Sailor Moon Portugal, A Navegante da Lua

Entre Mundos

#1
Esta é uma história que eu queria escrever à muito tempo, porque andava com ela em mente. É totalmente minha e só a comecei a escrever agora, porque queria ter amadurecido a escrever primeiro. Vou meter aqui um pequeno prólogo, a história já vai em oito capítulos, mas quero postar aos poucosEmbaracoso Espero que gostemEmbaracoso

Sinopse

Uma lenda misteriosa, que decorre de cinquenta em cinquenta anos, o mistério que a rodeia em breve será derrubada, iluminando assim a verdade. Vidas passadas, magia, mundos diferentes, dimensões, coisas irreais para pessoas normais; porém, os escolhidos que têm tais dons sofrem com esse peso. Tanta vida que decorreu, vidas que se tornaram trágicas de um dia para o outro, corpos moribundos aparecidos do nada. Tudo isto e o mistério em roda da família Blossom, que nada se sabe além de que estão em todos os negócios, não sabendo ninguém como eles atingiram tais posições. Embora esteja neste momento tudo revestido de segredos e mistérios, talvez num futuro próximo se vá descobrir toda a verdade.
#2
desculpem o double post Embaracoso'

Capítulo 1 – O Início



Reza uma lenda que no décimo sexto aniversário de cinquenta a cinquenta anos acontece um evento específico a um membro da família Blossom. Mortes desconhecidas que acontecem sem se saber o porquê. Simplesmente ficam loucos de um dia para o outro, ou simplesmente desaparecem.

Anne pertencia a essa mesma família. Ela encontrava-se prestes a comemorar os seus tenros dezasseis anos e exactamente no dia desse seu aniversário completava a data dos cinquenta anos passados, sem qualquer bizarro acontecimento. Possuía belos olhos verdes, cor de jade brilhante, cabelo castanho, cor de mel, liso e fino. Era uma pessoa cheia de vida e positiva, em tudo na sua vida. Todos os dias pensava para si mesma, como a vida é cheia de cores e energia. Trazia-lhe bastante felicidade e óptima disposição olhar ao redor de si e observar atentamente o seu mundo.

Anne levantava-se com os raios de sol a entrarem sorrateiramente por entre as persianas semi-cerradas. Vestiu o seu uniforme como sempre. Branco, com faixas azul cor do céu no fim da sua saia, camisola de mangas largas branca, com o mesmo azul no fim da sua gola. Desceu as escadas vagarosamente. Ninguém se encontrava em casa, estavam já a trabalhar. Comeu o pequeno-almoço: cereais com leite e umas torradas. Pegou na sua mala e saiu de casa. Chegou à escola e foi ter com o grupo de três amigas, onde fica a falar de variadas coisas. Ela sabia da lenda da família e, com os cinquenta anos a comemorar-se no seu dia de anos, tinha receio do que se fosse passar, por isso não contou a ninguém, exceptuando a sua família, acerca do seu dia de anos. Desde que ela era pequena que sempre andou com duas pedras misteriosas que a sua avó lhe havia dado quando tinha os seus tenros cinco anos.

Chegara a noite e Anne encontrava-se no quarto. Estava com um vestido de dormir. Encontrava-se sentada na cama a olhar para as pedras, depois de as ter tirado do bolso da camisa. Já era quase a hora quando havia nascido. Sentia-se inquieta, por cada passo que o relógio dava mais perto da hora certa. O relógio que se situava no hall de entrada dera finalmente as dez badaladas. Com o belo tilintar do relógio, a casa tremeu como se estivesse iludida pela bela música que dava dores de cabeça a Anne. Começara a ter pequenos traços de memórias nubladas, que lhe turvavam a mente. Só havia conseguido ver de entre tanto nublado uma poça de sangue, com pingos a caírem sobre essa mesma poça, fazendo turvar o seu descanso. Após alguns minutos de dores insuportáveis e limpeza de mente a Anne, a casa havia finalmente parado de tremer, juntamente com o som do relógio de parede do hall de entrada. Como uma criança curiosa, logo após recompor-se, correu em direcção à janela do seu quarto, abrindo as persianas. Estava nervosa e abriu-as de rompante, debruçando-se logo de seguida no parapeito da pequena janela do seu quarto. O vento batia-lhe suavemente na face sem lhe causar frio, os cabelos balançavam ao seu sabor, juntamente com o vestido. Olhava perplexa para aquele ambiente desconhecido que nunca outrora havia avistado. Aprontou-se rapidamente a ir descobrir aquele lugar diferente. Acabara de meter os ténis brancos quando abriu a porta da sua casa, esvoaçando os seus cabelos longos e finos, com o belo dançar do vento que ali se encontrava. Parecia que a estava a acolher; a sua camisa de dormir rosa murcha esvoaçava também ao seu ritmo. Meteu-se a andar pelo trilho de terra clara como areia de praia que ali se encontrava; era um caminho misterioso para ela. Foi caminhando vagarosamente, saboreando a paisagem rica que ali existia. Havia tantos animais diferentes que nunca tinha visto de perto, havendo até seres já extintos naquela longa planície. Deleitou-se com o ar perfumado que a rodeava naquele sítio desconhecido, mas que a ela parecia-lhe tão familiar como o ar que respirava. Era uma sensação de já ali ter estado, de já ter deitado os seus olhos verdes perante aquele sítio, embora soubesse que tal nunca havia acontecido.
#3
Eu estou a acompanhar esta história e, na minha opinião, é realmente original! Tem uma história interessante, cheia de mistérios por desvendar. Por si só, já gosto imenso de histórias que abordem mundos paralelos e desconhecidos, por isso, para mim, é muito bom lê-la!

