Dicotomia [inspirado em Full Metal Alchemist]
Esta fic foi inspirada no anime Full Metal Alchemist e, para avançar com ela, tive o apoio da minha amiga Joaninha que me deu na cabeça para continuar com a fic. Obrigada, mana gémea, pela tua insistência. Graças a ti, sei que sou capaz de continuar a fic.
.o:
Antes de avançar, devo explicar o que é um dicotomia.
Dicotomia é quando dois pólos contrários coexistem. Segue-se o exemplo:
o divino e o profano dão ali as mãos, num amplo entendimento,
em que o "divino" e o "profano" são dois opostos bem definidos, mas coexistem no mesmo local.
Pensem em opostos sempre a coexistir. Nem tudo é só preto. Nem tudo é só branco. Haverá sempre "zonas cinzentas" que nos levam um caminho com duas saídas.
E isso é uma das coisas que mais tememos. Um caminho para decidir. Fazer uma escolha. Porque depois não podemos culpar ninguém a não sermos nós mesmos, se a escolha for a errada. É o preço da liberdade. É o preço que pagamos.
A Dicotomia leva'nos, também, para outro local, para outra filosofia. Tudo o que existe tem um oposto. Luz e Escuridão, Bom e Mal, Amor e Ódio. E, o engraçado de tudo isto é que se um deles não existisse, também não existia o outro. Isto porque nós só sabemos o que uma coisa é se já tivermos experimentado o seu oposto. Só sabemos o que é ser alegre se já fomos tristes. Só sabemos o que é a luz se já vimos a escuridão. Só sabemos o que é pequeno se já vimos a grandeza.
Nesta história vamos ver várias dicotomias, não expressas, mas de forma ímplicita. E foram essas dicotomias que me levaram a dar este título à fic.
Fica aqui o prólogo. A primeira parte do Capítulo I será postada o mais depressa que conseguir.
Nos dias de hoje, o nome quimera tem este significado.
“QUIMERA
Na mitologia grega eraum fabuloso monstro com cabeça de leão, torso de cabra e cauda de dragão e que soltava fogo pela boca. Era oriunda da Anatólia, nascida da união entre o monstro Equidna e o gigantesco Tífon. Criada pelo rei de Cária, mais tarde assolaria este reino e o de Lícia com o fogo que vomitava incessantemente, até que o herói Belerofonte, montado no cavalo alado Pégaso dado por Atena, conseguiu matá-la. Suarepresentação plástica na arte cristã medieval, era um símbolo do mal, mas com o passar do tempo, passou a se chamar de quimera a todo monstro fantástico empregado na decoração arquitectónica. Hoje, no nosso português, a palavraquimera significa produto da imaginação, fantasia, utopia, sonho.”
Contudo, nem sempre este nome teve semelhante designação. Nem sempre uma quimera fora apenas um mito. E nem sempre a quimera fora apenas uma mutação animal. Foi neste “nem sempre” que eu vivi. Essa altura era muito parecida com a de hoje: comida, casas, água, crianças e adultos, animais, plantas, paz, guerra… Enfim, vida! E, apesar de haver algumas controvérsias entre povos, o clima era acima de tudo calmo. Aliás, era preferível ao de hoje, pois o verde preenchia muito mais o quotidiano que o cinzento dos arranha-céus. Isto, porque a nossa Era não era governada pela tecnologia. A tecnologia evoluía muito lentamente, preparando-nos assim para as consequências que daí poderiam vir. Em vez da tecnologia, nós utilizávamos algo chamado alquimia…
.o: Antes de avançar, devo explicar o que é um dicotomia.
Dicotomia é quando dois pólos contrários coexistem. Segue-se o exemplo:
o divino e o profano dão ali as mãos, num amplo entendimento,
em que o "divino" e o "profano" são dois opostos bem definidos, mas coexistem no mesmo local.
Pensem em opostos sempre a coexistir. Nem tudo é só preto. Nem tudo é só branco. Haverá sempre "zonas cinzentas" que nos levam um caminho com duas saídas.
E isso é uma das coisas que mais tememos. Um caminho para decidir. Fazer uma escolha. Porque depois não podemos culpar ninguém a não sermos nós mesmos, se a escolha for a errada. É o preço da liberdade. É o preço que pagamos.
A Dicotomia leva'nos, também, para outro local, para outra filosofia. Tudo o que existe tem um oposto. Luz e Escuridão, Bom e Mal, Amor e Ódio. E, o engraçado de tudo isto é que se um deles não existisse, também não existia o outro. Isto porque nós só sabemos o que uma coisa é se já tivermos experimentado o seu oposto. Só sabemos o que é ser alegre se já fomos tristes. Só sabemos o que é a luz se já vimos a escuridão. Só sabemos o que é pequeno se já vimos a grandeza.
Nesta história vamos ver várias dicotomias, não expressas, mas de forma ímplicita. E foram essas dicotomias que me levaram a dar este título à fic.
Fica aqui o prólogo. A primeira parte do Capítulo I será postada o mais depressa que conseguir.
Prólogo
Nos dias de hoje, o nome quimera tem este significado.
“QUIMERA
Na mitologia grega eraum fabuloso monstro com cabeça de leão, torso de cabra e cauda de dragão e que soltava fogo pela boca. Era oriunda da Anatólia, nascida da união entre o monstro Equidna e o gigantesco Tífon. Criada pelo rei de Cária, mais tarde assolaria este reino e o de Lícia com o fogo que vomitava incessantemente, até que o herói Belerofonte, montado no cavalo alado Pégaso dado por Atena, conseguiu matá-la. Suarepresentação plástica na arte cristã medieval, era um símbolo do mal, mas com o passar do tempo, passou a se chamar de quimera a todo monstro fantástico empregado na decoração arquitectónica. Hoje, no nosso português, a palavraquimera significa produto da imaginação, fantasia, utopia, sonho.”
Contudo, nem sempre este nome teve semelhante designação. Nem sempre uma quimera fora apenas um mito. E nem sempre a quimera fora apenas uma mutação animal. Foi neste “nem sempre” que eu vivi. Essa altura era muito parecida com a de hoje: comida, casas, água, crianças e adultos, animais, plantas, paz, guerra… Enfim, vida! E, apesar de haver algumas controvérsias entre povos, o clima era acima de tudo calmo. Aliás, era preferível ao de hoje, pois o verde preenchia muito mais o quotidiano que o cinzento dos arranha-céus. Isto, porque a nossa Era não era governada pela tecnologia. A tecnologia evoluía muito lentamente, preparando-nos assim para as consequências que daí poderiam vir. Em vez da tecnologia, nós utilizávamos algo chamado alquimia…
Bem sobinetinha fofa aka LunaR fizeste tu muito bem em postar pois este prólogo está imensamente soberbo e divinal 
Apesar de nunca ter visto esse anime adorei o que escreveste, esta pequena descrição está mesmo fenomenal
Está tão fenomenal, que me fizeste vir comentar, coisa que já não faço à quase um ano
''
Fico à espera do primeiro capítulo e prometo vir comentar sempre que possa
Para te dar motivação deixo aqui um camião repleto de ovos kinder
Kissu*

Apesar de nunca ter visto esse anime adorei o que escreveste, esta pequena descrição está mesmo fenomenal

Está tão fenomenal, que me fizeste vir comentar, coisa que já não faço à quase um ano
''Fico à espera do primeiro capítulo e prometo vir comentar sempre que possa

Para te dar motivação deixo aqui um camião repleto de ovos kinder

Kissu*

SMoon, muito obrigada por esse voto de confiança. Como só postei um prólogo (um mini-prólogo, aliás) pensei não ler esse tipo de comentários, que me deixam extremamente feliz. Muito obrigada mesmo. 
Tixa_Xana, tiazona linda, nem sabes como me deixas feliz ao ler isto. Não sabia que te cativara tanto. O anime não fala de nada do que falei antes do prólogo. O que falei foi só a minha interpretação do título e os campos a que este título nos leva. Gosto de interpretar de variadas maneiras e quero levar as pessoas a pensar nisso, também. Obrigada pelas palavras sinceras, tivó.
.o:
Joaninha, minha mana gémea mais fofa do mundo!! Teimaste e é isso que espero de ti! Continua a dar'me na cabeça, porque senão nunca mais vez o próximo cap escrito.
. Obrigada pelo apoio e compreensão. Tu sabes o quanto é especial para mim. 
Para aqueles que nunca viram o anime, aconselho a verem. Leva'nos a imaginar situações completamente impossíveis no nosso mundo mas que parecem reais e verdadeiras. É um óptimo anime.
Aqui fica a primeira parte do primeiro capítulo. Aviso desde já que o segundo capítulo vai demorar uma eternidade a escrever, mesmo com a insistência da minha maninha gémea aka Joaninha, mas a segunda parte do primeiro será aqui colocada em breve. Espero que gostem.
Estava sentada no banquinho de madeira do pequeno jardim quando o vi. Aqueles olhos verdes sempre me assombraram e acho que nunca me conseguiria habituar. O sucesso dele em conquistar-me era garantido. Lá vinha ele, a sorrir de orelha a orelha, a mostrar os seus dentes brancos, com algo na mão que não conseguia distinguir muito bem. Era incrível como os olhos dele já me haviam alcançado a vista e o objecto, muito maior que os seus olhos, era-me completamente confuso. Avançava serenamente, com passo lento pelo parque, na minha direcção. Enquanto ele caminhava apercebi-me do que se tratava o objecto que pendia das suas mãos: flores! Um ramo de flores! E não eram umas flores quaisquer. Pude contemplar, com extrema alegria, que as flores tinham pétalas com uma forma peculiar e de um vermelho vivo. Além da cor, desenhavam-se no seu caule leves espinhos que facilmente me feririam os dedos. Eram rosas. Será que ele poderia ser mais perfeito?
— Olá Artemisa.
— Olá Robert — balbuciei. Ele parecia divertir-se com a minha timidez.
— Sempre vieste. Pensei que elas não te conseguiriam convencer a vires. Para a minha sorte, estava enganado.
Fiz um sorriso leve, como costumava fazer quando ficava mais tímida do que o normal. Só de pensar nas coisas que as minhas amigas me levariam a fazer caso eu não viesse… Praguejei para mim mesma antes de aceitar e dizer que iria ao encontro. Odiava quando as minhas amigas me arranjavam encontros com rapazes. Diziam sempre “precisas de um namorado!”. E elas precisavam de juízo. Bem que desta vez elas acertaram em cheio.
Robert Petreli tinha 17 anos e andava no 12º ano. Era alto, com uns músculos bem delineados, mas não exageradamente grandes e com um tom de pele morena. Tinha cabelo castanho claro curto, com franja, e uns olhos verde líquido que me levavam aos céus e me traziam de volta. Andava sempre com vestimentas casuais e o sorriso era a sua especialidade de conquista. Uma vez que fazia parte da equipa de andebol e era um dos melhores jogadores, era muito popular e as raparigas andavam sempre atrás dele, gritando freneticamente o seu nome e expondo cartazes feitos em casa durante os jogos. Todavia, havia rumores que Robert nunca se interessara por nenhuma delas nem dera esperança alguma. Eu nunca fizera parte da claque de fãs histéricas do Robert mas era, claramente, uma admiradora silenciosa. Sendo demasiado tímida, nunca tive coragem de falar com ele. Mas pelos vistos isso não o impediu de vir falar comigo…
— Eu não sou assim tão tímida — menti.
— Pois, claro que não.
Ele parecia estar a ser sarcástico, mas o seu sorriso trocista desfaleceu toda a minha súbita fúria. Tentei não corar mais do que já estava, se é que era possível.
— Bem, trouxe-te uma coisa…
Mal lhe voltei novamente a cara já ele estendia o ramo de rosas à minha frente. As rosas estavam cheias de gotículas de água e levemente embrulhadas num papel branco com uma fita rosa a sobressair. Peguei no ramo com cautela e pousei-o no meu colo. Inclinei-me, fechei os olhos e aspirei o aroma que de lá escapava. Abri de novo as pálpebras e vi-o a sorrir.
— Sei que não gostas que te dêem prendas, aliás foi uma das condições que as tuas amigas me impuseram, mas custa-me ver uma rosa sozinha. Por isso, trouxe estas para te fazerem companhia.
Ainda por cima ele era romântico? Meu Deus, que mais ele será?
— Ahh — consegui titubear. Se pensava que não podia corar mais, então estava enganada.
— Não gostas, é? — as suas palavras reflectiam uma pequena preocupação.
Enterrei a minha cabeça no ramo que estava sobre as minhas mãos.
— Gosto. — disse baixinho, mas suficientemente alto para ele ouvir. As rosas eram as minhas flores preferidas. Tão belas e perigosas…
Ouvi, ainda com a cara enterrada entre o ramo, um leve suspiro.
— Óptimo! Espero, então, que não te importes se dermos um passeio…
— Um… um… passeio?! — proferi, mal Robert terminou a frase, retirando rapidamente a cabeça de entre as rosas.
— Claro! Um dia tão bonito sem um passeio pelo parque é um… bem, não chega a ser bem um crime, mas seria uma pena.
Um passeio. Num momento a sós comigo mesma, saberia tão bem, ainda por cima num dia destes, em que o sol raiava num céu sem nuvens. O dia estava quente, mas de quando em quando, uma leve brisa fresca passava, resfriando o corpo de quem a sentia.
Olhei de relance para o lago que se encontrava no centro do parque, ainda distanciado de nós. Patos, cisnes, tartarugas e peixes multicolores enfeitavam o azul claro que do lago se erguia, dando vida aquele pequeno recanto. A ponte sólida, de madeira clara e em forma de arco, que se encontrava sobre este estava cheia de movimento. Viam-se casais de mãos dadas, debruçados sobre a ponte, a atirar pequenas parcelas de pão para a água cristalina do lago, as quais eram logo devoradas pelos animais que lá estavam, crianças com risos inocentes a correr, esquivando-se dos adultos receosos que corriam atrás delas, idosos com a bengala e o chapéu achatado a olhar o céu e admirar o dia, e ainda um casal recém-casado que passava por lá, com um pequena multidão atrás e um fotografo à frente, que mandava um flash a cada 10 segundos.
“Demasiada gente”, pensei eu, meia desiludida por não poder apreciar o lago com o silêncio e o à vontade que queria.
— Claro que se não quiseres, não vamos.
Despertei, subitamente, das minhas observações. Robert ainda estava ali, à espera da minha resposta.
— Sim. Podemos dar um passeio. — disse, tentando manter um tom casual. Só de pensar num passeio com “o Robert” ficava a tremer das mãos e com o estômago a dar voltas...
Levantei-me, a custo, do banco no qual me encontrava e comecei a andar. Robert acompanhou-me lado a lado. Mal vi que o caminho se dividia em dois, virei-me para o lado oposto ao do lago, tentando mostrar alguma casualidade. Mas tinha sido mal sucedida…
— Onde vais?
Robert parou quando viu pelo caminho que eu seguia. Pelos vistos, ele não estava de acordo a nos afastarmos da ponte. Virei-me para trás e tentei fazer um ar surpreendido pela pergunta. Ele fitou-me, fazendo um esgar.
— Estava a pensar em ir à gelataria! — respondi.
A resposta pareceu surpreendê-lo. Apontou para o sentido oposto da minha direcção.
— A gelataria fica do outro lado do lago. Se fores por aí, vais ter de dar uma volta enorme!
— Não disseste que querias dar um passeio? — contestei. Agora via o lago quase que uma prisão, repulsando-o o mais longe possível. Não sei como ganhei esta aversão, mas simplesmente ganhara. Faria de tudo para não ir para lá.
O meu pequeno argumento funcionou. Robert dirigiu-se para o local onde estava e eu recomecei a caminhar mal ele se encontrou a meu lado.
O caminho por onde nos dirigíamos era constituído, essencialmente, por árvores de folha caduca de grande porte, talvez castanheiros. Passavam poucas frestas de sol por entre elas, e as que passavam desenhavam pequenas formas pelo chão de pedrinhas brancas. Enquanto penetramos cada vez mais aquele trilho, o dia soalheiro tornou-se distante, e uma frescura proporcionada pelas sombras das árvores passava por nós, sendo, no meu caso, muito bem-vinda. Uma vez por outra passava um casal, em sentido contrário, mas esses momentos eram tão raros que quase me sentia sozinha. Sentir-me-ia mesmo sozinha, caso não fosse a companhia de Robert estar tão viva na minha consciência.
Desviei o meu olhar do caminho para enfrentar o rosto a meu lado, mas este olhava em frente, dando-me oportunidade para o observar com maior nitidez. Mais uma vez, os seus olhos chamaram-me a atenção… O verde líquido resplandecia sobre o seu rosto, ficando em perfeita sintonia com o meio em que nos encontrávamos, e era tão profundo e encantador que tive de olhar para outros aspectos da sua face, resistindo ao impulso de me divagar em pensamentos. As suas sobrancelhas eram castanhas claras, finas e bem delineadas. O seu cabelo castanho claro dava pelas orelhas, mas era tão certo e leve que parecia ser feito de seda. Uma brisa passou por nós e agitou-os, reforçando a minha ideia. Passei os olhos de relance pelas orelhas redondas e o nariz meio arrebitado e fixei-os nos lábios. Eram do mesmo tom de pele da cara, finos e estreitos.
Naquele momento, a sua boca modificou para uma forma de meia-lua. Desviei o olhar de modo a ver toda a sua face. Ele olhava para mim, dando-me a entender que fora apanhada a admirá-lo. Sorria-me como só Robert podia sorrir e cada vez o seu sorriso era mais amplo, dando-me a entender que eu corara. Olhei para baixo e mantive-me assim, continuando a caminhar.
— És mesmo engraçada, Artemisa — declarou. Mantive o meu olhar ainda mais baixo. — Não precisas de ter vergonha, tu sabes disso. Só estamos aqui os dois, ninguém te vai comer!
“Só estamos aqui os dois”, repeti para mim mesma. Agora, desejava tremendamente que tivéssemos seguido o caminho para a ponte do lago. Ao menos lá não estaríamos, de certo, sozinhos. A minha súbita apreensão pareceu-me tê-lo divertido ainda mais.

