Interlúdio Dourado
Olá Pessoal! Como sabem que eu não sou muito boa na escrita mas decidi copiar um livro que achei interessante pelo título e por o primeiro capítulo a autora do livro tabem n e portuguesa mas sim inglesa. A os personagens desta historia são trocados e alguns países.
Autora: Ellen Searíght
Tradução: Maria da Graça Lima Gomes
Nome do livro: Interlúdio Dourado
Índice
Capítulo I
Capítulo II
Capítulo lll
Capítulo IV
Capítulo V
Capítulo VI
Capítulo VII
Capítulo VIII
Capítulo IX
Capítulo X
Capítulo XI
Capítulo XII
Capítulo XIII
Capítulo XIV
Capítulo XV
capítulo especial
Capítulo I
Bunny Hearon ajoelhou-se perto do rebordo da janela do seu pequeno apartamento e encostou a testa no vidro frio, aguardando ansiosamente a vinda de Sr.King. Não o conhecia, mas, ao telefone, ele dissera que estaria lá às cinco horas. Consultou o relógio de pulso de ouro, prenda do pai no seu último aniversário. Faltavam dois minutos para as cinco. Impossível Sr.King perder-se: Shepperton-on-Thames ficava a menos de vinte milhas de Londres. Procurou ver através da chuva, que caía naquele dia triste de Abril, tamborilando no vidro. O portão do jardim não passava de uma mancha indistinta.
«Amanhã», murmurou , «já estarei longe daqui. Estarei em Espanha, onde faz calor e sol, estarei na Costa del Sol!»
Sorriu para si, quase não conseguindo dominar a excitação. Impossível , coisas destas acontecerem a rapariguinhas vulgares e pacatas como ela. A sua vida fora sempre tão monótona, tão previsível!
Embora a camisola de lã e a saia a condizer a mantivessem agasalhada, tremia, e apertou os braços contra o corpo. Seria do frio que se infiltrava pela janela, ou a ansiedade da visita do Sr. King ?
Não sabia responder.
Bunny levantou-se de um salto e dirigiu-se ao fogão da sala. Pegou nas tenazes e, curvando-se, atiçou os toros, envoltos numa comprida labareda amarela, e ao virá-lo uma chuva de faúlhas purpurinas elevou-se pela chaminé. Aproximou o sofá da cintilante lareira e acendeu um candeeiro, cujo clarão dourado fez dispersar a penumbra.
De novo olhou atentamente para a mesa, posta para o chá, a fim de se certificar de que nada faltava: chávenas, pires de porcelana cor-de-rosa, açúcar, leite, limão e guardanapos. Foi com uma pontada de tristeza que lhe ocorreu ser aquela a primeira vez, desde a morte de seu pai, ocorrida há duas semanas, que preparava o lanche para alguém. A partir de então, a hora do chá passara a ser a altura mais solitária do dia, visto ter significado um ritual que ela e o seu pai partilhavam juntos, mesmo quando a sua prolongada doença estava a chegar ao fim. Deixou escapar um profundo suspiro. Embora o médico a tivesse avisado de que seu pai sofria de uma doença incurável, fora para ela um choque quando, na alvorada de uma manhã, seu pai deixara mansamente de existir.
A situação assumia agora proporções esmagadoras. Bunny sentiu a garganta embargada e afundou-se no desengonçado sofá de couro onde o pai costumava descansar. Pouco depois da sua morte, ela descobrira ser esta a melhor forma de atenuar a dor que a invadia quando olhava para aquele sofá, tão fria e irremediavelmente vazio.
Arrancada ao seu devaneio por uma campainhada estridente, levantou-se de um pulo e correu a para abrir a porta. Por um longo momento, ela e o estranho postado à soleira olharam-se, examinando-se mutuamente. A imagem que Bunny fugazmente captou foi a de um homem de cabelos escuros, onde brilhavam gotas de chuva, olhos azuis como o mar, sobrepujados por sobrancelhas, uns narizes aquilinos e uma boca generosa, um rosto comprido e anguloso. Era alto, largo de ombros, e o sobretudo aberto deixava entrever o casaco e as calças de bombazina castanho-azulado, pendendo-lhe flacidamente no corpo magro.
O intenso olhar dele registou todos os pormenores da rapariga à suas frente, cabelo longo com dois totós a enfeitar, cujo cor r brilho lembravam trigo maduro, os expressivos olhos azuis claros, a boca fina r sensível, o pequeno e obstinado queixo e o branco da sua pele. Era bonita, no sentido lato da palavra, mas irradiava uma vitalidade, uma joie de vivre (jóia de viver) que lhe imprimia um ar excitantemente vívido.
Quando os olhos de ambos se encontraram, Bunny sentiu-se invadida por uma estranha sensação de déjà vue (já visito), o sentimento de já o conhecer e de há muito esperava a sua chegada.
Finalmente, ele quebrou o silêncio:
- Srª. Hearon?
Bunny acenou afirmativamente com a cabeça.
Ele esboçou o gesto de lhe estender a mão, mas depois, como que reconsiderando, meteu-a no bolso.
- Gonçalo King.
Bunny sorriu e desviou-se para o lado, mantendo a porta aberta.
- Faça favor de entrar.
Ele despiu o sobretudo, pendurou-o no bengaleiro da estrada e entrou. A sua presença parecia encher a sala.
Bunny indicou-lhe o sofá desengonçado, junto da lareira.
- Sente-se, por favor.
O homem não esboçou nenhum sorriso de agradecimento quando se instalou, mirando a divisão com ar inquiridor. Pela expressão que o apartamento lhe dava: pequeno mas limpo e arrumado; o sofá-cama atulhado de nogueira, ajoujada de livros e fotografias; uma jarra azul com narcisos amarelos; o televisor; as frescas cortinas brancas a enfeitarem a janela e a guitarra, pousada na poltrona. Gonçalo King encarou-a com ar pensativo. De novo os olhos de ambos se encontraram e ela sentiu-se corar, por ter sido apanhada a observá-lo.
- Vou fazer chá – disse ela precipitadamente.
Ele aquiesceu com a cabeça, mas não deu resposta.
«É o homem mais calmo que conheci na vida», pensou Bunny, enquanto se dirigia para a cozinha. Depois de arranjar o bule, trouxe o chá e biscoitos, encheu as chávenas e sentou-se no outro extremo da mesa, olhando para Gonçalo King.
Sem mais preâmbulos, este inquiriu, em tom frio, impessoal:
- Já tem tudo pronto para a partida de amanhã?
- Sim! – respondeu Bunny, a transbordar de entusiasmo. – Acredita que no dia em que recebi a carta da minha tia Luna comecei imediatamente a fazer as malas?
Ele mexeu o chá, lentamente e pausadamente, obstinando-se em não encará-la.
- Quando a Luna me disse que a convidaria a visitar a finca, não tinha a certeza se iria a certeza se iria aceitar.
- Aceitar! – exclamou Bunny, soltado uma risada. – Uma viagem a Espanha? Para mim foi uma bênção caída dos céus. Não sei como exprimir-lhe a minha gratidão… o que significa para mim mudar de ares! – Relanceou os olhos pelo quarto: - Sem o meu pai, o apartamento parece terrivelmente vazio.
