Sailor Moon Portugal, A Navegante da Lua

'Sinos Soando' -Capítulo III- Novo! ^^

#1
Bem, esta é uma fic que comecei em Janeiro deste ano, e é a minha terceira fic e a minha primeira de Death Note. Apesar de ser baseada num outro anime, qualquer pessoa a pode ler. Embaracoso
Já sei mais ou menos como se vai desenvolver a acção, e acho que terá 10 capítulos no máximo. ^-^
E faço já um aviso: eu só escrevo quando me apetece. Matreiro Por isso costumo demorar a postar. Embaracoso'
Esta fanfic tem como personagem principal o L, quando ele ainda estava no orfanato.
Mais à frente irei pôr algumas pequenas expressões em japonês, mas como são simples não sei se será preciso glossário. Se realmente for preciso, é só avisar que eu ponho. Embaracoso
Ah, título sujeito a alterações. Razz

Enjoy. Wink


'Sinos Soando'
'Índice'


~Capítulo I

~Capítulo II
~Capítulo III
(Novo!)
.

A sério?! Nãaaao! Eu gosto tanto deste anime.... Mas o mangá continua certo?
_________________
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Orgulhosa membro da equipa MangaPT
#2
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Capítulo I


Ping... ping... ping...

Lentamente, algumas gotas de água começaram a tombar do meio celeste, pousando desordenadamente no jardim, molhando a relva verde. Imponente, o grandioso orfanato destacava-se no meio dela, oferecendo refúgio a todas as pequenas crianças que corriam na sua direcção, rindo-se apesar de se encontrarem encharcadas. As amas, essas mais sérias, chamavam todos para dentro, chamamentos esses que ecoavam por todo o lado.

Tão rápido como tinha começado, todo aquele frenesim morreu no momento em que fecharam a porta principal do edifício, encerrando lá dentro todos os órfãos, que se apressaram a ir mudar de roupa, trocando-a por outra mais seca. Do lado de fora, a chuva intensificava-se, formando cortinas pesadas de água que lavavam as árvores circundantes. Nuvens carregadas abafavam a luz do Sol, cobrindo o plúmbeo céu com cores melancólicas. Por vezes, era possível ouvir um trovão ribombando à distância, ecoando ritmadamente antes de se esvair por completo.

Por detrás da instituição conseguia-se avistar, ao fundo, escondido num canto pacato, uma pequena elevação que formava um baixo morro relvado, onde um comprido banco de madeira proporcionava uma ampla vista a quem nele se sentasse. Naquele momento, o pouso não se encontrava desocupado.

Longos cabelos pretos encontravam-se à mercê da impiedosa chuva, completamente molhados, tombando sobre a face cansada de um franzino rapaz. O seu olhar negro recaía sobre o horizonte, parecendo algo absorto em pensamentos apenas seus que não desejava partilhar. A forma peculiar como colocava as curtas pernas para se sentar no largo banco denunciavam-no, quase como se gritasse que era diferente da norma. Parecia não se preocupar minimamente com a roupa saturadamente molhada que vestia, e não mostrava sinais de se ir embora tão cedo.

Os seus olhos pareceram ganhar vida novamente quando mudaram de alvo, fixando agora o parque de estacionamento logo atrás do orfanato. Observou as pequenas gotas de chuva aglomerarem-se por cima de alguns carros, e outras escorregando suavemente pelos vidros das janelas. No entanto, não se encontrava ao relento para apreciar os efeitos da fria chuva. As suas orbes negras pousaram no único lugar que se encontrava vazio: o que pertencia a Watari. Sabia perfeitamente bem que quando ele saía, isso significava apenas uma coisa.

Alguém novo chegaria naquela tarde chuvosa.

Moveu-se ligeiramente, ajeitando-se para ficar mais confortável. Passou as brancas mãos pelos cabelos, tirando algumas mechas que se haviam colado à sua face pelo caminho. Alguns minutos depois, resolveu levantar-se, colocando as suas mãos geladas nos bolsos das suas calças desgastadas.

Era já um hábito seu fazer aquilo. Sempre que notava que Watari não se encontrava presente, fugia até ali para ver a mais recente chegada. Havia presenciado a entrada de todos que tinham ido para ali morar depois de si. Lembrava-se vividamente dos olhares assustados deles, ainda não habituados à ideia de que iriam ter uma nova casa e que nela os seus pais não estariam presentes, pois eles nunca poderiam presenciar aquele novo mundo quando se encontravam no outro.

Começou a bater a sua mão ritmadamente dentro do seu bolso, já algo impaciente com tanta espera. Respirou fundo, suspirando logo depois, soltando uma alva nuvem de vapor quando o fez. Mirou-a por algum tempo, quase que entortando os seus negros olhos no processo. Fê-los voltar ao normal rapidamente quando ouviu o som de pneus, provocado pela entrada de um carro no orfanato. Tossiu ligeiramente enquanto o via estacionar habilmente, parando por completo pouco depois.

Watari saiu do lugar do condutor, não sem antes abrir um grande guarda-chuva azulino para se proteger dos pequenos fios celestes, e fechou calmamente a porta. Deslocou-se até à parte de trás do carro e pousou a sua mão no puxador. Abriu a porta.

Naquele preciso instante, os sinos da capela começaram a dobrar.

O magro rapaz levantou o olhar reflexamente, mirando o redondo relógio que se encontrava no edifício vizinho. Os seus ponteiros perfaziam um ângulo obtuso, indicando as quatro horas da tarde.

