As 12 Constelações
a sair o 3 capitulo!
boa
.
3 Capítulo
Mamã?
Acordou cheia de dores. Abriu os olhos e fixou o tecto. Tão branco… tão puro. Tudo o que ela não era. Desenhou um sorriso naquela face magoada. Agora estava a comparar-se com o tecto? Era um sinal de que a sua sanidade mental não estava num dia bom. Inspirou fundo e arqueou as costas, levantando-se. Sentiu algo húmido e quente na pele, lentamente levou os olhos à cama e viu os lençóis brancos, pintados a sangue. Assustada saltou da cama e encostou-se à parede. Sentiu algo embater placidamente nas lajes e banhar-lhe os pés. Rapidamente olhou o seu corpo e percebeu tudo. Desta vez, tinha abusado dos cortes e as feridas continuavam abertas. Soltou um “ah” desinteressado e foi até a casa de banho. Enquanto se tratava, imagens fragmentadas, do acontecimento da noite anterior, fuzilavam-na sem dó. Foi até à cozinha e preparou o pequeno-almoço. Cantarolava ao som de uma música tipicamente matinal, enquanto arrumava as coisas. Esticou os braços e olhou o calendário, era sábado.
- Sueco, que vamos fazer hoje? – Mariah questionou uma peluda bola branca que dormia no sofá. O gato levantou a cabeça e caminhou até a dona, esfregando-se de seguida à esta. – Pois… compras. Comprar comida, não é?
Arranjou-se e saiu. Enquanto caminhava pensou em ir a esquadra ver se havia novidades sobre o cadáver, mas depois o estômago contorceu-se e as mãos suaram. Talvez, não fosse uma boa ideia, era o seu dia livre e não o queria estragar.
Continuou a andar, questionando-se se seria melhor continuar a andar, ir de autocarro, ou de carro as compras.
- MARIAH- Gritou uma fina voz, atrás de si.
- Hum? Marina, que está a fazer? - Uma menina de 8 anos apareceu atrás de Mariah, muito risonha, segurando uma bicicleta, maior que ela.
- Vou andar de bicicleta! É do meu papá! - Disse em completa euforia ,enquanto tentava equilibrar a bicicleta com as sua pequeninas mãos.
- Não achas que é grande demais?
- Não. -Respondeu prontamente.
- O teu pai sabe que estas cá fora?
- Ele está a trabalhar.
- E estas sozinha?
- Só um bocadinho pequenino, ele disse que à tarde já está aqui.
- Marina, já disse ao teu pai que não me importo de vigiar-te por algum tempo. Até me fazes companhia. E já que estamos entre mulheres, podemos passar o tempo a comer biscoitos, a falar de fofocas, e a colocar aquelas mascaras muito nutritivas.
- Bagh. Prefiro a bicicleta. – Disse a menina com cara enojada.
- Vem comigo. - Voltaram a entrar dentro de casa de Mariah. - Marina, espera um pouco aqui. Por favor não mates o Sueco. – Mariah, pegou num post-it e escreveu “ A Marina está comigo. Ass: Mariah”. Subiu ao andar de cima e colou-o na porta do 6º esquerdo. Voltou a descer e encarou Marina que “acariciava” o grande e gordo Sueco.
-Muito bem Marina, queres andar de bicicleta?
- Sim. – A pequena criança levantou-se tão depressa que o gato foi parar ao chão, fugindo de seguida.
- Então segue-me até a garagem e desceram.
Mariah entrou nas sombras que alagavam a garagem e depois de algum tempo saiu dela com uma pequena bicicleta, apropriada para Marina.
- Uau. Tens uma bicicleta. E tem campainha, e fitas e cesto e desenhos e…
- Acalma-te miúda. Vamos lá para fora.
Mariah, tentou ensinar Marina e depois de uma serie de trabalhões, encontros com árvores, postes e muros Marina já se safava.
A mulher cansava, desabou em cima do um banco e limpou com as costas das mãos o suor da cara. Depois ficou ali a observar a pequena criança. Tão feliz… tão bonita…tão risonha…tão criança…tão inocente.
“Marina… significa oriunda do mar. Nome de mulheres muito dadas ao sonho e a fantasia. Costumam refugiar-se no seu mundo de fantasia quando se encontram frente a determinados problemas, que não conseguem solucionar.”
Mariah riu-se ao lembrar-se disso, pois era verdade. Aquela pequena era forte, mas era uma criança, embora não o quisesse admitir. Os pais de Marina , estavam para se divorciar. As constantes discussões, escreveram o final da relação. A mãe da menina estava com outro homem e pouco ligava à filha. Mariah ouvira um dia no calor de uma discussão, a mão dizer “ A Marina foi fruto de uma aventura indesejada”
“Deus dá pérolas a porcos”- pensou Mariah enquanto via a menina de rosto afogueado e cabelo ao vento, no auge da sua inocência. “ Deus dá…”. A frase ficou a meio Mariah, sentia inveja da mãe de Marina. Se ela tivesse a possibilidade de criar o seu filho, era a mulher mais feliz do mundo. Mais feliz. A mais feliz. Fixou o céu e ali ficou por algum tempo.
(memória)
“Ariel: Nome de anjo.
-Ariel, filha volta aqui! - Falou amorosamente Mariah.
- Mamã, olha o Pai Natal! - Uma criança de olhos muito azuis e cabelos castanhos, olhava fascinada para o interior de uma montra que, na mão direita tinha uma pequena girafa, amarela e castanha. - Mamã, ele vem hoje, não vem? Vamos despacha-te...bolachinhas para o Pai Natal… e para as renas cenourinhas… mamã!
- Espera, querida! - Mariah pegou ao colo a menina de 4 anos, que estava rosada de tanta felicidade.
- Mamã e a vovó? Que lhe vamos dar? Chocolates? Brinquedos? Flores? Beijinhos? O quê Mamã? E ao Vovô? Livros? Uma Cana de pesca? Uma casa? Brinquedos? Beijinhos? O quê mamã? - Disse balançando energeticamente o peluche
- Acalma-te filha. Senão adormeces, antes do Pai Natal vir.
- Não, isso não! E depois ele fica zangado, e depois os presentes?
- Ariel…
- Esta bem. Eu descanso.
- Vamos apanhar o táxi, para irmos aquela casa de rendas que a avó adora. Que achas?
- Mamã! És uma genia! Rendas! Sim, sim…
- Vamos então.
Entraram no primeiro táxi que viram e iniciaram o percurso.
“Noite de paz
Noite de amor
O senhor ,Deus amor
Pobrezinho nasceu em Belém.(…)- Cantava animada Ariel, enquanto as iluminações brilhavam.
