Sailor Moon Portugal, A Navegante da Lua

Under Your Sin Veil - Saga

#1
Olá a todos Matreiro
Pela primeira vez eu dignei-me a postar algo escrito por mim aqui no forúm.
Sempre tive um pouco de aversão a postar seja o que fosse dos meus escritos porque não confio muito na net para ter a minha imaginação a circular.
Isto foi algo que escrevi no verão de à 2 anos e nunca mais lhe peguei, e resolvi continuar este meu conto.
Antes chamava-se só Saga, mas resolvi dar-lhe um nome todo pomposo para meter aqui.

Não é aconcelhavel a pessoas muito novas, porque é um história que envolve alguma violência.
Talvez aconcelhavel a maiores de 16.
É uma história sobre vampiros e lobisomens!

Espero sinceramente que gostem, comentem e dêem ideias.
Ficaria muito feliz.

Vou postanto o indice com os links das páginas aqui no primeiro post.
Wish me luck Embaracoso

Referência

Capítulo 1 - A casa onde começa a história é a descrição exacta da minha casa de Quarteira no Algarve.
A personagem principal é baseada em mim... basicamente sou eu e deem-me uns anitos largos.
Algumas das personagens são baseadas em amigos meus, outras saem da minha imaginação!
Alexander é baseado no Marius de Romanus de Anne Rice e as Crónicas do Vampiro.
Jim é baseado no cantor dos anos 60/70 Jim Morrison.
Os primeiros vampiros a que Alexander se refere são baseados em Akasha e Enkil também de Anne Rice.
Beretta é uma "estilo/marca" de armas, tal como Uzzi que é uma mini metralhadora. Quem jogou lara croft ou outros RPG sabe isso.
Mikkelius é baseado no guarda do principe Lacroix de Vampire the Masquerade Bloodlines.
Coven é um grupo secreto ou seita, ou conjunto organiado de pessoas que trabalham clandestinamente.


Capítulo 2 - A casa de Lisboa é baseada na minha casa.
Paradise Lost de Milton é um livro real.
O Ritz da Place Vendome em Paris é o hotel de onde saiu a princesa Diana antes de morrer e ainda hoje está no mesmo lugar.


- Capítulo 1 - Sal e Sangue - https://sm-portugal.forumeiros.com/fanfics-gerais-f23/under-your-sin-veil-saga-t3470.htm#234605
- Capítulo 2 - Lisboa - https://sm-portugal.forumeiros.com/fanfics-gerais-f23/under-your-sin-veil-saga-t3470.htm#234605
- Capítulo 3 - Nas Luzes -https://sm-portugal.forumeiros.com/fanfics-gerais-f23/under-your-sin-veil-saga-t3470.htm#234605
.:Who could ever learn to Love a Beast:.



.Her Ghost in the Fog.
#2
I
Sal e Sangue



Chegaste naquele dia e sabia ao certo aquilo que me ias pedir. Por momentos pensei em negar mas não o fiz por amor à minha espécie.

Contar a minha história? Porque o faria? Diz-me Talla! Porquê chegar ao pé de mim com um portátil e dizer tal coisa como: Redige os teus 2.500 anos de existência como se estivesses a escrever um diário. Absurdo! Mas depois pensei bem e achei que talvez não fosse assim tão má ideia fazê-lo. Outros no passado fizeram-no não foi? Covens perdidos e esquecidos na eternidade de cidades abandonadas pelos homens. Lembro-me de ler romances em que os escritores contavam a história de seres imortais como eu como se fossem os próprios vampiros a escrever. Ridículo não seria? E livros com histórias em que jornalistas fazem entrevistas a seres com 200 anos. Novos, muito novos. É uma frase que uso com frequência, porque são todos mais novos que eu. No momento acho que sou o mais velho. Se algum surgir não o sei. Eu auto- intitulo-me.

O meu nome é Alexander e nasci numa céltia povoada por romanos. Tenho neste momento 2.500 anos como disse antes e o meu amo auto- incinerou-se minutos depois de me ter feito o que sou. Deixou-me meia dúzia de recomendações. O seu nome era Constancius. Um romano. Vim a odea-lo, mas agora nada posso fazer e os horrores que cuspi na altura foram palavras lançadas ao vento, sem destino. Mas não vou falar muito da minha vida e do que me aconteceu na altura, mas sim de acontecimentos mais presentes que me levaram a ser aquilo que sou hoje e daí retrocederei para o passado mais remoto, quando conheci o chefe de todos nós. Aquele que é responsável pela nossa linhagem de sangue e pela nossa vida. Aquele que dorme profundamente debaixo das areias do Saara. Aquele que é único mais velho que eu, no entanto impotente.

Assim começo.
*




As portadas verdes e cobertas de sal batiam furiosamente contra as janelas. O mesmo se diria das portas cor de caramelo cujas dobradiças lentamente se desconjuntavam.

Ela estava em cima da cama com um jornal aberto ao lado. A cama não devia ser feita à semanas porque os lençóis revoltos formavam nós e estavam soltos, arrastando pelo chão.

Sabia que eu ali me encontrava porque o seu olhar perscrutante fixava a porta como se esperasse eu entrar.

Atravessei a casa de jantar notando o estado decadente em que se encontrava. Toalha pelo chão com as rendas amarelecidas pelo tempo e pela sujidade que se acumulava. A fruteira estava rachada e caída de lado por cima da madeira carcomida e gasta da pequena mesa quadrada de que me lembrava como sendo aquela de grandes jantares de família de outros tempos. A loiça apodrecia no armário tão podre como ela.

Os cadáveres em putrefacção das baratas começavam já a desprender algum odor desagradável que os meus sentidos apurados detectaram imediatamente. Por todo o lado era o fedor da doença e da morte. Como é que ela se poderia deixar ficar assim impune sem tentar sequer dar a volta à sua própria miséria? Será que era a isso a que se chamava perder a força de viver? Já não me lembrava disso. E ela não estava viva. Ri para dentro, mas um riso horrorizado.

Ela esperava-me ainda fixando a porta como que vidrada em algo passado. Seria a antiga alegria deste lugar deteriorado onde agora vivia, se isto se poderia chamar viver.

Entrei no quarto ao fundo da sala, saltando por cima do ferro de um candeeiro que outrora dera luz.

