Sailor Moon Portugal, A Navegante da Lua

[Terminada] As rosas De Roquette

#1
Olá! E aqui estou eu com uma nova história para contar. Bem, esta já foi contada e recontada várias vezes, graças aos nossos amigos Irmãos Grimm. Foram eles que registaram esta história nos papeis, de modo a que nunca se perdesse. Não é uma história muito popular, pelo contrário, a Branca de Neve é mais famosa por causa dos anões do que pela irmã. Ainda assim, trata-se de uma história que eu gosto muito e não podia deixar de a adaptar. Alterei muita coisa e espero que seja do vosso agrado Smile Digo-vos já que hesitei muito em postar esta história, porque temia não termina-la e até mesmo porque alterei um pouco o modo de escrita. Irão ver.




As rosas De Roquette
Branca de Neve e a Rosa Vermelha

Por: AnA_Sant0s
Género: Romance, Fantasia, Drama
História Original:
Spoiler
Era uma vez uma viúva que morava com as duas filhas, numa pequenina casa ao lado do bosque. Assim como as roseiras brancas e vermelhas do jardim da casa, as meninas eram belas e perfumadas: As irmãs eram muito amigas e trocavam promessas de nunca se separarem. Certa noite de inverno, quando ouviam as histórias contadas pela mãe, alguém bateu à porta: era um urso que pedia abrigo do frio, e que fora encantado por um duende maldoso que habitava a floresta e roubara todo o ouro do reino. O urso fica com as meninas todo o Inverno até que parte, quando começa a Primavera. As meninas ficam desoladas, mas continuam o percurso das suas vidas, passeando pelos bosques e brincando com as criaturas. Certo dia, encontram um duende preso a um tronco de árvore caído. Tinha a barba presa. Branca de Neve tira uma tesoura do seu avental e corta a barba ao duende que, em vez de se mostrar agradecido, fica mal-humorado e trata mal a bondade das meninas. Por mais duas vezes elas encontram o duende e por mais duas vezes as meninas, para o salvarem, têm que cortar a barba dele.
Certo dia, as meninas passeavam quando viram um gigante falcão a voar pelos ceus, arrastando consigo o duende mal-humorado pela barba. Imediatamente, as meninas seguem-no e tentam-no puxar, mas o falcão não o deixa cair. Sem ver outra alternativa, Branca de Neve volta a cortar a barba que fica minuscula. O duende perde a cabeça e começa a atacar as meninas com magia. Aí, aparece o urso que as salva, matando o duende com uma patada.
Com a morte do duende, o encantamento cessa e o urso volta ao seu estado original: um principe. Este fica muito agradecido pela ajuda das meninas e pede Branca de Neve em casamento. Rosa Vermelha casa-se com o irmão dele. A viúva vai morar com as filhas para o castelo, levando consigo as suas roseiras.
Indice:
-Os Fados premeditados ----- página 1
-A União ----- página 1
-O Príncipe encantado ----- página 1
-Junto ao velho carvalho ----- página 1
-Luz Obscura ----- página 1
-O olhar do Urso ----- página 1
-Intenções Reais ----- página 1
-Confiança ----- página 1
-A Rainha Negra ----- página 1
-Branca de Neve ----- página 2
-Equinócio exacto ----- página 2
-A Fuga ----- página 2
-A Jornada ----- página 2
-Os salteadores de Niflheim ----- página 2
-O regresso do Principe ----- página 2
-O destino de Bianca e Scarlett ----- página 2
-A Rosa vermelha ----- página 2
-Veia escarlate ----- página 2
-A promessa de um sacrifício ----- página 2
-O cumprimento dos Fados ----- página 2 & 3
-Epílogo ----- página 3
Espero por ti em cada segundo , porque tu és o meu mundo!




Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
Visitem a minha 1ª Fic ----->The Four elements
#2


Os Fados premeditados



Esta história não é um verdadeiro conto de fadas. Se o fosse, começava-a com um simples “Era uma Vez”. Mas tal não é possível, porque história mais triste nunca ouvi. Longe de ter um amor condenado, fala de um amor perpétuo determinado por sangue que nunca cessou, nem mesmo com a existência de muralhas erguidas pelo próprio Destino. Todos dizem que as histórias se iniciam no dia em que os protagonistas se conhecem. Esta história não é excepção. Tudo começou num dia de chuva. Não pensem que é coisa boa, porque não é. Está tudo atrás do seu significado.

Porque os dias de chuva são sempre amargurados, homens maduros e sérios nunca sorriam, por muitos estímulos que a vida lhes desse. Charles De Roquette, considerado homem sério, sábio e paciente, esperava junto à janela que o tempo melhorasse, rosto amarelado e sem expressão. Chuva era habitual nos invernos das Terras Altas mas, para os De Roquette, nunca eram bom sinal. Pior eram os dias de neve. E pela forma como a chuva caía apressadamente como uma cascata de água e de como o vento bravo congelava o ar, neve viria pela calada da manhã.

Criadas vinham e iam rapidamente, passando silenciosamente pelo seu senhor, não se atrevendo a abrir a boca, como que receando contar um potente segredo. Charles achava isso irritante, mas nunca elevou os seus pensamentos. Demasiado subjectivo, pensava.

As suas mãos estavam agarradas umas às outras junto às costas e os pés tremiam, nervosamente, obrigando o homem a dar passeios regulares pelo seu salão privado. Os seus olhos só viam a grandiosa janela e algum vislumbre das cores da sala. Na sua família, sempre predominara os encarnados e castanhos em tons variados. E, atrás de si, uma figura carmina olhava para ele, os olhos com leves marcas escuras, segurando um pequeno rapaz nos seus braços. Tanto a rapariga como Charles ignoravam os pés descalços do menino ou até mesmo o seu ar adoentado. Charles suspirou, o seu olhar pousando nos dois filhos mais velhos, ambos nascidos em dias de chuva intensa. A mais velha, Rose, evitava fazer qualquer som ou movimento, limitando-se a agarrar o irmão descuidadamente. Possuía uma beleza divina e uma certa inocência que apenas a tornava mais apelativa ao sexo oposto. Os cabelos caíam em caracóis ruivos escuros, contrastando com a bela palidez da rapariga. Os olhos, um pouco maiores que os de Charles e os do seu filho, brilhavam intensamente. Ela parecia ainda mais nervosa que o pai, que baixou a cabeça ao lembrar-se do motivo pelo qual estava ali.

Já o pequeno, nada dizia, limitava-se a fitar o pai curiosamente, pois quatro anos eram ainda uma idade precoce para um rapazinho como ele entender as coisas. Oh, se ele entendesse... Pobre rapaz, que nunca chegaria a viver até o seu décimo primeiro aniversário e ver invejosamente a criança sua irmã – fosse ela rapaz ou rapariga – crescer forte com saúde, saúde essa que ele nunca tivera em vida. E a irmã… se soubesse o que lhe esperava…

As videntes, que consultavam os Fados todos os anos, no dia maldito, 21 de Dezembro – no Solstício de Inverno - haviam feito grandes promessas. O Solstício de Inverno era a única altura do ano em que o sol se escondia tempo suficiente para permitir às videntes “abrirem” os seus ‘olhos interiores’, podendo ser possível visualizar detalhes do futuro. E sempre que uma criança De Roquette nascia, as videntes premeditavam o destino da criança. Rose era uma marca do destino (fosse lá fosse o que isso significava) e o rapazinho um pequeno pedregulho que qualquer um chutava na estrada. Esta criança era algo mais. Significada toda a reputação do nome da família, todo o legado e, acima de tudo, uma réstia de sol para as marcas negras. Charles não entendera a última parte, tendo apenas escutado a primeira com uma atenção faminta, desesperado por um filho varão saudável. Porque aquela criança tinha que ser rapaz. Se fosse rapariga, como poderia honrar o nome da família?

Um grito de criança vindo dos quartos acordou-o dos seus pensamentos, fazendo-o voltar à realidade. Dirigiu-se até aos aposentos da esposa, com Rose atrás de si. O pequeno ficara no divã de peles vermelhas a dormitar, completamente desinteressado pela chegada do novo membro da família.

