Sailor Moon Portugal, A Navegante da Lua

[Terminada] Elegia

#22
aie ta tao linda Esperancoso

nao deixes o moço morrer!!!!!

ta tao linda ate da vontade de chorar

maissss
#23
Obrigada gatinha!

Esta foi uma fic que me marcou e deu-me um especial gosto ao escrever. Se ele vai morrer ou não terás de esperar até ao último capitulo mas está lá quase. Embaracoso

Nas Asas de um Anjo (CAP 03) - A história de um rapaz que deseja o Céu e de um anjo que se envolve numa mentira.
Elegia (CAP 10) - E se antecipássemos a morte das pessoas nos sonhos e nos apaixonássemos por uma delas?
#24
8º Capítulo – Os dias que passam


O sol nem sempre brilha. Há dias em que a chuva cai. Ontem choveu e hoje faz sol. Amanhã vai chover porque hoje fez sol. Não há nada que o possa evitar.

Estou deitado sobre a relva do pátio. Por cima de mim as nuvens vagueiam apressadas. Não as vejo porque estou de olhos fechados. Ao meu lado, Koji não se cansa de apontá-las.

- Olha Takeru, aquela ali parece um castelo. E a outra parece um carro.

Permaneço de olhos fechados. A nuvem que passa por cima de nós agora, em breve já não estará ali. Ela será substituída por outra que caminhará ao sabor de vento e que também desaparecerá. Tal como tu. Um dia desaparecerás Koji. A diferença entre ti e as nuvens é que ninguém irá substituir-te.

- Agora parece um elefante.

Abri o meu olho direito e vi que ele estava a torcer o nariz contrariado. Deitou-se ao meu lado e continuou a observá-las calado.

Nuvens passam e mudam de forma. As formas não têm lógica e são apenas fruto da nossa imaginação. Elas competem num jogo para ver qual delas muda mais rapidamente. Nisso elas são muito diferentes de ti, Koji. Tu nunca mudarás de forma. Quero que continues a ser quem sempre foste. No entanto, o que sinto por ti não tem qualquer lógica.

Continuamos calados. Ele observa as nuvens e eu descanso ao seu lado. O nosso futuro está decidido. É isto que faz do resto do nosso tempo juntos ainda mais precioso e valioso.

Oiço o Koji a tossir ao meu lado. Não pára de tossir. Abro os olhos e levanto-me. Ele está agarrado à garganta enquanto tenta parar aquela tosse horrível. Não consegue respirar. Começa a ficar roxo.

- Koji!
- Não… te preocupes… Takeru. Isto já… vai passar.

Afasto-me um pouco dele para lhe dar espaço. Ao final de alguns minutos ele consegue controlar a respiração.

Tem sido assim os últimos dias. Os ataques têm-se tornado frequentes e não há nenhum medicamento que o possa ajudar mais. A partir de agora, quando a hora chegar, chegou.

A campainha toca. A hora da próxima aula chegou.

---

A campainha toca novamente. Mais uma aula que terminou. Arrumo a mala e penduro-a no ombro.

O Koji ainda está na enfermaria e é para lá que me dirijo. Abro a porta e ele vem a correr até mim.

- Estava à tua espera.

Parece melhor mas ainda tem dificuldades em respirar.

A enfermeira acaba de arrumar uns medicamentos e aproxima-se.

- Será melhor ele ir para casa por hoje. É importante que descanse.

Concordo com a cabeça e pego na mala dele também. Juntos saímos da enfermaria.

---

Como chamaríamos à nossa relação? Um amor composto por linhas paralelas e memórias compartilhadas. Duas linhas que jamais se cruzarão e que mesmo assim continuarão a se amar. Memórias que construímos juntos e que estão sempre a cruzarem.

O mundo é pequeno. O mundo é tão pequeno que fomos obrigados a encontrarmo-nos.
Aquele que queria morrer e aquele que não se importava de ver mais uma vida a morrer. Num segundo tudo isto mudou. Aquele que queria morrer deixou de o querer e aquele que não se importava de ver a morte das pessoas passou a querer puder dar-lhes vida. Estávamos destinados a mudar a vida um do outro.

Mas… o suposto mundo pequeno é na realidade muito grande. Tão grande que uma vida não é suficiente para o explorarmos. E nós patinamos todos os dias nele.

Lentamente aproximamo-nos da casa de Koji. Avançamos de mãos dadas. Desesperadamente agarramo-nos à promessa idiota de que ficaremos juntos para sempre. Mas esse “para sempre” não existe.

- Vou dizer para a minha mãe preparar algo para nós.

Ele solta a minha mão e volta-se para correr.

- Vou voltar para casa. Temos trabalho para fazer.

Ele pára e fita-me contrariado.

- Nada disso. Tu vais ficar aqui comigo. Iremos comer juntos e depois poderemos jogar algo ou assistir TV.
- O trabalho é para amanhã, tu sabes.
- Não interessa. Vais passar o resto da tarde comigo.

Ele pega na minha mão e arrasta-me até à sua casa. Desde quando se tornou tão egoísta?

A sua mãe não está. Há um recado em cima da mesa a dizer que teve de sair. O suposto lanche que ela ia fazer afinal já não vai existir.

- Será melhor descansares e depois fazeres o trabalho. Passámos os últimos dias a sair e não adiantámos nada dele.
- Não podes ir Takeru. Não quero que vás!

