!
Só fiquei muito muito triste por Raphael morrer dauuela forma! Oh pá, a sério, foi tão triste! ;_, Eu não o queria morto pá! Tu vê lá se a magia da Claire o ressuscita! ;_; Já a Morte da nossa Rosa Vermelha, foi um alivio.
Finalmente, tudo terá paz por agora! E os fados foram cumpridos!
Depois disto acho que o epilogo me vai fazer dar saltos na cadeira!
AnA_SaNt0s, é com muito gosto que te dou os parabéns pela história! Está uma adaptação original de uma história que não é muito conhecida e sem duvida que conseguiste manter-me sempre curiosa em relação ao que aconteceria a seguir!
A tua narrativa ganhou um tom mais "poético", na minha opinião, sem perder os teus traços tão característicos!
Juro que adorava ver um filme desta historia! Tenho a certeza que seria um sucesso, ainda por cima sendo uma história com magia!

Já agora, acho que as musicas de Within Temptation deram um ar super medieval! Adorei!

Bem, espero ansiosamente pelo epilogo para te fazer a apreciação final!

bjokas
as minhas fic's:
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
-Angelical
Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
-Angelical
Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^
Olá Ana!
Realmente o capítulo era longo, mas lê-se bastante bem. Quando o acabei devo dizer que fiquei bastante melancólica. Rose foi vencida, mas foi um fim agridoce. Raphael perdeu o irmão, pouco depois foi morto, e Claire teve de assassinar a própria irmã. *suspiro
Em relação à batalha creio que descreveste bastante bem, desde o clima de antecipação, até toda a discórdia no momento seguinte. Consegui imaginar na perfeição o homem a levar com a seta, fez-me um bocado de impressão. A batalha lembrou-me um pouco as Crónicas de Nárnia, talvez pelo elemento mágico que ambos possuem.
Achei tão doce o facto de Raphael proteger Bruno enquanto escalavam a torre.
Concordo com a Lulu, é bem perceptível o sofrimento da Melanie. E é bastante triste...
A Claire surpreendeu-me. Saiu-se muito bem a lutar com as bestas e posteriormente com a criatura, soube manter o sangue frio.
Fiquei com imensa pena da Claire, por ter perdido a amiga Lilianna.
Raphael altruísta como sempre, a tentar proteger Bruno e Michel enviando-os pelo caminho errado. Infelizmente não serviu de muito..
"-Como chegaste aqui tão depressa? Como trepaste as paredes? – Perguntou curioso. Bruno ergueu uma sobrancelha ao imaginar a imagem estúpida de uma mulher a trepar as paredes de pedra habilmente. Michel tinha um pensamento semelhante.
Claire lançou-lhes um olhar penetrante, sabendo o que é que eles estavam a pensar.
-Vim pelas passagens secretas. Todos os castelos têm. – Disse naturalmente. Bruno e Michel coraram levemente, embaraçados pela sua estupidez. Deviam ter-se lembrado disso. "
Eu ADOREI este parágrafo! LOOL
Claramente o mundo é das mulheres, MUITO mais inteligentes, looool!
Penso que o facto de Michel ter sido atingido e caído pelas escadas acabou por ser uma benção. Acho que se estivesse estado frente a frente com Rose como estiveram Bruno e Raphael, honestamente não me parece que saísse vivo de lá.
E apesar da ferida parecer séria, quase posso apostar que ele sobrevive.
Toda a cena da luta com as criaturas que Rose criou foi bastante empolgante e eu estive ansiosa e preocupada com os dois irmãos, e por momentos pensei que com a ajuda de Claire conseguiriam sair dali em segurança. Claro que levei um tremendo choque quando o Bruno é subitamente dilacerado por aquelas criaturas, franca opinião, morte injusta!
Tão triste, tão triste a morte de Bruno com ele a sorrir, nem imagino a dor do Raphael a perder o irmão mais novo...
E foi lindo o beijo da Claire.
Como a Lulu disse foi bastante bonito o reencontro das duas irmãs.
O que eu achei uma tremenda ironia, foi o amor que Raphael sente por Claire ser a causa da sua morte. Meu Deus....A Rose é diabólica.
Eu achei que a Claire ía realmente estrangular a própria irmã, mas quando a largou nunca imaginei que no instante seguinte lhe espetasse um punhal no coração. Quer dizer motivos não lhe faltam, mas nunca pensei que Claire tivesse realmente um dia coragem de matar a irmã.
Gostei bastante das músicas.
Quando a trazer Raphael de volta à vida, não sei se fará muito sentido se Claire sacrificar a sua vida para isso. Mas a vida não é perfeita e nem sempre existem finais felizes, por isso aguardo com expectativa o epílogo, para finalmente descobrir como termina esta magnífica história.
Beijinhos, até ao próximo!
Realmente o capítulo era longo, mas lê-se bastante bem. Quando o acabei devo dizer que fiquei bastante melancólica. Rose foi vencida, mas foi um fim agridoce. Raphael perdeu o irmão, pouco depois foi morto, e Claire teve de assassinar a própria irmã. *suspiro
Em relação à batalha creio que descreveste bastante bem, desde o clima de antecipação, até toda a discórdia no momento seguinte. Consegui imaginar na perfeição o homem a levar com a seta, fez-me um bocado de impressão. A batalha lembrou-me um pouco as Crónicas de Nárnia, talvez pelo elemento mágico que ambos possuem.
Achei tão doce o facto de Raphael proteger Bruno enquanto escalavam a torre.
Concordo com a Lulu, é bem perceptível o sofrimento da Melanie. E é bastante triste...
A Claire surpreendeu-me. Saiu-se muito bem a lutar com as bestas e posteriormente com a criatura, soube manter o sangue frio.
Fiquei com imensa pena da Claire, por ter perdido a amiga Lilianna.
Raphael altruísta como sempre, a tentar proteger Bruno e Michel enviando-os pelo caminho errado. Infelizmente não serviu de muito..
"-Como chegaste aqui tão depressa? Como trepaste as paredes? – Perguntou curioso. Bruno ergueu uma sobrancelha ao imaginar a imagem estúpida de uma mulher a trepar as paredes de pedra habilmente. Michel tinha um pensamento semelhante.
Claire lançou-lhes um olhar penetrante, sabendo o que é que eles estavam a pensar.
-Vim pelas passagens secretas. Todos os castelos têm. – Disse naturalmente. Bruno e Michel coraram levemente, embaraçados pela sua estupidez. Deviam ter-se lembrado disso. "
Eu ADOREI este parágrafo! LOOL
Claramente o mundo é das mulheres, MUITO mais inteligentes, looool!
Penso que o facto de Michel ter sido atingido e caído pelas escadas acabou por ser uma benção. Acho que se estivesse estado frente a frente com Rose como estiveram Bruno e Raphael, honestamente não me parece que saísse vivo de lá.
E apesar da ferida parecer séria, quase posso apostar que ele sobrevive.
Toda a cena da luta com as criaturas que Rose criou foi bastante empolgante e eu estive ansiosa e preocupada com os dois irmãos, e por momentos pensei que com a ajuda de Claire conseguiriam sair dali em segurança. Claro que levei um tremendo choque quando o Bruno é subitamente dilacerado por aquelas criaturas, franca opinião, morte injusta!
Tão triste, tão triste a morte de Bruno com ele a sorrir, nem imagino a dor do Raphael a perder o irmão mais novo...
E foi lindo o beijo da Claire.
Como a Lulu disse foi bastante bonito o reencontro das duas irmãs.
O que eu achei uma tremenda ironia, foi o amor que Raphael sente por Claire ser a causa da sua morte. Meu Deus....A Rose é diabólica.
Eu achei que a Claire ía realmente estrangular a própria irmã, mas quando a largou nunca imaginei que no instante seguinte lhe espetasse um punhal no coração. Quer dizer motivos não lhe faltam, mas nunca pensei que Claire tivesse realmente um dia coragem de matar a irmã.
Gostei bastante das músicas.
Quando a trazer Raphael de volta à vida, não sei se fará muito sentido se Claire sacrificar a sua vida para isso. Mas a vida não é perfeita e nem sempre existem finais felizes, por isso aguardo com expectativa o epílogo, para finalmente descobrir como termina esta magnífica história.
Beijinhos, até ao próximo!
Oh meninas, adorei os vossos comentários ;_; Fiquei mesmo contente por lê-los. Este capítulo dedico-o a vocês porque sempre estiveram aqui a ler esta história desde o inicio, vendo-me crescer como escritora desde A Guardiã dos Sonhos. Agradeço os comentário, a simpatia e as emoções que vocês transmitiam pelos comentários.
Este capítulo é diferente dos outros. Podem vir a achar estranho que eu tenha decidido acabar a história desta maneira, mas achei um pouco... poético, acabar assim. O final original envolvia Claire junto à campa da irmã, mas esse era o final da história com pouco romance. O capítulo Veia Escarlate deu cabo de tudo. E assim nasceu este capítulo.
Agradeço os vossos comentários e as vossas opiniões. Bastava ler parte daquilo que vocês escreviam para eu me sentir realizada e para saber que esta história não é má de todo. Tentei adaptar uma história mesmo bonita da minha infância e consegui, ainda que me tenha arrastado por caminhos um pouco obscuros. Sinto também que a minha escrita amadureceu, não pela forma como escrevo mas daquilo que escrevo. E devo-vos a isso, por me inspirarem
Espero que gostem deste capítulo ou, pelo menos, do final de cada personagem.
----------------------------------------------------------------------------------------
Epílogo
Ela pousou a pena cuidadosamente sobre um pano, embrulhando tão importante instrumento de escrita nele e tendo cuidado para não a estragar. Desde cedo que ela ganhara o hábito de estragar penas e não se podia dar ao luxo de pedir mais. Não que não tivesse posses, mas porque o ambiente era demasiado fúnebre para tal. E ninguém conseguia perceber como é que ela conseguia escrever tão cedo desde a morte do pai.
Era um vício. Escrever para esquecer. Tal como muitos se viravam para o álcool, ela virava-se para a caligrafia, afirmando que a relaxava. Divertia-se a escrever histórias derivadas da boca do povo. Havia uma ou duas especialmente mais interessantes, como aquela da rapariga que fora forçada a trabalhar como criada na sua própria casa, até que conheceu um príncipe num baile e apaixonou-se. Histórias destas eram pura fantasia, mas ela adorava acrescentar floreados e diversos contornos às histórias mais simples e ilusórias.
Contudo, havia uma história que sempre a chamara a atenção. Tanto que já a escrevia há já alguns anos, com a ajuda de certos testemunhos e da pura imaginação.
Ela suspirou, sabendo que não podia escrever por muito mais tempo. Os seus olhos encontraram o caderno de couro que protegia os diversos pergaminhos escritos por ela própria, relatando a história das antigas Terras Altas e Terras Baixas. A história de duas irmãs. Para ser honesta, a primeira história que escrevera acerca das irmãs De Roquette era bem mais simples e leviana, aquele género de histórias que se podiam contar a crianças. A história de duas irmãs bondosas que ajudaram um urso num forte inverno.
Oxalá a realidade fosse tão simples.
Lá fora, os cavalos rincharam e os solavancos da carruagem diminuíram. Estavam agora na estrada principal, rumo ao castelo onde ela crescera.
Ela já não punha os pés no castelo há bastante tempo. O seu pai levara-a para a outra fortaleza da família na zona litoral faziam três anos em Julho, deixando a madrasta naquele castelo várias vezes mergulhado na fria neve do inverno. Quando o pai morrera, ela dera-se ao luxo de manter o luto no litoral, adiando a ida para o castelo. Theresia mandara uma emissiva a pedir a presença da enteada na corte, visto que rapariga tão jovem não devia ficar sozinha num enorme castelo.
A jovem suspirou, ao sentir os cavalos a abrandarem. Esticou a cabeça pela janela, observando um jovem falar com o capitão. Este assentiu com a cabeça e o jovem agarrou as rédeas do cavalo e forçou-o a virar de direção. Chegado à janela, olhou a rapariga com um brilho brincalhão nos olhos castanhos.