A Anne parece ser uma personagem que ainda vai ter muito para nos revelar. A sua figura emana uma aura misteriosa, como se existisse algo por detrás das suas acções. Agrada-me mesmo a sua caracterização física, desde os olhos aos seus cabelos. E, depois, quando descobriu aquela paisagem diferente, o seu espírito curioso fê-la mover-se Smile Ah, e não posso deixar de referir as descrições, que é sempre algo que gosto muito de ler!

Vou deixar só uma sugestão, separa os parágrafos para a leitura não ficar tão corrida e mais simples Wink

Fico à espera de mais! Very Happy
#4
Kaoru *-* Adoro/amo o comentário *-* Obrigado! Até fico sem palavras! Se tu gostas e queres mais, então nem preciso de mais nada! A tua opinião conta, visto que és minha musa particular *-* Devo-te imenso por ter arranjado inspiração! Vou corrigir o que disseste acerca dos capitulos corridosEmbaracoso Obrigado pelo teu amável comentário *-* Já agora a razão de ele ficar corrido é mesmo do fórum Embaracoso' Porque no word está todo bom, mas vou ter atenção daqui para a frenteEmbaracoso
#5
Acabei de ler agora este prologo e o primiero capitulo Surprised.o:
Omg! Está tao lindo Surprised.o:
Os meus sinceros parabens!
Adoro este tipo de historias com lendas mestiriosas, com dois mundos diferentes, mais uma historia que vou acompanhar de certeza Surprised.o:

As tuas descriçoes sao simplesmente fenomenais, fabulosas. Adoro descriçoes maravilhosas como estas. eu me sentia como se estivesse anadndo com a Anne, acompanhando todos os seus passos. todas as suas sensaçoes, tudo o que se passava na sua mente. todos estes detalhes eram tao visiveis e sentidos por mim. Mais uma vez os meus parabens!
A Anne, já vi que vai ser uma personagem que me vai gerar uma enorme intriga e curiosidade. Adorei a sua descriçao fisica e psicologica. Parece ser uma rapariga madura, mas com um espirito bastante aventureiro e curioso.

Nao sei que dizer mais, a não ser que ja estou completamente fascinada pela historia e que escreves maravilhosamente bem Embaracoso

continua, espero ansiosamente por um novo capitulo.

*mim oferece um ovo kinder à Angeless*

off: Kaoru-chan, mais uma historia fantastica para subornar-mos eheheh
#6
Surprised.o: Tixa_Xana obrigado! Muitissimo obrigado! Oh acho que as minhas descrições comparadas, com tanta descrição de maravilhosos escritores por aqui, não são grande coisa, mas agradeço-te imenso esse elogio! *aceita ovo kinder* obrigado adoro chocolate, especialmente kinder que é tão gostoso Surprised.o: postarei ainda hoje o capítulo 2Embaracoso até porque actualmente a história vai em 8 capitulos escritos, tenho material suficiente para colocar um por dia Matreiro espero que continues a gostar daqui para a frente Surprised.o:
#7
Eu já li até ao 8, e já sabes a minha opinião, Nessa!
Adoro mesmo, as descrições as personagens, os mistérios, e a história que por aí vem!

Identifico-me com a Anne, também eu sou curiosa e não resistiria a ir de encontro ao desconhecido. Razz

Vai postando mais, sim? Embaracoso

<3-te. @@
.

A sério?! Nãaaao! Eu gosto tanto deste anime.... Mas o mangá continua certo?
_________________
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Se gostas de anime, junta-te a este fórum!
*
Orgulhosa membro da equipa MangaPT
#8
Sol~chan! Meu amor! *-* És a melhor quality checker que se pode ter! E uma grande amiga por o fazeres de graça, quer dizer não é de graça, visto que me 'exiges' mais capítulos sempre que acabas de ler xD Sei a tua opinião muito bem *-* Vou postar agora o capítulo 2 para quem quiser ler xD Espero que gostemEmbaracoso

Capítulo 2 – Encontro traçado


Quando deu por si fora de pensamentos longos, encontrava-se numa pequena vila deserta. Não existia ali alma viva; estavam as casas desoladas e entregues ao destino cruel, que aos poucos as iam matando. As suas cores gastas e a tinta ressequida no chão tornavam-nas deploráveis e dignas de compaixão. Percorreu a pequena vila; mesas com panos e cerâmicas, cheias de pó e teias de aranha. Em vez do seu normal castanho-escuro, a madeira apresentava um castanho morto, que a ninguém faziam cobiçar tê-las. Após mais uns poucos metros à frente, deparou-se com uma espécie de castelo, que se encontrava centrado na vila abandonada. Era todo vestido de um azul cor do mar e branco, que brilhava alegremente perante os raios solares. Empurrou as altas portas anis, que estavam adornadas de branco. Entrou pelas portas adentro e de imediato encontrou-se num mundo totalmente diferente da vila por que acabara de passar. O chão de mármore branco adornado de bege, as paredes brancas com belos quadros pendurados, as mesas de mogno que reluziam com cerâmicas por cima delas. Aparentava ser um labirinto autêntico, cheio de portas e escadas, altos e baixos, mas não perdia a sua beleza colossal. Ao olhar para o tecto viu que se podia ver o céu dali; era como uma catedral em bico e acabado em vidro, que deixava entrar uma luminosidade natural que enriquecia aquele misterioso e belo cenário. Sacudiu a cabeça depressa, num gesto para parar de apreciar aquela beleza e procurar por alguém que lhe explicasse tudo. Depressa se recompôs e começou a andar, atenta a passos, vozes ou mesmo a alguém que estivesse naquele sítio belo, embora lhe desse uma sensação de vazio. Após percorrer algumas portas e escadas, entrou num quarto que era escuro como breu. Lá encontrava-se uma mulher de cabelos, cara, olhos e trajada de branco. Naquela escuridão, a estranha e peculiar mulher destacava-se, parecendo afugentar o escuro que ali possuía tudo, já que se parecia encontrar rodeada de luz. Continuou estupefacta a olhar para a mulher, pensando para si mesma se o que via era real, ou ilusão que a sua mente sonhadora lhe pregava. A bela dama de cabelos esbranquiçados até às suas pernas aproximou-se dela. A cada passo proferido pela donzela trajada de claro, mais nervosa e ansiosa ficava Anne.