Sr. King arqueou as sobrancelhas.
- E a sua mãe?
- Morreu quando eu tinha a penas doze anos.
Ele meneou a cabeça com ar solene.
- Não tem irmãos nem irmãs?
Bunny hesitou, embaraçada com as perguntas.
- Não. Nem irmãos nem irmãs.
- Não há ninguém que lhe interesse, alguém susceptível de levantar objecções contra a sua viagem a Espanha?
Bunny encarou-o com ar desorientado, cismando no porquê do interesse dele. Mas ponderou cuidadosamente, tentando responder com honestidade às perguntas. Pretendentes não lhe faltavam. Saída com alguns rapazes óptimos, ajuizados, e desejava ardentemente apaixonar-se por um deles, mas, até à altura, o amor esquivara-se-lhe.
- Não há ninguém – respondeu calmamente.
O rosto do homem assumiu uma expressão de surpresa. Mexeu-se na cadeira, cruzou a perna direita sobre a esquerda, reclinou-se para trás e encarou-a com ar inquiridor.
- Não haverá nenhum outro sítio para onde possa ir?
- Não – respondeu ela baixinho, começando a sentir-se ofendida com o seu tom, com a maneira como se estava a imiscuir na sua vida.
- Não é forçoso que eu vá para outro lugar.
- Decerto não pode permanecer aqui, ou pode?
- Tenho uma colega da universidade, a Joana Farley; ela e a Maria, a sua companheira de quarto, pretendem viver mais perto de Londres: subalugaram o apartamento, já mobilado. Depois da renda paga, pouco me sobra, e as economias que o meu pai me deixou não são muitas.
Calou-se repentinamente, interrogando-se porque estaria a revelar àquele estranho pormenores tão íntimos da sua vida.
Sr. King olhou-a, algo impaciente.
- Não tem emprego?
Bunny franziu o sobrolho, desorientada com a preocupação que ele revelava pelo seu bem-estar.
- Não, Senhor King, não tenho emprego.
Falou com lentidão, escolhendo cuidadosamente as palavras.
- O senhor estende, o meu pai veio de Tóquio, para Londres.
Os seus olhos, de um azul claro, ficaram azulados de lágrimas e esboçou um sorriso triste.
- Era uma Avis rara (ave rara) – prosseguiu. – Sentia um grande respeito, quase fanatismo, pela educação. Não lhe foi possível ingressar na faculdade, mas insistiu para que eu fosse. O seu sonho era ver-me com o curso acabado. Depois, no Natal anterior à minha formatura, adoeceu tão gravemente que tive de ficar junto dele…
Um soluço repentino irrompeu-lhe da garganta.
Sr. King franziu as espessas sobrancelhas.
- Sendo assim, não acabou o curso, não é verdade? – indagou.
Bunny abanou negativamente a cabeça:
- Deixei de ter direito à pensão do meu pai que recebia dos Caminhos de Ferro quando… - Mordeu o lábio e prosseguiu: - Há muito tempo que eu desejava arranjar emprego, mas meu pai insistiu para que primeiro estaria o curso. Eu tencionava dar aulas de música, percebe? Para o compensar de todos os sacrifícios que fizera. – Interrompeu-se, engolindo em seco. – Faço tenções de voltar para a faculdade logo que comece a ganhar dinheiro. Andava à procura de emprego quando chegou a carta da tia Luna.
Inclinou-se para a frente e pegou no bule.
-Quer mais chá, Senhor King?
-Não, obrigado.
Ele encarou-a com um olhar tão frio, tão impessoal, tão perturbador que foi com mão trémula que Bunny voltou a encher a sua chávena.
Miss Hearon, escreveu à sua tia, não é verdade?
Bunny respondeu com frieza:
-Sim.
A voz dele assumiu o tom exageradamente paciente do advogado que procede ao interrogatório das acções incríveis e inexplicáveis do réu, em pleno tribunal.
-Importava-se de me explicar a razão do seu súbito desejo de entrar em contacto com a sua tia, após tantos anos de silêncio?
A intenção das palavras daquele homem irresistível atingiu-a com a violência de um soco. Engolindo as lágrimas de mágoa e de cólera por este tão injusto julgamento da sua pessoa, retorquiu:
-Não sou culpada do facto da minha tia Luna se ter afastado da família. Achei simplesmente que estava no direito de saber que o irmão falecera.
Sr. King dardejou-lhe um olhar impaciente.
-Que interesse poderia ter para ela, passados estes anos todos? – Abanando a cabeça com ar de dúvida, acrescentou: -As pessoas só escrevem cartas como a sua quando desejam qualquer coisa.
Tremendo de indignação, Bunny lutou para dominar os seus sentimentos. O homem escusava de estar com rodeios e ir logo direito ao assunto – que ela fosse para Espanha e ficasse lá para sempre, mas deixasse a tia Luna em paz.
-Eu não sou o que julga! Eu não quero nada!
Os olhos dele mostraram-se cépticos
-E no entanto, aceitou a hospitalidade da sua tia – murmurou com rudeza.
-A ideia da visita partiu dela, Mister King.
Disse que uma visita, nesta ocasião, poderia fazer-me bem e que iria pedir ao senhor para me acompanhar até à Finca Florita…
A voz embargou-se-lhe, mas depois as palavras saíram-lhe num rompante:
-Pensei ser esse o motivo da sua vinda, para os preparativos necessários e não para tentar persuadir-me a desistir da viagem!
Bunny viu os seus lábios contraírem-se, quando ele se levantou, quedando-se em frente da lareira, encostado à prateleira do fogão.
-Gostaria de lhe lembrar, Miss Hearon- disse em tom duro, autoritário, - que a sua tia Luna é viúva, com cinco filhos para sustentar.
Calou-se, observando-a.
-Sim, sabíamos que o Artemis morrera - respondeu ela com brandura.
O rosto de Gonçalo King tornou-se ainda mais severo.
-A filha mais velha de Luna, Rita, arranjou emprego em Paris, como dama de companhia. Na verdade, não passa de uma criada de luxo, toma conta de três crianças. To dos os meses envia para casa o dinheiro que pode, para ajudar. Ami, a que tem dezasseis anos, vai entrar num colégio interno de Barcelona. É menos dispendioso do que uma escola em Inglaterra, mas não deixa de ser bastante caro. Finalmente, os miúdos, como a Luna lhes chama: Mário de treze anos; Susana, de dez anos; Seiya, de oito anos e meio. O contributo dos hóspedes da finca mal dá para a Luna viver. O lugar é o paraíso dos artistas, escritores e outras pessoas: hóspedes a «pagar», que necessitam de solidão. Infelizmente – acrescentou, olhando com ar mordaz para Bunny, - está sempre a albergar os vadios do mundo.
Bunny levantou o queixo, espetando-o furiosamente.
-Não sou uma vagabunda deste mundo, senhor King! A razão que me levou a escrever à minha tia foi exactamente a que mencionei. Quis comunicar-lhe a morte do irmão. Nada mais. Não estava à espera de receber o que quer que fosse dela. Lamento se a minha carta o induziu a pensar de outra maneira!
Abanou as mãos, fazendo chocalhar a chávena e o pires ao pousa-los na mesa e soergueu-se.