E lá estava ela, bonita como eu me lembrava enfiada numa camisa de dormir de algodão branco, despenteada e demasiado magra. O rosto fazia covas das quais eu não me lembrava e a camisa de dormir parecia um lençol em cima dela.

- Então vieste! Posso saber porquê? Porque decidiste vir a esta casa? Para ver naquilo em que me tornei. Muito obrigado mas não preciso das tuas promessas nem da idiota ajuda de ninguém. Desaparece Alexander! Deixa-me! – Pronunciou sem dificuldade, não demasiado fraca como cheguei a pensar.

- Não! Eu não vim para nada disso... - Respondi sem saber muito bem como a abordar depois de ter sido enxovalhado daquela maneira.

- Então para que foi? Para me dares lições de moral como é costume? Limita-te à tua imortalidade. Deves ter montes de coisas para fazer sem ser vir aqui. Já basta aquilo que aconteceu. Já basta! – Cuspiu-me.

- Na verdade não tenho assim tantas coisas para fazer. Decidi vir aqui para te tirar deste lugar imundo onde vivia a tua família. Sabes bem que nada te prende aqui a não ser memórias das quais te lembras tantas vezes que te estão a pôr doida. – Expliquei achando ser o mais coerente. Ela não estava bem. Ela estava possuída pelo ódio das memórias do passado.


- E para onde iria uma coisa como eu?

- Tu não és uma coisa. És um ser, que apesar de estar morto se mantém vivo.

- Para onde me levarias?

- Para Paris. Não faz sentido aqui ficares. Não faz sentido chorares por eles, não faz...

- Quem és tu para dizer por quem devo chorar!

- Sou um coiso como tu! Gastas sangue com tanto choro. Quando foi a última vez que te alimentas-te?

- Ratos... têm sido eles...

- Que miséria! Como foi que te deixas-te decair tanto Manon, como foi?

- Vocês! Tu e todos os outros do coven. Isto em que vocês me tornaram.

- Christian fez-te isso porque tu estavas a morrer. Ele tentou avisar-te antes de se ter lançado no fogo. Deves ir para Paris como todos nós. És uma de nós!

- Preferia ter morrido como me estava destinado.

- Não sejas idiota! Estava destinado seres uma de nós. O mestre deixou tudo muito bem escrito antes de desaparecer. A culpa não é minha, nem tua. Eu também estava na lista, também foi estranho para mim. Mas eu sou antigo, muito antigo. Compreendo que seja difícil para ti numa era como esta ser um vampiro. Com o tempo isso vai passar. Não precisas ter medo. Não foste a única a ser transformada e a ficar sem mestre minutos depois. Comigo foi o mesmo. Vem connosco e nada te acontecerá.

- Não sei se estou disposta a isso. Já viste a miséria e naquilo que me tornei. Lembras-te desta casa antes? Nem cabiam todas as pessoas da família à mesa. Não havia quartos para todos. Agora sou só eu abandonada nesta insignificância, rodeada de baratas, ratos e formigas.

- Preferes tudo isto a um hotel na Place Vêndome?

- E para que iríamos todos para o Ritz? Ter reuniõzinhas de: “Vamos brincar aos Covens”?

- Isto é sério! Sabes que falta um para podermos realizar o que está escrito. Se te deixares de depressões és um ser forte. Talvez chegues a ser mais forte que eu nos meus 2.500 anos de existência. Sabes o que me mantém vivo ainda? Sem me matar como aconteceu ao Christian? O progresso... O mundo dos humanos fascina-me! Eu que nasci e morri celta de uma pequena tribo conquistada pelos romanos ver-me em frente a um televisor é obra!

- Calculo que para ti seja muito fascinante. Eu lembro-me da tua história!

- O que te prende a esta ponta da Europa? Porque não me queres dar o prazer da tua companhia?

Ela pensou durante alguns momentos e depois acentiu com a cabeça de lado olhando-me com os seus enormes olhos dourados. Afinal de contas tinha já 100 anos e não aquele olhar mole dos recém nascidos. Eram já olhos sábios.

- Porque não posso voltar à minha querida Finlândia. Porque não posso voltar?

- Podias fazer par com o Mikka no regresso à Finlândia, mas neste momento é Paris que nos chama.

- Nenhum de nós é francês, porquê ir a Paris?

- Porque existe lá qualquer coisa que apoquenta o Talla de uma maneira estranha. Ele acha que tu és a única que pode saber o que aquilo é. Já todos vimos de que se trata mas ele diz que tu saberás.

- De que se trata?

- Uma cria...

- Não posso crer que vai começar tudo de novo! Não acredito que a era da luta vai recomeçar! Eu não entro nisso. Já não sei lutar! Não tenho a força no espírito.

- Espero que não seja algo do género, mas se o é, seria melhor eliminar o mal pela raiz logo deste o início. Por isso é que precisamos de ti!

Os seus olhos ficaram azuis por momentos e depois assumiram de novo o tom amarelado. Era sinal de que ela estava à escuta.

A mim também me acontecera algo semelhante, mas porquê? Eu só ficava assim quando detectava o cheiro da outra espécie.

Voltei-me e cheirei o ar em longas golfadas.

- Eles estão aqui Alex! São eles, este cheiro!

Saquei de um pequeno walkie talkie que guardava no bolso e que me permitia comunicar com Mikkelius que ficara no jipe, fora dos portões verdes que ladeavam a casa.

- Mikke eles estão aqui. Sussurrei.

- Vou já para ai.

- Trás as armas. E umas berettas para a Manon, sim?

- Ok.

- Veste alguma coisa decente enquanto eu vou fazer uma ronda. O Mikke está a chegar aqui.

Ela virou-se e enfiou o nariz dentro do guarda fatos de onde saiu um forte cheiro a mofo.

Eu sai e voltei a atravessar a sala. Era nítido agora o cheiro à espécie. Estava entranhado nos panos brancos que cobriam os sofás, nas paredes cor de caramelo e a pelar, na mesa, no armário carcomido, nas portas, no televisor partido.


Então vi um vulto pesado vir do exterior subindo as pequenas escadas do lado esquerdo.

Apenas Mikkelius com as armas aos ombros e as berettas no cinto.

- Mikke vem para dentro. Chamei.

