Sailor Moon Portugal, A Navegante da Lua

Memórias de Kyoto - (Rurouni Kenshin)

#1
Bem, esta é uma fanfic que já ando a fazer há algum tempo, já tem uns cinco ou seis capitulos concluidos, mas não tenho tido o tempo necessário para a continuar devidamente, embora tenha esperança de o fazer agora que as férias vão começar...

Ficam para já o 1º e o 2º capítulos, o primeiro é mais uma exposição dos acontecimentos do episódio em que começa a fanfic e do modo de sentir das personagens nesse mesmo episódio... é um ponto de partida Embaracoso



Disclaimer: Rurouni Kenshin não em pertence. Os direitos são de Nobuhiro Watsuki e esta fic não tem objectivo de difamar ou atentar de algum modo contra o autor ou a sua obra; esta fanfiction não tem fins lucrativos



Capítulo I – Força de Viver
O calor que sentia naquele lugar tornava-se insuportável em cada momento que passava, e cada inspiração era um suplício entre o fumo e as dores causadas pelas feridas recentes e que sangravam silenciosa e sub-repticiamente. Por entre a nuvem de fumo negro que começava a dissipar-se, podia ter-se a horrenda visão de dois corpos consumidos pelas chamas. Cinco pares de olhos miravam, incrédulos, a cena que se lhes deparava. Era surreal... Era como se cada um deles fosse acordar daquele sonho violento a qualquer momento...
Kenshin, Sanosuke, Aoshi, Saitou e Hoji continuavam a fitar o lugar onde Shishio irrompera em chamas, e onde esse mesmo fogo consumira o corpo já sem vida de Yumi, a quem o próprio matara. Os cinco homens pareciam ter entrado numa espécie de transe, do qual foram arrancados por um súbito sussurro fraco e incrédulo.
- Não... Mestre Shishio... Não... – Hoji pegara no relógio que Yumi seguira religiosamente e, com uma fúria enlouquecida, atirou-o, fazendo com que se partisse.
– Bem – disse a voz fria e sinuosa de Saitou – é como ele dizia, não é? Os fracos morrem, e os fortes sobrevivem. O último que se mantiver vencerá. Ele foi o mais fraco, portanto morreu. Não concordas com a lei da natureza do teu mestre?
Sanosuke, ignorando a dor lancinante na sua mão direita, magoada gravemente pelo seu próprio Futae No Kiwame, levantou-se do lugar onde caíra pelo impacto do ataque que sofrera de Shishio e dirigiu-se para o seu amigo ruivo. Este tinha o gi rasgado e queimado, pendendo-lhe do aperto que o segurava ao hakama e deixando o peito ferido e os braços magoados completamente visíveis. Kenshin pegou no relógio de bolso que Hoji partira na sua ira, olhando para ele no suporte da sua mão ensanguentada. Conseguiu distinguir a voz de Aoshi Shinomori, mas os seus ouvidos estavam como que entorpecidos...As dores começavam a dominar o seu corpo e os seus olhos tornavam-se turvos, dando-lhe uma visão ora focada, ora desfocada.
– Os Tempos escolheram o Battousai como aquele que deve ganhar esta batalha, e continuar a sua vida nesta Era Meiji.
Sanosuke olhou para Kenshin...Talvez fosse dos seus olhos, mas parecia-lhe que o seu melhor amigo tremia sem controlo. Parecia-lhe extremamente magro, e o que mais o assustou foi o facto de lhe parecer fraco, algo que nunca esperaria sentir em relação ao Kenshin. Aproximou-se dele e tocou-lhe levemente (mas sempre com a sua maneira desengonçada e de certo modo abrutalhada - fazer o que? é um rooster head) no ombro sem que o corpo do amigo manifestasse qualquer reacção.
- Venceste-o. - disse-lhe em voz branda e cansada.
- Não... – quis começar Kenshin, mas antes, porém, foi interrompido por um grito estridente
-NÃO! ELE NÃO PERDEU! NÃO HÁ POSSIBILIDADE DE ELE TER PERDIDO! O MESTRE SHISHIO NÃO PERDEU!!! - Hoji estava num descontrole sem resolução. Sem aviso prévio, começou a correr desenfreadamente, tendo cuidado de bater no Kenshin ao passar por ele. Sanosuke quis protestar e correr de imediato atrás dele, o seu sangue a fervilhar, mas de súbito, algo o fez parar. Foi com espanto espelhado nos seus olhos castanhos que o lutador sentiu Kenshin cair abruptamente, largando finalmente a espada de gume invertido. Sanosuke caiu em si mesmo a tempo de o apoiar antes que caísse no chão. Horrorizado, apercebeu-se que ele estava gelado, e para aumentar a sua apreensão notou que se esvaía em sangue, na ferida do lado que Shishio lhe tinha infligido, e cujas gotas manchavam o chão rapidamente.
- Kenshin... – chamou, todavia em vão. - KENSHIN!
Os olhos do lutador de rua encheram-se de lágrimas que ele aguentou. Ele não estava morto, não podia estar. Pondo-o delicadamente noutra posição para que, encostando o ouvido ao seu peito ferido, pudesse escutar os seus sinais vitais. Pôde constatar com alívio que o seu coração batia, pouco ruidoso, e que respirava, mas muito fracamente. Era urgente que saíssem daquele lugar.
Saitou e Aoshi olharam a cena do desfalecimento do herói, cada um experimentando uma sensação diferente. Aoshi estava demasiado ferido e confuso emocionalmente para saber o que sentia. Mas Saitou, embora nunca o viesse a revelar (e até tentando ocultar estes pensamentos de si próprio) sentiu muito a contra gosto que aquele era um rapaz admirável, o mesmo que nunca conseguira vencer, o mesmo que agora jazia sem sentidos, vencido apenas pela exaustão do corpo e da alma. O que tinha acabado de salvar o Japão...


******

Os três homens saíram em silêncio do lugar, Sanosuke com o Kenshin desmaiado suspenso dos ombros. Não podes desistir, dizia para si mesmo, pensando no amigo. Tens de ter força. A vontade de viver é mais forte do que tudo. Não podes desistir agora. A Kaoru precisa de ti. O Yahiko precisa de ti, és o seu exemplo. E eu...tu és o meu melhor amigo, tens de aguentar... E a Raposa...todos nós precisamos que sejas forte. Por favor, Kenshin...
Aoshi e Saitou pararam de repente. Quando ergueu o olhar, Sanosuke percebeu que os grandes portões que levavam para o exterior daquela sala horrenda estavam trancados.
-Trancados??! Não! Não podemos estar trancados... Ah! Se eu ainda pudesse usar o Futae No Kiwame... Se não conseguirmos sair rapidamente o Kenshin vai...
Não terminou a frase. Saitou pousou os seus olhos cor de âmbar nos portões, e depois olhou fixamente para o ex-esquartejador. Ele não o podia deixar morrer. Não lhe daria o prazer de saber que o homem que mais odiava era também um dos que mais admirava, mas não o podia deixar morrer! Se ele tivesse de morrer seria ele a matá-lo!... Ignorando as dores nas pernas que tinham fundos cortes, desembainhou a katana e pôs-se em posição, a mão esquerda segurando a espada com firmeza e a direita num elegante apoio de ataque. Aoshi murmurara "Gatotsu"... Sano, percebendo a ideia ripostou:
- Espera lá, estás ferido, não estás em condições de fazer iss...
ZÁS...Num segundo as portas haviam sido arrombadas como se de simples cartão se tratasse. Houve um súbito jorro de sangue vindo da perna direita do oficial de polícia, que se limitou a sorrir, mesquinho.
- Muito bem... – Sanosuke ajeitou o amigo nos ombros e começaram a avançar para fora. Mas um súbito retumbar prendeu-lhes os pés ao chão. O edifício começara a ruir, cada recipiente de petróleo explodindo numa sequência destruidora. O pequeno rurouni abriu um pouco os olhos por um momento. Os seus sentidos desenvolvidos diziam-lhe sonolentos: perigo! Mas logo voltou a fechar os olhos cor de lavanda, e mergulhou na escuridão. Uma explosão abateu-se na ponte em que os 4 homens se encontravam, abrindo um enorme buraco que a separara em duas. Saitou estava no outro lado, longe da salvação da porta. Limitou-se a acender um cigarro perante a preocupação de Sano. Disse simplesmente
– Dei um mapa deste lugar ao Shinomori. Façam o vosso caminho daqui para fora. Já passei por mais destas situações de vida ou morte do que qualquer de vós. - E dizendo estas palavras, virou-lhes costas e desapareceu na nuvem de fumo do edifício que se despedaçava.


******

Aoshi e Sano chegaram ao exterior a tempo de ver o edifício desmoronar-se por completo. Era o fim do domínio de Shishio. Encostando-se a uma árvore para apoiar o peso do amigo que pendia inerte das suas costas, não evitou que as lágrimas lhe caíssem pela face. Se me contassem não acreditaria. Mas não há maneira de que eu possa negar que ele está morto. Não depois do edifício ter ficado completamente destruído. Bolas, Saitou!...
Mas tinha de salvar o Kenshin. Essa devia ser a sua única preocupação no momento. Alarmado, verificou que o amigo não parara ainda de sangrar. Pelo contrário, sangrava mais abundantemente. Tinham de correr...Mais – tinham de voar. Tinham de chegar rapidamente, ele prometera isso à Jou-chan... Não podia deixar que nada acontecesse com nenhum membro da família que tanto amava.
O sol começara a pôr-se e Sanosuke e Aoshi caminhavam, na companhia silenciosa um do outro. Embora leve, o peso de Kenshin começava a fazer-se sentir nas costas magoadas do rapaz de 19 anos. Foi com a lua pálida e sem companhia de estrelas que Sano e Aoshi avistaram o semi-destruído Aoya. E foi sob essa mesma lua que Kaoru, que se recusara terminantemente a ser tratada dos seus ferimentos enquanto não tivesse o Kenshin e o Sanosuke consigo, viu o vulto de dois homens altos. Ignorando completamente as dores ou as lágrimas que lhe corriam pela face abaixo, correu para eles, vendo com preocupação o Kenshin inconsciente nos ombros de Sano. Misao seguiu-a, chorando também ao ver Aoshi... Himura tinha cumprido a sua promessa.
Sanosuke olhou cansado para o rosto aliviado e ao mesmo tempo preocupadíssimo da mestre assistente do estilo Kamiya Kasshin e disse com a força que lhe restava:
- Está tudo bem, Jou-chan... Ele está aqui, voltou. Salvou o Japão...

Spoiler

honto arigato, sandrita <3 chrno *.*
#2
Capítulo II – Sopro de Esperança
Megumi Takani estava em frente as portas de soji, temendo a visão que encontraria para além delas. Tinha recebido uma carta da Kaoru, manchada pelas lágrimas, e nesse mesmo dia tinha apanhado o comboio para Kyoto. Deixara a clínica ao Dr. Gensai, e mal tivera tempo ou vontade para reunir os seus objectos pessoais para levar consigo. Concentrara-se pura e simplesmente em levar todos os seus acessórios de medicina e tudo o que achava que poderia ajudar... Ken-san...era a única coisa que lhe passava pela cabeça naquele momento. Ken-san, aguenta, por favor...por favor...

