Deficientes físicos e/ou mentais
Estávamos a falar ainda há pouco sobre este tema no chat do msn e achei que era um óptimo tema para se debater aqui no fórum.
Não me lembro se já alguma vez foi debatido aqui no fórum nem encontrei na pesquisa que fiz, por isso se foi, agradeço a quem postar aqui o link, para se fundirem os tópicos ou se eliminar este.
O que pensam vocês dos deficientes físicos ou mentais?
O que pensam/fazem quando passam por um na rua?
Como acham que eles se sentem relativamente a outras pessoas?
Costumam lidar diariamente com estas pessoas?
Sabem lidar diariamente com estas pessoas? Se sim, que tipo de deficiência é, como lidam com isso, que cuidados devem ter, etc...?
Pessoalmente, algo que me faz imensa confusão é a comunicação com um surdo. Há pouco tempo ao ver televisão reparei no quadrado pequeno onde está uma rapariga a traduzir para linguagem gestual e fiquei parada a olhar para lá durante imenso tempo. Adorava aprender linguagem gestual (apesar de por acaso nunca ter pesquisado sobre esse tema na internet) e fiquei a saber 2 coisas pelo Uranus: a linguagem gestual difere de país para país e, pelo menos no nosso país, os cursos para aprender esta linguagem geralmente são muito caros. Já pararam um bocadinho para pensar nas dificuldades que estas pessoas têm para interagir com o resto da sociedade?
Não me lembro se já alguma vez foi debatido aqui no fórum nem encontrei na pesquisa que fiz, por isso se foi, agradeço a quem postar aqui o link, para se fundirem os tópicos ou se eliminar este.
O que pensam vocês dos deficientes físicos ou mentais?
O que pensam/fazem quando passam por um na rua?
Como acham que eles se sentem relativamente a outras pessoas?
Costumam lidar diariamente com estas pessoas?
Sabem lidar diariamente com estas pessoas? Se sim, que tipo de deficiência é, como lidam com isso, que cuidados devem ter, etc...?
Pessoalmente, algo que me faz imensa confusão é a comunicação com um surdo. Há pouco tempo ao ver televisão reparei no quadrado pequeno onde está uma rapariga a traduzir para linguagem gestual e fiquei parada a olhar para lá durante imenso tempo. Adorava aprender linguagem gestual (apesar de por acaso nunca ter pesquisado sobre esse tema na internet) e fiquei a saber 2 coisas pelo Uranus: a linguagem gestual difere de país para país e, pelo menos no nosso país, os cursos para aprender esta linguagem geralmente são muito caros. Já pararam um bocadinho para pensar nas dificuldades que estas pessoas têm para interagir com o resto da sociedade?
Por acaso, estou em Terapia Ocupacional e grande parte das intervenções é com deficientes. Por isso, quem vier para um curso destes porque pensa que vai ser giro ir para um hospital sem ser enfermeiro/médico e não conseguir lidar com este tipo de pessoas, vai ficar muito mal. Há que se ter uma mentalidade aberta e sem preconceitos quando se quer algo relacionado com saúde.
Já comecei com o estágio e envolve alguma interacção, embora o objectivo dele neste primeiro ano seja vermos como a Terapia Ocupacional se encaixa em diferentes contextos. Não é que tivesse algum preconceito quanto a deficientes, bem pelo contrário, mas fiquei mesmo afectada com alguns casos (no bom e no mau sentido). Vi casos extremamente graves, como a doença mental grave e o síndrome de Angelman, que nem sei como descrever. Só sei que foi mesmo chocante. Vi o sorriso de muitas crianças que, apesar de tudo, são felizes. Sorrisos maiores que muitas das crianças ditas normais. É por este sorriso que quero lutar.
A dificuldade que têm para fazer actividades diárias que, para nós, são banais, a dificuldade que têm para se integrarem muitas das vezes... Alguma imaginaram o que é ter uma cadeira de rodas numa cidade? Tentarem ir ao Multibanco de cadeira de rodas, por exemplo? Muitas vezes, não há acessos para estas pessoas, não há condições para eles (podem ter rampas, sim. Mas e depois? Se não tiver o ângulo certo, continua a ser complicado. É como se tentar subir de bicicleta numa grande inclinação), nada é adaptado para pessoas assim. E estou apenas a falar das dificuldades motoras. A variedade é tanta que era capaz de ficar aqui horas a escrever.
Posso deixar aqui uma actividade para fazerem em casa que também dei numa exposição de cursos (o meu curso teve um stand e fizemos um monte de actividades para mostrarmos a quem passasse o que fazíamos e a dificuldade que uma pessoa com deficiência tem). Se forem dextros, não podem usar a mão direita. Se forem esquerdinos, não podem usar a mão esquerda. Tentem descascar uma simples maçã com a mão que não estão habituados a usar (nada de usar a outra!). Se tivessem um acidente e não pudessem usar aquele braço, era assim que tinham que fazer. Uma pessoa que tenha um AVC e fique com aquela parte do corpo paralisada também faz assim. Imaginam a frustração que é? E pedir ajuda é uma humilhação para eles. Tentem deitar-se na cama e imaginar que têm metade do corpo paralisado (ou até mesmo o corpo todo, no caso da tetraplegia). Depois tentem mudar de posição sem usar aquela parte do corpo. Eram capazes de meter o orgulho de lado e pedir ajuda? Ah pois.
Por acaso, o motivo para querer seguir esta área foi graças ao meu primo mais novo, que tem 3 anos. Ele nasceu com paralisia cerebral graças ao (incompetente) médico que lhe fez o parto (ou que se recusava a fazer o parto, porque, segundo ele, febre e tensão alta é perfeitamente normal numa grávida depois de lhe terem rebentado as águas
). Um bebé tão lindo e com paralisia cerebral. A minha família sofreu imenso por causa disto. Tivemos imensos problemas familiares desde que o pequenino nasceu (até o próprio pai o rejeitou). Era o sorriso dele (que não é um sorriso normal, mas é como ele sabe) que nos alegrava o dia. Então jurei para mim mesma que o ia manter. O dele e o de toda a gente que tenha este tipo de problemas e sofre por causa da patologia que tem. Eu acho que é uma excelente motivação para querer seguir algo assim. 
Já comecei com o estágio e envolve alguma interacção, embora o objectivo dele neste primeiro ano seja vermos como a Terapia Ocupacional se encaixa em diferentes contextos. Não é que tivesse algum preconceito quanto a deficientes, bem pelo contrário, mas fiquei mesmo afectada com alguns casos (no bom e no mau sentido). Vi casos extremamente graves, como a doença mental grave e o síndrome de Angelman, que nem sei como descrever. Só sei que foi mesmo chocante. Vi o sorriso de muitas crianças que, apesar de tudo, são felizes. Sorrisos maiores que muitas das crianças ditas normais. É por este sorriso que quero lutar.
A dificuldade que têm para fazer actividades diárias que, para nós, são banais, a dificuldade que têm para se integrarem muitas das vezes... Alguma imaginaram o que é ter uma cadeira de rodas numa cidade? Tentarem ir ao Multibanco de cadeira de rodas, por exemplo? Muitas vezes, não há acessos para estas pessoas, não há condições para eles (podem ter rampas, sim. Mas e depois? Se não tiver o ângulo certo, continua a ser complicado. É como se tentar subir de bicicleta numa grande inclinação), nada é adaptado para pessoas assim. E estou apenas a falar das dificuldades motoras. A variedade é tanta que era capaz de ficar aqui horas a escrever.
Posso deixar aqui uma actividade para fazerem em casa que também dei numa exposição de cursos (o meu curso teve um stand e fizemos um monte de actividades para mostrarmos a quem passasse o que fazíamos e a dificuldade que uma pessoa com deficiência tem). Se forem dextros, não podem usar a mão direita. Se forem esquerdinos, não podem usar a mão esquerda. Tentem descascar uma simples maçã com a mão que não estão habituados a usar (nada de usar a outra!). Se tivessem um acidente e não pudessem usar aquele braço, era assim que tinham que fazer. Uma pessoa que tenha um AVC e fique com aquela parte do corpo paralisada também faz assim. Imaginam a frustração que é? E pedir ajuda é uma humilhação para eles. Tentem deitar-se na cama e imaginar que têm metade do corpo paralisado (ou até mesmo o corpo todo, no caso da tetraplegia). Depois tentem mudar de posição sem usar aquela parte do corpo. Eram capazes de meter o orgulho de lado e pedir ajuda? Ah pois.
Por acaso, o motivo para querer seguir esta área foi graças ao meu primo mais novo, que tem 3 anos. Ele nasceu com paralisia cerebral graças ao (incompetente) médico que lhe fez o parto (ou que se recusava a fazer o parto, porque, segundo ele, febre e tensão alta é perfeitamente normal numa grávida depois de lhe terem rebentado as águas
). Um bebé tão lindo e com paralisia cerebral. A minha família sofreu imenso por causa disto. Tivemos imensos problemas familiares desde que o pequenino nasceu (até o próprio pai o rejeitou). Era o sorriso dele (que não é um sorriso normal, mas é como ele sabe) que nos alegrava o dia. Então jurei para mim mesma que o ia manter. O dele e o de toda a gente que tenha este tipo de problemas e sofre por causa da patologia que tem. Eu acho que é uma excelente motivação para querer seguir algo assim. 

