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Futuro
Desfeito
por
BunnyGirl e
Ju
Cap�tulo 7
Endymion encontrava-se no quarto, ainda deitado na cama. Recordava os
momentos de amor que tinha passado com a sua Rainha. Ela ainda me
ama, agora tenho a certeza. Est� confusa, mas vou conseguir
reconquist�-la. � pensava sorrindo. Abra�ou-se � almofada. Ainda
tinha o cheiro dela.
Ent�o, bateram � porta.
Endymion (pensando): Ser� ela?
Vestiu rapidamente umas cal�as e correu para a
porta.
Endymion (sorrindo): Sereni...
O sorriso esmoreceu quando se apercebeu de quem
era.
Endymion (irritado): Que raio est�s tu aqui a
fazer?
B�rbara (ir�nica): Ui! Essa anima��o toda � por
minha causa?
Tentou beij�-lo, mas Endymion afastou-se.
Endymion (seco): Diz l� o que queres, afinal.
B�rbara (com um sorriso maldoso): Bem, achei que
algu�m te devia alertar para o que se passa no pal�cio.
Endymion: Que se passa? Aconteceu alguma coisa �
Serenidade?
B�rbara: Oh, nada de mal! Muito pelo
contr�rio...
Endymion: Explica-te.
B�rbara: Bem, digamos que a tua queridinha j�
arranjou um amigo novo para brincar!
Endymion gelou. N�o. N�o era poss�vel. A
Serenidade nunca lhe faria isso. N�o depois dessa tarde.
Endymion: P�ra com essas mentiras, sua v�bora.
B�rbara (passando os dedos pelo tronco nu de
Endymion): N�o estou a mentir. Se quiseres confirmar � s� ires ao
pal�cio. Ele est� hospedado l�. E olha que � bem giro. N�o se pode negar
que aquela tonta tem bom gosto...
Endymion (empurrando-a): Larga-me! Se pensas que
me conquistas com essas mentiras est�s bem enganada. A Serenidade
ama-me, tal como eu a amo.
B�rbara: Fia-te nisso. N�o sei o que se passou
entre voc�s... (fez uma pausa enquanto olhava Endymion de cima a baixo)
Ou melhor, at� fa�o uma ideia... Mas acho melhor come�ares a
conformar-te que foste trocado.
Endymion: Sai! Sai imediatamente da minha casa!
B�rbara (mandando-lhe um beijo): Tudo bem,
cherry. Mas confirma a minha hist�ria. E depois... bem, sabes onde me
encontrar.
E saiu, deixando Endymion perdido nos seus
pensamentos.
Entretanto, no pal�cio...
- Chamaste Serenidade?
Serenidade: Sim, Uranus. Senta-se.
Uranus: Que se passa?
Serenidade contou-lhe ent�o a hist�ria toda. �
medida que ia avan�ando, o rosto de Uranus ia-se contraindo cada vez
mais. Quando Serenidade acabou, Uranus levantou-se e come�ou a andar de
um lado para o outro a praguejar. De repente parou e deu um murro na
mesa.
Uranus: Aquela vaca! Chamaste-me porque queres
que acabe com ela, n�o �?
Serenidade (estranhamente calma): N�o.
Uranus (at�nita): N�o? N�o queres que ela pague
pelo que fez? Desculpa l�, mas seres assim t�o boazinha j� come�a a ser
burrice.
Serenidade: Uranus, n�o te admito. Posso ser tua
amiga, mas antes disso sou a tua Rainha.
Uranus: Desculpa. Deixei-me levar.
Serenidade: Sim, eu reparei. Muito bem, o que eu
quis dizer foi que n�o quero que fa�as nada... ainda. Por enquanto vais
limitar-te a vigi�-la, vais seguir todos os seus passos... Algo me diz
que ela ainda esconde muitos segredos.
Uranus: Tudo bem. Como queiras.
Algu�m bate � porta.
Hugo (entrando): Desculpem interromper...