******

Após a chegada de Sanosuke e Aoshi ao Aoya, Kenshin havia sido levado para o Shirobeko, pois o Ayoa, semi-destruído, não tinha condições para manter um ferido de gravidade. O ex-hitokiri foi então levado por Sano para um quarto vazio, seguido por Kaoru, Misao e Seijuro Hiko. Yahiko tinha insistido em ir, mas os seus ferimentos não lho permitiriam, por muita força de vontade que tivesse o pequeno "samurai". Profundamente amuado, deixou-se ficar no quarto que partilharia com Sanosuke, onde os seus ferimentos já tinham sido remediados pelo Oniwabangroup, cujos membros tinham experiência em tratamento de feridas de pequena e média gravidade. Sanosuke depositou então, com maior delicadeza do que alguma vez demonstrara, o pequeno rurouni no seu futon. Embora quisesse ficar perto do amigo, foi também obrigado pelos outros a ser tratado das suas feridas e deitar-se, quando tentara em vão esconder a fraqueza e desequilíbrio que dele se apoderava. Entretanto, Misao saiu também, com o pretexto genuíno de ir ver Aoshi, que entrara no Aoya completamente mudo e se isolara no quarto com Okina. Ficaram no quarto apenas Kaoru e Hiko, olhando com tristeza e ansiedade para um Kenshin completamente imóvel, mais pálido do que nunca e manchado pelo seu próprio sangue. Seijuro Hiko sentou-se perto do seu aprendiz, o olhar de mais profunda tristeza e apreensão que Kaoru alguma vez vira. Já não parecia o homem forte que vencera um gigante de um só golpe. Já não era o grande e poderoso 13º mestre que dominava o Hiten Mitsurugy, nem o espadachim de porte de líder e mandão que se enchia de sake como se de água se tratasse e que, convencido, dava ordens a toda a gente. Não... Aquele era um homem consumido numa dor contida, cheio de compaixão e tristeza, sem um mínimo de arrogância, completamente deprimido pela dor que o assombrava. No entanto, quando Kaoru, de olhos inchados e vermelhos pelo choro (que piorara após o médico local ter dito que o caso de Kenshin se encontrava para além da sua sabedoria) se sentou a seu lado, a voz de Seijuro Hiko, o 13º, soou calma e tépida.
- Não te preocupes com ele. Fui eu que o ensinei, não há qualquer possibilidade de ele se deixar morrer por tão pouco.
Por tão pouco! Pensou Kaoru O teu único aprendiz tem a vida por um fio e mesmo assim tu... Ela não conseguia entender. Na verdade, o seu raciocínio estava extremamente reduzido. Só a dor e a ansiedade lhe enchiam o espírito. Toda a esperança que lhe restava, jazia numa pequena folha de papel, que enviara num envelope para Tokyo...


******

Megumi finalmente arranjara coragem. Não havia tempo. Já se tinham passado três dias... Empurrando a porta do soji, entrou no quarto de Kenshin. Só os anos de experiência médica a impediram de se descontrolar: Kenshin estava num estado miserável. As ligaduras que inutilmente tentavam parar o sangue das suas feridas estavam rubras deste mesmo sangue. A sua respiração não era visível no descer e subir do seu peito e a sua pele estava branca como ela nunca o vira. Pedira a Kaoru e aos outros que a deixassem entrar sozinha para que pudesse ter mais liberdade de movimentos. E ainda bem que o fizera, pois a expressão que assumira e que se reflectia nos seus olhos aumentaria a ansiedade em que os seus amigos já se encontravam. Olhou para o pequeno vagabundo... três dias que estava assim... estava completamente imóvel, sem o mais leve sinal de presença...
Megumi retirou-lhe cuidadosamente as faixas e limpou-lhe as feridas, tendo em atenção a ferida do lado, feita pelo Shishio, e as duas que lhe foram infligidas no pescoço (cortesia do Aoshi Shinomori, pelo que ouvira…). Felizmente as do pescoço não tinham apanhado nenhuma artéria vital, e Megumi limitou-se a limpar os ferimentos e a estacá-los com novas ligaduras. A ferida do seu lado era, definitivamente, a pior. Sangrava abundantemente e parecia estar em risco de infecção. Megumi limpou-a para garantir que não pioraria e pôs em seu redor uma banda de ligaduras firme e grossa. Mas ao tratar esta ferida, Megumi mal podia conter as lágrimas. De certo que seria muito dolorosa e dificílima de suportar. No entanto, Kenshin mantivera-se completamente inexpressivo, o que indicara que não sentira sequer a dor lancinante que tal ferimento provocaria. Na verdade, Kenshin estava muito, muito longe de sentir o que quer que fosse.
- Está demasiado quieto, não está? - Perguntou uma voz clara, mas em baixo volume.
Megumi virou-se sobressaltada, para encontrar Hiko, encostado ao soji.
- A... Você deve ser o Seijuro Hiko, não é? Kaoru-chan falou-me de si... Suponho que venha ajudar?
-Não. Venho supervisionar o seu trabalho.
Que arrogância! Ah, se o Ken-san não estivesse assim...
– Diga-me, senhor Hiko, o que faz aqui? Não é o meu trabalho que vem ver... – disse Megumi com apreensão na voz.
– Os outros, pensam que é uma questão de tempo...dizem que logo ele estará de pé e a andar...Mas eu conheço a morte, Doutora... Eu vejo a morte pairar, de asas negras e impiedosas abertas, sobre o meu aprendiz. Eu criei-o. Tinha seis anos quando o encontrei e matei os seus opressores... De alguma maneira...considero-o meu... filho.
A médica olhou cheia de espanto para o mestre espadachim. Tinha a certeza de ser a primeira e talvez a única vez que ele abrira deste modo o seu coração, sabia que não era homem de o fazer, e percebera que escondia as suas tristezas por detrás de uma máscara de arrogância. Não soubera porque a escolhera para de tal falar...Mas os seus instintos preveniram-na para que não perguntasse. Megumi deixou-se ficar silenciosa...


******

A porta do soji abriu-se novamente e Megumi Takani saíu. Do lado de fora havia cinco pares de olhos esperançosos e receosos pousados nela. Um pouco cansada e abalada, dirigiu-se para um par de olhos azuis lacrimejantes.
- Kaoru, ele...eu não sei bem dizer como ele está agora...tratei das suas feridas. As mais alarmantes, a do lado e a das costas ainda sangram, mas as restantes estão já a sarar... Mas o seu corpo passou uma grande provação, uma extensão de ferimentos e exaustão a que é praticamente impossível um ser humano sobreviver... Mas ainda assim ele vive. Não há nenhuma explicação médica para esse facto, mas... É a sua vontade de viver que o mantém... Neste momento continua inconsciente e receio que assim permaneça por um tempo. Precisará que alguém o vigie por turnos... (a estas palavras todos se ofereceram e Megumi comoveu-se com a amizade que os ligava a Ken-san)
Sem mais palavra, Kaoru entrou no quarto e lá permaneceu de guarda, tentando cessar as lágrimas teimosas, até de manhã, não deixando que a afastassem dele até o sol raiar e serem horas de tomar o pequeno-almoço e ir fazer as reparações no Aoya. Mas o seu espírito sentiu-se um pouco aliviado, pois sabia que existia no seu coração um sopro de esperança, leve mas persistente.

Spoiler

honto arigato, sandrita <3 chrno *.*
#3
Olhaaaaaa *-* Uma das minhas fanfictions favoritas! eheheh E a ÚNICA que leio de RK =P

Já sabes a minha opinião dela, visto que sou a hotaru S do rurounikenshin portugal =)


"Paralelismos", an HP's fanfiction - Capítulo 7 (30.Março.2009)
#4
Kaoru-chan esta fic é sobre um anime q eu particularmente amo!!! Surprised.o: Li os 2 capítulos com uma avidez q nem imaginas!! Smile

Simplesmente adorei!! Escreves mt bem, adorei tudo até ao mais pequeno pormenor. Restrataste mt bem a forma como o Sanosuke se sentia em relação ao estado do kenshin, a preocupação e tudo isso...

Bem, essa esperança, "leve e persistente" como tu própria disseste é algo mt importante, é um sinal q apesar de tudo há quem acredite na força de viver do kenshin. Eu tb acredito!! Smile

Que mais posso dizer?? humm ja sei!! Quero mais!! cheers cheers
Tenho andado bastante ausente... e vou continuar infelizmente Durante a semana torna-se muito complicado... por isso venho cá sobretudo ao fim-de-semana Vou ter saudades
#5
Muito obrigada, Paula e Sailor S

Vou dar o meu melhor para a conseguir acabar dignamente =p

Bem, se calhar ponho o terceiro Embaracoso



Capítulo III – Ansiedade e Imprevisto
Era de manhã em Kyoto. A cozinha do Shirobeko encontrava-se cheia como jamais estivera. Não obstante os acontecimentos tenebrosos e toda a ansiedade, agitação e pressão emocional sob a qual se encontravam, o local enchia-se de um burburinho saudável e familiar. Estavam presentes cinco membros do Oniwabangroup, Megumi, Misao, Kaoru, Yahiko, Sanosuke e uma Tae muito espantada a olhar a sua cozinha apinhada!... Pouco passava do raiar da alvorada, e Yahiko e Sano, tendo sido despertados pelo cheirinho delicioso de sopa de misou acompanhada por bolas de arroz, tinham-se levantado de imediato e corrido para a cozinha, onde agora se encontravam com as bocas atafulhadas de comida. Kenshin estava a ser vigiado por Okina e o grupo que tentava salvar alguma comida dos free loaders parecia um pouco mais relaxado. Megumi, Misao e Kaoru conversavam tão animadamente quanto podiam dadas as circunstâncias. E até houve algumas alcunhas costumeiras, como busu, rooster head, raposa, Yahiko-CHAN... quase todas precedidas pelo som de um Bokken a bater contra uma cabeça (bem gostariam eles de saber de onde Kaoru tirava o Bokken, pois tinham a certeza que ela não o levara com ela para o pequeno almoço...). Parecia que a vida se manifestava levemente naquele momento pacífico em que eles tentavam esquecer os acontecimentos terríveis, ainda demasiado frescos nas suas memórias.
- Houve lá, rooster head, se continuas a comer assim depressa ainda te engasgas, e depois podes ter a certeza que não vou tratar de ti! - Pequenas orelhas de raposa apareceram no topo da cabeça da médica, com um "pop".
- Não me chames rooster – a estas palavras Yahiko não evitou uma gargalhada. - E vê se te calas, Yahiko-CHAN.
- Não me chames pequeno! - Ripostou o menino, saltando de seguida para morder o cabelo do ex-gangster.
- Vá, Yahiko, já chega! - Disse Kaoru, embora estivesse parcialmente aliviada por ver que as coisas não tinham mudado tanto assim...
– Não te metas, busu.
TAU! No segundo seguinte Yahiko estava de novo no seu lugar a prestar atenção à comida, com um grande galo causado pelo Bokken na nuca.


Após o pequeno-almoço, Megumi e Kaoru foram visionar cuidar as feridas dos outros membros do grupo. Começaram por Misao, que, ao que parecia, tinha uma costela partida pela maça de Kamatari. Megumi tratou-a, apertando-lhe o tórax e avisando que talvez a incomodasse por uns tempos, mas que era necessário para sarar convenientemente. Misao, sentada no seu futon, bufou e pediu a Megumi que, por favor, tratasse de Aoshi, pois o okashira nunca iria admitir que estava ferido nem que se sentia mal. Megumi sentiu o seu sangue gelar. Não eram boas as recordações que guardava de Aoshi Shinomori...A doutora não respondeu ao pedido, afirmando simplesmente:
- Misao, agora não podes fazer grandes esforços. É possível que te custe a respirar nos dias que se seguem, por isso nada de esforço.
- Umpf... – Misao não estava contente por se sentir "inútil".
Megumi e Kaoru seguiram então para tratar das feridas ligeiras dos membros do Oniwabangroup. Depois de vigiarem os ferimentos de Yahiko, que pareciam, felizmente, estar a sarar muito bem, e finalmente chegaram a Sanosuke. Este, sentado em frente de Megumi, com uma pequena espinha de peixe na boca, olhou-a.
- Vai demorar muito, Raposa?
– Bem, a tua mão está tão magoada como todo o corpo do Ken-san! És mesmo descuidado, rooster.
- Não me chames roostEEEEEEEEEER!!!!
Megumi tinha subitamente dado um estalido na mão direita do lutador, o que o fizera dar um pulo e praguejar nomes que Kaoru nem sabia que existiam.
- Para que foi isso???!
– Ora, a tua mão precisava de um jeitinho para se curar no sítio certo...
– Mas podias ter avisado, não?!
– Mas assim não teria o prazer de ver a expressão na tua cara (de novo orelhas de raposa fizeram "pop", enquanto Megumi ria com a mão sobre os lábios.)