Porque se tornou tão possessivo? Que raio de pergunta estou a fazer quando a resposta é óbvia? Afinal, também ele aprendeu a contar os dias que restam.

- Amanhã falaremos.

Abro a porta e saio. Ele corre atrás de mim e agarra-me o casaco.

- E se eu morrer quando não estiveres aqui?

A resposta saiu rápida demais. Nem eu dei por aquilo que disse. Lembro-me que doeu quando vi a reacção dele.

- Tu não morrerás hoje.

Koji largou o meu casaco. Recuou e tirou a chave da porta.

- Até amanhã Takeru.

Fechou a porta nas minhas costas. O que tinha dito mesmo? Ele não morreria hoje, mas talvez amanhã… ou depois… ou…

---

Corri pelo caminho. Corri para fugir do que chamam de futuro. Eu chamo de “sem futuro”. Hoje faz sol e amanhã vai chover. No dia em que partires também choverá. Essa imagem permanece dolorosamente clara nos meus sonhos. A chuva molha-me como se fosse ácido, corroendo a alma por dentro.

Entro dentro de casa. Está vazia como sempre. O meu pai está em negócios no exterior e a minha mãe está no hospital. Pensava que hoje ela viesse para casa mais cedo mas devem ter havido emergências. Há sempre emergências. Pobres almas que escolhem dias de sol para morrer. Tristes daqueles que morrem em dias chuvosos sem ver o sol a brilhar uma última vez. Que possa a chuva representar as lágrimas que irei chorar a partir daquele dia.

Atiro a mochila para cima do sofá e ligo a TV. Preciso de respirar sozinho e de esquecer. Quanto mais ficamos juntos mais inseparáveis nos tornamos. Agora apercebo-me das dimensões que isto adquiriu. Não posso continuar ao seu lado mas também não posso viver sem estar a seu lado.

E Koji não percebe o quanto estou a sofrer. Afinal ele irá partir e eu ficarei. Uma alma que parte não pode sentir mais nada mas a alma que fica vai sentir a perda até ao fim da sua vida.

No noticiário está a dar a previsão do tempo para o dia seguinte.

Hoje esteve sol e por isso amanhã irá chover. Tu morrerás num dia em que as lágrimas do céu se irão sobrepor às minhas. A minha teoria está concordante com a previsão. Como hoje o sol brilhou, amanhã a chuva cairá.

Talvez devesse ter ficado esta tarde contigo. Seria mais uma tarde para somar aos nossos poucos momentos juntos.

Fim

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Elegia (CAP 10) - E se antecipássemos a morte das pessoas nos sonhos e nos apaixonássemos por uma delas?
#25
Gostei muito.

Devias de continuar.

A tua forma de escrita, para mim é muito criativa.
Adorei!

Continua! Embaracoso


Thanks Secret Friend (AS)
Love it!
#26
Esta fantastico amei...

Continua espero pelo proximo capitulo
...Esperancoso


~♥ Aishiteru Tyki ♥ ~
~Domo Arigato Itoko-chan~
#27
Obrigado aos dois pelo comentário! Esperancoso
Fico muito feliz por gostarem da minha escrita!

Daqui a uns dias postarei o próximo capítulo! Embaracoso

Nas Asas de um Anjo (CAP 03) - A história de um rapaz que deseja o Céu e de um anjo que se envolve numa mentira.
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#28
9º Capítulo – A caixa de Pandora que abri


Pandora tinha uma caixa. Era uma caixa que encerrava dentro todos os dons da humanidade. Porém, assim que essa caixa fosse aberta, esses dons transformar-se-iam em calamidades.

A caixa não guardava bens materiais. Ela guardava sentimentos, emoções e, sobretudo, recordações.

Esta caixa poderia destruir os nossos corpos mas este sentimento jamais seria arruinado.
A caixa de Pandora encerra ainda um pecado derradeiro. O material que envolve o seu interior está coberto de curiosidade que, quando revelada, mostra algo realmente terrível e que foge ao controlo de cada um.

Nós os dois abrimos essa caixa. A nossa ânsia de ver mais do mundo levou-nos a abrir e explorá-la. O pesadelo começou após esse dia. O dia em que fomos destinados a nos separarmos e o dia em que deixámos de conseguir viver separados.

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Estações passam. O autocarro acelera nas rectas e trava nas curvas.

Estou sentado no último banco. Ao meu lado, o Koji contempla a paisagem.

O sol ilumina o passeio que surge e o que fica para trás. Está um dia quente e maravilhoso. Prometi a ele que, assim que o sol abrisse, iríamos até ao parque. E aqui estamos os dois. Vemos paragens a vir e outras a desaparecer.

Mas o Koji não sorri. Ele limita-se a fitar a janela suja de poeira.

---

A caixa de Pandora é um mito. Eu sinto que há realmente uma realidade por detrás dela. O amor pode ser guardado no seu interior mas sem os nossos corpos como poderemos amar?

Fui eu que abri essa caixa. Há muito tempo atrás, quando era criança, num momento da minha vida… eu encontrei e abri-a. Eu vi esses males. Eu vi essas crenças que jamais deveriam ser reveladas.

Segundo a lenda, Pandora fechou a caixa no momento certo. Os homens sofreriam somente dos males sem terem conhecimento prévio deles.

