Sailor Moon Portugal, A Navegante da Lua

O Príncipe e a Plébeia

#21
CAPÍTULO 5
No horário marcado, Maata entrou na Joalheria Davidovitch. Zoicite, bastante nervoso, pediu-lhe que o acompanhasse até seu escritório. Não queria expor a jovem ao constrangimento de ser presa ali, diante de funcionários e clientes.
Como na véspera, Maata disfarçava o hematoma no rosto com maquilhagem e grandes óculos escuros. E aquilo só contribuiu ainda mais para que o investigador Yaten a visse como culpada.
— Deu tudo certo, sr. Davidovitch? A seguradora pagou o valor das jóias?
— Sim, senhorita. Sente-se, por favor.
Maata se sentou e viu o retrato da família dele.
— Este é seu filho, não é? Ivan, se não me engano.
Zoicite se arrepiou. Nervoso, abriu a gaveta e, sem responder à pergunta de Maata, entregou-lhe o cheque.
— Aqui está.
— Ora, é bem mais do que eu esperava.
— Assine aqui, por favor.
Maata assinou o documento de recebimento, e naquele instante a porta se escancarou, dando passagem a três homens da lei.
— Usagi Baker, você está presa por invasão, roubo, fraude a companhia de seguro e… — ele apanhou o papel onde constava a assinatura da princesa. — …uso de identidade falsa. Mas, tenho de admitir, originalidade não lhe falta. Onde arrumou um nome desses?
— Está enganado, policial. Sou Maata Faraj. Usagi Baker é uma amiga minha e…
— Sim, e eu sou George Clooney. Terá muito tempo para se explicar na delegacia, moça. Sugiro que arranje uma desculpa melhor do que "Usagi Baker é uma amiga minha".
O investigador, num gesto arbitrário, pegou a bolsa dela, vasculhou seu interior e apanhou os documentos de Usagi, que chacoalhou no ar, triunfante. Colocou as algemas em seus pulsos, leu seus direitos e conduziu Maata direto até seus superiores.

Jedite seguira de longe sua princesa até aquela viela deserta. Ele viu quando um homem magro e de péssima aparência se aproximou dela e a assustou. Os dois discutiram, o sujeito agarrou o braço de Maata. De repente, ela conseguiu escapar. Jedite deu a volta, e assim que chegou aos pés da escadaria, seu coração parou de bater por dois segundos. Ali estava Sua Alteza Real, Maata Faraj, estatelada no chão, como uma criatura qualquer, com os cabelos sobre o rosto e a cabeça sangrando.
Mas Jedite era um funcionário de confiança da família do sheik, que sempre contara com ele. Assim, obrigou-se a se refazer logo do susto e ligou para a emergência.
Resistiu à tentação de tocar a princesa e colocá-la numa posição mais confortável. Se ela tivesse quebrado algum osso — o que era mais que provável —, poderia acabar por prejudicá-la.
Assim que a ambulância virou a esquina, Jedite se afastou.
Aquela altura, uma pequena multidão já se juntara ao redor de Maata. Ele permaneceu ali apenas por tempo suficiente para ouvir para onde a princesa seria levada e retomou a seu posto de observação.
Chegando lá, pediu seu café, respirou fundo e fez uma ligação de seu celular:
— Alteza? Houve um acidente.

Foi indicado para Maata um defensor público. Atordoada, ela não fazia ideia de que atitude tomar. Poderia ao menos ter alguma orientação com o advogado.
O senhor de meia-idade, usando um temo barato e com ar bastante cansado, sorriu, estendendo-lhe a mão.
— Boa tarde, srta. Baker. Sou Kunzite Murray, e estou aqui para ajudá-la. Não tenha receio, nossa conversa é confidencial, protegida por lei. Mas, para que eu possa defendê-la, terá de me dizer toda a verdade. Em seguida, veremos que linha de defesa iremos tomar.
Maata revelou a Murray tudo o que acontecera, omitindo apenas o detalhe de estar nos Estados Unidos servindo de isca para o irmão, por conta de tirá-lo de perto dos terroristas de seu país.
O advogado a ouviu o tempo todo de cenho franzido.
— A senhorita está me dizendo que é uma princesa árabe?
— Isso mesmo.
— E veio para os Estados Unidos tentar a vida como designer de jóias, porque seus pais, um sheik e uma rainha, não a deixam trabalhar?
— Exacto.
— Compreendo. E então, por força do destino, conheceu uma ladra de jóias, muito parecida com a senhorita, vocês fizeram amizade e trocaram de identidade por conveniência mútua.
Maata, ao ouvir sua história contada por outra pessoa, se deu conta de que se metera numa grande enrascada. Até para ela mesma aquilo tudo soava inverosímil.
— Sr. Murray, acredite, estou sendo sincera. Mas sou inteligente o bastante para enxergar que neste momento não tenho como provar nada, todas as evidências apontam contra mim. Portanto, peço-lhe encarecidamente que encontre um caminho para me tirar daqui. Farei o que for preciso. E o senhor tem minha palavra de que, assim que estiver livre, receberá uma recompensa generosíssima.
Murray não perdia nenhum movimento dela, nenhuma mudança de expressão facial. Durante toda sua carreira tratara com meliantes, ladrões, traficantes. Também com gente honesta, claro, que não tinha condições de pagar um advogado.
Mas a maioria não valia nada. A vida não lhe acenara com uma chance de ascensão, por isso jamais tivera a chance de abrir um escritório próprio, como sempre sonhara. De todo modo, até mesmo dormindo seria capaz de distinguir um sujeito de bem de um malandro. E aquela jovem diante dele, sem dúvida alguma, tinha excelente carácter. Apostaria um rim nisso.
— Quanto à srta. Baker… Sabe me dizer se ela já foi presa alguma vez?
— Nunca.
Kunzite suspirou e passou a mão pela calva. Tamborilou os dedos na mesa, levantou-se, foi até o fundo da sala. Olhou para a parede, como se visse ali um quadro-negro que esboçasse toda sua linha de raciocínio.
De repente, girou nos calcanhares, retomou até sua cadeira e tirou da pasta um laptop. Digitou durante vinte minutos, sem jamais desviar o olhar da tela. Então, por fim, encarou Maata e disse:
— Muito bem, srta. Faraj. Iremos agora falar com os policiais. Ou melhor: eu falarei. Será necessário que confie plenamente em mim. Não diga uma única palavra, por mais que sinta vontade. Se seguir essa simples instrução, eu a tiro daqui hoje mesmo.
— Jura?
— Juro.
— Certo, sr. Murray. Não abrirei minha boca.

Mamoru entrou correndo no hospital, e logo avistou Jedite.
— O que houve?
— Alteza, eu segui a princesa, conforme suas ordens. Ela se encontrou com um elemento de quinta categoria, que tentou agredi-la. Quando a princesa conseguiu se desvencilhar e correr, o miserável foi atrás dela. Não sei se ele a empurrou ou não, mas ela acabou caindo de uma enorme escadaria. Chamei a ambulância, eles a trouxeram para cá. Ainda não pedi notícias, pois esperava por Vossa Alteza. Sinto muito.
Mamoru colocou a mão no ombro dele.
— Sossegue, Jedite. Você agiu muito bem esse tempo todo. Aliás, como sempre.
Mamoru foi até a recepção:
— Por favor, uma jovem acidentada deu entrada agora há pouco. Pode verificar para mim.
— Pois não. Qual o nome?
— Maata Faraj.
— Um instante — a atendente digitou no computador. — Tem certeza de que veio mesmo para cá? Não há registo de alguém com esse nome.
Mamoru chamou Jedite.
— Será que ela foi conduzida a outro hospital? Tente descobrir, enquanto procuro informações por aqui.
Jedite se afastou, e Mamoru insistiu com a moça.
— Talvez o nome tenha sido escrito errado. Não poderíamos culpar ninguém por isso, não é? Nomes orientais às vezes são difíceis de escrever.
— Senhor, nós tomamos todo o cuidado com isso. Sempre copiamos, se preciso letra por letra, do próprio documento apresentado. Não há possibilidade de erro.
— Entendo. De todo modo, houve entrada de alguma garota aparentando ter cerca de vinte anos na última meia hora?
A atendente tornou a digitar no equipamento. Vermelha e sem graça, olhou para Mamoru.
— Perdoe-me, senhor. A digitadora de fato errou. Ela escreveu "Majata Farah".
— É compreensível.
A jovem fez as correcções.
— Muito bem, a srta. Faraj deu entrada na emergência com múltiplos ferimentos devidos a queda de uma escada. O médico responsável é o dr. Fanelli. Mandarei informar que o senhor está aqui, e ele virá lhe falar assim que possível. A propósito, o senhor é da família?
— Sim. Sou irmão dela.
— Muito bem. O doutor irá encontrá-lo na sala de espera. É aquela ali.
— Obrigado.

Jedite fazia companhia a Mamoru, que andava de um lado para o outro, cada vez mais impaciente. Quando o príncipe estava a ponto de sair dali e invadir cada quarto até encontrar a irmã, o dr. Fanelli abriu a porta.
— Boa tarde. Qual dos dois é o irmão da srta. Faraj?
— Eu, doutor — Mamoru estendeu-lhe a mão. — Mamoru Faraj. Como está Maata?
— Fique tranquilo. Tudo não passou de um grande susto. Pelo que me disseram, ela caiu de uma escadaria muito alta, mas sua irmã deve ser desportista, ou então sabe artes marciais, porque seus machucados foram todos superficiais. Uma pessoa comum talvez até tivesse morrido, mas ela soube evitar se ferir com gravidade.
Mamoru ficou tão aliviado que não deu importância às demais palavras do médico. Duas frases apenas se repetiam em seu cérebro: Tudo não passou de um grande susto e …seus machucados foram todos superficiais.
— Quando poderei vê-la?
— Agora mesmo. Mas eu lhe ministrei um sedativo forte, e ela só deve despertar daqui a umas oito horas.
— Sem problemas. Preciso ver com meus próprios olhos que minha irmãzinha está fora de perigo.
— Venha comigo. A enfermeira o levará até o quarto.
— Espere-me aqui, Jedite.
— Pois não, Alte…
— Não devo demorar — Mamoru o interrompeu. Seria um prato cheio para a imprensa saber que dois filhos de sheik de Nakabir estavam lá.
No corredor, o dr. Panelli chamou uma de suas assistentes:
— Brenda, por gentileza, leve o sr. Faraj para, ver a irmã.
— Pois não. Por aqui, senhor.
Viraram à esquerda ao fim do enorme corredor, e a enfermeira Petzite parou diante da porta do quarto 406.
— Esteja à vontade, sr. Faraj. Se precisar de algo, basta tocar a campainha e eu virei em seguida.
— Obrigado.
O ambiente estava em penumbra, para que a paciente pudesse dormir com mais conforto.
Mamoru se aproximou, pé ante pé, temendo despertá-la.
— Ah, minha queridinha… — sussurrou.
E, então, a expressão de pura ternura de seu semblante se alterou para a confusão e o horror. Mamoru teria chacoalhado aquela estranha em seu leito, para que acordasse e lhe dissesse onde estava sua irmã, mas conseguiu se conter a tempo. Algo de terrível devia ter acontecido com Maata, e aquela impostora era a única que poderia desvendar aquele mistério.
Teria de esperar que passasse o efeito do remédio. Contudo, não deixaria aquela mulher a sós um minuto sequer.
Foi para longe da cama e ligou para o piloto.
— Jedite, venha até o quarto 406. Agora!

— E então, srta. Baker? Pronta para assumir a responsabilidade por seus actos?
— Reporte-se apenas a mim, Yaten.
O investigador se recostou no espaldar, muito relaxado, se achando o dono da situação. Era assim que Murray gostava. Um dos maiores prazeres em seu trabalho era quebrar a crista de policiais precipitados e preguiçosos, que se compraziam em mandar qualquer um para a cadeia — inocente ou não — contanto que tivessem um caso resolvido.
— Certo, Murray. O que vai ser destá vez? Sua menina está bem encrencada.
Kunzite tirou um gravador digital da pasta.
— Vou gravar esta nossa entrevista, Yaten. Você não se importa, não é? — sem esperar resposta, ligou o aparelho. — A partir de agora, ao se referir a minha cliente, faça-o com mais respeito.
Maata achou interessantíssima aquela mudança em Murray. Antes, a impressão que ele lhe deu foi a de um velho e sonolento são bernardo que já dera tudo de si ao mundo, e agora só queria desfrutar da merecida e gorda aposentadoria. Naquele momento, porém, o que tinha diante de seus olhos era um homem renovado, muito seguro de si, disposto a mastigar o arrogante Yaten ate que sobrasse muito pouco dele.
— Não me venha com esse seu ar de superioridade, Murray. Nós dois sabemos muito bem que sua cliente é uma ladra procurada, se fazendo passar por uma artesã. As acusações sobre ela são roubo, fraude de seguro, invasão e tentativa de chantagem.
Maata abriu a boca, mas Kunzite pôs a mão no braço dela, detendo-a. Com toda a calma, tornou a abrir a pasta e apanhou alguns papéis.
— Meu bom Yaten… Os anos passam e você continua precipitado. Não tem prova alguma de que minha cliente é a srta. Usagi Baker. Sua tese se baseia em duas coisas: a denúncia de uma fonte e um vídeo em que absolutamente nada se vê do aspecto físico da pessoa filmada, excepto que é uma mulher. Aliás, corrijo-me: talvez seja um travesti. Pensou nisso? Claro que não.
Yaten mudou de postura e parou de sorrir.
— Andei fazendo seu serviço, e pesquisei a srta. Usagi Baker. Não há a menor evidência de que essa moça seja a ladra que você diz que ela é. E bem provável que sua fonte não passe de algum desafecto da jovem querendo colocá-la em apuros. O fato de a srta. Faraj estar com os documentos da srta. Baker em sua bolsa, por si só, não quer dizer nada; ela pode tê-los pego por distracção. As duas são amigas, conforme a srta. Faraj afirmou, e ela está tomando conta da loja de Usagi, que precisou sair em viagem. Em nenhum momento a srta. Faraj afirmou ser Usagi Baker, muito pelo contrário, o que põe por terra sua acusação de falsidade ideológica. Não há uma única digital, fio de cabelo, imagem ou seja lá o que for que ligue a srta. Faraj ao roubo da Joalharia Davidovitch. Diga-me, Yaten, o fato de minha cliente ser de origem árabe teve alguma influência em sua conclusão? Cuidado com a resposta, isso poderá lhe render um processo por preconceito.
Yaten não se daria por vencido assim tão fácil.
— Ela perguntou diversas vezes sobre a família do sr. Davidovitch, em especial seu filho mais novo. Para mim, isso é muito suspeito.
Kunzite se inclinou em direcção a Maata, que cochichou a seu ouvido.
— Yaten, você também já foi jovem um dia. A srta. Faraj achou muito bonito o rapazinho, e apenas quis saber a idade dele. Aliás, sabe quantos anos tem o filho do sr. Davidovitch?
Yaten não cabia em si de irritação.
— Dezesseis.
Kunzite se voltou para Maata.
— Em minha opinião, minha cara, ele é muito nova para você.
Maata fez que sim, sempre calada.
— Como vê, Yaten, não há motivo algum para minha cliente continuar aqui, muito embora sua companhia seja das mais agradáveis — Kunzite guardou o gravador e os papéis, ficou de pé e ajudou Maata a se erguer. — Até breve, meu caro. Lembranças a Deise e às crianças.

Usagi começava a despertar, mas impediu-se de abrir os olhos, pois ouviu vozes sussurrando dentro do quarto.
— Como eu disse, o senhor pode fica sossegado. Sua irmã não sofreu ferimentos graves. Bateu a cabeça com força, mas os exames não acusaram nada. Teve apenas uma leve torção no tornozelo direito. Nem um osso quebrado — o dr. Fanelli meneou a cabeça, ainda assombrado. — Porém, pode ser que venha a sofrer de enxaqueca ou até transtorno de memória por algum tempo. Nada que deva causar preocupação, mas… Sabe como e, o cérebro ainda é um território a ser explorado.
— Quando poderei levá-la para casa?
— Assim que ela acordar, tomarei a examiná-la. Se tudo estiver bem, como espero, eu lhe darei alta.
Mamoru sorriu. Em breve todo aquele enigma estaria desvendado.
O médico consultou o relógio.
— Por meus cálculos, a srta. Faraj despertará a qualquer momento. Mande me chamarem imediatamente, sim?
— Certo. E mais uma vez, obrigado.
Irmão de Maata? Será mesmo ou o miserável do marido dela resolveu mentir? Mas, nesse caso, qual será seu propósito? Usagi preferiu esperar mais um pouco.
Alguém se aproximou do leito. Pôde sentir seu aroma — por sinal, muito bom. Um perfume que a fez ver imagens de um mundo bem diferente daquele em que vivia, repleto de magia e romance.
Deixou escapar um suspiro e não teve como disfarçar mais. Então, ergueu as pálpebras, devagar.
E deparou com o homem mais sensual — e zangado — que já vira em toda a vida.
Os olhos azuis de Mamoru chispavam.
— Está enxergando direito? Uma enfermeira tirou suas lentes de contacto. Estão ali, no criado-mudo.
— Quem é você?
— Sou eu quem faz as perguntas, mocinha. Por que foi morar na casa de minha irmã, usa os documentos e as roupas dela e até mesmo coloca lentes de contacto escuras, para disfarçar seus olhos claros? Seja rápida e convincente, ou eu chamarei as autoridades, e daqui você irá directo para a cadeia!
Usagi se fingiu de assustada e levou a mão à testa, tocando a bandagem.
— O que diz? Não estou entendendo nada. Onde estou? Como vim parar aqui? — e uma lágrima rolou por sua face.
Mamoru não contava com aquilo.
— Tudo bem, eu posso esperar mais um pouco — foi até o corredor e pediu à atendente: — Por favor, avise ao dr. Fanelli que minha irmã despertou.
E retomou ao quarto.
Usagi chorava, baixinho. O dr. Fanelli se condoeu ao vê-la assim.
— Sente alguma dor? — perguntou a Usagi.
— Não. Mas não faço a menor ideia de como vim parar aqui.
— Sabe seu nome?
Ela o encarou e chorou mais ainda.
— Não!
O médico apanhou uma lanterninha especial e analisou as pupilas dela.
— Meu Deus, isso é horrível, doutor! Como uma pessoa pode estar numa situação dessas? — Usagi agarrou a manga do avental dele. — Fui apagada de minha própria memória! É desesperador…
— Acalme-se. Você sofreu um acidente e bateu a cabeça. Se repousar bastante e se esforçar por se manter num ambiente tranquilo, em breve suas lembranças voltarão.
— Tem certeza?
— Claro. Já vi inúmeros casos como o seu, e todos chegaram a bom termo.
— Mas até lá, o que faço?
— Seu irmão está aqui. Ele cuidará de você.
— Quem pode garantir que é meu irmão? Não o reconheço.
Mamoru teve vontade de gritar com aquela farsante. Mas só ela sabia o que fora feito de Maata, por isso, tinha de ser cauteloso.
— Peça a ele que saia, doutor. Quero lhe falar a sós.
Mamoru não esperou que o dr. Fanelli lhe fizesse o pedido. Aproveitou o momento para ir beber um copo d' água e tentar apaziguar os nervos.
— Pois não, senhorita.
— Doutor, não faço a menor ideia de quem sou, nem posso garantir que esse homem seja meu irmão.
— Ele é. Os documentos que nos apresentou comprovam isso.
— Sério?
— Sim. Eu mesmo os vi.
— Qual o nome dele?
— Mamoru Faraj. É seu irmão mais velho.
Então Maata mentiu. Mamoru não é seu marido, mas seu irmão. Mas com que finalidade? Que danadinha…
— De todo modo, não me lembro, doutor. Se eu for embora com ele, talvez venha a me expor ao perigo.
— Compreendo sua aflição. Pedirei ao sr. Faraj que assine um termo, responsabilizando-se por sua integridade física enquanto você não tiver se restabelecido por completo. O que me diz?
— Óptimo. Assim ficarei mais tranquila.
— Muito bem. Agora, vamos fazer mais alguns exames. Se tudo estiver em ordem, após o almoço vou lhe dar alta.