A mão dele no seu ombro obrigou-a a sentar-se de novo. Inexplicavelmente, o contacto daquela mão grande e forte fê-la sentir-se excitada e o coração pôs-se-lhe a bater desordenadamente. Ele inclinou-se fixou-a com intensidade nos olhos. Em voz lenta, enfática, afirmou:
- A Luna pode perder a finca de um dia para o outro.
Bunny levou a mão à garganta.
- Estou desolada, não sabia.
- Do que ela menos precisa – prosseguiu Gonçalo King implacavelmente, - é de sustentar mais uma boca, de ter outro albatroz a pendurar-se-lhe ao pescoço, de mais desgarrada…
Incapaz de suportar a sua mordacidade, Bunny repeliu-lhe a mão, que lhe queimava a pele, e de um pulo levantou-se, os olhos ambarinos lançando chispas.
- O senhor atreve-se a dizer-me coisas dessas? Tenho a certeza de que a minha tia é suficientemente lúcida para decidir quem deverá ou não permanecer na Finca Florita e sinto-me ofendida com a sua intromissão, como ela decerto se sentiria se soubesse que o senhor anda a julgar os seus hóspedes. Que direito tem você de decidir o que será melhor para a minha tia?
- Minha cara Senhora Hearon, a Luna e o Artemis são meus amigos de longa data, conheço-os muito melhor do que a menina. Tenho a certeza de que se o Artemis fosse vivo seria o primeiro a agradecer-me por zelar pelos interesses de Luna.
Bunny sentiu o rubor espalhar-se-lhe pelas faces, mas levantou a cabeça e suportou estoicamente o olhar de Gonçalo King. Parecia tão seguro de si, tão condescendente que a fazia sentir-se culpada, sem que houvesse razão para tal. Deu um profundo suspiro e, num tom de fria polidez, declarou:
- Sugiro-lhe que nos deixe, a mim e à minha tia, resolver os nossos assuntos e que se meta na sua vida, seja ela qual for…
O sorriso divertido que bailou na boca carnuda e grande de Gonçalo King, fazendo-lhe aparecer uma cova no queixo, distraiu-a. Noutras circunstâncias, tê-lo-ia achado perigosamente irresistível, porque, a despeito das suas maneiras arrogantes, autoritárias, possuía um certo magnetismo animal que lhe fazia o sangue pulsar. Mas na altura, suspeitava, furiosa, de estar a ser alvo da troça dele. Minúsculos pontos de luz cintilavam-lhe nos olhos.
- Para sua informação, Senhora Hearon, o meu ofício é pintar retratos para subsistir… Paisagens, por puro prazer. Vim esta semana a Londres para inaugurar uma exposição. Se estivesse familiarizada com a Mariana Gallery, facto de que eu duvido, é possível que admirasse o meu trabalho…
Bunny deixara de escutar. As suas pernas pareciam gelatina quando mergulhou no desengonçado cadeirão de couro, olhando fixamente para um desenho desbotado da carpete. Não admirava, aquela sensação de déjà vue (já visito), de já conhecer quele homem! Lera vários artigos acerca do sujeito e do seu trabalho nas revistas e jornais! No seu íntimo, uma vozinha gritou em pânico: «O homem que está sentado no teu sofá é o Gonçalo King, o mais famoso pintor de retratos de Inglaterra!»
O último artigo que lera referia-se à compra que fizera de uma casa Curzon Street, longe de Mayfair; que a reconstruíra no estilo georgiano. Tudo isto lhe acorria agora ao pensamento. Forçou de novo a atenção para o que ele estava a dizer.
-… de facto, estou a preparar uma exposição para esta noite. Infelizmente, precisava de vir a Londres quando a sua tia teve a brilhante ideia de me pedir que a acompanhasse até a Tóquio.
Ela sentia-se perturbada e os acontecimentos das últimas semanas haviam-na tornado hipersensível. As palavras dele foram como que a gota a fazer transbordar o cálice. Não iria vergar-se nem tão-pouco intimidar-se por causa desta insolente personalidade.
- Senhor King! – exclamou, numa explosão de fúria. – Não me interessa quem o senhor é! Não tem o direito de se intrometer, pondo em causa os meus motivos, dando-me ordens, dizendo-me o que devo e o que não devo de fazer! Proíbo-o de mandar na minha vida!
Ele enterrou as mãos nos bolsos de casaco de bombazina e postou-se em frente do fogo crepitante, os pés afastados, com uma expressão aborrecida, como que à espera que ela se calasse. Bunny pensou fugazmente que lembrava uma imagem do Inferno de Dante.
Ele deixou escapar um suspiro de desalento.
- Está bem, Senhora Hearon. Acompanhá-la-ei ao Japão, mas somente para fazer o favor à Luna e não porque queira ou aprove a sua ida.
Bunny encarou-o friamente, de olhos azulados.
- Não precisa de se preocupar, Senhor King. Sei tomar conta da minha pessoa. E arranjarei emprego, se for necessário: não pretendo ser um peso para a tia Luna.
Gonçalo King resfolegou:
- Ai, sim? E o que fará?
- Sei escrever à máquina! – respondeu Bunny, na defensiva.
As sobrancelhas dele arquearam-se, num trejeito sardónico.
- Em espanhol? Aposto que nem sequer sabe uma palavra!
Bunny cerrou os lábios e virou-se, começando a pôr a louça do chã no tabuleiro. Estudara piano e tinha uns conhecimentos superficiais de alemão e italiano, mas não sabia uma palavra de espanhol. Sentindo que ele a observava, aguardando uma resposta, apertando o pesado tabuleiro contra a cintura. Sentindo-se como um animal enjaulado, teve ímpetos de lhe bater.
- E quanto a si, Senhor King? Suponho que fala fluentemente espanhol, não é verdade?
Ele sorriu, num esgar insolente e lânguido, que lhe revolveu o coração.
- Sei o suficiente.
- E para si o que é o suficiente? – perguntou ela, fazendo balançar o tabuleiro, como se desejasse atirar-lho à cabeça.
- O suficiente para me desenvencilhar, Senhor Hearon.
Contornou a mesa, estendendo os braços na direcção dela. O coração de Bunny bateu mais depressa, num alvoroço que não conseguia entender, e recuou.
- Dá-me licença que pegue nisso?
Bruscamente, tirou-lhe o tabuleiro das mãos. Desequilibrando-se, balançou-se para a frente e quando se virou, os dedos de Sr. King afloram-lhe os seios. Se ele teve consciência disso, não o revelou e dirigiu-se rapidamente para a cozinha.
Por uma fracção de segundo, Bunny permaneceu imóvel. Sentia-se perturbada com as súbitas e estonteantes sensações que aquele contacto lhe provocara. O simples gesto de lhe tirar o tabuleiro pusera-a completamente sem forças. Sentiu-se uma idiota por se lhe ter esquivado. Mas não iria deixar-se intimidar. Foi no seu encalço, atravessando a sala de jantar, a porta giratória, em direcção á cozinha, onde o viu a pousar o tabuleiro na mesa.
-Muito obrigada -disse, constrangida.
-Não tem quê – respondeu ele, fazendo uma vénia exagerada e dirigindo-se para a sala de jantar, onde se sentou no sofá desconjuntado.