Tixa_Xana, tiazona linda, nem sabes como me deixas feliz ao ler isto. Não sabia que te cativara tanto. O anime não fala de nada do que falei antes do prólogo. O que falei foi só a minha interpretação do título e os campos a que este título nos leva. Gosto de interpretar de variadas maneiras e quero levar as pessoas a pensar nisso, também. Obrigada pelas palavras sinceras, tivó.
.o: Joaninha, minha mana gémea mais fofa do mundo!! Teimaste e é isso que espero de ti! Continua a dar'me na cabeça, porque senão nunca mais vez o próximo cap escrito.
. Obrigada pelo apoio e compreensão. Tu sabes o quanto é especial para mim. 
Para aqueles que nunca viram o anime, aconselho a verem. Leva'nos a imaginar situações completamente impossíveis no nosso mundo mas que parecem reais e verdadeiras. É um óptimo anime.
Aqui fica a primeira parte do primeiro capítulo. Aviso desde já que o segundo capítulo vai demorar uma eternidade a escrever, mesmo com a insistência da minha maninha gémea aka Joaninha, mas a segunda parte do primeiro será aqui colocada em breve. Espero que gostem.

Capítulo um
(primeira parte)
(primeira parte)
Estava sentada no banquinho de madeira do pequeno jardim quando o vi. Aqueles olhos verdes sempre me assombraram e acho que nunca me conseguiria habituar. O sucesso dele em conquistar-me era garantido. Lá vinha ele, a sorrir de orelha a orelha, a mostrar os seus dentes brancos, com algo na mão que não conseguia distinguir muito bem. Era incrível como os olhos dele já me haviam alcançado a vista e o objecto, muito maior que os seus olhos, era-me completamente confuso. Avançava serenamente, com passo lento pelo parque, na minha direcção. Enquanto ele caminhava apercebi-me do que se tratava o objecto que pendia das suas mãos: flores! Um ramo de flores! E não eram umas flores quaisquer. Pude contemplar, com extrema alegria, que as flores tinham pétalas com uma forma peculiar e de um vermelho vivo. Além da cor, desenhavam-se no seu caule leves espinhos que facilmente me feririam os dedos. Eram rosas. Será que ele poderia ser mais perfeito?
— Olá Artemisa.
— Olá Robert — balbuciei. Ele parecia divertir-se com a minha timidez.
— Sempre vieste. Pensei que elas não te conseguiriam convencer a vires. Para a minha sorte, estava enganado.
Fiz um sorriso leve, como costumava fazer quando ficava mais tímida do que o normal. Só de pensar nas coisas que as minhas amigas me levariam a fazer caso eu não viesse… Praguejei para mim mesma antes de aceitar e dizer que iria ao encontro. Odiava quando as minhas amigas me arranjavam encontros com rapazes. Diziam sempre “precisas de um namorado!”. E elas precisavam de juízo. Bem que desta vez elas acertaram em cheio.
Robert Petreli tinha 17 anos e andava no 12º ano. Era alto, com uns músculos bem delineados, mas não exageradamente grandes e com um tom de pele morena. Tinha cabelo castanho claro curto, com franja, e uns olhos verde líquido que me levavam aos céus e me traziam de volta. Andava sempre com vestimentas casuais e o sorriso era a sua especialidade de conquista. Uma vez que fazia parte da equipa de andebol e era um dos melhores jogadores, era muito popular e as raparigas andavam sempre atrás dele, gritando freneticamente o seu nome e expondo cartazes feitos em casa durante os jogos. Todavia, havia rumores que Robert nunca se interessara por nenhuma delas nem dera esperança alguma. Eu nunca fizera parte da claque de fãs histéricas do Robert mas era, claramente, uma admiradora silenciosa. Sendo demasiado tímida, nunca tive coragem de falar com ele. Mas pelos vistos isso não o impediu de vir falar comigo…
— Eu não sou assim tão tímida — menti.
— Pois, claro que não.
Ele parecia estar a ser sarcástico, mas o seu sorriso trocista desfaleceu toda a minha súbita fúria. Tentei não corar mais do que já estava, se é que era possível.
— Bem, trouxe-te uma coisa…
Mal lhe voltei novamente a cara já ele estendia o ramo de rosas à minha frente. As rosas estavam cheias de gotículas de água e levemente embrulhadas num papel branco com uma fita rosa a sobressair. Peguei no ramo com cautela e pousei-o no meu colo. Inclinei-me, fechei os olhos e aspirei o aroma que de lá escapava. Abri de novo as pálpebras e vi-o a sorrir.
— Sei que não gostas que te dêem prendas, aliás foi uma das condições que as tuas amigas me impuseram, mas custa-me ver uma rosa sozinha. Por isso, trouxe estas para te fazerem companhia.
Ainda por cima ele era romântico? Meu Deus, que mais ele será?
— Ahh — consegui titubear. Se pensava que não podia corar mais, então estava enganada.
— Não gostas, é? — as suas palavras reflectiam uma pequena preocupação.
Enterrei a minha cabeça no ramo que estava sobre as minhas mãos.
— Gosto. — disse baixinho, mas suficientemente alto para ele ouvir. As rosas eram as minhas flores preferidas. Tão belas e perigosas…
Ouvi, ainda com a cara enterrada entre o ramo, um leve suspiro.
— Óptimo! Espero, então, que não te importes se dermos um passeio…
— Um… um… passeio?! — proferi, mal Robert terminou a frase, retirando rapidamente a cabeça de entre as rosas.
— Claro! Um dia tão bonito sem um passeio pelo parque é um… bem, não chega a ser bem um crime, mas seria uma pena.
Um passeio. Num momento a sós comigo mesma, saberia tão bem, ainda por cima num dia destes, em que o sol raiava num céu sem nuvens. O dia estava quente, mas de quando em quando, uma leve brisa fresca passava, resfriando o corpo de quem a sentia.
Olhei de relance para o lago que se encontrava no centro do parque, ainda distanciado de nós. Patos, cisnes, tartarugas e peixes multicolores enfeitavam o azul claro que do lago se erguia, dando vida aquele pequeno recanto. A ponte sólida, de madeira clara e em forma de arco, que se encontrava sobre este estava cheia de movimento. Viam-se casais de mãos dadas, debruçados sobre a ponte, a atirar pequenas parcelas de pão para a água cristalina do lago, as quais eram logo devoradas pelos animais que lá estavam, crianças com risos inocentes a correr, esquivando-se dos adultos receosos que corriam atrás delas, idosos com a bengala e o chapéu achatado a olhar o céu e admirar o dia, e ainda um casal recém-casado que passava por lá, com um pequena multidão atrás e um fotografo à frente, que mandava um flash a cada 10 segundos.
“Demasiada gente”, pensei eu, meia desiludida por não poder apreciar o lago com o silêncio e o à vontade que queria.
— Claro que se não quiseres, não vamos.
Despertei, subitamente, das minhas observações. Robert ainda estava ali, à espera da minha resposta.
— Sim. Podemos dar um passeio. — disse, tentando manter um tom casual. Só de pensar num passeio com “o Robert” ficava a tremer das mãos e com o estômago a dar voltas...
Levantei-me, a custo, do banco no qual me encontrava e comecei a andar. Robert acompanhou-me lado a lado. Mal vi que o caminho se dividia em dois, virei-me para o lado oposto ao do lago, tentando mostrar alguma casualidade. Mas tinha sido mal sucedida…
— Onde vais?
Robert parou quando viu pelo caminho que eu seguia. Pelos vistos, ele não estava de acordo a nos afastarmos da ponte. Virei-me para trás e tentei fazer um ar surpreendido pela pergunta. Ele fitou-me, fazendo um esgar.
— Estava a pensar em ir à gelataria! — respondi.
A resposta pareceu surpreendê-lo. Apontou para o sentido oposto da minha direcção.
— A gelataria fica do outro lado do lago. Se fores por aí, vais ter de dar uma volta enorme!
— Não disseste que querias dar um passeio? — contestei. Agora via o lago quase que uma prisão, repulsando-o o mais longe possível. Não sei como ganhei esta aversão, mas simplesmente ganhara. Faria de tudo para não ir para lá.
O meu pequeno argumento funcionou. Robert dirigiu-se para o local onde estava e eu recomecei a caminhar mal ele se encontrou a meu lado.
O caminho por onde nos dirigíamos era constituído, essencialmente, por árvores de folha caduca de grande porte, talvez castanheiros. Passavam poucas frestas de sol por entre elas, e as que passavam desenhavam pequenas formas pelo chão de pedrinhas brancas. Enquanto penetramos cada vez mais aquele trilho, o dia soalheiro tornou-se distante, e uma frescura proporcionada pelas sombras das árvores passava por nós, sendo, no meu caso, muito bem-vinda. Uma vez por outra passava um casal, em sentido contrário, mas esses momentos eram tão raros que quase me sentia sozinha. Sentir-me-ia mesmo sozinha, caso não fosse a companhia de Robert estar tão viva na minha consciência.
Desviei o meu olhar do caminho para enfrentar o rosto a meu lado, mas este olhava em frente, dando-me oportunidade para o observar com maior nitidez. Mais uma vez, os seus olhos chamaram-me a atenção… O verde líquido resplandecia sobre o seu rosto, ficando em perfeita sintonia com o meio em que nos encontrávamos, e era tão profundo e encantador que tive de olhar para outros aspectos da sua face, resistindo ao impulso de me divagar em pensamentos. As suas sobrancelhas eram castanhas claras, finas e bem delineadas. O seu cabelo castanho claro dava pelas orelhas, mas era tão certo e leve que parecia ser feito de seda. Uma brisa passou por nós e agitou-os, reforçando a minha ideia. Passei os olhos de relance pelas orelhas redondas e o nariz meio arrebitado e fixei-os nos lábios. Eram do mesmo tom de pele da cara, finos e estreitos.
Naquele momento, a sua boca modificou para uma forma de meia-lua. Desviei o olhar de modo a ver toda a sua face. Ele olhava para mim, dando-me a entender que fora apanhada a admirá-lo. Sorria-me como só Robert podia sorrir e cada vez o seu sorriso era mais amplo, dando-me a entender que eu corara. Olhei para baixo e mantive-me assim, continuando a caminhar.
— És mesmo engraçada, Artemisa — declarou. Mantive o meu olhar ainda mais baixo. — Não precisas de ter vergonha, tu sabes disso. Só estamos aqui os dois, ninguém te vai comer!
“Só estamos aqui os dois”, repeti para mim mesma. Agora, desejava tremendamente que tivéssemos seguido o caminho para a ponte do lago. Ao menos lá não estaríamos, de certo, sozinhos. A minha súbita apreensão pareceu-me tê-lo divertido ainda mais.
ora vamos lá ler a fan fic da minha doce Rafinha.
*puxa a página para cima e começa a ler com intusiasmo*
*nao resistiu e leu de novo*
AAAAAAAAAWWWWWWWWW
minha artista!!!
lindas as tuas historias...
esta rapariga tem um dom.
sabes o que é mais estranho?? o lugar parece-se com a quinta das freiras em rio tinto, e o Robert de olhos verdes faz-me lembrar o emu amor...
amo as tuas historias!! lindas, gostei imenso da tua definição de Quimera, mitologia grega...
enfim tens um dom.
PObre Artemisa esta tao envergonhada mas quem nao viaja ao lado do seu amado?
admirar o seu rosto, reparar nos seus olhos.
querida Rafa, tens um dom lindo conseguiste fazer-me ver toda a cena, parecia que estava lá.
peço-te que continues, quero saber como acaba.
"Rosas belas e perigosas" como a mulher gostei da comparação.
continua querida!!
*puxa a página para cima e começa a ler com intusiasmo*
*nao resistiu e leu de novo*
AAAAAAAAAWWWWWWWWW
minha artista!!!
lindas as tuas historias...
esta rapariga tem um dom.
sabes o que é mais estranho?? o lugar parece-se com a quinta das freiras em rio tinto, e o Robert de olhos verdes faz-me lembrar o emu amor...
amo as tuas historias!! lindas, gostei imenso da tua definição de Quimera, mitologia grega...
enfim tens um dom.
PObre Artemisa esta tao envergonhada mas quem nao viaja ao lado do seu amado?
admirar o seu rosto, reparar nos seus olhos.
querida Rafa, tens um dom lindo conseguiste fazer-me ver toda a cena, parecia que estava lá.
peço-te que continues, quero saber como acaba.
"Rosas belas e perigosas" como a mulher gostei da comparação.
continua querida!!