A caixa fechou-se nas minhas mãos ruidosamente. Apenas eu tinha sido amaldiçoado. Eu tinha esse conhecimento. Era provavelmente o pior que poderia acontecer a alguém.

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O autocarro chegou à nossa paragem. Desci as escadas e voltei-me para trás.

O Koji, infantilmente, saltou até ao chão. Perdeu o equilíbrio e começou a tombar. Agarrei-o.

- Obrigada Takeru.
- Que infantil que és.

Ele enrugou a testa e mostrou-se amuado. Agarrou-se ao meu braço e prosseguimos pela rua.

---

Humanos não vivem o temor perpétuo de algo que desconhecem. Eles não sabem, eles ignoram. Desta forma as suas vidas são possíveis.

Vivem sem conhecer a hora da sua morte e não sentem a falta e depressão pelas suas próprias perdas. Humanos são felizes. Quem me dera também o ser.

---

Chegamos à entrada do parque. O Koji larga o meu braço e começa a correr à frente. Pára a meio caminho, cansado. Dobra-se sobre os seus joelhos e começa a ofegar.

- Que idiota que és. Se sabes que está a piorar porque é que continuas a esforçar-te?
- Porque quero continuar a acompanhar-te. E quero que continues ao meu lado.

Afaguei-lhe a cabeça, despenteando um pouco os seus cabelos lisos. Está a ser idiota como sempre.

---

Está aberta. A caixa foi aberta.

Sou obcecado com a morte. Gostaria de não o ser mas sempre estive ligado a ela.
Conhecer a morte. Lidar com ela todas as noites nos meus sonhos. É algo a que já me habituei. No entanto, continua a existir um sonho, o qual não consigo superar. Esse sonho és tu, Koji. O sonho que mostra a nossa separação.

---

Passeamos pelo parque.

Ele insiste em dar-me a mão e caminhar a meu lado. Isto faz-me sentir particularmente embaraçado. É como se todos olhassem para nós e comentassem.

Koji não se importa. Ele continua a agarrar a minha mão e a aproximar-se mais de mim cada vez que pessoas passam na direcção oposta.

Agora sorri. A sua boca abre como se este fosse o momento da sua vida.

Seguimos pelo carreiro. À nossa frente alarga-se o lago dos patos. À direita está à esplanada e à esquerda continua o caminho. Ele puxa a minha mão na direcção da esplanada.

- Vamos Takeru. Quero tomar um batido de morango.

Eu sei que ele gosta de morango. Ele também sabe que gosto de chocolate. Apesar de estarmos juntos há tão pouco tempo, conhecemos mais um do outro do que poderíamos pensar. Nós nem sempre nos conhecemos. Este conhecimento foi construído ao longo destes dias que temos passado juntos.

---

Após o batido, o Koji arrasta-me até ao lago dos patos. Obriga-me a correr atrás dele em duas voltas ao lado, enquanto tenta alcançar um dos animais na margem para lhe tocar. Ao final das duas voltas ele está exausto. Não tocou nem numa pena.

Cai do joelhos no chão a respirar forçadamente. Abaixo-me ao seu lado e afasto os cabelos que ocultam a sua face. Fito-o.

- Beija-me!
- Como?
- Beija-me Takeru.

Ele volta-se para mim e agarra nos meus pulsos. Num ímpeto comprime os seus lábios contra os meus. Que egoísta que é.

Ao final de um minuto a sua boca afasta-se da minha. Não porque ele desistiu mas porque deixou de ser capaz de continuar o beijo. Está a tossir e com a mão no pescoço. A respiração dele está descontrolada. É mais um ataque.

Espero até que se sinta melhor. Assim que noto que conseguiu controlar a respiração, puxo-o para mim e aperto-o nos meus braços.

---

E eu ainda continuo a abrir mais esta caixa. Estou enfeitiçado por ela. Nunca vi nada no mundo tão belo e que ao mesmo tempo escondesse horrores.

Abri-a tanto que vi o seu fundo, enquanto a humanidade só viu a luz do seu interior. Descobri a aflição de amar e de ver a hora da morte dessa pessoa que amo.

Mas ao meu lado permanece a pessoa a quem poupei esta maldição. Porém o seu corpo treme com uma enorme aflição. Koji não consegue ver a sua morte mas também não quer morrer.

---

Levantamo-nos e voltamos a caminhar pelo parque. O sol embate nas folhas que começam a nascer timidamente das árvores. A Primavera dá lugar ao Inverno e acaricia o ambiente. Poderíamos considerar que hoje é um dia de Verão se não houvesse uma aragem fresca a agitar-nos os cabelos.

O Koji pára e fita o céu quase sem nuvens.

- Quem me dera que o Verão chegue depressa.

Acompanho o seu olhar até ao céu e aperto a sua mão na minha com força. Eu não quero que o Verão venha. Se dependesse de mim nunca mais haveria Verão. Porque no dia em que o Verão começar, tu já não estarás aqui comigo.

---

Mas no fundo da caixa ainda resta a esperança. É uma crença irracional… uma credulidade, mas continua a ser um desejo. E continuo a desejar que os meus sonhos possam, pelo uma vez, estar errados e que a tua morte nunca venha a acontecer.