- Nada temas, minha filha – proferiu a doce voz da dama de branco.

A rapariga de olhos duvidosos fitou aqueles olhos claros, tão expressivos como os seus verdes. Estranhamente, aquela presença que lhe continuava a tirar todas as palavras da sua mente dava paz à sua alma, ficando vazia, simplesmente contemplando de olhos abertos a pálida mulher.

- Não te farei mal, estou aqui para te guiar – assegurou-a a dama de pele branca cor de pérola.

Anne finalmente conseguiu articular palavras.

- Quem é você? – perguntou ela com os belos olhos verde reluzentes de curiosidade.

A dama havia chegado finalmente perto de Anne e debruçou-se cuidadosamente por cima do seu joelho direito, pegando na mão de Anne e beijando-a. Anne ficara estupefacta por tal acto cometido pela enigmática pessoa na sua frente.

- Porquê…? – gaguejou Anne; aliás, obrigou-se a tentar falar, tendo a sua mente tão limpa que nem sabia o que pensar, dizer ou sentir.

- Quando a pessoa que esperaste tantos anos da tua vida aparecer finalmente perante ti, vais entender o porquê – disse a bela dama, limpando o seu belo vestido branco da poeira do chão que havia teimado em ficar.

Anne não mais a questionou; a presença daquela mulher atordoava-a como o maroto vento muitas vezes brincava com ela, chegando ao ponto de ficar zonza e atordoada sem saber o que mais fazer. Tanto rodopiava ao seu sabor que acabava por perder a sensação do corpo e começava a sentir-se voar, como um pássaro livre que irrompe por entre as nuvens nos dias de calor. Sacudiu a cabeça para tentar conseguir reagir perante aquela situação enigmática que lhe era estranha, mas ao mesmo tempo parecia-lhe familiar.

- Onde estou eu? – disse por fim Anne, após batalhar para conseguir articular palavras e racionar.

A bela dama mantinha-se num silêncio absoluto. Após alguns minutos de profundo nada entre as duas, a dama andou e saiu de dentro daquele quarto. Após estar aquém da porta virou-se para trás.

- Anne – chamou a dama que reluzia com o sol que ofuscou a jovem, como se estivesse perante uma luz incasável e inesgotável.

- Sim? – respondeu apressadamente a curiosa rapariga.

- Segue-me – pediu, estendendo a sua mão na direcção da rapariga que ainda se encontrava submersa na escuridão do quarto.
#9
Como já tive oportunidade de dizer, este capítulo esteve muito envolvente em termos de descrição! Gostei imenso da primeira parte, principalmente quando falaste do aspecto das casas:
Spoiler
Quando deu por si fora de pensamentos longos, encontrava-se numa pequena vila deserta. Não existia ali alma viva; estavam as casas desoladas e entregues ao destino cruel, que aos poucos as iam matando. As suas cores gastas e a tinta ressequida no chão tornavam-nas deploráveis e dignas de compaixão.
Foi tudo tão envolvente que dá a sensação de estarmos dentro da cabeça da Anne, a visualizar todos os lugares por onde ela passa, as portas imponentes, o chão e caminhos labirínticos, os ornamentos que ela via, a mistura de cores...

Mas, claro, um dos pontos altos foi o aparecimento da "dama trajada de branco" Smile É realmente uma personagem deveras misteriosa logo à primeira vista (o seu aspecto puro, toda a sua beleza), assim como a maior parte dos elementos que vão passando por esta história. E a forma como ela fala, o diálogo entre as duas...

Outra coisa que não posso deixar de referir foi a atitude da Anne, estupefacta, curiosa e abismada! E quando a mulher lhe beijou a mão...! É tão enigmático Embaracoso

E, como sempre, acabas na melhor parte Razz Ah, e quanto ao conselho que te dei, o texto fica realmente melhor assim Embaracoso

Mas porque é que continuo curiosa? Neutral (ora bolas Razz)

Pequeno off-topic: Pois é Xaninha, temos mesmo de subornar! Very Happy

*dá outro ovo Kinder à Nessa e escreve "Mundos Ocultos" nas fanfics a subornar*
#10
Kaoru Surprised.o: Obrigado pelo lindo comentário! Espero que continues sempre a gostar desta história! Se não acabar o capítulo nas melhores partes, não tráz interesse Matreiro Tu és curiosa por natureza Surprised.o: Não me subornem muito! *aceita ovo kinder* obrigado Surprised.o: Como oferta de 'paz' aqui vai mais um capítulo! Matreiro

Capítulo 3 – Quadro misterioso

Depressa começou a andar e Anne correu para o seu lado de imediato. Após subirem umas escadas largas, com um tapete vermelho adornado de dourado nos cantos que percorria esse caminho, deparou-se com um quadro. Tinha uma dama de negro com os seus olhos e cabelo vestidos de púrpura. Parecia rica devido às suas jóias de oiro que a cobriam quase tanto quanto as suas vestes negras, mas ao mesmo tempo parecia triste; emanava uma melancolia como se quisesse ter fugido daquela vida, como se estivesse pressa àquele sitio que parecia detestar. Ela ficou presa no quadro. Parecia que quanto mais olhava, mais coisas acerca daquela pessoa se mostravam, como se levantasse o pano de um palco de teatro, continuando a descobrir novos factos sempre que o levantasse. Os cabelos brancos esvoaçaram por breves momentos com o andar da pessoa a quem pertenciam.