-Vossa graça, estamos quase a chegar. Não se aborreça por muito mais tempo. – Disse num tom gozador, enquanto acompanhava a carruagem em andamento.
A rapariga semicerrou os olhos.
-Não me chames isso, Daniel. – Retorquiu baixinho, deitando um olhar na mulher adormecida à sua frente. – Sabes muito bem como detesto que o faças.
Daniel sorriu.
-Sabes como é Lilli, tenho que te tratar assim enquanto soldado. Ordens do meu pai.
-O teu pai obedece a demasiadas regras.
-E tu desobedeces a muitas outras. Presumo que passaste a viagem a escrever. – Comentou o jovem, assobiando levemente para os cantos, divertido com a leve coradez nas bochechas da jovem.
-É ridículo impedirem-me de o fazer. – Murmurou a jovem, voltando a olhar a mulher. Daniel também olhou para a mulher, o sorriso nunca saindo do rosto.
-Tens que admitir que não é normal uma donzela escrever mais que um copista pago para o efeito. Principalmente nesta altura… - Daniel não terminou a frase, deitando um olhar preocupado na sua amiga. Por uns segundos, os olhos da rapariga ficaram perdidos em pensamentos longínquos mas logo se recompôs.
-É a minha forma de melhorar…
-A rainha vai achar estranho. – Apontou Daniel, tentando travar o seu cavalo que parecia querer avançar mais do que a carruagem.
-Não quero saber do que a Theresia pensa. Já escrevia antes de a conhecer, não irei mudar só porque…
-Calma, eu não queria… - Tentou dizer o rapaz, mas foi cortado por uma outra voz, vinda da carruagem.
-Daniel? – Perguntou a mulher, ajeitando os cabelos presos num carrapito e fitando os dois jovens com um ar meio severo, meio divertido. A jovem afastou-se da janela, enquanto Daniel fitou a mulher um pouco receoso. – Não devias estar junto do teu pai?
-Sim, mãe. Eu vou já… - Daniel afastou-se da janela, trotando para junto do pai de cabeça baixa. A rapariga franziu a testa.
-Tens mesmo que fazer isso? – Perguntou.
-Não é apropriado ele falar com uma donzela como tu. Não são maneiras. – Respondeu a mulher calmamente.
-Que eu saiba, nunca obedeceste a essas maneiras.
-Isso é porque eu nunca fui uma donzela. – Respondeu a mulher, erguendo uma sobrancelha escura.
-Não foi isso que o meu pai me disse.
A mulher pareceu um pouco atrapalhada, talvez porque a rapariga mencionara o pai dela.
-O teu pai sempre teve uma ideia muito elevada de mim. – Murmurou, os olhos negros fixos na porta da carruagem. As duas mulheres puderam ouvir um homem gritar que o castelo já se avistava. A mulher deu graças em voz alta por ser verão e o tempo estar bom o suficiente para ela caminhar pelas ruas sem o auxílio de uma capa. A rapariga limitou-se a morder o lábio, pois o bom tempo era agora uma inconveniência.
Suspirou, sentindo os olhos da mulher em si. Já estava demasiado habituada para fazer o quer que fosse. Desde pequena que havia sempre um par de olhos a vigiá-la por perto, aonde quer que ela fosse. Infelizmente, certos olhares ainda incomodavam-na.
Finalmente, a carruagem parou. Daniel surgiu para abrir a porta às duas mulheres, dando a mão à amiga quando esta saiu.
-Daniel? – Chamou a mãe, esperando que o filho largasse a mão da rapariga para a ajudar. Quando a mais velha se chegou perto da jovem, mirou a sua capa.
-Podes tirá-la, Lilianna. Não está frio.
Lilianna manteve-se firme. A sua capa, ainda que a aquecesse demasiado, escondia certos objetos dos olhos da sua ama e nem por nada se livraria dela.
-Não é preciso, Melanie. Estou bem. – Respondeu, tentando soar convincente. Melanie ou acreditou, ou estava demasiado cansada para fazer alguma coisa, pois virou-se para o filho e fez-lhe sinal para que as acompanhasse. A ponte estava aberta, podendo ser possível passar o fosso para dentro do magnífico castelo, decorado por trepadeiras que se estendia até duas das suas sete torres.
Um grupo de criados estava lá para a receber com polpa e graça, tal como uma donzela como ela merecia. Muitos murmuraram pêsames discretos, pois eram admiradores dos pais de Lilianna, enquanto outros mandavam a mesma mensagem com os olhos cansados e tristes. Lilianna sentiu o seu humor a extinguir-se. Tudo naquele castelo fazia-a lembrar-se do pai, desde a longa fila de armaduras que se estendia pelo corredor central, as cores quentes que enfeitavam o teto, a existência de vasos com diversas flores de vários cantos do reino e os quadros ocasionais que Lilli encontrava lembrava-a do sorriso caloroso que ela sempre recebia quando entrava na mesma sala que o pai, independentemente do humor dele. Ele reservava sempre um sorriso para ela, a sua única filha.
Um criado surgiu para receber a jovem, Melanie, Daniel e os restantes soldados quando estes chegaram à porta junto à sala do trono. O homem baixo fez uma larga vénia para Lilli e mandou-lhe um acolhedor sorriso, que a jovem retribuiu, com um leve aceno de cabeça. O pai sempre a havia ensinado a respeitar os seus inferiores, pois era o verdadeiro teste de caracter do homem.
-Vossa Majestade irá receber-vos brevemente, Sua Alteza. – Disse o homem, os olhos cruzando-se com os de Melanie. Esta tornou-se para trás. O capitão assentiu, como se algum sinal silencioso tivesse passado entre os dois sem Lilli perceber, e os restantes homens dispersaram-se pelos cantos do castelo, ficando apenas os quatro junto à porta.
Os dois adultos mal se fizeram pronunciar no corredor, enquanto Lilli e Daniel não podiam deixar de se olharem, trocando uma espécie de piada interior. Daniel sempre gozava com os ares sérios dos pais, ainda que soubesse que tais atitudes não eram de se gozar. Afinal, os dois haviam sobrevivido males da guerra e visto coisas que Daniel, com sorte, nunca haveria de ver. Todavia, Lilli estava agradecida aos dois, pois parte dos testemunhos da história das rosas De Roquette viera do casal.
De repente, a porta abriu-se. Lilli deixou que Melanie e o esposo avançassem, com ela e Daniel atrás.
Sentada no trono, estava Theresia, a madrasta de Lilli. A jovem nunca lhe fora muito ligada, mas não fora por desentendimentos. O seu pai fora forçado a casar com Theresia após anos de viuvez da sua primeira esposa, a mãe de Lilli, e nunca escondeu o desgosto que era partilhar o leito com outra mulher. Lilli era nova, mas era dotada de uma afincada curiosidade que lhe permitiu descobrir que o pai tentara gerar um filho a aquela mulher três vezes por ano e nunca resultara.
Finalmente, o pai deixara de fingir e tratou de arranjar um divórcio real, afirmando impossibilidade da mulher em conceber. Tivera que ser Melanie a impedi-lo, pois livrar-se de uma mulher indicava que ele era forçado a arranjar outra. Esta solução havia sido mais simples. O pai tomara conta de Theresia, mas mantivera-se longe dela e dos seus aposentos. Lilli perguntara uma vez a Melanie porque é que o pai não cumpria os seus deveres reais em gerar um varão para o trono. A mulher havia respondido, com enorme pesar, que o seu pai nunca conseguira esquecer a primeira mulher nem mesmo com as obrigações por cumprir. Melanie relembrava-a várias vezes que a dor dele aumentava a cada ano que passava pois Lilli era parecida com ela, se em carácter apenas, pois o seu rosto mostrava traços do pai e da mãe em simultâneo.
Felizmente, o povo não pedia um herdeiro. Eles queriam Lillianna no trono. E esta sabia que essa responsabilidade teria que ser assumida brevemente. Tinha dezasseis anos, mas recebera a educação necessária para ser rainha desde pequena. Estava pronta… bem, pelo menos ela achava que sim.
A madrasta ergueu-se do trono e desceu as escadas para junto dos convidados. Os seus belos olhos negros focaram-se em Melanie e no esposo.
-Melanie, Michel, que bom voltar a ver-vos. – Theresia sabia muito bem em como o casal era bem estimado na corte, daí que tinha sempre que lhes ser cordial mesmo com a morte do rei.
-Muito bem, obrigada Vossa Alteza. – Respondeu Michel, a sua voz grossa ecoando na sala.
-Trouxeram as vossas crianças? – Perguntou Theresia, provavelmente querendo ser cordial, ainda que o casal se recusasse a tratá-la pelo nome próprio.
-Apenas o nosso mais velho, Daniel, Vossa Alteza. – Respondeu Melanie, indicando o jovem com a cabeça. Os olhos de Theresia focaram-se em Daniel e Lilli teve uma sensação entranha no estômago ao ver a madrasta olhar para o seu melhor amigo com um olhar quase faminto, como uma caçadora que via a sua presa. Porque Daniel era um jovem formoso. Tinha os cabelos negros da mãe e o seu tom de pele era da cor da azeitona, para além de ter feições atraentes e desenvolvidas para os seus dezoito, quase dezanove anos. Lilli sabia que Daniel havia sido concebido na semana da batalha. De acordo com a cronologia da sua história, mais propriamente na noite anterior. Mais benefícios da sua curiosidade, se bem que estes conhecimentos foram apenas para averiguarem factos da batalha.
Após o que pareceu uma eternidade, os olhos escuros de Theresia encontraram os seus. Lilli podia jurar que esta havia contraído as pálpebras no que parecia fúria, mas devia ter sido um truque da luz.
Lilli fez uma pequena vénia com a cabeça, gesto retribuído.
-Lilianna, há quando tempo que não te vejo. Tenho pena que sejam momentos destes que nos juntam de novo. – Disse a mulher, num tom pesaroso. Lilli assentiu, sem a olhar no olhos. Theresia pegou no queixo da jovem e ergueu-o para si, admirando o rosto da jovem.
-Três anos, mas mudaste tanto. Os rumores não mentem. És sem dúvida a mais bela de todas… - murmurou. Lilli sentiu um calafrio na espinha ao som das últimas palavras. Corou um pouco. Já sabia dessa fama que tinha, mas nunca se soube pronunciar a ela. Além disso, sabia o quanto Theresia ligava à imagem, sendo ela uma mulher vaidosa.
-Obrigada. – Disse fracamente, voltando a fazer uma vénia. Theresia afastou-se e mandou um criado levar Lilli e os outros para os seus aposentos. A jovem mal olhou para onde ia, limitando-se a seguir Melanie. Ao seu lado, Daniel ia deitando um olhar curioso na sua capa, sabendo que a amiga escondera os pergaminhos no seu interior. Visto de fora, parecia que Lilli não escondia nada, mas as aparências certamente que enganavam.
Daniel afastou-se e foi ter com os pais, fazendo umas determinadas perguntas acerca da sua estadia no castelo. A jovem ia segui-los com o passo um pouco mais apressado quando, de repente, ouviu um som estranho. Parou, não sendo notada por ninguém. Virou o tronco para a esquerda, de onde escutara o som. Sabia que estava junto aos aposentos de Theresia. A porta estava entreaberta e Lilli não conseguia explicar a atração que o quarto lhe dava. A porta entreaberta parecia esconder alguma coisa.
Lilli espreitou para dentro do quarto cautelosamente, apenas a cabeça passando da porta. Nada parecia chamar a atenção. A cama, as grandes tapeçarias ricas e adornadas a ouro e os quadros eram apenas pedaços de decoração exemplar para um monarca. Nada parecia fora do encaixe.
Exceto uma coisa.
Um espelho.
-Lilli? – Lilli afastou-se da porta depressa, mas não depressa para Melanie não a apanhar. – O que estás a fazer?