******

A reconstrução do Aoya estava a evoluir rapidamente, com todos a ajudar na reparação dos imensos estragos causados pela batalha que lá se travara. Okina e vários membros do Oniwabangroup ocupavam-se da rede de informações, e da procura dos materiais necessários. Todos ajudavam nesta reconstrução, e era agora o quinto dia desde a vitória sobre o Jupongatana. Yahiko, tendo recuperado rapidamente dos seus ferimentos, ajudava em pequenas coisas, assim como Misao, e ambos andavam pelos restos mortais do Ayoa, ora trabalhando, ora insultando-se mutuamente, perante os sorrisos dos adultos que trabalhavam. Sanosuke trabalhava também (mas pela lei do menor esforço, claro!) embora não pudesse utilizar a sua mão direita, o que o fazia parecer ainda mais desastrado. Kaoru trabalhava também com árduo esforço, mas a sua mente estava sempre localizada num quarto onde um ruivo pequenino estava ainda desacordado. Kenshin... Ela não se conseguia impedir de pensar nele. Kenshin... Já passaram cinco dias... Quem me dera poder ver os teus olhos violeta outra vez... Não aguento muito mais tempo sem o teu sorriso... Por favor...
Naquele dia, Kaoru havia ficado no Shirobeko. Os outros haviam tomado o pequeno-almoço e partido para o Aoya, mas ela ficara ao lado do samurai. Encontravam-se agora na casa anexa ao restaurante apenas a assistente mestre do Kamiya Kasshin Ryu, Megumi e Aoshi (este permanecia no seu quarto, depois de ter sido tratado por Megumi que decidira esquecer os rancores e que a muito custo entrara e tratara dele. Estava também num estado lastimável, pois não se recebia um Amakekeru Ryuu No Hirameki sem consequências físicas e emocionais. Mas as suas dores eram mais de espírito que quaisquer outras. O seu exterior mostrava-se como sempre inexpressivo, mas o seu interior não podia ser mais distinto...).Kaoru não havia comido, mas também não se declinara sequer a pensar nisso. Ajoelhada ao lado do futon, tinha ambas as mãos a segurar a mão direita de Kenshin, que estava gélida. Kenshin... volta... precisamos de ti... Lágrimas rolaram pelas suas belas faces, caindo sobre o seu kimono branco e sobre o lençol que cobria Kenshin. Mas ela forçou-as a cessar. Ele precisava que ela fosse forte por ele, porque ele fora forte por todos eles. Limpou as lágrimas à manga do kimono e fungou. Sorriu para consigo ao imaginar a expressão e palavras do Kenshin se este a visse chorar... "Não chore, Kaoru-donno... Estou aqui, protejo-te...Que se passa?" Kaoru não pôde conter a sombra de um sorriso...
De súbito, quando passava as mãos pelo rosto dele, alarmou-se. A sua temperatura estava altíssima...ele...estava a arder em febre!...E o seu rosto não estava já inexpressivo. Comprimia ligeiramente os olhos e suava. Estava em agonia, em dor...Kaoru não pensou duas vezes:
- Megumi! MEGUMI! DEPRESSA!...
Ouviram-se passos apressados e Megumi surgiu a porta do quarto, entrando no segundo seguinte.
– É o Kenshin – respondeu Kaoru à pergunta não questionada – ele está a arder em febre! Faz alguma coisa, por favor... - as lágrimas caíam mais uma vez.
Megumi tomou-lhe a temperatura. Estava de facto altíssima.
- Kaoru, vai buscar um recipiente com água bem fria. Temos de o arrefecer, a sua temperatura está muito elevada. Traz também panos limpos. Depressa! - a estas palavras Kaoru obedeceu de imediato.
Megumi tirou cuidadosamente o gi de Kenshin e apressou-se a arrefecê-lo com as toalhas molhadas que Kaoru trouxera. Foi então as duas jovens mulheres ouviram, não mais que um mero sussurro: Kaoru-donno...
O sangue gelara-lhes nas veias. Kaoru não podia reagir... Os olhos de Kenshin permaneciam fechados, o seu rosto suado e reflectindo dor e angústia...ele falara... e de novo um murmúrio quase inaudível se ouviu no quarto silencioso: Partir...Kyoto...perdoa-me...
– Shhh... Está tudo bem. Está tudo bem, Kenshin... Ushhh. Eu estou aqui... – Kaoru pegara-lhe delicadamente na mão. Kenshin tremia ligeiramente mas foi acalmando, até ficar novamente imóvel, não dando quaisquer sinais de vida.
Kaoru ergueu o olhar para Megumi, que percebendo a deixa, respondeu.
- É normal que tenha febre... e é normal que possa também delirar se a febre for demasiado alta... Mas ele está demasiado exausto. Vamos ter de o velar com mais cuidado ainda. Não chores mais, Kaoru – acrescentou ao ver os olhos de safira ficarem rasos de água – isto só pode querer dizer que está a reagir e que vai melhorar.
Nada que a doutora dissesse conseguiria acalmar Kaoru.


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Spoiler

honto arigato, sandrita <3 chrno *.*
#6
Ao cair da noite, os que tinham estado a trabalhar na reconstrução do Aoya voltaram, famintos, e vinham a conversar animadamente ao entrarem no Shirobeko. Sanosuke desviou então a sua atenção para Sae.
- Ei, Tae, que temos hoje para o jantar?
– Até te respondia, Sanosuke, se não passasses a vida a chamar-me "Tae"...
– Desculpa, mas que posso eu fazer, vocês têm ambas a mesma cara. Se não soubesse a verdade, diria que eras a Tae a tentar pregar-nos alguma partida...
– Não te preocupes, o jantar vai já para a mesa, só mais alguns minutos...
Os outros estavam já sentados quando Sano se lhes juntou
– Só não se esqueçam de não contar nada à Jou-chan...
– Não me contar o quê? - perguntou uma voz curiosa da porta. Kaoru entrara seguida de Megumi.
Sanosuke gelara no seu lugar. Tentando recompor o seu ar de "free loader" respondeu num tom muito pouco convincente.
- Bem, se não era para contar não era para contar, ne? - Depois acrescentou ao ver a expressão no rosto da instrutora de kendo e imaginando já um bokken a voar de encontro à sua cabeça – Bem, isto é... eu... nós... hmmm... Ouve, Jou-chan, não queremos que te preocupes, bem, na verdade não é nada e...
– Sanosuke!
– Ok...ok, tudo bem... olha, é assim, não te preocupes porque nós ainda não temos certezas nenhumas de nada, mas parece que andam uns homens do Shishio por aí a solta…
– Não ouvi, Sano – ela começara a ficar seriamente preocupada. Se Sanosuke baixara a voz então era porque era grave...
– Parece que...parece que andam...andam uns homens do que resta do grupo do Shishio por aí, à procura de vingança e… (Sanosuke quase suava tanto como o rurouni)
– O QUÊ???
– Bem, isto são informações que nos deu a polícia de Kyoto... Por isso, bem, nós mantemos dois membros do Oniwabangroup de guarda ao quarto dele e temos tido muitíssimo cuidado para não sermos seguidos. A partir de hoje não podemos deixar ninguém indefeso sozinho aqui no Shirobeko... e...
– Estás a querer dizer-me que... que podemos vir a travar nova batalha?
– Kaoru (ela notou o facto de ele não ter utilizado o nickname e isso só podia mesmo afirmar a seriedade da questão) não temos nada como certo. São apenas suspeitas. Mas o que temos de fazer agora é julgar pelo seguro e fazer com que o Kenshin melhore.
- Ele parece piorar... está cheio de febre...
– Quê?? - Sanosuke subiu rapidamente as escadas que levavam para o quarto do seu melhor amigo, deixando na porta da cozinha uma Kaoru cheia de ansiedades e medos. Que mais teriam eles e Kenshin que enfrentar até poder ter um pouco de paz?


******

O sexto dia desde a batalha contra Shishio amanhecera, a Primavera dando passos acanhados e preguiçosos no caminho de se tornar Verão. Uma brisa fresca e suave fazia-se sentir, agitando levemente os ramos das árvores que se estendiam pelos belos caminhos Kyoto. O sol brilhava, suave, fazendo com que as folhas das sakuras brilhassem, alegres, à luz que dele provinha. Algures num restaurante da cidade, havia grande agitação.
Kaoru passara a noite em claro, sem nunca deixar o lado de Kenshin ou largar a sua mão fria. Este, porém, não voltou a mexer-se nem a dizer o que quer que fosse. A sua febre mantinha-se alta, mas não tão alta como estivera e Megumi respirou de alívio. A ferida nas suas costas estava agora em recuperação e pareci estar a sarar correctamente. A do seu lado, todavia, pouco melhorara. Por vezes parava de sangrar, enquanto que, outras, sangrava quase tanto como no primeiro dia. A doutora procurava esconder a sua preocupação dos outros, e por enquanto havia sido bem sucedida. No entanto, ao mesmo tempo que parecia que o samurai reagia aos medicamentos, também entrava em desespero ao vê-lo tão pálido e fraco como antes. Mas o seu coração batia agora mais certo e a sua respiração era mais determinada. Simplesmente parecia não estar ali… E não estava…
A hora do pequeno-almoço chegou, Sae tendo procurado fazer comida suficiente para todos, tendo o cuidado de se lembrar que havia dois free loaders que comiam por trinta!... Kaoru desceu para o pequeno-almoço, mas não antes de se certificar que havia dois membros do Oniwabangroup de guarda na varanda que dava para o quarto de Kenshin. Chegou à cozinha a tempo de ver Sanosuke a tentar inutilmente pegar nos seus pauzinhos de madeira para comer, pois a sua mão direita, firmemente ligada, não lho permitia. Deixou-os cair, praguejando (não seria a primeira vez…).
- Tae, será que não me podes arranjar outros? – pediu com um ar de quem não apreciou a gargalhada que Okina soltara ao observar a sua tentativa infrutífera.
- Já te disse mil vezes, Sanosuke, que o meu nome é Sae. – disse a pequena dona do restaurante com um sorriso amistoso.
- Pois… mas que queres que faça? Vocês têm a mesmíssima cara!...
– Sempre tão perspicaz e subtil, rooster head…
Um par de orelhinhas felpudas de raposa fizera novo “pop” sobre o cabelo negro e liso de Megumi.
– Não me chames isso, sua Raposa!
Kaoru sorriu perante a “cena-habitual-de-pequeno-almoço”. Mas olhando para a mesa, decidiu que não tinha fome. Na verdade ela já não sentia fome há uma série de dias. Tentando passar despercebida, virou-se para sair pela mesma porta por onde entrara.
- E onde pensas que vais, Tanuki? – a voz de Megumi soava a um meigo ralhar, como uma irmã mais velha que ralha ao pequenino brandamente pois não tem coragem de o fazer com seriedade.
Kaoru voltou-se e enfrentou-a. Mas estava muito cansada. Que estranho, ficara cansada de repente. No entanto olho para a médica e sorriu timidamente.
- Vou lá fora um pouco. Estou com necessidade de ar livre. E talvez mais tarde treine um pouco e…
Sanosuke tinha escolhido esse preciso momento para fazer um comentário sobre Megumi a Yahiko, ambos rindo à socapa nas suas costas. Houve um breve momento antes de um sonoro “pof” e a visão dos dois rapazes com enormes marcas de chapadas na cara. A distracção de Megumi não podia ser mais perfeita.
Tenho de me lembrar de agradecer ao Sano de alguma maneira, pensou Kaoru enquanto saía pela porta para se dirigir ao jardim.
Usava o seu kimono amarelo, com pequenas folhas laranja a flutuar nas mangas, na bainha e no lado esquerdo do peito. O seu cabelo negro estava atado, como sempre, num rabo-de-cavalo alto, caindo-lhe sobre as costas, enfeitando-o uma fita laranja que combinava na perfeição com as folhas que embelezavam o seu kimono.
Mas quando chegara ao jardim não avançou. Ficara imobilizada em frente da porta principal, os pensamentos a levá-la para longe dali… Era noite…havia uma brisa suave. Havia pirilampos em redor. Um rio que cantava baixinho. Passos a aproximar-se, uma voz calma. Um abraço…um abraço…um abraço… Aquela sensação de conforto e agonia, um quente respirar no seu pescoço, palavras que magoaram mais que qualquer bofetada. Desaperto, passos e solidão. E depois apenas as lágrimas. E lágrimas que não cessaram durante toda uma noite e um dia. E lágrimas…
Kaoru não sabia, nem adivinhava sequer, mas algures num quarto quente dentro da casa que se encontrava por detrás dela, havia um pequeno rurouni cuja mente percorria também um dia de Maio e cujos olhos deixaram, na sua inconsciência, escapar uma lágrima que nunca ninguém viu.