Com a luz da lua que incidia no interior através de uns pequenos vidros empoeirados sob as portas em cada ponta da casa, consegui ver o anguloso rosto nórdico de Mikke surgir das sombras.

Manon saiu do quarto no seu habitual cabedal negro de que tão bem me lembrava. Ao lado daqueles dois guerrilheiros eu com o meu fato de lã e cachecol parecia fora do cenário. Como fora tão fácil tirar Manon da dormência com palavras de sangue e guerra. Ela tinha ódio por eles. E o ódio material sempre a despertara. Nunca o ódio das memórias.

Manon acentiu ao ver Mikke que lhe retribuiu o gesto de cabeça e a cumprimentou em Finlandês.

Fascinante aquela língua melodiosa que fluía tão intensamente dos lábios de Manon quando falou.

- Voltemos ao inglês certo?

- Certo. Disse Mikke com um sotaque leve, mas mantendo a expressão dura.

- Encontraste alguma coisa? Perguntou Manon.

- Quando ia fazer a ronda encontrei Mikke. Estão aqui as tuas berettas.

Ela pegou nas armas e examinou o tambor para ver se estava carregado.

- Então vamos a isso. Alexander tu vais para a parte da frente da casa e ficas na varanda. Eu vou para o lado esquerdo para o lado do portão, corredor lateral, garagem e lado esquerdo do jardim e tu Mikke vais para o lado contrário a mim, certo?

Separámo-nos e fui atrás de Mikke até chegar à parte da frente da casa. Estava uma noite horrível. As portadas da casa continuavam a bater e o vento circulava nos corredores laterais ainda com mais intensidade. Quando passei pela janela do quarto que outrora fora de Manon a portada soltou-se e embateu no vidro partindo-o. Mas parecia que Manon não se importava com a casa à séculos.

- Alexis porque vieste mesmo? Perguntou-me Mikke.

- Porque Talla me pediu para ser a Manon a avaliar aquilo a que pensamos ser a cria.

- Foi só isso? Ou foi aquilo que Christian te disse antes de morrer. Que ela é a nr.2.

- Não foi por causa disso. Acho que ela nem o sabe. Se ela soubesse que tem o sangue do mestre nas veias não sei o que ela seria capaz. Provavelmente fechava-se de novo naquele quarto cheio de baratas e lençóis mal cheirosos durante mais um século. Não o posso permitir. Custa-me ver alguém como eu no estado em que a encontrei aqui.

- Toma cuidado contigo Alexis que as coisas não são todas como Constancius te disse. O mundo não é povoado por suavidade britânica. Não é tudo fácil e feito à tua medida como o fato que trazes vestido. Ela pode muito bem arrancar-te o pescoço num só golpe. Depois diz adeus aos teus 2.500 anos.
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#3
- Ela não o faria Mikke, nunca. Ela pode ter muita força física, mas o seu psicológico não é assim tão forte.

- Os outros sabem que vieste?

- Pelo menos Talla sabe-o, e é isso que importa neste momento. Faz a tua ronda e deixa-me chegar ao lugar que sou suposto investigar.

Dei a volta ao corredor lateral e cheguei à parte da frente.
As ruas estavam desertas e o mar batia furiosamente nos pontões trazendo o vento consigo.
Vi Manon a examinar os portões cuidadosamente e a tentar desesperadamente montar as fechaduras que haviam cedido com o tempo. Já nem existiam chaves para os fechar.
Continuava a sentir o cheiro mas nada via de suspeito. Voltei a olhar de relance para o portão contrário e estava um homem a olhar intensamente para mim. Como não o notara?

- Que quer? Gritei empunhando a Uzzi contra o peito.

Ele não me respondeu e então eu chamei Manon que atravessou a varanda para ir ao meu encontro.

Mikke devia estar algures no jardim.

Ela sacou das pistolas e escondeu-as debaixo do sobretudo de cabedal comprido. Desceu os pequenos degraus que aterravam numa tijoleira antiga e acercou-se do ferro verde.

- Que quer?

- Falar com Sarah!

Vi o rosto dela empalidecer mais do que já estava com a falta de alimento. De repente pareceu pequena e desprotegida. Pensei que não aguentaria ficar ali de pé.

- Quem é? Identifique-se! Gritou a plenos pulmões. Mas a sua cara transfigurou-se de horror. – Jim? Chamou desamparadamente.

Mikke veio a correr do jardim e acercou-se por trás dela.

- Sarah, quero falar com Sarah. Repetiu com a mesma cara vidrada.

- Sarah morreu! O que quer? Gritou Manon já com as lágrimas ensanguentadas a escorrer.

Mikke agarrou-lhe pelos ombros e afastou-a.

- Diga de uma vez por todas o que quer ou sou obrigado a explodir-lhe com a cabeça.

- Tenho uma mensagem para Sarah. Uma mensagem de Jim.

Manon caiu de joelhos no chão em histeria. Segundo os meus conhecimentos Jim morrera à quase um século, tal como Sarah, a frágil e pequena irmã de Manon. Acidente de viação. Jim o drogado que morrera no hospital, era o marido adolescente de Manon.

- Estão os dois mortos. Como é isso possível! Diz de uma vez quem és ou quem te rebenta com a cabeça sou eu. Não vez que a estás a perturbar.