Bunny interceptou-o no preciso momento em que se virava para lhe falar, de modo que por pouco não chocava com ele. Inspirou profundamente e olhou-o de frente, ignorando a expressão mordaz que lhe cintilava os olhos claros.
-Sr. King, já que estamos a esclarecer as coisas, porque razão vive o senhor em Finca Florita?
Um sorriso repuxou os cantos da boca dele.
-Recentemente, a mulher de um idoso cavalheiro incumbiu-me de fazer o retrato do marido – respondeu. E depois de citar o nome de um pianista famoso, prosseguiu: -O velho maestro vive perto de Marbella e dado não tencionar vir a Londres, Londres teve de se deslocar até ao maestro.
- Não podia ter ficado em Marbella?
Gonçalo King cruzou os braços contra o peito e ficou-se a olhá-la, como um leve sorriso a bailar-lhe nos lábios.
- Evidentemente que sim. E a primeira coisa que fiz quando cheguei foi telefonar ao meu amigo Artemis Graham, que, segundo ouvira dizer, se dedicara à compra e venda de propriedades. Foi quando a Luna me disse que o Artemis morrera de um ataque cardíaco, há dois anos. A Luna insistiu para que eu a fosse ver, coisa que de qualquer dos modos tencionava fazer. Quando vi a situação em que se encontrava, decidi ficar, por razões que não lhe dizem respeito.
- Não me estou a imiscuir nos seus problemas pessoais, Senhor King – replicou Bunny em tom claro.
- Tão-pouco eu esperava que se intrometesse, Senhora Hearon.
Detecto uma cintilação divertida nos seus olhos azuis. Continuava a rir dela, a fazer de todo-poderoso. Senhor king atravessou a sala, em direcção à porta, e virou-se, encarando-a, com a mão pousada na maçaneta.
- Hoje à tarde vou buscar os nossos bilhetes de avião e estarei aqui em casa amanhã de manhã às sete em ponto. Agradeço que esteja pronta. Detesto ser obrigado a esperar.
Bunny abriu a boca para ripostar, mas antes que pudesse dizer palavra, já ele se fora embora, depois de ter fechado a porta com firmeza. Por um momento, ficou ali, a tremer de indignação, lutando com todas as forças para dominar a vontade de abrir a porta e gritar-lhe. Correu para a janela, o coração a pulsar-lhe com violência, e avistou a sua figura alta, espadaúda, a descer os degraus e atravessar o passeio, no meio da cortina de chuva e dirigir-se para o carro, uma mancha cinzento-escura estacionada na esquina.
Enquanto lavava a louça, Bunny deu-se conta de que Gonçalo King não lhe dissera porque vivia na finca, pouco lhe falara da tia Luna e dos seus cinco filhos e nada lhe revelara acerca dos outros hóspedes. «Quais serão as relações dele com a tia Luna?» perguntou de si para si. Soltou um leve suspiro, avassalada por emoções contraditórias: pesarosa com a morte do pai e ao mesmo tempo excitada com a viagem que iria efectuar a Espanha; ressentida com Gonçalo e ao mesmo tempo inegavelmente atraída. Por um momento absurdo, imanou o que seria a aversão dele transformar-se no sentimento oposto – ter aqueles braços viris a rodeá-la, puxando-a contra si, aquela boca carnuda e sensual meigamente unida à sua. Sentiu-se atingida pela dolorosa sensação de que para Gonçalo King era uma convidada indesejada. Torceu energicamente o esfregão. Quem lhe dera nunca o ter conhecido!
Contudo, sentia-se grata por ver que lhe era franqueado um mundo totalmente novo. Não podia deixar-se abater por aquele estranho que arbitrariamente decidira intrometer-se na sua vida, mesmo sendo um artista famoso. Pelo menos convencera-o de que ninguém a persuadiria a ficar ali. Sorriu de si para si, dando-se repentinamente conta de que o seu coração esvoaçava como uma borboleta, só de pensar na viagem quase irreal que a sua vida estava a sofrer. Gonçalo King não só tomara chá com ela, ali, no seu próprio apartamento, como a ia acompanhar a Espanha!
Resolutamente, expulsou a recordação do seu sorriso, a expressão trocista dos seus olhos, determinada a não deixar-se desarmar por ele. Mau grado a sua resolução, deu por si a pensar que mal podia esperar pela Joana para lhe contar o que acontecera.
Joana! Bunny olhou o relógio. Era muito mais tarde do que pensava. O incrível encontro com o Senhor King fizera-a esquecer-se por completo da Joana Farley. Dentro de momentos, estaria ali, para últimos preparativos da mudança para o apartamento; precisava de lhe entregar a chave e em seguida iriam jantar fora. Correu para o quarto, a fim de se vestir.
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espero que tenho gostado
bjx adoro-vos a todos <3
Autora: Ellen Searíght
Tradução: Maria da Graça Lima Gomes
Nome do livro: Interlúdio Dourado
Índice
Capítulo I
Capítulo II
Capítulo lll
Capítulo IV
Capítulo V
Capítulo VI
Capítulo VII
Capítulo VIII
Capítulo IX
Capítulo X
Capítulo XI
Capítulo XII
Capítulo XIII
Capítulo XIV
Capítulo XV
capítulo especial
Capítulo I
Bunny Hearon ajoelhou-se perto do rebordo da janela do seu pequeno apartamento e encostou a testa no vidro frio, aguardando ansiosamente a vinda de Sr.King. Não o conhecia, mas, ao telefone, ele dissera que estaria lá às cinco horas. Consultou o relógio de pulso de ouro, prenda do pai no seu último aniversário. Faltavam dois minutos para as cinco. Impossível Sr.King perder-se: Shepperton-on-Thames ficava a menos de vinte milhas de Londres. Procurou ver através da chuva, que caía naquele dia triste de Abril, tamborilando no vidro. O portão do jardim não passava de uma mancha indistinta.
«Amanhã», murmurou , «já estarei longe daqui. Estarei em Espanha, onde faz calor e sol, estarei na Costa del Sol!»
Sorriu para si, quase não conseguindo dominar a excitação. Impossível , coisas destas acontecerem a rapariguinhas vulgares e pacatas como ela. A sua vida fora sempre tão monótona, tão previsível!
Embora a camisola de lã e a saia a condizer a mantivessem agasalhada, tremia, e apertou os braços contra o corpo. Seria do frio que se infiltrava pela janela, ou a ansiedade da visita do Sr. King ?
Não sabia responder.
Bunny levantou-se de um salto e dirigiu-se ao fogão da sala. Pegou nas tenazes e, curvando-se, atiçou os toros, envoltos numa comprida labareda amarela, e ao virá-lo uma chuva de faúlhas purpurinas elevou-se pela chaminé. Aproximou o sofá da cintilante lareira e acendeu um candeeiro, cujo clarão dourado fez dispersar a penumbra.