Aquele relance durou menos de um segundo. Tornou a fitar Watari, já inclinado para dentro do carro, chamando o novo habitante daquele orfanato. Voltou à sua posição normal, mas desta vez trazia uma criança ao colo. Fechou a porta.

Mais um bater de sinos.

Contornou o veículo, tornando-se então visível do pequeno monte. A criança que segurava era uma muito jovem rapariga, cujos cabelos ruivos recaíam sobre a sua face pálida, criando um agradável contraste. Um vestido branco simples ornava aquele corpo, encontrando-se seco graças à protecção do guarda-chuva. Parecia estar rodeada de sonhos, algo visível pelas suas pálpebras fechadas. Envolvida no seu abraço, composto por carinhosas mãos, estava uma cerúlea almofada em forma de flor, que completava perfeitamente aquele quadro de inocência.

Duas amas apareceram pela porta traseira, correndo atabalhoadamente até Watari com o intuito de o ajudar, ajuda essa que foi recusada prontamente. Caminharam num passo apressado de volta para dentro do cheio orfanato. Fecharam a porta.

Novamente, os sinos soaram.

Havia permanecido imóvel todo aquele tempo, contemplando apenas o espectáculo em frente a si, ignorando até o desconforto da chuva gelada. O seu olhar ainda estava preso à porta das traseiras do orfanato, que ele sabia que davam directamente à cozinha, logo pegada à sala onde diariamente tomavam as suas refeições. Dali a alguns instantes, quase de certeza, a menina estaria desperta, pronta a comer algo quente.

Os seus pensamentos foram interrompidos por um violento abrir de uma janela do andar superior do seu lar actual, por onde uma ama o avistou quase instantaneamente.

- Ryuuzaki-kun! Entra já! – gritou logo a seguir, fechando a grande janela com força.

E o último bater de sinos soou.


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#3
Fui a primeira a ler?!? Uau!! Fico feliz por ser a tua primeira fã, pelo menos desta fic Very Happy
Primeiro, quero dizer-te que escreves maravilhosamente bem, mas isso ja deves saber.. :Matreiro: Tens uma forma cativante de escrever, que não aborrece que lê..mt pelo contrário, apetece sp ler mais e mais... Sabes exactamente como descrever as situações, é tudo perfeito...
Depois, gosto da história em si, e ja ganhei uma grande simpatia pelo menino órfão e tb pela nova menina que chegou ao orfanato...parece-me que vão ser grandes amigos ou estarei enganada? Suspect ja estou aqui a imaginar..as minhas teorias lol! Espero ansiosamente pelo próximo capitulo!! Ah e quanto ao que disseste, que só escreves quando te apetece e por isso podes demorar a postar...hmmm, ficas já a saber que eu sou mtttt impaciente e não aguento mt tempo ha espera de um capitulo.. :Blaaargh!:
Tenho andado bastante ausente... e vou continuar infelizmente Durante a semana torna-se muito complicado... por isso venho cá sobretudo ao fim-de-semana Vou ter saudades
#4
Escusado será dizer que és excelente a escrever! Tudo perfeitinho Surprised.o: Não sei te dizer, porque não tenho palavras para descrever o teu talento, então resumo-me a dizer o que sei: QUEREMOS MAIS!
#5
Paula escreveu:Fui a primeira a ler?!? Uau!! Fico feliz por ser a tua primeira fã, pelo menos desta fic Very Happy
Primeiro, quero dizer-te que escreves maravilhosamente bem, mas isso ja deves saber.. :Matreiro: Tens uma forma cativante de escrever, que não aborrece que lê..mt pelo contrário, apetece sp ler mais e mais... Sabes exactamente como descrever as situações, é tudo perfeito...
Depois, gosto da história em si, e ja ganhei uma grande simpatia pelo menino órfão e tb pela nova menina que chegou ao orfanato...parece-me que vão ser grandes amigos ou estarei enganada? Suspect ja estou aqui a imaginar..as minhas teorias lol! Espero ansiosamente pelo próximo capitulo!! Ah e quanto ao que disseste, que só escreves quando te apetece e por isso podes demorar a postar...hmmm, ficas já a saber que eu sou mtttt impaciente e não aguento mt tempo ha espera de um capitulo.. :Blaaargh!:
Uau, que rápido! o_o

Muito, muito obrigada! Não, por acaso não sei. xDD Eu continuo com a ideia de que não escrevo assim nada de especial, mas dá-me gozo, então eu escrevo. Matreiro E ainda bem que a minha escrita não aborrece, fico sempre com esse medo...!

Quanto às teorias, logo verás se elas se concretizam. Razz
E olha, para veres a minha incrível velocidade... Tenho esta fic desde Janeiro e só tenho três capítulos. xDDD

E um pequeno gostinho: o segundo capítulo traz uma grande surpresa...
Embaracoso

Angeless escreveu:Escusado será dizer que és excelente a escrever! Tudo perfeitinho Surprised.o:
Não sei te dizer, porque não tenho palavras para descrever o teu
talento, então resumo-me a dizer o que sei: QUEREMOS MAIS!
Oh, muito obrigada Nessa-nee-chan! *-*
Eu escrevo mais, pronto. xDD
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#6
Sol-Chan é claro que a tua forma de escrever é especial!! Nem admito sequer que penses o contrário!! Mad Matreiro
Quanto às teorias, já sabia que não me irias desvendar nada...mas não custa tentar!!! Razz
Ohhh e o capítulo 2 traz uma grande surpresa? Hmm será o passado misterioso do menino órfão?! Ou da menina...Ai Sol-Chan vês o estado em que me pões? :Embaracoso': Agora estou ainda mais ansiosa pelo próximo capítulo!!!
Já tens os próximos dois capitulos?? Então por favor pooosta!!!! Vais ter que te habituar porque sou uma leitora mt ansiosa e impaciente Matreiro
Tenho andado bastante ausente... e vou continuar infelizmente Durante a semana torna-se muito complicado... por isso venho cá sobretudo ao fim-de-semana Vou ter saudades
#7
Oh, muito obrigada! *.*