A rapariga não respondeu, os olhos traindo-a. Melanie lançou-lhe um olhar de reprovação.
-Não devias enfiar o nariz nas coisas dos outros. Francamente, isso não é atitude de uma princesa. – Melanie agarrou o braço de Lilli e arrastou-se pelo corredor, para longe do quarto. Lilli seguiu-a um pouco contrariada. Aquela sensação era muito estranha. Dos poucos segundos que olhava para aquele espelho, sentia algo estranho, como se algo naquele espelho quisesse comunicar com ela. Mas o mais estranho fora aquilo que ela ouvira.
Lilli abanou a cabeça, exasperada da sua própria estupidez. Era impossível, mas quase que podia jurar que aquele espelho falava.
Semanas passaram-se e Lilli continuava a escrever. Várias vezes partilhava os seus pergaminhos com Daniel, perguntando-lhe a sua opinião, mas na maioria mantinha-os para si. As histórias deixavam-lhe sempre um gosto açucarado, mas também estranho à boca. Ela sabia que certos factos deixavam a história quase incompleta. Mas ela não sabia o que escrever acerca deles. Ela desconhecia as palavras exatas que Claire murmurara das poucas vezes que usara magia, e de que era feitas aquelas criaturas semelhante a vapor escuro. Nem tampouco sabia da identidade do segundo filho de Charles e Hélene De Roquette. Sabia que ele morrera jovem, mas desconhecia aonde e como. Corriam rumores de que ele morrera às mãos de Rose, tal como o pai. Isso parecia-lhe tudo ridículo, pois Lilli ouvira sempre dizer que o rapaz tinha uma saúde frágil. Em todo o caso, Lilli tinha que admitir que os Fados haviam sido muito vagos em como ele iria desaparecer do caminho das suas irmãs. As palavras escritas nos seus pergaminhos eram as exatas palavras que as videntes haviam dito no solstício de inverno no ano de nascimento de Claire De Roquette e Lilli várias vezes ficara espantada em como o destino de Rose e Claire era evidente e o do rapaz tão incompreensível.
Outra coisa que a incomodava era a parte do romance entre Raphael e Claire. Chegara-lhe aos ouvidos muitas versões da história de amor entre ambos, que inspirou muitos jovens em busca do seu par. Cada versão parecia-lhe mais absurda, como Claire ter tido um filho de Raphael antes mesmo de este ter-se transformado em urso, ou que fora a própria a transformá-lo em urso para mais tarde se arrepender. Lilli cedo aprendeu a ignorar certas fontes e a focar-se mais naquelas que sabiam do que estavam a falar, como Melanie e Michel. Fora necessário muita discrição para que ninguém pensasse que ela estava a escrever um romance acerca dos heróis da guerra mas no fim conseguiu escrever uma versão verosímil da autêntica história de amor de Claire e Raphael. Ao fim de vários anos de escrita, Lilianna finalmente terminou a história das rosas De Roquette.
Pouco antes da ceia, Lilli guardou os manuscritos debaixo da cama e dirigiu-se para o grande salão. A sua mente várias vezes vagueava em como todas as peças da sua história, por muito fíctidas que fossem, pareciam encaixar-se numa vida só. A magia descrita nos contos e na boca do povo era algo proibido, talvez porque raramente trazia algo de bom desde que fora tocada pelos duendes. Só alguém de alma pura conseguia realizar milagres com ela. Alguém como Claire.
Lilli suspirou e entrou no salão, vendo a madrasta junto à janela. Ela sabia que Theresia não tivera muita sorte na vida e que, acima de tudo, tivera o azar de nascer com cabelos ruivos. O povo supersticioso rogava pragas a quem possuísse a cabelo da cor do sangue. Cabelos da mesma cor que Rose, a Rainha Negra. O facto de Theresia se vestir de negro não ajudava em nada, mesmo que a condição atual assim o pedisse. Lilli sentia parte desse ódio. Ainda que fosse adorava e elogiada pelo seu aspeto, com os cabelos negros como o ébano, lábios vermelhos como o sangue, pele branca como a neve e feições mistas de ambos os pais, muitos cochichavam o facto de ela não ter a cor de olhos de nenhum dos pais.
Theresia virou-se para ela, os olhos dela semicerrando ligeiramente. Lilli engoliu em seco. Esperou que a madrasta se aproximasse dela.
-Vamos cear, minha querida? – Perguntou, ainda que a sua voz traísse o cinismo. Theresia parecia não esconder mais o desagrado que era ter a enteada por perto. Pelo menos era o que Lilli suponha. Assentiu tremulamente. Os seus olhos verdes esmeralda encontraram os de Theresia e Lilli não soube o que achar da ausência de brilho naquelas pérolas escuras. Dirigiu-se para o outro salão, tentando acalmar-se a si própria. De que aquilo era apenas desconforto, iria passar.
Durante a ceia, Lilli sentiu a mão de Daniel apertar a sua.
-Estás nervosa. – Comentou, mirando o prato de comida quase intocado à frente de Lilli. A jovem forjou um sorriso.
-Está tudo bem. – Garantiu, ainda que as borboletas no estômago dissessem o contrário.
A conversa desenrolada durante a ceia não lhe estava a agradar nem um pouco. Melanie e Michel discutiam com outros duques e fidalgos acerca de políticas e da economia do reino. Ainda que a recente morte de Kedar fosse tocada por uns momentos, logo partiram para o poderio do trono. Lilli era a herdeira e seria ela a próxima rainha.
Lilli detestava aquela conversa. Detestava o facto de todos eles falarem daquilo como se a morte do pai tivesse ocorrido dez anos antes e não quatro meses. Como se ele não fosse pessoa de se chorar e sentir saudades, mas para enterrar e seguir em frente. Lilli chorara durante dias quando soubera que o seu querido pai morrera numa caçada, algo invulgar pois ele era um excelentíssimo caçador. Ela gritara assassinato, mas todos haviam dito que havia sido acidental. Lilli não acreditava. O seu instinto dizia-lhe o contrário.
Mas o que ela mais detestava era eles todos falarem dela do mesmo modo que Claire. Como uma heroína, alguém a ser idolatrada, uma lenda. Não só exageravam na sua pessoa, como também parecia obrigar Lilli a carregar um peso extra às costas quando subisse ao trono. Todos esperavam que ela fosse como Claire De Roquette. Bebeu um gole do seu cálice, sabendo que mais uma pessoa naquela mesa detestava aquela conversa.
Pousou o cálice na mesa e virou o pescoço levemente, apenas o suficiente para ver a madrasta com os dois olhos. Se olhares matassem, Theresia já teria morto todos os convidados sentados naquela mesa. O seu olhar cruzou-se com o de Lilli e não suavizou, para horror da jovem.
Lilli olhou para o chão por uns momentos, antes de se desculpar e sair da mesa sem olhar para trás. Assim que saiu do salão, correu. Correu o mais rápido possível em busca de uma criada, alguém que lhe contasse todos os rumores do castelo desde a ausência do pai. Sentia uma forte azia no estomago. E sabia que estava prestes a piorar.
Ela levou os pergaminhos consigo. O sol refletia na sua capa, aquecendo o seu corpo, mas ela recusou-se a tirar a capa e a mostrar o homem que a seguia aquilo que ela escondia.
As criadas haviam-lhe dito tudo. Theresia detestava-a e desejava-a morta. Com a morte de Lilianna, Theresia não teria nenhum obstáculo entre ela e o trono. Para não falar que a sua vaidade atingira o pico desde a ausência do pai. A beleza de Lilli incomodava-a e muitas mulheres juraram ter ouvido a rainha prometer ao seu espelho que teria o coração da jovem princesa.
Ela tentara convencer Daniel a acompanhá-la naquele passeio, mas Theresia pensara em tudo. Daniel ficara com a rainha no castelo ajudando-a a montar o seu cavalo e percorrer o campo de caça, do outro lado. Longe de Lilli.
Contar as suas suspeitas a mais alguém seria ridículo. Melanie mandá-la-ia deitar-se e de deixar de dizer baboseiras, pois Theresia podia não ser a mãe ideal mas era a única que tinha.
Lilli só começou a entrar em pânico quando o homem tirou o capuz logo no início do passeio, mostrando o seu rosto. Ela conhecia o homem. Não era um guarda, mas sim o caçador preferido de Theresia, como muitos lhe haviam contado. Era jovem, na casa dos trinta e tinha uma cicatriz no olho esquerdo, o que lhe dava um ar aterrador. Fora simpático durante a caminhada, mas Lilli temia cada passo. Sentia agora o tempo a escassear. Theresia mandara aquele caçador matá-la. Tinha que correr, tinha que fugir e salvar-se. Mas ele conhecia aquela floresta melhor do que ela e tinha um arco. Podia matá-la com uma flecha que ela nem teria tempo para se desviar.
Ela tinha armas com ela. No meio dos seus pergaminhos, encontrava-se o punhal mágico de Claire De Roquette. Todavia, não só Lilli não sabia usar os poderes mágicos do objeto, como também lhe seria inútil usar a arma naturalmente, pois o homem era bem mais forte do que ela.
Subitamente, parou e procurou uma pedra para sentar-se, ficando de costas para o caçador. Tirou os pergaminhos, rezando para que eles lhe dessem tempo. O caçador olhou os papéis com suspeita.
-Que é isso, Vossa Majestade? – Lilli sabia distinguir o respeito de uma pessoa pela forma como esta falava para si. Todo aquele que respeitava a sua família e a própria Lilli jamais ousaria perguntar-lhe o quer que seja, orgulhando-se de vigiá-la silenciosamente. Mas Lilli não se importou. Pelo contrário, ela agradecia a pergunta. Sabia que, sendo o favorito de Theresia, não deveria ter ouvido muitas boas histórias dela e do pai. Talvez ela pudesse mudar isso.
Era a sua única esperança.
-É uma história que estou a escrever. É sobre duas irmãs separadas pelo destino que se encontram anos mais tarde. Todavia, elas estão muito diferentes. A mais velha é louca e malvada, ainda que seja assim por se estar a afogar em mágoas da vida. A mais nova é forte, corajosa, uma heroína, ainda que sinta a falta da irmã. Só a mais nova pode mudar o destino das duas, salvando a terra dos males da mais velha. Só ela a pode matar.
-Parece… interessante. – Comentou o caçador por detrás de si. Lilli sentiu uma ponta de interesse na voz do homem, mas não se atreveu a ficar com grandes esperanças. – Tem um final feliz?
-Depende do que considera um “final feliz”. – Respondeu Lilli. – A minha história é sobre as duas irmãs, logo o final não é feliz porque a mais nova mata a mais velha.
-Não acaba por ficar igual à mais velha? – Perguntou o caçador, um pouco receoso. Lilli soube que ele estava a ponderar a sua próxima decisão. Ouviu-o remexer nas suas coisas. Lilli engoliu em seco, sentindo um calafrio no corpo. Mas não ousou parar de responder.
-A mais velha estava louca, nunca pararia de matar, nem mesmo aqueles que a irmã amava. Chegara ao fundo do abismo e a mais nova soube que não tinha outra hipótese. Depois de muito hesitar, mata-a porque também ela chegara ao fundo do abismo. Chegara ao ponto em que deixara de amar a irmã.
Lilli sentiu uma lágrima cair do rosto quando ouviu o som de um leve raspar de uma lâmina em pele dura. Ela sabia que ele tinha agora uma faca virada para as costas dela. Soluçou o mais baixo possível, sentindo-se sem ar, incapaz de respirar. Pensou no seu querido pai e na mãe que nunca conhecera. Involuntariamente, as suas mãos procuraram os papéis mais recentes, aqueles que ditavam o fim da história. Ouviu passos atrás de si.
Era agora.
-Qual é o final? – Perguntou o caçador num tom sombrio. Lilli não sabia se ele perguntava para causar um efeito mais aterrador ou se estava mesmo curioso e queria mesmo saber o fim da história antes de cumprir as ordens da rainha.