Cheguei perto da destroçada Manon e apertei-a contra mim. Desmaiaria dentro de pouco tempo se tudo aquilo não parasse.
Mas depois veio-me o cheiro e vinha dele. Daquele ser frágil de olhos encovados e com pele e cabelo salgados. Na verdade segundo me lembrava de Jim, ele era extremamente parecido com ele, se não igual. Mas os seus olhos tinham um brilho vidrado, com raios de vermelho sangue, um brilho que só vira na raça. Peguei na Uzzi que colocara de lado e disparei sem pensar duas vezes e muito antes da reacção de Mikke. Sabia que ele também sentira o cheiro e vira o brilho.
Manon gemia no chão e gritou com o som da arma que lhe despedaçou o cérebro em poucos segundos.
Mikke ajudou-a a levantar lentamente mas ela parecia impossível de movimentar. Pegou-lhe ao colo e levou-a para o jipe. Eu segui-os. Sabia como Manon se sentia naquele momento. Também perdera a minha mulher algures numa história remota. Lembrava-me do nome dela. Sybella. Uma mulher grega, sim, e os meus filhos, como os podia esquecer. Todos mortos à 2.500 anos, algures. Não gostava de pensar nisso, tal como custara a Manon, uma mulher imortal ver o marido de 20 anos morrer no hospital e não lhe querer dar a benção para ele não se tornar no monstro que ela era. Como era compreensível aquela atitude. Lembro-me de um vampiro de um livro que lera algures à um século, que transformara a própria mãe enquanto ela gemia de tuberculose.
Pensar que deixei a minha mulher mal me tornei naquilo que sou. Que desapareci completamente da sua vista. Que não vi os meus filhos crescer, e muito menos os vi morrer. Que fui deixado sozinho e sem mestre, condenado a vaguear pela noite sob o risco de ser feito em fagulhas debaixo de um sol escaldante.
Manon ficou ao lado do marido. Contou-lhe o que era e ele aceitou, não o deixou nem nos piores momentos. Passava as noites perto dele e quando a manhã chegava fechava todas as cortinas para não entrar a luz e ficava acordada perto dele.
Talvez eu devesse ter feito a mesma coisa. Mas que ridículo fui em ter abandonado assim a minha vida. O tempo em que vivi era bem mais complicado apesar de tudo, mas não tinha o direito de fazer o que fiz. Nem por sombras. Ao menos a minha mulher nunca viu o monstro em que me tornei. E acho que Jim não tinha muito a consciência do que Manon era o do que era capaz de fazer.
E desta vez perturbara-a. Ia tudo acontecer de novo...
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#4
Está muito bom.
O titulo adequa-se completamente á historia, boa escolha.
Adoro a tua escrita, detalhada, madura e claro como não podia deixar de ser muit Dark!
Quem serão essas criaturas contra as quais eles batalham?
E que profecia tem para cumprir?
Qual será o papel de Manon nesta historia?
Continua, pelo menos tens aqui um leitor garantido!
#5
oh muito obrigado por leres. Deixa-me feliz.
Aproveito para deixar já alguns detalhes aqui sobre o primeiro capítulo.

A história é baseada em 3 outras histórias. As crónicas do vampiro de Anne Rice, Underworld e o jogo Vampire the Masquerade Bloodlines.
O Alexander foi baseado na personagem de Anne Rice - Marius de Romanus
Manon tem o mesmo nome que eu porque na verdade ela sou eu com extrapoderes. Quiz chamar-me mesmo Manon por ser um nome incomum e por querer ter uma personagem semelhante psicologica e fisicamente comigo.
A casa onde Manon se encontra quando Alexander chega é a descrição da minha casa do Algarve, em quarteira, junto à praia.
Grande parte das personagens são finlandesas, mesmo algumas que irão aparecer nos próximos capítulos e outra grande parte são hungaras.
Porquê? Pelo meu grande amor a estes 2 paises.
Manon, no conto, é finlandesa.
Beretta é uma "estilo/marca" de armas, tal como Uzzi que é uma mini metralhadora. Quem jogou lara croft ou outros RPG sabe isso.
Mikkelius é baseado no guarda do principe Lacroix de Vampire the Masquerade Bloodlines.
Coven é um grupo secreto ou seita, ou conjunto organiado de pessoas que trabalham clandestinamente.

Muitos de voces provavelmente não leram nem viram os livros e jogos em que me baseio mas pronto, ao menos sabem que a ideia foi tirada de algum lado.

Espero que gostem, e... have fun Embaracoso
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#6
oh muito obrigado por leres. Deixa-me feliz.
Aproveito para deixar já alguns detalhes aqui sobre o primeiro capítulo.

A história é baseada em 3 outras histórias. As crónicas do vampiro de Anne Rice, Underworld
Manon tem o mesmo nome que eu porque na verdade ela sou eu com extrapoderes. Quiz chamar-me mesmo Manon por ser um nome incomum e por querer ter uma personagem semelhante psicologica e fisicamente comigo. Eu JURO que pensei nisso mas não quis dizer pq podia se só impressão minha e não queria ofender
Beretta é uma "estilo/marca" de armas, tal como Uzzi que é uma mini metralhadora. Quem jogou lara croft ou outros RPG sabe isso.
Mikkelius é baseado no guarda do principe Lacroix de Vampire the Masquerade Bloodlines.
sim eu tenho uma pequena panca por armas e por esses jogos XD
Coven é um grupo secreto ou seita, ou conjunto organiado de pessoas que trabalham clandestinamente.

Muitos de voces provavelmente não leram nem viram os livros e jogos em que me baseio mas pronto, ao menos sabem que a ideia foi tirada de algum lado.

Espero que gostem, e... have fun Embaracoso
Se continuar assim Vou AMAR!
Vais meter referencias á cultura filandesa? adoraria que sim...
#7
OMG xD
Sim talvez tenha mesmo partes passadas na finlandia... Até agora só escrevi partes na hungria, mas não sei ao que a imaginação vai remeter xD
Como já estive na finlandia creio que posso facilmente remeter à cultura deles, sou fascinada pela finlandia Embaracoso
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#9
Aqui vai mais um capitulo, para mais informações ler o primeiro topico.
Desculpem o atraso a postar e espero que gostem!


II
Lisboa



Chegamos a Lisboa ao amanhecer e conseguimos fazer com que Manon nos dissesse onde ficava a casa onde morara com Jim. Talvez ainda existisse. Tínhamos que partir de Portugal nessa mesma noite, mas não o poderíamos fazer durante o dia.
Sempre me admirara desta cidade onde o sol nasce por detrás das colinas dando mais tempo para os vampiros se retirarem da sua actividade. Sabia agora porque Manon escolhera este lugar para trazer um semi- comatoso Jim.
O rio azul espelhava os pequenos reflexos de sol que surgiam ferindo ligeiramente os meus olhos. Mikke baixara-se no banco para cobrir a cabeça. Tinha que acelerar. O que valia que ainda não havia trânsito a esta hora.
O sol já batia nas costas do finlandês agachado que as tapava com o longo cabelo loiro.
Manon atirara-se para o chão do carro. E eu que tinha que conduzir, ardiam-me as mãos, os olhos e as maçãs do rosto.
Perto de Olivais – Sul encontrei o prédio ao qual Manon se referira e atiramo-nos para dentro da entrada com os casacos a cobrir a cara e as mãos, subimos no elevador, e entramos na casa cuja porta não estava trancada. Suja, mas aceitável. Ninguém se apoderara da casa, e o prédio estava abandonado pronto para ser demolido. As janelas estavam entijoladas para o bem de todos nós.
Retirei os bilhetes de avião de dentro do casaco e usei o meu cachecol para estancar o sangue que me escorria das mãos feridas com o sol.
Manon deixou-se cair no sofá e adormeceu imediatamente. Mal falava desde a noite passada e aquele lugar abalava-a. Não se queria lembrar que ali estava.
Mikke tinha as marcas das mãos na própria cara, mas as feridas desapareciam já a olhos vistos.
Abanou a cabeça como se tivesse acabado de tirar um peso enorme de cima e o cabelo lambeu-lhe a parte de trás do sobretudo. Tirou-o e uma ferida gigante cortava-lhe as costas em dois.

