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Futuro
Desfeito
por
BunnyGirl e
Ju
Capítulo 1
Chegou ao palácio, subiu as escadas
até ao seu quarto, trancou a porta e deslizou por ela até ficar sentada
no chão. Não, não podia ser verdade! Ela não podia estar... Não!
É um
pesadelo, é isso, um pesadelo. Em breve vou acordar e vou tê-la ao meu
lado a chamar-me e a dizer que quer ir comigo ás reuniões. Mas porquê
que nunca mais acordo? Porquê que as palavras daquele médico não me saem
da cabeça? “Lamento,
Majestade, mas não pudemos fazer nada.” Não acredito, não posso
acreditar! Não...
Serenidade foi
sussurrando estas palavras até que acabou por adormecer, exausta de
tanto chorar e de tanto sofrimento.
No dia seguinte,
acordou deitada na cama. O dia estava sombrio e chuvoso, restos da
tempestade do dia anterior.
Serenidade
(pensava, enquanto se espreguiçava): Que pesadelo horrível! Ainda bem
que já acordei!
Nesse momento, a
mãe entrou no quarto com ar miserável e os olhos vermelhos.
Mãe: Acordaste,
finalmente. Encontramoste a dormir junto à porta. Como te sentes? Sei
que te custa, que vocês as duas eram muito unidas, mas somos uma
família, e amamo-nos muito. Juntos vamos conseguir ultrapassar esta
fase!
Serenidade (a
pensar): Não! Era verdade? Não tinha sido um pesadelo? Mas a mãe estava
ali, na frente dela, o rosto contraído de dor a confirmar aquilo que ela
tanto temia!
Serenidade
agarrou-se à mãe e desatou a chorar convulsivamente. Ficaram assim,
durante o que pareceram horas, a chorar a perda daquela que lhes era tão
querida.
Aquela menina de
cabelos cor de rosa e olhos vermelhos que alegrava aquele palácio e
iluminava as suas vidas com as suas traquinices, com as suas birras, com
os seus risos de criança inocente. Aquela menina chamada Small Lady
Serenidade.
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No dia seguinte foi o funeral. Á volta daquele pequeno caixão,
reuniam-se todas as pessoas do reino, todas de negro, para dizer
adeus pela última vez a Small Lady.
Serenidade encontrava-se junto à sua mãe, com ar bastante fraco.
No entanto, não chorava.
Quando regressaram ao palácio Serenidade dirigiu-se para o seu
quarto, deitou-se na cama, com os olhos vazios e com os
pensamentos bem longe dali; recordava-se de como tudo se passou,
o momento em que a sua filha a foi visitar quando ainda era
adolescente, o dia do seu casamento, o nascimento da filha e o
motivo da sua morte.
Tinha expulso Endymion do palácio, do reino e retirara-lhe
também os seus poderes, o que fez com que ele passasse a ser um
homem normal. Sé de pensar na filha que tinha acabado de perder
por causa daquele desgraçado!
Entretanto, voltou aos seus pensamentos. Por mais que tentasse,
não conseguia deixar de pensar nisso. As imagens surgiam na sua
cabeça como se tivessem vontade própria.
Tudo começara cerca de um mês atrás. Uma estranha doença
apoderara-se da sua filha e nenhum médico do reino conseguia
descobrir o que se passava. Ami sentia-se derrotada por não
conseguir curar a pequena dama, enquanto que Endymion estava
destroçado porque a filha não o deixava aproximar-se dela e não
dizia o porquê. A cada dia que passava, Small Lady mostrava-se
mais fraca, mais abatida. As cores iam desaparecendo lentamente
da sua face, os olhos estavam tristes e apagados. O seu estado
ia-se deteriorando a olhos vistos até ao dia em que,
simplesmente, deixou de lutar contra a doença.
Era um dia sombrio. Os trovões ressoavam por todo o palácio. Há
muitos anos que não se via uma tempestade assim.
Small Lady: Mamã!
Serenidade acordou do seu sono ao ouvir a voz débil da filha.
Tinha-se deixado dormir em cima da cama desta. Não a queria
deixar sozinha pois sabia o medo que ela tinha dos trovões.
Olhou para Small Lady, que respirava com dificuldade. Estava
ligada a diversas máquinas, já que o seu fraco corpo já não se
conseguia aguentar sozinho.
Serenidade (falando com voz doce e passando-lhe as mãos pelos
cabelos e dizendo ao mesmo tempo com as lágrimas nos olhos): Shh.
Querida não te esforces. Ouviste o que os médicos disseram...
Não te preocupes, a mãe vai arranjar uma maneira de te curar.
Small Lady (insistiu): Mamã, preciso de te contar uma coisa!
Porquê que ela tem que ser sempre tão teimosa? Pensava
Serenidade.
Serenidade (tomando a filha no colo): Então diz, querida.
Small Lady (com lágrimas nos olhos): Mamã, eu... vi o pai com
outra mulher!
Dito isto, desfaleceu nos braços da mãe, enquanto uma lágrima
lhe corria pelo rosto. |
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