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"O meu sonho é chegar ao mundo" Zé Manel em entrevista

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"O meu sonho é chegar ao mundo" Zé Manel em entrevista 30kys13


Tem apenas 22 anos, mas já uma carreira de muito sucesso. Zé Manel deixou os Fingertips há quase dois anos e prepara-se para lançar um novo projecto no fim do ano. Depois da realização profissional, falta encontrar a mulher da sua vida, parecida com a mãe.

Está a trabalhar num novo projecto…
É verdade. É um projecto que está a exigir muito de mim, criei músicas autobiográficas e tive a liberdade de pela primeira vez não me limitar a ser intérprete. Concebi as músicas ao piano, as letras são minhas, é um trabalho que sou muito eu e como me quero mostrar ao mundo. A música não é o meu trabalho é a minha vida.

Como se vai chamar a nova banda?
Ao fim de oito anos a liderar os Fingertips, o público todo me conhece por Zé Manel, por isso é difícil encontrar um novo nome. Já tenho duas hipóteses, que nem à minha família contei, e com certeza encontrarei o que melhor se identifique com a banda.

Para quando o primeiro disco?
Estamos em gravações e penso que sairá no fim do ano ou início de Janeiro de 2011, mas o primeiro single vai estar cá fora já em Setembro. Será uma decisão tomada com a editora, agora trabalho com o Paulo de Carvalho, da Oficina da Ilusão, que acreditou neste trabalho desde início e deu-me uma visão da indústria da música que eu não imaginava.

Neste novo disco vai haver uma faixa em português…
O disco tem 13 faixas e uma é em português, porque foi um risco que quis correr. É absurda esta guerra do português e do inglês. Sou português, faço música em Portugal, mas canto em inglês porque é a língua universal. A Björk se não tivesse começado a cantar em inglês e continuasse em islandês não tinha chegado ao mundo e eu quero chegar ao mundo. Acredito que quem tem talento canta em qualquer língua.

O seu sonho é chegar ao mundo?
Claro. Portugal é um país que acredita muito pouco em si, mas eu não sou assim. Não tenho um ego do tamanho do mundo, acho que sou normalíssimo, mas acredito bastante no meu trabalho. Digo muitas vezes à minha mãe que antes dos 30 anos vou ser bastante realizado profissionalmente e é para isso que trabalho todos os dias.

Começou nos Fingertips aos 13 anos, deu o nome à banda e recentemente deixou-a. Porquê?
Como em todas as relações, quando nos incompatibilizamos, quanto mais tempo passamos com essas pessoas mais as coisas se deterioram. Achei que chegámos a um ponto em que ambas as partes deviam seguir caminhos diferentes. Obviamente ficam as saudades, fica para trás uma carreira fantástica de que muito me orgulho, fica tudo o que aprendi com aquela equipa e agradeço, mas estava na altura de dar um novo passo.

Não o assusta deixar um projecto vencedor como os Fingertips para uma incógnita?
O projecto foi vencedor enquanto houve harmonia, a partir do momento em que isso desapareceu só estávamos a sabotar os sonhos uns dos outros. Há coisas que valem mais que o dinheiro, como a realização pessoal. Quero que as pessoas conheçam o meu trabalho num todo, eu componho as minhas músicas, escrevo as letras, ou seja há anos que ando a construir um trabalho desconhecido. Quero que olhem para mim com mais credibilidade.

Tem 22 anos, é a altura certa para fazer coisas novas…
Exactamente. Este projecto era um sonho, um passo necessário na minha vida. Sou muito inseguro em algumas coisas, mas no meu trabalho não. Tenho uma óptima voz, componho músicas que chegam às pessoas e estava na altura de mostrar aquilo que consigo fazer. Mas é claro que também é numa facada no meu mercado de trabalho. Por exemplo, as Queimas das Fitas dão muito dinheiro, mas não se encaixam no meu perfil.

Mas há saudades dos Fingertips?
O que há são muitas saudades do palco, saudades da vida de músico, que é o que sou.

É estranho ver outro vocalista, a Joana Gomes, nos Fingertips?
O nome da banda ainda me pertence, além de que o público continua a associar os Fingertips à minha cara. Além de que estou a receber uma indemnização para que aquelas pessoas possam trabalhar com aquele nome, a partir desse momento, dissociei-me totalmente da marca.

Teve curiosidade em ouvir os novos Fingertips?
Claro que ouvi, não sou dessas hipocrisias. É estranho para mim, assim como será para o público, ouvir cantar êxitos meus com outras letras. Se eles acharam uma boa opção continuar com o nome, eu só tenho de respeitar e desejar que o honrem. Não me identifico de todo com os novos Fingertips, até porque para mim aqueles já não são os Fingertips, que tocaram com os Queen e o George Michael e levaram uma série de êxitos a número um. É uma nova fase, um novo grupo, mas acho que correriam menos riscos se começassem do zero, com um novo nome. É inevitável haver uma comparação.