Existem muitas pessoas deficientes na minha escola, a maioria com Síndrome de Down. Penso que são pessoas como todas as outras, de carne e osso, com sentimentos. É verdade que nem sempre os deficientes têm consciência daquilo que fazem, mas são seres humanos e merecem toda a nossa atenção, especialmente quando estão inseridos numa sociedade cada vez mais ignorante como a nossa.
Na minha escola é triste ver como algumas pessoas tratam um menino deficiente e lhe dão ordens, ás quais ele obedece por não ter bem a consciência do que está a fazer.
Já vi imensos casos de deficientes que conseguem fazer coisas que nós (não-deficientes) por vezes achamos dificílimas. Cozinhar com os pés, pintar com a boca... Estas pessoas deviam ser um exemplo de força para todos nós, que mesmo com todas as partes do corpo a funcionar, achamos que o Mundo é injusto e que somos uns coitadinhos e que vamos morrer por subirmos umas escadas.
Uma coisa que eu gostei, foi que na minha escola fizeram uma iniciativa em Educação Física, de por um dia praticarmos vários desportos mas como se fôssemos deficientes: jogar basketbol de cadeira de rodas, jogar voleybol sentados ou goalball de olhos vendados... Para mim foi muito díficil mas foi uma experiência única, porque tive a oportunidade de, por um dia, vestir a pele de um deficiente, e saber o que ele sente e como se desenrasca bem.
Na minha escola é triste ver como algumas pessoas tratam um menino deficiente e lhe dão ordens, ás quais ele obedece por não ter bem a consciência do que está a fazer.
Já vi imensos casos de deficientes que conseguem fazer coisas que nós (não-deficientes) por vezes achamos dificílimas. Cozinhar com os pés, pintar com a boca... Estas pessoas deviam ser um exemplo de força para todos nós, que mesmo com todas as partes do corpo a funcionar, achamos que o Mundo é injusto e que somos uns coitadinhos e que vamos morrer por subirmos umas escadas.
Uma coisa que eu gostei, foi que na minha escola fizeram uma iniciativa em Educação Física, de por um dia praticarmos vários desportos mas como se fôssemos deficientes: jogar basketbol de cadeira de rodas, jogar voleybol sentados ou goalball de olhos vendados... Para mim foi muito díficil mas foi uma experiência única, porque tive a oportunidade de, por um dia, vestir a pele de um deficiente, e saber o que ele sente e como se desenrasca bem.
If we should get separated, just whistle. I'll come running. I promise.
Há 1 ano nesta magnífica comunidade!
na educação
ainda se reflete a ideologia político-social de qualquer
sociedade, há de
se tentar compreender a educação especial que hoje temos de
conformidade
com a sociedade em que vivemos. Sociedade essa que tende a excluir
as minorias
e delas esperar sempre muito pouco. (...)Sabe-se que a idéia de
isolar e
segregar está presente em muitos que pensam na educação dos
portadores
de deficiência mental, por considerar que a sua plena integração
social
jamais se consolidará numa sociedade competitiva que preconiza o
desempenho,
a produtividade, o vigor a beleza, etc.
ainda se reflete a ideologia político-social de qualquer
sociedade, há de
se tentar compreender a educação especial que hoje temos de
conformidade
com a sociedade em que vivemos. Sociedade essa que tende a excluir
as minorias
e delas esperar sempre muito pouco. (...)Sabe-se que a idéia de
isolar e
segregar está presente em muitos que pensam na educação dos
portadores
de deficiência mental, por considerar que a sua plena integração
social
jamais se consolidará numa sociedade competitiva que preconiza o
desempenho,
a produtividade, o vigor a beleza, etc.
Não me sinto muito confortável em expor isto aqui para toda a gente mas vou aqui contar a minha experiência porque acho que pode ser útil para outras pessoas que passem ou possam vir a passar por situações semelhantes.
A minha vida deu uma daquelas voltas há 5 meses. Uma daquelas voltas que acontece mesmo de um momento para o outro.
As circunstâncias em que aconteceu, não interessam para aqui. Passei a lidar diariamente com uma adolescente de 17 anos deficiente mental. Numa casa onde cabiam duas pessoas, eu e a merc, tinha que passar a caber mais uma, a irmã dela.
No início senti-me muito aflito, completamente desamparado. Apesar de já conhecer a Sofia e de ter estado com ela uns bocadinhos, não me conseguia imaginar a ter que lidar com ela todos os dias em minha casa. Mas teve que ser assim, há que aceitar o que a vida nos dá e apesar de pessimista, tento ver as coisas pelo lado positivo.
Não se sabe ao certo o que tem a Sofia, segundo os médicos, tem um grande défice cognitivo (conhecido por "atraso mental") que lhe dá uma incapacidade superior a 60%. Não fala.
Na minha família nunca tive um caso semelhante nem nunca privei com nenhum deficiente mental. Mas tive que aprender.
Aprendi que tinha que arranjar paciência.
A Sofia entende tudo o que nós dizemos. Basta dizer o que fazer e como fazer que ela tenta lá à maneira dela e, mal ou bem, faz. Por exemplo, há dias disse-lhe para fazer a cama. E ela fez à maneira dela: puxou tudo para cima e pronto, já tá. Desfiz a cama e disse-lhe "Vá Sofia, olha pra mim que eu ensino-te a fazer a cama", e enquanto ia puxando o lençol, esticando o cobertor, fazendo as dobras, pondo a almofada ela ia olhando. Desfiz novamente a cama e disse-lhe "Vá, agora faz lá tu". E ela fez. Ficou um bocadinho torto, mas fez. Aprendi que é preciso elogiar todas as coisas que os deficientes mentais fazem minimamente bem. Bato sempre palmas quando ela faz as coisas bem, mesmo que à maneira dela.
Quando faz asneiras, zango-me com ela como me zangaria com outra criança qualquer, fosse deficiente ou não. Quando faz birra, fica de castigo e não ouve música (está sempre a ouvir música). E ela assim entende o que é certo e o que é errado.
Claro que não aprendi isto sozinho. A Internet e um livro (de que já falo mais adiante) ajudaram-me muito. Também falei com psicólogas e terapeutas da escola que ela frequentava que me disseram o que fazer em algumas situações.
A Sofia é extremamente afectuosa. Peço-lhe beijos e ela dá. Peço-lhe abraços e ela dá. E zango-me quando me dá abraços "xoxos", digo-lhe logo "Mmas que raio de abraço é este? Assim não gosto!" e ela, pimba, dá-me um abraço com tanta força que até me deixa mal das costas.
Como disse, não tinha nenhum caso de deficiência mental na minha familia. E tive muito medo que a minha família mais próxima não aceitasse bem a Sofia. Foi exactamente o contrário: aceitaram-na muito bem e com toda a naturalidade. Da mesma maneira que a Sofia os aceitou muito bem. Bem demais até... Sempre que vê a minha mãe, agarra-se ao braço dela e já não liga a mais ninguém.
Trato a Sofia quase como se fosse minha filha. Já há algum tempo que quero ser pai e acho que isso tem facilitado muito as coisas. Não é minha filha mas fica lá perto, afinal, sou eu e a merc quem a vai criar e tomar conta dela.
***
Se antes quando andava na rua e via um deficiente não ligava muito, hoje ligo tanto quanto se fosse uma pessoa não deficiente a passar. Ou seja, nada. Para mim, são pessoas como as outras. Apenas têm necessidades educativas especiais. Só precisam que as pessoas não deficientes os entendam melhor e não os coloquem num canto fechados. Não são bichos nem são ETs. São pessoas, têm sentimentos, riem e choram.
Actualmente, não há nada que me incomode na Sofia.
Incomoda-me ir passear com ela na rua. Não por ela, porque adoro vê-la a rir à gargalhada quando vê os carros a passar ou quando as motas fazem barulho. Incomoda-me os olhares das pessoas. Olhares de pena. Olhares de desprezo.
A Sofia não é nenhuma coitadinha e não precisa que ninguém tenha pena dela.
Quando as pessoas se põem a olhar muito fixamente, eu também olho para elas. Já cheguei a perguntar se queriam um poster autografado.
Houve um episódio que me lembro, em que praticamente armei uma peixeirada em pleno supermercado.
Estavam filas que nunca mais acabavam e naquele dia a Sofia estava um bocado impaciente. Ela nunca se importa de estar nas filas connosco à espera da vez, mas naquele dia ela estava mal-humorada. Fomos à caixa prioritária para grávidas e deficientes e fizemos sinal à senhora da caixa, que nos disse para passar à frente.
Apesar de a fila estar enorme, ninguém se importou de dar a vez. Ninguém, quer dizer, à excepção de um "senhor" nos seus 50 e tal ou 60 anos. Disse para o ar umas coisas que eu não gostei de ouvir e ouviu o que toda a gente que ali estava também ouviu. Falei bem alto para toda a gente ouvir, disse-lhe tantas e tão poucas que o homem nem sabia onde se enfiar. Fiquei com uns nervos tão mas tão grandes que quase me atirava ao homem.
E, bem, não sei o que dizer mais... Já disse tanta coisa que já estou todo trocado...
Só sei dizer mais uma vez que os deficientes não são nenhuns coitadinhos. Coitadinhos são os que não tratam dos deficientes e não zelam pelos seus direitos e os enfiam num canto qualquer escondidos da sociedade.
A minha vida deu uma daquelas voltas há 5 meses. Uma daquelas voltas que acontece mesmo de um momento para o outro.
As circunstâncias em que aconteceu, não interessam para aqui. Passei a lidar diariamente com uma adolescente de 17 anos deficiente mental. Numa casa onde cabiam duas pessoas, eu e a merc, tinha que passar a caber mais uma, a irmã dela.
No início senti-me muito aflito, completamente desamparado. Apesar de já conhecer a Sofia e de ter estado com ela uns bocadinhos, não me conseguia imaginar a ter que lidar com ela todos os dias em minha casa. Mas teve que ser assim, há que aceitar o que a vida nos dá e apesar de pessimista, tento ver as coisas pelo lado positivo.
Não se sabe ao certo o que tem a Sofia, segundo os médicos, tem um grande défice cognitivo (conhecido por "atraso mental") que lhe dá uma incapacidade superior a 60%. Não fala.
Na minha família nunca tive um caso semelhante nem nunca privei com nenhum deficiente mental. Mas tive que aprender.
Aprendi que tinha que arranjar paciência.
A Sofia entende tudo o que nós dizemos. Basta dizer o que fazer e como fazer que ela tenta lá à maneira dela e, mal ou bem, faz. Por exemplo, há dias disse-lhe para fazer a cama. E ela fez à maneira dela: puxou tudo para cima e pronto, já tá. Desfiz a cama e disse-lhe "Vá Sofia, olha pra mim que eu ensino-te a fazer a cama", e enquanto ia puxando o lençol, esticando o cobertor, fazendo as dobras, pondo a almofada ela ia olhando. Desfiz novamente a cama e disse-lhe "Vá, agora faz lá tu". E ela fez. Ficou um bocadinho torto, mas fez. Aprendi que é preciso elogiar todas as coisas que os deficientes mentais fazem minimamente bem. Bato sempre palmas quando ela faz as coisas bem, mesmo que à maneira dela.
Quando faz asneiras, zango-me com ela como me zangaria com outra criança qualquer, fosse deficiente ou não. Quando faz birra, fica de castigo e não ouve música (está sempre a ouvir música). E ela assim entende o que é certo e o que é errado.
Claro que não aprendi isto sozinho. A Internet e um livro (de que já falo mais adiante) ajudaram-me muito. Também falei com psicólogas e terapeutas da escola que ela frequentava que me disseram o que fazer em algumas situações.
A Sofia é extremamente afectuosa. Peço-lhe beijos e ela dá. Peço-lhe abraços e ela dá. E zango-me quando me dá abraços "xoxos", digo-lhe logo "Mmas que raio de abraço é este? Assim não gosto!" e ela, pimba, dá-me um abraço com tanta força que até me deixa mal das costas.

Como disse, não tinha nenhum caso de deficiência mental na minha familia. E tive muito medo que a minha família mais próxima não aceitasse bem a Sofia. Foi exactamente o contrário: aceitaram-na muito bem e com toda a naturalidade. Da mesma maneira que a Sofia os aceitou muito bem. Bem demais até... Sempre que vê a minha mãe, agarra-se ao braço dela e já não liga a mais ninguém.
Trato a Sofia quase como se fosse minha filha. Já há algum tempo que quero ser pai e acho que isso tem facilitado muito as coisas. Não é minha filha mas fica lá perto, afinal, sou eu e a merc quem a vai criar e tomar conta dela.
***
Se antes quando andava na rua e via um deficiente não ligava muito, hoje ligo tanto quanto se fosse uma pessoa não deficiente a passar. Ou seja, nada. Para mim, são pessoas como as outras. Apenas têm necessidades educativas especiais. Só precisam que as pessoas não deficientes os entendam melhor e não os coloquem num canto fechados. Não são bichos nem são ETs. São pessoas, têm sentimentos, riem e choram.
Actualmente, não há nada que me incomode na Sofia.
Incomoda-me ir passear com ela na rua. Não por ela, porque adoro vê-la a rir à gargalhada quando vê os carros a passar ou quando as motas fazem barulho. Incomoda-me os olhares das pessoas. Olhares de pena. Olhares de desprezo.
A Sofia não é nenhuma coitadinha e não precisa que ninguém tenha pena dela.
Quando as pessoas se põem a olhar muito fixamente, eu também olho para elas. Já cheguei a perguntar se queriam um poster autografado.
Houve um episódio que me lembro, em que praticamente armei uma peixeirada em pleno supermercado.
Estavam filas que nunca mais acabavam e naquele dia a Sofia estava um bocado impaciente. Ela nunca se importa de estar nas filas connosco à espera da vez, mas naquele dia ela estava mal-humorada. Fomos à caixa prioritária para grávidas e deficientes e fizemos sinal à senhora da caixa, que nos disse para passar à frente.
Apesar de a fila estar enorme, ninguém se importou de dar a vez. Ninguém, quer dizer, à excepção de um "senhor" nos seus 50 e tal ou 60 anos. Disse para o ar umas coisas que eu não gostei de ouvir e ouviu o que toda a gente que ali estava também ouviu. Falei bem alto para toda a gente ouvir, disse-lhe tantas e tão poucas que o homem nem sabia onde se enfiar. Fiquei com uns nervos tão mas tão grandes que quase me atirava ao homem.
E, bem, não sei o que dizer mais... Já disse tanta coisa que já estou todo trocado...

