Sailor Moon Portugal, A Navegante da Lua

Na Companhia do Inimigo.

#1
Na Companhia do Inimigo. Noescuro

sinopse :Embaracoso':
Residente em Londre, Kim Ryder um psicologo conceituado é encontrado morto na sua propria casa sem razão razão aparente.
Jhon River e Mariah Conner, uma dupla de dectectives aceitam tomar conta do caso a pedido de Melissa McCalling, uma amiga de infancia de Mariah. Durante o decorrer da investigação River e Conner põem a nu verdade até antes nunca imaginadas.

uma historia que andei a magicar com base numa outra fic minha , que resolvi entretanto parar...
aqui deixo um pequeno saborzinho Embaracoso
#3
Notas da autora: :xd2:
Ora bem, aqui vai uma pequena historia que comecei a escrever à muito tempo. Aviso desde de já que ira conter alguma linguagem menos própria e ofensiva. também irá tocar em assuntos nada suaves. Embarassed Hávera cenas de violência( tanto psicologica como fisica). :Pensativo:
é a primeira vez que quero levar uma historia mesmo para a frente e para isso gostaria de contar com o vosso apoio. Can you help me?
Adiante, será uma historia de cariz policial, portanto no inicio "vamos andar as aranhas" e a acção pode ser um bocado lenta e monotona mas prometo que no seguinmento da narração, a acção vai ser mais rápida.
Ela é original e como tal tanto a historia como os personagem foram inventados por mim e portanto pertencem-me Twisted Evil
meus queridos espero que gostem e please comentem sim?
:g7:
aqui vai o prólogo.

Prólogo

Pedalava furiosamente pelo caminho poeirento, envolto nos seus pensamentos e completamente indiferente ao que o rodeava. Ouvia apaticamente o som das folhas a serem esmagadas pelas rodas gastas e entortadas da bicicleta que herdara do seu pai que por sua vez a herdara do seu progenitor, em suma o veículo podia-se orgulhar de permanecer durante algumas gerações naquela família e de se encontrar em óptimas condição para ser bem recebida na sucata. Toda ela chiava irritantemente a cada nova pedalada. A pintura outrora reluzente e luzia, era agora uma grossa e desagradável camada de ferrugem que libertava um cheiro acre tão que nauseava o seu actual dono. Com uma grotesca careta, ergueu a cabeça para o céu e por vastos momentos deixou que os olhos se pregassem naquele manto tão azul, distante e inatingível permitindo que a mente se distancia-se novamente daquela massa de carne que era o seu corpo.
- Que se passa contigo Noah? – Indagou Helen, naquela tarde com os seus olhos verdes fixos nele. Tinha de admitir que a cor pálida dos olhos dela intimidavam-no, ao ponto de ter de desviar discretamente os seus olhos dos dela. – Estás… distante, como se algo te preocupa-se. – Noah notou perfeitamente a preocupação espelhada na voz da amiga e baixou o olhar para mirar a ponta dos ténis. Inconscientemente começou a passar o pé direito pelo tornozelo esquerdo como sempre fazia quando estava pensativo. A pessoas exteriores aquele gesto podia ser visto apenas como um simples coçar da perna, mas Helen conhecia perfeitamente Noah e sabia codificar os sinais corporais do amigo. Aproximou-se e tentou toca-lo, porém Noah afastou-se bruscamente e apenas afirmou com um fraco e fingido sorriso nos lábios que precisava de descansar. Sem dizer qualquer outra palavra virou as costas à rapariga e caminhou até ao parque de estacionamento onde a sua oxidada e decrépita bicicleta esperava-o. Ouviu ainda Helen perguntar se ele queria companhia no caminho para casa. Noah agradeceu delicadamente mas recusou o convite e subiu para a bicicleta deixando para trás a escola, o barulho dos corredores lotados e uma Helen aparvalhada.