Sei que não tenho fundamento. Estou apenas a depositar uma convicção nisso a que chamam fé. Mas mesmo assim continuarei a apertar esta esperança entre as minhas mãos até que tenha desaparecido completamente.

Fim

Nas Asas de um Anjo (CAP 03) - A história de um rapaz que deseja o Céu e de um anjo que se envolve numa mentira.
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#29
Já o li, todinho.
Estou K.O com o Takeru Sumomo.

Estou apaixonado, mas está quase a acabar, faltam 3 capitulos...


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#30
10º Capítulo – A frase que se tornou hábito


- Amo-te Takeru.

Há quanto tempo oiço esta frase? Talvez há algumas semanas. Esta é a frase que o Koji diz habitualmente.

Mas até mesmo essas frases rotineiras têm limite. Elas acabam quando se transformam em sentimentos.

---

A aula terminou. Caminhamos para casa. Koji está a falar mais do que o costume. Ele parece excitado com uma nova série que começou na TV.

- É incrível como eles combatem dentro daquelas máquinas. Aquilo está cheio de comandos mas eles conseguem usar todos.

A isso chama-se ficção científica, mas é bom ver que ele se entusiasmou com algo.

A minha atenção perde-se a olhar para aos carros que passam ao nosso lado. A Primavera já vai avançada e antes de darmos por isso estará aí o Verão à porta. Os dias ensolarados substituíram completamente os dias de chuva. Porém, o tempo ainda continua instável. Há dias em que o vento sopra e a temperatura baixa.

- Takeru?

Regresso a mim e vejo-o parado, quase com a sua cara a tocar na minha.

- Que se passa contigo Takeru? Aborreci-te com a minha conversa?

Coloco a minha mão sobre o seu ombro e afasto-o de mim.

- Não é isso. Onde gostarias de ir amanhã? Levo-te onde quiseres ir. Dentro dos limites razoáveis é claro.
- Sério? Então amanhã quero ir até ao céu contigo.

Ele apontou para cima e riu.

Koji nunca foi razoável. Não o iria ser desta vez.

- Terás muito tempo para explorares o céu depois.
- Mas nessa altura não estarei contigo.

Coloquei as mãos nos bolsos e continuei a fitar o céu azul. Talvez também eu tenha deixado de ser razoável, porque dei por mim a desejar poder atravessar o céu ao lado dele.

---

Chegámos à porta da sua casa.

- Vemo-nos amanhã Koji.

Ele parou e fitou-me tensa e ansiosamente.

- Vamos mesmo encontrar-nos amanhã, não vamos?

Acenei-lhe com a cabeça. Afinal amanhã também será um dia de sol.

---

Quando cheguei a casa a minha mãe estava à minha espera com uma expressão séria. Nas suas mãos estava uma carta que calculei que fosse da escola.

- O que é isto Takeru? As tuas notas baixaram imenso.
- Isso não tem problema.
- O que queres dizer? Sabes que tudo o que tens de fazer é estudar. Quero que as próximas notas voltem ser iguais a antigamente ou teremos de ter uma conversa muito séria.

Caminhei até ao meu quarto e fechei a porta.

---

“- … Levo-te onde quiseres ir. Dentro dos limites razoáveis é claro.
- Sério? Então amanhã quero ir até ao céu contigo.”

---

Como conseguiria levá-lo até ao céu?

* * *

Sinto-me culpado. A mãe do Takeru chateou-se por as notas estarem a descer. Eu sei que é por culpa dos meus caprichos egoístas mas não os consigo evitar.

Eu não conheço muito bem a mãe dele. Parece ser uma pessoa completamente absorta no seu trabalho no hospital. Nunca vi o pai do Takeru e ele não tem irmãos. Deve ser uma vida solitária que leva.

- Não precisas de desistir do que gostas por mim. Mesmo que só reste eu, ainda assim estarei do teu lado.

Sorri e apertei a sua mão entre as minhas.

- O que estás para aí a dizer?
- Porque és sempre tão frio?

Ele levou as mãos à cabeça, desesperado. Sabia que estava a travar uma batalha interior. Ele nunca é frio comigo. Mas não consegue evitar erguer aquela barreira gelada para se proteger do mundo exterior. Sinto-me afortunado por ser o único capaz de derreter essa barreira e avançar. Porque, mesmo que esta vida esteja preenchida por desespero, eu encontro a salvação nos seus braços.

- Tens de cumprir a tua promessa.

Agarrei no seu braço e obriguei-o a levantar-se da cadeira. A aula tinha terminado e temos muito tempo livre hoje.

Tinham começado os murmúrios na escola. Eu e o Takeru andávamos sempre juntos. A turma estava curiosa sobre a nossa relação. Porque é que o rapaz mais isolado da escola se dava com alguém como eu. Sabia que eram essas as questões que eram comentadas à entrada e saída da escola.

---

Hoje o Takeru está muito tenso. Até mesmo eu posso senti-lo.

- Não tens de suportar sozinho esse peso que te foi depositado nos ombros.
- Estás a alucinar.
- É porque vejo o mundo de uma forma muito simples.
- E que forma é essa?
- A forma que o mundo ganha quando digo “Amo-te Takeru!”.

Ele colocou as mãos nos bolsos e fitou o chão.