- Tudo isso do sol?

- Quando tirei o sobretudo para o colocar em cima da cabeça para sair do carro o sol descobriu por trás do prédio.

- Descansa. Tivemos uma noite dos diabos. Partimos esta mesma noite. Aproveita enquanto podes Mikke. Em breve, Paris, onde nesta altura do ano não faz sol.

- Mas tem aquela luz cinzenta horrível que faz doer até os ossos dos dedos dos pés.

- Vá lá, não sejas tão sensível. Vamos finalmente descobrir o que é aquilo que o Talla encontrou no esgotos.

- Estás assim tão certo de que ela sabe de que se trata?

- Não, mas confio no Talla.

- Andas a confiar demais nos finlandeses, o que te aconteceu?

- São dos poucos sobreviventes do clã por viverem num lugar onde nunca faz sol.

- Tirando eu, o Francisk, o Markus e o Rakel sobra mais alguém? Tenho que aprender a confiar em vocês de alguma maneira, não? Sou antigo mas não antiquado. Quando eu nasci o teu povo nem existia. Ainda não falavam húngaro. Ainda não tinham descido da Sibéria.

- Eu sei, romano. E por o seres achas que foi o teu povo que civilizou os outros?

- Eu não sou nem nunca fui romano. Sou celta e celta morri. Sou o mais velho entendes? O mais velho e tenho algum orgulho nisso. Já não sobrevive ninguém da minha época, ninguém do clã onde vivi outrora. Ninguém.

- Isso deve ser frustrante Alex mas vais ter que ultrapassar isso ‘pá. Sabes, eu também deixei mulher e filhos pequenos.

- Como sabes que deixei?

- Li nos teus pensamentos ontem à noite.

- Não o tornes a fazer. A minha mente é demasiado deprimida. Muito mais deprimida que o meu exterior e a minha maneira de falar.

- Dorme Alex, dorme. Ripostou Mikke mudando de assunto e virando-se de encontro a um quarto das traseiras onde se deitou num sofá cama.

Deitei-me no outro sofá, mas não me lembro de nada do que sonhei. Não costumo lembrar-me. O sono dos vampiros é bem diferente do dos humanos. É uma espécie de estado inconsciente. Se alguém me abanar furiosamente durante o sono eu não acordo. Nem eu nem qualquer um dos meus.
Mal os raios de sol desapareceram acordei como se o sofá tivesse pegado fogo.
Manon ainda dormia com os olhos semi- abertos. Estava esfomeada. A sala pulsava a fome. Dirigi-me a uma das estantes e tirei um livro sobre Dürer. O livro quase que se desfez nas minhas mãos, mas consegui ver as gravuras no interior. Era o meu pintor preferido. Pelos vistos talvez fosse o de Manon, ou mesmo fora o de Jim.
O piano apodrecia com as teclas amarelas no lado oposto. Tive uma vontade louca de tocar, mas engoli-a quando Mikke passou por mim e me olhou de uma forma reprovadora.

- O teu tempo do rock já passou Alex.

- Eu sei Mikke, também o teu.

- É, o meu também.

- Não sabes como sinto saudades de um sintetizador, mas todos os meus grandes ídolos já morreram.

- Será que algum mortal hoje em dia sabe o que é um sintetizador, ou um piano, ou sequer uma guitarra eléctrica amplificada? Não sonhes Alexander, não sonhes que tudo vai voltar ao século passado, não sonhes.

- Eu tento, mas a música dava-me prazer.

- E fazia-te tocar que nem um demónio. Os teus olhos até ficavam vermelhos. Uma vez assustas-te uma sala cheia de gente. Parecias um deles. Só faltava espumares.

- Aqueles que tocavam como o demónio é que ficaram para a história. Apesar de hoje em dia já ninguém saber quem eu sou.

- Trata de acordar a Manon, temos uma viajem de duas horas e meia para fazer.

Aproximei-me do sofá e abanei-a levemente. Sabia que ela acordaria em breve pois já estava escuro. O escuro desperta-nos.
Os bonitos olhos mel fitaram-me tentado focar a minha cara.
Ela levantou-se, olhou em volta e depois dirigiu-se à porta. Seguimo-la sem dizer nada. Não valia a pena. Ela queria deixar aquele lugar.
Entramos no carro e conduzi até ao aeroporto que ficava bem perto dali.
Já dentro do avião sentia-me inquieto. Também já não me alimentava à muito tempo.
Negamos a ceia que nos tentaram oferecer e Manon encostou-se a mim.

- Vou dormir. Dormir faz-me esquecer que não me alimento à uma semana.

Uma semana? Pensei. E depois falo de mim que não me alimento à dois dias.

Mikke também dormia provavelmente pelas mesmas razões que ela.
Tirei de dentro da minha mala a tiracolo Paradise Lost de Milton e tentei ler o meu livro preferido pela centesima vez, mas não conseguia concentrar-me. Estava inquieto. Inquieto com a fome, inquieto com o que estava para vir, inquieto com o meu futuro e o futuro do meu clã.
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#10
Muitos pensariam que eu abandonei isto. Mas como mudei de pc tive que rescrever uma grande parte, mesmo assim creio que vou continuar com a minha história visto que mesmo que não tenha muitas pessoas que a queiram ler, eu gostaria de a partilhar convosco. Aqui vai o 3º capitulo pt.1


III pt.1

Nas Luzes


Eram cinco da manhã quando chegamos a Paris. Acordei os dois
nórdicos que me ladeavam e metemo-nos num carro que nos esperava a serviço de Talla.
Fomos chocalhados de um lado para o outro no banco de trás
enquanto atravessávamos Paris de um lado ao outro guiados por um motorista francês do qual cheguei a duvidar do sobriedade.
Quando chegamos ao frontão clássico do Ritz Vêndome nem queria acreditar que tinha sobrevivido àquela viagem. E depois pensei como era idiota o meu pensamento. Morrer num acidente de carro. Provavelmente ficaria com um arranhão na cara.