— Não quer ir à lanchonete para comer algo? Não está com fome? — Usagi perguntou a Mamoru, entre uma garfada e outra de seu almoço.
— Eu irei assim que Jedite voltar para lhe fazer companhia.
— Não é preciso. O dr. Fanelli ainda não me deu alta.
— Sei disso. Mas de modo algum deixarei minha adorada irmãzinha a sós.
Usagi sorriu com candura.
— Começo a acreditar mesmo que é meu irmão. Você é um amor, sabia?
— Nem imagina o quanto, minha cara.
Usagi terminou sua refeição e pôs de lado a mesa móvel.
— O que aconteceu comigo?
— Você despencou de uma escada.
— Por que eu estava em cima de uma escada?
— Foi na rua. Você ia descer correndo por uma dessas escadarias antigas, que ligam vielas a avenidas, e pisou em falso em algum degrau.
— Devia estar indo pegar o autocarro.
— Ou talvez fugisse de alguém.
— Ora! De quem?
— Não sei. Diga você.
Usagi o fitou com inocência.
— Por que está zangado comigo, Mamoru? Eu poderia ter morrido, e você fica aí, me olhando com raiva. O que fiz?
Ou ela de fato perdera a memória ou era uma actriz digna de um Óscar.
— Desculpe-me. É que o susto foi grande.
Usagi tomou a sorrir.
— Eu entendo. Ah, não vejo a hora de irmos embora. Detesto hospitais.
Uma hora e meia depois, Usagi Baker recebia alta. Ela se arrumou, guardou as lentes de contacto no bolso e aceitou a ajuda de um caladíssimo Jedite, que a colocou com todo o cuidado no banco de trás do Land Rover blindado.
Quando eles entraram na garagem de um dos hotéis mais caros da cidade, ocorreu a Usagi que das duas, uma: ou aquela era a chance de ouro que brilha a cada milénio para uma alma escolhida ao acaso pela divindade; ou sua tão propalada sorte se cansara dela de vez e a atirara na toca dos leões, e então não sobraria nem um ossinho para contar a história.
Não, não podia ser a segunda opção. Àquela altura, Maata já devia ter se encrencado. Porém, ela era Usagi Baker, aquela que não deixa rastros. Assim, como sempre, previra todos os passos, e colocara um anjo da guarda dos bons para tirar Maata da enrascada. Por isso, os deuses não a deixariam na mão.
Com essa certeza em mente, Usagi relaxou. O que quer que a aguardasse, haveria de ser muito bom.
— Desça — Mamoru ordenou a Usagi, assim que Jedite terminou de estacionar na vaga.
Ela abriu a porta e saiu mancando.
A contragosto, Jedite deu-lhe o braço, para que Usagi se apoiasse, e foram todos para o elevador privativo. Subiram até o trigésimo segundo andar, e Mamoru foi o primeiro a descer. Caminhou a passos largos pelo extenso corredor e destrancou um aposento.
— Coloque-a na cama — o príncipe disse a Jedite.
O piloto o obedeceu, e em seguida Mamoru mandou que se retirasse.
— Só volte a estes aposentos quando eu ordenar, Jedite. Sob nenhuma outra circunstância.
— Sim, Alteza — Jedite fez uma breve reverência e se foi.
Usagi não conteve o riso.
— É assim que seus empregados o tratam? Você deve ser mesmo muito mandão, irmãozinho.
Mamoru trancou a porta do quarto. Não havia motivo para verificar as janelas. Daquela altura, seria impossível que sua "irmã" tentasse escapar.
Ele puxou uma poltrona para bem perto do leito e disparou:
— Pois bem. Comece me dizendo onde está Maata — ergueu a mão ao ver que ela ia contestar. — Quase caí no conto da amnésia. Mas então eu me lembrei de um pormenor que a qualquer outro menos detalhista que eu teria escapado. Pouco antes de o médico nos deixar a sós, no quarto do hospital, após ter comentado que você poderia vir a ter falha de memória, eu a vi mover a cabeça e quase abrir os olhos. Foi um segundo apenas, mas eu percebi. Então, não vamos perder mais tempo. Diga onde está Maata e talvez eu não mande prendê-la.
Usagi era uma mulher cuja personalidade fora forjada por força das circunstâncias e das necessidades. Sim, ela optou por um caminho mais fácil, mas no fundo jamais causou prejuízo real a alguém. Conheceu gente de todo tipo, relacionou-se com pessoas ricas e malandros do mais baixo extracto. Por isso, embora tivesse apenas vinte e dois anos, era mais madura do que muitas mulheres de cinquenta.
Entretanto, nem mesmo toda essa bagagem, vivência e esperteza foram suficientes para evitar que seu coração disparasse e seu sangue corresse mais forte nas veias ao ouvir aquele homem maravilhoso ali, diante dela, desmascarando-a sem titubear.
Mamoru não se permitiu enganar. Até que enfim encontrara um adversário à altura!
— Ficar me olhando fixo não vai me hipnotizar, senhorita. Você não faz a menor ideia de com quem está lidando. Sou capaz de qualquer coisa para ter minha irmã de volta. E devo avisá-la de que minha paciência está chegando ao fim.
Era um esforço considerável para Mamoru não deixar transparecer a confusão de sentimentos que lhe ia no íntimo. O medo pelo que poderia ter acontecido a sua irmã causava acidez em seu estômago. A raiva por estar diante de uma impostora — que poderia muito bem ter sequestrado Maata — era imensa. Mas toda a feminilidade daquela linda desconhecida de olhos claros o estava sufocando.
Por isso, foi abrir a janela.
— Com calor? — Usagi indagou, insinuante.
— Nada disso. Não quero ter de pagar por um vidro arrebentado se eu tiver de atirá-la lá para baixo.
Por incrível que aparecesse, Usagi não sentiu temor algum de que aquela ameaça viesse a se concretizar. Embora Maata tivesse dito que Mamoru era violento, tinha certeza de que estava diante de um homem gentil. Rigoroso, mas gentil.
— Não acha que seria um grande desperdício?
Ele tomou a se sentar.
— Onde está minha irmã?
— Eu lhe direi.
— Óptimo.
— Depois que não tiver mais dúvida de que você não lhe fará mal.
Mamoru se inclinou para a frente, com as pupilas brilhando.
— Como é que é?!
— Maata decidiu fugir de você. Algum bom motivo para isso deve haver. Ela me pediu ajuda para mantê-lo longe, e é isso o que vou fazer. A menos que me dê um excelente motivo para eu quebrar minha palavra.
Mamoru ficou confuso. Por que Maata estaria fugindo especificamente dele? Como sua irmã poderia saber que viajara em seu encalço?
— Maata citou meu nome? Ela disse que fugia de mim?
— Sim. No entanto, me falou que você era marido dela; não irmão. Não sei por quê. Talvez tenha achado que surtiria mais efeito, ou tenha algum outro segredo. De todo modo, nós duas fizemos um trato. Eu o mantinha longe dela, e ela me prestava outro favor.
— Qual?
— Isso não é de sua conta.
Mamoru saiu de onde estava e se sentou na beirada da cama, segurando com força o pulso de Usagi, que, mesmo sentindo dor naquele contacto, desejou muito poder beijá-lo.
O que está acontecendo comigo?!
— Não vou tolerar suas brincadeiras, moça. Você dirá tudo o que quero saber, ou irá se arrepender.
— Mesmo? O que será? Permitirá que eu me alimente apenas de pão e água? Ou pretende me torturar com óleo fervente até que eu fale?
— Não me dê ideias.
Ela humedeceu os lábios, mirando a boca de Mamoru.
— Se meu tornozelo não estivesse doendo tanto, eu lhe daria um chute num lugar muito delicado, só para lhe mostrar o que acontece quando um homem arrogante tenta falar grosso comigo.
Para espanto de Usagi, Mamoru esboçou um sorriso largo.
— Em meu país você poderia ser mandada para a forca por isso.
— Que bom que não estamos lá.
— Também acho. Um pescoço tão lindo deve ter apenas marcas de beijos.
Sem dar tempo a Usagi para alguma reacção, e sem soltar-lhe o pulso, Mamou enfiou os dedos da outra mão entre os cabelos dela e puxou sua cabeça, com firmeza, mas sem machucá-la e mordiscou-lhe o lóbulo da orelha.
Usagi não conteve um leve gemido, e suas pernas amoleceram.
— Vê? E assim que costumo tratar meninas malcriadas. Quando menos esperar, você dirá tudo o que quero saber e mais um pouco.
— Este é o momento em que eu devia me indignar e mandar que você se afastasse de mim? — e Usagi aproveitou a proximidade para dar-lhe um beijo repleto de promessas. — Não me subestime. Você também não sabe do que sou capaz.
Mamoru ficou de pé. Tinha de reassumir o controle da situação.
— Descanse. Mais tarde mandarei que lhe sirvam uma boa refeição. Em seguida, nós teremos uma longa conversa, e desta vez não sairei daqui sem respostas.
— Não vejo a hora!
Ao sair dos aposentos, Mamoru ainda pôde ouvir a gargalhada debochada de Usagi.

PrincessAngel




#22
Ai ai aia! Eles conheceram-se! Embaracoso uh uh! vá, nao foi nas melhores circunstancias, mas adorei o capitulo! nota-se que já ha ali uma certa quimica entre o mamoru e a Usagi! Esperancoso
Coitada mas é da Maaata! ainda bem que tem um bom advogado! Hehehe!
Hoje nao tenho muito a dizer, mas é o costume, estou a gostar muito da fic!
Fico á espera de mais! Bjokas
as minhas fic's:
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
-Angelical
Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^
#23
CAPÍTULO 6
Ao sair do departamento de polícia, Maata convidou o sr. Murray para um café.
— Obrigado, minha jovem. Em minha idade, tomar café depois das seis da tarde pode prejudicar o sono — sorriu. — Quer uma carona?
— Sim, por favor.
Maata foi para o apartamento de Usagi. Antes de sair para a joalharia, deixara o celular carregando. Precisava dele para entrar em contacto com ela.
Parando o automóvel diante do endereço indicado, passados vinte minutos, Kunzite a fitou com carinho.
— Cuide-se, srta. Faraj. Aqui está meu cartão. Se necessitar de algo, não hesite em me ligar.
— Muito obrigada por tudo. O senhor é um óptimo advogado. Foi muito engraçado ver aquele policial reduzido a pó.
— Yaten não é má pessoa. Mas, como está perto de se aposentar, não quer se arriscar indo atrás de bandidos de verdade. E mais fácil perseguir mocinhas inocentes e indefesas. Ainda bem que é pouco inteligente. Quero que você saiba que cabe processo, pela maneira como foi feita sua prisão.
— Quero me esquecer de tudo isso, sr. Kunzite.
— Compreendo. No entanto, se mudar de ideia, fale comigo.
— Combinado. Foi um prazer conhecê-lo.
— O prazer foi meu. Boa sorte.
Kunzite esperou que Maata entrasse no edifício, e só então foi embora.
Assim que entrou no apartamento, ela não perdeu tempo em telefonar para Usagi. Porém, por algum motivo, a ligação não completava.
O que teria acontecido?
Bem, sentia-se exausta demais para ir atrás dela. Usagi sabia se cuidar. Quando pudesse, entraria em contacto.
Com isso em mente, após trancar bem a porta e as janelas, Maata foi tomar um banho. No momento em que a água quente tocou sua pele, toda a tensão do dia explodiu numa tremenda crise de choro.
Ao desligar o chuveiro, suspirou, bem mais aliviada, pronta para cair na cama e dormir.

Antes de entrar em seus aposentos, Mamoru falou com Jedite, que o aguardava no corredor:
— Monte guarda aqui fora. Contrate alguém de sua confiança para se revezarem. Essa mulher não pode sair do quarto de jeito nenhum. Enquanto não encontrar minha irmã, ela ficará lá dentro.
— Sim, Alteza.
Mamoru bateu a porta com força. Ficara tão atordoado com o apelo sexual daquela estranha que nem ao menos perguntara seu nome.
Conhecera mulheres maravilhosas dentro e fora de Nakabir. Lindas, sensuais, inteligentes, de todos os tipos físicos e etnias. Era um homem muito experiente na arte do sexo, que aprendera ainda bastante jovem com as profissionais de seu país. Todavia, aquele fogo que emanava daquela moça no outro dormitório era algo natural nela; algo que não se aprendia em lugar algum. Técnica era uma coisa boa, mas nada substituía o talento inato.
Porém, aquela mulher era a inimiga. Até o momento, Mamoru ignorava o que ela fizera a sua irmã. Podia ser que tivesse dito a verdade, mas como confiar? De todo modo, o que fazer para obrigá-la a revelar o paradeiro de Maata? Evidente que jamais usaria de violência. Só os covardes são capazes de ferir os mais fracos: mulheres, crianças, velhos e animais. Gente de valor, de estirpe, não levanta a mão contra seres indefesos.
Entretanto, ela não sabia disso, e esse era um ponto a seu favor.
Mamoru sorriu.
— Já sei o que fazer.
Se tudo o mais falhasse, iria lançar mão de uma estratégia que, podia garantir, seria infalível. E sem dúvida alguma lhe traria imensa satisfação.

Usagi terminava de escovar os dentes, após o jantar, quando ouviu a porta do quarto se abrir e se fechar. Enxugou a boca, passou batom, penteou os cabelos e conferiu o resultado no espelho. Estava com excelente aparência, apesar do recente acidente e do curativo na testa. Seria a expectativa de rever Mamoru que lhe dava tanto ânimo?
Não sabia o que esperar dele. Teria de ser cautelosa ao máximo, pois, além de muito inteligente, aquele homem era um perigo para qualquer mulher com sangue nas veias.
Ela tivera muito poucos relacionamentos, e nenhum deles importantes. Os homens que se aproximavam dela costumavam se inibir diante de sua exuberância e autoconfiança.
Mas Mamoru não era assim, e isso a intrigava. Ali estava alguém que sabia se impor, mas sem ser rude. Dizia o que queria de uma tal maneira que tomava quase impossível a seu interlocutor contrariá-lo. O magnetismo de Mamoru era poderosíssimo, e se ela não se cuidasse, estaria em apuros.
No entanto, amava desafios. Viver perigosamente era seu lema. Por isso, a tentação de ver Mamoru a seus pés se tomava mais e mais irresistível.
Está brincando com fogo, sua consciência a advertia. Usagi achou graça.
— E daí? O máximo que pode acontecer é eu pegar uma corzinha.
Por isso, não se vestiu. Ao pôr a mão na maçaneta, tinha ao redor de si apenas uma minúscula toalha de banho.

Tudo estava esquematizado na mente muito lógica de Usagi. Ela entraria no quarto, vinda do banheiro, com seu delicioso e refrescante aroma de banho tomado, os cabelos molhados e com as coxas de fora. Ao deparar com Mamoru, fingiria ter se assustado, mas em seguida esboçaria um sorriso arrasador. Era linda e sedutora, afinal de contas. E jovem, com tudo nos devidos lugares.
Ao vê-la, Mamoru perderia aquela pose de rei do mundo, apreciaria suas curvas como um tigre mirando a presa, e talvez até gaguejasse. Então, ele a tomaria nos braços, os dois fariam sexo até se fartar, Mamoru cairia no sono, e ela fugiria dali o mais rápido possível. Satisfeita, feliz e com a pele resplandecente.
Teria sido assim. Porém, como dizem os mais velhos, jamais subestime o inimigo.
Quando Usagi se preparava para começar seu teatrinho, o que viu a deixou de queixo caído. Não pôde evitar.
Mamoru, sabe Deus por que motivo, resolvera vestir trajes típicos. Sua tez morena se destacava em sua túnica branquíssima, a dishdasha. Na cabeça, um turbante verde, preso com uma espécie de coroa fina e dourada. De seu pescoço pendia uma corrente de ouro da espessura de um dedo, e, pendurado nela, um imenso rubi. No dedo da mão direita, um anel de ouro vermelho — pelo visto, a família dele adorava aquela tonalidade do nobre metal — mostrava um brasão. Parecia um selo real.
Ali sentado, com as pernas cruzadas, os cotovelos apoiados nos braços da poltrona, as pontas dos dedos unidas e tocando de leve o lábio inferior, estava o ser humano mais belo e másculo de todo o universo.
De fato, ele a fitou de cima a baixo. Mas não demonstrou, nem por um segundo, ter ficado encantado com a visão de uma mulher seminua. Esse foi um golpe e tanto na vaidade de Usagi. Queria muito que Mamoru, no mínimo, a desejasse. Naquele momento, seria capaz de qualquer coisa para conseguir isso.
— Estava bom o jantar? — ele teve o desplante de perguntar.
— Muito.
Decidida a não se deixar abater, ela abriu a porta do armário.
— O que vai fazer?
— Vestir-me.
— Para quê? Não está confortável assim?
Usagi o encarou. A única expressão no semblante dele era de enfado.
Ah, é guerra o que você quer? É guerra o que vai ter!
— Que bom que não se incomoda, Mamoru! Eu apenas quis ser gentil com você. Bobagem minha, não é? Alguém que se julga no direito de entrar em meu quarto sem pedir licença, à hora que bem entende, não merece tanta consideração assim. Portanto, vou fazer de conta que estou sozinha.
Usagi fez menção de tirar a toalha, só para ver a reacção dele. Mamoru arqueou uma sobrancelha.
— E então?
Tudo bem, o primeiro round é seu.
— Acho que não sou tão liberal quanto imaginei — Usagi caminhou até o leito com seu passo de pantera e se sentou na beirada. — Vai começar com o interrogatório? Trouxe as algemas?
Mamoru continuava impassível.
— Como você se chama?
— Usagi Baker.
— O que faz da vida?
— Sou ladra profissional.
— Como disse?!
Ah! Choquei você? Pobrezinho!
— Quer que eu soletre?
— Não brinque comigo, srta. Baker.
— Apenas Usagi. E não estou brincando… Alteza — ela falou com deboche. — Só por curiosidade, por que Jedite o trata assim? Isso é um tanto megalomaníaco de sua parte, em minha opinião.
— Ridículo, na verdade.
— Acha mesmo?
— Acharia, se eu não fosse um príncipe. Ele me chama de Alteza porque é esse o tratamento que se dá a príncipes e princesas.
Usagi se enfiou embaixo das cobertas e se recostou na cabeceira.
— Você é um príncipe? Quer que eu acredite nisso?
— Para mim, tanto faz. O que quero é que me diga onde está minha irmã.
— A princesa Maata.
— Exacto.
— Meu Deus, vocês são dois malucos! Ela me disse que estava fugindo de um marido violento, que praticamente a escravizava. Você aparece afirmando que é irmão dela. E agora me vem com essa conversa de que os dois são príncipes — Usagi meneou a cabeça. — Já sei! É uma "pegadinha"! Há cameras escondidas aqui dentro?
Mamoru respirou fundo.
— Minha cara, sua situação não é nada boa. Eu tenho todo o tempo do mundo, além de recursos ilimitados. Desse modo diga o que quero saber, ou você terá rugas e cabelos grisalhos quando sair daqui.
— Não sei se ficar em cárcere privado num hotel cinco-estrelas seja tão ruim assim…
— Por que não fala de uma vez? Sente prazer em me deixar zangado?
— Estou conseguindo isso? Você disfarça bem.
Mamoru ficou contente em saber que ela não percebera o efeito que provocava nele. Um bom soberano tinha de saber disfarçar suas emoções. E aquela estava sendo sua prova de fogo.
— Usagi, Maata é uma moça inexperiente e superprotegida. Diga-me onde encontrá-la. Eu irei buscá-la, embarco para meu país e você estará livre de mim para todo o sempre.
Ela não entendeu o motivo, mas sentiu um aperto no coração ao ouvir isso.
— Onde é seu país?
— No Oriente.
— Qual o nome?
— Nakabir.
— Nunca ouvi falar.
— Existem muitos pequenos países no Oriente Médio. O meu é um deles.
— E você é o soberano.
— Não. Meu pai, o sheik, é.
— Você tem mais irmãos além de Maata?
— Sim, quatro homens.
— Todos príncipes.
— Evidente. Sua vez, agora. Onde está minha irmã.
— Só lhe darei essa informação depois de falar com ela, se Maata disser que tudo bem.
— E quando será isso?
— Assim que permitir que eu saia deste hotel. Nós duas só nos comunicamos por nossos celulares, e eu deixei o meu em casa. Tive medo de quebrá-lo se o levasse comigo, sabe? Tenho uma certa compulsão em sair rolando por escadas e quase me arrebentar no meio da rua.
— Não duvido. Aqui está, use meu telefone.
— Eu e ela compramos dois aparelhos apenas para falarmos uma com a outra. Se Maata não vir o número de meu celular no visor, não atenderá a chamada.
— Tudo bem. Então nós iremos até sua casa.
— Nada disso. Esqueceu o que eu falei? Maata esta fugindo de você. Portanto não o levarei até ela de jeito nenhum, a menos que minha amiga me dê permissão para fazê-lo. Nós temos um acordo, e vamos mantê-lo até o fim.
Mamoru ficou de pé.
— Muita coisa não faz sentido nessa história. Para começo de assunto como minha irmã sabia que justamente eu estava atrás dela? Ao fugir de casa, ela devia ter sabido que nosso pai mandaria buscá-la mas jamais haveria de ter lhe ocorrido que seria justo eu. E ainda por cima pediu ajuda a você, uma fora-da-lei, e mentiu como nunca.
Usagi não desgrudava os olhos da figura espectacular de Mamoru. Se ele se aproximasse mais um pouco, correria o risco de ser atacado e devorado vivo.
— Por que me olha assim, Usagi?
— Assim como?
— Com lascívia.
— Eu olho assim para todo o mundo. É uma mania que tenho.
Mamoru franziu o cenho. Não gostou nada de ouvir aquilo.
— Você tem uma língua afiada. Porém, para dizer o que eu quero saber é escorregadia como uma serpente. Desse modo, não me dá outra opção.
Ele pôs a mão no bolso da túnica e tirou duas echarpes de seda.
— Pretende me bater com isso até que eu peça misericórdia?
— Ah, você pedirá misericórdia, sim… Pode apostar.
Mamoru se debruçou sobre ela, enlaçou-lhe a cintura e a beijou com uma paixão descontrolada.
Usagi se agarrou às costas dele, correspondendo ao beijo como se sua vida dependesse daquilo. Levou a mão à toalha, para tirá-la, mas Mamoru a impediu. Sem parar de beijá-la, amarrou uma echarpe em cada pulso e, antes que Usagi desse por si, viu-se amarrada, de braços abertos, à cabeceira da cama.
Assustada, tentou se soltar, mas os nós eram muito firmes.
— Ei, Alteza… Eu sou menina, lembra? Meninos não podem ferir meninas.
Mamoru a beijou de novo, e Usagi ficou tonta. Em seguida, falou, bem perto do rosto dela.
— Sossegue, moça bonita. Nem me passou pela cabeça machucar você. Vou lhe ensinar uma forma de tortura que costumamos aplicar em Nakabir, que é muito útil para manter nossas esposas submissas.
— Não se atreva a pôr as mãos em mim! Eu vou gritar!
— Claro que vai. Tanto que você nem imagina.
Sem tocar a pele dela, ele abriu a toalha, expondo o corpo esplêndido de Usagi. Suas pupilas cintilaram de volúpia.
— Quando não suportar mais, basta me dizer onde está minha irmã, e eu pararei. Prometo — e cobriu os olhos dela com uma venda negra.
O coração de Usagi batia descontrolado. Aquele homem era um completo desconhecido. O fato de ser lindo demais poderia servir ao propósito de esconder seu lado sádico. Seria Mamoru um maníaco da pior espécie?
Meu Deus, me proteja! Juro que nunca mais roubo ninguém se…
Um suspiro profundíssimo escapou da garganta de Usagi, interrompendo sua prece silenciosa. Algo deslizara sobre seu mamilo com tanta suavidade, que ela chegou a crer que tinha sido mera impressão. Não fora uma brisa, mas era quase isso.
Então, o mesmo se deu no outro mamilo, e ela gemeu. O toque era de uma delicadeza absurda, e tão excitante que a obrigou a apertar uma coxa na outra.
— O que está fazendo comigo, Mamoru?
Ele sorriu, deliciado, segurando uma pluma de avestruz, com a qual roçava milímetro por milímetro os pontos mais sensíveis de Usagi.
— Eu avisei que não brincasse comigo, Usagi Baker. Quando eu terminar, você será completamente minha. E em mais de um sentido.
Usagi se contorcia, tentando evitar aquelas carícias que a excitavam tanto. Porém, não podia resistir. De olhos vendados, não conseguia saber de onde viria o próximo toque, nem onde seria. E quando menos esperava, Mamoru lhe arrancava outro suspiro profundo.
O mais fantástico foi que ele fez despertar pontos erógenos que ela nem imaginava que existiam. Quem poderia dizer que bem abaixo da axila havia um lugar que, se tocado da maneira certa, poderia deixar uma mulher sem fôlego?
Usagi parou de se mover. Antes, queria se livrar daquilo. No entanto, suas barreiras caíram por terra, e ela resolveu aproveitar aquele momento incrível. Mamoru que fizesse o que bem entendesse. Ela iria desfrutar cada segundo.
Ainda não compreendera aonde ele pretendia chegar. Se ganhava um presente tão maravilhoso por não ter revelado o paradeiro de Maata, agora é que não iria mesmo fazê-lo. Que mulher, em sã consciência, abriria mão de fazer sexo com um homem tão fora dos padrões? Mamoru decerto passara anos e anos na cama com garotas excepcionais, aprendendo tudo sobre sua anatomia e seus pontos sensíveis. Será que todos os rapazes de Nakabir sabiam fazer aquilo tudo? Poderia ganhar uma fortuna vendendo uma informação como essa.
Mamoru viu o exacto momento em que Usagi se rendeu. Ela se debatera bastante, mas enfim a paixão carnal venceu a batalha como sempre. Ele prosseguiu com a doce tortura até o momento exacto. Então, se afastou e ficou olhando para ela.
— Pronta para me dizer o que quero saber?
— Nem pensar. Era só isso o que tinha a me oferecer?
Ora, que atrevida! Mamoru foi até a porta, abriu-a e puxou um carrinho que Jedite deixara preparado para ele.
— Nós ainda nem começamos, meu bem.
— Pois ande logo. Essa sua amostra grátis só serviu para me provocar cócegas.
Mamoru ficou completamente nu. Sabia que em breve todos os sentidos de Usagi estariam apuradíssimos, e quando ela sentisse seu aroma natural, após ter atingido o mais alto estado de excitação, iria se descontrolar.
A audição de Usagi já estava bastante aguçada, devido ao fato de não poder enxergar. Humedeceu os lábios, achando que Mamoru ira se deitar sobre ela, e aguardava por isso com ansiedade. A demora, porém, começou a incomodá-la. Seu baixo-ventre pulsava, exigindo satisfação.
Usagi gritou quando uma gota gelada respingou e escorreu por sua virilha, em contraste com a altíssima temperatura de sua epiderme. Ela abriu as pernas, para provocar Mamoru, e ele dirigiu a pluma de avestruz para o centro de sua feminilidade, àquela altura bastante húmida.
Usagi achou que iria desmaiar. Arqueou os quadris, esperando ser penetrada, mas tudo o que sentia era o roçar, muito de leve de algo que ainda não sabia o que era.
— Ainda tem coragem de dizer que sente cócegas?
— Mamoru… não aguento mais…
O príncipe subiu na cama, e Usagi teve certeza de que dessa vez ele ia tomá-la para si. Enganou-se de novo.
Mamoru ficou bem próximo dela e começou a deslizar o pé em sua barriga, em movimentos circulares, pressionando de leve, e aliviando a pressão, alternadamente. Então, fez os artelhos subirem pela lateral do corpo, pele e unhas, até chegarem bem perto do seio e tomar a descer.
Usagi transpirava, enlouquecida de volúpia. Jamais imaginara ser possível atingir tal grau de exaltação erótica. Aquele homem era um mestre dos desejos.
De repente, ele parou e desceu do leito. Usagi se contorceu, oferecendo-se, querendo mais.
— Volte, Mamoru…
O príncipe apanhou uma garrafa de champanhe e tirou a rolha.
— Aprendi algo muito interessante com uma das ex-concubimas do harém de meu pai: como usar a língua. Não dessa forma que todo o mundo sabe, um mero lamber e sugar. No treinamento, são utilizadas facas. No começo, com o corte quase cego, para não nos ferirmos quando deslizarmos a língua pela lâmina. Então, à medida que vamos ganhando destreza, a faca vai sendo substituída por outra, cada vez mais afiada. A última lâmina é capaz de cortar ao meio um fio de cabelo; se conseguirmos passar a língua nela com tanta leveza a ponto de não nos machucarmos, pronto. Aprendemos a lição.
Mamoru derramou duas gotas de champanhe no umbigo de Usag, que estremeceu.
— Adivinhe que nota a concubina me deu.
A língua dele era quase mais leve que a pluma de avestruz, passando sobre o líquido gelado e sorvendo-o muito devagar, ao mesmo tempo deixando escapar seu hálito quente.
Usagi bradou o nome dele, desesperada. Como aquele homem podia ter tanto auto controle, tendo diante de si uma mulher a sua mercê e mais do que pronta para recebê-lo dentro de si?
Ela sentiu o cheiro dele. Tinha certeza de que Mamoru estava nu. Seu corpo todo pulsava agora, e não só o baixo-ventre. Temia enlouquecer se ele não a penetrasse.
Foi quando o calor da proximidade dele a deixou. Em seguida, Usagi o escutou se vestindo.
— O que está fazendo?!
Ele nada disse. Terminou de ajeitar as vestes, deixou o carrinho encostado na parede, jogou um cobertor sobre ela e saiu do quarto.
O gemido que Usagi emitiu, dessa vez, foi da mais pura agonia.

