Sailor Moon Portugal, A Navegante da Lua

O Renascimento de Light - a verdade de Árgon

#1
Índice


Capitulo 1 - A múmia perdida página 1
Capítulo 2 - Kiera página 2





Capítulo 1

A múmia perdida




Era o ano de 500 a.C., e num dos planetas do Reino de Sol, na Terra, nasceu um amor mais forte do que a própria morte, e a partir desse momento tudo mudou.

A noite estava fria e sombria, nada se conseguia ver para além das areias do grandioso Saara.
Thumaskal e Anck-su-namoon, filhos do sol e filhos da terra, escapavam-se á crueldade e à fúria de um homem que os queria a todo o custo. Estes dois pobres seres, amavam-se mais do que tudo, mas os seus mundos diferentes dividiam os seus destinos.


Anck-su-namoon era uma bela mulher de cabelos negros que nem a noite e os seus olhos tal e qual como estrelas brilhavam no seu rosto pálido e delicado que transparecia a felicidade que sentia por estar junto do seu amado. Esta linda rapariga que aparentava uns 20 anos de idade era princesa de um dos reinos mais sublimes da Terra, o Egipto. Anck-su-namoon temia mais do que tudo casar com Satrasdic, um príncipe de um reino longínquo do norte, que tinha abandonado, só para amá-la. Porém, ela era apaixonada por Thumaskal, um pobre escravo que servia seu pai, o Faraó.
Ele era alto, robusto e tinha a pele queimada pelo sol de Rá. Os seus cabelos castanhos-claros contradiziam com os seus belos olhos verdes que ao olharem para Anck-su-namoon se enchiam de brilho.


Quando o frio da noite começou a aumentar e os seus corpos a gelar, quando a lua se escondeu por detrás de uma nuvem negra, Satrasdic apareceu com os seus capangas e estes agarraram Thumaskal, e Satrasdic, a pobre mulher.

-Larga-me Satrasdic. Thumaskal! – Gritou a linda princesa enquanto se tentava soltar do homem rude que a detinha.

-Vez Thumaskal, agora vais pagar por me ter roubado esta pérola do Saara. – Disse Satrasdic com os olhos vermelhos de raiva por estar a olhar para aquele que lhe roubava a sua suposta mulher.

-Anck-su-namoon não é tua nem de ninguém. Tu, nunca poderás prender o que nasceu livre.

-Vais pagar pela tua insolência escravo!

-NÃO! – Gritou a pobre princesa, que neste instante se tinha conseguido soltar, e foi a correr para os braços daquele que era dono do seu coração impedindo que um dos capangas de Satrasdic o mata-se.

Os seus belos olhos misericordiosos, olharam uma última vez para Thumaskal e este disse-lhe:

-Toma. Guarda-o junto do teu coração, pois sei que esta noite os nossos destinos se separaram mas um dia mais tarde se voltaram a unir, pois isto não é o fim mas sim o princípio para a nossa felicidade.

Neste momento um dos capangas do noivo da princesa trespassou o coração do pobre escravo pelas costas, e as vestes brancas de Anck-su-namoon ficaram cheias de sangue que depois foram lavadas pelas lágrimas que caíram pelo seu rosto entristecido que naquele momento transparecia a falta de algo, ou melhor dizendo, de alguém.

Destruída por dentro, Anck-su-namoon foi obrigada a casar com Satrasdic 3 dias depois, e oito meses mais tarde deu á luz um filho. Esta pobre criança tinha os olhos iguais aos de Thumaskal e então a bela mãe de olhos imóveis pela tristeza que a acompanhava, deu-lhe, sem hesitar, o nome do único homem que ela amara de verdade.

Ao ver o sucedido, o cruel assassino daquele eterno amor, deu ordens aos seus homens para que deportassem o corpo do escravo para a floresta mais remota de toda a África, tendo assim esperanças de acabar com tal paixão, mas, ao longo dessa viagem o corpo desapareceu, enquanto os guardas que o escoltavam dormiam um sono profundo.

Desde pequeno sempre ouvi esta história, pela boca do homem que me criou desde bebe, desde aquele momento em que alguém me deixou à porta desse bondoso homem chamado Martino. Agora ele era um velho professor reformado de Universidade, que tinha dado aulas de História Antiga.
Ele era alto e forte, tinha os cabelos grisalhos e os seus olhos eram verdes que nem esmeraldas. Este homem, ao qual chamava Pai, tinha 57 anos e era um senhor muito culto e bem formado, que por ironia do destino nunca se tinha casado. Agora, acompanhava-me nas minhas aventuras características de um rapaz de 25 anos, que tinha o sonho de encontrar Thumaskal, o escravo que por amar de mais foi morto.