- Que bela voz tem a sua … -Iniciou o condutor
- Filha.
- Ainda vai ser cantora. - Continuou o condutor.
-Mamã… o papá também recebe presentes? – Fixou a cara da mãe.
- Claro. Recebe o presente de nos ver feliz.
- Ainda bem… tinha medo que não recebe-se. – Sentou-se no colo da mãe e aconchegou a cabecinha no peito desta, e começou a brincar com a girafa – Mamã, adoro-te!
-Eu também filha, eu também.
O táxi parou no semáforo e o silêncio reinou dentro deste. O sinal abriu e o carro arrancou. Ariel agarrou-se a mãe, beijou-lhe a cara e fechou os olhos deitando a cabeça. Mariah afagou a sua amada filha e tapou-a com o casaco, protegendo-a do frio.
Então, do outro lado do cruzamento emergiu um carro a alta velocidade que chocou com o táxi com violência. O carro rodopiou loucamente pela estrada. Mariah assustada apertou a filha contra peito.
-Mamã… - gemeu temerosamente a criança.
O condutor tentou inutilmente controlar o carro, acabando este por embater contra um grosso murro.
Mariah sentiu-se abalada e bastante magoada. Abriu os olhos e reparou que estava deitada sobre vidros e que o condutor estava inconsciente.
-Ari..el – balbuciou
-Mamã…porque que os anjos são tão belos? – Perguntou roucamente a criança. Mariah suspirou de felicidade. Ariel estava viva! Tentou sair do carro, mas apercebeu-se que estava enclausurada. Sentia-se tonta e fraca, devido ao imenso sangue que estava a perder.
- Mamã.. Diz ao Pai Natal que não quero brinquedos… Mamã, vou dormir um pouquinho, só um pouquinho… - e com isto fechou os olhos e adormeceu. Mariah que sofria de dores atrozes, beijou a filha e adormeceu também.
- Vai tudo correr bem, filha. Já passou. - E foram as suas últimas palavras.
A ambulância chegou e socorreu-os. Mariah acordou sentindo ainda o corpo desfeito pelo acidente.
- Enfermeira… a minha filha? Uma menina de olhos azuis e cabelo castanha que estava comigo?
- A senhora está muito cansada, sofreu um grave acidente. Tem de descansar.
- Diga-me onde esta a minha filha! - Gritou completamente enlouquecida
- Senhora…
- Onde está ela? ONDE?
A enfermeira não a fixava, olhava para o chão. Levou a mão ao bolso e tirou de lá uma girafa e entregou a Mariah em silêncio. - Guarde-a muito bem. Lamento. - E com isto saiu deixando-a sozinha.
Mariah ficou estática e apertou a pequena girafa. Não acreditava, não era possível. As lágrimas começaram a escorrer intensamente e abundantemente.
- Ariel, ARIEL, ARIEL. - Desmaiou e tudo se apagou.”
Um amor …Uma filha… Uma vida. Mariah, sempre pensou que ia ter um rapaz, mas afinal tinha tido uma menina. Um autêntico anjo. A sua filha. Aquela filha adorada, que agora, estava com Petter.
-Mariah!!!! – Gritou Marina
-Hum? - Falou depois de ser arrastada dos seus pensamentos.
- Porque choras?
-Por nada! Por um amor. - Limpou os olhos com as costas das mãos e encarou-a. - Já sabes andar?
- Mais ou menos. Ajudas-me?
-Sim. Vamos. – Levantou-se e sentiu o telefone tocar. – Mariah Colin.
- Mariah, daqui é o Ryan. Despacha-te a vir para aqui. Temos novidades.
boa
.3 Capítulo
Mamã?
Acordou cheia de dores. Abriu os olhos e fixou o tecto. Tão branco… tão puro. Tudo o que ela não era. Desenhou um sorriso naquela face magoada. Agora estava a comparar-se com o tecto? Era um sinal de que a sua sanidade mental não estava num dia bom. Inspirou fundo e arqueou as costas, levantando-se. Sentiu algo húmido e quente na pele, lentamente levou os olhos à cama e viu os lençóis brancos, pintados a sangue. Assustada saltou da cama e encostou-se à parede. Sentiu algo embater placidamente nas lajes e banhar-lhe os pés. Rapidamente olhou o seu corpo e percebeu tudo. Desta vez, tinha abusado dos cortes e as feridas continuavam abertas. Soltou um “ah” desinteressado e foi até a casa de banho. Enquanto se tratava, imagens fragmentadas, do acontecimento da noite anterior, fuzilavam-na sem dó. Foi até à cozinha e preparou o pequeno-almoço. Cantarolava ao som de uma música tipicamente matinal, enquanto arrumava as coisas. Esticou os braços e olhou o calendário, era sábado.
- Sueco, que vamos fazer hoje? – Mariah questionou uma peluda bola branca que dormia no sofá. O gato levantou a cabeça e caminhou até a dona, esfregando-se de seguida à esta. – Pois… compras. Comprar comida, não é?
Arranjou-se e saiu. Enquanto caminhava pensou em ir a esquadra ver se havia novidades sobre o cadáver, mas depois o estômago contorceu-se e as mãos suaram. Talvez, não fosse uma boa ideia, era o seu dia livre e não o queria estragar.
Continuou a andar, questionando-se se seria melhor continuar a andar, ir de autocarro, ou de carro as compras.
- MARIAH- Gritou uma fina voz, atrás de si.
- Hum? Marina, que está a fazer? - Uma menina de 8 anos apareceu atrás de Mariah, muito risonha, segurando uma bicicleta, maior que ela.
- Vou andar de bicicleta! É do meu papá! - Disse em completa euforia ,enquanto tentava equilibrar a bicicleta com as sua pequeninas mãos.
- Não achas que é grande demais?
- Não. -Respondeu prontamente.
- O teu pai sabe que estas cá fora?
- Ele está a trabalhar.
- E estas sozinha?
- Só um bocadinho pequenino, ele disse que à tarde já está aqui.
- Marina, já disse ao teu pai que não me importo de vigiar-te por algum tempo. Até me fazes companhia. E já que estamos entre mulheres, podemos passar o tempo a comer biscoitos, a falar de fofocas, e a colocar aquelas mascaras muito nutritivas.
- Bagh. Prefiro a bicicleta. – Disse a menina com cara enojada.