Só sei dizer mais uma vez que os deficientes não são nenhuns coitadinhos. Coitadinhos são os que não tratam dos deficientes e não zelam pelos seus direitos e os enfiam num canto qualquer escondidos da sociedade.

Devo dizer que fiquei bastante impressionada com o teu exemplo, Uranus. Quem me dera que os familiares das pessoas que conheci no meu estágio fossem como tu. Soube (e vi) de cada caso mais horrível... Para além do caso do meu primo, no qual o pai dele não aceitou ter um filho deficiente e abandonou a mulher e o filho mais velho, vi um caso de uma menina em que a mãe a tratava mal. Não falo no sentido de lhe bater e assim, mas na maneira como a tratava. Era fria. Era como se a própria filha a repugnasse. Outro caso era de uma senhora com uma doença mental (já não me lembro se era bipolar ou esquizofrénica) em que a família não acredita que ela esteja controlada devido ao que ela fez no passado e, por isso, não a querem aceitar novamente no mundo "fora do hospital psiquiátrico" (onde eles apenas teriam que lhe dar um tecto, visto que a senhora sabe fazer tudo). Lá porque são pessoas "diferentes", não significa que não sejam pessoas. Têm todas as potencialidades de uma pessoa normal. Apenas foram limitadas por algum motivo (embora com as ajudas certas consigam ultrapassar essa limitação).
Todas as pessoas que vi estavam no caminho de se tornarem pessoas o mais independentes possíveis (ou, no mínimo, a manterem a qualidade de vida que têm actualmente). O que me fascina na área onde estou a estudar é que ajudamos as pessoas a serem aceites, a serem independentes, a sentirem-se donas da própria vida. Embora seja um pouco como a fisioterapia em termos de reabilitação e habilitação, vai para além disso. Tem um objectivo, que é tornarem-se o mais independentes possíveis nas actividades de vida diárias. Lavar os dentes, comer com talheres, saber controlar o dinheiro que tem e que pode gastar (falta-me a palavra
), etc (até actividades de lazer). Damos-lhes liberdade e a rédea das próprias vidas (coisa que muitos deficientes não têm porque os tratam como "coitadinhos que irão precisar sempre de ajuda").
Um caso que adorei (e com o qual fiquei de tal modo fascinada que disse que era mesmo este o curso que queria) foi numa escola. Os miúdos com deficiência estavam tão bem integrados, que não havia qualquer preconceito por parte dos outros miúdos. Eles tratavam-nos normalmente, como tratariam qualquer amigo. Foi mesmo lindo ver aquilo. Principalmente quando já fui vítima de bullying e sei o quão terríveis podem ser os colegas de escola. Vê-los a serem tratados normalmente deu-me uma felicidade enorme.
Todas as pessoas que vi estavam no caminho de se tornarem pessoas o mais independentes possíveis (ou, no mínimo, a manterem a qualidade de vida que têm actualmente). O que me fascina na área onde estou a estudar é que ajudamos as pessoas a serem aceites, a serem independentes, a sentirem-se donas da própria vida. Embora seja um pouco como a fisioterapia em termos de reabilitação e habilitação, vai para além disso. Tem um objectivo, que é tornarem-se o mais independentes possíveis nas actividades de vida diárias. Lavar os dentes, comer com talheres, saber controlar o dinheiro que tem e que pode gastar (falta-me a palavra
), etc (até actividades de lazer). Damos-lhes liberdade e a rédea das próprias vidas (coisa que muitos deficientes não têm porque os tratam como "coitadinhos que irão precisar sempre de ajuda").Um caso que adorei (e com o qual fiquei de tal modo fascinada que disse que era mesmo este o curso que queria) foi numa escola. Os miúdos com deficiência estavam tão bem integrados, que não havia qualquer preconceito por parte dos outros miúdos. Eles tratavam-nos normalmente, como tratariam qualquer amigo. Foi mesmo lindo ver aquilo. Principalmente quando já fui vítima de bullying e sei o quão terríveis podem ser os colegas de escola. Vê-los a serem tratados normalmente deu-me uma felicidade enorme.

Acho que o testemunho do Manel é precioso e também um sinal de grande carácter e coragem, dou-te os parabéns e admiro-te a ti e à merc como de resto já sabem 
Em termos pessoais, tenho uma familiar com distrofia muscular das cinturas, que é uma doença que vai degenerando progressivamente o tecido muscular. Ela tem a minha idade mas já anda de cadeira de rodas há uns 5 anos. Admiro-a muito porque é uma jovem (modéstia à parte) bastante bonita (o que as pessoas mais dizem é "ah, tão bonita e numa cadeira de rodas...") e corajosa no sentido em que está sempre de bem com a vida apesar deste problema que a condiciona imenso. Não imagino o que possa ser um jovem energético e ambicioso estar limitado nas suas acções devido a problemas físicos, ao passo que a sua capacidade intelectual é perfeitamente normal (licenciou-se aos 20).
Como é de esperar, eu lido com ela de maneira normalíssima, do género pegar nela para a sentar em algum lado, dar uma ajuda para vestir o casaco, etc e de facto é como o Manel diz, as pessoas simplesmente olham e ficam com cara de parvas.
Irrita, irrita muito. Se olham fixamente para uma jovem normal só porque está de cadeira de rodas imagino alguém com uma deficiência mental, deve ser um circo.
Até acho que as pessoas não fazem por mal, simplesmente ficam curiosas, mas para quem está numa cadeira de rodas ou tem uma defeciencia geral receber constantemente olhares curiosos é algo muito, muito incomodativo.
De resto, a minha experiência é limitada (ainda bem) mas de facto é algo tão natural que quase nem reparo quando algum deficiente motor passa ao meu lado. Deficientes com atrasos intelectuais (deficiente mental tem uma conotação tão feia
') não vou ser cínico, reparo sim mas simplesmente olho como se fosse uma pessoa qualquer e sigo em frente, sem aquele olhar que tanto incomoda.

Em termos pessoais, tenho uma familiar com distrofia muscular das cinturas, que é uma doença que vai degenerando progressivamente o tecido muscular. Ela tem a minha idade mas já anda de cadeira de rodas há uns 5 anos. Admiro-a muito porque é uma jovem (modéstia à parte) bastante bonita (o que as pessoas mais dizem é "ah, tão bonita e numa cadeira de rodas...") e corajosa no sentido em que está sempre de bem com a vida apesar deste problema que a condiciona imenso. Não imagino o que possa ser um jovem energético e ambicioso estar limitado nas suas acções devido a problemas físicos, ao passo que a sua capacidade intelectual é perfeitamente normal (licenciou-se aos 20).
Como é de esperar, eu lido com ela de maneira normalíssima, do género pegar nela para a sentar em algum lado, dar uma ajuda para vestir o casaco, etc e de facto é como o Manel diz, as pessoas simplesmente olham e ficam com cara de parvas.
Irrita, irrita muito. Se olham fixamente para uma jovem normal só porque está de cadeira de rodas imagino alguém com uma deficiência mental, deve ser um circo.
Até acho que as pessoas não fazem por mal, simplesmente ficam curiosas, mas para quem está numa cadeira de rodas ou tem uma defeciencia geral receber constantemente olhares curiosos é algo muito, muito incomodativo.
De resto, a minha experiência é limitada (ainda bem) mas de facto é algo tão natural que quase nem reparo quando algum deficiente motor passa ao meu lado. Deficientes com atrasos intelectuais (deficiente mental tem uma conotação tão feia
') não vou ser cínico, reparo sim mas simplesmente olho como se fosse uma pessoa qualquer e sigo em frente, sem aquele olhar que tanto incomoda.
Sammu, és fixe!
Bem, nunca pensei em criar este tópico, mas é muito interessante.
Bem Uranus e Mercurio, nunca pensei que lidassem mesmo diariamente com uma pessoa assim, digo-vos, que tou orgulhosa por vos conhecer, e após ler o que o Uranus escreveu, saber que essa pessoa está bem entregue
Eu na minha familia, não tenho ninguém com esse tipo de problemas, mas aqui há coisa de 5 anos, eu inscrevi-me pela primeira vez no OTL (Ocupação de Tempo Livres) que é do IPJ, não sei se tem conhecimento, mas trabalham 10 dias, 3 horas por dia, e ganham coisa de 2€ à hora, enfim, e logo no primeiro ano, eu tinha 13 anos, mandaram-me trabalhar para uma instituição que tem desde pessoas com problemas mentais graves, a que tem apenas problemas físicos. Eu com 13 anos, sem conhecer (de certa forma ainda bem) aqueles problemas, eu fiquei do estilo WTF, vou ligar e dizer que não vou, os meus pais, por sua vez insistiram, e dizeram para ir, eu ainda "bati com o pé", mas lá fui, inicialmente um tanto contrariada, mas no primeiro dia, deram-me a conhecer o edíficio, dizeram-me por onde podia andar, as salas com as pessoas que tinham problemas mais graves, as salas em que tinham as pessoas com problemas menos graves, e a outra rapariga que foi trabalhar comigo também pelo o OTL, muito simpática, e ficamos logo amigas, tinha 19 anos, desde logo disponibilizou-se para ficar nas salas "mais problemáticas", contudo a directora do centro, acabou mais tarde por revelar que tinha havido um erro com os papeis, e que eu não devia estar ali
tinham pedido expressamente alguém com mais de 18 anos, e ali estava eu com 13.
Eu disse que não me importava, visto que a outra rapariga ia ficar com os mais problemáticos, eu ficava com os outros que ainda faziam muitas actividades. E assim foi, tive em 2 salas, nos diversos dias, de Pintura e Texteis, foi uma experiência muito boa, porque eles para angariarem dinheiro para a instituição, reciclam bens, para vendê-los, e eu aprendi como reciclar algumas coisas
e também aprendi um pouco de costura.
Já viram? Como pessoas com problemas, até nos ensinam coisas para a vida? Não os podemos ignorar, na verdade temos mesmo de os apoiar, no que pudermos! Até depois tive contacto com os mais problemáticos, em alturas como o lanche e isso,e correu mesmo tudo bem.
Quanto à minha colega, que desde esse período virou a minha melhor amiga, ela disse que nas salas em que estava não podia fazer tanta coisa, e tinha que dar mais afecto, no entanto, também aprendeu alguma coisa claro.
No final, sentimos saudades, e até eles nos vinham agarrar e chorar e tudo, foi emocionante, confesso.
Por isso não me arrependo nada, e tou muito grata aos meus pais, por me terem tirado esse preconceito e me terem dado esta oportunidade
Eu disse que não convivia diariamente com pessoas com problemas físicos, mas esqueci-me que este ano tenho uma colega invisual :s penso que conta, visto que ela ainda vê vultos e sombras, mas coisa pouca, acaba por depender um pouco de nós, mas pronto.
Bem Uranus e Mercurio, nunca pensei que lidassem mesmo diariamente com uma pessoa assim, digo-vos, que tou orgulhosa por vos conhecer, e após ler o que o Uranus escreveu, saber que essa pessoa está bem entregue