- Porque me escolheste?
- Eu não sei porque te escolhi. Na verdade, ser amado faz-me ter vontade de fugir. Não consigo suportar a ideia de ter outros a tocarem-me. Porque todos vão sofrer. Mas quando fecho os olhos à noite, eu vejo-te Takeru. Eu queria fugir mas tu és o único de quem não me consigo separar.

Gostaria de saber o que ele está a pensar. Porque me fita com aquela expressão tão supérflua? Acho que comecei a ir longe demais nesta relação…

Parei e fiquei para trás. Ele parou um pouco mais à frente, intrigado com a minha súbita mudança.

- Tens razão Takeru. Isto foi longe demais. Quanto tempo falta até eu morrer? Um dia? Uma semana? Um mês? Duvido que esteja aqui para ver o início do Verão contigo. Mas eu não quero morrer… eu não quero mesmo…

Lágrimas escorreram pelo meu rosto. Elas saíram tão penosamente que não as consegui controlar.

- Não voltes a falar-me. Esquece-me antes que te magoe ainda mais.

Sai a correr sem direcção. Sabia que o que tinha feito era o certo mas doía-me imenso o peito. Pelo bem de Takeru, estava na hora de nos afastarmos. Mas pergunto-me… se já não será tarde demais para o fazermos.

Afinal… eu amo-te.

* * *

Como conseguirei levá-lo até ao céu e ir junto? Esta dúvida passou o dia a encher-me a cabeça.

Agora estou a vê-lo a afastar-se. Que parvoíces estava para aqui a dizer? Agora já é tarde demais para me afastar e te esquecer.

Aquelas palavras continuam a ressoar na minha mente “Eu amo-te Takeru!”.

Dirijo-me na mesma direcção por onde ele desapareceu. Sei que não foi para casa. Aquele caminho… leva até ao jardim.

---

Ali está ele. Sentando no banco com a cabeça enterrada no emaranhado de cabelos que pendem sobre as suas mãos. Aproximo-me. Está a chorar. Ele agora não sabe fazer mais nada para além de chorar.

Quando sente a minha presença olha para cima.

- Agora é tarde demais. Espero que tomes a responsabilidade por isto.

Debrucei-me sobre a sua face e os lábios tocaram-se. Ambas as bocas lutaram para se encaixarem perfeitamente uma na outra.

Este é o único céu onde te posso levar no momento.

Afastamo-nos quando a tosse dele recomeçou. Sentei-me a seu lado e apertei-o nos meus braços até que se sentisse melhor.

Ele colocou os seus braços à minha volta e repousou a cabeça sobre o meu peito.

- Pergunto-me se sempre vou morrer no final.

A mesma questão começa a preencher a minha réstia de esperança. No entanto… parece-me que amanhã vai chover.

- Eu amo-te Takeru!

Quanto mais pronuncias uma palavra, ela acaba por se transformar numa parte de ti. E é esta a parte do Koji que nunca quero perder.

Fim

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11º Capítulo – O dia em que choveu


O passado vai-se tornando mais belo a cada dia, nas nossas memórias. E os nossos sonhos para o futuro gradualmente se contraem e são amplamente reduzidos pelo peso do tempo já passado.

Voltar atrás… chegou a altura de desejarmos, nas profundezas da alma, que o tempo pudesse voltar atrás. Voltarmos a reviver estes tempos que passamos juntos.

---

O tempo esfriou subitamente. Os calorosos dias de Primavera voltaram a ser dias de Inverno.

Tudo mudou. Koji mudou… até eu mudei também. Aquela palavra impossível de existir no meio do amor… começou a chegar até nós.

Todos os dias, Koji tinha de ir até ao hospital. Tornara-se imprescindível ficar uma hora por dia ligado a um ventilador. Não era só a tosse e a respiração. O corpo dele começara a deixar de resistir à doença.

Antes que me apercebesse, esta rotina foi forçada em mim. Todos os dias caminhávamos juntos até ao hospital. Uma vez que eu não sabia como ir contra a ela, tudo o que podia fazer era negar que o fim estava próximo.

No fundo da minha mente sempre existiu um outro mundo. Apesar de ser um “mundo fingido”, ele se tornou o suporte para a minha existência. O mundo que construí junto dele. Esse mundo começou a desabar.

---

Naquele dia estava a chover. Koji tinha acabado de sair do hospital quando a chuva despontou.

- É melhor vestires o casaco para não te constipares.

Mas ele não me deu ouvidos. Em vez disso correu para a chuva e abriu os braços numa bênção.

- Porque hoje não vamos para casa sob a chuva?
- Estás louco!

Não tenho memórias de alguma vez ter gritado. Então esta foi a primeira que gritei. Corri até ele, embrulhei-o dentro do seu casaco e abri o chapéu-de-chuva.

- Vá lá Takeru. Eu apenas quero sentir a chuva. Uma última vez…

Ouvi os murmúrios das suas palavras.

---

Eu não quero ver. Eu não quero ouvir. Mas mesmo assim eu continuo a saber.

O Koji é uma pessoa maravilhosa mas agora parece que se está a fragmentar aos poucos.

E comecei a odiar a chuva. Comecei a desejar que viesse uma época de seca eterna.

* * *

O passado vai-se tornando mais distante e frio a cada dia, nas minhas lembranças. Os sonhos que tinha para o futuro violentamente colapsam e são apagados pelo peso do tempo que vivi.