- Vem comigo. - Voltaram a entrar dentro de casa de Mariah. - Marina, espera um pouco aqui. Por favor não mates o Sueco. – Mariah, pegou num post-it e escreveu “ A Marina está comigo. Ass: Mariah”. Subiu ao andar de cima e colou-o na porta do 6º esquerdo. Voltou a descer e encarou Marina que “acariciava” o grande e gordo Sueco.
-Muito bem Marina, queres andar de bicicleta?
- Sim. – A pequena criança levantou-se tão depressa que o gato foi parar ao chão, fugindo de seguida.
- Então segue-me até a garagem e desceram.
Mariah entrou nas sombras que alagavam a garagem e depois de algum tempo saiu dela com uma pequena bicicleta, apropriada para Marina.
- Uau. Tens uma bicicleta. E tem campainha, e fitas e cesto e desenhos e…
- Acalma-te miúda. Vamos lá para fora.
Mariah, tentou ensinar Marina e depois de uma serie de trabalhões, encontros com árvores, postes e muros Marina já se safava.
A mulher cansava, desabou em cima do um banco e limpou com as costas das mãos o suor da cara. Depois ficou ali a observar a pequena criança. Tão feliz… tão bonita…tão risonha…tão criança…tão inocente.
“Marina… significa oriunda do mar. Nome de mulheres muito dadas ao sonho e a fantasia. Costumam refugiar-se no seu mundo de fantasia quando se encontram frente a determinados problemas, que não conseguem solucionar.”
Mariah riu-se ao lembrar-se disso, pois era verdade. Aquela pequena era forte, mas era uma criança, embora não o quisesse admitir. Os pais de Marina , estavam para se divorciar. As constantes discussões, escreveram o final da relação. A mãe da menina estava com outro homem e pouco ligava à filha. Mariah ouvira um dia no calor de uma discussão, a mão dizer “ A Marina foi fruto de uma aventura indesejada”
“Deus dá pérolas a porcos”- pensou Mariah enquanto via a menina de rosto afogueado e cabelo ao vento, no auge da sua inocência. “ Deus dá…”. A frase ficou a meio Mariah, sentia inveja da mãe de Marina. Se ela tivesse a possibilidade de criar o seu filho, era a mulher mais feliz do mundo. Mais feliz. A mais feliz. Fixou o céu e ali ficou por algum tempo.
(memória)
“Ariel: Nome de anjo.
-Ariel, filha volta aqui! - Falou amorosamente Mariah.
- Mamã, olha o Pai Natal! - Uma criança de olhos muito azuis e cabelos castanhos, olhava fascinada para o interior de uma montra que, na mão direita tinha uma pequena girafa, amarela e castanha. - Mamã, ele vem hoje, não vem? Vamos despacha-te...bolachinhas para o Pai Natal… e para as renas cenourinhas… mamã!
- Espera, querida! - Mariah pegou ao colo a menina de 4 anos, que estava rosada de tanta felicidade.
- Mamã e a vovó? Que lhe vamos dar? Chocolates? Brinquedos? Flores? Beijinhos? O quê Mamã? E ao Vovô? Livros? Uma Cana de pesca? Uma casa? Brinquedos? Beijinhos? O quê mamã? - Disse balançando energeticamente o peluche
- Acalma-te filha. Senão adormeces, antes do Pai Natal vir.
- Não, isso não! E depois ele fica zangado, e depois os presentes?
- Ariel…
- Esta bem. Eu descanso.
- Vamos apanhar o táxi, para irmos aquela casa de rendas que a avó adora. Que achas?
- Mamã! És uma genia! Rendas! Sim, sim…
- Vamos então.
Entraram no primeiro táxi que viram e iniciaram o percurso.
“Noite de paz
Noite de amor
O senhor ,Deus amor
Pobrezinho nasceu em Belém.(…)- Cantava animada Ariel, enquanto as iluminações brilhavam.
- Que bela voz tem a sua … -Iniciou o condutor
- Filha.
- Ainda vai ser cantora. - Continuou o condutor.
-Mamã… o papá também recebe presentes? – Fixou a cara da mãe.
- Claro. Recebe o presente de nos ver feliz.
- Ainda bem… tinha medo que não recebe-se. – Sentou-se no colo da mãe e aconchegou a cabecinha no peito desta, e começou a brincar com a girafa – Mamã, adoro-te!
-Eu também filha, eu também.
O táxi parou no semáforo e o silêncio reinou dentro deste. O sinal abriu e o carro arrancou. Ariel agarrou-se a mãe, beijou-lhe a cara e fechou os olhos deitando a cabeça. Mariah afagou a sua amada filha e tapou-a com o casaco, protegendo-a do frio.
Então, do outro lado do cruzamento emergiu um carro a alta velocidade que chocou com o táxi com violência. O carro rodopiou loucamente pela estrada. Mariah assustada apertou a filha contra peito.
-Mamã… - gemeu temerosamente a criança.
O condutor tentou inutilmente controlar o carro, acabando este por embater contra um grosso murro.
Mariah sentiu-se abalada e bastante magoada. Abriu os olhos e reparou que estava deitada sobre vidros e que o condutor estava inconsciente.
-Ari..el – balbuciou
-Mamã…porque que os anjos são tão belos? – Perguntou roucamente a criança. Mariah suspirou de felicidade. Ariel estava viva! Tentou sair do carro, mas apercebeu-se que estava enclausurada. Sentia-se tonta e fraca, devido ao imenso sangue que estava a perder.
- Mamã.. Diz ao Pai Natal que não quero brinquedos… Mamã, vou dormir um pouquinho, só um pouquinho… - e com isto fechou os olhos e adormeceu. Mariah que sofria de dores atrozes, beijou a filha e adormeceu também.
- Vai tudo correr bem, filha. Já passou. - E foram as suas últimas palavras.
A ambulância chegou e socorreu-os. Mariah acordou sentindo ainda o corpo desfeito pelo acidente.
- Enfermeira… a minha filha? Uma menina de olhos azuis e cabelo castanha que estava comigo?
- A senhora está muito cansada, sofreu um grave acidente. Tem de descansar.
- Diga-me onde esta a minha filha! - Gritou completamente enlouquecida
- Senhora…
- Onde está ela? ONDE?
A enfermeira não a fixava, olhava para o chão. Levou a mão ao bolso e tirou de lá uma girafa e entregou a Mariah em silêncio. - Guarde-a muito bem. Lamento. - E com isto saiu deixando-a sozinha.
Mariah ficou estática e apertou a pequena girafa. Não acreditava, não era possível. As lágrimas começaram a escorrer intensamente e abundantemente.
- Ariel, ARIEL, ARIEL. - Desmaiou e tudo se apagou.”