******

Lá dentro, a cozinha caíra em silêncio no momento em que Megumi se voltara para concluir a conversa com Kaoru e se apercebera que ela já lá não estava. A cabeça da médica logo se encheu de dúvidas e incertezas e o que Sanosuke disse a seguir foi como ouvir os seus próprios pensamentos proferidos por outrem.
- Não sei o que se passa com a Jou-chan, mas ela anda muito estranha… Há imenso tempo que não a oiço rir… que será que se passa com ela?
– Não sei – respondeu Yahiko – Eu penso que ela anda assim desde que o Kenshin voltou naquele estado… Não sai do lado dele durante a noite…
– Que achas, Raposa? – perguntou Sano erguendo o olhar do pequeno Yahiko para Megumi. Esta no entanto não respondeu, limitando-se a ficar onde estava com um ar bastante preocupado. Quando falou parecia simultaneamente zangada e preocupada.
- Ela tem andado a velá-lo de noite?... Mas de dia vai ajudar à reconstrução do Ayoa… Algum de vocês tem visto se ela se alimenta convenientemente?
Sanosuke e Yahiko encolheram os ombros.
Era de prever, pensou Megumi. Quando ela voltar para dentro vou ter uma conversa muito séria com a menina Kaoru. Que irresponsabilidade…sinceramente.
Kaoru voltou passado pouco tempo. Quando ela entrou na cozinha, Megumi agarrou-lhe firmemente nos pulsos e fez com que a instrutora de kenjutsu a olhasse nos olhos. E foi então que perceberam a súbita mudança no seu aspecto: estava muito mais magra do que a Kaoru que se lembravam, tinha fundas olheiras e os olhos azuis safira mostravam-se ligeiramente baços. A sua pele apresentava um tom esbranquiçado e a sua vivacidade tinha-lhe sido completamente arrancada.
- Kaoru… estás bem?
Kaoru olhou para a médica.
– Estou óptima, Megumi. Porquê?
Embora a resposta não pudesse ser mais óbvia à visão de qualquer um, Kaoru não a recebeu de nenhum dos seus amigos…
- Jou-chan… como é que te sentes? Estás com um bocado de mau aspecto.
Sanosuke levantara-se para olhar melhor para ela. Que lhe acontecera? O que a pusera em tal estado? Mal se chegara ao pé dela para olhar bem para ela deu graças aos céus por o ter feito. No preciso momento que ia voltar a abrir a boca para falar, Kaoru cambaleou e caiu suavemente nos seus braços surpresos.
- Não! Outra vez… – Megumi pensara mais alto do que desejava. Não só tinham que fazer Ken-san acordar e melhorar, tinham também de prevenir que Kaoru adoecesse ao vê-lo no estado em que se encontrava e obrigá-la a cuidar de si… As coisas estavam feias, mas mal podia Megumi imaginar que podiam piorar.


******

-Muito bem, Kaoru, penso que percebeste. Ou te cuidas, isto é, comes decentemente, dormes todas as horas necessárias para que estejas em forma, ou não permitirei que te levantes deste futon. E se não cumprires estas regras a risca, não te deixo sequer aproximar do quarto do Ken-san. – Vendo o olhar cabisbaixo e algo culpado de Kaoru, Megumi acrescentou mais meigamente – Ouve, o que achas que o Kenshin diria se visse como tu estás? Ele está doente, está ferido, precisa que tu, mais do que ninguém (o quanto estas palavras custaram a Megumi só ela o pode dizer…) sejas forte, e não que te vás abaixo desta maneira. Foi uma grande irresponsabilidade tua, porque não é só ele que precisa. Todos nós precisamos do teu sorriso…
Megumi só teve tempo de sentir um abraço forte repentino e lágrimas no rosto da mestre assistente do Kamiya Kasshin Ryu…


******
Ao anoitecer do dia seguinte, Kaoru estava no quarto de Kenshin. Ajoelhada ao lado do seu futon, pegava-lhe na mão entre as suas. Esboçou a sombra de um sorriso triste quando percebeu que já não estava gelada. Colocou-lhe uma mão na fronte.
Ainda tem febre… Kenshin…Acorda, nós precisamos de ti, eu preciso de ti. Desde o dia em que te conheci que não sei viver mais sem a tua presença. Tão-pouco o Sanosuke e o Yahiko. Volta para nós, Kenshin, preciso do teu sorriso, do teu “oro”… Volta para nós…Para poder ficar em paz preciso de olhar para esses lindos olhos violeta e saber que estás aqui, perto como o ar que respiro, certo como o amanhã que está para vir… Sempre me protegeste…
Deixa-me proteger-te agora um pouco. Mas volta para nós… Kenshin…
As últimas palavras tinham sido proferidas em voz alta sem que Kaoru desse por isso. Depositando-lhe um beijo na fronte quis levantar-se para sair. Mas qual não fora a sua surpresa que a sua mão estava agarrada firmemente por outra pertencente a um ruivo muito pálido que estava deitado a seu lado.
- Kenshin… - a sua voz era pouco mais que um sopro…
- Kaoru… Kaoru-donno… - a voz dele era também muito fraca, mas ela teve a certeza de que ele não estava a delirar. Ainda em choque Kaoru apercebeu-se de um ligeiro contrair e, fazendo com que os seus se enchessem de lágrimas de alegria, Kenshin abrira os olhos.
Violeta e Safira contemplaram-se um momento, sem palavras para descrever a beleza, alegria e tudo o mais íntegro naquele momento belíssimo em que a luz do luar se reflectia em ambas os olhos, no entanto não brilhando nem iluminando tanto quanto o carinho que alumiava as suas almas mutuamente. Kenshin proferiu mais um “Kaoru-donno” antes de o seu corpo se render ao cansaço e exaustão e voltar a mergulhar em trevas. Kaoru, rejubilando de alegria, não pode conter o sorriso mais lindo que alguma vez esboçara, enquanto enxugava as lágrimas de júbilo que lhe cobriam as faces ainda pálidas. Ele chamou-me! E ele abriu os olhos e olhou para mim! Ele abriu os olhos… Ele está a ficar bom, sei-o no meu coração…
Depositando um outro beijo na testa do samurai (este muito mais esperançoso e alegre), levantara-se para sair, quando Sanosuke entrou no quarto de Kenshin de rompante.
- Sanosuke, ele abriu os olhos e falou, disse o meu nome! Ele está a melhorar, ele… - Kaoru interrompeu-se ao ver o olhar do ex-gangster – Que se passa?...Sano?
- Jou-chan, é melhor vires comigo lá abaixo. Está aqui o chefe da polícia e… - Sanosuke estava branco. Olhando uns segundos para Kenshin que permanecia agora deitado e respirando brandamente, sendo que a sua febre tinha baixado miraculosamente - …e… e as notícias não são boas…
Kaoru seguiu Sano para fora do quarto e desceu atrás dele as escadas que levavam ao rés-do-chão. Nenhum dos dois reparou que no quarto que tinham deixado havia um rurouni desacordado que, no entanto, algures nas trevas onde se encontrava, repetia algo como “Kaoru-donno”, “pirilampos”, “perdoa-me”


(peço desculpa se houver erros de ortografia ou gramática mas eles as vezes escapam Razz)

Spoiler

honto arigato, sandrita <3 chrno *.*
#7
Mim vai ter de esperar pela continuação do que já leio no outro fórum... Eheheheh =)


"Paralelismos", an HP's fanfiction - Capítulo 7 (30.Março.2009)
#8
Estou a adororar!!! Surprised.o: Surprised.o: Capítulo grande como eu gosto!! Razz

Já o disse uma vez, mas repito: adoro a forma como escreves!!! Enquanto leio sinto-me como se estivesse a viver tudo aquilo e isso só me acontece quando realmente me envolvo numa história.

Adorei aquelas pitorescas cenas do pequeno-almoço, tão características das personagens. Razz Demonstram que pouco a pouco as coisas vão voltando ao normal... apesar disso, soubeste mt bem mostrar a preocupação que todos sentem em relação ao kenshin, sobretudo a Kaoru. As tuas palavras mostraram que as 2 almas são uma só e que ela sofre qd ele sofre.

Agora acabaste na melhor parte!! Surprised Fiquei supercuriosa, pq algo de errado parece estar a passar-se e eu quero saber o q é!! scratch

Mts parabéns, esta é mais uma fic q vou passar a seguir!!! Fico à espera de mais!!! Smile
Tenho andado bastante ausente... e vou continuar infelizmente Durante a semana torna-se muito complicado... por isso venho cá sobretudo ao fim-de-semana Vou ter saudades
#9
Capítulo IV – Revelação

No hall de entrada podiam-se ouvir os passos de Kaoru e Sanosuke a descer as escadas. A porta jazia entreaberta e dois homens fardados encontravam-se entre Megumi, Okina, Sae, Yahiko e Misao, todos eles com um ar muito sério estampado nos rostos. Um dos polícias, um rapaz na casa dos 30 com cabelo castanho claro e olhos verdes, pouco mais alto que Megumi, tomou a palavra olhando em direcção a Kaoru. Sanosuke tinha um braço sobre os ombros dela num abraço fraternal de um irmão mais velho que deseja poupar a pequena irmã aos desafios e horrores da vida.
- Boa noite. O meu nome é Tsunen Komagata. Sou oficial da polícia local. Recebemos a informação de que os apoiantes que restam do grupo de Makoto Shishio têm andado muito agitados desde a sua derrota. Muitos foram presos, mas ainda assim alguns escapam ainda ao nosso poder de os aprisionar. Entretanto, soubemos que esses mesmos homens pretendem colocar em acção um plano de ataque ao senhor Himura. Quando tivemos conhecimento que ele se encontrava aqui decidimos vir avisá-los imediatamente.
Kaoru tapou a boca com as mãos e olhou para Sanosuke que mantinha o seu ar esbranquiçado e preocupado. Megumi, Yahiko e Misao apresentavam também um ar desassossegado e ansioso. Okina estava também extremamente apreensivo, mas inexplicavelmente, além de um aspecto saturado, franzia o cenho com uma certa descrença espalhada no velho rosto. No entanto não falou nem se expressou de qualquer forma. Sanosuke fixou um momento o olhar no velho ninja, tendo depois voltado o mesmo para questionar o jovem oficial.
- E como soube de tal, senhor Komagata? – embora não fosse sua intenção (pelo menos não conscientemente), o tom de Sano era um pouco acusador.
Tsunen olhou um momento para o lutador de rua. Demorou um pouco a responder, mas não antes do seu olhar percorrer todos os olhares que incidiam sobre ele, numa expectativa súbita.
- Bem… – começou – Foi ontem à tarde…