Nem um nem outro. xDD Acho que só quem leu no outro fórum é que sabe. É mesmo inesperado. xD

Como tenho poucos capítulos, tenho de os poupar... Quando acabar o 4.º, eu posto o 2.º xD
E eu gosto de leitores ansiosos, quer dizer que a fic está interessante, e isso deixa-me feliz. ^_^
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#8
Bom, aqui me apresento como sendo uma leitora ansiosíssima! Quando vi o teu nome como sendo a autora, Sol-chan, confesso que fiquei cheia de curiosidade. Ainda bem que referiste que a fanfic tem como base Death Note e que pode ser entendida mesmo sem saber a história, porque eu, embora já tenha lido um bom bocado, nunca terminei (devido, claro, a um enormíssimo spoiler, mas pronto...). Ainda assim, o L era a minha personagem favorita, daí que comecei a ler, e...

Vejamos... Por onde começar? Comecemos por aquilo que mais existe neste capítulo e que tanto me fascinou; as descrições. São fantásticas! E isto é pouco para ser justa. A sonoridade inicial, o modo como nos envolveste naquele ambiente chuvoso, marcado pelos risos das crianças e pelos chamamentos das amas, o orfanato... Tudo incrivelmente e muito bem descrito. Mas é uma descrição peculiar, com musicalidade e que, se pronunciada em voz alta, sentimos as palavras a encaixarem num ritmo aliciante.

O aparecimento do L (eu chamo-lhe assim porque não lhe conheço outro nome) retratou na perfeição aquilo que ele é. Mesmo eu, que muito pouco li do manga, consegui visualizá-lo sem qualquer esforço adicional. Uma coisa que me ressaltou imenso foi a forma como expuseste as "manias" dele, os maneirismos, desde o seu cabelo até ao bater ritmado da mão no bolso. Parece-me que vais abordar, nesta história, o passado do L e um pouco da sua psicologia ao longo dela, o que me agrada muitíssimo.

E um dos pormenores que mais gostei, sem dúvida, foi o modo como intercalaste o dobrar dos sinos com o aparecimento do homem com aquela menina ruiva. Não sei se ela é uma personagem de Death Note, mas intrigou-me profundamente. O impacto daquele aparecimento foi intensificado com o som dos sinos, como se cantassem um presságio...

E pronto, pouco mais tenho a dizer que possa fazer sentido, senão, se falar muito mais, tenho medo de começar a fazer um comentário muito confuso e difuso :Embaracoso': Reforço a ideia de estar a gostar muito da história só com este capítulo e que a tua escrita é fenomenal, Sol-chan! *dá um ovo Kinder através de um barquinho de papel que atravessa o mar e chega até ti* Como incentivo Very Happy
#9
Uau, Kaoru-chan, que comentário tão bonito! Esperancoso

A fic pode mesmo ser entendida sem se ter lido o manga, mas ajuda ter lido por causa de umas coisinhas lá para a frente. Razz Se leste até a esse grande spoiler, ou pelo menos sabes que aconteceu, não precisas de mais nada para entender a fic. Embaracoso

E quanto ao resto do comentário, até fico sem palavras... (: A sério, são tantos elogios que até coro. Embaracoso Muitíssimo obrigada. Mesmo. Embaracoso

E sim, tens razão! Irei abordar o passado do L e a peculiaridade desta personagem. Embaracoso A menina ruiva não é de Death Note, é uma personagem original. E os sinos irão aparecer várias vezes ao longo da fanfic. Agora quando e porquê, só mais tarde saberão. Razz

*aceita o ovo Kinder* Muito obrigada mais uma vez! Um comentário assim vindo de ti deixa-me extremamente feliz, já que admiro muito a forma como escreves e sinto-me orgulhosa de também gostares do que escrevo. Very Happy
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#10
Ora, não precisas de agradecer! Eu só disse aquilo que, sinceramente, penso e sinto ao ler Smile E a verdade é que sinto mesmo isso. Não tenho nada a apontar neste capítulo, pelo que acho que foi um excelente início, muito promissor!

Oh, admirar aquilo que escrevo? Embarassed Não vejo porquê, se tu escreves coisas lindíssimas, por aquilo que eu vi agora! Muitos parabéns, a sério! Very Happy
#11
Spoiler
Claro que admiro aquilo que escreves, Kaoru! Tens um dom especial para isso. Embaracoso E muito obrigada mais uma vez. Embaracoso
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Capítulo II
Batia ligeiramente o dedo no seu joelho, à medida que observava o movimentado pátio. Fitou as simples brincadeiras de todos os órfãos, que aproveitavam aqueles minutos fora para relaxar. Um grupo à esquerda jogava à apanhada, algumas raparigas ao fundo brincavam com bonecas, imaginando-se num local e vida algo diferentes dos que tinham agora, enquanto que outras haviam-se juntado numa imperfeita roda e cantarolavam alegremente, enchendo a tarde com as suas melodiosas canções.