Lilli suspirou e olhou para as linhas, começando a ler logo após responder, temendo cada frase como se esta fosse a sua última.
-Eu.
“O som do choro de uma criança acordou Raphael do seu sono temporário. Sem hesitar, correu para o quarto, quase que deitando as portas abaixo. Criadas passaram por ele, levando lençóis sujos de sangue, mas ele mal lhes prestou atenção. Já lá dentro, viu aquilo pelo qual ele esperava aqueles meses todos.
Claire tinha o rosto molhado e cansado, mas o seu sorriso era radiante. Segurava num pequeno molhe de cobertores, escondendo uma pequena criança cor-de-rosa.
-Raphael. – Sussurrou o seu nome, chamando-o para perto de si. – Vem ver a tua filha.
O homem ajoelhou-se junto à cama, vendo Claire acariciar a pequena bebé de cabelos negros que se contorcia nos seus braços. Ele nunca vira algo mais bonito na sua vida e foi isso que disse à esposa. Esta sorriu e beijou-lhe a testa, sendo respondida com um leve beijo nos lábios.
-Ela tem que ser limpa. – Comentou Raphael, vendo o sangue que cobria a menina. Mas Claire recusou-se a largá-la.
-Não, por favor. – Disse ela, lágrimas caindo-lhe dos olhos. – Deixa-me segurá-la enquanto possa.
Raphael soube então que algo estava errado. Um pequeno olhar em sua volta e descobriu logo o problema.
A cama estava repleta de sangue, ainda que tivesse visto as criadas levarem os lençóis sujos para fora.
Em pânico, Raphael ergueu-se e procurou alguém. Fora do quarto, só viu Melanie, que chorava silenciosamente num canto. Quando o seu olhar cruzou-se com o de Raphael, as lágrimas caíram em duplicado.
-Lamento. Não conseguimos parar a hemorragia. É uma questão de tempo até ela… - Não conseguiu terminar, acabando por colocar a mão na boca para controlar o seu choro desesperado. Raphael sentiu um grande buraco no peito. Apoiando-se na parede, tentou pensar naquilo que ouvira. Mas nada conseguia entrar-lhe na cabeça. Só o choro da sua filha persistia, como se a menina quisesse chamá-lo para perto da mãe.
Caindo nos seus sentidos, Raphael voltou a entrar no quarto, ajoelhando-se de novo junto de Claire. Esta chorava, mas sorria calorosamente.
-Não temas, meu amor. Valeu a pena. – Disse ela, trazendo o rosto da menina até si, beijando-lhe a face carinhosamente. E Raphael viu a esposa beijar as mãozinhas, as coxinhas, os bracinhos e a cabecinha daquela pequena bebé que com tão pouco tempo de vida já ia perder a mãe.
Fora o pior sacrifício para Claire. Usar magia para trazer o marido à vida fora algo natural e estranhamente puro, não havendo quase nenhuma consequência. Exceto uma.
Durante os dois anos seguintes, Claire sofrera três abortos sem que esta os pudesse impedir. A incapacidade de dar à luz um filho levara-a quase à loucura. Raphael não tivera outra opção senão trancar Claire numa torre para que esta se acalmasse. Todas as noites, ia visitá-la e várias vezes faziam amor, com ele querendo provar-lhe que a amava acima de tudo e que fazia aquilo para o bem dela. Semanas depois, Melanie aconselhou Raphael a tirar a esposa da torre, mas Claire recusou-se. O seu sorriso radiante quando Raphael perguntara porquê fora resposta suficiente. A quarta gravidez fora observada com a máxima cautela possível e, pela primeira vez, Raphael ouviu Claire e Melanie sorrirem uma para a outra, enquanto a esposa segurava o pequeno Daniel nos braços, ansiosa por segurar o seu.
Raphael trazia flores para a esposa todas as semanas, desde as mais variadas cores, formas e texturas. Raphael não precisava de saber que podia trazer até ervas daninhas a Claire, mas não rosas. Pousava-as junto da janela e Claire ficava lá a observá-los, os seus dias de guerreira há muito perdidos.
Perto do fim da gravidez, Claire ganhara um gosto por lírios brancos, pondo-os sempre na janela, acariciando a barriga com ternura enquanto os admirava. Ele nunca conseguia deixar de sorrir perante tão bela imagem que agora se refletia perante seus olhos. A mulher segurando a pequenina, o seu sorriso iluminando o quarto, ainda que fosse de pouca duração. Os Fados não haviam dito nada, porque eles recusavam-se a saber. Melanie evitara o casal durante o solstício de inverno e verão, mas tínhamos que questionar o poder dos Fados, pois Claire entrara em trabalho de parto estavam as nuvens negras e a chuva a cair mas o dia amanhecera quando Claire dera à luz tal repetição do seu nascimento.
-Não me arrependo. – Sussurrou Claire. – Tivesses tu morrido naquela noite, jamais teria estes anos de felicidade. Jamais teria a ela. – Raphael nunca vira Claire chorar desta maneira, de uma forma quase desesperada. Mas também, há que amaldiçoar os Fados, que impediram uma mulher de ter aquilo que ela mais queria. Claire pagava agora as consequências e, estranhamente, ela não se importava, não fosse ela o elo mais forte.
Claire baloiçava a bebé contra o seu peito, enquanto a pequena soluçava baixinho, o seu choro terminado. Entendendo que estava nos braços da mãe e completamente segura, acalmou-se, deixando-se dormir ao baloiçar dos braços de Claire.
-Lilianna. – Murmurou Claire ao fim de minutos de silêncio. Raphael ouviu a voz dela mais fraca e sabia que o tempo escasseava.
-Lilianna? – Repetiu, um pouco confuso.
-O nome dela. Lilianna, como os lírios brancos.
-A filha da sua mãe. – Murmurou Raphael, aproximando-se apara beijar a testa da sua filhinha. Claire suspirou pesadamente.
-Não quero que ela tenha o meu fardo. Jura-me, Raphael! – Tornou-se para o marido, as lágrimas caindo-lhe do pescoço, uma delas caindo suavemente na bochecha de Lilianna. – Jura-me que lhe ensinarás tudo aquilo que aprendeste na guerra, para que ela saiba se defender. Que ela carregue o meu punhal até ao fim dos seus dias, mas sem saber de onde vem o sangue que a lâmina carrega. Que ela tenha a infância pacífica e o amor que nós não tivemos. Que saiba que eu sou uma aclamada heroína mais, mais que tudo, fui uma mulher e a mãe dela. Jura-me, que ela será feliz e que a minha morte não será em vão. Que deixar-te-ei aqui com ela, para que vocês os dois possam ser felizes.
Raphael sentiu-se fraquejar. Como podia ela pedir uma coisa daquelas? Sim, ele jurava. Até ao fim dos seus dias. Mas só a ideia de ter a oportunidade de ver Lilianna crescer e Claire não dava-lhe um aperto no coração.
Claire pareceu adivinhar os seus pensamentos. Com uma mão, segurou na filha e usou a outra para erguer o queixo do marido, para que este a olhasse nos olhos.
-Eu estarei aqui, a vigiá-la. Vocês são a minha vida, dificilmente vos abandonarei. Os Fados quiseram mandar na minha vida, agora pagam as consequências tal como eu. Ela vai crescer e será feliz. Porque terá o pai por perto e ter-me-á a mim no coração. Só quero que a faças entender isso, meu amor.
Raphael apertou a mão da mulher, aquele sinal de afeto de que estariam sempre juntos. Tal como os votos do casamento o ditavam, só a morte os poderia afastar. Mas esse obstáculo seria temporário. Um dia, Raphael juntar-se-ia a Claire e juntos veriam Lilianna a terminar os seus dias para finalmente a família se reunir desde o trágico dia do nascimento de Lilianna.
Claire passou Lilianna para os braços do marido, já se sentindo demasiado cansada para a segurar. Este pegou na filha pela primeira vez. O toque do corpo pequeno da bebé junto ao seu aqueceu o seu coração, mesmo que este soubesse que em breve um grande vazio iria apoderar-se dele. A pequena agitou-se um pouco, mas logo se acalmou. Talvez ela sentisse o amor que o pai e a mãe nutriam por ela. Fosse como fosse, Lilianna dormia pacificamente nos braços do pai. Raphael perdeu-se a admirar a beleza dela. Ele desejara que fosse igual a Claire, fosse rapaz ou menina. Mas os Fados abençoaram a pequena com as suas maçãs do rosto e o seu nariz. A forma dos olhos e do queixo eram de Claire, bem como o tom de pele. Era tão bonita.
A sua Lilli.
Claire deitou as costas, o seu rosto amarelado e os olhos brilhantes como ametistas. Raphael aproximou a bebé do rosto da esposa, permitindo que esta beijasse a pequena onde quer que pudesse, fosse o rostinho cor-de-rosa, fosse os pequenos pés que um dia haveriam de dar grandes caminhadas ou as mãozinhas suaves de princesa.
Raphael beijou a esposa, um último beijo de amor antes da escuridão. A história assim acabava, com o rei a beijar a sua rainha mas sem que esta acordasse. Porque beijos de amor não acordam princesas nesta história. São apenas provas de afeto muito desleixadas pelo homem comum.
Ninguém podia salvar Claire De Roquette, mas também esta assim o pedia. A salvadora das marcas negras erguer-se-ia agora para os céus, observando os seus. Ao contrário da irmã, que caíra nas suas próprias mãos. Muitos chorariam a morte da salvadora, aquela que com magia e a sua própria alma realizou milagres, sem terem a menor ideia daquilo pelo qual ela passara.
Vinte anos antes, uma jovem ruiva viu uma pequena bebé morena pela primeira vez. A sua pequena irmã. Não sabia naquilo que se iria tornar, numa marca negra que arruinaria tudo aquilo que visse, nem tampouco que o seu maior ponto fraco chorava nos braços nos braços da mãe de ambas.
O pai de ambas não acreditara que uma rapariga fosse o orgulho da família. Em tempos certos, estava errado. Agora a rapariga antigamente destinada a salvar todos suspira, os seus olhos focando-se pela última vez nas pessoas que ela mais amava, o seu maior tesouro. Aquilo que, caso ela não tivesse enfrentado a irmã anos antes, jamais haveria de ter.
E aí, a vida não seria perfeita.
Claire suspirou alegremente, o seu sorriso nunca saindo dos lábios pois, tal como Bruno, via aqueles que mais amava antes de os seus olhos se fecharem e a escuridão a envolver. Um último suspiro e nada mais.
A bebé começou a chorar e a lenda assim nascia.
Duas irmãs, separadas pelo destino, envolvidas em armadilhas e sofrimento provocadas por elas próprias, membros do mesmo sangue. Duas jovens, que tinham uma visão diferente do mundo e que seguiram diferentes caminhos. Rose escolhera a vingança e o ódio, enquanto a sua irmã mais nova escolheu terminar a história da sua vida com a consciência limpa, salvando as duas Terras da tirania da irmã, tornando-se numa heroína. Tornando-se forte sem nenhum príncipe a ajudá-la, dando a sua vida pela sua filha que agora chorava como ela chorara quando nascera, os olhos da irmã brilhando de puro amor sem desconfiar que ela seria a ruina da família e a irmã o seu futuro.
Uma mulher.
Claire.”
-------------------------------------
Espero que tenham gostado. Eu tive uma enorme necessidade em terminar o ciclo. Comecei a história com o nascimento de Claire, tive que acabar com a morte dela. Também decidi escrever acerca da chegada da filha de Raphael ao castelo, em comparação à sua chegada no capítulo 2. Como Lilli cresceu mediante os ensinamentos do pai, praticamente estava a comparar o Raphael dos primeiros capítulos com os finais.
Não sei se irei continuar a escrever aqui no forum. Tenho algumas ideias, incluindo uma sequela para esta história, mas duvido que a vá continuar. Se o fizer, demorarei muito tempo a terminá-la e acho que vocês não merecem tanta espera.