O gabinete da polícia local de Kyoto estava em grande azáfama. Não só havia centenas de homens sob prisão por envolvimento com Makoto Shishio, como também tinham de lidar com as recentes destruições causadas pelo Jupongatana e com o anúncio da morte do próprio Shishio. Havia papelada em alvoroço e polícias e oficiais de polícia a andar incessantemente de um lado para o outro sem saber bem por onde começar. Num gabinete envolvido em penumbra, no qual se encontravam um rapaz de cabelos claros e olhos verdes acompanhado por um outro, pouco mais novo, de cabelo escuro e olhos pequenos, ambos sentados a uma secretária observando mapas, cartas e falando em voz baixa, ouviu-se um súbito abrir da porta que levava ao corredor da repartição. Os dois homens ergueram o olhar para encontrar um rapaz novo, de olhos castanhos, as roupas um tanto maltratadas e que tinha uma certa beleza natural, como que em bruto. Era bastante mais baixo que os dois polícias. Calçava umas sandálias de guitas sobre um par de meias brancas (ou talvez o tivessem sido pois agora estavam cobertas do pó levantado pelo caminhar nas estradas de terra batida). O cabelo negro e curto era liso e brilhante. Não podia ter mais de 18 anos.
- Boa tarde…que?... – começara o polícia de olhos pequeninos.
- Boa tarde – respondeu o rapaz, os olhos fechados num sorriso que tentava parecer alegre, todavia inexpressivo (tentativa infrutífera se se deparasse com alguém de maior tacto, mas para o polícia e oficial de olhos velados que se lhe defrontavam de nada disto se aperceberiam. Na verdade nem o pequeno sorriso notaram, os olhos fixos no aspecto andrajoso das roupas do jovem) – gostaria de dar umas informações úteis à polícia.
Sem esperar que os dois homens falassem ou exprimissem o que quer que fosse, o pequeno rapaz fechou a porta por onde acabara de entrar e sentou-se numa cadeira vaga.
- Como entrou aqui? – perguntou o homem de maior porte e olhos verde-amarelados.
- Não creio que lhe vá responder a essa pergunta, senhor, primeiro porque não disponho de tempo e depois porque mesmo que lhe contasse não acreditaria.
Os olhos do oficial arregalaram-se de espanto com tal resposta. Todavia o moço não parou o seu discurso.
- Embora possam pensar que tudo está resolvido agora que o senhor Shishio morreu, e pensem que a resolução se resume a aprisionar os seus seguidores de livre vontade, receio que não seja tão simples assim. Embora os dez principais e representantes do
Jupongatana estejam derrotados, é importante que não se esqueçam que Makoto Shishio tem apoiantes por todo o Japão, não só aqui em Kyoto. E que são milhares. Muitos vão dispersar agora que o seu senhor está destruído, mas os subordinados do senhor Shishio são extremamente variados… Uns desejavam matá-lo…Outros adorá-lo eternamente… Outros viam-no como a única chance de família que alguma vez tiveram, outros como uma oportunidade de glória e poder para os seus próprios fins… Mas todos tinham algo que os unia a Shishio e um propósito. Uns morreram, outros desapareceram misteriosamente e outros converteram-se. Mas é com os discípulos desconhecidos e que se escondem nas trevas que devem tomar mais cuidado. Vai haver um ou mais ataques. Não se sabe quando nem onde, se daqui a dois dias ou dois meses. Mas eles não descansarão enquanto não virem o causador da sua desgraça morto…
A esta altura, o pequeno polícia estava boquiaberto com as palavras do jovem, olhando cheio de espanto para o rosto infantil e revelando ferimentos do que falava. O oficial olhava-o com um olhar frio e duro, completamente inexpressivo.
O rapaz, percebendo esse olhar, virou o seu para o polícia gordinho de olhos pequenos que o contemplava bebendo cada palavra.
- Lembrem-se… cuidado com aqueles que se escondem nas trevas.
Levantando-se da cadeira dirigiu-se para a porta, e voltou a falar quando se encontrava com uma mão no cepilho.
- E… embora eu não saiba ainda o que o futuro reserva, embora eu não saiba o que é a Verdade ou o que é o Bem ou o Mal… só peço que ajudem o senhor Himura. Não posso revelar o meu nome, nem as causas que me levam a fazer este aviso, mas tinha de o fazer. E a minha dívida não está paga ainda. Não tentem encontrar-me, não o conseguirão. Pois de agora em diante sou apenas mais um errante.
Um sorriso de criança espelhou-se no rosto do jovem rapaz, que virou costas a ambos os polícias. Abrindo a porta alguns centímetros, acrescentou, de costas viradas para eles.
- E Komagata… – os olhos frívolos do homem faiscaram – pense bem o que vai fazer.
E sem mais palavra deixou a sala, no mesmo silêncio e penumbra em que a encontrara.


– Receberam então a informação de uma rapazinho que fez esse aviso na estação de polícia, hã? – concluiu Sanosuke no fim do relato pouco pormenorizado que o oficial Komagata acabara de fazer para justificar o seu conhecimento dos factos.
- Sim, mas ele recusou-se a declarar o porquê das afirmações ou dizer o seu nome.
- Estranho, de facto…
A mente de Sanosuke trabalhava por tentar fazer alguma ligação com as poucas informações que Komagata e o seu ajudante lhes haviam dado. Todos olhavam o jovem oficial com assentimento no olhar, como quem se convencera. Okina, embora continuasse sem se manifestar, já não franzia o sobrolho, limitando-se a olhar Komagata com uma expressão apagada.
Kaoru tinha o rosto perplexo com admiração e preocupação. Deixara-se cair suavemente ficando sentada encostada contra a parede, os olhos vacilando ligeiramente a cada sinal do perigo em que Kenshin e a sua pequena e querida “família” se encontravam. Falou finalmente com voz trémula.
- Se ao menos soubéssemos se esse rapaz era uma fonte fidedigna… Não podemos ter certezas do que ele sabe sobre o assunto, nem sabemos o seu nome. Aliás, é extremamente estranho, alguém fazer uma denúncia de tal calibre e limitar-se a sorrir…
A sorrir… limitar-se a sorrir… Ausência de expressão, sorriso infantil, rapaz jovem… A mente de Sanosuke parecia juntar as partes do puzzle que se lhes defrontava a grande velocidade, e quando se fez luz no seu pensamento, não pôde evitar um murmúrio bastante audível no hall silencioso.
- Soujirou… Soujirou Seta…
Todos os que se encontravam no hall olhavam para Sanosuke, interrogativos e confusos, após ele ter murmurado estas palavras, ele próprio com uma descrença incrível estampada no rosto ainda marcado dos ferimentos da luta contra Shishio. Okina era o único que não havia desviado o olhar de Tsunen Komagata, tendo sido, portanto, o único que reparou num súbito faiscar ambarino nos olhos verdes amarelados do jovem oficial, que desaparecera no segundo seguinte, sendo substituído pelo vulgaríssimo olhar indiferente. No entanto, o velho ninja guardou o silêncio sepulcral em que estava desde a história relatada por ele. Kaoru foi a primeira a falar a Sanosuke, que olhava para lugar nenhum em especial, absorto nos seus próprios pensamentos.
- Sanosuke...o nome não traz nenhuns "sininhos". Não diz nada a nenhum de nós...
- Sim, é verdade, desembucha, rooster head.
- Não me chames isso, raposa.
- Olhem, não é altura para se porem com isso. - ripostou Kaoru. Megumi, que abrira a boca para replicar, vendo que ela se encontrava novamente à beira das lágrimas, voltou a fechá-la e não disse mais nada - Sanosuke, por favor...explica-nos.
-Bem... - começou o lutador de rua - Quando eu e o Kenshin deixámos a sala em que ele lutou com o Aoshi Shinomori, tivemos de passar por uma sala em que se encontrava Soujirou Seta, the Tenken. Ele era muito, muito novo, era um perfeito rapazinho aos nossos olhos, mas era o mais forte do Juppongatana. Não sei explicar-vos muito bem a sua personalidade, mas só estando perante ele se percebe. Era estranho, ele sorria perante o perigo, na verdade só parou de sorrir depois da forte guerra psicológica que o Kenshin o fez travar para o conseguir deter...eu diria que o choque emocional com que ficou lhe foi mais terrível que o Amakekeru Ryu No Hirameki. Ele era cem por cento leal a Makoto Shishio, na verdade ele via-o como a família que ele perdera... (Que ELE matara, pensou Sanosuke, no entanto nada disse sobre tal). Só uma lei o guiava na sua vida...E era um talento nato com a sua espada e a sua técnica do Shukuchi...Quando eu pensava que ninguém poderia ser mais rápido que o Kenshin, aí vi que me havia enganado redondamente. O miúdo desaparecia literalmente do nosso campo de visão. Foi ele que atingiu o Kenshin nas costas - Kaoru tapou a boca com as mãos para sufocar uma respiração agressiva e ruidosa - Jou-chan, tu sabes que nunca vimos ninguém acertar o Kenshin nas costas muito menos apanhá-lo desprevenido. Nem o Saitou... - calou-se um momento, tenso, e continuou como se nada fosse - Seja como for, ele era um miúdo estranho. Acredito que esteja dentro dos planos do Juppongatana e dos seguidores de Makoto Shishio. Estranho muito sinceramente o aviso, mas a verdade é que ele ficou a dever muita coisa ao Kenshin...
O hall caiu de novo em silêncio. Yahiko que estava espantado a olhar para Sano, falou na sua inocência simples.
- Mas então, se ele realmente devia o facto de viver e procurar respostas para si ao Kenshin, talvez quisesse demonstrar a sua gratidão.
- Sim... – apoiou Misao.
– Sabes, Sano, acho que pode muito bem ser isso... - Kaoru rendeu-se às evidências.
- Bem, se não se importam vamos andando - o oficial sorriu (um tanto mesquinho) para os presentes, fazendo um leve sinal ao seu acompanhante de olhos pequeninos - Temos muito trabalho para fazer com toda esta história de Makoto Shishio.
- Adeus e obrigada - disse Kaoru.
O oficial e o polícia saíram, deixando um burburinho no hall, enquanto Okina permanecia nos seus próprios pensamentos. Não lhe saía da ideia o brilho ambarino nos olhos de Komagata, fosse ou não imaginação sua...

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honto arigato, sandrita <3 chrno *.*
#10
A história está cada vez mais misteriosa, envolvente e interessante Surprised.o:

Kaoru-chan adorei tudo até ao mais pequeno pormenor e este capítulo deixou-me bastante curiosa... sobretudo a parte final...

Fico à espera de mais!! Wink
Tenho andado bastante ausente... e vou continuar infelizmente Durante a semana torna-se muito complicado... por isso venho cá sobretudo ao fim-de-semana Vou ter saudades
#11
finalment tiv temo pra ler esta fantastica fic!
amei mesmo.
poss dizer k escreves mt bm, mas talvez devesses fazer mais parágrafos.
mas gostei mt Surprised.o:
#12
Oh, muito obrigada arika ^^:vergonha:
Sim, eu as vezes sou um bocado extensiva...Razz preciso de fazer um esforço enorme para não me alongar quando tenho muito para dizer... percebo o que queres dizer...
bem estes capítulos eu já fiz há muito tempo mesmo, tou a ler outra vez para a poder continuar...detectei muitos erros mas decidi que não os mudaria, foi feito foi feito Smile
Obrigadaaa Embaracoso

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honto arigato, sandrita <3 chrno *.*
#13
amo *.* adoro *.* está perfeita a história parabéns

http://yunime.ativoforum.com/
Aparece e diverte-te ^^
Novas novidades irão aparecer fica atento :) 
#14
Embarassed Embarassed muito obrigada, zirateb

Spoiler

honto arigato, sandrita <3 chrno *.*
#15
Capítulo V - O Despertar das Recordações

Passavam agora 7 dias desde a batalha, e as reparações no Aoya progrediam visivelmente, com toda a ajuda prestada pelos membros do Oniwabangroup e pelo grupo de Tokyo. Exteriormente nada indicara que dois membros da polícia local de Kyoto haviam estado no Shirobeko e sido arautos da desgraça que provavelmente se avizinhava; mas podiam ver-se a preocupação e o pânico crescentes nos olhos de cada um. E Kenshin não acordara.

Era manhã, e, em contraste com o silêncio que reinava pouco antes do raiar da alvorada, podiam-se ouvir vários sons no Shirobeko, desde pequenas gargalhadas, a vozes exaltadas nas provocações habituais, e passos apressados a descer e subir os patamares de escadas. Kaoru permanecia deitada no seu futon a ouvir estes sons que, não obstante as circunstâncias algo dramáticas, a faziam sorrir no seu leito, fazendo-a cada vez mais sentir-se em casa, e mostrando-lhe que as coisas estavam a voltar ao seu ritmo normal. Era verdade que a preocupação e o medo sobrevoavam o restaurante e o Aoya em reconstrução, mas era igualmente verdade que Yahiko era apenas uma criança (Misao e Sanosuke pouco lhe ficavam atrás, pensou em tom de brincadeira) e que o melhor que fariam era continuar a sorrir e esperar pelo melhor. Talvez devesse seguir o seu exemplo e sair para fora do seu quarto, ajudar Sae a preparar o pequeno-almoço e manter Yahiko, Sano e Misao na linha. Fazendo os possíveis para que a vontade de sorrir se mantivesse, levantou-se para vestir o seu gi branco e hakamas azuis. Depois, desceu com o melhor sorriso que conseguira arranjar para se juntar ao grupo barulhento que se reunira para o pequeno-almoço.

Yahiko e Sanosuke estavam a encher as caras de comida, perante o olhar reprovador de Megumi. Misao falava animadamente com Omasu e Okon. Todos os outros se encontravam a comer, por vezes falando, embora nunca fazendo tanto espalhafato como o Kenshin-gumi. Okina tinha saído antes que qualquer deles se houvesse levantado e, como sempre, Aoshi Shinomori não aparecera para tomar qualquer refeição. Sae sorria perante a cena animada que se lhe deparava. Nunca conheceram tanta gente alegre, mesmo perante os acontecimentos, pessoas sem o mais leve sinal de egoísmo e cheios de amor e carinho, não só uns pelos outros como também para com todos.

- Ei, raposa, passa-me a sopa de misou – era de admirar como Sanosuke conseguia falar perceptivelmente com toda a comida que lhe atafulhava a boca…

- Não me chames raposa, rooster head! – replicou, indignada, Megumi.

- Não sou um rooster! Vá lá, Megumi.

Megumi passou-lhe relutantemente a sopa de miso, sem conter um dos seus comentários.