De novo olhou atentamente para a mesa, posta para o chá, a fim de se certificar de que nada faltava: chávenas, pires de porcelana cor-de-rosa, açúcar, leite, limão e guardanapos. Foi com uma pontada de tristeza que lhe ocorreu ser aquela a primeira vez, desde a morte de seu pai, ocorrida há duas semanas, que preparava o lanche para alguém. A partir de então, a hora do chá passara a ser a altura mais solitária do dia, visto ter significado um ritual que ela e o seu pai partilhavam juntos, mesmo quando a sua prolongada doença estava a chegar ao fim. Deixou escapar um profundo suspiro. Embora o médico a tivesse avisado de que seu pai sofria de uma doença incurável, fora para ela um choque quando, na alvorada de uma manhã, seu pai deixara mansamente de existir.
A situação assumia agora proporções esmagadoras. Bunny sentiu a garganta embargada e afundou-se no desengonçado sofá de couro onde o pai costumava descansar. Pouco depois da sua morte, ela descobrira ser esta a melhor forma de atenuar a dor que a invadia quando olhava para aquele sofá, tão fria e irremediavelmente vazio.
Arrancada ao seu devaneio por uma campainhada estridente, levantou-se de um pulo e correu a para abrir a porta. Por um longo momento, ela e o estranho postado à soleira olharam-se, examinando-se mutuamente. A imagem que Bunny fugazmente captou foi a de um homem de cabelos escuros, onde brilhavam gotas de chuva, olhos azuis como o mar, sobrepujados por sobrancelhas, uns narizes aquilinos e uma boca generosa, um rosto comprido e anguloso. Era alto, largo de ombros, e o sobretudo aberto deixava entrever o casaco e as calças de bombazina castanho-azulado, pendendo-lhe flacidamente no corpo magro.
O intenso olhar dele registou todos os pormenores da rapariga à suas frente, cabelo longo com dois totós a enfeitar, cujo cor r brilho lembravam trigo maduro, os expressivos olhos azuis claros, a boca fina r sensível, o pequeno e obstinado queixo e o branco da sua pele. Era bonita, no sentido lato da palavra, mas irradiava uma vitalidade, uma joie de vivre (jóia de viver) que lhe imprimia um ar excitantemente vívido.
Quando os olhos de ambos se encontraram, Bunny sentiu-se invadida por uma estranha sensação de déjà vue (já visito), o sentimento de já o conhecer e de há muito esperava a sua chegada.
Finalmente, ele quebrou o silêncio:
- Srª. Hearon?
Bunny acenou afirmativamente com a cabeça.
Ele esboçou o gesto de lhe estender a mão, mas depois, como que reconsiderando, meteu-a no bolso.
- Gonçalo King.
Bunny sorriu e desviou-se para o lado, mantendo a porta aberta.
- Faça favor de entrar.
Ele despiu o sobretudo, pendurou-o no bengaleiro da estrada e entrou. A sua presença parecia encher a sala.
Bunny indicou-lhe o sofá desengonçado, junto da lareira.
- Sente-se, por favor.
O homem não esboçou nenhum sorriso de agradecimento quando se instalou, mirando a divisão com ar inquiridor. Pela expressão que o apartamento lhe dava: pequeno mas limpo e arrumado; o sofá-cama atulhado de nogueira, ajoujada de livros e fotografias; uma jarra azul com narcisos amarelos; o televisor; as frescas cortinas brancas a enfeitarem a janela e a guitarra, pousada na poltrona. Gonçalo King encarou-a com ar pensativo. De novo os olhos de ambos se encontraram e ela sentiu-se corar, por ter sido apanhada a observá-lo.
- Vou fazer chá – disse ela precipitadamente.
Ele aquiesceu com a cabeça, mas não deu resposta.
«É o homem mais calmo que conheci na vida», pensou Bunny, enquanto se dirigia para a cozinha. Depois de arranjar o bule, trouxe o chá e biscoitos, encheu as chávenas e sentou-se no outro extremo da mesa, olhando para Gonçalo King.
Sem mais preâmbulos, este inquiriu, em tom frio, impessoal:
- Já tem tudo pronto para a partida de amanhã?
- Sim! – respondeu Bunny, a transbordar de entusiasmo. – Acredita que no dia em que recebi a carta da minha tia Luna comecei imediatamente a fazer as malas?
Ele mexeu o chá, lentamente e pausadamente, obstinando-se em não encará-la.
- Quando a Luna me disse que a convidaria a visitar a finca, não tinha a certeza se iria a certeza se iria aceitar.
- Aceitar! – exclamou Bunny, soltado uma risada. – Uma viagem a Espanha? Para mim foi uma bênção caída dos céus. Não sei como exprimir-lhe a minha gratidão… o que significa para mim mudar de ares! – Relanceou os olhos pelo quarto: - Sem o meu pai, o apartamento parece terrivelmente vazio.
Sr. King arqueou as sobrancelhas.
- E a sua mãe?
- Morreu quando eu tinha a penas doze anos.
Ele meneou a cabeça com ar solene.
- Não tem irmãos nem irmãs?
Bunny hesitou, embaraçada com as perguntas.
- Não. Nem irmãos nem irmãs.
- Não há ninguém que lhe interesse, alguém susceptível de levantar objecções contra a sua viagem a Espanha?
Bunny encarou-o com ar desorientado, cismando no porquê do interesse dele. Mas ponderou cuidadosamente, tentando responder com honestidade às perguntas. Pretendentes não lhe faltavam. Saída com alguns rapazes óptimos, ajuizados, e desejava ardentemente apaixonar-se por um deles, mas, até à altura, o amor esquivara-se-lhe.
- Não há ninguém – respondeu calmamente.
O rosto do homem assumiu uma expressão de surpresa. Mexeu-se na cadeira, cruzou a perna direita sobre a esquerda, reclinou-se para trás e encarou-a com ar inquiridor.
- Não haverá nenhum outro sítio para onde possa ir?
- Não – respondeu ela baixinho, começando a sentir-se ofendida com o seu tom, com a maneira como se estava a imiscuir na sua vida.
- Não é forçoso que eu vá para outro lugar.
- Decerto não pode permanecer aqui, ou pode?
- Tenho uma colega da universidade, a Joana Farley; ela e a Maria, a sua companheira de quarto, pretendem viver mais perto de Londres: subalugaram o apartamento, já mobilado. Depois da renda paga, pouco me sobra, e as economias que o meu pai me deixou não são muitas.
Calou-se repentinamente, interrogando-se porque estaria a revelar àquele estranho pormenores tão íntimos da sua vida.
Sr. King olhou-a, algo impaciente.
- Não tem emprego?
Bunny franziu o sobrolho, desorientada com a preocupação que ele revelava pelo seu bem-estar.
- Não, Senhor King, não tenho emprego.
Falou com lentidão, escolhendo cuidadosamente as palavras.
- O senhor estende, o meu pai veio de Tóquio, para Londres.
Os seus olhos, de um azul claro, ficaram azulados de lágrimas e esboçou um sorriso triste.
- Era uma Avis rara (ave rara) – prosseguiu. – Sentia um grande respeito, quase fanatismo, pela educação. Não lhe foi possível ingressar na faculdade, mas insistiu para que eu fosse. O seu sonho era ver-me com o curso acabado. Depois, no Natal anterior à minha formatura, adoeceu tão gravemente que tive de ficar junto dele…
Um soluço repentino irrompeu-lhe da garganta.
Sr. King franziu as espessas sobrancelhas.
- Sendo assim, não acabou o curso, não é verdade? – indagou.