simplesmente belo! obrigada
icieWind, minha MaryJoo
.o: !! Airam!!
Muito obrigada pelo comentário, nem sabes a alegria que me dá ler isto. Ainda bem que te inspirei, minha querida. E a verdade é que não me acredito muito nisso do "dom". Acho que as minhas histórias não são assim tão boas, mas como me dá prazer escrever e sei que há gente que gosta, posto aqui. 
Mais uma vez muito obrigada pelo comentário.
“Só estamos aqui os dois”, repeti para mim mesma. Agora, desejava tremendamente que tivéssemos seguido o caminho para a ponte do lago. Ao menos lá não estaríamos, de certo, sozinhos. A minha súbita apreensão pareceu-me tê-lo divertido ainda mais.
— Vá lá. Eu não aguento uma caminhada sem falar…
— Que queres que eu diga? — indaguei, não desviando o olhar do chão.
— Hum… Que gelado vais escolher quando chegarmos à gelataria?
— Gelado de morango. É o meu sabor preferido. Bem que o de caramelo e o de baunilha também são óptimos. Mas o de morango é o melhor num dia quente. O próprio sabor… — Parei num momento de prazer íntimo que me fez água na boca. A princípio, a gelataria fora apenas um pretexto para não passar naquela ponte “claustrofóbica”, mas agora apetecia-me mesmo um gelado. Não via a hora para comer um.
— O gelado de morango é mesmo óptimo, mas eu prefiro o de chocolate. Sou guloso.
Finalmente, encarei o seu olhar, desviando o meu do chão. Ele sorria e eu começava a questionar-me se ele não faria outra coisa que não sorrir. Desta vez, não caíra na armadilha que aquele rosto me dispunha. Orgulhosa comigo mesma, retomei a conversa, não desviando a minha cara.
— Eu não gosto de chocolate. — Desta vez, fui eu que sorri.
Ele olhou-me com uma surpresa bem visível. Os seus olhos estavam completamente abertos, como se tivesse ouvido a confissão de um crime. Fiquei meia confusa. Era assim tão mau não gostar de chocolate?
— Porquê? Porquê que não gostas de chocolate?
— Porque o chocolate é muito… doce. E tem um sabor… esquisito. E o verdadeiro cacau é uma fruta horrível, super amarga. O chocolate é quase artificial. Não gosto.
Ele ficou a ingerir tudo o que eu dissera… Os seus olhos mostravam-se receosos, mas não olhavam para mim, e sim para algo nas minhas mãos… O ramo. Estranhei esta atitude, e decidi olhar de novo para as rosas que segurava. As gotas que dantes lá se encontravam já haviam secado com o calor do dia, mas elas ainda estavam frescas e suaves, vivaças e vigorosas. Porém, não eram as flores que chamavam a atenção do rapaz a meu lado. Era algo que estava bem mais lá no fundo, bem camuflado pelas pétalas e espinhos das rosas… Com extremo cuidado, enfiei a mão por entre aqueles caules espinhosos e tirei o que quer que fosse que ele colocara lá. Mal a minha mão se tornou visível reparei que os meus dedos seguravam uma caixa castanha. Não precisei de a abrir para saber do que se tratava…
— Ah…
Eu queria fazer um tom de divertimento, mas a minha voz soou mais a um lamurio. Não estava a fazer, obviamente, progressos. Começava a pensar numa desculpa para ir embora e enfiar-me no quarto. Estudar, talvez. Uma sessão de estudo que combinei com colegas e a qual me esquecera completamente. Era uma boa ideia, na minha mente. Mas Robert não me deixara sequer a pronunciá-la.
— Dá cá. — Robert estendia a mão para reaver a caixa. A voz dele soara tão doce aos meus ouvidos…
Dei-lhe a caixa e quando senti os seus dedos a roçarem na minha pele o meu batimento cardíaco acelerou. Durou apenas alguns segundos para ele voltar ao normal. Robert segurava agora a caixa e abria-a. Pegou num bombom que lá estava e levou-o à boca. Mastigou e pegou noutro, levando este a ter o mesmo fim que o anterior. Depois fitou-me, encolhendo os ombros.
— Não se pode estragar, não é? — perguntou-me, com a boca cheia e palavras mal pronunciadas. Mesmo naquele papel de guloso, eu não conseguia deixar de o admirar.
Continuamos a andar pelo caminho deserto e salvaguardado pelas árvores. Já desistira da mentira que estava disposta a dizer, pois agora já não me apetecia sair da companhia dele. O à vontade dele contagiou-me completamente, e continuamos a falar alegremente até chegarmos ao local da gelataria.
A gelataria estava pouco cheia, facto que me surpreendeu. Normalmente, com o calor que hoje se fazia, os gelados eram os doces mais concorridos num parque soalheiro. Mas hoje deveria ser uma excepção. Encaminhamo-nos na sua direcção e fizemos os nossos pedidos. Passados alguns instantes, já estávamos novamente a andar, eu com um gelado de morango na mãe esquerda e Robert com o seu gelado de chocolate. Nesta altura do dia, o ramo de rosas que estavam sobre o meu braço direito pesava-me e os meus pés começaram a ressentir-se. Sugeri, então, a Robert para descansarmos numa mesa de piquenique, a poucos passos da gelataria.
As poucas árvores que ali estavam sombreavam a mesa na qual nos sentamos. Pousei o ramo sobre ela e espreguicei-me sem cautela a modos. Robert imitou-me. Dei uma olhadela às horas — já começava a fazer-se tarde e tinha de estar em casa dentro de meia hora. Para mim seria uma pena. A tarde estava a ser surpreendentemente animadora e eu estava a adorar a minha prestigiosa companhia. Além disso, no dia seguinte teria aulas. Será que Robert falar-me-ia quando passasse por ele no intervalo? Ou simplesmente me ignoraria como todas as outras vezes? Todas as perguntas em que pensava faziam-me temer pelas respostas.
— Está a ficar tarde para ti, não é?
Ele não desviara a cara para me falar. Estava sentado à minha frente, sobre a mesa, com as pernas suspensas. Tinha o gelado bem firme na sua mão e mirava algo que eu não via. Acho que estava a pensar…
— Pois. — disse, olhando para a cara que não me encarava.
Então, ele desviou a face e voltou-se para mim tão rapidamente, inclinando-se sobre mim, que eu nem tive tempo de me preparar. As nossas faces estavam afastadas por poucos centímetros.
— Artemisa… — a voz dele estava mais doce que nunca. Muito doce. Sentia o meu coração a bombear mais rapidamente que o normal…
— Sim — respondi eu. Os nossos olhares cravaram-se fundo. Vi a íris dele brilhar como um oceano verde cheio de vida. Desejei não ter olhado, pois agora não conseguiria afastar-me daqueles olhos a não ser que ele desviasse o olhar. Tive a sensação que fosse o que fosse que ele me ordenasse eu seguiria. No entanto, vi um ponto escuro nos seus olhos… Seria tristeza?
— Amanhã…
— Amanhã… — o meu coração palpitava a mil à hora, desesperado, ansiando pelo que ele diria e temendo também. Não sabia do que tinha medo, mas sabia que tremia por dentro. Ele continua debruçado sobre mim, demasiado perto, e os meus olhos começavam a não conseguir focar bem a face assoladora que estava à minha frente.
— Queres… — ele colocou a mão quente na minha face. Os meus tremores passaram de dentro para a pele, fazendo os pelos dos meus braços rebitarem. Ele agora sentia que eu tremia e, no meu interior, suplicava que ele se afastasse enquanto desejava que ele não o fizesse. — Queres estar comigo? Para continuarmos a conversar?
Lentamente, ele retirou a mão dele na minha face e sorriu. Só agora reparara que o meu corpo encontrava-se no modo “estátua”. Não me tinha mexido desde que a sua face quase tocava a minha, e o toque dele, um toque que me ferveu todo o corpo, deixara-me rendida.
A brisa da Primavera fazia o meu cabelo esvoaçar. Sentia a frescura a relaxar todos os meus músculos e a acalmar o meu ritmo cardíaco. Ele estava descontraído, a sorrir para mim, à espera de uma resposta à sua pergunta. Mas ainda estava perto. O seu perfume inebriar-me-ia os sentidos, se não fosse o vento a afastá-lo para longe.
— Ok — a expressão saiu-me sem comando sobre ela, como se o meu corpo tivesse tomado a decisão por mim. Não me importara. Eu queria estar com ele, queria mesmo.
— Então, amanhã, no intervalo, estaremos de novo… juntos.
Concordei no meu interior. O “juntos” que Robert proferira deu imensas voltas na minha mente, acabando por ficar retido lá dentro. De certo que mais tarde recordaria e a adrenalina voltaria de novo.
A tarde acabara por fim. Despedi-me de Robert na saída do parque e dirigi-me para casa. Mal cheguei lá, dirigi-me para o meu quarto, não dando importância às insinuações da minha irmã, e deitei-me sobre a minha cama, de cara virada para o tecto branco. Deviam ter-se passado poucos minutos até adormecer.
.o: !! Airam!!
Muito obrigada pelo comentário, nem sabes a alegria que me dá ler isto. Ainda bem que te inspirei, minha querida. E a verdade é que não me acredito muito nisso do "dom". Acho que as minhas histórias não são assim tão boas, mas como me dá prazer escrever e sei que há gente que gosta, posto aqui. 
Mais uma vez muito obrigada pelo comentário.
Capítulo um
(segunda parte)
(segunda parte)
“Só estamos aqui os dois”, repeti para mim mesma. Agora, desejava tremendamente que tivéssemos seguido o caminho para a ponte do lago. Ao menos lá não estaríamos, de certo, sozinhos. A minha súbita apreensão pareceu-me tê-lo divertido ainda mais.
— Vá lá. Eu não aguento uma caminhada sem falar…
— Que queres que eu diga? — indaguei, não desviando o olhar do chão.
— Hum… Que gelado vais escolher quando chegarmos à gelataria?
— Gelado de morango. É o meu sabor preferido. Bem que o de caramelo e o de baunilha também são óptimos. Mas o de morango é o melhor num dia quente. O próprio sabor… — Parei num momento de prazer íntimo que me fez água na boca. A princípio, a gelataria fora apenas um pretexto para não passar naquela ponte “claustrofóbica”, mas agora apetecia-me mesmo um gelado. Não via a hora para comer um.
— O gelado de morango é mesmo óptimo, mas eu prefiro o de chocolate. Sou guloso.
Finalmente, encarei o seu olhar, desviando o meu do chão. Ele sorria e eu começava a questionar-me se ele não faria outra coisa que não sorrir. Desta vez, não caíra na armadilha que aquele rosto me dispunha. Orgulhosa comigo mesma, retomei a conversa, não desviando a minha cara.
— Eu não gosto de chocolate. — Desta vez, fui eu que sorri.
Ele olhou-me com uma surpresa bem visível. Os seus olhos estavam completamente abertos, como se tivesse ouvido a confissão de um crime. Fiquei meia confusa. Era assim tão mau não gostar de chocolate?
— Porquê? Porquê que não gostas de chocolate?
— Porque o chocolate é muito… doce. E tem um sabor… esquisito. E o verdadeiro cacau é uma fruta horrível, super amarga. O chocolate é quase artificial. Não gosto.
Ele ficou a ingerir tudo o que eu dissera… Os seus olhos mostravam-se receosos, mas não olhavam para mim, e sim para algo nas minhas mãos… O ramo. Estranhei esta atitude, e decidi olhar de novo para as rosas que segurava. As gotas que dantes lá se encontravam já haviam secado com o calor do dia, mas elas ainda estavam frescas e suaves, vivaças e vigorosas. Porém, não eram as flores que chamavam a atenção do rapaz a meu lado. Era algo que estava bem mais lá no fundo, bem camuflado pelas pétalas e espinhos das rosas… Com extremo cuidado, enfiei a mão por entre aqueles caules espinhosos e tirei o que quer que fosse que ele colocara lá. Mal a minha mão se tornou visível reparei que os meus dedos seguravam uma caixa castanha. Não precisei de a abrir para saber do que se tratava…
— Ah…
Eu queria fazer um tom de divertimento, mas a minha voz soou mais a um lamurio. Não estava a fazer, obviamente, progressos. Começava a pensar numa desculpa para ir embora e enfiar-me no quarto. Estudar, talvez. Uma sessão de estudo que combinei com colegas e a qual me esquecera completamente. Era uma boa ideia, na minha mente. Mas Robert não me deixara sequer a pronunciá-la.
— Dá cá. — Robert estendia a mão para reaver a caixa. A voz dele soara tão doce aos meus ouvidos…
Dei-lhe a caixa e quando senti os seus dedos a roçarem na minha pele o meu batimento cardíaco acelerou. Durou apenas alguns segundos para ele voltar ao normal. Robert segurava agora a caixa e abria-a. Pegou num bombom que lá estava e levou-o à boca. Mastigou e pegou noutro, levando este a ter o mesmo fim que o anterior. Depois fitou-me, encolhendo os ombros.
— Não se pode estragar, não é? — perguntou-me, com a boca cheia e palavras mal pronunciadas. Mesmo naquele papel de guloso, eu não conseguia deixar de o admirar.
Continuamos a andar pelo caminho deserto e salvaguardado pelas árvores. Já desistira da mentira que estava disposta a dizer, pois agora já não me apetecia sair da companhia dele. O à vontade dele contagiou-me completamente, e continuamos a falar alegremente até chegarmos ao local da gelataria.
A gelataria estava pouco cheia, facto que me surpreendeu. Normalmente, com o calor que hoje se fazia, os gelados eram os doces mais concorridos num parque soalheiro. Mas hoje deveria ser uma excepção. Encaminhamo-nos na sua direcção e fizemos os nossos pedidos. Passados alguns instantes, já estávamos novamente a andar, eu com um gelado de morango na mãe esquerda e Robert com o seu gelado de chocolate. Nesta altura do dia, o ramo de rosas que estavam sobre o meu braço direito pesava-me e os meus pés começaram a ressentir-se. Sugeri, então, a Robert para descansarmos numa mesa de piquenique, a poucos passos da gelataria.
As poucas árvores que ali estavam sombreavam a mesa na qual nos sentamos. Pousei o ramo sobre ela e espreguicei-me sem cautela a modos. Robert imitou-me. Dei uma olhadela às horas — já começava a fazer-se tarde e tinha de estar em casa dentro de meia hora. Para mim seria uma pena. A tarde estava a ser surpreendentemente animadora e eu estava a adorar a minha prestigiosa companhia. Além disso, no dia seguinte teria aulas. Será que Robert falar-me-ia quando passasse por ele no intervalo? Ou simplesmente me ignoraria como todas as outras vezes? Todas as perguntas em que pensava faziam-me temer pelas respostas.
— Está a ficar tarde para ti, não é?
Ele não desviara a cara para me falar. Estava sentado à minha frente, sobre a mesa, com as pernas suspensas. Tinha o gelado bem firme na sua mão e mirava algo que eu não via. Acho que estava a pensar…
— Pois. — disse, olhando para a cara que não me encarava.
Então, ele desviou a face e voltou-se para mim tão rapidamente, inclinando-se sobre mim, que eu nem tive tempo de me preparar. As nossas faces estavam afastadas por poucos centímetros.
— Artemisa… — a voz dele estava mais doce que nunca. Muito doce. Sentia o meu coração a bombear mais rapidamente que o normal…
— Sim — respondi eu. Os nossos olhares cravaram-se fundo. Vi a íris dele brilhar como um oceano verde cheio de vida. Desejei não ter olhado, pois agora não conseguiria afastar-me daqueles olhos a não ser que ele desviasse o olhar. Tive a sensação que fosse o que fosse que ele me ordenasse eu seguiria. No entanto, vi um ponto escuro nos seus olhos… Seria tristeza?
— Amanhã…
— Amanhã… — o meu coração palpitava a mil à hora, desesperado, ansiando pelo que ele diria e temendo também. Não sabia do que tinha medo, mas sabia que tremia por dentro. Ele continua debruçado sobre mim, demasiado perto, e os meus olhos começavam a não conseguir focar bem a face assoladora que estava à minha frente.
— Queres… — ele colocou a mão quente na minha face. Os meus tremores passaram de dentro para a pele, fazendo os pelos dos meus braços rebitarem. Ele agora sentia que eu tremia e, no meu interior, suplicava que ele se afastasse enquanto desejava que ele não o fizesse. — Queres estar comigo? Para continuarmos a conversar?
Lentamente, ele retirou a mão dele na minha face e sorriu. Só agora reparara que o meu corpo encontrava-se no modo “estátua”. Não me tinha mexido desde que a sua face quase tocava a minha, e o toque dele, um toque que me ferveu todo o corpo, deixara-me rendida.
A brisa da Primavera fazia o meu cabelo esvoaçar. Sentia a frescura a relaxar todos os meus músculos e a acalmar o meu ritmo cardíaco. Ele estava descontraído, a sorrir para mim, à espera de uma resposta à sua pergunta. Mas ainda estava perto. O seu perfume inebriar-me-ia os sentidos, se não fosse o vento a afastá-lo para longe.
— Ok — a expressão saiu-me sem comando sobre ela, como se o meu corpo tivesse tomado a decisão por mim. Não me importara. Eu queria estar com ele, queria mesmo.
— Então, amanhã, no intervalo, estaremos de novo… juntos.
Concordei no meu interior. O “juntos” que Robert proferira deu imensas voltas na minha mente, acabando por ficar retido lá dentro. De certo que mais tarde recordaria e a adrenalina voltaria de novo.
A tarde acabara por fim. Despedi-me de Robert na saída do parque e dirigi-me para casa. Mal cheguei lá, dirigi-me para o meu quarto, não dando importância às insinuações da minha irmã, e deitei-me sobre a minha cama, de cara virada para o tecto branco. Deviam ter-se passado poucos minutos até adormecer.
ai filhota
.o:
desenvolveste a tua fic weee
eu tambem nao gosto muito de gelado de chocolate, nem de morango, prefiro e de baunilha
LunaR, gostei imenso e estou á espera do proximo capitulo e que me surpreendas pela historia, mas tambem pela escrita para ver os melhoramentos
e acho bem que a tua irma nao te deixe desistir porque se ela vacilar, quem faz a parte dela sou eu
continua assim filhota ^-^
.o: desenvolveste a tua fic weee
eu tambem nao gosto muito de gelado de chocolate, nem de morango, prefiro e de baunilha

