Naoko Takeuchi é uma mangaka japonesa, nascida a 15 de Março de 1967, em Kōfu, na província de Yamanashi. Embora seja mundialmente conhecida como a criadora de Sailor Moon, a sua formação inicial não foi artística: estudou Química no Kyoritsu College of Pharmacy e tornou-se farmacêutica licenciada. O desenho, no entanto, acompanhou-a desde cedo, e Takeuchi acabou por seguir carreira como autora de manga.
A sua estreia profissional aconteceu nos anos 80. Em 1986, recebeu o prémio de revelação da revista Nakayoshi com a história curta Love Call. Nos anos seguintes publicou várias obras curtas e séries românticas, como Chocolate Christmas, Maria, Miss Rain e The Cherry Project, esta última publicada entre 1990 e 1991.
Em 1991, Takeuchi criou Codename: Sailor V, protagonizada por Minako Aino, uma jovem heroína que combatia o mal em nome do amor e da justiça. A ideia chamou a atenção da Toei Animation, que viu potencial para uma adaptação animada. A partir desse conceito, Takeuchi expandiu a história, acrescentou novas guerreiras e criou Bishoujo Senshi Sailor Moon. A série começou a ser publicada no fim de 1991, na revista Nakayoshi, e tornou-se rapidamente um fenómeno no Japão e no mundo.
Sailor Moon foi publicada originalmente entre 1991/1992 e 1997, reunida em 18 volumes na primeira edição japonesa. A obra ganhou o Prémio de Manga Kodansha em 1993, na categoria shoujo, e deu origem a uma das franquias mais importantes da cultura pop japonesa: a série de anime clássica dos anos 90, com 200 episódios, filmes de animação, videojogos, musicais Sera Myu, produtos derivados, novas edições do manga, a série live action Pretty Guardian Sailor Moon e, mais tarde, a adaptação Sailor Moon Crystal, seguida pelos filmes Eternal e Cosmos.
Após o fim de Sailor Moon, Takeuchi publicou PQ Angels, uma comédia de ficção científica lançada em 1997. A série foi interrompida ao fim de apenas quatro capítulos, num episódio frequentemente associado à perda de páginas do manuscrito pela editora Kodansha. Este incidente contribuiu para um afastamento temporário entre a autora e a editora.

No final dos anos 90, Takeuchi publicou Princess Naoko Takeuchi’s Return-to-Society Punch!!, uma série autobiográfica em tom humorístico, onde fala da sua vida após Sailor Moon, da sua relação com o mundo editorial e do seu casamento. Em 1999, casou-se com Yoshihiro Togashi, autor de Yu Yu Hakusho e Hunter × Hunter. O casal tem dois filhos.
Nos anos 2000, Takeuchi regressou à Kodansha e continuou ligada ao universo de Sailor Moon, acompanhando novas edições do manga e projectos da franquia. Também publicou obras como Love Witch e Toki☆Meca, embora nenhuma tenha atingido a dimensão cultural de Sailor Moon. Nos anos seguintes, a sua actividade passou a estar sobretudo ligada à supervisão, gestão criativa e ilustração associada à sua obra mais famosa, através da sua estrutura Princess Naoko Planning.
Naoko Takeuchi mantém-se uma figura essencial da história do manga shoujo. Com Sailor Moon, ajudou a redefinir o género das raparigas mágicas, misturando romance, acção, amizade, mitologia, moda, astronomia e elementos de séries sentai. O impacto da sua obra continua visível décadas depois, nas reedições internacionais do manga, nas novas adaptações animadas, nas exposições oficiais e na permanência de Sailor Moon como uma das franquias japonesas mais reconhecidas em todo o mundo.
Principais trabalhos
1986 – Love Call
História curta com a qual Naoko Takeuchi recebeu o prémio de revelação da revista Nakayoshi. É considerada uma das obras que marcaram o início da sua carreira profissional.
1988 – Chocolate Christmas
História romântica centrada numa rapariga que passa o Natal sozinha e acaba por se apaixonar por um DJ de rádio.
1989 – Maria
Manga inspirado livremente em Daddy-Long-Legs, de Jean Webster. A história acompanha Maria, uma jovem que perdeu o pai e que passa a estudar numa academia prestigiada, enquanto tenta descobrir a identidade de uma figura misteriosa que a ajuda à distância.
1990 – Miss Rain
Colectânea de histórias curtas. A história principal acompanha Rena Kuramitsu, uma rapariga associada à chuva, tanto no sentido literal como simbólico. O volume reúne várias obras iniciais de Takeuchi.
1990–1991 – The Cherry Project
Série em três volumes sobre Chieri, uma jovem que sonha tornar-se patinadora artística. A obra mistura romance, ambição, competição e os bastidores exigentes do mundo da patinagem.
1991–1997 – Codename: Sailor V
Antes de Usagi Tsukino se transformar em Sailor Moon, Minako Aino já combatia o mal como Sailor V. Com a ajuda de Artemis, Minako enfrenta a Dark Agency enquanto descobre gradualmente a sua verdadeira identidade. A obra funciona como antecessora directa de Sailor Moon e o seu final liga-se ao início da série principal.