Eu na minha familia, não tenho ninguém com esse tipo de problemas, mas aqui há coisa de 5 anos, eu inscrevi-me pela primeira vez no OTL (Ocupação de Tempo Livres) que é do IPJ, não sei se tem conhecimento, mas trabalham 10 dias, 3 horas por dia, e ganham coisa de 2€ à hora, enfim, e logo no primeiro ano, eu tinha 13 anos, mandaram-me trabalhar para uma instituição que tem desde pessoas com problemas mentais graves, a que tem apenas problemas físicos. Eu com 13 anos, sem conhecer (de certa forma ainda bem) aqueles problemas, eu fiquei do estilo WTF, vou ligar e dizer que não vou, os meus pais, por sua vez insistiram, e dizeram para ir, eu ainda "bati com o pé", mas lá fui, inicialmente um tanto contrariada, mas no primeiro dia, deram-me a conhecer o edíficio, dizeram-me por onde podia andar, as salas com as pessoas que tinham problemas mais graves, as salas em que tinham as pessoas com problemas menos graves, e a outra rapariga que foi trabalhar comigo também pelo o OTL, muito simpática, e ficamos logo amigas, tinha 19 anos, desde logo disponibilizou-se para ficar nas salas "mais problemáticas", contudo a directora do centro, acabou mais tarde por revelar que tinha havido um erro com os papeis, e que eu não devia estar ali
tinham pedido expressamente alguém com mais de 18 anos, e ali estava eu com 13. Eu disse que não me importava, visto que a outra rapariga ia ficar com os mais problemáticos, eu ficava com os outros que ainda faziam muitas actividades. E assim foi, tive em 2 salas, nos diversos dias, de Pintura e Texteis, foi uma experiência muito boa, porque eles para angariarem dinheiro para a instituição, reciclam bens, para vendê-los, e eu aprendi como reciclar algumas coisas
e também aprendi um pouco de costura. Já viram? Como pessoas com problemas, até nos ensinam coisas para a vida? Não os podemos ignorar, na verdade temos mesmo de os apoiar, no que pudermos! Até depois tive contacto com os mais problemáticos, em alturas como o lanche e isso,e correu mesmo tudo bem.
Quanto à minha colega, que desde esse período virou a minha melhor amiga, ela disse que nas salas em que estava não podia fazer tanta coisa, e tinha que dar mais afecto, no entanto, também aprendeu alguma coisa claro.
No final, sentimos saudades, e até eles nos vinham agarrar e chorar e tudo, foi emocionante, confesso.
Por isso não me arrependo nada, e tou muito grata aos meus pais, por me terem tirado esse preconceito e me terem dado esta oportunidade

Eu disse que não convivia diariamente com pessoas com problemas físicos, mas esqueci-me que este ano tenho uma colega invisual :s penso que conta, visto que ela ainda vê vultos e sombras, mas coisa pouca, acaba por depender um pouco de nós, mas pronto.

Bem o que digo desde já é parabéns ao Uranus e à Merc, e um obrigada pelo testemunho.
E força Kristea, parece-me que o curso é interessante.
Quanto à minha experiência, não tenho familiares com deficiências físicas ou mentais (apesar de fisicamente o meu avô ter ficado mais restringido, como normal após o AVC).
Mas o que sempre que posso falo da minha experiência de estágio, que adorei, cansativa mas que vale cada segundo. Estava num Jardim-Escola, e vou estar daqui a um mês de novo, e na sala onde fiquei estava uma menina chamada Daniela, tem agora 7 quase 8 anos, e é multi-deficiente por uma complicação no parto. Logo no primeiro dia perguntaram-me se queria ficar a dar-lhe o almoço e disse logo que sim. No início, se déssemos à Daniela o talher ela ainda levava à boca mas pelo que me diziam estava cada vez mais a piorar, e depois de lhe aumentarem a medicação, pior ainda naturalmente. Não fala, não anda, usa fraldas. A questão que eu punha e as educadoras também é que ela está cada vez maior claro, então daqui a uns anos como irá ser?! E o pai dela refugia-se no álcool para esquecer a doença da filha, isto foi-me dito pela Educadora Especial que a acompanha, pois sempre tive curiosidade em saber mais. E reage sempre à música.
Bem, a partir da minha experiência com ela mudei completamente o meu ponto de vista em relação a como olhar para eles, não me são indiferentes. E sempre que visito o Jardim Escola, pergunto sempre sempre por ela. Uma situação em particular que se passou durante o meu estágio foi que ela adormeceu no meu colo e depois sai, acomodei-a e uma hora depois ela teve um ataque epiléptico. Fiquei sem saber o que fazer e queria que no meu curso me tivessem alertado para a prática e não só para a teoria, na psicopatologia; pois não soube como reagir e tive de ir logo à rua chamar a assistente de sala porque nem a educadora sabia o que fazer.
Cheguei a ter uma situação complicada porque deixaram um miúdo complicado comigo numa hora de almoço e eu estava só responsável pela Daniela naquela hora, e nem sequer me perguntaram se podia tomar conta dele (e seria muito difícil visto que atirava cadeiras para cima de nós se pegássemos nele) e eu pensei que a responsável dele estava lá e fui colocar o tabuleiro da Daniela, quando dou por mim a correr porque o miúdo lhe estava a apertar o pescoço e tudo me fuzilava com os olhos.
Outro caso são os surdos mudos. Há 3 anos eu conheci uma senhora e ela estava com uma bebé linda de olhos azuis no café, então eu e as minhas amigas mete-mo-nos com a bebé, a senhora começou a tentar falar-nos por gestos e disse, de modo diferente do nosso claro e quase imperceptível "É a Martinha" e como é o mesmo nome que o meu eu fiquei logo encantada com aquela mãe e filha e sempre que as vejo tento fazer gestos digamos próprios, do género "tudo bem", aponto para ela e fecho a mão e coloco o polegar no ar (não me sei explicar bem eu sei x) ) mas sinto sempre uma vontade tão grande de aprender língua gestual... Depois disso ainda mais, quando também no meu estágio tinha uma menina surda, se contássemos uma história, eu notava que era inútil porque ela estava completamente abstraída.
Quando soube que havia num centro de estudos / explicações cá na minha cidade, fui perguntar o preço de aprender linguagem gestual. Primeiro ralhou logo comigo a dizer que não era linguagem mas sim língua porque é universal e depois assim que vi 300€/mês ia-me dando um peripaque.
Apesar disso, espero tirar o curso de educação infantil e depois disso então ir fazendo um porquinho para entrar no curso e quem sabe educação especial, é muito, mas vontade não me falta =)
E força Kristea, parece-me que o curso é interessante.
Quanto à minha experiência, não tenho familiares com deficiências físicas ou mentais (apesar de fisicamente o meu avô ter ficado mais restringido, como normal após o AVC).
Mas o que sempre que posso falo da minha experiência de estágio, que adorei, cansativa mas que vale cada segundo. Estava num Jardim-Escola, e vou estar daqui a um mês de novo, e na sala onde fiquei estava uma menina chamada Daniela, tem agora 7 quase 8 anos, e é multi-deficiente por uma complicação no parto. Logo no primeiro dia perguntaram-me se queria ficar a dar-lhe o almoço e disse logo que sim. No início, se déssemos à Daniela o talher ela ainda levava à boca mas pelo que me diziam estava cada vez mais a piorar, e depois de lhe aumentarem a medicação, pior ainda naturalmente. Não fala, não anda, usa fraldas. A questão que eu punha e as educadoras também é que ela está cada vez maior claro, então daqui a uns anos como irá ser?! E o pai dela refugia-se no álcool para esquecer a doença da filha, isto foi-me dito pela Educadora Especial que a acompanha, pois sempre tive curiosidade em saber mais. E reage sempre à música.
Bem, a partir da minha experiência com ela mudei completamente o meu ponto de vista em relação a como olhar para eles, não me são indiferentes. E sempre que visito o Jardim Escola, pergunto sempre sempre por ela. Uma situação em particular que se passou durante o meu estágio foi que ela adormeceu no meu colo e depois sai, acomodei-a e uma hora depois ela teve um ataque epiléptico. Fiquei sem saber o que fazer e queria que no meu curso me tivessem alertado para a prática e não só para a teoria, na psicopatologia; pois não soube como reagir e tive de ir logo à rua chamar a assistente de sala porque nem a educadora sabia o que fazer.
Cheguei a ter uma situação complicada porque deixaram um miúdo complicado comigo numa hora de almoço e eu estava só responsável pela Daniela naquela hora, e nem sequer me perguntaram se podia tomar conta dele (e seria muito difícil visto que atirava cadeiras para cima de nós se pegássemos nele) e eu pensei que a responsável dele estava lá e fui colocar o tabuleiro da Daniela, quando dou por mim a correr porque o miúdo lhe estava a apertar o pescoço e tudo me fuzilava com os olhos.
Outro caso são os surdos mudos. Há 3 anos eu conheci uma senhora e ela estava com uma bebé linda de olhos azuis no café, então eu e as minhas amigas mete-mo-nos com a bebé, a senhora começou a tentar falar-nos por gestos e disse, de modo diferente do nosso claro e quase imperceptível "É a Martinha" e como é o mesmo nome que o meu eu fiquei logo encantada com aquela mãe e filha e sempre que as vejo tento fazer gestos digamos próprios, do género "tudo bem", aponto para ela e fecho a mão e coloco o polegar no ar (não me sei explicar bem eu sei x) ) mas sinto sempre uma vontade tão grande de aprender língua gestual... Depois disso ainda mais, quando também no meu estágio tinha uma menina surda, se contássemos uma história, eu notava que era inútil porque ela estava completamente abstraída.
Quando soube que havia num centro de estudos / explicações cá na minha cidade, fui perguntar o preço de aprender linguagem gestual. Primeiro ralhou logo comigo a dizer que não era linguagem mas sim língua porque é universal e depois assim que vi 300€/mês ia-me dando um peripaque.
Apesar disso, espero tirar o curso de educação infantil e depois disso então ir fazendo um porquinho para entrar no curso e quem sabe educação especial, é muito, mas vontade não me falta =)