LunaR, gostei imenso e estou á espera do proximo capitulo e que me surpreendas pela historia, mas tambem pela escrita para ver os melhoramentos
e acho bem que a tua irma nao te deixe desistir porque se ela vacilar, quem faz a parte dela sou eu
continua assim filhota ^-^

markikita, minha mãe aka marki!!
.o: Obrigada pelas palavras sinceras. Ainda bem que estás a gostar e acredita, vou empenhar'me em melhorar a minha escrita o melhor que consigo. Obrigada também pelo apoio dado. É sempre motivador ver comentários em que nos incentivam a continuar.
icieWind, não tenho palavras para te dizer, minha linda. Tu sempre me apoias em tudo e agradeço'te tanto por isso. Obrigada, meu anjo. E nem sabes como fico contente em saber que te inspiro. Não contava mesmo com isso.Um muito obrigado a todas as pessoas que comentaram até agora a minha fic e àqueles que não comentam mas lêem-na e gostam. É para vocês este novo capítulo. 
Sem sonhos… e sem sono. Foi assim a minha noite.
O dia já tinha começado mal. Acordei às quatro horas da manha e a primeira coisa que o meu cérebro pensou tinha um nome: Robert Petreli. Fiquei demasiado ansiosa para conseguir dormir novamente. Conformada com a minha falta de sono, o meu cérebro pensou num segundo acontecimento: tinha dormido com a roupa do dia anterior, sem sequer vestir o pijama. Que coisa mais deprimente do mundo. Levantei-me da cama e dirigi-me à casa de banho.
Ao ver-me ao espelho, comecei a ficar cada vez mais horrorizada com o que descobria na minha face… Os meus olhos cinzentos estavam a ser adornados com umas olheiras roxas escuras que combinavam estranhamente com as minhas sobrancelhas pretas. Os meus lábios estavam secos e com lascas a saírem por todos o lado: cieiro. E no meu nariz uma borbulhinha vermelha minúscula, mas bem visível, dava sinais de vida. Só o meu cabelo negro se safava, sempre impecavelmente liso e sedoso, mesmo sem ter tomado ainda banho.
Certa do tempo que dispunha, despi-me e fui para a banheira. Os meus músculos reagiram imediatamente à água quente, relaxando. A água abraçava-me como um amante abraça uma mulher, tocando em todas as células disponíveis do meu corpo e deixando lá a sua marca. Lavei-me calmamente, com o sabonete e o meu shampoo de frutos silvestres (cujo odor eu adorava) e saí do banho. Sequei o meu cabelo preto com uma toalha e envolvi o meu corpo com outra.
Olhei de novo para a minha imagem reflectida no espelho da casa de banho e pareceu-me não estar tão mal como a minha primeira apreciação. A pequena borbulha dava-me uma certa repugnância e não tinha nada para a tratar… Ou tinha? Lembrei-me de uma vez na escola terem falado na magia da pasta dos dentes, que tratava com eficácia as espinhas e borbulhas indesejáveis. Peguei na pasta dos dentes e coloquei uma pequena porção no dedo, besuntando, de seguida, a zona da borbulha. Deixei-me estar assim enquanto lavei os dentes e penteei o cabelo. A zona da borbulha ardia-me, mas decidi esperar pelo resultado. Coloquei batom do cieiro nos lábios e um creme especial na zona das olheiras.
No meu quarto vesti um pijama (ainda era cedo demais para vestir a roupa do dia) e dirigi-me à sala de estar, virando à esquerda. Fui pé ante pé pelo corredor para não despertar a minha irmã e os meus pais e sentei-me no sofá mal cheguei à sala. Acendi a luz ao meu lado e peguei num livro sobre lendas que o meu pai comprara recentemente, apesar de este já ser muito antigo. Abri o livro e reparei na cor das páginas e na sua textura. Eram meio amareladas e as folhas eram espessas, resistentes aos danos do tempo. Folheei algumas páginas e comecei a seleccionar os títulos que mais me interessaram, para depois voltar a trás e ler minuciosamente. Eles eram todos simples nomes de deuses, lugares e animais mitológicos. Resolvi-me por ver os animais, pois sempre adorei a imaginação dos humanos para inventar novas criaturas, e guardei mentalmente os que mais me interessaram: Fénix, Cérbero, Basilisco, Grindylow, Pégaso e Dragão. Havia também sobre Unicórnios, Centauros e outros animais míticos, mas esses ou já conhecia ou simplesmente não me interessara.
Já com a lista na minha mente, comecei por ver o primeiro nome dela: a Fénix. A página tinha um pequeno texto:
FÉNIX
Pássaro da mitologia grega e egípcia. Tem penas brilhantes, douradas e vermelho arroxeadas e é maior ou do mesmo tamanho que uma águia. O seu período de vida, segundo alguns, é de 500 anos, mas outros pensam ser de 97 200 anos. Quando esta ave sente a morte constrói uma pira funerária de ramos de canela, salva e mirra e passado um tempo renasce das suas próprias cinzas. Após esta reencarnação, Fénix leva as cinzas da sua progenitora ao altar do Deus Sol. A vida longa da Fénix e o seu dramático renascimento das próprias cinzas transformaram-na em símbolo da imortalidade e do renascimento espiritual. Outra característica da Fénix é a sua poderosa força, havendo lendas em que esta chega a transportar elefantes.
"Existe outro pássaro sagrado, também, cujo nome é Fénix. Eu mesmo nunca o vi, apenas figuras dele. O pássaro raramente vem ao Egipto, uma vez a cada cinco séculos, como diz o povo de Helíopolis. É dito que a Fénix vem quando seu pai morre. Se o retrato mostra verdadeiramente seu tamanho e aparência, sua plumagem é em parte dourado e em parte vermelho. É parecido com uma águia em sua forma e tamanho. O que dizem que este pássaro é capaz de fazer é incrível para mim. Voa da Arábia para o templo de Hélio (o Sol), dizem, ele encerra seu pai em um ovo de mirra e enterra-o no templo de Hélio. Isto é como dizem: primeiramente molda um ovo de mirra tão pesado quanto pode carregar, então abre cavidades no ovo e coloca os restos de seu pai nele, selando o ovo. E dizem, ele encerra o ovo no templo do Sol no Egipto. Isto é o que se diz que este pássaro faz." - Heródoto.
Havia uma imagem na página ao lado que a ocupava quase por inteiro. Na legenda dizia “Na beleza o perigo, na graciosidade a força - Fénix”. Na imagem via-se o desenho de uma ave. Esta tinha um bico de águia e olhos astutos, que demonstravam a sabedoria de séculos. As suas asas eram enormes e bem ornamentadas. As mais lindas que alguma vez tinha visto. A cauda era longa e ainda mais vistosa que as asas. A sua postura era graciosa e quase da realeza. Fiquei longos minutos a olhar para tamanha beleza.
Mal acabei o meu estudo daquela imagem, pousei o livro sobre a mesa da sala, decidindo ler mais tarde o resto, pois começara a ficar de novo com sono e o frio já me gelara o corpo. Olhei para as horas: seis da manhã. Só teria mais uma hora para dormir.
Fui à casa de banho para tirar a pasta dos dentes do nariz. Mal tirei com água vi que a pasta surtira efeito: já não havia borbulha. Satisfeita, fui para o meu quarto e meti-me na cama, aquecendo-me de imediato. A seguir fechei os olhos e deixei-me levar pelo sono.
— Acorda Artemisa! O pequeno-almoço vai arrefecer e tu vais chegar tarde às aulas!
Notei na sua voz que a minha mãe gritava, mas mesmo assim ouvia apenas um murmurinho nos ouvidos…
— Oh mãe, assim não a acordas. Ela só acorda se ouvir o nome Robert Pe…
Abri os olhos e sentei-me mal ouvi a minha irmã a pronunciar o nome que me mantivera acordada durante duas horas naquela noite. Tive uma pequena tontura devido ao súbito movimento, levantando-me da cama mal esta passou.
— Eu não disse? — A minha irmã estava com um ar como se tivesse vencido o campeonato e o seu nariz arrebitado ficava, naquela cena, na perfeição, mas a minha mãe já não tinha ouvido, saindo do quarto mal eu me levantara. Teria contestado se não estivesse tão atrasada.
— Sue, saí do meu quarto. Preciso de me vestir — exigi, enquanto ia directa ao guarda-vestidos procurar uma roupa adequada.
— Ok, ok, donzela em apuros — disse ela. Saiu e fechou a porta levemente. A minha irmã podia ser muito teimosa em certas circunstâncias, mas por vezes a sua sensatez impunha-se. Este fora um desses casos de sorte, em que ela percebeu que para me atrasar já bastava o próprio tempo.
— Roupa, roupa… — dizia para mim, enquanto procurava algo para vestir — Roupa… Raios!
O meu guarda-vestidos era pouco preenchido, comparando com um guarda-vestidos de uma rapariga da minha idade. Nunca gostei de me arranjar, já que a timidez era um problema que tinha diariamente. Quanto mais despercebida passasse, melhor. Mas naquele momento, desejei com todas as forças ter algo feminino e mais notável para vestir. Algo prático. Mas não, não tinha nada. Raios! Só tinha calças de ganga, camisola de manga comprida sem feitio nenhum e casacos enormes que tapavam tudo o que houvesse para tapar. Este dia estava destinado a ser uma desgraça.
Alguém bateu à porta.
— Agora não — gritei, começando a ficar desesperada.
Voltaram a bater, desta vez com maior insistência. A voz calma da minha irmã surpreendeu-me.
— Artemisa. Posso abrir?
Era de estranhar ela estar tão calma.
— Que queres, Sue?
Um leve momento de silêncio. Quando ela falou, notei alguma… timidez?
— Bem… Eu sei que tu não gostas de ser muito feminina, por isso não confio muito no teu guarda-vestidos… — Explicava. Tinha a certeza que ela me iria gozar por não ter nada para vestir. — Por isso trouxe-te uma roupinha para ti. És mais magra que eu, por isso isto deve servir-te… E acho que fica…
.o: Obrigada pelas palavras sinceras. Ainda bem que estás a gostar e acredita, vou empenhar'me em melhorar a minha escrita o melhor que consigo. Obrigada também pelo apoio dado. É sempre motivador ver comentários em que nos incentivam a continuar.icieWind, não tenho palavras para te dizer, minha linda. Tu sempre me apoias em tudo e agradeço'te tanto por isso. Obrigada, meu anjo. E nem sabes como fico contente em saber que te inspiro. Não contava mesmo com isso.
Spoiler
E é claro que te ajudo com a fic!! Não teria maior prazer!