Serenidade: N�o interrompe nada. N�s j� t�nhamos
acabado. J� agora, Uranus, este � o pr�ncipe Hugo do Reino do Oculto.
Hugo, esta � a Uranus, uma das minhas fi�is guardi�s.
Hugo (fazendo uma v�nia): Encantado.
Uranus (fria): Igualmente. Bem, se j� n�o
precisas de mim, vou retirar-me.
E saiu, n�o sem antes lan�ar um olhar amea�ador
a Hugo.
Serenidade (embara�ada): Pe�o desculpa. Ela �
muito protectora. Age sempre assim quando me v� com algum homem que n�o
seja o Endymion.
Hugo: Endymion � o seu marido, certo? Estranhei
ainda n�o o ter visto.
Serenidade (entristecendo): Bem, � uma hist�ria
complicada. N�s estamos separados.
Hugo: Desculpe. N�o devia ter falado disto. A
culpa � minha.
Serenidade (fazendo um sorriso triste): N�o, n�o
se preocupe. Isto passa.
Hugo: E h� alguma coisa que possa fazer para a
ajudar?
Serenidade: Bem, podia continuar a falar comigo?
N�o sei explicar porqu�, mas voc� acalma-me.
Hugo: O mesmo acontece comigo. Tenho vontade de
a conhecer melhor. Mas acho que nos dev�amos deixar destas formalidades.
A partir de agora trata-me por tu.
Serenidade: Ok. Acho que vamos ser bons amigos.
Hugo (sorrindo): Algo me diz que sim. Mas
fala-me de ti, conta-me tudo. Quero saber como � a Serenidade que n�o �
a Rainha, como � a verdadeira Serenidade por tr�s da lenda.
Serenidade come�ou, assim, a contar a sua
hist�ria. Disse-lhe tudo, desde o seu passado no Reino da Lua, da sua
vida como guerreira navegante, de todos os problemas que tivera que
enfrentar at� conseguir ser feliz e como tudo se tinha desmoronado com a
morte da filha. A sua voz foi ficando cada vez mais tremida � medida que
contava como Small Lady tinha morrido. Quando acabou desfez-se em
l�grimas. Contar aquilo fazia-a sofrer tanto como no primeiro dia. A dor
ainda n�o desaparecera. No entanto, sentia-se aliviada por ter
confessado aquilo a algu�m.
Ent�o, Hugo abra�ou-a. Um abra�o quente, suave
e, de algum modo, estranhamente familiar. Ele fazia-a sentir-se bem.
De repente, Serenidade apercebeu-se do absurdo
daquela situa��o e afastou-se bruscamente dele. O que lhe tinha passado
pela cabe�a? Hugo era um estranho. Por muito que sentisse que ele era de
confian�a, tinha acabado de o conhecer!
Serenidade (atrapalhada): Desculpa. N�o sei o
que se passou. N�o me devia ter deixado abater desta maneira.
Hugo: N�o precisas de ficar envergonhada. Poder
sentir dor � algo bom, � o que nos torna humanos. E conseguir lidar com
a dor � o que nos torna fortes. Al�m disso, sei como � dif�cil perder
algu�m que amamos.
Serenidade: Mas perdeste algu�m importante?
Hugo: N�o sei se posso considerar isto como
perder. � mais nunca ter conhecido. Sabes, a minha m�e morreu pouco
depois de eu ter nascido, por isso fui criado apenas pelo meu pai. Nunca
cheguei a conhecer a minha m�e, mas tenho a certeza que ela era uma
pessoa extraordin�ria. O meu pai ainda hoje fala dela com muito
carinho... Acho que nunca deixou de a amar. Pergunto se algum dia me vou
apaixonar dessa maneira...
Olhou para Serenidade que retribuiu o olhar.
Ficaram assim durante imenso tempo, a trocar olhares e pensamentos. N�o
precisavam de falar porque os seus olhos diziam tudo o que precisavam de
saber. Parecia que j� se conheciam h� muito tempo, talvez de outra
vida...
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