Os gritos continuaram, mas eram bramidos saudáveis de uma criança recém-nascida, pronta para morar naquele mundo cheios de homens barrigudos e rabugentos e mulheres belas como ninfas, mas submissas a qualquer força humana ou sobrenatural.

Charles não abriu a porta. Já não havia pressa. Já tinha ouvido aqueles berros uma vez, era o suficiente para os distinguir à segunda. Homem ignorante era o que ele era, pois a sua esposa, Hélene De Roquette, ficara horas naquele quarto, ansiosa por ver o seu filho depois de tantos meses de espera e só quando lhe pegou nos braços é que soube como ele era. Não foi por ouvir os seus gritos do outro lado da porta, que isso todos sabem que berro de criança é tudo igual.

Mas Charles, em momentos raros da vida, tinha razão. Quando abriu a porta, já novos raios de sol entravam pela enorme janela do seu quarto e tanto ele como a sua filha Rose puderam ver a exausta mulher a segurar uma criança enrolada em panos húmidos, que ainda gritava a alto e bom som. A criança que era o futuro da família.

Uma menina.

Claire.

Espero por ti em cada segundo , porque tu és o meu mundo!




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#3
Olá Ana! Smile

Eu fiquei encantada com este primeiro capítulo. Continuas a escrever maravilhosamente.

Fiquei com pena daquele menino, coitado que vai viver tão pouco.

E a Claire, ainda um bébé e já com tanta responsabilidade que o pai lhe quer incutir.

Vou acompanhar esta história com muito prazer. Wink

Só um detalhe: quando li o resumo da história original detectei um erro.

"Aí, aparece o urso que as salva, matando o urso com uma patada."

Penso que queiras dizer duende.

Ficarei à espera do próximo!

Beijinho*
#4
Olá Ana! :)Não estava à espera de encontrar esta fic já no forum. Quando li o titulo do topico entrei logo pois já sabia do que se tratava.
Realmente, notei logo umas pequenas diferenças na forma como a historia é narrada, mas ainda assim a tua escrita continua harmoniosa e cativante, sem perder qualquer qualidade, pelo contrário, eu sinto que adequiriu aquele gostinho a historia de encantar que cativa pela magia contida nas entrelinhas!
O que dizer? O primeiro capitulo é sempre o mais dificil de comentar pois ainda não dá para entender a 100% a essencia principal da historia. Do que li, gostei muito, especialmente da parte final
Mas Charles, em momentos raros da vida, tinha razão. Quando abriu a porta, já novos raios de sol entravam pela enorme janela do seu quarto e tanto ele como a sua filha Rose puderam ver a exausta mulher a segurar uma criança enrolada em panos húmidos, que ainda gritava a alto e bom som. A criança que era o futuro da família.

Uma menina.

Claire.

Tive uma pena do menino. Desiludido Tão ingénuo e já com um destino traçado. Amei as referencias às videntes e ao solstício de Inverno.
Só uma questão: Que idade tem a Rose, mais ou menos?

Fico à espera do próximo capitulo e boa sorte com a nova fic! Smile
as minhas fic's:
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
-Angelical
Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^
#5
Oh, já tenho comentários Esperancoso



Bun: Já corrigi o erro. Também não é algo de importante. A história original foi apenas a base da minha história. Garanto que alterei tanta coisa que voces até se vão confundir. A história era para se focar nas duas irmãs, mas foquei-me mais em Claire e nas pessoas em seu redor. Todavia, é o amor de irmã o sentimento predominante nesta história. É daí que vêm o romance.

No worries, que Claire não sentirá as responsabilidades que os Fados lhe impuseram... pelo menos por parte do pai.



Lulumoon: É normal não se saber o que dizer no primeiro capítulo, até porque serve apenas para apresentar as personagens. Mas no proximo verão mais.

Tentei fazer com que a minha escrita soasse a narrador. Para tal, baseei-me num grande escritor que foi muito mal tratado em vida: José Saramago. Ya, baseei-me nele para a narrativa. Foi uma das coisas que adorei no Memorial do Convento (e sim, perceberam bem.. eu li o Memorial inteirinho. Ah e gostei!)

Essa é a melhor parte dos Fados. Traçam o destino. O pequenotes é uma pedrinha pouco importante, daí que irá morrer muito cedo. Mas pu-lo apenas para mostrar as atitudes de Rose e Charles (porque eu estou longe de criar santos como personagens principais) e também porque naquela época era natural crianças morrerem de doenças facilmente curaveis nestes tempos.



A idade de Rose será dita no próximo capítulo. Aliás, poderão ter uma noção da idade de todas as personagens principais.

Gostei imenso de ler os vossos comentários. Fiquei mesmo aliviada por saber que gostaram das alterações na minha escrita.

Vou esperar por mais comentários. Se não, posto o próximo na sexta. Mongloide
Espero por ti em cada segundo , porque tu és o meu mundo!




Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
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#6
Eu só não li o Memorial porque era obrigada. Eu sou assim. Se me obrigam a ler, não leio. É psicológico, mas ja aconteceu com Os Maias também. São livros que eu sei que ia gostar, aliás, do que li de Memorial até gostei e a historia em si agradava-me, mas é a tal coisa. A pressão que a minha professora de português fazia em relação à leitura destes livros retirou-me toda a vontade de os ler, portanto eu não os li. Sou cabeça dura nestas coisas!
Ah estou curiosa pelo proximo capitulo. Agora é que a historia vai mesmo "começar"! Matreiro
bjokas
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-Angelical
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#7
Pois, a mim é uma questão de vontade. Os Maias tem tanta palha, que perco logo a vontade de ler a história, ainda que a adore.

Ora bem, aqui está o meu capítulo novo.

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A União

O pai mandara, ele tinha que obedecer. É isso que um bom futuro rei faz, dizia ele. Obedecer às vozes da sabedoria para que, mais tarde, ele se tornasse numa. Até lá, era o servo dos monges, generais e magos, que diziam premeditar os Fados mas apenas diziam baboseiras acerca da vida das pessoas. Só acertavam quando previam o tempo do amanhã (o que não era difícil, considerando o tempo quente das Terras Baixas) e quando as suas “orelhas” especiais ouviam rumores confirmados que arruinavam vidas de cidadãos respeitados.

Naquele dia, iriam visitar as famílias mais abastadas das Terras Altas. De todas, destacavam-se os De Roquette.

Ele saíra do coche, olhando em volta. O castelo era magnífico, feito de pedra e com musgo e trepadeiras em todos os cantos mas, ao contrário dos outros castelos que ficavam com ar de degredo face a vestígios da natureza, o castelo dos De Roquette parecia mais vivo.

Eram uma família abençoada pelos Fados. Daí que era importante aquela união. Mas para Raphael, era crime. Casá-lo com uma criança devia ser considerado crime. Ele, que já era homem quando a sua noiva nascera. Completara os vinte anos recentemente, a pequena tinha apenas cinco.

Mas o pai mandara, ele tinha que obedecer. Entrara no castelo com polpa e graça, seguido por seu pai, o Rei, e por seu irmão, Bruno e alguns pajens de cabeça baixa. Criadas vieram ter com Suas Majestades, fazendo largas vénias de respeito e murmurando palavras incoerentes. Pelo menos para Raphael, que olhava as criadas, levemente curioso. Eram as criadas de todo o palácio desde as da cozinha e a dos fazeres imundos, de roupas gastas e mãos sujas e calorosas, até as criadas bem vestidas com roupas mais finas, mas não tanto, mais belas, menos espertas, que apenas serviam para obedecer às birras das crianças mais velhas, olhar pela mais nova, ouvir instruções da patroa e partilhar o leito com Charles.

Que foi? Charles é um homem como todos os outros… com necessidades. E Hélene não lhe satisfazia todas, não sendo tão jovem como no dia em que a casara. Pois bem que ainda tinha vinte e nove anos, mas naquela altura era já uma idade avançada para uma mulher, ainda que formosa.