- O que achas dela? – questionou-a, fazendo-a sobressaltar, interrompendo os seus pensamentos.

- Sinto que a conheço… – respondeu Anne com o seu olhar posto no quadro. Os seus belos olhos verdes mostravam unicamente o reflexo daquela aparente desconhecida.

- Acreditas em vida depois da morte? – perguntou com os seus cabelos a voarem um pouco por se ter deslocado para trás de Anne, ficando mais longe do quadro.

- Penso que sim… – Anne acenou com a cabeça, sem despregar os seus olhos da pintura.

- Queres saber quem ela era? – A dama de branco instigava cada vez mais a curiosidade da jovem rapariga.

Depressa se virou, despregando os seus olhos do quadro, colocando-os em cima da dama. Estava curiosa, muito curiosa, mais curiosa do que estivera alguma vez na sua vida.

- Claro que quero saber! – exclamou num impulso drástico.

- Então contarei a sua história. Espero que a aguentes até ao fim, minha doce Anne – confessou a dama com um ar pesado e triste. Aquele quadro parecia pesar-lhe a alma.

- Não me importa, quero saber à mesma – respondeu ela convicta; até os seus olhos mostravam uma enorme determinação e convicção.

- Então contarei a história, mas não me deves interromper. Se tiveres alguma pergunta, coloca-a no fim. Entendido?

- Sim – concordou Anne.

- Há muitos, muitos anos atrás, havia uma bela rapariga que embelezava este reino. Trazia amor e esperança ao coração dos que já tinham perdido tudo. Era inteligente, livre, amava e era amada. Adorava passear pelo campo usando roupas largas e confortáveis com as cores primaveris de que tanto amava – Anne olhou de esguelha para o retrato. Não lhe parecia, ela ali estava vestida de negro, mas continuou a ouvir. - Esta vila não foi sempre assim, sabes, houve uma altura em que havia deveras felicidade, alegria e pessoas; porém, isso tudo acabou devido a uma guerra – Anne questionava-se que guerra se teria dado ali, quando estava tudo intacto.

« Após a guerra, houve uma separação de um só mundo para três diferentes mundos e dimensões – Anne encontrava-se espantada por ouvir as palavras mundos e dimensões diferentes ditos, ela que nunca havia acreditado nisso. – Ficou um mundo composto unicamente por humanos, não humanos e um mundo onde o tempo parou, que controla o negativo e positivo de ambos mundos. Este é o mundo onde o tempo parou, como vês mexemos, os animais mexem, mas é um mundo desértico onde nenhum humano ou não humano poderá voltar – Anne não acreditava no que ouvia; parecia tão irreal.

« Mas continuando a história dela, após a separação dos três mundos, descobriu-se que ela tinha ambos os sangues, o seu pai não era humano, ao contrário da sua mãe. Houve muitos casais assim que foram mortos, perseguidos, torturados e muito mais. Por ela ter ambos sangues, foi perseguida. Os humanos queriam fazer experiências e os não humanos queriam-na morta. Naquela altura passou-se muita coisa infeliz para ambos os mundos, mas ela foi a que mais sofreu devido a ambos os lados. Um meio anjo, meio demónio acabou por a desposar à força. Ele havia-se apaixonado por ela e aproveitou aquela situação para lhe fazer uma proposta: casar e viver, ou ser torturada e morrer por aquelas pessoas que a perseguiam; era um proposta que não podia recusar. Assim, casou-se com ele, começando uma nova vida ao seu lado. Não o amava, não lhe tinha quaisquer sentimentos, mas ele obrigou-a a amá-lo e a consumar a sua união – Anne estava perplexa com a história daquela mulher.

« Tudo isto se passou quando ela tinha os seus tenros dezoito anos. Naquele quadro atrás de ti ela tem vinte anos. Foi a única coisa que sobrou das ruínas – Depressa o espírito de Anne se apercebeu de que ruínas se tratavam e isso demonstrava na sua linguagem corporal. – Tem calma, responderei à tua dúvida. Ela suicidou-se. Incendiou toda a casa. Ela não conseguia mais viver oprimida, tal como esse quadro demonstra. Ele amava-a, mas sufocava-a. Deu-lhe todo o luxo, mas não era esse o seu desejo. O desejo dela era ser livre e nunca o foi nas garras dele.
A dama terminou de contar aquela história com um suspiro pesado e melancolia na sua face.
#11
Simplesmente Lindo Surprised.o:

As tuas descriçoes são mesmo fantasticas, são umas das melhores que já vi aqui neste forum, os meus parabens!
Adoro a forma como descreveste o castelo eu sentia-me como se fosse os olhos da Anne e que estava visualizando todo aquele maravilhoso cenario que é o castelo Surprised.o:

Quanto à historia já me sinto completamente envolvidade e bastante intrigada. Amei o aparecimento daquela dama de vestido branco, principalmente pela sua pureza e tranquilidade que me transmitiu. Surprised.o:

Tal como a Anne estou super curiosa para saber o que se vai passar a seguir. Adoro a Anne. Adoro a sua maturidade e a sua curiosidade e a forma como ela ficou depois da dama ter-lhe beijado a mao. Mais uma vez os meus parabens!