Horas depois, cumprindo a ordem de Mamoru, Jedite entrou nos aposentos de Usagi. Como imaginara, ela adormecera. Então, com todo o cuidado, soltou os pulsos dela e se foi, sem fazer ruído.

Maata acordou quase na hora de abrir a loja. Não se sentia nada bem. A cabeça pesava, os músculos doíam.
— Deve ser resultado daquele dia horroroso que tive.
Precisava falar com Usagi. Não tinha notícias dela desde a véspera. Como teria sido seu encontro com Seiya?
Apanhou o celular e fez a ligação.
Ninguém atendeu.
— Vou para a loja. Se até a hora do almoço ela não aparecer, irei até meu apartamento.
Meia hora depois, Maata levou mais um grande susto. Assim que colocou os pés dentro do estabelecimento comercial de sua amiga, deparou com uma verdadeira devastação. Todas as prateleiras tinham sido postas abaixo, as mercadorias, espalhadas pelo chão. Até mesmo o piso, em algumas partes, fora arrancado. O invasor procurava por alguma coisa específica, e ficara bastante zangado, a contar pelo estrago que fez.
— Para mim, chega!
Maata trancou tudo e foi para sua casa, do outro lado da cidade, para ter uma conversa franca e definitiva com a srta. Usagi Baker.
Usagi acordou e tirou a venda dos olhos. Piscou várias vezes sentou-se e avistou Mamoru, na mesma poltrona em que estivera na noite anterior.
— Bom dia, Usagi. Dormiu bem?
— Foi você quem me soltou? Quanta bondade!
— Não. Foi Jedite, depois que você adormeceu.
— Por que não fez isso antes de sair daqui, Mamoru?
— Para que você não pudesse se… aliviar sozinha. Se é que me entende.
Usagi ficou vermelha. Antes achara que Mamoru era um adversário à altura. Agora, porém, começava a crer que ele a superava.
— Estou morrendo de fome.
— Já pedi nosso café.
— Certo. Se me der licença, Alteza, vou tomar um banho.
Ele ignorou a ironia.
—Tem toda.
Embaixo do chuveiro, passando a esponja pela pele. Usagi não pôde refrear as lembranças das delícias que experimentara na véspera. Sentia-se totalmente subjugada por Mamoru, mas iria lutar até as últimas forças para que ele não soubesse disso.
Eis uma tarefa quase impossível. Seu corpo traiçoeiro mostrava para o príncipe cada uma de suas reações, deixando bem pouco para a imaginação. Se existia um homem na face da terra pento em fazer uma mulher subir pelas paredes, era Mamoru Faraj.
Fechando os olhos, afagou os seios, fantasiando com a boca de Mamoru sobre eles. Sem perceber, foi descendo a mão até tocar sua maior intimidade e…
O jato de água quente foi interrompido. Usagi ergueu as pálpebras, e lá estava Mamoru, segurando uma toalha.
— Nada de se divertir sozinha, Usagi. Enxugue-se logo, ou nosso desjejum vai esfriar.

Quando voltou ao quarto, Usagi encontrou Mamoru à mesa, posta para o café da manhã.
— Alimente-se bem. É preciso que você reponha todas as energias, se pretende continuar agindo com essa teimosia absurda.
— Não se trata de mera teimosia, Mamoru. Dei mmha palavra a Maata.
— Você disse que é uma ladra. Desde quando gente de sua espécie tem honra?
Sem se abalar, ela se sentou e serviu-se de ovos mexidos, torradas e suco de laranja.
— Só eu sei o que vai dentro de meu coração. Não me importo nem um pouco com o julgamento alheio, e muito menos de estranhos, como é seu caso. Há muita gente por aí se passando por cidadão cumpridor de seus deveres que não passa de rematado canalha. E os que pregam a moral e os bons costumes são os piores. Apontam o dedo para os outros para desviar a atenção sobre si. Eu escolhi o meu caminho, e arco com todas as consequências — deu uma garfada, mastigou e engoliu. — Tenho pouquíssimos amigos, mas sou de fato amiga deles. Conheço Maata há dias, mas tenho enorme carinho por ela. Nós duas fizemos um acordo, e eu cumprirei minha parte até o fim.
— É o que veremos — Mamoru piscou-lhe, malicioso.
Terminado o desjejum, Usagi foi cuidar do machucado na testa e colocar uma bandagem nova. A antiga ela tirara antes do banho.
— Nada como a juventude — Mamoru, que a seguira até o banheiro, suspirou. — Quem a visse jamais adivinharia que você se acidentou há tão pouco tempo. Não sente nenhuma dor?
— Não.
Mas Usagi não dissera a exata verdade. Eram bastante desconfortáveis as contrações que vinha experimentando desde que Mamoru dera início a toda aquela maldade deliberada. Ah, mas não lhe daria o gostinho de saber disso!
— Poderia me esperar lá fora, por favor?
— Nada disso. Seu tormento só terminmoá quando…
— …eu disser onde encontrar Maata.
— Justamente.
Tinha de achar um meio de escapar dele. Caso contrário, acabaria sucumbindo. Se Mamoru fizesse metade do que tinha feito com ela no dia anterior, não responderia por si.
Usagi terminou de fazer o curativo e retomou ao dormitório. Mamoru a agarrou por trás, e mordiscou-lhe a nuca.
— E então, como será?
Ela ia responder algo, mas tudo ficou muito confuso, pois ele a virou de frente, enfiou a mão por baixo de sua blusa e envolveu-lhe um seio, apertando-o de leve. Usagi o envolveu num abraço apertado e entreabriu os lábios, oferecendo-os para um beijo.
Mamoru deu risada.
— É assim que eu gosto. Toda entregue, sem a menor resistência — beijou-a e a tomou no colo.
Do mesmo modo como na véspera, ele a amarrou na cama, só que desta vez de bruços.
— Não lhe dou meia hora para acabar me contando todos os seus pecados. Entenda que não há salvação para você, Usagi Baker.
Usagi, em grande expectativa, não tinha a menor dúvida quanto a isso.
Mamoru abriu o roupão de Usagi e o enrolou até em cima, e de novo ficou nu.
O primeiro gemido dela daquela segunda sessão ecoou pelas paredes quando Mamoru, surpreendendo-a mais uma vez, encostou a língua, daquele seu jeito tão especial, na parte detrás do joelho dela.
— Também não sabia o quanto esta região é sensível, caríssima? Há pelo menos mais uma dúzia delas para lhe mostrar.

Muito antes do prazo de meia hora dado por Mamoru, Usagi entregou os pontos.
— Chega, Mamoru! Por favor!
Os lençóis estavam empapados de suor, e as contrações em seu baixo-ventre se tornaram muito dolorosas.
— Onde encontro minha irmã?
— Eu lhe darei o endereço, mas com uma condição.
— Acha mesmo que está em posição de fazer exigências?
— É desespero de causa.
— O que quer?
Aquilo poderia parecer humilhante a quem não estivesse a par do tormento que ela enfrentava. Mas para Usagi, no momento, nada no mundo era mais importante do que aliviar aquela tensão avassaladora.
Portanto, às favas com o orgulho e o amor-próprio. Algo muito mais importante estava em jogo.
— Quero fazer amor. Venha e deite-se em cima de mim. Quero ser sua, Mamoru.
Ele também havia chegado a seu limite. Se Usagi não tivesse capitulado, seu plano teria malogrado. Era de carne e osso, afinal.
— Certo. Diga o endereço.
Ela o fez, ele anotou e soltou-lhe os pulsos.
Usagi se virou de frente e o enlaçou pelo pescoço.
— Calma, tenho de colocar o preservativo.
— Ande logo!
Mamoru estava preparado para aquele desfecho. Por isso bastou-lhe estender a mão para o criado-mudo para apanhar o envelopinho. Durante todo o processo, Usagi beijava e lambia as costas dele, louca para amar aquele corpo excepcional.
0 príncipe se virou para ela, ergueu-a nos braços e a colocou deitada. De joelhos, abriu bem as pernas dela, e, sem soltá-las começou a penetrar Usagi, muito devagar.
Ela arfava, arqueando-se, mas ele ia se aprofundando sem pressa alguma. Então, colocou as pernas dela sobre seus ombros e foi até o fim num só impulso.
Em segundos, Usagi, gritando, desvairada, atingia o auge, cravando as unhas na pele morena de Mamoru.

Duas horas se passaram, durante as quais Mamoru e Usagi nada mais fizeram do que se amar com loucura. Depois, os corpos saciados e os musculos relaxados, acabaram cochilando.
Mamoru acordou antes dela, e foi para sua suíte.
Quando Usagi abriu os olhos, espreguiçou-se como uma gata feliz. Porém, ao ver-se sozinha, teve um choque de realidade.
Bem, Maata teria de perdoá-la. Resistira até onde fora humanamente possível.
Levantou-se e tomou uma ducha rápida. Estava se vestindo quando Mamoru voltou.
— Trarei minha irmã aqui, para que vocês duas possam resolver seus assuntos.
— Nada disso. Irei até lá com você.
— Nem pensar. Quero pegar minha irmã de surpresa.
— Raciocine, Mamoru. Desde ontem ela não consegue falar comigo. Acha que não está preocupada? É bem provável que saia por ai a minha procura e acabe arranjando problemas.
Ele franziu o cenho.
— Se minha irmã se prejudicar por sua causa, ainda que se trate de uma simples unha quebrada, você vai se arrepender do dia em que nasceu.
— Mais um motivo para eu ir junto. Estando a seu lado será mais fácil cumprir sua ameaça.
Mamoru tinha de admitir: aquela era uma mulher que não se deixava intimidar com facilidade.
De todo modo, que mal ahveria de levar Usagi consigo? Assim ao menos poderia conversar com Maata sem se preocuar com ela.
— Muito bem. Termine logo de se arrumar.


Glossário:
Dishdasha - Consiste num roupão de manga comprida que cobre o corpo inteiro.
Costuma ser claro e largo para reflectir os raios solares, fazer o ar circular e refrescar o corpo durante o dia.


PrincessAngel




#24
olha estou adorar a tua historia
mas olha o mamoru foi muito atravido se eu fosse a usagi no dia gente dava-lhe uma chapade nao gosto nada de rapazes atravidinho
beijos fofos

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adoro ver animes e a sailor moon é um deles <3

O Príncipe e a Plébeia Semttulohk
O amor acontece
#25
Só pude ler hoje o capitulo! E bem, que capitulo! Aquele Mamoru não perdoa, mas a Usagi também é difícil! Matreiro Gosto mesmo da quimica que existe entre eles, especialmente daquele jogo de gato e rato! Realmente o Mamoru aprendeu coisas muito... Ahm... interessantes em Nakabir! Acho que ele e a Usagi estão mesmo bem um para o outro! Agora espero que a Maata não se meta em sarilhos!
Fico á espera do proximo capitulo!
bjokas
as minhas fic's:
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
-Angelical
Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^
#26
Desculpem não ter postado mais cedo.... mas surgiu uns problemas com o meu laptop .... e agora .... bem tou tramada... tenho que ir para outro computador..... e surgiram uns problemas tecnicos que só hoje e que pude resolver .... me desculpem mesmo ......



mas agora sem demoras aqui vai mais um capitulo ......






Esclarecimentos:
Como sabem Sailor Moon não me pertence, pertence sim a Naoko Takeuchi.
E esta linda história também não me pertence, pertence a Tuca Hassermann.
Espero que gostem de a ler como eu gostei. Quero simplesmente a da-la a conhecer mas com os nomes dos meus personagens favoritos.
O Príncepe e a Plebéia
Enjoi.