Agora pedalava pelo bosque, inalando a forte fragrância a madeira e resina, sem saber ainda justificar a inquietação que durante todo o dia tinha possuído cada nervo do seu corpo. Sentia náuseas e o peito por vezes doía-lhe. Seriam os preliminares de um ataque cardíaco? Noah abanou a cabeça violentamente como se aquele movimento pudesse aniquilar aquelas ideias absurdas. Era óbvio que era impossível! Em primeiro lugar a idade era um factor importante, Noah sabia que a taxa de incidência era maioritariamente em pessoas adultas ou de idade, e que era muito raro um adolescente sofrer de um ataque cardíaco. Em segundo lugar Noah tinha na medida do possível, um estilo de vida saudável. Ainda tinha de considerar o facto de sempre ter tido excelentes resultados nas análises que fazia anualmente no hospital local. Portanto, somando todos aqueles factores era notoriamente idiota pensar que a qualquer momento poderia ficar estendido no chão a contorcer-se, agarrado ao peito. Mas, para acabar com todas as dúvidas fez uma anotação mental para marcar uma consulta no centro de saúde assim que chegasse a casa. Lentamente os barulhos citadinos deram lugar ao chilrear dos pássaros, o frenesim das ruas ao borbulhar da água de uma pequena fonte, a voz intragável da professora de literatura ao leve e deliciante ciciar dos ramos cobertos de folhas polidas, o cheiro nauseante da civilização ao perfume selvagem e virgem. Novamente o cheiro de madeira, folhas e resina invadiram-lhe as narinas de uma forma praticamente atordoante mas ao mesmo tempo deliciosa. Fechou os olhos e inalou aquela fragrância com ardor. Era como dar banho à alma, assim pensava o rapaz, todos os problemas e preocupações ficavam retidos naquela barreira, no momento em que a cidade terminava e o bosque começava. Embrulhado nos seus pensamentos acabou por perder noção do tempo mas sabia que faltava pouco para chegar a casa. A poucos metros da sua habitação começou a ouvir os latidos de um cão, que rapidamente reconheceu. Intrigado, franziu o sobrolho e imprimiu mais velocidade à bicicleta. Porque razão estava Feboo a ladrar? Apurou os ouvidos e deu-se conta que agora o cão uivava de forma ansiosa. Onde estava Andrew? Porque não silenciava o animal? Porque razão Feboo continuava a ladrar?
Noah desceu a colina e travou em frente da sua casa, atirando sem qualquer cuidado a bicicleta para cima da relva que estava cuidadosamente tratada. Voou sobre o jardim e só parou em frente da porta, onde encontrou um animal de grandes dimensões, apoiado somente nas patas traseiras a arranhar aflitivamente a porta que impedia a sua entrada no interior da habitação. Assim que o viu, Feboo ganiu desconsoladamente e aproximou-se de Noah com as orelhas retraídas no crânio e o olhar assustado.
- Que se passa aqui? Onde esta o Andrew? – Indagou mais para si do que para o cão. Sendo Andrew muito pegado ao animal e visto que o levava sempre consigo para todo o lado, era muito difícil para Noah arranjar uma explicação para Feboo, o colossal rafeiro e amigo inseparável do irmão, se encontrar no exterior da casa e sem Andrew.
Ainda confuso, acariciou o focinho malhado do canídeo e, após procurar a chaves, abriu a porta. Feboo lançou-se a correr de tal forma que acabou por patinhar e embater brutalmente contra um pilar que sustentava uma enorme estátua grega, de uma bela mulher semi-nua, de seios fartos, e ar melancólico. O cão ganiu perante o choque e Noah gritou ao se aperceber do desequilíbrio que Feboo tinha causado à estátua e correu, mas entendeu rapidamente que era tarde demais. Com um estrondo descomunal a escultura golpeou o chão, lançando no ar alguns dos seus fragmentos e poeira branca. Esperou de olhos fechados até a poeira assentar e depois, ainda a sacudir o ar na sua frente, procurou o corpo do cão entre os destroços. Estaria certamente ferido se tivesse sido atingido pelo enorme bloco que mármore maciço. Estremeceu perante o este pensamento. Foi então que ouviu um ladrar vindo da escada e com alegria ergueu o olhar para visualizar uma massa de pêlo malhado correr pelas escadas a cima. Sem perder tempo segui-o, já que era sabido que seguir o animal era encontrar o irmão mais novo. Feboo parou em frente da porta do quarto de Andrew e pôs-se a arranha-lha como se quisesse destrui-la. Noah começou a assustar-se como a atitude do cão e rapidamente aproximou-se do quarto do irmão. Bateu e esperou pela resposta que não veio. Recuou e sentiu o suor frio escorrer pelas costas. Que raio se estava ali a passar? Sem pensar duas vezes abriu violentamente a porta e chamou pelo irmão. Feboo empurrou-o e penetrou no quarto impetuosamente.