gomawo Tinoco-chan ♡♡ a dor passa, mas a beleza permanece ♥
Mas Dumpling, quem tem AVC, desde que não sejam como os que deram à minha avó, é com uma grande dor e tristeza que recordo quando lhe deu o primeiro, ficou logo sem poder mexer-se de um lado, e a fala deixou de se ouvir, teve enternada uma semana no hospital, depois quando regressou a casa teve outro, e aí deixou mesmo de poder falar, andar, ficou totalmente dependente de nós :'( mas quando tive na Fisioterapia, tive contacto com algumas senhoras, nem muito velhas [nota a minha avó tinha 88 anos quando lhe deu o primeiro AVC, ela estava muito bem, de um dia para o outro, aconteceu] as senhoras da Fisioterapia, tinham por volta dos 60 anos, 60 e poucos, e lá estavam a recuperar alguma força nos braços e pernas. Por isso, espero que não tenha dado nada ao teu avô como deu à minha avó. Vais ver que com calma e ainda pode recuperar um pouco.
Quanto a esses assuntos de pais que não aceitam os problemas dos filhos, a minha colega invisual contou-me que no outro dia foi a uma palestra com uma amiga que tinha um problema, e nessa palestra ouviu coisas chocantes, do estilo os pais tentarem matar os filhos só porque tem esses problemas :s é assim, na minha opinião, penso que é sempre dificil quando algo assim nos acontece, a minha avó já morreu, mas ela tava a sofrer a muito (uns 2 anos quase de sofrimento), e quando aconteceu o AVC, ficamos todos chocados, por isso compreendo que seja um grande choque e que custe imenso, no entanto, são vidas, merecem viver como nós, e muitos como eu deixei num tópico mais acima, ainda conseguem fazer imensa coisa, e ajudam.
É preciso pensar com calma, na minha opinião, acho que Portugal ainda está pouco desenvolvido para actuar em casos como estes, por exemplo o centro onde tive a trabalhar, é um dos únicos da Região do Ribatejo, se não é mesmo o único, está devidamente equipado, com tudo do melhor, posso garantir porque estive lá, e vi com os meus próprios olhos, e garanto que as pessoas com problemas físicos e mentais que estão lá, tem todo o apoio necessário, as pessoas esforçam-se imenso para os apoiar e ajudar.
Quanto por exemplo ao caso de idosos, que tem AVC's e esse tipo de problemas, acho que isto tudo é um atraso, a minha avó mal lhe aconteceu o AVC, inscrevemos em lares de cuidados intensivos, porque para o problema que ela tinha, tinha de ter muita atenção e tratamento especial, e passou 1 ano e meio, a ser tratada pela familia, só 3 meses antes de falecer é que foi para um lar, mas não houve vaga nesses de cuidados intensivos, teve der num lar normal, e o seu estado foi piorando ainda mais.
É muito triste, pagamos impostos e tudo mais, e quando precisamos, as coisas falham. É lamentável.
Quanto a esses assuntos de pais que não aceitam os problemas dos filhos, a minha colega invisual contou-me que no outro dia foi a uma palestra com uma amiga que tinha um problema, e nessa palestra ouviu coisas chocantes, do estilo os pais tentarem matar os filhos só porque tem esses problemas :s é assim, na minha opinião, penso que é sempre dificil quando algo assim nos acontece, a minha avó já morreu, mas ela tava a sofrer a muito (uns 2 anos quase de sofrimento), e quando aconteceu o AVC, ficamos todos chocados, por isso compreendo que seja um grande choque e que custe imenso, no entanto, são vidas, merecem viver como nós, e muitos como eu deixei num tópico mais acima, ainda conseguem fazer imensa coisa, e ajudam.
É preciso pensar com calma, na minha opinião, acho que Portugal ainda está pouco desenvolvido para actuar em casos como estes, por exemplo o centro onde tive a trabalhar, é um dos únicos da Região do Ribatejo, se não é mesmo o único, está devidamente equipado, com tudo do melhor, posso garantir porque estive lá, e vi com os meus próprios olhos, e garanto que as pessoas com problemas físicos e mentais que estão lá, tem todo o apoio necessário, as pessoas esforçam-se imenso para os apoiar e ajudar.
Quanto por exemplo ao caso de idosos, que tem AVC's e esse tipo de problemas, acho que isto tudo é um atraso, a minha avó mal lhe aconteceu o AVC, inscrevemos em lares de cuidados intensivos, porque para o problema que ela tinha, tinha de ter muita atenção e tratamento especial, e passou 1 ano e meio, a ser tratada pela familia, só 3 meses antes de falecer é que foi para um lar, mas não houve vaga nesses de cuidados intensivos, teve der num lar normal, e o seu estado foi piorando ainda mais.
É muito triste, pagamos impostos e tudo mais, e quando precisamos, as coisas falham. É lamentável.

SofiaFlower escreveu:Mas Dumpling, quem tem AVC, desde que não sejam como os que deram à minha avó, é com uma grande dor e tristeza que recordo quando lhe deu o primeiro, ficou logo sem poder mexer-se de um lado, e a fala deixou de se ouvir, teve enternada uma semana no hospital, depois quando regressou a casa teve outro, e aí deixou mesmo de poder falar, andar, ficou totalmente dependente de nós :'( mas quando tive na Fisioterapia, tive contacto com algumas senhoras, nem muito velhas [nota a minha avó tinha 88 anos quando lhe deu o primeiro AVC, ela estava muito bem, de um dia para o outro, aconteceu] as senhoras da Fisioterapia, tinham por volta dos 60 anos, 60 e poucos, e lá estavam a recuperar alguma força nos braços e pernas. Por isso, espero que não tenha dado nada ao teu avô como deu à minha avó. Vais ver que com calma e ainda pode recuperar um pouco.
Sim, e pode. Só o referi, porque não teve um AVC forte, mas não anda tão bem, já andou duas vezes na fisioterapia. Mas não me estendi no assunto mesmo por não ser um caso como o da tua avó, que dou-te os meus pêsames e força, porque a saudade fica sempre e a dor de perder alguém próximo, eu sei, é uma dor no peito tão grande... E as palavras nunca são suficientes, mesmo assim desejo que tenhas toda a coragem porque o amor fica sempre de mão dada com a saudade nestes casos.
É realmente frustrante ver algo acontecer da noite para o dia e para lidar com isso tão repentinamente é preciso forte interior. Também vi vários casos quando levava o meu avô à fisioterapia e dava graças a Deus não ter sido tão forte no meu avô, ele tem 81 anos vai voltar agora à fisioterapia, o problema é que se agarrou muito à televisão, já nem ouve ninguém mas lá está, isso são coisas da idade e da teimosia dele que sempre foi enorme, e não da doença.
O que disseste do lar... é o país que temos. Há dinheiro (ou não) para emprestar à Grécia mas não para inserir mais idosos em lares públicos e mais específicos. Recentemente cá no Entroncamento, fui ao lar dos Ferroviários, ou seja, como o próprio nome indica, só para pessoas que trabalharam como ferroviários ou familiares dos mesmos. No entanto, no país só há este e lá disseram-nos que tem 500 e tais novos pedidos.
Quanto ao facto de pessoas matarem os filhos por terem deficiência, é real, principalmente pessoas que tem muito medo e fazem testes durante a gravidez e está tudo bem e no parto algo corre mal... Foi como o caso da Daniela, nesta situação já, o pai refugiou-se na bebida.
Hoje vi um episódio de Glee que não costumo acompanhar, mas lá há um rapaz com deficiência fisica e como muitos não percebiam que ele queria ir no autocarro com eles e não com o pai como sempre, e teria de ser pedido um autocarro especial e não percebi bem depois a situação, acho que reclamaram de ter de angariar dinheiro através de uma venda de bolos e o professor propôs-lhes que andassem 3 dias numa cadeira de rodas.. Claro, no final, todos viram as dificuldades que ele vivia no dia-a-dia. Acho que seria uma óptima experiência para o nosso PM ver o que realmente faz falta no país, há inclusive vários locais sem rampas, a minha escola só este ano tem, havia um elevador num pavilhão e na biblioteca (e há uns anos foi útil porque havia um rapaz deficiente físico na escola) mas e ir para lá? Não havia rampas... Enfim. Acho que já basta terem de lidar com a doença quanto mais com a falta de facilidade que lhes é posta.

gomawo Tinoco-chan ♡♡ a dor passa, mas a beleza permanece ♥
Na outra mensagem esqueci-me de dizer o título do tal livro... Chama-se "O Cromossoma do Amor" e é da Bibá Pitta. Aconselho-o a toda a gente, conheça ou não um deficiente mental ou físico. Fala da experiência da Bibá Pitta (e da família dela) que tem uma filha com Sindrome de Down. Fala de tristezas e alegrias e, para mim, foi uma fonte de inspiração.
***
Quanto ao problema das cadeiras de rodas... É o país que temos. Há dois anos o meu pai teve um acidente de trabalho e teve que andar de cadeira de rodas durante uns meses. Foi realmente muito difícil andar com ele na rua. Não só pelo problema da falta de rampas, mas também por causa de ruas tortas, calçada mal posta, enfim, uma complicação.
Na minha cidade, todos os dias passam milhares de pessoas por uma passagem de nível que fica mesmo junto à estação dos comboios. Tem lá uma rampa, mas é tão inclinada que até dá mais jeito descer pelos degraus. Claro que eu nunca tinha reparado que aquela rampa era inclinada daquela maneira, mas depois de andar com ele de cadeira de rodas, reparei.
Outro problema são também os carros nos passeios. Realmente as pessoas não se dão conta, quando estacionam o carro em cima do passeio...
***
SofiaFlower, acho que querias dizer Cuidados Continuados/Paliativos e não Cuidados Intensivos, que é diferente...
Apesar de ainda haver muita falta desses centros, felizmente o Governo está a criar mais. No Algarve, pelo menos, já há uns quantos e continuam a construir mais. Claro que nunca são suficientes, principalmente num país que está a envelhecer a olhos vistos, mas pronto, a gente paga impostos para TGVs, Aeroportos e futebóis.
***
Quanto a esses casos de pais que matam os filhos que são deficientes, bem, acho que não há muito a dizer sobre isso...
Mas queria contar o que uma vez ouvi, pouco depois de eu e a merc termos ficado com a Sofia.
Praticamente toda a gente que conhecemos nos apoiou mas houve uma pessoa que me disse uma coisa que me deixou mesmo com as pernas bambas. Disse-me que a Sofia era irmã da merc e que não era um problema meu. Que era ela quem tinha que tomar conta dela e não eu. Para nos separar-mos e pronto, ela que se desenrascasse.
Eu só desejei que os filhos dessa pessoa fossem sempre saudáveis e que nunca dessem trabalhos, porque, epah, uma pessoa dizer a uma pessoa para se separar de outra só porque surgiu um problema, que não é assim tão complicado como se pensa, enfim...
***
Acho que as Formações Cívicas que se dão na escola ficam muito aquém do necessário. Fala-se de segurança rodoviária, de doenças e etc. mas também se devia de falar e sensibilizar para a diferença. Devia-se de por o pitedo todo em cadeiras de rodas, olhos vendados, de muletas, sei lá, devia-se de mostrar o que é ser diferente, devia-se de visitar instituições e centros de dia de deficientes, idosos e etc. A velhos todos chegaremos. E nunca sabemos se um dia a diferença nos bate à porta.
***
Quanto ao problema das cadeiras de rodas... É o país que temos. Há dois anos o meu pai teve um acidente de trabalho e teve que andar de cadeira de rodas durante uns meses. Foi realmente muito difícil andar com ele na rua. Não só pelo problema da falta de rampas, mas também por causa de ruas tortas, calçada mal posta, enfim, uma complicação.
Na minha cidade, todos os dias passam milhares de pessoas por uma passagem de nível que fica mesmo junto à estação dos comboios. Tem lá uma rampa, mas é tão inclinada que até dá mais jeito descer pelos degraus. Claro que eu nunca tinha reparado que aquela rampa era inclinada daquela maneira, mas depois de andar com ele de cadeira de rodas, reparei.
Outro problema são também os carros nos passeios. Realmente as pessoas não se dão conta, quando estacionam o carro em cima do passeio...
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SofiaFlower, acho que querias dizer Cuidados Continuados/Paliativos e não Cuidados Intensivos, que é diferente...
Apesar de ainda haver muita falta desses centros, felizmente o Governo está a criar mais. No Algarve, pelo menos, já há uns quantos e continuam a construir mais. Claro que nunca são suficientes, principalmente num país que está a envelhecer a olhos vistos, mas pronto, a gente paga impostos para TGVs, Aeroportos e futebóis.