Seja como for, muito obrigada por tudo. Esta história fui eu que a escrevi, mas não estaria aqui se não fossem vocês, Bun e Lulumoon
Este capítulo é diferente dos outros. Podem vir a achar estranho que eu tenha decidido acabar a história desta maneira, mas achei um pouco... poético, acabar assim. O final original envolvia Claire junto à campa da irmã, mas esse era o final da história com pouco romance. O capítulo Veia Escarlate deu cabo de tudo. E assim nasceu este capítulo.
Agradeço os vossos comentários e as vossas opiniões. Bastava ler parte daquilo que vocês escreviam para eu me sentir realizada e para saber que esta história não é má de todo. Tentei adaptar uma história mesmo bonita da minha infância e consegui, ainda que me tenha arrastado por caminhos um pouco obscuros. Sinto também que a minha escrita amadureceu, não pela forma como escrevo mas daquilo que escrevo. E devo-vos a isso, por me inspirarem

Espero que gostem deste capítulo ou, pelo menos, do final de cada personagem.
----------------------------------------------------------------------------------------
Epílogo
Ela pousou a pena cuidadosamente sobre um pano, embrulhando tão importante instrumento de escrita nele e tendo cuidado para não a estragar. Desde cedo que ela ganhara o hábito de estragar penas e não se podia dar ao luxo de pedir mais. Não que não tivesse posses, mas porque o ambiente era demasiado fúnebre para tal. E ninguém conseguia perceber como é que ela conseguia escrever tão cedo desde a morte do pai.
Era um vício. Escrever para esquecer. Tal como muitos se viravam para o álcool, ela virava-se para a caligrafia, afirmando que a relaxava. Divertia-se a escrever histórias derivadas da boca do povo. Havia uma ou duas especialmente mais interessantes, como aquela da rapariga que fora forçada a trabalhar como criada na sua própria casa, até que conheceu um príncipe num baile e apaixonou-se. Histórias destas eram pura fantasia, mas ela adorava acrescentar floreados e diversos contornos às histórias mais simples e ilusórias.
Contudo, havia uma história que sempre a chamara a atenção. Tanto que já a escrevia há já alguns anos, com a ajuda de certos testemunhos e da pura imaginação.
Ela suspirou, sabendo que não podia escrever por muito mais tempo. Os seus olhos encontraram o caderno de couro que protegia os diversos pergaminhos escritos por ela própria, relatando a história das antigas Terras Altas e Terras Baixas. A história de duas irmãs. Para ser honesta, a primeira história que escrevera acerca das irmãs De Roquette era bem mais simples e leviana, aquele género de histórias que se podiam contar a crianças. A história de duas irmãs bondosas que ajudaram um urso num forte inverno.
Oxalá a realidade fosse tão simples.
Lá fora, os cavalos rincharam e os solavancos da carruagem diminuíram. Estavam agora na estrada principal, rumo ao castelo onde ela crescera.
Ela já não punha os pés no castelo há bastante tempo. O seu pai levara-a para a outra fortaleza da família na zona litoral faziam três anos em Julho, deixando a madrasta naquele castelo várias vezes mergulhado na fria neve do inverno. Quando o pai morrera, ela dera-se ao luxo de manter o luto no litoral, adiando a ida para o castelo. Theresia mandara uma emissiva a pedir a presença da enteada na corte, visto que rapariga tão jovem não devia ficar sozinha num enorme castelo.
A jovem suspirou, ao sentir os cavalos a abrandarem. Esticou a cabeça pela janela, observando um jovem falar com o capitão. Este assentiu com a cabeça e o jovem agarrou as rédeas do cavalo e forçou-o a virar de direção. Chegado à janela, olhou a rapariga com um brilho brincalhão nos olhos castanhos.
-Vossa graça, estamos quase a chegar. Não se aborreça por muito mais tempo. – Disse num tom gozador, enquanto acompanhava a carruagem em andamento.
A rapariga semicerrou os olhos.
-Não me chames isso, Daniel. – Retorquiu baixinho, deitando um olhar na mulher adormecida à sua frente. – Sabes muito bem como detesto que o faças.
Daniel sorriu.
-Sabes como é Lilli, tenho que te tratar assim enquanto soldado. Ordens do meu pai.
-O teu pai obedece a demasiadas regras.
-E tu desobedeces a muitas outras. Presumo que passaste a viagem a escrever. – Comentou o jovem, assobiando levemente para os cantos, divertido com a leve coradez nas bochechas da jovem.
-É ridículo impedirem-me de o fazer. – Murmurou a jovem, voltando a olhar a mulher. Daniel também olhou para a mulher, o sorriso nunca saindo do rosto.
-Tens que admitir que não é normal uma donzela escrever mais que um copista pago para o efeito. Principalmente nesta altura… - Daniel não terminou a frase, deitando um olhar preocupado na sua amiga. Por uns segundos, os olhos da rapariga ficaram perdidos em pensamentos longínquos mas logo se recompôs.
-É a minha forma de melhorar…
-A rainha vai achar estranho. – Apontou Daniel, tentando travar o seu cavalo que parecia querer avançar mais do que a carruagem.
-Não quero saber do que a Theresia pensa. Já escrevia antes de a conhecer, não irei mudar só porque…
-Calma, eu não queria… - Tentou dizer o rapaz, mas foi cortado por uma outra voz, vinda da carruagem.
-Daniel? – Perguntou a mulher, ajeitando os cabelos presos num carrapito e fitando os dois jovens com um ar meio severo, meio divertido. A jovem afastou-se da janela, enquanto Daniel fitou a mulher um pouco receoso. – Não devias estar junto do teu pai?
-Sim, mãe. Eu vou já… - Daniel afastou-se da janela, trotando para junto do pai de cabeça baixa. A rapariga franziu a testa.
-Tens mesmo que fazer isso? – Perguntou.
-Não é apropriado ele falar com uma donzela como tu. Não são maneiras. – Respondeu a mulher calmamente.
-Que eu saiba, nunca obedeceste a essas maneiras.
-Isso é porque eu nunca fui uma donzela. – Respondeu a mulher, erguendo uma sobrancelha escura.
-Não foi isso que o meu pai me disse.
A mulher pareceu um pouco atrapalhada, talvez porque a rapariga mencionara o pai dela.
-O teu pai sempre teve uma ideia muito elevada de mim. – Murmurou, os olhos negros fixos na porta da carruagem. As duas mulheres puderam ouvir um homem gritar que o castelo já se avistava. A mulher deu graças em voz alta por ser verão e o tempo estar bom o suficiente para ela caminhar pelas ruas sem o auxílio de uma capa. A rapariga limitou-se a morder o lábio, pois o bom tempo era agora uma inconveniência.
Suspirou, sentindo os olhos da mulher em si. Já estava demasiado habituada para fazer o quer que fosse. Desde pequena que havia sempre um par de olhos a vigiá-la por perto, aonde quer que ela fosse. Infelizmente, certos olhares ainda incomodavam-na.
Finalmente, a carruagem parou. Daniel surgiu para abrir a porta às duas mulheres, dando a mão à amiga quando esta saiu.
-Daniel? – Chamou a mãe, esperando que o filho largasse a mão da rapariga para a ajudar. Quando a mais velha se chegou perto da jovem, mirou a sua capa.
-Podes tirá-la, Lilianna. Não está frio.
Lilianna manteve-se firme. A sua capa, ainda que a aquecesse demasiado, escondia certos objetos dos olhos da sua ama e nem por nada se livraria dela.
-Não é preciso, Melanie. Estou bem. – Respondeu, tentando soar convincente. Melanie ou acreditou, ou estava demasiado cansada para fazer alguma coisa, pois virou-se para o filho e fez-lhe sinal para que as acompanhasse. A ponte estava aberta, podendo ser possível passar o fosso para dentro do magnífico castelo, decorado por trepadeiras que se estendia até duas das suas sete torres.
Um grupo de criados estava lá para a receber com polpa e graça, tal como uma donzela como ela merecia. Muitos murmuraram pêsames discretos, pois eram admiradores dos pais de Lilianna, enquanto outros mandavam a mesma mensagem com os olhos cansados e tristes. Lilianna sentiu o seu humor a extinguir-se. Tudo naquele castelo fazia-a lembrar-se do pai, desde a longa fila de armaduras que se estendia pelo corredor central, as cores quentes que enfeitavam o teto, a existência de vasos com diversas flores de vários cantos do reino e os quadros ocasionais que Lilli encontrava lembrava-a do sorriso caloroso que ela sempre recebia quando entrava na mesma sala que o pai, independentemente do humor dele. Ele reservava sempre um sorriso para ela, a sua única filha.
Um criado surgiu para receber a jovem, Melanie, Daniel e os restantes soldados quando estes chegaram à porta junto à sala do trono. O homem baixo fez uma larga vénia para Lilli e mandou-lhe um acolhedor sorriso, que a jovem retribuiu, com um leve aceno de cabeça. O pai sempre a havia ensinado a respeitar os seus inferiores, pois era o verdadeiro teste de caracter do homem.
-Vossa Majestade irá receber-vos brevemente, Sua Alteza. – Disse o homem, os olhos cruzando-se com os de Melanie. Esta tornou-se para trás. O capitão assentiu, como se algum sinal silencioso tivesse passado entre os dois sem Lilli perceber, e os restantes homens dispersaram-se pelos cantos do castelo, ficando apenas os quatro junto à porta.
Os dois adultos mal se fizeram pronunciar no corredor, enquanto Lilli e Daniel não podiam deixar de se olharem, trocando uma espécie de piada interior. Daniel sempre gozava com os ares sérios dos pais, ainda que soubesse que tais atitudes não eram de se gozar. Afinal, os dois haviam sobrevivido males da guerra e visto coisas que Daniel, com sorte, nunca haveria de ver. Todavia, Lilli estava agradecida aos dois, pois parte dos testemunhos da história das rosas De Roquette viera do casal.
De repente, a porta abriu-se. Lilli deixou que Melanie e o esposo avançassem, com ela e Daniel atrás.
Sentada no trono, estava Theresia, a madrasta de Lilli. A jovem nunca lhe fora muito ligada, mas não fora por desentendimentos. O seu pai fora forçado a casar com Theresia após anos de viuvez da sua primeira esposa, a mãe de Lilli, e nunca escondeu o desgosto que era partilhar o leito com outra mulher. Lilli era nova, mas era dotada de uma afincada curiosidade que lhe permitiu descobrir que o pai tentara gerar um filho a aquela mulher três vezes por ano e nunca resultara.
Finalmente, o pai deixara de fingir e tratou de arranjar um divórcio real, afirmando impossibilidade da mulher em conceber. Tivera que ser Melanie a impedi-lo, pois livrar-se de uma mulher indicava que ele era forçado a arranjar outra. Esta solução havia sido mais simples. O pai tomara conta de Theresia, mas mantivera-se longe dela e dos seus aposentos. Lilli perguntara uma vez a Melanie porque é que o pai não cumpria os seus deveres reais em gerar um varão para o trono. A mulher havia respondido, com enorme pesar, que o seu pai nunca conseguira esquecer a primeira mulher nem mesmo com as obrigações por cumprir. Melanie relembrava-a várias vezes que a dor dele aumentava a cada ano que passava pois Lilli era parecida com ela, se em carácter apenas, pois o seu rosto mostrava traços do pai e da mãe em simultâneo.
Felizmente, o povo não pedia um herdeiro. Eles queriam Lillianna no trono. E esta sabia que essa responsabilidade teria que ser assumida brevemente. Tinha dezasseis anos, mas recebera a educação necessária para ser rainha desde pequena. Estava pronta… bem, pelo menos ela achava que sim.
A madrasta ergueu-se do trono e desceu as escadas para junto dos convidados. Os seus belos olhos negros focaram-se em Melanie e no esposo.
-Melanie, Michel, que bom voltar a ver-vos. – Theresia sabia muito bem em como o casal era bem estimado na corte, daí que tinha sempre que lhes ser cordial mesmo com a morte do rei.
-Muito bem, obrigada Vossa Alteza. – Respondeu Michel, a sua voz grossa ecoando na sala.