Bunny abanou negativamente a cabeça:
- Deixei de ter direito à pensão do meu pai que recebia dos Caminhos de Ferro quando… - Mordeu o lábio e prosseguiu: - Há muito tempo que eu desejava arranjar emprego, mas meu pai insistiu para que primeiro estaria o curso. Eu tencionava dar aulas de música, percebe? Para o compensar de todos os sacrifícios que fizera. – Interrompeu-se, engolindo em seco. – Faço tenções de voltar para a faculdade logo que comece a ganhar dinheiro. Andava à procura de emprego quando chegou a carta da tia Luna.
Inclinou-se para a frente e pegou no bule.
-Quer mais chá, Senhor King?
-Não, obrigado.
Ele encarou-a com um olhar tão frio, tão impessoal, tão perturbador que foi com mão trémula que Bunny voltou a encher a sua chávena.
Miss Hearon, escreveu à sua tia, não é verdade?
Bunny respondeu com frieza:
-Sim.
A voz dele assumiu o tom exageradamente paciente do advogado que procede ao interrogatório das acções incríveis e inexplicáveis do réu, em pleno tribunal.
-Importava-se de me explicar a razão do seu súbito desejo de entrar em contacto com a sua tia, após tantos anos de silêncio?
A intenção das palavras daquele homem irresistível atingiu-a com a violência de um soco. Engolindo as lágrimas de mágoa e de cólera por este tão injusto julgamento da sua pessoa, retorquiu:
-Não sou culpada do facto da minha tia Luna se ter afastado da família. Achei simplesmente que estava no direito de saber que o irmão falecera.
Sr. King dardejou-lhe um olhar impaciente.
-Que interesse poderia ter para ela, passados estes anos todos? – Abanando a cabeça com ar de dúvida, acrescentou: -As pessoas só escrevem cartas como a sua quando desejam qualquer coisa.
Tremendo de indignação, Bunny lutou para dominar os seus sentimentos. O homem escusava de estar com rodeios e ir logo direito ao assunto – que ela fosse para Espanha e ficasse lá para sempre, mas deixasse a tia Luna em paz.
-Eu não sou o que julga! Eu não quero nada!
Os olhos dele mostraram-se cépticos
-E no entanto, aceitou a hospitalidade da sua tia – murmurou com rudeza.
-A ideia da visita partiu dela, Mister King.
Disse que uma visita, nesta ocasião, poderia fazer-me bem e que iria pedir ao senhor para me acompanhar até à Finca Florita…
A voz embargou-se-lhe, mas depois as palavras saíram-lhe num rompante:
-Pensei ser esse o motivo da sua vinda, para os preparativos necessários e não para tentar persuadir-me a desistir da viagem!
Bunny viu os seus lábios contraírem-se, quando ele se levantou, quedando-se em frente da lareira, encostado à prateleira do fogão.
-Gostaria de lhe lembrar, Miss Hearon- disse em tom duro, autoritário, - que a sua tia Luna é viúva, com cinco filhos para sustentar.
Calou-se, observando-a.
-Sim, sabíamos que o Artemis morrera - respondeu ela com brandura.
O rosto de Gonçalo King tornou-se ainda mais severo.
-A filha mais velha de Luna, Rita, arranjou emprego em Paris, como dama de companhia. Na verdade, não passa de uma criada de luxo, toma conta de três crianças. To dos os meses envia para casa o dinheiro que pode, para ajudar. Ami, a que tem dezasseis anos, vai entrar num colégio interno de Barcelona. É menos dispendioso do que uma escola em Inglaterra, mas não deixa de ser bastante caro. Finalmente, os miúdos, como a Luna lhes chama: Mário de treze anos; Susana, de dez anos; Seiya, de oito anos e meio. O contributo dos hóspedes da finca mal dá para a Luna viver. O lugar é o paraíso dos artistas, escritores e outras pessoas: hóspedes a «pagar», que necessitam de solidão. Infelizmente – acrescentou, olhando com ar mordaz para Bunny, - está sempre a albergar os vadios do mundo.
Bunny levantou o queixo, espetando-o furiosamente.
-Não sou uma vagabunda deste mundo, senhor King! A razão que me levou a escrever à minha tia foi exactamente a que mencionei. Quis comunicar-lhe a morte do irmão. Nada mais. Não estava à espera de receber o que quer que fosse dela. Lamento se a minha carta o induziu a pensar de outra maneira!
Abanou as mãos, fazendo chocalhar a chávena e o pires ao pousa-los na mesa e soergueu-se.
A mão dele no seu ombro obrigou-a a sentar-se de novo. Inexplicavelmente, o contacto daquela mão grande e forte fê-la sentir-se excitada e o coração pôs-se-lhe a bater desordenadamente. Ele inclinou-se fixou-a com intensidade nos olhos. Em voz lenta, enfática, afirmou:
- A Luna pode perder a finca de um dia para o outro.
Bunny levou a mão à garganta.
- Estou desolada, não sabia.
- Do que ela menos precisa – prosseguiu Gonçalo King implacavelmente, - é de sustentar mais uma boca, de ter outro albatroz a pendurar-se-lhe ao pescoço, de mais desgarrada…
Incapaz de suportar a sua mordacidade, Bunny repeliu-lhe a mão, que lhe queimava a pele, e de um pulo levantou-se, os olhos ambarinos lançando chispas.
- O senhor atreve-se a dizer-me coisas dessas? Tenho a certeza de que a minha tia é suficientemente lúcida para decidir quem deverá ou não permanecer na Finca Florita e sinto-me ofendida com a sua intromissão, como ela decerto se sentiria se soubesse que o senhor anda a julgar os seus hóspedes. Que direito tem você de decidir o que será melhor para a minha tia?
- Minha cara Senhora Hearon, a Luna e o Artemis são meus amigos de longa data, conheço-os muito melhor do que a menina. Tenho a certeza de que se o Artemis fosse vivo seria o primeiro a agradecer-me por zelar pelos interesses de Luna.
Bunny sentiu o rubor espalhar-se-lhe pelas faces, mas levantou a cabeça e suportou estoicamente o olhar de Gonçalo King. Parecia tão seguro de si, tão condescendente que a fazia sentir-se culpada, sem que houvesse razão para tal. Deu um profundo suspiro e, num tom de fria polidez, declarou:
- Sugiro-lhe que nos deixe, a mim e à minha tia, resolver os nossos assuntos e que se meta na sua vida, seja ela qual for…
O sorriso divertido que bailou na boca carnuda e grande de Gonçalo King, fazendo-lhe aparecer uma cova no queixo, distraiu-a. Noutras circunstâncias, tê-lo-ia achado perigosamente irresistível, porque, a despeito das suas maneiras arrogantes, autoritárias, possuía um certo magnetismo animal que lhe fazia o sangue pulsar. Mas na altura, suspeitava, furiosa, de estar a ser alvo da troça dele. Minúsculos pontos de luz cintilavam-lhe nos olhos.