CAPÍTULO 7
Maata entrou no apartamento e encontrou Usagi sentada no sofá da sala.
— Ora! Isso é o que eu chamo de déjà vu.
Usagi sorriu-lhe.
— Tudo bem com você, Maata?
— Agora, sim. Eu vou lhe contar tudo, mas antes quero que me diga: o que houve? Como se machucou desse jeito? Não me diga que…
— Mamoru…
— O quê? — Maata arregalou os olhos. — O que Mamoru fez, Usagi? Ele bateu em você? Não acredito!
Naquele momento, Mamoru saiu do quarto.
— Olá, fujona. Até que enfim!
Enfurecida, Maata avançou para o irmão e, numa atitude inesperada, deu-lhe um pontapé na canela. Mamoru se agachou, para esfregar o local da pancada, e levou um tapa que o desequilibrou, atirando-o no chão.
— Desgraçado! Papai nunca o perdoará por ter sido violento com uma garota! Por que fez isso com ela? Usagi só estava querendo me ajudar!
— Pare, Maata, não foi Mamorul — Usagi foi mancando até ela.
A princesa a encarou.
— Se ele não a obrigou a trazê-lo até aqui, por que não cumpriu nosso acordo, Usagi? Eu cumpri minha parte.
— Acalme-se primeiro e nós lhe contaremos tudo.
Mamoru se ergueu, afagando a face.
— Você me deve um pedido de desculpa, Maata. E muitas explicações também.
Ela o fitou com carinho, embora ainda atordoada.
— Ah, meu querido, nem sei por onde começar…
— Eu sei — Usagi foi até a geladeira e apanhou três cervejas.
— Você não pode beber. Está tomando analgésicos fortes.
— Não estou, não. Sou bastante resistente à dor.
Mamoru deu um sorriso enviesado que fez Usagi enrubescer. Maata notou um clima estranho entre eles, mas falaria disso depois.
— Bem, agora podemos nos sentar como velhos amigos e pôr as cartas na mesa.
Mamoru aceitou uma lata, abriu-a e tomou um gole.
— Irmãzinha, comece explicando por que fugiu de nosso país, como conseguiu sair de lá sem que ninguém a visse e como sabia que eu saí a sua procura.
— Para isso, tenho de ter permissão de nosso pai — Maata ia apanhar o celular, mas o príncipe a impediu.
— Eu sabia! Tudo não passa de uma artimanha do sheik, não é? Só não entendo o porquê. Mas você vai me dizer tudo. Agora!
Maata suspirou. Fizera tudo a seu alcance para manter o irmão longe de Nakabir por todos aqueles meses. Seus pais sabiam que aquele momento chegaria. Portanto, era a hora de lhe contar a verdade. Além do mais, também estava farta de tudo aquilo. Não pretendera, em momento algum, se envolver em tantas aventuras. Tudo o que queria era pôr os pingos nos "is" e voltar para sua amada Nakabir.
— A ideia foi de mamãe. Os rebeldes estão mais ousados a cada dia, e o sheik andou recebendo ameaças, que incluíam toda nossa família.
— Ele não me disse nada.
— Você é o primeiro na linha sucessória, Mamoru, e é de longe o mais bem preparado para sucedê-lo. Nosso pai, temendo que aqueles fanáticos tentassem algo contra sua pessoa, decidiu tirá-lo do país. Como papai sabia que você jamais aceitaria deixar Nakabir num momento tão crítico, pediu ajuda a mamãe.
— E por que teve de ser justo no dia de meu casamento?
— A escolha da data foi propositada. Todo o palácio estaria em polvorosa, e você muito concentrado em tudo o que viria pela frente: A cerimónia, os festejos… Se fosse pego de surpresa naquele instante, ficaria tonto o suficiente para não pensar com lógica e ver que não fazia sentido ir atrás de mim. Uma vez fora de lá papai e mamãe o impediriam de retomar sem cumprir a missão de me levar de volta.
Usagi ouvia aquilo tudo espantadíssima.
— Vocês dois são adultos. Por que ainda aceitam ordens de seus pais.
Os irmãos a fitaram como se ela tivesse proferido a maior heresia do mundo.
— Nossos pais são os nossos soberanos. A palavra deles é lei.
— Quer dizer que é verdade essa história de vocês serem príncipes?
— É. E Mamoru será o novo sheik.
— Isso ainda vai demorar, Maata. Nosso pai é vigoroso e tem só sessenta e cinco anos.
— Sim, insh Alah! — Maata tocou o centro do peito, os lábios e a testa.
— É por isso que você saiu de Nakabir sem problema algum.
— Isso mesmo. Fui directo para Londres em um de nossos jactos.
— Vocês têm mais de um jacto?!
— Toda a frota de aviões de carreira e jactos de Nakabir pertencem ao sheik e sua família, Usagi.
— Ah, claro. Como não imaginei?
Maata sorriu-lhe.
— De que maneira vocês duas se conheceram? — Mamoru quis saber.
— Fui a uma joalharia oferecer minhas jóias em consignação. Naquele mesmo dia, Usagi entrou lá…
— …para fazer minha avaliação para um futuro roubo — ela disse sem constrangimento algum. — Ao ver as peças que sua irmã faz, me apaixonei, e decidi que as teria para mim.
— Mas Usagi só apanhou minhas jóias, Mamoru. Havia uma fortuna dentro do cofre, e ela não a pegou, porque soube que sr. Davidovitch, o dono da joalharia, tinha um filho que precisaria de transplante.
Usagi ficou comovida com aquela tentativa de Maata de melhorar sua imagem aos olhos do irmão.
— E se não bastasse, ela prometeu me devolver todas as peças.
— Mesmo? E por quê?
— Maata ficou de conseguir uma informação muito importante para mim.
— Deve ser mesmo. Minha irmã só usa ouro quase puro, pois de outro modo seria impossível fazer tantas filigranas. E a lapidação é fabulosa — Mamoru estreitou os olhos. — Diga, Usagi: o que mais?
Ela respirou fundo.
— Meu receptador não vende as jóias. Ele tira as pedras e derrete o ouro. Só de pensar naquelas maravilhas sendo destruídas sinto vontade de chorar.
Maata se levantou e foi até a janela. De costas para eles, falou:
— Usagi, alguém denunciou você para a polícia. Ontem eu fui presa em seu lugar.
Mamoru se voltou para Usagi com os olhos chispando.
— Eu avisei! Você colocou minha irmã em perigo!
— Um risco calculado.
Foi a vez de Maata se virar e encará-la, muito zangada.
— Como é?! Você sabia que isso ia acontecer?
— Sabia que a probabilidade era muito grande.
— Não acredito!
— Acalmem-se os dois. O importante é que tudo acabou bem. Certo, eu podia ter me arrebentado naquela queda, mas ser faixa preta em karaté é algo bastante útil nessas horas. Eu sei cair sem me machucar. Você se livrou da enrascada com a maior facilidade e, Maata, e agora sei que há alguém querendo me passar para trás.
— Tive sorte. O defensor público era muito competente. Mas o que teria sido se o advogado fosse um completo idiota?
Usagi nada comentou.
— Tem mais uma coisa, Usagi.
— O que é?
— Alguém entrou em sua loja enquanto eu estava na delegacia, e arrebentou tudo. Sem dúvida, procurava por algo.
O bom e velho Seiya, na certa. Havia tempo Usagi sabia que devia bater em retirada, desaparecer do mapa. Quando realizava seus roubos, não fazia a divisão com Seiya conforme o combinado, e ele devia ter desconfiado disso. A gota d' água foi quando descobriu que ela roubara a Joalharia Davidovitch sem comunicá-lo. Desse modo, resolvera se livrar dela, entregando-a para a polícia. Contudo, para expor Usagi como a ladra tão procurada, precisaria de provas. Por isso arrebentara a loja. Se tivesse achado o que procurava, ela iria para trás das grades por muitos anos.
Tinha de dar um jeito de deixar o país. Pelo menos até a poeira baixar.
— Você conseguiu descobrir a idade de Ivan, Maata?
— Sim. Na verdade, foi o sr. Murray quem conseguiu. Ele perguntou ao investigador Yaten de um jeito que o policial não titubeou em responder.
— E então? Quantos anos o garoto tem?
— Dezasseis.
— Certeza?
— Não vejo motivo para o investigador ter mentido.
Muito bem, Ivan Davidovitch não era Shingo. De certo modo isso era bom. Usagi precisava se concentrar numa maneira de manter a cabeça sobre o pescoço, o que não seria nada fácil com um Seiya furibundo em seus calcanhares.
Mamoru observava o semblante de Usagi. Aquela era uma garota cheia de segredos. Era linda, sexy, inteligente e intrigante. Ao tê-la nos braços, experimentara uma emoção quase tão grande quanto o prazer carnal que desfrutara.
Mas ele era um príncipe; ela, uma ladra. Se não bastasse, estava noivo. Assim que chegasse a Nakabir, marcaria a nova data para seu casamento, e o mais rápido possível. Não era justo fazer Beryl esperar ainda mais.
No entanto, não tinha a menor dúvida de que jamais esqueceria aqueles lábios carnudos, aquele corpo ardente, aqueles olhos que o fitavam com incrível paixão.
— Mamoru?
A voz de Maata o despertou de seu devaneio.
— Hum?
— O que vai ser agora?
Sem responder para a irmã, o príncipe apanhou o telefone.
— Jedite? Prepare tudo. Amanhã voltaremos para Nakabir.

Os três terminaram de cruzar informações e foram almoçar numa cantina italiana.
Maata adorava lasanha à bolonhesa. Usagi preferiu esparguete aos quatro queijos, e Mamoru a acompanhou.
— Mamoru, não seria melhor se você não voltasse ainda para seu país? Digo isso por causa dos tais rebeldes — pela segunda vez, Usagi experimentou um aperto no peito, por saber que nunca mais o veria.
— Meu lugar é lá, ajudando a defender nossa família e nosso povo.
— Essa gente é capaz de tudo.
— Você deve saber.
— Engano seu. Nunca fiz mal a ninguém.
— Isso por seu ponto de vista.
Maata ouvia a leve discussão, sem interferir. Notara o modo como os dois se olhavam. Existia algo entre eles, e era muito forte.
Lamentava por Usagi. Gostava da amiga, mas ela não tinha a menor chance com Mamoru. Seu irmão jamais voltaria atrás com a palavra dada. Jurara desposar Beryl, e, mesmo que amasse outra mulher, não desapontaria o sheik em hipótese alguma. O bem de Nakabir viria sempre em primeiro lugar.
— É muito fácil para você me julgar.
— Ah, não me venha com essa conversa de "minha infância foi muito difícil". Há milhões de indivíduos nessa situação que não se tomaram ladrões.
— Concordo. Não vou bancar a vítima. Tenho horror a isso. Já falei que escolhi meu caminho e arco com as consequências disso. Mas há-de convir que ter nascido num berço de ouro como você facilita bastante as coisas.
— Bom carácter não se compra.
— Sei disso. Eu também nasci com um.
— Se é o que diz…
Usagi abriu a boca, mas, em vez de dizer algo, serviu-se de uma generosa garfada de seu esparguete e revirou os olhos, gemendo.
Mamoru ficou tenso, acusando o golpe sem querer.
Usagi limpou os lábios com o guardanapo e o encarou, muito séria.
— Escreva o que vou lhe dizer, Alteza. Ainda lhe mostrarei que todos temos uma função neste planeta. Até aqueles que, como eu, são desprezados por não seguirem os caminhos do bem têm sua utilidade. E quando isso acontecer você vai me pedir perdão de joelhos.
Mamoru a olhou com superioridade e se inclinou para a frente, ignorando por segundos a presença da irmã.
— Se um dia eu me puser ajoelhado a seus pés será por um propósito muito mais interessante, srta. Baker. Mulheres como você só servem para uma coisa.
— Mamoru! — Maata o repreendeu.
Usagi ficou de pé e atirou o guardanapo sobre a mesa.
— Sente-se!
— Você não me dá ordens! Quem pensa que é?! — Usagi apanhou a bolsa e caminhou, ainda claudicante, até a saída do restaurante. De lá, voltou-se e falou de modo que todos ouvissem: — Pois se eu só sirvo para uma coisa, saiba que você nem para isso serve!
Mamoru, rubro de cólera, cerrou as pálpebras, num esforço hercúleo para não sair correndo atrás dela e colocá-la em seu devido lugar.
— O que foi aquilo, meu irmão? O que deu em você?
— Aquela mulher poderia ter arruinado sua vida, e ainda a defende?
Maata o olhou com muita atenção.
— Nunca o vi assim. Mesmo quando se zanga não deixa transparecer. Meu Deus, você está apaixonado!
— Não faz a menor diferença se estou ou não, Maata. Amanhã nós voltaremos para nosso país, e Usagi Baker será passado. Depois que colocarmos os pés em Nakabir, nunca mais quero ouvir o nome dela, entendeu bem? Beryl está a minha espera para nos casarmos, o que será feito em no máximo uma semana.
— Mas seu coração pertence a outra.
— Você é muito romântica, minha irmã. Eu sou um príncipe, e um dia serei sheik. Ainda que quisesse trocar Beryl por Usagi, como poderia? Beryl é uma moça de alta estirpe, filha do melhor amigo de nosso pai. Usagi é uma ladra! — Mamoru meneou a cabeça e chamou o garçon. — É bobagem perder tempo pensando nisso. Vamos embora, você tem de apanhar suas coisas. Depois, é melhor descansarmos bem. Jantaremos no hotel. Muitas horas de vôo nos aguardam. Ah! E nada de avisar nossos pais de nosso retorno. Jure que não dirá nada a eles.
— Mamoru… Há dias não falo com mamãe, quero ligar para ela hoje.
— Sem problemas. Apenas omita essa informação. Caso contrário, é bem capaz de nosso pai ordenar que fiquemos aqui, e eu não quero ter de desobedecê-lo.
— Está bem. Mas se eles ficarem bravos comigo, direi que a culpa é sua.
— Boa menina!
Maata pediu licença e foi ao toalete. Retocava a maquilhagem quando seu celular tocou. Apanhou-o de dentro da bolsa. Era Usagi.
— Que bom que ligou. Eu queria me despedir.
— Preciso muito falar com você, Maata. Hospedei-me no mesmo hotel de seu irmão. Assim que conseguir se livrar dele, venha falar comigo no quarto 1204.
— Certo.
— Até lá.

Mamoru levou a irmã até o apartamento dela, para buscar suas coisas.
— Ainda não me conformo por ter corrido atrás de você como um idiota durante meses, só porque meus pais temiam por minha segurança.
Maata continuava fazendo as malas, enquanto conversava com ele.
— Sossegue. Tudo acabou dando certo, nós estamos bem e vamos voltar para Nakabir. Mas ainda acho que você devia avisar o sheik.
— Nem pensar. Meu lugar é lá, do lado de minha família. Temos de eliminar essa célula rebelde. Há tantos lugares retrógrados no Oriente! Se aquela gente gosta de viver na Idade Média, que vá morar num desses locais, não é? Nakabir é progressista e continuará sendo.
— Tudo bem. Agora, me dê licença, vou tomar um banho.
Vinte minutos depois, Maata saía do banheiro. Mamoru se levantou da cadeira imediatamente e foi ao encontro dela: tocando-lhe o rosto de leve.
— O que é isto?
Ela se esquecera de disfarçar o hematoma. Agora era tarde.
— Nada de mais.
— Quem a machucou?
— Isso não importa, Mamoru.
— É culpa daquela mulher, não é?
— Não. Eu fui imprudente. Mas agora nada disso tem importância.
Maata calçou um par de ténis e disse ao irmão:
— Está tudo pronto. Podemos ir.

— Mamoru, eu o encontro mais tarde. Quero ir ao cabeleireiro.
— Você ficou bem de cabelo loiro.
— Mamãe acabará comigo se eu chegar com essa cor de cabelo em casa. Além dela, sou a única morena daquele palácio.
Maata deu um beijo no irmão e desceu no segundo andar do hotel, onde ficava o salão de beleza. Entrou na recepção, marcou hora com o melhor profissional disponível e foi conversar com Usagi, em sua suíte.
— Você demorou — ela reclamou, como cumprimento.
— Meu irmão é esperto. Despistá-lo não é tarefa simples.
— Eu que o diga — Usagi ficou vermelha. — Venha, sente-se aqui. Temos muito o que conversar.
Usagi abriu o cofre e apanhou uma bolsa.
— Aqui estão suas peças, como prometi.
Maata sorriu e conferiu uma por uma, sobre a cama.
— Venha, Usagi. Metade delas lhe pertence. pode escolher.
— Não, Maata. Você levou sustos demais. E eu não fui totalmente sincera.
— Façamos o seguinte: pegue a metade das jóias, conforme combinamos, e então me diga toda a verdade que escondeu de mim até agora. Assim, ficamos quites.
Usagi aceitou o generoso oferecimento. Em seguida, guardou em segurança as peças que ganhou.
— Sugeri que trocássemos de identidade porque foi a maneira que encontrei de descobrir se a polícia sabia algo concreto a meu respeito. Além disso, algo me dizia que Seiya queria me tirar do caminho, por achar que o passei para trás.
— E você fez isso?
— Claro!
Maata mordeu o lábio para não rir. A naturalidade com que Usagi falava sobre os próprios actos era algo no mínimo admirável. Mas jamais admitiria isso. Ia contra seus princípios.
— Mas Seiya é bandido de verdade. Ninguém vale nada para ele. Como é o único que sabe dessa minha actividade pouco recomendável, se a polícia viesse atrás de mim, teria sido por traição dele. Seiya quer as jóias que estão em meu poder.
— Ladrão que rouba de ladrão… — Maata meneou a cabeça.
— Porém, se você fosse mandada para a cadeia, como poderia fazer o que ele queria?
— Oh, criança ingénua! Entre dezenas de policiais, deve haver ao menos dez pessoas no presídio dispostas a arrancar toda e qualquer informação da pobre Usagi Baker. Agora, no entanto, Seiya está desmoralizado como informante da polícia. Mas ele não vai sossegar enquanto não fizer picadinho de mim, não me iludo quanto a isso.
— E você, o que fará?
— Tenho um plano. No entanto, ele só dará certo se você concordar em colaborar.
— De novo?! Ah, sinto muito. Sabe muito bem que amanhã irei com meu irmão para meu país, e não devo voltar aqui tão cedo. Se quer dinheiro para viajar, você já tem. Basta vender as jóias.
— Dinheiro não é meu problema.
— Usagi, foi óptimo conhecê-la, acho você uma garota formidável, embora não concorde com seus métodos, mas para mim chega. Irei para Nakabir, abrirei uma joalharia e serei feliz lá, junto de meus familiares e longe de situações como essas em que me meti. Tudo isso foi bom para eu descobrir quanto é maravilhoso ter nascido princesa, ser protegida e amada. Nada do que me diga me fará mudar de ideia. partirei amanhã, e ponto final.
Usagi esboçou seu sorriso mais devastador.
— É muito bom ouvir isso, minha cara.
Maata ficou confusa.
— Seus pais deram um jeito de mandar Neyah para fora do país para protegê-lo, certo?
A princesa tomou a mão de Usagi.
— Minha querida, não alimente falsas esperanças. Não sei o que houve entre você e meu irmão, mas senti o clima entre vocês. O problema é que um romance seria impossível, Usagi. Mamoru vai se casar assim que chegarmos a Nakabir. E mesmo que ele decidisse ir contra a resolução do sheik, como poderia ter por esposa uma… ladra? Perdoe-me, meu anjo, mas não quero que você sofra.
Usagi ficou triste ao ouvir aquilo.
Com milhões de homens disponíveis no mundo, eu tinha de me apaixonar por um impossível!
Ela levou a mão ao peito. Sim, a conclusão era aquela mesma: apaixonara-se por Mamoru, não havia dúvida. E ele jamais seria dela.
Contudo, seu amor corria perigo, bem como todos aqueles que lhe eram caros. Ele poderia sofrer um atentado, ou algum de seus parentes.
Usagi sabia muito bem como podia ser assustador e doloroso perder os familiares de uma hora para outra. Não queria que Mamoru passasse por isso.
Seu coração lhe dizia que fosse para Nakabir. Tinha habilidades únicas, que talvez pudessem ser utilizadas para acabar com o movimento rebelde.
Mesmo tendo de enfrentar o tormento de ver o homem de sua vida se casar com outra, teria o consolo de haver colaborado para que ele tivesse uma vida longa e feliz ao lado dos seus.
— Maata, sou perita em entrar e sair dos lugares mais inexpugnáveis sem deixar pistas. Fora isso, meus conhecimentos de sistemas de segurança e de informática são muito bons. Posso colaborar com o sheik para descobrir um modo de encarcerar aqueles fanáticos.
Maata fez um esgar.
— Você é apenas uma garota. Homens muito experientes não conseguiram chegar nem perto daqueles miseráveis. Por que acha que seria capaz de fazer algo que eles não puderam?
— Se você pensa assim, imagine o que pensarão os homens.
Maata ia contra-argumentar, mas se calou, compreendendo o que Usagi quisera dizer.
— Ninguém desconfiaria de você.
— Não é mesmo?
A princesa se levantou e tornou a se sentar.
— Seria muito arriscado, Usagi. Se meu pai concordar com essa loucura, o que acho improvável, e você cair em mãos inimigas, na certa os rebeldes a matarão.
— Se eu continuar aqui, Seiya acabará comigo. Já que tenho de morrer mesmo, que seja por uma causa nobre. Assim talvez eu consiga um lugar mais fresquinho no inferno quando eu chegar lá.
— Usagi!
Elas deram risada.
— Mamoru não vai concordar.
— Sei que não. Ele me culpa por tudo o que lhe aconteceu e tem razão. Mas você é uma moça inteligente e vai descobrir uma maneira de me colocar dentro daquele lindo jacto sem que ninguém me veja. Terá também de misturar minha bagagem à sua. Eu irei ao shopping e adquirirei malas novas. Colocaremos minhas coisas nelas, e você dirá a Mamoru, se ele perguntar, que não resistiu a fazer mais umas compras antes de embarcar. Afinal, estamos em Nova York! Que mulher resiste a tantas lojas maravilhosas? Ainda mais com seu poder aquisitivo…
Foi a vez de Maata sorrir com malícia.
— Já sei! Porém, não poderemos errar, ou seremos desmascaradas.
— Diga!
— Neste caso, é melhor sermos metódicas — Maata apanhou um bloco e uma caneta. — Anotaremos tudo o que será necessário providenciar. Nada pode dar errado.
— E não dará.
Após repassarem toda a estratégia, as amigas se despediram.
— Tenho cabeleireiro em cinco minutos — Maata apanhou a bolsa.
— E eu tenho algumas providências a tomar antes de viajarmos.
Elas se abraçaram.
— Obrigada por tudo, Maata. E acredite quando lhe digo que sei que poderei ser útil para sua família.
Maata deu-lhe um beijo no rosto.
— Espero que sim. Mas se meu pai não permitir que você aja, ao menos irá conhecer nosso país, que é muito lindo. Férias nunca fazem mal a ninguém.

Enquanto isso, em seus aposentos, Mamoru andava de um lado para o outro. Tinha ganas de estapear Usagi Baker por ter colocado sua irmã em apuros. Imagine, uma jovem princesa, tão delicada, tão mimada, indo parar numa delegacia acusada de roubo pelo simples fato de ter feito amizade com uma ladra.
Bem, para ser justo tinha de admitir que nada daquilo teria acontecido se seus pais não houvessem resolvido afastá-lo dos problemas políticos em seu país. Na realidade, isso estava entalado em sua garganta. Fora tratado como um garoto frágil. O sheik e a rainha agiram como pais, não como soberanos. Os argumentos deles não o enganavam. Por culpa de seu excesso de zelo, sua irmã se envolvera com gente muito aquém de seu nível, como Usagi Baker, e bandidos juramentados, como o tal Seiya.
E ele, Mamoru Faraj, príncipe de Nakabir, primeiro na linha sucessória do sheik, por conta das artimanhas de seus pais, acabou tendo seu coração roubado pela mais linda ladra da face da terra.
As imagens do corpo dela se contorcendo a seu toque, implorando para ser possuída, seu aroma tão feminino exalando de todos os poros, seu suor molhando os lençóis de linho… Jamais conhecera uma mulher mais ardente e confiante. Usagi se entregou a ele como se o conhecesse a vida toda. Como se fossem um só.
Como esquecê-la? O perfume dela se entranhara em sua pele para sempre. O som de seu sorriso jamais abandonaria seus sonhos.
E aquele olhar repleto de paixão o perseguiria aonde quer que fosse. Mamoru estava condenado, e sabia disso. Tinha obrigações a cumprir, e entre elas, um casamento agora indesejado.
Nunca chegou a se apaixonar por Beryl. Ela era belíssima e muito sensual, mas o sentimento que nutria pela noiva era mais como o carinho de um irmão. O que sentia por Usagi, ao contrário, era, sem dúvida alguma, o amor de um homem por uma mulher.
Iria se casar com Beryl. Ela um dia se tornaria a rainha de seu país. Mas a soberana de seu coração seria, até o fim de seus dias, aquela fora-da-lei de olhos da cor do céu. Tinha certeza de que seria assim. Os homens de sua família só amavam uma vez.
Nunca mais colocaria os pés nos Estados Unidos. Sabia que, se o fizesse, não resistiria à tentação de falar com ela, de tentar seduzi-la e levá-la para a cama. Isso não seria justo com Usagi.
Mas o pior seria encontrá-la nos braços de um homem que não teria tantos impedimentos, e que poderia dar a ela um lar e toda sua dedicação.
Seu sangue ferveu só de imaginá-la ao lado de outro.
— Chega desse tormento!
Assim que chegasse a Nakabir iria se envolver de corpo e alma nas questões de Estado que o aguardavam e em seu casamento com Beryl. Seus afazeres no palácio e a nova família lhe tomariam todo o tempo, e talvez operassem o milagre de arrancar Usagi de seu coração.

Maata tomava o desjejum com Mamoru nos aposentos dele.
— Não acredito que comprou mais roupas ontem.
— Vocês, homens, vivem nos criticando, mas bem que adoram nos ver bonitas, bem produzidas.
Mamoru sorriu.
— Eu não sabia, mas estava com saudade de seus cabelos pretos.
— Graças a Deus, o cabeleireiro que me atendeu é excelente. Ficou óptimo, não?
— Sem dúvida.
O celular tocou. Mamoru atendeu.
— É Jedite, do aeroporto. O jacto está pronto. Vamos?
— Preciso apenas escovar os dentes. Só um minuto.
No banheiro, Maata ligou para Usagi.
— Estamos indo.
— Já estou aqui.
— Fez aquilo?
— Sim.
— Vai dar tudo certo, não vai?
— Evidente!
— Um beijo — E Maata desligou.