Todo o pátio parecia ganhar uma nova cor quando se encontrava tão animado.

Ryuuzaki, no entanto, tomava a posição de um mero espectador, admirando a infantilidade que aquelas crianças traziam em si, infantilidade essa que ele já há algum tempo havia perdido.

Aquele orfanato tinha um objectivo claro, todos eles estavam cientes disso. Sabiam que iriam ser formados de acordo com as suas excelentes capacidades mentais para, mais tarde, usá-las para ajudar o mundo da melhor forma. No entanto, havia uma outra verdade de que todos já se tinham apercebido.

O maior cargo seria ocupado, indubitavelmente, por aquele magro rapaz que se encontrava estranhamente sentado no seu habitual banco.

Por causa disso, havia-se formado um espécie de escudo que separava Ryuuzaki do resto do orfanato. Os mais velhos invejavam-no; os mais novos respeitavam-no a ponto de o temer. Claro que ele já se apercebera dos olhares lançados contra si cada vez que passava por alguém nos corredores, mas simplesmente ignorava-os. Tinha uma teoria: o facto de sentirmos falta de algo que nunca tivemos é meramente ilusório, pois não podemos sentir falta de algo com o qual nunca vivemos.

Era por essa razão que não sentia a falta de ter uma amizade.

Suspirou levemente, acomodando-se. O seu olhar fixou-se no horizonte, à medida que tentava tirar aqueles pensamentos da sua mente. A brisa algo fria brincava com os seus pés descalços, provocando-lhe uma sensação de algum relaxamento. Mirou-os por segundos, mexendo-os ligeiramente.

Foi nesse momento que sentiu uma pequena mão no seu ombro.

Virou-se energicamente, as suas orbes negras dilatadas de surpresa. Aquela mão pertencia à menina do dia anterior, desta vez perfeitamente acordada. Os seus cabelos ruivos cortinavam o seu suave rosto sem o esconder, deixando à vista uma face rosada. Tinha bochechas grandes, próprias da idade, e uma bonita fita branca afastava a franja da sua testa. Um outro vestido, desta vez azul, ornava o seu baixo corpo, que ainda segurava na almofada em forma de flor. No entanto, a sua outra mão também estava ocupada, mas por um vermelho chupa-chupa.

Era, em poucas palavras, uma beleza emoldurada no puro.

O rapaz fitou-a estranhamente, não habituado a que outra criança interagisse com ele. Passando a fina mão pela borda do banco, a rapariga contornou-o, sentando-se mesmo ao lado dele, pousando a cerúlea almofada no seu colo, apertando-a contra si. Ficou lá por alguns minutos, fazendo com que, à medida que o tempo passava, o rapaz fosse ficando menos tenso e começasse até a ignorar aquela estranha presença ao seu lado. Mas ele sabia, melhor do que ninguém, que nunca conseguiria ignorá-la na totalidade.

Afinal de contas, ela tinha um chupa-chupa na mão.

Mirava-o pelo canto do olho, imaginando a bela relação que poderia estar a partilhar com ele naquele momento. Sabia que a gula era o seu maior pecado, mas simplesmente não o consegui eliminar; na verdade, nem se esforçava muito para tal.

A menina, no entanto, fitava o vazio, sem ter ainda olhado para Ryuuzaki desde que tinha chegado. Abraçava a almofada em sua posse, balançando desordenadamente os pés que, enquanto estava sentada, não conseguiam tocar no chão. O rapaz observava-a, desta vez não intimidado, mas sim curioso. De repente, ela pareceu ganhar coragem, à medida que os seus lábios finalmente se moveram.

- Ano... – hesitou, antes de respirar fundo e continuar. – És o Ryuu-chan, não és? Uma ama disse-me que me viste chegar ontem e para tentar falar contigo. Ela deu-me isto para te entregar.

E ergueu o chupa-chupa tal qual a doce armadilha que era.

Não respondeu, mas pegou nele e abriu-o sofregamente, enfiando-o na boca pouco depois. Fechou os olhos em deleite: o seu preferido. Encostou-o ao canto da boca para libertar a língua e conseguir falar.

- Hai, sou eu – confirmou, voltando a mover o doce para uma posição mais favorável.

Foi a vez de ela não responder, o seu olhar ainda preso ao profundo horizonte. Uma suave brisa brincou com os seus ruivos cabelos, despenteando-a ligeiramente. Ryuuzaki apenas se importava com a sua doçura, pouco ligando ao mundo alheio à sua volta; naquele momento, tinha tudo o que precisava.

- Eto...

Virou-se para a fonte daquela voz doce, puxando o seu rúbido prazer para o exterior no processo. Prosseguiu:

- Não me vais perguntar o meu nome?

Semicerrou os seus olhos, fitando-a interrogativamente. Era suposto fazê-lo? Bem, afinal de contas, ela tinha-lhe proporcionado um singelo momento de alegria; era o mínimo que podia fazer. Realmente, ele não sabia interagir com os outros. Muitos anos à sombra tinham-lhe afectado o seu senso social.

- Hum... Anata wa...?

- Suzu desu – concluiu, sorrindo por fim.

Fitou o seu alegre rosto, não conseguindo evitar sorrir também face à sua jubilosa expressão. Tal como qualquer criança, para ela a simplicidade, muitas vezes, igualava a satisfação. Desviou o seu olhar, voltando a mirar o pátio em frente a si.