Um amor …Uma filha… Uma vida. Mariah, sempre pensou que ia ter um rapaz, mas afinal tinha tido uma menina. Um autêntico anjo. A sua filha. Aquela filha adorada, que agora, estava com Petter.
-Mariah!!!! – Gritou Marina
-Hum? - Falou depois de ser arrastada dos seus pensamentos.
- Porque choras?
-Por nada! Por um amor. - Limpou os olhos com as costas das mãos e encarou-a. - Já sabes andar?
- Mais ou menos. Ajudas-me?
-Sim. Vamos. – Levantou-se e sentiu o telefone tocar. – Mariah Colin.
- Mariah, daqui é o Ryan. Despacha-te a vir para aqui. Temos novidades.
Desculpem pela ausência!
para me desculpar aqui vai o 4 capítulo!
Capítulo 4
Após se despedir de Marina, correu para o interior do seu apartamento. Trocou de roupa, engoliu um café as pressas e desceu pelas escadas a passo de corrida. Já nas ruas de Londres abrandou o passo, sentia-se estafada, mas a excitação movia-a. Ergueu a cabeça e sentiu o vento flagelar-lhe a face. Depois, estacou por completo, com um olhar aterrorizado. Ia encontra-lo! Aquele pesadelo de cabelos ruivos intitulado William. Como o ia enfrentar? Odiava sentir-se tão fraca. Onde estava a sua verdadeira personalidade? Morrerá no dia em que se viu abandonada de todas as pessoas que amava, lembrou-se enquanto coçava o cotovelo distraidamente. A multidão obrigava-a a progredir e por isso, inexplicavelmente, viu-se na frente da esquadra. Tinha de entrar, mas ordenar isso às pernas, era outra história. Suspirou e baixou a cabeça. Era mesmo fraca! Começou a chover mas mesmo assim Mariah não se moveu. Os olhos impregnados com esmeraldas, deambulavam perdidos pelo edifício imponente. Sentia o terror crescer dentro de si a cada momento. Ferrou os lábios e tirou as mãos dos bolsos. Tinha de progredir! Mas o cheiro viril de William ainda povoava a sua pele, as suas lembranças e feridas. Suspirou fundo, tentando arranjar energias ocultas.
- Estás a espera de apanhar uma pneumonia, Colin? – Proferiu uma voz masculina atrás de si. Mariah petrificada rodou-se bruscamente para visualizar o intruso. Os olhos da rapariga arregalaram-se de alívio. Na sua frente, parcialmente molhado e desengonçado encontrava-se Diego.
-Não. - Disse baixo a rapariga, ainda a recuperar do susto, voltando a cabeça na direcção do edifício. Diego franziu as sobrancelhas, confuso. Quem no seu prefeito juízo, ficava na chuva, enquanto podia abrigar-se no interior da esquadra?
-És estranha Colin. Como eu já suspeitava. – Diego riu-se maldosamente e ultrapassou Mariah, deixando-a para trás.
Caminhou alguns metros e depois virou-se furiosamente. Distraidamente Mariah encarou-o, e num estalo de mente assustou-se. Diego encontrava-se com os braços cruzados sobre o peito e a ameaçadora cara dele fitava-a. Os lábios comprimidos formavam uma linha recta, os olhos estavam semi-serrados temivelmente e as sobrancelhas franzidas. Parecia um tigre prestes a atacar, o que fez o corpo de Mariah encolher-se instintivamente. Diego revirou os olhos e caminhou ameaçadoramente na sua direcção.
-És uma idiota! Assim ainda és internada. O que raio se passa no teu consciente? – Rugiu perigosamente, ficando cara-a-cara com ela.
- Nada. – Falou absorta, fitando o chão.
Um suspiro pesado escapou do boca do Diego e depois Mariah sentiu o antebraço ser agarrado e puxado. Levantou a cabeça e viu que Diego a arrastava para a esquadra. Tentou parar mas em vão. Diego tinha o dobro, senão o triplo da sua força.
-Larga-me! - Gritou, enquanto resistia. Diego voltou a cabeça e fitou-a asperamente.
- Largo, mas somente quando estiveres fora da chuva, até lá… esquece, não te solto! Deixa de ser pateta. – Esclareceu, dando um forte puxão, obrigando-a a correr para não cair.
- Solta-me! – Berrou, sem fazer nenhum movimento para o deter. Este parou e virou-se colericamente. Soltou-lhe o braço e abandonou-a, sem dizer uma única palavra. Mariah apercebeu-se então que já estavam na entrada da esquadra. Como tinha dito Diego só a libertaria longe da chuva.
Suspirou novamente e enchendo o peito de ar, entrou por completo na esquadra. Proferiu alguns “bom dia!” enquanto se encaminhava para o seu gabinete. Aliviada pareceu-lhe que William estava fora. Envolta nos seus pensamentos ergueu a cabeça e abriu um amplo sorriso.
-Mariah! - Alguém gritou com uma voz bem-disposta e brincalhona. Ryan aproximou-se da rapariga com um sorriso luminoso nos lábios, e equilibrando uma pilha de documentos numa mão. - Bom dia, miúda! - Ryan efectuou uma pequena pausa onde foi visível o rubor possuir a sua cara. - Mariah, Conner… eu não te queria tratar por miúda, eu só…é uma…falta de respeito e portanto…
-Bom dia Ryan. - Riu-se Mariah. - Tem calma. Mudando de assunto, o que descobriram?
- Bom, se calhar é melhor veres com os teus próprios olhos. Mas posso assegurar-te que nunca vi tal coisa. É medonho. Mas passa pela sala de observações, a Melinda está lá a acabar umas últimas análises. Eu vou só levar isto ao outro departamento e já te encontro. - Ryan virou a cara, comprimiu os olhos furtivamente e depois com uma voz arrastada e forçada proferiu. - Bom-dia Willam.
Mariah perdeu todo o ar nos pulmões e sentiu o corpo amolecer. Na cabeça o som não chegava, deixando-a momentaneamente surda, o estômago revoltou-se, as mãos suaram, a boca secou e os olhos viraram-se para confrontar Willam. Este sorria, exibindo aquele maldito e perverso sorriso que Mariah sentiu vontade de arrancar à unhada. – Bom dia William. – Cuspiu com uma falsa voz animadora, o que pareceu intrigar Will.
- Estás muito bem-disposta Mariah, a noite correu bem, foi? - Questionou com uma cara de inocente, mas com um sorriso a rasgar-lhe o canto da boca. Mariah, não duvidava que todas as cores da sua face haviam-se, escoado, perante tal comentário. O olhar de Ryan oscilava entre Mariah, que parecia uma boneca de cera devido as feições fortemente rasgadas, e Will que fuzilava a jovem com os seus olhares mal-intencionados.