Todos me chamam de louco, pois muitos aventureiros tinham tentado, mas nunca mais haviam regressado. Mesmo assim consegui arrastar para a minha “loucura” o meu pai e os meus dois melhores amigos, o Néon e a Mikaella.

Estávamos agora perante a floresta mais negra de todo o universo. Black King era o seu nome e tinha esperança de lá encontrar Thumaskal. Esta floresta era tão negra e tão sem vida que as árvores tinham as folhas pretas e o sol não conseguia mostrar o resplendor de Verão. Aquele lugar era aterrador e gélido e uma neblina cegante era transportada por uma brisa assustadora que trazia consigo, de igual modo, um cheiro a sangue que pairava por entre monstros sem cabeça e por entre aberrações medonhas.

Já vínhamos a caminhar á dias e o cansaço apertava cada vez mais e nós, envolvidos naquele bailado de terror, pedíamos a um ser superior que nos ajudasse a chegar ao nosso destino juntos. No meio de tanta tristeza e angústia Néon solta um grito:

-Árgon! Nós estamos aqui enfiados à 3 semanas! Só vemos aberrações! Acabou-se a comida! E nem sinais dessa múmia…Árgon não há nada aqui. – Disse-me Néon fazendo birra como um rapazinho de 5 anos.

Néon era o mais novo, tinha 19 anos, apesar de ter uma mentalidade de 14. Tinha os cabelos loiros que nem raios de Sol, os seus olhos eram verdes esmeralda que faziam lembrar a erva rasteira dos campos acabada de ser regada pelas chuvas de Março. Ele era muito teimoso, preguiçoso e tinha mais defeitos do que qualidades, mas não deixava de ser o meu melhor amigo.

Ele era irmão de Mikaella, uma rapariga de 25 anos que era bem mais madura que Néon. Ela tinha os cabelos negros e os seus olhos brilhavam que nem estrelas numa noite de Lua Nova. Eu cresci com eles, pois viviam no mesmo prédio que eu. Eram como irmãos para mim, e por isso consegui que eles me acompanhassem nesta minha grande aventura que, mal sabia eu, nos iria mudar a nossa vida para sempre.

-Não sejas chato Néon! Eu sinto que estamos perto…. – Disse-lhe repreendendo-o e com a voz cheia de esperança.

-Pois, pois Árgon. Disseste isso na semana passada! – Exclamou de uma maneira trocista.

-Parem de discutir! Já chega! Árgon temos de parar o teu pai já não é jovem. Ele precisa de descansar, ele já não come há dois dias. – Reprovou-nos Mikaella.

-Esta bem. Néon anda! Vamos procurar comida.

-Porque é que tenho de ser eu? – Disse ele furioso.

-Não reclames. Mikaella, achas que podes esperar naquela clareira ali além, e ir montando as tendas por favor!

Mikaella anuiu, e eu e o Néon desaparecemos, na neblina deixando o meu velho pai e a Mikaella sós.

Passado pouco tempo, regressamos com algumas frutas e com um pequeno veado que se deveria ter perdido por ali.

Quando entrei na clareira deparei-me com um grande templo de pedra coberto por eras negras que davam uma espécie de flor cor de sangue. O ambiente ali era pesado, era a parte mais negra por onde tínhamos passado, mas éramos obrigados a lá passar a noite pois naquele instante a pouca claridade que existia tinha desaparecido. Caíra a noite.

Depois de jantar-mos, entramos nas tendas um pouco apavorados. A noite naquela floresta era aterradora, era diferente de todas as outras, pois sombras pairavam entre as árvores e envolviam-nos tentando nos prenderem ao mesmo mundo a que eles pertenciam, ao mundo das trevas.

Eu, Néon e o meu pai, ficamos na tenda maior, enquanto Mikaella repousava na tenda mesmo ao lado.

Por volta das quatro da madrugada, uma luz ofuscante acordou-me do meu profundo sono.

- Néon…está alguma coisa lá fora. Néon! Acorda! - Sussurrei.

-Cala-te Árgon deixa-me DORMIR! – Disse ele virando-me costas.

- Bem tenho de ir lá sozinho – disse entre dentes, tentando não estragar o sono de beleza á “madame” Néon.

Abri cuidadosamente o fecho da tenda e, então deparo-me com Mikaella como que hipnotizada e com o medalhão que lhe caia pelo longo decote a brilhar, mais intensamente que o sol. Este medalhão era idêntico a uma meia-lua, via-se que era a metade de algo maior, talvez encaixa-se noutro medalhão? Ele era dourado, e na parte direita tinha escrito runas antigas.

-Mikaella? – Perguntei eu confuso.

-Thumaskal… - disse ela com uma voz quase apagada, mas ao mesmo tempo meiga.