Aborrecido, Raphael olhou para as criadas de cozinha, com os seus aventais sujos, olhares submissos e mãos cheias de óleo ou de outra substância irreconhecível para nobre príncipe. Todas recolhiam-se perante o seu olhar.

Todas, excepto uma. Jovem negrinha com olhar vivo e curioso, que se atreveu a fitá-lo. Antes que pudesse protestar a ousadia da criança (que não devia ter mais que sete anos), seu pai chamou-o, obrigando-o a entrar no castelo, indo cada criada para seu lado. A criança continuava a olhar para ele, com uma mistura de pena e entendimento. Era como se ela soubesse de algo que Raphael não sabia. Impossível, pensou o belo e arrogante príncipe antes de virar as costas a aquele ser de roupas brancas agora castanhas devido à sujeira da lama, sem saber que tanto ela como a sua noiva teriam um papel fundamental na sua vida futura.

Cumprimentara os senhores do castelo, ambos presos a sorrisos falsos e cordiais e leves vénias de cortesia a Alta Majestade das Terras Baixas. Apresentaram os filhos. Primeiro o herdeiro, depois a noiva e finalmente a mais velha, que era a menos importante nestes assuntos.

O rapaz era muito pequeno e tinha a pele muito amarela e olhos mortos, todo o charme que deveria ter herdado do pai, desaparecido. Falou num tom de voz altivo, querendo mostrar a sua importância, ainda que não tivesse nenhuma.

Depois viera a noiva. Raphael e Bruno olharam para ela, ansiosos, elevando o peito em tom digno. Quando ela apareceu, Raphael suspirou desapontado. A pequena era um autêntico pato feio. Os lábios eram de um vermelho murcho e nada bonito, a pele demasiado branca, os olhos muito grandes para a face e os cabelos demasiado compridos e despenteados para aquela criatura tão pequena. Tinha marcas negras em torno dos olhos, as bochechas muitos rechonchudas e mãos pequenas. Não soubesse ele que Claire De Roquette fosse a filha de uma das mais importantes famílias nobres das Terras Altas e talvez das Terras Baixas, diria que ela pertencia à ralé, devido ao modo que se encontrava, o seu pequeno corpo coberto por um simples vestido branco. A mãe, Hélene, olhava inquietada para a filha, mais propriamente para o cabelo despenteado. Raphael presumiu que o cabelo da rapariga fosse assim, muito difícil de escovar.

Ao seu lado, Bruno não tirava os olhos de Claire, como que examinando-a. Bruno era muito diferente do irmão (o que podia ser considerado uma bênção dos deuses em certas alturas). Era mais curioso, determinado e astuto e pensava muito antes de tomar uma decisão, quase sempre a correcta. Era um autêntico homem do trono, ainda que não fosse ele o herdeiro de sucessão. Já Raphael era um homem de batalha, intuitivo e valente, mas arrogante e egocêntrico.

Mas estamos a divagar, porque a nossa história não é sobre os príncipes das Terras Baixas, mas sim das meninas das Terras Altas. A primeira fora apresentada, agora era a vez da segunda.

Raphael sentiu como se tivesse sido atingido por um canhão no peito. De repente, era como já não houvesse ninguém à sua volta, só ele e ela. A rapariga, pouco mais nova que Bruno, tinha o corpo completamente formado, dando-lhe um ar maduro sem todavia lhe tirar o ar inocente.

Vestia roupas castanhas escuras que estranhamente contrastavam harmoniosamente com o cabelo encaracolado, cuja cor se assemelhava ao vinho tinto. Os olhos estavam isentes de marcas negras ou de qualquer outra deformação, destacando a cor verde da íris. A pele dela era branca como a neve e o rosto tinha leves, quase invisíveis, sardas claras que lhe davam um ar adorável. Fez uma vénia, sem tirar os olhos de Raphael, sorrindo de um modo quase sedutor.

-Nossa filha mais velha, Rose. – Anunciara Charles, vagamente. Hélene sorrira para a filha, não escondendo o orgulho, e Claire não disfarçara uma certa hesitação perante a irmã. Raphael notou que a pequena parecia tremer um pouco agora que Rose estava na mesma divisão que ela. Talvez sentia agora que o momento chegara. Parecia a coisa certa. O que Raphael não sabia era que Claire ainda era uma criança. Era madura para muitas coisas, já vira muito para a sua idade, mas ainda era inocente nas áreas do casamento. A pobre rapariga, com apenas cinco anos e sete meses de idade, vira coisas que nem os pais tinham visto até à altura, mas desconhecia o verdadeiro significado de casamento ou união matrimonial de famílias. O que até era um caso favorável, pois Claire entraria em pânico se soubesse o que lhe iria acontecer nas próximas horas, antes mesmo de o sol acordar para um novo dia.

Outra coisa que Raphael detestava naquele acontecimento. Sendo as viagens entre as duas Terras muito longas e a ausência do rei muito detestada, Raphael não teria tempo para relaxar da longa e fatídica viagem. Antes da meia-noite, estaria casado com Claire De Roquette.

Os homens das Terras Baixas dirigiram-se para os seus aposentos, com pajens ao serviço de Charles lhes guiando o caminho. Bruno deixara de observar o seu redor, focando-se em íntimos pensamentos que nunca partilhava com ninguém, a não ser com o irmão, em raras excepções. O pai dos dois entrara num dos aposentos, ricamente decorado para Sua Majestade e fechou a porta com um aceno de cabeça, a sua forma de desejar boas noites aos filhos. Raphael bufou de irritação. Quatro da tarde, mas já estava a escurecer dando a seu pai a absurda ideia de ser hora de deitar. Mas, ainda assim, limitou-se a entrar nos seus aposentos e a fechar a porta, sem notar que os olhos de Bruno seguiam o fundo do corredor, onde uma pequena figura olhava para ele. Bruno virou-se para perguntar ao pajem a identidade daquela rapariga, cujos olhos brilhavam de uma forma inquietante. Mas, quando voltou a fitar o ponto, a rapariga já tinha desaparecido.

Podia agora dizer o que é que cada habitante do castelo fizera durante as horas que se seguiram, mas não o irei fazer. Podia falar da jovem que desafiara os príncipes, de Claire ou até mesmo de Bruno. Todavia, o mais importante a salientar nestas horas que se passaram, foi a súbita curiosidade de Raphael em explorar o castelo. Sentia uma aura sobrenatural vinda do edifício e queria ver até que ponto estava certo. A verdade é que, por muito egocêntrico e sacana que este príncipe fosse, os seus instintos eram sempre se de confiar. E, sem dar por isso, estava perto a um quarto guardado por dois guardas, que bocejavam discretamente. Escondeu-se por detrás de uma estátua e de uma cortina notando, com uma risada satisfatória e arrogante, que era quase impossível repararem nele. Pensou em esperar que os guardas se afastassem. Não sabia explicar como mas… ele queria entrar naquele quarto.

De repente, como se tivessem adivinhado os desejos de Raphael, os guardas afastaram-se da porta, investigando um ruído que ouviram no fundo do corredor. Fora tempo suficiente para Raphael dar um passo em frente de onde estava, para depois retornar ao seu esconderijo rapidamente. Alguém saíra do quarto.

A jovem negrinha. E, atrás dela, Claire, que fechou a porta, discretamente.

-Ela não está aqui. – Disse a pequena para Claire, falando num tom amigável, como se as duas fossem amigas, não serva e patroa.

-Pensei que estivesse. – Sussurrou Claire. – Deixou uma rosa no meu quarto.

-Talvez esteja a olhar pela janela. Ela faz sempre isso.

De algum modo, Raphael sentiu que a negrinha duvidava das suas próprias palavras mas, ainda assim, as dissera de modo a poupar os sentimentos da outra rapariga.

-Não hoje… Scarlett não faria isso.

Mas quem era Scarlett, perguntou-se Raphael, escutando atentamente a conversa das pequenas.