- Depois falam! Agora, há trabalho a fazer. - Falou Ryan empurrando delicadamente Mariah à sua frente. O último som que a rapariga ouviu foi uma risada de Will.
Despediu-se de Ryan e rumou ao gabinete, em busca de descanso. Fechou a porta e atirou-se literalmente para a cadeira de O’Neill, já que esta era mais confortável. Colocou as pernas nos braços da cadeira e deixou a cabeça cair no outro braço, ficando assim atravessada no assento. Fechou os olhos e começou a massajar as têmporas calmamente, numa tentativa desalmada de descontrair. Perdeu a noção dos minutos que ali permaneceu, e só voltou à realidade quando ouviu a maçaneta da porta guinchar ao ser rodada. Alguém entrou no compartimento com uma respiração pesada e Mariah engoliu em seco, ao pensar que quando abrisse os olhos ia deparar-se com um O’Neill enraivecido, por ela se encontrar na sua cadeira. Este pensamento fez um tímido sorriso brotar da sua boca e com algum esforço arqueou as costas para se levantar.
- Desculpa O’Neill, eu…- Finalmente abriu os olhos e fixou o intruso. Estes arregalaram-se e o terror apossou-se deles. Não era O’Neill, que se tinha entrado! Mariah ouviu a porta a ser trancada e sentiu-se agoniada. William devorava-a com os olhos, e humedeceu os lábios de forma quase obscena.
-Não chegas-te a responder à minha pergunta, docinho. – Riu-se Will enquanto se aproximava de uma Mariah paralisada pelo medo e terror. Tentou toca-la mas recebeu em troca um grito. Mariah saltou da cadeira e recuou para longe daquele ser maldito.
- Will, abre a porta! Pondera os factos, estamos numa esquadra. E…e…- O rapaz aproximou-se selvática e perigosamente dela. – Eu vou processar-te por assédio! – Berrou sentindo os pulmões desfragmentarem-se naquele movimento. Sentiu os pulsos a serem presos e empurrados até à parede. Will prendeu-a, sem cerimónia e fixava-a furiosamente.
-Processa, meu docinho, e depois conheceras o inferno. – Os olhos do rapaz eram temíveis e Mariah sentia o desespero tomar por completo o controlo dela. As lágrimas começaram a correr e os punhos a tentar soca-lo.
-Deixa de ser idiota miúda! – Sibilou com escárnio. - Não queiras medir forças. Não chores que em vez de conhecer o inferno, vou mostrar-te o paraíso. – Sorriu aproximando-se. Mariah tentou gritar, mas é nestes momentos que o terror paralisa qualquer movimento. Virou a cabeça para o lado, fugindo ao forçado beijo de Will. Logo sentiu as unhas do rapaz penetrar-se no queixo para a obrigar a fixa-lo.
-Will por favor…- Chorou baixo a aterrorizada mulher. Este facto pareceu animar o rapaz, que logo começou a sorver as lágrimas que lhe corriam pela cara. O panorama de uma mulher chorosa, proporcionava-lhe ainda mais prazer. Mariah entrou em estado de choque por completo e os punhos caíram dando passagem livre ao pervertido rapaz. E ela chorava com vontade de o espancar. Queria gritar por Ryan, Melinda ou até mesmo por O’neill. Queria gritar por alguém ou por ninguém, somente queria ajuda, uma salvação que parecia tardar a vir. Estava sozinha? Ninguém viria? Ninguém notaria a sua falta? Baixou a cabeça completamente arrasada, sentindo as pontas dos dedos de Will delinearem o seu maxilar, pescoço e colo. O corpo dela começou a sofrer espasmos de terror, mas Will ignorou totalmente esse facto. Então, como que um sonho feito realidade a maçaneta rodou, mas a porta não se abriu, já que se encontrava trancada. Will riu-se e voltou a centrar-se no pescoço de Mariah. Surpreendentemente, o barulho de uma chave, e a porta abriu-se com brusquidão.
- Mas que raio, Mariah! Porque trancas-te a por…- O’Neill fixou o panorama de olhos arregalados. Mariah encostada a uma parede, completamente coberta pelo colossal corpo de Wiil. Este pareceu empalidecer e Inexplicavelmente os olhos de O’Neill pareceram ganhar fúria. Mariah, ergueu a cabeça e abriu a boca diversas vezes, mas era como se uma corda a estivesse a enforcar impedindo-a de falar. O’Neill sem formalidades, aproximou-se, levantou um braço de Will, e arrancou Mariah, aquele gigantesco corpo. Esta sentiu uns braços quentes e reconfortantes envolverem os seus ombros e libertarem-na daquela agonia. Fixou o seu salvador. O’Neill, era difícil de acreditar. Este, caminhou para longe de Will e apertando-a um pouco mais, fixou o rapaz que se localizava no outro extremo da sala.
– Mariah, o Ryan pediu-me para te chamar, já devias estar lá há mais de um quarto de hora. - Falou sempre a olhar furtivamente para Will.- Parece que interrompi algo. - O’Neill sentou-se na secretária e olhou-o, divertidamente. - O chefe mandou-me chamar e passo a citar – Tirou uma folha de papel do bolso e leu-a com extrema calma. - “O agente que não faz uma ponta do chavelho e quando faz, só faz merda”. – Guardou o papel e voltou a erguer a cabeça. - Chegou uma multa de estacionamento ao chefe, com a matrícula do veículo que somente está disponível, para mim, para ti e para a Mariah. Olhando para a discrição, parece-me fácil perceber a quem o chefe se referia. - Levantou-se da secretaria e caminhou até Mariah que continuava estática ao seu lado.
- Estás a insinuar que…- Berrou Will.
-Não, não referi nomes, ou referi? Mas se te serviu a carapuça. Faz bom proveito. – Proferiu chegando mais perto de Mariah, que termia. – Agora se não te importa, há pessoas que têm de trabalhar – Pegou no pulso de Mariah e arrastou-a com ele. – Com a tua lincensa, temos mais que fazer, do que ter uma agradável conversa contigo. – E dito isto, com uma certa ironia, saiu levando consigo Mariah.
O’Neill, largou-a e suspirou fundo.
-Segue-me. - Olhou de relance. - Estás bem? - Mariah mordia os lábios, chegando mesmo a rasga-los, e termia compulsivamente. – Mariah? - Chamou-a.
-Estou. - Balbuciou. O rapaz enrugou a testa parecendo furioso. Abanou a cabeça para os lados e colocou as mãos nos bolsos.