Suzu. Pensava no dia anterior, em que os sinos tinham tão acertadamente acompanhado a chegada dela, e agora sabia que o seu nome também estava relacionado com eles. Afinal de contas, Suzu era uma das maneiras de se referir aos ditos sinos. Olhou para a capela que se encontrava perto do orfanato, perguntando-se como era possível tal coincidência acontecer. Suspirou, voltando a fitar os seus pés descalços.

Por sua vez, o olhar de Suzu continuava em linha recta, sem nunca se desviar. Apertava a almofada com as duas mãos, segurando-a como se ela a conseguisse proteger de algo que temia. Sobressaltou-se quando ouviu a campainha do orfanato, obviamente ainda não habituada a ela. Aquele toque era o sinal de que era hora de voltar a entrar.

Ryuuzaki levantou-se, espreguiçando-se momentaneamente. Suzu, por sua vez, permaneceu sentada, ainda balançando os seus pés, parecendo um pouco perdida, poder-se-ia dizer. O rapaz suspirou, dirigindo-se a ela e pegando-lhe pela pequena mão, o que fez com que ela se levantasse e começassem os dois a caminhar de volta ao orfanato.

Afinal de contas, ele sabia que era educado ajudar as pessoas cegas quando elas precisavam.

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Orgulhosa membro da equipa MangaPT
#12
Mais uma vez a primeira a comentar Very Happy

Primeiro adoro a forma como descreves as situações, as pessoas, os lugares, o que acontece, tudo!!!

Depois, é bem visível que o Ryuuzaki é uma criança muito solitária, sem amigos... mas quando chega a menina nota-se perefitamente a ligação forte que se estabelece imediatamente entre os dois... Surprised.o:

Adorei especialmente esta parte:

" Afinal de contas ela tinha um chupa-chupa na mão!!

lol! Achei imensa piada!! Realmente, qual é a criança que resiste a um chupa-chupa?? Uma boa armadilha, a miúda é esperta Matreiro

A aproximação dos dois é descrita de uma forma tão PERFEITA!! Surprised.o: Surprised.o: Adorei mesmo!! É, simultaneamente, lenta e intensa!!

Agora, quanto à revelação final!!! :Chocado: Sol-chan, acredita que até sustive a respiração!! Realmente, tudo faz sentido: quando ela chegou pos-lhe a mao no ombro, referes várias vezes que ela fitava o vazio, agarrava avidamente a almofada...

Sinceramente, ADOREI este capitulo!! :g1: Tudo, tudo, tudo perfeito!!! Até ao mais pequeno pormenor.

Fico à espera de mais!!! :g13:
Tenho andado bastante ausente... e vou continuar infelizmente Durante a semana torna-se muito complicado... por isso venho cá sobretudo ao fim-de-semana Vou ter saudades
#13
Não tinha ainda comentado o capítulo, mas agora que o posso fazer, estou sem palavras.

Está, mais uma vez, fantástico. Eu compreendo na perfeição as palavras japonesas que utilizaste e foi como se estivesse a observá-las no monitor do meu computador, a interagirem e a falarem. Segui os seus olhares, maneirismos, atitudes. Como se estivesse a ver um OVA de Death Note, quase.

A tua escrita continua fenomenal; fluída, correcta, ideal. Descreves todos os pormenores com grande precisão, de tal forma que podemos observar tudo na mente, assim como os possíveis sentimentos das personagens. Neste capítulo, abordaste um pouco mais a exclusão social que o Ryuuzaki sente e como não se importa. Gostei particularmente da forma como abordaste o assunto, quase que lançando peças que são fundamentais, mas de um modo singular.

A rapariga atrai-me, não sei porquê. O caso do chupa-chupa deve ser mesmo um traço da personalidade dele (como já disse, não segui muito Death Note, daí que me escapem pormenores...), mas achei muito interessante como introduziste. A interacção da Suzu com ele foi muito bem concebida Smile

Mas, caramba. A forma como terminaste, dizendo que ela era cega. E como o fizeste! Foi, simplesmente, muito bom. Muito, mesmo. Deixou-me suspensa nas minhas próprias deambulações, nas minhas impressões. Adorei, de facto! Impressionou-me e foi, sem dúvida, dos melhores finais que já tive a oportunidade de ler nestes tempos Embaracoso

Muitos parabéns, Sol-chan, escreves realmente muito bem! E estou mesmo deleitada com a tua história Very Happy
#14
Spoiler
Mais uma vez a primeira a comentar Very Happy

Primeiro adoro a forma como descreves as situações, as pessoas, os lugares, o que acontece, tudo!!!

Depois,
é bem visível que o Ryuuzaki é uma criança muito solitária, sem
amigos... mas quando chega a menina nota-se perefitamente a ligação
forte que se estabelece imediatamente entre os dois... Surprised.o:

Adorei especialmente esta parte:

" Afinal de contas ela tinha um chupa-chupa na mão!!

lol! Achei imensa piada!! Realmente, qual é a criança que resiste a um chupa-chupa?? Uma boa armadilha, a miúda é esperta Matreiro

A aproximação dos dois é descrita de uma forma tão PERFEITA!! Surprised.o: Surprised.o: Adorei mesmo!! É, simultaneamente, lenta e intensa!!

Agora, quanto à revelação final!!! :Chocado:
Sol-chan, acredita que até sustive a respiração!! Realmente, tudo faz
sentido: quando ela chegou pos-lhe a mao no ombro, referes várias vezes
que ela fitava o vazio, agarrava avidamente a almofada...