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Quanto a esses casos de pais que matam os filhos que são deficientes, bem, acho que não há muito a dizer sobre isso...
Mas queria contar o que uma vez ouvi, pouco depois de eu e a merc termos ficado com a Sofia.
Praticamente toda a gente que conhecemos nos apoiou mas houve uma pessoa que me disse uma coisa que me deixou mesmo com as pernas bambas. Disse-me que a Sofia era irmã da merc e que não era um problema meu. Que era ela quem tinha que tomar conta dela e não eu. Para nos separar-mos e pronto, ela que se desenrascasse.
Eu só desejei que os filhos dessa pessoa fossem sempre saudáveis e que nunca dessem trabalhos, porque, epah, uma pessoa dizer a uma pessoa para se separar de outra só porque surgiu um problema, que não é assim tão complicado como se pensa, enfim...
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Acho que as Formações Cívicas que se dão na escola ficam muito aquém do necessário. Fala-se de segurança rodoviária, de doenças e etc. mas também se devia de falar e sensibilizar para a diferença. Devia-se de por o pitedo todo em cadeiras de rodas, olhos vendados, de muletas, sei lá, devia-se de mostrar o que é ser diferente, devia-se de visitar instituições e centros de dia de deficientes, idosos e etc. A velhos todos chegaremos. E nunca sabemos se um dia a diferença nos bate à porta.

Obrigada Dumpling, obrigada pela força, é mesmo como dizes, sempre uma dor muito grande, e penso que o custa mais é vê-los sofrer e querer ajudar, e pedir ajuda, e essa ajuda ou chegar tarde demais, ou não ajudar em quase nada :/ no que toca à minha avó, eu acho que houve muitas falhas mesmo, e se calhar podia ter-se feito mais. Vais ver que o teu avô vai superar isso, como tu dizeste, não foi muito forte o AVC, mesmo os fracos deixam algumas marcas, mas se for sempre assistido e tiver o apoio da familia, vais ver que não vai piorar.
Sim Star Uranus, era isso que eu queria dizer, desculpa ter-me enganado, mas estes são temas sempre sensiveis, e que mexem muito comigo :/ às vezes perco-me um bocado, quero dizer tanta coisa e às duas por três esqueço-me.
Eu concordo tal e qual contigo, TGV's e balhanas, quando depois não há dinheiro para ajudar quem realmente precisa. Ah! Eu não contei uma coisa, esse centro no qual trabalhei, teve para fechar, diziam que não havia verbas, e mais não sei quê, que revolta que isto dá, já há poucos e ainda fecham os poucos que há? Aonde vamos parar?
Sim Star Uranus, era isso que eu queria dizer, desculpa ter-me enganado, mas estes são temas sempre sensiveis, e que mexem muito comigo :/ às vezes perco-me um bocado, quero dizer tanta coisa e às duas por três esqueço-me.
Eu concordo tal e qual contigo, TGV's e balhanas, quando depois não há dinheiro para ajudar quem realmente precisa. Ah! Eu não contei uma coisa, esse centro no qual trabalhei, teve para fechar, diziam que não havia verbas, e mais não sei quê, que revolta que isto dá, já há poucos e ainda fecham os poucos que há? Aonde vamos parar?

Desde já felicito o Uranus e a Merc pela enorme coragem que demonstram e também pela coragem de vir contar o seu precioso testemunho. Mal começei a ler percebi logo de que se tratava, e não posso fazer mais nada senão felicita-los.
Lembro-me de quando era pequena me fazer muita impressão. Sei que pode ser demasiado preconceituoso aquilo que vou escrever e não queria que fosse de alguma maneira.
Mas fazia-me profunda impressão, e ainda hoje não consigo andar na rua passar por, e não reparar. Principalmente quando anda na baixa de Lisboa, existem imensas pessoas com deficiências motoras profundas espalhadas pelas ruas a pedir.
É pernas amputadas, ou defíciencias de nascimento, existe de tudo ali, e até deficiências mentais.
Durante os meus 8 ou 9 anos, visitei a Casa do Gaiato, perto de Alcochete, e vi uma realidade que me transcendia. Uma casa cheia de meninos que não tinham pais. E alguns deles eram deficientes mentais profundos, e tive que passar um dia inteiro a conviver com eles. As tais pessoas que me faziam confusão. Ainda por cima falando mal português como falava na altura, conviver com meninos deficientes que mal português falavam, e que eu não conseguia entender tão claramente como os outros meninos da minha idade parecia-me impossível na altura. E eu escondi-me no meu canto o dia todo, sem querer falar com ninguém, chorava quando me tocavam ou me chamavam. Só queria fugir...
Mas fui obrigada, fui puxada pelo braço, para conviver com aquelas crianças, algumas delas mais velhas que eu, mas com idades mentais reduzidas.
E sem consciência nenhuma, para além de que eles não eram como eu, e ao mesmo tempo eram, lá tive que jogar jogos com eles, e com paciência puxar por eles, fazê-los rir, sendo eu própria.
Desde esse dia, apesar do curto tempo, passei a ver o mundo de uma maneira um pouco diferente. Para além de ter passado a dar muito mais valor aos meus pais, passei também a dar valor a estas pessoas, e deixei de ter medo, ou receio. delas, enquanto seres.
Passei a minha infância e adolescencia no Hospital de Santa Maria a andar de um lado para o outro, a conviver com doentes e enfermeiras quase todas as minhas férias.
E isso também me fez mudar. Porque antes até as simples doenças me faziam tremer dos pés à cabeça. Mas acabando por ter que fazer muitos dos trabalhos dos meus pais, em Powerpoint, quando eles não percebiam muito de pcs, o que já não acontece muito hoje em dia, eu passei a não ter receio de me aproximar das pessoas com as doenças mais estranhas, e até ter uma certa curiosidade e debruçar-me, querer saber, e mesmo querer assistir às intervenções médicas.
E nem fui para medicina...sangue continua a fazer-me muita impressão em grandes quantidades.
Mas voltando ao assunto. Uma das coisas que mais gostaria de fazer, por muito inacreditavel que possa parecer, e até pode ser um bocado inconsciente porque não tenho qualquer tipo de experiência e podem vir todos vocês dizer que eu não sei do que estou a falar, e não sei...realmente do que estou a falar, era poder passar algum tempo com essas pessoas, e fazê-las outra vez, se elas puderem rir, sinceramente, o mais sincero riso. E vê-las chorar, quando elas quizerem chorar. Era poder sentir o amor dessas pessoas por mim enquanto eu tomo conta delas! Poder sentir os sentimentos dessas pessoas e provar a mim mesma o quão humanas elas são e renovar a experiência dos meus 8 anos, com uma cabeça mais madura.
Quem me conhece até poderia dizer que eu estou a ser hipocrita, porque eu geralmente não mostro este lado de mim. Costumo ser um bocado imparcial nisso e muitas vezes gozona, e parvalhona ao máximo quando se tratam destas situações, e as pessoas dizem-me: "Não digas isso que até parece mal"...ou no pior dos casos concordam comigo, o que ainda é mais idiota...Até conheço pessoas que conheço na vida real, que podem ler isto e dizer que esta não sou eu, que estou a mentir ou algo do género, mas é sinceramente verdade.
E sou daquelas pessoas que acredita sinceramente que a grande maioria dos deficientes mentais border line (ou seja, nos limites entre a deficiencia e a não deficiencia), podem ser totalmente e completamente activos e uteis para a sociedade, e que a grande maioria dos deficientes motores também o pode ser, como diz o Uranus "À maneira deles".
E tenho dito, não queria soar mal, e peço perdão se insultei alguém ou alguma susceptibilidade.
Lembro-me de quando era pequena me fazer muita impressão. Sei que pode ser demasiado preconceituoso aquilo que vou escrever e não queria que fosse de alguma maneira.
Mas fazia-me profunda impressão, e ainda hoje não consigo andar na rua passar por, e não reparar. Principalmente quando anda na baixa de Lisboa, existem imensas pessoas com deficiências motoras profundas espalhadas pelas ruas a pedir.
É pernas amputadas, ou defíciencias de nascimento, existe de tudo ali, e até deficiências mentais.
Durante os meus 8 ou 9 anos, visitei a Casa do Gaiato, perto de Alcochete, e vi uma realidade que me transcendia. Uma casa cheia de meninos que não tinham pais. E alguns deles eram deficientes mentais profundos, e tive que passar um dia inteiro a conviver com eles. As tais pessoas que me faziam confusão. Ainda por cima falando mal português como falava na altura, conviver com meninos deficientes que mal português falavam, e que eu não conseguia entender tão claramente como os outros meninos da minha idade parecia-me impossível na altura. E eu escondi-me no meu canto o dia todo, sem querer falar com ninguém, chorava quando me tocavam ou me chamavam. Só queria fugir...
Mas fui obrigada, fui puxada pelo braço, para conviver com aquelas crianças, algumas delas mais velhas que eu, mas com idades mentais reduzidas.
E sem consciência nenhuma, para além de que eles não eram como eu, e ao mesmo tempo eram, lá tive que jogar jogos com eles, e com paciência puxar por eles, fazê-los rir, sendo eu própria.
Desde esse dia, apesar do curto tempo, passei a ver o mundo de uma maneira um pouco diferente. Para além de ter passado a dar muito mais valor aos meus pais, passei também a dar valor a estas pessoas, e deixei de ter medo, ou receio. delas, enquanto seres.
Passei a minha infância e adolescencia no Hospital de Santa Maria a andar de um lado para o outro, a conviver com doentes e enfermeiras quase todas as minhas férias.
E isso também me fez mudar. Porque antes até as simples doenças me faziam tremer dos pés à cabeça. Mas acabando por ter que fazer muitos dos trabalhos dos meus pais, em Powerpoint, quando eles não percebiam muito de pcs, o que já não acontece muito hoje em dia, eu passei a não ter receio de me aproximar das pessoas com as doenças mais estranhas, e até ter uma certa curiosidade e debruçar-me, querer saber, e mesmo querer assistir às intervenções médicas.
E nem fui para medicina...sangue continua a fazer-me muita impressão em grandes quantidades.
Mas voltando ao assunto. Uma das coisas que mais gostaria de fazer, por muito inacreditavel que possa parecer, e até pode ser um bocado inconsciente porque não tenho qualquer tipo de experiência e podem vir todos vocês dizer que eu não sei do que estou a falar, e não sei...realmente do que estou a falar, era poder passar algum tempo com essas pessoas, e fazê-las outra vez, se elas puderem rir, sinceramente, o mais sincero riso. E vê-las chorar, quando elas quizerem chorar. Era poder sentir o amor dessas pessoas por mim enquanto eu tomo conta delas! Poder sentir os sentimentos dessas pessoas e provar a mim mesma o quão humanas elas são e renovar a experiência dos meus 8 anos, com uma cabeça mais madura.
Quem me conhece até poderia dizer que eu estou a ser hipocrita, porque eu geralmente não mostro este lado de mim. Costumo ser um bocado imparcial nisso e muitas vezes gozona, e parvalhona ao máximo quando se tratam destas situações, e as pessoas dizem-me: "Não digas isso que até parece mal"...ou no pior dos casos concordam comigo, o que ainda é mais idiota...Até conheço pessoas que conheço na vida real, que podem ler isto e dizer que esta não sou eu, que estou a mentir ou algo do género, mas é sinceramente verdade.
E sou daquelas pessoas que acredita sinceramente que a grande maioria dos deficientes mentais border line (ou seja, nos limites entre a deficiencia e a não deficiencia), podem ser totalmente e completamente activos e uteis para a sociedade, e que a grande maioria dos deficientes motores também o pode ser, como diz o Uranus "À maneira deles".
E tenho dito, não queria soar mal, e peço perdão se insultei alguém ou alguma susceptibilidade.
.:Who could ever learn to Love a Beast:.

.Her Ghost in the Fog.