1991/1992–1997 – Bishoujo Senshi Sailor Moon
A obra mais importante de Naoko Takeuchi. A história acompanha Usagi Tsukino, uma estudante aparentemente comum que descobre ser Sailor Moon, uma guerreira destinada a proteger a Terra e a reencontrar as suas companheiras. Publicada originalmente em 18 volumes, a série tornou-se um fenómeno internacional e deu origem a anime, filmes, musicais, live action, videojogos, novas edições do manga e inúmeros produtos derivados.
1995 e 1997 – Prism Time
Dois volumes que reúnem histórias curtas de Naoko Takeuchi, publicadas em diferentes fases da sua carreira. As obras exploram sobretudo romance, drama adolescente e elementos fantásticos.
1997 – PQ Angels
Comédia romântica de ficção científica protagonizada por duas raparigas vindas de outro mundo, Peanut e Kyuuri, que procuram a sua princesa em Tóquio. A série ficou inacabada após quatro capítulos.
1998–2004 – Princess Naoko Takeuchi’s Return-to-Society Punch!!
Série autobiográfica em tom humorístico, onde Takeuchi comenta a sua vida depois de Sailor Moon, a sua relação com o mercado editorial, a mudança de editora e o início da sua relação com Yoshihiro Togashi.
2001 – Toki☆Meca
História curta sobre uma rapariga robô chamada Meca e as suas aventuras. A ideia seria mais tarde desenvolvida numa série.
2002 – Love Witch
Série curta sobre Ai, uma jovem de 13 anos que descobre ser uma bruxa. A história envolve magia, sacrifício e a tentativa de salvar o seu irmão gémeo, Yuu. Ficou incompleta após poucos capítulos.
2005–2006 – Toki☆Meca!
Versão serializada da história curta de 2001. A série foi publicada na Nakayoshi e reunida em dois volumes.
2005 – Oboo-nu- to Chiboo-nu-
Livro infantil escrito por Naoko Takeuchi e ilustrado por Yoshihiro Togashi, criado como presente para o filho do casal.
Supervisão e controlo criativo da franquia

Ao contrário do que aconteceu com parte da adaptação animada dos anos 90, Naoko Takeuchi passou a ter uma presença mais visível na supervisão dos projectos modernos de Sailor Moon. A partir dos anos 2000, a autora e a sua estrutura de gestão, Princess Naoko Planning, aparecem associadas de forma recorrente aos direitos, aprovações e controlo criativo da franquia.
Um dos exemplos mais importantes é a série live action Pretty Guardian Sailor Moon, exibida entre 2003 e 2004. Esta adaptação não foi uma simples repetição do anime clássico: apresentou uma nova leitura da história original, com alterações próprias, novos desenvolvimentos para as personagens e uma abordagem mais próxima do formato tokusatsu. Takeuchi esteve mais envolvida neste projecto do que na série animada dos anos 90, incluindo na criação de elementos específicos da produção.
A mesma lógica de maior fidelidade e controlo autoral continuou com Sailor Moon Crystal, lançada em 2014 como uma nova adaptação do manga. Ao contrário do anime clássico, que desenvolveu muitos arcos, episódios e caracterizações próprias, Crystal foi concebida como uma versão mais próxima da estrutura e da narrativa original criada por Takeuchi. A autora é creditada como criadora original e a produção moderna da franquia passou a estar claramente ligada à supervisão dos direitos pela Princess Naoko Planning.
Nos filmes Sailor Moon Eternal e Sailor Moon Cosmos, essa presença tornou-se ainda mais explícita: Naoko Takeuchi é creditada como supervisora-chefe da produção. Estes filmes funcionam, respectivamente, como continuação e conclusão de Sailor Moon Crystal, adaptando os arcos Dream e Stars do manga. Para além da supervisão geral, Takeuchi também voltou a contribuir artisticamente em alguns projectos ligados à franquia, incluindo novas ilustrações e letras de canções sob o pseudónimo Sumire Shirobara.
Também no manga se nota este controlo mais directo. A edição digital japonesa Sailor Moon All-Color Complete Edition foi colorida sob supervisão completa de Naoko Takeuchi, com novas ilustrações de capa desenhadas pela autora. Esta edição representa uma das maiores actualizações visuais da obra original desde as reedições anteriores, pois todo o manga foi tratado em cor, mantendo a base da edição completa japonesa.
No plano internacional, a fase moderna de Sailor Moon também foi marcada por maior cuidado na gestão das versões estrangeiras. As novas edições do manga, as localizações de Sailor Moon Crystal e as dobragens internacionais passaram a ser tratadas num contexto de aprovação mais controlado, com maior preocupação pela fidelidade aos nomes, conceitos e identidade visual da obra original. Isto contrasta com várias adaptações antigas dos anos 90, que em muitos países sofreram cortes, alterações de nomes, censura e mudanças de conteúdo.