Eu, sem perceber o que se estava a passar, começo a correr em direcção a Mikaella, mas nesse instante surge, por detrás das eras do templo, uma figura medonha.
Este mostro, era idêntico a um corpo humano apodrecido. Os seus olhos, eram vermelhos que nem os dos vampiros que costumava ver na TV quando tinha 15 anos. A sua pele apesar de apodrecida tinha vários cortes e, na barriga e peito, podia-se ver as costelas, pois nestes locais já não existia nada para as tapar.


-Quem és tu? – Perguntei eu, àquele mostro metade humano.

-Anck-su-namoon…não sabes quanto tempo esperei por ti… - disse ele fintando Mikaella.

-Thumaskal?! – Questionei espantado, como é que uma múmia poderia viver? E porque é que ele chamava Anck-su-namoon á minha melhor amiga? Estas perguntas invadiam o meu pensamento, mas não conseguia encontrar respostas para nenhuma delas.

De repente sem eu esperar, Thumaskal olha-me com ódio e lança um grito, de qual palavras não consegui entender. Do nada, surge uma força vinda de um medalhão idêntico ao de Mikaella mas pertencente á outra parte.

Esse poder, choca contra mim, e transporta-me para junto de uma árvore, que, como por encantamento, engole-me como um urso esfomeado. A última coisa que vi foi o nascer do sol.
#2
Question Esta é a minha primeira publicação, e tou com dúvidas se ei-de publicar mais
#3
Ola meu amor, minha pudinzinho!Minha Cara de Lua! É hoje o jantar de turma muahahah Twisted Evil

A tua historia está fantastica miga! Parabens!
Vais ver que vais receber várias visitas e vao ajudar-te a construir a historia com os comentários! Há aqui muitas pessoas que sabem o que comentar e vão ajudar-te!

Quando poderes, vai a fanfictions e entra no topico onde diz "O Sacrificio que fez um Novo Amor Nascer"
Beijinhos

P.S. -Tem atenção! Tu precisas de criar um indice e nao deixaste espaço para isso! Quando fores a postar um novo capitulo, faz primeiro um topico para o indice e fazes o segundo tópico para o capitulo ok?
#4
gostei Smile

uma pergunta : a fic esta na primeira pessoa?

como a haruka disse falta te o indicie e podia ter colocado um pequeno prólogo ou uma introdução para explicar do se tratava a história.
Podias também colocar a letra um pouqito maior, please?

O titulo da fic despertou-me o interesse e vou esperar para ver como desenrolas a história. Gostei também das descrições sobre como se sentiam na floresta Very Happy

espero o segundo capitulo !

Kissus
deliciousbbe.tumblr.com
#5
Bem sweet princess, eu já escrevi até ao 4 capítulo e esta minha "fic" bem, foi baseada num sonho que não tinha nada a haver.
Estou a ver se quando a acabar o meu livro (é assim que lhe chamo), gostaria de o publicar era um sonho. por isso aquele receio do plágio.
Coluquei este primeiro capítulo para ver as reações e as opiniões, por isso não liguei muito ao índice e o prólogo ainda não o escrevi.

Esta história é escrita na 1º pessoa e eu "encarno" no Árgon um rapaz de 25 anos muito aventureiro mas que ao longo do tempo vai descobrindo que não quem realmente pensa.

Acho que vou por o 2º capítulo para leres é dedicado à minha primeira amiga cá do forum Very Happy
#6
huum.. parece interessante ! Shocked
tu vais ser ele.. uah Surprised
muito interessante Cool

mas pensa em colocar uma introdução e nao te esqeças do indicie Smile

vou seguir a fic e espero que não pares ! Wink
deliciousbbe.tumblr.com
#7
Um pergunta: como é que acrescento capítulos?

Desculpem os off topics (axo que é isso)

olha se quiseres ler mais rapidamente, porque por aqui vai demorar muito tempo posso-te dar o meu mail e tu adicianas-me depois passo-te o que axas?
#8
Capítulo 2
Kiera






- Acorda! – Chamou uma voz meiga e suave – acorda!

-Ai! – Gemi cheio de dores na cabeça.

Ao abrir os olhos, deparo-me com uma rapariga de longos cabelos castanhos-claros que me enche o olhar. Ela aparentava uns 23 anos, os seus olhos eram castanhos esverdeados, os seus lábios eram carnudos e pareciam ser feitos de mel, e as suas feições, meigas e doces tais como a sua voz, faziam-me lembrar de alguém.

-Ainda bem que acordaste pensava que estavas morto. – Disse ela.

Nesse instante a cor dos seus olhos muda repentinamente para um tom de lilás que depois desaparece e, aí, sinto um arrepio, mas ao mesmo tempo um calor no meu coração.

-Quem és tu? – Perguntei um pouco assustado, tudo aquilo que estava a sentir não era normal.