- Para sua informação, Senhora Hearon, o meu ofício é pintar retratos para subsistir… Paisagens, por puro prazer. Vim esta semana a Londres para inaugurar uma exposição. Se estivesse familiarizada com a Mariana Gallery, facto de que eu duvido, é possível que admirasse o meu trabalho…
Bunny deixara de escutar. As suas pernas pareciam gelatina quando mergulhou no desengonçado cadeirão de couro, olhando fixamente para um desenho desbotado da carpete. Não admirava, aquela sensação de déjà vue (já visito), de já conhecer quele homem! Lera vários artigos acerca do sujeito e do seu trabalho nas revistas e jornais! No seu íntimo, uma vozinha gritou em pânico: «O homem que está sentado no teu sofá é o Gonçalo King, o mais famoso pintor de retratos de Inglaterra!»
O último artigo que lera referia-se à compra que fizera de uma casa Curzon Street, longe de Mayfair; que a reconstruíra no estilo georgiano. Tudo isto lhe acorria agora ao pensamento. Forçou de novo a atenção para o que ele estava a dizer.
-… de facto, estou a preparar uma exposição para esta noite. Infelizmente, precisava de vir a Londres quando a sua tia teve a brilhante ideia de me pedir que a acompanhasse até a Tóquio.
Ela sentia-se perturbada e os acontecimentos das últimas semanas haviam-na tornado hipersensível. As palavras dele foram como que a gota a fazer transbordar o cálice. Não iria vergar-se nem tão-pouco intimidar-se por causa desta insolente personalidade.
- Senhor King! – exclamou, numa explosão de fúria. – Não me interessa quem o senhor é! Não tem o direito de se intrometer, pondo em causa os meus motivos, dando-me ordens, dizendo-me o que devo e o que não devo de fazer! Proíbo-o de mandar na minha vida!
Ele enterrou as mãos nos bolsos de casaco de bombazina e postou-se em frente do fogo crepitante, os pés afastados, com uma expressão aborrecida, como que à espera que ela se calasse. Bunny pensou fugazmente que lembrava uma imagem do Inferno de Dante.
Ele deixou escapar um suspiro de desalento.
- Está bem, Senhora Hearon. Acompanhá-la-ei ao Japão, mas somente para fazer o favor à Luna e não porque queira ou aprove a sua ida.
Bunny encarou-o friamente, de olhos azulados.
- Não precisa de se preocupar, Senhor King. Sei tomar conta da minha pessoa. E arranjarei emprego, se for necessário: não pretendo ser um peso para a tia Luna.
Gonçalo King resfolegou:
- Ai, sim? E o que fará?
- Sei escrever à máquina! – respondeu Bunny, na defensiva.
As sobrancelhas dele arquearam-se, num trejeito sardónico.
- Em espanhol? Aposto que nem sequer sabe uma palavra!
Bunny cerrou os lábios e virou-se, começando a pôr a louça do chã no tabuleiro. Estudara piano e tinha uns conhecimentos superficiais de alemão e italiano, mas não sabia uma palavra de espanhol. Sentindo que ele a observava, aguardando uma resposta, apertando o pesado tabuleiro contra a cintura. Sentindo-se como um animal enjaulado, teve ímpetos de lhe bater.
- E quanto a si, Senhor King? Suponho que fala fluentemente espanhol, não é verdade?
Ele sorriu, num esgar insolente e lânguido, que lhe revolveu o coração.
- Sei o suficiente.
- E para si o que é o suficiente? – perguntou ela, fazendo balançar o tabuleiro, como se desejasse atirar-lho à cabeça.
- O suficiente para me desenvencilhar, Senhor Hearon.
Contornou a mesa, estendendo os braços na direcção dela. O coração de Bunny bateu mais depressa, num alvoroço que não conseguia entender, e recuou.
- Dá-me licença que pegue nisso?
Bruscamente, tirou-lhe o tabuleiro das mãos. Desequilibrando-se, balançou-se para a frente e quando se virou, os dedos de Sr. King afloram-lhe os seios. Se ele teve consciência disso, não o revelou e dirigiu-se rapidamente para a cozinha.
Por uma fracção de segundo, Bunny permaneceu imóvel. Sentia-se perturbada com as súbitas e estonteantes sensações que aquele contacto lhe provocara. O simples gesto de lhe tirar o tabuleiro pusera-a completamente sem forças. Sentiu-se uma idiota por se lhe ter esquivado. Mas não iria deixar-se intimidar. Foi no seu encalço, atravessando a sala de jantar, a porta giratória, em direcção á cozinha, onde o viu a pousar o tabuleiro na mesa.
-Muito obrigada -disse, constrangida.
-Não tem quê – respondeu ele, fazendo uma vénia exagerada e dirigindo-se para a sala de jantar, onde se sentou no sofá desconjuntado.
Bunny interceptou-o no preciso momento em que se virava para lhe falar, de modo que por pouco não chocava com ele. Inspirou profundamente e olhou-o de frente, ignorando a expressão mordaz que lhe cintilava os olhos claros.
-Sr. King, já que estamos a esclarecer as coisas, porque razão vive o senhor em Finca Florita?
Um sorriso repuxou os cantos da boca dele.
-Recentemente, a mulher de um idoso cavalheiro incumbiu-me de fazer o retrato do marido – respondeu. E depois de citar o nome de um pianista famoso, prosseguiu: -O velho maestro vive perto de Marbella e dado não tencionar vir a Londres, Londres teve de se deslocar até ao maestro.
- Não podia ter ficado em Marbella?
Gonçalo King cruzou os braços contra o peito e ficou-se a olhá-la, como um leve sorriso a bailar-lhe nos lábios.
- Evidentemente que sim. E a primeira coisa que fiz quando cheguei foi telefonar ao meu amigo Artemis Graham, que, segundo ouvira dizer, se dedicara à compra e venda de propriedades. Foi quando a Luna me disse que o Artemis morrera de um ataque cardíaco, há dois anos. A Luna insistiu para que eu a fosse ver, coisa que de qualquer dos modos tencionava fazer. Quando vi a situação em que se encontrava, decidi ficar, por razões que não lhe dizem respeito.
- Não me estou a imiscuir nos seus problemas pessoais, Senhor King – replicou Bunny em tom claro.
- Tão-pouco eu esperava que se intrometesse, Senhora Hearon.
Detecto uma cintilação divertida nos seus olhos azuis. Continuava a rir dela, a fazer de todo-poderoso. Senhor king atravessou a sala, em direcção à porta, e virou-se, encarando-a, com a mão pousada na maçaneta.
- Hoje à tarde vou buscar os nossos bilhetes de avião e estarei aqui em casa amanhã de manhã às sete em ponto. Agradeço que esteja pronta. Detesto ser obrigado a esperar.
Bunny abriu a boca para ripostar, mas antes que pudesse dizer palavra, já ele se fora embora, depois de ter fechado a porta com firmeza. Por um momento, ficou ali, a tremer de indignação, lutando com todas as forças para dominar a vontade de abrir a porta e gritar-lhe. Correu para a janela, o coração a pulsar-lhe com violência, e avistou a sua figura alta, espadaúda, a descer os degraus e atravessar o passeio, no meio da cortina de chuva e dirigir-se para o carro, uma mancha cinzento-escura estacionada na esquina.