Assim que chegaram ao topo da escada da aeronave, Maata levou a mão à testa.
— Nossa, quase esqueci!
— O quê?
— A encomenda de mamãe. É só um instante, Mamoru. Pode entrar e tomar seu lugar como co-piloto. Vou correndo até a loja, aqui mesmo no aeroporto.
— Maata…
— Vá, meu irmão. Não demoro.
Embora contrariado, Mamoru foi para a cabine e tomou seu assento.
Maata, em vez de descer a escada, entrou no jacto e, sem fazer ruído, se agachou atrás de uma das poltronas. Aguardou alguns minutos e fez a ligação combinada com Usagi.
Sem perda de tempo, Usagi, usando um traje típico idêntico ao de Maata, com grandes óculos escuros e um véu cobrindo a cabeça e a parte inferior do rosto, saiu da loja com um pacote na mão e foi para a pista de descolagem.
Jedite a viu se aproximando e ligou o motor.
— A princesa vem vindo, Alteza.
— Óptimo.
Usagi entrou no avião, entregou o pacote a Maata e correu pelo corredor até a cabine privativa das mulheres.
Maata foi falar com o irmão.
— Pronto, podemos descolar — e mostrou a ele, muito sorridente, o embrulho em suas mãos.
— O que é isso?
— Um vaso de Murano. Mamãe faz colecção.
— Alteza, por favor, sente-se e afivele o cinto — Jedite pediu-lhe.
— Certo.
E Maata foi ao encontro de Usagi. Entrou no ambiente privativo e trancou a porta.
— Temos de falar bem baixo. Se Mamoru desconfiar, estaremos em apuros.
— Deu tudo certo, Maata!
— Ainda acho tudo isso uma loucura.
— E é. Mas é por uma boa causa.

— Bem, como lhe disse, nem meu irmão, nem Jedite entrarão aqui sem pedir licença. Eu ficarei a maior parte do tempo lá na frente, como é meu costume.
Maata abriu o pacote. Apanhou o pequeno vaso de cristal e o guardou na bolsa. Depois, pegou a sacola térmica, que continha sanduíches, leite, biscoitos e outros alimentos para Usagi.
— Não poderei dividir minhas refeições com você.
— Aqui tem mais do que o suficiente para mim — sorriu-lhe Usagi.
— Quando o avião pousar em Nakabir, virei aqui buscar minha bolsa; esse será o sinal. Você permanecerá no jacto. Logo que for possível voltarei para apanhá-la.

Com o jacto no piloto automático, Jedite e Mamoru deixaram a cabine de comando. Jedite foi ao toalete, e Mamoru se sentou ao lado da irmã.
— Com saudade de casa?
— Muita!
— Percebi ao vê-la com essa roupa. Em Nakabir você só usa jeans e camiseta.
Maata suspirou.
— Algum dia poderá me perdoar, Mamoru?
— Pelo quê?
— Por tê-lo feito de bobo.
— Ah, isso… Nós dois cumpríamos ordens. Os cidadãos comuns acham que a vida de pessoas como nós é um eterno mar-de-rosas. Mal sabem as inúmeras regras que temos de cumprir. Antes de tomarmos uma atitude, temos de pesar tantas consequências que isso chega a nos desanimar.
— Refere-se a Usagi?
Mamoru se virou para a janela.
— Nunca mais tomarei a vê-la.
A tristeza do irmão era tão evidente que por um triz Maata não lhe disse que Usagi estava ali, naquele avião, para aliviar seu sofrimento.
— "Nunca" é tempo demais, meu querido.
Ele nada comentou.
— Como é possível que em um espaço de tempo tão curto você tenha se apaixonado tanto?
— Quem pode saber? Quando vi Usagi naquela cama de hospital, fingindo ser você, senti tanta raiva dela! Era uma completa estranha se fazendo passar por minha irmã, a quem eu procurava havia meses. Achei que ela a tivesse sequestrado ou coisa assim. No entanto, ao ver aqueles olhos claros me fitando… Jamais conheci uma mulher igual. Usagi tem a exacta mistura de docilidade com um cérebro privilegiado. Além de uma sensualidade capaz de derreter pedras.
— Hum… Quer dizer que enquanto eu me afligia, por ignorar onde Usagi havia se metido, vocês dois se divertiam a valer.
Mamoru não reprimiu o riso.
— Você é terrível, Maata! — meneou a cabeça. — Mas devo confessar que sim. Eu precisava descobrir seu paradeiro, e acabei usando métodos nada ortodoxos. Porém, o resultado foi maravilhoso.
— E vocês acabaram se apaixonando.
— Eu, sim. Ela, não tenho certeza. De todo modo, estou indo de encontro a meu destino.
— Nos braços de uma mulher que você não ama.
— Isso não importa. Não posso fugir ao compromisso.
— Nem por sua felicidade?
Enfim, ele a encarou.
— Diga-me como eu poderia ser feliz ao lado de uma criminosa. Sou um príncipe, um dia serei o soberano de nosso povo. O que direi a todos: "Respeitem sua rainha. Ela foi ladra um dia, mas quem não tem seus pecados?" Só mesmo em sua cabecinha de garota romântica isso pode ser possível.
— Cuidado, Mamoru. Há milhares de cores e tonalidades, não apenas o preto e o branco. Às vezes uma pessoa que passou a vida toda sem um deslize sequer acaba mostrando um carácter para lá de duvidoso…
— Sei.
— …e as criaturas mais desprezíveis podem vir a tomar atitudes heróicas.
— Claro. Em filmes de aventuras, novelas e historinhas infantis. Na vida real não é assim.
Maata não quis discutir. Mas rezou em silêncio para que tudo se encaminhasse da melhor forma. E que seu irmão, um dia, pudesse ser feliz.

Usagi, com a orelha grudada na porta, tentava ouvir o que os irmãos conversavam. Suas vozes eram bem audíveis, mas eles dialogavam em árabe. Óbvio. Por que falariam em inglês se não havia nenhum estrangeiro por perto?
Mesmo assim, continuaria ali. Era tão excitante escutar Mamoru falando naquele idioma tão melodioso! Uma vez em Nakabir, iria se esforçar para aprender a língua deles.
Os dois se calaram, e Usagi tomou seu assento. Sem nada para fazer, colocou os fones do MP3 nos ouvidos e se recostou, confortavelmente, para admirar as nuvens branquinhas, cortadas pelas asas do avião.
Como seria Nakabir? Maata dissera que era uma ilha muito próxima ao golfo de Ácaba, entre o Egipto e a Arábia Saudita. Era um Estado progressista, com duas óptimas universidades, hospitais com equipamentos de última geração, profissionais de ponta tanto homens como mulheres, pois naquele país as mulheres desfrutavam de uma liberdade quase ocidental. A riqueza de Nakabir se baseava em extracção mineral e de petróleo. O analfabetismo fora erradicado havia décadas, e todos os habitantes, mesmo os trabalhadores rurais, viviam com dignidade.
As leis eram severíssimas, mas os julgamentos eram levados a sério, com investigações e perícias, para se evitar ao máximo que alguém fosse punido por um crime que não cometeu. O sheik, pelo visto, era um governante justo.
No palácio, elas iriam directo para o harém, onde moravam as mulheres solteiras. Por enquanto, apenas a rainha vivia no palácio propriamente dito. Em breve, Beryl, a noiva de Mamoru, também iria morar lá, com seu marido.
Maata não entrara em detalhes ao se referir a Beryl. Dissera apenas que o casamento dela com seu irmão fora acertado quando os dois eram ainda crianças, algo completamente fora da realidade de Usagi.
Respirou fundo. Não iria se permitir sonhar. Tudo o que almejava era se ver de livre de Seiya Riscoe para todo o sempre. Desde que começara com suas actividades em parceria com ele, tinha em mente que, assim que tivesse chance, pararia de roubar e se tornaria uma cidadã respeitada. Não ambicionava se tornar rica. Queria conforto e condições de sustentar seu irmão — uma vez que o encontrasse. Porém, depois que se entra para o crime, a cada minuto se torna mais difícil sair.
Seiya estava atrás do fruto do roubo de Usagi, mas também não desejava abrir mão dela. Ninguém era melhor que ela em seu ofício. Portanto, aquela fuga para Nakabir viera muito a calhar.
Usagi sempre se orgulhou de seus talentos; no entanto, como seu último pai adoptivo vivia dizendo, eles só serviam para praticar o mal. E de repente, como que caída do céu, surgia a oportunidade de fazer algo de muito bom com eles. Evidente que não sabia se ia dar certo. Na realidade, podia ser que o sheik a expulsasse do país sem a menor complacência. Isso se chegasse a ouvi-la.
Mas iria tentar. Nenhum homem era inacessível, nenhuma fortaleza, impenetrável. O tal chefe dos rebeldes tinha de ter pontos fracos, como todo mundo. E por quê, afinal de contas, não utilizar os préstimos de alguém que se oferecia para a empreitada sem querer nada em troca?
Isso mesmo. Pela primeira vez, desde que se viu abandonada, tendo de enfrentar sua existência solitária e melancólico, Usagi desejava fazer algo sem esperar por recompensa. Era seu coração que gritava para que fizesse de tudo para levar paz para seu amor. O sheik e a rainha deram a Usagi o maior presente que ela poderia esperar: Mamoru. Por causa deles tudo começava a fazer sentido.
Em seu peito apaixonado brilhava agora a luz de um caminho novo. Talvez ela tivesse nascido com um único propósito; eliminar o perigo que pairava sobre a cabeça de seu amado.
Podia parecer pretensão demais crer que uma simples mulher — quase uma garota — iria dar conta do que homens treinados para o combate não tinham conseguido. Mas na história da humanidade havia milhares de exemplos em que a astúcia vencia a força bruta.
Estava disposta a tudo. Mamoru jamais seria seu, mas Usagi teria ao menos o conforto de saber, por mais longe dele que estivesse, que seu príncipe seguia seu destino, com sua família, com seu povo, e que ela contribuíra para isso.
Todavia, podia ser que não vivesse tanto assim. Aqueles com quem iria se envolver eram fanáticos, também dispostos a tudo para alcançar seus objectivos. Se morresse, era provável que Shingo nunca viesse a saber que um dia teve uma irmã que queria muito achá-lo.
Teria de falar sobre isso com Maata…

PrincessAngel




#27
Eeeep!
Cada vez gosto mais desta história! Esperancoso
estava a fazer figas para que a Usagi fosse para Nakabir, e olha, vai mesmo!Embaracoso Mal posso esperar para saber o que vai acontecer por lá, mas acho que a Usagi, sendo uma mulher de arma, vai ser uma mais valia para lidar com os rebeldes! Não estava á espera que a Maata se apercebesse do rolo entre o mamoru e a usagi, mas fico entusiasmada por vê-los já tão afectados um pelo outro!
Espero que o Seiya dê menos problemas, e a Beryl igualmente, porque cheira-me que ela ainda vai criar conflitos! >_<
Enfim, mal posso esperar pelo próximo capitulo!
bjokas
as minhas fic's:
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
-Angelical
Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^
#28
Pessoal desculpem a demora mas aqui vai mais um capitulo....