.Her Ghost in the Fog.
Manon escreveu:[...] Uma das coisas que mais gostaria de fazer, por muito inacreditavel que possa parecer, e até pode ser um bocado inconsciente porque não tenho qualquer tipo de experiência e podem vir todos vocês dizer que eu não sei do que estou a falar, e não sei...realmente do que estou a falar, era poder passar algum tempo com essas pessoas, e fazê-las outra vez, se elas puderem rir, sinceramente, o mais sincero riso. E vê-las chorar, quando elas quizerem chorar. Era poder sentir o amor dessas pessoas por mim enquanto eu tomo conta delas! Poder sentir os sentimentos dessas pessoas e provar a mim mesma o quão humanas elas são e renovar a experiência dos meus 8 anos, com uma cabeça mais madura. [...]Manon, se realmente gostavas de passar algum tempo com deficientes, é mesmo muito simples: contacta alguma instituição da tua zona e fala-lhes disso. Concerteza que eles te vão receber de braços abertos. As instituições e associações que acolhem deficientes costumam gostar de receber voluntários, quanto mais não seja para fazer companhia aos seus utentes. Se gostavas mesmo de fazer isso, força nisso, vai em frente!


Olea... bom, até meus 5 anos fui tratada como portadora de autismo e hoje em dia faço tratamento pra transtorno de humor. Até meus 2 anos de idade, segundo os meus pais, eu não falava, andava, só mexia aleatoriamente meus braços e pernas. Tenho um primo que tinha o mesmo diagnóstico, no entanto, ele permaneceu "doente" e eu, graças ao empenho dos meus pais, tento viver uma vida mais ou menos "normal". Ele é mais velho que eu, bate nos pais e nos irmãos, além de mordê-los. Quando ele veio em minha casa, ele parecia viver no mundo só dele. Sinceramente, tenho um certo medo de ter sido assim, mas desde pequena convivi com "deficientes mentais", até por eu ter o diagnóstico. Também tive um colega com deficiência motora, que fez xixi na sala de aula, e todo mundo riu dele, mas ele era um rapaz habilidoso com o violino, pena que depois do incidente, nunca mais o vi...
Não agradeço a Deus todos os dias por ter uma vida "normal" porque isso é besteira, vida "normal" é muito relativo. A Sofia da Merczita tem uma vida normal tanto quanto a minha, agora, valorizo essa minha "condição" e "não me mixo" (linguajar regional, ou seja, não desisto fácil) por qq coisa. Tenho um respeito profundo pelas pessoas que a vida impôs limitações, mas todos nós as temos, mas é a história do caldeirão onde a colher é amarrada na mão e não alcança a boca, e tem um caldeirão de sopa na frente. No inferno as pessoas queimam-se tentando comer a sopa sozinhos, enquanto que no céu, as pessoas se alimentam umas às outras.
Aqui no Brasil teve um pai de uma pessoa deficiente que apanhou de um brutamontes porque ele foi reclamar que o imbecil estacionou na vaga reservada, sendo que o pai estava sem a filha e estacionou num lugar normal. O idiota pegou uma barra de ferro e bateu no homem.
Sem falar nos deseducados que não se levantam pra dar lugar aos idosos e pessoas que precisam, e nas pessoas que não respeitam quem tem problemas. Mas também tem muito "idoso" que se aproveita, os canalhas envelhecem também hahaha... enfim. Acho que quem tem/ convive com pessoas assim tem mais tato pra isso...
Não agradeço a Deus todos os dias por ter uma vida "normal" porque isso é besteira, vida "normal" é muito relativo. A Sofia da Merczita tem uma vida normal tanto quanto a minha, agora, valorizo essa minha "condição" e "não me mixo" (linguajar regional, ou seja, não desisto fácil) por qq coisa. Tenho um respeito profundo pelas pessoas que a vida impôs limitações, mas todos nós as temos, mas é a história do caldeirão onde a colher é amarrada na mão e não alcança a boca, e tem um caldeirão de sopa na frente. No inferno as pessoas queimam-se tentando comer a sopa sozinhos, enquanto que no céu, as pessoas se alimentam umas às outras.
Aqui no Brasil teve um pai de uma pessoa deficiente que apanhou de um brutamontes porque ele foi reclamar que o imbecil estacionou na vaga reservada, sendo que o pai estava sem a filha e estacionou num lugar normal. O idiota pegou uma barra de ferro e bateu no homem.
Sem falar nos deseducados que não se levantam pra dar lugar aos idosos e pessoas que precisam, e nas pessoas que não respeitam quem tem problemas. Mas também tem muito "idoso" que se aproveita, os canalhas envelhecem também hahaha... enfim. Acho que quem tem/ convive com pessoas assim tem mais tato pra isso...

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Semi-ausente até março

Moon Revenge- exerto do volume 2 publicado 02/01
Star Uranus escreveu:Naquela onde trabalhei, aceitam voluntários, toda a ajuda é pouca, eu é que infelizmente neste momento, todo o tempo é pouco, e se puder quero é arranjar um emprego em part-time. Mas se um dia mais tarde, conseguir arranjar tempo, não me importo de ser voluntária. Dou muito valor aos voluntários, porque não ganham nada (em termo monetários) e chegam a fazer imenso, e a ficar com mais experiência também, e a conhecer uma outra realidade.Manon escreveu:[...] Uma das coisas que mais gostaria de fazer, por muito inacreditavel que possa parecer, e até pode ser um bocado inconsciente porque não tenho qualquer tipo de experiência e podem vir todos vocês dizer que eu não sei do que estou a falar, e não sei...realmente do que estou a falar, era poder passar algum tempo com essas pessoas, e fazê-las outra vez, se elas puderem rir, sinceramente, o mais sincero riso. E vê-las chorar, quando elas quizerem chorar. Era poder sentir o amor dessas pessoas por mim enquanto eu tomo conta delas! Poder sentir os sentimentos dessas pessoas e provar a mim mesma o quão humanas elas são e renovar a experiência dos meus 8 anos, com uma cabeça mais madura. [...]Manon, se realmente gostavas de passar algum tempo com deficientes, é mesmo muito simples: contacta alguma instituição da tua zona e fala-lhes disso. Concerteza que eles te vão receber de braços abertos. As instituições e associações que acolhem deficientes costumam gostar de receber voluntários, quanto mais não seja para fazer companhia aos seus utentes. Se gostavas mesmo de fazer isso, força nisso, vai em frente!

bem, isto é um tema muito delicado... 
nem sei por onde começar...
mas admiro muito o uranus e a merc... a força e a coragem que tem, e o facto da sofia tar entregue a tão boas mãos que lhe dão a ajuda e carinho que tanto necessita... porque conheço o caso da minha prima que não se dá com ninguem da família, que só promete fazer a vida negra a todos, e que vive com o marido, tem um filho com deficiência que só não está com ela por ela nao lhe ligar e o rejeitar, e agora encontra-se com a mãe dele que o tem criado... mas eles não querem saber dele <.<
eu por exemplo sou surda mas mínimo, ou seja, sons baixos não sao comigo... e só foi descoberto esse meu problema quando andava no 2ºano, e quando disseram a minha mãe que tinha deficiência auditiva, nem consigo sentir o que ela sentiu, só mesmo através do texto que ela escreveu para um trabalho dos cursos das novas oportunidades... e pior seria ter dois filhos com a mesma deficiencia... até porque ninguém na minha família é surdo, o que torna inexplicavel o aparecimento...
mas eu como pessoa era muito complicado lidar com isto, já que quando falavam baixo para mim eu acabava por não perceber ou trocar as palavras e perceber errado, o que levava a muitos a gozarem... era discriminada e de vez em quando acusada por coisas que nem sequer tinha feito... o que me irrita mais era ter sido tão boazinha, perdoava tudo e todos e era posta de lado, o que mudou muito a minha personalidade... mas graças a deus conforme o tempo passava mais as pessoas cresciam (umas para pior outras para melhor), eu cheguei ao ponto de ter colegas novos na turma e quando eles falavam em amizade eu dizia-lhes que tinha uma deficiência auditiva com o medo de ser magoada depois quando tivesse mais confiança neles (mas como disse com o passar do tempo alguns mudam a mentalidade, e no final do 3ºciclo já tem outro pensar, e ai comecei a ter mais auto-confiança e sair mais da minha concha e confiar mais... já que houve tempos que nao falava com ninguém por não ter confiança alguma sendo comparada a um bicho do mato) XD
bem, eu conheço também uma colega de judo que é surda e muda, a pouco tempo competi com ela no torneio (ok, ganhou me, e o resultado e pela força e o facto de treinar todos os dias), e achei muito engraçado uma parte do combate, em que tavamos quase fora da área de combate e do nada soltamos as pegas uma da outra e ela vira-se de costas e volta para o lugar, a arbitra não tinha dito nada ficou com cara de parva a olhar para mim como quem diz "não mandei parar o combate", mas eu não achei sensato atacar por detrás (se bem que é do conhecimento da própria arbitra que ela é surda)... e no final a cumprimentar dou-lhe dos parabéns e desejo boa sorte para os próximos... (acho que pelo menos conseguia perceber o que eu queria dizer... ah, e ganhou o torneio), mas os colegas do clube dela sabem língua gestual, não sei se completa, mas o essencial sabem, e interagem com ela... e acho muito bonito o gesto deles...
ah, e o judo também é praticado pelos cegos, eu já tive a oportunidade de fazer com eles e é uma experiência única, ver a forma como eles aplicam o que aprendem só ouvindo... e com os que falei sempre me falaram bem, sempre com um sorriso, e ouvi tantas vezes a palavra "desculpa" só por me pisarem... e quando posso vou ao centro de treino onde treinam e treino com eles... o que acho mais complicado no judo para eles é no exame fazerem o kata que é preciso saberem medidas no tapete, o que é complicado porque as vezes perdem o norte...
e também um dos exercício que fazemos de vez em quando no treino, é fazer alguns exercicios de olhos fechados, recorrendo aos restantes sentidos...
outro caso que assisti foi com o colega de escola que anda de cadeira de rodas, e pelo que pude notar as penas dele não tem ossos... ora um dia ele caiu, e eu sem pensar duas vezes pensei em ajuda-lo já que podia ter-se magoado, e o que recebi antes de fazer ou dizer o quer que seja, foi uma resposta torta sem mais nem menos... senta-se e volta para a cadeira... eu acredito que ele não precise de ajuda, mas também uma pessoa não é bruxa para saber...
ainda a pouco tempo tinha reparado que andava uma pessoa de cadeira de rodas no supermercado onde costumo ir e as vezes parava perto de mim (eu ando sempre na zona dos livros)... a pouco tempo, ele voltou a parar perto de mim e falou, eu como não via mais ninguém, pensei que tivesse a falar comigo, e comecei a falar com ele, mas rapidamente fiquei frustrada por não conseguir o entender, já que ele falava com palavras soltas, e as vezes com falhas nas frases, e eu tentava falar com ele, mas era complicado, mas chocou me um pouco, porque se fosse ele no lugar dele não sei se tinha a força que ele tem, já que sou uma pessoa muito pessimista e negativa, e também o facto de ele pensar que ele para mim era um medo... porque a uma das primeiras coisas que eu percebi e me perguntou era se eu tinha medo dele, coisa que neguei, mas fiquei um pouco zangada comigo mesma por nao o conseguir entender, o que me fazia querer que isso fazia-o pensar que tinha medo dele, porque hesitava em responder por não o conseguir entender (ele também falava baixo).... mas fiquei de tal forma chocada que fui dormir a pensar nisso
agora que me lembro, tive um colega de um colegio que tinha uma deficiencia qualquer (nomes nao sei), e é mesmo uma pessoa adoravel, dá para falar com ele, mas não dizia muita coisa, mas sempre que ele me via chamava por mim e pelo meu irmao, e quando passava pela minha casa quando encontrava a minha mae a varanda perguntava por nos os dois, mas era sempre muito querido e carinhoso, e agora com o passar do tempo, o corpo começou a inchar, ele era cheinho porque comia bem, mas agora com o tempo inchou a cara... mas sempre com o mesmo sorriso, e por mais que o tempo passe, reconhece me sempre... C:

nem sei por onde começar...
mas admiro muito o uranus e a merc... a força e a coragem que tem, e o facto da sofia tar entregue a tão boas mãos que lhe dão a ajuda e carinho que tanto necessita... porque conheço o caso da minha prima que não se dá com ninguem da família, que só promete fazer a vida negra a todos, e que vive com o marido, tem um filho com deficiência que só não está com ela por ela nao lhe ligar e o rejeitar, e agora encontra-se com a mãe dele que o tem criado... mas eles não querem saber dele <.<
eu por exemplo sou surda mas mínimo, ou seja, sons baixos não sao comigo... e só foi descoberto esse meu problema quando andava no 2ºano, e quando disseram a minha mãe que tinha deficiência auditiva, nem consigo sentir o que ela sentiu, só mesmo através do texto que ela escreveu para um trabalho dos cursos das novas oportunidades... e pior seria ter dois filhos com a mesma deficiencia... até porque ninguém na minha família é surdo, o que torna inexplicavel o aparecimento...
mas eu como pessoa era muito complicado lidar com isto, já que quando falavam baixo para mim eu acabava por não perceber ou trocar as palavras e perceber errado, o que levava a muitos a gozarem... era discriminada e de vez em quando acusada por coisas que nem sequer tinha feito... o que me irrita mais era ter sido tão boazinha, perdoava tudo e todos e era posta de lado, o que mudou muito a minha personalidade... mas graças a deus conforme o tempo passava mais as pessoas cresciam (umas para pior outras para melhor), eu cheguei ao ponto de ter colegas novos na turma e quando eles falavam em amizade eu dizia-lhes que tinha uma deficiência auditiva com o medo de ser magoada depois quando tivesse mais confiança neles (mas como disse com o passar do tempo alguns mudam a mentalidade, e no final do 3ºciclo já tem outro pensar, e ai comecei a ter mais auto-confiança e sair mais da minha concha e confiar mais... já que houve tempos que nao falava com ninguém por não ter confiança alguma sendo comparada a um bicho do mato) XD
bem, eu conheço também uma colega de judo que é surda e muda, a pouco tempo competi com ela no torneio (ok, ganhou me, e o resultado e pela força e o facto de treinar todos os dias), e achei muito engraçado uma parte do combate, em que tavamos quase fora da área de combate e do nada soltamos as pegas uma da outra e ela vira-se de costas e volta para o lugar, a arbitra não tinha dito nada ficou com cara de parva a olhar para mim como quem diz "não mandei parar o combate", mas eu não achei sensato atacar por detrás (se bem que é do conhecimento da própria arbitra que ela é surda)... e no final a cumprimentar dou-lhe dos parabéns e desejo boa sorte para os próximos... (acho que pelo menos conseguia perceber o que eu queria dizer... ah, e ganhou o torneio), mas os colegas do clube dela sabem língua gestual, não sei se completa, mas o essencial sabem, e interagem com ela... e acho muito bonito o gesto deles...
ah, e o judo também é praticado pelos cegos, eu já tive a oportunidade de fazer com eles e é uma experiência única, ver a forma como eles aplicam o que aprendem só ouvindo... e com os que falei sempre me falaram bem, sempre com um sorriso, e ouvi tantas vezes a palavra "desculpa" só por me pisarem... e quando posso vou ao centro de treino onde treinam e treino com eles... o que acho mais complicado no judo para eles é no exame fazerem o kata que é preciso saberem medidas no tapete, o que é complicado porque as vezes perdem o norte...
e também um dos exercício que fazemos de vez em quando no treino, é fazer alguns exercicios de olhos fechados, recorrendo aos restantes sentidos...
outro caso que assisti foi com o colega de escola que anda de cadeira de rodas, e pelo que pude notar as penas dele não tem ossos... ora um dia ele caiu, e eu sem pensar duas vezes pensei em ajuda-lo já que podia ter-se magoado, e o que recebi antes de fazer ou dizer o quer que seja, foi uma resposta torta sem mais nem menos... senta-se e volta para a cadeira... eu acredito que ele não precise de ajuda, mas também uma pessoa não é bruxa para saber...
ainda a pouco tempo tinha reparado que andava uma pessoa de cadeira de rodas no supermercado onde costumo ir e as vezes parava perto de mim (eu ando sempre na zona dos livros)... a pouco tempo, ele voltou a parar perto de mim e falou, eu como não via mais ninguém, pensei que tivesse a falar comigo, e comecei a falar com ele, mas rapidamente fiquei frustrada por não conseguir o entender, já que ele falava com palavras soltas, e as vezes com falhas nas frases, e eu tentava falar com ele, mas era complicado, mas chocou me um pouco, porque se fosse ele no lugar dele não sei se tinha a força que ele tem, já que sou uma pessoa muito pessimista e negativa, e também o facto de ele pensar que ele para mim era um medo... porque a uma das primeiras coisas que eu percebi e me perguntou era se eu tinha medo dele, coisa que neguei, mas fiquei um pouco zangada comigo mesma por nao o conseguir entender, o que me fazia querer que isso fazia-o pensar que tinha medo dele, porque hesitava em responder por não o conseguir entender (ele também falava baixo).... mas fiquei de tal forma chocada que fui dormir a pensar nisso

agora que me lembro, tive um colega de um colegio que tinha uma deficiencia qualquer (nomes nao sei), e é mesmo uma pessoa adoravel, dá para falar com ele, mas não dizia muita coisa, mas sempre que ele me via chamava por mim e pelo meu irmao, e quando passava pela minha casa quando encontrava a minha mae a varanda perguntava por nos os dois, mas era sempre muito querido e carinhoso, e agora com o passar do tempo, o corpo começou a inchar, ele era cheinho porque comia bem, mas agora com o tempo inchou a cara... mas sempre com o mesmo sorriso, e por mais que o tempo passe, reconhece me sempre... C:
Judoka... eu também tenho deficiência auditiva no ouvido esquerdo
é uma m*** quando as pessoas se aproveitam de tua deficiência pra falar nas tuas costas ¬¬ seguido me faziam essas "tretas" ¬¬ ¬¬ ¬¬ apesar que muitas pessoas nem percebem, mas como eu tenho um tom de voz acima da média, perguntam... eu tenho o cuidado de sempre trocar de lado se estou andando com um colega, mas tem sempre um chato que diz "ai, pq tu não colocas um aparelho?" Mesmo depois de explicar que eu tenho deficiência e blá blá blá... mas o mundo não muda, devemos nós nos adaptar
mas nem ligo mais
mando tomar no ** 
é uma m*** quando as pessoas se aproveitam de tua deficiência pra falar nas tuas costas ¬¬ seguido me faziam essas "tretas" ¬¬ ¬¬ ¬¬ apesar que muitas pessoas nem percebem, mas como eu tenho um tom de voz acima da média, perguntam... eu tenho o cuidado de sempre trocar de lado se estou andando com um colega, mas tem sempre um chato que diz "ai, pq tu não colocas um aparelho?" Mesmo depois de explicar que eu tenho deficiência e blá blá blá... mas o mundo não muda, devemos nós nos adaptar
mas nem ligo mais
mando tomar no ** 

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Semi-ausente até março

Moon Revenge- exerto do volume 2 publicado 02/01
chousenshi escreveu:Judoka... eu também tenho deficiência auditiva no ouvido esquerdoé uma m*** quando as pessoas se aproveitam de tua deficiência pra falar nas tuas costas ¬¬ seguido me faziam essas "tretas" ¬¬ ¬¬ ¬¬ apesar que muitas pessoas nem percebem, mas como eu tenho um tom de voz acima da média, perguntam... eu tenho o cuidado de sempre trocar de lado se estou andando com um colega, mas tem sempre um chato que diz "ai, pq tu não colocas um aparelho?" Mesmo depois de explicar que eu tenho deficiência e blá blá blá... mas o mundo não muda, devemos nós nos adaptar
mas nem ligo mais
mando tomar no **
looool... a serio? eu por acaso sou dos dois lados, se bem que há uma diferença mínima entre os dois... eu as vezes sem dar por isso quando to sem aparelhos (que neste momento não tenho), tenho tendência a inclinar a cabeça para o lado que oiço melhor para perceber...
mas sinceramente aparelhos são caros, e não to a falar em aparelhos que se vendem dos pés para a mão que só duram 1 ano... mas sim dos bons e recomendados pelos médicos... mas muito caros para uma pessoa que nem é rica, nem é pobre, apenas tenta fazer da vida melhor... fora os aparelhos vem as pilhas mais uma cena de plástico para mudar porque a cera vai começando a tapar o orifício dai a ser necessário andar a mudar... fora que somos dois com o mesmo problema... e ele (meu irmão) anda muito rebelde e não aproveita o que tem, ja que eu agora não tenho aparelhos porque eles morreram (se bem que a garantia de funcionalidade deles eram de 2 anos ***alta tecnologia***, ah, e ficaram de ligar para fazerem o molde do aparelho, ja que o hospital como eu passaria a maior em pouco tempo, decidiu pagar uma ultima vez... mas ate agora nada, acho que agora já não fazem nada...
mas uma coisa é certa, já que fazem aquela campanha que quanto mais tampas de garrafas mandarem, mais facilmente uma pessoa que tenha necessidade de uma cadeira de rodas ganha... podiam fazer também para outros objectos, aparelhos também são caros, entre outros...
ah, mas isso já é passado... o que acho mais engraçado é que se metiam comigo e com os mais fracos, mas quando fiquei farta e a enfrenta-los, começaram a ter medo, e só ameaçava com a presença de "amigos" (sim, porque duvido que não fossem só cobaias)... mas agora eu posso andar de cabeça erguida porque não fiz, nem devo nada a ninguém, e elas sim, pelo que fizeram... (só acho piada que tenha pena delas, coisa que não merecem pelo feitio)

se bem que as vezes apanho nabos... mas é desprezo... agressões verbais ou se responde ou se ignora, agora agressões físicas é outra coisa, se me dão, recebem a dobrar, e caem em humilhação de apanharem numa menina (disse menina porque me lembrei do significado de raparigas em br) XD
ah, e as vezes falo alto sem dar por isso

há pessoas que pensam que é fácil usar isto ou aquilo... eu tenho complexos em relações aos aparelhos (isto criou-se porque em pequena era gozada de tal forma que me odiava a mim mesma)... mas agora uso óculos e não tenho problemas, só mesmo por não gostar de me ver com eles, e as armações de agora serem demasiado extravagantes, eu sou muito simples e discreta... e os aparelhos que uso (ou usava) era dos que ficavam mesmo dentro do ouvido e mal se viam XD (sem tubinho nem nada, nem atrás da orelha), mas agora tenho outro pensar e acho que a sociedade anda a aceitar mais facilmente, só de vez uma criança nasce assim e as idade crucial é a adolescência, é que muitos gostam de se armar em superiores por pensarem que deixam de ser zé ninguém para passar a ter popularidade, ou então inveja pura... mas mais tarde vem que o que fizeram deixou-os sem amigos...

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