*mim entrega 4 ovos kinder à nessa juntamente com uma caixinha de musica em formato do castelo (da tua fic) com a Anne dançando* Embaracoso

Quero mais! eheheh

Off: tens toda a razao kaoruzinha, ja apontei tambem: eheheh
#12
yay :dança: 4 ovos kinder Surprised.o: Obrigada pelo lindo comentário Surprised.o: fico feliz que estejas a gostar! oh! que exagero! de certeza não são as melhores descrições! existem pessoas que escrevem tão bem neste fórum! mas obrigado á mesma! *aceita ovos kinder e a caixa de música em forma do castelo com a anne lá dentro* Surprised.o: como recompensa aqui vai um novo capitulo Surprised.o:

Capítulo 4 – Recordações

Anne estava completamente sem saber que dizer, ou mesmo perguntar. A história daquela rapariga havia-lhe chocado, a história dos mundos e dimensões havia-a perturbado. Ainda ia para dizer algo, mas acabou por não o fazer. O silêncio absoluto restaurou-se entre as duas. Anne sentia-se incomodada por aquele silêncio estagnador, que não lhe permitia sequer pensar. Olhou em seu redor; as portas de mogno escuro brilhavam descaradamente, as flores que se encontravam dentro de jarros brancos finos eram lindas e tinham um cheiro doce que trazia alguma calma à sua alma. Andou em direcção a essas mesmas flores. Eram lírios brancos que depressa cheirou, entrando em paz de espírito; os seus pensamentos antes confusos estabilizaram-se e tornaram-se claros. Aquela mulher de branco não tinha razões algumas para sequer lhe mentir; ela sabia que o facto de ter saído da sua casa e ter encontrado um sítio que não era habitual comprovava que ela já não estava no seu mundo e nem na sua dimensão. Ganhou coragem dentro de si, respirou fundo e virou-se para trás.

- Posso saber o teu nome? – perguntou ela curiosa.
- Sim, podes. Chamo-me Tomoshibi, é um nome grande e engraçado, mas significa luz. – esclareceu ela num gracejo.

- Posso-te chamar Tomo?

- Podes, se assim o quiseres, claro – respondeu Tomo num tom de brincadeira.

Anne sentiu-se aliviada e expirou contentemente, fechando os olhos por segundos. Sentia-se apaziguada naquele momento.

- A razão por que estás aqui é porque preciso que me faças um favor.

- Qual favor? – Anne perguntava-se que favor seria que Tomo pretendia dela.

- Gostava que fosses ao mundo dos não humanos – disse Tomo seriamente.

Anne surpreendeu-se de seguida e recuou dois passos.

- Eu não conheço nada desse mundo, não te posso ajudar! – gritou Anne assustada.

- Porém só tu o poderás fazer! – retorquiu Tomo.

Anne sentia-se insegura; sabia que não conseguiria ir até um mundo totalmente desconhecido, assim do nada. Tremia que nem varas verdes por imaginar todo o tipo de monstros e, ainda por cima, tinha medo de morrer se fosse àquele mundo de repente.

- Lá encontrarás respostas que não te posso dar, pois é-me proibido interferir contigo directamente.

- O que queres dizer? – Anne perguntou com ar confuso.

- A razão por que entraste nesta dimensão e mundo restringido é porque tens sangue duplo.

Anne ficou pasmada a olhar para Tomo; além de confusa estava perplexa. Tinha-lhe sido desvendado demasiado naquele pouco tempo, tanto que não se aguentava em pé, sentia-se zonza e mal. Começou a ver turvamente, até que ficou a ver apenas negro, pois havia desmaiado. Tomo amparou-lhe a queda e carregou-a para um quarto livre, que tinha uma cama larga, com lençóis de seda e do lado direito da cama a parede feita totalmente de vidro límpido. Era já de manhã e os raios do sol nascente invadiram o quarto, acordando Anne do seu profundo sono. Apoiou-se na cama com as duas mãos e olhou pela janela larga e comprida. Devia ser cedo ainda, pois o sol ainda apresentava um amarelo esbatido, que era habitual quando ele mal se tinha levantado do seu sono. Não reconheceu o quarto, mas dava-lhe paz de alguma maneira. Recostou-se na madeira de orvalho da cama, fechando os olhos e ouvindo os barulhos exteriores. Conseguia ouvir o belo chilrear dos pássaros, compondo uma doce canção que faria qualquer pessoa deleitar-se ao ouvi-los; conseguiam ser invejados por alguns, só pela música que conseguiam criar sem esforço. Levantou-se uns minutos depois e calçou os seus ténis para não andar com os pés sobre o gelado mármore. Deu uns passos e, de relance, viu uma caixa azul cor do céu adornada de branco.
(ouvir a música http://www.imeem.com/biden/music/LADX2hqz/fragments_of_dreams/ )
Foi na sua direcção e abriu o seu tampo A bela melodia trouxe lágrimas aos olhos verdes que não deixou sair; dava-lhe arrepios no corpo e faziam perder-se na sua melódica canção. Sentou-se a ouvir o bonito som, pousando a cabeça sobre os braços e olhando pelos vidros, o céu tão limpo e belo era-lhe nostálgico. Adorava os dias de primavera, durante os quais ia sempre passear; ia ao parque e sempre que olhava para cima, encontrava um céu azul que a tornava feliz. Adorava ir à fonte que também ali se encontrava e sentir o fresco do vento e água no seu corpo, na sua face, no seu cabelo e na sua alma. Queria voltar para casa; sentia que estava fraca perante aquela música e chorou. Quando ela acabou, a rapariga continuava a derramar as suas lágrimas limpas que reluziam com o sol. Levou as mãos à cara e chorou nelas. Perguntava-se se alguma vez voltaria para casa.
#13
Começei agora a ler e estou simplesmente a adorar!! Surprised.o:
Primeiro, adoro a ideia de outras dimensões e mundos paralelos. Depois, a Anne despertou logo em mim uma empatia mt grande, desde que li a sua descrição. Pareceu-me uma pessoa com um espirito livre e aventureiro. Ai e a maneira como descreves as situações... sem palavras mesmo!!! Surprised.o: Parece que estou a visualizar tudo e sinto-me como a Anne, ansiosa e com receio do que vai acontecer a seguir... Quanto à rapariga do retrato, receio que ela seja demasiado parecida com a Anne... o mesmo espirito livre e bondoso e... Meu DEUS, quando descobri que a Anne tambem tem sangue duplo, humano e não humano, fiquei assim :Hã?!: Agora é que a história vai começar a sério!!! Mal posso esperar pelo proximo capitulo!!!! :dança: Quando postas?
Tenho andado bastante ausente... e vou continuar infelizmente Durante a semana torna-se muito complicado... por isso venho cá sobretudo ao fim-de-semana Vou ter saudades
#14
Dois capítulos de uma vez Very Happy Vou tentar resumir o que achei de cada um deles Razz