Chegou a altura em que não há mais esperança para agarrar. E essas finas linhas esvaziam-se através das minhas mãos fechadas.

---

Deixei de conseguir suportar a dor desta doença sozinho. O tempo mudou tão de repente que apagou o calor que mantinha o meu alento.

Acho que junto com o tempo tudo mudou. O Takeru mudou… assim como eu mudei. A morte ergueu-se entre nós os dois e agora ela está até mesmo visível para mim.

Mas continuei acompanhado. Ele continuou a dar-me aquela mão e a conduzir-me até ao hospital. Os nossos dedos entrelaçam-se fortemente numa tentativa de não serem mais soltos. Até Takeru começara a agarrar-se a esta esperança que fugia.

---

Estava a chover quando sai do hospital. Sentia-me mais aliviado depois daquela hora ligado ao ventilador mas ainda custava respirar.

- É melhor vestires o casaco para não te constipares.

Não lhe dei ouvidos. De repente apoderou-se uma enorme vontade de correr para a chuva e ficar debaixo dela. Desejei ser um humano normal, sem qualquer doença. Corri para a chuva e abri os braços para puder senti-la por todo o meu corpo.

- Porque hoje não vamos para casa sob a chuva?
- Estás louco!

Não me lembro de ter ouvido a voz dele mais alta do que nos dias em que respondia às questões dos professores do fundo da sala. Ele correu até mim, embrulhou-me dentro do meu casaco e abriu o chapéu-de-chuva.

E ela rompeu novamente dentro da minha cabeça, agredindo até mesmo a sensação da gélida chuva a tocar o meu corpo. A minha voz despertou e soube que esta seria a última vez que sentiria a chuva.

- Vá lá Takeru. Eu apenas quero sentir a chuva. Uma última vez…

As palavras foram murmuradas.

---

Caminhamos para casa debaixo do chapéu dele. A minha mãe aguardava-nos com uma expressão triste no rosto. A minha irmã brincava no quarto.

Bebemos um chocolate quente após termos mudado de roupas e depois disso cai na cama com tosse. A minha cabeça começara a doer e a temperatura do corpo estava a subir.

- Mais quantos dias, Takeru? Quantos dias aguentarei?

Ele estava sentado ao meu lado ainda com a sua mão unida à minha. Sei que lutava para não dizer. Senti que lutava para não chorar.

Olhei para a janela e uma lágrima escorreu pelo rosto.

- Espero que amanhã faça sol.

Ele também olhou para a janela e quando olhei para a sua face vi as lágrimas a escorrerem, molhando todo o seu rosto.

- Desculpa-me Takeru. Quis aliviar um pouco essa dor que sofrias durante os teus sonhos mas acabei por aumentá-la.

Os nossos lábios encontraram-se faminta e exigentemente.

Mesmo que esteja no meu limite, sinto que me tornei forte por dentro. Nunca pensei que isto poderia acontecer. Afinal era tão fechado e tão frágil…

Quando os nossos lábios se separaram, ele acariciou a minha face.

- Koji… eu não sou forte o suficiente. Eu não quero que isto acabe assim… Eu…

Apertei-o nos meus braços. Devolvi-lhe o calor que tantas vezes me tinha dado naqueles abraços amorosos.

- É claro que és forte. Até eu me tornei forte ao estar ao pé de ti. Tu também serás forte.

Agora eu sei Takeru. Sei porque tens esse poder. Tu tens esses sonhos porque és o único que se pode lamentar por tantas pessoas ao mesmo tempo. As almas das pessoas que ouves podem-se tornar fortes só porque entregas um pouco da tua alma a elas na hora das suas mortes. E tu consegues fazer isso porque és único e gentil.

- Então não partas… Fica comigo.

Perdi a noção do tempo que ficamos ali abraçados a ver a chuva a cair pela janela.
Eu quero ver. Quero saber o que me esperará do outro lado. Mas mesmo assim eu continuo sem saber.

E comecei a amar a chuva. Comecei a desejar que ela nunca parasse de cair e inundasse o mundo inteiro com as lágrimas que eu deixaria por chorar.

* * *

E a chuva parou. A noite já ia avançada. Tinha de voltar para casa.

Koji adormecera nos meus braços. Depositei um beijo no seu rosto e aconcheguei-o por entre os cobertores.

---

Eu sei que o futuro chegará. As belas memórias do passado virão ofuscar tudo o que até então possui. Não queria nenhum peso e não desejava memórias para serem deixadas para trás. Como poderei viver para um amanhã, uma vez que tenha perdido tudo?

A tua existência torna-se cada vez maior, infinitamente, dia após dia. Até o dia em que me tornarei novamente numa pessoa vazia.

---

- Obrigada por me amares.

Ele murmurou as suas últimas palavras quando abri a porta do seu quarto. Olhei para o vulto na cama ainda enterrado nos cobertos sem se ter movido um centímetro.

Amanhã vai continuar a chover. Choverá a semana toda.

---

“- Obrigada por me amares.”

Estas palavras foram tão gentis. Tudo o que conseguia fazer era chorar em resposta. Mas ele não podia saber. Ele não deveria desconfiar. Mas, de facto, ele já o sabia. Sabia que este seria o nosso último adeus.

Não importa quanto bom é o amor mútuo. De um dia para o outro, os dois seres serão separados para diferentes caminhos. A realidade chega sem arrependimento. Afinal de tudo, o amor é algo sem forma. E até mesmo o amor… não é algo que dure “para sempre”.