-Talvez ela… - A negrinha hesitou por uns segundos antes de prosseguir - Já não seja a mesma.

Mais uma vez, Raphael notou hesitação e uma ponta de receio na voz da negrinha, mas não culpa. Claire parecia que iria começar a chorar a qualquer momento, mas lágrimas não caíram.

-Não acredito. – Disse finalmente, elevando um pouco a voz. A negrinha olhou por detrás de Claire e agarrou-lhe no braço, arrastando-a para perto do esconderijo de Raphael, enquanto os guardas voltaram às suas posições, conscientes da segurança do quarto que guardavam mas ignorando a inexistência de vida dentro.

As duas raparigas esperaram pelo momento certo para retomar a sua conversa. Claire trazia vestido um xaile azul-marinho de algodão em volta dos ombros e não tirava os olhos do chão. Mais parecia ver para além do chão. Raphael sabia disso. Já vira aquele olhar. Bruno fazia-o muitas vezes.

-Não sejas teimosa, Claire. – Silvou a rapariga, baixinho, uma ponta de raiva expressa no nome da outra rapariga. – Ela mudou.

Claire assentiu.

-Tens razão, Melanie. Ela mudou. Mas não para mim. Sou a irmã dela. Ela não esquecerá isso.

Raphael tinha agora a certeza de que falavam de Rose, mas não entendia porquê. Porque Claire trataria a própria irmã por outro nome? Notou que a outra menina – que sabia agora chamar-se Melanie – abrira a boca para retorquir a resposta da outra pequena, mas fechara-a no mesmo segundo. Se ela duvidava ou não das palavras de Claire, não o demonstrou.

Raphael decidiu esperar que as duas desaparecessem para que ele pudesse sair do seu esconderijo. Não demorou muito, pois as duas meninas aperceberam-se do imenso tempo que ficaram longe das aias e partiram, provavelmente em direcção aos aposentos de Claire.

No entanto, o príncipe não reparou que Claire dera o xaile e a mão a Melanie, que tremia de frio, e que juntas dirigiram-se para a outra área do castelo, longe dos aposentos. E, mais importante ainda, não notara que, tanto Melanie como Claire sabiam perfeitamente que alguém as espiava. É o que acontece quando se vive num ambiente em que não se pode confiar um segredo em ninguém, nem mesmo às paredes. No entanto, só a pequena criada sabia que fora Raphael que ouvira a conversa. De quem Claire suspeitava, veremos depois.



Já o príncipe curioso, antes de voltar para os seus aposentos, deitou um último olhar na porta. Aquele era o quarto de Rose…

Sem saber porquê, achou aquele pedaço de informação extremamente importante, tal fosse a sua vida depender desse pequeno detalhe. Oh, se ele soubesse…

Sem dar por isso, estava na hora. Um criado viera ter com ele para o vestir com roupas adequadas para o casamento, o padre viera benzê-lo e o pai dar-lhe conselhos sobre como agir. Só vira Bruno quando se dirigira para o salão nobre, perto das sete da tarde. Nas Terras Altas, já o sol se pusera a dormir, e o povo do Reino terminara os seus afazeres e contava agora as horas para a chegada da aurora, a fim de retomar os seus trabalhos diários que, para além de lhe esgotar o corpo, colocava na mesa pão bolorento e em pouca quantidade, mas que ninguém reclamava, pois sempre tinham que comer.

E antes que ceassem, dirigiram-se para o altar, onde um padre os iria casar. Raphael conteve a tentação de revirar os olhos a aquele homem barrigudo que mal sabia como ser padre. No entanto, ignorante como ele era, desconhecia que, nas Terras Altas, não havia Deus, mas sim os Fados, daí que Charles se dera ao esforço em arranjar um padre para agradar Sua Majestade das Terras Baixas ou Secas, como muito dizem. Mas nas Terras Altas – e Altas apenas - ninguém precisava de um padre para confessar os seus pecados, pois convinha à pessoa mostrar remorso pelas suas ideias blasfémias e, se não mostrasse, os Fados ser-lhe-iam negros.

Claro que a gente rica ignorava essas crenças. Afirmavam ser ideias ridículas e ingénuas da gente saloia, que nada mais tinha que fazer a não ser mandar pragas discretas aos seus senhores. Ironicamente, em eventos futuros, seria a gente saloia a última a cair. Antes ainda iriam desfalecer os nobres, príncipes, reis e princesas.

Mas de volta ao casamento.

Raphael esperou que Claire surgisse, agarrada à irmã pela mão. A pequena tinha duas rosas na mão. Meio abertas e totalmente brancas, espantaram Raphael pela sua beleza. Onde teriam arranjado rosas tão belas? Que ele soubesse, não havia nenhuma roseira nos jardins reais. Estes, vira ele de relance, estavam repletos de papoilas, amores-perfeitos, violetas, cravos e tulipas. Não vira rosas e ele teria notado se as houvesse.

Claire tinha um ar sombrio, parecendo muito mais velha do que era. Ao seu lado, Rose não mostrava qualquer emoção, limitando-se a segurar a irmã e a sussurrar-lhe ao ouvido.

Hélene separou as filhas, dando inicio à cerimónia. Raphael não tomou atenção, mesmo sendo o seu próprio casamento. Afinal, qual é o homem daquele tempo que demonstra entusiasmo naquele tipo de cerimónias? De dependesse deles, não se casavam e tinham inúmeras amantes para o resto da vida. A não ser que, tal como Raphael, tivessem responsabilidades para com o trono, tendo o dever de procriar descendência masculina. Para já, a ideia era posta de parte, pois a noiva ainda não atingira a puberdade. Só aí poderiam consumar o casamento.

Terminara a cerimónia, estavam casados. Raphael olhou para Claire e, por momentos, viu-a de outro modo. O modo de como os olhos dela, isentes de brilho natural, tremeluziam com a luz do salão e até mesmo como mudavam de cor. Pareciam a cor de uma violeta, como as dos jardins reais.

Sem saber como, inclinou-se. Era dever do esposo beijar a testa da noiva, pois beijos nos lábios eram actos de extremas intimidades que não se podia mostrar em público. Mas ele esqueceu-se e roçou os seus lábios nos dela, não esperando qualquer reacção da pequena. Ela, por momentos, parecia que ia reagir, mas talvez fora apenas do choque. Ele afastou-se e esperou pelas indignações dos pais da menina ou até mesmo do seu.

Hélene olhava para ele, incrédula, não acreditando nas acções no agora seu genro. A voz parecia ter-lhe ficado presa na garganta, pois tudo o que se ouvira fora um som estrangulado breve, semelhante a um pato encalhado. Charles e Rose lançaram-lhe um olhar penetrante, sendo o de Rose capaz de degolar cabeças.

-Que é isto Raphael? Que fazes? Esqueceste-te dos bons modos?

Longe de a voz vir da família indignada ou até mesmo de seu pai, espantou-se Raphael de ter vindo do seu próprio irmão. Bruno parecia furioso, olhando para o irmão e para Claire, que ignorava todos, focando-se na irmã. Talvez certos males fossem evitados se Raphael tivesse notado no modo como Rose olhava para ele e para a irmã, ou até mesmo de como a pré-adolescente quase arrastara a irmã para fora do salão, dando pouco tempo para Hélene e as suas aias de irem atrás delas.

Querendo evitar discussões, Raphael pediu desculpas e ficou calado o resto do serão, deixando que o seu pai limpasse a sua sujeira e que garantisse a Charles que ficaria longe do corpo de Claire até esta tornar-se mulher. Bruno também ficou calado, mas o seu silêncio era pesaroso e nada pacifico. Felizmente, ninguém no salão podia ler mentes, caso contrário, ficaram chocados (não conseguindo encontrar melhor eufemismo) com os pensamentos do filho mais novo do rei das Terras Baixas.

No fundo, estava tudo terminado. O casamento estava feito. Estavam unidos aos olhos de Deus e, no caso das Terras Altas, do Destino, tal como Este previra.

Longe dali, Rose abraçava a irmã, quase esmagando-a pelo caminho.