Ora, quanto ao capítulo três Embaracoso Foi dos capítulos que mais gostei, muito por causa do misterioso quadro! Para mim, foi uma ideia muito original criares esta situação, mesmo misteriosa!

E o passado da mulher do quadro... Tão triste e, ao mesmo tempo, como sempre, envolto em mistério! Que triste sina...! Deve ter sido realmente infeliz, ao lado daquele "meio anjo, meio demónio"... Mas em relação a esta mulher, já tenho muitas teorias na minha cabeça, e que cada vez crescem mais à medida que vou pensando nelas! Vou guardá-las, por enquanto, para mim, já que sei que não vais confirmar nem desmentir nadinha Razz

A história dos Três Mundos fascina-me, como já disse! Tenho muita curiosidade quanto ao Não Humano e ao em quem o tempo parou. Por isso, estou mesmo ansiosa pelos capítulos em que exploras isso melhor, revelando cada mistério e tecendo outros! As descrições devem ficar fabulosas, estou ansiosa para ler o resultado Very Happy

E quanto ao capítulo quatro...! Neste a música transportou-me para outro lugar, deu uma realidade mais física à história. A caixinha de música que, como todos os elementos nesta história, encerra, juntamente com a sua melodia, mais um mistério... A forma como a Anne se sentiu ao ouvi-la e se relembrou do seu próprio mundo! As saudades daqueles pormenores que a fazem feliz... E, por outro lado, penso que ganho ainda outra teoria com isto tudo Razz

Como já disse, também gosto muito do nome da mulher de branco, "Tomoshibi" e, abreviado, Tomo, fica-lhe mesmo bem Smile

*dá dois ovos Kinder, um por cada capítulo* E não tens separado o texto... Mas eu leio bem assim, por isso se não quiseres separar, por mim está bem Embaracoso *dá outro ovo para incentivar a escrever mais* Razz
#15
Vou ainda hoje postar o capítulo seguinte PaulaEmbaracoso Obrigado Surprised.o: Fico muito feliz que estejas a gostar Surprised.o: A história já começou, mas os mistérios vêm por aí *dá riso maléfico* *tosse* Embaracoso'

Kaoru obrigado Surprised.o: Oh Kaoru as tuas teorias não posso comprovar nem desmentir, mas fico sempre feliz se as meteres na mesa, porque adoro teorias Brincalhao Em breve o mistério vai ser revelado, mas não todo, vou sempre deixar mistérios no ar Brincalhao
A música apaixonei-me por ela mal ouvi, e já estava a escrever a parte da caixa de música, e então pensei ser muito bom metê-laEmbaracoso Oh quero ouvir as tuas teorias, tou enormemente curiosa Matreiro *Aceita ovos kinder Brincalhao* Ainda bem que gostas dos nomesEmbaracoso Acerca do texto separado, posso separar, se preferem separado Brincalhao *Aceita o outro ovo kinder*
Logo á noite posto o capitulo seguinteEmbaracoso
#16
Gomen pelo double post, mas eu bem esperei que mais alguém dissesse algo Embaracoso'

Capitulo 5 – Decisão


Recompôs-se e saiu do quarto. Encontrava-se no mesmo corredor onde havia desmaiado. Percorreu os quartos todos, mas Tomo não estava ali. Desceu as escadas vagarosamente, percorrendo a sua mão no corrimão branco devagarinho. Entrou na porta onde a tinha visto pela primeira vez. Também ali não estava. Decidiu procurar por ela por aquele sítio. Havia já visto mais de 20 quartos, subido e descido escadas, o quanto pôde em meia hora. Não a avistava em lado nenhum. Saiu de dentro daquele sítio que de alguma maneira a esmagava. Percorreu o caminho donde tinha vindo até àquela planície. Lá encontrou Tomo, que estava ao pé dos animais sentada, enquanto o sol lhe brindava com o seu calor. Correu na sua direcção imediatamente.

- Tomo! Procurei-te por todo o lado! – disse Anne ofegante, enquanto tentava recuperar o fôlego.

- Desculpa, mas adoro este sítio – Tomo tinha dito aquilo com um sorriso. Ela também parecia nostálgica e Anne apercebera-se disso.

- Está tudo bem? - perguntou ela num tom preocupado.

- Ter falado da Tsubaki ontem relembrou-me o passado feliz, o passado triste, mas também me fez pensar no futuro que pode ser feliz – Tomo, que estava a olhar para o céu, fitou Anne e sorriu ao dizer isto.