-Trouxeram as vossas crianças? – Perguntou Theresia, provavelmente querendo ser cordial, ainda que o casal se recusasse a tratá-la pelo nome próprio.
-Apenas o nosso mais velho, Daniel, Vossa Alteza. – Respondeu Melanie, indicando o jovem com a cabeça. Os olhos de Theresia focaram-se em Daniel e Lilli teve uma sensação entranha no estômago ao ver a madrasta olhar para o seu melhor amigo com um olhar quase faminto, como uma caçadora que via a sua presa. Porque Daniel era um jovem formoso. Tinha os cabelos negros da mãe e o seu tom de pele era da cor da azeitona, para além de ter feições atraentes e desenvolvidas para os seus dezoito, quase dezanove anos. Lilli sabia que Daniel havia sido concebido na semana da batalha. De acordo com a cronologia da sua história, mais propriamente na noite anterior. Mais benefícios da sua curiosidade, se bem que estes conhecimentos foram apenas para averiguarem factos da batalha.
Após o que pareceu uma eternidade, os olhos escuros de Theresia encontraram os seus. Lilli podia jurar que esta havia contraído as pálpebras no que parecia fúria, mas devia ter sido um truque da luz.
Lilli fez uma pequena vénia com a cabeça, gesto retribuído.
-Lilianna, há quando tempo que não te vejo. Tenho pena que sejam momentos destes que nos juntam de novo. – Disse a mulher, num tom pesaroso. Lilli assentiu, sem a olhar no olhos. Theresia pegou no queixo da jovem e ergueu-o para si, admirando o rosto da jovem.
-Três anos, mas mudaste tanto. Os rumores não mentem. És sem dúvida a mais bela de todas… - murmurou. Lilli sentiu um calafrio na espinha ao som das últimas palavras. Corou um pouco. Já sabia dessa fama que tinha, mas nunca se soube pronunciar a ela. Além disso, sabia o quanto Theresia ligava à imagem, sendo ela uma mulher vaidosa.
-Obrigada. – Disse fracamente, voltando a fazer uma vénia. Theresia afastou-se e mandou um criado levar Lilli e os outros para os seus aposentos. A jovem mal olhou para onde ia, limitando-se a seguir Melanie. Ao seu lado, Daniel ia deitando um olhar curioso na sua capa, sabendo que a amiga escondera os pergaminhos no seu interior. Visto de fora, parecia que Lilli não escondia nada, mas as aparências certamente que enganavam.
Daniel afastou-se e foi ter com os pais, fazendo umas determinadas perguntas acerca da sua estadia no castelo. A jovem ia segui-los com o passo um pouco mais apressado quando, de repente, ouviu um som estranho. Parou, não sendo notada por ninguém. Virou o tronco para a esquerda, de onde escutara o som. Sabia que estava junto aos aposentos de Theresia. A porta estava entreaberta e Lilli não conseguia explicar a atração que o quarto lhe dava. A porta entreaberta parecia esconder alguma coisa.
Lilli espreitou para dentro do quarto cautelosamente, apenas a cabeça passando da porta. Nada parecia chamar a atenção. A cama, as grandes tapeçarias ricas e adornadas a ouro e os quadros eram apenas pedaços de decoração exemplar para um monarca. Nada parecia fora do encaixe.
Exceto uma coisa.
Um espelho.
-Lilli? – Lilli afastou-se da porta depressa, mas não depressa para Melanie não a apanhar. – O que estás a fazer?
A rapariga não respondeu, os olhos traindo-a. Melanie lançou-lhe um olhar de reprovação.
-Não devias enfiar o nariz nas coisas dos outros. Francamente, isso não é atitude de uma princesa. – Melanie agarrou o braço de Lilli e arrastou-se pelo corredor, para longe do quarto. Lilli seguiu-a um pouco contrariada. Aquela sensação era muito estranha. Dos poucos segundos que olhava para aquele espelho, sentia algo estranho, como se algo naquele espelho quisesse comunicar com ela. Mas o mais estranho fora aquilo que ela ouvira.
Lilli abanou a cabeça, exasperada da sua própria estupidez. Era impossível, mas quase que podia jurar que aquele espelho falava.
Semanas passaram-se e Lilli continuava a escrever. Várias vezes partilhava os seus pergaminhos com Daniel, perguntando-lhe a sua opinião, mas na maioria mantinha-os para si. As histórias deixavam-lhe sempre um gosto açucarado, mas também estranho à boca. Ela sabia que certos factos deixavam a história quase incompleta. Mas ela não sabia o que escrever acerca deles. Ela desconhecia as palavras exatas que Claire murmurara das poucas vezes que usara magia, e de que era feitas aquelas criaturas semelhante a vapor escuro. Nem tampouco sabia da identidade do segundo filho de Charles e Hélene De Roquette. Sabia que ele morrera jovem, mas desconhecia aonde e como. Corriam rumores de que ele morrera às mãos de Rose, tal como o pai. Isso parecia-lhe tudo ridículo, pois Lilli ouvira sempre dizer que o rapaz tinha uma saúde frágil. Em todo o caso, Lilli tinha que admitir que os Fados haviam sido muito vagos em como ele iria desaparecer do caminho das suas irmãs. As palavras escritas nos seus pergaminhos eram as exatas palavras que as videntes haviam dito no solstício de inverno no ano de nascimento de Claire De Roquette e Lilli várias vezes ficara espantada em como o destino de Rose e Claire era evidente e o do rapaz tão incompreensível.
Outra coisa que a incomodava era a parte do romance entre Raphael e Claire. Chegara-lhe aos ouvidos muitas versões da história de amor entre ambos, que inspirou muitos jovens em busca do seu par. Cada versão parecia-lhe mais absurda, como Claire ter tido um filho de Raphael antes mesmo de este ter-se transformado em urso, ou que fora a própria a transformá-lo em urso para mais tarde se arrepender. Lilli cedo aprendeu a ignorar certas fontes e a focar-se mais naquelas que sabiam do que estavam a falar, como Melanie e Michel. Fora necessário muita discrição para que ninguém pensasse que ela estava a escrever um romance acerca dos heróis da guerra mas no fim conseguiu escrever uma versão verosímil da autêntica história de amor de Claire e Raphael. Ao fim de vários anos de escrita, Lilianna finalmente terminou a história das rosas De Roquette.
Pouco antes da ceia, Lilli guardou os manuscritos debaixo da cama e dirigiu-se para o grande salão. A sua mente várias vezes vagueava em como todas as peças da sua história, por muito fíctidas que fossem, pareciam encaixar-se numa vida só. A magia descrita nos contos e na boca do povo era algo proibido, talvez porque raramente trazia algo de bom desde que fora tocada pelos duendes. Só alguém de alma pura conseguia realizar milagres com ela. Alguém como Claire.
Lilli suspirou e entrou no salão, vendo a madrasta junto à janela. Ela sabia que Theresia não tivera muita sorte na vida e que, acima de tudo, tivera o azar de nascer com cabelos ruivos. O povo supersticioso rogava pragas a quem possuísse a cabelo da cor do sangue. Cabelos da mesma cor que Rose, a Rainha Negra. O facto de Theresia se vestir de negro não ajudava em nada, mesmo que a condição atual assim o pedisse. Lilli sentia parte desse ódio. Ainda que fosse adorava e elogiada pelo seu aspeto, com os cabelos negros como o ébano, lábios vermelhos como o sangue, pele branca como a neve e feições mistas de ambos os pais, muitos cochichavam o facto de ela não ter a cor de olhos de nenhum dos pais.
Theresia virou-se para ela, os olhos dela semicerrando ligeiramente. Lilli engoliu em seco. Esperou que a madrasta se aproximasse dela.
-Vamos cear, minha querida? – Perguntou, ainda que a sua voz traísse o cinismo. Theresia parecia não esconder mais o desagrado que era ter a enteada por perto. Pelo menos era o que Lilli suponha. Assentiu tremulamente. Os seus olhos verdes esmeralda encontraram os de Theresia e Lilli não soube o que achar da ausência de brilho naquelas pérolas escuras. Dirigiu-se para o outro salão, tentando acalmar-se a si própria. De que aquilo era apenas desconforto, iria passar.
Durante a ceia, Lilli sentiu a mão de Daniel apertar a sua.
-Estás nervosa. – Comentou, mirando o prato de comida quase intocado à frente de Lilli. A jovem forjou um sorriso.
-Está tudo bem. – Garantiu, ainda que as borboletas no estômago dissessem o contrário.
A conversa desenrolada durante a ceia não lhe estava a agradar nem um pouco. Melanie e Michel discutiam com outros duques e fidalgos acerca de políticas e da economia do reino. Ainda que a recente morte de Kedar fosse tocada por uns momentos, logo partiram para o poderio do trono. Lilli era a herdeira e seria ela a próxima rainha.
Lilli detestava aquela conversa. Detestava o facto de todos eles falarem daquilo como se a morte do pai tivesse ocorrido dez anos antes e não quatro meses. Como se ele não fosse pessoa de se chorar e sentir saudades, mas para enterrar e seguir em frente. Lilli chorara durante dias quando soubera que o seu querido pai morrera numa caçada, algo invulgar pois ele era um excelentíssimo caçador. Ela gritara assassinato, mas todos haviam dito que havia sido acidental. Lilli não acreditava. O seu instinto dizia-lhe o contrário.
Mas o que ela mais detestava era eles todos falarem dela do mesmo modo que Claire. Como uma heroína, alguém a ser idolatrada, uma lenda. Não só exageravam na sua pessoa, como também parecia obrigar Lilli a carregar um peso extra às costas quando subisse ao trono. Todos esperavam que ela fosse como Claire De Roquette. Bebeu um gole do seu cálice, sabendo que mais uma pessoa naquela mesa detestava aquela conversa.
Pousou o cálice na mesa e virou o pescoço levemente, apenas o suficiente para ver a madrasta com os dois olhos. Se olhares matassem, Theresia já teria morto todos os convidados sentados naquela mesa. O seu olhar cruzou-se com o de Lilli e não suavizou, para horror da jovem.
Lilli olhou para o chão por uns momentos, antes de se desculpar e sair da mesa sem olhar para trás. Assim que saiu do salão, correu. Correu o mais rápido possível em busca de uma criada, alguém que lhe contasse todos os rumores do castelo desde a ausência do pai. Sentia uma forte azia no estomago. E sabia que estava prestes a piorar.
Ela levou os pergaminhos consigo. O sol refletia na sua capa, aquecendo o seu corpo, mas ela recusou-se a tirar a capa e a mostrar o homem que a seguia aquilo que ela escondia.
As criadas haviam-lhe dito tudo. Theresia detestava-a e desejava-a morta. Com a morte de Lilianna, Theresia não teria nenhum obstáculo entre ela e o trono. Para não falar que a sua vaidade atingira o pico desde a ausência do pai. A beleza de Lilli incomodava-a e muitas mulheres juraram ter ouvido a rainha prometer ao seu espelho que teria o coração da jovem princesa.
Ela tentara convencer Daniel a acompanhá-la naquele passeio, mas Theresia pensara em tudo. Daniel ficara com a rainha no castelo ajudando-a a montar o seu cavalo e percorrer o campo de caça, do outro lado. Longe de Lilli.
Contar as suas suspeitas a mais alguém seria ridículo. Melanie mandá-la-ia deitar-se e de deixar de dizer baboseiras, pois Theresia podia não ser a mãe ideal mas era a única que tinha.
Lilli só começou a entrar em pânico quando o homem tirou o capuz logo no início do passeio, mostrando o seu rosto. Ela conhecia o homem. Não era um guarda, mas sim o caçador preferido de Theresia, como muitos lhe haviam contado. Era jovem, na casa dos trinta e tinha uma cicatriz no olho esquerdo, o que lhe dava um ar aterrador. Fora simpático durante a caminhada, mas Lilli temia cada passo. Sentia agora o tempo a escassear. Theresia mandara aquele caçador matá-la. Tinha que correr, tinha que fugir e salvar-se. Mas ele conhecia aquela floresta melhor do que ela e tinha um arco. Podia matá-la com uma flecha que ela nem teria tempo para se desviar.