Sinceramente, ADOREI este capitulo!! :g1: Tudo, tudo, tudo perfeito!!! Até ao mais pequeno pormenor.

Fico à espera de mais!!! :g13:
Muito obrigada por leres e comentares o segundo capítulo! Embaracoso
E ainda bem que gostaste da parte final! ^-^
Eu disse que era inesperado. Razz
Arigatou! Esperancoso

Não tinha ainda comentado o capítulo, mas agora que o posso fazer, estou sem palavras.

Está,
mais uma vez, fantástico. Eu compreendo na perfeição as palavras
japonesas que utilizaste e foi como se estivesse a observá-las no
monitor do meu computador, a interagirem e a falarem. Segui os seus
olhares, maneirismos, atitudes. Como se estivesse a ver um OVA de Death
Note, quase.

A tua escrita continua fenomenal; fluída, correcta,
ideal. Descreves todos os pormenores com grande precisão, de tal forma
que podemos observar tudo na mente, assim como os possíveis sentimentos
das personagens. Neste capítulo, abordaste um pouco mais a exclusão
social que o Ryuuzaki sente e como não se importa. Gostei
particularmente da forma como abordaste o assunto, quase que lançando
peças que são fundamentais, mas de um modo singular.

A rapariga
atrai-me, não sei porquê. O caso do chupa-chupa deve ser mesmo um traço
da personalidade dele (como já disse, não segui muito Death Note, daí
que me escapem pormenores...), mas achei muito interessante como
introduziste. A interacção da Suzu com ele foi muito bem concebida Smile

Mas,
caramba. A forma como terminaste, dizendo que ela era cega. E como o
fizeste! Foi, simplesmente, muito bom. Muito, mesmo. Deixou-me suspensa
nas minhas próprias deambulações, nas minhas impressões. Adorei, de
facto! Impressionou-me e foi, sem dúvida, dos melhores finais que já
tive a oportunidade de ler nestes tempos Embaracoso

Muitos parabéns, Sol-chan, escreves realmente muito bem! E estou mesmo deleitada com a tua história Very Happy
Já te tinha agradecido por msn, mas agradeço mais uma vez. Embaracoso Fiquei muito feliz com o teu comentário, especialmente a observação que fizeste ao final!
Ah, e quanto ao chupa-chupa; se bem te lembras, o L é sempre visto a comer exclusivamente doces. Presumi que fosse um hábito antigo, e coloquei-o aqui. Achei uma forma engraçada de eles se conhecerem. Embaracoso
Obrigada, mais uma vez. Embaracoso
---
Capítulo III

Ouviu o algo irritante toque, sinal esperado por todos os habitantes do orfanato. Suspirando, pegou no seu caderno imensamente escrito, onde tinha estado a matutar sobre uma complicada operação momentos antes, e pô-lo por baixo do braço, dobrando-o ligeiramente. Passou a mão pela secretária, apanhando o lápis que nela jazia, colocando-o dentro de um livro, não querendo perder o número da página onde estava.

Caminhou para fora da sala, não sem antes se despedir do seu sensei, ouvindo o barulho do recreio a aproximar-se à medida que a porta principal estava mais perto. Ultrapassou-a, sentindo a brisa da tarde atingir a sua face cansada, e espreguiçou-se momentaneamente, antes de pousar os seus pertences num banco já algo cheio com outros. Observou sem muito interesse a sempre presente animação do pátio e, já por hábito, colocou as mãos magras nos bolsos vazios, rumando em direcção ao seu canto solitário.

Mas cedo se apercebeu que o seu canto já não se encontrava tão solitário assim.

Aproximou-se lentamente do pequeno monte, subindo-o pé ante pé, olhando sempre para a pequena rapariga que ocupava uma porção do banco castanho. Estava igual ao dia anterior, exceptuando a cor do vestido e das fitas que seguravam o seu ruivo cabelo, que tombava alinhado sobre os seus ombros, tal e qual uma cascata de águas acobreadas que pingava ao sabor do vento.

Caminhou cautelosamente, ainda não habituado àquela súbita mudança que ela havia arrastado consigo. Sempre se dera bem sozinho; raras eram as vezes em que falara com alguém da sua idade mais do que treze segundos. Tão raras eram essas oportunidades que havia dois por cento e meio de chance de acontecerem. Sabia-o bem. Tinha-o calculado.

Então, por que é que ela insistia em alterar a sua estatística?

Assim que se encontrou a cerca de cinco metros dela, viu a sua bonita face voltar-se na sua direcção, e ela seguiu-o com o olhar até ele se sentar mesmo ao seu lado, apesar de os seus olhos nada verem. Ryuuzaki logo se apercebeu que ela tomava partido dos seus outros sentidos, provavelmente muito mais apurados do que os seus, para poder observar o mundo à sua volta. Sentiu-a reprimir-se um pouco, apertando a sempre presente cerúlea almofada contra si, quase como se se tivesse apercebido do olhar atento dele, que não conseguia evitar analisar tudo o que via.

- Ryuu-chan.

Não era uma pergunta. Era uma certeza.

Ryuuzaki fez um subtil barulho com a garganta, apenas para confirmar que era ele que ali estava. Ao receber aquele som, Suzu sorriu, parecendo feliz por o voltar a encontrar. Diminuiu um pouco a força com que agarrava a almofada azul, ajeitando-se ligeiramente no banco. Fitou a paisagem à sua frente, sentindo a brisa levantar os seus cabelos acobreados. O seu companheiro, por outro lado, apoiava as suas magras mãos nos joelhos, encontrando-se numa das estranhas posições pelas quais já era conhecido no orfanato.