Capítulo dois
(parte um)
(parte um)
Sem sonhos… e sem sono. Foi assim a minha noite.
O dia já tinha começado mal. Acordei às quatro horas da manha e a primeira coisa que o meu cérebro pensou tinha um nome: Robert Petreli. Fiquei demasiado ansiosa para conseguir dormir novamente. Conformada com a minha falta de sono, o meu cérebro pensou num segundo acontecimento: tinha dormido com a roupa do dia anterior, sem sequer vestir o pijama. Que coisa mais deprimente do mundo. Levantei-me da cama e dirigi-me à casa de banho.
Ao ver-me ao espelho, comecei a ficar cada vez mais horrorizada com o que descobria na minha face… Os meus olhos cinzentos estavam a ser adornados com umas olheiras roxas escuras que combinavam estranhamente com as minhas sobrancelhas pretas. Os meus lábios estavam secos e com lascas a saírem por todos o lado: cieiro. E no meu nariz uma borbulhinha vermelha minúscula, mas bem visível, dava sinais de vida. Só o meu cabelo negro se safava, sempre impecavelmente liso e sedoso, mesmo sem ter tomado ainda banho.
Certa do tempo que dispunha, despi-me e fui para a banheira. Os meus músculos reagiram imediatamente à água quente, relaxando. A água abraçava-me como um amante abraça uma mulher, tocando em todas as células disponíveis do meu corpo e deixando lá a sua marca. Lavei-me calmamente, com o sabonete e o meu shampoo de frutos silvestres (cujo odor eu adorava) e saí do banho. Sequei o meu cabelo preto com uma toalha e envolvi o meu corpo com outra.
Olhei de novo para a minha imagem reflectida no espelho da casa de banho e pareceu-me não estar tão mal como a minha primeira apreciação. A pequena borbulha dava-me uma certa repugnância e não tinha nada para a tratar… Ou tinha? Lembrei-me de uma vez na escola terem falado na magia da pasta dos dentes, que tratava com eficácia as espinhas e borbulhas indesejáveis. Peguei na pasta dos dentes e coloquei uma pequena porção no dedo, besuntando, de seguida, a zona da borbulha. Deixei-me estar assim enquanto lavei os dentes e penteei o cabelo. A zona da borbulha ardia-me, mas decidi esperar pelo resultado. Coloquei batom do cieiro nos lábios e um creme especial na zona das olheiras.
No meu quarto vesti um pijama (ainda era cedo demais para vestir a roupa do dia) e dirigi-me à sala de estar, virando à esquerda. Fui pé ante pé pelo corredor para não despertar a minha irmã e os meus pais e sentei-me no sofá mal cheguei à sala. Acendi a luz ao meu lado e peguei num livro sobre lendas que o meu pai comprara recentemente, apesar de este já ser muito antigo. Abri o livro e reparei na cor das páginas e na sua textura. Eram meio amareladas e as folhas eram espessas, resistentes aos danos do tempo. Folheei algumas páginas e comecei a seleccionar os títulos que mais me interessaram, para depois voltar a trás e ler minuciosamente. Eles eram todos simples nomes de deuses, lugares e animais mitológicos. Resolvi-me por ver os animais, pois sempre adorei a imaginação dos humanos para inventar novas criaturas, e guardei mentalmente os que mais me interessaram: Fénix, Cérbero, Basilisco, Grindylow, Pégaso e Dragão. Havia também sobre Unicórnios, Centauros e outros animais míticos, mas esses ou já conhecia ou simplesmente não me interessara.
Já com a lista na minha mente, comecei por ver o primeiro nome dela: a Fénix. A página tinha um pequeno texto:
FÉNIX
Pássaro da mitologia grega e egípcia. Tem penas brilhantes, douradas e vermelho arroxeadas e é maior ou do mesmo tamanho que uma águia. O seu período de vida, segundo alguns, é de 500 anos, mas outros pensam ser de 97 200 anos. Quando esta ave sente a morte constrói uma pira funerária de ramos de canela, salva e mirra e passado um tempo renasce das suas próprias cinzas. Após esta reencarnação, Fénix leva as cinzas da sua progenitora ao altar do Deus Sol. A vida longa da Fénix e o seu dramático renascimento das próprias cinzas transformaram-na em símbolo da imortalidade e do renascimento espiritual. Outra característica da Fénix é a sua poderosa força, havendo lendas em que esta chega a transportar elefantes.
"Existe outro pássaro sagrado, também, cujo nome é Fénix. Eu mesmo nunca o vi, apenas figuras dele. O pássaro raramente vem ao Egipto, uma vez a cada cinco séculos, como diz o povo de Helíopolis. É dito que a Fénix vem quando seu pai morre. Se o retrato mostra verdadeiramente seu tamanho e aparência, sua plumagem é em parte dourado e em parte vermelho. É parecido com uma águia em sua forma e tamanho. O que dizem que este pássaro é capaz de fazer é incrível para mim. Voa da Arábia para o templo de Hélio (o Sol), dizem, ele encerra seu pai em um ovo de mirra e enterra-o no templo de Hélio. Isto é como dizem: primeiramente molda um ovo de mirra tão pesado quanto pode carregar, então abre cavidades no ovo e coloca os restos de seu pai nele, selando o ovo. E dizem, ele encerra o ovo no templo do Sol no Egipto. Isto é o que se diz que este pássaro faz." - Heródoto.
Havia uma imagem na página ao lado que a ocupava quase por inteiro. Na legenda dizia “Na beleza o perigo, na graciosidade a força - Fénix”. Na imagem via-se o desenho de uma ave. Esta tinha um bico de águia e olhos astutos, que demonstravam a sabedoria de séculos. As suas asas eram enormes e bem ornamentadas. As mais lindas que alguma vez tinha visto. A cauda era longa e ainda mais vistosa que as asas. A sua postura era graciosa e quase da realeza. Fiquei longos minutos a olhar para tamanha beleza.
Mal acabei o meu estudo daquela imagem, pousei o livro sobre a mesa da sala, decidindo ler mais tarde o resto, pois começara a ficar de novo com sono e o frio já me gelara o corpo. Olhei para as horas: seis da manhã. Só teria mais uma hora para dormir.
Fui à casa de banho para tirar a pasta dos dentes do nariz. Mal tirei com água vi que a pasta surtira efeito: já não havia borbulha. Satisfeita, fui para o meu quarto e meti-me na cama, aquecendo-me de imediato. A seguir fechei os olhos e deixei-me levar pelo sono.
— Acorda Artemisa! O pequeno-almoço vai arrefecer e tu vais chegar tarde às aulas!
Notei na sua voz que a minha mãe gritava, mas mesmo assim ouvia apenas um murmurinho nos ouvidos…
— Oh mãe, assim não a acordas. Ela só acorda se ouvir o nome Robert Pe…
Abri os olhos e sentei-me mal ouvi a minha irmã a pronunciar o nome que me mantivera acordada durante duas horas naquela noite. Tive uma pequena tontura devido ao súbito movimento, levantando-me da cama mal esta passou.
— Eu não disse? — A minha irmã estava com um ar como se tivesse vencido o campeonato e o seu nariz arrebitado ficava, naquela cena, na perfeição, mas a minha mãe já não tinha ouvido, saindo do quarto mal eu me levantara. Teria contestado se não estivesse tão atrasada.
— Sue, saí do meu quarto. Preciso de me vestir — exigi, enquanto ia directa ao guarda-vestidos procurar uma roupa adequada.
— Ok, ok, donzela em apuros — disse ela. Saiu e fechou a porta levemente. A minha irmã podia ser muito teimosa em certas circunstâncias, mas por vezes a sua sensatez impunha-se. Este fora um desses casos de sorte, em que ela percebeu que para me atrasar já bastava o próprio tempo.
— Roupa, roupa… — dizia para mim, enquanto procurava algo para vestir — Roupa… Raios!
O meu guarda-vestidos era pouco preenchido, comparando com um guarda-vestidos de uma rapariga da minha idade. Nunca gostei de me arranjar, já que a timidez era um problema que tinha diariamente. Quanto mais despercebida passasse, melhor. Mas naquele momento, desejei com todas as forças ter algo feminino e mais notável para vestir. Algo prático. Mas não, não tinha nada. Raios! Só tinha calças de ganga, camisola de manga comprida sem feitio nenhum e casacos enormes que tapavam tudo o que houvesse para tapar. Este dia estava destinado a ser uma desgraça.
Alguém bateu à porta.
— Agora não — gritei, começando a ficar desesperada.
Voltaram a bater, desta vez com maior insistência. A voz calma da minha irmã surpreendeu-me.
— Artemisa. Posso abrir?
Era de estranhar ela estar tão calma.
— Que queres, Sue?
Um leve momento de silêncio. Quando ela falou, notei alguma… timidez?
— Bem… Eu sei que tu não gostas de ser muito feminina, por isso não confio muito no teu guarda-vestidos… — Explicava. Tinha a certeza que ela me iria gozar por não ter nada para vestir. — Por isso trouxe-te uma roupinha para ti. És mais magra que eu, por isso isto deve servir-te… E acho que fica…
Abri imediatamente a porta, sobressaltando a minha irmã. Das suas mãos pendia algo branco, mas não consegui distinguir o que era. Ela fez um sorriso matreiro e entrou no meu quarto. Fechei a porta, sem tirar os olhos dela, admirada pelo seu acto de altruísmo por mim. Ela segurou com a ponta dos dedos o que erguia para mostrar o objecto à minha frente, abismando-me por completo. O vestido era perfeito! Branco, com pregas leves em baixo, com alças e era adornado por pequenas ondas pretas, colocadas dos lados e que davam para trás, dando ao vestido um aspecto desportivo, prático e, acima de tudo, feminino.
Ela olhava-me com agrado, vendo a minha admiração.
— É do ano passado, quando andei no ténis e fui àquela competição nacional. A mãe comprou-mo de propósito para a ocasião. Nunca mais o usei, mas a ti deve-te ficar muitíssimo bem, já que és mais magra que eu. Ficas confortabilíssima, é prático e impressionas. E não me olhes com essa cara, que eu sei que queres impressionar o Robert — reprimiu-me, depois de eu ter olhado para ela de soslaio. — Pega.
Estendeu-me o vestido e eu peguei nele. Era de algodão e parecia ser bastante confortável.
— Obrigada Sue. Muito obrigada mesmo. Nem acredito que fizeste mesmo isto.
— Pois, nem eu. Por isso aproveita hoje, que isto não é todos os dias. Amanhã vais com o que tens!
Ela piscou-me o olho e saiu do quarto, fechando a porta.
Demorei um pouco com os olhos fixos na porta, à espera que ela voltasse para reaver o vestido, que mudasse de ideias… Ela não voltou. Despi o pijama que vestira há três horas e enfiei o vestido. A minha irmã tinha razão, aquele vestido assentava-me perfeitamente, dando vida às minhas curvas e beleza às minhas pernas musculadas. Não tinha mais tempo para olhar-me ao espelho e calcei umas meias brancas pequenas e umas sapatilhas pretas com um pequeno símbolo tribal branco, do lado de fora. Não vesti qualquer tipo de meia calça, já que devido à natação tinhas as pernas bem depiladas.
Quase a correr fui para a casa de banho. Os meus pais já tinham saído de casa para os devidos empregos, de modo que tive a casa de banho para mim. No espelho, vi que da borbulha já não havia sinais e os lábios estavam quase no normal. Já as olheiras eram visíveis, mas não estavam tão más como de manhã, sendo agora apenas uma sombra muito leve sobre os meus olhos e que, por acaso, até ficava bem. Lavei a cara e os dentes, coloquei outra camada de creme sobre as olheiras e pus de novo o batom do cieiro. Penteei o cabelo e decidi levá-lo solto. Voltei ao quarto numa correria e pus uma bandolete cinzenta para combinar com os meus olhos e um punho preto que, como as sapatilhas, tinha um símbolo tribal branco. Fora a primeira vez na minha vida que estive atenta ao que combinava e não combinava com a roupa, surpreendendo-me comigo mesma. Saí do quarto e virei à direita, indo para a cozinha.
— Os cereais já estão frios — disse Sue, sentada à minha frente, com a sua taça de cereais vazia.
— Não devias já ter ido para a escola? — perguntei, mas não num tom agressivo. Depois do que ela fizera por mim, estava-lhe eternamente grata.
— Ontem não me chegaste a contar o que aconteceu no parque. Como correu o encontro com o Robert?
Meti uma colher de leite e cereais à boca. Ela tinha razão, eles estavam frios, mas não tinha tempo para fazer mais nada, logo tinha de resignar-me a comer aqueles.
— O que te faz crer que tens alguma coisa a ver com isso? — indaguei-a, com a colher na minha mão.
Ela fez um sorriso trocista, como se a resposta fosse óbvia.
— Fiquei a suportar o tio Éric enquanto ele cá esteve. Ele consegue ser bem entediante, não sei como aguentas.
— O tio Éric é uma óptima pessoa, muito culta que gosta de ler, como eu — defendi.
O tio Éric era mesmo uma óptima companhia. Tinha sempre livros novos para aconselhar e aventuras incríveis para contar, muitas delas relacionadas com alquimia, assunto que sempre me interessou. Apesar dos seus 45 anos, era um óptimo confidente e nunca se importou que eu fosse tímida e pouco faladora.
— Pois, mas tu sabes como é aborrecido para mim ficar em casa a conviver com pessoas que não me despertam curiosidade, a ouvir histórias enfadonhas e a fingir sorrisos solenes enquanto a minha irmã anda de braço dado com o namorado a passear no parque — o seu tom de voz subira à medida que fora falando.
Tinha acabado de comer os cereais mesmo antes de ela terminar o seu discurso. Quando terminou, inclinei-me sobre a mesa na sua direcção, fincando o seu olhar no meu.
— Estás a ser egoísta, Sue. Tu sempre saíste com os teus amigos e namorados quando quiseste e eu nunca vim com essas insinuações para cima de ti. Além disso, o Robert não é meu namorado. É um amigo — disse tranquilamente. A seguir levantei-me, peguei na taça e pu-la sobre o lava-loiça. — E agora, menina, para a escola. Não sei como ainda estás aqui!
Ela levantou-se e saiu da cozinha mesmo à minha frente. Fui à sala num instante buscar a mochila e depois saí de casa a correr, para conseguir apanhar a camioneta.
Quando cheguei à paragem da camioneta da escola, esta chegou mesmo segundos depois, dando-me a noção do quanto eu estivera perto de perdê-la. Ao entrar, o motorista olhou para mim de alto a baixo. Senti-me pouco à vontade e avancei logo, sem dar oportunidade ao motorista para falar. Antes de me sentar olhei para os que já lá dentro se encontravam. Todos olhavam para mim. Apenas uma rapariga ao fundo, que andava sempre sozinha, não desviou o olhar da janela. Sentei-me apressadamente, tentando desviar, em vão, as atenções sobre mim.
Começava a achar que tinha exagerado nas minhas vestimentas, quando chegamos à paragem de uma das minhas amigas. Ela entrou atrapalhadamente (como sempre) e quase que caiu sobre um rapaz que estava atrás dela. Ri-me para mim mesma, enquanto ela pedia desculpas ao rapaz atrás dela. Mal me viu, foi sentar-se ao meu lado. Antes de dizer alguma coisa olhou para mim de alto a baixo, como o motorista fizera. Eu corei perante aquele olhar.
— Bem… — disse ela exagerando no “e”. — Estou surpresa.
— Não precisas de fazer essa cara, Louise. Não estou assim tão diferente — reprimi.
— Desculpa, mas eu nunca te tinha visto nem com bandolete, nem com as pernas assim e muito menos com um vestido que te dá acima do joelho!
Louise tinha 17 anos, tal como eu, e andávamos na mesma turma. Ela tinha cabelo castanho curto e certinho, com repas, e sempre com uma bandolete preta na cabeça. Os seus olhos eram castanho mel, usava óculos e tinha algumas sardas na cara, que lhe davam o aspecto de boneca. Tinha também uma pele muito clara e era muito distraída, o que fazia que fosse atrapalhada. Era divertida, dinâmica e muito aventureira. Vivia com o avô que a adorava e o seu maior sonho era aprender alquimia, apesar do avô a ter proibido.
— Então aproveita, porque é a primeira e a última vez que me vez assim.
Virei a cara para a janela, a ver a paisagem a passar por mim e a pensar que fizera mesmo muito mal em ter trazido aquele vestido. Os meus colegas de turma gozariam com o meu aspecto ou então fariam muito pior: adorariam. Os professores pensariam que eu estava a ter más companhias. As funcionárias coscuvilheiras andariam a comentar a minha mudança. E o Robert…