- Se te encontras bem, o Ryan e a Melinda estão à tua espera. Anda que eu levo-te. – Comprometeu-se caminhando à sua frente. Mariah ouviu-o murmurar “Que miúda idiota!” enquanto caminhava.
- Não preciso, obrigada. - Atirou firmemente e ultrapassou-o. Ele riu-se, fazendo-a virar-se rapidamente, com lúcida raiva.
- Tens genica rapariga, pena ser só fachada. És fraca, na realidade – Criticou. Mariah desesperou. Aquilo era impossível de aguentar. Acabava de se salvar de um tarado e agora tinha ainda de aguentar com as estocadas de Diego? Sentiu os olhos queimarem de raiva, de uma raiva contida. Apertou a cana do nariz entre os dedos, e virou as costas a Diego. Aquele ambiente matava-a, coisa que ela dispensava perfeitamente. Já não chegava o passado? Agora ainda tinha de ser torturada no presente? Acabou! Não aguentou mais. Encostou-se a parede, e deixou-se escorregar por ela.
- Mariah? - Ela assustou-se. Diego estava novamente ali? Ainda queria divertir-se mais, maltratando-a?
- Lamento. – Mariah, arregalou os olhos, sentindo o rosto corar. O’Neill lamentava? - Tu e o Will, deviam arranjar um lugar melhor. Depois podes correr o risco de serem encontrados. – E riu-se. A rapariga deixou a cabeça mover-se um pouco para a esquerda e comprimiu os olhos. Ele não se apercebera que ali, naquela sala, não se tratava de uma casal a avançar na relação, mas sim uma tentativa de violação? O coração da rapariga morria de sofrimento a cada instante. Deixou a cabeça cair entre as mãos e assim ficou.
-Escusas de ficar envergonhada! Outros dias viram, mais propícios a esse tipo de acto! - Falou observando a mulher feita, que abraçava as pernas. Mas ao ouvir isto, ela levantou-se rapidamente e avançou sobre ele, levando a mão contra o seu rosto.
para me desculpar aqui vai o 4 capítulo!
Capítulo 4
Após se despedir de Marina, correu para o interior do seu apartamento. Trocou de roupa, engoliu um café as pressas e desceu pelas escadas a passo de corrida. Já nas ruas de Londres abrandou o passo, sentia-se estafada, mas a excitação movia-a. Ergueu a cabeça e sentiu o vento flagelar-lhe a face. Depois, estacou por completo, com um olhar aterrorizado. Ia encontra-lo! Aquele pesadelo de cabelos ruivos intitulado William. Como o ia enfrentar? Odiava sentir-se tão fraca. Onde estava a sua verdadeira personalidade? Morrerá no dia em que se viu abandonada de todas as pessoas que amava, lembrou-se enquanto coçava o cotovelo distraidamente. A multidão obrigava-a a progredir e por isso, inexplicavelmente, viu-se na frente da esquadra. Tinha de entrar, mas ordenar isso às pernas, era outra história. Suspirou e baixou a cabeça. Era mesmo fraca! Começou a chover mas mesmo assim Mariah não se moveu. Os olhos impregnados com esmeraldas, deambulavam perdidos pelo edifício imponente. Sentia o terror crescer dentro de si a cada momento. Ferrou os lábios e tirou as mãos dos bolsos. Tinha de progredir! Mas o cheiro viril de William ainda povoava a sua pele, as suas lembranças e feridas. Suspirou fundo, tentando arranjar energias ocultas.
- Estás a espera de apanhar uma pneumonia, Colin? – Proferiu uma voz masculina atrás de si. Mariah petrificada rodou-se bruscamente para visualizar o intruso. Os olhos da rapariga arregalaram-se de alívio. Na sua frente, parcialmente molhado e desengonçado encontrava-se Diego.
-Não. - Disse baixo a rapariga, ainda a recuperar do susto, voltando a cabeça na direcção do edifício. Diego franziu as sobrancelhas, confuso. Quem no seu prefeito juízo, ficava na chuva, enquanto podia abrigar-se no interior da esquadra?
-És estranha Colin. Como eu já suspeitava. – Diego riu-se maldosamente e ultrapassou Mariah, deixando-a para trás.
Caminhou alguns metros e depois virou-se furiosamente. Distraidamente Mariah encarou-o, e num estalo de mente assustou-se. Diego encontrava-se com os braços cruzados sobre o peito e a ameaçadora cara dele fitava-a. Os lábios comprimidos formavam uma linha recta, os olhos estavam semi-serrados temivelmente e as sobrancelhas franzidas. Parecia um tigre prestes a atacar, o que fez o corpo de Mariah encolher-se instintivamente. Diego revirou os olhos e caminhou ameaçadoramente na sua direcção.
-És uma idiota! Assim ainda és internada. O que raio se passa no teu consciente? – Rugiu perigosamente, ficando cara-a-cara com ela.
- Nada. – Falou absorta, fitando o chão.
Um suspiro pesado escapou do boca do Diego e depois Mariah sentiu o antebraço ser agarrado e puxado. Levantou a cabeça e viu que Diego a arrastava para a esquadra. Tentou parar mas em vão. Diego tinha o dobro, senão o triplo da sua força.
-Larga-me! - Gritou, enquanto resistia. Diego voltou a cabeça e fitou-a asperamente.
- Largo, mas somente quando estiveres fora da chuva, até lá… esquece, não te solto! Deixa de ser pateta. – Esclareceu, dando um forte puxão, obrigando-a a correr para não cair.
- Solta-me! – Berrou, sem fazer nenhum movimento para o deter. Este parou e virou-se colericamente. Soltou-lhe o braço e abandonou-a, sem dizer uma única palavra. Mariah apercebeu-se então que já estavam na entrada da esquadra. Como tinha dito Diego só a libertaria longe da chuva.
Suspirou novamente e enchendo o peito de ar, entrou por completo na esquadra. Proferiu alguns “bom dia!” enquanto se encaminhava para o seu gabinete. Aliviada pareceu-lhe que William estava fora. Envolta nos seus pensamentos ergueu a cabeça e abriu um amplo sorriso.
-Mariah! - Alguém gritou com uma voz bem-disposta e brincalhona. Ryan aproximou-se da rapariga com um sorriso luminoso nos lábios, e equilibrando uma pilha de documentos numa mão. - Bom dia, miúda! - Ryan efectuou uma pequena pausa onde foi visível o rubor possuir a sua cara. - Mariah, Conner… eu não te queria tratar por miúda, eu só…é uma…falta de respeito e portanto…
-Bom dia Ryan. - Riu-se Mariah. - Tem calma. Mudando de assunto, o que descobriram?