- Admira-me como é que vocês ainda não rebentaram. Tu e o Yahiko comem por cinquenta!

- Isso não é verdade… – disseram Sano e Yahiko em uníssono.

- Sabes o que é, Megumi – continuou o pequeno – é que nós temos de aproveitar agora, porque a comida da Kaoru é intragável…

POF! Do nada surgiu um bokken muito certeiro que atingiu o topo da cabeça do Yahiko.

- Ei, busu! Para que foi isso?!

- Ora, Yahiko-chan. É para aprenderes a não dizer mal da minha comida!... – Kaoru sentou-se alegremente ao lado de Misao e o resto do pequeno-almoço decorreu sem grandes divergências, exceptuando uns ocasionais busu, raposa, rooster e doninha.

Megumi abriu o soji, entrando de seguida. Embora se mantivesse na ideia positiva das melhoras, não pôde deixar de notar que o seu coração não esperava mais do que entrar no quarto do Ken-san e encontrá-lo exactamente como na noite anterior. Sorriu para um dos membros masculinos do Oniwabangroup que ficara de guarda durante a noite, fazendo-lhe sinal de que podia sair. Este respondeu com um sorriso cortês e saiu do quarto. Megumi olhou para Kenshin, um desapontamento crescendo-lhe no peito. Continuava tão pálido… Mas devia estar agora perto de acordar. Estava simplesmente demasiado fragilizado. Estava também sob um estado de desidratação que se agravaria se se mantivesse neste estado muito mais tempo. Megumi fazia-o, no entanto, “beber” à força tanta água quanto possível. Elevai ficar bom, pensou a médica para consigo, Ele é forte e vai resistir. E foi com estes pensamentos que Megumi seguiu para renovar as ligaduras do pequeno rurouni ruivo.

Lá fora, Kaoru e Yahiko aproveitavam a manhã para a sua sessão de treino. A mestre ajudante do estilo Kamiya Kasshin olhava para o seu aluno com um orgulho desmesurado. Ele está realmente a crescer, tanto em estatura, como em conhecimento e habilidade. A maneira como lutou com aquele Henya foi, de longe, a prova disso. Ainda estou por descobrir como foi que aprendeu a técnica preferida do Kenshin, o Ryu Tsui Sen apenas por ver o Kenshin fazê-lo! Subitamente os seus pensamentos subiram para o primeiro andar onde o pequeno rurouni estava desacordado. Kenshin…

Nesse momento, uma shinai colidiu dolorosamente com o seu ombro esquerdo.

- Auch! - fez Kaoru, largando o seu bokken e levando a mão direita à região dolorida.

- Hei, Kaoru, toma atenção, onde tens a cabeça? – Yahiko olhou para aquela que considerava a sua irmã mais velha muito amada – Estás bem?

- Sim, só me distraí um pouco. Olha, vamos fazer uma pausa, está bem?

Yahiko acenou afirmativamente com a cabeça. Ele sabia exactamente onde Kaoru iria e vendo o brilho triste da safira nos olhos dela, não se negou permitir-lhe subir ao primeiro andar para ir ter com Kenshin. Afastou-se, entrando pela porta que levava à cozinha, enquanto Kaoru, ainda massajando o ombro se dirigiu para a porta que levava à casa anexa ao Shirobeko, mas parou de súbito quando o seu olhar poisou sobre uma figura acabrunhada sob o galilé. Misao tinha um olhar triste, muito contrastado com a alegria que demonstrava sempre. Kaoru fez menção de aproximar-se dela e pôr-lhe um braço em volta dos ombros e conforta-la. Mas nesse momento o soji abriu-se e, sob um gi azul suave e hakamas brancos, saiu um homem alto, belo e inexpressivo, os cabelos negros tapando-lhe ligeiramente os olhos verde-azulados e apresentando marcas de ferimentos recentes ainda em recuperação. Tinha um ar bastante pálido ainda, e uma marca diagonal no peito. Kaoru voltou-se rapidamente para tomar o seu rumo inicial, entrando e subindo para o quarto de Kenshin. O melhor que deixasse o assunto de Aoshi Shinomori com Misao, que o conhecia e amava como ninguém.

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#16
Aoshi Shinomori levantou-se, ainda meio aturdido. Sentia-se bastante cansado e quase fraco, o que para ele era dizer muito. Não fazia ideia de quanto tempo havia estado deitado naquele futon; na verdade havia muito pouco de que se realizara desde há cerca de sete dias… Lembrara-se claro, de imediato, da batalha contra Makoto Shishio e essa recordação ardia-lhe na alma como algo corrosivo. O Battousai estendido no chão como morto, o sangue a jorrar, o seu próprio sangue que lhe brilhava nas mãos e no rosto, uma espada trespassada pelo peito de uma mulher sem rumo, um louco com um relógio de bolso, um lutador de rua cuja amizade atravessaria qualquer barreira, um oficial de polícia que virou as costas às portas da segurança, um okashira confuso mas lúcido a lutar por tempo, um edifício em chamas… Não… Aquelas recordações não passariam facilmente. Podiam deixar, talvez de ser tão profundas, um dia, mas nunca esquecidas. Aoshi passou a mão pelo rosto pálido, como que afastando os pensamentos amargos. Ele perdera de facto contra o Battousai. Mas será que perdera realmente? Não de todo, pensou, na verdade posso ter perdido o duelo, mas… Aoshi olhou para a janela do quarto, onde o sol já ia alto. Meio-dia, talvez? O que ganhei valerá sempre o que perdi.

Na noite em que Sanosuke e Aoshi haviam chegado ao Aoya, Aoshi não sobe dizer como conseguira seguir caminho até ao local, tão confusa que estava a sua alma. E quando os amigos, ao longe, começaram a correr ao seu encontro, perante o rosto manchado pelas lágrimas de Misao e pelo olhar piedoso de Okina, e pelo ar repleto de respeito dos membros do Oniwabangroup, Aoshi não pôde conter um sorriso no seu coração. No exterior era o Aoshi de sempre, o rosto completamente inexpressivo, o olhar gélido, todavia não cruel, a pose altiva e simples… Mas Aoshi era agora uma pessoa totalmente diferente.

Estivera muitas horas fechado com Okina: isto, claro, antes da Misao interromper, com os olhos tristes poisados nele, declarando que ele precisava de ser tratado. A esta declaração, Okina respondeu suavemente que para que o corpo sarasse era necessário que a mente para tal estivesse preparada. Misao não insistiu. Aoshi não olhou para ela um único segundo. Mais do que vergonha, era ignomínia. Como pudera ele agir de tal forma com ela? Como pudera sequer pensar não se importar minimamente com a pequena menina que deixara adormecida numa cama havia dez anos para a proteger? Não tinha coragem de olhá-la nos olhos. E sabia que ela não era mais a criança que costumava saltar-lhe alegremente para o colo, mesmo quando quase sempre ele a ignorava, nem era mais a menina que deixara à guarda do antigo okashira. Não… era uma mulher de orgulho, força e energia. A personalidade de sempre. Misao…

Aoshi sentia ainda o peito fraquejando ligeiramente a respirações mais profundas, e notou que o Amakekeru Ryu No Hirameki tinha deixado uma marca suave, que desapareceria com o tempo…na pele. Por debaixo do resguardo da janela (cuja luz era suficiente para lhe fazer doer a cabeça) estavam as suas duas kodashis de novo embainhadas num único debrum. Levantando-se da posição sentada em que se encontrava no futon e vestiu um gi de uma azul suave e hakamas brancos. Estranho, de facto, contrastando com o seu usual gi negro, calças justas e casaco ocidental. Muito, muito sumidamente, quase como uma brisa indetectável, que passaria completamente despercebido a quaisquer uns cujos sentidos não estivessem direccionados para o ki, Aoshi esboçou a sombra de um sorriso.

Saiu então, abrindo a porta do soji que dava para o corredor e dirigindo-se para a galilé exterior, onde, antes que os seus olhos vissem, já os seus sentidos (se não o seu coração) lhe tinham dito, estava uma pequena ninja acabrunhada tristemente a olhar para a paisagem de Kyoto.

Passou por ela sem sequer se manifestar ou olhar para ela. Sabia que ela estava a olhar para ele. Viu a rapariga de Tokyo, Kamiya, afastar-se e entrar pelo soji que levava ao quarto do Battousai.

- Aoshi-sama? – foi a pergunta receosa e cheia de preocupação que lhe foi dirigida e que não teve resposta. Pelo menos não imediata – … Aosh...

- Misao. – o seu tom era frio, inexoravelmente, mas no entanto, para Misao, que o conhecia e amava como mais ninguém poderia, pôde ver, com alegria, o que isto significava: preocupação, diferença e até perdão. Na alma de Aoshi, todavia, havia uma grande conturbação. Foste brilhante na batalha contra o Juppongatana, foste muito corajosa em todos os teus empreendimentos, perdoa-me por te ter desapontado… tive saudades tuas. Era o que o seu coração dizia. Na sua expressão fria concluiu – Olá, Misao…

E sem mais palavra ou hesitação partiu para a cozinha, para comer algo, deixando uma Misao a beira das lágrimas de alegria.

Cresceste tanto…



******



Quando vira aproximar-se o antigo okashira do Oniwabangroup, Kaoru Kamiya arrepiou o caminho que começara a traçar até Misao, voltando-se para a porta que a levaria ao corredor dos quartos, onde, no primeiro andar, estava um pequeno rurouni que lhe preenchia os pensamentos e o coração. Eles ficam bem,pensou a mestre adjunta do estilo Kamiya Kasshin. Afinal…não há ninguém que conheça melhor Aoshi Shinomori do que a Misao-chan. Com estes pensamentos, Kaoru entrou, deixando lá fora o homem alto e belo virado de costas para a menina acabrunhada e com um misto de sentimentos sob o alpendre do exterior do Shirobeko.

Subindo as escadas emadeiradas, o seu coração estava repleto de muitos sentimentos. E tanta angústia e felicidade mútuas… tanto medo e tanta ansiedade misturados com o bem-estar de ter todos os que se ama por perto… E a tristeza de ver aquele a quem o seu coração pertencia deitado num futon, muito longe de falar ou ouvir, de lhe sorrir… Kaoru sabia, nas profundezas da sua alma, que algo não estava bem… passavam já sete dias desde a batalha contra Makoto Shishio, e Kenshin parecia piorar. A febre insistia e persistia e o pequeno samurai estava enclausurado num delírio que o angustiava. No dia anterior, Megumi, Sanosuke e Okina haviam-no encontrado numa posição meio sentada, tentando arrancar as ligaduras, ora murmurando, ora gritando coisas sem sentido (ou pelo menos não para os que os ouviam. Quando conseguiram voltar a deitá-lo e a refazer os ligamentos que quebrara (e que haviam feito fluir sangue das feridas abertas), mais devido ao estado de fraqueza e fragilidade de Kenshin do que por outra razão, Kaoru entrara e pegara na mão de Kenshin, e murmurara-lhe palavras brandas e muito doces, fazendo com que deixasse de se debater loucamente. Agora o seu quarto estava em silêncio. Megumi estava, muito provavelmente, com ele. Delicadamente, Kaoru empurrou a porta do soji e entrou no quarto, o mais silenciosamente possível. Megumi preparava alguns medicamentos, sentada ao lado do futon em que Kenshin se encontrava, tão imóvel como na noite em que voltara. Megumi olhou para a rapariga e sorriu-lhe. Kaoru retribuiu um sorriso triste e sentou-se a seu lado. Olhou então para ele. Tão pálido ainda… mas ainda…mas ainda… Mas ainda assim ela sabia, que embora houvesse algo errado, ele estava a melhorar. Tinha de estar. Pegou-lhe mais uma vez na mão… Tão fria, tão marcada pela guerra e pela espada, mas tão adorável e tão bela…

- A febre não baixou ainda, pois não, Megumi-san?

- Não, Kaoru… – a médica exibia um olhar grave e um pouco preocupado – tem estado em delírio desde hoje de manhã… Mas… (o que estas palavras custaram a Megumi…mas era a verdade e não era altura para qualquer tipo de inveja ou criancice) se ficares e se lhe falares como ontem, ele acalmará. Talvez até melhore. – os olhos de Kaoru brilharam ao som de tais palavras, tendo depois assentido com a cabeça.

- É o que farei, Megumi.