— Oh não…
Louise olhava para mim curiosa. Quando lhe dirigi o meu olhar, ela deve ter-se assustado com a minha expressão, pois mostrava-se preocupada.
— Artemisa, o que se passa…?
O meu cérebro pensava à velocidade da luz e eu ficava cada vez mais angustiada. O que fora eu fazer? Além de todos acharem que eu enlouquecera, Robert achar-me-ia uma oferecida, saberia que gostava dele mais do que por amiga (e era bem verdade) e dar-me-ia com os pés ou então entraria no jogo de sedução, para depois me deixar e eu sair magoada de tudo isto. Seria uma catástrofe!
— Passa-se tudo! — Eu estava atónita.
— Sê mais específica, por favor…
— Eu não posso chegar à escola vestida assim — sussurrei, com a voz a falhar-me. Mais ninguém precisava de ouvir a minha tragédia. Ela pareceu não estar a compreender o drama que fazia — Se eu aparecer assim… O Robert vai pensar que não passo de mais uma fã dele, que sou uma oferecida e vai perder todo o interesse, se é que ele tem, por mim!
Agora sim, estava desesperada. Fiquei com falta de ar, o sangue fluía-me mais rapidamente e a minha mente bloqueara: não sabia o que fazer. A minha visão começou a ficar baça, devido à súbita carga de água que ascendeu aos meus olhos. Louise colocou a mão sobre o meu rosto, mas aquele gesto, que certamente seria para me tranquilizar, ainda fizera pior. Lembrou-me um dia caloroso, num parque cheio de vida, e um toque que me fervera por dentro, levando-me aos recantos mais íntimos do meu ser. O toque de Robert no dia anterior… Nunca mais teria de novo aquilo. A água transbordou, transformando-se em lágrimas de angústia. Louise reparou que eu começava a chorar e abraçou-me da melhor maneira que as cadeiras daquela camioneta permitiam.
— Oh rapariga, não precisas de ficar assim! Por favor, controla-te! — A voz dela estava calma, mas autoritária. Ela não percebia que eu estava prestes a ter a maior tragédia da minha vida?
— Ele vai achar que sou uma idiota…
Ela pôs as suas mãos sobre os meus ombros.
— Artemisa, olha para mim — ordenou. Eu obedeci àquela ordem, com uma nova camada de água a subir-me aos olhos enquanto outra ia ao encontro da minha boca. — Tu estás a ser melodramática! Completamente hiperbólica!
— Não, não estou! Tu sabes que eu tenho razão. Eu nunca vesti um vestido na vida a não ser no meu baptizado! E eu não estou a ser histérica, até estou a falar baixo.
Ela suspirou, inclinando-se para baixo com os olhos fechados. Depois encarou-me de novo.
— Primeiro, hiperbólica não é ser histérica, é ser exagerada. Segundo, tu estás fantástica e fizeste muito bem em vestir um vestido. Só não contava ver-te assim, pois sei que és tímida e que para ti isto deve ser uma tortura. — Fez uma pausa e suspirou de novo. — E isto leva-nos ao terceiro ponto: tu não estás habituada a vestir um vestido e por isso estás a ser pessimista, exagerada e completamente paranóica. Pára de te torturar com o que os outros vão pensar e fazer e olha para ti! — Ela afastou-se de mim e ergueu as mãos com a palma virada para cima a apontar na minha direcção — Estás fantástica! E eu estou-me a tornar repetitiva, ao dizer isto.
— Achas mesmo? — Questionei, começando a limpar as lágrimas da cara. Será que estava a ser mesmo paranóica e exagerada? Só de pensar no que Robert poderia pensar de mim…
— Acredita, Artemisa, estás. Por favor, o rapaz adora-te e…
— O quê?
Ela corou. Percebi que dera com a língua nos dentes. O meu coração voltou a bater desenfreadamente como momentos antes, mas desta vez não era de dor, mas sim de alegria. Corei também e encostei-me ao meu assento, olhando para a janela e tentando situar-me onde estava, ficando surpreendida ao saber que estávamos quase a chegar ao colégio onde andava.
— Apenas te digo para não te preocupares com esse tipo de coisas fúteis.
Ela estava também encostada ao seu assento, a falar baixinho e a mexer as mãos enquanto falava, como sempre fazia quando não sabia muito bem o que dizer.
Ficamos caladas durante o resto de percurso. Quando chegamos ao colégio, fui a última a sair do meu lugar, ainda com uma certa vergonha.
Ela olhava-me com agrado, vendo a minha admiração.
— É do ano passado, quando andei no ténis e fui àquela competição nacional. A mãe comprou-mo de propósito para a ocasião. Nunca mais o usei, mas a ti deve-te ficar muitíssimo bem, já que és mais magra que eu. Ficas confortabilíssima, é prático e impressionas. E não me olhes com essa cara, que eu sei que queres impressionar o Robert — reprimiu-me, depois de eu ter olhado para ela de soslaio. — Pega.
Estendeu-me o vestido e eu peguei nele. Era de algodão e parecia ser bastante confortável.
— Obrigada Sue. Muito obrigada mesmo. Nem acredito que fizeste mesmo isto.
— Pois, nem eu. Por isso aproveita hoje, que isto não é todos os dias. Amanhã vais com o que tens!
Ela piscou-me o olho e saiu do quarto, fechando a porta.
Demorei um pouco com os olhos fixos na porta, à espera que ela voltasse para reaver o vestido, que mudasse de ideias… Ela não voltou. Despi o pijama que vestira há três horas e enfiei o vestido. A minha irmã tinha razão, aquele vestido assentava-me perfeitamente, dando vida às minhas curvas e beleza às minhas pernas musculadas. Não tinha mais tempo para olhar-me ao espelho e calcei umas meias brancas pequenas e umas sapatilhas pretas com um pequeno símbolo tribal branco, do lado de fora. Não vesti qualquer tipo de meia calça, já que devido à natação tinhas as pernas bem depiladas.
Quase a correr fui para a casa de banho. Os meus pais já tinham saído de casa para os devidos empregos, de modo que tive a casa de banho para mim. No espelho, vi que da borbulha já não havia sinais e os lábios estavam quase no normal. Já as olheiras eram visíveis, mas não estavam tão más como de manhã, sendo agora apenas uma sombra muito leve sobre os meus olhos e que, por acaso, até ficava bem. Lavei a cara e os dentes, coloquei outra camada de creme sobre as olheiras e pus de novo o batom do cieiro. Penteei o cabelo e decidi levá-lo solto. Voltei ao quarto numa correria e pus uma bandolete cinzenta para combinar com os meus olhos e um punho preto que, como as sapatilhas, tinha um símbolo tribal branco. Fora a primeira vez na minha vida que estive atenta ao que combinava e não combinava com a roupa, surpreendendo-me comigo mesma. Saí do quarto e virei à direita, indo para a cozinha.
— Os cereais já estão frios — disse Sue, sentada à minha frente, com a sua taça de cereais vazia.
— Não devias já ter ido para a escola? — perguntei, mas não num tom agressivo. Depois do que ela fizera por mim, estava-lhe eternamente grata.
— Ontem não me chegaste a contar o que aconteceu no parque. Como correu o encontro com o Robert?
Meti uma colher de leite e cereais à boca. Ela tinha razão, eles estavam frios, mas não tinha tempo para fazer mais nada, logo tinha de resignar-me a comer aqueles.
— O que te faz crer que tens alguma coisa a ver com isso? — indaguei-a, com a colher na minha mão.
Ela fez um sorriso trocista, como se a resposta fosse óbvia.
— Fiquei a suportar o tio Éric enquanto ele cá esteve. Ele consegue ser bem entediante, não sei como aguentas.
— O tio Éric é uma óptima pessoa, muito culta que gosta de ler, como eu — defendi.
O tio Éric era mesmo uma óptima companhia. Tinha sempre livros novos para aconselhar e aventuras incríveis para contar, muitas delas relacionadas com alquimia, assunto que sempre me interessou. Apesar dos seus 45 anos, era um óptimo confidente e nunca se importou que eu fosse tímida e pouco faladora.
— Pois, mas tu sabes como é aborrecido para mim ficar em casa a conviver com pessoas que não me despertam curiosidade, a ouvir histórias enfadonhas e a fingir sorrisos solenes enquanto a minha irmã anda de braço dado com o namorado a passear no parque — o seu tom de voz subira à medida que fora falando.
Tinha acabado de comer os cereais mesmo antes de ela terminar o seu discurso. Quando terminou, inclinei-me sobre a mesa na sua direcção, fincando o seu olhar no meu.
— Estás a ser egoísta, Sue. Tu sempre saíste com os teus amigos e namorados quando quiseste e eu nunca vim com essas insinuações para cima de ti. Além disso, o Robert não é meu namorado. É um amigo — disse tranquilamente. A seguir levantei-me, peguei na taça e pu-la sobre o lava-loiça. — E agora, menina, para a escola. Não sei como ainda estás aqui!
Ela levantou-se e saiu da cozinha mesmo à minha frente. Fui à sala num instante buscar a mochila e depois saí de casa a correr, para conseguir apanhar a camioneta.
Quando cheguei à paragem da camioneta da escola, esta chegou mesmo segundos depois, dando-me a noção do quanto eu estivera perto de perdê-la. Ao entrar, o motorista olhou para mim de alto a baixo. Senti-me pouco à vontade e avancei logo, sem dar oportunidade ao motorista para falar. Antes de me sentar olhei para os que já lá dentro se encontravam. Todos olhavam para mim. Apenas uma rapariga ao fundo, que andava sempre sozinha, não desviou o olhar da janela. Sentei-me apressadamente, tentando desviar, em vão, as atenções sobre mim.
Começava a achar que tinha exagerado nas minhas vestimentas, quando chegamos à paragem de uma das minhas amigas. Ela entrou atrapalhadamente (como sempre) e quase que caiu sobre um rapaz que estava atrás dela. Ri-me para mim mesma, enquanto ela pedia desculpas ao rapaz atrás dela. Mal me viu, foi sentar-se ao meu lado. Antes de dizer alguma coisa olhou para mim de alto a baixo, como o motorista fizera. Eu corei perante aquele olhar.
— Bem… — disse ela exagerando no “e”. — Estou surpresa.
— Não precisas de fazer essa cara, Louise. Não estou assim tão diferente — reprimi.
— Desculpa, mas eu nunca te tinha visto nem com bandolete, nem com as pernas assim e muito menos com um vestido que te dá acima do joelho!
Louise tinha 17 anos, tal como eu, e andávamos na mesma turma. Ela tinha cabelo castanho curto e certinho, com repas, e sempre com uma bandolete preta na cabeça. Os seus olhos eram castanho mel, usava óculos e tinha algumas sardas na cara, que lhe davam o aspecto de boneca. Tinha também uma pele muito clara e era muito distraída, o que fazia que fosse atrapalhada. Era divertida, dinâmica e muito aventureira. Vivia com o avô que a adorava e o seu maior sonho era aprender alquimia, apesar do avô a ter proibido.
— Então aproveita, porque é a primeira e a última vez que me vez assim.
Virei a cara para a janela, a ver a paisagem a passar por mim e a pensar que fizera mesmo muito mal em ter trazido aquele vestido. Os meus colegas de turma gozariam com o meu aspecto ou então fariam muito pior: adorariam. Os professores pensariam que eu estava a ter más companhias. As funcionárias coscuvilheiras andariam a comentar a minha mudança. E o Robert…
— Oh não…
Louise olhava para mim curiosa. Quando lhe dirigi o meu olhar, ela deve ter-se assustado com a minha expressão, pois mostrava-se preocupada.
— Artemisa, o que se passa…?
O meu cérebro pensava à velocidade da luz e eu ficava cada vez mais angustiada. O que fora eu fazer? Além de todos acharem que eu enlouquecera, Robert achar-me-ia uma oferecida, saberia que gostava dele mais do que por amiga (e era bem verdade) e dar-me-ia com os pés ou então entraria no jogo de sedução, para depois me deixar e eu sair magoada de tudo isto. Seria uma catástrofe!
— Passa-se tudo! — Eu estava atónita.
— Sê mais específica, por favor…
— Eu não posso chegar à escola vestida assim — sussurrei, com a voz a falhar-me. Mais ninguém precisava de ouvir a minha tragédia. Ela pareceu não estar a compreender o drama que fazia — Se eu aparecer assim… O Robert vai pensar que não passo de mais uma fã dele, que sou uma oferecida e vai perder todo o interesse, se é que ele tem, por mim!
Agora sim, estava desesperada. Fiquei com falta de ar, o sangue fluía-me mais rapidamente e a minha mente bloqueara: não sabia o que fazer. A minha visão começou a ficar baça, devido à súbita carga de água que ascendeu aos meus olhos. Louise colocou a mão sobre o meu rosto, mas aquele gesto, que certamente seria para me tranquilizar, ainda fizera pior. Lembrou-me um dia caloroso, num parque cheio de vida, e um toque que me fervera por dentro, levando-me aos recantos mais íntimos do meu ser. O toque de Robert no dia anterior… Nunca mais teria de novo aquilo. A água transbordou, transformando-se em lágrimas de angústia. Louise reparou que eu começava a chorar e abraçou-me da melhor maneira que as cadeiras daquela camioneta permitiam.
— Oh rapariga, não precisas de ficar assim! Por favor, controla-te! — A voz dela estava calma, mas autoritária. Ela não percebia que eu estava prestes a ter a maior tragédia da minha vida?
— Ele vai achar que sou uma idiota…
Ela pôs as suas mãos sobre os meus ombros.
— Artemisa, olha para mim — ordenou. Eu obedeci àquela ordem, com uma nova camada de água a subir-me aos olhos enquanto outra ia ao encontro da minha boca. — Tu estás a ser melodramática! Completamente hiperbólica!
— Não, não estou! Tu sabes que eu tenho razão. Eu nunca vesti um vestido na vida a não ser no meu baptizado! E eu não estou a ser histérica, até estou a falar baixo.
Ela suspirou, inclinando-se para baixo com os olhos fechados. Depois encarou-me de novo.
— Primeiro, hiperbólica não é ser histérica, é ser exagerada. Segundo, tu estás fantástica e fizeste muito bem em vestir um vestido. Só não contava ver-te assim, pois sei que és tímida e que para ti isto deve ser uma tortura. — Fez uma pausa e suspirou de novo. — E isto leva-nos ao terceiro ponto: tu não estás habituada a vestir um vestido e por isso estás a ser pessimista, exagerada e completamente paranóica. Pára de te torturar com o que os outros vão pensar e fazer e olha para ti! — Ela afastou-se de mim e ergueu as mãos com a palma virada para cima a apontar na minha direcção — Estás fantástica! E eu estou-me a tornar repetitiva, ao dizer isto.
— Achas mesmo? — Questionei, começando a limpar as lágrimas da cara. Será que estava a ser mesmo paranóica e exagerada? Só de pensar no que Robert poderia pensar de mim…
— Acredita, Artemisa, estás. Por favor, o rapaz adora-te e…
— O quê?
Ela corou. Percebi que dera com a língua nos dentes. O meu coração voltou a bater desenfreadamente como momentos antes, mas desta vez não era de dor, mas sim de alegria. Corei também e encostei-me ao meu assento, olhando para a janela e tentando situar-me onde estava, ficando surpreendida ao saber que estávamos quase a chegar ao colégio onde andava.
— Apenas te digo para não te preocupares com esse tipo de coisas fúteis.
Ela estava também encostada ao seu assento, a falar baixinho e a mexer as mãos enquanto falava, como sempre fazia quando não sabia muito bem o que dizer.
Ficamos caladas durante o resto de percurso. Quando chegamos ao colégio, fui a última a sair do meu lugar, ainda com uma certa vergonha.
LunaR filhota aka Rafaela
a cada dia que passa me cativas mais com esta historia
a paizao dela pelo Robert
eu tambem nao me iria sentir bem a ir de vestido para a escola, alias, eu so vou quando estamos a chegar ao Verão
mas isso agora nao interessa
o que interessa é que tu escreves lindamente e cativas para a leitura e que sabes o que estas a escrever e para quem o estás a fazer que somos nós
continua assim
a cada dia que passa me cativas mais com esta historia
a paizao dela pelo Robert
eu tambem nao me iria sentir bem a ir de vestido para a escola, alias, eu so vou quando estamos a chegar ao Verão
mas isso agora nao interessa
o que interessa é que tu escreves lindamente e cativas para a leitura e que sabes o que estas a escrever e para quem o estás a fazer que somos nós
continua assim