Ela tinha armas com ela. No meio dos seus pergaminhos, encontrava-se o punhal mágico de Claire De Roquette. Todavia, não só Lilli não sabia usar os poderes mágicos do objeto, como também lhe seria inútil usar a arma naturalmente, pois o homem era bem mais forte do que ela.
Subitamente, parou e procurou uma pedra para sentar-se, ficando de costas para o caçador. Tirou os pergaminhos, rezando para que eles lhe dessem tempo. O caçador olhou os papéis com suspeita.
-Que é isso, Vossa Majestade? – Lilli sabia distinguir o respeito de uma pessoa pela forma como esta falava para si. Todo aquele que respeitava a sua família e a própria Lilli jamais ousaria perguntar-lhe o quer que seja, orgulhando-se de vigiá-la silenciosamente. Mas Lilli não se importou. Pelo contrário, ela agradecia a pergunta. Sabia que, sendo o favorito de Theresia, não deveria ter ouvido muitas boas histórias dela e do pai. Talvez ela pudesse mudar isso.
Era a sua única esperança.
-É uma história que estou a escrever. É sobre duas irmãs separadas pelo destino que se encontram anos mais tarde. Todavia, elas estão muito diferentes. A mais velha é louca e malvada, ainda que seja assim por se estar a afogar em mágoas da vida. A mais nova é forte, corajosa, uma heroína, ainda que sinta a falta da irmã. Só a mais nova pode mudar o destino das duas, salvando a terra dos males da mais velha. Só ela a pode matar.
-Parece… interessante. – Comentou o caçador por detrás de si. Lilli sentiu uma ponta de interesse na voz do homem, mas não se atreveu a ficar com grandes esperanças. – Tem um final feliz?
-Depende do que considera um “final feliz”. – Respondeu Lilli. – A minha história é sobre as duas irmãs, logo o final não é feliz porque a mais nova mata a mais velha.
-Não acaba por ficar igual à mais velha? – Perguntou o caçador, um pouco receoso. Lilli soube que ele estava a ponderar a sua próxima decisão. Ouviu-o remexer nas suas coisas. Lilli engoliu em seco, sentindo um calafrio no corpo. Mas não ousou parar de responder.
-A mais velha estava louca, nunca pararia de matar, nem mesmo aqueles que a irmã amava. Chegara ao fundo do abismo e a mais nova soube que não tinha outra hipótese. Depois de muito hesitar, mata-a porque também ela chegara ao fundo do abismo. Chegara ao ponto em que deixara de amar a irmã.
Lilli sentiu uma lágrima cair do rosto quando ouviu o som de um leve raspar de uma lâmina em pele dura. Ela sabia que ele tinha agora uma faca virada para as costas dela. Soluçou o mais baixo possível, sentindo-se sem ar, incapaz de respirar. Pensou no seu querido pai e na mãe que nunca conhecera. Involuntariamente, as suas mãos procuraram os papéis mais recentes, aqueles que ditavam o fim da história. Ouviu passos atrás de si.
Era agora.
-Qual é o final? – Perguntou o caçador num tom sombrio. Lilli não sabia se ele perguntava para causar um efeito mais aterrador ou se estava mesmo curioso e queria mesmo saber o fim da história antes de cumprir as ordens da rainha.
Lilli suspirou e olhou para as linhas, começando a ler logo após responder, temendo cada frase como se esta fosse a sua última.
-Eu.
“O som do choro de uma criança acordou Raphael do seu sono temporário. Sem hesitar, correu para o quarto, quase que deitando as portas abaixo. Criadas passaram por ele, levando lençóis sujos de sangue, mas ele mal lhes prestou atenção. Já lá dentro, viu aquilo pelo qual ele esperava aqueles meses todos.
Claire tinha o rosto molhado e cansado, mas o seu sorriso era radiante. Segurava num pequeno molhe de cobertores, escondendo uma pequena criança cor-de-rosa.
-Raphael. – Sussurrou o seu nome, chamando-o para perto de si. – Vem ver a tua filha.
O homem ajoelhou-se junto à cama, vendo Claire acariciar a pequena bebé de cabelos negros que se contorcia nos seus braços. Ele nunca vira algo mais bonito na sua vida e foi isso que disse à esposa. Esta sorriu e beijou-lhe a testa, sendo respondida com um leve beijo nos lábios.
-Ela tem que ser limpa. – Comentou Raphael, vendo o sangue que cobria a menina. Mas Claire recusou-se a largá-la.
-Não, por favor. – Disse ela, lágrimas caindo-lhe dos olhos. – Deixa-me segurá-la enquanto possa.
Raphael soube então que algo estava errado. Um pequeno olhar em sua volta e descobriu logo o problema.
A cama estava repleta de sangue, ainda que tivesse visto as criadas levarem os lençóis sujos para fora.
Em pânico, Raphael ergueu-se e procurou alguém. Fora do quarto, só viu Melanie, que chorava silenciosamente num canto. Quando o seu olhar cruzou-se com o de Raphael, as lágrimas caíram em duplicado.
-Lamento. Não conseguimos parar a hemorragia. É uma questão de tempo até ela… - Não conseguiu terminar, acabando por colocar a mão na boca para controlar o seu choro desesperado. Raphael sentiu um grande buraco no peito. Apoiando-se na parede, tentou pensar naquilo que ouvira. Mas nada conseguia entrar-lhe na cabeça. Só o choro da sua filha persistia, como se a menina quisesse chamá-lo para perto da mãe.
Caindo nos seus sentidos, Raphael voltou a entrar no quarto, ajoelhando-se de novo junto de Claire. Esta chorava, mas sorria calorosamente.
-Não temas, meu amor. Valeu a pena. – Disse ela, trazendo o rosto da menina até si, beijando-lhe a face carinhosamente. E Raphael viu a esposa beijar as mãozinhas, as coxinhas, os bracinhos e a cabecinha daquela pequena bebé que com tão pouco tempo de vida já ia perder a mãe.
Fora o pior sacrifício para Claire. Usar magia para trazer o marido à vida fora algo natural e estranhamente puro, não havendo quase nenhuma consequência. Exceto uma.
Durante os dois anos seguintes, Claire sofrera três abortos sem que esta os pudesse impedir. A incapacidade de dar à luz um filho levara-a quase à loucura. Raphael não tivera outra opção senão trancar Claire numa torre para que esta se acalmasse. Todas as noites, ia visitá-la e várias vezes faziam amor, com ele querendo provar-lhe que a amava acima de tudo e que fazia aquilo para o bem dela. Semanas depois, Melanie aconselhou Raphael a tirar a esposa da torre, mas Claire recusou-se. O seu sorriso radiante quando Raphael perguntara porquê fora resposta suficiente. A quarta gravidez fora observada com a máxima cautela possível e, pela primeira vez, Raphael ouviu Claire e Melanie sorrirem uma para a outra, enquanto a esposa segurava o pequeno Daniel nos braços, ansiosa por segurar o seu.
Raphael trazia flores para a esposa todas as semanas, desde as mais variadas cores, formas e texturas. Raphael não precisava de saber que podia trazer até ervas daninhas a Claire, mas não rosas. Pousava-as junto da janela e Claire ficava lá a observá-los, os seus dias de guerreira há muito perdidos.
Perto do fim da gravidez, Claire ganhara um gosto por lírios brancos, pondo-os sempre na janela, acariciando a barriga com ternura enquanto os admirava. Ele nunca conseguia deixar de sorrir perante tão bela imagem que agora se refletia perante seus olhos. A mulher segurando a pequenina, o seu sorriso iluminando o quarto, ainda que fosse de pouca duração. Os Fados não haviam dito nada, porque eles recusavam-se a saber. Melanie evitara o casal durante o solstício de inverno e verão, mas tínhamos que questionar o poder dos Fados, pois Claire entrara em trabalho de parto estavam as nuvens negras e a chuva a cair mas o dia amanhecera quando Claire dera à luz tal repetição do seu nascimento.
-Não me arrependo. – Sussurrou Claire. – Tivesses tu morrido naquela noite, jamais teria estes anos de felicidade. Jamais teria a ela. – Raphael nunca vira Claire chorar desta maneira, de uma forma quase desesperada. Mas também, há que amaldiçoar os Fados, que impediram uma mulher de ter aquilo que ela mais queria. Claire pagava agora as consequências e, estranhamente, ela não se importava, não fosse ela o elo mais forte.
Claire baloiçava a bebé contra o seu peito, enquanto a pequena soluçava baixinho, o seu choro terminado. Entendendo que estava nos braços da mãe e completamente segura, acalmou-se, deixando-se dormir ao baloiçar dos braços de Claire.
-Lilianna. – Murmurou Claire ao fim de minutos de silêncio. Raphael ouviu a voz dela mais fraca e sabia que o tempo escasseava.
-Lilianna? – Repetiu, um pouco confuso.
-O nome dela. Lilianna, como os lírios brancos.
-A filha da sua mãe. – Murmurou Raphael, aproximando-se apara beijar a testa da sua filhinha. Claire suspirou pesadamente.
-Não quero que ela tenha o meu fardo. Jura-me, Raphael! – Tornou-se para o marido, as lágrimas caindo-lhe do pescoço, uma delas caindo suavemente na bochecha de Lilianna. – Jura-me que lhe ensinarás tudo aquilo que aprendeste na guerra, para que ela saiba se defender. Que ela carregue o meu punhal até ao fim dos seus dias, mas sem saber de onde vem o sangue que a lâmina carrega. Que ela tenha a infância pacífica e o amor que nós não tivemos. Que saiba que eu sou uma aclamada heroína mais, mais que tudo, fui uma mulher e a mãe dela. Jura-me, que ela será feliz e que a minha morte não será em vão. Que deixar-te-ei aqui com ela, para que vocês os dois possam ser felizes.
Raphael sentiu-se fraquejar. Como podia ela pedir uma coisa daquelas? Sim, ele jurava. Até ao fim dos seus dias. Mas só a ideia de ter a oportunidade de ver Lilianna crescer e Claire não dava-lhe um aperto no coração.
Claire pareceu adivinhar os seus pensamentos. Com uma mão, segurou na filha e usou a outra para erguer o queixo do marido, para que este a olhasse nos olhos.
-Eu estarei aqui, a vigiá-la. Vocês são a minha vida, dificilmente vos abandonarei. Os Fados quiseram mandar na minha vida, agora pagam as consequências tal como eu. Ela vai crescer e será feliz. Porque terá o pai por perto e ter-me-á a mim no coração. Só quero que a faças entender isso, meu amor.
Raphael apertou a mão da mulher, aquele sinal de afeto de que estariam sempre juntos. Tal como os votos do casamento o ditavam, só a morte os poderia afastar. Mas esse obstáculo seria temporário. Um dia, Raphael juntar-se-ia a Claire e juntos veriam Lilianna a terminar os seus dias para finalmente a família se reunir desde o trágico dia do nascimento de Lilianna.
Claire passou Lilianna para os braços do marido, já se sentindo demasiado cansada para a segurar. Este pegou na filha pela primeira vez. O toque do corpo pequeno da bebé junto ao seu aqueceu o seu coração, mesmo que este soubesse que em breve um grande vazio iria apoderar-se dele. A pequena agitou-se um pouco, mas logo se acalmou. Talvez ela sentisse o amor que o pai e a mãe nutriam por ela. Fosse como fosse, Lilianna dormia pacificamente nos braços do pai. Raphael perdeu-se a admirar a beleza dela. Ele desejara que fosse igual a Claire, fosse rapaz ou menina. Mas os Fados abençoaram a pequena com as suas maçãs do rosto e o seu nariz. A forma dos olhos e do queixo eram de Claire, bem como o tom de pele. Era tão bonita.
A sua Lilli.