Fim

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Elegia (CAP 10) - E se antecipássemos a morte das pessoas nos sonhos e nos apaixonássemos por uma delas?
#32
Devo de dizer que adoro os trabalhos da Sumomo Yumeka, seja como Sumomo, Sahara Mizu ou outro, adoro sempre a arte e as histórias dela. Só por aí, ao ler o que te inspirou para escrever, vi logo que tinhas bom gosto e fiquei interessada. Concluí agora de ler os 11 capítulos e estou a gostar bastante, conseguiste capturar imensamente bem a subtileza e atmosfera que a Sumomo cria e usa, e deste-lhe toques pessoais de que gostei. É simples em descrições, mas aquelas que existem têm um enorme sentimento e propósito, o que me agradou.
Reparei que já não actualizas esta história há algum tempo, mas espero que coloques o último capítulo em breve. Reparei que no capítulo 8 houve uma parte em que escreveste filhos em vez de olhos x'D *vai buscar a frase*

"Oiço o Koji a tossir ao meu lado. Não pára de tossir. Abro os filhos e levanto-me. Ele está agarrado à garganta enquanto tenta parar aquela tosse horrível. Não consegue respirar. Começa a ficar roxo."
#33
Fiquei tão feliz quando vi um comentário por aqui. Que bom que consegui despertar a atenção de mais uma leitora.

Desde que li um mangá da Sumomo virei sua fã. Para além das suas histórias curtinhas mas cheias de sentimentos adoro o seu traço. É muito simples e bonito.

É verdade que não actualizo a fic há uns bons tempos porque como fiquei sem comentários até me esqueci dela até que esta semana abri o meu mail e vi lá uma notificação a este tópico e aí é que me lembrei que nunca a tinha completado.
Esta fic já está terminada há imenso tempo e uma vez que voltaste a despertar o tópico vou trazê-lo em breve. Não o trago agora mesmo porque estou fora de casa e não tenho a fic aqui no pc.

Obrigada pelo alerta do erro. Por mais que a gente reveja há sempre alguma coisa que escapa. Vou já corrigir.

Ganhei um carinho especial por ela e de certa forma a Sumomo virou a minha inspiradora. Tenho mais duas fics 100% originais com histórias completamente diferentes e mesmo assim a inspiração ainda está lá.

Nas Asas de um Anjo (CAP 03) - A história de um rapaz que deseja o Céu e de um anjo que se envolve numa mentira.
Elegia (CAP 10) - E se antecipássemos a morte das pessoas nos sonhos e nos apaixonássemos por uma delas?
#34
Como Sumomo ela escreve shounen-ais, como Sahara Mizu seinen's e como Sahara Keita shoujos, mas têm sempre o toque especial dela, e nunca são as histórias típicas e repletas de clichés, e depois adoro a coloração dela, mesmo fantástica, como ela Matreiro
A primeira manga que li por ela, sem saber quem ela era, foi a Hoshi no Koe, e amei por completo. Aos poucos fui conhecendo mais sobre os outros trabalhos e nomes dela e tornei-me fã incondicional Matreiro

Tens a tua fic postada noutro local? Tipo Fictionpress? Adorava adicionar-te às pessoas que stalkosigo :3
Bom, fico então à espera que logo, logo, coloques o último capítulo!

Não tens de quê, como foi algo que se destacou mais do que falta de alguns acentos, achei melhor dizer-to Matreiro

A Sumomo tem tanto arte, quanto histórias que de facto inspiram, e depois de a "conheceremos" teremos sempre um pedacinho dela dentro de nós, é algo inevitável Embaracoso
#35
12º Capítulo – Funeral de almas


Durante a semana que se seguiu Koji não apareceu na escola. A sua mãe ligara a dizer que estava doente e que tão depressa não deveria regressar.

O lugar na sala foi guardado até ao seu regresso. Mas eu sabia que não iria existir esse regresso.

Foram cinco noites em que não sonhei. Não tive qualquer distúrbio nos meus sonhos. Não haviam acidentes, mortes, nem vozes. Não havia nada além de vazio e escuridão. Pensei que perdera esses terríveis poderes.

Ao sexto dia, Koji foi internado. Deixou de ser possível respirar sozinho e o seu coração começava a fracassar. A sua mãe saiu da sala e negou com a cabeça. Já nada poderia reverter a situação e ele não voltaria a acordar.

Olhei-o do vão da porta. As lágrimas secaram antes de brotarem.

Despedi-me daquela senhora simpática e sai para a rua. Não abri o chapéu-de-chuva e caminhei debaixo dela sem direcção. Chovia torrencialmente desde que o dia nascera e parecia não querer abrandar. O Verão estava aí à porta e o tempo continuava assim tão instável.

---

Nessa noite sonhei. Sonhei com o Koji. Encontrava-me no início de um túnel envolto de escuridão. Ele veio até mim a correr e a rir. Agarrou na minha mão e conduziu-me até ao final do túnel. A luz brilhante encadeou-me e tive de recuar para a escuridão.

“- Olha Takeru, aquele é o céu! Prometi que te levaria até lá comigo.”

Prometeste e cumpriste a tua promessa. Porém, eu não estou autorizado a pisá-lo. Não posso sair desta escuridão. Tenho de regressar para trás.