Tem sido dito que o público preferia o Zé Manel…
Não conheço a Joana Gomes e não sei se é melhor ou pior. Já aconteceu ligarem-me de um concerto a dizer: “está ali uma miúda a cantar as tuas músicas, mas não sabe a letra”. O público não sabe que eles tiveram de mudar as letras e fazem julgamentos precipitados. A verdade é que os portugueses são um povo de hábitos, têm tendência para gostar daquilo com que estão familiarizados. Agora o esforço das duas partes é que nos identifiquem como bandas distintas e eu não tenho medo. Aliás, tinha o cabelo comprido desde os 10 anos e a primeira coisa que fiz foi cortar o cabelo para me distanciar do Zé Manel dos Fingertips. O meu valor será o mesmo e não é a falta do cabelo que fará com que as pessoas se esqueçam do meu trabalho.

Gosta mais deste novo visual?
Não foi um abandono fácil, por isso quis que a minha mudança interior se reflectisse cá fora. Se me perguntassem há uns anos se cortava o cabelo diria que ia ser velhinho e ter uma trança branca, depois sempre achei que a minha graça era o cabelo, mas já o cortei há um ano e acho que a minha cara é mais bonita com o cabelo curto.

Escreveu recentemente o livro ‘Inquietude’, pela Prime Books…
Era um projecto que tinha na minha cabeça há muito tempo e que começou de um texto que escrevi com 15 anos. Está a correr muito bem, mas era ridículo eu considerar-me um escritor, apenas me realizei e fez-me feliz. Aliás, o meu sonho é escrever um livro, realizar o filme e fazer a banda sonora e acho que ainda estou a tempo aos 22 anos.

Diz que lhe falta muita coisa para ser feliz…
Muita mesmo. Falta-me realização pessoal e quero fazer muita coisa a nível profissional. Falta-me amadurecer, ser mais sereno, voltar a apaixonar-me pelo ser humano em geral. Passei uma fase em que me desiludi com o mundo do trabalho e com as pessoas da minha idade nas relações pessoais, porque deixaram de existir valores fundamentais. Então fechei-me no meu mundo e, apesar de ser muito sociável, tenho muita dificuldade em fazer amigos.

Desde que terminou a relação com a actriz Margarida Martinho que nunca mais se lhe conheceu outra namorada. Esconde?
Eu comecei a ser conhecido aos 13 anos, tornei-me notícia sem ser pelo meu trabalho e se por um lado me dava gozo chegar ao liceu em Viseu depois de ter sido fotografado ao lado de uma modelo, houve situações muito cruéis. Não tanto no meu namoro com a Margarida, mas eu estive com a Ana Afonso seis meses, ela conhecia os meus pais e ninguém soube nada, mas uma semana depois de terminarmos fomos à praia e a relação tornou-se pública de uma forma ordinária: uma mulher de 29 anos saiu de um reality-show onde se envolveu com um actor pornográfico e agora anda com um puto de 16 anos. Depois ainda inventaram uma série de boatos e isso para mim só tem um nome: crueldade!

Que tipo de boatos inventaram sobre si?
Depois de muitas histórias à volta do meu namoro com a Ana Afonso, publicaram uma foto minha a beijar um homem e muito se especulou sobre isso. Tenho 22 anos por isso se me apetecer andar aos beijos com uma rapariga ou um rapaz diferente todas as semanas ninguém tem nada a ver com isso, mas prejudica o meu trabalho, pode melindrar as minhas fãs. Já tive outras relações depois e acho que a minha vida pessoal é o mais normal possível, mas escondi-as.

Então esconde mesmo a sua vida privada…
Claro. Eu não tenho de justificara as minhas opções, faço o que quero, quando quero e com quem quero. Não vou assumir que sou homossexual só porque me viram a beijar um homem porque não o sou, nem sujeitar uma namorada a conversas como ele tem namorada para esconder a sua homossexualidade. Sou um ser humano comum, bem resolvido sexualmente, estou sozinho agora e feliz, mas quando tiver uma relação vou vive-la da forma mais intensa possível, sem nunca falar dela. Será apenas um assunto só meu.

É o chamado ‘filho da mamã’…
Completamente. A minha mãe é tudo para mim, é a minha vida e vai ter uma música só para ela no meu novo disco. Se algum dia me casar, queria que a minha mulher fosse como a minha mãe. Gosto do meu pai, adoro a minha família, mas a minha mãe é quem mais amo e ela sabe disso.


Realizado por HELENA ISABEL MOTA | STARLOUNGE PORTUGAL
Fotos: ©️ GTRESONLINE

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Gosto muito deste cantor e mesmo depois dele ter deixado os Fingertips continuo a gostar muito dele. Very Happy

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