Beijinhos ~



Esclarecimentos:
Como sabem Sailor Moon não me pertence, pertence sim a Naoko Takeuchi.
E esta linda história também não me pertence, pertence a Tuca Hassermann.
Espero que gostem de a ler como eu gostei. Quero simplesmente a da-la a conhecer mas com os nomes dos meus personagens favoritos.
O Príncepe e a Plebéia
Enjoi.
CAPÍTULO 8
Após o jantar, Maata deu boa-noite a Mamoru e foi para a cabine privativa.
Usagi terminava seu sanduíche, e a princesa colocou diante dela um pote de gelatina.
— Sua sobremesa.
— Obrigada. Gostaria de ganhar também um pouco daquilo que vocês comeram. Cheirava tão bem!
— Jedite é bom cozinheiro.
— Ele deve ganhar uma fortuna. É piloto, segurança, cozinheiro…
Maata se despiu para ir tomar seu banho.
— Amanhã a esta hora você terá se fartando com a melhor refeição que já comeu em toda sua vida. Nunca enfrentei dificuldade maior do que manter a forma naquele palácio.
Maata foi para o banheiro, e Usagi a acompanhou. A princesa abriu o chuveiro, e elas aproveitaram para conversar à vontade. Com a porta fechada e o som da água, não seriam ouvidas de jeito nenhum de fora da cabine.
— Como é o harém de seu pai? Tem centenas de concubinas, como nos relatos bíblicos?
— Não mais. Quando se casou com minha mãe, papai desactivou o harém. Ele não proibiu a prática para os cidadãos; a poligamia não se tomou ilegal. No entanto, as concubinas têm de estar de pleno acordo. Se uma mulher for mantida num harém contra sua vontade, o responsável pode pegar trinta anos de cadeia.
— Que boa notícia.
— Acontece que meus pais não acharam justo mandar as mulheres embora do palácio. Algumas tinham até nascido lá. Assim, papai garantiu o sustento das que preferiram partir e arranjou bons maridos para outras. As que optaram por ficar trabalham no palácio. Quando uma moça vai se casar, são elas que lhes ensinam as artes do amor.
Usagi arqueou uma sobrancelha.
— Não me diga que mulheres adultas não sabem o que um casal faz na cama.
— Lógico que sim. Mas, para nós, é uma tradição milenar desfrutar ao máximo do sexo. Ou você acha que mulheres de harém fazem apenas o trivial? Por que um sheik manteria tantas concubinas se todas fizessem a mesma coisa?
Usagi suspirou. Tinha de se lembrar de agradecer àquela que ensinou aquelas delícias fabulosas a Mamoru.
— Acho que vou adorar seu país.
Maata terminou o banho, enxugou-se, colocou um pijama de flanela e secou os cabelos.
— Você vai dormir? Não são nem seis horas ainda.
— Recuso-me a chegar abatida e com olheiras. Nem que não consiga conciliar o sono, vou relaxar bastante.
Usagi achou graça. Maata era mesmo vaidosa.
— Nossa cultura é muito diferente da sua, mas Nakabir é um lugar maravilhoso. Sinto tanta saudade que mal posso esperar para pousarmos.
— Por falar nisso, como será meu desembarque, Maata?
— Você permanecerá no avião. Eu, Mamoru e Jedite iremos para o palácio, e assim que der, virei buscá-la.
— Terei de ficar aqui, sozinha?
— Não há por que ter medo. Ninguém invadiria um jacto do sheik.
— Mesmo? Pelo que fiquei sabendo, alguns fanáticos andam à solta por aí querendo arranjar encrenca. Não ouviu falar?
— É, de fato. Mas o aeroporto é muito bem guardado. Tenha s6 um pouco de paciência. Prometo que não me demorarei além do necessário.
O jacto pousou no aeroporto de Nakabir pouco depois da meia-noite.
Usagi se fechou no banheiro e aguardou que todos desembarcassem. Teria de ficar ali, no escuro, sozinha, numa terra estranha, aguardando que Maata a buscasse. Ninguém mais sabia que ela estava ali. Se algo desse errado…
Ora, desde quando se tomara medrosa? Não viera para tão longe para que nada de bom lhe acontecesse. Iria dormir bem, e no dia seguinte sua amiga viria apanhá-la.
Através de uma fresta da cortina, Usagi avistava a movimentação do aeroporto. Não era grande como o de Nova York, mas aeronaves pousaram e levantaram vôo até as duas da manhã.
Então, com o fim das actividades, tudo ficou no mais absoluto silêncio.
O jeito é aproveitar para dormir. Caso contrário, pela manhã parecerei uma uva passa, Usagi exagerou.
Assim, aconchegou-se melhor entre as cobertas e, dizendo a si mesma que estava ali para ajudar seu amor, e que era isso o que ia fazer, adormeceu.
Mamoru e Maata decidiram ir directo para seus aposentos. Os pais já deviam estar dormindo, bem como todos no palácio. Assim, descansariam da longa viagem e se apresentariam aos soberanos com boa disposição de ânimo.
Eles iriam precisar.
Maata se vestiu com a roupa de que sua mãe mais gostava: uma túnica branca trabalhada em finíssimos fios de prata. Uma serviçal fez-lhe uma trança muito elaborada e colocou em sua cabeça uma tiara de platina cravejada de pérolas.
A princesa conferiu sua imagem no espelho e sorriu, feliz com o resultado. Ela parecia um anjo. Precisaria usar todas as armas para conseguir a colaboração da rainha para trazer Usagi para o palácio e dar prosseguimento ao plano delas.
— Obrigada, Núbia — e dispensou a criada.
Respirando fundo, Maata deixou o harém e foi falar com o irmão. Encontrou Jedite no corredor dos aposentos dos príncipes.
— Bom dia, Jedite. Quero ver Mamoru. Peça a ele que me receba, por favor.
— Pois não, Alteza — Jedite entrou na suite do príncipe e retomou em instantes. — Seu irmão vai recebê-la.
Maata fez-lhe um gesto gracioso e passou pelo criado. Na sala da suite, Mamoru olhava pela janela, admirando a paisagem.
— Vim buscá-lo para o desjejum, Mamoru.
— Será uma surpresa para nossos pais.
— Espero que agradável.
Maata se aproximou e segurou a mão dele. Mamoru se virou e a fitou, encantado.
— Se tem algo a pedir a eles, este é o dia, Maata. Ninguém poderia resistir a você.
Ela deu-lhe um beijo.
— Tomara que esteja certo. Vamos?
A refeição matinal acabava de ser servida quando irmã o e irmão entraram, de mãos dadas. Estavam presentes o sheik, a rainha e três de seus filhos.
— Mamoru! Então desobedeceu minha ordem e voltou sem minha permissão — o sheik franziu o cenho, mas não conseguia esconder a satisfação de ver seu filho mais velho, ausente havia tanto tempo.
Mamoru foi até ele e deu-lhe um abraço apertado.
— Mas cumpri minha missão. Trouxe minha irmã sã e salva.
Maata, que naquele momento enchia o rosto da mãe de beijos, estendeu a mão para Artemis, que foi até ela e enlaçou a filha e a esposa ao mesmo tempo. Então, foi a vez de os irmãos trocarem cumprimentos afectuosos.
— Agora, vamos todos comer. Em seguida, vocês dois irão comigo e Luna para a sala de audiências ter uma conversa reservada.
Os príncipes não interferiram. Cada um deles tinha seus afazeres, e assim que terminassem o desjejum iriam para seus respectivos escritórios para trabalhar.
Mamoru queria muito perguntar por Beryl, mas preferiu esperar.
— Hassin já saiu? — a ausência de seu irmão predilecto ao café da manhã não era incomum, mas Mamoru sentia saudade dele.
O sheik e a rainha trocaram olhares.
— Ele teve de viajar.
— Por quê?
— Coma, meu filho. Colocaremos você a par de tudo logo mais.
A maneira como Luna falou deixou bem claro que nada mais seria dito, por ora. Desse modo, todos se dedicaram a assuntos amenos até o fim do desjejum.
— Muito bem, Mamoru e Maata, venham connosco.
Os quatro foram para a sala de audiência de Artemis. Mamoru teria preferido que se reunissem nos aposentos particulares de seus pais, onde sempre se sentira tão bem. Aquele ambiente era austero e desprovido do calor humano que se via em praticamente todos os cómodos do palácio.
— Sentem-se, meus filhos — disse Artemis, acomodando-se à cabeceira da mesa.
— Temos muito o que conversar — Luna se sentou à direita do marido e uniu as mãos, um tanto nervosa.
— Onde está Beryl? Não tenho notícias dela desde que deixei Nakabir, e hoje ela não fez a refeição connosco. Nem Hassin. Por favor, me digam o que houve com minha noiva e com meu irmão. De preferência sem preâmbulos.
Artemis fez menção de falar, mas Luna tocou seu braço e o encarou de maneira bastante significativa.
— Filho, nós não agimos bem em apressá-lo para que viajasse de tal modo que não houvesse tempo para que se despedisse de sua noiva. O cancelamento da festa e todo o tumulto que se seguiu foram demais para Beryl. Ela não suportou e…
Mamoru ficou de pé.
— Estão me dizendo que minha noiva…
Luna se apressou em desfazer o equívoco:
— Acalme-se, querido, não é nada disso. Beryl está muito viva e muito bem.
O príncipe tomou a se sentar.
— Eu jamais me perdoaria se o pior tivesse acontecido — ele passou os dedos entre os cabelos. — Bem, se não foi isso, o que houve?
— Mamoru, entenda que Beryl foi tomada de uma raiva e frustração enormes. A pobrezinha não era dona de seus actos.
— Mamãe, eu disse "sem preâmbulos".
— Mas é importante que você compreenda os motivos dela.
— O que Beryl fez?
— Se tiver de descontar sua raiva em alguém, que seja em mim, filho.
— Mamãe!
— Sua noiva subiu para os aposentos dos príncipes, escolheu aleatoriamente um dos quartos, entrou e fez a dança dos sete véus para seu irmão Hassin. Na noite em que devia se tomar sua esposa ela se tomou mulher de seu irmão.
— Artemis!
— Ora, Luna, até eu estava angustiado com sua demora para falar!
Mamoru empalideceu.
— Não pode ser. Por que Beryl faria uma coisa dessas? Isso é uma indignidade!
— Mulheres e suas hormonais! Elas são capazes de nos enlouquecer e ainda afirmar, sem o menor constrangimento, que a culpa é nossa — Artemis deu um soco na mesa. — Aliás, foi o que Beryl fez. Uma moça que embalei em meus braços várias vezes quando ela era bebé!
Mamoru fechou os olhos, e só tomou a abri-los quando sentiu que seus músculos faciais relaxaram.
— Muito bem. Beryl foi ao quarto de Hassin e se deitou com ele. Por que meu irmão não a repudiou? Por que preferiu me trair?
— Ele não o traiu, Mamoru. Beryl nos contou, aos prantos, que foi tomada por um ódio insano, pois sonhara com aquele dia desde menina. Por isso, querendo se vingar de todos nós, ela decidiu que se deitaria com o primeiro homem que encontrasse. Beryl entrou na suite de Hassin sem saber que se tratava dele, o que na verdade não teria feito diferença alguma. Seu irmão também não sabia que era sua noiva aquela mulher que invadia seu quarto e se oferecia sem pudor, pois Beryl manteve o rosto coberto o tempo todo — Luna não encarava o filho enquanto falava. — É bem provável que nem Beryl, nem Hassin jamais viessem a saber que tinham estados nos braços um do outro naquela ocasião se o destino não tivesse feito das suas.
— Tenho até medo de perguntar.
— Certo dia, Beryl me chamou em seu quarto, no harém, se atirou a meus pés pedindo perdão e me contou que estava grávida, mas que não sabia quem era o pai. Tive um trabalho e tanto para descobrir qual dos quatro príncipes se deitara com sua noiva, Mamoru. Hassin ficou desesperado quando soube o que fizera. Queria falar com você a todo custo. Mas nós o convencemos do contrário, pedimos a Maata que o mantivesse ocupado correndo atrás dela e arranjamos tudo por aqui. Os dois se casaram e o bebé vai nascer em menos de três meses.
Mamoru não sabia o que pensar. Seu cérebro se recusava a funcionar.
— Onde eles estão?
— Casaram-se aqui, numa cerimónia íntima e discreta e viajaram para nossa casa em Monte Carlo.
Os três olhavam para Mamoru, esperando por uma explosão que, embora não fosse de seu feitio, haveria de ser totalmente compreensível.
— Você está bem, meu irmão?
— Sim. Atordoado, mas bem. Começo a ver que, embora seja uma óptima garota, Beryl não servia para vir a ser rainha, um dia. É intempestiva demais. A companheira ideal para um homem que será o soberano de seu país deve ser dona de seus actos e jamais perder a cabeça — sorriu, malicioso. — Tomara que Hassin consiga dar conta daquele fogo todo.
— Não ficou com raiva deles?
— Como eu poderia, pai? Hassin ignorava que estava fazendo sexo com a noiva do irmão. Quando soube o que fez, agiu como o homem honrado que é e se casou com ela. Como você, mamãe, costuma dizer, o destino tem maneiras muito peculiares de agir. Decerto não era para eu me casar com ela.
— Concordo, meu filho. Essa sua postura demonstra bom senso e equilíbrio. Um homem não deve se deixar levar pelas emoções.
— Para ser sincero, meu pai, jamais nutri por Beryl o mesmo sentimento que você tem por mamãe.
O sheik meneou a cabeça.
— Peço-lhe que me desculpe, Mamoru, por ter acertado seu casamento com Beryl sem levar em consideração sua opinião. Eu, mais do que ninguém, devia saber quanto é importante que façamos nossas próprias escolhas — Artemis fitou Luna com adoração. — O coração de um homem justo costuma fazer as melhores escolhas.
Mamoru suspirou. Se seu pai soubesse quem era o objecto de seu amor, mudaria de ideia na hora.
— Devem imaginar que Maata já me contou de seu outro motivo para me manterem longe de Nakabir.
— Por mim, você não voltaria enquanto tudo não estivesse terminado.
— Pai, o plano que arquitectaram teria utilidade se eu fosse o único herdeiro à sucessão.
— Como assim?
— Tenho mais quatro irmãos homens. Se os terroristas tivessem resolvido me eliminar, teriam de fazer o mesmo com cada um de meus irmãos.
Luna fitou as mãos. O sheik pigarreou.
— É… Acho que não pensamos nisso.
Mamoru arregalou os olhos.
— Pelo menos que não tenha sido a mim que quiseram proteger.
— Obvio que foi! — O sheik tornou a fitar a rainha, dessa vez confuso.
Maata compreendeu aonde o irmão queria chegar.
— Estou correndo perigo?!
— Claro! Não é segredo para ninguém que todos nesta família são loucos por você, Maata — Mamoru se levantou e se aproximou de Luna. — Céus, que mulher ardilosa você é!
— Não fale assim com sua mãe! — interveio o sheik.
— Isso é um elogio, meu pai — Mamoru se agachou bem perto dela. — Será que todas as mulheres que amo são tortuosas em seus métodos para conseguir o que querem?
— Mamoru, Luna não sabia o que os fanáticos planejavam. Eu não falei para ela, para que não se desesperasse — Artemis se dirigiu à esposa: — Diga a ele, amor. Fale que sua sugestão foi de que o tirássemos daqui e não que…
A rainha se manteve calada.
— Você me enganou também?! Como descobriu sobre a ideia do sequestro de Maata? Quem lhe disse?
— Tenho minhas fontes, Artemis. E fiz o que fiz por um excelente propósito. Acabou dando tudo certo, não é?
— Bom Deus!
As pupilas de Luna brilharam.
— Você não está se referindo apenas a sua irmã e a mim, Mamoru — a rainha segurou o rosto do filho entre as mãos. — Alguém o conquistou. Quem é essa mulher?
Ele se afastou, para impedi-la de ler sua alma.
— Engano seu. Eu falava apenas de você e Maata.
— Sei…
— Bem, o que será agora? — Maata resolveu se pronunciar. — Eu voltei, estou em nosso país e, segundo o que dizem, aqueles fanáticos pretendem me fazer mal. Houve alguma ameaça concreta, papai?
Embora relutante e zangado, o sheik decidiu que se os filhos soubessem dos fatos poderiam se precaver com mais facilidade.
— Conseguimos infiltrar um espião entre os rebeldes. Foi ele quem nos informou do plano para sequestrá-la, minha filha. Entretanto, o pobre homem foi descoberto e assassinado. Por esse motivo, ignoramos se aqueles bandidos modificaram seus planos ou não.
— Devemos enviar Maata para fora do país, de novo.
— De modo algum, Mamoru! Ficarei aqui e enfrentarei com vocês essa corja!
— Não seja tola, minha irmã. Você é nosso ponto fraco, e os rebeldes sabem disso. Protegê-la é proteger Nakabir. Não vê? Se eles a sequestrarem, teremos de atender a todas as exigências que fizerem. Jamais a deixaríamos nas mãos daqueles facínoras. Gente assim é capaz de tudo.
— Mamoru tem razão, filha. Não podemos nos arriscar.
Maata quase revelou naquele mesmo instante que trouxera reforço consigo. Porém, achou melhor não alterar nada sem antes falar com Usagi.
Fingindo-se de resignada, dirigiu-se ao sheik:
— Papai, tudo isso me abalou muito. Permita que eu vá para meu quarto.
— Claro, filha.
— Mamãe, venha comigo, sim? Não estou me sentindo muito bem.
— Minha filhinha querida, não fique tão assustada. Seu pai e seus irmãos não falharão com você.
Maata trancou a porta da sala de sua suite e conduziu Luna pela mão até seu quarto, cuja porta também trancou.
— Filha, não é preciso ser tão cautelosa aqui no palácio.
— Mamãe, tenho um assunto importantíssimo a tratar com você. Vou lhe contar tudo desde o começo, em detalhes. Depois, irei apresentá-la a uma pessoa que se dispõe a nos dar uma mão para resolver de uma vez por todas esse problema com os rebeldes.
— O que diz? Do que está falando, Maata?
— Só lhe peço que me ouça.
Ao fim do relato, Luna não cabia em si, tamanho seu assombro.
— O que a faz crer que essa moça possa fazer algo que os homens ainda não tentaram?
— Mãezinha, não é óbvio? Tanto neste palácio como fora dele somos vistas como coisinhas frágeis e quase sem cérebro, que não podem tomar conta de si próprias. Esse é nosso trunfo! Quem imaginará que justo de uma mulher virá o perigo?
Como tudo tinha um lado ruim, viver em Nakabir, para Luna — que fizera daquele país seu lar havia décadas — apesar de toda a felicidade de que desfrutava, trazia esse travo amargo.
Entretanto, aprendera a conviver com o machismo enraizado daquele lado do mundo. Fora o preço a ser pago para estar com seu amado e formar uma família com ele.
E, não bastassem todas as alegrias que alcançou, descobrira algo importantíssimo sobre si: se não era possível caminhar directo para seu objectivo, a estratégia a ser usada era andar de lado, como se aquilo não tivesse a menor importância, até o momento certo.
— Há apenas um problema, Maata. Como faremos para trazer sua amiga a Nakabir sem que ninguém mais fique sabendo?
Maata esboçou aquele seu sorriso irresistível e falou para a mãe:
— Nós já nos encarregamos disso. Usagi nos espera no aeroporto; mais precisamente dentro de nosso jacto. Eu a trouxe na bagagem, por assim dizer.
— A pobrezinha está lá?! Pois vamos buscá-la neste instante!
— Mamãe, você ouviu bem o que eu falei? Usagi é uma ladra.
— E daí? Ela não demonstrou que é sua amiga?
— Sim. Quero apenas garantir que você esteja bem consciente de que não estamos lidando com alguém como nós.
— Querida, considerações morais nunca foram meu forte. Se essa moça se dispõe a colaborar connosco, é só o que me interessa.
— Nesse caso, vamos logo. Usagi já deve estar sufocando naquele avião.
Luna e Maata pediram ao motorista que as deixassem no shopping center. Dali, elas apanharam um táxi e foram para o aeroporto.
— Até que enfim! — Usagi correu a abraçar Maata assim que ela entrou no jacto. — Já estava vasculhando tudo, para encontrar um meio de sair daqui. Achei que algo tinha dado errado e que você talvez não pudesse vir me buscar.
Maata tirou o véu e deu-lhe um beijo no rosto.
— Usagi, esta é minha mãe, a rainha Luna.
Usagi não soube como proceder. Devia estender-lhe a mão, fazer uma reverência ou o quê? Afinal, nunca estivera diante de uma rainha antes.
Luna resolveu seu problema, ao envolvê-la num abraço afectuoso.
— Seja bem-vinda a Nakabir, Usagi Baker.
— Majestade…
— Luna apenas. Só os súbitos nos tratam com cerimonia. Parentes e amigos, nunca. Pegue suas coisas e venha connosco.
Maata deu ordem ao taxista que as conduzisse de volta ao shopping, e elas foram directo para a praça de alimentação.
— Sugiro que coma algo leve, Usagi. Deixemos para almoçar no palácio.
Seguindo a sugestão de Luna, Usagi optou por café e pão de queijo. A rainha e a princesa pediram suco de laranja.
— Minha filha me colocou a par de tudo o que aconteceu entre vocês duas.
— Então você já sabe?
— Do quê?
— De minha profissão.
— Ah, sim. E concordo plenamente com você. Alguém com seus talentos pode ser de muita utilidade. Sobretudo por ser mulher. Mas há um pequeno detalhe que Maata não me contou, e que eu quero que me diga, Usagi.
— Pois não.
— Qual seu interesse em tudo isso?
Usagi tomou um gole de seu café expresso. Não estava acostumada a lidar com pessoas que iam directo ao ponto, sem subterfúgios.
— Eu e sua filha nos tomamos amigas. Além disso, sou uma pessoa só no mundo, e nunca vi muita utilidade em minha vida.
Acho que esta pode ser uma boa chance de fazer algo importante com as coisas que aprendi no submundo.
— E o que mais?
Usagi ficou vermelha. Aquela senhora enxergava longe.
— Apenas isso, Luna.
— Entendo.
Então, a rainha se lembrou das palavras de Mamoru, pouco antes, na sala de audiências: Será que todas as mulheres que amo são tortuosas em seus métodos para conseguir o que querem?
É ela! Usagi é a mulher por quem meu filho está apaixonado.
E pelo visto é correspondido.
— Até que ponto você chegaria para colaborar connosco? Luna a olhava no fundo dos olhos.
Usagi gostava daquela maneira franca. E foi de coração aberto que afirmou:
— Não há absolutamente nada que eu não faça. Sou capaz de empregar qualquer método para assegurar que aqueles cretinos tenham o que merecem. Não dormirei em paz enquanto não tiver certeza de que você e toda a farm1ia do sheik estão a salvo desses fanáticos.
— Isso é que é amor.
— Como?
Luna sorriu.
— Agradeço muito por sua ajuda, Usagi, e a aceito sem reservas. Hoje mesmo convocarei uma reunião com meus filhos Miled e Sardok. Sardok é o responsável pela segurança pessoal do sheik, e Miled é comandante das forças armadas. Nós cinco tentaremos encontrar uma forma de acabar com essa ameaça que paira sobre nossas cabeças.
— Luna, eu não quero que Mamoru saiba que estou aqui.
— Por quê? Tem algo contra ele?
— Mamoru pode compreender mal meus propósitos. Na última vez em que estivemos juntos ele deixou bem claro o juízo que faz de mim. Quero apenas colaborar com vocês e depois ir embora.
— Não vejo problema algum nisso. Você ficará no harém, e não diremos nada a Mamoru — a rainha apanhou o celular. — Miled? Sardok está com você? Óptimo. Tenho um assunto urgente para tratar com os dois. Venham almoçar comigo no Sbabi dentro de uma hora. Ah! Não comentem nada com ninguém. É uma ordem.
— Usagi, eu achei que você iria ao cabeleireiro antes de viajar, como eu. O que foi? Gostou de ser morena?
— Tive outras providências a tomar, Maata, acabou não dando tempo.
— Vocês parecem irmãs — Luna estreitou os olhos.
Usagi a encarou.
— Acho que estamos pensando a mesma coisa, Luna.
— E o que é? — Maata quis saber.
— Creio que nós vamos repetir uma receita que usamos há bem pouco tempo, minha amiga — Usagi piscou para a rainha.
— E, para começar, iremos comprar algumas roupas novas — Luna apanhou a bolsa. — Para vocês duas.
No horário combinado, Luna, Usagi e Maata adentraram no Sbabi, e de imediato foram recepcionadas pelo maître.
— Majestade, Alteza, senhorita… Por favor, queiram me acompanhar. Os príncipes já chegaram.
Ao vê-las se aproximar, Miled e Sardok se levantaram.
Sardok franziu o cenho, porque Usagi não usava o véu sobre a cabeça. Embora fosse o mais jovem dos irmãos, era o mais conservador.
— Trouxe uma amiga, mamãe? — ele comentou, um tanto azedo.
— Meus filhos, esta é Usagi, uma amiga americana de Maata.
Miled, ao contrário de Sardok, era jovial e simpático. Ele sorriu para Usagi e puxou a cadeira para que ela se sentasse a seu lado.
Todos fizeram seus pedidos ao garçon, que se afastou, não sem antes fazer uma mesura para os ilustres clientes.
— Você disse que tinha algo urgente para falar connosco, mamãe. De que se trata?
— Eu vou lhes dizer, meu filho. Daí então você entenderá o porquê de Usagi estar aqui connosco.
Luna fez um óptimo resumo de todos os fatos para os príncipes, tomando o cuidado de omitir os pormenores que não fizesse sentido revelar.
Os filhos a ouviram sem interrupção — Miled, com toda a tranquilidade; Sardok, tenso como uma corda de violino.
Usagi a tudo observava, sem jamais interferir. A linguagem corporal dos príncipes lhe diziam muito mais do que aquilo que eles verbalizavam.
A refeição chegou. Usagi havia estranhado que o garçon não tivesse perguntado o que eles iriam beber, mas decidiu não fazer comentário. Assim que terminou de servi-los, o rapaz encheu seus copos com chá morno.
— Prefere tomar outra coisa, Usagi? — Miled indagou, muito gentil. — É costume nosso beber chá morno às refeições, ao contrário dos ocidentais, que preferem sucos, água ou refrigerantes gelados. O chá vem com a temperatura semelhante à da comida, e isso é muito benéfico para a digestão.
Usagi fitou o príncipe, sorridente.
— Quer dizer que todos vocês, sem excepção, bebem chá no almoço e no jantar?
Sardok respirou fundo, exasperado.
— Sim. Algum problema nisso?
Ela ignorou seu tom descortês.
— Muito pelo contrário, Alteza.
Almoçaram em silêncio e com calma. Assim que todos terminaram, Sardok deu vazão a seu profundo aborrecimento:
— Durante nosso almoço fiquei tentando imaginar o que faz as três acreditarem que podem interferir em assuntos de Estado. Vocês não passam de mulheres, e essa moça, além de tudo, é ocidental. Que brincadeira é essa, minha mãe? Temos um bando de arruaceiros ameaçando o bem-estar de todos nós, e você me obriga a perder tempo, vindo aqui para escutar sobre as peripécias de minha irmã caçula num país estrangeiro. Ora, faça-me o favor!
Sardok fez menção de se levantar, mas foi impedido por um simples olhar da rainha.
— Cale-se e fique aí mesmo! Não lhe dei permissão para se levantar.
— Eu…
— Mandei que se calasse!
Sardok olhou para o irmão, à procura de apoio, mas Miled era a própria imagem da imparcialidade.
— Tenho uma pergunta a lhe fazer, Sardok — a rainha endireitou a coluna e assumiu uma atitude tão autoritária que imporia respeito até mesmo ao sheik. — Faz dois anos que aqueles fanáticos vêm atormentando nossa família, fazendo exigências absurdas e ameaçando a todos nós. Somos um país pacífico em meio ao turbilhão em que se transformou o Oriente Médio. Você vem fazendo um bom trabalho cuidando da segurança do sheik. Porém, até este dia, não o vi dar uma ideia sequer do que pode ser feito para enfrentar os rebeldes. O que quero que me diga é: irá nos ajudar ou prefere se atolar em sua profunda arrogância, pelo simples fato de que não suportaria ver "simples mulheres" alcançando êxito em algo que você não conseguiu?
Ele sorriu, irónico.
— É impossível entrar na fortaleza deles, mãe. E sabe por quê? Porque eles podem ver um coelho se aproximar a quilómetros de distância, devido à localização privilegiada que têm. E os desgraçados se misturam na multidão; ninguém sabe apontar com certeza nenhum dos líderes, nenhum dos membros dessa facção. Se os rebeldes vissem uma mulher tentando se aproximar, ela seria abatida a tiros antes mesmo de ter avistado seu quartel-general. Ou pior: eles a levariam para dentro, e em meia hora ela estaria implorando para morrer.
Usagi e Maata se mantinham caladas, apenas trocando rápidos olhares de vez em quando.
— Sardok tem razão, Luna — Usagi meneou a cabeça. — Foi um sonho bobo que tivemos. Deixemos esses assuntos para os homens resolver.
Sardok, pela primeira vez, sorriu largo.
— Pelo que vejo, você não é tão tola quanto parece — Virou-se para a mãe. — Posso ir agora, Majestade?
Luna lhe deu permissão, com um aceno quase imperceptível.
— Não comente com ninguém sobre o que discutimos aqui, Sardok. E não pronuncie o nome de Usagi.
— Com todo o prazer!
Assim que ele se foi, a rainha encarou Usagi.
— Explique-se.
— Tenho um plano.
— Foi o que imaginei.
— Mas Miled terá de colaborar.
Maata tomou a mão do irmão.
— O que nos diz, Miled?
O príncipe suspirou.
— Tenho perdido noites de sono procurando por uma boa estratégia para acabar com eles com o mínimo de derramamento de sangue. Não quero expor o povo a tiroteios, a sofrimento desnecessário. Meu instinto me diz que estamos prestes a sofrer um atentado. Aqueles sujeitos estão mais atrevidos a cada dia. E eu lhes garanto que não vou dispensar nenhuma sugestão, muito menos por orgulho. Não posso me dar a esse luxo.
— Graças a Deus! — Luna deu um beijo no filho. — O que tem em mente, Usagi?
— Se não se importam, preciso ficar um pouco a sós. Quero pesar todos os prós e contras antes de expor o que pretendo fazer. Então, quando eu estiver com tudo arquitectado, tornaremos a nos reunir em um local bastante seguro… — ela olhou ao redor… e arregaçaremos as mangas.
— Muito bem. Vamos voltar para o palácio. Usagi, você ficará no quarto ao lado do de Maata.
Miled chamou o garçon e pediu a conta.
— Não sei qual seu interesse em tudo isso, Usagi, mas, para ser franco, não quero saber. Se conseguirmos desmantelar essa célula terrorista, você terá em mim um amigo eterno.
— Tudo vai dar certo, Alteza.
PrincessAngel




#29
Mulheres ao poder! Yeih Finalmente chegaram a Nakabir! Mal posso esperar para ver como será a reacçao do Mamoru quando vir a Usagi na terra dele! Ainda bem que a Beryl não criou muitos problemas, agora só espero que os fanaticos sejam postos no seu lugar!
Mal posso esperar pelo proximo capitulo! Esperancoso
as minhas fic's:
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
-Angelical
Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^
#30
olá Lulumon, é mesmo lol as mulheres é que deviam estar mesmo no poder loool... o Mamoru vai ter uma reacção que ui ui jasus ..... é so ver o que ela foi fazer a Nakibir lool





bjs espero que gostes do capitulo ....



a história esta quase a acabar
PrincessAngel




#31
Esclarecimentos:

Como sabem Sailor Moon não me pertence, pertence sim a Naoko Takeuchi.

E esta linda história também não me pertence, pertence a Tuca Hassermann.

Espero que gostem de a ler como eu gostei. Quero simplesmente a da-la a conhecer mas com os nomes dos meus personagens favoritos.

O Príncepe e a Plebéia

Enjoi.



CAPÍTULO 9

Para que não chegasse aos ouvidos de Mamoru a presença de Usagi no palácio, Miled, Maata e Luna foram para casa com seu motorista, mas Usagi seguiu mais tarde, de táxi, como uma amiga da princesa que vinha passar uns dias com ela.

Usagi foi conduzida aos aposentos de Maata, que a aguardava, ansiosa.