-Sou a Kiera. – Respondeu-me docemente – e tu?

-Sou o Árgon. – Disse um pouco tonto enquanto me levantava

- AI!

-Cuidado! O tecto é baixo, tens de gatinhar. – Disse Kiera rindo.

-Onde é que nós estamos?

-No Túnel dos Suplícios.

-Quem? – Disse esfregando na cabeça.

-Não é quem é o quê. Estamos no túnel dos suplícios, construído á muito tempo, pelo Black King, Thumaskal.

Nesse momento olhei em meu redor, realmente era um túnel bastante estreito e baixo, cheio de teias de aranha, onde as suas moradoras esperavam ansiosamente e sedentamente, algum insecto que se tivessem perdido no meio da escuridão. A única luz existente era a da tocha de Kiera que se estava quase a apagar.

-Anda! Não podemos estar muito tempo aqui.

Aquela linda rapariga conduziu-me pelo túnel sempre á frente e a perguntar-me se me sentia bem, pois eu passava todo o tempo a gemer e dizer Ai. Odiava lugares fechados e escuros e por momentos sentia-me envergonhado ao ver que Kiera gatinhava com a tocha segura pelos seus brancos dentes, sem quaisquer preocupações e muito descontraidamente.

De súbito, chegamos a uma grande sala revestia por espelhos, nas paredes e no tecto. Ao olhar-mos em nosso redor, víamos os nossos reflexos em todas as direcções. No centro, existia uma pequena mesa de pedra branca que sustinha uma pequena taça que, como por magia, era constantemente regada por uma pequena cascata que corria desde o tecto até ela.

-Aqui é a Sala das Mágoas. – Explicou-me Kiera.

Eu continuei a olhar fascinado para tudo aquilo e então ela continua a sua explicação.

- Todos estes espelhos escondem uma parte de Blackout, mas…

-O que é Blackout? – Questionei interrompendo-a.

-Oh! Nunca ouviste falar na Senhora das Trevas?

-Não. – Respondi abanando a cabeça em forma de negação.

-Bem… Blackout é… - ela parecia assustada e ao mesmo tempo confusa com a sua explicação - …é uma força obscura que se apodera de alguns seres que sofreram alguma espécie de tormenta ou mágoa, como é o caso de Thumaskal.

Eu fintei-a espantado. Nunca pensei que ela soubesse tanto á cerca de Thumaskal, sempre pensara que esta lenda era uma daquelas lendas remotas que só meia dúzia de pessoas conhecia muito mal.

-Como é que sabes tantas coisas? – Perguntei fintando-a.

-Bem Árgon…sinceramente, não sei. – A sua voz meiga estava agora assombrada por tristeza e os seus olhos, agora fixos nos meus, estavam entristecidos e mais uma vez vi aquele reflexo lilás.

-Kiera, de onde é que tu vens? – Perguntei calmamente para tentar não perecer demasiado curioso.

-Não sei… - o seu olhar ficou apagado e lágrimas começaram a cair pelo seu delicado rosto moreno.

-Como não sabes? – Interroguei um pouco com brusquidão.

-Eu não me lembro, tudo o que eu preciso de saber neste momento… - disse num sussurro – está na minha mente, e digo quase por instinto. – A sua voz faltava-lhe e comecei a ficar cada vez mais atordoado pois nada fazia sentido na minha mente.

-De que é que te lembras? – Perguntei agora mais docemente.

Ela começou a andar olhando para a coluna de água no meio da sala, eu acompanhei-a passando pela sua frente. Ela parou fixando os seus olhos doces na cascata e eu fiz o mesmo.

-Eu só me lembro de te encontrar estendido no chão. E de ter a sensação de que te já conhecia á muito tempo.

Eu fiquei pasmado. Como é que alguém não se conseguia lembrar de nada da sua vida, só de um passado muito presente que nem se quer tinha ocorrido em uma hora? E porque é que nós os dois sentimos o mesmo? Naquele momento achei melhor mudar de assunto, para não a confundir mais, nem a mim nem a ela.

-Então… - disse. Ela olhou para mim e eu continuei – ah... o que é esta coisa?

-Estás-te a referir ao espelho da verdade? – Perguntou ela apontando para a pequena queda de água transparente.

-Sim. Acho eu.

Ela fez um esgar.

-Esta coisa, como tu lhe chamas, é na verdade um espelho, que te diz realmente o que sentes ou o que és. – Explicou, agora com segurança na sua voz.

-Ah! – Exclamei enquanto correi. Será que ela estava a ver o que eu estava a sentir naquele momento? – Eu não sinto nada de mais. – Disse entre dentes.

-Estás a corar? – Perguntou-me Kiera, aí ainda fiquei mais vermelho sentia-me um completo tomate.

-Pois mais ou menos, ah… -disse gaguejando.