Megumi olhou para Kaoru. Nunca lhe daria o prazer de ouvir estes seus pensamentos, o seu feitio de Fox Lady nunca lho permitiria! Mas Megumi olhava para Kaoru com um misto de espanto e orgulho. Era verdade que esperara que a rapariga se fosse completamente abaixo com todos os acontecimentos. Estava espantadíssima com o facto de quão forte ela se mantivera, o quão matura ela se tornara desde aquele dia que deixara Tokyo para seguir Kenshin até Kyoto, e como se aguentara a todas estas conturbações e preocupações que se haviam desenvolvido em torno de Kenshin, acrescentando-se ao seu trágico estado de saúde. Ela tinha crescido, dado mais um passo para se tornar em algo que Megumi considerava digno de uma mulher e digno da sua admiração. Era verdade, que embora sempre tivesse uma certa inveja e comportamento irritante quando a rapariga se encontrava perto, Megumi gostava muito dela… tornara-se a irmã que nunca tivera e parte da família que perdera. Ao ouvir Kaoru murmurar palavras brandas a Kenshin, que tremia ligeiramente, debatendo-se contra o delírio que o aprisionava, também a médica se sentira mais calma. Talvez não intencionalmente, talvez para ter simplesmente algo para falar, Kaoru falava agora do dia em que conhecera Kenshin. E Megumi, no seu labor medicinal, ouvia atentamente.

- …e acordar com um cheirinho de sopa de miso. Quando me levantei lá estavas tu, lá fora, com a Ayame e a Suzume, que pensavas serem minhas irmãzinhas… elas puseram-te os legumes inteiros na sopa e tinham um ar muito divertido e autoritariamente engraçado – Kaoru esboçou um sorriso e Megumi não pôde conter o seu – E depois abraçaram-te e chamaram-te amigo…

Megumi riu tão espontaneamente como há muito o não fazia… E riu, perante a imagem de Ayame e Suzume a servir a Kaoru bolas de arroz com formas “ridículas” de roedores, os olhos constituídos por legumes.

- Quase não tive coragem de os comer… tinham um ar tão fofo e tão querido! Claro, estavam muito melhores do que qualquer bola de arroz que eu alguma vez fizera. Mas tu nunca me julgaste por isso… a partir desse dia… a partir desse dia… foi como se uma nova vida fluísse em mim – o sorriso de Kaoru era tão genuíno que contagiava. Megumi tentava manter o seu ar formal que tentava construir quando estava perto dela, mas esquecendo-se de tal, falou despreocupadamente.

- Consigo imaginar a cena… quem me dera ter lá estado!...

E subitamente, o coração de Megumi Takani entristeceu-se. Ela não estivera lá. Ela não conhecera Ken-san nos seus primeiros dias em Tokyo. Ela não estivera ao seu lado nos seus tempos de à-vontade e alegria, não tinha com ele qualquer relação em que ele se sentisse meramente bem para ser pateta com ela, como era com os outros, como lhes mostrava o seu rurouni grin. Não… os seus primeiros momentos com Ken-san tinham sido muito mais tristes, até sombrios e atormentados. E ela não era como Kaoru, não estava cheia daquela energia e capacidade de ser versátil que a rapariga detinha, muito menos a inocência da qual estava repleta, a qual Kenshin adorava e protegia, a qual Megumi perdera havia tanto tempo atrás… Não… ainda que Megumi houvesse conhecido Ken-san primeiro, nada iria mudar. E era Kaoru. Sempre Kaoru. Agora que Kenshin começara a recuperar da batalha, os seus momentos a sós com ele acabariam e ele passaria a ser de Kaoru e apenas Kaoru. Sempre Kaoru. Não te armes em bebé, Megumi Takani. Já sabes que assim é há tanto tempo! Agradece por teres amigos tão maravilhosos que conheceste através de Ken-san e sente-te honrada por fazeres parte da grande família por eles formada. Megumi não evitou um sorriso ao pensar.

- Megumi?

- Hm? Oh, nada, nada, Kaoru. Simplesmente não me sai da ideia o mais forte e conhecido samurai do Japão de todos os tempos a fazer bolas de arroz com forma de roedores e lavar a roupa com um sorriso de orelha a orelha.

Kaoru riu a estas palavras, e Megumi não pôde evitar pensar o como o seu riso era suave e cristalino, como água a correr numa fonte pura.

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#17
De súbito, um som inesperado, embora quase inaudível e completamente indecifrável, proveio do futon onde o rurouni se encontrava deitado. Ele murmurara algo que as duas mulheres não conseguiram entender… Ergueu o braço esquerdo (o direito estava excessivamente magoado para que o pudesse mover) como que vendo coisas distantes. Não podiam saber o que via, mas o que quer que fosse causava-lhe uma angústia que estava para além dos ferimentos ou do cansaço.

Kaoru baixou-lhe o braço, tentando apaziguá-lo.

- Shh, Kenshin, está tudo bem. Está tudo bem, o que…

- São lindos os pirilampos – Kenshin estava a um mundo de distância.

Kaoru quase gelou. Quase.

- Sessha… rurouni… é tempo de voltar a partir…

Megumi olhou para Kaoru. Kenshin revivia, por decerto, o dia em que deixara Tokyo. Kaoru levantou-se simplesmente, com uma expressão perfeitamente ilegível.

- Não há ar suficiente aqui… – e com estas palavras saiu do quarto, deixando Megumi perplexa. A médica, certa de que o pequeno samurai não iria (infelizmente) a lugar nenhum, seguiu-a, encontrando-a a respirar fundo ao cimo das escadas.

- Kaoru-chan…

- Não foi o pior dia da minha vida, Megumi-sensei. Mas esteve muito lá perto. Não o posso deixar ver-me despedaçada… Não quando ele precisa que seja forte por ele.

Kaoru apenas teve tempo de sentir o abraço apertado e inesperado de Megumi.

Nessa tardinha, Megumi tinha voltado ao quarto de Kenshin para lhe mudar as ligaduras. Empurrou o soji calmamente, procurando fazer o mínimo de ruído (embora não soubesse porquê… se não acordara em sete dias com tanta algazarra não acordaria com um simples abrir do soji) e entrou no quarto. A janela estava escancarada e para além dela o vulto de Omasu, na luz do sol poente, que fazia guarda ao quarto de Kenshin nessa altura. Megumi começou a limpar as feridas de Ken-san. Reparou com o seu olho clínico e experiente que as feridas no pescoço de ambos os lados saravam, assim como a horrenda que tinha entre o pescoço e o ombro esquerdo (Megumi não quis sequer pensar o quanto aquilo lhe lembrava marcas de dentes…). Apenas o corte nas costas se mostrava de maior complicação e, para grande infelicidade sua, o lado direito permanecia algo lastimável. Embora não mais em perigo de contágio infeccioso, fazia com que o rurouni perdesse muito sangue… Megumi limpou esta ferida e pôs-lhe uma nova camada de ligaduras firmes.

- Megumi-dono…

A médica deu um salto. Literalmente. Olhou cheia de espanto para o futon de onde viera o som inesperado e tão precioso que Megumi teve dificuldade em estancar as lágrimas repentinas… A doutora teve até uma vontade de se beliscar a si mesma… Não quero estar a sonhar. É verdade…Kami-sama! Ele está mesmo a despertar!...Oh! Faz com que não seja uma ilusão…
Kenshin contorceu ligeiramente o cenho, tendo seguidamente aberto os olhos cor de lavanda. Aquela imagem fez com que Megumi se sentisse mais feliz do que alguma vez se sentira, um misto de alívio e alegria. Os olhos do pequeno rurouni estavam abertos e, embora visivelmente marcado pela fadiga e pela dor (e ainda por alguma febre) livres da neblina do delírio em que estivera aprisionado tanto tempo. Ainda quieto olhou para Megumi e esboçou um sorriso. Ah! Aquele sorriso…


- Bem-vindo de volta, Ken-san!

- Megumi-san… – o rosto de Kenshin esteve calmo durante uma fracção de segundo, e, não obstante a sua mente extremamente entorpecida pelo estonteante retorno ao mundo real e pela dor que sentia fisicamente, alarmou-se de imediato – Megumi-san, o ataque… o Aoya… Juppongatana…

- Shhh, Ken-san. Está tudo bem. O Juppongatana foi vencido, estão todos bem… Quero dizer, o Aoya não está assim tão bem, mas disso o Ken-san não precisa de saber agora, acrescentaram os pensamentos íntimos de Megumi.

Kenshin pareceu respirar de alívio e Megumi conseguiu ver que ao fazê-lo deve ter sentido uma dor lancinante, que tentou ocultar. Qualquer um que não tivesse olho clínico não daria por nada, mas este não era o caso de Megumi Takani.

- Então como estão todos… a Kaoru… o Yahiko…

- Estão todos bem! Vão ficar radiantes quando souberem que acordaste! Agora estão todos no exterior. Mas diz-me Ken-san, como te sentes? – embora se tenha esforçado muito não conseguiu suprimir um ligeiro ressentimento no seu coração ao ouvi-lo questioná-la imediato por Kaoru.

- Estou bem, Megumi-san. – o samurai tentou fazer um sorriso rurouni como é seu costume. Megumi sentiu como se a vida de repente tivesse amanhecido definitivamente para a alegria, mas isso não a impediu de pensar: Ken-san, mentir nunca foi o teu forte!

- Ken-san, eu trouxe alguns medicamentos que podem ajudar a acalmar e reduzir as dores. Mas antes preciso que comas alguma coisa e…

- Só um instante, Megumi-san… onde estamos e… quanto tempo é que…

- Estamos no Shirobeko… o restaurante da irmã da Tae. E estás deitado há sete dias agora. – Kenshin arregalou um pouco os olhos. Era, de facto muito tempo. E, sem aviso prévio, fez uma coisa que Megumi nunca teria esperado e que achava tão absurdo que demorou um certo tempo a reagir. Tentou sentar-se. Em vão. Megumi revirou os olhos. Num estado em que o comum ser humano não teria resistido, sete dias completamente desacordado, ferimentos transcendentais, perda de sangue para além do possível e imaginável e ele pensa que pode sentar-se. Típico do rurouni… Sinceramente. Passou um sorriso leve nos lábios de Megumi.

- Shhh, Ken-san. Não vais poder sentar-te (nem conseguirias) durante uns dias.

- Mas eu quero vê-los – Kenshin estava num desespero ao ver-se assim “inválido” – Preciso de os ver, saber se estão bem…

- Kenshin! Estás exausto. Eles agora estão nas suas tarefas, mas quando os avisar virão imediatamente. Tenta dormir agora um pouco, ne? Eu vou avisá-los e trazer algo para que possas comer… Dorme, Ken-san. Está tudo bem… Agora que acordaste.

Kenshin recostou-se para se sentir mais confortável e a exaustão levou-o a adormecer no instante seguinte. Megumi olhou para o belo rosto do ex-hitokiri onde o suor se manifestava por pequenas gotículas subtis. Graças a Kami-sama

Com um sorriso esplendoroso, Megumi Takani saiu do quarto de Kenshin e, assim que as portas de soji se fecharam, desatou a correr.


bolas, tava a ver quantos posts tinha de fazer pa por o capitulo Very Happy

(mais uma vez peço desculpa se tiver erros... eu procurei mas não tive mta paciencia para... Razz)

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#18
Tão Gira a fic...

Gostei muito.