-Rose… estou a ficar sem ar… - implorou a pequena, fazendo com que a mais velha a largasse mas sem deixar de tocar no rosto da irmã mais nova.

-Ele fê-lo. Aquele… monstro! Beijou-te. Tirou-te o teu primeiro beijo.

-Qual é o mal? – Perguntou Claire, na sua plena inocência. Os olhos de Rose pareceram aumentar de tamanho e escurecerem.

-O mal? Ninguém pode tirar o primeiro beijo a uma donzela. Ela entrega-o a aquele que ela ama. Aquele que ela escolhe.

-Mas ele é meu marido. – Contrapôs Claire, os olhos tristonhos.

-Não tem direitos sobre o teu corpo até seres crescida. Até lá… casada ou não, ainda podes amar. Não podes deixar que qualquer um te tire o romance na tua vida. Maridos só servem para fecundar os nossos ventres, não para amar.

-Serei então… - Claire parou uns momentos para pensar, procurando uma palavra difícil para descrever o tipo de mulher que amava fora do casamento. – Uma mulher… adoltir….

-Adultera?

Claire assentiu. Rose mordeu o lábio inferior, reflectindo. Com doze anos, já tinha pensamentos mais profundos que a maioria dos adultos do reino.

-Será um pecado amarmos? Devia haver uma lei que proibisse os casamentos sem amor. Os Fados não sujeitam dois indivíduos a se amarem para que o mundo se virasse contra eles. Tem que haver uma história. Uma forma de almas gémeas ficarem juntas. O amor não deve acabar devido a contratos interesseiros feitos por pessoas que não as interessadas.

-Rose… tu amas?

Esta não hesitou em responder, olhando nos olhos da irmã, decidida.

-Sim. Tu! Só tu e mais ninguém. Ele não te devia ter tirado aquela primeira experiência. Já não basta teres que lhe entregar o teu corpo virgem mais tarde, mas também os lábios?

O resto das palavras de Rose foram afogadas pelos sons de mulheres a caminharem com suas saias compridas a arrastarem-se pelo chão. No meio do frenesim de mulheres e do sermão que Hélene pregara à filha mais velha, Claire só ouvira Rose sussurrar palavras vingativas a Raphael. Palavras ditas num tom venenoso e que jamais lhe sairiam da cabeça.

“Ele vai pagá-las!”




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Tenho uma imensa pena que não tenha mais leitores, mas bem, mais vale dois do que nenhum Matreiro
Espero por ti em cada segundo , porque tu és o meu mundo!




Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
Visitem a minha 1ª Fic ----->The Four elements
#8
Uau!Ave

Adorei o capítulo! Está muito interessante Ana! Estou a gostar mesmo muito. Tu continuas a deixar-me cativada com cada capítulo, tal como fazias com a outra fic! Wink

Esta história está cheia de mistérios, e as alusões que fazes ao futuro só servem para aumentar a minha curiosidade.

Até agora estou a gostar de tudo e todos, até daquele convencido do Raphael! Ah foi tão giro quando ele beijou a Claire nos lábios,lol. Devia querer um buraco para se enfiar naquele momento.

Quero mais! E se faz favor depressinha! Razz

Beijinho*
#9
Eu venero-te Ana simplesmente maravilhoso
estou sem palavras só o mistério que envolve cada palavra e cada frase escrita
faz-me sempre ficar de pé atrás com medo do que poderá acontecer, mas na tua fic...isso não acontece, pois faz-me querer saber mais e muito mais.


*mim estar ansiosa por mais*
*mim faz beicinho*
põem mais por favor

*mim manda muitos beijinhos à Ana por escrever tão bem*
#10
O que mais gosto nesta fic é sem duvida o facto de não saber o que esperar. Até agora tudo é um mistério na minha cabeça, desde as relações das personagens até ao rumo que historia irá ter!
Não sei se foi por tu teres dito, mas realmente, quando estava a ler, senti o cheirinho a Saramago na tua escrita! Mas digo-te já que é um alivio colocares os diálogos "normais". Se fosse tudo entre virgulas eu não sei se conseguia ler! Desiludido
Agora falando do capitulo em si. Raphael egocêntrico e arrogante e Bruno curioso. Certo, um casa e o outro fica a ver e o mesmo acontece com as duas irmãs. Agora a questão é, quem é a Melanie e porque a Claire chama Scarlett à Rose? Ah e não há rosas no palacio, então...? Sinceramente estou curiosa pelo próximo capitulo para desvendar estes mistérios!
Continua assim, Ana! Gosto de ver que postas com mais frequência. Só uma pergunta, tu já tens a fic terminada ou ainda estás a escreve-la?
as minhas fic's:
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
-Angelical
Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^
#11
Obrigado a todos os comentários. Não consigo deixar de sorrir quando vejo o quão intrigadas vocês ficaram. Bem, voces agora acham isto tudo mistério, mas o mistério não ficará assim durante a fic toda. É mais do género eu desvendar pedaçinhos a cada capítulo, desenrolar a personalidade de cada personagem... Infelizmente, Rose estáme a escapar por entre os dedos. Tenho que fazer qqr coisa Desiludido



Lulu, a fanfic ainda não está pronta, mas já tenhos uns bons capítulos feitos. Apenas não posto logo porque espero mais comentários Matreiro
Espero por ti em cada segundo , porque tu és o meu mundo!




Se para salvares aqueles que amas, tivesses que recordar o passado que tanto receias... O que farias?
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#12
AnA_Sant0s escreveu:

Lulu, a fanfic ainda não está pronta, mas já tenhos uns bons capítulos feitos. Apenas não posto logo porque espero mais comentários Matreiro

Ah então és cá das minhas! Eu também já estou muito adiantada na minha fic só que vejo tão poucos comentários que nem publico depressa. Tu dizes que a Rose te está a escapar, é engraçado porque eu também cheguei a uma parte da minha fic que parece que perdeu o meu controlo, por isso não tenho escrito tanto. Enfim são fases, isto passa! Smile
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#13
É mais do género, eu estou a escrever acerca de duas irmãs. Todavia, estou-me a focar demasiado em Claire. Tenho que arranjar forma de conseguir destacar a Rose nesta história... :s

Pois bem, aqui está mais um capítulo. Posto-o agora porque vim agora da praia e estou de muito bom humor (e bronzeado Matreiro). O próximo capítulo será postado na sexta.

Espero bons comentários (ou então mudo a data dos novos capítulos!! Matreiro)