Era a primeira vez que a tinha visto sorrir. Era um sorriso angelical, que lhe meteu em paz, que a fez esquecer um pouco as saudades.

- Ela chama-se Tsubaki? Então ela é uma camélia roxa – Anne dá uma gargalhada e logo de seguida fica algo triste. - Quero voltar para casa, tenho saudades – informou ela quase a chorar, com a cabeça pousada nos joelhos.

- Tu podes mudar o futuro, neste momento temos um futuro tão mau. Mundos e dimensões diferentes fizeram sofrer e ainda fazem sofrer. Muitos querem voltar a ter o que tinham.

- Por que houve essa guerra? – gritou Anne zangada e ao mesmo tempo triste.

- Não te posso responder, seria responder-te a dúvidas e não posso, como já te disse – respondeu-lhe tristemente. Via-se que lhe queria contar, mas simplesmente não podia.

- Então se for a esse mundo tão distinto do meu, encontrarei as respostas às perguntas que tenho?

- Sim, mas verás que não é assim tão distinto quanto pensas – E logo de seguida levantou-se, o vento batendo-lhe no corpo, fazendo esvoaçar os seus cabelos e vestido à sua doce brincadeira.

- Então quero ir para esse mundo – proclamou Anne, pousando a sua mão esquerda em cima do peito e fechando os olhos.
#17
Este capítulo traz-nos uma aparente "paz", devido a todo o ambiente que descreves. A planície, os animais, o sol a banhar o local... Imaginei imediatamente os cabelos das duas personagens a brilhar com essa luz, ambas nostálgicas. E, ao mesmo tempo que existe essa paz, também uma leve sensação de nostalgia e saudade, de melancolia e dor a envolver os raios de sol...

O sorriso que descreves da Tomo é mágico, essa mistura de angelical e de nostalgia, como referes. Deve ser tão bonita...! E a forma como ela fala, com todo aquele mistério e quase dor na voz.

Uma das partes que mais me ficou foi, sem dúvida, esta:
Spoiler
- Ela chama-se Tsubaki? Então ela é uma camélia roxa – Anne dá uma gargalhada e logo de seguida fica algo triste. - Quero voltar para casa, tenho saudades – informou ela quase a chorar, com a cabeça pousada nos joelhos.
Primeiro, a ideia do nome, muito bem pensada! E, depois, a personalidade da Anne, um pouco mais revelada. Parece-me que a sua força reside na sua simplicidade e honestidade. No final do capítulo, ela demonstra-nos o quão forte e determinada pode ser, por querer ir a um mundo que lhe é desconhecido para encontrar respostas. Ao mesmo tempo, ficamos com a sensação que ela não gosta da guerra e quer saber o porquê da sua ocorrência, causando tamanho sofrimento às pessoas. E, com aquela frase que eu indiquei, demonstra-nos também que não teme em mostrar a sua fragilidade. Acho que é por isto tudo que eu gosto bastante dela Smile

E pronto, nem vale a pena dizer que quero mais! Wink *dá outro ovo Kinder à Nessa* Embaracoso
#18
Oh Kaoru Surprised.o: Oh não tenho palavras para agradecer-te Kaoru ;_; Consegues sempre imaginar exactamente como quero os ambientes e isso deixa-me feliz ;_; Sim tens uma ideia correcta da AnneEmbaracoso *aceita ovo kinder* Aqui vai mais um capituloEmbaracoso

Capítulo 6 – Branca Pérola

Anne encontrava-se agora no quarto onde havia repousado. Tomo havia-lhe dado roupas novas, visto que ela não podia partir numa camisa de dormir para um mundo desconhecido a ela. Vestiu as calças de ganga azuis escuras e uma camisola de manga cava branca; meteu o casaco castanho debaixo do braço, colocou delicadamente as meias beges nos pés e logo de seguida calçou os ténis brancos. Meteu a mão no puxador da porta e sentiu tremer a mão. Estava nervosa com toda aquela situação. Embora tivesse feito aquela decisão, continuava a estar insegura de si, mais do que nunca. Puxou devagar a porta para si e saiu de dentro do belo quarto. Voltou-se para trás e olhou de esguelha para a caixa de música.

- Queres levá-la contigo? – perguntou Tomo, que havia aparecido do nada, sobressaltando Anne.

- Não me assustes! – diz ela de imediato; logo de seguida mete a mão no peito, inalando e expirando para recuperar do susto repentino. – A caixa não é minha, não tenho tais direitos – prosseguiu Anne, após acalmar-se.

- Não é de ninguém, está ali abandonada há muitos anos. Se gostas dela, leva-a – retorquiu Tomo gentilmente.

Depressa os olhos verdes viraram-se na direcção da caixa; sentia-se compelida a levá-la consigo, mas ao mesmo tempo não tinha a certeza se devia. Ganhou coragem e foi buscar a caixa de que tanto havia gostado. Tomo atirou-lhe para cima dos braços uma sacola de usar de lado para levar consigo as suas coisas. Colocou gentilmente o seu tesouro dentro da sacola e saiu do quarto acompanhada pela Tomo. Haviam descido umas escadas em forma de serpente, longas e compridas, mas depois de vinte minutos de as percorrer haviam chegado ao fim. Tomo acendeu os candeeiros a petróleo que estavam nos cantos. Ao acendê-los, uma vasta fila de candeeiros iluminou-se, deixando de estarem banhadas no negrume que ali se encontrava. Dava para ver claramente a porta feita de madeira apodrecida, que estava adornada de desenhos de animais de um amarelo seco. Entraram pela porta adentro e encontraram-se numa espécie de armazém.

- Por que estamos aqui? – questionou Anne.