O trajecto desde a entrada até o harém deveria ter sido feito em poucos minutos, mas não foi possível. Usagi, boquiaberta, parava a todo instante para admirar a sumptuosidade e bom gosto da arquitectura árabe. O pé-direito do palácio tinha doze metros, informou-lhe Mohamed, o criado encarregado de conduzi-la até a princesa. A base da cúpula principal era toda de afrescos representando batalhas enfrentadas pelos ancestrais do sheik. No piso, magníficos mosaicos conferiam alegria e requinte, em contraste com o mármore de um branco imaculado das paredes.

— Os frisos do tecto eram de marfim, mas a rainha mandou substituí-las por madeira assim que se mudou para cá. Ela ama muito os animais, e diz que é um crime absurdo matar um ser tão incrível como o elefante apenas para se extrair as presas dele. O comércio de marfim e peles verdadeiras é proibido em Nakabir.

Uma gata passou correndo, seguida de três filhotes. Usagi sorriu ao vê-las brincando.

— Este lugar é um sonho…

— O palácio foi construído há setecentos anos, senhorita. É um dos orgulhos de nosso país.

Usagi levou a mão ao peito e não conteve um suspiro quando eles alcançaram o pátio interno.

— O jardim que circula a fonte é uma cópia exacta em miniatura do oásis que o sheik mandou fazer para a rainha Luna.

Ela arregalou os olhos.

— Não brinque! Ele fez isso?!

Mohamed sorriu.

— Se a senhorita tiver oportunidade de conhecer o oásis, não deixe de ir. É um verdadeiro espectáculo.

Usagi costumava assistir a documentários na televisão, e em diversas ocasiões vira templos e palácios maravilhosos. Mas estar dentro de um deles era uma experiência surpreendente. A impressão que tinha era de que entrara num outro mundo. Nada ali lembrava a realidade que a cercara desde o dia em que nascera.

As portas duplas que davam para o harém se abriram para lhes dar passagem.

— Nunca antes houve guardas aqui, mas o príncipe Miled não quer mais que nenhuma área fique desguarnecida. A segurança foi redobrada por ordem dele.

— Ser cauteloso nunca é demais — Usagi ajeitou melhor o xale em tomo da cabeça.

Subiram uma larga escadaria de ardósia encerada e alcançaram o corredor dos quartos. O harém também possuía um pátio interno, menor que o principal, mas não menos bonito. Bem no centro dele, um grande tanque com plantas aquáticas fazia sombra para as carpas, e suas raízes lhes serviam de esconderijo. Algumas mulheres conversavam ali, muito à vontade. Ao verem Usagi, acenaram-lhe.

— Quem são elas?

— Moradoras aqui do harém — fora a resposta sucinta de Mohamed, que parou diante de uma porta, assim que viraram à esquerda. — Estes são seus aposentos.

Ele girou a maçaneta e entrou, indo colocar a mala de Usagi aos pés da cama.

— Se a senhorita precisar de ajuda para arrumar seus pertences ou qualquer outra coisa, basta apertar o botão 7 de seu telefone e uma criada virá atendê-la.

— Muito obrigada, Mohamed.

O criado se inclinou e saiu, fechando a porta sem fazer ruído.

— Sim, senhor, as concubinas do sheik passavam muito bem — Usagi comentou consigo mesma.

— É o que diz a lenda.

Ela se virou rápido, assustada, e deparou com Maata.

— Como entrou aqui? — Usagi deu-lhe um abraço.

— Vê aquela estante? É na verdade uma porta de comunicação com meu quarto, que tem outra idêntica do lado de lá. Se quiser manter sua privacidade, basta baixar a trava, e assim a estante não deslizará.

Usagi ergueu os braços.

— Meu Deus, se eu morrer amanhã, irei feliz, só por ter estado aqui dentro. Como foi que lhe passou pela cabeça viver longe disto tudo?

— Não se esqueça de que moro neste palácio desde que nasci. Para você é novidade, mas para mim não.

— Mesmo assim. Estou deslumbrada!

— Você não viu nada ainda.

— E talvez nem chegue a ver.

— Não diga isso, Usagi. Pode atrair má sorte.

Usagi foi até o frigobar e se serviu de um copo d'água gelada.

— E então? Mamoru já encontrou a noivinha saudosa?

— Não. Houve uma mudança de planos. Ele e Beryl não vão mais se casar.

O coração de Usagi deu um salto.

— Não me diga. Mamoru estava tão decidido… O que aconteceu?

— Beryl se casou com meu outro irmão, Hassin, e eles estão viajando — foi a resposta sucinta de Maata.

— Hum! Será que a moça de nobre estirpe não conseguiu esperar por seu prometido? Bem, de todo modo ela se casou com um príncipe. Nada mal, não é? — sorriu, maliciosa. — Como está Mamoru? Ficou muito frustrado? Nossa, o próprio irmão o passou para trás! Pensei que em famílias como a sua essas coisas não acontecessem.

— Pare com esse sarcasmo. Não vou lhe dizer nada do que houve, pois isso é assunto particular de meus irmãos. Se quer saber os detalhes, pergunte a Mamoru.

— Não pretendo encontrá-lo. Farei o que tenho de fazer e irei embora logo em seguida.

Maata afagou o rosto de Usagi.

— Você ama Mamoru, não é?

— Isso não importa. Não alimentarei falsas esperanças. Gente como eu não se envolve com gente como ele.

— Está sendo preconceituosa, Usagi.

— Realista, isso sim.

Usagi caminhou até a estante, encontrou o mecanismo que a fazia deslizar e o accionou.

— Tenho de ficar sozinha, Maata. Há muita coisa para pôr em ordem aqui dentro — tocou a têmpora com o indicador. — Mais tarde nos falamos, está bem?

— Claro, fique à vontade.

Assim que a princesa ultrapassou a passagem secreta, Usagi fez a estante voltar para o lugar e baixou a trava.



Usagi pediu a Maata que avisasse à rainha e a Miled que já tinha tudo planejado; portanto, que marcassem a reunião.

Luna decidiu que o melhor lugar para não se levantar suspeita seria no próprio harém, nos aposentos de Usagi. Miled relutou; não era permitido aos homens, com excepção de alguns criados, ir até lá.

— Por isso mesmo, meu filho — a rainha afirmara. — Estaremos a salvo de todos os ouvidos.

Dessa forma, eles aguardaram até que todos os moradores do palácio se recolhessem para se reunir nos aposentos de Usagi.

Assim que todos se acomodaram — Luna numa poltrona; Miled e Maata em almofadas, sobre os tapetes —, Usagi começou a andar de lá para cá. Raciocinava melhor dessa forma.

— Meu plano é de uma simplicidade tão grande que num primeiro momento é bem possível que vocês não lhe dêem crédito. Mas eu lhes peço que me ouçam sem pré-julgamentos. Posso garantir que estratégias elaboradas demais costumam apresentar muitas falhas. Talvez seja por isso, Miled, que você ainda não alcançou êxito, apesar de todos os seus esforços.

— Diga, Usagi, o que tem em mente? — a famosa curiosidade de Maata ficava cada vez mais exacerbada.

— É costume dos povos desta região beber chá morno às refeições, certo?

— Isso mesmo.

— Portanto, se alguém pusesse algo no chá servido no palácio, todos sofreriam as consequências.

— Sim, claro, mas nossos criados são de absoluta confiança.

Jamais fariam algo semelhante.

— Mas se algum terrorista conseguisse entrar aqui, uma maneira rápida de pôr todos a dormir seria "baptizar" a água, como se diz vulgarmente.

— Imagino que sim — Miled franziu o cenho. — Eis aí um ponto vulnerável.

— Para todos.

O príncipe encarou Usagi.

— Seu plano é envenenar a água dos rebeldes?

— Nada disso. Não vou matar ninguém.

— Fale logo, Usagi!

— Fique quieta, Maata! — a mãe a repreendeu.

— Como eu disse, é tudo muito simples: entrarei no quartel general dos fanáticos e despejarei a maior quantidade possível de um forte sonífero em seu reservatório de água. Eles beberão o chá e dormirão como bebés. Quando todos estiverem fora de combate, telefono para você, Miled, que invadirá o local com seus homens e fará as prisões com toda a facilidade do mundo. Fim da história.

Miled ficou de pé, irritado.

— Estou acordado até esta hora para ouvir isso?!

— Calma, meu filho.

— Apenas uma perguntinha, moça: como pretende entrar naquela fortaleza? Vai se fantasiar de arbusto, como nas comédias de faroeste? — O príncipe respirou fundo, tentando se acalmar. — Nakabir é uma ilha, como você sabe. O quartel-general dos rebeldes fica no continente. De lá eles veriam com total clareza uma embarcação saindo daqui e se aproximando da costa. Não haveria a menor chance para você, nem para ninguém.

A passos largos, Miled foi para a porta.

— Não terminei, Alteza. Agora vem a melhor parte.

Ele se virou e cruzou os braços.

— Ah! Continue, estou louco para ouvir mais disparates.

— Nós três fizemos compras, antes de encontrarmos você e Sardok no restaurante. Eu e Maata adquirimos roupas idênticas.

— Usagi voltou a andar de um lado para o outro. — Vocês foram informados de um plano dos fanáticos para sequestrar a princesa. Que tal facilitar para eles?

— O que tem a ver as roupas com… — Miled arregalou os olhos. — Quer que aqueles homens a sequestrem achando que você é minha irmã?!

— Isso!

— Enlouqueceu?! Assim que desfizerem o equívoco eles não deixariam uma célula inteira de seu corpo!

— Sério? Acredita que algum deles conhece a princesa tão bem?

— Na verdade, vocês são até bem parecidas. Mas seus olhos são claros. A marca registada de minha irmã é ser morena de olhos azuis.

— Meus cabelos estão tingidos de preto, mas nenhum homem é capaz de distinguir entre uma cabeleira natural e uma tingida, concorda?

Ele fez um esgar, obrigado a admitir.

Usagi abriu uma gaveta da cómoda, mexeu em algo e em seguida se aproximou dele.

— O que me diz agora?

— Lentes de contacto!

— Eu falei que o plano era simples.

— Mesmo assim, Usagi, é arriscado demais.

— Quero tentar.

— Você pode ser assassinada. O que faremos se isso acontecer?

Usagi deu de ombros.

— Se eu cumprir minha missão a contento, ficarei muito feliz com um "muito obrigado". Caso contrário, paciência.

— Será mesmo que você é tão fria quanto quer fazer parecer?

— Todo o mundo morre um dia, Miled, mais cedo ou mais tarde — Usagi se dirigiu a Luna e Maata. — Basta discutirmos alguns pormenores, e amanhã mesmo colocaremos tudo em prática. Certo?

Instantes depois, Luna e Miled se despediram e foram dormir.

A sós com Usagi, Maata tomou as mãos dela.

— Ainda não decidi se você é a pessoa mais corajosa que já conheci ou se é uma completa desmiolada.

— Ambas as coisas, minha cara — Usagi a conduziu até o sofá.

— Maata, você se lembra de meu irmão, que venho procurando há anos?

— Sim.

— Muito bem. Se eu morrer, quero que me prometa que mandará alguém continuar a procurá-lo. No caso de Shingo estar precisando de algo, peço que o ajude. Faria isso por mim?

— Sem dúvida. Tem minha palavra de honra.

— Obrigada. Assim eu fico mais tranquila. Agora, vá dormir, minha querida.

— Tomamos o café juntas?

— Evidente. Até que tudo termine, eu serei sua sombra.

— Até amanhã, então.

— Durma bem.



— Bom dia — Mamoru cumprimentou os irmãos e o sheik, e se sentou com eles para fazer seu desjejum. — Mamãe ainda não desceu?

— Luna foi tomar o café-da-manhã com Maata, no harém — informou Artemis. — Pelo visto, elas ainda não mataram toda a saudade.

Mamoru se serviu de pão sírio e chancliche, um queijo temperado muito tradicional e delicioso.

— Ainda não vi Neflite desde que cheguei.

— Ele está bem — Sardok tomou um gole de suco de abacaxi com hortelã. — Mas tem reclamado do excesso de trabalho. Neflite é muito exigente, e não admite manter em seu escritório um funcionário que não seja no mínimo perfeito. Por isso, tudo acaba sobrando para ele.

— Ser Ministro do Tesouro de um país rico como o nosso é uma grande responsabilidade.

— E Neflite não admite erros. Basta uma pequena falha e ele demite o pobre secretário.

Mamoru colocou creme em seu café antes de indagar a Miled:

— Eu poderia ajudar em algo?

— Do que está falando?

— Dos rebeldes. Há alguma coisa que eu possa fazer?

Miled sorriu para o irmão.

— Sim. Fique longe deles. Será uma preocupação a menos para todos nós.

O sheik encarou o filho mais velho.

— Eu o conheço como a palma de minha mão, Mamoru. O que tem em mente?

— Deixei um assunto inacabado nos Estados Unidos, meu pai.

— De que tipo?

— Do tipo muito bonito e difícil de esquecer.

— Ora! Nosso futuro sheik se apaixonou? Quem diria!

Artemis repreendeu Sardok com o olhar.

— Você também devia se apaixonar. Um pouco de amor nesse seu coração duro talvez o fizesse mais doce.

— E para que eu preciso ser doce, meu pai?

— Para viver com mais alegria — Artemis tornou a se dirigir a Mamoru: — Vai se casar com essa moça?

Ali estava uma questão para a qual Mamoru não tinha resposta. Agora era um homem livre, e poderia desposar quem bem entendesse. Desde a última vez que vira Usagi, no restaurante, a imagem dela não o deixara em paz nem por um segundo. Era uma tortura deitar-se para dormir, pois o cheiro dela chegava com a brisa para atormentá-lo. A maciez de sua pele ficara gravada nas pontas de seus dedos. Sua risada debochada, embora o irritasse um pouco, tinha o dom de tornar o mundo ainda mais belo.

Mas Usagi era uma criminosa. Poderia confiar em alguém que caminhava à margem da lei?

Além disso, quem disse que ela o queria? Sim, Mamoru tinha plena consciência de que lhe proporcionara um prazer indescritível no leito. Empenhara-se bastante nisso. No entanto, daí a deduzir que ela também o amava ia uma boa distância.

Bem, só há uma maneira de saber.

— Pai, se você me disser que neste momento não sou necessário aqui, eu irei para os Estados Unidos tentar resolver minha… como direi… pendência.

— Pode ir, meu filho. Se essa moça vale tanto a pena, não a deixe escapar.

— É o que quero descobrir, meu pai. Eu a conheço muito pouco ainda.

— O suficiente para não suportar se manter longe, não é? Para mim, isso basta.

— Nosso pai é um eterno romântico, Mamoru.

— E você é um menino irritante, Sardok.

Rindo, Miled deu um tapinha carinhoso nas costas do irmão mais novo.

— Um dia Sardok vai conhecer uma garota que o colocará de joelhos.

— Duvido! — Sardok fez um esgar de menosprezo.

— Aposto cinco camelos que é apenas uma questão de tempo.

— Aceito o desafio, Miled.

Os dois deram-se as mãos, selando a aposta.

A princesa e a rainha entraram naquele momento.

— E sua amiga, Maata? Não a vi por aí. Resolveu não convidá-la para se hospedar connosco?

Mamoru, que levava um pedaço de pão à boca, fitou a irmã.

— Que amiga?

— Fomos fazer compras no shopping, ontem, e Maata encontrou uma amiga a quem não via fazia meses — Luna se adiantou.

— Uma beleza de moça — Sardok meneou a cabeça. — Como é mesmo o nome dela? Us…

— Samira — Maata mentiu.

Mas Sardok não pareceu convencido:

— Não era esse…

— Filho, venha comigo. Agora — determinou a rainha.

Luna o levou até uma sala contígua e trancou a porta assim que entraram.

— Pensei ter sido clara quando ordenei que nada fosse dito a Mamoru a respeito daquela jovem.

— Qual o problema, mamãe? O que ela tem a ver com Mamoru?

— Não é de sua conta. Obedeça-me!

Era muito difícil para Sardok acatar as ordens de uma mulher. Porém, sua mãe era a rainha de seu país, e devia-lhe essa obediência. Assim, engoliu sua indignação e baixou a cabeça.

— Desculpe-me. Não direi mais uma palavra a respeito disso.

— É bom mesmo.

E Luna voltou para a sala de refeições.

— Dêem-me licença, sim? — Mamoru limpou a boca e pôs o guardanapo ao lado do prato. — Tenho de tomar algumas providências para minha viagem.

Maata olhou para ele.

— Meu irmão, nós acabamos de chegar. Para onde você vai?

A rainha encarou o sheik.

— Ei, não tenho nada a ver com isso! Seu filho é dono da vida dele, Luna. Diga a ela, Mamoru.

O príncipe beijou o rosto da mãe.

— Vou para Nova York. Deixei algo para trás, e isso está me tirando o sono.

Pense rápido! Pense rápido!, Maata dizia a si mesma.

— Mamoru, por acaso está se referindo a Usagi?

— Usagi! É esse o nome! — Sardok, que retomava naquele momento, encontrou uma maneira de se vingar da rainha. — Ah, mamãe, me desculpe! Falei demais?

Luna respirou fundo e cerrou as pálpebras.

— Como? Usagi está aqui?! — Mamoru ficou de pé. — Onde? No palácio? De que modo ela veio para cá? E por que motivo? Quem permitiu a entrada dela? O que estará tramando? Foi você quem a trouxe, Maata? Posso saber o porquê?

— Pare para tomar fôlego ou você vai acabar perdendo os sentidos — o sempre bem-humorado Miled gracejou.

Maata não sabia o que fazer, que atitude tomar. Por isso, optou por sair correndo.

A princesa entrou em seus aposentos no harém e abriu a passagem para o quarto de Usagi.

— Mamoru descobriu que você está aqui! — disse, sem preâmbulos, para ela, que saía do banheiro enrolada numa toalha.

Usagi olhou para além de Maata, e a princesa compreendeu de imediato que fora seguida, mas não teve coragem de se virar para trás.

— Então é verdade. Você veio.

— Mamoru, os homens não podem entrar no harém!

Ignorando a irmã, ele entrou na suite de Usagi.

— Como é que se fecha esta coisa? — ele apontou para a estante.

Usagi segurou o braço de Maata, com muita gentileza, e a empurrou de volta para seu próprio quarto.

— Tenho de conversar com seu irmão. Depois nos falamos — e cochichou: — Não deixe o palácio sem mim, de forma alguma.

Maata fez que sim, e Usagi accionou o mecanismo da estante que deslizou, deixando-a a sós com Mamoru.

— Você adora me receber em trajes menores, não?

— Você é que tem o dom de só aparecer quando estou no banho.

Mamoru se aproximou tanto que seu nariz quase tocava o de Usagi.

— O que veio fazer em Nakabir? Como chegou aqui?

— Vim no mesmo avião que você.

— Não é possível.

— É, sim. Depois eu lhe dou os detalhes. Estou muito ocupada agora.

Ele apoiou as mãos nos ombros dela.

— Eu ia viajar para Nova York ainda hoje.

Usagi o encarou.

— Sério? Por quê?

— Estou livre do compromisso com Beryl. Aí, me lembrei de que conheci uma garota linda, sexy e que não inspira a menor confiança. Senti muita saudade dela, e desejei descobrir se seu gosto ainda era o mesmo de que me lembrava. Como essa moça vive em Nova York, era para lá que eu ia.

Grossas lágrimas assomaram aos olhos de Usagi.

— Conheço essa garota. Ela conheceu um príncipe do deserto e se apaixonou perdidamente. E mesmo sem a menor esperança de um dia ser feliz ao lado dele, decidiu atravessar o oceano so para sentir a presença de seu amado mais uma vez.

Mamoru a beijou com paixão.

— Sou louco por você, Usagi Baker. Mas não a ponto de acreditar que veio até aqui apenas para "sentir minha presença mais uma vez".

— Que tal deixarmos todas as explicações para mais tarde? — fitando-o com seu olhar mais fatal, Usagi tirou a toalha, jogou-a longe e se deitou na cama. — Venha até aqui, Alteza, e constate se meu gosto continua o mesmo.

Sem se fazer de rogado, com o coração cheio de alegria, Mamoru despiu-se e em segundos tomou para si, mais uma vez, aquela mulher excepcional.



Após fazerem amor, Mamoru acabou pegando no sono. Usagi aproveitou esse momento para apanhar sua roupa e correr para a suite da princesa, que a aguardava, impaciente.

— Temos de andar depressa. Se Mamoru acordar, nosso plano irá por água abaixo. Troque-se, Maata. Devemos ficar idênticas.

Dez minutos depois, elas deixavam o palácio: Maata sentada no banco de trás do Rolls Royce, bem perto da janela, e Usagi encolhida no piso, aos pés da princesa.

Nada podia dar errado. Se colocasse Maata em perigo, tudo estaria acabado para Usagi; Mamoru jamais a perdoaria.

Se conseguisse levar a cabo sua audaciosa estratégia, no entanto, livraria aquela família maravilhosa do risco de uma tragédia. Valia a pena arriscar o próprio pescoço.



O motorista seguiu para o mercado central. Desde menina Maata escolhia, ela mesma, todos os alimentos a serem consumidos no palácio. Era uma de suas maiores diversões. Ela ia aos boxes separava o que queria, e mais tarde os serviçais vinham buscar, em uma van.

Todos sabiam desse hábito da princesa, que era alvo da curiosidade dos cidadãos, que acompanhavam cada movimento dela. As mulheres tentavam imitar seus modos delicados e altivos. A chegada de Maata se tomava sabida de todos no mesmo instante em que colocava os pés no mercado. Naquele meio, ela era uma celebridade.

Portanto, se alguém pretendia sequestrá-la, aquele era o momento.

O motorista parou no estacionamento.

— Se quiser ir dar uma volta, vá, Jaber. Encontre-me aqui em meia hora — Maata falou em árabe.

— Claro, Alteza.

Com agilidade, Maata trocou de lugar com Usagi no piso do automóvel. Jaber abnu a porta do passageiro, e Usagi deixou o Rolls Royce para ir em direcção à bela construção em estilo persa.