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O Príncipe encantado


Raphael inspirou o ar, deixando que a leve brisa matinal batesse no seu corpo, fazendo com que as peças mais leves do seu vestuário se elevassem meros centímetros no ar e que seu corpo de homem feito se desse ao prazer de tremer de gozo e de frio. Afinal, príncipes guerreiros têm sempre um grande amor ao ar livre e Raphael não era excepção.
Um criado aproximara-se, perguntando se ele queria alguma coisa. Raphael dispensou-se rispidamente, queixando-se das criaturas chatas que abundavam naquele castelo.
Nos jardins, ele vira as diversas flores que floresciam nas Terras Altas. Chamara-lhe á atenção as violetas e os amores-perfeitos, de diversas cores e leves feitios.
Mas nada de rosas. Nem brancas, nem cor-de-rosa, nem vermelhas. Onde é que ela as fora buscar?
Raphael não conseguia explicar a sua obsessão pelas rosas brancas de Claire. Eram apenas flores. Míseras flores de jardim que apenas serviam de decoração. No entanto, ali estava ele, procurando aquela simples flor.
Ele suspirou e ergueu o olhar para o céu, vendo as nuvens espessas e cinzentas formarem uma bela mas estranha representação luminosa com a luz fraca do sol nascente.
E foi aí que viu.
O castelo tinha quatro torres principais. Duas serviam aos guardas como posto de vigia, estendendo-se em linha ao lado do portão principal do castelo, separado da terra externa por um fosso. As outras duas torres não. Faziam parte dos aposentos.
Na varanda de um dos quartos, encontrava-se uma roseira com lindíssimas flores vermelhas todas meio abertas. Ele notou que esse quarto estava próximo do seu. O quarto de Rose. Já o outro, do outro lado do castelo, tinha uma harmoniosa roseira de rosas brancas, estas todas fechadas. O quarto de Claire.
Era estranho o facto de os quartos das duas irmãs serem em quase extremos opostos da fortaleza, mais concretamente o quarto de Claire. Parecia que a queriam exilar dos outros. Seria alguma forma de Charles demonstrar o quão especial seria Claire?
Raphael não pôde perdurar os seus pensamentos por muito mais tempo pois surgiu uma distracção vinda da janela com a roseira vermelha.
A bela Rose postava, as mãos seguras na berma da janela feita de ébano, o olhar centrado no príncipe. Sorriu sedutoramente para ele, emitindo uma mensagem codificada através de olhares cativantes.
Vem.
A mensagem era tão clara como a água do rio e, sendo Raphael um homem idiota que pensa só com uma das suas cabeças, quem seria ele para ignorar aquele pedido, quase desesperado? Já respondi. Um idiota, mas vamos ao que interessa.
O jovem nem deu por si a entrar dentro do castelo, subir as escadarias e a percorrer diversos corredores em direcção aos seus aposentos. A partir daí era meio caminho para os de Rose. Não encontrou ninguém, o que foi um tremendo golpe de sorte. Estava agora junto à porta, prestes a bater, quando a sua consciência decidiu intrometer-se. Há que lembrar que, embora um jovem de poucos valores, ainda tinha consciência, se bem que não a usasse muito.
Estaria certo entrar neste quarto? Os seus instintos diziam que não. Que não devia. Havia algo em Rose semelhante a uma ninfa. E todos sabiam que as ninfas eram criaturas belas em que não se podiam confiar. E mais, ele era casado. Ainda que não gostasse da sua noiva, os votos do seu casamento cristão defendiam fidelidade à esposa. Fidelidade que seu pai e antepassados nunca respeitaram. E não queria ele distinguir-se de seu pai? Não fora por isso que fora para o exército, em vez de estudar os seus deveres de rei?
Talvez seja melhor voltar para trás, pensou. Não havia ninguém em torno dele. Ninguém iria suspeitar do erro que iria cometer.
Estava a dar meia volta quando a porta do quarto abriu-se e Rose pediu-lhe para entrar. Raphael nem teve tempo para raciocinar e já estava dentro da divisão. Abanou a cabeça, atordoado. Estaria ela a controlar a sua mente? Isso era impossível. O controlo da mente só era possível com o auxílio da magia negra. E essa não existia. Eram boatos supersticiosos para crianças mal comportadas, a quem lhes contavam que os duendes as iriam levar para a floresta, longe dos pais e que depois as iriam comer. Sim, porque os rumores diziam que os duendes haviam roubado a magia negra dos magos e agora usufruíam-na a seu bel-prazer, dominado os bosques.
Isso era impossível.
Mas era difícil agarrar-se a esse pensamento quando a rapariga se aproximava dele, claramente tentadora, os olhos brilhando, como se desejasse algo. Algo que só ele lhe podia dar.
-Os teus olhos… - murmurou ela, não tirando a vista de cima dele. – São muito escuros. Serão iguais à tua alma?
Longe de ser uma pergunta inocente, era o sinal de Raphael para perigo imediato. Ele tinha que sair dali.
-Vi a forma como tratas os meus criados. Será assim que tratarás a minha irmã? – Disse, a sua voz completamente azeda. – Como uma mera escrava, pronta a satisfazer os teus desejos? Ou… pelo menos alguns.
-Nunca… - tentou ele dizer, mas a voz mal lhe saia. Sentia dificuldades em respirar sem, no entanto, conseguir dar um passo que seja. - … Magoarei… Claire.
-Mentiroso! – Gritou Rose, toda a beleza desaparecida. O seu rosto estava cravado de raiva e desprezo. Os olhos deixaram de ser belos. Eram assustadores, o verde quase negro.
Ele tremeu involuntariamente. Estaria ela possuída? Rose deu um passo em frente, continuando:
-Roubaste o primeiro beijo da minha irmã. E pior, é que nem motivos para isso tiveste. Não me desejaste a mim quando me viste? Então porque a beijaste a ela, a rapariga que tu pareceste odiar assim que lhe pousaste a vista em cima?
Raphael não tinha resposta para isso. Nem ele sabia porque a tinha beijado. Foi mais uma força do instinto do que outra coisa. Talvez fosse ele a dizer a si próprio que as aparências enganam e que Claire era muito mais do que aparentava. Porque era apenas nisso que Raphael conseguia pensar naquele instante. A mais bela das duas irmãs era um autêntico assombro.
-Eu…
Rose nem o deixou explicar-se.
-Poupa as palavras. Querias tu uma bela donzela, aqui a tens. Mas não esperes que ela se entregue a ti sem mais nem menos. Já roubaste demasiado às irmãs De Roquette. Não roubarás mais.
Raphael conseguiu mexer os dedos dos pés. Talvez se ele tentasse fugir… Rose estava claramente a ameaçá-lo, podia usar isso como argumento de defesa. E era fácil deitar abaixo uma rapariguinha de doze anos, linda mas pequena.
-Se depender de mim, nunca porás as tuas patas em cima da minha irmã. E, se algum dia a desejares, a tua arrogância irá te comer por dentro, porque tu nunca a terás.
As suas palavras soavam a profecia, mas Raphael sabia que eram uma ameaça. Ameaça que Rose concretizaria. Agora. Se ele não fugisse.
Antes mesmo de ele dar um passo em frente, já sentia uma dor atroz por todo o corpo. Soltou um simples grito estrangulado, os músculos içando-se para os lados e ficando extremamente rígidos nos braços e pernas. Os ossos pareciam esticar-se e a espinha dorsal a curvar-se. Raphael caiu de joelhos, apoiando-se em quatro patas, que agora tornavam indistinguíveis as pernas e os braços. Todo o seu corpo estava a mudar. Sentia gordura a cobrir o músculo, garras negras a substituírem as simples unhas cor de marfim, os olhos ficando mais pequenos e pêlo a crescer por todo o corpo, o seu nariz alongando-se, mostrando duas gigantes narinas negras.
Tentou gritar, mas só saiu um grunhido feroz que se alastrou suavemente como um sussurro, não conseguindo subir nem um único decibel. Ela usara magia negra. Magia do duende. Rose transformara-o num animal!
-Olha para ti. – Troçou a rapariga, com um sorriso amargo. – Uma autêntica besta. – O seu sorriso desapareceu como vapor, fitando-o severamente. - Ficarás longe de Claire, ouviste? Longe dela e da minha família. A magia diz que podes escolher uma pessoa para te entender. Mas cuidado, se essa pessoa morrer, mais ninguém te irá compreender. Cairás no esquecimento, Urso
Ela riu-se, a gargalhada maliciosa espalhando-se pelo quarto. Aproximou-se da janela, colhendo a rosa vermelha mais murcha delas todas que, ao tocar nas mãos dela, ficou ainda mais murcha. O urso apenas grunhiu, as patas junto à cabeça, tentando evitar ouvir os sons irritantes que surgiam na sua cabeça, semelhantes a assobios finos e agudos. A dor começava a cessar. E com ela, vinha a vergonha.
Abriu os olhos e fitou a sua inimiga. Tão nova e conhecedora de feitiços tão negros. Saberia Claire disto?
-Toma. – Disse, colocando a rosa murcha no meio do espesso pêlo negro. - Uma lembrança deste dia. Para que nunca te esqueças de quem te pôs assim.
Ela abriu a porta, obrigando-o a sair. A sua figura soava tão poderosa que ele nem ousou atacá-la como urso.
-Vai-te… e não voltes…
Sem dar por si, correu para fora do castelo. Talvez fora obra de Rose, mas não vira ninguém pelo caminho. Passou pelo cerco e correu em direcção à floresta, para longe de todos. Para que nunca mais o vissem.
Pelo caminho, a rosa caiu no chão, quando ele passara pela porta que dava para o jardim. Alguém apanhou essa rosa. E esse alguém era a única pessoa, fora Rose, que sabia do que lhe realmente tinha acontecido.
E essa pessoa não tinha intenções de contar o sucedido a ninguém. Bem, talvez a Claire. Ela tinha o direito de saber. Mas, até lá, o príncipe Raphael estaria morto para todos, sendo a verdade ignorada pelos seus familiares e conhecidos.
Anos passar-se-iam até que alguém voltasse a pôr a vista em cima de Raphael.
Espero por ti em cada segundo , porque tu és o meu mundo!