-O que estás a sentir?

-Bem… ah… - o que é que eu estou a sentir? Boa pergunta. Nunca ficara assim envergonhado na presença de ninguém. – Recompõe-te Árgon! – Ordenei a mim mesmo.

-Não fiques assim, eu também me sinto um pouco envergonhada por estar contigo, apesar de não te conhecer. É um pouco estranho. – Reconheceu, olhando-me fixamente nos olhos.

Nesse instante, um raio de Luz percorreu o Espelho da Verdade, como Kiera lhe chamava, e subitamente vi-a com um lindo vestido branco com bordados lilás e cor-de-rosa por de baixo do seu peito e ao longo do seu decote. Pendurado pelo seu pescoço tinha uma estrela de cristal que brilhou intensamente tornando os seus olhos castanhos esverdeados, naquele lilás que já tinha visto por duas vezes.

Sem perceber porquê ela coloca-se a meu lado e aí reparo que tudo aquilo que tinha visto era na verdade uma miragem, pois ela tinha vestido uma saia em tons de rosa claro com pregas que lhe ficava por cima dos joelhos e uma blusa branca com as alças caídas pelos seus ombros que lhe ficava justa ao seu corpo.

-Eu não acredito no que vi! – Exclamou, olhando-me dos pés à cabeça.

-O que foi?

-Tu estavas diferente de um momento para o outro. Os teus olhos tornaram-se de um azul intenso, tinhas uma chama desenhada na testa e o teu cabelo, bem… não estava muito diferente, continuava com essa forma espetada. – Os seus olhos olhavam-me com espanto. Ela vira-me diferente tal como eu a vira a ela. Cada vez esta situação estava mais estranha.

-E as minhas roupas eram diferentes? – Questionei curioso.

-Não reparei, estavas vestido de forma diferente, não tinhas essa camisola azul, nem as calças de ganga mas só vi muito de relance. Viste alguma coisa de diferente em mim?

Não sabia o que lhe responder, tinha medo de a confundir, mas para dizer a verdade quem estava confundido naquele momento era eu. Quando a vi através do espelho o meu coração começou a bater com mais rapidez do que o habitual. Será que estava a ficar maluco?

-Não vi nada de especial, só te vi com um vestido branco, com um colar e com os olhos em tom de lilás. – Respondi com indiferença.

-Ah! E o meu colar era igual ao que eu tenho? - Interrogou mostrando-me o seu pendente em forma de ágata.

-Oh! Kiera não foste tu que disseste que não podíamos estar aqui muito tempo? – Disse tentando fugir ao assunto, não queria pensar mais no que tinha visto.

-A tocha! – Gritou – Ainda temos de percorrer o túnel até á saída passando por mais duas salas, e ela apagou-se!

#9
(continuação 2º capítulo)





-Tem calma.

-Pois Árgon até tinha, se tivesse-mos luz. – Retorquiu ela.
-Kiera confia eu mim, nós vamos encontrar a saída mesmo sem a tocha é só preciso andar em frente, passar por essas tais duas salas esquisitas e estamos na saída não é? – Interroguei, tentando por uma voz calma e serena para que ela fica-se mais descontraída.

-Sim. – Confirmou-me com um sorriso mais alegre.

-Então vamos!

Caminhamos até à outra pequena abertura paralela àquela por onde tínhamos entrado. Antes de entrarmos, agachámo-nos, parecendo dois bebes a gatinhar ao encontro da chucha, mas no nosso caso era mais em busca de uma saída.

Andamos às cegas. Mas desta vez fui eu à frente, para que Kiera se sentisse mais segura e confiante, mas na verdade eu não estava certo se merecia tal confiança.

Passados uns bons 10 minutos estávamos novamente noutra sala, completamente diferente da anterior.

Esta era revestida a lindas eras que davam uma delicada flor rosa claro, que tinham forma de um coração partido em duas metades. No centro da sala, existia uma grande tocha trabalhada a ouro que estava envolvida pelas mesmas eras que se encontravam nas paredes e também no tecto pois, com o tempo, estas foram crescendo e tornando-se cada vez mais densas e abundantes. Esta tocha que parecia um grande cálice possuía no seu topo uma triste chama que bailava com a pequena brisa que se sentia no ar.

-Esta é a sala dos Amores Perdidos. – Disse Kiera fixando os olhos na fascinante chama com todos os tons do arco-íris.

-Amores Perdidos?

-Sim Árgon, Amores Perdidos. Quando Thumaskal perdeu o seu grande amor, ele sabia que um dia se iam encontrar novamente e que iriam poder viver felizes por toda a eternidade. Então, antes de ele se encontrar com a linda princesa, ele pediu ao Feiticeiro da Luz que lhe retira-se a sua chama da paixão, pois Thumaskal sabia que seria atacado por um dos servos da Senhora das Trevas e que depois da sua morte seria igualmente cegado por ela.