- Ryuu-chan... – repetiu Suzu, voltando a aconchegar a almofada em forma de flor contra si. – Como foi o teu dia?

- Igual a qualquer outro – respondeu Ryuuzaki, suspirando logo a seguir. Caiu então o silêncio sobre eles. Suzu balançava os seus pés como habitual, enquanto que o outro rapaz apenas observava o horizonte em frente a si. Olhou para o lado, fitando a ruiva com uma expressão ligeiramente triste. Aquele era um dos seus defeitos: não conseguia manter uma conversa mínima, as suas respostas curtas e algo frias acabavam sempre por arruinar o ambiente. Mas nunca isso o tinha afectado muito. No entanto, por alguma razão que desconhecia, não queria que acontecesse o mesmo com ela, pois não conseguia vê-la sem ser sorrindo.

- E o teu? – perguntou após um longo momento de reflexão.

- Hum? – A cabeça de Suzu voltou-se para os seus pés, como que se aquela fosse a melhor posição para o ouvir.

- O teu dia... Como foi? – inquiriu, voltando o seu olhar para ela. Viu algo como um tímido sorriso espreitar pelos seus lábios, à medida que deixou de fitar o solo e se voltou para cima.

- Fiz tanta coisa hoje! A Tanaka-san tem estado a tomar conta de mim desde que cheguei aqui. Mostrou-me os sítios mais importantes e apresentou-me a alguns professores. Depois, como ainda não comecei as aulas, fiquei na cozinha com ela, a ajudá-la no que podia. Ela contou-me imensas coisas enquanto fazia o almoço, e... – A voz de Suzu ressoava tal como sinos, a entoação subindo e descendo com a excitação. Ainda balançava os seus pequenos pés, rindo-se por vezes, quando se lembrava de algo divertido que a sua ama havia partilhado consigo. Ryuuzaki apenas escutava; parecendo que não, isso era um grande passo para ele.

Suzu continuava o seu longo discurso que se assemelhava a um monólogo. Contou como se tinha instalado rapidamente, uma vez que não trazia muita bagagem; como os professores a tinham acolhido calorosamente, apesar de ter chegado tão de repente e sem aviso prévio; como Tanaka, uma das mais antigas amas, tinha tomado um papel algo maternal, cuidando dela a todos os minutos; e como tinha sido por causa dessa mesma ama que ela tinha tido a oportunidade de conhecer Ryuuzaki.

- Foi ela que me deu o chupa-chupa naquele dia. E foi por causa dele que tomei coragem para falar contigo – esclareceu, sorrindo logo depois, olhos fixos no horizonte em frente a si. Ryuuzaki, por outro lado, apenas a observava de lado, o seu polegar junto aos lábios algo frios. Suzu voltou a apertar a almofada, e ambos sentiram um fresco vento levantar-se momentaneamente antes de se acalmar, abanando algumas das folhas das frondosas cerejeiras que tentavam impingir alguma da sua beleza naquele local recheado de habitantes com sombrios passados.

- Ne, Ryuu-chan – começou a ruiva rapariga, quebrando o novo silêncio que se tinha instalado. – Também há cerejeiras na parte da frente do orfanato, não há?

Ryuuzaki desviou o olhar, observando atentamente a entrada do seu lar. Apesar de ainda não estarem em flor, havia várias cerejeiras que seguiam o carreiro que ligava à pesada porta de entrada, cujas folhas ofereciam uma vastidão de sombra para proteger as frágeis e brilhantes cabeças dos órfãos. Na verdade, só agora se tinha apercebido de que havia dois carreiros igualmente cobertos por aquelas árvores: um que acabara de analisar, e outro que dava para as traseiras do orfanato.

- Hai... – respondeu vagamente, pouco perplexo com aquela descoberta.

- Souka... – Por algum estranho motivo, Suzu parecia ter encontrado algum júbilo naquele facto. – Já me tinha apercebido que havia algumas na parte de trás pouco depois de ter chegado. Mas precisava de verificar que havia outras na parte da frente.

- Porquê? – perguntou Ryuuzaki face ao que tinha acabado de ouvir. A sua companheira demorou algum tempo a responder.

- Okaa-san wa... A minha mãe sempre me disse que as cerejeiras simbolizam uma vida passageira, por causa do pouco tempo que as flores duram. Havia uma mesmo em frente à nossa casa. Quando chegava a altura das flores desabrocharem, ela pegava em mim e punha-me mesmo por baixo dela. “Kirei desu ne?”, dizia. Depois, sentia-a agachar-se, enquanto pegava nalgumas flores e as colocava na minha mão. “A vida é curta, por isso tens de dar o teu melhor para desabrochares da forma mais bela possível!...”. Aconselhava-me isso todos os anos – Suzu parou de falar por alguns momentos, suspirando e olhando para os seus pés. – Acho que, quando alguém chega aqui, a vontade de viver é pouca, uma vez que somos órfãos... Mas as cerejeiras estão ali, e desabrocham uma vez por ano, lembrando-nos que não devemos desperdiçar a nossa vida não a vivendo. Senão, a nossa flor acabará por murchar antes do tempo, e isso acaba por ser um grande desperdício... Ne?