Enquanto lavava a louça, Bunny deu-se conta de que Gonçalo King não lhe dissera porque vivia na finca, pouco lhe falara da tia Luna e dos seus cinco filhos e nada lhe revelara acerca dos outros hóspedes. «Quais serão as relações dele com a tia Luna?» perguntou de si para si. Soltou um leve suspiro, avassalada por emoções contraditórias: pesarosa com a morte do pai e ao mesmo tempo excitada com a viagem que iria efectuar a Espanha; ressentida com Gonçalo e ao mesmo tempo inegavelmente atraída. Por um momento absurdo, imanou o que seria a aversão dele transformar-se no sentimento oposto – ter aqueles braços viris a rodeá-la, puxando-a contra si, aquela boca carnuda e sensual meigamente unida à sua. Sentiu-se atingida pela dolorosa sensação de que para Gonçalo King era uma convidada indesejada. Torceu energicamente o esfregão. Quem lhe dera nunca o ter conhecido!
Contudo, sentia-se grata por ver que lhe era franqueado um mundo totalmente novo. Não podia deixar-se abater por aquele estranho que arbitrariamente decidira intrometer-se na sua vida, mesmo sendo um artista famoso. Pelo menos convencera-o de que ninguém a persuadiria a ficar ali. Sorriu de si para si, dando-se repentinamente conta de que o seu coração esvoaçava como uma borboleta, só de pensar na viagem quase irreal que a sua vida estava a sofrer. Gonçalo King não só tomara chá com ela, ali, no seu próprio apartamento, como a ia acompanhar a Espanha!
Resolutamente, expulsou a recordação do seu sorriso, a expressão trocista dos seus olhos, determinada a não deixar-se desarmar por ele. Mau grado a sua resolução, deu por si a pensar que mal podia esperar pela Joana para lhe contar o que acontecera.
Joana! Bunny olhou o relógio. Era muito mais tarde do que pensava. O incrível encontro com o Senhor King fizera-a esquecer-se por completo da Joana Farley. Dentro de momentos, estaria ali, para últimos preparativos da mudança para o apartamento; precisava de lhe entregar a chave e em seguida iriam jantar fora. Correu para o quarto, a fim de se vestir.
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espero que tenho gostado
bjx adoro-vos a todos <3
O amor acontece
(basicamente isto chama-se plágio
)
Não es boa na escrita, mas também sabes que podes melhorar, mas também plagiar nunca é solução... Desculpa se estou a ser dura, mas tou a ser sincera. Eu como escritora coisa que detestaria era ver o meu livro ou fic ser "adaptada" assim só porque alguem lhe apetece, e essa pessoa estar a receber créditos pelo MEU trabalho e não pelo trabalho a essa pessoa. Não podes chegar aqui e postar o trabalho de outra pessoa com outros nomes. Desculpa mas não consigo sequer ler isto
)Não es boa na escrita, mas também sabes que podes melhorar, mas também plagiar nunca é solução... Desculpa se estou a ser dura, mas tou a ser sincera. Eu como escritora coisa que detestaria era ver o meu livro ou fic ser "adaptada" assim só porque alguem lhe apetece, e essa pessoa estar a receber créditos pelo MEU trabalho e não pelo trabalho a essa pessoa. Não podes chegar aqui e postar o trabalho de outra pessoa com outros nomes. Desculpa mas não consigo sequer ler isto


さよならできずに, 立ち止まったままの僕と一緒に...
e sou para enformar que vou continuar est historia pq est a fazer um livro mas n vou agr meter pq est historia so vai ser posta quand eu acabar est e eu so queria meter tabem uma aqui so que est foi a maneira que arranje para ter uma fic melhor aqui.
Mas vou vossos dizer o nome do livro que est a escrever e claro est a ter ajuda nele mas so nas partes dos meus erros que ja sao poucos.
e so mais uma coisa por favor peso-vos, que n critiquem est fique pq eu tive a semana a fazer-la e mais duas amgs minhas que num momento apagaram sem querer o que ja tava faito e fiquei para morrer nesse dia msmo, mas isso n emporta ne.!
Mas vou vossos dizer o nome do livro que est a escrever e claro est a ter ajuda nele mas so nas partes dos meus erros que ja sao poucos.
e so mais uma coisa por favor peso-vos, que n critiquem est fique pq eu tive a semana a fazer-la e mais duas amgs minhas que num momento apagaram sem querer o que ja tava faito e fiquei para morrer nesse dia msmo, mas isso n emporta ne.!
O amor acontece
Não percebi nada do que disseste, mas depois olhando para a tua idade... vamos lá ver, acho que já estás na idade de perceber certas criticas que te fazem. Se simplesmente estás a cópiar o que leste num livro, não adicionando nada de relevante à história, algo que seja da tua autoria, é considerado plágio, tal como a Tinoco bem disse. Nem vou comentar sobre os teus erros de português no teu comentário, não consegui perceber o que nos querias dizer. Agora, tens de aceitar as criticas, a partir do momento em que publicas algo, estás sujeita a levar com criticas, sejam positivas ou negativas. Já agora, fiquei com uma dúvida: estás a escrever um livro, é isso?
filipa146, quando postares aqui no fórum, escreve pelo menos os verbos correctamente. O problema de ninguém perceber nada do que estás a dizer deve-se à tua escrita, principalmente o excesso de "est".
Este tópico que criaste é uma fanfic/livro que tu escreveste criando toda a história inteiramente da tua autoria, ou apenas traduziste/adaptaste mudando nomes, terras e outras coisas?
Este tópico que criaste é uma fanfic/livro que tu escreveste criando toda a história inteiramente da tua autoria, ou apenas traduziste/adaptaste mudando nomes, terras e outras coisas?
correto mas vou dar o meu melhor juro para que esta fic fique bem apezar de de ser copiada. mas juro que quando o meu livro estiver a cabado voces sao os primeiros a ler 
e obrigada amigas eu vou dar o meu melhor e agora não posso desistir desta fic mas o capitulo especial ja vai ser feito por mim mesma

e obrigada amigas eu vou dar o meu melhor e agora não posso desistir desta fic mas o capitulo especial ja vai ser feito por mim mesma

O amor acontece
Não estás a perceber onde quero chegar: se não foi criada por ti, não é considerada tua, por isso nem sequer pode estar aqui.
Estas salas são apenas para fanfics, isto é histórias, criadas por membros do fórum. Se esta história não foi criada por ti, não pode estar aqui publicada no fórum. Lê as regras.
filipa146, desejo-te boa sorte na tua escrita, mas com uma história que seja da tua autoria.
Estas salas são apenas para fanfics, isto é histórias, criadas por membros do fórum. Se esta história não foi criada por ti, não pode estar aqui publicada no fórum. Lê as regras.
Starlight escreveu:10. Regras específicas para determinadas salasPortanto, tópico bloqueado e brevemente apagado.
[...]- Nas salas de Fanfics é proibido postar histórias que não sejam da autoria do próprio membro, é obrigatória a colocação de um índice no primeiro post e as fanfics devem estar bem escritas, sem erros ortográficos e sem abreviaturas. Quando uma fanfic já estiver concluída, deve ser colocada a seguinte tag antes do título: [Fic Concluída].[...]
filipa146, desejo-te boa sorte na tua escrita, mas com uma história que seja da tua autoria.
Tens de entrar para responderes neste tópico.

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