- Bom, se calhar é melhor veres com os teus próprios olhos. Mas posso assegurar-te que nunca vi tal coisa. É medonho. Mas passa pela sala de observações, a Melinda está lá a acabar umas últimas análises. Eu vou só levar isto ao outro departamento e já te encontro. - Ryan virou a cara, comprimiu os olhos furtivamente e depois com uma voz arrastada e forçada proferiu. - Bom-dia Willam.
Mariah perdeu todo o ar nos pulmões e sentiu o corpo amolecer. Na cabeça o som não chegava, deixando-a momentaneamente surda, o estômago revoltou-se, as mãos suaram, a boca secou e os olhos viraram-se para confrontar Willam. Este sorria, exibindo aquele maldito e perverso sorriso que Mariah sentiu vontade de arrancar à unhada. – Bom dia William. – Cuspiu com uma falsa voz animadora, o que pareceu intrigar Will.
- Estás muito bem-disposta Mariah, a noite correu bem, foi? - Questionou com uma cara de inocente, mas com um sorriso a rasgar-lhe o canto da boca. Mariah, não duvidava que todas as cores da sua face haviam-se, escoado, perante tal comentário. O olhar de Ryan oscilava entre Mariah, que parecia uma boneca de cera devido as feições fortemente rasgadas, e Will que fuzilava a jovem com os seus olhares mal-intencionados.
- Depois falam! Agora, há trabalho a fazer. - Falou Ryan empurrando delicadamente Mariah à sua frente. O último som que a rapariga ouviu foi uma risada de Will.
Despediu-se de Ryan e rumou ao gabinete, em busca de descanso. Fechou a porta e atirou-se literalmente para a cadeira de O’Neill, já que esta era mais confortável. Colocou as pernas nos braços da cadeira e deixou a cabeça cair no outro braço, ficando assim atravessada no assento. Fechou os olhos e começou a massajar as têmporas calmamente, numa tentativa desalmada de descontrair. Perdeu a noção dos minutos que ali permaneceu, e só voltou à realidade quando ouviu a maçaneta da porta guinchar ao ser rodada. Alguém entrou no compartimento com uma respiração pesada e Mariah engoliu em seco, ao pensar que quando abrisse os olhos ia deparar-se com um O’Neill enraivecido, por ela se encontrar na sua cadeira. Este pensamento fez um tímido sorriso brotar da sua boca e com algum esforço arqueou as costas para se levantar.
- Desculpa O’Neill, eu…- Finalmente abriu os olhos e fixou o intruso. Estes arregalaram-se e o terror apossou-se deles. Não era O’Neill, que se tinha entrado! Mariah ouviu a porta a ser trancada e sentiu-se agoniada. William devorava-a com os olhos, e humedeceu os lábios de forma quase obscena.
-Não chegas-te a responder à minha pergunta, docinho. – Riu-se Will enquanto se aproximava de uma Mariah paralisada pelo medo e terror. Tentou toca-la mas recebeu em troca um grito. Mariah saltou da cadeira e recuou para longe daquele ser maldito.
- Will, abre a porta! Pondera os factos, estamos numa esquadra. E…e…- O rapaz aproximou-se selvática e perigosamente dela. – Eu vou processar-te por assédio! – Berrou sentindo os pulmões desfragmentarem-se naquele movimento. Sentiu os pulsos a serem presos e empurrados até à parede. Will prendeu-a, sem cerimónia e fixava-a furiosamente.
-Processa, meu docinho, e depois conheceras o inferno. – Os olhos do rapaz eram temíveis e Mariah sentia o desespero tomar por completo o controlo dela. As lágrimas começaram a correr e os punhos a tentar soca-lo.
-Deixa de ser idiota miúda! – Sibilou com escárnio. - Não queiras medir forças. Não chores que em vez de conhecer o inferno, vou mostrar-te o paraíso. – Sorriu aproximando-se. Mariah tentou gritar, mas é nestes momentos que o terror paralisa qualquer movimento. Virou a cabeça para o lado, fugindo ao forçado beijo de Will. Logo sentiu as unhas do rapaz penetrar-se no queixo para a obrigar a fixa-lo.
-Will por favor…- Chorou baixo a aterrorizada mulher. Este facto pareceu animar o rapaz, que logo começou a sorver as lágrimas que lhe corriam pela cara. O panorama de uma mulher chorosa, proporcionava-lhe ainda mais prazer. Mariah entrou em estado de choque por completo e os punhos caíram dando passagem livre ao pervertido rapaz. E ela chorava com vontade de o espancar. Queria gritar por Ryan, Melinda ou até mesmo por O’neill. Queria gritar por alguém ou por ninguém, somente queria ajuda, uma salvação que parecia tardar a vir. Estava sozinha? Ninguém viria? Ninguém notaria a sua falta? Baixou a cabeça completamente arrasada, sentindo as pontas dos dedos de Will delinearem o seu maxilar, pescoço e colo. O corpo dela começou a sofrer espasmos de terror, mas Will ignorou totalmente esse facto. Então, como que um sonho feito realidade a maçaneta rodou, mas a porta não se abriu, já que se encontrava trancada. Will riu-se e voltou a centrar-se no pescoço de Mariah. Surpreendentemente, o barulho de uma chave, e a porta abriu-se com brusquidão.
- Mas que raio, Mariah! Porque trancas-te a por…- O’Neill fixou o panorama de olhos arregalados. Mariah encostada a uma parede, completamente coberta pelo colossal corpo de Wiil. Este pareceu empalidecer e Inexplicavelmente os olhos de O’Neill pareceram ganhar fúria. Mariah, ergueu a cabeça e abriu a boca diversas vezes, mas era como se uma corda a estivesse a enforcar impedindo-a de falar. O’Neill sem formalidades, aproximou-se, levantou um braço de Will, e arrancou Mariah, aquele gigantesco corpo. Esta sentiu uns braços quentes e reconfortantes envolverem os seus ombros e libertarem-na daquela agonia. Fixou o seu salvador. O’Neill, era difícil de acreditar. Este, caminhou para longe de Will e apertando-a um pouco mais, fixou o rapaz que se localizava no outro extremo da sala.