- Andrew… - Sentado na ombreira da janela, um rapaz loiro balançava distraidamente o pé direito já que o outro se encontrava apoiado na janela. A cabeça pendia para a frente, com o queixo apoiado no peito e com o cabelo a tapar-lhe a cara. À luz do crepúsculo a pele do seu irmão parecia feita de vidro, de tão fina, brilhante e frágil que parecia. Noah sentiu-se estremecer mas logo correu para se postar ao lado de Andrew. Feboo ganiu e tentou chamar a atenção do dono, através de leves lambidelas nas palmas das mãos. - Andrew que raio …- Parou de falar e apertou o rosto do irmão entre os dedos. Com um gesto puxou com violência a face para cima, de modo a ver-lhe os olhos. Andrew não ofereceu qualquer resistência perante aquele movimento o que fez Noah pensar o pior. E não tardou a comprovar a sua suposição. Os olhos do irmão encontravam-se vermelhos e as pupilas dilatas, tão dilatadas que Noah quase não conseguia ver o azul que coloria a íris dos olhos do irmão. Praguejou. Estava evidentemente drogado.
-Chegas-te. – Disse sombriamente o rapaz mais novo. A voz saiu-lhe enrolada e rouca. – Pensava que vinhas mais tarde… não ias passar a tarde com a Helen? - Indagou sem demonstrar qualquer emoção. O mais velho, largou o rosto do irmão e pegou-lhe no braço com tanta força que fez Andrew gritar de susto. Feboo rosnou alto perante aquela acção brusca. Num movimento o braço foi erguido até ao nível dos seus olhos e a camisola baixada até ao cotovelo, e todas as esperanças de Noah foram deitadas por terra. Grandes marcas vermelhas-arroxeadas pintavam-se no antebraço do irmão, e nalgumas ainda era possível ver pequenas gotículas de sangue, causadas certamente pela maldita seringa que havia penetrado inúmeras vezes aquele local. Sem pensar, arrancou o irmão da janela e atirou-o para cima da cama. O cão aproximou-se do dono e ganiu, porém as actividades do animal eram completamente ignoradas pelos dois rapazes. Apetecia-lhe esbofeteá-lo, traze-lo novamente para a realidade. Em vez disso mordeu o seu próprio punho:
- Desde de quanto? – Indagou. Andrew ergueu a cabeça, com os olhos completamente baços e negros. A droga estava a surtir o seu efeito, e neste momento estava certamente no seu auge. Perante o silêncio do irmão, Noah agarrou-o pelos ombros e chocalhou-o. Como se sentia revoltado e perdido! Andrew nunca fora idiota, e a última coisa que faria era cair no mundo da droga por livre e espontânea vontade, disso Noah tinha a certeza, já que Andrew tinha uma opinião muito marcada acerca desse assunto. Fora ele que alguns anos atrás, tinha percorrido meia cidade para encontrar Noah rodeado pelo seu grupo de amigos, perfurar a roda que se tinha construído e encontrar o irmão mais velho com um cigarro preso nos lábios e com ar nitidamente drogado e idiota. Andrew apenas olhou directamente para Noah, e este sentiu a desilusão presente nos olhos safirados do irmão mais novo. Desilusão que devastou a consciência do mais velho e que o fez abandonar aquele mundo de perdição. Nunca mais Noah enfiou a fina e prazerosa agulha nas suas veias grosas e sentia-se orgulhoso. A queda de Andrew era uma forte estocada no coração e na mente de Noah. Uma decepção de dimensões colossais
Andrew empurrou brutalmente Noah e levantou-se da cama. Completamente atónito Noah viu o irmão mais novo caminhar até ao quarto de banho com Feboo no seu encalço. Seguiu-o para o ver deixar-se cair sobre a borda da banheira. Aos poucos o pequeno corpo começou a sofrer convoluções que inicialmente eram fracas, mas com o passar do tempo chocalhavam fortemente o corpo do rapaz. Noah sentiu o suor escorrer pelas mãos e pelas costas, e tinha a sensação que a língua há muito que se havia colado ao céu-da-boca tamanha era a secura que sentia. Sem ter uma linha de raciocínio delineada aproximou-se do irmão e segurou-lhe a franja loira com as mãos escorregadias. Nervoso o cão andava de um lado para o outro enquanto emitia latidos baixos e angustiados. O rosto de Andrew estava rubro e suado, as bochechas muito vermelhas e brilhantes, as feições juvenis encontravam-se fortemente contorcidas devido talvez ao esforço de conter os espasmos ou à dor que o atingia, Noah não conseguia perceber ao certo.