Sorriu tristemente, levantando o olhar, apertando a almofada cerúlea com mais força do que nunca. Ryuuzaki nada disse, absorvendo apenas aquelas palavras frescas, que lhe recordavam a primeira vez que tinha pisado o solo daquele local. Lembrava-se vividamente de como se tinha sentido: a ideia de viver num sítio desconhecido, com pessoas desconhecidas e com um futuro desconhecido, se não incerto, haviam-no aterrorizado profundamente. Tinha a certeza de que nunca esqueceria aqueles sentimentos de abandono e extrema confusão que o tinham assolado por diversos meses.

No entanto, aprendera a lidar com o medo. De nada adiantava deixá-lo tomar posse da sua mente, quando sabia que podia ser mais forte do que isso. Lutava constantemente contra ele, até ser capaz de o dominar na sua totalidade. Uma missão árdua, mas que correra melhor do que esperara. Talvez, no seu íntimo, quisesse afastar aquela cor escura, impedindo-a de tingir a sua flor para que ela pudesse florescer, não para se tornar a mais bela, mas simplesmente para não ser a mais hedionda.

- Ano... Kimi wa... – começou o rapaz, antes de ser interrompido pelo toque que chamava todos para dentro. Suspirou, adiando a sua pergunta para o próximo dia. Podia esperar para saber mais acerca do passado de Suzu. E, assim, tinha mais uma razão para a ver no dia seguinte. Pegou novamente na sua mão, ajudando-a a descer e levando-a de novo para o edifício.

Por alguma razão, sentia uma insaciável vontade de comer cerejas.

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Escrevi isto numa noite em que estava febril, por isso não está assim nada de especial. Embaracoso'
Ah, e o pormenor das cerejeiras é verdade; no Japão há esse simbolismo. Embaracoso
E agora fiquei sem capítulos. x'D
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A sério?! Nãaaao! Eu gosto tanto deste anime.... Mas o mangá continua certo?
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Orgulhosa membro da equipa MangaPT
#15
Bem, Sol-chan... Devo dizer que o teu estado febril, se algo contribuiu para este maravilhoso capítulo, então eu gostava de o ter também! (salvo seja, mas deu para compreender a intenção que queria transmitir Razz)

Mais uma vez devo dizer que gosto imenso da forma como descreves todos os acontecimentos. A escolha das palavras, tão meticulosa e, ao mesmo tempo, natural, encaixa na perfeição com aquilo que pretendes transmitir. Sei que me repito, é certo, mas não posso deixar de o dizer de novo. É que é algo que me agrada e apela tanto...

Quanto ao capítulo em si; o início, foi óptimo, dando-nos a compreender um pouco melhor a rotina e intelectualidade do Ryuuzaki. É muito interessante a forma como a abordas, pelo que não posso deixar de referir as estatísticas que ele faz, as percentagens que foste referindo e que dão uma consistência e realidade inegáveis à personagem. Eu própria que não a conheço tão bem quanto desejaria fico a entendê-la melhor ou, pelo menos, tenho essa sensação, o que é algo muito bom. São estes pormenores que proporcionam um maior realismo Smile

A Suzu continua a fascinar-me. No início, pensava que era o seu estado (como já tive oportunidade de te explicar), a sua cegueira. Mas, agora, e com este capítulo, compreendo que ultrapassa essa dimensão; a dimensão dos seus próprios gestos, o seu olhar fixo no horizonte que parece ver mais do que os nossos olhos sãos vêem. É essa a sensação que me fica, que ela vê mais do que o próprio Ryuuzaki vê e que os seus olhos atingem mais do que aquilo que parece.

Tenho de destacar uma parte que, simplesmente, adorei. A das cerejeiras. Eu já conhecia o simbolismo e significado que elas têm para os japoneses, mas tu utilizaste isso mesmo para criar algo muito superior. Adorei a analogia com a sua própria história, é algo que não consigo explicar. A sério, Sol-chan, se conseguisse reproduzir por palavras o que senti ao ler essa sua fala... Mas creio que, pelo menos agora, não consigo fazê-lo melhor.

Ao mesmo tempo, acabei por sentir uma espécie de tristeza pela própria Suzu. Parece-me que ela vai marcar profundamente o Ryuuzaki... E compreendo, de certa forma, porquê.

Os pormenores desta história são fabulosos, desde a comparação dos sinos à sua voz (esse elemento sempre tão presente) até às descrições dos ambientes envolventes... É das melhores histórias, sinceramente, que tenho tido a oportunidade de ler Embaracoso

Muitos parabéns mais uma vez e desculpa o comentário algo desordenado e confuso :Embaracoso':
#16
Mais uma vez adorei!!! Surprised.o:

Primeiro, nota-se perfeitamente o receio do Ryuuzaki em aceitar a nova companhia, a Suzu. Ele está de tal modo habituado à solidão que o assusta o facto de alguém se aproximar dele, alterando a sua rotina. Ao mesmo tempo sente-se a afeição que ele começa, embora receoso, a nutrir pela Suzu, e isso é tão lindo... Ela também se sente mais segura ao pé dele e isso é bem visivel.

Porém, ao longo do capitulo, percebemos que Ryuuzaki vai abrindo, aos poucos o seu coração... Gostei muito da parte em que referes as cerejeiras comparadas a uma vida passageira...muito giro...

Enfim, adorei mais uma vez tudo... mas mesmo tudo... os pormenores, a caracterização do carácter das personagens, que vai ficando cada vez mais definido, a descrição, TUDO!!

Fico impacientemente a espera de mais!! :dança:
Tenho andado bastante ausente... e vou continuar infelizmente Durante a semana torna-se muito complicado... por isso venho cá sobretudo ao fim-de-semana Vou ter saudades

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