Lembrei-me então da jovem Sarah com 23 anos, esmagada dentro
do carro na auto estrada para o Algarve, no sul de Portugal. Grávida de 5 meses de marido desconhecido. Perdeu tudo. Foi na noite em que morreu Sarah que Christian abraçou Manon no seu sopro da morte. Sarah morrera agarrada ao seu crucifixo. O crucifixo que Manon usava por cima do seu fato completo de cabedal. Um crucifixo grande de prata com pedras cor de limão encrostadas. Enxofre, calculei.
Sabia como era difícil para ela levantar-se e continuar.
Sabia porque é que ela tinha ficado meio século deitada na mesma cama nojenta, fitando o tecto a pelar. Meio século na casa para onde a sua irmã se dirigia quando morreu. Onde Christian a abraçara, lançando-se no fogo logo em seguida. Apenas deixando escrito que o sol e o fogo a matariam. Sangue, bebe sangue, disse-lhe. Ela semi dormente pelo ecstasi da situação. Eu fixava a cena da ombreira da porta. O meu querido Christian, quase como meu irmão de sangue. Que falta me fazia ainda hoje.

Manon era quase como minha sobrinha. Como alguém à qual eu
assistira ao nascimento. Tão pequena aos meus olhos. Enorme era o desejo de a proteger. Por isso a fora tirar daquela casa, não só pelo pedido de Talla perante a descoberta. Talla é muito mais novo que eu, mas respeito-o tal como respeitava Christian. Talla Lokkinen, nos seus 500 anos. Tão novo...
Como terá sido que fui o único a sobreviver de tantos que havia. Século XX. Eram tantos, mas tantos.
Fosse o que fosse não era uma simples viagem atribulada de carro que me mataria concerteza.
Sentia-me feliz por me ir encontrar de novo entre a minha gente e trazer Manon de volta. “A isolada” já era o nome que lhe davam. A peça do puzzle preferia chamar-lhe. A que matara o meu querido Christian.

Na suite que me indicaram na recepção era onde se encontravam os outros e deveríamos subir todos já antes que a noite se desse por terminada. De certeza que o coven sabia da nossa chegada.
Era uma suite muito bela, com mobília francesa estilo império. Recordava-me vagamente de lá ter estado. Talla gostava dela. Talla gostava de Paris. Vivia lá quase permanentemente não querendo voltar nem à Finlândia nem à Rússia e por isso havia escolhido o lugar de reunião naquele lugar. Mas ninguém lhe contestava a palavra. Eu era mais velho mas dera o lugar
ao jovem russo para ter o poder e autoridade do coven. Burocracias já não me interessavam. Talvez devesse ter ido para o fogo como todos os outros. Mas tinha amor a viver e amor ao progresso talvez a única razão pela qual não o tinha feito já. Gosto de ver até onde vai a avidez tecnológica do homem. E por isso aqui estou.

Quando entramos estava tudo um caos. Talvez a suite não
estivesse preparada para albergar tanta gente. A sala estava repleta.
As cadeiras estavam dispostas em circulo e um vulto ruivo de longos cabelos e muito alto que identifiquei como sendo Markus arrastava cadeiras de dentro do quarto para sentar mais gente. Quando nos viu fez um ar acabrunhado, contou-nos como se fosse muito difícil saber quantos éramos e foi buscar mais cadeiras ao interior da suite.

- Isto nunca muda pois não? Perguntou Manon ao ouvido de Mikke suficientemente alto para eu ouvir.

Música antiga fazia-se ouvir numa aparelhagem perto das cortinas. Metal achava eu? Esta era mesmo a casa de Talla. Onde mais tocaria música do século passado? Hoje em dia era só techno, uma das múltiplas razões que me fizeram largar o mundo da música. Sim, eu fizera metal outrora. Era teclista, lembro-me. Mas por vezes a minha memória turva-se, principalmente quando durmo por muitos anos. Sim, tocava metal. Aquele som das guitarras a relinchar como não acontecia em mais nenhum estilo. Paradise Lost, sim, era essa a banda. Talla adorava-os, como amava toda a música antiga. Quem saberia quem são os Paradise Lost hoje em dia? Quando fui músico, a música techno era ouvivel e até existia um género derivado da música mais antiga, o Darkwave como lhe chamavam. Já nada
disso existe.

Enquanto divagava no meu passado a mais nova de nós, Selene
passou por nós e acenou para nos sentar-mos. Disse a Mikke que a conversa ia ser longa.
Assim o fiz arrastando duas cadeiras que Markus nos trouxera para ao pé do círculo, ajudando Manon a sentar-se. Selene não conhecia Manon e olhava-a intrigada.
Mikke foi-se sentar ao pé dela a seu pedido, falavam sobre Manon, e eu sabia que Mikke não se descoseria de mais sobre o seu passado. Na verdade elas eram as únicas mulheres presentes na assembleia, o que me
perturbou grandemente. O que era feito de Soraia e Christabel? Elizabeth?
Candice?
Candice, a francesa do grupo, mal pensei nela, entrou na sala com o seu ar emproado de sempre vestindo as mesmas puídas calças e blusão de cabedal de que sempre me lembrava. Será que aquela mulher tinha um armário cheio de calças e blusões de cabedal. Chamei-a.