#4
Feboo aproximou-se e apoiou o focinho nos joelhos do rapaz que termia ao ritmo das convoluções. Pânico e desespero era a única coisa que passeava alegremente pela mente de Noah naquele momento crítico que o estava, claramente, a por à prova. Raios, onde tinha ele deixado o telemóvel? Pensou então em correr escada abaixo e telefonar para as urgências mas a ideia de abandonar o irmão no piso de cima parecia-lhe totalmente descabida. E era evidente que Andrew não se encontrava em condições de descer a escadaria. Meu Deus, que havia ele de fazer?
Andrew tremeu com violência e Noah apercebeu-se que o estômago do irmão contraiu-se tanto que parecia que iria furar as costas. Com dificuldade Andrew abriu os lábios e pronunciou algo sem nexo, talvez algum impropério ou um suspiro. No momento seguinte apontou para a sua frente e Noah seguiu aquele movimento como se ele fosse a água para a sua intensa e fatal sede. Com as orelhas espetadas o cão olhou na direcção que Andrew apontava e ladrou. Noah olhou irritado para o animal e por um momento apeteceu-lhe pontapeá-lo.
Abalado por mais uma contracção, Andrew sentiu uma forte ardência na garganta e tapou a boca com as mãos numa tentativa inútil de impedir o vómito. Rápido e eficaz, Noah ajudou o irmão a aproximar-se do local para onde anteriormente este tinha apontado. Após expulsar tudo o que o corpo permitiu, Andrew autorizou que o seu corpo caísse no chão ofegante, porém tal não aconteceu já que Noah encontrava-se colado a ele rapidamente amparou-o. Os lábios do consumidor abriam-se em busca de ar e o peito subia e descia com uma velocidade alucinante. O suor escorria-lhe pelas têmporas deslizando pela cara abaixo e acabando por pingar sobre as coxas. Já mais calmo Noah, passou os braços pela cintura do mais novo e levou-o para o quarto onde o deitou. Andrew parecia nitidamente mais calmo e mais lúcido. Nos olhos já era possível deslumbrar uma ténue linha azul que aos poucos tornava-se mais viva. Respirando fundo Noah tentou traçar a sua próxima acção. Satisfeito viu o leal companheiro de quatro patas saltar para cima do colchão e aconchegar carinhosamente o dono. Primeiramente voltou ao quarto de banho e comprovou que Andrew tinha também fumado e a prova jazia naquele momento no fundo da sanita. Mecanicamente puxou o autoclismo e abandonou a divisão. Regressou novamente para a beira do irmão e encontrou-o a olhar distraidamente para o tecto. Nunca o irmão lhe tinha parecido tão frágil e indefeso. O rosto ainda rubro, os olhos apagados mas marejados de lágrimas que corriam livremente pela face, os cabelos desengonçados colados ao pescoço e testa, o corpo encolhido e abraçado sobre si próprio, as mãos entrelaçadas num movimento lúcido de insegurança e nervosismo, proporcionavam em Noah um forte desejo de o proteger a todo e qualquer custo.
-Noah…- A voz firme e habitual de Andrew arrancou Noah dos seus devaneios. – Obrigado.
Noah tentou falar, mas a língua parecia firmemente colada aos dentes. Bufou irritado e aproximou-se da cama onde um copo de água repousava. Bebeu com avidez até não restar uma única gota no seu interior. Pelo canto do olho Andrew observava o irmão mais velho. Estava num estado deplorável. O cabelo revolto, os olhos injectados de sangue e refulgentes, o corpo completamente encharcado em suor como Andrew podia comprovar pelas manchas húmidas que a camisa totalmente desabotoada apresentava. Além disso o corpo termia debilmente e a pele tingia-se de um pálido assustador. Sentindo-se terrivelmente culpado baixou os olhos na direcção das mãos. Ouviu o barulho do copo a ser pousado na madeira e antes de o irmão sequer ter tempo de formular uma palavra ergueu a cabeça.