Ela estava novamente a falar da estranha Blackout e eu não percebia o como e o porquê de ela existir, mas eu sentia como se tudo aquilo que ela me contara pela primeira vez, eu já tivesse ouvido antes.

Definitivamente estava a ficar maluco, devia ter sido de bater com a cabeça, tudo aquilo me parecia tão familiar, cada história, cada sentimento será que estava a sonhar?

-Porque é que Blackout existe Kiera?

-Pois…ela é uma inimiga da Rainha da Luz, da Deusa do sistema Light.

-Podes-me contar a história? – Interroguei esquecendo-me que Mikaella se encontrava em perigo.

-Está bem. – Então ela começou a narrar a lenda que nunca ouvira antes fixando o olhar nos meus meros olhos verdes – Antes da vida existir o Universo era uma espécie de sombra, onde só existia um pequeno ponto de Luz. O Universo nessa altura era governado por Blackout, e por isso nada podia existir, pois ela só trazia consigo o caos e a morte. Mas um dia esse ponto luminoso que existia no infinito cresceu e dividiu-se em dois seres praticamente idênticos mas um com mais poder que outro. Ambos eram mulheres, e aí nasceu a primeira fonte de vida. A mais fraca era Rain, uma deusa que possuía dentro de si o poder de criar e renascer.
A mais poderosa, Arin era a rainha de Light, tinha o poder de também, como a sua irmã criar vida, mas ela possuía uma Luz tão forte que expulsou a Rainha das Trevas e selou-a num espaço posterior ao nosso. As duas uniram o seu poder e povoaram o Universo de vida e esperança, criando um sistema que seria o centro de tudo, o Sistema Light. O Universo prosperou, mas passados alguns séculos, Blackout ergueu-se de novo e apoderou-se de alguns seres humanos mais fracos. Misteriosamente, Arin adoeceu e Rain foi até a um ponto em que a Luz da sua irmã já tinha quase se extinguido e onde Blackout estava a chegar. Ela tinha esperança de lá encontrar os 9 guardiões que como elas, tinham nascido de pontos de Luz e de raios de Esperança. Eles eram os únicos que poderiam salvar a rainha de Light, mas passados cem anos de busca, Arin desapareceu e Rain era a única que podia salvar todo o sistema.
Ela sabia que o centro do universo só se podia manter enquanto a sua irmã fosse viva, então ela criou o seu próprio sistema e deportou para lá os sobreviventes de Light. A esse sistema chamou de Sistema Solar onde o Sol seria o seu planeta mãe.
Rain ficou esgotada, mas antes de morrer e se tornar uma mera estrela cadente, ela deu ao seu único filho o controlo do novo lar e dividiu os seus descendentes – seres do sol – dos descendentes de Arin – seres de Light. – Kiera parou um pouco olhando para a chama da Paixão de Thumaskal – É tudo o que sei, o resto parece estar apagado da minha mente. – Confessou num suspiro.

-Uau! Nunca tinha ouvido nenhuma lenda tão…ah…interessante. – Disse franzindo a testa, não sabia como expressar os meus sentimentos e o meu espanto.

-Pois… - disse com um pouco de tristeza na voz.

-A sério Kiera, eu nunca ouvi nada tão maravilhoso na minha vida, eu sempre adorei lendas, tudo o que estivesse relacionado com magia e com o aparecimento do mundo. Eu sempre quis saber de onde realmente provimos, quem foi o nosso criador. – Disse-lhe quando olhava nos seus olhos e lhe erguia a cabeça segurando-lhe no queixo com a minha mão.

-Não é isso…é só que…esquece. Temos de ir. – Kiera parecia triste, e nesse momento senti que só queria ficar ali com ela e que mais nada interessava. Mas o que é isto? Conheço-a há menos de uma hora e já estou preocupado. Porque é que eu estou a sentir-me assim, nunca me senti tão protector perante alguém.

-Sabes, eu ainda não te contei porque é que estou aqui. – Comecei a contar-lhe o que se sucedera, o meu sonho e a minha obsessão de encontrar Thumaskal – E é assim, agora a Mikaella está prisioneira daquele mostro, nem sei o que é que ele lhe fez. Ela é como uma irmã para mim, preciso da tua ajuda para sair daqui e para salvá-la. Tu…tu conheces Thumaskal melhor que ninguém, tu sabes coisas sobre ele que eu nem sonhava que existiam, por favor eu te suplico, se alguma coisa lhe acontecer nem sei. – Implorei. Nós estávamos sentados nas eras, e ela olhava-me com uns olhos tão ternos com que nunca me tinha olhado.

-Árgon tem calma, se calhar o Néon e o teu pai estão a ajudá-la eles não estavam lá?