oh coração devias de me ter avisado que ja tinhas escrito...
adoro as tuas historias!!
amo amo amo amo amo
amo amo amo amo amo
amo amo amo amo amo
amo amo amo amo amo
amo amo amo amo amo
amo amo amo amo amo
amo amo amo amo amo
amo amo amo amo amo
amo amo amo amo amo
amo amo amo amo amo
e por ai fora.
espero anciosa pelo final!!! isto esta interessante.
quanto a ir de vestido para a escola...
eu vou e adoro nao á nada mais belo que a silhueta da mulher e os vestidos sao a prova lindos e coloridos...
continua minha rafinha do coração!!
:venusestatua:
adoro as tuas historias!!
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e por ai fora.
espero anciosa pelo final!!! isto esta interessante.
quanto a ir de vestido para a escola...
eu vou e adoro nao á nada mais belo que a silhueta da mulher e os vestidos sao a prova lindos e coloridos...
continua minha rafinha do coração!!
:venusestatua:

simplesmente belo! obrigada
Muito obrigada às duas. Obrigada mãe aka marki por essas palavras. Era isso que eu queria, cativar para a leitura, e ainda bem que estou a conseguir. Já tu, minha icieWind, nem tenho palavras. Sabes como és importante. E como essas palavras me fazem feliz.
Nesta 2ª parte do capítulo 2 tenho a agradecer com o contributo do Andrew que apesar de ainda não ter lido a fic ajudou-me a escolher um nome digno para o colégio. Parece não ser grande coisa, mas é sempre bom contar com alguém para nos apoiar.
O Colégio Nostradamus II era um dos maiores do país, com três edificações (um para o infantário e primeiro ciclo, um para o básico e outro para o secundário), um ginásio e muitos espaços abertos, cheio de árvores e bancos de jardim de fazer inveja a certos parques de algumas cidades. Cada edifício era de tijolo vermelho, decorado com duas grandes bermas beijes, uma no topo e outra na base deste. As várias janelas eram todas gradeadas e viam-se por fora os cortinados cinzentos que “enfeitavam” a sala. Ao longe avistava-se o ginásio branco de tecto curvo (muito moderno comparado com o resto do colégio) onde a maior parte dos rapazes passava o tempo entre as aulas. O ginásio era enorme, cabendo lá dentro dois campos inteiros de futebol, um de andebol e dois de basquete, incluindo balneários, casas de banho, sala do equipamento, sala dos professores de educação física, bancadas e mini bar. O Colégio era só para alunos ricos, filhos de grandes empresários ou alquimistas do estado. Eu era filha de um dos maiores empresários do país, o que fazia de mim uma boa candidata para ocupar um lugar no Colégio. Os que não tinham a sorte do dinheiro não entravam ali, salvo grandes excepções. Louise fazia parte dessas excepções. Com um génio brilhante a matemática e física, era uma das alunas mais requisitadas a nível internacional. Só a amizade a agarrava ao nosso país.
— Vês, não tens que ter medo!
Louise caminhava comigo lado a lado, sendo a nossa direcção o edifício C: ensino secundário. Olhei para baixo e vi as minhas pernas lisas a esboçarem movimentos enquanto andava. Bem à mostra para toda a gente.
— Não é medo… É vergonha! — A minha voz saíra-me mais baixa do que o que eu pretendia, e reparei que Louise não ouvira.
O dia estava mais quente que o dia anterior, abafado e seco. No céu viam-se nuvens brancas que, por vezes, tapavam o sol, mas esses momentos eram raros e pouco duradouros. Desta vez a aragem não existia, o que piorava a situação. Pela primeira vez fiquei grata por vir de vestido para a escola. Desde que me proporcionasse frescura, os comentários indesejados eram suportáveis.
O Edifício C era o maior de todos os edifícios. O seu interior era revestido por uma pintura beije nas paredes e branco no tecto e o chão era cheio de mosaicos brancos, o que me fazia lembrar um hospital. Ao fundo viam-se os cacifos (exageradamente grandes) que cada estudante tinha. Cada um era alto e largo e ocupavam entre dois a quatro cacifos normais. Cheguei a ter uma tartaruga lá dentro, mas o animal morreu por falta de oxigénio… À beira da entrada ficavam as escadas em espiral para os pisos superiores.
Mal entramos, uma onda de calor quase nos empurrou para trás. O edifício estava extremamente quente, muito mais quente que o exterior, a abarrotar de alunos à espera de entrarem na aula. Louise pegou-me na mão e guiou-me por entre toda aquela multidão, alcançando as escadas à nossa direita. Ao subir, percebi que a parte mais quente daquele lugar não era o inferior. O 2º andar estava cheio de pessoas em movimento e aos encontrões, pingas de suor e muito, muito calor. Louise, sem nunca me largar, encaminhou-me até à porta da nossa sala. Encostei-me à parede ao lado da porta com as mãos atrás das costas e fechei os olhos, inclinando a cabeça para cima, à espera do professor. Louise copiou-me.
— Podes-me dizer quem é a Artemisa do 10ºD?
A pronunciação do meu nome apanhou-me despercebida. Abri os olhos para ver quem tinha perguntado. O corredor estava ainda mais cheio do que quando chegara e a voz poderia ter vindo de qualquer lado.
— Sim, é aquela rapariga ali.
Percebi de onde vinha a conversa. A um metro e meio de mim estava uma rapariga loira de olhos castanhos, corada, a responder ao rapaz inquisidor. Este tinha uma estatura alta e musculada, cabelo castanho curto, com gel, e olhos da mesma cor. Era muito moreno e tinha uma pele super brilhante. Mal recebeu a resposta, agradeceu e veio ao meu encontro. A sua expressão não dizia nada, era vazia.
— Desculpa, és a Artemisa? — A sua voz era grossa, mesmo masculina.
— Sou sim — respondi.
Ele sorriu e percebi que era alguém amigável. Então soltou um suspiro sonoro.
— Até que enfim! — Exclamou bem alto. Depois riu-se alegremente — Tens de começar a ser mais sociável. Ninguém sabia quem eras!
Era verdade. Não era muito sociável, tímida demais. Só falava mesmo com algumas raparigas e com rapazes quase nunca. Mas parecia que nos últimos dois dias isso estava a mudar…
— Pois. Ainda não me disseste quem eras e porque me procuravas… — As minhas palavras não saíram com reprovação, mas sim curiosas. Ele percebeu essa curiosidade, levando-me a corar. Ele voltou a rir numa gargalhada sonora.
— Tens toda a razão. Chamo-me Rúben Petreli. Sou irmão e um dos colegas de equipa do Robert. Ele pediu-me para te dizer que fosses ter com ele no intervalo ao ginásio.
Mal acabou terminou de falar, sorriu. Então, fez algo que já não esperava dele… Começou a olhar para mim de alto a baixo, como já tinham feito de manhã. Mas desta vez, não foi para me julgar. Vi que ele gostava do que via. Contemplava as minhas pernas, enquanto subia o olhar. Percebi que ficara insatisfeito quando viu o tecido do vestido a terminar a nudez das minhas coxas, mas continuou a elevar o olhar, formando-se de novo um trejeito de contentamento nos seus lábios quando visualizou as minhas curvas e depois a forma dos meios seios sob o vestido. Disse qualquer coisa que eu não percebi. Comecei a ficar mesmo desconfortável naquela situação. Rúben já não me parecia um rapaz amigável, mas sim um pervertido.
— É tudo?
Desta vez fui fria. Queria mostrar que estava desinteressada, que não gostava dele. Ele pareceu não perceber ou então ignorou a minha frieza, pois respondeu com um sorriso na cara e uma voz risonha.
— Sim, é tudo. Tenho de ir. Gostei de te conhecer, Artemisa. Sem dúvida que gostei.
Virou-se e, com alguma dificuldade devido ainda ao excesso de corpos que existia no corredor, desceu as escadas. “Que depravado” pensei. Prometi a mim mesma que nunca mais vinha de vestido para a escola. Se era para ter este tipo de reacções, mais valia andar toda tapada o resto da vida. Ainda por cima era irmão do Robert! Será que ele também era assim? Não, Robert parecia-me um rapaz honesto, querido, gentil…
— O professor Warns já chegou — informou-me Louise que se mantivera a meu lado durante toda aquela “conversa”, mas sem se pronunciar. Ela sabia que eu dava conta do recado.
Entrei na sala de aula, sentei-me ao lado dela e tirei os livros de matemática. O professor citou logo o sumário, não esperando que os restantes alunos se sentassem. Era típico deste professor não esperar por ninguém. Passei o sumário e, depois, emprestei o caderno a quem não o tinha passado.
A aula passou-se muito lentamente, mais lentamente que o habitual. Via números aqui, números acolá e não percebia donde tinham saído. Não consegui acompanhar o raciocínio dos dois primeiros exercícios e depressa desisti de entender os restantes. Já Louise devorava tudo, sem tirar qualquer tipo de apontamentos sobre como fazer os exercícios. Só dizia “Adoro polinómios! São a coisa mais maravilhosa que a matemática tem!”, mas ela dizia sempre isto de todo o tipo de cálculo em matemática. Eu não conseguia perceber como é que alguém poderia gostar de uma coisa como aquela. Como é que alguém poderia achar que os números eram “divertidos e fascinantes!”? E achar as funções os “caminhos mais misteriosos para a felicidade”? A minha amiga precisava de férias. Matemática a mais faz mal a qualquer um, até a um génio como o dela.
Já que não percebia nada da matéria, pus-me a pensar no que diria a Robert. Aqueles olhos verdes tirar-me-iam, sem dúvida, as palavras, por isso era mais seguro se já as tivesse treinado. “Olá Robert”, era a primeira coisa. “Tudo bem?”, “Comigo está tudo óptimo…”. O que é que ele acharia das minhas roupas? Novamente, a preocupação assolou-me o corpo. E se ele não gostasse de me ver assim? E se ele pensasse que eu estava a atirar-me descaradamente a ele? E não estava? Não, não estava. Estava só a tentar ficar mais bonita, mais nada. A quem estava eu a enganar? Eu queria conquistar o Robert. Queria mesmo! A maneira com ele me conquistou foi tão rápida que nem…
Nesta 2ª parte do capítulo 2 tenho a agradecer com o contributo do Andrew que apesar de ainda não ter lido a fic ajudou-me a escolher um nome digno para o colégio. Parece não ser grande coisa, mas é sempre bom contar com alguém para nos apoiar.
Capítulo 2
(parte dois)
(parte dois)
O Colégio Nostradamus II era um dos maiores do país, com três edificações (um para o infantário e primeiro ciclo, um para o básico e outro para o secundário), um ginásio e muitos espaços abertos, cheio de árvores e bancos de jardim de fazer inveja a certos parques de algumas cidades. Cada edifício era de tijolo vermelho, decorado com duas grandes bermas beijes, uma no topo e outra na base deste. As várias janelas eram todas gradeadas e viam-se por fora os cortinados cinzentos que “enfeitavam” a sala. Ao longe avistava-se o ginásio branco de tecto curvo (muito moderno comparado com o resto do colégio) onde a maior parte dos rapazes passava o tempo entre as aulas. O ginásio era enorme, cabendo lá dentro dois campos inteiros de futebol, um de andebol e dois de basquete, incluindo balneários, casas de banho, sala do equipamento, sala dos professores de educação física, bancadas e mini bar. O Colégio era só para alunos ricos, filhos de grandes empresários ou alquimistas do estado. Eu era filha de um dos maiores empresários do país, o que fazia de mim uma boa candidata para ocupar um lugar no Colégio. Os que não tinham a sorte do dinheiro não entravam ali, salvo grandes excepções. Louise fazia parte dessas excepções. Com um génio brilhante a matemática e física, era uma das alunas mais requisitadas a nível internacional. Só a amizade a agarrava ao nosso país.
— Vês, não tens que ter medo!
Louise caminhava comigo lado a lado, sendo a nossa direcção o edifício C: ensino secundário. Olhei para baixo e vi as minhas pernas lisas a esboçarem movimentos enquanto andava. Bem à mostra para toda a gente.
— Não é medo… É vergonha! — A minha voz saíra-me mais baixa do que o que eu pretendia, e reparei que Louise não ouvira.
O dia estava mais quente que o dia anterior, abafado e seco. No céu viam-se nuvens brancas que, por vezes, tapavam o sol, mas esses momentos eram raros e pouco duradouros. Desta vez a aragem não existia, o que piorava a situação. Pela primeira vez fiquei grata por vir de vestido para a escola. Desde que me proporcionasse frescura, os comentários indesejados eram suportáveis.
O Edifício C era o maior de todos os edifícios. O seu interior era revestido por uma pintura beije nas paredes e branco no tecto e o chão era cheio de mosaicos brancos, o que me fazia lembrar um hospital. Ao fundo viam-se os cacifos (exageradamente grandes) que cada estudante tinha. Cada um era alto e largo e ocupavam entre dois a quatro cacifos normais. Cheguei a ter uma tartaruga lá dentro, mas o animal morreu por falta de oxigénio… À beira da entrada ficavam as escadas em espiral para os pisos superiores.
Mal entramos, uma onda de calor quase nos empurrou para trás. O edifício estava extremamente quente, muito mais quente que o exterior, a abarrotar de alunos à espera de entrarem na aula. Louise pegou-me na mão e guiou-me por entre toda aquela multidão, alcançando as escadas à nossa direita. Ao subir, percebi que a parte mais quente daquele lugar não era o inferior. O 2º andar estava cheio de pessoas em movimento e aos encontrões, pingas de suor e muito, muito calor. Louise, sem nunca me largar, encaminhou-me até à porta da nossa sala. Encostei-me à parede ao lado da porta com as mãos atrás das costas e fechei os olhos, inclinando a cabeça para cima, à espera do professor. Louise copiou-me.
— Podes-me dizer quem é a Artemisa do 10ºD?
A pronunciação do meu nome apanhou-me despercebida. Abri os olhos para ver quem tinha perguntado. O corredor estava ainda mais cheio do que quando chegara e a voz poderia ter vindo de qualquer lado.
— Sim, é aquela rapariga ali.
Percebi de onde vinha a conversa. A um metro e meio de mim estava uma rapariga loira de olhos castanhos, corada, a responder ao rapaz inquisidor. Este tinha uma estatura alta e musculada, cabelo castanho curto, com gel, e olhos da mesma cor. Era muito moreno e tinha uma pele super brilhante. Mal recebeu a resposta, agradeceu e veio ao meu encontro. A sua expressão não dizia nada, era vazia.
— Desculpa, és a Artemisa? — A sua voz era grossa, mesmo masculina.
— Sou sim — respondi.
Ele sorriu e percebi que era alguém amigável. Então soltou um suspiro sonoro.
— Até que enfim! — Exclamou bem alto. Depois riu-se alegremente — Tens de começar a ser mais sociável. Ninguém sabia quem eras!
Era verdade. Não era muito sociável, tímida demais. Só falava mesmo com algumas raparigas e com rapazes quase nunca. Mas parecia que nos últimos dois dias isso estava a mudar…
— Pois. Ainda não me disseste quem eras e porque me procuravas… — As minhas palavras não saíram com reprovação, mas sim curiosas. Ele percebeu essa curiosidade, levando-me a corar. Ele voltou a rir numa gargalhada sonora.
— Tens toda a razão. Chamo-me Rúben Petreli. Sou irmão e um dos colegas de equipa do Robert. Ele pediu-me para te dizer que fosses ter com ele no intervalo ao ginásio.
Mal acabou terminou de falar, sorriu. Então, fez algo que já não esperava dele… Começou a olhar para mim de alto a baixo, como já tinham feito de manhã. Mas desta vez, não foi para me julgar. Vi que ele gostava do que via. Contemplava as minhas pernas, enquanto subia o olhar. Percebi que ficara insatisfeito quando viu o tecido do vestido a terminar a nudez das minhas coxas, mas continuou a elevar o olhar, formando-se de novo um trejeito de contentamento nos seus lábios quando visualizou as minhas curvas e depois a forma dos meios seios sob o vestido. Disse qualquer coisa que eu não percebi. Comecei a ficar mesmo desconfortável naquela situação. Rúben já não me parecia um rapaz amigável, mas sim um pervertido.
— É tudo?
Desta vez fui fria. Queria mostrar que estava desinteressada, que não gostava dele. Ele pareceu não perceber ou então ignorou a minha frieza, pois respondeu com um sorriso na cara e uma voz risonha.
— Sim, é tudo. Tenho de ir. Gostei de te conhecer, Artemisa. Sem dúvida que gostei.
Virou-se e, com alguma dificuldade devido ainda ao excesso de corpos que existia no corredor, desceu as escadas. “Que depravado” pensei. Prometi a mim mesma que nunca mais vinha de vestido para a escola. Se era para ter este tipo de reacções, mais valia andar toda tapada o resto da vida. Ainda por cima era irmão do Robert! Será que ele também era assim? Não, Robert parecia-me um rapaz honesto, querido, gentil…
— O professor Warns já chegou — informou-me Louise que se mantivera a meu lado durante toda aquela “conversa”, mas sem se pronunciar. Ela sabia que eu dava conta do recado.
Entrei na sala de aula, sentei-me ao lado dela e tirei os livros de matemática. O professor citou logo o sumário, não esperando que os restantes alunos se sentassem. Era típico deste professor não esperar por ninguém. Passei o sumário e, depois, emprestei o caderno a quem não o tinha passado.
A aula passou-se muito lentamente, mais lentamente que o habitual. Via números aqui, números acolá e não percebia donde tinham saído. Não consegui acompanhar o raciocínio dos dois primeiros exercícios e depressa desisti de entender os restantes. Já Louise devorava tudo, sem tirar qualquer tipo de apontamentos sobre como fazer os exercícios. Só dizia “Adoro polinómios! São a coisa mais maravilhosa que a matemática tem!”, mas ela dizia sempre isto de todo o tipo de cálculo em matemática. Eu não conseguia perceber como é que alguém poderia gostar de uma coisa como aquela. Como é que alguém poderia achar que os números eram “divertidos e fascinantes!”? E achar as funções os “caminhos mais misteriosos para a felicidade”? A minha amiga precisava de férias. Matemática a mais faz mal a qualquer um, até a um génio como o dela.
Já que não percebia nada da matéria, pus-me a pensar no que diria a Robert. Aqueles olhos verdes tirar-me-iam, sem dúvida, as palavras, por isso era mais seguro se já as tivesse treinado. “Olá Robert”, era a primeira coisa. “Tudo bem?”, “Comigo está tudo óptimo…”. O que é que ele acharia das minhas roupas? Novamente, a preocupação assolou-me o corpo. E se ele não gostasse de me ver assim? E se ele pensasse que eu estava a atirar-me descaradamente a ele? E não estava? Não, não estava. Estava só a tentar ficar mais bonita, mais nada. A quem estava eu a enganar? Eu queria conquistar o Robert. Queria mesmo! A maneira com ele me conquistou foi tão rápida que nem…
— Dois “x” elevado a quatro — ouvi alguém a sussurrar à minha beira.
Voltei ao planeta “sala” onde o meu corpo estava, mas a minha mente não. O professor Warns estava à beira do quadro a olhar fixamente para mim.
— Qual é a resposta, menina Moore Frends? — os seus olhos negros quase me consumiam viva. Engoli em seco e respondi o que ouvira.
— Dois “x” elevado a quatro, professor.
O seu ar carrancudo transformou-se em espanto puro, mas não pude observar mais nada, pois ele já se tinha virado em frente, voltando-se para explicar a matéria. Teria de agradecer àquela voz mais tarde.
Tentei manter-me o resto da aula concentrada. Quando deu o toque, já tinha os livros arrumados, pronta para sair da sala. À beira da porta, acenei com um sorriso rebelde a Louise, que me respondeu com o mesmo sorriso. A seguir desci o mais depressa que pude as escadas e saí do edifício.
O meu corpo estava mais lento que a minha cabeça, que rodava a mil à hora. Ao meu redor, ouvia os pássaros a chilrear e vozes bem animadas.
O jardim da escola era um dos jardins mais bonitos que tinha visto. Era um espaço enorme repleto de relva curtinha para os estudantes puderem andar à vontade, com algumas elevações a imitar montes. As árvores estavam em quase todo o lado, e bancos de jardim também, mas a maior parte dos alunos sentava-se sobre a relva, encostados a uma árvore sob a sombra. Havia no meio do jardim uma fonte decorada com flores de várias espécies e cores: amarelas, vermelhas, violetas, brancas, azuis… A fonte tinha um chafariz no centro que esguichava água para todos os lados e estava sempre a trabalhar excepto nos Invernos em que a água ficava quase congelada. Nos dias quentes só o olhar para a fonte causava frescura. Alguns iam molhar as mãos e os braços nela e outros brincavam com a água a molharem-se uns aos outros.
Passei rapidamente sobre a relva do jardim em direcção ao ginásio. O meu vestido ondulava o que me causava frescura. Passei por uma janela enorme do edifício A (o do infantário e primeiro ciclo) que reflectia o meu aspecto. Parei e observei como estava. A bandolete continuava intacta no meu cabelo e combinava tão bem com os meus olhos que parecia feita para mim. O meu corpo estava moreno, o que contrastava muito bem com o vestido branco que a minha irmã me havia emprestado. Os meus lábios já não estavam secos e as olheiras quase já nem se notavam. Satisfeita continuei a avançar.
Entrei no ginásio com um pouco de lentidão. Começava a ficar intimidada. Este estava mais fresco que o exterior e arrepiei-me um pouco com a diferença de temperatura. Ouvia-se ecos da actividade ali presente, bolas a bater em cestos, bolas a bater em paredes, bolas a serem chutadas, bolas a entrar na rede, bolas a serem dribladas… Aproximei-me um pouco mais da parede que dividia os campos do corredor dos balneários e encostei-me a esta, tentando ver onde estava Robert. O que vi assustou-me. Ao fundo, no campo de andebol, um grupo de alunos rodeava algo que ao primeiro não entendia. Quando percebi o que era, o meu coração começou a palpitar rapidamente, desesperado por encontrar naquele grupo de alunos o Robert. Mas não, não estava. Nenhum deles tinha os olhos verdes, o cabelo castanho claro mel que vira no dia anterior, ou a pele não muito morena com aqueles músculos bem delineados que me chamavam a atenção. Já sabia onde ele estava.
— Retira o que disseste já!
A sua voz estava cheia de fúria. Aproximei-me mais daquele grupo de alunos que observavam a luta que se desenrolava sobre o chão. Estava aterrorizada só de pensar em ele ficar mal, mas não podia meter-me lá no meio!
— Até parece que não vais fazê-lo! Não mintas! — desta vez não fora Robert que falara, mas eu conhecia aquela voz de algum lado.
— Eu nunca lhe faria isso! — Robert berrara.
Ouviu-se o contacto entre a cara e uma mão fechada. À medida que me ia aproximando, conseguia ver cada vez melhor a cena. Robert sentado sobre o abdómen de outro rapaz, estando este deitado no chão. Estava vestido com umas calças azuis de treino, sapatilhas brancas e t-shirt branca. Tinha, sobre esta, um colete vermelho. O cabelo dele estava todo desgrenhado devido à luta e o seu olhar era feroz. Tinha a mão direita levantada com a forma de um punho fechado e a mão esquerda a segurar o colete, igualmente vermelho, do rapaz que estava deitado, o que me deu a entender que não lutavam pelo jogo, já que eram da mesma equipa. Não conseguia ver a cara do outro rapaz.
— Eu só digo para quando acabares com ela, deixares um pedaço para…
Outro soco impediu que Rúben acabasse a frase. Robert lutava com o irmão, e eu sabia nitidamente quem era o tema da luta. Rúben virou-se com brusquidão e eles inverteram a situação, ficando Robert em baixo e ele em cima. Desta vez era Rúben que soqueava Robert. Não conseguia ver mais aquilo… Estava estática, de mãos pendentes, a olhar de boca aberta para aquela cena horrível.
— Parem já com isso! Ou querem que ela veja mais alguma coisa?
A voz rouca do treinador distraiu Rúben, dando a hipótese a Robert de deslizar sob este e levantar-se. Foi aí que ele me viu, fincando o seu olhar no meu. Os seus olhos expressavam uma tristeza tão grande…
— Artemisa… — balbuciou. Aproximou-se meio a cambalear de mim, ficando apenas a alguns centímetros do meu corpo. Via-lhe o suor na testa e no pescoço e a cara vermelha devido aos socos. O colete estava rasgado à frente.
Desviei o olhar para o chão e virei-lhe as costas. Não acreditava que ele pudesse ter lutado por minha causa! Por minha causa! Como foi ele capaz?! Lutar com o próprio irmão! Ele só me conheceu no dia anterior e já lutava com os da sua família por minha causa… Eu tinha de me afastar. Se isto acontecia tão cedo, o que poderia acontecer mais tarde? Eu não o merecia, eu não o podia obrigar a fazer isto… Ele nem me conhecia!
Senti uma mão agarrar a minha e a puxar-me contra um corpo completamente suado. Um beijo na minha testa, um braço a prender-me contra o seu corpo enquanto o outro fazia festas no meu cabelo… Agarrei-me a Robert e as lágrimas saíram dos meus olhos, molhando o colete rasgado. Um soluço… Depois outro.
— Shuu — sussurrou-me carinhosamente, inclinando-se sobre o meu ouvido — Está tudo bem, Artemisa.
A mão dele continuava a fazer-me festas e a outra puxava-me ainda mais contra o seu peito. O meu braço esquerdo rodeava o seu tronco enquanto que a minha mão direita agarrava o seu ombro.
— Como foste capaz? O teu próprio irmão!
A minha voz misturava-se com soluços aflitos. Ali estava eu, a soluçar, abraçada a um rapaz que só tinha conhecido há dois dias mas pelo qual já nutria sentimentos profundos. Que se passaria comigo. Que pensaria ele agora?
— Anda sentar-te…
Só agora tinha reparado que estávamos no meio do campo de andebol. Retirei a minha face do seu peito e olhei em redor. Já não havia ninguém ali a não sermos nós os dois. Ele agarrou de novo a minha mão direita e puxou-me numa direcção. Deixei-me ir. A mão dele escaldava na minha pele, mas eu não me importava, pois sabia que não era do calor do corpo dele, mas sim da sensação que ele me causava. Não era um calor incomodativo, mas sim muito bem-vindo. Um calor que eu desejava. Ele continuou a puxar-me e vi para onde me levava. Era um banco grande para os jogadores descansarem e sentarem. Um banco tão grande que eu e Robert cabíamos mesmo deitados. Ele sentou-se e fez-me sentar no seu colo, não conseguindo eu resistir-lhe. Pôs o braço direito atrás das minhas costas e eu pousei a minha cabeça no seu ombro, quase certa que nunca mais teria uma oportunidade como aquela. Ele de certeza pensaria muito bem no que tinha acontecido hoje, como eu o levava para a infelicidade e terminaria tudo comigo antes mesmo de alguma coisa ter começado. Não valia a pena privar-me agora dos últimos momentos que tinha com ele…
— Bem, bela luta…
A sua voz era risonha, mas via-lhe a tristeza nos olhos.
— Eu não achei. Achei estúpido — a minha voz estava aparvalhadamente amuada. Robert deu uma grande gargalhada.
— Eu também acho o Rúben estúpido.
Ele olhava-me ternamente, com a boca a fazer um sorriso pequenino.
— Eu não disse que o Rúben era estúpido! Eu disse que a luta foi estúpida!
— Então porquê? — Ele não se mostrava confuso, mas sim curioso. Gostei disso. Assim, sempre tinha a certeza que ele concordava comigo.
— Ora deixa-me cá ver… Talvez por teres lutado com o teu irmão, o teu próprio irmão, por causa de alguém que quase nem conheces! — A minha voz demonstrava fúria. Já não chorava, mas estava muito irritada.
Ele olhou-me com os olhos meigos. Levantou a mão esquerda e tocou-me na face (mesmo como no dia anterior) o que me provocou arrepios…
— Primeiro, o meu irmão precisava de ouvi-las. E de senti-las também! — ele continuava com a mão sobre a minha cara, a fazer-me festas, mas a sua voz estava mais dura.
— Porquê? O que é que ele fez?
Não consegui resistir à tentação de perguntar. Ardia de curiosidade. Se o assunto me envolvia, então queria saber o motivo.
— Não importa — a voz dele continuava dura. Ele olhou para mim de novo, e os seus olhos ficaram de novo ternos — Desculpa. Desculpa teres visto aquilo. Não merecias…
A mão que me acariciava a face apanhou uma porção do meu cabelo e colocou atrás da minha orelha. Com o braço que me amparava as costas, ele puxou-me mais para si. Estávamos tão próximos que eu podia sentir a respiração dele sobre mim. A cabeça dele inclinou-se para a minha e ele beijou-me de leve a testa, como fez no meio do campo. Fechei os olhos enquanto sentia os lábios dele na minha pele. Eram suaves, quentes…
— Está na hora de voltarmos para as aulas…
Abri logo os olhos e vi as horas no meu relógio de pulso.
— Oh! Vou chegar tarde!
Saltei do colo dele depressa demais para minha tristeza, mas eu já estava atrasada. Se não chegasse à sala dentro de 5 minutos, marcavam-me falta de presença.
Comecei a correr dentro do ginásio, até à porta.
— Artemisa! — Ouvi o Robert a gritae. Virei-me com rapidez na sua direcção. — É só para te dizer que esse vestido fica-te muito bem.
Ele sorria para mim. Acenei-lhe com mão, enquanto corava, e saí porta fora.
Maninha gémea mais fofa aka LunaR!
tu sabes o que eu acho desta fic
é tao perfeita.
ohh tens de escrever mais, nao te esqueças do que me prometeste!
agora quero saber a continuação!
opa tu sabes que eu gosto tanto da tua maneira de escrever.
adoro!
vá posta rápido ou se não vais ter de me aturar mais Muaahahah
beijinhos
tu sabes o que eu acho desta fic