Claire deitou as costas, o seu rosto amarelado e os olhos brilhantes como ametistas. Raphael aproximou a bebé do rosto da esposa, permitindo que esta beijasse a pequena onde quer que pudesse, fosse o rostinho cor-de-rosa, fosse os pequenos pés que um dia haveriam de dar grandes caminhadas ou as mãozinhas suaves de princesa.
Raphael beijou a esposa, um último beijo de amor antes da escuridão. A história assim acabava, com o rei a beijar a sua rainha mas sem que esta acordasse. Porque beijos de amor não acordam princesas nesta história. São apenas provas de afeto muito desleixadas pelo homem comum.
Ninguém podia salvar Claire De Roquette, mas também esta assim o pedia. A salvadora das marcas negras erguer-se-ia agora para os céus, observando os seus. Ao contrário da irmã, que caíra nas suas próprias mãos. Muitos chorariam a morte da salvadora, aquela que com magia e a sua própria alma realizou milagres, sem terem a menor ideia daquilo pelo qual ela passara.
Vinte anos antes, uma jovem ruiva viu uma pequena bebé morena pela primeira vez. A sua pequena irmã. Não sabia naquilo que se iria tornar, numa marca negra que arruinaria tudo aquilo que visse, nem tampouco que o seu maior ponto fraco chorava nos braços nos braços da mãe de ambas.
O pai de ambas não acreditara que uma rapariga fosse o orgulho da família. Em tempos certos, estava errado. Agora a rapariga antigamente destinada a salvar todos suspira, os seus olhos focando-se pela última vez nas pessoas que ela mais amava, o seu maior tesouro. Aquilo que, caso ela não tivesse enfrentado a irmã anos antes, jamais haveria de ter.
E aí, a vida não seria perfeita.
Claire suspirou alegremente, o seu sorriso nunca saindo dos lábios pois, tal como Bruno, via aqueles que mais amava antes de os seus olhos se fecharem e a escuridão a envolver. Um último suspiro e nada mais.
A bebé começou a chorar e a lenda assim nascia.
Duas irmãs, separadas pelo destino, envolvidas em armadilhas e sofrimento provocadas por elas próprias, membros do mesmo sangue. Duas jovens, que tinham uma visão diferente do mundo e que seguiram diferentes caminhos. Rose escolhera a vingança e o ódio, enquanto a sua irmã mais nova escolheu terminar a história da sua vida com a consciência limpa, salvando as duas Terras da tirania da irmã, tornando-se numa heroína. Tornando-se forte sem nenhum príncipe a ajudá-la, dando a sua vida pela sua filha que agora chorava como ela chorara quando nascera, os olhos da irmã brilhando de puro amor sem desconfiar que ela seria a ruina da família e a irmã o seu futuro.
Uma mulher.
Claire.”
FIM
-------------------------------------
Espero que tenham gostado. Eu tive uma enorme necessidade em terminar o ciclo. Comecei a história com o nascimento de Claire, tive que acabar com a morte dela. Também decidi escrever acerca da chegada da filha de Raphael ao castelo, em comparação à sua chegada no capítulo 2. Como Lilli cresceu mediante os ensinamentos do pai, praticamente estava a comparar o Raphael dos primeiros capítulos com os finais.
Não sei se irei continuar a escrever aqui no forum. Tenho algumas ideias, incluindo uma sequela para esta história, mas duvido que a vá continuar. Se o fizer, demorarei muito tempo a terminá-la e acho que vocês não merecem tanta espera.
Seja como for, muito obrigada por tudo. Esta história fui eu que a escrevi, mas não estaria aqui se não fossem vocês, Bun e Lulumoon

Espero por ti em cada segundo , porque tu és o meu mundo!

Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
Visitem a minha 1ª Fic ----->The Four elements

Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
Visitem a minha 1ª Fic ----->The Four elements
Oh bolas!
Adoro e detesto finais! ;_;
Mas gostei tanto, tanto, tanto deste final! Acho que não podia ter ficado melhor. A opção da Claire na campa da Rose era boa mas honestamente, acho que este final foi muito melhor! Adorei! Adorei o facto de acabares a história com o inicio de outra que todos nós conhecemos muito bem! E acho que fez muito sentido interligar as duas. Sempre me perguntei porque raio havia a história da "Branca de Neve e os Sete anões" e depois a "Branca de Neve e Rosa Vermelha", e tu sem duvida que criaste uma ligação entre as duas que fez todo o sentido e lhe conferiu uma essência ainda mais envolvente. Adorei tudo, desde a comparação dos cabelos ruivos da nova rainha com os de Rose, até à história da Melanie e do Michel (Fiquei muito feliz por eles ficarem juntos!
). Depois, acho que a morte da Claire, apesar de triste e emocionante, foi bem colocada. Ela foi feliz até onde pode! Enfrentou tudo o que estava destinada a enfrentar, mas acabou feliz ao lado do homem que amava e com uma filha nos braços para continuar o seu legado. Em suma, Ana, esta história vai-me ficar na memoria e, se algum dia a minha filha (eu qeria uma menina
) me perguntar porque é que existe a "Branca de Neve e os sete anões" e a "Branca de Neve a Rosa Vermelha", vou-lhe contar resumidamente esta história!
Acho que é bem merecido! Se fosse a ti até pensava em editar um livro!
Ficou lindo! 
Já está mais que provado que és uma escritora completa e nunca duvides disso! Cá no forum és a única que sigo, porque, honestamente, mais ninguém me consegue cativar! Se deixares de escrever para cá, bom, fico com muita pena, porque era um dos meus entretenimentos favoritos. Ainda assim, compreendo o teu ponto de vista! De qualquer modo, se voltares a escrever e decidires postar, terei todo o gosto eu ler!
Resta-me congratular-te pela óptima história! Parabéns, Ana Santos! Adorei imenso!
Da tua Leitora fiel,
Beijocas!
Adoro e detesto finais! ;_;Mas gostei tanto, tanto, tanto deste final! Acho que não podia ter ficado melhor. A opção da Claire na campa da Rose era boa mas honestamente, acho que este final foi muito melhor! Adorei! Adorei o facto de acabares a história com o inicio de outra que todos nós conhecemos muito bem! E acho que fez muito sentido interligar as duas. Sempre me perguntei porque raio havia a história da "Branca de Neve e os Sete anões" e depois a "Branca de Neve e Rosa Vermelha", e tu sem duvida que criaste uma ligação entre as duas que fez todo o sentido e lhe conferiu uma essência ainda mais envolvente. Adorei tudo, desde a comparação dos cabelos ruivos da nova rainha com os de Rose, até à história da Melanie e do Michel (Fiquei muito feliz por eles ficarem juntos!
). Depois, acho que a morte da Claire, apesar de triste e emocionante, foi bem colocada. Ela foi feliz até onde pode! Enfrentou tudo o que estava destinada a enfrentar, mas acabou feliz ao lado do homem que amava e com uma filha nos braços para continuar o seu legado. Em suma, Ana, esta história vai-me ficar na memoria e, se algum dia a minha filha (eu qeria uma menina
) me perguntar porque é que existe a "Branca de Neve e os sete anões" e a "Branca de Neve a Rosa Vermelha", vou-lhe contar resumidamente esta história!
Acho que é bem merecido! Se fosse a ti até pensava em editar um livro!
Ficou lindo! 
Já está mais que provado que és uma escritora completa e nunca duvides disso! Cá no forum és a única que sigo, porque, honestamente, mais ninguém me consegue cativar! Se deixares de escrever para cá, bom, fico com muita pena, porque era um dos meus entretenimentos favoritos. Ainda assim, compreendo o teu ponto de vista! De qualquer modo, se voltares a escrever e decidires postar, terei todo o gosto eu ler!
Resta-me congratular-te pela óptima história! Parabéns, Ana Santos! Adorei imenso!

Da tua Leitora fiel,
Beijocas!

as minhas fic's:
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
-Angelical
Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
-Angelical
Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^
Olá!
"Oh bolas! Adoro e detesto finais! ;_;"
Faço minhas as palavras da Lulumoon.
Neste momento estou a tentar recuperar deste capítulo...fiquei com um nó na garganta, ainda estou um bocado melancólica...
Bem, sabes que se decidires continuar a escrever, terei todo o prazer em ler. Por isso caso decidas continuar um dia, seja uma sequela desta história, algo que gostaria imenso de ler, ou outra diferente, poderás contar com os meus comentários.
Quando comecei a ler, aquela rapariga cativou-me e tentei acelerar a leitura o mais que pude, porque queria imenso saber quem ela era. Claro que à partida não pensei que pudesse ser filha de Claire e Raphael.
Gostei imenso da Lili, ela claramente herdou beleza e personalidade de ambos os pais.
Pela menção da cor dos olhos de Melanie, percebi que era ela antes que o mencionasses e fiquei contente por saber que Daniel era filho dela, e que Michel estava bem. Para mim tinha ficado evidente que Melanie e Michel tinham passado aquela noite juntos, que essa noite tinha dado frutos já nem tanto,
.
Fiquei triste quando entendi que quem havia morrido era Raphael, e por perceber que Claire há muito que tinha morrido....
Quando começaste a descrever a rainha, o espelho, vi onde isto ía dar, pobre Lili, aka Branca de Neve. Francamente gostava imenso de vê-la fazer frente à Theresia. Reparei hoje que a tua imagem é da série Once upon a time. Adoro! E é bem a propósito desta história. Eu imagino a Lili, como a Branca desta série.
O nascimento da Lili foi um momento lindo, e no entanto rodeado de um acontecimento tão trágico. Tive tanta pena do Raphael. Quase que me puseste a chorar.
Eu também achei o final bastante poético, ficou perfeito assim.
Concordo com a Lulu, parabéns pela história, gostei muito. Tanto, que fica sempre aquela sensação de vazio...
Ana, boa sorte com a fac, que tudo te corra bem.
Até um dia destes!
beijinhos**
"Oh bolas! Adoro e detesto finais! ;_;"
Faço minhas as palavras da Lulumoon.
Neste momento estou a tentar recuperar deste capítulo...fiquei com um nó na garganta, ainda estou um bocado melancólica...
Bem, sabes que se decidires continuar a escrever, terei todo o prazer em ler. Por isso caso decidas continuar um dia, seja uma sequela desta história, algo que gostaria imenso de ler, ou outra diferente, poderás contar com os meus comentários.
Quando comecei a ler, aquela rapariga cativou-me e tentei acelerar a leitura o mais que pude, porque queria imenso saber quem ela era. Claro que à partida não pensei que pudesse ser filha de Claire e Raphael.
Gostei imenso da Lili, ela claramente herdou beleza e personalidade de ambos os pais.
Pela menção da cor dos olhos de Melanie, percebi que era ela antes que o mencionasses e fiquei contente por saber que Daniel era filho dela, e que Michel estava bem. Para mim tinha ficado evidente que Melanie e Michel tinham passado aquela noite juntos, que essa noite tinha dado frutos já nem tanto,
.Fiquei triste quando entendi que quem havia morrido era Raphael, e por perceber que Claire há muito que tinha morrido....
Quando começaste a descrever a rainha, o espelho, vi onde isto ía dar, pobre Lili, aka Branca de Neve. Francamente gostava imenso de vê-la fazer frente à Theresia. Reparei hoje que a tua imagem é da série Once upon a time. Adoro! E é bem a propósito desta história. Eu imagino a Lili, como a Branca desta série.
O nascimento da Lili foi um momento lindo, e no entanto rodeado de um acontecimento tão trágico. Tive tanta pena do Raphael. Quase que me puseste a chorar.
Eu também achei o final bastante poético, ficou perfeito assim.
Concordo com a Lulu, parabéns pela história, gostei muito. Tanto, que fica sempre aquela sensação de vazio...
Ana, boa sorte com a fac, que tudo te corra bem.
Até um dia destes!
beijinhos**
Tens de entrar para responderes neste tópico.
Reportar comentário
Escolhe o motivo da denúncia e acrescenta mais contexto se necessário.