- Candice, onde estão Soraia, Christabel e Beth?
Ela riu e encolheu os ombros friamente.
- Em trabalho para o Talla como sempre. Respondeu. – Vejo que trouxeste a coitadinha da viuva.
- Não fales assim dela por favor! Sussurrei-lhe.
- Ah Alex, está chapado na tua cara tudo não está?
- A que te referes?
- Ao óbvio! E não me venhas com histórias de ela ser a criação do Christian e de não gostares de ver seres como tu a viver naquela miséria onde ela estava. Tu gostas dela, admite!
- Não sejas parva! É claro que gosto dela! Como gosto de vocês todos! Vocês são todos criações de vampiros que me eram muito queridos. Christian, Nefesta, Elenor, Edmund... Nenhum deles sobrou para vos ver
envelhecer, mas deviam era estar todos gratos por eles.
- Grata por ser um monstro? Não me parece, meu querido! Mas tem cuidado se avançares sobre ela. Lembras-te do que o mestre disse sobre a nr.2.
- Não vou avançar sobre ninguém. Amar é proibido a um ser como eu. Os vampiros não amam. Com o que temos que nos preocupar agora é com o
ataque da outra espécie.
- Achas que o que temos é mesmo uma cria do plano deles?
- Não sei, deixa Manon ver e analisar.
O último a chegar à suite foi Mikka Toppinen um vampiro nos seus 200 anos, alto como Mikke, mas menos entroncado, finlandês também. O seu cabelo loiro vinha despenteado e tirava ainda o blusão de cabedal que usara
para guiar a sua motorizada até ao recinto. O capacete vinha seguro debaixo do braço. Os olhos brilhavam de mais para a palidez da sua cara sem vida. A última criação de Nefesta, a vampira nórdica produtora da maioria das criações existentes naquela sala....



[to be continued]
.:Who could ever learn to Love a Beast:.



.Her Ghost in the Fog.
#11
III pt.2

Nas Luzes

Sentou-se e olhou-nos afogueado, pedindo desculpa com os olhos e os pensamentos.
Então entrou Talla. Um vampiro loiro com por volta de um metro e oitenta e cinco e de olhos muito azuis. Era o cientista e o pesquisador por excelência. Gostava de se sentar durante horas frente a computadores e microscópios. E fora ele que descobrira algo que podia mudar a nossa existência.
Nos seus braços repousava um embrulho de pano amachucado e manchado de algo que não conseguia detectar, mas que cheirava mal.


- Boa noite coven. Ainda bem que posso contar com a presença de todos aqui, hoje. E olhou para Manon por breves momentos. – O que tenho para
vos mostrar pode ser novo para alguns e revoltante para muitos.


Dito isto abriu o pano.
Dentro dele estava o que parecia uma cria de lobo mirrada e ressequida. Aquilo que manchava o pano eram os seus fluídos interiores. Estava morta e não era um lobo comum. Parecia um lobo humanoide, com o focinho demasiado curto para ser um lobo e com as patas pouco lupinas.
Manon levantou-se e tomou a cria nos braços atirando o pano sujo para o chão. Candice contorceu-se na cadeira e Selene deixou descair ligeiramente a boca.
Ao fim de algum tempo a cria foi poisada em cima da mesa ao centro e Manon virou-se para a assembleia. Muitos incluído eu, sabíamos que aquilo era mesmo o que temíamos, um licantropo. Um lobisomem como o chamavam nas velhas histórias para assustar crianças.


- Lamento decepcionar-vos coven, e poderia dizer que se trata apenas de uma cria de lobo para não vos alarmar, mas essa não seria a verdade. É um licantropo! E isso significa que eles estão de volta, e não sei como nem por obra de quem!