-Sim, mas… - Hesitei

-Então vamos ajudá-los! – Ordenou ela dando um pequeno salto ao se levantar.

Novamente passamos pelo túnel estreito e escuro, e passado pouco tempo Kiera puxa-me as calças.

-Árgon. – Chamou

-O que foi? – Interroguei olhando para a escuridão.

-Tem cuidado, a última sala chama-se Sala do Nunca Mais e… - ela fez uma pausa respirando fundo – …e lá tem uma ponte de madeira muito velha e apodrecida. Debaixo dessa ponte há um fosso, onde sombras de pessoas que morreram cheias de mágoa causada por Blackout estão presas eternamente. Não caias nesse fosso, e não escutes o que elas dizem.

-E o que é?

-Elas suplicam para que as ajudes, e as salves, mas só quando… - a voz dela faltou no meio da escuridão.

-O que se passa? – Perguntei com preocupação.

-Eu não me consigo lembrar. Mas por favor tem cuidado.

Eu ri-me.

-Tens medo que eu morra? – Questionei achando graça á sua preocupação.

-Bem…claro, se tu morreres a Mikaella pode não ser salva e se não ficares vivo, eu não conheço mais ninguém e eu tenho medo de ficar sozinha. – Respondeu-me uma voz no meio da escuridão.

-Não te preocupes, eu nunca te abandonarei, agora tens um lugar no meu coração.

Não sabia porque tinha dito aquilo, mas que tinha sido prenunciado com o coração, tinha.

-Obrigada. – Disse Kiera com a voz cheia de felicidade.
Apesar de não lhe podia ver o rosto, sabia que se o conseguisse ver tinha a certeza que ela estava com uns olhos doces que nem o mel.

Avancei uns 5 metros, e lá estava ela, a Sala das Mágoas.

Como Kiera tinha dito, esta sala tinha uma grande ponte, que a atravessava de um lado ao outro. As suas cordas entrelaçavam-se formando uma grande trança, que prendiam umas pequenas tábuas de madeira já um pouco apodrecidas e algumas até já tinham fendas onde cabia lá um pé. Definitivamente era uma travessia perigosa e muito turbulenta, mas o que mais me assustava era o fosso que Kiera me tinha descrito. Era idêntico a um poço mas cheio de água negra que nem carvão onde, braços e corpos pretos boiavam.

Eu avancei engolindo a seco, e fiz um gesto para que Kiera espera-se até eu atravessar a ponte para que esta não tivesse peso a mais.

Mal eu pus a mão direita numa ripinha de madeira, sombras ergueram-se tentando me agarrar.

-Salva-me! – Gemia uma voz misericordiosa.

-Porque não vens juntar-te ao nosso mundo? – Sussurrou outra de forma tentadora.

-Não lhes ligues Árgon. – Suplicou Kiera. Nesse instante olhei para ela, e os seus olhos voltaram a ter aquele lilás e um arrepio trespassou as minhas costas.

-Eu fico bem. – Assegurei-lhe.

Então continuei, gatinhando. Estava sempre receoso que a ponte cede-se ou que uma das tábuas se partisse mesmo debaixo de mim, e foi isso que aconteceu, quando estava quase a chegar à outra entrada, uma das ripas caí, mas felizmente, não me fez grande diferença.

-Anda! Agora tem tu cuidado. – Preveni Kiera quando já estava em segurança.

Ela anuiu, e ergue-se caminhando pela ponte como uma elegante bailarina. Em menos de dois minutos já estava comigo e eu fiquei pasmado com tal proeza, pois eu tinha demorado no mínimo cinco minutos a fazer todo o percurso.

-Uau! Como é que foste tão rápida? – Interroguei novamente espantado. Tudo o que ela fazia deixava-me sem palavras.

-Bem, simplesmente esqueci-me de onde estava e não ouvi as sombras. – Disse-me com um sorriso no rosto – Olha! Ali está a entrada para o palácio de Thumaskal, vamos!

Agora já podíamos caminhar normalmente o que era um alívio para mim. Eu fui á frente, mas foi Kiera quem abriu o alçapão que dava para uma grande sala, onde, supostamente se encontrava Thumaskal com Mikaella.

Assim que o alçapão se abriu, dois pares de olhos brilhantes ergueram-se. Nem estava em mim com aquilo que via. Era uma sala

com as paredes revestidas a ouro preenchidas com pinturas e hieróglifos egípcios, mas numa só parede estavam gravadas grandes runas antigas, parecidas com as que existiam no medalhão de Mikaella.

No centro da sala estava o terrível mostro e, presa a um pilar de pedra encontrava-se Mikaella, que estava desmaiada. Thumaskal fintava-a com um olhar apaixonado, como se tivesse esperado por aquele momento há séculos.