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#14
Ai Jeessuss! O.O Eu nunca pensei que a Rose era a má da fita no meio disto tudo!
Eu pensei que o Raphael é que era o idiota egocêntrico e afinal ela é que é a Bitch! Mal disposto' Grr Começei a odiá-la!
Quem viu a rosa a cair? Desconfio da Melanie mas depois logo vejo! Toma toma
Gostei mesmo mesmo deste capitulo! Não foi muito grande mas prefiro assim e que postes depressa (Sexta! Esperancoso)
Agora estou morrer de curiosidade em rlação aos anos que passam e que mudanças vão haver!
Responde-me uma coisa (Eu agora estou sempre a fazer perguntas nos comentários desta fic! Lol) quantos capitulos escritos já tens?

bjokas
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-Angelical
Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^
#15
Depende do prisma de como vês a situação. Pessoalmente, não criei a Rose para ser a vilã, apenas a antagonista, ou seja, a que vai contra a acção. Mas não vilã. Verás porquê. Depois de se ver a história dos dois lados, uma pessoa pode ficar dividida. Acredita, Rose tem motivos para o que faz. Agora, os seus metodos é que não são bons. Enfim, ninguém é perfeito.
Tenho 8 capítulos já prontos, sem contar com os que já postei e o 9º estou a meio. Conto ter no máximo só mais 6 capítulos (o número só aumenta se eu reduzir os capítulos) antes do fim da história.
Ahaha, vocês não adivinham quem viu a rosa cair! Não é nada de importante, é apenas um "tópico" numa conversa futura Razz
Espero por ti em cada segundo , porque tu és o meu mundo!




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#16
Olá!

Para variar, lol, gostei do capítulo!
Eu não fiquei surpresa pelo facto de ser a Rose.
Na verdade tinha ficado com a impressão que ela não estava lá muito satisfeita com a situação. É sempre estranho ser a irmã mais nova a casar primeiro..de qualquer forma não tinha ficado com uma boa sensação sobre ela. Digamos que era um palpite. Razz
Mas não estava nada à espera que o Raphael ficasse já um urso, e adorei a maneira como tudo aconteceu. Gostei mesmo. Até da Rose ser mazinha. loool
Sobre a pessoa que viu a rosa cair e pensa contar à Claire, eu aposto na Melanie. Afinal mencionas que tanto ela como Claire irão ter grande importância para Raphael.
Espero pelo próximo.

Bjo*
#17
Sei que ainda falta duas horas para sexta, mas amanhã não estarei disponivel para postar o capítulo, por isso aqui vai Smile

Espero que gostem!