Francisk, o vampiro alemão levantou-se.
- Poderia ter sido a outra raça a fazê-lo. Só não entendo por obra ou esquema de quem. Nós eliminamos todos os licantropos à um século! Em Budapeste espetamos as cabeças dos últimos! Edmund ainda caminhava connosco! Como é possível um raça extinta aparecer de novo?
- Temos que ponderar a ideia de que não os exterminamos a todos. Constatou Hugho Jens um vampiro luso alemão.
- Eu acho que isso não seria uma coisa a ponderar! Afirmou Candice levantando-se. – À que pensar em encontrá-los e combate-los, não ficar a matutar como é possível uma coisa dessas. É mais que óbvio que não os matámos a todos!
A pequena Selene levantou um dos dedos como fazem as crianças na escola para tirar dúvidas.
- Diz Selene. Apontou Talla notando-a.
- Não estou a perceber nada. Alguém me diz o que se está a passar.
Eu levantei-me.
- Jovem Selene. À vários séculos que os vampiros e os licantropos estão em guerra. Deste por volta do século XV que vivemos num banho de sangue entre as duas espécies. E nem sempre foi assim. Quando eu fui feito vampiro e fui apanhado pelo primeiro coven que me quis aceitar, os licantropos andavam pelo coven e alguns faziam parte dele. Mas tudo mudou. Os chefes das duas raças entraram em conflito e começou a guerra sangrenta. Acontece que passados alguns séculos os licantropos perderam a noção de si mesmos. Alguns deixaram mesmo de poder voltar a assumir a forma humana. Tornaram-se bestas incontroláveis e começaram a surgir em frente a humanos e mesmo a mata-los sem terem noção daquilo que estavam a colocar em risco. A besta apoderou-se da humanidade deles, que é uma coisa que nunca nos acontece porque não nos transformamos em coisíssima nenhuma. Estes ataques pioraram principalmente de à três séculos para cá. Deixou de ser uma questão de rivalidade entre raças. Os ataques eram ao acaso e nada de racial tinham. Não distinguiam uma vaca, de um humano, de um vampiro e colocaram a nossa segunda dimensão em ameaça. Tivemos que os começar a caçar como se fossem animais, que era basicamente o que pareciam. O humano neles desaparecera por completo. Para podermos fazer alguma coisa pelas nossas leis tivemos que exterminar a sua raça. Mas parece que os nossos esforços foram em vão.
- Sendo assim elas não seriam suficientemente desprovidos de cérebro para se juntarem em segurança num lugar qualquer e escapar aos nossos ataques? Perguntou a noviça Selene depois de acentir ao que expliquei.
- Esse é que é o problema! Disse Mikka levantando-se. Parecia que tinha sempre energia a mais. – Neste caso parece que eles estão a ter movidos por uma força exterior. Será a raça? Questiono-me.
Sentou-se e colocou a mão no lábio como sempre fazia. Era o mais belo do coven, sem dúvidas, e sempre o fora, apesar de sermos todos sobrenaturalmente belos.
Selene passava os olhos por nós. Nitidamente a sua mestra Elenor não lhe explicara nada de nada antes de se lançar no fogo. Esperava pacientemente que alguém lhe explicasse o que era a raça. Não tardei a ler-lhe os pensamentos e respondi.
- A raça é o clã nosso inimigo. No século XVI o clã principal que vivia na Hungria dividiu-se em dois, os Mortem e os Sangrem. Acontece que as duas raças eram bastante distintas, porque as origens diferem no primeiro mestre da nossa criação. O nosso mestre era mais antigo e fazíamos parte da raça dos vampiros ocidentais. Eles tinham uma aparência diferente e descendiam de outro mestre. Chamavam-lhes os vampiros orientais. Uma raça proveniente da Hungria ela mesma, apesar das duas raças lá viverem e do coven primitivo ser conjunto. Acontece que eles tinham uma característica bem diferente de nós e que nos destinguia. Podiam usufruir dos poderes carnais aos quais nos são indiferentes, sendo neste caso Mikka o único nesta assembleia que é exclusivo desse luxo.
- Porquê, posso saber? Perguntou a curiosa Selene.
Mikka não pareceu nada atrapalhado e virou-se ligeiramente na direcção da rapariga para lhe explicar.
- É que eu era ghoul de oriental antes de Nefesta me ter transformado num vampiro ocidental. Como todos os vampiros, a beleza foi a nossa queda. O meu caso foi um pouco como o de Manon – E apontou para ela. – Andava perdido de bêbedo pelos bares de Helsínquia e numa das minhas lascividades fui apanhado num beco quase morto de overdose e uma vampira húngara deu-me a beber e fiquei com sangue oriental a circular. Precisamente no dia seguinte fui apanhado já praticamente morto por Nefesta que me transformou no que sou hoje e se atirou no fogo em seguida sem me dizer nada. Errei durante meses matando alarvemente e sem saber bem o que era e o que andava a fazer até que o Talla me recolheu. Ainda fiz parte da guerra passada e não tenho boas recordações e orgulho nenhum no facto de ser híbrido.
- Ao menos tens prazer com alguma coisa! E ao menos eu não morri virgem. Sorriu Selene. Tinha sorriso de rapariguinha. Devia ter pouco mais que desaseis anos.
– No entanto existe uma coisa que não percebi. Como foi que começou a zanga? Alex tens a palavra.
Eu prossegui.
- Bem. Não sei bem porquê, mas a outra raça tornou-se racista contra nós. Chamavam-nos os loiros, o que não entendo porque o meu cabelo é negro azeviche. Quase tipo as guerras racistas que os humanos ainda hoje travam entre negros e brancos. Foram eles que nos criaram este ódio que não compreendo. Tudo se manteve suspenso até que começaram a assassinar brutalmente membros dos nossos clãs e dos nossos covens.
E ai começou a luta frenética e não é tão antiga quanto isso. Eles começaram a matar-nos quando o único chefe deles que mantinha a paz neles se lançou no fogo. O nome dele era Mathias. A partir daí foi o terror completo.
As guerras amansaram quando julgávamos que tínhamos eliminado todos os licantropos, mas parece que tudo vai recomeçar sendo assim. Temos uma cria de licantropo entre nós e tanto eu como Mikke vimos um deles na casa de Manon em Portugal. O cheiro e a aura eram inconfundíveis, tal como o seu habitual reflexo vermelho nos olhos.
Manon confirmou com a cabeça o sucedido tal como o gigantesco Mikke.
- Então parece que estamos todos juntos nisto de novo. Disse Markus. - Será que algum dia vai acabar? Gostava de ter morrido para ver uma imortalidade ligeiramente mais pacífica. Ao menos sinto-me contente por ir explodir umas cabeças.
- Não podemos deixar o nosso número diminuir. Da última vez tivemos muitas baixas e ficamos com poucos mestres. Lembrou Talla que até agora tinha falado pouco. Parecia preocupado e cansado. A sua pele espectral parecia acinzentada.
- Sim, perdemos os nossos melhores membros, mas também sobrevivemos todos nós o que já é um começo, e ainda temos adições. Disse Mikka olhando Selene.
- Posso fazer-te uma pergunta Mikka? Perguntou a novata que ainda o olhava.
- Força!
- Fiquei com curiosidade respeitante à tua origem. E não querendo ser indiscreta perante a assembleia, mas gostaria de saber se consegues gerar progenitura? Com mulheres quero dizer, porque vampiras sejam elas quais forem estão mortas.
Todos riram, mas Mikka manteve-se sério e Selene fixa nele. Um pouco depois respondeu.
- Como disseste e bem, todas as vampiras estão mortas, como também o estão todos os vampiros. Neste caso, não, não posso gerar progenitura.
Levantou-se para tirar do bolso um lenço. A sua tez estava pejada de pequenas gotas encarnadas de suor ensanguentado. Era na mesma muito belo e muito bem proporcionado. Como ele dissera naquela mesma reunião, a queda de todos nós tinha sido a beleza, e isso era uma verdade pura. Muitos dos nossos mestres tinham-nos criado apenas porque nos achavam belos aos seus olhos.
Mas o que faríamos perante esta revelação, de que licantropos andavam por ai à solta de novo. E se a outra raça o estivesse a instigar contra nós? Não sabíamos que passo dar e por isso levantei-me.
- O que faremos a seguir?
- Esse é o grande problema. Nenhum de vocês sabes e eu também não. Fazer uma busca? Mas começar por onde? Perguntou Manon.
- Devíamos começar pelo lugar onde encontrei esta cria morta. Se conseguirem todos observar vêem-se uma ligeira deficiência na pata esquerda, e não tem pesunhos. Talvez seja esta a razão porque a mataram. - Uma pergunta. Interrompeu Selene. – Os licantropos reproduzem-se? Pensava que era pela mordida que eles se propagavam.- Pela mordida também, mas reproduzem-se.
- Se um licrantropo em fase humana tiver relações com uma licantropa em fase humana nasce um licantropo também com a habilidade de se tornar humano até perder a sua humanidade. Explicou Talla.
- Onde foi que o encontras-te Talla? Perguntou Francisk.
- Nos esgotos de Paris enquanto procurava ratos para amostra no meu laboratório.
- Comecemos por lá então. Sugeriu Manon.
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