– Mariah, o Ryan pediu-me para te chamar, já devias estar lá há mais de um quarto de hora. - Falou sempre a olhar furtivamente para Will.- Parece que interrompi algo. - O’Neill sentou-se na secretária e olhou-o, divertidamente. - O chefe mandou-me chamar e passo a citar – Tirou uma folha de papel do bolso e leu-a com extrema calma. - “O agente que não faz uma ponta do chavelho e quando faz, só faz merda”. – Guardou o papel e voltou a erguer a cabeça. - Chegou uma multa de estacionamento ao chefe, com a matrícula do veículo que somente está disponível, para mim, para ti e para a Mariah. Olhando para a discrição, parece-me fácil perceber a quem o chefe se referia. - Levantou-se da secretaria e caminhou até Mariah que continuava estática ao seu lado.
- Estás a insinuar que…- Berrou Will.
-Não, não referi nomes, ou referi? Mas se te serviu a carapuça. Faz bom proveito. – Proferiu chegando mais perto de Mariah, que termia. – Agora se não te importa, há pessoas que têm de trabalhar – Pegou no pulso de Mariah e arrastou-a com ele. – Com a tua lincensa, temos mais que fazer, do que ter uma agradável conversa contigo. – E dito isto, com uma certa ironia, saiu levando consigo Mariah.
O’Neill, largou-a e suspirou fundo.
-Segue-me. - Olhou de relance. - Estás bem? - Mariah mordia os lábios, chegando mesmo a rasga-los, e termia compulsivamente. – Mariah? - Chamou-a.
-Estou. - Balbuciou. O rapaz enrugou a testa parecendo furioso. Abanou a cabeça para os lados e colocou as mãos nos bolsos.
- Se te encontras bem, o Ryan e a Melinda estão à tua espera. Anda que eu levo-te. – Comprometeu-se caminhando à sua frente. Mariah ouviu-o murmurar “Que miúda idiota!” enquanto caminhava.
- Não preciso, obrigada. - Atirou firmemente e ultrapassou-o. Ele riu-se, fazendo-a virar-se rapidamente, com lúcida raiva.
- Tens genica rapariga, pena ser só fachada. És fraca, na realidade – Criticou. Mariah desesperou. Aquilo era impossível de aguentar. Acabava de se salvar de um tarado e agora tinha ainda de aguentar com as estocadas de Diego? Sentiu os olhos queimarem de raiva, de uma raiva contida. Apertou a cana do nariz entre os dedos, e virou as costas a Diego. Aquele ambiente matava-a, coisa que ela dispensava perfeitamente. Já não chegava o passado? Agora ainda tinha de ser torturada no presente? Acabou! Não aguentou mais. Encostou-se a parede, e deixou-se escorregar por ela.
- Mariah? - Ela assustou-se. Diego estava novamente ali? Ainda queria divertir-se mais, maltratando-a?
- Lamento. – Mariah, arregalou os olhos, sentindo o rosto corar. O’Neill lamentava? - Tu e o Will, deviam arranjar um lugar melhor. Depois podes correr o risco de serem encontrados. – E riu-se. A rapariga deixou a cabeça mover-se um pouco para a esquerda e comprimiu os olhos. Ele não se apercebera que ali, naquela sala, não se tratava de uma casal a avançar na relação, mas sim uma tentativa de violação? O coração da rapariga morria de sofrimento a cada instante. Deixou a cabeça cair entre as mãos e assim ficou.
-Escusas de ficar envergonhada! Outros dias viram, mais propícios a esse tipo de acto! - Falou observando a mulher feita, que abraçava as pernas. Mas ao ouvir isto, ela levantou-se rapidamente e avançou sobre ele, levando a mão contra o seu rosto.
- Idiota! És um idiota! - Bradou sem controlo em si, enquanto Diego colocava a sua mão sobre a face vermelha. Algo brilhante rolou pela face daquela jovem. Os maxilares estavam cerrados e arreganhados, os olhos embebidos em ira, e a mão ainda levantada. Então, a rapariga tomou consciência do acto inato. Olhou a mão e depois a cara empolada de Diego. Tinha agredido, o que podia acarretar um processo. Bufou dificilmente e incrédula. – O’Neill… eu não queria… não devia…- Ele baixou a cabeça e murmurou algo para depois, inexplicavelmente, abrir um sorriso rasgado.
- Até que enfim… alguma reacção! – O’Neill, virou-lhe as costas de caminhou no sentido oposto, enquanto gritava. - Segunda sala à esquerda!
Admiração, será a melhor definição para o estado de espírito da jovem. Esperava gritos e ameaças, tudo menos isto. Respirou fundo e caminhou até à tal segunda sala à esquerda, que Diego lhe indicara. Ainda um pouco abalada, entrou e logo foi puxada por Ryan.
- Evaporaste-te? Anda ver uma coisa que acabamos de encontrar no ventre do homem. Estás bem? Estás pálida?
-Olá Mariah. Chega aqui! – Cumprimentou Melinda. Mariah aproximou-se da maca onde o morto se encontrava. Estava realmente com um aspecto asqueroso. - Olha o que o “gajo” almoçou. – Disse Melinda estendendo-lhe um prato.
- Isto é…é…?
- Vidro. - Esclareceu Ryan.
-Mas isto é enorme! Deve ter rasgado a garganta! -Exclamou aterrorizada. O vidro ocupava metade da palma da mão e para além disso estava talhado em forma de espinho.
- E rasgou! - Confirmou Melinda. - Mas olha-o à luz.
-Hum… tem letras gravadas… diz…diz…
- Boémia. – Finalizou Ryan
- Boémia. Que quer dizer isto? – Indagou a rapariga, sentindo-se demasiado cansada para pensar.
Um silêncio aterrador preencheu a sala.
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Então o que axam?
Oláa!! 
Não acredito
, o O'Neill não percebeu o que se estava passando, entre o Will e a Mariah?? 
é preciso ser mesmo parvo !!! .... esperemos que ele esteja só
fingindo!! ... mas mereceu muito bem o que a Mariah lhe fez... não se
brinca com uma situação daquelas!!!
Tou adorandoo a sua fic, sério!
... está muito boa!
... pode contar comigo, vou acompanhar o desenrolar desta história!!!
Boa sorte com a continuação (e não demora a actualizar sim??
.o:)!!!
**Xauuu!!**

Não acredito
, o O'Neill não percebeu o que se estava passando, entre o Will e a Mariah?? 
é preciso ser mesmo parvo !!! .... esperemos que ele esteja só
fingindo!! ... mas mereceu muito bem o que a Mariah lhe fez... não se
brinca com uma situação daquelas!!!
Tou adorandoo a sua fic, sério!
... está muito boa!
... pode contar comigo, vou acompanhar o desenrolar desta história!!!
Boa sorte com a continuação (e não demora a actualizar sim??
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