- Deixa-me descansar. – Começou com um sorriso falso. Noah arregalou os olhos e o seu rosto enfureceu-se. – Pela ‘mor de Deus Noah, deixa-me descansar! Depois falamos. Não te preocupes mais, o efeito já passou. Deixa-me dormir. – O corpo de Andrew assumiu uma postura tensa e a voz saiu-lhe gritada e revoltada. Noah cruzou os braços, com a intenção de passar a mensagem ao mais pequeno que não ia deixar aquele quarto sem ao menos o levar ao hospital para certificar que Andrew estava realmente bem. Como se tivesse lido os pensamentos do irmão através do olhar e postura, o mais novo apressou a argumentar – Noah se quiseres eu vou ao hospital, faço os todos os exames possíveis e imaginários, faço uma desintoxicação, mas deixa-me um pouco sozinho. Deixa-me ao menos descansar um pouco. Eu prometo que depois…- As palavras morreram na boca e ele apenas olhou desesperadamente para Noah. - Por favor…
Noah olhou-o indeciso mas perante o olhar suplicante de Andrew e considerando que Feboo encontrava-se ao lado do irmão acabou, com muita relutância, por ceder. Muito bem, iria deixa-lo descansar, dormir inclusive, mas iriam ter uma conversa bastante séria assim que acordasse. Andrew ainda com o olhar desprovido de vida balançou afirmativamente a cabeça e puxou a massa de pelo malhado para si, afundando de seguida o rosto no lombo do cão. Feboo virou o focinho e numa atitude terna começou a lamber as faces ruborizadas de Andrew. Foi com esta imagem tranquilizadora que Noah abandonou o quarto permitindo que o irmão descansasse. Sentia-se visivelmente mais sereno ao saber que Andrew não estava sozinho e que Feboo iria certamente velar pelo seu sono.
Com este reconfortante pensamento desceu as escadas e parou diante dos destroços da escultura. Os pais não iriam ficar contentes, mas pouco lhe importava. Além disso esses só chegariam mais tarde e como sempre cansados, depois de um longo dia de trabalho. Suspirou e caminhou até à cozinha de onde regressou minutos depois armado com uma vassoura e um balde do lixo. Teria ter muita ginástica mental se quisesse arranjar uma desculpa que justifica-se decentemente aquela perda artística que simbolizava algumas centenas de euros. Traiçoeiramente a sua mente voltou a focar-se no que tinha acabado de acontecer e Noah deu consigo a pensar novamente no irmão. Algo verdadeiramente grave tinha acontecido para desencadear aquela atitude por parte de Andrew. Não podia ser apenas uma fase de rebeldia no comportamento do adolescente. Não tinha nexo. Ou tinha? Noah abanou a cabeça. Tinha de ser algo verdadeiramente grave. Teria sido algo relacionado com Sabrina? Teriam discutido? Talvez acabado a relação que existia entre ambos? Por muito que Noah pensasse nessa hipótese, não acreditava que a razão fosse essa. Não conseguia imaginar Sabrina a fazer alguma coisa que prejudicasse Andrew. Era visível que ela o amava muito e era correspondida fielmente. No entanto não eliminou aquela conjectura e resolveu que naquele mesmo dia iria visitar a rapariga, já que ela era certamente a confidente do irmão e, portanto deveria saber de algo que ele desconhecia.
Entretido com os seus pensamentos, acabou por se distrair e em consequência deixou as pontas dos dedos roçarem num pedaço de mármore particularmente afiado. Sentiu dor e afastou rapidamente os dedos do bloco cortante. Após observar o local golpeado apercebeu-se que uma lasca tinha penetrado a pele e encontrava-se presa no interior de um dos dedos. Aproximou a ponta da língua do dedo e tentou encontrar o pequeno espigão. O gosto salgado e férreo do sangue invadiu-lhe a boca e Noah cuspi-o para o chão antes de continuar a sua minuciosa procura. Depois de alguma insistência e teimosia sentiu algo afiado e aguçado picar a língua. Imediatamente fechou os dentes em redor do bico e tentou-o extrair. Inicialmente apenas conseguiu retirar alguns fragmentos, já que partia com frequência a lasca entre os dentes o que causou pequenos cortes na língua e lábios. Irritado abocanhou o que restava do estilhaço de mármore e arrancou-o por completo bruscamente. Agarrou com força os dedos numa tentativa de estancar a hemorragia e caminhou até à cozinha. Abriu a torneira e colocou a mão sob a água gelada. Enquanto sentia o fio de água percorrer-lhe a pele e aliviar a dor, desviou o olhar para a janela que se encontrava à sua frente. Do sol já só restava um fino indicio, uma pequena linha ardente no horizonte. Noah ergueu o olhar para o céu e notou que neste reinava um grande incêndio. Era como se aquela pequena linha ardente, resquício do que outrora era o sol, se tivesse incendiado no céu, libertando para o manto celeste as típicas cores quentes do fogo. Vermelho, laranja, roxo, lilás, azul, todas misturadas formavam o quadro que era o céu naquele final de dia.