Obrigado Lili Moon ^^
#19
Kaoru-chan!!!! Exclamation Exclamation Exclamation

Há-des-me explicar, rapariga, porque paraste de escrever uma fic que estava tao bem conseguida, tao bela, tao doce, tao arrebatadora!!!! :g1: E ainda por cima tendo como pano de fundo a acção e personagens de um dos melhores animes algumas vez criados, e que eu simplesmente venero :xd3: :xd3: !!! Estou a amar tanto, mas tanto!!! E tu simplesmente deixas-te de postar capítulos há mais de 6 meses!!!! :g9:

Faz o favor de recomeçar novamente, porque seria um desperdicio de talento!!! (e porque eu fiquei, para meu espanto, completamente rendida à tua fanfic)
#20
*Carillon* escreveu:Kaoru-chan!!!! Exclamation Exclamation Exclamation

Há-des-me explicar, rapariga, porque paraste de escrever uma fic que estava tao bem conseguida, tao bela, tao doce, tao arrebatadora!!!! :g1: E ainda por cima tendo como pano de fundo a acção e personagens de um dos melhores animes algumas vez criados, e que eu simplesmente venero :xd3: :xd3: !!! Estou a amar tanto, mas tanto!!! E tu simplesmente deixas-te de postar capítulos há mais de 6 meses!!!! :g9:

Faz o favor de recomeçar novamente, porque seria um desperdicio de talento!!! (e porque eu fiquei, para meu espanto, completamente rendida à tua fanfic)



Awww :g1: Carillon, a sério?? =$ fico muito contente!
Olha encontrei mais este pedacinho da fanfic Embaracoso;
Não conseguir fazer um "check" completo para ver se tinha erros, mas faço depois Embaracoso; dei so uma vista de olhos.
É verdade já não escrevo esta fanfic há muito tempo, bem antes de me inscrever no fórum SM Embaracoso; tenho de ver se arranjo um espacinho para... Smile

ta aqui mais um capitulo espero que gostem Embaracoso;





Capítulo VII – Tensão e Teimosia



Kaoru Kamiya quase que se sentia de novo em casa ao subir a rua de terra batida, repleta de gente algo barulhenta e atarefada, acompanhada de Sanosuke, Yahiko e Misao. Misao e Yahiko conseguiam fazer quase tanto barulho como todas as pessoas que ali passavam juntas, mas tal facto, ao invés de aborrecer Kaoru como era hábito, fazia-a sentir-se mais leve e deu por si a rir-se do ar irritadiço de Sano perante os comentários de Yahiko sobre a sua falta de orientação, surpreendendo-se a si própria. Vinham no caminho de volta para o Shirobeko, pois tinham estado todo o dia a trabalhar incansável e persistentemente no Aoya, cuja reconstrução evoluía de forma surpreendente. Misao e Yahiko iam à frente (houvera uma má experiência quando Sanosuke tomara a dianteira), Sano ia ligeiramente atrás, com o ar de freeloader de sempre e um pequeno ramo a dançar-lhe nos lábios. Kaoru ia atrás, com os olhos postos no casaco branco com o carácter “mau” escrito a negro, mas não era, no entanto, para o casaco que olhava nem nisso que pensava. As suas recordações levavam-na para um certo quarto, a alguma distancia dali, onde um certo homem de 28 anos estava, e para um certo sentimento que tinha dentro do peito e ao qual não havia ainda dado um nome (embora todos nós o saibamos). Não sabia bem como é que os seus passos seguiam distraidamente pelas ruas de Kyoto acima, mas não se deteve por tal. Algures à sua frente havia vozes algo indistintas que pareciam vir de muito longe.

- Ei, doninha, acabaste de pisar o meu pé! – dizia o menino agarrado firmemente à sua sandália e a um dedo certamente dolorido.

- Que culpa tenho eu, Yahiko-chan! Trata de ver onde pões os pés, seu desastrado.

- Então, então acalmem-se, e parem com o chinfrim – disse Sanosuke aproximando-se dos dois – está toda a gente a olhar para nós!

- Se está gente a olhar para nós é por causo do teu cabelo, crista de galo!

- Ei, minorca, a quem é que estás a chamar…

Nisto Misao e Yahiko lançaram-se sobre Sano com o intento genuíno de lhe fazerem o maior ataque de cócegas do Japão. Sanosuke, de atalaia, começou a correr, alegremente, com os dois meninos atrás dele. Kaoru, despertada dos seus pensamentos por todo aquele alarido, riu com gosto ao ver duas crianças e uma criança grande a correr rua fora com sorrisos no rosto. Era bom ver que o pesadelo tomado pelo nome de Shishio não mudara em nada (ou quase nada) aquelas pequenas coisas que faziam com que ter acolhido três pessoas previamente desconhecidas em sua casa valesse a pena.

Ela caminhou, ficando um pouco atrás dos três que brincavam e corriam. Mas, um pouco mais tarde, cansaram-se e voltaram ao passo normal. Agora ia Sanosuke a frente, descuidadamente, com as mãos nos bolsos e olhando para as ruas de Kyoto com algum interesse. Os meninos iam atrás dele, sussurrando (muito provavelmente um plano ou partida para aquele que caminhava a sua frente). Mas, inopinadamente, aconteceu qualquer coisa estranha. Parecia que o ar tinha sido cortado de repente. Kaoru chocou com Misao, que tinha chocado com Yahiko, que tinha embatido nas costas de Sano com algum estrondo. O pequeno estava agora no chão, a olhar fixamente para o ex-lutador de rua e a perguntar-se a si próprio o que o fizera parar repentinamente. Sanosuke estava parado, como que à escuta. Na sua face escorria uma pequena gotícula de suor. E… seria verdade…que estava algo tenso? Talvez…assustado? Kaoru recompôs-se do choque, passou por Misao, ajudou Yahiko a erguer-se e olhou para Sano que se mantinha de costas. Aproximou-se dele, mais por instinto que por outra coisa e ele sussurrou algo que ela demorou a compreender.

- Venham todos atrás de mim, não se afastem uns dos outros, evitem dar nas vistas. Depressa!

Assim que a informação passou num sussurro (com o pretexto de apertar sandálias e recompor-se das pancadas) e todos eles seguiram uns atrás dos outros. Sanosuke enveredou por uma rua secundária sombria, a qual tinha vários lances de escadas no caminho e cujas casas eram algo toldadas, algumas apresentando janelas e portas entaipadas. Kaoru não gostou nem um pouco daquelas ruas, mas Sanosuke não reagiria desta forma sem razão, por isso limitou-se a seguir a sua faixa escarlate em silêncio. Passado um bom bocado de caminho, pareciam estar completamente sós na rua, cuja bruma aumentava à medida que o sol descia no horizonte de Kyoto. Kaoru, com o pretexto de lhe perguntar se era este o caminho para a casa dos seus avós (desculpa inventada sob pressão) aproximou-se de Sanosuke.

- Afinal, Sanosuke, o que se passa? – a sua voz era apenas um murmúrio audível por ele.

- Não estamos sozinhos. Não sei o que fazer mas o melhor é não colocarmos o lobo directamente no nosso galinheiro…Não… Vamos tentar ter uma ideia. Creio que estamos a ser seguidos desde a rua principal, quando passamos por uma estalagem.

Kaoru sufocou uma expressão de exasperação muito a custo e contra-gosto. Mas antes que pudesse ter tempo sequer de pensar nos prós e consequências hipotéticas, sentiu um ruge-ruge quase imperceptível e no segundo seguinte uma mão enorme, obstruindo-lhe a boca, e o frio do aço no seu pescoço. O sujeito tinha uns olhos quase incolores e coléricos, raiados de sangue. Tudo parou, até a brisa suave que soprava nessa tarde. Os amigos olhavam dela para o agressor, estupefactos.

- Nem um movimento – disse numa voz arrastada a Sanosuke que tinha avançado um passo – Nem um movimento ou vais ver o interior do pescocinho lindo desta jovem.

Deu uma gargalhada extremamente desagradável.

Sanosuke tinha os dentes cerrados, assim como os punhos; Yahiko que pretendia tirar das costas a shinai estacou como se de pedra fosse e Misao, com os kunai a postos parou, com os olhos postos no homem.


- Muito bem, qual de vocês vai ser o primeiro a falar?

- Que queres saber, seu…

- Calminha, crista de galo, calminha… Ou a rapariguinha é que sofre as consequências. Onde está o Battousai?

- Quê? – exclamou Sano – Nós… nós não conhecemos ninguém com esse nome.

- Não me mintas, Sanosuke Sagara. Sei muito bem que estão ligados a ele, todos vós.

Kaoru não conseguia mover-se. Noutras circunstâncias podia ter-se livrado dele, mas a mão enorme do homem que fedia a suor e a imundice impedia-a de respirar convenientemente e o sangue gelava em contacto com o aço gélido do gume da afiada faca que começara a cravar-se-lhe lentamente na carne.

Foi então que algo de estranho aconteceu. Ouve um movimento repentino, um safanão, um ruído de algo muito pesado a quebrar-se, a sensação de gelo seguida de um calor do sangue no seu pescoço, e estava solta das mãos do homem.

Olhou, atónita, para o lado, onde estava o homem que a agarrara, a cara coberta do seu próprio sangue, espatifada por um vaso de cerâmica azul.

- É uma pena – disse uma voz forte – tive imenso trabalho a fazer esse…

Hiko Seijuro surgia de um dos lados da rua, com o ar mais natural possível.





******





Kaoru Kamiya ficou onde estava, ainda meia abalada pelo choque. Olhou de soslaio para o homem que caíra ao lado dela e não teve dúvidas de que estava morto. As vozes alteradas pareciam vir de muitos metros de distância, e ela demorou cerca de 30 segundos a entender que não era com ela que Sanosuke gritava.

- Idiota! Podias tê-la magoado a sério!

- Não, não podia, – respondeu o mestre do Hiten Mitsurugy Ryu - foi tudo calculado. E se fizesses algo de útil como ajudar a miúda?

Sanosuke olhou alarmado em volta até os seus olhos pousarem em Kaoru. Esta estava exactamente no mesmo ponto onde o aperto sufocante do homem a tinha libertado e parecia muito assustada. Com as suas passadas largas, o ex-lutador de rua cobriu a distância que os separava e aproximou-se dela.

- Jou-chan? – nada. Não obtendo resposta chamou de novo, desta vez um pouco mais alto. Abanou-a, então, talvez um pouco com mais de entusiasmo do que quereria – Kaoru!

Kaoru olhou então finalmente para ele.

- Ai!, Sano, não grites, não estou surda. Não belisques, homem, eu estou bem.

Sanosuke agarrou-a pelos ombros e olhou para os abismos azuis dela como que procurando um sintoma. Depois, suspirando aliviado, largou-a. Yahiko, Okina e Misao aproximaram-se dos três, também eles muito desassossegados.

- Como chegaste aqui? Como nos encontraste? – perguntou Sanosuke, agora muito mais calmo. No entanto, perdera completamente o ar cómico e desleixado que tanto o caracterizava. Parecia mais velho, e tinha um ar assustado, o que deixava nos outros uma sensação de tensão. Rooster head? O senhor “muito masculino e forte”? Assustado e sério? Era o suficiente para colocar os que o conheciam aflitos e ansiosos.

- Vinha a passar na rua, vinha entregar umas obras minhas e comprar sake… Encontrei-vos por acaso, ao fundo da rua. Reparei que vinham a ser seguidos de perto e que mudaram de direcção, por isso, segui-vos. E foi uma sorte tê-lo feito – acrescentou com aquele seu sorriso belo e arrogantemente característico – Ainda há pouco me insultaste por o ter feito. Que farias a seguir, cabeça de galo? Dizias-lhe onde estava o meu baka deshi ou simplesmente deixavas que vos chacinassem pela piada da situação?

- Ora, eu… – Sanosuke corou – eu… eu tinha tudo mais ou menos sob controlo, depois eu iria… – depois acrescentou muito baixinho – obrigado.

O ex-lutador de rua olhou em volta estava tudo bem… os miúdos estavam bem, embora assustados e a Jou-chan…

Jou-chan… que se passa contigo? Já passamos situações piores… e depois do que passaste com o Jineh pensei que isto não te afectasse tanto assim. Claro que assusta qualquer um, mas… és mais forte que isto, então porque estás a tremer dessa maneira? A Jou-chan que conheço teria dado uma lição aquele tipo desde o início, mas hoje… Espera aí – pensou de repente, quando os seus olhos se voltaram mais uma vez para Kaoru, que ajudava Misao a sacudir o pó das roupas – aquilo é… sangue?! Jou-chan! Ele sempre te feriu

Sanosuke deixou escapar um pequeno som de surpresa e preocupação que Kaoru calou com um olhar intenso. Sano compreendeu. Não havia necessidade de preocupar Misao nem Yahiko, não depois de tudo o que eles passaram com o Ayoa.

- Vamos então? – perguntou Hiko, quebrando o silencio – Não querem ficar a espera que apareça alguém aqui, senão vamos ter chatices, e não estou com muita paciência para me aborrecer…

- Sim, vamos – disse Misao – O senhor Hiko tem razão, é melhor apressarmo-nos. Ainda temos um bocado de caminho até o Shirobeko…

- Hã?... – fez Sanosuke – como assim, “um bocado de caminho”, não viemos por um atalho? Até pensei que fosse mais perto por aqui… ahm…

- Sanosuke Sagara, não há dúvida de que o Yahiko tem razão… Não há pior sentido de orientação que o teu…

Spoiler

honto arigato, sandrita <3 chrno *.*

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