Eu não aguentava mais ver assim Mikaella e então decidi ir ajudá-la, e num impulso subi o alçapão e corri para perto da minha melhor amiga.

Thumaskal ao se aperceber do sucedido volta a dizer umas palavras desconhecidas e aquela grande energia volta a atacar-me. Fui projectado para longe do mostro e fui embater na parede onde estavam gravadas as runas misteriosas.

Foi tudo tão rápido que nem me apercebi que Kiera tinha saído do alçapão depois de mim. Esta encontrava-se de pé. Com os seus delicados pés descalços a sentirem o frio do ouro de que era revestido o chão.

-Kiera o que estás a fazer? – Interroguei preocupado – Sai daqui!

Ela não me deu resposta continuava fixada em Thumaskal, e este fixo nela. Aos poucos os olhos de Thumaskal começaram a tornar-se menos vermelhos de ódio, e Kiera dizia-lhe:

-Lembra-te de quem és, descendente de Arin. Lembra-te de quem serviste há muitos milénios.

Aproveitei a distracção para ir, muito silenciosamente, ter com Mikaella e desatei-a ao pilar. Desorientado cruzo o olhar com a figura imóvel de Kiera, e aí vejo, mais uma vez, aquele lilás que invadia os seus olhos. O seu olhar estava sereno e então, nesse instante uma grande luz envolve Kiera e Thumaskal é atacado por ela ficando inconsciente.

Fiquei imóvel ao ver tal coisa mas, depois dos lindos raios de luz desaparecerem Kiera caí de joelhos no chão. Não sabia o que fazer, tinha duas mulheres completamente adormecidas, sem contar com o mostro.

Para meu grande alívio, o clarão emitido por Kiera tinha chamado à atenção de Néon e do meu Pai, e eles tinham acabado de chegar.

-O que é que se passou aqui? – Questionou Néon assustado.

-Ajuda-me com a Mikaella por favor. – Pedi.
Mal Néon segurou a sua irmã foi a correr até Kiera.

-Kiera estás bem? – Perguntei com a voz a transparecer aflição, não obtendo resposta.

-De onde veio aquela luz, filho?

-Depois explico-te, agora temos de ir. Ele vai acordar a qualquer momento. – Disse olhando para Thumaskal. Quatro olhos curiosos seguiram os meus e ao verem aquela múmia quase se tornaram imóveis.

-O que é aquela coisa!? – Interrogou Néon com pavor estampado no rosto.

-Eu já disse que depois explico. Vamos! – Ordenei pegando Kiera ao colo, enquanto Néon fazia o mesmo com a irmã.
Andamos o mais rápido possível, parámos só um pouco para reavermos algumas coisas básicas do acampamento. Posemos tudo numa mochila e Martino levou-a.

Por volta das nove da noite chegamos exaustos a uma pequena aldeia que se situava a uns 2 km do palácio de Thumaskal, – tivemos sorte, por nas primeiras semanas andar-mos às voltas e por isso não nos afastamos muito - eu e Néon já não aguentávamos mais, estávamos exaustos.

Os meus dois companheiros ficaram chocados enquanto, ao longo do caminho, lhes contava a minha aventura e tudo o que Kiera me tinha dito. Elas estiveram a tarde toda inconscientes e quando chegamos à pequena localidade, para nosso grande alívio, encontrava-se lá um médico a dar vacinas às crianças e este, levou-nos a alta velocidade para o hospital de Luanda que ficava a 10 km daquele local.



Chegamos por volta da meia-noite, e pelo caminho tive de inventar uma boa história para que o médico angolano acredita-se.

-É como lhe digo, nós somos exploradores e á 3 semanas que estávamos a tentar encontrar um artefacto histórico naquela floresta, mas como já estamos a ficar desidratados, elas começaram a ficar fracas. – Menti, tentando ser o mais convincente possível.

-Aquela floresta é proibida, ninguém lá entra. – Repreendeu-nos – Ai estes brancos são doidos. – Disse ele por entre dentes.





#10
eu adorei essa parte dos brancos sao doidos Matreiro


Então minha pequenita? onde está o resto? vais parar de postar?
Olha q se o fizeres, no primeiro dia de aulas estas arranjada comigo!
#11
Sim amor vou deixar de postar ninguém lé para quê postar mais? não vale apena amor...olha adiciona o mail: [email protected]
eu tou on com este Matreiro amo-te minha pequerruxa

adoro-te miga Esperancoso Incredulo
#12
Então pudinzinho?

Nao postas mais nenhum cap?
Nao desanimes pkausa da votaçao!
Tenta agora quando a escola começar q é quando as pessoas começam a chegar das ferias!

Adrt! Vai ao check-in e vê o que comentei na tua apresentação!
Jokinhas

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