Ela se pôs a caminhar com passo vagaroso, observando toda a incrível variedade de produtos disponíveis. Tomava cuidado para não apreciar. a beleza da arquitectura. A princesa conhecia aquele mercado muito bem, portanto não faria o menor sentido se ficasse admirando as imensas colunas de alabastro. Assim, Usagi se concentrou em seu papel. Facilitava muito o fato de ter de usar o véu que lhe cobria também parte do rosto. Porém, todos ali tinha certeza absoluta de que aquela era Sua Alteza Real Maata Faraj, por suas vestes caríssimas e a mecha de cabelos loiros visível por baixo do véu.

As pessoas a cumprimentavam com timidez, com leves acenos de cabeça, e Usagi correspondia, como faria a princesa, mas sempre com discrição.

Após quinze minutos de caminhada, conforme as instruções da rainha e de Maata, Usagi se dirigiu a um corredor pouco movimentado. Ali eram vendidas bebidas alcoólicas, e grande parte da população de Nakabir as evitava, por ser muçulmana. Aquela parte do mercado era frequentada apenas por estrangeiros e a família real.

Usagi se distraiu por cinco segundos, observando o rótulo de uma garrafa de vinho. Foi o que bastou. Seu nariz e sua boca foram tapados por um lenço, e a mão que os pressionava não demonstrou a menor delicadeza. Antes que pudesse ao menos pensar em se debater, ela desmaiou.



Mamoru estranhou não encontrar Usagi a seu lado, quando despertou. Onde estaria ela?

Vestiu-se e deixou o harém sob os gritinhos de algumas mulheres, que corriam a se esconder. O harém era seu refúgio, e elas costumavam ficar bem à vontade por ali, por não haver homens circulando.

O príncipe encontrou a mãe no jardim, lendo um livro.

— Olá, meu filho. O que fazia no harém?

Ignorando a pergunta de Luna, Mamoru quis saber:

— Usagi está com Maata?

Bem, pelo visto, o filho já sabia de tudo. Desse modo, não havia por que tentar disfarçar.

— Sua irmã foi ao mercado. Creio que Usagi aproveitou para dar um passeio.

— Desacompanhada?

— Imagino que sim.

— Sardok pediu que as mulheres não saíssem sem companhia até que os fanáticos fossem presos.

— Não se preocupe. Usagi é uma moça esperta.

— Sei.

— Aonde vai, Mamoru? — a rainha franziu as sobrancelhas ao vê-lo caminhar em direcção à saída.

— Procurá-la.



Maata voltou para o palácio e foi directo para seus aposentos, no harém. Sua mãe a aguardava lá, torcendo as mãos, nervosa.

— Até que enfim! Quais as novidades?

O olhar da princesa demonstrava sua aflição.

— Eles a pegaram. O combinado com Usagi foi que, se os rebeldes não a pegassem hoje, ela me esperaria na frente da mesquita. Dali ela me faria um sinal e depois viria para cá. Como isso não aconteceu…

— Que Deus a proteja!

— Só nos resta mesmo rezar, minha mãe.
PrincessAngel




#32
Aiii! Que capitulo!
Foi emoçao atras de emoção! Estou felicissima por ver o Mamoru e a Usagi outra vez juntos! Owh, a reacção do Mamoru foi tão linda! Esperancoso Ainda bem que nenhum dos dois foi cabeça dura! Eles fazem um casal maravilhoso!
Tinha fé que o plano da usagi tivesse bom resultado, mas esta ultima parte matou-me! Desiludido Não estava á espera que ela fosse apanhada de surpresa! _; E agora?! Já estou a imaginar o Mamoru a arriscar tudo por ela!
My God, mal posso esperar pela proxima actualização! Esperancoso

bjokas
as minhas fic's:
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
-Angelical
Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^
#33
Demorei a acabar os capitulos todos! Mas adorei! Escreves muito bem e tenho de ser sincera, que nunca pensei que uma fic assim me pudesse colar ao ecra e estou a ser mesmo sincera! Continua.
#34
aguardando mais novidades
essa história é muito boa
ansiosa para saber se o plano da usagi vai dar certo e se mamoru irá desposá-la
#35
lulumoon ainda bem que gostou .. ehehe realmente ninguém estava á espera que ela fosse apanhada mas prontos foi assim que aconteceu lool .... mas acho que ela se vai "safar" loool .. espero que goste deste capitulo .... bjos
Ola DanyeDiana ainda bem que gostaste mas o crédito da escrita nao é pra mim lool e pró Tuca Hassermann aliás como disse no primeiro post.. nao me sentiria bem em adaptar uma história e dizer que fui eu que a escrevi .... mas o que interessa e que gostou eheh bjo
Lucy Eternal bem demorou um pouco mas cá estou eu a actualizar a história .. bem vai saber se o plano deu certo ou não .. basta ler ihihihi bjo
PrincessAngel




#36
CAPÍTULO 10
Quando voltou a si, Usagi se viu deitada sobre um colchão sujo dentro de um quarto imundo. O ambiente cheirava a tabaco, comida velha e suor.
Sentou-se e esfregou as têmporas, tentando afastar a dor de cabeça. Aquele devia ser o quartel-general dos fanáticos religiosos. Dali em diante, estava por conta própria. O quarto em que a trancaram era comum. Não havia nem mesmo grades na janela.
Para quê? Uma mulher, fraca e covarde como todas as outras, jamais tentaria fugir, Usagi comentou consigo mesma. Ao som da chave sendo girada do lado de fora da porta, Usagi se encolheu na cama, fazendo seu número de mocinha assustada.
Três homens entraram, dois portando uma submetralhadora e o outro, uma filmadora ligada.
Usagi arregalou os olhos, e os sujeitos sorriram. Um deles cuspiu de lado.
O de aspecto mais assustador chegou mais perto dela e começou a vociferar em árabe. Usagi cobriu o rosto com as mãos e começou a se lamentar e soluçar, como se estivesse enlouquecida de pavor.
Os homens gargalharam e a deixaram a sós de novo.
Usagi foi até a vidraça e observou a posição do sol para saber as horas, como Maata a ensinara. Ao meio-dia todos parariam para as orações; esse seria o momento de agir, pois logo após a reza, todos iriam almoçar.
Assim que ouviu o chamado do muezim para que todos se voltassem para Meca, Usagi arrancou o véu e a túnica. Por baixo, usava sua roupa especial, colante e preta, bem como botas de alpinista. Amarrou os cabelos num rabo-de-cavalo, abriu a janela e, embora com alguma dificuldade, escalou a parede externa até o telhado.
Correu agachada até o reservatório de água e empurrou a tampa. Era muito pesada, mas uma fresta bastaria. Abriu o ziper da blusa, apanhou um grande pacote de ervas, esmigalhou-as e as atirou dentro do reservatório. Makoto, a cozinheira do palácio, garantiu que aquela quantidade era suficiente para derrubar um exército.
Pronto! A sorte está lançada.
Usagi retomou a sua cela, saltou para dentro e tornou a pôr a túnica e o véu.
Todos os homens que julgavam tão mal as mulheres deveriam aprender uma lição como aquela ao menos uma vez na vida.Ao retomar ao palácio, Mamoru estava aflitíssimo. Ninguém vira Usagi em lugar algum.
Foi directo para a sala particular do sheik e se espantou ao ver todos ali reunidos, com a atenção toda concentrada na televisão.
Na tela, um homem encapuzado falava, quase aos berros:
— Nossa hora chegou! Nakabir se tornará um lugar abençoado.
Os desmandos desse sheik infiel estão com os minutos contados!
Então sua imagem foi substituída pela de uma moça, encolhida sobre um leito asqueroso, chorando apavorada.
— Nós sequestramos a filha de Artemis. E a princesa só voltará para casa com vida se todas as nossas reivindicações forem atendidas. A primeira delas é que o sheik entregue o comando do país a Ibn'Maui, nosso líder, o único que poderá conduzir o povo para o caminho certo. Daqui a duas horas o sheik deverá vir, sozinho, até nossa fortaleza. Ele ficará em nosso poder no lugar da filha, para termos certeza de que tudo sairá conforme nossas determinações. Revolução até a vitória!
E a transmissão se encerrou.
Foi Mamoru quem rompeu o pesado silêncio:
— Eles afirmam ter pego Maata, mas ela está aqui. O que significa isso?
Os olhos da princesa estavam cheios de lágrimas.
— Mamoru, Usagi insistiu tanto!
— O quê?! Vocês a deixaram cair nas mãos desses psicopatas?! Enlouqueceram?!
E toda a família Faraj testemunhou a primeira explosão de cólera de Mamoru em todos os seus trinta anos de vida.
— Quem é o maldito responsável por isso?!
— Mamoru, não blasfeme!
— Meu pai, eu exijo uma resposta agora!
Miled se levantou e se aproximou dele.
— Não posso lhe dar todas as explicações neste momento, porque tenho de estar a postos com meus homens quando recebermos o sinal de Usagi. Mas nossa mãe o colocará a par de toda a estratégia idealizada e posta em prática por… Usagi.
Mamoru o prendeu pelo colarinho e o sacudiu.
— Você, seu cretino incompetente! Não foi capaz de resolver o assunto e não teve escrúpulo em recorrer a uma garota frágil, que não tem nada a ver com esse problema todo, e a jogou nas mãos daqueles assassinos! Eu vou matá-lo, Miled!
Sardok correu em defesa do irmão.
— Fui contra desde o começo, Mamoru, mas a ideia de Usagi é boa.
— Está dizendo isso porque não ama ninguém, Sardok! Para você tanto faz se ela sair viva disso ou se a devolverem aos pedaços!
Mamoru empurrou o irmão para longe. Sem tecer comentários, Miled saiu apressado do palácio.Os furgões do exército adentraram Nakabir, vindos do porto, trazendo os rebeldes algemados e ainda tontos por causa do chá com sonífero. Vários deles reclamavam de fortes dores de barriga, mas tiveram de aguentar firme a travessia de navio.
O povo recebeu os heróis com grande alegria. Mães se aproximavam de Miled e lhe davam seus bebés para que ele os beijasse.
A rebelião fora massacrada, e quase sem derramamento de sangue. Apenas três dos fanáticos tentaram reagir e acabaram mortos.
Os presos foram conduzidos directo para o presídio, e iriam responder por vários crimes. Dificilmente voltariam a ver o sol em liberdade antes da velhice.
Ao sair do veículo, Miled tomou a mão de Usagi, que se manteve a seu lado o tempo todo, e a conduziu até a entrada do palácio. Ali, o príncipe parou e ergueu a mão, pedindo silêncio aos cidadãos.
— Povo de Nakabir, este dia é um marco para nosso país. Conseguimos pôr um fim às pretensões insanas de um bando de assassinos que pretendiam dar início a vários atentados sangrentos, que envolveriam muita gente inocente. E devemos essa grande felicidade a esta jovem a meu lado. A srta. Usagi Baker se ofereceu em detrimento da própria segurança, para participar dos eventos que culminaram na prisão desses malfeitores. A ela todos nós devemos os mais sinceros agradecimentos. E nossa família, a própria vida — Mlled a fitou com grande ternura. — Muito obrigado, Usagi. Você é uma mulher única.
E sussurrou ao ouvido dela:
— Mamoru tem muita sorte.
Todos romperam em aplausos, e Usagi teve de conter o pranto. Só se sentira tão bem antes, como naquele momento, nos braços de Mamoru.
Os dois acenaram para a população e entraram no palácio.
Mamoru veio correndo e, ao vê-las de mãos dadas, desferiu um soco no rosto de Miled, que quase perdeu o equilíbrio.
— Mamoru, o que está fazendo?! — Usagi o impediu de tornar a agredir o irmão.
— Não basta ele ter permitido que você se arriscasse tanto? Agora quer roubá-la de mim? De jeito nenhum!
Usagi sorriu e estreitou os olhos, sedutora.
— Acha que me comportei mal, Alteza?
— Sem dúvida!
— Nesse caso, é necessário que você me ensine de novo que devo ser submissa, não é?
— Pelo visto, sim.
— Deverei obedecê-la e só ter olhos para você.
— Isso mesmo.
Usagi se encostou nele, e percebeu que por baixo da dishdasha Mamoru exibia sua excitação.
— Por favor, Alteza, mal posso esperar para receber a lição que mereço!
Mamoru lançou um olhar de superioridade para Miled, pegou Usagi no colo e subiu com ela para seus aposentos.Envolvidos pela espuma da banheira, bastante relaxados, Mamoru estreitava Usagi de encontro a seu corpo.
— Quase enlouqueci de preocupação. Nunca mais você fará algo parecido, Usagi. Tem de jurar!
— Não sei… Acabei sendo regiamente recompensada — e deu-lhe um beijo escaldante.
— De hoje em diante, tem minha palavra de que todos os dias você terá essa "recompensa" se for bem boazinha.
— E obedecer você.
— Em meu mundo, essa é a obrigação de toda esposa.
Ela o encarou.
— Está me pedindo em casamento?!
— Sim, minha querida! Só assim poderei mantê-la na linha.
— Será? Não me parece que sua mãe obedece seu pai.
— Ela é rainha.
— Também serei um dia.
— Só se aceitar se casar comigo.
— Meu amor… Se eu fiz tudo isso por você!
Mamoru a apertou contra o peito.
— Eu é que devia protegê-la, e não o contrário.
— Terá todo o tempo do mundo para isso, Mamoru.
Ele afastou uma mecha de cabelo que caiu sobre a testa dela.
— Eu te amo, Usagi Baker. Você será a princesa mais linda de toda a região.
— Não deixe que Maata o ouça.
— Ela me perdoaria. Sou um homem apaixonado.
E Mamoru selou aquele momento com mais um beijo, que não deixou a menor dúvida quanto a seus sentimentos.


Glossário:
Muezim – é o encarregado de anunciar em voz alta, do alto das almádenas (ou minaretes), o momento das cinco preces diárias. O chamado consiste em proferir a frase Allah hu Akbar (Alá é grande), seguida da chahada, a "profissão de fé" islâmica através da qual se atesta que "não há outro Deus para além de Alá e Muhammad é o seu profeta". Esse chamamento (adhan) é entoado de forma melodiosa, sendo necessário que as palavras sejam bem pronunciadas.
PrincessAngel




#37
Bem agora só falta o Epilogo e acaba a história .... epero que tenhao gostado.... bjos
PrincessAngel




#38
Bem eu vou publicar agora o epilogo.... apesar de nao terem comentado o ultimo capitulo ....



EPÍLOGO
Um ano depois
Querido tio Kunzite Murray, Eu sempre lhe disse que, se um dia me desse bem na vida, a primeira pessoa de quem iria me lembrar seria você. Todas as vezes em que fui devolvida ao orfanato, foi você quem me apoiou e enxugou minhas lágrimas. E me resgatou das mãos de meu último pai adoptivo, que não precisava de motivos para começar a me espancar. Por causa dele eu aprendi karaé, lembra?
Sempre que me meti em encrencas foi a você que recorri.
Aliás, muito obrigada por ter cuidado de Maata naquele episódio do roubo da joalharia. E também foi muito esperto de sua parte descobrir a idade de Ivan Davidovitch com o investigador Yaten. Ele continua antipático?
Embora você não tenha acreditado, Maata é mesmo uma princesa árabe. E a novidade é que eu agora também sou.
Veja você! Casei-me com o irmão dela, a quem amo de todo o coração, e estou muito feliz. O sheik, pai dele, me recompensou por um servicinho que prestei por aqui, e por isso posso lhe dar aquilo com que você sempre sonhou, tio Kunzite. Esse cavalheiro sentado a sua frente lhe entregará um cheque. Parte da quantia que lhe envio deverá ser usada para pagar a faculdade de seus filhos. A outra, para quitar a hipoteca de sua casa. E o restante, para você abrir seu próprio escritório. Quero que você continue a procurar por meu irmão. Isso é importante demais para mim.
Como Último favor, peço-lhe que dê um jeito de colocar o outro envelope que receberá em cima da mesa do investigador Yaten. Ele não deve saber de modo algum que foi você quem o deixou lá; tome cuidado. Garanto que Yaten ficará satisfeitíssimo com o presente que ganhará.
Assim que for possível, quero que venha me visitar. O que não falta neste palácio é acomodação para hóspedes.
Cuide-se, tio Kunzite, e se mantenha em contacto comigo.
Com todo meu amor,
Sua Alteza Real Usagi B. F araj
Kunzite enxugou os olhos. Jedite estendeu-lhe um cheque e um envelope pardo.
— Obrigado. Mande um grande abraço para Usagi.
Jedite se levantou, fez um aceno com a cabeça e se foi.
Seiya Riscoe encontrou um envelope cor-de-rosa no meio de sua correspondência. O carimbo do correio mostrava que fora enviado da Alemanha. Não tinha remetente.
A mensagem era sucinta. Nela, Usagi lhe dizia que pretendia voltar para Nova York, e para isso sabia que precisava fazer as pazes com ele. Então, lhe enviava a chave de um cofre de banco, no nome dele, onde ela guardara todas as jóias roubadas.
As pupilas de Seiya brilharam.
— Ela não é tão burra quanto pensei. Sabe quem é que manda.
Seiya não perdeu tempo: foi directo para o banco. O atendente o levou ao sector onde ficavam os cofres.
Seiya girou a chavinha na fechadura, e lá estava uma grande bolsa preta. Ele a apanhou e a pôs sobre a mesa. Verificou o conteúdo.
— Aquela vigarista! Roubou de mim muito mais do que eu imaginava!
Tornou a colocar tudo na bolsa e retomou ao saguão. Agradeceu ao atendente, virou-se para deixar o banco e quase pisou no investigador Yaten, a milímetros dele.
— Lembra-se de mim, Seiya? Você me fez passar por um grande vexame com aquela sua denúncia falsa — ele apontou a bolsa pendurada no ombro de Seiya. — Deixe-me ver o que tem aí.
Sem opção, Seiya entregou-lhe a sacola de nylon e suspirou.
— Sabe, Seiya, eu adoro quando coloco as mãos num verdadeiro bandido. Você está preso. E se depender de mim, vai amargar muitos anos atrás das grades.
Na biblioteca do palácio, Usagi recebeu o e-mail de Kunzite com a boa notícia: Seiya fora encarcerado. O mundo poderia respirar melhor dali em diante.
Desligou o computador. Ao se levantar, foi abraçada por trás.
— Você fica tempo demais sentado aqui. Tem de se exercitar, senão sentirá dores nas costas.
Usagi se virou e enlaçou o pescoço de Mamoru.
— É verdade. Minha barriga já começa a pesar bastante.
— Os quatro meses que faltam demorarão muito a chegar!
— Não seja impaciente, Alteza — Usagi o beijou. — Já ouviu dizer que as mulheres costumam ficar mais… acesas depois que engravidam?
— Sério?
— Hu-hum…
— Nesse caso, vamos para o quarto. Mulheres grávidas não podem ser contrariadas.
Mamoru a pegou no colo. Ao subir as escadas para seus aposentos, passou por Maata e Luna, que sorriram, encantadas.
— Jamais imaginei que um dia fosse ver meu irmão tão feliz.
— O amor rompe todas as barreiras, minha filha. E tem a capacidade de transformar todas as diferenças, também.
— Graças a Deus!
***Fim***


e assim caba espero que quem acompanhou tenha gostado...

bjos
PrincessAngel




#39
Olá, princesse angel. Bem, eu já tinha lido o outro capitulo mas não tinha comentado.
É assim, a historia não é tua e sim de Tuca hassermann, mas mesmo assim vou expressar a minha opinião. Eu gostei muito da historia e estava em pulgas para saber como se ia tudo desenrolar, só que este final... Bem, não gosto de usar a palavra "Desilusão", mas o que senti no ultimo capitulo foi um pouco disso. Chamemos-lhe surpresa, vá. É que na minha opiniao pessoal, aquele ultimo capitulo parece que foi feito a correr. Estava à espera de algo mais emocionante e complexo. Nunca pensei que seria tão facil a Usagi escapar, acho que não deu para ver a sua verdadeira agilidade a tratar dos fanáticos. Alem disso, mal se viu a intervenção do Mamoru na ausencia dela. Acho que a reacção dele podia ter sido mais explorada e não apenas raiva pelo irmão que o ignora e vai receber o exercito e os fanáticos adoentados.
Outra coisa que me entristeceu foi o facto de a Usagi não encontrar o seu irmão. No inicio da historia pensei que isso ia ser um pormenor a ter sempre em conta, mas afinal passou para segundo plano.
Não te sintas mal com o que eu disse, porque como tu propria referiste muitas vezes, esta historia não te pertence.
Apesar deste ultimo capitulo, todos os outros compensaram, pois deram-me sempre apetite por mais. Obrigada por teres partilhado este livro connosco, eu gostei muito da historia em geral e o enredo em si era cativante.
Quando quiseres postar outra, terei muito gosto em ler! Embaracoso
Bjokas
as minhas fic's:
-Unidos pelo destino, unidos por todos!
-Angelical
Leiam, vale a pena! e nao se eskeçam de comentar! ^^
#40
Olá lulumoon é claro que tens direito de te sentires desiludida com o final da história.... eu também gostava que o final tivesse tido um pouco mais de emoção.... e que a Usagi não tivesse fugido de uma maneira tão simples .E o Mamoru também devia ter intervido mais... mas prontos ele escreveu assim...Quando li a historia pela primeira vez tambem pensei que ela ia reencontrar o irmão mas no fim também me desiludi um cadinho mas não foi por isso que deixei de gostar ... e como em muitas historias que lemos tambem nos desiludimos ....
Eu nao me senti mal com o teu comentario até porque acho que tens razão ....
Sim acho que vou postar ... mas ainda não sei se vou postar aqui também se é so o ff.net porque os outros autores podem não gostar muito pois sao so adaptaçoes ..... é que eu não tenho muito jeito pa inventar histórias.... como muitos dos que estão aqui ... e esses sim e que merecem serem elogiados pelas maravilhosas historias que tanto nos cativam a todos ....
Beijinhos
PrincessAngel




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