---

No dia seguinte acordei. O sol atravessava a janela e expandia-se sobre a minha cama. Os cantos dos pássaros faziam-se ouvir e o mundo brilhava num contraste de calor e orvalho. Seria apenas mais duas semanas até o Verão chegar.

Olhei para o relógio da minha mesa-de-cabeceira e reparei que estava parado. A minha vida também tinha parado. Eu sabia que o Koji já não estava neste mundo.

* * *

E eu caminhei pelas ruas tumultuosas. Pessoas sorriam e cantavam. Parecia que o Verão estava mesmo aí, sem realmente estar. A Primavera deixara de me desafiar no seu jogo de chuva e esperança. Já tinha chovido tudo o que havia para chover e a inundação afogara a esperança.

Constelações no céu e abaixo os prédios a erguerem-se. Caminhei sem destino, apenas a aguardar a minha morte interior. Agora que tinha encontrado uma razão para existir, ela desfazia-se nas mãos que a agarravam desesperadamente.

Prédios cobertos de luz na terna noite. Eles são como as estrelas a brilhar no céu. Tudo é pedaços de sonhos que desaparecem quando morremos.

E eu continuei a ouvir… continuei a sonhar… Koji não existia mais nos meus sonhos. A sua voz também já não ecoava. Novos rostos vinham e iam. Nenhum deles era como o Koji. Mas se eu puder dar um pouco de força a essas almas atormentadas, então darei. Porque esta é a força que deixaste dentro de mim.

---

Jamais te tornes de mais alguém.

Deixa que o dia de hoje seja o mesmo de ontem e que o dia de amanhã seja o mesmo de hoje.

Sê para sempre meu.

---

- Olá!
- Amo-te!
- Beija-me!
- Vejo-te amanhã!


---

No topo do mundo, olhando abaixo para as construções, eu sonhei novamente. Tu eras novamente quem sempre tinhas sido.

Se eu pintar esse teu rosto, o céu ficará rosa e as nuvens azuis. O mar ficará transparente e a terra passará a violeta. Criarei um mundo de fantasia para vivermos de hoje em diante, ainda capazes de nos entendermos um ao outro.

Se inventar histórias de um futuro que nunca existirá, estou certo que sorrirás novamente. Chamar-me-ás irresponsável.

---

E eu notei… eu notei que os mundos são diferentes. Percebi que tu pertencias ao mundo dos mortos mas eu não pertencia a nenhum. Eu caminhava algures entre os dois mundo. Caminhando entre os vivos mas ouvindo e amando os mortos.

E por favor não me odeies durante esse caminho que percorreres. Estarei ao telefone contigo, rindo, correndo e tocando-te. Isto é tudo o que restou.

E algum dia quando estender a minha mão, irei tocar-te. Eu rezo para apenas uma coisa. Para que o dia a que chamamos de hoje não seja o mesmo de amanhã. O tempo que estiveste aqui jamais será recompensado. O tempo trava uma batalha contra mim.

Tic tac… o tempo passa e pinta-me como sou. Mas mesmo agora… estou a ser pintado pelas cores que tu próprio criaste.

---

- Beija-me!
Agora não!
- Que desagradável da tua parte.
És mais importante para mim do que tudo.


---

E continuo a ser pintado. A tinta não acaba e o quadro nunca ficará completo. Nele faltas tu. Mas mesmo com a força que deixaste dentro de mim, não me sinto capaz de continuar a caminhar sozinho.

O dia de amanha será um dia diferente. Mas eu continuarei o mesmo que fui ontem. Porque… ainda assim… continuarei a amar-te.

---

- Beija-me!
Sim…
- Estás muito atrevido.
Tu és a única pessoa importante para mim.


FIM

Nas Asas de um Anjo (CAP 03) - A história de um rapaz que deseja o Céu e de um anjo que se envolve numa mentira.
Elegia (CAP 10) - E se antecipássemos a morte das pessoas nos sonhos e nos apaixonássemos por uma delas?
#36
E pronto, deixei por aqui o último capítulo tal como prometido.

Angeless escreveu:

Tens a tua fic postada noutro local? Tipo Fictionpress? Adorava adicionar-te às pessoas que stalkosigo :3
Bom, fico então à espera que logo, logo, coloques o último capítulo!

Tenho mais duas fics deste género. Uma delas está completa e a outra encontra-se neste fórum:

O Pincel Mágico
http://fanfictionsextreme.forum-livre.com/t159-shounen-ai-o-pincel-magico
Tens de te registar para puderes ler e se gostares deixa-me lá algum comentário.

A terceira fic era o meu projecto mais recente. Digo "era" porque deixei de a escrever há um ano. Provavelmente irei terminá-la porque até tenho um guião para a fic escrito mas neste momento ando um pouco desmotivada.
Esta fic ainda só vai no terceiro capítulo e ando a postá-la aqui mesmo:

Nas Asas de um Anjo
https://sm-portugal.forumeiros.com/t5519-cap-03-nas-asas-de-um-anjo

Nas Asas de um Anjo (CAP 03) - A história de um rapaz que deseja o Céu e de um anjo que se envolve numa mentira.
Elegia (CAP 10) - E se antecipássemos a morte das pessoas nos sonhos e nos apaixonássemos por uma delas?

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