Noah fechou a torneira e pegou num pano que balouçava no puxador de uma das portas do armário da cozinha. Preparava-se para deixar a divisão, quando um movimento nos arbustos lhe prendeu a atenção. Curioso, aproximou-se do peitoril da janela e observou com atenção o cenário. Quando a cabeleira ruiva, rebelde e assimétrica surgiu perante os seus olhos, Noah reconheceu Sabrina Blinker. Caminhava com passos decididos e de cabeça baixa. Noah podia nem olhar para o corpo da rapariga já que só a cabeleira ruiva, tão rara por aquelas bandas, logo denunciava Sabrina. Noah atirou o pano para longe e saiu a correr de casa, para tentar interceptar a rapariga antes de esta desaparecer. Inesperadamente assim que abriu a porta do jardim deu de caras com Sabrina. Delicadamente a rapariga saudou o rapaz e logo de seguida, como uma estocada exímia, informou Noah que queria falar com ele. Ora, era maravilhoso, ele próprio queria dialogar como ela acerca de um determinado assunto. Convidou a rapariga a entrar porém ela recusou e disse que preferia ficar no jardim, sentados na escada, era mais confortável do que parecia e além disso o dia estava quente e abafado. Noah concordou e seguiu Sabrina até as escadas do alpendre. Sentaram-se e depois de alguns momentos de silêncio, Sabrina foi a primeira a quebrar o silêncio.
- Noah, algo de estranho se passa com o Andrew. A atitude dele…mudou, isto é ele sempre foi muito distante isso é verdade e tu sabe-lo mais do que eu, porém ele melhorou bastante Noah, deves ter notado perfeitamente. – Sabrina fez uma pequena pausa para olhar para o rapaz à sua frente e quando este concordou com ela, prosseguiu. -Eu pensei que finalmente algo tinha dado resultado, algo tinha verdadeiramente modificado o Andrew e para melhor. Aos poucos o Andrew foi dando sinais de melhoria. Oh céus, o quanto fiquei feliz. Tanto que resolvi ir agradecer pessoalmente à pessoa que ajudou o Andrew a mudar.
-Ele realmente fez grandes progressos desde que começou a frequentar a terapia. - Afirmou Noah enquanto mordia o polegar distraidamente.
- Mas agora voltou ao mesmo. Distante, frio…- A Sabrina deixou cair as mãos sobre o colo e ficou a olha-las desgostosa.
- Não Sabrina, o Andrew não voltou ao mesmo. – Noah olhou na direcção da janela do quarto do irmão, respirou fundo e fechou os olhos. Ele está pior. Foi o que ficou por dizer, pendente na garganta e morto nas palavras.
- Como?
- Sabrina sabes alguma coisa que possa ter desencadeado isto? Problemas na escola? Com os colegas? Professores? Notas-te algo de estranho hoje na escola enquanto estives-te com ele?
- Hoje? – Sabrina arregalou os olhos e estacou. – Noah ele não foi à escola, disse-me que estava doente em casa.
- Doente? - Foi a vez a vez de Noah esbugalhar os olhos. Porque razão o irmão teria mentido a Sabrina?
- Quando me ofereci para cuidar dele, porque sei que tu estavas na faculdade e os teus pais…bom estavam a trabalhar, ele disse que tu estavas com ele.
Ambos se confrontaram e o ambiente ficou pesado.
- Porque motivo mentiu-me? – Indagou Sabrina que não era obtusa e rapidamente tinha percebido todo o esquema de mentiras que o namorado tinha elaborado.
Noah abriu a boca para responder mas foi calado pelos latidos desesperados, desenfreados e loucos de Feboo. Era horrível ouvir a aflição que o cão transmitia através dos latidos. Depois, o som de um disparado. Silêncio. Por segundos todos os pássaros pareceram parar de cantar, a água de correr, Noah de respirar e a vida de decorrer. Foi o uivar solitário, amargurado, melancólico, angustiado e arrepiante que acordou o mundo para a vida. Parecia que o cão chorava tamanha era a tristeza presente nos uivos. E Noah sentiu que algo de horrível tinha acabado de acontecer. Não estava muito longe da verdade.

Fim do prólogo.
_________________
:xd3: um bocado grandinho
#5
grande sim :Chocado:
mas promete :Matreiro: bom prólogo , boas descrições , boa escrita... gostei :Mongloide:
quanto ao facto de ser violento e tudo mais... espero que surpreendas Surprised.o:

Espero por mais ! bom

Kissus !
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