- Quero dar-te algo antes de ires para o mundo dos não humanos – respondeu Tomo, avançando rumo ao fundo da espécie de armazém. Anne ia a dar um passo na sua direcção, mas logo Tomo a impediu com a mão.

- Espera aqui – ordenou ela seriamente.

Anne acenou com a cabeça, algo amuada por não poder ir com ela. Após cinco minutos de espera, Anne já estava em pulgas por saber que tanto secretismo era aquele, mas logo apareceu Tomo com um item enrolado num pano branco. Não conseguia ver o que era e estava roída para o descobrir.

- Toma – disse ela, apresentando-lhe o desconhecido item contra si.

Pegou nele e tirou o pano branco que tinha pó, que logo esvoaçou com o movimento brusco dado. Mostrava por fim o que era: uma espada de cabo dourado, com uma pedra preciosa de um vermelho cor de sangue no fim dele, por onde começava a lâmina. A lâmina era de uma cor prateada, adornada de dourado. Via o seu reflexo nela, os seus olhos esbugalhados mostravam o seu ente terror. Largou-a rapidamente e deu um passo para trás. Estava receosa e não queria pegar naquela coisa fria, que lhe dava calafrios. Depressa sentiu uma mão morna agarrar-lhe nas duas mãos gélidas e puxá-la contra o corpo quente na sua frente. Anne encontrava-se junto aos peitos de Tomo; eram quentes e confortáveis. Fazia-lhe lembrar o calor da mãe, quando a costumava meter assim. Meteu os braços pelas costas quentes e chorou ao seu redor. Como ela detestava armas; magoavam as pessoas, matavam os entes queridos de outros... E isso era o que ela mais detestava, magoar alguém por desejo próprio. Sentiu rodear-lhe uns braços esbeltos, longos, delicados e suaves; o cabelo caiu suavemente por cima da pequena amedrontada. Os seus cabelos eram longos, suaves, tinham um doce cheiro e eram tão fofos ao toque que, ao roçar na cara da rapariga de olhos verdes, lhe fizeram cócegas. Estava lavada em lágrimas como se acabasse de ter sido ferida, ou alguém querido a ela morrido. Era mais alta pelo menos uns dez centímetros que a jovem pessoa em seu redor, porém isso conformava a gentil pessoa colada ao seu corpo.

- Pára de chorar! – gritou chateada; ver aquela doce pessoa a chorar tanto fazia-lhe doer o coração mole; ficava fraca perante aquelas lágrimas sentidas.

- M-a-s…E-u… – soluçou ela entre choros, e voltou logo de seguida a desmanchar-se em lágrimas.

Havia já passado vinte minutos e finalmente Anne havia parado de chorar. Estava a dormir profundamente em cima de Tomo. Tinha na cara um ar cansado e esgotado. Ela estava sentada, com o seu belo vestido branco sujo do pó negro que ali havia. Pegou em Anne e carregou-a. Era forte mas não muito, ia-lhe dar trabalho subir aquela escadaria enorme com aquele fardo no meio dos braços. Murmurou algo, e um vento vindo do nada levou Anne para o topo, levando consigo também Tomo. Que misteriosa mulher era aquela? Conseguia usar o vento com palavras; embora estivesse na escuridão, essa mesma não lhe tocava e ela emanava luz; sabia coisas que tantos outros nunca sonhariam em saber. Quem era na verdade aquela misteriosa mulher, que era branca que nem uma pérola?
#19
Bem, eu na altura disse, mas volto a dizer: este capítulo é um dos meus favoritos da história!

A relação da Tomo com a Anne está tão bem explorada nesta parte... E todos os pormenores dela! Já disse que a Tomo me fascina? Razz Parace que há ali uma relação de cumplicidade tal que fico mesmo curiosa, pois penso que há por ali alguma coisa por detrás... Ai, estas teorias, que já começo a ligar algumas coisas Razz

E a Anne... A sua personalidade, tão querida Smile Ela não quer lutar, isso vê-se perfeitamente, e parece que se aflige muito só de pensar nisso! Quando viu a espada, a primeira coisa que pensou foi na dor, na mágoa que aqueles objectos traziam... Só demonstra a grande personalidade que ela tem Smile E é isso que me agrada muito nela!

Gostei imenso quando a Tomo a abraçou e tentou reconfortar. Vê-se mesmo que gosta muito da Anne (embora não saiba ainda ao certo porquê).

Ao ler este capítulo de novo, acabei por ficar com mais teorias Razz E com algumas dúvidas! Vou esperar pelos próximos para ler outra vez e ver se consigo perceber algumas coisas que me estão a escapar.

Mais uma vez, as descrições reflectem todo o ambiente e sentimentos que desejas que compreendamos :]

*dá outro ovo Kinder à Nessa* Para ver se respondes às perguntas que tu própria formulaste e que não nos abandonam a cabeça Wink
#20
Oops esqueci-me de responder ao teu comment Kaoru do meu <3 ;__; *mata-se*
Sim já dizeste que te fascina a Tomo, mas é sempre bom ouvir isso *-* Essas teorias são muitas xD

Oh, fico muito feliz que tenhas percebido com tão pouco, a personalidade da AnneEmbaracoso

Posso dizer que a Tomo é uma pessoa muito gentil e doce, ao mesmo tempo que é forte e determinada x)

Oh essas teorias quero ouvi-las um dia a todas! xD Dúvidas? Oh.. Seria spoilar se disse-se xD

Eu fico feliz que compreendas tão bem quanto quero (ou mais do que eu quero XD), todo o ambiente, cenário e personagens *-*

*aceita ovo kinder toda feliz* Não o farei tão cedo x) Uma das minhas caracteristicas a conceber a história, é sempre deixar perguntas e dúvidas no ar durante longos tempos xD

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