----------------------------------------------

Junto ao velho carvalho


Os bosques das Terras Altas eram os mais densos que se podiam encontrar. Junto às montanhas, eram cobertos por intensa vegetação e árvores perenes, cujas folhas permaneceriam intactas durante o Inverno, que chegaria em semanas às Terras Altas. Mas Claire De Roquette tinha outras ideias. Inverno ou Verão, os bosques eram sempre caminhos mais seguros para a missão que tinha, evitando as estradas instintivamente. Caminhava sorrateira, as suas sandálias de couro arrastando-se pelo chão fazendo o mínimo de barulho, houvesse a hipótese de alguma criatura ouvi-la. Trazia na sua mão uma mensagem de pergaminho velho, vinda do Rei das Terras Baixas. Haviam-na entregado junto á Fronteira, o ponto onde ocorria a divisão das duas Terras, e ela ia agora entregá-la a Kedar, chefe das forças da Resistência. Homem sábio, Kedar daria conselhos sensatos acerca da mensagem de Bruno, fosse ela boa ou má.
Todavia, devido aos tempos que corriam, seria atitude de ingénuo esperar por notícias boas.
Espreitou por uma árvore, vendo o trilho à sua frente. A vegetação estava mais verde, sinal que estavam perto do rio. O que, consequentemente, significava civilização. Porém, isso era passado. Agora, para segurança de todos, quanto mais longe do rio melhor, sendo esse o primeiro local onde o inimigo os procuraria.
Uma toca debaixo do velho carvalho era a resposta. No meio de várias passagens secretas, semelhantes a tocas de toupeiras, conseguiam chegar ao rio depressa e sem haver riscos de incidentes. Havia um grande número de tocas, dispersas pelas Terras Altas, todas com grandes comprimentos e larguras. Pequenos buracos junto às relvas espessas e molhadas, tapavam pequenos pedaços de arame, o que permitia a entrada de ar nas tocas. Esta forma inteligente de viver debaixo da terra, permitiu aos sobreviventes dos desastres malignos viverem uma vida quase normal. Contando que se afastassem do inimigo e que se acautelassem, tinham tudo para viver em paz durante alguns anos. Diziam os guerreiros que estava atitude de fugitivo era de homem cobarde mas, que podiam eles fazer? O outro lado era mais forte. Sair para uma batalha era suicídio certo.
Por isso, o rio apenas servia para Claire procurar um trilho com pinheiros bravos. A partir daí, era só procurar um velho carvalho.
O ar frio gelou-a. Estavam no Outono mas já sentia a chegada do Inverno. Ela vestira uma capa negra, que tapava as suas vestes brancas, feitas de pano e seda, cobertas no peito por um corpete mais escuro. Eram de pano, por este ser mais resistente. E seda porque era o último indício do seu sangue nobre. Não havia mais ninguém que vestisse branco, fosse nas Terras Altas ou nas Terras Baixas. Tornara-se a sua imagem de marca, algo que irritava Claire profundamente. Se ela passasse pelo meio de multidões, a cor clara do seu vestido destacava-se mais que as cores beges dos vestidos das criadas. Tornava-a mais vulnerável a eventuais ataques. Mas o povo assim quisera, de modo a poder representar a esperança. Uma rapariga de cabelos negros com vestido branco. A sua salvadora.
Claire ergueu os olhos para o céu, vendo-o claro, mas com diversas nuvens postas em lista. O brilho do sol pouco passava por entre os ramos das árvores, sendo difícil visualizar o caminho. Mas Claire sabia onde se encontrava. Já conseguia ouvir o rio ao longe, a água a bater nas rochas com força, enquanto percorria o seu caminho até jusante, onde se encontrava a foz.
E provavelmente, alguns inimigos em alerta.
Claire apertou a capa mais para si e apertou caminho por entre os arbustos. Sentiu o cheio a pino no ar. Os pinheiros. Estava próxima.
Descuidada, calcou um ramo perdido no solo, o eco espalhando-se pelo bosque. Claire não se mexeu, parecendo petrificada. Só os seus grandes olhos fitavam o seu redor, em busca de uma reacção. Nada.
Os animais haviam entrado em hibernação e aqueles que não tinham estavam nas suas tocas. Até os seres sabiam que aqueles não eram tempos para andar ao ar livre. Sem vivalma à vista, Claire prosseguiu o seu caminho, agora mais apressada mas não menos cautelosa.
O velho carvalho surgiu ao longe, completamente discreto e escuro. A casca caía gradualmente e havia vestígios de resina seca nas leves camadas despidas da casca castanho-escura que, com o frio do Outono, deixara de precipitar ao longo do tronco. Os ramos eram fortes e estavam completamente nus das habituais folhas verde-escuras e das suas bolotas. As raízes erguiam-se do solo, gigantes em todos os sentidos, podendo-se notar num pequeno buraco no meio das raízes. Claire dirigiu-se para o buraco, onde viu uma pequena porta de madeira branco-amarelado suja. A porta estava ali para enganar pois, por detrás da porta, encontrava-se uma besta que Kedar nunca dissera qual. O seu destino era no lado esquerdo. Claire, querendo ter a certeza que eles não haviam mudado alguma coisa, tocou suavemente. Tal como esperava, a casca era levemente oca. Claire sorriu e deslizou-a devagarinho, tendo cuidado com os encaixes. Entrou pela abertura e repetiu o mesmo procedimento para fechar a porta.
Percorreu o corredor até chegar a uma zona mais ampla, onde três pessoas estavam sentadas junto a uma mesa redonda, iluminada por diversas velas dispostas nas paredes de madeira e barro. Dos três, Claire dirigiu a sua atenção para o mais alto:
-Kedar, noticias das Terras Baixas! – Disse, sem rodeios. O homem chamado Kedar aproximou-se enquanto os outros dois baixaram as suas cabeças:
-Honras para vossa graça, Claire De Roquette. – Disseram os dois ao mesmo tempo. Um, homem de baixa estatura, com barriga e sem cabelo e o outro, uma mulher, com cabelos sujos feitos palha e cara rechonchuda e marcada pelo tempo. Todos vestiam roupas simples e de cores neutras, destacando ainda mais os trajes de Claire.
Esta acenou em retorno, levemente incomodada. Fazia muito tempo que desistira de impedir as pessoas de tratarem-na como realeza. Porque ela nascera nobreza, não princesa. Mas todos sabiam do seu casamento real, daí que não se provinham a rodeios em tratá-la como um ser de sangue azul. E, ironicamente, havia sempre alguma alminha ingénua que acreditava que Claire tinha mesmo sangue azul.
Claro que Claire não era como os outros. Aqueles que se atreviam a pronunciar os seus pensamentos ridículos em voz alta, recebiam uma gargalhada dos outros, mas um sorriso divertido de Claire. Esta respondia que não podia levar a sério, aquilo que não era real.
Tais ideias não mudaram ao longo dos tempos.
-Que disse Bruno? – Perguntou Kedar, os seus olhos negros no pergaminho amarelo escuro.
-Não li a mensagem, pois não era seguro permanecer na Fronteira. Mas penso que as bestas avançaram para junto do rio a Este. Havia muita calma por lá. Perdi dois dias nos desvios, não querendo arriscar.
-Fizeste bem, minha filha. – Disse o outro homem, sorrindo calorosamente para Claire. – Não podíamos arriscar a tua segurança.
-Já vos disse que não posso fazer nada. – Retorquiu Claire, tentando não soar rancorosa. – Não sou nenhuma salvadora.
-Os Fados afirmaram, assim acontecerá. – Disse a mulher, calmamente, tentando acalmar a mais nova. – Ainda que você mesma o negue.
-Não vejo o que tenho de tão especial.
Aí estava uma redonda mentira, mas apenas Kedar se apercebeu. Os seus olhos, semelhantes a os de um mocho, fitaram Claire por uns instantes, antes de voltar a dirigir a sua atenção para o pergaminho, o seu interesse cada vez mais aguçado.
Por fim, depois de um longo silêncio, Kedar falou:
-Claire está certa. As bestas estão a aproximar-se. Começamos a ter os nossos terrenos reduzidos e as nossas fontes de alimento em perigo. Bruno afirma que nas Terras Baixas, o cerco aumentou e que ele próprio fora forçado a fugir do castelo. O seu reino foi tomado.
Kedar fez uma pausa. Claire e os outros dois ofegaram.
-Não pode ser. – Disse a mulher, aterrorizada.
-Lamento que assim o seja, Izabele. Bruno não pôde fazer nada.
-Mas as suas tropas não lutaram? – Perguntou o homem, enquanto remexia os dedos das suas mãos entrelaçadas
-Sabes bem que o exercito não tem sido o mesmo desde a morte de Raphael, Goulard. – Respondeu Kedar, pacientemente. Ao seu lado, Claire remexeu-se involuntariamente, não olhando para ninguém. – Ele era muito melhor capitão que seus antepassados. E excelentíssimo guerreiro.
Izabele e Goulard olharam automaticamente para Claire, como se ela fosse dizer algo. Mas esta apenas focou os seus olhos nos três indivíduos com quem dividia o espaço, mantendo-se silenciosa. Era por isso que detestava que mencionassem o nome do marido. Todos viravam-se para ela, alguns com pena, outros esperando que ela defendesse a honra do consorte.
Secretamente, Claire agradecia o desaparecimento de Raphael. Não a morte, que ela isso não desejava a ninguém. Mas com Raphael fora do caminho, podia usufruir de outras dádivas que não podia receber com o marido ao seu lado. Claro que outros receios a corrompiam por dentro, mas esses veremos mais tarde.
-Que fazemos? – Perguntou Izabele, olhando para Kedar. Este estava pensativo.
-Primeiro teremos que…
-Kedar? – Ouviu-se uma voz vinda da porta do outro lado. Quatro cabeças viraram-se para um vulto que surgira através da porta de madeira. A jovem rapariga quase que tropeçou, o rosto cravado de nervosismo. Relaxou um pouco ao ver Claire. – Oh Claire, ainda bem que estás aqui!
-Melanie? O que se passa? – Claire sentiu o medo a entrar no seu corpo, lembrando-se do que tinha deixando antes de partir. A amiga agarrou-lhe nas mãos frias e tentou acalmar-se.
-É a tua mãe - Claire já sabia o que era ainda antes de Melanie ditar as palavras. Fora o que ela mais temera durante a sua partida.
- Está a morrer…


-----------------------------------------------------------------
Não sei ainda quando vou postar novo capítulo, mas é provavel que seja segunda. Todavia, caso me dê uma birra, sou capaz de não postar nada até proxima quinta Matreiro
Espero por ti em cada segundo , porque tu és o meu mundo!




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#18
Ai gostei tanto! Esperancoso
Acho os cenários que descreves tão lindos e mágicos! Esperancoso parece que estou a ver um verdadeiro conto de fadas virado realidade mesmo à minha frente! Mais uma vez os cenários são de sonho (pelo menos na minha cabeça). Amei todo o mistério envolto daquela "missão" da Claire!
Estou tão parvinha da minha vidinha que nem sei que mais hei-de dizer! o_O'
Esta parte da passagem secreta e daqueles três fez-me lembrar os Volturi (Ok, eu sei que não tem nada a ver, mas lembrei-me! Matreiro) Uhuh! Mega contente Gostei do facto de ela se vestir de branco! Tão... puro! Suspect !
Puquê que a mamã da Claire tá a morer? ;_;
Tadjinha!
Meu bénhê, mi sclareci umá cóisinhá: Quê idadji ténhe à Claire àgórâ?!

Me liga, vai?! Toma toma

(pronto, isto pega-se! Matreiro)
as minhas fic's:
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-Angelical
Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^
#19
Bem acho que não vale a pena repetir. Concordo com o que a Lulu disse.

Gostei imenso do capítulo.

A Claire tem mesmo uma personalidade forte. Gosto dela. Smile

Também fiquei curiosa sobre a idade da Claire.

E quando volta o Raphael?

Acho que esta situação vai ficar resolvida se ele voltar para o exército.

Mas gostei imenso de todo este ambiente de "missão", como disse a Lulumoon. Ficou mesmo interessante.

Bjo*
#20
Agradeços os comentários, desde já. Gostei imenso daquilo que li. E agradeço também por serem leitoras assiduas desde tão nova fanfic Smile

Detalhes sobre a Claire e outras personagens serão vistos em capítulos próximos (que, por motivos de uma doença contagiosa chamada birra aguda tipica de uma adolescente de 18 anos, vai demorar...)

o proximo capítulo é bem mais pequeno que um one-shot, portanto sou capaz de ser boazinha e posta-lo o capitulo seguinte no outro dia após.
Espero por ti em cada segundo , porque tu és o meu mundo!




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