é tao perfeita.
ohh tens de escrever mais, nao te esqueças do que me prometeste!
agora quero saber a continuação!
opa tu sabes que eu gosto tanto da tua maneira de escrever.
adoro!
vá posta rápido ou se não vais ter de me aturar mais Muaahahah
beijinhos

ohohohoh riquesa!!!
as tuas historias sao tao romanticas, aiaiai...
sabes que depois de ler isto da-me vontade de ir ter com o meu amor e estar assim como a Artemisa e o Robert...
adoro as tuas historias continua!
desculpa nao te tenho falado como deve de ser mas ando tao ocupada!!!
as tuas historias sao tao romanticas, aiaiai...
sabes que depois de ler isto da-me vontade de ir ter com o meu amor e estar assim como a Artemisa e o Robert...
adoro as tuas historias continua!
desculpa nao te tenho falado como deve de ser mas ando tao ocupada!!!

simplesmente belo! obrigada
ai meu Deus
.o:
eu estou a adorar :g1:
Filhota aka Lunar, eu adoro a história, e esta ultima parte foi emocionante (tirando a luta, mas sem a luta, isto nao teria acontecido)
eu junto-me á tua gémea, se nao postares, em vez de aturarres uma, aturaras 2
continua assim, tens imaginação e escreves lindamente
.o: eu estou a adorar :g1:
Filhota aka Lunar, eu adoro a história, e esta ultima parte foi emocionante (tirando a luta, mas sem a luta, isto nao teria acontecido)
eu junto-me á tua gémea, se nao postares, em vez de aturarres uma, aturaras 2

continua assim, tens imaginação e escreves lindamente


Woooow *-*
É só o que consigo dizer: WOW *-*
Está perfeita, perfeita, perfeita *-*
Estou tão arrependido de não ter vindo ler antes *-* mais cedo vá x]
E sim, o nome do colégio é original *smile convencido* é meu e basta *smile convencido*
AGORA P.S - para quando o terceiro?! se demorares muito.. estás tramada.
Btw: acho a Sue um máximo, e o ruben um monstro <.<
É só o que consigo dizer: WOW *-*
Está perfeita, perfeita, perfeita *-*
Estou tão arrependido de não ter vindo ler antes *-* mais cedo vá x]
E sim, o nome do colégio é original *smile convencido* é meu e basta *smile convencido*
AGORA P.S - para quando o terceiro?! se demorares muito.. estás tramada.
Btw: acho a Sue um máximo, e o ruben um monstro <.<
"Presage 16
Conjoined here in the sky manifested
it enters
Little rain... the sky and earth dries,
Undone, death, caught, arrived at a bad hour"
Tens de entrar para responderes neste tópico.




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